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Materiais de Construção Civil I – 2004/1 28 1.4 Cimento Portland 1.4.1 A história do cimento A procura por segurança e durabilidade para as edificações conduziu o homem à experimentação de diversos materiais aglomerantes. Os romanos chamavam esses materiais de “caementum”, termo que originou a palavra cimento. O engenheiro John Smeaton, por volta de 1756, procurava um aglomerante que endurecesse mesmo em presença de água, de modo a facilitar o trabalho de reconstrução do farol de Edystone, na Inglaterra. Em suas tentativas, verificou que uma mistura calcinada de calcário e argila tornava-se, depois de seca, tão resistente quanto as pedras utilizadas nas construções. Coube, entretanto, a um pedreiro, Joseph Aspdin, em 1824, patentear a descoberta, batizando-a de cimento Portland, numa referência à Portlandstone, tipo de pedra arenosa muito usada em construções na região de Portland, Inglaterra. Poucos anos antes, na França, o engenheiro e pesquisador Louis Vicat publicou o resultado de suas experiências contendo a teoria básica para produção e emprego de um novo tipo de aglomerante: o cimento artificial. Aquele produto, no entanto, exceto pelos princípios básicos, estava longe do cimento Portland que atualmente se conhece, resultante de pesquisas que determinam as proporções adequadas da mistura, o teor de seus componentes, o tratamento térmico requerido e a natureza química dos materiais. O cimento Portland desencadeou uma verdadeira revolução na construção, pelo conjunto inédito de suas propriedades de moldabilidade, hidraulicidade (endurecer tanto na presença do ar como da água), elevadas resistências aos esforços e por ser obtido a partir de matérias-primas relativamente abundantes e disponíveis na natureza. A criatividade de arquitetos e projetistas, a precisão dos modernos métodos de cálculo e a genialidade dos construtores impulsionaram o avanço das tecnologias de cimento e de concreto, possibilitando ao homem transformar o meio em que vive, conforme suas necessidades. A importância deste material cresceu em escala geométrica, a partir do concreto simples, passando ao concreto armado e, finalmente, ao concreto protendido. A descoberta de novos aditivos, como a microssílica, possibilitou a obtenção de concreto de alto desempenho (CAD), com resistência à compressão até 10 vezes superiores às até então admitidas nos cálculos das estruturas. Obras cada vez mais arrojadas e indispensáveis (barragens, pontes, viadutos, edifícios, estações de tratamento de água, rodovias, portos e aeroportos), que propiciam conforto, bem-estar e o contínuo surgimento de novos produtos e Materiais de Construção Civil I – 2004/1 29 aplicações, fazem do cimento um dos produtos mais consumidos da atualidade, conferindo uma dimensão estratégica à sua produção e comercialização. A fabricação do cimento portland é feita de acordo com as especificações da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), existindo, atualmente, no mercado brasileiro as seguintes variedades comerciais: CIMENTO PORTLAND VARIEDADES COMERCIAIS NORMAS DA ABNT 1- Comum (CP I e CP I-S) classes 25, 32 e 40 NBR 5732 (EB – 1 / 91) 2- Composto (CP II-E, CP II-Z e CP II-F) classes 25, 32 e 40 NBR 11578 (EB – 2138 / 91) 3- Alto Forno (CP III) classes 25, 32 e 40 NBR 5735 (EB – 208 / 91) 4- Pozolânico (CP IV) NBR 5736 (EB – 758 / 91) 5- Alta Resistência Inicial (CP V) NBR 5733 (EB – 2 / 91) 6- Resistência à sulfatos NBR 5737 (EB – 903 / 91) 7- Especiais 8- Branco, Tipo G 1.4.2 Composição do cimento Portland O cimento portland é composto de clínquer e de adições. O clínquer é o principal componente e está presente em todos os tipos de cimento portland. As adições podem variar de um tipo de cimento para outro e são principalmente elas que definem os diferentes tipos de cimento. 1.4.2.1 Clínquer O clínquer tem como matérias-primas o calcário e a argila, ambos obtidos de jazidas em geral situadas nas proximidades das fábricas de cimento. A rocha calcária é primeiramente britada, depois moída e em seguida misturada, em proporções adequadas, com argila moída. A mistura formada atravessa então um forno giratório de grande diâmetro e comprimento, cuja temperatura interna chega a alcançar 1450 oC. O intenso calor transforma a mistura em um novo material, denominado clínquer, que se apresenta sob a forma de pelotas. Na saída do forno o clínquer, ainda incandescente, é bruscamente resfriado e finamente moído, transformando-se em pó. O clínquer em pó tem a peculiaridade de desenvolver uma reação química em presença de água, na qual ele, primeiramente torna-se pastoso e, em seguida, endurece, adquirindo elevada resistência e durabilidade. Essa característica adquirida pelo clínquer, que faz dele um ligante hidráulico muito resistente, é sua propriedade mais importante. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 30 Fabricação do clínquer portland Como já foi dito, as matérias-primas principais para a produção do clínquer são a rocha calcária e a argila que apresentam as seguintes características: CALCÁRIO O calcário é o carbonato de cálcio (CaCO3) que se apresenta na natureza com impurezas como óxido de magnésio. O carbonato de cálcio puro ou calcita, sob ação do calor, decompõe-se do seguinte modo: %)44( 2 %)56()100( 3 COCaOCaCO Vê-se, então que uma tonelada de calcário dá origem a 560 kg de cal, que é verdadeiramente a matéria-prima que entra na fabricação do cimento, porquanto os 440 kg de CO2 são perdidos sob a forma de gás, que sai pela chaminé das fábricas. ARGILA A argila empregada na fabricação do cimento é essencialmente constituída de um silicato de alumínio hidratado, geralmente contendo ferro e outros minerais, em menores porcentagens. A argila fornece os óxidos SiO2, Al2O3 e Fe2O3, necessários à fabricação do cimento. Quando ocorre deficiência de SiO2 na argila, é necessária a utilização da areia, como corretivo da farinha crua. O mesmo acontece com o Fe2O3, ou seja, quando a argila for deficiente desta substância, torna-se necessária a adição de minério de ferro (hematita). Durante a extração, processamento e estocagem, os materiais são analisados fisicamente e quimicamente pela equipe do laboratório da fábrica. A ilustração abaixo nos mostra, resumidamente, quais as matérias primas para a obtenção do cimento: A fabricação do CLÍNQUER PORTLAND segue as seguintes etapas: extração e preparo da mistura crua; dosagem da mistura crua; homogeneização; clinquerização; esfriamento. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 31 Extração e preparo da mistura crua A matéria-prima é extraída das jazidas pelos processos usuais de exploração de depósitos minerais. O calcário pode apresentar-se com dureza elevada, exigindo o emprego de explosivos seguido de britagem, ou suficientemente mole, exigindo apenas o emprego de desintegradores, para ficar reduzido ao tamanho de partículas de diâmetro máximo da ordem de 1cm. As argilas contendo silicatos, alumina e óxido de ferro, normalmente, apresentam- se em condições de serem misturadas diretamente com o calcário. Calcário e argila, em proporções predeterminadas, são enviadas ao moinho de cru (moinhos de bolas, de barras, de rolos) onde se processa o início da mistura íntima das matérias-primas e, ao mesmo tempo, a sua pulverização, de modo a reduzir o diâmetro das partículas a 0,05 mm, em média. A moagem, conforme se trate de via úmida ou seca, é feita com ou sem presença deágua. Dosagem da mistura crua A determinação da porcentagem de cada matéria-prima na mistura crua depende essencialmente da composição química das matérias-primas e da composição que se deseja obter para o cimento portland, quando terminado o processo de fabricação. Durante o processo de fabricação, a matéria-prima e a mistura crua são analisadas, quimicamente, numerosas vezes, a intervalos de 1 hora e, às vezes, de meia hora, e em face dos resultados dos ensaios, o laboratório indica as porcentagens de cada matéria-prima que deve compor a mistura crua. São numerosos os métodos de controle da composição química da mistura crua, sendo as fórmulas seguintes as mais empregadas: Módulo Hidráulico (Michaelis) Módulo de Sílica Módulo de Alumina-Ferro 32322 OFeOAlSiO CaO MH 3232 2 OFeOAl SiO MS 32 32 OFe OAl MAF Materiais de Construção Civil I – 2004/1 32 Nos cimentos nacionais, como resultados de numerosos ensaios, realizados em seu laboratório, a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) encontrou os seguintes valores: Mínimo Máximo MH 1,8 2,2 MS 1,7 3,1 MAF 1,2 3,2 Homogeneização A matéria prima devidamente dosada e reduzida a pó muito fino, após a moagem, deve ter a sua homogeneidade assegurada da melhor forma possível. No processo de fabricação por via úmida, a matéria-prima é moída com água e sai dos moinhos sob a forma de uma pasta contendo geralmente de 30 a 40% de água, e é bombeada para grandes tanques cilíndricos, onde se processa durante várias horas a operação de homogeneização. Os tanques de homogeneização são providos de equipamento que gira em torno de um eixo central e é constituído de uma série de pás que giram, por sua vez, em torno de vários eixos ligados à arvore principal. A pasta, nesta fase de operação, é ensaiada várias vezes, a fim de se controlar a homogeneidade da mistura e a dosagem dos constituintes do cimento, o que permite a sua correção, se necessário. No processo por via seca a matéria prima sai do moinho já misturada, pulverizada e seca. Normalmente os moinhos de cru do sistema por via seca trabalham com temperaturas elevadas (300 -400oC) no seu interior, o que permite secá-la (menos de 1% de umidade). Para tal fim, são usados, em certos tipos de moinho, os gases de combustão do forno, antes de serem enviados ao filtro retentor de poeiras, e, em seguida, à chaminé. O cru é transportado mecânica ou pneumaticamente para o silo homogeneizador, onde se assegura a homogeneização necessária da mistura e se corrige, eventualmente, a sua composição. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 33 Clinquerização: A matéria-prima, uma vez pulverizada e intimamente misturada na dosagem conveniente, sofre o seguinte tratamento térmico: Temperatura Processo Reação Até 100oC Evaporação da água livre Endotérmica 500oC acima Desidroxilação dos minerais argilosos Exotérmica 900oC acima Cristalização dos argilo-minerais decompostos Exotérmica 900oC acima Decomposição do carbonato Endotérmica 900oC a 1200oC Reação do Cão com os sílico-aluminatos Exotérmica 1250oC a 1280oC Início de formação da fase vítrea Endotérmica Acima de 1280oC Formação de vidro e dos compostos do cimento (clinquerização) Provavelmente Endotérmica As reações químicas que ocorrem no sistema de fornos de clinquerização, podem, aproximadamente, ser representadas como as seguintes: No processo por via úmida, todo o processamento termo-químico necessário à produção do clínquer se dá no forno rotativo. No processo por via seca, até temperatura da ordem de 900oC a 1000oC, o processamento da mistura crua se dá em intercambiadores de calor do tipo ciclone ou de contra-corrente. O processamento restante realiza-se no forno, de comprimento reduzido, que recebe a mistura já na referida temperatura. Esfriamento No forno, como resultado do tratamento sofrido, a matéria-prima transforma-se em clínquer. Na saída, o material apresenta-se na forma de bolas de diâmetro máximo variável entre 1cm a 3cm. As bolas que constituem o clínquer saem do forno a uma temperatura da ordem de 1200oC a 1300oC, pois há um início de abaixamento de temperatura, na fase final, ainda no interior do forno. O clínquer sai do forno e passa ao equipamento esfriador, que pode ser de vários tipos. Sua finalidade é reduzir a temperatura, mais ou menos rapidamente, pela Pedra calcárea CaO + CO2 Argila SiO2 + Al2O3 + Fe2O3 + H2O 3 CaO . SiO2 = C3S 2 CaO . SiO2 = C2S 3 CaO . Al2O3 = C3A 4 CaO . Al2O3 . Fe2O3 = C4AF Materiais de Construção Civil I – 2004/1 34 passagem de uma corrente de ar fria no clínquer. Dependendo da instalação, na saída do esfriador o clínquer apresenta-se entre 50oC e 70oC, em média. O clínquer, após o esfriamento, é transportado e estocado em depósitos. 1.4.2.2 Adições As adições são outras matérias primas que, misturadas ao clínquer na fase de moagem, permitem a fabricação dos diversos tipos de cimento portland hoje disponíveis no mercado. Essas outras matérias primas são a gipsita (CaSO4 . 2H2O), as escórias de alto-forno, os materiais pozolânicos e os materiais carbonáticos. A gipsita tem como função básica aumentar o tempo de endurecimento do clínquer moído. Caso não se adicionasse gipsita à moagem do clínquer, o cimento, quando entrasse em contato com a água, endureceria quase que instantaneamente, o que inviabilizaria seu uso nas obras. Por isso, a gipsita é uma adição presente em todos os tipos de cimento portland. A quantidade adicionada é pequena: em geral, 3% de gipsita para 97% de clínquer, em massa. As escórias de alto-forno são obtidas durante a produção de ferro-gusa nas indústrias siderúrgicas e têm forma de grãos de areia. Antigamente, as escórias de alto forno eram consideradas como um material sem maior utilidade, até ser descoberto que elas também têm a propriedade de ligante hidráulico muito resistente, ou seja, que reagem em presença de água, desenvolvendo características aglomerantes de forma muito semelhante à do clínquer. Esta descoberta tornou possível adicionar a escória de alto-forno à moagem do clínquer com gesso, guardadas certas proporções, e obter como resultado um tipo de cimento que, além de atender plenamente aos usos mais comuns, apresenta melhoria de algumas propriedades, como maior durabilidade e maior resistência final. A composição química da escória granulada de alto forno deve obedecer a relação, fixada na norma NBR 5735 (EB – 208) da ABNT: 1 SiO OAl MgO CaO 2 32 Isto significa que as escórias destinadas à fabricação de cimento devem ser alcalinas e não ácidas. Somente as escórias alcalinas possuem por si só características de hidraulicidade e isto acontece pelo fato de terem uma composição química que permite a formação de componentes capazes de produzirem, por resfriamento brusco, um estado vítreo com propriedades hidráulicas latentes. A natureza do processo no alto forno e o estado físico da escória são fatores decisivos para o desenvolvimento das propriedades hidráulicas da escória granulada. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 35 Exemplo de análise química de escória granulada de alto forno: SiO2 35,54 36,10 Al2O3 12,46 11,18 Fe2O3 0,40 0,41 CaO 41,64 43,19 MgO 6,01 5,59 MnO 1,94 1,62 S 1,42 1,33 = 99,41 ; I.H(*). =1,69 = 99,42 ; I.H = 1,66 (*) I.H. = Índice Hidráulico Os materiais pozolânicos são rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas encontradas na natureza, certos tipos de argilas queimadas em elevadas temperaturas (550oC a 900oC) e derivados da queima de carvão mineral nas usinas termelétricas, entre outros. Da mesma forma que no caso da escória de alto-forno, pesquisas levaram a descoberta que os materiais pozolânicos, quando pulverizados em partículas muito finas, também passam a apresentar a propriedade de ligante hidráulico, se bem que de forma distinta. Isto porque não basta colocar os materiais pozolânicos, sob forma de pó muito fino, em presença de água, para que passem a desenvolver as reações químicas que os tornam primeiramente pastosos e depois endurecidos. A reação só vai acontecer se, além da água, os materiais pozolânicos moídos em grãos finíssimos também forem colocados em presença de mais um outro material. O clínquer é justamente um desses materiais, pois no processo de hidratação libera hidróxido de cálcio (cal) que reage com a pozolana. Esse é o motivo pelo qual a adição de materiais pozolânicos ao clínquer moído com gesso é perfeitamente viável, até um determinado limite. E, em alguns casos, é até recomendável, pois o tipo de cimento assim obtido ainda oferece a vantagem de conferir maior impermeabilidade, por exemplo, aos concretos e às argamassas. Atualmente está sendo intensamente pesquisado o uso de novos materiais pozolânicos, tais como as cinzas resultantes da queima de cascas de arroz e a microssílica, um pó finíssimo que sai das chaminés das fundições de ferro-sílico. Os métodos brasileiros para a determinação da atividade pozolânica são: - NBR 5751 (MB – 960/72) – método de determinação de atividade pozolânica em pozolanas; - NBR 5752 (MB – 1153/77) – determinação do índice de atividade pozolânica em cimento Portland; e, - NBR 5753 (MB – 1154/77) – método de determinação de atividade pozolânica em cimento Portland pozolânico. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 36 Os materiais carbonáticos são minerais moídos, tais como o próprio calcário. Tal adição serve também para tornar os concretos e as argamassas mais trabalháveis, porque os grãos ou partículas desses minerais moídos têm dimensões adequadas para se alojar entre os grãos ou partículas dos demais componentes do cimento, funcionando como um verdadeiro lubrificante. Quando presentes no cimento são conhecidos como fíler calcário. Conclui-se, pois, que de todas as adições, o gesso não pode em hipótese alguma deixar de ser misturado ao cimento, e que as demais matérias-primas adicionadas (escória de alto-forno, materiais pozolânicos e materiais carbonáticos) são totalmente compatíveis com o principal componente do cimento portland – o clínquer – acabando por conferir ao cimento pelo menos uma qualidade a mais. FLUXO DO PROCESSO PARA OBTENÇÃO DO CIMENTO PORTLAND: Materiais de Construção Civil I – 2004/1 37 1.4.3 Composição química do cimento Portland Os compostos formadores do cimento são denominados componentes do cimento. De acordo com a composição da matéria-prima, o clínquer de cimento Portland contém aproximadamente os seguintes elementos expressos como óxidos: Fórmula Abreviação Composição (%) Óxido de Cálcio CaO C 59 – 67 Sílica SiO2 S 16 – 26 Alumínio Al2O3 A 4 – 8 Ferro Fe2O3 F 2 – 5 Magnésio MgO M 0,8 – 6,5 Sódio Na2O 0 – 1,5 Potássio K2O 0 – 1,5 Sulfato SO3 S 0,5 – 1,2 Vamos falar um pouco sobre cada um dos componentes do cimento: a) Cal (CaO) é o componente principal do cimento, originado, em sua quase totalidade, da composição do carbonato de cálcio (calcário: CaCO3), que se encontra quimicamente combinado com a sílica, alumina e óxido de ferro. Apenas uma pequena parcela encontra-se em liberdade (cal livre), cuja presença em estado anidro, acima de certos limites, prejudica a estabilidade de volume das argamassas e dos concretos. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 38 b) Sílica (SiO2) provém basicamente das argilas. Da sua combinação com a cal resultarão os compostos mais importantes do cimento: os silicatos bicálcico (C2S) e tricálcico (C3S). c) Alumínio (Al2O3) também conhecido como alumina, origina-se da argila. O composto formado pela alumina e a cal (aluminato tricálcico: C3A) acelera o início de pega do cimento, reduzindo, ao mesmo tempo, sua resistência ao ataque dos sulfatos; por isso, quanto menor sua proporção, até certos limites, melhor. Praticamente não se pode prescindir da alumina, pois sua ação fundente facilita o desenvolvimento das reações que possibilitam a formação do clínquer. d) Trióxido de Ferro (Fe2O3) também é gerado a partir da argila. O trióxido de ferro, desde que em porcentagem não muito elevada, é útil pelo seu papel de fundente, desenvolvendo neste sentido uma ação ainda mais enérgica do que a alumina. Quanto ao óxido de ferro (FeO), não ocorre normalmente. e) Magnésio ou magnésia (MgO) provém do carbonato de magnésio presente no calcário, geralmente sob a forma de colamita (CaCO3, MgCO3), ou, em pequena quantidade na argila. Quando encontrado em quantidades superiores a certos limites, atua como agente expansor, prejudicando a estabilidade volumétrica das argamassas e dos concretos. f) Potássio e Sódio são álcalis, os quais desenvolvem papel de fundentes e aceleradores de pega. Atribui-se à presença dos álcalis as manchas que aparecem na massa depois de endurecida. Certos agregados podem reagir com os álcalis, provocando expansões anormais nas argamassas e nos concretos. g) Sulfato (SO3) advém principalmente do sulfato de cálcio, adicionado ao cimento como retardador de pega. É prática comum, na indústria de cimento, calcular o teor dos compostos do clínquer Portland a partir da análise dos óxidos, usando-se uma série de equações que foram originalmente desenvolvidas por R. H. Bogue. As equações de Bogue, para estimar a composição potencial ou teórica dos compostos minerais do clínquer Portland, são as seguintes: Alita % C3S = 4,071 C – 7,600 S – 6,718 A – 1,430 F – 2,850 S Belita % C2S = 2,867 S – 0,7544 C3S Alumina % C3A = 2,650 A – 1,692 F Ferrita % C4AF = 3,043 F 1.4.4 Composição mineralógica do clínquer Portland A composição mineralógica do clínquer varia de acordo com as matérias primas disponíveis e o processo de cozimento aplicado. Para cada tipo de clínquer (minerais) formado, a composição apresenta diferentes comportamentos de endurecimento que proporcionalmente influenciam as propriedades do cimento nas suas aplicações. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 39 Imagine que o desenho abaixo seja um “grãozinho” de cimento Portland: A tabela abaixo mostra os principais compostos do clínquer e suas propriedades específicas: Compostos Fórmula Química Clássica Abreviatura % no clínquer Propriedades Tecnológicas Silicato Tricálcico 3 CaO . SiO2 C3S 50 – 65 Endurecimento Rápido Alto Calor de Hidratação Alta Resistência Inicial Silicato Bicálcico 2 CaO . SiO2 C2S 15 – 25 Endurecimento Lento Baixo Calor de Hidratação Baixa Resistência Inicial Aluminato Tricálcico 3 CaO . Al2O3 C3A 6 – 10 Pega muito rápido e deve ser controlado com adição de gesso; suscetível ao ataque de meios sulfatados; alto calor de hidratação;alta retração; baixa resis-tência final. Ferro Aluminato Tetracálcico 4 CaO . Al2O3 . Fe2O3 C4AF 3 – 8 Endurecimento Lento; resistente a meios sulfa- tados; não tem contribui ção para resistência; confere cor escura. Cal Livre CaO C 0,5 – 1,5 Aceitável somente em pequenas quantidades, em maiores quantida- des causam aumento de volume e fissuras. O silicato tricálcico é o maior responsável pela resistência em todas as idades, especialmente até o fim do primeiro mês de cura. O silicato bicálcico adquire maior importância no processo de endurecimento em idades mais avançadas, sendo largamente responsável pelo ganho de resistência a um ano ou mais. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 40 O aluminato tricálcico também contribui para a resistência, especialmente no primeiro dia. O ferro aluminato tetracálcico em nada contribui para a resistência. O aluminato tricálcico muito contribui para o calor de hidratação, especialmente no início do período de cura. O silicato tricálcico é o segundo componente em importância no processo de liberação de calor. Os dois outros componentes contribuem pouco para a liberação de calor. O aluminato tricálcico, quando presente em forma cristalina, é o responsável pela rapidez de pega. Com a adição de proporção conveniente de gesso, o tempo de hidratação é controlado. O silicato tricálcico é o segundo componente com responsabilidade pelo tempo de pega do cimento. Os outros constituintes se hidratam lentamente, não tendo efeito sobre o tempo de pega. 1.4.5 Reações de hidratação dos compostos do clínquer 1) Aluminato Tricálcico (C3A): a) C3A + 3 (CaSO4 . 2 H2O) + 26 H2O C3A . 3 CaSO4 . 32 H2O (gel de etringita) b) C3A + 6 H2O C3A . 6 H2O 2) Ferro Aluminato Tetracálcico (C4AF): C4AF + 2 Ca(OH)2 + 10 H2O C3A . 6 H2O + C3F . 6 H2O 3) Silicato Tricálcico (C3S): 2 (C3S) + 6 H2O C3S2 . 3 H2O + 3 Ca(OH)2 100 + 24 75 + 49 4) Silicato Bicálcico (C2S): 2 (C2S) + 4 H2O C3S2 . 3 H2O + Ca(OH)2 100 + 21 100 + 21 Os silicatos hidratados representam 50% da pasta endurecida. O hidróxido de cálcio Ca(OH)2 varia de 13 a 17%. O silicato de cálcio hidratado apresenta-se com semelhança ao mineral denominado tobermorita e como se parece com um gel, é denominado gel de tobermorita (C3S2.3H2O). 1.4.6 Cristalização Os compostos anidros do cimento Portland reagem com a água (hidrólise), dando origem a compostos hidratados de duas categorias: a) compostos cristalinos hidratados; b) gel. Vejamos o que acontece com, um grão de cimento que tenha cerca de 50 de diâmetro médio, entrando em contato com a água, começa, no fim de algum tempo, a apresentar, em sua superfície, sinais de atividade química, pelo aparecimento de cristais que vão crescendo lentamente e pela formação de uma Materiais de Construção Civil I – 2004/1 41 substância gelatinosa que o envolve, ou seja o gel. O gel que se forma inicialmente possui uma porcentagem muito elevada de água e é designado por gel instável (o gel é uma gelatina, sendo o gel instável uma gelatina muito mole). Os compostos cristalinos, para se desenvolverem, necessitam de água, que em pouco tempo é inteiramente transformada em gel. O processo de desenvolvimento dos cristais se faz retirando a água do gel instável, que à medida que vai perdendo água, transforma-se em gel estável e torna-se responsável, em grande parte, pelas propriedades mecânicas de resistência das pastas hidratadas – endurecidas. Constata-se que durante a reação com a água (reação de hidratação), os silicatos tricálcicos e dicálcicos (este último também denominado bicálcico), liberam hidróxido de cálcio Ca(OH)2. Os cristais que se formam se entrelaçam à medida que avança o processo de hidratação, criando a estrutura que vai assegurar a resistência típica das pastas, argamassas e concretos. Os espaços vazios são preenchidos principalmente pelo gel, hidróxido de cálcio e água. Inicialmente o aluminato entra em atividade e, logo a seguir, o C3S; esses dois elementos, para se hidratarem, retiram a água de que necessitam do gel instável e a formação de cristais hidratados se inicia. Para se ter uma idéia da atividade dos vários compostos ao se hidratarem, é interessante observar o quadro abaixo, relativo à profundidade alcançada pela hidratação em mícrons com o tempo. Tempo C3A C3S C2S 3 horas 4,35 1,68 - 1 dia - 2,25 0,28 3 dias 5,68 - - 7 dias - 4,32 0,62 28 dias 5,68 4,44 0,83 5 meses - - 3,5 Observando o quadro acima, podemos concluir que a resistência do cimento Portland: a) até os 3 dias é assegurada pela hidratação dos aluminatos e silicatos tricálcicos; b) até os 7 dias praticamente pelo aumento da hidratação do C3S; c) até os 28 dias continua a hidratação do C3S responsável pelo aumento de resistência, com pequena contribuição do C2S; e, d) acima de 28 dias o aumento de resistência passa a ser devido à hidratação do C2S. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 42 Gráfico comparativo entre as resistências dos diversos tipos de cimento 1.4.7 Classes de resistência Quanto à granulometria o cimento pode ser diferenciado por classes: 25, 32 ou40. No gráfico abaixo verifica-se que o cimento quanto mais finamente moído apresenta resistência à compressão superior a de um outro cimento (de grãos maiores) se comparado na mesma idade de hidratação. Em outras palavras: Analisando aos 28 dias, verificamos que o CP 40 (grãos menores, ou seja, mais finamente moído) possui uma resistência à compressão superior à do CP 32 e do CP 25. O mesmo acontece com o CP 32 em relação ao CP 25.Este fato pode ser justificado da seguinte maneira: Quanto mais fino o cimento, maior será á sua área específica, portanto maior será a quantidade de cimento em contato com a água, facilitando assim as reações de hidratação dos grãos de cimento. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 43 1.4.8 Principais propriedades dos diversos tipos de cimento a) Finura: A finura do cimento pode ser determinada através de peneira de malha no 200, (0,075 mm), permeabilímetro ao ar de Blaine e granulômetro a laser. Cimentos finos geralmente aceleram o desenvolvimento da resistência. b) Expansibilidade: A expansibilidade pode ocorrer após o final de pega, ao longo do tempo, provocando fissuras, quando na queima do clínquer o teor de magnésio ou CaO livre é elevado. c) Tempo de Pega: O tempo de pega do cimento é importante para permitir a aplicação adequada de pastas, argamassas ou concretos, isto é, sem perda de plasticidade e trabalhabilidade. Para controlar o tempo de pega, é adicionado o gesso (CaSO4 . 2 H2O) na moagem do cimento, cujo controle é feito através do teor de SO3. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 44 d) Falsa Pega: A falsa pega é um fenômeno que ocorre quando a mistura, em que está sendo empregado o cimento (pasta, argamassa ou concreto), perde a plasticidade com um tempo menor que o previsto, e com uma nova remistura na betoneira, sua plasticidade inicial é recuperada. Isto ocorre, quando na moagem do cimento, a temperatura desta ultrapassa a 128oC, provocando uma dissociação do sulfato de cálcio do gesso que perde 1½ moléculas de água, tornando-se o aglomerante gesso com pega rápida. A falsa pega, portanto, é causada pela pega dos grãos de gesso e não pela pega dos grãos de cimento. e) Calor de Hidratação: No preparo do concreto, quando a água e o cimento reagem, ocorre o calor de hidratação. Esse efeito poderá acontecer durante meses, em função do volume concretado. A quantidade de calor gerado depende da composição química do cimento, quantidade e tipo de adições, finura, etc. Para se medir o calor de hidratação, utiliza-se a garrafa de Langavant. f) Resistência à Compressão: A resistência à compressão do cimento é medida através de corpos de prova cilíndricos 50mm x 100mm, com um traço normalizado, com areia padrão do IPT. Diversos tipos de cimentos, com suas características de finura e composição, têm curvas de resistências X idades distintas, que normalmente definem o seu uso ou não, em determinadas aplicações. É um ensaio importante para o controle de qualidade do cimento. g) Perda ao Fogo: Este ensaio é determinado com uma amostra do cimento, levado a uma temperatura em torno de 950oC em uma mufla, em função da diferença do peso inicial. Através deste ensaio, controla-se o teor de adições de material carbonático. h) Resíduos Insolúveis: Ensaio feito através de uma amostra de cimento em meio aquoso, onde determinamos a quantidade de partículas que se magnetizam e, posteriormente, quanto destas que não se dissolvem ao adicionarmos HCl. A porcentagem de resíduos insolúveis é obtida somando-se as quantidades encontradas, e dividindo tal valor pelo peso inicial de cimento. i) Massa Específica: A massa específica não é uma indicação de qualidade do cimento. Ela é utilizada para cálculo de dosagens de concretos e argamassas, e no ensaio de Blaine (finura por superfície específica). j) Tonalidade do Cimento: Existe uma mentalidade generalizada fora do meio técnico que os cimentos com tonalidade escura são mais resistentes que os claros. Isto não corresponde a uma realidade. A cor do cimento é influenciada pela composição química das matérias primas, principalmente o teor de Fe2O3, não existindo nenhuma relação entre cor do cimento e sua resistência. Na seção 1.10.1 vimos rapidamente os principais tipos de cimento Portland e suas respectivas normas da ABNT. Veremos agora, mais detalhadamente, sobre alguns deles. 1.4.9 Principais tipos de cimento Portland Os diferentes tipos de cimento Portland diferenciam-se entre si principalmente em função de sua composição. Os principais tipos oferecidos no mercado, ou seja, os mais empregados nas diversas obras de construção civil são: Cimento Portland Comum; Cimento Portland Composto; Materiais de Construção Civil I – 2004/1 45 Cimento Portland de Alto Forno; Cimento Portland Pozolânico; Cimento Portland de Alta Resistência Inicial (ARI). Em menor escala são consumidos, seja pela menor oferta, seja pelas características especiais de aplicação, os seguintes tipos de cimento: Cimento Portland de alta resistência inicial resistente aos sulfatos; Cimento Portland resistente aos sulfatos; Cimento Portland Branco; Cimento Portland de baixo calor de hidratação; Cimento Portland para poços petrolíferos; Cimento Portland de alta resistência inicial resistente a sulfatos com sílica ativa. Todos os tipos de cimento mencionados são regidos por Normas da ABNT, que dispões de escritórios ou representações espalhados pelo país, nos quais poderão ser adquiridas estas normas. 1.4.9.1 Cimento Portland Comum (CP I) Definição: Aglomerante hidráulico obtido pela moagem de clínquer Portland ao qual se adiciona, durante a operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio. Durante a moagem é permitido adicionar a esta mistura materiais pozolânicos, escórias granuladas de alto forno e/ou materiais carbonáticos dentro dos limites mostrados adiante. Valores Mínimos para resistência à compressão (MPa): Idade Classe 25 Classe 32 Classe 40 3 dias 8,0 10,0 15,0 7 dias 15,0 20,0 25,0 28 dias 25,0 32,0 40,0 Breve justificativa para as diferenças de comportamento: Mesma composição potencial com variação de finura. A EB-1 especifica Blaine mínimo de 240 m2.kg-1 para a classe 25, 260 m2.kg-1 para a classe 32 e 280 m2.kg-1 para a classe 40. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 46 1.4.9.2 Cimento Portland Composto (CP II) Definição: Aglomerante hidráulico obtido pela moagem de clínquer Portland ao qual se adiciona, durante a operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio. Durante a moagem é permitido adicionar a esta mistura materiais pozolânicos, escórias granuladas de alto forno e/ou materiais carbonáticos dentro dos limites mostrados na tabela 1 (página 50). 1.4.9.3 Cimento Portland de Alto Forno (CP III) Aglomerante obtido pela moagem de clínquer portland e escória granulada de alto forno. O consumo apreciável de energia durante o processo de fabricação do cimento motivou, mundialmente, a busca pelo setor, de medidas para diminuição do consumo energético. Uma das alternativas de sucesso foi o uso de escórias granuladas de alto forno e pozolânicos, respectivamente. Características da Escória: Granulometria por resfriamento brusco; Composição Química: a) )208(1 2 32 EB SiO OAlMgOCaO b) SiO2 25 a 34% Al2O3 12 a 20% CaO 42 a 50% c) Le Chatelier: 1 Al2O3 : 2 SiO2 : 3 CaO Aspecto: Cor Clara (mel) Hidratação da Escória: reage com a água formando silicatos e aluminatos de cálcio hidratados, desde que em meio fortemente alcalino (PH 12). Obs. Para a fabricação de CP III, o ideal é que o clínquer utilizado tenha alto teor de C3S. Isto se deve ao fato de que do CP III ser rico em escória, a qual necessita Materiais de Construção Civil I – 2004/1 47 de um meio fortemente alcalino para reagir (hidratar). Esse meio alcalino é fornecido “em maior quantidade” pela reação de hidratação do C3S (49) do que a do C2S (21). As equações são: Silicato Tricálcico (C3S): 2 (C3S) + 6 H2O C3S2 . 3 H2O + 3 Ca(OH)2 100 + 24 75 + 49 Silicato Bicálcico (C2S): 2 (C2S) + 4 H2O C3S2 . 3 H2O + Ca(OH)2 100 + 21 100 + 21 O cimento com escória tem baixo calor de hidratação, pois para que ela comece a reagir é necessário que o clínquer tenha reagido e liberado o hidróxido de cálcio, o qual fornece o meio alcalino. O clínquer e a escória reagem em tempos diferentes. 1.4.9.4 Cimento Portland Pozolânico (CP IV) Aglomerante obtido pela moagem de clínquer portland e pozolana. Pozolana: Material silicoso ou sílico aluminoso que, moído finamente e em presença de água e hidróxido de cálcio, reage quimicamente com o Ca(OH)2. Tipos de Pozolana: Naturais: rochas vulcânicas; Artificiais: Argilas calcinadas e cinzas volantes da combustão de carvão mineral. A NBR 5752 da ABNT fixa as condições de ensaio para verificação da atividade pozolânica das pozolanas. 1.4.9.5 Cimento Portland Alta Resistência Inicial (CP V) Definição: Aglomerante hidráulico que atende às exigências de alta resistência inicial, obtido pela moagem de clínquer Portland, constituído em sua maior parte de silicatos de cálcio hidráulicos, ao qual se adiciona, durante a operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio. Durante amoagem é permitido adicionar a esta mistura materiais carbonáticos, como veremos na tabela abaixo. O desenvolvimento da alta resistência inicial é conseguido pela utilização de uma dosagem diferente na produção do clínquer, bem como pela moagem mais fina do cimento, de modo que, ao reagir com a água, ele adquira elevadas resistências, com maior velocidade. Em função da maior rapidez de desforma das concretagens, devido as altas resistências obtidas nas idades iniciais, este tipo de cimento é utilizado em concreto protendido, fabricação de pré-moldados, construção de edifícios, pontes, viadutos, pisos industriais. Materiais de Construção Civil I – 2004/1 48 Tabela 1 Composição dos Cimentos Portland Comum, Composto, Alto Forno, Pozolânico e Alta Resistência Inicial. Tipo de cimento Portland Composição (% de massa) Norma Brasileira Sigla Clínquer + Gesso Escória Granulada de alto forno (sigla E) Material Pozolânico (sigla Z) Material Carboná- tico (sigla F) Comum CP I 100 - NBR 5732 CP I – S 99 – 95 1 - 5 Composto CP II – E 94 – 56 6 – 34 - 0 – 10 NBR 11578 CP II – Z 94 – 76 - 6 – 14 0 – 10 CP II – F 94 - 90 - - 6 – 10 Alto Forno CP III 65 – 25 35 – 70 - 0 – 5 NBR5735 Pozolânico CP IV 85 - 45 - 15 – 50 0 – 5 NBR 5736 Alta Resis- tência Inicial CP V – ARI 100 - 95 - - 0 - 5 NBR 5733 1.4.9.6 Cimento Portland Resistente aos Sulfatos Os cimentos Portland resistentes aos sulfatos são aqueles, como o próprio nome diz, que têm a propriedade de oferecer resistência aos meios agressivos sulfatados, tais como os encontrados nas redes de esgotos de águas servidas ou industriais, na água do mar. Alguns tipos básicos (CP I, CP II, CP III, CP IV e CP-V) podem ser considerados resistentes aos sulfatos, desde que obedeçam a pelo menos uma das seguintes condições: teor de C3A do clínquer e teor de adições carbonáticas de, no máximo, 8% e 5% em massa, respectivamente; Materiais de Construção Civil I – 2004/1 49 cimentos do tipo alto forno que contiverem entre 60% e 70% de escória granulada de alto forno, em massa; cimentos do tipo pozolânico, que contiverem entre 25% e 40% de material pozolânico; cimentos que tiverem antecedentes de resultados de ensaios de longa duração ou de obras que comprovem resistência aos sulfatos. No primeiro e no último caso, o cimento deve atender a uma das normas NBR 5732, 5733, 5735, 5736 e 11578. Se o cimento original for o Portland de alta resistência inicial (NBR 5733), admite-se a adição de escória granulada de alto forno ou de materiais pozolânicos, para os fins específicos da NBR 5737. 1.4.9.7 Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação Utilizando os cimentos com baixo calor de hidratação pode-se evitar o aumento da temperatura no interior de grandes estruturas de concreto o que pode levar ao aparecimento de fissuras de origem térmica. São considerados cimentos com baixo calor de hidratação aqueles que despendem até 260 J/g e até 300 J/g aos 3 dias e 7 dias de hidratação, respectivamente, e podem ser qualquer um dos tipos básicos. 1.4.9.8 Cimento Portland Branco Este cimento diferencia-se dos demais pela coloração. A cor branca é conseguida utilizando-se matérias-primas com baixos teores de óxido de ferro e manganês e por condições especiais durante a fabricação. Pode ser classificado em dois subtipos: cimento Portland branco estrutural e cimento Portland branco não estrutural. 1.4.10 Exigências físicas e mecânicas Tipo de cimento Portland Classe Finura Tempos de Pega (h) Expansibilidade (mm) Resistência à compressão (MPa) Resíduo na peneira 75m (%) Área Específica (m2/kg) Início Fim A frio A quente 1 dia 3 dias 7 dias 28 dias 91 dias(1) CP I CP I – S NBR 5732 25 32 40 12,0 12,0 10,0 240 260 280 1 10 (1) 5 (1) 5 - 8,0 10,0 15,0 15,0 20,0 25,0 25,0 32,0 40,0 - CP II – E CP II – Z CP II – F NBR 11578 25 32 40 12,0 12,0 10,0 240 260 280 1 10 (1) 5 (1) 5 - 8,0 10,0 15,0 15,0 20,0 25,0 25,0 32,0 40,0 - CP III (2) NBR 5735 25 32 40 8,0 - 1 12 (1) 5 (1) 5 - 8,0 10,0 12,0 15,0 20,0 23,0 25,0 32,0 40,0 32,0(1) 40,0 (1) 48,0 (1) CP IV (2) NBR 5736 25 32 8,0 - 1 12 (1) 5 (1) 5 - 8,0 10,0 15,0 20,0 25,0 32,0 32,0 (1) 40,0 (1) CP V (ARI) NBR 5733 6,0 300 1 10 (1) 5 (1) 5 14 24,0 34,0 - - (1) Ensaio Facultativo (2) Outras características podem ser exigidas, como calor de hidratação, inibição da expansão devida à reação álcali-agregado, resistência a meios agressivos, tempo máximo de início de pega. 1.4.11 Exigências químicas Tipo de Cimento Portland Resíduo Insolúve l (%) Perda ao Fogo (%) MgO (%) SO3 (%) CO2 (%) S (%) Al2O3 (%) Fe2O 3 (%) C3A (%) C4AF+2C3 A ou C4AF+2C2 S Teor de Escória (%) Teor de Materiais Pozolânicos (%) Teor de Materiais Carbonático s (%) (7) Comum NBR 5732 CP I 1,0 2,0 6,5 4,0 1,0 - - - - - - - - CP I-S 5,0 4,5 3,0 1 a 5 Composto NBR 11578 CP II-E 2,5 6,5 6,5 4,0 5,0 - - - - - 6 a 34 - 0 a 10 CP II-Z 16,0 6 a 14 (6) (8) 0 a 10 CP II-F 2,5 6 a 10 Alto Forno NBR 5735 CP III 1,5 4,5 - 4,0 3,0 1,0 (1) - - (5) - 35 70 (8) 0 a 5 Pozolânic o NBR 5736 CP IV (6) 4,5 6,5 4,0 3,0 - - - (5) - - 15 (6) 50 (3) 0 a 5 Alta Resistênci a Inicial NBR 5733 CP V 1,0 4,5 6,5 3,5 4,5 (4) 3,0 - - - - - - - 0 a 5 1) Ensaio de determinação facultativo. 2) A atividade pozolânica do cimento, determinada conforme NBR 5753 deve ser positiva. 3) A atividade do material pozolânico, determinada conforme NBR 5752, deve ser maior do que 75%. 4) O teor máximo de SO3 igual a 3,5% se aplica quando C3A 8,0% e 4,5% quando C3A > 8,0%. 5) Quando o C3A for inferior a 8% e 5% estes cimentos serão considerados do tipo MRS e ARS, respectivamente. 6) O teor de material pozolânico deve ser determinado mediante a realização do ensaio de resíduo insolúvel. 7) O material carbonático utilizado como adição deve ter no mínimo 85% de CaCO3. 8) A escória de alto forno deve ser constituída em sua maior parte por silicato e aluminossilicatos de cálcio e sua composição química deve obedecer a relação 1 SiO OAlMgOCaO 2 32 . 9) Este limite é exigido quando os agregados empregados forem reativos. O teor de álcalis (Na2O + 0,658 K2O) pode ser especificado quando o cimento se destina a emprego com reativos ou potencialmente reativos a fixação do limite de 0,60 não significa que a reação álcali-agregado, deve ser neutralizada. Devem ser realizados ensaios para comprovação de que a reação não é deletéria. 1.4.12 Normas relacionadas ao cimento (Portland e outros) DESCRIÇÃO DA NORMA NÚMERO ATUALIZA- ÇÃO Aderência aplicável em sistema de impermeabilização composto por cimento impermeabilizante e polímeros NBR12171 (orig. MB3512) 30/4/1992 Aditivos para concreto de cimento Portland NBR11768 (orig. EB1763) 31/1/1992 Aglomerantes de origem mineral NBR11172 (orig. TB371) 6/1990 Agregado - Reatividade potencial de álcalis em combinações cimento-agregado NBR9773 (orig. MB2569) 3/1987 Agregados - Avaliação da reatividade potencial das rochas carbonáticas com os álcalis de cimento NBR10340 (orig. MB2731) 6/1988 Amostragem e preparação de corpos-de-prova de cimento isolante térmico NBR12245 (orig. NB1307) 5/6/1990 Análisequímica de cimento Portland - Determinação de óxido de cálcio livre NBR5748 (orig. MB515) 7/6/1993 Análise química de cimento Portland - Disposições gerais NBR5740 (orig. MB11) 12/1977 Análise química de cimento Portland - Processos de arbitragem para determinação de dióxido de silício, óxido férrico, óxido de alumínio, óxido de cálcio e óxido de magnésio NBR5742 (orig. MB509) 12/1977 Areia normal para ensaio de cimento NBR7214 (orig. EB1133) 2/1982 Calda de cimento para injeção NBR7681 (orig. EB1348) 1/1983 Calda de cimento para injeção - Determinação da resistência à compressão NBR7684 (orig. MB1762) 1/1983 Calda de cimento para injeção - Determinação da vida útil NBR7685 (orig. MB1763) 1/1983 Calda de cimento para injeção - Determinação do índice de fluidez NBR7682 (orig. MB1760) 1/1983 Calda de cimento para injeção - Determinação dos índices de exsudação e expansão NBR7683 (orig. MB1761) 1/1983 Câmaras úmidas e tanques para cura de corpos-de-prova de argamassa e concreto NBR9479 (orig. EB1684) 7/6/1994 Cimento - Análise química - Determinação de dióxido de carbono por gasometria NM20 1/1/1994 Cimento - Análise química - Determinação de dióxido de carbono por gasometria por decomposição química NM125 1997 Cimento - Análise química - Determinação de enxofre na forma de sulfeto NM19 1/1/1994 Cimento - Análise química - Determinação de óxido de cálcio livre NM12 1/1/1994 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 53 - Cimento - Análise química - Determinação de óxido de sódio e óxido de potássio por fotometria de chama NM17 1/1/1994 Cimento - Análise química - Determinação de perda ao fogo NM18 1/1/1994 Cimento - Análise química - Determinação de resíduo insolúvel NM15 1/1/1994 Cimento - Análise química - Determinação do anidrido sulfúrico NM16 1/1/1994 Cimento - Análise química - Disposições gerais NM10 1/1/1994 Cimento - Análise química - Método de arbitragem para determinação de dióxido de silício, óxido férrico, óxido de alumínio, óxido de cálcio e óxido de magnésio NM14 1/1/1994 Cimento - Análise química - Método optativo para a determinação de dióxido de silício, óxido de alumínio, óxido férrico, óxido de cálcio e óxido de magnésio NM21 1/1/1994 Cimento - Determinação do calor de hidratação pelo método da garrafa de Langavant NBR12006 (orig. MB3333) 6/11/1990 Cimento aluminoso - Determinação da consistência normal e dos tempos de pega NBR9997 (orig. MB2732) 30/4/1997 Cimento aluminoso com agregado padrão - Determinação das resistências à flexão e à compressão à temperatura ambiente NBR13846 30/5/1997 Cimento aluminoso com agregado padrão – Determinação do tempo de pega NBR13845 30/5/1997 Cimento aluminoso para uso em materiais refratários NBR13847 30/5/1997 Cimento asfáltico de petróleo - Determinação expedita da resistência à água (adesividade) sobre agregados graúdos NBR14329 22/6/1999 Cimento de alvenaria NBR10907 (orig. EB1964) 1/1990 Cimento de alvenaria – Ensaios NBR10906 (orig. MB3121) 1/1990 Cimento e clínquer - Análise química - Determinação dos óxidos de Ti, P e Mn NM124 1997 Cimento isolante à base de silicato de cálcio para rejuntamento NBR11777 (orig. EB2056) 5/6/1990 Cimento isolante térmico à base de silicato de cálcio - Determinação da capacidade de cobertura e variação volumétrica após secagem NBR11981 (orig. MB3244) 5/6/1990 Cimento isolante térmico à base de silicato de cálcio - Determinação da consistência NBR11980 (orig. MB3243) 5/6/1990 Cimento isolante térmico à base de silicato de cálcio - Determinação da resistência à compressão NBR11982 (orig. MB3245) 5/6/1990 Cimento Portland - Análise química - Determinação de óxido de cálcio livre pelo etileno-glicol NM13 1/1/1994 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 54 - Cimento Portland - Análise química - Método optativo para determinação de óxidos principais por complexometria NM11 1/1/1994 Cimento Portland - Determinação da água da pasta de consistência normal NBR11580 (orig. MB3433) 24/7/1991 Cimento Portland - Determinação da expansibilidade de Le Chatelier NBR11582 (orig. MB3435) 24/7/1991 Cimento Portland - Determinação da finura pelo método de permeabiliade ao ar (Método de Blaine) NM76 1996 Cimento Portland - Determinação da finura pelo método de permeabilidade ao ar (Método de Blaine) NBRNM76 30/1/1998 Cimento Portland - Determinação da finura por meio da peneira 75 micrômetros (número 200) NBR11579 (orig. MB3432) 24/7/1991 Cimento Portland - Determinação da pasta de consistência normal NM43 1/1/1995 Cimento Portland - Determinação da resistência à compressão NBR7215 (orig. MB1) 30/12/1996 Cimento Portland - Determinação da variação dimensional de barras de argamassa de cimento Portland expostas à solução de sulfato de sódio NBR13583 29/2/1996 Cimento Portland - Determinação de anidrido sulfúrico NBR5745 (orig. MB512) 11/1989 Cimento Portland - Determinação de enxofre na forma de sulfeto NBR5746 (orig. MB513) 29/11/1991 Cimento Portland - Determinação de massa específica NBRNM23 30/1/1998 Cimento Portland - Determinação de óxido de cálcio livre pelo etileno glicol NBR7227 (orig. MB1619) 11/1989 Cimento Portland - Determinação de óxido de sódio e óxido de potássio por fotometria de chama NBR5747 (orig. MB514) 1/11/1989 Cimento Portland - Determinação de perda ao fogo NBR5743 (orig. MB510) 11/1989 Cimento Portland - Determinação de resíduo insolúvel NBR5744 (orig. MB511) 11/1989 Cimento Portland - Determinação de teor de escória granulada de alto-forno por microscopia NBR5754 (orig. MB858) 7/4/1992 Cimento Portland - Determinação do calor de hidratação a partir do calor de dissolução NBR8809 (orig. MB2072) 3/1985 Cimento Portland - Determinação do tempo de pega NM65 1996 Cimento Portland - Determinação do teor de escória granulada de alto-forno por microscopia NM48 1996 Cimento Portland - Determinação dos tempos de pega NBR11581 (orig. MB3434) 24/7/1991 Cimento Portland branco NBR12989 30/7/1993 Cimento Portland branco - Determinação da brancura NBRNM3 31/7/2000 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 55 - Cimento Portland branco - Determinação da brancura NM3 2000 Cimento Portland com adições de materiais pozolânicos - Análise química - Método de arbitragem NM22 1/1/1994 Cimento Portland composto NBR11578 (orig. EB2138) 24/7/1991 Cimento Portland comum NBR5732 (orig. EB1) 24/7/1991 Cimento Portland comum e clínquer - Análise química por complexometria NBR9203 (orig. MB2295) 12/1985 Cimento Portland de alta resistência inicial NBR5733 (orig. EB2) 24/7/1991 Cimento Portland de alto-forno NBR5735 (orig. EB208) 24/7/1991 Cimento Portland de baixo calor de hidratação NBR13116 31/3/1994 Cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos NBR9831 (orig. EB1765) 7/7/1993 Cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos - Determinação da resistência à compressão NBR9828 (orig. MB2662) 7/7/1993 Cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos - Determinação das propriedades reológicas NBR9830 (orig. MB2664) 7/7/1993 Cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos - Determinação do conteúdo de água livre NBR9827 (orig. MB2661) 7/7/1993 Cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos - Determinação do tempo de espessamento NBR9829 (orig. MB2663) 7/7/1993 Cimento Portland e matérias-primas - Análise química por espectrometria de raios X - Método de ensaio NBR14656 28/2/2001 Cimento Portland e matérias-primas - Determinação de anidrido carbônico (CO2) por gasometria NBR11583 (orig. MB3377) 7/1991 Cimento Portland e outros materiais em pó - Determinação dafinura por meio da peneira 0,044 mm (número 325) NBR9202 (orig. MB2145) 12/1985 Cimento Portland e outros materiais em pó - Determinação de massa específica NM23 30/11/2000 Cimento Portland e outros materiais em pó - Determinação do índice de finura por meio de peneirador aerodinâmico NBR12826 30/4/1993 Cimento Portland pozolânico NBR5736 (orig. EB758) 24/7/1991 Cimento portland pozolânico - Determinação da pozolanicidade NM201 1999 Cimento Portland pozolânico - Determinação da pozolanicidade NBR5753 (orig. MB1154) 30/4/1992 Cimento Portland pozolânico, cimento Portland comum e cimento Portland composto com adições de materiais pozolânicos - Análise química - Método de referência NBR8347 (orig. MB1866) 30/4/1992 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 56 - Cimento, concreto e agregados - Terminologia - Lista de termos NBRNM2 31/8/2000 Cimentos Portland resistentes a sulfatos NBR5737 (orig. EB903) 7/6/1992 Concreto e argamassa - Determinação dos tempos de pega por meio da resistência à penetração NBR9832 (orig. MB2665) 7/8/1992 Concreto projetado - Determinação dos tempos de pega em pasta de cimento Portland, com ou sem a utilização de aditivo acelerador de pega NBR13069 31/1/1994 Determinação do teor de betume em cimentos asfálticos de petróleo MB166 1971 Dosagem de brita graduada tratada com cimento NBR12261 (orig. NB1344) 5/2/1991 Dosagem de misturas betuminosas pelo método Marshall NBR12891 30/7/1993 Emulsão asfáltica - Determinação de ruptura - Método da mistura com cimento NBR6297 (orig. MB496) 1971 Extração e preparação de amostras de cimentos NBR5741 (orig. MB508) 7/6/1993 Extração e preparação de amostras para classificação de cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos NBR9825 (orig. NB1085) 7/7/1993 Fibras de amianto para produção de cimento-amianto NBR6454 (orig. EB306) 1969 Implantes para cirurgia - Cimentos e resina acrílica NBRISO5833 26/10/1998 Materiais para sub-base ou base de brita graduada tratada com cimento NBR11803 (orig. EB2102) 5/2/1991 Materiais pozolânicos - Determinação de atividade pozolânica com cimento Portland - Indice de atividade pozolânica com cimento NBR5752 (orig. MB1153) 7/6/1992 Materiais pozolânicos – Determinação do teor de álcalis disponíveis NBRNM25 30/1/1998 Preparação e homogeneização das pastas para ensaio de cimento Portland destinado à cimentação de poços petrolíferos NBR9826 (orig. NB1086) 7/7/1993 Reservatório de fibrocimento para água potável - Verificação da estanqueidade e determinação dos volumes útil e efetivo NBR5650 (orig. MB1185) 7/10/1994 Revestimento de argamassa de cimento em tubos de ferro fundido dúctil NBR8682 (orig. EB1451) 7/4/1993 Revestimento interno com argamassa de cimento para tubos e conexões de aço-carbono NBR10515 (orig. EB1900) 10/1988 Sílica ativa para uso em cimento Portland, concreto, argamassa e pasta de cimento Portland – Especificação NBR13956 30/9/1997 Sílica ativa para uso em cimento Portland, concreto, argamassa e pasta de cimento Portland - Métodos de ensaio NBR13957 30/9/1997 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 57 - Sistema de impermeabilização composto por cimento impermeabilizante e polímeros NBR11905 (orig. EB2205) 30/4/1992 Sub-base ou base de brita graduada tratada com cimento (BGTC) NBR12262 (orig. NB1345) 5/2/1991 Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 58 - Perguntas e respostas 1) Defina Cimento Portland. Aglomerante hidráulico pulverulento (em pó), proveniente de rochas calcárias, que possui excelentes propriedades de moldabilidade, hidraulicidade, elevada resistência aos esforços, além de ser obtido a partir de matérias-primas relativamente abundantes e disponíveis na natureza. 2) O que são aglomerantes hidráulicos? Aglomerantes hidráulicos aglomerante onde o endurecimento ocorre sob a infuência exclusiva da água, independente do ar, e resistem satisfatoriamente à ação da água depois de endurecidos. 3) Em que fase de fabricação do cimento Portland é adicionando gipsita e com que finalidade? Como ela atua? A gipsita é adicionada após a clinquerização, com a finalidade de aumentar o tempo de endurecimento do clínquer moído (retarda a sua pega). Em geral, encontramos no clínquer um adição em torno de 3% de gesso. 4) Quais os principais tipos e classes de CP existentes no Brasil? A principal diferença entre os diversos tipos de cimento está na sua composição. Desta forma, os principais tipos de cimento são: CP I – Cimento Portland Comum CP II – Cimento Portland Composto CP III – Cimento Portland de Alto Forno CP IV – Cimento Portland Pozolânico CP V – Cimento Portland de Alta Resistência Inicial Cimento Portland Resistente à Sulfatos Cimento Portland Branco CPG – Cimento Portland para Poços Petrolíferos Quanto à classe, esta é classificada de acordo com o valor da resistência a compressão aos 28 dias. Deste modo temos: Classe 25 Classe 32 Classe 40 (valores em Mpa). 5) Qual a importância da determinação da finura do CP? Descreva, resumidamente, o ensaio de determinação da resistência à compressão. Através da determinação da finura do cimento, podemos ter o resultado do desenvolvimento da resistência deste (quanto mais finamente é moído o cimento, maior será a resistência à compressão atingida por este, comparando-se a um cimento com as mesmas características porém com uma granulometria superior, considerando-se a mesma idade de hidratação). O ensaio de determinação da resistência à compressão é feito através de uma quantidade de cimento (pesado de acordo com a ABNT), onde se mede a quantidade de material que fica retido na peneira n 200. Quanto menor a quantidade de material retido, menor será a finura do cimento. Desta forma, maior será a resistência à compressão atingido por tal cimento (pela norma, não devemos Ter o índice de finura do cimento superior à 12% - para maiores detalhes ver NBR 7215 e NBR 11579). Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 59 - 6) O cimento Portland é formado por 4 compostos cálcicos. Quais são e quais suas principais características em reação com a água? Dê também as fórmulas químicas e as simbologias destes compostos. Silicato Tricálcico (C3S) – é o responsável pela resistência em todas as idades, especialmente até o fim do primeiro mês de cura (apresenta endurecimento rápido, alto calor de hidratação e alta resistência inicial); Silicato Dicálcico (C2S) – adquire maior importância no processo de endurecimento em idades mais avançadas, sendo largamente responsável pelo ganho de resistência a um ano ou mais (apresenta endurecimento lento, baixo calor de hidratação e baixa resistência inicial); Aluminato Tricálcico (C3A) – apresenta pega muito rápida, devendo ser controlada com a adição de gipsita. É suscetível ao ataque de meios sulfatados, apresentando alto calor de hidratação, alta retração e baixa resistência final; Ferro Aluminato Tetracálcico (C4AF) – atribui ao cimento a característica de endurecimento lento, resistência a meios sulfatados, e não contribuem para a resistência. 7) Quais as diferenças fundamentais entre os tipos e classes do cimento Portland composto: CP II-E, CP II-Z e CP II-F, nas classes 25, 32 e 40? Cimento Portland Composto TIPOS CLASSES CPII – E 25 CPII – F 32 CPII – Z 40 A principal diferença entre os 3 tipos de CPII (Cimento Portland Composto) está na composição destes (presença de adições ativas).Deste modo, temos: CPII – E cimento Portland composto com adição de escória de alto forno (produto obtido durante a fabricação do ferro-gusa).Este cimento pode apresentar uma pequena porcentagem de material carbonático (fíller).CPII - F cimento Portland composto com adição de fíller (minerais moídos). CPII - Z cimento Portland composto com adição de pozolana (rochas vulcânicas ou matérias orgânicas fossilizadas).Este cimento pode apresentar uma pequena porcentagem de material carbonático (fíller). Quanto à classe, os cimentos compostos se diferem de acordo com a resistência à compressão aos 28 dias ( 25, 32 ou 40 MPa). 8) Escreva, resumidamente, o que sabe sobre o cimento Portland de alto forno (CP III) e explique porque ele apresenta crescimento da resistência de 28 para 90 dias muito maior que o cimento comum. Cimento Portland de alto forno (CPIII) aglomerante obtido pela moagem de clínquer Portland e escória de alto forno (com a adição da escória temos uma diminuição apreciável do consumo de energia). O CPIII difere do cimento Portland comum em sua composição, uma vez que no CPIII temos adição de uma quantidade considerável de escória de alto forno. Ao se adicionar escória ao clínquer, ela não haje nos primeiros dias, pois é necessário que o clínquer reaja formando a tobermorita (silicato de cálcio hidratado) e o subproduto ( Ca(OH2) ). É a presença deste subproduto básico que faz com que a escória reaja com a água (hidratação da escória) formando-se silicatos e aluminatos de cálcio hidratados (que acrescentam propriedades ao cimento). Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 60 - Desta forma, podemos dizer que o aumento considerável de resistência atingido pelo CPIII é devido ao fato de que, neste cimento, temos um maior aproveitamento da cal (teremos Ca(OH2) reagindo com a escória). 9) Citar 3 ensaios físicos para caracterização de cimentos., explicando seus objetivos e destacando a importância das características que determinam. O que determinam os ensaios químicos de “perda ao fogo” e “resíduo insolúvel”? Ensaios Físicos: Finura (NBR 11579): Objetivo: determinar o índice de finura do cimento, em porcentagem (F). Características: este ensaio é fundamental, pois, através dele, determinamos se o cimento está com finura de acordo com o valor aceito pela norma ( F12%).Quanto mais fino for o cimento, maior será a resistência à compressão atingido por este. Pega (NBR 11580 e NBR 11581): Objetivo: verificar se os tempos de início e fim de pega estão dentro dos valores aceitos por norma. Características: o tempo de pega do cimento é importante para permitir a aplicação adequada de pastas, argamassas e concretos, isto é, sem perda de plasticidade e trabalhabilidade. Este ensaio é feito com pasta de consistência normal, utilizando-se o aparelho de Vicat. Nesse aparelho mede-se, em última análise, a resistência à penetração de uma agulha na pasta de cimento. Resistência à compressão (NBR 7215): Objetivo: determinar a resistência à compressão do cimento nas idades de 3, 7 e 28 dias. Características: a resistência à compressão do cimento é medida através de corpos de prova cilíndricos com diâmetro de 50mm e com 100mm de comprimento, com um traço normalizado e areia padrão do IPT. Este ensaio é muito importante para o controle da qualidade do cimento, pois através da elaboração de uma curva resistências idades distintas, é que normalmente se define a utilização do cimento. Ensaios Químicos: Perda ao fogo: Este ensaio é determinado com uma amostra de cimento, levando a uma temperatura em torno de 950c em uma mufla (local apropriado para a queima do material), em função da diferença do peso inicial. Através deste ensaio, controla-se o teor de adições de material carbonático (aquecendo-se CaCO3 , temos liberação de CO2 e a formação de CaO,ocasionando uma diminuição de volume) e gipsita (ao aquecermos temos a desidratação deste produto). Resíduos insolúveis: Neste ensaio determinamos, através da adição de HCl, quanto do cimento não se solubiliza. Este ensaio é de vital importância no caso de cimentos que contenham pozolana, pois a insolubilidade de tal material pode vir a comprometer a qualidade do cimento. 10) Descreva de forma resumida o método de ensaio para determinação do tempo de início de pega. Por que o ensaio propriamente dito tem que ser feito numa pasta de cimento com resistência normal? O tempo de pega do cimento é determinado por ensaio utilizando-se o aparelho de Vicat. A pasta é misturada em proporção que conduza a uma pasta de consistência normal, consistência esta que é verificada no mesmo aparelho de Vicat, utilizando-se a chamada sonda de Tetmajer e um corpo cilíndrico metálico liso de diâmetro de 10mm e terminado Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 61 - em seção reta. A pasta, preparada para o ensaio, deve ter uma consistência normal de 6mm, isto é, a sonda deve estacionar a uma distância de 6mm do fundo da amostra. Determinando-se a consistência da amostra, esta é ensaiada periodicamente à penetração utilizando-se a agulha de Vicat, onde determinamos o tempo de início de pega quando a agulha deixa de penetrar até o fundo da pasta, isto é, ao ficar 1mm afastada do fundo. Os ensaios são prosseguidos até a determinação do tempo de fim de pega, o que ocorre quando a agulha deixa de penetrar na amostra. Este ensaio deve ser feito em uma pasta de consistência normal, pois devemos garantir a trabalhabilidade e a plasticidade da pasta. 11) Explique a origem das manchas brancas encontradas em paredes de concreto de caixa d’água. Tais manchas são resultado de uma recarbonatação que ocorre no cimento.O Ca(OH2), que é um subproduto das reações de hidratação dos silicatos, dissocia-se em CaO+H2O. Esta cal virgem (CaO) livre presente no cimento reage com a água, formando novamente o hidróxido de cálcio ( Ca(OH2) ) que, em contato com a atmosfera, reage com o CO2 , resultando na formação de CaCO3 (calcário). Este produto normalmente se apresenta nas superfícies de concreto sob a forma de pequenas estalactites ou manchas esbranquiçadas. 12) Um cimento Portland que recebe adição de calcário na moagem, calcário este com 100% de CaCO3, apresentou no ensaio de perda ao fogo o resultado de 6%. Considerando que 1 tonelada deste calcário produz 560 kg de óxido de cálcio, qual será o teor deste calcário, em porcentagem, adicionado ao cimento? A reação de calcinação pode ser escrita da seguinte forma: CaCO3 CaO + CO2 , onde é válida a seguinte proporção: CaCO3 CaCO3 CaO + CO2 1ton. 560 Kg 440 Kg Temos também que a perda ao fogo deste cimento é de 6% (o que significa dizer que a quantidade de CO2 liberada equivale a 6% do peso inicial de cimento). Logo, temos: 440 Kg 6% do cimento x 100 % do cimento totalcimento = 7333,33 Kg. Teor de CaCO3 : T = (QCaCO3 Qcim.) 100 T = (1000 7333,33) 100 T = 14 % 13) Classifique os aglomerantes quanto ao processo de endurecimento e tempo de pega. Quanto ao processo de endurecimento, os aglomerantes podem ser: - Quimicamente inertes: endurecem por simples secagem ou resfriamento.Ex: argila e asfalto. - Quimicamente ativos: o endurecimento é decorrente de reações químicas.Ex: cal, cimento Portland e gesso. Quanto ao tempo de pega, temos: Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 62 - - Pega rápida: endurece em menos de 8 minutos. - Pega semi-lenta: endurece entre 8 e 30 minutos. - Pega lenta: endurece entre 30 minutos e 6 horas. - Pega muito lenta: endurece em mais de 6 horas. 14) Qual o composto do cimento que é responsável por: a) Grande desprendimento de calor. Dentre os compostos do cimento, o aluminato tricálcico (C3A) é o que apresenta maior desprendimento de calor. b) Resistência à compressão nos primeiros dias. É o silicato tricálcico (C3S) o principal responsável pelo aumento da resistência à compressão nos primeiros dias. c) Resistência à compressão após os primeiros dias de hidratação. O silicato bicálcico (C2S) é o composto que atribui ao cimento um aumentoda resistência à compressão após os primeiros dias de hidratação. 15) Com relação ao cimento Portland, escreva o que sabe sobre: a) gel de tobermorita; Gel de tobermorita é o nome que se dá ao silicato de cálcio hidratado que é formado pela reação de hidratação do silicato bicálcico (C2S) e do silicato tricálcico (C3S). Tal produto recebe este nome pois este se assemelha com o mineral denominado tobermorita e, como se parece com um gel, o silicato de cálcio hidratado é denominado gel de tobermorita. b) perda ao fogo; Ensaio feito no cimento onde, através dele, controlamos o teor de adições de material carbonático (fíler) e gipsita no cimento. c) insolúveis no HCl; A fim de garantirmos a qualidade do cimento, é necessário que se faça o ensaio de Resíduos Insolúveis, onde através da adição de HCl, observamos qual o teor de cimento que não se dissolve em meio a esta solução. d) reatividade álcali-agregado; Formação de produtos gelatinosos, acompanhada de grande expansão de volume, pela combinação dos álcalis do cimento com a sílica ativa finamente dividida, eventualmente presente nos agregados (esta reação deve ser impedida, pois diminui a qualidade do cimento). e) hidróxido de cálcio; Após a hidratação do clínquer, temos que os silicatos se decompõem em tobermorita gel (silicato de cálcio hidratado) e subproduto. Este subproduto é o hidróxido de cálcio ( Ca(OH2) ), que garante a durabilidade das barras de ferro contidas em estruturas de concreto armado, além de reagir com as adições ativas do cimento, acrescentando propriedades a este. f) clínquer de CP. Também conhecido por “cimento maluco”, o clínquer pode ser considerado como sendo um cimento (ele já é um ligante hidráulico). O problema em se utilizar o clínquer como cimento se deve ao fato de sua pega ser muito rápida ( comprometendo a trabalhabilidade da massa). Daí a importância da adição da gipsita ao clínquer, já que esta atua como regularizador de pega, atribuindo trabalhabilidade ao cimento. 16) Descreva em linhas gerais, o comportamento quando em contato com a água, dos principais constituintes do clínquer Portland. Inicialmente o silicato tricálcico (C3S) se hidrolisa, isto é, separa-se em silicato bicálcico (C2S) e hidróxido de cálcio ( Ca(OH2) ). Este último se precipita como cristal da solução Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 63 - supersaturada de cal. A seguir, o silicato bicálcico existente, resultante da hidrólise, combina-se com a água no processo de hidratação, adquirindo duas moléculas de água e, depositando-se a temperaturas ordinárias, no estado de gel. Esse processo, quando conduzido em temperaturas elevadas, resulta numa estrutura de natureza cristalina. Os dois últimos constituintes principais do cimento, o aluminato tricálcico (C3A) e o ferroaluminato tetracálcico (C4AF), se hidratam, resultando, do primeiro, cristais de variado conteúdo de água e, do segundo, uma fase amorfa gelatinosa. Todo esse processo é responsável pela pega, resistência e endurecimento do cimento. 17) O que é tempo de início de pega e o que caracteriza o fim de pega? Como se determina o tempo de fim de pega? Início de pega momento em que a massa começa a perder sua plasticidade. O tempo de início de pega é determinado através de ensaio utilizando-se o aparelho de Vicat onde, verifica-se o início da pega quando a sonda Tetmajer, ou seja, a agulha deixa de penetrar até o fundo da pasta, ficando esta afastada 1mm do fundo. Fim de pega momento em que a massa deixa de ser plástica. O tempo de fim de pega é determinado, quando a agulha de Vicat não penetra nada mais na amostra, deixando apenas uma imperceptível marca superficial. 18) De que maneira o gesso adicionado ao cimento atua como regularizador do tempo de pega? A gipsita (CaSO4 . 2 H2O) retarda o tempo de pega do clínquer, já que a solubilidade dos aluminatos anidridos é muito baixa em soluções supersaturadas de gesso (em outras palavras, o gesso inibe a reação dos aluminatos e, sendo o aluminato tricálcico o principal responsável pela pega rápida do cimento, tal pega é retardada). 19) Com relação ao tempo de início de pega de uma pasta de cimento, dizer como influenciam as seguintes situações: a) Temperatura ambiente; Quanto maior a temperatura, mais rápida será a pega do cimento, pois a hidratação se dará de forma mais rápida. b) Finura do cimento; Quanto mais finamente for moído o cimento, mais rápida será sua pega, pois a superfície específica disponível para a hidratação será maior. c) Adição de Cloreto de cálcio. Acelera a pega do cimento. 20) Cite 3 fatores que influenciam na duração da pega. Quantidade de água Temperatura ambiente Finura do cimento 21) Por que são importantes as determinações da finura e do tempo de início de pega dos cimentos? Finura define a resistência do cimento e o tempo de pega. Tempo de início de pega define a plasticidade (trabalhabilidade) do cimento.. 22) Como se verifica a expansibilidade do Cimento Portland? A expansibilidade pode ocorrer após o final da pega, ao longo do tempo, provocando fissuras, quando na queima do clínquer o teor de magnésio ou CaO livre é elevado ( temos, neste caso, a hidratação da cal e do magnésio). Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 64 - 23) Pela EB-1, o tempo mínimo para início de pega é de quanto tempo? Segundo o definido pela norma, o tempo mínimo de pega é de 1 hora. 24) Quais as idades importantes para a determinação da resistência à compressão de um cimento Portland de alta resistência inicial? O cimento Portland de alta resistência inicial tem a propriedade de apresentar um considerável aumento de resistência logo no primeiro dia. Deste modo, as idades importantes para determinação da resistência, em se tratando deste cimento, será de 1, 3 e 7 dias. 25) Partindo-se de um mesmo clínquer, como se obtém os diferentes cimentos CP 25, CP 32 e CP 40. Diminuindo-se a finura dos grãos (quanto mais finamente é moído o cimento, maior será a resistência à compressão atingida por este). 26) Como influi a água de amassamento na retração do cimento? A quantidade de água deve ser dosada de forma correta (pela norma a/c=0.48), pois uma quantidade muito pequena de água ocasionará em uma retração rápida do cimento, provocando fissuras. Já se misturarmos uma grande quantidade de água ao cimento, teremos uma massa muito saturada, resultando em uma exudação (segregação da pasta), prejudicando a uniformidade, resistência e durabilidade da massa. 27) Que características a escória de alto forno deve apresentar para ser utilizada na fabricação do CP de alto forno? As escórias destinadas à fabricação de cimento devem ser alcalinas, pois só estas apresentam características de hidraulicidade (apresentam uma composição química que permite a formação de componentes capazes de produzirem, por resfriamento brusco, um estado vítreo com propriedades hidráulicas latentes). Outras características que as escórias devem apresentar: CaO+MgO+Al2O3 > 1 SiO2 Teores de: - SiO2 de 25 a 34% - Al2O3 de 12 a 20% - CaO de 42 a 50% Le Chatelier 1 Al2O3 : 2 SiO2 : 3 CaO Granulometria por resfriamento brusco. 28) Qual deve ser a composição potencial de um cimento de baixo calor de hidratação. Por quê? Deve apresentar calor de hidratação entre 60 e 80 cal/g, o que significa termos uma redução na proporção de C3A e C3S, que são os dois compostos que atribuem ao cimento um alto calor de hidratação. Este tipo de cimento é recomendável em construções volumosas de grande porte, onde devemos nos preocupar com a formação de fissuras. Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 65 - 29) Sendo dadas as composições potenciais dos cimentos abaixo relacionados, apresentar as principais características de cada um deles. Cimento 1 Cimento 2 Cimento 3 C3S 40 55 30 C2S 30 20 45 C3A 8 12 6 C4AF 12 8 14Indicar qual dos três será o mais adequado para as seguintes obras: a) Construção de uma barragem de concreto; Para tal obra, devemos ter um cimento resistente a agentes agressivos. Deste modo, devemos ter um cimento com alto teor de C4AF, e baixo teor de C3A. Logo, o cimento mais recomendado dentre os três será o Cimento 3. b) Usina de pré-moldados de grande produção; Em tal situação, devemos ter um cimento de alta resistência inicial (CP V-ARI), pois em tais usinas deseja-se a utilização imediata das peças, precisando logo resistir às solicitações. Desta forma, devemos utilizar um cimento que tenha alto teor de C3S, sendo então o Cimento 2 o mais recomendado. c) Preparação da argamassa para assentamento de alvenaria. Neste caso, não temos exigências a cumprir, podendo então utilizar um cimento simples ou composto, com teores normais de compostos. Logo, optou-se escolher o Cimento 2, pois este é o que apresenta composição mais semelhante a tais tipos de cimento (ver composição de cimentos simples e compostos). Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 66 - Leitura Complementar Dicas práticas quanto à qualidade do cimento 1) Quais são os cuidados que devemos tomar ao armazenar os sacos de cimento? Empilhar no máximo 10 sacos, evitando assim compactação do cimento no saco, para cimento que for consumido num período máximo de 15 dias poderá ser realizado empilhamento com 15 sacos. Não colocar os sacos diretamente no piso, utilizando para isto, um estrado de madeira; quando o piso for impermeabilizado os sacos poderão ser colocados sobre lona plástica. 2) Os sacos de cimento podem estar encostados em paredes ou tetos? Não. Recomenda-se deixar um espaçamento, garantindo assim que os sacos não absorvam a umidade existente na parede. 3) As pilhas de sacos de cimento podem ser feitas em qualquer lugar? Não. Devem ser feitas em lugares cobertos protegidos das intempéries. Evitando lugares abertos, sujeito a empoçamento, goteiras e locais úmidos. 4) Cimento é como vinho quanto mais velho melhor? Não. Os estoques de cimento devem ser dimensionados de tal forma que o prazo de validade não seja ultrapassado. A norma brasileira estipula a validade do cimento em 90 dias, no entanto a maior parte dos fabricantes adotam prazo de validade inferior, respeitando as condições climáticas de cada região, garantindo assim a qualidade do cimento. 5) Como deverão ser dispostos os sacos num depósito? Os sacos de cimento deverão ser dispostos em forma de lotes, de tal maneira que os cimentos mais antigos sejam comercializados antes dos cimentos mais novos. Também se faz necessário a identificação dos lotes de diferentes tipos e marcas de cimento para que não sejam misturados .A adoção de lotes identificados com data, tipo e marca facilitam a inspeção e controle de estoque. 6) O transporte de cimento altera a sua qualidade? Não, no entanto algumas regras básicas devem ser observadas: os caminhões deverão estar em boas condições evitando-se assim o rasgamento dos sacos ou incidência de chuva na carga; os sacos devem estar cobertos por lonas e esta em boas condições; os sacos recebidos não devem estar úmidos, ou com aparência de que já foram molhados, aspecto de papel enrugado. 7) Que tipo de contaminação poderá ocorrer no cimento? Areia, cal, outros tipos de cimento e suleiras são os contaminantes mais freqüentes do cimento. Isto se dá normalmente por manuseio inadequado ou acidental dos sacos com conseqüente rasgamento e contaminação do produto. 8) Poderá haver contaminação de outra natureza no cimento? Sim. Em caminhões que transportam cargas diversas como cereais, produtos químicos, deve-se sempre observar se o cimento não está com aspecto, cor, cheiro ou outra característica estranha ao produto. Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 67 - 9) Podemos utilizar cimento contaminado? Não. Pequenas quantidades deverão ser descartadas. Quando se tratar de grandes quantidades, deverá ser contatada a Assessoria Técnica do fabricante, que indicará as medidas necessárias. 10) Pode haver “pedras” dentro dos sacos de cimento? Não. Isto indica que o cimento absorveu umidade e encontra-se hidratado. Este cimento não deverá ser utilizado pois sua qualidade está alterada. 11) O cimento de um saco rasgado pode ser utilizado? Sim, caso o cimento não tenha sido contaminado. O melhor destino para este cimento é comercializá-lo por quilo, “venda picado”. 12) Por que o cimento as vezes pode chegar quente no depósito? Porque na moagem de cimento o calor produzido, pelo atrito no interior do moinho, aquece o cimento. 13) Podemos utilizar cimento quente? Não. Como fica difícil medir a temperatura do cimento nas obras, recomenda-se que o cimento seja utilizado a temperatura ambiente. Quando o cimento estiver quente convém esperar que esfrie. Em regiões onde o inverno é rigoroso, com temperaturas ambiente inferiores a 10oC, recomenda-se que não sejam feitas concretagens. Também em dias de calor elevado, com temperaturas superiores a 35oC, cuidados especiais devem ser tomados para evitar fissuras, secagens muito rápidas, etc. Recomenda-se que seja consultada a Assessoria Técnica do fabricante para melhores orientações nestes casos. 14) O cimento pode causar mal à saúde? Assim como outros materiais destinados à construção civil, o cimento pode causar alergia em algumas pessoas, as chamadas “dermatites”. Recomenda-se que o contato direto com a pele seja evitado, através do uso de equipamentos de proteção individual (luvas, máscaras, botas). Quando o contato for inevitável ou acidental deve-se evitar o contato prolongado realizando-se a limpeza com auxílio de água e sabão. No caso do aparecimento de reação alérgica bem como ingestão ou inalação, deve-se afastar a pessoa do contato com o cimento e procurar auxílio médico. 15) O cimento mais escuro é melhor? Não. A cor do cimento está relacionada com a origem de suas matérias-primas e adições não tendo nenhuma influência na qualidade do produto. A cor pode variar de tonalidade mesmo em um mesmo tipo de cimento; de um cinza mais claro para um mais escuro e até mesmo um cinza esverdeado ou puxando para o marrom. 16) Existe mais cimento nos sacos maiores ou com mais folhas de papel? Não. Os pesos líquidos dos sacos de cimento são: 50 kg ou 25 kg. O tamanho do saco bem como o número de folhas de papel não implica na quantidade de cimento de cimento existente. A Norma Brasileira permite a variação menor ou igual a 2% no peso do saco significando que um saco poderá conter no mínimo 49 kg ou no máximo 51 kg. Caso o peso médio de uma pesagem de 30 sacos pertencentes a um lote seja inferior a 50 kg o lote deverá ser rejeitado. Obs.: Entende-se por lote a quantidade máxima de 30t, referente ao cimento oriundo do mesmo produtor, entregue na mesma data e mantido nas mesmas condições de armazenamento. Materiais de Construção Civil I – Agregados - 2003/1 - 68 - 17) Como podemos reutilizar o cimento que já foi utilizado? O cimento é um material que não poderá ser reutilizado, ou seja, uma vez em contato com a água e endurecido não mais voltará a sua condição inicial. 18) Quando se houve falar em “pega” do cimento está se referindo a forma que o cimento “gruda” em outros materiais? Não. A pega do cimento refere-se ao tempo que temos para trabalhar com o cimento antes que ele endureça após misturado com água. 19) Por que muitas vezes vemos pedreiros ou outros usuários do cimento adicionando açúcar ou sal no cimento? Esta prática, transmitida de geração para geração visa alterar o tempo de pega do cimento, ou seja, aumentar ou diminuir o tempo de trabalhabilidade do cimento após misturado com a água. 20) Como se comporta a adição de sal no cimento? O NaCl (cloreto de sódio) ou sal de cozinha como é popularmente conhecido quando adicionado ao cimento faz com queo tempo de pega diminua, isto é, o início do endurecimento é mais rápido. Cuidado! Não adicione sal ao cimento! O sal causa corrosão nas armaduras além de outros danos. 21) Como se comporta a adição de açúcar no cimento? O açúcar utilizado em nossa alimentação no dia a dia quando adicionado ao cimento faz com que o tempo de pega aumente, isto é, o início do endurecimento é mais lento. Cuidado! Não adicione açúcar ao cimento! Sem orientação segura, a adição de açúcar poderá provocar trincas e outros danos caso não sejam tomados os devidos cuidados. Esta leitura complementar foi retirada de uma publicação preparada pela “Itambé – Cimento para toda obra”, Assessoria Técnica.