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SISTEMA ELÉTRICO DE POTÊNCIA Autor: Flaviano José da Silva Tutor externo: Tarsício Moreira de Souza Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Curso de Engenharia Elétrica (EEA0018) – Trabalho De Conclusão de Curso 06/12/2022 RESUMO O trabalho irá apresentar o funcionamento do sistema elétrico de potência, em específico as subestações, especificando os tipos e funções das subestações. Será explanado resumidamente as funções e os tipos dos principais equipamentos existentes nas subestações, além dos arranjos exibindo a localização de cada elementos. Além dos equipamentos principais será exemplificado o funcionamento dos serviços auxiliares que auxiliam o funcionamento dos equipamentos de manobras. Contudo sobre como atua as proteções dos equipamentos, protegendo o sistema de fornecimento de energia elétrica. Palavras-chave: (Sistema elétrico de potência; Subestação; Tensão; Corrente; Transformadores; Proteção). 1. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como objetivo, abordar concepções gerais das subestações elétricas, no sistema elétrico de potência, explanando sobres seus equipamentos para a transmissão, distribuição, proteção e controle da energia elétrica. Mas, antes daremos um pequeno resumo de como funciona o sistema elétrico de potência, que gera a energia, transmite e distribui. Vamos elucidar o funcionamento, características, dos principais equipamentos, automação e proteção, modernização, como a substituição de equipamentos mais modernos. Além dos conceitos básicos a serem assimilados, também será abordado a importância do conhecimento da configuração das subestações. A fim de agilizar possíveis ocorrências de contingências no sistema elétrico de potência. A área de concentração escolhida, como já mencionada anteriormente, foi a eletrotécnica, devido a atuação profissional a qual já estou no ramo há pouco mais de 15 anos, onde já trabalhei em usina de Cana de Açúcar, Estaleiro de Navios e na Companhia Hidroelétrica do São Francisco (atualmente). E junto com a experiência e conhecimento do tutor Tarsício Moreira de Souza, e colegas de trabalho, desenvolveremos este trabalho de conclusão do curso de Engenharia elétrica. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Integralmente todo sistema elétrico de potência passa por três diferentes etapas que é a geração, a transmissão e a distribuição. Nos processos de geração como os da usina elétrica, sendo elas hidráulicas, eólicas, térmicas, fotovoltaicas e outras tecnologias, comummente essa energia são geradas em baixos níveis de tenção. Então para que essa energia seja transmitida, elas passam pelas subestações, constituídas por equipamentos responsáveis por elevarem a tensão em diversos níveis (alta tensão), diminuindo consequentemente a corrente, que tem também influência em menos percas. E antes que chegue ao consumidor essas tensões são rebaixadas aos padrões das concessionárias que possuem subestações e distribuem em baixas tensões. (Mamede Filho, 2021). A Figura 1, ilustra o caminho da energia elétrica gerada até ao consumidor. FIGURA 1 - GERAÇÃO, TRANSMISSÃO E CONSUMO. FONTE: Disponível em: <http://abiape.com.br/a-transmissao-e-a-busca-pela-eficiencia/>. Acesso em: 10 nov. 2022. A transmissão é o elo entre a produção e o consumo, composta por transformadores, linhas de transmissão e outros equipamentos. Permite que a eletricidade seja negociada no mercado entre geradores, comercializadores, autoprodutores e consumidores. (PRESCOTT, 2018) 2.1. GERAÇÃO Bem como sabemos nossa a energia elétrica pela qual conhecemos precisar ser gerada para que seja transmitida e distribuída aos consumidores, seja ele indústria, comércio e as residências. Mas, como essa energia elétrica é gerada? A energia elétrica é gerada através de equipamentos (geradores) que transformam outras energias como a mecânica (movimento) ou termodinâmica (calor). A exemplo temos hídrica que através da força da corrente de água, faz paletas conectadas a uma turbina que girar, gerando a energia elétrica. Assim como as usinas de cana-de-açúcar, que utilizam bagaço da cana, para aquecer água, gerando vapor em alta pressão, que também fazem turbinas girarem e consequência giram os geradores que geram energia. Também funciona as termelétricas que ao invés do bagaço da cana-de-açúcar, usam o carvão, gás, combustíveis e até fissão de material radioativo outra tecnologia parecia é geotérmica, onde a anergia gerada é feita através do aquecimento interno da terra aquecendo a água e gerando vapor. Também não poderíamos deixar de fora, outras tecnologias que vem crescendo no mercado de energias renováveis, como é a energias eólica, que através do vento, move suas turbinas conectadas a hélices. E não muito menos, é vermos nos telhados das residências, galpões comerciais, placas fotovoltaicas, que utilizam a luz do sol como fonte de energia. Com todo mercado voltado com a preocupação a preocupação ambiental, o mundo vem desenvolvendo várias tecnologias para explorarmos mais fontes renováveis, gerando energias cada vez mais limpas. A Figura 2, exemplifica as fontes de energia e suas origens, exemplificando a função da energia elétrica num cenário energético globalizado. Nela é possível identificar as fontes básicas de energia na Terra, tendo como exemplo as causas naturais, como a iluminação do sol, o movimento dos ventos, o movimento das águas, o aquecimento da própria terra, o tempo que decompõe matérias orgânicas que se transformam em energia de trabalho para transformar a energia elétrica. (BELICO REIS, 2021) FIGURA 2 - GERAÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA FONTE: (Belico Reis, 2022) 2.2. SUBESTAÇÕES Subestação é uma instalação elétrica de alta potência, contendo equipamentos para transmissão, distribuição, proteção e controle de energia elétrica. Funciona como ponto de controle e transferência em um sistema de transmissão elétrica, direcionado e controlando o fluxo energético, transformando os níveis de tensão e funcionando como pontos de entrega para consumidores industriais. Durante o percurso entre as usinas e as cidades, a eletricidade passa por diversas subestações, onde aparelhos chamados transformadores aumentam ou diminuem a sua tensão. Ao elevar a tensão elétrica no início da transmissão, os transformadores evitam a perda excessiva de energia ao longo do caminho. Já ao rebaixarem a tensão elétrica perto dos centros urbanos, permitem a distribuição da energia por toda a cidade. Apesar de mais baixa, a tensão utilizada nas redes de distribuição ainda não está adequada para o consumo residencial imediato. A instalação de transformadores menores, instalados nos postes das ruas para reduzir ainda mais a tensão que vai diretamente para as residências, comércios e outros locais de consumo. É importante lembrar que o fornecimento de energia elétrica no Brasil é feito por meio de um grande e complexo sistema de subestações e linhas de transmissão, interligadas às várias usinas de diversas empresas. Assim, uma cidade não recebe energia de uma única usina, e sim com a energia gerada por diversas usinas hidrelétricas, termelétricas e até nucleares, chamando de Sistema Interligado Nacional (SIN). 2.2.1. Tipos de subestação Cada subestação tem sua função no sistema elétrico, e para isso elas são construídas em pontos estratégicos, em lugares mais protegidos, com vários níveis de tenção adequando ao máximo do fornecimento da energia. Contudo a classificação de uma subestação pode ser realizada conforme sua função, seu nível de tensão, seu tipo de instalação e sua forma de operação. Parte de um sistema de potência, concentrada em um dado local, compreendendo primordialmente as extremidades de linhas de transmissão e/ou de distribuição, com os respectivos dispositivos de manobra, controle e proteção, incluindo as obras civis e estruturas de montagem,podendo incluir também transformadores, equipamentos conversores e/ou outros equipamentos (605-01-01).(ABNT, 1992, pag. 49) 2.2.1.1. Classificação quanto a sua função 2.2.1.1.1. Subestações transformadoras São aquelas destinadas a elevar ou abaixar o nível de tensão, que também poderíamos classificá-las como elevadoras e abaixadoras. As elevadoras são aquelas que recebem a tensão da geração, elevando a tensão, para que a energia possa ser transmitida pelas linhas de transmissão com menos perdas. Já as abaixadoras, são as responsáveis por baixar o nível de tensão para a distribuição, aos consumidores finais, como as indústrias, comércio e residências. 2.2.1.1.2. Subestações seccionadoras, de manobra ou chaveamento Subestação seccionadora “[...] é aquela que se destina ao chaveamento de linhas de transmissão de 230 kV a 750 kV. Em geral, são subestações pertencentes à Rede Básica. Também existem subestações de manobra que operam em sistemas de tensões de 138 kV, 88 kV ou 69 kV.” (MAMEDE FILHO, 2021) 2.2.1.2. Classificação quanto ao seu nível de tensão 2.2.1.2.1. Subestação MT Nível I São as subestações de níveis de 2,3 kV até 25 kV, nessa faixa de tensão na maior parte do país são utilizadas as tensões de 13,8kV, e esporadicamente encontraremos subestações de 13,2kV. Esse nível de tensão normalmente é utilizado em indústrias de pequeno e médio porte, comércios de grande porte, em condomínios residências ou em grandes residências. (MAMEDE FILHO, 2021, p.14). A Figura 3, é uma imagem de uma subestação abaixadora de 69kV para 23.8kV. FIGURA 3 - SUBESTAÇÃO DE 69KV PARA 13,8KV. FONTE: Própria (15 novembro 2022) 2.2.1.2.2. Subestação MT Nível II Esse nível II de tensão para subestações de média tensão, envolves as tensões entre 34,5kV 46kV, tendo sua maioria em 34,5kV, muito utilizadas em redes coletoras aérea ou subterrânea de parque eólicos ou fotovoltaicas, esse tipo de tensão não é disponível no sistema de distribuição, mas, em algumas indústrias é possível encontrar para alimentar cargas específicas. (MAMEDE FILHO, 2021, p.14). 2.2.1.2.3. Subestação AT Nível III São subestações utilizadas normalmente por todas as companhias distribuidoras de energia elétrica do Brasil. Seu nível de tensão está nos níveis entre 69 kV e 145 kV. A maioria das subestações usam a tensão de 69 kV, já as de 138 kV são mais restritas. As indústrias de médio porte que possuem subestações próprias são normalmente alimentadas na tensão de 69kV, principalmente na região Nordeste, no Sudeste existe o sistema de 88 kV, no qual, muitas indústrias, está conectado. (MAMEDE FILHO, 2021, p.14). A Figura 4, ilustra uma subestação de 69kV. FIGURA 4 - SUBESTAÇÃO 69KV FONTE: Própria (15 nov. 2022) 2.2.1.2.4. Subestação AT Nível IV São subestações que normalmente pertencem ao a Rede Básica do Sistema Interligado Nacional (SIN), seus níveis de tensão estão entre 230 kV e 440 kV. Em grande parte, as áreas das concessionárias do Brasil, se utilizam das subestações de 230kV, além de algumas indústrias de grande porte que tem sua operação técnica própria, porém, obedecem aos procedimentos do Operador Nacional do Sistema (ONS). É responsável pela Rede Básica. Já as subestações que têm sua tensão em 345 kV, em grande parte é operada por Furnas Centrais elétricas e algumas concessionárias no Estado de São Paulo. (MAMEDE FILHO, 2021, p.14). A Figura 5, é uma imagem de uma subestação de 230kV. FIGURA 5 - SUBESTAÇÃO 230KV FONTE: Própria (15 nov. 2022) 2.2.1.2.5. Subestação EAT Nível V Segundo Mamede Filho (2021), as conhecidas como de Extra Alta Tensão, são subestações utilizadas dominantemente na Rede Básica do Sistema Interligado Nacional (SIN). Seu nível de tensão está compreendido entre 500 kVca e ±800 kVcc. A tensão máxima existente no Brasil é em corrente alternada de 765 kV (Furnas). No Norte e Nordeste em sua maioria as subestações de 230 kV nos sistemas elétricos da Eletrobras Companhia Hidroelétrica do São Francisco S/A (CHESF) e da Eletrobras Centrais Elétricas do Norte do Brasil S/A (ELETRONORTE), sendo de 550 kV a tensão mais elevada dos sistemas elétricos das mencionadas geradoras. (MAMEDE FILHO, 2021, p.15). A Figura 6, mostra um pátio de uma subestação de 500kV. FIGURA 6 - SUBESTAÇÃO DE 500KV FONTE: Própria (15 noembro 2022) 2.2.1.3. Classificação quanto ao tipo de instalação 2.2.1.3.1. Subestação ao Tempo É o tipo de subestação onde seus equipamentos são projetados para estarem exposto ao tempo, submetidos às condições climáticas, ventos, chuvas, temperaturas, descargas atmosféricas. Havendo a necessidade de manutenções mais frequentes devido aos desgastes dos materiais, componentes e sujeira reduzindo a eficácia de isolamento. A Figura 7, é uma imagem do que é uma subestação exposta ao tempo (meio ambiente), uma subestação em 13,8kV. https://www.sinonimos.com.br/dominantemente/ FIGURA 7 – SUBESTAÇÃO EXPOSTA AO TEMPO FONTE: Própria (15 novembro 2022) 2.2.1.3.2. Subestação Abrigada É o tipo a qual possui seus equipamentos abrigados ao tempo, podendo ser uma edificação ou uma câmara subterrânea. A Figura 8, é uma subestação com seus equipamentos protegidos ao tempo. FIGURA 8 - SUBESTAÇÃO ABRIGADA FONTE: Disponível em: <https://www.eletrosa.com.br/subestacoes.html>. Acesso em: 10 nov. 2022. 2.2.1.3.3. Subestação Móvel SÃO SUBESTAÇÃO MONTADA PERMANENTEMENTE SOBRE UM OU MAIS VEÍCULOS. ESSE TIPO DE SUBESTAÇÕES É PROJETADO A FIM DE ATENDER EMERGÊNCIAS, COMO EM PERDAS DE TRANSFORMADORES DE POTÊNCIA, OU EM LUGARES ONDE HAVERÁ EVENTOS TEMPORÁRIOS, COM NECESSIDADE DE CENTROS DE TRANSFORMAÇÃO COM CAPACIDADE DE ATENDER A DEMANDA ESPERADA. SUA ALIMENTAÇÃO DOS SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO OU TRANSMISSÃO. ELAS TAMBÉM PODEM SER ABERTAS OU FECHADAS (ENCLAUSURADAS). (MAMEDE FILHO, 2021, P.18). A Figura 9, é uma imagem de uma subestação montada sobre uma carreta (subestação móvel). FIGURA 9 - SUBESTAÇÃO MÓVEL FONTE: Disponível em: < https://maxpesa.com.br/tag/subestacao-movel/>. Acesso em: 10 nov. 2022. 2.2.1.4. Classificação quanto a forma de operação 2.2.1.4.1. Subestação Semiautomática (com operação presencial) São subestações complexas, que trabalham com vários de níveis de tensão, normalmente elas que ficam em corredores estratégicos de interligação de centros urbanos, e que possuem uma grande diversidade de equipamentos manobráveis eletricamente, remotamente, local e manual mecanicamente. A operação trabalha normalmente em turno de revezamento (permanência de 24h/dia) com exigência de 2 (dois) operadores. Para pequenas subestações menores, como as de 69 kV, é necessário apenas de 1 (um) por turno ou em horário comercial com equipe de prontidão. Aos poucos essas subestações são migradas a sistemas com tecnologia mais avançadas se tornando assistidas ou supervisionadas. (MAMEDE FILHO, 2021, p.19) 2.2.1.4.2. Subestação Automatizada São subestações equipadas com tecnologia de sistemas supervisório digital, comandada remotamente dos centros operacionais, que supervisionam as grandezas elétricas em tempo real, que controla todo sistema operacional da subestação. Além de supervisórios possui sistemas de câmeras que confirmam visualmente as ações de manobras a distância diurnas ou noturnas, essas câmeras também são possui tecnologia de sensores térmicos indicando presença de intrusos, enviando alarmes ao Centro de Operação do Sistema. Não tendo assim a necessidade de operadores permanentes na subestação, há não ser em momentos de falta de supervisão do sistema. (MAMEDE FILHO, 2021, p.19) 2.2.2. Diagrama Unifilar Para entendermos o funcionamento de uma subestação, é muito importante que façamos uma análise dos circuitos de uma subestação e onde se encontram os componentes. E como qualquer esquema elétricos, nada melhor que os diagramas elétricos, que mostra todo sistemade uma subestação. A Figura 10, exibe o diagrama unifilar de uma subestação em 500kV. FIGURA 10 - DIAGRAMA UNIFILAR DE UMA SE 500KV FONTE: Própria (15 jan. 2014) PARA CADA EQUIPAMENTO EXISTE UMA CODIFICAÇÃO, ESSA CODIFICAÇÃO VARIA DE ACORDO COM A FUNÇÃO DO EQUIPAMENTO, NÍVEL DE TENÇÃO, IDENTIFICAÇÃO DO EQUIPAMENTO E SUA POSIÇÃO. EXEMPLO: UM PARA RAIO TEM SEU CÓDIGO 7, NÍVEL DE TENSÃO DE 500KV É 5, SUA IDENTIFICAÇÃO É UM PARA-RAIOS DE LINHA, E SUA LOCALIZAÇÃO É DA LINHA 5, ASSIM: 75L5. VEJA A Figura 11, onde mostra os equipamentos de uma subestação representado no diagrama unifilar. FIGURA 11 - CORTE A FONTE: Própria (15 jan. 2014) NA OPERAÇÃO OS DIAGRAMAS TÊM SUA REPRESENTAÇÃO BEM SIMPLIFICADA, MOSTRANDO OS EQUIPAMENTOS MANOBRÁVEIS E AS CARGAS QUE SÃO ALIMENTADAS, NORMALMENTE FICAM NOS PAINÉIS DE COMANDO E MONITORES DE SUPERVISÃO OU IHM. OBSERVE A Figura 12, onde mostra o diagrama unifilar no painel de manobra e a Figura 13, numa IHM. FIGURA 12 - DIAGRAMA EM PAINEL DE COMANDO FONTE: Própria (10 nov. 2022) FIGURA 13 - DIAGRAMA UNIFILHAR NUMA IHM FONTE: Própria (10 nov. 2022) Os equipamentos principais envolvem os barramentos, pára-raios, transformadores de tensão, transformadores de corrente, chaves seccionadoras, disjuntores, transformadores de potência, reatores etc. Equipamentos de proteção como relés principais e auxiliares, controladores, conversores. De tele- proteção, registradores, oscilos, registradores de eventos. E os equipamentos auxiliares, que envolvem geradores, banco de baterias, retificadores, iluminação, além dos disjuntores e transformadores de baixa tensão. 2.2.3. Principais componentes de uma subestação As subestações são compostas por vários tipos de equipamento que variam de acordo com suas aplicações, níveis de tensão, níveis de isolamento e tecnologias de funcionamento. Por isso citaremos alguns dos principais equipamentos, que se dividem entre equipamentos principais, de proteção, de telecomunicação e auxiliares. 2.2.3.1. Arranjo das Subestações Cada subestação tem o seu arranjo adequado a configuração que se deseja e suas prioridades, seu arranjo se baseia no tipo de barramento e posição de seus disjuntores. A seguir mostraremos os tipos de configuração para os barramentos: 2.2.3.1.1. Barramento Simples O arranjo com barra simples, é o tipo de barra que não necessita de grandes áreas, por isso é de baixo custo, elas normalmente alimentam cargas tão necessárias, em caso de falha nesse tipo de barra ou até do próprio disjuntor se perde totalmente a alimentação para a carga. Conforme o arranjo na Figura 14. FIGURA 14 - BARRA SIMPLES FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.3.1.2. Barra simples / Barra de transferência É o tipo de barramento que já contempla uma barra auxiliar (BARRA A) e normalmente é alimentada pela barra principal (BARRA P). Além da barra auxiliar, o circuito possui o disjuntor de transferência, sendo muito usado em defeitos dos disjuntores ou em sua manutenção. Exibida na Figura 15. FIGURA 15 - BARRA SIMPLES / BARRA DE TRANSFERÊNCIA FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.3.1.3. Barra dupla seccionada Nesse tipo de arranjo, é indicado por ter mais de uma fonte, além da opção de transferência de barras e disjuntores através do disjuntor de transferência. A conexão entre barras também pode ser feita através de disjuntores. Conforme exibido na Figura 16. FIGURA 16 - BARRA DUPLA SECCIONADA FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.3.2. Disjuntor e Meio É o tipo de arranjo que tem uma recomposição que pode ser bastante rápida, devido a sua flexibilidade em sua manobra, assim numa possível falha dos disjuntores de linha, não se perde alimentação. E em caso de necessidade de manutenção em uma das barras, pode ser liberada sem que implique o sistema. Observe o arranjo na Figura 17. FIGURA 17 - DISJUNTOR E MEIO FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.3.3. Arranjo em Anel simples Possui um baixo custo além de permitir manutenção de qualquer um dos disjuntores sem a necessidade de interrupção de carga, este arranjo só necessita de apenas um por circuito e não possui barra principal. Observe que na Figura 18, que a fonte ou carga pode entrar e sair de qualquer uma das entradas (setas). FIGURA 18 - ARRANJO EM ANEL FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.4. Equipamentos principais 2.2.4.1. Para-raios Normalmente instalado nas entradas e saídas das linhas ou equipamentos de uma subestação, o para-raios é um equipamento com a finalidade de proteger a subestações contras surtos de tensão transiente, que podem causar sérios danos aos equipamentos elétricos. Segundo Mamede Filho (2013, p. 29) “[…] os para-raios limitam as sobretensões a um valor máximo. Esse valor é tomado como o nível de proteção que o para-raios oferece ao sistema.” Pois, dado valor de sobretensão, o para-raios, que antes funcionava como isolador, passa a ser condutor e descarrega parte da corrente, reduzindo a crista da onda a um valor que depende das características desse equipamento. A Figura 19, mostra de para-raios instalados, em subestações de vários níveis de tensão. FIGURA 19 - PARA-RAIOS EM TERMINAIS DE LINHAS DE 500KV, 230KV, 69KV E 13,8KV. Fonte: Própria (27 de novembro de 2022) Segundo Mamede Filho, os elementos que constituem os para-raios são de propriedades não lineares, capazes de conduzirem correntes de descargas associadas as tensões induzidas nas redes e em seguida as interromper as decorrentes, ou seja aquelas após a descarga à terra. Atualmente são dois materiais que possuem essas características não lineares, capazes de terem de executarem essa função, são os para-raios construídos de carbonato de silício e de óxido de zinco. 2.2.4.1.1. Para-raios de carboneto de silício (SiC) São aqueles constituídos por um centelhado com vários gaps (espaços vazios) em serie com resistor não linear, inseridos dentro de um involucro de porcelana. O gap é o componente que separa eletricamente a rede dos resistores não lineares, por ser constituído de vários espaços vazios, ele fraciona o arco, a um número de pedaços, obtendo assim um melhor controle, no momento de sua formação, no decorrer de sua formação e na sua extinção. Dessa forma, na ocasião de tensões baixas obtém-se resistência alta, e quando nas tensões altas, uma resistência baixa. 2.2.4.1.2. Para-raios de óxido de Zinco (ZnO) São constituídos basicamente do elemento não linear, inserido no corpo da porcelana, nesse tipo de para-raios não é preciso o uso dos gaps em série, devido as formidáveis propriedades não lineares do zinco. Sua vantagem sobre os outros materiais convencionais, é que na existência de gaps que estão sujeitos a variações de tensões de descarga pelo para-raios, não esteja adequadamente fechado, com um número muito grande elementos do gap, sobe as chances de falhas. Além disso os para-raios convencionas absorvem menos carga do que os para-raios de óxido de zinco, tento assim um número maior de ciclos. FIGURA 20 - CURVAS CARACTERÍSTICAS DE TENSÃO × CORRENTE DOS VARISTORES SIC E ZNO. Fonte: (MAMEDE FILHO, 2013, p. 33) Analisando as Curvas características de tensão × corrente dos varistores SiC e ZnO, na Figura 20, Mamede Filho (2013, p. 33) afirma que: [...] que existem três regiões distintas de operação dos para-raios. Considerando os para-raios ZnO na região 1, esta pode ser defnida como aquela em que o para-raios opera continuamente sem sofrer avarias. É a região conhecida como MCOV (maximum continuous operating voltage) e que corresponde a uma tensão de operação entre 80 e 90% da tensão nominal do para-raios e cujo valor deve ser informado pelo fabricante. Nessa região de baixas correntes o ZnOé muito sensível às temperaturas a que é submetido, alterando severamente as suas características. Quanto maior a temperatura a que ficam submetidas as pastilhas, maior será a energia acumulada nos elétrons, e consequentemente, maior será o valor da corrente de fuga, degradando o desempenho do para-raios. A região 2 é caracterizada pela grande variação de condução de corrente pelos para-raios para pequenos incrementos de tensão no sistema. Nessa região os para-raios suportam bem os transitórios na frequência industrial. Nessa condição o para-raios pode operar por até 10 s. Para tempos superiores ocorrerá uma elevação de temperatura nas pastilhas de ZnO e como consequência será drenada para a terra um valor maior de corrente de fuga. Nessa região a temperatura apresenta pouca influência no valor da tensão. Ao continuar essa condição de operação entra-se na região 3, que é caracterizada pela condução de elevadas correntes de fuga com valores superiores a sua capacidade nominal, o que possivelmente levará as partilhas à condição de avaria, fenômeno que é denominado avalanche térmica. Nessa região, denominada zona de alta corrente, onde se processa a descarga da corrente através do bloco cerâmico, o comportamento do ZnO depende da resistividade dos grânulos de que são fabricados os varistores. FIGURA 21 - PARA-RAIOS DE 500KV Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) A Figura 21, mostra um para-raios instalado numa subestação de 500kV, onde observa na sua base um contador de surtos. FIGURA 22 - CONTADOR DE SURTOS Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) A Figura 22, mostra um contador de surtos, onde ele conta as ocorrências de surtos de tensão onde o para-raios atuou. Contador de surtos com medidor de corrente de fuga. O contador de surto 3EX5 050 com medidor de corrente de fuga também oferece monitoramento da corrente de fuga do para-raios. Além das funções descritas aqui, ambos os contadores também podem ser equipados com um auxiliar passivo contato para medição remota (3EX5 030-1, 3EX5 050-1). (SIEMNES, 2012) 2.2.4.2. Transformadores de Potencial (TP) Com a função de possibilitar a medição de altas tensões, os transformadores de potencial, rebaixa as tensões acima de 600v chegando aos mais de 750kV, propondo uma leitura segura para os equipamentos de medição, proteção que trabalham em baixas tensões. A Figura 23, mostra vários transformadores de potencial instalados em subestações de 500kV, 230kV, 69kVe 13,8kV, normalmente após os para-raios. FIGURA 23 - TRANSFORMADORES DE POTENCIAL Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Na sua forma mais simples, os transformadores de potencial possuem um enrolamento primário de muitas espiras e um enrolamento secundário através do qual se obtém a tensão desejada, normalmente padronizada em 115 V ou 115/√3. Dessa forma, os instrumentos de proteção e medição são dimensionados em tamanhos reduzidos com bobinas e demais componentes de baixa isolação. Dessa forma, os instrumentos de proteção e medição são dimensionados em tamanhos reduzidos com bobinas e demais componentes de baixa isolação. (MAMEDE FILHO, 2013, p. 387). FIGURA 24 - REPRESENTAÇÃO DE UM TP COM DERIVAÇÃO. Fonte: MAMEDE FILHO (2013, p. 387) Segundo Mamede Filho (2013, p. 390) Os transformadores de potencial trabalham com base na transformação de eletromagnéticas entre os enrolamentos primários e secundários. Deste modo para uma determinada tensão aplicada nos enrolamentos primários, consegue-se em seus terminais secundários uma tensão reduzida, variando o valor de acordo com a relação de transformação da tensão. Com tal característica, quando se aplica uma tensão nos terminais do secundário, obtém-se uma tensão elevada nos terminais do primário. Podemos exemplificar essa transformação tendo como exemplo uma tensão de 13,8kV nos terminais primários de um TP, tendo uma relação de transformação de 120, então a conversão será de 115V, isto é: 13.1800/120=115V. Conforme visto na Figura 24. A Figura 25, mostra o esquema básico de funcionamento de um transformador de potencial, onde H1 e H2 são os terminais do enrolamento do primário e X1 e X2 são os terminais do enrolamento do secundário. FIGURA 25 - REPRESENTAÇÃO DE UM TRANSFORMADOR DE POTENCIAL. Fonte: MAMEDE FILHO (2013, p. 387) Para um executar sua função, o TP deve fornecer tensão aos instrumentos conectados aos seus enrolamentos secundários de forma a atender aos seguintes requisitos: • Possuir, menor erro na relação de transformação e no ângulo de fase. • Ter a queda de potencial, desde o regime em vazio até a plena carga, necessariamente reduzida. • Deve ser galvanicamente separado e isolado o circuito de baixa tensão do circuito de alta tensão. • Reproduzir os efeitos transitórios e de regime do circuito de alta tensão para o circuito de baixa o mais fielmente possível. Os transformadores de potencial, tem possuem suas características construtivas de acordo com o grupo de ligação requerido para as conexões primária e secundarias e com o tipo a qual será instalado. O enrolamento primário possui bobina de diversas camadas de fio esmaltado, que se enrola em um núcleo de ferro magnético, onde também é enrolado o enrolamento secundário, ele também pode ser terciário, o seu fio é duplamente esmaltado e são isolados do enrolamento primário de do núcleo por meio de fitas de papel especial. Segundo as notas de Mamede Filho (2013, p. 389) “[...] os transformadores de potencial para aplicação em sistemas de potência podem ser construídos a partir de dois tipos básicos: TPs indutivos e TPs capacitivos.” Mamede Filho (2013, p. 389) diz que os Transformadores de Potencial Indutivos (TPI) são “[...] construídos basicamente todos os transformadores de potencial para utilização até a tensão de 138 kV, por apresentarem custo de produção inferior ao do tipo capacitivo”. Veja Figura 26, que mostra as partes do TP. FIGURA 26 - TRANSFORMADOR DE POTENCIAL INDUTIVO. MAMEDE FILHO (2013, p. 395) E sobre os Transformadores de Potencial Capacitivos (TPI) eles são fabricados principalmente “[...] com a utilização de dois conjuntos de capacitores que servem para fornecer um divisor de tensão e permitir a comunicação através do sistema carrier. São construídos normalmente para tensões iguais ou superiores a 138 kV”. (MAMEDE FILHO, 2013, p. 395). A Figura 27, ilustra o circuito equivalente, mostrando como funcionam os capacitores em diversos níveis de tensão. FIGURA 27 - CIRCUITO EQUIVALENTE DE UM TRANSFORMADOR DE POTENCIAL CAPACITIVO. Fonte: MAMEDE FILHO (2013, p. 396) 2.2.4.3. Transformadores de Corrente (TC) Os Transformadores de Corrente (TC) são equipamentos destinados a rebaixar as correntes de cargas ao qual estão ligados a primeira bobina (primária), assim, permitem aos instrumentos de medição e proteção, que façam suas leituras de maneira protegidas. Constituídos em seu enrolamento primário em sua maioria com poucas espiras e um secundário que transforma a corrente em sua maioria em 5A, com isso permite que os instrumentos de medição e proteção, sejam menores, já que, suas bobinas de corrente tenham menos fios de cobre. Mamede Filho (2013, p.324). A Figura 28, mostra vários transformadores de potencial instalados em subestações de 500kV, 230kV, 69kVe 13,8kV, normalmente após os para-raios. FIGURA 28 - TRANSFORMADORES DE CORRENTE Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) De acordo com Mamede Filho (2013, p. 324) A transformação de correntes dos TC’s ocorre através do fenômeno de conversão magnética, as correntes que elevadas que circulam em seu enrolamento primário, são convertidas em correntes menores no secundário, de acordo com a relação de transformação. A corrente que passa nos enrolamentos primários é medida, devido a formação de um fluxo magnético alternado, induzindo as forças eletromotrizesdos enrolamentos primários (Ep) e secundário (Es). Dessa maneira é possível, calcular a corrente que passa no enrolamento do primário, através da relação de transformação nominal seja de 20, então uma corrente que passa 100A, teremos o valor de 5A em seu secundário, ou seja 100/20=5A. “O TC opera com tensão variável, dependente da corrente primária e da carga ligada no seu secundário. A relação de transformação das correntes primária e secundária é inversamente proporcional à relação entre o número de espiras dos enrolamentos primário e secundário.” (MAMEDE FILHO, 2013, p.324). Os principais tipos de transformadores de correntes são os de medição e proteção que também podendo ser construídos de diferentes formas. 2.2.4.3.1. Classificação dos transformadores de corrente quanto ao uso Observe a Figura 17, onde possui dos TC’s em serie, onde um é de proteção e outro de medição em tensão de 69kV. FIGURA 29 - TC DE PROTEÇÃO E TC DE MEDIÇÃO. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.4.3.1.1. TC de Medição ou Faturamento Os aplicados para medição de correntes alta tensão, são de boa precisão (em torno de 0,3% a 0,6% de erro em sua medição) e pequena corrente de saturação – 4 vezes menor que a corrente nominal. É o tipo de equipamento são responsáveis repassar as correntes para os medidores de faturamento, por isso devem ter uma boa precisão. Os TCs empregados na medição de corrente ou energia são equipamentos capazes de transformar as correntes de carga na relação, em geral, de Ip/5, propiciando o registro dos valores pelos instrumentos medidores sem que estes estejam em ligação direta com o circuito primário da instalação. Eventualmente, são construídos transformadores de corrente com vários núcleos, uns destinados à medição de energia e outros próprios para o serviço de proteção. Porém, as concessionárias, geralmente, especificam em suas normas unidades separadas para a sua medição de faturamento, devendo o projetista da instalação reservar uma unidade independente para a proteção, quando for o caso. (MAMEDE FILHO, 2013, p.361). Considera-se que um TC para serviço de medição está dentro de sua classe de exatidão nominal, quando os pontos determinados pelos fatores de correção de relação percentual FCRp e pelos ângulos de fase β estiverem dentro do paralelogramo de exatidão. GRÁFICO 1 - GRÁFICO DO ÂNGULO DE FASE DE UM TC PARA DIFERENTES MÚLTIPLOS DA CORRENTE. Fonte: Mamede Filho (2013, p. 371) Utilizando como exemplo de aplicação o gráfico de exatidão apresentado no Gráfico 1, onde Mamede Filho (2013, p. 372) diz “[...] fornece o erro do ângulo de fase em função do múltiplo da corrente nominal de alguns transformadores comerciais.” GRÁFICO 2 - GRÁFICO DE ERRO DE RELAÇÃO PERCENTUAL E FATOR DE CORRELAÇÃO. Fonte: Mamede Filho (2013, p. 373) 2.2.4.3.1.2. TC de Proteção Portanto, ele continua dizendo que no Gráfico 2, “[...] fornece também o erro de relação percentual, bem como o fator de correção de relação em função do múltiplo da corrente nominal dos transformadores de corrente já mencionados.” (MAMEDE FILHO, 2013, P. 372). Já, os transformadores empregados para na função de proteger os sistemas elétricos da subestação e separar o circuito primário do secundário. Necessita de um atributo linear até a tensão secundaria que corresponde a maior corrente de falha que circula na carga conectada. Aplicado para serviços de proteção de circuitos de alta tensão, eles não podem saturar para correntes elevadas como as de sinistros do sistema, senão, as indicações de corrente recebidas pelos relés podem danificá-los, fazendo com que atuem indevidamente. Diante disso eles não necessitam de alta precisão, tendo uma assim um nível de saturação elevado (10 a 20% de erro em sua medição), ou seja, 20 vezes a corrente nominal. Conforme o Gráfico 3. GRÁFICO 3 - GRÁFICO ILUSTRATIVO DE SATURAÇÃO DOS TRANSFORMADORES DE CORRENTE. Fonte: Mamede Filho (2013, p. 376) Conclui se então que, “[…] jamais se deve utilizar transformadores de proteção em serviço de medição e vice-versa. Além disso, deve-se levar em conta a classe de exatidão em que estão enquadrados os TCs para serviço de proteção que, segundo a NBR 6856, podem ser de 5 ou 10%.” (MAMEDE FILHO, 2013, P. 372). 2.2.4.3.2. Formas construtiva dos TC Podemos observar as partes básicas de um transformador de corrente, pode ele ser de vários tipos, como ilustrado na Figura 30. FIGURA 30 – VISTA INTERNA DE TC. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 325) 2.2.4.3.2.1. TC Tipo Barra É o tipo de TC que tem seu enrolamento primário formado por uma barra fixa através do núcleo do transformador e o secundário completamente isolado e permanentemente montado no núcleo. Representado na Figura 31. FIGURA 31 - REPRESENTAÇÃO DO TRANSFORMADOR DE CORRENTE DO TIPO BARRA. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 325) “[…] Os transformadores de corrente do tipo barra fixa são os mais utilizados em subestações de potência de média e alta tensões. No Brasil, existem diversos fabricantes e diferentes modelos de equipamentos disponíveis no mercado”. (MAMEDE FILHO, 2013, P. 325). Conforme Figura 32. FIGURA 32 - TRANSFORMADOR DE CORRENTE TIPO BARRA. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 325) “[…] A Figura 33 (a) mostra um transformador de corrente da classe de 72,5 kV muito utilizado nos sistemas de proteção de subestações. Já a Figura 24 (b) mostra um transformador de concepção similar ao anterior, detalhando os seus componentes internos.” (MAMEDE FILHO, 2013, P. 325) FIGURA 33 - TRANSFORMADORES DE CORRENTE TIPO BARRA DE ALTA TENSÃO. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 327) 2.2.4.3.2.2. TC Tipo enrolado É o tipo, o qual o enrolamento do primário possui uma ou mais espiras circundando o núcleo do transformador, de acordo com a Figura 34. FIGURA 34 - TIPO ENROLADO FONTE: Mamede Filho (2013, p. 330) 2.2.4.3.2.3. TC tipo janela Segundo Mamede Filho (2013, P. 328) o transformador tipo janela “[…] é aquele que não possui um primário fixo no transformador e é constituído de uma abertura através do núcleo, por onde passa o condutor que forma o circuito primário.” conforme a Figura 35. FIGURA 35 - TRANSFORMADOR DE CORRENTE DO TIPO JANELA FONTE: Mamede Filho (2013, p. 331) “[…] São muito utilizados em painéis de comando de baixa tensão em pequenas e médias correntes, quando não se deseja seccionar o condutor para instalar o transformador de corrente. Dessa forma empregada, consegue-se reduzir os espaços no interior dos painéis.” (MAMEDE FILHO, 2013, P. 328), a Figura 36 exemplifica o TC. FIGURA 36 - TRANSFORMADOR DE CORRENTE TP JANELA EXTERNO – BCJ 35E. FONTE: Disponível em: <https://eletricavolt.com.br/produto/transformador- de-corrente-tp-janela-externo-bcj-35e/ >, Acesso em: 15 nov. 2022. 2.2.4.3.2.4. TC tipo núcleo dividido Mamede Filho define que, o TC tipo núcleo dividido, “[…] é aquele cujas características são semelhantes às do TC do tipo janela, em que o núcleo pode ser separado para permitir envolver o condutor que funciona como enrolamento primário.” Observe na Figura 37. FIGURA 37 - TRANSFORMADOR DE CORRENTE DO TIPO NÚCLEO DIVIDIDO. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 331) 2.2.4.3.2.5. TC tipo bucha Conforme Mamede Filho (2013, p. 330), o transformador tipo bucha “[...] é aquele cujas características são semelhantes às do TC do tipo barra, porém sua instalação é feita na bucha dos equipamentos (transformadores, disjuntores, etc.), que funcionam como enrolamento primário”. “[...] São empregados em transformadores de potência para uso, em geral, na proteção diferencial, quando se deseja restringir ao próprio equipamento o campo de ação desse tipo de proteção.” (MAMEDE FILHO, 2013, P. 330). De acordo com a Figura 38. FIGURA 38 - TRANSFORMADOR DE CORRENTE DO TIPO BUCHA. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 331) 2.2.4.4.Seccionadores São dispositivos mecânicos, com a finalidade de isolar circuitos normalmente sem cargas, pois seu meio isolante é o ar, porém para sua operação (abrir ou fechar), só deve ser executado após abertura de outros dispositivos como os disjuntores. A Figura 39, ilustra uma chave seccionadora. FIGURA 39 - CHAVE SECCIONADORA TRIPOLAR COMANDO SIMULTÂNEO, ABERTURA SEM CARGA. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 449) Esses dispositivos podem ser definidos de acordo com o tipo de secionamento a ser realizado. 2.2.4.4.1. Chaves seccionadoras Define-se, segundo a NBR 6935, como “um dispositivo mecânico de manobra capaz de abrir e fechar um circuito elétrico quando uma corrente de intensidade desprezível é interrompida ou restabelecida. Também é capaz de conduzir correntes sob condições normais do circuito e, durante um tempo especificado, correntes sob condições anormais, como curto- circuito”. A mesma norma define o seccionador como um dispositivo mecânico de manobra capaz de abrir e fechar um circuito, quando uma corrente de intensidade desprezível é interrompida ou restabelecida e quando não ocorre variação de tensão significativa através dos seus terminais. É também capaz de conduzir correntes sob condições normais do circuito e, durante um tempo especificado, correntes sob condições anormais, tais como curtos-circuitos. (Filho Mamede Filho, 2013, p. 445). As chaves seccionadoras têm seu funcionamento de várias maneiras, manual- mecânico ou eletromecânico com possibilidade de abertura manual-mecânica também. Em baixas tensões, as chaves seccionadoras normalmente são acionadas manualmente à distância através de vara-de-manobra, onde podemos ver na Figura 33, onde tem uma chave fechada e outra aberta e que elas estão sobre isoladores fixos. A abertura ou fechamento da lâmina (contato móvel) encachando no contato fixo, que se dá através de engate da vara de manobra a um gancho ou olhal apropriado. FIGURA 31 - SECCIONADORA EM 13,8KV, MANOBRAVEL COM VARA DE MANOBRA Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Alguns modelos de chaves também são acionados manualmente através de dispositivos mecânicos, onde o mecanismo possui alavancas conectadas ao bastão isolador, que giram e forçam a travessa conectadas as três (3) fases, forçando os contatos móvel a abrir ou fechar. Hoje em dia a maioria das chaves seccionadoras tem seu acionamento eletromecânico, providos de redutores mecânico, que facilitam sua abertura, e na falha do sistema elétrico pode ser aberto manualmente através manivelas. A Figura 40, mostra uma chave secionadora aberta em seguida a Figura 41, mostra a mesma chave fechada. FIGURA 40 - CHAVE SECCIONADORA SEMI-PANTOGRÁFICA 230KV, ABERTA. Fonte: Própria (30 de janeiro de 2014) FIGURA 41 - CHAVE SECCIONADORA SEMI-PANTOGRÁFICA 230KV, FECHADA. Fonte: Própria (30 de janeiro de 2014) Devido à grande variedade de chaves, podemos resumir suas características construtivas através da Figura 34, onde basicamente é constituído de isoladores (1), braço articuladores (1) (contato móvel), contato fixo (3), colunas rotativas (4), travessa de acionamento (5) e estrutura de sustentação (6). Mas, as formas e tipos que são instalados, varia de acordo com cada modelo de chave. FIGURA 42 - CHAVE SECCIONADORA E SEUS COMPONENTES BÁSICOS. Fonte: Própria (30 de janeiro de 2014) SEU ACIONAMENTO ELÉTRICO PODE SER FEITO DE MANEIRA LOCAL (DO PRÓPRIO ARMÁRIO) OU REMOTO (DA SALA DE COMANDO OU CENTRO OPERACIONAL), O ACIONAMENTO DAS MAIORIAS DAS CHAVES EM ALTA TENSÃO É REALIZADO EM GRUPO, OU SEJA, SEU ACIONAMENTO ABRE OU FECHA TODAS AS FASES AO MESMO TEMPO, POSSUINDO NORMALMENTE APENAS UM ARMÁRIO DE COMANDO E FORÇA (COM O MOTOR) VER A Figura 43. FIGURA 43 - ARMÁRIO DE UMA CHAVE SECIONADORA Fonte: Própria (30 de janeiro de 2014) Observe que o quadro da chave, possui uma manivela onde em caso de falha elétrica, a chave pode ser acionada manualmente. Ainda dentro do painel é, possível ver que há vários dispositivos com: motor, disjuntores, chaves seletoras, botoeiras, potenciômetro, tomada e contador de operação. Todos eles têm sua função primordial para o bom funcionamento da chave. Em alta tensão, as chaves seccionadoras demostrada na Figura 44, são acionadas através de motores que funcionam individualmente por fase, e tendo um único com os comandos elétricos. E em situação de falha elétrica é necessário que seja manobrada manualmente por cada fase. FIGURA 44 - CHAVE SECCIONADORA EM 500KV Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Operacionalmente as chaves só podem ser manobradas quando os disjuntores associados à mesma esta estiverem abertos, normalmente elas possuem bloqueios elétricos que impedem que funcionem por erro humano, mesmo assim, quando de falha elétrica onde elas necessitam ser manobradas manualmente, o operador deve manobrá-la com muitíssima atenção, pois tal manobra poderá ocorrer ocasionar um acidente, inclusive fatal. 2.2.4.4.2. Interruptoras “[...] São dispositivos mecânicos de manobra capaz de fechar, abrir ou transferir as ligações de um circuito em que o meio isolante o ar, podendo operar em condições nominais do circuito sem defeito e em carga, com capacidade de resistir aos esforços decorrentes. (OLIVEIRA MUZY, 2012, p.31) 2.2.4.4.3. Chaves de terra ou chave de aterramento “[...] As chaves de terra ou de aterramento são necessárias devido a diversos componentes do sistema elétrico não serem aterrados, como por exemplo, banco de capacitores em derivação, barramentos ou linhas de transmissão.” (OLIVEIRA MUZY, 2012, p.31). A Figura 45, mostra uma chave seccionadora para terra (chave terra), acionamento as motor. FIGURA 45 - CHAVE SECCIONADORA TERRA - 500KV. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.5. Disjuntores de Alta tensão Um dos principais equipamentos dentro de uma subestação, ele é o equipamento responsável por interromper ou reestabelecer a corrente elétrica em um determinado ponto do circuito, sendo essa corrente normal ou anormais, identificada pelo sistema. Os disjuntores de alta tensão, são equipamento que devem ser acompanhados de seus respetivos relés, dispositivos que supervisionam as grandezas elétricas vindas dos TP’s e TC’s dos circuitos ao qual pertencem, sendo eles de outros equipamentos como transformadores, reatores, banco de capacitores, ou de linhas e barramentos. Esses relés, são ajustados a fim de analisar as correntes, tensão e potência, etc, podendo enviar ou não ordens de aberturas ou fechamento do disjuntor. A PRINCIPAL FUNÇÃO DO DISJUNTOR É ABRIR EM SITUAÇÕES DE PERTURBAÇÕES EM CORRENTES, NO MENOR TEMPO POSSÍVEL, MAS TAMBÉM ELE DIMENSIONADO A ABRIR OU FECHAR CIRCUITOS EM PLENA CARGA. A Figura 46mostra alguns exemplos de disjuntores de alta tensão. FIGURA 46 - DISJUNTORES DE ALTA TENSÃO Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) O disjuntor é um equipamento cujo funcionamento apresenta aspectos bastante singulares. Opera, continuamente, sob tensão e corrente de carga muitas vezes em ambientes muito severos no que diz respeito à temperatura, à umidade, à poeira, etc. Em geral, após longo tempo nessas condições, às vezes até anos, é solicitado a operar por conta de um defeito no sistema. Nesse instante, todo o seu mecanismo, inerte até então, deve operar com todas as suas funções, realizando tarefas tecnicamente difíceis, em questão de décimos de segundo. (MAMEDE FILHO, 2013, P. 580) Em disjuntores de alta tensão, os relés de proteção, que fazem a proteção ao qual eles pertencem, normalmente ficam em uma sala separada (cabana de relés), geralmente essas salas ficam próximo ao disjuntor, ou seja, no pátio, e quando o disjuntor é de média tensão, usualmente esse relé fica no próprio armário do disjuntor, junto com os circuitos de comando do disjuntor. O disjuntor trabalha continuamente, sobtensãoe corrente de carga, e em sua maioria sob condições severas do clima e o tempo, sem ser acionado por muito tempo, no entanto ele precisa está apto para atuar quando preciso. E quando ele recebe os comandos de abertura ou fechamento ocorre o fenômeno do arco elétrico. Esse fenômeno acontece quando os dois terminais estão se separando ou se aproximando, quando o circuito que condizia ou conduzirá uma corrente de carga, sobre carga ou defeito. Segundo Mamede Filho (2013, p 581) o arco elétrico também pode ser definido como “[...] um canal condutor, formado num meio fortemente ionizado, provocando um intenso brilho e elevando, consideravelmente, a temperatura do meio em que se desenvolve”. Para interromper a condução da corrente no meio ionizado, é preciso que o meio ao qual acontece o arco, passe por um processo de desionização. Isso pode ser feito, substituindo o meio ionizado por um não ionizado. Alguns disjuntores podem ter como meio não ionizado em sua câmara de contato óleo, ar não ionizado ou gás SF6. 2.2.5.1.1. Disjuntores a óleo Tendo óleo como meio não ionizado, possui os contatos submerso a óleo mineral numa câmara, que quando na abertura de seus contatos formam o arco, que consequentemente aumenta a temperatura do óleo causando gases, e esse gases são os responsáveis por extinguir o arco. Hoje em dia esse tipo de disjuntor está em desuso. Pois, numa ocorrência onde a corrente pode ser gigantesca, para a capacidade nominal do disjuntor “[...] arco se forma de maneira intensa, fazendo com que o mecanismo de abertura do disjuntor, associado aos efeitos de resfriamento e alongamento do arco, seja insuficiente para extingui-lo, ocasionando a explosão do equipamento. (MAMEDE FILHO, 2013, P. 589). A Figura 47, ilustra um disjuntor de alta tensão a óleo. FIGURA 47 - DISJUNTOR A ÓLEO Fonte: Disponível em: <https://universoeletrico.wordpress.com/2016/08/13/disjuntores-a- oleo/> Acesso em: 30 nov. 2022. 2.2.5.1.2. Disjuntores à ar-comprimido São disjuntores que utilizam o ar-comprimido como meio de extinção do arco elétrico provocado na abertura dos contatos. Seu funcionamento básico, é quando no momento da abertura ou fechamento dos contatos, o ar comprimido (não ionizado) é soprado sobre os contatos, assim o arco é resfriado e nesse mesmo processo o ar troca o calor com o arco elétrico, ele é substituído, pois se tornou um gás, ionizado. O sistema que o alimento, normalmente vem de tanques de ar que são alimentados por compressores, mantendo o ar pressurizado. A Figura 48, ilustra um disjuntor a ar comprimido em circuito de 500kV. FIGURA 48 - DISJUNTOR A AR COMPRIMIDO. Fonte: Própria (15 de janeiro de 2014) 2.2.5.1.3. Disjuntores a Gás SF6 A abertura ou fechamento de seus contatos se dá, em uma câmara que contendo uma adequada quantidade o gás hexa-fluoreto de enxofre (SF6). Seu princípio de funcionamento, se dá basicamente na rápida eliminação da condutibilidade do arco elétrico, quando absorve os elétrons livres na região dele, com isso recompõe rapidamente sua rigidez dielétrica após finalizar as ocorrências que provocaram a geração do arco. Isso ocorre porque o gás SF6, é um gás eletronegativo, proporcionalizando a captura de elétrons livres presentes na ocorrência do arco elétrico, diminuindo sua condutância, consequentemente sua corrente vai a 0. (MAMEDE FILHO, 2013, P. 590). Por ser um gás extremamente pesado e incolor, deve-se tomar cuidado ao manipulá- lo em ambientes fechados, pois, caso haja um vazamento, o SF6 se acumula nas regiões inferiores do ambiente, substituindo o ar e provocando asfixia quando atingir um determinado nível. Em contato com a água, pode formar substâncias extremamente corrosivas, que atacam os materiais metálicos em que estão contidas. Contudo, não é tóxico e não apresenta cheiro, o que pode não ser uma boa característica quanto ao aspecto de segurança durante o seu manuseio. Durante a operação de um disjuntor, há decomposição de certa quantidade de SF6, produzindo fluoretos como o SF2 e SF4, que são produtos tóxicos, porém, logo em seguida, se recombinam, originando substâncias não tóxicas. Outra propriedade interessante do SF6 é a de que a sua rigidez dielétrica não é seriamente afetada quando se mistura com o ar em proporções não superiores a 1/5. À medida que se pressiona o SF6 a sua rigidez dielétrica aumenta substancialmente. Para cerca de 2 kg/cm2, a sua rigidez dielétrica é a mesma da do óleo mineral isolante de boa qualidade. Para se precaver contra perda excessiva de pressão no vaso que contém o SF6, os disjuntores são providos de um sistema que permite sinalização e intertravamento, evitando a sua operação em situações perigosas. (MAMEDE FILHO, 2013, P. 590) A Figura 49mostra o disjuntor a gás SF6 numa SE de 500kV, esse tipo disjuntor nesta subestação (imagem mais recente), substituiu o os a ar comprimido, que antes necessitavam de um sistema de compressores para fornecer o ar comprimido. FIGURA 49 - DISJUNTOR A GÁS SF6 Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.5.1.4. Disjuntores a Vácuo Segundo Oliveira, os disjuntores a vácuo “[...] utilizam-se câmaras de extinção a vácuo, pelo fato do vácuo oferecer alta rigidez dielétrica (cerca de 200 kV/cm). No entanto essa rigidez cresce muito pouco com a distância, e isso limita a tensão que pode ser aplicada entre os contatos”. A Figura 50, mostra um modelo de disjuntor de média tensão à vácuo. Nos disjuntores a vácuo o arco que se forma entre os contatos é diferente dos arcos em outros disjuntores, sendo basicamente mantido por íons de material metálico vaporizado proveniente dos contatos (catodo). A intensidade da formação desses vapores metálicos é diretamente proporcional à intensidade da corrente, e consequentemente, o plasma diminui quando esta decresce e se aproxima do zero. Atingindo o zero de corrente, o espaço entre os contatos é rapidamente desionizado pela condensação dos vapores metálicos sobre os eletrodos. A ausência de íons após a interrupção dá aos disjuntores a vácuo as características quase ideais de suportabilidade dielétrica. (OLIVEIRA MUZY, 2012, p. 46). FIGURA 50 - DISJUNTOR À VÁCUO Fonte: Disponível em: < https://www.compedro.com.br/produto/disjuntores/disjuntor-a- vacuo/4> Acesso em: 30 de nov. de 2022 2.2.6. Transformadores de potência Tendo como o responsável por elevar ou rebaixar a tensão, o transformador é um equipamento que funciona convertendo a energia através da indução eletromagnética, transferidos através de seu enrolamento primário para seus respectivos enrolamentos secundários e ou terciários, permanecendo com a mesma frequência, no entanto com tensões e correntes diferentes. A Figura 51, exibe vários tipos de transformadores e em vários níveis de tensão. FIGURA 51 - TRANSFORMADORES EM VÁRIOS NÍVEIS DE TENSÃO Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Para que os aparelhos consumidores de energia elétrica sejam utilizados com segurança pelos usuários, é necessário que se faça sua alimentação com tensões adequadas, normalmente inferiores a 500 V. No Brasil, as tensões nominais, aplicadas aos sistemas de distribuição secundários das concessionárias de energia elétrica, variam em função da região. No Nordeste a tensão predominante é de 380 V entre fases e de 220 V entre fase e neutro. Já na Região Sul, a tensão convencionalmente utilizada é de 220 V entre fases e 127 V entre fase e neutro. No entanto, em alguns sistemas isolados, são aplicadas tensões diferentes destas, como, por exemplo, a de 110 V. Num sistema elétrico, os transformadores são utilizados desde as usinas de produção, onde a tensão gerada é elevada a níveis adequados para permitir a transmissão econômica de potência, até os grandes pontos de consumo, onde a tensão é reduzida ao nível de subtransmissão e de distribuição, alimentando as redes urbanas e rurais,onde novamente é reduzida para poder, enfim, ser utilizada com segurança pelos usuários do sistema, conforme já se mencionou. (MAMEDE FILHO, 2013, p. 663) Os transformadores são qualificados de acordo com a posição que ficam no sistema elétrico de potência, que compreende da geração, transmissão, subtransmissão e distribuição de energia, observada na Figura 52. FIGURA 52 - REPRESENTAÇÃO DE UM SISTEMA GTD: GERAÇÃO – TRANSMISSÃO – DISTRIBUIÇÃO. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 665) Sua característica construtiva pode ser de diversos tipos onde dependerá a qual carga se deseja alimentar ou ao qual o ambiente ele estará instalado. Atualmente, existem no Brasil algumas dezenas de indústrias que fabricam transformadores de distribuição e de força. O processo de fabricação e a linha de produção destas fábricas são, de maneira geral, semelhantes, logicamente apresentando sensíveis diferenças quanto aos recursos técnicos disponíveis, o que muitas vezes implica a qualidade final do equipamento. A fabricação de um transformador começa com a construção do núcleo. Inicialmente, uma guilhotina, contendo na extremidade um rolo de chapa de ferro silício, processa o corte com dimensões e formatos devidamente especificados pelo setor de projeto. À medida que a chapa é cortada, a própria máquina (guilhotina) efetua um empilhamento inicial, de modo a facilitar a execução de várias unidades de transformação de uma mesma potência e característica. Após o corte, se efetua a montagem do núcleo, empilhando as chapas, de acordo com o tipo a ser fabricado. Numa linha de produção paralela se processa a fabricação dos enrolamentos, tanto primários como secundários. Nos transformadores de distribuição, por exemplo, os fios dos enrolamentos primários são de cobre, porém de seção circular, enquanto os fios dos enrolamentos secundários são também de cobre, mas de seção retangular. (MAMEDE FILHO, 2013, p. 677) Sua forma construtiva pode ser de classificada pelo número de fases, considerando apenas os transformadores de distribuição. Eles pode ser: 2.2.6.1. Tipo monobuchas Onde possui apenas uma fase numa das extremidades do enrolamento primário e a outra extremidade conectada a terra (retorno), ou seja, monofilar com retorno por terra MRT, e no secundário tem sua saída monofásica. Esse tipo de transformador é encontrado nas zonas rurais. Veja na Figura 53. FIGURA 53 - TRANSFORMADOR MONOBUCHA (MRT). FONTE: Mamede Filho (2013, p. 684) 2.2.6.2. Tipo bifásico Segundo Mamede Filho (2013, p 682) “[...] são aqueles construídos para operar individualmente em redes de distribuição rural, ou em formação de bancos de transformação, em poste ou em cabines”. Mamede Filho, ainda continua dizendo que “[...] quando utilizados sozinhos atendem a cargas monofásicas. Quando operados em banco podem alimentar cargas monofásicas e trifásicas.” Um exemplo de transformador bifásico na Figura 54, muito usado em áreas urbanas. FIGURA 54 - TRANSFORMADOR BIFÁSICO FONTE: Mamede Filho (2013, p. 684) Vale ressaltar que os transformadores de potência muito elevada, normalmente em tensão de 500 kV e acima, são constituídos de três transformadores monofásicos, formando um banco de transformador. Essa solução é praticada para facilitar o transporte desses equipamentos por rodovias e vias urbanas. Sua maior vantagem reside no fato de um defeito numa fase do transformador afetar apenas um dos transformadores monofásicos, o que pode ser mais facilmente substituído. (MAMEDE FILHO, 2013, p. 682). A Figura 55, mostra um banco de transformadores monofásicos, onde transformam a tensão de entrada de 500kV, para uma tensão de 230kV. FIGURA 55 - BANCO DE TRANSFORMADORES MONOFÁSICOS EM 500KV. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.6.3. Tipo trifásico São os transformadores mais aplicados no sistema elétrico de potência, de compreende transmissão e distribuição pelas concessionárias, além das cargas industriais. Ele possui em sua entrada e saída trifásica em saída, A Figura 56, mostra ilustra um transformador trifásico. FIGURA 56 - TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA TRIFÁSICO COM CONSERVADOR A ÓLEO. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 705) Os transformadores trifásicos podem ter seus enrolamentos ligados normalmente de três maneiras diferentes, a depender do sistema a qual serra aplicado. Essas ligações podem ser em estrela (lado alta), triangulo (lado baixa) ou em zigue-zague. Sua classificação quanto ao meio isolante pode ser em dois grupos, os transformadores em líquidos isolante, como ilustrado na Figura 56 e os transformadores a seco conforme Figura 57. FIGURA 57 - TRANSFORMADOR TRIFÁSICO A SECO. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 693) AS PARTES CONSTRUTIVAS DOS TRANSFORMADORES É CONSTITUÍDO POR VARIADAS PARTES, CADA UMA COM SUAS FUNÇÕES ESPECIFICA. A Figura 58 ilustra as partes construtivas de um transformador FIGURA 58 - PARTES COMPONENTES DE UM TRANSFORMADOR A ÓLEO MINERAL. FONTE: Mamede Filho (2013, p. 702) 2.2.7. Reatores de Derivação A finalidade do reator de derivação é absorver potência reativa capacitiva geradas por linha de transmissão do sistema evitando sobretensões no sistema a que ele estiver conectado. FIGURA 59 - REATOR SHUNT DE 500KV Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Linhas de transmissão de alta tensão, quando particularmente longas, geram uma quantidade substancial de energia reativa quando levemente carregadas. Por outro lado, elas absorvem grande quantidade de potência reativa em atraso quando muito carregadas. Como consequência, a menos que a linha de transmissão esteja operando em equilíbrio de potência reativa, a tensão no sistema não pode ser mantida em valores nominais. (OLIVEIRA JÚNIOR, 2012, p. 16) FIGURA 60 - REATOR COM NÚCLEO DE FERRO IMERSO A ÓLEO Fonte: RICHARD F. (OLIVEIRA JÚNIOR, 2012, p. 13) Reatores imersos em óleo (Figura 60) podem ser construídos com entreferros ou blindagem magnética. Reatores imersos em óleo são principalmente usados para reatores “shunt” em EHV e alguns reatores de alisamento em HVDC. Reatores a seco com núcleo de ferro são usualmente usados em baixa tensão e instalação interna, para aplicações tais como filtragem de harmônicos e condicionamento de potência (di/dt, alisamento, etc.). (OLIVEIRA JÚNIOR, 2012, p. 13) 2.2.8. Serviços Auxiliares É o tipo serviço que faz todo o sistema funcionar numa subestação, apesar de ter o nome como serviço auxiliar, é um dos setores mais importante, dentro das subestações, onde envolve os a alimentação em baixa tensão dos equipamentos nas salas de comando, nas cabanas de relés, estação de ar comprimido, retificadores que consequentemente alimenta os bancos de bateria fornecendo alimentação DC aos equipamentos, iluminação e tomadas em geral. O serviço auxiliar é normalmente alimentado, através de transformadores que recebem as tensões de média tensão, 13,8kV e rebaixando, para baixas tenções como de 440V, 380V, 220V e ou 110V. a Figura 61, é uma subestação que alimenta o serviço auxiliar de uma subestação. FIGURA 61 - SUBESTAÇÃO QUE ALIMENTA O SERVIÇO AUXILIAR. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Em emergências (blecaute) ou manutenções onde alimentação precisa ser desenergizada. o sistema fica alimentado através de Grupos Geradores de Emergência (GGE), esses equipamentos normalmente suprem as cargas necessária para até o reestabelecimento do sistema. Eles normalmente são automatizados para as ocorrências, onde o operado da prioridade as perturbações do sistema energético. A Figura 62, exibe dois GGE’s, a figura A é o GGE titular da subestação e o B é o GGE reserva, em caso de defeito do GGE titular. FIGURA 62 - GRUPO GERADORES DE EMERGÊNCIA (GGE). Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.8.1. Os serviços auxiliares AC São incumbidos por alimentar os quadrosdos equipamentos como, as chaves seccionadoras, disjuntores, sistema de ventilação forçada dos transformadores de potência que possuem motores elétricos, resistência de aquecimento e iluminação desses quadros. Alimentam também o Sistema de ar comprimido. E principalmente alimentam os retificadores que convertem a tensão AC em DC, para alimentação do Serviço auxiliar em DC. A Figura 63, mostra uma sala de serviços auxiliares com tenções em AC e DC e retificador, sua alimentação normalmente vem da Subestação de 13,8kV para baixa tenção. FIGURA 63 - SALA DE SERVIÇOS AUXILIARES AC E DC. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.8.2. O sistema de ar-comprimido É o serviço auxiliar que é responsável pela alimentação do ar comprimido aos disjuntores de alta tensão a ar comprimido. A figura a seguir mostra um grupo de compressores em paralelo, que alimentam tanques de ar comprimidos, para suprir o ar e a pressão necessária para o sistema. Na figura 54, mostra um sistema de ar comprimido, onde a figura A mostra os compressores em paralelo, e na B mostra os tanques com ar comprimido. FIGURA 64 - SISTEMA DE AR COMPRIMIDO. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.8.3. O serviço Auxiliar DC É alimentado por retificadores que ao mesmo tempo que fornece tensão em DC para os equipamentos, em paralelo, alimenta o banco de baterias que supre em momentos de perturbação no serviço auxiliar AC. Os equipamentos que necessitam de alimentação em DC, são os relés de proteção, os relés de comandos dos equipamentos (disjuntores, chaves seccionadoras), os equipamentos de telecomunicação e supervisórios, e iluminação de emergência. A Figura 65, são retificadores responsáveis pela conversão das tensões de corrente alternadas para tensões de correntes contínuas. FIGURA 65 - PAINÉIS DE RETIFICADORES. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) Os retificadores com seu respectivo banco de baterias, normalmente, são instalados em pontos estratégicos e em dupla (2 retificadores e 2 bancos de baterias), de acordo com os equipamentos e tensão e carga a ser suprida. São instalados em salas de telecomunicação junto com seus equipamentos (pequeno porte) e outros são em salas exclusiva para eles que são responsáveis por alimentarem maiores cargas. Cada banco de baterias tem sua autonomia para alimentar suas cargas em mais de 10h, a depender também da carga. A exemplo um único banco tem autonomia de 10h de 450hA, ou seja, fornecerá 450A por hora durante, 10 horas seguidas. A Figura 66 exibe bancos de baterias, responsáveis de alimentar as cargas de tensão em corrente contínua em case de problemas nos retificadores. FIGURA 66 - BANCO DE BATERIAS. Fonte: Própria (26 de novembro de 2022) 2.2.9. Proteções Os sistemas de energia elétrica devem garantir a qualidade e a continuidade do fornecimento de energia elétrica a baixo custo. Além disso, deve-se assegurar uma elevada vida útil às instalações e segurança ao pessoal de operação. Os requisitos de qualidade e confiabilidade impostos aos modernos sistemas elétricos são cada vez mais severos. A fim de atender a estes requisitos, torna-se necessário incorporar elementos de projeto para possibilitar a prevenção de possíveis falhas com relação ao suprimento das cargas atuais e previstas para o futuro. Dentre essas medidas de prevenção, pode-se citar o aumento da capacidade marginal do sistema e o emprego de arranjos que permitam o suprimento de cargas através de circuitos alternativos. No entanto, ao tentar reduzir as probabilidades de falha, chega-se a um limite a partir do qual os investimentos necessários passam a ser proibitivo. Daí a necessidade de introduzir os dispositivos de proteção, com o objetivo de reduzir não somente os riscos ao pessoal de operação e às instalações, mas também para minimizar a porção do sistema afetada pela falha. Sendo assim, o projeto e a operação dos sistemas elétricos de potência devem levar em consideração três aspectos fundamentais: • Operação normal; • Prevenção de falhas elétricas; • Minimização dos efeitos das possíveis falhas. O termo operação normal é usado para indicar a ausência de falhas nos equipamentos, erros de operação ou fenômenos da natureza danosos ao sistema. Um sistema projetado com base apenas nas considerações para operação normal estaria sujeito a desligamentos intoleráveis provocados por falhas, devendo-se prever mecanismos para evitar as falhas ou para reduzir seus efeitos. O tipo de falha elétrica que mais preocupa é o curto-circuito ou simplesmente falta, embora outras condições anormais de operação também mereçam atenção. Os relés têm, entretanto, a importante função de provocar a abertura dos disjuntores associados a um elemento do sistema para seu isolamento quando ele sofrer um curto-circuito ou quando ele começar a operar em condição anormal que possa causar dano ou interferir na operação do restante do sistema. Quando o uso de relés e disjuntores não for justificável economicamente, são empregados fusíveis. Outra função dos relés de proteção é indicar a localização e o tipo da falta, facilitando a manutenção corretiva e fornecendo subsídios para ações posteriores, seja para a análise de ocorrências, ou para o restabelecimento do fornecimento de energia em partes do sistema através de circuitos alternativos. 2.2.9.1. Proteção primária e proteção de retaguarda Para a aplicação de sistemas de proteção contra curto-circuitos, os sistemas de potência são divididos em zonas de proteção primária, conforme indicado na Figura 67. FIGURA 67 - DIAGRAMA UNIFILAR DE UM SISTEMA ELÉTRICO INDICANDO AS ZONAS DE PROTEÇÃO PRIMÁRIA. FONTE: Própria (15 jan. 2014) Observe-se que os disjuntores são alocados de forma que, em caso de falta, pode-se desconectar apenas o elemento defeituoso. Ocasionalmente, pode-se omitir um disjuntor entre dois elementos, mas esta opção obriga o isolamento de ambos se uma falta ocorrer em qualquer um deles. Estabelece-se uma zona de proteção primária envolvendo cada um dos elementos do sistema. Assim, um defeito em uma zona de proteção primária, causa à abertura de todos os disjuntores dentro da mesma e somente de tais disjuntores. Se um defeito ocorrer num ponto do sistema que faz parte de duas zonas de proteção, mais disjuntores do que o necessário para isolar o elemento defeituoso irá abrir. Porém, esta prática é preferível a evitar a sobreposição das zonas e deixar alguns pontos do sistema sem proteção primária. Além disso, as regiões do sistema onde há interseção de zonas de proteção primária são relativamente pequenas e a probabilidade da ocorrência de faltas nessas regiões é baixa, tornando o desligamento desnecessário de disjuntores pouco frequente. Note-se ainda que duas zonas de proteção primária são sempre sobrepostas em torno de um disjuntor. Assim, para faltas em qualquer parte do sistema onde não há interseção de zonas de proteção primária, abre-se o número mínimo necessário de disjuntores para isolar o elemento defeituoso. Os dispositivos de proteção primária associados a um determinado elemento do sistema devem abrir os disjuntores da zona à qual o elemento pertence no menor tempo possível. Somente em caso de falha desses dispositivos a proteção de retaguarda deve atuar. Entenda-se aqui por falha da proteção primária como a ocorrência de qualquer evento que impeça o isolamento de uma zona de proteção primária submetida a uma falta. Portanto, os seguintes eventos podem ser considerados causas de falha da proteção primária: Proteção do gerador Proteção do barramento Proteção do transformador Proteção do barramento Proteção do barramento Proteção da linha • Suprimento de tensão ou corrente para os relés • Falta de tensão DC para o comando de abertura de disjuntor • Falha dos relés • Falha de disjuntor É desejável que a proteção de retaguardaseja concebida de forma que qualquer possível causa de falha da proteção primária não cause também falha da proteção secundária. Este requisito só poderia ser satisfeito se os relés de proteção de retaguarda não empregassem ou controlassem nada em comum com a proteção primária. É prática comum, então, alocar a proteção de retaguarda em uma outra subestação. FIGURA 68 - ILUSTRAÇÃO DA PROTEÇÃO DE RETAGUARDA DA LINHA EF. FONTE: Própria (15 jan. 2014) Para defeitos na linha EF, os relés responsáveis pela proteção de retaguarda devem estar associados (causar a abertura) aos disjuntores A C, H e J. Se a proteção primária da linha EF associada ao disjuntor E falhar, as proteções em A e C devem atuar. O evento que causou a falha da proteção em E dificilmente poderia causar também a falha das proteções em A ou B, fisicamente distantes. Analogamente, as proteções em A, C e F devem servir de retaguarda para faltas no barramento da subestação K. Os relés em F e A devem oferecer proteção de retaguarda contra defeitos na linha CD e assim por diante. A zona de proteção de retaguarda de um elemento do sistema envolve, então as zonas primárias do próprio elemento e adjacentes. Em muitos casos, a proteção de retaguarda de um elemento remoto serve também como retaguarda da proteção primária local. Este é o caso, por exemplo, da proteção de retaguarda em A para defeitos na linha EF, a qual poderá atuar quando de uma falha da proteção primária em A. No entanto, esta proteção duplicada deve ser encarada como um benefício adicional, não podendo substituir a proteção de retaguarda remota. Uma Segunda função da proteção de retaguarda é permitir que a proteção primária seja desativada temporariamente para a realização de manutenção. Deve-se observar que a área desligada pela proteção de retaguarda remota é sempre maior do que a que seria necessária caso a proteção primária atuasse corretamente. Assim, é necessário que o tempo para a atuação da proteção de retaguarda seja suficientemente longo para que a proteção primária detecte o defeito e o elimine, restringindo o desligamento somente à seção defeituosa do sistema. 2.2.9.2. Funções dos dispositivos de proteção e controle As funções dos dispositivos para proteção e controle, tem seus códigos específicos, então a tabela mostra a codificação e a função para cada dispositivo. Conforme Tabela 1. A I F E C B D G J H SE K TABELA 1 - TABELA DE FUNÇÕES ANSI NEMA FUNÇÃO/ EXEMPLO 2 Temporizador / relé partida Ex.: cadeia wenco LT’s temporizador 21- fase 5 Dispositivo de desligamento Ex.: maq. Síncronas 21 Relé ou cadeia de proteção de distância Ex.: 21 – 1, 21 - 2 (wenco), 21 (pds) 21N Relé ou cadeia de proteção de distância de neutro (fase / terra) ex.: zona / nb / nc/ (wenco) 21n (thr) 25 Relé check de sincronismo Ex.: 25 (fechamento sincronizado) 26 Dispositivo temperatura óleo Ex.: 26 - trafo, 26 - reatores 27 Relé de subtensão ou falta de tensão Ex.: 27 – barra - 27 a - alívio de carga 30 Anunciador de sinalização Ex.: ann - mauell (eletrônico) Ann - edwards (eletromecânico) 32 Relé direcional de potência ativa Ex.: 32 t - cadeia wenco LT 40 Relé direcional de potência reativa Ex.: máquinas síncronas 41 Disjuntor de campo (magnético) Ex.: máquinas síncronas 43 Chave de transferência ou liga / desliga Ex.: 43 - 12 T1, 43 - 81 49 Dispositivo de temperatura de máquina ou transformador Ex.: 49 - trafos, 49 - reator, 49 - máquina 50 Relé de Sobrecorrente Instantâneo Ex.: 50 - LT , 50 - Trafo, 50bf(Falha Disjuntor) 51 Relé de Sobrecorrente temporizado Ex.: 51 - LT, 51 - de (desequilíbrio) 51 v (sobrecorrente c/ restrição de tensão). 52 Disjuntor de circuito AC 59 Relé de sobretensão Ex.: 59 - linha, 59 – barra,59r - (3v0), 59 - chav. Reativo 62 Temporizador de abertura Ex.: 62 bf - temp. Falha disjuntor 62tt - temp. Transferir / trip 63 Relé de gás/ pressão óleo Ex.: 63 - trafo (buccholz) 63 - relé gás comutador 64 Relé de proteção terra Ex.: 64 - trafo (carcaça) 64 - Máquina (terra estator ou rotor) 67 Relé direcional de sobrecorrente Ex.: 67 a/b/c - LTs 67 n (direcional de terra) 68 Relé de bloqueio para oscilação de potência Ex.: 68 - cadeia wenco LT 68 - thr (rey - rolle) 71 Dispositivo para nível anormal de óleo (máx/ min) Ex.: 71 - trafo, 71 - reator 72 Disjuntor de circuito DC 74 Relé (cartelino) para alarme 79 Relé de religamento automático Ex.: 79 - LT’s 81 Relé de frequência Ex.: 81 - 1 : subfrequência 1º. Estágio 85 Relé de esquema tele-proteção Ex.: 85 - LT (t. Trip ou aceleração zona) 86 Relé de bloqueio Podendo ser usado - trip/ bloqueio Ex.: 86 - LT’s (bloqueio religamento) 86 - trafos / reatores/ bancos/etc 87 Relé diferencial Ex.: 87 - trafos/barras/reatores/LT 89 Chave seccionadora (projeto) 90 Relé de regulação Ex.: 90 - trafos (reg. Automática) 94 Relé de abertura Ex.: 94t - trafos /reatores 95 Relé de frequência (f/(t) Ex: 95.2 - taxa de variação 2º estágio 97 Localizador de defeito (indica a distância Em km até o ponto defeituoso) Ex.: 97 - LT’s 101 Chave secundárias de comando de disjuntores ou chaves motorizadas. FONTE: Adaptada, Disponível em: < chrome- extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.galaxcms.com.br/up_crud_comum/1904/Tabela ANSI-20180517172355.pdf> Acesso em: 17 nov. 2022. 2.2.9.3. Alimentação dos dispositivos de proteção A alimentação que chegam nos dispositivos para atuarem suas proteções vem dos equipamentos já mencionados anteriormente. Que foram os transformadores de corrente, tensão, transformadores de força e seus equipamentos intrínsecos. Ver Tabela 2. TABELA 2 - ALIMENTAÇÃO DOS DISPOSITIVOS DE PROTEÇÃO TIPOS NEMA ALIMENTAÇÃO TC`S TP’S SONDAS DISP.MEC. Sobrecorrente 50/51 X Direcional de Corrente 67 X X Distância 21/21N X X Sobretensão 59 X Subtensão 27 X Subfrequência 81 X Religamento 230/500kv 79 X Diferencial 87 X Temperatura Óleo 26 X Temperatura Enrolamento 49 X Nível De Óleo 71 X Gás 63 X Válvula Segurança VS X Religamento Automático 69/13.8 kV 79 X Localizador De Defeito 97 X X Sobrecorrente. Restr. Tensão 51V X X Desequilíbrio Neutro 51D X FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.9.3.1. Proteção de LT’S (69kV) Nestas LT’S são utilizados três relés de fases e um de neutro, economicamente pode- se usar apenas dois relés de fase. Como retaguarda são usados os relés 51 A/B/C dos trafos e o 51N do trafo terra. A Figura 69, mostra vários relés eletromecânicos (antigos) que onde cada um tem sua função para cada fase. FIGURA 69 - CADEIAS DE RELÉS ELETROMECÂNICOS. FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.9.3.2. Proteção de LT’S (alta tensão) Ocorre, em média, uma falta a cada 80km de linha de transmissão aérea por ano, o que corresponde a cerca de 33% do total de faltas em sistemas de potência. Dados obtidos em países de clima temperado revelam que aproximadamente a metade dessas faltas é provocada por descargas atmosféricas, 20% são causadas pelo acúmulo de neve ou umidade nos isoladores e as demais são devidas a causas variadas. Em países tropicais, a incidência de descargas atmosféricas é ainda maior, aumentando o percentual de faltas por elas causadas. . A Figura 70, é um relé digital para atuar em uma linha de 500kV. Com as funções 21,21N, 67N, 79, 59I/59T e tele-proteção. FIGURA 70 - RELÉ DE PROTEÇÃO DE LINHA DE 500LV FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.9.3.3. Proteção de Transformadores Para os transformadores são utilizadas as seguintes proteções: 26, 49, 63, 71, VS, 50/51 ABC, 51N e 87. A Figura 71 , exibe um painel com relés eletromecânicos e digital de um transformador de potência. FIGURA 71 - RELÉS DE TRAFOS FONTE: Própria (15 jan. 2014) 2.2.9.3.4. Proteção de BarraPara as barras são usadas as proteções: 59, 27, 81, 87, 95, 59R, 50BF e 62BF. A Figura 72 é uma imagem de vários reles eletromecânicos para proteção de barra de 500kV. FIGURA 72 - RELÉS DE BARRA DE 500KV FONTE: Própria (15 jan. 2014) 3. MATERIAIS E MÉTODOS Os dados coletados para a realizar a pesquisa e a confecção deste trabalho, foi realizado através de aquisição de informações feitas em campo de trabalho (subestação), em livros, trabalhos acadêmicos, normas brasileiras, e em artigos disponíveis na internet. As figuras, tabelas e diagramas são fotografadas em campo de trabalho, e desenvolvidas através de aplicativos de desenho virtuais, além reproduzir almas imagem disponíveis na internet. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO O resultado adquirido através do incentivo teórico, foi bastante esclarecedor, quando passamos a ver e entender o como funciona o sistema elétrico de potência. Apesar de não abranger completamente tudo que possui uma subestação, é possível entender as funções que cada equipamento exerce, mesmo que seja de vários modelos, com uma grande variedade de que esses equipamentos são confeccionados. Além do conhecimento adquirido teoricamente, a experiência de se trabalhar num setor tão importante para o desenvolvimento econômico de uma região, nos deixa cada vez mais motivado a pesquisar cada vez mais sobre o assunto. O trabalho apresentado, também não se mencionou sobre a segurança que se deve ter no SEP, pois, sendo um dos setores mais perigosos existentes, com risco de acidentes por choques elétricos podendo ser até fatal. 5. CONCLUSÃO A conclusão obtida através deste trabalho, é que o setor de energia elétrico de potência é bastante amplo, com uma complexidade de seguimentos dentro de um setor. As informações descritas neste trabalho foram resumidas devido a uma vasta informação que poderá ser explorada detalhadamente através das referências citadas, em principal do autor Mamede Filho, com os títulos de Subestação de Alta Tensão e Manuel de Equipamentos Elétricos. Além de do conhecimento adquirido em campo, com outros profissionais (engenheiros elétricos) do setor, onde foram tiradas dúvidas, funcionamento prático dos equipamentos dentro de uma subestação. Portanto, conclui o seguimento deve ser explorado cada vez mais, buscando novas tecnologias, sem esquecer ou entender o princípio de funcionamento de vários equipamentos, como vimos vários equipamentos antigos serem substituídos por mais modernos (vistos nas imagens). Com essa experiência de aprendizagem, abre caminhos para novas busca de conhecimento. 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Acesso em: 26 de novembro de 2022. COMPEDRO.COM.BR. Disjuntor à vácuo. Disponível em: <https://www.compedro.com.br/produto/disjuntores/disjuntor-a-vacuo/4>. Acesso em: 15 nov. 2022. ELETRICAVOLT.COM.BR. Transformador de Corrente tp Janela Externo – BCJ 35E. C2021, Disponível em: <https://eletricavolt.com.br/produto/transformador-de- corrente-tp-janela-externo-bcj-35e/ >. Acesso em: 15 nov. 2022. ELETROSA.COM.BR. Subestação Abrigada. Disponível em: <https://www.eletrosa.com.br/subestacoes.html >. Acesso em: 15 nov. 2022. GALAXCMS.COM.BR Tabela ASI. Disponivel em:<chrome- extension://efaidnbmnnnibpcajpcglclefindmkaj/https://www.galaxcms.com.br/up_crud_ comum/1904/TabelaANSI-20180517172355.pdf> Acesso em: 17 nov. 2022. MAMEDE FILHO, JOÃO. Subestações de alta tensão / João Mamede Filho. - 1. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2021. MAMEDE FILHO, JOÃO. Manual de equipamentos elétricos /João Mamede Filho. - 4. ed. - Rio de Janeiro: LTC, 2013. MAXPESA.COM.BR. Subestação Móvel. Setembro de2012, Disponível em: < https://maxpesa.com.br/tag/subestacao-movel/>. Acesso em: 15 nov. 2022. MONTENEGRO, RENAN, Disjuntores a Óleo, C2022, Disponível em: https://universoeletrico.wordpress.com/2016/08/13/disjuntores-a-oleo/. Acesso em: 15 nov. 2022. PRESCOTT, PEDRO. A Transmissão e a Busca pela Eficiência. ABIAPE.COM.BR .Setembro 2018. Disponível <http://abiape.com.br/a-transmissao-e-a-busca-pela- eficiencia/>. Acesso em: 10 novembro. 2022. OLIVEIRA MUZY, GUSTAVO LUIZ CASTRO, Subestações Elétricas. 2012, 122 f. Projeto de Graduação, Curso de Engenharia Elétrica, Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2012. RICHARD F. DUDLEY, MICHAEL SHARP, ANTONIO CASTANHEIRA, BEHDAD B. BIGLAR TRENCH LIMITED; Chapter 10 Reactors of Electric Power Transformer Engineering (Second Edition); Edited by James H. Harlow. OLIVEIRA JÚNIOR, JOSÉ VICENTE, Reatores Para Controle Do Fluxo De Potência E Suas Consequências Para A Qualidade De Energia, 2012. 55f. 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