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A EDUCAÇÃO INCLUSIVA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19
Daniela Santos Souza do Carmo1
RESUMO
A pandemia trouxe desafios a serem enfrentados pela educação para a continuidade da oferta do
ensino. O ensino remoto foi a solução encontrada para que as escolas permanecessem oferecendo
aulas e atividades aos alunos. Naquele período, a educação inclusiva tornou-se um desafio para os
professores, pois era preciso continuar ofertando educação de qualidade para todos desse público,
objetivando assegurar as aprendizagens dos alunos, mesmo em momento delicado como o
pandêmico. Neste viés, a presente pesquisa tem como objetivo compreender como as escolas
trabalharam a educação inclusiva durante a pandemia da Covid-19. A metodologia utilizada para o
desenvolvimento desta pesquisa foi a de revisão bibliográfica, na qual utilizou-se de publicações
científicas para embasar a discussão proposta.
Palavras-chave: Covid-19. Educação Inclusiva. Pandemia.
ABSTRACT
The pandemic brought challenges to be faced by education in order to continue offering education.
Remote teaching was the solution found so that schools could continue offering classes and activities
to students. In that period, inclusive education became a challenge for teachers, as it was necessary
to continue offering quality education to everyone in this audience, aiming to ensure students' learning,
even in a delicate moment like the pandemic. In this sense, this research aims to understand how
schools worked on inclusive education during the Covid-19 pandemic. The methodology used to
develop this research was bibliographic review, in which scientific publications were used to support
the proposed discussion.
KEYWORDS: Covid-19. Inclusive education. Pandemic.
INTRODUÇÃO
Em 2020, a pandemia causada pela Covid-19 levou todos os setores da
sociedade a se adequarem para evitar o aumento de casos de infectados. A
educação foi uma das áreas da sociedade que precisou buscar meios para continuar
na ativa. Com isso, os professores, junto a equipe pedagógica, tiveram que
1
encontrar estratégias que atendessem aos alunos, principalmente os da educação
inclusiva.
A Educação Inclusiva é fruto de muitas lutas ao longo do século XX, a partir
de reivindicações de pais que buscavam direitos para seus filhos. Ela propõe que o
ensino busque assegurar a igualdade e inclusão para o público que atende, como
Sala de Recursos, atendimento com profissionais especializados, estratégias que
atendam as aprendizagens desse público e formação continuada dos educadores.
No entanto, com a pandemia, a educação inclusiva precisou adequar-se à realidade
de ensino por mediação tecnológica, visando assegurar o conhecimento aos alunos
dela.
Neste viés, a presente pesquisa tem como objetivo compreender como as
escolas trabalharam a educação inclusiva durante a pandemia da Covid-19. Os
objetivos específicos são: Analisar os impactos da covid-19; Apresentar a
importância da educação inclusiva; Apontar estratégias utilizadas por professores da
educação inclusiva durante a pandemia.
A metodologia utilizada para o desenvolvimento desta pesquisa foi a de
revisão bibliográfica, na qual utilizou-se de publicações científicas para embasar a
discussão proposta. Foram utilizados artigos publicados durante a pandemia, haja
vista que eles foram fundamentais para compreender a educação inclusiva durante
o referido período.
Esta pesquisa justifica-se por ser de cunho acadêmico, pois espera-se que
contribua com a formação acadêmica de forma crítica e reflexiva quanto à
importância do tema estudado, da mesma forma que espera-se que sirva para
outros estudantes acadêmicos como forma de referência bibliográfica.
A PANDEMIA DA COVID – 19
No final de 2019 o mundo começou a ter notícias de um vírus que já estava se
manifestando em pessoas na cidade de Wuhan, na China. No início de 2020 as
autoridades chinesas alertaram sobre a disseminação do novo Coronavírus. Em
janeiro do mesmo ano, a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou o novo
Coronavírus como uma situação de emergência internacional. Em 11 de março de
2020, a COVID-19 foi caracterizada pela OMS como uma pandemia. O termo
“pandemia” se refere à distribuição geográfica de uma doença e não à sua gravidade
(OPAS, 2020).
Quanto ao novo Coronavírus, a doença relacionada à ela é denominada
Covid-19. Os sintomas começam de forma gradual e variam por pessoa infectada,
podendo apresentar febre, dor de cabeça, cansaço, perda do olfato e paladar,
diarreia e tosse seca. Segundo a OMS (2020), a maioria das pessoas (cerca de
80%) se recupera da doença sem precisar de tratamento hospitalar. Uma em cada
seis pessoas infectadas por COVID-19 fica gravemente doente e desenvolve
dificuldade de respirar. Todas as pessoas infectadas podem apresentar gravidade da
doença, mas os idosos e pacientes com problemas respiratórios, cardíacos, de
pressão e câncer devem ter maiores cuidados para evitar infecção.
O mundo precisou adequar-se à pandemia, as pessoas precisaram seguir
cuidados de higiene estabelecidos e orientados pela OMS, como usar máscara,
álcool em gel e manter distanciamento, com o objetivo de evitar a disseminação do
vírus entre as pessoas. Todos os setores da sociedade precisaram aderir ao novo
normal, fosse no âmbito econômico, político e social. Na área da educação,
notoriamente, a pandemia veio para mostrar as desigualdades sociais de parcela
dos estudantes e as diversas possibilidades de uso de novas tecnologias no
processo de ensino-aprendizagem.
A escola é um espaço de conhecimento, a qual forma cidadãos que devem
ser críticos e conscientes, também é palco de relações sociais, ou, poderíamos
dizer, socioespaciais (FELIX, NASCIMENTO e SILVA, 2020, p. 2). No entanto, o
ensino da educação básica precisava repensar como interagir com os alunos de
forma que envolvesse ainda mais o uso das novas tecnologias, uma vez que as
mesmas fazem parte do uso cotidiano da sociedade.
A pandemia trouxe desafios a serem enfrentados pela educação para a
continuidade da oferta do ensino. O ensino remoto foi a solução encontrada para
que as escolas permanecessem oferecendo aulas e atividades aos alunos. A
utilização do ensino remoto no Brasil deu-se através de vários desafios que os
professores e alunos tiveram que enfrentar. Por um lado, parcela dos docentes não
estavam acostumados com as novas tecnologias em sala de aula e não tinham
qualificação para tal. Por outro lado, as desigualdades sociais mostraram que uma
parcela significativa dos alunos não tinha equipamentos tecnológicos para assistir às
https://www.paho.org/pt/index.php?option=com_content&view=article&id=6120:oms-afirma-que-covid-19-e-agora-caracterizada-como-pandemia&Itemid=812
aulas e fazer as atividades, como celular, computador e acesso à internet. De acordo
com Felix, Nascimento e Silva (2020, p. 2):
A forma como se deu a instauração do ensino remoto, sem um planejamento
prévio, sem discussão acerca de sua aplicação, sem uma preparação dos
profissionais envolvidos, sobretudo os mais interessados, os professores, trouxe
consigo uma série de dificuldades que evidenciam a falta de preparação do
sistema educacional brasileiro, sobretudo em momentos de crise como este.
A rotina da educação teve que adequar-se. O uso das tecnologias passou a
ser ainda mais presente através de aulas ministradas por plataformas digitais, a
exemplo do Google Meet, por meio de internet e uso de celulares e computadores.
No entanto, o uso da tecnologia na educação já vem sendo discutido e inserido nos
últimos anos na área educacional.
As tecnologias dão a possibilidade de romper com o ensino tradicional,
voltado apenas para decorar os conteúdos e uso único do livro didático. Por meio
dela é possível que o professor desenvolva o processo de ensino com jogos online,
pesquisas, museus virtuais, aplicativos educativos, sites educativos confiáveis,
vídeos, filmes e músicas que contribuam para a aprendizagem dos alunos, além de
possibilitar práticas sociaisdentro das salas de aula. Assim, as tecnologias podem
proporcionar boas contribuições no espaço escolar.
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA
A educação inclusiva é fruto de muitos movimentos em prol da inclusão,
acesso e permanência nas escolas, políticas públicas educacionais e igualdade. A
educação é relevante no processo de formação dos indivíduos, contribuindo para o
desenvolvimento afetivo, cognitivo, social, motor e das aprendizagens, além de
qualificar para o mercado de trabalho e ter acesso ao conhecimento científico.
“A educação especial ou educação inclusiva corresponde ao ensino voltado
para pessoas com deficiências físicas, auditivas, visuais, intelectuais e múltiplas,
transtornos do desenvolvimento, altas habilidades e superdotação” (ANDRADE,
2021, p. 3). “A inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais, em
classes comuns, exige que a escola regular se organize de forma a oferecer
possibilidades objetivas de aprendizagem a todos os alunos” (CASSIMIRO, 2022, p.
4).
No entanto, mesmo diante da conquista de Leis, Resoluções e Decretos,
“verifica-se que a educação inclusiva, não caracteriza definições fechadas, ela
simplesmente acontece de forma gradual, coletiva e colaborativa podendo atender
alunos, os beneficiando da aprendizagem” (CAMARGO et. al. 2017, p. 3). Há muitos
desafios a serem enfrentados na educação inclusiva, que ainda influencia na
qualidade de oferta de educação e inclusão das pessoas com deficiência no
ambiente escolar.
A educação inclusiva traz consigo a perspectiva de um ensino pautado na
inclusão das pessoas com deficiência, compreendendo-as como sujeitos de direito e
convívio social, podendo assegurar as aprendizagens e desenvolver as habilidades
que são propostas pelos educadores em sala de aula, os quais devem buscar
trabalhar com práticas pedagógicas, ações e atividades que visem a inclusão dos
deste público no processo de ensino e aprendizagem.
Para Diniz (et. al. 2018, p. 2):
É de grande importância a oportunidade de poder descrever este trabalho
como uma atividade significativa para a prática pedagógica do professor, em
que estes devem estar preparados para promover a inclusão e conscientes
dos diferentes públicos que vão enfrentar no ambiente da sala de aula.
Ao buscar incluir os alunos com necessidades especiais nas aulas, o
professor contribui para a ampliação da formação humana, a socialização, amplia as
igualdades e respeita os direitos e os deveres individuais dos alunos. “Promover a
inclusão hoje, é um grande desafio em nossa sociedade, pois vivemos em uma
época que o respeito às diferenças têm surgido como uma reivindicação por uma
sociedade mais justa e igualitária para todos” (DINIZ, 2018, p. 5).
Para uma educação inclusiva efetiva, a escola necessita ter uma postura
pedagógica pautada no respeito, na inclusão e igualdade, visando o respeito às
diferenças, para isso, é necessário que os currículos sejam adaptáveis e flexíveis,
com recursos tecnológicos e professores que saibam mediar as aprendizagens dos
alunos.
A EDUCAÇÃO INCLUSIVA DURANTE A PANDEMIA DA COVID-19
A pandemia afetou diretamente a educação, a qual não estava preparada
para a situação de adaptação imediata. Parcela das escolas enfrentaram
dificuldades, uma vez que o ensino remoto exige organização dos horários das
aulas, atividades impressas entregues aos alunos, pais ou responsáveis para serem
respondidas em casa, além de vídeos e áudios disponibilizados em grupos do
aplicativo whatsapp das turmas e das escolas.
Para os professores que atuam na educação inclusiva, a situação não foi fácil,
sua função foi além do planejamento pedagógico, pois naquele momento também foi
“necessário que o docente tenha conhecimentos básicos sobre edição e postagem
de vídeos, postagem etc” (NASCIMENTO, FELIX, SILVA, 2020, p. 3). Segundo o
Ministério da Educação (2021):
A realização de reuniões para planejamento, coordenação e monitoramento
das atividades foi a estratégia mais adotada pelos professores para dar
continuidade ao trabalho a suspensão das aulas presenciais, no Brasil. Na
sequência, está a reorganização ou a adaptação do planejamento ou do
plano de aula, com o objetivo de priorizar habilidades e conteúdos
específicos.
Dessa forma, as aulas passaram a ser ministradas por plataformas online,
especialmente Google meet. Através da plataforma meet, os professores geravam
links e enviavam para os alunos, os quais tinham acesso às aulas, assistindo-as
com a interação dos outros colegas e medicação dos educadores, isso buscava
contribuir com a formação e assegurar as aprendizagens dos alunos da educação
inclusiva. Segundo o Ministério da Educação (2021):
A comunicação direta entre aluno e professor (e-mail, telefone, redes sociais
e aplicativo de mensagem) foi a estratégia mais adotada para manter
contato e oferecer apoio tecnológico junto aos estudantes. Em seguida, está
o uso desses canais de comunicação com a escola. Depois, vêm a
disponibilização de equipamentos, como computador, notebooks, tablets e
smartphones aos estudantes; e o acesso gratuito ou subsidiado à internet
em domicílio.
No entanto, a situação mostrou a realidade de desigualdade social que assola
o país. Muitos alunos não conseguiam assistir às aulas em decorrência da falta de
um aparelho celular, notebook ou acesso à internet. Para os alunos da educação
inclusiva das zonas rurais, quilombos, aldeias e periferia, essa realidade foi ainda
mais exposta. Com isso, o ensino híbrido não foi de acesso de todos, como ocorre
em aulas presenciais nas escolas. Para que os alunos não ficassem sem aula,
algumas escolas buscaram:
alternativas para manter o contato com os alunos, alternativas como serviço
“delivery” de atividades, no qual os professores e funcionários de algumas
escolas levam atividades aos alunos em sua própria casa, para manter o
contato da escola com estes e manter o desenvolvimento das atividades
(NASCIMENTO, FELIX, SILVA, 2020, p. 3).
A educação inclusiva tornou-se um desafio durante a pandemia porque os
professores precisaram se adequar com metodologias ativas que estivessem dentro
das suas realidades sociais e econômicas. É preciso destacar que a educação
inclusiva é relevante para a sociedade e durante a pandemia foi necessária para a
formação dos estudantes, pois, a partir dela, puderam continuar estudando e
adquirindo conhecimento, mesmo que de forma remota.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A educação é essencial na vida dos indivíduos, independentemente de ser
ministrada em condições mais precárias ou com todos os materiais e equipamentos
acessíveis. A educação tem o poder imensurável de transformar positivamente a
vida das pessoas. Mesmo com a pandemia e todas as consequências,
principalmente relacionadas às pessoas infectadas e aos óbitos, a educação não
parou, mas, sim, continuou ativa se adaptando para atender o alunado.
Naquele período delicado vivenciado pela sociedade, os professores que
atuam com educação inclusiva enfrentaram muitos desafios, pois muitas vezes não
sabiam como lidar com os alunos de forma a ajudar nas suas aprendizagens. No
entanto, os recursos tecnológicos foram fundamentais para a mediação do
conhecimento e as diferentes estratégias metodológicas que puderam utilizar para
que as aulas e atividades fossem desenvolvidas para este público.
REFERÊNCIAS
ANDRADE, S. Saiba o que é educação especial e como é sua escola pode
começar a aplicá-las. Artigo. 2021.
BRASIL. Pandemia COVID-19. Organização Pan-Americana de Saúde. 2020.
ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Pandemia Covid-19. Ministério da
Educação. 2020.
CAMARGO, L. F. Perspectivas sobre a educação inclusiva: um desafio possível.
EDUCERE, 2017.
CASSIMIRO, P. R. Educação Especial. Artigo. 2022.
DINIZ, F. E. et. al. Educação inclusiva: desafios e possibilidades. Artigo. 2018.
FELIX, P. W. S. de. A.; NASCIMENTO, L. F. A. do.; SILVA, M. J. S. da. Ensino
remoto e educação geográfica em tempos de pandemia. Artigo. 2020.

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