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Aula 2 – Sociedade Colonial 229 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Assinale a opção que, baseada na citação do jesuíta Antonil, justifica corretamente os fundamentos da sociedade colonial. a) A sociedade colonial se resumia ao mundo da casa-grande e da senzala, espaços fundamentais de um mundo rural mediado pelos engenhos açucareiros. b) O ideal de sociedade colonial, segundo os inacianos, era o de uma sociedade de missões, o que explica a crítica do jesuíta Antonil à escravidão. c) A estrutura social do Brasil Colônia era fundamentalmente escravista, uma vez que os setores essenciais da economia colonial, a exemplo de agro-manufatura do açúcar, dependiam do trabalho escravo, sobretudo dos africanos. d) A sociedade escravista erigida na Colônia sempre foi condenada pelos jesuítas que, a exemplo de Antonil, desejavam ardorosamente que índios e africanos se dedicassem ao mundo de Deus. e) A sociedade colonial possuía duas classes, senhores e escravos, pólos antagônicos do latifúndio ou da "fazenda" mencionada por Antonil. Questão 14 “Em pouco mais de cem anos, a ênfase passa do controle dos moradores para o dos escravos fugidos, do olhar metropolitano ao colonial, e uma figura central emerge: a do capitão-do-mato [...]. O termo capitão-do-mato já aparece em diversos documentos coloniais desde meados do século XVII [Contudo o cargo foi normatizado apenas no início do século XVIII.] Que terá acontecido no período que vai de meados do século XVII às primeiras décadas do século XVIII para que essa ocupação se estabelecesse tão firmemente na vida colonial?” (REIS, João José; GOMES, Flávio dos Santos (Orgs.). Liberdade por um fio. São Paulo: Companhia das Letras, 1996. p.85.) Considerando-se as informações desse texto, é correto afirmar que o crescente fortalecimento do cargo de capitão-do-mato, entre meados do século XVII e início do século XVIII, se explica como consequência da: a) interiorização da população em direção à área das drogas do sertão, o que resulta numa ocupação desordenada desses espaços produtivos por brancos e negros. b) explosão demográfica ocorrida na região das minas dos Goiases e de Cuiabá, que implica um adensamento populacional propício às desordens e violência, sobretudo as praticadas por escravos fugidos. c) urbanização do Nordeste, derivada da crise açucareira, gerada pela expulsão dos holandeses, crise que promove, nas vilas e arraiais, a concentração de escravos, que, até então, trabalhavam nos engenhos. d) dificuldade das campanhas para a destruição do quilombo de Palmares e a possibilidade do surgimento de novos e resistentes núcleos de quilombolas tanto no Nordeste quanto em outras áreas de interesse metropolitano. Questão 15 No Brasil colonial, grande parte da mão-de-obra era suprida pela exploração do trabalho escravo de africanos e de seus descendentes. Sua condição perante a lei era ambígua. Quando se tratava de puni-los, eram considerados pessoas, sendo responsabilizados pelas faltas cometidas e recebendo, por isso, severos castigos. Por outro lado, eram tratados também como coisas, uma vez que: a) a propriedade sobre o indivíduo escravizado era transmissível por herança, doação, legado, aluguel, empréstimo e confisco. b) a condição social de escravo era perpétua e se transmitia hereditariamente, pela linha materna, tal como no antigo direito romano. c) a convivência dos escravos domésticos com os seus senhores resultava em maior intimidade e gerava maiores chances de alforria. d) a jornada de trabalho dos escravos, nas plantações e nos engenhos de açúcar, era muito longa e esgotava suas forças em poucos anos. Questão 16 No Brasil, os escravos: 1. trabalhavam tanto no campo quanto na cidade, em atividades econômicas variadas. 2. sofriam castigos físicos, em praça pública, determinados por seus senhores. 3. resistiam de diversas formas, seja praticando o suicídio, seja organizando rebeliões. 4. tinham a mesma cultura e religião, já que eram todos provenientes de Angola. 5. estavam proibidos pela legislação de efetuar pagamento por sua alforria. Das afirmações apresentadas, são verdadeiras apenas: a) 1, 2 e 4. b) 3, 4 e 5. c) 1, 3 e 5. d) 1, 2 e 3. e) 2, 3 e 5. Anotações 230 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO Questão 01 Os primitivos habitantes do Brasil foram vítimas do processo colonizador. O europeu, com visão de mundo calcada em preconceitos, menosprezou o indígena e sua cultura. A acreditar nos viajantes e missionários, a partir de meados do século XVI, há um decréscimo da população indígena, que se agrava nos séculos seguintes. Os fatores que mais contribuíram para o citado decréscimo foram: a) a captura e a venda do índio para o trabalho nas minas de prata do Potosi. b) as guerras permanentes entre as tribos indígenas e entre índios e brancos. c) o canibalismo, o sentido mítico das práticas rituais, o espírito sanguinário, cruel e vingativo dos naturais. d) as missões jesuíticas do vale amazônico e a exploração do trabalho indígena na extração da borracha. e) as epidemias introduzidas pelo invasor europeu e a escravidão dos índios. Questão 02 "Na primeira carta disse a V. Rev. a grande perseguição que padecem os índios, pela cobiça dos portugueses em os cativarem. Nada há de dizer de novo, senão que ainda continua a mesma cobiça e perseguição, a qual cresceu ainda mais. No ano de 1649 partiram os moradores de São Paulo para o sertão, em demanda de uma nação de índios distantes daquela capitania muitas léguas pela terra adentro, com a intenção de os arrancarem de suas terras e os trazerem às de São Paulo, e aí se servirem deles como costumam." (Pe. Antônio Vieira, CARTA AO PADRE PROVINCIAL, 1653, Maranhão.) Este documento do Padre Antônio Vieira revela: a) que tanto o padre Vieira como os demais jesuítas eram contrários à escravidão dos indígenas e dos africanos, posição que provocou conflitos constantes com o governo português. b) um dos momentos cruciais da crise entre o governo português e a Companhia de Jesus, que culminou com a expulsão dos jesuítas do território brasileiro. c) que o ponto fundamental dos confrontos entre os padres jesuítas e os colonos referia-se à escravização dos indígenas e, em especial, à forma de atuar dos bandeirantes. d) um episódio isolado da ação do padre Vieira na luta contra a escravização indígena no Estado do Maranhão, o qual se utilizava da ação dos bandeirantes para caçar os nativos. e) que os padres jesuítas, em oposição à ação dos colonos paulistas, contavam com o apoio do governo português na luta contra a escravização indígena. Questão 03 Compare os dois textos abaixo: "Cinco grupos etnográficos, ligados pela comunidade ativa da língua e passiva da religião, moldados pelas condições ambientes de cinco regiões dispersas, tendo pelas riquezas naturais da terra um entusiasmo estrepitoso, sentindo pelo português aversão ou desprezo, não se prezando, porém, uns aos outros de modo particular - eis em suma ao que se reduziu a obra de três séculos." (ABREU, Capistrano de. "CapítuIos de história colonial" Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1976 - original de 1907.) "É de assinalar que, apesar de feitos pela fusão de matrizes tão diferenciadas, os brasileiros são, hoje, um dos povos mais homogêneos, linguística e culturalmente e também um dos mais integrados socialmente da Terra. Falam uma mesma língua, sem dialetos. Não abrigam nenhum contingente reivindicativo de autonomia, nem se apegam a nenhum passado. Estamos abertos é para o futuro." (RIBEIRO, Darcy. "O povo brasileiro". São Paulo: Companhia dasLetras, 1995.) No que diz respeito à formação da nação brasileira, os autores, nas passagens acima, divergem quanto ao significado de aspectos da: a) herança colonial b) unificação territorial c) polarização regional d) imigração estrangeira Questão 04 "Os colonizadores utilizaram a mão-de-obra indígena para construir suas cidades e instalar suas missões. Ao ensinar, acabaram por aprender, favorecendo um profundo processo de assimilação cultural iniciado pelo confronto." (Silva, Janice Theodoro da. "Descobrimento e Colonização", São Paulo, Ed. Ática, 1987.) A nossa identidade foi forjada durante todo o período colonial e teve como matriz o encontro e o confronto de culturas distintas. Observando a sociedade brasileira atual com base no fato exposto pela afirmativa acima, verificamos que a cultura: a) indígena passou por um processo de aculturação tão bem feito que não podemos identificar nenhum de seus traços na cultura brasileira atual. b) brasileira apresenta-se como cultura "pura", pelo fato de a cultura europeia ter sido dominada pela indígena. c) europeia foi tão influenciada pela cultura indígena que só o idioma português ficou como herança europeia na cultura brasileira. d) brasileira tem como marca a "mestiçagem cultural", em que traços da cultura indígena se misturaram com traços europeus e africanos. e) indígena, apesar de ter sido dominada pela europeia, deixou como herança a família monogâmica e matriarcal. Questão 05 Com relação às populações indígenas brasileiras, NÃO é correto afirmar: a) para praticar a agricultura, os tupis derrubavam árvores e faziam a queimada, técnica que seria posteriormente incorporada pelos colonizadores. b) quando os europeus chegaram aqui, encontraram uma população ameríndia homogênea em termos culturais e linguísticos, distribuída ao longo da costa e da bacia dos Rios Paraná-Paraguai. c) ao longo do período colonial, em várias ocasiões os aimorés, tupis, xavantes, tupiniquins, tapuias e terenas uniram-se para enfrentar os invasores europeus. d) feijão, milho, abóbora e mandioca eram plantados pelas nações indígenas, sendo que a farinha de mandioca tornou-se um alimento básico na Colônia. e) uma forma de resistência dos índios à presença do homem branco consistiu no seu contínuo deslocamento, para regiões cada vez mais pobres. Aula 2 – Sociedade Colonial 231 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 06 Com a chegada dos europeus no continente americano, a partir do final do século XV, as populações indígenas foram praticamente exterminadas. Mas, apesar da violência da conquista territorial, a resistência indígena nas regiões brasileiras sempre existiu, podendo ser identificada a) pela organização de quilombos em áreas distantes do litoral, onde preservaram costumes e tradições. b) pela aculturação e acordos com os padres jesuítas e de outras ordens religiosas nas missões religiosas. c) pela preservação de costumes no processo de coabitação e casamentos, que garantiam a mestiçagem entre brancos e índias. d) pela união entre as tribos do litoral e do interior contra a organização das missões jesuíticas. e) por lutas e enfrentamentos diversos, como a Guerra Guaranítica, e fugas para áreas do interior da Amazônia. Questão 07 "Guaixará Esta virtude estrangeira me irrita sobremaneira Quem a teria trazido, com os seus hábitos polidos estragando a terra inteira? (...) Quem é forte como eu? Como eu, conceituado? Sou diabo bem assado, a fama me precedeu; Guaixará sou chamado (...) Que bom costume é bailar! Adornar-se, andar pintado, tingir pernas, empenado fumar e curandeiar, andar de negro pintado. (…) Para isso com os índios convivi. Vêm os tais padres agora com regras fora de hora para que duvidem de mim. Lei de Deus que não vigora." (ANCHIETA, José de. "Auto de São Lourenço" In: "Teatro de Anchieta". São Paulo, Loyola, pp.61-62) A leitura de Anchieta nos permite afirmar que a ação da Companhia de Jesus no processo da colonização do Brasil foi marcada pela(o): a) completa aceitação das práticas culturais indígenas e pela sua incondicional defesa diante da Coroa portuguesa. b) intolerância radical com relação às comunidades indígenas e pela defesa de escravização indiscriminada destas comunidades. c) aceitação da cultura indígena e afirmação dos seus valores em detrimento das bases culturais do catolicismo ocidental. d) mecanismo de apropriação da cultura indígena, utilizando seus elementos como forma de empreender a catequese dos nativos sob os moldes católicos. e) indiferentismo em relação à cultura indígena, por ser considerada demoníaca e irrecuperável, mesmo diante dos ensinamentos cristãos. Questão 08 Em razão de as comunidades primitivas indígenas representarem, no Período Colonial, apenas reservas de força de trabalho a ser aproveitada no corte e transporte do pau-brasil, entre 1500 e 1530, no Brasil, a) o comércio realizava-se através da troca direta ou escambo. b) a maioria das atividades produtivas concentrava-se na economia informal. c) o extrativismo mineral acabou desenvolvendo um mercado de consumo interno. d) a economia baseou-se essencialmente em atividades agrícolas. e) a expansão da pecuária impulsionou a utilização da mão-de-obra escrava africana. Questão 09 Durante o período colonial, havia atritos entre os padres jesuítas e os habitantes locais porque os a) colonos eram ateus belicosos, e os jesuítas, pacíficos católicos. b) religiosos pretendiam escravizar tanto o negro como o índio e os colonos lutavam para receber salários dos capitães donatários. c) colonos desejavam escravizar o negro e os jesuítas se opunham. d) religiosos preocupavam-se com a integração dos indígenas no mercado de trabalho assalariado e os colonos queriam escravizá- los. e) colonos pretendiam escravizar os indígenas e os padres eram contra, pois queriam aldeá-los em missões. Questão 10 Todas as alternativas contêm elementos corretos sobre o projeto missionário e catequizador dos jesuítas, no momento da colonização brasileira, EXCETO a) A legitimação da espoliação e da fraternidade cristã. b) A oratória barroca, marcada pelo discurso linear e retilíneo. c) A simbiose da alegoria cristã e do pensamento mercantil. d) O ardor da diplomacia cristã, mistura de veemência e ambiguidade. e) Os caminhos violentos e sedutores da pedagogia missionária. Questão 11 Sobre os jesuítas, intimamente relacionados com a expansão europeia e a realidade colonial, é correto afirmar que: a) foram expulsos de Portugal e do Brasil no reinado de D. José I. b) respeitaram as culturas alheias, mas fizeram da educação uma das tarefas menos constantes na América, na Ásia e na África. c) a Ordem dos Jesuítas nunca foi reconhecida pela Santa Sé e pelos monarcas absolutos. d) deliberadamente buscaram aniquilar os guaranis catequizados. e) foram indispensáveis na luta contra-reformista, mas não estavam sujeitos a um modelo de organização hierarquizada militarmente. Questão 12 A Igreja Católica teve papel relevante no processo de colonização, que pode ser constatado: a) na Catequese que, promovendo a integração do índio aos padrões europeus e cristãos, favoreceu a sua emancipação. b) na Educação, através das Ordens Religiosas, a Igreja monopolizou as instituições de ensino até o século XVIII. c) nas Missões, que, ao reunirem os contingentes indígenas, facilitavam o fornecimento de mão-de-obra para a lavoura. d) na defesa das Fronteiras, sendo as missões a primeira defesa por onde penetraram estrangeiros no Brasil. 232 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL – (Prof. Márcio Michiles) e) na administração, ocupando o clero a maior parte dos cargos públicos que exigiam melhor nível de instrução. Questão 13 "As aldeias de índios estão forçadas aentregar certa quantidade de seus membros aptos para realizar trabalhos (...), durante um prazo determinado. Esses índios são compensados com certa quantidade de dinheiro e destinados aos mais variados tipos de serviços." Esse trecho da obra de Sérgio Bagú, ECONOMIA DA SOCIEDADE COLONIAL, apresenta as condições de trabalho compulsório a) dos diversos grupos indígenas das áreas colonizadas por espanhóis e portugueses. b) dos grupos indígenas das áreas espanholas submetidos à instituição da "mita". c) dos grupos indígenas das áreas portuguesas submetidas às regras da "guerra justa". d) dos grupos indígenas das áreas agrícolas de colonização espanhola submetidos ao regime de "encomienda". e) dos grupos indígenas das áreas portuguesas e espanholas originários das "missões" dos jesuítas. Questão 14 A Companhia de Jesus foi instrumento fundamental para a evangelização das colônias americanas. a) CITE duas estratégias usadas pela Companhia de Jesus para a difusão da fé católica. b) IDENTIFIQUE os objetivos da Companhia de Jesus no Novo Mundo. Questão 15 "No estado do Maranhão, Senhor não há outro ouro nem prata mais que o sangue e o suor dos índios: o sangue se vende nos que cativam e o suor se converte no tabaco, no açúcar e demais drogas que com os ditos índios se lavram e fabricam. Com este sangue e suor se medeia a necessidade dos moradores; e com este sangue e com este suor se enche e enriquece a cobiça insaciável dos que lá vão governar... desde o princípio do Mundo, entrando o tempo dos Neros e Dioclecianos, se não executarem em toda a Europa tantas injustiças, crueldades e tiranias como executou a cobiça e impiedade dos chamados conquistadores do Maranhão, nos bens, no suor, no sangue, na liberdade, nas mulheres, nos filhos, nas vidas e sobretudo nas almas dos miseráveis índios..." (CARTA DE PADRE ANTÔNIO VIEIRA AO PROCURADOR DO MARANHÃO JORGE DE SAMPAIO, EM 1662. IN: Vieira, Padre Antônio, "Obras Escolhidas", Sá da Costa, Lisboa, 1951, Vol.V, pp.210-211). "Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho; porque sem eles no Brasil não é possível conservar e aumentar fazendas, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço. Por isso é necessário comprar cada ano algumas peças, e reparti-Ias pelos partidos, roças, serrarias e barcas". (TEXTO DO CRONISTA ANTONIL, RETIRADO DE SEU LIVRO "CULTURA E OPULÊNCIA DO BRASIL POR SUAS DROGAS E MINAS". 1ªed. 1711) Na América Espanhola e na América Portuguesa, os colonizadores desenvolveram e adaptaram várias formas de utilização de trabalho compulsório (incluindo a escravidão propriamente dita). Populações indígenas inteiras foram escravizadas, assim como negros trazidos da África já no final do século XVI. Na literatura colonial dos séculos XVIl e XVIll - principalmente a produzida por religiosos - escravidão no Brasil, cada vez mais, passou a ser sinônimo de escravidão negra. Em termos ideológicos a escravidão negra foi legitimada enquanto a legislação assinalava a proibição da escravização dos indígenas. a) Cite dois tipos de regime de trabalho compulsório utilizado na América Espanhola. b) Explique duas razões que provocaram a substituição da mão-de- obra indígena pela mão-de-obra escrava africana. Questão 16 Responder à questão, sobre a escravidão no Brasil, com base no texto abaixo. A BRECHA CAMPONESA "Um outro mecanismo de controle e manutenção da ordem escravista foi a criação de uma margem de economia própria para o escravo dentro do sistema escravista, a chamada 'brecha camponesa'. Ao ceder um pedaço de terra em usufruto e a folga semanal para trabalhá-la, o senhor aumentava a quantidade de gêneros disponíveis para alimentar a escravatura numerosa, ao mesmo tempo em que fornecia uma válvula de escape para as pressões resultantes da escravidão (...). O espaço da economia própria servia para que os escravos adquirissem tabaco, comida de regala uma roupinha melhor para mulher e filhos, etc. Mas, no Rio de Janeiro do século XIX, sua motivação principal parece ter sido o que apontamos como válvula de escape para as pressões do sistema: a ilusão de propriedade 'distrai' a escravidão e prende, mais do que uma vigilância feroz e dispendiosa, o escravo à fazenda. 'Distrai', ao mesmo tempo, o senhor do seu papel social, tornando-o mais humano aos seus próprios olhos. (...) Certamente o fazendeiro vê encher-se a sua alma de certa satisfação quando vê vir o seu escravo de sua roça trazendo o seu cacho de bananas, o cará, a cana, etc. (...) O sistema escravista - como qualquer outro - não poderia, evidentemente, viabilizar-se apenas pela força. "O extremo aperreamento desseca-lhes o coração', escreve o barão justificando a economia própria dos escravos, 'endurece-os e inclina-os para o mal. O senhor deve ser severo, justiceiro e humano'." REIS, João José & SILVA, Eduardo, In: MOTA, Myriam Becho & BRAICK, Patrícia Ramos. "História das cavernas ao terceiro milênio". São Paulo: Moderna, 1997, p.248. A chamada "brecha camponesa", de que tratam os autores do texto, refere-se a a) um pedaço de terra cedido em usufruto ao escravo, além de uma folga semanal para trabalhar na terra, de onde os negros podiam extrair gêneros extras para sua subsistência, como o tabaco, a banana, o cara, a comida de regalo, etc. b) um mecanismo de distração dos senhores, os quais passarão a produzir alguns gêneros para sua subsistência, criando, assim, uma válvula de escape contra as pressões do sistema. c) um mecanismo de distração para os escravos que, após passarem a semana inteira produzindo apenas cana-de-açúcar, em um dia da semana poderiam se dedicar ao plantio de outros gêneros, além de receberem uma pequena parcela da produção para seu próprio consumo. d) um mecanismo de controle e manutenção da ordem escravista, já que senhores e escravos podiam trabalhar conjuntamente, distraindo-se das tensões permanentes do sistema e amenizando as profundas diferenças sociais existentes entre eles. e) uma espécie de propriedade privada dos escravos, que possibilitava a estes produzir gêneros complementares para sua subsistência, suprindo também as necessidades alimentares de seu senhor, que trocava esses produtos por cana-de-açúcar. Aula 2 – Sociedade Colonial 233 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência Questão 17 Nos últimos anos, estudos acerca da escravidão têm revelado uma sociedade onde os negros, mesmo submetidos a condições subumanas, foram sujeitos de sua própria história. Sobre a atitude rebelde dos cativos, assegura-se que: a) Tarefas mal feitas e incompletas atestavam a veracidade dos argumentos sobre a ignorância dos escravos, o que impossibilitava a organização de movimentos rebeldes. b) A vigilância e fiscalização do feitor impediam a rebeldia, restringindo as alternativas de contestação à fuga e ao suicídio. c) As revoltas raramente ocorriam, pois, considerados mercadorias, os escravos se reconheciam como coisas e não como humanos. d) A rebeldia negra apoiou-se, sobretudo, na manutenção, por parte dos cativos, de seus valores culturais. e) O levante dos malês, em 1835, tinha forte conteúdo étnico, o que explica a excepcionalidade desse motim ocorrido na Bahia. Questão 18 Na década de 30, as obras de Gilberto Freyre redirecionaram os estudos sobre negros e cultura africana quanto à questão da identidade racial brasileira, pois, contradiziam as afirmativas segundo as quais a miscigenação tinha causado um dano irreparável à nossa sociedade. Gilberto Freyre, em seus estudos: a) trata da confluência do cotidiano rural e urbano no Brasil, o que se destaca em sua primeira obra - Sobrados e Mocambos; b) detém-se na análise das relações multirraciais vigentes na sociedade baiana do século XVIII; c) enfatiza o cunho intensamente patriarcal da sociedade brasileira; d) aprofunda as teorias raciais vigentesno Brasil na segunda metade do século XIX; e) responsabiliza a sociedade derivada da mestiçagem pelos vícios sociais do povo brasileiro. Questão 19 A escravidão, inicialmente dos índios e posteriormente dos negros africanos, foi um fator decisivo para a implantação da grande lavoura canavieira no Brasil. Por isso, em plena Idade Moderna, de acordo com a MENTALIDADE COLONIALISTA, justificava-se a escravidão com o(s) seguinte(s) argumento(s): I. Os índios eram criaturas bestiais, antropófagas, supersticiosas e desprovidas de razão e da fé cristã, portanto, sujeitos ao domínio civilizatório da Europa. II. A escravidão era imprescindível à formação do Brasil, pois os escravos eram os "pés" e as "mãos" dos senhores de engenho. III. Os africanos, descendentes de Caim e amaldiçoados por Deus, deveriam sofrer no Brasil, purgando seus pecados, como forma de alcançar a salvação. IV. O comércio de escravos e a propagação do cristianismo retiravam os africanos do estado de barbárie em que viviam, evitando que os mais fortes destruíssem os mais fracos em guerras tribais. Dentre as afirmativas apresentadas, são verdadeiras: a) apenas I, II, IV d) I, II, III e IV b) apenas II, III, IV e) apenas I, III, IV c) apenas I, II, III Questão 20 Um dos temas constantes na história do Brasil refere-se à escravidão. Muitas explicações são atribuídas ao fato de que a escravidão indígena foi sendo substituída pela africana. Analise atentamente as afirmações abaixo. ( ) A principal razão pela qual a escravidão indígena foi sendo substituída pela africana, deve-se ao fato de que o indígena era preguiçoso, preferia pescar e caçar a trabalhar forçado na agricultura. ( ) O africano era uma raça mais adaptada ao trabalho agrícola, principalmente ao trabalho físico pesado. Na África, já estava habituado a esse tipo de atividade e, por essa razão, ele se adaptou melhor que os indígenas. ( ) Os indígenas se rebelavam com mais frequência contra o trabalho escravo que lhes era imposto, porque sua religião tinha como um dos mandamentos fundamentais o exercício da liberdade. ( ) A morte dos povos indígenas - em razão dos ataques dos brancos e do contágio de doenças - além da proteção da Igreja, que condenava a escravidão desses povos gerou a busca pela alternativa do trabalho escravo africano. ( ) É completamente equivocada a afirmação de que o africano se adaptou melhor à escravidão do que o indígena; qualquer povo livre sempre reagirá a qualquer tentativa de transformá-lo em escravo. Questão 21 No século XVI, a necessidade de garantir o abastecimento contínuo de força de trabalho escrava para a América produziu alianças políticas entre representantes dos interesses coloniais e reinos africanos. Sobre esta questão, analise as proposições abaixo. ( ) Estas alianças regularizaram as trocas de mercadorias, instalações de feitorias e de fortalezas. ( ) O Estado português foi o único a estabelecer alianças políticas com reinos africanos durante os séculos XVI e XVII. ( ) As trocas de mercadorias entre África e Brasil foram monopolizadas pelos comerciantes brasileiros desde o século XVI. ( ) A demanda de africanos transformados em escravos, para abastecer a América, cresceu ao longo do século XVII, provocando uma disputa entre vários comerciantes europeus, na tentativa de dominar áreas fornecedoras. ( ) Estas alianças políticas possibilitaram a presença de missionários europeus em vários territórios africanos, para realizar o trabalho de converter e catequizar a população nativa ao cristianismo. VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE HISTÓRIA DO BRASIL Prof. Márcio Michiles ECONOMIA COLONIAL ORIGENS Durante a Idade Média, as poucas quantidades de açúcar consumidas na Europa procediam do Oriente, de onde é nativa a cana-de-açúcar, sendo o comércio desse artigo monopolizado por Veneza. Em meados do século XV a cana foi introduzida pelos portugueses na ilha da Madeira e pelos espanhóis nas Canárias. Seu cultivo prosperou tanto que o açúcar das novas possessões ibéricas passou a chegar à Europa a preços muito baixos, popularizando o consumo de um produto que até então se limitara às moradias dos ricos, aos hospitais e aos boticários, que o utilizavam apenas como base de preparados farmacêuticos. Estimulados pelos bons frutos colhidos com a concorrência à república veneziana, os portugueses trouxeram para o Brasil, logo depois da descoberta, as primeiras mudas de cana. Da capitania da qual se originaria São Paulo, a de São Vicente, por onde a planta entrou na colônia e onde se estabeleceram os primitivos engenhos, a cana-de-açúcar se irradiou sem demora por todo o litoral brasileiro. Implantação dos engenhos. O primeiro engenho de açúcar de que se tem notícia no Brasil foi instalado em São Paulo por volta de 1532. Três anos mais tarde já havia alguns outros funcionando em Pernambuco, onde iriam assumir extraordinária importância. Depois de 1550 começou a produção de açúcar na Bahia, cujos primeiros engenhos foram destruídos pelos índios. Na ilha de Itamaracá PE, em 1565, a produção já era florescente, e na década seguinte foram instalados os primeiros engenhos de Alagoas. Nessa mesma época, grande parte das várzeas e morros pouco a pouco ocupados pela cidade do Rio de Janeiro constituía um vastíssimo canavial que alimentava no mínimo 12 grandes engenhos. No final do século XVI, o Brasil já se convertera no maior produtor e fornecedor mundial de açúcar, com um artigo de melhor qualidade que o procedente da Índia e uma produção anual estimada em seis mil toneladas, cerca de noventa por cento das quais eram exportadas para Portugal e distribuídas na Europa. Ao açúcar fabricado no Brasil abriram-se mercados grandemente vantajosos. Sabe-se que antes de 1500 os europeus, em geral, só adoçavam seus alimentos e bebidas com um pouco de mel. Compreende-se assim que, ao revolucionar com o açúcar o sistema europeu de alimentação, o Brasil recém-descoberto tenha assegurado aos portugueses rendimentos mais regulares ou estáveis que as riquezas do Oriente. Também se compreende que a atenção dos portugueses, a princípio concentrada no Oriente, se voltasse para o Brasil. Por isso, as áreas brasileiras mais favoráveis ao cultivo da cana foram, quase de súbito, alteradas em sua configuração e paisagem pela presença de famílias patriarcais, vindas de Portugal com capitais suficientes para se estabelecerem feudalmente. A escolha do produto tropical não fora casual. Contava a seu favor a experiência dos colonos portugueses com o cultivo da cana e a manufatura do açúcar na Madeira e outras ilhas do litoral africano. Da Madeira, de fato, a produção de açúcar passara ao arquipélago dos Açores, ao de Cabo Verde e à ilha de São Tomé. Essa experiência anterior teve enorme importância para a implantação de engenhos no Brasil, pois familiarizou os portugueses com os problemas técnicos ligados à lavoura da cana e ao fabrico do açúcar, motivando em Portugal, ao mesmo tempo, a invenção e o aperfeiçoamento de mecanismos para os engenhos. A primeira grande inovação tecnológica na indústria brasileira do açúcar só iria ocorrer nos primeiros anos do século XVII. Nos melhores engenhos, a cana era até então espremida entre dois cilindros horizontais de madeira, movidos a tração animal ou por roda-d'água. Para uma segunda espremedura, com a qual se obtinha mais caldo, usavam-se também pilões, nós e monjolos. O novo tipo de engenho adotado compunha-se de três cilindros verticais muito justos, cabendo ao primeiro, movido por roda-d'água ou almanjarra, fazer girar os outros dois. Em caldeiras e tachos, o caldo era a seguir fervido para engrossar, posto em formas de barro e levado à casa de purgar para ser alvejado. A nova técnica se difundiu por todo o Brasil, com os engenhos mais eficientessubstituindo os antigos. Progressão das lavouras. Foi sobretudo nas zonas de clima quente do litoral do Nordeste e do Recôncavo baiano que os efeitos do plantio da cana se tornaram mais evidentes. Processou-se ali a primeira transformação mais extensiva da paisagem natural, com o desbravamento das matas e sua substituição por grandes canaviais que penetraram ao longo dos vales e subiram pelas encostas dos morros. Os cursos dos rios perenes favoreceram a atuação dos engenhos, como vias de escoamento da produção açucareira até os portos de embarque situados na costa. Com o incremento da produção, multiplicaram-se os bangüês e as grandes moradias rurais dos senhores da nova riqueza agrária. Para manter essa riqueza, instalou-se uma corrente contínua de transplantação de escravos africanos, alojados nas senzalas, símbolos de uma era tenebrosa da agricultura brasileira. A princípio, as superfícies cultivadas com cana distribuíam-se em quinhões chamados "partidos", ora obtidos por compra, ora por ocupação desordenada. Plantavam-se ainda as "terras de sobejo", ou as que eram acrescentadas por fraude, nas medições, às áreas legalmente vendidas. Além dos escravos, com o tempo também lavradores livres passaram a trabalhar em terras que pertenciam aos engenhos. Alguns mantinham seus canaviais em áreas arrendadas; outros plantavam não só cana, como ainda pequenas roças de subsistência, constituídas principalmente por milho, mandioca e feijão. Em geral, os lavradores livres serviam-se dos engenhos a que estavam agregados para fazer açúcar, em troca de uma parte da produção. Todos eles formavam, na verdade, uma clientela de importância vital, pois só com o concurso das lavouras subsidiárias ou dependentes muitos engenhos podiam manter-se em atividade ininterrupta durante os meses da safra. Em sua grande maioria, os que se dedicavam às lavouras de subsistência vegetavam à sombra da tolerância dos senhores de engenho, que desse modo contavam com recursos para o abastecimento de suas próprias famílias. Sobre os vastos conjuntos de agregados os senhores exerciam uma autoridade que variava conforme o sistema de trabalho ou a forma de ocupação da terra. A condição do pessoal dos engenhos, por conseguinte, sujeitava- se a variações jurídicas, econômicas e sociais, escalonadas desde a dos negros escravos até a dos lavradores dos "partidos", que moíam "cana livre". Entre os dois extremos, situavam-se os lavradores livres como pessoas, contudo dependentes da propriedade senhorial das terras, que eram obrigados à moenda e SEMANA 03 - H. BRASIL - ECONOMIA AGROEXPORTADORA E O CICLO AÇUCAREIRO - MICHILES - após correção do professor