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MANUAL DO CURSO DE LICENCIATURA EM ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 3º Ano Disciplina: GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA Código: ISCED32-CPOLCFE014 Total Horas/2o Semestre:115 Créditos (SNATCA): 5 Número de Temas: 6 STITUTO SUPER INSTITUTO SUPERIOR DE CIÊNCIAS E EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - ISCED ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública i Direitos de autor (copyright) Este manual é propriedade do Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED), e contém reservados todos os direitos. É proibida a duplicação ou reprodução parcial ou total deste manual, sob quaisquer formas ou por quaisquer meios (electrónicos, mecânico, gravação, fotocópia ou outros), sem permissão expressa de entidade editora (Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED). A não observância do acima estipulado o infractor é passível a aplicação de processos judiciais em vigor no País. Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Direcção Académica Rua Dr. Almeida Lacerda, No 212 Ponta - Gêa Beira - Moçambique Telefone: +258 23 323501 Cel: +258 82 3055839 Fax: 23323501 E-mail: isced@isced.ac.mz Website: www.isced.ac.mz ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública ii Agradecimentos O Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) e o autor do presente manual agradecem a colaboração dos seguintes indivíduos e instituições na elaboração deste manual: Autor Benedito Manjate, Licen. em Administração Pública (UEM) Coordenação Design Financiamento e Logística Revisão Científica e Linguística Ano de Publicação Local de Publicação Direcção Académica do ISCED Instituto Superior de Ciências e Educação a Distância (ISCED) Instituto Africano de Promoção da Educação a Distancia (IAPED) Loide Cuminguena, Licen. em Administração Pública (UEM). 2016 ISCED – BEIRA ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública iii Índice Visão geral 1 Benvindo ao Módulo de Governo e Administração Pública ..................................................... 1 Objectivos da Disciplina/Módulo .................................................................................................................................................... 1 Quem deveria estudar este módulo? ........................................................................................ 2 Como está estruturado este módulo? ....................................................................................... 2 Ícones de actividade ................................................................................................................... 4 Habilidades de estudo ................................................................................................................ 4 Precisa de apoio? ....................................................................................................................... 7 Tarefas (avaliação e auto-avaliação) .......................................................................................... 8 Avaliação .................................................................................................................................... 9 TEMA I: CONSIDERAÇÕES GERAIS SOBRE A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA 11 TEMA UNIDADE Temática 1.1 - Noção e diferentes sentidos (orgânico e material); EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.2 - Fim da Administração Pública e Formas da actividade administrativa; - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.4 - Modelos de Administração; - A administração pública e as funções do Estado; - EXERCÍCIOS deste tema TEMA II: – CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA UNIDADE Temática 2.1 - As Pessoas Colectivas Públicas; 2.1.1 Conceito de organização pública; 2.1.2 Preliminares; 2.1.3 Conceito de Pessoas Colectivas Públicas; 2.1.4 Espécies; 2.1.5 Regime jurídico das Pessoas Colectivas Públicas; 2.1.6 Atribuições e missões das Pessoas Colectivas Públicas: fins; 2.1.7 Órgãos das Pessoas Colectivas Públicas; 2.1.7.1 Noção. 2.1.8 Classificação dos órgãos. - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 2.2 - Serviços Públicos 2.2.1 Noção do serviço público; 2.2.1.1 Serviço público no sentido orgânico; 2.1.1.2 Serviço público no sentido material; 2.2.2 Classificação dos serviços públicos; 2.2.3 Princípios fundamentais do serviço público; ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública iv 2.2.4 Organização dos serviços públicos. - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 2.3 - Centralização e Descentralização administrativa; concentração e desconcentração; delegação de poderes. 2.3.1 Centralização e descentralização: generalidades; 2.3.2 Conceito de descentralização; 2.3.3 As vantagens da descentralização; 2.3.4 As desvantagens da descentralização; 2.3.5 Centralização; 2.3.5.1 As vantagens da centralização; 2.3.5.2 As desvantagens da centralização; 2.3.6 Concentração e desconcentração; 2.3.7 A delegação de poderes. - EXERCÍCIOS deste tema TEMA III: A ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO GOVERNO 3. A Organização e Funcionamento do Governo 3.1 O Governo: caracterização; 3.1.1 Estrutura e funções do Governo; 3.1.2 Funcionamento do Governo; 3.1.3 Primeiro-Ministro e seu Gabinete 3.1.4 Ministérios. - EXERCÍCIOS deste tema TEMA IV:A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PERIFÉRICA DO ESTADO 4. A Administração Pública Periférica do Estado 4.1 A Administração Pública Periférica do Estado: noção e composição; - EXERCÍCIOS deste tema TEMA V: A ADMINISTRAÇÃO DIRECTA E INDIRECTA DO ESTADO 5.1 Conceito de Estado; 5.2 Administração Directa do Estado; 5.3 A Administração Indirecta do Estado; 5.3.1 Âmbito e objectivos da administracão indirecta do Estado; 3.3.2 Os Institutos Públicos; 5.3.2.1 Tipologia de institutos públicos e formas de sua extinção 5.3.3 Empresas Públicas - EXERCÍCIOS deste tema ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 1 Visão geral Benvindo à Disciplina/Módulo de Administração Pública Comparada Objectivos do Módulo Ao terminar o estudo deste módulo de Governo e Administração Pública, o estudante deverá ser capaz de compreender o estudo do sistema de governo e administração pública, considerando os seus princípios e conceitos fundamentais, bem como a sua estrutura institucional e organizatória, com especial enfoque para Moçambique. De forma específica, deverá: Objectivos Específicos Compreender as diferentes acepções da Administração Pública, tendo em atenção a sua inserção no tempo e espaço; Abordar os conceitos fundamentais da organização administrativa; Conhecer o domínio científico das Pessoas Colectivas Públicas, descentralização e desconcentração administrativas; Explicar os princípios fundamentais do sector público e a sua organização; Dominar e relacionar os modelos de descentralização e enquadrá-los no contexto moçambicano. Descrever a organização e funcionamento do Governo no contexto moçambicano. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 2 Quem deveria estudar este módulo Este Módulo foi concebido para estudantes do 3º ano do curso de licenciatura emAdministração Pública do ISCED. Poderá ocorrer, contudo, que haja leitores que queiram se actualizar e consolidar seus conhecimentos nessa disciplina, esses serão bem vindos, não sendo necessário para tal se inscrever. Mas poderá adquirir o manual. Como está estruturado este módulo Este módulo de Governo e Administração Pública, para estudantes do3º ano do curso de licenciatura em Administração Pública, à semelhança dos restantes do ISCED, está estruturado como se segue: Páginas introdutórias Um índice completo. Uma visão geral detalhada dos conteúdos do módulo, resumindo os aspectos-chave que você precisa conhecer para melhor estudar. Recomendamos vivamente que leia esta secção com atenção antes de começar o seu estudo, como componente de habilidades de estudos. Conteúdo desta Disciplina / módulo Este módulo está estruturado em Temas. Cada tema, por sua vez comporta certo número de unidades temáticas ou simplesmente unidades,. Cada unidade temática se caracteriza por conter uma introdução, objectivos, conteúdos. No final de cada unidade temática ou do próprio tema, são ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 3 incorporados antes o sumário, exercícios de auto-avaliação, só depois é que aparecem os exercícios de avaliação. Os exercícios de avaliação têm as seguintes caracteristicas: Puros exercícios teóricos/Práticos, Problemas não resolvidos e actividades práticas, incluíndo estudos de caso. Outros recursos A equipa dos académicos e pedagogos do ISCED, pensando em si, num cantinho, recóndito deste nosso vasto Moçambique e cheio de dúvidas e limitações no seu processo de aprendizagem, apresenta uma lista de recursos didácticos adicionais ao seu módulo para você explorar. Para tal o ISCED disponibiliza na biblioteca do seu centro de recursos mais material de estudos relacionado com o seu curso como: Livros e/ou módulos, CD, CD- ROOM, DVD. Para elém deste material físico ou electrónico disponível na biblioteca, pode ter acesso a Plataforma digital moodle para alargar mais ainda as possibilidades dos seus estudos. Auto-avaliação e Tarefas de avaliação Tarefas de auto-avaliação para este módulo encontram-se no final de cada unidade temática e de cada tema. As tarefas dos exercícios de auto-avaliação apresntam duas caracteristicas: primeiro apresentam exercícios resolvidos com detalhes. Segundo, exercícios que mostram apenas respostas. Tarefas de avaliação devem ser semelhantes às de auto-avaliação mas sem mostrar os passos e devem obedecer o grau crescente de dificuldades do processo de aprendizagem, umas a seguir a outras. Parte das terefas de avaliação será objecto dos trabalhos de ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 4 campo a serem entregues aos tutores/doceentes para efeitos de correcção e subsequentemente nota. Também constará do exame do fim do módulo. Pelo que, caro estudante, fazer todos os exrcícios de avaliação é uma grande vantagem. Comentários e sugestões Use este espaço para dar sugestões valiosas, sobre determinados aspectos, quer de natureza científica, quer de natureza diadáctico- Pedagógica, etc, sobre como deveriam ser ou estar apresentadas. Pode ser que graças as suas observações que, em goso de confiança, classificamo-las de úteis, o próximo módulo venha a ser melhorado. Ícones de actividade Ao longo deste manual irá encontrar uma série de ícones nas margens das folhas. Estes icones servem para identificar diferentes partes do processo de aprendizagem. Podem indicar uma parcela específica de texto, uma nova actividade ou tarefa, uma mudança de actividade, etc. Habilidades de estudo O principal objectivo deste campo é o de ensinar aprender a aprender. Aprender aprende-se. Durante a formação e desenvolvimento de competências, para facilitar a aprendizagem e alcançar melhores resultados, implicará empenho, dedicação e disciplina no estudo. Isto é, os bons resultados apenas se conseguem com estratégias eficientes e eficazes. Por isso é importante saber como, onde e quando estudar. Apresentamos algumas sugestões com as quais esperamos ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 5 que caro estudante possa rentabilizar o tempo dedicado aos estudos, procedendo como se segue: 1º Praticar a leitura. Aprender a Distância exige alto domínio de leitura. 2º Fazer leitura diagonal aos conteúdos (leitura corrida). 3º Voltar a fazer leitura, desta vez para a compreensão e assimilação crítica dos conteúdos (ESTUDAR). 4º Fazer seminário (debate em grupos), para comprovar se a sua aprendizagem confere ou não com a dos colegas e com o padrão. 5º Fazer TC (Trabalho de Campo), algumas actividades práticas ou as de estudo de caso se existirem. IMPORTANTE: Em observância ao triângulo modo-espaço-tempo, respectivamente como, onde e quando...estudar, como foi referido no início deste item, antes de organizar os seus momentos de estudo reflicta sobre o ambiente de estudo que seria ideal para si: Estudo melhor em casa/biblioteca/café/outro lugar? Estudo melhor à noite/de manhã/de tarde/fins de semana/ao longo da semana? Estudo melhor com música/num sítio sossegado/num sítio barulhento!? Preciso de intervalo em cada 30 minutos, em cada hora, etc. É impossível estudar numa noite tudo o que devia ter sido estudado durante um determinado período de tempo; Deve estudar cada ponto da matéria em profundidade e passar só ao seguinte quando achar que já domina bem o anterior. Privilegia-se saber bem (com profundidade) o pouco que puder ler e estudar, que saber tudo superficialmente! Mas a melhor opção é juntar o útil ao agradável: Saber com profundidade todos conteúdos de cada tema, no módulo. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 6 Dica importante: não recomendamos estudar seguidamente por tempo superior a uma hora. Estudar por tempo de uma hora intercalado por 10 (dez) a 15 (quinze) minutos de descanso (chama-se descanso à mudança de actividades). Ou seja que durante o intervalo não se continuar a tratar dos mesmos assuntos das actividades obrigatórias. Uma longa exposição aos estudos ou ao trabalhjo intelectual obrigatório, pode conduzir ao efeito contrário: baixar o rendimento da aprendizagem. Por que o estudante acumula um elevado volume de trabalho, em termos de estudos, em pouco tempo, criando interferência entre os conhecimento, perde sequência lógica, por fim ao perceber que estuda tanto mas não aprende, cai em insegurança, depressão e desespero, por se achar injustamente incapaz! Não estude na última da hora; quando se trate de fazer alguma avaliação. Aprenda a ser estudante de facto (aquele que estuda sistemáticamente), não estudar apenas para responder a questões de alguma avaliação, mas sim estude para a vida, sobre tudo, estude pensando na sua utilidade como futuro profissional, na área em que está a se formar. Organize na sua agenda um horário onde define a que horas e que matérias deve estudar durante a semana; Face ao tempo livre que resta, deve decidir como o utilizar produtivamente, decidindo quanto tempo será dedicado ao estudo e a outras actividades. É importante identificar as ideias principais de um texto, pois será uma necessidade para o estudo das diversas matérias que compõem o curso: A colocação de notas nas margens pode ajudar a estruturar a matéria de modo que seja mais fácil identificar as partesque está a estudar e Pode escrever conclusões, exemplos, vantagens, definições, datas, nomes, pode também utilizar a ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 7 margem para colocar comentários seus relacionados com o que está a ler; a melhor altura para sublinhar é imediatamente a seguir à compreensão do texto e não depois de uma primeira leitura; Utilizar o dicionário sempre que surja um conceito cujo significado não conhece ou não lhe é familiar; Precisa de apoio? Caro estudante, temos a certeza que por uma ou por outra razão, o material de estudos impresso, lhe pode suscitar algumas dúvidas como falta de clareza, alguns erros de concordância, prováveis erros ortográficos, falta de clareza, fraca visibilidade, páginas trocadas ou invertidas, etc). Nestes casos, contacte os seriços de atendimento e apoio ao estudante do seu Centro de Recursos (CR), via telefone, sms, E-mail, se tiver tempo, escreva mesmo uma carta participando a preocupação. Uma das atribuições dos Gestores dos CR e seus assistentes (Pedagógico e Administrativo), é a de monitorar e garantir a sua aprendizagem com qualidade e sucesso. Dai a relevância da comunicação no Ensino a Distância (EAD), onde o recurso as TIC se torna incontornável: entre estudantes, estudante – Tutor, estudante – CR, etc. As sessões presenciais são um momento em que você caro estudante, tem a oportunidade de interagir fisicamente com staff do seu CR, com tutores ou com parte da equipa central do ISCED indigetada para acompanhar as sua sessões presenciais. Neste período pode apresentar dúvidas, tratar assuntos de natureza pedagógica e/ou admibistrativa. O estudo em grupo, que está estimado para ocupar cerca de 30% do tempo de estudos a distância, é muita importância, na medida em que permite lhe situar, em termos do grau de aprendizagem ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 8 com relação aos outros colegas. Desta maneira ficar’a a saber se precisa de apoio ou precisa de apoiar aos colegas. Desenvolver habito de debater assuntos relacionados com os conteúdos programáticos, constantes nos diferentes temas e unidade temática, no módulo. Tarefas (avaliação e auto-avaliação) O estudante deve realizar todas as tarefas (exercícios, actividades e autoavaliação), contudo nem todas deverão ser entregues, mas é importante que sejam realizadas. As tarefas devem ser entregues duas semanas antes das sessões presenciais seguintes. Para cada tarefa serão estabelecidos prazos de entrega, e o não cumprimento dos prazos de entrega, implica a não classificação do estudante. Tenha sempre presente que a nota dos trabalhos de campo conta e é decisiva para ser admitido ao exame final da disciplina/módulo. Os trabalhos devem ser entregues ao Centro de Recursos (CR) e os mesmos devem ser dirigidos ao tutor/docente. Podem ser utilizadas diferentes fontes e materiais de pesquisa, contudo os mesmos devem ser devidamente referenciados, respeitando os direitos do autor. O plágio1 é uma viloção do direito intelectual do(s) autor(es). Uma transcrição à letra de mais de 8 (oito) palavras do testo de um autor, sem o citar é considerado plágio. A honestidade, humildade científica e o respeito pelos direitos autoriais devem caracterizar a realização dos trabalhos e seu autor (estudante do ISCED). 1 Plágio - copiar ou assinar parcial ou totalmente uma obra literária, propriedade intelectual de outras pessoas, sem prévia autorização. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 9 Avaliação Muitos perguntam: Com é possível avaliar estudantes à distância, estando eles fisicamente separados e muito distantes do docente/turor!? Nós dissemos: Sim é muito possível, talvez seja uma avaliação mais fiável e concistente. Você será avaliado durante os estudos à distância que contam com um mínimo de 90% do total de tempo que precisa de estudar os conteúdos do seu módulo. Quando o tempo de contacto presencial conta com um máximo de 10%) do total de tempo do módulo. A avaliação do estudante consta detalhada do regulamentada de avaliação. Os trabalhos de campo por si realizaos, durante estudos e aprendizagem no campo, pesam 25% e servem para a nota de frequência para ir aos exames. Os exames são realizados no final da cadeira disciplina ou modulo e decorrem durante as sessões presenciais. Os exames pesam no mínimo 75%, o que adicionado aos 25% da média de frequência, determinam a nota final com a qual o estudante conclui a cadeira. A nota de 10 (dez) valores é a nota mínima de conclusão da cadeira. Nesta cadeira o estudante deverá realizar pelo menos 2 (dois) trabalhos e 1 (um) (exame). Algumas actividades praticas, relatórios e reflexões serão utilizados como ferramentas de avaliação formativa. Durante a realização das avaliações, os estudantes devem ter em consideração a apresentação, a coerência textual, o grau de cientificidade, a forma de conclusão dos assuntos, as ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 10 recomendações, a identificação das referências bibliográficas utilizadas, o respeito pelos direitos do autor, entre outros. Os objectivos e critérios de avaliação constam do Regulamento de Avaliação. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 11 TEMA – I: INTRODUÇÃO À ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA . UNIDADE Temática 1.1 - Noção e diferentes sentidos (orgânico e material); - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.2 - Fim da Administração Pública e Formas da actividade administrativa; - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.3 - Modelos de Administração. - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 1.1. Noção e diferentes sentidos (orgânico e material) Introdução Compreender a Administração, de forma geral, se afigura tarefa de todos nós, visto que ela se insere no contexto do nosso quotidiano. Todavia, ao acrescentar-lhe a expressão “Pública” remete-nos a uma amplitude na sua abordagem. Senão vejamos: A administração consiste na função de se conseguir alcançar certos e determinados objectivos, através de uma organização, cooperação, responsabilização e combinação de meios humanos, materiais e financeiros, o que pressupõe fazer as coisas por meio de pessoas e de maneira eficiente e eficaz. Ora, a acepção Administração Pública nos vai remeter a análise de aspectos positivos de determinada gestão pública e sua possível aplicação em outras realidades, regiões, países. A realidade de cada país e sua situação deve ser um dos critérios a ser levado ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 12 em consideração na análise da aplicabilidade de programas, projectos e serviços em diferentes contextos. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Compreender as diferenças existentes entre a função administrativa do Estado e Administração Pública; o Explicar o conceito de Administração Pública nos vários sentidos (orgânico ou subjectivo e material ou objectivo); o Entender e aplicar na prática as funções da Administração pública. 1.1.1 Administração Pública – os vários sentidosO foco da administração pública encontra-se na prestação de serviços públicos. Além dos serviços tradicionais (municipal, cuidados de saúde, escola, serviços de transporte etc.), eles também incluem algumas actividades de administração "clássicos" em países avançados, como a emissão de licenças, autorizações, documentos, certificados, fornecendo informações etc. Um número de essas actividades não são mais vistos como um domínio exclusivo do Estado. Algumas experiências mostram que muitas tarefas operacionais, profissionais de tomada de decisão, execução de supervisão, testes, etc. podem ser descentralizadas e transferidas para o auto-governo ou entidades privadas. A complexidade da organização social e da vida em colectividade torna urgente a criação de organismos cuja finalidade seja a de proporcionar a cada um de nós os meios adequados à satisfação das nossas necessidades, individuais e colectivas. Estes ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 13 organismos podem estar na dependência directa do Estado ou, não o estando, prosseguirem, mesmo assim, a satisfação das necessidades da colectividade. Deste modo, e de acordo com CARVALHEDA (1992), a Administração Pública seria, em sentido lato, o conjunto de actividades conduzidas pelo Estado e por outros organismos públicos que, directa ou indirectamente visam o emprego racional dos meios adequados à satisfação das necessidades colectivas. Assim considerada, a Administração Pública englobaria toda a actividade do Estado. De forma mais restrita, a Administração Pública reside, apenas, nas actividades conduzidas pelo Estado e pelas restantes entidades públicas, com o objectivo de satisfazer as necessidades colectivas de segurança e bem-estar. Portanto, objectivando o conceito de Administração Pública, há que ressalvar a ambiguidade nele existente, donde se pode aferir que, a Administracão Pública será: o A actividade conduzida pelo Estado e pelos outros orgãos, no sentido de assegurar a satisfação das necessidades colectivas, ou o O conjunto de órgãos cuja actuação permita a satisfação daquelas necessidades. Desta dicotomia, resultam os conceitos de Administração Pública em sentido material e em sentido orgânico. Assim sendo, fala-se de Administração Pública em sentido material, quando se atende às actividades desenvolvidas com o objectivo de satisfazer as necessidades colectivas. Por sua vez, o conceito de Administração Pública em sentido orgânico contempla o conjunto de entidades e organismos cuja actividade permite a satisfação das necessidades colectivas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 14 A Administração Pública será, portanto, “ou o conjunto de serviços, organismos e entidades – administração pública em sentido orgânico ou subjectivo – que actuam por forma disciplinada, regular e contínua para cabal satisfação das necessidades colectivas – administração pública em sentido material ou objectivo...”2 1.1.2 Administração Pública em Sentido Material Anteriormente, referimo-nos ao que se podia designar Administração Pública: o O conjunto de operações e decisões desenvolvidas por diversas entidades, públicas e privadas, com o objectivo de satisfazer necessidades colectivas; nisto consistirá a Administração Pública em sentido material; o O conjunto de órgãos e instituições que desenvolvem aquelas actividades; este aspecto corresponderia à Administração Pública em sentido orgânico. Ora, de acordo com MACIE (2012), a Administração Pública corresponde à actividade desenvolvida pelos órgãos, serviços e agentes do Estado mediante a emanação de actos concretos e executórios para a prossecução directa, indirecta, contínua, regular e imediata do interesse público. Se se assumir que a Administração Pública é desenvolvida não só pelo Estado, como também por outras entidades públicas diferentes dele em termos jurídicos, e/ou pelas entidades privadas que exercem poderes públicos para tal conferidas por concessão. Portanto, a Administração Pública, em sentido material refere-se a actividade típica dos organismos e indivíduos que, sob a direcção ou fiscalização do poder político, desempenham em nome da colectividade a tarefa de promover à satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem estar económico e social, nos termos estabelecidos 2 Diogo Freitas do Amaral, Curso de Direito Administrativo, 3ª edição, 2008. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 15 pela legislação aplicável. Isto pressupõe dizer que a administração pública se vincula à lei e a técnica. 1.1.3 Administração Pública em Sentido Orgânico Quando se fala de Administração Pública pensamos, imediatamente, no conjunto de tarefas que, coerentemente relacionadas, asseguram a segurança e o bem-estar, social e material, das populações de um país ou região. Todavia, não é possível dissociar tais tarefas dos órgãos que as desempenham e, pensar nos órgãos que desempenham aquelas funções é pensar no sentido orgânico que a Administração Pública pode assumir. Desta feita, tal como Diogo Freitas do Amaral (2008: 34) se refere, podemos entender a Administração Pública em sentido orgânico como o sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado, bem como das demais pessoas colectivas públicas, que asseguram em nome da colectividade a satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem- estar. É importante referir que este sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado distingue-se dos órgãos, serviços e agentes do poder legislativo e judicial, que também tem a sua administração, neste caso, administração parlamentar3 e administração da justiça, respectivamente. Em suma, a Administração Pública é o conjunto de órgãos e serviços públicos que asseguram a realização de actividades administrativas, visando a satisfação de necessidades colectivas. 3 A administração parlamentar é regida pela Lei número 31/2009, de 29 de Setembro, que regula a orgânica geral da Assembleia da República. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 16 Sumário Nesta Unidade temática 1.1 estudamos e discernimos o contexto de abordagem da Administração Pública, nos sentidos material e orgânico, em que a sua essência se volta ao conjunto de órgãos e serviços públicos que asseguram a realização de actividades administrativas, visando a satisfação de necessidades colectivas. Vimos, igualmente, que a concepção de administração pública como serviço ao público não significa, por outro lado, uma negação do poder, componente autoritária da administração pública. Este compreende tarefas no domínio da segurança e ordem interna, regulação e aplicação do cumprimento de obrigações legais, a aplicação de ferramentas de supervisão administrativa, a imposição e execução de sanções dentro dos limites da autoridade administrativa etc. O conteúdo material e extensão das tarefas e dos serviços públicos dependem de como a importância de automatismos sociais e a extensão da intervenção do Estado é vista em um período específico, como o equilíbrio entre a liberdade de um indivíduo e sua responsabilidade para si mesmo, por um lado e cuidado solidário da comunidade humana para um indivíduo e responsabilidade para ele, poroutro lado operar. Esta é uma questão de protecção e execução de interesses e valores reconhecida pela maioria decisiva dos cidadãos. As características básicas da administração pública compreendem o conhecimento dos objectivos heterogéneos e muitas vezes contraditórias que ele é obrigado a defender. No presente período, de principais mudanças sociais e as novas exigências que devem ser garantidos apesar dos recursos financeiros e humanos limitados, a política pública é exposta muito mais à pressão, para fazer a selecção responsável dos objectivos prioritários e ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 17 redefinir tarefas e funções da administração pública em conformidade com o interesse geral. Um diálogo profissional e política permanente são fundamentais para o processo de definição dessas tarefas e funções, levando a novas soluções económicas, legais e outras. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Defina a Administração Pública nos dois sentidos (material e orgânico). 2. Distingue e caracterize os dois sentidos, dando exemplos. 3. A Administração Pública serve o interesse público e na sua actuação respeita os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Fundamenta. 4. Refira-se à necessidade de criação de organismos cuja finalidade seja a de proporcionar a cada um de nós os meios adequados à satisfação das nossas necessidades, individuais e colectivas; UNIDADE Temática 1.2. Evolução e Fim da AdministraçãoPública Introdução A Administração Pública se liga ao interesse público e às necessidades sociais, valendo-se, para tanto, de toda a sua estrutura administrativa, directa ou indirecta, bem como das ferramentas que a legislação lhe permite utilizar. Assim, para cumprir a função administrativa, sempre direccionada ao interesse público, o Estado se vale de certas prerrogativas que lhes são asseguradas pela lei. Todavia, tais prerrogativas instrumentais devem ser utilizadas no limite suficiente para o cumprimento dos fins a que se destinam ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 18 Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Descrever as fases da evolução da Administração Pública; o Entender o fim prosseguido pela Administração Pública; o Explicar os fins da Administração Pública na sua relação com os interesses sociais. 1.2 A Evolução da Actividade Administrativa Tendo assumido que a Administração Pública é a máquina que visa a prossecução das actividades do Estado, de certeza que você concluiu que os dois termos têm evoluído de forma paralela. É nesta tendência que a Administração Pública assumiu diversas configurações e actuações ao longo do tempo, acompanhando a dinâmica e a natureza dos Estados. Fazendo uma análise desse percurso histórico vai entender que o dinamismo da vida foi coberto em três fases essenciais, a saber: 1ª Fase: Administração Pública da Discricionariedade Esta fase remonta desde o surgimento dos Estados até ao fim das Monarquias absolutas, nos finais do século XIX, e apresenta as seguintes características: Era uma administração fortemente centralizada, reflectindo a natureza do poder político então vigente, que eram as monarquias absolutas já citadas, que se baseavam, fundamentalmente no princípio de Subserviência e lealdade, portanto: Os súbditos deviam pagar tributos regulares ao rei; ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 19 Os agentes administrativos do Rei eram designados por servos do Rei e gozavam de um estatuto especial; O acesso aos bens e ou serviços públicos era uma retribuição merecida aos súbditos bem comportados, isto é, àqueles que demonstravam lealdade ao Rei e pagavam tributo com regularidade. Como pode notar, com as características aqui apresentadas, facilmente se conclui que, rigorosamente, nesta fase não havia Administração Pública, mas sim, uma Administração Real. 2ª Fase: Administração Pública da legalidade Esta surgiu nos finais do Século XIX, com a queda das monarquias absolutas e o advento das repúblicas. Apresenta as seguintes características: A Administração Pública passa a ser regida por normas próprias, (normas administrativas), resultantes do surgimento de um Estado de direito, isto é, ultrapassando a fase em que a lei era o Rei; Passam a existir funcionários públicos, que devem lealdade às normas e ao Estado e jamais ao Rei, Os antigos súbditos evoluem para a categoria de cidadãos e, como tal, passam a usufruir de direitos, incluindo políticos, dentre os quais se destacam os direitos de eleger e ser eleito, Os cidadãos passam a pagar impostos ao Estado, em vez dos anteriores tributos, pagos ao Rei. 3ª Fase: Administração Pública Sociedade Anónima (SA) Esta é a fase mais moderna e altamente avançada da evolução da Administração Pública, apresentando as seguintes características: ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 20 A satisfação das necessidades públicas deixa de ser uma recompensa tal como foi na 1ª fase, deixando de ser um direito como foi na 2ª e passa a ser uma exigência dos cidadãos. Estas exigências resultam do alto nível de consciência cívica dos cidadãos, que sabem que o Estado e a Administração Pública foram criados para satisfazer as necessidades públicas (dos cidadãos). São igualmente os cidadãos que elegem os governantes, estes para os servirem e pagam impostos para financiar as actividades da Administração Pública e por último, são também eles os clientes que adquirem os bens e serviços produzidos pela Administração Pública. É por estas razões que os cidadãos, nesta fase, sentem-se como sendo uma espécie de accionistas e simultaneamente clientes da Administração Pública; daí se justifique a razão de fazerem exigências, É uma Administração Pública voltada para o alcance dos resultados que satisfazem as exigências dos cidadãos, de forma eficiente e eficaz, É uma Administração que, em princípio, deve ser menos burocratizada, para simplificar os procedimentos, com uma estrutura simplificada e altamente profissionalizada. 1.2.1 Fim da Administração Pública (a prossecução do interesse público) e formas da actividade administrativa Tal como dissemos atrás, ao falarmos em administração pública tem-se presente todo o conjunto de necessidades colectivas cuja satisfação é assumida como tarefa fundamental pela colectividade, através de serviços organizados e mantidos por esta. É por esta e outras razões que onde quer que exista e se manifeste uma necessidade colectiva, aí irá surgir um serviço público destinado a satisfazê-la, em nome e no interesse da colectividade. Da assumpção acima e, tal como se refere FREITAS DO AMARAL (2008:27) a Administração Pública prossegue o ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 21 interesse público, como fundamento de toda e qualquer actividade sua. Por esta via, olhando para o nosso contexto moçambicano e à luz do artigo 249, n◦s 1 e 2 da Constituição da República de Moçambique (2004) “A Administração Pública serve o interesse público e na sua actuação respeita os direitos e liberdades fundamentais dos cidadãos. Os órgãos da Administração Pública obedecem à Constituição e à lei e actuam com respeito pelosprincípios da igualdade, da imparcialidade, da ética e da justiça”. Isto, quer em outras palavras dizer que a acção da actividade administrativa é neutra e desinteressada, com responsabilidade técnica e legal pela execução, colocando em prática as opções fundamentais pela função política. Neste contexto, o interesse público é absolutamente indissociável a qualquer actividade administrativa, independentemente de quem for a levá-la a cabo, deixando o interesse público superior a qualquer interesse privado. Ademais, fica claro que a Administração Pública é detentora de meios de acção administrativa para a prossecução do interesse público de segurança, cultura e bem-estar, diferentemente dos privados:o poder administrativo. A administração pública que funcione bem deve proporcionar condições para a prosperidade público e privada através da criação de uma infra-estrutura ideal e racional por meio da modernização de redes de comunicação, sistemas de serviços de informação para os cidadãos e das empresas, através do fornecimento de assistência profissional para autoridades de governo próprio bem como através do apoio aos investimentos em interesse público etc. Assim, uma forma racional e eficaz para o funcionamento da administração moderna (pública) é um pré-requisito substancial e insubstituível para o crescimento económico e desenvolvimento social. Outra função importante da administração pública é assegurar e fortalecer as instituições e os mecanismos ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 22 democráticos. Duas principais direcções do desenvolvimento da democracia política podem ser mencionados aqui: a) para o fortalecimento de instituições e mecanismos da democracia representativa, e também b) para o desenvolvimento de instituições e mecanismos de democracia participativa, ou seja, a participação directa dos cidadãos e suas organizações na gestão e na administração do Estado. A avaliação da administração pública depende do cumprimento das suas tarefas e funções, isto é, como ele contribui para assegurar tarefas sociais e objectivos. O que é importante são os resultados de suas actividades (ou não- actividades). Em seguida, há uma questão de como adequada é a sua organização interna para o desempenho das suas funções, bem como para o suporte da sua eficácia externa. 1.2.2 Orientação para proteger os interesses públicos como o ponto de partida Assumimos que as funções e tarefas da administração pública podem e devem ser derivadas de interesses públicos identificados e reconhecidos desde os de proteger que são a razão de sua própria existência. A maneira em que os interesses gerais ou públicos são aceites e satisfeitos é uma secção transversal de tradições históricas, a fase de desenvolvimento concreto da respectiva sociedade, a estrutura institucional existente da administração pública, bem como a ênfase política aplicada. A orientação da administração pública no sentido de garantir o interesse público pode ser entendida como a sua direcção para a solução de problemas concretos dos cidadãos individuais e grupos populacionais e no sentido de garantir o funcionamento da sociedade como um todo. A este respeito, a administração pública está interligada com a ordem pública, cujo objectivo é identificar, expressar e reconhecer os interesses públicos e de escolher os ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 23 meios adequados de satisfazê-las. Naturalmente, o processo de identificação, reconhecimento e os interesses públicos satisfatórios é sempre influenciada pela interpretação política e ideologicamente afectada. Os interesses públicos identificados e reconhecidos podem se tornar uma boa base para diferenciar as funções da administração pública. Neste sentido, mudanças significativas ocorrem, regra geral, em conexão com a reforma económica, democratização política e com a protecção dos direitos humanos e liberdades fundamentais. 1.2.3 Distinção entre administração pública e administração privada Tanto a Administração Pública, quer a privada consistem numa acção humana visando prosseguir certos e determinados objectivos definidos com vista ao alcance de certos resultados, o que implica a adopção de certos princípios à busca de eficiência. Porém, conhecem dissemelhanças. A expansão do sector público em empresas industriais tem sido, na prática, por algum tempo, um pouco mais de meio século aos dias hodiernos. As organizações do sector público, a fim de funcionar de forma eficiente tem estado a fazer uso do conhecimento do negócio, administração e processo de orientação das organizações privadas. No entanto, continua a existir uma diferença considerável entre estas duas práticas administrativas. Seria interessante para aprender sobre as semelhanças e diferenças entre estes dois para chegar a uma melhor compreensão. Vamos primeiro entender as diferenças e ver o que os autores e especialistas no assunto têm a dizer sobre isso. De acordo com Paul H. Appleby a administração pública é diferente de administração privada em três aspectos importantes, o primeiro é o caráter político, em segundo lugar a amplitude de alcance, impacto e consideração e responsabilidade pública. Estas diferenças parecem muito fundamentais e ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 24 muito válidos na linha de nossa própria exploração do assunto em abordagens acima feitas. Josia Carimbo (2000) foi para além das diferenças acima referidas e identificou quatro aspectos, dos quais o único semelhante é o da prestação pública de contas ou responsabilidade pública. Os outros três são os seguintes: Princípio de uniformidade Princípio do controlo financeiro externo Princípio da motivação do serviço Herbert Simon referiu, de forma prática e fácil de entender, diferenças baseadas em crenças populares e imaginação e, portanto, pode parecer mais atraente. Ele disse que a administração pública é burocrática enquanto a administração privada é negócio. A administração pública é política, enquanto a administração privada é apolítico. E finalmente; o aspecto mais saliente é o de que a administração pública é caracterizada pela burocracia enquanto a administração privada é livre dela. O guru da administração Peter Drucker resume a diferença de forma mais abrangente. Ele diz que a própria intuição que regula os dois tipos de administração é diferente um do outro. Enquanto as funções da administração pública centram-se sobre o serviço de instituição, a administração privada segue a intuição de negócios. Eles também têm efeitos diferentes para servir, com diferentes necessidades, valores e objectivos. Ambos fazem diferentes tipos de contribuição para a sociedade também. A forma como o desempenho e os resultados são medidos é diferente em uma administração pública do que a de um privado. Vamos agora entender as semelhanças entre os dois e ver em que medida e em que áreas eles são semelhantes. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 25 Qualquer um ficaria surpreso ao saber que existem muitas semelhanças entre as formas pelas quais um público é e uma série de funções de administração de particulares. As semelhanças são muitas que alguns especialistas no assunto e autores como Henry Fayol, MP Follet, Lyndall Urvick não os tratam como diferentes. Fayol disse que todos os tipos de função de administraçãoapresentam um princípio geral, independentemente de serem públicos ou privados. O planeamento, organização, comando e controle são semelhantes para todas as administrações. Os argumentos acima e vários outros pontos sugeridos e ilustradas por outros autores também apontam claramente que há mais semelhanças entre as duas administrações. Os aspectos gerenciais de planeamento, organização, coordenação e controle são as mesmas para a administração pública e privada; Os aspectos contábeis, como manutenção de contas, arquivamento, estatísticas são os mesmos; Ambos têm uma cadeia hierárquica de comando ou de divulgação que a estrutura organizacional; Ambos podem se influenciar, adoptar e reformar suas práticas à luz das melhores práticas dos outros. Eles também compartilham o mesmo circuito de mão de obra; E, por último que partilham tipos semelhantes de pessoal e problemas financeiros. Em suma, quer isto dizer que a Administração pública prossegue funções públicas, isto é, assuntos da colectividade e dos seus membros – o interesse público. Por exemplo, a segurança, ordem pública, cultura, possibilidade de transporte público acessível. Quem administra coisa pública age em nome alheio, isto é, a Administração Pública é determinada por terceiros e para a utilidade destes. Todavia, a Administração privada prossegue fins pessoais ou particulares: tanto podem ser fins lucrativos ou altruístas, sem vinculação ao ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 26 interesse geral da colectividade. É verdade que até pode haver actividade privada que, visando a busca de lucros, se confunda com a prestação de interesse público, como fim essencial. Administração Pública Vs Administração Privada Administração Pública Administração Privada Quanto ao Objecto incide sobre as necessidades colectivas assumidas como tarefa e responsabilidade da comunidade. incide sobre necessidades individuais ou de grupo, com ou sem fins lucrativos, mas que não dizem respeito à comunidade globalmente considerada. Quanto ao Fim prossegue sempre o interesse público, respeitando princípios rígidos de actuação legalmente previstos. prossegue sempre fins particulares, pois não têm uma vinculação directa ao interesse geral da colectividade, podendo ser ou não lucrativos Quantos aos Meios desigualdade entre os intervenientes, havendo poder de comando unilateral por parte das entidades públicas, de forma a prosseguirem o interesse público definido por lei (seja através de actos normativos: os regulamentos administrativos; seja através de decisões individuais e concretas: os actos administrativos). impera o princípio jurídico da igualdade entre as partes e a liberdade contratual. Os particulares são iguais entre si e não podem impor aos outros a sua própria vontade, salvo acordo entre as partes - o contrato é assim o instrumento jurídico típico das relações privadas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 27 1.2.4 Formas da actividade administrativa A Ciência da Administração nos têm mostrado que determinados serviços são de exclusiva competência administrativa e outros, de natureza privada, pese embora ambos prosseguirem o interesse geral. Quer isto dizer que o estudo da actividade administrativa de gestão pública ou privada, consiste numa acção humana tendo em vista prosseguir certos objectivos definidos para o alcance de determinados resultados, implicando por via disso adoptar certos princípios à busca da eficiência. Não obstante esse facto, a administração pública visa prosseguir funções públicas (assuntos da colectividade e dos seus membros – o interesse público). São casos elucidativos desse interesse, a segurança, ordem pública, saúde, transporte público, etc. A administração pública funciona mediante o interesse público, agindo em nome alheio (terceiros). Em contraparte, a Administração privada prossegue fins particulares ou pessoais, voltados para o lucro e sem vinculação ao interesse geral da colectividade. Mas vezes há, em que esse interesse pode ser confundido com a prestação de serviços de interesse público, tal como sucede com os operadores privados de fornecimento de água. Este papel (prestação de serviço de interesse público) caberia à Administração Pública. Todavia, aqui temos uma aparente prestação pública visto que na mesma, os fornecedores privados de água procuram buscar ganhos pessoais ou lucro, através de cobranças feitas aos utentes pelo fornecimento de água. 1.2.5 A administração pública e as funções do Estado: A administração pública constitui também uma função – a função administrativa, merecendo, desta feita, um estudo distintivo com as outras funções do Estado. a) Política e Administração Pública: ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 28 De acordo com DIOGO FREITAS DO AMARAL (2008) a Política, enquanto actividade pública do Estado, tem um fim específico: definir o interesse geral da actividade. A Administração Pública existe para prosseguir outro objectivo: realiza em termos concretos o interesse geral definido pela política. O objecto da Política, são as grandes opções que o país enfrenta ao traçar os rumos do seu destino colectivo. O da Administração Pública, é a satisfação regular e contínua das necessidades colectivas da segurança, cultura e bem- estar económico e social. A Política reveste carácter livre e primário, apenas limitada em certas zonas pela Constituição, ao passo que a Administração Pública tem carácter condicionado e secundário, achando-se por definição subordinada às orientações da política e da legislação. Toda a Administração Pública, além da actividade administrativa é também execução ou desenvolvimento de uma política. Mas por vezes é a própria administração, com o seu espírito, com os seus homens e com os seus métodos, que se impõe e sobrepõe à autoridade política, por qualquer razão enfraquecida ou incapaz, caindo-se então no exercício do poder dos funcionários. b)Legislação e Administração: A função Legislativa encontra-se no mesmo plano ou nível, que a função Política. A diferença entre Legislação e Administração está no facto de, nos dias de hoje, a Administração Pública ser uma actividade totalmente subordinada à lei: é o fundamento, o critério e o limite de toda a actividade administrativa. Há, no entanto, pontos de contacto ou de cruzamento entre as duas actividades que convém desde já salientar brevemente. De uma parte, podem citar-se casos de leis que materialmente contêm ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 29 decisões de carácter administrativo. De outra parte, há actos da administração que materialmente revestem todos o carácter de uma lei, faltando-lhes apenas a forma e a eficácia da lei, para já não falar dos casos em que a própria lei se deixa completar por actos da Administração. c) Justiça e Administração Pública: Estas duas actividades têm importantes traços comuns: ambas são secundárias, executivas, subordinadas à lei: uma consiste em julgar, a outra em gerir. A Justiça visa aplicar o Direito aos casos concretos, a Administração Pública visa prosseguir interesses gerais da colectividade. A Justiça aguarda passivamente que lhe tragam os conflitos sobre que tem de pronunciar-se; a Administração Pública toma a iniciativa de satisfazer as necessidades colectivasque lhe estão confiadas. A Justiça está acima dos interesses, é desinteressada, não é parte nos conflitos que decide; a Administração Pública defende e prossegue os interesses colectivos a seu cargo, é parte interessada. Também aqui as actividades frequentemente se entrecruzam, a ponto de ser por vezes difícil distingui-las: a Administração Pública pode em certos casos praticar actos jurisdicionalizados, assim como os Tribunais Comuns, podem praticar actos materialmente administrativos. Mas, desde que se mantenha sempre presente qual o critério a utilizar – material, orgânico ou formal – a distinção subsiste e continua possível. Cumpre por último acentuar que do princípio da submissão da Administração Pública à lei, decorre um outro princípio, não menos importante – o da submissão da Administração Pública aos Tribunais, para apreciação e fiscalização dos seus actos e comportamentos. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 30 Sumário Nesta Unidade temática 1.2 ficou claro que pese embora “Administrar” ser, em geral, tomar decisões e efectuar operações com vista à satisfação de determinadas necessidades. É pois uma actividade que se concretiza na junção de meios humanos, materiais e financeiros no seio de uma organização, sendo que a Administração Pública prossegue o interesse público, como fundamento de toda e qualquer actividade sua. Ademais, a administração pública e a administração privada distinguem-se pelo objecto sobre que incidem, pelo fim que visam prosseguir e pelos meios que utilizam Outrossim, a Administração pública pauta-se pelo respeito de princípios jurídicos especialmente consagrados e que regem a sua actuação. Uma das características fundamentais do Estado moderno é a sujeição da administração pública ao Direito. Esta sujeição consubstancia a ideia de legalidade, ou seja, a Administração necessita de habilitação legal para agir, ao contrário dos privados que apenas estão impedidos de fazer aquilo que a lei proíba, para tudo o resto vale a liberdade de actuação e de autonomia privada. Igualmente, a Administração Pública em sentido material ou objectivo ou funcional pode ser definida como, a actividade típica dos organismos e indivíduos que, sob a direcção ou fiscalização do poder político, desempenham em nome da colectividade a tarefa de promover à satisfação regular e contínua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem- estar económico e social, nos termos estabelecidos pela legislação aplicável e sob o controle dos Tribunais competentes. A função Administrativa é aquela que, no respeito pelo quadro legal e sob a direcção dos representantes da colectividade, desenvolve as actividades necessárias à satisfação das necessidades colectivas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 31 Para além da função administrativa o Estado tem outras funções: • Política; • Legislativa; A função política do Estado tem como fim a definição do interesse geral da comunidade, o seu objecto são as grandes opções para o País, tem uma natureza criadora. A política tem um carácter livre e primário. A função administrativa tem como objectivo a realização do interesse geral da comunidade, a satisfação das necessidades colectivas, tem uma natureza executiva consistindo em pôr em prática as orientações políticas, o seu carácter é condicionado e secundário, está subordinado às orientações políticas e da legislação. Assim, a função política pertence aos órgãos superiores do Estado, enquanto a administração pública está normalmente entregue a órgãos secundários, no entanto está sujeita à fiscalização e à direcção dos órgãos superiores. A função legislativa também define opções, objectivos, normas. Hoje, a administração pública é uma actividade totalmente subordinada à lei. A lei é o fundamento, o critério e o limite de toda a actividade administrativa. A função de justiça é tal como a função administrativa, secundária, executiva e subordinada à lei. A diferença está em que a uma (justiça) cabe julgar, enquanto à administrativa cabe gerir. Em suma: 1. A questão básica é como a administração pública cumpre o seu papel, como e quão eficazmente o cumprimento das suas tarefas e funções e como ela é avaliada pelos cidadãos a este respeito. 2. No entanto, um pré-requisito para a acção orientada da administração pública é que ele deve saber o seu papel e as suas funções e que deve ser motivado o suficiente para cumpri-las, e que os cidadãos devem ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 32 ser familiarizados com eles de uma forma compreensível. 3. A restrição de espaço para a burocracia estatal é ligado em declarações políticas com a esperada redução dos serviços públicos, com várias formas de privatização dos serviços públicos, com a operação de mecanismos de mercado, com a descentralização em favor de auto-governo (mas também não precisa ser livre da burocracia, como mostra a experiência) ou com a restrição radical do número de funcionários administrativos. Mas, o real remédio só pode ser alcançado por meio de um sistema bem desenvolvido de "medidas combinadas" no organizacional, pessoal e campos legais (materiais, normas processuais e organizacionais), com apoio eficaz de tecnologias de informação e comunicacao ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 33 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 34 1. Descreva as fases da evolução da Administração Pública. 2. Administração Pública assumiu diversas configurações e actuações ao longo do tempo, acompanhando a dinâmica e a natureza dos Estados. - Diga em que fase se insere a dinâmica da actual AP moçambicana 3. Qual é o fim prosseguido pela Administração Pública? 4. Como é definido o fim da Administração Pública no contexto da Constituição da República de Moçambique (2004)? 5. Distingue a Administração pública da privada quanto ao: Objecto; Meios; e Fins. 6. Refira-se a Administração pública e as principais funções do Estado. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 35 TEMA – II: CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA. UNIDADE Temática 2.1 - As pessoas colectivas públicas; distinção entre pessoas colectivas públicas e privadas; Tipologia das pessoas colectivas públicas; - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 2.2 – Serviços Públicos: conceito, distinção e tipologia; Classificação; princípios fundamentais do serviço publico; e organização dos serviços públicos. - EXERCÍCIOS deste tema UNIDADE Temática 2.3 – Centralização e Descentralização administrativa; Concentracão e desconcentração; Delegação de poderes. - EXERCÍCIOS deste tema; UNIDADE Temática 2.1 - As Pessoas Colectivas Públicas Introdução Partindo do pressuposto de que Administração Pública é o sistema de órgãos, serviços e agentes do Estado, bem como das demais pessoas colectivas públicas, que asseguram em nome da colectividade a satisfação regular e continua das necessidades colectivas de segurança, cultura e bem-estar (Amaral 1994), a AP torna - se uma organização, na medida em que esta constitui um sistemade actividades, áreas ou sectores que agrupam conscientemente pessoas e ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 36 tecnologias, agindo para atingir determinados objectivos previamente estabelecidos. É também um sistema de actividades conscientemente coordenadas de duas ou mais pessoas. A cooperação entre elas é essencial para a existência da organização. As organizações permitem satisfazer diferentes tipos de necessidades dos indivíduos: emocionais, espirituais, intelectuais, económicas etc. Tal como acontece na AP. Em toda a pessoa colectiva tem de haver órgãos – Assembleia Geral, Presidência, Conselho Consultivo etc. A pessoa manifesta-se através do órgão. A pessoa não pode existir sem órgão; Os actos do órgão são actos da própria pessoa, daí que nesta unidade temática precisamos compreender que órgãos do Estado são centros autónomos institucionalizados, de que este se serve para realizar as suas funções, visando a prossecução dos seus fins. São permanentes e contínuos no tempo, possuem um complexo de poderes funcionais. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Compreender o conceito de Organização, espécies e regime jurídico de Pessoas colectivas; o Explicar o conceito, a classificação e o âmbito de actuação dos Órgãos de Pessoas Colectivas; 2.1.1 Conceito de Organização Pública De acordo com Marcelo CAETANO (1997) Organizar “é dispor os elementos necessários para prosseguir determinados objectivos segundo uma ordem estável que assegure a adequada integração e coordenação de actividades ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 37 humanas empregadas sobre a base da divisão de trabalho. No entanto, a organização pública é um grupo humano estruturado pelos representantes de uma comunidade com vista à satisfação de necessidades colectivas predeterminadas desta. O conceito de organização pública integra quatro elementos: a) Um grupo humano; b) Uma estrutura, isto é, um modo peculiar de relacionamento dos vários elementos da organização entre si e com o meio social em que ela se insere; c) O papel determinante dos representantes da colectividade do modo como se estrutura a organização; d) Uma finalidade, a satisfação de necessidades colectivas predeterminadas. 2.1.2 Preliminares Em relação às pessoas colectivas públicas, e de acordo com FREITAS AMARAL (2008) importa fazer três observações prévias. A primeira consiste em sublinhar que as expressões pessoa colectiva pública e pessoa colectiva de Direito Público são sinónimas, tal como o são igualmente entre si pessoa colectiva privada e pessoa colectiva de Direito Privado. Em segundo lugar, convém sublinhar desde já a enorme importância da categoria das pessoas colectivas públicas e da sua análise em Direito Administrativo. É que, na fase actual da evolução deste ramo de Direito e da Ciência que o estuda, em países como o nosso e em geral nos da família Romano-germânica, a Administração Pública é sempre representada, nas suas relações com os particulares, por pessoas colectivas públicas: na relação jurídico-administrativa, um dos sujeitos, pelo menos, é em regra uma pessoa ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 38 colectiva. Enfim, cumpre deixar claro que, ao fazer-se a distinção entre pessoas colectivas públicas e pessoas colectivas privadas, não se pretende de modo nenhum inculcar que as primeiras são as que actuam, sempre e apenas, sob a égide do Direito Público e as segundas as que agem, apenas e sempre, à luz do Direito Privado; nem tão-pouco se quer significar que umas só têm capacidade jurídica pública e que outras possuem unicamente capacidade jurídica privada. 2.1.3 Conceito de Pessoas Colectivas Públicas Em conformidade com FREITAS AMARAL (1994), Pessoas Colectivas Públicas são entes colectivos criados por iniciativa pública para assegurar a prossecução necessária de interesses públicos, dispondo de poderes políticos e estando submetidos a deveres públicos. Vejamos em que consistem os vários elementos desta definição: a) Trata-se de entidades criadas por iniciativa pública. O que significa que as pessoas colectivas públicas nascem sempre de uma decisão pública, tomada pela colectividade nacional, ou por comunidades regionais ou locais autónomas, ou proveniente de uma ou mais pessoas colectivas públicas já existentes: a iniciativa privada não pode criar pessoas colectivas públicas. As pessoas colectivas públicas são criadas por“iniciativa pública”, expressão ampla que cobre todas as hipóteses e acautela os vários aspectos relevantes: b) As pessoas colectivas públicas são criadas para assegurar a prossecução necessária de interesses públicos. Daqui decorre que as pessoas colectivas públicas, diferentemente das privadas, existem para prosseguir o interesse público – e não quaisquer outros fins. O interesse público não é algo que possa deixar de estar incluído nas atribuições de uma pessoa colectiva pública: é algo de essencial, pois ela é criada e existe para esse fim. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 39 c) As pessoas colectivas públicas são titulares, em nome próprio, de poderes e deveres públicos. A referência à titularidade“em nome próprio”serve para distinguir as pessoas colectivas públicas das pessoas colectivas privadas que se dediquem ao exercício privado de funções públicas: estas podem exercer poderes públicos, mesmo poderes de autoridade, mas fazem-no em nome da Administração Pública, nunca em nome próprio. 2.1.4 Espécies As categorias de pessoas colectivas públicas no Direito moçambicano actual, são cinco: a) O Estado; b) Os institutos públicos; c) As empresas públicas; d) As associações públicas; e) As autarquias locais; Quer isto dizer que as pessoas colectivas de direito público classificam-se em: o Estado-administração – que é uma pessoa colectiva de tipo territorial e populacional; o Pessoas colectivas de natureza institucional (institutos públicos); o Pessoas colectivas de natureza empresarial (empresas públicas); o Pessoas colectivas do tipo associative (corporações e associações públicas); o Pessoas colectivas públicas de população e território(autarquias locais, no caso moçambicano e regiões autónomas no caso português – Madeira e Açores). A distinção acima feita, tem como base, de acordo com MACIE (2012) o grau (maior ou menor) de dependência das pessoas colectivas públicas em relação ao Estado. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 40 Agora, a questão que se coloca prende-se em saber: Quais são os tipos de pessoas colectivas públicas a que essas categorias se reconduzem? São três: a) Pessoas colectivas de população e território, ou de tipo territorial – onde se incluem o Estado, as regiões autónomas e as autarquias locais; b) As pessoas colectivas de tipo institucional – a que correspondem as diversas espécies de institutos públicos que estudamos, bem como as empresas públicas; c) As pessoas de tipo associativo – a que correspondem as associações públicas. 2.1.5 Regime Jurídico das pessoas colectivas O regime jurídico das pessoas colectivas públicas não é um regime uniforme, não é igual para todas elas: depende da legislação aplicável, cabendo a sua formatação ao legislador decada país ao criar a pessoas colectiva. No caso das autarquias locais, todas as espécies deste género têm o mesmo regime, definido basicamente na Constituição. Mas quanto aos institutos públicos e associações públicas, o regime varia muitas vezes de entidade para entidade, conforme a respectiva lei orgânica. Da análise dos diversos textos que regulam as pessoas colectivas públicas, podemos concluir que os aspectos predominantes do seu regime são os seguintes: 1) Criação e extinção das pessoas colectivas públicas – são criadas por acto do poder central; mas há casos de criação por iniciativa pública local. Elas não se podem extinguir a si próprias, ao ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 41 contrário do que acontece com as pessoas colectivas privadas, uma pessoa colectiva pública não pode ser extinta por iniciativa dos respectivos credores só por decisão pública; A razão de ser o Estado – Administração a criar ou reconhecer as outras pessoas colectivas de direito público tem a ver com o facto do Estado-Administração exercer por direito próprio, a função administrativa do Estado-colectividade, que deriva necessariamente do poder soberano (as suas atribuições e serviços são determinados pelo poder legislativo) e é o cerne da Administração Pública. 2) Capacidade jurídica de Direito Privado e património próprio – ao falar-se da capacidade jurídica se pretende exprimir a aptidão para ser titular de um acervo de direitos e obrigações. Nesse contexto, todas as pessoas colectivas públicas possuem estas características, cuja a importância se salienta principalmente no desenvolvimento de actividade de gestão privada. Destaca -se, nesse particular, a capacidade jurídica de direito público. A pessoa colectiva pública tem poderes públicos: poderes de autoridade sobre os particulares, poderes de lançar taxas, de fazer regulamentos, confiscar, de autonomia administrativa e financeira, celebração de contratos administrativos, como também pode assinalar-se um conjunto de deveres, como o de responsabilidade civil. Contudo, há que sublinhar que à pessoa colectiva pública é atribuído um leque de poderes para o exercício cabal das suas atribuições, porém, tal capacidade conhece limites, nomeadamente, o de exercer tais poderes com vista ao alcance daqueles fins institucionais, sem que deles se desvie. 3) Capacidade de Direito Público – as pessoas colectivas públicas são titulares de poderes e deveres públicos. Entre eles, assumem especial relevância os poderes de autoridade, aqueles que denotam supremacia das pessoas colectivas públicas sobre os particulares e, nomeadamente, consistem no direito que essas pessoas têm de definir a sua própria conduta alheia em termos obrigatórios para terceiros, independentemente da vontade destes, o que naturalmente não acontece com as pessoas colectivas privadas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 42 4) Autonomia administrativa e financeira – as pessoas colectivas públicas dispõem de autonomia administrativa e financeira. Aqui, diz-se autonomia administrativa ao poder conferido aos órgãos de uma pessoa colectiva de direito público de praticar actos administrativos definitivos, que serão executórios desde que obedeçam a todos os requisites para tal efeito exigidos por lei. Por outro lado, a autonomia financeira existe quando os rendimentos do património da pessoa colectiva e os outros a que a lei lhe permite cobrar sejam considerados receita própria, aplicável livremente, Segundo o orçamento privativo, às despesas ordenadas por exclusive autoridade dos seus órgãos. 5) Isenções fiscais – é um traço característico e de maior importância. 6) Direito de celebrar contratos administrativos – as pessoas colectivas privadas não possuem, em regra, o direito de fazer contratos administrativos com particulares, no entanto, têm capacidade jurídica de celebrar os contratos administrativos, submetidos ao regime de direito administrative, except as empresas públicas. 7) Bens do domínio público – as pessoas colectivas são ou podem ser, titulares do domínio público e não apenas de bens domínio privado. 8) Funcionários públicos – o pessoal das pessoas colectivas públicas está submetido ao regime da função pública, e não ao do contrato individual de trabalho. Isto por via de regra: as empresas públicas constituem importante excepção a tal princípio. 9) Sujeição a um regime administrativo de responsabilidade civil – pelos prejuízos que causarem a outrem, as pessoas colectivas públicas respondem nos termos da legislação própria do Direito Administrativo, e não nos termos da responsabilidade regulada pelo Código Civil. 10) Sujeição à tutela administrativa – a actuação destas pessoas colectivas está sujeita à tutela administrativa do Estado. Portanto, a lei permite que uma ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 43 certa pessoa colectiva pública possa intervir na gestão de outra pessoa colectiva, com vista a ssegurar a legalidade ou mérito da sua actuação. 11) Sujeição à fiscalização e controlo externo dos Tribunais administrativos – as contas das pessoas colectivas públicas estão sujeitas à fiscalização do Tribunal Administrativo (Terceira Secção), incluíndo as empresas públicas e sociedades com capitais maioritariamente públicos (alínea e) do artigo 3 da Lei 26/2009, de 29 de Setembro). 12) Fórum administrativo – as questões surgidas da actividade destas pessoas colectivas pertencem à competência dos Tribunais do contencioso administrativo, e não à dos Tribunais Judiciais, except quanto às empresas públicas. Importa referir que a excepcão, quanto às empresas públicas, não vale, quando se tartar de control financeiro, pois, nos termos do artigo 3 da Lei 26/2009, de 29 de Setembro, atinente ao regime relative à organização, funcionamento e processo da 3a Secção do Tribunal Administrativo, estão sujeitos à jurisdição administrative e dos Tribunais Administrativos, alíne e) “as empresas públicas e as sociedades de capitais, exclusive ou maioritariamente, públicos”. 2.1.6 Atribuições e missões das pessoas colectivas públicas: fins Os fins das pessoas colectivas públicas prendem-se com a prossecução de fins ou atribuições do Estado. O Estado-Administração há-de criar pessoas colectivas públicas especialmente para aqueles fins em razão dos quais a personalidade lhes foi reconhecida: tal é o princípio da especialidade das pessoas colectivas. As atribuições do Estado como pessoa colectiva pública não estão definidas numa lei específica. Portanto, encontram-se dispersas por vária legislação. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 44 2.1.7 Órgãos das pessoas colectivas públicas 2.1.7.1 Noção De acordo com CAETANO (1997) compreendem o elemento da pessoa colectiva que consiste num centro institucionalizado de poderes funcionais a exercer pelo indivíduo ou pelo colégio de indivíduos que nele estiverem providos com o objectivo de exprimir a vontade juridicamente imputável a essa pessoa colectiva. Todavia, existe uma outra perspectiva que considera o órgão como indivíduo ou titular, ou melhor, como pessoa física que, em cada momento, encarna a instituição e forma a vontade da pessoa colectiva. Para além destas perspectivas, há a acrescentar a que vê no órgão um cargo ou mandato, no sentido de função do titular, isto é, o papel institucionalizado que é lhe atribuído. Nesta toda querela doutrinária,há a referir que tudo depende da perspectiva em que nos colocamos e sob a qual pretendemos analisar o problema. Na teoria geral administrativa, o conceito de órgão pode ser abordado em três perspectivas: o da organização administrativa; o da actividade administrativa e das garantias dos particulares. Na perspectiva da organização administrativa (Administração pública no Sentido Subjectivo), os órgãos devem ser tidos como instituições; Na perspectiva da actividade administrativa o conceito de órgão deve ser tomado no sentido de indivíduo, ou pessoa física que encarnou a instituição, pois interessa quem tomou uma determinada decisão, uma vez que a vontade functional é manifestada, em termos práticos, por indivíduos. Nestes termos, vamos assumir que os Órgãos são os centros de imputação de poderes funcionais e manifestam a vontade funcional que a lei imputou às ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 45 pessoas colectivas públicas. Portanto, a estes cabe tomar decisões em nome da pessoa colectiva ou, noutra terminologia, manifestar a vontade imputável à pessoa colectiva - São centros de imputação de poderes funcionais. A respeito da natureza dos órgãos das pessoas colectivas debatem-se duas grandes concepções: a) A primeira, que foi defendida por Marcelo Caetano, considera que os órgãos são instituições, e não indivíduos. b) A segunda, que foi designadamente defendida entre nós por Afonso Queiró e Marques Guedes, considera que os órgãos são os indivíduos, e não as instituições. Há fundamentalmente três grandes perspectivas na teoria geral do Direito Administrativo – a da organização administrativa, e da actividade administrativa, e das garantias dos particulares. Ora, pondo de lado a terceira, que não tem a ver com a questão que se está a analisar, tudo depende de nos situarmos numa ou noutra das perspectivas indicadas. Se nos colocarmos na perspectiva da organização administrativa – isto é, na perspectiva em que se analisa a estrutura da Administração Pública – é evidente que os órgãos têm de ser concebidos como instituições. O que se analisa é a natureza de um órgão, a sua composição, o seu funcionamento, o modo de designação dos seus titulares, o estatuto desses titulares, os poderes funcionais atribuídos a cada órgão, etc. Por conseguinte, quando se estuda estas matérias na perspectiva da organização administrativa, o órgão é uma instituição; o indivíduo é irrelevante. Mas, se mudar de posição e nos colocarmos na perspectiva da actividade administrativa – isto é, na perspectiva da Administração a actuar, a tomar decisões, nomeadamente a praticar actos, ou seja, por outras palavras, se deixar-mos a análise estática da Administração e passar-se à análise dinâmica –, então veremos que o que aí ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 46 interessa ao Direito é o órgão como indivíduo: quem decide, quem delibera, são os indivíduos, não são centros institucionalizados de poderes funcionais. Para nós, os órgãos da Administração (isto é, das pessoas colectivas públicas que integram a Administração) devem ser concebidos como instituições para efeitos de teoria da organização administrativa, e como indivíduos para efeitos de teoria da actividade administrativa. 2.1.8 Classificação dos Órgãos Podem-se classificar de várias maneiras, mas as mais importantes são: a) Órgãos singulares e colegiais: são órgãos“singulares”aqueles que têm apenas um titular; são“colegiais”os órgãos compostos por dois ou mais titulares. O órgão colegial na actualidade tem, no mínimo, três titulares, e deve em regra ser composto por número ímpar de membros. b) Órgãos centrais e locais: órgãos“centrais” são aqueles que têm competência sobre todo o território nacional; órgãos“locais”são os que têm a sua competência limitada a uma circunscrição administrativa, ou seja, apenas a uma parcela do território nacional. c) Órgãos primários, secundários e vicários: órgãos“primários”são aqueles que dispõem de uma competência própria para decidir as matérias que lhes estão confiadas; órgãos“secundários”são os que apenas dispõem de uma competência delegada; e órgãos“vicários”são aqueles que só exercem competência por substituição de outros órgãos. d) Órgãos representativos e órgãos não representativos: órgãos“representativos”são aqueles cujos titulares são livremente designados por eleição. Os restantes são órgãos“não representativos”. e) Órgãos activos, consultivos e de controle: órgãos“activos”são aqueles a ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 47 quem compete tomar decisões ou executá-las. Órgãos“consultivos”são aqueles cuja função é esclarecer os órgãos activos antes de estes tomarem uma decisão, nomeadamente através da emissão de pareceres. Órgãos“de controle”são aqueles que têm por missão fiscalizar a regularidade do funcionamento de outros órgãos. f) Órgãos decisórios e executivo: os órgãos activos, podem por sua vez classificar-se em decisórios e executivos. São órgãos“decisórios” aqueles a quem compete tomar decisões. São órgãos“executivos”aqueles a quem compete executar tais decisões, isto é, pô-las em prática. Dentro dos órgãos decisórios, costuma-se reservar-se a designação de órgãos“deliberativos”aos que tenham carácter geral. g) Órgãos permanentes e temporários: são órgãos“permanentes”aqueles que segundo a lei têm duração indefinida; são órgãos“temporários”os que são criados para actuar apenas durante um certo período. h) Órgãos simples e órgãos complexos: os órgãos“simples”são os órgãos cuja a estrutura é unitária, a saber, os órgãos singulares e os órgãos colegiais cujos os titulares só podem actuar colectivamente quando reunidos em conselho. Os órgãos“complexos”são aqueles cuja estrutura é diferenciada, isto é, aqueles que são constituídos por titulares que exercem também competências próprias a título individual e são em regra auxiliados por adjuntos, delegados e substitutos. Sumário Nesta Unidade temática 2.1 ficamos a saber que a organização pública é um grupo humano estruturado pelos representantes de uma comunidade com vista à satisfação de necessidades colectivas predeterminadas desta. Ficou, igualmente, claro que Pessoas Colectivas Públicas são entes colectivos criados por iniciativa pública para assegurar a prossecução necessária de interesses públicos, dispondo de ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 48 poderes políticos e estando submetidos a deveres públicos Em face do acima exposto, há a considerer que as pessoas colectivas de direito público classificam-se em cinco categorias, nomeadamente: o Estado-administração – que é uma pessoa colectiva de tipo territorial e populacional; o Pessoas colectivas de natureza institucional (institutos públicos); o Pessoas colectivas de natureza empresarial (empresas públicas); o Pessoas colectivas do tipo associative (corporações e associações públicas); o Pessoas colectivas públicas de população e território(autarquias locais, no caso moçambicano e regiões autónomas no caso português – Madeira e Açores). Os fins das pessoas colectivas públicas prendem-se com a prossecução de fins ou atribuições do Estado. A respeito da natureza dos órgãos das pessoas colectivas debatem-se duas grandes concepções: a) A primeira, que foi defendida por Marcello Caetano, considera que os órgãos são instituições, e não indivíduos. b) A segunda, que foi designadamente defendidaentre nós por Afonso Queiró e Marques Guedes, considera que os órgãos são os indivíduos, e não as instituições. Há fundamentalmente três grandes perspectivas na teoria geral do Direito Administrativo – a da organização administrativa, e da actividade administrativa, e das garantias dos particulares. Ora, pondo de lado a terceira, que não tem a ver com a questão que se está a analisar, tudo depende de nos situarmos numa ou noutra das perspectivas indicadas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 49 Se nos colocarmos na perspectiva da organização administrativa – isto é, na perspectiva em que se analisa a estrutura da Administração Pública – é evidente que os órgãos têm de ser concebidos como instituições. O que se analisa é a natureza de um órgão, a sua composição, o seu funcionamento, o modo de designação dos seus titulares, o estatuto desses titulares, os poderes funcionais atribuídos a cada órgão, etc. Por conseguinte, quando se estuda estas matérias na perspectiva da organização administrativa, o órgão é uma instituição; o indivíduo é irrelevante. Mas, se mudar de posição e nos colocarmos na perspectiva da actividade administrativa – isto é, na perspectiva da Administração a actuar, a tomar decisões, nomeadamente a praticar actos, ou seja, por outras palavras, se deixar-mos a análise estática da Administração e passar-se à análise dinâmica – então veremos que o que aí interessa ao Direito é o órgão como indivíduo: quem decide, quem delibera, são os indivíduos, não são centros institucionalizados de poderes funcionais. Para nós, os órgãos da Administração (isto é, das pessoas colectivas públicas que integram a Administração) devem ser concebidos como instituições para efeitos de teoria da organização administrativa, e como indivíduos para efeitos de teoria da actividade administrativa. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 50 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1 Refira-se à noção de organização pública, explicitando os seus elementos. 2 Explique porque é que as organizações públicas não detêm personalidade jurídica. 3 Explicite de forma distintiva as Pessoas colectivas p’ublicas e privadas. 4 Faça a classificação das pessoas colectivas de direito público no contexto moçambicano. 5 O Estado dispõe da Administração Pública para satisfazer as necessidades da colectividade. É inimaginável a existência da AP numa sociedade sem Estado. Comente. UNIDADE Temática 2.2 – Serviços públicos Introdução Hodiernamente, tem crescido bastante o interesse e a exigência pelos Serviços Públicos. O mesmo (serviço público) é visto como um conjunto de actividades e serviços ligados à administração do Estado, através de seus agentes e representantes do governo, mas também exercida por outras entidades, mesmo que particulares, sempre visando promover o bem-estar à disposição da população. São considerados tão importantes para a nossa vida que alguns desses serviços precisam ser garantidos por questões morais e que muitas vezes estão associadas com os direitos humanos. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 51 Objectivos específicos o Compreender a noção de serviço público e nos seus mais variados sentidos; o Classificar e explicitar o regime jurídico dos serviços públicos o Explicar os princípios fundamentais do serviço público e a sua organização; 2.2.1 Noção de serviço público A noção de serviço público pode ser vista em várias perspectivas e para o caso em concreto, vamos utilizer dois critérios para define-lo, nomeadamente: o critério orgânico e o critério material. 2.2.1.1 Serviço público no sentido orgânico A Lei de Base da Organização da Administração pública define serviço público como sendo “organização de meios humanose materiais integrados no seio das pessoas colectivas públicas, encarregues de executar materialmente a actividade administrativa”. Assume-se, igualmente, como serviço público “o conjunto de agentes e de meios que uma pessoa pública afecta a uma mesma tarefa. Quer isto dizer que são as organizações humanas criadas no seio de cada pessoa colectiva pública com o fim de desempenhar as atribuições desta, sob a direcção dos respectivos órgãos. Pode-se dizer, igualmente, que os serviços públicos correspondem às estruturas organizativas encarregues de preparer e executar as decisões dos órgãos das pessoas colectivas que prosseguem uma actividade administrativa pública. Por seu turno, CAETANO (1997) entende que os serviços públicos são o modo ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 52 de actuar da autoridade pública afim de facultar, por modo regular e contínuo, a quantos deles careçam, os meios idóneos para a satisfação de uma necessidade colectiva individualmente sentida. Em face do acima exposto, pode-se assumir que no conceito de Marcelo CAETANO, há que tomar em consideração os seguintes elementos: Os serviços públicos são estruturas organizativas ou organizações humanas que, constituídas por pessoas físicas, prestam o serviço a cargo de certa pessoa colectiva; Os serviços públicos existem no seio de cada pessoa colectiva pública e dela dependem e, como tal, não têm personalidade jurídica; Os serviços públicos preparam e executam as decisões dos órgãos das pessoas colectivas públicas actuando sob direcção destes; Os serviços públicos materializam o desempenho dos fins da pessoa colectiva pública, isto é, correspondem à satisfação de uma necessidade de interesse geral. Em suma, no sentido orgânico, o serviço público corresponde aos agentes administrativos que executam e contribuem na preparação das decisões a serem tomadas pelos órgãos. 2.2.1.2 Serviço público no sentido material Neste sentido, o serviço público designa uma actividade de interesse geral que a Administração entende assumir, em que as actividades constituintes do serviço público variam conforme as exigências de cada povo e de cada época. Isto leva-nos a perceber que o serviço público pode corresponder à sua missão numa dada época e sociedade. Igualmente, assume-se que também não é a actividade em si que tipifica o serviço público, visto que algumas tanto podem ser exercidas pelo Estado quanto pelos cidadãos, como objecto de iniciativa privada, independentemente da delegação estatal, tais são os casos ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 53 do ensino, em que junto do oficial existe o particular, sendo aquele um serviço público e este não. No geral, tal como HELY LOPES MEIRELLES entende, “o serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da colectividade, ou simples conveniência do Estado”. São exemplos de serviços públicos: o ensino público, o de polícia, o de saúde pública, o de transporte colectivo, o de telecomunicações, etc. 2.2.2 Classificação dos serviços públicos A classificação dos serviços públicos é feita em conformidade com a doutrina e a Lei Base de Organização da Administração Pública: Serviços públicos quanto à sua finalidade Onde temos serviços de polícia, saúde, obras públicas, transporte, educação, cultura, identificaçaocivil, etc. Serviços públicos como unidades de trabalho Tem a ver com actividade a desenvolver: teríamos serviços de gestão patrimonial, orçamental, de estatística. Serviços públicos propriamente ditos Os que a administração presta directamente à comunidade, por reconhecer sua essencialidade e necessidade para a sobrevivência do grupo sociale e do próprio Estado. São os casos de defesa nacional, polícia, saúde pública, identificação civil, etc, a serem prestados pelo poder politico. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 54 Serviços de utilidade pública São os que a Administração pública reconhecendo sua conveniência (não essencialidade, nem necessidade) para os membros da colectividade, os presta directamente ou de forma concessionada mas nas condições regulamentadas e sob seu controle, embora por conta e risco dos prestadores, mediante remuneração dos usuários. São os casos de serviços de portagens, de inspecção de veículos, etc. Quanto às funções que exercem Os serviços públicos podem ser executivos (os que garantem a prossecução das políticas governamentais da responsabilidade de cada Ministério, prestando serviços no âmbito das suas atribuições ou exercendo funções de apoio técnico), de control, auditoria e de fiscalização. 2.2.3 Princípios fundamentais do serviço público De acordo com MACIE (2012), o serviço público deve obedecer, no seu funcionamento, aos seguintes princípios fundamentais: o Princípio da continuidade dos serviços públicos: sejam quais forem as circunstâncias, os serviços públicos, em perticular, os essenciais, devem ser mantidos de forma contínua, tendo em conta que o interesse público é contínuo. Desta forma, o funcionamento do serviço público não pode tolerar interrupções, o que exige do legislador a conciliação entre a continuidade do serviço público e o direito à greve consagrado na Constituição e no EGFAE; o Princípio da modificação do serviço público: resulta da variação do interesse público. Isto é, o conceito de interesse público é flexível, devendo ser acompanhado pela necessidade de modificar o funcionamento dos serviços públicos, sem contudo prejudicar os direitos adquiridos; ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 55 o Princípio da igualdade de tratamento: qualquer particular, desde que preenchidos os pressupostos exigidos por lei, tem o direito de obter as prestações que o serviço público fornece, sem distinção de sexo, raça, religiào, filiação, cor partid’aria, etnia, etc. o Princípio da gratuitidade, sem embargo de pagamento de taxas reduzidas somente pelos utentes: que visam atender o custo do funcionamento ou da existência do serviço, porque os serviços públicos não têm fim lucrativo, salvo quando se acharem integrados nas empresas públicas. o Princípio da concorrência ou monopólio: nada obsta a que os serviços públicos actuem em concorrência, quer também, em regime de exclusividade; o O direito organiza, a favor do serviço público, um regime jurídico de dificuldades entre pessoas envolvidas numa relação jurídica específica: relações de desequilíbrio. 2.2.4 Organização dos serviços públicos Os serviços públicos podem organizar-se de três formas diferentes: i. Serviços horizontais: que se diferenciam conforme as actividades, materiais ou tarefas a tratar; ii. Serviços territoriais: os de âmbito nacional, que são centrais; e os de âmbito local ou periféricos, circunscritos a uma circunscrição; iii. Serviços verticais:que têm a ver com o princípio da hierarquia administrativa, distribuíndo os serviços em escalões de topo à base. Quer isto dizer que a organização interna dos serviços públicos é adequada às respectivas funções e obedece a uma estrutura hierarquizada, que pode ser combinada com a organização vertical de funções. A estruturação dos serviços públicos deve observar os princípios de eficiência, eficácia, produtividade no seu desempenho e na sua gestão, bem como a ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 56 racionalização dos recursos humanos, traduzindo-se na criação de unidades orgânicas, especializadas conforme os serviços públicos a prestar. Sumário Nesta Unidade temática, a discussão em torno dos serviços públicos assumiu o entendimento de que “serviço público é todo aquele prestado pela Administração ou por seus delegados, sob normas e controles estatais, para satisfazer necessidades essenciais ou secundárias da colectividade, ou simples conveniência do Estado”. São exemplos de serviços públicos: o ensino público, o de polícia, o de saúde pública, o de transporte colectivo, o de telecomunicações. Os serviços públicos, conforme sua essencialidade, finalidade, ou seus destinatários podem ser classificados em: públicos; de utilidade pública; próprios do Estado; impróprios do Estado; administrativos; industriais; gerais; individuais. Públicos São os essenciais à sobrevivência da comunidade e do próprio Estado. São privativos do Poder Público e não podem ser delegados. Para serem prestados o Estado pode socorrer-se de suas prerrogativas de supremacia e império, impondo-os obrigatoriamente à comunidade, inclusive com medidas compul- sórias. Exs.: serviço de polícia, de saúde pública, de segurança. De Utilidade Pública São os que são convenientes à comunidade, mas não essenciais, e o Poder Público pode prestá-los diretamente ou por terceiros (delegados), mediante ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 57 remuneração. A regulamentação e o controle é do Poder Público. Os riscos são dos prestadores de serviço. Exs.: fornecimento de energia elétrica, telefone, de transporte colectivo, etc. Estes serviços visam a facilitar a vida do indivíduo na colectividade. Próprios do Estado São os que relacionam intimamente com as atribuições do Poder Público. Exs: segurança, política, higiene e saúde públicas, etc. Estes serviços são prestados pelas entidades públicas (Estado, Municípios) através de seus órgãos da Administração directa. Neste caso, diz-se que os serviços são centralizados, porque são prestados pelas próprias repartições públicas da Administração directa. Aqui, o Estado é o titular e o prestador do serviço, que é gratuito ou com baixa remuneração. Exs.: serviço de polícia, de saúde pública. Estes serviços não são delegados. Impróprios do Estado São os de utilidade pública, que não afectam substancialmente as necessidades da comunidade, isto é, não são essenciais. A Administração presta-os directamente ou por entidades descentralizadas (Autarquias, Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista, Fundações Governamentais), ou os delega a terceiros por concessão, permissão ou autorização. Normalmente são rentáveis e são prestados sem privilégios, mas sempre sob a regulamentação e controle do Poder Público. Exs.: serviço de transporte colectivo, conservação de estradas, etc. Administrativos São os executados pela Administração para atender às suas necessidades internas. Industriais São os que produzem renda, uma vez que são prestados mediante remuneração (tarifa). Pode ser prestado directamente pelo Poder Público ou ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 58 por suas entidades da Administração indirecta ou transferidos a terceiros, medianteconcessão ou permissão. Exs.: transporte, telefonia, etc. Gerais São os prestados à colectividade em geral, sem ter um usuário determinado. Exs.: polícia, iluminação pública, conservação de vias públicas, etc. São geralmente mantidos por impostos. Individuais São os que têm usuário determinado. Sua utilização é mensurável. São remunerados por tarifa. Exs.: telefone, água etc. Regulamentação e Controle A regulamentação e o controle do serviço público cabem sempre ao Poder Público, o qual tem a possibilidade de modificação unilateral das cláusulas da concessão, permissão ou autorização. Há um poder discricionário de revogar a delegação, respondendo, conforme o caso, por indemnização. Princípios do Serviço Público Os requisitos do serviço público são sintetizados em cinco princípios: permanência (continuidade do serviço); generalidade (serviço igual para todos); eficiência (serviços actualizados); modicidade (tarifas módicas); cortesia (bom tratamento para o público). ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 59 Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 60 1. Explique a relevância dos serviços públicos no contexto de gestão administrativa do Estado. 2. Caracterize a funcionalidade dos serviços públicos tendo em conta os princípios que regem a sua funcionalidade. 3. Assinale a opção correcta acerca dos serviços públicos. a) São considerados serviços de utilidade pública aqueles que a administração presta directamente, em decorrência da essencialidade da actividade. Tais serviços são considerados privativos do poder público, no sentido de que só a administração deve prestá-los, sem delegação a terceiros; b) As autarquias, fundações e empresas públicas só podem ser criadas por lei específica. c) Considere a seguinte situação hipotética: Duas empresas públicas pretendem criar, com capital de ambas, uma terceira empresa pública. A providência veio a ser chancelada por autorização legislativa. Nesse caso, a nova empresa pública não poderá ser criada da maneira pretendida, já que o capital constitutivo dessa espécie de ente deve ser exclusivamente público e pertencente a um só ente estatal. d) O usuário que pretender exigir judicialmente serviço público que lhe tenha sido negado pode valer-se de acção cominatória contra o ente estatal concedente, que é o titular dos serviços, mas não contra a prestadora do serviço concedido. O concedente, sim, terá legitimidade para acionar a concessionária. 4. Quanto aos serviços públicos, não é correcto afirmar: a) Em carácter excepcional, por motivo de segurança nacional ou relevante interesse colectivo, o Estado pode executar actividades económicas destinadas, originalmente, à iniciativa privada. b) O princípio da mutabilidade do regime de execução do serviço público ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 61 autoriza a sua alteração sem que disto decorra violação ao direito adquirido dos respectivos usuários. c) A actividade económica que o Estado exerce em caráter de monopólio é considerada serviço público. d) O princípio da continuidade do serviço público justifica a imposição de limites ao direito de greve de servidores públicos. e) A actividade económica assumida pelo Estado como serviço público somente pode ser prestada pelo Poder Público, por meio da Administração Directa ou Indirecta. 5. Tratando-se de concessão de serviços públicos, assinale a afirmativa verdadeira quanto à caducidade da concessão. a) A caducidade pode ser declarada pelo poder concedente ou por acto judicial. b) Declarada a caducidade, o poder concedente responde por obrigações com os empregados da concessionária. c) A declaração de caducidade depende de prévia indemnização, apurada em processo administrativo. d) A caducidade pode ser declarada caso a concessionária seja condenada por sonegação de tributos, em sentença transitada em julgado. e) Constatada a inexecução parcial do contrato, impõe-se, como acto vinculado, a declaração de caducidade. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 62 UNIDADE Temática 2.3 – Descentralização e Centralização; Concentração e Desconcentração Introdução Com a descentralização procura-se, na perspectiva da eficiência, uma melhor ordenação de recursos ou, na de justiça, a gradual limitação das desigualdades e, na perspectiva organizacional, uma busca de novos modelos de organização social que não se conformam com a democracia representativa ensaiada pela participação eleitoral. A descentralização desenvolve-se com o Estado neo-liberal ou pós-liberal que progressivamente assume um crescente número de variadas e complexas funções, como forma de evitar a congestão dos canais de comunicação e tem vindo a afirmar-se acentuadamente, não só como sintoma evidente da crise do Estado Nacional como uma das vias de a ultrapassar4 5 assegurando, através do regionalismo, a compatibilidade entre vários particularismos6; mas surge especialmente ligada aos problemas do desenvolvimento e à necessária vertente participativa do mesmo. Não se ignora, todavia, que o processo de descentralização é complexo, difícil, moroso e ideológica e politicamente marcado por posições extremadas entre o descentralizador e o descentralizado, mas considera-se que a descentralização é sempre uma forma de contrariar especiais dificuldades, resultantes de distâncias, assimetrias, razões geográficas, económicas, étnicas e históricas desfavoráveis. Tem-se, por outro lado, consciência de que ainda mais complexa é a descentralização no domínio económico e financeiro, que tem de ser feita 4 PAZ FERREIRA, Eduardo, As Finanças Regionais, Estudos gerais, Série Universitária, Imprensa nacional – Casa da Moeda, 1985, p. 25. 5 É, neste sentido, elucidativa a seguinte declaração do Presidente DE GAULLE: “O esforço multissecular de centralização que foi durante longos anos necessário para reduzir e manter a unidade apesar das diferenças entre províncias, daqui em diante, já não se impõe, pelo contrário, são as actividades regionais que aparecem como caminhos do poder económico de amanhã” – Jean Jacques Dayries: La régionalisation, Paris, 1978. 6 ORTEGA e GASSET, España Inventebrada, 10 ed., Madrid, 1957, pp. 57 e ss. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 63 garantindo que a atribuição de significativos poderes e meios financeiros aos entes descentralizados não pode esquecer a necessidade de não destituir os Estados de meios e instrumentos económico-financeiros essenciais. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Dominar os conceitos de centralização versus descentralização, e desconcentração versus concentração; o Explicar as vantagens e desvantagens da descentralização e centralização; o Relacionar os diferentes modelos de descentralização; e o Enquadrar a descentralização no contexto moçambicano. 2.3.1 Centralização e descentralização: generalidades MODALIDADES E FORMAS DE PRESTAÇÃO DO SERVIÇO PÚBLICO CENTRALIZAÇÃO: é a prestação de serviços directamente pela pessoa política prevista constitucionalmente, sem delegação a outras pessoas. Diz-se que a actividade doEstado é centralizada quando ele actua directamente, por meio de seus órgãos. Obs.: Órgãos são simples repartições interiores da pessoa do Estado, e, por isso, dele não se distinguem. São meros feixes de atribuições - não têm responsabilidade jurídica própria – toda a sua actuação é imputada às pessoas a que pertencem. São divisões da Pessoa Jurídica. Se os serviços estão sendo prestados pelas Pessoas Políticas constitucionalmente competentes, estará havendo centralização. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 64 DESCENTRALIZAÇÃO: é a transferência de execução do serviço ou da titularidade do serviço para outra pessoa, quer seja de direito público ou de direito privado. No plano politico-administrativo, a descentralização consiste na susceptibilidade conferida por lei, de as populações locais poderem eleger os órgãos das autarquias locais, ao invés de serem nomeados centralmente; quando a lei confere às autarquias locais um certo grau de autonomia, quer administrative, quer financeira e patrimonial, sem prejuízo da unidade política do Estado; ou ainda quando a lei as submete à uma tutela, em primeira mão, de legalidade, e de forma, mais atenuada, à de mérito, como é o caso moçambicano. São entidades descentralizadas de direito público: Autarquias e Fundações Públicas. São entidades descentralizadas de direito privado: Empresas Públicas, Sociedades de Economia Mista. Pode, inclusive, a execução do serviço ser transferida para entidades que não estejam integradas à Administração Pública, como: Concessionárias de Serviços Públicos e Permissionárias. A descentralização, mesmo que seja para entidades particulares, não retira o caráter público do serviço, apenas transfere a execução. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 65 2.3.2 Conceito de Descentralização “A descentralização cria quadros adequados ao desenvolvimento de fórmulas de participação das populações na vida pública”7 na medida em que “facilita a institucionalização da participação destes na vida administrativa local”8, cujos problemas estão mais ao seu alcance e compreensão. A descentralização é um vector da democracia que garante a participação dos citadinos, a pluralidade de expressão e a realização dos seus interesses e opiniões de que, equilibradas, resulta a expressão verdadeira da vontade geral9. Daqui entender-se a existência de relação constante ... que se verifica entre os fenómenos de liberdade política ou de democracia (...) e os fenómenos de autonomia, de descentralização, de criação de poderes distintos do poder central10. O termo descentralização comporta, por outro lado, várias modalidades e graus que, combinados, resultam em inúmeras variantes. Ele cobre um conjunto de relações intergovernamentais que podem manifestar-se através da descentralização, da delegação ou através da devolução11 12. A devolução pode ser parcial13 ou total. 7 MACHADO, João Baptista, Participação e descentralização, desenvolvimento e neutralidade na Constituição de 1976, Coimbra, 1982, p. 55. 8 Ibidem. 9 SOUSA FRANCO, A., Colóquios ..., ob. cit., p. 13. 10 MIRANDA, Jorge, Colóquio – Que lições se podem tirar de uma experiência de 18 anos, ob. cit., p. 48. 11 Richard Bird et François Vaillancount, Descentralization financière et pays en dévéllopement: concepts, mesure et evaluation – Revue d‘ánalyse économique, Vol. 74, nº 3, Septembre 1998, pp. 343-362. 12 A descentralização permite acelerar as tomadas de decisões e de meios, tendo em conta as preferências locais. A delegação consiste no estabelecimento de agentes locais que exercem funções governamentais em nome do Estado, reduzindo o número de funcionários. A devolução é mais próxima do sentido da descentralização.. Esta pode ser no seio de um Estado constitucionalmente unitário ou federal. Num Estado unitário a descentralização não é ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 66 Na verdade, embora a descentralização pressuponha sempre personalidade jurídica das entidades beneficiárias e eleição dos órgãos dessas entidades pelos cidadãos da área sobre a qual esses órgãos desenvolvem as suas competências, há aspectos que não constituem seu atributo obrigatório, dependendo a sua efectiva consagração de uma opção legislativa. E o que acontece quanto ao tipo de descentralização: só administrativa? Financeira também? Ou também político-administrativa? A descentralização será administrativa se às entidades autónomas forem atribuídas apenas competências para tomar decisões definitivas em matéria administrativa. A descentralização será também financeira se, para além da tomada da decisão administrativa, a entidade autónoma dispuser de meios financeiros próprios, património próprio e orçamento próprio, capazes de sustentar a execução dessa decisão administrativa. A descentralização terá natureza político-administrativa se à entidade autónoma forem reconhecidas competências para tomar decisões de política geral atinentes ao território sob a sua jurisdição, eventualmente expressas através de leis regionais que rivalizam com, ou que excluem a lei nacional em aspectos de interesse específico da região. A descentralização político-legislativa resulta normalmente na criação de regiões autónomas, possuidoras de mini-estatutos constitucionais próprios, senão um meio de partilha de poderes e responsabilidades entre o governo central – principal, e o governo local – agente, numa perspectiva de cima para baixo. No federalismo, uma perspectiva de baixo para cima, são os governos locais que criam um Estado. No domínio das relações financeiras, pode falar-se do federalismo financeiro ou de finanças federais. No primeiro o Estado define as regras operacionais e financeiras e supervisa. No segundo existe autonomia influenciada pela diversidade etnolinguística e económica. 13 Sendo comparável com a regionalização, esta entendida como autonomia constitucionalmente conferida a entes públicos territoriais em ordem à prossecução de interesses próprios das respectivas populações, com dimensão de antagonismo de base electiva, isto é, governo próprio e com funções políticas e legislativas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 67 como as que existem, apenas para citar alguns exemplos, em Espanha, na Itália, na França e em Portugal14. 2.3.2.1 Problemas da descentralização A descentralização, com as suas variantes, cria problemas de natureza vária, tais como saber (i) Das formas de controlo, decisão e responsabilização, (ii) dos recursos financeiros a disponibilizar, (iii) do património, (iv) das dívidas, (v) da(s) política(s) económica(s)15, (vi) da democracia interna a instalar nas instituições, (vii) dos direitos do homem no que toca à liberdade e à prestação ou participação são efectivadas em cada nível descentralizado,, (viii) dos conflitos decorrentes da inter-relação e coordenação, (ix) dos conflitos de poderes financeiros, (x) da insuficiência da articulação do sistema jurisdicional. A estes problemas acresce ou pode acrescer o risco de sobrecarga de pesos financeiros sobre o cidadão e a desarticulação de estruturasburocratizadas que podem conduzir a uma associalização16, resvalar num estatismo dissimulado, anárquico e difuso ou na simples dissolução do Estado-Nação, das identidades nacionais conducentes ao afogamento das diferenças 14 Em Moçambique, a Constituição veda este terceiro tipo de descentralização, na medida em que, para além de expressamente declarar o Estado moçambicano um Estado unitário (artº 1), é taxativa na entrega dos poderes legislativos aos órgãos de soberania, maxime a Assembleia da República. 15 Preferimos falar de políticas económicas na medida em que existirão mais do que uma em virtude dos níveis de decisão que serão, também, mais do que um. 16 Uma “socialização” que não traz consigo a rica cadeia de articulações sociais. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 68 autonomizantes, à estruturação do Estado, risco que, aliás, também se corre com o excesso de Estado. 2.3.2.2 Descentralização financeira I. Por descentralização financeira entende-se a repartição de serviços públicos e a organização de rendimentos17 financeiros entre o Estado e as colectividades locais18. A par das motivações políticas subjacentes em decisões de descentralização, há razões de índole económica ao reconhecer-se que com ela se criam níveis adequados de prestação de serviços públicos acompanhados de um aumento de bem-estar das populações vizinhas. A opção por um determinado tipo de descentralização tem, pois, a ver com o princípio de compound19 económico e político que permite, ademais, uma competição financeira entre os vários entes descentralizados, no interesse do Estado e uma interpretação mais fácil das preferências dos membros da comunidade20. Se é certo que este princípio do compound justifica a tendência para a descentralização financeira, também a ele são apontadas razões da centralização21 22. 17 Em muitos países incluem-se os rendimentos do campo fiscal. 18 Este conceito sobrepõe, pois, à definição de um campo de recursos próprios das colectividades locais e a identificação de um campo de recursos partilhados entre o Estado e as colectividades locais e as transferências de recursos do orçamento do Estado para o das colectividades locais. 19 Princípio pelo qual “um colectivo só consegue utilizar receitas restritas de uma maneira efectiva, se os que utilizam, pagam, decidem e oferecem os bens públicos são conhecidos e estão ligados entre eles de maneira judiciosa (Federalisme, Premiers Resultats et une Analyse Empirique, in Étude de Finances Publiques Offerts a Paul Marie Gaudemet, cit) apud Eduardo Paz Ferreira, ob. cit., p. 21. 20 Até porque se estará em face de uma situação de homogeneidade de preferências, tanto mais marcadas quanto se verifique o efeito “voting with the feet”, ou seja, de transferência dos eleitores para as comunidades em cujo padrão de despesa mais se reconhecem, teorizado por Charles Tiebout, “An common theory of desecentralization”, in Public Finance, Needs, Nources and Utilization, Princetown, 1961, “A pure Theory of Local Expediture”, Journal of Political Economy, n.o 64, 1956. 21 Neste sentido, escreve Mario Rey: “O Estado keynesiano, o Estado Social, configura-se sobretudo como um Estado centralizador. Nas concepções keynisianas, o governo central, transformado em banqueiro do sistema económico, assumiu a tarefa da manutenção do equilíbrio social e económico, tornando-se o promotor, o regulador e também o arquitecto de ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 69 A descentralização, em particular a financeira, não tem configurações e caracterizações estanques e precisas, sendo enriquecida por novas experiências, nem todas conhecidas com êxito, e outras que desembocam em soluções híbridas, verdadeiras negações da dicotomia municipalismo- federalismo, traçado pelas geometrias constitucionais, ou verdadeiras soluções compromissórias. Com a existência ou emergência de um forte e afirmado Direito Comunitário, os Estados, eles próprios, exercerão não só no domínio jurídico-financeiro, um poder descentralizado pelos super ou supra-Estados – União Europeia, União Africana -, para citar estes exemplos de verdadeira descentralização exterior ao Estado diferente da regionalização, federalização ou do poder local23 e iniciada pela integração financeira supra-estadual ou supra-nacional. 2.3.3 As vantagens da Descentralização Se assumirmos que o princípio que rege a descentralização se baseia na ideia de que a autoridade para tomar ou iniciar a acção deve ser delegada tão próxima da cena quanto possível, teremos as seguintes vantagens: - Assegura as liberdades locais na escolha dos seus dirigentes e escolha das opções para a concretização do interesse local; - Limita o poder central na sua tentativa de intromissão na gestão local; bem estar da Nação. Com as amplas intervenções sobre a carteira dos indivíduos e com a responsabilidade de lhes assegurar trabalho, instrução, saúde e segurança, o Estado central encarnou a visão de Jeremy Bentham de um governo cuja tarefa é promover a felicidade da sociedade com prémios e penas” (in “Il Finanziamento degli enti sub-centrali di Governo verso una revisione della teoria del federalismo fiscale”, Revista di Diritto Finanziario e Scienza della Finanze, Ano XLIX (1990), nº 1). 22 A afirmação do Estado de Bem Estar Social com as suas funções extra-financeiras determinaram que o Estado avocasse para si o papel de (re)distribuição da riqueza e estabilização económica, para o que aos entes descentralizados, infra-estaduais, transferiu as receitas devidas. 23 Estes conceitos nem sempre exprimem as mesmas realidades. Sobre isso, diz o Professor Paz Ferreira, ob. cit., pp. 21 e 22: “... sendo evidente que quando a Comunidade Económica Europeia utiliza a palavra regionalização para designar uma unidade administrativa distinta, levanta problemas económicos específicos, está longe do sentido dado à expressão em Itália, onde se contempla com a mesma palavra certas pessoas colectivas públicas de base territorial e dotadas de um certo grau de autonomia política (...) não são, portanto, pequenas as dificuldades terminológicas com que se depara o investigador destas matérias ...”. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 70 - Permite maior participação da comunidade local, exprimindo as suas sensibilidades junto dos seus legítimos representantes, que não arriscarão, fazendo ouvidos de mercadores, sob pena de nas eleições subsequentes não merecerem confiança local; - Rapidez e acerto nas decisões: as decisões são tomadas mais rapidamente pelos próprios executores da acção. - Tomadores de decisão são os que têm mais informação sobre a situação; - Maior participação no processo decisório promove motivação e moral elevado entre os administradores médios; - Proporciona excelente treinamento para os administradores médios; 2.3.4 As desvantagens da Descentralização: o Pode ocorrer falta de informação e coordenação entre os departamentos envolvidos; o Maior custo pela exigência de melhor selecção e treinamento dos administradores médios; o Risco da subjectivação: os administradores podem defender mais os objectivos departamentais do que estratégicos de toda organização; o As políticas e procedimentospodem variar enormemente nos diversos departamentos. o Maior necessidade de controle e de coordenação. o Maior dificuldade de normatização e de padronização. o Pouca flexibilidade da organização frente a situações excepcionais. o Necessidade de contar com dirigentes treinados para a descentralização. o O custo das comunicações tende a aumentar. o Maior dificuldade de coordenação de actividades que envolvem alto nível de interdependência. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 71 Pode-se dizer que a descentralização deve ser considerada como os demais problemas organizacionais, em termos de conveniência administrativa. Sempre que uma decisão puder ser mais bem tomada ao nível operativo, com maior rapidez e favorecendo o completo exame dos vários fatores em causa, pode-se proceder logo a uma descentralização da função respectiva. A descentralização está intimamente associada à idéia de se alterar o regimento interno da organização e os documentos decorrentes, para que a decisão relativa aos assuntos descentralizados passe a ser competência dos níveis inferiores. A descentralização tem caráter permanente e é impessoal, onde a autoridade passa para o nível subordinado as atribuições e responsabilidades. 2.3.5 Centralização A organização é desenhada dentro da premissa de que o individuo no topo possui a mais alta autoridade e que a autoridade dos demais indivíduos é escalada para baixo, de acordo com a sua posição relativa no organograma. Portanto, no plano politico-administrativo, centralização só faz sentido existindo a descentralização administrativa, baseada nas autarquias locais. Deste modo, a centralização consistirá em que os órgãos das autarquias locais (presidente e Assembleia autárquica) sejam livremente designados ou exonerados pelos órgãos do Estado; quando estes órgãos se encontrarem sujeitos ao dever de obediência ao governo ou Partido único; ou quando as suas decisões se encontram sujeitas ao control de mérito mais intenso. 2.3.5.1 As vantagens da centralização: - Assegura a unidade do Estado e homogeneidade da acção política e ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 72 administrativa; bem como permite uma melhor coordenação do exercício da função administrativa e uniformidade das posições, evitando que os órgãos locais resolvam os problemas segundo as circunstâncias que os caracteriza. - As decisões são tomadas por administradores que possuem visão global da empresa; - Os tomadores de decisão no topo são mais bem treinados e preparados do que os que estão nos níveis mais baixos. - As decisões são mais consistentes com os objectivos empresariais globais; - A centralização elimina esforços duplicados de vários tomadores de decisão e reduz custos operacionais; - Certas funções – como compras e tesouraria – permitem maior especialização e vantagens com a centralização; 2.3.5.2 As desvantagens da centralização: - Ela gera a hipertrofia do Estado, o gigantismo do poder central, a ineficácia da acção administrative; - Inibe a participação das populações locais na gestão da vida local e na escolha dos seus dirigentes locais; - As decisões são tomadas na cúpula que esta distanciada dos factos e das circunstancias. - Os tomadores de decisão no topo têm pouco contato com as pessoas e situações envolvidas; - As linhas de comunicação ao longo da cadeia escalar provocam demora e maior custo operacional; - As decisões passadas pela cadeia escalar, envolvendo pessoas intermediarias e possibilitando distorções e erros pessoais no processo de comunicação das decisões. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 73 2.3.6 Concentração e Desconcentração De acordo com PINTO et al (2008) o sistema de administração concentrada existe quando o órgão do escalão hierárquico mais elevado é o único competente para tomar as decisões, cabendo aos subalternos tão-só prepará- las e executá-las. Ao contrário, o sistema de administração desconcentrada existe quando o poder decisório se reparte entre o superior e um ou vários órgãos subalternos, embora estes permaneçam sujeitos à direcção daquele. Vê se, assim, que os sistemas de concentração ou desconcentração têm a ver com a organização vertical ou hierárquica dos serviços. Em regra, não há qualquer um dos sistemas em estado puro, embora haja a prevalência de um em relação ao outro, variando isso com a história e a tradição administrativa dos países, ou mesmo com as especificidades dos vários serviços. A desconcentração tem vantagens: o Aumenta a eficiência dos serviços; o Acelera as respostas da Administração às solicitações; o Aumenta a especialização; o Liberta os superiores dos assuntos menores para que se dediquem aos temas mais complexos. Mas a concentração também tem vantagens: © Um só centro decisório permite uma actuação harmoniosa, coerente e concertada da Administração; © A participação de todos os agentes administrativos na tomada de uma única decisão por um só órgão quebra ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 74 a rotina, aumenta os conhecimentos de todos e permite decisões mais participadas e elaboradas. No entanto, as vantagens da desconcentração são mais relevantes. Por isso, a tendência geral é de os serviços se desconcentrarem. Desvantagens da concentração e desconcentração Combate-se a concentração, alegando-se a diminuição da eficiência dos serviços, demora na resposta às solicitações endereçadas à Administração Pública, não permite a especialização nas funções, leva a que os superiores se ocupem de tarefas menos relevantes em prejuízo de questões preponderantes e de maior responsabilidade. Por outro lado, apontam-se como desvantagens da desconcentração, a multiplicação de centros decisório sem prejuízo à harmonia desejada na função administrativa, desmotivação dos agentes subalternos, pois reduzem- se as actividades destes, e maior possibilidade de conferir poderes decisórios a funcionários menos preparados. 2.3.7 A Delegação de poderes A desconcentração pode ser originária ou derivada: aquela resulta imediatamente da lei, que reparte a competência entre o superior e os subalternos. Esta só se efectiva mediante um acto praticado para o efeito pelo superior. A desconcentração derivada consiste, assim, na delegação de poderes. Segundo FREITAS DO AMARAL(2004:663) a delegação de poderes ou delegação de competência é o acto pelo qual “um órgão da Administração, normalmente competente em determinada matéria, permite, de acordo com a lei, que outro órgão ou agente pratiquem actos administrativos sobre a mesma matéria” É assim necessário que: ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 75 a) Haja uma lei – lei de habilitação – que preveja a faculdade de um órgão delegar poderes noutro; b) Haja dois órgãos, da mesma pessoa colectiva pública – delegante e delegado; c) Que o delegante pratique o acto de delegação. Sumário Nesta Unidade temática foram abordadas matérias ligadas à teoria geral de organização administrativa, mormente, dos sistemas de organização administrativa, nomeadamente, a centralização e descentralização administrativa; concentração e desconcentração e ainda a delegação de poderes. Ficou claro que a centralização só faz sentido existindo a descentralizaçãoadministrativa, assente nas autarquias locais. Daí que, a centralização consistirá em que os órgãos das autarquias locais (presidente e Assembleia autárquica) sejam livremente designados ou exonerados pelos órgãos do Estado; quando estes órgãos se encontrarem sujeitos ao dever de obediência ao governo ou Partido único; ou quando as suas decisões se encontram sujeitas ao controlo de mérito mais intense. Já a descentralização se trata de um fenómeno de “descongestionamento” externo, saindo-se do centro para situar-se na periferia, em que há susceptibilidade conferida por lei, de as populações locais poderem eleger os órgãos das autarquias locais (president e assembleia) ao invés de serem nomeados centralmente; portanto, a lei confere às autarquias locais um certo grau de autonomia, quer administrative, quer financeira e patrimonial, sem prejuízo, da unidade política do Estado; ou quando a lei submete à uma tutela, em primeira mão, de legitimidade, e de forma, mais atenuada, à de ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 76 mérito, como é o caso moçambicano. Por outro lado, ficou claro que a concentração e desconcentração administrativa dizem respeito à organização administrativa interna de uma dada pessoa colectiva pública, respectivamente, na ausência e existência, respectivamente, de distribuição vertical de competência entre diversos graus ou escalões de hierarquia. Isto quer dizer que, contrariamente, à centralização e descentralização, a concentração e desconcentração de competências são sistemas internos e àqueles externos. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Dê a noção de centralização e descentralização administrativa. 2. Refira-se às tipologias de descentralização. a) Caracterize cada uma das tipologias. 3. “A descentralização consiste na outorga de alguns poderes a entidades menores que o Estado, a sua actuação deve conhecer alguns limites para que não perturbe a unidade do Estado e da acção governativa” - Argumente, focalizando os limites da descentralização. 4. Moçambique vem implementando o processo da descentralização administrativa. Decorridos vários anos, que elementos de realce podem ser apontados e que acções carecem de melhoria para o seu sucesso. TEMA III: A ORGANIZAÇÃO E FUNCIONAMENTO DO GOVERNO UNIDADE Temática 3 - A organização e funcionamento do Governo Introdução A satisfaçao das necessidades colectivas implica a existência de um poder superior que defina os fins a atingir e escolha dos meios a utilizar. No entanto, ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 77 como os meios são escassos e supõem, regra geral, um sacrifício dos cidadãos, aquele poder superior terá de possuir a necessária força (legítima), para coagir os cidadãos a participar de algum modo na prestação dos meios para a realização dos fins. Portanto, cabe ao Estado estabelecer o equilíbrio entre necessidades e meios, ter’a ele de dispôr de uma competência extensiva a todo o território nacional, agindo sem intermediários, abarcando todos os meios e todas as necessidades. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Sumariar os órgãos que compõem a Administração Pública Central (moçambicana); o Indicar a estrutura do Governo o Apontar as funções principais do Conselho de Ministros, dos Ministérios e seus relacionamentos. 3.1 O Governo:caracterização PINTO (2004) considera que o Governo é o órgão de condução da política geral do país e é o órgão superior da Administração Pública. Como tal, como órgão superior da Administração Pública, compete-lhe: - Garantir a execução das leis; - Assegurar o funcionamento da Administração; - Promover a satisfação das necessidades colectivas. Todavia, ao compulsarmos a nossa Constituição da República (CRM, 2004), sobre Moçambique, encontramos ao abrigo do artigo 200 que “O Governo da República de Moçambique é o Conselho de Ministros”. Portanto, a mesma CRM (2004) estabelece que cabe ao Governo: ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 78 “Assegurar a administração do país, garantir a integridade territorial, velar pela ordem pública e pela segurança e estabilidade dos cidadãos, promover o desenvolvimento económico, implementar a acção social do Estado, desenvolver e consolidar a legalidade e realizar a política externa do país (número 1, artigo 203); Assim, nada obsta afirmar que o Governo é o órgão central e principal da Administração Pública ao qual, se incumbe administrar o Estado, com funções na execução, decisão e controlo a nível nacional (artigo 1, da Lei 14/78, de 28 de Dezembro). 3.1.1Estrutura e Funções do Governo Seria impraticável que no Governo não houvesse alguma especialização na sua composição, pois face ao seu enorme campo de acção, a efic’acia sairia prejudicada. Por isso mesmo, o Governo é um órgão colegial, constituído por vários elementos, o que é tudo definido na Constituição: “o Governo é composto pelo Presidente da República (PR), Primeiro Ministro e pelos Ministros”. No entanto, podem ser convocados para as sessões do Conselho de Ministros os Vice-Ministros e os Secretários de Estado – artigo 201 da CRM. Ora, compulsando a meesma CRM (2004) pode-se concluir que encontram-se vários preceitos que indicam que o Presidente da República pode ser tido como uma entidade exterior ao Conselho de Ministros, não podendo ser tido como membro. Senão vejamos: quando se diz que o Conselho de Ministros responde perante o Presidente da República e perante a Assembleia da República (...) e observa as decisões do PR (...) qualquer dessas disposições pressupõe uma relação entre duas entidades autónomas. No que tange às funções do governo importa referir que todas podem se traduzir, juridicamente, em regulamentos administrativos, resoluções, actos administrativos, contratos ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 79 administrativos e ainda operações materiais. Agora vejamos quais são as refidas funções: a) Funções de garantia de execução das leis; b) Funções de asseguramento do funcionamento normal da Administração pública; e c) Funções ligadas à promoção da satisfação das necessidades colectivas. No que tange as funções de garantia de execução das leis é importante referir é da responsabilidade da Administração Pública interpretar e materializar o interesse público, através de actos materiais que consubstanciem o dia-a-dia dos moçambicanos. Para tal, o Governo ‘e parte na medida em que até elabora e submete junto da AR propostas de leis e ainda aprova decretos-lei mediante autorização da Assembleia da república (alíneas c) d) e g), nº1, artigo 204 da CRM). Quanto à funções de asseguramento do funcionamento normal da Administração pública o artigo 198 conjugado com a alínea e) nº1 do artigo 204, ambos da CRM reza que cabe ao Governo preparar o Programa Quinquenal e submeter à aprovação da AR em cada legislatura, o Plano Económico e Social e o Orçamento do Estado, incluíndo a execução após aprovação. Finalmente, as funções ligadas à promoção da satisfação das necessidades colectivas o artigo 204 da CRM conforma que o Governo deve promover o desenvolvimento económico e social, dirigir a política laboral, de habitação, da educação, da saúde, segurança social, estimular e apoiar o exercício da actividade empresarial e da iniciativa privada, bem como proteger os interessesdo consumidor e do público em geral, e apoiar o desenvolvimento ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 80 cooperativo e apoio à produção familiar. 3.1.2 Funcionamento do Governo A Constituição estabelece as principais regras de funcionamento do Governo. Num primeiro momento, pode-se notar que o Governo é constituído logo a seguir às eleições e a seguir à sua tomada de posse, elabora o seu programa – O Programa Quinquenal do Governo (PQG) – e apresentar-se com ele à Assembleia da República (AR) para debate e votação. Neste primeiro momento procede-se, pois à adopção do Programa do Governo. Posteriormente, o Conselho de Ministros define as linhas gerais da política governamental e estabelece as linhas gerais da sua execução. Uma vez definidas as linhas gerais da política governamental e da sua implementação, cabe ao Presidente da República (PR), ou por delegação ao Primeiro-Ministro(PM) dirigir e coordenar a política do Governo e a acção de todos os ministros (número 3, artigo 203 da CRM). Finalmente, é da responsabilidade de cada um dos ministros executar a política definida para o seu ministério. Importa realçar que aos trabalhos do Conselho de Ministros podem ser convocados os vice-ministros, os secretários de Estado, o Governador do Banco de moçambique, os secretários permanents, os presidents dos conselhos de administraçÃo de empresas públicas e outros quadros superiors, quando assim for deliberado. De acordo com o artigo 210 da CRM, em termos de eficácia, as deliberações do Conselho de Ministros que sejam actos normativos tomam a forma de decreto-lei e de decreto e as outras a forma de resolução. No entanto, os decretos-lei são assinados pelo PR e publicados no Boletim da República, I Série. Por seu turno, os decretos são assinados pelo Primeiro-Ministro. Estes, sendo executivos, devem fazer ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 81 menção da lei que pretendem desenvolver minuciosamente, sendo independents, deverão fazer referência da norma constitucional na base da qual foram aprovados, embora todos os decretos tenham que ser publicados na I Série do Boletim da República. Todas as deliberações do Governo são obtidas por consenso. Não havendo consenso, prevalence a posição do Chefe do Governo (PR), a qual se transforma de forma automática em decisão do órgão. Igualmente, há que notar que o executive do Conselho de Ministros é um órgão de permanência, funcionando no interregno das sessões do Governo. O facto de um Ministro pertencer a este órgão não lhe confere um estatuto diferente do dos restantes. 3.1.3 Primeiro – Ministro e seu Gabinete Em Moçambique, o Primeiro-Ministro não é chefe do Governo, mas sim assistente e / ou Conselheiro do Presidente da república, na qualidade de Chefe de Governo, que o nomeia e o exonera livremente. Isto quer dizer que o Primeiro Ministro é o órgão da Administração Central do Estado que assiste e aconselha o PR na direcção do Governo, competindo-lhe o descrito no artigo 205 da CRM, nomeadamente: assistir o Presidente da República na elaboração do Programa do Governo; aconselhar o Presidente da República na criação de ministérios e comissões de natureza ministerial e na nomeação de membros do Governo e outros dirigentes governamentais; elaborar e propor o plano de trabalho do Governo ao Presidente da República; garantir a execução das decisões dos órgãos do Estado pelos membros do Governo; presidir as reuniões do Conselho de Ministros destinadas a tratar da ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 82 implementação das políticas definidas e outras decisões; coordenar e controlar as actividades dos ministérios e outras instituições governamentais; supervisar o funcionamento técnico-administrativo do Conselho de Ministros. Nas relações com a Assembleia da República, compete ao Primeiro-Ministro: apresentar à Assembleia da República o Programa do Governo, a proposta do Plano Económico e Social e do Orçamento do Estado; apresentar os relatórios de execução do Governo; expôr as posições do Governo perante a Assembleia da República. No exercício destas funções, o Primeiro-Ministro é assistido pelos membros do Conselho de Ministros por ele designados. 3.1.4 Ministérios Em conformidade com a Lei de Base de Organização da Administração Pública moçambicana (LBOAP), o Ministério é o órgão central do Aparelho de Estado criado, modificado ou extinto por decisão do PR, para assegurar a realização das atribuições do Governo decorrentes da Constituição da República. Cada Ministério é dirigido por um Ministro que pode ser coadjuvado por um ou mais Vice-Ministros, consoante decisão do PR. Na sua organização e funcionamento, o Ministério funda-se nos seguintes princípios: i. Originalidade; ii. Desconcentração; iii. Especializacão de funções; iv. Coordenação e articulação; v. Eficiência organizacional; ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 83 vi. Simplificação de procedimentos; vii. Modificabilidade dos serviços públicos. Em conformidade com as suas atribuições principais, os Ministérios podem ser: a) Políticos (aquelas cujas atribuições se relacionam com o exercício das principais funções de soberania do Estado, por exemplo: Justiça, Interior, etc.); b) Defesa; Segurança (aqueles que se relacionam com as forças armadas de defesa). c) Sociais (os que intervém em matérias de apoio social, cultura, actividade laboral, desportiva, etc.). d) Económicos (aqueles que no seu quotidiano lidam com matérias económicas, financeiras e monetárias). e) Técnicos (os que se dedicam à promoção das infra-estruturas, exercendo funções predominantemente técnicos). Sumário Nesta Unidade temática, ao procuraramos perceber o Governo e seu funcionamento, ficou notório que à luz da nossa Constituição da República (CRM,2004) o Governo é um órgão miscigenado, exercendo funções política, legislativa (por autorização da Assembleia da República) e administrativas. Vimos que o Governo de Moçambique é o Conselho de Ministros, cabendo ao Conselho de Ministros assegurar a administração do país, garantir a integridade territorial, velar pela ordem pública e pela segurança e estabilidade dos cidadãos, promover o desenvolvimento económico, implementar a acção social do Estado, desenvolver e consolidar a legalidade e realizar a política externa do país. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 84 1. Recorrendo à CRM (2004) refira-se ao Governo da República de Moçambique e ao mecanismo de seu funcionamento. 2. “O Governo é o órgão central e principal da Administração pública, que incumbe administrar o Estado”. – Argumenta. 3. Diga como é que o Governo se relaciona com a Assembleia da República. TEMA IV:A ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA PERIFÉRICA DO ESTADO UNIDADE Temática 4 – Administração Pública Periférica do Estado Introdução A Administração Pública Periférica do Estado pode manifestar-se através de acções irradiando do centro, dos serviços centrais do Estado (Governo e demais entidades). Mas outras vezes, tal acção é desempenhada por serviços locais, agindo ao nível do distrito ou em representações no exterior do Estado, dos institutos públicos e das associações públicas. Ao completar estaunidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Enunciar o conceito de Administração Pública Periférica do Estado; o Enunciar os órgãos da administração periférica do Estado; 4.1 Administração Pública Periférica do Estado: noção e composição ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 85 A Administração periférica do Estado é aquela que abrange as representaçoes do Estado-Administração e demais pessoas colectivas não territoriais, designadamente, os institutos públicos e associações públicas no estrangeiro, que funcionem sob direcção dos respectivos órgãos centrais e regulados por diplomas específicos (MACIE, 2012). Ora, na acepção do Professor Doutor DIOGO FREITAS DO AMARAL, a administração periférica é o conjunto de órgãos e serviços de pessoas colectivas públicas que dispõem de competência limitada a uma área territorial restrita, e funcionam sob a direcção dos correspondentes órgãos centrais. Desta feita, podemos caracterizar a administração periférica pelos seus órgãos e serviços, tanto locais como externos, pertencentes ao Estado ou a pessoas colectivas públicas de tipo institucional ou associativo, de competência limitada em função do território, não abrangendo nunca a totalidade do território nacional e funcionando sempre na dependência hierárquica dos órgãos centrais da pessoa colectiva pública a que pertencem. No âmbito do Direito Administrativo, “periferia” designa as áreas territoriais em que a Administração actua, localizadas fora de Maputo. Na capital nacional estão instalados e funcionam os órgãos e serviços centrais, enquanto na periferia estão instalados e funcionam os órgãos e serviços locais e os órgãos e serviços sediados no estrangeiro. Portanto, podemos dividir a administração periférica em quatro espécies ou géneros: os órgãos e serviços locais do Estado, os órgãos e serviços locais de institutos públicos e de associações públicas, os órgãos e serviços internos do Estado e os órgãos e serviços externos de institutos públicos e associações públicas. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 86 Vamos abordar com mais profundidade as espécies de administração periférica relativas aos órgãos e serviços locais do Estado, bem como aos órgãos e serviços locais de institutos públicos e de associações públicas, de outra forma designada por administração periférica interna ou administração local do Estado. A administração local do Estado assenta, essencialmente, na divisão do território, nos órgãos locais do Estado e nos serviços locais do Estado. É através da divisão do território que se demarcam as zonas que definem a competência dos órgãos e serviços locais do Estado, recorrendo-se assim ao elemento territorial para se delimitar a actuação da administração. Chama-se a estas zonas “circunscrições administrativas”. Façamos um pequeno apontamento relativo às mesmas: estas são zonas existentes no país para efeitos de administração local mas, embora à primeira vista pudéssemos não encontrar diferenças estre elas e as autarquias locais, ambas se distinguem uma da outra essencialmente por duas razões. Em primeiro lugar, a autarquia local é uma pessoa colectiva, uma entidade pública administrativa que, não obstante tendo por base uma certa área ou circunscrição territorial, é composta por outros elementos. Já a circunscrição é apenas uma porção do território que resulta de uma certa divisão do conjunto. Em segundo lugar, a autarquia é, ao contrário da circunscrição, que se define apenas por um elemento territorial (uma área, uma zona, uma parcela do território), uma comunidade de pessoas, vivendo numa certa circunscrição, com uma determinada organização, para prosseguir determinados fins. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 87 Desta forma, são órgãos da administração periférica do Estado, as missões diplomáticas e missões consulares e especiais. Sumário Nesta Unidade temática, ficou claro que é hoje importante discutir a administração periférica do Estado. Para a maioria dos administrativistas, esta administração é constituída por dois elementos, um primeiro ligado a pertença à pessoa colectiva Estado e uma segunda à limitação territorial dos poderes funcionais. Para João Caupers a administração periférica é tudo aquilo relacionado com a segurança interna, com a regulação social e económica, com a angariação de recursos, de prestações e de desenvolvimento. A tudo isto o próprio autor dá mesmo o nome de missões, quer a nível de toda a administração, quer ao nível da administração periférica. Os desequilíbrios regionais, tanto a nível populacional, como a nível económico, acentuam cada vez mais a concentração dos serviços periféricos. O professor Freitas do Amaral concorda em alguns pontos com João Caupers, nomeadamente ao nível da sociologia da administração, visto que se deu um bom retrato da má administração, excessivamente concentrada e centralizada da administração. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Defina a Administração Pública periférica e faça a sua caracterização. 2. Refira-se aos principais órgãos da a Administração Pública periférica do Estado moçambicano. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 88 TEMA V: A ADMINISTRAÇÃO DIRECTA E INDIRECTA DO ESTADO UNIDADE Temática 5– A Administração Directa e Indirecta do Estado Introdução Hodiernamente, torna-se importante fazer alusão a administracão directa e indirecta do Estado, uma vez que estas compreendem um conjunto de instituições públicas, dotadas de personalidade jurídica própria, criadas por iniciativa dos órgãos centrais do Estado para desenvolver actividade administrativa destinadas à realização dos fins estabelecidos no acto da sua criação. Ao completar esta unidade, o estudante deverá ser capaz de: Objectivos específicos o Definir e Caracterizar a administração directa e indirecta do Estado; o Descrever e Comparar os modelos de acção da Administração directa e indirecta; 5.1 Conceito de Estado Antes de se proceder a uma distinção entre administração directa e administração indirecta convêm fazer uma acepção ao conceito de Estado. Estado, no conceito administrativo, tem um significado diferente daquele que é dado em direito constitucional porque numa acepção administrativa estado é uma pessoa colectiva pública que tem como função desempenhar a actividade administrativa. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 89 Portanto a mesma é uma pessoa colectiva autônoma sendo que não se deve confundir a pessoa colectiva estado com os governantes ou outras entidades que fazem parte da pessoa colectiva estado. Também não se deve confundir estado com outras entidades conexas com ele (autarquias locais, associações públicas, institutos públicos, etc) porque as mesmas constituem entidades distintas cada uma com personalidade jurídica e com as suas atribuições e competências próprias. Outra acepção que devemos fazer ao estado é que o mesmo nem sempre se apresenta perante os cidadãos como autoridade e os mesmos como administrados sendo que por vezes é o estado que se constitui no cumprimento de deveres. Em jeito de conclusão, o que qualifica estado como uma pessoa colectiva resideno facto de existirem um conjunto de factores que leva o estado a ser considerado uma pessoa colectiva diferente das restantes pessoas colectivas. Como características de distinção temos que existe uma previsão constitucional das atribuições do estado e dos seus diferentes órgãos. Também temos a delimitação do patrimônio do estado assim como a previsão dos actos jurídicos unilaterais do mesmo. Estas características permitem-nos, portanto, conseguir fazer uma distinção entre estado e as demais pessoas colectivas. Em relação à administração do estado comporta em primeiro lugar fazer uma distinção entre administração central do estado e administração local do estado. Verificamos com esta distinção que existem órgãos centrais e órgão locais do estado. Os órgãos centrais são aqueles em que existe uma intervenção centralizada do estado enquanto os órgãos locais são aqueles em que a intervenção compete a órgãos ao nível da base. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 90 Neste segundo tipo, verificamos que no entanto nem todos os órgãos de administração local pertencem ao estado pois temos por exemplo as autarquias locais que apesar de serem um órgão de administração local não representam o estado mas sim as pessoas locais. Um exemplo de um órgão local que representa o estado é o caso dos Municípios que representavam o povo nas circunscrições em causa. Recaindo agora sobre a distinção que nos interessa para o trabalho em causa, é aquela que demarca administração directa de administração indirecta. 5.2 Administração Directa do Estado A administração directa do estado é aquela que engloba os órgãos da administração central e os órgãos da administração periférica ou local. Atribuindo uma definição a administração directa, devemos dizer que a mesma é aquela que é exercida pelos serviços da pessoa colectiva estado. Portanto na administração directa o que se verifica é uma intervenção do Estado como órgão concretizador da administração fazendo os seus órgãos parte de uma pessoa colectiva única. Em relação às suas características devemos dizer em primeiro lugar que a mesma cria apenas um conceito para Estado que é o próprio estado criando assim um conceito de unicidade. Em segundo lugar verificamos que o estado não deriva de lei mas sim é anterior à mesma obedecendo deste modo a um carácter originário, permitindo que os seus órgãos sejam de soberania. Também verificamos que todo o território do Estado pertence ao estado sendo que mesmo que determinada terra pertença a outra entidade a mesma está sujeitas ao poder do estado aplicando-se o mesmo regime aos cidadãos do país, estrangeiros e apátridas. O estado também é uma pessoa colectiva com multiplicidade de funções e fins múltiplos onde se distingue das demais derivado do facto das restantes pessoas colectivas só prosseguirem fins singulares. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 91 Outra característica que se identifica é o facto de existir uma pluralidade de órgãos e serviços que compõem o mesmo sendo que ambos estão organizados a nível central em assuntos ou matérias, os quais se identificam como ministérios, algo que não se verifica na administração indirecta onde existe uma estruturação mais aberta. Também se verifica que todos os órgãos que pertencem ao estado compõem a pessoa colectiva estado não criando entre elas pessoas colectivas distintas, logo o patrimônio do estado também é só um. Outra característica que se identifica é o facto de a administração ser subordinada não permitindo desta forma administrações independentes ou autônomas como acontece na administração indirecta, onde apenas se verifica uma superintendência do governo e a sua administração da mesma é controlada por um simples poder de tutela. Logo, neste tipo de administração subordinada verifica-se que os órgãos do estado estão submetidos a uma administração directa no governo perante os órgãos em questão, permitindo- se deste modo a constituição de um instrumento que garante os fins do estado. Associada a esta característica também temos a estruturação hierárquica que nos define que um agente do estado inferior tem de respeitar as ordens emanadas por um agente superior concretizando-se deste modo o dever de obediência. No entanto, existem órgãos da administração directa do estado que tem funções de autonomia em relação ao estado contudo, fazem parte da pessoa colectiva estado. Como exemplo temos as escolas secundárias públicas que tem os seus próprios órgãos de gestão mas são órgãos que pertencem ao estado e situam-se regulados por este. Em contraposição com este tipo de administração temos a administração indirecta. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 92 5.3 Administração Indirecta do Estado Em relação à administração indirecta do estado verificamos que a mesma engloba os institutos públicos, as entidades públicas empresariais, as empresas públicas e as associações e fundações. Fazendo uma definição muito sucinta de administração indirecta do estado devemos dizer que a mesma é exercida por pessoas colectivas distintas da pessoa colectiva estado que desenvolvem fins do estado. Diogo Freitas do Amaral, considera que a Administração Indirecta do Estado compreende o conjunto das instituições públicas, doptadas de personalidade jurídica própria, criadas por iniciativa dos órgãos centrais do Estado para desenvolver actividade administrative destinada à realização dos fins estabelecidos no acto da sua criação. As pessoas colectivas criadas no âmbito da administração indirecta do Estado podem gozar de autonomia administrativa, financeira e patrimonial, devendo, para o efeito, o acto de sua criação fazer tal menção. Em relação aos órgãos que prosseguem uma administração indirecta por parte do estado, o que se verifica é que os mesmos detêm uma personalidade jurídica (ao contrário da administração directa que são todos partes integrantes do estado como pessoa colectiva) e portanto estão sujeitos a direitos distintos daqueles aplicados ao estado. No entanto, estas entidades tem como objectivo a prossecução de fins ou atribuições do estado, sendo que essa actuação nunca é feita pelo estado mas sim por órgãos independentes. Neste caso o que se verifica é que existe por parte do estado uma confiança a outros sujeitos a realização de actividades que prosseguem os fins do estado. O que existe realmente nestes casos é uma transferência de uma actividade ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 93 por parte do estado à entidade em causa para a prossecução do fim estatal e ao mesmo tempo, verifica-se necessariamente uma transferência de poderes para a entidade em causa. Contudo, as tarefas realizadas por essas entidades são da sua exclusiva responsabilidade porque os actos praticados a elas dizem respeito não estando incorporados no estado sendo que caso haja a criação de uma divida por parte de uma destas entidades o que se verifica é a resposta do patrimônio da entidade e não do patrimônio do estado pela divida em causa. O papel do estado na administração indirecta centra-se na criação das entidades em causa e a constituição de alguns poderes de intervenção, sobretudo, no que diz respeito ao poder de fiscalização e ao controlo da actividade em causa. Para além disso o estado também desempenha poderes no âmbito da extinçãodas mesmas podendo, a todo tempo, fazê-lo por um acto legislativo ou caso seja convencionado na lei por um decreto do governo ou uma resolução da Assembleia da República. O estado também é responsável no que diz respeito ao financiamento destas actividades, contudo se a actividade gerar receitas as mesmas podem e devem utilizadas para a prossecução dos seus fins. Caso as receitas não cubram as despesas cabe ao estado cobrir o prejuízo. No campo administrativo o estado não tem qualquer tipo de intervenção cabendo às mesmas tomar as suas próprias decisões e gerir as receitas e despesas respectivas. A importância da criação destas entidades reside no facto de por um lado evitar a burocracia que existiria caso as mesmas não existissem, porque os despachos teriam de ser dados por um ministério o que atrasaria a sua aplicação prática e pioraria a qualidade dos serviços. Por outro lado, também se verificava em certas actividades a necessidade de existência de um sistema de cariz mais empresarial adoptando um sistema de empresa privada que permitisse desta forma métodos de administração mais de acordo com aquilo ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 94 que era necessário para o desenvolvimento da actividade. Em análise final, verificamos que este tipo de administração indirecta permite que estes órgãos apesar de serem externos ao estado possam ser ao mesmo tempo um complemento deste. 5.3.1 Âmbito e objectivos da administração indirecta do Estado Em conformidade com o artigo 62 da Lei de Base da Organização Administrativa, a administração indirecta do Estado incumbe aos Banco de Moçambique, institutos públicos, as fundações públicas, os fundos públicos e o sector empresarial do Estado e quaisquer outras entidades públicas dotadas de personalidade jurídica, desde que não integradas noutras categorias de pessoas jurídicas. Portanto, traduz-se no objectivo da administração indirecta do Estado, de acordo com o artigo 63 da Lei de Bases da Organização Administrativa “promover a descentralização administrativa não territorial, através da transferência das responsabilidades do Estado para entes menores de modo a tornar mais eficaz e eficiente, bem como menos oneroso o exercício da actividade administrativa”. O Estado ao criar uma pessoa colectiva integrada na administração indirecta do Estado deve ter em conta a necessidade de racionalização dos recursos humanos, financeiros e materiais na medida em que essas actividades são transferidas para o novo ente. 5.3.2 Os Institutos Públicos Apesar de poderem existir com diferente designação nos mais diversos países do mundo, a verdade é que, em todas as Administrações Públicas modernas existem Institutos Públicos. Os Institutos Públicos são uma das formas da ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 95 referida descentralização do Estado – descentralização institucional, que dá origem não só aos institutos públicos, mas também às empresas públicas e às associações públicas Nos dias de hoje, como nos diz o Professor Diogo Freitas do Amaral, Instituto Público é tido como uma pessoa colectiva pública, de tipo institucional, criada para assegurar o desempenho de determinadas funções administrativas de carácter não empresarial, pertencentes ao Estado ou a outra pessoa colectiva pública. No contexto moçambicano, e de acordo com o artigo 68 da Lei de Bases, os institutos públicos podem disport de autonomia administrative, financeira e patrimonial. É daí que podemos concluir que os institutos públicos são criados por um acto de autoridade – Decreto do Conselho de Ministros, sob proposta do ministro de tutela, não cabendo a nenhum outro órgão os criar (artigo 70 da Lei de Bases). É importante referir que o pressuposto de criação de um instituto público é a atribuição, no mínimo, de autonomia administrative; exist^encia de um interesse público cuja a prossecução só pode ser possível pela administração indirecta em termos de custo e eficácia. O instituto público não pode ser confundido com uma empresa pública, uma vez que esta é, desde o seu nascimento, detentora de todas as facetas que corporizam o regime de uma pessoa colectiva pública e as respectivas regras excepcionais quanto ao regime do pessoal e de rsponsabilidade civil, daí que um instituto público pode ter um regime de pessoal sujeito ao contrato individual de trabalho e não ao regime da função pública. Ora, Quanto à natureza jurídica dos Institutos Públicos é de salientar a existência de duas diferentes concepções. A mais comum, e defendida por Marcello Caetano, que vê nos Institutos Públicos um substracto institucional autónomo destacado do Estado ao qual a lei atribui personalidade jurídica. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 96 Caracteriza-se por ser um sujeito de direito com base numa instituição distinta do Estado. Por outro lado, por influência das técnicas de direito canónico e do direito público britânico, aparece-nos a teoria defendida por Afonso Queiró que realiza os Institutos Públicos como órgãos do Estado com personalidade jurídica para efeitos de direito privado. 5.3.2.1 Tipologia de institutos públicos e sua extinção A lei de Bases de Organização Administrativa, refere que a tipologia dos institutos públicos é em conformidade com as funções que desempenham, nomeadamente: Institutos de prestação de serviços; Institutos reguladores; Institutos fiscalizadores; Institutos de infra-estruturas; Institutos de normalização; Institutos de gestão; Serviços personalizados; Fundações públicas; Fundos públicos; Estabelecimentos públicos. A extinção dos institutos públicos é feita por via de um acto de autoridade de igual ou superior valor daqueles que lhes criou, quando o interesse público determinante da sua criação tiver deixado de ter relevância específica; ou que o prazo para o qual foram criados se tiver esgotado; ou ainda que eles tenham alcançado os resultados previstos no acto constitutivo ou ainda pela sua reestruturação e insuficiência patrimonial. ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 97 5.4 Empresas Públicas Empresa pública é Pessoa Jurídica de Direito Privado, constituída por capital exclusivamente público, aliás, sua denominação decorre justamente da origem de seu capital, isto é, público, e poderá ser constituída em qualquer uma das modalidades empresariais. As empresas públicas materializam o princípio da gestão privada da actividade administrative. É daí que decorre, segundo FREITAS DO AMARAL (2004) que “são organizações económicas de fim lucrativo, criadas e controladas por entidades jurídicas públicas”. Portanto, a empresa pública combina no seu substrato, capitais públicos com a técnica e o trabalho, para a produção de bens e serviços para o mercado, mediante venda por preços economicamente calculados. Ao abrigo do artigo 1, da Lei 17/91, de 3 de Fevereiro, as empresas públicas são criadas pelo Estado, com capitais próprios ou fornecidos por outras entidades públicas no quadro dos objectivos socio-económicos do mesmo. Em face do acima exposto, e de acordo com a lei, as empresas públicas sujeitar-se-ão ao control público, o que implica que os órgãos de administração e fiscalização são nomeados e exonerados de forma livre pelo Estado. Historicamente, e no contexto moçambicano, as empresas públicasfundam- se nos seguintes diplomas legais: Decreto-Lei nº 16/75, de 13 de Fevereiro; Decreto-Lei nº 17/77, de 28 de Abril; Decreto-Lei nº 18/77, de 28 de Abril; Lei nº 2/81 , de 30 de Setembro; Decreto nº 21/89, de 23 de Maio; Lei nº 13/91, de 3 de Agosto; ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 98 Lei nº 15/91, de 3 de Agosto; Decreto nº 27/91, de 21 de Novembro; Decreto nº 28/91, de 21 de Novembro; Decreto nº 70/98, de 23 de Dezembro. 5.4.1 Tipologias e formas de criação, modificação e extinção de empresas públicas As empresas públicas possuem uma natureza ambivalente, pois pertencem ao mesmo tempo ao domínio público e ao domínio privado, sem se identificar completamente com um ou com outro. São voltadas para a exploração de actividades económicas ou para a prestação de serviços públicos. Elas não actuam integralmente sob regência do direito privado, possuindo um regime jurídico determinado pela natureza de seu objecto e de suas actividades. Submetem-se apenas às normas do direito público quando a constituição determinar, ou quando tiver disposição legal específica. Estão sujeitas às normas e princípios do direito pelo princípio da continuidade dos serviços públicos. Ora, embora a Lei nº 17/91, de 3 de Agosto, não faça a distinção, mostra-se necessário distinguir: © Empresa pública sob forma societária, as chamadas Sociedades Anónimas com natureza privada. Por exemplo, a MCEL; © Empresa pública sob forma pública, que são pessoas colectivas públicas, portanto, regidas pela Lei nº 17/91, de 3 de Agosto; © Empresas públicas sob forma público-mista, na medida em que são participadas financeiramente e regidas, igualmente, pela Lei nº17/91, de 3 de Agosto; © Empresas públicas integradas no Estado-Administração ou autarquias locais, sem contudo, detiverem personalidade jurídica, muito menos qualquer tipo de autonomia. Os nºs 1 e 2, do artigo 3 da Lei 17/91, de 3 de Agosto explicitam que as ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 99 empresas públicas são criadas por Decreto do Conselho de Ministros, bem como indicar o órgão do aparelho do Estado que faz superintendência e tutela. O foco da criação das empresas públicas deve ser fundamentada, demonstrando-se as vantagens de índole económica, técnica e financeira, bem como o projecto de estruturação orgânica, acompanhados de pareceres a serem emitidos por entidades dos ministérios de finanças e planificação (nº 3, do artigo 3). A modificação pode se dar através de fusão, cisão e transformação (artigos 32, 33 e 44, respectivamente). A extinção das empresas públicas dá-se por acto de autoridade, com o fim de reorganizar as actividades, ou ainda de pôr termo à actividade anteriormente desenvolvida por não justificar-se no quadro dos objectivos sócio- económicos. É importante realçar que não são aplicáveis às pessoas colectivas públicas as regras de dissolução, insolvência e falência das sociedades comerciais. Sumário Nesta Unidade temática, ficou aflorada a ideia de que a administração directa do estado é aquela que engloba os órgãos da administração central e os órgãos da administração periférica ou local. Atribuindo uma definição a administração directa, devemos dizer que a mesma é aquela que é exercida pelos serviços da pessoa colectiva estado. Em contraposição com este tipo de administração temos a administração indirecta, que compreende o conjunto das instituições públicas, doptadas de ISCED CURSO: Administração Pública; 30 Ano Disciplina/Módulo: Governo e Administração Pública 100 personalidade jurídica própria, criadas por iniciativa dos órgãos centrais do Estado para desenvolver actividade administrative destinada à realização dos fins estabelecidos no acto da sua criação. O papel do estado na administração indirecta centra-se na criação das entidades em causa e a constituição de alguns poderes de intervenção, sobretudo, no que diz respeito ao poder de fiscalização e ao controlo da actividade em causa. Em conformidade com o artigo 62 da Lei de Base da Organização Administrativa, a administração indirecta do Estado incumbe aos Banco de Moçambique, institutos públicos, as fundações públicas, os fundos públicos e o sector empresarial do Estado e quaisquer outras entidades públicas dotadas de personalidade jurídica, desde que não integradas noutras categorias de pessoas juriídicas. Exercícios de AUTO-AVALIAÇÃO 1. Refira-se à distinção da administração directa e indirecta do Estado no contexto administrativo moçambicano e dê exemplos. 2. Explique o figurino de extinção dos institutos públicos e das empresas públicas em Moçambique. 3. “As empresas públicas possuem uma natureza ambivalente”. - Argumenta.