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1/11 Anatomia do Pâncreas Anatomia do Pâncreas Gustavo Castro FASA - BA 2/11 Anatomia do Pâncreas INTRODUÇÃO O pâncreas é a maior glândula do sistema digestório e desempenha função exócrina e endócrina. A primeira está relacionada a produção de enzimas envolvidas na digestão de carboidratos, lipídeos e proteínas. Já a segunda é realizada por células que estão espalhadas por toda a estrutura da glândula, participando ativamente da homeostase das concentrações séricas de glicose e do controle da motilidade e função do trato gastrointestinal alto. O pâncreas apresenta cor rosa-salmão e tem superfície lisa, lobulada e firme. Está situado sobrejacente e transversalmente aos corpos das vértebras LI e LII na parede posterior do abdome e também atrás do estômago, entre o duodeno à direita e o baço à esquerda. É dividido em quatro partes principais: cabeça, colo, corpo e cauda. O pâncreas ainda possui um lobo acessório chamado processo uncinado, que é anatomicamente e embriologicamente distinto. Nos adultos, o pâncreas apresenta de 12 a 15 cm de comprimento, sendo mais espesso na extremidade medial (cabeça) e gradualmente se tornando mais delgado à medida que avança em direção à extremidade lateral (cauda). Fonte: STANDRING, S. Gray's anatomia, 40. ed 3/11 Anatomia do Pâncreas CABEÇA A cabeça do pâncreas situa-se à direita da linha média, anteriormente, e também à direita da coluna vertebral, no interior da curvatura formada pelo duodeno. É a parte mais espessa do pâncreas, porém, mesmo assim, é achatada no plano anteroposterior. A margem inferior do órgão é superior à terceira parte do duodeno e é continua com o processo uncinado. Próximo da linha média, a cabeça é contínua com o colo. O limite entre a cabeça e o colo é delimitado, anteriormente, pelo sulco da artéria gastroduodenal e, posteriormente, por um sulco mais profundo que contém a união das veias mesentérica superior e esplênica onde formam a veia porta. A cabeça do pâncreas ainda apresenta uma face anterior coberta de peritônio e relacionada com a origem do mesocolo transverso e uma face posterior relacionada com a veia cava inferior, que ascende posteriormente ao pâncreas nessa região. COLO O colo do pâncreas tem aproximadamente 2 cm de largura e une a cabeça ao corpo do pâncreas. Está situado anteriormente a veia porta. Sua face anterior está coberta com peritônio e é adjacente ao piloro imediatamente inferior ao forame omental. CORPO É a porção mais longa da glândula e estende-se do lado esquerdo do colo até a cauda. Possui três faces e três margens. A face anterossuperior é coberta por peritônio, que se estende desde a glândula anteriormente até se tornar contínuo com a lâmina anterior do omento maior. Já a face posterior é desprovida de peritônio e anterior à aorta, à origem da artéria mesentérica superior, ao pilar esquerdo do diafragma, à glândula suprarrenal esquerda, ao rim esquerdo e aos vasos renais, principalmente à veia renal esquerda. A face anteroinferior é coberta por peritônio que é contínuo à lâmina posterior do mesocolo transverso, além disso é delimitado inferiormente pela quarta parte do duodeno, pela flexura duodenojejunal e pelas alças do jejuno. 4/11 Anatomia do Pâncreas Em relação às margens, a margem superior está relacionada com o tronco celíaco, a margem anterior separa a face anterossuperior da anteroinferior e a margem inferior separa a face posterior da anteroinferior. Fonte: STANDRING, S. Gray's anatomia, 40. ed CAUDA É a parte mais estreita e lateral da glândula. A cauda é contínua medialmente com o corpo e possui de 1,5 a 3,5 cm de comprimento nos adultos. Geralmente, termina na base do ligamento esplenorrenal ou estende-se para cima até bem próximo ao hilo esplênico. PROCESSO UNCINADO Projeta-se a partir da extremidade lateral inferior da cabeça da glândula. Tipicamente, se situa posterior a veia mesentérica superior e por vezes também à artéria mesentérica superior. Posteriormente, o processo uncinado é anterior à aorta e, inferiormente, repousa sobre a superfície superior da terceira parte do duodeno. 5/11 Anatomia do Pâncreas DUCTOS PANCREÁTICOS O ducto pancreático principal (de wirsung) começa na cauda do pâncreas e atravessa o parênquima da glândula até a cabeça do pâncreas. Tende a estar mais próximo da face posterior que da face anterior e é formado pela junção de vários ductos lobulares (secundários) da cauda. Seu calibre aumenta à medida que segue dentro do corpo, pois recebe mais ductos lobulares que se unem quase em ângulo reto, formando um padrão em “espinha de peixe”. Quando o ducto pancreático chega ao colo da glândula, geralmente se vira inferior e posteriormente em direção ao ducto biliar, que está ao seu lado direito. Os dois ductos penetram obliquamente na parede da parte descendente do duodeno e se reúnem na ampola hepatopancreática (de Vater), curta e dilatada, que se abre na parte descendente do duodeno na papila maior. O ducto pancreático acessório (de Santorini) drena a parte superior da cabeça do pâncreas anteriormente. Tem calibre muito menor que o do ducto pancreático principal, ascende anteriormente a esse e é formado no interior da substância da cabeça a partir de vários ductos lobulares. O ducto pancreático acessório geralmente se abre em uma papila duodenal secundária pequena e arredondada, a papila menor do duodeno, que está a cerca de 2 cm, anterossuperior, da papila maior. NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana, 5 ed. 6/11 Anatomia do Pâncreas VASCULARIZAÇÃO A irrigação arterial do pâncreas provém principalmente dos ramos da artéria esplênica, aterias gastroduodenal e mesentérica superior. Até 10 ramos da artéria esplênica irrigam o corpo e a cauda do pâncreas. As artérias pancratoduodenais superiores anterior e posterior (ramos da artéria gastroduodenal) e as artérias pancratoduodenais inferiores anterior e posterior (ramos da artéria mesentérica superior) formam arcos anteriores e posteriores que irrigam a cabeça do pâncreas. NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana, 5 ed. 7/11 Anatomia do Pâncreas A drenagem venosa do pâncreas é basicamente para o sistema porta. A cabeça e o colo drenam principalmente por intermédio das veias pancreaticoduodenais superior e inferior. O corpo e a cauda drenam predominantemente para veias pequenas que correm diretamente para a veia esplênica ao longo da superfície posterior da glândula ou pode haver ainda drenagem diretamente para a veia porta. NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana, 5 ed. DRENAGEM LINFÁTICA A drenagem linfática do pâncreas é extensa. Vários grupos de linfonodos podem receber a drenagem proveniente de cada uma das regiões da glândula. Os capilares linfáticos surgem ao redor dos ácinos pancreáticos. Os vasos linfáticos maiores seguem o suprimento arterial e drenam para os linfonodos situados ao redor do pâncreas e para grupos de linfonodos adjacentes. 8/11 Anatomia do Pâncreas NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana, 5 ed. INERVAÇÃO Os lóbulos que desempenham função exócrina no pâncreas são inervados por uma fina rede de fibras simpáticas e parassimpáticas. O suprimento simpático origina-se do sexto ao décimo segmentos torácicos da medula espinal e é distribuído ao pâncreas principalmente via contribuição simpática aos gânglios celíacos. As fibras pós-ganglionares chegam até a glândula por meio do suprimento arterial, na forma de plexos periarteriais. O suprimento parassimpático provém do nervo vago posterior e do componente parassimpático do plexo celíaco. Já a inervaçãodas ilhotas endócrinas é oriunda quase exclusivamente da parte parassimpática do sistema nervoso. Ramos delgados ramificam-se entre as células e formam plexos ao redor das ilhotas. Os gânglios parassimpáticos estão no tecido conjuntivo dentro dos lóbulos associados às células das ilhotas, formando complexos neuroinsulares. Tanto as células alfa quanto as beta participam desses complexos neuroinsulares. 9/11 Anatomia do Pâncreas NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana, 5 ed. 10/11 Anatomia do Pâncreas REFERÊNCIAS STANDRING, S. (Ed.). Gray's anatomia: a base anatômica da prática clínica. 40. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2010. MOORE, K. L. Anatomia orientada para a clínica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2014. NETTER, F. H. Atlas de anatomia humana. 5 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2011. 11/11 Anatomia do Pâncreas