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Preparações farmacêuticas em Fitoterapia
Profª. Jessica Hellen Souza da Silva
Descrição O desenvolvimento de um fitoterápico: da pesquisa com plantas
medicinais ao medicamento.
Propósito Conforme determinado pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), o
farmacêutico deve participar da constituição de todas as Comissões
Assessoras que envolvam assuntos pertinentes às atividades de
produção e utilização terapêutica das plantas medicinais, seus
derivados e fitoterápicos. Nesse contexto profissional, é extremamente
importante que o farmacêutico conheça os termos técnicos e os
caminhos possíveis a serem percorridos na produção de um
fitoterápico.
Objetivos
Módulo 1
Formas farmacêuticas em
Fitoterapia
Identificar as principais formas
farmacêuticas utilizadas em Fitoterapia.
Módulo 2
Métodos extrativos em
Fitoterapia
Descrever os principais métodos extrativos
empregados na preparação de fitoterápicos.
Módulo 3
Plantas medicinais e o
desenvolvimento de
medicamentos �toterápicos
Módulo 4
Controle da Qualidade de
drogas e derivados vegetais
Reconhecer os critérios para o controle da
qualidade de derivados vegetais.
Relacionar a pesquisa com plantas
medicinais e os eventos ligados ao
desenvolvimento de medicamentos
fitoterápicos.
1 - Formas farmacêuticas em Fitoterapia
Dentre as diversas áreas de atuação do farmacêutico, temos a Fitoterapia,
que abrange atribuições profissionais específicas e privativas voltadas à
Fitoterapia em si e ao âmbito de fitoterápicos, de plantas medicinais e seus
derivados – na manipulação farmacotécnica e na produção industrial de
drogas vegetais e seus derivados. Tais atribuições são exercidas no sistema
de saúde, na farmácia magistral, na farmácia comunitária, na indústria
farmacêutica, na educação, na qualificação profissional, na pesquisa e
desenvolvimento, no processamento de insumos de origem vegetal, e no
fornecimento, distribuição, importação e exportação das plantas medicinais,
drogas vegetais e seus derivados.
Mediante isso, é de interesse do futuro farmacêutico conhecer um pouco
sobre aquilo que é relativo à produção de fitoterápicos e/ou de seus insumos
de produção. Para isso, colocaremos aqui conhecimentos práticos
farmacotécnicos, farmacobotânicos, farmacológicos etc. que são aplicáveis
à pesquisa, produção, ao controle de qualidade e registro de fitoterápicos.
Vamos começar?
Orientação sobre unidade de medida
Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.:
25km) por questões de tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro
estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25
km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você
devem seguir o padrão internacional de separação dos números e das
unidades.
Introdução
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as principais formas farmacêuticas utilizadas
em Fitoterapia.
Formas farmacêuticas
Você lembra o que é uma forma farmacêutica? Podemos definir forma
farmacêutica como o estado final de apresentação que os princípios ativos
farmacêuticos possuem após uma ou mais operações executadas com ou sem
a adição de excipientes apropriados, a fim de facilitar sua utilização e obter o
efeito terapêutico desejado, com características apropriadas a determinada via
de administração.
As formas farmacêuticas também podem ser agrupadas e/ou classificadas de
acordo com a forma física de apresentação:
Formas farmacêuticas sólidas.
Formas farmacêuticas sólidas
Exemplo: comprimidos.
Formas farmacêuticas líquidas.
Formas farmacêuticas líquidas
Exemplo: xarope.
Formas farmacêuticas semissólidas.
Formas farmacêuticas semissólidas
Exemplo: gel.
Formas farmacêuticas gasosas.
Formas farmacêuticas gasosas
Exemplo: gás anestésico.
Ou seja, dentro do conceito de medicamento, a forma
farmacêutica representa a apresentação final do produto
farmacêutico tecnicamente obtido ou elaborado.
Os fitoterápicos podem ser definidos como produtos obtidos de matéria-prima
ativa vegetal, exceto substâncias isoladas, com finalidade profilática, curativa ou
paliativa, incluindo medicamento fitoterápico e produto tradicional fitoterápico,
podendo ser simples, quando o ativo é proveniente de uma única espécie vegetal
medicinal, ou composto, quando o ativo é proveniente de mais de uma espécie
vegetal.
Medicamento �toterápico
(MF)
É caracterizado pelo
conhecimento da eficácia e
dos riscos de seu uso,
assim como pela
reprodutibilidade e
constância de sua
qualidade. Sua eficácia e
segurança são validadas
por meio de levantamentos
etnofarmacológicos, de
utilização, documentações
técnico-científicas ou
evidências clínicas.
Produto tradicional
�toterápico (PTF)
Aquele obtido com emprego
exclusivo de matérias-
primas ativas vegetais, cuja
segurança seja baseada por
meio da tradicionalidade de
uso e que seja
caracterizado pela
reprodutibilidade e
constância de sua
qualidade.
Medicamento �toterápico (MF)
Medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas
vegetais.
Atenção!
Não se considera medicamento fitoterápico aquele que, na sua composição,
inclua substâncias ativas isoladas, de qualquer origem, nem as associações
destas com extratos vegetais (RDC nº 17/2010).

Folhas de Espinheira-santa (Maytenus ilicifolia
Mart. ex Reissek)
O medicamento fitoterápico
GASTROSIL®, por exemplo, feito com
as folhas de espinheira-santa
(Maytenus ilicifolia Mart. ex. Reissek),
apresenta-se no mercado em duas
formas farmacêuticas: emulsão oral e
cápsula.
Veja a seguir essas duas formas
farmacêuticas:
Emulsão oral
A emulsão oral seria uma forma
farmacêutica líquida.
Cápsula
A cápsula seria uma forma
farmacêutica sólida.
Temos a seguir um esquema com as principais formas farmacêuticas utilizadas
em fitoterapia:
Formas farmacêuticas em Fitoterapia.
As formas farmacêuticas em Fitoterapia podem ser concentradas ou diluídas
para compor uma forma farmacêutica. Por exemplo, a castanha-da-índia
(Aesculus hippocastanum L.) pode ser utilizada de forma oral ou tópica. A forma
farmacêutica de uso oral pode ser cápsula com extrato seco das sementes,
enquanto o uso tópico pode ser o gel com tintura. Uma tintura, após retirada de
solvente, pode se transformar em um extrato seco, ou seja, mais concentrado.
A união do extrato seco com excipientes em uma cápsula
configura uma forma farmacêutica final sólida, enquanto a
tintura das sementes incorporada ao gel base configura uma
forma farmacêutica final semissólida.
Observe o esquema a seguir:
D
Observe que, em Fitoterapia, quando tratamos da mesma matéria-prima vegetal,
podem existir caminhos diferentes para se ter a mesma forma farmacêutica
final. Podemos observar também que, às vezes, para alcançarmos determinada
forma farmacêutica, temos outras intermediárias na produção farmacotécnica,
conforme vimos no esquema acima.
As formas farmacêuticas em Fitoterapia podem ser divididas em convencionais
(ex.: comprimido, xarope e pomada) e extrativas (ex.: tintura, extrato fluido e
extrato seco). As formas farmacêuticas extrativas são aquelas que são obtidas
após a aplicação de métodos extrativos como: maceração, percolação, extração
por fluido supercrítico etc. Apesar da divisão entre as formas, as convencionais
são feitas a partir de formas farmacêuticas extrativas como, por exemplo, uma
suspensão de extrato seco vegetal ou um gel de tintura vegetal.
Curiosidade
Dentro do linguajar técnico de produção de fitoterápicos, existe o termo Insumo
Farmacêutico Ativo Vegetal, o IFAV. Um IFAV seria a matéria-prima ativa vegetal
(droga ou derivado vegetal), utilizada no processo de fabricação de um
fitoterápico que, quando administrado em um paciente, atua como ingrediente
ativo (princípio ativo). Ele corresponde aos IFAs (Insumos Farmacêuticos
Ativos) dos medicamentos alopáticos convencionais. O IFA é a substância que
dá ao medicamento sua característica farmacêutica, ou seja, aquilo que faz com
que determinado medicamentofuncione. Seria qualquer substância introduzida
na formulação de uma forma farmacêutica que, quando administrada em um
paciente, atua como ingrediente ativo.
Sendo assim, um fitoterápico, seja ele medicamento fitoterápico ou produto
tradicional fitoterápico, pode ter como IFAV uma droga vegetal ou um derivado
vegetal.
Medicamento alopático
Drágeas de Buscopan®
Cada drágea contém: 10mg
de butilbrometo de
escopolamina,
correspondentes a 6,89mg
de escopolamina.
Excipientes: fosfato de
cálcio dibásico, amido de
milho, dióxido de silício,
ácido esteárico, povidona,
sacarose, talco, goma
arábica, dióxido de titânio,
macrogol, cera de carnaúba,
cera branca de abelha,
álcool etílico, água
purificada.
Produto tradicional
�toterápico
Solução oral de
HEPATILON®
Cada 10mL de solução
contém: extrato de Peumus
boldus 0,67mL (padronizada
em 0,67mg (0,1%) de
alcaloides totais expresso
em boldina). Equivalente a
0,67mg de alcaloides totais
expressos em
boldina/10mL. Excipientes:
metilparabeno, extrato
fluido de Citrus aurantium L.,
tintura de menta, corante
caramelo, edetato
dissódico, metabissulfito de

sódio, álcool etílico, glicerol
e água purificada.
Veja que o butilbrometo de escopolamina é o IFA das drágeas de Buscopan®,
enquanto o Extrato de Peumus boldus é o IFAV da solução oral do HEPATILON®.
O IFAV não é uma substância isolada como o butilbrometo de
escopolamina, ele é a droga vegetal ou o derivado vegetal que
possui um fitocomplexo, ou seja, um conjunto de substâncias
originadas do metabolismo primário ou secundário vegetal,
que em conjunto são responsáveis pelos efeitos biológicos da
planta medicinal ou de seus derivados.
Por definição, o derivado vegetal é o produto da extração da planta medicinal
fresca ou da droga vegetal que contém as substâncias responsáveis pela ação
terapêutica, podendo ocorrer na forma de extrato, óleo fixo e volátil, cera,
exsudato e outros. Ou seja, as formas farmacêuticas extrativas - tintura, extrato
fluido, extrato mole, extrato seco, extrato oleoso, infuso e decocto - podem
configurar um IFAV na forma de um derivado vegetal. Sendo assim, vamos
aprender um pouco mais sobre os principais métodos extrativos para obtenção
de IFAVs na forma de derivados vegetais para, em seguida, desenvolvermos um
pouco mais os conceitos referentes às diferentes formas farmacêuticas líquidas,
sólidas e semissólidas em Fitoterapia.
Exsudato
Líquido orgânico que emana das paredes e membranas celulares devido a lesão
física ou inflamação.
Processos extrativos em Fitoterapia:
fatores in�uenciadores
Os processos extrativos visam à retirada dos constituintes que possuem
atividade farmacológica de dentro de determinada planta medicinal ou droga
vegetal por meio de um solvente, obtendo-se, assim, formas farmacêuticas mais
convenientes ao manuseio e à administração, conforme veremos a seguir:
Representação geral de processo extrativo.
Após o processo extrativo, obtém-se
uma solução extrativa (extrato),
resultado da dissolução parcial de
uma droga vegetal de composição
heterogênea num solvente.
Alguns fatores podem influenciar a
eficiência extrativa dos métodos
empregados em Fitoterapia, sendo
elas: a seletividade do solvente, o
estado de divisão da droga vegetal, a
tensão superficial, a agitação, o tempo
de contato com a droga vegetal, a
temperatura e as substâncias
intrínsecas e extrínsecas. Dessa
maneira, veremos a seguir esses
fatores influenciadores do processo
de extração.
Seletividade do solvente
Ao permear, ou seja, difundir-se pelos tecidos vegetais, o solvente dissolve e
carrega consigo apenas alguns dos constituintes do vegetal, apenas aqueles que
possuem afinidade química por ele. Esses constituintes podem pertencer a uma
ou mais classes de componentes a seguir: alcaloides, taninos, heterosídeos
flavônicos, antraquinônicos, cumarínicos, antociânicos, saponínicos,
cardioativos, cianogênicos, resinas, bálsamos, essências etc.
É sempre preferencial o uso de solventes econômicos, conservantes e pouco
tóxicos nos processos extrativos em Fitoterapia. Dentre os solventes mais
utilizados para a preparação dos extratos, temos a água, o etanol, a glicerina,
propilenoglicol e a acetona. A acetona, especificamente, deve ser eliminada na
sua totalidade antes que o extrato seja utilizado como fitoterápico. A seguir,
temos uma tabela que relaciona a seletividade de alguns dos solventes mais
utilizados em fitoterapia.
Bálsamos
São substâncias aromáticas/odoríferas exsudadas por algumas plantas, em
consequência de um corte ou por vias naturais, composta de resinas, óleos
essenciais, ácido benzoico, cinâmico e seus ésteres.
Constituintes
vegetais
(princípios
ativos)
Solventes
Água Etanol
Mistura
água-álcool
Bases de
alcaloides
Praticamente
insolúvel ou
Solúvel Muito pouco
solúvel
Constituintes
vegetais
(princípios
ativos)
Solventes
insolúvel
Sais de
alcaloides
Facilmente
solúvel
Solúvel
Facilmente
solúvel
Heterosídeos
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Substâncias
amargas
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Taninos
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Facilmente
solúvel
Óleos
essenciais
Muito pouco
solúvel
Solúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Óleos fixos,
ceras
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Bálsamos,
resinas
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Solúvel
Muito pouco
solúvel
Açúcares
Facilmente
solúvel
Solúvel Solúvel
Amido
Muito pouco
solúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Celulose
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Pectinas Solúvel
Praticamente
insolúvel ou
insolúvel
Muito pouco
solúvel
Albuminas Solúvel Precipitação
Muito pouco
solúvel
Sais
inorgânicos
Solúvel
Muito pouco
solúvel
Pouco
solúvel/muito
pouco
solúvel
Tabela: Seletividade de solventes extrativos água/etanol.
Elaborado por: Jessica Silva.
As solubilidades dos constituintes vegetais indicadas acima não devem ser
tomadas no sentido estrito de constante física, mas como simples informação.
As indicações sobre a solubilidade normalmente referem-se às determinações
feitas à temperatura de 25°C. Os termos "solúvel", "pouco solúvel" etc. são dados
com base em partes de solvente, que se refere à dissolução de 1g de sólido ou
1mL de líquido no número de mililitros do solvente estabelecido no número de
partes. Ou seja, as solubilidades aproximadas constantes aqui são designadas
por meio de termo descritivo para solubilidade em processo extrativo, tais como
"muito solúvel" - em menos de 1 parte de solvente, e "praticamente insolúvel" -
em mais de 10.000 partes.
Estado de divisão da droga vegetal e tensão
super�cial do solvente
Como descrito previamente, os processos extrativos podem ser feitos com a
planta medicinal in natura (fresca) ou com a droga vegetal.
Droga vegetal
Planta medicinal ou suas partes após processos de coleta, estabilização e
secagem.
Atenção!
A extração a partir de drogas vegetais é mais usual devido ao tempo de validade
da matéria-prima vegetal. Por estarem secas e, quando necessário,
estabilizadas, podem ser armazenadas fora do congelamento e resistem mais
tempo a processos extrativos prolongados sem grande proliferação fúngica e
bacteriana no meio extrativo.
As drogas vegetais podem estar na forma íntegra, rasurada, triturada ou
pulverizada, e seu estado de divisão tem influência decisiva nos processos de
dissolução extrativa, pois quanto menor o tamanho de partícula das drogas
vegetais, maior será a superfície total de contato com o solvente extrator, o que
por si só eleva a velocidade de difusão dos princípios ativos carreados pelo
solvente. A trituração rompe as paredes celulares vegetais que aprisionam os
princípios ativos, favorecendo o contato destescom o solvente extrator. Porém,
a excessiva diminuição do tamanho de partícula pode resultar num aumento de
dificuldade de passagem do solvente pelo material vegetal, devido à maior
tendência a formação de aglomerados e à diminuição do espaço intersticial -
espaço entre as partículas. O que pode exigir um aumento no tempo de contato
droga-solvente e agitação do sistema para que haja efetiva extração.
Quando um solvente líquido entra em contato com uma superfície sólida como a
das partículas de droga vegetal, dois fatores podem atuar para facilitar ou
dificultar a extração: a tensão superficial, sendo ela uma das propriedades dos
líquidos de oferecerem a menor superfície para contato com outro meio, no
caso, o meio sólido, adquirindo assim uma forma esférica; e a maior ou menor
capacidade dos sólidos em absorverem líquidos.
A diminuição da tensão superficial do solvente (líquido
extrator) ou o aumento das propriedades absortivas das
partículas da droga vegetal (sólido) levam a um contato mais
amplo entre droga-solvente, aumentando assim o rendimento
extrativo.
Em alguns casos de extração com solventes hidrofílicos, recorre-se à utilização
de tensoativos para extração de substâncias lipossolúveis. Esses tensoativos
devem ser sempre de natureza não iônica como os polissorbatos, por exemplo.
Também devem ser removidos imediatamente após a extração, pois, mesmo
que de forma breve, a utilização de tensoativos pode acelerar o processo de
degradação de ativos vegetais, inclusive a simples utilização de tensoativos
reduz o período útil, o prazo de validade de extratos vegetais obtidos dessa
forma.
Agitação
A agitação desempenha um papel de grande influência na velocidade de
dissolução. Ela pode reduzir muito o tempo de duração de um processo
extrativo. Tal fenômeno ocorre porque a agitação torna possível o contato droga-
solvente menos concentrado em determinados pontos do sistema. O sistema de
extração sem agitação propicia a formação de zonas de concentração de
solvente ao redor de cada partícula da droga e um processo lento de dissolução,
ou seja, de solubilização dos princípios ativos vegetais no solvente extrator. A
agitação permite que as moléculas de solvente acessem mais rápido todas as
partículas de droga do sistema, acelerando a dissolução e, consequentemente, a
extração.
Tempo de contato com a droga vegetal
Quanto maior for o tempo de contato droga-solvente, melhor será a extração,
pois haverá mais tempo para que ocorra o fluxo de difusão do solvente através
das paredes celulares da droga vegetal, contribuindo para o equilíbrio de
concentração de princípios ativos dentro e fora dos tecidos vegetais. Esse
tempo de contato é necessário pois a solubilidade dos ativos no solvente não se
dá de forma instantânea e, geralmente, eles se encontram revestidos por uma
parede celular que impede o contato direto com o solvente. Assim, se
inicialmente tivermos determinada concentração de ativos na droga vegetal, ao
final de um intervalo de tempo de contato droga-solvente, ocorrerá uma
diminuição da concentração de princípios no interior da droga, ao passo que se
eleva a presença destes junto ao solvente.
Recomendação
Dependendo do tipo de solvente utilizado e do método extrativo, o
prolongamento do tempo de contato droga-solvente pode gerar degradação da
solução extrativa, pela ocorrência de hidrólise, fermentação, ou outros processos
que diminuem a qualidade do extrato, como ocorre se o solvente for água ou
soluções alcoólicas muito diluídas (abaixo de 20%). Além disso, pode propiciar a
dissolução daqueles materiais de menor solubilidade, que nem sempre são de
interesse. Logo, é importante que sejam obedecidas as condições especificadas
para obtenção de cada solução extrativa particular, visando sempre à qualidade
e a constância dela para os extratos obtidos.
Temperatura
O aumento da temperatura, ou seja, o fornecimento de calor ao sistema extrativo
contribui diretamente para a solubilização das substâncias, diminuição da
viscosidade do solvente e aumento da velocidade de difusão. Pode ser útil em
alguns casos para facilitar a extração. Não se deve usar o aquecimento para
extração de princípios ativos termolábeis ou que se volatilizem com facilidade.
Exemplos: proteínas (termolábeis) e fenilpropanoides (voláteis). O calor também
é um fator que contribui para acelerar reações orgânicas, favorecendo reações
de hidrólise, de oxidação e decomposições, que são desfavoráveis à
manutenção da qualidade dos extratos.
Substâncias intrínsecas e extrínsecas
As substâncias intrínsecas correspondem àquelas presentes na droga vegetal,
sendo princípio ativo ou não, que contribuem significativamente para facilitar ou
dificultar o processo extrativo. Como, por exemplo, os ácidos orgânicos málico,
tartárico e cítrico, que uma vez presentes em drogas vegetais de princípios
ativos alcaloídicos, facilitam a extração dos alcaloides por solventes aquosos.
Esses ácidos orgânicos ligam-se aos alcaloides base livre transformando-os em
sais que são mais solúveis em meios aquosos, facilitando então a extração
desses por solventes mais polares/aquosos. Na imagem a seguir, acompanhe a
reação de alcaloides com ácidos:
Reação de alcaloides com ácidos.
Os óleos vegetais, as ceras, as pectinas e as proteínas também são substâncias
intrínsecas que em muitos casos dificultam o processo extrativo, seja por
insolubilidade no solvente extrator ou por causar precipitação ou geleificação do
meio extrativo, diminuindo ou impedindo a extração de ativos.
As substâncias extrínsecas correspondem àquelas que são adicionadas ao meio
extrativo para facilitar a dissolução e extração dos princípios ativos vegetais,
sem interferir na tensão superficial, como por exemplo, ácidos minerais e
orgânicos, que são adicionados para facilitar a extração de bases fracas como
os alcaloides, e a adição de bases como hidróxido de amônio para alcalinizar o
meio extrativo e aumentar a eficiência de extração de princípios ativos de caráter
de ácido fraco, como as antraquinonas.
Antraquinonas em meio alcalino.
Formas Farmacêuticas em Fitoterapia
Assista o vídeo para ver um pouco mais sobre as principais formas
farmacêuticas utilizadas em Fitoterapia e os fatores que influenciam no
processo extrativo.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Conforme abordado neste módulo, a seletividade do solvente é um dos
principais fatores que influenciam a eficiência extrativa dos métodos
extrativos empregados em Fitoterapia. Porém, vimos também que ela não é o
único fator de influência direta na eficiência extrativa. Sendo assim, assinale a
alternativa que pontua todos os demais fatores abordados:
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EApesar%20de%20a%20seletividade%20do%20solvente%20ser%20o%20fator%20de%20maior%20interfer%C3%AAnc
solvente%2C%20temperatura%20e%20as%20subst%C3%A2ncias%20intr%C3%ADnsecas%20e%20extr%C3%ADnsecas%20tamb%C
Questão 2
Com base naquilo que foi estudado neste módulo, marque a opção que
caracteriza um fator de interferência na eficiência extrativa que, ao ser
adicionado ao meio extrativo, facilita a dissolução e extração dos princípios
ativos vegetais, sem interferir na tensão superficial.
A
Estado de divisão da droga vegetal, tensão superficial, agitação,
tempo de contato com a droga vegetal, temperatura e
substâncias intrínsecas
B
Tensão superficial, agitação, tempo de contato com a droga
vegetal, temperatura e substâncias intrínsecas e extrínsecas
C
Estado de divisão da droga vegetal, tensão superficial, agitação,
tempo de contato com a droga vegetal e substâncias
intrínsecas e extrínsecas
D
Estado de divisão da droga vegetal, tensão superficial, agitação,
tempo de contato com a droga vegetal, temperatura e
substâncias extrínsecas
E
Estado de divisão da droga vegetal, tensão superficial, agitação,
tempo de contatocom a droga vegetal, temperatura e
substâncias intrínsecas e extrínsecas
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3ESeriam%20as%20subst%C3%A2ncias%20extr%C3%ADnsecas%20aquelas%20que%20s%C3%A3o%20adicionadas%2
2 - Métodos extrativos em Fitoterapia
Ao �nal deste módulo, você será capaz de descrever os principais métodos extrativos empregados na
preparação de �toterápicos.
Obtenção de extratos vegetais
Os principais métodos extrativos para obtenção de extratos vegetais são:
Maceração
Enfleurage (enfloragem)
Percolação
Turbólise (turbo-extração)
Prensagem (expressão)
A Solvente
B Substâncias extrínsecas
C Substâncias intrínsecas
D Tensoativos
E Triturador
Extração em contracorrente
Digestão
Infusão
Decocção
Hidrodestilação* (por arraste a vapor e coobação)
Extração contínua a quente (por soxhlet)
Extração assistida por micro-ondas, ultrassom e fluido supercrítico
Dentre os métodos citados, os mais recorrentes nas monografias oficiais do
país, como o Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia Brasileira, são a
maceração, a percolação, a infusão e a decocção. Os métodos extrativos
infusão, decocção e digestão também podem ser classificados como métodos
caseiros, embora possam ser realizados em laboratório.
Maceração
Representação de maceração.
A maceração é o processo que
consiste em manter a planta fresca ou
droga vegetal convenientemente
rasurada, triturada ou pulverizada, nas
proporções ideais para cada
formulação, em contato com o líquido
extrator apropriado, em repouso por
tempo determinado para cada
preparação fitoterápica (8 horas, 20
dias etc.).
Normalmente ocorre em temperatura
ambiente, em recipiente que elimina o
contato com a luz e sob a agitação
ocasional, sem renovação do líquido
extrator.
Algumas variações nessa operação podem ser feitas visando ao aumento da
eficiência extrativa. Portanto, a maceração pode tornar-se dinâmica: maceração
feita sob constante agitação mecânica. Ou ainda pode-se propor esgotamento
da droga vegetal por remaceração.
Podemos considerar como vantagem da técnica a extração sem degradação de
substâncias ativas termolábeis. Como desvantagens, temos a baixa
permeabilidade do solvente à droga, pouca solubilidade dos ativos a frio,
saturação do solvente e lentidão do processo.
Remaceração
Quando a operação é repetida utilizando o mesmo material vegetal, renovando
apenas o líquido extrator.
En�eurage (en�oragem ou en�oração)
A enfloragem é um dos métodos
extrativos mais antigos (século XVIII)
e de uso predominante na perfumaria.
A parte vegetal – como flores, por
exemplo – é colocada sobre uma
placa de vidro com gordura, que vai
absorver o óleo das flores, que são
substituídas por flores novas todos os
dias até que a concentração certa seja
obtida, sendo a operação de troca
repetida entre 30 e 40 vezes.
Enfloragem.
Após o processo, a gordura com o óleo vegetal é filtrada e destilada. O
concentrado oleoso que resulta desse processo é misturado ao álcool e
novamente destilado. O produto final seria o óleo essencial das flores.
Percolação (ou lixiviação)
A percolação, também conhecida como lixiviação, é o processo extrativo que
consiste na passagem de solvente através da droga vegetal pulverizada e
previamente umedecida (macerada) com o líquido extrator. Para compreender
detalhadamente, observe a imagem a seguir:
Organização interna de percolador preenchido.
Para que se faça a extração via
percolação, o material vegetal
umedecido é colocado dentro do
equipamento, entre camadas de
algodão, areia e disco (ou prato)
perfurado para que se inicie a
colocação do solvente e,
consequentemente, o fluxo. A ação do
solvente, que atravessa toda extensão
do recipiente, desloca-se de cima para
baixo sob velocidade de gotejamento
Foto de percolador de aço inoxidável.
controlada. O produto obtido é
denominado percolato.
Em função do caráter cinético da
percolação, a difusão é
acentuadamente mais rápida que na
maceração, pois o equilíbrio absoluto
entre as concentrações dos líquidos
intra e extracelular nunca é atingido,
uma vez que o solvente é
constantemente renovado no sistema.
Dessa maneira, é possível obter o
esgotamento total da droga vegetal. A
extração continua a ocorrer enquanto
houver material para dissolver e
enquanto o solvente for renovado.
Podemos considerar como vantagem da técnica a não
saturação do solvente, o que torna a extração mais eficiente.
Como desvantagens, tem-se a influência da permeabilidade
do solvente na droga vegetal, a solubilidade a frio dos ativos e
o gasto de grandes volumes de solvente.
Turbólise (turboextração)
A turbólise ou turboextração baseia-se na extração que ocorre
concomitantemente com a redução do tamanho de partícula do material vegetal,
resultado da aplicação de elevadas forças de cisalhamento em rotações de
5.000 a 20.000 rpm. Normalmente pelo movimento cortante das hélices de um
liquidificador industrial de aço inoxidável ou de agitadores ou misturadores de
laboratório. A redução drástica do tamanho das partículas com o consequente
rompimento das células favorece a rápida dissolução das substâncias ativas,
resultando em tempos de extração da ordem de minutos e o quase esgotamento
da droga.
Podemos considerar como vantagens da técnica a simplicidade, rapidez e
versatilidade. Como desvantagens, a difícil separação da solução extrativa por
filtração; geração de calor no sistema durante o procedimento, obrigando o
controle de temperatura do sistema; impossibilidade de uso para extração de
substâncias voláteis e limitação do uso para matéria-prima vegetal de elevada
dureza, muito fibrosa.
Observe, na imagem a seguir, os tipos de hélices de agitadores de laboratório:
Tipos de hélices de agitadores de laboratório.
Prensagem (expressão)
A extração por prensagem, também conhecida como expressão, é um processo
muito utilizado atualmente para extração em pequena escala para extração de
óleos vegetais fixos, como o de amendoim, girassol, gergelim etc., além de ser
um método extrativo de óleos vegetais voláteis de frutos cítricos. As cascas dos
frutos são prensadas, obtendo-se uma emulsão óleo essencial e água que após
diversos processos físicos, como a decantação, centrifugação ou destilação,
transforma-se em óleo essencial puro.
Existem dois modelos de prensas: contínuas e hidráulicas.
Prensas contínuas
As prensas contínuas são dotadas
de uma rosca ou parafuso sem fim
que esmaga o material, liberando o
óleo.
Prensas hidráulicas
As prensas hidráulicas (prensagem
descontínua) apresentam um
cilindro perfurado onde se desloca
um êmbolo que faz pressão na
matéria-prima (que fica dentro de
um saco de pano ou lona).
Podemos considerar como vantagem da técnica a extração
de constituintes voláteis que se alteram com o calor. Como
desvantagem, podemos considerar a necessidade de
realização de processos físicos posteriores para obtenção do
produto final puro (óleo).
Extração em contracorrente
A extração em contracorrente é um processo que ocorre de forma contínua,
diferente das outras formas de extração vistas até o momento, que são feitas
por batelada. A extração em contracorrente usada em Fitoterapia é uma extração
sólido-líquido em que o solvente passa pela droga vegetal que é continuamente
alimentada em sentido contrário ao da passagem do líquido extrator. As
condições do processo extrativo são controladas de forma a assegurar uma
extração máxima dos ativos existentes na droga, utilizando-se um mínimo de
solvente num menor tempo. A técnica é mais usada em laboratórios industriais
em que o investimento em equipamentos para a produção contínua é viável. A
produção contínua permite fazer a alimentação com droga vegetal e solvente e,
ao mesmo tempo, retirar o resíduo e extrato
Resíduo
Esquema de equipamento para extração em contracorrente.
Digestão
Neste processo extrativo, o contato droga-solvente é mantidoa uma temperatura
de 40°C-60°C. É semelhante a uma maceração com a diferença de que o líquido
extrator é aquecido a 40°C-60°C.
Infusão
A técnica de extração por infusão
consiste em verter o solvente extrator
aquecido, (normalmente água
fervente) sobre a droga vegetal em
recipiente fechado, ou seja, após a
adição do solvente, o recipiente é
tampado ou abafado por certo tempo. Infusão.
Recomendação
Esse método extrativo é indicado para drogas vegetais de consistência menos
rígida, como folhas, flores, inflorescências e frutos, ou que contenham
substâncias ativas voláteis.
Decocção
Decocção.
A extração por decocção consiste na
extração dos princípios ativos através
da ebulição da droga vegetal, durante
certo tempo, em um solvente que
normalmente é a água potável.
Esta técnica possui emprego restrito,
pois muitas substâncias ativas são
alteradas por aquecimento
prolongado. Costuma-se empregar
este tipo de extração com materiais
vegetais rígidos e de natureza lenhosa,
como cascas, raízes, rizomas, caules,
sementes e folhas coriáceas.
Hidrodestilação* (por arraste a vapor e coobação)
A hidrodestilação ou arraste a vapor normalmente é utilizada para extração de
princípios ativos de planta fresca. A hidrodestilação pode ser dividida em duas
técnicas – arraste a vapor e coobação – e, em ambas, o vapor de água passa
pelo material vegetal e arrasta os constituintes voláteis.
Na hidrodestilação por arraste a vapor, o vapor de água que passa pelo balão
arrasta os constituintes voláteis da amostra vegetal.
Hidrodestilação por arraste a vapor.
Na fase líquida do balão, encontram-se a amostra vegetal e água condensada; na
fase de vapor, a água e os componentes da amostra volatilizados se
encaminham para o condensador. O vapor se condensa para um líquido de duas
fases: a fase aquosa e a fase orgânica (óleo), imiscíveis. Obtém-se o óleo após
separação por decantação.
Na hidrodestilação por coobação, a extração funciona em circuito fechado com
recirculação de águas condensadas e normalmente utiliza-se o sistema
Clevenger, que é o mais conhecido e bastante utilizado em escala laboratorial,
podendo operar em circuito aberto ou fechado, onde a perda de voláteis é
mínima.
Hidrodestilação com sistema Clevenger.
Os extratores que operam em circuito fechado apresentam perda mínima de
voláteis e a eficiência de extração não fica condicionada à manipulação
adequada no decorrer do processo de destilação.
Extração contínua a quente (por soxhlet)
Na extração, utilizando o aparelho
soxhlet, inicialmente o balão possui o
solvente extrator que entrará em
ebulição e será destilado. Ao destilar-
se no condensador, ele cai sobre a
amostra vegetal que se encontra
empacotada num cartucho filtrante.
Ao alcançar determinado volume no
cartucho, o solvente e os
componentes extraídos retornam para
o balão, onde o solvente irá
novamente ser destilado e passar pela
Extração por soxhlet.
amostra vegetal (refluxo), conforme
ilustração ao lado.
Esta técnica de extração tem como
vantagem o fato de se atingir o
esgotamento da droga com facilidade,
usando pequeno volume de solvente,
pois ele é destilado e reutilizado no
sistema.
Como desvantagem, temos a qualidade do extrato obtido que pode ser
comprometida devido à constante ebulição do extrato durante o processo
extrativo, o que pode levar ao aparecimento de artefatos oriundos da
decomposição das substâncias vegetais originalmente extraídas.
Extração assistida por micro-ondas, ultrassom e �uido supercrítico
Conheça a definição de cada um dos tipos de extração assistida:
Condições supercríticas
Gráfico de mudança de fases do CO₂.
Formas farmacêuticas extrativas em
�toterapia
Conforme representado no esquema Formas farmacêuticas em Fitoterapia,
essas formas podem ser divididas em formas farmacêuticas convencionais (ex.:
comprimido, xarope e pomada) e formas farmacêuticas extrativas (ex.: extrato
Extração assistida por micro-ondas 
Extração assistida por ultrassom 
Extração com fluido supercrítico 
seco, tintura, extrato fluido, extrato mole, infuso etc.). As formas farmacêuticas
extrativas são aquelas obtidas após a aplicação de método extrativo, como os
vistos previamente: maceração, percolação etc.
Apesar da divisão, as formas farmacêuticas convencionais em Fitoterapia são
feitas a partir das extrativas, visto que necessariamente deve-se fazer a extração
de ativos vegetais para que eles sejam transformados ou incorporados em uma
forma farmacêutica. Veremos a seguir alguns exemplos de fitoterápicos
comercializados na forma farmacêutica final extrativa e na forma farmacêutica
final convencional. Faremos a organização de acordo com a classificação de
forma farmacêutica líquida, sólida e semissólida.
Formas farmacêuticas em Fitoterapia
Esquema representativo sobre as formas farmacêuticas em Fitoterapia.
Medicamentos �toterápicos de forma farmacêutica
líquida
Para os medicamentos fitoterápicos líquidos, temos produtos disponíveis no
mercado tanto na forma farmacêutica final extrativa como convencional. Veja os
exemplos a seguir:
Figatil®
Observe que para o
medicamento fitoterápico
Figatil®, a forma
farmacêutica líquida final é
extrativa, trata-se de uma
mistura de extratos fluidos
de alcachofra e boldo.
Libera�ux®
Já para o medicamento
Liberaflux®, a forma
farmacêutica líquida final é
convencional (xarope),
porém ela é feita com o
extrato seco da planta
medicinal Hedera helix,
sendo o extrato seco uma
forma farmacêutica
extrativa sólida que ao ser
incorporada ao xarope
transforma-se em forma
farmacêutica líquida.
Figatil®

Forma Farmacêutica e
apresentação
Via Oral - Composição
Cada colher de chá (5mL)
contém:
Extratos �uidos
É a preparação líquida obtida por extração com líquido apropriado em que,
geralmente, uma parte do extrato, em massa ou volume, corresponde a uma parte,
em massa, da droga vegetal seca utilizada na sua preparação. Podem ainda ser
adicionados conservantes. Devem apresentar especificações quanto ao teor de
marcadores e resíduo seco. No caso de extratos classificados como padronizados,
a proporção entre a droga vegetal e o extrato pode ser modificada em função dos
ajustes necessários para obtenção do teor de constituintes ativos especificado
(ANVISA, 2021).
Libera�ux®
Forma Farmacêutica e
apresentação
Via Oral - Composição
Xarope
Cada colher de chá (5mL)
contém:
Extrato seco de Hedera Helix
a 10%..............7,5 mg[a]
[a] equivalente a 0,75mg/mL
de hederacosídeo C
Medicamentos �toterápicos de forma farmacêutica
sólida
Apesar de termos todas as formas farmacêuticas sólidas citadas descritas nos
compêndios oficiais brasileiros de Fitoterapia, a grande maioria dos fitoterápicos
sólidos encontram-se na forma de comprimidos e cápsulas, ou seja,
apresentam-se na forma farmacêutica final convencional, como as cápsulas do
medicamento fitoterápico Gastrosil®, feitas com extrato seco de espinheira-
santa.
Entretanto, em relação aos fitoterápicos que se enquadram na classificação de
produto tradicional fitoterápico, podemos ter medicamentos da mesma planta
medicinal com forma farmacêutica sólida convencional feita com droga vegetal.
Lembrando também que as drogas vegetais na forma de pó, ou seja, na forma
farmacêutica sólida também podem se configurar como um IFAV. Observe o que
está disponível na lista de produtos tradicionais fitoterápicos disponibilizada
pela ANVISA, em agosto de 2021, para a cúrcuma:
Gastrosil®
Forma Farmacêutica e
apresentação
Via Oral - Composição
Cada cápsula do produto
contém:
Extrato seco de Maytenus
Linha de
Produção
Medicamento Especificações
Farmacopeias
que contêm
monografias
que devem
ser utilizadas
para
padronização
do controle
de qualidade.
Sólido
Cápsula com
droga vegetal
350mg a
360mg de
rizoma em
uma cápsula.
Para a droga:
FE, FBri, FB,
FAm-c
Cápsula com
derivado de
Curcuma longa
RDE 13-25:1.
Equivalente à
dose diária de
90mg a 162mg
em uma
cápsula.O
derivado deve
ser obtido
utilizando
álcool etílico a
96%, seguindo
a RDE 13-25:1.
Para a droga:
FE, FBri, FB.
Cápsula com
derivado de
Curcuma longa
75% a 85% de
curcuminoides.
670mg de
extrato seco
do rizoma em
uma cápsula.
O derivado
deve ser obtido
com a
remoção da
oleorresina do
extrato etílico
bruto
semissólido e
padronizado
para 75% a
85% de
curcuminoides.
Para a droga:
FE, FBri, FB,
FAm-C.
FB – Farmacopeia Brasileira 6ª edição;
FBri – Farmacopeia Britânica 2021;
FE – Farmacopeia Europeia 10.3;
FAm-C – Farmacopeia Americana 43ª edição
Quadro: Parte da lista de produtos tradicionais fitoterápicos passíveis de notificação.
Extraído de ANVISA, 2021.
Veja que podemos ter fitoterápicos de forma farmacêutica
sólida convencional (cápsulas), feitas tanto de droga vegetal
como de derivado vegetal (extrato seco) de Curcuma longa.
Medicamentos �toterápicos de forma farmacêutica
semissólida
Apesar de termos diversas formas farmacêuticas semissólidas citadas nos
compêndios oficiais brasileiros de Fitoterapia, a grande maioria dos fitoterápicos
semissólidos citados correspondem à forma de pomada, creme e gel, ou seja,
apresentam-se na forma farmacêutica final convencional.
Exemplo
Como exemplo de um medicamento fitoterápico totalmente brasileiro e de forma
farmacêutica semissólida, temos o Acheflan® , um creme contendo óleo
essencial de Cordia verbenacea (erva baleeira).
Ache�an®
Forma Farmacêutica e
apresentação
Uso tópico - Composição
Creme
Cada g de creme de
Acheflan contém:
Cordia verbenacea DC.
(óleo essencial)
..............5mg[a]
[a] Equivalente a
0 130 d lf
Métodos Extrativos
Neste vídeo, a especialista demostrará a técnica de maceração.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
O IFAV (Insumo Farmacêutico Ativo Vegetal) é a matéria-prima ativa vegetal
que é utilizada no processo de fabricação do fitoterápico que, quando
administrado a um paciente, atua como ingrediente ativo (princípio ativo).
Sendo assim, conforme os conceitos aprendidos até aqui, marque a
alternativa que apresenta as duas formas de apresentação possíveis de um
IFAV:
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EIndependentemente%20do%20fitoter%C3%A1pico%2C%20seja%20ele%20medicamento%20fitoter%C3%A1pico%20o
Questão 2
Vimos neste conteúdo diversas técnicas extrativas e as vantagens e
desvantagens envolvidas nas metodologias. Dentre as técnicas vistas, quais
delas são usadas para a obtenção de óleos essenciais?
Parabéns! A alternativa B está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EA%20hidrodestila%C3%A7%C3%A3o%20pode%20ser%20por%20arraste%20a%20vapor%20e%20cooba%C3%A7%C3%
A Droga vegetal e extrato.
B Droga vegetal e planta medicinal in natura.
C Derivado vegetal e planta medicinal in natura.
D Derivado vegetal e droga vegetal.
E Extrato e planta medicinal in natura.
A
Extração assistida por ultrassom e extração contínua a quente
(por soxhlet).
B Hidrodestilação e prensagem.
C Infusão e maceração.
D Extração em contracorrente e decocção.
E Turboextração e percolação.
3 - Plantas medicinais e o desenvolvimento de medicamentos
�toterápicos
Ao �nal deste módulo, você será capaz de relacionar a pesquisa com plantas medicinais e os eventos
relacionados ao desenvolvimento de medicamentos �toterápicos
Desenvolvimento de medicamento
�toterápico
São diversas as etapas e os processos envolvidos desde a pesquisa de uma
planta medicinal até sua transformação em um medicamento fitoterápico. Para
termos uma visão geral dessas etapas e processos, podemos fazer uma
esquematização geral e resumida de 12 etapas que serão melhor desenvolvidas
ao longo deste material. Observe:
Resumo de etapas envolvidas no desenvolvimento de um medicamento fitoterápico.
Tais etapas podem ser consideradas também para o
desenvolvimento de fitomedicamentos e produtos
tradicionais fitoterápicos, com diferença na necessidade de
comprovação de segurança e eficácia, obrigatoriamente por
meio de ensaios clínicos para os fitomedicamentos, e
redução de algumas etapas relacionadas a derivado vegetal,
para produtos tradicionais fitoterápicos registrados ou
notificados na forma de droga vegetal.
Pesquisa com plantas medicinais para o
desenvolvimento de medicamento �toterápico
O desenvolvimento de um medicamento fitoterápico sempre tem início na
pesquisa de uma planta medicinal, sendo ele fruto de algumas das abordagens
de pesquisa a seguir para a escolha do vegetal a ser estudado/pesquisado:
Randômica
Baseada na coleta ao acaso de plantas para triagens fitoquímicas e
farmacológicas.
Etológica
Baseada nos estudos de comportamento animal com primatas.
Quimiotaxonômica
Baseada na seleção de espécies de uma família ou um gênero, para os
quais se tenha algum conhecimento fitoquímico de ao menos uma
espécie do grupo.
Etnodirigida
Baseada na seleção de espécies de acordo com a indicação de grupos
populacionais específicos, em determinados contextos de uso,
enfatizando a busca pelo conhecimento construído localmente a respeito
dos recursos naturais e a aplicação que fazem deles nos sistemas de
saúde e doença.
Etnofarmacológica
Vertente da abordagem etnodirigida de aplicação dos vegetais nos
sistemas de saúde e doença. Costuma ser a abordagem mais aplicada,
que combina informações adquiridas das comunidades locais que fazem
uso da flora medicinal com estudos químicos e farmacológicos
realizados em laboratórios. Ela aumenta a probabilidade da descoberta de
novas substâncias bioativas e de economia de tempo e dinheiro durante o
processo de pesquisa.
Após escolha do vegetal a ser
estudado, segue-se para a etapa de
coleta e identificação, quando se faz a
identificação botânica, obtendo-se o
nome científico.
Esta etapa normalmente é executada
comparando as características do
material vegetal coletado com as
exsicatas depositadas em herbários
sistemáticos ou com monografias
especiais. Informações como local da
coleta, porte do exemplar e coloração
das flores devem ser anotadas para a
identificação do vegetal.
Exsicatas
São amostras de plantas secas, prensadas em estufa e fixadas em cartolina
especial contendo informações sistemáticas e de coleta da amostra e que ficam
armazenadas em herbário para fins de referência e pesquisa.
Saiba mais
Normalmente, essa coleta é registrada em um museu ou herbário e os estudos
botânicos feitos nessa etapa estabelecem características que evitam equívocos
durante o controle de qualidade do material vegetal nas etapas posteriores para
a produção do fitoterápico. Na etapa de identificação, ocorre o que chamamos
de verificação de autenticidade do material vegetal.
Após a identi�cação botânica, segue-se para o estudo �toquímico
e de atividade biológica
Estudos �toquímicos
Os estudos fitoquímicos tem por objetivo a identificação, o isolamento e a
elucidação estrutural dos constituintes mais importantes da planta,
principalmente metabólitos secundários responsáveis ou não pela ação
biológica. Vale lembrar que, para a realização desses estudos, é necessário o
uso de amostras para análise fitoquímica e, normalmente, essas amostras são
extratos ou frações obtidas pelos métodos extrativos vistos previamente.
A análise fitoquímica normalmente é
feita com a junção de ensaios
clássicos ou “marcha analítica” e
outros métodos de identificação e
elucidação estrutural, como:
Cromatografia em camada
delgada (CCD)
Cromatografia gasosa (CG)
Ressonância magnética nuclear
(RMN)
Cromatografia líquida de alta
eficiência (CLAE)
Espectrometria de massas (EM)
Espectroscopia de infravermelho
(IV)
Espectrometria de Ultravioleta
(UV) etc.
Essas técnicas podem ser ligadas umas às outras, em sequência, ditas técnicas
hifenadas, tais como CG-EM, CLAE-EM, CLAE-RMN, CLAE-UV etc. Algumas delas
também podem ser realizadas in loco,sem a necessidade de preparo de amostra
para análise fitoquímica.
Veja a seguir algumas reações utilizadas na marcha analítica da análise
fitoquímica:
Grupos de metabólitos Reações gerais
Reações
específicas
Alcaloides
Reação de Mayer
Reação de
Dragendorff
Reação de
Wagner
Reação de
Bertrand
Reação de Otto
(indólicos)
Reação de
Vitali
(tropânicos)
Reação de
Wasicky
(tropânicos)
Antraquinonas
Reação de
Bornträger
Flavonoides
Reação de
Shinoda
Glicosídeos
cardiotônicos
Reação de
Liebermann-
Burchard
Reação de
Salkowsky
Reação de
Kedde
(cardenolídeos)
Reação de
Keller-Killiani
(desoxioses)
Metilxantinas
Reação de
murexida
Taninos
Reação com FeCl₃
Reação com
vanilina clorídrica
Precipitação
com gelatina
Precipitação
com acetato de
chumbo
Precipitação
com sais de
alcaloides
Triterpenos/esteroides
Reação de
Liebermann-
Burchard
Quadro: Ensaios clássicos ou “marcha analítica” de análise fitoquímica.
Elaborado por Jessica Silva.
Às vezes, para o isolamento e a elucidação estrutural dos constituintes mais
importantes da planta, é necessário o fracionamento. Este procedimento visa à
obtenção de frações enriquecidas em compostos bioativos, ou à redução dos
teores de compostos com potencial de toxicidade. A sequência clássica passa
por procedimento de partição com solventes líquidos (partição líquido-líquido)
de polaridades diferentes (imiscíveis), como podemos observar a seguir:
Exemplo de fracionamento com solventes de polaridades diferentes.
O fracionamento permite a separação das substâncias devido às diferenças de
solubilidade e coeficientes de partição. Durante o processo de fracionamento,
observa-se que há uma etapa de evaporação ou concentração do extrato obtido.
Isso ocorre inclusive para o preparo de extratos vegetais comerciais, visto que
muitas vezes a concentração de substâncias ativas arrastadas para a solução
extrativa não é suficiente para a obtenção de um efeito biológico/farmacológico
adequado, ou foi obtida com solvente de elevada toxicidade. Nessas situações, o
extrato deve ser submetido a um processo de remoção total ou parcial do
solvente, de modo a aumentar a concentração de ativos no produto dessa
operação, ou tornar utilizável um extrato obtido através da utilização de
solventes de elevada toxicidade. Sendo assim, seguem as principais técnicas
utilizadas para concentração de soluções extrativas:
Estudos de atividade biológica
A avaliação biológica inclui a investigação farmacológica e toxicológica das
substâncias isoladas, de frações ou extratos totais obtidos da planta medicinal.
Podemos considerar alguns desses ensaios também como ensaios pré-clínicos.
Avaliação biológica das substâncias vegetais.
O objetivo dos testes de atividade
biológica é comprovar o efeito que
motivou o estudo para a elaboração
do medicamento fitoterápico.
Evaporação simples 
Liofilização 
Spray drying 
Os testes toxicológicos podem ser de
diversos níveis: molecular, celular,
tecido/órgão e modelo animal de
doença.
Obtenção de droga vegetal
Como citado previamente, alguns produtos fitoterápicos são comercializados já
na forma de droga vegetal, mas, além disso, a droga vegetal também é um IFAV
para a manufatura de muitos medicamentos fitoterápicos e, portanto,
vislumbrando a produção em larga escala de um fitoterápico, é necessário que
haja estudos agronômicos tais como: edafo-climáticos, de micropropagação,
ecológicos, de cultivo e de melhoramento genético da espécie vegetal para que
se alcance a obtenção do vegetal em grande quantidade, sem a necessidade de
extrativismo.
Para que se tenha uma droga vegetal de qualidade, deve-se avaliar pontualmente
as ações transformadoras da planta medicinal em droga vegetal, sendo essas
ações: o cultivo, a colheita, a seleção, a desinfecção, a secagem (estabilização) e
a divisão. O conjunto de todas as etapas posteriores ao cultivo, ou seja, a
colheita, a seleção, a desinfecção, a secagem, a estabilização e a divisão, pode
ser chamado de beneficiamento.
Cultivo
No cultivo, temos os fatores que
influenciam a biossíntese dos
princípios ativos vegetais que são
fundamentais para a qualidade da
droga vegetal. Seriam alguns desses
fatores as condições de multiplicação
(ex.: por semeadura direta, por mudas
produzidas em sementeiras, por
multiplicação vegetativa etc.); as
condições climáticas (temperatura,
umidade, luz/fotoperíodo, altitude e
latitude); as condições do
solo/edáficas (teor de húmus,
tamanho das partículas, porosidade e
pH) e o tipo de controle de pragas e
doenças (práticas culturais tais como
rotação de culturas, uso de variedades
tolerantes e/ou resistentes, uso de
sementes, mudas e estacas
produzidas localmente, consorciação
etc.).
Deve-se sempre avaliar a área de cultivo, sempre levando em
consideração aspectos sustentáveis e as boas práticas agrícolas.
Colheita
A época da colheita das plantas
medicinais vai variar conforme
presença e concentração dos ativos
na planta. Deve-se observar diversos
aspectos para a determinação do
ponto de colheita.
O ponto de colheita varia de acordo
com o órgão da planta, estágio de
desenvolvimento e época do ano e
hora do dia.
A distribuição das substâncias ativas
numa planta pode ser bem irregular.
Alguns grupos de substância localizam-se preferencialmente em partes
específicas, como, por exemplo, os flavonóides que, de maneira geral, estão mais
concentrados nas partes aéreas da planta. O estágio de desenvolvimento é
muito importante para que se determine o ponto da colheita, principalmente em
plantas perenes e anuais de ciclo longo, em que a máxima concentração é
atingida a partir de certa idade ou fase do desenvolvimento.
Exemplo
O Jaborandi, por exemplo, apresenta baixo teor de pilocarpina (alcaloide) quando
jovem. A concentração de princípios ativos durante o dia pode variar muito. Os
alcaloides e óleos essenciais concentram-se mais pela manhã, e os glicosídeos,
à tarde. A colheita de plantas medicinais em determinado momento tem o
objetivo de assegurar o máximo teor de princípio ativo. No entanto, na maioria
das vezes, nada impede que as plantas sejam colhidas antes ou depois do ponto
para uso imediato. O problema vai ser a redução do valor terapêutico e, em
alguns casos, a predominância de princípios tóxicos.
Veja a seguir o ponto de colheita ideal para a parte ou órgão da planta medicinal
a ser colhida:
Parte colhida Ponto de colheita
Casca e entrecasca
Quando uma estiver
florida
Flores No início da floração
Frutos e sementes Quando maduros
Raízes
Quando a planta estiver
adulta
Talos e folhas Antes do florescimento
Elaborado por RODRIGUES, 2004, p. 21 - 25.
Seleção (padronização)
Após a colheita, realiza-se uma seleção (padronização) do material vegetal
coletado para que este siga um padrão de qualidade. Normalmente, a seleção é
realizada manualmente, mas pode ser feita com auxílio de aparelhos. Deve-se
descartar exemplares com manchas, doentes, deformados, rompidos, fora do
padrão, sem características organolépticas, perfurados por insetos, com poeira,
com terra ou qualquer outro corpo estranho.
Desinfecção
A desinfecção da planta medicinal é realizada na manufatura de algumas drogas
vegetais após a seleção. Sendo considerados métodos de desinfecção: a
submissão da planta ao calor (60°C), à pressão de CO₂ ou p-diclorobenzeno ou
brometo de metila, ou à radiação eletromagnética, sendo esta última não muito
recomendável devido à possibilidade de ativar reações químicas entre as
substâncias presentes no material vegetal.
Estabilização
Para o preparo de algumas drogas vegetais também é necessária a etapa de
estabilização que visa destruir as enzimas responsáveis pela modificação de
conteúdo químico das células vegetais. Utiliza-se o calor úmido (vapor de álcool
superaquecido) e irradiação ultravioleta.
Secagem
A secagem de plantas medicinais visa
diminuir volume e facilitar a
conservação dos princípios ativos da
planta, considerando-seo teor de
umidade permitido para algumas
partes vegetais e a porcentagem de
água necessária para ação de agentes
deletérios.
Percebe-se que a umidade é um fator
que pode interferir drasticamente na
qualidade de uma droga vegetal,
sendo esse um dos fatores que mais
desqualifica o padrão de qualidade
das drogas vegetais, normalmente,
devido ao armazenamento
inadequado.
Veja o teor de umidade de drogas vegetais:
Teor de Umidade Permitido nas Drogas Vegetais (%)
Parte do vegetal Vegetal fresco Permitida
Casca 50-55 8-14
Erva 50-90 12-15
Folha 60-98 8-14
Flor 60-95 8-15
Fruto 15-95 8-15
Raiz 50-85 8-14
Teor de Umidade Permitido nas Drogas Vegetais (%)
Rizoma 50-85 12-16
Semente 10-15 12-13
% de água necessária para ação de agentes deletérios
Bactérias 40-45
Fungos 15-20
Enzimas 20-25
Tabela: Teor de umidade de drogas vegetais.
Extraído de Simões et al., 2017, p. 93, adaptada por Jessica Silva.
Saiba mais
Na prática, os métodos de secagem se dividem em natural ou artificial. O
método artificial pode ser dividido em secagem com fluxo de ar frio ou aquecido.
Todos os métodos podem ser usados na secagem de plantas, desde que haja
um mecanismo de controle de temperatura que permita mantê-las naquela
temperatura recomendada para cada espécie.
Divisão
Algumas drogas vegetais podem ser comercializadas na forma rasurada,
triturada ou pulverizada. Para a redução dessas drogas vegetais, costuma-se
utilizar moinhos ou energia fluida, conforme quadro a seguir.
Tipos de Moinhos para Redução de Droga Vegetal
Tipo Ação
Granulometria
(mesh)
Uso
Facas Corte 20-80
Material
fibroso
Martelos Impacto 4-325
Todos os
materiais
Rolos Pressão 20-200
Materiais
moles
Atrito Atrito 20-200
Materiais
moles e
fibrosos
Energia Fluida Misto 1-30
Materiais
moles e
aderentes
Quadro: Tipos de moinho para de redução de droga vegetal.
Elaborado por Jessica Silva.
Após redução da droga vegetal, realiza-se a tamisação para padronização do
tamanho de partícula. A tamisação pode ser sequencial ou não. Observe as
diferenças nas imagens a seguir:
Tamises em sequência. Tamisação para padronização de granulação.
Quanto maior a abertura da malha, maior é a granulometria do pó retido, e menor
a tenuidade:
Tamisação e tenuidade de pós.
Pesquisa e desenvolvimento de
�toterápicos
Neste vídeo, a especialista apresentará as etapas de pesquisa e
desenvolvimento de fitoterápicos.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Dentre as abordagens de pesquisa de plantas medicinais apresentadas neste
conteúdo, qual delas é a mais utilizada nas etapas iniciais para o
desenvolvimento de um medicamento fitoterápico, por aumentar a
probabilidade de descoberta de novas substâncias bioativas e as chances de
economia de tempo e dinheiro durante o processo de pesquisa?
A Abordagem randômica.
Parabéns! A alternativa E está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EAprendemos%20neste%20m%C3%B3dulo%20que%20a%20abordagem%20etnofarmacol%C3%B3gica%20%C3%A9%
Questão 2
Dentre as ações de transformação de uma planta medicinal em droga
vegetal, há duas que devem ser cautelosamente estudadas e efetuadas por
estarem diretamente ligadas à produção e ao acúmulo de princípios ativos
vegetais. Ou seja, se realizadas de forma inadequada, vão comprometer
diretamente a eficácia farmacológica do produto fitoterápico final. Dessa
maneira, assinale a alternativa correspondente a essas duas ações de
transformação de planta medicinal.
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EAprendemos%20nesta%20unidade%20que%2C%20no%20cultivo%2C%20ocorre%20a%20bioss%C3%ADntese%20do
B Abordagem etológica.
C Abordagem quimiotaxonômica.
D Abordagem etnodirigida.
E Abordagem etnofarmacológica.
A Cultivo e colheita.
B Cultivo e seleção.
C Colheita e desinfecção.
D Cultivo e secagem.
E Colheita e divisão.
4 - Controle da Qualidade de drogas e derivados vegetais
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer os critérios para o controle da qualidade de
derivados vegetais.
Controle de qualidade de droga vegetal
O controle de qualidade de drogas vegetais costuma estar relacionado a testes
analíticos para a comprovação de identidade, pureza, integridade e quantificação
de compostos químicos de interesse presentes neste tipo de material. Esses
ensaios normalmente são descritos em farmacopeias e códigos equivalentes,
porém, na ausência de métodos aplicáveis ao material vegetal em pesquisa, os
métodos analíticos propostos devem ser validados. Ou seja, a validação de
procedimentos analíticos reúne uma série de ensaios laboratoriais capazes de
confirmar a adequabilidade do método à finalidade que se propõe. Há diversos
documentos que apresentam os passos a serem seguidos para a realização da
validação de métodos analíticos como o “Guia de validação de métodos
analíticos e bioanalíticos” disponibilizado pela ANVISA e indicado como
documento para preparação de estudos de qualidade. Segue uma sequência de
testes convencionalmente realizados para controle de qualidade de drogas
vegetais:
 Teste 1
Determinação de matérias estranhas.
 Teste 2
Determinação de água.
De�nição do derivado vegetal a ser
utilizado no preparo do medicamento
 Teste 3
Determinação de cinzas totais.
 Teste 4
Determinação de cinzas insolúveis em ácido clorídrico, a ser
realizada quando citada a necessidade dessa avaliação em
documentação técnico-científica.
 Teste 5
Determinação de metais pesados.
 Teste 6
Determinação de resíduos de agrotóxicos e afins.
 Teste 7
Determinação de radioatividade, quando aplicável.
 Teste 8
Determinação de contaminantes microbiológicos.
 Teste 9
Determinação de micotoxinas, a ser realizada quando
citados, em documentação técnico-científica, a necessidade
dessa avaliação ou relatos da contaminação da espécie por
micotoxinas.
�toterápico
O tipo de derivado vegetal a ser utilizado vai definir a forma farmacêutica final
para o produto acabado e sua escolha vai depender dos estudos de pré-
formulação do medicamento fitoterápico. O derivado vegetal utilizado na
formulação final normalmente se apresenta na forma de um extrato vegetal
concentrado e padronizado, oriundo de processos de obtenção de soluções
extrativas.
Tipos de extratos vegetais e expressão de
concentração
Neste vídeo, a partir das definições descritas nas normas técnicas e
monografias oficiais de fitoterápicos, a especialista reflete sobre os diferentes
tipos de extratos vegetais e explica o que significam as diferentes expressões de
concentração para esses extratos contidas nos rótulos e/ou bulas dos
medicamentos fitoterápicos.
Controle de qualidade do derivado vegetal
Após definição do derivado vegetal a
ser utilizado na formulação do
medicamento fitoterápico, deve-se
propor testes para controle de
qualidade, visto que ele será o IFAV do
medicamento fitoterápico.
Esses testes envolvem ensaios
analíticos de avaliações físico-
químicas: aparência, cor, odor,
solubilidade, densidade, pH e
viscosidade; avaliação química: como
o perfil cromatográfico e dosagem de
ativos ou marcador e avaliação
microbiológica da quantidade de
microrganismos viáveis.
Marcador
Substância ou classe de substâncias (ex.: alcaloides, flavonoides, ácidos graxos
etc.) utilizada como referência no controle de qualidade da matéria-prima vegetal e
do fitoterápico, preferencialmente tendo correlação com o efeito terapêutico. O
marcador pode ser do tipo ativo, quando relacionado com a atividade terapêutica do
fitocomplexo, ou analítico, quando não demonstrada, até o momento, sua relação
com a atividade terapêutica do fitocomplexo (RDC 26/14 ANVISA).

Desenvolvimento de formulação/produto,
teste de produção e garantia da qualidade
Saiba mais
Quando tratamos de um medicamento fitoterápico, por ele ser feito com umIFAV,
as etapas de análise para garantia da qualidade se iniciam na identificação
botânica do vegetal, passando pelo cultivo, beneficiamento, produção e
armazenamento do medicamento fitoterápico. É grande o número de fatores que
podem interferir na qualidade de um medicamento fitoterápico. Algumas
informações mais detalhadas sobre boas práticas de fabricação de
medicamentos fitoterápicos estão descritas na Instrução Normativa - IN nº 39,
de 21 de agosto de 2019.
Estudos de toxicidade e e�cácia do
produto �toterápico
Os estudos de toxicidade e eficácia de medicamentos fitoterápicos estão
dispostos na Portaria nº 116/MS/SNVS, de 8 de agosto de 1996, e podem ser
observados em documento da OMS (2008) contendo instruções operacionais
com informações necessárias para a condução de ensaios clínicos com
fitoterápicos.
Controle de qualidade de medicamento
�toterápico
O controle de qualidade de medicamento fitoterápico é realizado da mesma
maneira que para os demais tipos de medicamentos. Independentemente da
forma farmacêutica final, é necessário que sejam realizadas avaliações na
qualidade do produto final. Seguem alguns ensaios realizados para cada forma
farmacêutica que devem ser acrescentados aos ensaios químicos e
microbiológicos.
Desenvolvimento de formulação/produto 
Teste de produção 
Garantia da Qualidade 
Forma farmacêutica Ensaios
Sólida
Umidade, peso médio, tempo de
desintegração
Líquida
Volume médio, densidade,
viscosidade, pH, limpidez
Semissólida Peso médio, viscosidade, pH
Quadro: Ensaios de controle de qualidade para cada forma farmacêutica.
Elaborado por Jessica Silva.
Registro de medicamento �toterápico
O registro de um medicamento seria o instrumento por meio do qual o MS, no
uso de sua atribuição específica, determina a inscrição prévia no órgão ou na
entidade competente, pela avaliação do cumprimento de caráter jurídico-
administrativo e técnico-científico relacionada com a eficácia, segurança e
qualidade desses produtos, para sua introdução no mercado, sua
comercialização ou seu consumo.
Os requisitos necessários para o registro de medicamentos
fitoterápicos estão descritos na RDC n° 26, de 13 de maio de
2014, que dispõe sobre o registro de medicamentos
fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos
tradicionais fitoterápicos, inclusive de produtos importados.
O registro se faz por meio de envio de relatório técnico, que deve conter diversas
informações tais como: nomenclatura botânica completa; layout de bula para
medicamento fitoterápico ou folheto informativo para produto tradicional
fitoterápico; relatório do estudo de estabilidade; relatório de produção; relatório
de segurança e eficácia/efetividade etc. A segurança e eficácia/efetividade dos
fitoterápicos podem ser comprovadas de formas diferentes, sendo que para os
medicamentos fitoterápicos, necessariamente deve-se apresentar estudos
clínicos.
Diferenças
Medicamento
Fitoterápico (MF)
Produto
Tradicional
Fitoterápico
(PTF)
Comprovação de
Segurança e
Eficácia/Efetividade
Por estudos clínicos
Por
demonstração
de tempo de
uso
Boas Práticas de
Fabricação
Segue a RDC n°
17/2010
Segue a RDC
n° 13/2010
Informações do
fitoterápico para o
Disponibilizado na
Bula
Disponibilizado
no Folheto
Diferenças
Medicamento
Fitoterápico (MF)
Produto
Tradicional
Fitoterápico
(PTF)
consumidor final informativo
Formas de obter a
autorização de
comercialização junto à
ANVISA
Registro ou Registro
simplificado
Registro,
Registro
simplificado
ou Notificação
Quadro: Diferenças entre os fitoterápicos tratados pela RDC nº 26/2014.
Extraído de Instrução Normativa - IN nº 04/2014. Quadro 1 - Diferenças entre os fitoterápicos tratados pela
RDC nº 26/2014, p. 11, adaptado por Jessica Silva.
Observando o quadro a seguir, percebe-se que medicamento fitoterápico
também pode ter registro simplificado desde que conste na lista de
medicamentos fitoterápicos de registro simplificado (IN nº 02/2014) ou nas
monografias de fitoterápicos de uso bem estabelecido da Comunidade Europeia,
elaboradas pelo Comitê de Produtos Medicinais Fitoterápicos da European
Medicines Agency (EMA), RDC nº 26/2014.
Quadro: Produtos, classificação e legislação referente a boas práticas e registro.
Extraído de Informe Técnico (IT) nº 007/2016, p. 6.
Comercialização e marketing de
medicamentos �toterápicos
A comercialização e o marketing de medicamentos fitoterápicos devem estar em
acordo com a legislação vigente, assim como todos os processos envolvidos
nas etapas de desenvolvimento de um medicamento fitoterápico.
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Considerando que uma empresa detenha toda a cadeia produtiva de um
medicamento fitoterápico, ou seja, desde o cultivo do vegetal até a fabricação
do produto final, para qual(quais) produto(s) manufaturado(s) há extrema
necessidade de realização de testes de controle de qualidade?
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EConsiderando%20toda%20a%20cadeia%20produtiva%20de%20um%20medicamento%20fitoter%C3%A1pico%2C%20
se%20que%20h%C3%A1%20tr%C3%AAs%20produtos%20manufaturados%20ao%20longo%20da%20cadeia%20produtiva%20e%20q
Questão 2
Conforme definições normativas para tipos de fitoterápicos, assinale a
alternativa que se refere unicamente a fitoterápicos.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3EParab%C3%A9ns!%20A%20alternativa%20D%20est%C3%A1%20correta.%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%2
A Planta vegetal após colheita e produto acabado.
B Planta vegetal após cultivo e produto acabado.
C Droga vegetal e produto acabado.
D Droga vegetal, derivado vegetal e produto acabado.
E Derivado vegetal e produto acabado.
A Planta medicinal e produto tradicional fitoterápico.
B Chá medicinal e droga vegetal.
C Medicamento fitoterápico e droga vegetal.
D Medicamento fitoterápico e produto tradicional fitoterápico.
E Planta medicinal e medicamento fitoterápico.
Considerações �nais
Como vimos no processo de desenvolvimento de um medicamento fitoterápico,
além da necessidade de todo o conhecimento farmacotécnico referente às
formas farmacêuticas usuais em Fitoterapia, existe um diferencial complexo
quanto à dinâmica de obtenção de IFAVs, visto que eles são obtidos de
organismos vivos vegetais.
Vimos as principais etapas envolvidas no desenvolvimento dos medicamentos
fitoterápicos, bem como as normas relacionadas ao controle de qualidade, a
comprovação de eficácia e segurança, garantia de qualidade e comercialização.
O principal objetivo do nosso estudo foi compreender a complexidade no
desenvolvimento de um medicamento fitoterápico e as ferramentas de pesquisa
necessárias e/ou possíveis para o alcance de produção desse tipo de produto
farmacêutico.
Podcast
Para concluir este estudo, a especialista apresentará os principais pontos do
tema e falará sobre as inovações em fitoterapia.

Explore +
Para ampliar seus conhecimentos sobre o conteúdo, pesquise o Consolidado de
normas de registro e notificação de fitoterápicos, disponibilizado no site da
ANVISA (2018), onde há um conjunto de normas gerais e específicas aplicáveis a
esses medicamentos.
Referências
ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Guia para validação de
métodos analíticos e bioanalíticos. Resolução - RE nº 899, de 29 de maio de
2003. Consultado na internet em: 03 nov. 2021.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Produtos tradicionais
fitoterápicos passíveis de notificação de acordo com as formulações
publicadas na 2ª edição do Formulário de Fitoterápicos da Farmacopeia
Brasileira. Agosto, 2021. Consultado na internet em: 03 nov. 2021.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Vocabulário Controlado de
Formas Farmacêuticas, Vias de Administração e Embalagens de Medicamentos.
1. ed. Brasília: Anvisa,2011.
ANVISA. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução de Diretoria
Colegiada (RDC) nº 26, de 13 de maio de 2014. Dispõe sobre o registro de
medicamentos fitoterápicos e o registro e a notificação de produtos tradicionais
fitoterápicos. Consultado na internet em: 03 nov. 2021.
BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância Sanitária. Portaria nº 116,
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FERRARI, E. F. et al. Obtenção do extrato hidroalcoólico de Vernonia scorpioides
para teste de ação antiofídica. Revista Univap. X Encontro Latino-Americano de
Iniciação Científica e VI Encontro Latino-Americano de Pós-Graduação.
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MAPA. Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. Plantas Medicinais:
orientações gerais de cultivo – I. Brasília, 2006, p. 48.
OMS. Organização Mundial da Saúde. Informações necessárias para a condução
de ensaios clínicos com fitoterápicos, 2008. Consultado na internet em: 03 nov.
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RODRIGUES, V. G. S. Cultivo, uso e manipulação de plantas. Rondônia: Embrapa,
2004. p. 25.
SECRETARIA DA SAÚDE DO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL. Informe Técnico
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industrialização, manipulação, comercialização e registros de insumos, de
medicamentos fitoterápicos e de produtos tradicionais fitoterápicos. Consultado
na internet em: 03 nov. 2021.
SIMÕES, C. M. O. et al. Farmacognosia: do produto natural ao medicamento. Rio
Grande do Sul: Artmed, 2017.
TEIXEIRA, A. H. et al. Conhecimento popular sobre o uso de plantas medicinais
no município de Sobral - CE, Brasil. Sanare, v.13, n.1, p. 23-28. Sobral, Ceará:
jan./jun., 2014.
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