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Aula 8 - Barroco III 
 
 
 
 
 
79 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
é andarem buscando os homens como hão de comer, e como se 
hão de comer. 
[...] 
Diz Deus que comem os homens não só o seu povo, senão 
declaradamente a sua plebe: Plebem meam, porque a plebe e os 
plebeus, que são os mais pequenos, os que menos podem, e os 
que menos avultam na república, estes são os comidos. E não só 
diz que os comem de qualquer modo, senão que os engolem e os 
devoram: Qui devorant. Porque os grandes que têm o mando das 
cidades e das províncias, não se contenta a sua fome de comer os 
pequenos um por um, poucos a poucos, senão que devoram e 
engolem os povos inteiros: Qui devorant plebem meam. E de que 
modo se devoram e comem? Ut cibum panis: não como os outros 
comeres, senão como pão. A diferença que há entre o pão e os 
outros comeres é que, para a carne, há dias de carne, e para o 
peixe, dias de peixe, e para as frutas, diferentes meses no ano; 
porém o pão é comer de todos os dias, que sempre e 
continuadamente se come: e isto é o que padecem os pequenos. 
São o pão cotidiano dos grandes: e assim como pão se come com 
tudo, assim com tudo, e em tudo são comidos os miseráveis 
pequenos, não tendo, nem fazendo ofício em que os não 
carreguem, em que os não multem, em que os não defraudem, em 
que os não comam, traguem e devorem: Qui devorant plebem 
meam, ut cibum panis. Parece-vos bem isto, peixes? 
(Antônio Vieira. Essencial, 2011.) 
 
No sermão, Vieira critica 
a) a preguiça desmesurada dos miseráveis. 
b) a falta de ambição dos miseráveis. 
c) a ganância excessiva dos poderosos. 
d) o excesso de humildade dos miseráveis. 
e) o excesso de vaidade dos poderosos. 
 
Questão 14 
(Unifesp 2016) No sermão, Vieira critica 
a) a preguiça desmesurada dos miseráveis. 
b) a falta de ambição dos miseráveis. 
c) a ganância excessiva dos poderosos. 
d) o excesso de humildade dos miseráveis. 
e) o excesso de vaidade dos poderosos. 
 
Questão 15 
Em “Cuidais que só os tapuias se Comem uns aos outros, muito 
maior açougue é o de cá, muito mais se 
comem os brancos.” (1o. parágrafo), os termos em destaque foram 
empregados, respectivamente, em sentido 
a) literal, figurado e figurado. 
b) figurado, figurado e literal. 
c) literal, literal e figurado. 
d) figurado, literal e figurado. 
e) literal, figurado e literal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA 
 Prof. Steller de Paula – VOLUME 1 
 
VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
AULA 9 - NEOCLASSICISMO 
 
 
 Durante o Renascimento, a burguesia emergente, almejando 
superar os entraves do sistema feudal, ajudou a sustentar o Antigo 
Regime. 
 No entanto, apesar de fornecer os recursos humanos e 
financeiros das monarquias absolutas, a burguesia estava 
enquadrada no Terceiro Estado, abaixo do clero e da nobreza, e 
seus interesses contrastavam com os das camadas dirigentes da 
sociedade. 
 Fica claro, então, que a burguesia, dona do capital, logo 
contestaria a ordem político-jurídica que organizava o Antigo 
Regime. 
 Esse momento de contestação se deu na “Época das Luzes”. 
Os temas discutidos giravam em torno da liberdade, do progresso e 
do homem. Os racionalistas defendiam a ideia de que o universo 
era mutável, estava em constante movimento. Assim, um sistema 
estratificado, dividido em castas, logo receberia críticas, e as 
instituições do Antigo Regime logo sistematicamente atacadas 
pelos filósofos. 
 Os pensadores que mais se empenharam nessas críticas foram 
Locke, Montesquieu, Voltaire e Jean-Jaques Rousseau. 
 
 "O homem só será livre quando o último déspota for 
estrangulado com as entranhas do último padre". 
 
 Diderot 
 Esses pensadores racionalistas afirmavam ter chegado o 
“Século das Luzes” (Séc. XVIII). 
 O Iluminismo, portanto, foi um movimento intelectual de caráter 
contestador, cuja ideologia se mostrou particularmente sensível à 
burguesia, que nela encontrou a justificativa para o assalto ao 
poder nas últimas décadas do século. 
 Influenciado pelos ideais do Iluminismo, que tinham como base 
o racionalismo e a enfatize no aperfeiçoamento pessoal e no 
progresso social dentro de uma forte moldura ética, surge o 
Neoclassicismo, movimento cultural que reage ao Barroco, 
resgatando os valores da Antiguidade Clássica e da Renascença. 
 Com o Iluminismo, ocorreram mudanças filosóficas, políticas e 
sociais. A arte deveria, assim, refletir essas mudanças. No entanto, 
estas eram tantas que os homens da época ainda não as tinham 
assimilado a ponto de gerar um novo estílo artístico. 
 Diante disso, os artistas recorreram aos modelos Clássicos, 
pautados pelo racionalismo e pelo equilíbrio. 
 
Características Arte Neoclássica: 
- Retorno ao passado, pela imitação dos modelos antigos greco-
latinos; 
- Academicismo: adoção dos modelos e das regras ensinadas nas 
escolas ou academias de belas-artes; 
- Arte entendida como imitação da natureza, num verdadeiro culto à 
teoria de Aristóteles: a natureza é o modelo de perfeição a ser 
imitado. 
- Estilo sóbrio, antidecorativo, linear, antissensual, volta-se ao 
desenho, simplicidade da natureza, nobre, sereno, histórico. 
- Formalismo na composição, refletindo o racionalismo dominante; 
 
* Exatidão nos contornos; 
 
* Harmonia do colorido; 
 
*Anatomia correta; 
 
* Temas históricos ou pagãos. 
 
 
Jacques-Louis David - cupido e psiquê 
Características da Literatura ÁRCADE: 
 
- Inutilia truncat (cortar o inútil) ― Os poetas árcades 
manifestaram um rejeição radical do estilo e espírito barrocos, uma 
vez que retomaram valores da antiguidade clássica: racionalismo, 
equilíbrio, simplicidade, harmonia, beleza. Assim o estilo árcade é 
simples, a ordem da frase é direta, sem muitas inversões sintáticas, 
o poema assume, muitas vezes, o tom de diálogo. 
 
“Tu, Marília, agora vendo 
Do Amor o lindo retrato 
Contigo estarás dizendo 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
81 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Que é este o retrato teu. 
Sim, Marília, a cópia é tua, 
Que Cupido é Deus suposto: 
Se há Cupido, é só teu rosto 
Que ele foi quem me venceu.” 
 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
- Aurea mediocritas (dourada mediania, meio termo de ouro) e 
Fugere urbem (evitar a cidade, fugir da civilização) ― O 
racionalismo, a propagação do saber e da ciência e a crença no 
progresso moldado pela ética levaram os poetas árcade à 
exaltação da virtude, da humildade, do comedimento. Seus heróis 
não se caracterizam pela força, são pastores anônimos e felizes. 
Deste modo, para que esse ideal de vida simples, humilde e digno 
seja alcançado, deve-se fugir da civilização, buscando-o em meio à 
natureza. 
 
LXII 
Torno a ver-vos, ó montes; o destino 
Aqui me torna a pôr nestes oiteiros; 
Onde um tempo os gabões deixei grosseiros 
Pelo traje da Côrte rico, e fino. 
 
Aqui estou entre Almendro, entre Corino, 
Os meus fiéis, meus doces companheiros, 
Vendo correr os míseros vaqueiros 
Atrás de seu cansado desatino. 
 
Se o bem desta choupana pode tanto, 
Que chega a ter mais preço, e mais valia, 
Que da cidade o lisonjeiro encanto; 
 
Aqui descanse a louca fantasia; 
E o que té agora se tornava em pranto, 
Se converta em afetos de alegria. 
 
Cláudio Manuel da Costa 
 
- Bucolismo, pastoralismo e Locus amoenus (lugar ameno, 
natureza aprazível). – Os poetas árcades, fugindo da civilização, 
valorizam a vida no campo, o ambiente bucólico, onde a vida 
simples e digna pode ser vivida em harmonia com a natureza. 
Assim, passam-se por pastores, assumem pseudônimos pastoris 
e vivem seus idílios amorosos ao lado das mulheres amadas 
(pastoras). A natureza é o cenário (Locus amoenu). Natureza 
artificial, repleta de álamos copados, montanhas floridas, pastosverdejantes – bem diversa da natureza que os cercava em Minas -, 
composta pelo poeta para servir de moldura aos suaves idílios de 
pastores e pastoras. 
 
ALTÉIA 
Aquele pastor amante, 
Que nas úmidas ribeiras 
Deste cristalino rio 
Guiava as brancas ovelhas; 
 
Aquele, que muitas vezes 
Afinando a doce avena, 
Parou as ligeiras águas, 
Moveu as bárbaras penhas; 
 
Sobre uma rocha sentado 
Caladamente se queixa: 
Que para formar as vozes, 
Teme, que o ar as perceba. 
 
Cláudio Manuel da Costa 
 
- Efemeridade da Vida e Carpe diem (aproveita o dia) ― 
Fugacidade do tempo. Consciência da brevidade da vida leva o 
poeta a aproveitar o momento presente. 
 
“Que havemos de esperar, Marília bela? 
que vão passando os florescentes dias? 
As glórias que vêm tarde já vêm frias, 
e pode, enfim, mudar-se a nossa estrela. 
Ah! não, minha Marília, 
aprovei-te o tempo, antes que faça 
o estrago de roubar ao corpo as forças, 
e ao semblante a graça!” 
 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
- O objetivismo e Universalismo. Neutralização da individualidade 
do poeta, que recorria a emoções genéricas, dissolvendo suas 
emoções. O poeta evitava tratar na poesia de temas pessoais e 
aspectos biográficos. 
 
- A retomada dos ideais clássicos: o Belo, o Bem, a Verdade e a 
Perfeição. A arte encarada como imitação da natureza (mímese 
aristotélica). 
 
"Minha bela Marilia, tudo passa; 
A sorte deste mundo é mal segura; 
Se vem depois dos males a ventura, 
Vem depois dos prazeres a desgraça. 
 
Estão os mesmos deuses 
Sujeitos ao poder do ímpio Fado: 
Apolo já fugiu do Céu brilhante, 
Já foi pastor de gado. 
 
Ah! enquanto os Destinos impiedosos 
Não voltam contra nós a face irada, 
Façamos, sim façamos, doce amada, 
Os nossos breves dias mais ditosos, 
Um coração, que frouxo 
A grata posse de seu bem difere, 
A si, Marília, a si próprio rouba, 
E a si próprio fere. 
 
Ornemos nossas testas com as flores; 
E façamos de feno um brando leito, 
Prendamo-nos, Marília, em laço estreito, 
Gozemos do prazer de sãos Amores. 
Sobre as nossas cabeças, 
Sem que o possam deter, o tempo corre; 
E para nós o tempo, que se passa, 
Também, Marilia, morre." 
 
Tomás Antônio Gonzaga 
 
 
 
 
 
 82 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 9 - Neoclassicismo 
 
 * Locus amoenus (lugar ameno, natureza aprazível) ― a natureza 
é o cenário. Natureza artificial composta pelo poeta para servir de 
moldura aos suaves idílios de pastores e pastoras. 
 
* Pastoralismo: o poeta empresta a sua voz a um pastor culto e 
artista. 
 
* Carpe diem (gozar o dia) ― Fugacidade do tempo. Diante da 
consciência da brevidade da vida, o poeta convida a aproveitar o 
momento presente. 
 
* A afetação, fingimento, convencionalismo: uma poesia feita de 
regras e convenções. 
 
Textos 
 
Nada se Pode Comparar Contigo 
O ledo passarinho, que gorjeia 
Dalma exprimindo a cândida ternura; 
O rio transparente, que murmura, 
E por entre pedrinhas serpenteia; 
 
O Sol, que o céu diáfano passeia, 
A Lua, que lhe deve a formosura, 
O sorriso da Aurora, alegre e pura, 
A rosa, que entre os Zéfiros ondeia; 
 
A serena, amorosa Primavera, 
O doce autor das glórias que consigo, 
A Deusa das paixões e de Citera; 
 
Quanto digo, meu bem, quanto não digo, 
Tudo em tua presença degenera. 
Nada se pode comparar contigo. 
Bocage 
 
Convite a Marília 
 
Já se afastou de nós o Inverno agreste 
Envolto nos seus úmidos vapores; 
A fértil primavera, a mãe das flores 
O prado ameno de boninas veste: 
 
Varrendo os ares o sutil nordeste 
Os torna azuis; as aves de mil cores 
Adejam entre Zéfiros e Amores, 
E toma o fresco Tejo a cor celeste: 
 
Vem, ó Marília, vem lograr comigo 
Destes alegres campos a beleza, 
Destas copadas árvores o abrigo: 
 
Deixa louvar da corte a vã grandeza: 
Quanto me agrada mais estar contigo 
Notando as perfeições da Natureza! 
Bocage 
 
 
 
 
 
 
EXERCÍCIOS DE APRENDIZAGEM 
 
Questão 01 (Unifesp 2016) 
Assinale a alternativa na qual se pode detectar nos versos do poeta 
português Manuel Maria de Barbosa du Bocage (1765-1805) uma 
ruptura com a convenção arcádica do locus amoenus (“lugar 
aprazível”). 
 
A) “Olha, Marília, as flautas dos pastores 
Que bem que soam, como estão cadentes! 
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes 
Os Zéfiros brincar por entre flores?” 
B) “O ledo passarinho que gorjeia 
Da alma exprimindo a cândida ternura, 
O rio transparente, que murmura, 
E por entre pedrinhas serpenteia:” 
C) “Se é doce no recente, ameno Estio 
Ver tocar-se a manhã de etéreas flores, 
E, lambendo as areias e os verdores, 
Mole e queixoso deslizar-se o rio;” 
D) “A loira Fílis na estação das flores, 
Comigo passeou por este prado 
Mil vezes; por sinal, trazia ao lado 
As Graças, os Prazeres e os Amores.” 
E) “Já sobre o coche de ébano estrelado, 
Deu meio giro a Noite escura e feia; 
Que profundo silêncio me rodeia 
Neste deserto bosque, à luz vedado!” 
 
Leia o poema de Bocage para responder às questões. 
 
Olha, Marília, as flautas dos pastores 
Que bem que soam, como estão cadentes! 
Olha o Tejo a sorrir-se! Olha, não sentes 
Os Zéfiros brincar por entre flores? 
 
Vê como ali, beijando-se, os Amores 
Incitam nossos ósculos ardentes! 
Ei-las de planta em planta as inocentes, 
As vagas borboletas de mil cores. 
 
Naquele arbusto o rouxinol suspira, 
Ora nas folhas a abelhinha para, 
Ora nos ares, sussurrando, gira: 
 
Que alegre campo! Que manhã tão clara! 
Mas ah! Tudo o que vês, se eu te não vira, 
Mais tristeza que a morte me causara. 
 
Questão 02 (Unifesp 2007) 
A descrição que o eu-lírico faz do ambiente é uma forma de mostrar 
à amada que o amor 
a) acaba quando a morte chega. 
b) tem pouca relação com a natureza. 
c) deve ser idealizado, mas não realizado. 
d) traz as tristezas e a morte. 
e) é inspirado por tudo o que os rodeia. 
 
 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
83 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 03 (Unifesp 2007) 
O emprego de "Mas", na última estrofe do poema, permite entender 
que 
a) todo o belo cenário só tem tais qualidades se a mulher amada 
fizer parte dele. 
b) a ausência da mulher amada pode levar o eu-lírico à morte. 
c) a morte é uma forma de o eu-lírico deixar de sofrer pela mulher 
amada. 
d) a mulher amada morreu e, por essa razão, o eu-lírico sofre. 
e) o eu-lírico sofre toda manhã pela ausência da mulher amada. 
 
Questão 04 
O soneto de Bocage é uma obra do Arcadismo português, que 
apresenta, dentre suas características, o bucolismo e a valorização 
da cultura greco-romana, que estão exemplificados, 
respectivamente, em 
 
a) Tudo o que vês, se eu te não vira/Olha, Marília, as flautas dos 
pastores. 
b) Ei-las de planta em planta as inocentes/Naquele arbusto o 
rouxinol suspira. 
c) Que bem que soam, como estão cadentes!/Os Zéfiros brincar por 
entre flores? 
d) Mais tristeza que a morte me causara./Olha o Tejo a sorrir-se! 
Olha, não sentes. 
e) Que alegre campo! Que manhã tão clara!/Vê como ali, beijando-
se, os Amores. 
 
“Sobre Bocage, sabemos que foi um homem situado entre dois 
mundos, entre as regras rígidas de um Arcadismo decadente, 
refletindo um mundo racional, ordenado e concreto, e a liberdade 
de um Romantismo ascendente, quando a literatura se abre 
à individualidade e à renovação". 
(www.lpm-editores.com.br – 03.09.11) 
 
Questão 05 (UEPA 2012) 
O comentário acima nos permite concluir que Bocage sofreu a 
violência simbólica quando uma regra pastoril e neoclássica, 
disfarçada de gosto e verdade inquestionáveis, impediu 
parcialmente a expressão de sua liberdade criadora. Interprete os 
versos abaixo e assinale os que tematizam a resistência a tal regra. 
 
a) Só eu ( tirano Amor ! tirana Sorte ! ) 
Só eu por Nise ingrata aborrecido 
Para ter fim meu pranto espero a morte. 
b) Ó trevas, que enlutais a Natureza, 
Longos ciprestes desta selva anosa, 
Mochos de voz sinistra e lamentosa, 
Que dissolveis dos fados a incerteza;c) Das terras a pior tu és, ó Goa, 
Tu pareces mais ermo que cidade, 
Mas alojas em ti maior vaidade 
Que Londres, que Paris ou que Lisboa. 
d) Ó retrato da Morte! Ó Noite amiga, 
Por cuja escuridão suspiro há tanto! 
Calada testemunha de meu pranto, 
De meus desgostos secretária antiga! 
e) Razão, de que me serve o teu socorro? 
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo; 
Dizes-me que sossegue: eu peno, eu morro. 
 
Questão 06 
"Ao Amor cruel e esquivo 
Entreguei minha esperança, 
Que me pinta na lembrança 
Mais ativo o fero mal. 
 
Não verás em peito amante 
Coração de mais ternura; 
Nem que guarde fé mais pura, 
Mais constante e mais leal. 
 
Glaura! Glaura! não respondes? 
E te escondes nestas brenhas? 
Dou às penhas meu lamento; 
Ó tormento sem igual! 
 
Se não vens, porque te chamo: 
Aqui deixo junto ao Rio 
Estas pérolas num fio, 
Este ramo de coral. 
 
Entre a murta que se enlaça 
Com as flores mais mimosas, 
Acharás purpúreas rosas 
Numa taça de cristal. (...)" 
Silva Alvarenga 
 
Os versos explicitam traços marcantes da poesia neoclássica no 
Brasil, EXCETO 
a) corte amorosa. 
b) infelicidade no amor. 
c) aproximação mulher e natureza. 
d) linguagem elevada e decoro moral. 
 
Questão 07 (Unifesp) 
Leia os versos do poeta português Bocage. 
 
Vem, oh Marília, vem lograr comigo 
Destes alegres campos a beleza, 
Destas copadas árvores o abrigo. 
Deixa louvar da corte a vã grandeza; 
Quanto me agrada mais estar contigo, 
Notando as perfeições da Natureza! 
 
Nestes versos, 
a) o poeta encara o amor de forma negativa por causa da 
fugacidade do tempo. 
b) a linguagem, altamente subjetiva, denuncia características pré-
românticas do autor. 
c) a emoção predomina sobre a razão, numa ânsia de se aproveitar 
o tempo presente. 
d) o amor e a mulher são idealizados pelo poeta, portanto, 
inacessíveis a ele. 
e) o poeta propõe, em linguagem clara, que se aproveite o presente 
de forma simples junto à natureza. 
 
Questão 08 (G1 - cftmg 2016) 
Para cantar de amor tenros cuidados, 
Tomo entre vós, ó montes, o instrumento; 
Ouvi pois o meu fúnebre lamento; 
Se é que de compaixão sois animados: 
 
	SEMANA 09 - LITERATURA - Arcadismo I - STELLER sem respostas

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