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epidemiologia A retinopatia é a 3ª causa de cegueira em adultos no Brasil, sendo a principal em pessoas em idade produtiva (16 a 64 anos). É uma das complicações mais comuns da diabetes mellitus, encontrada, após 20 anos, em mais de 90% no tipo 1 e em 50%- 80% no tipo 2, tendo aumentado bastante a incidência com o crescimento da expectativa de vida dos pacientes FATORES DE RISCOS Pode-se dividir em genéticos e não genéticos. Os componentes hereditários ainda não foram completamente elucidados, mas sabe- se que é fundamental para o curso clínico da doença. Dentro os fatores não genéticos, o tempo de doença (acima de 5- 10 anos) é o principal fator determinante para o desenvolvimento da RD. Por outro lado, níveis pressóricos elevados, controle glicêmico inadequado e gravidez estão mais relacionados com sua progressão FISIOPATOLOGIA As lesões da RD ocorrem em progressão cronológica, exceto pelo edema macular. A hiperglicemia crônica desvia o metabolismo da glicose para vias alternativas, formando fatores inflamatórios, trombogênicos e vasoconstritores, além de aumentar a suscetibilidade ao estresse oxidativo, resultando em oclusão e fragilidade vascular com perda de pericitos. Esse processo de enfraquecimento dos capilares causa a quebra da barreira hematorretiniana, o que possibilita formação de microaneurismas (achados mais precoces da RD) e extravasamento de plasma para o interstício, resultando em hemorragias e edema . Ela é causada por lesões progressivas na microvasculatura da retina, que geram maior permeabilidade vascular, exsudação retiniana e áreas de má perfusão. A progressão da hipóxia promove a liberação local de fatores angiogênicos (IGF-1 e VEGF), culminando com proliferação patológica de neovasos (neovasculogênese), cujo rompimento resulta em hemorragias intravítras podendo levar à perda visual ou até à cegueira (primeira causa mundial de cegueira adquirida) RASTREAMENTO O rastreio anual por meio da fundoscopia indireta inicia-se a partir do diagnóstico no DM2 e, no DM1, a partir de cinco anos de doença ou antes, se gestação e puberdade. Na gestação, a avaliação é mais frequente, sendo realizada a cada trimestre e um ano após o parto. OBS: O primeiro exame deve ser completo e realizado por um oftalmologista, preferencialmente especialista em DM. Além de ser feita a fundoscopia indireta com dilatação pupilar com colírio midriático, o exame deve abranger a busca por outras doenças, como glaucoma e catarata, que estão presentes com maior frequência no paciente com DM. Quem determinará a periodicidade desse exame é o próprio oftalmologista, mas geralmente é anual. Outros exames de imagem da retina, como a retinografia, angiografia fluorescente ou tomografia computadorizada de coerência óptica, podem auxiliar no seguimento, mas não substituem o exame oftalmológico anual. CLASSIFICAÇÃO A retinopatia é classificada em retinopatia diabética não proliferativa (RDNP) e proliferativa. Quando ocorre lesões especificamente na mácula, é chamada de edema macular. FUNDOSCOPIA TÉCNICA E AVALIAÇÃO OFTALMOSCÓPIA DIRETO O oftalmoscópio direito possui duas estruturas principais: uma abertura, através da qual podemos enxergar o que há do outro lado e uma fonte de luz, em um mesmo ponto da abertura, possibilitando a iluminação e, portanto, a visualização do fundo de olho. A abertura é dotada de um conjunto de lentes que permitem, quando necessário, correção refrativa. Na fonte luminosa, há diafragmas e filtros que regulam quantidade e cor de luz emitida pelo oftalmoscópio TÉCNICA 1. A fundoscopia direta é melhor realizada no paciente em completa midríase. 2. Nem sempre é possível a dilatação farmacológica. É importante, portanto, realizar o exame em ambientes escuros com o olharfixado em um ponto distante, tendo em vista que favorece a midríase. Inicia-se o exame pela inspeção, comparando-se os olhos e as regiões adjacentes 3. Paciente permanecer com a cabeça imóvel, na altura do examinador e alinhada ao eixo axial, devendo o olhar ser fixado no infinito. 4. Devemos examinar o olho do paciente com o olho equivalente do nosso, isto é, o esquerdo examina o esquerdo e o direito examina o direito. Sabendo disso, citamos um passo-a-passo para melhor fixar a técnica DESCRIÇÃO NORMAL O exame com oftalmoscópio inicia com a observação do cristalino, que deve ser transparente e apresentar o “reflexo vermelho” sem opacidades. A retina apresenta cor vermelho-alaranjada, homogênea. Sua maior ou menor pigmentação varia com a cor da pele do paciente. O disco óptico possui coloração rósea, com bordas bem- definidas, podendo haver leve borramento da borda nasal. A escavação fisiológica corresponde à área de penetração do nervo óptico. Localiza-se na porção central do disco, sendo de cor branca ou amarelo-pálida e de tamanho variável. Os vasos retinianos projetam-se radialmente a partir do disco óptico, com a veia acompanhando a artéria na maioria das vezes. A visualização direta permite diferenciá- los entre artérias e veias. Lateralmente, no mesmo plano horizontal do disco óptico, identifica-se a mácula de coloração rosa-pálida e com pequena área vermelho-escura central (fóvea). FUNDO DE OLHO NORMAL No fundo de olho normal, temos o nervo óptico (círculo brilhante) e a mácula (círculo opaco). ACHADOS NA FUNDOSCOPIA MICROANEURISMA Pequenos pontos vermelhos bem delimitados. São os achados mais precoces da doença Podem romper, causando pequenas hemorragias intrarretinianas HEMORRAGIAS INTRARRETINIANAS Quando puntiformes são indistinguíveis dos microaneurismas sem auxílio da angiografia. Quando ocorrem na camada de fibras nervosas, podem configurar imagem semelhante a uma "chama-de-vela". EDEMA MACULAR Uma complicação muito grave que pode aparecer em qualquer um desses estágios, mesmo nos mais leves, caso os exsudatos duros atinjam a fóvea, podendo levar à perda de visão. Principal causa de cegueira legal na diabetes. O paciente pode apresentar metamorfopsia, borramento visual, escotoma central e baixa visual. Ocorre devido quebra da barreira hematorreiniana interna Local: camadas plexiforma externa e nuclear interna Focal (pior caso) x difuso OCT de mácula Angiofluoresceinografia Avaliar isquemia macular Má perfusão Tratamento Focal Terapia anti-VEGF (primeira escolha) Fotocoagulaçao a laser Corticoide (triancinolona IV, dexametasona) EXSUDATOS DUROS Lesões amareladas, pequenas, com margens definidas, formadas por lipídios. Ocorrem por extravasamento de plasma, resolvendo sem danos em 2-3 semanas. Quando depositados na camada plexiforme externa podem formar “estrela macular”. São depósitos de lipídios e/ou lipoproteínas e indicam aumento da permeabilidade vascular retiniana. São vistos como pontos amarelos bem circunscritos e profundos em relação aos vasos da retina; EXSUDATOS ALGODONOSOS Manchas esbranquiçadas, relativamente grandes, mal delimitadas. Correspondem a infarto de áreas retinianas, desaparecem em 3-6 semanas com perda permanente de fibras nervosas. NEOVASOS Definem retinopatia diabética proliferativa. Geralmente originam-se do disco óptico ou das vênulas proximais. São vasos desenvolvidos a partir do estimulo da isquemia retiniana, ultrapassando o limite anatômico entre a retina e o vítreo. A presença dos neovasos é o que define a retinopatia diabética proliferativa. Geralmente ocorre com mais frequência próximo ao disco óptico DILATAÇÕES VENOSAS/ ENSALCHIÇAMENTO/beading venoso Podem apresentar forma de alça, aspecto de rosário e segmentação tipo “salsicha”. DESCOLAMENTO TRACIONAL DA RETINA Acomete cerca de 5-10% dos diabéticos. O tecido fibrovascular tende a crescer em direção a locais com menor resistência, como a face posterior do vítreo. Desse modo,trações vítreas podem ser transmitidas à retina, causando descolamento. A retina apresenta-se com superfície esticada, brilhante, sem deslocamento de fluido subrretiniano. Se houver proliferação fibrovascular na superfície do nervo óptico, ele também pode ser tracionado, causando baixa visual. irmas Anormalidades vasculares intra-retinianas Derivam da proliferação de células endoteliais Tentativas de bypass da região isquêmica Não ultrapassam a membrana limitante interna TRATAMENTO Assim como qualquer complicação microvascular, o tratamento das comorbidades e do diabetes é fundamental, sendo alguns dos pilares: Controle glicêmico HBA1C < 6-7 % Controle pressórico rigoroso. Controle lipídico. Cessação do tabagismo. Tratamento da anemia (se existente, pode piorar a retinopatia). Tratamento da nefropatia e da proteinúria (complicações bastante associadas). Otimização do controle glicêmico. FOTOCOAGULAÇÃO À LASER Alguns tratamentos específicos são utilizados principalmente para as formas proliferativas da retinopatia e do edema macular. O principal é a panfotocoagulação a laser, que tem o objetivo de regredir os neovasos, evitando a progressão da complicação, mas não reverte a acuidade visual que foi perdida ANTI-VEGF Quando há a presença de edema macular clinicamente significativo, as opções terapêuticas incluem a de injeções intra vítreas de anti-VEGF ou corticoide, combinadas ou não com a aplica-ção de laser focal ou em grade. Sabe-se que o VEGF aumenta a permeabilidade vascular, e, por isso, possui importante papel na fisiopatogenia do edema macular. Os anti-angiogênicos atualmente são a terapêutica de escolha, e os disponíveis para uso clínico são o ranibizumabe, o bevacizu-mabe, o aflibercept e, para o futuro, o conbercept e o brolucizumabe TRATAMENTO CIRÚRGICO – VITRECTOMIA POSTERIOR Hemorragias vítrea que não melhoram espontaneamentoe Hemorrágias pré-macular subialoidea DR tracional ameaçando a mácula DR misto (tração + rotura) Glaucoma de células fantasmas MER ou tração vitromacular Neovasculairação de segmento anterior com turvação de meior que impossibilitem PFC OBS Exercícios aeróbicos de moderada a alta intensidade e exercícios de resistência estão contraindicados nos pacientes com RD não proliferativa grave e RD proliferativa pelo risco de hemorragia vítrea e descolamento de retina REFERÊNCIAS DE AZEREDO BASTOS, Thaís Marino; DE OLIVEIRA, Ítalo Pena; JORGE, Rodrigo. Manifestações oculares de doenças sistêmicas II: retinopatia diabética e retinopatia hipertensiva. Medicina (Ribeirão Preto), v. 55, n. 2, 2022.