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W BA 08 60 _V 1. 1 HIGIENE DO TRABALHO II 2 Audennille Marinho de Almeida São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2021 HIGIENE DO TRABALHO II 1ª edição 3 2021 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Diretor Presidente Platos Soluções Educacionais S.A Paulo de Tarso Pires de Moraes Conselho Acadêmico Carlos Roberto Pagani Junior Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Nirse Ruscheinsky Breternitz Revisor Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Editorial Alessandra Cristina Fahl Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Mariana de Campos Barroso Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_________________________________________________________________________________________ Almeida, Audennille Marinho de A447h Higiene do trabalho II / Audennille Marinho de Almeida, – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2021. 44 p. ISBN 978-65-89881-78-0 1. Ambiente de trabalho. 2. Ambiente insalubre e salubre. 3. Controle de riscos. I. Título. CDD 363.117 ____________________________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB: 8 SP-010289/O © 2021 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. https://www.platosedu.com.br/ 4 SUMÁRIO Generalidades sobre ventilação e conforto térmico __________ 05 Generalidades sobre ventilação natural local exaustora _____ 19 Agentes biológicos: do reconhecimento ao controle _________ 32 Agentes químicos ____________________________________________ 46 Generalidades sobre o agente químico poeira _______________ 60 Generalidades sobre o agente químico: Fumos Metálicos ____ 73 Generalidades sobre o agente químico: Névoas e Vapores ___ 83 HIGIENE DO TRABALHO II 5 Generalidades sobre ventilação e conforto térmico Autoria: Audennille Marinho de Almeida Leitura crítica: Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Objetivos • Compreender e analisar a importância da ventilação no ambiente de trabalho. • Verificar os principais componentes e variáveis que influenciam um sistema de ventilação industrial. • Compreender e analisar a importância do conforto térmico, gases e poeiras na interação com o ser humano e o ambiente de trabalho. • Conhecer as medidas genéricas de controle de agentes biológicos. 6 1. Ventilação industrial Neste momento, você conhecerá os conceitos e técnicas relacionadas à ventilação geral diluidora; conforto térmico; gases; e poeiras, assim como terá a oportunidade de verificar as medidas de prevenção genéricas para o controle dos agentes de riscos biológicos. Você sabe o que é ventilação? Ventilação pode ser entendida como como o simples deslocamento de ar, mas para que este ar chegue a determinado ambiente, são necessários alguns tipos de mecanismos, sejam naturais ou artificiais, ambos com o mesmo objetivo de retirar ou de fornecer ar para o ambiente proporcionando uma renovação neste (MACINTYRE, 1990). Agora que você sabe o que é ventilação, veja sua importância nos ambientes laborais. A ventilação industrial é um artifício empregado pelas organizações para manter sob controle características relacionadas ao ambiente de trabalho, por exemplo: temperatura do ambiente, umidade, distribuição do ar, além de dispersar certos contaminantes ou poluentes, como: gases, vapores, poeiras, névoas, microrganismos e odores. Sendo assim, não se preocupa apenas com as questões internas, mas auxiliam, de modo geral, no controle da emissão dos poluentes no entorno da empresa (MACINTYRE, 1990). É importante que, antes de instalar o sistema de ventilação, tenha em mente um plano de controle para os agentes poluentes que forem coletados pelo sistema de captação, pois devem ser tratados especificamente com suas medidas de prevenção. O tratamento correto dos agentes poluentes, reduzem a emissão de tais agentes na atmosfera, evitando, assim, a contaminação do ar e minimizando os danos causados à saúde do trabalhador, influenciando, dessa forma, a qualidade de vida deles (MOREIRA, 2006). 7 Vale ressaltar que um profissional da área da saúde e segurança do trabalho precisa saber que um sistema de ventilação deve abranger todos os locais da empresa, sejam internos ou externos. Referente ao ambiente externo, a maior preocupação é com a população do entorno, pois esta pode sofrer alguns tipos de danos à saúde devido a contaminação pela emissão de agentes poluentes na atmosfera. Sendo assim, você, como agente profissional da área da saúde e segurança, deve procurar mecanismos que possam minimizar tais agravos (BORRÉ, 2013). Na ventilação industrial, são utilizados ventiladores para manter as condições térmicas adequadas, que têm o objetivo de realizar a renovação do ar no ambiente, por meio de dois mecanismos: insuflamento ou exaustão, ou pelos dois tipos, conforme ilustrado na Figura 1. Figura 1 – Tipos de mecanismos de ventilação que resultam na renovação do ar Fonte: elaborada pelo autor. Segundo Moreira (2006), o objetivo principal da renovação do ar é fazer a retirada de ar de um local fechado com grau de pureza e velocidade 8 de escoamento compatível com as exigências de saúde e bem-estar humano. Os sistemas de ventilação se classificam em sistemas de ventilação natural, ventilação geral diluidora e ventilação local exaustora. Agora que você conheceu um pouco sobre ventilação industrial e seus conceitos gerais e sabe sua classificação, conheça, no próximo tópico, sobre a ventilação geral diluidora, seus requisitos para conforto térmico, gases e poeiras. 2. Classificação dos sistemas de ventilação De acordo com Macintyre (1990), a classificação dos sistemas de ventilação possui uma relação direta ao uso a que se destina. Veja como ele realizou essa distinção: • Ventilação destinada a manutenção do conforto térmico: tem o objetivo de fazer a renovação das condições climáticas em determinado local, que, por sua vez, já sofreu modificações pela presença de pessoas e possui duas funções: a primeira é de refrigerar o local quando estiver o clima mais quente, ou seja, na estação do verão; e a segunda é de aquecer o local quando estiver o clima mais frio, ou seja, na estação do inverno. • Ventilação destinada a manutenção da saúde e segurança do indivíduo: tem por finalidade diminuir ou até neutralizar as concentrações no ar de poluentes, como gases, vapores, partículas em geral, que podem levar a sérios danos à saúde do trabalhador. Nesse tipo de ventilação, há a preocupação também em manter as concentrações desses poluentes controlados, pois evita-se que venham a ter ação inflamável ou explosiva no local. • Ventilação destinada a preservação de materiais e equipamentos: tem por finalidade diminuir o aquecimento de 9 equipamentos e locais ondes estão armazenados, como, por exemplo: motores elétricos, máquinas, armazéns ventilados com o objetivo de prevenir, assim, a deterioração. Veja, a seguir, um dos tipos de sistemas de ventilação e a finalidade a que se destina. 2.1 Ventilação geral diluidora: requisitos para o conforto térmico, gases e poeiras Um sistema de ventilação geral diluidora é um sistema misto, pois pode utilizar mais de um tipo de ventilação, seja natural ou mecânico, sendo por insuflação, exaustão,conforme ilustrado na Figura 2, insuflação e exaustão em conjunto. Na ventilação mista, a permuta de ar é constante, o fluxo de ar é laminar e suave, fazendo com que o local permaneça constantemente asseado e tendo uma redução significativa da temperatura. Esse tipo de ventilação é mais uma das formas que pode ser utilizada pelas empresas nos ambientes industriais. Na ventilação geral diluidora, os ventiladores têm a função de insuflar ar dentro do ambiente de trabalho ou de extrair o ar deste mesmo local para o exterior, sendo que, para fazer a extração ou exaurir o ar do ambiente, usa-se o exaustor. Nos dois casos, há uma variação de pressão, quando ocorre a insuflação, a pressão é positiva e quando ocorre a exaustão, a pressão é negativa (MACINTYRE, 1990). Ainda segundo este mesmo autor, a ventilação geral diluidora pode ser provida pelos seguintes métodos: I. Insuflação mecânica e exaustão natural. II. Insuflação natural e exaustão mecânica. III. Insuflação e exaustão mecânica. A Figura 2 apresenta um exaustor mecânico para a remoção do ar do ambiente para o exterior. Vale ressaltar que em um ambiente fabril, normalmente, há a instalação de vários exaustores e que o sistema de exaustão não permite que o ar contaminado do ambiente em questão 10 passe para outros locais. Esse tipo de exaustor é muito utilizado em cozinhas industriais, onde a ventilação/ exaustão do ar deve ser direcionada da área limpa para a suja, considerando que o ar do exterior é mais contaminado e sujo do que o do interior. Os exaustores devem possuir telas milimétricas removíveis para impedir a entrada de vetores e pragas urbanas. Figura 2 – Sistema de ventilação por exaustão (exaustor eólico) Fonte: CHARTGRAPHIC/ iStock.com. Na ventilação por insuflamento, o ar é insuflado para dentro do ambiente por meio do ventilador, que gera um diferencial de pressão, fazendo com que o ar venha a sair do ambiente pelas aberturas do local, proporcionando um controle mais eficiente dos poluentes (gases, poeiras etc.) e da pureza do ar injetado do que no caso da ventilação natural. Vale frisar que, nesse tipo de ventilação por insuflação, nos locais de aberturas para tomadas de ar exterior, é importante a colocação de telas de proteção para evitar a entrada de animais ou corpos estranhos. Além disso, deve ser feita a instalação de filtros adequados para a tomada de ar exterior, selecionados de acordo com as especificações de cada ambiente (BORRÉ, 2013). https://www.istockphoto.com/br/portfolio/ChoochartSansong?mediatype=photography 11 Com relação ao sistema de ventilação misto, ou seja, insuflamento e exaustão em conjunto, funciona da seguinte maneira: um ventilador insufla o ar por meio de tubulações, passando por bocais de insuflamento e, em seguida, o ar é retirado do ambiente, passando, primeiro, pelos bocais de insuflamento e, logo em seguida, pelas tubulações e removido pelo ventilador de exaustão. Dessa forma, permite maior controle da ventilação, seja pela qualidade do ar que é insuflada, seja pela distribuição deste no recinto. É importante frisar que a ventilação natural deve ser sempre priorizada, mas, muitas vezes, ocorrem casos em que não é possível contar com ela, não é mesmo? Antes de implementar um sistema misto de ventilação, é preciso saber que, por ser um sistema muito oneroso com relação ao sistema por insuflamento e ao sistema por exaustão, só deve ser adotado mediante ao fato de nenhum destes dois poderem resolver satisfatoriamente (MACINTYRE, 1990). 2.2.1 Objetivos de um sistema de ventilação geral diluidora Como visto, a ventilação geral diluidora é um método utilizado tanto para insuflar ar em um ambiente ocupacional, tanto para retirar ar desse ambiente, ou ambos, no intuito de proporcionar uma diminuição na concentração de agentes poluentes. Essa diminuição é proporcionada devido a introdução de ar limpo, ou ar não poluído, em um ambiente que já contém certa quantidade de massa de determinado poluente, logo, ocorrerá a dispersão ou diluição desta massa em um volume maior de ar, fazendo com que haja redução na concentração desses poluentes. Os objetivos de um sistema de ventilação geral diluidora podem ser: • Proteção da saúde do trabalhador: atua na redução das concentrações de poluentes capazes de causar danos à saúde do indivíduo até determinado limite de tolerância. 12 • Segurança do trabalhador: atua de forma a diminuir a quantidade de contaminantes explosivos ou inflamáveis, a níveis inferiores aos dos limites de explosividade e inflamabilidade. • Conforto e eficiência do trabalhador: atua de forma a preservar a temperatura e umidade do ar do local de trabalho. • Proteção de materiais ou equipamentos: atua na manutenção das condições atmosféricas necessárias, que, porventura, sofreram alterações pela imposição da implementação tecnológica. É importante ressaltar que o uso da ventilação geral diluidora deve ser adotado nos casos em que a ventilação local exaustora não for possível, devido ao custo elevado de operação. Entretanto, nos casos em que o ambiente laboral esteja sujeito a modificações continuamente e nos casos em que as fontes geradoras de poluentes estejam presentes no ambiente de trabalho, é mais indicada por não interferir nas operações e nos processos industriais, mesmo tendo um custo operacional alto e, sobretudo, porque também há necessidade de aumentar a temperatura do ambiente nos meses de inverno. Esse tipo de sistema de ventilação também é muito indicado onde há a necessidade de movimentação de um volume muito grande de ar, como ocorre na estação quente. O uso habitual do sistema de ventilação geral diluidora para poeiras e fumos não é muito indicado, pois a quantidade de material retirado do ambiente, normalmente, é de grande volume e sua emissão na atmosfera não é aconselhável, além deste material poder conter alto teor de toxicidade, necessitando, assim, de uma grande quantidade de ar para diluição. 2.2 Questões relacionadas ao conforto térmico Várias são as definições para o conforto térmico, mas podemos dizer que pode ser entendido como a sensação de bem-estar de um 13 indivíduo, oriundo de uma combinação satisfatória nesse ambiente, da temperatura, umidade relativa e velocidade relativa do ar, com a atividade realizada e a vestimenta utilizada (RUAS, 1999). Quando falamos em satisfação relacionada às condições térmicas de um determinado ambiente, estamos nos referindo ao conforto térmico. Segundo Borré (2013), ao estudar o conforto térmico, devem ser levadas em consideração as seguintes características: • A sensação de conforto pelo indivíduo, ou seja, o grau de satisfação dele. • O desempenho do indivíduo em seu ambiente de trabalho. • A preservação da energia. Ao verificar as condições de conforto térmico no ambiente, é recomendado fazer com uso de programas que auxiliam na adaptação do local em função das atividades exercidas e no clima (RUAS, 1999). É importante mencionar que o conforto térmico engloba muitas variáveis, como, por exemplo, estrutura das edificações, mobiliário inadequado (questões ergonômicas em geral), satisfação pessoal, entre outras. Sendo assim, as pessoas apresentam sensações térmicas diferenciadas, portanto, é primordial que sejam propostas medidas que ajudem a melhorar a sensação térmica, que é inerente às necessidades humanas (RUAS, 1999). Para avaliar as condições de conforto térmico no local de trabalho, deve- se iniciar com uma abordagem exploratória, que pode ser feita por meio da observação das atividades desempenhadas no local de trabalho e complementada por entrevistas com os trabalhadores sobre o conforto térmico (BRASIL, p. 3-4, 1978). Ao avaliar as questões relacionadas à saúde e segurança do trabalhador, deve-se sempre priorizar um conjunto de ações, ao invés de se ater a uma única solução para reduzir ou atenuar a exposição do trabalhador. 14 3. Medidas genéricas de controle para agentes biológicos Osriscos biológicos ocorrem por meio de microrganismos que, em contato com o homem, podem provocar doenças. Os agentes etiológicos não são de natureza ocupacional. Todavia, a ocorrência da doença no trabalho depende das condições ou circunstâncias em que este é executado, da exposição ocupacional, que favorece o contato, o contágio ou a transmissão, e do tempo de exposição. As consequências para a saúde do trabalhador, em função da exposição aos fatores de risco biológico presentes em situações de trabalho, incluem quadros de infecção aguda e crônica, parasitoses e reações alérgicas e tóxicas a plantas e animais. Entre os grupos mais expostos estão os trabalhadores da agricultura (em contato direto com solo ou animais contaminados), da saúde (em contato com pacientes ou materiais contaminados) em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, em atividades de investigações de campo e vigilância em saúde, controle de vetores e aqueles que lidam com animais, entre outros. Para neutralizar ou diminuir os riscos gerados pelos agentes biológicos, podem ser adotadas as seguintes medidas de prevenção: I. Adoção de EPI – Equipamentos de Proteção Individual Com relação ao uso e fornecimento dos EPIs, o artigo 166 da CLT determina: Art. 166–A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, equipamento de proteção individual adequado ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento, sempre que as medidas 15 de ordem geral não ofereçam completa proteção contra os riscos de acidentes e danos à saúde dos empregados. (CLT, 1943. p. 36 -37) A NR-06, aprovada pela Portaria n. 3.214/78, regulamenta deveres e direitos sobre o uso e o fornecimento dos EPIs: 6.6.1. Cabe ao empregador quanto ao EPI: b) exigir seu uso; d) orientar e treinar o trabalhador sobre o uso adequado, guarda e conservação; e) substituir imediatamente, quando danificado ou extraviado; f) responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica; e, h) registrar o seu fornecimento ao trabalhador, podendo ser adotados livros, fichas ou sistema eletrônico. 6.7.1. Cabe ao empregado quanto ao EPI: b) responsabilizar-se pela guarda e conservação; c) comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso (BRASIL, 2018, [n. p.]). II. Adoção de EPC – Equipamentos de Proteção Coletiva A NR-09, aprovada pela Portaria n. 3.214, de 8 de junho de 1978, da Lei n. 6.514, de 22 de dezembro de 1977, estabelece, entre outras, as seguintes determinações quanto às proteções coletivas (BRASIL, 2020): 9.3.5.3 A implantação de medidas de caráter coletivo deverá ser acompanhada de treinamento dos trabalhadores quanto os procedimentos que assegurem a sua eficiência e de informação sobre as eventuais limitações de proteção que ofereçam (BRASIL, 2020, [n. p.]). 9.3.5.4 Quando comprovado pelo empregador ou instituição a inviabilidade técnica da adoção de medidas de proteção coletiva ou quando estas não forem suficientes ou encontrarem-se em fase de estudo, planejamento ou implantação, ou ainda em caráter complementar ou emergencial, deverão ser adotadas outras medidas, obedecendo-se à seguinte hierarquia: a) medidas de caráter administrativo ou de organização do trabalho; 16 b) utilização de equipamento de proteção individual – EPI (BRASIL, 2020, [n. p.]). Como você pode perceber, essas são medidas de ordem geral com relação aos agentes biológicos, porém, veja, a seguir, algumas das principais formas de proteção contra esses agentes, de acordo com a publicação do Ministério da Economia, Secretaria Especial da Previdência e Trabalho, intitulada Riscos Biológicos–Guia Técnico – Os riscos biológicos no âmbito da NR-32 (BRASIL, 2008), são: a) Utilização de barreiras ou obstáculos: esse tipo de proteção deverá ser utilizado por meio da instalação de barreiras ou obstáculos entre a fonte geradora e o trabalhador, onde o agente transmissor sejam gotículas ou aerossóis e sua transmissão ocorra por via aérea. Alguns exemplos desse tipo de proteção são os sistemas de ar com pressão negativa, anteparos de vidro entre paciente e trabalhador, isolamento do paciente, uso de máscaras, face shield, como visto na Figura 3, entre outros. Figura 3 – Utilização de máscara e face shield como forma de proteção contra agentes biológicos Fonte: FG Trade/ iStock.com. https://www.istockphoto.com/br/portfolio/FrazaoStudio?mediatype=photography 17 b) Prevenção do contato com sangue: as medidas de prevenção ao trabalhador que mantenha contato por via sanguínea, deve ser de forma a evitar o contato do trabalhador com o sangue. c) Adotar procedimentos de segurança, capazes de controlar a exposição do agente, como, por exemplo, o uso de sistemas fechados e recipientes fechados na hora de coletas, enclausuramento, ventilação local exaustora, cabines de segurança biológica, segregação de materiais e resíduos, dispositivos de segurança em perfurocortantes e recipientes adequados para descarte destes perfurocortantes. d) Redução da concentração do agente no ambiente: medidas como o isolamento de pacientes; a definição de enfermarias para pacientes com a mesma doença; concepção de ambientes com pressão negativa, instalação de ventilação geral diluidora são capazes de reduzirem a concentração dos contaminantes nos ambientes (BRASIL, 2008). Referências BORRÉ, R. L. Sistema de ventilação em ambiente industrial. [ Monografia, Pós- Graduação Lato Sensu em Engenharia Industrial. Departamento de Ciências Exatas e Engenharias. Panambi: Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2013. BRASIL. Receita Federal. Instrução normativa n. 1, de 11 de abril de 1994. Disponível em: http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link. action?idAto=12652&visao=anotado. Acesso em: 4 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR-06: Equipamento de Proteção Individual – EPI. Brasília, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e- previdencia/pt-br/lixo/images/Documentos/SST/NR/nr-06-atualizada-2018.pdf/view. Acesso em: 4 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR-09: Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos. Brasília, 2020. Portaria SEPRT n. 6.735, de 10 de março de 2020. Disponível em: https://www.gov. br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de- trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr- 09-atualizada-2020.pdf. Acesso em: 4 fev. 2022. http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=12652&visao=anotado http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/link.action?idAto=12652&visao=anotado https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/lixo/images/Documentos/SST/NR/nr-06-atualizada-2018.pdf/view https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/lixo/images/Documentos/SST/NR/nr-06-atualizada-2018.pdf/view https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2020.pdf https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2020.pdf https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2020.pdf https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-09-atualizada-2020.pdf 18 BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR-17: Ergonomia. Brasília, 2018. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/ orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ normas-regulamentadoras/nr-17.pdf/view. Acesso em: 4 fev. 2022. BRASIL. Riscos Biológicos– Guia técnico: os riscos biológicos no âmbito da Norma Regulamentadora n. 32. Brasília, 2008. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho/ pt-br/escola/cartilhas-manuais-publicacoes/guia-tecnico-de-riscos-biologicos-nr-32- ano-2008.pdf/view. Acesso em: 4 fev. 2022. BRASIL. Consolidação das Leis Trabalhistas e normas correlatas. Decreto-Lei n. 5.452, de 1 de maio de 1943. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/del5452.htm. Acesso em: 4 fev. 2022. MACINTYRE, A. J. Ventilação industrial e controle da poluição. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1990. MOREIRA, A. B. Análise da operação de sistemas de ventilação industrial visando à eficiência energética. Dissertação de Mestrado em Engenharia Elétrica. Pós-Graduação em Engenharia Elétrica.–. Fortaleza: Universidade Federal do Ceará, 2006. RUAS, A. C. Avaliação de conforto térmico contribuição à aplicação prática das normas internacionais. Dissertação de Mestrado em Engenharia Civil. Pós- Graduação da Faculdade de Engenharia Civil -. Campinas: Universidade Estadual de Campinas, 1999. https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-17.pdf/view https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-17.pdf/view https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-17.pdf/view https://www.gov.br/trabalho/pt-br/escola/cartilhas-manuais-publicacoes/guia-tecnico-de-riscos-biologicos-nr-32-ano-2008.pdf/view https://www.gov.br/trabalho/pt-br/escola/cartilhas-manuais-publicacoes/guia-tecnico-de-riscos-biologicos-nr-32-ano-2008.pdf/view https://www.gov.br/trabalho/pt-br/escola/cartilhas-manuais-publicacoes/guia-tecnico-de-riscos-biologicos-nr-32-ano-2008.pdf/view http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del5452.htm 19 Generalidades sobre ventilação natural local exaustora Autoria: Audennille Marinho de Almeida Leitura crítica: Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Objetivos • Compreender e analisar a importância da ventilação natural e local exaustora no ambiente de trabalho. • Verificar os principais componentes e variáveis que influenciam um sistema de ventilação natural e local exaustora. • Por meio de exemplos práticos, aprender os fundamentos e elementos-chave abordados nestes temas, a fim de, futuramente, aplicar em sua vida profissional de forma eficiente e sustentável. 20 1. Ventilação natural Neste momento você conhecerá os conceitos e técnicas relacionadas a ventilação natural; ventilação local exautora; os componentes de um sistema de ventilação local exaustora, assim como terá a oportunidade de verificar exemplos práticos como forma de aprofundar seus conhecimentos. Na ventilação natural, o deslocamento de ar é realizado sem que haja recursos mecânicos para tal, ou seja, por meio da atuação de agentes físicos, pressão dinâmica e temperatura, ocorre a movimentação do ar num determinado ambiente, e esta movimentação é controlada através de aberturas no teto, nas laterais (janelas) e no piso (BORRÉ, 2013). Veja um esquema básico de um circuito de ventilação natural, na da Figura 1. Figura 1 – Sistema de ventilação natural Fonte: elaborada pelo autor. • Ainda segundo o mesmo autor, mesmo sendo um sistema muito antigo, é muito utilizado por possuir um baixo custo de instalação, manutenção e consumo de energia. Por ser um sistema em que há dependência de forças naturais para controlar a climatização interna de um ambiente, por meio das trocas de ar pelas aberturas, possui várias limitações. Sendo assim, é importante ressaltar que existem 21 alguns fatores limitantes para a implementação de um sistema de ventilação natural, destacados abaixo (BORRÉ, 2013): Movimentação do ar por conta da ação do vento. • Movimentação do ar por conta da diferença de temperaturas. • Movimentação do ar por meio da ação conjunta entre o vento e a diferença de temperaturas. Sendo assim, algumas medidas devem ser tomadas ao se projetar as entradas e saídas de ar. Com relação a entrada de ar, deve haver a preocupação em manter estas aberturas voltadas para o lado dos ventos predominantes (zona de pressão positiva) (MACINTYRE, 1990). Já no caso das saídas de ar, deve haver a preocupação em manter as aberturas destas saídas em regiões de baixa pressão exterior (MACINTYRE, 1990), como, por exemplo: • Fazer a instalação dessas aberturas nas paredes laterais à fachada, para que, dessa forma, receba ação dos ventos predominantes. • Fazer a instalação dessas aberturas na parede oposta àquela que recebe a ação dos ventos predominantes. Antes mesmo de se instalar um sistema de ventilação natural, é preciso ter em mente que as condições climáticas variam muito, ou seja, os ventos nunca são os mesmos ao longo do dia e do ano, fazendo com que haja uma variação em sua intensidade e direção. Dessa forma, há que se fazer um estudo bem detalhado antes de sua instalação, já que, por virtude da ação dos ventos, não ofereça condições de uniformidade, porém, pode ser implementado, mas com premissas de que o ar interno não contenha poluentes (MACINTYRE, 1990). Outro aspecto muito relevante na implementação de sistema de ventilação natural, é que este deve ser considerado já no projeto de 22 qualquer edificação onde a diferença entre as pressões internas do interior do ambiente e do exterior do prédio ofereçam resistência à passagem do ar pelas aberturas, superfície iluminante natural do ambiente, área de ventilação natural e diferença de elevação entre altura média das tomadas e das saídas de ar (MACINTYRE, 1990). Veja na Figura 2 mais um esquema de ventilação natural. Figura 2 – Ventilação natural com deslocamento de ar através de portas e janelas Fonte: elaborado pelo autor. Ao pensar na instalação de um sistema de ventilação, deve-se priorizar a instalação de um sistema de ventilação natural, tanto por possuir um baixo custo inicial quanto tantos outros, lembrando que haverá casos em que não será possível por questões técnicas, como, por exemplo, aspectos relacionados ao tipo de atividade desenvolvida nessa indústria, pela presença de poluentes, por ser um local fechado, ou a própria planta da edificação não ser capaz de conter aberturas, sendo assim, deve-se se implementar um sistema de ventilação mecânica nestes casos (MACINTYRE, 1990). 2. Sistema de ventilação local exaustora (SVLE) Um sistema de ventilação local exaustora tem como função retirar os poluentes (gases, vapores ou poeiras tóxicas) de um determinado 23 ambiente, para que os mesmos não venham a entrar em contato ou se dispersem no ar deste ambiente (MACINTYRE, 1990). Ainda segundo Macintyre (1990), por ser um sistema de ventilação capaz de extrair do ambiente ocupacional determinados poluentes, este tipo de sistema se faz extremamente importante nos quesitos relacionados ao bem-estar, saúde e segurança dos trabalhadores. Veja abaixo algumas aplicações do sistema de ventilação local exaustora em um ambiente industrial: • Captura boa parte do calor gerado nos ambientes por fontes quentes como: máquinas e equipamentos. • Os poluentes capturados são tratados por meio da utilização de filtros, lavadores, entre outros, de forma que os mesmos não sejam emitidos ao ambiente e nem prejudiquem a população vizinha. Para que esse tipo de sistema seja implementado, é necessário levar em consideração alguns aspectos, tendo em vista que sua instalação pode não ser tão viável na prática, sendo assim, deve-se atentar quanto a priorizar a saúde e segurança dos trabalhadores, mediante a adotar todas as premissas da engenharia para que se possa ter eficiência com menor custo possível. Entretanto, esses sistemasde ventilação podem apresentar falhas, mesmo tomando-se todos os cuidados de projeto, e isso pode fazer com que ele se torne inoperante, por um simples descuido, por exemplo, na não observação de regras simples na captação de poluentes na fonte (MACINTYRE, 1990). Veja na Figura 3 como funciona um sistema de ventilação local exaustora. 24 Figura 3 – Sistema de ventilação local exaustora (SVLE) Fonte: elaborada pelo autor. 2.1 Componentes de um sistema de ventilação local exaustora • De acordo com Leoncio e Lima (2017), os principais elementos que compõem os sistemas de ventilação local exaustora são: captor, dutos, coletor e ventilador, com as descrições a seguir: Captor: responsável pela captura de ar contaminado, fica localizado na entrada de ar do sistema de ventilação, ou seja, na fonte de emissão dos gases. • Rede de dutos: responsável por fazer o transporte dos gases coletados na fonte de emissão até seu tratamento e/ou descarte. 25 • Coletor: são equipamentos responsáveis pela retenção de poluentes, de modo que esses poluentes sejam impedidos de serem lançados na atmosfera. São exemplos de coletores: coletores de partículas, filtros, lavadores de gases e vapores, precipitadores eletrostáticos. Eles podem ser instalados antes ou depois do ventilador. • Ventilador: pode ser chamado também de exaustor e é responsável por fazer o deslocamento dos gases, gerando uma diferença de pressão entre captor e a saída do sistema. • Chaminé: responsável por fazer o descarte dos gases para atmosfera. Veja, na Figura 4, como estão distribuídos em um SVLE. Figura 4 – Componentes de um SVLE Fonte: elaborada pelo autor. É importante ressaltar que uma estrutura de um SVLE pode ter diversas formas, de acordo com a atividade a ser realizada. 26 2.2 Variáveis que influenciam o dimensionamento de um captor Como você pode observar na imagem anterior (Figura 4), o captor está localizado na entrada da emissão dos contaminantes no sistema de ventilação local exaustora. Antes de dimensionar e escolher um captor, deve-se levar em consideração dois aspectos: questões ambientais e como será desenvolvida as atividades por parte dos trabalhadores. Sendo assim, deve-se ter um cuidado especial com as seguintes variáveis para realizar o dimensionamento de um captor (FUNDACENTRO, 1996): • Vazão de controle. • Velocidade de controle. • Velocidade de fresta. • Velocidade de transporte nos dutos. • Velocidade de face. • Correntes cruzadas. 2.3 Tipos de ventiladores Os ventiladores podem ser classificados de acordo com critérios que vão desde o número de estágios, o nível de pressão, até sua estrutura construtiva. Veja abaixo os critérios adotados em cada classificação para se estabelecer o tipo de ventilador. Segundo o nível de pressão que desenvolvem, podem ser do tipo: baixa pressão, média pressão, alta pressão e muito alta pressão. O Quadro 1, descreve a classificação dos ventiladores e os níveis de pressão exercidos conforme este critério. 27 Quadro 1 – Classificação dos ventiladores de acordo com o nível de pressão Classificação do ventilador Pressão exercida Baixa pressão. Até 1,97 kPa. Média pressão. 1,97 kPa a 7,85 kPa. Alta pressão. 7,85 kPa a 24,52 kPa. Muito alta pressão. 24,52 kPa a 98,07 kPa Fonte: adaptado de Macintyre (1990). De acordo com a estrutura construtiva, os ventiladores são divididos em: Figura 5 – Classificação dos ventiladores quanto a estrutura construtiva Fonte: elaborada pelo autor. • Axiais: são caracterizados por possuírem uma hélice acoplada em uma armação de controle de fluxo, juntamente com um motor apoiado por bases normalmente fixadas à estrutura dessa armação. 28 • Centrífugos: comumente conhecidos como radiais, se constituem basicamente de três componentes: rotor, carcaça de conversão de pressão e um motor. O seu mecanismo de funcionamento é da seguinte forma: o ar entra na área central do rotor em movimento na entrada e é logo acelerado pelas palhetas, sendo impulsionado da periferia do rotor para fora da abertura de descarga. • Mistos: como o próprio nome sugere, é a combinação entre o radial (centrífugo) e o axial, onde o fluxo penetra no rotor axialmente e escoa formando um ângulo entre 30° a 80° com o eixo de rotação. De acordo com a forma das pás, a classificação dos ventiladores é: • Pás radiais retas. • Pás radiais para trás. • Planas ou curvas. • Pás inclinadas para frente. • Pás curvas de saída radial. Classificação dos ventiladores de acordo com o número de rotores tem dois grupos, como segue: • Um único rotor. • Dois rotores num único eixo. 2.4 O uso de ventiladores em cozinha industrial Você já parou para pensar o quanto pode ser desagradável estar em um ambiente muito quente e que possa oferecer riscos à sua saúde? 29 Uma ótima alternativa para evitar este tipo de situação seria o uso de exaustores, pois são indispensáveis em ambientes que contenham pouca circulação de ar, conseguindo manter a ventilação controlada e livres de poluentes, tornando, assim, um ambiente salutar. Um exemplo de ambiente deste tipo são as cozinhas, pois são locais muito quentes, com presença de gordura e fumaça, tudo isso fruto da cocção de alimentos, mais precisamente de frituras e grelhados, que logo se expandem para os locais mais próximos. Por ser um ambiente com pouca ventilação, esses cheiros e gases demoram a sair do ambiente (SICFLU, 2021). Para auxiliar nesse processo de renovação de ar e melhorar o conforto térmico do ambiente, utilizam-se exaustores, com destaque para três tipos no uso de cozinhas industriais: exaustor centrífugo, exaustor axial e exaustor de transmissão. Cada um deles possui uma especificidade diferente, como segue abaixo. • Exaustor centrífugo: suas pás são do tipo curvadas para trás, de modo que não acumulam gordura e possuem local de acessível para sua higienização e manutenção. Por ser de fácil higienização, manutenção, ser silencioso e possuir uma vida útil longa, é o mais indicado para utilização em cozinhas. • Exaustor de transmissão: muito indicado no uso de captação de poluentes em sistemas de coifas e churrasqueiras, por exemplo, o exaustor de transmissão com correia tem uma menor pressão de ar se comparado com o exaustor centrífugo, e não é indicado para a captação de fuligem. • Exaustor axial: é uma opção quando se tem uma cozinha pequena, podendo ser instalado nas paredes ou teto para melhorar a circulação do ar. Entretanto, não deve ser utilizado em cozinhas industriais, mesmo possuindo um baixo custo, pois são de difícil higienização, manutenção e possuem um nível alto de ruído (CIA DOS EXAUSTORES, 2021). 30 Vale ressaltar que para a implementação de um sistema de ventilação, além de conhecer o tipo ideal de ventilador/ exaustor a ser utilizado, você deverá conhecer e atender as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), entre elas, a NBR 13103 – Instalação de aparelhos a gás para uso residencial – Requisitos e legislações específicas locais e das distribuidoras de Gás Natural e GLP, pois tratam minuciosamente sobre como devem ser a instalação e manutenção dos ventiladores/ exaustores, dutos de ventilação, chaminés; as atribuições e responsabilidades; entre outros. Neste material, você teve a oportunidade de verificar o que é um sistema de ventilação natural e seu princípio de funcionamento, assim como os mecanismos e componentes de um SVLE. Verificou quais as variáveis que podem influenciar na escolha de um captor e quais os tipos de ventiladores segundo os níveis de pressão, estrutura construtiva, número de pás, entre outros. Por fim, pode conhecer na prática o uso desses ventiladores conforme a especificação de cada um, de forma a, futuramente, aplicar em sua vida profissional. Referências ABNT. NBR 10131:2015–Bombas hidráulicas de fluxo. Disponível em: https://www. abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=337450. Acesso em: 4 fev. 2022. BORRÉ, R. L. Sistema de ventilação em ambienteindustrial. Monografia, Pós- Graduação Lato Sensu em Engenharia Industrial. Departamento de Ciências Exatas e Engenharias. Panambi: Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, 2013. BRASIL. Fundação Jorge Duprat Figueiredo de Segurança e Medicina do Trabalho. Ventilação local exaustora em galvanoplastia. São Paulo, 1996. CIA DOS EXAUSTORES. Cia dos Exaustores–Soluções em exaustores. Sistema de ventilação para cozinha industrial. Disponível em: https://www.ciadosexaustores. com.br/informacoes/sistema-ventilacao-cozinha-industrial.php#:~:text=O%20 exaustor%20%C3%A9%20um%20dos,um%20baixo%20n%C3%ADvel%20de%20 ru%C3%ADdo. Acesso em: 4 fev. 2022. https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=337450 https://www.abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=337450 https://www.ciadosexaustores.com.br/informacoes/sistema-ventilacao-cozinha-industrial.php#:~:text=O% https://www.ciadosexaustores.com.br/informacoes/sistema-ventilacao-cozinha-industrial.php#:~:text=O% https://www.ciadosexaustores.com.br/informacoes/sistema-ventilacao-cozinha-industrial.php#:~:text=O% https://www.ciadosexaustores.com.br/informacoes/sistema-ventilacao-cozinha-industrial.php#:~:text=O% 31 LEONCIO, F. R.; LIMA, L. E. M. Análise do captor num sistema de ventilação local exaustora para remoção de fumos metálicos de uma estação de soldagem. 1 Congresso Nacional de Engenharia e Tecnologia (CONET). Ponta Grossa: UTFPR-PG, 2017. MACINTYRE, A. J. Ventilação industrial e controle da poluição. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 1990. SICFLUX. Sicflux – Ar em movimento. Importância dos exaustores de cozinhas comerciais e industriais. Disponível em: https://sicflux.com.br/blog/importancia- dos-exaustores-de-cozinhas-comerciais-eindustriais/. Acesso em: 4 fev. 2022. https://sicflux.com.br/blog/importancia-dos-exaustores-de-cozinhas-comerciais-eindustriais/ https://sicflux.com.br/blog/importancia-dos-exaustores-de-cozinhas-comerciais-eindustriais/ 32 Agentes biológicos: do reconhecimento ao controle Autoria: Audennille Marinho de Almeida Leitura crítica: Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Objetivos • Conhecer e compreender os conceitos que envolvem os agentes biológicos. • Analisar/ reconhecer os riscos biológicos. • Verificar os principais impactos causados pelos agentes biológicos aos trabalhadores e as formas de prevenção. 33 1. Exposição a agentes biológicos Os agentes ambientais podem ser classificados tradicionalmente em três categorias, agentes químicos, físicos e biológicos, mas podem, ainda, ter os riscos ergonômicos e de acidentes (SESI, 2007). Aqui, em especial, serão estudadas as questões relacionadas aos agentes biológicos, que quais podem estar expostos os trabalhadores. De acordo com a NR-32 – Segurança e Saúde no Trabalho em Serviços de Saúde, considera-se risco biológico a probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos, considerados como os microrganismos, geneticamente modificados ou não, as culturas de células, os parasitas, as toxinas e os príons (BRASIL, 2019b). No tocante ao adicional de insalubridade para o risco biológico, a legislação vigente, por meio da NR-15 – Atividades e Operações Insalubres, estabelece a relação de atividades que podem ensejar tal direito, que demandam de avaliação qualitativa para caracterização da existência ou não dessa condição no ambiente de trabalho (BRASIL, 2019a): A NR-15, aprovada pela Portaria n. 3.214/78 e atualizada em 2019, regulamenta quanto ao grau de insalubridade as seguintes atividades: Insalubridade de grau máximo Trabalho ou operações, em contato permanente com: Pacientes em isolamento por doenças infectocontagiosas, bem como objetos de seu uso, não previamente esterilizados. (BRASIL, 2019a, p. 109- 110). Insalubridade de grau médio 34 Trabalhos e operações em contato permanente com pacientes, animais ou com material infecto-contagiante, em: Hospitais, serviços de emergência, enfermarias, ambulatórios, postos de vacinação e outros estabelecimentos destinados aos cuidados da saúde humana (aplica-se unicamente ao pessoal que tenha contato com os pacientes, bem como aos que manuseiam objetos de uso desses pacientes, não previamente esterilizados). (BRASIL, 2019a, p. 109-110). Os riscos biológicos ocorrem por meio de microrganismos que, em contato com o homem, podem provocar doenças. Os agentes etiológicos não são de natureza ocupacional. Todavia, a ocorrência da doença no trabalho depende das condições ou circunstâncias em que este é executado, da exposição ocupacional, que favorece o contato, o contágio ou a transmissão, e do tempo de exposição. As consequências para a saúde da exposição do trabalhador a fatores de risco biológico, presentes em situações de trabalho, incluem quadros de infecção aguda e crônica, parasitoses e reações alérgicas e tóxicas a plantas e animais (MENDES, 2003). Entre os grupos mais expostos estão os trabalhadores da agricultura (em contato direto com solo ou animais contaminados), da saúde (em contato com pacientes ou materiais contaminados), em centros de saúde, hospitais, laboratórios, necrotérios, em atividades de investigações de campo e vigilância em saúde, controle de vetores, aqueles que lidam com animais, entre outros (MENDES, 2003). 1.1 Principais agentes biológicos a. Bactérias: Vários são os tipos de bactérias e podemos diferenciá-las conforme seu metabolismo, seu habitat e sua forma. São seres unicelulares, visíveis ao microscópio óptico. Existem algumas espécies de bactérias chamadas 35 de bactérias do bem, pois ajudam a vida do planeta, das pessoas e dos animais. Essas espécies de bactérias do bem auxiliam no processo de digestão, são as bactérias da nossa microbiota intestinal (Figura 1), mas existem muitas espécies patogênicas para o homem, aquelas que provocam doenças, como cólera, difteria, brucelose e tuberculose, entre outras (IFSC, 2020). Figura 1 – Bactérias intestinais Fonte: wildpixel/ istok.com. b. Vírus: Podem ser caracterizados como formas particulares de vida, devido ao fato de não possuírem células. São agentes invisíveis ao microscópio óptico, filtráveis. São visíveis ao microscópio eletrônico e obrigatoriamente intercelulares, isto é, só se multiplicam e desenvolvem no interior de células vivas. São partículas com várias formas geométricas características (Figura 2). Uma célula hospedeira é capaz de armazenar centenas de novos vírus, que foram originados de forma muito rápida por uma única partícula viral infectante (IFSC, 2020). 36 As doenças provocadas por vírus denominam-se viroses, sendo exemplos: gripe, bronquite, febre amarela, raiva, hepatites A, B e C, AIDS, dentre outras. Figura 2 – Imagem do vírus SARS-CoV- 2 Fonte: JONGHO SHIN/ iStok.com. c. Fungos: São seres vivos, uni ou pluricelulares, que podem provocar doenças no homem. As doenças provocadas por fungos denominam-se micoses (Figura 3), destacando-se: dermatofitoses, histoplasmoses, mucormicoses, entre outras (IFSC, 2020). Figura 3 – Doença causada por fungos (Dermatofitose) Fonte: frank600/ iStok.com. 37 d. Protozoários: Os protozoários são, normalmente, unicelulares, eucariotas. Uma de suas características é que, em meio líquidos, se diferenciam dos fungos ao se movimentarem utilizando cílios ou flagelos, como mostra a Figura 4 (IFSC, 2020). Em contato com os trabalhadores no ambiente laboral, podem causar doenças como giardíase ou mesmo doença de chagas (SISTEMA ESO, 2021). Figura 4 – Protozoário Fonte: NNehring/ iStok.com. 1.2 Principais vias de transmissão É o caminho que o agente biológico percorre do local da exposição até o hospedeiro (BRASIL, 2008). Pode ser direta ou indireta. • Direta: a transmissão ocorre sem a intermediação de veículos ou vetores. Exemplo: contato com mucosa dos olhos; transmissão por meio de gotículas etc. (BRASIL, 2008). 38 • Indireta: a transmissão ocorre com a intermediação de um veículo ou vetor. Exemplo: contato com as mãos; luvas; roupas; instrumentos; superfíciesetc. (BRASIL, 2008). 1.3 Transmissibilidade, patogenicidade e virulência O reconhecimento da transmissibilidade, patogenicidade e virulência dentro do programa de prevenção de riscos ambientais (PPRA), ajudarão na prioridade da adoção de medidas preventivas, pois, conforme for o nível de tais características, mais emergenciais ou não deverão ser implementadas ações de proteção. Transmissibilidade: capacidade de transmissão de um agente biológico a um hospedeiro. Intervalo de tempo de transmissão em que um organismo é capaz de repassar um agente biológico. Patogenicidade: é quando um hospedeiro, potencialmente suscetível é acometido por uma doença por meio de um agente biológico. Virulência: se refere à quanto agressivo é o agente biológico, ou seja, podemos ter casos de alta virulência de um agente em que um indivíduo pode desenvolver uma forma grave ou fatal de uma doença. A virulência tem muito a ver com a capacidade de o agente invadir, se manter e proliferar, superar as defesas e, em algumas situações, originar toxinas (BRASIL, 2008). As medidas de proteção a serem adotadas com relação a transmissibilidade, patogenicidade e virulência, devem ser conforme seu grau e sua exposição, por exemplo, se existe alta transmissibilidade, alta patogenicidade e alta virulência a um agente, devem ser tomadas medidas emergenciais, mas se há baixa virulência ao agente, as medidas de proteção são menos emergenciais (BRASIL, 2008). 39 1.4 Principais vias de exposição ou entrada As principais vias de transmissão de agentes biológicos são as vias de contato e vias respiratória, porém, podendo, ainda, ser por inoculação intravenosa, intramuscular, subcutânea ou por ingestão (BRASIL, 2008). Na Cartilha de Proteção Respiratória contra Agentes Biológicos para Trabalhadores de Saúde, publicação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), é definido que: O doente ou portador, quando fala, tosse ou espirra, dispersa agentes etiológicos de doenças de transmissão aérea. Deste modo, qualquer pessoa pode ser exposta a esses agentes quando em contato com o doente ou portador, ao entrar em ambientes contaminados, ou ainda ao realizar procedimentos nestas pessoas. (BRASIL, 2009, p.11) Em se tratando de trabalhadores de estabelecimentos de saúde, ainda segundo a mesma cartilha, é apresentado que: O Trabalhador de Saúde, pela própria característica de suas atividades, tem contato direto com pacientes e portadores de diferentes agentes etiológicos, tornando-se mais vulnerável à infecção por esses agentes. (BRASIL, 2009, p. 10) As principais vias de exposição aos agentes biológicos são: a. Via cutânea: É uma das mais importantes vias de exposição humana, uma vez que as paredes foliculares e as glândulas sebáceas possuem elevada permeabilidade, o que facilita a entrada dos agentes biológicos no organismo humano. Em geral, as substâncias biológicas no estado líquido, ou dissolvidas, têm maior facilidade em atravessar a epiderme, que as substâncias sólidas. b. Via respiratória: 40 As substâncias biológicas prejudiciais à saúde, sob a forma de gotículas ou aerossóis, penetram no sistema respiratório superior através do nariz, garganta, traqueia e brônquios. As gotículas são partículas com tamanho maior que 5μm (BRASIL, 2009) e podem atingir a via respiratória alta, ou seja, mucosa das fossas nasais e mucosa da cavidade bucal através da tosse, espirro, conversação com o paciente, ou na realização de diversos procedimentos de enfermagem como: inalação do paciente, aspiração etc. A transmissão por gotículas pode gerar doenças como: caxumba, coqueluche, difteria, faringite, infecção por influenza A, B ou C, pneumonia, entre outras. No caso dos aerossóis, as partículas são menores, permanecem suspensas no ar por longos períodos de tempo e, quando inaladas, podem penetrar mais profundamente no trato respiratório. A transmissão por aerossóis pode gerar doenças como: sarampo, tuberculose, varicela, entre outras. Em termos de limites de tolerância, os valores disponíveis na legislação internacional são apenas referências que representam níveis de exposição aceitáveis, e que permitem verificar quando a concentração de uma substância quantificada no local de trabalho pode causar alterações da saúde. Não podem ser considerados como limites precisos entre situações perigosas ou não perigosas. Sendo assim, resta avaliar qualitativamente a exposição do trabalhador, de forma a identificar exposições que estejam ou não em condição de causar danos à sua saúde. 2. Principais vias de proteção aos agentes biológicos Você já parou para pensar em como pode ser o percurso de um risco, seja físico, químico ou biológico? Onde você aplicará as medidas de 41 prevenção? Para isso, você deve estar ciente do percurso que o agente pode fazer. Os riscos podem ser tratados na fonte geradora, na trajetória do agente ou no próprio trabalhador (Figura 5), veja: • Fonte geradora: é onde o agente insalubre se origina. No caso de agentes biológicos, esses são produzidos, principalmente, na área da agricultura, abatedouros, necrotérios, indústrias de bebidas e alimentos, indústria de saneamento e em espaços confinados. • Trajetória dos agentes: quando não é possível eliminar na fonte ou reduzir a níveis toleráveis, temos a opção de impedir que tais agentes cheguem até o trabalhador ou ao menos que seja reduzido o limite de exposição de acordo com a NR-15. Um exemplo de controle de agente na trajetória pode ser: para ruído (agente físico), podem ser usadas barreiras acústicas e no caso dos fumos metálicos (agente químico) podem ser usados exaustores para diminuir o contato da fonte até o trabalhador. • No trabalhador: quando as medidas na fonte geradora e na trajetória dos agentes forem insuficientes ou, ainda, se o trabalho estiver relacionado diretamente à exposição a esses agentes, deve-se proteger o trabalhador com o uso dos EPIs necessários à cada situação. Exemplos de proteção no trabalhador são: uso de avental, máscaras, óculos de proteção, sapatos fechados etc. Mesmo sabendo que os riscos podem ser tratados dessas três formas, você deve saber também que as medidas de controle são mais eficazes quando obedecida a seguinte ordem de prioridade: https://conect.online/blog/o-que-e-espaco-confinado/ https://conect.online/blog/o-que-e-espaco-confinado/ 42 Figura 5 – Hierarquia das medidas de proteção Fonte: elaborada pelo autor. Veja, agora, alguns exemplos específicos de proteção contra os agentes biológicos. É importante ressaltar que essas medidas podem variar conforme o tipo de agente, a chance de contaminação e o risco que oferece: • Higienização e desinfecção constante das mãos, roupas e ambientes. • Reduzir o número de trabalhadores expostos aos riscos. • Criar procedimentos para todos os processos (manuseio, estoque, transporte e uso de objetos perfurocortantes). • Fazer o descarte correto dos resíduos e utensílios utilizados, que, porventura, ofereçam riscos. • Implementar sistemas de esterilização de ar. • Fazer o uso do EPI adequado: luvas, toucas, máscaras; jalecos de manga longa e sapatos que possam ser utilizados apenas no ambiente de trabalho. • Implementar e monitorar as premissas estabelecidas pela norma regulamentadora NR-32. https://storage.googleapis.com/onsafety-anexos/normas/nr-32.pdf 43 Existem também outras formas de prevenção para os agentes biológicos, como, por exemplo, quando há contato direto com o sangue. Nesse caso, as formas de prevenção podem ser por meio do uso de desinfetantes na higienização de locais com respingos de sangue ou de material biológico; precauções apropriadas no laboratório, durante a coleta de amostras, transporte de materiais contaminados em recipientes impermeáveis e resistentes e a marcação com identificação e como material oriundo de pacientes com Aids (SIEGEL et al., 2007). 3. Como caracterizar a exposição aos agentes biológicos A exposição aos agentes biológicospode ser caracterizada como insalubre ou não, por meio de laudo pericial, que deverá ser elaborado por um profissional qualificado, como, por exemplo, engenheiro de segurança do trabalho ou médico do trabalho. Conforme a NR-15, os agentes biológicos devem ser avaliados por meio de inspeção no local do trabalho, onde são levantados diversos aspectos que devem considerar que há a exposição a microrganismos capazes de promover doenças devido a contaminação e pela própria natureza do trabalho, tendo em vista que podem causar doenças infectocontagiosas, como hepatite. Podem também causar infecções externas, internas e cutâneas ou sistêmicas (SILVA, 2021). Trabalhadores que se sintam em situação de exposição aos agentes biológicos podem solicitar a perícia judicial, que é a prova técnica pela qual serão levantados fatos que interessam a causa específica. Após o trabalhador solicitar a prova técnica, o juiz designará o perito, que terá acesso aos autos do processo. Após tomar conhecimento do caso, o perito realizará a diligência onde fará o levantamento de informações, como, por exemplo, consultar pessoas que exerçam as mesmas 44 atividades do reclamante (trabalhador que solicitou a perícia), a fim de averiguar fatos relevantes para a causa. Nessa observação e levantamento de dados, o perito buscará, por exemplo, laudo médico para apurar doenças profissionais causadas pelos agentes biológicos e também examinar documentos, como ficha de EPI e de treinamentos. Findada a diligência, o perito deverá elaborar laudo pericial para apresentar ao juiz, e que este deverá ser feito de forma imparcial, baseados em fatos e com embasamento legal. Mediante laudo pericial, o juiz julgará o processo e arbitrará esta atividade em insalubre ou não. Vale ressaltar que ambas as partes, empresa e trabalhador, podem fazer perguntas que deverão ser anexadas ao processo e respondidas pelo perito, em seu laudo. Referências BRASIL. Governo do Estado do Ceará. Escola de Saúde Pública do Ceará. Cartilha de proteção respiratória contra agentes biológicos para trabalhadores de saúde. Ceará, Anvisa, 2009. Disponível em: http://www2.ebserh.gov.br/ documents/214604/816023/t%C3%B3ria+contra+Agentes+Biol%C3%B3gicos+par a+Trabalhadores+de+Sa%C3%BAde.pdf/58075f57-e0e2-4ec5-aa96-743d142642f1. Acesso em: 7 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Escola Nacional da Inspeção do Trabalho (ENIT). NR-15: atividades e operações insalubres. Brasília, 2019a. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/ orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15. Acesso em: 7 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Escola Nacional da Inspeção do Trabalho (ENIT). NR-32: Segurança e saúde no trabalho em serviços de saúde. Brasília, DF: 2019b. Disponível em: <https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/ pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e- saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr-32.pdf>. Acesso em: 7 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Guia técnico da N32. Brasília, 2008. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/ http://www2.ebserh.gov.br/documents/214604/816023/t%C3%B3ria+contra+Agentes+Biol%C3%B3gicos+para+Trabalhadores+de+Sa%C3%BAde.pdf/58075f57-e0e2-4ec5-aa96-743d142642f1 http://www2.ebserh.gov.br/documents/214604/816023/t%C3%B3ria+contra+Agentes+Biol%C3%B3gicos+para+Trabalhadores+de+Sa%C3%BAde.pdf/58075f57-e0e2-4ec5-aa96-743d142642f1 http://www2.ebserh.gov.br/documents/214604/816023/t%C3%B3ria+contra+Agentes+Biol%C3%B3gicos+para+Trabalhadores+de+Sa%C3%BAde.pdf/58075f57-e0e2-4ec5-aa96-743d142642f1 https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15 https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15 https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15 https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho 45 orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/manuais-e-publicacoes/guia_ tecnico_de_riscos_biologicos_nr_32.pdf/view. Acesso em: 7 fev. 2022. INSTITUTO FEDERAL SANTA CATARINA. Vírus, bactérias, fungos, protozoários: qual a diferença entre os micro-organismos. Blog do IFSC, vinte e quatro de junho de dois mil e vinte. Disponível em: https://www.ifsc.edu.br/conteudo-aberto/-/asset_ publisher/1UWKZAkiOauK/content/id/1959873. Acesso em: 7 fev. 2022. MENDES, R. Patologia do trabalho. São Paulo. São Paulo: Atheneu, 2003. SERVIÇO SOCIAL DA INDÚSTRIA. Confederação Nacional da Indústria (CNI). Departamento Nacional SESI. Técnicas de avaliação de agentes ambientais: manual SESI. Brasília: SESI/DN, 2007. Disponível em: http://www.cpn-nr18.com. br/uploads/documentos-gerais/tcnicas_de_avaliao_de_agentes_ambientais_.pdf. Acesso em: 7 fev. 2022. SIEGEL, J. D.; RHINEHART, E.; JACKSON, M. L. et al. Guideline for Isolation Precautions: Preventing Transmission of Infectious Agents in Healthcare Settings. USA: Healthcare Infection Control Practices Advisory Committee, 2007. 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Agentes químicos Os agentes químicos podem ser classificados em gases, vapores e aerodispersóides, sendo que o grupo destes últimos, podemos subdividir em poeiras, fumos, névoas, neblinas, fibras (SESI, 2007). Outra forma de classificação para agentes químicos, conforme a NR-9, é que são produtos compostos ou substâncias capazes de serem absorvidas pelo nosso trato respiratório, através da inalação de aerodispersóides, gases ou vapores, ou mesmo conforme o tipo de tarefa realizada no período de exposição ao agente, seja através do contato ou por absorção do organismo pela derme, respiração ou ingestão (BRASIL, 2020). Os gases e vapores são substâncias que apresentam a mesma estrutura do ar, logo, conseguem se misturar com muita facilidade ao mesmo. O vapor é gasoso e está em equilíbrio com seu líquido ou sólido correspondente. Poderá retornar ao estado líquido, se aumentarmos sua pressão ou diminuirmos sua temperatura. No caso dos gases, para que sejam liquefeitos, é necessário diminuirmos sua temperatura e aumentarmos sua pressão simultaneamente (FOGAÇA, 2021). Os aerodispersóides se apresentam nas formas sólida ou líquida, suspensos ou dispersos na atmosfera. Duas de suas particularidades são seu tamanho e massa, pois são extremamente pequenos e de massa muito reduzida, porém, merecem atenção especial, tendo em vista os sérios danos que podem causar à saúde do trabalhador, a depender de sua exposição, concentração e tamanho das partículas (CAMISASSA, 2021). As substâncias químicas apresentam toxicologia específica e podem ser agrupadas em famílias químicas, a depender da importância toxicológica de cada uma, como, por exemplo, os hidrocarbonetos aromáticos (SESI, 2007). Quando presentes no ar de um ambiente laboral, essas 48 substâncias contaminantes podem trazer sérios danos à saúde do trabalhador. Sua classificação se dá através de seu estado físico e também pelo efeito fisiológico que exerce no corpo humano. Sendo assim, você, como futuro profissional da área da saúde e segurança do trabalho, deve conhecer e entender tais classificações, a fim de que possa fazer uma avaliação do ambiente laboral de maneira correta, tanto no sentido de definir de que forma as substâncias podem afetar o trabalhador, quanto definir corretamente o melhor método de amostragem. 1.1 Classificação fisiológica dos agentes químicos A classificação fisiológica leva em consideração os efeitos dos agentes químicos no organismo humano. Tanto os contaminantes em forma de partículas, gases e vapores, podem causar efeitos ao homem, e estes são classificados como segue e exemplificado nas Figuras 1 e 2 (PEIXOTO; FERREIRA, 2013): • Incômodas: grupo que compreende as partículas que não contém asbesto (amianto) ou que possuam menos de 1% de teor de com teor de sílica cristalina, não possuem efeito tóxico conhecido, porém, não devem ser consideradas biologicamente inertes (Figura 3). • Fibrogênicas: a capacidade de troca do oxigênio é diminuída devido a alteração da estrutura celular dos alvéolos. • Irritantes: causam irritações, inflamações e ulceram o trato respiratório. • Produtoras de febre: causam ao homem calafrios e febre. • Sistêmicas: causam agravos em órgãos ou sistemas do organismo. 49 • Alergênicas: por produzirem anticorpos, causam reações alérgicas. • Cancerígenas: passado o período latente, podem causar câncer (Figura 4). • Sensibilizantes: são capazes de produzir uma resposta imunológica do organismo a um determinado agente químico. Certos setores industriais fazem o uso de substâncias sensibilizantes, como a indústria da borracha, de corantes e de aditivos de forma geral. • Anestésicos: possuem uma ação depressiva no sistema nervoso central (agem diminuindo a capacidade mental e física, reduzindo a habilidade para a execução de tarefas). • Mutagênicas e teratogênicas: capazes de provocarem mutação e nível celular (mutagênicas) ou alterações genéticas (teratogênicas). Figura 1 – Classificação fisiológica de material particulado e exemplos de contaminantes Fonte: elaborada pelo autor. 50 Figura 2 – Classificação fisiológica dos gases e vapores e exemplos de contaminantes Fonte: elaborada pelo autor. Figura 3 – Trabalho com contaminantes incômodos (material particulado–gesso) Fonte: GeorgePeters/ iStok.com. https://www.istockphoto.com/br/portfolio/GeorgePeters?mediatype=photography 51 Figura 4 – Laringe acometida por câncer de garganta devido a exposição de substâncias cancerígenas Fonte: Lars Neumann/ iStok.com. 1.2 Identificação dos agentes químicos O uso indevido de substâncias químicas pode causar doenças, acidentes e até mesmo a morte. Esse mau uso pode estar atrelado à falta de conhecimento de suas características, no que se refere aos possíveis danos relacionados à concentração permitida por essas substâncias. As medidas de controle aplicáveis, por exemplo, permitem o convívio com seu uso nos processos produtivos das empresas, sem causar danos aos trabalhadores, ao meio ambiente e às organizações. De maneira muito simplificada, a avaliação qualitativa da exposição a agentes químicos é um processo utilizado para determinar o risco de uma certa doença ou acidente associado a cada fator de risco identificado. Se o fator de risco não é identificado adequadamente ou o consenso sobre o que é perigoso não está claramente definido, a avaliação de risco certamente falhará. https://www.istockphoto.com/br/portfolio/Lars_Neumann?mediatype=photography 52 Um profissional da área da saúde e segurança do trabalho, ao realizar o reconhecimento das condições de risco em um ambiente laboral proveniente da exposição a agentes químicos, deve ter ciência de que este processo envolve uma série de fatores que têm o objetivo de caracterizar a existência ou não de problemas que possam causar algum tipo de dano ao trabalhador e, se for comprovada a existência de problemas, esse profissional deverá mensurar o problema, avaliando as possíveis ações necessárias para neutralizar ou diminuir a exposição a este agente. Quando falamos em reconhecer um risco em um ambiente laboral, significa identificar e mensurar os possíveis danos à integridade dos trabalhadores. Em termos de exposição ao risco, o contato com a substância durante a jornada de trabalho pode ocorrer por: inalação, ingestão, ou ainda pelo contato com a pele e olhos. É importante que todas as vias de exposição sejam levadas em consideração na avaliação. O processo de reconhecimento de riscos requer, em sua investigação, levantar todas as prováveis causas de geração e dispersão dos agentes no ambiente, conforme os processos de trabalho envolvidos, os tipos de insumos e produtos químicos utilizados. Dessa forma, pode-se reproduzir uma exposição real, e que deverá ser realizada por meio de observações no local de trabalho. Alguns exemplos, não exaustivos, de agentes químicos que podem oferecer risco para a saúde, bem como de locais onde podem ocorrer, são apresentados no Quadro 1, conforme apresentado abaixo (BRASIL, 2021). 53 Quadro 1 – Exemplos de agentes químicos e outros contaminantes atmosféricos que podem oferecer risco para a saúde dos trabalhadores expostos Forma Agente Situação de produção e/ou utilização Líquida, gasosa ou de partículas. Ácido cianídrico. Galvanoplastia, fumigação. Ácido sulfídrico. Decomposição de matéria orgânica, indústria de rayon pelo processo viscose. Arsênio. Refinação do cobre, fabricação e uso de pesticidas, fabricação de vidro, produtos farmacêuticos, preservação da madeira, indústria do couro etc. Benzeno. Coquerias, indústria química e petroquímica ou como impureza em certos solventes etc. Chumbo. Mineração, refinação, fundição, fabricação de baterias e pilhas, tintas e pigmentos, cerâmica, recuperação de sucata, indústria química etc. Mercúrio. Processo cloro- álcali, equipamentoseletrônicos, fabricação de pilhas, indústria farmacêutica, de pesticidas, termômetros, manômetros, barômetros etc. Monóxido de carbono. Formado em processos de combustão incompleta, motores de combustão interna etc. Solventes (hidrocarbonetos alifáticos, clorados, aromáticos). Indústria química, lavanderia com limpeza a seco, desengraxamento de peças, limpeza de metais etc. 54 Poeiras minerais e vegetais.* Asbesto (utilizado ou removido). Mineração, beneficiamento, manufatura de produtos têxteis de amianto e de lonas de freios, cimento- amianto e sua utilização na construção civil etc. Sílica livre cristalina Mineração (de ouro, cobre), pedreiras de granito ou de arenito, fabricação de abrasivos, fundições, construção civil, utilização de jato de areia etc. Carvão mineral Mineração de carvão. Algodão Preparação, carda e fiação. Sisal Fabricação de cordas. Poeira de madeira Serraria, fábricas de móveis e outros artefatos de madeira, construção civil etc. Fonte: BRASIL, 2021. Todo produto químico vendido deverá acompanhar a Ficha de Informações de Segurança de Produto Químico (FISPQ), que apresenta informações toxicológicas necessárias sobre o produto, como composição química, medidas de prevenção, entre outras. Esse documento, além de trazer informações de extrema importância para assegurar a saúde do trabalhador no manuseio do produto e nas ações de prevenção ao meio ambiente, é uma exigência legal por meio da norma brasileira ABNT NBR 14.725. 2. Amostragem e equipamentos de coleta A avaliação quantitativa dos agentes químicos, fornece informações importantes sobre as características e a forma que o produto reage no ambiente laboral, facilitando as ações preventivas e de controle, diminuindo, assim, seus efeitos na saúde dos trabalhadores. Saber 55 o tempo de amostragem, quantidades de amostras, os tipos de amostragem, o amostrador a ser utilizado e o método de coleta são aspectos cruciais para uma boa avalição. A medição da concentração das substâncias será mais precisa a medida que mais sensível for o equipamento de medição, mais preciso e exato ele for, assim como maior for o número de amostras coletadas. Veja, a exposição a substâncias mesmo que de forma rápida, pode resultar em danos irreversíveis e nesses casos, é possível fazer uma amostragem de curta duração, mas que consiga detectar os picos de concentração dessas substâncias (PEIXOTO; FERREIRA, 2021). A seguir, seguem alguns aspectos que devem ser levados em consideração ao realizar uma coleta para analisar os contaminantes do ar. a. Tempo de amostragem: dependerá da rotina de trabalho e do agente a ser avaliado, porém, existem algumas normas, como as NHO– Norma de Higiene Ocupacional da FUNDACENTRO, NR-15 – Atividades e Operações Insalubres e NIOSH – National Institute for Occupational Safety and Health, norma americana, que estabelece tempos mínimos para amostragem, de acordo com o volume do contaminante a ser coletado. b. Número de amostras: dependerá do tipo de exposição e do objeto da avaliação. Fazer coletas em dias e horários diferentes, aumentará a confiabilidade da exposição. c. Tipos de amostragem: dependerá da posição que o amostrador é posicionado. • Pessoal: o amostrador é posicionado na altura da região respiratória e fica com o trabalhador durante seu dia de trabalho. • Ambiental, de área ou estática: o objetivo dessa amostragem é coletar informações sobre a fonte de emissão do contaminante, dessa forma, o amostrador é fixado em uma região próxima a fonte. 56 Com relação ao tempo que será amostrado, podemos classificar os tipos de amostragem em: • Instantâneas: duram em média menos que cinco minutos e tem o objetivo de verificar o valor máximo de concentração ou os maiores picos. • Contínuas: duram mais que trinta minutos, e quando se deseja uma média ponderada das avalições, são as mais indicadas. 2.1 Tipos de amostradores com relação a passagem de ar Os amostradores com relação a passagem de ar podem ser classificados em ativos e passivos (PEIXOTO; FERREIRA, 2021): • Ativos: utilizam uma bomba de fluxo para fazer a passagem forçado do ar, sendo, assim, possível a coleta do mesmo. • Passivos: a coleta de gases e vapores, por exemplo, é realizada apenas devido a movimentação dessas substâncias de uma área de maior concentração para uma de menor concentração. 2.2 Tipos de meios coletores Os meios coletores deverão ser escolhidos e selecionados conforme o método analítico que será utilizado na coleta da amostra. Deve-se ter o cuidado com aspectos, como prazo de validade, transporte das amostras, entre outros, que se dividem em (PEIXOTO; FERREIRA, 2021): • Filtros de membrana: indicados para a coleta de aerodispersóides. Após realizada a coleta, devem ser enviadas as amostras à laboratório específico para análise. • Sólido absorvente: o contaminante adere a uma superfície sólida. Exemplo: tubos indicadores adsorventes. 57 • Líquido absorvente: o contaminante entra em contato outra fase, normalmente, líquida. 2.3 Tipos de métodos de coleta Os métodos de coleta podem se distinguir pela separação ou não dos contaminantes (PEIXOTO; FERREIRA, 2021), sendo: • Ar total: é feita uma coleta de ar, normalmente. • Com separação de contaminantes: a separação dos contaminantes nas amostras coletadas acontecem por meio de retenção em filtros, absorção em meio líquido, adsorção em meio sólido etc., para serem analisadas em laboratório. 2.4 Tipos de amostradores com relação a leitura da concentração A medida que aumenta o nível de concentração dos agentes químicos no ambiente, aumentam os efeitos nocivos à saúde do homem. Sendo assim, é extremamente importante escolher adequadamente os equipamentos de medição que serão utilizados, para que possam dar bons resultados e precisão nas medições. Dessa forma, a concentração dos agentes químicos pode ser conhecida ou não, imediatamente, por meio de dois tipos de medições, (PEIXOTO; FERREIRA, 2021): • Leitura direta: a concentração dos agentes é conhecida de imediato por meio de leitura direta em superfícies graduadas ou por display de equipamentos. Exemplos: tubo colorimétricos, oxímetros etc. • Leitura indireta: a concentração do agente só é conhecida por meio de análise de laboratório. 58 3. Requisitos legais de exposição A exposição aos agentes químicos pode levar, aos trabalhadores sérios, riscos à saúde. Sendo assim, algumas normas e leis são necessárias para o uso seguro dos produtos químicos. A NR-15 – Atividades e Operações Insalubres, em seu Anexo n. 11, estabelece que: Quaisquer que sejam as atividades ou operações onde os trabalhadores estejam expostos a agentes químicos, ela irá se caracterizar como sendo insalubre quando forem ultrapassados os limites de tolerância aos quais constem no Quadro n. 1 deste Anexo. (BRASIL, 2019ª, [n. p.]) Estabelece também, por meio de seu Anexo n. 13, a relação de atividades e operações envolvendo agentes químicos, consideradas insalubres em decorrência de inspeção realizada no local de trabalho. É citado, no referido anexo, que não fazem parte dessa relação os agentes químicos mencionados nos anexos n. 11 e 12 da NR-15 (BRASIL, 2019a). Outra norma que traz aspectos que visam assegurar a saúde dos trabalhadores ao contato e uso de produtos químicos é a ABNT NBR 14.725-4:2014. Nesta norma, estão presentes informações como a elaboração da Ficha de Identificação de Produtos Químicos (FISPQ), a definição do modelo geral de apresentação da FISPQ; todas as seções que devem conter a FISPQ e como deve ser aplicada ou utilizada. Os agentes químicos, como visto, se apresentam tanto na forma de aerodispersóides, gases ou vapores, trazendo inúmeras consequências aos trabalhadores pela sua exposição, sendo necessário seu controle no ambiente por meio de avaliações quantitativas e qualitativas, para que possam ser adotadas as medidas adequadas ao seu controle, visando minimizar ou neutralizar taisagentes, conforme estabelecidos pela legislação. Sendo assim, devem ser seguidos todos os critérios estabelecidos para garantir melhor eficácia nos resultados das análises. 59 Referências BRASIL. Ministério da Saúde. Organização Pan-Americana da Saúde no Brasil. Doenças relacionadas ao trabalho–Manual de procedimentos para os serviços de saúde. Brasília, 2001. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/ doencas_relacionadas_trabalho1.pdf. Acesso em: 7 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR-9: Avaliação e controle das exposições ocupacionais a agentes físicos, químicos e biológicos. Brasília, DF: 2020. Portaria SEPRT nº 6.735, de 10 de março de 2020. Disponível em: < https://www. gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de- trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/normas-regulamentadoras/nr- 09-atualizada-2020.pdf>. Acesso em: 7 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. Escola Nacional da Inspeção do Trabalho (ENIT). NR-15: atividades e operações insalubres. Brasília, 2019a. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/ orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15. Acesso em: 7 fev. 2022. CAMISASSA, M. Aerodispersóides. Disponível em: https://pt.slideshare.net/Felipe. Abreu/aerodispersides-fibrognicos-e-no-fibrognicos. Acesso em: 7 fev. 2022. FOGAÇA, J. R. V. Mundo da Educação. Diferença entre gás e vapor. Disponível em: https://mundoeducacao.bol.uol.com.br/quimica/diferenca-entre-gas-vapor.htm. 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Poeira Neste material, você conhecerá um pouco mais dos conceitos que envolvem a poeira, que é presente em nosso cotidiano. Exemplos de onde a poeira está presente: ao varrer o chão; na preparação da massa para assentamento de tijolos; ao moer ou cortar materiais cerâmicos; ao trabalhar com grãos de origem vegetal, entre outros. É considerada um agente químico do grupo dos aerodispersóides. Em relação ao agente ocupacional, as poeiras são consideradas pequenas partículas sólidas, suspensas ou que conseguem se manter suspensas no ar, originadas pela ruptura mecânica de um material sólido, seja por processos de trituração, moagem, britagem, peneiramento, polimento, entre outros. Podemos ter dois tipos de poeiras, orgânicas e inorgânicas, isso dependerá basicamente de sua composição química. Sendo assim, veremos as formas como se classificam (RITTI; PINTO, 2021). 1.1 Poeiras minerais Normalmente, as poeiras minerais têm sua origem em minerais que contêm sílica, asbesto, carvão mineral e minerais em geral. Entretanto, sua composição pode conter uma proporção diferente daquela que compõe a rocha. Os efeitos causados ao organismo humano pela inalação deste tipo de poeira são: silicose, asbestose e pneumoconiose. A Figura 1 ilustra a análise de um raio-x com intuito de diagnosticar a silicose. Há dois tipos de pneumoconioses: as fibrogênicas e as não fibrogênicas. As fibrogênicas causam danos permanentes ou destruição da estrutura alveolar, e as não fibrogênicas causam uma reação pulmonar muito pequena, podendo ser reversível, e não alteram a estrutura alveolar. 62 Figura 1 – Diagnóstico de silicose Fonte: utah778/ iStock.com. No Brasil, a Lei Federal n. 9.055/95 (BRASIL, 1995) aborda informações como extração, produção, entre outros, sobre o uso do amianto. Entretanto, alguns estados brasileiros baniram completamente seu uso. Está presente em dois principais tipos de rochas: serpentinas e anfibólios. Possuem alta resistência, são isolantes, muito flexíveis, entre outros. São utilizados na produção de telha, caixa d’água etc. É uma fibra cancerígena, podendo afetar os pulmões e o sistema gastrointestinal dos trabalhadores, seja pela inalação do processo de produção ou degradação natural. Causam doenças incuráveis e progressivas, por exemplo, asbestose. A Figura 2 ilustra telhas produzidas a partir da fibra amianto. Figura 2 – Telhas produzidas a partir do amianto Fonte: seraficus/ iStock.com. 63 1.2 Poeiras vegetais Poeiras vegetais são aquelas produzidas pelo tratamento de culturas vegetais, por exemplo, o algodão e a cana-de-açúcar. Os trabalhadores do setor algodoeiro estão expostos a poeira do algodão bruto ou de seu beneficiamento. O trabalhador que atua na produção do algodão bruto pode apresentar uma doença característica pela inalação da poeira oriunda deste processo, a bissinose, afetando o estreitamento das vias aéreas nas pessoas propensas ao mal. A bissinose pode causar ruído característico de asma brônquica e opressão no peito, em trabalhadores, logo no primeiro dia de trabalho, normalmente, depois do descanso. Entretanto, em pessoas que tiveram uma exposição mais prolongada ao cultivo do algodão, nota-se um aumento na opressão do peito, chegando a perdurar por uma semana. O diagnóstico da bissinose é feito por meio de prova da diminuição da função pulmonar ao longo de um determinado tempo de trabalho, podendo haver um aumento dessa diminuição logo após o primeiro dia de trabalho (OLIVEIRA; LAPERA, 2011). Uma forma de minimizar e/ou neutralizar a exposição à poeiras do algodão, por parte dos trabalhadores, é a adoção de medidas de prevenção, como treinamentos de uso, manutenção e guarda dos equipamentos de proteção individual (EPI), adoção de EPI adequados a tarefa, entre outros, tendo em vista que a produção de algodão em larga escala acaba gerando certas atitudes impensadas por parte dos trabalhadores, pois acabam não utilizando os equipamentosde proteção individual, seja por falta de conhecimento no manuseio, seja por incômodo, entre outros. A Figura 3 ilustra trabalhadores na colheita do algodão. 64 Figura 3 – Plantio de algodão Fonte: aslanyus/iStock.com. Os trabalhadores do setor canavieiro, na atividade de corte manual da cana-de-açúcar, ficam expostos a vários tipos de riscos para a saúde, como riscos físicos, biológicos, de acidentes, ergonômicos, psíquicos e químicos. A exposição aos riscos químicos se dá por meio da inalação de gases e material particulado, seja pelo corte ou queima da cana- de-açúcar, pelo solo e resíduos de agrotóxicos. A inalação de material particulado no corte da cana pode afetar as vias áreas superiores e inferiores dos trabalhadores e, como consequência, causam doenças do trato respiratório, assim como prejudicam a função pulmonar destes. Uma dessas doenças, que acometem os trabalhadores da cana- de-açúcar, é a bagaçose, que é uma pneumoconiose causada pela inalação da poeira de cana-de-açúcar (LEITE et al., 2021). A Figura 4 ilustra a exposição de um trabalhador à poeira vegetal durante o corte da cana-de-açúcar. 65 Figura 4 – Plantio de cana-de-açúcar Fonte: alffoto/ iStock.com. 1.3 Poeiras alcalinas Tem origem quase que em sua totalidade do calcário. Os efeitos causados ao organismo humano, pela inalação deste tipo de poeira, são doenças pulmonares obstrutivas crônicas, como enfisema pulmonar. 1.4 Poeiras incômodas São poeiras capazes de se integrar a outros agentes contaminantes presentes no ambiente laboral, e de se tornarem ainda mais prejudiciais à saúde, causando desconforto aos trabalhadores. 2. Programa de Proteção Respiratória (PPR) A principal preocupação que se deve ter quando há presença de contaminantes no local de trabalho, como, por exemplo, poeiras, fumos, 66 névoas, gases e vapores, é tentar reduzir a concentração dos mesmos neste ambiente, evitando sua inalação por parte dos trabalhadores e reduzindo as doenças ocupacionais. Para tal, podem ser adotadas medidas de engenharia, como troca de substâncias por outras menos tóxicas, enclausuramento ou confinamento da operação e sistema de ventilação local ou geral, além de medidas de controles administrativos, como a redução do tempo de exposição. Quando as medidas de proteção não são eficazes, deve-se considerar o uso de Equipamento de Proteção Respiratória (EPR), sendo esta uma última opção na hierarquia das medidas de controle e, neste caso, são indicados os respiradores, devendo ser adotados em conformidade com cada situação específica (TORLONI, 2021). Quanto ao respirador, cabem responsabilidades tanto ao empregador quanto ao empregado. Por exemplo, o empregador deverá fornecer gratuitamente, quando necessário, o respirador apropriado ao trabalhador. Já ao empregado, cabe usar o respirador de forma adequada e conforme orientação do fornecedor e do treinamento recebido, assim como conservá-lo de modo a não o danificar. Essas são algumas das obrigações do empregador e empregado quanto ao uso, guarda, conservação, distribuição dos respiradores. Pensando em como selecionar os respiradores, sobre seu uso e manutenção, foi instituído um documento que pudesse reunir informações para assegurar a proteção aos trabalhadores, o Programa de Proteção Respiratória (PPR). Antes de utilizar os respiradores, é de suma importância que já tenha um PPR, por escrito, com todas as informações pertinentes ao local de trabalho e de fácil acesso a todos os trabalhadores. O PPR deve ser implantado, avaliado e atualizado à medida que ocorram novas situações de trabalho que possam afetar as condições no ambiente laboral, prejudicando, assim, o uso dos respiradores. Para a eficácia do programa, este deve se estender a todos os níveis hierárquicos 67 da empresa e conter informações, como gestão do programa, procedimentos operacionais, frequência dos exames médicos dos colaboradores expostos ao agente, especificação dos respiradores, treinamento, considerações sobre o uso de barba, ensaios de vedação, manutenção, higienização e guarda dos respiradores, uso de respiradores para fuga, emergências e resgates e avaliação periódica do programa (TORLONI, 2021). 3. Tipos de respiradores Normalmente, os respiradores são chamados de máscaras, e têm por objetivo evitar a inalação de vapores orgânicos, partículas tóxicas ou névoas através das vias respiratórias. Existem vários tipos de respiradores, sendo cada um com sua especificidade. Quando o contaminante (agente químico), no local de trabalho, é do tipo particulado (aerodispersóides), a seleção da máscara filtrante dependerá da presença de partículas oleosas em suspensão no ambiente de trabalho. Nesse sentido, existem alguns tipos de respiradores que podem ser adotados como proteção respiratória, a máscara descartável Peça Facial Filtrante (PFF) 1, 2 e 3 e os filtros da classe P1, P2 e P3 para máscaras semifaciais. Veja a seguir a diferenças entre eles, de acordo com o uso a que se destina: • PFF1 e filtro classe P1 para máscaras semifaciais: Indicados quando o agente químico for mecanicamente gerado, ou seja, quando forem partículas sólidas: poeiras e fibras, ou partícula líquidas: névoas. A Figura 5 ilustra uma pessoa utilizando uma máscara descartável do tipo peça facial filtrante 1 (PFF1). O respirador PFF1 nunca deve ser utilizado como proteção contra amianto (asbesto), sílica e fumos metálicos. 68 Figura 5 – Respirador tipo PFF1 Fonte: Maarten Zeehandelaar/ iStock.com. • PFF2 e filtro classe P2 para máscaras semifaciais: Indicados quando o agente químico for termicamente gerado (fumos). Como essa máscara apresenta proteção suficiente para os fumos, que são partículas menores que as poeiras e fibras do item anterior, a máscara PFF2 e o filtro P2 também protegem contra poeiras, fibras e névoas citadas no item anterior, ou seja, a máscara PFF2 protege contra fumos e todas as partículas que a máscara PFF1 protege. Se o agente químico for névoa à base de tinta, esmalte ou verniz contendo solvente orgânico, deve-se usar filtro combinado contra vapores orgânicos e filtro para partículas classe P2, a serem acoplados na máscara tipo peça semifacial. Para proteção contra estes agentes, não podem ser adotadas as máscaras descartáveis do tipo PFF. Se o agente químico for névoa contendo agrotóxico em veículo orgânico, deve-se usar filtro combinado contra vapores orgânicos e filtro para partículas classe P2. Se o contaminante (agente químico) for 69 um agrotóxico em veículo água, usar filtro para partículas classe P2 ou máscara tipo PFF2. A Figura 6 ilustra uma máscara descartável do tipo PFF2. O respirador do tipo PFF2 não deve ser utilizado como proteção contra o amianto (asbesto), podendo ser utilizado em ambientes hospitalares ou procedimentos cirúrgicos, desde que não possua válvulas de exalação, assim como os PFF3. Os respiradores do tipo PFF2 equiparam-se a outros tipos de respirados, porém, podem assumir nomenclatura diferente de acordo com as legislações de cada país, por exemplo, N95 de acordo com a NIOSH- 42CFR84 nos Estados Unidos; PFF2 de acordo com a ABNT/NBR 13.698- 2011, no Brasil, contendo tiras de fixação atrás da cabeça. Todos esses modelos possuem aproximadamente a mesma eficiência de filtração, que é de 95%, ou seja, possuem eficiência mínima de 95% e penetração máxima de 5%. Figura 6 – Respirador do tipo N95 (PFF2) Fonte: Gregi69/ iStock.com. 70 • PFF3 e filtro classe P3 para máscaras semifaciais: Indicados quando o agente químico contiver radionuclídeos. A máscara PFF3 também protege o usuário para os agentes que são retidos nas máscaras PFF2 e PFF1. Nesses casos, deve-se levar em consideração o fator econômico na hora da escolha, tendo em vista que uma máscara PFF3 é mais cara que a PFF2 e mais cara que a PFF1. Portanto, você como Engenheiro (a) de Segurança do Trabalho, deve sempre trabalhar com base no equilíbrio entre segurança e economia. Não poderájamais prejudicar a segurança para obter vantagens econômicas, como também não poderá onerar a empresa para um excesso de segurança desnecessário e, portanto, contra o emprego adequado de seus conhecimentos técnicos. A Figura 7 ilustra uma máscara descartável do tipo PFF3. Figura 7 – Respirador tipo PFF3 Fonte: acervo do autor. Para poeiras e/ou névoas não oleosas, que não emitam gases e/ ou vapores tóxicos; fibras têxteis, cimento do tipo Portland; minério ferrosos, carvão mineral, minério de alumínio, sabão em pó, talco, cal, soda cáustica, poeiras vegetais, poeiras de lixamento de concreto e esmerilhamento; névoas de ácido sulfúrico (com óculos de proteção adequado), a indicação dos respiradores do tipo peça facial filtrante 1, 2 e 3, ou seja, PFF1, PFF2 e PFF3. 71 • Para poeiras de criatórios de aves, onde há resíduos de ração, fezes, plumas e penas de aves, a indicação dos respiradores tipo PFF2 e PFF3. • Para poeiras, névoas e fumos contendo materiais radioativos, como urânio e plutônio, que transmitem radiação alfa, beta e gama, a indicação do respirador tipo PFF3. Levando em consideração que muitas das doenças profissionais causadas pelas poeiras podem levar o indivíduo à morte ou desenvolverem patologias irreversíveis, torna-se extremamente importante o cuidado e cautela na adoção das medidas de proteção de forma individual, para que estas sejam realmente eficazes contra os agentes tóxicos do ambiente. Essas medidas devem ser adotadas quando todas as outras, já implementadas, não forem eficazes. Referências BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n. 9.055, de 1 de junho de 1995. Brasília, 1995. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/leis/l9055.htm. Acesso em: 8 fev. 2022. LEITE, M. R.; ZANETTA, D. M. T.; TREVISAN, I. BURDMANN et al.O trabalho no corte de cana-de-açúcar, riscos e efeitos na saúde: revisão da literatura. Revista de Saúde Pública, 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/pdf/rsp/v52/pt_0034-8910- rsp-52-87872018052000138.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. OLIVEIRA, A. A.; LAPERA, C. L. Riscos ocupacionais que podem ocorrer com trabalhadores de uma algodoeira no beneficiamento de algodão. Intercursos Revista Científica, v. 10, n. 2. Disponível em: https://revista.uemg.br/index.php/ intercursosrevistacientifica/article/view/2361/1310. Acesso em: 8 fev. 2022. RITTI, H. F.; PINTO. V. G. Introdução à higiene e segurança do trabalho. PROEDU. Rede e-Tec Brasil, 2016. Disponível em: http://proedu.rnp.br/ handle/123456789/583?show=full. Acesso em: 8 fev. 2022. TORLONI, M. Programa de proteção respiratória: recomendações, seleção e uso de respiradores. 4. ed. São Paulo: FUNDACENTRO, 2016. Disponível em: https:// www.deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9055.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9055.htm https://www.scielo.br/pdf/rsp/v52/pt_0034-8910-rsp-52-87872018052000138.pdf https://www.scielo.br/pdf/rsp/v52/pt_0034-8910-rsp-52-87872018052000138.pdf https://revista.uemg.br/index.php/intercursosrevistacientifica/article/view/2361/1310 https://revista.uemg.br/index.php/intercursosrevistacientifica/article/view/2361/1310 http://proedu.rnp.br/handle/123456789/583?show=full http://proedu.rnp.br/handle/123456789/583?show=full https://www.deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf https://www.deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf 72 TORLONI, M. Programa de proteção respiratória, seleção e uso de respiradores. São Paulo: FUNDACENTRO, 2002. Disponível em: https://www.honeywellsafety. com/uploadedFiles/Sites/Regional/BR/Training_and_Support/Programa%20de%20 Prote%C3%A7%C3%A3o%20Respirat%C3%B3ria.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. https://www.honeywellsafety.com/uploadedFiles/Sites/Regional/BR/Training_and_Support/Programa%20de%20Prote%C3%A7%C3%A3o%20Respirat%C3%B3ria.pdf https://www.honeywellsafety.com/uploadedFiles/Sites/Regional/BR/Training_and_Support/Programa%20de%20Prote%C3%A7%C3%A3o%20Respirat%C3%B3ria.pdf https://www.honeywellsafety.com/uploadedFiles/Sites/Regional/BR/Training_and_Support/Programa%20de%20Prote%C3%A7%C3%A3o%20Respirat%C3%B3ria.pdf 73 Generalidades sobre o agente químico: Fumos Metálicos Autoria: Audennille Marinho de Almeida Leitura crítica: Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Objetivos • Conhecer e compreender os aspectos relacionados à exposição ao agente químico: fumos metálicos. • Conhecer alguns dos componentes dos fumos metálicos e as possíveis consequências da exposição ocupacional. • Conhecer as premissas do Programa de Proteção Respiratória (PPR) aplicado à exposição ocupacional aos fumos metálicos, e algumas medidas de prevenção e proteção respiratória. 74 1. Fumos metálicos Neste material, você conhecerá um pouco mais sobre a exposição ocupacional aos agentes químicos, com foco nos fumos metálicos. Também pertencem ao grupo dos aerodispersóides sólidos e estão ligados a atividades industriais como soldagem e fundição de metais, conforme resumido pela Figura 1 (PEIXOTO, 2021). Figura 1 – Aerodispersóides sólidos Fonte: elaborada pelo autor. Os fumos metálicos são compostos de partículas em estado sólido, que, durante o processo de soldagem ou fundição, sublimaram (passam do estado sólido para o gasoso), devido à alta temperatura necessária para realizar a fusão dos metais. Após a sublimação, essas partículas, em contato com o ar, resfriam rapidamente e solidificam, ficando em suspensão no ambiente de exposição ocupacional, conforme ilustram as Figuras 2 e 3 (PEIXOTO, 2021). Figura 2 – Fumo metálico Fonte: RainStar/ iStock.com. 75 Figura 3 – Trabalho de fundição de metais Fonte: Panksvatouny/ iStock.com. A quantidade de fumos gerados em um processo de soldagem e as substâncias presentes dependem do método de soldagem utilizado, da condição na qual esse processo é realizado e da composição dos metais. Entre os componentes encontrados nos fumos de solda, pode haver alumínio, berílio, cádmio, crômio, crómio, ou cromo, cobalto, cobre, ferro, chumbo, manganês, níquel, silicatos, selênio, vanádio, zinco etc. (HONEYWELL, 2021). O contato com esses metais pesados pode trazer várias consequências ao organismo em curto período de exposição ou por meio de altas concentrações. Nesse sentido, deve-se adotar medidas de controle, visando evitar o contato dos trabalhadores com essas substâncias nocivas, sejam de ordem coletiva, administrativa ou individual. É importante destacar que devido às suas pequenas dimensões, as partículas constituintes dos fumos metálicos são facilmente inaláveis e, caso sejam inaladas, são capazes de penetrar profundamente nos pulmões, podendo passar para o sangue e serem transportadas até outras regiões do organismo. Devido a sua toxicidade, essas partículas podem afetar além dos pulmões (asma, siderose etc.), a pele (dermatite de contato alérgica e ulcerações), o coração (infarte), os rins e o sistema nervoso central (PEIXOTO, 2021). 76 A menos que uma operação de soldagem seja realizada em uma câmara de vácuo, devem ser adotadas medidas de controle (fonte, trajetória ou trabalhador) nesses processos, a fim de evitar a exposição ocupacional dos trabalhadores ao ar contaminado. 2. Programa de Proteção Respiratória (PPR) O Programa de Proteção Respiratória aplicado à exposição aos fumos metálicos, é realizado por meio de um conjunto de medidas administrativas e práticas. Desde a escolha de um equipamento de proteção respiratória adequada a atividade a ser executada, sua correta utilização, realização de treinamentos e a conscientização dos trabalhadores, com objetivo de evitar a inalação de fumos (TORLONI, 2021). Algumas das medidas administrativas e práticas a serem adotadas pela empresa são: • Selecionar os respiradores, observando os efeitos fisiológicos sobre o organismo, uma possível deficiência de oxigênio, as concentrações permitidas paraos possíveis elementos presentes em um ambiente em que um trabalhador poderá ser exposto e as concentrações Imediatamente Perigosas à Vida e a Saúde (IPVS). • Elaborar procedimentos operacionais sobre o uso dos respiradores. • Assegurar que os trabalhadores sejam informados da importância do uso de EPR’s (equipamento de proteção respiratória) na execução de uma atividade e da correta manutenção dos respiradores, realizando treinamentos periódicos e de reciclagem. • Garantir a integridade física dos trabalhadores por meio da gestão de saúde ocupacional e exames periódicos, conforme ações 77 previstas no Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO). • Estabelecer medidas disciplinares para os trabalhadores que não seguirem aos procedimentos operacionais a serem adotados (TORLONI, 2021). Já as responsabilidades mínimas dos trabalhadores, citadas no Programa de proteção respiratória, recomendações, seleção e uso de respiradores da FUNDACENTRO, são: a) usar o respirador fornecido de acordo com as instruções e o treinamento recebidos; b) no caso de uso de respirador com vedação facial, não apresentar pelos faciais (barba, cavanhaque etc.) que interfiram na selagem do respirador em seu rosto; c) guardar o respirador, quando não estiver em uso, de modo conveniente para que não se danifique ou deforme; d) deixar imediatamente a área contaminada se observar que o respirador não está funcionando bem e comunicar o defeito à pessoa responsável indicada nos procedimentos operacionais escritos; e) comunicar à pessoa responsável qualquer alteração em seu estado de saúde que possa influir na capacidade de uso seguro do respirador. (TORLONI, 2021, p. 23) Além disso, faz parte, da proteção respiratória, a realização do monitoramento periódico, dos agentes aos quais os trabalhadores podem estar expostos no ambiente de trabalho, de acordo com os limites de tolerância constantes na NR-15, que, no caso dos fumos metálicos, são estabelecidos apenas para o chumbo e o manganês. Para os demais agentes ambientais, aos quais um grupo de trabalhadores pode estar exposto, devem ser utilizados os limites de tolerância da ACGIH (American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), corrigidos para a carga horária da jornada brasileira. 78 A amostragem de fumos metálicos é realizada com o uso de cassete de éster de celulose e, em geral, com o ar passando diretamente no cassete. Entretanto, de acordo com o elemento alvo da amostragem, a ACGIH recomenda para alguns fumos à avaliação da fração respirável, sendo utilizado nestes casos o ciclone Figura 4. Figura 4 – Ciclone de nylon com cassete Fonte: Peixoto (2021, [n. p.]). O procedimento de amostragem dos fumos metálicos é semelhante ao usado na coleta de poeira, é detalhado na norma de higiene ocupacional – NHO-8: coleta de material particulado sólido suspenso no ar de ambientes de trabalho, que recomenda a calibração da bomba de amostragem antes e depois de uma coleta. 3. Tipos de respiradores indicados para fumos metálicos O controle de fumos metálicos em um ambiente depende da utilização de um sistema de exaustão adequado, da adoção de boas práticas de trabalho, do controle administrativo e, quando possível, da substituição 79 de uma atividade por outra de menor exposição ocupacional dos trabalhadores. Sendo o uso da proteção respiratória individual semifacial ou de face inteira, conforme ilustra a Figura 5, quando não houver outra alternativa. Figura 5 – Soldador com proteção respiratória Fonte: CaseyHillPhoto/ istock.com. A instalação de um sistema de exaustão geral ou uma coifa instalada acima de uma bancada estão entre as tentativas mais comuns de proteção aos trabalhadores expostos aos fumos metálicos. Entretanto, nem sempre esses sistemas resultam em uma proteção eficiente, pois a zona de respiração permanece exposta Figura 6, mesmo com sua utilização. 80 Figura 6 – Zona de respiração Fonte: adaptada de CiydemImages/ iStock.com; fizkes/ iStock.com. Quando não for possível a adoção de medidas de controle efetivas na fonte e trajetória, os trabalhadores devem utilizara um EPR. No Quadro 1, é exibida a classificação dos meios filtrantes (ou filtros), de acordo com os tipos contaminantes e sua eficiência mínima de filtração, onde se pode observar que os respiradores ou máscaras recomendadas, a fim de evitar a inalação de fumos metálicos são os modelos PFF2 (peça facial filtrante), PFF 3, P2 e P3 (SCHNEIDER et al., 2021). Quadro 1 – Classificação dos respiradores Filtro Contaminantes Eficiência mínima de filtração PFF1 / P1. Poeiras e/ou névoas (aerossóis mecanicamente gerados). 80 %. PFF2 / P2. Fumos (aerossóis termicamente gerados) e/ ou agentes biológicos. 94 %. PFF3 / P3. Particulados altamente tóxicos e/ou de toxidez desconhecida. 99 %. Fonte: elaborado pelo autor. 81 A principal diferença entre os respiradores PFF (Figura 7) e os P, está na forma de utilização: enquanto os PFF (Figura 7) são descartáveis por serem o próprio meio filtrante (ou filtro). Os P (Figura 8) permitem a substituição do meio filtrante (ou filtro), que pode ser P2 (Figura 9) ou P3, no caso da proteção contra fumos metálicos (SCHNEIDER et al., 2021). Figura 7 – Respirador tipo PFF2 Fonte: Lightspruch/ iStock.com. Figura 8 – Respirador tipo P2 Fonte: aee_werawan/ iStock.com. 82 Vale destacar, por exemplo, que a eficiência e o fator de proteção atribuído a um respirador modelo semifacial, descartável PFF2 ou de manutenção utilizando um filtro P2, são os mesmos. É importante lembrar que os trabalhadores devem ser bem orientados quanto à importância do uso correto das medidas de controle a exposição aos fumos metálicos, pois a efetiva proteção depende da correta utilização das medidas de proteção individual ou coletiva adotadas em uma empresa. Referências HONEYWELL. Fuja do “Assassino Silencioso” – Como uma boa proteção respiratória pode ajudar a evitar doenças. Disponível em: https://www. honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/Prote%C3%A7%C3%A3o_ Respirat%C3%B3ria__Fuja_do_Assassino_Silencioso.aspx. Acesso em: 8 fev. 2022. PEIXOTO, N. H. Higiene ocupacional III.; Rede e-Tec Brasil,. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, 2013. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE- OCUPACIONAL-III.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. SCHNEIDER, R. P.; GAMBA, R. C.; PERES, B. M. et al. Manuseio de Produtos Químicos. Capítulo 4–Equipamentos de Proteção Individual e Sistemas de Proteção Contra a Exposição a Produtos Tóxicos. São Paulo: ICBII USP, 2011. Disponível em: https://ww3.icb.usp.br/wp-content/uploads/2019/11/Equip_Prot_ Ind_Sistemas_Prot_Contra_Exp_Prod_Toxicos.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. TORLONI, M. Programa de proteção respiratória: recomendações, seleção e uso de respiradores. 4. ed. São Paulo: FUNDACENTRO, 2016. Disponível em: https://www. deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. https://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/Prote%C3%A7%C3%A3o_Respirat%C3%B3ria__Fuja_do_Assassino_Silencioso.aspx https://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/Prote%C3%A7%C3%A3o_Respirat%C3%B3ria__Fuja_do_Assassino_Silencioso.aspx https://www.honeywellsafety.com/BR/Training_and_Support/Prote%C3%A7%C3%A3o_Respirat%C3%B3ria__Fuja_do_Assassino_Silencioso.aspx https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE-OCUPACIONAL-III.pdf https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE-OCUPACIONAL-III.pdf https://ww3.icb.usp.br/wp-content/uploads/2019/11/Equip_Prot_Ind_Sistemas_Prot_Contra_Exp_Prod_Toxic https://ww3.icb.usp.br/wp-content/uploads/2019/11/Equip_Prot_Ind_Sistemas_Prot_Contra_Exp_Prod_Toxic https://www.deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf https://www.deltaplusbrasil.com.br/wp-content/uploads/2019/12/ppr.pdf 83 Generalidades sobre o agente químico: Névoas e Vapores Autoria: AudennilleMarinho de Almeida Leitura crítica: Joubert Rodrigues dos Santos Júnior Objetivos • Conhecer e compreender os aspectos relacionados à exposição ao agente químico: névoas e vapores. • Conhecer alguns dos componentes das névoas e vapores, e as possíveis consequências à saúde, da exposição ocupacional. • Conceitos e limites de exposição aplicados às névoas e vapores, e algumas medidas de prevenção e proteção respiratória. 84 1. Névoas e vapores Neste material, você conhecerá um pouco mais sobre a exposição ocupacional aos agentes químicos, com foco nas névoas e vapores. As névoas e vapores fazem parte do grupo dos aerodispersóides e essas partículas ou elementos que constituam esses agentes ambientais se encontram em diferentes estados físicos, o que está diretamente ligado a forma com a qual são gerados. Por exemplo, temos aerodispersóides no estado sólido, que são os fumos metálicos e poeiras, e no estado líquido, que são as névoas e neblinas. Os fumos metélicos são gerados pela fusão ou fundição dos metais, enquanto que as poeiras são oriundas pela ruptura mecânica dos sólidos. As névoas são produzidas a partir da ruptura mecânica dos líquidos e as neblinas pela condensação de partículas no estado líquido. As névoas são constituídas de partículas líquidas em suspensão, em forma de gotículas. São geradas por um processo mecânico, pela ruptura física de um líquido nas operações de pulverização, conforme ilustra a Figura 1, nebulização ou borbulhamento. Figura 1 – Aplicação de agrotóxicos Fonte: alffoto/ iStock.com. 85 Já os vapores, são substâncias geradas pela evaporação de moléculas, a partir de um sólido ou líquido, que, inicialmente, se encontram em uma condição normal de pressão e temperatura. Ao ocorrer uma variação da condição inicial, passam a se apresentar sob a forma de moléculas, tendo como características, em geral, não serem visíveis e terem um odor característico. Alguns exemplos de vapores são: álcool etílico, acetona, gasolina (Figura 3), diesel, benzeno, formol, éteres, clorofórmio, nafta etc. Figura 2 – Abastecimento num posto de combustíveis Fonte: Joa_Souza/ iStock.com. ID: 1281170113. Vale apena destacar que as névoas e os vapores se movimentam desordenadamente, se misturando ao ar de um ambiente, preenchendo o espaço. Dependendo de sua concentração e toxidade, podem afetar a saúde dos trabalhadores, sendo necessária a adoção de medidas de controle para exposição ocupacional. Alguns dos possíveis efeitos ao organismo dos trabalhadores, pela exposição ocupacional às névoas e aos vapores, são descritos no Quadro 1. 86 Quadro 1 – Possíveis efeitos da exposição às névoas e aos vapores Característica tóxica Parte do corpo afetada Efeitos Alergênicos. Com maior frequência, os pulmões e a pele. Asma e dermatite. Anestésicos. Sistema nervoso central. Reduz a habilidade para a realização de tarefas. Asfixiantes. Os pulmões. Dor de cabeça, náuseas, sonolência, convulsões, coma e morte. Cancerígenos. Qualquer órgão, afetando com maior frequência, os pulmões. Câncer após a exposição prolongada. Irritantes. Qualquer uma, afetando com maior frequência, a pele, os olhos e pulmões. Inflamam pele, olhos e vias respiratórias. Fonte: adaptado de Torloni (2016). 2. Proteção respiratória A avaliação dos riscos respiratórios presentes em um ambiente de trabalho, é essencial para seleção do respirador mais adequado e pode ser dividida em três etapas, que devem ser repetidas sempre que houver alguma alteração neste ambiente. A primeira etapa é a de avaliação dos perigos no ambiente, conforme a sequência a seguir: • Avaliar se existe risco de deficiência de oxigênio disponível em um local de trabalho, é o suficiente para garantir a realização de atividades de rotina e atentar aos procedimentos de segurança especificos, como, por exemplo, para trabalhos em espaços confinados. 87 • Identificar as matérias-primas, produtos finais, subprodutos e resíduos, que possam estar presentes no ambiente. • Conhecer os limites de tolerância e de exposição dos contaminantes existentes no ambiente de trabalho, e verificar a existência de concentração IPVS. • Medir ou estimar a concentração dos contaminantes, na condição mais crítica de exposição ocupacional. Verificar a existência de legislação específica para os contaminantes existentes no ambiente de trabalho. A segunda etapa é a de determinação do Fator de Proteção Mínimo Requerido (FPMR), tendo como objetivo garantir que a exposição dos trabalhadores esteja abaixo dos valores recomendados pela legislação. Para seleção de um respirador com o nível de proteção adequado à exposição, é necessário determinar o FPMR, que pode ser realizado das seguintes formas: • Calculando quantas vezes a concentração crítica prevista na rotina, ou em uma situação de emergência, são maiores que o limite de exposição. • Obedecendo a uma legislação específica. A terceira etapa é a de atestar a adaptação dos trabalhadores aos respiradores especificados. Para uma melhor aceitação do respirador pelos trabalhadores, devem ser consideradas: características faciais, pelos faciais, uso simultâneo com outros EPI’s, uso de óculos ou lentes de contato, entre outros. Já a avaliação da adequação do respirador ao ambiente de trabalho, deve considerar: 88 • Condições climáticas: temperatura, umidade, aumento ou diminuição da pressão no ambiente e velocidade do vento. • A existência de fagulhas, abrasão, compatibilidade eletromagnética, enriquecimento de oxigênio etc. É na norma NR-15 (BRASIL, 2019a), que encontramos os limites de tolerância para os gases e vapores. Nela, constam 206 substâncias, o que não abange a totalidade do que pode ser encontrado nos diferentes ambientes de trabalho. Para as demais substâncias que não estão nesta lista, como a gasolina, é recomendada a utilização dos limites da American Conference of Governmental Industrial Hygienists (ACGIH), na avaliação da exposição dos trabalhadores a agentes ambientais. Já os limites Imediatamente Perigoso à Vida ou à Saúde (IPVS), que representam a concentração máxima de um produto químico no ar, para uma exposição de trinta minutos, a qual os trabalhadores adultos saudáveis podem estar expostos (se os respiradores autônomos falharem), sem sofrer efeitos permanentes ou impedir a fuga e prejudicando a saúde, são estabelecidos pelo National Institute for Occupational Safety and Health (NIOSH). No Quadro 2, são exibidos alguns dos limites de tolerância utilizados para as névoas e vapores. Quadro 2 – Limites IPVS versus limites de tolerância Substância NIOSH NR-15 ACGIH IPVS LT TWA Acetona. 20.000 ppm 780 ppm 250 ppm Álcool etílico. 15.000 ppm 780 ppm - Cádmio. - 9 mg/m3 0,002 mg/m3 Cloro. 30 ppm 0,8 ppm 0,1 ppm Formaldeído (formol). 30 ppm 1,6 ppm 0,1 ppm Gasolina. 14.000 ppm - 300 ppm Fonte: adaptado de Brasil (2021). 89 3. Tipos de respiradores indicados para névoas e vapores Quando não é possível a adoção de medidas de controle efetivas na fonte e nem a trajetória para o controle a exposição a névoas ou vapores, os trabalhadores devem utilizar um EPR. No Quadro 3, são exibidas as classificações dos meios filtrantes (ou filtros), de acordo com os tipos contaminantes e a sua eficiência mínima de filtração (SCHNEIDER et al., 2021). Quadro 3 – Classificação dos respiradores Filtro Contaminantes Eficiência Mínima de Filtração PFF1/ P1. Névoas (aerossol mecanicamente gerado). 80 %. PFF2/ P2. Névoas (aerossol mecanicamente gerado). Vapores (aerossol termicamente gerado). 94 %. PFF3/ P3. Névoas (aerossol mecanicamente gerado). Vapores (aerossol termicamente gerado). Particulados altamente tóxicos e/ou de toxidez desconhecida. 99 %. Fonte: elaborado pelo autor. Se na rotina de um trabalhador, existe a exposição apenas às névoas (Figura 4), o respirador recomendado seria um descartável PFF1, ou reutilizável P1, sendo realizada a substituição do meio filtrante (ou filtro), de acordocom as recomendações adotadas pelo programa de proteção respiratória da empresa. 90 Figura 3 – Pintura automotiva Fonte: Man_With_No_Name/ iStock.com. Já na rotina de um trabalhador exposto aos vapores, os respiradores recomendados poderiam ser descartáveis PFF2 (Figura 5) ou PFF3, ou reutilizáveis P2 ou P3, sendo realizada a substituição do meio filtrante (ou filtro) de acordo com as recomendações adotadas pelo programa de proteção respiratória da empresa. Figura 4 – Trabalhador utilizando um respirador tipo PFF2 Fonte: Smederevac/ iStock.com. 91 Entretanto, ao realizar a avaliação do ambiente de trabalho, pode ser constatada uma possível exposição a outros agentes existentes no mesmo local, podendo ser recomendado o uso de respiradores PFF2/ P2 ou PFF3/ P3. Neste caso, o fator econômico para escolha de um EPI que ofereça uma proteção adequada aos trabalhadores, com o melhor custo/ benefício para empresa, é considerado. Mesmo o custo da aquisição de EPI’s podendo ser elevado, deve ser considerado como um investimento, por trazer resultados a médio e longo prazo, como: redução do número de licenças médicas, interrupções de atividades e tempos de parada, motivação dos trabalhadores e responsabilidade social. Também merece destaque o trabalho realizado em atmosferas IPVS e espaços confinados, que, de acordo com a NR-33, são definidos como: Qualquer área ou ambiente não projetado para ocupação humana contínua, que possua meios limitados de entrada e saída, cuja ventilação existente é insuficiente para remover contaminantes ou onde possa existir a deficiência ou enriquecimento de oxigênio (BRASIL, 2019b, item 33.1.2). Neles, podem existir atmoferas de concentrações de produtos, substâncias e variações do nível de oxigênio que podem colocar em risco a integridade física dos trabalhadores. Nesses casos, é recomendada a utilização de respiradores autônomos, semelhantes ao utilizados por bombeiros Figura 6, a fim de garantir a realização de uma atividade de curta duração ou um resgate. 92 Figura 5 – Bombeiro utilizando um respirador autônomo Fonte: AlenaPaulus/ iStock.com. Como pode ser observado, existem situações nas quais será necessário o fornecimento de oxigênio aos trabalhadores, ao invés de prevenir sua exposição a um agente ambiental, onde temos como exemplos os espaços confinados, que têm uma grande variedade de formas e dimensões e estão presentes nas mais diversas atividades, desde as industriais até as de construção civil. Referências ALAGO, I. Proteção respiratória contra produtos químicos: o que você precisa saber. Disponível em https://www.chemicalrisk.com.br/protecao-respiratoria/. Acesso em: 8 fev. 2022. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR-15: Atividades e Operações Insalubres.Brasília, 2019a. . Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e- previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/ seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-15-nr-15. Acesso em: 8 fev. 2022.. BRASIL. Ministério do Trabalho e Previdência. NR 33: Segurança e saúde nos trabalhos em espaços confinados. Brasília, 2019. Disponível em: https://www. gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria- https://www.chemicalrisk.com.br/protecao-respiratoria/ https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho 93 de-trabalho/inspecao/seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma- regulamentadora-no-33-nr-33. Acesso em: 8 fev. 2022. PEIXOTO, N. H. Higiene ocupacional III. Colégio Técnico Industrial de Santa Maria, Rede e-Tec Brasil. Santa Maria: Universidade Federal de Santa Maria, 2013. Disponível em: https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE- OCUPACIONAL-III.pdf. Acesso em: 8 fev. 2022. https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.gov.br/trabalho-e-previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE-OCUPACIONAL-III.pdf https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/342/2020/04/HIGIENE-OCUPACIONAL-III.pdf 94 BONS ESTUDOS! Sumário Generalidades sobre ventilação e conforto térmico Objetivos 1. Ventilação industrial 2. Classificação dos sistemas de ventilação 3. Medidas genéricas de controle para agentes biológicos Referências Generalidades sobre ventilação natural local exaustora Objetivos 1. Ventilação natural 2. Sistema de ventilação local exaustora (SVLE) Referências Agentes biológicos: do reconhecimento ao controle Objetivos 1. Exposição a agentes biológicos 2. Principais vias de proteção aos agentes biológicos 3. Como caracterizar a exposição aos agentes biológicos Referências Agentes químicos Objetivos 1. Agentes químicos 2. Amostragem e equipamentos de coleta 3. Requisitos legais de exposição Referências Generalidades sobre o agente químico poeira Objetivos 1. Poeira 2. Programa de Proteção Respiratória (PPR) 3. Tipos de respiradores Referências Generalidades sobre o agente químico: Fumos Metálicos Objetivos 1. Fumos metálicos 2. Programa de Proteção Respiratória (PPR) 3. Tipos de respiradores indicados para fumos metálicos Referências Generalidades sobre o agente químico: Névoas e Vapores Objetivos 1. Névoas e vapores 2. Proteção respiratória 3. Tipos de respiradores indicados para névoas e vapores Referências