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UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
FACULDADE DE HISTÓRIA
CURSO DE HISTÓRIA CONTEMPORÂNEA I
ALUNO: BRUNO RODRIGUES DO PRADO
FICHAMENTO DO TEXTO:
HOBSBAWM, Eric J., As Revoluções”. In: A Era das Revoluções (1789-1848). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988, p. 127-149.
I
	_ Após 1815, as nações européias envidaram esforços para evitar uma Revolução européia, que poderia ter inspiração na Revolução Francesa. E o pensamento era de que nunca na história da Europa e poucas vezes em qualquer outro lugar, o revolucionarismo foi tão endêmico
	_ O autor faz referência a 3 ondas revolucionárias entre 1815 e 1848. A 1ª, na Europa em 1820 e 1824, tendo como epicentros a Espanha, Nápoles e Grécia. A Revolução espanhola incentivou as revoluções na América espanhola. Os 3 grandes libertadores, Simon Bolívar, San Martin e Bernardo O'Higgins estabeleceram respectivamente a independência na Grande Colômbia. Ainda na América Espanhola o General Iturbide enviado da Espanha para o México, lidera uma revolução e se libertando da metrópole em 1821. E no mesmo período, o Brasil se separa pacificamente de Portugal. 
	_ A 2ª onda revolucionária ocorreu em 1829-34, afetando toda a Europa a oeste da Rússia e o continente americano. Em 1830 a Bélgica se liberta da Holanda. Em 1830-1, a Polônia foi subjugada. E várias partes da Itália estavam agitadas, inclusive a Suíça. Espanha e Portugal iniciavam um período de guerra. Até mesmo a Inglaterra enfrenta problemas com a Irlanda, numa reforma religiosa que por pouco não se influenciou politicamente.
	_ Esta onda marcou a derrota definitiva dos aristocratas pelo poder burguês na Europa Ocidental. A classe governante dos próximos 50 naos seria a grande burguesia de banqueiros, industriais e funcionários civis aceita por uma aristocracia que apagou ou que concordou em promover políticas burguesas. O período de 1830 se destaca entre 1789 e 1848, onde aparece com proeminência na história da industrialização e da urbanização e ainda na história das artes e da ideologia.
	_ A 3ª e maior das ondas revolucionária foi o produto da crise anterior. E o autor afirma que nunca houve nada tão próximo da revolução mundial. O que em 1789 era uma só nação. A partir desse momento parecia uma primavera dos povos de todo o continente.
II
	_ O autor ressalta que a revolução francesa foi uma escola de sublevação e que os modelos criados a partir de 1789 foram transformando intranquilidade em revolução. Fazendo uma analogia social com os modelos criados correspondiam a liberal moderado (classe média superior e aristocracia liberal), o democrata radical (classe média inferior, novos industriais, intelectuais e pequena nobreza descontente), socialista (trabalhadores pobres). O nascimento da moderna tradição comunista na política era filha do sansculotismo com seu violento ódio pelas classes médias e pelos ricos
	_ A visão absolutista era que todos os movimentos eram igualmente subvertedores da estabilidade e da boa ordem igualmente capazes de inflamar as massas empobrecidas. Mas que na verdade tinham pouca coisa em comum a não ser a oposição a monarquia absoluta, à Igreja e à aristocracia.
III
	_ O autor analisa o período de 1815-20, afirma que a consciência revolucionária oscilava em caráter dentro dos universos de classe em questão. Enquanto havia movimentos políticos, outros movimentos se iniciavam na arte cooperativista e se escondiam à sombra de outras classes.
	_ Já a partir de 1820 as perspectivas políticas se alinharam, todas tendiam a adotar mesmo tipo de organização revolucionária, como um fenômeno europeu único ao invés de um conjunto de libertações nacionais ou locais.
	_ Alguns movimentos foram frutos de irmandades inspiradas em modelos maçônicos no final do período napoleônico se espalharam pelo norte do Mediterrâneo depois de 1815.Conhecidos como os Carbonari, influenciaram as ideias a partir da Polônia e Itália.
	_ O pensamento liberal difundido pelas irmandades, teve grande aceitação no meio militar em diversas nações européias. Os exércitos, muitas das vezes descontentes, fortaleciam em massa e poder as insurreições, que obtiveram sucesso, mesmo que temporariamente, como por exemplo na Itália e Espanha. Já na França, não alavancaram seus ideais, pois o exército não consistia num corpo único e seguiam o funcionalismo público.
	_ Apenas o caso grego foi modelo de insurreição do povo, com combatentes organizados e voluntários liberais.
	_ Na França a partir de 1830, o autor afirma que desde então passou a existir um movimento proletário socialista, pois a combinação de crise política e intranquilidade popular devida a depressão econômica, causou uma revolução política das massas compostas pelo proletariado industrial, que logo se diferenciou entre radicais e moderados, criando uma nova situação internacional.
	_ O liberalismo se dividiu em moderado e radical, encontrando meios favoráveis para se desenvolverem. Logo países como França, Inglaterra, Bélgica, o moderado triunfou. Na América espanhola, o pensamento oscilou e é desta forma até hoje.
	_ No oeste, a Grã-Bretanha e a Bélgica pararam de seguir o ritmo revolucionário geral, enquanto que a Espanha, Portugal, e em menor grau a Suíça, estavam envolvidas em suas endêmicas guerras civis, cujas crises não mais coincidiam com as de outras partes, a não ser acidentalmente. No resto da Europa surgiu uma acentuada diferença entre as nações ativamente revolucionárias.
	_ No resto da Europa, nenhuma revolução vencera. A divisão entre moderados e radicais e o surgimento de uma nova tendência social revolucionária nasceram da análise da derrota e das perspectivas de vitória. 
	_ Os radicais estavam igualmente desapontados com o fracasso dos franceses em desempenhar o papel de libertadores internacionais que lhes tinham atribuído a Revolução Grega e a teoria revolucionária e a relutância francesa em desempenhar um papel libertador arruinou-os.
IV
	_ O crescente descontentamento dos pobres – especialmente dos pobres das cidades, era visível em toda a Europa Ocidental. O descontentamento urbano era geral e o movimento socialista e proletário era sobretudo visível nos países da revolução dupla como a Grã-Bretanha e a França.
	_ Na Inglaterra entretanto a partir de 1832 a movimento da classe operária ainda era fraco. Estes buscavam lideranças eficazes em pensadores influenciados pela teses de Owen. Porém não foi o suficiente e logo o fracasso reduziu os socialista em grupos educacionais e propagandísticos. 
	_ Na França a classe operária ou o socialismo e a revolução urbana pareciam perigos reais, mas na verdade havia ausência de liderança que causava frequente fracasso.
V
	_ No resto da Europa revolucionária, onde a baixa nobreza rural e os intelectuais descontentes constituíam o centro do radicalismo, o problema era bem mais sério. Pois as massas eram o campesinato que pertencia a uma nação diferente da de seus senhores e concidadãos. A insurreição dos servos na Galícia em 1846, foi a maior revolta camponesa desde a Revolução Francesa de 1789.
	_ Nestes países, portanto, os radicais se dividiam em dois grupos: os democratas e os de extrema esquerda. Estes reconheciam a necessidade de se atrair os camponeses para a causa revolucionárias enquanto os democratas não implementavam qualquer programa social, preferindo pregar a democracia política e a libertação nacional.
	_ Os radicais da Europa subdesenvolvida, portanto, nunca resolveram eficazmente o seu problema, em parte devido à relutância dos que os apoiavam em fazer adequadas concessões ao campesinato, em parte devido à imaturidade política dos camponeses.
VI
	_ Todavia, embora agora divididos pelas diferenças das condições locais, pelas nacionalidades e as classes, os movimentos revolucionários de 1830-48, continuaram tendo muito em comum. Eles continuaram sendo organizações minoritárias de conspiradores da classe média e intelectuais. 
	_ Não existia uma longa tradição de organização e de agitação de massas como parte de uma vida social normal. Mesmo nos países constitucionais como Bélgica e a França,a agitação legal da extrema esquerda só era permitida intermitente, e suas organizações eram muitas vezes ilegais.
	_ Além disso, até certo ponto, toda a esquerda européia e americana continuava a lutar contra os mesmos inimigos, a partilhar aspirações comuns e um programa comum.
	_ Mais do que um mero panorama comum, a esquerda européia partilhava de uma visão comum seria a revolução, baseada em 1789, com retoques de 1830.
	_ Entre os movimentos nacionalistas, o internacionalismo tendeu a decrescer em importância, à medida em que os países conquistavam suas independências e as relações entre os povos mostravam-se menos fraternas do que se supunha.
	_ Um fator acidental que reforçou o internacionalismo de 1830-48 foi o exílio. Um destino e um ideal comum união estes expatriados e viajantes. A maioria deles enfrentava os mesmos problemas de pobreza e vigilância policial. Nestes centros de refúgio, os imigrantes formavam provisórias comunidades de exilados, enquanto planejavam a libertação da humanidade. Juntos, prepararam-se e esperaram a revolução européia, que veio e fracassou em 1848.

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