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LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO “A Faculdade Católica Paulista tem por missão exercer uma ação integrada de suas atividades educacionais, visando à geração, sistematização e disseminação do conhecimento, para formar profissionais empreendedores que promovam a transformação e o desenvolvimento social, econômico e cultural da comunidade em que está inserida. Missão da Faculdade Católica Paulista Av. Cristo Rei, 305 - Banzato, CEP 17515-200 Marília - São Paulo. www.uca.edu.br Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. Todos os gráficos, tabelas e elementos são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência, sendo de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos. Diretor Geral | Valdir Carrenho Junior LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO SUMÁRIO AULA 01 AULA 02 AULA 03 AULA 04 AULA 05 AULA 06 AULA 07 AULA 08 AULA 09 AULA 10 AULA 11 AULA 12 AULA 13 PROCESSO DE CONVERGÊNCIA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E INTRODUÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE LEI 6.404/76: EXERCÍCIO SOCIAL E INTRODUÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE I PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE II PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE III CPC 00 - ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIO FINANCEIRO CPC 01 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVE DE ATIVOS CPC 03 - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL CPC 06 – ARRENDAMENTOS CPC 12 - AJUSTE A VALOR PRESENTE CPC 16 - ESTOQUES 06 15 22 28 32 35 43 52 57 62 67 71 76 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 14 AULA 15 AULA 16 CPC 25 - PROVISÕES, PASSIVOS CONTINGENTES E ATIVOS CONTINGENTES CPC 26 - APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS CPC 27 - ATIVO IMOBILIZADO 81 87 93 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 5 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO INTRODUÇÃO Olá, tudo bem com você? Espero que sim e desde já te parabenizo pela escolha desse curso, já que integrar uma das ciências que estudam o patrimônio das empresas em um mercado cada vez mais competitivo e nos dias atuais é sem dúvida, um grande desafio! Fico feliz em poder fazer parte desse momento tão importante em sua vida e espero, verdadeiramente, contribuir de sobremaneira para sua formação e sucesso profissional! Iremos estudar inicialmente o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade, o que sem dúvida, foi um dos grandes acontecimentos - senão o maior - no mundo contábil. O Brasil passou em 2007, junto com os contabilistas da época, sem dúvida, por um grande desafio. Nesse processo de convergência às normas internacionais, um dos momentos mais marcantes também, aconteceu em 2016 quando da revogação da Resolução do Conselho Federal de Contabilidade - CFC nº 750 de 1993, a qual regia os Princípios Contábeis. Tal Resolução foi revogada pela NBC TSP Estrutura Conceitual - fruto da convergência: novos entendimentos entraram em cena, os quais vamos estudar em nossas aulas. Dando continuidade em nosso ciclo, iremos apreciar as principais demonstrações financeiras: balanço patrimonial, demonstração do resultado do exercício, demonstração dos fluxos de caixa, demonstração do valor adicionado e demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados, resguardando é claro, suas particularidades e fazendo, inclusive, alguns termos comparativos entre a Lei nº 6.404/76 e o Pronunciamento Técnico do CPC nº 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis. Por falar nisso, iremos estudar os principais Pronunciamentos Técnicos do CPC, um órgão essencial para a aplicação prática das novas normas internacionais de contabilidade no Brasil. Dentre eles, iremos estudar a Estrutura Conceitual, a Redução ao Valor Recuperável de Ativos, bem como o Ativo Intangível e Ativo Imobilizado, além de Arrendamentos, Estoques e Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. De fato, uma grande jornada de estudos nos aguarda, vamos nessa?! Bons estudos! Professor William Notario! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 6 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 1 PROCESSO DE CONVERGÊNCIA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE Tudo ia muito bem no exercício da profissão contábil, desde os primórdios até quando precisamos passar por mudanças e elas sempre vieram para atualizar os procedimentos contábeis às tendências e práticas adotadas, ou seja, buscando a melhoria dos processos - mesmo que as mudanças sejam e foram traumáticas. Nesse sentido, em 2007, especificamente em dezembro, surge a Lei nº 11638/07, dando abertura para a nossa contabilidade convergir às normas internacionais. Essa Lei trouxe alterações significativas na Lei nº 6404/76, a Lei das Sociedades Anônimas no Brasil, conhecida como Lei das S.A. Ao imaginar que essa seria a maior alteração nas práticas contábeis brasileiras, surge em dezembro de 2008, a Medida Provisória nº 449/08 com significativas mudanças – principalmente nas demonstrações contábeis. Essa MP foi consolidada pela Lei nº 11941/09, finalizando, é o que tudo indica, o ciclo das mudanças por força de lei. Nessa busca pela nova contabilidade, mudanças significativas foram inseridas e vamos tentar comentar das principais, vamos nessa? No Brasil, existe o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, que é responsável por traduzir as normas internacionais de contabilidade e providenciar o seu cumprimento, junto aos demais órgãos envolvidos, por exemplo, Conselho Federal de Contabilidade, IBRACON, entre outros. Dentre os diversos Pronunciamentos Técnicos emitidos pelo CPC, um dos que se destaca é o que vamos explorar a partir de agora: CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11638/07 e da Medida Provisória nº 449/08. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 7 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto está na rede Quando o Brasil foi impactado pelas alterações provenientes das legislações já citadas, um dos importantes pilares dessas mudanças foi o Pronunciamento Técnico CPC 13, que trouxe a adoção das novas práticas e orientou os profissionais e estudantes da época – e até hoje. Saiba mais em http://static. cpc.aatb.com.br/Documentos/223_CPC_13.pdf. As entidades fizeram uso excessivo do Pronunciamento em questão quando suas demonstrações foram divulgadas de acordo com as novas práticas contábeis e referindo-se a um período – exercício social – iniciado em 1º de janeiro de 2008. Uma importante observação dessas mudanças é que elas não se encaixam como mudança de estimativas ou eventos econômicos, mas são fruto de um processo normativo com direção às Normas Internacionais de Contabilidade. Sendo assim, o entendimento do Pronunciamento foi que as contabilizações deveriam ser feitas como mudanças de critérios ou práticas contábeis. O objetivo do Pronunciamento em questão foi garantir que as primeiras demonstrações contábeis elaboradas de acordo com as novas exigências trouxessem informações que indicassem um ponto de partida ideal para a contabilidade, e que fossem transparentes para os usuários – tarefa árdua, pois imagine publicar novas demonstrações, com tantas alterações de informações para usuários que estavam acostumados com os grupos de contas e a forma de apresentação dos relatórios. Ah, aqui cabe um adendo: se foi difícil para os usuários, imagine para os profissionais contábeis que estavam acostumados a elaborar as demonstrações e a adotar procedimentos que há anos desempenhavam? Essa adaptação aos novos métodos foi uma verdadeira “bagunça”. Uma das principais preocupações era que as informações não exercessem um custo maior do que os benefícios a serem gerados, afinal, não faria nenhumsentido que para gerar a informação custasse mais do que os benefícios que ela iria proporcionar. Ah, essa é uma preocupação da contabilidade até os dias de hoje: a informação só é gerada se o custo-benefício for compensatório. As entidades que aplicaram o Pronunciamento foram as que tiveram as suas primeiras demonstrações contábeis elaboradas de acordo com essas novas práticas adotadas no Brasil. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/223_CPC_13.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/223_CPC_13.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/223_CPC_13.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 8 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Imagem: novas práticas contábeis adotadas no Brasil. Fonte: https://pixabay.com/pt/escritura%C3%A7%C3%A3o-contabilidade-impostos-615384/ É importante lembrar que houve modificações exigidas de maneira obrigatória pelas alterações nas legislações que estamos discutindo agora, e são com essas que estamos nos preocupando nesse momento. O mesmo aconteceu na época com o Pronunciamento Técnico que citamos anteriormente, ou seja, não entramos no mérito de alterações provenientes de outras alterações e disposições legais, ou ainda questões ligadas a erros e mudanças de políticas contábeis, pois são itens que recebem tratamento específico por outros Pronunciamentos, que iremos discutir mais adiante. Um dos entendimentos, segundo o CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11638/07 e da Medida Provisória nº 449/08, especificamente no item 10 é que: A entidade deve elaborar balanço patrimonial inicial na data de transição para as novas práticas contábeis adotadas no Brasil, que é o ponto de partida para sua contabilidade de acordo com a Lei nº 11.638/07 e Medida Provisória nº 449/08. Esse balanço patrimonial inicial deve ser elaborado de acordo com os termos deste Pronunciamento. Por exemplo: para uma entidade que tem seu exercício social coincidente com o ano-calendário, a data-base das primeiras demonstrações contábeis elaboradas de acordo com as novas práticas contábeis adotadas no Brasil é 31 de dezembro de 2008. https://pixabay.com/pt/escritura%C3%A7%C3%A3o-contabilidade-impostos-615384/ https://pixabay.com/pt/escritura%C3%A7%C3%A3o-contabilidade-impostos-615384/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 9 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Observe que as exigências para as entidades empresariais eram bem específicas. Por exemplo, caso a entidade optasse por seguir fielmente o que traz o § 1º do art. 186 da Lei nº 6.404/76, a data de transição seria o encerramento de 31 de dezembro de 2007, ou então a abertura do exercício em 1º de janeiro de 2008. Ao mesmo tempo que, caso a entidade empresarial optasse por reapresentar cifras alteradas e atualizadas, conforme disciplina a norma de práticas contábeis e suas alterações, a data de transição seria o período mais antigo que já tinha sido apresentado. Por exemplo, o encerramento do exercício em 31 de dezembro de 2006, ou ainda a abertura do exercício em 1º de janeiro de 2007. Nessas demonstrações, a condição é que a entidade cumpra o imposto pela Lei nº 11638/07 e pela Medida Provisória nº 449/08, o que faz com que a entidade reconheça todos os ativos e passivos nos quais o reconhecimento é exigido pelas legislações em questão, ao passo que não reconheça os ativos e passivos caso as bases legais não permitam e, claro, aplique as novas práticas contábeis em atendimento a tais legislações. Eu imagino que esteja confuso para você neste momento, mas aguente firme porque a ideia aqui é que você entenda, em resumo, o que foi o processo de início da convergência às Normas Internacionais de Contabilidade. Uma outra informação importante apresentada no Pronunciamento e que certamente foi muito utilizada é a proibição de que a entidade faça dispensas mencionadas em sua redação sem autorização ou disposição legal, ou seja, somente por intuição ou por suas próprias palavras, por analogia. Houve orientações também para os Instrumentos Financeiros como, por exemplo, seguir orientações da legislação vigente e inclusive de outro Pronunciamento Técnico: CPC 14 – Instrumentos Financeiros, no que diz respeito às participações societárias e outros itens. De igual modo, houve orientações para o Arrendamento Mercantil Financeiro, que é uma espécie de financiamento, com algumas particularidades que você deverá estudar em uma disciplina um pouco mais avançada. Segundo o CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11638/07 e da Medida Provisória nº 449/08, especificamente no item 19, temos que: A nova Lei incorporou ao ativo imobilizado os direitos que tenham por objeto bens destinados à manutenção das atividades da entidade, ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram à entidade os benefícios, os riscos e o controle desses bens. Dessa forma, passou a abranger inclusive os bens que não são FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 10 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO de propriedade da entidade, mas cujos controles, riscos e benefícios são por ela exercidos. Nesse sentido, podemos entender que para os contratos de arrendamento mercantil financeiro, esses que o trecho do Pronunciamento traz como fruto das operações que transfiram à entidade os benefícios, os riscos e o controle, na data da alteração na legislação, para a elaboração das demonstrações contábeis, foram observadas algumas situações, entre elas, registrar no ativo imobilizado o bem arrendado, ou seja, o bem objeto do contrato, pelo valor presente dos pagamentos das parcelas do arrendamento, na data do início do contrato, ajustados pela depreciação acumulada. Isto está na rede Arrendamento mercantil – o famoso leasing, que disciplina um dos Pronunciamentos Técnicos, especificamente o CPC 06 – Operações de Arrendamento Mercantil. Saiba mais em http://www.cpc.org.br/CPC/ Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=37 Uma das modificações que mais chamaram a atenção também, sem dúvida, foi a extinção do grupo de contas chamado Ativo Diferido. Tudo começou na Lei nº 11638/07, que impôs restrições de lançamentos de gastos nesse grupo. Após isso, a Medida Provisória nº 449/08 extinguiu esse grupo de contas. Reforço que hoje esse grupo não existe mais, então a ideia aqui é que você conheça as alterações que foram impostas por essas importantes legislações que conduziram o processo de convergência às Normas Internacionais. Também, nesse sentido, foi introduzido um novo grupo de contas – esse é importanteque você conheça e estude com mais tranquilidade – chamado de Ativo Intangível. Digo isso porque está presente na contabilidade atual e, de fato, é muito comum em nossos estudos, ok? http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=37 http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=37 http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos/Pronunciamento?Id=37 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 11 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto está na rede Ativo Intangível – é um ativo não monetário identificável sem substância física. Saiba mais em http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_ rev%2012.pdf No entendimento do CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11638/07 e da Medida Provisória nº 449/08, no item 21, temos que um ativo intangível somente poderá ser reconhecido pela entidade, apenas se: (a) for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo sejam gerados em favor da entidade; (b) o custo do ativo puder ser mensurado com segurança e (c) for identificável e separável, ou seja, puder ser separado da entidade e vendido, transferido, licenciado, alugado ou trocado, seja individualmente ou em conjunto com um contrato, ativo ou passivo relacionado. Vamos imaginar um ativo intangível, por exemplo, um sistema. Agora,observe como que esse intangível – sistema – pode ser aplicado nas condições acima apresentadas da seguinte forma: (a) os benefícios econômicos gerados por um sistema podem ser atribuídos a favor da entidade que o possui, por exemplo, uma entidade empresarial que usa um sistema de gestão integrada para suas atividades. (b) imagine que esse sistema foi produzido internamente pela entidade empresarial. Isso mesmo, os ativos intangíveis podem ser adquiridos prontos, que é o mais comum, ou ainda serem produzidos internamente desde que os valores gastos com as pesquisas e com o desenvolvimento depois da comprovação da viabilidade econômica sejam mensuráveis. (c) a entidade empresarial que possui o sistema do nosso exemplo pode comercializar, transferido, alugado e de acordo com as situações apresentadas nesse item, sem prejudicar suas funcionalidades. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 12 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Ainda, de acordo com as modificações propostas por essas tendências e convergência às Normas Internacionais, temos a questão dos Lucros Acumulados. Antes da Lei nº 11638/07 as entidades empresariais mantinham saldo de lucros por períodos sem se preocupar em fazer as destinações desse lucro. Surge então a exigência da Lei em questão para que haja destinação dos lucros para as reservas de lucros e para os dividendos (remuneração dos sócios), conforme item 42 do CPC 13 – Adoção Inicial da Lei nº 11638/07 e da Medida Provisória nº 449/08: Segundo a Lei das S.A., conforme modificação introduzida pela Lei nº. 11.638/07, o lucro líquido do exercício deve ser integralmente destinado de acordo com os fundamentos contidos nos Arts. 193 a 197 da Lei das S.A. A referida Lei não eliminou a conta de lucros acumulados nem a demonstração de sua movimentação, que devem ser apresentadas como parte da demonstração das mutações do patrimônio líquido. Essa conta, entretanto, tem natureza absolutamente transitória e deve ser utilizada para a transferência do lucro apurado no período, contrapartida das reversões das reservas de lucros e para as destinações do lucro. Vale lembrar que a Lei das S.A é a Lei nº 6404/76, que sofreu as alterações que estamos discutindo, através das seguintes legislações: Lei nº 9457/97; Lei nº 10303/01; Lei nº 11638/07 e Lei nº 11941/09. Entendemos que, com essa exigência, os valores apurados como resultado do exercício, na condição de lucro, ao ser transferido para o patrimônio líquido, que representa os sócios, deve ser destinado. Por fim, mas não menos importante, temos as modificações nas duplicatas descontadas, conhecidas como uma das operações financeiras que a empresa realiza durante suas rotinas. O desconto de duplicatas é uma operação realizada entre a entidade empresarial e uma instituição financeira, tradicionalmente, os bancos. Anote isso As duplicatas descontadas são consideradas uma operação financeira, por exemplo, uma espécie de empréstimo bancário, ou seja, é uma obrigação da entidade empresarial. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 13 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO As duplicatas descontadas surgem quando a organização empresarial faz uma venda a prazo e não tem condições financeiras de esperar o recebimento no vencimento ora acordado, ou seja, precisa de dinheiro antes e vai antecipar o recebimento junto ao banco. Sendo assim, a empresa entrega a duplicata para o banco e este, após calcular juros e encargos financeiros contratuais, realiza o depósito ou entrega do dinheiro à empresa, na importância líquida (valor da duplicata – encargos financeiros). Observe que nessa operação a empresa assume uma responsabilidade solidária junto ao banco, porque se acontecer de o cliente não pagar a duplicata no vencimento, o banco vai cobrar da empresa o valor antecipado e não do cliente, consegue perceber? Isto acontece na prática Diariamente, as empresas promovem os descontos de duplicatas, que é uma operação financeira em que a empresa entrega determinadas duplicatas para o banco e este lhe antecipa o valor em conta corrente, cobrando juros antecipadamente. Saiba mais em https://blog.contaazul.com/duplicatas- descontadas-como-funciona Você já deve ter comprado alguma coisa a prazo. Em algum momento o fornecedor onde você adquiriu te ligou e disse: estou descontando sua duplicata? Acredito que não, porque as duplicatas descontadas são operações internas da entidade empresarial, ou seja, ela adquire a responsabilidade junto ao banco, e caso o cliente faça o pagamento no dia, a empresa simplesmente repassa o dinheiro ao banco para quitar a sua obrigação. Por sua vez, quando o cliente não paga, a empresa deve quitar sua obrigação com a instituição financeira, promovendo a quitação da operação financeira concedida. Mas nem sempre foi assim. Isso mesmo. Antes da Lei nº 11941/09, as duplicatas descontadas eram consideradas contas retificadoras das duplicatas a receber no próprio ativo. Depois da Lei nº 11941/09, elas passaram a ser consideradas obrigações da entidade empresarial – o cenário que estamos abordando hoje – e classificadas no passivo. https://blog.contaazul.com/duplicatas-descontadas-como-funciona https://blog.contaazul.com/duplicatas-descontadas-como-funciona https://blog.contaazul.com/duplicatas-descontadas-como-funciona FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 14 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso Antes da Lei nº 11941/09, eram retificadoras do ativo. Depois da Lei nº 11941/09, passaram a ser consideradas obrigações, no passivo. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 15 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 2 PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E INTRODUÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE Assim como em toda e qualquer disciplina ou área de estudo, os princípios servem para dar um norte às condutas profissionais e, mais que isso, para padronizar os procedimentos que envolvem o processo contábil – falando, é claro, da contabilidade. Estamos diante de um importante momento na contabilidade brasileira, a qual em 2007 e 2008 passou pelo que chamamos de convergências às normas internacionais de contabilidade. Pois bem, dentre tantas mudanças nas práticas contábeis desde o início do processo da convergência, temos uma que chamou muita atenção: a revogação da Resolução que gerenciava os princípios contábeis! Isso mesmo: a Resolução que regia os Princípios foi revogada! Aí a sua primeira pergunta vai ser: quer dizer que os Princípios não existem mais? Calma, calma! A Resolução deixou de vigorar, mas a aplicabilidade vai continuar na essência dos profissionais e literaturas, uma vez que são conceitos usuais e enraizados na Contabilidade. Anote isso A Resolução que regia os princípios foi revogada, mas sua essência ainda permanece até hoje nos mais diversos assuntos contábeis, ou seja, os princípios continuam existindo e sendo aplicados na prática. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 16 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Então, vamos lá: A Resolução CFC nº 750/93 vigorou sem nenhuma alteração até 2010, quando a Resolução CFC nº 1.282/2010 atualizou alguns dos seus dizeres e retirou, por exemplo, o Princípio da Atualização Monetária. Mais tarde, em 01/01/2017, ambas deixaram de vigorar, e passamos a estudar a NBC TSP Estrutura Conceitual. Além disso, acreditamos que as cobranças das próximas provas sejam mais complexas e confusas, uma vez que além dos Princípios, podem ser cobrados itens dos Pronunciamentos Técnicos do CPC, por exemplo, CPC 00 – Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro que, por sua vez, traz além das características qualitativasda informação contábil, os conceitos dos Princípios na sua redação, além da própria NBC TSP Estrutura Conceitual. Dessa forma, vamos dar uma olhada em cada um deles e nas suas principais ideias, para que consigamos entender as suas novas aplicações. Princípio da Entidade O Princípio da Entidade é um dos mais conhecidos e reconhece o patrimônio como objeto da Contabilidade e afirma a autonomia patrimonial, ou seja, a necessidade da diferenciação de um patrimônio particular no universo dos patrimônios existentes, independentemente de pertencer a uma pessoa, um conjunto de pessoas, uma sociedade ou instituição de qualquer natureza ou finalidade, com ou sem fins lucrativos. Por consequência, nesta acepção, o patrimônio não se confunde com aqueles dos seus sócios ou proprietários, no caso de sociedade ou instituição. Imagine que hoje seja o dia do vencimento de uma fatura de energia elétrica da residência de um dos sócios da empresa ABC Ltda. O sócio, sem dinheiro, coloca a sua fatura no movimento das contas a pagar da empresa, para ser paga pela conta bancária da empresa. Essa situação, ou se fosse o contrário (o sócio pagar uma despesa da empresa), fere explicitamente o Princípio da Entidade. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 17 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto acontece na prática Sem dúvida, esse é o princípio mais “problemático”, uma vez que os sócios – principalmente de pequenas empresas – não conseguem ou não aceitam ter que separar os recursos financeiros, alegando que é tudo dele e que essa divisão não se faz necessária, por exemplo, nos casos apresentados no artigo disponível em https://blog.cefis.com.br/principio-de-entidade/. Princípio da Continuidade O Princípio da Continuidade está ligado ao período de duração da entidade empresarial e pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância. (Redação dada pela Resolução CFC n°. 1.282/10). Podemos entender então que tal Princípio está ligado à duração das atividades da entidade empresarial, sendo na maioria das vezes indeterminado. Tanto que, observando cláusulas contratuais de constituição de empresas podemos perceber que afirmam que a entidade inicia suas atividades na data da assinatura do ato constitutivo e que sua duração é indeterminada. Fique atento(a) ao encontrar em provas ou exercícios questões do tipo que a empresa que tem prazo de duração determinado e cumpre o seu objeto social, perguntando se fere o Princípio da Continuidade. Caso ocorra uma situação dessas, NÃO fere o Princípio, uma vez que se a entidade empresarial cumpriu seu objeto social, está tudo certo. Traduzindo: a regra geral é que o prazo de duração é indeterminado, ou seja, ninguém em sã consciência abre uma empresa hoje para fechar ela semana que vem. Todavia, quando a empresa tem prazo de duração determinado, não podemos taxativamente afirmar que o princípio da continuidade será ferido, já que ao cumprir seu objeto social (atividades empresariais) ela não fere a referida regra. Anote isso A intenção ou necessidade de uma entidade entrar em processo de liquidação é condição suficiente para que suas demonstrações contábeis sejam elaboradas FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 18 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO em bases distintas das utilizadas pelas entidades que têm a continuidade como premissa. Princípio da Oportunidade Está ligado ao processo de mensuração e apresentação das informações contábeis. O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas, itens obrigatórios para tornar a informação oportuna. Dessa forma, a informação deve ser íntegra (completa e verdadeira) e tempestiva (tempo certo) para que possa ser considerada na tomada de decisões, objetivo principal da contabilidade: gerar informações para auxiliar no processo de tomadas de decisões dos mais diversos usuários. Existe uma relação clara e bastante prática que, quanto mais oportuna a informação, mais relevante e confiável ela é. Essa relação inclusive, é tratada na Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro, a qual iremos estudar mais adiante. Princípio do Registro pelo Valor Original Está ligado ao registro das transações no patrimônio. O Princípio do Registro pelo Valor Original determina que os componentes do patrimônio devem ser inicialmente registrados pelos valores originais das transações, expressos em moeda nacional e esses valores somente podem ser alterados em casos específicos, os quais iremos tratar em momento oportuno. Quando você compra um carro ou uma máquina, ao longo do tempo, pelo uso, esse bem sofre uma desvalorização, o que a contabilidade chama de depreciação, da seguinte forma: Determinada empresa comprou uma máquina pelo valor de R$ 100.000,00 e segundo o fabricante, a máquina tem uma vida útil de 10 anos. Com essas informações, temos o seguinte: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 19 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Máquinas e Equipamentos...........................................R$ 100.000,00 (-) Depreciação Anual...................................................(R$ 10.000,00) = Valor contábil ao final do 1º ano.................................R$ 90.000,00 (-) Depreciação Anual...................................................(R$ 10.000,00) = Valor contábil ao final do 2º ano.................................R$ 80.000,00 O valor de R$ 100.000,00 é o que atende ao princípio do registro pelo valor original, o que chamamos de custo histórico como base de valor. Observe que ao longo dos anos, o valor contábil do bem é que sofre variação diante das depreciações anuais, sendo que o valor de custo permanece inalterado. Princípio da Competência Está ligado ao reconhecimento das receitas e das despesas, bem como à apuração do resultado. O Princípio da Competência determina que os efeitos das transações e outros eventos sejam reconhecidos nos períodos a que se referem, independentemente do recebimento ou pagamento. Um dos principais exemplos, para que possamos fixar esse Princípio, é a Folha de Pagamento. Isso mesmo: as operações com pessoal. Pense comigo: a folha de pagamento é calculada em um período e paga nos próximos dias, segundo a legislação brasileira, até o 5º dia útil do mês seguinte. Vamos lá: imagine que estamos no mês 05/2019, e vamos calcular as despesas com a Folha de Pagamento da empresa XYZ Ltda. No mês em questão, vamos contabilizar todas as despesas com pessoal referente aos funcionários da empresa. Todavia, o pagamento será feito até o 5º dia útil do mês 06/2019, ou seja, as despesas devem ser registradas quando acontecem, e não quando pagas. O mesmo acontece nas receitas: imagine uma venda de mercadorias a prazo. Nosso cliente vai levar as mercadorias hoje e pagar em três parcelas mensais e de igual valor. Pelo Princípio, devo reconhecer a receita hoje, quando emitimos a nota fiscal da venda das mercadorias, e não quando recebermos as duplicatas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 20 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto acontece na prática Imagine que um hotel aceitou reservas para o carnaval de 2020, recebendo o valor das diárias correspondentes a esse período em junho de 2019. Nessa situação, esse recebimento só pode ser registrado como receitas do exercício em 2020, quando de fato ela vai acontecer, independente de quando foi recebida. Princípio da Prudência Está ligado à cautela na valorização do patrimônio. O Princípio da prudência determina a adoção do menor valor para os componentes do ativo e receitas e do maior para os do passivo e despesas, sempre que se apresentem alternativas igualmente válidas para a quantificação das mutações patrimoniais que alteremo patrimônio. Considere a seguinte situação: uma compra de mercadorias a prazo no mercado externo, no valor de U$ 100.000,00 com cotação do dólar de R$ 4,00. Na data da compra, o valor da dívida com o fornecedor é de R$ 400.000,00 (valor da compra multiplicada pela cotação da moeda). Imagine ainda que, depois de vencido o prazo acordado na relação comercial, na data do pagamento podemos ter as seguintes situações: 1) Dólar cotado a R$ 3,50, ou seja, a dívida passou a ser de R$ 350.000,00; 2) Dólar cotado a R$ 4,50, o que elevaria a dívida para R$ 450.000,00; Nesse caso então, à luz do princípio da prudência, iremos nos preparar para pagar o maior valor, tendo em vista a adoção do maior valor para os elementos do passivo. Isto está na rede Observe este artigo bacana, que trata da aplicação dos princípios contábeis no cotidiano de uma empresa. Fonte: https://www.contabeis.com.br/artigos/5308/os-principios-contabeis- aplicados-ao-dia-a-dia-da-empresa/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 21 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Nesse sentido, a contabilidade “rodou” muito bem até os anos de 2007 e 2008, quando se deu início ao processo de convergência às Normas Internacionais de Contabilidade, que impuseram importantes e significativas mudanças às práticas contábeis, por exemplo, alterações nas estruturas das demonstrações contábeis e novos procedimentos práticos e técnicos. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 22 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 3 LEI 6.404/76: EXERCÍCIO SOCIAL E INTRODUÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS Exercício Social Um dos termos mais citados nos nossos estudos é o tal do “exercício social”. Vamos ver agora o seu embasamento e suas aplicações, já que de acordo com o artigo 175 da Lei 6.404/76, temos que: O exercício social terá duração de 1 (um) ano e a data do término será fixada no estatuto. Parágrafo único. Na constituição da companhia e nos casos de alteração estatutária o exercício social poderá ter duração diversa. Nesse sentido, entendemos que ao final do exercício, as companhias devem fazer com que sejam publicadas as suas demonstrações contábeis, as quais veremos com mais detalhes nas próximas aulas. Logo, se a companhia foi constituída regularmente e a data do término foi fixada em 31 de maio, o exercício social terá a duração de 01 de junho a 31 de maio. Geralmente, para facilitar nossa vida, a literatura traz na grande maioria dos seus livros o exercício social sendo de 01 de janeiro a 31 de dezembro, assim como nas provas e questões de práticas. Imagine ainda que, esta sociedade foi instituída em 01 de janeiro de 2020. Veja que a lei não determinou se o primeiro exercício social deverá durar apenas 3 meses ou se, alternativamente, poderá durar pelo período de 15 meses. Não há exigência de que o exercício social se inicie em 01 de janeiro e termine em 31 de dezembro, mas como disse, por questões fiscais, é muito difícil que na prática as sociedades adotem data diversa a essa. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 23 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Introdução às Demonstrações Financeiras Para estudar as demonstrações contábeis (também conhecidas como demonstrações financeiras), podemos tomar como base o que vamos fazer nesta aula, a Lei nº 6.404/76 e suas alterações posteriores, ou ainda o Pronunciamento Técnico CPC 26 – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Existem consideráveis diferença entre eles, mas vamos adotar um posicionamento e, claro, é prudente que você faça a leitura do CPC 26, combinados? Existem pelo menos dois tipos de empresa que devemos considerar ao estudar as demonstrações financeiras: as grandes empresas, predominantemente as de sociedades anônimas (S.A.), e as sociedades por quotas de responsabilidade limitada (Ltda.). As sociedades anônimas, também conhecidas por companhias, têm por características: [...] seu capital dividido em partes iguais chamadas ações (os proprietários, geralmente em grande número, são denominados acionistas), deverá publicar as Demonstrações Financeiras no Diário Oficial e em outro jornal de grande circulação editado na localidade onde se situa a empresa. Todos os atos previstos na legislação societária deverão ser arquivados no registro do comércio. (MARION, 2009, p. 47). São as grandes empresas sobre as quais são aplicadas as exigências da Lei nº 6.404/76 e suas alterações, cujas principais características são a negociação das ações no mercado de capital. Além dessas empresas, existem as sociedades por quotas de responsabilidade limitada (Ltda.), que geralmente são empresas menores (nada impede de termos grandes empresas com características societárias de limitadas) e que segundo o entendimento de Marion (2009, p. 47): FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 24 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO A Ltda., que se caracteriza por seu capital dividido em quotas (os proprietários, geralmente em pequeno número, são denominados sócios ou quotistas), não precisa publicar em jornal, deverá apresentar as demonstrações financeiras com o Imposto de Renda através do preenchimento da declaração do Imposto de Renda ou para atender ao Código Civil. De um modo geral, a maioria das empresas são sociedades por quotas de responsabilidade limitada, dadas as suas características e a dificuldade em ser uma companhia, tendo em vista todas as burocracias e consequentemente os custos envolvidos. As Demonstrações Financeiras Imagem: Demonstrações financeiras Fonte:https://elements.envato.com/couple-managing-the-debt-JPSW8NK Segundo a Lei nº 6.404/76 em seu Art. 176, temos que: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 25 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 11.638 de 2007) Esse trecho da legislação nos direciona ao estudo desta aula, vamos nessa? Quando a Lei traz “ao fim de cada exercício social”, podemos entender que exercício social, também conhecido como exercício financeiro, contábil, fiscal, entre outros, corresponde ao período geralmente compreendido entre janeiro e dezembro de cada ano, lembrando que cada entidade pode definir o período contábil de acordo com as suas atividades. Que isso fique bem claro! Sabemos que é a contabilidade e seus profissionais que elaboram as demonstrações, mas observe que a legislação “joga” a responsabilidade para os diretores e a alta administração da empresa – nomenclaturas comuns dentro das grandes empresas. Como a própria legislação menciona, as demonstrações financeiras deverão expressar com clareza a situação do patrimônio da entidade e as modificações ocorridas naquele período (exercício social). Anote isso A preocupação e exigência da legislação em fazer com que as demonstrações contábeis exprimam as alterações ocorridas no patrimônio da entidade empresarial, durante o período contábil, vai ao encontro da técnica contábil que estudamos na nossa primeira aula, lembra? A técnica da demonstração! Vale atentar-se para o fato de que a obrigatoriedade de apresentação da DOAR (Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos) foi extinta! A demonstração não foi extinta, somente a obrigatoriedade de apresentação, cuidado! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 26 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Outro ponto importante aqui, nesse trecho é comrelação à DFC (Demonstração dos Fluxos de Caixa - que inclusive, substituiu a DOAR), na qual à companhia fechada com PL < 2 milhões de reais não precisa elaborar DFC, conforme artigo 176, parágrafo sexto: § 6º A companhia fechada com patrimônio líquido, na data do balanço, inferior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais) não será obrigada à elaboração e publicação da demonstração dos fluxos de caixa. (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) Outro ponto importante, apresentado no parágrafo primeiro desse artigo é “§ 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior.” Isso garante que as demonstrações respeitem à comparabilidade das informações de um período para o outro, conforme reza também o item 38 do Proncunciamento Técnico do CPC 26 - Apresentação das Demonstrações Financeiras, transcrito abaixo: 38. A menos que um Pronunciamento Técnico, Interpretação ou Orientação do CPC permita ou exija de outra forma, a entidade deve divulgar informação comparativa com respeito ao período anterior para todos os montantes apresentados nas demonstrações contábeis do período corrente. Também deve ser apresentada de forma comparativa a informação narrativa e descritiva que vier a ser apresentada quando for relevante para a compreensão do conjunto das demonstrações do período corrente. Seguindo os aspectos introdutórios desse artigo, o parágrafo segundo traz que nas apresentações das demonstrações financeiras alguns dos saldos podem ser agrupados, visando facilitar o entendimento das demonstrações contábeis, evitando que o excesso de detalhes prejudique tal compreensão. Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados, desde que indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do respectivo grupo de contas; mas é vedada a utilização de designações genéricas, como “diversas contas” ou “contas-correntes”. Deste modo, se temos as contas aplicação em certificado bancário e aplicação em fundo de renda fixa, podemos agrupar tudo em uma única conta chamada aplicações financeiras. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 27 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Veja que há também a exigência que não se ultrapasse 10% do valor do respectivo grupo. Portanto, se no exemplo, as aplicações somaram o valor de R$ 10.000,00 e o ativo circulante somasse a R$ 50.000,00, não poderíamos agrupar, pois houve quebra do limite estabelecido pela lei. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 28 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 4 PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE I BALANÇO PATRIMONIAL – BP O balanço patrimonial é uma demonstração que evidencia a posição patrimonial e financeira da entidade, uma vez que traz informações sobre os componentes patrimoniais (ativo, passivo e patrimônio líquido), bem como ter por característica ser uma demonstração estática, pois apresenta os saldos em determinada data sem demonstrar as variações e composições daquela conta específica, por exemplo, a conta caixa vai apresentar o saldo em 31/12/2018 sem sabermos como ela chegou naquele determinado valor. BALANÇO PATRIMONIAL ATIVO PASSIVO + PATRIMÔNIO LÍQUIDO ATIVO CIRCULANTE PASSIVO CIRCULANTE PASSIVO NÃO CIRCULANTE ATIVO NÃO CIRCULANTE PATRIMÔNIO LÍQUIDO TOTAL DO ATIVO TOTAL DO PASSIVO + PL FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 29 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Observe que o balanço patrimonial representa graficamente os elementos patrimoniais da entidade, organizados, segundo a Lei nº 6.404/76, especificamente no Art. 178, da seguinte forma: Ativo • Ordem decrescente de liquidez Liquidez trata-se da condição de “virar” dinheiro Passivo • Ordem decrescente de exigibilidade Exigibilidade trata-se da exigência que será feito à empresa Isso significa que, no ativo, as contas são dispostas em ordem decrescente de “virar” dinheiro, por isso, as primeiras contas são as contas caixa e banco, e as últimas, as que representam o ativo não circulante – ARLP, imobilizado, intangível e investimentos. Anote isso A Lei deixa claro a ordem de apresentação do ativo, que é em ordem decrescente do grau de liquidez, mas não deixa claro a ordem de apresentação do passivo, isto é, esse entendimento vem de doutrinas (autores conceituados da área). Por sua vez, o passivo é apresentado na ordem que serão exigidos os pagamentos da empresa, por exemplo, as primeiras contas são fornecedores, salários e impostos a pagar, e as últimas contas representam as obrigações com os sócios, ou seja, parte- se do pressuposto que a empresa irá honrar no primeiro momento os compromissos com os terceiros, e depois, com os sócios. As principais contas do ativo são divididas em ativo circulante e ativo não circulante, e são representadas da seguinte forma (adaptado de Viceconti, 2013, p. 345): Ativo Circulante • As disponibilidades da empresa Caixa, banco e aplicações financeiras de liquidez imediata – resgate até 90 dias. • Os direitos realizáveis no curso do exercício subsequente Duplicatas a receber, títulos a receber e impostos a recuperar. • Os estoques FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 30 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Mercadorias para revenda, matéria-prima, produtos em elaboração, produtos acabados, materiais de limpeza e materiais de escritório. • As aplicações de recursos em despesas de exercícios seguintes Seguros pagos antecipadamente e aluguéis pagos antecipadamente. Ativo Não Circulante • Ativo Realizável a Longo Prazo – ARLP Os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, por exemplo, as vendas a prazo, os títulos a receber, os empréstimos realizados aos sócios, na qual a empresa tem o direito a receber, mas no longo prazo. • Investimentos As participações permanentes em outras entidades empresariais, as quais não representem a atividade principal da entidade empresarial, mas que dela gere fluxos de caixa. • Imobilizado Os bens corpóreos que promovem a manutenção da empresa, por exemplo, máquinas, veículos, terrenos, edifícios, ferramentas, móveis e computadores, entre outros. • Intangível Os bens incorpóreos que promovem a manutenção da empresa, por exemplo, marcas e patentes, direitos autorais, sistemas e direitos de exploração, entre outros. As principais contas do passivo total são divididas em passivo circulante, passivo não circulante e patrimônio líquido, e são representadas da seguinte forma, (adaptado de Viceconti, 2013, p. 349): Passivo Circulante • São contas que serão exigidas da empresa até o final do próximo exercício financeiro Fornecedores, impostos a pagar, aluguel a pagar, salários a pagar, duplicatas descontadas, empréstimos e financiamentos, receitas diferidas (quando forem realizadas no curto prazo), entre outras contas que tenham essas características. Passivo Não Circulante • São contas que serão exigidas da empresa depois do final do próximo exercício financeiro Empréstimos e financiamentos, debêntures, receitas diferidas (quando forem realizadas a longo prazo), passivos fiscais diferidos, provisões de longo prazo, entre outras que possuírem essas características. Patrimônio Líquido • São contas ligadas aos sócios e/ou acionistas da entidade empresarial Capital social, reservas de capital, reservas de lucros, entre outras contas mais específicas que você irá estudar em outras disciplinas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 31 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Você deve ter percebido em vários momentos a utilização das nomenclaturas curto e longo prazo, ou circulante e não circulante. Talvez, na sua cabeça, deve estar passando o questionamento do que realmente seja isso. Vamos ver? Segundo aLei nº 6.404/76, em seus Arts. 178 e 179, podemos perceber que a interpretação é que o circulante ou curto prazo são aqueles valores que serão realizados ou exigidos da empresa até o fim do próximo exercício financeiro. Por sua vez, o longo prazo ou não circulante são aqueles valores que serão realizados ou exigidos da empresa depois do próximo exercício financeiro. É desse entendimento que vêm as classificações para a apresentação no balanço patrimonial, conforme acabamos de ver na estrutura! Uma outra informação importante é aquela apresentada no Parágrafo Único desses artigos da Lei, que estamos discutindo, sendo que “Na companhia em que o ciclo operacional da empresa tiver duração maior que o exercício social, a classificação no circulante ou longo prazo terá por base o prazo desse ciclo”. Por definição, ciclo operacional “compreende o período desde a data em que a empresa efetua as compras de matérias-primas ou mercadorias até o recebimento de clientes”. Isso acontece muito, por exemplo, quando estamos falando de uma empresa que vende navios: vai prevalecer o ciclo operacional ao invés da contagem do exercício social. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 32 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 5 PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE II Imagem: deliberações sobre as demonstrações financeiras. Fonte: https://www.pexels.com/photo/white-laptop-1181406/ DEMONSTRAÇÃO DOS LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS: DLPA Essa demonstração tem por finalidade evidenciar o lucro líquido do exercício e a sua destinação, os ajustes pertinentes a essa conta e os saldos anteriores e atuais. Existe uma grande discussão e entendimentos sobre a relação dessa demonstração e da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido – DMPL, conforme aborda (RIBEIRO, 2013, p. 424): A elaboração dessa demonstração é exigida pela Lei nº 6.404/76, que faculta às companhias incluí-la na Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido; contudo, essa demonstração não é contemplada pelas normas internacionais. https://www.pexels.com/photo/white-laptop-1181406/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 33 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Pelos dizeres do autor, podemos perceber o posicionamento da legislação ao mesmo tempo que permite a elaboração de uma demonstração que está fora das exigências e padrões internacionais. Anote isso A DLPA é exigida pela Lei nº 6.404/76, ao mesmo tempo que faculta as empresas elaborarem a DMPL, e então estarem desobrigadas a elaborarem a DLPA. Uma verdadeira confusão, não é mesmo? Então, pela Lei: DLPA. Caso a empresa opte pela DMPL, estará desobrigada de elaborar a DLPA. Isso porque a DLPA está contida na DMPL, ou seja, elaborando a DMPL, automaticamente, a DLPA estará atendida! Vale lembrar ainda que a Lei nº 11.638/07 excluiu do PL a conta e Lucros Acumulados, obrigando então que as empresas fizessem a destinação dos lucros acumulados e deixassem apenas a empresa acumular prejuízos! Nesse sentido, A partir dessa nova determinação, as entidades devem dar destino a todo o lucro líquido apurado no final do exercício social, utilizando-o na compensação de prejuízos acumulados, na constituição de reservas, no aumento do capital ou na distribuição dos acionistas. (RIBEIRO, 2013, p. 424). Sendo assim, está proibida a apresentação de saldo na conta “lucros acumulados”, ou ainda de saldo credor (saldo credor representa mais receitas do que despesas, ou seja, um resultado positivo, que é um lucro) na DLPA. DESCRIÇÃO EXERCÍCIOATUAL EM R$ EXERCÍCIO ANTERIOR EM R$ 1 Saldo no início do período 2 Ajustes de exercícios anteriores 3 Saldo ajustado 4 Lucro ou prejuízo do exercício FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 34 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO 5 Reversão de reservas 6 Saldo a disposição 7 Destinação do exercício 7.1 Reserva Legal 7.2 Reserva Estatutária 7.3 Reserva para Contingência 7.4 Outras Reservas 7.5 Dividendos Obrigatórios 7.6 Juros sobre Capital Próprio 8 Saldo no fim do período Para proceder com a elaboração da Demonstração dos Lucros ou Prejuízos Acumulados – DLPA, temos que coletar os dados que foram registrados anteriormente, através da escrituração contábil (os débitos e créditos). Isto está na rede A DLPA evidencia as alterações ocorridas no saldo da conta de lucros ou prejuízos acumulados, no Patrimônio Líquido. De acordo com o artigo 186, § 2º da Lei nº 6.404/76, adiante transcrito, a companhia poderá, à sua opção, incluir a demonstração de lucros ou prejuízos acumulados nas demonstrações das mutações do patrimônio líquido. “A demonstração de lucros ou prejuízos acumulados deverá indicar o montante do dividendo por ação do capital social e poderá ser incluída na demonstração das mutações do patrimônio líquido, se elaborada e publicada pela companhia.” F o n t e : h t t p : / / w w w . p o r t a l d e c o n t a b i l i d a d e . c o m . b r / g u i a / demonstlucrosprejacumulados.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/pl.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstlucrosprejacumulados.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/demonstlucrosprejacumulados.htm FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 35 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 6 PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS: DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE III Imagem: elaboração e análises das demonstrações financeiras. Fonte: https://www.pexels.com/photo/iphone-notebook-pen-working-34578/ DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO – DRE A DRE é uma demonstração de cunho econômico e de desempenho, ou seja, ela traz os resultados da entidade empresarial em determinado período de tempo. Tem ainda, por característica, ser dinâmica, ao contrário do balanço patrimonial que é estático, uma vez que na DRE conseguimos entender a composição do resultado. No entendimento de Marion, 2009, p. 98, temos que: A demonstração do resultado do exercício é um resumo ordenado das receitas e despesas da empresa em determinado período, normalmente 12 meses. É apresentada de forma dedutiva (vertical), ou seja, das receitas subtraem-se as despesas e, em seguida, indica- se o resultado (lucro ou prejuízo). https://www.pexels.com/photo/iphone-notebook-pen-working-34578/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 36 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Conseguimos perceber então a explicação de ela ser uma demonstração dinâmica e mais que isso, uma demonstração de desempenho: traz o resultado da entidade empresarial. Percebe que não precisamos ir muito para entender a importância dessa demonstração, a qual tem por modelo, de acordo com o Art. 187 da Lei nº 6.404/76. A seguir, vamos conhecer a estrutura da DRE: DEMONSTRAÇÃO DO RESULTADO DO EXERCÍCIO - DRE + Receita Bruta (-) Deduções da Receitas Bruta = Receita Líquida (-) CMV, CPV ou CSP = Lucro Bruto (-) Despesas com vendas, administrativas e gerais (+/-) Outras receitas e despesas = Resultado antes das receitas e despesas financeiras + Receitas financeiras (-) Despesas financeiras = Resultado antes dos tributos sobre o lucro (-) Despesas com tributos sobre o lucro - IR e CSLL = Resultado antes das participações sobre o lucro (-) Participações Estatutárias = Resultado líquido das operações continuadas (+/-) Resultado líquido das operações descontinuadas = Resultado líquido do período FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 37 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO As receitas brutas são compostas pelo somatório de notas fiscais de vendas (mercadorias para comércio, produtos para indústria e serviços para prestadora de serviços) durante determinado período, que iremos considerar 12 meses. Vale lembrar que o reconhecimento dessas vendas atende ao regime de competência, conforme legislaçãoem vigor. As deduções da receita bruta representam os valores que irão diminuir o valor das vendas, deixando-as líquidas. As deduções são: • Devoluções Trata-se de vendas devolvidas, ou seja, quando as mercadorias ou produtos já haviam sido entregues ao cliente. • Cancelamentos São as vendas canceladas, representando aquelas que ainda não haviam sido entregues ao cliente. • Abatimentos É uma espécie de desconto concedido ao cliente, quando a mercadoria ou produto já foi entregue e tem por objetivo evitar a devolução daquela venda. • Descontos incondicionais Também conhecido como desconto comercial ou promocional, é aquele que acontece no momento da venda, sem condição específica para o ter. • Impostos sobre as vendas o Sem dúvida, representam a principal dedução da receita, principalmente devido à alta carga tributária que o Brasil possui. Temos aqui, por exemplo, o ICMS, o Pis e a Cofins como assíduos representantes desse grupo. • Ajuste a valor presente Uma alteração trazida pela Lei nº 12.973/2014, rezando que as operações vinculadas à Receita Bruta sejam ajustadas a valor presente para um melhor efeito sobre a tomada de decisões dos usuários da informação. A receita bruta deduzida das situações acima apresentadas (deduções da receita bruta) nos traz a receita líquida com vendas, que é a primeira igualdade da demonstração do resultado do exercício. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 38 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso Para um melhor entendimento da demonstração do resultado do exercício, considere todas as contas com efeito positivo como sendo receitas, ao passo que todas as contas com efeito negativo como despesas. Sobre a receita líquida, iremos deduzir os custos das vendas realizadas. Essa nomenclatura irá depender exclusivamente das atividades empresariais desenvolvidas: • Empresa comercial Venda de mercadorias • Empresa industrial Venda de produtos • Empresa prestadora de serviços Venda de serviços Importante observar que nada impede de uma empresa ser industrial e comercial, comercial e prestadora de serviços, ou ainda industrial, comercial e prestadora de serviços ao mesmo tempo. A separação das receitas existe para um maior controle e, como sempre, buscar atender ao objetivo da contabilidade: gerar informações com qualidade aos usuários. Esse custo é composto principalmente pelo valor da compra das mercadorias ou da matéria-prima necessária para o processo produtivo. Mas, além desse valor principal, da compra em si paga ao fornecedor, temos embutidos todos os gastos necessários para realizar a compra, por exemplo, fretes, seguros e despesas acessórias. De igual modo, para obter a receita com venda dessas mercadorias e/ou produtos, temos o que chamamos de sacrifício para obter a receita – que são as despesas – que podem ou não gerar saída de caixa da empresa, por exemplo, frete sobre vendas, propaganda e publicidade e despesas com clientes, entre outros. Na sequência da estrutura, temos o lucro bruto, também conhecido como resultado com mercadorias (no caso de uma empresa comercial), uma vez que apresenta, até este momento, apenas valores relacionados com as mercadorias (vendas e principais deduções das vendas). Esse lucro bruto é um importante indicador para a entidade empresarial, tendo em vista que a partir dele ainda serão deduzidas todas as despesas FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 39 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO operacionais e financeiras da entidade, ou seja, esse resultado no lucro bruto tem de ser considerável, caso contrário, podemos afirmar que a empresa certamente terá um prejuízo como resultado final. Do lucro bruto, a estrutura propõe uma importante dedução: as despesas operacionais, que podem ser divididas em despesas com vendas, administrativas e gerais. DESPESAS OPERACIONAIS • Despesas com vendas Relacionadas diretamente com as vendas, por exemplo, fretes sobre vendas (para entregar as mercadorias vendidas), propagandas e publicidades, despesas com estimativas de perdas com clientes, com perdas de estoques, salários e comissões de vendedores ou funcionários desse setor, entre outras. • Despesas Administrativas Relacionadas geralmente com o alto escalão da empresa e/ou com o departamento administrativo, por exemplo, pró-labore dos diretores e administradores, honorários contábeis e advocatícios, sistemas e salários de funcionários desses setores. • Despesas gerais Relacionadas com as despesas de ordem comum, por exemplo, água, energia elétrica, aluguel, materiais de limpeza, de escritório, de consumo, de expediente, ou seja, aquelas despesas que geralmente são comuns a todos os departamentos da entidade empresarial. Assim sendo, as “outras receitas” e “outras despesas” são compostas por situações que esporadicamente podem impactar o resultado da empresa, por exemplo, venda de imobilizado, venda de intangível e venda de investimento. Essas situações anteriormente eram tratadas como “Não Operacionais”, ou seja, “Receitas Não Operacionais” e “Despesas Não Operacionais”. Isto acontece na prática Considere que determinada empresa tenha adquirido uma máquina e a usado em suas atividades por vários anos, até que resolva vender essa máquina para adquirir uma nova, mais moderna, que irá melhorar seu processo produtivo. Ao vender essa máquina com lucro, estamos falando de um ganho – receita – a ser registrado na conta “outra receita” para essa empresa. Por sua vez, ao vender essa máquina com prejuízo, estamos falando de uma perda – despesa – a ser registrado na conta “outra despesa” para essa empresa. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 40 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Continuando, temos que outra igualdade conhecida como resultado antes das receitas e despesas financeiras, as quais irão contemplar os impactos no resultado por conta das seguintes situações: RECEITAS FINANCEIRAS • Juros Ativos Representam os valores recebidos dos clientes depois do vencimento das duplicatas. • Variação Cambial Ativa Representam os valores que a empresa ganha, por exemplo, ao deixar de pagar um valor maior em uma operação de compra de mercadorias no mercado externo. • Desconto Obtido Representam os valores que a empresa deixa de pagar em uma duplicata, por exemplo, paga antes do vencimento. DESPESAS FINANCEIRAS • Juros Passivos Representam os valores pagos aos fornecedores por duplicatas pagas após o vencimento. • Variação Cambial Passiva Representam os valores que a empresa perde, por exemplo, ao pagar um valor maior em uma operação de compra de mercadorias no mercado externo. • Desconto Concedido Representam os valores que a empresa concede de desconto aos seus clientes, por exemplo, quando eles pagam as duplicatas antes do vencimento original do título. Após essa operação de diminuir as despesas financeiras e adicionar as receitas financeiras, chegamos a uma nova igualdade conhecida por “Resultado antes dos tributos sobre o lucro”, que concede a base de cálculo para os impostos sobre o lucro: • Imposto de Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ • Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL Esses impostos são calculados em um livro extracontábil, conhecido como LALUR (livro de apuração do lucro real), e os valores calculados são trazidos para a DRE, sendo esses de efeito negativo – despesas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 41 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Na sequência, temos o cálculo das participações estatutárias – aquelas definidas no estatuto social da companhia – e que representam uma espécie de complemento da remuneração dos investidores, empregados e administradores, da seguinte forma: • Debenturistas • Empregados • Administradores • Partes Beneficiárias • Fundos Assistenciais Os percentuais são definidos no estatuto social, e essa é a ordem imposta pela Lei nº 6.404/76, especificamenteno Art. 190, que traz em sua redação que: As participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanescerem depois de deduzida a participação anteriormente calculada. Imagine que determinada empresa apure um lucro antes das participações estatutárias no valor de R$ 100.000,00 e tenha as participações para calcular e pagar, na ordem de 10% para cada participação. Lucro antes das participações sobre o lucro 100.000,00 (-) participação dos debenturistas 10.000,00 Base de cálculo para participações dos empregados 90.000,00 (-) participação dos empregados 9.000,00 Base de cálculo para participações dos administradores 81.000,00 (-) participação dos administradores 8.100,00 Depois de evidenciadas as deduções referentes às participações estatutárias, chegamos ao resultado líquido das operações continuadas. Por último, mas não menos importante, temos o resultado líquido das operações descontinuadas. Mas o que são as operações continuadas e descontinuadas? No entendimento de Marion (2009, p. 106) temos que: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 42 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO A Resolução CFC nº 1.188/09 (CPC 31) e a Resolução CFC nº 1.185 (CPC 26), destacam a nova forma de apresentação do Resultado Líquido do Período, que objetivam evidenciar a capacidade de geração de resultados das atividades correntes ou em funcionamento normal (continuadas) e das atividades que foram descontinuadas, com seus componentes alienados ou classificados como mantidos para vendas (descontinuadas). Isso nos mostra que, diante do processo de convergência às Normas Internacionais de Contabilidade, temos mais essa importante alteração: demonstrar os resultados separadamente das operações continuadas e descontinuadas. Operações continuadas referem-se ao antigo “resultado operacional” que representa o resultado gerado pelas atividades cotidianas da entidade empresarial, ou seja, as compras e vendas de mercadorias, as despesas operacionais normais (água, energia elétrica e aluguel, entre outras) e todas as outras operações ligadas às rotinas diárias da empresa. Por sua vez, as operações descontinuadas trazem à tona resultados gerados de atividades e/ou unidades que estão em declínio na empresa, por exemplo, uma empresa que tenha além da matriz, duas filiais e resolva, por motivos específicos e particulares, encerrar as atividades de uma das filiais. Imagine também que, por questões de logística, não compensa trazer os móveis e computadores para a matriz, e a empresa então resolva vender esses bens. O resultado dessa venda, positivo ou negativo, será registrado nas operações descontinuadas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 43 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 7 CPC 00 - ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIO FINANCEIRO Imagem: novos procedimentos trazidos pela Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro. Fonte: https://pixabay.com/pt/photos/notebook-caneta-tabela-em-branco-1587527/ Vamos as primeiras observações importantes sobre a Estrutura, conhecida como CPC 00, termo que iremos utilizar com frequência daqui pra frente. Analise comigo: · Não é um Pronunciamento; • Mesmo sendo o primeiro da lista, disponível em http://www.cpc.org.br/ CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos, ela não é considerado um Pronunciamento e sim, uma Estrutura Conceitual, uma espécie de guia para os demais Pronunciamentos, a ponto de em seu corpo textual trazer o seguinte: havendo conflito entre o CPC 00 e os demais, prevalecem os demais; Nesse sentido, podemos perceber que a preocupação excessiva sempre é o usuário externo da entidade, tendo em vista que o usuário interno consegue as informações https://pixabay.com/pt/photos/notebook-caneta-tabela-em-branco-1587527/ https://pixabay.com/pt/photos/notebook-caneta-tabela-em-branco-1587527/ http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 44 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO com mais facilidade, eis a justificativa para tamanha preocupação com o usuário fora da entidade que reporta a informação. Segundo a Estrutura, as demonstrações contábeis podem também ser denominadas de “relatórios contábeis financeiros” e com isso temos que, as demonstrações são elaboradas e apresentadas para usuários externos em geral, tendo em vista suas finalidades distintas e necessidades diversas. Alguns exemplos desses usuários, como Governos, órgãos reguladores ou autoridades tributárias, podem determinar especificamente exigências para atender a seus próprios interesses. Vale lembrar, no entanto, que essas exigências, não devem afetar as demonstrações contábeis elaboradas segundo esta Estrutura Conceitual. Isso acontece, sendo dito que as demonstrações contábeis elaboradas dentro do que prescreve a Estrutura Conceitual objetivam fornecer informações que sejam úteis na tomada de decisões econômicas e avaliações por parte dos usuários em geral, não tendo o propósito de atender finalidade ou necessidade específica de determinados grupos de usuários. Anote isso A Estrutura Conceitual traz diretrizes para que os relatórios contábeis atendam os usuários de um modo geral, não sendo específica ou de cunho particular, por exemplo, o mesmo relatório deve atender o fornecedor e as instituições financeiras, o que chamamos de relatórios gerados pela contabilidade financeira, diferente da contabilidade gerencial, voltada aos usuários internos. Isso é corroborado na Estrutura, quando é apresentado em seus preceitos que demonstrações contábeis elaboradas com tal finalidade satisfazem as necessidades comuns da maioria dos seus usuários, uma vez que quase todos eles utilizam essas demonstrações contábeis para a tomada de decisões econômicas, tais como: • Investidor existente e em potencial Decidir quando comprar, manter ou vender instrumentos patrimoniais; • Público em Geral Avaliar administração da entidade quanto à responsabilidade que lhe tenha sido conferida e quanto à qualidade de seu desempenho e de sua prestação de contas; FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 45 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO • Empregados Avaliar a capacidade de a entidade pagar seus empregados e proporcionar-lhes outros benefícios • Credores por Empréstimo Avaliar a segurança quanto à recuperação dos recursos financeiros emprestados à entidade • Governo Determinar políticas tributárias • Sócio Determinar a distribuição de lucros e dividendos • Governo Elaborar e usar estatísticas da renda nacional; Regulamentar as atividades das entidades. A Estrutura, de um modo geral, aborda o objetivo da elaboração e divulgação de relatório contábil-financeiro; as características qualitativas da informação contábil- financeira útil; a definição, o reconhecimento e a mensuração dos elementos a partir dos quais as Demonstrações contábeis são elaboradas; e os conceitos de capital e de manutenção de capital. OBJETIVO DA ELABORAÇÃO DE RELATÓRIOS O objetivo do relatório contábil-financeiro de propósito geral, observe o dito: propósito geral, ou seja, os relatórios tendem a atender o maior número de usuários de uma única vez, é fornecer informações contábil-financeiras acerca da entidade que reporta essa informação que sejam úteis a investidores existentes e em potencial, a credores por empréstimos e a outros credores, quando da tomada decisão ligada ao fornecimento de recursos para a entidade. Observe aqui o principal objetivo da contabilidade sendo reforçado mais uma vez: gerar informações para auxiliar as tomadas de decisões. Essas decisões envolvem diversas situações como comprar, vender oumanter participações em instrumentos patrimoniais e em instrumentos de dívida, e a oferecer ou disponibilizar empréstimos ou outras formas de crédito. Pense comigo: uma empresa vai até uma instituição financeira e solicita uma captação de empréstimo no valor de R$ 1.000.000,00 para giro de suas atividades, o conhecido “capital de giro”. Qual a posição da instituição financeira, tendo em vista FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 46 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO que não conhece a empresa e não tem tempo ou condições de fazer uma perícia nas contas contábeis e procedimentos internos? É o que diz a Estrutura, quando muitos investidores, credores por empréstimo e outros credores, existentes e em potencial, não podem requerer que as entidades que reportam a informação prestem a eles diretamente as informações de que necessitam, devendo desse modo confiar nos relatórios contábil-financeiros de propósito geral, para grande parte da informação contábil-financeira que buscam. Um outro ponto muito importante nesse momento é entender que, os relatórios contábil-financeiros de propósito geral não são elaborados para se chegar ao valor da entidade que reporta a informação; a rigor, fornecem informação para auxiliar investidores, credores por empréstimo e outros credores, existentes e em potencial, a estimarem o valor da entidade que reporta a informação. Anote isso Os relatórios contábil-financeiros de propósito geral não são elaborados para se chegar ao valor da entidade, mas auxiliar que os investidores e demais usuários façam a estimativa desse valor, contribuindo assim para os negócios de investimentos, por exemplo. AS CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS DA INFORMAÇÃO Já que a informação contábil-financeira precisa ser útil, ela deve ser relevante e representar com fidedignidade o que se propõe a representar. Logo, temos aqui as características qualitativas fundamentais. Por sua vez, a utilidade da informação contábil- financeira é melhorada se ela for comparável, verificável, tempestiva e compreensível, o que chamamos de características qualitativas de melhoria. CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS FUNDAMENTAIS De um modo geral, são aquelas características que podemos entender como sendo obrigatórias, isto é, devem estar presentes na elaboração e divulgação dos relatórios. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 47 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO RELEVÂNCIA A informação contábil-financeira relevante é aquela capaz de fazer diferença nas decisões que possam ser tomadas pelos usuários, ou seja, aquela informação capaz de influenciar o processo decisório. Para tal, a informação deve ter valor preditivo, valor confirmatório ou ambos. A informação contábil-financeira tem valor preditivo se puder ser utilizada como dado de entrada em processos empregados pelos usuários para predizer futuros resultados. Isso mesmo, informação com valor preditivo é aquela que pode ser usada para prever determinadas situações ou tendências empresariais. A informação contábil-financeira tem valor confirmatório se puder retroalimentar - servir de feedback - avaliações prévias (confirmá-las ou alterá-las). A Estrutura deixa bem claro ainda que, o valor preditivo e o valor confirmatório da informação contábil-financeira estão inter-relacionados. A informação que tem valor preditivo muitas vezes também tem valor confirmatório. Por exemplo, a informação sobre receita para o ano corrente, a qual pode ser utilizada como base para predizer receitas para anos futuros, também pode ser comparada com predições de receita para o ano corrente que foram feitas nos anos anteriores. Os resultados dessas comparações podem auxiliar os usuários a corrigirem e a melhorarem os processos que foram utilizados para fazer tais predições, essa é a beleza da contabilidade. Vale a pena observar que, segundo a Estrutura, temos a Materialidade como sendo uma forma de relevância específica, que deve ser analisada, como traz o texto legal: A informação é material se a sua omissão ou sua divulgação distorcida (misstating) puder influenciar decisões que os usuários tomam com base na informação contábil-financeira acerca de entidade específica que reporta a informação. Em outras palavras, a materialidade é um aspecto de relevância específico da entidade baseado na natureza ou na magnitude, ou em ambos, dos itens para os quais a informação está relacionada no contexto do relatório contábil-financeiro de uma entidade em particular. Consequentemente, não se pode especificar um limite quantitativo uniforme para materialidade ou predeterminar o que seria julgado material para uma situação particular. Observe então que, a Materialidade está no sentido da informação existir ou não e qual o seu impacto no processo decisório, por exemplo, se determinada informação FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 48 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO for omissa ou distorcida e causar impacto na entidade, ela é considerada de relevância material, ou seja, deve existir. REPRESENTAÇÃO FIDEDIGNA As demonstrações contábeis representam um fenômeno econômico em palavras e números. Estamos falando de características fundamentais, que reforçam a utilidade da informação para o processo e para isso, para ser útil, a informação contábil-financeira não tem só que representar um fenômeno relevante, mas tem também que representar com fidedignidade o fenômeno que se propõe representar. Para ser representação perfeitamente fidedigna, a realidade retratada precisa ter três atributos: ser completa, neutra e livre de erros. Nesse sentido, analise comigo cada um desses atributos da informação contábil-financeira: Completa Neutra Livre de Erros O retrato completo da realidade econômica deve incluir toda informação necessária para que o usuário compreenda o fenômeno que está sendo retratado, incluindo todas as descrições e explicações necessárias. Um retrato neutro da realidade é desprovido de viés(tendência) na seleção ou na apresentação da informação contábil – financeira. Não deve ser distorcido de contorno, dando a ele maior ou menor peso, ênfase maior ou menor. É aquele em que não há erros ou omissões no fenômeno retratado, e que o processo utilizado para produzir a informação reportada, foi selecionado e aplicado livre de erros. Tabela: atributos da informação contábil. Fonte: adaptado de http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf Isto acontece na prática A aplicação da regra contábil do conservadorismo, ou também conhecido como princípio da Prudência, na elaboração do Balanço Patrimonial pode provocar distorções, erros e enviesar a informação contábil, o que demonstra que o conservadorismo está em desacordo com a característica qualitativa da informação contábil útil denominada fidedignidade. Pense, por exemplo, http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 49 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO numa compra de mercadorias a prazo no mercado externo: hoje, na data da compra, têm-se um valor de dívida junto ao fornecedor, que de fato aconteceu e deve ser representado de maneira fidedigna. Ao optar por considerar um valor maior, por conta da variação da moeda ser desfavorável, atende-se a Prudência e abdica-se da fidedignidade. CARACTERÍSTICAS QUALITATIVAS DE MELHORIA Como o próprio nome já diz, elas vêm no sentido de melhorar a informação contábil-financeira, trazendo “mais valor” aos respectivos relatórios. Segundo a Estrutura, comparabilidade verificabilidade, tempestividade e compreensibilidade são características qualitativas que melhoram a utilidade da informação que é relevante e que é representada com fidedignidade, ou seja, que já atendem as características qualitativas fundamentais. COMPARABILIDADEA comparabilidade não deve ser confundida nem com a consistência e nem com a uniformidade. Isso mesmo, comparabilidade é a característica qualitativa que permite que os usuários identifiquem e compreendam similaridades dos itens e diferenças entre eles, ou seja, permite a comparação e diferentemente de outras características qualitativas, a comparabilidade não está relacionada com um único item. A comparação requer no mínimo dois itens. A comparação pode ser tanto interna (a mesma empresa comparar um exercício com o outro de determinado grupo de contas, por exemplo, os estoques) ou externa, já que os concorrentes também estão sujeitos a mesma legislação – poderá comparar as demonstrações contábeis junto a concorrência. VERIFICABILIDADE A verificabilidade assegura aos usuários que a informação representa fidedignamente o fenômeno econômico que se propõe representar. No entendimento da Estrutura, FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 50 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO A verificabilidade significa que diferentes observadores, cônscios e independentes, podem chegar a um consenso, embora não cheguem necessariamente a um completo acordo, quanto ao retrato de uma realidade econômica em particular ser uma representação fidedigna. Atente-se para a ideia de consenso, mas não de um completo acordo: as opiniões dos gestores certamente irão divergir em inúmeros momentos, mas ao verificarem o que de fato aconteceu, entram em uma denominador comum, que em muitos dos casos, pode não ser o acordo inicialmente pensado. Conforme sugere a Estrutura, a verificação pode ser direta ou indireta, conforme quadro a seguir: Verificação Direta Verificação Indireta Verificar um montante ou outra representação por meio de observação direta, como, por exemplo, por meio da contagem de caixa. Checar os dados de entrada do modelo, fórmula ou outra técnica e recalcular os resultados obtidos por meio da aplicação da mesma metodologia. Tabela: verificação direta e indireta. Fonte: adaptado de http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf TEMPESTIVIDADE Tempestividade significa ter a informação disponível para os tomadores de decisão a tempo de poder influenciá-los em suas decisões. Observe aqui que, não existe um tempo padrão para que seja o tempo certo. O tempo certo é aquele capaz de influenciar o processo decisório. Em geral, a informação mais antiga é a que tem menos utilidade. De qualquer forma, certa informação pode ter o seu atributo tempestividade prolongado após o encerramento do período contábil, por exemplo, depois das publicações das demonstrações contábeis, em decorrência de alguns usuários, por exemplo, necessitarem identificar e avaliar tendências. Imagine uma alta de preços considerável no fornecedor de materiais ou estoques para revenda, isso pode influenciar e muito as tomadas de decisões, logo, seu atributo tempestividade pode ter de ser aumentado ou mais considerado. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/147_CPC00_R1.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 51 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO COMPREENSIBILIDADE Essa característica trata de ponderar a linguagem utilizada nos relatórios, prezando pelo entendimento das informações de medo que os termos técnicos não sejam totalmente dispensados, mas que venham a ser considerados junto a termos coloquiais e cultos. De acordo com a Estrutura, Certos fenômenos são inerentemente complexos e não podem ser facilmente compreendidos. A exclusão de informações sobre esses fenômenos dos relatórios contábil-financeiros pode tornar a informação constante em referidos relatórios mais facilmente compreendida. Contudo, referidos relatórios seriam considerados incompletos e potencialmente distorcidos (misleading). É sabido também que, os relatórios são gerados e apresentados para usuários que possuem entendimento e conhecimento mínimo sobre o negócio ou os termos que serão utilizados, o que contribui e muito para a compreensibilidade das informações. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 52 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 8 CPC 01 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS Imagem: máquinas e equipamentos. Fonte: https://pixabay.com/photos/excavators-shovel-catapillar-51665/ O procedimento de Redução ao Valor Recuperável de Ativos, conhecido como Teste de Recuperabilidade, ou ainda, Teste de Impairment, está previsto já na Lei 6.404/76, em seu artigo transcrito abaixo: Art. 183, § 3º A companhia deverá efetuar, periodicamente, análise sobre a recuperação dos valores registrados no imobilizado e no intangível, a fim de que sejam: I – registradas as perdas de valor do capital aplicado quando houver decisão de interromper os empreendimentos ou atividades a que se destinavam ou quando comprovado que não poderão produzir resultados suficientes para recuperação desse valor; ou II – revisados e ajustados os critérios utilizados para determinação da vida útil econômica estimada e para cálculo da depreciação, exaustão e amortização. https://pixabay.com/photos/excavators-shovel-catapillar-51665/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 53 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Observe que realizar o teste é uma obrigação, e não uma opção facultada à companhia, inclusive a legislação já determina até o período para o referido teste, no mínimo, anualmente. Outra observação inicial nesse trecho da legislação é que o teste é mencionado para os bens do imobilizado e intangível (que nessa altura do campeonato, você já deve saber o que são, né?). O objetivo do CPC 01 é estabelecer procedimentos que a entidade deve aplicar para assegurar que seus ativos estejam registrados contabilmente por valor que não exceda seus valores de recuperação. Anote isso Respeitando os princípios contábeis, os bens do imobilizado, por exemplo, não podem estar registrados na contabilidade (valor contábil) por um valor superior ao que realmente valem, que é o valor recuperável, por isso a análise e a necessidade de fazer alguns ajustes em alguns casos. O CPC 01 é aplicado na contabilização de ajuste para perdas por desvalorização de todos os ativos, exceto: a) estoques; b) ativos advindos de contratos de construção; c) ativos fiscais diferidos; d) ativos advindos de planos de benefícios a empregados; e) ativos financeiros que estejam dentro do alcance dos Pronunciamentos Técnicos do CPC que disciplinam instrumentos financeiros*; f) propriedade para investimento que seja mensurada ao valor justo; g) ativos biológicos h) custos de aquisição diferidos e ativos intangíveis advindos de direitos contratuais de companhia de seguros contidos em contrato de seguro; e i) ativos não circulantes (ou grupos de ativos disponíveis para venda) classificados como mantidos para venda. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 54 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Aqui vale uma nota importante: o CPC 01 é aplicado a ativos financeiros classificados como controladas, coligadas e empreendimento controlado em conjunto (item 4, CPC 01), por isso aquela “chamada de atenção” no item e! De um modo geral então, realizamos o teste de recuperabilidade nos ativos sempre que houver algum indício (interno ou externo) de desvalorização, por exemplo, lançamento de novas tecnologias. Por outro lado, existem ativos que devem ser testado, pelo menos, anualmente, como é o caso de ativos intangíveis específicos - não se preocupe com isso agora, apenas com a regra de um modo geral: uns quando houver indícios de perdas, outros anualmente, conforme esquema abaixo: Imagem: teste de recuperabilidade. Fonte: o autor. Existe uma sequência lógica para a realização do teste de recuperabilidade, como vamos ver a partir de agora, vem comigo?! No primeiro momento, vamos ter que identificar o valor contábil do bem emanálise, por exemplo, vamos imaginar uma máquina adquirida pelo valor de R$ 500.000,00 pagos à vista, da seguinte forma: D - máquinas e equipamentos (ANC - imobilizado) C - caixa (AC) R$ 500.000,00 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 55 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Por esse registro, temos a aquisição da máquina na contabilidade, a qual a partir do uso será depreciada, isto é, perde valor pelo uso normal do equipamento. Isso é óbvio, concorda comigo? Se compramos um carro no valor de R$ 100.000,00 e usamos por alguns anos, ele vai estar valendo R$ 120.000,00 depois desse período? Provavelmente não! Sendo assim, imagina que passaram alguns anos e a nossa máquina já perdeu o valor de R$ 100.000,00 referentes a depreciação acumulada, conforme a seguir: Máquina………………………………...........……...R$ 500.000,00 (-) Depreciação acumulada………………(R$ 100.000,00) Valor contábil………………………........…….….R$ 400.000,00 Nesse momento, acabamos de dar o primeiro passo para a realização do teste de recuperabilidade, encontrar o valor contábil, que é o montante pelo qual o ativo está reconhecido no balanço depois da dedução de toda respectiva depreciação, amortização ou exaustão acumulada e ajuste para perdas. Agora, na sequência, temos que realizar o teste! Aqui preciso da sua calma, porque o teste é um procedimento complexo e que geralmente é feito por empresas especializadas, peritas no assunto, então, não se preocupe em entender (pelo menos nesse momento, a realização técnica do teste). Sempre que uma empresa adquire um ativo ela espera que esse ativo gere benefícios econômicos futuros e, portanto, que o valor seja recuperado, ou seja, retorne para empresa por meio do uso do ativo ou por meio de sua venda. Pronto! Essas informações são apresentadas no teste: o valor recuperável e o valor em uso, ambos podem ser recuperados pela companhia, isso mesmo, a empresa pode recuperar o valor do investimento do bem usando-o até o final da sua vida útil, ou ainda, vendendo-o. O teste apresenta então, o valor recuperável, que definido como o MAIOR valor entre o valor líquido de venda do ativo e o valor em uso desse ativo. Esse é o segundo passo do nosso procedimento, tranquilo até aqui? Para o terceiro passo, é o que gosto de chamar da análise do teste de recuperabilidade, onde vamos confrontar o valor contábil com o valor recuperável do bem, e então, saber qual postura adotar. A entidade deve reconhecer uma perda por desvalorização de um ativo no resultado do período apenas se o valor contábil desse ativo for superior ao seu valor recuperável. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 56 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Se o valor contábil for maior que o valor recuperável = perda Se o valor contábil for menor que o valor recuperável = nada Isto acontece na prática A Cia. ABC, em obediência às normas brasileiras de contabilidade, fez, em 31/12/2019, o teste de recuperabilidade (impairment test) do valor de uma máquina utilizada na fabricação de seus produtos. Os dados abaixo foram levantados pelo departamento de contabilidade da empresa (em R$): Valor em uso da máquina ..........................................620.000,00 Valor líquido de venda ..................................................610.000,00 Custo de aquisição ...................................................... 710.000,00 Depreciação Acumulada ...............................................70.000,00 Imagine que precisamos analisar a situação dessa máquina, com base nas informações apresentadas… 1º Passo: Calcular o valor contábil. Assim, temos: Valor Contábil = Valor de Aquisição – Depreciação – Ajuste para perdas Valor Contábil = 710.000,00 – 70.000,00 Valor Contábil = 640.000,00 2º Passo: Verificar qual o valor recuperável. Assim, temos: Valor em uso = 620.000,00 Valor líquido de venda = 610.000,00 Valor Recuperável = 620.000,00 (maior entre os dois) 3º Passo: Comparar o valor contábil com o valor recuperável. Se valor contábil > valor recuperável = efetuar ajuste Caso contrário, nenhum ajuste é realizado. Assim, temos: Valor contábil (640.000,00) > Valor Recuperável (620.000,00) Logo, devemos reconhecer uma perda no valor de 20.000,00. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 57 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 9 CPC 03 - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA Imagem: demonstração dos fluxos de caixa. Fonte: https://tinyurl.com/y8m3wag2 A demonstração dos fluxos de caixa - DFC, junto com o balanço patrimonial e a demonstração do resultado do exercício, compõe o rol das principais demonstrações contábeis que temos atualmente. Também é importante observar que a DFC já tinha previsão na Lei 6.404/76, no artigo 176, o qual está transcrito abaixo: Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e (Redação dada pela Lei nº 11.638,de 2007) V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. (Incluído pela Lei nº 11.638,de 2007) FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 58 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Atente-se então para a obrigatoriedade da referida demonstração: • Obrigatória para empresas de capital aberto; • Facultada para empresas de capital fechado, exceto àquelas com PL superior a R$ 2.000.000,00 na data do balanço patrimonial; A DFC traz alguns conceitos importantes, por exemplo, o que seria caixa e equivalente de caixa, vamos ver? Caixa representa a própria conta do caixa mesmo, isto é, o dinheiro disponível naquela “gavetinha” da empresa, para ser aplicado em diversos tipos de operações, por exemplo, pagamento de fornecedor ou compra de mercadorias à vista. Já os equivalentes de caixa correspondem às contas bancárias e às aplicações financeiras de liquidez imediata da companhia. Os benefícios da DFC são inúmeros, como apresenta o trecho do Pronunciamento Técnico em estudo: Informações sobre o fluxo de caixa de uma entidade são úteis para proporcionar aos usuários das demonstrações contábeis uma base para avaliar a capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como as necessidades da entidade de utilização desses fluxos de caixa. As decisões econômicas que são tomadas pelos usuários exigem avaliação da capacidade de a entidade gerar caixa e equivalentes de caixa, bem como da época de sua ocorrência e do grau de certeza de sua geração. Informações históricas dos fluxos de caixa são frequentemente utilizadas como indicador do montante, época de ocorrência e grau de certeza dos fluxos de caixa futuros. Também são úteis para averiguar a exatidão das estimativas passadas dos fluxos de caixa futuros, assim como para examinar a relação entre lucratividade e fluxos de caixa líquidos e o impacto das mudanças de preços. Podemos perceber a importância da demonstração dos fluxos de caixa, a qual é a única demonstração elaborada pelo regime de caixa, isto é, todas as outras demonstrações são elaboradas pelo regime de competência e a DFC pelo regime de caixa, cuidado com isso! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 59 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso A DFC é a única demonstração elaborada pelo regime de caixa, ou seja, considerando a entrada e saída de recursos para seus registros, diferente das outras demonstrações contábeis que são elaboradas pelo regime de competência. A DFC apresenta os fluxos de caixa em atividades separadas, por exemplo, atividades operacionais, de investimento e de financiamento, as quais vamos entender agora melhor os seus conceitos e aplicações. O caixa, como já vimos,compreende ao numerário em espécie e depósitos bancários disponíveis. Já os equivalentes de caixa são aplicações financeiras de curto prazo (3 meses ou menos), de alta liquidez, que são prontamente conversíveis em montante conhecido de caixa e que estão sujeitas a um insignificante risco de mudança de valor. Nesse sentido, conseguimos entender que fluxos de caixa são as entradas e saídas de caixa e equivalentes de caixa, os quais acabamos de entender seus conceitos. Considerando a divisão apresentada na demonstração objeto de estudo desta aula, as Atividades Operacionais são as principais atividades geradoras de receita da entidade e outras atividades que não são de investimento e tampouco de financiamento. Por sua vez, as Atividades de Investimento são as referentes à aquisição e à venda de ativos de longo prazo e de outros investimentos não incluídos nos equivalentes de caixa. Por último e não menos importante, obviamente, as Atividades de Financiamento são aquelas que resultam em mudanças no tamanho e na composição do capital próprio e no capital de terceiros da entidade. Anote isso O CPC 03 (R2) encoraja fortemente as entidades a classificarem os juros, recebidos ou pagos, e os dividendos e juros sobre o capital próprio recebidos como fluxos de caixa das atividades operacionais, e os dividendos e juros sobre o capital próprio pagos como fluxos de caixa das atividades de financiamento. Alternativa diferente deve ser seguida de nota evidenciando esse fato. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 60 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Assim, temos: Juros Recebidos ou pagos: Atividades Operacionais Dividendos e Juros sobre o capital próprio recebidos: Atividades operacionais Dividendos e Juros sobre o capital próprio pagos: Atividades de financiamento. Objetivamente, você deve saber que a DFC pode ser elaborada por dois métodos: direto e indireto. Método Direto: as principais classes de recebimentos brutos e pagamentos brutos são divulgadas. Método Indireto: o lucro líquido ou o prejuízo é ajustado pelos efeitos de transações que não envolvem caixa, pelos efeitos de quaisquer diferimentos ou apropriações por competência sobre recebimentos de caixa ou pagamentos em caixa operacionais passados ou futuros, e pelos efeitos de itens de receita ou despesa associados com fluxos de caixa das atividades de investimento ou de financiamento. Isto acontece na prática A diferença entre os dois métodos reside na apresentação dos fluxos de caixa das atividades operacionais. Os demais fluxos (investimento e financiamento) seguem o mesmo raciocínio nos dois métodos. O CPC 03 (R2) faculta a utilização tanto do método direto, quanto do indireto. No entanto, exige para a empresa que utilize o método direto a conciliação entre o lucro líquido e o fluxo de caixa líquido das atividades operacionais. Segundo consta no alcance do Pronunciamento Técnico em questão, os usuários das demonstrações encontram-se quase que sempre interessados em saber sobre os fluxos de caixa da companhia, principalmente se estivermos pensando na figura de um investidor, conforme trecho transcrito do CPC 03 - Demonstração dos Fluxos de Caixa: Os usuários das demonstrações contábeis de uma entidade estão interessados em saber como a entidade gera e utiliza caixa e equivalentes de caixa. Esse é o ponto, independentemente da natureza das atividades da entidade, e ainda que o caixa seja considerado FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 61 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO como produto da entidade, como pode ser o caso de instituição financeira. As entidades necessitam de caixa essencialmente pelas mesmas razões, por mais diferentes que sejam as suas principais atividades geradoras de receita. Elas precisam de caixa para levar a efeito suas operações, pagar suas obrigações e proporcionar um retorno para seus investidores. Assim sendo, este Pronunciamento Técnico requer que todas as entidades apresentem demonstração dos fluxos de caixa. Isto está na rede A Demonstração do Fluxo de Caixa (DFC) indica quais foram as saídas e entradas de dinheiro no caixa durante o período e o resultado desse fluxo. Assim como a Demonstração de Resultados de Exercícios, a DFC é uma demonstração dinâmica e deve ser incluída no balanço patrimonial. A DFC passou a ser de apresentação obrigatória para todas as sociedades de capital aberto ou com patrimônio líquido superior a R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais). Esta obrigatoriedade vigora desde 01.01.2008, por força da Lei 11.638/2007, e desta forma torna-se mais um importante relatório para a tomada de decisões gerenciais. A Deliberação CVM 547/2008 aprovou o Pronunciamento Técnico CPC 03, que trata da Demonstração do Fluxo de Caixa. Para as Pequenas e Médias Empresas (PMEs), a DFC também é de elaboração obrigatória, conforme item 3.17 (e) da NBC TG 1000. Portanto, independentemente do tipo societário adotado, as entidades devem apresentar o referido demonstrativo, pelo menos anualmente, por ocasião da elaboração das demonstrações financeiras (“balanço”). Fo n t e : h t t p : / / w w w. p o r t a l d e c o n t a b i l i d a d e . c o m . b r / t e m a t i c a s / ademonstracaodosfluxos.htm http://www.normaslegais.com.br/legislacao/lei11638_2007.htm http://www.normaslegais.com.br/legislacao/deliberacaocvm547_2008.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/nbc/NBC-TG-1000.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ademonstracaodosfluxos.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ademonstracaodosfluxos.htm FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 62 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 10 CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL Imagem: ativo intangível. Fonte: https://www.pexels.com/photo/blur-close-up-code-computer-546819/ De um modo geral, podemos lembrar das aulas de introdução à contabilidade, onde temos que ativo intangível é aquele bem incorpóreo, identificável, não monetário e que promove a manutenção da companhia, por exemplo, sistemas, licenças, marcas e patentes etc. Também previsto na legislação das sociedades anônimas, a famosa Lei 6.404/76, é pautado ainda em um Pronunciamento Técnico específico do CPC 04 - Ativo Intangível, o qual iremos estudar com mais detalhes a partir de agora. O referido Pronunciamento possui dois objetivos principais: 1) definir o tratamento contábil dos ativos intangíveis que não são abrangidos especificamente em outro Pronunciamento. 2) mensurar o valor contábil dos ativos intangíveis, exigindo divulgações específicas sobre esses ativos. https://www.pexels.com/photo/blur-close-up-code-computer-546819/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 63 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO O CPC 04 se aplica a todos os ativos intangíveis de um modo geral com algumas exceções. Basicamente essas exceções são ativos intangíveis alcançados por outros Pronunciamentos, os quais já estudamos alguns e ainda vamos estudar outros. A seguir destacamos alguns exemplos desses intangíveis que não estão sob o alcance do CPC 04: a. ativos financeiros, sob alcance principalmente do CPC 39; b. ativos advindos da exploração e avaliação de recursos minerais, sob alcance do CPC 34; c. gastos com desenvolvimento e extração de minerais, óleo, gás natural e recursos naturais não renováveis similares; d. ativos intangíveis mantidos por uma entidade para venda no curso ordinário dos negócios, sob alcance do CPC 16; e. ativos fiscais diferidos (CPC 32); f. arrendamentos mercantis (CPC 06); g. ativos advindos de planos de benefícios a empregados (CPC 33); h. ágio por expectativa de rentabilidade futura (goodwill) adquirido em combinação de negócios (CPC 15); i. custos de aquisição diferidos e ativos intangíveis advindos de direitos contratuais de seguradora (CPC 11); j. ativos intangíveis não circulantes classificados como mantidos para venda (CPC 31); k. ativos decorrentes de contratoscom clientes (CPC 47). Não são todos os ativos intangíveis que são reconhecidos no balanço patrimonial, de acordo com os critérios apresentados no Pronunciamento. Isso significa que, mesmo que o ativo seja não monetário, identificável e sem substância física (satisfaça a definição de ativo intangível) ele pode não atender os critérios de reconhecimento e, portanto, não deve ser contabilizado. Vejamos o entendimento do Pronunciamento: 21. Um ativo intangível deve ser reconhecido apenas se: a) for provável que os benefícios econômicos futuros esperados atribuíveis ao ativo serão gerados em favor da entidade; e b) o custo do ativo possa ser mensurado com confiabilidade. A entidade deve avaliar a probabilidade de geração de benefícios econômicos futuros utilizando premissas razoáveis e comprováveis que representem a melhor estimativa da administração em relação ao conjunto de condições econômicas que existirão durante a vida útil do ativo. A entidade deve utilizar seu julgamento para avaliar o grau de certeza relacionado ao fluxo de benefícios econômicos futuros atribuíveis ao uso do ativo, com base nas evidências disponíveis no momento do reconhecimento inicial, dando maior peso às evidências externas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 64 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Nos termos do CPC 04, o ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente não deve ser reconhecido como ativo. O CPC 04 explica que esse ágio não é reconhecido como ativo porque não é um recurso identificável (ou seja, não é separável nem advém de direitos contratuais ou outros direitos legais) controlado pela entidade que pode ser mensurado com confiabilidade ao custo. Por fim, o Pronunciamento informa que as diferenças entre o valor justo da entidade e o valor contábil de seu patrimônio líquido, a qualquer momento, podem incluir uma série de fatores que afetam o valor justo da entidade. No entanto, essas diferenças não representam o custo dos ativos intangíveis controlados pela entidade. Um outro cuidado importante a ser tomado é com relação aos ativos intangíveis gerados internamente, como vamos estudar a partir de agora. O CPC 04 informa que às vezes é difícil avaliar se um ativo intangível gerado internamente se qualifica para o reconhecimento, devido às dificuldades para: i. identificar se, e quando, existe um ativo identificável que gerará benefícios econômicos futuros esperados; e ii. determinar com confiabilidade o custo do ativo. Em alguns casos não é possível separar o custo incorrido com a geração interna de ativo intangível do custo da manutenção ou melhoria do ágio derivado da expectativa de rentabilidade futura (goodwill) gerado internamente ou com as operações regulares (do dia-a-dia) da entidade. Segundo o CPC 04, para avaliar se um ativo intangível gerado internamente atende aos critérios de reconhecimento, a entidade deve classificar a geração do ativo: a) na fase de pesquisa; e/ou b) na fase de desenvolvimento. Caso a entidade não consiga diferenciar a fase de pesquisa da fase de desenvolvimento de projeto interno de criação de ativo intangível, o gasto com o projeto deve ser tratado como incorrido apenas na fase de pesquisa. Anote isso Veja que pesquisa é diferente de desenvolvimento. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 65 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Nenhum ativo intangível resultante de pesquisa deve ser reconhecido. Os gastos com pesquisa devem ser reconhecidos como despesa quando incorridos, não podendo ser revertidos depois, futuramente para o ativo. O CPC 04 explica que durante a fase de pesquisa de projeto interno, a entidade não está apta a demonstrar a existência de ativo intangível que gerará prováveis benefícios econômicos futuros. Portanto, tais gastos devem ser reconhecidos como despesa quando incorridos. O CPC 04 destaca os seguintes exemplos de atividades de pesquisa: a) atividades destinadas à obtenção de novo conhecimento; b) busca, avaliação e seleção final das aplicações dos resultados de pesquisa ou outros conhecimentos; c) busca de alternativas para materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços; e d) formulação, projeto, avaliação e seleção final de alternativas possíveis para materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas ou serviços novos ou aperfeiçoados. Segundo o CPC 04, um ativo intangível resultante de desenvolvimento deve ser reconhecido somente se a entidade puder demonstrar todos os aspectos a seguir enumerados: a) viabilidade técnica para concluir o ativo intangível de forma que ele seja disponibilizado para uso ou venda; b) intenção de concluir o ativo intangível e de usá-lo ou vendê-lo; c) capacidade para usar ou vender o ativo intangível; d) forma como o ativo intangível deve gerar benefícios econômicos futuros. Entre outros aspectos, a entidade deve demonstrar a existência de mercado para os produtos do ativo intangível ou para o próprio ativo intangível ou, caso este se destine ao uso interno, a sua utilidade; e) disponibilidade de recursos técnicos, financeiros e outros recursos adequados para concluir seu desenvolvimento e usar ou vender o ativo intangível; e f) capacidade de mensurar com confiabilidade os gastos atribuíveis ao ativo intangível durante seu desenvolvimento. Observe que o objetivo dessas exigências estabelecidas pelo CPC 04 é identificar se o ativo intangível é capaz de gerar benefícios econômicos futuros. O CPC 04 destaca os seguintes exemplos de atividades de desenvolvimento: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 66 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO a) projeto, construção e teste de protótipos e modelos pré-produção ou pré-utilização; b) projeto de ferramentas, gabaritos, moldes e matrizes que envolvam nova tecnologia; c) projeto, construção e operação de fábrica-piloto, desde que já não esteja em escala economicamente viável para produção comercial; e d) projeto, construção e teste da alternativa escolhida de materiais, dispositivos, produtos, processos, sistemas e serviços novos ou aperfeiçoados. Observação: os critérios acima se aplicam à pesquisa e desenvolvimento internos. Se a empresa adquirir um projeto de pesquisa de outra empresa, deverá classificá-lo como intangível. Isto está na rede Os chamados “ativos intangíveis” são aqueles que não têm existência física. Como exemplos de intangíveis: os direitos de exploração de serviços públicos mediante concessão ou permissão do Poder Público, marcas e patentes, direitos autorais adquiridos, softwares e o fundo de comércio adquirido. Trata-se de um desmembramento do ativo imobilizado, que, a partir da vigência da Lei 11.638/2007, ou seja, a partir de 01.01.2008, passa a contar apenas com bens corpóreos de uso permanente. Mensalmente deve ser contabilizada a amortização desses bens, em conta redutora específica. Fonte: http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ativosintangiveis.htm http://www.normaslegais.com.br/legislacao/lei11638_2007.htm http://www.portaldecontabilidade.com.br/tematicas/ativosintangiveis.htm FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 67 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 11 CPC 06 – ARRENDAMENTOS Imagem: arrendamento mercantil. Fonte: https://www.pexels.com/photo/woman-writing-on-a-notebook-beside-teacup-and-tablet-computer-733856/ Uma das operações financeiras mais conhecidas e usuais dos mundos dos negócios atualmente é o arrendamento mercantil, uma espécie de operação de crédito que as empresas comumente usam em suas atividades. Para início de conversa, é importante destacarmos algumas definições que esse Pronunciamento sugere, por exemplo, que arrendamento é o contrato, ou parte do contrato, que transfere o direito de usar um ativo (ativo subjacente) por um período de tempo em troca de contraprestação. De igual modo, ativo subjacente é o ativo que é o objetode arrendamento, para o qual o direito de usar esse ativo foi fornecido pelo arrendador ao arrendatário. Agora, uma das que mais vamos usar em nossa aula, é arrendador e arrendatário. Arrendador é a entidade que fornece o direito de usar o ativo subjacente por um período de tempo em troca de contraprestação, ou seja, o dono. Já o arrendatário é a entidade que obtém o direito de usar o ativo subjacente por um período de tempo em troca de contraprestação, isto é, nós que vamos usar o bem. https://www.pexels.com/photo/woman-writing-on-a-notebook-beside-teacup-and-tablet-computer-733856/ FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 68 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Para fechar essa parte inicial, temos que arrendamento financeiro é o arrendamento que transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. Por sua vez, o arrendamento operacional é o arrendamento que não transfere substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. Anote isso Existem dois tipos de arrendamento: o financeiro e o operacional. O primeiro, é aquele mais comum, o qual se assemelha à uma operação de financiamento, onde existe a transferência de riscos e benefícios para o arrendatário. Por sua vez, o arrendamento operacional é assemelhado ao aluguel de equipamentos, onde os riscos do bem continuam sob a responsabilidade do arrendador (dono). O referido Pronunciamento estabelece os princípios para o reconhecimento, mensuração, apresentação e divulgação de arrendamentos. O objetivo é garantir que arrendatários e arrendadores forneçam informações relevantes, de modo que representem fielmente essas transações. Quando vamos discutir os critérios de identificação de arrendamento, no entendimento do CPC 06, na celebração de contrato, a entidade deve avaliar se o contrato é, ou contém, um arrendamento. O contrato é, ou contém, um arrendamento se ele transmite o direito de controlar o uso de ativo identificado por um período de tempo em troca de contraprestação. Para avaliar se o contrato transfere o direito de controlar o uso de ativo identificado por um período de tempo, segundo o CPC 06, a entidade deve avaliar se, durante todo o período de uso, o cliente possui o direito de obter substancialmente todos os benefícios econômicos do uso dos ativos identificados e o direito de direcionar o uso dos ativos identificados. Quando vamos discutir sobre as classificações dos arrendamentos, precisamos caminhar na seguinte linha de raciocínio: o arrendamento é classificado como arrendamento financeiro se transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 69 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO De igual modo, o arrendamento é classificado como arrendamento operacional se não transferir substancialmente todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente. ● Arrendamento Mercantil Financeiro • ○Há transferências dos riscos e benefícios à propriedade • ○Possui uma essência de compra financiada ● Arrendamento Mercantil Operacional • ○Não há transferência dos riscos à propriedade • ○Possui essência de aluguel Segundo o Pronunciamento, o fato da operação ser arrendamento financeiro ou arrendamento operacional depende da essência da transação, em vez da forma do contrato. Trata-se da aplicação da Primazia da Essência sobre a Forma, prevista no CPC 00. Assim, por exemplo, pode acontecer uma situação em que um contrato é elaborado como arrendamento operacional, mas suas cláusulas possuem características de arrendamento financeiro. Sendo assim, o arrendamento deve ser classificado como financeiro, observando-se a essência da operação (arrendamento financeiro) em detrimento da forma (arrendamento operacional). É a mesma explicação para reconhecer um bem no patrimônio do arrendatário, onde o bem sendo do arrendador, na forma jurídica, na essência permanece com a responsabilidade sobre o bem objeto do arrendamento. O CPC 06 destaca alguns exemplos de situações que individualmente ou em conjunto levariam normalmente um arrendamento mercantil a ser classificado como arrendamento mercantil financeiro: (a) o arrendamento transfere a propriedade do ativo subjacente ao arrendatário ao final do prazo do arrendamento; (b) o arrendatário tem a opção de comprar o ativo subjacente a preço que se espera que seja suficientemente mais baixo do que o valor justo na data em que a opção se tornar exercível, para que seja razoavelmente certo, na data de celebração do arrendamento, que a opção será exercida; (c) o prazo do arrendamento é equivalente à maior parte da vida econômica do ativo subjacente, mesmo se a propriedade não for transferida; FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 70 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO (d) na data da celebração do arrendamento, o valor presente dos recebimentos do arrendamento equivale substancialmente à totalidade do valor justo do ativo subjacente; e (e) o ativos subjacente é de natureza tão especializada que somente o arrendatário pode usá-lo sem modificações importantes. Além desses exemplos, o CPC fornece, ainda, indicadores de situação que, individualmente ou em combinação, também poderiam levar o arrendamento a ser classificado como arrendamento financeiro: (a) se o arrendatário puder cancelar o arrendamento mercantil, as perdas do arrendador associadas ao cancelamento são arcadas pelo arrendatário; (b) ganhos ou as perdas provenientes da flutuação no valor justo do residual são gerados para o arrendatário (por exemplo, na forma de desconto no aluguel que seja equivalente à maior parte dos rendimentos de venda no final do arrendamento); e (c) se o arrendatário tiver a capacidade de continuar o arrendamento por período secundário, com aluguel que seja substancialmente menor que o aluguel de mercado. O referido Pronunciamento destaca que esses exemplos e indicadores nem sempre são conclusivos. Se ficar claro, a partir de outras características, que o arrendamento não transfere, substancialmente, todos os riscos e benefícios inerentes à propriedade do ativo subjacente, o arrendamento deve ser classificado como arrendamento operacional. Por exemplo, esse pode ser o caso se a propriedade do ativo subjacente for transferida, no final do arrendamento, por recebimento variável equivalente ao seu então valor justo, ou se houver recebimentos variáveis de arrendamento, como resultado dos quais o arrendador não transfere, substancialmente, todos esses riscos e benefícios. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 71 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 12 CPC 12 - AJUSTE A VALOR PRESENTE Imagem: ajustes a valor presente de vendas a prazo. Fonte: https://tinyurl.com/y93lvvp5 Antes de mais nada, mantenha a calma: por mais que pareça, esse Pronunciamento não tem tanto cálculo matemático, como o nome sugere… O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer os requisitos básicos a serem observados quando da apuração do Ajuste a Valor Presente de elementos do ativo e do passivo quando da elaboração de demonstrações contábeis, disciplinando e resolvendo algumas questões controversas oriundas de tal procedimento. Nesse sentido, temos que: (a) se a adoção do ajuste a valor presente é aplicável tão-somente a fluxos de caixa contratados ou se porventura seria aplicada também a fluxos de caixa estimados ou esperados; (b) em que situações é requerida a adoção do ajuste a valor presente de ativos e passivos, se no momento de registro inicial de ativos e passivos, se na mudança da base de avaliação de ativos e passivos , ou se em ambos os momentos; FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 72 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO (c) se passivos não contratuais, como aqueles decorrentes de obrigações não formalizadas oulegais, são alcançados pelo ajuste a valor presente; (d) qual a taxa apropriada de desconto para um ativo ou um passivo e quais os cuidados necessários para se evitarem distorções de cômputo e viés; (e) qual o método de alocação de descontos (juros) recomendado; (f) se o ajuste a valor presente deve ser efetivado líquido de efeitos fiscais. Ao realizar tais ajustes, ou pelo menos ao ponderar em aplicá-los, deve-se atentar a outras diversas regras já expostas em outros Pronunciamentos, por exemplo, dispostas na Estrutura Conceitual, como a confiabilidade. Segundo a norma dos ajustes, “o uso de estimativas e julgamentos acerca de eventos probabilísticos deve estar livre de viés.” Isso porque, os cálculos e mecanismos utilizados e levados em consideração para os modelos de precificação utilizados devem ser possíveis de serem verificados por terceiros independentes, prezando então pela neutralidade de tais informações e métodos utilizados. A aplicação e alcance deste Pronunciamento se dá, segundo trecho transcrito da norma: [...] essencialmente de questões de mensuração, não alcançando com detalhes questões de reconhecimento. É importante esclarecer que a dimensão contábil do “reconhecimento” envolve a decisão de “quando registrar” ao passo que a dimensão contábil da “mensuração” envolve a decisão de “por quanto registrar”. Basicamente, a preocupação é trazer com fidedignidade as informações que apresentam valores futuros a valores presente, buscando sempre atender a característica primordial da contabilidade: gerar informações para auxiliar à tomada de decisão dos usuários. É válido observar que, a aplicação dos conceitos e métodos de ajustes a valor presente não significa, em termos gerais, equiparar os ativos ou passivos aos seus valores justos. Logo, deve-se atentar que valor presente e valor justo não são, necessariamente, sinônimos. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 73 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso Valor presente “é a estimativa do valor de um fluxo de caixa futuro, no curso normal das operações da entidade.” Assim como valor justo “é o valor pelo qual um ativo pode ser negociado, ou um passivo liquidado, entre partes interessadas, conhecedoras do negócio e independentes entre si, com a ausência de fatores que pressionem para a liquidação da transação ou que caracterizem uma transação compulsória.” Um dos pontos mais difíceis da aplicação do ajuste a valor presente não é propriamente elencar de maneira detalhada os ativos e passivo que são contemplados pela regra, e sim estabelecer as diretrizes, objetivos e metas a serem alcançadas. Nesse sentido, como diretriz geral a ser observada, ativos, passivos e situações que apresentarem uma ou mais das características abaixo devem estar sujeitos aos procedimentos de mensuração tratados neste Pronunciamento: (a) transação que dá origem a um ativo, a um passivo, a uma receita ou a uma despesa (conforme definidos no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis deste CPC) ou outra mutação do patrimônio líquido cuja contrapartida é um ativo ou um passivo com liquidação financeira (recebimento ou pagamento) em data diferente da data do reconhecimento desses elementos; (b) reconhecimento periódico de mudanças de valor, utilidade ou substância de ativos ou passivos similares emprega método de alocação de descontos; (c) conjunto particular de fluxos de caixa estimados claramente associado a um ativo ou a um passivo. A essência deste Pronunciamento em termos de meta a ser alcançada, ao se aplicar o conceito de valor presente deve-se associar tal procedimento à mensuração de ativos e passivos levando-se em consideração o valor do dinheiro no tempo e as incertezas a eles associados. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 74 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto está na rede [...] a compra financiada de um veículo por um cliente especial que, por causa dessa situação, obtenha taxa não de mercado para esse financiamento, faz com que a aplicação do conceito de valor presente com a taxa característica da transação e do risco desse cliente leve o ativo, no comprador, a um valor inferior ao seu valor justo; nesse caso prevalece contabilmente o valor calculado a valor presente, inferior ao valor justo, por representar melhor o efetivo custo de aquisição para o comprador. Em contrapartida o vendedor reconhece a contrapartida do ajuste a valor presente do seu recebível como redução da receita, evidenciando que, nesse caso, terá obtido um valor de venda inferior ao praticado no mercado. Fonte: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/219_CPC_12.pdf Analisando a Lei 6.404/76, especialmente no seu artigo 183 no inciso VIII “os elementos do ativo decorrentes de operações de longo prazo serão ajustados a valor presente, sendo os demais ajustados quando houver efeito relevante.” Subgrupos Patrimoniais Ajuste a Valor Presente Ativo Circulante Somente quando houver efeito relevante Ativo Não Circulante Sim Passivo Circulante Somente quando houver efeito relevante Passivo Não Circulante Sim Tabela: ajustes a valor presente. Fonte: Adriano, 2016, p. 831. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/219_CPC_12.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 75 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto acontece na prática A empresa Notario realizou diversas vendas com prazo de recebimento de 90 dias no valor total de R$ 266.200,00. O valor das vendas é relevante para a empresa e a taxa implícita na operação foi de 10% ao mês. O contador da empresa Notario, nessa data, registrou a operação de acordo com as atuais Normas Brasileiras de Contabilidade, através do seguinte lançamento: Pelo registro contábil das vendas: D - duplicatas a receber R$ 266.200,00 C - vendas brutas R$ 266.200,00 Pelo registro contábil das receitas financeiras a apropriar: D - ajuste a valor presente de vendas R$ 66.200,00 C - receitas financeiras a apropriar R$ 66.200,00 Imagem: ajuste a valor presente das vendas a prazo. Fonte: adaptado de Adriano, 2016, p. 831. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 76 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 13 CPC 16 - ESTOQUES Imagem: estoques. Fonte: https://tinyurl.com/ycknaqjf Sem dúvida um dos principais bens de uma empresa (comercial e/ou industrial, obviamente) são os estoques. Através deles, as empresas tem condição de honrar seus compromissos e sobreviver nesse mercado cada vez mais competitivo. O CPC 16 disciplina sobre o tratamento contábil que devemos dar aos estoques, o qual segundo a norma, a questão fundamental na contabilização dos estoques é quanto ao valor do custo a ser reconhecido como ativo e mantido nos registros até que as respectivas receitas sejam reconhecidas, ou seja, sejam vendidos. Nesse sentido, o CPC 16 proporciona orientação sobre a determinação do valor de custo dos estoques e sobre o seu reconhecimento como despesa em resultado, incluindo qualquer redução ao valor realizável líquido. Também proporciona orientação sobre o método e os critérios usados para atribuir custos aos estoques. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 77 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Fique tranquilo que todos esses termos serão explicados (os necessários, obviamente) para a sua compreensão, combinados? Segundo o CPC 16, temos que: Estoques são ativos: (a) mantidos para venda no curso normal dos negócios; (b) em processo de produção para venda; ou (c) na forma de materiais ou suprimentos a serem consumidos ou transformados no processo de produção ou na prestação de serviços. Valor realizável líquido é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda. Valor justo é o preço que seria recebido pela venda deum ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. Sendo assim, nos termos do Pronunciamento, os estoques compreendem bens adquiridos e destinados à venda, incluindo, por exemplo, mercadorias compradas por varejista para revenda ou terrenos e outros imóveis para revenda. Os estoques também compreendem produtos acabados e produtos em processo de produção pela entidade e incluem matérias-primas e materiais secundários, aguardando utilização no processo de produção, tais como: componentes, embalagens e material de consumo. Os custos incorridos para cumprir o contrato com o cliente, que não resultam em estoques (ou ativos dentro do alcance de outro pronunciamento), devem ser contabilizados de acordo com o CPC 47 – Receita de Contrato com Cliente. No entendimento da norma, temos uma outra definição que chama a atenção, que trata-se do valor realizável líquido, que é o preço de venda estimado no curso normal dos negócios deduzido dos custos estimados para sua conclusão e dos gastos estimados necessários para se concretizar a venda. Para entender melhor esse tal de valor realizável líquido, imagine que uma empresa industrial de eletrodomésticos possui uma grande quantidade estocada de geladeiras na qual possui a perspectiva de venda por R$ 3.000,00. No entanto, sua concorrente lança uma nova geladeira com uma nova tecnologia, muito superior à da empresa inicial. Nesse sentido, com o surgimento da nova tecnologia, o valor esperado de venda cai para R$ 2.750,00, considerando-se todos os custos para concretizar a venda. Nesse caso, o valor realizável líquido então é de R$ 2.750,00. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 78 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Ainda, nessa linha de raciocínio, temos também uma definição de valor justo, que é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. Para entender, vamos voltar às nossas empresas de eletrodomésticos, onde um cliente quer aproveitar o lançamento da nova geladeira para adquirir a antiga (que esperto, não é?!), onde a tendência é uma queima de estoque das geladeiras antigas por parte das empresas. Ao realizar uma bela pesquisa no mercado, esse cliente encontrou lojas vendendo a mesma geladeira pelo valor de R$ 2.500,00 - esse é o valor justo.Esse é o valor justo (as partes são independentes e a transação não é compulsória, isto é, o cliente compra se quiser. Anote isso Observe que o valor realizável líquido não necessariamente é igual ao valor justo. O CPC 16 reza que o valor realizável líquido refere-se à quantia líquida que a entidade espera realizar com a venda do estoque no curso normal dos negócios. O valor justo reflete o preço pelo qual uma transação ordenada para a venda do mesmo estoque no mercado principal (ou mais vantajoso) para esse estoque ocorreria entre participantes do mercado na data de mensuração. O primeiro é um valor específico para a entidade, ao passo que o segundo já não é. Por isso, o valor realizável líquido dos estoques pode não ser equivalente ao valor justo deduzido dos gastos necessários para a respectiva venda. Em suma, temos que o valor realizável líquido é o valor que a entidade espera receber pela venda do estoque; enquanto o valor justo é o preço pelo qual ocorreria a venda do estoque no mercado. Quando vamos discutir a mensuração dos estoques, tanto a Lei 6.404/76 quanto o Pronunciamento em questão seguem a mesma ideia: devem ser mensurados pelo valor de custo ou pelo valor realizável líquido, dos dois o menor - em obediência ao princípio da prudência ou conservadorismo, lembra? Sem sombra de dúvida, um dos pontos mais importantes desta norma é com relação aos custos dos estoques, os quais são definidos pelo Pronunciamento, no item 10, FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 79 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO como sendo “O valor de custo do estoque deve incluir todos os custos de aquisição e de transformação, bem como outros custos incorridos para trazer os estoques à sua condição e localização atuais.” O custo de aquisição dos estoques compreende, segundo o Pronunciamento: [...] o preço de compra, os impostos de importação e outros tributos (exceto os recuperáveis junto ao fisco), bem como os custos de transporte, seguro, manuseio e outros diretamente atribuíveis à aquisição de produtos acabados, materiais e serviços. Descontos comerciais, abatimentos e outros itens semelhantes devem ser deduzidos na determinação do custo de aquisição. De igual modo, os custos de transformação de estoques, no entendimento na norma em questão, incluem: [...] os custos diretamente relacionados com as unidades produzidas ou com as linhas de produção, como pode ser o caso da mão de obra direta. Também incluem a alocação sistemática de custos indiretos de produção, fixos e variáveis, que sejam incorridos para transformar os materiais em produtos acabados. Os custos indiretos de produção fixos são aqueles que permanecem relativamente constantes independentemente do volume de produção, tais como a depreciação e a manutenção de edifícios e instalações fabris, máquinas, equipamentos e ativos de direito de uso utilizados no processo de produção e o custo de gestão e de administração da fábrica. Os custos indiretos de produção variáveis são aqueles que variam diretamente, ou quase diretamente, com o volume de produção, tais como materiais indiretos e certos tipos de mão de obra indireta. O CPC 16 destaca, ainda, que o valor do estoque baixado, reconhecido como despesa durante o período, o qual é denominado frequentemente como custo dos produtos, das mercadorias ou dos serviços vendidos, consistem nos custos que estavam incluídos na mensuração do estoque que agora é vendido. Os custos indiretos de produção eventualmente não alocados aos produtos e os valores anormais de custos de produção devem ser reconhecidos como despesa do período em que ocorrem, sem transitar pelos estoques, dentro desse mesmo grupo, mas de forma identificada. As circunstâncias da entidade também podem admitir a inclusão de outros valores, tais como custos de distribuição. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 80 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Perdas normais reconhecidas no estoque (custo de produção) Perdas anormais reconhecidas no resultado (despesa do exercício) Tabela: tratamento contábil das perdas de estoques. Fonte: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf Isto acontece na prática Uma indústria moveleira ao produzir mesas desperdiça normalmente 5% da matéria-prima (as famosas “rebarbas”). Nesse caso, esses 5% de desperdício irá ser apropriado aos estoques. No entanto, caso seja identificado, por exemplo, um desperdício de 15% no processo produtivo, incorrendo em desperdício anormal, esses 10% de desperdício a maior identificado deverá ser reconhecido como despesa no resultado do período. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 81 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 14 CPC 25 - PROVISÕES, PASSIVOS CONTINGENTES E ATIVOS CONTINGENTES Imagem: processos judiciais - ativos e passivos contingentes. Fonte:https://tinyurl.com/y97laoj3 O Objetivo do CPC 25 é estabelecer que sejam aplicados critérios de reconhecimento e bases de mensuração apropriados a provisões e a passivos e ativos contingentes e que seja divulgada informação suficiente nas notas explicativas para permitir que os usuários entendam a sua natureza, oportunidade e valor. Já deu para perceber a importância e o quanto esse “cara” é aplicado na prática nas empresas. Atualmente o termo provisão, seguindo a orientação das normas internacionais, refere-se apenasaos passivos com prazos ou valor incertos. Logo, o termo provisão para contas retificadoras do ativo não tem utilização adequada considerando o tratamento atual das Normas, sendo indicado o termo “estimativa” para tais contas, por exemplo, FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 82 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO usar “estimativa para créditos de liquidação duvidosa” ao invés de “provisão para créditos de liquidação duvidosa”. Segundo o Pronunciamento, temos algumas definições importantes: Provisão é um passivo de prazo ou de valor incertos. Passivo é uma obrigação presente da entidade, derivada de eventos já ocorridos, cuja liquidação se espera que resulte em saída de recursos da entidade capazes de gerar benefícios econômicos. Evento que cria obrigação é um evento que cria uma obrigação legal ou não formalizada que faça com que a entidade não tenha nenhuma alternativa realista senão liquidar essa obrigação. Obrigação legal é uma obrigação que deriva de: (a) contrato (por meio de termos explícitos ou implícitos); (b) legislação; ou (c) outra ação da lei. Obrigação não formalizada é uma obrigação que decorre das ações da entidade em que: (a) por via de padrão estabelecido de práticas passadas, de políticas publicadas ou de declaração atual suficientemente específica, a entidade tenha indicado a outras partes que aceitará certas responsabilidades; e (b) em consequência, a entidade cria uma expectativa válida nessas outras partes de que cumprirá com essas responsabilidades. Passivo contingente é: (a) uma obrigação possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade; ou (b) uma obrigação presente que resulta de eventos passados, mas que não é reconhecida porque: (i) não é provável que uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja exigida para liquidar a obrigação; ou (ii) o valor da obrigação não pode ser mensurado com suficiente confiabilidade. Ativo contingente é um ativo possível que resulta de eventos passados e cuja existência será confirmada apenas pela ocorrência ou não de um ou mais eventos futuros incertos não totalmente sob controle da entidade. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 83 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Outro ponto importante na norma é com relação ao critério de reconhecimento das provisões, as quais devem ser reconhecida quando: (a) a entidade tem uma obrigação presente (legal ou não formalizada) como resultado de evento passado; (b) seja provável que será necessária uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar a obrigação; e (c) possa ser feita uma estimativa confiável do valor da obrigação. Se essas condições não forem satisfeitas, nenhuma provisão deve ser reconhecida. Obrigação presente é no sentida da entidade ter a certeza da dívida, não tendo dúvida sobre o valor e nem sobre o vencimento da referida obrigação, por exemplo, uma compra de mercadorias a prazo: sabe-se o valor, bem como a data de vencimento, o que traz então, a certeza da dívida. Para que um passivo se qualifique para reconhecimento, é necessário haver não somente uma obrigação presente, mas também a probabilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos para liquidar essa obrigação. Para a finalidade deste Pronunciamento Técnico, uma saída de recursos ou outro evento é considerado como provável se o evento for mais provável que sim do que não de ocorrer, isto é, se a probabilidade de que o evento ocorrerá for maior do que a probabilidade de isso não acontecer. Quando não for provável que exista uma obrigação presente, a entidade divulga um passivo contingente, a menos que a possibilidade de saída de recursos que incorporam benefícios econômicos seja remota. O uso de estimativas é uma parte essencial da elaboração de demonstrações contábeis e não prejudica a sua confiabilidade. Isso é especialmente verdadeiro no caso de provisões, que pela sua natureza são mais incertas do que a maior parte de outros elementos do balanço. Exceto em casos extremamente raros, a entidade é capaz de determinar um conjunto de desfechos possíveis e, dessa forma, fazer uma estimativa da obrigação que seja suficientemente confiável para ser usada no reconhecimento da provisão. Outro ponto importante do Pronunciamento é com relação aos passivos contingentes, os quais não devem ser reconhecidos nas demonstrações contábeis, apenas em notas explicativas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 84 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso A entidade não deve reconhecer um passivo contingente. Conforme entendimento do Pronunciamento: Os passivos contingentes podem desenvolver-se de maneira não inicialmente esperada. Por isso, são periodicamente avaliados para determinar se uma saída de recursos que incorporam benefícios econômicos se tornou provável. Se for provável que uma saída de benefícios econômicos futuros serão exigidos para um item previamente tratado como passivo contingente, a provisão deve ser reconhecida nas demonstrações contábeis do período no qual ocorre a mudança na estimativa da probabilidade (exceto em circunstâncias extremamente raras em que nenhuma estimativa suficientemente confiável possa ser feita). Percebe-se que a empresa não tem autonomia nenhuma sobre o acontecimento ou não da contingência, isso é essencial para o seu correto tratamento contábil. Imagem: provisão e passivos contingentes. Fonte: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 85 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Da mesma forma, temos que os ativos contingentes surgem normalmente de evento não planejado ou de outros não esperados que dão origem à possibilidade de entrada de benefícios econômicos para a entidade. Um exemplo é uma reivindicação que a entidade esteja reclamando por meio de processos legais, em que o desfecho seja incerto. Isto acontece na prática Os ativos contingentes não são reconhecidos nas demonstrações contábeis, uma vez que pode tratar-se de resultado que nunca venha a ser realizado. Porém, quando a realização do ganho é praticamente certa, então o ativo relacionado não é um ativo contingente e o seu reconhecimento é adequado. Imagem: ativo contingente. Fonte: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdf Imagine a seguinte situação: um fabricante dá garantias no momento da venda para os compradores do seu produto. De acordo com os termos do contrato de venda, o fabricante compromete a consertar, por reparo ou substituição, defeitos de produtos que se tornarem aparentes dentro de três anos desde a data da venda. De acordo com a experiência passada, é provável (ou seja, mais provável que sim do que não) que haverá algumas reclamações dentro das garantias. Obrigação presente como resultado de evento passado que gera obrigação – O evento que gera a obrigação é a venda do produto com a garantia, o que dá origem a uma obrigação legal. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 86 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Saída de recursos envolvendo benefícios futuros na liquidação – Provável para as garantias como um todo (ver item 24). Conclusão – A provisão é reconhecida pela melhor estimativa dos custos para consertos de produtos com garantia vendidos antes da data do balanço (ver itens 14 e 24). Sempre pairam dúvidas de como tratar as provisões e as contingências, por isso, o Pronunciamento sugere uma forma de análise, a qual é apresentada a seguir: Imagem: esquema das provisões e contingências. Fonte: http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2014.pdfFACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 87 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 15 CPC 26 - APRESENTAÇÃO DAS DEMONSTRAÇÕES CONTÁBEIS Imagem: demonstrações contábeis. Fonte: https://tinyurl.com/y9al4dco Vamos estudar nesta aula o Pronunciamento referente a apresentação das demonstrações contábeis, o qual tem por objetivo definir a base para a apresentação das demonstrações contábeis, para assegurar a comparabilidade tanto com as demonstrações contábeis de períodos anteriores da mesma entidade quanto com as demonstrações contábeis de outras entidades. Nesse cenário, este Pronunciamento estabelece requisitos gerais para a apresentação das demonstrações contábeis, diretrizes para a sua estrutura e os requisitos mínimos para seu conteúdo. Este Pronunciamento deve ser aplicado em todas as demonstrações contábeis elaboradas e apresentadas de acordo com os Pronunciamentos, Orientações e Interpretações do Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC). FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 88 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Para estudar esta norma, é importante conhecermos algumas definições essenciais para esse momento, as quais o Pronunciamento traz que: Demonstrações contábeis de propósito geral (referidas simplesmente como demonstrações contábeis) são aquelas cujo propósito reside no atendimento das necessidades informacionais de usuários externos que não se encontram em condições de requerer relatórios especificamente planejados para atender às suas necessidades peculiares. Aplicação impraticável – A aplicação de um requisito é impraticável quando a entidade não pode aplicá-lo depois de ter feito todos os esforços razoáveis nesse sentido. Práticas contábeis brasileiras compreendem a legislação societária brasileira, os Pronunciamentos, as Interpretações e as Orientações emitidos pelo CPC homologados pelos órgãos reguladores, e práticas adotadas pelas entidades em assuntos não regulados, desde que atendam ao Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro emitido pelo CPC e, por conseguinte, em consonância com as normas contábeis internacionais. Segundo o CPC 26, as demonstrações contábeis são uma representação estruturada da posição patrimonial e financeira e do desempenho da entidade. Nesse sentido, o objetivo das demonstrações contábeis é o de proporcionar informação acerca da posição patrimonial e financeira, do desempenho e dos fluxos de caixa da entidade que seja útil a um grande número de usuários em suas avaliações e tomada de decisões econômicas. As demonstrações contábeis também objetivam apresentar os resultados da atuação da administração, em face de seus deveres e responsabilidades na gestão diligente dos recursos que lhe foram confiados. Para satisfazer a esse objetivo, as demonstrações contábeis proporcionam informação da entidade acerca do seguinte: (a) ativos; (b) passivos; (c) patrimônio líquido; (d) receitas e despesas, incluindo ganhos e perdas; (e) alterações no capital próprio mediante integralizações dos proprietários e distribuições a eles; e (f) fluxos de caixa. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 89 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Essas informações, juntamente com outras informações constantes das notas explicativas, ajudam os usuários das demonstrações contábeis a prever os futuros fluxos de caixa da entidade e, em particular, a época e o grau de certeza de sua geração. Um importante ponto de comparação com a Lei 6.404/76 é referente ao conjunto completo das demonstrações financeiras, as quais divergem em algumas demonstrações, conforme apresento a seguir. De acordo com a Lei, temos que: Art. 176. Ao fim de cada exercício social, a diretoria fará elaborar, com base na escrituração mercantil da companhia, as seguintes demonstrações financeiras, que deverão exprimir com clareza a situação do patrimônio da companhia e as mutações ocorridas no exercício: I - balanço patrimonial; II - demonstração dos lucros ou prejuízos acumulados; III - demonstração do resultado do exercício; e IV – demonstração dos fluxos de caixa; e V – se companhia aberta, demonstração do valor adicionado. § 1º As demonstrações de cada exercício serão publicadas com a indicação dos valores correspondentes das demonstrações do exercício anterior. § 2º Nas demonstrações, as contas semelhantes poderão ser agrupadas; os pequenos saldos poderão ser agregados, desde que indicada a sua natureza e não ultrapassem 0,1 (um décimo) do valor do respectivo grupo de contas; mas é vedada a utilização de designações genéricas, como “diversas contas” ou “contas-correntes”. § 3º As demonstrações financeiras registrarão a destinação dos lucros segundo a proposta dos órgãos da administração, no pressuposto de sua aprovação pela assembléia-geral. § 4º As demonstrações serão complementadas por notas explicativas e outros quadros analíticos ou demonstrações contábeis necessários para esclarecimento da situação patrimonial e dos resultados do exercício. Em contrapartida, temos a orientação do Pronunciamento em questão, que traz como conjunto completo das demonstrações as seguintes: (a) balanço patrimonial ao final do período; (b1) demonstração do resultado do período; (b2) demonstração do resultado abrangente do período; (c) demonstração das mutações do patrimônio líquido do período; (d) demonstração dos fluxos de caixa do período; (e) notas explicativas, compreendendo as políticas contábeis significativas e outras informações elucidativas; FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 90 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO (ea) informações comparativas com o período anterior, conforme especificado nos itens 38 e 38A; (f1) demonstração do valor adicionado do período, conforme Pronunciamento Técnico CPC 09, se exigido legalmente ou por algum órgão regulador ou mesmo se apresentada voluntariamente. Anote isso A entidade pode usar outros títulos nas demonstrações em vez daqueles usados neste Pronunciamento Técnico, desde que não contrarie a legislação societária brasileira vigente. Uma outra observação que se deve fazer, é que a entidade pode, se permitido legalmente, apresentar uma única demonstração do resultado do período e outros resultados abrangentes, com a demonstração do resultado e outros resultados abrangentes apresentados em duas seções. As seções devem ser apresentadas juntas, com o resultado do período apresentado em primeiro lugar seguido pela seção de outros resultados abrangentes. A entidade pode apresentar a demonstração do resultado como uma demonstração separada. Nesse caso, a demonstração separada do resultado do período precederá imediatamente a demonstração que apresenta o resultado abrangente, que se inicia com o resultado do período. Por mais óbvio que pareça, a norma reza que as demonstrações contábeis devem representar apropriadamente a posição financeira e patrimonial, o desempenho e os fluxos de caixa da entidade. Para apresentação adequada, é necessária a representação fidedigna dos efeitos das transações, outros eventos e condições de acordo com as definições e critérios de reconhecimento para ativos, passivos, receitas e despesas como estabelecidos no CPC 00 – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro. Presume-se que a aplicação dos pronunciamentos técnicos, interpretações e orientações do CPC, com divulgação adicional quando necessária, resulta em demonstrações contábeis que se enquadram como representação apropriada, conforme estudamos na aula da Estrutura Conceitual, lembra? FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 91 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Um dos pontos que mais nos chama a atenção ao estudar o Pronunciamento objeto desta aula, é a sua relação e citação expressa a continuidade da empresa, quando da elaboração e apresentação das demonstrações contábeis,conforme traz o item 25: [...] a administração deve fazer a avaliação da capacidade da entidade continuar em operação no futuro previsível. As demonstrações contábeis devem ser elaboradas no pressuposto da continuidade, a menos que a administração tenha intenção de liquidar a entidade ou cessar seus negócios, ou ainda não possua uma alternativa realista senão a descontinuidade de suas atividades. Quando a administração tiver ciência, ao fazer a sua avaliação, de incertezas relevantes relacionadas com eventos ou condições que possam lançar dúvidas significativas acerca da capacidade da entidade continuar em operação no futuro previsível, essas incertezas devem ser divulgadas. Quando as demonstrações contábeis não forem elaboradas no pressuposto da continuidade, esse fato deve ser divulgado, juntamente com as bases sobre as quais as demonstrações contábeis foram elaboradas e a razão pela qual não se pressupõe a continuidade da entidade. Isso nos leva a entender que se uma entidade empresarial estiver com suas atividades em processo de descontinuidade, por exemplo, falência ou encerramento programado, deve divulgar isso em suas demonstrações contábeis. Para fechar esse racicínio, temos que observar que a entidade deve elaborar as suas demonstrações contábeis, exceto para a demonstração dos fluxos de caixa, utilizando-se do regime de competência, já que todas as outras demonstrações, por exemplo, balanço patrimonial e demonstração do resultado do exercício, registram e representam os fatos pela competência, isto é, quando acontecem, independente da movimentação financeira. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 92 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Isto está na rede O exemplo a seguir é ilustrativo de como poderia ser apresentada a demonstração de resultados abrangentes do período, introduzida por este Pronunciamento Técnico, utilizando-se a Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido que já é usualmente elaborada no Brasil. O exemplo a seguir não teve por objetivo disciplinar a forma de apresentação da Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido. Note-se que foi adicionada a coluna de Participação dos Não Controladores no Patrimônio Líquido das Controladas, já que essa participação (também conhecida por Participação da Minoria ou dos Minoritários) passa, a partir da adoção deste Pronunciamento, a ser apresentada dentro do Patrimônio Líquido como um todo, após a identificação do Patrimônio Líquido dos Sócios da Entidade Controladora. >>> o aluno deve visitar a página para ter acesso completo ao exemplo citado no Pronunciamento Técnico em questão, disponível em http://static.cpc.aatb. com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 93 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO AULA 16 CPC 27 - ATIVO IMOBILIZADO Imagem: máquinas e equipamentos - ativo imobilizado. Fonte: https://tinyurl.com/y8x3z8db Assim como os demais Pronunciamentos que estudamos, vamos começar esse aqui também pelo seu objetivo, que é estabelecer o tratamento contábil para ativos imobilizados, de forma que os usuários das demonstrações contábeis possam discernir a informação sobre o investimento da entidade em seus ativos imobilizados, bem como suas mutações. Os principais pontos a serem considerados na contabilização do ativo imobilizado são o reconhecimento dos ativos, a determinação dos seus valores contábeis e os valores de depreciação e perdas por desvalorização a serem reconhecidas em relação aos mesmos. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 94 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Anote isso Vale lembrar que os ativos imobilizados são bens corpóreos que promovem a manutenção da companhia, além de serem controlados e utilizados por mais de um exercício financeiro, por exemplo, veículos, móveis e utensílios, computadores e imóveis. Nesse sentido, este Pronunciamento deve ser aplicado na contabilização de ativos imobilizados, exceto quando outro Pronunciamento exija ou permita tratamento contábil diferente. Para conseguirmos estudá-lo com mais tranquilidade, vamos considerar as seguintes definições: Valor contábil é o valor pelo qual um ativo é reconhecido após a dedução da depreciação e da perda por redução ao valor recuperável acumuladas. Custo é o montante de caixa ou equivalente de caixa pago ou o valor justo de qualquer outro recurso dado para adquirir um ativo na data da sua aquisição ou construção, ou ainda, se for o caso, o valor atribuído ao ativo quando inicialmente reconhecido de acordo com as disposições específicas de outros Pronunciamentos, como, por exemplo, o Pronunciamento Técnico CPC 10 – Pagamento Baseado em Ações. Valor depreciável é o custo de um ativo ou outro valor que substitua o custo, menos o seu valor residual. Depreciação é a alocação sistemática do valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil. Valor específico para a entidade (valor em uso) é o valor presente dos fluxos de caixa que a entidade espera (i) obter com o uso contínuo de um ativo e com a alienação ao final da sua vida útil ou (ii) incorrer para a liquidação de um passivo. Valor justo é o preço que seria recebido pela venda de um ativo ou que seria pago pela transferência de um passivo em uma transação não forçada entre participantes do mercado na data de mensuração. Perda por redução ao valor recuperável é o valor pelo qual o valor contábil de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa excede seu valor recuperável. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 95 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO Ativo imobilizado é o item tangível que: (a) é mantido para uso na produção ou fornecimento de mercadorias ou serviços, para aluguel a outros, ou para fins administrativos; e (b) se espera utilizar por mais de um período. Correspondem aos direitos que tenham por objeto bens corpóreos destinados à manutenção das atividades da entidade ou exercidos com essa finalidade, inclusive os decorrentes de operações que transfiram a ela os benefícios, os riscos e o controle desses bens. Valor recuperável é o maior valor entre o valor justo menos os custos de venda de um ativo e seu valor em uso. Valor residual de um ativo é o valor estimado que a entidade obteria com a venda do ativo, após deduzir as despesas estimadas de venda, caso o ativo já tivesse a idade e a condição esperadas para o fim de sua vida útil. Vida útil é: (a) o período de tempo durante o qual a entidade espera utilizar o ativo; ou (b) o número de unidades de produção ou de unidades semelhantes que a entidade espera obter pela utilização do ativo. Ao estudamos o referido Pronunciamento, não podemos deixar de nos dedicarmos ao reconheicmento do custo, o qual deve ser reconhecido como ativo se, e apenas se for provável que futuros benefícios econômicos associados ao item fluirão para a entidade e se o custo do item puder ser mensurado confiavelmente. Uma dúvida sobre esse reconhecimento, ou melhor, um ponto importante a ser considerado nessa parte é que os sobressalentes, peças de reposição, ferramentas e equipamentos de uso interno são classificados como ativo imobilizado quando a entidade espera usá-los por mais de um período. Ao tratarmos sobre o reconhecimento dos custos iniciais, o Pronunciamento reza que a aquisição de tal ativo imobilizado, embora não aumentando diretamente os futuros benefícios econômicos de qualquer item específico já existente do ativo imobilizado, pode ser necessária para que a entidade obtenha os benefícios econômicos futuros dos seus outros ativos, por exemplo, a aquisição de uma máquina para o parque fabril de uma indústria não aumenta diretamente os resultados, mas indiretamente gera condições para que tais ganhos sejam potencializados. Segundo a norma,temos que o custo de um ativo imobilizado pode ser composto da seguinte forma: FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 96 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO (a) seu preço de aquisição, acrescido de impostos de importação e impostos não recuperáveis sobre a compra, depois de deduzidos os descontos comerciais e abatimentos; (b) quaisquer custos diretamente atribuíveis para colocar o ativo no local e condição necessárias para o mesmo ser capaz de funcionar da forma pretendida pela administração; (c) a estimativa inicial dos custos de desmontagem e remoção do item e de restauração do local (sítio) no qual este está localizado. Tais custos representam a obrigação em que a entidade incorre quando o item é adquirido ou como consequência de usá-lo durante determinado período para finalidades diferentes da produção de estoque durante esse período. Sem dúvidas, um assunto recorrente nos estudos do ativo imobilizado é a depreciação dos bens, que nada mais é do que a perda de valor pelo uso, por exemplo. Cada componente de um item do ativo imobilizado com custo significativo em relação ao custo total do item deve ser depreciado separadamente. A depreciação do ativo se inicia quando este está disponível para uso, ou seja, quando está no local e em condição de funcionamento na forma pretendida pela administração, isto é, uma máquina estando pronta para ser utilizada - mesmo que não esteja - já pode sofrer depreciação. Existem vários métodos para depreciar um bem do ativo imobilziado, e o método de depreciação utilizado reflete o padrão de consumo pela entidade dos benefícios econômicos futuros. No entendimento do Pronunciamento “o método de depreciação aplicado a um ativo deve ser revisado pelo menos ao final de cada exercício e, se houver alteração significativa no padrão de consumo previsto, o método de depreciação deve ser alterado para refletir essa mudança.” Ainda sobre os métodos, a norma traz que: Vários métodos de depreciação podem ser utilizados para apropriar de forma sistemática o valor depreciável de um ativo ao longo da sua vida útil. Tais métodos incluem o método da linha reta, o método dos saldos decrescentes e o método de unidades produzidas. A depreciação pelo método linear resulta em despesa constante durante a vida útil do ativo, caso o seu valor residual não se altere. O método dos saldos decrescentes resulta em despesa decrescente durante a vida útil. O método de unidades produzidas resulta em despesa baseada no uso ou produção esperados. A entidade seleciona o método que melhor reflita o padrão do consumo dos benefícios econômicos futuros esperados incorporados no ativo. Esse método FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 97 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO é aplicado consistentemente entre períodos, a não ser que exista alteração nesse padrão. Mesmo com essa quantidade considerável de métodos de depreciação de bens, o método mais utilizado é o método da linha reta, conforme demonstrado a seguir. Isto acontece na prática Considere que uma empresa tenha adquirido uma máquina à vista no valor de R$ 100.000,00 e o método de depreciação utilizado pela entidade seja o método linear. Contabilização na data da compra: D - Máquinas e equipamentos (ANC) C - Caixa (AC) R$ 100.000,00 Cálculo da depreciação, considerando que a vida útil da máquina seja de 10 anos: Máquina e equipamentos R$100.000,00 (-) Depreciação acumulada (1º ano) (R$10.000,00) = Valor contábil R$ 90.000,00 Contabilização da depreciação, ao final do 1º ano de uso da máquina: D - Depreciação (DRE - D) C - Depreciação acumulada (Ret. ANC) R$ 10.000,00 FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 98 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO CONCLUSÃO Missão dada é missão cumprida! Que bom que você chegou até aqui e espero que tenha aproveitado ao máximo o conteúdo que preparei para você, afinal, passamos um bom período juntos. Acredito que tenha percebido a importância do estudo das legislações que norteiam a profissão contábil - de grande responsabilidade nesse cenário cada vez mais dinâmico. Nessa etapa, passamos por alguns momentos essenciais para o entendimento correto de tudo isso, por exemplo, o processo de convergência às normas internacionais de contabilidade, o que causou um grande tumulto aos profissionais da época, já que procedimentos foram alterados e outros criados, por exemplo, novos grupos de contas e estrutura das demonstrações contábeis. De tal processo, a convergência, surgiram outros grandes momentos para a ciência contábil, por exemplo, a Redução ao Valor Recuperável de Ativos, fruto de uma alteração da Lei nº 6.407/76, mais especificamente, pela Lei nº 11.638/07 - graças à nova contabilidade. Não obstante, tivemos novas considerações para os ativos intangível e imobilizado. Bom, estudamos também a demonstração do fluxo de caixa - DFC, a qual também é um advento da nova contabilidade, já que a Lei nº 11.638/07 “encostou” uma demonstração que existia: a demonstração das origens e aplicações dos recursos - DOAR e instituiu a DFC. Nesse sentido, das demonstrações contábeis, busquei fazer uma espécie de comparativo entre a Lei das Sociedades Anônimas - Lei nº 6.404/76 - e o Pronunciamento Técnico do CPC nº 26 - Apresentação das Demonstrações Contábeis. Você deve ter percebido também que a leitura dos Pronunciamentos, de um modo geral, é bem técnica e quase que “chata”, concorda? Mas se faz essencial no exercício da profissão contábil e além disso, é cada vez mais cobrada no Exame de Suficiência do Conselho Federal de Contabilidade - CFC e, por exemplo, em editais de grandes concursos públicos. Por isso, sugiro que continuamente faça a apreciação dessas normas. Sucesso! Abraços, professor William Notario! FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 99 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO ELEMENTOS COMPLEMENTARES LIVRO Título: Contabilidade Geral e Avançada – Esquematizado Autor: Eugênio Montoto Editora: Saraiva Sinopse: Essa obra é um livro prático e completo para o estudo de Contabilidade Geral e Análise de Balanços. O livro não só contempla os procedimentos básicos geralmente aceitos, como também aborda com detalhes o conteúdo das principais normas internacionais de contabilidade, com foco nas provas de concursos públicos das principais bancas examinadoras. Sua linguagem é simples e direta e segue os padrões da Coleção Esquematizado®, sendo o texto apresentado de forma clara e objetiva, com os destaques em azul nos pontos em que o leitor deve se atentar nos estudos. Como todo livro da Coleção Esquematizado®, também apresenta esquemas gráficos e quadros, para tornar o aprendizado mais ágil e agradável. Além disso, traz muitos exercícios para fixar o conteúdo, e ao final de cada unidade, há exercícios com respostas comentadas. FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 100 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO FILME Título: O Contador Ano: 2016 Sinopse: Christian Wolff, um contador com uma síndrome que limita suas habilidades sociais, cuida da contabilidade das organizações criminosas mais perigosas do mundo. Ao assumir um outro cliente, uma a empresa de robótica “state-of-the-art”, quanto mais perto ele chega da verdade, maior é o número de corpos. WEB Sem dúvida aqui você irá encontrar tudo que precisa saber sobre normas técnicas e procedimentos orientados e regulados para que a contabilidade brasileira esteja de acordo com as Normas Internacionais de Contabilidade. Acesse os Pronunciamentos Técnicos do CPC em http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos http://www.cpc.org.br/CPC/Documentos-Emitidos/Pronunciamentos FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 101 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO REFERÊNCIAS ADRIANO, Sérgio. Contabilidade Geral 3D: básica, intermediária e avançada.3ª edição. Salvador: Juspodivm, 2016. BRASIL, Lei nº 6404 de 15 de dezembro de 1976. Dispõe sobre as Sociedades por Ações. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L6404compilada.htm > Acesso em fevereiro de 2020. BRASIL, Lei nº 12973 de 13 de maio de 2014. Dispõe sobre alterações em diversas outras legislações. Disponível em < http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 00 (R2) – Estrutura Conceitual para Relatório Financeiro. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/573_CPC00(R2).pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 01 (R1) – Redução ao Valor Recuperável de Ativos. Disponível em < http:// static.cpc.aatb.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_rev%2012.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 03 (R2) - Demonstração dos Fluxos de Caixa. Disponível em < http://static. cpc.aatb.com.br/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 04 (R1) – Ativo Intangível. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/ Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 06 (R2) – Arrendamentos. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com. br/Documentos/533_CPC_06_R2_rev%2014.pdf > Acesso em feveiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 12 – Ajuste a Valor Presente. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/ Documentos/219_CPC_12.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6404compilada.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2011-2014/2014/lei/l12973.htm http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/573_CPC00(R2).pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/27_CPC_01_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/183_CPC_03_R2_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/187_CPC_04_R1_rev%2012.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/533_CPC_06_R2_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/533_CPC_06_R2_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/219_CPC_12.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/219_CPC_12.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/219_CPC_12.pdf FACULDADE CATÓLICA PAULISTA | 102 LEGISLAÇÃO CONTÁBIL: CPC’S E LEI DAS S.A. WILLIAM ALVES NOTARIO COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 16 (R1) - Estoques. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/ Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 25 – Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2013.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 26 (R1) – Apresentação das Demonstrações Contábeis. Disponível em < http:// static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. COMITÊ DE PRONUNCIAMENTOS CONTÁBEIS: Pronunciamento Técnico CPC 27 – Ativo Imobilizado. Disponível em < http://static.cpc.aatb.com.br/ Documentos/316_CPC_27_rev%2013.pdf > Acesso em fevereiro de 2020. MONTOTO, Eugenio. Contabilidade Geral e Avançada: Esquematizado. 4ª edição. São Paulo: Saraiva, 2015. http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/243_CPC_16_R1_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/304_CPC_25_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/312_CPC_26_R1_rev%2014.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2013.pdf http://static.cpc.aatb.com.br/Documentos/316_CPC_27_rev%2013.pdf _8ftyrmj0u1sg _uqpvzzceu6ao _wlm8u1g1u84t _c8g39y4w7tk6 _dteuz3kw2m60 _dc2374juovj7 _6do838r7lfyu _c1udvhy882t8 _22qcxla4v0le _r3s05vvud4bg _ia7awintxuwu _i1iwci5ibjk7 _xdprlujc32nd _a8h0mdvs9rv6 _ynk6wylj0b1u _h7vhvtv3q018 _j7hy88tr4c0a _5pfx2adynk6l _p5ze2vfmiv4q _in3zqh6e10zm _d14apaury4f9 _mfwprq6rxmpg _j6ehcc1oi2mm _v5gb3lgwrenh _vk1w6lfiy8p9 _ygfdpfjnpuub _x3p9zggg1y0c _fkh5p4uztf6n _74ggls1m2uge _okplum5q3ai6 _qx8zyl37plz5 _t0nyabodxses _3l7nlcn0g771 _jgnexzw6z9a7 _lw93zsa3219l _rcp2umbm5s4t _atmxlb7uu945 _t079wwrlpltb _fzf5tftl2t41 _qc5lcc3pn3zn _o5e99a1chq9r _fwy26arrivxt _ensnesykh0l _lh5wo2i96rvg _s7wpl1xj0mka _yb5c4aehqwa5 _kaj87ug5874a _qjyp722v89y3 _47g1o4fyuup _773m84h9oaga _dj927tsa0h8w _ab1b5j3es93l _ah5e8ej8vjo1 _r2jo7pyq5j5n _me4szz8ddhbj _p08tq6mn3kbn _y5h86ui8lf1b _ykas4bu8ik2y _6iuus8851ao5 _828gzqlwcpzb _d7k9fkde84nz _ogsogo68ni47 _jiwmrrqqrrhn _yy1k9stqw1e _c09trzaxwzv5 _3y72o715mhgf _kigd0ce88tvb _gikonpjv53y _rskhd7rgygzk _k03d1l8e8ulj _jlxnxyu4spnp _vsdw7nub36p7 _udx60jvw5isr _qj0o7f9jivsc _arcli9czlpl1 _1gwru7uhf85c _gjdgxs _35nkun2 _3znysh7 _ekuv1mbtv3be _ivs6ksx7y8gw _36pbvbcsa2gn _i43ywptlgjrt _2et92p0 _goh69a6cjvvx _tyjcwt _a22hktokh8w1 _4x3uh34zyltn _j3ztphqrieo0 _tf6ehymboom _4r5i5ucun3ie _plh2x4uju3jn _myptzbe4tket _cqsflsau2g23 _1sdjwaqq2vzp _ht9t4z4tu8bz _6vd4pcgzyqf9 _viv3ue8kynzs _ecq1e0k7gra5 _wvmjh7efyfin _384kx4jluzg0 _3uv5arrp1g33 _po5tt7x0kem7 _2h712xkxqu66 _i2hoi5m446nt _rq75icnsyap9 _3vttr5jumln8 _ohg6ag7hlgsh _49dccgd8pj2s _x7mracx4bpto _szr6xaewdhsb _z40hfwd7q3z _n6sy99dzivx9 _c8h2nflcrts _ha4khlpuu6lc _2kd05w3gcs9d _oo2xaqiab37b _uspscnb1d89p _t5v9bstup43b _aoez3ffzxaiv _dc7o8mbibjs9 _1niqcsqavzpj _euwunnoyk0ft _t19qwpirqzda _9a6p69mg9fgx _j2jfk57g8kad _k6uik1v4wybm _rj3v1eia7ham _3onqkjmo3iku _c6xcw3w1mih6 _ppficdof2931 _blg4asbm9c7v _7okb2mc75hxf _9ec0gigxw62e _i47azli8ef57 _3zpwnssg930 _brtgezj89b9s _farj3qae3fwp _78a227g74jbo _leivx6cupm6x _68wdpbupgnem _vh7tpihsxaz4 _GoBack _xwqnv4zd4s15 _ttvvs5v5c8lv PROCESSO DE CONVERGÊNCIA ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE PRINCÍPIOS CONTÁBEIS E INTRODUÇÃO ÀS NORMAS INTERNACIONAIS DE CONTABILIDADE LEI 6.404/76: EXERCÍCIO SOCIAL E INTRODUÇÃO ÀS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS - DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE I PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS - DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE II PRINCIPAIS DEMONSTRAÇÕES FINANCEIRAS - DE ACORDO COM A LEI 6.404/76 - PARTE III CPC 00 - ESTRUTURA CONCEITUAL PARA RELATÓRIO FINANCEIRO CPC 01 - REDUÇÃO AO VALOR RECUPERÁVEL DE ATIVOS CPC 03 - DEMONSTRAÇÃO DOS FLUXOS DE CAIXA CPC 04 - ATIVO INTANGÍVEL CPC 06 – ARRENDAMENTOS CPC 12 - AJUSTE A VALOR PRESENTE CPC 16 - ESTOQUES