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Capítulo 2 – teoria geral do direito comercial 23.10.2020LEGENDA Conceito Prazo Destaque Cai em prova Jurisprudência/súmula Revisão 1: 5.11.20 Revisão 2: 27.1.21 Aula 1: 27.1.21 Objeto do Direito Comercial: atividade do empresário · Empresário articula os fatores de produção (CMIT) · Capital · Mão de obra · Insumos · Tecnologia · *Fábio Ulhoa: se não reunir todos, não se fala em empresário · *Santa Cruz: reunião necessária de todos vem perdendo força. Ex: microempresários, empresários virtuais (sozinhos) · Direito empresarial cuida do exercício da atividade econômica exercida pelo empresário = empresa (atividade exercida) Teoria da empresa · Código comercial de 1850: teoria dos atos de comércio · Compra e venda de bens móveis semoventes, no atacado ou no varejo · Indústrias · Bancos · Logísticas · Armação e expedição de navios Perfis da empresa: Ricardo Negrão = conceito poliédrico de Alberto Asquini · Perfil subjetivo: pessoa que exerce a empresa · Perfil objetivo: coisas utilizadas pelo empresário (teoria do estabelecimento empresarial) · Perfil funcional: dinâmica empresarial = exercício da atividade empresarial · Perfil corporativo: colaboradores da empresa · Se submete a regras de direito do trabalho = Bulgarelli diz que a teoria poliédrica foi reduzida a teoria triédrica da empresa, pois o direito empresarial somente regula os perfis subjetivo, objetivo e funcional · Empresa: atividade econômica organizada de produção e circulação de bens e serviços para o mercado, exercida pelo empresário, em caráter profissional, por meio de um complexo de bens Conceito de empresário: legal = aquele que exerce atividade empresária · Atividade empresária deve ser: · Exercida de forma profissional · Habitualidade · Pessoalidade: empresário exerce pessoalmente a atividade (não exclui empregados e prepostos) · Monopólio das informações: sobre os bens e serviços que produz ou circula. Ela sabe os insumos que aplicou · Atividade econômica · Intenção de lucro, ainda que não receba · Sociedades não empresárias não tem intenção de lucro (ainda que receba) · O sócio da empresa não é empresário · Quem exerce a atividade empresária é a própria sociedade · Atividade organizada · Empresário reúne 4 fatores de produção: · Capital · Mão de obra · Insumo · Tecnologia · Voltada para a produção ou a circulação de bens ou serviços · Distinção entre bens e serviços não mais se sustenta · Engloba qualquer atividade econômica com esse fim (e que não esteja dentro das exceções do CC) · Empresa é uma ATIVIDADE · Teoria da empresa · Empresa não é sociedade, não são termos equivalentes · Empresa é uma atividade Espécies de empresário: · Empresário individual: pessoa natural que exerce empresa profissionalmente · Pessoa física, exerce a empresa em seu próprio nome · Ter CNPJ não o faz pessoa jurídica: pode ter CNPJ para finalidade tributária (mais favorável) · Quem determina quem é pessoa jurídica é o Código Civil · Pode ser equiparado a pessoa jurídica para fins tributários · Responde direta e ilimitadamente pelas obrigações: art. 789, CPC · Enunciado 5 da I Jornada de Direito Comercial · A priori, não existiria patrimônio de afetação. Mas o enunciado diz o contrário, no sentido de existir sim a preferência dos bens vinculados a exploração de atividade econômico (art. 1.024, CC fala em benefício de ordem) · É inclusive a orientação do STJ: há um só patrimônio, sem distinção entre patrimônio social (de afetação) · Responde primeiro com os bens vinculados à exploração da atividade econômica, depois com os bens pessoais = cria-se patrimônio de afetação · Pode exercer quem tiver pleno gozo da capacidade civil e não for legalmente impedido · Empresário: deve ter no mínimo 16 anos (a incapacidade cessa para os menores de 16 anos, pelo estabelecimento civil ou comercial, que estabeleça economia própria) · Pode solicitar a sua recuperação judicial: não pode pelo tempo = para pedir recuperação judicial precisa ter no mínimo 2 anos de exercício regular · Se começou com 16 (que é o mínimo), só atinge os 2 anos de exercício regular depois de atingida a maioridade · Falência: possível · Possível inclusive responder por fato análogo a crime falimentar · Exercício da atividade por quem é impedido: responde pelas obrigações contraídas · Empresário incapaz: pode continuar atividade anteriormente exercida por meio de representante ou assistente. Mediante autorização judicial (que pode ser revogada) · Não ficam sujeitos ao resultado da empresa os bens que o incapaz já possuía, salvo se não estranhos ao acervo da empresa · Na autorização judicial já há a separação de patrimônio por alvará para que os bens não sejam atingidos · Representante ou assistente não pode ser impedido. Se for impedido, juiz nomeia gerente · Prova da emancipação e autorização: serão averbadas no registro público de empresas mercantis · Autorização judicial é precária, pode ser revogada · Falência e recuperação judicial: possível, sem maiores esclarecimentos · Analfabeto: pode ser empresário mas precisa outorgar procuração pública para que outra pessoa faça a inscrição na Junta · Deficiente: tem capacidade, em regra, e pode ser empresário · Tomada de decisão apoiada e curatela: a depender do caso concreto · Sociedade empresária: pessoa jurídica na forma da sociedade · Possibilidade de sociedade limitada com sócio único: art. 1.052, §1º, CC · Inovação da lei de liberdade econômica · A figura do sócio: · NÃO É CONSIDERADO EMPRESÁRIO = a sociedade é empresária, o sócio não · Quem exerce a empresa é o empresário, não o sócio · Capacidade para ser sócio não é a mesma coisa de capacidade para ser empresário · Sócio incapaz: sociedade deve estar com capital integralizado, incapaz não pode exercer a administração e deve estar representado/assistido · Completamente possível que o incapaz seja sócio: art. 974, §3º, CC · EIRELI: empresa individual de responsabilidade limitada · Um único titular Atividades econômicas que não configuram empresa: titulares não empresários · Profissionais liberais/intelectuais (salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa) · Se dá organização de modo que o exercício passa ser um mero elemento de atividade empresarial mais complexa, pode ser considerado empresário · A organização dos fatores de produção é mais relevante que a atividade · Ex: médico que atende em consultório x hospital que contém médicos · Profissional que dá forma empresarial ao exercício das atividades · Enunciado 193, jornada: o exercício das atividades de natureza exclusivamente intelectual está excluído do conceito de empresa · Enunciado 194, jornada: os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo se a organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade pessoal desenvolvida · Enunciado 195, jornada: a expressão elemento de empresa demanda interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos fatores da organização empresarial Início da atividade: · Empresário deve se inscrever no registro público de empresas mercantis da sede: Junta Comercial · Antes do início da atividade · Se registra depois, é considerado empresário mas irregular, aplicando ônus de empresário mas não alguns bônus · Ex: não pode requerer falência de devedor ou pleitear recuperação judicial = enunciado 198, jornada) · O registro após o início da atividade tem natureza declaratória · Empresário rural: registro é facultativo, e pode ser realizado depois do exercício de atividade · Tem natureza constitutiva, equiparando-o às demais classes empresariais (divergência) · STJ: (natureza do registro é declaratória: efeito ex tunc) = isso autorizaria o pedido de recuperação judicial logo após o registro, contando o tempo de atividade anterior para computar os 2 anos · Pode pedir recuperação judicial depois do registro · Mesmo sem registro, a atividade econômica rural é regular · Mas não será tratado como empresário · O mesmo se aplica a sociedade rural · STJ: art. 48,da lei de falências exige 2 anos de atividade regular para que um devedor requeira recuperação judicial. Para o produtor rural, ele pode aproveitar o período anterior ao registro, pois a atividade empresarial praticada antes é considerada regular Impedimentos legais para o exercício da atividade empresarial · Art. 1.011, §1º, CC – impedimentos para administrador (Santa Cruz entende que se aplica ao exercício de empresa como empresário individual) · As obrigações contraídas por um “empresário” impedido não são nulas perante terceiros de boa-fé = teoria da aparência · Os impedimentos se dirigem aos empresários, não aos sócios das sociedades · Em regra, pessoa impedida para exercer atividade de empresa não é impedida participar de sociedade na condição de quotista ou acionistas · Regra não absoluta, pessoa impedida de ser empresário individual pode figurar na condição de sócio se: · For sócio de responsabilidade limitada · Não pode exercer função (ter poderes de) de gerência ou administração · Falido não reabilitado: se a falência foi fraudulenta (houve crime falimentar), o sujeito é vedado do exercício da atividade = só poderá exercer atividade empresária após a reabilitação penal e extinção das obrigações · Falência não fraudulenta = que não houve crime falimentar · Leiloeiro não pode ser empresário · Incapaz não pode ser empresário individual (pode ser sócio de sociedade, pois o sócio não é empresário) · Salvo (art. 974, CC): · Incapaz pode herdar exercício de atividade empresarial · A incapacidade é superveniente · O incapaz pode continuar o exercício de empresa quando já era empresário quando era capaz, ou quando era exercida por alguém e ele herdou (sucessão por morte) · Deve haver autorização judicial para ele continuar a atividade, art. 974, §1º · Procedimento de jurisdição voluntária com o MP · Os bens que o incapaz já possuía ao tempo da incapacidade e eram estranhos à empresa não podem ser executados nos bens destacados · Incapaz não pode iniciar atividade empresarial, enunciado 203, jornada · Para ser sócio em sociedade não precisa observar as regras acima · Servidores públicos, magistrados, membros do MP e militares · Não podem se dedicar a atividade empresária Atividades econômicas civis · Algumas sociedades com intenção de lucro que não se submetem ao regime do direito empresarial: · Sujeito que não se enquadra na definição legal de empresário · Para ser empresário individual a pessoa física deve estar em pleno gozo de sua capacidade civil. · Não pode ser: · Menor de 18 anos, salvo emancipado (e continuar) · Ébrio habitual ou viciado em tóxico · Pródigo · Que não puder exprimir sua vontade · Indígena, nos termos da lei · Essas pessoas não podem ser empresárias, mas podem ser sócias · Empresário casado pode alienar imóveis que integrem o patrimônio da empresa e gravá-los de ônus reais, sem o consentimento do cônjuge. Requisitos impostos pelas jornadas (aceitos pelo STJ): · Prévia averbação da autorização conjugal à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial no registro de imóveis · Averbação do ato à margem de sua inscrição no registro da junta · Profissionais intelectuais: art. 966, §ú · Salvo se constituir elemento de empresa · Enunciado 195, da III Jornada de Direito Civil: a expressão “elemento de empresa” demanda interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como um dos fatores da organização empresarial · Empresários rurais não inscritos como empresários · Cooperativas: nunca será sociedade empresária · Ainda que preencham os requisitos da definição de empresário · Será SEMPRE sociedade simples Prepostos do empresário: · Atos dos prepostos obrigam o empresário · Se preposto agiu com culpa: há direito de regresso · Se preposto agiu com dolo: ele responde solidariamente junto ao empresário · Preposto não pode concorrer com o preponente: responde por perdas e danos · Gerente: funcionário que faz a organização do trabalho na sede ou filial · Contabilista: escrituração dos livros do empresário Empresário casado · Art. 978, CC: empresário casado pode, sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa e gravá-los de ônus real · Qualquer regime de bens · Empresário casado só pode ser empresário individual · Infeliz a redação porque não há “patrimônio da empresa” (não há bens afetados à atividade empresária) · Contraditório com o art. 1.647, CC sobre a outorga conjugal · Observar a redação da questão, se traz a literalidade do art. 978 · Art. 979, CC: pacto antinupcial, título de doação, herança ou legado de bens gravados de incomunicabilidade ou inalienabilidade serão averbados no registro civil e no registro de empresas mercantis · Sentença de separação judicial ou reconciliação (art. 980, CC) não podem ser opostos a terceiros antes de arquivados e averbados Aula 2 – 3.6.2021 Empresa – empresário – estabelecimento · Empresário: pessoa natural (empresário individual) ou jurídica (sociedade ou EIRELI) que organiza a empresa, explorando através do estabelecimento empresarial · O sócio não é empresário · A pessoa física só é empresária se for empresário individual · Na sociedade, a própria sociedade é a empresária · Empresa: atividade economicamente organizada mediante a reunião dos fatores de produção · Capital · Trabalho · Insumos · Tecnologia · Estabelecimento: complexo de bens, corpóreos e incorpóreos, reunidos pelo empresário que dá uma destinação comum = o exercício da empresa Classificações de empresários: · Microempresário: art. 3º, I, LC 123/06 · Definição para fins tributários · Não precisa ser necessariamente empresário, pode ser EIRELI, pessoa jurídica, física, sociedade simples · Critério definidor: auferir em cada ano-calendário, receita bruta igual ou inferior a R$ 360.000,00 · Empresário de pequeno porte: art. 3º, II, LC 123/06 · Definição para fins tributários · Não precisa ser necessariamente empresário, pode ser EIRELI, pessoa jurídica, física, sociedade simples · Critério definidor: auferir em cada ano-calendário, receita bruta superior a R$ 360.000,00 e igual ou inferior a R$ 4.800.000,00 · Sociedade de grande porte: art. 3º da Lei 11.638/2007 · Sociedade ou conjunto de sociedades sob controle comum que tiver · Critério definidor: tiver no exercício social anterior, ativo total superior a R$ 240.000.000,00 ou receita bruta anual superior a R$ 300.000.000,00 · Sociedade de pequeno porte: art. 2º, II, da IN 588 da CVM · Sociedade empresária constituída no Brasil e registrada no registro público competente · Critério definidor: receita bruta anual de até R$ 10.000.000,00 apurada no exercício social encerrado no ano anterior à oferta e que não seja registrada como emissor de valores mobiliários na CVM · Pequeno empresário: art. 68 da LC 123/2006 · Para efeito de aplicação do disposto nos arts. 970 e 1.179, CC · Empresário individual caracterizado como microempresa: dispensado da escrituração obrigatória · Não pode ser sociedade ou EIRELI, ou EPP · Deve ser individual em microempresa · Receita bruta · Critério definidor: auferir receita bruta anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A (até R$ 81.000,00) · Microempreendedor individual (MEI): art. 18-A, § 1º, da Lei Complementar 123/2006 · Empresário (necessariamente), ou o empreendedor que exerça as atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no âmbito rural · Não precisa ser microempresa · Critério definidor: auferir receita bruta anual até o limite previsto no § 1o do art. 18-A (até R$ 81.000,00) · Deve ser optante do SIMPLES