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AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL Autoria: Káio Cesar Gomes da Silva 2ª Edição Indaial - 2021 UNIASSELVI-PÓS CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO DA VINCI Rodovia BR 470, Km 71, no 1.040, Bairro Benedito Cx. P. 191 - 89.130-000 – INDAIAL/SC Fone Fax: (47) 3281-9000/3281-9090 Copyright © UNIASSELVI 2021 Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri UNIASSELVI – Indaial. S586a Silva, Káio Cesar Gomes da Automação industrial. / Káio Cesar Gomes da Silva. – Indaial: UNIASSELVI, 2021. 151 p.; il. ISBN 978-65-5646-413-8 ISBN Digital 978-65-5646-414-5 1. Tecnologia industrial. - Brasil. II. Centro Universitário Leon- ardo da Vinci. CDD 004 Impresso por: Reitor: Prof. Hermínio Kloch Diretor UNIASSELVI-PÓS: Prof. Carlos Fabiano Fistarol Equipe Multidisciplinar da Pós-Graduação EAD: Carlos Fabiano Fistarol Ilana Gunilda Gerber Cavichioli Jóice Gadotti Consatti Norberto Siegel Julia dos Santos Ariana Monique Dalri Marcelo Bucci Jairo Martins Marcio Kisner Revisão Gramatical: Equipe Produção de Materiais Diagramação e Capa: Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Sumário APRESENTAÇÃO ............................................................................5 CAPÍTULO 1 Histórico E Conceitos Iniciais Da Automação ...........................7 CAPÍTULO 2 Controle De Sistemas Automáticos .........................................53 CAPÍTULO 3 Acionamentos ...............................................................................97 APRESENTAÇÃO Esta disciplina tem o objetivo de apresentar os principais fundamentos e aplicações de tecnologias envolvidas na automação industrial. A disciplina está dividida em três capítulos, separados por seções, com o intuito de facilitar o estudo e a assimilação do conhecimento. Neste primeiro capítulo, será apresentado o histórico da automação, desde a mecanização e a automatização, até os grandes sistemas de controle de automação. No Capítulo 1, veremos as transformações econômicas causadas pela mecanização, as consequências sociais, como se deu o desenvolvimento tecnológico na Europa e nos Estados Unidos e as preocupações com o sistema político da época. Ainda, conheceremos os conceitos iniciais de automação e a diferença conceitual entre mecanização, automatização e automação. Observaremos alguns exemplos práticos para melhor assimilar o conteúdo exposto. Ainda, algumas terminologias básicas, para adentrar no mundo da automação, serão mostradas e explicadas. No Capítulo 2, aprofundar-nos-emos, muito mais, nas terminologias. Entenderemos os conceitos de malha aberta e de malha fechada em sistemas de automação, para facilitar a identificação de sistemas de automação reais. Serão mostrados os princípios de funcionamento dos sensores, a simbologia técnica, exemplos de como podem ser implementados em sistemas de automação e quais são os mais usados na indústria. Também, serão apresentadas as normas técnicas oficiais para trabalhos com automação, os sistemas de automação de processos industriais, os Testes de Aceitação em Fábrica (TAF), os Testes de Aceitação em Campo (TAC), e os Testes de Integração em Campo (TIC). No Capítulo 3, serão abarcados os modelos de controle de processo, a importância da álgebra de Boole em controles de processos e a implementação de sistemas digitais. Serão expostos os conceitos e o princípio de funcionamento do Controlador Lógico Programável (CLP), incluindo hardware, software e operações e aplicações, incluída a linguagem de programação para sistemas do CLP e as funções na linguagem. Por fim, marcarão presença as etapas importantes para o desenvolvimento de projetos de automação e os elementos que compõem um projeto. CAPÍTULO 1 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Conhecer o histórico da automatização, como a mecanização e os sistemas de controle da automação. • Compreender as transformações econômicas advindas da mecanização e as consequências sociais. • Analisar como aconteceu o desenvolvimento tecnológico nos Estados Unidos e na Europa. • Estudar os conceitos iniciais de automação e alguns exemplos. 8 Automação inDustrial 9 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Com os avanços nas ciências e com a busca por produzir cada vez mais e com mais qualidade, o homem tem avançado no conhecimento e na tecnologia jamais vistos em duzentos anos. Com a chegada do computador pessoal, potencializou- se, ainda mais, a busca por novas fontes de conhecimento, quebrando barreiras e trazendo prosperidade e progresso para toda a humanidade. A Inglaterra começou ditando o ritmo desses crescimentos tecnológico e econômico no século XX, através do comércio e da navegação, pois trocavam os produtos deles por ouro e prata, assim, puderam prosperar e acumular riquezas. Outros países da Europa, também, possuíam grande conhecimento de navegação e de comércio internacional, como a Alemanha, a França, a Itália, e muitos outros. Cada um tinha as próprias especialidades, e sabia como trabalhar para o comércio internacional, mas o que acelerou o crescimento econômico desses países foram os avanços tecnológicos que culminaram na Revolução Industrial. A Inglaterra sai na frente, com a invenção das máquinas de fi ar e de tecelagem mecânicas. Com essas máquinas, a produção aumentou exponencialmente, e os custos com mão de obra reduziram drasticamente. Houve uma corrida intensa, por parte da burguesia, para obter máquinas e montar as próprias fábricas. Ainda, novos fabricantes de máquinas iam surgindo e acumulando riqueza. O resultado foi o grande acúmulo de capital por parte do império e da burguesia. Em contrapartida, um país inchado de problemas, de trabalhadores vivendo na miséria e morando em periferias, sem estrutura de moradia, por terem saído da zona rural para trabalhar nas grandes cidades. As cidades da Inglaterra e dos Estados Unidos se viram em um mar de pessoas à procura de trabalho, e o crescimento desordenado trouxe vários problemas. Os Estados Unidos vieram atrás da Inglaterra com a Revolução Industrial Americana, com os mesmos progressos econômicos e os mesmos problemas sociais agravados. Muitas fábricas começaram a se estruturar pelos EUA e por toda a Europa, muitos outros setores produtivos foram surgindo e puderam ir contratando mão de obra nas novas fábricas – segunda fase da Revolução Industrial. Aos poucos, os países saíram da miséria e fi zeram a distribuição de renda pela força do trabalho produtivo, mas isso custou caro para muita gente. O progresso tecnológico é muito positivo para toda uma nação, mas pode trazer consequências severas para uma boa parte dela. A Terceira Revolução Industrial teve início na metade do século XX, e conhecida como Revolução Tecnicista, está relacionada não só ao desenvolvimento tecnológico, voltado ao processo produtivo, mas, também, ao avanço científi co. Hoje, reina a era dos 10 Automação inDustrial sistemas informatizados, dos aplicativos de entrega e de transporte privado, havendo uma transformação, uma perceptível mudança de paradigma da forma de conseguir trabalho. Através dos sistemas de informática, as pessoas estão trabalhando, mas há aqueles que não têm emprego garantido – aqueles com direitos trabalhistas e registro em carteira. Há muitas críticas em relação a esse novo modelo de trabalho do século XXI, mas é o que tem sustentado a economia de muitos países, distribui renda, movimenta os restaurantes. Com o tempo, assim como nas revoluções industriais, tarefas que são realizadas, apenas, por força humana, serão substituídas por empresas, sistemas e máquinas. Já há notícias que até os atendentes de lanchonetes estão com dias contados, pois já há máquinas inteligentes – inclusive, de fabricante brasileira– que recebem o pedido, processam, preparam e entregam para o consumidor, de forma totalmente automatizada. Outro exemplo é a empresa Uber, que é uma das maiores investidoras em tecnologia para carros autônomos. Por que ela investe tanto nisso? Porque, no futuro, pretende ter a própria frota de carros autônomos, sem precisar pagar ninguém para dirigir. O iFood está investindo em motos elétricas para os entregadores parceiros, com o intuito de fornecer o veículo para esse entregador poder trabalhar. Aparentemente, parece uma ideia muito boa, sustentável, e que vem a benefi ciar aqueles que querem trabalhar, mas que não possuem veículo próprio. Contudo, nada vem de graça. O intuito do projeto é cobrar, do entregador, o valor referente ao veículo – do valor que ele recebe –, das entregas feitas. Caso o entregador desista de trabalhar para a empresa, o veículo volta para ela e é disponibilizado para outro, que pagará pelo uso da moto. Os exemplos citados, da Uber e iFood, são modelos de economia da chamada Quarta Revolução Industrial. O Fórum Econômico Mundial de 2020 revelou que será implantado, no mundo, o seguinte conceito: “Você não será proprietário de nada e, mesmo assim, será feliz”. Se olharmos para o projeto do iFood, é exatamente isso que já está acontecendo no mundo. A automação e o controle darão suporte a esse novo modelo que emergirá. Estamos vivendo a transição da Terceira para a Quarta Revolução Industrial. As coisas, os empregos e as pessoas não serão mais os mesmos – tudo já está mudando. Uberização do trabalho, Internet das Coisas (IoT), Cidades Inteligentes (Smart City), Indústria 4.0. Esses são alguns fenômenos da Quarta Revolução Industrial, frutos dos avanços da automação e do controle de processos. O campo de atuação, para os profi ssionais de automação, será ampliado, e você não pode fi car de fora dessa. Boa leitura! 11 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 2 HISTÓRIA DA AUTOMAÇÃO Até o fi nal do século XVIII, os produtos oferecidos em mercados e em lojas, pelo mundo, eram produzidos de forma manual, artesanalmente, com ferramentas rústicas, muitas vezes, elaboradas pelos próprios artesãos. A produção econômica era baseada na manufatura, ou seja, produtos manufaturados e sem um devido padrão de produção. Tudo era produzido à mão, até a chegada da primeira Revolução Industrial inglesa. O processo era feito por pequenos artesãos e artesãs independentes que fabricavam os produtos e ofereciam serviços, colocando-os à venda ali mesmo, nas próprias cidades e vilarejos. O conceito de fabricação em grande escala, de industrialização para a redução de custo, ainda, estava muito longe da realidade de hoje. Basicamente, um cliente fazia a encomenda e buscava o produto após um determinado prazo, ou esperava a entrega em um local combinado. A manufatura e os ofícios de trabalho eram baseados na família, e os artifícios e aprendizados para a fabricação de bens eram transmitidos de pai e mãe para os fi lhos (BOURDIEU, 2007). A primeira Revolução Industrial consolidou o processo de produção, baseada no capitalismo, e a Inglaterra saiu na frente nesse processo de transformação da força de trabalho. O surgimento das primeiras máquinas, que substituíam toda ou alguma força de trabalho humano, animal ou natural (vento e água), as quais, até então, eram as únicas conhecidas, trouxe, à sociedade, mudanças políticas e econômicas jamais vistas (HOBSBAWM, 2009). O nome revolução remete a mudanças de paradigmas sociais, desde as estruturas que ordenam a sociedade até as formas do pensamento humano. Essas mudanças possuem motivações fortes o sufi ciente para que aconteçam de forma rápida e constante (BOURDIEU, 2007). 2.1 O MOTOR A VAPOR A história considera mudanças sociais como rápidas, uma revolução, propriamente, dita, quando acontecem em ciclos de tempo de décadas. O primeiro motor a vapor, amplamente, utilizado, foi inventado por Thomas Newcomen, em 1712, e, já em 1760, a Inglaterra adota o regime econômico capitalista, substituindo o trabalho manual, a manufatura, pelo trabalho de máquinas a vapor, pela maquinofatura. No capitalismo, quanto mais se produz e se reduzem custos de produção, mais se acumula riqueza. Então, essa foi a grande motriz para a adesão social ao modelo capitalista de produção: substituir o trabalho humano pelo trabalho de máquina, multiplicando a quantidade da produção e reduzindo os custos de fabricação. Era o novo objetivo do momento. A seguir, representaremos o motor a vapor de Newcomem, que funcionava com baixa potência e era utilizado para retirar água de minas de carvão (SILVEIRA; SANTOS, 2003). 12 Automação inDustrial FIGURA 1 – MOTOR A VAPOR, DE NEWCOMEM FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Thomas_Newcomen>. Acesso em: 24 abr. 2021. Em, praticamente, cinquenta anos, a Inglaterra muda, totalmente, o paradigma social. Antes, os trabalhadores sonhavam em conseguir dinheiro para comprar terras cultiváveis ou receber terras de herança para a produção agrícola ou pecuarista. Agora, com a chegada das máquinas, começa a haver um grande fl uxo migratório das zonas rurais para as grandes cidades da Inglaterra. Isso, também, gerou uma grande demanda de serviços e a criação de novas frentes de trabalho para o oferecimento de hospedagem, alimentação, entretenimento, serviços médicos, venda de terras, construção civil, necessidades básicas humanas e muitos outros, para o atendimento ao novo êxodo (HOBSBAWM, 2009). Boa parte do capital gerado nas grandes cidades, com a industrialização, fi cava, exatamente, ali, devido às necessidades de consumo de serviços e da arrecadação de impostos. 2.2 REVOLUÇÃO NA INDÚSTRIA A Primeira Revolução Industrial, também, é marcada pela revolução no transporte. Antes, o transporte de pessoas e de produtos era feito à tração animal, através de carroças, ou, mesmo, a pé. O primeiro motor a vapor inventado, que 13 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 deu origem à locomotiva a vapor e a muitos outros inventos, marcou presença em 1698, por Ferdinand Verbiest, e deu a possibilidade, à sociedade, de dar um saldo de desenvolvimento. Imagine as limitações, diante das quais as cidades se encontravam, através do transporte animal, com os custos com veterinários e a perda de animais por doenças, além do esforço excessivo ao longo de grandes percursos e da limitação do peso suportado em uma viagem. Existiam os riscos de assaltos ao longo das estradas e a quebra dos componentes das carroças, o que atrasava ou inviabilizava as viagens. O ritmo de vida, antes da Primeira Revolução Industrial, sem dúvidas, era bem mais lento após a vinda das locomotivas a vapor (HOBSBAWM, 2009). Surge, na Primeira Revolução Industrial, o tear mecânico, que aumenta, consideravelmente, a produção e a ofertas de tecidos. A lei da oferta e da demanda foi criada pelo escocês Adam Smith. Essa lei menciona que o que determina os preços de um produto, de um serviço ou de um bem é a quantidade dele disponível para compra. Quanto mais oferta de produto ou serviço no mercado, mais em conta serão os preços, e isso só é possível com a livre concorrência (SMITH, 1983). A grande oferta de produtos, agora, industrializados, fez com que a oferta deles, no mercado interno inglês, aumentasse, reduzindo custos de produção e preços para o consumidor fi nal. Muita produção demanda transporte para outras cidades e Estados. Daí vem o incentivo para a construção das linhas férreas, que revolucionam os transportes terrestres, com a invenção da locomotiva a vapor, que chega para oferecer transporte de passageiros, mas que é muito mais impulsionada por reduzir os custos com transporte e resolver o problema da segurança rodoviária, devido a riscos de assaltos a mercadorias (HOBSBAWM, 2009). Consequentemente, a locomotiva a vapor possibilita que o produto seja vendido em muitas outras cidades a um preçomuito menor do que era vendido antes, e em quantidades bem maiores. Isso acelera muito o processo da Revolução Industrial. A Primeira Revolução Industrial é marcada, na Inglaterra, principalmente, pela agilidade, pelo poder de produzir muito além da capacidade natural de produção humana, utilizando máquinas no lugar de força animal ou humana. Dessa forma, a maquinofatura nada mais é que a capacidade de transformar uma fonte de energia em trabalho realizado por máquina. A Primeira Revolução Industrial é a transição do meio de produção manufatureiro para dar lugar à maquinofatura em um curto período de tempo. Como uma reação em cadeia, impulsiona-se, também, o surgimento de novas invenções a partir do motor a vapor e de novas fontes de energia para alocar em meios de produção (HOBSBAWM, 2009). 14 Automação inDustrial 2.3 MANUFATURA X MAQUINOFATURA Segundo Hobsbawn (2009), a máquina que utiliza a força da correnteza dos rios, do inventor Richard Arkwrigth, de 1760, acelerou o processo de industrialização, inventando a máquina de tecer mecânica (tear mecânico). Movida por uma correia acionada por uma roda hidráulica, também, conhecida como roda d’água, a máquina era movida pela força da água de forma mecânica. A corrente de água gira a roda hidráulica, que está acoplada a uma correia que, por sua vez, movimenta o tear, substituindo a força humana. Observe a fi gura a seguir, que representa a máquina de tecer, de Richard Arkwrigth. FIGURA 2 – TEAR, DE RICHARD ARKWRIGTH FONTE: <http://www.moderna-contemp.uerj.br/outros_materiais/ imagens/rev_industrial.htm>. Acesso em: 24 abr. 2021. Samuel Crompton, mais tarde, em 1779, aperfeiçoa a máquina de tear, de Richard Arkwright, a qual, agora, pode contar com 48 fusos. Fusos (têxtil): Fuso é um utensílio cilíndrico feito de madeira, utilizado para fi ação e torção de fi bras, como lã, linho, cânhamo e algodão em fi o. É, frequentemente, carregado em ambas as partes, inferior, média e superior, geralmente, por um disco ou objeto esférico, 15 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 mas existem muitos fusos que não são carregados por uma espiral, mas engrossando a forma deles para o fundo, como fusos de Orenburg e franceses. O fuso, também, pode ter um gancho, uma ranhura, ou entalhe na parte superior, para guiar o fi o. Fusos vêm com muitos tamanhos e pesos diferentes, dependendo da espessura do fi o que se deseja girar. FIGURA 3 – TEAR, DE SAMUEL CROMPTON FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Spinning_Mule>. Acesso em: 24 abr. 2021. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Com qual objetivo foi inventado o primeiro motor a vapor de Newcomem, e em qual situação ele era empregado? Em 1828, com o surgimento do aparelho de fi ar, utilizando anéis, as novas máquinas de tear chegam a funcionar com até 1000 fusos ao mesmo tempo (SILVEIRA; SANTOS, 2003). Da queima de carvão mineral ou vegetal, abundantes e de baixo custo, acontece a transformação de energia térmica em energia potencial, a qual, depois, é utilizada para realizar o trabalho através de maquinários (HOBSBAWM, 16 Automação inDustrial 2009). Essa queima de carvão gera calor e aquece a água que está dentro de uma caldeira. O calor gerado, por sua vez, faz com que a água saia do estado líquido para o gasoso, o que é armazenado na caldeira, gerando energia potencial em forma de vapor. Da caldeira, o vapor é liberado, de forma controlada, através de tubulações, as quais, depois, impulsionam os atuadores e movimentam o eixo do motor, gerando o trabalho. Observe a fi gura a seguir, que representa o funcionamento da locomotiva a vapor: FIGURA 4 – MÁQUINA A VAPOR FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Locomotiva_a_vapor>. Acesso em: 24 abr. 2021 Esse modelo econômico se espalhou pelo mundo inteiro, e, hoje, faz parte de todas as sociedades, politicamente, organizadas. Uma marca da Primeira Revolução Industrial inglês é o êxodo rural, citado anteriormente. Acontece a inversão do eixo populacional devido ao surgimento de novas frentes de trabalho nas grandes cidades, forçando os trabalhadores rurais a buscarem empregos mais bem remunerados. Além disso, as melhores remunerações, oferecidas nas grandes cidades, possibilitam que o trabalhador tenha acesso a uma melhor qualidade de vida e ao desenvolvimento humano, isso comparado às zonas rurais de antes. Mesmo os trabalhadores que, ainda, insistiram em fi car na zona rural, depois de um tempo, foram forçados a ir para às cidades em busca de emprego, devido ao surgimento de maquinários que substituíam o trabalho humano. Caldeira: É, amplamente, utilizada na indústria. É um recipiente metálico para aquecer líquidos ou produzir vapor. As caldeiras produzem vapor para alimentar máquinas térmicas, autoclaves para a esterilização de materiais diversos, e cozimento de alimentos e de outros produtos orgânicos. 17 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 2.4 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL DIFERENTE DE INDUSTRIALIZAÇÃO Algo bem interessante do processo de industrialização, segundo Bourdieu (1998), é que, por si só, a industrialização não traz as mudanças de paradigmas encontradas em uma revolução industrial, ou seja, ter indústrias alocadas em um país não faz, dele, um país revolucionário. A exemplo do Brasil, que possuiu uma fi gura ilustre, e, sempre, relembrada nos livros de história, o Barão de Mauá, começa um processo de industrialização, mas não gera uma efetiva transformação no fi nal do século XIX. Apesar de abrir indústrias, Mauá não conseguiu fazer com que a população brasileira se deslocasse das zonas rurais, nos Estados delas, para os grandes centros industriais (MAUÁ, 2011). Enquanto a primeira Revolução Industrial se inicia na Inglaterra, há, também, instalações industriais na Prússia, Bélgica, Alemanha, França, e até o processo de industrialização, nesses outros países, começou, antes, na Inglaterra. Contudo, não foi um processo forte o sufi ciente para causar uma revolução dos pontos de vista político e econômico, que é o que fez toda a diferença na Inglaterra. O processo de industrialização é bem distinto de uma revolução industrial. A industrialização é um processo que acontecesse lentamente, absorvendo trabalhadores aos poucos e implementando mudanças de forma lenta e gradativa. Já no processo de revolução industrial, um grande eixo populacional é deslocado, como força de trabalho, em pouco tempo, e as mudanças são muito rápidas, além do acúmulo de problemas sociais que vêm com o processo e que forçam a transformação da sociedade como um todo (BOURDIEU, 2007). Não se pode negar que uma revolução social traz, consigo, grandes avanços e mudanças positivas dos pontos de vista do progresso e do desenvolvimento, melhor equidade fi nanceira entre classes sociais, acesso a necessidades básicas etc. Contudo, é preciso se lembrar de que essa visão de progresso, no início, vem carregada de consequências dolorosas para a transição revolucionária. As cidades britânicas não estavam preparadas para receber essa grande massa de trabalhadores que vieram das zonas rurais em busca de empregos nas indústrias. Isso gera o chamado inchaço urbano, devido ao crescimento desordenado de determinada sociedade. Grande quantidade de pessoas, em busca de melhores condições de vida, gera um crescimento desordenado e a formação de periferias, por conta do aumento da procura por moradia. 18 Automação inDustrial 2.5 PROBLEMAS DA REVOLUÇÃO Segundo a lei da oferta e da procura, de Adam Smith (1983), quanto maior a procura por moradia, mais elevados são os preços de venda ou de aluguel, ainda mais em vilarejos que tenham o mínimo de estrutura, como mercados, transporte, hospital, dentre outros. Esse aumento de preços, devido à procura, é o que se chama de processo de especulação imobiliária. Outro problema atrelado ao êxodo populacional, para as cidades, é a construção de moradias sob péssimascondições de vida e estruturas precárias, mas, como há um grande fl uxo migratório, as pessoas acabam aceitando e se acostumam a viver assim. Essas péssimas condições de vida acabam trazendo, como outra consequência, doenças, devido às más condições e à falta de estrutura e de saneamento básico (BOURDIEU, 2007). Muitos donos de indústria, vendo essa situação das periferias, olhando para a lei da oferta e da procura, entendem, agora, que, nessas periferias, há mão de obra em abundância, e começam a reduzir o preço do trabalho dos operários, reduzindo, ainda mais, os custos de produção. Em 40 anos, o processo de industrialização fez com que um trabalhador inglês passasse a ganhar 18% do que ganhava antes (HOBSBAWN, 2009). Além disso, acabam montando fábricas próximas de onde há periferias, facilitando, ainda mais, a captação de mão de obra. Esse crescimento desordenado faz com que as periferias, também, sejam formadas ao redor das fábricas, e muitos problemas são gerados nas cidades e nessas habitações. Outra consequência inicial, da Revolução Industrial, é a ilusão da qualidade de vida, além do progresso social: as pessoas se deslocam para a grande cidade em busca de melhores condições de vida, boa remuneração, desenvolvimento urbano, mas acabam caindo no engodo social, que é conviver em péssimas condições urbanas, desordens sociais e altíssimo custo de vida. Em Bolton, cidade do oeste inglês, um artesão, por volta dos anos 1795, recebia 33 xelins pelo trabalho dele. Já em 1815, esse número passa para os 14 xelins. Entre os anos de 1829 e 1834, um operário inglês passa a ganhar o valor de seis xelins (HOBSBAWM, 2009). Se, antes, o trabalhador, morando na zona rural, tinha acesso gratuito a remédios naturais, através de chás e de misturas; podia plantar e cultivar feijão, milho e outros; e criar galinha, ovelha e vaca para a própria subsistência, agora, precisa pagar para ter acesso à saúde, à alimentação e à moradia. Perceba que o progresso social, o qual muitos autores citam como fruto da primeira Revolução Industrial, na realidade, é o acúmulo de riquezas que a burguesia conseguiu através da industrialização, além do império inglês, 19 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 através da arrecadação de impostos e do oferecimento de bens e de serviços para os trabalhadores da época. Vale lembrar, também, que, no processo de industrialização inglês, não existiam leis protetivas, no país, que garantissem direitos e a não exploração da força de trabalho da época (BOURDIEU, 2007). Progresso e acúmulo de riqueza a quê custo? A Inglaterra do século XVIII tinha mão de obra excedente. Isso está relacionado com os cercamentos que aconteciam na Inglaterra e que se intensifi caram a partir do século XVII. Os cercamentos aconteciam por força da Lei dos Cercamentos (Enclosure Acts), lei inglesa que permitia que as terras comuns fossem cercadas e transformadas em pasto. As terras comuns eram parte do sistema feudal, que estipulava determinadas áreas para serem ocupadas e cultivadas pelos camponeses. Com os cercamentos, os camponeses que habitavam essas terras foram expulsos, e as terras foram transformadas em pasto, para a criação de ovelhas. A criação de ovelhas era o que fornecia a lã utilizada, em larga escala, para a produção têxtil do país. Os camponeses expulsos dessas terras, e sem ter para onde ir, mudaram-se para as grandes cidades. Sem nenhum tipo de qualifi cação, esses camponeses se viram obrigados a trabalhar nos únicos locais que forneciam empregos – as indústrias. Assim, as indústrias que se desenvolviam na Inglaterra tinham mão de obra excedente. Isso garantia, aos patrões, poder de barganha, pois poderiam forçar os trabalhadores a aceitarem salários de fome por uma jornada diária exaustiva. A adesão dos trabalhadores às indústrias ocorreu de maneira massiva, também, por uma lei inglesa que proibia as pessoas de “vadiagem”. Assim, pessoas que fossem pegas vagando pelas ruas, sem emprego, poderiam ser punidas com castigos físicos, e, até mesmo, com a morte, caso fossem reincidentes. FONTE: <https://brasilescola.uol.com.br/historiag/revolucao- industrial.htm>. Acesso em: 24 abr. 2021. 20 Automação inDustrial Quanto mais os problemas se acumulavam nas periferias, mais pessoas necessitavam de trabalho, mais o preço da contratação da força de trabalho era reduzido, e, as jornadas, extenuantes. Um trabalhador, na Inglaterra, chegava a trabalhar de quatorze a dezoito horas por dia, sobrando cerca de seis a oito horas do dia para dormir, alimentar-se e conviver com a família (HOBSBAWM, 2009). A jornada de trabalho, violentamente, alta; a remuneração baixíssima, devido à oferta de mão de obra elevada; e o pouco oferecimento de trabalho geraram graves problemas sociais para todos, por conta da massa de pessoas desempregadas. O aumento da violência urbana, da criminalidade e da pobreza é fruto do crescimento populacional desordenado e da falta de planejamento governamental. A Primeira Revolução Industrial aumentou o distanciamento entre as classes sociais, agravando o problema da pobreza; a concentração de riqueza nas mãos dos mais ricos; e os graves problemas sociais – prostituição, trabalho infantil, acidentes de trabalho, pessoas morando nas ruas –, com a população, em geral, nas periferias. Quanto maior é a sensação de desigualdade em um país, maior é o índice de criminalidade, de violência urbana, principalmente, violência ao patrimônio, devido ao instinto de sobrevivência próprio do ser humano (BOURDIEU, 2007). Outra questão importante é a relação entre as camadas sociais existentes. Uma parte da camada social começa a perceber que, a outras classes sociais, é dada a possibilidade de uma série de benefícios, os quais ela não possui – vestimenta, alimentação, infraestrutura, status –, o que, para alguns sociólogos, é um tipo de violência, chamada de violência simbólica (BOURDIEU, 2007). Então, essa violência acaba gerando confl itos entre as classes mais ricas com as mais pobres, além de um distanciamento pelo status social. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Qual é a diferença de revolução industrial e de industrialização? 2.6 SEGUNDA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL A Segunda Revolução Industrial teve início na segunda metade do século XIX, entre 1850 e 1870, e fi nalizou no fi m da Segunda Guerra Mundial, entre 1939 e 1945. Essa fase da Revolução Industrial representa o início de um novo período 21 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 da industrialização, vivida, inicialmente, na Inglaterra, mas que se expandiu para outros países (SOUZA, 2021). A Inglaterra sai na frente e, depois, é alcançada, rapidamente, por outros países da Europa e pela América do Norte. Por volta do início do século XIX, começam os confl itos entre os países interessados em vender os próprios produtos por todo o mundo. Agora, os ingleses, donos de indústrias, passam a ter concorrentes externos muito fortes, o que começa a inviabilizar os processos de expansão e de entrada de produtos no mercado internacional. Assim, a Inglaterra dá início a uma série de mudanças internas e faz a unifi cação, através de leis que restringem a entrada de produtos estrangeiros, para fortalecer o mercado interno (HOBSBAWM, 2009). Em 1791, os Estados Unidos têm a primeira máquina de fi ação de algodão, através do burguês Samuel Slater, que aperfeiçoa o invento de Richard Arkwrigth, seu sócio, criando, em seguida, a primeira indústria de tecelagem dos EUA. Samuel Slater é considerado o pai da Revolução Industrial americana. Já em 1814, a família Louro, de Muschuster, inaugura a sua primeira fábrica têxtil dos EUA, utilizando teares mecânicos. Depois, inicia-se a revolução dos transportes, com construções de ferrovias, e o êxodo rural, para as grandes cidades americanas, intensifi ca-se. Já em 1860, o processo de industrialização, nos Estados Unidos, consolida-se,e os problemas sociais se intensifi cam. Esse processo, assim como na Inglaterra, durou cinquenta anos (SILVEIRA; SANTOS, 2003). Outro fator importante para o sucesso da industrialização – sob a perspectiva burguesa – é a chegada da luz elétrica nas fábricas. Esse processo de utilizar energia elétrica para iluminar as fábricas fez com que muitas linhas de distribuição fossem instaladas nas grandes cidades, e com que a produção industrial desse um salto ainda maior – o uso da luz elétrica, praticamente, dobrou a produção fabril naquela época –, porque possibilitava, às fabricas, manterem a produção trabalhando em dois turnos (SILVEIRA; SANTOS, 2003). 2.7 MAIS AVANÇOS TECNOLÓGICOS Com os avanços tecnológicos e as técnicas do sistema de produção em série, segundo Silveira e Santos (2003), surgem indústrias metalúrgicas, automobilísticas, petroquímicas por toda Europa, pelo Japão e pelos Estados Unidos, entre os anos de 1830 e 1940. Também, surgem novas tecnologias de comunicação, como telégrafo e rádio; os motores à combustão; e as técnicas de domínio do aço. Nesse período, há um fortíssimo investimento em ferrovias e na construção de portos e de navios. Essa época, também, é marcada pelo surgimento de duas forças de pensamento: cientifi cismo e tecnicismo. O cientifi cismo é a idealização da ciência, é uma forma de pensamento, de matriz positivista, que 22 Automação inDustrial visa tornar a ciência superior a todas as outras formas de compreensão humana, como fi losofi a, religião, metafísica e todas as áreas da cultura, afi rmando que só a ciência tem o poder de resolver qualquer questão humana que se apresente, preconizando o método científi co como meio de resolução (BOURDIEU, 2007). Mesmo assim, devemos tomar cuidado e observar, de fato, como a ciência vem sendo tratada no mundo, e como a informação tem sido transformada em desinformação. No momento da produção desse conteúdo (2021), grupos de estudos estão trabalhando para descobrir a cura e o comportamento do vírus da COVID-19. Isso é ótimo para a sociedade, porém, há toda uma campanha midiática querendo se sobrepor às informações científi cas, deturpando informações e atrapalhando a ciência, para que ela chegue de forma íntegra à sociedade e aos grupos específi cos – é o fenômeno chamado de fake news. Dayane Machado e Leda Gitahy, do Departamento de Política Científi ca e Tecnológica, do Instituto de Geociências, da Unicamp, e membros do Grupo de Estudos sobre Desinformação nas Redes Sociais (EDReS/Unicamp), vêm estudando um tipo específi co de desinformação, aquele relacionado às vacinas. Em uma entrevista para o Museu da Vida (FIOCRUZ), Dayane e Leda explicaram quais são as características que compõem uma campanha de desinformação. Afi rma que existem diferenças em termos: “Misinformation” (informação incorreta), aquela informação equivocada que circula sem a intenção de enganar; e “Disinformation” (desinformação), a informação falsa que é produzida, intencionalmente, para causar danos. Como pesquisadores de desinformação, a gente mede a intencionalidade a partir dos rastros fi nanceiros que alguns atores deixam para trás (OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 2020). Nos artigos delas, publicados no Observatório da Imprensa (2020), mencionam o seguinte: É preciso compreender que a desinformação não só promove, mas é, também, resultado da crise de confi ança nas instituições. Ainda que existam grupos negando os riscos da Covid-19, a importância das vacinas, a existência das mudanças climáticas, ou o formato da Terra, pesquisas de Percepção Pública da Ciência, realizadas até o momento, apontam para um mesmo quadro: a população brasileira é uma das mais otimistas do mundo quando o assunto é ciência. Polarizações, dos tipos “anti-” e “pró-”, distorcem a realidade e ignoram um grande número de fatores que infl uencia as decisões e as atitudes de cada cidadão. Para entender a crise de aceitação das vacinas, por exemplo, é necessário considerar todo um espectro de posicionamentos que ocorre no caminho entre os defensores e os opositores declarados: aqueles que recusam vacinas específi cas; quem adie o calendário vacinal; quem obedeça ao calendário; e outros possíveis grupos de opinião distinta (OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA, 2020, s.p.). 23 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 Outra polêmica do momento em que este livro é escrito, agora, trazendo o assunto para o mundo das tecnologias digitais e dos sistemas de dados, é em relação à tecnologia 5G. Um exemplo atual, do que o tecnicismo é capaz de causar no imaginário das pessoas, é a polêmica implantação da tecnologia 5G de telecomunicações mundo a fora. Ela promete revolucionar as telecomunicações em se tratando de velocidade e de desempenho, porém, todos sabem que as tecnologias móveis produzem radiofrequências, para se conectar, que podem trazer danos à saúde humana. A propaganda, em todo o mundo, e, inclusive, no Brasil, é para que os governos invistam na implantação do 5G ou que permitam, às operadoras, instalarem equipamentos, com o objetivo de avançar, ainda mais, o progresso nas comunicações. É sabido que o progresso é a matriz de toda nação para o desenvolvimento, porém, os fatos devem ser muito bem investigados pelos mais variados tipos de especialistas das áreas de telecomunicações, segurança da informação, por professores universitários e pelas forças armadas, inclusive, conduzindo estudos para possíveis males à saúde do cidadão e à segurança nacional. É uma questão de pesos e de proporções – importa muito mais a saúde do que o progresso –, e poucas pessoas estão enxergando tal perigo. Após a conclusão dos estudos por variadas perspectivas, uma é a que a nação pode migrar das próprias tecnologias para outras mais efi cientes. Outro problema grave, a respeito do 5G, é em relação à espionagem cibernética internacional. De acordo com a equipe da McAfee, Advanced Threat Research (ATR), esse esquema de segurança visa roubar informações confi denciais ou secretas a partir da tecnologia 5G (MCAFEE, 2018). Apelidada de Operação Diànxùn, a campanha de espionagem cibernética usa um malware disfarçado de aplicações Adobe Flash e partilha táticas, técnicas e procedimentos (TTPs) com ataques, anteriormente, atribuídos, pela indústria, ao Mustang Panda. A Huawei, uma das maiores fornecedoras de equipamentos para telecomunicações do mundo, foi acusada, pelo governo dos EUA, de servir, ao governo chinês, como espiã, através da tecnologia 5G, e indicou, para o governo brasileiro, que não se permitisse a entrada da tecnologia da Huawei no país (MCAFEE, 2020). Segundo o relatório de outubro de 2019 (ENISA, 2019), que envolve os riscos de segurança 5G, da Comissão Europeia e da Agência Europeia para Cibersegurança, a natureza mais centrada do software das redes 5G, também, abrirá para grandes riscos associados aos processos de desenvolvimento e de atualização de software, de erros de confi guração e de outras vulnerabilidades. Sabemos que há interesses comerciais por parte dos Estados Unidos para com o mundo, porém, como houve uma denúncia vinda de um país de primeiro mundo, então, que seja, realmente, investigada, e, exaustivamente, testada, de 24 Automação inDustrial forma crítica, por especialistas. Inclusive, as tecnologias de outras empresas fornecedoras. 2.8 DOMÍNIO DO AÇO Uma área muito desenvolvida, na segunda Revolução Industrial, é o domínio das ligas de aço. Se, antes, os produtos e os bens não duravam, devido à oxidação e à corrosão, agora, com o aço, há um aumento do tempo de vida útil dos equipamentos e dos componentes de metal, levando a uma forte resistência e a maquinários mais duráveis (GUITARRARA, 2021). A durabilidade das máquinas faz muita diferença no mundo industrial. Uma máquina resistente é sinônimo de poucas interrupções e baixo custo de manutenção, e foi isso que o aço trouxe de benefício à indústria. O domíniodo aço abarca avanços signifi cativos nos setores de transportes e de siderurgia. Com o aço, as ferrovias possuem durabilidade muito superior, sem a preocupação com intempéries e corrosões. Ainda, suportam grandes pesos a partir do transporte de minérios, insumos, bens e mercadorias. O aço, também, permite que ocorram avanços no transporte marítimo, pois os navios possuem motores a vapor suportando pressões e fazendo viagens em menos tempo (SOUSA, 2021). 2.9 INDÚSTRIA PETROQUÍMICA Outra marca importante da segunda Revolução Industrial é a chegada do petróleo, com o surgimento dos motores à combustão. Inicia-se o crescimento da produção de combustíveis, baseado na demanda de automóveis fabricados. Além de o petróleo ser usado na produção de combustíveis, passa a ser utilizado como matéria-prima de base para o desenvolvimento das indústrias petroquímicas, na produção de fertilizantes e de pesticidas; e na indústria farmacêutica, com tintas e produtos químicos. O petróleo se torna a base para a produção de muitas coisas, e é implementado com uma nova economia, tornando-se uma commodity internacional. Commodity: Corresponde a produtos de qualidade com características uniformes, que não são diferenciados de acordo com quem os produziu ou com sua origem, sendo, o preço, uniformemente, determinado pela oferta e pela procura internacional. 25 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 O QUE SÃO COMMODITIES – Mundo Educação Segundo a matéria publicada no Mundo Educação, por Rodolfo F. Alves Pena (2021), as commodities – ou commodity, no singular – são uma expressão do inglês que se difundiu, no linguajar econômico, para fazer referência a um determinado bem ou produto de origem primária, comercializado nas bolsas de mercadorias e valores de todo o mundo, e que possui grandes valores comercial e estratégico. Geralmente, tratam-se de recursos minerais, vegetais ou agrícolas, como o petróleo, o carvão mineral, a soja, a cana-de-açúcar e outros. Esses produtos, em grande parte, infl uenciam o comportamento de determinados setores econômicos, ou, até, da economia como um todo. Isso signifi ca que as oscilações de preços infl uenciam outras atividades, como a industrial, além do comércio, que contarão com matérias-primas mais caras ou mais baratas para a produção e para a comercialização das mercadorias. Um exemplo disso foram as altas sucessivas do petróleo nos anos 1970, motivadas por razões políticas, e que geraram uma profunda crise estrutural no cerne do sistema capitalista. Quando uma determinada matéria-prima, ou mercadoria, é considerada como uma commodity, ela passa a ter o preço gerido não pelo valor estipulado na produção, mas, sim, pela cotação dela no mercado, geralmente, nas grandes bolsas de valores. Assim, se o preço do algodão se elevar no mercado externo, por escassez na produção mundial, o Brasil, por exemplo, mesmo que o produza muito, verá os próprios preços elevados, principalmente, para a exportação. Consequentemente, o mercado interno, nesse caso, também, será afetado, pois a maioria dos produtores preferirá exportar, provocando uma alta nos preços internos, conforme a menor oferta do produto. Com isso, os produtos derivados sofrerão um rápido aumento que, muitas vezes, não é compreendido pelo consumidor, haja vista que foi motivado pela dinâmica econômica internacional, de cunho globalizado. Outra importância das commodities está no andamento do desempenho da economia de um país. Algumas economias, sobretudo, de países subdesenvolvidos, dependem muito de uma cotação elevada das commodities, pois se centram muito na exportação de tais produtos. Assim, quando ocorre uma crise 26 Automação inDustrial conjuntural ou estrutural, esses países sentem demais, pois as exportações caem e a economia local entra em choque. Por outro lado, países que importam e exportam commodities, como o Brasil, também, sentem as oscilações nos preços, pois necessitam delas para abastecer as próprias dinâmicas industrial e comercial, e para a venda ao mercado externo, no sentido de manter fortalecido o setor primário daqui. Portanto, compreender um termo básico da economia como esse é importante para entender, também, o funcionamento dos panoramas comercial e produtivo do país e do mundo. Manter- se atento às cotações dos preços é de vital necessidade para a população e para os economistas, mas, principalmente, para aqueles que atuam na produção, na transformação e na distribuição de mercadorias. FONTE: <https://mundoeducacao.uol.com.br/geografi a/ commodities.htm>. Acesso em: 24 abr. 2021. A produção agrícola é impulsionada na segunda Revolução Industrial, através do surgimento de fertilizantes e de pesticidas. Com o surgimento desses petroquímicos, há um aumento considerável da produção e da oferta de alimentos em todo o mundo. Avanços trazem progresso para um lado e regresso para outro – trazem ônus e bônus sociais. Os pesticidas e os fertilizantes aumentaram a produção de alimentos, mas, também, reduziram o número da oferta de empregos ligados à produção agrícola. Aliada às novas tecnologias em maquinários agrícolas, para o plantio e a colheita de alimentos, a oferta de empregos, nas zonas rurais, também, foi afetada, já que os maquinários agrícolas não necessitavam da mesma força de trabalho que era empregada antes, sendo que produziam muito mais e em menos tempo. Além disso, muitos alimentos produzidos com fertilizantes trouxeram problemas de saúde e doenças para quem trabalhava, diretamente, com a aplicação, e para a população geral, que os consumia (SOUSA, 2021). Olhando para os avanços tecnológicos e para os progressos que a primeira e a segunda revoluções industriais trouxeram para as sociedades, parece que não há nenhum problema, mas, sim, muitas soluções. Contudo, uma análise social mais profunda demostra que houve uma grande concentração de riqueza nos dois períodos revolucionários, incluindo um fatal aumento da desigualdade social entre os mais ricos e os mais pobres (HOBSBAWM, 2009). 27 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 2.10 PADRONIZAÇÃO E CONTROLE DO TEMPO Outro marco importante que não pode ser esquecido é o avanço na indústria, alcançado através das técnicas apreendidas pelos movimentos do fordismo e do taylorismo (SILVEIRA; SANTOS, 2003). O fordismo é um sistema de produção e de gestão de produção em massa. Esse sistema, também, é conhecido com linha de produção. O idealizador dele foi o estadunidense Henry Ford, que instalou a primeira linha de produção de automóveis semiautomatizada no ano de 1914. A grande revolução deixada por Henry Ford é, justamente, a linha de montagem em série, que reduz o custo de produção; padroniza aquilo que é produzido em modelos defi nidos, estritamente, sob métricas (padronização), e com controle de qualidade; e reduz o preço fi nal do produto, tornando-o muito mais acessível. Essa padronização anula as formas de trabalho diferentes daquelas especifi cadas pela fábrica e o espaço que o trabalhador teria para exercer a criatividade dele no exercício do trabalho. No sistema de produção em série, de Henry Ford, uma esteira transporta as peças até o trabalhador, que fi ca responsável, estritamente, por executar um determinado processo. Depois que esse processo é executado, a esteira continua o percurso com a peça, para a realização do próximo passo, através de outro operário, e assim segue, até a fi nalização. Assim, as peças vão sendo montadas de forma padrão, até ser concluído todo o trabalho da linha de montagem. No sistema de produção de Frederick Taylor, também, conhecido como administração científi ca, cada processo de produção deve ser padronizado, além de calculado o tempo de execução, o qual deve ser, rigorosamente, o menor possível. Então, através de um sistema de controle do tempo, Taylor desenvolveu algo muito efi ciente de produção que, além demanter a padronização do produto fi nal, possibilita prever, quantitativamente, o que será produzido ao longo do tempo (SILVEIRA; SANTOS, 2003). No modelo científi co de Taylor, a jornada de trabalho, com intervalos para descansos entre a produção de uma peça e outra, é mais efi caz do ponto de vista produtivo. Frederick Taylor percebeu que, no fi m dessa jornada, quando os operários têm horário de descanso, a produção fi nal aumenta em relação àquelas sem intervalo. As principais características do taylorismo são (MAXIMIANO, 2012): • Substituição do método empírico pelo método científi co na administração. • Divisão e hierarquização das tarefas. • Aumento de salários e diminuição de horas de trabalho. • Dinâmica de promoção e gratifi cação do trabalhador. 28 Automação inDustrial • Criação dos postos de gerência. • Controle rígido do tempo. • Padronização de métodos. • Treinamento e aperfeiçoamento do trabalhador. • Divisão de responsabilidades entre os trabalhadores e a gerência. • Seleção de pessoal. • Descanso semanal remunerado. Maximiano (2012) explica que o taylorismo e o fordismo revolucionaram os sistemas de produção industriais, sendo reproduzidos em todo o mundo, e nos mais diversos tipos de indústria, até o fi nal dos anos de 1980. Com esses dois movimentos, surge o consumo de massas. Como os produtos industrializados seguem padrões, existirão uma produção e uma oferta de massa do mesmo tipo de produto no mercado, acabando com o conceito de exclusividade. Aquilo que, antes, era feito de forma artesanal e exclusiva, pois o artesão nunca reproduz uma peça, exatamente, igual, agora, perde o valor de exclusividade e dá lugar à padronização do consumo, ou consumo de massa (SOLOMON, 2002). Consequentemente, surge outra ciência supervalorizada: o marketing – a propaganda. 2.11 MARKETING E PROPAGANDA A propaganda ganha o status de ciência a partir do momento em que são reunidos estudos científi cos para fazer, de forma inteligente e planejada, com que o consumidor adquira um determinado produto mesmo que ele não necessite dele naquele momento. A tarefa do marketing é encontrar meios de ligar os benefícios do produto às necessidades e aos diversos interesses das pessoas. As grandes, médias e pequenas empresas sabem que, para atingir um real e duradouro crescimento de vendas, é necessário investir parte do próprio capital em propaganda. O objeto maior, de qualquer empreendedor, é que o produto dele seja comprado, além de consumido, só que, nos tempos de hoje, nos quais a concorrência é desleal em muitas áreas, faz-se necessário investir em propaganda. 29 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 FIGURA 5 – GIGANTES DA INDÚSTRIA FONTE: <https://neilpatel.com/br/blog/dicas-de-marketing- para-startup/>. Acesso em: 24 abr. 2021. O maior problema do marketing está na ideia de usar os artifícios e os conhecimentos comportamentais, além de gerar propagandas que induzam as pessoas a comprarem algo de que, muitas vezes, nem precisam (SOLOMON, 2002). Foi o que ocorreu durante a segunda Revolução Industrial. Através da propaganda, surgiram grandes marcas de produtos conhecidas até hoje, fazendo com que as pessoas desejassem possuir os produtos delas. Vale ressaltar que um dos papéis do marketing é fazer com que os benefícios sejam amplifi cados e os malefícios, nunca, citados – os males são escondidos para infl uenciar, positivamente, a decisão de compra do consumidor (RIFKIN, 2012). 2.12 REVOLUÇÃO INDUSTRIAL E GUERRA As tensões geradas no século XIX, devido aos avanços da primeira Revolução Industrial, fi zeram com que marcasse presença uma forte concorrência comercial, o que culminou na divisão da Europa. Aliados às tensões e ao grande acúmulo de capital, os países começaram uma corrida armamentista, gerando, ainda mais, tensões, e levando os países a se digladiarem (MORAIS, 2018). Muito países se armaram, com o objetivo de promover paz no próprio território, no sentido de que, se eles estão bem equipados, armados e com o exército em pleno vigor, ninguém seria capaz de os atacar, por medo de um contra-ataque – é a chamada Paz Armada (Peace through strength, em inglês). 30 Automação inDustrial Paz Armada: A “Paz Armada” (Peace through strength, em inglês) foi um período na história política da Europa, que se estende desde o fi m da Guerra Franco-Prussiana até a eclosão da Primeira Guerra Mundial e é caracterizado pelo forte desenvolvimento da indústria bélica das grandes potências e a crescente tensão nas relações internacionais. Esta corrida armamentista entre as potências europeias, auxiliada pelo crescimento da Belle Époque do fi nal do século XIX, foi uma das causas mais notáveis da Primeira Guerra Mundial. As contínuas tensões entre os Estados por causa dos confl itos nacionalistas e imperialistas fi zeram com que cada Estado destinasse um grande volume de investimento do capital estatal no setor armamentista e na promoção do exército. A indústria bélica aumentou consideravelmente os seus recursos, produzindo novas tecnologias para a guerra. Já ocorriam alguns confl itos, como a Guerra Franco-Pruciana, que gerou um forte revanchismo francês que atrapalhava as relações entre a França e Alemanha. Enquanto isso, muitos avanços nas ciências, nas tecnologias e na cultura, já citados nas seções anteriores, eram constatados, o que despertou o sentimento de nacionalismo nos países que aderiram à Revolução Industrial (MORAIS, 2018). Disputas por territórios se estendiam em países menores, por exemplo, na época, a Rússia tinha interesse na região balcânica, e, a Alemanha, por países maiores. Isso levou à formação das alianças, como a da Tríplice Intente (França, Reino Unido, Império Russo) – que visava conquistar mais hegemonia –, e a da Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro, Itália) – que objetivava conquistar mais objetivos, como acordos econômicos, políticos e militares (MORAIS, 2018). O confl ito armado se iniciou após o assassinato de Franscisco Ferdinando, em 1914, que era herdeiro do trono Austro-Húngaro. Quem o assassinou foi um nacionalista sérvio, em Saraievo (capital da Bósnia). Por desconfi ança dos Austro-Húngaros, a Sérvia se recusou a prosseguir nas investigações do crime, e, devido a isso, e, principalmente, com o descontentamento com o nacionalismo sérvio, a Austro-Hungria declara guerra à Sérvia. A Tríplice Intente (França, Reino Unido, Império Russo) saiu em defesa dos sérvios, enquanto a Tríplice Aliança (Alemanha, Império Austro-Húngaro, Itália) apoiou a declaração Austro-húngara (SANTIAGO, 2021). 31 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 Nessa guerra, os países já podiam contar com tecnologias, como aviões, tanques de guerra e extração de petróleo. Mesmo com a saída da Rússia, da Tríplice Intente, em 1917, a Sérvia se sai melhor dessa guerra. Em 1918, os EUA entram, apoiando a Tríplice Intente, que se consolida com o grande aparato militar americano. Em 1919, acontece a conferência de Paris, na qual foram estabelecidos os tratados de paz, com destaque para o Tratado de Versalhes, que culpava a Alemanha e os aliados dela como os únicos culpados pelas consequências da guerra. O cenário pós-guerra era o seguinte: uma Alemanha humilhada e os Estados Unidos muito mais fortalecidos, pois, como só entraram no fi m da guerra, com o apoio militar, saíram com os territórios deles ilesos e com status de superpotência mundial (GILBERT, 2013). A Alemanha, ainda, sofreu sanções, e foi obrigada a indenizar a Tríplice Intente, incluindo severas restrições através do Tratado de Versalhes, o que gerou altas transformações políticas e econômicas em todo o país. Uma dessas transformações foi a derrubada do imperador vigente, com a instalação da república liberal na cidade de Weimar, a República de Weimar. Da guerra, nasce o Tratado da Liga das Nações, uma espécie de congresso,com a participação dos líderes das nações que participaram da guerra. O objetivo da liga era evitar que novos confrontos acontecessem, pois, assim, os países poderiam chegar a soluções pacífi cas e diplomáticas, sem a necessidade de um combate militar. Esses acordos de paz só durariam 20 anos, até a chegada da Segunda Guerra Mundial (GILBERT, 1994). O que se pode concluir é que, muitos avanços dos quais podemos desfrutar hoje, e aplicá-los em nosso cotidiano, são frutos dos investimentos em tecnologias para a guerra. Por exemplo, o precursor do sensor de presença, que é, vastamente, utilizado nas automações residencial e industrial, com o objetivo de automatizar o acionamento de um circuito de iluminação, nasceu, como ideia inicial, para o acionamento de bombas em campos minados, através da presença inimiga. Na Segunda Guerra Mundial, difundiu-se o uso de antibióticos para o tratamento de infecções, o que, depois, tornou-se o tratamento padrão na medicina moderna. O computador e a internet, também, são tecnologias que surgiram como ferramentas para auxiliar, respectivamente, nos cálculos e na comunicação durante a Segunda Guerra (MORAIS, 2018). Com o surgimento de microprocessadores cada vez melhores, com mais poder de processamento e menores, avança, também, outra área do conhecimento, supervalorizada desde a segunda Revolução Industrial: a robótica. A robótica é a ciência associada ao estudo do projeto, da fabricação e da teoria da aplicação de robôs. O termo “robô” foi criado pelo autor da peça R.U.R, o tcheco Karel Capek, em 1920. O primeiro robô da história moderna surgiu em 1927, e 32 Automação inDustrial foi criado pelo engenheiro Roy J. Wensley, o Televox, um pequeno robô com aspecto humano que conseguia executar movimentos básicos, de acordo com os comandos de um operador (LEAL, 2020). FIGURA 6 – TELEVOX, DE ROY WENSLEY (1927) FONTE: <http://cyberneticzoo.com/robots/1927-televox- wensley-american/>. Acesso em: 24 abr. 2021. Com a evolução das tecnologias, segundo Gamero (2018), surgiram, na segunda metade do século XX, os robôs especializados para aplicações em linhas de montagem, conhecidos como braços robóticos, que são robustos, programáveis e executam, praticamente, qualquer tipo de tarefa. Já no século XXI, a evolução desses robôs vem trazer os que integram o conceito de Machine Learning, também, conhecido como Machine Learne, traduzido, para o português, como Aprendizado de Máquina. Esse novo conceito está associado à inteligência artifi cial. Basicamente, o robô é programado para realizar multitarefas, e, ao mesmo tempo, consegue aprender novas tarefas e se autoprogramar durante o processo de trabalho. Isso é possível por causa de uma evolução dos algoritmos para algoritmos deep learning. A empresa Rethink Robotcs desenvolveu um tipo de robô, o robô Sawyer, que é programável através de demonstração, permitindo que qualquer pessoa possa ensinar, a esse robô, novas tarefas a serem executadas. A ideia do projeto era permitir que o robô pudesse ser ensinado e treinado por pessoas, assim como os seres humanos são ensinados (MICROSOFT, 2021). Equipado com processamento e inteligência artifi ciais, uma tela touchscreen, sensores e uma câmera na parte superior, ele consegue observar os movimentos, guardá-los como informação, e, depois, reproduzi-los 33 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 quantas vezes for necessário, além de poder ser programado várias vezes. O Sawyer consegue executar tarefas, como levantar peças pesadas, cortá-las e transportá-las (MICROSOFT, 2021). FIGURA 7 – ROBÔ SAWYER, DA RETHINK ROBOTCS FONTE: <https://epocanegocios.globo.com/Caminhos-para-o-futuro/ Desenvolvimento/noticia/2018/07/ja-ouviu-falar-em-cobots-conheca- baxter-sawyer-e-pepper.html>. Acesso em: 24 abr. 2021. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - O que são commodities? 2.13 TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL É considerado como o período atual, que é marcado, sobretudo, por tecnologias e sistemas de processamento digital. A primeira revolução é marcada pela industrialização e pelo surgimento de fábricas que utilizam máquinas mecânicas, as quais transformam energia térmica em trabalho, através do carvão mineral ou vegetal. A segunda é observada pelos sistemas de padronização da produção e controle do tempo de execução dos processos, com as técnicas vinda 34 Automação inDustrial do taylorismo e do fordismo, com o surgimento de novas ciências, a partir do cientifi cismo. Ainda, surge a eletricidade e o petróleo, como fontes de energia. Já na terceira fase da Revolução Industrial, a mudança de paradigma começa próxima do ano de 1950, com a vinda da eletrônica (RIFKIN, 2012). A eletrônica possibilita o armazenamento de dados lógicos e o poder de, posteriormente, resgatá-los e processá-los. Através dos microcomputadores eletrônicos, houve uma signifi cativa redução do tamanho dos componentes, já que, agora, passam a utilizar o diodo semicondutor, e não mais válvulas mecânicas (RIFKIN, 2012). Isso torna, mais tarde, o microcomputador uma ferramenta almejada por muitas pessoas de variados setores da sociedade, ganhando o nome de personal computer, por, agora, caber em qualquer espaço da casa e com um preço, relativamente, acessível. FIGURA 8 – ENIAC - COMPUTADOR UTILIZADO ANTES DA SEGUNDA GUERRA FONTE: <https://blog.hdstore.com.br/eniac-primeiro- computador-do-mundo/>. Acesso em: 24 abr. 2021. O microcomputador eletrônico, nos anos cinquenta, trazia uma nova revolução para a forma de trabalho. Produzir mais em menos tempo, ter acesso rápido à informação, poder imprimir o trabalho sem precisar ir até uma gráfi ca, realizar cálculos matemáticos e muito mais, o que fazia as pessoas desejarem ter um microcomputador em casa. Avanços signifi cativos na genética, na biotecnologia, na robótica e na informática foram possibilitados, devido à chegada dos sistemas eletrônicos de informática e da difusão da internet (BOYLESTAD, 2012). Já nos anos cinquenta, as empresas de tecnologia começam a desenvolver máquinas, processadores e sistemas automatizados para a indústria de produção. Dez anos depois, por volta de 1960, já há uma marca e grandes mudanças de paradigmas da Terceira Revolução. Ela é marcada pela junção dos avanços tecnológicos 35 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 das variadas áreas do conhecimento com os sistemas de produção em massa. Agora sim, surgem os sistemas e as máquinas, totalmente, automatizados e com microprocessamento. Segundo Rifkin (2012), antes, a produção com sistemas mecanizados semiautomáticos dependia de operadores para operarem, montarem, embalarem, e transportarem, só que, agora, com o advento da computação e eletrônica, isso não era mais necessário. Essa mudança signifi cava, diretamente, automação de processos que demandam mão de obra; mais produtividade; redução drástica do custo de produção, devido à redução de mão de obra; poucas perdas e falhas de fabricação; menos problemas judiciais e indenizações trabalhistas; e crescimento econômico exponencial. Assim, as grandes indústrias perceberam, rapidamente, as vantagens de investir em sistemas automatizados, começando a corrida para agregar tecnologia industrial. Com isso, muitas empresas surgiram e cresceram para atender às demandas industriais, como WEG, Schineider, Siemens, Epson, Staubli, Mitsubishi e muitas outras. A terceira Revolução Industrial é marcada pelo surgimento de novas matrizes energéticas. A partir daí, iniciou a preocupação com a emissão de gases do efeito estufa, devido à alta produção desses gases na era da segunda revolução. Como as fontes utilizadas, anteriormente, eram, basicamente, carvão mineral e derivados do petróleo, ambientalistas começaram a alertar o mundo para os efeitos causados pelo aquecimento global, incluindo o problema do petróleo de ser uma fonte de energia não renovável. Isso fez com que surgissemavanços em pesquisas para descobrir novas fontes de energia renováveis e limpas (RIFKIN, 2012). O Brasil é o país que possui a maior matriz energética de energia renovável do mundo, sendo que transforma biomassa em energia elétrica há um bom tempo (BRASIL, 2020). Através do processo da queima da biomassa, como carvão vegetal, celulose, e, até, bagaço de cana-de-açúcar, é possível gerar energia elétrica de forma limpa e sustentável. A geração de energia elétrica segue o mesmo princípio da indução eletromagnética, porém, com a diferença na fonte que a alimenta. 36 Automação inDustrial FIGURA 9 – MATRIZ ENERGÉTICA BRASILEIRA FONTE: <https://www.epe.gov.br/pt/abcdenergia/matriz- energetica-e-eletrica>. Acesso em: 24 abr. 2021. Na hidrelétrica, a vazão de água, através dos condutos forçados, faz o movimento das turbinas. Na termoelétrica, a força utilizada para mover e girar as turbinas geradoras vem através de vapor e de pressão. Basicamente, uma quantidade de água é colocada em uma caldeira, na qual é aquecida para gerar vapor. Esse vapor deve proporcionar uma pressão sufi ciente para impulsionar as turbinas geradoras. Através do giro da turbina, uma tensão de corrente alternada é gerada na saída do gerador, e é transmitida através da linha de transmissão (ANEEL, 2005). Caldeira: É um recipiente metálico para aquecer líquidos ou produzir vapor. As caldeiras produzem vapor para alimentar máquinas térmicas, autoclaves para esterilização de materiais diversos, cozimento de alimentos e de outros produtos orgânicos, calefação ambiental e outras aplicações do calor, utilizando-se o vapor. 37 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 Uma caldeira é uma espécie de panela de pressão que é aquecida sob altas temperaturas, através da fonte de energia provida pela biomassa ou de gás metano, também, conhecido como Biogás (BRASIL, 2020). Na panela de pressão, o vapor começa a sair pela válvula – também, popular como pito – após atingir certas temperatura e pressão dentro da panela, que é, hermeticamente, fechada. Na caldeira, o princípio é o mesmo da panela de pressão. O sistema é completamente fechado para não haver vazamento, e, consequentemente, não haver perda de pressão. Atingindo a pressão necessária, ou seja, quando há força sufi ciente para fazer o eixo (rotor) girar, começa a ser produzida energia elétrica de corrente alternada. Todo esse sistema, nas termoelétricas e nas hidrelétricas, deve funcionar de maneira sincronizada e controlada, para não ocorrerem oscilações na rede elétrica e não interferirem na qualidade da energia que será distribuída (ANEEL, 2005). Nas termoelétricas, o controle de pressão do vapor, que passa nos condutos das turbinas, é controlado por válvulas e através da quantidade de biomassa que é colocada para gerar calor (SILVA, 2017). Se a quantidade é maior, a pressão aumentará além do necessário, e se a fonte de energia está abaixo do normal, o sistema de geração não atingirá a pressão necessária (ANEEL, 2005). O mesmo controle acontece nas hidrelétricas, através da vasão de água que perpassa as comportas. Atente-se ao funcionamento de uma termoelétrica: FIGURA 10 – ESTRUTURA DE UMA TERMOELÉTRICA FONTE: <https://www.coladaweb.com/geografi a/fontes-de- energia/usina-termoeletrica>. Acesso em: 24 abr. 2021. 38 Automação inDustrial Embora existam massivas propagandas e acordos internacionais para fazer com que os países emergentes reduzam as emissões de carbono na atmosfera, a atividade de exploração de carvão mineral não está, nem de longe, perto de acabar, pois, além das usinas hidroelétricas e nucleares, o Brasil conta com 10 baseadas em carvão mineral, e fora as indústrias siderúrgica e metalúrgica, que utilizam 90% de todo o carvão mineral, produzido no Brasil, para a fabricação de ligas metálicas e geração de energia. Muita discussão ambiental ainda está por vir, mas não se pode negar que o carvão mineral, mesmo não sendo uma energia limpa e renovável, ainda, é muito utilizado em países desenvolvidos e na China, por exemplo, onde o ar pode ser visto, devido à poeira gerada nas carvoarias, e onde mais de 90% da matriz energética é proveniente da queima de combustíveis fósseis (BRASIL, 2020). 3 PROCESSOS DE AUTOMAÇÃO: DEFINIÇÕES BÁSICAS A palavra “Automação” é originária do latim, da palavra “automathus”, que signifi ca “mover-se por si só”. No início da criação do conceito de automação, o objetivo era estudar formas de fazer com que máquinas ou equipamentos pudessem realizar o trabalho braçal que era feito pelos seres humanos, sem a necessidade de interferência, de forma autônoma (SILVEIRA; SANTOS, 2003). A automação pode ser defi nida como a dinâmica dos automatismos. Automatismos são os meios, os instrumentos, os processos, os ferramentais e os recursos que reduzem a ação humana em um determinado processo, aumentando o volume de trabalho realizado. Sempre que novas técnicas de controle, em um determinado processo, são inseridas, observa-se a implementação da automação no sistema. A automação é alavancada, principalmente, pelo poder que representa ao aumentar a produção e reduzir custos operacionais. É, sem sombra de dúvidas, um gerador de riquezas (SILVEIRA; SANTOS, 2003). Por exemplo, instalar um simples sensor de presença, para o acionamento do sistema de iluminação de um banheiro de um restaurante, pode reduzir o consumo daquele sistema em até 70% (SILVEIRA; SANTOS, 2003). O sistema de iluminação só será acionado quando houver a devida necessidade, ou seja, quando um cliente entra no espaço para utilizá-lo. Nesse simples caso, a importância da instalação do sensor de presença não é o fato de acionar o sistema, mas o de desligá-lo, automaticamente, quando não se faz mais necessário. A mesma economia, no consumo de energia elétrica, pode ser constatada se um fotossensor, ou fotocélula, for instalado, por exemplo, em um sistema de iluminação pública. Além de automatizar o acionamento quando 39 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 a iluminação estiver baixa em um determinado ambiente, na manhã seguinte, quando a iluminação natural é retomada, o fotossensor desliga, sem a intervenção humana, o sistema de iluminação. Esses dois exemplos são pequenos recursos que tornam dois processos distintos automáticos, e, o melhor, reduzem o custo energético. Como visto em seções anteriores, reduzir o custo é uma forma de acumular riqueza. Olhando, ainda, para os exemplos do sensor de presença e da fotocélula, podemos afi rmar que a automação está, diretamente, ligada a movimentos automáticos, mecânicos e repetitivos, que reproduzem a ação do homem. No caso do sistema de iluminação do restaurante, citado anteriormente, a partir de uma análise mais aprofundada da situação, o sistema fi caria, sempre, ligado, reduzindo o tempo de vida útil das lâmpadas e consumindo mais energia elétrica do que o necessário, ou o dono do restaurante teria que, de tempos em tempos, estar desligando, manualmente, o sistema, ou pedir para algum funcionário fi car pela tarefa, o que não é nem um pouco efi ciente. O mesmo ocorreria no caso do sistema de iluminação pública. Os postes fi cariam ligados nos dois turnos, reduzindo o tempo de vida útil das lâmpadas e aumentando os custos com manutenção, ou a concessionária responsável teria que contratar uma equipe para acionar a iluminação a partir das 17h30 da tarde e desligá-la às 5h da manhã, de domingo a domingo. Observe que um simples componente, instalado dentro de um sistema elétrico, é capaz de oferecer muitos benefícios. Observe, a seguir, respectivamente, um sensor de presença e uma fotocélula residenciais: FIGURA 11 – SENSOR DE PRESENÇA E FOTOCÉLULA Sensor de presença Fotocélula FONTE: <https://www.exatron.com.br/produtos/rele-fotocelula- tri-facil-220-v>. Acesso em: 24 abr. 2021. 40 Automação inDustrial Instalar uma fotocélula,ou um sensor de presença, em um sistema elétrico de iluminação, já pode ser considerado uma forma de sistema de automação? A resposta para a pergunta anterior é “não”. Instalar dispositivos para reduzir uma, ou várias ações repetitivas, que seriam realizadas por um ser humano, e de forma mecânica, não é automação. Há uma diferença entre os conceitos de automatização e de automação. Quando se instala um dispositivo que funciona isoladamente, e sem integração com outros, sem receber ou enviar informação, isso é o que se chama de automatização. Automatização é um conceito que fi ca dentro da automação, diretamente, ligado a repetições, movimentos repetitivos, acionamento mecânico, acionamento automático. Na automatização, a importância está no equipamento de hardware. Caso haja falha no hardware, o processo não é mais executado, e o dispositivo é substituído ou passa por uma manutenção (SILVEIRA; SANTOS, 2003). Automação é um termo mais abrangente. É um conceito e um conjunto de técnicas que visam integrar dispositivos de hardware que atuem de acordo com a programação estabelecida, recebendo e enviando dados. Esses dados são processados e gerenciados por um sistema inteligente, através de software. A diferença direta entre automação e automatização é, justamente, o software que gerencia e se comunica com todo o sistema. É possível instalar um sensor de presença dentro de um sistema de automação. A diferença é que, agora, o sensor pode trazer, receber informações e ser programado. Por exemplo, através do software gerenciador, podemos ter acesso ao ajuste de sensibilidade desse sensor e saber quantas vezes ele atuou durante um determinado intervalo de tempo (SILVEIRA; SANTOS, 2003). Isso signifi ca, em termos de ganho, que, se o sensor estiver atuando de forma desnecessária por uma sensibilidade muito alta, o ajuste pode ser feito, diretamente, via sistema, o que chamamos de acesso remoto, e resolver a questão, sem a necessidade de o técnico ir até o dispositivo (GROOVER, 2011). 41 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 Software: É o conjunto de componentes lógicos de um computador ou sistema de processamento de dados; programa, rotina ou conjunto de instruções que controlam o funcionamento de um computador; suporte lógico. Hardware: Pode ser um equipamento mecânico, eletromecânico ou eletrônico, necessário para a realização de alguma tarefa programada. Em automação industrial, o hardware está apto a ser considerado como equipamentos que são disponibilizados em módulos, sendo que as confi gurações e as funcionalidades, muitas vezes, mostram-se programadas via software, e coletam, enviam e recebem dados em um sistema. Alguns hardwares são dotados de inteligência e possuem algum tipo de processamento. Um sistema de automação tem, como objetivo, automatizar tarefas que, antes, eram mecanizadas, de forma integrada, enviando e recebendo informação entre os dispositivos que compõem o sistema, e processando as informações através de um software. Complementando, ainda, um sistema de automação possui hardware, software e uma rede de comunicação que integram todo o sistema. Outra possibilidade importante é a de trabalhar com entradas e saídas. Como os dispositivos que fazem parte do sistema recebem e enviam informações através de uma rede de comunicação, em automação, são interligados, através de uma central, via cabos, ou, mesmo, sem fi o (Wi-Fi), através das entradas e das saídas (in/out, input/output, ou, ainda, i/o). Um dispositivo muito conhecido, dentro da automação, são os CLPs, ou PLCs – Controlador Lógico Programável, ou, do inglês, Programmable Logic Controller. O CPL é responsável por gerenciar as informações que chegam, através dos dispositivos integrados, à rede de comunicação, de forma inteligente, através das confi gurações programadas, via software, pelo profi ssional habilitado. A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) defi ne o CLP como “um equipamento eletrônico digital com hardware e software compatíveis com as aplicações industriais” (ABNT, 2019). 42 Automação inDustrial Software: É o conjunto de componentes lógicos de um computador, ou sistema de processamento de dados; programa, rotina ou conjunto de instruções que controlam o funcionamento de um computador; suporte lógico. No mundo da computação, utiliza- se um SO, sistema operacional, e, através dele, são instalados softwares, ferramentas, drivers de hardwares específi cos ou aplicações que funcionarão dentro do sistema operacional, assim que houver a necessidade. Em automação, o software é embarcado no próprio CLP, e pode ser visto e confi gurado através de computador pessoal (PC ou notebook). Assim, também, alguns dispositivos de entrada e de saída podem ter inteligência embarcada e funcionar em conjunto, com o software do CLP, processando e enviando dados. O Controlador Lógico Programável é um tipo de computador projetado para funcionar em diversos ambientes da indústria, e, também, em sistemas residenciais. Ele conta com a seguinte estrutura interna de funcionamento (GROOVER, 2011): • Processador, ou CPU (Central Processing Unit – Unidade Central de Processamento): A central de processamento, ou processador do CLP, varia, de acordo com o fabricante. • Memória RAM: Muito semelhante à do computador pessoal, a memória RAM é necessária para fazer a leitura e a gravação das informações mais importantes durante o funcionamento do sistema, as quais vêm através dos dispositivos de in/out. • Memória ROM: A memória ROM oferece espaço, apenas, para a gravação de dados. Nela, são guardados dados e confi gurações do sistema que não podem ser apagados, pois, caso contrário, comprometeriam o funcionamento geral do sistema, como fi rmwares, softwares embarcados nos dispositivos de hardwares. • IHM: Signifi ca “Interface Homem-Máquina”. No inglês, é conhecida como HMI (Human Machine Interface). Alguns modelos de CLP são equipados com tela e botões de confi guração. Essa tela é chamada de IHM, e permite, ao profi ssional habilitado, ter acesso a algumas, ou a todas as confi gurações do CLP, sem a necessidade de um computador pessoal ou notebook. Isso é um recurso que agiliza o trabalho do técnico na indústria, porém, não são todos os modelos de CLP que possuem IHM. 43 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 Segue uma pequena rede de automação industrial, conectada em rede, aos dispositivos de entrada e de saída dela: FIGURA 12 – REPRESENTAÇÃO DE UM SISTEMA DE AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL FONTE: <https://www.automacaoindustrial.info/o-protocolo- profi bus-parte-i/>. Acesso em: 24 abr. 2021. 3.1 CONCEITO DE FLEXIBILIDADE NA AUTOMAÇÃO O grande destaque, para um sistema de automação, comparado a um sistema, apenas, automatizado, é o nível de fl exibilidade, associado ao conceito de software, que oferece para a operação. O primeiro CLP surge na década de 70, pela complexidade observada pela grande e pela média indústria, devida a problemas nos processos produtivos delas. Surgiu na indústria automobilística, através do engenheiro Richard Morley, em parceira com a equipe de engenheiros da Berdford Associates, sob a encomenda da General Motors, em 1968. Inicialmente, chamado de Modicon, deu nome à marca da empresa de Morley, a qual, depois, foi incorporada pela Schneider Electric. Richard Morley é considerado o “pai do CLP” por muitos autores (GROOVER, 2011). 44 Automação inDustrial O problema com o qual a General Motors se deparava estava na complexidade de processos e de acionamentos que eram realizados por painéis de comando e controle para a produção de veículos. Essa é uma das limitações da automatização: quanto mais complexos os processos, mais demandam equipamentos, sendo que esses equipamentos são ligados através de fi os de comandos que, por sua vez, são acionados por sinais vindos de mais fi os dos dispositivos de acionamento,como botoeiras, fi m de curso, sensores de temperatura, de nível, de umidade, e muitos outros. No meio de uma confusão de fi os e de cabos, encontrar um defeito é um desafi o tremendo para técnicos experientes, o que acabava demandando tempo e que atrapalhava todo o processo de produção da General Motors (GROOVER, 2011). Observe, em seguida, um quadro de comando de baixa complexidade, e, outro, de alta, respectivamente, nas Figuras 13 e 14: FIGURA 13 – QUADRO DE COMANDO DE BAIXA COMPLEXIDADE FONTE: <https://www.mundodaeletrica.com.br/quadro-de- distribuicao-quantos-por-andar/>. Acesso em: 24 abr. 2021. 45 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 FIGURA 14 – QUADRO DE COMANDO DE MAIOR COMPLEXIDADE FONTE: <https://www.mundodaeletrica.com.br/quadro-de- distribuicao-quantos-por-andar/>. Acesso em: 24 abr. 2021. Portanto, na indústria da segunda Revolução Industrial, a qual era, ainda, automatizada, quando mais processos fossem necessários, mais demandavam instalações de equipamento e de dispositivos (hardware), estruturas, quadros de comando, fi ações e tempo de instalação, sendo que o tempo é crucial na produção, por conta da programação de entrega. Muitas vezes, o sistema automatizado não oferecia fl exibilidade na parada da produção, o que quer dizer que, em uma intervenção da equipe técnica, exigia-se que muitas máquinas fossem paradas, sem contar com os riscos de acidentes de produção e de choques elétricos, aos quais os técnicos se expõem, para não parar, totalmente, a produção (GROOVER, 2011). Outra característica de fl exibilidade, que acaba sendo, também, um recurso do sistema de automação, é a possibilidade de trabalhar com dispositivos de entrada e de saída alimentados com energia elétrica em extrabaixa tensão, com os níveis 12, 24 e 48 volts. Esse é um recurso muito importante, o qual foi incorporado pelos fabricantes dos sistemas de automação industrial e residencial, pois envolve riscos à segurança do trabalho. Esses detalhes serão explorados nos próximos capítulos deste livro didático. A automação trouxe inúmeros recursos e benefícios ao setor da produção industrial, o qual avança e investe, cada vez mais, em inovação e em produtividade. 46 Automação inDustrial Segundo Silveira e Santos (2003), seguem as motivações para investir em um sistema de automação da produção: • Constante processo de evolução tecnológica, aumentando a produção, com a redução de gastos de recursos. • Valorização do ser humano para a liberação dele na execução de tarefas entediantes e repetitivas, ou, mesmo, em situações de trabalho insalubres e com riscos. • Aumento da qualidade de vida de toda a sociedade, promovendo o conforto dela e uma forte integração. • Enriquecimento pelo custo do produto e pelo baixo valor de produção. • Rapidez e precisão na execução de processos. • Controle de qualidade e rápida identifi cação de problemas. • Busca e entrega de qualidade do produto. 4 ESTABILIDADE E DESEMPENHO DE SISTEMAS REALIMENTADOS Na seção anterior deste livro didático, foi apresentado o conceito de fl exibilidade, o qual está, diretamente, atrelado aos conceitos de software e de hardware. O software possibilita a automação dos dispositivos integrados, possibilitando, também, alterar as confi gurações do comportamento automatizado, com a fi nalidade de produzir múltiplos resultados. Os conceitos de automação e de automatização estão ligados a outros dois conceitos importantes para a compreensão e a implementação de sistemas industriais e situações de controle. Segundo Silveira e Santos (2003), para a compreensão do conceito de realimentação, primeiramente, é necessário entender o que seria uma malha de controle. Uma malha de controle consiste em um conjunto de equipamentos e de instrumentos usados com o objetivo de controlar uma variável de processo dentro do sistema. Os equipamentos podem ter, como função, fazer medições, correções ou interrupções. São os chamados controles discretos e controles contínuos. De acordo com o tipo de controle escolhido, a malha do processo pode ser aberta ou fechada (GROOVER, 2011). 4.1 CONTROLE SEM REALIMENTAÇÃO No sistema automatizado, todo ele consiste em um sistema de malha aberta. Aplica-se um sinal de controle preestabelecido, e se espera que a variável 47 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 controlada, ao longo do tempo, apresente um determinado comportamento (GROOVER, 2011). A Figura 15 apresentará um sistema de controle sem realimentação: FIGURA 15 – SISTEMA DE CONTROLE SEM REALIMENTAÇÃO FONTE: O autor Usando o exemplo da fotocélula, que serve para acionar um sistema de iluminação pública para uma melhor compreensão do conceito de malha aberta, o sensor, quando é alimentado com eletricidade (entrada), recebe o sinal de controle (SILVEIRA; SANTOS, 2003). O comportamento preestabelecido dele é o seguinte: só é permitido acionar a iluminação caso a luz-ambiente esteja abaixo da preestabelecida (processo). Após esperar o processo, de a variável “luz- ambiente” mudar para “luz baixa”, a fotocélula responde, acionando a iluminação, que é o objeto fi nal do sistema (saída). Acompanhe a Figura 16, para entender o funcionamento do sistema de controle de iluminação automatizado: FIGURA 16 – SISTEMA DE ILUMINAÇÃO PÚBLICA FONTE: O autor 48 Automação inDustrial 4.2 CONTROLE COM REALIMENTAÇÃO Em um sistema de controle com realimentação, esse sistema conta com a informação de como o sinal de controle de saída está evoluindo (feedback). É utilizado para determinar o sinal de controle que deve ser aplicado ao processo, para que o objetivo (saída) seja executado de acordo com o preestabelecido (GROOVER, 2011). Essa é a característica dos sistemas realimentados, os quais geram o sinal de saída para a entrada. SISTEMAS REALIMENTADOS “A principal característica dos sistemas realimentados é que o controlador conhece o resultado da própria ação, ou seja, conhece, a todo instante, o estado das variáveis de entrada e o estado da saída do sistema controlado, esse último, devido a que há uma “realimentação” do valor da saída para a entrada. Quando a saída não corresponde com o resultado esperado, o controlador atua sobre algum dos parâmetros de funcionamento do sistema controlado, no sentido de retornar à condição desejada. De outra forma, os sistemas realimentados são aqueles nos quais o controlador compara o sinal de ajuste (desejado) com o sinal realimentado, que refl ete o estado do dispositivo controlado, com o objetivo de que a diferença entre ambos seja nula, ou, pelo menos, a menor possível” (BLOG. AUTOLABBRASIL, 2019, s.p.). FONTE: BLOG.AUTOLABBRASIL. Sistemas realimentados e o controle em malha fechada, saiba como isso vai te ajudar no diagnóstico. 2019. Disponível em: https://blog.autolabbrasil.com.br/index.php/2019/10/03/ sistemas-realimentados-e-o-controle-em-malha-fechada-saiba-como-isso- vai-te-ajudar-no-diagnostico/#:~:text=De%20outra%20forma%2C%20os%20 sistemas,pelo%20menos%2C%20a%20menor%20poss%C3%ADvel. Acesso em: 24 abr. 2021. A Figura 17, a seguir, demonstrará um sistema de controle com realimentação: 49 HISTÓRICO E CONCEITOS INICIAIS DA AUTOMAÇÃO Capítulo 1 FIGURA 17 – CONTROLE COM REALIMENTAÇÃO FONTE: O autor Em um sistema de malha fechada, são necessários os elementos de controle que fazem a correção da medida de controle. O sinal passa pelo processo, realimenta o elemento de controle, e, se não houver algum erro detectado por esse elemento, nenhuma medida é implementada (GROOVER, 2011). Caso haja algum erro de valor detectado pelo sistema, então, uma medida é, automaticamente, acionada, e o resultado é, novamente, medido (feedback). Atingindo o valor desejado, o sistema retoma ao processo inicial (SILVEIRA; SANTOS, 2003). O sistema de controle de malha fechada, sempre, acaba fazendo o ajuste, ou a autocorreção da variável controlada,também, chamada de PV (Process Variable). ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, foram apresentados os fundamentos da automação industrial. Inicialmente, estudamos a evolução de tecnologias, como do tear mecânico; depois, a chegada da máquina a vapor, até as locomotivas a vapor. Foi apresentado todo o contexto histórico da primeira Revolução Industrial na Europa, além da evolução das sociedades europeia e americana pós-revolução e os contextos que levaram aos problemas que culminaram nas primeira e segunda guerras mundiais. Foi demonstrada a evolução das máquinas mecanizadas, as quais deram origem às máquinas automatizadas, até chegarmos às modernas, da atualidade. Ainda, o caminho trilhado pelos sistemas computacionais e pelos computadores, que são tão importantes para o começo da segunda Revolução Industrial, que deu início à era da automação. Também, foi mostrado a evolução das máquinas até o surgimento do conceito de “robôs”. 50 Automação inDustrial Ainda, neste Capítulo 1, surgiram os conceitos de sistemas, os tipos e as características do ponto de vista do controle discreto. Também, foram explanados os conceitos de malha aberta e de malha fechada, muito importantes para o entendimento geral dos sistemas de automação industrial e residencial. A automação é uma área de atuação muito rica e vasta que, com certeza, apresentará grandes oportunidades para o leitor. REFERÊNCIAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Norma ABNT NBR IEC 62381 - Sistemas de Automação de Processos Industriais - Testes de Aceitação em Fábrica (TAF), Testes de Aceitação em Campo (TAC) e Testes de Integração em Campo (TIC). 2019. ANEEL. 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CAPÍTULO 2 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Entender os conceitos das malhas aberta e fechada. • Analisar os princípios de funcionamento dos sensores e a simbologia técnica. • Observar exemplos de como os sensores podem ser implementados em sistemas de automação e os mais usados. • Apresentar as normas técnicas ofi ciais para trabalhos com automação, os sistemas de automação de processos industriais, os Testes de Aceitação em Fábrica (TAF), os Testes de Aceitação em Campo (TAC), e os Testes de Integração em Campo (TIC). 54 Automação inDustrial 55 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 1 CONTEXTUALIZAÇÃO A automação pode ser defi nida como um sistema de equipamentos mecânicos e eletroeletrônicos que, em conjunto, são capazes de realizar tarefas de forma autônoma (CAPELLI, 2010). É um sistema de equipamentos que controle o próprio funcionamento. A mecanização – as máquinas mecânicas, como visto no capítulo anterior – foi criada para substituir o esforço dos trabalhos humano e animal, mas esses esforços, ainda, são controlados através do homem. A automação foi criada, justamente, para substituir o controle humano sob um ou vários processos e sob as máquinas. Podemos dizer que a automação foi tida com o propósito de diminuir o esforço mental no processo fabril. A cada dia que passa, mais máquinas são criadas e aperfeiçoadas para substituir o que, antes, só o homem realizava. Segundo Dorf e Bishop (2013), um grande avanço para a automação se deu com a criação dos microcomputadores, compostos por software e hardware. A parte de software que controla o computador se baseia na álgebra booleana, criada por George Boole. O conceito e a programação, como são conhecidos hoje, surgiram com a criação do método de leitor de cartões perfurados, desenvolvido por Herman Hollerith, no fi nal do século XX (STALLINGS, 2010). Esses métodos foram adotados pela IBM, e são os precursores do chamado processamento de dados. O processamento de dados é uma série de passos, ou de atividades programadas, com o objetivo de gerar uma série de informações que serão utilizadas, pelo usuário, para novos processos. O desenvolvimento tecnológico dos computadores se deu com o surgimento do transistor e dos microchips. Antes, um computador era capaz de realizar 300 cálculos por segundo. Hoje, um microchip de processamento de pastilha de silício(circuito integrado) pode realizar milhões, e, até mesmo, quatrilhões de cálculos por segundo (STALLINGS, 2010). Assim, observe a Figura 1, que apresentará a evolução dos dispositivos eletrônicos, da válvula até o circuito integrado. 56 Automação inDustrial FIGURA 1 – RESPECTIVAMENTE, VÁLVULA, TRANSISTOR E CIRCUITO INTEGRADO FONTE: <https://mecatronicacemporcento.com.br/uma-breve-viagem- pela-historia-dos-computadores/>. Acesso em: 24 abr. 2021. Outro avanço, para compor a automação, da forma como é conhecida hoje, foi o surgimento da computação gráfi ca interativa (MORAES; CASTRUCCI, 2010). A indústria passa a abandonar o papel, e incorpora os projetos de produção, através da computação gráfi ca, em três dimensões. O chamado CAD (Computer Aided Design – no português, Desenho Assistido por Computador) acelerou os processos de projeção e de desenvolvimento dentro da indústria automatizada. Antes, eram utilizados caneta nanquim, réguas de vários tipos, compassos, muita borracha e papel. Levava-se tempo para o novo desenvolvimento do produto, e cada operação, em um projeto, ou produto, exigia muita mão de obra. Com o surgimento do CAD, cada desenho pode ser salvo em um arquivo e disponibilizado para os projetistas envolvidos, de acordo com o avanço das etapas de desenvolvimento. No momento de uma nova operação, há a implementação sob o projeto em segundos. Caso necessário, uma cópia do projeto pode ser disponibilizada e impressa a qualquer momento. A automação e a computação têm sido aplicadas nas mais diversas formas de trabalho e indústria, sendo a motriz das terceira e quarta revoluções industriais. Todo trabalho, processo ou controle que puder ser substituído por automação já está sendo implementado. 57 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 2 CONTROLE DE SISTEMAS O meio mais desenvolvido e disseminado de implementar um sistema de controle automático é através dos sistemas eletrônicos. Equipamentos sofi sticados, com graus de confi abilidade elevada, dinamismo, versatilidade e respostas rápidas, entregam as condições necessárias ao bom funcionamento de um sistema de controle que utiliza o processamento eletrônico. No capítulo anterior deste livro didático, foi visto que sistemas eletrônicos são fl exíveis do ponto de vista de manutenibilidade, e oferecem mais segurança, por utilizar um sinal de extrabaixa tensão. Um sistema de controle de automação é composto por sistemas de transformações físicas, químicas e mecânicas, convertidos em um sinal de controle eletrônico, em um sinal adequado ao processo (ALVES, 2010). Esses sinais físicos, químicos e mecânicos são convertidos em um sinal elétrico, possibilitando a leitura. A esses sinais, daremos os nomes de Entrada, Controlador e Atuador. O atuador marca presença, diretamente, no processo, em resposta à saída de um sinal de controle. O atuador necessita de um sinal de referência, o qual vem do controlador, para atuar em um processo. Por sua vez, o sinal de controle do controlador necessita de outro sinal de referência, para o envio ao atuador. O controlador recebe o sinal de entrada para gerar o controle de processo. A Figura 2, a seguir, representará esse funcionamento de um sistema de controle. FIGURA 2 – SISTEMA DE CONTROLE E PROCESSO FONTE: O autor No Capítulo 1, havia o exemplo do sistema de iluminação pública, o qual mostrava que o sinal de entrada era representado pela energia elétrica do sistema (alimentação); o sinal de controle, pelo sensor da fotocélula (faz a leitura da luz- ambiente, o que apresenta dois parâmetros: “luz baixa” e “luz alta”); e o atuador, pelo recebimento do sinal de controle, o qual desliga o sistema quando a luz- ambiente está alta (manhã) e liga quando a luz está baixa (noite). Nesse caso, podemos perceber que há um dispositivo físico que é capaz de transformar a grandeza física “luz solar” em um sinal eletroeletrônico, o que, por sua vez, aciona outro dispositivo – geralmente, um relé –, que libera a energia elétrica para a iluminação. A fotocélula é um conjunto de dispositivos elétricos e eletrônicos que 58 Automação inDustrial é capaz de perceber estágios da luz-ambiente (parâmetro), transformá-la em sinal eletrônico e acionar um relé para a liberação de energia elétrica. Adentrando, mais profundamente, no mundo da automação industrial, alguns termos e terminologias precisam ser entendidos para a melhor compreensão do leitor. Segue uma lista das principais terminologias, da automação industrial, que darão suporte ao entendimento a respeito de várias questões (FRANCHI, 2013): • Planta: É um conjunto de equipamentos que forma uma máquina, a qual funciona em conjunto, a fi m de realizar uma determinada função. Um exemplo de máquina seria a fotocélula, que, como visto anteriormente, possui uma função específi ca, sendo formada por vários dispositivos eletroeletrônicos. • Variável controlada: É uma condição, ou grandeza, a qual pode ser medida e controlada por equipamentos. • Sistema: É a combinação de dispositivos, equipamentos e tecnologias capazes de agir em conjunto para atingir determinado objetivo. • Distúrbio: É um sinal que tende a afetar, de maneira adversa, o valor da variável de saída em um sistema. • Realimentação (feedback): É, também, chamada de retroalimentação, cujo signifi cado de feedback seria “retorno da informação”, ou “retorno do processo”. A realimentação pode ter um efeito positivo ou negativo dentro de um sistema, a depender das condições, do tempo e da inércia. No Capítulo 1 deste livro didático, em caráter introdutório, foram vistas as defi nições de sistemas de malha aberta e de malha fechada, porém, não tinham sido explanadas as defi nições de planta, processo, variável, sistema e realimentação. Agora que já foram apreciadas tais defi nições, prosseguem os conceitos de malhas aberta e fechada. • Malha aberta: São sistemas de controle nos quais a saída não causa efeitos na ação de controle, ou seja, para haver efeito de controle, é necessária intervenção externa (PRUDENTE, 2011). Geralmente, esses tipos de sistemas são projetados para avançar etapas, apenas. Um exemplo de sistema de malha aberta é a máquina de lavar as roupas. Ela é projetada para avançar os estágios, ou etapas do processo de lavar, sem aferir ou verifi car nenhum dos estágios quanto à efi cácia ou à qualidade de lavagem. Ela, apenas, avança, enche, mistura, seca e desliga. Nesse sentido, o controle da ação é verifi cado por um agente externo que, ao verifi car que algo deu errado, leva a roupa, novamente, a ser executada pelo processo, ou, simplesmente, para secar. • Malha fechada: São aqueles sistemas nos quais o sinal de saída é utilizado para causar efeito sob o sinal de controle, por isso, são 59 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 chamados de sistemas realimentados, ou com retroalimentação (PRUDENTE, 2011). O sinal de saída é utilizado para enviar o sinal de erro para o controlador, com o objetivo de eliminá-lo do sistema. Na Figura 3, a seguir, serão expostos um sistema de malha aberta (i) e um sistema de malha fechada (ii), respectivamente: FIGURA 3 – SISTEMA DE MALHA ABERTA (I) E SISTEMA DE MALHA FECHADA (II) FONTE: <https://edu.ieee.org/br-ufcgras/conceitos-basicos-de-controle- malha-aberta-x-malha-fechada/>. Acesso em: 24 abr. 2021. (i) (ii) Para uma melhor compreensão do conceito de malha fechada, atente-se ao exemplo a seguir, de um automóvel. Um automóvel é um sistema composto por vários dispositivos e outros sistemas, com o objetivo de transportar passageiros a uma longa distância, em segurança, com a velocidade controlada por um agente externo (SANTOS, 2020). Imagine, agora, a quantidade de componentes e de equipamentos que compõem o veículo, além das variáveis, que devem ser controladas, corretamente, para o bom funcionamento do veículo. Desde o sistema de combustão, motor, freios, sistemas elétrico, hidráulico,amortecimento e refrigeração, são muitos os controles e as variantes para que, no fi m, exerçam um objetivo, o de transportar pessoas. É necessário abstrair as partes mecânica e funcional do veículo, e se ater, apenas, às questões motorista, veículo e transporte. Representando o sistema de variáveis que um motorista deve controlar para fazer o veículo fazer o próprio transporte, já levando em consideração que o motorista é habilitado para tal tarefa, basicamente, as variáveis seriam: motorista, mecanismo de direção, automóvel. O objetivo fi nal, ou a saída do sistema, seria o rumo da viagem. Segue a Figura 4, com a simulação de representação de um sistema de um veículo em malha fechada: 60 Automação inDustrial FIGURA 4 – SISTEMA DE MALHA FECHADA PARA CONTROLE DE VEÍCULO FONTE: O autor Observa-se, na Figura 4, como variável de controle, o motorista, o qual é determinante para que o veículo venha a se deslocar. O motorista, por sua vez, utiliza o mecanismo de direção do veículo para direcioná-lo ao local desejado (atuador). O automóvel é o processo a ser controlado (processo). As medições visual e táctil do motorista que, a partir do momento que entra no veículo, faz parte dele, servirão como realimentação, ou feedback, para interpretar os efeitos e agir acionando equipamentos do veículo (freios, acelerador, direção, faróis), quando necessário, durante a viagem. Desse modo, é possível representar qualquer tipo de sistema. Através da implementação de um sistema de controle de malha fechada, consegue-se projetar um sistema de controle por distúrbio e variações de parâmetros da planta. Algumas características dos sistemas de controle de malha aberta são a baixa complexidade, a facilidade de implementação, além de que grande parte das plantas estáveis é construída em malha aberta. Quando o projetista verifi ca a possibilidade de existirem erros e distúrbios durante a construção de um sistema, é aconselhável a implementação da malha fechada, porém nesses casos, o custo é bem maior. A combinação entre os sistemas de malha aberta e malha fechada apresenta resultados melhores do que quando são projetados separadamente (GROOVER, 2011). Para uma melhor compreensão, acompanhe o exemplo do sistema de sinalização de trânsito. Dependendo da situação a ser resolvida, pode ser de malha aberta ou de malha fechada. 61 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 Um sinal de trânsito funciona da seguinte forma: • Situação 1 (semáforo aciona luz vermelha, indicando “pare”): Quando o semáforo é ligado à rede elétrica, a luz vermelha é acionada até um determinado tempo, ou tempo programado. Para a automação e os acionamentos elétricos, é chamado de temporizador, ou contador de tempo. • Situação 2 (semáforo aciona luz amarela, indicando “atenção”): Após o temporizador contar o tempo de acionamento da luz vermelha, o comutador é acionado (contatos elétricos), para que essa luz vermelha seja apagada e a luz amarela acenda no semáforo. Simultaneamente, o temporizador da luz amarela é acionado, e começa a contar um tempo programado para apagá-la e acionar a verde. • Situação 3 (semáforo aciona luz verde, indicando “siga”): Ao ser contado o temo programado para a luz verde ser apagada, o processo retorna ao estágio inicial. Aciona-se a luz vermelha e se repete o ciclo novamente. Temporizador, ou contador de tempo: É um equipamento capaz de realizar manipulações de tempo, como retardo da energização e da desernegização, geração de pulso e muitas outras atividades que podem ser escolhidas para a adequação a cada necessidade. Repare que o temporizador da situação 3 fi cará responsável por acionar a situação 1, para retomar o ciclo, o que não quer dizer que o sistema, do ponto de vista da automação, seja do tipo malha fechada. Ele, apenas, retoma a situação inicial, e todo ciclo é realizado infi nitas vezes. Assim, pode-se afi rmar que o semáforo é um sistema de controle de malha aberta, pelo fato de não haver mudança de comportamento ou mudança de processo enquanto o sistema estiver funcionando. Agora, imagine o mesmo sistema de semáforo que opera com um sistema de controle de tráfego. O sistema contabiliza o quantitativo de carros que trafegam naquela via em uma central informatizada. A central é programada para decidir fechar o sinal, apenas, quando houver algum pedestre necessitando atravessar, ou quando existirem carros parados, precisando cruzar a via. Pensando dessa maneira, a abordagem do problema muda completamente. O semáforo simples demandava um problema 62 Automação inDustrial de acionamento de luzes em um determinado tempo. Agora, o segundo problema nos mostra uma situação diferente e com complexidade bem maior. Uma técnica que poderia vir a resolver tal problema seria o fuzzy, que ajudaria a reduzir o tempo de espera dos veículos parados no semáforo, de acordo com o tráfego da via. Nesse caso, é necessário avançar com a teoria de controle, a qual será vista, com mais detalhes, no próximo capítulo. Fuzzy: A lógica Fuzzy é uma área da inteligência artifi cial utilizada em sistemas especialistas. Seguindo princípios de incerteza, ela é capaz de melhorar as técnicas de controle de sistemas utilizadas na área de automação industrial. A teoria Fuzzy simula a inteligência humana como solução para os sistemas de malha fechada. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Escolha a alternativa CORRETA, que corresponde à defi nição de malha aberta: a) É um conjunto de equipamentos que formam uma máquina, que funcionam em conjunto, a fi m de realizar uma determinada função. b) É a combinação de dispositivos, equipamentos e tecnologias capazes de agir em conjunto para atingir determinado objetivo. c) São aqueles sistemas nos quais o sinal de saída é utilizado para causar efeito sob o sinal de controle, por isso, são chamados de sistemas realimentados, ou com retroalimentação. d) São sistemas de controle nos quais a saída não causa efeitos na ação de controle, ou seja, para haver efeito de controle, é necessária uma intervenção externa. 63 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 2.1 TERMINOLOGIA E CONCEITOS BÁSICOS EM AUTOMAÇÃO INDUSTRIAL A partir de agora, serão apresentadas as principais terminologias utilizadas em automação, além dos conceitos, frequentemente, estudados para a resolução de problemas nessa área. • Processo: Pode ser considerado toda operação a ser controlada dentro de um sistema. Nessa operação, são utilizadas tecnologias, além da integração de sistemas e de dados para o controle do andamento do trabalho (GROOVER, 2011). • Processo automatizado: São inseridos mecanismos que verifi cam o funcionamento desse processo, que o comparam, através da medição, e, se necessário, corrigem-no durante o funcionamento, sem a necessidade de interferência externa (GROOVER, 2011). • Variável de processo: É entendida como qualquer condição, ou grandeza de um processo, que pode sofrer variações. Também, é conhecida como variável controlada (mencionada anteriormente) (GROOVER, 2011). • Controle de processos: São técnicas capazes de manter variáveis de processo (pressão, temperatura, nível, dentre outras) em valores predeterminados, a partir de procedimentos de correção. São medidas, em tempo real, por um equipamento (transdutor) (GROOVER, 2011). • Sensor: É um elemento conectado à variável de processo, capaz de medir alterações. São dispositivos que causam mudança nas próprias propriedades, de acordo com as mudanças de condições do processo (FRANCHI, 2011). • Atuador: É responsável por atuar e por mudar, fi sicamente, uma variável a ser manipulada. Podem ser, por exemplo, válvulas, para redução ou aumento do quantitativo de fl uídos; eletrobombas, para elevação do fl uxo de líquidos; ventiladores, para a forte circulação de ar, e muitos outros (FRANCHI, 2011). • Controlador Lógico Programável (CLP): É um equipamento eletroeletrônico que possuientradas e saídas de dados que permitem que sejam programados em funcionamento e comportamento, dentro do sistema, através da linguagem de programação. O CLP é capaz de realizar funções aritméticas, lógicas, de temporização, de contagem e outras (ZANCAN, 2011). • Programas: Também, chamados de softwares, são um conjunto de instruções lógicas e, sequencialmente, organizadas, as quais indicam, ao computador, que ações devem ser executadas (PRUDENTE, 2011). 64 Automação inDustrial Com base nos conceitos destacados anteriormente, no próximo capítulo, será dado início ao estudo dos sensores, para controle e automação de processos. Os sensores são dispositivos, extremamente, importantes na automação, por possibilitar medir as alterações dentro de um sistema (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). 2.2 SISTEMAS DE CONTROLE DISCRETO E PROPORCIONAL Controlar processos consiste em reunir técnicas e tecnologias para manter variáveis em valores desejáveis. O controlador é o agente destinado a atingir tal objetivo. Ele processa correções, de acordo com as variáveis e com o que é aceitável pelo sistema, com medidas em tempo real. Vimos, anteriormente, que eles podem ser dos tipos malha aberta e malha fechada. Então, agora, serão detalhados os chamados tipos de controle discreto e proporcional. 2.2.1 Controle liGa/DesliGa (ON/OFF) É considerada a mais simples estratégia de controle em automação (OGATA, 2011). Geralmente, são utilizados dispositivos que emitem um sinal quando há a presença de algo ou de um objeto. Por isso, são chamados de on/off, ou de controles digitais (zero ou um). A ação do elemento gerador de sinal, apenas, pode ligar e desligar o elemento atuador do sistema. Exemplos de dispositivos de controle discreto são: botoeiras, chave fi m de curso, sensor de presença, sensor indutivo e sensor capacitivo. Esses dispositivos serão estudados e detalhados, ainda, neste livro didático. 2.2.2 Controle ProPorcional O controle proporcional atua na entrada, diretamente, proporcional ao erro percebido na saída, ou seja, quanto mais erros forem percebidos, mas medidas de controle serão implementadas, para que se reestabeleça o sinal aceitável. Essa proporcionalidade é representada por uma constante kp, a qual defi ne o fator de amplifi cação do controlador (ganho). Essa estratégia minimiza os erros ao longo do tempo, porém, permanece um erro em relação ao setpoint (OGATA, 2011). 65 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 Setpoint: É o valor-alvo que um sistema de controle automático, por exemplo, um controlador PID, tentará alcançar. O sistema de controle de um aquecedor pode ter um setpoint de temperatura, isto é, uma temperatura que o sistema de controle tentará alcançar. 2.2.3 Controle DeriVatiVo É uma técnica utilizada para o controle de processos, com o objetivo de que o sinal de erro seja minimizado pela ação proporcional, zerado pela ação integral, e obtido com uma velocidade antecipada, pela ação derivativa (OGATA, 2011). Une as ações derivativa, integral e proporcional, e é baseado na resposta de uma malha de processo industrial a ser controlada. 2.2.4 Controle inteGral A saída do controlador é proporcional ao somatório do sinal de erro em um determinado instante de tempo, ou seja, à integral do erro. Esse tipo de controlador elimina os erros de regime permanente do sistema, porém, a ação de resposta dele é lenta. Nessa estratégia, o valor do ganho integral, através da constante “ki”, deve ser defi nido (OGATA, 2011). 2.2.5 ControlaDor associaDo Consiste na utilização de dois tipos de controle, como controle proporcional derivativo, controle proporcional integral, ou, ainda, controle proporcional integral derivativo. O objetivo dessa técnica é gerar respostas mais rápidas e reações às variações do processo (OGATA, 2011). 2.3 SISTEMAS DE SUPERVISÃO Com a evolução tecnológica, os computadores assumiram um papel de gestão para a aquisição e o tratamento de dados, permitindo a visualização deles em um monitor de vídeo e a geração de funções de controle complexas, cobrindo um 66 Automação inDustrial mercado cada vez mais vasto (NATALE, 2008). As telas de visão geral do processo apresentam, ao operador, uma visão global de um processo, sob visualização imediata durante a operação da planta. Nessas telas, são apresentados os dados mais signifi cantes à operação, e os objetos que representam o processo. Os dados devem procurar resumir os principais parâmetros a serem monitorados (e/ ou controlados) do processo específi co. Na Figura 5, será possível ter uma visão geral de um sistema de supervisão. FIGURA 5 – SISTEMA SUPERVISÓRIO DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA FONTE: O autor Segue uma lista das principais características que um bom sistema supervisório deve possuir: • Interface amigável com o operador, ou seja, facilidades de visualização gráfi ca e de operação do sistema (visualização dos valores coletados por sensores e estados atuais de contatores, relés, solenoides; alteração de ganhos e tipos de controladores; acionamento de atuadores elétricos, hidráulicos, pneumáticos, mecânicos etc.). • Geração automática de relatórios, com controle estatístico do sistema; impressos, enviados por e-mail ou salvos em arquivos. 67 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 • Histórico de tendências para acompanhamento das variáveis controladas, em forma de gráfi cos ou de tabelas. • Facilidade para interação com outros aplicativos. • Acesso automático a banco de dados. • Acessos compartilhado e remoto. • Conexão em rede e por meio de modem ou rádio. 3 SENSORES PARA CONTROLE DE AUTOMAÇÃO E PROCESSOS Em automação de sistemas, é necessário determinar as condições do sistema a se implementar. Para isso, primeiramente, deve-se obter os valores das variáveis físicas do ambiente. Isso é válido para todos os tipos de sistemas industriais, residenciais, comerciais, sendo a principal função dos sensores na automação. Um sensor nada mais é que um conversor de energia (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Ele converte uma determinada energia do ambiente, fazendo a relação da grandeza, com as informações do sinal elétrico, dentro de um sistema. As energias do ambiente, possíveis de conversão, são térmica, sonora, cinética, solar e muitas outras. Ainda, existem sensores dos mais variados tipos aplicados em automação, como sensores de pressão, temperatura, vazão, posição e presença. Geralmente, os sensores necessitam de uma interface que torne o sinal elétrico gerado em uma informação, a qual possa ser lida por uma central (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Isso acontece porque os sensores, nem sempre, possuem as características elétricas necessárias para ser, diretamente, ligados em um sistema de controle. A função da interface é a de fornecer a energia, de acordo com a característica do sensor, para o bom funcionamento, além de traduzir o sinal elétrico devolvido, pelo sensor, para a central de controle, ou controlador. Essa interface, quando ligada ao sensor e à central de controle, é chamada de transdutor. Dependendo do tipo de sinal de saída que o sensor produz para o transdutor, ele pode ser classifi cado em dois tipos: sensores digitais e sensores analógicos. • Sensor digital: Também, chamado de sensor discreto, é aquele que apresenta um sinal de saída em dois tipos de estado: ligado (on) e desligado (off). Isso signifi ca dizer que, quando algo está sendo detectado pelo sensor, ele fi cará no estado “on”; se não detectado, no “off”. A interface, ou transdutor, recebe, apenas, dois tipos de resposta, 68 Automação inDustrial sendo traduzidas para o controlador (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Por isso, recebe o nome de sensor digital, por retornar dois tipos de sinal (zero ou um). • Sensor analógico: Diferente do sensor digital, o sensor analógico é projetado para gerar um sinal em uma faixa contínua de valores, dentro de determinados limites.Esses limites são chamados de mínimo e de máximo, e cada tipo de sensor devolve um tipo de limite para o controlador. Esses limites são faixas de tensão elétrica, a partir dos quais o sensor é projetado para gerar em determinado tipo de ambiente. Um sensor de temperatura, por exemplo, pode ser aplicado em faixas de temperatura abaixo de 0ºC, mas não possuirá aplicação em temperaturas maiores que 500ºC, por questões físicas, do ponto de vista do material e do ponto de vista do limite de sinal que é gerado para o transdutor (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Assim, o transdutor e o sensor devem ser, devidamente, dimensionados para o tipo específi co de aplicação. Outro detalhe importante é que os sensores analógicos podem gerar sinal de tensão, corrente, resistência proporcional à grandeza física a se medir. 3.1 SIMBOLOGIA DOS SENSORES EM AUTOMAÇÃO Serão trazidos os variados tipos de sensores, incluindo a tecnologia e as aplicações práticas dos sensores de automação industrial. Alguns detalhes que envolvem o princípio de funcionamento deles, também, serão apresentados. A simbologia é uma ciência que estuda a origem, a interpretação e a criação de símbolos. Os símbolos são criados, principalmente, para transmitir informação a terceiros. Em automação, não é diferente, pois o engenheiro que projeta um sistema, nem sempre, será o mesmo que trabalha no cotidiano daquele sistema, ou não trabalha em jornadas diárias de 24 horas. Para que a informação do sistema permaneça de maneira que possa ser lida e manipulada, corretamente, por outros profi ssionais habilitados, na ausência do profi ssional que o implementou, é necessária a criação de símbolos, além de dar, a eles, um signifi cado único. Com a globalização, muitas empresas fabricantes de tecnologias para a automação de processos industriais, ao redor do mundo, projetam e vendem os próprios produtos, equipamentos e máquinas para outros países de língua estrangeira. Para não gerar problemas de linguagem e de entendimento de informações, e reduzir os custos com consultorias desnecessárias, as empresas criam as máquinas baseadas em padrões internacionais de linguagem e de simbologia. 69 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 No caso da automação, podemos encontrar normas para implementar um sistema, de forma a ser entendido, mais tarde, por qualquer profi ssional habilitado. No Brasil, há a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), que possui um importante trabalho para o desenvolvimento do país. Um dos objetivos da ABNT é fazer a tradução, para o português, das normais técnicas internacionais, facilitando o trabalho dos mais variados tipos de profi ssionais e nas subáreas deles. Para, quase, todo tipo de área de trabalho, existe uma norma técnica vigente que é, frequentemente, atualizada pela ABNT. Algumas normas são pagas, e outras podem ser acessadas gratuitamente. No caso da automação industrial, a norma principal, que embasa os trabalhos, é a ABNT NBR IEC 62381 - Sistemas de automação de processos industriais - Testes de Aceitação em Fábrica (TAF), Testes de Aceitação em Campo (TAC) e Testes de Integração em Campo (TIC). Essa norma pode ser acessada, pelo leitor, em https://www. abntcatalogo.com.br/norma.aspx?ID=426698. 3.2 SENSOR INDUTIVO Funcionam baseados no princípio da indução eletromagnética, e são projetados para detectar a presença de algum material metálico. Os sensores indutivos, no passado, foram desenvolvidos para detectar a presença de materiais ferromagnéticos (materiais de ferro ou que possuíam ferro na composição metálica deles). Hoje, os sensores já possuem tecnologias para aplicações de detecção de materiais de ferro, aço, alumínio, latão e aço inox (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Por exemplo, dentro de uma cervejaria, um dos processos industriais importantes passa pela máquina envase (envasadora). A principal função dela é encher a garrafa com o fl uido de cerveja, além de liberá- la, para ser colocada a tampa, ou a rolha. Pensando em um sistema que cumpre tais tarefas de encher, e, depois, de colocar a tampa, uma por uma, a dinâmica aparenta pouca complexidade, porém, quando estamos falando do ritmo industrial, uma envasadora precisa trabalhar rápido, para encher as garrafas, e o ritmo da máquina, para inserir a tampa, também, precisa ser o mesmo, para não paralisar a produção e gerar erros de processo. A partir desse ponto de vista, uma coisa que não pode acontecer, durante o processo de inserção da tampa, é permitir que essa tampa, ou pedaços dela, 70 Automação inDustrial adentre na garrafa, consequentemente, sendo oferecida ao consumidor fi nal. Para isso não acontecer, uma medida de controle deve ser implementada, para detectar o material metálico no líquido da garrafa de cerveja. Tal medida de controle pode ser implementada, utilizando o sensor indutivo após o processo de inserção da tampa, para vistoriar as garrafas, e, quando detectada uma garrafa inadequada, o sistema consegue paralisar, para que o operador a retire. Ainda, um atuador pneumático está apto a descartar a garrafa automaticamente, e a seguir com o processo (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). O sensor funciona através do princípio eletromagnético. Uma bobina ressonante é instalada na face do sensor. Quando um material magnético se aproxima, há um deslocamento de fl uxo magnético gerado pela bonina, e esse sinal é detectado pela interface, ou transdutor, ao enviar um sinal para o controlador do sistema (TOCCI; WIDMER; MOSS, 2011). As Figuras 6 e 7, respectivamente, mostrarão o esquema simplifi cado do sensor indutivo, e a simbologia dele; e o sensor indutivo real de aplicação industrial. FIGURA 6 – ESQUEMA SIMPLIFICADO DO SENSOR INDUTIVO E SIMBOLOGIA CORRESPONDENTE FONTE: <https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/18_ instrumentacao_aplicada.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. 71 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 FIGURA 7 – SENSOR INDUTIVO DE APLICAÇÃO REAL FONTE: <https://comatreleco.com.br/>. Acesso em: 24 abr. 2021. Uma característica importante dos sensores indutivos de aplicação industrial é a questão da polaridade do sinal elétrico. O sensor indutivo pode ser encontrado com dois tipos de polaridade (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012): • NPN: O sensor é alimentado com os sinais de tensão positivo e negativo, porém, o sinal de retorno, para o transdutor, é negativo. • PNP: O sensor é alimentado com os sinais de tensão positivo e negativo, porém, o sinal de retorno, para o transdutor, é positivo. Não possuem ajuste de intensidade do campo magnético para a detecção, e trabalham a partir de distâncias curtas, com o grau de milímetros (mm) em relação ao material a ser detectado (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). 3.3 SENSOR CAPACITIVO São dispositivos eletrônicos aplicados, em automação, para a detecção de material não metálico, como plástico, madeira, líquidos e matéria orgânica, sem haver a necessidade de contato entre o material e o sensor (ALVES, 2010), ou seja, o sensor capacitivo tem a capacidade de detecção de materiais dielétricos. O princípio de funcionamento do sensor capacitivo, também, é baseado no princípio do eletromagnetismo, porém, o controle do campo é feito através do capacitor. O capacitor é formado por duas placas metálicas separadas por dielétrico. Cada placa armazena, respectivamente, uma carga positiva e uma outra carga negativa. As cargas fi cam afi xadas nas placas, através da força de atração eletromagnética 72 Automação inDustrial (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). O campo magnético, gerado pela atração entre as placas positiva e negativa, é posto em posição fora da face do sensor, na espera de que um material dielétrico (madeira, plástico, líquido etc.) se aproxime. Essa aproximação causa alteração no dielétrico, dentro do capacitor, o que, consequentemente, causa alteração de capacitância. Essa alteração aciona o estágio “on” do sensor, sendoenviado para o transdutor. Dielétrico: É todo material isolante elétrico que, sob a atuação de um campo elétrico exterior, acima do limite da rigidez dielétrica, permite o fl uxo da corrente elétrica. Qualquer substância submetida a um campo elétrico muito alto pode se ionizar e se tornar um condutor. Capacitor, ou Condensador: É um componente que armazena cargas elétricas em um campo elétrico, acumulando um desequilíbrio interno de carga elétrica. Capacitância, ou Capacidade Elétrica: É a grandeza escalar que mede a capacidade de armazenamento de energia em equipamentos e dispositivos elétricos, relacionando carga com diferença de potencial (tensão). A unidade é dada em farad, representada pela letra F. A capacitância é a relação entre a área das placas positiva e negativa, a distância física entre elas e o dielétrico no meio, e a constante do material dielétrico. As Figuras 8 e 9 trarão o esquema simplifi cado do sensor capacitivo e a simbologia dele, e o sensor capacitivo real de aplicação industrial, nesta ordem. 73 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 FIGURA 8 – ESQUEMA SIMPLIFICADO DO SENSOR CAPACITIVO E SIMBOLOGIA CORRESPONDENTE FONTE: <https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/18_ instrumentacao_aplicada.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. FIGURA 9 – SENSOR CAPACITIVO DE APLICAÇÃO FONTE: <https://comatreleco.com.br/>. Acesso em: 24 abr. 2021. Uma característica importante do sensor capacitivo, em relação ao indutivo, é a possibilidade de ajustar o campo de ação dele dentro do sistema. Ele vem equipado com um trimpot de ajuste, em formato de parafuso, na parte de traz, na qual é possível regulá-lo em pleno funcionamento do sistema. Acompanhe o sensor capacitivo e o trimpot de ajuste (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012): 74 Automação inDustrial Trimpot: Do inglês trimmer potentiometer, é um potenciômetro de miniatura ajustável. Ele é ajustado através do giro da cabeça, em formato de parafuso, instalada em algum dispositivo eletrônico. Normalmente, fi ca em um local onde o usuário não o veja, para que eventuais ajustes, somente, sejam feitos por técnicos habilitados. FIGURA 10 – SENSOR CAPACITIVO E TRIMPOT DE AJUSTE FONTE: <https://www.ufsm.br/app/uploads/sites/413/2018/11/18_ instrumentacao_aplicada.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. Os sensores capacitivos, também, possuem as opções de sinal de saída NPN e PNP, como nos sensores indutivos. Assim como nos indutivos, detêm o chaveamento de saída, como NA (normalmente, aberto) e NF (normalmente, fechado). Essas opções e detalhes podem ser observados na fi gura anterior. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Qual é a diferença entre sensores indutivos e capacitivos? 75 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 Uma aplicação segura do sensor capacitivo, também, utilizada no mesmo exemplo do indutivo, seria a detecção de garrafas com enchimento abaixo do normal (GROOVER, 2011). Uma máquina de envase enche as garrafas, e, nesse processo, pode ser que alguma garrafa seja retirada antes de atingir o nível de líquido padrão desejado na produção. Como forma de controle de qualidade, um sensor capacitivo pode ser inserido no processo, para detectar as garrafas que, eventualmente, estejam abaixo do nível, acionando um atuador automático para expurgar a garrafa ou paralisar o processo, no ponto no qual um operador aja, rapidamente, removendo a garrafa. 3.4 SENSOR MAGNÉTICO O sensor magnético, geralmente, é um dispositivo eletromecânico que possui contatos elétricos, os quais podem ser acionados através da aproximação a um campo magnético, proveniente de um ímã (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Ao se aproximar um ímã de um sensor magnético, será feito o contado elétrico NA (normalmente, aberto), ou o contato NF (normalmente, fechado). Quando se distancia o mesmo ímã desse sensor magnético, os contatos retomam à posição de repouso, através de molas. Entenda o princípio de funcionamento do sensor magnético e a simbologia dele em automação: FIGURA 11 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR MAGNÉTICO E SIMBOLOGIA FONTE: O autor Um detalhe importante, para esse dispositivo, é que, além de comutar os contatos através da aproximação de um ímã, a mesma ação de comutação pode ser executada ao se utilizar uma bobina eletromagnética, devidamente, energizada. 76 Automação inDustrial 3.5 SENSOR ÓPTICO Há diferentes tipos de sensor óptico para a aplicação em automação industrial. Eles são dispositivos eletrônicos capazes de gerar uma luz para ser utilizada na detecção de objetos (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Também, conhecidos como fotossensores, possuem um dispositivo emissor (diodo emissor), e outro receptor (diodo receptor), de feixe de luz infravermelha, sendo que essa luz não pode ser visualizada a olho nu e é usada para o acionamento do sensor. As ideias básicas são emitir luz e recebê-la por refração, ou seja, quando o sensor está em estado de repouso. Quando um objeto se depara com a luz infravermelha, interrompe a passagem de luz, e o sensor sai do estado de repouso e aciona o de saída. A seguir, listaremos os tipos, as diferenças dos sensores ópticos aplicados em automação e as respectivas simbologias deles: • Sensor óptico por refl exão difusa: Aqui, o emissor e o receptor de luz são ligados na mesma base do dispositivo, e alinhados, conforme demonstrado na Figura 12. Quando um objeto é posicionado em frente ao feixe de luz infravermelha, a luz é refl etida pelo objeto, é recebida pelo dispositivo receptor (diodo receptor), e o sensor óptico aciona o sinal de saída (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). FIGURA 12 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR ÓPTICO DE REFLEXÃO DIFUSA FONTE: O autor • Sensor óptico por retrorrefl exão: Como o sensor de refl exão difusa, o sensor por retrofl exão está montado sob o mesmo dispositivo, os diodos emissor e receptor de luz, porém, com a diferença de que é necessário um outro dispositivo para refl etir, permanentemente, a luz do emissor (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). No caso, pode ser utilizado um espelho, ou um prisma refl exivo, e, quando um objeto interrompe a 77 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 passagem da luz, o sinal de saída do sensor sai do estado de repouso e é acionado. A Figura 13 apresentará o princípio de funcionamento do sensor por retrorrefl exão. FIGURA 13 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR ÓPTICO DE REFLEXÃO DIFUSA FONTE: O autor Segue um sensor óptico real aplicado em automação industrial: FIGURA 14 – SENSOR ÓPTICO DE REFLEXÃO DIFUSA E RETRORREFLEXÃO FONTE: O autor 78 Automação inDustrial • Sensor óptico de barreira direta: Neste tipo de sensor, as unidades emissoras e receptoras de luz infravermelha estão ligadas separadamente, e devem ser montadas frente a frente, para que a luz emissora chegue na unidade receptora. O sinal de saída do sensor de barreira direta é acionado quando um objeto fi ca frente à luz emitida, interrompendo a chegada dela ao receptor (NATALE, 2008). Fique atento ao funcionamento do sensor a seguir: FIGURA 15 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR ÓPTICO DE BARREIRA DIRETA FONTE: O autor 3.6 SENSOR ULTRASSÔNICO O funcionamento e a operação do sensor ultrassônico são baseados na emissão e na recepção de ondas acústicas dentro da faixa de frequência, de 30 a 300 kHz (quilohertz), inaudíveis para o ser humano (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Quando a onda acústica incide sobre um objeto, ela retorna para o receptor, e é, imediatamente, detectada pelo sensor. Diferentemente da energia elétrica, as ondas acústicas levam mais tempo para a emissão e para a recepção. Esse tempo pode ser processado, medido e convertido em sinal proporcional à distância percorrida. Uma vantagem desse tipo de sensor, em 79 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 relação aos outros citados anteriormente, é em relação aos tipos de materiaisdetectáveis por ele: praticamente, todo tipo de material, independentemente de cor, forma e tipo. A Figura 16 elencará o princípio de funcionamento do sensor ultrassônico e a respectiva simbologia dele. FIGURA 16 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR ULTRASSÔNICO FONTE: O autor Os sensores ultrassônicos industriais podem, também, medir enchimento, curvatura e altura, funcionando como contador e monitorador de objetos (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Além disso, chegam a medir distâncias variadas, entre 20 mm a 20 metros, de forma a apresentar uma baixa porcentagem de erro do valor medido, o que garante precisão e confi abilidade. A Figura 17 apresentará um sensor ultrassônico real utilizado na indústria. FIGURA 17 – SENSOR ULTRASSÔNICO FONTE: O autor 80 Automação inDustrial 3.7 SENSOR POTENCIÔMETRO O sensor potenciômetro trabalha com o princípio da variação da resistência elétrica de um potenciômetro. Ao deslocar o eixo linear, ou angular do sensor, haverá uma mudança de resistência entre os pontos de entrada e de saída de energia do potenciômetro (NATALE, 2008). A seguir, o princípio de funcionamento do sensor, e a respectiva simbologia dele, e um sensor potenciômetro real para a aplicação em automação industrial marcarão presença. FIGURA 18 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR POTENCIÔMETRO FONTE: O autor FIGURA 19 – SENSOR POTENCIÔMETRO FONTE: O autor 81 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 Depois do exposto, serão apresentados os sensores para a medição de grandezas, como temperatura, nível e pressão. É importante que o leitor conheça os tipos de sensores e as aplicações deles para implementar projetos de sistemas na prática. 3.8 SENSOR DE PRESSÃO Acompanhe os tipos de sensores de pressão mais comuns, dos tipos capacitivo e piezoelétrico, incluindo as diferenças de cada um e o princípio de funcionamento. 3.8.1 Sensor De Pressão caPacitiVo A tecnologia, por traz do sensor de pressão capacitivo, consiste em um circuito eletrônico que mede a distância física entre o diafragma do sensor, o qual sofre variação, de acordo com a pressão aplicada; e a parte fi xa (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). O diafragma do sensor é acoplado em uma das placas metálicas (armadura móvel) do capacitor, empurrada e próxima da segunda placa (armadura fi xa). Essa aproximação causa uma variação do dielétrico e, consequentemente, da capacitância do sensor. A variação é medida pela interface e transformada na grandeza pressão. Veja o princípio de funcionamento do sensor de pressão capacitivo e um sensor de pressão capacitivo de aplicação em automação industrial: FIGURA 20 – ESQUEMA SIMPLES DE FUNCIONAMENTO SENSOR DE PRESSÃO CAPACITIVO FONTE: O autor 82 Automação inDustrial FIGURA 21 – SENSOR DE PRESSÃO CAPACITIVO FONTE: O autor 3.8.2 Sensor De Pressão PieZoelÉtrico A piezoeletricidade é uma propriedade proveniente de materiais que, ao sofrerem uma deformação ou força, produzem eletricidade (BOYLESTAD; NASHELSKY, 1998). Essa tecnologia é muito utilizada na música, para captar o som de instrumentos de corda, como do violão. Dentre os materiais que possuem essa propriedade, estão: cristal de quartzo, óxido de zinco, selênio, telúrio, e titanato zirconato de chumbo (PZT). Esses materiais são utilizados em receptores ultrassônicos, e em transdutores destinados a medir parâmetros de deslocamento: aceleração, pressão e força. Um equipamento que trabalha com o deslocamento de força seria a balança. Uma balança é projetada para receber uma força exercida por um determinado peso e transformá-la em sinal elétrico (BOYLESTAD; NASHELSKY, 1998). Esse sinal é traduzido para um valor da grandeza quilogramas, e pode ser lido em uma 83 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 tela digital. O princípio piezoelétrico objetiva gerar uma tensão elétrica quando se sofre uma deformação e se retorna ao estado de repouso, no qual a força é sessada. Ainda, podem ocorrer deformações quando uma corrente elétrica é aplicada em nos polos. A Figura 22 representará o princípio de funcionamento da propriedade do material piezoelétrico. FIGURA 22 – MATERIAL PIEZOELÉTRICO FONTE: O autor Os sensores de pressão piezoelétricos possuem robustez na construção, pois, afi nal de contas, são preparados para sofrer pressões sem ser danifi cados. São construídos para trabalhar em um range entre 1mbar e 10kbar (BOYLESTAD; NASHELSKY, 1998). Na Figura 23, veremos o princípio de funcionamento do sensor piezoelétrico. FIGURA 23 – MATERIAL PIEZOELÉTRICO FONTE: O autor 84 Automação inDustrial 3.9 SENSOR DE TEMPERATURA A variável temperatura é de suma importância para controles industriais (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Em misturas, a temperatura controlada defi ne o grau de sucesso da fabricação de um determinado produto, e, na refrigeração, é crucial para a conservação de alimentos. Assim, serão apresentados dois tipos de sensores de temperatura para aplicação em automação industrial: os sensores de termopares e de termistores. 3.9.1 TermoPares O princípio de funcionamento dos termopares é bem simples. Através da junção de dois metais diferentes (fi os metálicos), da chamada junta quente, ou junta de medição, é sabido que, ao submeter esses dois metais diferentes unidos, mas não misturados, à energia térmica (calor), gera-se uma diferença de potencial entre eles, ou seja, quando dois metais diferentes são unidos sob junção, e submetidos à variável calor, aparece uma diferença de potencial nos terminais dos metais (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Visualize o princípio de funcionamento dos termopares: FIGURA 24 – ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DOS TERMOPARES FONTE: O autor 85 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 A diferença de potencial, gerada nos terminais do termopar, não é sufi ciente para alimentar dispositivos eletrônicos, e, muito menos, equipamentos elétricos. A tensão gerada é medida com a unidade de milivolts (mV), e só é aplicada para fi ns de medidas de controle de medição. Assim, o que se consegue, com esse tipo de tecnologia, é a conversão da energia térmica em sinal elétrico de baixa tensão, gerado nos terminais do termopar. A tensão gerada é linear e correlacionada com a quantidade de calor recebida – quanto mais calor captado no termopar, maior será a tensão gerada nos terminais. Os terminais do termopar são ligados a uma interface que é capaz de relacionar a tensão que está sendo gerada a gradientes de temperatura (ºC ou ºF), para o sistema de controle. Essa tecnologia possui a mais vasta gama de aplicações em áreas industriais, residenciais, eletroeletrônicas, automobilísticas e muitas outras (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). A seguir, haverá um sensor de temperatura com termopar de aplicação industrial. FIGURA 25 – SENSOR DE TEMPERATURA COM TERMOPARES FONTE: O autor Os termopares são classifi cados por letras, de acordo com o tipo de uso deles. De acordo com a fabricante de termopares, WIKA Brasil, são classifi cados da seguinte forma (WIKA BRASIL, 2021): • Tipo K (NiCr-NiAl): Normalmente, usado em atmosferas de gás inerte ou oxidante, até 1200 ° C, 2.200 ° F (ASTM E230: 1.260 ° C, 2300 ° F). 86 Automação inDustrial • Tipo J (Fe-CuNi): Normalmente, usado em aplicações de vácuo, atmosferas de oxidação e redução ou atmosferas de gás inerte para medições de temperatura de, até, 750 ° C, 1.380 ° F (ASTM E230: 760 ° C, 1.400 ° F). • Tipo N (NiCrSi-NiSi): Normalmente, usado em atmosferas oxidantes, de gases inertes ou de redução seca de, até, 1.200 ° C, 2.200 ° F (ASTM E230: 1260 ° C, 2.300 ° F). Termopares Tipo N são muito exatos em altas temperaturas; eles são, frequentemente, usados no lugar dos termopares do Tipo K, em aplicações nas quais uma vida útil mais longa e uma forte estabilidade são necessárias. • Tipo E (NiCr-CuNi): Normalmente, usado em atmosferas de gases oxidantes ou inertes,até 900 ° C, 1.650 ° F (ASTM E230: 870 ° C, 1.600 ° F). • Tipo T (Cu-CuNi): Normalmente, usado em temperaturas abaixo de 0 ° C, 32 ° F, com um limite de temperatura superior de 350 ° C, 660 ° F (ASTM E230: 370 ° C, 700 ° F) em atmosferas de gases de oxidação, redução ou inertes. Esses termopares são, altamente, resistentes à corrosão, mesmo em ambientes úmidos. • Tipos R, S e B: São termopares de metal nobre, normalmente, usados para aplicações de alta temperatura. Os tipos R e S, também, são usados em algumas aplicações especializadas, devido às altas exatidão e estabilidade deles. Atente-se ao gráfi co a seguir, com a relação da combinação dos metais (junção) entre a temperatura e a tensão gerada. GRÁFICO 1 – CORREÇÃO ENTRE TENSÃO E TEMPERATURA GERADAS NO TERMOPAR FONTE: O autor 87 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 Observando o gráfi co, percebe-se que o termopar do tipo E é o que mais gera tensão elétrica, e isso o torna mais efi ciente para a detecção de pequenas variações de temperatura. O termopar tipo K é um dos mais utilizados na indústria, para o controle de temperatura, por apresentar o melhor custo-benefício, já que é produzido com ligas de metais menos nobres e possui uma grande faixa de aplicações. Os termopares do tipo R, S e B são construídos com ligas nobres e chegam a temperaturas de trabalho de 1500 ºC, o que o torna o uso deles muito específi co. 3.9.2 Termistores Feitos com materiais semicondutores, os termistores têm a característica de alterar a resistência elétrica em função do calor (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). As principais vantagens são o baixo custo e a elevada sensibilidade, porém, o uso deles se restringe ao gradiente de temperatura de até 300ºC. Diferente do termopar, que aumenta a tensão gerada, de acordo com o aumento da temperatura, o termistor se relaciona, inversamente, à temperatura, ou seja, quanto maior ela for, menor é a resistência elétrica do material utilizado na construção. São os chamados termistores do tipo NTC (Negative Temperature Coefi cient). Há, também, outro tipo de termistor, que trabalha com o gradiente de resistência, diretamente, proporcional à temperatura aplicada – quanto maior a temperatura, maior a resistência elétrica do material. São os termistores do tipo PTC – Positive Temperature Coefi cient (BOYLESTAD; NASHELSKY, 1998). A Figura 26 mostrará os termistores dos tipos NTC e PTC, além da simbologia utilizada para representá-los em automação. FIGURA 26 – TERMISTOR DOS TIPOS PTC (A) E NTC (B) COM SIMBOLOGIA FONTE: O autor 88 Automação inDustrial Os principais materiais que possuem tais características, relacionadas à exposição ao calor e à mudança de resistência elétrica, são: cobre, alumínio, magnésio, níquel, sulfeto de ferro, cobalto e outros. 3.10 SENSOR DE NÍVEL Outra importante variável que necessita do controle de sistemas é o nível dos materiais (FRANCHI, 2011). Assim, serão apresentados dois tipos de sensores de nível para a aplicação na automação industrial: o sensor de nível ultrassônico e o sensor de nível por pressão hidrostática. 3.10.1 Sensor De nÍVel ultrassÔnico Como visto anteriormente, os sensores ultrassônicos são, vastamente, utilizados para a detecção de qualquer tipo de matéria, seja ela orgânica ou metálica. O sensor ultrassônico emite ondas sonoras que, depois, são recebidas de volta. É um tipo de sensor que não necessita de que o material a ser aferido entre em contato com ele. O sensor de nível ultrassônico trabalha em cima da variável tempo (t), e calcula o tempo de retorno da onda sonora entre a emissão e a recepção dela. Quanto mais tempo de retorno, menor o nível do material a ser medido. Se houver menos tempo, maior a quantidade, ou nível de material (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Conheça o princípio de funcionamento do sensor de nível ultrassônico. FIGURA 27 – ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO SENSOR DE NÍVEL ULTRASSÔNICO FONTE: O autor 89 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 DISTÂNCIA DE BLOQUEIO Na instalação desse tipo de dispositivo, é necessário consultar o manual do fabricante para saber a respeito da questão da distância de bloqueio do instrumento. Ainda, conhecer a distância mínima para que o refl exo da onda sonora seja, perfeitamente, detectado pelo sensor. Isso signifi ca que a distância de bloqueio é o início do ponto máximo do tanque até o ponto no qual o sensor deverá ser instalado. Como mencionado anteriormente, o sensor mede o tempo que a onda sonora leva até tocar no líquido e retornar para o próprio sensor. Se o técnico não considerar essa distância mínima de bloqueio, prejudicará a leitura, ocasionando erros. 3.10.2 Sensor De nÍVel Por Pressão HiDrostática O sensor de nível por pressão hidrostática é, vastamente, conhecido e utilizado pelas simplicidade e versatilidade de aplicação dele. Esse instrumento pode ser aplicado na medição de tanques ventilados, reservatórios, navios, em lagos e rios. Um sensor hidrostático de nível é uma forma de sonda utilizada, especialmente, para o monitoramento, medindo a pressão hidrostática em um líquido, praticamente, estático, em um nível de submersão determinado (WIKA BRASIL, 2021). A Figura 28 será destinada ao princípio de funcionamento do sensor de pressão hidrostática. Já a Figura 29, ao sensor por pressão hidrostática em reservatório não pressurizado (aberto), aplicado na indústria. Por fi m, a Figura 30, ao sensor por pressão hidrostática em reservatório pressurizado (fechado), aplicado na indústria. 90 Automação inDustrial FIGURA 28 – ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO SENSOR POR PRESSÃO HIDROSTÁTICA FONTE: O autor O sensor de hidrostática trabalha a partir da altura da coluna do líquido (h), a qual indica o nível, segundo a pressão exercida (P), defi nida pela seguinte fórmula: FIGURA 29 – SENSOR POR PRESSÃO HIDROSTÁTICA RESERVATÓRIO ABERTO FONTE: O autor 91 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 FIGURA 30 – SENSOR POR PRESSÃO HIDROSTÁTICA RESERVATÓRIO FECHADO FONTE: O autor 3.11 SENSOR DE VAZÃO Outra importante variável que necessita do controle de sistemas é a vazão de líquidos. Esta grandeza está, diretamente, ligada à produtividade e à lucratividade, já que os fl uidos produzidos em escala industrial precisam ser, precisamente, contabilizados, não gerando perdas. A partir disso, serão apresentados dois tipos de sensores de vazão para a aplicação na automação industrial: os sensores de vazão do tipo turbina e os ópticos (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). 3.11.1 Sensor De VaZão tiPo turBina O sensor de vazão tipo turbina é um tipo de turbina acoplado na tubulação, o qual gira as aletas magnéticas durante a passagem de fl uido (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). Um sensor magnético é posto próximo à turbina girante, para captar o sinal do campo magnético, gerado pelo movimento das aletas. Esse sensor é chamado de sensor de efeito hall. Ele responde ao transdutor com um sinal de pulso elétrico com frequência, diretamente, proporcional à velocidade da turbina. Quanto mais vazão de líquido, maior a velocidade de movimentação da turbina, e maior a frequência dos pulsos gerados pelo sensor. A fi gura a seguir demonstrará o princípio de funcionamento do sensor de vazão tipo turbina. 92 Automação inDustrial FIGURA 31 – ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO SENSOR DE VAZÃO TIPO TURBINA FONTE: O autor ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Explique como funcionam os sensores termopares. 3.11.2 Sensores óPticos De VaZão Funcionam, de forma semelhante, aos sensores de vazão do tipo turbina, porém, o sinal de frequência é gerado através da emissão de luz infravermelha (THOMAZINI; ALBUQUERQUE, 2012). No caso do sensor óptico, um feixe de luz é emitido nas aletas da turbina e retorna para o receptor. A frequência do feixe de luz que é recebida pelo receptor é proporcional à velocidade da vazão na tubulação. O sinal óptico é convertido pelotransdutor e enviado à central de controle. Os sensores ópticos de vazão são muito utilizados na indústria automobilística, para a medição da vazão de combustíveis. A Figura 32 apresentará o princípio de funcionamento do sensor óptico de vazão. 93 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 FIGURA 32 – ESQUEMA DE FUNCIONAMENTO DO SENSOR DE VAZÃO TIPO TURBINA FONTE: O autor ALGUMAS CONSIDERAÇÕES O estudo de sensores empregados no controle e na automação de processos é de suma importância. Utilizando a analogia da medicina, assim como um médico precisa estudar o corpo humano, os devidos sistemas dele e as especialidades para diagnosticar problemas e encontrar o medicamento correto, ao profi ssional de automação, não basta conhecer os problemas, é necessário o estudo de todo o corpo que compõe os sistemas, as áreas e as subáreas, de todas as terminologias para uma melhor comunicação profi ssional, das simbologias para a leitura e a interpretação de projetos de automação, e de subáreas, como elétrica, eletrônica e mecânica. As ferramentas, os instrumentos e as especifi cidades são essenciais para poder encontrar a melhor solução viável ao problema em questão. É necessário dominar os conceitos iniciais propostos neste capítulo, como planta, variável, sistema, realimentação, distúrbio, malha aberta e malha fechada. Sem essa base inicial bem aproveitada, a jornada no trabalho será um pouco mais difícil. Portanto, o total domínio desses conceitos ajudará o leitor a se posicionar bem no mercado de trabalho. Em resumo, foram estudados os tipos de sensor mais utilizados na indústria, lembrando que há muitos outros sendo aplicados neste momento. A indústria continua a investir em inovação e em tecnologias. As motrizes dela são a lucratividade e a redução de custos de produção. O mercado de automação é 94 Automação inDustrial muito lucrativo e promissor. Ainda, muitas funcionalidades marcaram presença para os mais variados tipos de sensor, sendo que sensor é o termo utilizado para designar dispositivos sensíveis a uma determinada forma de energia do ambiente. Eles são classifi cados em sensores digitais (discretos) ou analógicos (contínuos). Os mais diversos tipos de sensor, incluindo indutivos, capacitivos, magnéticos, ópticos e ultrassônicos, são apresentados com um estudo, incluindo os detalhamentos de funcionamento e de simbologia. Dominar esses conceitos e os detalhes fará toda a diferença nos estudos e dará muito mais suporte para o entendimento do próximo capítulo. Na dúvida, procure o professor da disciplina e busque mais informações em livros, e, até mesmo, nas plataformas digitais de vídeo. REFERÊNCIAS ALVES, J. L. L. Instrumentação, controle e automação de processos. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. BOYLESTAD, R. L.; NASHELSKY, L. Dispositivos eletrônicos e Teoria de Circuitos. 6. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1998. CAPELLI, A. Automação industrial: controle do movimento e processos contínuos. 2. ed. São Paulo: Érica, 2010. DORF, R. C.; BISHOP, R. H. Sistemas de controle moderno. 12. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. FRANCHI, C. M. Controle de processos industriais: princípios e aplicações. São Paulo: Érica, 2013. FRANCHI, C. M. Acionamentos elétricos. 4. ed. São Paulo: Érica, 2011. GROOVER, M. P. Automação industrial e sistemas de manufatura. 3. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. MARTINS, G. M. Princípios de automação industrial. Santa Maria: UFSM, 2012. MORAES, C. C.; CASTRUCCI, P. L. Engenharia de automação industrial. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2010. 95 CONTROLE DE SISTEMAS AUTOMÁTICOS Capítulo 2 NATALE, F. Automação industrial. 10. ed. São Paulo: Érica, 2008. OGATA, K. Engenharia de controle moderno. 5. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. PRUDENTE, F. Automação industrial PLC: teoria e aplicações. 2. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011. SANTOS, M. M. D. Veículos elétricos e híbridos: fundamentos, características e aplicações. São Paulo: Ed. Érica, 2020. STALLINGS, W. Arquitetura e organização de computadores. 8. ed. São Paulo: Pearson Practice Hall, 2010. THOMAZINI, D.; ALBUQUERQUE, P. U. B. Sensores industriais: fundamentos e aplicações. 8. ed. São Paulo: Érica, 2012. TOCCI, R. J.; WIDMER, N. S.; MOSS, G. L. Sistemas digitais: princípios e aplicações. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2011. WIKA BRASIL. Termopar industrial – Como escolher o certo. 2021. Disponível em: https://blog.wika.com.br/know-how/termopar-industrial-como-escolher-o- certo/. Acesso em: 24 abr. 2021. ZANCAN, M. D. Controladores programáveis. Santa Maria: CTISM/UFSM, 2011. 96 Automação inDustrial CAPÍTULO 3 ACIONAMENTOS A partir da perspectiva do saber-fazer, são apresentados os seguintes objetivos de aprendizagem: • Compreender como funcionam os sistemas de automação na prática. • Conhecer os esquemas de ligação e a simbologia-padrão para a identifi cação dos dispositivos. • Estudar o Controlador Lógico Programável, além do hardware, do software e de outras operações e aplicações. • Observar a importância da álgebra de Boole e da linguagem de programação para sistemas do CLP e funções. 98 Automação inDustrial 99 ACIONAMENTOS Capítulo 3 1 CONTEXTUALIZAÇÃO Com os avanços nas ciências e com a busca por produzir cada vez mais e com mais qualidade, o homem tem avançado em conhecimento e em tecnologia, o que jamais foi visto em duzentos anos. Com a chegada do computador pessoal, potencializou-se, ainda mais, a busca por novas fontes de conhecimento, quebrando barreiras e trazendo prosperidade e progresso para toda a humanidade. Com os dispositivos eletroeletrônicos e os microprocessadores, dá-se origem aos sistemas de automação industrial, e, posteriormente, aos de automação residencial. Utilizando a linguagem de programação e os sinais de entrada de dispositivos de um parque industrial, é possível programar, além de confi gurar dispositivos eletroeletrônicos, atuadores, seccionadores, contatores e relés, de forma a executar tarefas de forma coordenada e organizada. Além disso, consegue-se receber um sinal desses mesmos dispositivos, de forma a gerir o andamento dos processos e a ter um feedback de máquinas e equipamentos quanto às grandezas. Antes do surgimento dos Controladores Lógicos Programáveis, os profi ssionais das áreas da elétrica e da mecânica automatizavam processos através de painéis de acionamentos que eram equipados, basicamente, com relés, contatores e disjuntores. Ligados a esses painéis, fi cavam os instrumentos que enviavam os sinais para que os contatores acionassem ou desligassem máquinas, de acordo com a programação. A programação era feita de forma analógica, direta e não conectada. Isso quer dizer que qualquer mudança, calibragem e manutenção eram feitas pelo técnico (FRANCHI; CAMARGO, 2021). Neste Capítulo 3, o aluno compreenderá como funcionam os sistemas de automação na prática, os esquemas de ligação e a simbologia-padrão para a identifi cação dos dispositivos. Ainda, conhecerá o Controlador Lógico Programável, incluindo hardware, software, operação e aplicações que são tão importantes para entender e implementar soluções de automação industrial. 2 ACIONAMENTO DE CARGAS POR RELÉS E CONTATORES Um relé é um dispositivo destinado ao acionamento de cargas elétricas. É uma espécie de comutador, operado através do princípio da força eletromagnética. Ele possibilita que, através de um sinal elétrico de baixa intensidade (baixa corrente e baixa tensão), uma carga seja acionada a distância (FRANCHI, 2011). 100 Automação inDustrial Imagine uma lâmpada residencial que é acionada através de uma força mecânica, diretamente, na chave do interruptor. Para ligá-la, uma pessoa necessita se deslocar até o interruptor e apertar a chave (acione), para que ela seja acesa. Nesse mesmo exemplo, imagine a mesma lâmpada, agora, podendoser acionada através de um sinal elétrico a distância, por um botão ligado em um painel de acionamento que está a metros, através de fi os mais fi nos e mais baratos do que os convencionais, ligados, diretamente, na lâmpada do exemplo. Isso é possível através dos relés e dos contatores eletromagnéticos. Continue acompanhando, pois abordaremos, com mais profundidade, as aplicações e o funcionamento dos relés. 2.1 RELÉ ELETROMAGNÉTICO Através de estudos que envolviam as propriedades dos ímãs e dos eletroímãs, Joseph Henry descobriu e estudou o magnetismo e o eletromagnetismo por volta de 1830. Michael Faraday aprofundou os estudos e os publicou, mostrando a real importância do dispositivo e da aplicação dele (FRANCH, 2011). Atualmente, com base no princípio de funcionamento de Michael Faraday, os relés são aplicados em instalações elétricas e em dispositivos eletroeletrônicos com baixa, média e alta tensões. O relé, no idioma inglês, é conhecimento como relay, e composto pelos seguintes componentes (BOYLESTAD; NASHELSKY, 1998): • Bobina (eletroímã): É um conjunto de espiras ou solenoide. Uma espira é um fi o enrolado em forma circular (espiral) que tem a propriedade de gerar um campo eletromagnético ao passar uma corrente elétrica no circuito. • Armaduras de ferro fi xa e móvel: São um conjunto metálico utilizado para a fi xação da bobina eletromagnética e o contato do relé. • Conjunto de contatos: É a parte do relé na qual, ao ser acionada a bobina, faz com que os contatos NA (normalmente, abertos) fechem, liberando a corrente elétrica, e, os NF (normalmente, fechados), abram- se, interrompendo a passagem da corrente elétrica. • Mola de rearme: É o dispositivo responsável pelo retorno dos contatos NA e NF ao estado de “repouso”, quando a bobina eletromagnética não está sendo alimentada. • Terminais de conexão: São os pontos do relé ligados ao circuito, o qual se destina a realizar a função de liberar ou de interromper a passagem de corrente elétrica. Através deles, o relé é ligado. São terminais de solda, ou seja, quando o relé é destinado a circuitos eletrônicos; a parafuso, pois o circuito é elétrico, podendo ser conectados fi os elétricos; e do tipo pino, sendo acoplado o soquete ou o porta-relé. 101 ACIONAMENTOS Capítulo 3 Segue a Figura 1, com o desenho de um relé eletromagnético e os devidos componentes dele em um esquema simplifi cado: FIGURA 1 – RELÉ ELETROMAGNÉTICO FONTE: O autor Agora, atente-se à Figura 2, com um relé real, de dispositivo comercial: FIGURA 2 – RELÉ REAL DO TIPO CAIXA TRANSPARENTE DE TERMINAL - PINO PARA SOQUETE FONTE: O autor Quando a bobina eletromagnética do relé é alimentada com tensão elétrica (força eletromotriz), uma corrente elétrica percorre as espiras da bobina, que está fi xada na armadura fi xa e que gera uma força eletromagnética. Essa força magnética atrai a parte da armadura móvel, acoplada aos contados elétricos NA e NF, respectivamente, normalmente, aberto e fechado. Ao sofrer essa força da atração, os contatos saem do estado de repouso e são submetidos à comutação. 102 Automação inDustrial A comutação é a saída do contato NA para o NF (o contato que, antes da alimentação da bobina, era aberto, agora, fi ca fechado), e do contato NF para o NA (de fechado para aberto). Quando a bobina eletromagnética não é mais alimentada por uma corrente elétrica, o campo eletromagnético se dispersa, e a mola de rearme puxa os contatos de volta, para o estado de repouso (FRANCHI, 2011). Desse modo, o relé pode ter uma infi nidade de aplicações na eletrônica, na elétrica e na automação industrial. Para demonstrar o funcionamento e a aplicabilidade dos relés, vejamos um exemplo simples na Figura 3: FIGURA 3 – CIRCUITO E ESQUEMA ELÉTRICO DE LÂMPADA SIMPLES COM RELÉ ELETROMAGNÉTICO FONTE: O autor O circuito da Figura 3 funciona da seguinte forma: • Podem ser observados, no circuito, dois tipos de tensão diferentes (V1 e V2). V1 representa a alimentação da bobina do relé. V2, a alimentação da lâmpada do circuito elétrico é destinada a se acionar. Essa é uma vantagem ao se utilizar o relé na indústria e em automação predial. Através dele, é possível trabalhar com uma tensão de alimentação, na bobina, extrabaixa (3V, 9V, 12V, 24V, 48V). Já a alimentação de uma carga elétrica consegue ser acionada pelo contato do relé de baixa tensão (110V, 220V, 380V, 440V, 660V, 760V). Isso depende da aplicação da especifi cação técnica do relé, ou, também, chamada de fi cha técnica. • O circuito do relé, à esquerda da Figura 3, possui V1 (fonte de tensão de alimentação do relé), bonina L1 do relé e chave de acionamento da bobina CH. Quando a chave CH for comutada (fechada), uma corrente elétrica surgirá no circuito da bobina. Essa bobina gerará um campo magnético que, por sua vez, comutará o contato do relé R1. • O circuito da carga elétrica, representado por uma lâmpada, está à direita da Figura 3. Nesse circuito, é observada a tensão V2, que é a tensão da lâmpada elétrica, o contato R1 do relé e a lâmpada (carga). Quando o 103 ACIONAMENTOS Capítulo 3 contato R1 for acionado pela bobina, uma corrente elétrica surgirá no circuito da carga, fazendo com que a lâmpada venha a acender. Isso pode ser aplicado a variados tipos de cargas, como ventiladores, motores elétricos, bombas eletrônicas e hidráulicas, e muitos outros. O relé pode ter diversas características e especifi cações para diferentes aplicações com extrabaixa tensão, baixa tensão e alta tensão (a partir de 1000 volts – 1kV). Vale lembrar que os contatos são, normalmente, abertos, NA, e fechados, NF, quando a bobina não está sendo alimentada ou em estágio de repouso da bobina. Quando a bobina é alimentada com uma tensão especifi cada pelo fabricante, gera um campo magnético sufi ciente e comuta os contatos, saindo do estágio de repouso. Também, há, no mercado, os relés de contato comum, ou contato C, ou seja, aqueles que possuem os contatos NA e NF interligados ao contato comum. Observe a fi gura a seguir, com o esquema simples do contato NA/NF interligado ao contato comum: FIGURA 4 – CONTATOS NA, NF, C INTERLIGADOS FONTE: O autor Atente-se a um relé de contato NA/NF, com o comum ligado no polo positivo de uma bateria: 104 Automação inDustrial FIGURA 5 – RELÉ DE CONTATO COMUM FONTE: O autor O princípio de funcionamento do relé de contato NA/NF, com C, da Figura 5, é o seguinte: quando o relé está no estado de repouso, no qual a bobina está desenergizada, o sinal positivo da bateria fi ca direcionado para sair do terminal NF do relé. A bobina, ao ser alimentada, entrega que os contatos sofrem a comutação, e o sinal positivo da bateria será direcionado para o terminal NA, por, agora, ter sido comutado em NF (FRANCHI, 2011). O relé do tipo contato NA/NF, com comum (relé de cinco terminais), também, pode ser aplicado em situações de acionamento elétrico, nas quais as cargas não são acionadas ao mesmo tempo, ou seja, quando há a necessidade de alternar o acionamento de duas cargas diferentes. Por exemplo, é apto a ser trabalhado ao se desejar ligar um sinal de alerta luminoso (sinaleira de alerta ou sinalizador) com duas lâmpadas – uma amarela e outra vermelha –, funcionando alternadamente. No primeiro estágio do relé, a lâmpada amarela fi ca ligada, e, no segundo, a vermelha liga e a amarela apaga quando a bobina é alimentada (FRANCHI, 2011). São características importantes dos relés: • O nível de tensão das bobinas a serem alimentadas pode ser igual ou diferente do circuito da carga, ou seja, a tensão da bobina depende do especifi cado, e não da tensão da carga. 105 ACIONAMENTOS Capítulo 3 • Os relés permitem o acionamento de um ou de mais circuitos, de forma independente, utilizando o mesmo sinal de acionamento da bobina. • Os contatos do relé são isolados dos terminais da bobina, ou seja, não existe interligaçãoentre bobina e contato. Isso proporciona segurança e proteção sob a perspectiva de segurança em instalações elétricas. 2.2 CONTATOR, OU CONTACTOR Os contatores são uma evolução dos relés eletromecânicos. Funcionam através do mesmo princípio dos relés, possuem bobinas e contatos NA e NF, mas com uma diferença signifi cativa: os contatos, nos contatores, podem ser NA e NF do tipo contato auxiliar. O principal detalhe dos relés são os contatos de força, designados para ligar e para desligar as cargas de corrente elétrica mais altas. Nos contatores, os contatos auxiliares funcionam, de forma semelhante, aos relés eletromagnéticos, porém, possuem, também, contatos de força para o acionamento de cargas elétricas mais elevadas – monofásicas, bifásicas e trifásicas. Pode-se afi rmar que os contatores são os principais elementos de uma cadeia de controle industrial, a qual controla cargas elétricas elevadas, através de circuito elétrico de baixa intensidade. Há, no mercado comercial, contatores industriais capazes de acionar altas cargas através de um sinal elétrico (tensão elétrica) na bobina, entre 12 e 760 volts (WEG, 2021). O contator é defi nido como uma chave eletromagnética capaz de estabelecer, interromper e conduzir uma corrente elétrica, em condições normais, para o circuito de uma determinada carga. Ele possui duas posições: em repouso – quando a bobina está desligada – e em trabalho – quando a bobina está energizada. A bobina é responsável por fazer a comutação mecânica dos contatos auxiliares e dos contatos de força simultaneamente. Quando a bobina é energizada, o contato, o qual é, normalmente, aberto, fecha, com a força do campo magnético. O contato, frequentemente, fechado, abre-se. Isso é chamado de comutação dos contatos (FRANCHI, 2011). Semelhante ao relé, o contator possui a armadura fi xa, a qual sustenta o contato fi xo; a armadura móvel, ou núcleo móvel, que mantém e move os contatos auxiliares e os contatos de força; a bobina eletromagnética; e os terminais de conexão a parafuso. Acompanhe a Figura 6, que representará o esquema simplifi cado e os componentes de um contator eletromecânico. 106 Automação inDustrial FIGURA 6 – ESQUEMA SIMPLES DO CONTATOR FONTE: O autor Um contator possui inúmeras aplicações na indústria, nas instalações residenciais e comerciais. A fi gura seguinte ilustrará um contator trifásico do tipo comercial. O contator trifásico, também, é conhecido como contator tripolar, por possibilitar a ligação a cargas de três polos (fase R, fase S e fase T). FIGURA 7 – CONTATOR TRIFÁSICO COMERCIAL FONTE: <https://static.weg.net/medias/downloadcenter/hed/hd6/WEG- minicontatores-50009832-pt.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. 107 ACIONAMENTOS Capítulo 3 Os fabricantes de contatores seguem convenções normais e internacionais. Com relação a esses contatores, pode-se encontrar, em meio a tantos terminais, a identifi cação dos contatos auxiliares e dos contatos de força, através de um código. Sempre que for utilizado o contator em uma aplicação industrial e/ou residencial, identifi cam-se os contatos auxiliares com os códigos NO e NC. Para um ou mais contatos de força, basta verifi car os terminais de contato L1, L2, L3, para a entrada trifásica, e T1, T2, T3, para a saída trifásica. O termo “NO”, inscrito no contator, vem do inglês Normally Open, o que, traduzido para o português, signifi ca “Normalmente Aberto”. Ainda, de “NC”, Normally Close, ou, para a nossa língua, “Normalmente Fechado”. Os terminais de ligação da bobina do contator são identifi cados por “A1” e “A2”. A seguir, faremos a identifi cação dos terminais com mais detalhes e com vista de cima do contator. FIGURA 8 – CONTATOR VISTO DE CIMA FONTE: <https://static.weg.net/medias/downloadcenter/hed/hd6/WEG- minicontatores-50009832-pt.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. Além de conhecer o funcionamento, os componentes e os terminais, é necessário visualizar o diagrama, ou o esquema elétrico, o qual dará a devida funcionalidade ao contator e a simbologia-padrão, com os dispositivos dentro desse esquema elétrico. 108 Automação inDustrial FIGURA 9 – SIMBOLOGIA FONTE: O autor Em sistemas de comandos elétricos e de automação industrial, também, são usados sensores, sinalizadores, intertravamentos, temporizadores e acessórios de instrumentação que dão suporte para o acionamento dos contatores, de acordo com o projeto da planta industrial. Os contatores apresentam as seguintes características e aplicação (FRANCHI, 2011): • Comando a distância. • Vida útil elevada em relação à quantidade de manobras (ligam e desligam milhares de vezes, sem danos às partes mecânicas e aos contatos elétricos). • Modelos compactos, sem muita ocupação de espaço no painel de automação. • Segurança de acionamento, entre 85% e 110%, da tensão nominal da bobina. Tensão Nominal: É a tensão de referência que é usada para ligar a bobina do contator, de modo que seja sufi ciente para comutar os contatos auxiliares e principais. Quando a tensão é menor do que a nominal, o campo magnético não é sufi ciente para provocar a comutação. Quando a tensão é maior, provoca o aquecimento da bobina. Assim, ela pode entrar em curto-circuito. 109 ACIONAMENTOS Capítulo 3 Ao se defi nir a aplicação em comandos elétricos ou para a automação industrial de contatores, o técnico deve levar em conta alguns fatores, como quantidade necessária de contatos auxiliares NA e NF, nível de corrente elétrica nos circuitos de comando e de força, nível da tensão elétrica e frequência da rede elétrica. Quando não é feito o levantamento dessas informações e especifi cações, a aplicação dos contatores pode trazer danos e a perda desses dispositivos, elevando custos e reduzindo a segurança elétrica (FRANCHI, 2011). 2.2.1 EXemPlo De aPlicação Do contator Para acionamento Do motor triFásico Com relação aos comandos elétricos, também, conhecidos como acionamentos elétricos, em aplicações e na automação industrial, para realizar o acionamento de motores elétricos, é necessário utilizar a técnica de representação de acionamentos e de automação, através dos diagramas multifi lares. Com essa técnica, é possível compreender, além de representar as etapas de instalação e de funcionamento desses sistemas. Não só para acionamentos elétricos e automação industrial, mas, também, para situações residenciais, os diagramas são muito importantes para os profi ssionais da área, pois, depois que são feitos o levantamento das especifi cações da aplicação e das funcionalidades necessárias ao sistema, e o dimensionamento dos dispositivos e dos cabos elétricos que darão suporte ao bom funcionamento, o sistema precisa ser desenhado. Ainda, ter esse desenho (diagrama), devidamente, arquivado, para que, no futuro, o próprio técnico responsável pela instalação, ou outro, possa resgatar as informações e ser guiado em casos de manutenção e/ou resolução de erros no sistema, de maneira precisa. O diagrama de comandos representa o acionamento das bobinas dos contatores de força, de forma lógica e organizada. Portanto, em comandos elétricos e na automação industrial, tudo acontece, primeiramente, no circuito de comando, para que o circuito de força seja acionado. Esse circuito de comando aciona o circuito de força, o qual, por sua vez, ativa a carga elétrica. Na automação industrial, a implementação do comando é feita através da lógica de programação, com um Controlador Lógico Programável (CLP). Estudaremos, mais adiante, com detalhes, o CLP. Na Figura 10, serão expostos dois exemplos, um diagrama de força e um de comando, o que representa o acionamento de um motor trifásico de indução, utilizando a simbologia IEC 60947-5-1. 110 Automação inDustrial FIGURA 10 – DIAGRAMAS DE COMANDO E DE FORÇA PARA ACIONAMENTO DE MOTOR TRIFÁSICO DE INDUÇÃO FONTE: O autor Em acionamentos elétricos, esse tipo de comando é chamado departida direta. Na partida direta, o operador tem acesso a duas botoeiras (botões), para o acionamento do motor: botoeira de “ligar” e botoeira de “desligar”. O diagrama de comando que está à esquerda mostra que o comando está sendo alimentado através da rede elétrica, com dois polos: Fase (L) e Neutro (N). Ainda no diagrama de comando, é utilizado um fusível (F), para a proteção do circuito, e um contato fechado do relé de sobrecarga (FT1), para o desligamento do sistema quando o motor entrar em sobrecarga. Há, também, uma botoeira “S0”, utilizada para desligar o circuito quando o operador achar necessário, e a “S1”, que serve para ligar o motor novamente. Por fi m, marca presença uma sinalização no circuito, através de uma sinaleira H1, que servirá de indicador para o operador saber, a distâncias, se o motor está ligado (quando a sinaleira estiver acesa) ou desligado (quando a sinaleira estiver apagada). Observe, ainda, a Figura 10, olhando para o diagrama de força, do lado direito. É possível observar que o circuito é alimentado pela rede elétrica trifásica, através das fases L1, L2, L3. Em alguns diagramas, representam, as fases da rede trifásica, as letras R, S, T. Nesse diagrama, há a informação de que, por desenho, o circuito está protegido através de três fusíveis (F1, F2, F3), os quais monitoram o circuito e a carga contra um eventual curto-circuito ou sobrecarga, algo acima do valor nominal do fusível. O contator K1 está presente no circuito, e tem a função de acionar, ou de interromper a passagem às fases que alimentam o 111 ACIONAMENTOS Capítulo 3 motor, ou seja, dá a partida no motor, por isso, o comando é chamado de partida direta. Abaixo do motor, verifi ca-se que existe um relé de sobrecarga (FT1), responsável por desligar o comando elétrico em caso de sobrecarga no motor, e, consequentemente, sobreaquecimento. O comando é desligado pelo relé de sobrecarga, e, o contator K1, também. Assim, abre-se o contator de força, para desligar o motor. A carga do circuito de força é representada por um desenho (M3~), que signifi ca que é um motor de indução trifásico. Em resumo, um comando de partida direta trifásico funciona da seguinte maneira: • Ao ser pressionado o botão de impulso S1, pelo operador, será energizada a bobina do contator K1, que fecha o contato NA 13/14, de K1, realizando o selo do contator K1, o qual permanece ligado mesmo após o botão S1 ser solto. • Com o contator fechado, o motor será alimentado com as três fases. • De forma paralela, com a bobina de K1, existe uma lâmpada de sinalização, a qual indica o fechamento do contator. • Quando é pressionado o botão de impulso S0, pelo operador, o circuito da bobina, do contator K1, é desligado, sendo, o circuito, desenergizado. • No diagrama de força, as três fases, L1, L2 e L3, são protegidas por um fusível por fase (F1, F2, F3). São ligadas, então, ao contator K1, que está, diretamente, acoplado ao relé térmico FT1, que interliga os cabos até o motor. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - Um relé é um dispositivo destinado ao acionamento de cargas elétricas. É uma espécie de comutador, operado através do princípio da força eletromagnética. Ele possibilita que, através de um sinal elétrico de baixa intensidade, uma carga seja acionada a distância. De acordo com as alternativas a seguir, qual é a que corresponde, corretamente, à diferença entre os relés e contatores industriais? a) ( ) Os contatores são ligados em placas eletrônicas e em circuitos integrados, para o acionamento eletrônico. Já os relés são usados em quadros de distribuição, para acionar cargas de alta tensão. 112 Automação inDustrial b) ( ) Os relés e os contatores possuem contatos de força e contatos auxiliares. A diferença é que os relés acionam cargas de baixa intensidade, e, os contatores, média e alta. O princípio de funcionamento é o mesmo. c) ( ) Não possuem diferença. d) ( ) Os contatores possuem contatos auxiliares, como os relés, além de contatos de força para ligações de cargas bifásicas e trifásicas. 3 ACIONAMENTO DE MOTOR CC E DE MOTOR DE PASSO A partir de agora, o leitor terá acesso a informações dos motores CC (corrente contínua) e motor de passo, no que se refere a princípios de funcionamento, circuito elétrico e ligação, incluindo detalhes de construção, vantagens e desvantagens. 3.1 MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA O motor de corrente contínua foi um dos primeiros motores à energia elétrica utilizados na indústria (GROOVER, 2011). O motor CC é composto, basicamente, por três partes: parte fi xa, conhecida como estator, na qual está o campo magnético principal; parte móvel, famosa como rotor, ou armadura móvel; e carcaça, a qual facilita a troca de calor e fi xa os outros componentes do motor (CHAPMAN, 2013). A Figura 11 representará as partes principais de um motor de corrente contínua. 113 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FIGURA 11 – PARTES PRINCIPAIS DO MOTOR DE CORRENTE CONTÍNUA FONTE: O autor Além da carcaça, do estator e do rotor, há outros componentes importantes para o funcionamento prático do rotor. Dentre eles, estão o coletor, o qual, também, é conhecido como comutador, e as escorvas, as quais são muito conhecidas, no meio industrial, pela necessidade de substituição em períodos de manutenção preditiva. A seguir, o leitor encontrará a defi nição de cada um dos componentes, além da função de cada um dentro da estrutura do motor CC (CHAPMAN, 2013): • Estator: É a parte do motor que se mantém fi xa e que tem, como função, produzir um fl uxo magnético que fará girar o eixo do motor. Alguns motores têm o estator feito com material metálico, acoplado a uma bobina e a outros, com material metálico e magnetita (conhecida como ímã). • Rotor, ou armadura: O rotor, ou eixo, é a parte móvel do motor, e tem, como função, gerar um campo magnético contrário ao do estator, para, assim, haver um campo magnético girante. Os terminais da bobina do rotor são conectados aos comutadores. Cada terminal fi ca conectado a um coletor. Isso é necessário porque, enquanto o eixo gira, o campo magnético precisa inverter a cada giro, ou seja, é necessário trocar os polos da bobina para manter o campo girante. • Comutador, ou coletor: Os comutadores conectam a bobina, ou as bobinas do rotor, para que recebam a energia de corrente contínua da fonte. Eles dão a mobilidade necessária ao rotor, para se manter em movimento giratório, permanecendo conectado à eletricidade. 114 Automação inDustrial • Escovas: São fabricadas a partir do grafi te, material condutor de eletricidade que tem coloração escura, semelhante à do carvão. Feitas de material de baixo custo, através delas, o rotor se mantém conectado ao comutador, mesmo em movimento girante. Ficam apoiadas no coletor e necessitam de certa pressão para se manter encostadas no rotor em movimento, para que não venham a ocorrer problemas de mau contato. Essa pressão mecânica é fornecida, às escovas, através de molas. Um detalhe importante é que as escovas estão em constante atrito com o rotor enquanto estão funcionando. Devido a essa pressão das molas, com o tempo, é necessário fazer a troca delas. A não realização dessa manutenção pode ocasionar mau contato e a paralização do motor. A Figura 12 apresentará a estrutura básica do motor de corrente contínua e os devidos componentes dele: FIGURA 12 – ESTRUTURA DO MOTOR CC FONTE: O autor O princípio de funcionamento do motor CC é simples. Há a produção de dois campos magnéticos contrários, ou seja, que se repulsam, ao invés de se atraírem. O campo eletromagnético do estator produz o fl uxo magnético estatórico, através da aplicação da corrente elétrica nas bobinas do estator do tipo bobinado, ou o fl uxo é gerado através de um ímã, com metais específi cos, quando o estator é do tipo ímã permanente (CHAPMAN, 2013). Para gerar o campo magnético no eixo do motor (rotor bobinado), é necessário aplicar umacorrente elétrica através das escovas. Esse campo magnético contrário produzirá energia cinética, chamada 115 ACIONAMENTOS Capítulo 3 de torque. Quando se aplica uma corrente elétrica em um circuito, através de fi os elétricos, é gerado, nesses fi os, um campo eletromagnético. Isso nada mais é que o eletromagnetismo. Esse campo eletromagnético gera uma força contrária à do campo magnético do estator, e cria o movimento giratório, ou movimento rotacional (CHAPMAN, 2013). Para controlar a velocidade e o torque em motores de corrente contínua do tipo excitação independente, é necessário trabalhar a tensão na armadura, a tensão aplicada no campo, controlando a resistência elétrica na armadura ou a tensão na armadura e no campo magnético. Seguem as formas de controle de velocidade em um motor de corrente contínua (CHAPMAN, 2013): • Controle de tensão na armadura: Ao se variar, diretamente, a tensão aplicada na armadura, varia-se a rotação do eixo do motor CC. Quando a tensão aumenta, a velocidade, também, aumenta. Lembrando que a tensão aplicada não pode ultrapassar o limite da tensão nominal da armadura, especifi cada pelo fabricante. • Controle de tensão no campo principal: Mantendo a tensão, na armadura (eixo), constante, e variando a tensão que se aplica no estator, também, é possível controlar a velocidade do motor CC. O fl uxo magnético é proporcional à corrente elétrica aplicada na bobina do estator. Com a diminuição da tensão da bobina, diminui-se a corrente (If) e se reduz o fl uxo magnético do estator. Portanto, com a queda da tensão do estator, reduz-se a corrente e, consequentemente, a velocidade do rotor. Nesse tipo de controle, a potência se mantém a mesma, mas a rotação apresenta elevação, e, o torque (força), diminuição. • Controle de velocidade através da resistência da armadura (Ra): Insere- se uma resistência elétrica de ligação série com a bobina do rotor, para variar a tensão aplicada na bobina. Essa resistência é variável, e pode ser ajustada durante o funcionamento do motor. O dispositivo que fornece a resistência ajustável para esse tipo de aplicação se chama reostato. Nesse tipo de controle, há a perda de potência, pela dissipação de calor, que o reostato provoca no circuito da armadura. • Controle de velocidade através da tensão aplicada na armadura e no estator: As técnicas (a) e (b), mencionadas, anteriormente, neste livro didático, são aplicadas integralmente, para o controle da velocidade. Essas técnicas vêm sendo implementadas em novas tecnologias de conversores, para o acionamento do motor CC, e permitem variadas alternativas, confi guração de conjugados e rotações na automação industrial. Nas Figuras 13 (a), 13 (b), 13 (c) e 13 (d), demonstraremos a representação gráfi ca da ligação de controle de velocidades para motores CC, mencionada anteriormente. 116 Automação inDustrial FIGURA 13 (A) – CONTROLE DE TENSÃO NA ARMADURA FONTE: O autor FIGURA 13 (B) – CONTROLE DE TENSÃO NO CAMPO PRINCIPAL FONTE: O autor FIGURA 13 (C) – CONTROLE DE VELOCIDADE ATRAVÉS DA RESISTÊNCIA DA ARMADURA (RA) FONTE: O autor 117 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FIGURA 13 (D) – CONTROLE DE VELOCIDADE ATRAVÉS DA TENSÃO APLICADA NA ARMADURA E NO ESTATOR FONTE: O autor Agora que já foram apresentadas as características de construção, de funcionamento e de controle da velocidade, o leitor verá quais são as principais vantagens e desvantagens dos motores trifásicos quando aplicados na indústria. As principais vantagens são (CHAPMAN, 2013): • Alto torque no momento da partida e em baixas velocidades de giro. • Controle direto de velocidade na operação. • Larga faixa de variação de velocidades. • Confi abilidade. • Baixa perda de velocidade (praticamente, constante), independentemente da variação da carga durante a operação. Como em todo equipamento e dispositivo, há vantagens e desvantagens. As principais desvantagens da aplicação dos motores CC na indústria são (CHAPMAN, 2013): • Custo elevado em relação aos motores de indução. • Necessidade de manutenção periódica para troca de escovas e comutadores. • Proibida aplicação em ambientes de atmosferas explosivas (produção de gases e combustíveis), devido a faíscas geradas pelo arco elétrico das escovas. 118 Automação inDustrial 3.2 MOTOR DE PASSO Os motores de passo funcionam através de impulsos ou de deslocamentos, e fazem parte de uma categoria específi ca de motores elétricos. Devido à total adaptação à implementação de sistemas por lógica digital, e à redução do custo de produção dele, o motor de passo vem sendo, cada dia mais, aplicado na indústria e em tecnologias, como máquinas CNC, impressoras e scanners. Atualmente, utilizam-se os motores de passo em robôs, para movimentos robóticos precisos, em equipamentos de clínicas radiológicas e em câmeras de vídeo, por exemplo (BRAGA, 2005). Assim como os motores de indução e de corrente contínua, para instalar e implementar um sistema com motor de passo, é necessário conhecer as características e as especifi cações do equipamento, como o tipo e o nível de tensão de alimentação, a corrente nominal das bobinas, o ângulo do passo e o torque. Sem determinar essas informações, o técnico de automação corre o risco de danifi car o equipamento, ou de não concluir a solução desejada (PAZOS; LOVISOLO, 2002). O torque de um motor de passo é determinado pela frequência aplicada na alimentação dele. A frequência é, inversamente, proporcional – quanto maior a frequência de alimentação, menor é o torque do passo. Isso ocorre porque o conjunto do rotor (eixo e ímã) terá menos tempo para se mover de um ângulo para o outro. Outra especifi cação importante, para a aplicação de um motor de passo, é a relação do número de graus por passo, também, conhecido como passos por volta. Os valores de referência mais comuns, para o motor de passo, são (BRAGA, 2005): • 500 passos por volta, ou 0.72º. • 200 passos por volta, ou 1,8º. • 100 passos por volta, ou 3,6º. • 48 passos por volta, ou 7,5º. • 24 passos por volta, ou 15º. • 4 passos por volta, ou 90º. Com relação aos motores de indução e de corrente contínua, o motor de passo apresenta uma característica diferenciada. Ele permite um forte controle da velocidade, além da direção e da distância, devido à total adaptação à logica digital. Ainda, possui as características de controle de bloqueio, baixo desgaste funcional e baixa manutenção, por não ter escovas e dispensar realimentação (PAZOS; LOVISOLO, 2002). Utilizando eletroímãs (solenoides) alinhados aos pares, o rotor (eixo) do motor de passo se movimenta quando os polos são 119 ACIONAMENTOS Capítulo 3 energizados e exercem força de atração, provocando o alinhamento. Assim, essa pequena variação angular do rotor é chamada de passo. Na Figura 14, estará demarcado o alinhamento do rotor do motor a quatro passos, que ilustra o princípio de funcionamento do motor de passo. FIGURA 14 – PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO MOTOR DE PASSO UNIPOLAR FONTE: O autor Observe, na Figura 14, que, a cada passo, o polo magnético muda, conforme a mudança de bobina energizada para o sentido horário (polo sul representado na cor azul). O polo norte do eixo, que está no meio da fi gura, acompanha-o a cada passo. Nos motores de passo bipolar, ou seja, que possuem dois polos magnéticos energizados a cada passo, a angulação do eixo do motor varia um pouco em relação ao alinhamento das bobinas. A Figura 15 apresentará, grafi camente, o alinhamento do rotor (eixo) do motor de passo bipolar a quatro passos. FIGURA 15 – PRINCÍPIO DE FUNCIONAMENTO DO MOTOR DE PASSO BIPOLAR FONTE: O autor Observando a Figura 15, o eixo se move, de acordo com a força do polo norte magnético, produzido pela bobina do estator, também, no sentido horário. O número de passos é defi nido pelo número de alinhamentos possível entre bobinas do estator e o eixo. Para aumentar o númerode passos, é necessário aumentar o número de bobinas (polos magnéticos) para, assim, poder posicionar o rotor. 120 Automação inDustrial O controle e o acionamento do motor de passo demandam precisão e complexidade, e isso só é possível através de uma fonte de alimentação digital. Há dois tipos de controle de acionamento para o motor de passo (SILVEIRA; SANTOS, 2003): • Sistema de Controle de Malha Aberta: Neste tipo de controle, o sistema digital atua, controlando os atuadores, de acordo com a programação. Nesse caso, o sistema é de baixo custo e de simples implementação, porém, torna-se inefi ciente, devido à falta de feedback para o sistema identifi car como estão acontecendo as ações dos atuadores por parte do ambiente. Segue um sistema de malha aberta para o motor de passo: FIGURA 16 – SISTEMA DE CONTROLE DE MALHA ABERTA FONTE: O autor • Sistema de Controle de Malha Fechada: Neste tipo de sistema, observa- se, nitidamente, a implementação do monitoramento dos atuadores. A unidade de controle aciona os atuadores, de acordo com os dados recebidos através de sensores em tempo real. Assim, é monitorado o sistema. Isso permite um controle mais efi caz e seguro para o sistema. A desvantagem em relação ao sistema de controle de malha aberta é o custo mais elevado, por tornar o sistema mais complexo para a implementação. Acompanhe o sistema de controle de malha fechada para o motor de passo: FIGURA 17 – SISTEMA DE CONTROLE DE MALHA FECHADA FONTE: O autor 121 ACIONAMENTOS Capítulo 3 No motor de passo unipolar, aquele que possui um polo magnético correspondente para cada passo, o sentido do giro do rotor pode ser alterado, de horário para anti-horário (e vice-versa), sem a necessidade de mudar o sentido da corrente elétrica, ou seja, o sentido de rotação do campo magnético é alterado de forma lógica, e não de forma física. Isso é possível porque, em um motor de passo de quatro passos por volta, por exemplo, será ligada uma fase para cada enrolamento (bobina), com derivação central, ou de duas bobinas separadas. O circuito de comutação é feito de forma simples, ligando um transistor em série para cada bonina, o que permite acionar um polo de bobina por vez, de forma sequencial. Segue uma ilustração do esquema simples de ligação das bobinas e dos transistores: FIGURA 18 – ESQUEMA DE LIGAÇÃO DO MOTOR DE PASSO DE QUATRO POLOS FONTE: O autor Observe, na Figura 18, a representação das bobinas do motor, as quais possuem as letras , , , . As letras representam os pares de bobinas que dão o passo seguinte, e a posição física, dentro do motor, em relação ao rotor. A bobina tem a bobina inversa , e, a bobina , . Compreenda melhor essa organização através da ilustração que segue: 122 Automação inDustrial FIGURA 19 – ILUSTRAÇÃO DA POSIÇÃO DAS BOBINAS DO MOTOR DE PASSO EM RELAÇÃO AO ROTOR FONTE: O autor Após dada atenção à Figura 19, para a execução de um giro completo do rotor em um motor de passo, dispensando a mudança elétrica (física) do sentido da corrente, as bobinas devem ser ligadas em sequência consecutiva, para que o sentido do giro do motor complete um giro em sentido horário da seguinte maneira: Passo 1 – O sistema energiza, apenas, a bobina . Passo 2 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 3 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 4 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 5 – O sistema desliga e energiza a bobina . Isso forma um giro completo (360º) dentro do motor, de forma que o rotor acompanha o campo magnético gerado nas bobinas, em sentido horário de rotação. Para executar uma operação no motor de passo, de forma que o sentido do giro do rotor seja anti-horário basta mudar a sequência de energização das bobinas. O sistema executa a sequência consecutiva das bobinas da seguinte maneira: Passo 1 – O sistema energiza, apenas, a bobina . Passo 2 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 3 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 4 – O sistema desliga e energiza a bobina . Passo 5 – O sistema desliga e energiza a bobina . 123 ACIONAMENTOS Capítulo 3 ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - O motor de corrente contínua foi um dos primeiros motores à energia elétrica utilizados na indústria. O motor CC é composto, basicamente, por três partes principais. Assinale a alternativa que corresponde, corretamente, às partes do motor CC: a) ( ) a- Terminais de ligação; b- Estator; c- Rotor. b) ( ) a- Carcaça; b- Relé de sobrecarga; c- Bobina. c) ( ) a- Rotor; b- Estator; c- Contator. d) ( ) a- Carcaça; b- Estator; c- Rotor. 4 ACIONAMENTO DE ELETROVÁLVULAS, ACIONAMENTO PNEUMÁTICO E ACIONAMENTO HIDRÁULICO Até o tempo da indústria 2.0, para controlar a vazão de gases ou interromper a passagem de líquidos em tubulações, eram necessárias válvulas acionadas manualmente, através de operadores, que não podiam deixar de prestar atenção no processo, devido ao risco de colocar a perder toda a cadeia produtiva. A comunicação, para executar determinada ação em uma válvula, era repassada da supervisão para a operação, de forma verbal direta ou via radiocomunicador. Da indústria 3.0 até a atualidade, o sistema industrial começa a mudar, graças aos sistemas de comunicação integrados, de supervisão e controle. A necessidade de contratar muita mão de obra reduziu signifi cativamente. Turnos e mais turnos de operação não são mais necessários para manter o sistema funcionando 24 horas por dia. As eletroválvulas contribuíram muito para o avanço das indústrias química e petroquímica no mundo todo (BRUNETTI, 2008). Assim, a seguir, o aluno entenderá o princípio de funcionamento e a construção das eletroválvulas, ou válvulas solenoides. 124 Automação inDustrial 4.1 ELETROVÁLVULA, OU VÁLVULA SOLENOIDE As eletroválvulas são feitas a partir de três elementos básicos: uma válvula acionada por campo magnético, uma mola de retorno, e uma solenoide (bobina). Também, conhecidas como válvulas solenoides, a principal aplicação delas está em possibilitar o controle de fl uidos (abrir e fechar), através de um sinal elétrico a distância, ou seja, não é mais necessário contratar um operador para se deslocar até o local onde estão a tubulação e a válvula, para executar a liberação e o bloqueio delas. O operador pode, através de um quadro de acionamentos, acionar, ou bloquear o circuito da eletroválvula, quando necessário. Isso, também, possibilita que a operação possa ser feita de maneira automática, utilizando sensores de nível ou de vazão para acionar a eletroválvula, de acordo com a necessidade de fl uido do sistema (BOLLMNN, 1997). Basicamente, a eletroválvula possui um elemento ferromagnético que fi ca pressionado através de uma mola de retorno, a qual bloqueia a passagem de fl uido. Acoplada a ela, está a solenoide, que, ao receber o sinal elétrico, gera um campo eletromagnético e atrai o elemento ferromagnético, forçando-o a abrir a eletroválvula e a liberar a passagem de fl uido. Para bloquear, novamente, a passagem de fl uido, basta desligar o sinal elétrico na eletroválvula, assim, a mola de retorno pratica o fechamento. O elemento ferromagnético é chamado de pistão. A bobina solenoide fi ca em volta de um núcleo fi xo, preso na carcaça da eletroválvula (BOLLMNN, 1997). Para compreender melhor, preparamos uma ilustração de uma válvula solenoide: FIGURA 20 – ILUSTRAÇÃO DE UMA VÁLVULA SOLENOIDE FONTE: O autor 125 ACIONAMENTOS Capítulo 3 Há dois tipos de válvulas solenoides: pneumáticas, aquelas aplicadas para bloqueio e liberação de elementos gasosos; e hidráulicas, para aplicação, em tubulação, de fl uidos líquidos. A aplicação das válvulas solenoides é muito ampla. Além de estarem presentes na grande indústria, são aplicadas em soluções de eletrodomésticos; em serviços automobilísticos, em geral; e muitos outros. Na Figura 21 (a), haverá um exemplo de válvula solenoide pneumáticacomercial, e, na (b), de válvula solenoide tipo hidráulica. FIGURA 21 – VÁLVULAS SOLENOIDES PNEUMÁTICA E HIDRÁULICA COMERCIAIS FONTE: O autor 4.2 ACIONAMENTO ELETROPNEUMÁTICO Circuitos eletropneumáticos, ou acionamentos eletropneumáticos, são muito utilizados na indústria há muito tempo. Através da utilização da força proveniente do ar comprimido, é possível realizar tarefas, além de acionar atuadores para muitas ações dentro da indústria automatizada. Os atuadores podem acionar cargas fi sicamente, e, até mesmo, deslocá-las para curtas distâncias. Através de acionamentos pneumáticos, consegue-se programar atuadores para realizarem tarefas repetitivas que causam doenças de L.E.R. (lesão por esforço repetitivo), aumentando a produtividade; movimentar esteiras; realizar misturas através de um motor pneumático; apertar parafusos através de parafusadeiras pneumáticas, reduzindo o uso de energia (BOLLMNN, 1997). Os circuitos pneumáticos integram os elementos elétricos com os pneumáticos (compressor e distribuição de tubulações), a fi m de realizar o acionamento mecânico de cargas através de atuadores e de equipamentos pneumáticos. Os diagramas e os esquemas pneumáticos ajudam para a compreensão e a implementação de soluções para problemas industriais. O circuito elétrico é responsável por comandar o circuito pneumático de forma lógica. Já o circuito pneumático faz o acionamento de partes mecânicas de máquinas 126 Automação inDustrial e de equipamentos, utilizando a força do ar comprimido, armazenada em um compressor elétrico. Sistemas eletropneumáticos controlam, de forma lógica, o ar, o qual é conduzido por tubulação até o ponto de aplicação, para executar tarefas. A Figura 22 representará um sistema eletropneumático e os principais elementos dele. FIGURA 22 – SISTEMA ELETROPNEUMÁTICO FONTE: O autor A vantagem dos sistemas eletropneumáticos se dá por permitirem uma operação sem a utilização de energia elétrica. Depois que o compressor atinge a capacidade de armazenamento dele, uma válvula de controle, instalada no próprio compressor, dá um comando, para que o motor desligue e a força armazenada fi ca disponível e sendo usada enquanto a pressão do sistema for satisfatória. Quando a pressão cai, automaticamente a válvula rearma o comando do motor, e o compressor volta a trabalhar para atingir a pressão correta. Além de ser robusto e de fácil implementação, o sistema pneumático tem um custo, relativamente, baixo. Um atuador é uma espécie de cilindro que, ao receber o ar de um compressor, de um sistema pneumático, atua para frente, com certa força mecânica. Há dois tipos de atuador pneumático muito conhecidos: atuador linear de força única e atuador linear de força dupla. O atuador de força única possui uma única via para “encher” de ar, atuando mecanicamente, sendo que, depois, retorna ao estado de repouso, através de molas. Ele pode atuar para frente, para abrir o atuador, quando há a necessidade de exercer uma força para empurrar algo; após, retorna para a posição inicial. Ainda, está apto a ser do tipo simples, a exercer uma força que “puxa algo”, ou seja, para fechar o atuador. Atente-se à Figura 23, com um atuador simples de retorno por mola comercial e a simbologia correspondente. 127 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FIGURA 23 – ATUADOR PNEUMÁTICO DE SIMPLES AÇÃO (A) E DETALHES DE CONSTRUÇÃO (B) FONTE: O autor Uma válvula fi m de curso, ou fi m de curso pneumático, é um dispositivo capaz de direcionar o ar comprimido quando uma força mecânica externa é aplicada sob ele. É uma espécie de interruptor que, ao ser pressionado, interrompe ou libera a passagem de ar. É instalada quando há a necessidade de o curso (atuação) de uma determinada máquina ser interrompido automaticamente, e retornar para, naquele determinado ponto, onde o dispositivo fi m de curso está instalado. A partir da Figura 24, você visualizará um exemplo que representará um atuador (cilindro) pneumático, com válvula-botão, para acionar o atuador para frente (comando simples): FIGURA 24 – CIRCUITO PNEUMÁTICO COMANDO SIMPLES FONTE: O autor 128 Automação inDustrial Observe que, na Figura 24, há a aplicação de um atuador de ação simples, o qual é acionado por uma válvula (botoeira). Ao ser pressionado, ou liberado, pressiona o cilindro para frente. No lado esquerdo da fi gura, há um desenho representando a situação real para a aplicação do sistema. Para implementar um sistema eletropneumático, deve-se trocar a válvula de 3/2 vias por uma eletroválvula, ou válvula solenoide, que recebe o sinal elétrico por comando de acionamentos elétricos, ou pelo sinal do CLP (Controlador Lógico Programável). Continue a leitura para observar a representação de um cilindro de dupla ação que é acionado por válvula fi m de curso, a fi m de que o atuador realize o trabalho de vai e vem automaticamente. Nesse caso, as válvulas fi m de curso são instaladas de modo que, quando o atuador for acionado para frente (movimento de abertura), e chegar ao ponto máximo, ele tocará, mecanicamente, nessas válvulas, as quais acionarão o comando para o atuador retornar à posição inicial. Quando o movimento de retorno for completado, o cilindro tocará, mecanicamente, a segunda válvula fi m de curso, e o movimento se inicia novamente (ciclo infi nito). O ciclo só será interrompido quando o sistema for desligado pelo botão desliga. A Figura 25, a seguir, explanará a situação real de uma cortadora pneumática: FIGURA 25 – CIRCUITO PNEUMÁTICO AUTOMATIZADO POR VÁLVULA FIM DE CURSO FONTE: O autor É importante conhecer os símbolos e os componentes principais para trabalhar com a automação pneumática. Assim, a partir do exposto a seguir, com forma gráfi ca, serão elencados os principais componentes usados em sistemas de automação pneumática. 129 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FIGURA 26 – SIMBOLOGIA PARA CIRCUITOS PNEUMÁTICOS FONTE: O autor 4.3 ACIONAMENTO HIDRÁULICO Os circuitos eletro-hidráulicos funcionam de forma similar ao circuito eletropneumático. Ao invés de ser utilizado o ar comprimido, é trabalhado com a bomba hidráulica (que impulsiona o óleo dentro de uma tubulação), incluindo a força de impulsão do óleo em movimento, que percorre a tubulação. O óleo é direcionado para realizar o trabalho. Como no sistema de direção hidráulica dos veículos automotores, há um sistema que é acoplado ao motor à combustão, que direciona uma parte da força para auxiliar na direção do automóvel, a fi m 130 Automação inDustrial de ser mais leve e confortável para dirigir. Para a direção hidráulica, existe uma bomba hidráulica que é movida pela força do motor do veículo, um braço atuador acoplado à direção, tubulações direcionadas e fl uído (óleo de direção hidráulica). O sistema eletro-hidráulico possui uma bomba hidráulica movida à energia elétrica, tubulações que conduzem a força do óleo em movimento, válvulas solenoides acionadas por sinal elétrico, e um comando elétrico que aciona as válvulas solenoides de forma lógica. Veja um circuito hidráulico e os principais elementos dele: FIGURA 27 – ELEMENTOS DE UM SISTEMA HIDRÁULICO E SIMBOLOGIA FONTE: O autor O circuito hidráulico funciona, de forma semelhante, ao circuito pneumático, porém, com duas diferenças muito signifi cativas: os sistemas pneumáticos são usados para o acionamento mecânico de cargas e de elementos de baixo peso e baixo impacto. Já os sistemas hidráulicos podem ser aplicados quando os fatores carga (peso) e robustez forem um requisito. A outra diferença é que os sistemas pneumáticos podem funcionar sem a necessidade de o compressor principal estar, ativamente, gerando pressão, pois, como visto, quando o compressor 131 ACIONAMENTOS Capítulo 3 atingir a quantidade de pressão sufi ciente, uma válvula de pressão instalada nele desliga a alimentação automaticamente. Já nos sistemas hidráulicos, a pressão é mantidaconstante só, e somente se, a bomba hidráulica principal estiver ligada, e o óleo do sistema estiver circulando, normalmente, sob pressão. Esse tipo de sistema é utilizado em sistemas que demandam controle e precisão em operações com muita carga. Os sistemas hidráulicos são usados em máquinas extrusoras, pressas, tratores, fabricação de aço, aplicações de extração de metal primário, linhas de produção automatizadas, indústrias de máquinas e ferramentas etc. Os principais componentes que constituem um sistema hidráulico são (LUBQUIP, 2017): A extrusão é um processo mecânico de produção de componentes de forma contínua. O material é forçado através de uma matriz, adquirindo, assim, a forma determinada pela forma da matriz projetada para a peça. • Reservatório: É utilizado para o armazenamento do volume fl uídico de trabalho. Contribui para a troca de calor do sistema e para a decantação das partículas contaminantes para facilitar a liberação de ar e a umidade do fl uído. • Bomba: Existem diversos tipos de bombas hidráulicas, desde a de engrenagem, palheta, pistão e outras subcategorias. O que as diferencia são as aplicações específi cas para cada área, contudo, todas utilizam o princípio de produzir uma pressão dada pelo deslocamento do volume do fl uido contra a carga existente. • Válvulas: São responsáveis pelo controle da pressão e do fl uxo. Dessa forma, é preciso se atentar às diferentes funções que podem exercer, como reduzir a pressão, frenagem, segurança; e aos tipos, como válvula gaveta, de bronze, esfera. Existem, também, as válvulas utilizadas para controlar a direção, o início e o fi m do fl uxo de fl uido. É importante deixar claro que é incorreto pensar que o fl uido do sistema é puxado por ele, uma vez que o correto é que a pressão empurre o fl uido através da estrutura. • Atuadores: Convertem energia de trabalho em energia mecânica. Podem ser divididos em: lineares ou rotativos. O uso de um cilindro hidráulico, por exemplo, converte a energia hidráulica em movimento linear e trabalho. Já um motor hidráulico converte energia hidráulica em movimento rotativo e trabalho. 132 Automação inDustrial • Óleo hidráulico: O fl uido hidráulico, além de permitir a transmissão da força requerida pelo sistema, também, é responsável por lubrifi car, internamente, as peças, como bombas e cilindros, por isso, é importante analisar o custo-benefício de cada tipo de fl uido e os respectivos aditivos, como antioxidantes e antiespumantes. A integração de um sistema de comando elétrico, ou de automação de CLP, é feita através da implementação de componentes de comando compatíveis. Nesse caso, são utilizadas as válvulas eletro-hidráulicas, ou solenoides, com tecnologia para redirecionar o fl uxo de óleo dentro de um sistema, através de um sinal elétrico a distância. É muito importante, para a implementação de sistemas eletro-hidráulicos, conhecer os componentes e as respectivas simbologias deles, conforme fi gura que segue: FIGURA 28 – SIMBOLOGIA PARA SISTEMAS ELETRO-HIDRÁULICOS 133 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FONTE: O autor 134 Automação inDustrial 5 CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL Chegou o momento de apresentar, ao leitor, o conteúdo referente aos Controladores Lógicos Programáveis (CLP). O CLP é usado, na indústria e na automação residencial, para o controle de processos e de outros equipamentos. Possui entradas e saídas (analógica e digital) que possibilitam, através da programação, o acionamento e o controle de máquinas industriais. Essa programação acontece através de uma linguagem específi ca. Todos esses detalhes serão apresentados mais adiante. 5.1 ASPECTOS GERAIS DO CLP Os painéis de controle analógicos, ainda, são muito utilizados pelo baixo custo, em relação à implementação da automação por CLP, porém, tratando-se do quesito tempo de manutenção (devido à altíssima quantidade de ligações e de fi os elétricos), que determina o período em que a máquina e a toda cadeia de produção fi cam paradas, acaba dependendo da experiência do técnico que fez a implementação, isso porque, quando um problema acontece em um turno de trabalho diferente, o técnico que está de plantão, naquele momento, precisa pensar e entender em que equipamento, fi ação ou regulagem pode mexer, para que esse problema seja resolvido. Assim, para quem não montou o circuito, ou o painel, isso leva tempo. Esse problema pode se agravar ainda mais quando o painel não possui o diagrama multifi lar da máquina, para guiar o trabalho (FRANCHI; CAMARGO, 2021). Com o crescimento da indústria, que se organiza para produzir mais, vem, também, o aumento da complexidade dos processos, os quais demandam, cada vez mais, equipamentos e instrumentos para o controle. No Capítulo 1 deste livro, foram mostrados dois exemplos, fi guras que demonstram esse problema: quadros elétricos com alta e baixa complexidades. Devido a essas e a outras necessidades, surge o Controlador Lógico Programável. A grande revolução, no setor de comandos eletromecânicos, é, justamente, a possibilidade de reprogramar equipamentos, permitindo transferir modifi cações para o hardware, através de uma programação via software. As vantagens, ao utilizar o Controlador Lógico Programável, são muitas, assim, a seguir, serão listadas algumas delas (FRANCHI; CAMARGO, 2021): 135 ACIONAMENTOS Capítulo 3 • Programação do hardware via softwares remoto e local. • Reutilização da programação para outros equipamentos. • Pouca ocupação de espaço físico. • Mais fl exibilidade e confi abilidade. • Rapidez na elaboração e na correção de processos. • Comunicação com outros dispositivos e com a rede industrial. Observe uma fi gura de um CLP de pequeno porte comercial, inclusive, muito utilizado para fi ns de estudos em várias escolas técnicas e universidades do Brasil: FIGURA 29 – CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL PEQUENO PORTE FONTE: <https://static.weg.net/medias/downloadcenter/hed/hd6/WEG- minicontatores-50009832-pt.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2021. O CLP atua de forma que os transdutores fazem a leitura das variáveis do (s) processo(s) e as transformam em sinal elétrico, para as entradas do CLP (input). No CLP da Figura 30, as entradas de sinal podem ser vistas na parte superior (parafusos i1 até i6 = 6 entradas). Há, também, quatro saídas programáveis (outputs), que são independentes, e representadas por Q1, Q2, Q3 e Q4. Veja que há oito parafusos correspondentes às quatro saídas, isso porque é possível controlar sinais elétricos de nível de tensão diferentes, já que são independentes. Contudo, é necessário verifi car, nas especifi cações técnicas do CLP, quais são os níveis de tensão e de corrente suportados para que, na aplicação, não venham a danifi car a saída do equipamento. Assim, consegue-se controlar, além de acionar válvulas, motores elétricos, sinaleiras e sinalizadores, de forma independente, porque as saídas não dependem de uma fonte em comum. Preste atenção, a seguir, em uma ligação do CLP com cargas elétricas de nível de tensão diferente: 136 Automação inDustrial FIGURA 30 – LIGAÇÃO SIMPLES DE CLP COM TRÊS CARGAS INDEPENDENTES FONTE: O autor Na Figura 30, há três cargas diferentes, com os níveis de tensão também. Uma carga de 24V de corrente contínua, a qual é acionada pela saída Q1, do CLP. Uma carga monofásica, um sistema de iluminação que recebe sinal elétrico através da saída Q2. Por fi m, uma carga trifásica, que é o motor elétrico, acionado por um contator eletromagnético, através dos contatos de força. Por meio dessa rede trifásica, esse contator recebe o sinal elétrico monofásico na bobina, através da saída Q4. Através da programação em linguagem Ladder, o profi ssional de automação poderá fazer a programação do CLP e das saídas dele de várias formas. Ainda, observando o exemplo da Figura 30, o programador pode ativar, por exemplo, a entrada i1, para receber o sinal de um transdutor(sensor de temperatura), e fazer com que o motor seja desligado quando o sensor acusar a temperatura de 50ºC. Ainda, agir para que a entrada i2, do CLP, seja programada, para que, ao receber o sinal de nível de uma boia elétrica de uma caixa d’água, desligue o motor, ou a 137 ACIONAMENTOS Capítulo 3 motobomba, para não haver transbordamento. Por fi m, acionar a saída Q3 para ativar uma sinaleira de iluminação no painel de comando, indicando que a caixa d’água está cheia, ou vazia. São muitas as possibilidades de fácil implementação, através da aplicação dos Controladores Lógicos Programáveis. Basicamente, através do CLP, são criadas soluções de malha fechada com os seguintes componentes: Controle (CLP); máquina, equipamento ou processo; e variáveis de entrada (input e feedback) e de saída (outputs). A partir disso, entenda como organizados os sistemas implementados com o CLP: FIGURA 31 – CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL CONTROLANDO PROCESSOS FONTE: O autor O processamento das informações capturadas pelas entradas do CLP e o controle dos sinais de saída são realizados a partir de uma maneira sequencial de ciclos de varredura (scan - escaneamento): 138 Automação inDustrial FIGURA 32 – SEQUÊNCIA DE VARREDURA NO CLP FONTE: O autor A Figura 33 abarcará, sob o formato de um diagrama de blocos, as partes principais do CLP. FIGURA 33 – DIAGRAMA DE BLOCOS DE UM CONTROLADOR LÓGICO PROGRAMÁVEL FONTE: Adaptada de Franchi e Camargo (2021) O CLP, com todos os componentes, é formado por (FRANCHI; CAMARGO, 2021): • Fonte de alimentação: Dependendo do fabricante, pode ser de corrente contínua ou alternada, ou de ambas. A fonte de alimentação converte a tensão de entrada (127/220Vca) para a tensão de corrente contínua: 5Vcc e 12Vcc para circuitos eletrônicos, e 24Vcc para circuitos dos módulos de entrada e saída, e para a bateria. 139 ACIONAMENTOS Capítulo 3 • Bateria: É responsável por manter as alimentações do relógio de tempo real do CLP e da memória interna (memória RAM), mesmo quando houver falta de energia elétrica. A memória RAM é conhecida por ser volátil, pois, diante da falta de alimentação, ela apaga todos os dados; e pela rapidez de acesso a dados armazenados. Por isso, os CLPs contam com um sistema de bateria interna. • Entradas: São de sinal analógico ou digital, para uma melhor interação com os dispositivos e os equipamentos. Os sinais elétricos que são lidos pelos módulos de entrada e saída (i/o) podem ter uma tensão de 0 a 10 Vcc, e, de corrente elétrica, entre 4 a 20 mA. • Saídas: São do tipo digital ou analógico. • Unidade de processamento (CLP): É responsável por executar as operações lógicas, aritméticas, de tempo, de controle e outras. • Unidade de comunicação: Permite integrar o CLP a uma rede de comunicação, e, até mesmo, controlar outros CLPs. 5.2 CLPS MODULARES Os CLPs modulares são compostos de estruturas modulares, sendo que cada estrutura executa determinadas funções. Nesse tipo de módulo, é possível ter, em um sistema, o seguinte: um módulo de processador, de memória e de fonte, em um conjunto único, ou separadamente, porém, conectados. Isso favorece as opções de atualizar e de fazer upgrades separadamente, de acordo com a necessidade da indústria. No caso, se for necessário aumentar a capacidade de memória de todo o sistema, é substituído, apenas, o módulo de memória. Para melhorar o processamento, pode ser feito com o módulo processador. O mesmo acontece com o módulo de entradas e de saídas, caso seja preciso aumentar a quantidade de dispositivos a serem controlados por uma única unidade de controle. Os CLPs modulares são colocados em posições predefi nidas, chamadas de racks, as quais são capazes de formar sistemas de médio ou grande porte, a depender da necessidade. Continue para visualizar as fi guras seguintes, que representarão a ordem de posição dos módulos do CLP e a estrutura de um CLP modular comercial, respectivamente. 140 Automação inDustrial FIGURA 34 – ARQUITETURA DO CLP MODULAR FONTE: Adaptada de Franchi e Camargo (2021) FIGURA 35 – CLP MODULAR COMERCIAL FONTE: O autor 5.3 LINGUAGEM E PROGRAMAÇÃO DO CLP Para que todo o hardware possa trabalhar e executar todas as funções que foram citadas anteriormente, neste livro didático, o CLP precisa que seja instalada 141 ACIONAMENTOS Capítulo 3 e confi gurada toda a parte de software. Sem ela, o equipamento não exercerá a sua função. O software é como a alma do equipamento. Fica instalado na memória ROM (Read Only Memory) do CLP. A memória ROM permite o armazenamento de dados, de programas e de fi rmwares dos dispositivos transdutores da planta. 5.3.1 LinGuaGem De ProGramação O hardware executa instruções e programas através de uma linguagem de baixo nível, ou, também, chamada de linguagem de máquina. As linguagens de baixo nível de abstração são consideradas de difícil interpretação, e necessitam de tradutores para a interação. Assim, foram criadas as de programação, com um alto nível de abstração, mais fáceis de entendimento, devido a termos e a ações presentes que correspondem a palavras do idioma natural (geralmente, o inglês). Através dos tradutores e dos compiladores, um programador escreve um código em linguagem de alto nível, é compilado e traduzido para a linguagem de máquina (de baixo nível). Portanto, o que, na realidade, ocorre, é uma interação virtual entre o homem e a máquina, pois o que, na realidade, está sendo executado no computador, ou CLP, são instruções em linguagem de máquina. Para realizar a programação em CLPs, são, comumente, utilizadas as linguagens de lista de instruções e diagramas de blocos e de contatos (linguagem Ladder). A seguir, o leitor entenderá a diferença entre cada uma delas: • Lista de instruções: É uma linguagem pouco utilizada, por não dar uma visão gráfi ca do que está acontecendo e do que está sendo implementado no CLP. Trata-se de uma abordagem muito funcional e robusta, mas que leva tempo para o entendimento e a resolução de problemas. Utiliza instruções diretas para o microcomputador poder executar. Praticamente, é uma linguagem de máquina. • Diagrama de blocos: Essa linguagem é composta por um conjunto de símbolos gráfi cos de lógica combinatória, assim, cada símbolo representa uma operação que a máquina deve executar. As operações se assemelham com portas lógicas e lógica booleana. • Diagrama de contatos (linguagem Ladder): A linguagem Ladder é a mais difundida e utilizada no meio profi ssional, para a automação industrial, por oferecer uma visão geral do funcionamento da planta, dos dispositivos e das funções programadas. Com entendimento e implementação fáceis, o técnico precisa, apenas, possuir conhecimento básico de comandos e de acionamentos elétricos para começar a implementar os diagramas de contatos. Assemelha-se a diagramas unifi lares de acionamentos elétricos. 142 Automação inDustrial A seguir, o leitor encontrará as Figuras 36, 37 e 38, respectivamente, com os exemplos de lista de instruções, diagrama de blocos e diagrama de contatos, implementados para o CLP. FIGURA 36 – LISTA DE INSTRUÇÕES PARA CLP FONTE: O autor FIGURA 37 – DIAGRAMA DE BLOCOS PARA CLP FONTE: O autor FIGURA 38 – DIAGRAMA DE CONTATOS PARA CLP FONTE: O autor 143 ACIONAMENTOS Capítulo 3 5.3.2 LinGuaGem De ProGramação Para CLP O diagrama de contato é uma forma de programar os CLPs por meio de símbolos gráfi cos, representando contatos e bobinas. É uma maneira muito efi ciente de abstração, pois, através dos símbolos, o software os traduz para a linguagem de máquina, fazendo o CLP operar de forma lógica e efi ciente. O diagrama de linhagem Ladder é composto por duas linhas laterais com forma vertical. Essas linhas são interligadas através de outras, com símbolos na horizontal, formando uma espécie de “escada”, a qual representa os dispositivose as funções lógicas. A função gráfi ca das linhas, no diagrama de comando, corresponde a fazerem com que o “sinal” da linha vertical esquerda chegue até o dispositivo que está ligado à linha vertical direita, como se fosse a ligação do “positivo com o negativo”, o que faz acontecer a saída do CLP ou um dispositivo conectado a ele ser acionado. A lógica fl ui da barra lateral esquerda para a barra lateral direita. Entre as barras laterais, na vertical, fi cam os dispositivos de controle, de comando e de tempo, os quais fazem (ou não) com que a lógica fl ua de uma barra para a outra, de acordo com a confi guração do programador. Assim, a saída do CLP é acionada ou desligada. A partir da Figura 39, a seguir, apresentaremos três símbolos gráfi cos em linguagem Ladder, os respectivos signifi cados deles e os símbolos em acionamentos elétricos. FIGURA 39 – ELEMENTOS DO DIAGRAMA DE CONTATOS FONTE: O autor A partir desses elementos, é possível associar os elementos lógicos das funções booleanas e do diagrama de Ladder. Na fi gura que segue, estarão presentes os símbolos no diagrama de comando, incluindo os respectivos correspondentes na função booleana. 144 Automação inDustrial FIGURA 40 – PORTAS LÓGICAS E CORRESPONDENTE FUNÇÃO NO DIAGRAMA LADDER FONTE: O autor Faremos a explicação e a aplicação para os símbolos e as funções visualizados na fi gura anterior: • Função Not, ou Não: Conhecida como função de negação, é usada uma lógica booleana para alterar o valor do sinal que perpassa por ela, de forma que, se há o sinal digital “1”, essa função altera o sinal para “0”. Na computação, o “sim” se torna um “não”, e, no diagrama de comando, se o comando for utilizado para “ligar” algo, esse sinal inverte para “desligar”. O mesmo ocorre com sinal de “desligar”, ao passar que, ao ser colocada, em prática, essa função lógica, inverte-se para “ligar” (desligado inverte para ligado). • Função And, ou “E”: Conhecida como porta lógica “and”, funciona baseada em dois ou mais sinais lógicos que precisam estar ligados, ao mesmo tempo, para que a saída do CLP seja acionada. Na eletricidade e na eletrônica, essa função, também, é conhecida como ligação “série”. Imagine dois interruptores ligados, em série, a uma lâmpada. A lâmpada só receberá o sinal se os dois interruptores estiverem fechados, permitindo a passagem da corrente elétrica. Se aumentarmos o número de interruptores ligados em série, o mesmo ocorrerá para três, quatro, cinco deles. Na automação, essa função serve para programar uma saída qualquer do CLP, para que só seja acionada se, na entrega, para X, Y e Z, do CLP, esteja chegando sinal. Caso contrário, a saída se comportará, sempre, como desligada. • Função “OR”, ou OU: Na eletrônica digital e na álgebra booleana, é conhecida com função “OU”, e funciona com base em dois ou mais sinais 145 ACIONAMENTOS Capítulo 3 lógicos ligados a uma mesma porta lógica, para indicar uma ligação em “paralelo”. Imagine uma ligação de dois ou mais interruptores ligados em paralelo, enviando um sinal para uma mesma lâmpada. Nesse tipo de ligação, qualquer que seja o interruptor ligado, deve fazer com que chegue sinal na lâmpada, e que ela seja acionada. Não importa o número de interruptores, pois qualquer um que permita a passagem de corrente elétrica fará o acionamento. Com relação a portas lógicas, uma porta lógica OU deve conter dois ou mais entradas de sinal, sendo que qualquer entrada que receba um sinal fará com que apareça um sinal do outro lado. Para a automação de linguagem Ladder, essa ligação pode ser feita através de duas ou mais entradas de sinal analógico ou digital, e o CLP deve ser programado para que, em qualquer uma das entradas (ix, iy, iz) que foram implementadas para a função aparecer sinal, uma saída será acionada (Ox). Compreenda, a seguir, uma situação de conexão das entradas e saídas do CLP para implementar as funções lógicas E e OU (AND e OR). Conectam-se as botoeiras B1 e B2, respectivamente, nas entradas I1 e I2, do CLP. A lâmpada recebe um sinal elétrico na saída Q1 e poderá ser acionada ou desligada, dependendo da programação implementada para o CLP e da situação que ocorrer pelas entradas. FIGURA 41 – DIAGRAMA MULTIFILAR DE LIGAÇÃO DE CLP PARA IMPLEMENTAR FUNÇÕES AND E OR PARA UMA CARGA (LÂMPADA) FONTE: O autor 146 Automação inDustrial Essa mesma ligação pode funcionar na função AND (E) e na função OR (OU), só depende da ligação (programação) que será implementada no software do CLP ou na própria IHM. Observe, a seguir, como fi cará o funcionamento e o acionamento da carga (L): • Se implementada a função AND no CLP, o comportamento da saída Q1 será o seguinte: após ser ligada a alimentação do CLP, nos terminais A1 e A2, é iniciado e inicia o programa. Após iniciado e executado o scan, o CLP checará que não há sinal em nenhuma das entradas. Se a botoeira B1 for acionada, haverá, apenas, um sinal, e nada acontece. Se, apenas, a botoeira B2 for acionada, nada acontece. Se o operador pressionar as botoeiras B1 e B2, simultaneamente, o CLP detectará um sinal nas entradas i1 e i2, e, imediatamente, acionará a carga (L). • Se implementada a função OR no CLP, o comportamento da saída Q1 será o seguinte: após ser ligada a alimentação do CLP nos terminais A1 e A2, é iniciado e inicia o programa. Após iniciado e executado o scan, o CLP checará que não há sinal em nenhuma das entradas. Quando a botoeira B1 for acionada, imediatamente, a saída Q1 é acionada também, e, a carga (L), ligada. Se essa botoeira B1 for desligada e ligada a B2, a carga (L) é acionada. Por fi m, se ambas apresentarem ativação, a carga (L) está apta a ser acionada. A seguir, estará disponível a programação do diagrama de contatos para, respectivamente, as ligações AND e OR para uma carga. FIGURA 42 – PROGRAMAÇÃO LADDER PARA FUNÇÕES AND E OR DE DUAS ENTRADAS E UMA SAÍDA FONTE: O autor 147 ACIONAMENTOS Capítulo 3 Continue os estudos, pois serão apresentadas algumas funções importantes e muito utilizadas no cotidiano de quem trabalha com a programação e com a implementação de soluções com CLP. 5.3.3 FunçÕes aVançaDas em ProGramação LaDDer Existem vários tipos de funções e de funcionalidades, na linguagem Ladder, que podem ser implementadas para o CLP. Algumas dessas funções serão expostas a seguir. I. Função Set; II. Função Reset; III. Temporizador. Veja a programação das funções mencionadas anteriormente, através da Figura 43. FIGURA 43 – REPRESENTAÇÃO GRÁFICA DOS DIAGRAMAS DE CONTATO DAS FUNÇÕES SET, RESET, TEMPORIZADOR E CONTADOR FONTE: O autor 148 Automação inDustrial 5.3.4 PartiDa consecutiVa Para motores elÉtricos utiliZanDo a linGuaGem LaDDer Uma situação muito comum na indústria, para ser resolvida com automação, é o acionamento de motores com partida consecutiva. Ela, também, é conhecida como partida sequencial de motores. FIGURA 44 – DIAGRAMAS DE FORÇA E COMANDO DE UMA PARTIDA DE MOTORES TRIFÁSICOS CONSECUTIVA FONTE: O autor Do lado esquerdo, observa-se o diagrama de partida direta (partida simples) de dois motores trifásicos. Os motores estão equipados com disjuntor motor (Q1 e Q2); contator (K1 e K2), responsável pelo acionamento; e relé de sobrecarga (RT1 e RT2). Do lado direito, marca presença o diagrama de comandos (também, conhecido como diagrama de controle). Para o acionamento das bobinas dos contatores, deve-se acionar o comando através da botoeira de acionamento B1. Assim, liga-se a bobina do contator K1, e, em paralelo, a bobina do temporizador T1. Quando a bobina do temporizador recebe alimentação, dá início à contagem de tempo (delay), para que o contato aberto do temporizador, que pode ser visto no comando, acione após a contagem da bobina do contator K2. Para desligar todo o sistema, basta pressionar a botoeira B0. Assim, está pronto para o início (Reset) novamente. 149 ACIONAMENTOSCapítulo 3 FIGURA 45 – ACIONAMENTO DE DOIS MOTORES ELÉTRICOS EM PARTIDA SEQUENCIAL COM CLP FONTE: O autor No diagrama de acionamentos elétricos, as bobinas dos contatores K1 e K2 são acionadas a partir do sinal vindo da botoeira B1. Aciona-se, primeiramente, a saída Q1 (contator K1), a qual ativa o temporizador T, confi gurado para esperar 5s para mandar o sinal para a Q2. Após os 5s, a Q2 é acionada, e, a bobina de K2, também. ATIVIDADE DE ESTUDO: 1 - O CLP é usado, na indústria e na automação residencial, para o controle de processos e de outros equipamentos. Possui entradas e saídas (analógica e digital) que possibilitam, através da programação, o acionamento e o controle de máquinas industriais. Essa programação acontece por meio uma linguagem específi ca. Assinale a alternativa que descreve essa linguagem de programação específi ca dos CLPs: a) ( ) Python. b) ( ) C++. c) ( ) Assembly. d) ( ) Ladder. 150 Automação inDustrial ALGUMAS CONSIDERAÇÕES Neste capítulo, foram apresentados os princípios de funcionamento e de aplicabilidade dos relés eletromagnéticos, dos contatos aplicados em automação industrial, dos motores elétricos de corrente contínua e dos motores de passo. Inicialmente, estudamos os sistemas de automação em máquinas, os processos industriais, o acionamento de cargas por relés e os contatores. Em seguida, visualizamos os principais comandos a distância, mais conhecidos em acionamentos elétricos; e os conteúdos referentes aos acionamentos automatizado e automático, para se chegar nos CLPs. Tivemos contato com os conhecimentos técnicos referentes ao princípio de funcionamento, aos diagramas e esquemas de ligação, aos relés, aos contatores e aos CLPs, incluindo a aplicação, em soluções práticas, para a indústria. Ainda, neste Capítulo 3, foram contextualizados os conceitos de sistemas pneumáticos e hidráulicos industriais, acionados através de comandos elétricos e eletrônicos (via CLP). Por fi m, elencou-se toda a parte de simbologia e de esquema de ligação dos sistemas eletropneumáticos e eletro-hidráulicos, com a aplicação prática na indústria, além dos requisitos básicos para a implementação de sistemas eletro-hidro-pneumáticos automatizados. A automação é uma área de atuação muito rica e vasta que, com certeza, apresentará grandes oportunidades para o leitor. REFERÊNCIAS BOLLMNN, A. Fundamentos de automação industrial pneutrônica. São Paulo: ABHP, 1997. BOYLESTAD, R. L.; NASHELSKY, L. Dispositivos eletrônicos e teoria de circuitos. 6. ed. Rio de Janeiro: Prentice Hall do Brasil, 1998. BRAGA, N. C. Eletrônica básica para mecatrônica. 1. ed. São Paulo: Editora Saber, 2005. BRUNETTI, F. Mecânica dos fl uidos. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2008. CHAPMAN, S. J. Fundamentos de máquinas elétricas. Porto Alegre: AMGH, 2013. 151 ACIONAMENTOS Capítulo 3 FRANCHI, C. M. Acionamentos elétricos. 4. ed. São Paulo: Érica, 2011. FRANCHI, C. M.; CAMARGO, V. L. A. Controladores Lógicos Programáveis: sistemas discretos e analógicos. São Paulo: Érica, 2021. GROOVER, M. Automação industrial e sistemas de manufatura. 3. ed. São Paulo: Editora Pearson, 2011. LUBQUIP. Sistemas hidráulicos. 2017. Disponível em: https://eximport.com.br/ wp2017/sistemas-hidraulicos/. Acesso em: 24 abr. 2021. PAZOS, F. A.; LOVISOLO, L. Automação de sistemas e robótica. 1. ed. Rio de Janeiro: Editora Axcel Books do Brasil, 2002. SILVEIRA, P. R. da; SANTOS, W. E. dos. Automação e controle discreto. 5. ed. São Paulo: Érica, 2003. WEG. Catálogo: Minicontatores - Sua melhor solução para manobras elétricas. 2021. Disponível em: https://static.weg.net/medias/downloadcenter/ hed/hd6/WEG-minicontatores-50009832-pt.pdf. Acesso em: 24 abr. 2021.