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Prévia do material em texto

Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
ANTROPOLOGIA
CULTURAL
REITORIA Prof. Me. Gilmar de Oliveira
DIREÇÃO ADMINISTRATIVA Prof. Me. Renato Valença 
DIREÇÃO DE ENSINO PRESENCIAL Prof. Me. Daniel de Lima
DIREÇÃO DE ENSINO EAD Profa. Dra. Giani Andrea Linde Colauto 
DIREÇÃO FINANCEIRA Eduardo Luiz Campano Santini
DIREÇÃO FINANCEIRA EAD Guilherme Esquivel
COORDENAÇÃO DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE ENSINO Profa. Dra. Nelma Sgarbosa Roman de Araújo
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE PESQUISA Profa. Ma. Luciana Moraes
COORDENAÇÃO ADJUNTA DE EXTENSÃO Prof. Me. Jeferson de Souza Sá
COORDENAÇÃO DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA Prof. Me. Jorge Luiz Garcia Van Dal
COORDENAÇÃO DE PLANEJAMENTO E PROCESSOS Prof. Me. Arthur Rosinski do Nascimento
COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA EAD Profa. Ma. Sônia Maria Crivelli Mataruco
COORDENAÇÃO DO DEPTO. DE PRODUÇÃO DE MATERIAIS DIDÁTICOS Luiz Fernando Freitas
REVISÃO ORTOGRÁFICA E NORMATIVA Beatriz Longen Rohling 
 Carolayne Beatriz da Silva Cavalcante
 Caroline da Silva Marques 
 Eduardo Alves de Oliveira
 Jéssica Eugênio Azevedo
 Marcelino Fernando Rodrigues Santos
PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Bruna de Lima Ramos
 Hugo Batalhoti Morangueira
 Vitor Amaral Poltronieri
ESTÚDIO, PRODUÇÃO E EDIÇÃO André Oliveira Vaz 
DE VÍDEO Carlos Firmino de Oliveira 
 Carlos Henrique Moraes dos Anjos
 Kauê Berto
 Pedro Vinícius de Lima Machado
 Thassiane da Silva Jacinto 
 
FICHA CATALOGRÁFICA
 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - CIP
S237a Santos, Renata Oliveira dos
 Antropologia cultural / Renata Oliveira dos Santos.
 Paranavaí: EduFatecie, 2023.
 77 p.: il. Color.
 
 1. Cultura afro-brasileira. 2. Respeito pelas pessoas. 3. 
 Antirracismo. I. Centro Universitário Unifatecie. II. Núcleo 
 de Educação a Distância. III. Título. 
 
 CDD: 23 ed. 306
 Catalogação na publicação: Zineide Pereira dos Santos – CRB 9/1577
As imagens utilizadas neste material didático 
são oriundas dos bancos de imagens 
Shutterstock .
2023 by Editora Edufatecie. Copyright do Texto C 2023. Os autores. Copyright C Edição 2023 Editora Edufatecie.
O conteúdo dos artigos e seus dados em sua forma, correção e confiabilidade são de responsabilidade exclusiva
dos autores e não representam necessariamente a posição oficial da Editora Edufatecie. Permitido o download da 
obra e o compartilhamento desde que sejam atribuídos créditos aos autores, mas sem a possibilidade de alterá-la 
de nenhuma forma ou utilizá-la para fins comerciais.
https://www.shutterstock.com/pt/
3
Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
• Mestra em Ciências Sociais - Universidade Estadual de Maringá. 
• Graduada em Ciências Sociais - Universidade Estadual de Maringá. 
• Especialista em História e Sociedade - Universidade Estadual de Maringá. 
• Especialista em Educação a Distância - UNIFAMMA - Centro Universitário Me-
tropolitano de Maringá.
• Doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPE) - Universida-
de Estadual de Maringá. 
• Integrante do Grupo de Pesquisa em Educação a Distância e Tecnologia 
(GPEaDTEC) - Universidade Estadual de Maringá. 
Principais temas de interesses: Educação, Ensino de Sociologia, Políticas Públicas, 
Educação a Distância (EAD), Tecnologia, Comunicação. Atualmente, professora de Socio-
logia - Educação Básica. Professora de Ciências sociais e Áreas afins - Ensino Superior.
CURRÍCULO LATTES: http://lattes.cnpq.br/7216942697334779
AUTOR
http://lattes.cnpq.br/7216942697334779
4
Caro(a) aluno(a), 
Seja bem-vindo(a) à disciplina de Antropologia Cultural!
O objetivo geral desta disciplina será refletir sobre os estudos antropológicos, com-
preendendo o conceito dessa ciência, sua importância e seus objetivos. Com o propósito de 
entender as diferenças entre o eu e o outro, para que não haja nenhum tipo de preconceito 
e discriminação em relação à diversidade social e religiosa existente no Brasil.
Dessa maneira, seu material didático está dividido da seguinte forma: 
Na Unidade I iremos conversar sobre o conceito de cultura e seu desenvolvimento 
dentro da ciência chamada de Antropologia. Espera-se que você entenda que culturas 
são diferentes e precisam ser respeitadas. Porém, sem o conhecimento de seu sentido e 
significado corremos o risco de nos tornar intolerantes e discriminatórios. 
Sendo assim, na Unidade II vamos compreender um pouco mais sobre essa relação 
entre o Eu e Outro, com o objetivo de entendermos que se faz necessário a compreensão 
dos conceitos de etnocentrismo, relativismo cultural e identidade que nos ajudarão a perce-
ber o quanto estamos interligados. Isso nos revelará que a relação entre os sujeitos sociais é 
permeada por muitos símbolos que demonstram quem somos e como agimos em sociedade.
Aprofundando um pouco mais nossos estudos, na Unidade III conversaremos so-
bre a questão do sincretismo religioso e as religiões de matrizes africanas que fazem parte 
da formação histórica e religiosa do Brasil. Lembrando que qualquer tipo de preconceito é 
gerado pela ignorância, a falta de conhecimento e a recusa de respeitar as diferenças.
Por fim, na Unidade IV refletiremos sobre a necessidade da formação de um(a) 
professor(a) que seja livre de atitudes racistas, sexistas, homofóbicas, preconceituosas e 
discriminatórias. Um(a) educador(a) que entenda que não pode reproduzir e nem mesmo 
deixar com que isso aconteça em sala de aula. Assim, pensaremos sobre a construção de 
uma educação antirracista, humanizada e corajosa frente a uma sociedade tão desigual. 
Acreditamos que a mudança cultural é uma ação demorada e muito complexa. 
Entretanto, ela é possível. Afinal, como afirmou o grande ativista negro Nelson Mandela: 
“Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, ou por sua origem, ou sua 
religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se elas aprendem a odiar, podem ser 
ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu 
oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta”. 
Fonte: Livro: Long Walk to Freedom (1995).
APRESENTAÇÃO DO MATERIAL
5
UNIDADE 4
Por uma Pedagogia Antirracista
Antropologia Brasileira
e o Sincretismo Religioso 
UNIDADE 3
Respeito às Diferenças: Eu e o Outro
UNIDADE 2
Cultura, Pra Quê?
UNIDADE 1
SUMÁRIO
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
Plano de Estudos
• Você sabe o que é cultura?
• Antropologia: uma ciência emconstantes mudanças
• O antropólogo: quem é ele?
• Entenda: cada cultura tem sua própria lógica
Objetivos da Aprendizagem
• Conceitos e definições de cultura
• Campos de estudo da antropologia
• Refletir sobre o papel do antropólogo
• Compreender a importância dos estudos antropológicos contra 
discriminação, preconceito e intolerância
Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
CULTURA, PRA QUÊ?CULTURA, PRA QUÊ?1UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
7CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Somos todos(as) preconceituosos(as)! 
Logo de cara, ler essa frase nos causa um pouco de desconforto, não é mesmo? 
Pois bem, é justamente para repensar nossos privilégios sociais e lugares que ocupamos 
na sociedade que a Antropologia começará a fazer parte das nossas discussões.
Você verá que muitas coisas que faz, fala, a maneira como reage e age no meio 
social estão relacionadas a sua cultura. Mesmo que não saiba ainda, nós reproduzimos 
muitas falas e ações de quem faz parte do cotidiano que vivenciamos. Assim, vamos cons-
truindo e desconstruindo nossas ideias e maneira de pensar o mundo.
Claro que você já deve ter percebido que muitos atos de racismos, preconceitos em 
relação a identidades de gênero, violências contra mulheres e homossexuais estão cada 
vez mais presente nos noticiários, nas redes sociais. Denúncias que se repetem e que 
deveriam nos levar a pensar: “Mas, afinal, por que essas coisas acontecem?”
Bom, sabe aquela frase que nossos pais/avós falam e que, muitas vezes, nos irrita: 
“na minha época não era assim”? Então, é que vivemos em contextos históricos, políticos, 
educacionais e econômicos diferentes. Assim, a maneira como uma coisa era pensada 
anteriormente pode não ter nenhum significado e sentido agora. 
Lembre-se, culturas são dinâmicas. Elas se movem e se modificam o tempo todo. 
Por isso, atos racistas, preconceituosos e discriminatórios, que historicamente foram 
naturalizados, em nossos tempos, são cada vez mais problematizados e combatidos. As 
diferenças fazem parte da nossa sociedade e elas precisam ser entendidas e respeitadas. 
Todos os sujeitos sociais devem ter seus direitos sociais e judiciários assegurados, para que 
ninguém fique à margem do todo social, simplesmente porque sua forma de ver, pensar, 
agir e estar no mundo é singular, específica em relação ao outro. 
VOCÊ SABE O QUE
É CULTURA?1
TÓPICO
8CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Afinal, qual a necessidade de se estudar CULTURA? 
Bom, quando entendemos o que, de fato, o conceito dessa palavra significa, 
podemos perceber que ela é de extrema utilidade, pois nos ajuda a entender a enorme 
complexidade, que se traduz na espécie humana, por meio da diversidade cultural.
Segundo Laraia (1986), Edward Tylor, em seu livro Primitive Culture, de 1871, foi o pri-
meiro autor a definir que cultura poderia ser entendida como um objeto de estudo sistemático 
por se tratar de um fenômeno natural, com causas e regularidades. Isso permitia uma maneira 
de estudo objetivo que fosse capaz de gerar leis sobre o processo cultural e a sua evolução. 
A ideia de evolução tem sua raiz nos estudos Darwinistas, em que se acreditava 
que o ser humano evoluiu do macaco. No caso da cultura, seria enfatizar que entendendo 
um povo ou grupo, seria possível modificá-lo para algo melhor. Essa maneira de pensar 
o conceito está bem relacionada à ideia biológica, ou seja, as ações humanas nada mais 
seriam que reproduções naturais, evolucionistas.
Se contrapondo a essa ideia, o alemão Franz Boas desenvolveu o método com-
parativo. Para o autor, ao se analisar uma cultura seria possível reconstruir da história de 
povos e comparar a vida social de diferentes grupos, tudo isso sendo pensado a partir da luz 
histórica. Assim, começou-se a entender que cada cultura seguia seus próprios caminhos, 
isso devido ao fato de vivenciarem eventos históricos diferenciados (LARAIA, 1986). 
O antropólogo americano Alfred Kroeber (1876-1960) aprofundou seus estudos e 
foi capaz de definir que a cultura atua sobre o homem. Este se diferencia da forma animal, 
justamente, por produzir uma cultura particular que representa as necessidades e a maneira 
9CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
de construir sentidos e significados para as práticas humanas. Para o autor, nós, homens e 
mulheres, criamos o próprio processo evolutivo e nos libertamos das amarras da natureza 
e do orgânico (LARAIA, 1986).
Nesse sentido, podemos afirmar que somos o resultado do meio cultural em que 
fomos e estamos sendo socializados. Você já prestou atenção no quanto tem atitudes como 
a do seu pai ou da sua mãe? Maneira de andar, gesticular as mãos, de sorrir. Repare. 
Pense. Veja que muitas dessas ações são semelhantes e podem ser consideradas reflexos 
dos nossos primeiros contatos com a sociedade. Assim, quando dizem para você: “Nossa, 
como você parece tal pessoa”, estão afirmando como você imita ela e acaba por reproduzir 
características que não são somente suas.
Dessa maneira, entendemos que não nascemos inteligentes, criativos, preconcei-
tuosos, homofóbicos, racistas. Tudo isso aprendemos e reproduzimos de outras pessoas 
que, por serem muito próximas, a nós acabam por ajudar a construir a forma como estamos 
agimos e vemos o mundo. Isso pode acontecer em casa, na igreja, na escola, que consti-
tuem instituições sociais importantes da nossa sociedade.
“A cultura é um processo acumulativo, resultante de toda experiência histórica 
das gerações anteriores. Esse processo limita ou estimula a ação criativa do indivíduo” 
(LARAIA, 1986, p. 49).
Com isso, entendemos que toda experiência de uma pessoa é transmitida para os 
demais, o que ocasiona um acúmulo de saberes e conhecimentos que podem ser compar-
tilhados, repensados e recriados dependendo do contexto e das necessidades.
Por isso, ao pensarmos em cultura, vamos recorrer aos estudos do antropólogo Clifford 
Geertz (2013), que afirma que o conceito de cultura deve estar ancorado na ideia de semiótico. 
Assim entende, baseado nas ideias de Max Weber, que o homem é um animal preso à uma 
teia de significados que ele mesmo teceu. A cultura seria essa teia e caberia aos pesquisadores 
analisá-las, na construção de uma ciência interpretativa, à procura de significados.
Os praticantes da ciência da cultura, chamada de antropologia, são chamados de 
antropólogos. Esses, ao interpretar um grupo de pessoas, são responsáveis por desenvol-
ver uma maneira de estudo, que pode ser identificado como etnografia. 
Para um antropólogo, é preciso, ao praticar a etnografia, estabelecer relações, 
selecionar informantes, transcrever textos, levantar genealogias, mapear campos e ter um 
diário em que é possível anotar tudo que vê e ouve, podendo, assim, descrever, de maneira 
densa, o que aprendeu sobre uma determinada cultura. Captar e entender códigos, signifi-
cados e sua importância.
Talvez você goste de futebol, talvez não. Porém, é inegável que a cultura brasileira 
se insere também pela paixão e identificação com esse esporte. Pois bem, quando algo 
10CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
além do jogo ocorre, a gente se pergunta se futebol é apenas um jogo. Mas, como assim? 
Bom, você já deve ter vistos pessoas se abraçando sem se conhecer depois de um gol ou 
de um campeonato. 
Naquele momento há outros sentidos para aqueles gestos. Isso faz com que ir a um 
estádio de futebol ou torcer por um time seja algo que aproxima as pessoas, gera regras de 
convívios, símbolos e significados.
Geertz (2013) nos afirma que a cultura é pública e, por isso, significa exatamente 
o que é. Ela possui um contexto que pode ser descrito de forma inteligível, a partir do 
momento que respeitamos a voz do nativo, ou seja, de quem vive aquela realidade. Ser 
antropólogo não é dizer que algo está correto ou errado, mas sim ouvir o que realmente o 
outro diz. Ao compreender a cultura de um povo é possível expor sua normalidade sem que 
suas particularidades deixem de existir.
Uma descrição etnográfica é interpretativa.O seu estudo acontece na própria cultura 
e caberá ao pesquisador a capacidade de olhar o que é necessário e importante para quem 
participa daqueles signos e significados. Vale lembrar que os estudos nunca são finitos em si 
mesmo. Eles podem ser repensados a todo momento, pois tudo muda o tempo todo no mundo.
Olhar as dimensões simbólicas da ação social - arte, religião, ideologia, ciên-
cia, lei, moralidade, senso comum - não é afastar-se dos dilemas existenciais 
da vida em favor de algum domínio empírico de formas não emocionalizadas; 
é mergulhar no meio delas. A vocação essencial da antropologia interpre-
tativa não é responder às nossas questões mais profundas, mas colocar à 
nossa disposição as respostas que os outros deram - apascentando outros 
carneiros em outros vales - e assim incluí-las no registro de consultas sobre 
o que o homem falou (GEERTZ, 2013, p. 21).
Dessa Maneira, vamos nos aprofundar um pouco mais sobre a antropologia, de-
monstrando como, na prática cotidiana, ela nos permite compreender o outro e a nossa 
própria sociedade por meio de perspectivas diversas, que não podem ser consideradas 
melhores ou piores; superiores ou inferiores; boas ou ruins.
ANTROPOLOGIA: UMA CIÊNCIA 
EM CONSTANTES MUDANÇAS2
TÓPICO
11CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Segundo Laplantine (1987), o homem nunca deixou de questionar a si mesmo, 
assim como, de se observar e ver o outro. A ciência antropológica nasceu no Século XVIII, 
em que torna o homem um objeto de conhecimento e não somente preso à natureza.
Nesse primeiro momento, os estudos da antropologia se restringiram à pesquisa 
de sociedades muito afastadas das europeias ou chamadas de civilizadas. Tratava-se de 
grupos de pessoas que vivem isoladas, com tecnologia pouco desenvolvida, sociedades 
consideradas simples em sua organização. Isso faz com que o objeto de estudo seja, ini-
cialmente, as populações não pertencentes à civilização ocidental.
Entretanto, as mudanças nas rotas comerciais e a aproximação entre os povos 
fizeram a antropologia perceber seu objeto de estudo desaparecendo. Então, seus pes-
quisadores começaram a desenvolver olhares também para sua própria sociedade, seus 
pesquisadores começaram a direcionar olhares também para sua própria sociedade, obje-
tivando entender as especificidades de todos os tipos de povos.
Você deve estar pensando qual a razão de estudar o homem em seus sentidos e 
significados, e como fazer isso... Bom, esse desafio os antropólogos possuem até hoje para 
compreender que somos pessoas sociais e culturais. O que significa que o mundo como 
conhecemos, vivemos e ajudamos a desenvolver está inserido em perspectivas de grupos 
diversos. O que isso significa? É que a ideia apenas de certo ou errado, selvagem ou civiliza-
dos não passa de maneira de enxergar as coisas a partir de pontos de vistas diferenciados. 
 “O modo de ver o mundo, as apreciações de ordem moral e valorativa, os diferentes 
comportamentos sociais e mesmo as posturas corporais são assim produtos de uma herança 
cultural, ou seja, o resultado da operação de uma determinada cultura” (LARAIA, 1986, p. 68). 
12CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Você sabia, por exemplo, que pessoas de culturas diferentes riem das coisas mais di-
versas? Você já reparou que de uma cidade para outra as palavras mudam? Pois é, tudo isso 
nos mostra que fazemos parte de um mundo muito maior do que somos capazes de imaginar.
Podemos dividir os estudos antropológicos em, pelo menos, cinco áreas diferentes, 
são elas: 
• Antropologia Biológica - está ligada à genética das populações. O pesqui-
sador analisará as particularidades morfológicas e fisiológicas relacionadas ao 
meio ambiente. 
• Antropologia Pré-Histórica - relacionada à arqueologia, busca reconstruir as 
sociedades desaparecidas, em suas técnicas, organizações, produções culturais 
e artísticas.
• Antropologia Linguística - entende que a linguagem é um patrimônio cultural 
de uma sociedade. Será por meio dela que homens e mulheres poderão se ex-
pressar e interpretar o mundo em que vivem.
• Antropologia Psicológica - baseada no estudo dos processos psíquicos hu-
manos.
• Antropologia Social e Cultural - se refere a tudo que constitui uma sociedade 
que se representa pelos seus aspectos econômicos, jurídicos, sociais, religio-
sos, educacionais, costumes, hábitos, organização política e criações artísticas 
(LAPLANTINE, 1987). 
Nossos estudos estão ancorados, justamente, nessa última área, em que gestos, 
trocas simbólicas e os detalhes de quem somos e agimos no dia a dia fazem parte daquilo 
que buscamos compreender. Já que muitas vezes essas manifestações são responsáveis 
por criar nossa própria identidade. 
Não se esqueça que, para a antropologia, nossa maneira de andar, dormir, nos 
encontrar, emocionar, comemorar e reagir são produtos de escolhas culturais que podemos 
realizar de maneira consciente ou apenas reproduzindo os reflexos que interiorizamos.
Dessa maneira, quando nos propomos a ver o mundo com outra perspectiva, somos 
conduzidos, por essa ciência, a uma verdadeira revolução do olhar: 
“Eu sou mil possíveis em mim; mas não posso me resignar a querer apenas um 
deles” (Roger Bastide).
O ANTROPÓLOGO: 
QUEM É ELE?3
TÓPICO
13CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
O antropólogo é o cientista responsável por utilizar as ferramentas e os instrumen-
tos específicos para compreender uma cultura. Não cabe a ele qualquer tipo de julgamento 
de valor, mas sim apresentar, da maneira mais clara e coerente, as manifestações culturais 
dos grupos mais diversos do mundo. 
Esse pesquisador nos ajuda a entender signos, sentidos e significados que, para 
nós, pareciam naturais, porém não são. Você já deve ter visto algum documentário sobre 
comidas, pratos típicos de outras regiões e, até mesmo, países, Não? Caso não tenha 
visto, saiba que uma maneira de conhecer seu povo é compreender a sua culinária. 
Ninguém se alimenta apenas por uma função biológica, nós comemos o que podemos 
plantar, colher, caçar, cozinhar e consumir cru. Por isso, algumas culturas se alimentam de car-
nes bovinas, enquanto outras de peixes. Isso também está relacionado a questões geográficas. 
O antropólogo sempre nos surpreenderá com a descrição daquilo que nos parece fa-
miliar, proporcionando um estranhamento de coisas que pensamos ser naturais e normais. Por 
isso, seu trabalho não é transformar a sociedade que estuda, mas, ao conhecê-la, pode permitir 
que seus membros realizem mudanças que entende como necessárias para a sua manutenção.
Para Oliveira (2000), os antropólogos devem cumprir três etapas para analisar os 
fenômenos sociais, questionando-os e os tematizando, por meio do olhar; ouvir e escrever. 
Práticas que vão sendo disciplinadas por teorias que auxiliam esse profissional a entender 
a realidade e querer interpretá-la. 
14CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
• OLHAR: domesticação do Olhar etnográfico - Realizado por meio de toda a 
teoria apreendida durante as aulas acadêmicas. Um itinerário que é absorvido e 
será posto em prática quando o pesquisador for a campo, ou seja, para o local de 
seus estudos. Nesse momento, teoria e prática irão se chocar, por isso é muito 
importante que a maneira de enxergar se desenvolva de maneira sensível. 
• OUVIR: assim como o olhar é um exercício da investigação, saber ouvir os 
ruídos também. Isso significa que o pesquisador precisa entender o que falam, 
quem fala e como fala. Sabe quando estamos em um ônibus do transporte público 
e paramos para ouvir as conversas alheias? Pois bem, da próxima vez que acon-
tecer isso contigo, prepare seu ouvido para apenas ouvir e depois desenvolva 
um diálogo consigo mesmo sobre o que tudo aquilo significava. Parece loucura? 
Você verá que não. É apenas uma maneira de escutar o mundo ao seu redor. 
• ESCREVER: tão importante quanto o olhar e o ouvir será também o ato de 
escrever. Essa capacidade de relatar para o mundo o que se apreendeu e de 
interpretar, por meio da linguagem,o que se deseja expressar. Quando vemos, 
ouvimos e nos propomos a escrever percebemos o quanto é possível saber so-
bre nós mesmos e sobre os outros. Com a ajuda de teorias, essa escrita ganha 
caráter científico. Assim, a etnografia pode ser compreendida como uma maneira 
de representar em texto aquilo que o campo nos fez ver e escutar.
[...] o ato de escrever e o de pensar são de tal forma solidários entre si, jun-
tos, formam praticamente um mesmo ato cognitivo. Isso significa que, nesse 
caso, o texto não espera que seu autor tenha primeiro todas as respostas, 
para, só então, poder ser iniciado. Entendo que na elaboração de uma boa 
narrativa, o pesquisador, de posse de suas observações devidamente orga-
nizadas, inicia um processo de textualização, concomitante ao processo de 
produção do conhecimento (OLIVEIRA, 2000, p. 32).
Diante disso, podemos afirmar que o ato de olhar, ouvir e escrever são próprios da an-
tropologia, e podem promover uma maneira de entender o mundo de forma relativizada. Eles 
devem ser vistos de maneira tematizada e etapas da construção de novos conhecimentos.
ENTENDA: CADA 
CULTURA TEM SUA 
PRÓPRIA LÓGICA4
TÓPICO
15CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Agora que você já caminhou um pouco sobre o mundo da Antropologia, espero 
que tenha ficado bem claro que culturas são DIFERENTES. Por isso, não podemos dizer 
que a manifestação de um grupo, de um povo é algo esquisito, estranho e exótico. Somos 
diferentes e isso precisa ser algo que a gente deve aprender e jamais esquecer. 
Vale ressaltar que todo sistema cultural tem a própria lógica. O que significa que 
eu e você podemos até não entender por que determinada região se alimenta de algo, ou 
por que outras pessoas têm manifestações religiosas diferentes da nossa, entretanto, é in-
dispensável compreender que, para essas pessoas, tudo tem um sentido e um significado.
As sociedades se desenvolvem porque os sujeitos sociais que as constituem são 
produtos e produtores de uma cultura. Assim, a maneira como pensamos, agimos, silencia-
mos e lutamos está relacionada à forma como isso nos foi ensinado, seja por nossa família ou 
por conta de qualquer outra instituição social, como é o caso da escola, do Estado e da igreja.
O fato é que os homens e as mulheres sempre buscaram explicações para fatos 
que não conseguem entender sem uma investigação mais pontual. É o caso, por exemplo, 
das questões sobre a vida e a morte. Para responder a esses anseios cada sociedade tem 
promovido diversas interpretações. Por exemplo, você sabia que o povo mexicano tem um 
dia para festejar os mortos? Sim, eles dançam e cantam para seus antepassados, sem 
choro e com muitas manifestações de vida, em uma grande celebração. Isso seria algo 
quase impossível aqui no Brasil, não é?
Os mexicanos estão errados e nós brasileiros certos? Nem uma coisa, nem outra, 
são apenas práticas e discursos diferentes, que demonstram que não existe apenas uma 
maneira de entender a morte no mundo. 
16CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Se optarmos por explicar a vida, veremos que as mais diversas sociedades en-
tenderam a concepção do nascimento de maneira diversificada. Uma investigação mais 
pontual irá provar como a forma como cada uma delas enxerga esse ato tem a sua própria 
lógica e coerência no seu sistema social.
Por isso devemos estar atentos, pois muito do que acreditamos ser algo natural, 
não passa, na verdade, de uma construção histórica, fruto de um processo cultural subje-
tivo. Desse modo, não podemos pensar a cultura como desejava Edward Tylor, como algo 
objetivo e universal. 
Ao compreender essas questões percebemos que a cultura não é algo estático, mas 
sim dinâmico e que a todo momento pode ser modificada. Mas, como isso é possível? Bom, 
é só pensar nos tatuadores e naqueles que possuem tatuagens. Até mais ou menos uns 
30 anos atrás ter uma tatuagem tinha um significado bem pejorativo em nossa sociedade. 
Ainda hoje temos algumas pessoas que acham a tatuagem algo ruim. Entretanto, 
nos últimos anos vimos que a sociedade começou a compreender o trabalho e a arte do 
tatuador, reconhecendo suas especificidades e criando não somente novos postos de tra-
balhos, como também uma outra maneira de entender aquele que tatua e quem é tatuado.
“Cada mudança por menor que seja, representa o desenlace de numerosos con-
flitos. Isto porque em cada momento as sociedades humanas são palco do embate entre 
tendências conservadoras e as inovadoras” (LARAIA, 1986, p. 99).
Enfim, a mudança cultural não é uma ação fácil, mas necessária quando um tipo 
de comportamento e ação já não condiz mais com a realidade social. Por essa razão, é 
muito importante entender as dinâmicas sociais, que se alteram a cada nova geração e que 
podem evitar atitudes preconceituosas, racistas e discriminatórias em nossa sociedade.
17CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
“A falta de cultura é um dos maiores fomentos da infelicidade de um povo. E não adianta dizer o contrário. 
Quem é analfabeto cultural, não sabe interpretar a vida” (Renan Venâncio).
Qual a razão da cultura ser um aspecto tão importante para a compreensão do meio em que vivemos?
Você sabia que a vaca é considerada um animal sagrado entre os indianos? O que pode parecer estranho, 
esquisito e exótico tem uma explicação lógica. Para saber mais, leia o texto indicado e descubra como as 
diferenças fazem parte do nosso mundo.
Por que a Vaca é Sagrada na Índia?
Disponível em: https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-a-vaca-e-sagrada-na-india/
https://super.abril.com.br/mundo-estranho/por-que-a-vaca-e-sagrada-na-india/
18CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Começamos essa unidade afirmando que somos(as) preconceituosos(as). Talvez 
isso tenha sido desconfortável para você, porém esse é um choque necessário para aque-
les que se propõem a pensar a sociedade que faz parte.
Você é um ser social e cultural, em construção e desconstrução. Por isso, é impor-
tante entender que cultura é algo criado e recriado por nós mesmo. Como nos disse Clifford 
Geertz, se trata de uma teia de sentido e significado que demanda interpretação, além de 
uma descrição densa.
Podemos compreender que pensar a cultura não é algo do senso comum, mas sim 
de uma ciência chamada de Antropologia. Ela surgiu no século XVIII, com a pretensão de 
entender sociedades chamadas de primitivas, distantes das grandes cidades da Europa 
e possuidoras de uma forma de organização social, considerada, sobre uma perspectiva 
evolucionista e etnocêntrica, como simples.
 Porém, no século XX, notou-se que não cabia apenas esse lugar para as análises 
antropológicas, principalmente, porque essas sociedades tidas como distantes foram se 
aproximando devido às mudanças históricas, sociais, econômicas e políticas. Assim, coube 
à antropologia a investigação das manifestações culturais em seu próprio meio, assim como 
em outras sociedades.
Descobrimos também que quem desenvolve esse trabalho é chamado de antro-
pólogo. Este, precisa desenvolver ao longo do seus estudos teóricos, a domesticação do 
olhar e do ouvir. Para que possa entender o que vê e o que escuta durante seu trabalho 
de campo e ser capaz de escrever sobre uma determinada cultura. Nesse sentido, o Olhar, 
Ouvir e Escrever são fundamentais para a construção do trabalho do antropólogo.
Por fim, reafirmamos que culturas são diferentes e, assim, entendemos que cada 
uma possui uma lógica própria. Não são melhores e nem piores, superiores ou inferiores, 
boas ou ruins, simplesmente são diversas e essa constatação implica em compreendermos 
a importância da necessidade do respeito frente à diversidade cultural.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
19CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
Você acha que nossa cultura é melhor do que outra? Aliás, será que você já parou 
para pensar nos detalhes culturais que se manifestam em nossa formação?
Pensando nessas indagações convido você a ler um texto bem divertido e que vai 
te causar muitos estranhamentos. Vamos lá?
Texto: Os ritos corporaisdos Nacirema - Horace Miner 
MINER, H. Os ritos corporais dos Nacirema. In: ROONEY, A. K.; VORE, P. L. de (Orgs.). YOU AND T HE OTHERS - Readings 
in Introductory Anthropology. Cambridge: Erlich, 1976. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.
php/364413/mod_resource/content/0/Nacirema.pdf. Acesso em: 10 ago. 2020.
LEITURA COMPLEMENTAR
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/364413/mod_resource/content/0/Nacirema.pdf
https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/364413/mod_resource/content/0/Nacirema.pdf
MATERIAL COMPLEMENTAR
20CULTURA, PRA QUÊ?UNIDADE 1
FILME/VÍDEO
• Título: O casamento Grego
• Ano: 2002
• Sinopse: Todos na família Portokalos estão preocupados com 
Toula (Nia Vardalos). Ainda solteira aos 30 anos de idade, ela tra-
balha no Dancing’s Zorba, o restaurante de seus pais, Gus (Michael 
Constantine) e Maria (Lainie Kazan). Após começar a trabalhar na 
agência de viagens de sua tia, ela se apaixona por Ian Miller (John 
Corbett), um professor que é alto, bonito e que definitivamente não 
é grego. Toula não está certa do que será mais aborrecedor para o 
seu pai: Ian ser estrangeiro ou ser vegetariano.
LIVRO
• Título: Cultura: um conceito antropológico
• Autor: Roque de Barros Laraia
• Editora: Zahar
• Sinopse: Dividido em duas partes, o livro refere-se ao conceito 
de cultura a partir das manifestações iluministas até os autores 
contemporâneas, enquanto a segunda procura demonstrar como 
a cultura parece influenciar o comportamento social e diversificar 
a humanidade, apesar de sua unidade biológica. O autor busca 
utilizar, sempre que possível, exemplos referentes à sociedade e 
às sociedades tribais que compartilham o território brasileiro, o que 
não impede a utilização de exemplos de autores que trabalham em 
outras partes do mundo.
WEB
Pegar toda a complexidade de uma pessoa e de seu contexto e 
reduzi-los a um só aspecto é o que Chimamanda chama de o perigo 
da história única. Como uma estudante nigeriana em uma universi-
dade nos Estados Unidos, ela vivenciou com frequência isso.
• Link do site: https://www.youtube.com/watch?v=EC-bh1YARsc
https://www.youtube.com/watch?v=EC-bh1YARsc
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Plano de Estudos
• Eu e o outro: Sociedade do Desvio
• Etnocentrismo.
• Relativismo Cultural
• Identidade
Objetivos da Aprendizagem
• Refletir sobre as diferenças da relação entre o eu e o outro
• Compreender o conceito de Etnocentrismo e como sua perpetuação 
provoca ações preconceituosas e discriminatórias
• Entender a importância do conceito de relativismo cultural para a 
diversidade
• Refletir sobre o que significa ter identidade
Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
RESPEITO ÀS RESPEITO ÀS 
DIFERENÇAS: EU DIFERENÇAS: EU 
E O OUTROE O OUTRO2UNIDADEUNIDADE
INTRODUÇÃO
22RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Durante toda a Unidade I nosso desafio foi compreender o conceito de cultura. 
Descobrimos que existe uma ciência responsável por esse tipo de estudo chamada de 
Antropologia e que aquele que desenvolve suas pesquisas é chamado de antropólogo. Por 
fim, percebemos que, ao entender as diferenças entre as pessoas, é possível construir uma 
nova perspectiva social, incapaz de atos preconceituosos e discriminatórios.
Nosso desafio agora, na Unidade II, é refletirmos como esse conceito de cultura 
se revela no cotidiano, nas ações que desenvolvemos em relação ao outro e na busca por 
uma sociedade que possa entender que cada indivíduo é diferente e precisa ter o direito de 
ser quem desejar.
Nesse sentido, vamos compreender quem determina ou não que o outro pode ser 
excluído da sociedade por não se encaixar em um determinado padrão. Para isso, vamos 
debater sobre o conceito de desvio e como ele se propaga quando não estamos preparados 
para a diversidade social.
Ao ser incapaz de pensar no outro como ele realmente é e desejar modificá-lo, 
podemos cometer uma grave ação chamada de etnocentrismo. Veremos que esse conceito 
explica, por exemplo, a ação dos invasores portugueses no Brasil e porque eles acredita-
vam que a nação que aqui vivia deveria ser colonizada por uma civilização superior, no 
caso, a europeia.
Porém, quando entendemos que somos diferentes e respeitamos, somos capazes 
de desenvolvermos um olhar mais sensível capaz de entender as razões que nos diferem, 
auxiliando nas lutas sociais daqueles que ficam à margem de uma sociedade etnocêntrica. 
Para essa discussão, vamos refletir sobre o conceito de relativismo cultural.
Para encerrar as reflexões dessa unidade, iremos nos debruçar sobre o conceito de 
Identidade, qual sua importância e relevância para podermos afirmar quem somos.
BONS ESTUDOS! 
23RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
EU E O OUTRO: 
SOCIEDADE DO 
DESVIO1
TÓPICO
Para convivermos em sociedade, é preciso entender que cada grupo social faz as 
suas próprias regras e, por isso, tentam impô-las aos indivíduos que fazem parte de uma 
determinada estrutura social. 
O fato é que as regras sociais tendem a definir os comportamentos adequados das 
pessoas para cada situação, o que pode significar a definição do que é certo ou errado. 
Com toda certeza você já deve ter passado por experiências em que pensou: “quem definiu 
que isso era correto?”.
Pois bem, a ideia de certo e errado está mais relacionada às subjetividades impos-
tas pelo coletivo do que na liberdade individual. Aprendemos e ensinamos essas noções, 
sem, muitas vezes, questionar como elas foram determinadas. 
Segundo Becker (2008), todas as pessoas que não seguem regras impostas são 
consideradas infratoras e vistas como outsiders. A pessoa rotulada dessa maneira é percebida 
por outros como aquela que está fora da normalidade, do padrão e que quebra todas as re-
gras, simplesmente por não as seguir. Como você acha que um outsider é visto socialmente?
Será que você pode ser entendido como um outsider? Este se caracteriza por ser 
um desviante e é rotulado assim por outras pessoas. O julgamento que precede a esse tipo 
de indivíduo se baseia na ideia de que todos devemos agir de maneira igual, quando isso 
não ocorre deve ser corrigido.
O desvio pode ser entendido por algumas concepções:
24RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
• Estatística: qualquer coisa que difere do que é comum. Por exemplo, se você 
é canhoto, ruivo, calvo... já é considerado um desviante. Afinal, a maioria das 
pessoas são destras, brancas (loiras) ou pretas e a falta de cabelo não é algo tão 
aceitável na sociedade. Para Becker (2008), trata-se de uma explicação muito 
simples para o desrespeito das diferenças.
• Patológico: acredita que qualquer manifestação de diferença pode ser con-
siderada como doença, em especial, um produto de doença mental. É nesse 
sentido que muitas pessoas pensam ser possível uma suposta cura gay e que 
os problemas com alcoolismo ou drogas são apenas de ordem psicológica. Com 
isso, as pessoas tendem a discriminar atitudes ou maneiras de ser que conside-
ram capazes de desequilibrar a ordem “natural” da sociedade, considerando-as 
disfuncionais, podendo ser eliminadas.
• Relativista: nesta concepção existe a crença de que o desvio podeser enten-
dido como uma falha em obedecer às regras de um determinado grupo social. 
O que não deve ser entendido como desequilíbrio ou fora da normalidade, mas 
como representações diferentes de atuação no mundo.
Os desviantes são um tipo de pessoas que questionam a razão de uma determina-
da regra ser aceita ou não por ele e pelo outro. Para aqueles que pensam numa sociedade 
homogênea é muito problemático conviver com quem pergunta, exatamente, o porquê das 
coisas. Por isso, o desvio é algo criado pelo próprio meio social que, por meio das pessoas, 
define, aponta o que deve ou não ser aceito. 
“[...] o desvio não é uma qualidade do ato que a pessoa comete, mas uma conse-
quência da aplicação por outros de regras e sanções a um ‘infrator’” (BECKER, 2008, p. 
22). Assim, o desviante é aquele que recebe um rótulo do outro que determina quem ele 
pode ou deve ser. 
O interessante de pensar a ideia do eu e outro sobre essa lógica do desvio é que 
aqueles que são considerados desviantes podem muito bem encontrar pessoas seme-
lhantes à sua rotulação. Quando isso ocorre, muitas vezes quem é tratado como fora da 
normalidade também aponta quem os que assim o determina como um desviante. Você 
achou esse pensamento confuso? 
Então, se eu me considero capaz de julgar o outro como desviante, porque penso 
e me comporto de um jeito em sociedade, isso significa que o outro, ao olhar para a minha 
forma de viver, pode me considerar um desviante, afinal entendemos as regras do jogo 
social de maneira oposta e tentamos, de alguma maneira, modificá-las a nosso favor. 
Um exemplo disso pode ser refletido por meio da ideia de loucura. Afinal, quem pode 
determinar que a outra pessoa é louca ou não? Já reparou que muitas vezes apontamos a 
25RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
loucura em alguém por simples expressão de linguagem? Pois bem, sem um diagnóstico 
psicológico, a ideia de ser louco tem sido utilizada em nossa sociedade indiscriminadamen-
te para todas as ações, mas será mesmo que é loucura?
Vale ressaltar ainda que toda a regra é criada por alguém. Então, definir o que 
é certo ou errado perpassa pela ideia subjetiva de quem assim o determina. Podemos 
entender, então, que o desvio não é algo que se ancora no próprio comportamento humano, 
mas sim nas trocas entre uma pessoa que comete um ato e aquela que reage a ele. Desta 
maneira, muitas vezes, percebemos que os julgamentos podem ter dois pesos e medidas 
distintas, dependem de onde e para quem ele está sendo direcionado. 
Além de reconhecer que o desvio é criado pelas reações de pessoas a tipos 
particulares de comportamento como desviante, devemos também ter em 
mente que as regras criadas e mantidas por essa rotulação não são univer-
salmente aceitas. Ao contrário, constituem objetos de conflito e divergência, 
parte do processo político da sociedade (BECKER, 2008, p. 30).
Compreender a maneira como se estabelece a relação entre o eu e o outro é fun-
damental para respeitar as diferenças. Quando admitimos que estamos imersos em uma 
sociedade diversa, nos tornamos menos propensos a reproduzir ações que prejudiquem 
alguém por ser exatamente aquilo que é.
26RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
ETNOCENTRISMO2
TÓPICO
Em uma sociedade repleta de padrões sociais, não é fácil conviver com as dife-
renças. Bom, até agora você já deve ter aprendido uma porção de coisas sobre cultura e, 
provavelmente, deve estar imaginando como poderá absorver todo esse conhecimento para 
o seu dia a dia. Pois bem, a partir do momento em que respeitamos o outro, é impossível 
ser um etnocêntrico e é sobre esse conceito que vamos debater a partir de agora.
No mundo em que vivemos podemos observar uma grande dificuldade de aceitar quem 
é diferente do padrão normativo. Muitas vezes somos questionados por nossa forma de pensar, 
de agir, falar, nos vestir e, até mesmo, andar. Para aqueles que acreditam que o mundo pode 
ser apenas de um jeito, ser alguém considerado diferente, como vimos, é ser um desviante.
Mas, o que acontece para que os seres humanos não consigam viver de maneira 
harmoniosa a diversidade? O fato é que todas as vezes que uma pessoa julga a outra 
ou tenta homogeneizar os modos de ser, viver e se comportar, o que ela está fazendo é 
entender o outro por sua própria ótica. Ficou confuso? Vamos à explicação.
Bom, toda vez que fazemos um comentário sobre um indivíduo, podemos utilizar 
a expressão popular de que “estamos medindo a pessoa com a nossa própria régua”. 
Isso significa que os padrões que temos fazem com que eu acredite que o outro deva ser 
e pensar exatamente igual a mim. Assim, todo aquele que se recusar a ter as mesmas 
percepções da vida como as que tenho será descartado da minha conivência e também 
julgado por suas escolhas diferentes.
Esse tipo de percepção quando direcionada para o coletivo pode ocasionar o desprezo 
e a aniquilação de grupos. A partir de um momento que uma determinada sociedade se sente 
27RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
melhor, superior, maior do que outras, tendem a promover o que identificamos como etnocen-
trismo, ou seja, tornar tudo estranho, esquisito ou exótico, o que não respeita como diferente.
O antropólogo brasileiro Everaldo Rocha (1994) afirma que o etnocentrismo é um 
fenômeno em que estão sendo misturados elementos intelectuais e racionais junto com 
os emocionais e afetivos. Quando o entendemos pela dinâmica intelectual, significa com-
preender que sua manifestação se revela na dificuldade de encarar a diferença no plano 
afetivo, nos sentidos e sentimentos que ocasionam estranheza, medo e hostilidade.
Assim, quando pensamos no etnocentrismo podemos entender que ele se mani-
festa a partir do julgamento do valor da cultura do outro grupo naquilo que eu acredito ser 
essencial na minha cultura. Voltamos ao nosso exemplo do ditado popular, a régua do meu 
grupo é que mede a forma de existência do outro grupo.
Foi exatamente esse tipo de pensamento que permitiu com que os mais diversos 
tipos de colonizadores se estabelecessem no Brasil. Em especial, o invasor português que, 
ao chegar em terras brasileiras, promoveu tanto um genocídio das populações indígenas que 
aqui já viviam, como também um etnocídio, já que não respeitou toda a cultura já existente.
Como uma proposta de “missão civilizadora”, os portugueses vestiram, catequiza-
ram e modificaram o modo de viver dos indígenas. Estes, considerados primitivos e selva-
gens, deveriam aprender com o novo colonizador o que era ser “gente”. Embora a invasão 
portuguesa tenha ocorrido há vários séculos, é possível ainda hoje perceber o quanto essa 
população sofre com ações etnocêntricas. 
Na atualidade, vemos que ações governistas são insuficientes na promoção do 
respeito aos indígenas. Com isso, convivemos, diariamente, com esses representantes de 
nossa formação cultural tendo que pedir dinheiro em semáforo para sobreviver em uma 
sociedade que não o inclui socialmente, e muito menos respeita suas particularidades. 
O fato é que o etnocentrismo se revela como ação de intolerância e preconceito 
cultural, religioso, étnico e político. Esse tipo de manifestação foi sentido de diferentes 
maneiras ao longo da história da humanidade. Hoje em dia podemos sentir seus efeitos na 
ideologia racista da supremacia branca, que se revela de forma escancarada no racismo. 
Não podemos esquecer das ações nazistas que mataram seis milhões de judeus no 
mundo todo. E qual era o problema dos judeus para Hitler? Você já parou para pensar nisso? 
Pois bem, o Holocausto nos mostra como uma nação, uma pessoa ao se conside-
rar superior, melhor, maior do que a outra pode cometer atrocidades. Para que isso jamais 
possa voltar a acontecer, é preciso defender sempre que existe uma pluralidade de modos 
de viver, pensar, agir e sentir. Por isso, a defesa da diversidade é uma prática que devemos 
exercitar diariamente para que diferentes povos possamconviver em harmonia.
28RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
RELATIVISMO 
CULTURAL3
TÓPICO
Depois de compreender o que é etnocentrismo, você deve estar pensando como é 
possível não permitir que ele ocorra, não é mesmo? Pois bem, o oposto de ser um etnocên-
trico é saber relativizar. Mas afinal, o que isso significa? 
De maneira geral, relativizar é compreender que não existem regras, normas, va-
lores sociais que são únicos, verdadeiros e absolutos. Isso demanda a noção de que não 
devemos continuar “medindo o outro com a nossa própria régua”. 
Ao falarmos de relativismo cultural, é necessário entender que, ao olharmos para 
uma cultura e compreendermos os elementos simbólicos que fazem parte dela, estamos 
também refletindo sobre a maneira como os indivíduos são condicionados a ter um modo 
de viver a partir de valores, sentidos e significado criados por um grupo ou povo, em uma 
determinada sociedade.
A partir dessa percepção de que cada pessoa é produto e produtora de cultura é 
que fica claro o quanto o julgamento sobre o que é bom ou ruim, certo ou errado, melhor 
ou pior não pode ocorrer sem que possamos nos tornar etnocêntricos. Por essa razão é 
que o relativismo cultural é fundamental para a prática do olhar para o outro de maneira a 
reconhecer que somos diferentes.
Vale ressaltar que os usos, hábitos e costumes de um povo ou grupo social deve ser 
entendidos a partir do momento que o “nativo” expressa para o outro toda a particularidade 
de seus ritos. Por isso, enxergar as ações desse outro pela ótica do eu pode gerar juízos 
de valor que impedirão ele ser e se manifestar como quiser.
29RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Ter um olhar relativizado significa que nos propomos a nos colocar no lugar do 
outro. Muitos chamam isso de empatia. Entretanto, a empatia não pode ser entendida ape-
nas como estar no lugar de outra pessoa, mas sim que, mesmo sem nunca ocupar aquele 
espaço, somos capazes de entender e lutar para que ela tenha seu direito garantido.
Sem dúvida que ao entendermos o conceito de relativismo cultural estaremos mais 
propensos a nos afastarmos dos (pré)conceitos, da intolerância e da discriminação que 
assola nossa sociedade. Um relativista defende que seja impossível acreditar numa mani-
festação unívoca e universal para todos os grupos sociais. 
Na verdade, o que existe são ações e percepções diferentes sobre o que venha ser 
bom, justo, belo. Tudo isso construído por meio da vivência social. Por isso, cada sociedade 
terá sua forma de perceber e atuar no mundo.
Para os relativistas, é impossível afirmar que exista uma concepção de bom, belo, 
gostoso e benéfico que seja unívoca e universal para todos os povos, independentemente 
de seu tempo e espaço ocupado. Para esses, o que é bom, belo, gostoso e benéfico são 
percepções construídas socialmente.
Assim sendo, o relativismo cultural pode ser representado pela ideia de que não há valo-
res morais absolutos. Uma cultura existe a partir dos códigos, costumes, convenções e práticas 
encontradas dentro de diferentes manifestações culturais que não são melhores ou piores. 
A definição do que é moralmente certo ou errado será aceito por meio de uma tradi-
ção mantida e repassada. Dessa maneira, não tem nenhum sentido para um relativista dizer, 
por exemplo, que o aborto, em qualquer circunstância, deve ser moralmente condenável. 
Isso significa que, para entendermos uma questão importante como essa, se faz 
necessário compreender a situação e o meio que ela está sendo pensada e gerada. Cada 
sociedade decide como lidar com a liberdade corporal das mulheres e a ideia de vida. Por 
isso, não somos iguais.
O fato é que diferentes culturas têm diversos pontos de vista sobre questões 
morais, logo torna-se impossível defender ou pensar em valores morais absolutos. Não 
existindo uma verdade moral única sobre qualquer coisa, é muito importante que estejamos 
dispostos a olhar uma cultura de modo particular. 
30RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
IDENTIDADE4
TÓPICO
Se neste momento eu lhe perguntasse qual sua identidade, como você responde-
ria? Será que aquela imagem que está no documento de identidade representa exatamente 
quem você é? Pois bem, saber quem somos faz parte de entendermos como nos diferen-
ciamos das demais pessoas com quem convivemos e nos tornamos alguém único.
Quando falamos de identidade podemos entender o conceito como um espaço de 
pertencimento, se estamos refletindo sobre o lugar que habitamos ou nos reconhecemos 
em grupo. Por isso, a ideia de identidade cultural pode ser entendida como cada sociedade 
elabora sua própria cultura a partir das influências e do encontro com outras manifestações 
que vão determinando a maneira como cada grupo irá agir no cotidiano. 
Para o sociólogo polonês Zygmunt Bauman (2005), vivemos em uma sociedade 
moderna que se caracteriza pela liquidez. Isso significa que as nossas ações são rápidas e 
fluídas, por essa razão os laços que estabelecemos com o próximo são líquidos. Para ele, a 
descoberta da identidade pode ser identificada como problemática quando se pretende defi-
ni-la apenas de maneira única. Assim, a nossa existência individual pode ser entendida como 
fragmentada. Com isso, somos muitos, ao mesmo tempo que habitamos apenas um corpo.
Se eu perguntasse a você como seria a sua maneira de se representar, o que você 
me diria? A questão “quem eu sou” é muito antiga e profunda. Ela pode ser pensada de 
diferentes formas. Desta maneira, você pode ser homem ou mulher, casado ou solteiro, tor-
cer por um determinado time de futebol, ser atleta, professor, filho, filha, sacerdote, médica, 
pastora, patroa, sócia, proprietária, estudante, presidente, amigo. Enfim, cada uma dessas 
facetas pode te definir. Assim sendo, você é uma variável de representações identificadas 
por ti e pelos outros.
31RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Por isso, Bauman (2005) acreditava que as identidades flutuam no ar, algumas 
são escolhas nossas e outras precisamos ter cuidado para não serem nos dadas pelos 
outros como forma pejorativa, preconceituosa e opressora. Vale ressaltar que é você que, 
primeiro, precisa se reconhecer em sua particularidade.
Falar de identidade é tentar compreender um conceito discutido há poucos anos 
em nossa sociedade. A cada mudança social e cultural vemos a necessidade de alguns 
grupos sociais lutarem pelo reconhecimento. Com certeza você já deve ter visto, vivido e 
até mesmo provocado atos de cunho preconceituoso, não é mesmo? Chamado muitas ve-
zes de brincadeira, essas atitudes com objetivo de desmerecer o outro por meio de alguma 
coisa que somente ele possui ou é tida pela sociedade como fora do padrão.
É preciso entender que nenhuma brincadeira pode tirar o direito da pessoa de ser 
quem ela é e se manifestar dessa maneira. Por isso, só começamos a perceber quem 
somos quando isso começa a fazer parte do nosso cotidiano: “[...] perguntar quem é você 
só faz sentido se você acredita que possa ser outra coisa além de você mesmo; só se você 
tem uma escola, e só se o que você escolhe depende de você…” (BAUMAN, 2005, p. 25).
Embora pareça óbvio, ser quem somos não é algo fácil, em especial, se você é 
alguém que o coletivo social chama de minoria. As minorias sociais são grupos que estão à 
margem da sociedade – grupos excluídos por sua cor de pele, crença religiosa, orientação 
sexual. Em geral, essas populações são discriminadas por serem quem são. Não se bene-
ficiam com as estruturas de poder impostas pelo racismo, que é evidenciado em agressões 
físicas, psicológicas e simbólicas, que cerceiam a manifestação da sua identidade.
Nos últimos anos tem-se noticiado cada vez mais episódios de racismo, tanto no 
Brasil como em outros países, e isso tem levantado a inúmeros debates em nossa sociedade. 
Em pleno século XXI precisamos problematizar e desnaturalizar atitudes que não deveriam 
fazer mais parte donosso dia a dia. Além de cenas de desrespeito ao próximo, somos reco-
nhecidos como o país que mais comete crimes contra homossexuais e pessoas trans. 
Os números são realmente alarmantes e chocam aqueles que acreditam que cada 
um pode ser o que e como quiser: “As identidades ganharam livre cursos, e agora cabe a 
cada indivíduo, homem ou mulher, capturá-las em pleno voo, usando seus próprios recursos 
e ferramentas” (BAUMAN, 2005, p. 35).
Vale ressaltar que somos nós que promovemos nossa própria identidade. Por isso, 
estamos em constante mudança a partir daquilo que vivenciamos e absorvermos quando 
cidadãos do mundo. Observar o meio em que vivemos e as pessoas que fazem parte dele 
pode nos auxiliar nessa descoberta variável de quem somos.
Stuart Hall (2015) foi um outro importante sociólogo que se dedicou a estudar a 
questão da identidade. Em sua obra A identidade cultural na pós modernidade ele nos 
32RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
convida a pensar sobre ela também como algo em construção, não unificada e que somos 
compostos por várias identificações. O indivíduo moderno pode ser entendido por identi-
dades fragmentadas e isso ocasionou o que o autor identificou como “crise de identidade”. 
Essa crise pode ser entendida como parte de um todo social em mudança, em que 
as identidades modernas estão em um processo de descentralização e deslocamento. Isso 
significa que, no mundo contemporâneo, aquilo que era tido como estável e imutável já não 
é mais. Isso vem ocasionando uma crise imensa naqueles que ainda gostam de entender 
o mundo apenas em preto e branco.
Segundo Hall (2015), é possível distinguir três concepções distintas de identidade: 
• Sujeito do Iluminismo: indivíduo totalmente centrado, unificado e dotado das 
capacidades de razão, de consciência e de ação centrado na pessoa do “eu”. 
Uma concepção do ser individualista.
• Sujeito Sociológico: esse é formado pela relação com outras pessoas que o 
influenciavam e podiam ser influenciadas por ele. Interação entre o eu e o outro 
que permeiam a compreensão do mundo pessoal e público.
• Sujeito pós-moderno: a mudança do sujeito que possuía uma identidade 
estável e unificada, mas que se percebe vivenciando uma nova sociedade mais 
fragmentada e capaz de gerar várias identidades. Esse indivíduo marcado pela 
pós-modernidade não tem uma identidade fixa, essencial ou permanente. Ele 
se modifica continuamente, pois se define por meio da história dinâmica. Assim, 
pode assumir identidades distintas em momentos variados de sua existência.
Diante dessas perspectivas, Hall (2015) compreendeu que os sujeitos pós-moder-
nos são capazes de representar o contrário do que até então era propagado como identida-
de, unificada, segura, coerente, estável e imutável. Afirmando que a partir do momento que 
os sistemas de significados e de representação cultural tem se modificado e multiplicado, 
somos postos frente a frente com uma infinidade de identidades que podemos, em algum 
momento, chamar de “nossa”.
Assim sendo, quando falamos de identidade precisamos ter em mente que, diante 
de um mundo globalizado e da possibilidade de conhecermos, convivermos e trocarmos 
experiências variadas com as mais diversas nações, pessoas e manifestações culturais. 
Seria impossível pensarmos que podemos ser apenas um tipo de pessoa.
Ao fazermos parte desse mundo, estamos a todo momento aprendendo com outras 
coisas novas, nos reconhecendo ou não com dinâmicas diferenciadas que podem nos au-
xiliar na forma como nos percebemos e entendemos o mundo.
Depois de tudo isso que você descobriu até agora, seria possível me dizer quantas 
identidades possui? 
33RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Quando chamamos alguém de louco, o que de fato queremos dizer? E quando alguém nos chama de louco, 
será que se trata de alguma questão de fato mental?
“Às vezes não tenho tanto a certeza de quem tem o direito de dizer quando um homem é louco e quando 
não é. Às vezes penso que não há ninguém completamente louco tal como não há ninguém completamente 
são até a opinião geral o considerar assim ou assado. É como se não fosse tanto o que um tipo faz, mas o 
modo como a maioria das pessoas o encara quando o faz” (William Faulkner).
Fonte: Becker (2008).
Você sabia que na Índia as pessoas trans são tratadas como o terceiro gênero e respeitadas por lei?
Conhecidas como hijras, são consideradas sagradas na tradição hindu. Por essa razão, até hoje, elas são 
chamadas para abençoar casamentos na zona rural. Por outro lado, acredita-se que matar, agredir ou 
desagradar uma delas resultaria em uma maldição para a vida toda. Essa superstição ajuda a prevenir 
ataques transfóbicos nos redutos mais conservadores e no interior do país.
Fonte: a autora
34RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Desmistificar o olhar. Essa foi a proposta dessa unidade. 
Espero que ao término da leitura você possa ter reafirmado a noção de que culturas 
são diferentes. Por isso, devemos respeitar o outro exatamente como ele é. 
Iniciamos nossas discussões falando da ideia da relação entre o eu e o outro. Mui-
tas vezes ela se configura baseada em muito preconceito e discriminação quando somos 
incapazes de entender as razões que nos difere. Com isso acabamos por rotular aqueles 
que não seguem os mesmos padrões considerados por nós como corretos.
Quando uma pessoa não segue regras pré-estabelecidas pelo todo social, vimos que 
é possível caracterizá-la como outsider, ou seja, alguém que, segundo aqueles que seguem 
as regras, não permite o equilíbrio social, pois está fora daquilo que é tido como ações verda-
deiras. Mas será mesmo que os outsiders existem ou são apenas intitulados como? 
Pois bem, vimos que quem pode determinar o que somos é o outro. Dependendo 
da sua posição social, será ele que dirá quem é louco, bonito, feio, certo ou errado. Sendo 
assim, ao rotular alguém, sempre existirá o outro lado que pode concordar ou não. 
Em nome de uma sociedade civilizada, correta e moralmente perfeita, muitas 
pessoas e grupos torna-se etnocêntricos. Como vimos, o etnocentrismo significa que uma 
cultura tende a se ver e sentir como superior, melhor, boa em relação a outra. Isso explica, 
por exemplo, as ações dos invasores portugueses que, ao chegar no Brasil, cometeram 
atos de genocídios e etnocídios em relação aos indígenas. Tudo isso em nome de uma 
“Missão Civilizadora” que, na verdade, tinha como objetivo impor aos índios regras morais 
que não faziam o menor sentido para eles. 
Para que não sejamos etnocêntricos, é possível desenvolvermos um olhar de 
respeito ao outro e a sua cultura a partir do momento que conseguimos compreender suas 
particularidades. Neste sentido, é que repulsa o conceito de relativismo cultural responsável 
por permitir que tenhamos uma visão não punitiva e nem julgadora, mas sim respeitosa em 
relação às diferenças, podendo, assim, preservá-las.
Por fim, para que uma nova maneira de compreender o mundo, as culturas, povos 
e grupos como diferentes, se faz necessário compreender a nossa própria identidade. 
Aprendemos que ela pode ser múltipla e fluída. Por isso, cada um tem o direito de ser 
exatamente aquilo que deseja e necessita ser respeitado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
35RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
Respeitar as diferenças é um desafio diário, pois é no cotidiano que corremos o 
risco de ser preconceituosos e discriminatórios. Para que isso não ocorra, devemos estar 
atentos em nossas atitudes, sem julgar os costumes, hábitos, forma de ser e agir de um 
determinado povo ou grupo.
Pensando em tudo que conversamos até agora, te convido a ler o texto: De uma 
Branca para Outra, da jornalista Eliane Brum. Espero que você esteja disposto(a) a deixar 
seu lugar de conforto e privilégio de lado para olhar em um horizonte cheio de aprendizado.
Fonte: BRUM, E. De uma Branca para Outra. El País, fev. 2017. Disponível em: https://brasil.elpais.com/
brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html.Acesso em: 15 ago. 2020.
LEITURA COMPLEMENTAR
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html
https://brasil.elpais.com/brasil/2017/02/20/opinion/1487597060_574691.html
36RESPEITO ÀS DIFERENÇAS: EU E O OUTROUNIDADE 2
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Ninguém sabe que estou aqui.
• Ano: 2020
• Sinopse: é a história de Memo (Jorge Garcia), morador de uma 
remota fazenda de ovelhas no Chile, que esconde sua linda voz 
do mundo. Traumatizado por acontecimentos do passado, ele vive 
de maneira solitária, até que uma mulher lhe oferece a chance de 
encontrar a paz que tanto procura.
LIVRO
• Título: Identidade
• Autor: Zygmunt Bauman
• Editora: ZAHAR
• Sinopse: Identidade volta a uma questão central do pensamento 
de Zygmunt Bauman em alguns de seus livros: no mundo de hoje, 
qual é o espaço do eu e do outro? Qual é a medida da liberdade in-
dividual? E do respeito ao próximo, com todas as suas diferenças? 
É possível construir uma identidade sem levar a alteridade – o outro 
– em conta? A sobrevivência de um Estado-nação moderno pode 
se afirmar na falência ou na negação de outros estados? Nessa 
entrevista que concedeu ao jornalista italiano Benedetto Vecchi, 
um dos maiores teóricos da atualidade, mostra como a identidade 
se tornou um conceito-chave para o entendimento da vida social 
na era da “modernidade líquida” – termo que Bauman cunhou para 
falar do esgarçamento das relações na atualidade. Segundo o 
sociólogo, à medida que nos deparamos com as incertezas e as in-
seguranças da “modernidade líquida”, nossas identidades sociais, 
culturais, profissionais, religiosas e sexuais sofrem um processo 
de transformação contínua. Isso nos leva a buscar relações tran-
sitórias e fugazes e faz com que soframos as angústias inerentes 
a essa situação. A confusão atinge os valores, mas também as 
relações afetivas: “Estar em movimento não é mais uma escolha: 
agora se tornou um requisito indispensável”, afirma Bauman.
WEB
• Propaganda - Identidade - Fernando Meirelles.
• Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=yKG8no8OKDg.
https://www.youtube.com/watch?v=yKG8no8OKDg
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 
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Plano de Estudos
• Cultura Material e Imaterial
• Antropologia das religiões
• Sincretismo religioso no Brasil
• Religiões afro brasileiras: Candomblé e a Umbanda
Objetivos da Aprendizagem
• Conceituar a diferença entre cultura material e imaterial
• Compreender a importância dos estudos da antropologia da religião
• Refletir sobre o sincretismo religioso no Brasil
• Conhecer as principais religiões de matriz africana que fazem parte 
da cultura brasileira
Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
ANTROPOLOGIA ANTROPOLOGIA 
BRASILEIRA E O BRASILEIRA E O 
SINCRETISMO SINCRETISMO 
RELIGIOSORELIGIOSO
UNIDADEUNIDADE3
38ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
INTRODUÇÃO
Chegamos a nossa Unidade III e nela você será convidado(a) a aprofundar um 
pouco mais seus conhecimentos em relação à antropologia e à religião. Será que você já 
conhece algo sobre as religiões de matriz africana que temos em nosso país? Ou apenas 
tem reproduzido saberes que não são verdadeiros?
Faço esses questionamentos a você, pois quando não conhecemos algo corremos 
o risco de nos tornar pessoas etnocêntricas, discriminatórias e também preconceituosas. 
Você sabia que pessoas que profetizam as religiões afro brasileiras muitas vezes 
são atacadas fisicamente por fazerem parte de uma denominação religiosa tida como ruim? 
Isso acontece por falta de conhecimento. Por isso, vamos compreender sobre a história e a 
importância do Candomblé e da Umbanda para a formação cultural de nosso país 
Novamente, reafirmamos que é preciso compreender que culturas são diferentes e 
as manifestações religiosas, tidas como um fenômeno social, também são distintas entre si. 
Sabendo disso, todas necessitam ser respeitadas em suas especificidades.
Como brasileiro, um dos principais traços da nossa cultura religiosa é sermos, em 
grande maioria, sincréticos em nossas manifestações de cunho religiosas. Mas, afinal o 
que isso significa? 
Bom, você verá que no dia a dia somos capazes de misturar as crenças mais diver-
sas e conviver com símbolos que são importantes para denominações religiosas diferentes. 
Por isso, somos um país tão especial quando falamos de cultura.
Vamos começar essa nova aventura do saber?
BONS ESTUDOS!
CULTURA 
MATERIAL
E IMATERIAL1
TÓPICO
39ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Você já deve ter percebido que a cultura é algo muito importante para a compreen-
são dos grupos e povos de todo mundo. Ela nos ajuda a entender que cada pessoa sofrerá 
influências diversas para a sua formação social e, assim, verá o mundo com perspectivas 
que irão se modificar a partir do momento que seu contato com a realidade for permeado 
por contatos e ações variadas.
Segundo Oliveira (2001), para conhecermos um determinado povo, devemos pres-
tar atenção aos elementos que os formam, representados pelos traços culturais; complexo 
cultural; área cultural; padrão cultural; subcultura.
• Traços Culturais: são considerados os elementos mais simples de uma cultura 
que só tem sentido e significado quando entendida dentro de uma cultura espe-
cífica. Ex.: adornos religiosos, uso das tecnologias culturais.
• Complexo Cultural: representado pela combinação de traços culturais que 
são reproduzidos em uma atividade básica. Ex.: futebol, cujo traços culturais são 
a bola, o campo, o juiz, a torcida, os jogadores, as comidas do estádio etc. Tudo 
isso combinado torna-se um complexo de coisas. Por isso, muitos cronistas de 
futebol gostam de repetir a frase: “Não é apenas futebol”.
• Área Cultural: trata-se da região geográfica em que o complexo cultural se 
manifesta. Por isso, os indivíduos que vivem em determinadas áreas são seme-
lhantes entre si, seja física ou socialmente. Muitos afirmam que as pessoas que 
moram em cidades mais frias têm a tendência a ser mais fechadas e outras que 
residem em locais mais quentes podem ser mais animadas e alegres. Você já 
reparou nisso?
40ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
• Padrão Cultural: talvez esse seja o traço mais influenciador de uma cultura. 
Os padrões podem ser entendidos como normas e regras estabelecidas pela 
sociedade que determinam como nós, indivíduos sociais, devemos agir, nos ves-
tir, falar e, até mesmo, pensar. Assim, um padrão cultural determina que tipo de 
pessoa você deve ser. Como vimos, aqueles que fogem dessas determinações 
são chamados de outsiders.
• Subcultura: é uma maneira diferente de se comportar ou agir por meio de 
regras de grupos que fazem parte de uma cultura maior. Não entendeu? Pois 
bem, é como se existisse um grupo dentro de outro grupo. Em geral, podemos 
encontrar, na subcultura, elementos da cultura, porém seus símbolos, normas, 
regras e valores sociais são específicos. Ex.: Tribos Urbanas.
Esses elementos da cultura nos ajudam a compreender a diferença entre cultura 
material e imaterial. Entendido pelo conceito de patrimônio. Você sabia que existe um con-
junto de bens culturais móveis e imóveisno país? Pois bem, é muito importante pensar em 
sua conservação, porque se trata de um bem público, que nos auxilia a preservar a história, 
a memória de todo país. No sentido arqueológico, etnográfico, bibliográfico, literário, artís-
tico, todo elemento que nos identifique como sendo brasileiros.
No caso da cultura material, existe uma lei que a protege, regulada pelo Decreto 
Lei nº 25, de 1937, da Constituição Federal, em seus artigos 215 e 216, e Decreto Lei nº 
3.551/2000, que determina quais ações podem ser tomadas em relação à preservação 
material, são elas:
• Tombamento: este é considerado o instrumento mais antigo de proteção. Cabe 
a ele proibir a destruição de bens culturais tombados. Ou seja, determinando que 
esse bem não possa ser demolido e nem alterado. Essa determinação ocorre de-
pois de um processo administrativo, que pode ser bem demorado. Após tombado, 
o patrimônio pode ser inscrito em um dos quatro Livros do Tombo instituídos pelo 
Decreto Lei nº 25/1937: Livro do Tombo Arqueológico, Etnográfico e Paisagístico; 
Livro do Tombo Histórico; Livro do Tombo das Belas Artes; e Livro do Tombo das 
Artes Aplicadas;
• Valoração do Patrimônio Cultural Ferroviário: responsável pela guarda e 
manutenção do espólio da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA). Bens fer-
roviários que não fazem parte do espólio da RFFSA têm sua proteção feita por 
meio de tombamento; 
• Chancela: instituído pela Portaria Iphan nº 127/2009, reconhece a importância 
cultural de certas regiões do território nacional, que representam os processos 
que permitem a interação do homem com o meio natural. A chancela é utilizada 
41ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
para promover a parceria entre o poder público, a sociedade civil e a iniciativa 
privada. Tendo como intuito compartilhar a manutenção do território nacional na 
preservação da nossa história e da relação entre o homem e o meio natural. 
Já em relação à cultura imaterial, a ideia de patrimônio é pensada como as práti-
cas e o domínio dos códigos, sentidos e significados sociais que influem na formação do 
indivíduo: normas sociais, religião, costumes, ideologias, ciências, arte, lendas, tradições, 
celebrações, rituais.
Vale ressaltar que o patrimônio imaterial não continua existindo, pois é transmitido 
por gerações. Sendo repensado e retransmitido constantemente entre os grupos. Essa é 
uma maneira de manter viva as tradições dos povos e conservar a história dos ancestrais. 
Assim, é possível preservar a história e a identidade. 
O conceito de patrimônio imaterial pode ser entendido pelo cuidado e a manuten-
ção de expressões e tradições de um determinado povo por meio do respeito ao passado, 
sua vivência no presente e sua continuidade no futuro. Ex.: a festa do bumba meu boi; as 
romarias religiosas, a festa de Santo Reis, a festa junina entre outras.
ANTROPOLOGIA 
DAS RELIGIÕES2
TÓPICO
42ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Quando falamos sobre cultura, um dos aspectos mais marcantes da representati-
vidade de um povo é, sem dúvida, a religião. As denominações e manifestações religiosas 
são características fundamentais da formação de um grupo e da maneira como essas 
pessoas observam e atuam no meio em que vivem. 
A religião é um fenômeno da nossa sociedade. Ela está presente em diferentes 
territórios e das formas mais variadas. Porém, infelizmente, existem pessoas que acreditam 
que a manifestação religiosa deva ser representada por apenas um tipo religioso. Isso 
promove o que chamamos de fundamentalismo religioso.
Aqueles que proferem um tipo de religião e acreditam que sua fé é a verdadeira, 
única e salvadora são capazes de ações de intolerância e desrespeito. O fundamentalismo 
não consegue dialogar com outras denominações religiosas, não entendem os diferentes 
livros sagrados existentes e nem os rituais. Sem conhecimento, são capazes de matar em 
nome da fé. Um fundamentalista acredita ser um escolhido de Deus e em nome disso pode 
atuar na sociedade arrebatando aqueles que estão “perdidos”. 
Esse tipo de pensamento não permanece apenas na esfera da religião, ele já 
permeia ações políticas, educacionais, trabalhistas. Ou seja, está intrinsecamente ligado à 
sociedade e, por isso, é preciso muita atenção para que não se estabeleçam relações de 
ódio entre as pessoas.
A antropologia da religião ou antropologias das religiões compreende as manifes-
tações religiosas como um espaço de práticas e crenças promovidas por seres humanos. 
Ela desenvolve análises científicas em relação aos fenômenos religiosos que são essen-
cialmente humanos. 
43ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Para Gaglianone (2016), os estudos antropológicos focados na religião têm desen-
volvido obras fantásticas para o seu entendimento. Uma dessas investigações, exemplifica 
o autor, está no livro: Imagens e Símbolos, desenvolvido pela autora Mircea Eliade. A leitura 
dessa obra nos ajuda a compreender que os símbolos têm por função transmitir uma men-
sagem, mesmo que a gente não o entenda em um primeiro momento. Parece confuso? 
Mas não é. Por exemplo, caso você chegue em qualquer lugar e tenha um crucifixo pendu-
rado na parede, mesmo que você não pertença a nenhuma religião cristã, é possível que 
saiba interpretar o que aquele símbolo representa, não é mesmo? Muitas vezes nós nem 
prestamos atenção de maneira consciente, apenas percebemos aquela representatividade 
tão presente no cotidiano.
Para Eliade (1991), é possível entender que o pensamento simbólico vem antes 
mesmo da linguagem falada, do discurso a ser realizado para sua explicação. Sabe por 
quê? É que o símbolo tende a revelar certos aspectos da realidade que desafiam qualquer 
outro meio de conhecimento. Sendo assim, você deve já ter entendido que as imagens, os 
símbolos e os mitos são extremamente poderosos quando são capazes de transportar o ser 
humano para o mundo espiritual muito mais amplo.
Nesse sentido, a antropologia da religião tem por fundamento a realização de uma 
análise do mundo simbólico da religião. O pensamento mágico é considerado algo fundante 
para a crença no mito, no que não se pode ver. Por isso, muitas sociedades antigas, ao 
tentarem estabelecer uma relação com seus deuses, tinham por objetivo a crença de que 
esses seriam responsáveis por promover uma colheita promissora. Auxiliar na guerra e na 
caça. Prever desastres naturais e criar uma relação entre o mundo dos vivos e dos mortos.
Se você parar para pensar, essa ideia ainda se produz na atualidade. É só você 
refletir por que as pessoas procuram uma religião. Muitas vezes os ritos são realizados em 
forma de agradecimentos e também de pedidos, esperando que sempre o sagrado nos 
proteja de todo mal. 
Para um importante antropólogo, chamado Marcel Mauss (2013), as relações em 
sociedade consistem em trocas simbólicas realizadas a partir de alianças tidas por ele como 
dádivas. Segundo esse autor, as relações humanas estão baseadas em dar e receber, ou 
seja, estabelecer alianças recíprocas. 
Assim, essa relação não implica apenas em trocas materiais, como também, espiri-
tuais e de almas. Vale ressaltar que essas trocas serão baseadas em cada particularidade 
cultural. Por isso, a antropologia da religião é responsável por investigar suas mais variadas 
representações, reconhecendo a diversidade entre elas.
44ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
O fato é que ao se permitir conhecer a religião de um povo, o antropólogo vai se 
dedicar ao estudo de elementos religiosos existentes em culturas variadas. Com o objetivo 
de entender o que aquele grupo tende a manifestar na questão do sagrado e do profano. 
A dimensão da ideia de sagrado faz com que a antropologia da religião possa 
apenas estudar uma parcela de suas representações na sociedade. Trata-se de um campo 
vasto de pesquisa e que pode a todo momento se modificar. 
Faz-se necessáriodestacar que os estudos realizados da Antropologia da Religião 
se relacionam com manifestações concretas da experiência religiosa, observáveis e aces-
síveis à análise. Ou seja, o objeto de estudo é perceptível pela observação e demanda toda 
atenção do olhar do antropólogo. 
Para compreender uma determinada manifestação religiosa, esse pesquisador 
deverá ser capaz de ver e ouvir aquilo que o nativo, ou seja, o manifestante daquela fé 
está lhe contando. Jamais o antropólogo será capaz de traduzir tudo que vivenciar, pois a 
representação de uma cultura é específica para aqueles que a proferem.
SINCRETISMO 
RELIGIOSO NO 
BRASIL3
TÓPICO
45ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Com toda certeza você já deve ter caminhado por sua cidade. Se você fez esse 
tipo andança, deve ter reparado que a religião está presente em vários momentos. Seja por 
meio das inúmeras igrejas existentes ou templos, mesquitas, terreiros e casas de orações. 
Quando nos propomos a estudar Antropologia, o que vai nos acontecer é que 
nosso olhar, até então bem restrito, vai começar a se desenvolver, no sentido de que é 
preciso ver além para poder entender que somos diferentes e isso implica na maneira como 
entendemos a fé e suas manifestações.
Como já sabemos, a convivência pacífica entre as culturas diferentes e as religiões 
só é possível quando compreendemos que não existe algo nem melhor ou pior, maior 
ou menor, superior ou inferior. Afinal, vivemos e proferimos nossas crenças de maneiras 
diferentes e isso precisa ser respeitado. 
As manifestações religiosas são um marco na formação humana. Desde sempre 
estamos rodeados de símbolos que nos remetem alguma relação entre o eu e o sagrado. 
Crucifixos, fitinhas amarradas no braço, livros sagrados, rituais de iniciação e conversão 
que fazem sentido para quem os pratica e também aqueles que se propõem a aprender 
sobre coisas que desconhecem. 
Somente através de muita leitura e estudos somos capazes de não sermos pre-
conceituosos e promover uma sociedade mais harmônica. Capaz de conviver com as 
diferenças entre as pessoas, suas crenças e manifestações religiosas. 
Você sabe que vivemos em um país muito misturado, não é mesmo? Aqui se formou 
uma cultura que, sobre três grandes influências, forma nossa sociedade brasileira. Como 
46ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
diz Darcy Ribeiro, em sua obra clássica, O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil 
(1995), somos formados da confluência do invasor português, com os indígenas donos da 
terra Brasilis e o escravo africano. 
Dessa mistura de culturas nasceu uma nova identidade de povo, chamado de 
brasileiro. Realmente, ser brasileiro deveria ser identificado como uma raça, pois somos 
o emaranhado de muitas nações e culturas. Diante de tantas confluências, você deve ter 
percebido que falar de religião não é uma tarefa fácil, pois pensar as manifestações de fé 
no Brasil é refletir sobre suas misturas e representações mais variadas. 
O sincretismo religioso faz parte do cotidiano de nossas ações. Mas, afinal o que 
esse conceito significa? Bom, trata-se de uma espécie de conexão entre diferentes doutrinas 
religiosas capaz de criar algo novo. Sabemos que a palavra sincretismo se traduz tanto na re-
presentação synkretismós, que vem do grego, como também syncrètisme, de origem francesa.
Quando falamos sobre sincretismo religioso, estamos refletindo sobre o convívio entre 
diferentes religiões, seus costumes, rituais e tradições, e sua relação entre diversos grupos. 
Com a convivência, diversos elementos culturais vão sendo absorvidos por culturas 
diferentes, se adaptando ao meio, ressignificando suas ações. Mesmo que ocorra uma 
fusão cultural entre grupos diversos, vale dizer que a originalidade da doutrina é mantida, 
pois isso permite que haja um sincretismo. Afinal, se uma cultura sucumbisse a outra, o que 
ocorreria seria o seu desaparecimento. 
Um dos exemplos mais pontuais sobre essa forma de junção de culturas diferentes 
é o que promoveu a igreja católica aos indígenas brasileiros. Ao catequizar os indígenas na 
fé cristã, o catolicismo promoveu em alguns momentos um etnocídio, que significa a morte 
da cultura indígena, e em outros momentos a adaptação a crença cristã com elementos 
próprios da fé do índio.
Ao reconhecer algumas particularidades da manifestação de fé dos indígenas, os pa-
dres católicos se aproveitavam desses elementos e os associavam à religião católica. Assim, 
eles conseguiam fazer com o indígena pudesse ser catequizado por meio das verdades cristãs.
Entretanto, o sincretismo religioso mais promovido no Brasil, sem dúvida, é da reli-
gião católica com as crenças africanas. Você já foi a Salvador, na Bahia? Se não foi, quando 
puder visitar a primeira capital brasileira, conheça a Igreja do Nosso Senhor do Bonfim. Lá 
você poderá perceber o quando as denominações religiosas se misturam. Durante a missa 
é possível ver a prática de fé dos iniciantes do candomblé. Assim como, ao se retirar da 
igreja, existem várias representantes das religiões afro brasileiras com palavras de fé, aten-
dendo variados turistas. A festa do Senhor do Bonfim é uma representação sincrética que 
traduz desde as romarias e rezas católicas pela cidade, como pela lavagem das escadarias 
do Bonfim pelas baianas dos terreiros de toda cidade. 
47ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Essa experiência me fez entender que somos todos diferentes e que é possível 
conviver harmonicamente com inúmeras representatividades sociais. Nas igrejas católicas 
tanto em Minas Gerais quanto na Bahia, Santos brancos e negros convivem lado a lado. 
Isso porque, para levar os escravos para igreja, o catolicismo promoveu a comparação en-
tre os orixás e os santos. Assim, Santa Bárbara representa Iansã; Iemanjá é representada 
por Nossa Senhora dos Navegantes e São Jorge é Ogum. 
Se você ainda não entendeu o significado de sincretismo religioso, vou te mostrar 
como você mesmo pratica isso. Sabe quando e como? Toda virada de ano, quando você 
está em frente ao mar e pula as 7 ondas ou oferece rosas brancas à Iemanjá. Caso você 
faça ou já tenha feito algum desses rituais, podemos te considerar um sincretista religioso. 
Embora seja possível perceber no cotidiano nossas misturas culturais, para alguns 
grupos ainda é muito difícil afirmar suas crenças. Isso ocorre porque, muitas vezes, funda-
mentalistas religiosos interferem de maneira violenta nas manifestações religiosas, tidas por 
eles como inferiores ou demoníacas. Esse é o caso das religiões afro brasileiras que são 
desconhecidas pela branquitude, ou sistematicamente apagadas na difusão cultural. O des-
conhecimento do povo denota uma unidade que não existe, nesse contexto, em minha visão.
RELIGIÕES AFRO BRASILEIRAS: 
CANDOMBLÉ E A UMBANDA4
TÓPICO
48ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
A história do Brasil nos mostra o quanto nossa formação é feita da junção de diferen-
tes povos e culturas. Do invasor português, perpassando pelas incontáveis tribos indígenas 
existentes no país e pela escravidão pujante e por séculos que permitiram a vinda do negro 
africano. Mesmo diante dessa história, ainda somos incapazes de conviver com as diferen-
ças, de respeitarmos o outro e entendermos quanta riqueza existe em uma cultura. 
No caso da religião, isso ainda é muito grave, pois impede que as pessoas pro-
fetizem a sua fé da maneira como aprenderam e desejam. Consequentemente, aquele 
que não segue um padrão social estabelecido é tratado como um desviante e também 
sofre ações racistas, discriminatórias e preconceituosas. Precisamos ressaltar que atitudes 
racistas são permeadas pela ideia de desqualificar, desprestigiar aquilo que é significativo 
e tem sentido para o outro em relação ao que parece uma verdade absoluta. 
Quando um indivíduo é proibido de profetizar a sua fé ele sofre racismo, precon-ceito e discriminação. Os judeus sofreram racismo, pois a perseguição que sofreram se 
justificava pela maneira como profetizavam sua fé e conduziam seu jeito de entender a 
vida. Os ciganos também sofrem racismo pelas razões semelhantes, ou seja, por estarem 
fora de um padrão determinado como único.
Mas, sem dúvida, a manifestação mais racista que podemos acompanhar em rela-
ção às religiões no cotidiano brasileiro se relaciona às manifestações de matrizes africanas. 
Afinal, o que você sabe sobre a Umbanda e o Candomblé? Elas te causam aversão? Mas 
se você não conhece nada sobre elas, por que as desqualifica? 
Bom, o nosso desafio nessa parte final da unidade é, justamente, desmistificar o 
que você não conhece e promover um aprendizado, de fato, sobre as características do 
Candomblé e da Umbanda.
49ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
4.1 Candomblé 
A primeira coisa que você precisa saber sobre o candomblé é que ele não se trata 
de um único culto religioso, mas sim de uma série de cultos que se parecem muito com 
outras denominações religiosas. Assim, existem variados templos e vertentes dele que são 
conhecidas como nações: efã, ijexá, nagô e mina-nagô, ela pertence ao tronco conhecido 
como iorubá, com origens africanas localizadas em partes da Nigéria e do Benim. Existem 
ainda candomblés de nações angola e jeje, entre outras menos conhecidas. 
Você sabia que o nome candomblé está associado, de maneira histórica, aos 
cultos da Bahia? Entretanto, outras religiões semelhantes recebem outras denominações 
regionais, como xangô, em Pernambuco, tambor de mina, no Maranhão, e batuque, no 
Rio Grande do Sul. Segundo o site do Museu Afro Brasileiro (2020), é possível entender 
o termo candomblé simplesmente por representar um conjunto de cultos com o nome de 
religião dos orixás, deixando de lado as diferenças entre eles.
Segundo os pesquisadores sobre religiões africanas e Orixás, existem mais de 
400 divindades. Entretanto, no Brasil, o panteão de Orixás mais cultuados é composto por 
cerca de 20 divindades. Sabemos que não são apenas esses, por isso a importância de não 
generalizar, só demonstrar que esses são os mais conhecidos. Os mais conhecidos são: 
Ogum, Oxumarê, Oxóssi, Iemanjá, Iansã ou Oyá, entre outros.
Características: os participantes de cada terreiro se dividem em uma hierarquia 
organizada de acordo com o grau de proximidade do fiel com as divindades. Segundo o 
candomblé, toda pessoa tem seu espírito ligado a um orixá específico – ou a um conjunto de 
orixás, em alguns casos. Atribui-se ao indivíduo características de personalidade condizen-
tes com seu orixá patrono. Essa ligação pode ser estreitada por meio de uma complexa série 
de rituais de iniciação, os mais simples dos quais são a lavagem do colar de contas e o bori, 
cerimônia destinada a fortalecer o espírito do fiel e prepará-lo para o contato direto com o 
orixá. Esses estágios iniciais podem ou não se desdobrar na iniciação completa, por meio da 
qual o fiel, então chamado iaô ou filho-de-santo, torna-se um veículo de seu orixá na terra. 
Durante as cerimônias e festas públicas do candomblé, os filhos-de-santo são 
possuídos pelos seus orixás: neste importante momento do transe divino, o iniciado entra 
em uma espécie de estado de inconsciência enquanto o orixá “baixa” e toma o controle de 
seu corpo para dançar e encenar cenas míticas. Um filho-de-santo que tenha se iniciado há 
sete anos pode ganhar o título de ebômi e, então, ocupar diversos cargos especializados 
no terreiro, culminando nos títulos de babalorixá (“pai-de-santo”) ou ialorixá (“mãe-de-san-
to”), autoridades espirituais máximas de cada templo. Em cada um desses estágios, o 
fiel fortalece sua força espiritual – o axé – e seus laços com o orixá, entrando em contato 
com saberes rituais e mitológicos cada vez mais restritos. Contudo, também se sujeita a 
restrições e tabus progressivamente maiores. 
50ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Além dos iniciados propriamente ditos, todo terreiro possui um número de fiéis 
que não completaram sua iniciação (alguns dos quais jamais chegam a completá-la) e que 
não são possuídos pelos orixás. Trata-se dos ogãs e das equedes, que executam tarefas 
fundamentais do rito, como tocar os tambores ou paramentar e auxiliar os filhos-de-santo 
enquanto estes se encontram no transe divino (MUSEU AFROBRASIL, 2020.)
Vale ressaltar que o Candomblé também é uma religião brasileira, construída numa 
amálgama afro-ameríndia, em condições culturais e geográficas particulares do país. Não exis-
te Candomblé na África. O que existia na África mítica, e ainda existe em alguma medida, eram 
cultos a diferentes orixás, em diferentes regiões, organizados sobre o sistema de linhagem. 
Sobre as diferenças de umbanda e candomblé: a estrutura litúrgica, a feitura, o tran-
se, são elementos consideravelmente diferentes nas duas religiões. Muita gente acredita 
que o Candomblé e a Umbanda são manifestações religiosas iguais. Porém, há um detalhe 
que já as diferencia totalmente. Você sabia que a Umbanda é uma religião, exclusivamente, 
brasileira? Pois é, a nossa única religião desenvolvida por um brasileiro é essa. Vamos 
conhecer, então, suas características?
4.2 Umbanda
Essa é uma palavra derivada do dialeto quimbundo e tem por significado “curan-
deirismo ou arte da cura”. Como já adiantei para você, ela é uma religião criada no Brasil, 
em 1908, por Zélio Fernandino de Moraes, que passou a incorporar um espírito chamado 
Caboclo das Sete Encruzilhadas. A partir daí ele começou a dar instruções de cura, dando 
início à Umbanda. Trata-se de uma religião com a cara brasileira, misturando elementos dos 
cultos africanos com santos católicos e tradições indígenas, além do espiritismo kardecista. É 
importante ressaltar que essa é uma das possibilidades de pensar as origens dessa religião.
As pessoas que proferem a religião Umbanda tem como crença a existência de um 
deus soberano chamado Olorum. Acreditam, ainda, na imortalidade da alma, na reencarnação e 
no carma. E fazem reverência a entidades tidas como espíritos capazes de guiar os indivíduos.
Quanto aos rituais, estes são realizados por meio de batuques acompanhados de 
cânticos sagrados em língua portuguesa. Os médiuns são aqueles que incorporam entidades, 
são responsáveis por curar, aconselhar, avaliar e propor mudanças na vida das pessoas. 
Assim como acontece com os Orixás, que se assemelham aos homens e mulheres, 
na Umbanda, os espíritos ou entidades, também possuem hábitos mundanos. Podem fumar 
muitos charutos, cigarros comuns ou de fumo e usarem álcool durante a incorporação e os 
trabalhos realizados nos terreiros.
Por fim, as cerimônias realizadas são chamadas de sessão, gira ou banda. São 
presididas por uma dirigente espiritual, identificadas como mãe de santo e pai de santo. 
Devemos ressaltar que essa religião tem como um dos marcos sincréticos do cris-
tianismo a prática da caridade. 
51ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
“No começo dos tempos, Olodumare criou os homens [...]
Orunmilá, também chamado Obá Jeunjeum,
ou “Rei-que-Come-Alimento”, na língua dos orixás,
ofereceu-se para levar os homens ao mundo e cuidar deles lá,
com o que Olodumare concordou plenamente.
Previdente, Orunmilá consultou o babalaô,
que o mandou oferecer sacrifícios antes de partir.
Ele deveria preparar sementes de legumes e tubérculos.
O ebó foi feito.
Do Orun, Orunmilá despejou essas ofertas na Terra.
Caindo no solo, as sementes germinaram, os tubérculos brotaram.
As plantas cresceram, dando folhas, frutos e sementes,
e foi com essa abundância que Orunmilá alimentou os homens.
Os serem humanos reproduziram-se e se espalharam pela Terra toda”.
Reginaldo Prandi, Mitologia dos Orixás
Fonte: Museu AfroBrasil (2020).
Você sabia que o candomblé começou a surgir no Brasil entre os séculos XVI e XIX, com a chegada de escra-
vos da África ocidental?
Apesar de a descoberta do país ter sido pelos portugueses,e por terem implementado a religião cristã, os 
escravos conseguiram, de alguma forma, também manter a sua prática, mas com nem metade dos orixás 
que são venerados na África. Enquanto em terras brasileiras são cultuados de 15 a 20, existem mais de 200 
conhecidos pela África.
Fonte: We Mystic (2020). 
52ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Acredito que você tenha aprendido muitas coisas novas com essa unidade, não é 
mesmo? Bom, se isso ocorreu significa que você já abriu um pouco mais seu olhar sobre 
a sociedade e entendimento que somos seres humanos diferentes e, consequentemente, 
com culturas diversas. 
Nossas discussões começaram a partir dos conceitos de cultura material e imate-
rial. Vimos que uma cultura possui vários elementos que a formam e para poder preservá-la 
até os dispositivos legais são utilizados. Assim, aprendemos sobre traços, área, complexo, 
padrões culturais e também sobre patrimônio material e imaterial como parte fundamental 
para a preservação de um povo e suas especificidades. 
Para estudar as características da religião, você foi apresentado a Antropologia da 
Religião e há alguns importantes autores que nos auxiliaram a entender a importância das 
representações simbólicas e da noção de dádiva. 
Depois descobrimos o que determina que sejamos um país onde existe um forte 
sincretismo religioso. Esse conceito revelou que, por conta da nossa formação, advinda do 
invasor português, do indígena brasileiro e dos escravos africanos, nossas manifestações 
religiosas são repletas de simbologias que foram sendo adaptadas para que todos pudes-
sem conviver com harmonia.
Por fim, aprendemos sobre as diferenças entre Candomblé e Umbanda. Enten-
demos que são religiões de matrizes africanas e que fazem parte do nosso cotidiano. No 
caso do Candomblé, vimos que ele faz parte, hoje, de vários lugares no Brasil e aqui temos 
20 Orixás como referência. Como já tínhamos ressaltado, muitas dessas entidades foram 
personificadas nas imagens de santos católicos.
Em relação à Umbanda podemos compreender que se trata da única religião de 
fato desenvolvida em solo brasileiro. Repleta de referências de várias outras religiões, ela 
se caracteriza por todo esse sincretismo religioso, como também pelos atos de caridade 
que pratica. 
Espero que você tenha gostado das novas descobertas e, assim, possa se tornar 
um educador capaz de respeitar as diferenças e não reproduzir ações discriminatórias e 
preconceituosas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
53ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
Leia a notícia abaixo e reflita sobre a importância da Tolerância Religiosa
 
Menina vítima de intolerância religiosa diz que vai ser difícil esquecer pedrada
Criança é do candomblé e foi agredida na saída do culto.
Avó iniciou campanha na internet e recebeu apoio de amigos.
A marca da violência está na cabeça da menina de 11 anos que foi agredida no Su-
búrbio do Rio por intolerância religiosa, mas esta não é a maior cicatriz. “Achei que ia morrer. 
Eu sei que vai ser difícil. Toda vez que eu fecho o olho eu vejo tudo de novo. Isso vai ser 
difícil de tirar da memória”, afirmou Kailane Campos, que é candomblecista e foi apedrejada 
na saída de um culto. Ela deu a declaração em entrevista ao RJTV desta terça-feira (16).
A garota foi agredida no último domingo (14) e, segundo a avó, que é mãe de 
santo, todos estavam vestidos de branco, porque tinham acabado de sair do culto. Eles 
caminhavam para casa, na Vila da Penha, quando dois homens começaram a insultar o 
grupo. Um deles jogou uma pedra, que bateu num poste e depois atingiu a menina.
“O que chamou a atenção foi que eles começaram a levantar a Bíblia e a chamar 
todo mundo de ‘diabo’, ‘vai para o inferno’, ‘Jesus está voltando’”, afirmou a avó da menina, 
Káthia Marinho.
Na delegacia, o caso foi registrado como preconceito de raça, cor, etnia ou religião 
e também como lesão corporal, provocada por pedrada. Os agressores fugiram num ônibus 
que passava pela Avenida Meriti, no mesmo bairro. A polícia, agora, busca imagens das 
câmeras de segurança do veículo para tentar identificar os dois homens.
A avó da criança lançou uma campanha na internet e tirou fotos segurando um 
cartaz com as frases: “Eu visto branco, branco da paz. Sou do candomblé, e você?”. A 
campanha recebeu o apoio de amigos e pessoas que defendem a liberdade religiosa. Uma 
delas escreveu: “Mãe Kátia, estamos juntos nessa”.
Iniciada no candomblé há mais de 30 anos, a avó da garota diz que nunca havia 
passado por uma situação como essa.
Fonte: G1. Menina vítima de intolerância religiosa diz que vai ser difícil esquecer pedrada. 2015. Disponível em: 
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/menina-vitima-de-intolerancia-religiosa-diz-que-vai-ser-dificil-
esquecer-pedrada.html. Acesso em: 25 ago. 2020.
LEITURA COMPLEMENTAR
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/menina-vitima-de-intolerancia-religiosa-diz-que-vai-ser-dificil-esquecer-pedrada.html
http://g1.globo.com/rio-de-janeiro/noticia/2015/06/menina-vitima-de-intolerancia-religiosa-diz-que-vai-ser-dificil-esquecer-pedrada.html
54ANTROPOLOGIA BRASILEIRA E O SINCRETISMO RELIGIOSOUNIDADE 3
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Besouro 
• Ano: 2009
• Sinopse: No começo do século XX, apesar da escravidão já ter acaba-
do no Brasil há muitos anos, os negros ainda eram oprimidos pelos bran-
cos. Enquanto isso, no Recôncavo Baiano, o menino Manoel Henrique 
aproveita sua infância para aprender uma tradição afro-brasileira proibida 
na época, a capoeira. Junto com os amigos Quero-Quero e Dinorá, o 
garoto toma aulas com o Mestre Alípio, considerado o líder comunitário 
dos negros da região. Vinte anos depois, Manoel já é conhecido por todos 
como Besouro, um dos maiores capoeiristas da região. Assim como a 
maior parte dos negros, ele trabalha nas fazendas de cana do Coronel 
Venâncio, mas é o único que não se sente intimidado pelos poderosos. 
Certo dia, quando Besouro se distrai, Mestre Alípio é assassinado, como 
forma de diminuir a voz dos negros. Se sentindo culpado e tendo a mis-
são de dar continuidade ao trabalho de seu mestre, o aluno se isola para 
aperfeiçoar suas técnicas. Depois de ser abençoado pelos orixás, Besou-
ro fica com o corpo fechado e aos poucos volta para lutar pelos direitos 
dos negros. Desafiando as autoridades, o capoeirista ainda se mantém 
a distância, o que faz sua fama crescer ainda mais. Em pouco tempo, 
todos comentam os seus feitos, e se começa a falar que ele tem poderes 
especiais e até mesmo pode voar. A presença de Besouro faz com que 
os negros se sintam mais confiantes para lutar pela liberdade e, com isto, 
os poderosos tentam de tudo para matar seu adversário. Baseado na 
história real de Manoel Henrique Pereira, Besouro é o primeiro trabalho 
como cineasta do publicitário João Daniel Tikhomiroff.
• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=NhrSIxqDSEw
LIVRO
• Título: Mitologia dos Orixás.
• Autor: Reginaldo Prandi
• Editora: Companhia das Letras
• Sinopse: Mitologia dos orixás, do sociólogo Reginaldo Prandi, é a 
mais completa coleção de mitos da religião dos orixás já reunida em 
todo o mundo. São 301 relatos mitológicos, histórias que contam, por 
meio de imagens concretas e não de ideias abstratas, como são, o que 
fazem, o que querem e o que prometem os deuses desse riquíssimo 
panteão africano que sobreviveu e prosperou em países da América – 
em particular no Brasil e em Cuba – e que nos últimos anos tem sido 
exportado para a Europa. Na sociedade tradicional dos iorubás, é pelo 
mito que se alcança o passado, se interpreta o presente e se prediz 
o futuro. Cada mito, portanto, é uma surpresa sempre renovada, um 
segredo revelado que jamais se deixa desvendar completamente. Ao 
narrar episódios em que se envolveram deuses como Exu, Ogum, 
Iemanjá e Iansã, Mitologia dos orixás chama a nossa atenção para 
sentidos vitais profundos e nos aproxima do vasto patrimôniocultural 
dos negros iorubás ou nagôs. O livro é ricamente ilustrado, com fotos 
coloridas de todos os orixás que se manifestam em cerimônias do 
candomblé no Brasil e ilustrações do artista plástico Pedro Rafael.
https://www.youtube.com/watch?v=NhrSIxqDSEw
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Plano de Estudos
• Pedagogia da Autonomia: saberes necessários à prática educati-
va, por Paulo Freire.
• Lugar de Fala, por Djamila Ribeiro. 
• O que é empoderamento? Por Joice Berth
• Educar para uma sociedade Antirracista.
Objetivos da Aprendizagem
• Refletir sobre uma prática pedagógica docente que seja libertadora, 
humanizada e conscientizadora. 
• Compreender o que significa o conceito de Lugar de fala.
• Entender a importância do empoderamento social, econômico, 
político e cultural dos grupos minoritários.
• Pensar como desenvolver uma ação Antirracista que se construa e 
se perpetue dentro e fora do ambiente escolar.
Professor(a) Ma. Renata Oliveira dos Santos
POR UMA POR UMA 
PEDAGOGIA PEDAGOGIA 
ANTIRRACISTAANTIRRACISTA
UNIDADEUNIDADE4
56POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
INTRODUÇÃO
Chegamos à Unidade IV com aquela sensação de que o caminho do aprendizado 
nos reserva muitas surpresas e que todo novo conhecimento precisa ser absorvido como 
elementos fundamentais para a nossa prática em sala de aula. 
Prática essa que precisa ser desenvolvida de maneira pedagógica, com sentido 
e significado que seja capaz de promover um aprendizado cada vez mais relacionado à 
realidade vivenciada, tanto por professores quanto por alunos. 
Assim, iremos refletir sobre os saberes necessários para a prática docente, a partir 
da chamada Pedagogia da Autonomia, defendida pelo grande educador Paulo Freire. Com 
o propósito de entendermos que uma ação docente precisa ser libertadora, conscientizado-
ra e capaz de promover educadores e educandos mais humanizados, que saibam conviver 
com as diferenças, sendo incapazes de promover atitudes de intolerância, racistas, precon-
ceituosas e discriminatórias.
Vamos nos debruçar sobre o conceito de lugar de fala tão divulgado hoje na mídia 
e que muitas vezes é confundido como sendo aquele que só quem vive uma determinada 
situação pode se pronunciar sobre. Será que o conceito significa isso mesmo?
A partir da ideia de lugar de fala, iremos aprender sobre outro importante conceito, 
o de empoderamento. Este deve ocorrer de maneira pessoal e também coletiva. O que 
implicará em mudanças, tanto no indivíduo quanto na sociedade. Percebemos que na 
atualidade, por exemplo, os crimes contra as mulheres se perpetuam, porque elas, muitas 
vezes, são dependentes de seus agressores e se sentem incapazes de modificar a realida-
de. Assim, vamos refletir sobre como a cultura pode auxiliar no empoderamento de todos.
Por fim, vamos entender um pouco sobre um movimento social que tem crescido 
muito em nossa cultura para que sejamos pessoas Antirracistas. Isso tem como significado 
uma mudança radical em nossa cultura e implica em aprendermos que nada é natural ou 
normal e que atos racistas não podem ser entendidos como brincadeiras, pois não são. 
Eles são, sim, crimes previstos nas leis brasileiras
PEDAGOGIA DA AUTONOMIA: 
SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA 
EDUCATIVA, POR PAULO FREIRE1
TÓPICO
57POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Você já deve ter ouvido falar do grande educador brasileiro Paulo Freire, não é mes-
mo? Ele é uma referência em vários países e universidades do mundo todo. É tão importante 
que se tornou tema de um curso em uma das maiores universidades do Estados Unidos. 
Como educador, Paulo Freire defendia uma prática pedagógica que pudesse liber-
tar as pessoas, a partir da problematização e da palavra geradora. Consciente do grande 
número de analfabetos em nossa sociedade, Freire criou uma pedagogia capaz de educar 
com o aluno e não apenas para ele. Assim, seria possível conhecer as demandas reais para 
o seu ensino-aprendizagem.
Diante de uma sociedade totalmente desigual, esse educador acreditava que a 
educação deveria ser libertadora e não bancária. O conceito de educação bancária remete 
a ideia de que os professores seriam os detentores do saber e poderiam fazer depósitos 
de conhecimento nos alunos que jamais o questionariam, mantendo-o como o detentor 
absoluto do saber. 
Para Freire essa era uma ideia absurda e que deveria ser abandonada pelos 
professores e professoras, que deveriam promover uma prática educativa transformadora. 
Uma pedagogia que fosse fundada na ética, no respeito à dignidade, à diversidade e na 
própria autonomia do educando.
Dessa maneira, a relação entre professor e aluno deveria ser feita por meio da 
amorosidade, capaz de despertar curiosidade, aberta ao diálogo e ao conhecimento das 
realidades vivenciadas. É preciso entender que ninguém se educa sozinho, ninguém educa 
o outro, os homens se educam entre si por meio de sua relação com o mundo. 
58POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Por essa razão é que, desde o início, temos afirmado que ninguém nasce racista, 
preconceituoso ou discriminatório. Todos passamos por processos educativos e sociais que 
vão nos moldando em relação à sociedade. Assim, aprender que culturas são diferentes 
tende a promover nosso olhar mais propenso a entender o horizonte. Podemos ser condi-
cionados, porém não determinados.
Para Paulo Freire (2017), a prática docente deve compreender a dimensão social 
capaz de gerar uma formação humana. É importante que o professor se entenda como um 
eterno aprendiz. Por isso, precisa entender que o ato de ensinar exige:
• Segurança, competência profissional e generosidade: o professor deve es-
tudar sempre, ser respeitoso em suas ações e transformar-se em uma autoridade 
que acolhe, que faça com que seus alunos possam desenvolver sua autonomia 
e pensar por si mesmos. “Me movo como educador porque, primeiro, me movo 
como gente” (FREIRE, 2017, p. 92).
• Comprometimento: o professor não pode passar despercebido por seus alu-
nos. Ele deve agir conforme fala e vice-versa, entendendo que o espaço peda-
gógico é um texto a ser lido e interpretado por todos ali envolvidos. “Devo revelar 
aos alunos a minha capacidade de analisar, de comparar, de avaliar, de decidir, 
de optar e de romper. Minha capacidade de fazer justiça, de não falhar à verdade, 
ético, por isso mesmo, tem que ser meu testemunho” (FREIRE, 2017, p. 96).
• Compreender que a educação é uma forma de intervenção no mundo: ser 
um professor que seja a favor da decência, da liberdade, da autoridade respei-
tosa, da democracia, da luta constante contra qualquer tipo de discriminação e 
dominação econômica. A favor da esperança.
• Liberdade e Autoridade: assegurar o respeito para o exercício de qualquer 
uma dessas ações. Não é ser autoritário e nem tornar a liberdade um ato de 
indisciplina, é saber o equilíbrio delas, promovendo um ambiente que, embora 
cheio de tensão, como é a sala de aula, possa ser harmonioso. 
• Tomada consciente de decisões: entender que a educação é política e é 
preciso lutar por ela e para que seja transformada. Lutar incansavelmente pelo 
respeito ao trabalho e atuação do professor emqualquer contexto. “A professora 
democrática, coerente, competente, que testemunha seu gosto de vida, sua 
esperança no mundo melhor, que atesta sua capacidade de luta, de seu respeito 
às diferenças, sabe cada vez mais o valor que tem para a modificação da reali-
dade, a maneira consistente com que vive sua presença no mundo, de que sua 
experiência na escola é apenas um momento, mas um momento importante que 
precisa ser autenticamente vivo” (FREIRE, 2017, p. 110).
59POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
• Saber escutar: talvez seja esse o maior desafio de um educador. Fazer do 
seu discurso silencioso e aprender com o educando. Ao invés de falar para, 
transformar em o falar com. Assim, ensinar não é transferir conhecimento, mas 
sim instigar novos conhecimentos. “[...] o bom escutador fala e diz de sua posição 
com desenvoltura. Precisamente porque escuta, sua fala discordante, sendo 
afirmativa, porque escuta jamais é autoritária” (FREIRE, 2017, p. 117).
• Reconhecer que a educação é ideológica: é preciso conhecer a realidade e 
tirar as vendas que cobrem a compreensão do meio em que se vive. Quando não 
humanizada, a educação pode ser domesticadora e alienante. Ela pode causar 
mal-estar quando se torna questionadora, denuncia as injustiças, cobra ações 
concretas de mudanças sociais e propõe a convivência entre as diferenças. De-
vemos reafirmar que somos condicionados pelo meio, entretanto, podemos nos 
rebelar contra ele e promover uma nova relação de conhecimento. 
• Disponibilidade para o diálogo: se escutar é um passo importante, saber 
dialogar é também fundamental para relação entre professor e aluno. A relação 
dialógica se constrói por meio da inquietação e da curiosidade e da noção de que 
somos seres humanos inconclusos. Quando o professor se dispõe ao diálogo 
abre caminho para o conhecimento além das teorias, mas para a participação 
na vivência de seus alunos, no conhecimento de suas realidades. O despertar 
da consciência crítica auxilia na formação dos alunos que poderão questionar e 
transformar o meio que estão inseridos.
• Querer bem aos educandos: se reconhecer como professor é se perceber 
como gente que gosta de todo tipo de gente. Assim, uma de suas funções é 
querer bem aos seus alunos, a partir de atitudes amorosas que possam definir 
a relação existente. Deve se ter alegria e desempenhar a função de ensinar e 
aprender com boniteza.
 
A partir dessas exigências, Freire (2017) afirma que a prática educativa não pode ser 
entendida como uma experiência fria e sem alma. Não devemos reprimir nossas emoções, 
sentimentos, desejos e sonhos. Precisamos lembrar sempre que somos humanos capazes 
de ensinar e aprender o tempo todo como outros seres humanos. Isso não significa que a 
maneira como devemos estar em sala de aula não demande rigor e disciplina intelectual. 
Pelo contrário, é quando entendemos que a educação se realizada na teoria e na prática é 
que compreendemos que ela é feita de gente com gente.
LUGAR DE FALA, POR 
DJAMILA RIBEIRO2
TÓPICO
60POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Você já deve ter percebido que nos últimos anos tem-se acirrado a luta contra 
vários tipos de preconceitos, não é mesmo? Casos de racismo, homofobia, machismo e 
sexismo são constantes em nossa sociedade. Para alguns, isso é normal e são considera-
das práticas sociais aceitáveis. Mas, nada é normal ou natural. 
Os comportamentos sociais são muito influenciados pela cultura. A expressão “na 
minha época não era assim”, permite compreender exatamente como as pessoas desejam 
manter o mundo. Para uma minoria, a sociedade é pensada por meio de inúmeros privilé-
gios, que são realmente para poucos.
Quais são os privilégios que você possui? É homem? Branco? Heterossexual? 
Cristão? Mulher? Branca? Heterossexual? Ou você acha que nada disso influi em seu 
dia a dia? Pois bem, quando somos privilegiados, dificilmente queremos pensar sobre o 
outro. Essa é a razão para que muitas lutas e reivindicações sejam chamadas de “mimimi”. 
Expressão usadas por aqueles que não conseguem admitir que nossa sociedade é desi-
gual ou que, de alguma maneira, sente que seus privilégios serão retirados, divididos e 
repartidos com o outro, que lhes parece tão inferior. 
Vivemos em uma sociedade desigual. Em que a relação entre o eu e outro se es-
tabelece das mais diferentes formas. Assim, as diferenças culturais e sociais estão sempre 
nos permitindo entender como o próprio meio social se constrói, determinando quem tem 
ou não direitos ou deveres. 
61POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
As minorias sociais fazem parte da sociedade em que vivemos. Você faz parte de 
alguma delas? Por exemplo, se é mulher, sim, você está inserida em uma minoria social. 
Vale ressaltar que uma minoria não pode ser entendida pelo número de participantes, mas 
por sua vulnerabilidade jurídica e social. Ou seja, pelas lutas empreendidas em nome da 
igualdade e da equidade social. 
Não somos iguais. Essa afirmativa precisa estar entendida em nossa vivência so-
cial. Homens e mulheres são diferentes entre si, não apenas biologicamente, como também 
socialmente. Neste sentido, mulheres não podem usar determinado tipo de roupa, estar 
desacompanhada até certa hora na rua, devem se comportar como a sociedade determina 
e ainda são as maiores vítimas de assédio, violência doméstica e de estupro em todo 
país. A violência contra a mulher é tão expressiva que, no Brasil, temos duas leis para sua 
proteção. A lei Maria da Penha, Lei nº 11.340/06, e a Lei do Feminicídio, nº 13.104/15. 
Mesmo asseguradas por lei, muitas mulheres ainda continuam sofrendo abusos e inúmeras 
violências. Sabe por que isso acontece? Simplesmente por serem mulheres.
Vale ressaltar que a violência contra a mulher não ocorre de maneira igual para 
todas em nossa sociedade. Mulheres pretas terão muito mais chance de serem agredidas, 
violentadas e mortas em nossa sociedade. Por essa razão, a filósofa Djamila Ribeiro (2017), 
ao refletir sobre lugar de fala, pensa o conceito a partir das mulheres pretas. Quando ouvi-
das, essas mulheres possuem muitas coisas em comum, ou seja, fazem parte de um lugar 
social que as impede de acessar certos espaços sociais. 
Isso exemplifica, por exemplo, porque vemos apenas poucas mulheres pretas 
ocupando lugares de destaques em nossa sociedade, nas áreas mais diversas. Embora 
façamos parte de um dos países que mais escravizou pessoas pretas, na realidade, pre-
cisamos nos questionar por que o contingente delas, em cargos de chefia não é grande? 
Nossas estruturas sociais possibilitam essas diferenças.
Por isso, o conceito de lugar de fala é importante. Pois ele permite que a minoria 
social possa se fazer existir pelo poder da fala. Não é apenas uma questão de emitir as 
palavras, mas sim de dar significado e sentido quando a própria sociedade o impede de 
falar. Assim a perspectiva individual é pensada por meio do lugar social que se ocupa e 
como isso interfere na projeção no meio. 
O subalterno não pode falar. Muitas vezes é negada, àqueles que fazem parte de 
minorias, sua própria existência. Ele se torna uma “coisa” sem expressão e direitos. Sendo 
assim, Ribeiro (2017, p. 76) nos apresenta algumas perguntas importantes, feitas pela 
62POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
autora Kilomba, ela “Questiona: Quem pode falar?, ‘O que acontece quando nós falamos?’ 
E ‘Sobre o que nos é permitido falar?’” 
Muitas pessoas têm traduzido o conceito de lugar de fala de maneira restritiva. Para 
aqueles que não entenderam, de fato, o que significa, traduz-se como sendo o espaço de-
terminado de pessoas determinadas. Como assim? Isso significa que apenas as minorias 
sociais, seja ela preta, mulher, homossexual, podem falar de si. Entretanto, essa interpreta-
ção é errônea. Podemos dialogar sobre diferentes assuntos e percepções sociais, todavia, 
é preciso respeitar o lugar de fala de cada um e saber que o fato de não habitarmos o lugar 
socialocupado nos limita na percepção exata daquele que vivencia toda a experiência de 
preconceitos e discriminação por ser considerado um outsider. 
É importante que tenhamos consciência das diferenças sociais e culturais que 
fazem parte da nossa sociedade, pois permite que nossa consciência crítica seja desen-
volvida para a formação de um meio social cada vez mais igualitário. Ouvir a fala do outro 
é essencial para o respeito mútuo. Quando consideramos que uma dor alheia é “mimimi” o 
que negamos é repensar nossos privilégios e entender o quanto somos tratados diferente 
quando fugimos da norma estabelecida por outros homens e mulheres. 
O “mimimi” significa, na verdade, a nossa falta de compreensão fora da realidade viven-
ciada apenas por nós mesmo. Não perceber o outro é manter intacta nossa não capacidade de 
refletir sobre a diversidade. E pior, impedindo que todos possamos ter garantido nosso direito 
de estar e atuar na sociedade. Transformando-a continuamente em nome da diversidade.
O QUE É EMPODERAMENTO? 
POR JOICE BERTH3
TÓPICO
63POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Diante de uma sociedade tão diversa e com muitos casos de preconceito e discrimi-
nação, faz-se necessário aprender que ser fora do que é chamado de padrão por um grupo 
social, não é nenhum problema. O problema maior é impedir que as pessoas possam viver, 
pensar, agir e se comportar da maneira como acharem pertinente. Sem interferir na ação 
do outro, com respeito e tendo assegurados seus direitos e deveres. 
O conceito lugar de fala que vimos anteriormente tem sido muito usado para dar 
voz aqueles que sempre estiveram na margem social, seja pela sua raça, crença religiosa, 
orientação sexual ou gênero. Poder falar e ser ouvido é também um ato de existir. 
Outra ideia que tem sido muito difundida também é a de empoderamento. Você 
saberia me dizer o que isso significa? Para Joice Berth (2018, p. 14), “o empoderamento é 
um instrumento de emancipação política e social” que não propõe criar relações que sejam 
paternalistas ou assistencialistas e nem muito menos tratar todas as pessoas da mesma 
maneira, sem respeitar suas diferenças. 
Dar poder é permitir com que cada indivíduo, por meio de uma consciência co-
letiva, possa se afirmar como queira, por meio da autoafirmação, autorreconhecimento, 
autovalorização e autoconhecimento de si mesmo, que o ajude a conhecer a sua própria 
história, entendendo sua condição social e política. Promovendo uma autoaceitação de 
suas características tanto estéticas quanto culturais. 
Podendo ser quem quiser ser, as pessoas percebem que, muitas vezes, a própria so-
ciedade as impede de profetizar a sua fé, no caso das religiões de matriz africanas, a se sentir 
bonita, quando tem sua cor de pele ou cabelo tidos como ruins e imperfeitos, e a se relacionar 
amorosamente com quem desejar. Neste sentido, ao se empoderar, você pode lutar contra toda 
ação opressora que impede de se manifestar e viver como acredita ser melhor para si. 
64POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Empoderar é romper com ações tidas como normais em sociedade e que privilegiam 
apenas uma parcela. É subverter e reconstruir as bases sociopolíticas para mudar a socie-
dade. É quando o outsider se percebe e, ao se reconhecer, deseja transformar o meio para 
que ele possa viver livremente. Para isso, é preciso estar atento à realidade vivenciada. 
Muitas pessoas que são oprimidas não conseguem perceber que são, pois não 
entendem que suas questões socioeconômicas, políticas, culturais e históricas interferem 
na forma como ela existe. Assim, por exemplo, ser negro, homossexual, mulher, demanda 
compreender como a própria sociedade os aceita e o quanto ela oprime. 
Dessa maneira, o empoderamento refere-se ao desenvolvimento da compreensão 
de grupos e indivíduos para agirem em nome do seu bem estar e no direito de participar ati-
vamente da sociedade, modificando a realidade desigual e opressora de que fazem parte. 
Sendo capazes de possibilitar a liberdade de todos, ao transformar o mundo ao redor não 
apenas para si, como também para o coletivo.
Paulo Freire é um defensor desse tipo de ação, que pode ser incentivada a partir de 
uma educação libertadora e conscientizadora. Para isso, os homens e mulheres precisam 
compreender e contar sobre suas trajetórias, entendendo o lugar que ocupam na sociedade 
que possa gerar mudanças. 
Na teoria, o empoderamento pode ser entendido por meio do trabalho social, que 
recupera a capacidade de consciência crítica e valoriza as potencialidades de cada indi-
víduo. Este, ao se reconhecer como vítima de um sistema opressor, busca caminhos para 
promover a igualdade e equidade social, lutando por si e pelo outro.
Por essa razão é que, ao longo de toda essa disciplina, você tem sido incentivado(a) 
a pensar no Outro, de maneira que o respeito às diferenças faça parte do cotidiano. Afinal, 
ninguém é melhor do que ninguém, não é mesmo?
Ainda na obra O que é empoderamento?, de Joice Berth (2018), no caso do empo-
deramento feminino, ele deve ser pensado em quatro dimensões:
• Cognitiva - em que a mulher pode desenvolver uma visão crítica sobre a socie-
dade ou meio em que vive;
• Psicológica - a construção de um sentimento de autoestima que tende a pro-
tegê-la de qualquer ação contra sua própria pessoa;
• Política - o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre as desigual-
dades sociais e de poder que possa despertar a capacidade de organização e 
mobilização da sociedade.
• Econômica - a capacidade de gerar renda individualmente. 
Você consegue imaginar por que essas dimensões são importantes para as mulhe-
res? É que, infelizmente, vivemos em um país em que o índice de crimes e violências contra 
mulheres ainda é muito grande. E o mais assustador é que eles ocorrem, muitas vezes, 
dentro de casa, o que dificulta a independência feminina. Por isso, uma mulher empoderada 
é aquela que pode se proteger desses abusos e se manter na sociedade com voz ativa.
EDUCAR PARA 
UMA SOCIEDADE 
ANTIRRACISTA4
TÓPICO
65POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Você já deve ter reparado que essa disciplina é marcada pela ideia do respeito e 
da mudança de atitude. A coisa mais difícil para mudar em uma sociedade é, justamente, 
a cultura. E sabe por que isso ocorre? Porque somos acostumados a sermos apenas de 
um único jeito. Porém, você já deve ter entendido que vivendo com pessoas tão diversas 
é impossível não mudar. Aqueles que escolhem evitar a mudança, continuam no mundo, 
muitas vezes, cheios de preconceitos e avessos à diversidade. 
Caso você já atue em sala de aula, já percebeu o quanto aquele é um espaço da 
diversidade... Pois bem, o que fazer com tantas demandas e pessoas diferentes? Se você 
ainda não está na sala de aula, faça uma reflexão de como foi sua vivência escolar. Com 
toda certeza perceberá que não existe um espaço mais variado de pessoas, estilos, modos 
de agir e de pensar diferenciado.
Por essa razão, o término da disciplina de Antropologia Cultural não poderia ser 
de outro jeito. Já que você aprendeu sobre o conceito de cultura, a relação com outro, 
identidade, crenças e representações religiosas estigmatizadas. Nada mais correto do que 
refletirmos sobre a nossa atuação como professores, não é mesmo? 
Diante de tanta diversidade social e cultural, qual o melhor caminho para seguir-
mos? Vimos com Paulo Freire, no início da unidade, que ser professor ou professora possui 
várias exigências, em especial, a capacidade de escutar e dialogar. Isso implica em entender 
nossos alunos e alunas como seres pensantes, que possuem sua própria cultura. Assim, 
educandos e educadores estão em eterna troca de ensino e de aprendizado.
Depois entendemos que para vivermos em sociedade se faz necessário reconhe-
cer quem somos e lutarmos para termos voz ativa, que possa ser ouvida por todos sem 
discriminação e preconceito. Falar é existir. 
E será falando que podemos nos empoderar. Ou seja, ter o poder de entender que 
aquilo que sou deveser respeitado. Assim, ao me empoderar, devo ter a consciência de 
que preciso também mudar o mundo ao meu redor.
66POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Pensando na transformação da sociedade, é que não cabe mais na sala de aula um 
professor ou professora que não promove o lugar de fala e o empoderamento, a figura de 
alguém autoritário, desumano, preconceituoso, discriminatório e racista, que não respeita 
as identidades variadas ou promove a escuta consciente e um diálogo libertador.
Precisamos lembrar sempre como somos importantes na formação de nossos 
alunos e alunas. Por isso, servimos de exemplo. Assim, nossas ações devem ser pensadas 
com responsabilidade, para que, em sala de aula, não sejam reproduzidas, mais uma vez, 
atitudes que reforcem a não possibilidade de convivência em uma sociedade diversificada. 
Assim, se faz necessário que nos tornemos professores e professoras incapazes 
de reproduzir tudo o que possa ofender, inferiorizar e inviabilizar que o outro não tenha os 
mesmos direitos garantidos para aqueles que se julgam pertencentes a um padrão ideal.
Neste sentido, é preciso que sejamos capazes de promover uma educação an-
tirracista. Mas, afinal, o que isso significa? É fundamental compreender que a Questão 
Racial não é um detalhe, um problema pontual. Ela precisa ser discutida de maneira séria, 
constante e que possa inibir a proliferação de outras ações racistas. Além disso, precisa 
colaborar com a destruição do racismo tão estruturado na sociedade. 
É preciso que as ações de cunho racistas sejam questionadas e entendidas como 
um crime. Não podem ser proferidas e explicadas como brincadeiras. Elas afetam de ma-
neira permanente aqueles que sofrem esse tipo de ataque. Fere a autoestima, a capacidade 
cognitiva, o psicológico e impedem muitas vezes o crescimento profissional e financeiro. 
Uma maneira de aprendermos a ser antirracistas pode ser compreendida no livro 
Pequeno Manual Antirracista (2019), escrito pela filósofa Djamila Ribeiro. Nessa obra, a au-
tora elenca alguns pontos importantes que devemos saber para a prática de uma sociedade 
antirracista, são eles:
• Informe-se sobre o racismo;
• Enxergue a Negritude;
• Reconheça os privilégios da branquitude;
• Perceba o Racismo internalizado;
• Apoie políticas educacionais afirmativas;
• Transforme seu ambiente de trabalho;
• Leia autores negros;
• Questione a cultura que você consome;
• Conheça seus desejos e afetos;
• Combata a violência racial;
• Sejamos todos antirracistas.
Para Ribeiro (2019), ao se perceber criticamente, você deverá ter uma outra postura 
frente a uma sociedade opressora que não promove o respeito. É preciso entender sobre 
privilégios e lutar para que eles não sejam para poucos. Se faz necessário querer aprender 
sempre: “Pessoas brancas devem se responsabilizar criticamente pelo sistema de opressão 
que as privilegia historicamente, produzindo desigualdades, e pessoas negras podem se 
conscientizar dos processos históricos para não reproduzi-los” (RIBEIRO, 2019, p. 108).
Então, será que você está pronto(a) para ser um(a) professor(a) ou um(a) profes-
sor(a) antirracista?
67POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Fonte: Mídia Ninja (2018). 
Em uma sociedade racista, qual é o seu papel como professor(a)?
Você sabia que a população negra tem 2,7% mais chances de ser vítima de assassinato do que os brancos. 
Segundo o informativo Desigualdades Sociais por Cor ou Raça no Brasil, divulgado pelo Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE), entre de 2012 a 2017, houve aumento da taxa de homicídios por 100 mil 
habitantes da população preta e parda, passando de 37,2% para 43,4%. Enquanto para a população bran-
ca esse indicador se manteve constante no tempo, em torno de 16%. Para os pesquisadores do IBGE, as 
desigualdades étnico-raciais têm origens históricas e são persistentes, levando a população preta ou parda 
a sofrer “severas desvantagens” em relação à branca em indicadores do mercado de trabalho, distribuição 
de renda, condições de moradia, educação, violência e representação política.
Fonte: Exame (2019). 
68POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Espero que a leitura e o aprendizado dessa unidade contribuam de maneira significa-
tiva para a sua formação. Seja para atuação dentro ou fora da sala de aula. Toda a discussão 
aqui proposta fecha com chave de ouro o que se propôs discutir sobre a Antropologia Cultural.
Nesse sentido, é fundamental pensarmos sobre a formação, como deve ser a condu-
ta de um professor em relação a sua sociedade e realidade. Aquele que é capaz de ouvir e de 
dialogar com as mais diferentes pessoas, aceitando e respeitando como cada um deseja ser. 
Vimos, com Paulo Freire, que o desenvolvimento de uma ação pedagógica consciente 
se faz muito importante para o estabelecimento de uma relação entre educadores e educan-
dos. É preciso reconhecer que todos somos dotados de um tipo de cultura e o conhecimento 
da diversidade proporciona sabermos que não somos detentores de uma verdade absoluta. 
Quando nos dispomos a conhecer a realidade que estamos inseridos, e mesmo aquelas que 
não fazemos parte, nossa capacidade crítica se desenvolve e nos tornamos tolerantes. 
Ser tolerantes significa que respeitamos o outro como ele é. Podemos contribuir para 
a sua luta. Assim, entendemos que o conceito de lugar de fala tende a promover que vozes, 
antes nunca ouvidas, sejam respeitadas. Quando não fazemos parte daquele nicho social, 
temos o dever de lutar junto. Entendendo que, mesmo não estando naquele lugar social, 
fazemos parte da manutenção da opressão ou da promoção da libertação. É preciso respeitar 
o lugar de fala de cada um, não minimizando suas dores e temores. É preciso ter empatia.
Aprendemos ainda que, em uma sociedade tão desigual, é preciso que as pessoas 
se empoderem, mas não simplesmente de forma individual, mas que isso resulte também 
numa ação coletiva, política. Empoderar-se é dar poder aqueles que também nunca ocu-
param esse espaço. É promover um autoconhecimento e reconhecimento, autoaceitação e 
uma autovalorização pessoal, capaz de modificar a sociedade. 
Por fim, o desafio proposto á você é de se formar como uma pessoa antirracista. 
Capaz de entender e debater sobre a questão do racismo, tão presente de forma estrutural 
em nossa sociedade. E que possa contribuir para uma mudança pragmática de pensamento 
e de ações. Para que em um futuro bem próximo possamos viver uma sociedade cada vez 
mais igualitária, rompendo com o preconceito, a discriminação e o racismo em relação a 
qualquer indivíduo ou grupo de pessoas.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
69POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Leia o conto abaixo e reflita sobre como o racismo faz parte da estrutura social do 
cotidiano.
Espiral 
Geovani Martins – Livro: O sol na cabeça. 
Começou muito cedo. Eu não entendia. Quando passei a voltar sozinho da escola, 
percebi esses movimentos. Primeiro com os moleques do colégio particular que ficava na 
esquina da rua da minha escola, eles tremiam quando meu bonde passava. Era estranho, 
até engraçado, porque meus amigos e eu, na nossa própria escola, não metíamos medo em 
ninguém. Muito pelo contrário, vivíamos fugindo dos moleques maiores, mais fortes, mais 
corajosos e violentos. Andando pelas ruas da Gávea, com meu uniforme escolar, me sentia 
um desses moleques que me intimidavam na sala de aula. Principalmente quando passava 
na frente do colégio particular, ou quando uma velha segurava a bolsa e atravessava a rua 
pra não topar comigo. Tinha vezes, naquela época, que eu gostava dessa sensação. Mas, 
como já disse, eu não entendia nada do que estava acontecendo. As pessoas costumam 
dizer que morar numa favela de Zona Sul é privilégio, se compararmos a outras favelas na 
Zona Norte, Oeste, Baixada. 
De certa forma, entendo esse pensamento, acredito que tenha sentido. O que pou-
co se fala é que, diferente das outras favelas, o abismo que marca a fronteira entre o morro 
e o asfalto naZona Sul é muito mais profundo. É foda sair do beco, dividindo com canos e 
mais canos o espaço da escada, atravessar as valas abertas, encarar os olhares dos ratos, 
desviar a cabeça dos fios de energia elétrica, ver seus amigos de infância portando armas 
de guerra, pra depois de quinze minutos estar de frente pra um condomínio, com plantas 
ornamentais enfeitando o caminho das grades, e então assistir adolescentes fazendo aulas 
particulares de tênis. É tudo muito próximo e muito distante. 
E, quanto mais crescemos, maiores se tornam os muros. Nunca esquecerei da 
minha primeira perseguição. Tudo começou do jeito que eu mais detestava: quando eu, 
de tão distraído, me assustava com o susto da pessoa e, quando via, era eu o motivo, 
a ameaça. Prendi a respiração, o choro, me segurei, mais de uma vez, pra não xingar a 
velha que visivelmente se incomodava de dividir comigo, e só comigo, o ponto de ônibus. 
No entanto, dessa vez, ao invés de sair de perto, como sempre fazia, me aproximei. Ela 
tentava olhar pra trás sem mostrar que estava olhando, eu ia chegando mais perto. Ela 
começou a olhar em volta, buscando ajuda, suplicando com os olhos, daí então colei junto 
LEITURA COMPLEMENTAR
70POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
dela, mirando diretamente a bolsa, fingindo que estava interessado no que pudesse ter ali 
dentro, tentando parecer capaz de fazer qualquer coisa pra conseguir o que queria. Ela saiu 
andando pra longe do ponto, o passo era lento. 
Eu a observava se afastar de mim. Não entendia bem o que sentia. Foi quando, sem 
pensar em mais nada, comecei a andar atrás da velha. Ela logo percebeu. Estava atenta, dura, 
no limite de sua tensão. Tentou apertar o passo pra chegar o mais rápido possível a qualquer 
lugar. Mas na rua era como se existíssemos apenas nós dois. Por vezes eu aumentava minha 
velocidade, ia sentindo o gosto daquele medo, cheio de poeira de outras épocas. Depois 
diminuía um pouco, permitindo que ela respirasse. Não sei quanto tempo durou tudo aquilo, 
provavelmente não mais que alguns minutos, mas, para nós, era como se fosse toda uma vida. 
Até que ela entrou numa cafeteria e segui meu caminho. Passado o turbilhão, fiquei 
com nojo de ter ido tão longe, lembrando da minha avó, imaginando que aquela senhora 
também devia ter netos. Porém, esse estado de culpa durou pouco, logo lembrei que aquela 
mesma velha, que tremia de pavor antes mesmo que eu desse qualquer motivo, com certeza 
não imaginava que eu também tivera avó, mãe, família, amigos, essas coisas todas que fazem 
nossa liberdade valer muito mais do que qualquer bolsa, nacional ou importada. Por mais que 
às vezes me parecesse loucura, sentia que não poderia parar, já que eles não parariam. 
As vítimas eram diversas: homens, mulheres, adolescentes e idosos. Apesar da 
variedade, algo sempre os unia, como se fossem todos da mesma família, tentando proteger 
um patrimônio comum. Veio a solidão. Ficava cada vez mais difícil enfrentar qualquer assunto 
banal. Nem nos livros conseguia me concentrar. Não queria saber se chovia ou fazia sol, se 
no domingo daria Flamengo ou Fluminense, se Carlos terminou com Jaque, se o cinema 
estava em promoção. Meus amigos não entendiam. Não podia contar o motivo de minhas 
ausências, e, aos poucos, fui sentindo que me afastava de gente realmente importante para 
mim. Com o passar do tempo essa obsessão foi ganhando forma de pesquisa, estudo sobre 
relações humanas. Passei então a ser tanto cobaia quanto realizador de uma experiência. 
Começava a entender com clareza meus movimentos, decifrar os códigos dos meus instintos. 
No entanto, a dificuldade de entender as reações de minhas vítimas foi se mostran-
do cada vez maior. São pessoas que vivem num mundo que não conheço. Sem contar que 
o tempo que tenho para analisá-las frente a frente é curto e confuso, já que preciso atuar 
simultaneamente. Percebendo isso, cheguei à conclusão de que precisaria me concentrar 
num único indivíduo. Não foi nada fácil encontrar essa pessoa. Me perdia entre as perso-
nalidades, não conseguia escolher. Tinha medo. Até que um dia, andava pela rua, era noite 
alta, um homem virou a esquina no mesmo momento que eu, trombamos. Ele levantou os 
braços, se rendendo ao assalto. Eu disse: “Fica tranquilo. E vai embora”. 
Depois de muito tempo sentia mais uma vez aquele ódio primeiro, descontrolado, 
aquele que enche os olhos d’água. Há tempos já tinha me abstraído da humilhação, e até 
mesmo da vingança. Encarava o desafio com o olhar cada vez mais distante, científico. 
71POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
Mas alguma coisa nos movimentos daquele homem — o levantar de braços, a expressão 
de terror — fez reacender aquela chama do dia em que fui atrás da minha primeira vítima. 
Era ele. Só podia ser ele. Esperei um pouco e fui atrás, invisível. Mário é o nome dele. 
Consegui pescar essa informação observando de perto, próximo ao seu local de trabalho, 
enquanto ele cumprimentava seus conhecidos pela rua. Tem duas filhas pequenas, uma 
pela casa dos sete, oito anos, a outra com quatro, no máximo cinco. 
Não consegui descobrir o nome delas, pois, quando estava com a família, eu 
acompanhava de longe, pra não atrair suspeitas. Acabei batizando de Maria Eduarda a 
mais velha e Valentina a mais nova. Nomes compatíveis com suas carinhas de crianças 
bem alimentadas. À esposa dei o nome de Sophia. Olhando a partir da minha distância, 
pareciam felizes. No dia em que foram fazer um piquenique no Jardim Botânico, brincavam, 
comiam bolos, doces, observavam juntos as plantas. Um verdadeiro comercial de marga-
rina, com exceção da babá, que os seguia toda de branco. Durante o primeiro mês, forcei 
nosso encontro muitas vezes. Em algumas ele ficou intimidado com minha presença, em 
outras parecia não notar ou não se importar. Eu ficava me perguntando quando é que ele 
daria conta de minha existência. Três meses. Até o dia em que li em sua expressão o horror 
da descoberta. Muita coisa mudou depois disso. Mário passou a ser outra pessoa. 
Sempre preocupado, olhando em volta. Eu observava. Às vezes o perseguia clara-
mente, via sua tensão crescer, até quase explodir. Então parava, entrava em algum lugar, 
fingia naturalidade. Chegamos ao momento presente. Passei uns dias rondando um pouco 
mais perto de sua casa. O que antes era privilégio, morar perto do trabalho, virou um dos seus 
maiores motivos de preocupação. Ele tentava me despistar dando voltas pelos quarteirões, 
mas seu esforço era inútil, já que há bastante tempo eu sabia onde ficava seu apartamento. 
Foram dias complicados pra ambas as partes, eu sentia que dava um passo definitivo, só 
não tinha certeza de onde me levaria esse caminho. Até que entramos na jogada final. 
Comecei a segui-lo, como das outras vezes, num lugar próximo a sua casa. Mas 
dessa vez ele não fez questão de me despistar, pelo contrário, pegou o caminho mais 
rápido até o apartamento. Suava pelas ruas, a cara vermelha. Também eu tremia diante 
das possibilidades de desfecho. Ele entrou no prédio, cumprimentou o porteiro feito máqui-
na, subiu. Apenas uma janela. Era o que se mostrava do apartamento no meu campo de 
visão. Fiquei mirando fixamente aquele ponto, sem me esconder dessa vez; se eu o visse, 
também ele me veria. Alguns minutos depois apareceu Mário, completamente transtornado, 
segurava uma pistola automática. Sorri pra ele, percebendo naquele momento que, se 
quisesse continuar jogando esse jogo, precisaria também de uma arma de fogo.
Fonte: Martins (2018).
72POR UMA PEDAGOGIA ANTIRRACISTAUNIDADE 4
MATERIAL COMPLEMENTAR
FILME/VÍDEO
• Título: Menino 23
• Ano: 2016
• Sinopse: Em 1998, o historiador Sydney Aguilar ensinava sobre nazismo 
alemão para uma turma de ensino médio, quando uma aluna mencionou que 
havia centenas de tijolos na fazenda de sua família estampados com a suás-
tica, o símbolo nazista. Essa informação despertou a curiosidade de Sidney e 
desencadeou sua pesquisa. Pouco a pouco, o filme mostra como o historiador 
avançou coma sua investigação, revelando que, além de fatos, ele também 
descobriu vítimas. Sidney mostrou que empresários ligados ao pensamento 
eugenista (integralistas e nazistas) removeram 50 meninos órfãos do Rio de 
Janeiro para Campina do Monte Alegre/SP para 10 anos de escravidão e iso-
lamento na Fazenda Santa Albertina de Osvaldo Rocha Miranda. O trabalho 
de Sidney vai reconstituir laços estreitos entre as elites brasileiras e crenças 
nazistas, refletidos em um projeto eugênico implementado no Brasil. Aloísio 
Silva, um dos sobreviventes, lembra a terrível experiência que escravizou os 
meninos ao ponto de privá-los do uso de seus nomes, transformando-o no “23”. 
Sidney e outros historiadores e especialistas irão delinear os contextos histó-
ricos, políticos e sociais do Brasil durante os anos 20 e 30, explicando como 
um caldeirão étnico, como o Brasil, absorveu e aceitou as teorias de eugenia e 
pureza racial, a ponto de incluí-los em sua Constituição de 1934. A investigação 
culmina com a descoberta de Argemiro, outro sobrevivente do projeto nazista 
da Cruzeiro do Sul. Sua trajetória reforça ainda mais como os conceitos de “su-
premacia branca” e as tentativas de “branqueamento da população” marcaram 
nossa sociedade, deixando sequelas devastadoras até os dias de hoje. Sendo 
o racismo e – mais ainda – a negação dele, as mais permanentes.
• Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=rYSspBodYSQ
LIVRO
• Título: Ensinando a transgredir: A educação como prática de liberdade.
• Autora: Bell Hooks
• Editora: WMF Martins Fonte
• Sinopse: Em Ensinando a transgredir, bell Hooks – escritora, professora 
e intelectual negra insurgente – escreve sobre um novo tipo de educação, a 
educação como prática da liberdade. Para Hooks, ensinar os alunos a “trans-
gredir” as fronteiras raciais, sexuais e de classe a fim de alcançar o dom da 
liberdade é o objetivo mais importante do professor. Ensinando a transgredir, 
repleto de paixão e política, associa um conhecimento prático da sala de aula 
com uma conexão profunda com o mundo das emoções e sentimentos. É um 
dos raros livros sobre professores e alunos que ousa levantar questões críticas 
sobre Eros e a raiva, o sofrimento e a reconciliação e o futuro do próprio ensino. 
Segundo Bell Hooks, “a educação como prática da liberdade é um jeito de 
ensinar que qualquer um pode aprender”. Ensinando a transgredir registra a 
luta de uma talentosa professora para fazer a sala de aula dar certo.
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Estudar e estar disposto a conhecer o novo é realmente gratificante, você não acha? 
Isso é perceptível quando, ao finalizarmos uma etapa de aprendizado, somos capazes de 
pensar o quanto nos modificamos. Você esteve em contato com uma disciplina que entende 
o homem como um ser completo, que discute um conceito muito repetido no cotidiano e, na 
maioria das vezes, nem refletimos o quanto somos influenciados por nossa cultura. 
A cultura, como vimos na Unidade I, pode ser entendida como uma teia de sentido 
e de significado, em que pessoas e grupos sociais se identificam e se reconhecem como 
pertencentes. Ela não é simplesmente os hábitos e os costumes, mas sim como, a partir de-
les, nossas ações são moldadas e motivadas em sociedade. Aprendemos ainda que quem 
estuda a cultura são os antropólogos, por meio de uma ciência chamada de Antropologia.
Vimos que, a princípio, se defendia que cabia a essa ciência o estudo do primitivo 
e do selvagem. Porém, compreendeu-se, com o tempo, que a cultura se manifesta em dife-
rentes grupos sociais e, por isso, precisa ser entendida, interpretada e descrita de maneira 
densa. O trabalho do antropólogo se constitui em olhar, ouvir e escrever. 
Esse trabalho é muito importante para entendermos que não existe alguém ou 
alguma nação que seja melhor ou pior, superior ou inferior, boa ou ruim em relação a outra. 
O que existe são culturas diferentes. Assim, na Unidade II discutimos sobre a necessidade 
de respeitar o outro. Isso só é possível quando respeitamos a diferença e somos incapazes 
de cometer atitudes etnocêntricas. O oposto desse tipo de ação é marcado pelo relativismo 
cultural, em que somos capazes de observar, compreender e respeitar o outro como ele é. 
Cada pessoa e grupo social tem o direito de ser o que deseja. Deve ser garanti-
do o seu direito de não seguir regras ou padrões que não fazem parte da sua formação 
identitária. Vimos que aqueles que não seguem as normas estabelecidas por outrem são 
chamados de Outsiders. Infelizmente, alguns sujeitos sociais acreditam que todos devemos 
ser iguais, esquecendo que a identidade pode ser entendida como algo fluído e variado. 
Assim, ao adentrarmos nas discussões da Unidade III, somos convidados a colocar 
nossos velhos saberes e conhecimentos de lado e a olharmos o mundo com novas possi-
bilidades. Debatemos sobre a Antropologia da religião e como essa ciência atuou para a 
compreensão das religiões de matriz africana. Descobrimos que, por exemplo, a Umbanda 
é uma religião brasileira e que o Candomblé, no Brasil, possui pelo menos 20 orixás. Por 
CONCLUSÃO GERAL
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fim, entendemos que essas religiões estão, de alguma forma, presentes em nosso cotidia-
no, pois vivemos em uma sociedade marcada pelo sincretismo religioso.
Para finalizar nossa aventura do conhecimento pelos caminhos da Antropologia 
Cultural, na Unidade IV fomos desafiados a pensar uma prática pedagógica mais humana, 
conscientizadora, libertadora e Antirracista. Para isso, recorremos aos escritos do grande 
educador Paulo Freire, que nos mostrou quais as exigências fundamentais para nossa 
formação educacional. 
O fato de saber ouvir e dialogar com o outro permite que a gente entenda que 
existem várias vozes no mundo. Infelizmente, algumas delas são caladas pela nossa desi-
gualdade social, econômica, histórica, política e cultural. Por isso, o conceito de lugar de fala 
é tão importante. É preciso dar voz a quem sempre esteve à margem da sociedade. Quando 
somos capazes de ouvir o outro, podemos entender também o conceito de empoderamento.
Vimos que empoderar vai além de uma ideia individual, mas ela se alastra para o 
coletivo. Empoderar-se é ter autoconhecimento, autovalorização, autorreconhecimento e au-
toaceitação. Em um país como o nosso, em que a violência contra as mulheres é gritante, é 
muito importante de que elas sejam empoderadas. De maneira cognitiva, psicológica, política e 
econômica. Só assim será possível mudar uma estatística tão cruel que cresce cada vez mais.
Enfim, ao conhecermos tudo isso, é possível desenvolver uma educação que pro-
mova seres antirracistas. Em que professores, professoras e seus alunos e alunas sejam 
capazes de não mais reproduzir uma cultura excludente, mas sim uma cultura inclusiva, 
respeitosa, capaz de viver pacificamente com as diferenças.
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