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SISTEMAS OPERACIONAIS 
AULA 6 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. André Roberto Guerra 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
Desde a nossa primeira aula, são apresentados conceitos e definidos 
termos relacionados à gerência dos sistemas de computação. Agora, finalizamos 
o conteúdo das aulas com a gerência de proteção de arquivos e usuários, tema 
atual e essencial para a boa gestão do item mais precioso dos sistemas, os 
dados e informações dos usuários, armazenados nos arquivos. 
De alguma forma, tudo o que desenvolvemos e produzimos está 
digitalizado, seja no smartphone, seja no flash drive portátil, na central multimídia 
de um veículo, no relógio (smartwatch), nos óculos (smartglasses) ou em 
qualquer outro dispositivo vestível (weareble); e, principalmente, nos 
computadores tradicionais, nos desktops, nas workstations, nos servidores; e, 
atualmente, na nuvem (cloud computing), em grandes data centers 
especializados das gigantes da tecnologia da informação (TI) (exemplos: 
Google, Microsoft, Apple, Oracle, Amazon). 
E essas preciosas informações são alvo dos cibercriminosos, que, das 
mais diversas formas (exemplo: crypto-ransomware WannaCry1), buscam a 
propriedade da informação, ou seja, as credenciais que permitam total controle 
sobre os arquivos, desde o simples acesso de leitura até a total e absoluta 
exclusão de dados, gerando grandes prejuízos, pois todos sabemos o valor de 
nossos dados, desde as mais simples conversas com contados até as mais 
elaboradas fórmulas e projetos. Com os mais diversos propósitos, desde 
conhecer e explorar nossos hábitos até obter nossas informações mais 
confidenciais e sigilosas (dados econômicos/financeiros, privados etc.), os 
cibercriminosos, conhecedores desse valor e preparados para explorar as 
“brechas” de segurança, são contratados para executarem ataques a sistemas 
vulneráveis, em que se desconhece ou simplesmente se negligencia um melhor 
cuidado da informação, e que não utilizam os padrões e políticas de segurança 
adequados, visando à manutenção da confidencialidade, disponibilidade e 
 
1 “O ransomware é um tipo de malware (software malicioso) que impede ou limita o acesso dos 
usuários ao sistema, bloqueando a tela do sistema ou bloqueando os arquivos dos usuários, a 
menos que um resgate seja pago. As famílias mais modernas de ransomware, coletivamente 
categorizadas como crypto-ransomware, criptografam certos tipos de arquivos em sistemas 
infectados e obrigam os usuários a pagar pelo seu resgate por meio de certos métodos de 
pagamento on-line, para obterem uma chave de descriptografia” (Trend Micro, [20--], tradução 
nossa). 
 
 
3 
integridade dos dados. Nesses casos, os cibercriminosos conquistam altas taxas 
de sucesso em suas investidas. 
Mas aqueles que conhecem as definições e práticas de gestão de 
proteção de arquivos, fazendo o uso dos procedimentos recomendados, 
conseguem níveis satisfatórios de defesa e proteção contra esses ataques e 
ameaças, preparando-se da melhor forma contra eles. Devido a tamanha 
complexidade, há cursos superiores específicos sobre cibersegurança, além da 
certificação profissional de empresas especializadas. Contudo, todas as técnicas 
de ataque e defesa envolvem diretamente os arquivos de usuários e os sistemas 
operacionais que os geram e mantêm. Portanto, conhecer as definições e 
propriedades alinhadas às tarefas de gestão apresentadas nas atividades 
práticas fornece o conhecimento inicial para uma preparação que exige 
formação continuada em cursos mais específicos e avançados. 
Para Maziero (2019), a segurança de um sistema de computação diz 
respeito à garantia de algumas propriedades fundamentais associadas às 
informações e recursos presentes em um sistema. Provavelmente, é em seu 
computador pessoal que a maioria dos seus dados está gravada e é por meio 
dele que você acessa redes e realiza transações bancárias e comerciais. Por 
isso, mantê-lo seguro é essencial para se proteger dos riscos (Maziero, 2019). 
Muitas vezes, os atacantes estão interessados no acesso a uma grande 
quantidade de devices, independentemente de quais são e das configurações 
que possuem. Por isso, acreditar que seu computador está protegido, por ele 
supostamente não apresentar atrativos para um atacante, pode ser um grande 
erro (Cert, 2016). 
Os conteúdos previstos para esta aula teórica abrangem a gerência e a 
proteção de usuários, que serão individualmente descritas e apresentadas nos 
cinco temas a seguir: 
1. Conceitos e definições de segurança; 
2. Riscos, ameaças e vulnerabilidades; 
3. Criptografia; 
4. Autenticação, gerenciamento e controle de acesso; 
5. Gerenciamento e proteção de usuários. 
Aproveite e bons estudos! 
 
 
 
4 
TEMA 1 – CONCEITOS E DEFINIÇÕES DE SEGURANÇA 
O professor Luis Gonzaga de Paulo apresenta, na reportagem intitulada 
Aumento de ataques cibernéticos alertam para a necessidade de se ter cuidados 
com a proteção, que: 
Um ataque cibernético é um evento que tem por objetivo atingir as 
bases da segurança da informação: a confidencialidade, a integridade 
e a disponibilidade da informação. Para tanto usam técnicas, métodos 
e ferramentas com o propósito de ter acesso indevido a informações 
restritas, falsificar, alterar ou destruir informações de valor ou tornar 
inviável o uso dessas informações ou o acesso a elas. Geralmente são 
parte de planos bem orquestrados por quadrilhas do crime organizado, 
mas pode ser executado de forma amadora, por alguém com algum 
conhecimento técnico ou mesmo um aprendiz, ou por serviços de 
espionagem e grupos terroristas. É bom salientar que nem sempre o 
ataque é motivado por interesses financeiros, embora esse seja o 
principal fator em grande parte dos ataques. (Paulo, 2020, citado por 
Zanluca, 2020) 
Em português, a palavra segurança abrange muitos significados distintos 
e por vezes conflitantes, como define Maziero (2019). Em inglês, as palavras 
security, safety e reliability permitem definir mais precisamente os diversos 
aspectos da segurança: a palavra security se relaciona a ameaças intencionais, 
como intrusões, ataques e roubo de informações; a palavra safety se relaciona 
a problemas que possam ser causados pelo sistema aos seus usuários ou ao 
ambiente, como acidentes provocados por erros de programação; por fim, o 
termo reliability é usado para indicar sistemas confiáveis, construídos para 
tolerar erros de software, de hardware ou dos usuários (Avizienis et al., 2004; 
Maziero, 2019). 
Nesta aula, serão considerados somente os aspectos de segurança 
relacionados ao termo security, ou seja, à proteção do sistema contra ameaças 
intencionais. Trataremos dos principais conceitos de segurança, como 
propriedades e princípios de segurança, ameaças, vulnerabilidades e ataques 
típicos em sistemas operacionais, concluindo com uma descrição da 
infraestrutura de segurança típica de um sistema operacional. Grande parte dos 
tópicos de segurança apresentados não são exclusivos de sistemas 
operacionais, se aplicam a sistemas de computação em geral (Maziero, 2019). 
Outras boas definições dos termos segurança e seguro podem ser obtidas 
no Michaelis dicionário brasileiro da língua portuguesa (2015): 
 
 
 
5 
segurança 
[...] 
2 Estado do que se acha seguro ou firme; estabilidade, solidez. 
[...] 
5 Condição ou estado do que está livre de danos ou riscos. 
6 Crença ou opinião firme; certeza, confiança, firmeza [...]. 
[...] 
seguro 
[...] 
3 Que envolve pouco ou nenhum risco; eficaz, garantido [...]. 
4 Livre de perigo ou não exposto a ele; protegido, testo. 
[...] 
6 Que oferece segurança contra ataques, acidentes, desastres ou 
danos de qualquer outra natureza [...]. 
[...] 
11 Que não oferece dúvida; certo, incontestável, indubitável. 
12 Em que se pode crer ou ter confiança [...]. (Michaelis, 2015) 
1.1 Informação 
Em complemento à definição de segurança, torna-se necessária a 
definição de informação, pois,como descrito pelo professor Luis Gonzaga de 
Paulo (2020), 
vivemos na Era da Informação, e produzimos, armazenamos e 
movemos diariamente uma quantidade incalculável de informação. 
Apesar da quantidade de informação ter passado por um grande 
impulso a partir da invenção da imprensa, por Gutemberg, foi a partir 
do final do século XVIII, com a invenção da fotografia, seguida do 
telégrafo – que inaugurou a era das telecomunicações – que a 
quantidade de informação produzida, disponível e transportada ganhou 
tamanha proporção. 
Numa reflexão sobre o que é informação, temos, então, nomes, números, 
imagens e sons, sensações, enfim, tudo que podemos experimentar com nossos 
sentidos – e, além deles, com o uso da tecnologia – e que tenha algum uso, 
propósito, que possa ser utilizado por meio da razão ou da emoção, tudo isso é 
informação. E tudo isso tem valor, um valor mensurável ou não (Paulo, 2020). 
Mas, na TI, o conceito de informação é diferenciado, a começar pela 
separação entre informação e dados. Dados são elementos, valores, grandezas 
medidas e ainda por analisar ou processar por meio de recursos computacionais. 
Informações são os resultados dessa análise ou processamento, que, mediante 
processos e regras definidas, tornam-se inteligíveis e utilizáveis pelos seres 
humanos. Entretanto, ambos – dados ou informações – têm um valor intrínseco, 
requerendo um tratamento pelo qual possam manter sua utilidade e seu valor 
(Paulo, 2020). 
A norma ABNT NBR ISO/IEC 27002:2103 define informação como um 
ativo – isto é, bem, patrimônio – de uma organização, de grande importância e 
 
 
6 
valor e que, por isso, necessita de proteção adequada (ABNT, 2013). Para isso, 
deve-se considerar a informação em suas diversas formas e nos diversos meios 
utilizados para obtê-la, armazená-la, transportá-la e modificá-la: 
O valor da informação vai além das palavras escritas, números e 
imagens: conhecimentos, conceito, ideias e marcas são exemplos de 
formas intangíveis da informação. Em um mundo interconectado, a 
informação e os processos relacionados, sistemas, redes e pessoas 
envolvidas nas suas operações são informações que, como os outros 
ativos importantes, têm valor para o negócio da organização e, 
consequentemente requerem proteção contra vários riscos. (ABNT, 
2013) 
Devido à grande diversidade de informações, no ambiente pessoal e no 
ambiente corporativo, é necessário classificar as informações, isto é, 
diferenciá-las em função de níveis e critérios específicos, como a sua natureza, 
o seu valor e o seu grau de importância. Esses critérios e níveis podem definir o 
grau de sigilo e confidencialidade a ser aplicado à informação. É também em 
função desses critérios que serão definidos os mecanismos de controle e 
proteção das informações. Certamente, você já ouviu ou leu a respeito de 
informações confidenciais, secretas, de caráter reservado ou público. São 
exemplos de classificações para informações que determinam quem, quando e 
onde pode-se ter acesso, transportar ou modificar determinadas informações 
(Paulo, 2020). 
De maneira semelhante aos arquivos e tarefas, conforme definido nas 
aulas anteriores, a informação também percorre um ciclo de vida, isto é, um 
período compreendido entre a criação ou origem da informação e o momento em 
que ela pode ser descartada. Durante esse ciclo de vida, a informação é 
manuseada, manipulada ou tratada, podendo sofrer alterações, desde que 
controladas, de modo a não perder seu valor. Ela também pode ser armazenada 
ou transportada – submetida a processos que, entretanto, não mudam seu 
significado ou valor. Nesse ciclo de vida, a informação também está exposta a 
riscos – isto é, está vulnerável –, por exemplo, o roubo, a perda ou a alteração 
indevida. Para evitar que isso ocorra, é necessário proteger a informação e 
monitorar seu ciclo de vida por completo. Esse é o principal objetivo da 
segurança da informação (Paulo, 2020). 
 
 
 
 
 
7 
Figura 1 – Ciclo de vida da informação 
 
Fonte: Paulo, 2020. 
1.2 Segurança da informação 
Para se garantir a segurança da informação, é necessário que os 
seguintes princípios básicos sejam respeitados: 
• Confidencialidade: deve-se assegurar que a informação será acessível 
somente a quem tem autorização de acesso; 
• Integridade: deve-se assegurar que a informação não foi alterada 
durante o seu processo de transporte; 
• Disponibilidade: deve-se assegurar que usuários autorizados tenham 
acesso a informações e recursos a estas associados, quando por eles 
requeridos (Projetos, 2019). 
Além desses princípios básicos, outras propriedades importantes estão 
geralmente associadas à segurança de um sistema, segundo Maziero (2019): 
• Autenticidade: todas as entidades de um sistema são autênticas ou 
genuínas; em outras palavras, os dados associados a essas entidades 
são verdadeiros e correspondem às informações do mundo real que elas 
representam, como as identidades dos usuários, a origem dos dados de 
um arquivo etc. 
• Irretratabilidade: todas as ações realizadas no sistema são conhecidas 
e não podem ser escondidas ou negadas por seus autores; essa 
propriedade também é conhecida como irrefutabilidade ou não repúdio. 
É função do sistema operacional garantir a manutenção das propriedades 
de segurança para todos os recursos sob sua responsabilidade. Essas 
propriedades podem estar sujeitas a violações decorrentes de erros humanos ou 
de software, praticadas por indivíduos mal-intencionados (maliciosos), internos 
ou externos ao sistema (Maziero, 2019). 
 
 
 
8 
De acordo com a norma ABNT NBR ISO/IEC 27002:2013: 
A segurança da informação é alcançada pela implementação de um 
conjunto adequado de controles, incluindo políticas, processos, 
procedimentos, estrutura organizacional e funções de software e 
hardware. Estes controles precisam ser estabelecidos, implementados, 
monitorados, analisados criticamente e melhorados, quando 
necessário, para assegurar que os objetivos do negócio e a segurança 
da informação sejam atendidos. (ABNT, 2013) 
1.3 Princípios de segurança da informação 
Além das técnicas usuais de engenharia de software usadas para a 
produção de sistemas corretos, segundo Maziero (2019), a construção de 
sistemas computacionais seguros é pautada por uma série de princípios 
específicos, relativos tanto à construção do sistema quanto ao comportamento 
dos usuários e dos atacantes. Alguns dos princípios mais relevantes, compilados 
por Maziero (2019), são indicados a seguir: 
• Privilégio mínimo: todos os usuários e programas devem operar com o 
mínimo possível de privilégios ou permissões de acesso necessários para 
poderem funcionar. Dessa forma, os danos provocados por erros ou 
ações maliciosas intencionais serão, também, minimizados. 
• Separação de privilégios: sistemas de proteção baseados em mais de 
um controle ou regra são mais robustos, pois, se o atacante conseguir 
burlar um dos controles, mesmo assim não terá acesso ao recurso. Em 
um sistema bancário, por exemplo, uma operação de valor elevado pode 
requerer a autorização de dois gerentes. 
• Mediação completa: todos os acessos a recursos, tanto diretos quanto 
indiretos, devem ser verificados pelos mecanismos de segurança. Eles 
devem estar dispostos de forma a ser impossível contorná-los. 
• Default seguro: o mecanismo de segurança deve identificar claramente 
os acessos permitidos; caso um certo acesso não seja explicitamente 
permitido, ele deve ser negado. Esse princípio impede que acessos 
inicialmente não previstos no projeto do sistema sejam inadvertidamente 
autorizados. 
• Economia de mecanismo: o projeto de um sistema de proteção deve ser 
pequeno e simples, para que possa ser facilmente e profundamente 
analisado, testado e validado. 
 
 
9 
• Compartilhamento mínimo: mecanismos compartilhados entre usuários 
são fontes potenciais de problemas de segurança, devido à possibilidade 
dehaver fluxos de informação imprevistos, entre usuários. Por isso, o uso 
de mecanismos compartilhados deve ser minimizado, sobretudo se 
envolver áreas de memória compartilhadas. Por exemplo, caso uma 
funcionalidade de um sistema operacional possa ser implementada como 
chamada a um núcleo ou como função de biblioteca, deve-se preferir essa 
última forma, pois envolve menos compartilhamento. 
• Projeto aberto: a robustez do mecanismo de proteção não deve 
depender da ignorância dos atacantes; ao invés disso, o projeto deve ser 
público e aberto, dependendo somente do segredo de poucos itens, como 
listas de senhas ou chaves criptográficas. Um projeto aberto também 
torna possível a sua avaliação por terceiros independentes, provendo 
confirmação adicional da segurança do mecanismo. 
• Proteção adequada: cada recurso computacional deve ter um nível de 
proteção coerente com seu valor intrínseco. Por exemplo, o nível de 
proteção requerido em um servidor web de serviços bancários é bem 
distinto daquele de um terminal público de acesso à internet. 
• Facilidade de uso: o uso dos mecanismos de segurança deve ser fácil e 
intuitivo, caso contrário eles serão evitados pelos usuários. 
• Eficiência: os mecanismos de segurança devem ser eficientes no uso 
dos recursos computacionais, de forma a não afetarem significativamente 
o desempenho do sistema ou as atividades de seus usuários. 
• Elo mais fraco: a segurança do sistema é limitada pela segurança de seu 
elemento mais vulnerável, seja ele o sistema operacional, sejam as 
aplicações, a conexão de rede ou o próprio usuário. 
Esses princípios devem pautar a construção, configuração e operação de 
qualquer sistema computacional com requisitos de segurança. A maioria dos 
problemas de segurança dos sistemas atuais provém da não observação desses 
princípios (Maziero, 2019). 
TEMA 2 – RISCOS, AMEAÇAS E VULNERABILIDADES 
Como mencionado por Paulo (2020), a informação está sujeita a riscos, 
seja no seu processo de produção e manuseio, seja no seu armazenamento ou 
 
 
10 
em seu transporte por qualquer meio. Esses riscos são decorrência dos diversos 
fatores envolvidos nesses processos: pessoas, tecnologias, ambientes, 
fenômenos naturais e o seu próprio desgaste ou fadiga pelo uso. 
“Os incidentes, isto é, as ocorrências que transformam a possibilidade do 
risco em um acontecimento, um fato, podem comprometer uma ou mais 
características da segurança da informação” (Paulo, 2020), com probabilidade 
de que uma ameaça venha a explorar ou agir em face de uma vulnerabilidade, 
gerando um incidente de segurança da informação que fira aspectos básicos da 
segurança da informação, identificados com o acrônimo CID: confidencialidade, 
integridade e disponibilidade (Paulo, 2020), conforme apresentado no item 1.2. 
Por meio de registros históricos, da análise matemática ou estatística, é 
possível determinar a probabilidade da ocorrência do risco e o impacto que essa 
ocorrência – ou incidente – pode causar nos negócios. Ao processo de avaliação 
de riscos executado dessa maneira denomina-se análise de riscos (Paulo, 2020). 
Para o professor Carlos Alberto Maziero (2019), ameaça pode ser 
considerada qualquer ação que coloque em risco as propriedades de segurança 
do sistema descritas na seção anterior. Alguns exemplos de ameaças às 
propriedades básicas de segurança seriam: 
• Ameaças à confidencialidade: um processo vasculhar as áreas de 
memória de outros processos, arquivos de outros usuários, o tráfego de 
rede nas interfaces locais ou áreas do núcleo do sistema, buscando 
acesso a dados sensíveis como números de cartão de crédito, senhas, 
conteúdos de e-mails privados etc. 
• Ameaças à integridade: um processo alterar as senhas de outros 
usuários, instalar programas, drivers ou módulos de núcleo maliciosos, 
visando obter o controle do sistema, roubar informações ou impedir o 
acesso de outros usuários. 
• Ameaças à disponibilidade: um usuário alocar para si todos os recursos 
do sistema, como a memória, o processador ou o espaço em disco, para 
impedir que outros usuários possam utilizá-lo (Maziero, 2019). 
Para Paulo (2020), as ameaças são agentes ou eventos que, podendo 
explorar ou agir perante uma vulnerabilidade, representam um risco. 
Para evitar incidentes de segurança da informação, uma organização 
necessita conhecer e gerenciar seus ativos – incluindo-se, entre esses, as 
 
 
11 
informações de valor – e as suas vulnerabilidades. O processo de identificação 
e avaliação dos ativos, asset assessment ou inventário, deve, então, identificar, 
descrever e localizar cada ativo, seu uso e controles de segurança atuais e as 
ameaças às quais eles estão expostos ou submetidos (Paulo, 2020). 
Maziero (2019) conclui que, obviamente, para cada ameaça possível, 
devem existir estruturas, no sistema operacional, que impeçam sua ocorrência, 
como controles de acesso às áreas de memória e arquivos, quotas de uso de 
memória e processador, verificação de autenticidade de drivers e outros 
softwares etc. As ameaças podem ou não se concretizar, dependendo da 
existência e da correção dos mecanismos construídos para evitá-las ou impedi-
las. As ameaças podem se tornar realidade na medida em que existam 
vulnerabilidades que permitam sua ocorrência (Maziero, 2019) 
Como já visto e apresentado por Paulo (2020), a informação é um valioso 
ativo – isto é, um bem ou patrimônio da organização. No entanto, para fazer uso 
desse valioso bem, de forma a empregá-lo adequadamente ao processo 
produtivo da organização, é necessário prover meios para interagir com a 
informação no seu ciclo de vida. Esses meios são os ativos da informação ou da 
TI. 
Os ativos compreendem uma vasta gama de dispositivos, equipamentos 
e componentes, desde os circuitos de comunicação de dados até os softwares 
– os programas –, passando por redes, meios de armazenamento, 
computadores e periféricos. Cada ativo está sujeito a incidentes que podem 
influenciar na segurança da informação, seja pelo seu uso intenso, por se tratar 
de uma nova tecnologia cuja efetividade na segurança da informação ainda não 
foi comprovada; seja por haver interesses escusos em relação ao seu possível 
alto valor. Enfim, tais ativos estão expostos a falhas de segurança da informação, 
possuindo pontos fracos que podem vir a ser explorados ou apresentarem 
comportamento incompatível, fraquezas, às quais denominamos 
vulnerabilidades. Ou seja, vulnerabilidades são pontos fracos, nos ativos da 
informação, que podem ser explorados ou fazê-los apresentar falhas, gerando 
incidentes de segurança da informação (Paulo, 2020). 
Além disso, para Paulo (2020), estendendo o conceito de ativos às 
pessoas e processos da organização que atuam no ciclo de vida da informação, 
é possível afirmar que esses elementos também apresentam vulnerabilidades. 
Isso porque um suborno, a corrupção, a omissão ou uma ação proposital podem 
 
 
12 
gerar incidentes de segurança da informação, ou seja, pessoas e processos 
também apresentam vulnerabilidades. 
Tanto indivíduos quanto empresas são vulneráveis a roubos de dados e 
a ataques que podem comprometer dados, corromper arquivos e provocar a 
queda de sistemas. A indústria da computação procura atender essas 
necessidades com suas organizações, trabalhando para melhorar a segurança 
computacional. Por exemplo, a iniciativa de computação confiável proposta 
pelo presidente da Microsoft, Bill Gates, é um esforço para concentrar a 
prioridade das empresas no fornecimento de aplicações confiáveis, disponíveis 
e seguras (Deitel; Deitel; Choffnes, 2017). 
Para o professor Carlos Alberto Maziero (2019), uma vulnerabilidade é 
um defeito ou problema presente na especificação, implementação, 
configuração ou operação de um software ou sistema, que possa ser explorado 
para violar as suas propriedades de segurança. Dentre alguns exemplos de 
vulnerabilidades, vale destacar:• um erro de programação no serviço de compartilhamento de arquivos, 
que permita a usuários externos o acesso a outros arquivos do 
computador local, além daqueles compartilhados; 
• uma conta de usuário sem senha, ou com uma senha predefinida pelo 
fabricante, que permita a usuários não autorizados acessarem o sistema; 
• a ausência de quotas de disco, permitindo a um único usuário alocar todo 
o espaço em disco para si e assim impedir os demais usuários de usarem 
o sistema (Maziero, 2019). 
Em sua versão 2.404, o sistema operacional Windows 10 lançou o kernel 
data protect – proteção de dados do kernel (KDP), uma nova tecnologia que evita 
ataques de corrupção de dados, protegendo partes do kernel e drivers do 
Windows por meio da segurança baseada em virtualização (VBS). A KDP é um 
conjunto de interfaces de programação de aplicativos (APIs) que permitem 
marcar algumas memórias do kernel como somente para leitura, impedindo que 
invasores modifiquem a memória protegida. Por exemplo, invasores usam 
drivers de dispositivos assinados, mas vulneráveis, para atacar estruturas de 
dados de políticas e instalar um driver mal-intencionado não assinado. A KDP 
atenua esses ataques, garantindo que as estruturas de dados da política não 
possam ser violadas (Microsoft, 2020). 
 
 
13 
TEMA 3 – CRIPTOGRAFIA 
O termo criptografia tem sua origem no grego kryptós (escondido, oculto, 
secreto) e gráphos (grafia, escrita). É a arte ou a ciência de escrever em cifra ou 
em código. Assim, a criptografia foi criada para codificar informações, por meio 
da formulação de um conjunto de técnicas que permitem tornar incompreensível 
uma mensagem originalmente escrita com clareza, de forma a permitir que 
somente as pessoas autorizadas (seu remetente e seu destinatário) a decifrem 
e compreendam, com acesso ao seu conteúdo (Maziero, 2019). 
Conceitualmente, segundo Maziero (2019), a criptografia faz parte de um 
escopo mais amplo de conhecimento, que envolve: 
• Criptografia: conjunto de técnicas para codificar/decodificar informações, 
ocultando seu conteúdo de pessoas não autorizadas a acessá-las. 
• Criptanálise: conjunto de técnicas usadas para “quebrar” uma 
criptografia, expondo a informação ocultada por ela. 
• Criptologia: área geral, englobando criptografia e criptanálise. 
• Criptossistema: conjunto de algoritmos/mecanismos para realizar um 
tipo específico de criptografia. 
As técnicas criptográficas são extensivamente usadas na segurança de 
sistemas, para garantir a confidencialidade e integridade dos dados. Além disso, 
elas desempenham um papel importante na autenticação de usuários e recursos 
(Maziero, 2019). Pistelli ([S.d.]) apresenta que a criptologia é uma ciência muito 
antiga, já presente no sistema de escrita hieroglífica dos egípcios, há quase 4 
mil anos. Ela “também foi usada na antiga Roma, onde os soldados 
simplesmente substituíam umas letras por outras, tornando assim, impossível 
para os inimigos ler as mensagens, pois somente o remetente e o destinatário 
possuíam o código capaz de decifrar o conteúdo das mensagens” (Paiva; López, 
2002). “Desde então vem sendo muito utilizada, principalmente para fins 
militares e diplomáticos [...]. Sua utilização durante a Segunda Guerra, e a 
consequentemente quebra dos códigos alemão e japonês, foi fundamental para 
o sucesso dos Aliados” (Pistelli, [S.d.], p. 1). 
 
 
14 
3.1 Objetivos da criptografia 
“O uso da criptografia tem como objetivo garantir que uma mensagem ou 
informação só será lida e compreendida pelo destinatário autorizado para isso” 
(Mota, 2006, p. 44). 
Os objetivos do uso da criptografia são quatro, conforme a seguir 
descritos: 
1. Confidencialidade: deve-se assegurar, por meio de encriptação dos 
dados, que só os receptores autorizados tenham acesso às informações. 
2. Integridade: deve-se assegurar, por meio de assinatura digital, que a 
informação não seja alterada durante o seu processo de transporte da 
informação. 
3. Autenticação: o remetente e o receptor devem poder confirmar as 
identidades uns dos outros, assim como a origem e o destino da 
informação, por meio de assinatura digital e certificados. 
4. Não recusa: o criador/remetente do documento deve poder assiná-lo de 
forma digital, limitando legalmente a sua responsabilidade, por meio de 
assinatura digital e certificados. 
3.2 Tipos de criptografia 
Existem dois tipos básicos de criptografia: a criptografia simétrica e a 
criptografia assimétrica. 
Para Cavalcante (2019), a criptografia simétrica ou de chave secreta foi 
o primeiro tipo de criptografia criado. Funciona transformando um texto em uma 
mensagem cifrada, mediante definição de uma chave secreta, que será utilizada, 
posteriormente, para descriptografar a mensagem, tornando-a novamente um 
texto simples (Cavalcante, 2019). Os algoritmos simétricos usam chaves 
simétricas e um algoritmo de bloco, como DES, Desx, Idea, RC2, RC4, Blowfish, 
para criptografar e descriptografar dados. Ela tem por: 
Vantagem – Rapidez na criptografia e decriptografia das informações. 
Desvantagem – A chave secreta deve ser transmitida ou comunicada 
para o receptor, tornando-a mais vulnerável a roubo. 
[...] 
A Criptografia Assimétrica, [...] também conhecida como de chave 
pública, utiliza duas chaves, uma para cifrar o texto ou mensagem, e 
outra para decifrar. Pode ser empregada para assinatura digital e 
autenticação. É possível combinar a criptografia simétrica com a 
assimétrica, somando a segurança com a rapidez. 
 
 
15 
Vantagens - mais segura que a criptografia simétrica, por não precisar 
comunicar o receptor a chave necessária para decriptografar a 
mensagem e, pode ser utilizada em assinatura digital 
Desvantagem - costuma ser mais lenta do que a criptografia simétrica 
(Celestino, 2005, p. 30-31). 
Já a assinatura digital é um código, incluído na mensagem ou no texto, 
que identifica o remetente de uma mensagem. A mensagem ou texto é 
criptografado(a) com uma chave privada, criando uma espécie de assinatura. 
Para essa mensagem ser descriptografada, é utilizada uma chave pública. 
3.3 Public key infrastructure (PKI) 
A UFRGS ([20--]) define que a public key infrastructure (PKI) se refere a 
um processo que utiliza chaves públicas e certificados digitais para garantir a 
segurança do sistema e confirmar a identidade de seus usuários. Rodrigues 
(2009) apresenta o seguinte exemplo: 
uma empresa pode usar a PKI para controlar o acesso a sua rede de 
computadores. No futuro, as empresas poderiam usar a PKI para 
controlar o acesso a tudo, desde a entrada nos prédios até a obtenção 
de mercadorias. 
A PKI permite que pessoas e empresas realizem negócios em 
particular. Os funcionários podem enviar e-mails pela Internet com 
segurança, sem se preocupar com a sua interceptação por um 
concorrente. As empresas podem construir sites privativos, enviando 
informações somente para clientes conhecidos. 
A PKI baseia-se em um sistema de confiança, no qual duas partes 
(pessoas ou computadores) confiam mutuamente em uma CA 
(Autoridade Certificadora) para verificar e confirmar a identidade de 
ambas as partes. 
Por exemplo, a maioria das pessoas e empresas confia na validade de 
uma carteira de habilitação de motorista ou em um passaporte. Isto 
ocorre porque elas confiam na forma pela qual o governo emite estes 
documentos. Entretanto, uma caderneta de estudante é normalmente 
aceita como prova de sua identificação apenas para a escola que a 
emite. O mesmo vale para os Certificados Digitais. 
Com a PKI, ambas as partes de uma transação (seja ela um banco on-
line e seus clientes ou um empregador e seus funcionários) concordam 
em confiar na CA que emite seus Certificados Digitais. 
Normalmente, o aplicativo de software que utiliza seu Certificado Digital 
tem algum mecanismo para confiar nas CAs. Por exemplo, um 
navegador contém uma lista das CAs em que confia. Quando é 
apresentado ao navegador um CertificadoDigital (por exemplo, de um 
shopping on-line realizando comércio seguro), ele consulta a CA que 
emitiu o Certificado Digital. Se a CA estiver na lista de CAs confiáveis, 
o navegador aceita a identidade do site da Web e exibe a página da 
Web. Entretanto, se a CA não estiver na lista de CAs confiáveis, o 
navegador exibe uma mensagem de aviso que lhe pergunta se você 
deseja confiar na nova CA. Geralmente seu navegador lhe dá opções 
para confiar permanente ou temporariamente na CA ou não confiar em 
absoluto. Como usuário, você tem controle sobre em qual(is) CA(s) 
deseja confiar, porém o gerenciamento da confiança é feito pelo 
aplicativo de software (neste exemplo, pelo navegador). (Rodrigues, 
2009) 
 
 
16 
TEMA 4 – AUTENTICAÇÃO, GERENCIAMENTO E CONTROLE DE ACESSO 
“Você não pode confiar em um código que você mesmo não tenha criado 
inteiramente (em especial, códigos de empresas que empregam pessoas como 
eu)”, diz Thompson (1983, citado por Deitel; Deitel; Choffnes, 2017). 
Segurança de computadores aborda a questão da prevenção do 
acesso não autorizado a recursos e informações mantidos em 
computadores. Sistemas de computador devem fornecer mecanismos 
para gerenciar ameaças à segurança originadas tanto externamente 
ao computador (via conexão de rede), quanto internamente (via 
usuários e softwares mal-intencionados). Segurança de computador 
comumente abrange garantir a privacidade e a integridade de dados 
sensíveis, restringir a utilização de recursos de computação e oferecer 
proteção contra tentativas de incapacitar o sistema. Proteção abrange 
mecanismos que protegem recursos como hardware e serviços de 
sistemas operacionais contra ataques. A segurança está se tomando 
rapidamente um dos tópicos mais ricos e desafiadores da computação; 
a segurança do sistema operacional está no âmago de um sistema de 
computação seguro. (Ribeiro, 2005, p. 153) 
4.1 Autenticação 
Para Ribeiro (2005, p. 157-159, grifos nossos), 
Identificar usuários e as ações que eles têm permissão de realizar é 
vital para manter a segurança de um sistema de computador. Um 
usuário pode ser identificado por: 
• Uma característica exclusiva da pessoa (impressões digitais, 
impressões vocais, varredura de retina e assinaturas) [algo que o 
usuário é]; 
• Propriedades de um item (crachás, carteiras de identidade, chaves e 
cartões inteligentes) [algo que o usuário tem]; e 
• Conhecimento do usuário (senhas, números de identificação pessoal 
(PINs) e combinações de travas) [algo que o usuário sabe]. 
[...] 
O esquema de autenticação mais comum é uma simples proteção por 
senha, onde o usuário escolhe e memoriza um código secreto e o 
registra no sistema para obter admissão a um recurso ou sistema. A 
maioria dos sistemas suprime a exibição da senha na tela, substituindo 
seu texto por caracteres mascaradores (que apresentam caracteres 
fictícios – quase sempre asteriscos — no lugar dos da senha) ou 
ocultando a entrada da senha. 
A proteção por senha introduz diversos pontos fracos em um sistema 
seguro. Usuários tendem a escolher senhas fáceis de lembrar, como o 
nome de um cônjuge ou de um animal de estimação. Alguém que tenha 
obtido informações pessoais do usuário poderia tentar o acesso ao 
sistema (login) várias vezes, usando senhas correspondentes às 
características do usuário; várias tentativas repetidas podem resultar 
em uma violação da segurança. Alguns sistemas antigos limitavam o 
usuário a senhas curtas; esses eram facilmente comprometidos 
simplesmente pela tentativa de todas as senhas possíveis – uma 
técnica conhecida por quebra por força bruta. 
A maioria dos sistemas de hoje exige senhas mais longas que incluem 
caracteres alfabéticos e numéricos para frustrar as tentativas de 
invasão. Alguns sistemas até mesmo proíbem a utilização de palavras 
do dicionário como valores de senhas. Contudo, senhas longas não 
 
 
17 
melhoram necessariamente a segurança de um sistema; se elas forem 
difíceis de lembrar os usuários ficarão mais inclinados a anotá-las, 
facilitando a obtenção da senha por um intruso. 
A invasão das defesas de um sistema operacional não precisa resultar 
necessariamente em um comprometimento significativo da segurança. 
Por exemplo, suponha que um intruso consiga obter acesso à lista 
mestra de senhas de um sistema. Se o arquivo de senhas estivesse 
armazenado em texto comum, essa invasão permitiria ao intruso o 
acesso a qualquer informação do sistema, assumindo a identidade de 
qualquer usuário. Para reduzir a efetividade de um arquivo de senhas 
roubado, muitos sistemas operacionais criptografam o arquivo de 
senhas ou armazenam apenas valores de hash para cada senha. 
Nesse caso, uma cópia do arquivo de senhas é de pouca utilidade, a 
menos que o intruso possa decriptá-las. Para frustrar ainda mais as 
tentativas de obter senhas, vários sistemas empregam o salpicamento 
de senha; uma técnica que insere caracteres em várias posições da 
senha antes de criptografá-la [...]. Uma pequena quantidade de 
salpicamento pode alterar significativamente um texto cifrado, mesmo 
quando se estiver utilizando uma cifra fraca, como uma cifra de 
substituição (codificação base 64). O salpicamento pode evitar que 
intrusos obtenham uma chave criptográfica com base em padrões 
produzidos por senhas comuns após a criptografia. 
[...] 
Usuários são incentivados a trocar suas senhas frequentemente; 
mesmo que um intruso obtenha uma senha, ela pode ser trocada antes 
que algum dano real seja causado. Alguns sistemas exigem que os 
usuários escolham novas senhas periodicamente. Infelizmente, alguns 
usuários reutilizarão duas ou três senhas ciclicamente, o que reduz a 
segurança geral. Como resposta, vários sistemas de autenticação 
proíbem a reutilização das senhas escolhidas mais recentemente por 
um usuário. 
Uma defesa simples contra a quebra por força bruta e tentativas 
repetidas de entrar a senha é limitar o número de tentativas de acesso 
ao sistema que podem ser iniciadas em um certo período de tempo de 
um único terminal ou estação de trabalho (ou de uma única conta). É 
claro que as pessoas cometem erros ao tentarem obter acesso ao 
sistema, mas não é razoável que alguém que saiba a senha correta 
tenha de fazer dezenas, centenas ou milhares de tentativas. Portanto, 
um sistema pode permitir três ou quatro tentativas e, então, 
desconectar o terminal durante vários segundos ou minutos. Após um 
período de espera, o terminal pode ser reconectado. (Ribeiro, 2005, p. 
156-158, grifos nossos) 
4.2 Controle de acesso 
Na qualidade de gerenciador de recursos, o sistema operacional deve 
se defender cuidadosamente contra utilizações não intencionais e 
maliciosas de recursos de computação. Consequentemente, os 
sistemas operacionais são projetados para proteger serviços de 
sistema operacional e informações sensíveis contra usuários e/ou 
softwares que obtiveram acesso aos recursos do computador. Direitos 
de acesso protegem recursos e serviços do sistema contra usuários 
potencialmente perigosos, restringindo ou limitando as ações que 
podem ser executadas no recurso. Esses direitos normalmente são 
gerenciados por listas de controle de acesso ou listas de capacidades. 
[...] 
Uma lista de controle de acesso armazena os mesmos dados que 
uma matriz de controle de acesso, mas mantém um registro somente 
das entradas que especificam um direito de acesso. A lista de controle 
de acesso de um sistema pode ser baseada nas linhas (os sujeitos) ou 
nas colunas (os objetos) de uma matriz. Para cada objeto de um 
sistema operacional, uma lista de controle de acesso contém entradas 
 
 
18 
para cada sujeito e os privilégios associados àquele sujeito em relação 
àquele objeto. Quando um sujeito tenta acessar um objeto, o sistema 
procura pela lista de controle de acesso para aquele objeto para 
identificar os privilégios daquele sujeito. 
O problema desse método está na ineficiência com a qual o sistema 
operacional determina os privilégios de usuário para determinado 
objeto.A lista de controle de acesso para cada objeto contém uma 
entrada para cada sujeito com privilégios para aquele objeto – uma lista 
potencialmente grande. Toda vez que um objeto for acessado, o 
sistema deve pesquisar a lista de sujeitos para encontrar os privilégios 
adequados. Quando se usam listas de controle de acesso, é difícil 
determinar quais direitos de acesso pertencem a um certo domínio de 
proteção; é preciso pesquisar a lista de acesso para cada objeto, 
procurando entradas relativas àquele objeto particular. (Ribeiro, 2005, 
p. 161-164, grifos do original) 
TEMA 5 – GERENCIAMENTO E PROTEÇÃO DE USUÁRIOS 
A chave para a segurança do sistema operacional é controlar o acesso 
a dados e recursos internos. Direitos de acesso definem como vários 
sujeitos podem acessar vários objetos. Sujeitos podem ser usuários, 
processos, programas ou outras entidades. Objetos são recursos como 
hardware, software e dados; podem ser objetos físicos como discos, 
processadores ou memória principal. Também podem ser objetos 
abstratos como estruturas de dados, processos ou serviços. Sujeitos 
também podem ser objetos do sistema; um sujeito pode ter direitos de 
acesso a um outro. Sujeitos são entidades ativas; objetos são 
entidades passivas. À medida que um sistema executa, sua população 
de sujeitos e objetos tende a mudar. A maneira pela qual um sujeito 
pode ter acesso a um objeto é denominada privilégio e pode incluir 
leitura, escrita e impressão. 
Objetos devem ser protegidos contra sujeitos. Caso fosse permitido 
que um processo tivesse acesso a todos os recursos de um sistema, 
um usuário poderia, inadvertida ou mal-intencionadamente, 
comprometer a segurança do sistema ou causar a queda de outros 
programas. Para impedir que tais eventos ocorram, cada sujeito deve 
obter autorização para acessar objetos dentro de um sistema. 
Um domínio de proteção é uma coleção de direitos de acesso. Cada 
direito de acesso de um domínio de proteção é representado como um 
par ordenado com campos para o nome do objeto e seus privilégios 
correspondentes. Um domínio de proteção é exclusivo de um sujeito. 
Por exemplo, se um usuário puder ler e escrever para o arquivo 
example.txt, o par ordenado correspondente para o direito de acesso 
desse usuário poderá ser representado por <example.txt/ {read, 
write}>. 
Os direitos de acesso mais comuns são ler, escrever e executar. 
Alguns sujeitos também podem conceder direitos de acesso a outros 
sujeitos. Na maioria dos sistemas de computação, o administrador 
possui todos os direitos de acesso e é responsável pelo gerenciamento 
dos direitos de outros usuários. 
Direitos de acesso podem ser copiados, transferidos ou propagados de 
um domínio para outro. Copiar um direito de acesso implica 
simplesmente conceder um direito de um usuário a outro usuário. 
Quando um direito de acesso é transferido do sujeito A para o sujeito 
B, o direito de acesso do sujeito A é revogado quando a transferência 
for concluída. Propagar um direito de acesso é similar a copiar um 
direito de acesso; contudo, além de compartilhar o direito de acesso 
original, ambos os sujeitos também podem copiar o direito para outros 
sujeitos. 
Quando um sujeito não precisa mais do acesso a um objeto, os direitos 
de acesso podem ser revogados. Nesse caso surgem várias questões: 
a revogação deve ser imediata ou tardia? A revogação deve ser 
 
 
19 
aplicada a todos os objetos ou apenas a alguns? A revogação deve ser 
aplicada a sujeitos específicos ou a todo domínio? A revogação deve 
ser permanente ou temporária? Cada implementação de 
gerenciamento de direitos de acesso aborda a revogação de maneira 
diferente. (Ribeiro, 2005, p. 161-162, grifos do original) 
5.1 Gerência de proteção 
A gerência de proteção de dados e usuários é outra importante tarefa de 
gestão de recursos. Para Maziero (2019), “com computadores conectados em 
rede e compartilhados por vários usuários, é importante definir claramente os 
recursos que cada usuário pode acessar, as formas de acesso permitidas 
(leitura, escrita etc.) e garantir que essas definições sejam cumpridas”. Por 
exemplo, a proteção contra os ataques de negação de serviço (DoS, de denial 
of service2), comuns na internet. É responsabilidade do sistema operacional do 
servidor detectar e impedir ataques como esses, em que todos os recursos do 
sistema são monopolizados por um único usuário. 
Ainda para Maziero (2019), para proteger os recursos do sistema contra 
acessos indevidos, é necessário: 
a. “definir usuários e grupos de usuários”; 
b. “identificar os usuários que se conectam ao sistema”, mediante 
procedimentos de autenticação; 
c. “definir e aplicar regras de controle de acesso aos recursos”, relacionando 
todos os usuários, recursos e formas de acesso e aplicando essas regras 
por meio de procedimentos de autorização; 
d. “registrar o uso dos recursos pelos usuários, para fins de auditoria e 
contabilização”. 
Assim, um sistema operacional visa abstrair o acesso e gerenciar os 
recursos de hardware, provendo aos aplicativos um ambiente de execução 
abstrato, no qual o acesso aos recursos se faz através de interfaces simples, 
independentes das características e detalhes de baixo nível, e no qual os 
conflitos no uso do hardware são minimizados (Maziero, 2019). 
O controle de identidade é imprescindível para a segurança da informação 
e dos sistemas e requer um tratamento especial. Diferentemente do ambiente 
 
2 Formas de ataque virtual que consistem na utilização de diversas técnicas para forçar um 
servidor de rede a dedicar seus recursos para atender um determinado usuário, em detrimento 
dos demais. Por exemplo, ao abrir milhares de conexões simultâneas em um servidor de e-mail, 
um atacante pode reservar para si todos os recursos do servidor (processos, conexões de rede, 
memória e processador), fazendo com que os demais usuários não sejam mais atendidos. 
 
 
20 
natural, no mundo digital a simulação de perfis ou identidades é algo 
relativamente simples, exigindo muito dos dispositivos e técnicas de controle, 
pois são esses controles que garantirão a autorização e a autenticidade das 
operações, além do não repúdio. Além dessa garantia, tais controles também 
têm que resistir ao roubo de identidades, evitando que agentes ou usuários mal-
intencionados possam simular ou passar-se por alguém devidamente autorizado 
e, assim, realizar operações fraudulentas. 
Os controles de acesso geralmente operam em conjunto com os 
controles de verificação para estabelecer a devida autorização e 
garantir a autenticidade das operações. A maioria dos sistemas baseia-
se no conjunto identificação (ID) e senha (password). Porém, para 
muitas operações críticas e o uso de informações sensíveis, esses 
controles não são suficientes. 
“Controles biométricos, certificados digitais e assinaturas eletrônicas 
complementam esses controles, e cada vez mais é necessário o uso de técnicas 
e mecanismos que garantam a identidade dos agentes”, mas que, ao mesmo 
tempo, permitam a “independência do ambiente, a flexibilidade e a interatividade 
com diversas tecnologias e funcionalidades, além de um desempenho elevado”, 
em um mundo extremamente veloz e cada vez mais conectado. O processo de 
identidade e autorização é parte importante da proteção, especialmente no que 
diz respeito à autenticação do usuário remoto – aquele que pleiteia o acesso à 
rede, aos recursos computacionais e à informação estando fora do perímetro de 
segurança da organização (Paulo, 2020). 
O processo de identificação, segundo Paulo (2020), precisa ser 
completado com verificação, com base em processos de autenticação já 
apresentados: 
• algo que o indivíduo sabe: sua identidade (por meio de personal 
identification number – PIN) e as suas senhas; 
• algo que o indivíduo possui: um token, uma chave criptográfica ou física 
ou um smart card; 
• algo que o indivíduo é: biometria estática, como a digital ou a íris; 
• algo que o indivíduofaz: biometria dinâmica, como por padrão de voz, 
caligrafia e taxa de digitação. 
 
 
21 
FINALIZANDO 
Nesta aula, foram apresentados os conteúdos que complementam a 
fundamentação teórica de sistemas operacionais, com ênfase em gerência e 
proteção de usuários, com os conceitos e definições de segurança apresentados 
no primeiro tema. No segundo tema, os riscos, as ameaças e as vulnerabilidades 
dos sistemas operacionais foram analisados e definidos individualmente, 
enfatizando a importância de manter os sistemas seguros. No tema seguinte, foi 
abrangida a criptografia, assim como os seus objetivos e tipos, com destaque 
para o item 3.3, que descreve a PKI. Na sequência, foram definidas e 
apresentadas a autenticação, o gerenciamento e o controle de acesso, para, por 
fim, serem analisados o gerenciamento e a proteção de usuários. 
Ao confiarmos o armazenamento e o desenvolvimento de informações 
nos arquivos ou mesmo a segurança de acesso a um ambiente restrito, utilizando 
uma fechadura eletrônica, é fundamental que lembremos que há um sistema 
operacional responsável por garantir a segurança desses arquivos, pois, se 
houver algum código malicioso não tratado, criminosos podem se valer dessa 
vulnerabilidade e conseguir o acesso total e irrestrito ao sistema, abrindo 
facilmente a fechadura. Portanto, o conhecimento das características dos 
sistemas operacionais é fundamental para o bom funcionamento de todas as 
atividades desenvolvidas pelos computadores. 
Em paralelo à leitura do texto desta aula, é muito importante que sejam 
consultadas as referências indicadas e as atividades práticas sejam realizadas, 
pois a gestão da TI, que envolve pessoas, empresas e indústrias, tem como 
principal aliado o sistema operacional e as ferramentas aqui apresentadas. 
Indicada em todos os tópicos, a especialização em sistemas operacionais 
específicos de diferentes fabricantes, cada um com suas características, 
vantagens e desvantagens, permite aos gestores a melhor e mais adequada 
escolha a cada situação de uso, obedecendo aos padrões e normas 
internacionais, proporcionando o uso mais eficiente dos recursos e obtendo 
melhores resultados. 
Aproveite e bons estudos! 
 
 
 
22 
REFERÊNCIAS 
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27002:2013: Tecnologia da informação – Técnicas de segurança – Código de 
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PAULO, L. G. Segurança em sistemas de informação. [S.l], 2020. 
 
 
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