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Psicologia: ética, moral e bioética
Prof. Ralph Ribeiro Mesquita
M582 MESQUITA, Ralph Ribeiro.
 2023 Psicologia: ética, moral e bioética./ Ralph Ribeiro
 Mesquita. 1ºed. Rio de Janeiro: RJ Centro Universitário
 Mauricio de Nassau Rio de Janeiro - UNINASSAU RIO
 DE JANEIRO - Rio de Janeiro,2023.
 
 Formato: Apostilas
 1.Historico. 2. Ética e Psicologia. 3. Comitês de Ética no
 Brasil: Sistema CEP/CONEP
CDU: 159.9 (81) 
Bibliotecária responsável pela estrutura de acordo com AACR2:
Francinice Holanda Rodrigues Fernandes – CRB15/737
DEFINIÇÕES E BREVE HISTÓRICO
Ética - Estudo do juízo de apreciação que se refere à conduta humana suscetível de qualificação 
do ponto de vista do bem e do mal, seja relativamente a determinada sociedade, seja de modo 
absoluto (Aurélio Buarque de Holanda Ferreira);
Ética - Ciência da moral (Caldas Aulete);
Ética - É a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade (Adolfo Sánchez 
Vázquez). 
Deontologia - O estudo dos princípios, fundamentos e sistemas de moral. Tratado de deveres 
(Aurélio Buarque). 
Deontologia - Ciência dos deveres (Caldas Aulete).
A Deontologia é o conjunto codificado das obrigações impostas aos profissionais de uma 
determinada área, no exercício de sua profissão. São normas estabelecidas pelos próprios 
profissionais, tendo em vista não exatamente a qualidade moral de suas ações, mas a “correção” 
das mesmas, tendo em vista a relação entre profissão e sociedade. O primeiro Código de 
Deontologia foi feito exatamente na área médica, nos Estados Unidos, em meados do século XX. 
“Para Singer (1994); a ética é um conjunto de valores, princípios e modos de pensar que antece-
dem e orientam as ações sociais dos indivíduos. Em outras palavras, a ética é conjunto de 
constructos que o indivíduo considera como correto.” (SOARES, p. 22):
✓ diz respeito a crenças (e valores);
✓ socialmente aprendidas e internalizadas (apropriadas);
✓ orientadora de comportamentos;
✓ um modo de agir do indivíduo.
Critério: um indivíduo é considerado ético quando suas atitudes se baseiam nos princípios de 
respeito, justiça, direito comum e responsabilidade.
✓ a responsabilidade é o fundamento da ética; deve estar presente em todas as situações.
A moral não é um conceito estático é dependente da cultura e da sociedade, que a significa 
de modo particular.
✓ é passível de interpretações diversas na mesma sociedade, ainda que os padrões socialmente 
estabelecidos influenciem o modo como as pessoas conduzem suas ações;
✓ os padrões morais são coercitivos.
A ética profissional corresponde às normas morais que orientam a prática e postura de um 
profissional em todas as esferas de atuação. 
A ética no campo profissional deve se pautar em valores, padrões e normas éticas correspondentes 
aos direitos humanos e disposições estabelecidas nos códigos de ética profissional, elaborados 
pelos conselhos profissionais orientação dos profissionais com seus pares e com a sociedade. 
Moral é Ética são complementares orientam atitudes e comportamentos.
O campo profissional: ações técnicas e éticas
✓ dimensão técnica realização de procedimentos e condutas correspondentes às atribuições 
de cada profissão;
✓ dimensão ética posturas que se refletem no relacionamento com os demais membros da 
equipe, bem como com os usuários e pacientes do serviço ou instituição.
➢ O processo de trabalho, quando pautado na ética, possibilita a evolução harmoniosa e 
promotora de cuidado;
➢ Situações que envolvem o processo de tomada de decisão diante de casos específicos podem 
conduzir a problemas éticos, como profissionais julgarem ter mais conhecimento que os demais.
Perspectiva ética no campo profissional: saberes e habilidades técnicas nem sempre são suficientes 
para efetivar um cuidado resolutivo. O que fazer? o trabalho baseado em um modelo de cuidado 
interdisciplinar:
✓ reflexão sobre a importância e eficiência de uma atuação compartilhada;
✓ olhares e saberes diversos e complementares;
✓ compartilhamento de valores morais e éticos, além de técnicos;
✓ visão ampliada do indivíduo;
✓ respeito às necessidades e autonomia dos usuários (pacientes, clientes) sujeitos de direitos; 
✓ evitação de danos e maximização dos benefícios.
Práticas ou ambientes não humanizados não reconhecem a autonomia e corresponsabilidade do 
usuário/paciente no seu cuidado ser passivo às prescrições profissionais ≠ das reais 
necessidades ver Política Nacional de Humanização – PNH – 2013; Humaniza SUS.
O campo social: a sociedade antecede o indivíduo
✓ a realidade social já existe antes de nascermos a cultura é preexistente;
✓ relação intrínseca e de mútua afetação entre a vida cotidiana e as relações interpessoais.
Mundo atual – globalizado 
➢ hipervalorização de aspectos materiais e individuais em detrimento das relações pessoais 
humanizadas e solidárias cultura da superabundância, hipercapitalismo, individualismo 
excesso do “ter” e o vazio do “ser” comprometimento do senso ético;
➢ preconceito contra indivíduos, grupos e culturas atitude negativa relativa a um determinado 
grupo, cultura, etnia, religião etc.;
 “A ética possibilita a compreensão dos princípios e valores que antecedem e determinam o 
comportamento de indiv1íduos diante da sociedade e das relações interpessoais em todos os 
campos do cotidiano.” (SOARES, p. 29). 
O QUE A PSICOLOGIA, COMO CIÊNCIA E PROFISSÃO, TEM A VER COM TUDO ISSO????
Sobre ética e moral: algumas questões para a Psicologia
“Devo cumprir a promessa x que fiz ontem ao meu amigo Y, embora hoje perceba que o 
cumprimento me causará certos prejuízos? 
Se alguém se aproxima, à noite, de maneira suspeita e receio que me possa agredir, devo atirar 
nele, aproveitando que ninguém pode ver, a fim de não correr o risco de ser agredido?
Com respeito aos crimes cometidos pelos nazistas durante a Segunda Guerra Mundial, os 
soldados que os executaram, cumprindo ordens militares, podem ser moralmente condenados? 
Devo dizer sempre a verdade ou há ocasiões em que devo mentir? 
Quem, numa guerra de invasão, sabe que o seu amigo Z está colaborando com o inimigo, deve 
calar, por causa da amizade, ou deve denunciá-lo como traidor?
 Podemos considerar bom o homem que se mostra caridoso com o mendigo que bate à sua 
porta e, durante o dia - como patrão - explora impiedosamente os operários e os empregados 
da sua empresa? 
Se um indivíduo procura fazer o bem e as consequências de suas ações são prejudiciais 
àqueles que pretendia favorecer, porque lhes causa mais prejuízo do que benefício, devemos 
julgar que age corretamente de um ponto de vista moral, quaisquer que tenham sido os efeitos 
de sua ação?” (p. 15)
Problemas práticos: estabelecem relações entre pessoas, envolvem outras pessoas além de si 
mesmo.
Comportamentos pautados por normas julgadas mais apropriadas ou dignas
“Estas normas são aceitas intimamente e reconhecidas como obrigatórias: de acordo com elas os 
indivíduos compreendem que têm o dever de agir desta do daquela maneira.” (p. 16): agem 
moralmente
Não é um comportamento natural ou espontâneo, mas refletido, passíveis de avaliação e 
julgamento.
Atos e formas de comportamento sobre problemas morais E juízos que aprovam ou desaprovam os 
atos.
Atos e juízos pressupõem normas.
"Z devia denunciar o seu amigo traidor", pressupõe a norma "os interesses da pátria devem ser 
postos acima dos da amizade". (p. 16)
Comportamento prático-moral = MORAL. Presente em todas as sociedades humanas.
“A este comportamento prático-moral que já se encontra nas formas mais primitivas de 
comunidade, sucede posteriormente - muitos milênios depois - areflexão sobre ele!” (p. 17)
Os homens, além de agir moralmente, refletem sobre suas ações, seus comportamentos prático-
morais.
Do plano da prática para o plano da teoria; da prática moral para a teoria moral = ÉTICA
Ética diz respeito a problemas teórico-morais ou éticos.
“À diferença dos problemas práticos-morais, os éticos são caracterizados pela sua 
generalidade.” (p. 17. Grifou-se.)
“Será inútil recorrer à ética com a esperança de encontrar nela uma norma de ação para cada 
situação concreta.” [...] O problema do quefazer em cada situação concreta é um problema prático-
moral e não teórico-ético. (p. 17)
O que fazer = problema prático-moral
Definir o que é o bom = problema geral de caráter teórico do investigador da moral (filósofos, p. ex.)
Investigação teórica tem consequências práticas = um caminho geral orientador das condutas 
humanas
Problema prático é diferente do problema teórico
Essência do ato moral responsabilidade
“É possível falar em comportamento moral somente quando o sujeito que assim se comporta é 
responsável pelos seus atos, mas isto, por sua vez, envolve o pressuposto de que pode fazer o 
que queria fazer, ou seja, de pode escolher entre duas ou mais alternativas, e agir de acordo com a 
decisão tomada.” (p. 18) = liberdade de vontade; responsabilidade.
Decidir e agir = problema prático-moral
Investigar a relação entre liberdade e responsabilidade = problema teórico ética
Os homens não somente se comportam (prático-moral), mas julgam ou avaliam tais atos = juízos 
de valor de aprovação ou reprovação sujeição, consciente ou inconsciente à normas ou regras.
Metaética = estudo da natureza, função e justificação dos juízos morais.
Problemas teóricos-morais e problema práticos-morais são diferentes, mas não estão 
absolutamente separados. “As soluções que dão aos primeiros [teóricos-morais] não deixam de 
influir na colocação e na solução dos segundos [práticos-morais], isto é, na própria prática moral; 
por sua vez, os problemas propostos pela moral prática, vivida, assim como as suas soluções, 
constituem a matéria de reflexão, o fato ao qual a teoria ética deve retornar constantemente para 
que não seja uma especulação estéril, mas sim a teoria de um modo efetivo, real, de 
comportamento do homem”. (p. 19) 
Problemas éticos ≠ Problemas morais
Problemas éticos generalidade
Problemas morais vida cotidiana
Relações: “a ética pode contribuir para fundamentar ou justificar certa forma de comportamento 
moral” (p. 20) influi na vida vivida.
 A ética estabelece relações entre o comportamento moral e os interesses sociais moral efetiva, 
real, de um grupo social ≠ necessidades e interesses concretos (pessoais).
A ética define o bom irredutível ao que satisfaz o interesse pessoal, exclusivo influencia a 
prática moral (p. ex. rejeita um comportamento egoísta).
A ética não é normativa. A ética é teórica.
 
Não é função do ético (pensador) dizer o que deve ser feito, ditar normas, legislar comportamentos.
Como toda teoria, a função da ética é explicar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade, 
elaborando os conceitos correspondentes.
Realidade moral variável historicamente variação dos princípios e normas.
“A ética é teoria, investigação ou explicação de um tipo de experiência humana ou forma de 
comportamento dos homens, o da moral, considerado porém na sua totalidade, diversidade e 
variedade.” (p. 21).
 Moral uma forma de comportamento humano, um fato a ética deve explicá-lo, tomando a 
prática moral da humanidade em seu conjunto como objeto de sua reflexão.
Ética
- é explicação e não simples descrição; 
- não formula juízo de valor (não julga) sobre outras práticas morais (de outras sociedades ou 
épocas);
- não pressupõe uma moral absoluta e universal;
- admite e busca explicar a pluralidade de práticas morais; 
- não se seus identifica com os princípios e normas de nenhuma moral em particular e tampouco 
pode adotar uma atitude indiferente ou eclética diante delas;
- opera a partir de fatos humanos, de valor.
 
“A ética estuda uma forma de comportamento humano que os homens julgam valioso e, além disto, 
obrigatório e inescapável.” (p. 22).
A ética não cria a moral. Não é a ética que estabelece as normas ou regras de comportamento.
Experiência histórico-social Ética: determina a essência da moral, sua origem, sua natureza e função.
“A ética é a teoria ou ciência do comportamento moral dos homens em sociedade.” (p. 23) ciência de 
uma forma específica de comportamento humano. 
✓ busca extrair princípios gerais;
✓ não é simples descrição;
✓ elabora conceitos, hipóteses e teorias;
✓ aspira racionalidade e objetividade;
✓ buscar construir conhecimentos sistemáticos, metódicos e comprováveis.
Ética: ciência
Objeto de estudos: o mundo moral
Moral: não é ciência, mas admite um conhecimento científico sobre si = ética.
“A moral não é ciência, mas objeto da ciência; e, neste sentido, é por ela estudada e investigada. A ética 
não é a moral e, portanto, não pode ser reduzida a um conjunto de normas e prescrições; sua missão é 
explicar a moral efetiva e, neste sentido, pode influir na própria moral.” (p. 24).
Etimologia
- Moral [do latim] mos ou mores = costume ou costumes = conjunto de normas adquiridas por hábito;
- Ética [grego] ethos = modo de ser, caráter = forma de vida adquirida ou conquistada pelo homem.
ethos e mos adquirido ou conquistado pelo hábito
“O comportamento moral pertence somente ao homem na medida em que, sobre a sua própria natureza, 
cria esta segunda natureza, da qual faz parte a sua atividade moral.” (p. 25).
Ética e Filosofia tradicionalmente ligada à Filosofia, a compreensão da ética está presente no 
pensamento de diversos filósofos e pensadores, tais como Sócrates, Platão, Aristóteles, Santo Agostinho 
e São Tomás de Aquino (ética cristã), Kant, Kierkgaard, Foucault, dentre outros;
Para Vázquez a ética pode (e deve) ir além de um simples capítulo da filosofia e para se tornar um objeto 
de ciência: “conjunto sistemático de conhecimentos racionais e objetivos a respeito do comportamento 
humano moral, a ética se nos apresenta como um objeto específico que se pretende estudar 
cientificamente”. (p. 25)
A ética e outras ciências busca compreender um tipo peculiar com comportamento humano: o 
comportamento moral produzidos por sujeitos concretos pertencentes a uma comunidade, que 
estabelecem relações com outros sujeitos (atos morais);
Os atos morais “sempre apresentam aspecto subjetivo, interno, psíquico, constituído de motivos, 
impulsos, atividade da consciência que se propõe fins, seleciona meios, escolhe entre diversas 
alternativas, formula juízos de aprovação ou de desaprovação, etc.; neste aspecto psíquico, subjetivo, 
inclui-se também a atividade subconsciente”. (p. 25-26).
Ética e Psicologia
✓ a atividade moral é sempre vivida internamente pelo sujeito processo subjetivo;
✓ a Psicologia contribui com a compreensão da ética à medida que evidencia as leis que regem as 
motivações internas organizadoras dos comportamentos, da personalidade etc.;
✓ a Psicologia auxilia na compreensão da ética ao examinar os atos voluntários, formação de hábitos, a 
origem da consciência moral e dos juízos morais;
✓ a Psicologia contribui com a ética ao esclarecer as “condições internas, subjetivas, do ato moral”;
“Problemas morais como o da responsabilidade e da culpabilidade não podem ser abordados sem 
considerar os fatores psíquicos que intervieram no ato, pelo qual o sujeito se julga responsável e 
culpado.” (p. 30). 
Ética e outras ciências: sociologia, antropologia, direito, economia política.
“Mas a relação da ética com outras ciências humanas ou sociais, baseada na íntima relação das 
diferentes formas de comportamento humano, não nos deve fazer esquecer o seu objeto específico, 
próprio, enquanto ciência do comportamento moral.” (34).
 
Bioética
SAÚDE Organização Mundialda Saúde (OMS; WHO), 1948: “Saúde é um estado de 
completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas ausência de doença ou enfermidade”. 
UTOPIA???
DIREITO À SAÚDE Constituição Federal, 1988 (Constituição Cidadã) - art. 196: Saúde é 
“DIREITO de todo cidadão e DEVER do ESTADO”.
PROMOÇÃO DA SAÚDE Carta de Ottawa, Canadá (1986): documento apresentado na 
Primeira Conferência Internacional sobre Promoção da Saúde. Carta de intenções que objetiva 
contribuir para as políticas de saúde em todos os países, de forma equânime e universal. 
Promover a saúde com as pessoas e não para as pessoas. Todos os setores devem estar 
envolvidos – e não apenas o da saúde – em direção a um bem-estar global.
“É o processo de capacitação da comunidade para atuar na melhoria da sua qualidade 
de vida e saúde, incluindo uma maior participação destas pessoas no controle sobre 
este processo.”
Princípio Ético da Justiça Distributiva Sistema Único de Saúde – SUS (1988/1990): Lei 
8.080/1990; Lei 8.142/1990.
SUS – ações
✓ Promoção à saúde
✓ Proteção
✓ Recuperação
✓ Reabilitação
Considerando o princípio da justiça distributiva, questiona-se: Esse princípio constitucional é 
eficiente? Os brasileiros têm realmente direito à saúde? 
Determinantes sociais da saúde – DSS fatores que contribuem para o estado 
atual da saúde de uma pessoa ou população, pelo aumento ou redução da 
probabilidade de ocorrência de doença ou de morte prematura e evitável. 
Está relacionado ao princípio da equidade.
Panorama dos Determinantes sociais da saúde no Brasil
✓ Pobreza irredutível, embora com melhora;
✓ Concentração da renda, idem;
✓ Baixa mobilidade social;
✓ Desemprego e subemprego não cedem;
✓ Educação melhora na idade escolar, mas a evasão continua elevada;
✓ Prevalência muito alta e inaceitável de analfabetismo na população adulta.
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH – por região 
O objetivo do Índice de Desenvolvimento 
Humano é oferecer um contraponto a 
outro indicador muito utilizado, o Produto 
Interno Bruto (PIB) per capita, que 
considera, apenas, a dimensão econômica 
do desenvolvimento.
Ranking IDH (2019)
Brasil: 79º lugar
Mortalidade infantil (menores de um ano) no Brasil
Evolução da mortalidade infantil no Brasil, de 1990 a 2019
Taxa de analfabetismo no Brasil (2019): a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais 
de idade foi estimada em 6,6% (11 milhões de analfabetos). Em 2018 era 6,8 (+ 200 mil pessoas).
A taxa de 
analfabetismo para os 
homens de 15 anos ou 
mais de idade foi 6,9% 
e para as mulheres, 
6,3%. Para as pessoas 
pretas ou pardas 
(8,9%), a taxa de 
analfabetismo foi mais 
que o dobro da 
observada entre as 
pessoas brancas 
(3,6%).
O que tudo isto tem a ver com Ética?
A ética é reflexão sobre mecanismos que regulam relações sociais visando:
✓ Garantir coesão social;
✓ Harmonizar interesses individuais e coletivos.
Como fazer isso?
✓ Procurar e estabelecer as razões que justifiquem o “que deve ser feito”, e não o “que pode 
ser feito”.
✓ Procurar razões de fazer ou deixar de fazer algo, de aprovar ou desaprovar algo, do que é 
bom ou do que é mau, do justo e do injusto. 
✓ É uma questão de indagação e NÃO de NORMATIZAÇÃO do que é certo ou errado.
Identificamos descumprimentos de direitos de indivíduos e grupos nas práticas relativas à 
saúde? Que direitos têm os usuários/beneficiários dos serviços de saúde? Como garantir 
o cumprimento de direitos em saúde? Que princípios éticos organizam os trabalhos em 
saúde? BIOÉTICA 
Bioética (“ética da vida”)
Disciplina “nova” (década de 1970); lida com problemas do cotidiano: aborto, eutanásia, 
qualidade de vida, problemas relacionados aos profissionais da saúde, aplicações da ciência e 
da tecnologia, meio ambiente; 
Interdisciplinar: biologia, direito, filosofia, psicologia, ciências exatas, ciência política, medicina, 
meio ambiente etc.
Trata de questões morais relacionadas à vida humana, animal e ambiental.
Objetiva responder:
 aos avanços das ciências;
 às modificações da vida humana e a promoção do conforto humano;
 à utilização de cobaias vivas (humanas e não humanas) em experimentos;
 às consequências dos horrores, como os vividos dentro dos campos de concentração 
nazistas e de técnicas médicas que violaram princípios vitais das pessoas.
 principais representantes-fundadores: Tom L. Beauchamp (1939), filósofo americano e 
James Franklin Childress (1940), filósofo e teólogo. Publicam, em 1979, o livro Princípios de 
ética biomédica, onde propõem, pela primeira vez, os quatro princípios bioéticos: 
Beneficência, Não Maleficência, Autonomia, Justiça.
Recapitulando: Ética é reflexão (filosófica e científica) sobre a moralidade.
Um dos princípios tradicionais da ética é o UTILITARISTA maximização da felicidade 
PRINCIPIALISMO modelo explicativo; corrente predominante em Bioética;
Diferentes autores da Bioética, como em qualquer outra área de conhecimento, utilizam 
modelos explicativos para elaborar a suas propostas. 
Tom Beauchamp (Instituto Kennedy de Ética da Universidade Georgetown/EUA) e James 
Childress (Universidade de Virgínia/EUA) propuseram a existência de três modelos de 
justificação, sendo um deles o PRINCIPIALISMO.
O que sustenta o Principialismo? Os problemas éticos devem ser debatidos a partir de 4 
princípios básicos:
 - Autonomia
 - Não maleficência
 - Beneficência
 - Justiça
AUTONOMIA
Autonomia = autodeterminação, autogoverno. 
Pessoa autônoma liberdade de pensamentos sem coações internas ou externas.
✓ alternativa de ação
✓ liberdade de optar
✓ liberdade de ação
Autonomia = percepção da subjetividade de cada pessoa humana.
Tomar de decisões
“Bom”
“Bem-estar”
Valores
Expectativas
Necessidades
Crenças
Prioridades
Vida
Saúde
Integridade físico-psíquica
Relações sociais
FUNDAMENTOS DA AUTONOMIA
Autonomia  Individualismo 
Por quê?
✓ o ser humano vive em sociedade
✓ a ética regula as relações sociais
 
 Para quê?
 coesão 
 Garantir 
 harmonia
Respeitar a pessoa autônoma = aceitação do pluralismo ético-social
 o corpo, a dor, o sofrimento, a doença são próprios da pessoa
 violar a autonomia = tratar pessoas como meios e não como fins em si mesmas
Limites da autonomia
Autonomia  Direito absoluto
O que limita? 
 
 respeito à dignidade
 dos outros e da coletividade
 respeito à liberdade
Proteção de grupos vulneráveis
✓ pessoas com baixa escolaridade
✓ pobres
✓ indivíduos com dificuldade de acesso aos serviços de saúde
✓ mulheres
 
 Consentimento informado
 
NÃO MALEFICÊNCIA
Encontrado no juramento hipocrático – tradição na ética médica.
NÃO CAUSE DANO
O que significa dano? Quem causa dano?
Aquele que produz algum mal a si ou ao outro, seja física, psíquica ou moralmente.
Quais são as regras inferidas deste princípio?
 Não matar.
 Não causar dor ou sofrimento.
 Não incapacitar os outros.
 Não ofendê-los.
 Não privá-los dos bens necessários à vida.
No principialismo, os quatro 
princípios são deveres prima 
facie, isto é, não são 
absolutos. Assim, o princípio 
da não maleficência não tem 
prioridade irrestrita sobre os 
outros.
O princípio da autonomia está mais vinculado ao usuário (paciente, beneficiário), enquanto o 
da não-maleficência está direcionado ao profissional de saúde.
 Mas o inverso também: o profissional de saúde é autônomo e o paciente não pode causar 
dano.
O profissional da saúde deve expressamente conseguir, sempre que possível, o 
consentimento do usuário/beneficiário antes de fazerum diagnóstico ou de prescrever 
tratamento.
✓ Em qualquer situação direito de consentir ou recusar o que é proposto, de caráter 
preventivo ou curativo, que venha a afetar sua integridade físico-psíquica ou social.
 TCLE (Termo de Consentimento Livre e Esclarecido)
 livre, esclarecido, renovável e revogável
 TALE (Termo de Anuência Livre e Esclarecida) 
 aplicado para jovens entre 6 e 18 anos.
 Deve acompanhar o TCLE aplicado ao respectivo responsável.
BENEFICÊNCIA
Benevolência – a disposição de fazer o bem. 
Benemerência – merecer o bem.
Devemos agir em benefício dos outros ação voluntária, boa e praticada para o bem alheio.
 
JUSTIÇA
 Distribuição de riscos e benefícios
 Recrutamento equitativo beneficiários
 Proteção especial aos grupos vulneráveis
Os princípios bioéticos básicos devem funcionar de forma harmônica. É a circunstância da 
ação que decide qual deles deve ser aplicado.
 Todos os quatro princípios são considerados como sendo deveres prima facie (possuem 
validade à primeira vista, mas não são absolutos). Não maleficência, Beneficência, Respeito a 
Autonomia e Justiça são obrigações que devem ser cumpridas, a não ser que entrem em 
conflito com outro dever igual ou mais forte.
 
Beauchamp e Childress (1994) alteraram a denominação de seu modelo de principialismo para 
moralidade comum (common morality) “compreende um sistema moral único, 
compartilhado por todos os adultos racionais e capazes de lidar com todas as questões morais” 
(AZAMBUJA, 2015).
 
A teoria ética normativa, considerando o principialismo, estabelece os 
fundamentos da bioética.
Resolução n. 196 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde, de 10 de 
outubro de 1996, estabelece que a eticidade em pesquisa biomédica implica:
1 - consentimento livre e esclarecido dos indivíduos-alvo e proteção a grupos vulneráveis 
e aos legalmente incapazes (autonomia);
2 - ponderação entre riscos e benefícios, tanto atuais como potenciais, individuais ou 
coletivos (beneficência) comprometendo-se com o máximo de benefícios e o mínimo de 
danos e riscos;
3 - garantia de que danos previsíveis serão evitados (não-maleficência);
4 - relevância social da pesquisa, com vantagens significativas para os sujeitos da 
pesquisa e minimização do ônus para os sujeitos vulneráveis, o que garante a igual 
consideração dos interesses envolvidos, não perdendo o sentido de sua destinação sócio 
humanitária (justiça e equidade).
✓ A Resolução 196/1996 foi revogada pela Resolução 466/2012;
✓ Resolução 466/2012: Conselho Nacional de Saúde (CNS): diretrizes e normas 
regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos;
✓ Resolução 510/2016: Conselho Nacional de Saúde (CNS): normas aplicáveis a 
pesquisas em Ciências Humanas e Sociais que envolvam a utilização de dados 
diretamente obtidos com os participantes.
ÉTICA PRÁTICA
Aplica os resultados da ética normativa às questões morais cotidianas.
A partir de princípios supostamente válidos, por exemplo, o respeito à autonomia das pessoas, 
pode-se discutir problemas bioéticos tais como aborto, eutanásia etc.
A bioética, juntamente com a ecoética, a infoética e as éticas profissionais (ética médica, ética 
esportiva etc.) são parte da ética prática, ou aplicada.
Ética médica  Bioética
Ética Médica fala sobre os deveres da classe profissional (deontologia).
 Bioética estuda os problemas relativos ao início, ao meio e ao fim da vida.
 A bioética pode ser chamada de ética interdisciplinar estudo interdisciplinar do 
conjunto das condições exigidas para uma administração responsável da vida humana, ou da 
pessoa humana, tendo em vista os progressos rápidos e complexos do saber e das tecnologias 
biomédicas.
QUANDO SURGE A BIOÉTICA? 
Bioética é ponte entre a ciência e as humanidades.
“Eu proponho o termo Bioética como forma de enfatizar os dois componentes mais importantes 
para se atingir uma nova sabedoria, que é tão desesperadamente necessária: conhecimento 
biológico e valores humanos” (POTTER, 1971. Bioética: ponte para o futuro).
Prof. Van Rensselaer POTTER (1911-2001): bioquímico americano, professor de oncologia.
Grande preocupação com o problema ambiental e com a repercussão do modelo de progresso 
preconizada na década de 1960.
 
Necessária uma nova abordagem ética dos problemas relacionados com a vida
Por quê?
Separação feita na filosofia moderna 
entre ciência e tecnologia (que tratariam 
dos fatos) e ética (que cuidaria dos 
valores).
Culpada pelos desastres incluindo os 
ecológicos, ameaçando a vida sobre o 
planeta. 
Bioética
Ciência da sobrevivência. 
Unir à ética, a ciência. Pensar a vida como um todo, sem separá-la da ciência e da tecnologia.
ANTECEDENTES
 
 Experiências em campos de concentração da Segunda Guerra Mundial.
 
Prisioneiro judeu 
em tanque de água 
gelada era cobaia 
de estudo alemão.
ANTECEDENTES
 
 TRIBUNAL DE NUREMBERG (Alemanha, 1945-1946): Estados Unidos, França, Grã-
Bretanha e União Soviética propõem julgamento de lideranças do partido nazista alemão por 
crimes cometidos na Segunda Guerra Mundial, durante o Holocausto. 
 O tribunal de Nuremberg decretou 12 condenações à morte, três à prisão perpétua, duas a 20 
anos de prisão, uma a 15 anos e outra a 10 anos; outros foram absolvidos.
 9 de dezembro de 1946: julgou vinte e três pessoas (vinte eram médicos) consideradas 
criminosas de guerra, pelos brutais experimentos realizados em seres humanos.
 19 de agosto de 1947: divulgação das sentenças e de um documento que ficou conhecido 
como Código de Nuremberg. Sete acusados foram condenados à morte.
 
ANTECEDENTES
 
CÓDIGO DE NUREMBERG: Sete acusados foram condenados à morte.
10 princípios
✓ Consentimento voluntário
✓ Deve produzir resultados vantajosos
✓ Baseado em resultados conquistados
✓ Evitar danos desnecessários
✓ Impedir mortes ou invalidez permanente
✓ Ter grau de risco aceitável 
✓ Seguir cuidados especiais caso seja necessário
✓ Realizado por pessoas cientificamente qualificadas
✓ Ter liberdade de retirada
✓ Existir preparações para suspender etapas
O Código de Nuremberg é um marco na história da humanidade e da Medicina, à medida que 
apresenta uma recomendação internacional voltada aos princípios éticos que envolvem o uso 
de seres humanos em experimentos.
ANTECEDENTES
 
 Estados Unidos, 1974: 
 RELATÓRIO BELMONT: promulgado em 1978, como reação institucional aos escândalos 
causados pelos experimentos da medicina desde o início da Segunda Guerra Mundial. Três 
casos relevantes:
✓1963: Hospital Israelita de doenças crônicas de Nova York foram injetadas células 
cancerosas vivas em idosos doentes; 
✓entre 1950 e 1970: hospital estatal de Willowbrook (Nova York) injetaram hepatite viral 
em crianças com retardo mental;
✓desde os anos 1940, mas descoberto apenas em 1972: Estado de Alabama Tuskegee 
Study: foram deixados sem tratamento quatrocentos negros sifilíticos para pesquisar a 
história natural da doença.
 
 
ANTECEDENTES
 
A Comissão Nacional para a Proteção de Sujeitos Humanos de Pesquisa Biomédica e 
Comportamental dos Estados Unidos estabeleceu, como objetivo principal, identificar os 
princípios éticos “básicos” que deveriam conduzir a experimentação em seres humanos: 
Relatório Belmont. 
O Relatório de Belmont apresenta os princípios éticos, considerados básicos, que deveriam 
nortear a pesquisa biomédica com seres humanos: a) o princípio do respeito às pessoas; b) o 
princípio da beneficência; c) o princípio da justiça. 
Relatório Belmont
 
 Tom Beauchamp e James Childress
 
 Fundamentos teóricos do principialismo
 Princípios da ética biomédica
 
A BIOÉTICA PASSOU (E PASSA) POR DIVERSAS TRANSFORMAÇÕES
 Hans Jonas (1903-1993): filósofo alemão. Publicou,em 1979, a obra O princípio 
responsabilidade, onde aborda os problemas sociais e éticos criados pelos avanços 
tecnológicos. Sustenta que é necessário haver uma nova ética para lidar com o alcance sem 
precedentes do poder tecnológico.
 Ideia básica: devemos sobreviver: devemos considerar as consequências futuras das 
nossas aplicações da ciência e da tecnologia. 
 
 “Age de tal modo que os efeitos de tua ação sejam compatíveis com a permanência da vida 
humana autêntica sobre a Terra”. (JONAS, 2006, p. 48).
 
COMITÊS DE ÉTICA NO BRASIL: SISTEMA CEP/Conep
 Comitês de Ética Médica – composto, exclusivamente, por médicos; comissões de ética e 
deontologia – deveres e direitos inerentes ao exercício profissional;
 Comitês de Ética em Pesquisa (CEP) – avaliam a adequação ética dos projetos de 
pesquisa que envolvam seres humanos, no caso de algumas também o uso de animais. 
Instancia regional, dispostas em todo território brasileiro.
 Comitês de Bioética – refletir e avaliar questões e dilemas morais oriundos da prática e 
dos procedimentos realizados no âmbito da instituição.
 Toda pesquisa envolvendo seres humanos deverá ser submetida à apreciação de um 
CEP (Resolução 466/2012 e Resolução 510/2016) 
 Os CEPs têm caráter multidisciplinar, isto é, são compostos por profissionais de diversas 
áreas do conhecimento. Estão subordinados ao CONEP.
Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (CONEP) – avalia os aspectos éticos das 
pesquisas que envolvem seres humanos no Brasil. Está diretamente ligada ao Conselho 
Nacional de Saúde (CNS) e tem composição multi e transdisciplinar.
 
PLATAFORMA BRASIL
http://conselho.saude.gov.br/plataforma-brasil-conep?view=default 
CONSELHO NACIONAL DE SAÚDE (CNS) – Plataforma Brasil base nacional e unificada 
de registros de pesquisas envolvendo seres humanos para todo o Sistema CEP/Conep. 
Permite que as pesquisas sejam acompanhadas em seus diferentes estágios – desde sua 
submissão até a aprovação final pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e/ou pela Conep.
 
http://conselho.saude.gov.br/plataforma-brasil-conep?view=default
Referências
AZAMBUJA, Letícia Erig Osório de. A teoria da moralidade comum na obra de Beauchamp 
e Childress. Rev. Bioét. n. 23 (3), set.-dec. 2015. Disponível em: 
https://www.scielo.br/j/bioet/a/w4QYvb3kfmcMkQxHdgHJN8K/?lang=pt. Acesso em: 23 mar. 
2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Mortalidade infantil no 
Brasil. Boletim epidemiológico. n. 37, v. 52, out. 2021. Disponível em: 
https://www.gov.br/saude/pt-br/centrais-de-
conteudo/publicacoes/boletins/epidemiologicos/edicoes/2021/boletim_epidemiologico_svs_
37_v2.pdf. Acesso em: 23 mar. 2023.
GUILHEM, Dirce; OLIVEIRA, Maria Liz Cunha de; CARNEIRO, Maria Helena da Silva. 
Bioética, pesquisa envolvendo seres humanos. R. bras. Ci e Mov. 2005, v. 13(1), p. 117-
123. Disponível em: https://portalrevistas.ucb.br/index.php/rbcm/article/view/619/631. 
Acesso em: 07 maio 2023
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. IBGE. Jovens: conheça o 
Brasil: população. Disponível em: EDUCAÇÃO https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-
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JUNQUEIRA, Cilene Rennó. Bioética. Disponível em: 
https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/esf/2/unidades_conteudos/unidade18/unid
ade18.pdf. Acesso em: 07 maio 2023.
VÁZQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2005.
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