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Inquérito Policial O inquérito policial é um procedimento investigatório que se inicia devido à prática de uma infração penal. Têm por objetivo obter elementos de prova para que o titular da ação (Ministério Público ou ofendido) possa propo-la contra o autor da infração. É a polícia civil que realiza o inquérito policial. Realizado o inquérito, o titular da ação (destinatário imediato) decidirá se fará a denúncia ou queixa crime. Posteriormente, o juiz (destinatário mediato) avaliará se há indícios suficientes de autoria e materialidade para receber a denúncia ou queixa crime. O inquérito policial é instaurado para apurar infrações penais que tenham pena superior a dois anos. Em casos excepcionais, a infração de menor potencial ofensivo (pena máxima não superior a dois anos) for de alguma complexidade, será instaurado inquérito policial, que será encaminhado ao Juizado Especial Criminal. Todas as infrações que envolvam violência doméstica ou familiar contra a mulher se apuram mediante inquérito policial, independentemente da pena máxima não ser superior a dois anos. O crime de lesão corporal culposa cometido na direção de veículo automotor será realizado inquérito policial quando nas hipóteses previstas no parágrafo primeiro do art. 291, caso contrário, deve-se lavrar termo circunstanciado. O inquérito policial tem que ser realizado pela Polícia Judiciária (Polícia Civil ou Federal). A presidência do inquérito fica a cargo da autoridade policial (delegado de polícia ou da PF), que para a realização das diligências é auxiliado por investigadores, escrivães, agentes etc. Possui caráter inquisitivo o inquérito policial. Por ser um procedimento investigatório não vigora o princípio do contraditório e por isso é sempre necessário alguma prova produzida em juízo para embasar a procedência da ação penal, não podendo o inquérito constituir fonte única para a condenação. É de caráter sigiloso, visando evitar que a publicidade em relação às provas colhidas ou aquelas que a autoridade pretende obter prejudique a apuração do ilícito. O advogado examinar os elementos de prova já documentados, pois são do direito de defesa. A autoridade responsável pela investigação pode delimitar o acesso do advogado as provas. O inquérito deve ser escrito, para que haja segurança em relação ao seu conteúdo. Existindo indícios suficientes (peças de informação) de autoria e materialidade da infração penal, a denúncia ou queixa podem ser apresentadas sem a existência do inquérito policial. Conforme art. 28 do CPP, se o MP entender que não há elementos para a denúncia, será arquivado o inquérito policial ou as peças de informação. O inquérito deve ser instaurado e tramitando no mesmo local onde ocorreu a infração penal. Formas de instauração: Instauração de Ofício - art.5°, I do CPP. O inquérito é iniciado por ato voluntário da autoridade policial. Por lei, a autoridade é obrigada a instaurar o inquérito sempre que tomar conhecimento da ocorrência do crime de ação pública, devendo baixar a portaria, que é a peça que dá início ao procedimento inquisitorial. O delegado pode receber a noticia criminis das seguintes formas: · De cognição imediata: fica sabendo da infração penal em razão do desempenho de suas atividades regulares. · De cognição mediata: toma conhecimento por intermédio de terceiros. · De cognição coercitiva: prisão em flagrante. O inquérito policial não pode ser instaurado de imediato quando a autoridade policial receber notícia anônima da prática de um crime, desacompanhada de qualquer elemento de prova. Neste caso, a autoridade deve realizar diligência preliminar ao receber a notícia e se confirmar a possibilidade do crime, poderá iniciar a investigação. Requisição Judicial ou do Ministério Público (art.5°, II, 1° parte do CPP). Quando o juiz ou o promotor de justiça requisitam a instauração do inquérito, o delegado está obrigado a dar início às investigações. É necessário especificar o ofício requisitório o fato criminoso que deve merecer apuração. Requerimento do Ofendido (art.5°, II, 2° parte do CPP) A vítima do delito endereça uma petição à autoridade, solicitando formalmente se esta inicie as investigações. Auto de prisão em flagrante. Instaura-se o inquérito quando uma pessoa é presa em flagrante e é lavrado o auto de prisão. Representação do ofendido nos crimes de ação pública condicionada a representação (art.5°, parágrafo quarto do CPP). Quando a ação depender de representação, o inquérito só pode ser iniciado com a prévia existência de representação. Os prazos de conclusão do inquérito dependerão se o indiciado está solto ou preso. -Indiciado solto (art.10, caput. CPP). Prazo de 30 dias, porém o parágrafo terceiro prevê que o prazo pode ser prorrogado quando o fato for de difícil elucidação. -Indiciado preso em flagrante ou por prisão preventiva (art.10, caput. CPP). Prazo de conclusão é de 10 dias. Se o juiz conceder liberdade provisória, o prazo para conclusão ser a de 30 dias. Se o indiciado estava solto ao ser decretado sua prisão preventiva, o prazo de 10 dias conta-se da data do cumprimento do mandato, e não da decretação. -Prisão temporária No caso de não ter conseguido as provas, pode, após soltar o investigado, continuar com as diligências. -Prazos em leis especiais Nas legislações espaciais constam algumas exceções referentes aos prazos para conclusão do inquérito.