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LÍNGUA PORTUGUESA 
Figuras de linguagem: 
Metáfora 
A metáfora consiste em retirar uma palavra de seu contexto convencional (denotativo) e transportá-la 
para um novo campo de significação (conotativa), por meio de uma comparação implícita, de uma 
similaridade existente entre as duas: 
 
 Buscava o coração do Brasil. 
Ora, o Brasil não possui o órgão biológico em questão. Portanto, coração significa aí o centro vital, a 
essência, o âmago do país. 
 Achamos a chave do problema. 
O problema não é nenhuma fechadura, mas para resolvê-lo (ou abri-lo) o elemento que se diz ter 
achado é tão necessário quanto uma chave para abrir uma porta. 
 
A metáfora possui algumas variações: 
Personificação 
Atribuição de ações, qualidades ou sentimentos próprios do ser humano a seres inanimados. 
 Uma noite triste. 
A noite em si é neutra no que toca a sentimentos. Somos nós que podemos lhe atribuir emoções. 
 O furacão rugia, expressando sua fúria. 
Comparam-se aqui os sons do furacão aos rugidos de uma fera, bem como a sua intensidade à 
expressão de um sentimento humano ou animal, a fúria. 
Hipérbole 
É o exagero puro e simples. 
 Era louco por seu time. 
Com isso, quer se dizer que o sujeito gostava demasiadamente, amava seu time, a ponto de perder a 
razão. 
 Rios de lágrimas, derramei por você. 
Por mais que alguém chore, não foramará sequer um riacho... 
Símbolo 
É a metáfora que acontece quando o nome de um ser ou coisa concreta assume um valor convencional 
e abstrato. 
 A cruz pode enfrentar a espada. 
Não se trata, naturalmente, de usar o crucifixo como arma... Quer-se dizer, por exemplo, que a religião 
cristã, simbolizada pela cruz, pode enfrentar a violência, simbolizada pela espada. 
 "E acreditam nas flores vencendo o canhão." 
O verso de Geraldo Vandré tem sentido semelhante: as flores simbolizam a paz; o canhão, a guerra. 
Sinestesia 
É a figura em que se fundam as sensações visuais com auditivas, gustativas, olfativas, táteis. A figura 
dos sentidos. 
 O doce sabor da liberdade. 
Enquanto abstração que é, a liberdade não tem sabor nem doce, nem salgado 
 Queria pintar a casa com uma cor quente. 
Ninguém se queimará ao encostar numa parede vermelha, no entanto, por estar associada ao fogo, a 
cor transmite a sensação de calor. Por isso, pode ser chamada de "cor quente". 
Catacrese 
É uma variedade de metáfora natural da língua, de emprego corrente, que serve para suprir a 
inexistência de um nome específico para determinada coisa. 
 Nariz do avião, pé da mesa, boca da noite, dente de alho, embarcar no trem, etc. 
Metáfora é a figura de palavra em que um termo substitui outro em vista de uma relação de 
semelhança entre os elementos que esses termos designam. Essa semelhança é resultado da 
imaginação, da subjetividade de quem cria a metáfora. A metáfora também pode ser entendida como 
uma comparação abreviada, em que o conectivo comparativo não está expresso, mas subentendido. 
Na comparação metafórica (ou símile), um elemento A é comparado a um elemento B através de um 
conectivo comparativo (como, assim como, que nem, qual, feito etc. ). Muitas vezes a comparação 
metafórica traz expressa no próprio enunciado a qualidade comum aos dois elementos: 
Esta criança é forte como um touro . 
elemento A qualidade comum conectivo elemento B 
Já na metáfora, a qualidade comum e o conectivo comparativo não são expressos e a semelhança entre 
os elementos A e B passa a ser puramente mental: 
Do ponto de vista lógico, a criança é uma criança, e um touro é um touro. Uma criança jamais será um 
touro. Mas a criança é teria a sua força comparada á de um touro. 
Veja o exemplo: 
“O tempo é uma cadeira ao sol, e nada mais”(Carlos Drummond de Andrade) 
A associação do tempo a uma cadeira ao sol é puramente subjetiva. Cabe ao leitor completar o sentido 
de tal associação, a partir da sua sensibilidade, da sua experiência. Essa metáfora, portanto, pode ser 
compreendida das mais diferentes formas. Isso não quer dizer que ela possa ser interpretada de 
qualquer jeito, mas que a compreensão dela é flexível, ampla. 
Observe a transformação de comparações metafóricas (ou símiles) em metáforas: 
O Sr. Vivaldo é esperto como uma raposa. (comparação metafórica) 
O Sr. Vivaldo é uma raposa. (metáfora) 
A vida é fugaz como chuva de verão. (comparação metafórica) 
A vida é chuva de verão. (metáfora) 
Nesse último exemplo, o elemento A (as mangueiras está sendo comparado ao elemento B 
(intermináveis serpentes), pois há uma semelhança no modo como ambos se põem em relação ao chão. 
Os galhos da mangueira, por serem baixos e tortuosos, lembram intermináveis serpentes 
Na linguagem cotidiana, deparamo-nos com inúmeras expressões como: 
cheque-borracha 
cheque-caubói 
voto-camarão 
manga-espada 
manga-coração-de-boi 
Nos exemplos já vistos, fica bastante claro o porquê existência de metáforas. Diante de fatos e coisas 
novas, que não fazem parte da sua experiência, o homem tem a tendência de associar esses fatos e 
essas coisas a outros fatos e coisas que ele já conhece. Em vez de criar um novo nome para o peixe, ele 
o associa um objeto da sua experiência (espada) e passa a denominá-lo peixe-espada. O mesmo 
acontece com peixe-boi, peixe-zebra, peixe-pedra, etc. (Se quiser fazer uma experiência, abra o 
dicionário na palavra "peixe" e verá quantas expressões são formadas a parti desse processo . ) 
Muitos verbos também são utilizados no sentido metafórico. Quando dizemos que determinada pessoa 
"é difícil de engolir", não estamos cogitando a possibilidade de colocar essa pessoa estômago adentro. 
Associamos o ato de engolir (ingerir algo, colocar algo para dentro) ao ato de aceitar, suportar, 
agüentar, em suma, conviver. Alguns outros exemplos: 
A vergonha queimava-lhe o rosto. 
As suas palavras cortaram o silêncio. 
O relógio pingava as horas, uma a uma, vagarosa mente. 
Ela se levantou e fuzilou-me com o olhar. 
Meu coração ruminava o ódio. 
Até agora, vimos apenas casos de palavras que assumiam um sentido metafórico. No entanto, existem 
expressões inteiras (e até textos inteiros) que têm sentido metafórico, como: 
ter o rei na barriga: ser orgulhoso, metido saltar de banda: cair fora, omitir-se pôr minhocas na cabeça : 
pensar em bobagens , pensar em tolices dar um sorriso amarelo: sorrir sem graça tudo azul: tudo bem 
ir para o olho da rua: ser despedido, ser mandado embora 
Como se pode perceber, a metáfora afasta-se do raciocínio lógico, objetivo. A associação depende da 
subjetividade de quem cria a metáfora, estabelecendo uma outra lógica, a lógica da sensibilidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
exercícios 
 
1. No texto II, Bernardo Guimarães emprega diferentes figuras de linguagem. Observe o fragmento: 
 
“No sertão, ao cair da noite, todos tratam de dormir, como os passarinhos. As trevas e o silêncio são 
sagrados ao sono, que é o silêncio da alma” (l 26-28). 
Retire desse fragmento uma figura de linguagem, nomeando-a. 
 
Resposta: “O silêncio da alma”, Metáfora. 
 
2. Observe o enunciado: 
“E enquanto todos pulavam no salão, o dólar pulava no câmbio. O verbo “pular” está empregado no 
primeiro caso no sentido denotativo; no segundo, o sentido é figurado. Também a palavra “dólar” é 
usada no sentido figurado. A figura de linguagem empregada no caso de “dólar” é: 
a) antítese, porque, no enunciado, há idéias contrárias relacionadas aos seres representados. 
b) eufemismo, porque, no enunciado, há idéias diminuídas relacionadas aos seres representados. 
c) prosopopéia, porque, no enunciado, há a personificação dos seres representados. 
d) metonímia, porque, no enunciado, há relações de contigüidade entre os seres representados. 
e) onomatopéia, porque, no enunciado, imitam-se as vozes dos seres representados. 
Resposta: c 
Trata-se de prosopopéia porque um ser inanimado é tratado como um ser animado. 
 
3. Na frase “(…) data da nossaindependência política, e do meu primeiro cativeiro pessoal”, ocorre o 
mesmo recurso expressivo de natureza semântica que em: 
a) Meu coração / não sei por quê / Bate feliz / quando te vê. 
b) Há tanta vida lá fora / Aqui dentro, sempre / Como uma onda no mar. 
c) Brasil, mau Brasil brasileiro, / Meu mulato inzoneiro, / Vou cantar-te nos meus versos. 
d) Se lembra da fogueira, / Se lembra dos balões, Se lembra dos luares dos sertões? 
e) Meu bem querer, / É segredo, é sagrado, / Está sacramentado / Em meu coração. 
Resposta: b 
Na frase ocorre uma antítese, configurada no emprego das expressões antônimas “independência 
política” e “ cativeiro pessoal”. Esse recurso expressivo de natureza semântica também corre em “lá 
fora” e “aqui dentro” da frase da alternativa “b”. 
 
4. Assinale a alternativa em que se identifica a figura de linguagem predominante no trecho: 
“As rodas dentadas da pobreza, ignorância, falte de esperança e baixa auto-estima se engrenam para 
criar um tipo de máquina do fracasso perpétuo que esmigalha os sonhos de geração a geração. Nós 
todos pagamos o preço de mantê-la funcionando. O analfabetismo é a sua cavilha”. 
a) Eufemismo b) Antítese c) Metáfora 
d) Elipse e) Inversão 
 
Resposta: c 
Nesse texto há uma série de metáforas ((“rodas dentadas”, “engrenam”, “máquina do fracasso”, 
“esmigalha os sonhos”, “cavilha”) compondo uma verdadeira alegoria a respeito dos fatores que 
condicionam a exclusão social do indivíduo.

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