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Direito da Criança e do Adolescente Aula 3

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Direito da Criança e do Adolescente Aula 3
Dos órgãos de Defesa
Módulo 1 = Conselho Tutelar
Identificar as principais características do Conselho Tutelar.
Principais características e seus integrantes
O que é o Conselho Tutelar?
O Conselho Tutelar é órgão integrante do Poder Executivo municipal e de extrema importância, pois atua de forma direta na defesa dos direitos das crianças e adolescentes.
Segundo o artigo 131 do Estatuto da Criança e do Adolescente, o Conselho Tutelar é órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. Veja a seguir a análise de tais características:
· Autônomo
O conselho tutelar é órgão que emite decisões com eficácia plena e imediata, que só podem ser corrigidas pelo Poder Judiciário.
· Permanente
O Conselho Tutelar é órgão que deve existir de forma contínua e intermitente, dada a sua importância.
· Não Jurisdicional
As atividades e as decisões do Conselho Tutelar são administrativas, logo, não fazem coisa julgada, podendo ser revistas pelo Poder Judiciário.
Quanto à sua composição, o artigo 132 do ECA determina que, em cada município e em cada região administrativa do Distrito Federal, haverá, no mínimo, um Conselho Tutelar como órgão integrante da administração pública local, composto de cinco membros, escolhidos pela população para mandato de quatro anos, permitida recondução por novos processos de escolha.
Importa destacar que a Lei 13.824/2019 alterou o art. 132 do ECA e passou a permitir a possibilidade de mais de uma recondução mediante novo processo de escolha. Ressalta-se, ainda, que o ECA estabelece que, para a candidatura a membro do Conselho Tutelar, o candidato deve ter reconhecida idoneidade moral, idade superior a 21 anos, e residir no município.
Regramento de atuação do Conselho Tutelar
Funcionamento e atribuições
Quanto ao seu funcionamento, o artigo 134 do ECA estabelece que lei municipal ou distrital disporá sobre o local, dia e horário de funcionamento, inclusive quanto à remuneração dos respectivos membros, aos quais é assegurado o direito à/ao:
· Licença-maternidade;
· Licença-paternidade;
· Gratificação natalina;
· Cobertura previdenciária;
· Gozo de férias anuais remuneradas, acrescidas de um terço da remuneração mensal.
Importa destacar que o exercício efetivo da função de conselheiro constitui serviço público relevante e estabelece presunção, ainda que relativa, de idoneidade moral.
Quanto às atribuições do Conselho Tutelar, o art. 136 do ECA estabelece:
I. atender as crianças e adolescentes em situação de risco e as crianças que pratiquem atos infracionais, aplicando medidas de proteção, com exceção da inclusão em programa de acolhimento familiar e colocação em família substituta;
II. atender e aconselhar os pais ou responsável, aplicando as medidas pertinentes, com exceção da perda da guarda e da suspensão ou destituição do poder familiar;
III. promover a execução de suas decisões, podendo para tanto:
a) requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação, serviço social, previdência, trabalho e segurança;
b) representar junto à autoridade judiciária nos 
IV. encaminhar ao Ministério Público notícia de fato que constitua infração administrativa ou penal contra os direitos da criança ou adolescente;
IV. encaminhar à autoridade judiciária os casos de sua competência;
IV. providenciar as medidas de proteção estabelecidas pela autoridade judiciária, com exceção da inclusão em programa de acolhimento institucional ou familiar e colocação em família substituta, para o adolescente autor de ato infracional;
IV. expedir notificações;
IV. requisitar certidões de nascimento e de óbito de criança ou adolescente quando necessário;
IV. assessorar o Poder Executivo local na elaboração da proposta orçamentária para planos e programas de atendimento dos direitos da criança e do adolescente;
IV. representar, em nome da pessoa e da família, contra a violação de faixa etária em espetáculos públicos e de irregularidades na programação de televisão e rádio (art. 220, § 3º da CF);
IV. representar ao Ministério Público para efeito das ações de perda ou suspensão do poder familiar, após esgotadas as possibilidades de manutenção da criança ou do adolescente junto à família natural.
Destaca-se que, se no exercício de suas atribuições, o Conselho Tutelar entender necessário o afastamento do convívio familiar, comunicará o fato ao Ministério Público, prestando-lhe informações sobre os motivos de tal entendimento e as providências tomadas para a orientação, o apoio e a promoção social da família.
Por fim, quanto às decisões do Conselho Tutelar, estas somente poderão ser revistas pela autoridade judiciária a pedido de quem tenha legítimo interesse.
Atuação e procedimento de escolha dos membros do Conselho
Competência e escolha dos conselheiros
Os artigos 138 e 147 do ECA estabelecem que a competência do Conselho Tutelar será determinada pelo domicílio dos pais ou responsável; ou pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável.
A execução de eventuais medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar a criança ou adolescente.
Nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e prevenção. Dessa forma, pode-se perceber que a competência para atuação na hipótese de prática de ato infracional é diferente da competência na hipótese de prática de infração penal, que, em regra, é determinada pelo lugar da consumação da infração (art. 70 do CPP).
Atenção!
Em caso de infração cometida por meio de transmissão simultânea de rádio ou televisão, que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalidade, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissoras ou retransmissoras do respectivo Estado.
Quanto à escolha dos conselheiros tutelares, o processo será estabelecido em lei municipal e realizado sob a responsabilidade do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente, e a fiscalização do Ministério Público.
O processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar ocorrerá em data unificada em todo o território nacional a cada quatro anos, no primeiro domingo do mês de outubro do ano subsequente ao da eleição presidencial, e a posse dos conselheiros ocorrerá no dia 10 de janeiro do ano subsequente ao processo de escolha.
Ressalta-se que, no processo de escolha dos membros do Conselho Tutelar, é vedado ao candidato doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive brindes de pequeno valor.
Por fim, chama-se atenção para o fato de que são impedidos de servir no mesmo conselho marido e mulher, ascendentes e descendentes, sogro e genro ou nora, irmãos, cunhados, durante o cunhado, tio e sobrinho, padrasto ou madrasta e enteado, estendendo-se o impedimento do conselheiro também em relação à autoridade judiciária.
Módulo 2 = Acesso à justiça e garantias processuais
Reconhecer os conceitos básicos do acesso à justiça e das garantias processuais.
Disposições gerais e garantias
Características gerais do acesso à justiça
As normas que tratam do acesso à Justiça e das garantias processuais são de extrema importância, pois cuidam da judicialização das hipóteses em que são discutidas eventuais violações aos direitos dos menores.
Considerando o tempo disponível para a apresentação do módulo, vamos analisar inicialmente a Justiça da Infância e da Juventude e as regras gerais aplicáveis aos procedimentos especiais previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente.
Inicialmente, o Estatuto da Criança e do Adolescente determina em seu artigo 141 que é garantido o acesso de toda criança ou adolescente à Defensoria Pública, ao Ministério Público e ao Poder Judiciário, por qualquer de seus órgãos. Assim, resta garantidoo acesso universal dos menores à Justiça. Da mesma forma, o Estatuto garante que a assistência judiciária gratuita será prestada aos que dela necessitarem, por meio de defensor público ou advogado nomeado.
Tais disposições do ECA estão em perfeita consonância com o artigo 5º, LXXIV da Constituição, que determina que o Estado prestará assistência jurídica integral e gratuita aos que comprovarem insuficiência de recursos. Importa consignar que tal garantia deve ser vista sob os seguintes aspectos:
· Justiça gratuita
Refere-se à isenção dos pagamentos de custas, taxas, emolumentos e despesas processuais.
· Assistência judiciária
Engloba o patrocínio da causa por advogado e pode ser prestada por órgão ou entidades não estatais.
· Assistência jurídica
Envolve o patrocínio de demandas perante o Judiciário e, também, toda a assessoria fora do processo judicial (ex: procedimentos administrativos).
Ante o exposto, é possível concluir que crianças e adolescentes têm direito à assistência jurídica gratuita, a ser prestada pela Defensoria Pública. Além da assistência judiciária gratuita, o ECA assegura que as ações judiciais de competência da Justiça da Infância e da Juventude são isentas de custas e emolumentos, ressalvada a hipótese de litigância de má-fé.
Importante destacar que, quanto a esse aspecto, a jurisprudência afirma que a isenção de custas se refere somente aos procedimentos envolvendo diretamente os menores. Dessa forma, o Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não é garantida a gratuidade da Justiça nos casos de expedição de alvarás para shows ou atividade similares. Assim, entendeu a corte superior que:
“Incabível a concessão de isenção em procedimento de jurisdição voluntária a empresa de fins lucrativos que promove espetáculo musical destinado ao público infantil mediante pagamento de ingresso.”
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece ainda, em seu artigo 142, que os menores de 16 anos, ou seja, os absolutamente incapazes, serão representados e os maiores de 16 e menores de 18, ou seja, os relativamente incapazes, assistidos por seus pais, tutores ou curadores.
Quanto a esse dispositivo é importante destacar a sua revogação parcial, que, em sua redação original, faz referência à assistência de maiores de 18 e menores de 21 anos de idade.
Ocorre que, com o advento do Código Civil de 2002, a maioridade civil passou a ser alcançada aos 18 anos (art. 5º), idade em que a pessoa já fica habilitada à prática de todos os atos da vida civil, inclusive os processuais, não sendo necessária representação ou assistência. Esse mesmo dispositivo legal determina também qual autoridade judiciária dará curador especial à criança ou adolescente sempre que os interesses destes colidirem com os de seus pais ou responsável, ou quando carecer de representação ou assistência legal, ainda que eventual.
Ressalta-se que, em regra, o exercício da curadoria especial compete à Defensoria Pública, conforme o artigo 4º, VI da Lei Complementar 80/94, sendo, somente em casos excepcionais, outros os legitimados.
Destaca-se ainda que o ECA determina que é vedada a divulgação de atos judiciais, policiais e administrativos que digam respeito a crianças e adolescentes a que se atribua autoria de ato infracional.
Ademais, qualquer notícia a respeito do fato não poderá identificar a criança ou adolescente, vedando-se fotografia, referência a nome, apelido, filiação, parentesco, residência e, inclusive, iniciais do nome e sobrenome, incorrendo aquele que descumprir tais regras na infração administrativa prevista no artigo 247, §1º do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Por fim, a expedição de cópia ou certidão de atos a que se referem tais processos somente será deferida pela autoridade judiciária competente, se demonstrado o interesse e justificada a finalidade.
Justiça da infância e da juventude
Estrutura da Justiça da infância e juventude
Varas especializadas e exclusivas da infância e da juventude
Inicialmente, cabe relembrar que o Estatuto da Criança e da Juventude, em seu artigo 145, determina que os estados e o Distrito Federal poderão criar varas especializadas e exclusivas da infância e da juventude, cabendo ao Poder Judiciário estabelecer sua proporcionalidade por número de habitantes, dotá-las de infraestrutura e dispor sobre o atendimento, inclusive em plantões.
Destaca-se que o STF entendeu que é constitucional lei estadual de organização judiciária que prevê competência do Juizado da Infância e da Juventude para processar e julgar crimes praticados contra crianças e adolescentes (HC 113.102).
Competência Territorial
Quanto à fixação da competência territorial para o julgamento das ações envolvendo interesses dos menores, tal tema foi visto quando do estudo do Conselho Tutelar. Entretanto, cabe revisá-lo em razão de sua importância. O artigo 147 do ECA estabelece que a competência territorial será determinada pelo domicílio dos pais ou responsável; ou pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável.
O STJ possui entendimento sumulado (súmula 383) de que a competência para processar e julgar as ações conexas de interesse de menor é, em princípio, do foro do domicílio do detentor de sua guarda.
Assim, o STJ determinou dois critérios para a determinação da competência em caso de conflito em disputas de guarda de menores. De acordo com a Corte, prevalece a competência do juízo do domicílio de quem já exerce a guarda; e do juízo em que ficarem mais bem atendidos os interesses da criança e do adolescente.
Dessa forma, importa destacar que, segundo o STJ, deve-se sempre levar em consideração o princípio do melhor interesse de criança, sendo até mesmo possível afastar outros princípios processuais, como o da perpetuatio jurisdictionis, previsto no artigo 43 do Código de Processo Civil, possibilitando a modificação da competência no curso do processo. Vejamos:
“A regra da perpetuatio jurisdictionis, estabelecida no art. 87 do CPC, cede lugar à solução que oferece tutela jurisdicional mais ágil, eficaz e segura ao infante, permitindo, desse modo, a modificação da competência no curso do processo, sempre consideradas as peculiaridades da lide" (CC 111.130/SC, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, SEGUNDA SEÇÃO, DJe de 1º/2/2011).
[...] Assim, se a mudança de domicílio do menor alimentando ocorrer durante o curso da ação de execução de alimentos, como ocorreu na hipótese, não parece razoável que, por aplicação rígida de regras de estabilidade da lide, de marcante relevância para outros casos, se afaste a possibilidade de mitigação da regra da perpetuatio jurisdictionis.
6. Ademais, no caso em tela, o menor e a genitora se mudaram para o mesmo foro do domicílio do genitor, nada justificando a manutenção do curso da lide na comarca originária, nem mesmo o interesse do próprio alimentante.
7. Conflito conhecido para declarar competente o Juízo de Direito da 3ª Vara de Cajazeiras - PB.”
Quanto à competência nos casos de ato infracional, como já visto, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e prevenção.
Adicionalmente, a competência para o julgamento de ato infracional é sempre da Justiça Estadual, independentemente do bem lesado, seja esse bem da União ou não.
Competência material
A competência material do juiz da infância e da juventude, por sua vez, é prevista no artigo 148 do Estatuto. Ocorre que, quando se tratar de criança ou adolescente em situação de risco, ou seja, que tem seus direitos ameaçados ou violados, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para:
· conhecer pedidos de guarda e tutela;
· conhecer ações de destituição do poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda;
· suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
· conhecer pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao exercício do poder familiar;
· conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
· designar curador especial em casos de apresentação dequeixa ou representação, ou de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou adolescente;
· conhecer ações de alimentos;
· determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito.
Como é possível perceber, as matérias indicadas acima se referem às situações que seriam de competência da vara de família. Entretanto, em razão do menor estar em situação de risco, a competência recai sobre o Juízo da Infância e da Juventude.
Dessa forma, pode-se afirmar que os dispositivos do ECA têm aplicação em ações que não tramitam na Vara da Infância e da Juventude. Exemplo disso é a ação de guarda em uma Vara de Família, ou uma Tutela de Órfãos, desde que a criança ou adolescente não esteja em situação de risco.
Cabe ressaltar ainda que, de acordo com o STJ, a ação mandamental (mandado de segurança) que visa discutir a legalidade de ato praticado por dirigente de estabelecimento de ensino em desfavor de adolescente é de competência do Juízo da Infância e da Juventude.
Atenção!
Entendeu o STJ que a vara especializada da violência doméstica ou familiar contra a mulher é competente para julgar o pedido incidental de natureza civil, relacionado à autorização para viagem ao exterior e guarda unilateral do infante, na hipótese em que a causa de pedir de tal pretensão consistir na prática de violência doméstica e familiar contra a genitora.
Prosseguindo, o Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 149, determina ainda que compete à autoridade judiciária disciplinar, por meio de portaria, ou autorizar, mediante alvará:
I. a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável, em:
· estádio, ginásio e campo desportivo;
· bailes ou promoções dançantes;
· boate ou congêneres;
· casa que explore comercialmente diversões eletrônicas;
· estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão.
II. A participação de criança e adolescente em:
· Espetáculos públicos e seus ensaios;
· Certames de beleza.
Ressalta-se que, para a concessão de tais alvarás, a autoridade judiciária levará em conta, entre outros fatores:
· A natureza do espetáculo
· As peculiaridades locais
· O tipo de frequência habitual ao local
· A existência de instalações adequadas
· Os princípios do Estatuto da Criança e do Adolescente
· A adequação do ambiente a eventual participação ou frequência de crianças e adolescentes.
Cabe mencionar que as medidas adotadas por meio de portaria ou alvará deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter geral.
Ademais, segundo o STJ, a obtenção do alvará é imprescindível para que a empresa que promove um espetáculo ou emissora de TV possa contar com a participação de crianças e adolescentes e, segundo a Corte Superior, a autorização expressa dos pais ou responsável não afasta a necessidade de obtenção do alvará na Justiça.
Compete à Justiça estadual autorizar o trabalho artístico de crianças e adolescentes.
Entendeu o STF que compete ao juízo da infância e juventude apreciar os pedidos de alvará visando à participação de crianças e adolescentes em representações artísticas, pois não se trata de competência da Justiça do Trabalho, posto ser um requerimento de natureza civil e não trabalhista.
Regras gerais sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente
Características do procedimento do ECA
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabelece que aos seus procedimentos especiais previstos se aplicam todos os princípios constitucionais processuais. Portanto, há que se respeitar sempre os princípios da inafastabilidade da jurisdição, ampla defesa, contraditório, juiz natural, duração razoável do processo etc.
Adicionalmente, a tais procedimentos aplicam-se subsidiariamente as normas gerais previstas na legislação processual pertinente.
Comentário
Importa mencionar que é assegurada, sob pena de responsabilidade, prioridade absoluta na tramitação dos processos e procedimentos previstos no ECA, bem como na execução dos atos e diligências judiciais a eles referentes.
Quanto à contagem dos prazos, àqueles estabelecidos no ECA e aplicáveis aos seus procedimentos são contados em dias corridos, excluído o dia do começo e incluído o dia do vencimento, vedado o prazo em dobro para a Fazenda Pública e o Ministério Público.
Por fim, importa destacar que, conforme estabelecido no ECA, se a medida judicial a ser adotada não corresponder a procedimento previsto nele ou em outra lei, a autoridade judiciária poderá investigar os fatos e ordenar de ofício as providências necessárias, ouvido o Ministério Público.
Entretanto, tal flexibilização não é aplicável para o fim de afastamento da criança ou do adolescente de sua família de origem e em outros procedimentos necessariamente contenciosos.
Módulo 3 = Crimes e infrações administrativas
Analisar os crimes em espécie e as infrações administrativas.
Disposições e regras gerais
Crimes contra a infância e juventude
Inicialmente, importa pontuar que, segundo o artigo 226 do Estatuto da Criança e do Adolescente, aplicam-se aos crimes definidos no próprio Estatuto as normas da Parte Geral do Código Penal e, quanto ao processo, as pertinentes ao Código de Processo Penal. Dessa forma, aplicam-se as regras gerais do direito penal e do direito processual penal aos crimes previstos no ECA.
O artigo 227 do ECA, por sua vez, prevê que todos os crimes definidos no próprio estatuto são de ação pública incondicionada.
Quanto à prescrição, importa destacar que esta é regulada nos artigos 111 e seguintes do Código Penal, sendo matéria afeita à disciplina específica do Direito Penal. Entretanto, devemos ressaltar a existência de previsão específica acerca do termo inicial do prazo prescricional de crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.
Segundo o artigo 111, V do Código Penal, a prescrição, antes de transitar em julgado a sentença final, começa a correr, nos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, previstos no próprio código penal ou em legislação especial, da data em que a vítima completar 18 (dezoito) anos, salvo se a esse tempo já houver sido proposta a ação penal.
Outra previsão especial importante prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente se refere à necessidade de reincidência para a aplicação do efeito secundário da pena consistente na perda da função, cargo ou mandato.
Segundo o artigo 227-A do ECA, a perda de cargo, função pública ou mandato eletivo, quando cumpridos os requisitos do art. 92 do CP, praticados por servidores públicos com abuso de autoridade, são condicionados à ocorrência de reincidência. Entretanto, a perda do cargo, do mandato ou da função, nesse caso, independerá da pena aplicada na reincidência.
Apontamentos iniciais sobre os crimes em espécie no ECA
O Estatuto da Criança e do Adolescente prevê uma série de crimes específicos praticados contra crianças e adolescentes. Diferentemente do Código Penal, o ECA não nomeia os tipos penais como ocorre, por exemplo, com o crime de homicídio (artigo 121 do Código Penal).
Dessa forma, para facilitar a análise de tais crimes, vamos estudar cada tipo penal, a pena prevista e a classificação doutrinária de cada um deles. Importa consignar que muitos conceitos decorrem do estudo do Direito Penal.
Recomendação
Para a compreensão integral do que será exposto, será exigido o conhecimento prévio da classificação dos crimes. A análise dos crimes seguirá a ordem prevista no ECA.
Alguns tipos de crimes em espécie
Crimes contra a vida e a saúde da criança e do adolescente
O artigo 228 do ECA prevê como crime deixar o encarregado de serviço ou o dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de manter registro das atividades desenvolvidas, bem como deixar de fornecer à parturiente ou a seu responsável, por ocasião da alta médica, declaração de nascimento com intercorrências do parto e do desenvolvimento do neonato.
Para tal crime é prevista a pena de detenção de seis meses a dois anos. Adicionalmente, prevista ainda a modalidadeculposa, com pena de detenção de dois a seis meses, ou multa. A doutrina classifica esse crime como:
I. Próprio;
II. Omissivo próprio;
III. De mera conduta;
IV. De perigo;
V. De menor potencial ofensivo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar a vida e a saúde da criança e da gestante.
O artigo 229 do ECA prevê como crime deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de identificar corretamente o neonato e a parturiente, por ocasião do parto, bem como deixar de proceder aos exames visando ao diagnóstico e à terapêutica de anormalidades no metabolismo do recém-nascido.
Para tal crime é prevista a pena de detenção de seis meses a dois anos. Adicionalmente, prevista ainda a modalidade culposa, com pena de detenção de dois a seis meses, ou multa. A doutrina classifica esse crime como:
I. Próprio;
II. Omissivo próprio;
III. De mera conduta;
IV. De perigo;
V. De menor potencial ofensivo.
Crimes contra a liberdade da criança e do adolescente
O artigo 230 do ECA prevê como crime privar a criança ou o adolescente de sua liberdade, procedendo à sua apreensão sem estar em flagrante de ato infracional ou inexistindo ordem escrita da autoridade judiciária competente. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos.
Adicionalmente, prevista uma figura equiparada, incidindo na mesma pena aquele que procede à apreensão sem observância das formalidades legais. A doutrina classifica esse crime como:
I. Comum (doutrina majoritária);
II. Omissivo;
III. Permanente;
IV. De mera conduta;
V. De menor potencial ofensivo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito de liberdade da criança e do adolescente.
O artigo 231 do ECA prevê como crime deixar a autoridade policial responsável pela apreensão de criança ou adolescente de fazer imediata comunicação à autoridade judiciária competente e à família do apreendido ou à pessoa por ele indicada. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos. A doutrina classifica esse crime como:
I. próprio;
II. omissivo próprio;
III. permanente;
IV. de mera conduta;
V. de menor potencial ofensivo.
VI. de perigo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito de liberdade e a dignidade da criança e do adolescente.
O artigo 235 do ECA prevê como crime descumprir, injustificadamente, prazo fixado no Estatuto em benefício de adolescente privado de liberdade. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos. A doutrina classifica esse crime como:
I. próprio;
II. omissivo próprio;
III. de mera conduta;
IV. de menor potencial ofensivo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime não admite tentativa e que visa tutelar o direito de liberdade e a dignidade da criança e do adolescente.
Crimes contra a convivência familiar e comunitária
O artigo 237 do ECA prevê como crime subtrair criança ou adolescente ao poder de quem o tem sob sua guarda em virtude de lei ou ordem judicial, com o fim de colocação em lar substituto. Para tal crime é prevista pena de reclusão de dois a seis anos, e multa. A doutrina classifica este crime como:
I. comum;
II. material;
III. comissivo;
IV. instantâneo;
V. plurissubsistente.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito da criança ou adolescente à convivência familiar e comunitária.
O artigo 238 do ECA prevê como crime prometer ou efetivar a entrega de filho ou pupilo a terceiro, mediante paga ou recompensa. Para tal crime é prevista uma pena de reclusão de um a quatro anos, e multa. Adicionalmente, é prevista uma figura equiparada, incidindo nas mesmas penas quem oferece ou efetiva a paga ou recompensa.
A doutrina classifica esse crime como:
I. próprio (figura do caput) ou comum (figura equiparada);
II. comissivo;
III. doloso;
IV. instantâneo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito da criança ou adolescente à convivência familiar e comunitária.
O artigo 239 do ECA prevê como crime promover ou auxiliar a efetivação de ato destinado ao envio de criança ou adolescente para o exterior com inobservância das formalidades legais ou com o fito de obter lucro. Para tal crime é prevista a pena de reclusão de quatro a seis anos, e multa.
Adicionalmente, é prevista uma figura qualificada se houver emprego de violência, grave ameaça ou fraude. Nesse caso, é prevista a pena de reclusão, de 6 (seis) a 8 (oito) anos, além da pena correspondente à violência. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. de mera conduta;
III. instantâneo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito de liberdade da criança ou adolescente e, adicionalmente, combater o tráfico internacional de menores.
Crime Sexual
O artigo 241-D do ECA prevê como crime aliciar, assediar, instigar ou constranger, por qualquer meio de comunicação, criança, com o fim de com ela praticar ato libidinoso. Para esse crime é prevista a pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Adicionalmente, prevista uma figura equiparada, incorrendo nas mesmas penas quem:
· Facilita ou induz o acesso à criança de material contendo cena de sexo explícito ou pornográfica com o fim de com ela praticar ato libidinoso.
· Pratica as condutas descritas no tipo principal com o fim de induzir criança a se exibir de forma pornográfica ou sexualmente explícita.
Destaca-se que o Estatuto da Criança e do Adolescente define no seu artigo 241-E que “cena de sexo explícito ou pornográfica” compreende qualquer situação que envolva criança ou adolescente em atividades sexuais explícitas, reais ou simuladas, ou exibição dos órgãos genitais de uma criança ou adolescente para fins primordialmente sexuais.
O artigo 244-A do ECA prevê como crime submeter criança ou adolescente à prostituição ou exploração sexual.
Para esse crime é prevista a pena de reclusão de quatro a dez anos e multa, além da perda de bens e valores utilizados na prática criminosa em favor do Fundo dos Direitos da Criança e do Adolescente da unidade da Federação (Estado ou Distrito Federal) em que foi cometido o crime, ressalvado o direito de terceiro de boa-fé.
Ressalta-se que constitui efeito obrigatório da condenação a cassação da licença de localização e de funcionamento do estabelecimento. A doutrina, por sua vez, classifica esse crime como:
I. comum;
II. comissivo;
III. material.
Crimes contra a dignidade da criança e do adolescente
O artigo 240 do ECA prevê como crime produzir, reproduzir, dirigir, fotografar, filmar ou registrar, por qualquer meio, cena de sexo explícito ou pornográfica, envolvendo criança ou adolescente. Para tal crime é prevista a pena de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa.
Adicionalmente, é prevista uma figura equiparada, incidindo nas mesmas penas quem agencia, facilita, recruta, coage, ou de qualquer modo intermedeia a participação de criança ou adolescente nas cenas referidas acima, ou ainda quem com esses contracena. Prevista ainda a causa de aumento de pena de 1/3 (um terço) se o agente comete o crime:
· No exercício de cargo ou função pública ou a pretexto de exercê-la.
· Prevalecendo-se de relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade.
· Prevalecendo-se de relações de parentesco consanguíneo ou afim até o terceiro grau, ou por adoção, de tutor, curador, preceptor, empregador da vítima ou de quem, a qualquer outro título, tenha autoridade sobre ela, ou com seu consentimento.
A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. de mera conduta;
III. instantâneo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar a dignidade da criança ou adolescente.
O artigo 241 do ECA prevê como crime vender ou expor à venda fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente. Para tal crime é prevista a pena de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa. Destaca-se que a consumação desse crime ocorre no ato de publicação das imagens.
Adicionalmente,segundo o STJ, é competente para o julgamento do crime o juízo do local onde o material é disponibilizado, independentemente dos locais em que terceiros o acessam. Entretanto, quando não for possível apurar a origem, entende o STJ que é competente o juízo do local onde se iniciaram as investigações. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. de mera conduta;
III. comissivo.
O artigo 241-A do ECA prevê como crime oferecer, trocar, disponibilizar, transmitir, distribuir, publicar ou divulgar por qualquer meio, inclusive por sistema de informática ou telemático, fotografia, vídeo ou outro registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente, sendo prevista, para tal crime, a pena de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos, e multa. Prevista ainda uma figura equiparada, incorrendo nas mesmas penas quem:
· Assegura os meios ou serviços para o armazenamento das fotografias, cenas ou imagens.
· Assegura, por qualquer meio, o acesso por rede de computadores às fotografias, cenas ou imagens.
Entretanto, tais condutas são puníveis apenas quando o responsável legal pela prestação do serviço, oficialmente notificado, deixa de desabilitar o acesso ao conteúdo ilícito. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. de mera conduta;
III. comissivo.
Destaca-se que o processamento e julgamento do crime de publicação de material pedófilo-pornográfico em sítios da internet será da competência da Justiça Federal quando for possível a identificação do atributo da internacionalidade do resultado obtido ou que se pretendia obter (STF-RE 628624). O artigo 241-B do ECA prevê como crime adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente.
Para esse crime é prevista a pena de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa. Ressalta-se que o ECA prevê causa de diminuição de pena de 1 (um) a 2/3 (dois terços) se tratar-se de pequena quantidade de material.
Entretanto, não há crime se a posse ou o armazenamento tem a finalidade de comunicar às autoridades competentes a ocorrência de outras condutas criminosas (arts. 240, 241, 241-A e 241-C do ECA), quando a comunicação for feita por:
· Agente público no exercício de suas funções.
· Membro de entidade, legalmente constituída, que inclua, entre suas finalidades institucionais, o recebimento, o processamento e o encaminhamento de notícia dos referidos crimes.
· Representante legal e funcionários responsáveis de provedor de acesso ou serviço prestado por meio de rede de computadores, até o recebimento do material relativo à notícia feita à autoridade policial, ao Ministério Público ou ao Poder Judiciário. Vale ressaltar que tais pessoas deverão manter sob sigilo o material ilícito.
Como já dito, entendeu o STF que compete à Justiça Federal processar e julgar os crimes consistentes em disponibilizar ou adquirir material pornográfico envolvendo criança ou adolescente (arts. 241, 241-A e 241-B) quando praticados por meio de rede mundial de computadores. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. comissivo;
III. plurissubsistente.
O artigo 241-C do ECA prevê como crime simular a participação de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica por meio de adulteração, montagem ou modificação de fotografia, vídeo ou qualquer outra forma de representação visual. Para esse crime é prevista a pena de reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa. Adicionalmente, é prevista uma figura equiparada, incorrendo nas mesmas penas quem vende, expõe à venda, disponibiliza, distribui, publica ou divulga por qualquer meio, adquire, possui ou armazena o material produzido.
Ressalta-se que nesse crime não há utilização de criança ou adolescente na cena pornográfica, mas sim a edição do material, de modo a inserir sua imagem na situação vexatória.
Outros tipos de crimes em espécie
Fornecer munição, explosivo ou fogos
O artigo 242 do ECA prevê como crime vender, fornecer (ainda que gratuitamente) ou entregar, de qualquer forma, à criança ou ao adolescente arma, munição ou explosivo.
Para esse crime está prevista a pena de reclusão, de 3 (três) a 6 (seis) anos. Tal conduta também está prevista no Estatuto do Desarmamento (art. 16, parágrafo único, V). Assim, parte da doutrina entende que deve prevalecer o Estatuto do Desarmamento em virtude de ser norma especial e por ser norma mais recente.
Entretanto, há posicionamento em contrário no sentido de que o art. 242 do ECA subsiste, sendo aplicável para as hipóteses envolvendo armas brancas. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. de perigo abstrato, admitindo a forma tentada.
O artigo 244 do ECA prevê como crime vender, fornecer (ainda que gratuitamente) ou entregar, de qualquer forma, à criança ou ao adolescente fogos de estampido ou de artifício, exceto aqueles que, pelo seu reduzido potencial, sejam incapazes de provocar qualquer dano físico em caso de utilização indevida. Para tal crime é prevista pena de detenção de seis meses a dois anos, e multa. Ressalta-se que a doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. comissivo;
III. formal.
Oferecer bebidas alcoólica
O artigo 243 do ECA prevê como crime vender, fornecer, servir, ministrar ou entregar, ainda que gratuitamente, de qualquer forma, à criança ou ao adolescente, bebida alcoólica ou, sem justa causa, outros produtos cujos componentes possam causar dependência física ou psíquica.
Para tal crime é prevista pena de detenção de 2 (dois) a 4 (quatro) anos, e multa, se o fato não constitui crime mais grave. A doutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. comissivo;
III. formal.
Corromper ou facilitar a corrupção de menor
O artigo 244-B do ECA prevê como crime corromper ou facilitar a corrupção de menor de 18 (dezoito) anos, com ele praticando infração penal ou induzindo-o a praticá-la. Para tal crime é prevista pena de reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos. Prevista ainda uma figura equiparada, incorrendo nas mesmas penas quem pratica as condutas utilizando-se de quaisquer meios eletrônicos, inclusive salas de bate-papo da internet. Adicionalmente, está prevista causa de aumento de pena de um terço no caso de a infração cometida ou induzida estar incluída no rol de crimes hediondos.
Por fim, destaca-se que, conforme entendimento sumulado do STJ (súmula 500), a configuração de tal crime independe da prova da efetiva corrupção do menor por se tratar de delito formal.
Atentar contra a honra objetiva da criança e do adolescente
O artigo 232 do ECA prevê como crime submeter criança ou adolescente sob sua autoridade, guarda ou vigilância a vexame ou constrangimento. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos. A doutrina classifica esse crime como:
I. material (de resultado);
II. próprio;
III. comissivo;
IV. instantâneo;
V. de menor potencial ofensivo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar a honra objetiva da criança ou adolescente.
Abuso de autoridade
O artigo 234 do ECA prevê como crime deixar a autoridade competente, sem justa causa, de ordenar a imediata liberação de criança ou adolescente tão logo tenha conhecimento da ilegalidade da apreensão. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos.
A doutrina classifica esse crime como:
I. próprio;
II. omissivo próprio;
III. de mera conduta;
IV. de perigo;
V. de menor potencial ofensivo.
Da mesma forma, entende a doutrina que tal crime visa tutelar o direito de liberdade e a dignidade da criança e do adolescente.
Atenção!
Esse crime, em razão da especialidade, prevalece sobre àquele previsto na Lei de Abuso de Autoridade.
Obstruir a ação da autoridade judiciária
O artigo 236 do ECA prevê como crime impedir ou embaraçar a ação de autoridade judiciária, membro do Conselho Tutelar ou representante do Ministério Público no exercício de função prevista em lei. Para tal crime é prevista uma pena de detenção de seis meses a dois anos. Adoutrina classifica esse crime como:
I. comum;
II. material (na figura de impedir) ou formal (na figura de embaraçar);
III. de menor potencial ofensivo.
Infrações administrativas
Observações gerais
As infrações administrativas fazem parte de um sistema de proteção e efetivação dos direitos da criança e do adolescente. Por não descreverem condutas criminosas, em regra, a pena aplicada é a de multa. Quanto à prescrição das infrações administrativas, entendeu o STJ que é plenamente aplicável a prescrição às infrações administrativas. Entretanto, entende-se que a multa aplicável às infrações administrativas tem natureza administrativa e não penal. Dessa forma, não se aplica o prazo de dois anos, previsto no artigo 114 do CP, mas o de cinco anos (Resp. 894.528).
Trataremos agora, da mesma maneira que fizemos com os crimes, de cada uma das infrações administrativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente.
· Art. 245 do ECA
O artigo 245 do ECA prevê como infração deixar o médico, professor ou responsável por estabelecimento de atenção à saúde e de ensino fundamental, pré-escola ou creche, de comunicar à autoridade competente os casos de que tenha conhecimento, envolvendo suspeita ou confirmação de maus-tratos contra criança ou adolescente.
Para tal infração é prevista uma pena de multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência. Ressalta-se que, em caso de maus-tratos, a comunicação deve ser feita ao Conselho Tutelar, nos termos do artigo 13 do ECA.
· Art. 246 do ECA
O artigo 246 do ECA prevê como infração impedir o responsável ou funcionário de entidade de atendimento o exercício dos direitos constantes nos incisos II, III, VII, VIII e XI do art. 124 do ECA. Para tal infração é prevista a multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
O artigo 124 do ECA, por sua vez, estabelece que são direitos do adolescente privado de liberdade, entre outros, o de peticionar diretamente a qualquer autoridade; o de avistar-se reservadamente com seu defensor; o de receber visitas, ao menos, semanalmente; o de corresponder-se com seus familiares e amigos; o de receber escolarização e profissionalização.
· Divulgação de documento policial, administrativo ou judicial
O artigo 247 do ECA prevê como infração divulgar, total ou parcialmente, sem autorização devida, por qualquer meio de comunicação, nome, ato ou documento de procedimento policial, administrativo ou judicial relativo à criança ou adolescente a que se atribua ato infracional. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Ressalta-se que incorre na mesma pena quem exibe, total ou parcialmente, fotografia de criança ou adolescente envolvido em ato infracional, ou qualquer ilustração que lhe diga respeito ou se refira a atos que lhe sejam atribuídos, de forma a permitir sua identificação, direta ou indiretamente.
Adicionalmente, se o fato for praticado por órgão de imprensa ou emissora de rádio ou televisão, além da pena prevista, a autoridade judiciária poderá determinar a apreensão da publicação. Ressalta-se que a expressão “ou a suspensão da programação da emissora até por dois dias, bem como da publicação do periódico até por dois números”, prevista no referido dispositivo legal, foi declarada inconstitucional na ADIN 869-2.
· Descumprimento de deveres do poder familiar
O artigo 249 do ECA prevê como infração descumprir, dolosa ou culposamente, os deveres inerentes ao poder familiar ou decorrente de tutela ou guarda, bem como de determinação da autoridade judiciária ou Conselho Tutelar. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
Ressalta-se que o STJ entendeu que a falta de amparo estatal e as dificuldades para seu desempenho não eximem os pais de serem processados em caso de descumprimento de seus deveres inerentes ao poder familiar (Resp. 768.572-RS). Entendeu ainda o STJ que a hipossuficiência financeira ou a vulnerabilidade da família não é suficiente para afastar a multa pecuniária prevista no art. 249.
Para a Corte é admissível que, por meio de decisão judicial fundamentada, o magistrado deixe de aplicar a sanção pecuniária e faça incidir outras medidas mais adequadas e eficazes para o caso concreto. Entretanto, a hipossuficiência financeira ou a vulnerabilidade familiar não é suficiente, por si só, para afastar a multa prevista (Informativo 636 do STJ).
· Hospedar criança sem autorização dos pais
O artigo 250 do ECA prevê como infração hospedar criança ou adolescente desacompanhado dos pais ou responsável, ou sem autorização escrita desses ou da autoridade judiciária, em hotel, pensão, motel ou congênere.
Para tal infração é prevista pena de multa e, em caso e reincidência, sem prejuízo da pena de multa, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 (quinze) dias. Adicionalmente, se comprovada a reincidência em período inferior a 30 (trinta) dias, o estabelecimento será definitivamente fechado e terá sua licença cassada.
· Transportar criança sem observar as regras de viagem dos menores desacompanhados
O artigo 251 do ECA prevê como infração transportar criança ou adolescente, por qualquer meio, com inobservância das regras do ECA que definem as condições para os menores viajarem desacompanhados ou na companhia de terceiros (arts. 83, 84 e 85). Para tal infração é prevista a multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
· Deixar de providenciar instalações e operacionalização de cadastro de adoção
O artigo 258-A do ECA prevê como infração deixar a autoridade competente de providenciar a instalação e operacionalização dos cadastros de adoção (art. 50 do ECA) e de crianças em acolhimento familiar ou institucional (§11 do art. 101 do ECA). Para tal infração é prevista multa de R$1.000,00 (mil reais) a R$3.000,00 (três mil reais).
Ressalta-se que incorre nas mesmas penas a autoridade que deixa de efetuar o cadastramento de crianças e adolescentes em condições de serem adotadas, de pessoas ou casais habilitados à adoção e de crianças e adolescentes em regime de acolhimento institucional ou familiar.
· Profissional da saúde que não informa a intenção da mãe de colocar o filho para adoção
O artigo 258-B do ECA prevê como infração deixar o médico, enfermeiro ou dirigente de estabelecimento de atenção à saúde de gestante de efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária de caso de que tenha conhecimento de mãe ou gestante interessada em entregar seu filho para adoção. Para tal infração é prevista multa de R$1.000,00 (mil reais) a R$3.000,00 (três mil reais).
Ressalta-se que incorre na mesma pena o funcionário de programa oficial ou comunitário destinado à garantia do direito à convivência familiar que deixa de efetuar tal comunicação.
· Venda de bebida alcoólica
O artigo 258-C do ECA prevê como infração descumprir a proibição de venda de bebida alcoólica para crianças e adolescentes. Para tal infração é prevista multa de R$3.000,00 (três mil reais) a R$10.000,00 (dez mil reais) e interdição do estabelecimento comercial até o recolhimento da multa aplicada.
Ante o exposto, é possível perceber que o ECA prevê punição à venda de bebidas alcoólicas a crianças e adolescentes tanto na esfera penal quanto administrativa.
Regramento sobre a natureza e faixa etária de espetáculos
O artigo 252 do ECA prevê como infração deixar o responsável por diversão ou espetáculo público de afixar, em lugar visível e de fácil acesso, à entrada do local de exibição, informação destacada sobre a natureza da diversão ou espetáculo e a faixa etária especificada no certificado de classificação. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência, aplicando-se o dobro em caso de reincidência.
O artigo 253 do ECA prevê como infração anunciar peças teatrais, filmes ou quaisquer representações ou espetáculos sem indicaros limites de idade a que não se recomendem. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência, duplicada em caso de reincidência, aplicável, separadamente, à casa de espetáculo e aos órgãos de divulgação ou publicidade.
O artigo 254 do ECA prevê como infração transmitir, por meio de rádio ou televisão, espetáculo em horário diverso do autorizado ou sem aviso de sua classificação. Para tal infração é prevista multa de 20 a 100 salários de referência; duplicada em caso de reincidência; a autoridade judiciária poderá determinar a suspensão da programação da emissora por até dois dias.
Saiba mais
Segundo o STF, é inconstitucional a expressão “em horário diverso do autorizado” contida no art. 254 do ECA. Para a Corte, o Estado não pode determinar que os programas somente possam ser exibidos em determinados horários. Isso seria uma imposição, o que é vedado pelo texto constitucional por configurar censura.
Dessa forma, para o STF, o Poder Público pode apenas recomendar os horários adequados, ou seja, a classificação dos programas é somente indicativa (e não obrigatória).
O artigo 255 do ECA prevê como infração exibir filme, trailer, peça, amostra ou congênere classificado pelo órgão competente como inadequado a crianças ou adolescentes admitidos ao espetáculo. Para tal infração é prevista multa de 20 a 100 salários de referência; na reincidência, a autoridade poderá determinar a suspensão do espetáculo ou o fechamento do estabelecimento por até 15 dias.
O artigo 256 do ECA prevê como infração vender ou locar à criança ou ao adolescente fita de programação em vídeo, em desacordo com a classificação atribuída pelo órgão competente. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 dias.
O artigo 257 do ECA prevê como infração descumprir a obrigação de que as revistas e publicações que contêm material impróprio ou inadequado a crianças e adolescentes sejam comercializadas em embalagem lacrada, com a advertência de seu conteúdo.
Também comete tal infração quem não cumpre a obrigação de que as revistas e publicações destinadas ao público infanto-juvenil não contenham ilustrações, fotografias, legendas, crônicas ou anúncios de bebidas alcoólicas, tabaco, armas e munições, devendo respeitar os valores éticos e sociais da pessoa e da família. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência, duplicando-se a pena em caso de reincidência, sem prejuízo de apreensão da revista ou publicação.
O artigo 258 do ECA prevê como infração deixar o responsável pelo estabelecimento ou o empresário de observar o que dispõe o ECA sobre o acesso de criança ou adolescente aos locais de diversão, ou sobre sua participação no espetáculo. Para tal infração é prevista multa de três a 20 salários de referência; em caso de reincidência, a autoridade judiciária poderá determinar o fechamento do estabelecimento por até 15 dias.
Ressalta-se que o STJ consolidou o entendimento de que tal responsabilidade é solidária, inclusive quando o imóvel é locado pelo proprietário a um empresário (AgRg no Resp. 1384707/RJ).
Investigação dos crimes contra a dignidade sexual
Diante do crescimento das tecnologias de informação, a criminalidade encontrou um novo ambiente farto para a prática delitiva, haja vista que há inúmeros fatores que facilitam o sucesso de tais investidas criminosas. Há que se ressaltar que a internet se tornou um espaço onde o usuário expõe sua vida, tornando-se cada vez mais vulnerável, tendo tal circunstância facilitado a prática de crimes contra crianças e adolescentes.
Considerando tais fatos, o Estatuto da Criança e do Adolescente foi alterado pela Lei nº 13.441 de 2017 para possibilitar a infiltração de agentes de polícia na internet com o fim de investigar os crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes previstos nos artigos 240, 241, 241-A, 241-B, 241-C e 241-D do próprio estatuto e nos artigos 154-A, 217-A, 218, 218-A e 218-B do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 (Código Penal).
A infiltração policial prevista na Lei nº 13.441 de 2017 consiste em técnica especial e subsidiária de investigação, qualificada pela atuação dissimulada e sigilosa de agente policial, seja presencial ou virtualmente, em face de um criminoso ou grupo de criminosos, com a finalidade de localizar fontes de prova, identificar criminosos e obter elementos de convicção para elucidar o delito e desarticular associação ou organização criminosa, auxiliando também na prevenção de ilícitos penais.
Dessa forma, a infiltração policial é gênero do qual são espécies:
· Presencial (física)
· Virtual (cibernética ou eletrônica)
Inicialmente, conforme disposto no ECA, a infiltração de agentes será precedida de autorização judicial devidamente circunstanciada e fundamentada, que estabelecerá os limites da infiltração para obtenção de prova, ouvido o Ministério Público.
Tal infiltração acontece mediante requerimento do Ministério Público ou representação de delegado de polícia, e conterá a demonstração de sua necessidade, o alcance das tarefas dos policiais, os nomes ou apelidos das pessoas investigadas e, quando possível, os dados de conexão ou cadastrais que permitam a identificação dessas pessoas.
Quanto ao prazo, a infiltração não poderá exceder o prazo de 90 dias, sem prejuízo de eventuais renovações, desde que o total não exceda a 720 dias e seja demonstrada sua efetiva necessidade, a critério da autoridade judicial. Entretanto, para tal, a autoridade judicial e o Ministério Público poderão requisitar relatórios parciais da operação de infiltração antes do término do prazo.
Relembrando
A infiltração de agentes de polícia na internet é meio de investigação subsidiário, não sendo admitido se a prova puder ser obtida por outros meios.
Adicionalmente, por envolverem casos extremamente complexos, as informações da operação de infiltração serão encaminhadas diretamente ao juiz responsável pela autorização da medida, que zelará por seu sigilo e, antes da conclusão da operação, o acesso aos autos será reservado ao juiz, ao Ministério Público e ao delegado de polícia responsável pela operação, com o objetivo de garantir o sigilo das investigações.
Com a finalidade de garantir a efetividade das investigações, a lei prevê que não comete crime o policial que oculta a sua identidade para, por meio da internet, colher indícios de autoria e materialidade dos crimes a que busca investigar.
Por fim, concluída a investigação, todos os atos eletrônicos praticados durante a operação deverão ser registrados, gravados, armazenados e encaminhados ao juiz e ao Ministério Público, juntamente com relatório circunstanciado.
Adicionalmente, os atos eletrônicos registrados serão reunidos em autos apartados e apensados ao processo criminal juntamente com o inquérito policial, assegurando-se a preservação da identidade do agente policial infiltrado e a intimidade das crianças e dos adolescentes envolvidos.
Considerações Finais
O Estatuto da Criança e do Adolescente estabeleceu o funcionamento de diversos órgãos de defesa e proteção dos menores. Entre tais órgãos, o Conselho Tutelar, conforme analisado, é um dos mais importantes, sendo o responsável, em regra, pelo primeiro atendimento de crianças e adolescentes em situação de risco.
Adicionalmente, estudamos as regras gerais referentes ao acesso à Justiça, bem como a competência territorial e material da Justiça da Infância e da Juventude, responsável por dirimir conflitos envolvendo interesses dos menores.
Prosseguindo, analisamos os crimes e as infrações administrativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, com finalidade de coibir condutas contrárias aos interesses dos menores, bem como punir eventuais infratores. Por fim, analisamos o procedimento de investigação dos crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes, de extrema importância na prevenção de tais condutas e na punição de eventuaisculpados.

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