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Atlas em Hematologia AULA 05: Alterações Qualitativas dos Leucócitos (parte 3) – Células sanguíneas Nos encontre em nossas redes sociais: Facebook: Atlas em Hematologia Instagram: @atlasemhematologia Linkedin: Atlas em Hematologia Youtube: Atlas em Hematologia Site: www.atlasemhematologia.com.br Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 http://www.atlasemhematologia.com.br/ Alterações Qualitativas dos Leucócitos (parte 3) – Células Sanguíneas (nossa aula se inicia no tempo ‘5:40’) Fazendo um apanhado de tudo o que vimos até hoje, passamos pelas células normais e que estão envolvidas no processo de maturação fisiológico, bem como suas características normais. Mas, nem sempre, ao observarmos uma lâmina, vamos encontrar uma célula da maneira como deveria ser. Ou seja, as encontramos alteradas. Alterações essas, que podem estar relacionadas a patologias que o paciente possa estar apresentando naquele momento. E são alterações importantes, que precisam ser reportadas, e que nós, enquanto analistas, devemos reconhecer. Bem, sem mais rodeios, vem com o Atlas. 1. Hipersegmentação: Ocorre quando os granulócitos apresentam segmentação acima do padrão. Esta alteração está presente, principalmente, nos neutrófilos. Porém, também podem comprometer outros granulócitos. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Comumente, este tipo de alteração está presente em pacientes com anemia megaloblástica, ou após o uso de G-CSF (Fator Estimulador de Colônias de Granulócitos). Ocasionalmente, surge na SMD e em processos infecciosos. (neutrófilo hipersegmentado) Para que haja uma correta produção de leucócitos, precisa-se ter nutrientes essenciais – tomemos como exemplo a vitamina B12 e ácido fólico. A deficiência de qualquer um, tende a causar uma hipersegmentação. Outro exemplo bastante ilustrativo, diz respeito aos pacientes que possuem leucemia neutrofílica. Nestes casos, ocorre uma produção em demasia de leucócitos, e existe um consumo muito grande desses elementos. Tendo, então, um alto consumo, tende a faltar na produção de novos leucócitos. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Segundo o Programa Nacional de Controle de Qualidade (PNCQ), embasado em um documento do Conselho Internacional de Padronização em Hematologia (ICSH), a hipersegmentação é definida quando qualquer neutrófilo exibe mais de 6 lóbulos. Ou quando mais de 3% dos neutrófilos apresentam mais de 5 lóbulos. Quando o documento cita “3% dos neutrófilos”, ele está se referindo a 3% do número total de neutrófilos. Ou seja, supondo que você tenha encontrado 50% de neutrófilos, você deve observar quantos você contou com 6 lóbulos, fazer uma regra de 3 e dizer se são significativos pra reportar no laudo. Como sempre, é fundamental ressaltar a importância o contexto onde a célula está inserida. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Muitas pessoas, devido a semelhança, tendem a confundir apoptose com hipersegmentação – e vice-versa. Porém, é válido ressaltar que são células totalmente diferentes. Uma célula apoptótica, é a célula que sofreu uma morte celular programada, e quando isso acontece, o núcleo tende a ficar mais compacto e acaba fragmentando-se, formando várias “massas” bem definidas. Enquanto que a célula hipersegmentada, como já supracitada, possui uma quantidade maior de lóbulos, e que estão ligados por filamentos de cromatina. Então, é fundamental ficar atento a essas características. Outro adendo: apesar de não serem relatadas tal como as células hipersegmentadas, é necessário saber o que pode estar trazendo essas células em apoptose em um número maior. 2. Hipossegmentação: Como o próprio nome diz, é a presença de segmentação diminuída (menos de 3 lóbulos) nos neutrófilos, mas pode estar presente nos demais granulócitos. (neutrófilo hipossegmentado) Comum na: anomalia de Pelger-Huet (APH), SMD, LMA, após o uso de G-CSF – ocasionalmente, é observado na LMC. Já houve, também, associação ao uso de alguns medicamentos, tais como: ibuprofeno e tacrolimus. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 A hipossegmentação ainda pode se apresentar como, apenas, um núcleo arredondado, frequentemente visualizada na forma homozigota da APH. Os neutrófilos hipossegmentados, geralmente, costumam aparecer com dois lóbulos ligados por um filamento – muito semelhante a uns óculos. Em laudo, relatamos apenas hipossegmentação. Os neutrófilos hipossegmentados podem apresenta-se com o núcleo bastonado ou bilobulado, conectados por filmaneto de cromatina. Já o bastão trata-se de uma morfologia totalmente regular, com o núcleo em forma de C ou U, todo um por um, sem segmentação da cromatina. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Observando superficialmente, as células são parecidas. Porém, analisando atentamente, conseguimos perceber algumas diferenças. O mielócito é uma célula jovem e, de modo geral, apresenta uma cromatina mais frouxa e uma relação núcleo-citoplasma maior. Ao analisarmos o neutrófilo hipossegmentado, vemos que ele tem uma baixa relação núcleo-citoplasma por se tratar de uma célula madura, e uma cromatina condensada. 3. Núcleo em anel Alteração também conhecida como “donut cell”, e isso se deve ao fato dela possuir um formato de rosquinha assumido pelo núcleo de alguns leucócitos. Possui presença mais frequente na LMC e leucemia neutrofílica crônica. Também podem ser observados nas SMDs, LMA e, ocasionalmente, em indivíduos saudáveis. (núcleo em anel) Sua forma de reportação é bem simples. Exemplo: presença de neutrófilos com núcleo em anel. Claro e objetivo. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Uma curiosidade: esse tipo de morfologia é muito comum de ser encontrada em roedores – tipo, ratos. 4. Hipogranulação Diminuição ou ausência (agranulação) dos grânulos citoplasmáticos. As condições mais associadas são: SMD, LMA, em resposta a administração de G-CSF, deficiência de grânulos específicos. (neutrófilo hipogranular) Os neutrófilos exercem função fagocítica, e para isso eles precisam dos grânulos. É um tipo de alteração que não pode deixar de ser reportada, haja visto que o paciente que a possui, terá dificuldades frente a um processo infeccioso. É fundamental prestar atenção a coloração também. 5. Granulação tóxica Manutenção de granulação grosseira (primária) nos neutrófilos, estas que caracteristicamente estão presentes nos promielócitos. Pode ser observada em casos de infecção, inflamação, queimaduras, gestação e entre outros. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 (granulação tóxica) Importante: as colorações excessivamente básicas podem dar falsa impressão da presença de granulações grosseiras no citoplasma dos neutrófilos. É importante ficar atento a qualidade da sua coloração. 6. Vacuolização citoplasmática Presença de um ou mais vacúolos no citoplasma dos neutrófilos. São características de infecções bacterianas, no entanto, podem aparecer pelo efeito tóxico da ingestão aumentada de álcool – porém, nesse caso, é mais frequente nas células mieloides precursoras. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 (vacuolização citoplasmática) A presença de vacuolização nos neutrófilos, denota que o processo de fagocitose dos agentes invasores, está ocorrendo em sangue periférico. Trata-se de uma situação crítica, pois fagocitose em sangue periférico é indicativo de sepse. Importante: as vacuolizações também podem ser artefatuais. Amostras envelhecidas, ocasionalmente, exibem vacuolização nos neutrófilos. Isso ocorre pela fagocitose ativa do EDTA pelos neutrófilos,imitando assim, uma fagocitose em sangue periférico. 7. Corpos de Dohle Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Inclusão de coloração azul pálida localizada na periferia da célula, e geralmente é formada por conta da liquefação do retículo endoplasmático. Podem aparecer em gestações, processos infecciosos e/ou inflamatórios, em casos de queimaduras, administração de G-CSF e GM-CSF (fator de estimulação de colônia de granulócitos e macrófagos). É comum, além do corpúsculo de Dohle, a presença de granulações tóxicas e vacuolização na mesma célula. É um tipo de alteração que é importante precisa ser reconhecida. 8. Cristais da morte Inclusões (apenas uma ou mais) de coloração azul esverdeada no citoplasma dos neutrófilos, ou em outros leucócitos – os monócitos, por exemplo. Observados em pacientes debilitados, e com maior frequência, em casos de injúria tecidual grave e em doenças hepáticas. Ademais, casos de sepse e câncer metastático. (cristais de morte) Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Uma curiosidade: com o surgimento da COVID-19, começaram a sair relatos da presença desses cristais em algumas células. Esses cristais recebem esse nome, pois alguns pacientes acabam evoluindo para um óbito; a presença dessas inclusões, caracteriza um mal prognóstico. Porém, isso não quer dizer que todos os pacientes que apresentarem os cristais vão morrer. É importante salientar que, em um laudo, por questões éticas, não se coloca que há presença de cristais da morte, e sim presença de inclusões azul esverdeadas e em qual célula estava. Muitos médicos ainda não estão acostumados com essa aparição, então é importante que o analista entre em comunicação para explicações. 9. Histoplasma capsulatum Os casos dessas alterações são bem raros, porém, quando identificados, se apresentam como inclusões citoplasmáticas nos neutrófilos ou monócitos. Trata-se de uma micose – em geral – benigna e primariamente pulmonar. Pode ser dividida em três formas clínicas: assintomática, pulmonar e disseminada. Pode ser visível uma inclusão única ou em vários numa mesma célula. (Histoplasma capsulatum) Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Essa alteração, também, está muito ligada a pacientes HIV positivo, porque são pacientes imunodeprimidos. A forma de reportar é bem simples. Deve-se informar presença de inclusões sugestivas de Histoplasma capsulatum. É um resultado crítico, portanto, importante. Mais uma vez se faz necessária a comunicação com o médico, haja visto que se trata de um microrganismo incluído em um neutrófilo, e que muito provavelmente esteja circulando no sangue. 10. Bastonete de Auer Trata-se de uma estrutura fina e alongada semelhante a uma agulha. Geralmente, está presente no citoplasma de blastos. O bastonete de Auer é formado pela fusão de grânulos primários, assim indicam leucemias do tronco mieloide. Os bastonetes são comuns na LMA-M3, onde os promielócitos/blastos possuem inúmeros bastonetes em seu citoplasma. Estes achados são chamados de faggot cell. Estas inclusões podem ser encontradas em células maduras também, inclusive nos neutrófilos quando estes fazem parte do clone neoplásico. (bastonete de Auer) Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Passemos agora para a categoria dos eosinófilos. 1. Hipersegmentado Pode ocorrer hipersegmentação na anemia megaloblástica, síndrome mielodisplásica, leucemia eosinofílica. 2. Hipossegmentado (eosinófilo hipersegmentado) Os eosinófilos hipossegmentados podem ser observados na anomalia de Pelger-Huët, na deficiência de grânulos específicos, SMD, mielofibrose, entre outras condições. (eosinófilo hipossegmentado) Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 3. Hipogranulação Os eosinófilos podem apresentar hipogranulação na eosinofilia reacional, SMD e, em alguns casos, de leucemia eosinofílica crônica. (eosinófilo hipogranular) Em relação as alterações dos basófilos Sem lobulação nuclear, alteração, geralmente, associada a anomalia de Pelger-Huët. Ou hipogranulares presentes na SMD, neoplasias mieloproliferativas e em alguns casos alérgicos agudos. Sobre os linfócitos reativos Os linfócitos quando reagem a estímulos imunológicos, como os que ocorrem em casos de processos inflamatórios ou infecciosos – principalmente, os virais – podem apresentar diversas alterações morfológicas e aumentar em quantidade. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Esses linfócitos são chamados de atípicos, reativos, monocitóides, entre outros. (linfócito reativo) As anormalidades incluem: • Aumento no tamanho da célula; • Contorno nuclear irregular; • Cromatina com regiões mais frouxas – alguns podem apresentar presença de nucléolos; • Citoplasma apresenta basofilia variável podendo ou não ter vacúolos; • O citoplasma pode ser abundante com uma variação de cores, que vai desde o azul pálido até o azul intenso, principalmente, nos pontos de contatos com as células adjacentes. Vale ressaltar: presença de nucléolos não caracteriza apenas blastos. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Para diferenciar ambas as células, inicialmente analise o citoplasma. O citoplasma do monócito possui um aspecto empoeirado; opaco. Em contrapartida, o linfócito possui um aspecto limpo. O linfócito tem seu citoplasma mais azulado, enquanto que o monócito puxa para o acinzentado. A cromatina do linfócito é bem mais condensada do que a do monócito. 1. Célula de Mott Trata-se de um plasmócito com diversos vacúolos ricos em imunoglobulinas do tipo M (IgM). Também conhecida como célula morular, célula em uva ou em amora, a célula de Mott pode ter os vacúolos de tamanho e quantidade variável. Tem seu aparecimento, principalmente, em casos reacionais. Mas, também, podem estar presentes em doenças de células plasmáticas. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 2. Monócito displásico (célula de Mott) Células que podem apresentar tantas anormalidades de citoplasma (granulação) quanto de núcleo. Esses monócitos apresentam segmentação de núcleo, sabe-se que, mesmo apresentando, normalmente, núcleo irregular, estas células não apresentam segmentação. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 Um exemplo clássico de sua presença é na SMD, além da leucemia mielomonocítica crônica. Mas podem estar presentes em outras leucemias. Nossa equipe agradece a sua atenção. Não deixe de ficar de olho nas nossas atualizações. Atenciosamente, Time Atlas. Maione Lins de Araújo - maionelins@gmail.com - CPF: 704.179.161-08 1. Hipersegmentação: 2. Hipossegmentação: 3. Núcleo em anel 4. Hipogranulação 5. Granulação tóxica 6. Vacuolização citoplasmática 7. Corpos de Dohle 8. Cristais da morte 10. Bastonete de Auer 1. Hipersegmentado 2. Hipossegmentado 3. Hipogranulação Em relação as alterações dos basófilos Sobre os linfócitos reativos As anormalidades incluem: 1. Célula de Mott 2. Monócito displásico