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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
149 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
Questão 03 (Fatec 2016) 
Leia o fragmento da obra “Senhora”, de José de Alencar. 
 
Quando Seixas achava-se ainda sob o império desta nova 
contrariedade, apareceu na sala a Aurélia Camargo, que chegara 
naquele instante. Sua entrada foi como sempre um 
deslumbramento; todos os olhos voltaram-se para ela; pela 
numerosa e brilhante sociedade ali reunida passou o frêmito das 
fortes sensações. Parecia que o baile se ajoelhava para recebê-la 
com o fervor da adoração. Seixas afastou-se. Essa mulher 
humilhava-o. Desde a noite de sua chegada que sofrera a 
desagradável impressão. Refugiava-se na indiferença, esforçava-
se por combater com o desdém a funesta influência, mas não o 
conseguia. A presença de Aurélia, sua esplêndida beleza, era uma 
obsessão que o oprimia. Quando, como agora, a tirava da vista 
fugindo-lhe, não podia arrancá-la da lembrança, nem escapar à 
admiração que ela causava e que o perseguia nos elogios 
proferidos a cada passo em torno de si. No Cassino, Seixas tivera 
um reduto onde abrigar-se dessa cruel fascinação. 
 <http://tinyurl.com/ou5m65d> Acesso em: 17.09.2015. 
Adaptado. 
 
É correto afirmar que essa obra pertence ao 
a) Romantismo, pois ela critica os valores burgueses, exalta a 
natureza e a vida simples do campo, denunciando a corrupção e a 
hipocrisia na sociedade fluminense do século XX. 
b) Romantismo, pois ela enaltece a fragilidade da mulher e exprime 
de forma contida os sentimentos das personagens, situando-as no 
contexto da sociedade paulista do século XX. 
c) Romantismo, pois ela exalta a figura feminina, expõe, de 
maneira exacerbada, os sentimentos das personagens, tendo 
como pano de fundo os costumes da sociedade fluminense do 
século XIX. 
d) Modernismo, pois ela idealiza a mulher e a juventude e trata da 
infelicidade dos amores não correspondidos, inserindo as 
personagens na sociedade fluminense do século XX. 
e) Modernismo, pois ela se opõe ao exagero na expressão dos 
sentimentos e ao papel de submissão destinado às mulheres, 
retratando o cotidiano da sociedade paulista do século XX. 
 
Questão 04 (Unesp 2016) 
Ultrapassando o nível modesto dos predecessores e demonstrando 
capacidade narrativa bem mais definida, a obra romanesca deste 
autor é bastante ambiciosa. A partir de certa altura, este autor 
pretendeu abranger com ela, sistematicamente, os diversos 
aspectos do país no tempo e no espaço, por meio de narrativas 
sobre os costumes urbanos, sobre as regiões, sobre o índio. Para 
pôr em prática esse projeto, quis forjar um estilo novo, adequado 
aos temas e baseado numa linguagem que, sem perder a correção 
gramatical, se aproximasse da maneira brasileira de falar. Ao fazer 
isso, estava tocando o nó do problema (caro aos românticos) da 
independência estética em relação a Portugal. Com efeito, caberia 
aos escritores não apenas focalizar a realidade brasileira, 
privilegiando as diferenças patentes na natureza e na população, 
mas elaborar a expressão que correspondesse à diferenciação 
linguística que nos ia distinguindo cada vez mais dos portugueses, 
numa grande aventura dentro da mesma língua. 
(Antonio Candido. O romantismo no Brasil, 2002. Adaptado.) 
 
O comentário do crítico Antonio Candido refere-se ao escritor 
a) Raul Pompeia. 
b) Manuel Antônio de Almeida. 
c) José de Alencar. 
d) Machado de Assis. 
e) Aluísio Azevedo. 
 
Questão 05 (Enem PPL 2015) 
Quem não se recorda de Aurélia Camargo, que atravessou o 
firmamento da corte como brilhante meteoro e apagou-se de 
repente no meio do deslumbramento que produzira seu fulgor? 
Tinha ela dezoito anos quando apareceu a primeira vez na 
sociedade. Não a conheciam; e logo buscaram todos com avidez 
informações acerca da grande novidade do dia. Dizia-se muita 
coisa que não repetirei agora, pois a seu tempo saberemos a 
verdade, sem os comentos malévolos de que usam vesti-la os 
noveleiros. Aurélia era órfã; tinha em sua companhia uma velha 
parenta, viúva, D. Firmina Mascarenhas, que sempre a 
acompanhava na sociedade. Mas essa parenta não passava de 
mãe de encomenda, para condescender com os escrúpulos da 
sociedade brasileira, que naquele tempo não tinha admitido ainda 
certa emancipação feminina. Guardando com a viúva as 
deferências devidas à idade, a moça não declinava um instante do 
firme propósito de governar sua casa e dirigir suas ações como 
entendesse. Constava também que Aurélia tinha um tutor; mas 
essa entidade era desconhecida, a julgar pelo caráter da pupila, 
não devia exercer maior influência em sua vontade, do que a velha 
parenta. 
ALENCAR, J. Senhora. São Paulo: Ática, 2006. 
 
O romance Senhora, de José de Alencar, foi publicado em 1875. 
No fragmento transcrito, a presença de D. Firmina Mascarenhas 
como “parenta” de Aurélia Camargo assimila práticas e convenções 
sociais inseridas no contexto do Romantismo, pois 
a) o trabalho ficcional do narrador desvaloriza a mulher ao retratar 
a condição feminina na sociedade brasileira da época. 
b) O trabalho ficcional do narrador mascara os hábitos no enredo 
de seu romance. 
c) as características da sociedade em que Aurélia vivia são 
remodeladas na imaginação do narrador romântico. 
d) o narrador evidencia o cerceamento sexista à autoridade da 
mulher, financeiramente independente. 
e) o narrador incorporou em sua ficção hábitos muito avançados 
para a sociedade daquele período histórico. 
 
Questão 06 (Enem 2013) 
TEXTO I 
 
Ela acorda tarde depois de ter ido ao teatro e à dança; ela lê 
romances, além de desperdiçar o tempo a olhar para a rua da sua 
janela ou da sua varanda; passa horas no toucador a arrumar o 
seu complicado penteado; um número igual de horas praticando 
piano e mais outra na sua aula de francês ou de dança. 
Comentário do Padre Lopes da Gama acerca dos costumes 
femininos [1839] apud SILVA, T. V. Z.Mulheres, cultura e literatura 
brasileira. 
Ipotesi — Revista dos Estudos Literários, Juiz de Fora, v. 2. n. 2, 
1998. 
 
TEXTO II 
 
As janelas e portas gradeadas com treliças não eram cadeias 
confessas, positivas; mas eram, pelo aspecto e pelo seu destino, 
 
 
 
 
 150 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 15 - Romantismo No Brasil – Prosa 
 
grande gaiolas, onde os pais e maridos zelavam, sonegadas à 
sociedade, as filhas e as esposas. 
MACEDO, J.M. “Memória da Rua do Ouvidor [1878]”. Disponível 
em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 20 maio 2013 
(adaptado). 
 
A representação social do feminino comum aos dois textos é o(a) 
 
a) submissão de gênero, apoiada pela concepção patriarcal de 
família. 
b) acesso aos produtos de beleza, decorrência da abertura dos 
portos. 
c) ampliação do espaço de entretenimento, voltado às distintas 
classes sociais. 
d) proteção da honra, medida pela disputa masculina em relação 
às damas da corte. 
e) valorização do casamento cristão, respaldado pelos interesses 
vinculados à herança. 
 
Questão 07 (Faculdade Albert Einstein 2016) 
Era no tempo do rei. 
Uma das quatro esquinas que formam as ruas do Ouvidor e da 
Quitanda, cortando-se mutuamente, chamava-se nesse tempo – O 
Canto dos Meirinhos -; e bem lhe assentava o nome, porque era aí 
o lugar de encontro favorito de todos os indivíduos dessa classe 
(que gozava então de não pequena consideração). Os meirinhos 
de hoje não são mais do que a sombra caricata dos meirinhos do 
tempo do rei: esses eram gente temível e temida, respeitável e 
respeitada; formavam um dos extremos da formidável cadeia 
judiciária que envolvia todo o Rio de Janeiro no tempo em que a 
demanda era entre nós e um elemento da vida: o extremo oposto 
eram os desembargadores (...). 
 
O trecho acima inicia o romance Memórias de um Sargento de 
Milícias, escrito em forma de folhetim entre 1852 e 1853 por 
Manoel Antônio de Almeida.Deste romance como um todo, é 
correto afirmar que 
a) reveste-se de comicidade, na linha do pitoresco, e desenvolve 
sátira saborosa aos costumes da época, que atinge todas as 
camadas sociais, em particular os políticos e os poderosos. 
b) apresenta personagem feminina, Luisinha, cuja descrição fere a 
caracterização sempre idealizada do perfil de mulher dentro da 
estética romântica. 
c) caracteriza um romance histórico que pretende narrar fatos de 
tonalidade épica e heroica da vida brasileira, ambientados no 
tempo do rei e vividos por seus principais protagonistas. 
d) configura personagens populares que, pela primeira vez, 
comparecem no romance brasileiro e que se tornam responsáveis 
pelo desprestígio da literatura brasileira junto ao público leitor da 
época. 
 
Questão 08 (Ufrgs 2014) 
Considere as seguintes afirmações sobre o romance Memórias de 
um Sargento de Milícias, de Manuel Antônio de Almeida. 
I. O romance está integrado à estética romântica: o protagonista, 
Leonardo, é um herói nacional virtuoso e sem desvios de caráter. 
II. O livro é narrado em primeira pessoa por Leonardo: trata-se de 
suas memórias desde o abandono da terra natal – Lisboa – até a 
nomeação como Sargento de Milícias no Rio de Janeiro. 
III. Personagens como o compadre, a comadre e a vizinha são 
representantes da classe popular – a base constitutiva do romance 
– que, além do mais, está escrito em tom humorístico. 
 
Quais estão corretas? 
a) Apenas I. 
b) Apenas II. 
c) Apenas III. 
d) Apenas II e III. 
e) I, II e III. 
 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Questão 01 
Assinale a alternativa correta. 
 
José de Alencar, na variedade de romances que escreveu 
(urbanos, indianistas, de costumes, históricos, perfis de mulher), 
pretendia construir: 
a) o novo romance brasileiro. 
b) uma descrição da capacidade criativa do escritor brasileiro. 
c) uma oposição ao romance brasileiro sem qualidade literária que 
o precedeu. 
d) uma obra romanesca com os aspectos fundamentais da vida 
brasileira. 
e) uma história indianista do Brasil. 
 
Questão 02 (ENEM 2012) 
“Ele era o inimigo do rei”, nas palavras de seu biografo, Lira Neto. 
Ou, ainda, “um romancista que colecionava desafetos, azucrinava 
D. Pedro II e acabou inventando o Brasil”. Assim era José de 
Alencar (1829-1877), o conhecido autor de O guarani e Iracema, 
tido como o pai do romance no Brasil. Alem de criar clássicos da 
literatura brasileira com temas nativistas, indianistas e históricos, 
ele foi também folhetinista, diretor de jornal, autor de pecas de 
teatro, advogado, deputado federal e ate ministro da Justiça. Para 
ajudar na descoberta das múltiplas facetas desse personagem do 
século XIX, parte de seu acervo inédito será digitalizada. 
Historia Viva, n.° 99, 2011. 
 
Com base no texto, que trata do papel do escritor José de Alencar 
e da futura digitalização de sua obra, depreende-se que 
a) a digitalização dos textos e importante para que os leitores 
possam compreender seus romances. 
b) o conhecido autor de O guarani e Iracema foi importante porque 
deixou uma vasta obra literária com temática atemporal. 
c) a divulgação das obras de José de Alencar, por meio da 
digitalização, demonstra sua importância para a história do Brasil 
Imperial. 
d) a digitalização dos textos de José de Alencar terá importante 
papel na preservação da memória linguística e da identidade 
nacional. 
e) o grande romancista José de Alencar é importante porque se 
destacou por sua temática indianista. 
 
Questão 03 (Unifesp 2013) 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 4 QUESTÕES 
 
Um sarau é o bocado mais delicioso que temos, de telhado abaixo. 
Em um sarau todo o mundo tem que fazer. O diplomata ajusta, 
com um copo de champagne na mão, os mais intrincados 
negócios; todos murmuram, e não há quem deixe de ser 
murmurado. O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
151 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
seu tempo, e o moço goza todos os regalos da sua época; as 
moças são no sarau como as estrelas no céu; estão no seu 
elemento: aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa 
nas asas dos aplausos, por entre os quais surde, às vezes, um 
bravíssimo inopinado, que solta de lá da sala do jogo o parceiro 
que acaba de ganhar sua partida no écarté, mesmo na ocasião em 
que a moça se espicha completamente, desafinando um sustenido; 
daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se deslizando 
pela sala e marchando em seu passeio, mais a compasso que 
qualquer de nossos batalhões da Guarda Nacional, ao mesmo 
tempo que conversam sempre sobre objetos inocentes que movem 
olhaduras e risadinhas apreciáveis. Outras criticam de uma 
gorducha vovó, que ensaca nos bolsos meia bandeja de doces que 
veio para o chá, e que ela leva aos pequenos que, diz, lhe ficaram 
em casa. Ali vê-se um ataviado dandy que dirige mil finezas a uma 
senhora idosa, tendo os olhos pregados na sinhá, que senta-se ao 
lado. Finalmente, no sarau não é essencial ter cabeça nem boca, 
porque, para alguns é regra, durante ele, pensar pelos pés e falar 
pelos olhos. 
E o mais é que nós estamos num sarau. Inúmeros batéis 
conduziram da corte para a ilha de... senhoras e senhores, 
recomendáveis por caráter e qualidades; alegre, numerosa e 
escolhida sociedade enche a grande casa, que brilha e mostra em 
toda a parte borbulhar o prazer e o bom gosto. 
Entre todas essas elegantes e agradáveis moças, que com aturado 
empenho se esforçam para ver qual delas vence em graças, 
encantos e donaires, certo sobrepuja a travessa Moreninha, 
princesa daquela festa. 
(Joaquim Manuel de Macedo. A Moreninha, 1997.) 
 
A forma como se dá a construção do texto revela que ele é 
predominantemente 
a) dissertativo, com o objetivo de analisar criticamente o que é um 
sarau. 
b) descritivo, com o objetivo de mostrar o sarau como uma festa 
fútil e sem atrativos. 
c) narrativo, com o objetivo de contar fatos inusitados ocorridos em 
um sarau. 
d) descritivo, com o objetivo de apresentar as características de um 
sarau. 
e) dissertativo, com o objetivo de relatar as experiências humanas 
em um sarau. 
 
Questão 04 (Unifesp 2013) 
Levando em conta o contexto em que floresceu a literatura 
romântica, as informações textuais refletem, com 
a) ufanismo, uma vida social de bem-aventurança. 
b) desprezo, a cultura de uma sociedade poderosa. 
c) entusiasmo, uma sociedade frívola e hipócrita. 
d) nostalgia, os valores de uma sociedade decadente. 
e) amenidade, uma visão otimista da realidade social. 
 
Questão 05 (Unifesp 2013) 
Considerando os papéis desempenhados pelas personagens no 
texto, percebe-se que 
a) o diplomata é oportunista; o velho, conservador; os rapazes 
usufruem exageradamente os prazeres da vida; e as moças são 
frívolas. 
b) o diplomata é astuto; o velho, intimista; os rapazes usufruem a 
vida dentro de suas possibilidades; e as moças vivem de sonhos. 
 
c) o diplomata é perspicaz; o velho, saudosista; os rapazes 
usufruem prazerosamente a vida; e as moças encantam a todos. 
d) o diplomata é trapaceiro; o velho, desencantado; os rapazes 
usufruem a vida de modo fútil; e as moças investem tão-somente 
na beleza exterior. 
e) o diplomata é esperto; o velho, avançado; os rapazes usufruem 
a vida com parcimônia; e as moças vivem de devaneios. 
 
Questão 06 (Unifesp 2013) 
Assinale a alternativa em que a eliminação do pronome em 
destaque implica, contextualmente, mudança do agente da ação 
verbal. 
a) Ali vê-se um ataviado dandy [...]. 
b) [...] aqui uma, cantando suave cavatina, eleva-se vaidosa nas 
asas dos aplausos [...]. 
c) O velho lembra-se dos minuetes e das cantigas do seu tempo 
[...]. 
d) [...] mesmo na ocasião em que a moça se espicha 
completamente [...]. 
e) [...] daí a pouco vão outras, pelos braços de seus pares, se 
deslizando pela sala [...]. 
 
Questão 07 (Uneb 2014)I. 
Chegou no verão, em janeiro, quando soube que Geraldo 
cancelara o contrato de locação da casa, nos Barris. Primeiro, e 
logo que se deu a Geraldo como uma escrava, foi o Jardim da 
Piedade com a casa tão perto da igreja que acordava com o sino 
batendo forte todas as manhãs. O Campo Grande, a seguir, lugar 
de grandes árvores e muitos pássaros. Depois, o prédio magro de 
três andares na ruazinha da ladeira, no Rio Vermelho, onde 
permaneceria os últimos quinze anos ao lado do mar e de Geraldo. 
E dali, após vender os móveis para apurar um pouco mais de 
dinheiro, dali saiu enxotada para o Bângala. 
FILHO, Adonias. O Largo da Palma. Novelas. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 1981. p. 29. 
 
II. 
No momento de ajoelhar aos pés do celebrante, e de pronunciar o 
voto perpétuo que a ligava ao destino do homem por ela escolhido, 
Aurélia, com o decoro que revestia seus menores gestos e 
movimentos, curvara a fronte, envolvendo-se pudicamente nas 
sombras diáfanas dos cândidos véus de noiva. 
Malgrado seu, porém, o contentamento que lhe enchia o coração e 
estava a borbotar nos olhos cintilantes e nos lábios aljofrados de 
sorrisos, erigia-lhe aquela fronte gentil, cingida nesse instante por 
uma auréola de júbilo. 
No altivo realce da cabeça e no enlevo das feições cuja formosura 
se toucava de lumes esplêndidos, estava-se debuxando a soberba 
expressão do triunfo, que exalta a mulher quando consegue a 
realidade de um desejo férvido e longamente ansiado. 
ALENCAR, José de. Senhora: perfil de mulher. 2. ed. São Paulo: 
FTD, 1993. p. 73. 
 
O texto II faz parte do romance Senhora, de José de Alencar, obra 
representativa do Romantismo no Brasil. 
Comparando-o com o texto I, inserido na narrativa O Largo da 
Palma, sobre as figuras femininas em foco está correto o que se 
afirma na alternativa 
a) Os perfis de Aurélia e Eliane atendem ao gosto estético 
romântico. 
 
 
 
 
 152 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
Aula 15 - Romantismo No Brasil – Prosa 
 
b) Aurélia e Eliane são enfocadas como estereótipos da mulher 
presa a convenções sociais. 
c) Aurélia e Eliane são personagens — cada uma em sua época — 
representativas de um ideal de mulher a ser atingido. 
d) Os textos, embora se enquadrem em épocas literárias distintas, 
apresentam o ser feminino como vítima de um destino previamente 
traçado. 
e) Aurélia é apresentada sob uma perspectiva de idealização; já 
Eliane é mostrada como uma mulher carente, que se frustra nas 
relações amorosas. 
 
Questão 08 (Enem PPL 2013) 
— Ora dizeis, não é verdade? Pois o Sr. Lúcio queria esse cravo, 
mas vós lho não podíeis dar, porque o velho militar não tirava os 
olhos de vós; ora, conversando com o Sr. Lúcio, acordastes ambos 
que ele iria esperar um instante no jardim... 
MACEDO, J. M. A moreninha. Disponível em: 
www.dominiopublico.com.br. Acesso em: 17 abr. 2010 (fragmento). 
 
O trecho faz parte do romance A moreninha, de Joaquim Manuel 
de Macedo. Nessa parte do romance, há um diálogo entre dois 
personagens. A fala transcrita revela um falante que utiliza uma 
linguagem 
a) informal, com estruturas e léxico coloquiais. 
b) regional, com termos característicos de uma região. 
c) técnica, com termos de áreas específicas. 
d) culta, com domínio da norma padrão. 
e) lírica, com expressões e termos empregados em sentido 
figurado. 
 
Questão 09 
Texto 
 
Minhas opiniões em matéria de gramática têm-me valido a 
reputação de inovador, quando não é a pecha de escritor incorreto 
e descuidado. 
 Entretanto, poucos darão mais, se não tanta importância à 
forma do que eu; pois entendo que o estilo é também uma arte 
plástica, por ventura muito superior a qualquer das outras 
destinadas à revelação do belo. Como se explica, portanto, essa 
contradição? [...] 
 Que a tendência, não para a formação de uma nova língua, mas 
para a transformação profunda do idioma de Portugal, existe no 
Brasil, é fato incontestável. [...] 
 A revolução é irresistível e fatal, como a que transformou o 
persa em grego e céltico, o etrusco em latim, e o romano em 
francês, italiano, etc.; há de ser larga e profunda, como a 
imensidade dos mares que separa os dois mundos a que 
pertencemos. 
 Quando povos de uma raça habitam a mesma região, a 
independência política só por si forma sua individualidade. Mas se 
esses povos vivem em continentes distintos, sob climas diferentes, 
não se rompem unicamente os vínculos políticos, opera-se, 
também, a separação nas ideias, nos sentimentos, nos costumes, 
e, portanto, na língua, que é a expressão desses fatos morais e 
sociais. 
(ALENCAR, José de. Pós-Escrito à 2� edição de Iracema. OBRA 
COMPLETA. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1958. pp.312/314) 
 
Sobre José de Alencar, diz o site da Academia Brasileira de Letras: 
“Sua obra é da mais alta significação nas letras brasileiras, não só 
pela seriedade, ciência e consciência técnica e artesanal com que 
a escreveu, mas também pelas sugestões e soluções que 
ofereceu, facilitando a tarefa da nacionalização da literatura no 
Brasil e da consolidação do romance brasileiro, do qual foi o 
verdadeiro criador. Sendo a primeira figura das nossas letras, foi 
chamado “o patriarca da literatura brasileira”.” 
No texto acima, Alencar comenta críticas feitas ao seu estilo e 
observa que: 
a) o cuidado com a forma deve ser uma preocupação menor, pois 
a reprodução do belo faz parte da alçada das artes plásticas e não 
da literatura. 
b) a língua de um povo é reflexo imediato de sua cultura e que a 
língua portuguesa, no Brasil, passa por um processo de 
diferenciação motivada pela distância de Portugal. 
c) com seu estilo, procura contribuir com a criação de uma nova 
língua, que, apesar de gramaticalmente incorreta, procura revelar o 
belo através de um estilo plástico. 
d) assim como ocorreu com outros idiomas, a língua portuguesa 
falada no Brasil passará por uma transformação completa graças à 
emancipação política. 
e) para que a língua portuguesa falada no Brasil reflita nossa 
cultura, é preciso que ela despreze convenções gramaticais e 
preocupações com o estilo. 
 
Questão 10 (Upf 2016) 
Considere as afirmações a seguir em relação ao romance Senhora, 
de José de Alencar. 
I. A crítica aos valores da burguesia, desenvolvida a partir do mote 
da “compra” de um marido, aproxima a obra do Realismo literário. 
II. Os trajes suntuosos e os modos aristocráticos que pautam a 
vida nos salões, e que tanto seduzem o jovem Seixas, são 
reprovados de forma ostensiva e continuada pelo narrador, ao 
longo do texto. 
III. A vitória das “razões do coração” sobre o poder do dinheiro, que 
se verifica no desfecho da narrativa, demonstra a sobrevivência da 
visão de mundo romântica do autor. 
 
Está correto o que se afirma em: 
a) I apenas. 
b) II apenas. 
c) I e II apenas. 
d) I e III apenas. 
e) I, II e III. 
 
Questão 11 (Ufba 2010) 
O Lemos não estava a gosto; tinha perdido aquela jovialidade 
saltitante, que lhe dava um gracioso ar de pipoca. Na gravidade 
desusada dessa conferência, ele, homem experiente e sagaz, 
entrevia sérias complicações.Assim era todo ouvidos, atento às 
palavras da moça. 
— Tomei a liberdade de incomodá-lo, meu tio, para falar-lhe de 
objeto muito importante para mim. 
— Ah! muito importante?... repetiu o velho batendo a cabeça. 
 — De meu casamento! disse Aurélia com a maior frieza e 
serenidade. [...] 
 — Já sei! Deseja que eu aponte alguém... Que eu lhe procure um 
noivo nas condições precisas... Ham!... É difícil... um sujeito no 
caso de pretender uma moça como você, Aurélia? Enfim há de se 
fazer a diligência! 
— Não precisa, meu tio. Já o achei! [...] 
— Sr. Lemos, disse a moça pausadamente e transpassando com 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
 
 
 
 
 
153 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
 
um olhar frio a vista perplexa do velho; completei dezenove anos; 
possorequerer um suplemento de idade mostrando que tenho 
capacidade para reger minha pessoa e bens; com maioria de razão 
obterei do juiz de órfãos, apesar de sua oposição, um alvará de 
licença para casar-me com quem eu quiser. Se estes argumentos 
jurídicos não lhe satisfazem, apresentar-lhe-ei um que me é 
pessoal. 
 — Vamos a ver! acudiu o velho para quebrar o silêncio. 
 — É a minha vontade. O senhor não sabe o que ela vale, mas 
juro-lhe que para a levar a efeito não se me dará de sacrificar a 
herança de meu avô. 
 — É próprio da idade! São ideias que somente se têm aos 
dezenove anos; e isso mesmo já vai sendo raro. 
 — Esquece que desses dezenove anos, dezoito os vivi na 
extrema pobreza e um no seio da riqueza para onde fui 
transportada de repente. Tenho as duas grandes lições do mundo: 
a da miséria e a da opulência. Conheci outrora o dinheiro como um 
tirano; hoje o conheço como um cativo submisso. Por conseguinte 
devo ser mais velha do que o senhor que nunca foi nem tão pobre, 
como eu fui, nem tão rico, como eu sou. 
ALENCAR, J. de. Ficção completa e outros escritos. Rio de 
Janeiro: Companhia Aguilar Editora, 1965. v. 1, p. 673-674. 
(Biblioteca Luso-Brasileira. Série Brasileira). 
 
Em relação ao fragmento transcrito e considerando-se a leitura da 
obra, é correto afirmar: 
01) O diálogo entre Lemos e Aurélia revela a influência decisiva do 
dinheiro nas relações sociais do contexto evidenciado no romance. 
02) A última fala de Aurélia antecipa, na trama romanesca, seu 
perfil prepotente, egoísta e manipulador. 
04) Ao retrucar “Já sei! Deseja que eu aponte alguém... Que eu lhe 
aponte um noivo nas condições precisas...”, Lemos reage com 
coerência, tendo em vista a concepção do casamento como 
transação comercial na sociedade focalizada na narrativa. 
08) A segurança dos argumentos utilizados por Aurélia para atingir 
seus objetivos atende à expectativa do seu tio. 
16) Ao dizer “É a minha vontade”, Aurélia afirma a força subjetiva 
de seu desejo de vingança contra Seixas, o que evidencia um traço 
do Romantismo. 
32) O conhecimento das normas vigentes nas operações jurídicas 
e comerciais era habitual nas ricas herdeiras da época. 
64) Aurélia demonstra consciência da maturidade adquirida através 
de sua variada experiência de vida. 
 
Questão 12 (Unifesp 2009) 
Texto I 
 
 
 
Texto II 
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: 
foram os dois morar juntos: e daí a um mês manifestaram-se 
claramente os efeitos da pisadela e do beliscão; sete meses depois 
teve a Maria um filho (...) E este nascimento é certamente de tudo 
o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de 
quem falamos é o herói desta história. 
(Manuel Antônio de Almeida, Memórias de um Sargento de 
Milícias.) 
 
Com base nas informações verbais e visuais, é CORRETO afirmar 
que o beliscão de Maria representa: 
a) A cumplicidade na situação de aproximação desencadeada pela 
pisadela. 
b) O desdém da quitandeira frente à intenção de aproximação de 
Leonardo. 
c) A condenação à atitude de Leonardo, por supor uma intimidade 
indesejada. 
d) O repúdio da quitandeira à situação, vendo Leonardo como 
homem desprezível. 
e) A aceitação de uma amizade, mas não de uma aproximação 
íntima entre ambos. 
 
Questão 13 (Fuvest) 
Texto 
 
Os leitores estarão lembrados do que o compadre dissera quando 
estava a fazer castelos no ar a respeito do afilhado, e pensando 
em dar-lhe o mesmo ofício que exercia, 
isto é, daquele arranjei-me, cuja explicação prometemos dar. 
Vamos agora cumprir a promessa. Se alguém perguntasse ao 
compadre por seus pais, por seus parentes, por seu nascimento, 
nada saberia responder, porque nada sabia a respeito. Tudo de 
que se recordava de sua história reduzia-se a bem pouco. Quando 
chegara à idade de dar acordo da vida achou-se em casa de um 
barbeiro que dele cuidava, porém que nunca lhe disse se era ou 
não seu pai ou seu parente, nem tampouco o motivo por que 
tratava da sua pessoa. Também nunca isso lhe dera cuidado, nem 
lhe veio a curiosidade de indagá-lo. 
Esse homem ensinara-lhe o ofício, e por inaudito milagre também a 
ler e a escrever. Enquanto foi aprendiz passou em casa do seu... 
mestre, em falta de outro nome, uma vida que por um lado se 
parecia com a do fâmulo*, por outro com a do filho, por outro com a

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