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Fertilidade dos Solos e Aduba~ão das Culturas... 04 Avaliação da Fertilidade do Solo C/csio Giancllo c Car/osA. Bissani Um resultado da análise do teor de P de um minério ou umadeterminação de álcool no sangue tem um significado específico euniforme para qualquer profissional da área, em qualquer país. Estas análises representam o teor total do elemento ou composto presente na amostra. Como as plantas absorvem os nutrientes da solução do solo e há um equilíbrio no solo entre as formas solúveis e insolúveis dos mesmos, a determinação de seus teores totais não indica necessariamente a disponibilidade para as plantas. Deve-se então determinar as quantidades de nutrientes solúveis na solução do solo em determinado momento e estimar a taxa com que estes nutrientes passam da forma insolúvel para a forma solúvel à medida que as plantas absorvem os íons da solução. O conhecimento destes dois fatores possibilita uma avaliação correta da capacidade de um solo suprir os nutrientes necessários ao desenvolvimento da planta e da necessidade de suplementação de nutrientes pela fertilização. A quantidade dos nutrientes na solução do solo pode ser avaliada facilmente. A taxa de liberação de nutrientes, entretanto, depende de vários fatores, tais como o tipo de solo, a capacidade de extração pela planta, a temperatura, a umidade, a atividade microbiana, etc. Assim, a quantidade de P liberada durante o ciclo da planta é muitas vezes maior que a existente na solução do solo, em determinado momento. Vários métodos podem ser utilizados para a avaliação da fertilidade, baseados na observação e/ou análise da planta ou na análise química ou biológica do solo. Nenhum deles é indicado para todos os casos. Cada um apresenta algumas vantagens e limitações, sendo sua utilização dependente da escolha criteriosa do técnico. Os métodos mais empregados são: estudos 43 Carlos Alberto Bissani el ai. de sintomas visuais de deficiências, experimentos de campo, testes em vasos, análises de tecido vegetal e análises de solos. 4.1 Sintomas visuais de deficiência A baixa disponibilidade de um nutriente no solo pode provocar o aparecimento de um sintoma visual de deficiência na planta, que algumas vezes é facilmente detectável. Assim, a falta de N produz um amarelecimento das folhas, e a falta de K promove uma clorose e posterior necrose das folhas a partir dos bordos. Existem plantas que mostram claramente esses sintomas, enquanto outras não apresentam sintomas nítidos, exigindo do técnico um grande conhecimento e experiência do assunto. Os sintomas podem, também, ser confundidos com danos causados por insetos, ocorrências de moléstias, ação do clima ou ainda com danos químicos. Quando o sintoma característico é observado, a deficiência já é severa, sendo geralmente muito tarde para a devida correção nas culturas anuais. Em culturas perenes ou pastagens, embora possa haver um apreciável decréscimo na produção imediata, as plantas podem ser recuperadas pela adição does) nutriente(s) em deficiência. A observação do sintoma visual de deficiência indica a baixa capacidade do solo em suprir o nutriente. 4.2 Experimentos de campo Num experimento de campo são adicionadas doses crescentes dos nutrientes em estudo em várias combinações. Pode-se avaliar assim o efeito isolado de um nutriente no aumento da produção de uma cultura, bem como a interação entre nutrientes. Estes experimentos são muito utilizados para a elaboração de recomendações de adubação e, quando bem planejados, conduzidos e executados, são a melhor maneira de avaliar a fertilidade de um solo e a necessidade de adição de fertilizantes. Entretanto, devido à complexidade da técnica de execução e à necessidade de conhecimentos básicos de solo e manejo de culturas, esse método requer maior capacitação do técnico. Além disso, os resultados somente podem ser aplicados no ano seguinte para a mesma cultura e o mesmo solo. As condições climáticas variáveis de ano para 44 Fertilidade dos Solos e Aduba~ão das Culturas... ano também podem dificultar a interpretação dos dados e as recomendações de adubação. 4.3 Testes em vasos Além de permitir o estudo de um grande número de solos, os testes em vasos podem ser conduzidos em qualquer época do ano, com um reduzido tempo de duração (semanas ou meses). Os testes em vasos são utilizados para o reconhecimento de alguns problemas de solos, principalmente em áreas novas, com pouca ou nenhuma informação disponível. A capacidade máxima de suprimento de nutrientes pelo solo, o efeito de elementos tóxicos no desenvolvimento das plantas, a seleção de estirpes eficientes de Rhyzobium e a comparação da eficiência de fontes de nutrientes são estudos que podem ser facilmente executados em vasos. A seleção dos métodos de extração utilizados nas análises de solos (estudo de correlação) é feita com vantagem em trabalhos conduzidos em vasos. Entretanto, a remoção do solo das suas condições naturais modifica algumas de suas propriedades, como a aeração e a estrutura. A utilização de um pequeno volume de solo influi no desenvolvimento radicular e exige a adição dos nutrientes em níveis superiores em relação às necessidades nas condições naturais de campo. No anexo 8 são apresentados os resultados de um experimento em vasos conduzido com a finalidade de avaliar as curvas de resposta da aveia a N, P e K e à adição de vários fertilizantes orgânicos. 4.4 Análises químicas do solo A análise química é o método mais difundido para a avaliação da fertilidade do solo, devido a: a) as análises são rápidas e de baixo custo; b) as análises podem ser feitas em qualquer época do ano; c) os resultados podem ser interpretados facilmente; e, d) os resultados possibilitam a elaboração de levantamentos de fertilidade a nível regional. 45 Carlos Alberto Bissani et aI. Em termos ideais, a análise de solo deveria avaliar a concentração atual do nutriente (altura h na Figura 3.3) e a capacidade de suprimento do nutriente pelo solo (distância L na Figura 3.3). A interpretação correta de uma análise de solo exige um bom conhecimento dos solos de uma região, dos sistemas de culturas utilizados e do clima. Este conhecimento é obtido em experimentos de campo. A quantidade de pesquisa necessária e a uniformização dos métodos de trabalho exigem o esforço cooperativo das instituições de pesquisa numa área ampla (estado ou região). Por exemplo, o programa de recomendações de adubação baseado na análise de solos desenvolvido no Sul do Brasil (Rio Grande do Sul e Santa Catarina) foi iniciado em 1966, e conta com a colaboração de 12 instituições de ensino, pesquisa e extensão. De 1966 a 1986 foram conduzidos aproximadamente 1.000 experimentos de campo, com adubação de várias culturas, e aproximadamente 20.000 observações individuais de caráter demonstrativo para agricultores. Foram analisadas também, no mesmo período, mais de 600.000 amostras de solo em 17 laboratórios existentes na região (ver item 4.6.1). A interpretação das análises torna-se mais segura à medida que as informações de pesquisa são obtidas. Em reuniões periódicas, os técnicos das várias instituições estudam o aperfeiçoamentos das tabelas de recomendações de adubação e de calagem. O trabalho de atualização das tabelas é contínuo, pela própria evolução da agricultura, com introdução de novas variedades, tecnificação da lavoura, alteração nos custos de insumos, mudanças nos sistemas de produção, etc. O acompanhamento econômico e da fertilidade do solo das propriedades que adotam as práticas recomendadas também deve ser feito, com a finalidade de avaliar a eficiência das recomendações a longo prazo. O valor de uma análise de solo depende, portanto, da qualidade da pesquisa que a suporta. Nos capítulos 5, 6, 7 e 13 serão estudadas em detalhe as diferentes etapas deste programa. 4.5 Análise de tecido vegetal Este método de avaliação da fertilidade do solo consiste na determinação da concentração dos nutrientes no tecido das plantas. A interpretação da análise é feita por comparação com padrõesobtidos em trabalhos de pesquisa. 46 Fertilidcsde dos Solos e Adubcs~ão dcss Culturcss... Este método tem a vantagem de detectar deficiências de nutrientes antes da observação do sintoma visual e da conseqüente redução na rodução. Sua utilização em laboratórios para atendimento de agricultores é recente. A interpretação dos valores analíticos dos componentes vegetais requer :: calibração prévia para cada nutriente, cultura, e, em alguns casos, para :ariedade, pois a concentração dos nutrientes varia com a espécie, idade e estádio de desenvolvimento. A análise completa do tecido de plantas mostra cs teores de macronutrientes (N, P, K, Ca, Mg e S) e de micronutrientes (Cu, -:1, Mn, Fe, B e Mo). Além dos teores de cada um, podem ser observadas as relações entre os mesmos. Devido ao longo tempo decorrido entre a retirada das amostras e a expedição das recomendações de adubação, as análises de tecido têm maior eolícacão em fruticultura e em pastagens perenes. A amostra de tecido vegetal deve ser representativa do estado ".Jtricional das plantas. Em geral, são amostradas folhas recém maduras, num :eterminado estádio de desenvolvimento da planta, evitando-se folhas muito -ovas ou em senescência. O Anexo 2 apresenta uma orientação geral sobre época, tipo de folhas e tamanho da amostra para análise foliar. A interpretação da análise é a etapa crítica do método. Uma terpretação correta somente pode ser feita se o técnico dispuser de valores cadrão, obtidos em trabalhos de pesquisa para as variedades em uso. Nos estados do RS e SC estão sendo utilizadas tabelas de interpretação para ... tíferas e algumas hortaliças [1.7]. No Anexo 3 são dados os teores de acronutrientes considerados adequados para várias culturas. Em fruticultura, a análise foliar é muitas vezes utilizada conjuntamente :: m a análise de solo. Na interpretação e na recomendação de adubação são evades em consideração também outros fatores como nível de produção do oornar, variedades utilizadas, comercialização, etc. A análise de tecido de plantas pode ser também utilizada para detectar cesequilfbrios nutricionais, presença de elementos tóxicos, doenças -siológicas, etc. Utiliza-se nestes casos comparações entre amostras de lantas sadias e de plantas com sintomas de deficiência ou formação anormal, oletadas no mesmo estádio de desenvolvimento. 47 As plantas de aveia cultivadas no experimento descrito no Anexo 7 mostraram sintomas de deficiência de N e de P. Os de K não foram aparentes porque as plantas foram colhidas ainda antes do florescimento. Como são interpretados os valores da análise deste solo (Capítulo 7)? Cartos Alberto Bissani et ai. 4.6 Você sabia? 4.6.1 Manual de Recomendações de Adubação e de Calagem para os estados do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina Desde 1966 são elaboradas tabelas para recomendações de adubação e de calagem para as principais culturas dos estados do Rio Grande do-Sul e de Santa Catarina, com base na análise de solo. Estas tabelas são periodicamente revisadas pela Comissão de Química e Fertilidade do Solo do Núcleo Regional Sul da Sociedade Brasileira de Ciência so Solo, sendo adotadas pela Rede Oficial de Laboratórios de Análise de Solo e de tecido vegetal (ROLAS) dos dois estados. A última versão divulgada em 2004 enfatiza o sistema de plantio direto, rotação de culturas, aplicações localizadas de corretivos e fertilizantes e análises foliares. Os tecnicos que trabalham na área agronômica devem possuir bom conhecimento desta publicação (referência [1.7]). 4.6.2 O que aparece na análise de solo? Um laudo de análise de solos contém os valores de análises físicas, químicas e relação entre alguns parâmetros analisados. A análise básica, que consta de todos os laudos, apresenta os resultados das determinações de pH em água, teores de K, Ca, Mg, e AI trocáveis, P extraível, acidez potencial (índice SMP) e teor de argila. Nota: observar as unidades em que são expressos estes valores. A capacidade de troca de cátions (CTC), a acidez total (H + AI) e a saturação por bases na CTC são também apresentadas. Estas são calculadas com os dados da análise básica. Alguns laboratórios integrantes da ROLAS também podem fazer as determinações de S e de micronutrientes (Cu, Zn, B, Mn e Fe), caso solicitado. 4.6.3 Observações feitas no experimento do Anexo 7 48