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APG SISTEMA DIGESTORIO

Resumo anatômico do sistema digestório: descreve canal alimentar e órgãos acessórios, funções na digestão e motilidade, e a organização em quatro camadas da parede — túnica mucosa (epitélio, lâmina própria, lâmina muscular), tela submucosa com plexo submucoso e túnica muscular.

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APG	POLLIANY	FOLLMANN	
SISTEMA	DIGESTÓRIO	
	
TUBO	DIGESTÓRIO	
	
O	sistema	digestório	é	constituído	por	um	grupo	de	órgãos	que	decompõem	o	alimento	que	consumimos	em	moléculas	
menores	passíveis	de	serem	utilizadas	pelas	células	do	corpo.		
Dois	grupos	de	órgãos	compõem	o	sistema	digestório:	o	canal	alimentar	e	os	órgãos	digestórios	acessórios.		
O	canal	alimentar	ou	trato	gastrintestinal	(GI)	é	um	tubo	contínuo	que	se	estende	do	esôfago	até	o	ânus	pelas	cavidades	
torácica	e	abdominopélvica;	os	órgãos	do	canal	alimentar	incluem:	esôfago,	estômago,	intestino	delgado,	intestino	grosso	
e	o	canal	anal.	O	comprimento	do	canal	alimentar	é	de	cerca	de	5	a	7	metros	no	indivíduo	vivo,	pois	os	músculos	ao	longo	
da	parede	dos	órgãos	do	canal	alimentar	mantêm	os	seus	tônus	(contração	sustentada).	No	cadáver,	é	mais	longo	(cerca	
de	7	a	9	metros),	devido	à	perda	do	tônus	muscular	após	a	morte.		
Os	órgãos	digestórios	acessórios	incluem:	boca,	dentes,	língua,	glândulas	salivares,	faringe,	fígado,	vesícula	biliar	e	
pâncreas.	Os	dentes	ajudam	na	quebra	física	do	alimento,	e	a	língua	auxilia	na	mastigação	e	na	deglutição,	já	a	faringe	
constitui	a	via	inicial	de	transporte	dos	alimentos.	Os	outros	órgãos	digestórios	acessórios	nunca	entram	em	contato	
direto	com	os	alimentos,	em	vez	disso,	produzem	ou	armazenam	secreções	que	fluem	para	o	canal	alimentar	por	meio	de	
ductos,	as	quais	ajudam	na	decomposição	química	dos	alimentos.	
O	canal	alimentar	contém	alimento	desde	o	momento	em	que	ele	é	consumido	até	ser	digerido	e	absorvido	ou	eliminado.	
As	contrações	musculares	na	parede	do	canal	alimentar	fragmentam	fisicamente	os	alimentos,	agitando-os	vigorosamente	
e	impulsionando-os	ao	longo	do	canal,	desde	o	esôfago	até	o	ânus.	As	contrações	também	ajudam	a	dissolver	os	
alimentos	ao	misturá-los	com	líquidos	secretados	no	canal	alimentar.	As	enzimas	secretadas	pelos	órgãos	digestórios	
acessórios	e	as	células	que	revestem	o	canal	alimentar	degradam	quimicamente	o	alimento.	
	
CAMADAS	DO	CANAL	ALIMENTAR:	
	
A	parede	do	canal	alimentar	desde	a	parte	inferior	do	esôfago	até	o	canal	anal	apresenta	a	mesma	organização	básica	de	
quatro	camadas	de	tecidos,	as	quais	são,	da	mais	profunda	para	a	superficial:	túnica	mucosa,	tela	submucosa,	túnica	
muscular	e	a	túnica	serosa/adventícia	
	
Túnica	mucosa	
A	túnica	mucosa,	ou	revestimento	interno	do	canal	alimentar,	é	uma	membrana	mucosa	composta	por:	(1)	uma	camada	
de	epitélio	em	contato	direto	com	o	conteúdo	do	canal	alimentar;	(2)	uma	camada	de	tecido	conjuntivo,	denominada	
lâmina	própria;	e	(3)	uma	camada	fina	de	músculo	liso	(lâmina	muscular	da	mucosa).	
1.	O	epitélio	na	boca,	faringe,	no	esôfago	e	canal	anal	consiste	principalmente	em	epitélio	estratificado	pavimentoso	
não	queratinizado,	que	desempenha	uma	função	protetora.	O	epitélio	simples	colunar,	que	atua	na	secreção	e	na	
absorção,	reveste	o	estômago	e	os	intestinos.	As	junções	de	oclusão	que	vedam	firmemente	as	células	epiteliais	
colunares	simples	adjacentes	uma	à	outra	restringem	o	extravasamento	entre	as	células.	A	taxa	de	renovação	das	células	
epiteliais	do	canal	alimentar	é	rápida:	a	cada	5	a	7	dias,	elas	descamam	e	são	substituídas	por	novas	células.	Entre	as	
células	epiteliais,	encontram-se:	células	exócrinas,	que	secretam	muco	e	líquido	no	lúmen	do	canal	alimentar;	e	vários	
tipos	de	células	endócrinas,	coletivamente	denominadas	células	enteroendócrinas,	que	secretam	hormônios.	
2.	A	lâmina	própria	consiste	em	tecido	conjuntivo	areolar	que	contém	muitos	vasos	sanguíneos	e	linfáticos,	os	quais	
fornecem	as	vias	pelas	quais	os	nutrientes	absorvidos	no	canal	alimentar	alcançam	os	outros	tecidos	do	corpo.	Essa	
camada	sustenta	o	epitélio	e	o	liga	à	lâmina	muscular	da	mucosa.	A	lâmina	própria	também	contém	a	maior	parte	das	
células	do	tecido	linfoide	associado	a	mucosa	(MALT).	Esses	nódulos	linfáticos	proeminentes	contêm	células	do	sistema	
imune	que	protegem	contra	doenças.	O	MALT	é	encontrado	ao	longo	de	todo	o	canal	alimentar,	particularmente	nas	
tonsilas,	no	intestino	delgado,	no	apêndice	vermiforme	e	no	intestino	grosso.	
3.	Uma	fina	camada	de	fibras	musculares	lisas,	denominada	lâmina	muscular	da	mucosa,	faz	com	que	a	túnica	mucosa	
do	estômago	e	do	intestino	delgado	forme	numerosas	pregas	pequenas,	as	quais	aumentam	a	área	de	superfície	para	a	
digestão	e	absorção.	Os	movimentos	da	lâmina	muscular	da	mucosa	asseguram	que	todas	as	células	absortivas	sejam	
totalmente	expostas	ao	conteúdo	do	canal	alimentar.	
	
Tela	submucosa	
A	tela	submucosa	consiste	em	tecido	conjuntivo	areolar,	que	liga	a	túnica	mucosa	à	túnica	muscular.	Contém	muitos	
vasos	sanguíneos	e	linfáticos,	que	recebem	moléculas	de	alimento	absorvidas.	A	tela	submucosa	também	apresenta	
uma	extensa	rede	de	neurônios,	conhecida	como	plexo	submucoso.	Além	disso,	a	tela	submucosa	pode	conter	glândulas	
e	tecido	linfático.	
	
Túnica	muscular	
A	túnica	muscular	da	boca,	da	faringe	e	das	partes	superior	e	média	do	esôfago	contém	músculo	esquelético,	que	
produz	a	deglutição	voluntária.	O	músculo	esquelético	também	forma	o	músculo	esfíncter	externo	do	ânus,	responsável	
pelo	controle	voluntário	da	defecação.	No	restante	de	todo	o	canal	alimentar,	a	túnica	muscular	consiste	em	músculo	
liso,	geralmente	encontrado	em	duas	lâminas:	uma	camada	interna	de	fibras	circulares	e	uma	camada	externa	de	fibras	
longitudinais.	As	contrações	involuntárias	do	músculo	liso	ajudam	a	quebrar	o	alimento,	misturá-lo	com	as	secreções	
digestivas	e	impulsioná-lo	ao	longo	do	canal	alimentar.	Entre	as	camadas	da	túnica	muscular,	encontra-se	um	segundo	
plexo	de	neurônios:	o	plexo	mioentérico.	
	
Túnica	serosa	
As	partes	do	canal	alimentar	que	estão	suspensas	na	cavidade	abdominal	apresentam	uma	camada	superficial	
denominada	túnica	serosa.	A	túnica	serosa	é	uma	membrana	serosa	composta	por	tecido	conjuntivo	areolar	e	epitélio	
simples	pavimentoso	(mesotélio).	A	túnica	serosa	também	é	chamada	de	peritônio	visceral,	visto	que	forma	uma	parte	
do	peritônio.	O	esôfago	carece	de	túnica	serosa;	em	vez	disso,	uma	única	camada	de	tecido	conjuntivo	areolar,	
denominada	túnica	adventícia,	forma	a	camada	superficial	desse	órgão.	
	
	
INERVAÇÃO	DO	CANAL	ALIMENTAR	
	
O	canal	alimentar	é	regulado	por	um	conjunto	intrínseco	de	nervos,	conhecido	como	sistema	nervoso	entérico,	e	por	um	
conjunto	extrínseco	de	nervos	que	fazem	parte	da	divisão	autônoma	do	sistema	nervoso.	
Sistema	nervoso	entérico:	SNE	é	composto	por	cerca	de	100	milhões	de	neurônios,	que	se	estendem	do	esôfago	até	o	
ânus.	Os	neurônios	do	SNE	estão	organizados	em	dois	plexos:	o	plexo	mioentérico	e	o	plexo	submucoso.	O	plexo	
mioentérico	ou	plexo	de	Auerbach	está	localizado	entre	as	camadas	de	músculo	liso	longitudinal	e	circular	da	túnica	
muscular;	por	sua	vez,	o	plexo	submucoso	ou	plexo	de	Meissner	é	encontrado	na	tela	submucosa.	Os	plexos	do	SNE	
consistem	em	neurônios	motores,	interneurônios	e	neurônios	sensitivos.	Como	os	neurônios	motores	do	plexo	
mioentérico	inervam	as	camadas	de	músculo	liso	longitudinal	e	circular	da	túnica	muscular,	esse	plexo	controla	
principalmente	a	motilidade	do	canal	alimentar,	particularmente	a	frequência	e	a	força	de	contração	da	túnica	
muscular.	Os	neurônios	motores	do	plexo	submucoso	inervam	as	células	secretoras	do	epitélio	da	túnica	mucosa,	
controlando	as	secreções	dos	órgãos	do	canal	alimentar.	Os	interneurônios	do	SNE	interligam	os	neurônios	dos	plexos	
mioentérico	e	submucoso.	Os	neurônios	sensitivos	do	SNE	inervam	o	epitélio	da	túnica	mucosa	e	contêm	receptores	
que	detectam	estímulos	no	lúmen	do	canal	alimentar.	A	
parede	do	canal	alimentar	contém	dois	tipos	principais	de	
receptores	sensitivos:	(1)	os	quimiorreceptores,	que	
respondem	a	determinadas	substâncias	químicas	nos	
alimentos	presentes	no	lúmen;	e	(2)	os	mecanorreceptores,	
como	os	receptores	de	estiramento,	que	são	ativados	quando	o	
alimento	distende	a	parede	de	um	órgão	do	canal	alimentar.	
	
Divisão	autônoma	do	sistema	nervoso	
Embora	os	neurônios	do	SNE	possam	funcionar	
independentemente,	elesestão	sujeitos	à	regulação	pelos	
neurônios	da	divisão	autônoma	do	sistema	nervoso.	Os	nervos	
vagos	(X)	fornecem	fibras	parassimpáticas	para	a	maior	parte	do	
canal	alimentar,	com	exceção	da	segunda	metade	do	intestino	
grosso,	que	é	inervada	por	fibras	parassimpáticas	da	medula	
espinal	sacral.	Os	nervos	parassimpáticos	que	suprem	o	canal	
alimentar	formam	conexões	neurais	com	o	SNE.	Os	neurônios	
pré-ganglionares	parassimpáticos	dos	nervos	vagos	ou	
esplâncnicos	pélvicos	fazem	sinapse	com	os	neurônios	pós-
ganglionares	parassimpáticos	localizados	nos	plexos	mioentérico	e	submucoso.	Por	sua	vez,	alguns	dos	neurônios	pós-
ganglionares	parassimpáticos	fazem	sinapse	com	neurônios	do	SNE,	ao	passo	que	outros	inervam	diretamente	o	
músculo	liso	e	as	glândulas	dentro	da	parede	do	canal	alimentar.	Em	geral,	a	estimulação	dos	nervos	parassimpáticos	
que	inervam	o	canal	alimentar	provoca	aumento	da	secreção	e	da	motilidade	do	canal	por	meio	do	aumento	da	
atividade	dos	neurônios	do	SNE.	
Os	neurônios	pós-ganglionares	simpáticos	fazem	sinapse	com	neurônios	localizados	no	plexo	mioentérico	e	no	plexo	
submucoso.	Em	geral,	os	nervos	simpáticos	que	inervam	o	canal	alimentar	causam	diminuição	na	secreção	e	na	
motilidade	do	canal	ao	inibir	os	neurônios	do	SNE.	Emoções	como	raiva,	medo	e	ansiedade	podem	retardar	a	digestão,	
visto	que	estimulam	os	nervos	simpáticos	responsáveis	por	suprir	o	canal	alimentar.	
	
Vias	reflexas	do	canal	alimentar	
Muitos	neurônios	do	SNE	são	componentes	das	vias	reflexas	do	canal	alimentar,	as	quais	regulam	a	secreção	e	a	
motilidade	do	canal	em	resposta	a	estímulos	presentes	em	seu	lúmen.	Os	componentes	iniciais	de	uma	via	reflexa	típica	
do	canal	alimentar	consistem	em	receptores	sensitivos	(como	os	quimiorreceptores	e	os	receptores	de	estiramento),	que	
estão	associados	aos	neurônios	sensitivos	do	SNE.	Os	axônios	desses	neurônios	sensitivos	podem	fazer	sinapse	com	
outros	neurônios	localizados	no	SNE,	no	SNC	ou	no	SNA,	informando	essas	regiões	sobre	a	natureza	do	conteúdo	e	o	
grau	de	distensão	(estiramento)	do	canal	alimentar.	Subsequentemente,	os	neurônios	do	SNE,	do	SNC	ou	do	SNA	
ativam	ou	inibem	as	glândulas	e	o	músculo	liso	do	canal	alimentar,	alterando	a	sua	secreção	e	motilidade.	
	
PERITÔNIO		
	
O	peritônio	é	a	maior	túnica	serosa	do	corpo	e	consiste	em	uma	camada	de	epitélio	simples	pavimentoso	(mesotélio)	
com	uma	camada	de	sustentação	subjacente	de	tecido	conjuntivo	areolar.	O	peritônio	é	dividido	em:	peritônio	parietal,	
responsável	por	revestir	a	parede	da	cavidade	abdominal;	e	peritônio	visceral,	que	recobre	alguns	dos	órgãos	na	
cavidade	e	constitui	a	sua	túnica	serosa.	O	espaço	estreito	que	contém	líquido	seroso	lubrificante,	entre	as	partes	
parietal	e	visceral	do	peritônio,	é	a	cavidade	peritoneal.		
Alguns	órgãos	estão	localizados	na	parede	posterior	do	abdome	e	são	recobertos	por	peritônio	apenas	em	sua	face	
anterior;	eles	não	se	encontram	na	cavidade	peritoneal.	Esses	órgãos,	que	incluem	os	rins,	os	colos	ascendente	e	
descendente	do	intestino	grosso,	o	duodeno	do	intestino	delgado	e	o	pâncreas,	são	considerados	retroperitoneais.	
O	peritônio	contém	grandes	pregas	que	se	entrelaçam	entre	as	vísceras.	Essas	pregas	ligam	os	órgãos	uns	aos	outros	e	
às	paredes	da	cavidade	abdominal.	Elas	também	contêm	vasos	sanguíneos,	vasos	linfáticos	e	nervos	que	suprem	os	
órgãos	abdominais.	Existem	cinco	pregas	peritoneais	principais:	o	omento	maior,	o	ligamento	falciforme,	o	omento	
menor,	o	mesentério	e	o	mesocolo:	
1.	O	omento	maior,	que	é	a	prega	peritoneal	mais	longa,	reveste	o	colo	transverso	e	as	alças	do	intestino	delgado,	como	
um	“avental	de	gordura”.	O	omento	maior	é	uma	lâmina	dupla	que	se	dobra	sobre	si	mesma,	produzindo,	ao	todo,	
quatro	camadas.	A	partir	das	fixações	ao	longo	do	estômago	e	do	duodeno,	o	omento	maior	estende-se	para	baixo,	
anteriormente	ao	intestino	delgado,	em	seguida	faz	uma	curva	e	estende-se	para	cima	e	fixa-se	ao	colo	transverso.	
Normalmente,	o	omento	maior	contém	uma	quantidade	considerável	de	tecido	adiposo.	Os	numerosos	linfonodos	do	
omento	maior	contribuem	com	macrófagos	e	plasmócitos	produtores	de	anticorpos,	os	quais	ajudam	a	combater	e	a	
conter	as	infecções	do	canal	alimentar.	
2.	O	ligamento	falciforme	fixa	o	fígado	à	parede	anterior	do	abdome	e	diafragma.	O	fígado	é	o	único	órgão	digestório	
que	está	fixado	à	parede	anterior	do	abdome.	
3.	O	omento	menor	origina-se	como	uma	prega	anterior	na	túnica	serosa	do	estômago	e	do	duodeno	e	conecta	o	
estômago	e	o	duodeno	ao	fígado.	
Fornece	uma	via	para	os	vasos	
sanguíneos	que	entram	no	fígado	
e	contém	a	veia	porta	do	fígado,	a	
artéria	hepática	comum	e	o	ducto	
colédoco,	incluindo	alguns	
linfonodos.	
4.	Uma	prega	de	peritônio	em	
formato	de	leque,	denominada	
mesentério,	liga	o	jejuno	e	o	íleo	
à	parede	posterior	do	abdome.	É	
a	maior	prega	peritoneal,	
normalmente	repleta	de	gordura,	
o	que	contribui	extensamente	
para	o	abdome	volumoso	dos	
indivíduos	obesos.	Estende-se	a	
partir	da	parede	posterior	do	
abdome	para	envolver	o	intestino	
delgado	e,	em	seguida,	retorna	à	
sua	origem,	formando	uma	estrutura	em	dupla	camada.	Entre	as	duas	camadas,	existem	vasos	sanguíneos	e	linfáticos,	
bem	como	linfonodos.		
	
	
	
	
	
COLOCAR	BOCA	AQUI		
ESÔFAGO	
	
O	esôfago	é	um	tubo	muscular	cuja	função	é	transportar	o	alimento	da	boca	para	o	estômago.	O	esôfago,	um	tubo	
muscular	passível	de	ser	colabado,	tem	cerca	de	25	cm	de	comprimento	e	está	situado	posteriormente	à	traqueia.	O	
esôfago	começa	na	extremidade	inferior	da	parte	laríngea	da	faringe,	passa	pela	face	inferior	do	pescoço	e	entra	no	
mediastino,	anteriormente	à	coluna	vertebral.	Em	seguida,	atravessa	o	diafragma	por	uma	abertura,	o	hiato	esofágico,	
e	termina	na	parte	superior	do	estômago.		
	
Histologia	do	esôfago	
	
	A	mucosa	esofágica	é	revestida	por	um	epitélio	pavimentoso	estratificado	não	queratinizado.	Na	lâmina	própria	da	
região	próxima	do	estômago	existem	grupos	de	glândulas,	as	glândulas	esofágicas	da	cárdia,	que	secretam	muco.	Na	
submucosa	também	existem	grupos	de	glândulas	secretoras	de	muco,	as	glândulas	esofágicas,	cuja	secreção	facilita	o	
transporte	de	alimento	e	protege	a	mucosa.		
A	túnica	mucosa	do	esôfago	consiste	em	epitélio	estratificado	pavimentoso	não	queratinizado,	lâmina	própria	(tecido	
conjuntivo	areolar)	e	lâmina	muscular	da	mucosa	(músculo	liso).		O	epitélio	estratificado	pavimentoso	associado	aos	
lábios,	boca,	língua,	parte	oral	da	faringe,	parte	laríngea	da	faringe	e	esôfago	confere	uma	considerável	proteção	contra	
a	abrasão	e	o	desgaste	causado	pelas	partículas	de	
alimento	que	são	mastigadas,	misturadas	com	secreções	e	
deglutidas.	A	tela	submucosa	contém	tecido	conjuntivo	
areolar,	vasos	sanguíneos	e	glândulas	mucosas.	A	túnica	
muscular	do	terço	superior	do	esôfago	consiste	em	músculo	
esquelético,	o	terço	intermediário,	em	músculo	esquelético	
e	liso,	e	o	terço	inferior,	em	músculo	liso.	Em	cada	
extremidade	do	esôfago,	a	túnica	muscular	torna-se	
ligeiramente	mais	proeminente	e	forma	dois	esfíncteres:	o	
esfíncter	esofágico	superior	(EES),	que	consiste	em	músculo	
esquelético;	e	o	esfíncter	esofágico	inferior	(EEI),	o	qual	
consiste	em	músculo	liso	e	está	próximo	ao	coração.	O	
esfíncter	esofágico	superior	regula	o	movimento	dos	
alimentos	da	faringe	para	o	esôfago;	o	esfíncter	esofágico	
inferior	regula	o	movimento	dos	alimentos	do	esôfago	para	
o	estômago.	A	camada	superficial	do	esôfago	é	conhecida	
como	túnica	adventícia,	pois,	ao	contrário	da	túnica	serosa	
encontrada	no	estômago	e	nos	intestinos,	o	tecido	
conjuntivo	areolar	dessa	camada	não	é	recoberto	por	
mesotélio,	além	disso,	o	tecido	conjuntivo	funde-se	com	o	
tecido	conjuntivo	das	estruturas	circundantes	do	mediastino	
através	do	qual	passa.	A	túnica	adventícia	fixa	o	esôfago	às	
estruturas	circundantes.	
	
Estômago	
	
O	estômago	é	uma	expansão	do	canal	alimentar,	em	
formato	de	J,	diretamente	inferior	ao	diafragma	no	
abdome.	O	estômago	conecta	o	esôfago	ao	duodeno,	a	
primeira	parte	do	intestino	delgado.Uma	das	funções	do	
estômago	consiste	em	atuar	como	uma	câmara	de	mistura	e	
reservatório.	A	intervalos	adequados	após	a	ingestão	do	
alimento,	o	estômago	transfere	uma	pequena	quantidade	
de	material	para	a	primeira	parte	do	intestino	delgado.	A	
posição	e	o	tamanho	do	estômago	variam	continuamente;	
o	diafragma	o	empurra	inferiormente	a	cada	inspiração	e	o	
puxa	superiormente	a	cada	expiração.	Quando	vazio,	o	
estômago	tem	aproximadamente	o	tamanho	de	uma	
grande	salsicha,	porém	é	a	parte	mais	distensível	do	canal	
alimentar	e,	portanto,	pode	acomodar	uma	grande	
quantidade	de	alimento.	No	estômago,	continua	a	digestão	
do	amido	e	dos	triglicerídios	e	começa	a	digestão	das	
proteínas;	o	bolo	alimentar	semissólido	é	convertido	em	um	líquido	denominado	quimo,	e	certas	substâncias	são	
absorvidas.		
	
Anatomia	do	estômago	
O	estômago	tem	quatro	regiões	principais:	cárdia,	fundo	gástrico,	corpo	gástrico	e	parte	pilórica.		
A	cárdia	circunda	a	abertura	do	esôfago	no	estômago.		
A	parte	arredondada	superior	e	à	esquerda	da	cárdia	é	o	fundo	gástrico.	
Inferiormente	ao	fundo	gástrico,	encontra-se	a	grande	parte	central	do	estômago,	o	corpo	gástrico.		
A	parte	pilórica	pode	ser	dividida	em	três	regiões:	a	primeira	região,	o	antro	pilórico,	conecta-se	com	o	corpo	gástrico;	a	
segunda	região,	o	canal	pilórico,	leva	à	terceira	região,	o	piloro;	este,	por	sua	vez,	conecta-se	com	o	duodeno.		
Quando	o	estômago	está	vazio,	a	túnica	mucosa	forma	grandes	pregas	gástricas,	que	podem	ser	vistas	a	olho	nu.	O	piloro	
comunica-se	com	o	duodeno	do	intestino	delgado	por	meio	de	um	esfíncter	de	músculo	liso,	o	músculo	esfíncter	do	
piloro.	A	margem	medial	côncava	do	estômago	é	denominada	curvatura	menor,	ao	passo	que	a	margem	lateral	convexa	
é	denominada	curvatura	maior.	
	
Histologia	do	estômago	
A	superfície	da	túnica	mucosa	é	uma	camada	de	células	epiteliais	colunares,	denominada	células	mucosas	da	superfície.	
A	túnica	mucosa	contém	a	lâmina	própria	(tecido	conjuntivo	areolar)	e	uma	lâmina	muscular	da	mucosa	(músculo	liso).	
As	células	epiteliais	estendem-se	até	a	lâmina	própria,	onde	formam	colunas	de	células	secretoras,	denominadas	
glândulas	gástricas.	Várias	glândulas	gástricas	abrem-se	na	base	de	canais	estreitos,	as	fovéolas	gástricas.	As	secreções	
de	várias	glândulas	gástricas	fluem	para	cada	fovéola	gástrica	e,	em	seguida,	para	o	lúmen	do	estômago.	
	
	
Intestino	delgado	
A	maior	parte	da	digestão	e	da	absorção	de	nutrientes	ocorre	
no	o	intestino	delgado.	O	seu	comprimento	por	si	só	já	
fornece	uma	grande	área	de	superfície	para	a	digestão	e	a	
absorção,	e	essa	área	é	ainda	mais	aumentada	por	pregas	
circulares,	vilosidades	intestinais	e	microvilosidades.	O	
intestino	delgado	começa	após	o	músculo	esfíncter	do	piloro	
do	estômago,	encurva-se	pelas	partes	central	e	inferior	da	
cavidade	abdominal	e,	por	fim,	abre-se	no	intestino	grosso.	
Seu	diâmetro	é	de	2,5	cm	em	média;	seu	comprimento	é	de	
cerca	de	5	m	na	pessoa	viva	e	de	cerca	de	6,5	m	no	cadáver,	
devido	à	perda	do	tônus	do	músculo	liso	após	a	morte.	
	
Anatomia	do	intestino	delgado	
O	intestino	delgado	é	dividido	em	três	regiões.	A	primeira	
parte	do	intestino	delgado	é	o	duodeno,	a	região	mais	curta,	
que	é	retroperitoneal.	Começa	após	o	músculo	esfíncter	do	
piloro	do	estômago	e	consiste	em	um	tubo	em	formato	de	C,	
que	se	estende	por	cerca	de	25	cm	até	se	fundir	com	o	jejuno.	
Duodeno	significa	“12”;	é	assim	denominado	porque	o	seu	comprimento	corresponde	aproximadamente	à	largura	de	
12	dedos.	O	jejuno	é	a	próxima	parte,	com	cerca	de	1	m	de	comprimento,	que	se	estende	até	o	íleo.	Jejuno	significa	
“vazio”,	visto	que	ele	é	encontrado	dessa	maneira	no	momento	da	morte.	A	última	e	mais	longa	região	do	intestino	
delgado	é	o	íleo,	que	mede	cerca	de	2	m	e	une-se	ao	intestino	grosso	em	um	esfíncter	de	músculo	liso,	denominado	
óstio	ileal.	
	
Histologia	do	intestino	delgado	
A	camada	epitelial	da	túnica	mucosa	do	intestino	delgado	
consiste	em	epitélio	simples	colunar,	que	contém	muitos	
tipos	de	células.	As	células	absortivas	do	epitélio	contêm	
enzimas	que	digerem	o	alimento	e	apresentam	
microvilosidades	intestinais	responsáveis	por	absorver	os	
nutrientes	no	quimo	do	intestino	delgado.	O	epitélio	também	
apresenta	células	caliciformes,	que	secretam	muco.	A	túnica	
mucosa	do	intestino	delgado	contém	muitas	fendas	
profundas	revestidas	com	epitélio	glandular.	As	células	que	
revestem	as	fendas	formam	as	glândulas	intestinais	ou	
criptas	de	Lieberkühn	e	secretam	suco	intestinal.	Além	das	
células	absortivas	e	das	células	caliciformes,	as	glândulas	
intestinais	também	contêm	células	de	Paneth	e	células	
enteroendócrinas.	As	células	de	Paneth	secretam	lisozima,	
uma	enzima	bactericida,	e	são	capazes	de	realizar	a	
fagocitose.	Essas	células	podem	desempenhar	um	papel	na	
regulação	da	microbiota	do	intestino	delgado.	São	
encontrados	três	tipos	de	células	enteroendócrinas	nas	
glândulas	do	intestino	delgado:	células	S,	células	CCK	e	
células	K,	as	quais	secretam	os	hormônios	secretina,	
colecistocinina	(CCK)	e	peptídio	insulinotrópico	dependente	
de	glicose	(GIP).	
A	lâmina	própria	da	túnica	mucosa	do	intestino	delgado	
contém	tecido	conjuntivo	areolar,	bem	como	uma	
quantidade	abundante	de	tecido	linfoide	associado	a	mucosa	
(MALT).	Os	nódulos	linfáticos	solitários	são	mais	numerosos	
na	parte	distal	do	íleo.	Grupos	de	nódulos	linfáticos,	
denominados	nódulos	linfáticos	agregados	ou	placas	de	
Peyer,	também	estão	presentes	no	íleo.	A	lâmina	muscular	
da	mucosa	do	intestino	delgado	é	constituída	de	músculo	liso.	
A	tela	submucosa	do	duodeno	contém	glândulas	duodenais,	também	conhecidas	como	glândulas	de	Brunner,	as	quais	
secretam	um	muco	alcalino	que	ajuda	a	neutralizar	o	ácido	gástrico	no	quimo.		
A	túnica	muscular	do	intestino	delgado	consiste	em	duas	camadas	de	músculo	liso:	a	camada	externa	mais	fina	contém	
fibras	longitudinais,	e	a	camada	interna	mais	espessa	apresenta	fibras	circulares.	Com	exceção	de	uma	importante	
parte	do	duodeno,	que	é	retroperitoneal,	a	túnica	serosa	(ou	peritônio	visceral)	envolve	por	completo	o	intestino	
delgado.	
Pregas	circulares,	vilosidades	intestinais	e	microvilosidades.	As	pregas	circulares	são	pregas	da	túnica	mucosa	e	da	tela	
submucosa.	Essas	cristas	
permanentes,	cujo	
comprimento	é	de	cerca	
de	10	mm,	começam	
próximo	à	parte	
proximal	do	duodeno	e	
terminam	
aproximadamente	na	
porção	média	do	íleo.	As	
pregas	circulares	
aumentam	a	absorção	
em	decorrência	da	área	
de	superfície	aumentada	
e	fazem	com	que	o	
quimo	mova-se	em	
espiral,	e	não	de	
maneira	linear,	à	medida	
que	flui	pelo	intestino	
delgado.	
O	intestino	delgado	
também	apresenta	
vilosidades	intestinais,	
que	são	projeções	
digitiformes	da	túnica	
mucosa,	de	0,5	a	1	mm	
de	comprimento.	O	
grande	número	de	
vilosidades	(20	a	40	por	
mm²)	aumenta	
enormemente	a	área	de	
superfície	do	epitélio	
disponível	para	absorção	
e	digestão	e	confere	à	
túnica	mucosa	intestinal	
um	aspecto	aveludado.	
Cada	vilosidade	
intestinal	é	recoberta	
por	epitélio	e	apresenta	um	cerne	de	lâmina	própria;	dentro	do	tecido	conjuntivo	da	lâmina	própria,	há	uma	arteríola,	
uma	vênula,	uma	rede	de	capilares	sanguíneos	e	um	capilar	linfático	ou	vaso	lactífero.	Os	nutrientes	absorvidos	pelas	
células	epiteliais	que	recobrem	a	vilosidade	atravessam	a	parede	de	um	capilar	sanguíneo	ou	capilar	linfático	para	
entrar	no	sangue	ou	na	linfa.	
Além	das	pregas	circulares	e	das	vilosidades,	o	intestino	delgado	também	apresenta	microvilosidades,	que	são	
projeções	da	membrana	apical	(livre)	das	células	absortivas.	Cada	microvilosidade	consiste	em	uma	projeção	cilíndrica	
de	1	μm	de	comprimento,	recoberta	por	membrana,	que	contém	um	feixe	de	20	a	30	filamentos	de	actina.	Elas	formam	
uma	linha	difusa,	denominada	borda	em	escova,	que	se	estende	no	lúmen	do	intestino	delgado.	Calcula-se	que	haja	200	
milhões	de	microvilosidades	por	milímetro	quadrado	de	intestino	delgado.	Como	as	microvilosidades	aumentam	
acentuadamente	a	área	de	superfície	da	membrana	plasmática,grandes	quantidades	de	nutrientes	digeridos	podem	
difundir-se	para	dentro	das	células	absortivas	em	determinado	período.	A	borda	em	escova	também	contém	diversas	
enzimas	que	desempenham	funções	digestivas.	
	
	
	
Intestino	grosso	
As	funções	gerais	do	intestino	grosso	incluem:	término	da	absorção,	produção	de	determinadas	vitaminas,	formação	das	
fezes	e	a	expulsão	das	fezes.		
Anatomia	do	intestino	grosso	
O	intestino	grosso,	com	cerca	de	1,5	m	de	comprimento	e	6,5	cm	de	diâmetro	nos	seres	humanos	vivos	e	cadáveres,	
estende-se	do	íleo	até	o	ânus.	Está	fixado	à	parede	posterior	do	abdome	pelo	seu	mesocolo,	que	consiste	em	uma	dupla	
camada	de	peritônio.	Do	ponto	de	vista	estrutural,	as	três	principais	regiões	do	intestino	grosso	são:	ceco,	colo	e	reto.	
A	abertura	do	íleo	para	o	intestino	grosso	é	denominada	óstio	ileal	(orifício	da	papila	ileal).	O	óstio	ileal	é	protegido	por	
um	lábio	ileocólico	e	por	um	lábio	ileocecal,	que	são	pregas	da	túnica	mucosa.	O	óstio	ileal	possibilita	a	passagem	dos	
materiais	do	intestino	delgado	para	o	intestino	grosso.	O	ceco,	pendurado	inferiormente	ao	óstio	ileal,	é	uma	pequena	
bolsa	que	mede	cerca	de	6	cm	de	comprimento.	Fixado	ao	ceco,	existe	um	tubo	espiralado	e	retorcido,	cujo	
comprimento	aproximado	é	8	cm,	o	apêndice	vermiforme.	O	mesentério	do	apêndice	vermiforme,	chamado	
mesoapêndice,	fixa	o	apêndice	vermiforme	à	parte	inferior	do	mesentério	do	íleo.	
A	extremidade	aberta	do	ceco	funde-se	com	um	longo	tubo,	denominado	colo,	que	é	dividido	em	colo	ascendente,	
transverso,	descendente	e	sigmoide.	Tanto	o	colo	ascendente	quanto	o	colo	descendente	são	retroperitoneais;	em	
contrapartida,	o	colo	transverso	e	o	colo	sigmoide	não	o	são.	O	colo	ascendente	ascende	pelo	lado	direito	do	abdome,	
alcança	a	face	inferior	do	fígado	e	curva-se	abruptamente	para	a	esquerda,	formando	a	flexura	direita	do	colo	
(hepática).	O	colo	continua	o	seu	trajeto	cruzando	o	abdome	até	o	lado	esquerdo,	como	colo	transverso.	Curva-se	
abaixo	da	extremidade	inferior	do	baço,	no	lado	esquerdo,	formando	a	flexura	esquerda	do	colo	(esplênica)	e	passa	
inferiormente	até	o	nível	da	crista	ilíaca,	como	colo	descendente.	O	colo	sigmoide	começa	próximo	à	crista	ilíaca	
esquerda,	projeta-se	medialmente	para	a	linha	mediana	e	termina	como	o	reto,	aproximadamente	no	nível	da	vértebra	
sacral	III.	
O	reto	mede	cerca	de	15	cm	de	comprimento	e	situa-se	anteriormente	ao	sacro	e	ao	cóccix.	O	intestino	grosso	termina	
no	ponto	em	que	alcança	o	canal	anal.	O	canal	anal	consiste	nos	2	a	3	cm	terminais	do	canal	alimentar,	que	se	abre	para	
fora	do	corpo.	A	túnica	mucosa	do	canal	anal	está	disposta	em	pregas	longitudinais,	denominadas	colunas	anais,	as	
quais	contêm	uma	rede	de	artérias	e	veias.	A	abertura	do	canal	anal	para	o	exterior,	denominada	ânus,	é	protegida	pelo	
músculo	esfíncter	interno	do	ânus,	composto	por	músculo	liso	(involuntário)	e	pelo	músculo	esfíncter	externo	do	ânus,	
composto	por	músculo	esquelético	(voluntário).	Normalmente,	esses	esfíncteres	mantêm	o	ânus	fechado,	exceto	
durante	a	eliminação	das	fezes.	
	
Histologia	do	intestino	grosso	
A	túnica	mucosa	consiste	em	epitélio	simples	colunar,	lâmina	própria	(tecido	conjuntivo	areolar)	e	lâmina	muscular	da	
mucosa	(músculo	liso).	O	epitélio	contém	principalmente	células	absortivas	e	caliciformes.	As	células	absortivas	atuam	
principalmente	na	absorção	de	água;	as	células	caliciformes	secretam	muco,	que	lubrifica	a	passagem	do	conteúdo	do	
colo.	Tanto	as	células	absortivas	quanto	as	células	caliciformes	estão	localizadas	em	glândulas	intestinais	tubulares	
longas	e	retilíneas	(criptas	de	Lieberkühn),	as	quais	se	estendem	por	toda	a	superfície	da	túnica	mucosa.	São	também	
encontrados	nódulos	linfáticos	solitários	na	lâmina	própria	da	mucosa,	que	podem	estender-se	pela	lâmina	muscular	da	
mucosa	até	a	tela	submucosa.		
A	tela	submucosa	do	intestino	grosso	consiste	em	tecido	conjuntivo	areolar.	A	túnica	muscular	é	constituída	por	uma	
camada	externa	de	músculo	liso	longitudinal	e	por	uma	camada	interna	de	músculo	liso	circular.	Diferentemente	de	
outras	partes	do	canal	alimentar,	ocorre	espessamento	de	partes	dos	músculos	longitudinais,	formando	três	bandas	
definidas,	denominadas	tênias	do	colo,	as	quais	se	estendem	pela	maior	parte	do	comprimento	do	intestino	grosso.	As	
tênias	do	colo	são	separadas	por	segmentos	da	parede	com	menos	ou	com	nenhum	músculo	longitudinal.	As	
contrações	tônicas	das	bandas	reúnem	o	colo	em	uma	série	de	bolsas,	as	chamadas	saculações	do	colo,	conferindo	a	ele	
uma	aparência	enrugada.	Entre	as	tênias	do	colo,	existe	uma	única	camada	de	músculo	liso	circular.	A	túnica	serosa	do	
intestino	grosso	faz	parte	do	peritônio	visceral.	Pequenas	bolsas	de	peritônio	visceral	preenchidas	de	gordura	estão	
fixadas	às	tênias	do	colo	e	são	conhecidas	como	apêndices	omentais	(adiposos)	do	colo.	
	
	
MACRONUTRIENTES		
	
Carboidratos	
	
Os	carboidratos	incluem	açúcares,	glicogênio,	amidos	e	celulose.	Embora	seja	um	grupo	grande	e	diversificado	de	
compostos	orgânicos	e	com	várias	funções,	os	carboidratos	representam	apenas	2	a	3%	da	massa	corporal	total.	Os	
carboidratos	funcionam	principalmente	como	uma	fonte	de	energia	química	para	gerar	ATP	necessária	para	conduzir	
reações	metabólicas.	Apenas	alguns	poucos	carboidratos	são	utilizados	para	a	construção	de	unidades	estruturais.	Um	
exemplo	é	a	desoxirribose,	um	tipo	de	açúcar	que	é	um	bloco	de	construção	do	ácido	desoxirribonucleico	(DNA),	a	
molécula	que	transporta	informações	genéticas	herdadas.	
Os	elementos	carbono,	hidrogênio	e	oxigênio	são	encontrados	nos	carboidratos.	
A	proporção	entre	os	átomos	de	hidrogênio	e	oxigênio	é	geralmente	2:1.	Embora	existam	exceções,	os	carboidratos	
geralmente	contêm	uma	molécula	de	água	para	cada	átomo	de	carbono.	Essa	é	a	razão	pela	qual	eles	são	denominados	
carboidratos,	que	significa	“carbono	aguado”.	Os	três	principais	grupos	de	carboidratos,	com	base	em	seus	tamanhos,	
são	os	monossacarídeos,	dissacarídeos	e	polissacarídeos.	
	
Monossacarídeos	
(Açúcares	simples	que	contêm	de	três	a	sete	átomos	de	carbono)	
Glicose	(o	principal	açúcar	no	sangue).	
Frutose	(encontrada	em	frutas).	
Galactose	(no	açúcar	do	leite).	
Desoxirribose	(no	DNA).	
Ribose	(no	RNA).	
	
Dissacarídeos	
(Açúcares	simples	formados	a	partir	da	combinação	de	dois	monossacarídeos	pela	síntese	por	desidratação)	
Sacarose	(açúcar	de	mesa)	=	glicose	+	frutose.	
Lactose	(açúcar	do	leite)	=	glicose	+	galactose.	
Maltose	=	glicose	+	glicose.	
	
Polissacarídeos	
(De	dezenas	a	centenas	de	monossacarídeos	unidos	a	partir	da	síntese	por	desidratação)	
Glicogênio	(forma	armazenada	de	carboidratos	em	animais).	
Amido	(forma	armazenada	de	carboidratos	em	plantas	e	principais	carboidratos	nos	alimentos).	
Celulose	(parte	das	paredes	celulares	em	plantas	que	não	pode	ser	digerida	por	humanos,	mas	ajuda	no	movimento	
intestinal	dos	alimentos).	
	
Monossacarídeos	e	dissacarídeos:	os	açúcares	simples	
Monossacarídeos	e	dissacarídeos	são	conhecidos	como	açúcares	simples.		
Os	monômeros	de	carboidratos,	monossacarídeos	(sacar-	=	açúcar),	contêm	de	três	a	sete	átomos	de	carbono.	Eles	são	
designados	por	nomes	que	terminam	em	“-ose”	com	um	prefixo	que	indica	o	número	de	átomos	de	carbono.	Por	
exemplo,	os	monossacarídeos	com	três	carbonos	são	denominados	trioses	(tri-	=	três).	Existem	também	tetroses	
(açúcares	de	quatro	carbonos),	pentoses	
(açúcares	de	cinco	carbonos),	hexoses	(açúcares	
de	seis	carbonos)	e	heptoses	(açúcares	de	sete	
carbonos).	Células	presentes	no	corpo	
decompõem	a	hexose	glicose	para	produzir	ATP.	
Um	dissacarídeo	(di-	=	dois)	é	uma	molécula	
formada	a	partir	da	combinação	de	dois	
monossacarídeos	a	partir	da	síntese	por	
desidratação.	Por	exemplo,	moléculas	dos	
monossacarídeos	glicose	e	frutose	se	combinam	
para	formar	uma	molécula	do	dissacarídeo	
sacarose	(açúcar	de	mesa).	Glicose	e	frutose	são	
isômeros.	Os	isômeros	têm	a	mesma	fórmula	
molecular,	mas	as	posições	relativas	dos	átomos	
de	oxigênio	e	carbono	são	diferentes,	fazendo	
comque	os	açúcares	tenham	diferentes	
propriedades	químicas.	Note	que	a	fórmula	da	
sacarose	é	C12	H22O11,	não	C12	H24O12,	
porque	uma	molécula	de	água	é	removida	
quando	os	dois	monossacarídeos	são	
associados.	
Os	dissacarídeos	também	podem	ser	divididos	
em	moléculas	menores	e	mais	simples	por	
hidrólise.	Uma	molécula	de	sacarose,	por	
exemplo,	pode	ser	hidrolisada	em	seus	
componentes,	glicose	e	frutose,	pela	adição	de	
água.		
	
Dissacarídeos.	A.	Fórmulas	estruturais	e	moleculares	dos	monossacarídeos	glicose	e	frutose	e	do	dissacarídeo	sacarose.	
Na	síntese	por	desidratação	(lida	da	esquerda	para	a	direita),	duas	moléculas	menores,	glicose	e	frutose,	são	unidas	para	
formar	uma	molécula	maior	de	sacarose.	Note	a	perda	de	uma	molécula	de	água.	Na	hidrólise	(lida	da	direita	para	a	
esquerda),	a	adição	de	uma	molécula	de	água	à	molécula	maior	de	sacarose	quebra	o	dissacarídeo	em	duas	moléculas	
menores,	glicose	e	frutose.	As	fórmulas	estruturais	dos	dissacarídeos	lactose	e	maltose	são	mostradas	em	B	e	C,	
respectivamente.	
	
	
	
Polissacarídeos	
Cada	molécula	de	polissacarídeo	contém	dezenas	ou	centenas	de	monossacarídeos	unidos	através	de	reações	de	
síntese	por	desidratação.	Os	polissacarídeos	geralmente	são	insolúveis	na	água	e	não	têm	sabor	doce.	O	principal	
polissacarídeo	do	corpo	humano	é	o	glicogênio,	que	é	constituído	inteiramente	de	monômeros	de	glicose	associados	
entre	si	em	cadeias	ramificadas.	Uma	quantidade	limitada	de	
carboidratos	é	armazenada	como	glicogênio	no	fígado	e	nos	
músculos	esqueléticos.	Os	amidos	são	polissacarídeos	
formados	a	partir	da	glicose	de	plantas.	São	encontrados	em	
alimentos	como	massas	e	batatas	e	são	os	principais	
carboidratos	da	dieta.	Como	os	dissacarídeos,	os	
polissacarídeos,	como	glicogênio	e	amidos,	podem	ser	
decompostos	em	monossacarídeos	através	das	reações	de	
hidrólise.	Por	exemplo,	quando	o	nível	de	glicose	no	sangue	
cai,	as	células	hepáticas	decompõem	o	glicogênio	em	glicose	e	
o	liberam	no	sangue,	tornando-o	disponível	para	as	células	do	
corpo,	que	o	quebram	para	sintetizar	ATP.	A	celulose	é	um	
polissacarídeo	formado	a	partir	da	glicose	das	plantas,	que	não	
pode	ser	digerida	pelo	homem,	mas	contribui	para	formar	
volume	para	ajudar	a	eliminar	as	fezes.	
	
Lipídios	
	
Os	lipídios	compõem	18	a	25%	da	massa	corporal	em	adultos	magros.	Os	lipídios	contêm	carbono,	hidrogênio	e	
oxigênio.	A	proporção	de	átomos	de	oxigênio	eletronegativos	em	lipídios	é	geralmente	menor	do	que	em	carboidratos,	
então	existem	menos	ligações	covalentes	polares.	Como	resultado,	a	maioria	dos	lipídios	é	insolúvel	em	solventes	
polares	como	a	água;	eles	são	hidrofóbicos.	Como	são	hidrofóbicos,	apenas	os	menores	lipídios	(alguns	ácidos	graxos)	
podem	se	dissolver	no	plasma	sanguíneo	aquoso.	Para	se	tornar	mais	solúvel	no	plasma	sanguíneo,	outras	moléculas	
lipídicas	se	associam	às	moléculas	proteicas	hidrofílicas.	Os	complexos	lipídio-proteína	resultantes	são	denominados	
lipoproteínas.	As	lipoproteínas	são	solúveis	porque	as	proteínas	estão	do	lado	de	fora	e	os	lipídios	na	parte	de	dentro.	
A	família	diversificada	de	lipídios	inclui	ácidos	graxos,	triglicerídeos	(lipídios	e	óleos),	fosfolipídios	(lipídios	que	contêm	
fósforo),	esteroides	(lipídios	que	contêm	anéis	de	átomos	de	carbono),	eicosanoides	(lipídios	de	20	carbonos)	e	uma	
variedade	de	outras	substâncias,	incluindo	vitaminas	lipossolúveis	(vitaminas	A,	D,	E	e	K)	e	lipoproteínas.		
	
Estrutura	dos	ácidos	graxos	e	síntese	de	triglicerídeos.	
Cada	vez	que	um	glicerol	e	um	ácido	graxo	são	unidos	na	
síntese	por	desidratação	B,	uma	molécula	de	água	é	
removida.	Uma	molécula	de	triglicerídeo	que	contém	
dois	ácidos	graxos	saturados	e	um	ácido	graxo	
monoinsaturado	é	mostrada	em	C.	A	dobra	(flexão)	no	
ácido	oleico	ocorre	na	dupla	ligação.	
	
	
	
	
	
Triglicerídeos	
Os	lipídios	mais	abundantes	em	seu	corpo	e	em	sua	dieta	são	os	triglicerídeos,	também	conhecidos	como	
triacilgliceróis.	Um	triglicerídeo	consiste	em	dois	tipos	de	blocos	de	construção:	uma	única	molécula	de	glicerol	e	três	
moléculas	de	ácido	graxo.	Uma	molécula	de	glicerol	com	três	carbonos	forma	a	cadeia	principal	de	um	triglicerídeo.	
Três	ácidos	graxos	estão	associados	por	reações	de	síntese	por	desidratação,	um	para	cada	carbono	da	cadeia	principal	
do	glicerol.	A	ligação	química	formada	onde	cada	molécula	da	água	é	removida	representa	uma	ligação	éster.	A	reação	
inversa,	a	hidrólise,	decompõe	uma	única	molécula	de	um	triglicerídeo	em	três	ácidos	graxos	e	glicerol.	
Os	triglicerídeos	podem	ser	sólidos	ou	líquidos	em	temperatura	ambiente.	O	lipídio	(gordura)	é	um	triglicerídeo	que	é	
sólido	à	temperatura	ambiente.	Os	ácidos	graxos	de	uma	gordura	são,	em	sua	maioria,	saturados.	Esses	ácidos	graxos	
saturados	não	têm	ligações	duplas	em	suas	cadeias	de	hidrocarbonetos,	assim,	eles	podem	unir-se	firmemente	e	
solidificar	em	temperatura	ambiente.	A	gordura	que	consiste	principalmente	em	ácidos	graxos	saturados	é	denominada	
gordura	saturada.	O	óleo	é	um	triglicerídeo	em	seu	estado	líquido	à	temperatura	ambiente.	Os	ácidos	graxos	de	um	
óleo	são,	em	sua	maioria,	insaturados.	Lembrar	que	os	ácidos	graxos	insaturados	contêm	uma	ou	mais	ligações	duplas	
em	suas	cadeias	de	hidrocarboneto.	As	dobras	nos	locais	das	ligações	duplas	evitam	a	ligação	firme	e	a	solidificação	dos	
ácidos	graxos	insaturados	de	um	óleo.	Os	ácidos	graxos	de	um	óleo	podem	ser	monoinsaturados	ou	poli-insaturados.	As	
gorduras	monoinsaturadas	contêm	triglicerídeos	que	consistem	principalmente	em	ácidos	graxos	monoinsaturados.	As	
gorduras	poli-insaturadas	contêm	triglicerídeos	que	consistem	principalmente	em	ácidos	graxos	poli-insaturados.	
Os	triglicerídeos	são	a	forma	mais	concentrada	de	energia	química	do	corpo.	Os	triglicerídeos	fornecem	duas	vezes	mais	
energia	por	grama	em	relação	aos	carboidratos	e	às	proteínas.	Nossa	capacidade	de	armazenar	triglicerídeos	no	tecido	
adiposo	(gorduroso)	é	ilimitada	para	todos	os	fins	práticos.	Os	carboidratos,	proteínas,	gorduras	e	óleos	em	excesso	na	
dieta	apresentam	o	mesmo	destino:	são	depositados	como	triglicerídeos	no	tecido	adiposo.	
	
Fosfolipídios	
Como	os	triglicerídeos,	os	fosfolipídios	têm	uma	cadeia	principal	de	glicerol	e	duas	cadeias	de	ácidos	graxos	associadas	
aos	dois	primeiros	carbonos.	Na	terceira	posição,	contudo,	um	grupo	fosfato	(PO43−)	liga	um	pequeno	grupo	carregado,	
que	geralmente	contém	nitrogênio	(N),	à	cadeia	principal.	Essa	porção	da	molécula	(“cabeça”)	é	polar	e	pode	formar	
pontes	de	hidrogênio	com	moléculas	de	água.	Os	dois	ácidos	graxos	(as	“caudas”),	por	outro	lado,	são	apolares	e	
podem	interagir	apenas	com	outros	lipídios.	Moléculas	que	têm	partes	polares	e	apolares	são	conhecidas	como	
anfipáticas.	Os	fosfolipídios	anfipáticos	alinham-se	de	cauda	a	cauda	em	uma	carreira	dupla	para	compor	a	maior	parte	
da	membrana	que	envolve	cada	célula.	
Fosfolipídios.	A.	Na	síntese	dos	fosfolipídios,	
dois	ácidos	graxos	associam-se	aos	dois	
primeiros	carbonos	da	cadeia	principal	do	
glicerol.	Um	grupo	fosfato	liga	um	pequeno	
grupo	carregado	ao	terceiro	carbono	no	
glicerol.	Em	B,	o	círculo	representa	a	região	da	
cabeça	polar,	e	as	duas	linhas	onduladas	
representam	as	duas	caudas	não	polares.	As	
ligações	duplas	na	cadeia	de	hidrocarbonetos	
dos	ácidos	graxos	muitas	vezes	formam	
dobras	na	cauda.	
	
	
	
	
	
	
	
	
Esteroides	
Os	esteroides	têm	quatro	anéis	de	átomos	de	carbono.	As	células	do	corpo	sintetizam	outros	esteroides	
a	partir	do	colesterol,	que	apresenta	uma	grande	região	apolar	constituída	de	quatro	anéis	e	uma	cauda	
de	hidrocarboneto.	No	corpo,	os	esteroides	comumente	encontrados,	como	o	colesterol,	estrógenos,	
testosterona,	cortisol,	sais	biliares	e	vitamina	D,	são	conhecidos	como	esteróis,	porque	também	têm	
pelo	menos	um	grupo	hidroxila	(álcool)	(—OH).	Os	grupos	hidroxila	polares	compõem	os	esteróis	
fracamente	anfipáticos.	O	colesterol	é	necessário	para	a	estrutura	da	membrana	celular;	os	estrógenos	e	
a	testosterona	são	necessários	para	a	regulação	de	funções	sexuais;	o	cortisol	é	necessáriopara	manter	
os	níveis	normais	de	açúcar	no	sangue;	os	sais	biliares	são	necessários	para	a	digestão	e	absorção	de	
lipídios;	e	a	vitamina	D	está	relacionada	ao	crescimento	ósseo.		
Esteroides.	Todos	os	esteroides	têm	quatro	anéis	de	átomos	de	carbono.	Os	anéis	individuais	são	
designados	pelas	letras	A,	B,	C	e	D.	
	
Outros	lipídios	
Os	eicosanoides	(eicosa-	=	vinte)	são	lipídios	derivados	de	um	ácido	
graxo	de	20	carbonos	denominado	ácido	araquidônico.	As	duas	
principais	subclasses	de	eicosanoides	são	as	prostaglandinas	e	os	
leucotrienos.	As	prostaglandinas	têm	uma	grande	variedade	de	
funções.	Elas	modificam	respostas	aos	hormônios,	contribuem	para	a	
resposta	inflamatória,	previnem	úlceras	gástricas,	dilatam	(ampliam)	as	
vias	respiratórias	para	os	pulmões,	regulam	a	temperatura	corporal	e	
influenciam	a	formação	de	coágulos	de	sangue,	para	citar	apenas	
algumas	funções.	Os	leucotrienos	participam	em	respostas	alérgicas	e	
inflamatórias.	
Outros	lipídios	incluem	as	vitaminas	lipossolúveis,	como	os	
betacarotenos	(os	pigmentos	amarelo-laranja	presentes	na	gema	de	
ovo,	cenouras	e	tomates	que	são	convertidos	em	vitamina	A);	vitaminas	
D,	E	e	K;	e	lipoproteínas.	
	
Proteínas	
As	proteínas	são	moléculas	grandes	que	contêm	carbono,	hidrogênio,	
oxigênio	e	nitrogênio.	Algumas	proteínas	também	contêm	enxofre.	Um	
corpo	adulto	magro	e	normal	contém	de	12	a	18%	de	proteínas.	As	
proteínas	têm	muitas	funções	no	corpo	e	são	em	grande	parte	responsáveis	pela	estrutura	dos	tecidos	corporais.	As	
enzimas	são	proteínas	que	aceleram	a	maioria	das	reações	bioquímicas.	Outras	proteínas	funcionam	como	“motores”	
para	conduzir	a	contração	muscular.	Os	anticorpos	são	proteínas	que	defendem	contra	a	invasão	de	microrganismos.	
Alguns	hormônios	que	regulam	a	homeostasia	também	são	proteínas.		
	
Aminoácidos	e	polipeptídeos	
Os	monômeros	de	proteínas	são	os	aminoácidos.	Cada	um	dos	20	aminoácidos	diferentes	contém	um	átomo	de	
hidrogênio	(H)	e	três	grupos	funcionais	importantes	ligados	a	um	átomo	de	carbono	central:	(1)	um	grupo	amino	(—
NH2),	(2)	um	grupo	carboxila	ácido	(—COOH)	e	(3)	uma	cadeia	lateral	(grupo	R).	No	pH	normal	dos	líquidos	corporais,	
tanto	o	grupo	amino	como	o	grupo	carboxila	são	ionizados.	As	diferentes	cadeias	laterais	fornecem	a	cada	aminoácido	
sua	identidade	química	distinta.	
Uma	proteína	é	sintetizada	de	forma	gradual	–	um	aminoácido	é	unido	a	um	segundo,	um	terceiro	é	adicionado	aos	
dois	primeiros	e	assim	por	diante.	A	ligação	covalente	que	une	cada	par	de	aminoácidos	é	uma	ligação	peptídica.	Essa	
ligação	sempre	se	forma	entre	o	carbono	do	grupo	carboxila	(—COOH)	de	um	aminoácido	e	o	nitrogênio	do	grupo	
amino	(NH2)	de	outro.	À	medida	que	a	ligação	peptídica	é	formada,	uma	molécula	de	água	é	removida,	tornando	esta	
uma	reação	de	síntese	por	desidratação.	A	quebra	de	uma	ligação	peptídica,	como	ocorre	durante	a	digestão	das	
proteínas	na	dieta,	é	uma	reação	de	hidrólise.	
Aminoácidos.	A.	De	acordo	com	seu	nome,	os	aminoácidos	têm	um	grupo	amino	(azul	sombreado)	e	um	grupo	carboxila	
(ácido)	(vermelho	sombreado).	A	cadeia	lateral	(grupo	R)	é	diferente	em	cada	aminoácido.	B.	Em	pH	próximo	a	7,	tanto	o	
grupo	amino	quanto	o	grupo	carboxila	são	ionizados.	C.	A	glicina	é	o	aminoácido	mais	simples;	a	cadeia	lateral	é	um	único	
átomo	H.	A	cisteína	é	um	dos	dois	aminoácidos	que	contêm	enxofre	(S).	A	cadeia	
lateral	na	tirosina	contém	um	anel	de	seis	carbonos.	A	lisina	tem	um	segundo	grupo	
amino	na	extremidade	de	sua	cadeia	lateral.	
	
A	combinação	de	dois	aminoácidos	resulta	na	formação	de	um	dipeptídeo.	A	
adição	de	outro	aminoácido	a	um	dipeptídeo	produz	um	tripeptídeo.	Adições	
posteriores	de	aminoácidos	resultam	na	formação	de	um	peptídeo	em	cadeia	(4	a	
9	aminoácidos)	ou	polipeptídeo	(10	a	2.000	ou	mais	aminoácidos).	Pequenas	
proteínas	podem	consistir	em	uma	única	cadeia	de	polipeptídeos	com	apenas	50	
aminoácidos.	Proteínas	maiores	têm	centenas	ou	milhares	de	aminoácidos	e	
podem	consistir	em	duas	ou	mais	cadeias	de	polipeptídeos	dobradas	
conjuntamente.	
Visto	que	cada	variação	no	número	ou	sequência	de	aminoácidos	pode	produzir	
uma	proteína	diferente,	é	possível	haver	uma	grande	variedade	de	proteínas.	A	
situação	é	semelhante	ao	uso	de	um	alfabeto	de	20	letras	para	formar	palavras.	
Cada	aminoácido	diferente	é	como	uma	letra,	e	suas	várias	combinações	dão	
origem	a	uma	diversidade	aparentemente	interminável	de	palavras	(peptídeos,	
polipeptídeos	e	proteínas).	
	
Níveis	de	organização	estrutural	em	proteínas	
As	proteínas	exibem	quatro	níveis	de	organização	estrutural.	A	estrutura	primária	é	unidimensional	e	a	sequência	única	
de	aminoácidos	que	estão	unidos	por	ligações	peptídicas	covalentes	para	formar	uma	cadeia	polipeptídica.		
A	estrutura	secundária	de	uma	proteína	é	bidimensional	e	refere-se	à	torção	ou	dobramento	repetido	dos	aminoácidos	
vizinhos	na	cadeia	polipeptídica.	Duas	estruturas	secundárias	comuns	são	as	alfa	(α)-hélices	(espirais	no	sentido	
horário)	e	as	folhas	beta	(β)-pregueadas.	A	estrutura	secundária	de	uma	proteína	é	estabilizada	por	pontes	de	
hidrogênio,	que	se	formam	em	intervalos	regulares	ao	longo	da	cadeia	principal	da	molécula	polipeptídica.	
A	estrutura	terciária	refere-se	à	forma	tridimensional	de	uma	cadeia	polipeptídica.	Cada	proteína	tem	uma	estrutura	
terciária	única	que	determina	como	ela	funcionará.	O	padrão	de	dobramento	terciário	pode	permitir	que	aminoácidos	
em	extremidades	opostas	da	cadeia	sejam	vizinhos	próximos.	Vários	tipos	de	ligações	podem	contribuir	para	a	
estrutura	terciária	de	uma	proteína.	As	ligações	mais	fortes,	mas	menos	comuns,	as	ligações	covalentes	S—S	
denominadas	pontes	de	dissulfeto,	formam-se	entre	os	grupos	sulfidrilas	de	dois	monômeros	do	aminoácido	cisteína.	
Muitas	ligações	fracas	–	as	pontes	de	hidrogênio,	ligações	iônicas	e	as	interações	hidrofóbicas	–	também	ajudam	a	
determinar	o	padrão	de	dobramento.	Algumas	porções	de	um	polipeptídeo	são	atraídas	pela	água	(hidrofílicas)	e	outras	
partes	são	repelidas	por	ela	(hidrofóbicas).	Como	a	maioria	das	proteínas	em	nosso	corpo	existe	em	ambientes	
aquosos,	o	processo	de	dobramento	coloca	a	maioria	dos	aminoácidos	com	cadeias	laterais	hidrofóbicas	no	núcleo	
central,	longe	da	superfície	da	proteína.	Com	frequência,	as	moléculas	auxiliares	conhecidas	como	chaperonas	auxiliam	
no	processo	de	dobramento.	
	
Formação	de	uma	ligação	peptídica	entre	dois	
aminoácidos	durante	a	síntese	por	desidratação.	
Neste	exemplo,	a	glicina	é	unida	à	alanina,	
formando	um	dipeptídeo	(lido	da	esquerda	para	
a	direita).	A	quebra	de	uma	ligação	peptídica	
ocorre	por	hidrólise	(lida	da	direita	para	a	
esquerda).	
	
Nas	proteínas	que	contêm	mais	de	uma	cadeia	de	polipeptídeos	(nem	todas	contêm),	o	arranjo	entre	as	cadeias	
polipeptídicas	individuais	é	a	estrutura	quaternária.	As	ligações	que	mantêm	unidas	as	cadeias	polipeptídicas	são	
similares	àquelas	que	mantêm	a	estrutura	terciária.	
Diferentes	proteínas	têm	diferentes	arquiteturas	e	diferentes	formas	tridimensionais.	Essa	variação	na	estrutura	e	
forma	está	diretamente	relacionada	às	suas	diversas	funções.	Em	praticamente	todos	os	casos,	a	função	de	uma	
proteína	depende	de	sua	capacidade	de	reconhecer	e	ligar-se	a	alguma	outra	molécula.	Assim,	um	hormônio	se	liga	a	
uma	proteína	específica	em	uma	célula	a	fim	de	alterar	sua	função,	e	a	proteína	na	forma	de	anticorpo	liga-se	a	uma	
substância	estranha	(antígeno)	que	invadiu	o	corpo.	A	forma	única	de	uma	proteína	permite	que	ela	interaja	com	
outras	moléculas	para	realizar	uma	função	específica.	
Com	base	na	forma	geral,	as	proteínas	são	classificadas	como	fibrosas	ou	globulares.	As	proteínas	fibrosas	são	insolúveis	
em	água	e	suas	cadeias	de	polipeptídeos	formam	longas	fitas	que	são	paralelas	entre	si.	As	proteínas	fibrosas	
apresentam	muitas	funções	estruturais.	Exemplos	incluem	o	colágeno	(fortalece	os	ossos,	ligamentos	e	tendões),	
elastina	(proporciona	elasticidade	na	pele,	vasos	sanguíneos	e	tecido	pulmonar),	queratina	(forma	a	estrutura	dos	
cabelos	e	unhas	e	impermeabilizaa	pele),	distrofina	(reforça	partes	das	fibras	musculares),	fibrina	(forma	coágulos	de	
sangue)	e	actina	e	miosina	(estão	envolvidas	na	contração	das	fibras	musculares,	divisão	em	todas	as	células	e	o	
transporte	de	substâncias	dentro	das	células).		
As	proteínas	globulares	são	mais	ou	menos	solúveis	em	água	e	suas	cadeias	polipeptídicas	são	esféricas	(globulares)	em	
forma.	As	proteínas	globulares	têm	funções	
metabólicas.	Exemplos	incluem	enzimas,	que	
funcionam	como	catalisadores;	anticorpos	e	proteínas	
do	sistema	complemento,	que	ajudam	a	proteger-nos	
contra	doenças;	hemoglobina,	que	transporta	
oxigênio;	lipoproteínas,	que	transportam	lipídios	e	
colesterol;	albuminas,	que	ajudam	a	regular	o	pH	do	
sangue;	proteínas	de	membrana,	que	transportam	
substâncias	para	dentro	e	fora	das	células;	e	alguns	
hormônios	como	a	insulina,	que	ajuda	a	regular	o	
nível	de	açúcar	no	sangue.	
Os	mecanismos	homeostáticos	mantêm	a	temperatura	
e	a	composição	química	dos	líquidos	corporais,	que	
permitem	as	proteínas	corporais	a	manter	suas	
próprias	formas	tridimensionais.	Se	uma	proteína	
encontra	um	ambiente	alterado,	pode	se	desfazer	e	
perder	sua	forma	característica	(estrutura	secundária,	
terciária	e	quaternária).	Esse	processo	é	chamado	de	
desnaturação.	As	proteínas	desnaturadas	não	são	
mais	funcionais.	Embora	em	alguns	casos,	a	
desnaturação	pode	ser	revertida,	um	ovo	frito	é	um	
exemplo	comum	de	desnaturação	permanente.	Em	
um	ovo	cru,	a	proteína	solúvel	da	clara	do	ovo	
(albumina)	é	um	líquido	claro	e	viscoso.	Quando	o	
calor	é	aplicado	ao	ovo,	as	proteínas	desnaturam,	
tornam-se	insolúveis	e	ficam	brancas.	
	
Níveis	de	organização	estrutural	em	proteínas.	A.	A	estrutura	primária	é	a	sequência	de	aminoácidos	no	polipeptídeo.	B.	
As	estruturas	secundárias	comuns	incluem	alfa-hélices	e	folhas	betapregueadas.	Para	simplificar,	os	grupos	laterais	dos	
aminoácidos	não	são	mostrados	aqui.	C.	A	estrutura	terciária	é	o	padrão	geral	de	dobramento	que	produz	uma	forma	
distinta,	tridimensional.	D.	A	estrutura	quaternária	em	uma	proteína	é	o	arranjo	de	duas	ou	mais	cadeias	polipeptídicas	
uma	em	relação	à	outra.	
	
Enzimas	
Nas	células	vivas,	a	maioria	dos	catalisadores	são	moléculas	proteicas	denominadas	enzimas.	Algumas	enzimas	
consistem	em	duas	partes	–	uma	porção	proteica,	chamada	apoenzima	e	uma	porção	não	proteica,	denominada	
cofator.	O	cofator	pode	ser	um	íon	metal	(como	ferro,	magnésio,	zinco	ou	cálcio)	ou	uma	molécula	orgânica	chamada	
coenzima.	As	coenzimas	são	frequentemente	derivadas	de	vitaminas.	Os	nomes	das	enzimas	normalmente	terminam	
com	o	sufixo	ase.	Todas	as	enzimas	podem	ser	agrupadas	de	acordo	com	os	tipos	de	reações	químicas	que	catalisam.	
Por	exemplo,	as	oxidases	adicionam	oxigênio,	as	quinases	adicionam	fosfato,	as	desidrogenases	removem	o	hidrogênio,	
as	ATPases	decompõem	o	ATP,	as	anidrases	removem	água,	as	proteases	quebram	as	proteínas	e	as	lipases	
decompõem	os	triglicerídeos.	
As	enzimas	catalisam	reações	específicas.		
1.As	enzimas	são	altamente	específicas.	Cada	enzima	em	particular	liga-se	apenas	a	substratos	específicos	–	as	moléculas	
reagentes	nas	quais	a	enzima	atua.	Das	mais	de	1.000	enzimas	conhecidas	no	corpo,	cada	uma	tem	uma	forma	
tridimensional	característica	com	uma	configuração	de	superfície	específica,	o	que	lhe	permite	reconhecer	e	ligar-se	a	
certos	substratos.	Em	alguns	casos,	acredita-se	que	a	parte	da	enzima	que	catalisa	a	reação,	chamada	de	sítio	ativo,	
encaixa-se	no	substrato	como	uma	chave	que	cabe	em	uma	fechadura.	Em	outros	casos,	o	sítio	ativo	muda	sua	forma	
para	se	ajustar	confortavelmente	ao	substrato,	uma	vez	que	ele	entra	no	sítio	ativo.	Essa	mudança	de	forma	é	
conhecida	como	um	ajuste	induzido.	
Não	apenas	uma	enzima	se	combina	a	um	determinado	substrato;	ela	também	catalisa	uma	reação	específica.	Dentre	o	
grande	número	de	moléculas	diversas	em	uma	célula,	uma	enzima	deve	reconhecer	o	substrato	correto	e	depois	
desmontá-lo	ou	fundi-lo	com	outro	substrato	para	formar	um	ou	mais	produtos	específicos.	
2.As	enzimas	são	muito	eficientes.	Em	condições	ótimas,	as	enzimas	podem	catalisar	reações	a	taxas	a	partir	de	100	
milhões	a	10	bilhões	de	vezes	mais	rápidas	do	que	as	de	reações	semelhantes	que	ocorrem	sem	enzimas.		
3.As	enzimas	estão	sujeitas	a	uma	variedade	de	controles	celulares.	Sua	taxa	de	síntese	e	sua	concentração	em	
qualquer	momento	estão	sob	o	controle	dos	genes	de	uma	célula.	Substâncias	dentro	da	célula	podem	aumentar	ou	
inibir	a	atividade	de	uma	determinada	enzima.	Muitas	enzimas	apresentam	formas	tanto	ativas	como	inativas	em	células.	
A	taxa	na	qual	a	forma	inativa	torna-se	ativa	ou	vice-versa	é	determinada	pelo	ambiente	químico	dentro	da	célula.	
As	enzimas	reduzem	a	energia	de	ativação	de	uma	reação	química	diminuindo	a	“aleatoriedade”	das	colisões	entre	as	
moléculas.	Elas	também	ajudam	a	agrupar	os	substratos	na	orientação	adequada	para	que	a	reação	possa	ocorrer.		
Os	substratos	fazem	contato	com	o	sítio	ativo	na	superfície	da	molécula	enzimática,	formando	um	composto	
intermediário	temporário,	chamado	de	complexo	enzima-substrato.	Nessa	reação,	as	duas	moléculas	do	substrato	são	
a	sacarose	(um	dissacarídeo)	e	a	água.	
As	moléculas	do	substrato	são	transformadas	pelo	rearranjo	dos	átomos	existentes,	a	decomposição	da	molécula	do	
substrato	ou	a	combinação	de	várias	moléculas	de	substrato	em	produtos	da	reação.	Aqui	os	produtos	são	dois	
monossacarídeos:	glicose	e	frutose.	
Depois	que	a	reação	é	concluída	e	os	produtos	da	reação	se	afastam	da	enzima,	a	enzima	inalterada	é	livre	para	se	ligar	
a	outras	moléculas	do	substrato.	
Por	vezes	uma	única	enzima	pode	catalisar	uma	reação	reversível	em	qualquer	direção,	dependendo	das	quantidades	
relativas	dos	substratos	e	dos	produtos.	Por	exemplo,	a	enzima	anidrase	carbônica	catalisa	a	seguinte	reação	reversível:	
	
	
	
	
	
	
BOCA	
	
A	boca	é	formada	por	lábios,	bochechas,	palatos	duro	e	mole,	cavidade	oral,	dentes,	glândulas	salivares	e	língua.	As	
bochechas	formam	as	paredes	laterais	da	boca;	são	recobertas	externamente	pela	pele	e,	internamente,	por	uma	
túnica	mucosa,	que	consiste	em	epitélio	estratificado	pavimentoso	não	queratinizado.	Os	músculos	bucinadores	e	o	
tecido	conjuntivo	situam-se	entre	a	pele	e	as	túnicas	mucosas	das	bochechas.	As	partes	anteriores	das	bochechas	
terminam	nos	lábios.	
Os	lábios	são	pregas	carnosas	que	circundam	a	abertura	da	boca.	Contêm	o	músculo	orbicular	da	boca	e	são	recobertos	
externamente	pela	pele	e,	internamente,	por	uma	túnica	mucosa.	A	face	interna	de	cada	lábio	está	ligada	à	sua	gengiva	
correspondente	por	uma	prega	de	túnica	mucosa	na	linha	mediana,	o	frênulo	do	lábio.	Durante	a	mastigação,	a	
contração	dos	músculos	bucinadores	nas	bochechas	e	do	músculo	orbicular	da	boca	nos	lábios	ajuda	a	manter	o	
alimento	entre	os	dentes	superiores	e	inferiores.	Esses	músculos	também	ajudam	na	fala.	
A	cavidade	oral	é	o	espaço	que	se	estende	dos	lábios	e	dos	dentes	até	as	fauces.	É	dividida	em	vestíbulo	da	boca	e	
cavidade	própria	da	boca.	O	vestíbulo	da	boca	é	o	espaço	delimitado	externamente	pelas	bochechas	e	pelos	lábios	e,	
internamente,	pelas	gengivas	e	pelos	dentes.	A	cavidade	própria	da	boca	é	o	espaço	que	se	estende	das	gengivas	e	dos	
dentes	até	as	fauces,	a	abertura	entre	a	cavidade	própria	da	boca	e	a	parte	oral	da	faringe	(garganta).	
O	palato	é	uma	parede	ou	septo	que	separa	a	cavidade	oral	da	cavidade	nasal.	Essa	importante	estrutura,	que	forma	o	
teto	da	boca,	torna	possível	mastigar	e	respirar	ao	mesmo	tempo.	O	palato	duro,	a	parte	anterior	do	teto	da	boca,	é	
formado	pelas	maxilas	e	pelos	palatinos,	sendo	recoberto	por	uma	túnica	mucosa;	forma	a	divisão	óssea	entre	as	
cavidades	oral	e	nasal.	O	palato	mole,	que	forma	a	parte	posterior	do	teto	da	boca,	é	uma	divisão	muscular	arciforme	
entre	as	partes	oral	e	nasal	da	faringe;	é	revestido	por	túnica	mucosa.	
Uma	estrutura	muscular	digitiforme,	denominada	úvula,	pende	da	margem	livre	do	palato	mole.	Durante	a	deglutição,	
o	palato	mole	e	a	úvula	são	elevados,	de	modoa	fechar	a	parte	nasal	da	faringe	e	impedir	a	entrada	dos	alimentos	e	
líquidos	na	cavidade	nasal.	Lateralmente	à	base	da	úvula,	existem	duas	pregas	musculares	que	descem	pelas	margens	
laterais	do	palato	mole:	anteriormente,	o	arco	palatoglosso	estende-se	lateralmente	na	base	da	língua;	posteriormente,	
o	arco	palatofaríngeo	estende-se	lateralmente	na	faringe.	As	tonsilas	palatinas	estão	situadas	entre	os	arcos,	já	as	
tonsilas	linguais	estão	localizadas	na	base	da	língua.	Na	margem	posterior	do	palato	mole,	a	boca	abre-se	na	parte	oral	
da	faringe	por	meio	das	fauces.	
	
	
Glândulas	salivares	
A	glândula	salivar	libera	uma	secreção,	a	saliva,	na	cavidade	oral.	Normalmente,	a	secreção	de	saliva	é	suficiente	para	
manter	as	túnicas	mucosas	da	boca	e	da	faringe	úmidas	e	para	limpar	a	boca	e	os	dentes.	Entretanto,	quando	o	
alimento	entra	na	boca,	a	secreção	de	saliva	aumenta,	lubrifica	e	dissolve	o	alimento,	dando	início	à	decomposição	
química	dos	alimentos.	
A	túnica	mucosa	e	a	tela	submucosa	da	boca	e	da	língua	contêm	cerca	de	800	a	1	mil	pequenas	glândulas	salivares	que	
se	abrem	diretamente	na	cavidade	oral	ou	indiretamente	por	meio	de	ductos	curtos.	Essas	glândulas	incluem	as	
glândulas	labiais,	bucais	e	palatinas	nos	lábios,	nas	bochechas	e	no	palato,	respectivamente,	e	as	glândulas	linguais	na	
língua,	todas	as	quais	contribuem	com	uma	pequena	quantidade	de	saliva.	Juntas,	essas	pequenas	glândulas	salivares	
são	denominadas	glândulas	salivares	menores.	
A	maior	parte	da	saliva	é	secretada	pelas	glândulas	salivares	maiores,	situadas	além	da	túnica	mucosa	da	boca,	em	
ductos	que	levam	à	cavidade	oral.	Existem	três	pares	de	glândulas	salivares	maiores:	as	glândulas	parótidas,	
submandibulares	e	sublinguais.	As	glândulas	parótidas	estão	localizadas	inferior	e	anteriormente	às	orelhas,	entre	a	
pele	e	o	músculo	masseter.	Cada	uma	dessas	glândulas	secreta	saliva	na	cavidade	oral	por	meio	de	um	ducto	parotídeo	
(de	Stensen	ou	de	Stenon),	que	perfura	o	músculo	bucinador	para	se	abrir	no	vestíbulo	oposto	ao	segundo	dente	molar	
maxilar	(superior).	As	glândulas	submandibulares	são	encontradas	no	assoalho	da	cavidade	própria	da	boca;	são	
mediais	e	parcialmente	inferiores	ao	corpo	da	mandíbula.	Seus	ductos,	os	ductos	submandibulares	(de	Wharton),	
seguem	o	seu	percurso	sob	a	túnica	
mucosa	em	ambos	os	lados	da	linha	
mediana	do	assoalho	da	boca	e	entram	
na	cavidade	própria	da	boca	
lateralmente	ao	frênulo	da	língua.	As	
glândulas	sublinguais	estão	situadas	
abaixo	da	língua	e	superiormente	às	
glândulas	submandibulares;	seus	ductos,	
os	ductos	sublinguais	maior	e	menor	
(ductos	de	Rivinus),	abrem-se	no	
assoalho	da	boca,	na	cavidade	própria	da	
boca.	
	
As	três	glândulas	salivares	maiores	–	
parótida,	sublingual	e	submandibular.	As	
glândulas	submandibulares,	mostradas	na	
micrografia	óptica	(B),	consistem	
principalmente	em	ácinos	serosos	
(porções	da	glândula	secretoras	de	líquido	
seroso)	e	em	alguns	ácinos	mucosos	
(porções	da	glândula	secretoras	de	
muco);	as	glândulas	parótidas	consistem	
apenas	em	ácinos	serosos;	e	as	glândulas	
sublinguais	consistem	principalmente	em	
ácinos	mucosos	e	em	alguns	ácinos	
serosos.	
	
Composição	e	funções	da	saliva.		
Do	ponto	de	vista	químico,	a	saliva	é	composta	por	água	(99,5%)	e	solutos	(0,5%).	Entre	os	solutos	estão	íons,	incluindo	
sódio,	potássio,	cloreto,	bicarbonato	e	fosfato.	Estão	também	presentes	alguns	gases	dissolvidos	e	várias	substâncias	
orgânicas,	incluindo	ureia	e	ácido	úrico,	muco,	imunoglobulina	A,	a	enzima	bacteriolítica	lisozima	e	a	amilase	salivar	
(uma	enzima	digestiva	que	atua	sobre	o	amido).	
As	glândulas	parótidas	secretam	um	líquido	aquoso	(seroso)	que	contém	a	amilase	salivar.	Como	as	glândulas	
submandibulares	contêm	células	semelhantes	àquelas	encontradas	nas	glândulas	parótidas,	além	de	algumas	células	
mucosas,	elas	também	secretam	um	líquido	que	contém	amilase,	porém	mais	espesso,	com	muco.	As	glândulas	
sublinguais	contêm	principalmente	células	mucosas,	de	modo	que	elas	secretam	um	líquido	muito	mais	espesso	que	
contribui	com	apenas	uma	pequena	quantidade	de	amilase	salivar.	
A	água	na	saliva	fornece	um	meio	para	dissolver	os	alimentos,	a	fim	de	que	possam	ser	provados	pelos	receptores	
gustativos	e	de	modo	que	as	reações	digestivas	possam	ser	iniciadas.	Os	íons	cloreto	na	saliva	ativam	a	amilase	salivar,	
uma	enzima	que	inicia	a	degradação	do	amido	na	boca	em	maltose,	maltotriose	e	alfa-dextrina.	Os	íons	bicarbonato	e	
fosfato	tamponam	os	alimentos	ácidos	que	entram	na	boca,	fazendo	com	que	a	saliva	seja	apenas	ligeiramente	ácida	
(pH	de	6,35	a	6,85).	As	glândulas	salivares	(como	as	glândulas	sudoríparas	da	pele)	ajudam	a	remover	as	moléculas	de	
degradação	do	corpo,	o	que	explica	a	presença	de	ureia	e	de	ácido	úrico	na	saliva.	O	muco	lubrifica	o	alimento,	
possibilitando	que	ele	se	movimente	com	facilidade	na	boca,	modelado	em	uma	bola	e	deglutido.	A	imunoglobulina	A	
(IgA)	impede	a	adesão	de	microrganismos,	impedindo	que	eles	penetrem	no	epitélio,	já	a	enzima	lisozima	mata	os	
microrganismos;	entretanto,	essas	substâncias	não	estão	presentes	em	quantidade	suficiente	para	eliminar	todas	as	
bactérias	da	boca.	
Salivação.	A	secreção	de	saliva,	chamada	salivação,	é	controlada	pela	divisão	autônoma	do	sistema	nervoso.	A	quantidade	
de	saliva	secretada	diariamente	varia	de	modo	considerável,	porém	é,	em	média,	de	1.000	a	1.500	mℓ.	Normalmente,	a	
estimulação	parassimpática	promove	a	secreção	contínua	de	uma	quantidade	moderada	de	saliva,	o	que	mantém	as	
túnicas	mucosas	úmidas	e	lubrifica	os	movimentos	da	língua	e	dos	lábios	durante	a	fala.	Em	seguida,	a	saliva	é	deglutida	
e	ajuda	a	umedecer	o	esôfago.	Por	fim,	a	maior	parte	dos	componentes	da	saliva	é	reabsorvida,	impedindo	a	perda	de	
líquido.	A	estimulação	simpática	domina	durante	o	estresse,	resultando	em	ressecamento	da	boca.	Se	o	corpo	ficar	
desidratado,	as	glândulas	salivares	interrompem	a	secreção	de	saliva	para	conservar	a	água;	o	consequente	
ressecamento	da	boca	contribui	para	a	sensação	de	sede.	A	ingestão	de	água	não	apenas	restaura	a	homeostasia	da	
água	corporal,	como	também	umedece	a	boca.	
A	sensação	e	o	sabor	dos	alimentos	também	constituem	poderosos	estimuladores	das	secreções	das	glândulas	
salivares.	As	substâncias	químicas	no	alimento	estimulam	os	receptores	nas	papilas	gustatórias	da	língua,	e	os	impulsos	
são	transmitidos	das	papilas	linguais	para	dois	núcleos	salivares	no	tronco	encefálico	(núcleos	salivatório	superior	e	
salivatório	inferior).	Os	impulsos	parassimpáticos	que	retornam	nas	fibras	dos	nervos	facial	(VII)	e	glossofaríngeo	(IX)	
estimulam	a	secreção	de	saliva.	A	saliva	continua	sendo	intensamente	secretada	durante	algum	tempo	após	a	
deglutição	do	alimento;	esse	fluxo	de	saliva	lava	a	boca,	dilui	e	tampona	os	remanescentes	de	substâncias	químicas	
irritantes,	como	molhos	saborosos	(porém	picantes).	O	olfato,	a	visão,	o	som	ou	pensar	nos	alimentos	também	podem	
estimular	a	secreção	de	saliva.	
	
Língua	
A	língua	é	um	órgão	digestório	acessório	composto	por	músculo	esquelético,	que	é	recoberto	por	túnica	mucosa.	Com	
seus	músculos	associados,	a	língua	forma	o	assoalho	da	cavidade	própria	da	boca.	A	língua	é	dividida	em	metades	
laterais	simétricas	por	um	septo	mediano	que	se	estende	por	todo	o	seu	comprimento;	está	fixada	inferiormente	ao	
hioide,	ao	processo	estiloide	do	temporal	e	à	mandíbula.	Cada	metade	da	língua	consiste	em	um	complemento	idêntico	
de	músculos	extrínsecos	e	intrínsecos.	
Os	músculos	extrínsecos	da	língua,	que	se	originam	fora	da	língua	(fixados	aos	ossos	da	área)	e	que	se	inserem	nos	
tecidos	conjuntivos	da	língua,	incluem	os	músculos	hioglosso,	genioglosso	e	estiloglosso.	Os	músculos	extrínsecos	
movem	a	língua	de	um	lado	para	outro	e	para	dentro	e	para	fora,	o	que	permite:	manobrar	o	alimento	para	a	sua	
mastigação,	moldá-lo	em	uma	massa	arredondada	e,	em	seguida,	forçá-lo	em	direção	à	parte	posterior	da	boca,	para	a	
sua	deglutição.	Formam	também	o	assoalho	da	boca	e	mantêm	a	língua	em	sua	posição.	Os	músculosintrínsecos	da	
língua	originam-se	e	inserem-se	no	tecido	conjuntivo	da	língua.	Alteram	o	formato	e	o	tamanho	da	língua	para	falar	e	
deglutir.	Os	músculos	intrínsecos	incluem	os	músculos	longitudinal	superior,	longitudinal	inferior,	transverso	da	língua	e	
vertical	da	língua.	O	frênulo	da	língua,	uma	prega	da	túnica	mucosa	na	linha	mediana	da	face	inferior	da	língua,	está	
fixado	ao	assoalho	da	boca	e	ajuda	a	limitar	o	movimento	da	língua	posteriormente.	Se	o	frênulo	da	língua	de	uma	
pessoa	for	anormalmente	curto	ou	rígido	(uma	condição	denominada	anquiloglossia),	diz-se	que	a	pessoa	tem	“língua	
presa”,	em	razão	do	comprometimento	resultante	da	fala.		
As	faces	dorsal	(face	superior)	e	laterais	da	língua	são	recobertas	por	papilas	linguais,	que	consistem	em	projeções	da	
lâmina	própria	recobertas	por	epitélio	estratificado	pavimentoso.	Muitas	papilas	linguais	contêm	células	epiteliais	
gustatórias,	os	receptores	para	a	gustação	(paladar)	nos	colículos	gustatórios.	Algumas	papilas	linguais	carecem	de	
colículos	gustatórios,	porém	contêm	receptores	para	o	toque	e	aumentam	o	atrito	entre	a	língua	e	o	alimento,	
facilitando	o	movimento	do	alimento	pela	língua	na	cavidade	própria	da	boca.	As	glândulas	linguais	(glândulas	salivares	
menores)	na	lâmina	própria	da	língua	secretam	tanto	muco	quanto	um	líquido	seroso	aquoso	que	contém	a	enzima	
lipase	lingual,	a	qual	atua	em	até	30%	dos	triglicerídios	da	dieta	(gorduras	e	óleos)	e	os	converte	em	ácidos	graxos	mais	
simples	e	diglicerídios.	
	
Dentes	
Os	dentes	são	órgãos	digestórios	acessórios	localizados	nos	alvéolos	dentais	dos	processos	alveolares	da	mandíbula	e	
da	maxila.	Os	processos	alveolares	(rebordos	espessos)	são	cobertos	pelas	gengivas,	que	se	estendem	ligeiramente	
dentro	de	cada	alvéolo	dental.	Os	alvéolos	dentais	são	revestidos	pelo	periodonto,	o	qual	consiste	em	todas	as	
estruturas	que	fixam	um	dente	ao	alvéolo	dental	dos	processos	alveolares	da	mandíbula	e	das	maxilas.	Uma	parte	do	
periodonto	é	o	ligamento	periodontal,	que	são	faixas	de	tecido	conjuntivo	denso	que	fixam	o	cemento	da	raiz	do	dente	
ao	alvéolo	dental	do	processo	alveolar.	O	ligamento	periodontal	também	atua	como	amortecedor	de	choque	durante	a	
mastigação.	
Um	dente	típico	apresenta	três	regiões	externas	principais:	coroa,	raiz	e	colo.	A	coroa	do	dente	é	a	parte	visível	acima	do	
nível	das	gengivas.	O	dente	tem	uma	a	três	raízes	inseridas	no	alvéolo	dental.	O	colo	do	dente	é	a	junção	estreita	entre	
a	coroa	e	a	raiz	do	dente,	próximo	à	linha	das	gengivas.	
Internamente,	a	dentina	forma	a	maior	parte	do	dente.	Ela	consiste	em	tecido	conjuntivo	calcificado,	que	confere	ao	
dente	seu	formato	básico	e	rigidez.	A	dentina	contém	túbulos	dentinários	microscópicos	paralelos	que	se	irradiam	
através	da	dentina	a	partir	da	cavidade	pulpar.	No	interior	dos	túbulos,	são	encontrados	processos	dos	odontoblastos,	
as	células	que	produzem	a	dentina,	e	líquido	derivado	como	filtrado	dos	vasos	sanguíneos	na	cavidade	pulpar.	Se	os	
túbulos	dentinários	forem	expostos	e	abertos	em	decorrência	da	erosão	do	esmalte,	o	líquido	nos	túbulos	move-se	para	
dentro	e	para	fora,	o	que	ativa	os	receptores	de	dor.	Isso	resulta	em	hipersensibilidade	da	dentina,	uma	dor	aguda	que	
pode	ser	desencadeada	por	estímulos	como	frio,	calor,	toque	e	substâncias	químicas	(p.	ex.,	açúcar).	
A	dentina	da	coroa	é	recoberta	pelo	esmalte,	o	qual	consiste	principalmente	em	fosfato	de	cálcio	e	carbonato	de	cálcio.	
O	esmalte	serve	para	proteger	o	dente	do	desgaste	da	mastigação;	protege	também	contra	ácidos	que	podem	facilmente	
dissolver	a	dentina.	A	dentina	da	raiz	é	recoberta	pelo	cemento,	outra	substância	semelhante	ao	osso,	que	fixa	a	raiz	ao	
ligamento	periodontal.	
A	dentina	de	um	dente	envolve	um	espaço.	A	parte	alargada	do	espaço,	a	cavidade	pulpar,	situa-se	dentro	da	coroa	e	é	
preenchida	pela	polpa	do	dente,	um	tecido	conjuntivo	que	contém	vasos	sanguíneos,	nervos	e	vasos	linfáticos.	Extensões	
estreitas	da	cavidade	pulpar,	os	canais	da	raiz	do	dente,	percorrem	a	raiz	do	dente.	Cada	canal	da	raiz	do	dente	tem	uma	
abertura	em	sua	base,	o	forame	do	ápice	do	dente,	por	meio	do	qual	os	vasos	sanguíneos,	os	vasos	linfáticos	e	os	nervos	
entram	no	dente.	Os	vasos	sanguíneos	trazem	nutrição,	os	vasos	linfáticos	oferecem	proteção,	e	os	nervos	possibilitam	
sensibilidade.	
Os	seres	humanos	têm	duas	dentições	ou	conjuntos	de	dentes:	a	decídua	e	a	permanente.	A	primeira	delas,	os	dentes	
decíduos,	também	denominados	dentes	primários	ou	dentes	de	leite,	começa	irromper	por	volta	dos	6	meses	de	vida,	e	
aproximadamente	dois	dentes	aparecem	a	cada	mês	subsequente,	até	que	todos	os	20	dentes	estejam	presentes.	
Os	dentes	incisivos,	que	estão	mais	próximos	da	linha	mediana,	têm	formato	de	cinzel	e	são	adaptados	para	cortar	os	
alimentos;	são	denominados	dentes	incisivos	centrais	ou	laterais	com	base	na	sua	posição.	Ao	lado	dos	dentes	incisivos,	
em	direção	posterior,	estão	os	dentes	caninos,	os	quais	apresentam	uma	face	pontiaguda,	chamada	cúspide.	Os	dentes	
caninos	são	utilizados	para	dilacerar	e	cortar	os	alimentos.	Os	dentes	incisivos	e	caninos	têm,	cada	um,	apenas	uma	raiz.	
Posteriormente	aos	dentes	caninos,	estão	os	primeiros	e	segundo	molares	decíduos,	os	quais	apresentam	quatro	
cúspides.	Os	dentes	molares	maxilares	(superiores)	têm	três	raízes;	os	dentes	molares	mandibulares	(inferiores)	têm	duas	
raízes.	Os	dentes	molares	esmagam	e	trituram	os	alimentos	para	prepará-los	para	a	sua	deglutição.	
Todos	os	dentes	decíduos	são	perdidos	–	em	geral,	entre	6	e	12	anos	–	e	são	substituídos	pelos	dentes	permanentes	
(secundários).	A	dentição	permanente	contém	32	dentes	que	irrompem	entre	os	6	anos	e	a	idade	adulta.	O	padrão	
assemelha-se	ao	da	dentição	decídua,	com	as	seguintes	exceções.	Os	dentes	molares	decíduos	são	substituídos	pelos	
primeiro	e	segundo	pré-molares	(bicúspides),	que	têm	duas	cúspides	e	uma	raiz	e	são	utilizados	para	esmagar	e	triturar	o	
alimento.	Os	dentes	molares	permanentes,	que	irrompem	na	boca	posteriormente	aos	dentes	pré-molares,	não	
substituem	nenhum	dente	decíduo	e	irrompem	à	medida	que	a	mandíbula	cresce	para	acomodá-los	–	os	primeiros	dentes	
molares	permanentes	aos	6	anos	(molares	dos	
6	anos),	os	segundos	dentes	molares	
permanentes	aos	12	anos	(molares	dos	12	
anos)	e	os	terceiros	dentes	molares	
permanentes	(sisos)	depois	dos	17	anos	ou	
podem	nunca	irromper.	
Com	frequência,	a	mandíbula	humana	não	tem	
espaço	suficiente	posteriormente	aos	
segundos	dentes	molares	para	acomodar	a	
erupção	dos	terceiros	dentes	molares.	Nesse	
caso,	os	terceiros	dentes	molares	
permanecem	incorporados	ao	osso	alveolar	e	
são	considerados	impactados.		
	
	
	
	
	
	
Faringe	
Quando	o	alimento	é	deglutido,	passa	da	boca	para	a	faringe	ou	garganta,	um	tubo	em	formato	de	funil,	que	se	estende	
dos	cóanos	ao	esôfago	posteriormente	e	até	a	laringe,	anteriormente.	A	faringe	é	composta	por	músculo	esquelético	e	
revestida	por	uma	túnica	mucosa;	é	dividida	em:	parte	nasal,	parte	oral	e	parte	laríngea.	A	parte	nasal	da	faringe	atua	
apenas	na	respiração,	porém	tanto	a	parte	oral	quanto	a	parte	laríngea	apresentam	funções	digestórias	e	respiratórias.	
O	alimento	deglutido	passa	da	boca	para	as	partes	oral	e	laríngea	da	faringe;	as	contrações	musculares	dessas	áreas	
ajudam	a	impulsionar	o	alimento	para	o	esôfago	e,	em	seguida,	para	o	estômago.

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