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34 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
c) Revela influência das cantigas medievais, pela sonoridade das 
rimas e linguagem emotiva própria da "coita de amor". 
d) É um texto do Humanismo, pois traz uma reflexão filosófica 
sobre o sentimento amoroso, afastando-se, assim, da influência 
greco-romana. 
e) Antecipa o estilo barroco do século XVII devido à sua linguagem 
prolixa, em que se notam ousadas inversões sintáticas e metáforas 
obscuras. 
 
Questão 03 (Mackenzie 2009) 
No texto, o eu lírico: 
a) chama a atenção do leitor para as artimanhas que as mulheres 
apaixonadas costumam tramar a fim de conquistar os homens. 
b) dirige-se ao deus Amor, manifestando seu descontentamento 
com relação às falsas atitudes da amada. 
c) manifesta poeticamente a ideia de que o Amor, atendendo a 
diferentes vontades, produz diferentes efeitos. 
d) declara que, embora o amor esteja presente em todas as 
pessoas, nem todos o aceitam, fato que gera desentendimentos 
dolorosos. 
e) dirige-se à pessoa amada para expressar seu entendimento a 
respeito dos aspectos contraditórios do sentimento amoroso. 
 
Questão 04 (G1 - ifsp 2016) 
Leia o soneto abaixo, de Luís Vaz de Camões, para responder à 
questão. 
 
Eu cantarei de amor tão docemente, 
Por uns termos em si tão concertados 
que dois mil acidentes namorados 
faça sentir ao peito que não sente. 
 
Farei que amor a todos avivente, 
pintando mil segredos delicados, 
brandas iras, suspiros magoados, 
temerosa ousadia e pena ausente. 
 
Também, Senhora, do desprezo honesto 
de vossa vista branda e rigorosa 
contentar-me-ei dizendo a menos parte. 
 
Porém, para cantar de vosso gesto 
a composição alta e milagrosa, 
aqui falta saber, engenho e arte. 
 
TORRALVO, Izeti Fragata e MINCHILLO, Carlos Cortez. Sonetos 
de Camões. Cotia: Ateliê Editorial, 2011. p. 32. 
 
A leitura atenta do texto permite afirmar que 
a) se trata de soneto em versos decassílabos, escrito, portanto, em 
medida nova, mas cuja temática e recursos retóricos opõem-se ao 
Classicismo. 
b) o eu lírico, nos dois quartetos, afirma sua capacidade de 
composição poética, mas a relativiza nos dois tercetos, diante da 
beleza da “Senhora”. 
c) os conceitos de engenho e arte – respectivamente, domínio da 
técnica e talento pessoal – são típicos da temática classicista. 
d) a Senhora, idealizada nas cantigas de amor, se vê, no soneto 
camoniano, de que o texto acima é exemplo cabal, sintetizada a 
uma imagem desprezível. 
e) a mitologia clássica – no soneto expressa em Amor, ou Eros, 
presente nos dois primeiros quartetos – é característica 
predominante do Classicismo. 
 
Leia o texto abaixo para responder à(s) questão(ões). 
 
Falaremos da hostilidade que Bloom, 
o nosso herói, 
revelou em relação ao passado, 
levantando-se e partindo de Lisboa 
numa viagem à Índia, em que procurou sabedoria, 
e esquecimento. 
E falaremos do modo como na viagem 
levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto. 
 
[...] 
Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo 
vás directo à realidade 
e não pares. Porque não basta 
encostares-te aos acontecimentos, 
o que pensamos para ti é bem mais profundo, 
não basta conheceres as sete teorias, 
terás que subir a sete altas montanhas. 
E atravessar ainda os continentes 
como se a terra fosse uma extensão temporal 
capaz de medir os teus dias. 
 
Atravessa as águas também, excelente amigo Bloom, 
quebra o mar em dois. 
O mar é um mamífero, 
o barco, o punhal do sacrifício. 
Porque, como todos os animais, 
o mar só é arrogante 
até encontrar o seu dono. 
Falamos do mar, mas talvez 
seja a terra e o céu que exigem ser descritos. 
Bloom, Bloom, Bloom. 
TAVARES, Gonçalo M. Uma viagem à Índia: melancolia 
contemporânea (um itinerário). São Paulo: Leya, 2010, p. 28 - 31. 
(fragmento) 
 
Nota explicativa: 
Bloom é o protagonista do livro de Gonçalo Tavares, que 
empreende uma viagem de Lisboa à Índia no século XXI. 
 
Questão 05 (G1 - cftmg 2016) 
Aristóteles, em seu estudo da literatura, determinou gêneros 
capazes de abranger e classificar textos literários, organizando-os 
a partir de suas estruturas e temáticas. 
O texto de Gonçalo M. Tavares, publicado em 2010, aproxima-se 
do gênero 
 
a) dramático, por manifestar diversas vozes. 
b) épico, por construir um enredo heroico. 
c) lírico, por empregar uma estrutura rítmica. 
d) narrativo, por constituir um texto contemporâneo. 
 
Questão 06 (G1 - cftmg 2016) 
O texto de Gonçalo M. Tavares dialoga com a tradição literária 
portuguesa, especialmente com a obra Os Lusíadas, de Luis de 
Camões. O trecho que caracteriza esse diálogo é: 
 
 
Aula 4 - Classicismo 
 
 
 
 
 
35 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
a) “o mar só é arrogante 
até encontrar o seu dono.” 
b) “Falamos do mar, mas talvez 
seja a terra e o céu que exigem ser descritos.” 
c) “E falaremos do modo como na viagem 
levou um segredo e o trouxe, depois, quase intacto.” 
d) “Esperamos, pois, Bloom, que cresças e que crescendo 
vás directo à realidade 
e não pares.” 
 
Questão 07 (Pucrs 2013) 
Leia o poema a seguir, de Luís de Camões. 
 
Transforma-se o amador na cousa amada, 
por virtude do muito imaginar; 
não tenho, logo, mais que desejar, 
pois em mim tenho a parte desejada. 
 
Se nela está minha alma transformada, 
que mais deseja o corpo de alcançar? 
Em si somente pode descansar, 
pois consigo tal alma está liada. 
 
Mas esta linda e pura semideia, 
que, como o acidente em seu sujeito, 
assim coa alma minha se conforma, 
 
Está no pensamento como ideia; 
[e] o vivo e puro amor de que sou feito, 
como a matéria simples busca a forma. 
 
 
Com base no poema e em seu contexto, afirma-se: 
 
I. Criado no século XVI, o poema apresenta um eu lírico que reflete 
sobre o amor e sobre os efeitos desse sentimento no ser 
apaixonado. 
II. Camões é também o criador de Os Lusíadas, a mais famosa 
epopeia produzida em língua portuguesa, que tem como grande 
herói o povo português, representado por Vasco da Gama. 
III. Uma das características composicionais do poema é a presença 
de inversões sintáticas. 
 
A(s) afirmativa(s) correta(s) é/são 
a) I, apenas. 
b) III, apenas. 
c) I e II, apenas. 
d) II e III, apenas. 
e) I, II e III. 
 
Questão 08 (Pucsp 2001) 
Tu só, tu, puro Amor, com força crua 
Que os corações humanos tanto obriga, 
Deste causa à molesta morte sua, 
Como se fora pérfida inimiga. 
Se dizem, fero Amor, que a sede tua 
Nem com lágrimas tristes se mitiga, 
É porque queres, áspero e tirano, 
Tuas aras banhar em sangue humano. 
Estavas, linda Inês, posta em sossego, 
De teus anos colhendo doce fruito, 
Naquele engano da alma ledo e cego, 
Que a fortuna não deixa durar muito, 
Nos saudosos campos do Mondego, 
De teus fermosos olhos nunca enxuito, 
Aos montes ensinando e às ervinhas, 
O nome que no peito escrito tinhas. 
 
"Os Lusíadas", obra de Camões, exemplificam o gênero épico na 
poesia portuguesa, entretanto oferecem momentos em que o 
lirismo se expande, humanizando os versos. O episódio de Inês de 
Castro, do qual o trecho acima faz parte, é considerado o ponto 
alto do lirismo camoniano inserido em sua narrativa épica. Desse 
episódio, como um todo, pode afirmar-se que seu núcleo central 
a) personifica e exalta o Amor, mais forte que as conveniências e 
causa da tragédia de Inês. 
b) celebra os amores secretos de Inês e de D. Pedro e o 
casamento solene e festivo de ambos. 
c) tem como tema básico a vida simples de Inês de Castro, legítima 
herdeira do trono de Portugal. 
d) retrata a beleza de Inês, posta em sossego, ensinando aos 
montes o nome que no peito escrito tinha. 
e) relata em versos livres a paixão de Inês pela natureza e pelos 
filhos e sua elevação ao trono português. 
 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
Tanto de meu estado me acho incerto,Que em vivo ardor tremendo estou de frio; 
Sem causa, juntamente choro e rio; 
O mundo todo abarco e nada aperto. 
 
É tudo quanto sinto um desconcerto; 
Da alma um fogo me sai, da vista um rio; 
Agora espero, agora desconfio, 
Agora desvario, agora certo. 
 
Estando em terra, chego ao Céu voando; 
Numa hora acho mil anos, e é de jeito 
Que em mil anos não posso achar uma hora. 
 
Se me pergunta alguém por que assim ando, 
Respondo que não sei; porém suspeito 
Que só porque vos vi, minha Senhora. 
 
(www.fredb.sites.uol.com.br/lusdecam.htm) 
 
Questão 01 (G1 - ifsp 2012) 
A leitura do poema permite afirmar que o eu lírico se sente 
 
a) confuso, provavelmente pelo amor que tem por uma senhora. 
b) alegre, provavelmente porque seu amor é correspondido. 
c) triste, provavelmente porque não consegue amar ninguém. 
d) desconcertado, provavelmente porque a senhora o ama demais. 
e) perdido, provavelmente porque foi rejeitado pela amada. 
 
Questão 02 (G1 - ifsp 2012) 
Considere: 
• ardor x frio 
• choro x rio 
 
 
 
 
 36 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
• abarco x nada aperto 
 
Esses jogos de palavras, exemplos do pré-Barroco na poesia de 
Camões, constituem 
a) eufemismos que revelam o sofrimento do eu lírico. 
b) antíteses que confirmam o desconcerto do eu lírico. 
c) sinestesias que marcam as contradições do eu lírico. 
d) hipérboles que exageram o sofrimento do eu lírico. 
e) metáforas que comparam a dor com a vida do eu lírico. 
 
Questão 03 (G1 - ifsp 2016) 
Considerando o Classicismo em Portugal, assinale a alternativa 
correta. 
a) Os Lusíadas é a principal obra lírica de Camões e o tema central 
é o sofrimento por um amor não correspondido. 
b) Os Lusíadas tem como temática a descoberta do Brasil e a 
relação entre o colonizador e o índio. 
c) Luís Vaz de Camões é o principal autor do Classicismo em 
Portugal e destacou-se por sua produção épica e lírica. 
d) Uma característica dos versos de Camões é que eles não 
apresentam uma métrica, são livres e brancos. 
e) Uma característica de Camões é que ele desprezava Portugal e 
o povo português. 
 
Questão 04 (Uern 2015) 
Os gêneros literários são empregados com finalidade estética. 
 
Leia os textos a seguir. 
 
Busque Amor novas artes, novo engenho, 
Para matar-me, e novas esquivanças; 
Que não pode tirar-me as esperanças, 
Que mal me tirará o que eu não tenho. 
(Camões, L. V. de. Sonetos. Lisboa: Livraria Clássica Editora. 
1961. Fragmento.) 
Porém já cinco sóis eram passados 
Que dali nos partíramos, cortando 
Os mares nunca doutrem navegados, 
Prosperamente os ventos assoprando, 
Quando uma noite, estando descuidados 
Na cortadora proa vigiando, 
Uma nuvem, que os ares escurece, 
Sobre nossas cabeças aparece. 
 
(Camões, L. V. Os Lusíadas. Abril Cultural, 1979. São Paulo. 
Fragmento.) 
 
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, a 
classificação dos textos. 
 
a) Épico e lírico. 
b) Lírico e épico. 
c) Lírico e dramático. 
d) Dramático e épico. 
 
Leia o trecho de Os Lusíadas. 
 
Tão temerosa vinha e carregada, 
Que pôs nos corações um grande medo; 
Bramindo, o negro mar de longe brada, 
Como se desse em vão nalgum rochedo, 
– Ó Potestade, disse, sublimada: 
Que ameaço divino ou que segredo 
Este clima e este mar nos apresenta, 
 
Que mor coisa parece que tormenta? 
Não acabava, quando uma figura 
Se nos mostra no ar, robusta e válida, 
De disforme e grandíssima estatura; 
O rosto carregado, a barba esquálida, 
Os olhos encovados, e a postura 
Medonha e má e a cor terrena e pálida; 
Cheios de terra e crespos os cabelos, 
A boca negra, os dentes amarelos. 
(NEVES, João Alves das e TUFANO, Douglas. Luís de Camões. 
São Paulo: Moderna, 1980.) 
 
Questão 05 (G1 - ifsp 2014) 
As estrofes referem-se ao 
a) Velho do Restelo que, devido à sua insanidade e à sua 
aparência marcada pela passagem do tempo, aterroriza os 
marinheiros portugueses. 
b) Velho do Restelo que recrimina os portugueses por partirem em 
busca de riquezas, abandonando mulheres, crianças e idosos à 
própria sorte. 
c) Gigante Adamastor, personagem que representa um dos perigos 
enfrentados pelos portugueses, ressaltando o lado heroico dos 
protagonistas. 
d) Gigante Adamastor que, submetido ao comando da deusa 
Vênus, surge para proteger os navegantes contra o mar revolto do 
Cabo das Tormentas. 
e) ao soldado que, obedecendo às ordens do rei de Portugal, mata 
cruelmente Inês de Castro, jovem espanhola amante de D. Pedro. 
 
Questão 06 (Pucrs 2013) 
Compare o poema de Camões e o poema “Encarnação”, leia as 
afirmativas que seguem e preencha os parênteses com V para 
verdadeiro e F para falso. 
 
Poema 1 
Transforma-se o amador na cousa amada, 
por virtude do muito imaginar; 
não tenho, logo, mais que desejar, 
pois em mim tenho a parte desejada. 
 
Se nela está minha alma transformada, 
que mais deseja o corpo de alcançar? 
Em si somente pode descansar, 
pois consigo tal alma está liada. 
 
Mas esta linda e pura semideia, 
que, como o acidente em seu sujeito, 
assim coa alma minha se conforma, 
 
Está no pensamento como ideia; 
[e] o vivo e puro amor de que sou feito, 
como a matéria simples busca a forma. 
 
Poema 2 
Carnais, sejam carnais tantos desejos, 
carnais, sejam carnais tantos anseios, 
Aula 4 - Classicismo 
 
 
 
 
 
37 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
palpitações e frêmitos e enleios, 
das harpas da emoção tantos arpejos... 
 
Sonhos, que vão, por trêmulos adejos, 
à noite, ao luar, intumescer os seios 
láteos, de finos e azulados veios 
de virgindade, de pudor, de pejos... 
 
Sejam carnais todos os sonhos brumos 
de estranhos, vagos, estrelados rumos 
onde as Visões do amor dormem geladas... 
 
Sonhos, palpitações, desejos e ânsias 
formem, com claridades e fragrâncias, 
a encarnação das lívidas Amadas! 
( ) Os dois poemas falam mais sobre o sentimento do amor do 
que sobre o objeto amado. 
( ) No poema de Camões, o amor figura-se no campo das ideias. 
( ) Quanto à forma, os dois poemas são sonetos. 
( ) O título “Encarnação” contém uma certa ambiguidade, aliando 
um sentido espiritual a um erótico. 
 
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima 
para baixo, é: 
a) F – F – V – F b) V – V – F – V 
c) V – F – V – F d) V – V – V – V 
e) F – V – F – F 
 
Questão 07 - (G1 - ifsp 2013) 
São características das obras do Classicismo: 
a) o individualismo, a subjetividade, a idealização, o sentimento 
exacerbado. 
b) o egocentrismo, a interação da natureza com o eu, as formas 
perfeitas. 
c) o contraste entre o grotesco e o sublime, a valorização da 
natureza, o escapismo. 
d) a observação da realidade, a valorização do eu, a perfeição da 
natureza. 
e) a retomada da mitologia pagã, a pureza das formas, a busca da 
perfeição estética. 
 
Leia o soneto do poeta Luís Vaz de Camões (1525?-1580) para 
responder à questão. 
 
Sete anos de pastor Jacob servia 
Labão, pai de Raquel, serrana bela; 
mas não servia ao pai, servia a ela, 
e a ela só por prêmio pretendia. 
 
Os dias, na esperança de um só dia, 
passava, contentando-se com vê-la; 
porém o pai, usando de cautela, 
em lugar de Raquel lhe dava Lia. 
 
Vendo o triste pastor que com enganos 
lhe fora assi negada a sua pastora, 
como se a não tivera merecida, 
 
começa de servir outros sete anos, 
dizendo: “Mais servira, se não fora 
para tão longo amor tão curta a vida”. 
(Luís Vaz de Camões. Sonetos, 2001.) 
Questão 08 (Unifesp 2016) 
Uma das principais figuras exploradas por Camões em sua poesia 
é a antítese. Neste soneto, tal figura ocorre no verso: 
 
a) “mas não servia ao pai, servia a ela,” 
b) “passava, contentando-se com vê-la;” 
c) “para tão longo amor tão curta a vida.”d) “porém o pai, usando de cautela,” 
e) “lhe fora assi negada a sua pastora,” 
 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES. 
 
Questão 09 (Ufscar 2003) 
As questões adiante baseiam-se no poema épico "Os Lusíadas", 
de Luís Vaz de Camões, do qual se reproduzem, a seguir, três 
estrofes. 
 
Mas um velho, de aspeito venerando, [= aspecto) 
Que ficava nas praias, entre a gente, 
Postos em nós os olhos, meneando 
Três vezes a cabeça, descontente, 
A voz pesada um pouco alevantando, 
Que nós no mar ouvimos claramente, 
C’um saber só de experiências feito, 
Tais palavras tirou do experto peito: 
 
"Ó glória de mandar, ó vã cobiça 
Desta vaidade a quem chamamos Fama! 
Ó fraudulento gosto, que se atiça 
C'uma aura popular, que honra se chama! 
Que castigo tamanho e que justiça 
Fazes no peito vão que muito te ama! 
Que mortes, que perigos, que tormentas, 
Que crueldades neles experimentas! 
 
Dura inquietação d'alma e da vida 
Fonte de desamparos e adultérios, 
Sagaz consumidora conhecida 
De fazendas, de reinos e de impérios! 
Chamam-te ilustre, chamam-te subida, 
Sendo digna de infames vitupérios; 
Chamam-te Fama e Glória soberana, 
Nomes com quem se o povo néscio engana." 
 
Os versos de Camões foram retirados da passagem conhecida 
como "O Velho do Restelo". Nela, o velho: 
a) abençoa os marinheiros portugueses que vão atravessar os 
mares à procura de uma vida melhor. 
b) critica as navegações portuguesas por considerar que elas se 
baseiam na cobiça e busca de fama. 
c) emociona-se com a saída dos portugueses que vão atravessar 
os mares até chegar às Índias. 
d) destrata os marinheiros por não o terem convidado a participar 
de tão importante empresa. 
e) adverte os marinheiros portugueses dos perigos que eles podem 
encontrar para buscar fama em outras terras. 
 
 
 
 
 38 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Questão 10 
Entre os versos "Chamam-te ilustre, chamam-te subida, / Sendo 
digna de infames vitupérios", a relação que se estabelece é de: 
a) oposição. 
b) explicação. 
c) causa. 
d) modo. 
e) conclusão 
 
Questão 11 (Fuvest - Adaptada) 
Considere as seguintes afirmações sobre a fala do Velho do 
Restelo, em "Os Lusíadas": 
I. No seu teor de crítica às navegações e conquistas, encontra-se 
refletida e sintetizada a experiência das perdas que causaram, 
experiência esta já acumulada na época em que o poema foi 
escrito. 
lI. As críticas aí dirigidas às grandes navegações podem ser lidas 
como um reflexo do pensamento conservador, herança do 
feudalism, contrário às mudanças. 
III. A condenação enfática que aí se faz à empresa das 
navegações e conquistas revela que Camões, apesar de exaltá-la, 
manteve uma postura crítica ao avaliá-la. 
 
Está correto apenas o que afirma em 
a) I. 
b) II. 
c) I e II. 
d) I e III. 
e) I, II e III. 
O amor é feio 
Tem cara de vício 
Anda pela estrada 
Não tem compromisso 
[...] 
 
O amor é lindo 
Faz o impossível 
O amor é graça 
Ele dá e passa 
A.Antunes, C.Brown, M.Monte, “O amor é feio” 
 
Questão 12 (Mackenzie 2010) 
Cotejando a letra da canção com os famosos versos camonianos 
Amor é fogo que arde sem se ver / É ferida que dói e não se sente, 
afirma-se corretamente que: 
a) Assim como Camões, os compositores tematizam o amor, 
valendo-se de uma linguagem espontânea, coloquial, como prova o 
uso da expressão cara de vício. 
b) O caráter popular da canção é acentuado pelo uso de 
redondilhas, traço estilístico ausente nos versos camonianos 
citados. 
c) A concepção de amor como sentimento contraditório, típica de 
Camões, está ausente na letra da canção, uma vez que seus 
versos não se compõem de paradoxos. 
d) A ideia de que a dor do amor não é sentida pelos amantes, 
presente nos versos de Camões, é parafraseada nos versos Anda 
pela estrada /Não tem compromisso. 
e) A canção recupera o tom solene e altissonante presente nos 
versos camonianos. 
 
Questão 13 (Insper 2012) 
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, 
muda-se o ser, muda-se a confiança; 
todo o mundo é composto de mudança, 
tomando sempre novas qualidades. 
 
Continuamente vemos novidades, 
diferentes em tudo da esperança; 
do mal ficam as mágoas na lembrança, 
e do bem (se algum houve), as saudades. 
O tempo cobre o chão de verde manto, 
que já coberto foi de neve fria, e, enfim, 
converte em choro o doce canto. 
 
E, afora este mudar-se cada dia, 
outra mudança faz de mor espanto, 
que não se muda já como soía*. 
Luís Vaz de Camões 
*soía: Imperfeito do indicativo do verbo soer, que significa 
costumar, ser de costume 
 
Assinale a alternativa em que se analisa corretamente o sentido 
dos versos de Camões. 
a) O foco temático do soneto está relacionado à instabilidade do 
ser humano, eternamente insatisfeito com as suas condições de 
vida e com a inevitabilidade da morte. 
b) Pode-se inferir, a partir da leitura dos dois tercetos, que, com o 
passar do tempo, a recusa da instabilidade se torna maior, graças 
à sabedoria e à experiência adquiridas. 
c) Ao tratar de mudanças e da passagem do tempo, o soneto 
expressa a ideia de circularidade, já que ele se baseia no 
postulado da imutabilidade. 
d) Na segunda estrofe, o eu lírico vê com pessimismo as 
mudanças que se operam no mundo, porque constata que elas são 
geradoras de um mal cuja dor não pode ser superada. 
e) As duas últimas estrofes autorizam concluir que a ideia de que 
nada é permanente não passa de uma ilusão. 
 
Questão 14 (Enem 2ª aplicação 2010) 
Texto I 
 
XLI 
Ouvia: 
Que não podia odiar 
E nem temer 
Porque tu eras eu. 
E como seria 
Odiar a mim mesma 
E a mim mesma temer. 
HILST, H. Cantares. São Paulo: Globo, 2004 (fragmento). 
 
Texto II 
Transforma-se o amador na cousa amada 
 
Transforma-se o amador na cousa amada, 
por virtude do muito imaginar; 
não tenho, logo, mais que desejar, 
pois em mim tenho a parte desejada. 
Camões. Sonetos. Disponível em: 
http://www.jornaldepoesia.jor.br. Acesso em: 03 set. 2010 
(fragmento).

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