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O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA 
EDUCAÇÃO
2
Warllon de Souza Barcellos
São Paulo
Platos Soluções Educacionais S.A 
2022
 O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO
1ª edição
3
2022
Platos Soluções Educacionais S.A
Alameda Santos, n° 960 – Cerqueira César
CEP: 01418-002— São Paulo — SP
Homepage: https://www.platosedu.com.br/
Head de Platos Soluções Educacionais S.A
Silvia Rodrigues Cima Bizatto
Conselho Acadêmico
Alessandra Cristina Fahl
Camila Braga de Oliveira Higa
Camila Turchetti Bacan Gabiatti
Giani Vendramel de Oliveira
Gislaine Denisale Ferreira
Henrique Salustiano Silva
Mariana Gerardi Mello
Nirse Ruscheinsky Breternitz
Priscila Pereira Silva
Tayra Carolina Nascimento Aleixo
Coordenador
Giani Vendramel de Oliveira
Revisor
Flaviana Aparecida de Mello
Editorial
Beatriz Meloni Montefusco
Carolina Yaly
Márcia Regina Silva
Paola Andressa Machado Leal
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)_____________________________________________________________________________ 
Barcellos, Warllon de Souza
O papel do serviço social na educação / Warllon de Souza 
Barcellos. – São Paulo: Platos Soluções Educacionais S.A., 
2022.
36 p.
ISBN 978-65-5356-147-2
1.Evasão. 2. Serviço social. 3. Habilidades e competências. 
I. Título.
CDD 344.03
_____________________________________________________________________________ 
Evelyn Moraes – CRB 010289/O
B242p 
© 2022 por Platos Soluções Educacionais S.A.
Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida ou 
transmitida de qualquer modo ou por qualquer outro meio, eletrônico ou mecânico, incluindo 
fotocópia, gravação ou qualquer outro tipo de sistema de armazenamento e transmissão de 
informação, sem prévia autorização, por escrito, da Platos Soluções Educacionais S.A.
4
SUMÁRIO
Apresentação da disciplina __________________________________ 05
Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de 
programas de prevenção ____________________________________ 06
A cultura no exercício profissional do serviço social _________ 19
O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social _ 32
Habilidades e competências do assistente social para atuação 
nas políticas educacionais ____________________________________ 42
O PAPEL DO SERVIÇO SOCIAL NA EDUCAÇÃO
5
Apresentação da disciplina
Olá, aluno, tudo bem? Esta é a disciplina O papel do Serviço Social 
na Educação, na qual faremos uma abordagem sobre a atuação do 
assistente social nesse espaço e os desafios que são colocados no 
cotidiano profissional. Além disso, refletiremos sobre o papel do 
assistente social na educação, que deve ultrapassar a mera reprodução 
das práticas cotidianas.
Dividiremos a disciplina em quatro momentos, nos quais abordaremos 
temáticas como evasão escolar, cultura no ambiente escolar e 
serviço social. Pensaremos juntos o papel da família e as situações de 
vulnerabilidade social que envolvem os alunos, assim como a forma de 
atuação do assistente social. Por fim, estudaremos uma nova forma do 
agir profissional no ambiente educacional, considerando estratégias 
de atuação e intervenção nesse espaço sócio-ocupacional. Com isso, a 
presente disciplina tem por objetivo constituir uma postura investigativa 
ampla que ultrapasse a setorização das demandas sociais, de modo que 
se possa pensar uma prática social realista sobre o equipamento público 
que é a escola.
Desta forma, convidamos você a nos acompanhar nesta disciplina, que 
possibilitará um momento de reflexão e um melhor entendimento sobre 
o desenvolvimento da atuação profissional do assistente social. Venha 
conosco, você é o nosso convidado!
6
Evasão e abandono escolar. 
Elaboração e execução de 
programas de prevenção
Autoria: Warllon de Souza Barcellos
Leitura crítica: Flaviana Mello
Objetivos
• Possibilitar aos discentes a compreensão da maneira 
como ocorre o processo de evasão escolar.
• Relacionar o conceito de evasão escolar com 
expressões da questão social.
• Abordar o abandono escolar como um fenômeno 
que impacta a vida de muitas crianças no nosso país.
• Realizar uma breve análise histórica sobre a 
educação no Brasil.
• Apontar a atuação do assistente social diante da 
manifestação das expressões da questão social no 
ambiente educacional.
7
1. Evasão e abandono escolar. Elaboração e 
execução de programas de prevenção
Olá, aluno! Nesta Leitura Digital realizaremos um debate sobre os 
processos de evasão e abandono escolar, compreendendo como esses 
fenômenos impactam diretamente a vida de tantas crianças em nosso 
país, principalmente as mais pobres.
Desta forma, faremos uma abordagem relacionando o conceito de 
evasão escolar com as expressões da questão social e entendendo esse 
fenômeno como um produto da sociabilidade capitalista vigente.
A inclusão social é um dos temas mais relevantes no âmbito da política 
de educação na contemporaneidade. Entretanto, para avançar nesse 
tema, é necessário aprofundar o conhecimento dos processos de 
exclusão social que contrastam com as tentativas de estabelecimento de 
uma sociedade inclusiva. No Brasil, a exclusão social está diretamente 
ligada à baixa escolarização, ao analfabetismo e ao analfabetismo 
funcional, que são expressões da questão social.
A educação é um direito social garantido pela Constituição Federal de 
1988. Em seu art. 205, ela é colocada como responsabilidade tripartite 
da União, dos estados e dos municípios, cada qual com sua competência 
para garantir o acesso de todos a essa política. Mas nem sempre foi 
assim. A educação passou a ser conduzida pelo Estado, ainda que 
com timidez, na Era Vargas (1930–1945), devido à transformação 
da economia de agroexportadora para industrial, o que exigiu o 
aperfeiçoamento dos trabalhadores para acompanhar as mudanças 
da época. Desde então, houve favorecimento de filhos de membros 
da classe burguesa, que possuíam maior facilidade para ir ao ensino 
secundário, impossibilitando o acesso à educação das crianças e dos 
adolescentes da classe trabalhadora.
8
O analfabetismo também é histórico no Brasil, com cerca de 40% 
de analfabetos na década de 1960, quando foi aprovada a primeira 
Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB). A economia agrária e 
a predominante moradia rural contribuíram para essa alta taxa de 
analfabetismo, já que não havia escolas rurais e, portanto, alunos 
dessas regiões tinham muitas dificuldades objetivas para chegar até a 
instituição de ensino na cidade (BITTAR; BITTAR, 2012).
Nesse contexto, a prioridade dos pais estava em colocar as crianças 
para ajudar no sítio, nas plantações, e a escola ficava em segundo plano. 
Além disso, havia a distância de formação entre pais e filhos, sendo que 
os primeiros, em sua grande maioria, aprenderam a escrever somente 
o nome, ensinado por irmãos mais velhos. A partir da mudança de 
uma sociedade rural para urbana e da industrialização, a escola pública 
passou a ser ampliada e novos estabelecimentos de ensino foram 
construídos, principalmente no período da Ditadura Militar (1964–1985), 
pois era preciso que a população tivesse o mínimo de escolaridade para 
o avanço da economia. No entanto, havia um controle dos conteúdos 
e das atividades acadêmicas, e o foco das reformas educacionais nesse 
período estava na profissionalização. Houve nessa época a expansão das 
escolas físicas, mas o problema do analfabetismo continuou (BITTAR; 
BITTAR, 2012).
Ainda segundo Bittar e Bittar (2012), buscando a inclusão de adultos 
que não tiveram letramento, o método de Paulo Freire, que se 
diferenciava dos métodos convencionais, estava sendo materializado 
no período anterior à Ditadura Militar, mas foi interrompido por esse 
regime político. Além disso, a universalização da educação básica não 
foi cumprida, e o Regime Militar foi encerrado com essa desigualdade 
de acesso à educação básica e altas taxas de analfabetismo. Foi 
somente com a redemocratização do Estado brasileiro e as novas 
legislações educacionaise de proteção à criança e ao adolescente, que 
culminaram na Constituição Federal de 1988 e no Estatuto da Criança 
9
e do Adolescente (ECA) de 1990, que a educação assumiu um caráter 
obrigatório e gratuito, preconizado pelo art. 53 do ECA.
Atualmente, a educação é considerada um direito de todos, 
porém alguns elementos dificultam o processo de aprendizagem, 
principalmente nas escolas públicas de ensinos fundamental e médio, 
como a superlotação de salas de aula, as precárias condições físicas 
desses espaços e o inconsistente vínculo de trabalho dos professores, 
entre outros fatores. Esse cenário se torna diferente nas escolas 
privadas, com menor número de estudantes em sala, o que representa 
uma melhor possibilidade de aprendizagem. Ainda na rede privada, 
é possível contar com a existência de outros espaços para além das 
salas de aula, como laboratórios de áreas específicas, por exemplo. 
Essa diferença entre escolas públicas e particulares reflete no processo 
educativo e no acesso ao ensino superior, além dos demais processos 
de exclusão social.
O relatório da Situação Mundial da Infância, produzido pelo Fundo 
das Nações Unidas para a Infância (UNICEF, 2019), demonstra que 
muitas crianças e adolescentes não estão recebendo alimentação 
adequadamente, além de apresentarem desnutrição e obesidade. O 
mesmo relatório aponta que a desnutrição e a subnutrição prejudicam 
a aprendizagem escolar, ocasionando reduzido desenvolvimento 
cognitivo, falta de atenção e baixo desempenho escolar. Há também as 
especificidades de cada território. Por exemplo, alunos que vivem em 
áreas de vulnerabilidade social, com altos índices de violência e tráfico 
de drogas, têm dificuldades em permanecer na escola, tanto pela falta 
de envolvimento e acompanhamento da família como pelas barreiras 
territoriais que dificultam o acesso à instituição.
Quando uma criança ou um adolescente apresenta comportamentos 
prejudiciais ao seu aprendizado, bem como desinteresse pelos estudos, 
isso está intrinsicamente ligado ao contexto familiar e social no qual 
esse indivíduo está inserido. Situações de violência doméstica, conflito 
10
familiar, negligência no cuidado e falta de acesso às políticas sociais são 
fatores que podem ocasionar a evasão escolar.
Tais elementos, portanto, contribuem para o chamado fracasso escolar, 
e esses e outros processos de exclusão social são fruto das expressões 
da questão social. Segundo Sposati (2000), a forma mais superficial 
de conceituar o fracasso escolar seria apontar a não conclusão dos 
ensinos fundamental e médio. Trata-se de um problema que poderia 
ser resolvido com o aumento de vagas e com medidas de avaliação, mas 
ainda assim isso não seria suficiente para promover a inclusão social.
Nesse sentido, de um lado temos crianças e jovens com suas 
realidades pessoais e familiares que permeiam o comportamento e o 
aproveitamento escolar, de modo a facilitar ou não a direção do sucesso 
escolar. A partir disso surgem variantes, que vão desde pertencer a 
uma família de baixa renda e numerosa, cujas condições financeiras 
impedem a manutenção de um membro na escola, de modo que o 
aluno precisa trabalhar para ajudar no sustento da família, até a falta de 
escolas em determinados bairros da cidade.
Ao mesmo tempo, Sposati (2000) afirma que, além das particularidades 
de cada aluno, há o problema de caráter coletivo, como as escolas em 
péssimo estado de conservação e/ou com orientações pedagógicas 
excludentes. O poder público, em sua quase totalidade, encara o 
problema da educação de forma bancária, sob a ótica dos equipamentos 
escolares e descolando a atenção do território físico, social e de 
cidadania onde se instalam as escolas. Da mesma forma, a escola 
pública é vista como aquela destinada para os que não têm cidadania, 
não têm direitos.
Por exemplo, as crianças e os adolescentes de classe média-alta que 
estudam em escolas privadas têm oportunidade de aprender e realizar 
atividades além dos conteúdos básicos, como natação, informática, 
atividades culturais, dança, entre outras, diferentemente dos alunos de 
11
escola pública, que, salvo algumas exceções, não têm acesso à arte e 
à cultura. As salas de aulas lotadas, as precárias condições de trabalho 
dos professores e a má infraestrutura são elementos que dificultam 
a aprendizagem do aluno e contribuem para o seu analfabetismo 
funcional — dificuldade de leitura, interpretação de texto e na realização 
de operações matemáticas simples da vida cotidiana, apesar de ter 
frequentado a escola.
O problema da evasão escolar também está relacionado com a 
defasagem idade-série — casos em que alunos precisam repetir a 
mesma série e, ao longo do caminho, acabam desanimando e desistindo 
de estudar. Em contrapartida, devido à fragilidade da política de 
educação, encontramos realidades escolares em que há alunos que não 
possuem condições de avançar de série, mas por decisão da equipe 
pedagógica acabam “passando de ano”, o que deixa um déficit em sua 
formação. Esse problema não é encontrado apenas em escolas públicas, 
mas também em colégios particulares, que são regidos pela lógica 
do mercado. De acordo com os dados do Indicador de Analfabetismo 
Funcional (Inaf) de 2018, 73% da população brasileira é alfabetizada 
e 29% é analfabeta funcional, cerca de 2% a mais que em 2015 (INAF, 
2018). Isso se deve aos fatores já mencionados, relacionados com as 
condições sociais e econômicas das pessoas e a dificuldade de acesso à 
cultura e ao lazer, além dos obstáculos presentes no próprio processo 
de escolarização.
Adultos que tiveram grande dificuldade de acesso à educação quando 
crianças contam hoje com um programa de escolarização de jovens 
e adultos, cujo acesso foi ampliado pelo governo a partir dos anos 
1990. Com o objetivo de erradicar o analfabetismo, a Educação de 
Jovens e Adultos (EJA) possibilitou que muitos adultos e idosos fossem 
alfabetizados.
Entretanto, a EJA vem sendo relacionada à evasão escolar pelo fato 
de muitos alunos, após a reprovação de ano, enxergarem na EJA uma 
12
possibilidade de concluir os estudos quando completarem a idade 
obrigatória para se matricularem (acima de 18 anos), desistindo, assim, 
do ensino regular.
Portanto, apesar de ser uma possibilidade de diminuir o analfabetismo 
no Brasil, esse programa tem suas implicações, que sofrem também 
interferências das expressões da questão social. O fato é que a EJA 
isoladamente não resolverá o analfabetismo se não houver uma junção 
de ações intersetoriais a fim de intervir nas expressões da questão 
social.
Essas expressões também afetam diretamente a formação da pessoa 
com deficiência, que, além de todos os fatores mencionados, também 
é parte de um grupo que historicamente seguiu em um caminho de 
desvantagem social. As relações de gênero, raça e renda também 
estão imbricadas na educação da pessoa com deficiência, uma vez que 
estudos mostram a baixa estimativa dessa população em concluir todo 
o percurso escolar. Isso se deve a insuficientes ações de inclusão social 
nas escolas, tanto na questão pedagógica quanto na infraestrutura, 
além de barreiras de linguagem, como é o caso das pessoas surdas, que 
necessitam de um intérprete de Libras (língua brasileira de sinais) para 
acompanharem as aulas nas escolas de ensino regular.
Ou seja, os problemas enfrentados no âmbito educacional fazem parte 
de um conjunto de processos de exclusão social, fruto de uma sociedade 
desigual e que favorece pessoas inseridas no padrão estabelecido. A 
partir do exposto, você pôde entender um pouco sobre as questões de 
evasão escolar e analfabetismo funcional e tudo o que está implicado 
nesses elementos, que não caracterizam um fenômeno isolado, mas são 
consequências da reprodução da sociedade capitalista.
Uma educação de qualidade é um dos fatores que contribuem para 
que indivíduos acessem o mercado de trabalho e reconheçam os seus 
direitos e deveres para o pleno exercício de sua cidadania. Portanto, a 
13garantia de permanência de todas as crianças e adolescentes na escola 
é tão importante quanto o acesso a ela, e, por isso, cabem medidas de 
enfrentamento à descontinuidade da formação educacional.
Para tanto, é necessário investir em metodologias capazes de facilitar 
a aprendizagem dos alunos, relacionando os conteúdos previstos 
com o contexto no qual eles estão inseridos. Além disso, é importante 
proporcionar conhecimento dos seus territórios, da história da cidade e 
do bairro onde moram, e incentivá-los a participar dos espaços políticos, 
de audiências públicas, da construção de planos e do exercício do 
controle social.
À escola cabe incentivar o desenvolvimento da cidadania e a participação 
nos processos de decisão da política de educação, capacitando 
seus alunos para discutir assuntos que fazem parte de uma gestão 
democrática e de uma gestão escolar — das decisões simples às que 
fazem parte do currículo escolar, pois são formas de minimizar as 
relações de poder que predominam na sociedade capitalista.
Os cursos de profissionalização e aqueles ofertados no contraturno 
escolar são maneiras de fortalecer a formação das crianças e 
dos adolescentes, preparando-os para o mercado de trabalho e 
possibilitando seu acesso ao direito ao emprego e à renda, ações que, 
articuladas com a política de assistência social, trabalho e renda, esporte 
e lazer, ampliam o horizonte dos estudantes.
Sobre a discrepância de formação entre pais e filhos, Sposati (2000, p. 
28) questiona: “não seria mais justo decodificar a linguagem do ensino, 
criando pontes com o universo das famílias, de modo que os pais 
possam compreender e acompanhar o processo de seus filhos?”. Assim, 
a formação dos estudantes envolveria a participação dos responsáveis, 
que serviria como um suporte, mas, mais do que isso, possibilitaria o 
reconhecimento dos alunos como sujeitos de direitos e despertaria 
neles a consciência de padrões básicos de dignidade humana.
14
As pessoas com deficiência, além de todo o contexto desigual em que 
estão inseridas, estão, ainda, em desvantagem pelo fato de a sociedade 
não ser inclusiva. De acordo como o Relatório da Situação Mundial da 
Infância de 2013, sobre as crianças e os adolescentes com deficiência, as 
mulheres com deficiência enfrentam o preconceito e as iniquidades não 
somente pela sua condição de deficiência, como também pelas relações 
de gênero, pelas barreiras e pelos limites impostos às mulheres de 
modo geral. O relatório aponta que elas têm menor chance de usufruir 
da educação e profissionalização e, consequentemente, de se inserir no 
mercado de trabalho (UNICEF, 2013).
Por isso, na educação, é necessário que os profissionais sejam 
preparados para as suas especificidades e haja ampliação da 
acessibilidade, investimento em recursos e tecnologias assistivas, 
presença de intérprete de Libras e todo apoio possível para que 
elas tenham a mesma condição que os demais de alcançarem 
aproveitamento total em seu processo de aprendizagem.
Gramsci (2001), intelectual italiano que exerceu influência sobre 
pensadores e educadores brasileiros, defendia que a transformação da 
sociedade poderia acontecer por meio de educação e cultura, pois as 
escolas seriam espaços de disseminação de informações, mas também 
de reflexões. Segundo ele, a escola deveria preparar todos os indivíduos 
com as mesmas oportunidades profissionais.
Portanto, é preciso proporcionar uma formação humanista geral, que 
não apenas apresente conhecimentos cobrados em vestibulares e 
provas, mas ofereça o conhecimento da história cultural, do território, 
da arte, da cultura e do lazer. Ou seja, uma educação que possibilite 
que o indivíduo questione a sua realidade e participe de instâncias 
políticas que garantem que a população também decida sobre como 
será materializada a política de educação. Sposati (2000) afirma que a 
educação é o caminho mais curto para que todos saibam e exerçam a 
cidadania.
15
A política de educação por si só não garante a redução das 
desigualdades sociais e a transformação da sociedade, já que a 
sociedade capitalista ocasiona a desigualdade social. Porém, uma 
educação nessa perspectiva poderia proporcionar a formação de 
sujeitos pensantes, além de possibilitar o conhecimento dos caminhos 
para a ampliação da autonomia.
Nesta ótica, a política de educação é uma área de inserção profissional 
na qual o assistente social tem a preocupação com a construção de 
um ensino de qualidade, com base na inclusão social pelos caminhos 
da educação para todos. A partir disso, fica claro que a escola é um 
caminho importante para o processo de socialização dos indivíduos, 
sendo o local onde acontece a articulação entre comunidade, família e 
Estado. Além disso, sabe-se que a prática educacional também serve 
como mecanismo de luta contra as desigualdades que foram geradas 
ao longo da história brasileira e se materializa como um instrumento de 
acesso à cidadania.
Manifestações da questão social influenciam e determinam problemas e 
dificuldades como indisciplina, crise econômica, desagregação familiar, 
envolvimento com drogas, gravidez precoce, desinteresse do aluno, 
dentre outras questões emergentes que exigem a intervenção de uma 
equipe interdisciplinar e que ocasionam a evasão e o abandono escolar 
(SILVA; CARDOSO, 2013).
Refletir sobre a questão e suas implicações na política de educação no 
Brasil pressupõe compreender que ela teve suas origens na relação 
contraditória entre capital e trabalho no período da Revolução Industrial. 
Desde então, a questão social vem atravessando a história e adquirindo 
novas roupagens, de acordo como o momento que se vivencia. Em 
tempos de capital financeiro, em que há a flexibilização da produção e 
do trabalho, a questão social tem se manifestado de diversas formas: 
desemprego estrutural, acirramento do trabalho informal sem carteira 
assinada, arrocho salarial, desmantelamento de movimentos sociais 
16
e sindicais, desmonte de direitos sociais e regressão de direitos 
trabalhistas, corte de benefícios, dificuldades no acesso a políticas 
da seguridade social (saúde, assistência e previdência), entre outras 
(MARTINS, 2015).
Assim, é importante ressaltar, novamente, que algumas expressões da 
questão social no espaço escolar são objeto de intervenção do assistente 
social, de acordo com suas atribuições privativas. Podemos citar como 
expressão da questão social vivenciada no ambiente escolar a violência, 
que é complexa e subjetiva, ocorrendo dentro e fora da escola e 
motivada por múltiplos fatores, como agressão física, degradação do 
ambiente escolar, ameaças, violência sexual, roubos, dificuldades de 
gestão escolar, entre outros, que se configuram como a causa de vários 
abandonos durante o processo de socialização escolar.
A atuação profissional do assistente social nas políticas educacionais 
para enfrentamento da questão social deve ser realizada em 
consonância com o projeto ético-político da profissão. Nesse sentido, 
o profissional deve ter uma postura que afirme a educação em uma 
direção contra-hegemônica, promovendo uma visibilidade social e 
política ampla da realidade social brasileira, que considere as condições 
concretas de vida, trabalho e educação dos sujeitos com os quais atua 
em seu cotidiano profissional (MARTINS, 2015).
No que diz respeito à dimensão educativa, o assistente social aborda 
os processos reflexivos que se relacionam à percepção objetiva e 
concreta da vida social, bem como as condições sociais e históricas 
que direcionam a vida em sociedade, com vistas a politizar o debate 
de todos os envolvidos no espaço escolar. Uma ação muito importante 
a ser desenvolvida pelo profissional é a articulação da política de 
educação com as demais políticas intersetoriais. Dessa forma, há um 
redimensionamento da relação da escola com a rede de proteção 
da criança, do adolescente e da família. Portanto, a articulação seria 
facilitada entre a escola e o Sistema Único de Assistência Social (SUAS),17
o Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), o Centro de 
Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), se necessário, e 
outras políticas sociais. Por fim, Martins (2015) aponta que é necessário 
unir esforços com os educadores a fim de construir alternativas de 
enfretamento das expressões da questão social, com o objetivo de 
preparar as gerações mais novas para a vida em sociedade, bem 
como formar cidadãos com visão crítica e conscientes de sua função 
na sociedade como sujeitos de direitos e protagonistas de sua própria 
história.
Referências
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de democratização da sociedade. Acta Scientiarum Education, v. 34, n. 2, 2012.
BRASIL. Decreto n. 5.296, de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nos 
10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento às pessoas 
que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais 
e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas portadoras 
de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá outras providências. Brasília: 
Presidência da República, 2004.
BRASIL. Presidência da República. Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe 
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D.O.U., 1990. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm. 
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18
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https://crianca.mppr.mp.br/arquivos/File/publi/unicef_sowc/sit_mund_inf_2013_deficiencia.pdf
19
A cultura no exercício profissional 
do serviço social
Autoria: Warllon de Souza Barcellos
Leitura crítica: Flaviana Mello
Objetivos
• Possibilitar aos discentes a compreensão sobre a 
aproximação da cultura com o social.
• Relacionar o trabalho profissional do serviço social 
com o desenvolvimento cultural na educação.
• Realizar uma breve análise histórica sobre a inserção 
do serviço social na educação.
20
Este conteúdo abordará o conceito de cultura e culturas, sua evolução 
com o passar do tempo e o papel do serviço social na educação, 
com enfoque no desenvolvimento cultural. Nossa preocupação é 
discutir o papel do serviço social na escola, que intenta aproximar 
este equipamento público das realidades sociais de seus principais 
componentes, a saber, os alunos. É importante, portanto, compreender 
a ligação da cultura com o social, visto que o homem e as sociedades 
produzem culturas em sua interação com o mundo, bem como com os 
outros integrantes de determinado grupo social.
1. A concepção de cultura e sua relação com o 
indivíduo
Falar em cultura na condição de categoria analítica é algo que demanda 
certos cuidados. A priori, é necessário considerar que essa categoria 
demonstra diversas concepções, além de vir mudando com o passar 
do tempo, a depender da matriz teórica à qual se refere. O que todos 
concordam, entretanto, é que o homem produz cultura. O homem, 
em nossa concepção, é um sujeito histórico, capaz de produzir e se 
reproduzir em condições determinadas, estando inserido em uma 
classe social. Esta versão concreta de homem é aquela que produz a 
cultura, que apresenta uma visão particular de mundo e a transmite, 
transformando a si mesmo e à realidade na qual se insere e é atuante. 
De igual modo, compreendemos que a cultura não é estática, mas 
se transforma na própria atuação do homem em seu grupo social, 
compreendida e evidenciada no processo histórico, conforme explica 
Bezerra (2006).
A cultura se vincula à forma específica de produção da vida material 
de determinadas sociedade e época. Assim, a cultura e o trabalho 
repousam nas raízes do processo de desenvolvimento humano. Por 
meio do trabalho, o homem satisfaz suas necessidades de sobrevivência 
21
para a conservação da existência. Uma vez satisfeitas as necessidades 
mais básicas, surgem outras classes de necessidades, que são 
evidenciadas por diversos teóricos (Maslow, Herzberg, entre outros), e 
sua realização forma o primeiro ato histórico (SANTOS, 2014).
Trotsky, em função da ideia de que a relação entre o ser humano e 
a natureza, historicamente, é de dominação por meio do trabalho, 
considerava como cultura tudo o que foi criado, conquistado e 
construído pela humanidade ao longo da história, em contraponto ao 
que foi dado pela natureza, servindo para aumentar o conhecimento 
e a habilidade para subjugá-la. De acordo com o autor, “a cultura 
se desenvolveu graças à luta do homem contra a natureza, por sua 
existência, pelas melhorias de sua condição de vida” (TROTSKY, 1981, p. 
52).
De um ponto de vista histórico-antropológico, a civilização surgiu com 
o aparecimento da cultura, a partir do momento em que grupamentos 
humanos passaram a criar e transmitir formas de conhecimento, 
valores e representação. A palavra cultura é, de acordo com Williams 
(1992), de origem romana, originária da expressão latina colere, que tem 
seu significado relacionado ao cultivo, ao trabalho do homem com a 
natureza, a fim de torná-la passível da habitação pelo homem. A partir 
da metade do século XVIII, juntamente com a instalação das sociedades 
modernas, ocorreu uma grande mudança que relacionou a categoria 
cultura com “cultura de alguma coisa”, o que ampliou seu significado.
Com a difusão da Antropologia, resgatou-se o uso do termo cultura 
para definir os modos de vida ecostumes de determinado grupo social, 
enfatizando os comportamentos padronizados. A Antropologia atua 
com um conceito acerca de cultura que se refere aos aspectos que 
são peculiares à existência em sociedade de um povo, ou até mesmo 
de grupos sociais. A amplitude do conceito se dá porque se trata da 
somatória das características encontradas em uma realidade social, 
que abarca aspectos simbólicos e materiais. Em termos antropológicos, 
22
portanto, a cultura pode ser definida como um sistema comum de 
significações, do qual fazem parte conteúdos explícitos e implícitos que, 
de forma deliberada ou não, são aceitos e passam a ser reproduzidos 
através das gerações por meio de membros de um mesmo grupo social. 
Segundo este princípio, a cultura pode ser diversa em cada grupamento 
social, sendo difícil identificar sua abrangência. Em um mesmo país 
se observam diversas culturas, nascidas e cultivadas por determinado 
grupamento social.
Com a Sociologia, surgiu a abordagem de cultura que remete à 
dimensão do conhecimento, por parte de uma sociedade, sobre si 
mesma e suas próprias formas de expressão, em que se pode citar a 
literatura, a arte, a ciência, a linguagem etc. Tal concepção tem foco 
no resgate da riqueza, diversidade e pluralidade das manifestações e 
criações dos indivíduos em sua práxis criadora.
Gramsci (2002) ressalta que a cultura não implica simplesmente a 
aquisição de conhecimentos, mas também o posicionamento crítico 
mediante a história, na busca contínua da conquista da liberdade. A 
cultura, para o autor, tem relação com a transformação da realidade, 
visto que, por meio da conquista de uma consciência superior, cada 
indivíduo consegue compreender seu valor histórico, bem como sua 
própria função na vida, seus próprios deveres e direitos.
Johan Gottfried Herder foi aluno de Kant e Hamann e um notável autor, 
sendo considerado uma das mais importantes figuras da Alemanha 
e da Europa no século XVIII. Compreendendo a cultura como o 
próprio fluxo da energia moral que mantém a sociedade intacta, foi o 
precursor do uso do significado plural, culturas, a fim de diferenciá-lo 
de quaisquer sentidos singulares de civilização, apontando assim para 
uma diversidade de culturas, na qual cada uma exprime uma parcela 
da riqueza de toda a humanidade. Pode-se concluir, em tal contexto 
ampliado, que a cultura denota um conjunto de conquistas intelectuais, 
artísticas e morais que formam o patrimônio de determinada nação, 
23
considerado como adquirido em definitivo e fundador de sua unidade 
(BEZERRA, 2006).
Raymond Williams é tido como um dos maiores sociólogos da cultura da 
atualidade, sendo precursor dos estudos culturais britânicos. Sua forma 
de abordagem tem enfoque na compreensão da cultura como categoria-
chave para a investigação social, bem como na perspectiva da dimensão 
material e produtiva da cultura, na qual se busca entendê-la como um 
espaço de luta e transformação por meio de bases históricas e materiais. 
Um dos alicerces de Williams se relaciona diretamente com sua 
experiência em sala de aula com assuntos referentes às transformações 
culturais ocorridas na Inglaterra na década de 1950, período no 
qual houve o fortalecimento da indústria cultural, o que favoreceu a 
expansão da comunicação em massa e impôs métodos de reprodução 
de bens padronizados, a fim de suprir demandas que, aparentemente, 
eram comuns a todos.
Williams (1992, p. 13) define a cultura como um conjunto de significados 
“mediante o qual necessariamente uma dada ordem social é 
comunicada, reproduzida, vivenciada e estudada”, afirmando assim 
que a cultura não denota uma dimensão ideal na qual são produzidas 
outras atividades sociais, mas constitui uma parte importante de todas 
as atividades da vida em sociedade. Portanto, pode-se compreender a 
cultura como as práticas significativas da somatória de uma forma de 
vida, sendo dotada de caráter ativo, histórico e dinâmico, como o mover 
das experiências de vida, visto que abarca as relações entre sujeitos 
experienciando e vivendo suas condições de existência.
O entendimento de Williams (2007) traz em si a ideia de que a cultura 
pode e deve ser analisada sob diferentes enfoques, partindo das 
relações que são estabelecidas. Segundo as palavras do próprio autor, 
“a cultura no sentido restritivo das artes sempre foi produzida pela ou 
para uma classe dominante” (CEVASCO, 2001, p. 51). Ao considerar essa 
relação, Williams (2007) propõe o pensamento sobre novas maneiras 
24
de abrir possibilidade para uma cultura comum, já que, de acordo com 
Cevasco (2001), a reflexão acerca da cultura abarca diferentes reações às 
transformações na organização da vida social.
Neste sentido, Bezerra (2006, p. 45) complementa que a cultura passa 
a ser concebida como “uma classificação geral de instituições e práticas 
que, embora sociais, constituíam significados e valores simbólicos de 
uma dada sociedade”. A cultura é entendida, então, como uma parte da 
totalidade social, que se insere em um emaranhado de relações sociais. 
Assim, a cultura é, ainda de acordo com o autor:
[...] o espaço dinâmico no qual a consciência social constrói este 
conhecimento e esta reflexão acerca da realidade histórica passada, 
presente e futura, onde o homem se percebe com novas necessidades e 
desafios para além da intervenção sobre a natureza. (BEZERRA, 2006, p. 45)
2. A cultura no exercício profissional do serviço 
social
É da fonte da compreensão de cultura, que é ampla e visa a toda a 
sociedade, que bebemos para analisar esta categoria e relacioná-la com 
o serviço social brasileiro. Nesse contexto, o assistente social passa a 
tomar consciência da relevância do conhecimento acerca dos costumes 
e das formas de vida, ou seja, das culturas das comunidades com as 
quais desenvolve seu trabalho. Compreende-se, a partir desse ponto, 
que a cultura é de suma importância para se pensar a profissão, “seja 
para a intervenção do(a) assistente social, para o conhecimento dos 
sujeitos com os quais trabalhamos, bem como para a compreensão da 
realidade concreta” (MOLJO, 2008, p. 10).
Construímos cultura toda vez que adicionamos significados não apenas 
imediatistas e utilitários a nossas construções e ações. Pode-se dizer, 
com base na evolução que acabamos de abordar e em nosso contexto 
25
atual, que a cultura é uma dimensão do social, assim como o político e o 
econômico. Portanto, todo fato cultural é um fato social. A relação com o 
serviço social se dá no sentido de que os assistentes sociais, trabalhando 
com o social, o fazem de acordo com as demandas observadas em 
diversas situações, pessoas e suas histórias. Desta forma, um assistente 
social pode registrar potencialidades culturais, investindo nelas suas 
ações (COUTO, 2017).
Considerando tal fato, neste ponto refletimos sobre a educação, a 
escola, sua relação com a cultura e a posição do serviço social nesse 
contexto. O reconhecimento da multiculturalidade da sociedade 
evidencia as muitas raízes culturais que fazem parte de um contexto 
como a sala de aula, enfatizando tal relação que carece de melhor 
compreensão. Considerando a definição antropológica de cultura, 
na qual os conteúdos são transmitidos por membros de um mesmo 
grupo social, define-se como cultura escolar a rede de significações 
compartilhadas entre os atores sociais que participam e interagem 
entre si na construção do cotidiano da escola. A cultura formada 
no ambiente escolar é construída pela interação entre, de um lado, 
currículos, programas, legislações e normas; e de outro, os resultados da 
ação empreendida por atores ligados a seu desenvolvimento, a saber, 
os gestores, funcionários, professores, alunos e a comunidade (SILVA, 
2006).
Por meio da educação, o ser humano se orienta espiritual e socialmente, 
obtendo a capacidade de transformar o mundo a seu redor. Tal 
habilidade serviu à sociedade desde seus tempos mais remotos, e 
continuará servindo no futuro. De acordo com Santos (2012, p. 124), “a 
educaçãoé imprescindível para que todos os indivíduos tenham acesso 
à cultura e possam fazer parte do mundo, compreendendo a realidade 
que se inserem e transformando sua própria história de vida”.
Corroborando a visão de Santos, Gramsci (2002) afirmava que o 
processo educativo envolve espaços diversos (a família, o sujeito, as 
26
organizações de cultura, a política e a escola), além de meios como o 
convívio social, a práxis política, o estudo e o conhecimento científico, 
das artes e das línguas. Entretanto, a escola ocupa um lugar privilegiado, 
considerando a função de inserir os jovens na atividade social após tê-
los conduzido a certo nível de maturidade e capacidade, bem como a 
certa autonomia em relação à sociedade.
A educação, neste sentido, é um processo social vivenciado no ambiente 
da sociedade civil e protagonizado por vários sujeitos sociais, sendo 
também uma área estratégica de ação da autoridade estatal. A luta pela 
educação, portanto, é uma das expressões da questão social, que visa ao 
atendimento de uma necessidade social, sendo então reconhecida como 
um direito de todos.
A função social da escola, desse modo, ultrapassa a simples prestação 
de serviços de educação em uma estrutura burocrática, considerando 
que os indivíduos são fundamentais em todos os seus processos, 
interagindo e transmitindo conhecimento entre si. A escola tem a 
capacidade de produzir cultura, capacidade esta que é derivada da 
elaboração de uma dinâmica interna que parte dos discursos, das 
linguagens e das formas de comunicação.
Sabe-se que é no interior das escolas, no cotidiano dos alunos e de suas 
famílias, que se configuram expressões da questão social, nas quais se 
abarcam o desemprego, o trabalho infanto-juvenil, o subemprego, a 
fome, a desnutrição, a baixa renda, os problemas de saúde, as drogas, 
a negligência familiar, a pobreza, a violência doméstica, entre outros 
problemas. Tais demandas, tão emergentes e resultantes da questão 
social, são pontos que justificam a presença do profissional de serviço 
social no contexto educacional, inserido nesse espaço com a finalidade 
de receber e encaminhar as demandas.
Analisando as instituições escolares, António Nóvoa (1999) propõe o 
argumento de que as escolas se constituem em um território espacial, 
27
mas também cultural, de forma que a cultura se manifesta nas relações 
sociais, e a identidade cultural se forma em modos particulares de 
trabalhar e interagir em seu cotidiano. As crenças e expectativas dos 
atores do cotidiano escolar podem fortalecer ou expressar resistências 
aos processos em que se desenvolvem.
Neste contexto, convém a reflexão sobre o fato de que a escola é um 
dos principais equipamentos sociais, sendo desafiada diariamente em 
articular o conhecimento trabalhado em seu território com a realidade 
social de cada aluno, ou seja, suas necessidades e problemas sociais. 
Tem-se, portanto, uma demanda de que a escola passe a conhecer a 
realidade social de seus principais atores, a saber, os alunos, encurtando 
assim a distância que separa essa instituição do contexto familiar 
(CANDAU, 2002).
Piana (2009) compreende a educação como uma área relativamente 
nova de atuação no serviço social, que trabalha com uma visão 
orientada a sujeitos potencialmente autônomos, capazes de promover 
cultura.
Apesar da ampla gama de problemas sociais com os quais o assistente 
social deve lidar no contexto educacional, sua atuação nesse ambiente 
não se resume a isso. O assistente social trabalha também com ações 
educativas, compreendendo que a educação representa uma política 
social que tem como objetivo e compromisso a garantia dos direitos 
sociais. Entre as ações do serviço social na escola, que a favorecem 
enquanto ambiente produtor e disseminador de cultura, estão o 
estímulo à ampliação do acervo de conhecimento e informações sobre 
o social na comunidade escolar, o incentivo à vivência e ao aprendizado 
do processo democrático no âmbito da escola e com a comunidade, 
o fortalecimento de ações coletivas e a efetivação de pesquisas que 
possam contribuir com a análise da realidade social dos alunos e de suas 
famílias (MARTINS, 1999).
28
O serviço social, conforme explica Gerardi (2000), se relaciona 
intimamente com a educação, visto que tem o objetivo de ultrapassar 
as desigualdades sociais, orientar para a cidadania e emancipação do 
indivíduo e promover o direito de todos. O espaço do serviço social no 
cenário escolar cresce gradativamente. Ainda que com poucos avanços, 
consegue demonstrar sua expressividade e a importância de sua 
atuação na articulação entre o ambiente escolar e a realidade social dos 
educandos.
Importa mencionar o grande valor que possui o assistente social na área 
da educação com enfoque na cultura. A introdução dos profissionais de 
serviço social no contexto educacional foi marcante desde a década de 
1930, mas foi apenas em 1990 que houve de fato a criação de políticas 
sociais, responsável pela conquista do serviço social na educação, bem 
como a ampliação da exigência de tais profissionais nesse contexto 
(ROSSA, 2011).
De acordo com o art. 1° da Lei n° 9.394/1996, chamada Lei de Diretrizes 
e Bases da Educação Nacional, a educação “abrange os processos 
formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, 
no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos 
sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”.
Entretanto, em países desiguais como o Brasil, nos quais muitas 
crianças são obrigadas a contribuir com a complementação da renda 
familiar, direitos como o acesso à educação e a própria cultura são 
constantemente violados, restando prejudicada a dignidade. Observa-
se, portanto, uma enorme lacuna entre o que expressam os dispositivos 
legais e o que é visto na realidade social, que é o campo de atuação do 
assistente social. Neste sentido, o papel do serviço social mostra sua 
relevância na educação, levando em consideração que intervém em 
ações associadas a diagnósticos sociais, propondo assim alternativas aos 
problemas experienciados pelo aluno e por sua família, o que contribui 
para o sucesso educacional.
29
No campo cultural, se a escola é um ambiente produtor e disseminador 
de cultura, a permanência do aluno deve ser estimulada por meio da 
dinâmica do apoio sobre suas questões sociais, a fim de contribuir 
de forma positiva para a valência dos direitos educacionais. Gerardi 
(2000, p. 50) complementa ainda que “cabe ao Serviço Social na área 
da educação propiciar o acesso, a frequência e viabilizar melhoria de 
condições de vida imprescindíveis ao bom desempenho escolar”.
A discussão acerca da importância do serviço social na educação implica 
abrir um leque de assuntos relacionados, como a realidade cultural, 
social e política, que muitas vezes não são abordados no cotidiano, 
ficando à mercê das políticas educacionais.
Em síntese, conclui-se que a formação e a transmissão da cultura não 
podem ser consideradas processos estáticos ou isolados, pois ocorrem 
continuamente de acordo com a atuação do homem em determinado 
meio social. Na educação, em especial no ambiente escolar, também 
se cria e transmite cultura entre os diversos atores que fazem parte 
do processo educacional, a saber, os professores, os gestores, os 
funcionários, os alunos, as famílias e a sociedade em geral.
Em relação ao serviço social na educação, sua importância se dá 
no papel de administrar os problemas sociais que são encontrados 
no âmbito educacional. O serviço social escolar se apresenta com a 
finalidade de contribuir com o enfrentamento da problemática social 
que é vivenciada no cotidiano escolar, seja através de orientações, 
informações, encaminhamentos ou projetos.
Apenas por meio do rompimento das barreiras da desigualdade social e 
da garantia dos direitos sociais é possível tornar o ambiente escolar um 
meio no qual se possa de fato produzir e disseminar uma cultura da qual 
participem todos os segmentosda sociedade.
30
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32
O debate sobre família e os 
rebatimentos no serviço social
Autoria: Warllon de Souza Barcellos
Leitura crítica: Flaviana Mello
Objetivos
• Analisar os fundamentos históricos da família e a 
intervenção do profissional assistente social.
• Identificar como desenvolver o trabalho com famílias 
em situação de vulnerabilidade social.
• Descrever o processo de trabalho do serviço social 
com as famílias na contemporaneidade.
33
1. O debate sobre família e os rebatimentos no 
serviço social
Nesta Leitura Digital você conhecerá aspectos históricos e atuais das 
famílias, identificará como desenvolver o trabalho com famílias em 
situação de vulnerabilidade social e entenderá a contribuição do serviço 
social no trabalho com as famílias na contemporaneidade. Trabalhar 
com famílias é algo permeado de desafios, contudo, oferece muitas 
possibilidades e potencialidades de atuação, sobretudo no âmbito 
das políticas sociais para a garantia de direitos e a superação de 
vulnerabilidades.
1.1 A família e a intervenção do assistente social
Do ponto de vista histórico, a família é a primeira forma de organização 
social, sendo composta por indivíduos que possuem relações comuns ou 
traços afetivos. Ela surgiu há aproximadamente 4.600 anos. De acordo 
com Barreto (2014), na Antiguidade, não havia relações afetivas entre 
os membros da família. A união acontecia para a “conservação de bens, 
a prática comum de um ofício e, nos casos de crise, a preservação da 
honra e da vida” (BARRETO, 2014, p. 206). Em relação aos filhos, o autor 
assinala que não vivenciavam a infância, e assim que adquiriam porte 
físico para trabalhar, acompanhavam os adultos nas tarefas domésticas. 
Além disso, havia muita diferença entre filhos e filhas, sendo que estas, 
ao se casarem, deixavam de fazer parte da família de origem e não 
tinham direitos a bens, o que cabia apenas aos homens.
No entanto, com o passar dos séculos, a família sofreu mudanças 
em sua dinâmica e em sua composição. Um aspecto marcante dessa 
evolução foi a influência da Igreja Católica, que passou a determinar 
a formação das famílias a partir de cerimônias religiosas, tornando o 
casamento um sacramento. Homem e mulher constituiriam, então, um 
único ser físico e indissociável do ponto de vista da religião. Além disso, 
34
somente a morte poderia desfazer a união estabelecida (BARRETO, 
2014).
Barreto (2014) destaca ainda que, após esse período, as famílias 
passaram a se formar não apenas pelo sacramento da Igreja, mas 
também por laços de afeto, nascendo assim a família moderna. O autor 
aponta que, nesse contexto, a convivência entre os membros passoua 
ser valorizada, e a família tornou-se idealizada como um círculo em que 
os sentimentos e valores se fazem presentes, sentido que permanece 
até os dias atuais.
Oliveira (2012) afirma que a evolução da família, passando da 
organização inicial até chegar à família moderna, por muito tempo 
foi restrita aos nobres, burgueses e indivíduos considerados ricos na 
sociedade. No entanto, com o advento da escola, a valorização da família 
por parte de instituições como a Igreja, o respeito à privacidade dos 
membros familiares e a manutenção dos filhos próximos aos pais, a 
família nuclear começou a se estruturar e a vida familiar passou a se 
estender para toda a sociedade.
Você ainda deve considerar que a industrialização foi um elemento 
determinante para a forma como as famílias se estruturam. Com o 
surgimento da oferta de trabalho nas fábricas e o desenvolvimento das 
cidades, as mulheres ingressaram no mercado de trabalho, deixando de 
se dedicar exclusivamente às tarefas do lar. Assim, novos papéis sociais 
surgiram e sistemas antigos passaram a ser questionados (CHRISTIANO; 
NUNES, 2013).
Nas décadas de 1960 e 1970, as mulheres passaram a utilizar pílulas 
anticoncepcionais, o que fez com que suas vidas deixassem de ser 
atreladas à maternidade. Elas também adquiriram mais autonomia e 
novas possibilidades na sociedade que se desenvolvia. Além disso, o 
divórcio teve papel essencial na vida das mulheres. Ele foi legalizado 
35
no Brasil em 1977, proporcionando mudanças no interior das famílias 
(CHRISTIANO; NUNES, 2013).
Assim, a família passou por muitas alterações ao longo do tempo. Hoje, 
há inúmeros conceitos que giram em torno dessa instituição social. As 
diversas transformações da família envolvem tanto a sua dinâmica, a 
sua composição e o tipo de relações estabelecidas entre seus membros 
quanto as normas de sociabilidade externas (OLIVEIRA, 2012). À 
medida que a sociedade foi se desenvolvendo, portanto, a família foi 
se estruturando de diferentes maneiras. A família nuclear, composta 
por pai, mãe e filhos, deixou de prevalecer, de modo que muitos outros 
arranjos podem ser encontrados na sociedade contemporânea.
Devido a essa variedade de arranjos familiares, não é possível dizer que 
há uma única definição para a família. Mioto (1997 apud CHRISTIANO; 
NUNES, 2013, p. 40) define como família o “núcleo de pessoas que 
convivem em determinado lugar, durante um lapso de tempo mais ou 
menos longo e se acham unidas (ou não) por laços consanguíneos”. 
Segundo Sarti, Barbosa e Suarez (2006), famílias são pessoas com 
quem se pode contar ou em quem é possível confiar. Ou seja, a família 
é composta por indivíduos com os quais se estabelecem laços de 
solidariedade e obrigações, e as relações de afeto se desenvolvem em 
meio a essa dinâmica.
Hoje, o serviço social tem nas famílias o seu principal foco de 
intervenção. Portanto, é imprescindível que você reconheça as diferentes 
conceituações e estruturas das famílias para, assim, desenvolver a sua 
atuação profissional. Mioto (2010) considera que o assistente social deve 
inicialmente identificar as principais necessidades apresentadas pelas 
famílias, trabalhando para efetivar uma mudança na vida delas. A ideia 
é que as famílias consigam desenvolver os recursos necessários para a 
sua emancipação e para obter maior qualidade de vida.
36
Mioto (2010) também afirma que é necessário pensar a família 
não apenas do ponto de vista das necessidades individuais. É 
preciso entender que a situação vivenciada não é simplesmente 
responsabilidade das famílias, mas resultado de um cenário de 
desigualdades sociais impulsionadas pelo sistema neoliberal e pelo 
capitalismo vigentes.
1.2 O trabalho com famílias em situação de 
vulnerabilidade social
As famílias em situação de vulnerabilidade social são o maior público 
do serviço social. Assim, é de extrema importância o trabalho social 
realizado com elas. Sua efetividade tem repercussões nas relações 
sociais e na sociedade como um todo. O trabalho social com famílias 
é permeado de desafios e possibilidades. Ele ocorre em meio às 
vulnerabilidades e potencialidades das famílias e das políticas públicas e 
sociais para o atendimento das demandas apresentadas. Nesse sentido, 
você pode considerar algumas estratégias para a execução do trabalho 
social com famílias.
Além disso, há elementos metodológicos que direcionam o profissional 
no decorrer das intervenções, com o objetivo de alcançar os resultados 
traçados em concordância com a família atendida. A estrutura que a 
família apresenta na contemporaneidade, com suas distintas formas, se 
relaciona intimamente com as situações vivenciadas por seus membros. 
As respostas às diferentes situações familiares são o campo de atuação 
dos profissionais de serviço social.
Você deve pensar, desde o princípio, que todo e qualquer trabalho social 
direcionado às famílias precisa ser sistemático, processual e contínuo 
(BAPTISTA, 2010). Assim, a dimensão pedagógica deve estar presente 
durante todo o processo de acompanhamento e atendimento, já que 
todos os indivíduos são capazes de aprender e ensinar. Isso reforça a 
37
capacidade do sujeito, bem como o estimula a exercer sua cidadania, 
além de contribuir para o aumento da autoestima, aspectos importantes 
durante o processo de mudança de sua condição de vulnerabilidade 
social.
Para tanto, é imprescindível que você apoie as pessoas em seus 
processos de empoderamento. Elas precisam entender sua condição 
socioeconômica para superá-la. Tomar conhecimento da própria 
situação vai ser elemento impulsionador da transformação desejada, 
no sentido de passar a ser um cidadão ativo que exerce sua cidadania e 
solucionador das dificuldades existentes no âmbito da família.
Conforme aponta Baptista (2010, p. 125), cabe ao profissional “construir 
sua intervenção acreditando na potencialidade das pessoas da 
comunidade”, em um objetivo de empoderamento das relações sociais 
comunitárias e em articulação com organizações sociais já existentes na 
própria comunidade.
Por mais desafiadoras e complexas que pareçam ser algumas realidades 
sociais em que famílias estão inseridas, permeadas de precarização, 
violência e exclusão, há no âmbito da família muitas potencialidades 
para serem exploradas pelo profissional durante sua prática, utilizando-
se das políticas públicas. A ideia é impulsionar iniciativas de resiliência, 
garantia dos vínculos afetivos e convivência familiar e comunitária. Cabe 
a você, profissional de serviço social, identificar essas potencialidades. 
Sobre os desafios dos assistentes sociais, Iamamoto (2007, p. 18) destaca 
que:
[...] os Assistentes Sociais são desafiados neste tempo de divisas, de 
gente cortada em suas possibilidades de trabalho e de obter meios de 
sobrevivência, ameaçada na própria vida. Tempos de crise, em que cresce 
o desemprego, o subemprego, a luta por meios para sobreviver no campo 
e na cidade. Tempos extremamente difíceis para todos aqueles que 
vivem do trabalho: para a defesa do trabalho e para a organização dos 
trabalhadores.
38
Assim sendo, o trabalho social feito com famílias é um desafio enorme 
para o assistente social, uma vez que as suas intervenções podem 
provocar mudanças e a superação das vulnerabilidades sociais. Desse 
modo, o seu agir profissional tem o poder de possibilitar a emancipação 
e o desenvolvimento da cidadania de muitas famílias.
1.3 Serviço social e sua atuação com as famílias na 
contemporaneidade
A atuação do serviço social com as famílias vulneráveis na 
contemporaneidade é emergente e premente. Afinal, são 
especificamente as famílias que estão passando por situações de 
vulnerabilidade e risco social que precisam urgentemente de uma 
atuação centrada na ação transformadora e da proteção do Estado, 
principalmente nos casos em que há a necessidade de estarem 
inseridas no mercado de trabalho de forma atuante, para a superação 
das dificuldades econômicas. Nesse sentido, o assistente social é 
chamado aintervir nessas realidades através do seu arcabouço teórico-
metodológico e de suas competências privativas, articulando as políticas 
públicas e sociais e possibilitando que os membros das famílias sejam 
operantes no seu processo de superação das vulnerabilidades.
Atualmente, a família desempenha papel central nas políticas públicas. 
Ela é objeto, sujeito e instrumento de tais políticas. Essa realidade 
acontece em um sentido de contradição entre o capital e o trabalho. 
O Estado passa a ser máximo para o capital e mínimo para o social. 
Desse modo, os investimentos dedicados às necessidades são reduzidos 
ao mínimo necessário, e a responsabilidade pelo sustento e bem-
estar dos indivíduos deixa de ser do Estado e passa a ser das pessoas 
individualmente. Ou seja, as responsabilidades do Estado com a questão 
social são transferidas para as famílias.
39
Outro aspecto importante no trabalho com famílias é a exigência de 
que o profissional tenha cuidado para não deixar que suas referências 
familiares se misturem com a situação da família atendida. Faermann 
(2012) aponta que muitos profissionais acabam trabalhando com 
famílias a partir de suas próprias referências. Merece destaque ainda o 
fato de que o profissional deve basear sua análise e sua intervenção em 
uma dimensão crítica, a partir da perspectiva da totalidade (FAERMANN, 
2012).
Nesse sentido, o serviço social realiza intervenções (alicerçadas pelos 
eixos ético-político, teórico-metodológico e técnico-operativo de 
atuação) que buscam viabilizar e garantir os direitos das famílias e 
indivíduos atendidos de forma individual ou coletiva. Isso acontece 
com os objetivos de possibilitar a emancipação e de transformar as 
potencialidades da família em acesso aos direitos via políticas públicas. 
Veja algumas das intervenções que o assistente social pode realizar:
As ações socioeducativas estão relacionadas àquelas que, através da 
informação, da reflexão ou mesmo da relação, visam provocar mudanças 
(valores, modos de vida). [...] As ações periciais são aquelas que, através 
do estudo e da avaliação das situações familiares, visam à emissão de 
um parecer social para outrem. As ações socioassistenciais se relacionam 
a toda ação de provimento e de sustentação para atendimento de 
necessidades das famílias usuárias. As ações de acolhimento e apoio 
socioinstitucional consistiriam, como o próprio nome indica, no 
acolhimento e apoio e na articulação de recursos através da ativação, 
integração e modificação das redes sociais e de serviços para atender às 
demandas familiares. (MIOTO, 2004, p. 10)
Em qualquer ação profissional, o seu objetivo maior deve ser sempre 
o atendimento às necessidades das famílias, como também a 
promoção e ampliação dos seus direitos. As famílias não devem ser 
responsabilizadas por suas mazelas. Sobretudo, é preciso buscar 
uma forma de pressionar o Estado para que ele assuma o seu papel 
de proteção nas situações de vulnerabilidade social. Nesse sentido, 
40
é imprescindível que ocorra uma intervenção visando ampliar a 
capacidade de emancipação e a autonomia, buscando a superação das 
vulnerabilidades.
A atuação do assistente social deve ser pautada por significados e 
condutas, partindo da noção de que as subjetividades podem ser 
alteradas pelas práticas sociais, assim como pelas situações objetivas 
fornecidas pelas políticas públicas como direitos, pela apropriação e 
produção de novos objetivos pessoais e pelo compromisso coletivo em 
buscar melhores condições de vida.
Por isso, é tão importante que o assistente social faça o processo de 
reflexão e análise do seu trabalho, para que esteja sempre alinhado 
ao projeto ético-político da profissão e, dessa forma, realize um 
trabalho articulado com os diferentes segmentos da sociedade, mas 
principalmente com grupos que compõem o território específico de 
sua atuação. Nesse sentido, com a análise frequente das necessidades 
e demandas já postas em pauta pela comunidade, é possível que o 
profissional de serviço social execute, implemente, planeje e avalie as 
políticas públicas, visando efetivar novas conquistas para os cidadãos.
Portanto, no trabalho interventivo do assistente social, em especial 
naquele destinado às necessidades familiares, a máxima de sua atuação 
é buscar sobrepor as famílias ao sistema estatal que exclui os mais 
vulneráveis do acesso aos direitos. Os assistentes sociais, por meio de 
sua intervenção, precisam ser os agentes incentivadores das mudanças 
sociais. Com a atuação dos profissionais, as famílias até então em estado 
de fragilidade e vulnerabilidade social passam a ser protagonistas da 
própria história, da cidadania e dos direitos sociais.
41
Referências
BAPTISTA, N. de Q. Metodologia de trabalho social com famílias. In: ACOSTA, A. 
R.; VITALE, M. A. F. (org.). Família: redes, laços e políticas sociais. 5. ed. São Paulo: 
Cortez, 2010.
BARRETO, L. S. Evolução histórica e legislativa da família. 10 Anos do Código 
Civil: Aplicação, Acertos, Desacertos e Novos Rumos. v. 1. [S. l.: s. n.], 2014. Série 
Aperfeiçoamento de Magistrados.
CHRISTIANO, R. M.; NUNES, N. R. A. A família na contemporaneidade: os desafios 
para o trabalho do serviço social. Em Debate, Florianópolis, n. 11, p. 32-56, 2013. 
Disponível em: https://www.maxwell.vrac.puc-rio.br/26982/26982.PDF. Acesso em: 
20 abr. 2022.
FAERMANN, L. A. A intervenção profissional do assistente social junto às famílias. 
Serviço Social & Realidade, Franca, v. 21, n. 2, p. 125–140, 2012. Disponível em: 
https://seer.franca.unesp.br/index.php/SSR/article/view/2448. Acesso em: 20 abr. 
2022.
IAMAMOTO, M. V. O serviço social na contemporaneidade: trabalho e formação 
profissional. 13. ed. São Paulo: Cortez, 2007.
MIOTO, R. C. T. Trabalho com famílias: um desafio para os assistentes sociais. 
Revista Virtual Textos & Contextos, Porto Alegre, v. 3, n. 1, dez. 2004. Disponível 
em: https://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/view/979. Acesso 
em: 20 abr. 2022.
MIOTO, R. C. T. Família e Política Social: uma introdução ao debate sobre os 
processos de responsabilização das famílias no contexto dos serviços públicos. XII 
Encontro Nacional de Pesquisadores em Serviço Social/ENPESS. 2010.
OLIVEIRA, C. B. A centralidade da família na política nacional de assistência 
social: um debate sobre a matricialidade sociofamiliar. 2012. 69 p. Trabalho 
de Conclusão (Graduação em Serviço Social)–Universidade Federal de Santa 
Catarina, Florianópolis, 2012. Disponível em: https://repositorio.ufsc.br/
handle/123456789/103583. Acesso em: 15 fev. 2022.
SARTI, C. A.; BARBOSA, R. M.; SUAREZ, M. M. Violência e gênero: vítimas demarcadas. 
Physis, Rio de Janeiro, v. 16, n. 2, p. 167–183, 2006. Disponível em: https://www.
scielo.br/j/physis/a/Dv6BxdLhJRFm9RkM3vhMqDd/abstract/?lang=pt. Acesso em: 20 
abr. 2022.
TEIXEIRA, S. M. Política Social contemporânea: a família como referência para 
as Políticas Sociais e para o trabalho social. In: MIOTO, R. C. T.; CAMPOS, M. S.; 
CARLOTO, C. M. (org.). Familismo: direitos e cidadania. Contradições da política 
social. São Paulo: Cortez, 2015.
42
Habilidades e competências do 
assistente social para atuação nas 
políticas educacionais
Autoria: Warllon de Souza Barcellos
Leitura crítica: Flaviana Mello
Objetivos
• Explicar a questão social na política educacional.
• Apontar como as expressões da questão social se 
manifestam na política educacional.
• Analisar o trabalho do assistente social na política de 
educação.
43
1. Habilidades e competências do assistente 
social para atuação nas políticas educacionais
Através deste conteúdo você será capaz de entender como a questão 
social se manifesta na política de educação, bem como analisar o 
trabalho do assistente nesse mesmo âmbito. A atuação do serviço 
social na política de educação teve seu início na década de 1930, 
quando as assistentes sociais pensavam as suas ações a partir do 
viés conservador da matriz positivista, ou seja, a sociedade estava 
harmoniosae o indivíduo deveria adaptar-se; portanto, o trabalho social 
era desenvolvido na perspectiva moralizante e de ajuste social.
O assistente social é um profissional dotado de habilidades e 
competências para atuar nas políticas educacionais, por ter desenvolvido 
um arcabouço teórico-metodológico, ético-político e técnico-operativo 
para compreender a essência das demandas que emergem no ambiente 
educacional a partir da leitura crítica da realidade. A atuação profissional 
do serviço social é de cunho educativo e se dá nas diversas políticas 
sociais. Entretanto, especificamente, sua atuação na política de educação 
se inicia com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional, em 1996. A partir disso, o profissional conseguiu articular, 
junto com os educadores e outras políticas setoriais, o atendimento das 
demandas em sua totalidade.
2. As manifestações da questão social nas 
políticas educacionais
O serviço social, que consiste em uma profissão inserida na divisão 
sociotécnica do trabalho, atravessou um período de amadurecimento 
teórico-metodológico que lhe possibilitou construir um arcabouço 
teórico que refletisse a realidade brasileira a partir da aproximação 
44
com a teoria social crítica. A instauração do Código de Ética, em 1993, 
fundamentado na teoria social crítica, permitiu que o serviço social 
pensasse um projeto profissional e societário diferente do que estava 
em curso até então, com base em um projeto ético-político vinculado a 
uma ideia de sociedade mais justa e igualitária, que tem nas expressões 
da questão social seu objeto de trabalho.
Nessa ótica, o assistente social é um profissional habilitado a atuar no 
sentido da ampliação e consolidação dos direitos sociais, com vistas a 
reafirmar seu compromisso com a classe trabalhadora no contexto das 
políticas sociais. A política de educação é uma das áreas de inserção 
profissional em que o assistente social tem a preocupação com a 
construção de um ensino de qualidade, com base na inclusão social 
pelos caminhos da educação para todos.
A questão social enquanto objeto de intervenção do assistente social 
desencadeia uma série de desafios para a atuação dos assistentes 
sociais. Esses desafios emergem das expressões da questão social que 
se manifestam na vida dos usuários atendidos, de modo individual e/
ou coletivamente, e como esses sujeitos lidam com essas questões 
– se esses sujeitos manifestam resistência, luta, rebelam-se contra 
essas manifestações ou se acomodam-se, aceitando tudo que está 
acontecendo.
A partir disso, fica claro que o espaço educacional é um caminho 
importante para o processo de socialização dos indivíduos, sendo o 
local onde acontece a articulação entre comunidade, família e Estado. 
Além disso, sabe-se que a política educacional também serve como um 
mecanismo de luta contra as desigualdades que foram geradas ao longo 
da história brasileira e se materializa como um instrumento de acesso à 
cidadania.
Sendo assim, a escola não deve ser compreendida apenas como um 
espaço de reprodução das desigualdades, mas também como lugar 
45
de criação e valorização de ações que contribuem com a qualidade de 
vida da população. Entende-se que a escola seria um espaço propício 
para as discussões acerca da realidade da sociedade capitalista e suas 
contradições. Entretanto, o ambiente escolar tem sido utilizado como 
mecanismo de reprodução da ideologia dominante, ao impor a forma de 
condução do ensino em suas diversas fases.
Pensar em uma escola na perspectiva da educação popular é um grande 
desafio em uma sociedade de classes, pois sendo um espaço para as 
manifestações da questão social, é, portanto, um local para a atuação do 
assistente social. Outrossim, envolver outras áreas do conhecimento é 
essencial para que o atendimento ao aluno e à sua família seja realizado 
na perspectiva de totalidade, ou seja, é preciso inserir essa realidade 
no contexto macrossocial da sociedade capitalista e compreender as 
expressões da questão social como resultado e consequência dessa 
forma de sociabilidade.
São marcantes os níveis de desigualdade social que retratam a realidade 
brasileira, de modo que a questão social sempre é tema de debate 
devido às suas características no processo de formação e constituição da 
sociedade no país. Considerando essa conjuntura, é necessário refletir 
sobre os impactos da questão social nas políticas de educação no Brasil 
e, principalmente, pensar em suas manifestações na escola, diante 
dos determinantes econômico, político e social que conformam para a 
definição e efetivação da política de educação brasileira.
Dentre as várias lutas encampadas por movimentos ligados à política de 
educação, bem como pelo Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), 
foram apresentadas propostas para a inserção do profissional de serviço 
social nas escolas. Tramitou no Congresso Nacional a proposta do 
Projeto de Lei nº 3.688/2000, que dispõe sobre a prestação de serviços 
de psicologia e assistência social nas escolas públicas de educação 
básica, e ele foi aprovado por unanimidade em 7 de julho de 2015, na 
46
Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) da Câmara dos 
Deputados.
Muito se tem discutido sobre a importância desses profissionais nas 
escolas, e em dezembro de 2019 foi aprovada a Lei n° 13.935, mas 
tais projetos ainda então sendo implementados. A aprovação desse 
Projeto de Lei não implica no seu cumprimento imediato. Para que isso 
ocorra, é preciso estabelecer com as várias instâncias organizativas da 
profissão uma agenda de reivindicações junto aos poderes públicos, ou 
seja, é preciso continuar o processo de lutas para que a lei se cumpra 
(OLIVEIRA, 2015).
3. Capacidades do assistente social no 
ambiente escolar
A organização e a articulação entre código de ética, lei de 
regulamentação da profissão e diretrizes curriculares para a formação 
profissional resultam em uma preparação hegemônica, com um 
direcionamento teórico e ideológico. Assim, com embasamento na 
teoria crítica marxista, o serviço social assume uma capacidade de 
análise crítica, que busca examinar o contexto histórico, social, político 
e econômico que envolve as demandas, identificadas como expressões 
da questão social, e propositiva, que oferece soluções para as situações 
apresentadas.
Em geral, ressalta-se o objeto de ação do serviço social: a questão 
social e, portanto, as políticas públicas enquanto parte dos meios de 
intervenção, já que representam o conjunto de respostas às demandas 
públicas e de interesse coletivo. Assim, em uma perspectiva crítica, 
as políticas públicas são os instrumentos criados para responder às 
manifestações por direitos da classe trabalhadora, conquistados e 
viabilizados por meio de ações como programas e projetos sociais.
47
Diante disso, é preciso considerar que a prática profissional do serviço 
social se orienta a responder:
[...] às necessidades sociais, materiais ou espirituais (condensadas nas 
múltiplas expressões da questão social) de segmentos sociais das classes 
subalternas na singularidade de suas vidas: indivíduos e suas famílias, 
grupos com recortes específicos. (IAMAMOTO, 2009, p. 352)
Ou seja, é uma prática de caráter interventivo, com um posicionamento 
ético-político que identifica especificidades da demanda, inserindo-a em 
um contexto amplo de sociedade. Essa prática se manifesta nas ações 
profissionais por meio do acolhimento e da identificação da situação do 
usuário, buscando, para além da conjuntura exposta, reconhecer outras 
vulnerabilidades que possam ser trabalhadas, as quais podem ser 
sociais, materiais ou espirituais.
O profissional atua com as diversas expressões da questão social que 
têm mais incidência no ambiente escolar, tais como: trabalho infantil, 
violência e suas manifestações (estrutural, doméstica e outras ocorridas 
na própria instituição), gravidez precoce, dependência de álcool e 
drogas, e dificuldades socioeconômicas. Portanto, existem fatores 
socioeducacionaisque exercem certa influência no processo educativo, 
entre os quais se destacam, segundo Martins (2015):
• Mobilização da participação efetiva das famílias nas instâncias de 
poder decisório da escola e no acompanhamento do processo 
educativo dos alunos.
• Elaboração do perfil socioeconômico e cultural das famílias e dos 
alunos, buscando subsidiar o projeto pedagógico da escola.
• Promoção da articulação com Conselho Tutelar, Vara da Infância e 
Juventude e Ministério Público, a fim de efetivar ação conjunta no 
atendimento de crianças e adolescentes vítimas de maus-tratos e 
48
abrigados, para que sejam cumpridas medidas educativas visando 
à sua permanência na escola.
• Promoção da articulação dos projetos sociais que têm como 
condicionalidade a frequência escolar e são de iniciativa de outras 
políticas sociais, tais como o Auxílio Brasil (antigo Bolsa Família) e 
programas de transferência de renda.
• Elaboração de programas e projetos em parceria com equipe 
interdisciplinar de outras áreas sociais que visem prevenir a 
violência doméstica, o uso de drogas, as doenças sexualmente 
transmissíveis e infectocontagiosas e demais questões pertinentes 
à saúde pública, entre outras.
• Realização de pesquisas sobre as demandas existentes na 
comunidade escolar, subsidiando a política de atendimento à 
criança e ao adolescente no município, no que tange à educação 
e a outras políticas sociais, e contatando os Conselhos Municipais 
Setoriais.
• Articulação com os movimentos sociais atuantes na área da 
educação, entre outros.
Nesse tendido, entende-se que esse é um espaço em que o assistente 
social pode dar sua contribuição, identificando os fatores sociais, 
culturais e econômicos que determinam os processos que mais afligem 
o campo educacional no atual contexto e para que, diante da ofensiva 
capitalista, possa contribuir, também, para que a luta por uma educação 
como direito social e prática emancipatória se intensifique, assim como 
para que o Serviço Social na educação seja consolidado. (OLIVEIRA, 
2015).
49
4. O trabalho do assistente social na política 
educacional
Diante das adversidades vivenciadas nas escolas, a requisição para a 
inclusão de assistentes sociais nesses ambientes tem representado uma 
precisão da instituição cada vez mais evidente em muitos estados e 
municípios. O assistente social passou a ser visto como um profissional 
capacitado e essencial na realização de uma análise da realidade social, 
com arcabouço teórico-metodológico para contribuir com a ampliação 
e consolidação do processo educacional, a fim de que jovens e crianças, 
para além do acesso à educação, possam ter também direito à 
permanência educacional, passando por todos os ciclos até ingressarem 
em uma universidade.
Embora o trabalho realizado também perpasse a dimensão 
socioeducativa, a atuação desses profissionais na política de educação 
se efetiva através do fortalecimento das redes de sociabilidade e de 
acesso aos serviços e dos processos socioinstitucionais com vistas ao 
reconhecimento e à ampliação dos direitos sociais dos sujeitos.
A inserção dos serviços sociais na política de educação não é recente. 
Ela remonta à década de 1940, quando sua atuação profissional era 
dedicada ao controle social sobre a família proletária, com o objetivo 
de socialização e de educação durante o ciclo de expansão do capital. 
Entretanto, essa inserção ainda tem sido bem tímida, com um número 
pequeno de assistentes sociais atuando na área.
É importante destacar que o trabalho desenvolvido pelos assistentes 
sociais nesse âmbito implica compreender, também, que a educação é 
utilizada como instrumento de manutenção e reprodução do sistema 
capitalista, visto que desempenha um papel importante nas formas de 
replicação do ser social, assegurando a reprodução do contexto social, 
50
a manutenção da contradição entre as classes sociais e a ampliação das 
desigualdades.
Segundo os Subsídios para a Atuação de Assistentes Sociais na 
Política de Educação, elaborados pelo conjunto CFESS/CRESS (2013), a 
educação pode ser considerada como um espaço privilegiado para o 
enriquecimento ou empobrecimento do gênero humano, de modo que 
a atuação profissional deve realizar-se na perspectiva de fortalecimento 
do projeto ético-político da profissão, em que o trabalho é feito na 
concepção da educação emancipadora, que possibilita aos indivíduos o 
desenvolvimento de suas potencialidades e capacidades humanas.
A atuação que visa à garantia da gestão democrática e da qualidade 
da educação indica outras dimensões que também se inscrevem no 
campo de lutas pelo reconhecimento e pela ampliação da educação 
pública como um direito social, de modo sintonizado com os princípios 
ético-políticos que norteiam a profissão. A principal marca da inclusão 
do assistente social na política educacional é a materialização de ações 
voltadas para a garantia do acesso à educação escolarizada.
Piana (2009) ressalta que muito pode ser feito nas secretarias de 
educação municipal, no ensino básico, a partir de projetos de extensão 
que compreendem a política de período integral, na realização do 
atendimento direto e indireto da população usuária, dos alunos 
e de suas famílias, nos espaços de educação formal, em projetos 
de assessoria e consultoria e na realização de trabalhos com os 
professores.
A ação conjunta dos assistentes sociais com o campo da educação, 
mediada pelos programas e projetos socioeducativos, possibilita aos 
profissionais atuar dentro da política educacional, com questões que 
lhes são centrais, como a formação permanente dos educadores e com a 
ampliação das práticas educacionais e pedagógicas em uma perspectiva 
curricular e não mais com uma visão complementar ou paralela. (PIANA, 
2009, p. 153)
51
Em síntese, a utilização das abordagens individuais e com famílias na 
política de educação amplia o espaço de intervenção, possibilitando uma 
avaliação complementar e articulada com a educação na formação e 
no desenvolvimento de cidadãos. Além disso, as relações intersetoriais 
e interdisciplinares funcionam como pontes de acesso aos diversos 
serviços sociais. A articulação entre assistência social e educação 
busca promover uma rede de apoio integral aos que delas necessitam. 
Portanto, a educação consegue executar o seu papel, a escolarização e 
a qualificação formal do indivíduo, enquanto o serviço social abrange as 
especificidades do contexto sócio-histórico dos indivíduos no âmbito da 
intervenção social, produzindo efeitos a curto, médio e longo prazos.
A partir da inserção dos assistentes sociais na educação, é possível 
refletir acerca da natureza política e profissional da função social 
da profissão com relação às estratégias de lutas pela conquista da 
cidadania e dos direitos sociais. Pensar a atuação profissional na 
educação nessa perspectiva sugere que as possibilidades de intervenção 
estão longe de se esgotar.
Desse modo, o trabalho interventivo é associado ao de conscientização 
e transmissão de informação para a classe trabalhadora quanto a 
sua capacidade e seus direitos histórica e socialmente conquistados, 
propondo estratégias de acesso e garantia a esses direitos. Por fim, 
diante dessas reflexões, é importante que o assistente social pense 
os objetivos de suas ações profissionais de maneira crítica, a partir 
das determinações de seu campo de atuação, tendo sempre como 
parâmetro profissional, em suas diversas dimensões, o projeto ético-
político profissional do serviço social.
52
Referências
CFESS. Conselho Federal de Serviço Social. Subsídios para a atuação de 
assistentes sociais na política de educação. Brasília: CFESS, 2013. Disponível em: 
http://www.cfess.org.br/visualizar/noticia/cod/908. Acesso em: 21 fev. 2022.
IAMAMOTO, M. V. Os espaços sócio-ocupacionais do assistente social. In: CFESS. 
Conselho Federal de Serviço Social. Serviço social: direitos sociais e competências 
profissionais. Brasília: CFESS; ABEPSS, 2009. p. 341–376.
MARTINS, E.B. C. O rebatimento das expressões da questão social no cotidiano 
escolar e a contribuição do serviço social. In: DAVID, C. M. et al. (org.). Desafios 
contemporâneos da educação. São Paulo: Editora da UNESP; Cultura Acadêmica, 
2015.
OLIVEIRA, O. M. O serviço social na política de educação: apontamentos e reflexões. 
In: JORNADA INTERNACIONAL DE POLÍTICAS PÚBLICAS, 7., 2015, São Luis. Anais [...]. 
Maranhão, 2015. Disponível em: http://www.joinpp.ufma.br/jornadas/joinpp2015/
pdfs/eixo13/o-servico-social-na-politica-de-eudcacao-apontamentos-e-reflexoes.pdf. 
Acesso em: 20 abr. 2022.
PIANA, M. C. A construção do perfil do assistente social no cenário educacional. 
São Paulo: Cultura Acadêmica, 2009.
SILVA, L. G.; CARDOSO, V. B. Serviço social na política de educação: inserção do 
assistente social nas escolas. In: Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais, 3, 2013, 
Belo Horizonte. Anais [...]. Minas Gerais: CRESS, 2013. Disponível em: https://cress-
mg.org.br/. Acesso em: 21 fev. 2022.
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	Sumário
	Apresentação da disciplina
	Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção
	Objetivos
	1. Evasão e abandono escolar. Elaboração e execução de programas de prevenção
	Referências 
	A cultura no exercício profissional do serviço social
	Objetivos
	1. A concepção de cultura e sua relação com o indivíduo 
	2. A cultura no exercício profissional do serviço social 
	Referências 
	O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social
	Objetivos
	1. O debate sobre família e os rebatimentos no serviço social
	Referências 
	Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais
	Objetivos
	1. Habilidades e competências do assistente social para atuação nas políticas educacionais
	2. As manifestações da questão social nas políticas educacionais
	3. Capacidades do assistente social no ambiente escolar
	4. O trabalho do assistente social na política educacional
	Referências

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