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Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
27 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO
Questão 01
Além de possíveis problemas relacionados à saúde pública e à
ecologia, a introdução de produtos agrícolas geneticamente
modificados, os chamados transgênicos, no Brasil, pode ter uma
implicação econômica, devido:
a) à proibição da entrada destes produtos nos Estados Unidos.
b) à concorrência com a produção de transgênicos na Europa.
c) ao atraso tecnológico do Brasil frente aos demais produtores da
América Latina.
d) à resistência dos países da União Européia em consumirem
estes produtos.
e) à falta de preparo do trabalhador rural no manejo destes
produtos.
Questão 02
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Sepúlveda Pertence
disse que a proposta de limitação do tamanho das propriedades
rurais deveria "ter como base o módulo rural, que permita a
adequação do limite à evolução da tecnologia da terra".
("O Estado de São Paulo" - 22/08/2000)
O Estatuto da Terra de 1964 define módulo rural como uma área
suficiente para garantir ao trabalhador e à sua família (média de
quatro pessoas) o rendimento mínimo necessário para sua
sobrevivência. Sobre esse assunto assinale a alternativa
INCORRETA:
a) a extensão do módulo rural varia dependendo do tipo de
atividade desenvolvida.
b) a extensão do módulo rural é fixada pelo INCRA e é válida para
todo o território nacional.
c) nas áreas dos cinturões verdes o módulo rural pode ter uma
pequena extensão.
d) as condições climáticas e de solo interferem na definição da
extensão do módulo rural.
e) nas áreas de cultivo e nas áreas de pecuária o módulo rural tem
extensões diferenciadas.
Questão 03
Qual das alternativas seguintes NÃO faz uma afirmativa correta
sobre a situação da agricultura brasileira?
a) Nas últimas décadas, com o avanço do capitalismo no campo, a
agricultura passou por um processo de modernização; mas isso
não garantiu a melhoria do padrão de vida de grande parte dos
trabalhadores rurais.
b) Nos últimos anos, a manutenção de latifúndios vem sendo
duplamente ameaçada: pela ocupação de terras e pela queda do
preço da terra.
c) Nos anos 90, o Movimento dos Sem Terra (MST) tem sido o
mais forte movimento social em prol da distribuição da terra no país
e vem contando com o apoio de grandes proprietários de terra e de
grandes empresários rurais.
d) Na última década, as indústrias de alimentos inovam e
diversificam os produtos alimentícios agregando maior valor à
matéria-prima fornecida pelos produtores rurais e transferindo
renda do campo para as grandes indústrias e cadeias de
supermercados.
e) A partir da década de 1960, a modernização da produção
agrícola teve como condição básica os créditos agrícolas
garantidos pelo Estado, e os grandes beneficiários foram os grupos
sociais com maior poder político e econômico.
Questão 04
A origem do problema agrícola mostrado na foto é, principalmente,
a) pedológico, pois a existência de vastas manchas de latossolos
de baixa produtividade tem excluído muitos camponeses sem
recursos para a compra de insumos agrícolas.
b) político, pois a concentrada estrutura fundiária impede que
milhares de pessoas tenham acesso à terra e produzam alimentos
ou outros gêneros agrícolas.
c) geográfico, pois com a expansão da fronteira agrícola houve um
aumento de migrantes no campo, muitos dos quais não adaptados
às novas condições climáticas das áreas ocupadas.
d) técnica, pois a introdução de novos produtos agrícolas
inviabilizou o processo de modernização da produção devido à
carência de especialistas na atividade agrária.
e) comercial, pois o elevado número de trabalhadores no campo
tem alto custo e baixa produtividade, fatores que diminuem a
competitividade agrícola.
Questão 05
Considere o seguinte depoimento:
Meu nome é Benedito. Sou do interior. Moro na capital. No interior,
o trabalho era pouco, as cercas eram muitas, a seca era grande.
Às vezes, trabalhava na cana, às vezes, trabalhava de servente, às
vezes, fazia bico brocando mato. Eu não tinha terra. Vim para a
capital. Aqui trabalho na construção civil. Levanto edifícios, levanto
casas, levanto pontes e cavo galerias. A minha mão faz a cidade
maior. Sonho construir uma boa casa. A casa da minha família.
(Revista "Travessia", maio/agosto de 2001, p. 38)
A leitura do texto e seus conhecimentos sobre a dinâmica
populacional brasileira permitem afirmar que
a) nos anos de 1990, as migrações cíclicas no campo perderam
força, principalmente, devido às oportunidades de trabalho nas
cidades.
b) desde o início dos anos de 1980, que praticamente não há mais
migração do campo para a cidade, sendo este depoimento bem
antigo.
c) nos anos de 1990, a nova abertura das fronteiras agrícolas, no
Norte, redirecionou as migrações para o campo e não mais para as
cidades.
d) no final do século XX, a estrutura fundiária concentradora, ainda,
é responsável pelo êxodo de milhares de trabalhadores rurais.
e) nos anos de 1990, o movimento do campo em direção às
pequenas e médias cidades declinou, aumentando aquele que se
dirige para as grandes cidades.
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CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA – (Prof. Fernandes Epitacio)
Questão 06
Responda a esta questão com base nos mapas seguintes:
Um título adequado integrando os dois mapas poderia ser:
a) substituição da pecuária pela lavoura
b) substituição da vegetação natural por áreas de atuação
antrópica
c) implantação de parques e reservas nas áreas de cerrado
d) expansão da desertificação nas áreas de cerrado
e) lavouras irrigadas no domínio do cerrado
Questão 07
As maiores alterações do espaço agrário brasileiro são irradiadas
da Região Sudeste, sendo essa a região que mais contribui para o
produto interno do setor agropecuário brasileiro. Nesse sentido,
são corretas as seguintes afirmativas, EXCETO:
a) A concentração de capital permite maiores investimentos para a
melhoria das técnicas agrícolas que, por sua vez, são tomadas
como exemplos pelos produtores rurais de outras áreas do país.
b) As empresas se expandem para continuar a crescer, fazem
investimentos fora de sua sede territorial, mas mantêm com ela
fortes laços de dependência.
c) A concentração industrial exige grande quantidade de produtos
agrícolas como matéria prima.
d) Cada vez mais a economia agroindustrial no Brasil está apoiada
na produção de matéria prima bruta para as indústrias sediadas no
complexo urbano-industrial de São Paulo.
Questão 08
Leia com atenção o texto abaixo:
"A ocupação do Paraná intensificou-se na década de 40, com a
chegada das culturas de café e de algodão no norte do Estado, nas
áreas pioneiras polarizadas por Londrina. Nelas, multiplicaram-se
as pequenas e médias propriedades e a oferta de emprego rural.
Milhares de migrantes chegavam atualmente à região: entre 1950 e
1960, a população paranaense cresceu mais de 100%, um recorde
entre os estados brasileiros.
A partir de 1970, a introdução do cultivo de soja alterou
substancialmente a estrutura agrária de vastas porções do Estado.
(...) Entre 1970 e 1980 o Paraná voltou a quebrar um recorde, só
que desta vez negativo: sua população cresceu apenas 11%, o
menor índice entre os estados brasileiros."
(MAGNOLI, D. e ARAÚJO, R. "A Nova Geografia", Ed. Moderna)
Assinale a alternativa que indica as causas dessa grande mudança
no crescimento populacional do Paraná:
a) O crescimento do tamanho médio das propriedades e a
mecanização agrícola.
b) A fragmentação das grandes unidades rurais em novas
pequenas propriedades de terra, acompanhada pela melhoria da
infra-estrutura para o escoamento da produção do pequeno
agricultor.
c) A ampliação de oportunidades econômicas na região rural do
Estado e o deslocamento de parte da população urbana das
médias e pequenascidades do interior para as áreas rurais para
trabalhar no cultivo de soja.
d) A estabilidade da política agrária, sobretudo no que concerne
aos incentivos e subsídios ao pequeno trabalhador rural e o
conseqüente crescimento de sua renda familiar.
e) A instalação de assentamentos rurais destinados a retomar a
cultura do café e o aumento da necessidade de mão-de-obra no
campo.
Questão 09
O avanço das relações capitalistas na década de 1970 provocou
expressivas mudanças no espaço agrário gaúcho, ao mesmo
tempo que o país se preocupava com a inserção da sua economia
no mercado internacional. A característica que melhor define a
situação do Rio Grande do Sul nessa década é
a) o predomínio da produção de alimentos em pequenas
propriedades em função do abastecimento de uma sociedade
urbano-industrial local.
b) a produção de policulturas destinadas ao mercado interno
gaúcho, realizada por antigos colonos com o auxílio de subsídios
governamentais.
c) o intenso processo de reformas agrárias, que contribuíram
definitivamente para o atual quadro fundiário gaúcho.
d) o retorno do migrante das grandes e médias cidades gaúchas,
que busca novamente possibilidades no campo, amenizando os
problemas sociais urbanos.
e) a produção voltada principalmente para a cultura da soja, com a
finalidade de exportação, contribuindo para a diminuição da área
destinada a outros cultivos.
Questão 10
Fonte: Conflitos no Campo Brasil 1997. Comissão Pastoral da Terra.
(SANTOS, M. e SILVEIRA, M. L. O Brasil: território e sociedade no início do século
XXI. Rio de Janeiro: Record, 2001.)
O mapa acima mostra a distribuição espacial de conflitos em torno
da propriedade da terra no Brasil.
Observando a diferenciação por estados e regiões e traçando um
paralelo com as características da agricultura brasileira, é possível
afirmar que os conflitos ocorrem principalmente em:
a) áreas em processo de modernização agrícola e expansão da
agroindústria
b) estados administrados pela oposição ao governo federal e em
crise econômica
c) regiões de maior densidade demográfica e crescimento
populacional acelerado
d) periferias das grandes metrópoles e áreas urbanas em processo
de rápida expansão
Aula 22 – A Estrutura Fundiária Brasileira Pós-1930 e os Movimentos Sociais
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Questão 11
A distribuição geográfica dos assentamentos rurais no Ceará
segue a lógica do processo de ocupação histórica do Estado. Face
a essa constatação, analise as afirmativas abaixo.
I. A região dos sertões, na qual predominam os latifúndios,
concentra o maior número de assentamentos rurais.
II. A região do litoral possui o maior número de assentamentos
rurais na Região Metropolitana de Fortaleza.
III. A região do Cariri, incluindo a Chapada do Araripe, possui o
menor número de assentamentos rurais.
Das assertivas acima, pode-se afirmar corretamente que:
a) apenas I e II são verdadeiras.
b) apenas I é verdadeira.
c) apenas II e III são verdadeiras.
d) apenas I e III são verdadeiras.
e) I, II e III são verdadeiras.
Questão 12
Assinale a alternativa que indica a principal característica do
processo de modernização da agricultura brasileira.
a) Redução da produtividade por falta de insumos
b) Atendimento à demanda interna por produtos agrícolas
c) Aplicação de técnicas tradicionais no uso agrícola da terra
d) Atendimento à demanda externa por produtos agrícolas
e) Fundamentação em cultivos de subsistência e minifúndios
Questão 13
Apesar da permanência dos latifúndios e da pobreza de imensas
parcelas da população rural, o espaço agrário brasileiro vem
experimentando transformações importantes. Isto pode ser
constatado ao se observar:
a) a presença de grandes empresas industriais que atuam tanto na
produção de bens agrícolas, como no processamento e
financiamento de insumos para a agricultura;
b) a homogeneização dos processos produtivos, graças aos
incentivos fiscais concedidos pelo Estado ao conjunto das
propriedades rurais;
c) a extensão prioritária da difusão de técnicas modernas e créditos
bancários às médias e pequenas propriedades dedicadas à cultura
de produtos destinados à exportação;
d) a substituição do modelo agroexportador pelo modelo de
sustentabilidade do mercado interno, em função da política agrícola
do governo federal;
e) o desenvolvimento da agroecologia em áreas degradadas pelo
uso de monoculturas de exportação e pela prática da pecuária
intensiva.
CURSO ANUAL DE GEOGRAFIA I
Prof. Fernandes Epitácio
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
A AGROPECUÁRIA I: A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ
INTRODUÇÃO
É comum dividir os produtos agrícolas brasileiros em duas
categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o
milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz; e as “culturas
de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-açucar,
café, soja, algodão, trigo, etc...
As primeiras – destinadas principalmente à produção de alimentos
para a população -, desde a época colonial, são relegadas a
segundo plano, cultivadas nas piores terras e em pequenas
propriedades. As “culturas de rico”, ao contrário, destinam-se
principalmente à exportação ou à transformação industrial, como
ocorre com parte da produção da cana, do fumo, do algodão, etc..
Desde o período colonial, ocupam os melhores solos e são
cultivadas principalmente nas médias ou grandes propriedades
rurais.
Essas diferenças são relativas, pois muitos produtos destinados ao
consumo interno podem eventualmente ser exportados se
apresentarem forte valorização, como ocorreu nas últimas décadas
com a laranja. Da mesma forma, os produtos destinados à
exportação também são consumidos dentro do país, mas
geralmente se exporta o melhor e deixa-se o pior para o consumo
interno. Assim, em Nova York ou em Londres, toma-se um
cafezinho melhor do que em São Paulo ou no Rio de Janeiro.
As grandes propriedades cultivam, eventualmente, os gêneros
alimentícios para a população em geral, mas, por via de regra,
essa tarefa cabe às pequenas propriedades. Muitos minifúndios
também cultivam algodão, café e outras “culturas de rico”, embora
a maior parte desses produtos, principalmente a cana-de-açúcar e
a soja, se concentre nas médias e grandes propriedades.
Os produtos extremos são a mandioca e o feijão, de um lado, e a
cana, de outro. Os imóveis rurais com dimensão de até cem
hectares, que abrangem pouco menos de 20% da área total das
propriedades agrárias, produzem mais de 80% da mandioca e 75%
do feijão nacional; mas, na produção da cana-de-açúcar, eles
contribuem com apenas cerca de 16% do total. Já os imóveis com
área a mil hectares, que abrangem cerca de 45% da superfície
total dos imóveis rurais, produzem cerca de 50% da cana-de-
açúcar e apenas 3% da mandioca e 5% do feijão.
Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela
agricultura brasileira.
CANA-DE-AÇÚCAR
A cana-de-açúcar, a princípio originária da espécie Saccharum
officinarum, provém do território asiático, e era aí semeada desde
tempos ancestrais. Com o tempo, vários outros espécimes foram
produzidos com a ajuda de inovações tecnológicas, pois a planta
original provocava diversas enfermidades.
No Brasil esta planta desembarcou pelas mãos dos portugueses,
no início do século XVI. Ela prosperou principalmente no Nordeste
deste país, sendo responsável por esta nação se converter na
melhor criadora e exportadora de açúcar neste período, que se
estendeu até o século XVII.
O Ciclo do Açúcar foi um período da história do Brasil Colonial
compreendido entre meados do século XVI e meados do XVIII.
Neste período, a produção de açúcar, voltada para a exportação,
nos engenhos do Nordeste brasileiro foi a principal atividade
econômica.
As primeiras mudas de cana-de-açúcar chegaram em território
brasileiro pelas mãosde Martim Afonso de Souza. Sua expedição
tinha a função de dar início à colonização do território brasileiro,
ação desejada pela coroa portuguesa como forma de proteger o
litoral do Brasil das invasões estrangeiras.
Neste contexto, Martim Afonso de Souza deu início a produção de
açúcar no Brasil em 1533, através da instalação do primeiro
engenho da colônia, na cidade de São Vicente (localizada no
atual litoral do estado de São Paulo).
PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DO PERÍODO
- A economia do açúcar foi responsável pela consolidação da
colonização, através da ocupação de parte da costa brasileira.
- O engenho foi a principal unidade de produção de açúcar no
Brasil Colonial.
-Uso de mão-de-obra escrava, de origem africana, no plantio e
colheita da cana-de-açúcar, assim como nas várias etapas
de produção do açúcar. Os escravos, principalmente
mulheres, também foram usadas na execução de atividades
domésticas.
- Prevalência das grandes propriedades rurais (latifúndios) no
Nordeste brasileiro, com forte concentração de terra.
- Sociedade patriarcal, com poderes político, econômico e social
concentrados nas mãos dos senhores de engenho.
- Sociedade estática e estratificada dividida em: Aristocracia rural
(senhores de engenho); homens livres (comerciantes, artesãos,
funcionários públicos, feitores, etc.) e escravos (maioria da
população do período).
- Tráfico negreiro como outra importante atividade lucrativa,
principalmente para os comerciantes e coroa portuguesa.
Hoje, porém, é na região interiorana de São Paulo que se localiza a
maior parte dos canaviais. E o açúcar não é mais seu principal
produto, pois atualmente o álcool, especialmente o etanol, extraído
deste vegetal, é o que mais destaca economicamente, pois,
enquanto combustível alternativo, contribui igualmente para o
desenvolvimento sustentável.
A cana tem também outras finalidades. Ela é utilizada no estado
natural como pasto consumido pelo gado, ou na forma de
ingrediente em alimentos como a rapadura, o melado, a
aguardente, entre outros produtos. Este arbusto apresenta o caule
delgado, agradável ao tato e extenso, o qual é recoberto de folhas
igualmente compridas e esverdeadas. Na haste há um elevado teor
de açúcar.
Ela se desenvolve melhor em climas que se caracterizam por
apresentar duas estações bem diferenciadas, uma de altas
temperaturas e a outra úmida, que possibilitam a evolução
germinativa, a rebentação e o progresso do vegetal. A estação fria
e seca é necessária para incentivar o estágio maduro e, como
resultado deste processo, a concentração de sacarose nos caules
de nós salientes. As regiões tropicais são as que oferecem
melhores recursos para o desenvolvimento da cana, pois ela
necessita da luz solar para seu crescimento.
As terras apropriadas para o cultivo desta planta são as mais
fundas, densas, dotadas de maior estrutura e fecundas. Por ser
grosseira, a cana-de-açúcar evolui de forma satisfatória em
territórios repletos de areia e menos abundantes de recursos, como
o cerrado. Até hoje este vegetal é submetido a constantes
melhorias, que resultam em espécimes híbridos.
Aula 23 – A Agropecuária I - A Cana-de-açúcar e o Café
31 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência
O cultivo da cana-de-açúcar é um dos mais significativos nas
regiões declima tropical, pois, além dos produtos que gera,
economicamente importantes, ele também oferece diretamente
milhares de empregos, apesar de gerar uma alta convergência de
renda. A área que mais produz esta planta, no Brasil, é a de
Ribeirão Preto. A indústria canavieira se caracteriza especialmente
pelo modelo latifundiário, pois muitas terras são depositadas nas
mãos de poucos senhores de terra. Este mecanismo resulta no
temível êxodo do campo.
O CAFÉ
A fruta vermelha que nasce da flor branca e perfumada do pé de
café tem sua origem geográfica nas terras quentes a nordeste da
África, em tempos muito remotos. Ali nascia o verdadeiro café
selvagem, em meio à mata, no centro da também lendária região
de Kafa, no interior da Etiópia, país de clima árido-tropical, onde
hoje se localiza a cidade de Bonga. Até o presente, o arbusto do
café é parte daquela vegetação natural.
Os etíopes iniciaram seu consumo na forma de fruto.
Alimentavamse de sua polpa doce, por vezes macerada, ou a
misturavam em banha, para refeição. E produziam um suco, que
fermentado se transformava em bebida alcoólica. Suas folhas
também eram mastigadas ou utilizadas no preparo de chá.
A África foi o território de origem, mas coube aos árabes o domínio
inicial da técnica de plantio e preparação do produto, quando o
café da Etiópia, atravessando o Mar Vermelho, foi levado para a
vizinha Península Arábica.
Ali, de acordo com os mesmos manuscritos do ano de 575, a
primeira região a receber as sementes do fruto foi o Iêmen
(sudoeste da Ásia). Só por volta do ano 1000 seria conhecida sua
infusão, com as cerejas fervidas em água, servida para fins
medicinais. Naquela altura, monges e dervixes começaram a usar
o café como bebida excitante que os auxiliava nas rezas e vigílias
noturnas, postura que indiretamente se constituiu em aval para que
seu consumo se propagasse. O processo de torrefação, porém, só
foi desenvolvido no século XIV, quando a bebida adquiriu forma e
gosto como a conhecemos hoje. As plantas foram denominadas
kaweh e sua bebida recebeu o nome de kahwah ou cahue, que
significa “força”, em árabe.
Em 1760, a situação econômica do Império português era delicada.
O ouro, sua maior fonte de riqueza, começava a dar sinais de
declínio com o esgotamento das jazidas. O açúcar, sobretudo em
função da concorrência de novos produtores, encontrava
dificuldades de colocação no mercado. Outras culturas precisavam
ser tentadas para reanimar o combalido Reino português,
submetido à exploração britânica. A tradicional ingerência da
Inglaterra em Portugal levava aquele país a desvalorizar o pouco
café do Brasil que entrava no porto de Lisboa, barateando o gênero
e desmerecendo-o em sua inicial concorrência com o café do
Levante. Mais que isso, desencorajava francamente o investimento
no produto que lhe poderia ameaçar o consumo do chá.
Razão pela qual as remessas então enviadas à metrópole eram
inexpressivas, longe de se tornarem competitivas no mercado.
Os apelos de fora eram muitos. Na Europa e nos Estados Unidos
elevava-se o consumo da bebida, sendo necessário suprir aqueles
mercados. Concomitantemente, a navegação marítima atravessava
fase de grande expansão, propiciando facilidades no transporte do
produto. Acima disso, a Revolução nas Antilhas, em 1789, que
elevou os preços do café, deixava o mercado a descoberto,
beneficiando os concorrentes.
O pioneirismo das plantações cariocas alcançou toda a região do
Vale do Paraíba, sendo o principal espaço de produção até a
década de 1870. Reproduzindo a mesma dinâmica produtiva do
período colonial, essas plantações foram sustentadas por meio de
latifúndios monocultores dominados pela mão-de-obra escrava. As
propriedades contavam com uma pequena roça de gêneros
alimentícios destinados ao consumo interno, sendo as demais
terras inteiramente voltadas para a produção do café.
A produção fluminense, dependente de uma exploração
sistemática das terras, logo começaria a sentir seus primeiros
sinais de crise. Ao mesmo tempo, a proibição do tráfico de
escravos, em 1850, inviabilizou os moldes produtivos que
inauguraram a produção cafeeira do Brasil. No entanto, nesse meio
tempo, a região do Oeste Paulista ofereceu condições para que a
produção do café continuasse a crescer significativamente.
Os cafeicultores paulistas deram uma outra dinâmica à produção
do café incorporando diferentes parcelas da economia capitalista.
A mentalidade fortemente empresarial desses fazendeiros
introduziu novas tecnologias e formas de plantio favoráveis a uma
nova expansão cafeeira.Muitos deles investiam no mercado de
ações, dedicavam-se a atividades comerciais urbanas e na
indústria. Para suprir a falta de escravos atraíram mão-de-obra de
imigrantes europeus e recorriam a empréstimos bancários para
financiar as futuras plantações.
O curto espaço de tempo em que a produção cafeeira se
estabeleceu foi suficiente para encerrar as constantes crises
econômicas observadas desde o Primeiro Reinado. Depois de se
fixar nos mercados da Europa, o café brasileiro também conquistou
o paladar dos norte-americanos, fazendo com que os Estados
Unidos se tornassem nosso principal mercado consumidor. Ao
longo dessa trajetória de ascensão, o café, nos finais do século
XIX, representou mais da metade dos ganhos com exportação.
A adoção da mão-de-obra assalariada, na principal atividade
econômica do período, trouxe uma nova dinâmica à nossa
economia interna. Ao mesmo tempo, o grande acúmulo de capitais
obtido com a venda do café possibilitou o investimento em infra-
estrutura (estradas, ferrovias...) e o nascimento de novos setores
de investimento econômico no comércio e nas indústrias. Nesse
sentido, o café contribuiu para o processo de urbanização do
Brasil.
Durante muitas décadas o café foi o principal produto das
exportações nacionais e, apesar da perda de sua importância
relativa na pauta das exportações brasileiras nas últimas três
décadas, este produto ainda é muito importante para o país.
Simultaneamente, a cafeicultura brasileira tem passado por
importantes mudanças geográficas e estruturais.
As transformações que ocorreram na cafeicultura brasileira a partir
da década de 1970, com abertura de novas fronteiras agrícolas,
decorrentes de fatores climáticos favoráveis e incentivos públicos
subsidiados, resultaram em mudanças importantes na geografia da
produção cafeeira, hoje, presente em grande parte do território
nacional, porém concentrada em seis estados: Minas Gerais,
Espírito Santo, São Paulo, Paraná, Bahia e Rondônia. Em cada um
deles, há regiões produtoras distintas, que refletem as diversidades
edafoclimáticas, produzem diferentes tipos de café e utilizam,
predominantemente, sistemas de cultivo intensivos em mão de
obra, especialmente na etapa da colheita. O Estado de Minas
Gerais é o maior produtor rasileiro em volume e valor da produção,
concentrada no cultivo da espécie Coffea arábica, destinada à
indústria de torrefação e moagem.
SEMANA 23 - GEOGRAFIA I - A AGROPECUÁRIA I A CANA-DE-AÇÚCAR E O CAFÉ - FERNANDES
É comum dividir os produtos agrícolas brasileiros em duas categorias: as “culturas de pobre”, nas quais se incluem o feijão, o milho, a mandioca e boa parte da produção do arroz; e as “culturas de rico”, como são conhecidas as plantações de cana-de-aç...
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Vamos estudar agora os principais produtos cultivados pela agricultura brasileira.
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