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TERMODINÂMICA AVANÇADA Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, do Grupo Ser Educacional. Diretor de EAD: Enzo Moreira Gerente de design instrucional: Paulo Kazuo Kato Coordenadora de projetos EAD: Manuela Martins Alves Gomes Coordenadora educacional: Pamela Marques Equipe de apoio educacional: Caroline Guglielmi, Danise Grimm, Jaqueline Morais, Laís Pessoa Designers gráficos: Kamilla Moreira, Mário Gomes, Sérgio Ramos,Tiago da Rocha Ilustradores: Anderson Eloy, Luiz Meneghel, Vinícius Manzi dos Santos, Felipe Delapria Dias dos Santos. Termodinâmica avançada / Felipe Delapria Dias dos Santos; José Roberto Vasconcellos Junior. – São Paulo: Cengage – 2020. Bibliografia. ISBN 9786555580709 1. Engenharia 2. Vasconcellos Junior, José Roberto. Grupo Ser Educacional Rua Treze de Maio, 254 - Santo Amaro CEP: 50100-160, Recife - PE PABX: (81) 3413-4611 E-mail: sereducacional@sereducacional.com “É através da educação que a igualdade de oportunidades surge, e, com isso, há um maior desenvolvimento econômico e social para a nação. Há alguns anos, o Brasil vive um período de mudanças, e, assim, a educação também passa por tais transformações. A demanda por mão de obra qualificada, o aumento da competitividade e a produtividade fizeram com que o Ensino Superior ganhasse força e fosse tratado como prioridade para o Brasil. O Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, tem como objetivo atender a essa demanda e ajudar o País a qualificar seus cidadãos em suas formações, contribuindo para o desenvolvimento da economia, da crescente globalização, além de garantir o exercício da democracia com a ampliação da escolaridade. Dessa forma, as instituições do Grupo Ser Educacional buscam ampliar as competências básicas da educação de seus estudantes, além de oferecer- lhes uma sólida formação técnica, sempre pensando nas ações dos alunos no contexto da sociedade.” Janguiê Diniz PALAVRA DO GRUPO SER EDUCACIONAL Autoria Felipe Delapria Dias dos Santos Mestre em Engenharia Mecânica com ênfase em Materiais Poliméricos pela UEM (Universidade Estadual de Maringá). Bacharel em Engenharia Mecânica (UTFPR - Universidade Tecnológica Federal do Paraná). Bacharel em Administração (FAPAN - Faculdade de Paraíso do Norte). Especialista em Engenharia de Segurança do Trabalho (UCAM - Universidade Cândido Mendes). Especialista em Processos da Qualidade (UniFCV - Faculdade Cidade Verde). Professor Conteudista: UniFatecie / Vg Educacional / Telesapiens / Dtcom. Engenheiro Mecânico - MEF. José Roberto Vasconcellos Jr Formado em Engenharia Mecânica pela Universidade Católica de Petrópolis em 1989, curso de extensão em Empreendedorismo na Industria de Óleo e Gás pelo Instituto Brasileiro do Petróleo em 2014. Carreira desenvolvida em Gestão de Negócios, Vendas, Aplicação, Projetos e Montagem Industrial em empresas líderes como: Tecniplas, Higra, ITT Goulds, Flowserve, Sulzer, Genpro Engenharia, Irmãos Schur, Petrobras e Celma (GE Aviation). Sócio na Olivas Engenharia, empresa de prestação de serviço em consultoria de gestão de negócios, vendas, projetos, perícias e representação, com serviços prestados nos segmentos de óleo & gás, nuclear, sucro-alcooleiro, montagem de equipamentos industriais, condomínios e shopping centers. SUMÁRIO Prefácio .................................................................................................................................................8 UNIDADE 1 - Relações entre propriedades termodinâmicas (Maxwell) ...........................................9 Introdução.............................................................................................................................................10 1 Relações Entre Propriedades Termodinâmicas (Maxwell) .................................................................11 2 Equações de Maxwell ......................................................................................................................... 14 3 Termodinâmica de Misturas Gasosas ................................................................................................. 19 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................26 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................27 UNIDADE 2 - As propriedades dos fluidos .......................................................................................29 Introdução.............................................................................................................................................30 1 Sistemas Térmicos .............................................................................................................................. 31 2 Análise da mecânica dos Fluidos ........................................................................................................ 38 3 Transferência de Calor em Sistemas Termodinâmicos .......................................................................43 4 Transferência de Massa Em Sistemas Termodinâmicos .....................................................................52 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................54 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................55 UNIDADE 3 - Psicometria e reações químicas .................................................................................57 Introdução.............................................................................................................................................58 1 Psicometria ........................................................................................................................................59 2 Reações Químicas .............................................................................................................................. 66 3 Equilíbrio Químico .............................................................................................................................. 68 4 Combustão - Noções Gerais ............................................................................................................... 72 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................75 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................76 UNIDADE 4 - Termodinâmica avançada .........................................................................................79 Introdução.............................................................................................................................................80 1 Equilíbrio de químico e de fase .......................................................................................................... 81 2 Escoamento compreensível ............................................................................................................... 89 PARA RESUMIR ..............................................................................................................................99 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ......................................................................................................100 O livro Termodinâmica avançada traz ao leitor, além de informações básicas da área, o conteúdo parcialmente descrito a seguir em suas quatro unidades. Em linhas gerais, a primeira unidade,Relações entre propriedades termodinâmicas, aborda a termodinâmica sob o ponto de vista da engenharia mecânica. Apresenta os conceitos da termodinâmica e os efeitos das mudanças de temperatura, pressão, densidade, massa e volume nos sistemas a nível macroscópico. A segunda unidade, Propriedades dos fluidos, trata dos conceitos relacionados a sistemas térmicos, dois dos principais sistemas térmicos modelados e utilizados na indústria, e em condições idealizadas. O leitor também terá informações sobre propriedades dos fluidos, transferência de calor e transferência de massa. A terceira unidade, Psicometria e reações químicas, explana sobre os efeitos das mudanças de temperatura, pressão, densidade, massa e volume nos sistemas a nível macroscópico. Além disso, o texto discute a termodinâmica sob o ponto de vista da engenharia mecânica. Concluindo a obra, a quarta e última unidade, Escoamento compressível e o equilíbrio dos fluidos, discute os conceitos relacionados ao equilíbrio químico de fluidos generalizados e de fluidos nas condições ideais, bem como o equilíbrio de fase para fluidos gerais e fluidos ideais. Os principais conceitos que regem o escoamento compressível serão discutidos, assim como suas propriedades de estagnação, e o leitor terá conhecimento de como é possível relacionar a velocidade do som com a velocidade de algum fluido. Esta é apenas uma pequena amostra do que o leitor aprenderá após a leitura do livro. Agora é com você! Sorte em seus estudos! PREFÁCIO UNIDADE 1 Relações entre propriedades termo- dinâmicas (Maxwell) Olá, Você está na unidade TERMODINÂMICA AVANÇADA. Conheça aqui conceitos da termodinâmica, que é o ramo da física que se dedica ao estudo das relações entre o calor, o trabalho e as restantes formas de energia. Analisa, por conseguinte, os efeitos das mudanças de temperatura, pressão, densidade, massa e volume nos sistemas a nível macroscópico. Esse conceito será explicado por meio das “relações entre propriedades termodinâmicas desenvolvidas por Maxwell e termodinâmicas de misturas gasosas”. Nesta unidade, iremos abordar a termodinâmica, sob o ponto de vista da Engenharia Mecânica, e os exemplos de aplicação procurarão abordar aplicações usualmente encontrados pelos Engenheiros Mecânicos no exercício de seu trabalho. Bons estudos! Introdução 11 1 RELAÇÕES ENTRE PROPRIEDADES TERMODINÂMICAS (MAXWELL) As relações de Maxwell são um conjunto de equações em termodinâmica que são produzidas a partir da simetria das segundas derivadas e das definições dos potenciais termodinâmicos. Essas relações são nomeadas em homenagem ao físico do século XIX James Clerk Maxwell. Vamos abordar quem foi James Clerk Maxwell e seus conceitos matemáticos que embasam a Termodinâmica. Figura 1 - Ilustração conceitual sobre as Equações de Maxwell Fonte: Optura Design, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um conceito ilustrativo das Equações de Maxwell, mostrando sinais aleatórios dispersos na figura como se fossem a representação de gases, por meio de figuras de carrinho de supermercado, mouse, monitor de computador, bloco de notas, calendário, olho e traços geométricos. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 12 1.1 Quem foi james Clerk Maxwell? James Clerk Maxwell nasceu em 13 de junho de 1831 em Edimburgo, Escócia. Logo após seu nascimento, seus pais foram viver em uma pequena vila rural, no interior. Quando tinha apenas oito anos de idade, sua mãe faleceu. O plano inicial de seu pai era educá-lo em casa até os treze anos de idade e depois enviá- lo para a Universidade de Edimburgo. Para isso contratou um jovem tutor de dezesseis anos para ensiná-lo. No entanto, a experiência com o tutor não obteve sucesso. Em 1841, sua família decidiu mudar-se para Edimburgo, onde o jovem James frequentou a Academia de Edimburgo. James não foi escolhido como melhor aluno de sua turma; o escolhido foi Lewis Campbell, que se tornou seu amigo próximo e, mais tarde, um de seus biógrafos. Aos dezesseis anos, James começou a estudar matemática, filosofia natural e lógica na Universidade de Edimburgo. Em 1850 mudou-se para Cambridge, filiando-se ao Peterhouse College. Por ser mais fácil obter uma bolsa de estudos, mudou-se para o Trinity College, que havia sido frequentado por Isaac Newton (1642 – 1727). Formou-se em 1854 em matemática com grande destaque entre os outros estudantes. Apesar disso, não recebeu o prêmio de melhor aluno pois não se preparou adequadamente para os pesados exames de fim de curso. O lugar de Maxwell entre os grandes físicos do século XIX deve-se a suas pesquisas sobre eletromagnetismo, teoria cinética dos gases, visão colorida, anéis de Saturno, óptica geométrica, e alguns estudos sobre engenharia. Ele escreveu quatro livros e cerca de cem artigos científicos. Foi também editor científico da nona edição da Enciclopédia Britânica, para a qual contribuiu com vários verbetes. Uma das contribuições mais importantes de Maxwell foi o desenvolvimento de uma teoria cinética dos gases baseada na estatística. Aperfeiçoou o trabalho de 1859 do físico alemão Rudolf Clausius (1822-1888) que já havia considerado um gás como um conjunto de moléculas que colidiam entre si e que se moviam com velocidades dependentes da temperatura. Como era comum na época, Clausius considerou (por simplicidade) que todas as moléculas do gás se moviam com a mesma velocidade. Maxwell inovou ao mostrar que, devido às colisões entre as moléculas, elas deveriam ter velocidades diferentes. Como o número de moléculas em um gás é enorme, Maxwell lançou mão da estatística para calcular a distribuição de velocidades das partículas. Esses resultados foram publicados em 1860 no artigo “Ilustrações da teoria dinâmica dos gases”. Os métodos estatísticos já eram usados para analisar resultados experimentais, tanto em física como também nas ciências sociais. Mas a ideia de Maxwell de descrever processos físicos pelo uso de funções estatísticas foi uma grande novidade na época. Com este novo enfoque, obteve valores médios das velocidades das moléculas do gás e, a partir disso, calculou propriedades do gás, como temperatura, pressão, coeficiente de viscosidade, etc. 13 Posteriormente, o físico austríaco Ludwig Boltzmann modificou o trabalho de Maxwell e, em 1868, publicou uma distribuição de velocidades para explicar a condução de calor em gases, conhecida atualmente como distribuição Maxwell–Boltzmann. Uma de suas principais contribuições para a Física Experimental foi feita em 1865, com sua esposa, Katherine. Juntos fizeram experimentos para estudar a viscosidade de gases a diferentes pressões e temperaturas. Os resultados foram publicados no artigo “sobre a teoria dinâmica dos gases”. Mostraram que, ao contrário do senso comum, a viscosidade de um gás é independente de sua densidade. Neste artigo Maxwell também refinou e corrigiu vários erros de seu artigo de 1867, apontados por Clausius. Em 1870 publicou o livro “Theory of Heat ou Teoria do Calor” no qual expõe suas ideias sobre termodinâmica em sua forma madura. Maxwell pesquisou sobre teoria cinética dos gases até o fim de sua carreira, publicando importantes artigos sobre o assunto. Seus trabalhos sobre termodinâmica exerceram grande influência e abriram caminho para muitas pesquisas sobre o assunto no século XX. Figura 2 - Ilustração da imagem de James Maxwell Fonte: Nicku, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos a ilustração do busto de James Clerk Maxwell, que está usando paletó escuro, camisa branca, gravata borboleta escura e colete escuro. Tem semblante com olhar compenetrado, cabelos curtos, barba cheia, longa com mechas grisalhas. 14 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 EQUAÇÕES DE MAXWELL A termodinâmica clássica trabalha com o referencial macroscópico, mas, em alguns, conceitos há uma visão microscópica, como na definição de entropia ou de irreversibilidade. Também trabalha com sistemas em equilíbrio e na determinação do equilíbrio. Portanto,pode-se entender que a termodinâmica clássica trabalha apenas com sistemas em equilíbrio (além disso, homogêneos, ou formados pela justaposição de partes macroscópicas homogêneas) e, como consequência, estuda apenas os processos reversíveis. A termodinâmica tem como referencial o próprio sistema. Nenhuma propriedade termodinâmica é determinada a partir de um referencial externo ao sistema, por exemplo, na mecânica acontece com as energias cinética e potencial, ou com os efeitos de corpo rígido. A termodinâmica considera que o mundo microscópico é regido pelas mesmas leis do mundo macroscópico, como, aliás, faz toda teoria clássica. Tal extrapolação, hoje, é considerada um artifício matemático justificado pelo fato de que os seus resultados, exclusivamente no mundo macroscópico, são experimentalmente confirmados. Mas, pelo menos até meados do século XIX, a citada extrapolação era suposta uma verdade natural. Esta extrapolação é o que justifica as equações diferenciais e integrais da termodinâmica e de toda teoria clássica. Se uma grandeza for definida por derivação ou integração, isto implicará, matematicamente, na aceitação desta extrapolação. Se uma propriedade intensiva apresentar tal valor para o sistema, isto significará que tal valor é igual em todos os pontos do sistema logo, novamente, a extrapolação terá sido aceita. Portanto se, por exemplo, for informado que a densidade do sistema (não a densidade média) é um determinado valor, matematicamente isto implicará nesta extrapolação. Logo, nada impede que um sistema se reduza a um ponto, como de 15 fato explicitamente admite a teoria macroscópica. Para a determinação do estado de equilíbrio, o sistema termodinâmico deve ser fechado ou isolado porque, no caso de um sistema aberto, aproximações muito fortes precisam ser feitas. Considerando que o equilíbrio termodinâmico é o conjunto dos equilíbrios térmico, mecânico e material, o equilíbrio termodinâmico exige homogeneidade de pressão, temperatura e potencial químico. Isso é possível em sistema isolado e também, no caso de sistema fechado com paredes diatérmicas móveis, considerando que a temperatura e a pressão das redondezas sejam iguais à do sistema. Para um sistema aberto, deve-se também considerar que os potenciais químicos das espécies em questão, nas redondezas, sejam respectivamente iguais aos seus valores no sistema. Esse sistema é trabalhado nas áreas de engenharia. No caso, há dois equilíbrios, um na entrada do volume de controle (estado inicial) e outro na saída (estado final). Assim, o volume de controle funciona como um processo, geralmente estacionário. Em 1870, Maxwell publicou o livro intitulado “Theory of Heat ou Teoria do Calor”, no qual deduziu as relações entre as variáveis termodinâmicas, pressão (P), volume (V), entropia (V), temperatura (T), número de moles (N), potencial eletroquímico (µ) e suas derivadas parciais. Essas relações são conhecidas desde então como relações de Maxwell, as quais foram deduzidas usando argumentos geométricos baseados no diagrama de eixos ortogonais Pressão – Volume (P – V), diagrama esse que havia sido idealizado pelo físico francês Benoit Pierre Emile Clapeyron em 1834, para representar as transformações termodinâmicas sofridas pelos gases. A aplicação da geometria à termodinâmica realizado por Maxwell foi logo estendida pelo físico norte-americano Josiah Williard Gibbs em 1873, ao representar as propriedades termodinâmicas das substâncias por intermédio de superfícies entropia-volume-temperatura e os respectivos diagramas tipo “clapeyrianos”: entropia x temperatura (S-T), entropia – volume (S-V) e volume – temperatura (V-T). Para demonstrar as relações de Maxwell por meio das fórmulas diferenciais, usaremos as seguintes expressões diferenciais entre as funções ou potenciais termodinâmicos: U Energia interna. H Entalpia F 16 Energia livre G Entalpia livre V Volume T Temperatura Segundo a Teoria das Equações Diferenciais, dada a uma determinada função (f) expressa em termos de (n+1) variáveis independentes, existem nx(n+1)/2 pares separados de derivadas segundas parciais dessa mesma função. Sendo assim, para cada potencial termodinâmico, tem-se nx(n+1)/2 relações de Maxwell. Um conjunto de relações úteis podem ser obtidos a partir da seguinte propriedade das derivadas segundas mistas: Considera-se cada potencial termodinâmico como função de três variáveis termodinâmicas independentes, então para cada par dessas variáveis haverá, três relações de Maxwell. Demonstrando: Para um sistema simples de um componente, a energia interna U é função de 3 variáveis (n=2) e temos (2 × 3 / 2) = 3 derivadas segundas mistas. As derivadas segundas mistas são: 17 Da mesma forma, na representação de Helmholtz tem-se: Na representação de entalpia: Na representação de Gibbs: 18 Na representação do grande potencial: É interessante destacar que, em 1929, o físico alemão Max Born apresentou um diagrama mnemônico para obter algumas relações de Maxwell. Esse diagrama consiste de um quadrado com flechas apontando para cima ao longo das duas diagonais, denominado de Quadrado de Born. Os lados são denominados com os quatro potenciais termodinâmicos (F; G; H; U); nessa ordem, partindo de F colocado na parte de cima do quadrado e seguindo a direção dos ponteiros do relógio. Os dois vértices da esquerda são denominados V e S, de cima para baixo, e os dois da direita, T e P, também de cima para baixo. U é função natural de V, S; F é função natural de V, T; G é função natural de T, P; H é função natural de S, P. 19 3 TERMODINÂMICA DE MISTURAS GASOSAS Mistura é qualquer sistema formado por dois ou mais componentes puros. Podem ser homogêneas (por exemplo, sal de cozinha dissolvido em água) ou heterogêneas (por exemplo, mistura de água e óleo). Uma mistura homogênea é também chamada solução. Toda mistura de gases é sempre um sistema homogêneo, ou seja, possui só uma fase, e comporta-se como se fosse constituída por um único gás, em relação à pressão. Visto que são tão presentes em nosso cotidiano, é necessário analisar duas grandezas importantes quando se trata de misturas gasosas, que são: pressão parcial e volume parcial. A seguir, ambos serão explicados: 3.1 Pressão Parcial dos Gases A pressão parcial de um gás é a pressão que ele exerceria se estivesse sozinho nas mesmas condições de temperatura e volume da mistura. Considera-se pressão parcial a pressão que cada gás, isoladamente e à mesma temperatura, FIQUE DE OLHO O quadrado termodinâmico (de Born) pode ser usado como um mnemônico para recordar e derivar as relações vistas anteriormente. A utilidade das relações de Maxwell está na quantificação de variações de entropia, que não são diretamente mensuráveis, em termos de quantidades mensuráveis como temperatura, volume e pressão. As relações de Maxwell são baseadas em regras simples de diferenciação parcial, em particular, o diferencial total de uma função e a simetria para avaliação de derivadas parciais de segunda ordem. 20 exerceria sobre as paredes do recipiente que continha a mistura. Esse princípio só se aplica aos gases ideais. Assim, temos que Ptotal numa mistura de dois gases A e B, por exemplo, será: Ptotal= PA + PB Para misturas gasosas, a pressão total é a soma das pressões parciais dos componentes individuais (Lei de Dalton) e, assim, pressão total e composição estão intimamente relacionadas: Em que pi é a pressão parcial do componente “i” (pressão que seria exercida por nimols de “i” sozinhos em um volume igual ao da mistura na mesma temperatura e pressão) e yi é a fração molar do componente “i” na mistura. Em misturas de substâncias ideais, ocorrendo isotérmica e isobaricamente, todas as propriedades termodinâmicas permanecem inalteradas, com exceção da entropia. Segundo Dalton, a soma das pressões parciais dos gases que formam a mistura resulta na pressão total (p) da mistura. Por exemplo, se a pressão do ar for de 1,0 atm,a pressão parcial do N2 será de 0,8 (80% da pressão total) e a pressão parcial de O2 será igual a 0,2 % (20% da pressão total da mistura). Pode-se também calcular cada pressão parcial por meio da equação de estado dos gases: Equação de estado dos gases, também conhecida por Lei do Gás Ideal, em CNTP (Condições Normais de Temperatura e Pressão) temos temperatura a 0oC e pressão a 1 atm: P.V = n.R.T Onde: P Pressão; - 15 - V Volume; 21 n Número de mols; R Constante universal dos gases perfeitos: 8,31 J/mol.k; T Temperatura. 3.2 Volume Parcial dos Gases Similarmente à pressão parcial, o volume parcial corresponde ao volume que um gás ocupa nas condições de temperatura e pressão da mistura. A Lei de Amagat diz que a soma dos volumes parciais é igual ao volume total, assim como o caso da pressão visto anteriormente. Por isso, usamos a equação de estado dos gases, com a única diferença que agora se coloca o volume parcial do gás e não a pressão: P. VN2= nN2. R. T Também é possível calcular o volume parcial de cada gás componente da mistura por meio da fração em quantidade de matéria. Um volume ocupado por um determinado número de mol de moléculas depende da natureza das moléculas que as envolvem. Em geral, o volume parcial molar de uma substância A. Uma mistura é a variação de volume da mistura por mol de A adicionado à mistura. A definição formal de Volume parcial molar (Vj) de uma substância J em uma determinada composição é: Quando a composição de uma mistura for alterada pela adição de dna ou de dnb, então, o volume total da mistura também se altera. O que nos leva a equação 1: Vm=Va.na + Vb.nb 22 3.3 Equilíbrio de Misturas Gasosas Quando mais de um componente estiver presente em uma fase, o sistema não estará completamente definido a não ser que sejam especificadas as quantidades relativas dos componentes na mistura. A designação mais comum para as quantidades relativas de componentes gasosos em uma mistura é dada em frações molares do componente. Em gases ideais, a fração molar é igual à fração volumétrica. Naturalmente, quando duas ou mais fases estão em contato, elas interagem entre si trocando matéria e/ou energia até que um estado de equilíbrio seja atingido. Dentre os conceitos básicos, pode-se citar fugacidade e atividade. Esses conceitos servem para descrever sistemas heterogêneos multicomponentes com diferentes graus de não idealidade. Como a propriedade potencial químico é uma abstração matemática, apropriada na solução de problemas físicos, somente pode ser medida indiretamente, relaciona-se a mesma à variável fugacidade. É uma propriedade termodinâmica que caracteriza a fuga da idealidade no cálculo da energia livre de Gibbs. A fugacidade é uma grandeza definida em Termodinâmica para facilitar operações matemáticas e proporcionar modelagem fenômenos estudados. É definida como a relação entre a fugacidade de uma espécie na mistura (fi), a uma temperatura T, e a fugacidade desse mesmo componente em um estado padrão selecionado, f0i , na mesma temperatura T, ou seja: Em suma, a atividade é um parâmetro adimensional cujo valor depende de um estado padrão definido e é muito útil, pois pode ser relacionada a um parâmetro que define composição, tal como fração molar, concentração e pressão parcial. Quando duas fases (líquido/vapor, líquido/sólido ou gás/sólido) ou dois líquidos são postos em contato, haverá a transferência de massa de uma fase para outra até que o equilíbrio seja atingido. 23 Figura 3 - Ilustração de mergulhador no mar Fonte: Blue-sea.cz, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos a fotografia de um mergulhador no fundo de um mar azul e sem peixes, usando equipamento adequado para mergulho incluindo cilindro de oxigênio. A cada 10 metros de profundidade, a pressão dos gases aumenta em 1 atm, é por isso que mergulhadores precisam usar cilindros, contendo oxigênio diluído em hélio. Em Termodinâmica, estamos interessados em prever as concentrações das diferentes espécies químicas em ambas as fases quando o equilíbrio é atingido. A existência de força motriz para a transferência de massa (sistema em não equilíbrio) é a base para processos de separação, nos quais se deseja, por exemplo: Isolar contaminantes de uma corrente gasosa ou líquida; Separar espécies químicas de interesse de uma mistura multicomponente, a exemplo do que ocorre na destilação do petróleo; Remover compostos orgânicos da água ou correntes efluentes por adsorção em um sólido, tal como o carvão ativado; Recuperar uma espécie química de interesse a partir de uma corrente efluente para reciclo e reuso etc. 24 Figura 4 - Ilustração de uma refinaria de Petróleo. Fonte: Avigator Fortuner, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos a fotografia de uma refinaria de petróleo, que é um sistema clássico de Termodinâmica, onde a troca energética está em diversas áreas como unidade de craqueamento, torres de destilação, caldeiras, torres de resfriamento entre outros. Na foto, pode-se ver as unidades descritas anteriormente além de tanques de armazenamento de diferentes capacidades. 3.4 Propriedades da Mistura Gasosa Ideal Para uma mistura gasosa ideal valem as seguintes propriedades: Os gases da mistura e a mistura se comportam de acordo com a lei dos gases ideal: PV=nRT O potencial químico de cada componente gasoso i é definido por: A variação de entalpia na conformação da mistura é zero Hm=0 A variação de entropia na conformação da mistura é: A variação de energia livre de Gibbs na conformação da mistura é dada por: 25 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: FIQUE DE OLHO Duas fases estão em equilíbrio quando há uniformidade de temperatura, pressão e igualdade do potencial químico (μi) de todas as espécies presentes em todas as fases. A complexidade de resolução de um problema de equilíbrio de fases dependerá dessas se comportarem ou não idealmente. Problemas mais complexos surgem quando ambas as fases, vapor e líquida, se afastam da idealidade. Neste caso, são inseridos coeficientes de correção que expressam o grau de afastamento do comportamento ideal; são eles os coeficientes de fugacidade, para a fase vapor, e os coeficientes de atividade, para a fase líquida. 26 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer um pouco sobre a história de James Clerk Maxwell; • conceitos básicos das equações de Maxwell para Termodinâmica; • compreender os fundamentos da Termodinâmica para misturas gasosas; • ver exemplos fotográficos de sistemas onde ocorrem misturas gasosas; • conhecer mais sobre o conceito de Termodinâmica. PARA RESUMIR BASSALO, José Maria Filardo, VALENTE, Zinia de Aquino e CATTANI, Mauro Sergio Dorsa – Relações Termodinâmica de Maxwell Via Formas Diferenciais – Revista Brasileira de Ensino de Física, vol. 22, no. 2, 2000. KARAUCHI, Martim e FALLEIROS, Neusa Alonso. Apostila PMT2305 – Físico Química para Metalurgia e Materiais I, USP 2012. LUGONES, German – BC0205 – Princípios da Termodinâmica – Cap.7 Relações de Maxwell – UFABC 2015. NERY, Alessandro Ranulfo Lima – Comparação Crítica de Livros Didáticos de Termodinâ- mica – Dissertação de Mestrado – UNICAMP 2007. SILVA, Danilo. Mistura Simples – Centro Acadêmico do Nordeste – UFPE. SILVA, Ubiravan Geraldo de Oliveira – Análise Energética em Refino de Petróleo – Disser- tação de Mestrado – UNESP – Guaratinguetá 2010. TARDIOLI, Paulo Waldir. Termodinâmica para Engenharia. Coleção UAB-UFSCar. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 2 As propriedades dos fluidos Você está na unidade Propriedades dos Fluidos da disciplina de Termodinâmica Avançada. Conheça aqui os conceitos relacionados a sistemas térmicos em que veremos dois dos principais sistemas térmicos modelados e utilizados na indústria, veremos também esses dois sistemas nas condições idealizadas. Além disso, aprenderemos também mais um pouco sobre as propriedades dos fluidos e aprofundaremos em algumas das principaiscaracterísticas. Finalizaremos estudando sobre a transferência de calor e transferência de massa. Bons estudos! Introdução 31 1 SISTEMAS TÉRMICOS Um dos grandes problemas e objetivos a ser alcançado pela engenharia é a de criar sistemas termodinâmicos que permitam a conversão de energia necessária e desejada. Neste tópico, iremos discutir vários tipos de sistemas termodinâmicos de geração de potência. Cada um dos diferentes sistemas que veremos possui sua aplicabilidade própria, com características marcantes e vantagens e desvantagens a serem levados em conta. Mostraremos alguns arranjos práticos e usualmente empregados na indústria e como esses arranjos atuam na produção de potência. Vamos também ilustrar como essas instalações de potência podem ser modeladas termodinamicamente. Antes de começarmos, é fundamental termos em mente que a discussão está baseada em três áreas principais de aplicação: instalações de potência da turbina a gás, instalação de potência a vapor e motores de combustão interna. 1.1 Sistemas de Potência a Vapor Os processos que acontecem nesse meio de geração de potência, no geral, são tão complicados que muitas vezes se faz necessário a idealização do sistema para que seja possível o desenvolvimento tratável e tangível de um sistema termodinâmico, sendo que essa modelagem é o primeiro passo quando estamos lidando com projetos de engenharia. O autor Moran (2014) lembra que embora as idealizações dos sistemas só permitam conclusões qualitativas a respeito do desempenho dos dispositivos reais, o modelo permite retirar pressupostos de variação de propriedades que nos permite entender como os diferentes parâmetros afetam o real desempenho do sistema. Os principais componentes de um sistema de potência a vapor movido a combustível fóssil é mostrado na Figura 1 abaixo. No presente momento, nosso objeto de estudo será os componentes que estão dentro da linha tracejada em vermelho que é onde acontece a conversão de energia de calor para trabalho. Figura 1 - Componentes de uma instalação de potência a vapor simples. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Imagem dos componentes de uma instalação de potência a vapor simples, que constitui em Caldeira, Condensador, Bomba de água de alimentação, bBomba, Turbina e Torre de Arrefecimento. 32 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.2 Analisando o Sistema de Potência a Vapor - Ciclo de Rankine Para darmos início de fato ao estudo dos sistemas termodinâmicos, ressaltaremos aqui que conceitos importantes já estudados no passado, serão úteis, como os princípios da conservação de massa e da conservação de energia, a Segunda Lei da Termodinâmica e dados Termodinâmicos. O Ciclo de Rankine é o nome dado ao ciclo termodinâmico tracejado em vermelho da Figura 1 que para melhor visualização, separamos e apresentamos na Figura 2. Figura 2- Trabalho e transferência de calor no Ciclo de Rankine. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Ciclo de Tankine, que consiste em Caldeira, Bomba, Condensador e Turbina. 33 Como dissemos no início, algumas situações são idealizadas a fim de facilitar o estudo, umas das idealizações a ser feita é considerar que não existe transferência de calor entre os componentes da instalação e suas vizinhanças. Outra consideração a ser realizada é desprezar as variações de energia cinética e potencial que possa existir no sistema. Aqui, cada componente é considerado como regime permanente e utilizando os princípios da conservação de massa e da conservação de energia, podemos desenvolver expressões para a transferência de energia. Vejamos a seguir: Turbina: o vapor na caldeira no estado 1, representado na Figura 2, quando com temperatura e pressão elevada, se expande por meio da turbina produzindo trabalho e é, então, descarregado no condensador no estado 2 com uma pressão reduzida. Ao desprezarmos a transferência de calor com as vizinhanças, os balanços de massa e energia sob a forma de taxa para um volume de controle é dado por: Ao realizarmos as simplificações e desprezando os itens citados, temos: Onde temos que indica a vazão mássica dos fluidos de trabalho e indica a taxa em que o trabalho, por unidade de massa de vapor, é produzido, uma vez que as variações de energia cinética e potencial são desprezadas. Condensador: no condensador, existe a transferência de calor do vapor para a água de arrefecimento escoando em uma corrente separada, nesse caso, o vapor é condensado e a temperatura da água de arrefecimento aumenta. Ao consideramos regime permanente, temos que os balanços de massa e energia na forma de taxa para um volume de controle é: Em que Qsai/m representa a taxa na qual a energia, por unidade de massa de fluido de trabalho, que flui pelo condensador, é transferida por calor do fluido de trabalho para a água de arrefecimento. Temos que a transferência de energia é positiva na direção da seta. Bomba: o líquido condensado que sai do condensador em 3 é, então, bombeado do condensador para dentro da caldeira a uma pressão muito mais elevada, admitindo a hipótese 34 de que não existe transferência de calor com as vizinhanças, os balanços de massa e de energia sob a forma de taxa são: No qual temos que Wb/m é a potência de entrada, por unidade de massa passando pela bomba. Essa transferência de energia será sempre positiva na direção da seta. Caldeira: nesse componente, o fluido de trabalho completa um ciclo, como o líquido que deixa a bomba em 4, passando a ser chamado de água de alimentação da caldeira em que é aquecido até a sua saturação e evaporado na caldeira. Os balanços de massa e de energia sob a forma de taxa é dado por: Onde Qent/m representa a taxa de transferência de calor da fonte de energia para o fluido de trabalho, por unidade de massa passando através da caldeira. Ciclo de Rankine Ideal Imaginemos agora que um fluido de trabalho passe por todos os componentes de um ciclo simples, já citados anteriormente, e sem irreversibilidade, logo, as quedas de pressão que acontecem em um ciclo normal, estariam ausentes na caldeira e no condensador, com isso, o fluido de trabalho escoaria através destes componentes a uma pressão constante. Além disso, com a ausência da irreversibilidade e trocas de calor com a vizinhança, os processos que acontecem na turbina e na bomba se tornariam processos isentrópicos. O ciclo que segue todas as considerações é chamado de Ciclo de Rankine Ideal, mostrado na Figura 3. 35 Figura 3: Diagrama temperatura-entropia do ciclo de rankine Ideal. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Diagrama com a linha vertical indicando temperatura e a vertical indicando entropia. Observamos que o fluido de trabalho sofre os seguintes processos: Processo 2-3: Transferência de calor do fluido de trabalho à medida que ele escoa a pressão constante através do condensador com líquido saturado no estado 3. Processo 3-4: Compressão isentrópica na bomba até o estado 4 na região de liquido comprimido. Processo 4-1: Transferência de calor para o fluido de trabalho à medida que ele escoa a pressão constante através da caldeira para completar o ciclo. 1.3 Ciclo de Ar-Padrão Brayton Esse ciclo está ilustrado na Figura 4 abaixo. Nele, estão ilustradas por setas as direções das principais transferências de energia. De acordo com hipóteses de ar-padrão, ao contrário do ciclo anterior estudado, no Brayton, o aumento de temperatura não acontece por combustão, mas sim por transferência de calor de uma fonte externa para o fluido de trabalho e o mesmo é considerado um ar em regime de gás ideal. 36 Figura 4: Ciclo de ar-padrão de turbina a gás. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Apresenta o ciclo com compressor, troca de calor, turbina e troca de calor. Podemos idealizar o ciclo de ar-padrão imaginando o ar entrando no compressor (estado 1) a partir da vizinhança e mais tarde, ao final do ciclo, esse ar que entrouna etapa 1 irá retornar para a vizinhança na etapa 4 com a temperatura maior do que a da vizinhança (consequentemente, maior que a temperatura de entrada). Após o gás retornar para a vizinhança, a temperatura irá diminuir pelo equilíbrio térmico e entrará novamente pelo estado 1, dando início a um novo ciclo. Pelo balanço de energia e de massa do volume de controle, conseguimos deduzir facilmente as expressões para as transferências de energia sob a forma de calor e trabalho que ocorrem em regime permanente. A transferência de energia é positiva na direção da seta. Supondo que a turbina opere de forma adiabática e desprezando os efeitos de energia cinética e potencial, o trabalho produzido por unidade de massa será dado por: Em que m é tido como sendo a vazão em massa. Assumindo as mesmas hipóteses, temos que o trabalho do compressor por unidade de massa é: O calor rejeitado por unidade de massa é: 37 Lembrando que Qsai possui valor positivo Ciclo de Ar-Padrão Ideal Brayton Assim como Rankine, podemos também idealizar o ciclo Brayton ao ignorarmos a irreversibilidade associada à circulação do ar, ao ignorarmos as perdas de carga por atrito e considerando que o ar escoa à pressão constante por meio dos trocadores de calor, além de considerarmos que não existe perda de calor por meio da transferência de calor, tornando os processos da turbina e do compressor isentrópicos, temos então os ciclos ideais ilustrados nos diagramas p-v e T-s nas Figuras 5 e 6 respectivamente. As áreas de ambos os diagramas (T-s e p-v) pode ser interpretada, como o calor e o trabalho, respectivamente. Analisemos individualmente cada uma agora: Figura 5 - Ciclo de ar-padrão ideal Brayton p-v. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: a imagem #ParaCegoVer: Mostra o ciclo em números, Na Figura 5, observamos que a área 1-2-a-b-1 nos fornece o trabalho que é transmitido ao compressor por unidade de massa enquanto que a área 3-4-b-a-3 é o trabalho produzido pela turbina por unidade de massa. 38 Figura 6 - Ciclo de ar-padrão ideal Brayton T-s. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Mostra o ciclo de ar-padrão ideal Brayton T-s em números. Já, na Figura 6, observamos que a área 2-3-a-b-2 nos fornece o calor adicionado por unidade de massa, enquanto em que a área 1-4-a-b-1 é o calor rejeitado por unidade de massa. 2 ANÁLISE DA MECÂNICA DOS FLUIDOS Chamamos de propriedade qualquer característica de um sistema, algumas das mais conhecidas são: Pressão (P), volume (V) e massa (m). A lista de propriedades de um fluido é grande e podemos citar: condutividade térmica, módulo de elasticidade, resistividade elétrica, viscosidade, entre diversas outras. As propriedades podem ser divididas em propriedades intensivas e propriedades extensivas. As intensivas são aquelas que não dependem da massa de um sistema como a temperatura, a pressão e a densidade enquanto em que a extensiva é dependente do tamanho/extensão do sistema, como a densidade, a massa total e o volume total. Dizemos que o estado de um sistema é definido pelas suas propriedades e, assim, podemos descrevê-los, no entanto, sabemos que não é necessário possuir conhecimento de todas as propriedades de um sistema para caracterizá-lo. A seguir, discutiremos algumas propriedades mecânicas de um fluido. 2.1 Densidade e Gravidade específca De forma genérica, densidade é definida como sendo a massa por unidade de volume: 39 Podemos dizer que o inverso da densidade é chamado de Volume específico e é definido como sendo volume por unidade de massa. De forma simples, a densidade de um determinado gás depende de dois fatores: da pressão ambiente e da temperatura. Para a maioria dos gases, a densidade é proporcional à pressão e inversamente proporcional à temperatura. Para materiais sólidos/gasosos, a pressão pouco influencia uma vez que não se deformam facilmente com a variação de pressão. Para termos em mente a influência da pressão, tomamos como base a água. A 20 °C e 1 atm sua densidade é de 998 kg/m³, já a 20 °C e 100 atm sua densidade é 1003 kg/m³, uma variação de apenas 0,5%. Vejamos, agora, o que acontece quando variamos a temperatura a 1 atm e 20 °C como já dito, a densidade da água é de 998 kg/m³, já a 1 atm e 75 °C sua densidade é alterada para 975 kg/m³ (variação de 2,3%) Em alguns casos na engenharia, a densidade de uma determinada substância é dada em relação à densidade de outra substância mais conhecida. Chamamos essa propriedade de gravidade específica ou densidade relativa e expressamos como sendo a razão entre a densidade de uma substância e a densidade de alguma substância padrão a uma temperatura especificada: 2.2 Densidade dos Gases Ideais Atualmente, se acha facilmente na internet ou em livros tabelas já com as densidades dos gases ideais, no entanto, é sempre válido possuir uma relação simples que expresse seu valor em função de outras propriedades para casos em que seja conveniente o cálculo das mesmas. Para esse caso, temos uma equação de estado, ou seja, uma equação que relaciona a pressão, a temperatura e a densidade de uma substância. Expressamos a equação de estado dos gases ideais da seguinte forma: Pv = RT Ou ainda: P = ÞRT 40 Relembrando que para a Temperatura é necessário a utilização da temperatura na escala Kelvin, relacionamos a escala Kelvin com a escala Celsius da seguinte forma: T(K) = T(ºC) + 273,15 Todo gás que obedece a equação dos gases ideais é chamado de relação dos gases ideias. Podemos ainda expressar as propriedades de um gás ideal em dois estados diferentes pela equação: Exemplo: Determine a densidade, a gravidade específica e a massa de ar numa sala cujas dimensões são: (1 x 3 x 6) m, a 100kPa e a 25°C. Para o gás do ar, considere R = 0,297 kPa.m³/(kg.K) Hipóteses: sob condições especificas, o ar pode ser considerado um gás ideal. Análise: Então, temos que a gravidade específica será dada por: Finalizando, temos que o volume e a massa de ar na sala são: V = (1 m) x (3 m) x (6 m) = 18 m3 Da equação: Conseguimos obter, então, que a massa de ar é de: 41 2.3 Viscosidade Quando dois corpos sólidos estão em contato e em movimento em relação ao outro, é desenvolvido uma força na superfície de contato conhecida como força de atrito e acontece em direção oposta ao movimento. Por exemplo, se desejamos movimentar uma mesa que está localizada acima de um piso, precisamos aplicar uma força sobre a mesa, na direção horizontal com intensidade que supere a força de atrito. Para isso, é necessário aplicar uma intensidade de força que supere o coeficiente de atrito entre a mesa e o piso e, assim, a mesa será movimentada. De forma semelhante, temos quando um fluido se movimenta em relação a outro fluido ou quando se movimenta em relação a um sólido. Para tal, chamamos de “Viscosidade” a propriedade que representa a resistência interna do fluido ao movimento ou à “fluidez”. A força que um fluido em movimento realiza sobre um corpo na direção do escoamento é conhecida como força de arrasto e essa força depende em parte da viscosidade. Na mecânica dos fluidos e na transferência de calor, comumente usamos a razão entre a viscosidade dinâmica e a densidade aparente para representarmos a viscosidade cinemática. De forma geral, a viscosidade dinâmica ( ) de um fluido é tabelada e sua unidade convencional é kg/m.s ou de forma equivalente N.s/m² já a viscosidade cinemática tem como unidade convencional m²/s. A viscosidade de um fluido, de forma geral, depende da temperatura e da pressão, embora a pressão seja uma variável com pouco influência sobre o valor da viscosidade. Quando tratamos da viscosidade em líquidos, tanto a dinâmica quanto a cinemática possuem pouca variação com a alteração da pressão, sendo, portanto, essa variação desprezada, exceto em casos que a variação de pressão é extremamente alta. Este caso também é aplicado para a viscosidade dinâmica para os gases, no entanto, não é válido paraa viscosidade cinemática, uma vez que a densidade de um gás é proporcional à sua pressão. A viscosidade de um fluido é uma medida de sua “resistência a deformação” é, portanto, uma medida resultante da força de atrito interno que é desenvolvida entre as diferentes camadas dos fluidos à medida que são forçadas a movimentar-se uma em relação às outras. A viscosidade é causada pelas forças coesivas entre as moléculas nos líquidos e pelas colisões moleculares nos gases, e varia extremamente com a temperatura. A viscosidade dos líquidos decresce com a temperatura, ao passo que a dos gases aumenta com a temperatura. Isso ocorre porque nos líquidos as moléculas possuem mais energia a temperaturas mais altas e, nesse caso, podem opor-se 42 mais intensamente as forças intermoleculares coesivas. O resultado é que as moléculas energizadas do liquido movem-se mais livremente (ÇENGEL, p. 43, 2007). Para gases, em contrapartida, as forças intermoleculares são desprezíveis e as moléculas em temperaturas altas são movidas de forma aleatória e essa aleatoriedade tende a aumentar com o aumento da temperatura, resultando em mais colisões moleculares por unidade de volume e por unidade de tempo e, como consequência, fazendo com que haja maior resistência ao escoamento. Dizemos que a viscosidade de um fluido esta relaciona à potência requisitada para transportar o fluido num tubo ou mover um corpo por um fluido, podemos exemplificar ao imaginamos um carro no ar ou um submarino no mar. A viscosidade dos gases é, portanto, dada em função da temperatura como observamos a seguir: Em que T é a temperatura absoluta do gás e “a” e “b” são constantes determinadas experimentalmente. Para o ar, por exemplo, os valores das constantes são: a = 1,458.10-6 kg(m.s.K1/2) e b = 110,4 K em condições atmosféricas. Para líquidos, temos que a viscosidade é expressa por: Novamente, T é a temperatura absoluta do líquido e “a”, “b” e “c” são constantes determinadas de forma experimental. Para a água, por exemplo, essas constantes são: a = 2,414.10-5 N.s/m², b = 247,8 K e c = 140 K. Consideremos, agora, uma camada de fluido de espessura “d” numa pequena folga entre dois cilindros concêntricos. O torque desse sistema é dado por T = FR (força vezes o braço de momento, que nesse caso será o raio R do cilindro interno), temos também que a velocidade tangencial é dada por V = ῳR (Velocidade angular vezes o Raio). Sabendo que a força de cisalhmento é: e tomando a área que a força irá exercer igual a: A = 2 RL ao substituirmos todos os valores, temos que o torque poderá ser expresso como: Onde L é o comprimento do cilindro e é o número de rotações por unidade de tempo que geralmente é dado em rpm (rotações por minuto), uma vez que a nossa distância angular percorrida durante uma rotação é de 2 rad, temos que a relação que melhor expressa a velocidade 43 angular em rad/min é ῳ = 2 . Agora, você pode estar se questionando em que situações poderíamos usar a equação apresentada, correto? Dois cilindros concêntricos podem ser utilizados como um viscosímetro, ou seja, um dispositivo que mede viscosidade e a equação pode ser utilizada para calcular a viscosidade de um fluido medindo o torque a uma velocidade angular específica. Vejamos um exemplo: EXEMPLO: DETERMINAÇÃO DA VISCOSIDADE DE UM FLUIDO (ÇENGEL, 2007) A viscosidade de um fluido deve ser medida por um viscosímetro construído com dois cilindros concêntricos de 40 cm de comprimento. O diâmetro externo do cilindro interior é de 12 cm e a folga entre os dois cilindros é de 0,15 cm. O cilindro interno é girado a 300 rpm e o torque medido foi de 1,8 N.m. Determine a viscosidade do fluido. SOLUÇÃO: O torque e a rpm de um viscosímetro de cilindro duplo são dados. A viscosidade do fluido deve ser determinada. Hipóteses: 1- O cilindro interno está completamente imerso em óleo; 2- Os efeitos viscosos nas duas extremidades do cilindro interno são desprezíveis. Análise: O perfil de velocidade é linear somente quando os efeitos da curvatura são desprezíveis e o perfil pode ser aproximado como linear neste caso, visto que d/R<<1. Resolvendo a equação para a viscosidade e substituindo os valores fornecidos, a viscosidade do fluido é determinada como: 3 TRANSFERÊNCIA DE CALOR EM SISTEMAS TERMODINÂMICOS Sabemos que se deixarmos uma lata de refrigerante gelada a uma temperatura ambiente, com 44 o passar do tempo, ela irá esquentar. Já se colocarmos uma lata de refrigerante quente dentro da geladeira, ela irá esfriar, correto? Esse fenômeno acontece devido à transferência de energia do meio quente para o meio frio. A transferência de calor e energia acontece sempre no sentido do mais quente para o mais frio até que ambos atinjam a mesma temperatura (equilíbrio térmico). Neste tópico, iremos estudar que a energia existe de diferentes formas e focaremos em seus modos de transmissão conhecidos como condução, convecção e radiação, veremos quais as características principais de cada modo, além de exemplos do nosso dia a dia. Na pratica, estamos mais interessados e focados no estudo da taxa de transferência de calor (calor transferido por unidade de tempo) do que com a quantidade de calor a ser transferido. Podemos, por exemplo, calcular a quantidade de calor transferida do café quente a 90°C até seu resfriamento a 80°C dentro de uma garrafa térmica. No entanto, uma pessoa comum em seu dia a dia pode estar mais interessada na informação do tempo que irá levar para resfriar de 90°C a 80°C do que na quantidade de calor. A termodinâmica trabalha com estados termodinâmicos em equilíbrio para que os balanços de energia possuam valores confiáveis, no entanto, aqui iremos trabalhar com sistemas que não estão em equilíbrio térmico, pois discutiremos fenômenos de não equilíbrio termodinâmico. O calor pode ser transferido de três diferentes modos: condução, convecção e radiação sendo que é fundamental que todos os modos de transferência de calor haja diferentes temperaturas, veremos agora cada um dos modos. Condução Quando utilizada a palavra “condução”, é importante visualizar conceitos relacionados ao universo atômico e molecular, uma vez que é neste nível que acontece este modo de transferência de calor. A condução pode ser vista como a transferência de energia das partículas mais energéticas para as menos energéticas de uma substância devido às interações entre partículas (INCROPERA, 2012, P.02). Sempre que houver um gradiente de temperatura em meio sólido, o calor irá fluir da região que apresentar maior temperatura para a região de menor temperatura, a taxa do qual o calor é transferido por condução, qk, é proporcional ao gradiente de temperatura dT/dx vezes a área A, por meio da qual o calor é transferido. A taxa real de fluxo de calor irá depender de uma propriedade física do meio chamada de condutividade térmica “k”. Podemos exemplificar a condução ao imaginarmos a extremidade exposta de uma colher de metal imersa em uma xicara de café quente. A parte que está imersa no líquido quente irá 45 esquentar por condução devido à fluência da energia. Outro exemplo é pensar na transferência de calor que acontece em dias de inverno em um quarto quente. As paredes conduzem o calor interno do quarto para o ambiente externo por condução. A equação da taxa de condução é uma equação fenomenológica, ou seja, foi desenvolvida com base em fenômenos assistidos e observados por muito tempo, por esse motivo, a equação da taxa de condução é uma generalização baseada em grande número de evidências que não possui exceção. Por exemplo, consideremos um bastão cilíndrico de material conhecido, possui o corpo de sua superfície lateral isolada termicamente enquanto que as duas extremidades estão a diferentes temperaturas com T1>T2, como mostra a Figura 7 abaixo. Figura 7 - Experimento de condução térmica em regime estacionário. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um Tubo com as indicaçõesde condução térmica. A diferença de temperatura causa transferência de calor no sentido T1 para T2. É possível determinar a taxa de transferência de calor qx a partir das seguintes variáveis: ΔT = diferença de temperaturas; Δx = comprimento do bastão e A = área da seção transversal do bastão. Se imaginarmos que os valores de ΔT e Δx sejam constantes enquanto que o valor da área (A) varia, verificamos que qx é diretamente proporcional a A. Analogamente, se mantermos ΔT e A constantes, observamos que qx varia de forma inversa com Δx. Finalmente, se mantermos A e Δx constantes, vemos que qx é diretamente proporcional a ΔT. As mesmas situações irão ocorrer se houver a mudança de material (por exemplo, de aço para plástico). A mudança de material não interfere na proporcionalidade que as suas variáveis provocam, contudo, observa-se que a mudança de material nos traria um valor diferente de qx. Isso sugere que a proporcionalidade pode ser convertida em igualdade por meio da inserção de um coeficiente que é uma medida do comportamento do material. Desta forma, temos em que k é a condutividade térmica dada em (W/(m.K)) sendo uma importante propriedade térmica do material. Forçando a equação ao limite com Δx -> 0, obtemos para a taxa de transferência de calor: qx = - kA dT/dx 46 Ou para um fluxo de calor (fluxo térmico por unidade de área), teríamos: qx” = qx/A = - K dT/dx Convecção O modo de convecção consiste em duas formas de transferência que atuam de forma simultânea. O primeiro modo é a transferência de energia causada pela movimentação das moléculas, ou seja, o modo condutor (condução). Em paralelo a este modo, temos a transferência de calor pela transferência de energia pelo movimento macroscópico das partes do fluido. Este movimento é resultado da movimentação das moléculas em razão da atuação de uma força externa. Antes de sairmos calculando o coeficiente de transferência de calor, é necessário examinar o processo de convecção de forma detalhada e relacionar a transferência de calor para o do fluxo de fluido. A Figura 8 abaixo ilustra uma placa plana aquecida e sendo resfriada por um fluxo de ar sobre a mesma. Além disso, a figura mostra também a distribuição de velocidade e de temperatura que estão presentes nesta situação de convecção. Figura 8 - Distribuição de temperatura e velocidade em um fluxo de convecção laminar forçado em cima de uma placa plana aquecida a uma temperatura Ts. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Mostra a distribuição de temperatura e velocidade pelo fluxo de fluido até a superfície da placa. FIQUE DE OLHO Podemos exemplificar a convecção ao pensarmos no processo de ebulição da água numa panela. A transferência de calor por convecção, neste caso, está presente na movimentação do fluido induzida por bolhas de vapor geradas no fundo de uma panela contendo água fervendo 47 O primeiro ponto a ser observado é que a velocidade diminui na direção da superfície devido a forças atuantes no fluido. Neste caso, a transferência de calor entre a superfície e a camada de fluido deve ocorrer por condução de acordo com a equação abaixo, uma vez que a velocidade da camada de fluido adjacente à parede é zero. Embora a equação venha a sugerir que o processo possa ser lidado como condução, seu gradiente de temperatura na superfície é dado por: sendo a taxa na qual o fluido que mais sofre influência da parede pode transportar a energia para dentro do fluxo principal. Desta forma, o gradiente de temperatura na parede irá depender do campo de fluxo, com maior velocidade sendo capaz de produzir gradientes de temperatura maiores e com taxas de transferência de calor superior. A transferência de calor por convecção em um fluxo turbulento de alta velocidade, normalmente é maior do que a transferência de calor por convecção em um fluxo laminar (velocidade menor). EXEMPLO (INCROPERA, 2008). Ar a 20°C está fluindo sobre a placa plana cuja temperatura de superfície é 100 °C. Em determinado local, a temperatura é medida como uma função da distância da superfície na placa; os resultados estão demonstrados na figura abaixo. Dado os dados, determine o coeficiente de transferência de calor de convecção nesse local. Dados: Condutividade térmica do ar à temperatura média entre a chapa e o fluxo de fluido (60 °C) é de 0,028 W/mK. O gradiente de temperatura é obtido por meio do gráfico pelo desenho da tangente para os dados de temperaturas apresentados. 48 SOLUÇÃO: O coeficiente de transferência de calor pode ser expresso na seguinte forma: Substituindo os valores, temos: 49 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Radiação Radiação térmica nada mais é que a energia emitida pela matéria quando essa matéria se encontrar a uma temperatura diferente de zero. Mesmo que, na maioria dos casos, os exemplos dados sejam de radiação a partir de superfícies sólidas, a emissão pode acontecer também a partir de líquidos e de gases. Independente da forma da matéria, a radiação está relacionada com a mudança nas configurações eletrônicas nas moléculas e nos átomos que constituem a matéria em questão. A energia do campo de radiação é transportada através de ondas eletromagnéticas, o que diferencia a radiação da convecção e da condução, uma vez que esses dois últimos modos necessitam de um meio material de transporte, enquanto que a radiação não necessita, inclusive, a radiação acontece com maior eficiência na ausência total de matéria (no vácuo). A radiação é um modo de transporte de calor presente no nosso dia a dia, mais do que você pode imaginar. O mecanismo físico da radiação não é algo completamente compreendido ainda. A energia radiante não pode ser vista, logo ela é imaginada sendo transportada por ondas eletromagnéticas ou ainda é imaginada sendo transportada por fótons. Nenhuma dessas teorias descreve de forma FIQUE DE OLHO Por exemplo, o calor solar só chega a nós por meio da radiação, uma vez que no espaço não há matéria, logo não há como acontecer condução ou convecção no espaço. A partir do momento que a energia solar entre nas camadas terrestres, o modo de transferência de calor é alternado para os outros modos existentes, além da radiação. 50 completa a natureza do fenômeno. Sabemos, no entanto, que a radiação percorre no espaço com sua velocidade igual a velocidade da luz (c = 3x108 m/s no vácuo), essa velocidade é produto do comprimento de onda da radiação e da frequência, ou seja: c=λv Sendo que lambida (λ) é o comprimento de onda (m) e v é a frequência (s-1). Contudo, apesar do metro ser a unidade oficial do comprimento de onda, é comum trabalharmos com o micrômetro (μm). Cientistas classificam o fenômeno de radiação por seu comprimento de onda característico, como mostra a Figura 9 abaixo. Figura 9 - Espectro Eletromagnético. Fonte: DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um espectro eletromagnético com o comprimento de onda e a frequência. Como você pode observar na Figura acima, o fenômeno eletromagnético engloba diversos tipos de radiações, desde o Raio-X com pequeno comprimento de onda, até as ondas elétricas com longos comprimentos de onda. O comprimento de onda é uma variável que depende de como a radiação é produzida. Um metal bombardeado por um feixe de elétrons de alta frequência irá emitir Raio-X, enquanto que, ao bombardearmos alguns tipos de cristais, esses irão produzir ondas mais longas, como as de rádio. Quando tratamos de incidência de radiação em um corpo podemos ter a coexistência de três fenômenos diferentes conhecidos, como absorção, reflexão e transmissão, mostrado na Figura 10 abaixo; no entanto, vale lembrar que nem sempre todos os fenômenos acontecem simultaneamente, em determinado corpo pode ser que haja apenas um dos fenômenos ou apenas dois dos três, irá depender das propriedades físicas da matéria. 51 Figura 10 - Reflexão, absorção e transmissão da irradiação em um meio semitransparente. Fonte:DOS SANTOS, Felipe Delapria D., 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um retângulo central, com as indicações de setas de irradiação, reflexão, absorção, transmissão e no meio semitransparente.A reflexão ocorre quando a radiação incide um determinado material e esse material provoca o redirecionamento do raio para fora da superfície. A absorção acontece quando a radiação interage com o sólido que entrou em contato, implicando num aumento de energia interna. A transmissão é um processo que refere à radiação atravessando o meio, assim como ocorre quando temos uma poça d’água no chão e observamos o sol atravessando essa poça. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 52 4 TRANSFERÊNCIA DE MASSA EM SISTEMAS TERMODINÂMICOS Quando a natureza se depara com um desequilíbrio de uma substância no meio, a mesma tende a redistribuir essa substância até que o equilíbrio seja estabelecido. Essa tendência é muitas vezes referenciada como sendo a força motriz que é o mecanismo que está por traz de muitos fenômenos de transporte que ocorrem de forma natural. Para entendermos melhor o processo de transferência de massa, imaginemos agora o processo de difusão que acontece dentro de um tanque. Inicialmente, o tanque está dividido em duas partes iguais e separadas por uma divisória. Na metade esquerda do tanque, há apenas gás nitrogênio N2, enquanto que na metade direita do tanque há apenas ar (composto por 20 % de O2 e 80 % de N2). Ambas as metades estão a mesma temperatura e mesma pressão. Ao retirarmos a divisória presente no tanque, as moléculas de N2 começarão a difundir-se no ar enquanto que as moléculas de O2 irão se difundir no N2. Após determinado tempo, essa mistura se torna homogênea. A transferência de massa pode acontecer também entre sólidos e líquidos e não apenas em gases. Veremos agora de forma analógica alguns fenômenos que podem acontecer no processo de transferência de massa. 4.1 Analogia Entre Transferência de Calor e de Massa Podemos compreender a transferência de massa em um espaço de tempo reduzido em relação ao tempo que gastamos falando da transferência de calor, isso porque os mecanismos e fenômenos que acontecem são tão semelhantes que podemos estudar de forma análoga. A massa é em teoria energia, já que massa e energia podem ser convertidas entre si com base na fórmula estipulada por Newton E = mc² (c = velocidade da luz). Podemos, portanto, analisar a massa como sendo uma forma diferente de energia. 4.2 Condução A massa é somente transportada por condução e por convecção, uma vez que radiação não transporta matéria. De forma análoga à equação da taxa de condução de calor, temos a equação da taxa de difusão de massa de uma determinada espécie química (A) no meio estacionário na direção x sendo que a mesma é proporcional ao gradiente de concentração nessa direção, podendo ser expressa da seguinte forma: 53 4.3 Convecção A convecção de massa é o mecanismo de transferência de massa entre a superfície e o fluido em movimento que envolve tanto a difusão de massa quanto o movimento de massa de fluido. “O movimento do fluido também melhora consideravelmente a transferência de massa retirando o fluido com alta concentração de perto da superfície e substituindo-o pelo fluido de menor concentração mais afastado” (ÇENGEL, p. 799, 2009). A taxa de convecção de massa pode ser expressa por meio: Em que hmassa é o coeficiente de transferência de massa, As é a superfície e Cs-C∞ é a diferença de concentração. 54 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • aprender diferentes tipos de modelos de sistemas térmicos; • aprofundar os modelos térmicos existentes para modelos ideais; • aumentar seu campo de conhecimento a respeito das principais propriedades dos fluidos; • conhecer novos conceitos relacionados à transferência de calor; • estudar de forma análoga a transferência de massa através da transferência de calor. PARA RESUMIR INCROPERA, F.P.; DeWITT, D.P. Fundamentos da Transferência de Calor e de Massa, 6ª. Edição, Editora LTC, 2008. ÇENGEL, Y.A. Transferência de Calor e Massa: Uma Abordagem Prática, 3ª Edição, Editora McGrawHill, 2009. ÇENGEL, Y.A.; CIMBALA, J.M. Mecânica dos Fluidos – Fundamentos e Aplicações, 1ª Edição, Editora McGrawHill, 2007. FOX, R.W.; McDONALD, A.T.; PRITCHARD, P.J. Introdução à Mecânica dos Fluidos, 6ª Edição, Editora LTC, 2006. Moran M. J., Shapiro H. N., Boettner D. D. e Bailey M. B. (2014). Princípios de Termodinâmica para Engenharia, LTC Editora: 7ª edição, Rio de Janeiro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS UNIDADE 3 Psicometria e reações químicas Introdução Você está na unidade Psicometria e Reações Químicas. Conheça aqui conceitos da termodinâmica, que é o ramo da física que se dedica ao estudo das relações entre o calor, o trabalho e as restantes formas de energia. Esses conceitos analisam, por conseguinte, os efeitos das mudanças de temperatura, pressão, densidade, massa e volume nos sistemas a nível macroscópico. Dessa forma, eles serão explicados por meio das “relações entre propriedades termodinâmicas desenvolvidas por Maxwell e termodinâmicas de misturas gasosas”. Nesta unidade, iremos abordar a termodinâmica, sob o ponto de vista da Engenharia Mecânica, e os exemplos de aplicação procurarão abordar aplicações usualmente encontrados pelos Engenheiros Mecânicos no exercício de seu trabalho. Bons estudos! 59 1 PSICOMETRIA A Psicrometria é definida como “o ramo da física relacionado com a medida ou determinação das condições do ar atmosférico, particularmente com respeito à mistura ar seco – vapor d’água”, ou ainda, aquela parte da ciência que está de certa forma intimamente preocupada com as propriedades termodinâmicas do ar úmido, dando atenção especial às necessidades ambientais, humanas e tecnológicas. O termo Psicrometria originou-se do termo grego “psychro” que significa “frio” e “metro” que significa “medir”, indicando um dispositivo para “medir a refrigeração”. O conhecimento das condições de umidade e temperatura do ar é de grande importância, pois além do conforto térmico, que depende mais da quantidade de vapor presente no ar do que propriamente da temperatura, também em muitos outros ramos da atividade humana. Dessa forma, a Psicrometria é de fundamental necessidade nos processos combinados de transferência de calor e massa que ocorrem em refrigeração e condicionamento de ar. Figura 1 - Simbologia de ar-condicionado Fonte: Kir_S, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: Desenho com simbologias representativas de controle de ar condicionado, estão representados os símbolos de frio, umidade, circulação de ar, bulbo de temperatura, temperatura e modo noturno. 60 Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 1.1 Aplicações da Psicometria O ar atmosférico ao nível da troposfera, é considerado uma mistura de gases contendo uma proporção fixa de: 78% nitrogênio, 21% oxigênio, 0,97% argônio, 0,03% de vapor d’água além de traços de outros gases. É razoável considerar todos os gases como uma substância homogênea (ar seco), mas tratar o vapor d’água separadamente porque este é passível de condensação nas condições de pressão e temperatura encontradas na atmosfera. (STROBEL, p.1) Assim, o estudo da Psicrometria possui inúmeras aplicações, sendo que as principais são: - climatização de ambientes e conforto térmico; - condensação em superfícies frias; - resfriamento evaporativo; - torres de resfriamento; - maturação e conservação de alimentos; - sistema de refrigeração; - processos de secagem e armazenamento de grãos; - rastros deixados pelas turbinas de avião; - demais aplicações que exigem o controle do conteúdo de vapor no ar. (STROBEL, p.1) 61 Figura 2 - Estufa ou câmara de maturação de alimentos. Fonte: pointbreak, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: Na foto, podemos ver o interior de uma estufa ou câmara de maturação de presunto com temperatura e umidade controlada, onde mostra piso frio, paredes e teto em chapa de aço inox, carrinhos deaço inox com varais onde estão pendurados diversos pernis em processo de maturação / secagem. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: Ar seco e úmido O ar seco é a mistura dos vários gases que compõem o ar atmosférico, como nitrogênio, oxigênio, gás carbônico e outros, que formam mistura homogênea para uma grande faixa de temperaturas. O ar é úmido quando, além da mistura de gases, tem vapor d’água, que pode 62 saturar à temperatura ambiente e, então, condensar. Lei de Dalton A pressão total de uma mistura de gases é a soma das pressões parciais de cada um dos componentes. Pressão Parcial Pressão que cada componente exerceria se, à mesma temperatura, ocupasse sozinho todo o volume da mistura. Ar não-saturado (ou mistura não-saturada) Mistura de ar seco e vapor de água superaquecido. Umidade Relativa É a razão entre a quantidade de vapor de água existente em uma certa massa de ar e aquela que ele teria se estivesse saturado à mesma temperatura. Gás saturado Quando um gás está na iminência de começar a condensar e formar a primeira gota de líquido. Líquido Saturado Se um líquido está preste a vaporizar Ponto de Orvalho Designa a temperatura na qual o vapor de água presente no ar ambiente passa ao estado líquido na forma de pequenas gotas por via da condensação. Temperatura do Ponto de Bolha É a temperatura em que a água começa a evaporar-se, por um processo de aquecimento. Temperatura de Bulbo Seco É a temperatura do ar medida com um termômetro comum. Temperatura do Bulbo Úmido É a temperatura mínima em que a água se evapora naquele momento, é obtida cobrindo- se o bulbo de um termômetro comum com um tecido de algodão embebido em água. O bulbo molhado deve ser ventilado até atingir valor constante. 63 Psicômetro Instrumento que consta de dois termômetros semelhantes, um dos quais tem o bulbo recoberto por tecido de algodão umedecido em água. A evaporação da água sobre o bulbo umedecido causa abaixamento na sua temperatura, sendo dependente do estado higrométrico do ar. O termômetro de bulbo seco indica a temperatura do ar. A diferença de temperatura entre os dois termômetros indica a umidade, bem como outras propriedades do ar, bastando utilizar os dados obtidos para dar entradas em tabelas, gráficos ou fórmulas. Os psicrômetros podem ser de ventilação natural (psicrômetros comuns) ou de ventilação forçada. O mais comum é o psicrômetro giratório. Temperatura do Ponto de Orvalho É a temperatura em que o ar úmido se torna saturado, ou seja, quando o vapor de água começa a condensar-se, por um processo de resfriamento. 1.3 Diagrama ou Carta Psicométrica As propriedades psicrométricas do ar podem ser calculadas analiticamente, onde o uso de tabelas implica a necessidade de muitas vezes se fazerem interpolações. As propriedades termodinâmicas da mistura ar seco – vapor d’água –, que constituem o ar atmosférico, podem ser convenientemente apresentadas em forma de diagramas, denominados Diagramas Psicrométricos (Cartas Psicrométricas). Estes são construídos para determinada pressão atmosférica, embora, às vezes, haja curvas de correção disponível para outras pressões. Há diferentes diagramas psicrométricos em uso. Dessa forma, os gráficos diferem com respeito à pressão barométrica, faixa de temperaturas, número de propriedades incluídas, escolha das coordenadas e temperatura de referência para a entalpia. O mais usado nas Américas é o Diagrama de Carrier (Figura 3), aquele em que a razão de umidade e/ou a pressão de vapor (que é uma das coordenadas) são traçadas “versus” temperatura de bulbo seco juntamente com uma outra coordenada oblíqua, a entalpia. Na Europa, entretanto, tem sido usado o Diagrama de Mollier (Figura 4), com a razão de umidade e entalpia como coordenadas. 64 Figura 3 - Diagrama de Carrier Fonte: UNIJI, s.d. (Adaptado). #ParaCegoVer: Vemos um diagrama no formato de um retângulo recortado na parte superior à esquerda, mostrando a curva de crescimento. Figura 4 - Diagrama de Mollier Fonte: UNIJI, s.d. (Adaptado). #ParaCegoVer: Vemos um diagrama no formato de retângulo recortado na parte inferior direita, mostrando a curva de crescimento de entalpia. Objetivos do estudo da carta: Ter conhecimento dos pontos básicos da carta psicrométrica (conhecer as aproximações feitas no traçado da carta). Ser capaz através do conhecimento das equações, de calcular qualquer propriedade psicrométrica para condições diferentes das condições em que a carta foi traçada. Exemplo: pressão atmosférica. 65 1.4 Lendo o Diagrama ou Carta Psocrométrica A carta é feita com uma superposição de propriedades. Com um mínimo de duas propriedades, é possível obter várias outras. São 06 os processos psicrométricos, a saber: • Mistura Adiabática de duas quantidades de Ar Úmido; • Aquecimento Sensível (Aquecimento Seco); • Resfriamento sem Desumidificação (Resfriamento Seco); • Resfriamento com Desumidificação; • Resfriamento e Umidificação; • Aquecimento e Umidificação. • (MARTINELLI JR, DeTEC-UNIJUI, p.152) Dado a climatização não ser uma ciência exata, a informação necessária para a resolução da maior parte das aplicações de sistemas de condicionamento de ambientes pode ser obtidos a partir do gráfico psicrométrico, que relaciona valores das temperaturas, umidade, entalpia e outras propriedades do ar. Figura 5 - Leitura da Carta Psicométrica Fonte: Slave SPB, 2020. #ParaCegoVer: Representação de uma carta psicrométrica, onde no eixo horizontal estão marcados os valores de temperaturas de bulbo seco de 0 à 48,9 oC, no eixo vertical a direita estão marcados os valores da umidade especifica em kg de água/kg de ar seco e a esquerda estão as linhas de entalpia no ponto de saturação de ar seco. 66 O gráfico psicrométrico é provavelmente a mais valiosa ferramenta para os engenheiros e para os técnicos de condicionamento de ar. Com ele, as especificações preliminares de todo um sistema de condicionamento de ar podem ser obtidas, para o dimensionamento do conforto térmico. As linhas gerais, do equipamento necessário, podem ser determinadas, e os compromissos, que são necessários estabelecer, podem ser facilmente determinados e explicados ao cliente. Em uma primeira análise, é perfeitamente possível quantificar a potência a instalar, bem como o consumo de energia esperado, a fim de se evitar posteriores paragens de equipamentos por os custos de exploração serem muito elevados. É, pois, necessário dizer ao cliente qual o custo da instalação mais o custo de exploração. 2 REAÇÕES QUÍMICAS Sabemos que a termodinâmica é a parte da física que estuda as leis que descrevem a troca de calor e o trabalho realizado em um processo físico qualquer. A termodinâmica tem muitas aplicações, conseguindo descrever situações complicadas, usando uma quantidade pequena de variáveis (temperatura, volume, pressão e número de mols). Um dos exemplos básicos que podemos citar de aplicação da termodinâmica diz respeito às reações químicas. Em química, vimos que, em qualquer reação química, há a quebra e a formação de ligações químicas das moléculas dos reagentes, a fim de formar as novas moléculas dos produtos. Além disso, vimos que a termoquímica se preocupa em calcular as energias trocadas pelos reagentes e produtos de uma reação. Assim, as reações químicas podem ser analisadas em função do calor FIQUE DE OLHO Segundo Daniel Centini (201), as condições de conforto térmico humano são definidas por intervalos de valores das seguintes variáveis: temperatura, umidade relativa, vazão de ar, e temperatura radiante média do ambiente. Esses valores são definidos de acordo com as características do ocupante, que dependem da taxa metabólica e também da resistência térmica devido à vestimenta da pessoa. Esses valores devem respeitar condições satisfatórias de conforto térmico. Além disso, existem normas, como as normas ASHRAE e ISO, que apresentam critérios para avaliação das condições de conforto térmico de ambientes com condiçõestérmicas moderadas, considerando as variáveis citadas anteriormente 67 gerado ou absorvido durante o processo. A maioria dos processos físicos e das reações químicas é acompanhada de troca de energia (sob a forma de calor, que pode ser percebida pela utilização de um termômetro) entre reagentes e produtos, ou seja, ocorre absorção ou liberação de calor no desenvolvimento do processo. 2.1 Exemplificando as Reações Químicas Os problemas envolvendo reações químicas têm vastas aplicações nas mais diversas áreas da ciência, tais como a química, a engenharia e a biologia. Eles motivaram o avanço da termodinâmica na segunda metade do século XIX, crucial para o desenvolvimento de várias áreas do conhecimento. Consideremos, por exemplo, que a engenharia mecânica, ao estudar os motores à combustão interna aplica os mesmos princípios de termoquímica que a biologia no estudo das reações químicas que ocorrem nos organismos vivos. Esses importantes avanços na ciência foram possíveis em grande medida pelo trabalho de Josiah Willard Gibbs, que introduziu o potencial químico na sua formulação da termodinâmica, abrindo o caminho para a descrição de sistemas com número variável de partículas. Algumas reações químicas, chamadas endotérmicas, absorvem energia; já outras, chamadas exotérmicas, liberam energia. Um exemplo de reação exotérmica é a reação de combustão do metano a 1 atm e 25 ºC: CH4 + 2 O2 -------- CO2 + 2 H2O + (- 891 kJ/mol) Assim, a reação anterior libera 891 kJ de calor por mol de CH4 queimado. Além disso, o balanço energético dessa reação nos diz que 891 kJ são liberados pela queima de 1 mol do metano. O sinal negativo indica que a reação é exotérmica, com o sistema liberando energia. Parte dessa energia, pode aumentar a temperatura dos produtos, pois a energia liberada estava armazenada nas ligações químicas das moléculas de CH4 e de O2. Além do metano, outros hidrocarbonetos (gás de cozinha, gasolina) são usados como combustíveis: ao queimar, liberam energia que pode ser usada para realizar trabalho ou transferir calor. Um exemplo básico de reação endotérmica é a fotossíntese. Energia externa, proveniente do Sol, é usada para realizar a reação. Parte dessa energia fica armazenada nas moléculas para uso posterior. Dois sistemas dizem estar em equilíbrio químico um com o outro quando seus potenciais químicos são os mesmos. O sistema está em equilíbrio químico quando não há reações químicas em curso dentro do sistema ou não há transferência de matéria de uma parte do sistema para outra devido à difusão. 68 O conhecimento da composição de equilíbrio de um sistema químico é necessário para que se possa determinar as suas propriedades termodinâmicas. Tais propriedades são importantes em problemas de engenharia envolvendo a construção e a análise de equipamentos como compressores, turbinas, motores, reatores químicos etc. Em muitos casos, o conhecimento da composição de equilíbrio do sistema químico é de interesse em si mesmo, como nos casos em que se deseja estimar a produção de gases poluentes em um determinado processo de combustão. (RIDENTI, AMORIM, DAL PINO; 2018) Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 3 EQUILÍBRIO QUÍMICO O equilíbrio químico é uma das aplicações mais importantes da termodinâmica. Quando se diz que o sistema está em estado de equilíbrio, isto quer dizer que o sistema está em estado de “descanso”, e processos dinâmicos ocorrem continuamente, isto é, para qualquer processo as velocidades no sentido direto e inverso são iguais, as quais asseguram que a composição total do sistema não se altera. Vários critérios podem ser estabelecidos para descrever um sistema em equilíbrio. A primeira e a segunda lei da termodinâmica indicam que um sistema tende a caminhar para um estado de mínima energia e máxima entropia. Estas condições devem ser, portanto, satisfeitas para um sistema atingir o equilíbrio. 3.1 Entropia A entropia, representada pela letra S, é uma grandeza utilizada para medir a desordem das partículas de um sistema. Essa desordem ocorre, por exemplo, quando um corpo sofre mudança em sua temperatura e, consequentemente, muda a agitação de suas moléculas. 69 Considerando que a entropia depende da agitação molecular, que, por sua vez, depende da quantidade de calor que um corpo Q possui, podemos concluir que: Se Q > 0, o sistema recebe calor, aumenta sua agitação molecular e sua entropia aumenta. Se que Q < 0, o sistema perde calor, diminui a agitação de suas moléculas e a entropia diminui. Se Q = 0, o sistema não troca calor, portanto, sua entropia permanece constante. A entropia também depende da temperatura da substância, já que quanto maior é a temperatura, maior é a agitação molecular e, consequentemente, maior é a desordem das moléculas que compõem essa substância. Como a agitação molecular determina a entropia, podemos concluir que a matéria no estado gasoso (maior agitação molecular) possui maior entropia do que no estado líquido, que, por sua vez, possui maior entropia do que no estado sólido. Durante as mudanças de fase, ocorre variação da entropia do sistema, de forma que se um corpo passa do estado sólido para o líquido ou do líquido para o gasoso, a entropia aumenta; e se a mudança ocorre do estado gasoso para o líquido ou do líquido para o sólido, a entropia diminui. A equação utilizada para calcular a variação da entropia (ΔS) relaciona a quantidade calor Q trocada por um corpo com a sua temperatura T (constante) na escala Kelvin: ΔS = Q/T A unidade de medida da entropia no Sistema Internacional de unidades é J/K. De acordo com a segunda lei da termodinâmica, a variação da entropia para os processos irreversíveis sempre é positiva. Isso porque para os processos espontâneos sempre há aumento da entropia. Por exemplo, se um bloco de gelo fundir, ele passará do estado sólido para o líquido, que tem uma entropia maior. Como a variação da entropia depende da entropia das substâncias no estado final e inicial, temos que: ΔS = ΔS – ΔS Como: ΔS > ΔS Temos: ΔS > 0 (positiva) Como em todos os fenômenos naturais em que ocorrem processos espontâneos há essa 70 tendência de alcançar um grau de maior agitação, podemos dizer que a entropia do universo tende a aumentar. Já nos processos reversíveis, a entropia não varia. Figura 6 - Fusão do gelo. Fonte: TRphotos, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: A ilustração mostra uma geleira em contato com a água, a foto foi tirada na Lagoa Jokulsarlon na Islândia. Com o tempo parte desta geleira irá se fundir, passando do estado sólido para o líquido. 3.2 Temperatura Adiabática Para a fixação de ideias, considere-se o caso de uma combustão que pode ser satisfatoriamente modelada por meio equação química irreversível. Geralmente, em muitos dos problemas de interesse prático deseja-se saber a composição da mistura produzida, isto é, a proporção entre os produtos, dada a proporção entre os reagentes, e a temperatura máxima que a combustão pode gerar, conhecida como temperatura adiabática. Se o número de espécies geradas é igual a M, o número de variáveis a se determinar é igual a M+1, considerando também a temperatura adiabática como uma variável a ser determinada. A rigor, é suficiente conhecer duas grandezas termodinâmicas (intensivas ou extensivas) para que todas as outras possam ser determinadas pelas relações conhecidas entre elas. No problema da determinação da temperatura adiabática, a pressão é supostamente conhecida e constante ao longo do processo. É possível demonstrar que a temperatura adiabática corresponde à temperatura de um processo exotérmico cuja variação de entalpia total é nula, sendo o valor máximo possível em uma combustão. Nesse caso, o calor gerado é totalmente convertido em variação da energia interna do sistema. A temperatura adiabática deve ser entendida como a temperatura máxima que um sistema pode atingir após sofrer uma transformação química irreversível e exotérmica, porém é condição necessáriaque a variação de entalpia total seja nula. 71 3.3 Entalpia A entalpia é um dos princípios da termodinâmica que envolvem as trocas de calor que ocorrem durante uma reação química, entre o sistema e o meio ambiente externo. A entalpia é uma grandeza física que mede a máxima de energia em um sistema termodinâmico em forma de calor. A maioria das reações químicas são acompanhadas pela liberação ou pela absorção de calor. Quando há liberação de calor, a reação é chamada exotérmica e quando há necessidade de absorver calor para que ela ocorra, é conhecida como endotérmica. A entalpia absoluta (H) é definida pela fórmula: H = U + PV Onde: U = energia interna do sistema. PV= quantidade de energia associada ao conjunto sistema-vizinhança, nas CNTP. Existem alguns fatores importantes que devem ser considerados responsáveis pela alteração dos valores da variação de entalpia (ΔH) em uma reação química, são eles: • Fase de Agregação das partículas (o estado físico influencia diretamente no ΔH). • Alotropia entre reagentes e produtos (cada estado alotrópico possui um ΔH distinto). • Temperatura de ocorrência da reação. • Pressão. • Quantidade de matéria (há aumento proporcional de ΔH). • Meio reacional. Citaremos as quatro mais utilizadas: Entalpia de Combustão, Entalpia Padrão, Entalpia de ligação e Entalpia de formação. Essas variações baseiam sua essência na entalpia absoluta, ou seja, são vertentes da mesma. Entalpia de Combustão A Entalpia de Combustão refere-se à energia liberada pela combustão de um mol de um composto. Toda reação de combustão é exotérmica, ou seja, liberam energia para o meio, e 72 essa energia liberada em forma de calor pode ser calculada através da variação de entalpia. A Entalpia de combustão consiste na variação de energia liberada pela queima de 1 mol de uma substância qualquer nas condições normais de temperatura e pressão (CNTP, onde, temperatura = 25 °C e pressão = 1 atm). Tratando-se de uma reação exotérmica, os valores de ΔH serão sempre negativos, pois a energia dos reagentes será sempre maior que a energia dos produtos. Entalpia Padrão (ΔH°). O ponto inicial para as medidas de ΔH calculados é zero, e por convenção, adota-se que toda substância simples possui valor de entalpia equivalente a 0. Este valor recebe também o nome de Entalpia Padrão. A partir a entalpia padrão é possível realizar comparativos de valores de entalpia de diversas substâncias, em diferentes condições de temperatura e pressão. Entalpia de Ligação A entalpia de ligação estuda a energia liberada ou absorvida para que ocorram as quebras nas ligações químicas que compões as substâncias. Quando há o rompimento de ligações químicas nas moléculas dos reagentes, ocorre um processo endotérmico, já quando há necessidade de que ocorra um rearranjo molecular para a formação de novas moléculas, temos um processo exotérmico. É possível encontrar em diversas literaturas tabelas que possuem diversas entalpias de ligação de diversas substâncias químicas. Entalpia de Formação (ΔH°f) A Entalpia de formação refere-se à energia em forma de calor liberada ou absorvida quando há a formação de um mol de substância simples. A variação da entalpia de formação de uma substância pode ser calculada desde que se tenha a informação do valor de entalpia de formação da reação que forma essa substância, a partir de substâncias simples. 4 COMBUSTÃO - NOÇÕES GERAIS A reação de combustão completa define o que é chamado de proporção estequiométrica. Para um dado processo de combustão completa, existe apenas uma proporção possível entre o número de moléculas do combustível e o número de moléculas do oxidante (por exemplo, O2) para que as únicas espécies produzidas sejam H2O e CO2 (desconsiderando, nesse caso, a dissociação que poderia resultar do aumento da temperatura do meio). No caso da combustão do metano, resulta: CH4+2O2→CO2+2H2O De onde se conclui que a proporção entre combustível e comburente (proporção estequiométrica) é 1:2. Usualmente, as reações de combustão são escritas e analisadas mantendo 73 o coeficiente da espécie combustível igual à unidade. Existem outras possibilidades de reação, conhecidas como combustão incompleta, que ocorrem a proporções molares bem definidas entre combustível e comburente, mas invariavelmente mais elevadas do que a proporção estequiométrica. No caso do metano, por exemplo, essas reações são: CH4+3/2O2→CO+2H2O e CH4+O2→C+2H2O Em geral, a razão entre combustível e comburente não corresponde exatamente à proporção estequiométrica. Para indicar o quanto a proporção real está desviada da proporção estequiométrica, define-se a razão equivalente, usualmente representado pela letra grega φ. Este índice é definido como a razão entre a proporção molar real combustível/comburente e a proporção estequiométrica combustível/comburente. Nos problemas de combustão, às vezes, podem ocorrer espécies que não participam da reação de combustão, mas cuja presença precisa ser levada em conta para o cômputo correto das propriedades termodinâmicas da mistura produzida e que podem ter um papel importante se as reações de dissociação forem levadas em consideração. O exemplo mais importante é o nitrogênio molecular (N2), cuja presença é muito comum nas aplicações, por exemplo, nas combustões em ar atmosférico. Figura 7 - Motor à combustão Fonte: yucelyilmaz, Shutterstock, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos uma ilustração de um motor V8 em regime de trabalho, mostrando, nas câmaras, explosões e faíscas, representando os 4 tempos de trabalho; admissão, compressão, ignição e exaustão. As peças mecânicas como pistões, virabrequim, válvulas e outras estão pintadas em preto e representadas em movimento. 74 FIQUE DE OLHO A turbina de um avião é repleta de mistérios e segredos, ela é o coração das aeronaves, grande responsável por permitir que estas estruturas gigantes de metal cortem os céus do mundo todo. Geralmente, é composta por um motor à reação, que recebe este nome, pois faz uma ação, transformar o ar que entra em energia de empuxo, gerando uma reação, ou seja, deslocando uma grande massa de ar para trás, movendo a aeronave para frente. Depois que ocorre a queima, o motor se torna autossuficiente, boa parte do ar coletado pela turbina é usado em outros componentes da aeronave que precisam de pressurização como o ar-condicionado, equipamentos com força pneumática e até para a pressurização da cabine. 75 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • conhecer o conceito de psicrometria; • conhecer as aplicações; • realizar a leitura de um Diagrama ou Carta Psicrométrica; • entender a importância das reações químicas, definições, conceitos e exemplos; • ter noções gerais de combustão. PARA RESUMIR CENTINI, Daniel Cadario de Azevedo. Projeto e Seleção de um Equipamento de Ar- Condicionado para um Vagão de Passageiro de Trem – Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, 2011. Disponível em: https://docplayer.com.br/17719848-Escola- politecnica-da-universidade-de-sao-paulo-projeto-e-selecao-de-um-equipamento-de- ar-condicionado-para-um-vagao-de-passageiros-de-trem.html. Acesso em 24 de fev. 2020. 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Discutiremos as principais equações a formulações, como a Equação de Clapeyron, aplicadas e utilizadas para o cálculo nessas situações citadas. Para finalizarmos nosso estudo, veremos os principais conceitos que regem o escoamento compressível. Veremos quais são suas propriedades de estagnação e como podemos relacionar a velocidade do som com a velocidade de algum fluido (Número de Mach). Preparados para mais essa aventura? Bons estudos! Introdução 81 1 EQUILÍBRIO DE QUÍMICO E DE FASE Neste tópico, aprenderemos sobre o equilíbrio de misturas de reagentes. O objetivo é estabelecer a composição presente no equilíbrio para uma temperatura e uma pressão especificadas. Um importante parâmetro para determinar a composição no equilíbrio é a chamada “constante de equilíbrio”. Além disso, estudaremos também o equilíbrio de fases e começaremos pelo caso elementar de equilíbrio entre duas fases de uma substância pura. De forma geral, a composição do produto formado a partir de um conjunto de reagentes e as quantidades relativas dos produtos só podem ser determinadas a partir de experimentos. No entanto, é possível saber a composição que a reação final chegará caso a reação siga até a fase de equilíbrio. Aqui, apresentaremos a equação de reação de equilíbrio que irá fornecer a base para a determinação da composição de equilíbrio de uma mistura de reagentes. Caso Inicial Imagine, então, um sistema fechado que consiste inicialmente em uma mistura gasosa de hidrogênio e oxigênio, entre as possíveis reação passíveis de ocorrer, temos: Para explicação, levemos em conta apenas a primeira equação com formação de água. No equilíbrio, o sistema é formado pelas seguintes substâncias: H2, O2 e H2O. Lembrando que nem todo oxigênio e nem todo hidrogênio presente no sistema precisam necessariamente reagir. As variações nas quantidades desses componentes citados durante cada passo do processo de reação de formação da mistura são dadas pela equação: Com “dn” significando uma variação infinitesimal em cada um dos componentes presentes. Já os sinais negativos simbolizam o decrescimento do oxigênio e de hidrogênio quando vão para 82 a direção direita. O equilíbrio é uma condição de balanço, logo, conforme sugerido pelas equações de reação apresentadas acima, quando temos um sistema em equilíbrio, a tendência do hidrogênio e do oxigênio de formarem água é apenas balanceada pela tendência da água em dissociar-se em oxigênio e hidrogênio. O critério de equilíbrio pode ser utilizado para determinar a composição de um estado de equilíbrio em que a temperatura é T e a pressão é p. Para o presente caso em que temos a mesma temperatura e pressão, no entanto, composições que diferem a nível infinitesimal segue: Portanto, podemos escrever a equação de reação de equilíbrio para o caso em questão da seguinte forma: Caso Geral Esse desenvolvimento pode ser repetido para reações envolvendo qualquer número de componentes. Por exemplo, considere agora um sistema fechado na presença de cinco componentes (A, B, C, D e E). Imagine que o sistema está submetido a uma determinada temperatura e pressão e a uma única reação química fornecida a seguir: Considere que “ν” como sendo o coeficiente estequiométrico de cada componente. Considere também que a substância “E” é uma substância inerte e que devido ao fato de não reagir com nenhuma outra substância presente, não aparece na equação. Observamos, então, que o equilíbrio é dado pela tendência das substâncias A e B em formar C e D da mesma forma que as substâncias C e D formam A e B. Os coeficientes estequiométricos vA, vB, vC e vD não são correspondentes aos respectivos números de moles dos presentes componentes, o número de moles é dado por: nA, nB, nC, nD e nE. A relação que podemos obter a partir do número de moles e dos coeficientes estequiométricos é: Neste caso, o sinal negativo serve para indicar que A e B serão consumidos por C e D durante o processo de produção. Além disso, como temos que o componente E é inerte, logo: dnE = 0. A partir da equação que relaciona os coeficientes estequiométricos de cada componente com 83 o número de moles, podemos então estabelecer um coeficiente de proporcionalidade “dε”: Onde podemos obter as seguintes expressões: Obtemos, então, a equação de equilíbrio para o caso geral: Por esta equação, podemos determinar a composição presente no equilíbrio para uma dada temperatura e pressão. 1.1 Constante de equilíbrio para mistura de gases ideais Como o nosso objetivo aqui não é aprender a deduzir equações, e sim, a utilizá-las, temos que a constante de equilíbrio para misturas de gases ideais será dado por: Em que y é a fração molar de cada componente, v são os respectivos coeficientes estequiométricos e K é uma constante que varia de acordo com a temperatura para cada tipo de gás. Essa constante é facilmente encontrada em tabelas de constante de equilíbrios em diversos livros. Exemplo do cálculo de composições de equilíbrio para misturasde gases ideais reagentes É comum expressarmos a equação de constante de equilíbrio fornecida no tópico anterior em termos dos números de moles que estão presentes no equilíbrio. Desta forma, podemos reescrever a equação da seguinte maneira: Um quilomol de monóxido de carbono (CO) reage com 1/2 kmol de oxigênio (O2), para formar uma mistura em equilíbrio de CO2, CO e O2 a 2500 K e (a) 1 atm, (b) 10 atm. Determine a composição de equilíbrio em termos de frações molares. Considere: a 2500 K=0,0363 84 Solução: Dado: um sistema inicialmente consistindo em 1 kmol de CO e ½ kmol de O2 reage para formar uma mistura em equilíbrio de CO2, CO e O2. A temperatura de mistura é 2500 K e a pressão é (a) 1 atm e (b) 10 atm. Pede-se: Determine a composição de equilíbrio em termos de frações molares. Hipótese: A mistura em equilíbrio é modelada como uma mistura de gases ideais. Análise: Como T e p são conhecidas, podemos determinar a composição desconhecida, aplicando a conservação de massa, a equação global de reação química balanceada é: Onde z é a quantidade de CO, em kmol presente na mistura em equilíbrio. Note que z varia de 0 a 1. O número total de moles n na mistura em equilíbrio é: Consequentemente, a análise molar da mistura em equilíbrio é: No equilíbrio, a tendência de CO e O2 em formar CO2 é equilibrada apenas pela tendência de CO2 em formar CO e O2, de forma que temos: Consequentemente, podemos aplicar a equação de equilíbrio para misturas de gases ideais reagente: 85 Para o caso de p =1 atm, teremos: Podemos, então, utilizar ferramentas computacionais para resolver a equação anterior (como o Excel), e encontraremos z = 0,129. Logo, para a composição de equilíbrio em termos de frações molares, teremos: (b) Quando p = 10 atm, teremos então: Computacionalmente, encontramos z = 0,062 e as seguintes frações molares: yCO = 0,06, yO2 = 0,03 e yCO2 = 0,91. Se compararmos os resultados dos itens “a” e “b”, observamos que a extensão na qual a reação procede em direção à formação de CO2, é aumentada com o aumento da pressão. Exemplo: considerando o efeito de um componente inerte (MORAN, 2014) Um quilomol de monóxido de carbono reage com a quantidade teórica de ar para formar uma mistura em equilíbrio de CO2, CO, O2 e N2 a 2500 K e 1 atm. Determine a composição de equilíbrio em termos de frações molares e compare com o resultado do exemplo anterior. Solução: Dado: um sistema inicialmente consistindo em 1 kmol de CO e da quantidade teórica de ar reage para formar uma mistura em equilíbrio de CO2, CO, O2 e N2. A temperatura e a pressão da mistura são 2500 K e 1 atm. Considere K = 0,0363. Pede-se: determine a composição de equilíbrio em termos de frações molares e compare com o resultado do exemplo anterior. 86 Hipótese: a mistura em equilíbrio pode ser modelada como uma mistura de gases ideais. Análise: para uma reação completa de CO com a quantidade de ar: Consequentemente, a reação de CO com a quantidade teórica de ar para formar CO2, CO, O2 e N2 é: Onde z é quantidade de CO, em kmol, presente na mistura em equilíbrio. O número total de moles n na mistura em equilíbrio é: A composição na mistura em equilíbrio em termos de frações molares é: Como o valor de K é o mesmo do exemplo anterior e a pressão = 1 atm, teremos: Resolvendo de forma computacional, teremos z=0,175, logo: 87 Comparando com o exemplo anterior, concluímos que a presença de componente inerte (nitrogênio) reduz a extensão na qual a reação vem em direção à sua conclusão na temperatura e pressão especificadas (reduz a extensão na qual CO2 é formado). 1.2 Equilíbrio entre duas fases de uma substância pura Consideraremos agora um sistema constituído por duas fases de uma substancia pura em equilibro (água no estado sólido e água no estado líquido, por exemplo). Uma vez que o sistema está em equilíbrio, obrigatoriamente ambas as substancias devem estar na mesma temperatura e pressão. A função que que rege esse sistema é: Na equação, os sobescritos ‘ e ‘’ denotam fases 1 e 2, respectivamente. Uma vez que a quantidade total de substância pura irá permanecer constante, e sabe-se que o equilíbrio funciona a partir do aumento de uma fase e da diminuição da outra (no caso do gelo + água, o gelo diminui e a água aumenta), temos que: Equação de Clapeyron: a Equação acima pode ser utilizada para deduzir a equação de Clapeyron para situações que existam duas fases em equilíbrio, variação na pressão e variação de temperatura com relação a pressão, ou seja: p = psat (T) com a condição de: Desta forma, a equação de Clayperon poderá ser descrita como sendo: 88 Exemplo: equilíbrio de ar úmido em contato com água líquida (MORAN, 2014) Um sistema fechado a uma temperatura de 70 °F (530 °R) e a uma pressão de 1 atm (14,696 lbf/in²) consiste em uma fase de água líquida pura em equilíbrio com uma fase vapor composta de vapor d’água e ar seco. Determine o desvio percentual da pressão parcial do vapor d’água em relação à pressão de saturação da água a 70 °C (530 °R). Considere que a equação de equilíbrio que rege o sistema nas condições citadas é dada por: Considere também psat = 0,3632 lbf/in², vf = 2,3112 in².ft/lb e R (constante dos gases) = 85,74 ft.lbf/lb.°R Solução: Dado: uma fase de apenas água líquida está em equilibro com ar úmido a 70 °C (530°R) e a 1 atm (14,696 lbf/in²). Pede-se: determine o desvio percentual da pressão parcial do vapor d’água no ar úmido em relação à pressão de saturação da água a 70 °C. Hipóteses: 1- A fase gasosa pode ser modelada como uma mistura de gases ideais; 2- A fase líquida é somente água pura. Análise: para o equilíbrio de fases, o potencial químico da água deve possuir o mesmo valor em ambas as fases: μ1= μv, onde μ1 e μv denotam, respectivamente, os potenciais químicos da água líquida pura na fase líquida e do vapor d’água na fase vapor. Sabemos que a equação que rege o equilíbrio do sistema é dada por: A partir da equação: 89 Observamos que o termo grifado irá zerar, reescrevendo, teremos: Substituindo os valores, obteremos: Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 2 ESCOAMENTO COMPREENSÍVEL Neste tópico, abordaremos as limitações envolvendo a massa específica do escoamento compressível. Frequentemente, encontramos esse tipo de escoamento em dispositivos que envolvem o escoamento de gases a velocidades muito altas. É fundamental possuir conhecimento básico na dinâmica dos fluidos e na termodinâmica, já que ambos os conteúdos são base para o bom entendimento do escoamento. Desenvolveremos aqui as relações gerais associadas ao escoamento unidimensional compressível de gás ideal com 90 calores específicos constantes. 2.1 Propriedades de Estagnação Ao ser realizado o volume de controle de um determinado sistema, percebeu-se o quão conveniente é relacionar a energia interna e a energia de escoamento de um fluido em um único termo, chamado de entalpia e é definido como sendo: Sempre que considerarmos desprezível a energia cinética e a energia potencial do sistema (situação que acontece de forma recorrente), assumimos consequentemente que a energia total de um fluido é representada pela entalpia. Para escoamentos a altas velocidades, como os encontrados em motores a jato, a energia potencial do fluido é tida como zero. O autor Çengel, (2007) define para alguns casos a relação de combinação entre entalpia e energia cinética do fluido em um único termo, chamado de entalpia de estagnação ou entalpia total h0, definida por unidade de massa. Quando a energia potencial de um fluido é desprezível, dizemos que sua entalpia de estagnação representa a energia total de uma corrente de fluido passante por unidade de massa. Esse conceito é utilizado para simplificar as complexas análises termodinâmicas dos escoamentos de alta velocidade. Chamaremos a entalpia comum (aquela que você aprendeu inicialmente em termodinâmica) de entalpia estática (h), sempre que necessário para que não haja confusão entre a entalpiae a entalpia de estagnação. Consideremos, agora, o escoamento permanente de um fluido por meio de bocal ou alguma outra passagem de escoamento na qual o escoamento acontece de forma adiabática e sem a presença de trabalho elétrico, como mostra a Figura a seguir. Se imaginarmos que o fluido não sofre nenhuma elevação e que sua relação de equilíbrio com a energia potencial é dada por: Para esta situação, o escoamento permanente é representado por: Ou h01 = h02 91 Figura 1 - Escoamento Fonte: DOS SANTOS, Felipe D. Delapria, 2020. #ParaCegoVer: a imagem apresenta o quadro onde apresenta o Escoamento permanente de um fluido através de um bocal/duto adiabático. Isso quer dizer que a entalpia de estagnação irá permanecer constante na ausência de qualquer interação de calor, de trabalho e de energia potencial durante um escoamento permanente. De forma genérica, escoamentos que acontecem em bocais, dutos e difusores, atendem a essas condições. Para concluir, podemos dizer, então, que a entalpia de estagnação representa a entalpia de um fluido quando ele é levado ao repouso de forma adiabática. Durante um processo de estagnação, a energia cinética de um fluido é convertida em entalpia (energia interna + energia de escoamento), o que resulta em um aumento de temperatura e da pressão do fluido. As propriedades de um fluido no estado de estagnação são chamadas de propriedades de estagnação (temperatura de estagnação, pressão de estagnação, massa específica de estagnação etc.). O estado de estagnação e as propriedades de estagnação são indicados pelo subscrito 0 (ÇENGE, p. 534, 2007). Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 92 Dizemos que o estado de estagnação é um estado isentrópico quando o processo de estagnação é adiabático e reversível. A entalpia do fluido permanece constante durante seu processo de estagnação isentrópico. Quando dizemos para considerarmos determinado fluido como um gás ideal, com calores específicos constantes, sua entalpia é, então, substituída por cpT e substituímos a equação apresentada no início do tópico por: Ou simplesmente: A temperatura de estagnação ou temperatura total (T0) representa a temperatura que um gás ideal atinge quando é levado ao repouso de forma adiabática. A relação V²/2cp é chamado de temperatura dinâmica e representa a elevação de temperatura que acontece durante o processo. Figura 2 - A temperatura de um gás ideal que escoa a uma velocidade se eleva em V²/2cp quando ele é totalmente freado. Fonte: DOS SANTOS, Felipe D. Delapria, 2020. #ParaCegoVer: a imagem apresenta um esquema de escoamento de gás. FIQUE DE OLHO Por exemplo: a temperatura dinâmica do ar em um escoamento a 100 m/s é dado por: (100 m/s)²/(2 x 1,005 kJ/kg.K) = 5,0 K. Logo, quando o ar a 300 kelvins e a 100 m/s é levado ao repouso de forma adiabática, sua temperatura é então elevada até o valor de estagnação = 305 K. Como ilustra a Figura 2. 93 Em processos de baixa velocidade, as temperaturas de estagnação e estática são quase iguais enquanto que em processos com elevada velocidade de escoamento, a temperatura estagnada pode ser significativamente maior do que a temperatura estática do fluido. Chamamos de pressão de estagnação (P0) a pressão que um fluido atinge, quando atinge o repouso de forma isentrópica. Gases ideais com calores específicos constantes, possuem a pressão estática do fluido dada por: E, de forma muito semelhante, escrevemos a reação entre a massa específica de estagnação e a massa específica estática da seguinte forma: Observe que quando as entalpias de estagnação são usadas, não há a necessidade de utilizarmos diretamente a energia cinética. Logo, o balanço de energia de um dispositivo de escoamento permanente e de corrente única, podemos expressar da seguinte forma: Com h01 e h02 sendo as entalpias de estagnação nos estados 1 e 2, respectivamente. Em contrapartida, quando trabalhos com um fluido sendo um gás ideal, com calores específicos constantes, teremos: Com ambas as temperaturas sendo temperaturas de estagnação. Exemplo: compressão do ar a alta velocidade de um avião (CENGEL, 2007) Um avião voa à velocidade de cruzeiro de 250 m/s a uma altitude de 5000 m na qual a pressão atmosférica é de 54,05 kPa, e a temperatura do ar ambiente é 255,7 K. O ar ambiente primeiro é desacelerado em um difusor antes de entrar no compressor, de acordo a Figura a seguir. Considerando que o difusor e o compressor sejam isentrópicos, determine: a) a pressão de estagnação na entrada do compressor; b) o trabalho de compressor por unidade de massa se a razão de pressão de estagnação de compressor for 8. 94 Propriedades: O calor específico a pressão constante, cp, e a razão de calor específico k do ar à temperatura ambiente são: Cp = 1,005 kJ/kg. K e k = 1,47 Solução: o ar a alta velocidade entra no difusor e no compressor de um avião a pressão de estagnação do ar e a entrada de trabalho de compressor devem ser determinadas. Hipóteses: 1- Tanto o difusor quanto a compressão são isentrópicos; 2- O ar é um gás ideal com calores específicos constantes à temperatura ambiente. Análise: a) Em condições Isentrópicas, a pressão de estagnação na entrada do compressor (Saída do difusor) pode ser determinada, no entanto, será necessário primeiro determinar a temperatura de estagnação T01 na entrada do compressor. De acordo com as hipóteses declaradas, T01 pode ser determinada por: Podemos, então, determinar a pressão de estagnação na entrada do compressor: Desprezando as variações da energia potencial e a transferência de calor, o trabalho do compressor por unidade de massa de ar é determinado por: 95 Logo, concluímos que o trabalho fornecido pelo compressor é de 233,9 kJ/kg. Observe que o uso das propriedades de estagnação leva em conta automaticamente todas as variações da energia cinética de uma corrente de fluido. Figura 3 - Compressor de ar Fonte: DOS SANTOS, Felipe D. Delapria, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, temos um compressor de ar com três áreas, sendo eles: difusor, compressor e Motor avião respectivamente. 2.2 Velocidade do Som e Número de Mach A velocidade do som, também conhecida como velocidade sônica, é um importante parâmetro do estudo do escoamento compressível, mas afinal, o que é velocidade do som? É a velocidade com a qual uma onda de pressão infinitesimalmente pequena percorre através de um meio e que pode ser calculada devido à pequena perturbação que é criada na pressão local. Para obtermos a expressão que nos forneça a velocidade do som, devemos primeiro considerar a Figura 4 que indica um duto cheio de fluido parado. Se o pistão presente na Figura for movimentado para a direita com velocidade constante dV, irá criar uma onda sônica. A parte da frente da onda irá movimentar-se para direita através do fluido. A parte esquerda da frente da onda, passará a ter uma variação incremental, enquanto que a parte direita da frente da onda irá permanecer com suas propriedades termodinâmicas originais. Temos que o balanço de massa desse processo de escoamento permanente e de corrente única será dado por: 96 Temos também que a expressão para a velocidade do som é: Que também pode ser escrita como: Onde k é a razão de calor especifica do fluido. Note que a velocidade do som de um determinado fluido será dada sempre em função das propriedades do fluido em questão. Quando trabalhamos com um gás ideal (p=ρRT), podemos escrever a equação da velocidade do som da seguinte forma: Ressaltamos que o R é a constante universal das fases e tem seu valor fixado para um gás ideal especificado. Destacamos também um segundo parâmetro importante na análise do escoamento dos fluidos compressíveis que é o Número de Mach (Ma). Esse parâmetro nada mais é do que a razão entre a velocidade real do fluido (ou a de um objeto no ar) e a velocidade do som no mesmo fluido no mesmo estado, como mostra a equação a seguir. Note que o número de Mach depende da velocidade do som que depende doestado do fluido. O regime, muitas vezes, é descrito em termos do número de Mac do escoamento. Ou seja, teremos um escoamento sônico quando Ma = 1. Teremos um escoamento supersônico quando Ma<1, teremos um escoamento hipersônico quando Ma >> 1 e, por fim, o escoamento será dito transônico quando Ma1. Exemplo: número de mach que entra em um difusor (ÇENCEL, 2007) O ar que entra no difusor mostrado na Figura abaixo, com velocidade de 200 m/s, determine: 97 Figura 4 - Difusor Fonte: Elaborada pela autora, 2020. #ParaCegoVer: Na imagem, há um difusor com o ar aentrando a uma velocidade de 200 m/s. a) a velocidade do som; b) o número de mach na entrada do difusor quando a temperatura do ar é de 30 °C. Propriedades: A constante de gás do ar é R = 0,287 kJ/kg e sua razão de calor especifico (k) a 30° é de 1,4. Solução: O ar entra em um difusor com uma velocidade alta. A velocidade do som e o número de mach devem ser determinados na entrada do difusor. Hipóteses: o ar a condições especificadas se comporta como um gás ideal. Análise: Observamos que a velocidade do som de um gás varia com a temperatura, que é dada como 30 °C. a) A velocidade do som no ar a 30 °C é determinada por: b) Assim, o número de mach será: 98 Logo, o escoamento na entrada do difusor, por ser menor que 1, é considerado subsônico. Figura 5 - Duto Fonte: DOS SANTOS, Felipe D. Delapria, 2020. #ParaCegoVer:A imagem mostra a Propagação de uma onda de pressão pequena ao longo de um duto. Utilize o QR Code para assistir ao vídeo: 99 Nesta unidade, você teve a oportunidade de: • compreender o equilíbrio químico e de fases; • aprender a equação da reação do equilíbrio; • discutir sobre o equilíbrio de duas fases de uma substância pura; • debater sobre as propriedades de estagnação de um fluido; • estudar a relação da velocidade do som com o número de Mach. PARA RESUMIR CENGEL, Y.A. Transferência de Calor e Massa: Uma Abordagem Prática, 3ª Edição, Editora McGrawHill, 2009. CENGEL, Y.A.; CIMBALA, J.M. Mecânica dos Fluidos – Fundamentos e Aplicações, 1ª Edição, Editora McGrawHill, 2007. FOX, R.W.; McDONALD, A.T.; PRITCHARD, P.J. Introdução à Mecânica dos Fluidos, 6ª Edição, Editora LTC, 2006. INCROPERA, F.P.; DeWITT, D.P. Fundamentos da Transferência de Calor e de Massa, 6ª. Edição, Editora LTC, 2008. Moran M. J., Shapiro H. N., Boettner D. D. e Bailey M. B. (2014). Princípios de Termodinâmica para Engenharia, LTC Editora: 7ª edição, Rio de Janeiro. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Termodinâmica avançada é um livro direcionado para estudantes dos cursos de engenharia. Além de abordar assuntos gerais, o livro traz conteúdo sobre as relações entre propriedades termodinâmicas; propriedades e equilíbrio dos fluidos; psicometria; reações químicas e escoamento compressível. Após a leitura da obra, o leitor vai compreender os fundamentos da termodinâmica para misturas gasosas; conhecer mais sobre o conceito de termodinâmica; aprender diferentes tipos de modelos de sistemas térmicos; aprofundar os modelos térmicos existentes; aprimorar seu conhecimento a respeito das principais propriedades dos fluidos; dominar o conceito de psicrometria; saber importância das reações químicas, suas definições, conceitos e exemplos; entender o equilíbrio químico e de fases; discutir sobre o equilíbrio de duas fases de uma substância pura, e muito mais. Aproveite a leitura do livro. Bons estudos!