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34 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) c) Revela influência das cantigas medievais, pela sonoridade das rimas e linguagem emotiva própria da "coita de amor". d) É um texto do Humanismo, pois traz uma reflexão filosófica sobre o sentimento amoroso, afastando-se, assim, da influência greco-romana. e) Antecipa o estilo barroco do século XVII devido à sua linguagem prolixa, em que se notam ousadas inversões sintáticas e metáforas obscuras. Questão 03 (Mackenzie 2009) No texto, o eu lírico: a) chama a atenção do leitor para as artimanhas que as mulheres apaixonadas costumam tramar a fim de conquistar os homens. b) dirige-se ao deus Amor, manifestando seu descontentamento com relação às falsas atitudes da amada. c) manifesta poeticamente a ideia de que o Amor, atendendo a diferentes vontades, produz diferentes efeitos. d) declara que, embora o amor esteja presente em todas as pessoas, nem todos o aceitam, fato que gera desentendimentos dolorosos. e) dirige-se à pessoa amada para expressar seu entendimento a respeito dos aspectos contraditórios do sentimento amoroso. Questão 04 (G1 - ifsp 2016) Leia o soneto abaixo, de Luís Vaz de Camões, para responder à questão. Eu cantarei de amor tão docemente, Por uns termos em si tão concertados que dois mil acidentes namorados faça sentir ao peito que não sente. Farei que amor a todos avivente, pintando mil segredos delicados, brandas iras, suspiros magoados, temerosa ousadia e pena ausente. Também, Senhora, do desprezo honesto de vossa vista branda e rigorosa contentar-me-ei dizendo a menos parte. Porém, para cantar de vosso gesto a composição alta e milagrosa, aqui falta saber, engenho e arte. TORRALVO, Izeti Fragata e MINCHILLO, Carlos Cortez. Sonetos de Camões. Cotia: Ateliê Editorial, 2011. p. 32. A leitura atenta do texto permite afirmar que a) se trata de soneto em versos decassílabos, escrito, portanto, em medida nova, mas cuja temática e recursos retóricos opõem-se ao Classicismo. b) o eu lírico, nos dois quartetos, afirma sua capacidade de composição poética, mas a relativiza nos dois tercetos, diante da beleza da “Senhora”. c) os conceitos de engenho e arte – respectivamente, domínio da técnica e talento pessoal – são típicos da temática classicista. d) a Senhora, idealizada nas cantigas de amor, se vê, no soneto camoniano, de que o texto acima é exemplo cabal, sintetizada a uma imagem desprezível. e) a mitologia clássica – no soneto expressa em Amor, ou Eros, presente nos dois primeiros quartetos – é característica predominante do Classicismo. Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões). Falaremos da hostilidade que Bloom, o nosso herói, revelou em relação ao passado, levantando-se e partindo de Lisboa numa viagem à Índia, em que procurou sabedoria, e esquecimento. E falaremos do modo como na viagem levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto. [...] Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo vás directo à realidade e não pares. Porque não basta encostares-te aos acontecimentos, o que pensamos para ti é bem mais profundo, não basta conheceres as sete teorias, terás que subir a sete altas montanhas. E atravessar ainda os continentes como se a terra fosse uma extensão temporal capaz de medir os teus dias. Atravessa as águas também, excelente amigo Bloom, quebra o mar em dois. O mar é um mamífero, o barco, o punhal do sacrifício. Porque, como todos os animais, o mar só é arrogante até encontrar o seu dono. Falamos do mar, mas talvez seja a terra e o céu que exigem ser descritos. Bloom, Bloom, Bloom. TAVARES, Gonçalo M. Uma viagem à Índia: melancolia contemporânea (um itinerário). São Paulo: Leya, 2010, p. 28 - 31. (fragmento) Nota explicativa: Bloom é o protagonista do livro de Gonçalo Tavares, que empreende uma viagem de Lisboa à Índia no século XXI. Questão 05 (G1 - cftmg 2016) Aristóteles, em seu estudo da literatura, determinou gêneros capazes de abranger e classificar textos literários, organizando-os a partir de suas estruturas e temáticas. O texto de Gonçalo M. Tavares, publicado em 2010, aproxima-se do gênero a) dramático, por manifestar diversas vozes. b) épico, por construir um enredo heroico. c) lírico, por empregar uma estrutura rítmica. d) narrativo, por constituir um texto contemporâneo. Questão 06 (G1 - cftmg 2016) O texto de Gonçalo M. Tavares dialoga com a tradição literária portuguesa, especialmente com a obra Os Lusíadas, de Luis de Camões. O trecho que caracteriza esse diálogo é: Aula 4 - Classicismo 35 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência a) “o mar só é arrogante até encontrar o seu dono.” b) “Falamos do mar, mas talvez seja a terra e o céu que exigem ser descritos.” c) “E falaremos do modo como na viagem levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto.” d) “Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo vás directo à realidade e não pares.” Questão 07 (Pucrs 2013) Leia o poema a seguir, de Luís de Camões. Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar; não tenho, logo, mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, pois consigo tal alma está liada. Mas esta linda e pura semideia, que, como o acidente em seu sujeito, assim coa alma minha se conforma, Está no pensamento como ideia; [e] o vivo e puro amor de que sou feito, como a matéria simples busca a forma. Com base no poema e em seu contexto, afirma-se: I. Criado no século XVI, o poema apresenta um eu lírico que reflete sobre o amor e sobre os efeitos desse sentimento no ser apaixonado. II. Camões é também o criador de Os Lusíadas, a mais famosa epopeia produzida em língua portuguesa, que tem como grande herói o povo português, representado por Vasco da Gama. III. Uma das características composicionais do poema é a presença de inversões sintáticas. A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são a) I, apenas. b) III, apenas. c) I e II, apenas. d) II e III, apenas. e) I, II e III. Questão 08 (Pucsp 2001) Tu só, tu, puro Amor, com força crua Que os corações humanos tanto obriga, Deste causa à molesta morte sua, Como se fora pérfida inimiga. Se dizem, fero Amor, que a sede tua Nem com lágrimas tristes se mitiga, É porque queres, áspero e tirano, Tuas aras banhar em sangue humano. Estavas, linda Inês, posta em sossego, De teus anos colhendo doce fruito, Naquele engano da alma ledo e cego, Que a fortuna não deixa durar muito, Nos saudosos campos do Mondego, De teus fermosos olhos nunca enxuito, Aos montes ensinando e às ervinhas, O nome que no peito escrito tinhas. "Os Lusíadas", obra de Camões, exemplificam o gênero épico na poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e causa da tragédia de Inês. b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o casamento solene e festivo de ambos. c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima herdeira do trono de Portugal. d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos montes o nome que no peito escrito tinha. e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos filhos e sua elevação ao trono português. EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Tanto de meu estado me acho incerto,Que em vivo ardor tremendo estou de frio; Sem causa, juntamente choro e rio; O mundo todo abarco e nada aperto. É tudo quanto sinto um desconcerto; Da alma um fogo me sai, da vista um rio; Agora espero, agora desconfio, Agora desvario, agora certo. Estando em terra, chego ao Céu voando; Numa hora acho mil anos, e é de jeito Que em mil anos não posso achar uma hora. Se me pergunta alguém por que assim ando, Respondo que não sei; porém suspeito Que só porque vos vi, minha Senhora. (www.fredb.sites.uol.com.br/lusdecam.htm) Questão 01 (G1 - ifsp 2012) A leitura do poema permite afirmar que o eu lírico se sente a) confuso, provavelmente pelo amor que tem por uma senhora. b) alegre, provavelmente porque seu amor é correspondido. c) triste, provavelmente porque não consegue amar ninguém. d) desconcertado, provavelmente porque a senhora o ama demais. e) perdido, provavelmente porque foi rejeitado pela amada. Questão 02 (G1 - ifsp 2012) Considere: • ardor x frio • choro x rio 36 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) • abarco x nada aperto Esses jogos de palavras, exemplos do pré-Barroco na poesia de Camões, constituem a) eufemismos que revelam o sofrimento do eu lírico. b) antíteses que confirmam o desconcerto do eu lírico. c) sinestesias que marcam as contradições do eu lírico. d) hipérboles que exageram o sofrimento do eu lírico. e) metáforas que comparam a dor com a vida do eu lírico. Questão 03 (G1 - ifsp 2016) Considerando o Classicismo em Portugal, assinale a alternativa correta. a) Os Lusíadas é a principal obra lírica de Camões e o tema central é o sofrimento por um amor não correspondido. b) Os Lusíadas tem como temática a descoberta do Brasil e a relação entre o colonizador e o índio. c) Luís Vaz de Camões é o principal autor do Classicismo em Portugal e destacou-se por sua produção épica e lírica. d) Uma característica dos versos de Camões é que eles não apresentam uma métrica, são livres e brancos. e) Uma característica de Camões é que ele desprezava Portugal e o povo português. Questão 04 (Uern 2015) Os gêneros literários são empregados com finalidade estética. Leia os textos a seguir. Busque Amor novas artes, novo engenho, Para matar-me, e novas esquivanças; Que não pode tirar-me as esperanças, Que mal me tirará o que eu não tenho. (Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 1961. Fragmento.) Porém já cinco sóis eram passados Que dali nos partíramos, cortando Os mares nunca doutrem navegados, Prosperamente os ventos assoprando, Quando uma noite, estando descuidados Na cortadora proa vigiando, Uma nuvem, que os ares escurece, Sobre nossas cabeças aparece. (Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo. Fragmento.) Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a classificação dos textos. a) Épico e lírico. b) Lírico e épico. c) Lírico e dramático. d) Dramático e épico. Leia o trecho de Os Lusíadas. Tão temerosa vinha e carregada, Que pôs nos corações um grande medo; Bramindo, o negro mar de longe brada, Como se desse em vão nalgum rochedo, – Ó Potestade, disse, sublimada: Que ameaço divino ou que segredo Este clima e este mar nos apresenta, Que mor coisa parece que tormenta? Não acabava, quando uma figura Se nos mostra no ar, robusta e válida, De disforme e grandíssima estatura; O rosto carregado, a barba esquálida, Os olhos encovados, e a postura Medonha e má e a cor terrena e pálida; Cheios de terra e crespos os cabelos, A boca negra, os dentes amarelos. (NEVES, João Alves das e TUFANO, Douglas. Luís de Camões. São Paulo: Moderna, 1980.) Questão 05 (G1 - ifsp 2014) As estrofes referem-se ao a) Velho do Restelo que, devido à sua insanidade e à sua aparência marcada pela passagem do tempo, aterroriza os marinheiros portugueses. b) Velho do Restelo que recrimina os portugueses por partirem em busca de riquezas, abandonando mulheres, crianças e idosos à própria sorte. c) Gigante Adamastor, personagem que representa um dos perigos enfrentados pelos portugueses, ressaltando o lado heroico dos protagonistas. d) Gigante Adamastor que, submetido ao comando da deusa Vênus, surge para proteger os navegantes contra o mar revolto do Cabo das Tormentas. e) ao soldado que, obedecendo às ordens do rei de Portugal, mata cruelmente Inês de Castro, jovem espanhola amante de D. Pedro. Questão 06 (Pucrs 2013) Compare o poema de Camões e o poema “Encarnação”, leia as afirmativas que seguem e preencha os parênteses com V para verdadeiro e F para falso. Poema 1 Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar; não tenho, logo, mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada. Se nela está minha alma transformada, que mais deseja o corpo de alcançar? Em si somente pode descansar, pois consigo tal alma está liada. Mas esta linda e pura semideia, que, como o acidente em seu sujeito, assim coa alma minha se conforma, Está no pensamento como ideia; [e] o vivo e puro amor de que sou feito, como a matéria simples busca a forma. Poema 2 Carnais, sejam carnais tantos desejos, carnais, sejam carnais tantos anseios, Aula 4 - Classicismo 37 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência palpitações e frêmitos e enleios, das harpas da emoção tantos arpejos... Sonhos, que vão, por trêmulos adejos, à noite, ao luar, intumescer os seios láteos, de finos e azulados veios de virgindade, de pudor, de pejos... Sejam carnais todos os sonhos brumos de estranhos, vagos, estrelados rumos onde as Visões do amor dormem geladas... Sonhos, palpitações, desejos e ânsias formem, com claridades e fragrâncias, a encarnação das lívidas Amadas! ( ) Os dois poemas falam mais sobre o sentimento do amor do que sobre o objeto amado. ( ) No poema de Camões, o amor figura-se no campo das ideias. ( ) Quanto à forma, os dois poemas são sonetos. ( ) O título “Encarnação” contém uma certa ambiguidade, aliando um sentido espiritual a um erótico. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: a) F – F – V – F b) V – V – F – V c) V – F – V – F d) V – V – V – V e) F – V – F – F Questão 07 - (G1 - ifsp 2013) São características das obras do Classicismo: a) o individualismo, a subjetividade, a idealização, o sentimento exacerbado. b) o egocentrismo, a interação da natureza com o eu, as formas perfeitas. c) o contraste entre o grotesco e o sublime, a valorização da natureza, o escapismo. d) a observação da realidade, a valorização do eu, a perfeição da natureza. e) a retomada da mitologia pagã, a pureza das formas, a busca da perfeição estética. Leia o soneto do poeta Luís Vaz de Camões (1525?-1580) para responder à questão. Sete anos de pastor Jacob servia Labão, pai de Raquel, serrana bela; mas não servia ao pai, servia a ela, e a ela só por prêmio pretendia. Os dias, na esperança de um só dia, passava, contentando-se com vê-la; porém o pai, usando de cautela, em lugar de Raquel lhe dava Lia. Vendo o triste pastor que com enganos lhe fora assi negada a sua pastora, como se a não tivera merecida, começa de servir outros sete anos, dizendo: “Mais servira, se não fora para tão longo amor tão curta a vida”. (Luís Vaz de Camões. Sonetos, 2001.) Questão 08 (Unifesp 2016) Uma das principais figuras exploradas por Camões em sua poesia é a antítese. Neste soneto, tal figura ocorre no verso: a) “mas não servia ao pai, servia a ela,” b) “passava, contentando-se com vê-la;” c) “para tão longo amor tão curta a vida.”d) “porém o pai, usando de cautela,” e) “lhe fora assi negada a sua pastora,” TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES. Questão 09 (Ufscar 2003) As questões adiante baseiam-se no poema épico "Os Lusíadas", de Luís Vaz de Camões, do qual se reproduzem, a seguir, três estrofes. Mas um velho, de aspeito venerando, [= aspecto) Que ficava nas praias, entre a gente, Postos em nós os olhos, meneando Três vezes a cabeça, descontente, A voz pesada um pouco alevantando, Que nós no mar ouvimos claramente, C’um saber só de experiências feito, Tais palavras tirou do experto peito: "Ó glória de mandar, ó vã cobiça Desta vaidade a quem chamamos Fama! Ó fraudulento gosto, que se atiça C'uma aura popular, que honra se chama! Que castigo tamanho e que justiça Fazes no peito vão que muito te ama! Que mortes, que perigos, que tormentas, Que crueldades neles experimentas! Dura inquietação d'alma e da vida Fonte de desamparos e adultérios, Sagaz consumidora conhecida De fazendas, de reinos e de impérios! Chamam-te ilustre, chamam-te subida, Sendo digna de infames vitupérios; Chamam-te Fama e Glória soberana, Nomes com quem se o povo néscio engana." Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida como "O Velho do Restelo". Nela, o velho: a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os mares à procura de uma vida melhor. b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se baseiam na cobiça e busca de fama. c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar os mares até chegar às Índias. d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar de tão importante empresa. e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem encontrar para buscar fama em outras terras. 38 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) Questão 10 Entre os versos "Chamam-te ilustre, chamam-te subida, / Sendo digna de infames vitupérios", a relação que se estabelece é de: a) oposição. b) explicação. c) causa. d) modo. e) conclusão Questão 11 (Fuvest - Adaptada) Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do Restelo, em "Os Lusíadas": I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, experiência esta já acumulada na época em que o poema foi escrito. lI. As críticas aí dirigidas às grandes navegações podem ser lidas como um reflexo do pensamento conservador, herança do feudalism, contrário às mudanças. III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das navegações e conquistas revela que Camões, apesar de exaltá-la, manteve uma postura crítica ao avaliá-la. Está correto apenas o que afirma em a) I. b) II. c) I e II. d) I e III. e) I, II e III. O amor é feio Tem cara de vício Anda pela estrada Não tem compromisso [...] O amor é lindo Faz o impossível O amor é graça Ele dá e passa A.Antunes, C.Brown, M.Monte, “O amor é feio” Questão 12 (Mackenzie 2010) Cotejando a letra da canção com os famosos versos camonianos Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente, afirma-se corretamente que: a) Assim como Camões, os compositores tematizam o amor, valendo-se de uma linguagem espontânea, coloquial, como prova o uso da expressão cara de vício. b) O caráter popular da canção é acentuado pelo uso de redondilhas, traço estilístico ausente nos versos camonianos citados. c) A concepção de amor como sentimento contraditório, típica de Camões, está ausente na letra da canção, uma vez que seus versos não se compõem de paradoxos. d) A ideia de que a dor do amor não é sentida pelos amantes, presente nos versos de Camões, é parafraseada nos versos Anda pela estrada /Não tem compromisso. e) A canção recupera o tom solene e altissonante presente nos versos camonianos. Questão 13 (Insper 2012) Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, muda-se o ser, muda-se a confiança; todo o mundo é composto de mudança, tomando sempre novas qualidades. Continuamente vemos novidades, diferentes em tudo da esperança; do mal ficam as mágoas na lembrança, e do bem (se algum houve), as saudades. O tempo cobre o chão de verde manto, que já coberto foi de neve fria, e, enfim, converte em choro o doce canto. E, afora este mudar-se cada dia, outra mudança faz de mor espanto, que não se muda já como soía*. Luís Vaz de Camões *soía: Imperfeito do indicativo do verbo soer, que significa costumar, ser de costume Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido dos versos de Camões. a) O foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do ser humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de vida e com a inevitabilidade da morte. b) Pode-se inferir, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o passar do tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, graças à sabedoria e à experiência adquiridas. c) Ao tratar de mudanças e da passagem do tempo, o soneto expressa a ideia de circularidade, já que ele se baseia no postulado da imutabilidade. d) Na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as mudanças que se operam no mundo, porque constata que elas são geradoras de um mal cuja dor não pode ser superada. e) As duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que nada é permanente não passa de uma ilusão. Questão 14 (Enem 2ª aplicação 2010) Texto I XLI Ouvia: Que não podia odiar E nem temer Porque tu eras eu. E como seria Odiar a mim mesma E a mim mesma temer. HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento). Texto II Transforma-se o amador na cousa amada Transforma-se o amador na cousa amada, por virtude do muito imaginar; não tenho, logo, mais que desejar, pois em mim tenho a parte desejada. Camões. Sonetos. Disponível em: http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 (fragmento).