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W BA 09 99 _V 1. 0 O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO 2 Warllon de Souza Barcellos São Paulo Platos Soluções Educacionais S.A 2022 O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO 1ª edição 3 2022 Platos Soluções Educacionais S.A Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César CEP: 01418-002— São Paulo — SP Homepage: https://www.platosedu.com.br/ Head de Platos Soluções Educacionais S.A Silvia Rodrigues Cima Bizatto Conselho Acadêmico Alessandra Cristina Fahl Camila Braga de Oliveira Higa Camila Turchetti Bacan Gabiatti Giani Vendramel de Oliveira Gislaine Denisale Ferreira Henrique Salustiano Silva Mariana Gerardi Mello Nirse Ruscheinsky Breternitz Priscila Pereira Silva Tayra Carolina Nascimento Aleixo Coordenador Giani Vendramel de Oliveira Revisor Flaviana Aparecida de Mello Editorial Beatriz Meloni Montefusco Carolina Yaly Márcia Regina Silva Paola Andressa Machado Leal Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ Barcellos, Warllon de Souza O papel do serviço social na educação / Warllon de Souza Barcellos. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 2022. 36 p. ISBN 978-65-5356-147-2 1.Evasão. 2. Serviço social. 3. Habilidades e competências. I. Título. CDD 344.03 _____________________________________________________________________________ Evelyn Moraes – CRB 010289/O B242p © 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A. Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A. 4 SUMÁRIO Apresentação da disciplina __________________________________ 05 Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção ____________________________________ 06 A cultura no exercício profissional do serviço social _________ 19 O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social _ 32 Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais ____________________________________ 42 O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO 5 Apresentação da disciplina Olá, aluno, tudo bem? Esta é a disciplina O papel do Serviço Social na Educação, na qual faremos uma abordagem sobre a atuação do assistente social nesse espaço e os desafios que são colocados no cotidiano profissional. Além disso, refletiremos sobre o papel do assistente social na educação, que deve ultrapassar a mera reprodução das práticas cotidianas. Dividiremos a disciplina em quatro momentos, nos quais abordaremos temáticas como evasão escolar, cultura no ambiente escolar e serviço social. Pensaremos juntos o papel da família e as situações de vulnerabilidade social que envolvem os alunos, assim como a forma de atuação do assistente social. Por fim, estudaremos uma nova forma do agir profissional no ambiente educacional, considerando estratégias de atuação e intervenção nesse espaço sócio-ocupacional. Com isso, a presente disciplina tem por objetivo constituir uma postura investigativa ampla que ultrapasse a setorização das demandas sociais, de modo que se possa pensar uma prática social realista sobre o equipamento público que é a escola. Desta forma, convidamos você a nos acompanhar nesta disciplina, que possibilitará um momento de reflexão e um melhor entendimento sobre o desenvolvimento da atuação profissional do assistente social. Venha conosco, você é o nosso convidado! 6 Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção Autoria: Warllon de Souza Barcellos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Possibilitar aos discentes a compreensão da maneira como ocorre o processo de evasão escolar. • Relacionar o conceito de evasão escolar com expressões da questão social. • Abordar o abandono escolar como um fenômeno que impacta a vida de muitas crianças no nosso país. • Realizar uma breve análise histórica sobre a educação no Brasil. • Apontar a atuação do assistente social diante da manifestação das expressões da questão social no ambiente educacional. 7 1. Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção Olá, aluno! Nesta Leitura Digital realizaremos um debate sobre os processos de evasão e abandono escolar, compreendendo como esses fenômenos impactam diretamente a vida de tantas crianças em nosso país, principalmente as mais pobres. Desta forma, faremos uma abordagem relacionando o conceito de evasão escolar com as expressões da questão social e entendendo esse fenômeno como um produto da sociabilidade capitalista vigente. A inclusão social é um dos temas mais relevantes no âmbito da política de educação na contemporaneidade. Entretanto, para avançar nesse tema, é necessário aprofundar o conhecimento dos processos de exclusão social que contrastam com as tentativas de estabelecimento de uma sociedade inclusiva. No Brasil, a exclusão social está diretamente ligada à baixa escolarização, ao analfabetismo e ao analfabetismo funcional, que são expressões da questão social. A educação é um direito social garantido pela Constituição Federal de 1988. Em seu art. 205, ela é colocada como responsabilidade tripartite da União, dos estados e dos municípios, cada qual com sua competência para garantir o acesso de todos a essa política. Mas nem sempre foi assim. A educação passou a ser conduzida pelo Estado, ainda que com timidez, na Era Vargas (1930–1945), devido à transformação da economia de agroexportadora para industrial, o que exigiu o aperfeiçoamento dos trabalhadores para acompanhar as mudanças da época. Desde então, houve favorecimento de filhos de membros da classe burguesa, que possuíam maior facilidade para ir ao ensino secundário, impossibilitando o acesso à educação das crianças e dos adolescentes da classe trabalhadora. 8 O analfabetismo também é histórico no Brasil, com cerca de 40% de analfabetos na década de 1960, quando foi aprovada a primeira Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A economia agrária e a predominante moradia rural contribuíram para essa alta taxa de analfabetismo, já que não havia escolas rurais e, portanto, alunos dessas regiões tinham muitas dificuldades objetivas para chegar até a instituição de ensino na cidade (BITTAR; BITTAR, 2012). Nesse contexto, a prioridade dos pais estava em colocar as crianças para ajudar no sítio, nas plantações, e a escola ficava em segundo plano. Além disso, havia a distância de formação entre pais e filhos, sendo que os primeiros, em sua grande maioria, aprenderam a escrever somente o nome, ensinado por irmãos mais velhos. A partir da mudança de uma sociedade rural para urbana e da industrialização, a escola pública passou a ser ampliada e novos estabelecimentos de ensino foram construídos, principalmente no período da Ditadura Militar (1964–1985), pois era preciso que a população tivesse o mínimo de escolaridade para o avanço da economia. No entanto, havia um controle dos conteúdos e das atividades acadêmicas, e o foco das reformas educacionais nesse período estava na profissionalização. Houve nessa época a expansão das escolas físicas, mas o problema do analfabetismo continuou (BITTAR; BITTAR, 2012). Ainda segundo Bittar e Bittar (2012), buscando a inclusão de adultos que não tiveram letramento, o método de Paulo Freire, que se diferenciava dos métodos convencionais, estava sendo materializado no período anterior à Ditadura Militar, mas foi interrompido por esse regime político. Além disso, a universalização da educação básica não foi cumprida, e o Regime Militar foi encerrado com essa desigualdade de acesso à educação básica e altas taxas de analfabetismo. Foi somente com a redemocratização do Estado brasileiro e as novas legislações educacionaise de proteção à criança e ao adolescente, que culminaram na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança 9 e do Adolescente (ECA) de 1990, que a educação assumiu um caráter obrigatório e gratuito, preconizado pelo art. 53 do ECA. Atualmente, a educação é considerada um direito de todos, porém alguns elementos dificultam o processo de aprendizagem, principalmente nas escolas públicas de ensinos fundamental e médio, como a superlotação de salas de aula, as precárias condições físicas desses espaços e o inconsistente vínculo de trabalho dos professores, entre outros fatores. Esse cenário se torna diferente nas escolas privadas, com menor número de estudantes em sala, o que representa uma melhor possibilidade de aprendizagem. Ainda na rede privada, é possível contar com a existência de outros espaços para além das salas de aula, como laboratórios de áreas específicas, por exemplo. Essa diferença entre escolas públicas e particulares reflete no processo educativo e no acesso ao ensino superior, além dos demais processos de exclusão social. O relatório da Situação Mundial da Infância, produzido pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, 2019), demonstra que muitas crianças e adolescentes não estão recebendo alimentação adequadamente, além de apresentarem desnutrição e obesidade. O mesmo relatório aponta que a desnutrição e a subnutrição prejudicam a aprendizagem escolar, ocasionando reduzido desenvolvimento cognitivo, falta de atenção e baixo desempenho escolar. Há também as especificidades de cada território. Por exemplo, alunos que vivem em áreas de vulnerabilidade social, com altos índices de violência e tráfico de drogas, têm dificuldades em permanecer na escola, tanto pela falta de envolvimento e acompanhamento da família como pelas barreiras territoriais que dificultam o acesso à instituição. Quando uma criança ou um adolescente apresenta comportamentos prejudiciais ao seu aprendizado, bem como desinteresse pelos estudos, isso está intrinsicamente ligado ao contexto familiar e social no qual esse indivíduo está inserido. Situações de violência doméstica, conflito 10 familiar, negligência no cuidado e falta de acesso às políticas sociais são fatores que podem ocasionar a evasão escolar. Tais elementos, portanto, contribuem para o chamado fracasso escolar, e esses e outros processos de exclusão social são fruto das expressões da questão social. Segundo Sposati (2000), a forma mais superficial de conceituar o fracasso escolar seria apontar a não conclusão dos ensinos fundamental e médio. Trata-se de um problema que poderia ser resolvido com o aumento de vagas e com medidas de avaliação, mas ainda assim isso não seria suficiente para promover a inclusão social. Nesse sentido, de um lado temos crianças e jovens com suas realidades pessoais e familiares que permeiam o comportamento e o aproveitamento escolar, de modo a facilitar ou não a direção do sucesso escolar. A partir disso surgem variantes, que vão desde pertencer a uma família de baixa renda e numerosa, cujas condições financeiras impedem a manutenção de um membro na escola, de modo que o aluno precisa trabalhar para ajudar no sustento da família, até a falta de escolas em determinados bairros da cidade. Ao mesmo tempo, Sposati (2000) afirma que, além das particularidades de cada aluno, há o problema de caráter coletivo, como as escolas em péssimo estado de conservação e/ou com orientações pedagógicas excludentes. O poder público, em sua quase totalidade, encara o problema da educação de forma bancária, sob a ótica dos equipamentos escolares e descolando a atenção do território físico, social e de cidadania onde se instalam as escolas. Da mesma forma, a escola pública é vista como aquela destinada para os que não têm cidadania, não têm direitos. Por exemplo, as crianças e os adolescentes de classe média-alta que estudam em escolas privadas têm oportunidade de aprender e realizar atividades além dos conteúdos básicos, como natação, informática, atividades culturais, dança, entre outras, diferentemente dos alunos de 11 escola pública, que, salvo algumas exceções, não têm acesso à arte e à cultura. As salas de aulas lotadas, as precárias condições de trabalho dos professores e a má infraestrutura são elementos que dificultam a aprendizagem do aluno e contribuem para o seu analfabetismo funcional — dificuldade de leitura, interpretação de texto e na realização de operações matemáticas simples da vida cotidiana, apesar de ter frequentado a escola. O problema da evasão escolar também está relacionado com a defasagem idade-série — casos em que alunos precisam repetir a mesma série e, ao longo do caminho, acabam desanimando e desistindo de estudar. Em contrapartida, devido à fragilidade da política de educação, encontramos realidades escolares em que há alunos que não possuem condições de avançar de série, mas por decisão da equipe pedagógica acabam “passando de ano”, o que deixa um déficit em sua formação. Esse problema não é encontrado apenas em escolas públicas, mas também em colégios particulares, que são regidos pela lógica do mercado. De acordo com os dados do Indicador de Analfabetismo Funcional (Inaf) de 2018, 73% da população brasileira é alfabetizada e 29% é analfabeta funcional, cerca de 2% a mais que em 2015 (INAF, 2018). Isso se deve aos fatores já mencionados, relacionados com as condições sociais e econômicas das pessoas e a dificuldade de acesso à cultura e ao lazer, além dos obstáculos presentes no próprio processo de escolarização. Adultos que tiveram grande dificuldade de acesso à educação quando crianças contam hoje com um programa de escolarização de jovens e adultos, cujo acesso foi ampliado pelo governo a partir dos anos 1990. Com o objetivo de erradicar o analfabetismo, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) possibilitou que muitos adultos e idosos fossem alfabetizados. Entretanto, a EJA vem sendo relacionada à evasão escolar pelo fato de muitos alunos, após a reprovação de ano, enxergarem na EJA uma 12 possibilidade de concluir os estudos quando completarem a idade obrigatória para se matricularem (acima de 18 anos), desistindo, assim, do ensino regular. Portanto, apesar de ser uma possibilidade de diminuir o analfabetismo no Brasil, esse programa tem suas implicações, que sofrem também interferências das expressões da questão social. O fato é que a EJA isoladamente não resolverá o analfabetismo se não houver uma junção de ações intersetoriais a fim de intervir nas expressões da questão social. Essas expressões também afetam diretamente a formação da pessoa com deficiência, que, além de todos os fatores mencionados, também é parte de um grupo que historicamente seguiu em um caminho de desvantagem social. As relações de gênero, raça e renda também estão imbricadas na educação da pessoa com deficiência, uma vez que estudos mostram a baixa estimativa dessa população em concluir todo o percurso escolar. Isso se deve a insuficientes ações de inclusão social nas escolas, tanto na questão pedagógica quanto na infraestrutura, além de barreiras de linguagem, como é o caso das pessoas surdas, que necessitam de um intérprete de Libras (língua brasileira de sinais) para acompanharem as aulas nas escolas de ensino regular. Ou seja, os problemas enfrentados no âmbito educacional fazem parte de um conjunto de processos de exclusão social, fruto de uma sociedade desigual e que favorece pessoas inseridas no padrão estabelecido. A partir do exposto, você pôde entender um pouco sobre as questões de evasão escolar e analfabetismo funcional e tudo o que está implicado nesses elementos, que não caracterizam um fenômeno isolado, mas são consequências da reprodução da sociedade capitalista. Uma educação de qualidade é um dos fatores que contribuem para que indivíduos acessem o mercado de trabalho e reconheçam os seus direitos e deveres para o pleno exercício de sua cidadania. Portanto, a 13garantia de permanência de todas as crianças e adolescentes na escola é tão importante quanto o acesso a ela, e, por isso, cabem medidas de enfrentamento à descontinuidade da formação educacional. Para tanto, é necessário investir em metodologias capazes de facilitar a aprendizagem dos alunos, relacionando os conteúdos previstos com o contexto no qual eles estão inseridos. Além disso, é importante proporcionar conhecimento dos seus territórios, da história da cidade e do bairro onde moram, e incentivá-los a participar dos espaços políticos, de audiências públicas, da construção de planos e do exercício do controle social. À escola cabe incentivar o desenvolvimento da cidadania e a participação nos processos de decisão da política de educação, capacitando seus alunos para discutir assuntos que fazem parte de uma gestão democrática e de uma gestão escolar — das decisões simples às que fazem parte do currículo escolar, pois são formas de minimizar as relações de poder que predominam na sociedade capitalista. Os cursos de profissionalização e aqueles ofertados no contraturno escolar são maneiras de fortalecer a formação das crianças e dos adolescentes, preparando-os para o mercado de trabalho e possibilitando seu acesso ao direito ao emprego e à renda, ações que, articuladas com a política de assistência social, trabalho e renda, esporte e lazer, ampliam o horizonte dos estudantes. Sobre a discrepância de formação entre pais e filhos, Sposati (2000, p. 28) questiona: “não seria mais justo decodificar a linguagem do ensino, criando pontes com o universo das famílias, de modo que os pais possam compreender e acompanhar o processo de seus filhos?”. Assim, a formação dos estudantes envolveria a participação dos responsáveis, que serviria como um suporte, mas, mais do que isso, possibilitaria o reconhecimento dos alunos como sujeitos de direitos e despertaria neles a consciência de padrões básicos de dignidade humana. 14 As pessoas com deficiência, além de todo o contexto desigual em que estão inseridas, estão, ainda, em desvantagem pelo fato de a sociedade não ser inclusiva. De acordo como o Relatório da Situação Mundial da Infância de 2013, sobre as crianças e os adolescentes com deficiência, as mulheres com deficiência enfrentam o preconceito e as iniquidades não somente pela sua condição de deficiência, como também pelas relações de gênero, pelas barreiras e pelos limites impostos às mulheres de modo geral. O relatório aponta que elas têm menor chance de usufruir da educação e profissionalização e, consequentemente, de se inserir no mercado de trabalho (UNICEF, 2013). Por isso, na educação, é necessário que os profissionais sejam preparados para as suas especificidades e haja ampliação da acessibilidade, investimento em recursos e tecnologias assistivas, presença de intérprete de Libras e todo apoio possível para que elas tenham a mesma condição que os demais de alcançarem aproveitamento total em seu processo de aprendizagem. Gramsci (2001), intelectual italiano que exerceu influência sobre pensadores e educadores brasileiros, defendia que a transformação da sociedade poderia acontecer por meio de educação e cultura, pois as escolas seriam espaços de disseminação de informações, mas também de reflexões. Segundo ele, a escola deveria preparar todos os indivíduos com as mesmas oportunidades profissionais. Portanto, é preciso proporcionar uma formação humanista geral, que não apenas apresente conhecimentos cobrados em vestibulares e provas, mas ofereça o conhecimento da história cultural, do território, da arte, da cultura e do lazer. Ou seja, uma educação que possibilite que o indivíduo questione a sua realidade e participe de instâncias políticas que garantem que a população também decida sobre como será materializada a política de educação. Sposati (2000) afirma que a educação é o caminho mais curto para que todos saibam e exerçam a cidadania. 15 A política de educação por si só não garante a redução das desigualdades sociais e a transformação da sociedade, já que a sociedade capitalista ocasiona a desigualdade social. Porém, uma educação nessa perspectiva poderia proporcionar a formação de sujeitos pensantes, além de possibilitar o conhecimento dos caminhos para a ampliação da autonomia. Nesta ótica, a política de educação é uma área de inserção profissional na qual o assistente social tem a preocupação com a construção de um ensino de qualidade, com base na inclusão social pelos caminhos da educação para todos. A partir disso, fica claro que a escola é um caminho importante para o processo de socialização dos indivíduos, sendo o local onde acontece a articulação entre comunidade, família e Estado. Além disso, sabe-se que a prática educacional também serve como mecanismo de luta contra as desigualdades que foram geradas ao longo da história brasileira e se materializa como um instrumento de acesso à cidadania. Manifestações da questão social influenciam e determinam problemas e dificuldades como indisciplina, crise econômica, desagregação familiar, envolvimento com drogas, gravidez precoce, desinteresse do aluno, dentre outras questões emergentes que exigem a intervenção de uma equipe interdisciplinar e que ocasionam a evasão e o abandono escolar (SILVA; CARDOSO, 2013). Refletir sobre a questão e suas implicações na política de educação no Brasil pressupõe compreender que ela teve suas origens na relação contraditória entre capital e trabalho no período da Revolução Industrial. Desde então, a questão social vem atravessando a história e adquirindo novas roupagens, de acordo como o momento que se vivencia. Em tempos de capital financeiro, em que há a flexibilização da produção e do trabalho, a questão social tem se manifestado de diversas formas: desemprego estrutural, acirramento do trabalho informal sem carteira assinada, arrocho salarial, desmantelamento de movimentos sociais 16 e sindicais, desmonte de direitos sociais e regressão de direitos trabalhistas, corte de benefícios, dificuldades no acesso a políticas da seguridade social (saúde, assistência e previdência), entre outras (MARTINS, 2015). Assim, é importante ressaltar, novamente, que algumas expressões da questão social no espaço escolar são objeto de intervenção do assistente social, de acordo com suas atribuições privativas. Podemos citar como expressão da questão social vivenciada no ambiente escolar a violência, que é complexa e subjetiva, ocorrendo dentro e fora da escola e motivada por múltiplos fatores, como agressão física, degradação do ambiente escolar, ameaças, violência sexual, roubos, dificuldades de gestão escolar, entre outros, que se configuram como a causa de vários abandonos durante o processo de socialização escolar. A atuação profissional do assistente social nas políticas educacionais para enfrentamento da questão social deve ser realizada em consonância com o projeto ético-político da profissão. Nesse sentido, o profissional deve ter uma postura que afirme a educação em uma direção contra-hegemônica, promovendo uma visibilidade social e política ampla da realidade social brasileira, que considere as condições concretas de vida, trabalho e educação dos sujeitos com os quais atua em seu cotidiano profissional (MARTINS, 2015). No que diz respeito à dimensão educativa, o assistente social aborda os processos reflexivos que se relacionam à percepção objetiva e concreta da vida social, bem como as condições sociais e históricas que direcionam a vida em sociedade, com vistas a politizar o debate de todos os envolvidos no espaço escolar. Uma ação muito importante a ser desenvolvida pelo profissional é a articulação da política de educação com as demais políticas intersetoriais. Dessa forma, há um redimensionamento da relação da escola com a rede de proteção da criança, do adolescente e da família. Portanto, a articulação seria facilitada entre a escola e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS),17 o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), se necessário, e outras políticas sociais. Por fim, Martins (2015) aponta que é necessário unir esforços com os educadores a fim de construir alternativas de enfretamento das expressões da questão social, com o objetivo de preparar as gerações mais novas para a vida em sociedade, bem como formar cidadãos com visão crítica e conscientes de sua função na sociedade como sujeitos de direitos e protagonistas de sua própria história. Referências BITTAR, M.; BITTAR, M. História da educação no Brasil: a escola pública no processo de democratização da sociedade. Acta Scientiarum Education, v. 34, n. 2, 2012. BRASIL. Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília: Presidência da República, 2004. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília: D.O.U., 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. Acesso em: 9 maio 2022. BRASIL. Presidência da República. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília: D.O.U., 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ constituicao/constituicaocompilado.htm. Acesso em: 18 abr. 2022. GRAMSCI, A. Cadernos do cárcere. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2001. v. 2. GUERREIRO, E. M. B. R. A acessibilidade e a educação: um direito constitucional como base para um direito social da pessoa com deficiência. Revista Educação Especial, v. 25, n. 43, 2012. INAF. Indicador de Alfabetismo Funcional. Ação Educativa. Instituto Paulo Montenegro. INAF Brasil 2018. Resultados Preliminares. 2018. 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Nossa preocupação é discutir o papel do serviço social na escola, que intenta aproximar este equipamento público das realidades sociais de seus principais componentes, a saber, os alunos. É importante, portanto, compreender a ligação da cultura com o social, visto que o homem e as sociedades produzem culturas em sua interação com o mundo, bem como com os outros integrantes de determinado grupo social. 1. A concepção de cultura e sua relação com o indivíduo Falar em cultura na condição de categoria analítica é algo que demanda certos cuidados. A priori, é necessário considerar que essa categoria demonstra diversas concepções, além de vir mudando com o passar do tempo, a depender da matriz teórica à qual se refere. O que todos concordam, entretanto, é que o homem produz cultura. O homem, em nossa concepção, é um sujeito histórico, capaz de produzir e se reproduzir em condições determinadas, estando inserido em uma classe social. Esta versão concreta de homem é aquela que produz a cultura, que apresenta uma visão particular de mundo e a transmite, transformando a si mesmo e à realidade na qual se insere e é atuante. De igual modo, compreendemos que a cultura não é estática, mas se transforma na própria atuação do homem em seu grupo social, compreendida e evidenciada no processo histórico, conforme explica Bezerra (2006). A cultura se vincula à forma específica de produção da vida material de determinadas sociedade e época. Assim, a cultura e o trabalho repousam nas raízes do processo de desenvolvimento humano. Por meio do trabalho, o homem satisfaz suas necessidades de sobrevivência 21 para a conservação da existência. Uma vez satisfeitas as necessidades mais básicas, surgem outras classes de necessidades, que são evidenciadas por diversos teóricos (Maslow, Herzberg, entre outros), e sua realização forma o primeiro ato histórico (SANTOS, 2014). Trotsky, em função da ideia de que a relação entre o ser humano e a natureza, historicamente, é de dominação por meio do trabalho, considerava como cultura tudo o que foi criado, conquistado e construído pela humanidade ao longo da história, em contraponto ao que foi dado pela natureza, servindo para aumentar o conhecimento e a habilidade para subjugá-la. De acordo com o autor, “a cultura se desenvolveu graças à luta do homem contra a natureza, por sua existência, pelas melhorias de sua condição de vida” (TROTSKY, 1981, p. 52). De um ponto de vista histórico-antropológico, a civilização surgiu com o aparecimento da cultura, a partir do momento em que grupamentos humanos passaram a criar e transmitir formas de conhecimento, valores e representação. A palavra cultura é, de acordo com Williams (1992), de origem romana, originária da expressão latina colere, que tem seu significado relacionado ao cultivo, ao trabalho do homem com a natureza, a fim de torná-la passível da habitação pelo homem. A partir da metade do século XVIII, juntamente com a instalação das sociedades modernas, ocorreu uma grande mudança que relacionou a categoria cultura com “cultura de alguma coisa”, o que ampliou seu significado. Com a difusão da Antropologia, resgatou-se o uso do termo cultura para definir os modos de vida ecostumes de determinado grupo social, enfatizando os comportamentos padronizados. A Antropologia atua com um conceito acerca de cultura que se refere aos aspectos que são peculiares à existência em sociedade de um povo, ou até mesmo de grupos sociais. A amplitude do conceito se dá porque se trata da somatória das características encontradas em uma realidade social, que abarca aspectos simbólicos e materiais. Em termos antropológicos, 22 portanto, a cultura pode ser definida como um sistema comum de significações, do qual fazem parte conteúdos explícitos e implícitos que, de forma deliberada ou não, são aceitos e passam a ser reproduzidos através das gerações por meio de membros de um mesmo grupo social. Segundo este princípio, a cultura pode ser diversa em cada grupamento social, sendo difícil identificar sua abrangência. Em um mesmo país se observam diversas culturas, nascidas e cultivadas por determinado grupamento social. Com a Sociologia, surgiu a abordagem de cultura que remete à dimensão do conhecimento, por parte de uma sociedade, sobre si mesma e suas próprias formas de expressão, em que se pode citar a literatura, a arte, a ciência, a linguagem etc. Tal concepção tem foco no resgate da riqueza, diversidade e pluralidade das manifestações e criações dos indivíduos em sua práxis criadora. Gramsci (2002) ressalta que a cultura não implica simplesmente a aquisição de conhecimentos, mas também o posicionamento crítico mediante a história, na busca contínua da conquista da liberdade. A cultura, para o autor, tem relação com a transformação da realidade, visto que, por meio da conquista de uma consciência superior, cada indivíduo consegue compreender seu valor histórico, bem como sua própria função na vida, seus próprios deveres e direitos. Johan Gottfried Herder foi aluno de Kant e Hamann e um notável autor, sendo considerado uma das mais importantes figuras da Alemanha e da Europa no século XVIII. Compreendendo a cultura como o próprio fluxo da energia moral que mantém a sociedade intacta, foi o precursor do uso do significado plural, culturas, a fim de diferenciá-lo de quaisquer sentidos singulares de civilização, apontando assim para uma diversidade de culturas, na qual cada uma exprime uma parcela da riqueza de toda a humanidade. Pode-se concluir, em tal contexto ampliado, que a cultura denota um conjunto de conquistas intelectuais, artísticas e morais que formam o patrimônio de determinada nação, 23 considerado como adquirido em definitivo e fundador de sua unidade (BEZERRA, 2006). Raymond Williams é tido como um dos maiores sociólogos da cultura da atualidade, sendo precursor dos estudos culturais britânicos. Sua forma de abordagem tem enfoque na compreensão da cultura como categoria- chave para a investigação social, bem como na perspectiva da dimensão material e produtiva da cultura, na qual se busca entendê-la como um espaço de luta e transformação por meio de bases históricas e materiais. Um dos alicerces de Williams se relaciona diretamente com sua experiência em sala de aula com assuntos referentes às transformações culturais ocorridas na Inglaterra na década de 1950, período no qual houve o fortalecimento da indústria cultural, o que favoreceu a expansão da comunicação em massa e impôs métodos de reprodução de bens padronizados, a fim de suprir demandas que, aparentemente, eram comuns a todos. Williams (1992, p. 13) define a cultura como um conjunto de significados “mediante o qual necessariamente uma dada ordem social é comunicada, reproduzida, vivenciada e estudada”, afirmando assim que a cultura não denota uma dimensão ideal na qual são produzidas outras atividades sociais, mas constitui uma parte importante de todas as atividades da vida em sociedade. Portanto, pode-se compreender a cultura como as práticas significativas da somatória de uma forma de vida, sendo dotada de caráter ativo, histórico e dinâmico, como o mover das experiências de vida, visto que abarca as relações entre sujeitos experienciando e vivendo suas condições de existência. O entendimento de Williams (2007) traz em si a ideia de que a cultura pode e deve ser analisada sob diferentes enfoques, partindo das relações que são estabelecidas. Segundo as palavras do próprio autor, “a cultura no sentido restritivo das artes sempre foi produzida pela ou para uma classe dominante” (CEVASCO, 2001, p. 51). Ao considerar essa relação, Williams (2007) propõe o pensamento sobre novas maneiras 24 de abrir possibilidade para uma cultura comum, já que, de acordo com Cevasco (2001), a reflexão acerca da cultura abarca diferentes reações às transformações na organização da vida social. Neste sentido, Bezerra (2006, p. 45) complementa que a cultura passa a ser concebida como “uma classificação geral de instituições e práticas que, embora sociais, constituíam significados e valores simbólicos de uma dada sociedade”. A cultura é entendida, então, como uma parte da totalidade social, que se insere em um emaranhado de relações sociais. Assim, a cultura é, ainda de acordo com o autor: [...] o espaço dinâmico no qual a consciência social constrói este conhecimento e esta reflexão acerca da realidade histórica passada, presente e futura, onde o homem se percebe com novas necessidades e desafios para além da intervenção sobre a natureza. (BEZERRA, 2006, p. 45) 2. A cultura no exercício profissional do serviço social É da fonte da compreensão de cultura, que é ampla e visa a toda a sociedade, que bebemos para analisar esta categoria e relacioná-la com o serviço social brasileiro. Nesse contexto, o assistente social passa a tomar consciência da relevância do conhecimento acerca dos costumes e das formas de vida, ou seja, das culturas das comunidades com as quais desenvolve seu trabalho. Compreende-se, a partir desse ponto, que a cultura é de suma importância para se pensar a profissão, “seja para a intervenção do(a) assistente social, para o conhecimento dos sujeitos com os quais trabalhamos, bem como para a compreensão da realidade concreta” (MOLJO, 2008, p. 10). Construímos cultura toda vez que adicionamos significados não apenas imediatistas e utilitários a nossas construções e ações. Pode-se dizer, com base na evolução que acabamos de abordar e em nosso contexto 25 atual, que a cultura é uma dimensão do social, assim como o político e o econômico. Portanto, todo fato cultural é um fato social. A relação com o serviço social se dá no sentido de que os assistentes sociais, trabalhando com o social, o fazem de acordo com as demandas observadas em diversas situações, pessoas e suas histórias. Desta forma, um assistente social pode registrar potencialidades culturais, investindo nelas suas ações (COUTO, 2017). Considerando tal fato, neste ponto refletimos sobre a educação, a escola, sua relação com a cultura e a posição do serviço social nesse contexto. O reconhecimento da multiculturalidade da sociedade evidencia as muitas raízes culturais que fazem parte de um contexto como a sala de aula, enfatizando tal relação que carece de melhor compreensão. Considerando a definição antropológica de cultura, na qual os conteúdos são transmitidos por membros de um mesmo grupo social, define-se como cultura escolar a rede de significações compartilhadas entre os atores sociais que participam e interagem entre si na construção do cotidiano da escola. A cultura formada no ambiente escolar é construída pela interação entre, de um lado, currículos, programas, legislações e normas; e de outro, os resultados da ação empreendida por atores ligados a seu desenvolvimento, a saber, os gestores, funcionários, professores, alunos e a comunidade (SILVA, 2006). Por meio da educação, o ser humano se orienta espiritual e socialmente, obtendo a capacidade de transformar o mundo a seu redor. Tal habilidade serviu à sociedade desde seus tempos mais remotos, e continuará servindo no futuro. De acordo com Santos (2012, p. 124), “a educaçãoé imprescindível para que todos os indivíduos tenham acesso à cultura e possam fazer parte do mundo, compreendendo a realidade que se inserem e transformando sua própria história de vida”. Corroborando a visão de Santos, Gramsci (2002) afirmava que o processo educativo envolve espaços diversos (a família, o sujeito, as 26 organizações de cultura, a política e a escola), além de meios como o convívio social, a práxis política, o estudo e o conhecimento científico, das artes e das línguas. Entretanto, a escola ocupa um lugar privilegiado, considerando a função de inserir os jovens na atividade social após tê- los conduzido a certo nível de maturidade e capacidade, bem como a certa autonomia em relação à sociedade. A educação, neste sentido, é um processo social vivenciado no ambiente da sociedade civil e protagonizado por vários sujeitos sociais, sendo também uma área estratégica de ação da autoridade estatal. A luta pela educação, portanto, é uma das expressões da questão social, que visa ao atendimento de uma necessidade social, sendo então reconhecida como um direito de todos. A função social da escola, desse modo, ultrapassa a simples prestação de serviços de educação em uma estrutura burocrática, considerando que os indivíduos são fundamentais em todos os seus processos, interagindo e transmitindo conhecimento entre si. A escola tem a capacidade de produzir cultura, capacidade esta que é derivada da elaboração de uma dinâmica interna que parte dos discursos, das linguagens e das formas de comunicação. Sabe-se que é no interior das escolas, no cotidiano dos alunos e de suas famílias, que se configuram expressões da questão social, nas quais se abarcam o desemprego, o trabalho infanto-juvenil, o subemprego, a fome, a desnutrição, a baixa renda, os problemas de saúde, as drogas, a negligência familiar, a pobreza, a violência doméstica, entre outros problemas. Tais demandas, tão emergentes e resultantes da questão social, são pontos que justificam a presença do profissional de serviço social no contexto educacional, inserido nesse espaço com a finalidade de receber e encaminhar as demandas. Analisando as instituições escolares, António Nóvoa (1999) propõe o argumento de que as escolas se constituem em um território espacial, 27 mas também cultural, de forma que a cultura se manifesta nas relações sociais, e a identidade cultural se forma em modos particulares de trabalhar e interagir em seu cotidiano. As crenças e expectativas dos atores do cotidiano escolar podem fortalecer ou expressar resistências aos processos em que se desenvolvem. Neste contexto, convém a reflexão sobre o fato de que a escola é um dos principais equipamentos sociais, sendo desafiada diariamente em articular o conhecimento trabalhado em seu território com a realidade social de cada aluno, ou seja, suas necessidades e problemas sociais. Tem-se, portanto, uma demanda de que a escola passe a conhecer a realidade social de seus principais atores, a saber, os alunos, encurtando assim a distância que separa essa instituição do contexto familiar (CANDAU, 2002). Piana (2009) compreende a educação como uma área relativamente nova de atuação no serviço social, que trabalha com uma visão orientada a sujeitos potencialmente autônomos, capazes de promover cultura. Apesar da ampla gama de problemas sociais com os quais o assistente social deve lidar no contexto educacional, sua atuação nesse ambiente não se resume a isso. O assistente social trabalha também com ações educativas, compreendendo que a educação representa uma política social que tem como objetivo e compromisso a garantia dos direitos sociais. Entre as ações do serviço social na escola, que a favorecem enquanto ambiente produtor e disseminador de cultura, estão o estímulo à ampliação do acervo de conhecimento e informações sobre o social na comunidade escolar, o incentivo à vivência e ao aprendizado do processo democrático no âmbito da escola e com a comunidade, o fortalecimento de ações coletivas e a efetivação de pesquisas que possam contribuir com a análise da realidade social dos alunos e de suas famílias (MARTINS, 1999). 28 O serviço social, conforme explica Gerardi (2000), se relaciona intimamente com a educação, visto que tem o objetivo de ultrapassar as desigualdades sociais, orientar para a cidadania e emancipação do indivíduo e promover o direito de todos. O espaço do serviço social no cenário escolar cresce gradativamente. Ainda que com poucos avanços, consegue demonstrar sua expressividade e a importância de sua atuação na articulação entre o ambiente escolar e a realidade social dos educandos. Importa mencionar o grande valor que possui o assistente social na área da educação com enfoque na cultura. A introdução dos profissionais de serviço social no contexto educacional foi marcante desde a década de 1930, mas foi apenas em 1990 que houve de fato a criação de políticas sociais, responsável pela conquista do serviço social na educação, bem como a ampliação da exigência de tais profissionais nesse contexto (ROSSA, 2011). De acordo com o art. 1° da Lei n° 9.394/1996, chamada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a educação “abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. Entretanto, em países desiguais como o Brasil, nos quais muitas crianças são obrigadas a contribuir com a complementação da renda familiar, direitos como o acesso à educação e a própria cultura são constantemente violados, restando prejudicada a dignidade. Observa- se, portanto, uma enorme lacuna entre o que expressam os dispositivos legais e o que é visto na realidade social, que é o campo de atuação do assistente social. Neste sentido, o papel do serviço social mostra sua relevância na educação, levando em consideração que intervém em ações associadas a diagnósticos sociais, propondo assim alternativas aos problemas experienciados pelo aluno e por sua família, o que contribui para o sucesso educacional. 29 No campo cultural, se a escola é um ambiente produtor e disseminador de cultura, a permanência do aluno deve ser estimulada por meio da dinâmica do apoio sobre suas questões sociais, a fim de contribuir de forma positiva para a valência dos direitos educacionais. Gerardi (2000, p. 50) complementa ainda que “cabe ao Serviço Social na área da educação propiciar o acesso, a frequência e viabilizar melhoria de condições de vida imprescindíveis ao bom desempenho escolar”. A discussão acerca da importância do serviço social na educação implica abrir um leque de assuntos relacionados, como a realidade cultural, social e política, que muitas vezes não são abordados no cotidiano, ficando à mercê das políticas educacionais. Em síntese, conclui-se que a formação e a transmissão da cultura não podem ser consideradas processos estáticos ou isolados, pois ocorrem continuamente de acordo com a atuação do homem em determinado meio social. Na educação, em especial no ambiente escolar, também se cria e transmite cultura entre os diversos atores que fazem parte do processo educacional, a saber, os professores, os gestores, os funcionários, os alunos, as famílias e a sociedade em geral. Em relação ao serviço social na educação, sua importância se dá no papel de administrar os problemas sociais que são encontrados no âmbito educacional. O serviço social escolar se apresenta com a finalidade de contribuir com o enfrentamento da problemática social que é vivenciada no cotidiano escolar, seja através de orientações, informações, encaminhamentos ou projetos. Apenas por meio do rompimento das barreiras da desigualdade social e da garantia dos direitos sociais é possível tornar o ambiente escolar um meio no qual se possa de fato produzir e disseminar uma cultura da qual participem todos os segmentosda sociedade. 30 Referências BEZERRA, C. S. Globalização e Cultura: caminhos e descaminhos para o nacional- popular na era da globalização. 2006. Tese (Doutorado em Serviço Social) – Escola de Serviço Social, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2006. BRASIL. Presidência da República. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. 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A. dos. Serviço Social e cultura: processos criativos na mediação do trabalho profissional. 2014. 162 p. Dissertação (Mestrado em Serviço Social)– Pontifícia Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. Disponível em: https://tede2. pucsp.br/handle/handle/17681. Acesso em: 20 abr. 2022. SANTOS, N. S. dos. Serviço Social e educação: contribuições do assistente social na escola. Vivências, Erechim, v. 8, n. 15, p. 124-134, 2012. Disponível em: https:// docplayer.com.br/4145116-Servico-social-e-educacao-contribuicoes-do-assistente- social-na-escola.html. Acesso em: 20 abr. 2022. SILVA, F. de C. T. Cultura escolar: quadro conceitual e possibilidades de pesquisa. Educar, Curitiba, n. 28, p. 201-216, 2006. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ er/a/w6kJ5hdSGVRnhRWTVP68D3P/?lang=pt. Acesso em: 20 abr. 2022. TROTSKY, L. Cultura e socialismo. In: MIRANDA, O. Leon Trotsky: Política. São Paulo: Ática, 1981. WILLIAMS, R. Cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1992. WILLIAMS, R. 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O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social Nesta Leitura Digital você conhecerá aspectos históricos e atuais das famílias, identificará como desenvolver o trabalho com famílias em situação de vulnerabilidade social e entenderá a contribuição do serviço social no trabalho com as famílias na contemporaneidade. Trabalhar com famílias é algo permeado de desafios, contudo, oferece muitas possibilidades e potencialidades de atuação, sobretudo no âmbito das políticas sociais para a garantia de direitos e a superação de vulnerabilidades. 1.1 A família e a intervenção do assistente social Do ponto de vista histórico, a família é a primeira forma de organização social, sendo composta por indivíduos que possuem relações comuns ou traços afetivos. Ela surgiu há aproximadamente 4.600 anos. De acordo com Barreto (2014), na Antiguidade, não havia relações afetivas entre os membros da família. A união acontecia para a “conservação de bens, a prática comum de um ofício e, nos casos de crise, a preservação da honra e da vida” (BARRETO, 2014, p. 206). Em relação aos filhos, o autor assinala que não vivenciavam a infância, e assim que adquiriam porte físico para trabalhar, acompanhavam os adultos nas tarefas domésticas. Além disso, havia muita diferença entre filhos e filhas, sendo que estas, ao se casarem, deixavam de fazer parte da família de origem e não tinham direitos a bens, o que cabia apenas aos homens. No entanto, com o passar dos séculos, a família sofreu mudanças em sua dinâmica e em sua composição. Um aspecto marcante dessa evolução foi a influência da Igreja Católica, que passou a determinar a formação das famílias a partir de cerimônias religiosas, tornando o casamento um sacramento. Homem e mulher constituiriam, então, um único ser físico e indissociável do ponto de vista da religião. Além disso, 34 somente a morte poderia desfazer a união estabelecida (BARRETO, 2014). Barreto (2014) destaca ainda que, após esse período, as famílias passaram a se formar não apenas pelo sacramento da Igreja, mas também por laços de afeto, nascendo assim a família moderna. O autor aponta que, nesse contexto, a convivência entre os membros passoua ser valorizada, e a família tornou-se idealizada como um círculo em que os sentimentos e valores se fazem presentes, sentido que permanece até os dias atuais. Oliveira (2012) afirma que a evolução da família, passando da organização inicial até chegar à família moderna, por muito tempo foi restrita aos nobres, burgueses e indivíduos considerados ricos na sociedade. No entanto, com o advento da escola, a valorização da família por parte de instituições como a Igreja, o respeito à privacidade dos membros familiares e a manutenção dos filhos próximos aos pais, a família nuclear começou a se estruturar e a vida familiar passou a se estender para toda a sociedade. Você ainda deve considerar que a industrialização foi um elemento determinante para a forma como as famílias se estruturam. Com o surgimento da oferta de trabalho nas fábricas e o desenvolvimento das cidades, as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, deixando de se dedicar exclusivamente às tarefas do lar. Assim, novos papéis sociais surgiram e sistemas antigos passaram a ser questionados (CHRISTIANO; NUNES, 2013). Nas décadas de 1960 e 1970, as mulheres passaram a utilizar pílulas anticoncepcionais, o que fez com que suas vidas deixassem de ser atreladas à maternidade. Elas também adquiriram mais autonomia e novas possibilidades na sociedade que se desenvolvia. Além disso, o divórcio teve papel essencial na vida das mulheres. Ele foi legalizado 35 no Brasil em 1977, proporcionando mudanças no interior das famílias (CHRISTIANO; NUNES, 2013). Assim, a família passou por muitas alterações ao longo do tempo. Hoje, há inúmeros conceitos que giram em torno dessa instituição social. As diversas transformações da família envolvem tanto a sua dinâmica, a sua composição e o tipo de relações estabelecidas entre seus membros quanto as normas de sociabilidade externas (OLIVEIRA, 2012). À medida que a sociedade foi se desenvolvendo, portanto, a família foi se estruturando de diferentes maneiras. A família nuclear, composta por pai, mãe e filhos, deixou de prevalecer, de modo que muitos outros arranjos podem ser encontrados na sociedade contemporânea. Devido a essa variedade de arranjos familiares, não é possível dizer que há uma única definição para a família. Mioto (1997 apud CHRISTIANO; NUNES, 2013, p. 40) define como família o “núcleo de pessoas que convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou menos longo e se acham unidas (ou não) por laços consanguíneos”. Segundo Sarti, Barbosa e Suarez (2006), famílias são pessoas com quem se pode contar ou em quem é possível confiar. Ou seja, a família é composta por indivíduos com os quais se estabelecem laços de solidariedade e obrigações, e as relações de afeto se desenvolvem em meio a essa dinâmica. Hoje, o serviço social tem nas famílias o seu principal foco de intervenção. Portanto, é imprescindível que você reconheça as diferentes conceituações e estruturas das famílias para, assim, desenvolver a sua atuação profissional. Mioto (2010) considera que o assistente social deve inicialmente identificar as principais necessidades apresentadas pelas famílias, trabalhando para efetivar uma mudança na vida delas. A ideia é que as famílias consigam desenvolver os recursos necessários para a sua emancipação e para obter maior qualidade de vida. 36 Mioto (2010) também afirma que é necessário pensar a família não apenas do ponto de vista das necessidades individuais. É preciso entender que a situação vivenciada não é simplesmente responsabilidade das famílias, mas resultado de um cenário de desigualdades sociais impulsionadas pelo sistema neoliberal e pelo capitalismo vigentes. 1.2 O trabalho com famílias em situação de vulnerabilidade social As famílias em situação de vulnerabilidade social são o maior público do serviço social. Assim, é de extrema importância o trabalho social realizado com elas. Sua efetividade tem repercussões nas relações sociais e na sociedade como um todo. O trabalho social com famílias é permeado de desafios e possibilidades. Ele ocorre em meio às vulnerabilidades e potencialidades das famílias e das políticas públicas e sociais para o atendimento das demandas apresentadas. Nesse sentido, você pode considerar algumas estratégias para a execução do trabalho social com famílias. Além disso, há elementos metodológicos que direcionam o profissional no decorrer das intervenções, com o objetivo de alcançar os resultados traçados em concordância com a família atendida. A estrutura que a família apresenta na contemporaneidade, com suas distintas formas, se relaciona intimamente com as situações vivenciadas por seus membros. As respostas às diferentes situações familiares são o campo de atuação dos profissionais de serviço social. Você deve pensar, desde o princípio, que todo e qualquer trabalho social direcionado às famílias precisa ser sistemático, processual e contínuo (BAPTISTA, 2010). Assim, a dimensão pedagógica deve estar presente durante todo o processo de acompanhamento e atendimento, já que todos os indivíduos são capazes de aprender e ensinar. Isso reforça a 37 capacidade do sujeito, bem como o estimula a exercer sua cidadania, além de contribuir para o aumento da autoestima, aspectos importantes durante o processo de mudança de sua condição de vulnerabilidade social. Para tanto, é imprescindível que você apoie as pessoas em seus processos de empoderamento. Elas precisam entender sua condição socioeconômica para superá-la. Tomar conhecimento da própria situação vai ser elemento impulsionador da transformação desejada, no sentido de passar a ser um cidadão ativo que exerce sua cidadania e solucionador das dificuldades existentes no âmbito da família. Conforme aponta Baptista (2010, p. 125), cabe ao profissional “construir sua intervenção acreditando na potencialidade das pessoas da comunidade”, em um objetivo de empoderamento das relações sociais comunitárias e em articulação com organizações sociais já existentes na própria comunidade. Por mais desafiadoras e complexas que pareçam ser algumas realidades sociais em que famílias estão inseridas, permeadas de precarização, violência e exclusão, há no âmbito da família muitas potencialidades para serem exploradas pelo profissional durante sua prática, utilizando- se das políticas públicas. A ideia é impulsionar iniciativas de resiliência, garantia dos vínculos afetivos e convivência familiar e comunitária. Cabe a você, profissional de serviço social, identificar essas potencialidades. Sobre os desafios dos assistentes sociais, Iamamoto (2007, p. 18) destaca que: [...] os Assistentes Sociais são desafiados neste tempo de divisas, de gente cortada em suas possibilidades de trabalho e de obter meios de sobrevivência, ameaçada na própria vida. Tempos de crise, em que cresce o desemprego, o subemprego, a luta por meios para sobreviver no campo e na cidade. Tempos extremamente difíceis para todos aqueles que vivem do trabalho: para a defesa do trabalho e para a organização dos trabalhadores. 38 Assim sendo, o trabalho social feito com famílias é um desafio enorme para o assistente social, uma vez que as suas intervenções podem provocar mudanças e a superação das vulnerabilidades sociais. Desse modo, o seu agir profissional tem o poder de possibilitar a emancipação e o desenvolvimento da cidadania de muitas famílias. 1.3 Serviço social e sua atuação com as famílias na contemporaneidade A atuação do serviço social com as famílias vulneráveis na contemporaneidade é emergente e premente. Afinal, são especificamente as famílias que estão passando por situações de vulnerabilidade e risco social que precisam urgentemente de uma atuação centrada na ação transformadora e da proteção do Estado, principalmente nos casos em que há a necessidade de estarem inseridas no mercado de trabalho de forma atuante, para a superação das dificuldades econômicas. Nesse sentido, o assistente social é chamado aintervir nessas realidades através do seu arcabouço teórico- metodológico e de suas competências privativas, articulando as políticas públicas e sociais e possibilitando que os membros das famílias sejam operantes no seu processo de superação das vulnerabilidades. Atualmente, a família desempenha papel central nas políticas públicas. Ela é objeto, sujeito e instrumento de tais políticas. Essa realidade acontece em um sentido de contradição entre o capital e o trabalho. O Estado passa a ser máximo para o capital e mínimo para o social. Desse modo, os investimentos dedicados às necessidades são reduzidos ao mínimo necessário, e a responsabilidade pelo sustento e bem- estar dos indivíduos deixa de ser do Estado e passa a ser das pessoas individualmente. Ou seja, as responsabilidades do Estado com a questão social são transferidas para as famílias. 39 Outro aspecto importante no trabalho com famílias é a exigência de que o profissional tenha cuidado para não deixar que suas referências familiares se misturem com a situação da família atendida. Faermann (2012) aponta que muitos profissionais acabam trabalhando com famílias a partir de suas próprias referências. Merece destaque ainda o fato de que o profissional deve basear sua análise e sua intervenção em uma dimensão crítica, a partir da perspectiva da totalidade (FAERMANN, 2012). Nesse sentido, o serviço social realiza intervenções (alicerçadas pelos eixos ético-político, teórico-metodológico e técnico-operativo de atuação) que buscam viabilizar e garantir os direitos das famílias e indivíduos atendidos de forma individual ou coletiva. Isso acontece com os objetivos de possibilitar a emancipação e de transformar as potencialidades da família em acesso aos direitos via políticas públicas. Veja algumas das intervenções que o assistente social pode realizar: As ações socioeducativas estão relacionadas àquelas que, através da informação, da reflexão ou mesmo da relação, visam provocar mudanças (valores, modos de vida). [...] As ações periciais são aquelas que, através do estudo e da avaliação das situações familiares, visam à emissão de um parecer social para outrem. As ações socioassistenciais se relacionam a toda ação de provimento e de sustentação para atendimento de necessidades das famílias usuárias. As ações de acolhimento e apoio socioinstitucional consistiriam, como o próprio nome indica, no acolhimento e apoio e na articulação de recursos através da ativação, integração e modificação das redes sociais e de serviços para atender às demandas familiares. (MIOTO, 2004, p. 10) Em qualquer ação profissional, o seu objetivo maior deve ser sempre o atendimento às necessidades das famílias, como também a promoção e ampliação dos seus direitos. As famílias não devem ser responsabilizadas por suas mazelas. Sobretudo, é preciso buscar uma forma de pressionar o Estado para que ele assuma o seu papel de proteção nas situações de vulnerabilidade social. Nesse sentido, 40 é imprescindível que ocorra uma intervenção visando ampliar a capacidade de emancipação e a autonomia, buscando a superação das vulnerabilidades. A atuação do assistente social deve ser pautada por significados e condutas, partindo da noção de que as subjetividades podem ser alteradas pelas práticas sociais, assim como pelas situações objetivas fornecidas pelas políticas públicas como direitos, pela apropriação e produção de novos objetivos pessoais e pelo compromisso coletivo em buscar melhores condições de vida. Por isso, é tão importante que o assistente social faça o processo de reflexão e análise do seu trabalho, para que esteja sempre alinhado ao projeto ético-político da profissão e, dessa forma, realize um trabalho articulado com os diferentes segmentos da sociedade, mas principalmente com grupos que compõem o território específico de sua atuação. Nesse sentido, com a análise frequente das necessidades e demandas já postas em pauta pela comunidade, é possível que o profissional de serviço social execute, implemente, planeje e avalie as políticas públicas, visando efetivar novas conquistas para os cidadãos. Portanto, no trabalho interventivo do assistente social, em especial naquele destinado às necessidades familiares, a máxima de sua atuação é buscar sobrepor as famílias ao sistema estatal que exclui os mais vulneráveis do acesso aos direitos. Os assistentes sociais, por meio de sua intervenção, precisam ser os agentes incentivadores das mudanças sociais. Com a atuação dos profissionais, as famílias até então em estado de fragilidade e vulnerabilidade social passam a ser protagonistas da própria história, da cidadania e dos direitos sociais. 41 Referências BAPTISTA, N. de Q. Metodologia de trabalho social com famílias. In: ACOSTA, A. R.; VITALE, M. A. F. (org.). Família: redes, laços e políticas sociais. 5. ed. São Paulo: Cortez, 2010. BARRETO, L. S. Evolução histórica e legislativa da família. 10 Anos do Código Civil: Aplicação, Acertos, Desacertos e Novos Rumos. v. 1. [S. l.: s. n.], 2014. Série Aperfeiçoamento de Magistrados. CHRISTIANO, R. M.; NUNES, N. R. A. A família na contemporaneidade: os desafios para o trabalho do serviço social. Em Debate, Florianópolis, n. 11, p. 32-56, 2013. Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/26982/26982.PDF. Acesso em: 20 abr. 2022. FAERMANN, L. A. A intervenção profissional do assistente social junto às famílias. Serviço Social & Realidade, Franca, v. 21, n. 2, p. 125–140, 2012. Disponível em: https://seer.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/view/2448. Acesso em: 20 abr. 2022. IAMAMOTO, M. V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2007. MIOTO, R. C. T. Trabalho com famílias: um desafio para os assistentes sociais. Revista Virtual Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 3, n. 1, dez. 2004. Disponível em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/979. Acesso em: 20 abr. 2022. MIOTO, R. C. T. Família e Política Social: uma introdução ao debate sobre os processos de responsabilização das famílias no contexto dos serviços públicos. XII Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social/ENPESS. 2010. OLIVEIRA, C. B. A centralidade da família na política nacional de assistência social: um debate sobre a matricialidade sociofamiliar. 2012. 69 p. Trabalho de Conclusão (Graduação em Serviço Social)–Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/ handle/123456789/103583. Acesso em: 15 fev. 2022. SARTI, C. A.; BARBOSA, R. M.; SUAREZ, M. M. Violência e gênero: vítimas demarcadas. Physis, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 167–183, 2006. Disponível em: https://www. scielo.br/j/physis/a/Dv6BxdLhJRFm9RkM3vhMqDd/abstract/?lang=pt. Acesso em: 20 abr. 2022. TEIXEIRA, S. M. Política Social contemporânea: a família como referência para as Políticas Sociais e para o trabalho social. In: MIOTO, R. C. T.; CAMPOS, M. S.; CARLOTO, C. M. (org.). Familismo: direitos e cidadania. Contradições da política social. São Paulo: Cortez, 2015. 42 Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais Autoria: Warllon de Souza Barcellos Leitura crítica: Flaviana Mello Objetivos • Explicar a questão social na política educacional. • Apontar como as expressões da questão social se manifestam na política educacional. • Analisar o trabalho do assistente social na política de educação. 43 1. Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais Através deste conteúdo você será capaz de entender como a questão social se manifesta na política de educação, bem como analisar o trabalho do assistente nesse mesmo âmbito. A atuação do serviço social na política de educação teve seu início na década de 1930, quando as assistentes sociais pensavam as suas ações a partir do viés conservador da matriz positivista, ou seja, a sociedade estava harmoniosae o indivíduo deveria adaptar-se; portanto, o trabalho social era desenvolvido na perspectiva moralizante e de ajuste social. O assistente social é um profissional dotado de habilidades e competências para atuar nas políticas educacionais, por ter desenvolvido um arcabouço teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo para compreender a essência das demandas que emergem no ambiente educacional a partir da leitura crítica da realidade. A atuação profissional do serviço social é de cunho educativo e se dá nas diversas políticas sociais. Entretanto, especificamente, sua atuação na política de educação se inicia com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996. A partir disso, o profissional conseguiu articular, junto com os educadores e outras políticas setoriais, o atendimento das demandas em sua totalidade. 2. As manifestações da questão social nas políticas educacionais O serviço social, que consiste em uma profissão inserida na divisão sociotécnica do trabalho, atravessou um período de amadurecimento teórico-metodológico que lhe possibilitou construir um arcabouço teórico que refletisse a realidade brasileira a partir da aproximação 44 com a teoria social crítica. A instauração do Código de Ética, em 1993, fundamentado na teoria social crítica, permitiu que o serviço social pensasse um projeto profissional e societário diferente do que estava em curso até então, com base em um projeto ético-político vinculado a uma ideia de sociedade mais justa e igualitária, que tem nas expressões da questão social seu objeto de trabalho. Nessa ótica, o assistente social é um profissional habilitado a atuar no sentido da ampliação e consolidação dos direitos sociais, com vistas a reafirmar seu compromisso com a classe trabalhadora no contexto das políticas sociais. A política de educação é uma das áreas de inserção profissional em que o assistente social tem a preocupação com a construção de um ensino de qualidade, com base na inclusão social pelos caminhos da educação para todos. A questão social enquanto objeto de intervenção do assistente social desencadeia uma série de desafios para a atuação dos assistentes sociais. Esses desafios emergem das expressões da questão social que se manifestam na vida dos usuários atendidos, de modo individual e/ ou coletivamente, e como esses sujeitos lidam com essas questões – se esses sujeitos manifestam resistência, luta, rebelam-se contra essas manifestações ou se acomodam-se, aceitando tudo que está acontecendo. A partir disso, fica claro que o espaço educacional é um caminho importante para o processo de socialização dos indivíduos, sendo o local onde acontece a articulação entre comunidade, família e Estado. Além disso, sabe-se que a política educacional também serve como um mecanismo de luta contra as desigualdades que foram geradas ao longo da história brasileira e se materializa como um instrumento de acesso à cidadania. Sendo assim, a escola não deve ser compreendida apenas como um espaço de reprodução das desigualdades, mas também como lugar 45 de criação e valorização de ações que contribuem com a qualidade de vida da população. Entende-se que a escola seria um espaço propício para as discussões acerca da realidade da sociedade capitalista e suas contradições. Entretanto, o ambiente escolar tem sido utilizado como mecanismo de reprodução da ideologia dominante, ao impor a forma de condução do ensino em suas diversas fases. Pensar em uma escola na perspectiva da educação popular é um grande desafio em uma sociedade de classes, pois sendo um espaço para as manifestações da questão social, é, portanto, um local para a atuação do assistente social. Outrossim, envolver outras áreas do conhecimento é essencial para que o atendimento ao aluno e à sua família seja realizado na perspectiva de totalidade, ou seja, é preciso inserir essa realidade no contexto macrossocial da sociedade capitalista e compreender as expressões da questão social como resultado e consequência dessa forma de sociabilidade. São marcantes os níveis de desigualdade social que retratam a realidade brasileira, de modo que a questão social sempre é tema de debate devido às suas características no processo de formação e constituição da sociedade no país. Considerando essa conjuntura, é necessário refletir sobre os impactos da questão social nas políticas de educação no Brasil e, principalmente, pensar em suas manifestações na escola, diante dos determinantes econômico, político e social que conformam para a definição e efetivação da política de educação brasileira. Dentre as várias lutas encampadas por movimentos ligados à política de educação, bem como pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), foram apresentadas propostas para a inserção do profissional de serviço social nas escolas. Tramitou no Congresso Nacional a proposta do Projeto de Lei nº 3.688/2000, que dispõe sobre a prestação de serviços de psicologia e assistência social nas escolas públicas de educação básica, e ele foi aprovado por unanimidade em 7 de julho de 2015, na 46 Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos Deputados. Muito se tem discutido sobre a importância desses profissionais nas escolas, e em dezembro de 2019 foi aprovada a Lei n° 13.935, mas tais projetos ainda então sendo implementados. A aprovação desse Projeto de Lei não implica no seu cumprimento imediato. Para que isso ocorra, é preciso estabelecer com as várias instâncias organizativas da profissão uma agenda de reivindicações junto aos poderes públicos, ou seja, é preciso continuar o processo de lutas para que a lei se cumpra (OLIVEIRA, 2015). 3. Capacidades do assistente social no ambiente escolar A organização e a articulação entre código de ética, lei de regulamentação da profissão e diretrizes curriculares para a formação profissional resultam em uma preparação hegemônica, com um direcionamento teórico e ideológico. Assim, com embasamento na teoria crítica marxista, o serviço social assume uma capacidade de análise crítica, que busca examinar o contexto histórico, social, político e econômico que envolve as demandas, identificadas como expressões da questão social, e propositiva, que oferece soluções para as situações apresentadas. Em geral, ressalta-se o objeto de ação do serviço social: a questão social e, portanto, as políticas públicas enquanto parte dos meios de intervenção, já que representam o conjunto de respostas às demandas públicas e de interesse coletivo. Assim, em uma perspectiva crítica, as políticas públicas são os instrumentos criados para responder às manifestações por direitos da classe trabalhadora, conquistados e viabilizados por meio de ações como programas e projetos sociais. 47 Diante disso, é preciso considerar que a prática profissional do serviço social se orienta a responder: [...] às necessidades sociais, materiais ou espirituais (condensadas nas múltiplas expressões da questão social) de segmentos sociais das classes subalternas na singularidade de suas vidas: indivíduos e suas famílias, grupos com recortes específicos. (IAMAMOTO, 2009, p. 352) Ou seja, é uma prática de caráter interventivo, com um posicionamento ético-político que identifica especificidades da demanda, inserindo-a em um contexto amplo de sociedade. Essa prática se manifesta nas ações profissionais por meio do acolhimento e da identificação da situação do usuário, buscando, para além da conjuntura exposta, reconhecer outras vulnerabilidades que possam ser trabalhadas, as quais podem ser sociais, materiais ou espirituais. O profissional atua com as diversas expressões da questão social que têm mais incidência no ambiente escolar, tais como: trabalho infantil, violência e suas manifestações (estrutural, doméstica e outras ocorridas na própria instituição), gravidez precoce, dependência de álcool e drogas, e dificuldades socioeconômicas. Portanto, existem fatores socioeducacionaisque exercem certa influência no processo educativo, entre os quais se destacam, segundo Martins (2015): • Mobilização da participação efetiva das famílias nas instâncias de poder decisório da escola e no acompanhamento do processo educativo dos alunos. • Elaboração do perfil socioeconômico e cultural das famílias e dos alunos, buscando subsidiar o projeto pedagógico da escola. • Promoção da articulação com Conselho Tutelar, Vara da Infância e Juventude e Ministério Público, a fim de efetivar ação conjunta no atendimento de crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos e 48 abrigados, para que sejam cumpridas medidas educativas visando à sua permanência na escola. • Promoção da articulação dos projetos sociais que têm como condicionalidade a frequência escolar e são de iniciativa de outras políticas sociais, tais como o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) e programas de transferência de renda. • Elaboração de programas e projetos em parceria com equipe interdisciplinar de outras áreas sociais que visem prevenir a violência doméstica, o uso de drogas, as doenças sexualmente transmissíveis e infectocontagiosas e demais questões pertinentes à saúde pública, entre outras. • Realização de pesquisas sobre as demandas existentes na comunidade escolar, subsidiando a política de atendimento à criança e ao adolescente no município, no que tange à educação e a outras políticas sociais, e contatando os Conselhos Municipais Setoriais. • Articulação com os movimentos sociais atuantes na área da educação, entre outros. Nesse tendido, entende-se que esse é um espaço em que o assistente social pode dar sua contribuição, identificando os fatores sociais, culturais e econômicos que determinam os processos que mais afligem o campo educacional no atual contexto e para que, diante da ofensiva capitalista, possa contribuir, também, para que a luta por uma educação como direito social e prática emancipatória se intensifique, assim como para que o Serviço Social na educação seja consolidado. (OLIVEIRA, 2015). 49 4. O trabalho do assistente social na política educacional Diante das adversidades vivenciadas nas escolas, a requisição para a inclusão de assistentes sociais nesses ambientes tem representado uma precisão da instituição cada vez mais evidente em muitos estados e municípios. O assistente social passou a ser visto como um profissional capacitado e essencial na realização de uma análise da realidade social, com arcabouço teórico-metodológico para contribuir com a ampliação e consolidação do processo educacional, a fim de que jovens e crianças, para além do acesso à educação, possam ter também direito à permanência educacional, passando por todos os ciclos até ingressarem em uma universidade. Embora o trabalho realizado também perpasse a dimensão socioeducativa, a atuação desses profissionais na política de educação se efetiva através do fortalecimento das redes de sociabilidade e de acesso aos serviços e dos processos socioinstitucionais com vistas ao reconhecimento e à ampliação dos direitos sociais dos sujeitos. A inserção dos serviços sociais na política de educação não é recente. Ela remonta à década de 1940, quando sua atuação profissional era dedicada ao controle social sobre a família proletária, com o objetivo de socialização e de educação durante o ciclo de expansão do capital. Entretanto, essa inserção ainda tem sido bem tímida, com um número pequeno de assistentes sociais atuando na área. É importante destacar que o trabalho desenvolvido pelos assistentes sociais nesse âmbito implica compreender, também, que a educação é utilizada como instrumento de manutenção e reprodução do sistema capitalista, visto que desempenha um papel importante nas formas de replicação do ser social, assegurando a reprodução do contexto social, 50 a manutenção da contradição entre as classes sociais e a ampliação das desigualdades. Segundo os Subsídios para a Atuação de Assistentes Sociais na Política de Educação, elaborados pelo conjunto CFESS/CRESS (2013), a educação pode ser considerada como um espaço privilegiado para o enriquecimento ou empobrecimento do gênero humano, de modo que a atuação profissional deve realizar-se na perspectiva de fortalecimento do projeto ético-político da profissão, em que o trabalho é feito na concepção da educação emancipadora, que possibilita aos indivíduos o desenvolvimento de suas potencialidades e capacidades humanas. A atuação que visa à garantia da gestão democrática e da qualidade da educação indica outras dimensões que também se inscrevem no campo de lutas pelo reconhecimento e pela ampliação da educação pública como um direito social, de modo sintonizado com os princípios ético-políticos que norteiam a profissão. A principal marca da inclusão do assistente social na política educacional é a materialização de ações voltadas para a garantia do acesso à educação escolarizada. Piana (2009) ressalta que muito pode ser feito nas secretarias de educação municipal, no ensino básico, a partir de projetos de extensão que compreendem a política de período integral, na realização do atendimento direto e indireto da população usuária, dos alunos e de suas famílias, nos espaços de educação formal, em projetos de assessoria e consultoria e na realização de trabalhos com os professores. A ação conjunta dos assistentes sociais com o campo da educação, mediada pelos programas e projetos socioeducativos, possibilita aos profissionais atuar dentro da política educacional, com questões que lhes são centrais, como a formação permanente dos educadores e com a ampliação das práticas educacionais e pedagógicas em uma perspectiva curricular e não mais com uma visão complementar ou paralela. (PIANA, 2009, p. 153) 51 Em síntese, a utilização das abordagens individuais e com famílias na política de educação amplia o espaço de intervenção, possibilitando uma avaliação complementar e articulada com a educação na formação e no desenvolvimento de cidadãos. Além disso, as relações intersetoriais e interdisciplinares funcionam como pontes de acesso aos diversos serviços sociais. A articulação entre assistência social e educação busca promover uma rede de apoio integral aos que delas necessitam. Portanto, a educação consegue executar o seu papel, a escolarização e a qualificação formal do indivíduo, enquanto o serviço social abrange as especificidades do contexto sócio-histórico dos indivíduos no âmbito da intervenção social, produzindo efeitos a curto, médio e longo prazos. A partir da inserção dos assistentes sociais na educação, é possível refletir acerca da natureza política e profissional da função social da profissão com relação às estratégias de lutas pela conquista da cidadania e dos direitos sociais. Pensar a atuação profissional na educação nessa perspectiva sugere que as possibilidades de intervenção estão longe de se esgotar. Desse modo, o trabalho interventivo é associado ao de conscientização e transmissão de informação para a classe trabalhadora quanto a sua capacidade e seus direitos histórica e socialmente conquistados, propondo estratégias de acesso e garantia a esses direitos. Por fim, diante dessas reflexões, é importante que o assistente social pense os objetivos de suas ações profissionais de maneira crítica, a partir das determinações de seu campo de atuação, tendo sempre como parâmetro profissional, em suas diversas dimensões, o projeto ético- político profissional do serviço social. 52 Referências CFESS. Conselho Federal de Serviço Social. Subsídios para a atuação de assistentes sociais na política de educação. Brasília: CFESS, 2013. Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/908. Acesso em: 21 fev. 2022. IAMAMOTO, M. V. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente social. In: CFESS. Conselho Federal de Serviço Social. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS; ABEPSS, 2009. p. 341–376. MARTINS, E.B. C. O rebatimento das expressões da questão social no cotidiano escolar e a contribuição do serviço social. In: DAVID, C. M. et al. (org.). Desafios contemporâneos da educação. São Paulo: Editora da UNESP; Cultura Acadêmica, 2015. OLIVEIRA, O. M. O serviço social na política de educação: apontamentos e reflexões. In: JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS, 7., 2015, São Luis. Anais [...]. Maranhão, 2015. Disponível em: http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2015/ pdfs/eixo13/o-servico-social-na-politica-de-eudcacao-apontamentos-e-reflexoes.pdf. Acesso em: 20 abr. 2022. PIANA, M. C. A construção do perfil do assistente social no cenário educacional. São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009. SILVA, L. G.; CARDOSO, V. B. Serviço social na política de educação: inserção do assistente social nas escolas. In: Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais, 3, 2013, Belo Horizonte. Anais [...]. Minas Gerais: CRESS, 2013. Disponível em: https://cress- mg.org.br/. Acesso em: 21 fev. 2022. 53 Sumário Apresentação da disciplina Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção Objetivos 1. Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção Referências A cultura no exercício profissional do serviço social Objetivos 1. A concepção de cultura e sua relação com o indivíduo 2. A cultura no exercício profissional do serviço social Referências O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social Objetivos 1. O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social Referências Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais Objetivos 1. Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais 2. As manifestações da questão social nas políticas educacionais 3. Capacidades do assistente social no ambiente escolar 4. O trabalho do assistente social na política educacional Referências