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A BNCC NOS ANOS FINAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL: LÍNGUA INGLESA --------------------------------------------- RESUMO -------------------------------------------------------- A BNCC da Educação Básica…………………………………………………………………………… Base Nacional Comum Curricular (BNCC) É um documento de caráter normativo; Define o conjunto das aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver ao longo da Educação Básica; Tem assegurado os direitos de aprendizagem e desenvolvimento conforme preconiza o Plano Nacional de Educação (PNE). A BNCC (2018) afirma que: " [...] este documento normativo aplica-se exclusivamente à educação escolar, tal como a define o § 1º do Artigo 1º da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB, Lei nº 9.394/1996), e está orientado pelos princípios éticos, políticos e estéticos que visam à formação humana integral e à construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva, como fundamentado nas Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Básica (DCN). " (MEC, BRASIL, 2018) PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA BNCC 1988 Promulgada a Constituição Federal: a criação de uma Base Nacional Comum, com a fixação de conteúdos mínimos para o Ensino Fundamental (artigo 210). 1996 A Lei das Diretrizes e Bases (LDB) da Educação Básica é aprovada e reforça a necessidade de uma base nacional comum. 1997 a 2000 Os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) foram consolidados em partes: ✔ 1º ao 5º ano em 1997; ✔ 6º ao 9º ano em 1998; e ✔ em 2000, foram lançados os PCNs para o Ensino Médio. 2010 a 2012 Novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs) orientadas para o planejamento curricular das escolas e sistemas de ensino (para a Educação Infantil, Ensinos Fundamental e Médio). 2014 Plano Nacional de Educação (PNE) – A Lei n. 13.005, de 2014, instituiu o PNE com vigência de dez anos. São vinte metas para melhorar a qualidade da Educação Básica, sendo que quatro delas tratam da Base Nacional Comum Curricular. 2015 A Portaria nº 592 de 17 de junho de 2015 institui a Comissão de Especialistas para a Elaboração de Proposta da BNCC. Em outubro, tem início a consulta pública para a construção da primeira versão da BNCC com contribuições da sociedade civil, de organizações e entidades científicas. 2016 Em março, após 12 milhões de contribuições, a primeira versão do documento é finalizada. Em junho, seminários com professores, gestores e especialistas abertos à participação pública são realizados por todo o Brasil para debater a segunda versão da BNCC. Em agosto, começa a ser redigida a terceira versão, em um processo colaborativo com base na versão 2. 2017 Em abril, o MEC entregou a terceira versão da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) ao Conselho Nacional de Educação (CNE). O CNE elaborou parecer e projeto de resolução sobre a BNCC e homologou as etapas da educação infantil e do Ensino Fundamental. 2018 Foi promulgada a Portaria nº 331, de 5 de abril de 2018 que institui o Programa de Apoio à Implementação da Base Nacional Comum Curricular – ProBNCC e estabelece diretrizes, parâmetros e critérios para sua implementação. Em 8 de novembro, o Conselho Nacional de Educação (CNE) elaborou o parecer CNE/CEB nº 3/2018 com a aprovação da atualização das novas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o Ensino Médio. Concluído o processo, a BNCC passou a integrar a política nacional da Educação Básica como referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos estados, do Distrito Federal e dos municípios e das propostas pedagógicas das instituições escolares. Seu conteúdo também vai contribuir para o alinhamento de outras políticas e ações, em âmbito federal, estadual e municipal, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação. A BNCC, ao definir as aprendizagens essenciais, não suprime a necessidade de os estados, os municípios e as escolas elaborarem seus próprios currículos, pelo contrário: os currículos e as propostas pedagógicas devem ser orientados pela BNCC. A Resolução CNE/CP nº 2 (22/12/2017), institui e orienta a implantação da Base Nacional Comum Curricular, a ser respeitada obrigatoriamente ao longo das etapas e respectivas modalidades no âmbito da Educação Básica. No artigo 5º, a Resolução explicita a BNCC como referência para que instituições ou redes construam ou revisem seus currículos. Portanto, a BNCC não é currículo. Mas há uma relação de complementaridade entre BNCC e currículo. “Os currículos devem adequar as proposições da BNCC à realidade local, considerando a autonomia dos sistemas ou das redes de ensino e das instituições escolares, como também o contexto e as características dos alunos. " (BNCC, 2017, p. 16)”. Os fundamentos pedagógicos da BNCC………………………………………………………………. A BNCC se apoia em dois fundamentos pedagógicos: 1. O compromisso com a educação integral; e 2. O foco no desenvolvimento de competências. Ao estabelecer a formação e o desenvolvimento humano global como um de seus fundamentos, a BNCC assume uma visão plural, singular e integral da criança, do adolescente, do jovem e do adulto, nos aspectos biopsicossociais e afetivos. Isso significa que os alunos devem ser preparados para atuar com discernimento e responsabilidade, aplicar conhecimentos para resolver problemas, ser proativo para identificar os dados de uma situação e buscar soluções, conviver e aprender com as diferenças e as diversidades, ter autonomia para tomar decisões e, ainda, aprender a aprender. Essa visão de aluno não se concretiza por meio de práticas pedagógicas que privilegiam apenas a transmissão ou o acúmulo de informações. E é nesse ponto que se destaca o desenvolvimento de um currículo orientado por competências. As competências gerais da Educação Básica 1. Valorizar e utilizar os conhecimentos historicamente construídos sobre o mundo físico, social, cultural e digital para entender e explicar a realidade, continuar aprendendo e colaborar para a construção de uma sociedade justa, democrática e inclusiva. 2. Exercitar a curiosidade intelectual e recorrer à abordagem própria das ciências, incluindo a investigação, a reflexão, a análise crítica, a imaginação e a criatividade, para investigar causas, elaborar e testar hipóteses, formular e resolver problemas e criar soluções (inclusive tecnológicas) com base nos conhecimentos das diferentes áreas. 3. Valorizar e fruir as diversas manifestações artísticas e culturais, das locais às mundiais, e também participar de práticas diversificadas da produção artístico- cultural. 4. Utilizar diferentes linguagens – verbal (oral ou visual-motora, como Libras, e escrita), corporal, visual, sonora e digital –, bem como conhecimentos das linguagens artística, matemática e científica, para se expressar e partilhar informações, experiências, ideias e sentimentos em diferentes contextos e produzir sentidos que levem ao entendimento mútuo. 5. Compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de forma crítica, significativa, reflexiva e ética nas diversas práticas sociais (incluindo as escolares) para se comunicar, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva. 6. Valorizar a diversidade de saberes e vivências culturais e apropriar-se de conhecimentos e experiências que lhe possibilitem entender as relações próprias do mundo do trabalho e fazer escolhas alinhadas ao exercício da cidadania e ao seu projeto de vida, com liberdade, autonomia, consciência crítica e responsabilidade. 7. Argumentar com base em fatos, dadose informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. 8. Conhecer-se, apreciar-se e cuidar de sua saúde física e emocional, compreendendo-se na diversidade humana e reconhecendo suas emoções e as dos outros, com autocrítica e capacidade para lidar com elas. 9. Exercitar a empatia, o diálogo, a resolução de conflitos e a cooperação, fazendo-se respeitar e promovendo o respeito ao outro e aos direitos humanos, com acolhimento e valorização da diversidade de indivíduos e de grupos sociais, seus saberes, identidades, culturas e potencialidades, sem preconceitos de qualquer natureza. 10. Agir pessoal e coletivamente com autonomia, responsabilidade, flexibilidade, resiliência e determinação, tomando decisões com base em princípios éticos, democráticos, inclusivos, sustentáveis e solidários. "[...] embora a BNCC não defina uma metodologia de ensino, a formação do aluno caracterizado nas dez competências só pode ser alcançada por meio de metodologias ativas." O essencial é que se perceba que, embora a BNCC não defina uma metodologia de ensino, a formação desse aluno caracterizado nas dez competências só pode ser alcançada por meio de metodologias ativas. Como a Base está organizada………………………………………………………………………….. Para explicitar as aprendizagens que devem garantidas ao longo da Educação Básica a fim de assegurar, como resultado do processo de ensino e aprendizagem, o desenvolvimento das competências gerais, a BNCC tem uma estrutura própria para cada etapa – Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio, em conformidade com seus fundamentos pedagógicos e com os ordenamentos legais. Ainda que essa estrutura não represente um modelo único de arranjo curricular que obrigatoriamente deve ser adotado nos currículos e propostas pedagógicas de todo o país, ela pretende ser clara e precisa na explicitação do que se espera que todos os alunos aprendam nos diferentes momentos de sua escolarização, de modo a subsidiar sistemas, redes e escolas. Organização na Educação Infantil Direitos de aprendizagem e de desenvolvimento Campos de experiência Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento ✔ Conviver; ✔ Brincar; ✔ Participar; ✔ Explorar; ✔ Expressar; e ✔ Conhecer-se. - O eu, o outro e o nós; - Corpo, gestos e movimentos; - Traços, sons, cores e formas; - Escuta, fala, pensamento e imaginação; - Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações. São organizados por faixa etária para cada campo de experiência: - Bebês; - Crianças muito pequenas; - Crianças pequenas. Organização no Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) Áreas do conhecimento Componentes Unidades temáticas Linguagens Matemática Ciências da Natureza Ciências Humanas Ensino Religioso Língua Portuguesa, Arte, Educação Física e Língua Inglesa Matemática Ciências História E Geografia Ensino Religioso Definem um arranjo dos objetos de conhecimento ao longo do Ensino Fundamental adequado às especificidades dos diferentes componentes curriculares. Há unidades temáticas comuns aos anos iniciais e finais e unidades temáticas específicas para cada fase do Ensino Fundamental. Habilidades Objetos de conhecimento Expressam as aprendizagens essenciais relativas aos objetos de conhecimento que devem ser asseguradas aos alunos nos diferentes contextos escolares. Referem-se a conteúdos, conceitos e processos mobilizados em diferentes habilidades, relativos a cada unidade temática. Organização no Ensino Médio Áreas do conhecimento Componentes curriculares obrigatórios 1. Linguagens e suas Tecnologias, 2. Matemática e suas Tecnologias, 3. Ciências da Natureza e suas Tecnologias, 4. Ciências Humanas e Sociais aplicadas. 1. Língua Portuguesa 2. Matemática Aprendizagens comuns Habilidades 1. Língua Portuguesa; 2. Matemática; 3. Conhecimento do mundo físico e natural e da realidade social e política; 4. Arte; 5. Educação Física; 6. História do Brasil e do mundo; 7. História e cultura afro-brasileira e indígena; 8. Sociologia e Filosofia; 9. Língua inglesa. Para assegurar o desenvolvimento das competências específicas de área, a cada uma delas é relacionado um conjunto de habilidades, que representa as aprendizagens essenciais a ser garantidas no âmbito da BNCC a todos os estudantes do Ensino Médio. Elas são descritas de acordo com a mesma estrutura adotada no Ensino Fundamental. Organização de cada etapa…………………………………………………………………………… Educação Infantil: Os campos de experiências são comuns a todas as faixas etárias, mas os objetivos de aprendizagem e de desenvolvimento são específicos para cada uma delas. Ensino Fundamental: São descritas habilidades específicas para cada um dos componentes em cada ano do Ensino Fundamental. Ensino Médio É relacionado um conjunto de habilidades para cada competência específica de área. Tanto os objetivos de aprendizagem da Educação Infantil quanto as habilidades do Ensino Fundamental são descritas por códigos alfanuméricos. Um dos desafios importantes para a educação que a organização da BNCC explicita refere-se à progressão das aprendizagens, que se estrutura de maneira específica em cada componente. A progressão é uma característica do próprio processo de aprendizagem: as aprendizagens vão se complexificando, em função, até mesmo (mas não somente), do desenvolvimento sociocognitivo dos alunos. Há que se considerar essa progressão para que as transições entre as etapas não se configurem como uma ruptura neste processo. Desafio posto aos educadores……………………………………………………………………….. A BNCC expressa um parâmetro de igualdade educacional que deve ser referência em todas as escolas do país. Essa igualdade também deve se concretizar nas oportunidades de acesso e de permanência da Educação Básica, condições para que o direito de aprender seja assegurado. No entanto, a qualidade educacional não se garante exclusivamente por parâmetros de igualdade. É preciso, também, promover equidade. Igualdade: definir as aprendizagens a que todos têm direito. Equidade: condições adequadas às especificidades de cada indivíduo. Promover a equidade supõe reconhecer que as necessidades dos estudantes são diferentes, e portanto, orientar o planejamento e a ação curricular e didático-pedagógica para a inclusão de todos e a superação das desigualdades. Em um país como o Brasil, marcado por acentuada diversidade cultural e profundas desigualdades sociais, esse é um compromisso fundamental e um grande desafio. Isso significa fazer da escola um espaço de aprendizagem e de democracia inclusiva para todos, considerando as necessidades, as possibilidades e os interesses dos estudantes, assim como suas identidades linguísticas, étnicas e culturais, e as especificidades de cada contexto educativo. Esse não é um compromisso só da escola. Ele deve ser compartilhado na rede ou no sistema de ensino, para que se ofereçam as condições necessárias à aprendizagem de todos: pessoas que não puderam estudar ou completar sua escolaridade na idade própria, alunos com deficiência, povos indígenas originários e as populações das comunidades remanescentes de quilombos e demais afrodescendentes. Para isso, são necessárias práticas pedagógicas inclusivas e de diferenciação curricular com vistas a reverter a situação de exclusão histórica que marginaliza esses e outros grupos. É no cotidiano escolar que se garantirão as aprendizagens a que todos os alunos têm direito. Nesse contexto, BNCC, currículos e propostas pedagógicas devem ser reconhecidos como instrumentos a serviço da melhoria da qualidade educacional. Fonte: AVAMEC Os anos finais do EnsinoFundamental………………………………………………………………. Características, princípios e fundamentos pedagógicos Os anos finais do Ensino Fundamental colocam um grande desafio aos estudantes: os vários componentes curriculares. É importante prepará-los para as mudanças de professor generalista para o especialista, retomar e ressignificar as aprendizagens dos anos iniciais, visando ao aprofundamento e à ampliação de repertórios de conhecimentos. A mudança de etapa (dos anos iniciais para os finais) ocorre quase paralelamente à transição entre infância e adolescência, marcada por intensas mudanças decorrentes de transformações biológicas, psicológicas, sociais e emocionais. Qualidade e equidade Como um referencial, a Base indica as aprendizagens essenciais para os alunos da Educação Básica e, nesse sentido, aponta para a melhoria da qualidade da educação nacional. A promoção da equidade, por sua vez, depende de um esforço na ponta para, antes de mais nada, reconhecer a individualidade de cada aluno e, então, fornecer as condições necessárias às aprendizagens, considerando essas demandas diferenciadas do público atendido em cada rede de ensino, escola e sala de aula. O componente Língua Inglesa nos anos finais do Ensino Fundamental…………………. A aprendizagem da Língua Inglesa, como língua de importância internacional, promove a inserção do aluno como cidadão no mundo, oferecendo-lhe possibilidades de maior conhecimento de si e do outro e de respeito à diversidade e às diferenças entre povos e culturas. Estes são elementos que justificam a presença do componente nos anos finais do Ensino Fundamental. Esse caráter formativo na aprendizagem da Língua Inglesa permite romper com estereótipos de valorização de uma cultura em detrimento de outra, fortalecer identidades e ampliar a capacidade de aprender a aprender, com a consolidação de um protagonismo responsável e ético. Nessa perspectiva de ensino, a Língua Inglesa se desvincula da noção de pertencimento a um determinado território e assume o status de língua franca, a qual favorece uma educação linguística voltada para a interculturalidade. O componente Língua Inglesa, na BNCC, faz parte da área de Linguagens, que tem como objetivo tratar dos conhecimentos relativos à atuação dos sujeitos sociais em práticas de linguagem. As linguagens e as línguas são fundamentais para a compreensão de discursos, pois são utilizadas como meio de expressão, conhecimento, representação e comunicação para partilhar informações, ideias, experiências e sentimentos nos mais variados contextos discursivos e para produzir sentidos que permitam a interação e o diálogo, a cooperação e a resolução de conflitos. A aprendizagem de Língua Inglesa deve proporcionar ao estudante o direito à: • à educação integral e inclusiva; • à educação linguística consciente e crítica; • à formação do cidadão para o mundo, a qual inclui a preparação para a vida, o desenvolvimento da autonomia, a cooperação e a ampliação do “aprender a aprender” e o exercício do protagonismo e da autoria; • à comunicação, às diferentes linguagens e usos e à interação entre falantes multilíngues e multiculturais; • às vivências e aprendizagens que desmistifiquem crenças relativas a essa língua, encorajando os alunos a interagir por meio dela. A Língua Inglesa e as competências gerais da BNCC: Além das competências gerais e das competências da área de Linguagens, a BNCC também prevê seis competências específicas para o componente Língua Inglesa: 1. Identificar o lugar de si e do outro em um mundo plurilíngue e multicultural, refletindo, criticamente, sobre como a aprendizagem da língua inglesa contribui para a inserção dos sujeitos no mundo globalizado, inclusive no que concerne ao mundo do trabalho. 2. Comunicar-se em língua inglesa, por meio do uso variado de linguagens em mídias impressas ou digitais, reconhecendo-a como ferramenta de acesso ao conhecimento, de ampliação das perspectivas e de possibilidades para a compreensão dos valores e interesses de outras culturas e para o exercício do protagonismo social. 3. Identificar similaridades e diferenças entre a língua inglesa e a língua materna ou outras línguas, articulando-as com aspectos sociais, culturais e identitários em uma relação intrínseca entre língua, cultura e identidade. 4. Elaborar repertórios linguístico-discursivos da língua inglesa, usados em diferentes países e por grupos sociais distintos dentro de um mesmo país, de modo a reconhecer a diversidade linguística como direito e a valorizar os usos heterogêneos, híbridos e multimodais emergentes nas sociedades contemporâneas 5. Utilizar novas tecnologias, com novas linguagens e modos de interação, para pesquisar, selecionar, compartilhar, posicionar-se e produzir sentidos em práticas de letramento na língua inglesa de forma ética, crítica e responsável. 6. Conhecer diferentes patrimônios culturais, materiais e imateriais, difundidos na língua inglesa, com vistas ao exercício da fruição e da ampliação de perspectivas no contato com diferentes manifestações artístico-culturais. O componente Língua Inglesa está estruturado em cinco eixos organizadores: 1. Oralidade 2. Leitura 3. Escrita 4. Conhecimentos Linguísticos 5. Dimensão Intercultural. Os eixos se organizam em Unidades Temáticas, Objetos do Conhecimento e Habilidades. A língua inglesa como prática social O professor de Língua Inglesa deve articular algumas habilidades às metodologias e estratégias, que possibilitem que o processo de aprendizagem seja motivador, singular e ativo. A BNCC propõe algumas orientações para o componente Língua Inglesa: • Enfatizam a linguagem como prática social, em atividades situadas, que tenham significado e sentido para seus participantes e a importância do trabalho com temas inspiradores, de interesse dos alunos e da comunidade escolar, que contemplem as legislações obrigatórias (Resolução CNE/CP nº2/2017, art. 8º, inciso VIII, §1º), bem como temas que podem contribuir para a formação cidadã sugeridos pelos currículos em suas especificidades regionais e locais. • Indicam que o processo de aprendizagem da língua se dá no seu uso (falar, compor, ler, observar, assistir um vídeo, escutar, escrever, brincar ou dançar), em situações autênticas, quando o aluno interage com textos e gêneros discursivos que circulam no mundo real; que a aprendizagem e o currículo são processos nos quais o conhecimento se dá por sucessivas aproximações ao objeto do conhecimento e indicam a importância de um processo de ensino-aprendizagem que proporcione vivências significativas e contextualizadas de uso da língua inglesa, para que os alunos tenham vontade de aprendê-la. • Consideram a faixa etária e o momento de aprendizagem dos alunos e que o léxico e a gramática não existem isolados em sua função, mas constituem repertórios linguísticos à disposição dos alunos para as práticas de linguagem; Considerações sobre transições A legislação não prevê a obrigatoriedade de ensino de língua inglesa nos anos iniciais, apesar de vários sistemas e escolas já a adotarem há algum tempo. O ensino do idioma no Ensino Fundamental – Anos Iniciais não afeta a proposta introduzida pela BNCC na medida em que se espera um tratamento lúdico para as atividades desenvolvidas nessa etapa. Inicialmente, é priorizado o foco na oralidade (com brincadeiras, músicas, jogos e contação de histórias, por exemplo), na dimensão intercultural (derivada das atividades) e nos processos de multiletramento. Aos poucos, à medida que os alunos avançam no processo de aprendizagem da língua, são inseridas outras formas de linguagem, inclusive a escrita. Desse modo, o componente contribui para o desenvolvimento de competências cognitivas, atitudinais e socioafetivas, que serão importantes para os níveis de ensino subsequentes,da língua inglesa e de outros componentes, inclusive de outras áreas. Caso o aluno tenha interesse em dar continuidade aos estudos de Língua Inglesa, espera-se que ele possa fazê-lo com maior aprofundamento no Ensino Médio. A implementação da BNCC: compromisso com a excelência e a equidade nas aprendizagens………………………………………………………………………………………………. A BNCC, ao definir as aprendizagens às quais os estudantes têm direito, causa um impacto nos currículos e nas propostas pedagógicas das escolas. No caso do Ensino Médio, há um impacto diferenciado, em relação à oferta da BNCC e dos Itinerários Formativos (profissionalizantes ou não) no currículo. Esses impactos, por sua vez, reverberam nas condições de ensino-aprendizagem das escolas, sejam elas condições físicas (de infraestrutura), materiais (livros didáticos e material pedagógico) ou humanas (formação de professores, distribuição de aulas). Ao mesmo tempo, a BNCC demanda a revisão dos processos de ensino e avaliação dessas aprendizagens. No que diz respeito à implementação da Etapa do Ensino Médio, cujo texto foi aprovado apenas em dezembro de 2018, algumas redes de ensino iniciaram a implementação por meio do processo de escuta dos estudantes e da comunidade escolar a fim de delinear os melhores caminhos para a oferta dos Itinerários formativos. Outras redes estão em processo de implementação de projetos piloto para distribuição da carga-horária docente, uso de tecnologias no apoio à implementação do Novo Ensino Médio e definição coletiva de “unidades curriculares” a serem ofertadas (Guia de implementação do novo ensino médio, 2018) Com a aprovação dos currículos, cabe às escolas de cada rede de ensino rever suas propostas pedagógicas. Currículos e propostas pedagógicas Em síntese, a proposta pedagógica da instituição educativa precisa estar alinhada ao currículo da rede (e, por consequência, à BNCC). Afinal, ela é o instrumento que vai orientar o trabalho educativo de toda a equipe escolar, de modo que as aprendizagens essenciais definidas na BNCC sejam garantidas a todos os alunos. Portanto, além de definir “o que ensinar”, a proposta pedagógica precisa explicitar claramente “como ensinar”, “quando ensinar” e “o que avaliar”, deixando clara a atuação de cada profissional da instituição para criar as condições necessárias para que todos possam aprender, considerando a realidade local, as características e as condições da escola e de sua comunidade. Protagonismo e cooperação A BNCC, sozinha, é “apenas um papel”. Do ponto de vista formal, a BNCC tem caráter normativo, mas, ela não se implementa sozinha. Mesmo ao lado das propostas pedagógicas e dos currículos, a BNCC não vai transformar a realidade. São as pessoas que fazem isso. O sucesso das pessoas nesta empreitada depende de um conjunto de fatores: diretrizes e objetivos claros, apoio institucional, colaboração de pares, etc. Protagonismo docente e lideranças Em síntese, os diferentes profissionais que atuam na escola precisam estar comprometidos com a aprendizagem de todos os alunos. A escola deve ser um espaço em que todos aprendem e ensinam. O currículo em ação: a implementação das propostas pedagógicas Clima escolar, práticas docentes e práticas de gestão O clima escolar pode ser entendido como o conjunto de percepções subjetivas que docentes, discentes, a equipe gestora, funcionários e famílias têm da escola, em diferentes âmbitos: suas normas e valores, e as relações humanas que se estabelecem nela, além das estruturas física, pedagógica e administrativa, entre outros aspectos. O clima escolar tem influência na dinâmica escolar e, por sua vez, é influenciado por ela. Pesquisas recentes têm se dedicado a encontrar relações entre o clima escolar e o processo de ensino e aprendizagem. Acompanhamento e avaliação das aprendizagens A BNCC, ao definir as aprendizagens essenciais, cria um patamar de qualidade para a educação básica. Para formar o aluno que se deseja – descrito nas competências gerais da educação básica –, são necessárias múltiplas ações, ou seja, práticas pedagógicas e de gestão voltadas às aprendizagens e à melhoria do clima escolar. Todo esse esforço só fará sentido se a comunidade escolar estiver preocupada, também, em verificar se as aprendizagens estão sendo garantidas: trata-se do acompanhamento e da avaliação das aprendizagens. A competência 7 da BNCC descreve o seguinte direito essencial de aprendizagem: "Argumentar com base em fatos, dados e informações confiáveis, para formular, negociar e defender ideias, pontos de vista e decisões comuns que respeitem e promovam os direitos humanos, a consciência socioambiental e o consumo responsável em âmbito local, regional e global, com posicionamento ético em relação ao cuidado de si mesmo, dos outros e do planeta. " (BNCC, 2017, p. 9). Há um conjunto de aprendizagens que estão pressupostas e subentendidas nessa competência. Por esse motivo é que a BNCC detalha as aprendizagens essenciais e serem garantidas em cada etapa da Educação Básica. Na Educação Infantil, são definidos objetivos de aprendizagem e desenvolvimento organizados em três grupos por faixa etária, a fim de que sejam garantidos os direitos de aprendizagem e desenvolvimento a todas as crianças dessa etapa. No Ensino Fundamental, são definidas habilidades que devem ser desenvolvidas a cada ano (ou bloco de anos) pelos alunos, para garantir o desenvolvimento, ao longo de toda a etapa, de competências específicas de área e componente. Essas competências específicas, por sua vez, explicitam como as dez competências gerais se expressam nas áreas e nos componentes da etapa. No Ensino Médio também são definidas as habilidades que devem ser desenvolvidas ao longo de toda a etapa. Assim, espera-se que cada professor possa afirmar que as aprendizagens essenciais previstas (que, por sua vez, contribuem para o desenvolvimento das competências gerais) foram garantidas a seus alunos. Mas isso só pode ser feito a partir de um conjunto de evidências demonstradas por esses alunos. A coerência metodológica sobre a qual se fala é, justamente, a coerência necessária entre as estratégias metodológicas utilizadas nas situações de aprendizagem e aquelas propostas nas situações de avaliação formativa (seja uma avaliação de processo, seja uma avaliação de resultados), assumindo a avaliação como inerente ao processo de ensino e aprendizagem. Significa, então, oferecer ao aluno inúmeras oportunidades para aprender e demonstrar suas aprendizagens (habilidades, conhecimentos, valores e atitudes), de modo a acompanhar esse processo e, sempre que necessário, reorientar as práticas pedagógicas (inclusive propondo ações de recuperação paralela) para garantir essas aprendizagens. Formação continuada e em serviço A formação continuada é outro aspecto sobre o qual a BNCC tem um impacto indireto. "Referência nacional para a formulação dos currículos dos sistemas e das redes escolares dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e das propostas pedagógicas das instituições escolares, a BNCC integra a política nacional da Educação Básica e vai contribuir para o alinhamento de outras políticas e ações, em âmbito federal, estadual e municipal, referentes à formação de professores, à avaliação, à elaboração de conteúdos educacionais e aos critérios para a oferta de infraestrutura adequada para o pleno desenvolvimento da educação. " (BNCC, 2017, p. 10). É importante que toda a equipe escolar (professores, gestores e demais profissionais da escola), assim como os estudantes, estejam engajados, motivados e dispostos a aprender a aprender, constituindo uma comunidade de aprendizagem em que todos ensinam e aprendem. --------------------------------------------------------- FIM -------------------------------------------------------------- Fonte: https://avamec.mec.gov.br/A BNCC nos Anos Finais do Ensino Fundamental: Língua Inglesa https://avamec.mec.gov.br/