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W BA 07 66 _v 1. 0 MATERIAIS POLIMÉRICOS 2 Renato Matroniani Londrina Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019 Materiais Poliméricos 1ª edição 3 2019 Editora e Distribuidora Educacional S.A. Avenida Paris, 675 – Parque Residencial João Piza CEP: 86041-100 — Londrina — PR e-mail: editora.educacional@kroton.com.br Homepage: http://www.kroton.com.br/ Presidente Rodrigo Galindo Vice-Presidente de Pós-Graduação e Educação Continuada Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Carolina Yaly Giani Vendramel de Oliveira Juliana Caramigo Gennarini Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Camila Braga de Oliveira Higa Revisor João Paulo Manfré Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Daniella Fernandes Haruze Manta Hâmila Samai Franco dos Santos Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) _________________________________________________________________________________________ _ Matroniani, Renato M433m Materiais poliméricos/ Renato Matroniani, Fabio Calheiros Caires – Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A. 2019. 130 p. ISBN 978-85-522-1614-8 1. Polímeros. 2. Estruturas e planos cristalinos. I. Matroniani, Renato. II. Caires, Fabio Calheiros. Título. CDD 620 ____________________________________________________________________________________________ Thamiris Mantovani CRB: 8/9491 © 2019 por Editora e Distribuidora Educacional S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Editora e Distribuidora Educacional S.A. SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________________________05 Introdução e Fundamentos de Polímeros ___________________________________07 Fundamentos de reologia de polímeros no estado fundido e propriedades viscoelásticas de polímeros _________________________________________________27 Estrutura e propriedades de compósitos poliméricos e blendas poliméricas _______________________________________________________44 Propriedades mecânicas dos materiais poliméricos. Física de polímeros (mecanismos de deformação plástica e de fratura de polímeros) __________61 Aditivação em polímeros. Tipos de aditivos e funções ___________________ 80 Fundamentos dos processos de fabricação (obtenção) de materiais poliméricos (plásticos, elastômeros e compósitos poliméricos) __________________________100 Técnicas de transformação e aplicações (extrusão, moldagem por injeção, sopro de filmes, termoformagem, fiação, imersão, calandragem ___________117 MATERIAIS POLIMÉRICOS 5 Apresentação da disciplina A disciplina Materiais Poliméricos faz parte do estudo dos materiais. Ao contrário dos outros grandes grupos de materiais, os materiais metálicos e os materiais cerâmicos, o estudo dos materiais poliméricos possui pouco mais de um século. O estudo desse grupo de materiais é de grande importância, pois além de contribuir com a formação de compósitos com outros materiais, os polímeros possuem a característica de serem leves, ou menos densos, o que traz vantagens como a redução do peso de partes de determinados equipamentos e, consequentemente, redução de custos. Outra grande vantagem é a facilidade de moldagem ou conformação de peças de diferentes formas, devio às baixas temperaturas de amolecimento e fusão, se comparado com os metais e as cerâmicas. A disciplina Materiais Poliméricos está dividida em sete grandes temas. Na fundamentação de polímeros, são apresentados os conceitos, classificação, polimerização e copolimerização dos polímeros. A Reologia estuda a deformação das substâncias, por meio da resposta desta a uma tensão ou deformação aplicada sobre ela. Por isso, serão estudados os fundamentos de reologia de polímeros no estado fundido e propriedades viscoelásticas de polímeros. Para estudar os compósitos e blendas de qualquer tipo de material, serão conceituados o que são compósitos e o que são blendas, pois ambos podem trazer confusão, uma vez que tanto para compósitos quanto para blendas, trata-se de misturas de materiais. Conhecer as propriedades mecânicas dos materiais poliméricos é muito relevante, porque existe uma busca incessante por resistência mecânica elevada com baixa densidade, e muitos materiais vêm sendo desenvolvidos com esse objetivo. A finalidade é o uso de menor quantidade de material e, dependendo da aplicação, menores gastos com combustíveis e facilidades construtivas. O conhecimento sobre os tipos e funções de aditivos utilizados em polímeros é de extrema importância, pois exercem uma importante 6 função na ampliação da faixa de utilização dos materiais poliméricos. Para finalizar a disciplina, estudados os fundamentos dos processos de obtenção de materiais poliméricos (plásticos, elastômeros e compósitos poliméricos) e as técnicas de transformação e aplicações, conhecendo as características de cada um dos processos de transformação de materiais poliméricos. Bons estudos a todos! Introdução e Fundamentos de Polímeros Autor: Fábio C. Caires Objetivos • Conhecer os conceitos fundamentais dos materiais poliméricos. • Adquirir conhecimento sobre os tipos de polímeros, classificações e estrutura. • Identificar e estudar as principais diferenças nas classificações de polímeros. 8 1. Introdução Os materiais poliméricos dividem com os materiais cerâmicos e os materiais metálicos o protagonismo das aplicações de engenharia nos dias de hoje, porém, não há duvidas da crescente relevência e da distante estagnação das possibilidades de uso relacionados aos materiais poliméricos, principalmente quando comparados aos seus pares. O tema abordado nesta Leitura Fundamental é de extrema importância para o entendimento da natureza dos polímeros e da versatilidade crescente de suas aplicações. PARA SABER MAIS No primeiro capítulo do livro de Callister Jr. e Rethwisch (2016), Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução, você pode estudar sobre os tipos de materiais e entender melhor alguns aspectos que serão expostos no decorrer do módulo. 2. Fundamentos de polímeros As moléculas nos polímeros são muito maiores quando comparadas com as moléculas de um hidrocarboneto, por exemplo, e em função de seu tamanho são chamados frequentemente de macromoléculas ou macrocadeias. Estas moléculas são muito longas e são compostas das unidades estruturais que se repetem sucessivamente ao longo das chamadas cadeias poliméricas e podem ser chamadas de meros. 9 O mero tem origem da palavra grega meros, que significa parte; desta forma, o termo polímero também vai derivar da mesma origem e, quando composta com o termo poli, significa muitos meros. Desta forma, o termo monômero é usado para definir a (as) molécula (as) que compõem um único mero. A imagem da Figura 1 demonstra um exemplo deste caso. Figura 1 – Estrutura química do monômero e polímero PMMA (PoliMetil Metacrilato) Fonte: Molekuul/iStock.com. Alguns polímeros chamados de naturais, são derivados de plantas e animais, tais como, madeira, borracha, algodão, lã, couro e seda. Outros polímeros naturais, como proteínas, enzimas, amidos e a celulose são de fundamental importância em processos biológicos e fisiológicos nos animais e plantas. 10 Outros polímeros são sintetizados a partir de moléculas orgânicas pequenas, conhecidos como polímeros sintéticos, dentre eles temos as fibras,plásticos e borrachas. Os materiais poliméricos não são recentes, eles têm sido utilizados desde a Antiguidade, quando se empregavam os polímeros naturais, ou seja, aqueles encontrados na natureza, como os exemplos de polímeros naturais citados anteriormente. A síntese ou a obtenção industrial de materiais poliméricos são processos que contemplam diferentes tecnologias em função do grande conhecimento das reações químicas. Por isso, esta ciência só começou a ser dominada a partir da segunda metade do século XIX, e somente a partir do século XX, os processos de polimerização começaram a ser viabilizados economicamente. Observamos este fato em Canevarolo Jr. (2006), onde apresenta que até o final da Primeira Grande Guerra Mundial, todas as descobertas nesta área foram obtidas por acaso, por meio de regras empíricas. Desta forma, o início da década de 1920, mostrou-se um divisor de águas na síntese de materiais poliméricos. O mesmo autor destaca que foi quando o químico alemão Hermann Staudinger (prêmio Nobel em Química de 1953) o mecanismo da reação química de polimerização passou a ser identificado, permitido que pequenas moléculas se agrupem para formar as macrocadeias poliméricas. Uma dedução objetiva das avaliações históricas, observadas em Canevarolo Jr. (2006), levam a admitir que outro momento relevante na evolução da ciência dos materiais poliméricos foi a Segunda Guerra Mundial de 1939 a 1945, em virtude de seu papel no desenvolvimento de polímeros sintéticos devido ao alto investimento em materiais relacionados à indústria bélica e afins. 11 Na sequência, é possível identificar o aumento da ocorrência de polímeros nas indústrias de construção civil, automotiva, embalagens e outras de alta relevância na sociedade. 3. Monômeros e a molécula de polímeros Como já foi abordado, as moléculas de polímeros (macromoléculas) são muito maiores quando comparadas às moléculas de um hidrocarboneto e, em função de seu tamanho, assumem propriedades e aplicações muito singulares. Figura 2 – Exemplos de moléculas de hidrocarbonetos Fonte: Tereza Hanoldova/iStock.com. Uma molécula de polímero pode ser comparada com um macarrão instantâneo no qual as cadeias do macarrão se enroscam e permitem 12 um nível de emaranhamento. Dentro de cada molécula, os átomos são conectados por ligações interatômicas covalentes e, para a maioria de polímeros, estas moléculas estão na forma das cadeias longas e flexíveis nas quais a cadeia principal é uma cadeia de átomos de carbono. A medida que a cadeia aumenta de tamanho sua massa molecular aumenta e vai se tornando um material com novas propriedades e, consequentemente, novas aplicações como explicado no esquema a seguir: Figura 3 – Influência do tamanho da molécula CH4 • Metano. • MM:16 g/mol. • Gás. C5H12 • Pentano. • MM:72 g/mol. • Líquido. C18H38 • Parafina. • MM:254 g/mol. • Sólido. C100H202 • Polietileno de baixa densidade. • MM:1402g/mol. • Sólido. CxHy • Polietilenos comerciais. Fonte: elaborada pelo autor. 3.1 Monômeros Relembrando, monômeros são moléculas de baixo peso molecular que tem capacidade de reagir com moléculas iguais ou mesmo diferentes com o objetivo de formar cadeias maiores, que chamamos de polímeros. De acordo com Mano e Mendes (2004), para que uma molécula de baixo peso molecular possa ser usada como monômero, deve possuir duas características essenciais, a primeira é que sua estrutura química deve possuir funcionalidade pelo menos igual a dois, de forma que seus grupos funcionais permitam, ou possibilitem, o aumento da cadeia. Neste caso, se a funcionalidade do monômero seja igual a dois, o resultado é um polímero linear, mas no caso de a funcionalidade superior a dois, o polímero resultante apresentará uma estrutura ramificada. 13 De forma geral, os monômeros usam petróleo e gás natural como fontes de matéria-prima, porém, outras rotas alternativas, como os óleos e o carvão, além de novas tendências que buscam maior sustentabilidade, são as chamadas rotas verdes. É claro concluir que a utilização predominante do petróleo e do gás natural são em função, principalmente, de seu baixo custo de produção e à facilidade de transporte. Um exemplo é o etileno, um dos reagentes mais relevantes da indústria de polímeros, em que quase metade de sua produção é usada como monômero na síntese do polietileno, e a outra metade é usada na produção de outros importantes monômeros, tais como o cloreto de vinila, o acetato de vinila e o estireno. Esse monômero possui grande importância pela relevância comercial dos polímeros que derivam dele, conforme pode ser visto na Figura 4. Figura 4 – Polimeros derivados do etileno Et ile no + Catalisador Polietileno + Cloro Cloreto de Vinila PVC + Oxigênio + Água Etileno Glicol PET + Benzeno Estireno PS Fonte: elaborada pelo autor. Existem outros monômeros importantes, apresentados na Figura 5, que devem ser de seu conhecimento. 14 Figura 5 – Polímeros e monômeros Fonte: adaptada de chromatos/iStock.com. 3.2 Processos de obtenção de polímeros Os polímeros normalmente são classificados quanto às suas propriedades químicas, físicas e estruturais, entretanto, também podem ser divididos em grupos em função do tipo de reação utilizada em sua obtenção e quanto à técnica de polimerização empregada. Esses fatores são de extrema importância nas propriedades e nas características dos polímeros obtidos. Segundo Billmeyer Jr. (1984), em 1929, Carothers sugeriu uma classificação dos polímeros em dois grupos, como polímeros de adição, quando eles foram feitos de monômeros com uma ligação dupla entre dois átomos de carbono, ou polímeros de condensação, resultado de 15 uma reação que envolveu a eliminação de uma molécula pequena (H2O, NH3, etc). Figura 6 – Mecanismos de reação de polimerização por adição Fonte: elaborado pelo autor. Figura 7 – Mecanismos de reação de polimerização por condensação Fonte: elaborado pelo autor. Ainda segundo Billmeyer Jr. (1984), a distinção original de Carothers entre polímeros de adição e condensação foi alterada por Flory, que enfatizou os mecanismos pelos quais os dois tipos de polímeros são formados. Os polímeros de condensação são geralmente formados pela condensação intermolecular em etapas de grupos reativos; Polímeros de adição geralmente resultam de reações em cadeia envolvendo algum tipo de centro ativo. ASSIMILE Polimerização é a reação ou o conjunto de reações nos quais moléculas simples reagem entre si, formando uma macromolécula de alta massa molar. Em Canevarolo Jr. 16 (2006, p. 107), ocorre uma abordagem de forma bastante consistente dos critérios de classificação dos mecanismos de reação envolvidos na polimerização, dentre eles, o mais importante divide as reações em polimerizações em cadeias e em etapas, que correspondem, respectivamente, às poliadições e policondensações. Em resumo, o Quadro 1 apresenta características que podem diferenciar os dois tipos de mecanismos de polimerização. Quadro 1 – Características distintivas dos mecanismos de polimerização em cadeia e em etapas Polimerização em cadeias •Apenas a reação de crescimento adiciona unidades repetitivas, uma de cada vez, à cadeia. •A concentração de monômero diminui constantemente durante a reação. •O polímero de alta massa molecular (polímero alto) forma-se ao mesmo tempo; o peso molecular do polímero muda pouco ao longo da reação. •Longos tempos de reação resultam em altos rendimentos, mas afetam pouco o peso molecular. •A mistura de reação contém apenas monômero, alto polímero e cerca de parte das cadeias em crescimento. Polimerização em etapas •Quaisquer duas espécies moleculares presentes podem reagir. •O monômero desaparece no início da reação: quando o grau de polimerização é 10, resta menos de 1% de monômero. •O peso molecular do polímero aumenta constantemente durante a reação. •Longos tempos de reação são essenciais para obteraltos pesos moleculares. •Em qualquer estágio, todas as espécies moleculares estão presentes em uma distribuição calculável. Fonte: adaptado de Billmeyer Jr. (1984). 3.3 Técnicas de polimerização São consideradas quatro técnicas industriais empregadas na polimerização de um monômero: a polimerização em massa, em solução, em suspensão e em emulsão. Cada uma destas técnicas possui condições específicas, originando polímeros com características diferentes conforme descrito a seguir. 17 3.3.1 Polimerização em massa A polimerização em massa é uma técnica simples, homogênea, em que só o monômero e o iniciador estão presentes no sistema. Conforme Canervarolo Jr. (2006), a reação se inicia com o aquecimento, podendo ser verificada pelo aumento da viscosidade do meio. Logo, esta técnica é econômica, além de produzir polímeros com um alto grau de pureza. A maior vantagem deste arranjo é a qualidade do produto final, que, em função da presença predominante de monômeros e iniciadores, se faz livre de impureza. No entanto, sua desvantagem é a consequente dificuldade de controle térmico, pois a reação de polimerização exotérmica com grande geração de calor. 3.3.2 Polimerização em solução Para solucionar o problema de controle de temperatura na polimerização em solução, emprega-se um solvente somado ao monômero e ao iniciador, ainda formando um sistema homogêneo. Segundo Canevarolo Jr. (2006), no início, todos os componentes (monômero, iniciador e solvente) devem ser solúveis entre si, mas na sequencia da reação, ocorre a formação de um polímero que pode ou não ser solúvel no meio. O custo do solvente e o maior tempo de reação são consequências desta técnica. 3.3.3 Polimerização em emulsão A polimerização em emulsão é um processo heterogêneo que ocorre em meio aquoso e que, como consequência, exige vários aditivos com funções específicas como: emulsificante (geralmente um sabão), reguladores de acidez, reguladores de polimerização e ativadores. 18 Nesta polimerização, o emulsificante tem como objetivo formar micelas onde o monômero fica contido. Desta maneira, a reação de polimerização se processa dentro das micelas ativas, ao mesmo tempo que outras são inativas (gotas de monômeros), agindo como fonte de monômero. A polimerização em emulsão tem uma alta velocidade de reação e conversão, sendo de fácil controle de agitação e temperatura. Os polímeros obtidos por esta técnica, possuem altos pesos moleculares, mas são de difícil purificação devido aos aditivos usados. Na Figura 8, Canevarolo Jr (2006) traz um diagrama esquemático apresentando os componentes do meio reacional de uma polimerização por emulsão, são grandes gotas de monômero, micelas de surfactante vazias, iniciador solúvel em água e partículas de polímero envoltas por surfactante. Figura 8 – Polimerização por emulsão Fonte: Canevarolo Jr. (2006, p. 122). 3.3.4 Polimerização em suspensão A polimerização em suspensão é uma polimerização heterogênea, quando o monômero e o iniciador são insolúveis no meio dispersante, em geral, a água. Conforme Canevarolo Jr. (2006), como o uso de solventes traz 19 problemas econômicos ao processo, desenvolveu-se uma outra técnica na qual se usa a água como meio de transferência de calor. A polimerização ocorre em partículas em suspensão no solvente onde estão o monômero e o iniciador. A agitação do sistema assume papel muito importante nesta técnica, pois a velocidade de agitação pode definir o tamanho da partícula do polímero. Nesta técnica, além do monômero, iniciador e solvente, também são adicionados surfactantes, que auxiliam na suspensão do polímero formado, evitando a precipitação do polímero. 3.4 Grau de polimerização (n) Na fabricação do polímero, o monômero se repete n vezes, e a este número dá-se o nome de grau de polimerização. Matematicamente, podemos calcular o valor do grau de polimerização por meio da divisão do peso molecular médio da cadeia polimérica pelo peso molecular do monômero. Peso molecular médio da cadeia= Peso molecular do monômero n 3.5 Classificações de materiais poliméricos Devido à grande variedade de materiais poliméricos existentes, torna-se necessário selecioná-los em grupos que possuam características comuns, que facilitem a compreensão e estudo das propriedades desses materiais. Portanto, com este objetivo, os polímeros foram classificados de acordo com suas estruturas químicas, características de fusibilidade, comportamentos mecânicos, tipos de aplicações e escala de produção. 3.6 Tipo de estrutura química 20 Um polímero pode possuir um único tipo de monômero, confirgurando uma cadeia homogênea ou dois ou mais tipos de monômeros, tornando- se uma cadeia heterogênea. No caso de cadeia homogênea, o polímero é denominado homopolímero, e quando a cadeia for heterogênea com monômeros diferentes, o polímero é definido como copolímero. Ou seja, podemos classificar como homopolímero o polímero constituído por apenas um tipo de unidade estrutural repetida, como exemplo temos o PE (Polietileno), PS (Poliestireno), PVC (PoliCloreto de Vinila). São chamados de copolímero os polímeros formados por dois ou mais tipos de monômeros, por exemplo, o SAN (Poli Estirenoacrilonitrila), ABS (Poli Acrilonitrilabutadienoestireno), NBR (Borracha Nitrílica- Nitrilo Butadieno). Podemos subdividir os copolímeros em aleatórios (a), alternados (b), em bloco (c) e ramificados (d), como pode ser visto na Figura 9. Figura 9 – Tipos de cadeias de copolímeros Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 515). 21 3.7 Forma da estrutura química A cadeia polimérica pode apresentar formas diferentes de acordo com sua geometria molecular, segundo Callister Jr. e Rethwisch (2016) os polímeros podem ter cadeias: a. Lineares – A cadeia do polímero não possui ramificações. Essas longas cadeias são flexíveis e podem ser vistas como uma massa de espaguete, conforme representado esquematicamente na Figura 10-a, onde cada círculo representa um monômero. b. Ramificadas – O polímero se apresenta ramificado, ou seja, com pequenas cadeias laterais. As ramificações são consideradas parte da cadeia principal da molécula, e são resultados de reações colaterais que ocorrem durante a síntese do polímero. A eficiência da compactação da cadeia diminui com a formação de ramos laterais, como consequência, tem-se uma diminuição da densidade do polímero. c. Reticuladas – Os polímeros possuem estrutura tridimensional, onde as cadeias estão unidas por ligações químicas (ligações cruzadas). Em polímeros reticulados, cadeias lineares adjacentes são unidas umas às outras em várias posições por ligações covalentes, como representado na Figura 10-c. O processo de reticulação é alcançado durante a síntese ou por uma reação química não reversível que geralmente é realizada a uma temperatura elevada. d. Rede – Os polímeros formam redes tridimensionais e são denominados polímeros de rede. Na verdade, um polímero altamente reticulado pode ser classificado como um polímero de rede. Estes materiais possuem propriedades mecânicas e térmicas distintas; os epóxis e o fenol-formaldeído pertencem a este grupo. 22 Figura 10 – Formas de cadeias de polímeros Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 510). Importante reforçar que, geralmente, os polímeros não possuem apenas um tipo estrutural, pois, por exemplo, um polímero predominantemente linear pode ter algumas ramificações e reticulações limitadas. 3.8 Classificação quanto à fusibilidade Esta é uma classificação extremamente relevante ainda nos dias de hoje, pois, dependendo do comportamento dos polímeros quando submetidos ao calor (fusibilidade), são chamados por: • Termoplásticos – São polímeros que fundem ao serem aquecidos e que se solidificam ao serem resfriados e podem repetir este processo várias vezes. Ex.: PE (polietileno), PET (poli tereftalato de etileno), PA (poliamida). • Termorrígidos ou termofixos – São polímeros queformam ligações cruzadas ao serem aquecidos, desta forma, a reticulação 23 torna os polímeros infusíveis e insolúveis. Ex.: PU (poliuretano), Resina Baquelite, Resina Epoxi, NBR (borracha nitrilica). Esta classificação é muito importante para o entendimento dos processos de reciclagem e recuperação de polímeros, pois, como pode se deduzir, os termoplásticos são muito mais fáceis de serem reciclados do que os termofixos, sendo alvo de grande exploração no âmbito da sustentabilidade. 3.9 Classificação quanto à aplicação Da mesma forma, convenientemente podemos encontrar em vários autores, como Canevarolo Jr. (2006) e Mano e Mendes (2004), a classificação conforme a aplicação comum dos polímeros, dentre estas ressaltamos as seguintes: • Plásticos – São polímeros que se encontram estáveis nas condições normais de uso, mas que, em uma fase de sua fabricação, são amolecidos ou derretidos para serem conformados com auxílio de temperatura e pressão, ou ambos. Eles podem ser recuperados por meio do mesmo processo posteriormente Ex.: polietileno, polipropileno, poliestireno. • Elastômeros (ou borrachas) – São polimeros de origem natural ou sintética que, após sofrerem deformação sob a ação de uma força, retornam a sua forma original quando esta força é removida. Ex: Borracha nitrílica, poli (estireno-co-butadieno). • Fibras – São polímeros que assumen razão entre o comprimento e as dimensões laterais muito elevadas. Geralmente são formadas por macromoléculas lineares orientadas longitudinalmente para a formação de fios. Ex.: poliésteres, poliamidas (Nylon®) e poliacrilonitrila. 24 • Acabamentos de superfície, recobrimentos, tintas – São polímeros aplicados a recobrimentos de superfícies, tem base comum e normalmente são materiais termofixos, como tintas a base de resinas epóxi e poliuretano. • Adesivos – São materiais poliméricos nos quais, após o processo de cura ou de perda do solvente, promovem a adesão de duas superfícies, por exemplo, adesivos a base de acetato de polivinila (PVA – Cola branca) e adesivos à base de borracha de acrilonitrilo (NBR). TEORIA EM PRÁTICA Você trabalha em uma empresa de embalagens na qual a principal matéria-prima se enquadra nas chamadas poliolefinas, cuja principal fonte de monômeros são os combustíveis fósseis e, desta forma, são resultantes de fontes não renováveis. Este fato, por si só, indica a necessidade de buscar novas rotas de obtenção mais sustentáveis e alinhadas com os objetivos de preservação ambiental. Além disso, a dependência de combustíveis fósseis possui diversos detalhes econômicos e logísticos que sua empresa deseja revisar ou até mesmo alterar. Neste sentido, você está desafiado a realizar um estudo sobre as alternativas atuais e potenciais oportunidades de atender a esta demanda. Avalie os prós e os contras do uso de plásticos provenientes de combustíveis fósseis e suas alternativas com foco nos aspectos econômicos e estratégicos. Identifique o que já está acontecendo no mercado de polímeros sobre esta situação. 25 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Sobre a definição de polímeros, somente uma das afirmativas abaixo está correta, identifique: a. Todos os polímeros são plásticos. b. Todas as macromoléculas são borrachas. c. Todos os monômeros são polímeros. d. Todos os plásticos são polímeros. e. Todos os polímeros possuem ligações ramificadas. 2. Qual alternativa abaixo apresenta as formas de cadeia de um polímero: a. Retilínea, cristalina e enxertada. b. Enovelada, linear e tridimensional. c. Reticulada, linear e ramificada. d. Linear, amorfa e reticulada. e. Ramificada, iônica e covalente. 3. Os polímeros que podem ser classificados conforme seu comportamento sob ação de calor, qual alternativa abaixo representa o polímero que pode ser moldado várias vezes: a. Termofixos. b. Termoplásticos. c. Fibras. d. Adesivos. e. Elastômeros. 26 Referências Bibliográficas BILLMEYER JR, F. W. Textbook of Polymer Science. New York: J. Wiley, 1984. CALLISTER JR, W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais: uma introdução. 9. ed. LTC, Rio de Janeiro, 2016. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros, Um Texto Básico Para Tecnologos e Engenheiros. 2. ed. Editora ARTLIBER, 2006. MANO, E. B. Polímeros como Materiais de Engenharia. 2. ed. São Paulo: EDGARD BLUCHER, 994. MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução a polímeros. 2. ed. rev. e ampl. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. Gabarito Questão 1–Resposta d Resolução: como premissa de classificação conforme aplicação, podemos assumir que todos os plásticos são considerados um tipo de polímero. Questão 2–Resposta c Resolução: as ligações químicas dos polímeros podem se apresentar na forma linear, ramificada e reticulada. Questão 3–Resposta b Resolução: os polímeros que podem ser moldados e reciclados diversar vezes são chamados de termoplásticos. Fundamentos de reologia de polímeros no estado fundido e propriedades viscoelásticas de polímeros Autor: Renato Matroniani Objetivos • Fundamentar os conceitos de reologia de polímeros no estado fundido. • Apresentar a curva característica de viscoelasticidade de polímeros amorfos comuns. • Conhecer o comportamento viscoelástico dos polímeros. 28 1. Introdução à reologia e viscoelasticidade de materiais poliméricos Reologia é o campo da ciência que estuda a deformação das substâncias, por meio da resposta desta, que pode ser um material como um polímero, à uma tensão ou deformação aplicada sobre ele (BRETAS; D’ÁVILA, 2005). Os materiais poliméricos, segundo os mesmos autores, podem apresentar as seguintes características reológicas: • Serem materiais viscosos, quando todo o trabalho aplicado sobre o polímero é dissipado. • Serem materiais elásticos, quando todo o trabalho aplicado sobre o polímero é armazenado. • Serem materiais viscoelásticos, quando todo o trabalho aplicado sobre o polímero é dissipado e armazenado por este material. Um material dissipar ou armazenar trabalho pode ser comparado aqui, para fins de entendimento, como uma pilha recarregável. Quando fornecemos energia à esta, ela pode armazenar essa energia, assim como os materiais elásticos, ou fornecer (dissipar) essa energia para outro equipamento, como os materiais viscosos. O mais interessante é quando o material apresenta as duas características ao mesmo tempo: de dissipar e armazenar, dependendo de sua resposta a um estimo externo, que veremos neste estudo. Os polímeros, tanto no estado sólido, qaunto em solução ou fundidos, apresentam viscoelasticidade, pois são materiais de elevado peso molecular. Além disso, é de grande importância o estudo do comportamento viscoelástico dos polímeros, visto que, de forma geral, todos os materiais poliméricos passam por processos de transformação em seu estado sólido, líquido ou fundido. 29 2. Reologia de materiais poliméricos no estado fundido Para entendermos o comportamento reológico dos materiais poliméricos, primeiramente é necessário entender que os polímeros são materiais de elevado peso molecular, pois são formados por muitas partes, que chamamos de meros, que são derivados de uma molécula original. Por exemplo, o polietileno é formado por vários meros de etileno que inicialmente eram moléculas chamada eteno. Pode-se citar, ainda, o PVC, também conhecido como o poli cloreto de vinila (polyvinyl chloride). Ele é polimerizado a partir do cloreto de vinila (vinyl chloride), conforme a Figura 1: Figura 1 – Monômero poli cloreto de vinila e representação esquemática do poli cloreto de vinila Fonte: Bacsica/iStock.com. De acordo com Bretas e D’Ávila (2005), a reação entre os monômeros se torna um processo estatístico, onde as moléculas poderão ter baixo, 30 médio ou alto peso molecular, o que é chamado de DPM (Distribuição de Pesos Moleculares). A partir do momento que o processo se torna estatístico (BRETAS; D’ÁVILA, 2005), podemos, a partir da massa molar de cada molécula – que podeser obtido a partir de técnicas indiretas de laboratório – calcular o peso molecular médio deste polímero, por meio das seguintes equações (em todas as equações representa o número de moléculas de massa ): • Peso molecular médio numérico, onde cada molécula é contada para o cálculo, independente de sua massa, conforme Equação 1: (Eq. 1) • Peso molecular médio ponderal, onde a massa de cada molécula tem peso quadrático sobre o cálculo, conforme Equação 2: (Eq. 2) • Peso molecular z-médio, calculado conforme Equação 3: (Eq. 3) Como a distribuição das massas molares de cada molécula de polímero é estatístico, de acordo com Cowie (2007), é possível construir o que é chamado de curva de distribuição de massas molares de um polímero, conforme Figura 2. 𝑀𝑀𝑛𝑛 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑤𝑤 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑧𝑧 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖3𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 𝐷𝐷𝐷𝐷 = 𝜆𝜆𝑇𝑇𝑡𝑡 m m a a m a 𝑀𝑀𝑛𝑛 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑤𝑤 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑧𝑧 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖3𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 𝐷𝐷𝐷𝐷 = 𝜆𝜆𝑇𝑇𝑡𝑡 m m a a m a 𝑀𝑀𝑛𝑛 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑤𝑤 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑧𝑧 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖3𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 𝐷𝐷𝐷𝐷 = 𝜆𝜆𝑇𝑇𝑡𝑡 m m a a m a 31 Figura 2 – Distribuição estatística típica de massas molares de um polímero comum Fonte: Cowie (2007, p. 8). O peso e a distribuição de peso molecular de um polímero, influenciam na formação de nós entre eles, o que afeta as suas propriedades reológicas. Quando um polímero no estado fundido possui peso molecular elevado, sua cadeia é longa, o que favorece a formação de nós entre elas, diminuindo a mobilidade destas propriedades e aumentando sua viscosidade. Quando a distribuição dos pesos moleculares é elevada, o efeito é contrário, pois há maior probabilidade de mobilidade das moléculas, pois também é maior a probabilidade de moléculas de baixo peso molecular neste conjunto, o que diminui sua viscosidade. Essas cadeias estão no estado fundido, distribuídas de forma aleatória, sem organização, o que podemos dizer que qualquer polímero fundido é um material amorfo. Mas é necessário entender a maneira de como essas cadeias se comportam. Bretas e D’ávila (2005) descrevem o polímero no estado fundido da seguinte forma: Pode-se então visualizar um polímero no estado fundido como um conjunto de macromoléculas, cada uma com um dado peso molecular (e, consequentemente, com um dado comprimento), com conformação 32 aleatória, movimentando-se como um réptil, com partes dela vibrando e formando nós ou enovelando-se a outras macromoléculas. Logo, em vez de imaginar um polímero fundido como os tradicionais fios de macarrão dentro de uma tigela, é melhor imaginar um polímero fundido como um conjunto de répteis de diferentes tamanhos (minhocas, cobras, jararacas, sucuris, etc.), dentro de uma tigela [...]. (BRETAS; D’ÁVILA, 2005, p. 28-29) O que os autores descrevem anteriormente, pode ser esquematizado pela Figura 3, que representa a disposição das moléculas de um polímero no estado fundido. Figura 3 – Representação das moléculas de um polímero no estado fundido Fonte: Bretas e D’ávila (2005, p. 29). De acordo com Bretas e D’Ávila (2005), os nós temporários são o que definem o tempo de relaxação do polímero após a aplicação de uma tensão ou de uma deformação. Esse tempo de relaxação do polímero pode ser entendido como o tempo em que o mesmo leva para voltar ao seu estado de equilíbrio após a aplicação dessa tensão ou deformação, que é uma situação que está fora do equilíbrio. 33 O número de Deborah (De), em reologia, é a relação entre o tempo característico de relaxação do material e o tempo de aplicação da tensão ou deformação t, conforme Equação 4: (Eq. 4) Da interpretação do número de Deborah, temos que: se os tempos de relaxação são infinitamente maiores que os tempos de aplicação das tensões ou deformações, temos um sólido elástico, e o número de Deborah tende ao infinito. Se os tempos de aplicação das tensões ou deformações são infinitamente maiores que os tempos de relaxação do material, ou o tempo de relaxação tende a zero, temos fluidos viscosos, e o número de Deborah tende a zero. A Figura 4 demonstra, esquematicamente, a interpretação do número de Deborah. Figura 4 – Interpretacao do número de Deborah Tempo de relaxação infinitamente maior que o tempo de aplicacão da tensão ou deformação. Sólido elástico De Tempo de aplicação da tensão ou deformação infinitamente maior que o tempo de relaxação. Fluido viscoso De 0 Tempo de relaxação 0 Fluido viscoso De 0 Fonte: elaborada pelo autor. Um exemplo clássico desse comportamento reológico de polímeros é a borracha de silicone silly putty (BRETAS; D’ÁVILA, 2005). Quando esse material é colocado em um recipiente durante um longo período de tempo, sem aplicação de nenhuma força, ele escoará como um líquido, 𝑀𝑀𝑛𝑛 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑤𝑤 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖𝑖𝑖 𝑀𝑀𝑧𝑧 = ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖3𝑖𝑖 ∑ 𝑁𝑁𝑖𝑖𝑀𝑀𝑖𝑖2𝑖𝑖 𝐷𝐷𝐷𝐷 = 𝜆𝜆𝑇𝑇𝑡𝑡 m m a a m a 34 ou seja, temos o tempo de aplicação da força muito maior que o tempo de relaxação. Por outro lado, este mesmo material, jogado contra uma parede, irá quicar como um sólido elástico, pois neste caso o tempo de aplicação da força foi muito menor que o tempo de relaxação. Com isso, esses mesmos autores mencionam um conceito clássico em reologia de polímeros: “Portanto, o número de Deborah expressa o conceito clássico de que tudo flui, desde que se espere o tempo suficiente” (BRETAS; D’ÁVILA, 2005, p. 30). Para que um polímero possa fluir, é necessário que camadas do material sofram cisalhamento, ou seja, que ocorra o deslocamento entre camadas adjacentes. A Figura 5 apresenta, esquematicamente, como funciona o mecanismo de cisalhamento que ocorre nos materiais. Observe que com a aplicação de uma tensão de cisalhamento (shear stress) a uma determinada taxa de cisalhamento (shear rate), ocorre o deslocamento entre duas camadas paralelas. Figura 5 – Representação esquemática do deslocamento de duas camadas paralelas devido à aplicação de uma tensão de cisalhamento Fonte: petrroudny/iStock.com. 35 3. Viscoelasticidade de materiais poliméricos De acordo com Cowie (2007), a viscoelasticidade é um conjunto de propriedades que são dependentes do tempo. Quando tratamos de um sólido elástico, as suas propriedadesmecânicas podem ser descritas pela lei de Hooke, onde a tensão é proporcional à deformação. Quando tratamos de líquidos, a deformação é independente da tensão. Essas são situações extremas para um material e praticamente impossível de ocorrer. Quando consideramos um material polimérico, ele pode apresentar características tanto dos sólidos quanto dos líquidos. Classificamos, assim, o material como um material viscoelástico. Segundo o autor, um polímero amorfo pode apresentar cinco regiões ou estados de viscoelasticidade, dependentes de seu comportamento mecânico com a temperatura. Esses cinco estados estão representados na Figura 6 e explicados na sequência: Figura 6 – Os cinco estados viscoelásticos de um polímero amorfo Fonte: Cowie (2007, p. 347). 36 As cinco regiões demarcadas no gráfico da Figura 6 são descritas como: Região 1 – Estado vítreo: neste estado, a movimentação das moléculas está congelada e o polímero trabalha como um sólido elástico quando lhe é aplicada uma tensão. Na Figura 6, região 1, o módulo de elasticidade fica praticamente constante, característica de um sólido elástico ou da região elástica de um sólido, como um metal, em um ensaio de tração. Região 2 – Estado coriáceo ou estado retardado altamente elástico, segundo Cowie (2007): neste estado, para o exemplo apresentado do poliestireno, temos uma faixa de temperatura de aproximadamente 30 K, e é nesta região que ocorre a temperatura de transição vítrea do polímero, onde o polímero passa do estado vítreo para o estado maleável, pois as cadeias adquirem energia para se movimentar. Na Figura 6 é possível observar uma grande queda no módulo de elasticidade do mesmo, que é devido ao aumento do movimento das moléculas. Este estado é chamado de coriáceo (ou leathery state, em inglês), devido ao aspecto que o polímero toma nessas condições, muito parecido com o couro. Região 3 – Estado borrachoso (ou borrachento): nessa região, que ocorre a aproximadamente a uma temperatura de 30 K abaixo da temperatura de transição vítrea para a maioria dos polímeros. Na curva da Figura 6 o módulo de elasticidade sofre pouca variação de valores. Região 4 – Estado de escoamento borrachoso (rubbery flow): novamente, o polímero sofre um decréscimo no módulo de elasticidade, também devido ao estado de movimentação de moléculas a uma temperatura mais alta, porém esse decréscimo não possui a magnitude do decréscimo que ocorre no estado coriáceo. Região 5 – Estado viscoso: na temperatura considerada para este estado, o polímero já pode ser considerado um líquido viscoso, com baixíssimo 37 módulo de elasticidade, onde este tende a zero com o aumento da temperatura. Um dos modelos clássicos de se representar a viscoelasticidade é o modelo de Maxwell (CANEVALORO Jr., 2006), que considera como um fluido viscoelástico um fluido que apresenta os dois componentes da deformação, um componente de deformação plástica, representado por um amortecedor e um componente elástico, representado por uma mola. Dessa forma, quando aplicada uma tensão sobre um material viscoelástico, a resposta desse sistema será a soma das respostas dos sistemas plástico e elástico. A Figura 7 representa, esquematicamente, o modelo de Maxwell. Figura 7 – Representação esquemática do modelo de Maxwell Fonte: Bretas e D’ávila (2005, p. 62). Para o caso da mola, pode-se equacionar o sólido Hookeano, conforme a Equação 5 (BRETAS; D’ÁVILA, 2005): (Eq. 5) Onde mτ é a tensão na mola, Εé o módulo de elasticidade ou módulo de Young e mγ é a deformação na mola resultante da tensão aplicada. m mτ γ= Ε 38 Já o componente newtoniano do fluido viscoso é representado pela Equação 6: (Eq. 6) Onde aτ é a tensão no amortecedor, µ é a viscosidade e aγ é a taxa de cisalhamento no amortecedor. Somamos as duas parcelas, pois a mola e o amortecedor, neste modelo, estão em série (Equação 7). (Eq. 7) PARA SABER MAIS Efeitos não-newtonianos observados em polímeros: Como será o comportamento de um polímero a um certo grau de deformação ou cisalhamento? Ele poderá ter um comportamento puramente viscoso, (puramente newtoniano), elástico ou a soma dos dois comportamentos, com um comportamento viscoelástico. Uma série de variáveis devem ser levadas em consideração, como o histórico termomecânico, tempos de relaxação, dentre outras. As respostas a estas questões podem ser respondidas a partir da utilização dos reômetros, que medem as propriedades reológicas de polímeros fundidos (BRETAS; D’ÁVILA, 2005). Porém, algumas respostas ditas incomuns por estes autores podem surgir. Eles denominam essas respostas incomuns como “não-newtonianas”. Uma dessas respostas incomuns é o efeito de Weissenberg, que seria o aparecimento de vórtices na entrada de um capilar e a redução da perda de carga localizada em um tubo. a aτ µγ= m aτ γ µγ= Ε + 39 Para exemplificar o efeito apresentado no item Para saber mais, um bastão é inserido em um polímero fundido newtoniano e um não newtoniano, cujos efeitos são mostrados, respectivamente, na Figura 8-a e 8-b. Quando o bastão gira, a região ao redor do bastão diminui, ao contrário de um fluido não-newtoniano, onde as moléculas do polímero exercem tensões normais contra o bastão, formando um vórtice como o apresentado na figura a seguir. Figura 8 – Efeito de Weissenberg para um polímero fundido newtoniano (a) e um não newtoniano (b) Fonte: Bretas e D’ávila (2005, p. 70). ASSIMILE O estudo da Reologia de polímeros fundidos e da viscoelasticidade se torna mais fácil quando levamos em consideração dois princípios básicos: acima do zero absoluto (0 K), átomos e moléculas estão em movimento, e moléculas em movimento podem se entrelaçar mais facilmente ou dificilmente, de acordo como o seu formato e sua orientação no espaço. Sua orientação no espaço faz parte de um outro estudo que se chama estereoquímica 40 de polímeros. O fato é que quanto maior a temperatura, mais energia as moléculas terão para se movimentarem. A reação a esforços aplicados aos polímeros em determinadas temperaturas, vai depender de quão livre essas moléculas podem se movimentar. Concluindo o estudo sobre Reologia e viscoelasticidade, é importante citar que modelar uma equação para o comportamento reológico de um polímero depende de diversos fatores, conforme enuncia Bretas e D’ávila (2005): A escolha da equação constitutiva apropriada para cada polímero implica conhecimento de seu comportamento sob diferentes gradientes de deformação, temperatura e pressões. Porém, como não é possível conhecer toda a gama de respostas reológicas desses materiais, sob todas as condições possíveis de temperatura, em todas as geometrias, torna-se necessário conhecer alguns aspectos do comportamento desses materiais, sob algumas condições, para ser possível modelar adequadamente ou escolher a equação constitutiva apropriada. (BRETAS; D’ÁVILA (2005, p. 69) TEORIA EM PRÁTICA Suponha que você é um engenheiro de desenvolvimento de produto de uma indústria de embalagens plásticas flexíveis de polietileno que produz sacos para embalar arroz de 5 kg. A mesma embalagem, com a mesma composição, é enviada para uma usina de arroz no Sul do Brasil e para uma usina de arroz da mesma empresa no Nordeste do Brasil. Esse envio é feito na mesma época, ao final do verão brasileiro. Quando chega o mês de julho, sua empresa começa a receber reclamações de que as embalagens de arroz do 41 Sul do Brasil começaram a se romper nas prateleiras do supermercado. As mesmas embalagens do Nordeste não apresentaram problemas. Neste momento, você é acionado para encontrar uma soluçãorápida para o problema. a. Explique qual é a possível causa do problema nas embalagens no Sul do Brasil. b. Pensando no conceito de reologia, viscoelasticidade e movimentação molecular, o que explica, a nível molecular, o estouro das embalagens? c. O que você deve propor para resolver o problema, além do plano de contingência que a empresa irá aplicar? VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Para a obtenção do valor do peso molecular, é utilizado o método de cálculo por média. Assinale a alternativa que explica o motivo da utilização desse método: a. A polimerização ser um processo estável, que produz moléculas de mesmo tamanho. b. A polimerização ser um processo estatístico, que produz moléculas de diversos tamanhos, mesmo que controláveis. c. A polimerização ser um processo instável, que produz moléculas de mesmo tamanho. d. A polimerização ser um processo estatístico, que produz moléculas de mesmo tamanho. 42 e. A polimerização ser um processo estatístico, que produz moléculas de tamanhos reduzidos. 2. Em Reologia, o número de Deborah é utilizado para definir, por meio dos tempos de aplicação da força e tempos de relaxação, se o polímero é: a. Viscoso, viscoelástico ou elástico. b. Termoplástico ou termorrígido. c. Um plástico ou uma borracha. d. Dúctil ou frágil. e. Resistente mecanicamente. 3. Dentre os cinco estados apresentados na curva de viscoelasticidade de um polímero, o estado que apresenta a maior queda do módulo de elasticidade é: a. Estado vítreo. b. Estado coriáceo. c. Estado de escoamento borrachoso. d. Estado borrachoso. e. Estado viscoso. Referências bibliográficas BRETAS, R. E. S.; D ́AVILA, M. A. Reologia De Polímeros Fundidos. São Carlos: Ed. UFSCar,2000. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros. Um Texto Básico Para Tecnólogos e Engenheiros. 2. ed. São Paulo: Editora Artiliber, 2006. COWIE, J .M. G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. Intertext Books. 2007. MANO, E. B. Polímeros Como Materiais de Engenharia. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher,1994. 43 MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução A Polímeros. 2. ed, São Paulo: Edgard Blucher, 2004. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: a polimerização é um processo estatístico no que diz respeito ao tamanho da molécula formada, e portanto, à sua massa molar. Por mais que sejam utilizadas tecnologias que podem controlar a polidispersão de massas molares, sempre haverá diferentes tamanhos de cadeia. Questão 2–Resposta A Resolução: o número de Deborah é um número que relaciona tempos de relaxação e tempo de aplicação de uma tensão sobre um polímero. Dependendo da diferença entre esses tempos, podemos ter um polímero viscoso, viscoelástico ou elástico. É um parâmetro utilizado no estudo de reologia de polímeros. Questão 3–Resposta: B Resolução: o estado coriáceo é o estado onde ocorre a transisão vítrea, com grande movimentação de moléculas, rearranjo dos nós, e portanto, queda significativa do módulo de elasticidade. Estrutura e propriedades de compósitos poliméricos e blendas poliméricas Autor: Renato Matroniani Objetivos • Fundamentar os conceitos de compósitos poliméricos. • Fundamentar os conceitos de blendas poliméricos. • Estudar estruturas e propriedades dos compósitos e blendas poliméricas. 45 1. Conceitos básicos de materiais compósitos e blendas poliméricas Quando se estuda compósitos e blendas de qualquer tipo de material, inicialmente o ideal é conceituar o que são compósitos e o que são blendas, pois os dois conceitos podem trazer confusão, uma vez que, tanto para compósitos como para blendas, estamos trabalhando como misturas de materiais. De acordo com Callister Jr. e Rethwisch (2016), um compósito pode ser definido como um material composto por mais de uma fase, ou seja, é perceptível a separação entre um material constituinte e outro, e também apresenta proporções relevantes das propriedades de cada uma das fases que o constituem, sendo que, ao final, este compósito apresenta propriedades melhores do que as propriedades dos componentes separados. Já o termo blenda é mais comumente utilizado para polímero e pode ser definida, conforme Wiebeck e Harada (2005): Blendas poliméricas representam as misturas físicas ou misturas mecânicas de dois ou mais polímeros, de forma que entre as cadeias moleculares dos diferentes polímeros só exista interação intermolecular secundária, ou que não haja qualquer reação química tradicional entre as cadeias moleculares dos polímeros diferentes. (WIEBECK; HARADA (2005, p. 163) 2. Compósitos poliméricos – estruturas e propriedades Quando se estuda compósitos poliméricos, o mais comum é pensar em preparar tais materiais como polímeros reforçados, em outras palavras, um compósito polimérico, de modo geral, é um plástico reforçado. 46 De acordo com Wiebeck e Harada (2005), muitos materiais compósitos são de origem natural, e bem conhecida. A madeira, por exemplo, é um compósito natural formado por fibras flexíveis de celulose ligadas por um polímero natural conhecido como lignina. O próprio osso humano é um composto natural formando por hidroxi-apatita (um material cerâmico) ligado por colágeno. Segundo os mesmos autores, o desenvolvimento de compósitos contendo pelo menos uma fase polimérica começou na década de 1960, na indústria bélica, e se estendeu nas décadas seguintes para outros ramos, como a indústria automotiva e a de construção civil. Nesse contexto, a ideia sempre foi agregar e melhorar propriedades como rigidez, resistência à altas temperaturas e tenacidade. Conforme Callister Jr. e Rethwisch (2016), um compósito basicamente é constituído pela fase matriz e pela fase dispersa e as propriedades finais estão em função das propriedades das fases constituintes, suas quantidades relativas e da geometria da fase dispersa. A fase dispersa pode ser encontrada de diversas formas dentro de uma matriz. A Figura 1 ilustra esquematicamente essas formas. Figura 1 – Representação esquemática da fase dispersa-fase matriz Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 583). 47 Wiebeck e Harada (2005) mencionam que as fibras mais comuns utilizadas para reforços de polímeros são as fibras de vidro, de aramida e de carbono. Outras fibras como as fibras de boro, óxido de alumínio e carbeto de silício são menos comuns, mas também são utilizadas. Os compósitos podem ser classificados em três grandes grupos, a saber: compósitos reforçados com partículas, compósitos reforçados com fibras e compósitos estruturais. Callister Jr. e Rethwisch (2016) propõe uma divisão mais detalhada, conforme Figura 2. Figura 2 – Classificação dos materiais compósitos Materiais compósitos Reforçado com partículas Partículas grandes Reforçado por dispersão Reforçado com fibras Contínuo (alinhado) Descontínuo (curto) Alinhado Orientado aleatoriamente Estrutural Laminados Paineis em sanduíche Fonte: adaptada de Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 583). Conforme Wiebeck e Harada (2005), os materiais plásticos compósitos mais comuns são formados por uma fase contínua polimérica, que é a matriz, com reforço por uma fase descontínua geralmente composta por fibras, que se agregam após processo de cura, ou seja, a matriz polimérica é termofixa. Segundo os mesmos autores, as fibras podem ser de vidro, aramida ou de carbono, dependendo da aplicação. Também existem compósitos de matriz polimérica termoplástica, onde 48 o polímero utilizado pode ser a poliamida, polipropileno, poliestireno dentre outros. Neste caso, as fibras são curtas e distribuídas de forma aleatória. Um dos compósitos de matriz polimérica mais conhecidos são os compósitos reforçados com fibra de vidro (Figura 3). De acordo com Wiebeck e Harada (2005), os primeiros testes com este tipo de fibra começaram na década de 1940. São materiais de relativo baixo custo em relação a outros compósitos poliméricos reforçados com fibras, além de possuir propriedades que atendem diversostipos de aplicações. Entre as propriedades de destaque, os autores citam o baixo coeficiente de dilatação térmica, razoável resistência ao impacto, flexibilidade de conformação e elevada resistência à tração. Importante destacar que essas propriedades são dependentes do tipo de fibra de vidro escolhido. Figura 3 – Textura de fibra de vidro em matriz polimérica Fonte: wimammoth/iStock.com. Outro compósito com certo grau de utilização é o compósito reforçado com fibras de carbono. As fibras de carbono são obtidas por meio do processo de pirólise (espécie de queima) de polímeros como a 49 poliacrilonitrila (PAN). As fibras de carbono utilizadas como reforço neste caso devem possuir estrutura grafítica tridimensional, que possuem módulo de resistência elevado, resistência à fadiga, resistência térmica e estabilidade dimensional. (WIEBECK; HARADA, 2005). Uma das características marcantes desse material é que ele possui elevada resistência mecânica com baixa densidade, o que permite produzir objetos e equipamentos leves, como bicicletas de alta performance, como a mostrada na Figura 4. Figura 4 – Bicicleta de alta performance com quadro produzido em fibra de carbono Fonte: IlexImageh/iStock.com. Outras fibras poliméricas utilizadas como reforço são as aramidas, como o Kevlar®, que é o nome comercial de uma das mais conhecidas, produzidas pela DuPont®. Polietileno de ultra alto molecular também pode ser utilizado como fibras poliméricas de reforço. O negro de fumo, cuja composição química é o carbono, também é composto utilizado como reforço para matrizes poliméricas. Um dos exemplos clássicos de aplicação do negro de fumo é em pneus. A Figura 5 mostra a micrografia obtida por microscopia eletrônica de transmissão (MET) de uma borracha sintética reforçada com partículas de negro de fumo (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016). 50 Figura 5 – Micrografia de borracha sintética reforçada com partículas de negro de fumo (ampliação de 80.000 vezes) Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 586) 3. Blendas poliméricas – Estruturas e propriedades Conforme já mencionado neste texto, blendas poliméricas são misturas físicas ou mecânicas de dois ou mais polímeros, em que a única interação entre as cadeias poliméricas sejam interações secundárias, ou seja, não existe ligações químicas como uma ligação covalente entre as macromoléculas (WIEBECK; HARADA, 2005). Como descrito em Matroniani (2015), misturar polímeros é uma forma prática para a obtenção de propriedades desejáveis. A partir de sistemas poliméricos, pode-se obter materiais com alta performance em propriedades mecânicas, térmicas, como resistência ao impacto, tenacidade, estabilidade térmica, módulo de resistência 51 alto, estabilidade dimensional, entre outras. As misturas poliméricas permitem também a redução do custo final do material quando são utilizados materiais de elevado custo com outros de baixo custo, como polímeros de última geração e polímeros commodities. As propriedades desejáveis de uma blenda polimérica apenas são alcançadas quando esses sistemas poliméricos são formados por polímeros compatíveis, ou quando são utilizados agentes compatibilizantes, ou seja, que permitam que os polímeros constituintes da blenda possam serem compatíveis. De acordo com Sperling (1998), o termo compatível é utilizado quando se tem, na combinação de dois ou mais polímeros, as propriedades desejadas alcançadas, e, juntamente com o termo miscível, trazem o conceito de completa solubilidade entre os componentes, como define a termodinâmica e os diagramas de fase. Deste modo, o termo imiscível refere-se à combinação sem mistura no nível molecular de dois ou mais polímeros. Conforme a Termodinâmica Clássica, temos a Equação 1, relacionada à mistura: M M MÄG =ÄH -TÄS (Eq. 1) Onde MÄG é a variação da energia livre de mistura, MÄH é a entalpia de mistura e MTÄS é o produto entre a temperatura (em Kelvin) e a entropia de mistura. O modelo de Flory-Huggins, como visto em Sperling (1998), é uma teoria comumente utilizada para prever a separação de fases em misturas de dois de polímeros, onde a energia livre de mistura é uma condição necessária, mas não suficiente para estabilidade de fases. Nesta teoria, estão envolvidos termos como temperatura, número de segmentos de cadeia e parâmetro de interação polímero-polímero (termo x ), relacionando-o com o calor de mistura, conforme mostra a Equação 2: 52 M 1 1 2 ÄHx = kTN v (Eq. 2) Onde os subscritos 1 e 2 correspondem a polímeros 1 e 2, k é a constante de Boltzmann, 1N é o número de meros de polímero 1 e v2 é a fração em volume do polímero 2. A energia livre de mistura é dada pela Equação 3: ( )1 1 2 2 1 1 2ν ν χ ν∆ = + +MG kT N ln N ln N (Eq. 3) Quando MG 0∆ > , ocorre espontaneamente a separação de fase (SPERLING, 1998, EASTWOOD et al., 2005). De acordo com os mesmos autores, o valor de 1x varia de -1 a +2. Desta forma, para valores negativos de 1x , os valores de MG∆ são negativos e as blendas são imiscíveis. Outra condição para que a blenda miscível é: 2 2 2 G 0 v ∂ ∆ < ∂ . Para valores positivos de 1x , o sistema irá se separar. Para melhorar a adesão entre interfaces entre os polímeros de uma blenda, e assim, torná-la miscível, podem ser adicionados também compatibilizantes, que podem ser copolímeros em bloco ou graftizado (EASTWOOD et al., 2005). Os copolímeros em bloco e os graftizados, possuem características que são compatíveis com os polímeros que formam a blenda. É como se uma parte da cadeia se ligasse a um polímero e a outra parte da cadeia se ligasse a outra, como uma cola. Também é conhecido o fato de que misturas de polímeros amorfos têm a sua miscibilidade aumentada com a redução das suas massas molares. Cadeias mais curtas são mais miscíveis em outras fases, conforme Matroniani (2015), porque o ganho de entropia é maior que a perda de entalpia. De acordo com Sperling (1998), as terminações das cadeias poliméricas tendem a estar mais concentradas na interface do que os meios das cadeias. Além disso, moléculas 53 mais curtas tendem a se localizar na interface. Se tivermos mais cadeias curtas, teremos um aumento da área de interface entre os componentes e a consequentemente diminuição da energia de interface. Para caracterizar uma blenda polimérica, são utilizadas técnicas como a DSC (Calorimetria Diferencial de Varredura), MEV (Microscopia Eletrônica de Varredura), Microscopia Óptica, MET (Microscopia Eletrônica de Transmissão), dentre outras. Análises por microscopia, principalmente a eletrônica, são muito úteis e trazem resultados importantes para o estudo das blendas poliméricas. O microscópio eletrônico de varredura utiliza uma espécie de feixe de elétrons para varrer a superfície do material analisado. As imagens obtidas aparecem em três dimensões. No microscópio eletrônico de varredura, o feixe de elétrons varre uma área quadrada da superfície da amostra. Os elétrons emitidos, atingem um coletor e geram uma corrente elétrica, que é amplificada e a imagem é produzida. Como este microscópio trabalha com elétrons, é necessário que a superfície do material seja condutora. No caso dos polímeros, geralmente este é recoberto com ouro para ocorrer a condução e para evitar acúmulo de carga estática. Diversos trabalhos, por exemplo, Sperling (1998), com blendas poliméricas, tiveram estudos de morfologia (de sua forma) por microscopia eletrônica de varredura. Esse tipo análise é muito útil para verificar a compatibilidade dos polímeros constituintes de uma blenda polimérica. Em uma blenda compatibilizada, as fases apresentam-se finamente dispersas, já em uma blenda imiscível, há uma separação bem definida das fases, conforme Figura 6 (miscível) e Figura 7 (imiscível). 54 Figura 6 – Micrografia de uma blenda miscível de poliestireno e polímero líquido-cristalino (ampliaçãode 25.000 vezes) Fonte: Matroniani (2015, p. 62). Figura 7 – Micrografia de uma blenda imiscível de poliestireno com polímero líquido-cristalino (ampliação de 10000 vezes) Fonte: Matroniani (2015, p. 66). 55 PARA SABER MAIS Sperling (1998) diz que, com a análise por calorimetria diferencial de varredura (DSC), é possível determinar a temperatura de transição vítrea de polímeros e também de uma mistura de polímeros e saber se eles apresentam compatibilidade ou não. Para isso, é necessário confrontar os valores das temperaturas de transição vítrea dos componentes individuais e da blenda, e, assim, analisar a miscibilidade. Uma blenda totalmente miscível apresentará apenas uma temperatura de transição vítrea, que pode ser calculada a partir de regras de misturas simples, como por exemplo, a Equação 4, de Fox-Flory: 1 2 g g 1 g 2 W W1 T T T = + (Eq. 4) Onde gT é a temperatura de transição vítrea da blenda, g 1T e g 2T são as temperaturas de transição vítrea do polímero 1 e do polímero 2, respectivamente, e 1W e 2W são suas respectivas frações em massa. Se os polímeros não forem miscíveis, a blenda apresentará temperaturas separadas de cada um dos polímeros (Figura 8). Caso haja alguma miscibilidade, uma aproximação entre as gsT dos dois polímeros ocorrerá. 56 Figura 8 – Gráfico de análise DSC para uma mistura de dois polímeros, poliestireno e polímero líquido-cristalino imiscíveis Fonte: Matroniani (2015, p. 73). ASSIMILE As propriedades de uma blenda polimérica apenas são alcançadas quando são formadas por polímeros que se misturam ou que apresentam compatibilidade entre si, ou seja, possuem um determinado grau de afinidade entre seus componentes. Dessa forma, pode-se obter melhoria nas propriedades mecânicas de um polímero menos resistente misturando o mesmo com um polímero mais resistente, e essa mistura deve ocorrer no nível molecular. As propriedades de uma blenda polimérica podem ser alcançadas com polímeros compatíveis. Para Sperling (1998), caso o sistema formado por esses polímeros não tenha compatibilidade, é necessário buscar meios de compatibilização para que as propriedades sejam alcançadas. 57 Concluindo o estudo sobre compósitos com polímeros e blendas poliméricas, é importante que fique claro a diferença entre os dois tipos de misturas. Apesar dos dois tipos misturarem materiais para a obtenção de propriedades desejadas, no caso dos compósitos, a mistura se restringe a uma mistura física, em que os componentes podem ser apenas polímeros ou polímeros e outro tipo de material. Já no caso de blendas poliméricas, para que esta exerça sua função, os polímeros devem possuir compatibilidade, que se restringe a forças de ligação secundárias entre as moléculas. TEORIA EM PRÁTICA Suponha que você é um engenheiro de desenvolvimento de produto de uma indústria de embalagens plásticas flexíveis, e precisa desenvolver uma embalagem conhecida como “embalagem metalizada”, que é composta de filme de polipropileno e filme de alumínio. Os dois materiais não possuem compatibilidade química entre si a ponto de ocorrer adesão entre eles. Para a produção desse filme, é utilizada uma máquina chamada de laminadora. Considerando esta situação, responda às perguntas: a. A junção do filme de polipropileno com o filme de alumínio produz uma blenda ou um compósito? Por quê? Lembre-se que você é o engenheiro de desenvolvimento de produto e deve saber termos técnicos para uma reunião ou conversa mais formal. b. Como os materiais são incompatíveis, o que você propõe para unir o polipropileno ao alumínio? Explique. 58 c. Explique as aplicações de uma embalagem metalizada. Reflita sobre os compósitos presentes em nossa vida. Escreva um texto técnico acerca disso com pelo menos dez linhas. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Sobre materiais compósitos em geral, que são composições de dois materiais diferentes, assinale a única alternativa correta: d. As propriedades finais de um compósito são iguais às propriedades dos componentes separados deste compósito. e. As propriedades finais de um compósito devem ser melhores às propriedades dos componentes separados deste compósito. f. Um material compósito é um material constituído por apenas uma fase. g. A fase matriz em um compósito é responsável pelo reforço deste. h. As propriedades de um material compósito são dependentes apenas da fase matriz. 2. Acerca do compósito de matriz polimérica reforçada com fibra de vidro, assinale a única alternativa correta: a. A fase matriz e a fase dispersa são materiais poliméricos. 59 b. A fase matriz é constituída de material polimérico e tem a função de agregar as fibras de vidro. c. É um material mais moderno e resistente que a fibra de carbono. d. Agrega flexibilidade e resistência mecânica em um mesmo material. e. A fase matriz e a fase dispersa são materiais cerâmicos. 3. Um sistema formado por dois polímeros compatíveis e totalmente miscíveis, conhecido como blenda polimérica, tem como característica marcante: a. Uma separação visível de fases. b. Duas temperaturas de transição vítrea. c. Temperatura de transição vítrea única. d. Ligações covalentes entre as cadeias dos polímeros constituintes. e. Mistura física predominante. Referências Bibliográficas CALLISTER JR. W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros: um texto básico para tecnólogos e engenheiros. 2. ed, São Paulo: Editora Artiliber, 2006. COWIE, J. M. G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. London: Intertext Books. 2007. EASTWOOD, E. et al. Methods to improve the properties of polymer mixtures: optimizing intermolecular interactions and compatibilization. Polymer, v. 46, p. 3957–3970, 2005. MANO, E. B. Polímeros Como Materiais de Engenharia. 2. ed, São Paulo: Editora Edgard Blucher,1994. 60 MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução a Polímeros. 2. ed, São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2004. MATRONIANI, R. Misturas de poliestireno e poliéster líquido-cristalino. 2015. 99 f. Dissertação (Mestrado em Engenharia) – Departamento de Engenharia Metalúrgica e de Materiais, Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, São Paulo, 2015. Disponível em: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3133/tde- 20072016-080450/pt-br.php. Acesso em: 19 nov. 2019. SPERLING, L. H. Polymeric Multicomponent Materials, an Introduction. New York: John Wiley & Sons, INC, 1998. WIEBECK, H.; HARADA, J. Plásticos de Engenharia. São Paulo: Ed. Artliber, 2005. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: a ideia da engenharia de compósitos é criar materiais que possuam propriedades melhores que as propriedades dos materiais constituintes. Questão 2–Resposta B Resolução: a matriz polimérica em um compósito de fibra de vidro possui a função de agregar as fibras de vidro e dar a forma desejada. Questão 3–Resposta: C Resolução: am um sistema polimérico totalmente miscível, a temperatura de transição vítrea é única, e fica entre as temperaturas de transição vítreas dos polímeros constituintes. https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3133/tde-20072016-080450/pt-br.php https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/3/3133/tde-20072016-080450/pt-br.php Propriedades mecânicas dos materiais poliméricos. Física de polímeros (mecanismos de deformação plástica e de fratura de polímeros) Autor: Renato Matroniani Objetivos • Estudar comportamento mecânico dos materiais poliméricos. • Estudar a influência das características dos polímeros em suas propriedades mecânicas. • Estudar os mecanismos de deformação plástica e de fratura de polímeros. 62 1. Propriedades mecânicas dos materiais poliméricos Dentro da Engenharia de Materiais existe uma busca incessante por resistência mecânica elevada com baixa densidade. Muitos materiais vêm sendo desenvolvidos com esse objetivo. A finalidadeé o uso de menor quantidade de material e, dependendo da aplicação, menores gastos com combustíveis e facilidades construtivas. De acordo com Padilha (2000), o comportamento mecânico dos materiais poliméricos não é uniforme. Materiais termorrígidos ou termoplásticos amorfos que estão trabalhando a uma temperatura abaixo de sua temperatura de transição vítrea, possuem comportamento frágil semelhante ao comportamento frágil de um material cerâmico. Já materiais semicristalinos trabalhando acima de sua temperatura de transição vítrea possuem comportamento semelhante a um metal dúctil. Todas essas comparações não levam em conta a ordem de grandeza dos valores dos limites de resistência, que apresentam diferenças perceptíveis entre os materiais. Os materiais poliméricos elastoméricos possuem comportamento mecânico atípico, muito diferente do que se espera de um material (seja ele um polímero comum, metal ou uma cerâmica) dúctil ou frágil, como diz Padilha (2000). Em um ensaio de tração de um material, um dos ensaios mais comuns para medir propriedades mecânicas é gerado um gráfico, em que nas ordenadas temos a tensão aplicada e nas abcissas temos a deformação. Materiais frágeis não apresentam, de forma geral, limite de escoamento. O gráfico de um material frágil é uma reta inclinada. Já um material dúctil, o gráfico obtido do ensaio de tração apresenta a região elástica, uma reta, com certa inclinação, e região plástica, em que a deformação não é mais proporcional à tensão. Entre a região elástica e a região plástica, como descreve Padilha (2000), existe um ponto cujo valor da tensão é conhecido como limite 63 de escoamento. A Figura 1 mostra, esquematicamente, como funciona uma máquina de ensaio de tração, e a Figura 2 mostra o comportamento mecânico dos materiais poliméricos em uma máquina de ensaio de tração. Figura 1 – Representação esquemática da máquina de ensaio de tração Fonte: Padilha (2000, p. 239). Figura 2 – Comportamento tensão versus deformação para diferentes tipos de polímeros Fonte: Padilha (2000, p. 261). 64 Uma análise mais detalhada do comportamento no carregamento em tração de polímeros dúcteis, demonstra que os mesmos apresentam um ponto máximo de tensão, que é o limite entre a zona elástica e a zona plástica. A partir deste ponto, as cadeias começam a se alinhar, o que torna o material mais resistente à deformação (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016). Os polímeros transparentes e translúcidos, quando carregados dessa forma, apresentam-se esbranquiçados na região de empescoçamento do corpo de prova, resultado da orientação das cadeias. A Figura 3 mostra a curva tensão versus a deformação de um polímero dúctil semicristalino, com a formação do empescoçamento. Figura 3 – Curva tensão versus deformação de um polímero semicristalino Fonte: Padilha (2000, p. 262) O comportamento mecânico dos polímeros também é sensível à temperatura. De acordo com Canevarolo Jr. (2006), dependendo da temperatura de trabalho ou de ensaio, um polímero passa de um comportamento frágil para um comportamento dúctil. O aumento da temperatura de um polímero como o polimetil metacrilato diminui o módulo de elasticidade (ou seja, ele se torna menos rígido), reduz 65 a resistência à tração e melhora o comportamento dúctil (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016), conforme mostra a Figura 4. A razão desse comportamento é explicado pelo aumento da mobilidade das cadeias poliméricas com o aumento da temperatura. Figura 4 – Comportamento de um polímero em tração em função da temperatura Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 533). Ainda segundo Canevarolo Jr. (2006), o comportamento viscoelástico dos polímeros é diretamente afetado por parâmetros como temperatura, como visto anteriormente e também do tempo. Dependendo do tempo, ou mais precisamente, da taxa de deformação, teremos comportamentos diferentes na curva tensão versus deformação. De forma geral, quanto maior a taxa de deformação, maior será o módulo de elasticidade. A Figura 5 mostra esse comportamento para uma resina epóxi solicitada a diferentes taxas de deformação, indicadas no próprio gráfico. O comportamento mecânico dos polímeros, também apresenta diferenças quando a solicitação é por compressão, em comparação com as solicitações por tração. De acordo com Canevarolo Jr. (2006), um poliestireno ensaiado 66 sob compressão apresenta curva característica de um material dúctil, pois na compressão os defeitos e falhas se reduzem, ao contrário do ensaio de tração para o mesmo material, onde os defeitos aumentam. A figura mostra, esquematicamente, as curvas tensão versus deformação para um poliestireno ensaiado sob tração e compressão. Figura 5 – Comportamento mecânico sob tração de um polímero em diferentes taxas de deformação Fonte: Canevarolo Jr. (2006, p. 207). Figura 6 – Curvas tensão versus deformação para ensaios de tração e compressão de um poliestireno Fonte: Canevarolo Jr. (2006, p. 205). 67 Como podemos ler em Canevarolo Jr. (2006), o estudo do comportamento dos polímeros solicitados ao impacto, também é de grande importância, pois a medida de resistência ao impacto é parâmetro que deve ser levado em consideração em muitos casos de projetos. Segundo o mesmo autor, nos casos de seleção de materiais resistentes ao impacto, o parâmetro considerado é a energia de impacto. A energia de impacto pode ser medida por meio do teste de impacto Izod e Charpy, segundo Padilha (2000). Os ensaios Izod e Charpy são bem parecidos, e consistem em liberar um pêndulo balanceado de uma altura h, e atinge uma amostra que está fixa na base. A amostra possui formato de barra, com entalhe em formato de “V”. O pêndulo, então, é liberado, atinge a amostra, fratura a mesma amostra e continua seu trajeto até uma altura h. A energia absorvida no impacto é medida a partir da diferença entre as alturas h e h’. A Figura 7 demonstra como funciona o ensaio de impacto. Figura 7 – Representação esquemática do ensaio de impacto Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 245). 68 2. Influência das características dos polímeros em suas propriedades mecânicas Conforme mencionado por Padilha (2000), o comportamento mecânico dos polímeros não é uniforme, se considerarmos todo esse grande grupo de materiais. Os parâmetros de ensaios, descritos por Canevarolo Jr. (2006), possuem grande influência, porém, outros também interferem em suas propriedades mecânicas, são eles: • Temperatura de fusão e de transição vítrea: as temperaturas de transição dos polímeros são dependentes de sua estrutura química, além de outros parâmetros, como arranjo espacial e tamanho da cadeia. Quando a temperatura de transição vítrea de um polímero está acima da temperatura ambiente, os módulos de elasticidade desse polímero devem variar entre 1 e 10 GPa. Quando a temperatura de transição vítrea estiver abaixo da temperatura ambiente, o comportamento do polímero, sendo ele amorfo, será como de uma borracha, e seu módulo de elasticidade ficará entre 1 e 10 MPa. Quando o polímero é semicristalino, se a temperatura ambiente estiver entre a temperatura de transição vítrea e a temperatura de fusão, o módulo de elasticidade apresentará também valores intermediários. • Grau de cristalinidade: o módulo de elasticidade, a tensão de escoamento e a dureza aumenta à medida que aumenta o grau de cristalinidade de um polímero. Isso pode ser facilmente entendido que, à medida que o grau de cristalinidade cresce, as cadeias estão mais compactadas, o que aumenta também a densidade, se compararmos o mesmo polímero. O Quadro 1 mostra algumas propriedades mecânicas de um polietileno (PE) com graus de cristalinidade e densidade diferentes. 69 Quadro 1 – Variação das propriedades mecânicas de diferentes polietilenos Propriedade PE 1 PE 2 PE 3 Densidade 0,910-0,925 0,926-0,940 0,941-0,965 Resistência à tração 4,1 – 15,9 8,3 – 24,1 21,4 – 37,9 Módulo de flexão 0,05 – 0,41 0,41 – 0,730,69 – 1,8 Dureza (Rockwell D) 41 – 48 50 – 60 60 – 70 Fonte: adaptado de Canevarolo Jr. (2006, p. 209). • Massa molar: de forma geral, o aumento da massa molar aumenta o entrelaçamento das cadeias, o que aumenta, também, a tenacidade do polímero. Por outro lado, a cristalinidade e a densidade, tendem a diminuir, o que reduz também o módulo de elasticidade e aumenta o alongamento. • Plastificantes: a adição de plastificantes reduz a sua dureza, e consequentemente, altera o seu comportamento mecânico. Segundo Canevarolo Jr. (2006), a adição de plastificantes em PVC pode reduzir a temperatura de transição vítrea de 80 °C para até -30 °C, com a adição de 50% de plastificante. Os plastificantes são comumente utilizados neste tipo de polímero, para obter cabos e filmes. • Copolimerização: a adição de comonômeros altera as propriedades mecânicas de um polímero na medida em que são incorporadas as características mecânicas do mesmo. A 70 borracha de estireno butadieno (SBR) é um copolímero formado por estireno e butadieno. O butadieno altera as características do estireno, deixando-o mais flexível, ao passo que o estireno aumenta a resistência à abrasão do butadieno. • Compósitos com fibras: a adição de fibras em uma matriz polimérica é um processo muito utilizado comercialmente, com a finalidade de aumentar a resistência mecânica dos polímeros. As fibras comumente utilizadas como reforço em polímeros são as de vidro, as de carbono e as aramidas. Concluindo o estudo sobre as propriedades mecânicas dos polímeros, é interessante reforçar que se trata de uma classe de materiais com grande variabilidade nas propriedades mecânicas. O Quadro 2, mostra as características mecânicas de polímeros comumente utilizados comercialmente, trabalhando à temperatura ambiente (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016). Quadro 2 – Características mecânicas de alguns polímeros comerciais à temperatura ambiente Material Densidade Módulo de tração Limite de resistência à tração Limite de escoamento Alongamento na fratura Polietileno de baixa densidade 0,917 – 0,932 0,17 – 0,28 8,3 – 31,4 9,0 – 14,5 100 – 650 Polietileno de alta densidade 0,952 – 0,965 1,06 – 1,09 22,1 – 31,0 26,2 – 33,1 10 – 1200 Policloreto de vinila 1,30 – 1,50 2,4 – 4,1 40,7 – 51,7 40,7 – 44,8 40 – 80 Politetrafluoretileno 2,14 – 2,20 0,40 – 0,55 20,7 – 34,5 – 200 – 400 Polipropileno 0,90 – 0,91 1,14 – 1,55 31 – 41,4 31,0 – 37,2 100 – 600 ( 𝑔𝑔𝑐𝑐𝑚𝑚3) 71 Poliestireno 1,04 – 1,05 2,28 – 3,28 35,9 – 51,7 – 1,2 – 2,5 Polimetilmetacrilato 1,17 – 1,20 2,24 – 3,24 48,3 – 72,4 53,8 – 73,1 2,0 – 5,5 Fenol-formaldeído 1,24 – 1,32 2,76 – 4,83 34,5 – 62,1 – 1,5 – 2,0 Poliamida 6,6 1,13 – 1,15 1,58 – 3,80 75,9 – 94,5 44,8 – 82,8 15 – 300 Poliéster (PET) 1,29 – 1,40 2,8 – 4,1 48,3 – 72,4 59,3 30 – 300 Policarbonato 1,20 2,38 62,8 – 72,4 62,1 110–150 Fonte: adaptado de Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 532). ASSIMILE As propriedades mecânicas dos polímeros variam de um tipo para outro, devido à sua estrutura química. Observando o Quadro 2, nota-se que para um mesmo polímero, temos uma faixa de valores em cada propriedade. A poliamida 6,6, conhecida comercialmente como Nylon® 6,6, por exemplo, pode apresentar alongamento na fratura de 15 a 300%. Essa grande variação para um mesmo tipo de material, pode ser resultado do histórico de fabricação, do tratamento térmico utilizado, se aplicável, do tamanho e distribuição estatística das cadeias poliméricas, dentre outros fatores. 3. Mecanismos de deformação plástica de polímeros Os materiais, em geral, sofrem basicamente dois tipos de deformação: a elástica e a plástica. No caso dos polímeros, a deformação elástica ocorre pelo mecanismo de alongamento das cadeias, a partir das 72 suas conformações estáveis, na direção em que está sendo aplicada a deformação, até o estiramento das ligações covalentes entre os átomos da macromolécula. Já na deformação plástica, as regiões lamelares (regiões cristalinas, organizadas, de um polímero semicristalino) e as regiões amorfas, que ficam entre as lamelas, com a aplicação da tensão, sofrem a seguinte sequência de deformação, apresentada na Figura 8 (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016): a. As regiões amorfas se alinham na direção do carregamento. b. As lamelas se alinham na direção do carregamento. c. Ocorre a separação de blocos cristalinos (e lamelas), porém esses blocos continuam presos uns aos outros pelas ligações das cadeias. d. Os blocos e as cadeias de ligação se orientam na direção da tração. Figura 8 – Sequência da deformação plástica de um polímero semicristalino Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 542). Com a remoção da tensão e dependendo da temperatura do tratamento térmico, as estruturas cristalinas, como as lamelas e os esferulitos, podem retornar à estrutura anterior à deformação, com seu encolhimento. 73 4. Mecanismos de fratura de polímeros Os polímeros, quando comparados aos metais e às cerâmicas, apresentam resistência inferior à fratura. Polímeros termofixos, de forma geral, apresentam fratura frágil. Já os polímeros termoplásticos, podem apresentar tanto fraturas dúcteis quanto fraturas frágeis, sendo o principal fator a temperatura e transição dúctil-frágil comparada com a temperatura de trabalho. Basicamente, a fratura ocorre em locais do material polimérico onde há concentração de tensões, como as trincas, como ocorrem nos materiais metálicos. Mesmo materiais dúcteis, nestes locais, passam a ter comportamento frágil, o que favorece a propagação da trinca, e, portanto, a fratura do material. • Mecanismo de fratura frágil: de acordo com Canevarolo Jr. (2006), a teoria da fratura frágil foi desenvolvida por Griffith, e envolve menos variáveis do que a fratura dúctil. Essa teoria é baseada na capacidade de propagação da trinca em crescimento, a partir de uma falha do material, o que leva à sua ruptura. • Mecanismo de fratura dúctil: muito mais difícil de ser quantificado, por envolver mais etapas e mais variáveis do que a fratura frágil. A partir da aplicação da tensão, ocorre o escoamento e orientação das moléculas, até o ponto que começa a ocorrer a ruptura. Dois mecanismos são responsáveis, basicamente, pela fratura dúctil: bandas de cisalhamento e formação de trinca: • Bandas de cisalhamento: mecanismo onde há distorção do material sem alteração de volume. • Crazing: consiste no escoamento localizado associado ao início de fratura. Quando é aplicada a tensão, formam- se microvazios que se mantêm (não aumentam) devido às moléculas que estão orientadas em razão das tensões 74 aplicadas, formando, assim, pontes fibrilares, como mostrado na Figura 9. Conforme explica Canevarolo Jr. (2006): [...] ao invés de os buracos coalescerem para formar uma trinca verdadeira, eles são estabilizados por fibrilas de material polimérico orientado, evitando seu aumento. As microfissuras são as regiões onde ocorrem interpenetração dos buracos e das fibrilas, sendo essa estrutura capaz de sustentar tensões (esse fato distingue as fissuras crazes das trincas cracks). As fibrilas têm diâmetro da ordem de 10 a 40 nm, e estão dispersas em caridades de 10 a 20 nm de diâmetro. A grande facilidade com que os líquidos penetram nessa estrutura indica que os buracos devem estar interconectados. As fissuras recém-formadas contêm entre 40 a 60% de polímero em volume. A composição da fissura não é fixa: a densidade aumenta durante o tempo de armazenamento a temperatura ambiente, e diminui ao aplicar a tensão do tipo tração. (CANEVAROLO JR., 2006, p. 203) Figura 9 – Representação esquemática das pontes fibrilares, microvazios e do processo de formação de uma trinca durante uma fratura dúctil Fonte: Hearle (1982 apud CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016, p. 538). 75 PARA SABER MAIS De acordo com Callister Jr. e Rethwisch (2016), o estudo da mecânica da fratura em Ciência e Engenharia dos Materiais, muito aplicadoaos materiais metálicos, também se aplica aos materiais poliméricos, que possuem comportamento frágil ou quase frágil. Conforme mencionado, polímeros com comportamento dúctil possuem mecanismos mais complexos e não podem ser previstos por equações que envolvam apenas tamanhos de trinca, por exemplo. TEORIA EM PRÁTICA Suponha que você é um engenheiro de desenvolvimento de produto de uma indústria fornecedora de peças plásticas para uma importante indústria de geladeiras e precisa desenvolver placas que servirão como base de prateleiras dessas geladeiras e freezeres. Com base nessa situação: a. Procure na literatura indicada nas referências bibliográficas quais matériais poliméricos seriam ideais para tais aplicações. b. Liste esses materiais e a propriedade mecânica que deve ser levada em consideração para a aplicação que você está desenvolvendo. Explique o porquê de tais escolhas. c. A partir da lista, escolha um dos polímeros e argumente mais fortemente a escolha final deste polímero (custo, propriedades mecânicas específicas, etc.). 76 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Um dos ensaios mecânicos mais comuns para análise de materiais é o ensaio de tração, de onde se obtém a curva tensão versus deformação. Sobre o formato da curva tensão versus deformação para um polímero dúctil, assinale a única alternativa correta: a. Se assemelha à curva tensão versus deformação de um metal frágil. b. Se assemelha à curva tensão versus deformação de um metal dúctil. c. Se assemelha à curva tensão versus deformação de uma cerâmica. d. Se assemelha à curva tensão versus deformação de uma borracha. e. Se assemelha à curva tensão versus deformação de um polímero frágil. 2. O módulo de elasticidade é obtido a partir da curva tensão versus deformação, na região elástica, por meio do cálculo de sua inclinação. Essa inclinação pode variar dependendo da temperatura de trabalho de um polímero. Com relação ao módulo de elasticidade e temperatura de um polímero, assinale a única alternativa correta: a. O módulo de elasticidade decresce com a diminuição da temperatura de trabalho do polímero, pois ele se torna mais dúctil. b. O módulo de elasticidade decresce com o aumento da temperatura de trabalho do polímero, pois ele se torna mais dúctil. 77 c. O módulo de elasticidade decresce com o aumento da temperatura de trabalho do polímero, pois ele se torna mais frágil. d. O módulo de elasticidade cresce com o aumento da temperatura de trabalho do polímero, pois ele se torna mais dúctil. e. O módulo de elasticidade decresce com a diminuição da temperatura de trabalho do polímero, pois ele se torna mais frágil. 3. Um polímero, dependendo de suas características relacionadas à sua estrutura molecular e temperatura de trabalho, pode apresentar comportamento dúctil ou frágil, que definirá a forma de fratura deste polímero. Acerca dos mecanismos de fratura de um polímero, assinale a única alternativa correta: a. A fratura frágil de um polímero envolve a formação de pequenos buracos no material que crescem e fraturam o material. b. A fratura dúctil de um polímero envolve a formação de pequenos buracos no material que crescem e fraturam o material. c. A fratura dúctil de um polímero envolve a formação de pequenos buracos no material que não crescem devido às fibrilas formadas por cadeias orientadas. d. A fratura frágil de um polímero envolve a formação de pequenos buracos no material que não crescem devido às fibrilas formadas por cadeias orientadas. e. A fratura frágil de um polímero envolve a formação de pequenos buracos no material que crescem devido às fibrilas formadas por cadeias orientadas. 78 Referências Bibliográficas CALLISTER JR.; W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. 9. ed. 2016. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros. Um Texto Básico Para Tecnólogos e Engenheiros. 2. ed. São Paulo: Editora Artiliber, 2006. COWIE, J. M. G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. Intertext Books. 2007. HEARLE, J. W. S. Polymers and Their Properties, Fundamentals of Structure and Mechanics. Chichester, West Sussex, v. 1, 1982. MANO, E. B. Polímeros Como Materiais de Engenharia. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 1994. MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução A Polímeros. 2. ed. São Paulo: Edgard Blucher, 2004. PADILHA, A. F. Materiais para Engenharia: Microestrutura e Propriedades. Hemus Editora, 2000. WIEBECK, H.; HARADA, J. Plásticos de Engenharia. São Paulo: Ed. Artliber, 2005. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: apesar de os valores de tensão e deformação possuírem diferenças relevantes, o formato da curva tensão versus deformação de um polímero dúctil é semelhante à curva de um metal dúctil, com sua região elástica, limite de escoamento e região plástica. Questão 2–Resposta B Resolução: com o aumento da temperatura de trabalho de um polímero, ele se torna mais dúctil devido à maior mobilidade das moléculas, o que reduz o módulo de elasticidade. Questão 3–Resposta: C 79 Resolução: o processo de fratura dúctil por mecanismo de crazing (fissuramento) envolve a formação de pequenos buracos que não aumentam de tamanho no início do processo devido às pontes formadas pelo conjunto de moléculas alinhadas devido à tensão. Aditivação em polímeros. Tipos de aditivos e funções. Autor: Renato Matroniani Objetivos • Estudar a importância da aditivação em materiais poliméricos. • Estudar os tipos de aditivos utilizados em polímeros. • Compreender a função de cada tipo de aditivo. 81 1. Introdução à aditivação em materiais poliméricos De acordo com Rabello (2000), os aditivos exercem uma importante função na ampliação da faixa de utilização dos materiais poliméricos. A modificação de um polímero pode ser feita por meio de copolimerização, da produção de uma blenda ou de um compósito, mas também por meio da utilização de aditivos, que, nesse caso, se torna um composto polimérico, diferentemente do compósito polimérico. A utilização de aditivos pode ser feita, de acordo com a finalidade, desde o processo de polimerização até à produção da peça ou artefato polimérico para o consumidor final. Ainda segundo Rabello (2000), os aditivos precisam apresentar as seguintes características: • Serem eficientes, para que se possa utilizar o mínimo possível do produto, diminuindo a probabilidade de o mesmo interagir com outras substâncias constituintes do produto. • Serem termicamente estáveis na temperatura de processamento do polímero base. • Possuírem boa dispersão nas misturas. • Não migrar ou migrar quando desejável. A migração de um aditivo pode ser definida como a separação deste do material no qual o mesmo foi adicionado. Isso pode ocorrer pois os aditivos possuem baixo peso molecular. Ela pode ser indesejável, quando causa problemas nas propriedades dos materiais, inclusive propriedades ópticas, mas também podem ser desejáveis, como é o caso dos aditivos antiestéticos. 82 • Serem estáveis em longos tempos de processamento. • Não serem tóxicos, principalmente se forem utilizados com alimentos, medicamentos e outras aplicações críticas. Também não podem alterar o gosto e o odor de alimentos. • Não reduzir as propriedades dos polímeros. Dependendo da quantidade utilizada, o aditivo pode alterar de forma negativa a propriedade do polímero, por exemplo, a redução da resistência mecânica. • Serem viáveis economicamente, ou seja, o uso não deve encarecer significativamente o produto final. De forma geral, entende-se que a utilização dos aditivos em polímeros modifica e os torna mais úteis para determinada aplicação, conforme mencionado por Callister Jr. e Rethwisch (2016): Muitas vezes, entretanto, torna-se necessário modificar as propriedades mecânicas, químicas e físicas em um nível muito superior ao que é possível através de uma simples alteração dessa estrutura molecular fundamental. Substâncias exógenas, chamadas aditivos,são introduzidas intencionalmente para melhorar ou modificar muitas dessas propriedades e, dessa forma, tornar um polímero mais útil para determinado serviço. (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016, p. 565) Como exemplo, Broda et al. (2007), em seus estudos, utilizaram aditivos com o objetivo de modificar as propriedades das fibras de polipropileno (PP), como retardadores de chama e pigmentos. Esses aditivos, além de trazer as propriedades esperadas, também atuaram na nucleação (formação de núcleos para a cristalização do polímero) e em sua viscosidade. 83 2. Tipos de aditivos utilizados em polímeros e suas funções Basicamente, os polímeros podem ser aditivados com os seguintes tipos de substâncias (RABELLO, 2000; CALLISTER Jr.; RETHWISCH, 2016), de acordo com a necessidade da aplicação (Figura 1): Figura 1 – Principais tipos de aditivos para polímeros Plastificantes Estabilizantes e antioxidantes Antiestáticos Nucleantes Cargas ou Enchimentos Pigmentos Retardantes de Chama Modificadores de Impacto Lubrificantes Espumantes ou Agentes de Expansão Fonte: elaborada pelo autor. 2.1 Aditivos plastificantes Também conhecidos como plasticizantes (CALLISTER Jr.; RETHWISCH, 2016), os aditivos plastificantes modificam a ductilidade, a flexibilidade e a tenacidade dos polímeros. Segundo Rabello (2000), eles também aumentam a processabilidade. Esse tipo de aditivo é constituído de pequenas moléculas que ficam localizadas entre as cadeias poliméricas, o que aumenta o espaçamento entre essas cadeias e consequentemente aumenta a sua mobilidade. O policloreto de vinila (PVC) é um dos polímeros mais utilizados, depois do polipropileno e do polietileno (PE). A utilização deste polímero em 84 sua forma rígida é muito comum na construção civil, como em condutos de água e acabamentos em portas e janelas, porém também é utilizado em sua forma flexível (TITOW, 2012). Uma das aplicações do PVC flexível é em filmes para embalar alimentos, bolsas para sangue, fitas isolantes e como recobrimento de cabos elétricos. Além disso, os materiais elastoméricos, como as borrachas, são grandes consumidores de plastificantes. O estudo mais aprofundado do efeito dos plastificantes começou da década de 1930, e se desenvolveu ao longo do século XX. A partir desses estudos, foram desenvolvidas as seguintes teorias (MARTURANO et al., 2017): • Teoria da lubricidade: esta teoria diz que o plastificante atrapalha as interações secundárias (forças de van der Waals) entre as cadeias poliméricas, o que resulta em uma redução da rigidez, gerando polímeros mais flexíveis e deformáveis. • Teoria do gel: é uma teoria paralela à teoria da lubricidade. Esta teoria considera o aditivo plastificante como estando no estado gel, que é o estado intermediário entre o estado sólido e líquido. O aditivo nesse estado, possui fracas ligações com as cadeias poliméricas, que são facilmente quebradas com a aplicação de tensões externas no material. • Teoria do volume livre: de acordo com essa teoria, o volume livre, que é gerado pela movimentação da cadeia principal de um polímero ou de grupos lateriais e terminais, é facilitado pela adição dos platificantes. E com maior possibilidade de movimentação das cadeias, maior flexibilidade o material irá apresentar. • Teoria mecanicista da plastificação: esta teoria considera que a associação dos componentes é variável, e está relacionada com a quantidade de plastificante adicionado. Considera também que a 85 interação entre as moléculas de plastificante pode ser maior que a interação entre o plastificante e o polímero para altas dosagens do aditivo, o que pode gerar um efeito contrário ao esperado. Rabello (2000) propõe a seguinte classificação para os plastificantes, em que cada classe há um grande número de produtos comerciais: • Ftálicos: compreende a maioria dos plastificantes utilizados. Possui grande afinidade com polímeros vinílicos. Exemplos: DOP (dioctil ftalato), DIOP (diisoctil ftalato) e DITP (diiso-tridecil ftalato). • Trimetilatos: possuem composição química similar a dos plastificantes ftálicos, porém são menos voláteis e mais resistentes à extração com água. • Epoxídicos: são plastificantes produzidos a partir de óleos vegetais epoxidados. Os oléos vegetais utilizados são obtidos da soja, linhaça ou de girassol. Segundo Rabello (2000), esses plastificantes são importantes na produção de PVC, pois também são estabilizantes térmicos e luz, além de poderem ser utilizados em aplicações onde há contato com alimentos ou em aplicações médicas. • Poliméricos: são plastificantes de poliésteres termoplásticos lineares com pesos moleculares que podem chegar a 6.000. Quanto maior o peso molecular desses plastificantes, menor será a migração e a volatilização. • Fosfatos: possuem efeito de retardadores de chama, são compatíveis com polímeros vinílicos e baixa volatilidade. • Lineares: possuem baixa viscosidade, estáveis à luz e volatilidade elevada. 86 • Hidrocarbonetos: são plastificantes secundários associados a outros plastificantes utilizados. Como principal característica, seu uso possibilita a redução de custos e possuem efeito retardante de chama. PARA SABER MAIS Além de plastificantes sintéticos, existem os plastificantes baseados em produtos naturais, como óleos epoxidados de girassol e de outros vegetais (conforme já mencionado), além de polissacarídeos (como o amido, a pectina, a quitosana e a celulose), polióis (como o sorbitol e o xilitol). Os plastificantes obtidos de produtos naturais, conforme apontado por Marturano (2017), geralmente são utilizados para aplicações que exigem segurança para contato com alimentos, mas também podem ser utilizados em associação com plastificantes sintéticos. Estes, por sua vez, baseados em propilenoglicol, também são utilizados como plastificantes seguros para utilização com alimentos. 2.2 Aditivos estabilizantes e antioxidantes Para Rabello (2000), os estabilizantes e antioxidantes, atuam retardando alguns fenômenos que podem ocorrer na degradação de polímeros, como: • Quebra da cadeia principal. • Reticulação das cadeias. 87 • Modificação da estrutura química, que pode trazer alteração de cor, e também alterações nas propriedades elétricas. Esses fenômenos podem ocorrer devido a fatores físicos e químicos durante o processamento, e também durante o uso do produto polimérico. Os fatores ou as causas de degradação de um polímero podem ser os apresentados no Quadro 1. Quadro 1 – Causas da degradação de um polímero Causas físicas Causas químicas Térmica Oxidação Mecânica Hidrólise Fotoquímica Ozonólise Radiação de alta energia Acidólise Fonte: adaptado de Rabello (2000, p. 31). Os estabilizantes atuam para retardar a degradação do polímero da seguinte forma: • Por absorção de raios ultravioleta no lugar do polímero principal. • Por bloqueio superficial dos raios ultravioleta. O bloqueio ocorre por absorção ou reflexão deste comprimento de onda, na superfície do polímero. • Por desativação de íons metálicos, que aceleram as reações de degradação do polímero. • Por ação antioxidante, detalhada a seguir. 88 Os antioxidantes atuam inibindo ou retardando o processo de oxidação de um polímero. As substâncias utilizadas como antioxidantes podem ser aminas e fenóis, que possuem átomos de hidrogênio reativos. De acordo com Rabello (2000), existem dois grupos principais de antioxidantes: • Antioxidantes primários: cedem íons de hidrogênio, que reagem com o oxigênio que poderia oxidar ou retirar o hidrogênio da cadeia polimérica. • Antioxidantes secundários: destroem hidroperóxidos, que são um dos principais iniciadores de reações de oxidação. ASSIMILE Existem aplicações em que a degradação do polímero é desejável, como é o caso dos polímeros biodegradáveis ou fotodegradáveis, de acordo com Rabello (2000). Um exemplo de aplicação são os aceleradores de degradação do polietileno, utilizadocomo proteção em plantações agrícolas. Outras aplicações, são as embalagens e artefatos biodegradáveis, que se degradam pela atuação de agentes biológicos. 2.3 Aditivos antiestáticos Os aditivos antiestáticos atuam modificando a resistência elétrica da superfície, permitindo uma dissipação mais eficiente de carga eletrostática. Isso é desejável em determinadas aplicações dos polímeros, que devido à sua característica isolante, acabam por acumular carga eletrostática durante o processamento e aplicação ou uso. 89 Os antiestáticos geralmente são incorporados antes ou durante o processamento do polímero. O agente antiestático migra, então, para a superfície do produto, deixando a parte hidrofílica de sua cadeia em contato com o ambiente, permitindo, assim, a adsorção de umidade do ambiente. A carga eletrostática é então eliminada através das moléculas do aditivo. Para que o antiestático funcione adequadamente, é necessário que a umidade relativa do ambiente, em que o produto polimérico está sendo processado seja elevada, para permitir uma dissipação mais rápida das cargas eletrostáticas. Outra forma de auxiliar na dissipação dessas cargas é por meio da utilização de equipamentos ionizadores. A Figura 2, mostra a ação da umidade relativa do ar na resistividade de poliolefinas. Figura 2 – Efeito da umidade relativa sobre a resistividade de poliolefinas Fonte: Rabello (2000, p. 108). ASSIMILE Os plásticos, de forma geral, podem acumular cargas eletrostáticas, o que traz problemas em sua utilização, pois cagas eletrostáticas atraem poeira, podem gerar choque elétrico, gerar faíscas que causam explosões, dentre outras 90 complicações e diminuição do desempenho do produto polimérico. 2.4 Aditivos nucleantes Os polímeros não formam estruturas totalmente cristalinas, mas é possível aumentar o grau de cristalidade de um polímero com a utilização de agentes nucleantes. Aumentar o grau de cristalinidade, pode ser interessante para aplicações em que se exige uma maior resistência mecânica ou maior resistência química. Para a cristalização de um polímero, é necessário, primeiramente, a formação do núcleo do cristal e na sequência o seu crescimento. A formação do núcleo ou nucleação, é um processo que pode ser homogêneo (sem agentes nucleantes, as cadeias espontaneamente se organizam a uma certa temperatura) ou heterogêneo (com a formação de cristais a partir de uma impureza, superfície ou agente nucleante). Para, Rabello (2000), a nucleação heterogênea é a que exige menor energia, ou seja, é mais favorável termodinamicamente. Para que o aditivo nucleante funcione adequadamente, ele deve ser insolúvel no polímero, ter ponto de fusão maior do que o do polímero e deve estar bem disperso neste polímero. Ainda segundo Rabello (2000), esses nucleantes podem ser: • Substâncias inorgânicas, como o talco, a sílica e a fibra de vidro. • Compostos orgânicos, como certos pigmentos e sais de ácidos carboxílicos. • Poliméricos, como alguns copolímeros de etileno/éster acrílico. 91 2.5 Cargas ou enchimentos Cargas ou enchimentos são materiais sólidos que são incorporados aos polímeros com o objetivo de reduzir os custos e/ou aumentar sua resistência mecânica. Quando uma carga possui a função apenas de redução de custos, ela é chamada de carga inerte ou apenas de enchimento. Quando essa carga possui uma função ativa, ela é chamada de reforço. Essas cargas adicionadas ao polímero, para atuarem como um reforço ou apenas para enchê-lo, e que não se misturam com esse polímero, acaba por transformar o material em um compósito polimérico. As cargas mais comuns utilizadas são o carbonato de cálcio, as argilas, a fibra de vidro, o talco e o negro de fumo. Segundo Callister Jr. e Rethwisch (2016), essas cargas podem possuir tamanhos que variam de 10 nanômetros até dimensões macroscópicas. 2.6 Pigmentos Por vezes também chamados de corantes (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016), os pigmentos são substâncias adicionadas ao polímero para lhe conferir cor, mas também podem interferir na opacidade desse polímero. Ainda segundo o autor, os pigmentos são materiais que não se dissolvem no polímero principal, pois se mantém como pequenas partículas. Os pigmentos também podem aumentar o brilho e melhorar a resistência à radiação violeta, conforme aponta Rabello (2000). O Quadro 2 mostra os principais tipos de pigmentos e suas composições. Destes pigmentos, o dióxido de titânio e o negro de fumo são os mais utilizados na indústria, conferindo as cores branca e preta, respectivamente, aos materiais poliméricos. 92 Quadro 2 – Tipos de pigmentos e principais composições Tipo de pigmento Composição Inorgânicos Dióxido de titânio. Óxido de ferro. Compostos de cádmio. Amarelo de cromo. Laranja de molibdato. Orgânicos Negro de fumo. Azul de ftalocianina. Vermelhos de origem orgânica. Verde de ftalocianina. Fonte: adaptado de Rabello (2000, p. 145). Comercialmente, os pigmentos podem estar nas seguintes formas: • Puros, em forma de pó, para incorporação ao polímero também em pó. • Concentrados sólidos ou masterbatches, onde o polímero compatível é utilizado como veículo e onde o princípio ativo pode estar em concentrações variáveis, chegando a 70%. 93 • Concentrados líquidos, em que o veículo pode ser um plastificante ou um solvente. 2.7 Aditivos retardantes de chama De acordo com Marturano et al. (2017), os polímeros em geral costumam ser inflamáveis. E essa característica que a maioria dos polímeros apresenta é uma preocupação constante, principalmente em indústria de eletrodutos, fios e revestimentos, tecidos e produtos infantis (CALLISTER JR.;RETHWISCH, 2016). Com a combustão de um polímero, as cadeias são quebradas e substâncias são lançadas na atmosfera. Muitas dessas substâncias podem ser tóxicas ou perigosas, por exemplo, o enxofre, o cloro e o flúor. Dessa forma, faz-se necessário, para determinadas aplicações, a utilização de retardantes de chama. Os principais tipos de retardantes de chama, de acordo com Marturano et al. (2017), são: • Halogenados: para esta aplicação, os compostos halogenados utilizam cloro e bromo. Outros halógenos não são utilizados. Os compostos halogenados utilizados como retardantes de chama apresentam ampla faixa de aplicação, são de baixo custo e são efetivos em seu propósito. • Organo-fosforosos: os compostos organo-fosforosos são conhecidos como retardantes de chama formadores de cinzas, pois durante o processo de queima, é produzido ácido fosfórico, que reage e forma este produto carbonizado que protege o substrato polimérico. • Inorgânicos: entre os compostos inorgânicos retardantes de chama, o mais utilizado é o hidróxido de alumínio, que durante o processo de queima, produz óxido de alumínio, que atua como protetor do substrato polimérico. 94 2.8 Aditivos modificadores de impacto Os modificadores de impacto, em sua grande maioria, são compostos elastoméricos ou borrachosos, com temperatura de transição vítrea e módulo de elasticidade mais baixo do que o polímero onde esse aditivo será incorporado (MARTURANO et al., 2017). Os modificadores de impacto podem ser incorporados ao polímero principal por meio de reações de polimerização (como o copolímero em bloco de acrilonitrila-butadieno-estireno) ou por adição de partículas compatíveis (como elastômeros ou compostos a base de butadieno). A utilização de modificadores de impacto, é muito útil para melhorar as propriedades mecânicas de polímeros, que apresentam comportamento frágil em temperatura ambiente, como o poliestireno, ou polímeros que apresentam comportamento frágil em aplicações em que a temperatura de trabalho fica abaixo da temperatura de transição vítrea do polímero. 2.9 Aditivos lubrificantes A função de um lubrificante é facilitar o processamento e a mistura de polímeros. Isso ocorre, pois, o lubrificante diminui a aderência do polímero no estado fundido ou já no estado solidificado coma superfície dos componentes da máquina por onde ele passa. A aderência do polímero com partes da máquina, como matrizes e moldes, pode gerar problemas de qualidade da peça, como fratura do fundido e dificuldades de desmoldagem. De acordo com Rabello (2000), os lubrificantes possuem composição química de hidrocarbonetos ramificados ou hidrocarbonetos polares. Os principais tipos de lubrificantes, segundo o mesmo autor são os ácidos ou álcoois graxos, como o ácido esteárico e o álcool estearílico, e as amidas de ácidos graxos, como a oleamida. 95 Outros aditivos relacionados com os lubrificantes são os aditivos deslizantes, como a oleamida e a erucamida, que diminuem a fricção entre superfícies de filmes e chapas poliméricas; e também os agentes antibloqueio, que possuem em sua composição compostos inorgânicos, como a sílica e o calcário. 2.10 Aditivos espumantes ou agentes de expansão Os aditivos espumantes ou agentes de expansão, são utilizados para a produção de polímeros expandidos e espumas. Esses polímeros são usados, principalmente, como isolantes térmicos e acústicos, mas também como absorvedores de impacto. Um exemplo clássico da aplicação de aditivos utilizados para expansão é com o poliestireno expandido, conhecido pelo nome comercial de Isopor® (Figura 3). Figura 3 – Exemplo de placas de poliestireno expandido Fonte: tanyss/iStock.com. Os agentes físicos utilizados para expansão, são compostos de baixo ponto de ebulição. Durante o processo de produção, na descompressão, esses compostos se volatilizam para formar a estrutura expandida do polímero, também chamada de células. Os gases comumente utilizados são o dióxido de carbono e o nitrogênio. Os agentes químicos utilizados 96 para expansão se encontram na forma de pó, e que se decompõem durante o processamento, gerando – como um dos produtos da decomposição – um gás que expande o polímero. Como exemplos de agentes químicos temos a azodicarbonamida e o oxibenzeno sulfonidrazina. Concluindo este estudo, observa-se a grande importância da utilização de aditivos na produção de artefatos poliméricos, pois estes permitem que esses polímeros adquiram propriedades necessárias para determinadas aplicações, além de reduzir custos de produção e aumentar a produtividade. No entanto, a escolha do aditivo deve ser feita com atenção, pois ele deve apresentar compatibilidade com o polímero, para que este não tenha suas propriedades (mecânicas, opticas, químicas) afetadas. TEORIA EM PRÁTICA Suponha que você é um engenheiro de desenvolvimento de produto de uma indústria de embalagens plásticas para açúcar refinado. É conhecido que a embalagem do açúcar refinado comum apresenta coloração branca. Com base nessa situação: a. Quais aditivos devem constar na formulação de uma embalagem para essa finalidade? b. Explique a finalidade de cada um dos aditivos utilizados nessa formulação. c. Como se trata de uma embalagem para um produto alimentício, quais cuidados devem ser tomados na escolha desses aditivos? Explique. 97 VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Assinale a alternativa que indique o grupo de aditivos utilizado para melhorar o processo de produção de um artefato polimérico, evitando que o polímero fundido tenha adesão às paredes do equipamento: a. Antiestáticos. b. Lubrificantes. c. Plastificantes. d. Modificadores de impacto. e. Nucleantes. 2. A importância da utilização de agentes nucleantes em determinadas aplicações é: a. Reduzir o grau de cristalinidade e, assim, aumentar a resistência química de um polímero. b. Aumentar o grau de cristalinidade e, assim, aumentar a resistência química de um polímero. c. Aumentar o grau de cristalinidade e, assim, reduzir a resistência química de um polímero. d. Aumentar o grau de cristalinidade e, assim, reduzir a resistência mecânica de um polímero. e. Reduzir o grau de cristalinidade e, assim, aumentar a resistência mecânica de um polímero. 3. Assinale a alternativa que indique o grupo de aditivos utilizado para diminuir o módulo de elasticidade de um polímero e torná-lo, também, mais flexível: a. Nucleantes. 98 b. Lubrificantes. c. Antiestéticos. d. Plastificantes. e. Pigmentos. Referências Bibliográficas BRODA, J. et al. Supermolecular structure of polypropylene fibres modified by additives. 5th Central European Conference on Fibre-Grade Polymers. Chemical Fibres, Cracóvia (Polônia), v. 15, 2007. CALLISTER JR. W. D., RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. COWIE, J.M.G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. Boca Raton: CRC Press, Intertext Books, 2007. MANO, E. B. Polímeros Como Materiais de Engenharia. 2. ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 1994. MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução a Polímeros. 2. ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2004. MARTURANO, V.; CERUTI, P., AMBROGI, V. Polymer additives. Physical Sciences Reviews, Berlim: Walter de Gruyter Ed., 2017. RABELLO, M. Aditivação de Polímeros. 1. ed. São Paulo: Artliber – ABPol – Associação Brasileira de Polímeros, 2000. TITOW M. PVC technology. Berlim: Springer Science & Business Media, 2012. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: os lubrificantes são utilizados como melhoradores de processo, pois reduzem a possibilidade de adesão do polímero que está em processo com as partes da máquina. Questão 2–Resposta B 99 Resolução: o aumento do grau de cristalinidade aumenta a resistência química e melhora a resistência mecânica de polímeros semicristalinos. Questão 3–Resposta: D Resolução: os plastificantes são utilizados para aumentar o espaço entre as cadeias poliméricas, permitindo maior mobilidade, o que resulta em redução do módulo de elasticidade e aumento da flexibilidade do polímero. Fundamentos dos processos de fabricação (obtenção) de materiais poliméricos (plásticos, elastômeros e compósitos poliméricos). Autor: Renato Matroniani Objetivos • Estudar as principais formas de obtenção de materiais poliméricos. • Estudar as matérias-primas utilizadas nos processos de fabricação de materiais poliméricos. • Conhecer as características de cada um dos processos de fabricação. • Conhecer os principais conceitos de compósitos com matrizes poliméricas. 101 1. Introdução à obtenção de materiais poliméricos Os materiais poliméricos podem ser obtidos da natureza ou sintetizados. Exemplos de polímeros naturais são a celulose, a borracha natural e o amido. Já os polímeros sintéticos, são obtidos a partir da polimerização de substâncias derivadas principalmente do petróleo. A ideia inicial na produção de polímeros sintéticos era que apresentassem as mesmas propriedades dos polímeros naturais, como o início da produção de borrachas sintéticas por falta da borracha natural, após a Segunda Grande Guerra. Os polímeros sintéticos, apesar do processo de transformação por meio das indústrias petroquímicas, são mais viáveis economicamente do que a obtenção de polímeros naturais (SILVA; SILVA, 2003). Os polímeros podem ser agrupados, conforme o meio de obtenção e a finalidade em (Figura 1): Figura 1 – Divisão dos grupos de polímeros de acordo com sua origem e finalidade Polímeros Naturais Sintéticos Termoplásticos Termofixos Elastômeros Fonte: adaptado de Callister Jr. e Rethwisch (2016). 102 2. Matérias-primas utilizadas na obtenção de polímeros De acordo com Canevarolo Jr. (2006), as principais fontes de matérias- primas para a obtenção dos polímeros são: • Produtos naturais: polímeros naturais podem passar ou não por transformações para serem utilizados comercialmente. Entre os polímeros naturais mais utilizados, temos a celulose e a borracha natural. A celulose é um carboidrato que constitui a maioria dos vegetais, tem em sua estrutura moléculas de glicose ligadas por oxigênio, conforme Figura 2. Figura 2 – Molécula de celulose Fonte: grebeshkovmaxim/iStock.com. A borracha natural também é um polímero muitoutilizado pelo homem, segundo Canevarolo Jr. (2006), e é obtido a partir do látex da seringueira, por meio de processos modernos de extração, o que antes era obtido através da prática do extrativismo. A seringueira, cujo nome científico é Havea Brasiliensis, produz a borracha natural, cuja composição química é o poli-cis-isopreno, representada pela molécula da Figura 3. 103 Figura 3 – Estrutura química do poli-cis-isopreno, ou borracha natural Fonte: Molekuul/iStock.com. • Carvão mineral: também conhecido como hulha, o carvão mineral, quando destilado, gera os seguintes produtos e subprodutos: Quadro 1 – Subprodutos do carvão mineral e sua utilizada de na obtenção de polímeros Produto Subproduto Polímero Gás de hulha Etileno Polietileno. Metano Folmaldeído Resinas fenol- formaldeído. Resinas ureia- folmaldeído. Resinas melamina- formaldeído. Amônia Uréia Agentes de cura das resinas epóxi. Aminas 104 Alcatrão Benzeno Fenol Poliestireno. Poliuretano. Coque Acetileno Etileno Polietileno. Acetileno Cloreto de vinila Policloreto de vinila. Fonte: adaptado de Canevarolo Jr. (2006). • Petróleo: constitui a fonte mais importante e mais utilizada de matérias-primas (substâncias) para a produção de polímeros. Através da destilação fracionada do petróleo, são obtidos diversos subprodutos. Um dos subprodutos dessa destilação é a nafta, e da nafta são obtidos diversos monômeros utilizados na produção de polímeros, que constitui a indústria petroquímica de primeira geração. A Figura 4 mostra, esquematicamente, as frações resultantes da destilação do petróleo e os produtos derivados dessas frações. Figura 4 – Frações e produtos resultantes da destilação do petróleo Fonte: Farah (2012, p. 71). 105 Segundo Bastos (2007), a maioria dos polímeros produzidos são sintéticos e derivados do petróleo, das frações de nafta, como dito anteriormente, mas também do gás natural. A transformação dos monômeros em polímeros se dá em petroquímicas de segunda geração, que transformam, por exemplo, o eteno em polietileno (PE) e o propeno em polipropileno (PP). Segundo Brito et al. (2011), a indústria química tem o desafio de encontrar substitutos para o petróleo, devido às restrições ambientais e a variação dos preços no mercado mundial. Os polímeros obtidos a partir de monômeros resultados de fontes renováveis, costumam ser chamados de polímeros verdes. São considerados polímeros verdes os polímeros que trazem menor impacto ambiental em sua obtenção, pois são obtidos de fontes renováveis. Esses polímeros também são chamados de polímeros sustentáveis. O termo verde é acrescentado ao nome do polímero comum, por exemplo, PVC verde ou PE verde. De acordo com o mesmo autor, a Braskem S. A. foi pioneira no Brasil em produzir polímeros obtidos de fontes renováveis, a partir da cana-de-açúcar, em 2007. Um dos produtores de PVC verde no Brasil é a Solvay Indupa, que também se baseia no etanol obtido da cana-de-açúcar. Ainda, segundo Brito et al. (2011), o eteno é obtido através da desidratação do etanol da cana-de-açúcar, gerando como subprodutos a água e substâncias oxigenadas, que não causam grande impacto ambiental. Importante destacar que os polímeros verdes possuem a mesma composição química, estrutura e aplicações que seus respectivos polímeros obtidos de fontes não renováveis, porém não são biodegradáveis. A Figura 5 mostra o processo de obtenção de alguns tipos de plástico por meio da cana-de-açúcar. 106 Figura 5 – Ciclo de obtenção de plásticos através da cana-de-açúcar Fonte: Braskem (2019). 3. Tipos de polimerização em reatores industriais Para o estudo dos tipos de polimerização que ocorrem em reatores industriais, vamos tomar como base a polimerização do polipropileno (PP). Segundo Ferreira (2015), o polipropileno pode ser obtido por polimerização em massa, em solução, em emulsão, em suspensão e por precipitação. Cada um desses tipos de obtenção apresenta características próprias, vantagens e desvantagens, conforme descrito a seguir. 3.1 Polimerização em massa Na polimerização em massa, temos, como mistura reacional, o monômero e o iniciador de reação, em que o monômero funciona como um solvente para o polímero que será sintetizado no reator. 107 Como vantagens, o polímero produzido apresenta elavado grau de pureza e elevado rendimento, dependendo do volume do reator. Como desvantagens, a reação de polimerização, por ser exotérmica, apresenta dificuldade de controle de temperatura, além de dificuldades de remoção do monômero que não reagiu e elevada distribuição de pesos moleculares do polímero formado. A Figura 6 mostra uma petroquímica, onde os reatores comumente ficam do lado externo da fábrica. De acordo com Mano e Mendes (2004), na polimerização em massa, não há formação de subprodutos, o que é muito vantajoso quando se deseja evitar contaminantes que podem ser difíceis de serem removidos. Os polímeros formados neste tipo de reação possuem excelentes qualidades ópticas e elétricas. Exemplo da aplicação da polimerização em massa é na produção de polimetil metacrilato (PMMA – Figura 7) e o poliuretano (PU). Figura 6 – Imagem de uma petroquímica de produção de polímeros Fonte: Weerapong Khodsom/iStock.com. 108 Figura 7 – Representação do monômero de metacrilato de metila e do polímero polimetacrilato de metila Fonte: iStock – Molekuul/iStock.com. 3.2 Polimerização em solução Na polimerização em solução, o solvente utilizado deve ser miscível com o monômero e com o polímero. Como vantagens, temos um maior controle do processo devido à eficiência na transferência de calor do sistema. Como desvantagens, há um menor rendimento em relação à capacidade do reator e dificuldades na remoção total do solvente. Apesar disso, conforme Mano e Mendes (2004), esse tipo de polimerização também não produz subprodutos. 3.3 Polimeração em emulsão Na polimerização em emulsão, apesar de o iniciador de cadeia ser miscível em água, o monômero e o polímero formado são imiscíveis. É utilizado aditivo para estabilizar a solução no início da polimerização. Esse tipo de polimerização apresenta como vantagem a elevada taxa 109 de polimerização com a formação de cadeias longas e com estreita distribuição de peso molecular. A emulsão também permite uma grande eficiência na transferência de calor. Apesar disso, os custos de obtenção do polímero no estado sólido são mais altos que outras formas de obtenção, e os rendimentos são mais baixos, além da presença de contaminantes na emulsão. De acordo com Mano e Mendes (2004), um dos exemplos de polímeros produzidos por polimerização em solução é o policloreto de vinila (PVC). 3.4 Polimerização em suspensão Assim como na polimerização em emulsão, o monômero e o polímero ficam insolúveis em solução, enquanto que o iniciador de cadeia é solúvel no monômero. Neste tipo de sistema, há maior controle de temperatura, e o polímero obtido é mais fácil de ser retirado do meio reativo, porém, como desvantagens, o sistema requer agitação constante, e podem ocorrer contaminações nas superfícies dos polímeros formados. Segundo Mano e Mendes (2004), o poliestireno (OS) e também o PVC são produzidos por este tipo de polimerização. 3.5 Polimerização por precipitação Neste tipo de polimerização, o polímero formado é insolúvel no monômero, porém miscível com o agente que auxilia em sua precipitação. Este tipo de reação ocorre a temperaturas mais baixas que os outros tipos de reação, mas a separação do polímero formado é mais difícil. 4. Compósitos poliméricos De acordo com Wiebeck e Harada (2005), muitos materiais compósitos são obtidos da natureza, por exemplo, a madeira, que é um compósito 110 natural formado por fibras flexíveis de celulose com lignina. O osso humano também pode ser considerado um compósito natural, formado por hidroxi-apatita (um material cerâmico) com colágeno. Conforme Callister Jr. e Rethwisch (2016), um compósito basicamenteé constituído pela fase matriz e pela fase dispersa, e as propriedades finais estão em função das propriedades das fases constituintes, suas quantidades relativas e da geometria da fase dispersa. Os compósitos podem ser classificados em três grandes grupos, a saber: compósitos reforçados com partículas, compósitos reforçados com fibras e compósitos estruturais. Callister Jr. e Rethwisch (2016) propõem uma divisão mais detalhada, conforme a Figura 8: Figura 8 – Classificação dos materiais compósitos Materiais compósitos Reforçado com partículas Partículas grandes Reforçado por dispersão Reforçado com fibras Contínuo (alinhado) Descontínuo (curto) Alinhado Orientado aleatoriamente Estrutural Laminados Paineis em sanduíche Fonte: adaptada de Callister Jr. e Rethwisch (2016). Conforme Wiebeck e Harada (2005), os materiais plásticos compósitos mais comuns são obtidos pela combinação de uma fase contínua polimérica, que é a matriz, com reforço por uma fase descontínua geralmente composta por fibras, que se agregam após o processo de 111 cura, ou seja, a matriz polimérica é termofixa. Segundo os mesmos autores, as fibras podem ser de vidro, aramida ou de carbono, dependendo da aplicação. Também existem compósitos de matriz polimérica termoplástica, em que o polímero utilizado pode ser a poliamida, polipropileno, poliestireno dentre outros. Neste caso, as fibras são curtas e distribuídas de forma aleatória. PARA SABER MAIS Após a fase do refino de petróleo, de acordo com o produto gerado, as petroquímicas podem ser divididas em petroquímicas de primeira, segunda e terceira geração (GOMES, DVORSAK; HEIL, 2005). Essa divisão é baseada na fase da cadeia: produção de matéria-prima para polimerização, polimerização e produção por meio das indústrias de transformação. Com base na divisão das petroquímicas, temos que as petroquímicas de primeira geração transformam os produtos obtidos das petrolíferas, como a nafta, o gás natural e o etano. Já as petroquímicas de segunda geração, transformam os produtos das petroquímicas de primeira geração, como as resinas termoplásticas em produtos como elastômeros, fibras e tintas. Por fim, as petroquímicas de terceira geração são as indústrias de transformação, como indústrias de embalagens, de artefatos plásticos e outros, que fornecem esses produtos para outras indústrias, como as indústrias de alimentos, automobilísticas e de contrução civil. A Figura 9 mostra, esquematicamente, as divisões da indústria petroquímica, bem como seus produtos. 112 Figura 9 – Divisões da indústria petroquímica Fonte: adaptada de Gomes et al. (2005). ASSIMILE A obtenção de polímeros verdes traz não apenas vantagens para o meio ambiente, por serem produzidos de fontes renováveis, como a cana-de-açúcar, mas também por captarem gás carbônico da atmosfera, ao contrário dos combustíveis fósseis, que produzem gás carbônico. Além disso, as empresas que utilizam embalagens feitas com polímeros verdes possuem um diferencial competitivo frente ao consumidor final, ao trazer a imagem de um produto sustentável, conforme descrito por Braskem (2019). 113 TEORIA EM PRÁTICA Você, como engenheiro de materiais de sua empresa, visa desenvolver um conceito de sustentabilidade em seus produtos poliméricos. Muitas vezes, os produtos poliméricos são vistos como vilões pois são, na maioria das vezes, obtidos a partir de matérias-primas de fontes não renováveis. Exemplos clássicos são as sacolas de supermercado e os canudos plásticos. a) Quais estratégias podem ser adotadas por você no desenvolvimento de produtos sustentáveis? b) Explique a diferença entre um polímero biodegradável e um polímero verde. Qual dos dois tipos de polímeros você utilizaria como matéria-prima, visando um diferencial competitivo em seus produtos? Esses materiais podem ser considerados sustentáveis? Explique. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. No grande grupo dos materiais poliméricos, temos os polímeros que podem ser obtidos diretamente da natureza e os polímeros que são obtidos por um processo de síntese em reatores, ques são conhecidos como polímeros sintéticos. Assinale a única alternativa que apresente um polímero natural e um polímero sintético, nesta ordem: a. Borracha natural e celulose. b. Celulose e polietileno. 114 c. Polietileno e poliestireno. d. Policloreto de vinila e celulose. e. Poliestireno e borracha natural. 2. O petróleo é a principal fonte para a obtenção de polímeros sintéticos a partir de seus subprodutos. Assinale a única alternativa que apresenta os subprodutos da destilação fracionada do petróleo que podem ser utilizados para a produção de materiais poliméricos: a. Diesel e gasolina. b. Gás natural e nafta. c. Gasolina e nafta. d. Nafta e gás natural. e. Diesel e nafta. 3. Existem diversos meios reativos para polimerização em reatores. Assinale a única alternativa que apresenta o tipo de polimerização do polimetacrilato de metila, e que permite a obtenção de um polímero com elevada transparência. a. Polimerização em massa. b. Polimerização em emulsão. c. Polimerização em solução. d. Polimerização por precipitação. e. Polimerização em suspensão. 115 Referências Bibliográficas BASTOS, V. D. Biopolímeros e polímeros de matérias-primas renováveis alternativos aos petroquímicos. Revista do BNDES, Rio de Janeiro, v. 14, n. 28, p. 201-234, dez./2007. BRASKEM. Plástico Verde: Como é produzido. Disponível em: http://plasticoverde. braskem.com.br/site.aspx/Como-e-Produzido. Acesso em: 1 set. 2019. BRITO, G. F. et al. Biopolímeros, Polímeros Biodegradáveis e Polímeros Verdes. Departamento de Engenharia de Materiais – Universidade Federal de Campina Grande. Revista Eletrônica de Materiais e Processos, v. 6.2, p. 127-139, 2011. CALLISTER JR. W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC – Livros Técnicos e Científicos Editora, 2016. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros: um texto básico para tecnólogos e engenheiros. 2. ed. São Paulo: Editora Artiliber, 2006. COWIE, J. M. G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. Boca Raton: CRC Press, Intertext Books, 2007. FARAH, M. A. Petróleo e seus derivados: definição, constituição, aplicação, especificações, características de qualidade. Rio de Janeiro: LTC, 2012. GOMES, G.; DVORSAK, P.; HEIL, T. T. Indústria petroquímica brasileira: situação atual e perspectivas. BNDES Setorial, Rio de Janeiro, n. 21, p. 75-104, 2005. MANO, E. B. Polímeros Como Materiais de Engenharia. 2. ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 1994. MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução A Polímeros. 2. ed. São Paulo: Editora Edgard Blucher, 2004. SILVA, A. L. B. B.; SILVA, E. O. Conhecendo Materiais Poliméricos. Instituto de Ciências Exatas e da Terra, Universidade Federal de Mato Grosso, Cuiabá, 2003. WIEBECK, H.; HARADA, J. Plásticos de Engenharia. São Paulo: Ed. Artliber, 2005. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: a celulose é um exemplo de polímero natual obtido diretamente da natureza, e o polietino é um exemplo clássico de um polímero sintético obtido por reações de polimerização do eteno, nesta ordem. 116 Questão 2–Resposta B Resolução: o gás natural ou gás líquido de petróleo (GLP) e a nafta são os produtos da destilação fracionada do petróleo que são utilizados nas petroquímicas de primeira e segunda geração. Questão 3–Resposta: A Resolução: de acordo com Mano e Mendes (2004), na polimerização em massa não há formação de subprodutos, o que é muito vantajoso quando se deseja evitar contaminantes que podem ser difíceis de serem removidos. Os polímeros formados neste tipo de reação possuem excelentes qualidades ópticas. Técnicas de transformação e aplicações (extrusão, moldagem por injeção, sopro de filmes, termoformagem, fiação, imersão, calandragem. Autor: Renato Matroniani Objetivos • Estudar as principais técnicas de transformação de materiais poliméricos.• Estudar as aplicações dos produtos obtidos pelas técnicas de transformação de materiais poliméricos. • Conhecer as características de cada um dos processos de transformação de materiais polimericos. 118 1. Introdução às técnicas de transformação de materiais poliméricos Para a produção dos mais diversos artefatos poliméricos, são empregadas diversas técnicas de transformação, também chamadas de conformação. De acordo com Callister Jr. e Rethwisch (2016), a técnica escolhida irá depender de fatores específicos, a saber: • Se o polímero é um termoplástico ou termorrígido. • No caso dos polímeros termoplásticos amorfos e semicristalinos, qual a temperatura de amolecimento. • Da estabilidade do polímero. • Da forma do produto que se quer obter (geometria e tamanho). Para a conformação de polímeros, duas variáveis importantes devem ser consideradas: temperatura e pressão aplicadas, o que depende do tipo de polímero e do tipo de artefato que se deseja obter. Dentre as técnicas de transformação de polímeros, destaca-se (CALLISTER JR.; RETHWISCH, 2016): • Extrusão. • Moldagem por injeção. • Sopro de filmes. • Termoformagem. • Fiação. • Imersão. • Calandragem. 119 2. Técnicas de transformações de polímeros, características e aplicações 2.1 Extrusão Conforme explicam Callister Jr. e Rethwisch (2016), no processo de extrusão, o polímero, geralmente um termoplástico, é moldado por meio de uma matriz de extremidade aberta. Uma rosca, com desenho específico para cada tipo de polímero, transporta o material que se encontra em forma de grãos, que são conhecidos como pellets (Figura 1). Durante esse transporte, o material também é submetido a pressão e temperatura, o que faz com que amoleça. Ao sair da extrusora, o material pode ser resfriado com ar ou com água. Na Figura 2, a extrusora representada pode ser utilizada para diversos fins, como granular o polímero em pó, produzir filmes, lâminas, peças estruturais, tubos e condutos, ou seja, o processamento do polímero feito por meio de uma rosca ou parafuso, para esses diferentes produtos, é semelhante, o que muda é a matriz utilizada ao final do processo. Importante destacar que o formato e o tamanho do pellet devem manter uma uniformidade, pois tamanhos variados sendo utilizados no mesmo processo podem causar problemas de qualidade. Basta pensar que um pellet maior dentro de uma rosca de uma extrusora, levará mais tempo para amolecer e/ou fundir, e pode chegar a sair da extrusora parcialmente sólido, o que gera pontos conhecidos como “olho de peixe”. 120 Figura 1 – Polímeros em forma de pellets que são utilizados em seu processamento Fonte: MiguelMalo/iStock.com. Figura 2 – Desenho esquemático de uma extrusora Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 568). A extrusão de polímeros é aplicável tanto aos termoplásticos, como tubos de policloreto de vinila (PVC), filmes de polietileno (PE) e polipropileno (PP), como também para pisos de borrachas termofixas. Para isso, a formulação deve estar com parâmetros adequados, como a viscosidade e a compatibilidade dos componentes, para que o produto final tenha as propriedades desejadas. Fios de cobre podem ser 121 revestidos com PVC a partir do processo de extrusão e formar camadas sobrepostas sobre outros substratos, como também produzir materiais que serão utilizados em outros processos de conformação de polímeros (MANO; MENDES, 2004). Uma das formas mais comuns da utilização da extrusão como processo de produção é a extrusão de filmes inflados ou extrusão balão, nome este dado pela formação de uma espécie de bolha que é inflada após o material fundido e/ou amolecido sair da matriz de extremidade aberta, conforme Figura 3. Figura 3 – Fábrica com máquinas de extrusão do tipo balão ou inflado Fonte: valtron84/iStock.com. 2.2 Moldagem por injeção De acordo com Callister Jr. e Rethwisch (2016), a moldagem por injeção e polímeros pode ser comparada à fundição em matriz para os materiais metálicos. Essa técnica é amplamente utilizada em polímeros termoplásticos e consiste em, de acordo com Mano e 122 Mendes (2004), inserir material termoplástico moldável, fundido em um cilindro aquecido, em um molde, por meio de pressão gerada por um êmbolo ou pistão (Figura 4). O material utilizado neste processo de transformação é semelhante ao processo de extrusão, no formato de pellets. O processo de injeção, ao contrário do processo de extrusão, é um processo descontínuo, ou seja, para cada peça ou grupo de peças produzidas, por meio da injeção de material fundido no molde (Figura 5), há um ciclo de amolecimento do material realizado por uma rosca sem fim, que plastifica e homogeniza o composto polimérico. A refrigeração do material formado é realizada dentro do molde. Outra diferença importante da moldagem por injeção, em relação à moldagem por extrusão, é que na moldagem por injeção, o polímero deve estar a uma viscosidade mais baixa que na extrusão, para facilitar o escoamento do material fundido pelos canais e preenchimento da cavidade do molde. Figura 4 – Representação esquemática do processo de moldagem por injeção utilizando uma injetora de pistão Fonte: Callister Jr. e Rethwisch (2016, p. 568). Exemplos clássicos de materiais poliméricos produzidos pela técnica de injeção são utensílios domésticos, pré-formas para moldagem por sopro, brinquedos, determinadas peças para automóveis, partes de máquinas de lavar roupas, alguns modelos de caixa d’água, bijuterias, dentre outros (MANO; MENDES, 2004). A mesma autora também cita que como 123 desvantagem desse processo de transformação, é a elevada quantidade de material descartado após a moldagem, resultado dos pequenos dutos existentes no molde, por onde passa o polímero fundido. Parte desse material descartado, pode ser reprocessado e reaproveitado no mesmo processo. Figura 5 – Exemplo de um molde para injeção de polímeros termoplásticos Fonte: surasak petchang/iStock.com. 2.3 Moldagem por sopro Conforme Callister Jr. e Rethwisch (2016), o sopro de polímeros é um processo semelhante ao utilizado na produção de garrafas de vidro. Neste processo, inicialmente, um parison ou trecho de tubo é moldado por extrusão ou injetado (Figura 6). Esse parison é colocado em um molde com o formato da peça polimérica desejada, e é aquecido até ficar no estado quase fundido. A partir deste momento é injetado ar ou vapor dentro desse trecho de polímero, que o força contra a parede do molde, fazendo-o tomar a forma da peça final (Figura 7). Os produtos 124 típicos fabricados por esse processo são frascos, garrafas e brinquedos de grandes dimensões (Figura 8). Figura 6 – Exemplo de parison injetado para a fabricação de garrafas Fonte: kwanisik/iStock.com. Figura 7 – Processo de conformação do parison via sopro Fonte: Mano e Mendes (2004, p. 71). 125 Figura 8 – Exemplos de frascos produzidos pelo processo de sopro Fonte: Phuchit/iStock.com. 2.4 Termoformagem O processo de termoformagem, ou termoformação, como explicam Mano e Mendes (2004), é o processo de moldagem de peças plásticas realizada pelo aquecimento de placas até o seu amolecimento, e posterior aplicação sobre um molde maciço, com furos, por onde é aplicado vácuo (Figura 9). Neste tipo de processo, é possível a fabricação de produtos como bandejas e copos. Os materiais plásticos comumente utilizados neste tipo de fabricação, são o poliestireno (PS), polietileno (PE), polimetil metacrilato (PMMA), dentre outros. Figura 9 – Etapas do processo de termoformagem Fonte: Mano (2004, p. 71) 126 2.5 Fiação O processo de fiação pode ser subdividido em fiação seca e fiação úmida (MANO; MENDES, 2004). Na fiação seca, são produzidas fibras que são resistentes ao calor, mas não são resistentes a solventes aquecidos. Durante o processo de fiação, o polímero passa pelo orifício da fieira com uma elevada viscosidade. Após a evaporação do solvente, os fios sesolidificam, e são enrolados em bobinas. Se for necessário o aumento da resistência na direção do fio, este deve ser esticado nesta direção. Como exemplos de fios fabricados por este processo temos as lãs acrílicas, cuja composição química é poliacrilonitrila (PAN). Fios de poliéster também são obtidos pela fiação (Figura 10). Figura 10 – Exemplo de fios de filamentos de poliéster, após fiação Fonte: RecycleMan/iStock.com. Já a fiação úmida é utilizada para fiação de polímeros termorrígidos solúveis em água, que passam por fiação e posterior tratamento mecânico para utilização industrial. Outro produto obtido por esse processo, são as fibras de celulose, de onde são obtidos os fios de raion. 127 2.6 Imersão De acordo com Mano e Mendes (2004), por meio do processo de imersão são obtidas peças poliméricas ocas, pela deposição de polímero viscoso, principalmente polímeros termofixos, sobre o molde. A espessura obtida no produto depende de quantas camadas são depositadas, ou quantas vezes faz-se a deposição do polímero sobre o molde. O molde deve ser preparado de tal forma que facilite a desmoldagem e, para isso, muitas vezes, é utilizado silicone em sua forma líquida viscosa, para lubrificar o molde. Exemplos de produtos obtidos por este processo são balões (bexigas) de aniversário e luvas cirúrgicas (Figura 11). Figura 11 – Exemplo de luva cirúrgica fabricada pelo processo de imersão Fonte: Mano e Mendes (2004, p. 74). 2.7 Calandragem A calandragem é o processo que permite a fabricação de produtos poliméricos em forma de filmes e lâminas contínuas. Na calandragem, segundo Mano e Mendes (2004), o polímero passa por rolos sobrepostos (Figura 12). Esse tipo de processo, permite a produção de grandes 128 volumes de produtos finais. Como ponto de atenção, deve-se controlar a espessura do produto, para que as variações estejam dentro do especificado, de acordo com a qualidade exigida. Um exemplo típico de material produzido por esse processo são as cortinas de policloreto de vinila (PVC). Além de ser aplicável a polímeros termoplásticos, o processo pode ser aplicado a polímeros termorrígidos, por exemplo, para a fabricação de esteiras e bandas de pneus, desde que se faça o controle para evitar pré-vulcanização do mesmo durante o processo. Figura 12 – Representação esquemática do processo de calandragem Fonte: Mano e Mendes (2004, p. 69). PARA SABER MAIS Um dos processos de conformação de polímeros não citado nesse texto, que cada vez mais se torna importante, é a impressão 3D com filamentos poliméricos (BEYCA et al., 2018). Neste tipo de impressão (ou conformação), o polímero em forma de fio alimenta a pequena extrusora que existe dentro do equipamento, que aquece e extruda 129 o material de acordo com a forma desejada. Esse tipo de manufatura é conhecido como manufatura aditiva (Figura 13). Figura 13 – Exemplo de uma impressora 3D que utiliza material polimérico Fonte: RecycleMan/iStock.com. ASSIMILE Observa-se que em todos os processos de conformação de polímeros aqui apresentados, a temperatura elevada está presente. Essa condição é necessária para que haja movimentação suficiente das cadeias poliméricas do material, e posterior acomodação, o que evita possíveis pontos frágeis, em que a cadeia não conseguiu se movimentar para se conformar ao molde. O controle 130 de temperatura também deve ser rígido. Processos que envolvem polímeros são muito sensíveis a pequenas variações de temperatura, e sua falta de controle gera defeitos nas peças e artefatos. TEORIA EM PRÁTICA Você, como engenheiro de materiais de sua empresa, precisa desenvolver um método para controle de processo de fabricação de filmes plásticos para embalagem, fabricado a partir do processo de extrusão balão. Com base nessa situação, responda: a. Por que o processo utilizado para a fabricação de filmes para embalagens é a extrusão balão? b. Existe outro processo, dentre os mencionados nesse texto, que podem ser utilizados para esse mesmo fim? c. Quais parâmetros de processo devem ser controlados a fim de se obter filmes com qualidade adequada? Explique. VERIFICAÇÃO DE LEITURA 1. Dentre os diversos processos de fabricação de artefatos poliméricos, um se destaca por produzir filmes finos que podem ser utilizados para embalagens plásticas flexíveis, com um dos polímeros mais utilizados na indústria. 131 Assinale a alternativa que contém o nome do processo descrito no enunciado: a. Injeção. b. Extrusão balão. c. Fiação. d. Sopro. e. Termoformagem. 2. Assinale a única alternativa que apresenta o nome do processo de fabricação que exige a utilização de um parison, que seria um pré-moldado polimérico, fabricado a partir de extrusão ou injeção, é conhecido como: a. Injeção. b. Extrusão balão. c. Termoformagem. d. Sopro. e. Calandragem. 3. No processo de fiação, são fabricados fios muito utilizados em tecelagens para a produção de artigos de vestuário. Assinale a única alternativa que contém o nome correto do polímero que constitui a lã acrílica e o processo de fiação (se via úmida ou seca). a. Poliacrilonitrila, fiação seca. b. Poliacrilonitrila, fiação úmida. c. Policloreto de vinila, fiação seca. d. Policloreto de vinila, fiação úmida. e. Polietileno, fiação seca. 132 Referências Bibliográficas BEYCA, O. F. et al. Additive Manufacturing Technologies and Applications. Industry 4.0: Managing The Digital Transformation. Springer International Publishing Switzerland, 2018. CALLISTER JR., W. D.; RETHWISCH, D. G. Ciência e Engenharia de Materiais – Uma Introdução. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2016. CANEVAROLO JR., S. V. Ciência dos Polímeros. Um Texto Básico Para Tecnólogos e Engenheiros. 2. ed. São Paulo: Editora Artiliber, 2006. COWIE, J. M. G. Polymer: Chemistry and Physics of Modern Materials. Flórida: Intertext Books, 2007. MANO, E. B.; MENDES, L. C. Introdução a Polímeros. 2. ed. São Paulo: Editora: Edgard Blucher, 2004. WIEBECK, H.; HARADA, J. Plásticos de Engenharia. São Paulo: Ed. Artliber, 2005. Gabarito Questão 1–Resposta B Resolução: a extrusão balão de polietileno permite a obtenção de filmes de baixa espessura, que podem ser utilizados para as mais diversas embalagens plásticas flexíveis. Questão 2–Resposta D Resolução: o sopro é o processo que utiliza um parison, que é inserido em um molde. Esse parison, fabricado por meio de injeção ou extrusão, é inflado com ar ou vapor, até a parede do molde, e toma a forma deste. Questão 3–Resposta: A Resolução: o nome do polímero utilizado para a fabricação da lã acrílica, muito utilizada em artigos de vestuário, é a PAN (poliacrilonitrila), obtida pela fiação a seco. 133 Apresentação da disciplina Introdução e Fundamentos de Polímeros Fundamentos de reologia de polímeros no estado fundido e propriedades viscoelásticas de polímeros Estrutura e propriedades de compósitos poliméricos e blendas poliméricas Propriedades mecânicas dos materiais poliméricos. Física de polímeros (mecanismos de deformação plás Aditivação em polímeros. Tipos de aditivos e funções. Fundamentos dos processos de fabricação (obtenção) de materiais poliméricos (plásticos, elastômeros Técnicas de transformação e aplicações (extrusão, moldagem por injeção, sopro de filmes, ter