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RELATÓRIO DE PRÁTICA 01 Marília Aguiar do Amaral - 04148196 RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS: Farmacognosia Pura DADOS DO(A) ALUNO(A): NOME: Marília Aguiar do Amaral MATRÍCULA: 04148196 CURSO: Farmácia POLO: Unama – Santarém/PA PROFESSOR(A) ORIENTADOR(A): Yan Vitor Silva Oliveira ORIENTAÇÕES GERAIS: • O relatório deve ser elaborado individualmente e deve ser escrito de forma clara e • concisa; • O relatório deve conter apenas 01 (uma) lauda por tema; • Fonte: Arial ou Times New Roman (Normal e Justificado); • Tamanho: 12; Margens: Superior 3 cm; Inferior: 2 cm; Esquerda: 3 cm; Direita: 2 cm; • Espaçamento entre linhas: simples; • Título: Arial ou Times New Roman (Negrito e Centralizado). TEMA DE AULA: CARACTERIZAÇÃO E IDENTIFICAÇÃO RELATÓRIO: RESPONDA AS QUESTÕES E ADICIONE FOTO DA AULA PRÁTICA SOBRE OS TEMAS: 1. Alcaloides: ▪ Qual é o princípio da reação de Dragendorff na identificação de alcaloides e como os resultados são interpretados visualmente? O reagente de Dragendorff é uma solução de iodobismutato de potássio (KBiI₄), geralmente preparada a partir de nitrato básico de bismuto (Bi(NO₃)₃), ácido tartárico e iodeto de potássio (KI) em meio ácido. Em solução, forma-se o íon complexo tetraiodobismutato ([BiI₄]⁻). A maioria dos alcaloides possui um ou mais átomos de nitrogênio em sua estrutura, frequentemente na forma de aminas terciárias. Em meio ácido, esses nitrogênios são protonados, adquirindo uma carga positiva. O íon tetraiodobismutato, sendo um ânion grande, reage com esses cátions alcaloidais, formando sais complexos insolúveis que precipitam da solução. A interpretação visual da reação de Dragendorff é relativamente simples e se baseia na observação da formação de um precipitado colorido. A cor do precipitado pode variar dependendo do alcaloide presente e das condições da reação, mas geralmente varia de laranja a vermelho-amarronzado ou marrom. • Resultado Positivo: A formação de um precipitado de cor laranja, vermelho-alaranjado ou marrom após a adição do reagente de Dragendorff à amostra indica a presunção da presença de alcaloides. A intensidade da cor e a quantidade de precipitado podem dar uma ideia da concentração aproximada de alcaloides. • Resultado Negativo: A ausência de formação de precipitado ou a não ocorrência de uma mudança de cor significativa sugere a ausência de alcaloides detectáveis pelo método. • 2. Flavonoides: ▪ Explique o procedimento da reação de Shinoda para a identificação de flavonoides e a importância da remoção da clorofila durante o processo. A reação de Shinoda, também conhecida como teste do cianeto de magnésio ou teste de Shibata, é um método colorimétrico utilizado para a identificação de flavonoides, especialmente as antocianinas e flavonas. O procedimento geralmente envolve os seguintes passos: 1. Preparo da Amostra: o Utiliza-se um extrato da amostra vegetal (ou da substância a ser analisada) em um solvente adequado, como etanol ou metanol. A concentração do extrato pode variar dependendo da abundância esperada de flavonoides. 2. Adição de Magnésio Metálico: o Adiciona-se alguns fragmentos pequenos de fitas ou raspas de magnésio metálico ao extrato em um tubo de ensaio. 3. Adição de Ácido Clorídrico Concentrado: o Cuidadosamente, adiciona-se algumas gotas de ácido clorídrico concentrado ao tubo de ensaio contendo o extrato e o magnésio. 4. Observação da Cor: o Observa-se a formação de cor ao longo de alguns minutos. A presença de flavonoides é indicada pelo desenvolvimento de uma coloração que pode variar de vermelho, rosa, violeta ou azul, dependendo da estrutura específica do flavonoide presente e do pH da solução. A remoção da clorofila durante o processo de extração é crucial para a correta interpretação da reação de Shinoda. A clorofila, pigmento verde presente nas plantas, pode interferir significativamente na observação da cor característica dos flavonoides por diversos motivos: • Máscara da Cor: A cor verde intensa da clorofila pode mascarar ou obscurecer as cores mais sutis (vermelho, rosa, violeta, azul) produzidas pela reação dos flavonoides com o reagente de Shinoda, levando a resultados falso-negativos ou a uma interpretação incorreta da cor desenvolvida. • Interferência Química: Embora a clorofila não deva reagir diretamente com os reagentes da reação de Shinoda da mesma forma que os flavonoides, a sua presença em alta concentração no extrato pode gerar artefatos ou interferir no ambiente reacional, potencialmente afetando a formação da cor característica dos flavonoides. • Melhora da Visualização: A remoção da clorofila resulta em um extrato mais claro e livre de pigmentos verdes, facilitando a visualização nítida de qualquer mudança de cor que ocorra após a adição dos reagentes, tornando a interpretação dos resultados mais confiável. 3. Taninos: ▪ Descreva o método utilizado para a detecção de taninos em uma amostra vegetal e como a presença de taninos pode ser confirmada visualmente. Um dos métodos mais comuns e simples para a detecção de taninos em amostras vegetais é o teste com cloreto férrico (FeCl₃). Este método se baseia na capacidade dos taninos de formar complexos coloridos com íons férricos. Procedimento: 1. Preparo do Extrato Vegetal: o Obtenha um extrato da amostra vegetal utilizando um solvente adequado, como água destilada quente, etanol diluído ou acetona aquosa. A escolha do solvente pode influenciar a extração de diferentes tipos de taninos. o Filtre o extrato para remover partículas sólidas e obter uma solução clara. 2. Adição do Reagente de Cloreto Férrico: o Em um tubo de ensaio, adicione uma pequena quantidade do extrato vegetal filtrado. o Adicione algumas gotas de uma solução diluída de cloreto férrico (geralmente uma solução a 1-5% em água destilada). 3. Observação da Cor: o Observe a mudança de cor que ocorre imediatamente ou dentro de alguns minutos após a adição do reagente. Confirmação Visual da Presença de Taninos: A presença de taninos na amostra vegetal é confirmada visualmente pela formação de uma coloração intensa após a adição da solução de cloreto férrico. A cor do complexo formado pode variar dependendo da estrutura do tanino presente: • Taninos Hidrolisáveis: Geralmente produzem uma coloração azul-escura ou preto- azulada. • Taninos Condensados: Tendem a formar colorações verde-escura, marrom-esverdeada ou marrom-avermelhada. A intensidade da cor também pode fornecer uma indicação da concentração aproximada de taninos presentes na amostra. Uma coloração mais forte sugere uma maior concentração. 4. Cumarinas: ▪ Qual é o papel da radiação ultravioleta na identificação de cumarinas e quais são as mudanças visuais observadas em uma amostra positiva? A radiação ultravioleta (UV) desempenha um papel crucial na identificação de cumarinas devido à sua capacidade de excitar essas moléculas, fazendo com que emitam fluorescência visível. As cumarinas possuem estruturas moleculares com sistemas de anéis aromáticos e ligações duplas conjugadas, que absorvem eficientemente a radiação UV em comprimentos de onda específicos (geralmente na faixa de 254 nm e 365 nm). Quando uma amostra contendo cumarinas é exposta à luz UV, as moléculas de cumarina absorvem essa energia e, ao retornarem ao seu estado fundamental, liberam parte dessa energia na forma de luz visível, um fenômeno conhecido como fluorescência. A cor e a intensidade dessa fluorescência são características da estrutura específica da cumarina, permitindo sua identificação presuntiva. Comprimentos de Onda Utilizados: UV de onda curta (254 nm): Algumas cumarinas exibem melhorfluorescência sob esta faixa de comprimento de onda e UV de onda longa (365 nm): Esta é a faixa mais comumente utilizada para observar a fluorescência de cumarinas, pois geralmente induz uma fluorescência mais intensa e em cores mais variadas. Mudanças Visuais Observadas em uma Amostra Positiva para Cumarinas Quando uma amostra contendo cumarinas é irradiada com luz ultravioleta em um ambiente escuro, as seguintes mudanças visuais podem ser observadas em uma amostra positiva: • Fluorescência intensa: A área onde as cumarinas estão presentes na amostra (seja em um extrato líquido, um cromatograma em placa fina ou um fragmento da planta) exibirá uma emissão de luz visível. • Cores variadas: A cor da fluorescência pode variar amplamente dependendo da estrutura da cumarina específica. As cores mais comuns observadas incluem: Azul, Azul-esverdeado, Amarelo, Verde, Branco-azulado. • Intensidade da fluorescência: A intensidade da luz emitida pode variar dependendo da concentração da cumarina presente na amostra. Áreas com maior concentração de cumarinas tendem a apresentar uma fluorescência mais brilhante. • Padrões de fluorescência: Em análises cromatográficas (como cromatografia em camada delgada - CCD), diferentes cumarinas presentes na amostra podem se separar e exibir bandas de fluorescência com cores e intensidades distintas, permitindo a identificação de múltiplas cumarinas na mesma amostra. 5. Heterosídeos Cardioativos: ▪ Explique o procedimento de extração e identificação de heterosídeos cardioativos e como a reação de Kedde é utilizada para confirmar sua presença. A extração de heterosídeos cardioativos geralmente envolve a utilização de solventes polares ou hidroalcoólicos, devido à natureza glicosídica dessas moléculas. O procedimento pode variar dependendo da matriz (planta ou material biológico) e dos heterosídeos específicos que se deseja extrair, mas geralmente segue os seguintes passos: 1. Preparo da Amostra: A amostra vegetal é geralmente seca e pulverizada para aumentar a superfície de contato com o solvente. Amostras biológicas podem precisar de etapas de homogeneização e desproteinização. 2. Extração com Solvente: A amostra é então submetida à extração com um solvente polar ou hidroalcoólico (por exemplo, etanol, metanol, água ou misturas água-álcool) utilizando métodos como maceração, percolação, refluxo ou extração assistida por ultrassom ou micro-ondas. A escolha do solvente e do método de extração é otimizada para maximizar a recuperação dos heterosídeos cardioativos e minimizar a extração de componentes indesejados. 3. Filtragem: O extrato bruto obtido é filtrado para remover partículas sólidas. 4. Purificação (Opcional): O extrato filtrado pode passar por etapas de purificação para remover lipídios, pigmentos e outras substâncias que podem interferir na análise posterior. Técnicas como partição líquido-líquido com diferentes solventes de polaridade crescente ou cromatografia em coluna podem ser utilizadas. 5. Concentração: O extrato purificado (ou não) é geralmente concentrado por evaporação do solvente sob pressão reduzida para obter um extrato mais rico em heterosídeos cardioativos. A identificação com a reação de Kedde ocorre através da reação visual positiva, formação de uma coloração violeta ou lilás intensa após alguns segundos/minutos. Essa cor é indicativa da presença de estrutura lactônica α,β-insaturada típica dos glicosídeos cardíacos. 6. Saponinas: ▪ Descreva o teste de espuma para a identificação de saponinas e como a formação de espuma pode ser interpretada em termos de presença e quantidade de saponinas na amostra. O teste de espuma é um método qualitativo simples e rápido amplamente utilizado para a identificação presuntiva de saponinas em extratos vegetais. As saponinas são glicosídeos triterpenoides ou esteroidais que possuem a propriedade característica de formar espuma estável quando dissolvidas em água e agitadas. Essa propriedade se deve à sua estrutura anfipática, possuindo uma parte glicônica hidrofílica (açúcar) e uma parte aglicônica lipofílica (triterpenoide ou esteroide). Essa estrutura permite que as saponinas diminuam a tensão superficial da água, facilitando a formação de espuma estável. Procedimento: 1. Preparo do Extrato Vegetal: Obtenha um extrato da amostra vegetal utilizando água destilada ou uma soluçãohidroalcoólica (por exemplo, etanol a 20-50%). A escolha do solvente pode influenciar a solubilidade das diferentes saponinas. Geralmente, aquece-se a mistura planta-solvente em banho-maria por alguns minutos para auxiliar na extração. Filtre o extrato para remover partículas sólidas. 2. Teste de Espuma: Transfira uma pequena quantidade do extrato filtrado para um tubo de ensaio (aproximadamente 5-10 mL). Adicione um volume igual de água destilada ao tubo. Feche a boca do tubo com uma rolha ou tampa e agite vigorosamente por cerca de 15- 30 segundos. Deixe o tubo em repouso na posição vertical por alguns minutos (geralmente 15-30 minutos) e observe a formação e a persistência da espuma. Interpretação da Formação de Espuma: A formação e a persistência de uma espuma estável na superfície do líquido são consideradas um resultado positivo para a presença de saponinas. A interpretação pode ser feita da seguinte forma: • Resultado Positivo: Formação de espuma: A presença de uma camada de espuma com altura de pelo menos 1 cm que persiste por um período de tempo significativo (geralmente mais de 10-15 minutos) após a agitação indica a presunção da presença de saponinas na amostra. Estabilidade da espuma: Quanto mais estável e duradoura for a espuma, maior a probabilidade da presença de saponinas em concentrações apreciáveis. Uma espuma que desaparece rapidamente sugere a ausência ou uma quantidade muito pequena de saponinas. Presença de anel de espuma: A formação de um anel de espuma persistente na superfície do líquido após o repouso é também um indicativo positivo. • Resultado Negativo: Ausência de espuma ou formação de espuma instável: Se não houver formação de espuma após a agitação ou se a espuma formada desaparecer rapidamente (em menos de alguns minutos), o teste é considerado negativo para a presença de saponinas detectáveis por este método. Interpretação em Termos de Quantidade: Embora o teste de espuma seja principalmente qualitativo, algumas inferências sobre a quantidade de saponinas podem ser feitas com base na altura e na persistência da espuma: • Maior quantidade de saponinas (sugestivo): Formação de uma camada de espuma alta (acima de 2-3 cm) e muito estável, que persiste por várias horas. • Quantidade moderada de saponinas (sugestivo): Formação de uma camada de espuma com altura entre 1-2 cm que persiste por um período de 30 minutos a 1 hora. • Baixa quantidade de saponinas (sugestivo): Formação de uma camada de espuma baixa (apenas alguns milímetros) ou uma espuma que desaparece em menos de 15-30 minutos. • Ausência ou quantidade muito traço de saponinas: Nenhuma formação de espuma ou formação de espuma instável que desaparece rapidamente. RELATÓRIO DE PRÁTICA 02 Marília Aguiar do Amaral - 04148196 RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS: Farmacognosia Pura DADOS DO(A) ALUNO(A): NOME: Marília Aguiar do Amaral MATRÍCULA: 04148196 CURSO: Farmácia POLO: Unama – Santarém/PA PROFESSOR(A) ORIENTADOR(A): Yan Vitor Silva Oliveira ORIENTAÇÕES GERAIS: • O relatório deve ser elaborado individualmente e deve ser escrito de forma clara e • concisa; • O relatório deve conter apenas 01 (uma) lauda por tema; • Fonte: Arial ouTimes New Roman (Normal e Justificado); • Tamanho: 12; Margens: Superior 3 cm; Inferior: 2 cm; Esquerda: 3 cm; Direita: 2 cm; • Espaçamento entre linhas: simples; • Título: Arial ou Times New Roman (Negrito e Centralizado). TEMA DE AULA: MÉTODOS EXTRATIVOS, PROSPECÇÃO FITOQUÍMICA, DETECÇÃO DE UMIDADE RELATÓRIO: RESPONDA AS QUESTÕES E ADICIONE FOTO DA AULA PRÁTICA SOBRE OS TEMAS 1. Métodos Extrativos de Droga Vegetal: a. Quais são as principais diferenças entre os métodos de maceração, infusão e decocção, e em quais situações cada método é mais indicado? Principais diferenças entre maceração, infusão e decocção: Característica Maceração Infusão Decocção Contato droga- solvente Temperatura ambiente, longo período (horas a dias) Água quente adicionada à droga, curto período (minutos) Droga fervida no solvente, período prolongado (minutos a horas) Temperatura Ambiente (geralmente) Quente (sem ferver) Fervura Indicação Drogas com constituintes termossensíveis ou que se extraem bem a frio; materiais com alta concentração de ativos Partes aéreas delicadas (folhas, flores) com ativos solúveis em água quente e não termossensíveis Partes duras da planta (raízes, caules, cascas) e constituintes pouco solúveis ou não termossensíveis Exemplo Tintura de ervas, preparações oleosas com plantas Chás (camomila, hortelã) Chás de casca (catuaba), preparo de caldos medicinais com raízes RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ b. Qual técnica seria mais indicada para extração de óleos essenciais? Descreva e justifique. A técnica mais indicada para a extração de óleos essenciais é a destilação por arraste a vapor. Descrição: 1. A matéria-prima vegetal (flores, folhas, caules, raízes, frutos ou sementes) contendo o óleo essencial é colocada em um recipiente sobre uma fonte de vapor de água. 2. O vapor d'água quente passa através do material vegetal, rompendo as glândulas ou células que armazenam o óleo essencial. 3. As moléculas voláteis do óleo essencial são vaporizadas e arrastadas pelo vapor d'água. 4. A mistura de vapor d'água e óleo essencial passa por um condensador, onde é resfriada e retorna ao estado líquido. 5. O líquido condensado (hidrolato ou água floral) e o óleo essencial, que são imiscíveis, são coletados em um separador. Devido à diferença de densidade, o óleo essencial se separa da água, podendo ser facilmente coletado. Justificativa: • Volatilidade dos óleos essenciais: Os óleos essenciais são compostos voláteis, o que os torna facilmente separáveis por destilação. • Separação eficiente: O arraste a vapor permite a separação do óleo essencial da matriz vegetal a temperaturas mais baixas do que a fervura direta, evitando a degradação de componentes termossensíveis. • Obtenção de óleo puro: A técnica resulta em um óleo essencial relativamente puro, livre de grandes quantidades de outros constituintes vegetais não voláteis. • Escalabilidade: A destilação por arraste a vapor é um método amplamente utilizado industrialmente devido à sua eficiência e capacidade de processar grandes quantidades de material vegetal. INFUSÃO DECOCÇÃO RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ 2. Detecção de Umidade: a. Explique o princípio da determinação de umidade em drogas vegetais pelo método gravimétrico. O princípio da determinação de umidade em drogas vegetais pelo método gravimétrico se baseia na perda de massa que ocorre quando a amostra é submetida a um processo de secagem controlado. Assume-se que essa perda de massa é primariamente devida à evaporação da água presente na amostra. b. Exemplifique a utilização deste método. 1. Pesagem Inicial: Uma quantidade precisamente conhecida da droga vegetal é pesada em um recipiente previamente tarado (peso conhecido). 2. Secagem: A amostra é então submetida a um processo de secagem em condições controladas, geralmente envolvendo uma temperatura específica (por exemplo, 105 °C, conforme especificado em muitas farmacopeias) por um período de tempo determinado ou até atingir peso constante. Peso constante é definido como a ausência de variação significativa na massa entre pesagens sucessivas. 3. Resfriamento: Após a secagem, o recipiente contendo a droga vegetal seca é resfriado em um dessecador para evitar a reabsorção de umidade do ambiente. 4. Pesagem Final: A massa do recipiente com a droga vegetal seca é novamente determinada com precisão. 5. Cálculo da Perda de Massa: A diferença entre a massa inicial da droga úmida e a massa final da droga seca representa a quantidade de umidade perdida. 6. Expressão do Resultado: A umidade é geralmente expressa como uma porcentagem da massa inicial da droga vegetal. RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ 3. Prospecção fitoquímica: a. Descreva o procedimento de extração e identificação de heterosídeos cianogênicos em uma amostra vegetal e como a presença de cianeto é confirmada. Os heterosídeos cianogênicos são metabólitos secundários presentes em diversas espécies vegetais, que, mediante hidrólise enzimática ou ácida, liberam ácido cianídrico (HCN), uma substância altamente tóxica. A extração e identificação desses compostos envolvem etapas cuidadosas para evitar a perda de cianeto e garantir a segurança durante o manuseio. 1. Extração dos Heterosídeos Cianogênicos: O procedimento de extração visa solubilizar os heterosídeos cianogênicos presentes na matriz vegetal, minimizando a hidrólise prematura e a perda de cianeto. 1. Preparo da Amostra: A amostra vegetal fresca ou seca e moída é utilizada. Caso a amostra seja seca, pode ser necessário reidratá-la ligeiramente para facilitar a ação das enzimas endógenas durante uma etapa posterior (se desejado). 2. Inativação Enzimática (Opcional, mas recomendado para evitar hidrólise durante a extração): Para evitar a hidrólise dos heterosídeos pelas enzimas β-glicosidases presentes na planta durante a extração, pode-se realizar uma inativação enzimática prévia. Isso pode ser feito aquecendo a amostra em água fervente ou etanol a quente por um curto período de tempo. 3. Extração com Solvente: Os heterosídeos cianogênicos são geralmente extraídos com solventes polares, como etanol aquoso (70-80%) ou metanol aquoso. A extração pode ser realizada por maceração sob agitação por um período de tempo adequado (por exemplo, algumas horas ou durante a noite) à temperatura ambiente ou levemente aquecida (abaixo da temperatura de ebulição do solvente para evitar perdas de cianeto, caso alguma hidrólise ocorra). 4. Filtragem: O extrato bruto é filtrado para remover partículas sólidas. 5. Concentração (Opcional): O filtrado pode ser concentrado sob pressão reduzida e temperatura controlada para remover o excesso de solvente. A concentração deve ser feita com cuidado para evitar a perda de compostos voláteis, incluindo o cianeto que pode ser liberado por hidrólise residual. 6. Purificação Parcial (Opcional): O extrato concentrado pode ser submetido a etapas de purificação para remover interferentes, como partição líquido-líquido com solventes de diferentes polaridades. 2. Identificação dos Heterosídeos Cianogênicos e Confirmação da Presença de Cianeto: A identificação dos heterosídeos cianogênicos pode envolver métodos cromatográficos (como HPLC) e espectroscópicos (como LC-MS) para determinar a estrutura específica do glicosídeo presente. No entanto, a confirmação da presença de cianeto liberado é crucial paracaracterizar esses compostos. Vários testes químicos podem ser utilizados para detectar a presença de cianeto: a) Teste do Papel de Picrato de Sódio: Este é um teste clássico e sensível para a detecção de cianeto liberado. 1. Preparo do Papel de Picrato: Tiras de papel de filtro são embebidas em uma solução saturada de ácido pícrico e, em seguida, em uma solução de carbonato de sódio a 10%. As tiras são secas, adquirindo uma cor amarela. 2. Procedimento: Uma pequena quantidade da amostra vegetal (fresca ou reidratada) é colocada em um tubo de ensaio. Algumas gotas de água ou uma solução enzimática (por RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ exemplo, emulsão de amêndoas amargas contendo β-glicosidase) são adicionadas para promover a hidrólise dos heterosídeos. Uma tira de papel de picrato de sódio umedecida é suspensa na boca do tubo, sem tocar o conteúdo. O tubo é então fechado e deixado em repouso por algumas horas (em temperatura ambiente ou levemente aquecido). 3. Resultado Positivo: A presença de cianeto é indicada pela mudança de cor do papel de picrato de amarelo para vermelho-tijolo ou marrom-avermelhado. A intensidade da cor é proporcional à quantidade de cianeto liberado. b) Teste com Sulfato Ferroso e Hidróxido de Sódio (Formação de Azul da Prússia): Este teste envolve a formação de ferrocianeto, que reage com íons férricos para formar o azul da Prússia. 1. Procedimento: Uma porção da amostra vegetal é triturada com água. Adiciona-se solução de sulfato ferroso (FeSO₄) e hidróxido de sódio (NaOH). Aquece-se a mistura suavemente e acidifica-se com ácido clorídrico (HCl). Adiciona-se uma solução de cloreto férrico (FeCl₃). 2. Resultado Positivo: A formação de um precipitado ou coloração azul intenso (azul da Prússia) indica a presença de cianeto. c) Testes Cromatográficos: A cromatografia em camada delgada (CCD) ou HPLC podem ser utilizadas para separar os heterosídeos cianogênicos presentes no extrato. A identificação pode ser feita por comparação com padrões de referência ou por detecção com reagentes específicos após a separação. Para confirmar a liberação de cianeto, o eluente da cromatografia pode ser direcionado para um sistema de detecção de cianeto. d) Espectrometria de Massas (MS): Técnicas como LC-MS podem ser utilizadas para identificar os heterosídeos cianogênicos com base em sua massa molecular e padrões de fragmentação. A detecção de íons específicos relacionados ao cianeto ou aos fragmentos característicos dos heterosídeos pode confirmar sua presença. b. Qual é a importância da hidrólise enzimática na detecção de heterosídeos cianogênicos e quais são os sinais visuais ou químicos que indicam uma reação positiva? A hidrólise enzimática desempenha um papel crucial na detecção de heterosídeos cianogênicos porque: 1. Liberação do Cianeto Tóxico: Os heterosídeos cianogênicos em sua forma intacta geralmente não são tóxicos. A toxicidade surge quando esses compostos são hidrolisados, liberando ácido cianídrico (HCN), que é altamente venenoso. A hidrólise enzimática, catalisada por enzimas β-glicosidases presentes na própria planta ou adicionadas externamente (como a emulsão de amêndoas amargas contendo amigdalase), é a principal via pela qual o cianeto é liberado dos heterosídeos. 2. Simulação de Processos Naturais: A hidrólise enzimática simula o que pode ocorrer quando o tecido vegetal é danificado (por exemplo, por mastigação de um herbívoro), permitindo o contato entre o heterosídeo e a enzima armazenados em compartimentos celulares separados. Essa interação leva à liberação de cianeto como um mecanismo de defesa da planta. 3. Base para Testes de Detecção: Muitos testes químicos para heterosídeos cianogênicos se baseiam na detecção do cianeto liberado após a hidrólise enzimática. Sem essa etapa, os testes diretamente para o heterosídeo podem ser mais complexos e menos sensíveis. b. Sinais Visuais ou Químicos que Indicam uma Reação Positiva RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ Os sinais visuais ou químicos que indicam uma reação positiva para a presença de heterosídeos cianogênicos, após a hidrólise enzimática e a aplicação de testes específicos para cianeto, incluem: • Teste do Papel de Picrato de Sódio: A mudança de cor do papel de picrato de sódio de amarelo para vermelho-tijolo ou marrom-avermelhado é um sinal visual positivo. A intensidade da cor está relacionada à concentração de cianeto liberado. • Teste com Sulfato Ferroso e Hidróxido de Sódio (Azul da Prússia): A formação de um precipitado ou coloração azul intenso (azul da Prússia) após a acidificação e adição de cloreto férrico indica a presença de cianeto. • Detecção Cromatográfica: Em métodos cromatográficos, a detecção de um composto com o tempo de retenção correspondente a um padrão de heterosídeo cianogênico, juntamente com a confirmação da liberação de cianeto do eluente, é um sinal positivo. • Espectrometria de Massas: A identificação de íons moleculares e fragmentos característicos do heterosídeo cianogênico e/ou de produtos da sua decomposição, incluindo fragmentos relacionados ao cianeto, é um indicativo positivo. RELATÓRIO DE AULAS PRÁTICAS ENSINO DIGITAL RELATÓRIO 02 DATA: ______/______/______ REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS: HARBORNE, J. B. (1998). Phytochemical Methods: A Guide to Modern Techniques of Plant Analysis. 3rd ed. Chapman and Hall. HOSTETTMANN, K., Hamburger, M., Hostettmann, M., & Gupta, M. P. (2017). Introduction to Phytochemistry. CRC Press. TREASE, G. E., & Evans, W. C. (2009). Trease and Evans' Pharmacognosy. 16th ed. Saunders/Elsevier. SILVA, J. R. F. da; Agra, V. L. G. Farmacognosia. 2ª Edição. Editora da UFPB, 2006 FARMACOGNOSIA. Jorge R. F. da Silva e Vera L. G. Agra. 2ª Edição. Editora da UFPB, 2006 HONDA, A.; Fiorucci, M. C. S. Introdução à Fitoquímica. EDUEM, 2007 SIMÕES, C. M. O.; Schenkel, E. P.; Gosmann, G.; Mello, J. C. P. de; Mentz, L. A.; Petrovick, P OBSERVAÇÃO: FOTOS INSERIDAS SOMENTE DAS AULAS PRÁTICAS REALIZADAS NO POLO, OS DEMAIS TÓPICOS SEM FOTOS NÃO FOI REALIZADA AULA PRÁTICA.