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Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
27 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Além de possíveis problemas relacionados à saúde pública e à 
ecologia, a introdução de produtos agrícolas geneticamente 
modificados, os chamados transgênicos, no Brasil, pode ter uma 
implicação econômica, devido: 
a) à proibição da entrada destes produtos nos Estados Unidos. 
b) à concorrência com a produção de transgênicos na Europa. 
c) ao atraso tecnológico do Brasil frente aos demais produtores da 
América Latina. 
d) à resistência dos países da União Européia em consumirem 
estes produtos. 
e) à falta de preparo do trabalhador rural no manejo destes 
produtos. 
 
Questão 02 
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence 
disse que a proposta de limitação do tamanho das propriedades 
rurais deveria "ter como base o módulo rural, que permita a 
adequação do limite à evolução da tecnologia da terra". 
("O Estado de São Paulo" - 22/08/2000) 
 
O Estatuto da Terra de 1964 define módulo rural como uma área 
suficiente para garantir ao trabalhador e à sua família (média de 
quatro pessoas) o rendimento mínimo necessário para sua 
sobrevivência. Sobre esse assunto assinale a alternativa 
INCORRETA: 
a) a extensão do módulo rural varia dependendo do tipo de 
atividade desenvolvida. 
b) a extensão do módulo rural é fixada pelo INCRA e é válida para 
todo o território nacional. 
c) nas áreas dos cinturões verdes o módulo rural pode ter uma 
pequena extensão. 
d) as condições climáticas e de solo interferem na definição da 
extensão do módulo rural. 
e) nas áreas de cultivo e nas áreas de pecuária o módulo rural tem 
extensões diferenciadas. 
 
Questão 03 
Qual das alternativas seguintes NÃO faz uma afirmativa correta 
sobre a situação da agricultura brasileira? 
a) Nas últimas décadas, com o avanço do capitalismo no campo, a 
agricultura passou por um processo de modernização; mas isso 
não garantiu a melhoria do padrão de vida de grande parte dos 
trabalhadores rurais. 
b) Nos últimos anos, a manutenção de latifúndios vem sendo 
duplamente ameaçada: pela ocupação de terras e pela queda do 
preço da terra. 
c) Nos anos 90, o Movimento dos Sem Terra (MST) tem sido o 
mais forte movimento social em prol da distribuição da terra no país 
e vem contando com o apoio de grandes proprietários de terra e de 
grandes empresários rurais. 
d) Na última década, as indústrias de alimentos inovam e 
diversificam os produtos alimentícios agregando maior valor à 
matéria-prima fornecida pelos produtores rurais e transferindo 
renda do campo para as grandes indústrias e cadeias de 
supermercados. 
e) A partir da década de 1960, a modernização da produção 
agrícola teve como condição básica os créditos agrícolas 
garantidos pelo Estado, e os grandes beneficiários foram os grupos 
sociais com maior poder político e econômico. 
Questão 04 
 
 
A origem do problema agrícola mostrado na foto é, principalmente, 
a) pedológico, pois a existência de vastas manchas de latossolos 
de baixa produtividade tem excluído muitos camponeses sem 
recursos para a compra de insumos agrícolas. 
b) político, pois a concentrada estrutura fundiária impede que 
milhares de pessoas tenham acesso à terra e produzam alimentos 
ou outros gêneros agrícolas. 
c) geográfico, pois com a expansão da fronteira agrícola houve um 
aumento de migrantes no campo, muitos dos quais não adaptados 
às novas condições climáticas das áreas ocupadas. 
d) técnica, pois a introdução de novos produtos agrícolas 
inviabilizou o processo de modernização da produção devido à 
carência de especialistas na atividade agrária. 
e) comercial, pois o elevado número de trabalhadores no campo 
tem alto custo e baixa produtividade, fatores que diminuem a 
competitividade agrícola. 
 
Questão 05 
Considere o seguinte depoimento: 
Meu nome é Benedito. Sou do interior. Moro na capital. No interior, 
o trabalho era pouco, as cercas eram muitas, a seca era grande. 
Às vezes, trabalhava na cana, às vezes, trabalhava de servente, às 
vezes, fazia bico brocando mato. Eu não tinha terra. Vim para a 
capital. Aqui trabalho na construção civil. Levanto edifícios, levanto 
casas, levanto pontes e cavo galerias. A minha mão faz a cidade 
maior. Sonho construir uma boa casa. A casa da minha família. 
(Revista "Travessia", maio/agosto de 2001, p. 38) 
 
A leitura do texto e seus conhecimentos sobre a dinâmica 
populacional brasileira permitem afirmar que 
a) nos anos de 1990, as migrações cíclicas no campo perderam 
força, principalmente, devido às oportunidades de trabalho nas 
cidades. 
b) desde o início dos anos de 1980, que praticamente não há mais 
migração do campo para a cidade, sendo este depoimento bem 
antigo. 
c) nos anos de 1990, a nova abertura das fronteiras agrícolas, no 
Norte, redirecionou as migrações para o campo e não mais para as 
cidades. 
d) no final do século XX, a estrutura fundiária concentradora, ainda, 
é responsável pelo êxodo de milhares de trabalhadores rurais. 
e) nos anos de 1990, o movimento do campo em direção às 
pequenas e médias cidades declinou, aumentando aquele que se 
dirige para as grandes cidades. 
 
 
 
 
 28 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio) 
Questão 06 
Responda a esta questão com base nos mapas seguintes: 
 
Um título adequado integrando os dois mapas poderia ser: 
a) substituição da pecuária pela lavoura 
b) substituição da vegetação natural por áreas de atuação 
antrópica 
c) implantação de parques e reservas nas áreas de cerrado 
d) expansão da desertificação nas áreas de cerrado 
e) lavouras irrigadas no domínio do cerrado 
 
Questão 07 
As maiores alterações do espaço agrário brasileiro são irradiadas 
da Região Sudeste, sendo essa a região que mais contribui para o 
produto interno do setor agropecuário brasileiro. Nesse sentido, 
são corretas as seguintes afirmativas, EXCETO: 
a) A concentração de capital permite maiores investimentos para a 
melhoria das técnicas agrícolas que, por sua vez, são tomadas 
como exemplos pelos produtores rurais de outras áreas do país. 
b) As empresas se expandem para continuar a crescer, fazem 
investimentos fora de sua sede territorial, mas mantêm com ela 
fortes laços de dependência. 
c) A concentração industrial exige grande quantidade de produtos 
agrícolas como matéria prima. 
d) Cada vez mais a economia agroindustrial no Brasil está apoiada 
na produção de matéria prima bruta para as indústrias sediadas no 
complexo urbano-industrial de São Paulo. 
 
Questão 08 
Leia com atenção o texto abaixo: 
"A ocupação do Paraná intensificou-se na década de 40, com a 
chegada das culturas de café e de algodão no norte do Estado, nas 
áreas pioneiras polarizadas por Londrina. Nelas, multiplicaram-se 
as pequenas e médias propriedades e a oferta de emprego rural. 
Milhares de migrantes chegavam atualmente à região: entre 1950 e 
1960, a população paranaense cresceu mais de 100%, um recorde 
entre os estados brasileiros. 
A partir de 1970, a introdução do cultivo de soja alterou 
substancialmente a estrutura agrária de vastas porções do Estado. 
(...) Entre 1970 e 1980 o Paraná voltou a quebrar um recorde, só 
que desta vez negativo: sua população cresceu apenas 11%, o 
menor índice entre os estados brasileiros." 
(MAGNOLI, D. e ARAÚJO, R. "A Nova Geografia", Ed. Moderna) 
 
Assinale a alternativa que indica as causas dessa grande mudança 
no crescimento populacional do Paraná: 
a) O crescimento do tamanho médio das propriedades e a 
mecanização agrícola. 
b) A fragmentação das grandes unidades rurais em novas 
pequenas propriedades de terra, acompanhada pela melhoria da 
infra-estrutura para o escoamento da produção do pequeno 
agricultor. 
c) A ampliação de oportunidades econômicas na região rural do 
Estado e o deslocamento de parte da população urbana das 
médias e pequenascidades do interior para as áreas rurais para 
trabalhar no cultivo de soja. 
d) A estabilidade da política agrária, sobretudo no que concerne 
aos incentivos e subsídios ao pequeno trabalhador rural e o 
conseqüente crescimento de sua renda familiar. 
e) A instalação de assentamentos rurais destinados a retomar a 
cultura do café e o aumento da necessidade de mão-de-obra no 
campo. 
 
Questão 09 
O avanço das relações capitalistas na década de 1970 provocou 
expressivas mudanças no espaço agrário gaúcho, ao mesmo 
tempo que o país se preocupava com a inserção da sua economia 
no mercado internacional. A característica que melhor define a 
situação do Rio Grande do Sul nessa década é 
a) o predomínio da produção de alimentos em pequenas 
propriedades em função do abastecimento de uma sociedade 
urbano-industrial local. 
b) a produção de policulturas destinadas ao mercado interno 
gaúcho, realizada por antigos colonos com o auxílio de subsídios 
governamentais. 
c) o intenso processo de reformas agrárias, que contribuíram 
definitivamente para o atual quadro fundiário gaúcho. 
d) o retorno do migrante das grandes e médias cidades gaúchas, 
que busca novamente possibilidades no campo, amenizando os 
problemas sociais urbanos. 
e) a produção voltada principalmente para a cultura da soja, com a 
finalidade de exportação, contribuindo para a diminuição da área 
destinada a outros cultivos. 
 
Questão 10 
 
 
Fonte: Conflitos no Campo Brasil 1997. Comissão Pastoral da Terra. 
(SANTOS, M. e SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século 
XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.) 
 
O mapa acima mostra a distribuição espacial de conflitos em torno 
da propriedade da terra no Brasil. 
Observando a diferenciação por estados e regiões e traçando um 
paralelo com as características da agricultura brasileira, é possível 
afirmar que os conflitos ocorrem principalmente em: 
a) áreas em processo de modernização agrícola e expansão da 
agroindústria 
b) estados administrados pela oposição ao governo federal e em 
crise econômica 
c) regiões de maior densidade demográfica e crescimento 
populacional acelerado 
d) periferias das grandes metrópoles e áreas urbanas em processo 
de rápida expansão 
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais 
 
 
 
 
 
29 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 11 
A distribuição geográfica dos assentamentos rurais no Ceará 
segue a lógica do processo de ocupação histórica do Estado. Face 
a essa constatação, analise as afirmativas abaixo. 
I. A região dos sertões, na qual predominam os latifúndios, 
concentra o maior número de assentamentos rurais. 
II. A região do litoral possui o maior número de assentamentos 
rurais na Região Metropolitana de Fortaleza. 
III. A região do Cariri, incluindo a Chapada do Araripe, possui o 
menor número de assentamentos rurais. 
Das assertivas acima, pode-se afirmar corretamente que: 
a) apenas I e II são verdadeiras. 
b) apenas I é verdadeira. 
c) apenas II e III são verdadeiras. 
d) apenas I e III são verdadeiras. 
e) I, II e III são verdadeiras. 
 
Questão 12 
 Assinale a alternativa que indica a principal característica do 
processo de modernização da agricultura brasileira. 
a) Redução da produtividade por falta de insumos 
b) Atendimento à demanda interna por produtos agrícolas 
c) Aplicação de técnicas tradicionais no uso agrícola da terra 
d) Atendimento à demanda externa por produtos agrícolas 
e) Fundamentação em cultivos de subsistência e minifúndios 
 
Questão 13 
Apesar da permanência dos latifúndios e da pobreza de imensas 
parcelas da população rural, o espaço agrário brasileiro vem 
experimentando transformações importantes. Isto pode ser 
constatado ao se observar: 
a) a presença de grandes empresas industriais que atuam tanto na 
produção de bens agrícolas, como no processamento e 
financiamento de insumos para a agricultura; 
b) a homogeneização dos processos produtivos, graças aos 
incentivos fiscais concedidos pelo Estado ao conjunto das 
propriedades rurais; 
c) a extensão prioritária da difusão de técnicas modernas e créditos 
bancários às médias e pequenas propriedades dedicadas à cultura 
de produtos destinados à exportação; 
d) a substituição do modelo agroexportador pelo modelo de 
sustentabilidade do mercado interno, em função da política agrícola 
do governo federal; 
e) o desenvolvimento da agroecologia em áreas degradadas pelo 
uso de monoculturas de exportação e pela prática da pecuária 
intensiva. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I 
Prof. Fernandes Epitácio 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
A AGROPECUÁRIA I: A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ 
INTRODUÇÃO 
É comum dividir os produtos agrícolas brasileiros em duas 
categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o 
milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz; e as “culturas 
de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-açucar, 
café, soja, algodão, trigo, etc... 
As primeiras – destinadas principalmente à produção de alimentos 
para a população -, desde a época colonial, são relegadas a 
segundo plano, cultivadas nas piores terras e em pequenas 
propriedades. As “culturas de rico”, ao contrário, destinam-se 
principalmente à exportação ou à transformação industrial, como 
ocorre com parte da produção da cana, do fumo, do algodão, etc.. 
Desde o período colonial, ocupam os melhores solos e são 
cultivadas principalmente nas médias ou grandes propriedades 
rurais. 
Essas diferenças são relativas, pois muitos produtos destinados ao 
consumo interno podem eventualmente ser exportados se 
apresentarem forte valorização, como ocorreu nas últimas décadas 
com a laranja. Da mesma forma, os produtos destinados à 
exportação também são consumidos dentro do país, mas 
geralmente se exporta o melhor e deixa-se o pior para o consumo 
interno. Assim, em Nova York ou em Londres, toma-se um 
cafezinho melhor do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro. 
As grandes propriedades cultivam, eventualmente, os gêneros 
alimentícios para a população em geral, mas, por via de regra, 
essa tarefa cabe às pequenas propriedades. Muitos minifúndios 
também cultivam algodão, café e outras “culturas de rico”, embora 
a maior parte desses produtos, principalmente a cana-de-açúcar e 
a soja, se concentre nas médias e grandes propriedades. 
Os produtos extremos são a mandioca e o feijão, de um lado, e a 
cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até cem 
hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das 
propriedades agrárias, produzem mais de 80% da mandioca e 75% 
do feijão nacional; mas, na produção da cana-de-açúcar, eles 
contribuem com apenas cerca de 16% do total. Já os imóveis com 
área a mil hectares, que abrangem cerca de 45% da superfície 
total dos imóveis rurais, produzem cerca de 50% da cana-de-
açúcar e apenas 3% da mandioca e 5% do feijão. 
Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela 
agricultura brasileira. 
CANA-DE-AÇÚCAR 
A cana-de-açúcar, a princípio originária da espécie Saccharum 
officinarum, provém do território asiático, e era aí semeada desde 
tempos ancestrais. Com o tempo, vários outros espécimes foram 
produzidos com a ajuda de inovações tecnológicas, pois a planta 
original provocava diversas enfermidades. 
No Brasil esta planta desembarcou pelas mãos dos portugueses, 
no início do século XVI. Ela prosperou principalmente no Nordeste 
deste país, sendo responsável por esta nação se converter na 
melhor criadora e exportadora de açúcar neste período, que se 
estendeu até o século XVII. 
O Ciclo do Açúcar foi um período da história do Brasil Colonial 
compreendido entre meados do século XVI e meados do XVIII. 
Neste período, a produção de açúcar, voltada para a exportação, 
nos engenhos do Nordeste brasileiro foi a principal atividade 
econômica. 
As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram em território 
brasileiro pelas mãosde Martim Afonso de Souza. Sua expedição 
tinha a função de dar início à colonização do território brasileiro, 
ação desejada pela coroa portuguesa como forma de proteger o 
litoral do Brasil das invasões estrangeiras. 
Neste contexto, Martim Afonso de Souza deu início a produção de 
açúcar no Brasil em 1533, através da instalação do primeiro 
engenho da colônia, na cidade de São Vicente (localizada no 
atual litoral do estado de São Paulo). 
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO 
- A economia do açúcar foi responsável pela consolidação da 
colonização, através da ocupação de parte da costa brasileira. 
- O engenho foi a principal unidade de produção de açúcar no 
Brasil Colonial. 
-Uso de mão-de-obra escrava, de origem africana, no plantio e 
colheita da cana-de-açúcar, assim como nas várias etapas 
de produção do açúcar. Os escravos, principalmente 
mulheres, também foram usadas na execução de atividades 
domésticas. 
- Prevalência das grandes propriedades rurais (latifúndios) no 
Nordeste brasileiro, com forte concentração de terra. 
- Sociedade patriarcal, com poderes político, econômico e social 
concentrados nas mãos dos senhores de engenho. 
- Sociedade estática e estratificada dividida em: Aristocracia rural 
(senhores de engenho); homens livres (comerciantes, artesãos, 
funcionários públicos, feitores, etc.) e escravos (maioria da 
população do período). 
- Tráfico negreiro como outra importante atividade lucrativa, 
principalmente para os comerciantes e coroa portuguesa. 
Hoje, porém, é na região interiorana de São Paulo que se localiza a 
maior parte dos canaviais. E o açúcar não é mais seu principal 
produto, pois atualmente o álcool, especialmente o etanol, extraído 
deste vegetal, é o que mais destaca economicamente, pois, 
enquanto combustível alternativo, contribui igualmente para o 
desenvolvimento sustentável. 
A cana tem também outras finalidades. Ela é utilizada no estado 
natural como pasto consumido pelo gado, ou na forma de 
ingrediente em alimentos como a rapadura, o melado, a 
aguardente, entre outros produtos. Este arbusto apresenta o caule 
delgado, agradável ao tato e extenso, o qual é recoberto de folhas 
igualmente compridas e esverdeadas. Na haste há um elevado teor 
de açúcar. 
Ela se desenvolve melhor em climas que se caracterizam por 
apresentar duas estações bem diferenciadas, uma de altas 
temperaturas e a outra úmida, que possibilitam a evolução 
germinativa, a rebentação e o progresso do vegetal. A estação fria 
e seca é necessária para incentivar o estágio maduro e, como 
resultado deste processo, a concentração de sacarose nos caules 
de nós salientes. As regiões tropicais são as que oferecem 
melhores recursos para o desenvolvimento da cana, pois ela 
necessita da luz solar para seu crescimento. 
As terras apropriadas para o cultivo desta planta são as mais 
fundas, densas, dotadas de maior estrutura e fecundas. Por ser 
grosseira, a cana-de-açúcar evolui de forma satisfatória em 
territórios repletos de areia e menos abundantes de recursos, como 
o cerrado. Até hoje este vegetal é submetido a constantes 
melhorias, que resultam em espécimes híbridos. 
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café 
 
 
 
 
 
31 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
O cultivo da cana-de-açúcar é um dos mais significativos nas 
regiões declima tropical, pois, além dos produtos que gera, 
economicamente importantes, ele também oferece diretamente 
milhares de empregos, apesar de gerar uma alta convergência de 
renda. A área que mais produz esta planta, no Brasil, é a de 
Ribeirão Preto. A indústria canavieira se caracteriza especialmente 
pelo modelo latifundiário, pois muitas terras são depositadas nas 
mãos de poucos senhores de terra. Este mecanismo resulta no 
temível êxodo do campo. 
O CAFÉ 
A fruta vermelha que nasce da flor branca e perfumada do pé de 
café tem sua origem geográfica nas terras quentes a nordeste da 
África, em tempos muito remotos. Ali nascia o verdadeiro café 
selvagem, em meio à mata, no centro da também lendária região 
de Kafa, no interior da Etiópia, país de clima árido-tropical, onde 
hoje se localiza a cidade de Bonga. Até o presente, o arbusto do 
café é parte daquela vegetação natural. 
Os etíopes iniciaram seu consumo na forma de fruto. 
Alimentavamse de sua polpa doce, por vezes macerada, ou a 
misturavam em banha, para refeição. E produziam um suco, que 
fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas 
também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá. 
A África foi o território de origem, mas coube aos árabes o domínio 
inicial da técnica de plantio e preparação do produto, quando o 
café da Etiópia, atravessando o Mar Vermelho, foi levado para a 
vizinha Península Arábica. 
Ali, de acordo com os mesmos manuscritos do ano de 575, a 
primeira região a receber as sementes do fruto foi o Iêmen 
(sudoeste da Ásia). Só por volta do ano 1000 seria conhecida sua 
infusão, com as cerejas fervidas em água, servida para fins 
medicinais. Naquela altura, monges e dervixes começaram a usar 
o café como bebida excitante que os auxiliava nas rezas e vigílias 
noturnas, postura que indiretamente se constituiu em aval para que 
seu consumo se propagasse. O processo de torrefação, porém, só 
foi desenvolvido no século XIV, quando a bebida adquiriu forma e 
gosto como a conhecemos hoje. As plantas foram denominadas 
kaweh e sua bebida recebeu o nome de kahwah ou cahue, que 
significa “força”, em árabe. 
Em 1760, a situação econômica do Império português era delicada. 
O ouro, sua maior fonte de riqueza, começava a dar sinais de 
declínio com o esgotamento das jazidas. O açúcar, sobretudo em 
função da concorrência de novos produtores, encontrava 
dificuldades de colocação no mercado. Outras culturas precisavam 
ser tentadas para reanimar o combalido Reino português, 
submetido à exploração britânica. A tradicional ingerência da 
Inglaterra em Portugal levava aquele país a desvalorizar o pouco 
café do Brasil que entrava no porto de Lisboa, barateando o gênero 
e desmerecendo-o em sua inicial concorrência com o café do 
Levante. Mais que isso, desencorajava francamente o investimento 
no produto que lhe poderia ameaçar o consumo do chá. 
Razão pela qual as remessas então enviadas à metrópole eram 
inexpressivas, longe de se tornarem competitivas no mercado. 
Os apelos de fora eram muitos. Na Europa e nos Estados Unidos 
elevava-se o consumo da bebida, sendo necessário suprir aqueles 
mercados. Concomitantemente, a navegação marítima atravessava 
fase de grande expansão, propiciando facilidades no transporte do 
produto. Acima disso, a Revolução nas Antilhas, em 1789, que 
elevou os preços do café, deixava o mercado a descoberto, 
beneficiando os concorrentes. 
O pioneirismo das plantações cariocas alcançou toda a região do 
Vale do Paraíba, sendo o principal espaço de produção até a 
década de 1870. Reproduzindo a mesma dinâmica produtiva do 
período colonial, essas plantações foram sustentadas por meio de 
latifúndios monocultores dominados pela mão-de-obra escrava. As 
propriedades contavam com uma pequena roça de gêneros 
alimentícios destinados ao consumo interno, sendo as demais 
terras inteiramente voltadas para a produção do café. 
A produção fluminense, dependente de uma exploração 
sistemática das terras, logo começaria a sentir seus primeiros 
sinais de crise. Ao mesmo tempo, a proibição do tráfico de 
escravos, em 1850, inviabilizou os moldes produtivos que 
inauguraram a produção cafeeira do Brasil. No entanto, nesse meio 
tempo, a região do Oeste Paulista ofereceu condições para que a 
produção do café continuasse a crescer significativamente. 
Os cafeicultores paulistas deram uma outra dinâmica à produção 
do café incorporando diferentes parcelas da economia capitalista. 
A mentalidade fortemente empresarial desses fazendeiros 
introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma 
nova expansão cafeeira.Muitos deles investiam no mercado de 
ações, dedicavam-se a atividades comerciais urbanas e na 
indústria. Para suprir a falta de escravos atraíram mão-de-obra de 
imigrantes europeus e recorriam a empréstimos bancários para 
financiar as futuras plantações. 
O curto espaço de tempo em que a produção cafeeira se 
estabeleceu foi suficiente para encerrar as constantes crises 
econômicas observadas desde o Primeiro Reinado. Depois de se 
fixar nos mercados da Europa, o café brasileiro também conquistou 
o paladar dos norte-americanos, fazendo com que os Estados 
Unidos se tornassem nosso principal mercado consumidor. Ao 
longo dessa trajetória de ascensão, o café, nos finais do século 
XIX, representou mais da metade dos ganhos com exportação. 
A adoção da mão-de-obra assalariada, na principal atividade 
econômica do período, trouxe uma nova dinâmica à nossa 
economia interna. Ao mesmo tempo, o grande acúmulo de capitais 
obtido com a venda do café possibilitou o investimento em infra-
estrutura (estradas, ferrovias...) e o nascimento de novos setores 
de investimento econômico no comércio e nas indústrias. Nesse 
sentido, o café contribuiu para o processo de urbanização do 
Brasil. 
Durante muitas décadas o café foi o principal produto das 
exportações nacionais e, apesar da perda de sua importância 
relativa na pauta das exportações brasileiras nas últimas três 
décadas, este produto ainda é muito importante para o país. 
Simultaneamente, a cafeicultura brasileira tem passado por 
importantes mudanças geográficas e estruturais. 
As transformações que ocorreram na cafeicultura brasileira a partir 
da década de 1970, com abertura de novas fronteiras agrícolas, 
decorrentes de fatores climáticos favoráveis e incentivos públicos 
subsidiados, resultaram em mudanças importantes na geografia da 
produção cafeeira, hoje, presente em grande parte do território 
nacional, porém concentrada em seis estados: Minas Gerais, 
Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Bahia e Rondônia. Em cada um 
deles, há regiões produtoras distintas, que refletem as diversidades 
edafoclimáticas, produzem diferentes tipos de café e utilizam, 
predominantemente, sistemas de cultivo intensivos em mão de 
obra, especialmente na etapa da colheita. O Estado de Minas 
Gerais é o maior produtor rasileiro em volume e valor da produção, 
concentrada no cultivo da espécie Coffea arábica, destinada à 
indústria de torrefação e moagem. 
 
 
	SEMANA 23 - GEOGRAFIA I - A AGROPECUÁRIA I A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ - FERNANDES
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	Os produtos extremos são a mandioca e o feijão, de um lado, e a cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até cem hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das propriedades agrárias, produzem mais de 80% da mandioca e 75% do feij...
	Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela agricultura brasileira.
	A fruta vermelha que nasce da flor branca e perfumada do pé de café tem sua origem geográfica nas terras quentes a nordeste da África, em tempos muito remotos. Ali nascia o verdadeiro café selvagem, em meio à mata, no centro da também lendária região ...
	Os etíopes iniciaram seu consumo na forma de fruto. Alimentavamse de sua polpa doce, por vezes macerada, ou a misturavam em banha, para refeição. E produziam um suco, que fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas também eram mastigad...
	A África foi o território de origem, mas coube aos árabes o domínio inicial da técnica de plantio e preparação do produto, quando o café da Etiópia, atravessando o Mar Vermelho, foi levado para a vizinha Península Arábica.
	Ali, de acordo com os mesmos manuscritos do ano de 575, a primeira região a receber as sementes do fruto foi o Iêmen (sudoeste da Ásia). Só por volta do ano 1000 seria conhecida sua infusão, com as cerejas fervidas em água, servida para fins medicinai...
	Em 1760, a situação econômica do Império português era delicada. O ouro, sua maior fonte de riqueza, começava a dar sinais de declínio com o esgotamento das jazidas. O açúcar, sobretudo em função da concorrência de novos produtores, encontrava dificul...
	Razão pela qual as remessas então enviadas à metrópole eram inexpressivas, longe de se tornarem competitivas no mercado.
	Os apelos de fora eram muitos. Na Europa e nos Estados Unidos elevava-se o consumo da bebida, sendo necessário suprir aqueles mercados. Concomitantemente, a navegação marítima atravessava fase de grande expansão, propiciando facilidades no transporte ...
	O pioneirismo das plantações cariocas alcançou toda a região do Vale do Paraíba, sendo o principal espaço de produção até a década de 1870. Reproduzindo a mesma dinâmica produtiva do período colonial, essas plantações foram sustentadas por meio de lat...
	A produção fluminense, dependente de uma exploração sistemática das terras, logo começaria a sentir seus primeiros sinais de crise. Ao mesmo tempo, a proibição do tráfico de escravos, em 1850, inviabilizou os moldes produtivos que inauguraram a produç...
	Os cafeicultores paulistas deram uma outra dinâmica à produção do café incorporando diferentes parcelas da economia capitalista. A mentalidade fortemente empresarial desses fazendeiros introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma ...
	O curto espaço de tempo em que a produção cafeeira se estabeleceu foi suficiente para encerrar as constantes crises econômicas observadas desde o Primeiro Reinado. Depois de se fixar nos mercados da Europa, o café brasileiro também conquistou o palada...
	A adoção da mão-de-obra assalariada, na principal atividade econômica do período, trouxe uma nova dinâmica à nossa economia interna. Ao mesmo tempo, o grande acúmulo de capitais obtido com a venda do café possibilitou o investimento em infra-estrutura...
	Durante muitas décadas o café foi o principal produto das exportações nacionais e, apesar da perda de sua importância relativa na pauta das exportações brasileiras nas últimas três décadas, este produto ainda é muito importante para o país. Simul...

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