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PSICOPEDAGOGIA NA FAMÍLIA: ABORDAGEM COMPORTAMENTAL Greicy Juliana Moreira ● Mestre em Letras (UEM). ● Especialista em Língua Portuguesa - Teoria e Prática (América do Sul). ● Especialista em Psicopedagogia Clínica e Institucional (Faculdade Maringá). ● Especialista em Educação Especial com Ênfase em Libras (Bom Bosco). ● Especialista em Educação Empreendedora (PUC - RJ). ● Especialista em Gestão de Pessoas (Faculdade Maringá). ● Licenciatura em Letras - Português. ● Segunda Licenciatura (Pedagogia - UniCesumar). ● Professora da Pós-Graduação (UniFCV). ● Tutora/Mediadora Pedagógica e de Pós-Graduação da (UniFCV). ● Professora conteudista na área de Educação (UniFCV/UNIFATECIE). ● Instrutora de cursos Técnicos e Profissionalizantes (SENAC - PR). ● Experiência na área de Educação há 13 anos (Educação Básica, Ensino Técnico, Superior e Pós-Graduação (presencial e à distância). Acesse meu currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/8929294723407914 AUTORA http://lattes.cnpq.br/8929294723407914 Acadêmico (a), Seja muito bem-vindo(a)! Vamos dar início a nossa trilha de aprendizagem. Aqui, vamos construir nosso conhecimento sobre os conceitos fundamentais relacionados à PSICOPEDAGOGIA NA FAMÍLIA: ABORDAGEM COMPORTAMENTAL. Na unidade I, denominada de “FAMÍLIA NA ATUALIDADE”, a ênfase será conhecer o percurso histórico do conceito de família e suas especificidades. Depois, vamos compreen- der como se estabeleceu a nova definição de família e sua função no contexto atual. Já na unidade II, denominada de “FAMÍLIA E ESCOLA ”, vamos ampliar nos- sos conhecimentos sobre os assuntos relacionados à importância da atuação familiar no contexto educacional. Além disso, vamos entender o papel da gestão na mediação do relacionamento entre a família e a comunidade escolar. Depois, na unidade III, intitulada de “PSICOPEDAGOGIA, FAMÍLIA E ESCOLA”, trataremos, especificamente, sobre a atuação do psicopedagogo nas relações da família e a escola. No decorrer da unidade vamos conhecer quais são as contribuições do atendimento psicopedagógico na superação dos obstáculos de aprendizagem. Para finalizar, na unidade IV, denominada de “RELAÇÕES INTERPESSOAIS”, nosso primeiro diálogo será sobre as relações interpessoais e suas influências no processo de aprendizagem escolar. Depois, vamos centralizar nosso estudo para entender as rela- ções interpessoais e a relação entre professor, aluno e psicopedagogo. Aproveito para reforçar o convite a você, para junto conosco percorrer esta trilha de conhecimento e ampliar os horizontes sobre tantos assuntos abordados em nosso material. Desejo que os assuntos aqui disponibilizados contribuam efetivamente para o seu crescimento pessoal e profissional. Muito obrigada e bom estudo! APRESENTAÇÃO DO MATERIAL UNIDADE I ................................................................................................................... 3 Família na Atualidade UNIDADE II ................................................................................................................ 25 Família e Escola UNIDADE III ............................................................................................................... 47 Psicopedagogia, Família e Escola UNIDADE IV .............................................................................................................. 70 Relações Interpessoais SUMÁRIO UNIDADE I Família na Atualidade Professora Me. Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: ● Definições de Desenvolvimento histórico da família; ● Nova definição de família e sua função. Objetivos da Aprendizagem: ● Conhecer o conceito de família como sistema; ● Entender as mudanças e permanências da organização familiar ao longo do tempo. 3 UNIDADE I Família na Atualidade 11 Acadêmico(a), olá! Seja muito bem-vindo à Unidade I, intitulada de “FAMÍLIA NA ATUALIDADE”. Aqui, nosso principal objetivo será dialogar sobre as mudanças e permanências das formas de organização familiar ao longo do tempo. Abordar tal assunto nos permitirá conhecer sobre como o sujeito, inserido no con- texto histórico e social promoveu mudanças e, ao longo do tempo, construiu história e transformou as organizações familiares. Entender essas transformações sociais nos fará refletir sobre as tradições e costumes familiares atuais, uma história de organização familiar que contribui para a história de todos. Soma-se a isso o fato de que porque as grandes consequências do conjunto de transformações da sociedade nesses últimos tempos atingiram diretamente a maneira como se compõem e convivem as famílias contemporâneas. Assim sendo, é importante ressaltar, que o assunto em questão é de extrema im- portância para todo o profissional que está inserido num contexto de ensino-aprendizagem, pois as grandes e profundas mudanças que acontecem na vida familiar, refletem na vida das crianças e dos jovens, tanto na esfera familiar, como também na educacional. Então, para desenvolver o conteúdo proposto, no tópico 1, intitulado de “Desen- volvimento histórico da família”, vamos conhecer algumas acepções do termo família. Na sequência, percorremos os caminhos históricos, que nos mostrarão a trajetória da cons- trução do conceito de família como sistema, e ainda, como foi constituída a organização familiar que conhecemos desde a infância. Posteriormente, no tópico 2, intitulado de “Nova definição de família e sua função”, a ideia central será identificar as características das diferentes configurações familiares e, por fim, apresentar informações sobre as estruturas e dinâmicas familiares. Venha comigo, vamos percorrer novas trilhas de conhecimentos! INTRODUÇÃO UNIDADE I Família na Atualidade 4 1. DEFINIÇÕES DE DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO DA FAMÍLIA Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico da Unidade I, intitulado de “Definições do desenvolvimento histórico da família”. Dialogar sobre tal assunto é extremamente relevante para todo profissional que atua na área da educação, uma vez que, o contexto familiar e tudo o que ocorre nessa esfera, reflete na vida acadêmica do aluno(a), seja de forma positiva, como também negativamente. Diante disso, vamos, primeiramente, entender o conceito de família como sistema para depois, realizarmos uma viagem no tempo e entendermos essa evolução histórica, pois ao longo dos tempos, é sabido que tivemos mudanças significativas no que refere-se ao termo “família”. Então, venha comigo, embarque nessa trilha de novos conhecimentos. 1.1 A Evolução do conceito de “família” A origem da família faz parte da história da civilização, porque surgiu naturalmen- te, satisfazendo uma necessidade do ser humano em estabelecer relações afetivas de forma estável. UNIDADE I Família na Atualidade 6 Segundo as acepções do dicionário Dicionário Houaiss, atualmente, o termo fa- mília é considerado como: Sf. Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária; Grupo das pessoas que compartilham a mesma casa, especialmente os pais, filhos, irmãos etc; Pessoas que possuem relação de parentesco; Pessoas cujas relações foram estabelecidas pelo casamento, por filiação ou pelo processo de adoção, etc. (HOUAISS, 2016). Concomitantemente à primeira acepção do dicionário Houaiss, para a área da Sociologia, família significa a representação de uma união entre indivíduos unidos por afetividades como também, de parentesco (consanguíneo). Além disso, é entendida ainda como a primeira instituição responsável pela socialização dosindivíduos. Já a Antropologia, numa perspectiva social, considera a família como a instituição central dessa socialização, por isso, está intimamente conectada aos demais conceitos que fundamentam a sociedade, como por exemplo: ● Filiação, a relação de descendência; ● Fraternidade, relação com os outros em iguais condições; ● Conjugalidade, a associação entre dois membros da sociedade; ● Maternidade e paternidade, a capacidade de deixar descendentes e transmitir valores e construções sociais. A partir disso, a família torna-se a instituição social que origina todas as outras (Estado, religião, educação, etc.). Para a Organização Mundial da Saúde (OMS, 2002) o conceito de família não se limita aos laços sanguíneos, casamento, parceria sexual ou adoção. De acordo com as acepções da organização, todo grupo que tenha conexões pautadas na confiança mútua e ainda que possuam destino comum, precisa ser considerado como uma família. Acadêmico(a), mas como será que aconteceu a evolução do conceito de FAMÍLIA ? Para entendermos o que aconteceu, como ocorreram tais mudanças, faz-se necessário, conhecermos a origem da família segundo os aspectos históricos. No decorrer dos tempos, esse termo sofreu diversas alterações e novos significados foram atribuídos. Considerando todo o processo histórico de mudanças e acomodações do grupo familiar, ressalta-se que a ideia de família como uma matriz humana de identidade começou a ser constituída e consolidada a partir do Século XVI. UNIDADE I Família na Atualidade 7 É válido ressaltar que o termo em questão tem origem no latim famulus, que era compreendido como o grupo de servos domésticos. Tal conceito, no Império Romano, de- signava a união entre duas pessoas e seus descendentes. Então, é a partir dessa época que iniciou a ideia matrimônio. Posteriormente, já na Idade Média, foi estabelecida a união matrimonial sacra- mentada na Igreja. Nessa época, a instituição familiar era regida pela ditadura do pai, ele possuía o poder de vida e de morte sobre os filhos, assim como vendê-los e até mesmo castigá-los com penas corporais. Diferentemente, a figura da mulher era de submissão ao marido, além disso, suas ações eram direcionadas apenas para os afazeres domésticos e a criação dos filhos, porque naquele tempo, a mulher não possuía direitos legais iguais aos homens (SANTANA, 2015). Esse acontecimento marca efetivamente a relação entre a Igreja e o Estado, pois, nesse momento, o conceito de família abrange todo o significado de matrimônio sagrado, indissolúvel e de perpetuação da espécie, a reprodução, crescer e multiplicar Então, com a ascensão do Cristianismo, a Igreja Católica tinha total poder de sacramento e do direito Canônico para regrar o casamento, o qual era considerado a única fonte do surgimento da família (SILVA ,2004). Nesse contexto, a ideia de família está vinculada à tradição, pois era composta por: pai, mãe e filhos, temos, então, a família patriarcal hierarquizada socialmente pela figura do homem. Nessa época, os laços biológicos eram fortalecidos, buscava-se o poder econômi- co, político e religioso em detrimento dos laços afetivos, conforme destaca a especialista no assunto: O elo familiar era voltado apenas para a coexistência, sendo imperioso para o “chefe” a manutenção da família como espelho de seu poder, como condu- tor ao êxito nas esferas política e econômica. Os casamentos e as filiações não se fundavam no afeto, mas na necessidade de exteriorização do poder, ao lado – e com a mesma conotação e relevância – da propriedade. [...] Os vínculos jurídicos e os laços de sangue eram mais importantes e prevaleciam sobre os vínculos de amor. O afeto, na concepção da família patriarcal, era presumido, tanto na formação do vínculo matrimonial e na sua manutenção como nas relações entre pais e filhos. Quando presente, não era exterioriza- do, o que levava a uma convivência formal, distante, solene, substanciada quase que unicamente numa coexistência diária (SILVA, 2004, p. 122 - 147). Durante a Idade Média, com a queda do Império Romano do Ocidente e a transição para a Idade Moderna, a figura da mãe, era oposto ao que vemos hoje. Ela dedicava-se aos filhos e à casa. Especialistas na área destacam que nesse momento, as relações afetivas com a criança eram superficiais, sem muitas demonstrações afetivas (SANTANA, 2015). UNIDADE I Família na Atualidade 8 Mais tarde, na época da Revolução Francesa, período de intensa agitação política e social na França, houve a ascensão do casamento Laico, que surgiu com as ideias Ilu- ministas, quando os revolucionários propuseram a separação total da Igreja e do Estado. Especialistas no assunto afirmam que tal mudança é resultado de um processo histórico que a torna uma das formas possíveis de secularização nas sociedades modernas (SILVA, 2004). Porém, ainda nessa época, ainda prevalecia a típica família tradicionalista: patriarcal e constituída apenas a partir do casamento. Marido e mulher e filhos legítimos. No Brasil, na época do Império, apenas o casamento católico (in facie Ecclesiae) era conhecido, pois era essa a religião oficial do país. As normas reguladoras do casamen- to seguiam os ditames do Concílio de Trento de 1563 e das Constituições do Arcebispo da Bahia. No entanto, com o aumento da população em decorrência das imigrações alguns problemas aconteceram, uma vez que, pessoas de outras religiões eram impedidas de firmarem matrimônios, no país. Diante disso, houve intervenção do estado e a igreja cató- lica perdeu força e então novas modalidades matrimoniais começaram a ser praticadas: o casamento católico; o casamento misto (católico e acatólicos) e o casamento entre pessoas de seitas dissidentes, o que gera uma mistura de raças e culturas. Em virtude do exposto, por consequência da evolução social, o modelo de organiza- ção familiar deixou de ter um padrão único e correto. Isso justifica-se, porque as mudanças que ocorreram a partir do conjunto de valores e regras sociais, influenciaram diretamente no entendimento do papel dos indivíduos. Soma-se a isso a diversidade de papéis que foram atribuídos à família segundo as perspectivas, das mais variadas esferas sociais, como por exemplo, as ideológicas, religiosas, políticas, econômicas, jurídicas, dentre outras. Seguindo o fluxo das alterações econômicas, políticas e sociais, após a Revolução Industrial, uma nova configuração do termo “família” começa a surgir, em virtude de ter acontecido mudanças demográficas. É importante salientar que as relações familiares estão diretamente relacionadas aos diversos fatores decorrentes do contexto social que cada família está inserida.Diante de tal cenário, as famílias diminuíram, as mulheres conquistaram direitos, tornaram-se mais ativas e isso contribuiu para o empoderamento feminino, o que resultou em transformações culturais, consequentemente refletiu no núcleo familiar. A autêntica revolução de costumes que marcou os anos 1960 trouxe consigo a luta pela emancipação feminina MINUCHIN, 1990). Assim, aquela família tradicional composta pelo pai como chefe e provedor maior, mãe dona de casa e submissa e filhos padronizados foi deixando de existir. E muitos casais passaram a eleger a busca da felicidade como a principal razão para estarem juntos. Além disso, no século XXI, as questões relacionadas ao matrimônio e à reprodução perderam força e o fator determinante para a formação de uma unidade familiar torna-se o afeto ( MINUCHIN, 1990). UNIDADE I Família na Atualidade 9 Uma revisão seletiva sobre o assunto aponta que, atualmente, a família é entendida como um sistema formado por um grupo de pessoas que possui trocas afetivas, materiais e de convivência. Além disso, é considerada como um sistema aberto de trocas mútuas, em constante transformação (CARTER, 1995; MINUCHIN, 1990). Na interpretação do assunto,infere-se que ao considerar a família enquanto sis- tema, significa reconhecer que cada uma tem suas particularidades e isso é consequência da organização que foi estabelecida ao longo do tempo, considerando todo o aspecto ideológico, histórico, cultural de crenças e valores, no qual ela esteve inserida. Diante do exposto, salientamos que a família enquanto sistema é entendida como uma unidade social dinâmica que vai se transformando ao longo do tempo. Portanto, caro(a) aluno(a), próximo tópico desta unidade, iremos dialogar sobre a configuração do conceito de família na atualidade. Até mais !!!! UNIDADE I Família na Atualidade 10 SAIBA MAIS Estudante, Você sabia que em 2015, foi votado pela Comissão Especial do Estatuto da Família, da Câmara dos Deputados, o conceito de família? Segundo o texto, a família brasileira é a “entidade familiar formada a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou de união estável, e a comunidade formada por qualquer dos pais e seus filhos”. Considerada excludente e discriminatória, a definição é desde então alvo de pro- testo por suprimir o direito de milhões de brasileiros que não se enquadram no conceito aprovado. O texto é também contraditório já que, em 2011, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a união estável para casais do mesmo sexo. Fonte: Agência Câmara Notícias. Conceito de família como união entre homem e mulher é aprovado em comissão especial. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/471290-conceito-de-familia-como- -uniao-entre-homem-e-mulher-e-aprovado-em-comissao-especial/. Acesso em: 14 maio. 2021. REFLITA Estudante, conforme exposto no decorrer desta unidade, hoje, existem novas configu- rações familiares, que suscitam inúmeras discussões. A esse respeito, reflita: Na sua opinião, as relações conjugais que fogem ao tradicional podem ser consideradas familiares? Fonte: Produzido pela autora (2021). http://www.camara.leg.br/noticias/471290-conceito-de-familia-como- UNIDADE I Família na Atualidade 11 2. NOVA DEFINIÇÃO DE FAMÍLIA E SUA FUNÇÃO Estudante, olá! Seja bem-vindo ao segundo tópico da Unidade I, intitulado de “Nova definição de família e sua função”. Sabemos que a estrutura organizacional da família evoluiu, o conceito de família no século XXI teve novas configurações sociais, por isso, hoje, existem diferentes tipos de família, como também, novas formas de filiação. O conceito de família, está em destaque, uma vez que, por conta de toda sua evolução histórica e social, nesse momento, é um assunto muito discutido por diversos grupos/comunidades. Nas discussões sociais, de um lado estão aqueles que consideram a família como comunidade natural ou designada por Deus. Em oposição, estão os outros, os que entendem a família sob a perspectiva da diversidade. Assim, nesse tópico, nosso diálogo será direcionado para entender as mudanças ocorridas ao longo do tempo relacionadas à entidade familiar, considerada como uma das instituições mais antigas da humanidade. Para tanto, com intuito de organizar o conteúdo de uma forma didática, primeira- mente, vamos conversar sobre as diferentes configurações familiares. Posteriormente, vamos direcionar os nossos olhares para as diversas estruturas e dinâmicas familiares. Então, convido você, estudante, a embarcar nessa viagem pelo maravilhoso uni- verso familiar. Vamos lá! UNIDADE I Família na Atualidade 12 2.1 Diferentes configurações familiares A Família, enquanto sistema, teve como objetivo central o matrimônio e multiplica- ção da espécie, contudo, conforme dito anteriormente, ao longo do tempo, essa estrutura sofreu diversas alterações. O atual sistema jurídico que rege as questões familiares consta do Livro de Direi- to de Família, do Código Civil, concebido no final dos anos 60, muito antes das grandes mudanças provocadas pela Constituição de 1988. Naquela época, o modelo era a família patriarcal, constituída apenas pelo casamento. A desigualdade entre cônjuges e filhos era legitimada pela subsistência dos poderes marital e paternal. Mas a Constituição Cidadã inaugurou um paradigma familiar remodelado, seguindo as mudanças ocorridas na sociedade brasileira. Assim, com o objetivo de reunir num só instrumento legal toda a legislação referente à área do Direito de Família, além de mo- dernizá-la, foi instituído o Estatuto das Famílias, nele, constam as regras tanto do direito material como processual, para proporcionar às famílias brasileiras maior agilidade nas demandas jurídicas, rapidez essa indispensável quando se trata de direitos relacionados tão diretamente à vida das pessoas. Como exemplo de uma grande alteração do conceito e da organização familiar, atual, podemos citar a autorização expressa do casamento entre pessoas do mesmo sexo, de acordo com o Ato Normativo (Resolução nº 175 de 14/05/2013), um grande conquista. É válido destacar que tal situação há algumas décadas não seria possível, nem mesmo aceita pela sociedade. Contudo, no o Art. 1.723, do Código Civil (BRASIL, 1988), a estrutura familiar, união estável, só é reconhecida entre homem e mulher. Mas, na contramão, o Supremo Tribunal Federal - STF, é contrário a essa situação e, por isso, proibe a discrimi- nação de pessoas em razão do sexo. Acadêmico(a), Para ilustrar as atuais acepções do conceito de apresentarmos uma citação da Lei Maria da Penha (2006), a qual considera que a família é a “comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa”. Isso posto, infere-se que as novas configurações familiares não estão constituídas apenas pela genética, mas, sobretudo por meio de laços afetivos, uma vez que, na contem- poraneidade, o vínculo afetivo tem papel de destaque em diversas esferas, seja, familiar, social, como também na esfera jurídica. UNIDADE I Família na Atualidade 13 Nessa linha de raciocínio, o conceito de configuração familiar diz respeito ao conjunto de indivíduos que compõem o núcleo familiar. Assim, é correto dizer que a configuração familiar é organizada por meio dos arranjos e disposições dos membros que compõem uma família. Sendo assim, na figura n.1, elencamos os tipos de configurações familiares mais comuns, de acordo com as considerações dos estudos sobre o assunto (MINUCHIN, 1990). FIGURA 1 - TIPOS DE CONFIGURAÇÕES FAMILIARES Fonte: adaptado de MINUCHIN, 1990. De acordo com o exposto, ao nos referirmos à família enquanto sistema, devemos considerar toda forma de constituição resultante de interações que constituem laços re- lacionais. Importante ressaltar que, as configurações formadas por recasamentos, uniões homoafetivas, paternidade ou maternidade socioafetivas convivem com o modelo tradicio- nal familiar. Além disso, apesar de não serem previstas em lei, as novas configurações são abrigadas pela Justiça. UNIDADE I Família na Atualidade 14 Consoante a ideia apresentada sobre as novas configurações familiares, MINU- CHIN (1990), renomado especialista no assunto, reconhecido internacionalmente pelo ex- celente trabalho desenvolvido com terapia familiar, defende que a organização, a estrutura e os padrões de interação de uma família são responsáveis por selecionar e qualificar as experiências de seus membros. Prezado acadêmico(a), com intuito de colaborar com seu entendimento sobre o as- sunto, faz-se necessário, na sequência, dialogarmos sobre a estrutura e dinâmica familiar. 2.2 Estrutura e dinâmica familiar Estudante, após exposição das acepções que permeiam o termo e/ou configuração da “família”, agora, te convido a olhar para o assunto de acordo com a perspectiva rela- cional, que é composta por diversos subsistemas, como por exemplo,o conjugal, parental e fraternal. Importante ressaltar que nesse modelo organizacional, cada um dos seus membros desempenha diferentes funções e níveis de poder. Além disso, cada integrante familiar pode fazer parte de diferentes subsistemas e em cada um deles desempenhar diferentes funções. A partir do exposto, fica evidente que a estrutura familiar é formada por um conjunto de regras construídas ideológica e socialmente, que por vezes , determina os relaciona- mentos entre seus pares. Além disso, essa forma de constituição aponta o lugar que cada membro ocupa na esfera familiar, bem como o papel e/ou função desempenhada nesse contexto. Assim, são formadas as identidades e os tipos de relacionamentos que serão praticados ( MINUCHIN, 1990). Para exemplificar, na imagem n.2 apresentamos os diferentes tipos de subsistemas que configuram a estrutura familiar: FIGURA 2 - SUBSISTEMAS FAMILIARES Fonte: adaptado de Minuchin, 1990. UNIDADE I Família na Atualidade 15 Na sequência para melhor entendimento do assunto, apresentamos as caracterís- ticas de cada subsistema: ► Conjugal: constituído por duas pessoas com objetivos correlatos que é formar uma família. Cada membro ocupa o seu lugar social e realiza suas funções de acordo com o estabelecido segundo as crenças, valores e ideologias que permeiam esse núcleo familiar (MINUCHIN, 1990). ► Parental: É configurado a partir do nascimento ou adoção do primeiro filho. Neste momento a relação conjugal abre espaço para um novo membro que será inserido no sistema familiar e precisará de nutrição e afeto. Diante desse novo fato, é necessário que haja apoio entre os pares, pois a rotina familiar terá mudanças significativas, então, adaptações precisarão ser feitas para atender as necessidades dos filhos(a). Com o decorrer do tempo, as mudanças serão internalizadas e a rotina se instaura novamente (MINUCHIN, 1990). ► Fraternal: Caracteriza-se pelo nascimento ou adoção de um ou mais irmãos, assim, possibilita que as crianças socializem e aprendam umas com as outras (MINUCHIN, 1990). A partir dessas informações, podemos compreender que para entendermos a es- trutura de uma família necessariamente implica em conhecer sua dinâmica. Coaduna-se com essas reflexões, o fato de que as posições e papéis assumidos na esfera familiar constituem toda dinâmica familia e os vínculos afetivos construídos ao longo da história familiar se expressam através da forma como se dá a interação e a comunicação familiar (MINUCHIN, 1990). Assim, com base nessas explicações e também de acordo com as acepções do Estatuto Familiar, que atualiza e moderniza a legislação brasileira sobre o Direito das Famílias, infere-se que as diversas entidades familiares existentes possuem a mesma dignidade, sendo que todas são merecedoras de igual tutela, sem hierarquia. Isso posto, agora, caro(a) aluno(a), vamos entender o que diz a legislação com relação à filiação. Segundo as acepções do Estatuto Familiar o termo “guarda” foi substituído por “convivência familiar”, admitida mesmo que não haja consenso entre os pais. UNIDADE I Família na Atualidade 16 Sob termos técnico-jurídico, filiação é a relação de parentesco entre pessoas no primeiro grau, em linha reta. Sendo que, tal relação se estabelece entre uma pessoa e aqueles que a geraram, ou que a acolheram e criaram. No caso da filiação socioafetiva é considerada para sua constituição, a afetividade existente entre seus integrantes, diferente do que era na sociedade patriarcal, na qual a instituição familiar era constituída especialmente por razões econômicas. Um exemplo desse novo arranjo familiar, paternidade socioafetiva, acontece quando um filho é biologicamente concebido por um homem, ele tem direito ao sobrenome do pai, de receber verba alimentar, de desfrutar da sua companhia e de sucedê-lo depois que ele morre. Porém, às vezes, pode surgir com situação, ou seja, o filho começa a conviver com o companheiro da mãe e o vê como um segundo pai. Numa situação como essa, de acordo com o especialista Luiz Fer- nando Valladão Nogueira, advogado, a Constituição não aceita distinções quanto à origem da paternidade e conclui que ambas são válidas e podem coexistir (VALLADÃO, 2014). Nesse sentido, aqui é válido o Princípio da Dignidade, um dos norteadores da Constituição Federal. Dessa forma, à entidade familiar foi atribuída uma concepção que objetiva a realização do ser humano. Para ilustrar tal informação, destacamos um princípio constitucional que assegura o direito à interação e convivência afetiva: o Princípio da Convivência Familiar: Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à digni- dade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão (BRASIL, 1988). Na interpretação da legislação, infere-se que a filiação socioafetiva, se baseia no Princípio da afetividade, contudo, mesmo não estando explícito, como também previsto juridicamente, é extremamente importante e deve ser conectado ao princípio da dignidade da pessoa humana. Assim sendo, existe muito espaço também para a diversidade, pois os novos arran- jos familiares que envolvem filhos de outros casamentos e são formados por laços de afeto e afinidade redesenham as responsabilidades de cada um no novo núcleo de convivência. Em suma, as diversas mudanças nas configurações familiares, atualmente, expõe as crianças a situações de confusão, uma mistura de afetos entrelaçada à diversidade de papéis e funções desempenhadas no contexto familiar. Diante disso, há, muitas, vezes necessidade de intervenção psicológica e psicopedagógica que auxiliem na superação das adversidades cotidianas. Caro (a) aluno, isso posto, chegamos ao fim desse tópico, no qual dialogamos e refletimos sobre as diversas configurações familiares na contemporaneidade. Até mais!!! UNIDADE I Família na Atualidade 17 SAIBA MAIS O que significa família? Dicionário Houaiss lançou, em 2016, uma campanha para que as pessoas enviarem suas próprias definições com intuito de atualizar o verbete “Núcleo social de pessoas unidas por laços afetivos, que geralmente compartilham o mesmo espaço e mantêm entre si uma relação solidária”. Esse é o conceito da palavra família segundo o Dicionário Houaiss. A nova definição surgiu após a campanha #TodasAsFamílias, promovida pela agência NBS com o Grande Dicionário Houaiss, que recebeu mais de 3 mil sugestões de texto sobre o conceito de família “sem preconceito ou limitações”. “E para você, o que é família?”. Esta era a pergunta feita pelo Houaiss durante a cam- panha, que foi uma reação ao conceito de família contido no projeto de lei conhecido como Estatuto da Família, aprovado em comissão especial da Câmara dos Deputados, em 2015. Segundo o estatuto, família é “o núcleo social formado a partir da união entre um homem e uma mulher, por meio de casamento ou união estável, ou ainda por comu- nidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”. De acordo com o diretor do Instituto Antônio Houaiss e coautor do Grande Dicionário Houaiss, Mauro Villar, o Instituto aceitou a proposta por seu interesse e pelo valor huma- nitário de dar voz a pessoas e grupos. A campanha contou com o apoio da Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas (Abrafh) e da Coordenadoria Especial da Diversi- dade Sexual da Prefeitura do Rio de Janeiro. SAIBA MAIS Acadêmico(a), você sabia que o Dia Internacional da Família é celebrado no dia 15 de maio. Esse dia foi definido em 20 de setembro de 1993, em deliberação da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas(ONU). Desde então, no dia 15 de maio, sempre há, em várias partes do mundo, conferências e celebrações para discutir e tra- çar projetos para o futuro da instituição familiar. Essa data contempla a evolução do conceito de família nas últimas décadas. Fonte: IBDFAM (online). UNIDADE I Família na Atualidade 18 “A iniciativa do Houaiss é verdadeiramente fantástica”, diz a advogada Marianna Cha- ves, diretora nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). “Vivemos um momento turbulento no Brasil. Temos um Congresso Nacional tomado por funda- mentalistas religiosos e o nefasto Estatuto da Família - que não se deve confundir com o Estatuto das Famílias, de autoria do IBDFAM - representa um perigo”, afirma. Para ela, o PL Estatuto da Família tenta anular os avanços alcançados com reconheci- mento do pluralismo familiar, mormente em relação às famílias homoafetivas. “Portanto, ter uma definição ampla, em uma publicação como Houaiss, tem um efeito simbólico glorioso. O dicionário reflete aquilo que é reconhecido no meio social. Se o Legislativo teima em não querer aceitar a pluralidade familiar, a sociedade já deu a sua resposta, que passou a estar inscrita no mais completo dicionário do nosso país”, diz. Segundo a advogada, a definição trazida pelo Houaiss prestigiou as famílias tradicionais e abriu espaço para outras, colocando a tônica no afeto e na solidariedade. “O sangue e a filiação natural não são as únicas fontes de relações familiares. E vou mais longe: o sangue não é (e nem nunca foi) um elemento sumo e onipotente que afiance uma ge- nuína relação de família, mormente as relações de filiação”. A conceituação do Houaiss é inédita. Mas, outros dicionários, como o Priberam, de Portugal, e o da Real Academia Española, também não fazem referência a gênero, explica Marianna Chaves. “Não falam pai e mãe, homem e mulher. Falam em pais que vivem com os filhos; pessoas aparentadas que vivem juntas; conjunto de ascendentes, descendentes, colaterais e afins; pessoas que vivem na mesma casa. O dicionário es- panhol traz um significado que diz: ‘personas consideradas por amistad o trato’. Talvez aí encontremos o traço mais perceptível do afeto: aquelas que se consideram família amizade ou por tratamento, para aquele dicionário, são família”. O Dicionário de Direito de Família e Sucessões – Ilustrado – livro do advogado Rodrigo da Cunha Pereira, presidente nacional do IBDFAM, conceitua mais de trinta modelos de família. Para ele, a revolução silenciosa que a família, com seus novos arranjos, vem provo- cando é a grande questão política da contemporaneidade. “A luta por um país melhor só tem sentido se o sujeito tiver autonomia privada e tiver a liberdade de estabelecer seus laços conjugais como bem lhe aprouver. A história e a política, hoje, se escrevem e se inscrevem a partir da vida privada, que começa e termina na família. E assim a vida privada e, portanto, a família, tornou-se a principal razão política dos Estados democrá- ticos contemporâneos”, reflete. Fonte: IBDFAM. Instituto Brasileiro de Direito da Família. Dicionário reformula conceito de família.Disponí- vel em: https://ibdfam.org.br/noticias/5990/Dicion%C3%A1rio+reformula+conceito+-de+f. Acesso em: 11 de maio de 2021. UNIDADE I Família na Atualidade 19 SAIBA MAIS Você sabe o que é Multiparentalidade? A filiação construída pelo afeto? Quando Bruna chamou a avó de mãe pela primeira vez, deveria ter seus 2 anos e meio. Os pais de Bruna se separaram quando esta tinha por volta de um ano e meio, e, por pensar ser o melhor para a criança na época, a mãe biológica a deixou morar com os avós, também consentindo o pai biológico. Assim, os vínculos com os pais biológicos foram mantidos, e a criança “adotou” os avós como pais, chamando os quatro (pai, mãe, avô e avó) de pai e mãe. No início, para distingui-los, era papai o avô e mãe a avó, e pai e mãe os pais biológicos. Porém, na adolescência, eram todos pai e mãe. E assim é até hoje, contando ela com 28 anos. Desta forma, este é um exemplo de situação socioafetiva, haja vista que a relação so- cioafetiva entre avós e netos é comum! Ou seja, muito mais comum do que se imagina por esse “Brasilzão” afora. Sendo assim, havendo o vínculo de filiação, poderá ser re- conhecida a filiação afetiva! Na verdade, coexistindo vínculos parentais afetivos e biológicos ou apenas afetivos, é uma obrigação reconhecê-los. É que, não há outra forma de preservar os direitos funda- mentais de todos os envolvidos, sobretudo no que diz respeito à dignidade e à afetivida- de. Esta é uma realidade que a Justiça já começou a admitir. Embora não exista lei prevendo a possibilidade do registro de uma pessoa em nome de mais de dois genitores, não há proibição. Nesse âmbito, o direito acompanha as rápidas mudanças da sociedade, e a entidade fami- liar nos dias de hoje não está mais limitada às questões biológicas. O vínculo afetivo ampliou o conceito de paternidade, trazendo grande avanço nas questões de direito de família. Por isso, com as constantes mudanças nas interpretações, devemos acompanhá-las de perto, para que possamos resguardar o melhor direito aos nossos clientes! Como visto no recente julgamento do Supremo Tribunal Federal. Fonte: OLIVEIRA, Gisele. Você sabe o que é Multiparentabilidade? A filiação construída pelo afeto? Dis- ponível em: https://lucenatorres.jusbrasil.com.br/artigos/698158427/voce-sabe-o-que-e-multiparentabili- dade-a-filiacao-construida-pelo-afeto. Acesso em: 11 de maio de 2021. UNIDADE I Família na Atualidade 20 Prezado(a) aluno(a), Chegamos ao final da Unidade I, a qual teve por objetivo principal apresentar co- nhecimentos sobre o funcionamento das famílias enquanto sistemas relacionais dinâmicos e em constante transformação. Aquele modelo de família tradicional, no qual o pai era o provedor, a mãe estereoti- pada à função de dona de casa, cuidando dos filhos, está em extinção e abrindo espaço para novos modelos familiares que desafiam a flexibilidade e a criatividade de seus integrantes. Importante entendermos que os mais variados arranjos familiares da contempora- neidade vão além do matrimônio, pois há união estável entre pessoas do mesmo sexo ou não, famílias monoparentais, adoções e a comprovação de paternidade, que refletem as mais diversas formas de relação familiar. Diante disso, nesse contexto atual, o que está em evidência é a configuração afetiva, que sobressai às demais definições do conceito de família. À guisa de conclusão dessa Unidade, ressalto que as informações aqui comparti- lhadas não esgotam o assunto, visto que visto que esse é um tema vasto, muito complexo, e ainda, que dispõe de muitas literaturas e estudos publicados. Assim sendo, desejo ter contribuído significativamente tanto para o seu conhecimento e crescimento pessoal, quan- to para o desenvolvimento da sua prática profissional. Uma braço!!! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE I Família na Atualidade 21 A FAMÍLIA, A CRIANÇA E UMA VISÃO PSICOPEDAGÓGICA SISTÊMICA Este artigo aborda a questão da família e suas implicações nos processos de aprendizagem de todos os seus membros. Através de uma visão histórica é mostrado como a família se organizou ao longo do tempo até a contemporaneidade. Pontua a função e o papel de cada elemento na organização familiar e a sua importância na formação e desenvolvimento da criança e do adolescente, assim como sugere mais uma opção para o olhar e para a escuta do psicopedagogo ao elemento com dificuldades de aprendizagem e suas relações familiares. INTRODUÇÃO Os pais inconscientemente deixam a seu filho a carga de refazer sua história, mas refazê-la de tal maneira que nada deveria mudar, apesar de tudo. O paradoxo em que a criança está presa produz logo efeitos violentos; com efeito, raramentehá oportunidade de que a criança se realize em seu próprio nome. (Maud Mannoni apud Fernández). Começo este artigo sobre a Família com o olhar voltado para as dificuldades de aprendizagem, com as palavras de Mannoni, pois elas representam muito bem como as famílias, na maioria das vezes, se organizam. Algumas crianças transitam muito bem com essas demandas, outras nem tanto. E talvez sejam essas as crianças que poderão apresentar algum tipo de sintoma que muitas vezes aparece nas diversas modalidades de aprendizagem escolar. Sabemos que sintomas são uma espécie de denúncia, e é para essa questão que nosso olhar deve estar focado, porém, a família como grupo, exerce uma grande influência sobre todos os seus membros. Como profissional que há mais de 30 anos trabalha com o sofrimento humano para aprender e por aprender nos vários níveis de entendimento sobre a aprendizagem (seja escolar, ou qualquer outro tipo de aprendizagem ao longo da vida), tenho uma visão sis- têmica sobre o fenômeno familiar, que basicamente é visto como um conjunto de relações que interagem entre si influenciando uns aos outros. A família não é apenas um conjunto de objetos introjetados, mas é uma matriz onde emergem dramas, tramas, traumas, segredos e mentiras, crenças e valores, sem contar com as exclusões conscientes e inconscientes que influenciam todas as pessoas envolvidas e que muitas vezes implicam questões gera- cionais que seus membros carregam por anos e muitas vezes perdendo o seu significado original. Todos esses fatores podem influenciar na aprendizagem da criança, dificultando o seu desenvolvimento normal. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE I Família na Atualidade 22 Minha intenção com este artigo é também mostrar a importância da afetividade que circula dentro família e incluí-la numa avaliação mais cuidadosa sobre a família e as inúmeras implicações afetivas, observando como mais um dos elementos fundamentais das dificuldades de aprendizagem tanto das crianças e adolescentes quanto da própria família envolvida nesta dificuldade. Penso que a família também tem uma modalidade de aprendizagem, tem uma forma específica de ver e apreender o mundo, de se relacionar com as pessoas, tem suas crenças e seus valores personalizados, entre outros fatores. É por isso que é importante a necessidade de um estudo mais aprofundado sobre esta instituição, para que o psicopeda- gogo tenha mais um instrumento para avaliar e auxiliar a criança ou adolescente a aprender e a encontrar o prazer e a alegria da descoberta e da aprendizagem. Cabe lembrar que este artigo não tem a pretensão de esgotar o assunto, mesmo porque ele é complexo e diversificado, mas que serve apenas como lembrete sobre a fa- mília: ela é muito mais do que uma avaliação simplista. Vai além de apenas se responder a um questionário que muitas vezes o próprio psicopedagogo pode interpretar de forma distorcida devido à falta de um material mais adequado e de uma observação mais apurada sobre esta família. Temos que deixar de lado o “achismo” e o preconceito que muitas vezes temos inconscientemente, e, como profissionais, pesquisar e garimpar as “pérolas e os diamantes” escondidos em sentimentos como a vergonha, o medo, a carência, o abandono, a raiva, a mágoa e a revolta, acobertados pelo não saber individual e coletivo da família. Mas o meu foco neste momento não é a formação de psicopedagogos com relação à família. Deixo apenas algumas perguntas para reflexão para quem se interessar pelo tema, por exemplo: de qual família estou falando quando penso e falo sobre ela? Da minha ou da família do meu cliente? Quais são minhas crenças com relação à família? Quais são os valores em que eu acredito? Será que não quero “padronizar” a família do meu cliente nas minhas próprias crenças e valores, ou dentro de crenças e valores de uma sociedade? Dentro de uma vasta literatura sobre a família, notamos que este é um conceito que aparece e desaparece das teorias sociais e humanas de acordo com o momento histórico. Ora ela é enaltecida, ora é severamente criticada. Muitas vezes, é acusada como o início de todos os males da humanidade, especialmente apontada como repressora (e muitas vezes negligente ou permissiva demais com relação à sua prole) ou exaltada como provedora e promotora da proteção do corpo e da alma de todos os membros desta família. UNIDADE I Família na Atualidade 23 No nosso trabalho, para compreendermos a família, precisamos ir além do exa- me de um dos seus elementos sozinho, ou apenas como produto da sociedade. É muito comum o encaminhamento da pessoa que está apresentando algum tipo de dificuldade e ignorar-se o restante da família, como se o indivíduo que está apresentando o sintoma vivesse isoladamente do resto da família e da comunidade de uma forma geral. Precisamos analisar todo o sistema familiar, social e escolar (em que chamo de sistema ecológico cada um destes agrupamentos) no qual ela está inserida para compreendermos não só este conjunto de pessoas, mas principalmente o elemento sintomático com sua função e papel dentro desta família, da escola e da comunidade. Uma faceta do pensamento atual direciona o olhar sobre os efeitos ambientais no indivíduo. Até bem pouco tempo, a maioria das pesquisas sobre a família com crianças e/ ou adolescentes com dificuldades de aprendizagem focava com frequência apenas a mãe, às vezes os companheiros de brincadeiras e alguma estimulação com brinquedos, os pais e suas famílias extensas eram ignorados e até desprezados. E se observarmos o contexto familiar mais amplo, era normalmente em termos de status socioeconômico da família, em que os avós, tios e primos eram ignorados. Não descarto, em absoluto, este enfoque da relação da mãe com seu filho, principalmente as contribuições de Winnicott e de todos os teóricos que falam sobre esse tema mãe-bebê, apenas ampliou o olhar para além da relação mãe-bebê (que diga-se de passagem é importantíssima), para compreendermos de uma maneira mais ampla a função do não aprender desta criança. Advirto que isso é apenas um dos lados da nossa observação e não devemos descartar nenhuma das possibilidades teóricas e de observação de um fenômeno. Fonte: Gasparian MCC. A família, a criança e uma visão psicopedagógica sistêmica. Rev. Psicope- dagogia 2019;36. Disponível em: http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/613/a-familia--a-crianca- -e-uma-visao-psicopedagogica-sistemica. Acesso em: 31 ago. 2021. http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/613/a-familia--a-crianca- UNIDADE I Família na Atualidade 24 LIVRO Título: Psicologia de Família: Teoria, Avaliação e Intervenção Autor: Maycoln L. M. Teodoro (Autor), Makilim Nunes Baptista (Autor) Editora: Artmed; 2ª edição Sinopse: Diante das múltiplas configurações familiares presen- tes no cenário social contemporâneo, torna-se cada vez mais importante o desenvolvimento de pesquisas que aprofundem a compreensão sobre as questões relacionadas ao casal e à família. Nesta 2ª edição revisada e ampliada, o leitor encontrará toda a pluralidade do campo das teorias de família. Entre os tópicos abor- dados, destacam-se: panorama geral sobre famílias e casais no contexto brasileiro; programas de intervenção para treinamento de pais e para resolução de conflitos na conjugalidade; maus-tratos na infância, transtornos da aprendizagem, transtorno de déficit de atenção/hiperatividade e desenvolvimento vocacional de jovens; aspectos familiares referentes ao Judiciário e ao contexto social, como divórcio, suicídio, vulnerabilidade social, saúde psicossocial e diversidade sexual. FILME / VÍDEO Título: Como nossos pais Ano: 2017 Sinopse: Conciliar maternidade, trabalho, família e casamento é um dos maiores desafios da mulher contemporânea e não é diferente com a protagonista de Como Nossos Pais. O longa foi o grande vencedor da 45ªedição do Festival de Cinema de Grama- do e levou seis Kikitos, entre eles, melhor filme, melhor direção, melhor ator e melhor atriz. Interpretada por Maria Ribeiro, Rosa, a personagem central, começa a questionar diversos aspectos de sua vida depois de descobrir que o homem que a criou, na verdade, não é seu pai biológico. Rosa é uma mulher que almeja a perfeição como profissional, mãe, filha, esposa e amante. Filha de intelectuais e mãe de duas meninas pré-adolescentes, ela se vê pressionada pelas duas gerações que exigem que ela seja engajada, moderna e onipresente. Link do vídeo: https://www.netflix.com/br/title/81044192 MATERIAL COMPLEMENTAR https://www.netflix.com/br/title/81044192 UNIDADE II Família e Escola Professora Me. Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: ● O papel do Instituto Brasileiro de Direito de Família na atualidade; ● Tipos de Relação estabelecida entre a família e a escola. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar O papel do Instituto Brasileiro de Direito de Família na atualidade; ● Compreender os tipos de Tipos de Relação estabelecida entre a família e a escola. 25 UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 26 Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) à unidade II. Começamos aqui nossa jornada de conhecimentos sobre duas esferas que estão interligadas: escola e família, que possuem papel fundamental no processo educativo das crianças e adolescentes. Em nossa viagem, teremos duas grandes paradas, as quais chamaremos de tópicos. No tópico I, intitulado de “O papel do Instituto Brasileiro de Direito de Família na atualidade”, o percurso será direcionado para que você conheça o contexto histórico e social da entidade em questão. Além disso, serão disponibilizadas informações sobre a atuação dessa instituição no mundo corporativo e também na esfera familiar. No tópico II, intitulado de “Relação estabelecida entre a família e a escola”, você será direcionado para um universo que merece atenção especial, pois nesses dois con- textos em questão são essenciais para o processo de ensino-aprendizagem do aluno(a). Nesse momento, então, você compreenderá quais são os marcos da legislação educacio- nal, que tratam da integração de agentes escolares, pais e/ou responsáveis. Na sequência, o diálogo será sobre as orientações dos especialistas para a configuração desse vínculo e como essa prática pode ser favorável para todos os envolvidos no processo educacional. Assim, espero que você aproveite tanto esta viagem por mais esse mundo de novos conhecimentos e que tais aprendizados proporcionem a ampliação dos seus horizontes de expectativas. Muito obrigada e bom estudo! INTRODUÇÃO UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 27 1. O PAPEL DO INSTITUTO BRASILEIRO DE DIREITO DE FAMÍLIA NA ATUALIDADE Estudante(a), olá! Seja muito bem vindo ao primeiro tópico da Unidade II, intitulado de “O papel do Instituto Brasileiro de Direito de Família na atualidade”. O presente tópico tem como proposta possibilitar a aquisição de novos conheci- mentos relacionados à esfera familiar compreendida como um sistema relacional dinâmico. Por isso, neste momento, convido você a embarcar em uma nova viagem que dis- ponibilizará informações sobre o Instituto Brasileiro de Direito da Família, o qual dissemina informações relacionadas à organização familiar, contribuindo para uma visão abrangente e contemporânea do Direito das Famílias. Assim, para que você conheça e entenda melhor a função dessa entidade para a sociedade brasileira, serão apresentadas informações que vão desde a história da fundação, passando pela missão e visão, como também a efetivi- dade da atuação profissional dessa instituição. Então, venha comigo, embarque nessa nova viagem para ampliar seus horizontes sobre o assunto em questão. Estudante, você já ouviu falar sobre o instituto em questão neste tópico? O Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM é uma instituição jurídica não governamental, sem fins lucrativos, que desenvolve e divulga o conhecimento sobre o Direito das Famílias no Brasil. Além disso, ele atua como força representativa da sociedade no que diz respeito às suas relações e aspirações sociofamiliares. UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 28 Na figura n.1 você pode conferir a missão dessa instituição, ou seja, a razão pela qual ela existe. Em outras palavras, seu foco de atuação. FIGURA 1 - MISSÃO DO INSTITUTO Fonte: (IBDFAM, online). Estudante, você sabe quando iniciou as atividades dessa instituição? O Instituto foi criado em 25 de outubro de 1997, em Belo Horizonte (MG), onde estabeleceu sede nacional. Além disso, possui filiais em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. Desde o início da sua atuação, a entidade centraliza suas forças para di- vulgar informações que contribuam para o entendimento real da organização familiar atual (IBDFAM, online). Dessa forma, constantemente, organiza eventos e cursos, seguindo as diretrizes institucionais, atuando como referência nacional, como exemplo, podemos elencar o Con- gresso Brasileiro de Direito das Famílias e Sucessões do IBDFAM, pois é considerado o maior evento jurídico do calendário nacional. Na sua última edição, em 2019, reuniu mais de mil congressistas, em dois dias de evento. No ano de 2020, em virtude da pandemia, não foi possível haver edição (IBDFAM, online). UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 29 Concomitante aos eventos, atua também na área técnico-acadêmica, promovendo reciclagem e atualização dos profissionais do âmbito do Direito de Família por meio de suas publicações, como a Revista IBDFAM – Família e Sucessões; Revista Informativa IBDFAM; Boletim IBDFAM (newsletter semanal); Link IBDFAM (newsletter diária) e portal. Além disso, publica livros por meio da Editora IBDFAM: Tratado de Direito das Famílias 1ª, 2ª e 3ª edições; Direito das Famílias e Sucessões – coletânea de artigos; e o último lançado, Famílias e Sucessões – Polêmicas, tendências e inovações (IBDFAM, online). Além disso, produz cursos de curta duração em sua plataforma de Ensino à Distância IBDFAM Educa- cional e é correalizador de dois cursos de pós-graduação lato sensu (IBDFAM, online). Segundo os dados publicados pela empresa, hoje, são mais de 17 mil associa- dos inscritos, reunindo entre seus membros advogados, assistentes sociais, defensores públicos, desembargadores, promotores e procuradores de justiça, juízes, psicanalistas, psicólogos e estudantes; operadores do Direito no Brasil e no exterior (IBDFAM, online). Em 2013, um fato de extrema importância elevou a importância dessa empresa, foi quando o Ministério da Justiça publicou a Portaria 2.134, no Diário Oficial da União, declarando a Utilidade Pública Federal do IBDFAM. Esse reconhecimento foi resultado dos inúmeros serviços de excelente qualidade realizados em prol da sociedade brasileira pelas associações e fundações constituídas no Brasil (IBDFAM, online). Estudante, para ampliarmos os conhecimentos sobre o assunto em questão, cabe-nos agora, dialogarmos sobre o campo de atuação propriamente dito dessa entidade de renome. Na esfera política, a empresa trabalha alinhada às demandas da sociedade brasileira na área de Direito de Família, com objetivo de conseguir amparar, orientar e ainda, promover situações de estudos e reflexões sobre as alterações na legislação (IBDFAM, online). Como resultado do excelente trabalho prestado à comunidade, hoje, a instituição é aceita como amicus curiae em relevantes causas do Direito de Família no Supremo Tribunal Federal (STF). Dentre suas atuantes participações do IBDFAM no Supremo destacam-se: a União Estável Homoafetiva ADI 4277/ADPF 132 (2011), Lei Mariada Penha ADC 19 (2012); alteração do nome de transexuais ADI 4275 (2018); concorrência sucessória de cônjuge e companheiro RE 878694 (2018); uniões paralelas/efeitos previdenciários RE 883168 (2018) e coexistência da filiação socioafetiva e biológica RE 898060 (2016) (IBDFAM, online). Soma-se a esses fatos históricos a participação no julgamento da União Estável Homoafetiva. Nesse momento, o IBDFAM foi representado pela vice-presidente Maria Berenice Dias, juntamente com outras entidades, objetivando contribuir efetivamente para o reconhecimento de todas as formas de família (IBDFAM, online). UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 30 Outro momento de destaque na atuação política, foi quando a instituição propôs a Emenda Constitucional (PEC 33/2007) que alterava as condições para a decretação do di- vórcio. Em 2010, a PEC foi aprovada no Congresso Nacional como Emenda Constitucional 66/2010 que impôs o fim da separação de fato/judicial como condição para obtenção do divórcio. Além disso, eliminou prazos desnecessários e suprimiu a discussão da culpa pelo fim da conjugalidade (IBDFAM, online). Acadêmico(a), diante do exposto, infere-se que o IBDFAM seja uma genuína fonte de saberes interdisciplinares relacionados à esfera da família, traduzindo a essência da família brasileira em toda sua diversidade e constantes mudanças. Assim, convido você a acessar a página da entidade para atualizar-se sobre os assuntos que permeiam os assuntos relativos ao contexto familiar. SAIBA MAIS Estudante, você sabia que a norma do CNJ que permite casamento civil homoafe- tivo completa 8 anos? Dados da Associação dos Notários e Registradores do Brasil – ANOREG, revelaram que, desde 2013 até abril do ano passado, foram registrados mais de 52 mil casamentos homoafetivos. Em 2020, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE consta- tou um aumento de 61,7% no número de casamentos homoafetivos entre 2017 e 2018. O crescimento se manteve nos anos seguintes, segundo a ANOREG: em 2018, foram 9,9 mil casamentos homoafetivos no Brasil; 2019 registrou 12,4 mil e, entre janeiro e abril de 2020, 2,6 mil. De acordo com outro levantamento da ANOREG, feito exclusivamente para o site Uni- versa, do Uol, entre 2011 e 2020, o número de registros de união estável de casais ho- moafetivos passou de 1.531 para 2.125, e o de casamentos, de 3.700, para 8.472, um aumento de 28% e 138%. A maior alta foi em 2018, impulsionada pelo temor de que a vitória do então candidato à presidência Jair Bolsonaro resultasse em retrocessos para a população LGBTI. Na ocasião, registrou-se um aumento de 61% em relação a 2017. Para ler a entrevista na íntegra, acesse: https://ibdfam.org.br/noticias/8487/Norma+- do+CNJ+que+permite+casamento+civil+homoafetivo+completa+8+anos Fonte: IBDFAM: Norma do CNJ que permite casamento civil homoafetivo completa 8 anos. Disponível em:<https://ibdfam.org.br/noticias/8487/Norma+do+CNJ+que+permite+casamento+civil+homoafetivo+- completa+8+anos>. Acesso em: 15 de maio de 2021. https://ibdfam.org.br/noticias/8487/Norma%2Bdo%2BCNJ%2Bque%2Bpermite%2Bcasamento%2Bcivil%2Bhomoafetivo%2Bcompleta%2B8%2Banos https://ibdfam.org.br/noticias/8487/Norma%2Bdo%2BCNJ%2Bque%2Bpermite%2Bcasamento%2Bcivil%2Bhomoafetivo%2Bcompleta%2B8%2Banos UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 31 SAIBA MAIS Acadêmico, no mês de maio de 2021, comemora-se uma década da decisão do Su- premo Tribunal Federal – STF que reconheceu a união estável homoafetiva como enti- dade familiar. O Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, representado pela vice-presidente nacional, Maria Berenice Dias, em conjunto com outras entidades com objetivo comum, contribuiu decisivamente para o reconhecimento legal dessas famílias durante o julgamento da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental – ADPF 132 e da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 4.277. Em entrevista recente, a vice-presidente nacional do IBDFAM ressaltou que a decisão teve um enorme significado para um importante segmento da população, “que sempre foi invisibilizado, discriminado e nunca teve seus direitos reconhecidos - nem direitos pessoais e nem direitos referentes aos relacionamentos afetivos”. A especialista frisou que a decisão foi especialmente significativa para o IBDFAM, ten- do em vista que o Instituto sempre sustentou que é a natureza do vínculo que une as pessoas e permite que se qualifiquem como famílias, a ponto de se passar a falar em “Direito das Famílias” e não mais em “Direito de Família”. “Tanto que o IBDFAM estava lá. Atuou como amicus curiae, proferiu sustentação oral e festejou essa bela vitória”, lembra. “Talvez um dos maiores significados dessa decisão tenha sido o de assegurar à população LGBT o direito à felicidade, que para muitos significa o direito de ter os seus relacionamentos reconhecidos, poderem assumir obrigações e deveres de cuidado um para com o outro de uma maneira igualitária, sem qualquer diferenciação entre os vín- culos heterossexuais ou heteroafetivos”, pontuou a advogada. Para ler a entrevista na íntegra, acesse: https://ibdfam.org.br/noticias/8427 Fonte: IBDFAM: Reconhecimento das famílias homoafetivas pelo STF completa 10 anos; especialista aponta transformações ao longo da década. Disponível em: <https://ibdfam.org.br/noticias/8427>. Acesso em: 15 de maio de 2021. https://ibdfam.org.br/noticias/8427 https://ibdfam.org.br/noticias/8427 UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 32 2. TIPOS DE RELAÇÃO ESTABELECIDA ENTRE A FAMÍLIA E A ESCOLA Acadêmico(a)! Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico da Unidade II, intitulado de “Tipos de Relação estabelecida entre a família e a escola”. É cada vez mais necessário o diálogo entre família e escola, por isso, faz-se neces- sário dialogar sobre esse assunto com profissionais que estão ou estarão envolvidos nesse contexto. Soma-se a isso o fato de que os estudos sobre o assunto vislumbram as possíveis alternativas e modos de se compreender e lidar com o desenvolvimento dos alunos. Então, nesse momento, os olhares estarão direcionados para esse dois universos: a família e a escola, esferas que estão relacionadas no contexto educacional. É válido ressaltar que trataremos aqui especialmente da educação escolar obrigatória, tendo o Estado a responsabilidade de oferta da educação básica e as famílias o dever de matricular e enviar seus filhos à escola. Assim, nosso diálogo estará direcionado para conhecer como acontece a conexão entre a educação e a classe social, pois, muitas vezes, há conflito entre as finalidades socializadoras da escola (valores coletivos) e a educação familiar (valores individuais), ou seja, entre a organização da própria família com os objetivos da escola. Dessa forma, entenderemos as implicações dessa relação no processo de ensino- aprendizagem. UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 33 Para melhor entendimento sobre o assunto, o tópico em questão foi organizado da seguinte forma: primeiramente, trataremos sobre a instituição escolar, posteriormente, o objetivo será dialogar sobre a relação família-escola e, por fim, faremos uma reflexão sobre o impacto dessa relação para o processo de ensino-aprendizagem. Então, vamos lá, embarque comigo, nessa trilha de conhecimentos sobre a relação escola-família, uma aliança fundamental para o sucesso da aprendizagem. 2.1 2.1 Instituição Escolar X Família Estudante, você sabe qual é o papel da instituição escolar? A instituição escolar é considerada uma das instituições mais importantes da socie- dade, uma vez que, possui duas funções primordiais: socializar e democratizar o acesso ao conhecimento. Assim, promove o desenvolvimento de conhecimento, habilidades e valores necessários à socialização do indivíduo. Concomitantemente, precisainstruir e preparar os alunos para o mundo do trabalho. Somado a essas funções essenciais, a instituição escolar possibilita a construção da moral e ética dos alunos, mas sobretudo, tem o dever de trabalhar a formação humana. Além disso, realiza a mediação entre os alunos e os professores. Diante do exposto, infere-se que a educação abarca processos formativos amplos que se desenvolvem na convivência humana ao longo da vida. Acadêmico(a) você sabe qual a importância da parceria família e escola? A participação das famílias na vida escolar de seus filhos é de grande importância para o processo de aprendizagem. No contexto familiar as crianças/adolescentes são fi- lhos, diferentemente no mundo escolar, elas são alunos. Essa transição de filho para aluno não é uma operação automática e, dependendo da distância entre o universo familiar e o escolar, ela pode ser traumática. A escola auxilia na educação dos filhos fazendo escolarização, contudo, a tarefa de educação dos filhos é da família, em primeiro lugar, e do poder público em segundo. Já à escola cabe a escolarização do aluno(a), porém, se a família não cumprir com os dever de educar os filhos, a escola terá problemas, pois esse aluno(a), será indisciplinado, apresentará problemas de socialização, como também de identidade. Essa contextualiza- ção dos fatos, reafirma a importância da parceria entre escolas e família. Nesse sentido, será função da escola direcionar e orientar os pais/responsáveis, porque muitos estudos apontam que muitos deles vivem uma relação de submissão com os filhos. UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 34 Por esses e muitos outros motivos, a interação entre escola-família é sugerida por diversas publicações técnicas, cartas e também, declarações internacionais resultantes de reuniões e conferências convocadas pela UNESCO, desde os anos 1980. Como exemplo, podemos relembrar as orientações da Declaração Mundial sobre Educação para Todos (JOMNTIEN,1990), reafirmada pela Conferência de Dacar (2000), ao colocar como meta até o ano de 2015 o atendimento das necessidades de aprendizado de todas as crianças, jovens e adultos em processo equitativo. O Brasil, é um país-membro da UNESCO, diante disso, por meio do Ministério da Educação, também renova, anualmente, este compromisso. Caro(a) aluno(a), em posse dessa informação, cabe-nos agora entendermos o que diz a LDB sobre a participação da família na escola? De acordo com as acepções da LDB, é função dos profissionais da educação pro- mover o desenvolvimento da aprendizagem, contudo, a lei prevê também a ação integrada entre escolas com as famílias. Confira o que diz a legislação na íntegra (BRASIL, 1996): “Art. 12. Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: (...) VI – articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos de integração da sociedade com a escola; (...) Art. 13. Os docentes incumbir-se-ão de: (...) VI – colaborar com as ativida- des de articulação da escola com as famílias e a comunidade. Art. 14. Os sistemas de ensino definirão as normas da gestão democrática do ensino público na educação básica, de acordo com as suas peculiaridades e conforme os seguintes princípios: (...) II – participação das comunidades escolar e local em conselhos escolares ou equivalentes”. Aluno(a), já conhecemos as orientações da Declaração Mundial sobre Educação para Todos e da LDB, mas o que diz o ECA sobre a conexão entre a família e a escola? Antes de dialogarmos sobre as diretrizes do ECA, que são regidas pela Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, é importante destacar que, em 2019 houve reformulação das diretrizes. A lei elevou a idade mínima para aprendizagem de 12 para 14 anos. Então, houve a ampliação da faixa etária da educação escolar obrigatória. Nesse sentido, está posto que é dever do Estado assegurar a educação básica obrigatória e gratuita dos 4 aos 17 anos de idade, organizada da seguinte forma: pré-escola; ensino fundamental; ensino médio. Esse é um dado relevante para entendermos até qual idade a participação da família no processo de ensino-aprendizagem é primordial. Assim, infere-se que a presença efetiva dos pais na educação escolar dos filhos seja, pelo menos, até o final da educação básica. Isso posto, vamos centralizar atenção para as informações disposta no ECA (BRASIL, 1990): UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 35 Capítulo IV – Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer. ● “Art. 53. A criança e o adolescente têm direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e quali- ficação para o trabalho, assegurando-se-lhes: I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; II – direito de ser respeitado por seus educadores; III – direito de contestar critérios avaliativos, podendo recorrer às instâncias escolares superiores; IV – direito de organização e participação em entidades estudantis; V – acesso à escola pública e gratuita próxima de sua residência. ● Parágrafo único. É direito dos pais ou responsáveis ter ciência do processo pedagógico, bem como participar da definição das propostas educacionais. (...) ● Art. 55. Os pais ou responsáveis têm a obrigação de matricular seus filhos ou pupilos na rede regular de ensino. ● Art. 56. Os dirigentes de estabelecimentos de ensino fundamental comunicarão ao Conselho Tutelar os casos de: I – maus-tratos envolvendo seus alunos; II – reiteração de faltas injustificadas e de evasão escolar, esgotados os recursos escolares; III – elevados níveis de repetência” Uma revisão bibliográfica seletiva sobre o assunto aponta que o Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação e o Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE, 2008) sugerem e reafirmam a importância da participação das famílias em prol de melhores resultados de aprendizagem na educação básica. Confira, então, na íntegra, no que se refere aos gestores e profissionais da educação, as diretrizes do Plano de Metas (PDE, 2008): ● XIX – divulgar na escola e na comunidade os dados relativos à área da edu- cação, com ênfase no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica – Ideb, referido no art. 3º; ● XX – acompanhar e avaliar, com participação da comunidade e do Conselho de Educação, as políticas públicas na área de educação e garantir condições, sobretudo institucionais, de continuidade das ações efetivas, preservando a memória daquelas realizadas; UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 36 ● XXI – zelar pela transparência da gestão pública na área da educação, garantindo o funcionamento efetivo, autônomo e articulado dos conselhos de controle social; (...) ● XXIV – integrar os programas da área da educação com os de outras áreas como saúde, esporte, assistência social, cultura, dentre outras, com vista ao fortalecimento da identidade do educando com sua escola; ● XXV – fomentar e apoiar os conselhos escolares, envolvendo as famílias dos edu- candos, com as atribuições, dentre outras, de zelar pela manutenção da escola e pelo monitoramento das ações e consecução das metas do compromisso; ● XXVI – transformar a escola num espaço comunitário e manter ou recuperar aqueles espaços e equipamentos públicos da cidade que possam ser utilizados pela comunidade escolar”. Ainda sobre essa questão, após as explicações do que dizem os documentos ofi- ciais, é interessante tratar dos benefícios produzidos pela parceria entre família e escola. Especialistas na área apontam que essa interação promove o desenvolvimento do aluno(a), uma vez que isso possibilita que ele vivencie experiências educativas na escola e no convívio familiar. Para melhor entendimento, na figura n.2, apresentamos exemplos de benefícios produzidos a partir dessa conexão: FIGURA 2 - BENEFÍCIOS ENTRE A CONEXÃO FAMÍLIAX ESCOLA Fonte: (RESENDE, 2008) UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 37 REFLITA Estudante, como construir uma relação entre escola e família que favoreça a aprendiza- gem das crianças e adolescentes? Fonte: Autora (maio, 2021) Acadêmico(a), autores renomados que desenvolvem estudos sobre essa temática afirmam que o período entre os anos iniciais para os anos finais do Ensino Fundamental é um momento de relação complicada entre pais e filhos. Pesquisas apontam que as famílias vão se afastando da escola conforme os filhos crescem. Isso pode ser explicado tanto pela fase da adolescência, quando os adolescentes estão em processo de mudança e afastam-se dos pais, como também, pela complexidade dos conteúdos escolares, nesse quesito o que se considera como fator determinante é a escolaridade dos pais (RESENDE, 2008). Diante do exposto, justifica-se a conexão entre família-escola, pois tal vínculo pode auxiliar as famílias na superação dessa lacuna. Acadêmico(a), vamos entender como construir essa ponte entre escola e família? Na era da educação 4.0, da internet das coisas, onde tudo acontece no meio digital, conseguir manter uma relação satisfatória entre as duas esferas em questão nessa unidade é um desafio para a gestão escolar, pois cada vez mais as famílias estão sobrecarregadas de tarefas e não disponibilizam muito tempo para os assuntos relacionados à escola do filho(a). Estudos apontam que, na maioria das vezes, quando há uma interação entre as partes, ela é cordial e solidária. Além disso, deve-se considerar que muitos problemas são originados por conta da influência da situação socioeconômica, da violência, das mudanças de costumes e isso reflete no comportamento e desempenho dos alunos. Por esse motivo, é interessante que as famílias acompanhem de perto todo o processo educacional dos filhos (PEREZ, 2007). Diante disso, autores renomados no assunto, sugerem que a gestão escolar pratique uma abordagem relacional entre educação, contexto social e familiar. Importante destacar que, nos processos de ensino-aprendizagem, a relação entre professor-aluno deve ser analisada de perto, pois, o tipo de relação existente também entre esses atores sociais, também reflete no desenvolvimento do educando (RESENDE, 2008; PEREZ, 2007). UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 38 Nesse sentido, os especialistas na área apontam uma abordagem transversal com quatro tipos de intencionalidade interativa Fonte: (CASTRO; REGATTIERI, 2009). ● Educar as famílias; ● Abrir a escola para participação familiar; ● Interagir com a família para melhorar os indicadores educacionais; ● Incluir o aluno e seu contexto; Para exemplificar a aplicabilidade dessa abordagem transversal e intencional, apresentamos o quadro n1. QUADRO 1 - 4 TIPOS DE INTENCIONALIDADE INTERATIVA Foco Objetivos Estratégias Resultados Educar as famílias Estabelecer espaço permanente de reflexão e construção sobre a importância da escola e da família na vida dos alunos. Conscientizar os responsáveis sobre seus papéis na educação dos filhos. Apresentar a proposta da escola. Convite às famílias para assistirem a reuniões, palestras e festas na escola. Organização de encontros temáticos para ensinar às famílias como lidar com seus filhos. Familiares frequentando a escola com mais assiduidade. Aumento da informação dos responsáveis em relação a diversos assuntos que tocam a vida familiar. Maior informação sobre a proposta e as regras da escola. Abrir a escola para participação familiar Fortalecer as condições para que as famílias participem da gestão da escola. Construir relação de colaboração das famílias no ambiente escolar, por meio do envolvimento voluntário dos responsáveis, em atividades da escola. Valorização da atuação dos representantes dos familiares nos conselhos escolares e outras instâncias deliberativas da escola. Envolvimento dos responsáveis em atividades para arrecadar recursos a serem aplicados na escola. Autorização de uso do espaço escolar para atividades de interesse da comunidade. Maior participação (quantidade e qualidade) dos responsáveis nas decisões pedagógicas da escola. Maior participação dos familiares e comunidade nos projetos da escola. Maior entrosamento entre pais e professores com consequente fortalecimento da comunidade escolar. UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 39 Interagir com a família para melhorar os indicadores educacionais Reduzir as taxas de abandono e repetência dos alunos. Reduzir os episódios de indisciplina dos alunos. Conscientizar os familiares da importância de seu envolvimento para o sucesso escolar do aluno. Reuniões envolvendo pais, professores e gestores educacionais focadas na aprendizagem dos alunos. Discussão sobre os direitos e deveres dos responsáveis em relação à escolaridade dos filhos. Busca conhecer melhor a organização e condição das famílias – questionários e visitas domiciliares. Articulação com conselho tutelar para cuidar de casos de infrequência e evasão. Maior clareza sobre os papéis familiares e escolares no apoio à vida escolar do aluno. Maior credibilidade do trabalho da escola pela comunidade escolar e do entorno. Melhora do índice de frequência e participação dos alunos na escola. Organização de serviços de apoio escolar aos alunos. Incluir o aluno e seu contexto Garantir aos alunos o direito a educação de qualidade e a salvo de toda forma de negligência e de discriminação. Promover ensino de qualidade, envolvendo a família no processo educativo. Participação da rede de proteção social para ajudar no encaminhamento de problemas familiares dos alunos. Educadores são preparados para conhecer melhor as condições de vida de seus alunos por meio de uma aproximação da família (visita, questionário, entrevistas etc.). As práticas pedagógicas e de gestão escolar são revistas em reuniões periódicas que incluem o conhecimento adquirido sobre o contexto dos alunos. Alunos, independente da condição familiar, com melhores condições de aprendizagem e proteção social. Políticas sociais mais coordenadas. Identificação de políticas necessárias e ainda inexistentes naquele território. Práticas pedagógicas e de gestão enriquecidas. Fonte: (CASTRO; REGATTIERI, 2009). UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 40 Estudante, a classificação apresentada no Quadro n.1 tem por objetivo servir como parâmetro para o desenvolvimento da prática profissional, uma vez que sugere atividades de interação entre a escola-família. No entanto, ao disponibilizar esse material, entende- mos que ele pode ser revisto e ampliado, como também, personalizado de acordo com as especificidades de cada contexto educacional, familiar e também social. Diante do exposto, compreendemos que Escola e família partilham de uma impor- tante tarefa, que é a de preparar as crianças e os adolescentes para a vida em sociedade. A escola, por sua vez, tem por finalidade direcionar o indivíduo, ensinando-o a exercer a cidadania e desenvolver um senso crítico, tornando-se um ser capaz de transformar sua realidade (BENITEZ, 2008, p. 08). Nesse sentido, para efetivar seu papel social é aconselhável que aproxime as fa- mílias, conforme sugere os renomados autores que desenvolvem estudos sobre o assunto: Castro; Regattieri (2009, p. 60), “para isso, as escolas e os sistemas de ensino poderiam responder perguntas simples, tais como”: ► Por que chamar as famílias à escola? ► Quando e por que ir às famílias? ► Nos encontros programados pelos educadores, os familiares têm oportunidades para falar o que pensam? ► As situações de interação contribuem realmente para aproximar escola efamí- lias, ou acabam aumentando as distâncias sociais e culturais entre elas? ► A escola está aberta para conhecer e respeitar a cultura, a organização e os saberes dos grupos familiares mais distanciados do padrão tradicional? ► Os familiares têm mesmo poder de interferência nos conselhos, assembleias, colegiados? ► A escola utiliza o conhecimento mais acurado que tem ao se aproximar das famílias para planejar, rever suas práticas e formas de tratar os alunos? ► Quando a escola se aproxima das famílias e percebe situações de vulnerabili- dade social, ela consegue convocar novos atores para encaminhar os apoios necessários? Após essas reflexões, chegamos ao final desse tópico no qual enfatizamos os as- pectos relacionados à interação família e escola e sua importância para o desenvolvimento intelectual e também social do aluno(a). Encontro você, lá na Unidade III, para continuarmos o nosso diálogo. Até mais!!! UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 41 SAIBA MAIS As constelações familiares como método alternativo de resolução de conflitos no direito de família Devido a grande demanda do poder judiciário, que resulta cada vez mais no acúmulo de processos e à morosidade das suas soluções, torna-se natural a procura por outras abordagens, outros métodos que auxiliem na resolução desses problemas. Nesse senti- do o Novo Código de Processo Civil aborda a conciliação e mediação, privilegiando tais meios como método de solução consensual de conflitos. Atualmente um novo método de resolução de conflitos vem ganhando visibilidade, o método das constelações fami- liares. Tal método vem sendo estudado e aplicado em determinados Tribunais de Jus- tiça, contribuindo com o Judiciário para diminuir a sobrecarga, bem como proporciona aos jurisdicionados uma solução de conflito harmônica. Fonte: FIGUEIREDO, Vitória Lima. PAIVA, Francisca Juliana Castello Branco Evaristo de. As constela- ções familiares como método alternativo de resolução de conflitos no direito de família. Disponível em: https://ibdfam.org.br/artigos/1683/As+constela%C3%A7%C3%B5es+familiares+como+m%C3%A9to- do+alternativo+de+resolu%C3%A7%C3%A3o+de+conflitos+no+direito+de+fam%C3%ADlia. Acesso em: 18 de maio de 2025. REFLITA Acadêmico(a), na sua opinião as escolas podem trabalhar sem as famílias? Reflita so- bre isso. Fonte: Autora (maio, 2021) https://ibdfam.org.br/artigos/1683/As%2Bconstela%C3%A7%C3%B5es%2Bfamiliares%2Bcomo%2Bm%C3%A9todo%2Balternativo%2Bde%2Bresolu%C3%A7%C3%A3o%2Bde%2Bconflitos%2Bno%2Bdireito%2Bde%2Bfam%C3%ADlia https://ibdfam.org.br/artigos/1683/As%2Bconstela%C3%A7%C3%B5es%2Bfamiliares%2Bcomo%2Bm%C3%A9todo%2Balternativo%2Bde%2Bresolu%C3%A7%C3%A3o%2Bde%2Bconflitos%2Bno%2Bdireito%2Bde%2Bfam%C3%ADlia UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 42 SAIBA MAIS A Relação Família-Escola sob a ótica de Professores e Pais de crianças que frequentam Embora já estejam comprovados os benefícios da proximidade entre a Família e a Esco- la, constata-se que ainda existem muitos empecilhos para que esta relação seja eficaz. A escola parece ter dificuldades em compreender a realidade vivida por seus alunos e famílias e a assimetria nessa relação tende a perpetuar as dificuldades de construir uma aliança eficaz que favoreça o envolvimento do aluno no espaço acadêmico. Frente a essa realidade, o objetivo do presente trabalho é apresentar a perspectiva da escola e da família sobre as vicissitudes dessa relação a partir dos depoimentos de pais e pro- fessores de Ensino Fundamental. Realizou-se dois grupos focais: um com professores de Ensino Fundamental (dez participantes) e outro com pais de alunos (sete participan- tes) que frequentam a mesma etapa de escolarização. A partir da Análise de Conteú- do, as informações do grupo focal com os docentes configuraram os seguintes temas: Demandas das famílias que aparecem na prática docente; Situações que demandam interação com as famílias; Percepção do professor sobre a família e sobre seu papel. A análise do grupo de pais culminou nos seguintes temas: O envolvimento da família com a escola dos filhos; A comunicação com a escola; Dificuldades Percebidas na Relação Família-Escola; Mercantilização da Educação. As conclusões remetem a uma realidade perfilada por fronteiras difusas entre família e escola, revelando dificuldades que obs- truem essa relação e convergem para um jogo de culpabilidades mútuas. Discute-se a possibilidade de otimização dessa relação a partir de estratégias conjuntas sistemáticas que contemplem docentes e pais em suas reivindicações. Desde essa perspectiva, reto- ma-se a importância de desenvolver a tarefa educativa de forma conjunta, tendo sempre o aluno como foco e prioridade nesse processo. Palavras-chave: Relação Família-Escola; Ensino Fundamental; Educação. Para ler na íntegra, dê um click: Fonte: SARAIVA, Lisiane Alvim and WAGNER, Adriana. A Relação Família-Escola sob a ótica de Pro- fessores e Pais de crianças que frequentam o Ensino Fundamental. Ensaio: aval.pol.públ.Educ. [online]. 2013, vol.21, n.81, pp.739-772. ISSN 0104-4036. https://doi.org/10.1590/S0104-40362013000400006. https://doi.org/10.1590/S0104-40362013000400006 UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 43 REFLITA Estudante, é possível entrelaçar o ser-fazer-saber das famílias com o ser-fazer-saber das escolas, para garantir o direito de aprender dos alunos(as)? Reflita sobre isso!!! Fonte: Produzido pela autora (maio, 2021) UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 44 Acadêmico(a), Chegamos ao final da Unidade II, desejos que tenha entendido a importância dos assuntos abordados aqui para o desenvolvimento da sua prática profissional e também para a ampliação dos horizontes de informações relacionadas às esferas educacional e familiar. No primeiro momento dos nossos estudos tratamos, no tópico I, sobre a atuação do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM, instituição jurídica não governa- mental, sem fins lucrativos, que tem o objetivo de desenvolver e divulgar o conhecimento sobre o Direito das Famílias. A partir das informações apresentadas, percebemos que a entidade é agente de transformação jurídica e busca constantemente promover o conceito emancipador e plural das famílias. Já no segundo tópico, nos debruçamos sobre as acepções que regem a conexão entre a família e a escola, uma parceria defendida pelos marcos legais. A partir do exposto, infere-se que tal parceria seja um dos principais elementos para o sucesso da educação, pois os alunos aprendem melhor quando os pais se interessam pelo o que eles vivem no contexto escolar. E além disso, as escolas têm melhores resultados quando possuem um bom relacionamento com as famílias. Sendo assim, finalizamos essa unidade, esperamos que tenha sido um momento de grande aprendizado e contribuição para a sua formação. Bons estudos !!!! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 45 RELAÇÃO ESCOLA-FAMÍLIA E A INTERVENÇÃO DO PSICOPEDAGOGO NA PREVENÇÃO DO FRACASSO ESCOLAR O Brasil vive um contexto em que o fracasso escolar configura-se como um grande problema a ser enfrentado pelo sistema educacional. Tal fracasso deve-se em grande parte a diversas fragilidades encontradas no ambiente escolar: número excessivo de alunos por turma, pouca qualificação profissional, práticas pedagógicas inadequadas, ausência da família na vida escolar dos filhos são apenas algumas das dificuldades encontradas hodiernamente, e, em decorrência disso estão os altos índices de repetência e evasão es- colar. Considerando essas variáveis que influenciam nesse processo, este artigo tem como objetivo apresentar um diálogo a partir das possibilidades da psicopedagogia atuar como forma/contribuição de prevenção ao fracasso escolar, analisando a relação família/escolae como essa parceria poderá contribuir para a melhoria e o progresso na aprendizagem. Para tal, a partir de referenciais teóricos, buscou- se elementos históricos que pudessem contribuir para o entendimento e a compreensão de como vem se configurando, ao longo das décadas, a estrutura do fracasso escolar e refletir acerca das práticas pedagógicas adotadas na escola, as quais precisam ser revistas e redimensionadas, buscando minimizar este quadro e promover um ensino com mais qualidade. Para ler na íntegra, dê um click: Fonte: Dirciane dos Santos Melo Silva Faculdade ITOP dircianemelo@yahoo.com. br Nerci Maria Rezende Carvalho . Revista Multidebates, vol.1. N.2, 2017. LEITURA COMPLEMENTAR mailto:dircianemelo@yahoo.com UNIDADE III Família enaEsActoulaalidade 46 LIVRO Título: Relação Escola e Família Autor: Luciana Maria Caetano Editora: Paulinas Sinopse: O presente livro pretende inserir-se em uma área de estudo e pesquisa incipiente em nosso país: a relação escola e família e a formação da criança em sua plenitude; ele traz alguns temas relevantes e que permeiam as discussões entre as duas instituições, tais como: violência doméstica, alienação parental e depressão, sexualidade, aprendizagem e desenvolvimento infantil, transtorno de ansiedade, bullying, afetividade e o brincar; com linguagem acessível, visa oferecer reais contribuições para as reflexões de pais e professores, auxiliando-os a conhecerem-se, compreenderem-se e reconhecerem-se mutuamente como parcei- ros no processo educativo das crianças. FILME / VÍDEO Título: Série: Modern Family Ano: 2009 Sinopse: O documentário brasileiro mostra a rotina de um lar for- mado por duas mulheres, que estão juntas há mais de 10 anos e têm, juntas, três filhos. Em meio às atividades cotidianas, como em qualquer outro núcleo de convivência, elas enfrentam o preconceito e a tentativa constante de aprovação de leis, por parte das banca- das conservadoras, para que sejam invalidadas as conquistas dos casais homoafetivos em união oficial. A série conta a história de três núcleos familiares. Um deles é o modelo tradicional, formado por Claire, a típica dona de casa, que é casada com Phil Dunphy, com quem tem três filhos. Em outro núcleo, Jay é casado com Glória, que é muito mais jovem do que ele e tem um filho pré-adolescente, Manny. O terceiro núcleo é formado pelo casal homossexual Mitchell e Cam, que têm uma filha adotiva vietnamita, Lily. A série aborda as diferentes configurações em convivência frequentemente, já que Jay é pai de Claire e Mitchell. As três famílias ensinam e aprendem com as particularidades de cada núcleo. Link do vídeo: https://www.netflix.com/br/title/70143858 MATERIAL COMPLEMENTAR http://www.netflix.com/br/title/70143858 UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola Professora Me. Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: ● O Psicopedagogo nas relações da família e a escola; ● As contribuições do atendimento psicopedagógico na superação dos obstáculos de aprendizagem. Objetivos da Aprendizagem: ● Compreender a atuação do psicopedagogo nas relações da família e a escola; ● Entender as contribuições do atendimento psicopedagógico na superação dos obstáculos de aprendizagem; 47 UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 48 Acadêmico(a), olá! Seja muito bem vindo à unidade III, intitulada de “PSICOPEDAGOGIA, FAMÍLIA E ESCOLA”. O objeto desta unidade será analisar as questões relacionadas à relação entre o psicopedagogo, família e escola. Assim, vamos dar ênfase à importância da intervenção psicopedagógica nesses contextos. Nesse sentido, vamos dialogar sobre as diversas for- mas de abordagens que podem ser aplicadas com intuito de minimizar os entraves que minimizam o processo de ensino-aprendizagem. Para tanto, didaticamente essa unidade está dividida em duas partes, as quais chamaremos de tópicos. No primeiro momento, no tópico I, intitulado de “O Psicopedagogo nas relações da família e a escola’’, vamos centralizar nossos estudos para entender o papel do psicopeda- gogo frente às necessidades apresentadas pela escola e também pela família com intuito de solucionar as dificuldades dos alunos(as). Já no segundo momento, intitulado “As contribuições do atendimento psicopeda- gógico na superação dos obstáculos de aprendizagem”, nosso objetivo será entender a atuação psicopedagógica, no contexto escolar, como forma de prevenção, assessoria/ esclarecimento e intervenção. Além disso, sobre os diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem, analisando os fatores que favorecem, mediam ou prejudicam um bom aprendizado. Então, venha comigo, embarque nessa viagem de novos conhecimentos pelo am- biente escolar x familiar. Até mais !!!!! INTRODUÇÃO UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 49 1. O PSICOPEDAGOGO NAS RELAÇÕES DA FAMÍLIA E A ESCOLA Acadêmico(a), olá! Seja muito bem-vindo ao primeiro tópico da Unidade III, intitulado de “O Psicopeda- gogo nas relações da família e a escola”. A psicopedagogia é uma área do conhecimento interdisciplinar relativamente atual, a qual apresenta como objetivo de estudos o processo de aprendizagem e suas interfaces com as demais áreas do conhecimento, como também a relação do sujeito com a aprendizagem, por esse motivo, tem despertado o interesse dos profissionais relacionados à educação. Assim, nesse momento, vamos direcionar nossos olhares especificamente para a atuação profissional tanto na esfera escolar como também na esfera familiar. Didaticamente, o presente tópico será norteado pelos seguintes questionamentos: Qual é efetivamente o papel do psicopedagogo nas esferas educacionais e familiar? Quais os benefícios e contribuições da atuação do Psicopedagogo nesses contextos? Quais são os seus desafios desse profissional? Esse diálogo se justifica, porque a figura do psicopedagogo auxilia no esclarecimen- to das dificuldades escolares, as quais podem ter diversos tipos de motivações, como por exemplo, podem decorrer de questões administrativas do sistema escolar, como também do familiar. Além disso, as exigências pedagógicas inadequadas também contribuempara UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 50 a necessidade de intervenção do profissional em questão. Especialistas no assunto, des- tacam também que o aparecimento dos problemas educacionais podem ser oriundos das grandes expectativas familiares, etc. Importante salientar, que a figura do psicopedagogo, além de diagnosticar, também faz intervenções com intuito de sanar os problemas encontrados ou mesmo minimizá-los. Diante disso, convido você a embarcar em mais essa jornada de conhecimentos. 1.1 Qual é efetivamente o papel do psicopedagogo na esfera educacional x familiar? Estudante, a Psicopedagogia localiza-se no entremeio de duas grandes áreas: a psicologia e a pedagogia, uma vez que , ela é a ciência que estuda o processo de aprendi- zagem humana, a qual tem por finalidade analisar o processo de construção e reconstrução do conhecimento. O campo de atuação psicopedagógico não está limitado às dificuldades e aos dis- túrbios de aprendizagem, na verdade, a atuação está relacionada à aprendizagem de um modo geral. É válido destacar que todas as pessoas independentemente da idade podem recorrer à Psicopedagogia como tratamento para superação dos problemas e/ou anseios (FAGALLI, 1999). A psicopedagogia, no que se refere às linhas de ação atua em duas frentes: a preventiva e a clínica, para tanto utiliza recursos diagnósticos, corretores e preventivos. A primeira tem como função essencial refletir e discutir sobre os projetos pedagógicos, os processos didáticos e a dinâmica da instituição, com intuito melhorara qualidade do que é desenvolvido em sala de aula, nas avaliações, no planejamento e na assessoria a profes- sores, pedagogos e orientadores. Já a segunda, mais individualizada, pois sua prática é mais desenvolvida em consultórios, tem por objetivo reinserir o sujeito com problemas de aprendizagem ao contexto escolar (FAGALLI, 1999). No cenário escolar, o profissional em questão terá que, primeiramente, analisar e investigar, considerando todo o contexto e as interações realizadas pelo aprendiz durante o processo de ensino e aprendizagem, depois identificar as causas dos problemas apre- sentados pelos alunos(as). Posteriormente, será o momento de propor uma intervenção psicopedagógica com o objetivo de solucionar problemas de aprendizado, com enfoque na pessoa ou na própria instituição onde se desenvolve a aprendizagem (GASPARIAN, 1997). Diante disso, é importante destacar também que o principal objetivo do Psico- pedagogo Clínico é identificar a melhor forma de aprender e o que pode estar causando o bloqueio na aprendizagem do paciente/aluno(a). Assim, inicialmente, faz-se o diag- nóstico psicopedagógico para descobrir quais áreas devem ser trabalhadas e, depois, o processo de intervenção. UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 51 Estudante, para ampliar o conhecimento sobre o assunto, listamos, na sequência, os desafios mais presentes no contexto escolar que possibilitam a intervenção psicopeda- gógica (GASPARIAN, 1997): ► O fracasso escolar; ► O currículo; ► O planejamento com enfoque psicopedagógico; ► A avaliação da aprendizagem; ► Trabalho com projetos; ► Afetividade X aprendizagem; ► Reuniões de pais; ► Formação continuada de profissionais da educação; ► Indisciplina na escola; ► Inclusão. Diante do exposto, conseguimos compreender a essencial importância da figura do Psicopedagogo no contexto educacional, pois ele exerce a função de auxiliar na resolução dos problemas, removendo os obstáculos que se interpõem entre os sujeitos e o conhecimento, favorecendo a construção de práticas educativas que favoreçam processos de humanização e reapropriação da capacidade de pensamento crítico. Segundo Nascimento, o psicopedagogo na instituição escolar: [...] é o profissional indicado para assessorar e esclarecer a escola a respeito de diversos aspectos do processo de ensino-aprendizagem e tem uma atua- ção preventiva. Na escola, o psicopedagogo poderá contribuir no esclareci- mento de dificuldades de aprendizagem que não têm como causa apenas deficiências do aluno, mas que são consequências de problemas escolares. Seu papel é analisar e assinalar os fatores que favorecem, intervêm ou preju- dicam uma boa aprendizagem em uma instituição. Propõe e auxilia no desen- volvimento de projetos favoráveis às mudanças educacionais, visando evitar processos que conduzam às dificuldades da construção do conhecimento. (NASCIMENTO, 2013, p. 01). Uma revisão seletiva da literatura sobre o assunto aponta que a relação da Psico- pedagogia com a instituição escolar é complexa e, muitas vezes, pode provocar equívocos tanto conceituais como também relacionados às atividades desenvolvidas pelo psicopeda- gogo (FAGALLI, 1999). Para que tais situações não ocorram, faz-se necessário elucidar os objetivos de atuação desse profissional. Nesse sentido, no que se refere à interdisciplinaridade, o psi- copedagogo deve ter caráter clínico institucional, então, sua atuação estará direcionada UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 52 para as áreas relacionadas ao planejamento educacional, como também, de assessoria pedagógica, colaborando com planos educacionais, realizando diagnóstico institucional e propostas de intervenções. Caro(a) aluno, isso posto, cabe-nos agora direcionarmos nosso estudo para as intervenções do psicopedagogo na relação escola-família. Conforme estudamos nas unidades anteriores, a família desempenha um papel primordial na formação dos indivíduos, ela é a primeira instituição social formadora da criança. Assim, ela possibilita a construção da personalidade da criança. Além disso, é no seio familiar que são constituídas as bases para atuar socialmente com moral, ética e, também, uma relação sadia com a aprendizagem escolar. A família realiza a ponte entre a sociedade e o indivíduo, ao transmitir seus valores e, em constante reciprocidade, promove as mudanças sociais, familiares e individuais (SOUSA, 2012). Soma-se a essa reflexão a posição de alguns estudiosos sobre o assunto ao sa- lientarem que a participação da família contribui efetivamente para o desenvolvimento do aluno, não somente na aquisição de conhecimentos (cognição), como também no lado afetivo e de relacionamento (SOUSA, 2012). Conforme as acepções do ECA (1990), art. 19, quando destaca que toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio da sua família. No entanto, conforme estudamos na unidade anterior, existem vários modelos de famílias, não existe somente um tipo de família na sociedade brasileira. Importante destacar que, as famílias em situação mais vulnerável tendem a se envolver menos na escolaridade dos filhos. Contudo, isso não significa que tenham menos interesse, muitas vezes, eles não sabem como participar ou mesmo não possuem muito tempo para essa prática. Para Sousa (2012), a interação família/escola é necessária, para que ambas co- nheçam suas realidades e suas limitações, e busquem caminhos que permitam e facilitem o entrosamento entre si, para o sucesso educacional do filho/aluno. A esse respeito, justifica-se a articulação de estratégias de aproximação entre família-escola com outras políticas educacionais que contribuam para melhorar qualidade e promover equidade. É nesse momento, então, que a figura do psicopedagogo torna-se primordial, assim, a intervenção poderá ser realizada, por exemplo, por meio de uma entre- vista, realizando uma anamnese com os membros dessa família, um estudo da história de vida da criança, para que ele possa se inteirar de informações de fundo orgânico, cognitivo, emocional e social dessas crianças. Posteriormente, poderá, de acordo com o resultado, realizar atividades individuais e/ou em grupo. (NASCIMENTO, 2013). UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 53 Na sequência, disponibilizamos sugestões de algumas ações que podem ser desenvolvidas pela gestão escolar com a ajuda do psicopedagogo em prol da aproximação com as famílias (SOUZA, 2012): ► Mediar a interação e apoio entre as duas esferas; ► Promover reuniões de pais e mestres com maior frequência; ► Estimular e apoiar os pais para o acompanhamento das tarefas escolares; ► Investir na comunicação entre escola e as famílias, não só em situações negativas; ► Criar estratégias de aproximação para pais menos engajados; ► Ajudar a esclarecer quais são as expectativas dos pais em relação à educação de seus filhos; ► Orientar os pais/responsáveis sobre como acompanhar tarefas e trabalhos escolares; ► Auxiliar os pais/responsáveis a verificar se o filho fez as atividades solicitadas pelo professor. Isso posto, vale ressaltar que os estudos sobre o assunto apontam que a família que acompanha o processo de aprendizagem do filho poderá auxiliá-lo no momento que surgirem as dificuldades escolares. Logo, se a família acompanhar o rendimento dos filhos em sala de aula, possivel- mente eles não enfrentarão situações de defasagem no aprendizado. No entanto, caso ocorra algum problema escolar, a escola juntamente com a família recorrerão ao profissio- nal habilitado para tal intervenção, o psicopedagogo, que terá como função prestar auxílio para as duas esferas. Assim, a conexão entre escola, família e psicopedagogo resultará num processo ensino-aprendizagem com maiores condições de obtenção de sucesso. Acadêmico(a), chegamos ao final deste primeiro tópico da Unidade III coma sen- sação de ter contribuído significativamente para a sua formação acadêmica e profissional. Encontro você logo ali no segundo momento do nosso diálogo UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 54 REFLITA Acadêmico(a), para você, a família do século XXI está em condições de oferecer aos seus filhos todo o aparato necessário à sua construção subjetiva? Fonte: A autora(a) SAIBA MAIS Acadêmico(a), você sabia que, no Brasil, a Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) aprovou 16/10/2013 o projeto de lei que teve como objetivo regulamentar o exer- cício da atividade de Psicopedagogia. Conforme o PLC 31/2010, originário da Câmara dos Deputados, a profissão poderá ser exercida não apenas por graduados em Psicope- dagogia, mas também por portadores de diploma superior em Psicologia, Pedagogia ou Licenciatura que tenham concluído curso de especialização em Psicopedagogia, com duração mínima de 600 horas e 80% da carga horária dedicada à área. Fonte: BRANDÃO, Gorette. Projeto que regulamenta profissão de psicopedagogo é aprovado pela CE. Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2013/10/16/projeto-que-regulamenta-pro- fissao-de-psicopedagogo-e-aprovado-pela-ce. Acesso em: 20 de maio de 2021. UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 55 2. AS CONTRIBUIÇÕES DO ATENDIMENTO PSICOPEDAGÓGICO NA SUPERAÇÃO DOS OBSTÁCULOS DE APRENDIZAGEM Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao segundo tópico desta unidade, intitulado de “As contribuições do atendimento psicopedagógico na superação dos obstáculos de aprendizagem”. O presente tópico tem por objetivo analisar o papel do psicopedagogo na supera- ção das dificuldades de aprendizagem. Para tanto, primeiramente, vamos dialogar sobre a função do psicopedagogo. Na sequência, nosso objetivo será compreender o conceito de aprendizagem norteado pelas acepções de Feuerstein (1980), o qual define a aprendizagem como um processo que inclui a construção do aprendiz e a interação, entendida como a participação de um mediador humano, que se interpõe entre o sujeito e o conhecimento Por fim, nossos olhares serão direcionados para atuação psicopedagógica frente às queixas familiares e escolares. 2.1 A função do psicopedagogo A psicopedagogia, aplicação da psicologia experimental à pedagogia, oferece aos profissionais que se interessam por aprendizagem a possibilidade de analisar este proces- so do ponto de vista do sujeito que aprende e da instituição que ensina. Ela é uma área de estudo diretamente relacionada à aprendizagem escolar no que se refere ao seu processo normal e/ou com dificuldades, conforme salienta o renomado profissional: UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 56 A psicopedagogia tem por objetivo compreender, estudar e pesquisar a aprendizagem nos aspectos relacionados com o desenvolvimentos e ou pro- blemas de aprendizagem. A aprendizagem é entendida como decorrente de uma construção, de um processo, o qual implica em questionamentos, hi- póteses, reformulações, enfim, implica a complexidade dos múltiplos fatores envolvidos neste processo (RUBINSTEIN, 1996, p. 113). Diante do exposto, no contexto da psicopedagogia, versar sobre dificuldades de aprendizagem justifica-se por ser um tema que preocupa as famílias, os professores, os centros educativos, e sobretudo os alunos que não vêem os resultados de seus esforços para aprender. Dessa forma, entender como o aluno aprende e constrói seu conhecimento e ainda, compreender as relações dele com a escola, contribui para o esclarecimento dos processos de aprendizagem. Além disso, proporciona condições para superação das di- ficuldades quanto ao rendimento escolar. Considerando que, o rendimento do aluno pode ser influenciado por inúmeros aspectos como por exemplo, os afetivos, os cognitivos dos alunos, e ainda os que se referem aos problemas oriundos da instituição escolar. Para exemplificar essa questão, recorremos às acepções do psicólogo russo que realizou diversas pesquisas na área do desenvolvimento da aprendizagem e do papel preponde- rante das relações sociais nesse processo, o que originou uma corrente de pensamento denominada Sócio Construtivismo: Quando pela primeira vez se demonstrou que a capacidade das crianças de idêntico nível de desenvolvimento mental para aprender sob a orientação de um professor variava em grande medida, tornou-se patente que ambas as crianças não possuíam a mesma idade mental e que, evidentemente, o curso subseqüente de sua aprendizagem seria distinto. Essa diferença é que o de- nominamos zona de desenvolvimento proximal. Não é outra coisa que a dis- tância entre o nível real de desenvolvimento, determinado pela capacidade de resolver independentemente um problema, e o nível de desenvolvimento potencial, determinado através da resolução de um problema sob a orien- tação de um adulto ou em colaboração com outro companheiro mais capaz (VYGOTSKY, 1998, p. 11). Especialistas no assunto, como por exemplo, Fonseca (1995), defendem que há diferenças entre dificuldade de aprendizagem “sintoma” e dificuldade de aprendizagem “reativa”. A primeira é causada por problemas afetivos e/ou cognitivos do aluno. No entan- to, a segunda tem sua origem em problemas relacionados à instituição escolar, como por exemplo, desadaptação, dificuldades na relação com o professor ou com a metodologia utilizada para ensinar. Assim, analisar psicopedagogicamente o processo de aprendizagem de um aluno ou grupo de alunos é buscar compreender como eles utilizam os elementos do seu sistema cognitivo e emocional para aprender. É procurar compreender também, a relação do aluno com o conhecimento, a qual é permeada pela figura do professor e pela escola. Sobre isso, o especialista no assunto destaca que: UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 57 O psicopedagogo é como um detetive que busca pistas, procurando sele- cioná-las, pois algumas podem ser falsas, outras irrelevantes, mas a sua meta fundamental é investigar todo o processo de aprendizagem, levando em consideração a totalidade dos fatores nele envolvidos, para valendo-se desta investigação, entender a constituição da dificuldade de aprendizagem (RUBINSTEIN, 1996, p. 128). Isso posto, cabe destacar que o papel do psicopedagogo é diagnosticar as con- dições de aprendizagem do aluno,por isso, faz-se necessário que ele se baseie em um modelo teórico que dê respaldo ao conceito de aprendizagem. É importante salientar que o psicopedagogo tem também como função esclarecer as motivações das dificuldades específicas, indicando as relações entre os aspectos específicos e gerais. Muitas vezes, os pais e/ou as escolas estão interessados apenas na recuperação imediata, diante disso, procuram o profissional, mas não conseguem compreender sua atuação. Para ilustrar tal situação, tomemos como exemplo, um caso no qual o aluno(a) apresenta dificuldades de aprendizagem na área da leitura e da escrita: nesse caso é inte- ressante explicar para os pais/responsáveis que para escrever bem, não basta ter domínio das regras ortográficas, porque o processo de aprendizagem da linguagem escrita é com- plexo e envolve outros fatores além dos linguísticos. Então, uma investigação minuciosa sobre o caso é primordial. Caro(a) aluno, após entendermos a função do psicopedagogo, cabe-nos agora, compreendermos o que se entende por aprendizagem, uma vez que, ela é um processo que inclui a construção do aprendiz e a interação, a qual é entendida como a participação de um mediador humano, que se interpõe entre o sujeito e o conhecimento. 2.2 O que se entende por aprendizagem? Várias teorias têm sido discutidas para esclarecer sobre o que vem a ser, ou mesmo, o que se entende por “aprendizagem”. No entanto, neste trabalho, o enfoqueteórico será de acordo com a teoria de Feuerstein (1980), todavia, esta assemelha-se aos pensamentos de Vygotsky. Vygotsky, em sua obra “Pensamento e Linguagem” (1998), defendia a importância da função mediadora no processo de aquisição do conhecimento. Segundo ele, os proces- sos cognitivos podem ser divididos em dois níveis: ► Processos cognitivos inferiores ou no plano natural: tipos de conhecimento que ocorrem de uma forma imediata, sem mediação. Esses processos naturais seguem o ritmo da maturação; UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 58 ► Processos cognitivos superiores ou mediados: formas de conhecimentos que indicam ocorrência de interações sociais e culturais entre indivíduos em desen- volvimento e indivíduos mediadores. No âmbito da sua teoria é bem conhecido o conceito da internalização, o qual postula que todos os processos intrapsíquicos (isto é, todas as formas de funcionamento cognitivo no indivíduo) são construídos através de processos interpsíquicos, vivenciados pelo sujeito. Estes processos interpsíquicos, tecem a nível das interações vividas pelo in- divíduo no seu grupo cultural. Há assim, paulatinamente, um processo de construção, pelo indivíduo, de estruturas linguísticas e cognitivas mediadas pelo grupo. Distanciando-se, neste sentido, de Piaget, Vygotsky acentua significativamente os fatores sócio-culturais no desenvolvimento intelectual do sujeito (BEYER, 1996, p. 53). Considerando essa afirmação, é possível traçar conceitos paralelos entre a teoria de Vygotsky e de Feuerstein, pois ambos defendem a teoria da internalização, somando-se a isso o processo mediador na construção da inteligência. Feuerstein é um psicólogo-pesquisador israelita que vem se destacando mundial- mente pelo método desenvolvido para o trabalho com crianças deficientes. Ele acrescentou algo a mais à teoria de Vygotsky, defende também que a mediação representa a cultura, no entanto, não é somente a sociedade que automaticamente veicula os conceitos, eles precisam ser transmitidos por instituições formais ou informais. Formais são a igreja, a escola, etc. Já os informais são os pais, irmão, amigos, etc. As teorias de Feuerstein (1980), sobre a experiência de aprendizagem mediada (a experiência da criança mediada pela mãe) e de funções cognitivas deficientes, bem como sua adaptação da noção de Vygotsky (1998) de zona do desenvolvimento potencial (a diferença entre a capacidade latente de um indivíduo e sua capacidade desenvolvida), provam ser muito úteis tanto na avaliação quando no treinamento das funções intelectuais (STERNBERG, 1992, p. 35). Toda aprendizagem deve ser coerente com o nível de desenvolvimento da criança, ou seja, existe uma relação entre determinado nível de desenvolvimento e a capacidade potencial de aprendizagem. Dessa forma, para Vygotsky (1998), existem dois níveis no desenvolvimento da criança: UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 59 ► O nível do desenvolvimento atual da criança: nível de desenvolvimento das funções psico-intelectuais da criança que se conseguiu como resultado de um processo específico de desenvolvimento já realizado. Ou seja, é aquilo que a criança realiza com autonomia; sem ajuda de um ser mais desenvolvido. ► A zona do desenvolvimento potencial: a diferença entre o nível das tarefas realizáveis com o auxílio dos adultos e o nível das tarefas que podem desen- volver-se com uma atividade independente define a área de desenvolvimento potencial da criança. Isso posto, infere-se o que uma criança é capaz de fazer com o auxílio dos adultos chama-se zona de seu desenvolvimento potencial. Isso significa que, com o auxílio deste método, podemos medir não só o processo de desenvolvimento até o presente momento e os processos de maturação que já se produziram, mas também os processos que estão ainda ocorrendo, que só agora estão amadurecendo e desenvolvendo-se (VYGOTSKY, 1998, p. 112). Já para Feuerstein o desenvolvimento cognitivo é decorrente de duas formas de interação da criança com o seu meio, pois ela aprende e se desenvolve com assimilação e processamento direto dos estímulos existentes, mas também, aprende através de me- diação cognitiva significativa. Essa por sua vez, tem ênfase na teoria do autor, porque para ele, caso a mediação seja feita de forma errônea, ou ainda, não exista na vida de uma criança com grau representativo, poderá causar sérios danos, gerando assim, dificuldades de aprendizagem. Para exemplificar tal abordagem, recorremos à fala direta do autor: Por meio do conceito da experiência de aprendizagem mediada (EAM) nós nos referimos à forma como estímulos emitidos pelo meio são transformados por um agente “mediador”, usualmente um pai, um irmão ou outra pessoa do círculo próximo da criança. Este agente mediador, motivado por suas inten- ções, cultura e envolvimento emocional, seleciona e organiza o mundo dos estímulos para a criança. O mediador seleciona os estímulos que são mais apropriados e então os filtra e organiza; ele determina o surgimento ou desa- parecimento de certos estímulos e ignora outros. Através desse processo de mediação, a estrutura cognitiva da criança é afetada (FEUERSTEIN, 1980, p. 15 - 16). Diante do exposto, é possível verificar a acentuação do papel do mediador para o desenvolvimento cognitivo da criança, contudo, é ressaltada a ideia de que a “aprendizagem adequada” depende extremamente da qualidade da aprendizagem mediada, ou mesmo, um resultado negativo acontecerá com a falta dessa mediação. Com intuito de melhor entendermos esse processo, recorremos a uma releitura das acepções de FEUERSTEIN publicada por Hugo Beyer, especialista no assunto, a qual elucida que: UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 60 Numa lógica de proporção, quanto mais a criança usufruir em seu desenvol- vimento, do auxílio cognitivo direto intencionado de outras pessoas, mais se- guramente apresentará um desenvolvimento cognitivo normal. Inversamente, a não intermediação humana acarretará defasagens cognitivas acumuladas, que implicarão no surgimento de problemas no seu funcionamento cogniti- vo-intelectual posterior. Por isso, Feuerstein pressupõe que uma das causas fundamentais dos problemas de aprendizagem reside nas condições de inte- ração social (interpessoal) do indivíduo (BEYER, 1996, p. 78). Assim, infere-se que para Feuerstein há diferenças entre causas determinantes diretas e indiretas dos problemas de aprendizagem. As indiretas são influências do meio, normas sociais, etc. Já as determinantes diretas, são as estratégias de mediação intencio- nal no processo de aprendizagem, uma vez que, quando mal mediada ou ainda, a escassez dessa mediação, resulta em um desempenho insatisfatório. Logo, é importante ressaltar o otimismo desse autor quanto ao papel do psicopeda- gogo. Para ele, a intervenção psicopedagógica é de suma importância, pois há possibilida- des de a criança entrar em processo de estagnação. Estudante, com intuito de ampliarmos os horizontes sobre a atuação psicopedagó- gica, na sequência vamos dialogar sobre as dificuldades de aprendizagem. 2.3 Dificuldades De Aprendizagem O processo escolar atualmente tem enfrentado inúmeras situações problemáticas que, muitas vezes, têm sua origem aliada às dificuldades de aprendizagem. Segundo DEMBO (1994), as evidências sugerem que um grande número de alunos possuem características que requerem atenção educacional diferenciada. Alunos com defi- ciências, público-alvo da educação especial, como também aqueles que apresentam dificul- dades de aprendizagem ainda não diagnosticadas, constituem-se nos principais grupos que vêm sendo foco de ações educacionais que necessitam de intervenções psicopedagógicas. As dificuldades para aprender aparecem nas crianças sob várias formas, é raro encontrar alguém que nunca passou por dificuldades duranteo período escolar. Porém, algumas chamam-nos atenção por não acompanharem os demais colegas, ou seja, os con- siderados “atrasados” da turma. Assim, o fracasso escolar e o baixo desempenho sugere que o indivíduo esteja com alguma DA, conforme explicação do especialista no assunto: Ao longo dos anos têm sido utilizados certos critérios para caracterizar os alunos “de risco” em relação ao fracasso escolar. Pela literatura, eles nor- malmente apresentam um atraso de um ou mais anos na aprendizagem em relação às crianças de sua idade; participam com frequência de programas compensatórios ou de recuperação; ou são isolados pelos colegas (SISTO, 2004, p. 191). UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 61 Assim, refletir sobre esse assunto vem ao encontro da necessidade de se ter um profissional especializado para a mediação com esses alunos, combatendo o fracasso escolar. Nesse sentido, a figura em questão é o psicopedagogo, profissional habilitado para essa atuação. Aluno(a), mas, o que vem a ser Dificuldades de Aprendizagem? Você sabe? O termo dificuldades de aprendizagem engloba um grupo heterogêneo de transtornos, manifestando-se por meio de atrasos ou dificuldades em leitura, escrita, soletração e cálculo, em pessoas com inteligência potencialmente normal ou superior e sem deficiências visuais, auditivas, motoras, ou desvantagens culturais. Geralmente não ocorre em todas as áreas de uma só vez e pode estar relacionada a problemas de comunicação, atenção, memória, raciocínio, coordenação, adaptação social e problemas emocionais (SISTO, 2004. p.33). Para outro especialistas, como os elencados, na sequência, os problemas de apre- sentados por crianças receberam as seguintes terminologias: O termo aprendizagem descreve as limitações características que estamos lidando sem, entretanto, discriminar, entre as funções como memória, tempo de atenção, linguagem ou habilidades espaciais. O termo dificuldades foca sua atenção na natureza do problema, sem especificar a priori se os padrões de desenvolvimento são caracterizados apenas pelo atraso ou apenas pelas diferenças (DOCKRELL E MCSHANE, 2000, p.136 - 137). Considerando essas afirmações, é preciso ressaltar que os estudiosos dessa área não são consistentes quanto a uma definição ideal para as DA, pois existem inúmeras discordâncias para esse assunto. Nesse sentido, segundo Dockrell e McShane (2000), as DA podem ser classificadas por meio do sistema etiológico e o funcional. No sistema etiológico a classificação é feita pela causa que a origina. É relevante ressaltar que muitas Dificuldades de Aprendizagem possuem etiologias desconhecidas, por isso, há necessidade nesse caso de estratégias e intervenções diferenciadas. Já a classificação funcional distingue dois grupos de crianças, baseando-se nos níveis de inteligência. Assim, temos aquelas com baixo rendimento escolar, ou seja, aquém da média esperada, e o outro com alunos que apresentam dificuldades específicas, como por exemplo, na leitura ou na matemática. Muitas vezes, este pode apresentar discrepância significativa de rendimentos se comparado entre a disciplina na qual possui a DA das demais. Dificuldades de aprendizagem estariam relacionadas a dificuldades dos alu- nos para colocar em prática rotinas de planejamento e controle dos processos cognitivos, envolvidos na realização de uma dada tarefa. Essas dificuldades são então, consideradas como níveis de menor realização, decorrentes do uso inapropriado dos mecanismos do processo da informação; e não pro- venientes de deficiências de capacidade ou inteligência (BORUCHOVITCH, 2002. p. 41 - 42). UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 62 Soma-se à reflexões anteriores a opinião de dois especialistas Assunção e Coe- lho (1999) ao apontarem a necessidade de um atendimento especializado que auxilie as crianças, professores e familiares no sistema educacional brasileiro privilegiando currículos coerentes, instalando orientação educacional, psicológica e pedagógica de forma a adequar o programa e os métodos. Não há dúvida, entretanto, de que as dificuldades de aprendizagem só podem ser entendidas na complexa interação entre fatores intra e extra-escolares, requerendo intervenções tanto no âmbito do aluno, das práticas pedagógicas e de formação de professores, quanto no âmbito de mudanças mais amplas de natureza política, econômica e social. Sem discordar que mudanças mais estruturais sejam essenciais (BORUCHOVITCH, 2002, p. 42). Sobre isso no entendimento de Pain (1999) existem alguns fatores fundamentais que precisam ser considerados no diagnóstico de um problema de aprendizagem são eles: ► fatores orgânicos: quando há lesões ou desordens corticais; ► fatores específicos: transtornos perceptivos-motores em que seja de origem orgânica; ► fatores psicógenos: o não aprender se constitui como inibição ou como sintoma); ► fatores ambientais: possibilidades reais que o meio lhe fornece em quantidade e qualidade,.freqüência e abundância de estímulo Corrobora com essas acepções Assunção e Coelho (1999), pois também ressal- tam a existência de inúmeros fatores como desencadeadores dos problemas ou distúrbios de aprendizagem entre eles: orgânicos, psicológicos e fatores ambientais. Para as autoras podem ocorrer distúrbios no processo de aprendizagem, destacando quatro: ► Condicionados pela escola: pelo professor, pela relação professor-aluno, pela relação entre alunos e pelos métodos didáticos; ► Condicionados pela situação familiar; ► Condicionados por características da personalidade; ► Condicionados por dificuldades de educação. De acordo com as considerações apresentadas até então, os diversos ques- tionamentos sobre as atitudes e comportamentos apresentados pelas crianças no seu dia- a-dia escolar apontam para a relevância do encaminhamento para um profissional habilitado, como por exemplo, o psicopedagogo. Assim, de posse das queixas poderá iniciar o processo de avaliação, para posteriormente emitir um parecer e iniciar as inter- venções psicopedagógicas. UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 63 Estudante, diante das discussões apresentadas sobre o processo de apren- dizagem, verifica-se a importância de iniciativas que enfatizem novas metodologias de ensino para evitarem o fracasso educacional com crianças diagnosticadas. Além disso, valida-se, nesse contexto de dificuldades escolares, a efetivação da figura do psicopedagogo, o qual conduzirá o aluno(a) diagnosticado à superação de dificuldades encontradas com estratégias eficazes. Além da intervenção junto ao aluno(a), o profissional em questão também fará orientações à equipe pedagógica e aos professores com intuito de auxiliá-los na superação das barreiras e dificuldades apresentadas pelos educandos. Assim finalizamos mais esse diálogo sobre as contribuições do atendimento psico- pedagógico na superação dos obstáculos de aprendizagem. UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 64 SAIBA MAIS CONTRIBUIÇÕES DE DAVID AUSUBEL PARA A INTERVENÇÃO PSICOPEDAGÓGICA A pesquisa teve como objetivo compreender os conceitos de David Ausubel e a sua interferência na aprendizagem enquanto construção cognitiva, no campo da Psicopeda- gogia. O método utilizado no presente estudo foi a Pesquisa Qualitativa Explicativa, com visão interpretativa e crítica, tanto dos fatores como dos autores pesquisados. Dentre os resultados obtidos é possível informar que a ação psicopedagógica tem maior sucesso com a prática da pesquisa continuada. A pesquisa oferece uma reflexão sobre o refe- rencial teórico, a fim de trazer benefícios para a prática profissional psicopedagógica. Conclui-se que, para Ausubel, o sujeito já tem uma história, sendo esta a base para uma aprendizagem significativa. O profissional deve estar atento ao fazer intervenção, levando em consideração aformação da estrutura cognitiva do indivíduo, trazendo im- portantes contribuições para diversas áreas do conhecimento, principalmente, para o campo da Psicopedagogia. Para saber mais dê um click: http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/45/con- tribuicoes-de-david-ausubel-para-a-intervencao-psicopedagogica Distler RR. Contribuições de david ausubel para a intervenção psicopedagógica. Rev. Psicopedagogia 2015;32(98):191-199. http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/45/con- UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 65 SAIBA MAIS A FAMÍLIA, A CRIANÇA E UMA VISÃO PSICOPEDAGÓGICA SISTÊMICA Este artigo aborda a questão da família e suas implicações nos processos de aprendi- zagem de todos os seus membros. Através de uma visão histórica é mostrado como a família se organizou ao longo do tempo até a contemporaneidade. Pontua a função e o papel de cada elemento na organização familiar e a sua importância na formação e de- senvolvimento da criança e do adolescente, assim como sugere mais uma opção para o olhar e para a escuta do psicopedagogo ao elemento com dificuldades de aprendizagem e suas relações familiares. Para saber mais dê um click: http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/613/a-familia--a-crianca-e-uma-visao-psicopedago- gica-sistemica Gasparian MCC. A família, a criança e uma visão psicopedagógica sistêmica. Rev. Psicopedagogia 2019;36(111):332-340 http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/613/a-familia--a-crianca-e-uma-visao-psicopedago- UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 66 Estudante, Chegamos ao final desta unidade, na qual dialogamos sobre diversas questões relacionadas à figura psicopedagogo frente às necessidades escolares e, também, sobre a importância da participação familiar na vida escolar do filho(a). Dessa forma foi possível compreender a importância da atuação desse profissional em situações vinculadas a algum problema, como por exemplo, o baixo rendimento escolar apresentado pelos alunos(as), a ação da escola na orientação dos pais de como educá-los, e a omissão dos mesmos na realização das atividades escolares à medida que o filho avança nas séries. Ao final dessa viagem por esse contexto escolar, entendemos que a escola, a família e o psicopedagogo encontram diversos desafios na superação dos obstáculos. Mas também, fica a compreensão de que é fundamental que a gestão escolar maximize as oportunidades de participação de todos na vida da escola, transformando a presença da família numa prática constante que favoreça o processo de ensino-aprendizagem. Em suma, faço votos de que os assuntos aqui abordados contribuam para seu crescimento profissional. Um abraço!! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 67 ATUAÇÃO PSICOPEDAGÓGICA NO CONTEXTO ESCOLAR: MANIPULAÇÃO, NÃO; CONTRIBUIÇÃO, SIM No complexo processo que envolve a aprendizagem, revela-se significante a atua- ção preventiva do psicopedagogo no contexto escolar, onde muitas informações e vários aspectos têm que ser observados e analisados. Ter conhecimento de como o aluno constrói o seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com os professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos, permite um fazer mais fidedigno ao psicopedagogo. Deve-se considerar que o desenvolvimento do aprendente se dá de forma harmoniosa e equilibrada nas diferentes condições orgânica, emocional, cognitiva e social. DIAGNOSTICANDO NA INSTITUIÇÃO ESCOLAR A atuação psicopedagógica na escola implica num trabalho de caráter preventivo e de assessoramento no contexto educacional. Segundo Bossa, “pensar a escola à luz da Psicopedagogia, significa analisar um processo que inclui questões metodológicas, relacionais e sócio-culturais, englobando o ponto de vista de quem ensina e de quem aprende, abrangendo a participação da família e da sociedade”. No diagnóstico psicopedagógico, é essencial que se considere as relações entre produção escolar e as oportunidades reais que a sociedade dá às diversas classes sociais. A escola e a sociedade não podem ser vistas isoladamente, pois o sistema de ensino (público ou privado) reflete a sociedade na qual está inserido. Observa-se que alunos de baixa renda ainda são estigmatizados, na questão do aprendizado, como deficientes. Ao chegar numa instituição escolar, muitos acreditam que o psicopedagogo vai solucionar todos os problemas existentes (dificuldade de aprendizagem, evasão, indis- ciplina, desestímulo docente, entre outros). No entanto, o psicopedagogo não vem com as respostas prontas. O que vai acontecer será um trabalho de equipe, em parceria com todos que fazem a escola (gestores, equipe técnica, professores, alunos, pessoal de apoio, família). O psicopedagogo entra na escola para ver o “todo” da instituição. LEITURA COMPLEMENTAR UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 68 Barbosa afirma que “a escola caracteriza-se como um espaço concebido para rea- lização do processo de ensino/aprendizagem do conhecimento historicamente construído; lugar no qual, muitas vezes, os desequilíbrios não são compreendidos”. A aprendizagem escolar, durante várias décadas, foi vista como algo distante do prazer e entendida como um mal necessário. Então, o grande desafio das escolas, nos dias de hoje, é despertar o desejo dos alunos para que possam sentir prazer em aprender. Dê um click para ler na íntegra: Pontes IAM. Atuação psicopedagógica no contexto escolar: manipulação, não; contribuição, sim. Rev. Psicopedagogia 2010;27. Disponível em: https://bit.ly/3pyXC6c UNIDADE III Psicopedagogia, Família e Escola 69 LIVRO Título: O PAPEL DO PSICOPEDAGOGO NO ESPAÇO ESCOLAR: CONTRIBUIÇÕES PARA SUPERAÇÃO DAS DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM DOS ALUNOS NO PRIMEIRO ANO DO ENSI- NO FUNDAMENTAL : Autor: Ana Célia Santos Editora: Kindle Sinopse: Este estudo teve como objetivo geral analisar o papel do psicopedagogo na superação das dificuldades de aprendizagem dos alunos do primeiro ano do Ensino Fundamental. A investigação partiu do seguinte problema: qual o papel do psicopedagogo para a superação de dificuldades no primeiro ano do Ensino Funda- mental? Desse modo, desenvolveu-se o estudo com os objetivos específicos: caracterizar o desenvolvimento do trabalho do psico- pedagogo no espaço escolar; identificar as principais dificuldades enfrentadas pelo psicopedagogo; e evidenciar o papel do psico- pedagogo no primeiro ano do Ensino Fundamental. Metodologi- camente, realizou-se uma revisão de literatura e, posteriormente, uma pesquisa de campo. Em pesquisa bibliográfica, obtiveram-se dados para a pesquisa sendo utilizados estudos já publicados na área da psicopedagogia a partir dos autores Mota, Freire (2016), Oliveira e Oliveira (2015), Graça (2015), Silva (2015), Ghigliotti, (2016), Souza (2015), entre outros. Diante da diversidade discen- te, com níveis de aprendizagens diferentes, compreendeu-se que o psicopedagogo possui autonomia, conhecimento e respaldo legal para identificar e auxiliar alunos com dislexia, TDAH e incluir alunos visando a participação e a aprendizagem, seja ele com defi- ciência, transtornos globais do desenvolvimento, altas habilidades ou superdotação, ao orientar sistemas de ensino para a promoção de respostas frente às necessidades educacionais especiais. FILME / VÍDEO Título: SOU SURDA E NÃO SABIA Ano: 2009 Sinopse: Por vários anos, Sandrine não sabia que era surda. Sur- da de nascença, ela é filha de pais ouvintes. Chegou a frequentar a escola regular, e lá se perguntava como os outros compreendiam o que a professora estava a tentar transmitir. Como é que uma pessoa surda descobre que pessoas se comunicam através de sons, que o movimento dos lábios que eles veem produz palavras e comunicação. Esse documentárioolha para a questão a partir de dentro, pela perspectiva de Sandrine e a sua história verídica. Paralelamente ao relato da autonomia conquistada com a Língua Gestual, o filme levanta a discussão sobre a conveniência do im- plante coclear e da oralização de crianças surdas. A concepção de surdez dos pais de Sandrine não é positiva, uma vez que eles não querem enxergar os indícios e depois não aceitam muito bem o diagnóstico. Link do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=Vw364_Oi4xc MATERIAL COMPLEMENTAR http://www.youtube.com/watch?v=Vw364_Oi4xc UNIDADE IV Relações Interpessoais Professora Me. Greicy Juliana Moreira Plano de Estudo: ● Relações interpessoais e suas influências no processo de aprendizagem escolar; ● Relações interpessoais e a relação entre professor, aluno e psicopedagogo. Objetivos da Aprendizagem: ● Conceituar e contextualizar as relações interpessoais e suas influências no processo de aprendizagem escolar; ● Compreender a importância das relações interpessoais e a relação entre professor, aluno e psicopedagogo. 70 UNIDADE IV Relações Interpessoais 71 Acadêmico(a), olá! Seja muito bem-vindo à quarta unidade, intitulada de “RELAÇÕES INTERPESSOAIS”. Diariamente lidamos com diversos problemas de relacionamento interpessoal, sejam eles de ordem social, profissional ou familiar ou ainda, no contexto educacional, que é o foco do nosso estudo. Por isso, agora, vamos direcionar nossos estudos para entender como acontece as relações interpessoais e os conflitos existentes no contexto escolar. Assim, no primeiro tópico intitulado de “Relações interpessoais e suas influên- cias no processo de aprendizagem escolar” a ênfase será entender o significado de relações intra e interpessoal para depois, identificar os aspectos envolvidos na gestão de conflitos escolares e a importância do desenvolvimento das competências socioemocio- nais no enfrentamento das adversidades. Além disso, trataremos dos conflitos escolares, dialogando sobre o desenvolvimento moral, a relevância da linguagem do educador e os aspectos envolvidos em uma comunicação construtiva. Na sequência, no segundo tópico denominado “Relações interpessoais e a rela- ção entre professor, aluno e psicopedagogo” o objetivo será compreender a importância da figura do psicopedagogo frente às adversidades apresentadas no contexto educacional. Então, venha comigo, embarque nesse percurso que proporcionará novas descobertas!! INTRODUÇÃO UNIDADE IV Relações Interpessoais 72 1. RELAÇÕES INTERPESSOAIS E SUAS INFLUÊNCIAS NO PROCESSO DE APRENDIZAGEM ESCOLAR Estudante, olá! Seja muito bem-vindo(a) ao primeiro tópico da unidade IV, intitulado de “Relações interpessoais e suas influências no processo de aprendizagem escolar”. Aqui, vamos tratar especificamente das relações interpessoais no âmbito escolar. Nesse sentido, o objetivo será entender como ocorrem as relações interpessoais nesse contexto, como também, destacar a importância das relações baseadas na afetividade e no respeito no ambiente escolar, uma vez que, as relações interpessoais refletem diretamente no desempenho dos alunos. Dialogar sobre esse tema é de extrema importância para o contexto atual, porque estudos apontam para uma crescente preocupação com o desenvolvimento emocional e habilidades de relacionamento interpessoal relacionadas à educação escolar, devido a associações entre os déficits nessa área e os problemas de socialização. É importante salientar, que no contexto escolar, o professor é a figura mais atuante no processo de ensino aprendizagem, é ele quem tem por função primordial desenvolver habilidades de relacionamento interpessoal com os aluno(as), mas, na maioria das vezes, acontece o inverso, pois muitos profissionais que estão na linha de frente desse processo não colocam em prática tais habilidades. UNIDADE IV Relações Interpessoais 73 Assim, para melhor compreensão e entendimento sobre o conteúdo, o presente tópico foi organizado em três partes: primeiramente, baseando-nos numa revisão bibliográ- fica seletiva sobre o assunto, vamos entender o conceito de relações interpessoais e suas especificidades. Depois, nosso diálogo será sobre a relação entre o professor e o aluno na sala de aula. Por fim, vamos refletir sobre os reflexos das interações e socializações para o processo de ensino e de aprendizagem. Vamos lá, para mais essa jornada de conhecimentos pela esfera educacional. 1.1 Relacionamento Intra e Interpessoal Estudante, para falarmos sobre relacionamento interpessoal, faz-se necessário, primeiramente, entendermos o conceito de Relações Humanas. Uma revisão seletiva sobre o assunto aponta que os especialistas entendem Re- lações humanas como estabelecimento de qualquer contato entre seres humanos. Nesse sentido, tais relações têm sido consideradas como uma uma ciência do comportamento humano, no seu relacionamento intra e interpessoal. Entender a diferença entre esses dois tipos de relação é fundamental para que você aprenda a desenvolver ambas habilidades (ROBBINS E JUDGE, 2014). Estudante, você sabe a diferença entre relacionamento intra e interpessoal? O Relacionamento Intrapessoal está diretamente relacionado ao seu interior, ou seja, diálogo consigo mesmo, a comunicação interna do indivíduo. Para desenvolver tal habilidade, autores renomados no assunto apontam a necessidade do autoconhecimento, conhecer a si mesmo. Nesse sentido, é importante realizar análises e identificar os seus pontos fracos e pontos fortes, aprendendo a lidar com suas emoções e habilidades. Diante do exposto, infere-se que esse relacionamento seja a forma como enxerga o mundo, dentro de determinadas situações (ROBBINS E JUDGE, 2014). Diferentemente, o Relacionamento Interpessoal faz parte da interação com o outro, assim, ocorre quando se estabelece um relacionamento entre duas ou mais pessoas. As áreas da Psicologia e da Sociologia definem Relacionamento Interpessoal como a liga- ção, conexão ou vínculo entre duas ou mais pessoas dentro de um determinado contexto. Diante de tal definição, infere-se que seja, então, a maneira como você se relaciona com as pessoas à sua volta. Além disso, significa a forma como você reage às pessoas, como você interage com elas, suas emoções, ações e atitudes quanto às pessoas as quais você se relaciona, podendo ser um contexto familiar, escolar, de trabalho ou de comunidade. UNIDADE IV Relações Interpessoais 74 Em suma, corresponde à maneira com que nos relacionamos com o próximo nas diversas esferas, sejam elas profissionais, familiares, etc (ROBBINS E JUDGE, 2014). Acadêmico(a), você sabe como acontece a conexão entre os relacionamentos interpessoal e intrapessoal? Estudiosos no assunto afirmam que relacionamento intrapessoal é a base do in- terpessoal. Nesse sentido, para que você tenha êxito nas suas relações, é essencial que, primeiramente, controle suas próprias emoções. Para tanto, eles sugerem o desenvolvi- mento de algumas habilidades intrapessoais, que servirão para melhorar o relacionamento interpessoal, conforme exemplificado na figura n. 1 FIGURA 1 - HABILIDADES RELACIONAIS Fonte: baseado em (ROBBINS E JUDGE, 2014). Sobre o tema em questão, Robbins e Judge (2014) observam que os relaciona- mentos interpessoais positivos favorecem a manutenção de um clima favorável e saudável em todos os contexto sociais, sejam eles, o ambiente de trabalho, familiar, social, religioso, amoroso ou educacional, por exemplo. UNIDADE IV Relações Interpessoais 75 Corrobora com essa reflexão as palavras do psiquiatra austríaco Sigmund Freud, considerado o pai da Psicanálise, para ele o homem é, em sua essência, um ser relacional. Isso quer dizer queeu, você e as pessoas ao nosso redor temos esta característica nata. Desta forma, autores renomados postulam que relacionamentos interpessoais positivos constroem conexões favoráveis. Para isso, praticar a empatia e o respeito são fundamentais para o convívio social, conforme exemplificado na figura n.2: FIGURA 2 - DESENVOLVENDO A EMPATIA Fonte: baseado em (ROBBINS E JUDGE, 2014). Diante do exposto, considerando que o homem é um ser social, interativo, construí- do pelo meio no qual está inserido, cabe-nos agora dialogar sobre os reflexos das relações interpessoais no contexto escolar. Estudante, Sabemos que na esfera educacional, o sucesso das relações interpessoais entre profissionais, alunos e comunidade escolar, possibilita resultados satisfatórios no que tan- ge o alcance dos objetivos propostos pela gestão escolar, como também para o processo de ensino aprendizagem dos alunos. Mas quais são os elementos que podem interferir nas relações interpessoais no contexto escolar? UNIDADE IV Relações Interpessoais 76 Autores que desenvolvem estudos sobre o assunto apontam que nesse contexto, primeiramente, os envolvidos sejam eles profissionais, alunos ou comunidade escolar pre- cisam compreender e aceitar o outro com suas diferenças culturais, sociais, de raça e cor. Corrobora com essa reflexão as considerações do renomado autor “O clima de respeito que nasce de relações justas, sérias, humildes, generosas, em que a autoridade docente e as liberdades dos alunos se assumem eticamente, autentica o caráter formador do espaço pedagógico” (FREIRE, 1996, p. 103). Isso posto, infere-se que num ambiente respeitoso há mais chances de conseguir êxito no processo de ensino e aprendizagem. As- sim, cabe destacar que o inverso também produzirá reflexos, contudo, serão devastadores para o processo educacional. Conforme Mosquera e Stobäus (2004 p. 93), “Grande parte dos problemas que um docente enfrenta podem ser provenientes de um ambiente hostil, podendo este se tornar ainda mais hostil quando se trabalha com pessoas diversas”. Acredita-se que os estudantes quando não recebem um tratamento adequado podem agir de maneira agressiva, por isso o professor precisa manter um vínculo afetivo. No que se refere aos problemas apresentados na esfera educacional, os especia- listas apontam que muitos deles são decorrentes de um ambiente hostil, seja por ações praticadas pelos profissionais da área da educação,como também pelos educandos. So- ma-se a isso, o fato de que, muitas vezes, ao se depararem com um ambiente inadequado, tendem a agir de maneira agressiva, por tais motivos, sugere-se propagação de ações mais efetivas e menos agressivas nesse contexto (MOSQUERA E STOBÄUS, 2004). A esse respeito, Leite & Tassoni (2002) diz que as práticas pedagógicas precisam estar permeadas por sentimentos de acolhimento, simpatia, respeito e apreciação, além de compreensão, aceitação e valorização do outro, porque isso favorece a autonomia e fortalece a confiança. Coaduna-se com tais reflexões a importância de se praticar uma comunicação fa- vorável. Nesse sentido, entende-se que as relações humanas são baseadas nas palavras: comportamento e comunicação. Com isso, a pessoa que tem um bom comportamento, au- tomaticamente cuidará melhor de suas relações. Na contramão, comunicativos adversos no ambiente escolar podem acarretar sérios problemas para o processo de ensino-apren- dizagem. Essa reflexão é validada pela voz do renomado autor, Celso Antunes: Relações interpessoais é o conjunto de procedimentos que, facilitando a co- municação e as linguagens, estabelece laços sólidos nas relações humanas. É uma linha de ação que visa, sobre bases emocionais e psicopedagógicos, criar um clima favorável à empresa (escola) e garantir, através de uma visão sistêmica a integração de todo pessoal envolvido, por meio de uma colabora- ção confiante e pertinente (ANTUNES, 2003, p. 9). UNIDADE IV Relações Interpessoais 77 Um revisão seletiva sobre o assunto também aponta que a relação interpessoal é uma linha de ação que visa, sobre bases emocionais, criar um clima harmonioso à escola e garantir, através de uma visão sistêmica a integração de todo pessoal envolvido, por meio de uma colaboração confiante e pertinente (ANTUNES, 2003, p. 9). Para ilustrar tais reflexões, apresentamos os 10 mandamentos das relações hu- manas que devem ser praticados diariamente em todas as esferas sociais, sobretudo, no contexto educacional (FRITZEN, 1981). Então, vamos lá, ampliar nossos conhecimentos!!! 1. FALE com as pessoas. Nada tão agradável e animador quanto uma palavra de saudação, de amor, de amizade... 2. SORRIA para as pessoas. Lembre-se de que acionamos 72 músculos para franzir a testa e somente 14 para sorrir. 3. CHAME as pessoas pelo nome. Para muitos, ouvir seu próprio nome soa como uma música suave. 4. SEJA amigo e prestativo. Se você quiser ter amigos, seja amigo. Acredite na forma da união. 5. SEJA cordial, sincero e transparente. Tudo o que você fizer, faça com prazer. 6. INTERESSE-SE sinceramente pelos outros. Lembre-se de que você tem conhecimento apenas de seus saberes, e não dos outros. Seja sinceramente interessado pelos outros, aprenda. 7. SEJA generoso em elogiar e cauteloso em criticar. Os líderes elogiam, sabem encorajar, incentivar e elevar a auto-estima dos alunos. 8. SAIBA considerar os sentimentos alheios. Respeite. 9. PREOCUPE-SE com a opinião dos outros. Há três comportamentos de um verdadeiro líder: ouvir, aprender e saber elogiar. 10. PROCURE apresentar um excelente serviço. O que realmente vale em nossas vidas é aquilo que fazemos para outrem. Diante do exposto é válido ressaltar que a figura do professor é de facilitador do processo de aprendizagem, por isso a importância da sua relação com os alunos, res- peitando seus pensamentos e atuando dentro da realidade de cada um. Dessa forma, a aprendizagem torna-se motivadora, uma vez que ela é condicionada pela presença de certas atitudes positivas na relação pessoal que se instaura entre aquele que “facilita” a aprendizagem é aquele que aprende (ROGERS, 2001) . UNIDADE IV Relações Interpessoais 78 SAIBA MAIS Estudante, para ampliar seus conhecimentos sobre o assunto sugiro que leia leia o ar- tigo de Flávia Vivaldi, o qual aborda aborda as consequências da linguagem do profes- sor – seja descritiva ou valorativa – na aprendizagem e no desenvolvimento do aluno, incluindo exemplos e sugestões de mudanças. Fonte: VIVALDI, F. A linguagem construtiva do educador – parte 1. Gestão Escolar. 24 mar. 2014. REFLITA Acadêmico(a), na sua opinião existe algum conflito que seja bom para os alunos? De que maneira o professor poderia conduzir a resolução de um conflito sem colocar re- gras, limites e aplicar sanções aos envolvidos? Para auxiliar na sua reflexão sugiro a seguinte leitura: Fonte: VINHA, T. P.; TOGNETTA, L. R. P. Construindo a Autonomia Moral na Escola: os conflitos inter- pessoais e a aprendizagem dos valores. Diálogo Educ., Curitiba, v. 9, n. 28, p. 525-540, set./ dez. 2009. Disponível em: https://periodicos.pucpr.br/index.php/dialogoeducacional/article/ download/3316/3226. Acesso em: 21 maio. 2021. Ainda sobre essa questão, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais, no volume de Ética, “a escola é a primeira oportunidade, pois através das relações interpes- soais o professor pode atuar para transformar realidade e ajudar a construir valores e ideais que contribuam para o aprendizado de seus alunos.” (MEC, 1991, p. 119). Estudante, depois de entendermos o conceito de relações interpessoais e os refle- xos disso no contexto educacional, cabe-nos agora aprofundarmos nossos conhecimentos sobre a relação entre o psicopedagogo, o professor e o aluno, mas isso será visto no próximo tópico. UNIDADE IV RelaçõesInterpessoais 79 2. RELAÇÕES INTERPESSOAIS E A RELAÇÃO ENTRE PROFESSOR, ALUNO E PSICOPEDAGOGO Acadêmico(a), olá! Seja muito bem-vindo ao segundo tópico desta unidade, intitulado de “Relações interpessoais e a relação entre professor, aluno e psicopedagogo” A rotina do contexto de sala de aula é repleta de acontecimentos significativos, tanto na vida do professor quanto na do aluno. Em meio aos acontecimentos, temos as interações que refletem no resultado do processo de ensino. Por isso, neste momento, nosso objetivo será, com olhar psicopedagógico, refletir sobre a importância das relações sadias entre o professor e o aluno no processo de ensino aprendizagem. Para tanto, organizamos o presente tópico da seguinte forma: inicialmente, vamos conversar sobre: Quais são os principais problemas que afetam a relação professor-alu- no? Por fim, trataremos da atuação do psicopedagogo na mediação dessas relações, na esfera educacional. Então, vamos lá, iniciar nosso diálogo!!! UNIDADE IV Relações Interpessoais 80 2.1 Os principais problemas que afetam a relação entre professor e aluno? Estudante, conforme estudamos no tópico anterior as relações interpessoais se estabelecem em todos os contexto sociais. Assim, entendemos que os relacionamentos, no contexto escolar, precisam ser permeados por atitudes firmes, serenas e cooperativas, uma vez tais posturas, possibilitam convívio harmonioso e, logo, favorecem o desenvolvimento da aprendizagem. Tal reflexão é validada pelas palavras de Maria Teresa, autora renomada, que desenvolveu diversos estudos o assunto, em sua ela apresenta a postura do aluno(a) frente à imagem do professor(a): “[...]se gosta dele, se o admira, se o aprecia, sente-se mais motivado a estudar a matéria que ensina, se o acha antipático, ameaçador ou hostil, tende a rejeitar também o que ensina, encontrando dificuldade na aprendizagem (MAL- DONADO, 1994, p. 40). Diante do exposto, infere-se que existe entrelaçamento de aprendizagem e afeti- vidade, que se originam no entremeio de todos os processos relacionados ao ato de ensi- nar-aprender-sentir-pensar-criar-descobrir. Isso se justifica, porque cada aluno(a) encontra seu lugar na esfera educacional, quando são consideradas as diferenças individuais como também, pela forma como se estabelecem as relações afetivas (MALDONADO, 1994) . Mas, então, quais são os problemas que podem afetar essa relação? Para a referida autora é a indisciplina, que, na maioria das vezes, dificulta a construção de conhecimentos, tornando a sala de aula um ambiente conturbado, refletindo negativamente no processo de aprendizagem. Importante salientar que a indisciplina pode ser uma forma de expressar o que se passa no relacionamento aluno e professor. Além disso, pode-se acrescentar à lista a falta de respeito mútuo, a ausência de compreensão do professor, a falta de atenção e de interesse do aluno, a falta de diálogo, etc. Refletindo ainda sobre isso, alguns especialistas no assunto consideram os confli- tos como um conjunto de dificuldades, que na maioria das vezes, são oriundas das relações de poder entre ambos. É importante salientar que o autoritarismo traz a imagem de algo que é imposto. Assim, nas relações pedagógicas pode ser entendido como um invadir vidas, impedindo o espaço de liberdade e de criatividade (DANI, 1996). Estudante, nesse contexto, qual seria, então, a sugestão dos especialistas para que os conflitos sejam minimizados? Muitos autores que publicaram estudos sobre isso, asseveram que não é interes- sante que o professor reaja às atitudes indisciplinares com ameaças e/ou punições, isso não resolverá o problema. Para eles, tais atitudes podem funcionar de maneira inversa, UNIDADE IV Relações Interpessoais 81 pois alguns alunos poderão ser ousados e enfrentar o professor. Coaduna-se com essa reflexão as palavras de Piaget (1993) ao assegurar que é mais assertivo manter relações alicerçadas no respeito unilateral, recíproco e autônomo. Concomitantemente, sugere-se trabalhar a dimensão de poder como um fenômeno inerente ao processo educacional e a ser utilizado como um fator pedagógico. Frente a isso, no contexto educacional, é primordial que as ações sejam baseadas na democracia e nas relações dialógicas (BURBULES, 1987). Dessa forma, para conseguir êxito nas relações interpessoais com os alunos é in- teressante que o professor abandone o perfil de autoridade e olhe para o aluno e enxergue todas as suas especificidade. Assim, ele assumirá a função de facilitador e de orientador no processo de construção e reconstrução do conhecimento. Como sugestão, elencamos três estratégias para a minimizar conflitos de poder entre o professor e o aluno (LIMA, online): 1. A primeira refere-se à substituição da rigidez pela maleabilidade. A rigidez pode ser entendida como a adoção de práticas formais, a imposição de conteúdos cristalizados, o culto à “sabedoria” do professor e outras práticas inibidoras da criatividade e da inovação. Já a maleabilidade possibilita uma maior interação com os alunos, faz-nos aceitar o erro como condição normal no processo de aprendizagem, permitindo-nos enxergar que não somos os donos da verda- de. Dentro desta estratégia, devem ser propostos problemas como pontos de partida para as discussões. Tais problemas deverão propiciar o saber pensar, provocar a necessidade de busca da informação, com ênfase na manipulação (construção / reconstrução) do conhecimento. 2. Como segunda estratégia sugerimos a substituição do fechamento pela abertu- ra. Um professor que, na sala de aula, considera-se um artista no palco, – só ele fala -, e que acha que seus alunos são meros ouvintes, torna-se tedioso e causa desmotivação. É como se vomitasse palavras que embrulham o estômago dos ouvintes. O fechamento do professor em seu mundo causa uma barreira gigan- tesca entre ele e os seus alunos, impossibilitando-lhes a interação e a manipu- lação do conhecimento. Para a abertura, sugerimos a criação de condições que viabilizem posicionamentos críticos e possibilitem análises, questionamentos e a desconstrução da realidade (criatividade e inovação). Para que tal abertura seja implementada é imperioso que entendamos que o conhecimento é algo dinâmico, mutável, provisório e, portanto, passível de transformação em novos conhecimentos. UNIDADE IV Relações Interpessoais 82 3. A terceira estratégia trata da substituição do olhar único pelo olhar plural. O olhar único do professor enxerga apenas a si mesmo, com seus conhecimen- tos cristalizados, suas mesmices e seu pretenso saber; é, portanto, um olhar míope. Já o olhar plural é bem mais abrangente. Esse olhar faz com que o professor veja-se como alguém que tem uma maior experiência no trilhar os caminhos do saber, porém, tendo a função de orientar e facilitar o processo de aprendizagem; esse olhar faz o professor enxergar em seus alunos as caracte- rísticas individuais, as múltiplas inteligências e a maneira como estas aflorarão à medida que forem desafiados a pensar, a problematizar e a buscar respostas próprias com argumentos fundamentados; esse olhar possibilita ao professor o estar atento às mudanças da sociedade, garantindo a substituição de velhos por novos paradigmas no processo de aprendizagem. Para o alcance do olhar plural sugerimos o compartilhamento das nossas ações com os alunos, o trabalho em equipe, as interações tendo como alvo a cooperação, a firmeza e clareza na expressão de nossas ideologias e convicções, porém, conscientes de que será necessário mudá-las com o tempo. Estudante, após compreendermos quais são os problemas que interferem nas relações entre o aluno e o professor, direcionamos nossos olhares para a atuação psico- pedagógica nesse contexto, com o intuito de entendermos como este profissional poderádiagnosticar e auxiliar na resolução dos problemas existentes. No processo que envolve a aprendizagem, justifica-se atuação diagnóstica e pre- ventiva do profissional em questão, uma vez que, a partir da queixa dos problemas, muitas informações e vários aspectos têm que ser observados e analisados. Assim, de acordo com os especialistas no assunto, as funções do psicopedagogo são orientar a família, auxiliar os professores e sobretudo o aluno no que refere-se às dificuldades pedagógicas, como também relacionais e ainda, colaborar com a gestão escolar para minimizar os problemas existentes nesse contexto (RUBINSTEIN, 1996). O psicopedagogo precisa investigar, atuar como um detetive, primeiramente, para entender como o aluno constrói o seu saber, compreender as dimensões das relações com a escola, com os professores, com o conteúdo e relacioná-los aos aspectos afetivos e cognitivos. Depois, identificar os identificando problemas com intuito de solucioná-los. É importante salientar que todo o processo de desenvolvimento do aluno(a) acontece por meio de diferentes condições, sejam elas, orgânica, emocional, cognitiva e social (RUBINSTEIN, 1996). UNIDADE IV Relações Interpessoais 83 REFLITA Para que seja possível a aplicação de um modelo de gestão democrática nas escolas, a formação dos professores e dos gestores teria que sofrer alterações? Fonte: Produzido pela autora (2021) Assim, ao psicopedagogo, cabe, ouvir a queixa, analisá-la, interpretá-la e seguir com seu processo de avaliação como função diagnóstica. Nesse sentido, ele faz uma leitura na dinâmica entre os atores da escola, das possibilidades de mudança, da necessidade de ajuda, dos trabalhos realizados, das dificuldades detectadas, dos vínculos estabelecidos, dos comportamentos e atitudes (BOSSA, 2007). Cabe ao psicopedagogo assessorar a escola no sentido de alertá-la para o papel que lhe compete, seja redimensionando o processo de aquisição e incorporação do conhecimento dentro do espaço escolar, seja reestruturando a atuação da própria instituição junto a alunos e professores e seja encami- nhado a alunos e outros professores. (BOSSA, 2007, p.67). Para os especialistas no assunto, a observação é considerada um recurso muito peculiar do diagnóstico psicopedagógico, utilizado como instrumento para sua atuação dentro da esfera educacional. Faz-se necessário destacar que, no contexto educacional, o psicopedagogo não realiza nenhum tipo de teste. Diante disso, a observação é essencial, pois será por meio da comunicação e da interação a sua intervenção. A esse respeito, deve observar diversos elementos entre os envolvidos, como por exemplo, expectativas, alegrias, medos, confiança, frustrações, tristezas; relações entre aluno/família, filho/escola (professor), professor (escola)/pais; depositantes - escola (professor), família, aluno (BOSSA, 1994). Posteriormente, a partir do diagnóstico realizado, é que o profissional em questão, atuando como auxílio e suporte, deve propor soluções que atendam às necessidades do contexto atual e , assim, colocar em prática a sua intervenção, reconstruindo as relações entre os sujeitos desse contexto (BOSSA, 1994). Acadêmico (a), diante do exposto, chegamos ao final desta unidade. Finalizamos nosso diálogo com a compreensão de que o psicopedagogo é uma figura essencial para o contexto educacional, uma vez que ele atua de maneira preventiva e interventiva com intuito de minimizar os problemas existentes, sejam eles de ordem relacional ou mesmo de aprendizagem. UNIDADE IV Relações Interpessoais 84 SAIBA MAIS A INTERAÇÃO SOCIAL DAS CRIANÇAS COM QUEIXA DE DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM: REFLEXÕES PARA PROFESSORES E PSICOPEDAGOGOS OBJETIVO: Investigar a posição sociométrica de alunos com dificuldades de aprendiza- gem na inter-relação com seus colegas de sala. MÉTODO: Nossos sujeitos foram alunos de uma classe de 4ª série da rede pública do estado de São Paulo, indicados pela professora como sendo crianças com dificuldades de aprendizagem. O teste sociométrico objetivo foi aplicado no primeiro e no segundo semestre do ano letivo. RESULTADOS: Os resultados apontaram para a baixa ou nenhuma escolha que as crianças com queixa de DA tiveram de seus colegas. Também foi analisado o histórico escolar da turma, bem como o julgamento que a professora faz em relação ao desempe- nho acadêmico e ao relacionamento interpessoal dos alunos. Os dados obtidos mostra- ram que nem sempre o julgamento da professora sobre o aluno coincide com a posição sociométrica que este ocupa no grupo, ressaltando a importância do teste sociométrico para um maior conhecimento das interações estabelecidas na sala de aula. Foi possível observar também que o julgamento que a professora faz do aluno com dificuldade de aprendizagem tem relação direta com o número de escolhas que este aluno obtém no teste sociométrico. Para ler na íntegra, dê um click: Saravali EG. A interação social das crianças com queixa de dificuldades de aprendizagem: reflexões para professores e psicopedagogos. Rev. Psicopedagogia 2004;21(66):216-224 Disponível em: <http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/386/a-interacao-social-das-criancas- -com-queixa-de-dificuldades-de-aprendizagem--reflexoes-para-professores-e-psicopedagogos>. http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/386/a-interacao-social-das-criancas- UNIDADE IV Relações Interpessoais 85 SAIBA MAIS PROCESSOS EDUCATIVOS NA ADOLESCÊNCIA: POSSIBILIDADES INTERVENTIVAS NA CLÍNICA PSICOPEDAGÓGICA POR MEIO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS O presente artigo busca refletir sobre as contribuições dos meios digitais em educa- ção, a partir de relato de caso clínico, delineando as concepções acerca da intervenção em Psicopedagogia Clínica com pacientes adolescentes através das novas tecnologias. São apresentadas, inicialmente, caraterísticas gerais da adolescência, deixando claros os processos de modificação enfrentados pelos sujeitos no decorrer desta fase da vida, do ponto de vista das mudanças psicossociais e educativas. Em seguida, são aponta- das algumas ideias a respeito da informática educativa e sua importância no processo de aquisição dos conhecimentos no cotidiano escolar e psicopedagógico. Por fim, são tecidas algumas relações entre a intervenção psicopedagógica na adolescência e o uso das tecnologias digitais, de modo a ilustrar algumas possibilidades do uso dessas ferramentas atuais no processo de intervenção e motivação para a construção de apren- dizagens com adolescentes. Para ler na íntegra, dê um click: Pereira JS. Processos educativos na adolescência: Possibilidades interventivas na Clínica Psicopeda- gógica por meio das tecnologias digitais. Rev. Psicopedagogia 2017;34(105):332-341. Disponível em: https://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/543/processos-educativos-na-adolescencia--possibi- lidades-interventivas-na-clinica-psicopedagogica-por-meio-das-tecnologias-digitais. http://www.revistapsicopedagogia.com.br/detalhes/543/processos-educativos-na-adolescencia--possibi- UNIDADE IV Relações Interpessoais 86 Acadêmico(a), Chegamos ao final desta unidade, na qual dialogamos sobre a atuação psicope- dagógica, profissão que ganhou destaque nos últimos anos e cada vez mais conquista espaço dentro da escola, pois é indispensável no modelo de educação atual frente a supe- ração dos obstáculos. No primeiro, dialogamos especificamente sobre os problemas relacionais entre o professor e o aluno, que interferem significativamente no desenvolvimento da aprendi- zagem. De acordo com o exposto, pudemos compreender que existem diversos fatores que interferem negativamente na interação entre os sujeitos envolvidos no processo de aprendizagem, como por exemplo, os aspectos ambientais, econômicos, sociais, afetivos, psicológicos,emocionais e familiares, etc. Frente a isso, entendemos que a figura do psicopedagogo é de extrema importân- cia para a superação das dificuldades apresentadas no contexto educacional. Isso posto, finalizo essa unidade com o desejo de ter contribuído significativamente para seu aprendizado. Sugiro que seu percurso em busca de novos conhecimento não cesse, pois esse é somente o início de um longo caminho de novos aprendizados. Até mais!! CONSIDERAÇÕES FINAIS UNIDADE IV Relações Interpessoais 87 A INFLUÊNCIA DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO AMBIENTE ESCOLAR SOB O OLHAR PSICOPEDAGÓGICO. A indagação desta pesquisa foi entender as dimensões do saber conviver no olhar do psicopedagogo no ambiente escolar. Que conhecimentos, habilidades e atitudes um profissional precisa ter para saber conviver de maneira competente. Hoje não basta sermos inteligentes – é necessário buscarmos sabedoria para usar a inteligência com valores mo- rais e éticos. Resolver os conflitos no ambiente de trabalho de maneira assertiva é atacar o problema e não as pessoas. Pode-se observar a grande importância do bom relaciona- mento interpessoal no ambiente de trabalho, pois é, afinal, onde passamos a maior parte do dia. Pode-se compreender neste trabalho, que a psicopedagogia busca olhar o indivíduo com respeito às suas diferenças e potencialidades. É uma área de estudo bastante recente que tem como objetivo estudar, compreender e intervir nas dificuldades de aprendizagem e se preocupa, ainda, em desenvolver uma escuta e um olhar sensível, de acordo com o po- tencial de cada ser humano para o seu bem-estar físico, emocional, espiritual e intelectual. Palavras-Chave: relações interpessoais, ambiente escolar; olhar psicopedagógico. Para ler na íntegra, dê um click: <http://pesquisa.italo.com.br/index.php?jour- nal=uniitalo&page=article&op=view&path%5B%5D=45&path%5B%5D=42>. Fonte; TAVARES, D.E.; ZÓBOLI, G. B.; CALDEVILLA, E. C. A Influência Das Relações Interpessoais no Ambiente Escolar sob o Olhar Psicopedagógico. UniÍtalo em Pesquisa. URL: www. Ítalo.com.br/portal/cepesq/revista eletrônica.html. São Paulo SP, v.6, n.1, p. 157-xxx, jan/2016 LEITURA COMPLEMENTAR http://pesquisa.italo.com.br/index.php?journal=uniitalo&page=article&op=view&path%5B%5D=45&path%5B%5D=42 http://pesquisa.italo.com.br/index.php?journal=uniitalo&page=article&op=view&path%5B%5D=45&path%5B%5D=42 http://www/ UNIDADE IV Relações Interpessoais 88 LIVRO Título: Relações interpessoais e autoestima: A sala de aula como um espaço do crescimento integral Autor: Celso Antunes Editora: Editora Vozes Sinopse: Este fascículo sugere criar na escola, através de uma visão sistêmica, a superação de conflitos emocionais, através de uma colaboração confiante e pertinente. O livro mostra o signifi- cado amplo deste conceito, as razões pelas quais pode a escola incorporar suas lições e, sobretudo, de que forma fazê-lo, mesmo considerando as condições materiais e humanas extremamente restritas de inúmeras unidades de ensino em todo o país. FILME / VÍDEO Título: Como estrelas na terra Ano: 2007 Sinopse: O filme conta a história de uma criança que sofre com dislexia e não é compreendida pelos professores e pais. Ishaan Awasthi, de 9 anos, já repetiu uma vez o terceiro período (no sistema educacional indiano) e corre o risco de reprovar novamen- te. As letras dançam em sua frente, como diz, e não consegue acompanhar as aulas nem focar sua atenção. Inesperadamente, um professor substituto de artes percebe que há algo de errado com Ishaan. Ao descobrir que o garoto era disléxico, o professor coloca em prática um plano para resgatar aquele garoto. Link do vídeo: .https://www.netflix.com/br/title/70087087 MATERIAL COMPLEMENTAR http://www.netflix.com/br/title/70087087 89 AGÊNCIA CÂMARA NOTÍCIAS. Conceito de família como união entre homem e mulher é aprovado em comissão especial. Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/ 471290-conceito-de-familia-como-uniao-entre-homem-e-mulher-e-aprovado-em-comis- sao-especial/. 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Os assuntos aqui abordados foram disponibilizados para contribuírem significativa- mente para sua atuação profissional. Na primeira unidade, estudamos os aspectos relacionados à FAMÍLIA NA ATUA- LIDADE dialogamos especificamente sobre o conceito de família que abrange diversas formas de organização fundamentadas na relação afetiva entre seus membros. Além disso, entendemos que nos dias atuais o conceito de família possui novas especificidades: o afeto e a dignidade da pessoa humana, e vai além de um meio familiar constituído pelo casamento e unido pela herança genética, agora, são os laços afetivos que determinam as relações familiares. Já, na segunda unidade, abordamos os assuntos sobre a FAMÍLIA E ESCOLA e para que isso fosse possível, no decorrer da unidade, conhecemos as características e as diversas formas de atuação do Instituto Brasileiro de Direito de Família na atualidade, que é uma instituição jurídica não governamental, sem fins lucrativos, que tem o objetivo de desenvolver e divulgar o conhecimento sobre o Direito das Famílias, além de atuar como força representativa da sociedade no que diz respeito às suas relações e aspirações socio familiares.Na sequência direcionamos nosso diálogo para entender a Relação estabelecida entre a família e a escola e, assim, compreendemos que escola e a família desempenham papel de grande importância na formação social do indivíduo, tendo responsabilidade na construção da pessoa humana em seus âmbitos espacial, temporal e sociocultural. O pro- cesso de formação da identidade se dá nos aspectos individual, pessoal e cultural. Prosseguindo, na terceira unidade, apresentamos informações sobre a PSICOPE- DAGOGIA, FAMÍLIA E ESCOLA e, então, compreendemos que a figura do o psicopeda- gogo, no contexto escolar, contribui para o esclarecimento das dificuldades escolares, que podem ser decorrentes da organização administrativa do sistema escolar e familiar, das exigências pedagógicas inadequadas, das expectativas familiares, das formas de circula- ção do conhecimento do professor e da CONCLUSÃO GERAL 97 Por último e não menos importante, na quarta unidade, centralizamos nossa con- versa sobre o conceito de RELAÇÕES INTERPESSOAIS. Assim, foi possível compreender a diferença entre relações intra e interpessoais e suas influências no processo de aprendi- zagem escolar. Por fim, dialogamos sobre a importância das relações interpessoais sadias e a relação entre professor, aluno e psicopedagogo. De acordo com o exposto, a partir de agora, acredito que você já está preparado(a) para seguir em frente, desenvolvendo ainda mais suas habilidades e competências na prática docente. Até uma próxima oportunidade. Muito Obrigada! Me. Greicy Juliana