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174 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
EXERCÍCIOS DE FIXAÇÃO 
 
Texto para a(s) questão(ões) a seguir 
 
Catar Feijão 
1 
Catar feijão se limita com escrever: 
joga-se os grãos na água do alguidar 
e as palavras na folha de papel; 
e depois, joga-se fora o que boiar. 
Certo, toda palavra boiará no papel, 
água congelada, por chumbo seu verbo: 
pois para catar esse feijão, soprar nele, 
e jogar fora o leve e oco, palha e eco. 
2 
Ora, nesse catar feijão entra um risco: 
o de que entre os grãos pesados entre 
um grão qualquer, pedra ou indigesto, 
um grão imastigável, de quebrar dente. 
Certo não, quando ao catar palavras: 
a pedra dá à frase seu grão mais vivo: 
obstrui a leitura fluviante, flutual, 
açula a atenção, isca-a como o risco. 
João Cabral de Melo Neto, A educação pela pedra. 
 
Questão 01 (Fgvrj 2015) 
A comparação escolhida por João Cabral de Melo Neto para 
caracterizar o ato de escrever 
a) recupera para a literatura as concepções de poesia que 
orientavam a literatura de folhetos do Nordeste, ou “cordel”. 
b) inverte certa concepção erudita da poesia, que a vê como 
atividade elevada, sublime, separada do cotidiano banal. 
c) inscreve a poética do autor no Regionalismo literário, por 
vincular a representação literária a práticas locais bem 
determinadas. 
d) reata com a tradição parnasiana, que concebia a arte poética 
como ofício de artesão ou artífice. 
e) contrapõe-se ao elitismo do Modernismo paulista, que repudiava 
o primitivismo e as culturas rústicas. 
 
Questão 02 (Fgvrj 2015) 
Considere as seguintes afirmações relativas ao poema de Cabral 
de Melo: 
I. O ideal de economia verbal, preconizado no poema, assemelha-
se ao ideal estilístico do Graciliano Ramos de Vidas secas, 
também este sequioso de restringir-se ao essencial. 
II. O recurso ao “grão imastigável, de quebrar dente” e à “pedra 
[que] dá à frase seu grão mais vivo”, com o sentido que lhe dá 
Cabral de Melo, encontra-se presente no próprio poema que a 
reivindica. 
III. A ideia de se produzir uma obstrução da leitura como algo 
positivo participa do objetivo de se romper com os autoritarismos 
da percepção – desígnio frequente na literatura moderna, inclusive 
em autores estilisticamente muito diferentes de Cabral, como é o 
caso de Guimarães Rosa. 
Está correto o que se afirma em 
a) I, apenas. 
b) II, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) I e III, apenas. 
e) I, II e III. 
Questão 03 (Fgvrj 2015) 
Entre os recursos estilísticos de que lança mão o poeta na 
composição do poema, só NÃO se encontra 
a) a atenuação da distinção entre poesia e prosa. 
b) a estrutura discursiva lógico-argumentativa. 
c) o emprego de neologismos. 
d) a personificação (ou prosopopeia). 
e) o recurso sonoro da aliteração. 
 
Questão 04 (Uem 2012) 
Assinale o que for correto sobre o poema a seguir e sobre seu 
autor, João Cabral de Melo Neto. 
Autocrítica 
Só duas coisas conseguiram 
(des)feri-lo até a poesia: 
o Pernambuco de onde veio 
e o aonde foi, a Andaluzia. 
Um, o vacinou do falar rico 
e deu-lhe a outra, fêmea e viva, 
desafio demente: em verso 
dar a ver Sertão e Sevilha. 
 
01) O poema “Autocrítica”, por meio de seu próprio título, aponta 
para algumas das principais características da poética de João 
Cabral de Melo Neto: o rigor, a reflexão e a autoconsciência do 
fazer literário por parte do poeta. 
02) A presença das duas referências geográficas no poema (o 
sertão pernambucano e a região da Andaluzia, na Espanha) 
marcam dois aspectos importantes da primeira geração 
modernista, da qual João Cabral de Melo Neto foi um dos 
expoentes: a abordagem crítica de elementos da realidade 
nacional brasileira e a deglutição antropofágica do elemento 
estrangeiro. 
04) A referência ao sertão, embora importante no poema 
reproduzido, não encontra, contudo, espaço significativo na obra 
de João Cabral de Melo Neto como um todo. O ambiente urbano é 
o elemento de comparação e inspiração de sua produção lírica 
pautada pela postura do “poeta engenheiro”. 
08) O rigor e a severidade em termos formais conduzem a lírica 
cabralina a construções sóbrias, evitando ao máximo arroubos de 
emoção gratuitos. No poema “Autocrítica”, mesmo a lembrança de 
lugares importantes para o poeta é traduzida por meio de versos 
que atrelam sua significação ao pensamento metaliterário. 
16) A consciência arquitetural e a noção da poesia como 
composição, elementos que levaram a produção cabralina a um 
patamar destacado em termos de articulação de forma e conteúdo, 
influenciaram poetas posteriores, fazendo de João Cabral de Melo 
Neto um dos precursores do concretismo no Brasil. 
 
Questão 05 (Ita 2015) 
O poema abaixo, de João Cabral de Melo Neto, integra o livro A 
escola das facas. 
A voz do canavial 
Voz sem saliva da cigarra, 
do papel seco que se amassa, 
 
de quando se dobra o jornal: 
assim canta o canavial, 
 
ao vento que por suas folhas, 
de navalha a navalha, soa, 
Aula 32 – Realismo e Naturalismo 
 
 
 
 
 
 
175 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
vento que o dia e a noite toda 
o folheia, e nele se esfola. 
 
Sobre o poema, é INCORRETO afirmar que a descrição 
a) compara o som das folhas do canavial com o da cigarra. 
b) põe em relevo a rusticidade da plantação de cana de açúcar. 
c) destaca o som do vento que passa pela plantação. 
d) associa o som do canavial com o amassar das folhas de papel. 
e) faz do vento a navalha que corta o canavial. 
 
CHEGANDO AO RECIFE, O RETIRANTE SENTA-SE PARA 
DESCANSAR AO PÉ DE UM MURO ALTO E CAIADO E OUVE, 
SEM SER NOTADO, A CONVERSA DE DOIS COVEIROS 
— O dia hoje está difícil; 
não sei onde vamos parar. 
Deviam dar um aumento, 
ao menos aos deste setor de cá. 
As avenidas do centro são melhores, 
mas são para os protegidos: 
há sempre menos trabalho 
e gorjetas pelo serviço; 
e é mais numeroso o pessoal 
(toma mais tempo enterrar os ricos). 
— pois eu me daria por contente 
se me mandassem para cá. 
Se trabalhasses no de Casa Amarela 
não estarias a reclamar. 
De trabalhar no de Santo Amaro 
deve alegrar-se o colega 
porque parece que a gente 
que se enterra no de Casa Amarela 
está decidida a mudar-se 
toda para debaixo da terra. 
João Cabral de Melo Neto, Morte e vida severina. 
 
Questão 06 (Fgv 2014) 
Atente para as seguintes afirmações referentes ao excerto, 
considerado no contexto da obra à qual pertence: 
I. No diálogo dos coveiros, no cemitério, o ponto de vista orientado 
pela morte revela-se o mais adequado para se apreender o 
conjunto da organização social a que remete o texto. 
II. Embora seja macabro o assunto, usa-se o recurso do chiste e do 
humor negro para se expor os avessos da sociedade. 
III. Na descrição dos cemitérios, a morte mostra-se antes como 
fenômeno social que natural. 
a) I, II e III. 
b) I, apenas. 
c) II e III, apenas. 
d) I e III, apenas. 
e) I e II, apenas. 
 
Você lerá no texto abaixo um trecho do poema “Morte e vida 
severina”, de João Cabral de Melo Neto, importante poeta 
pernambucano da Geração de 45 do Modernismo brasileiro. No 
excerto, um retirante chamado Severino, protagonista da obra, 
encontra dois homens que estão carregando um defunto numa 
rede. 
 
— A quem estais carregando, 
irmãos das almas, 
embrulhado nessa rede? 
dizei que eu saiba. 
— A um defunto de nada, 
irmão das almas, 
que há muitas horas viaja 
à sua morada. 
— E sabeis quem era ele, 
irmãos das almas, 
sabeis como se chama 
ou se chamava? 
— Severino Lavrador, 
irmão das almas, 
Severino Lavrador, 
mas já não lavra. 
— E de onde que o estais trazendo, 
irmãos das almas, 
onde foi que começou 
vossa jornada? 
— Onde a Caatinga é mais seca, 
irmão das almas, 
onde uma terra que não dá 
nem planta brava. 
— E foi morrida essa morte, 
irmãos das almas, 
essa foi morte morrida 
ou foi matada? 
(...) 
— E quem foi que oemboscou, 
irmãos das almas, 
quem contra ele soltou 
essa ave-bala? 
— Ali é difícil dizer, 
irmão das almas, 
sempre há uma bala voando 
desocupada. 
— E o que havia ele feito, 
irmãos das almas, 
e o que havia ele feito 
contra a tal pássara? 
— Ter uns hectares de terra, 
irmão das almas, 
de pedra e areia lavada 
que cultivava. 
 
— Mas que roças que ele tinha, 
irmãos das almas, 
que podia ele plantar 
na pedra avara? 
— Nos magros lábios de areia, 
irmão das almas, 
dos intervalos das pedras, 
plantava palha. 
 
Questão 07 (G1 - ifpe 2012) 
No que tange à utilização de figuras de linguagem para a 
construção dos sentidos presentes no texto, analise as proposições 
verdadeiras e falsas. 
I. Em “... essa foi morte morrida ou foi matada?”, tem-se um 
pleonasmo que foi utilizado como recurso enfático do tipo de morte 
ao qual foi acometido o lavrador. 
II. Em “Ali é difícil dizer, irmão das almas, sempre há uma bala 
voando desocupada”, foi utilizada uma figura de linguagem 
 
 
 
 
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CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
conhecida como personificação. 
III. Ainda em relação ao mesmo verso, poder-se-ia utilizar uma 
conjunção explicativa, a exemplo de “pois” ou “porque”, antes da 
palavra “sempre”. 
IV. Tem-se, no décimo verso transcrito, “... o que havia ele feito 
contra a tal pássara?”, em que “pássara” foi utilizada como uma 
metáfora para “bala”. 
V. Pode-se afirmar que em “Nos magros lábios de areia” ocorre 
uma hipérbole, figura de linguagem que consiste em exagerar 
numa definição quando se pretende enfatizar um conceito. 
São verdadeiras, apenas: 
a) I, II e V 
b) I, II, III e IV 
c) II, III e V 
d) III, IV e V 
e) I e III 
 
TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: 
O nada que é 
Um canavial tem a extensão 
ante a qual todo metro é vão. 
 
Tem o escancarado do mar 
que existe para desafiar 
 
que números e seus afins 
possam prendê-lo nos seus sins. 
 
Ante um canavial a medida 
métrica é de todo esquecida, 
 
porque embora todo povoado 
povoa-o o pleno anonimato 
 
que dá esse efeito singular: 
de um nada prenhe como o mar. 
(João Cabral de Melo Neto. Museu de tudo e depois, 1988.) 
 
Questão 08 (Unifesp 2014) 
Ao comparar o canavial ao mar, a imagem construída pelo eu lírico 
formaliza-se em 
a) uma assimetria entre a ideia de nada e a de anonimato. 
b) uma descontinuidade entre a ideia de mar e a de canavial. 
c) uma contradição entre a ideia de extensão e a de canavial. 
d) um paradoxo entre a ideia de nada e a de imensidão. 
e) um eufemismo entre a ideia de metro e a de medida. 
 
Questão 09 (Unifesp 2014) 
Nos versos iniciais do poema – Um canavial tem a extensão / ante 
a qual todo metro é vão. –, metro é concebido como 
a) forma ineficaz de se medir a extensão de um canavial. 
b) forma de se medir corretamente um canavial. 
c) meio de se dizer mais de um canavial do que só sua extensão. 
d) tradução subjetiva da extensão de um canavial. 
e) meio de se medir a extensão de um canavial com precisão. 
 
Questão 10 (Cefet MG 2013) 
RETRATO, À SUA MANEIRA 
(João Cabral de Melo Neto) 
Magro entre pedras 
Calcárias possível 
Pergaminho para 
A anotação gráfica 
 
O grafito Grave 
Nariz poema o 
Fêmur fraterno 
Radiografável a 
 
Olho nu Árido 
Como o deserto 
E além Tu 
Irmão totem aedo 
 
Exato e provável 
No friso do tempo 
Adiante Ave 
Camarada diamante! 
 
O texto acima estabelece, desde o título, um diálogo com a poesia 
de João Cabral de Melo Neto à medida que esse autor 
I. busca a objetividade, a concisão e o equilíbrio em seus versos. 
II. trabalha formalmente seus versos, sendo denominado de poeta-
engenheiro. 
III. considera a pedra e a aridez como elementos para uma poética 
que prioriza os substantivos. 
IV. privilegia a composição antilírica como a poesia de Vinicius de 
Moraes. 
Estão corretas apenas as afirmativas 
a) I, III e IV. b) I, II e III. 
c) III e IV. d) II e IV. 
e) I e II. 
 
Questão 11 (Enem 2012) 
Pote Cru é meu pastor. Ele me guiará. 
Ele está comprometido de monge. 
De tarde deambula no azedal entre torsos de 
cachorros, trampas, trapos, panos de regra, couros, 
de rato ao podre, vísceras de piranhas, baratas 
albinas, dálias secas, vergalhos de lagartos, 
linguetas de sapatos, aranhas dependuradas em 
gotas de orvalho etc. etc. 
Pote Cru, ele dormia nas ruínas de um convento 
Foi encontrado em osso. 
Ele tinha uma voz de oratórios perdidos. 
BARROS, M. Retrato do artista quando coisa. Rio de Janeiro: Record, 2002. 
 
Ao estabelecer uma relação com o texto bíblico nesse poema, o eu 
lírico identifica-se com o Pote Cru porque 
a) entende a necessidade de todo poeta ter voz de oratórios 
perdidos. 
b) elege-o como pastor a fim de ser guiado para a salvação divina. 
c) valoriza nos percursos do pastor a conexão entre as ruínas e a 
tradição. 
d) necessita de um guia para a descoberta das coisas da natureza. 
e) acompanha-o na opção pela insignificância das coisas. 
 
Questão 12 (Enem 2012) 
Cabeludinho 
Quando a Vó me recebeu nas férias, ela me apresentou aos 
amigos: Este é meu neto. Ele foi estudar no Rio e voltou de ateu. 
Ela disse que eu voltei de ateu. Aquela preposição deslocada me 
Aula 32 – Realismo e Naturalismo 
 
 
 
 
 
 
177 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
 
fantasiava de ateu. Como quem dissesse no Carnaval: aquele 
menino está fantasiado de palhaço. Minha avó entendia de 
regências verbais. Ela falava de sério. Mas todo-mundo riu. Porque 
aquela preposição deslocada podia fazer de uma informação um 
chiste. E fez. E mais: eu acho que buscar a beleza nas palavras é 
uma solenidade de amor. E pode ser instrumento de rir. De outra 
feita, no meio da pelada um menino gritou: Disilimina esse, 
Cabeludinho. Eu não disilimei ninguém. Mas aquele verbo novo 
trouxe um perfume de poesia a nossa quadra. Aprendi nessas 
férias a brincar de palavras mais do que trabalhar com elas. 
Comecei a não gostar de palavra engavetada. Aquela que não 
pode mudar de lugar. Aprendi a gostar mais das palavras pelo que 
elas entoam do que pelo que elas informam. Por depois ouvi um 
vaqueiro a cantar com saudade: Ai morena, não me escreve / que 
eu não sei a ler. Aquele a preposto ao verbo ler, ao meu ouvir, 
ampliava a solidão do vaqueiro. 
BARROS, M. Memórias inventadas: a infância. São Paulo: Planeta, 2003. 
 
No texto, o autor desenvolve uma reflexão sobre diferentes 
possibilidades de uso da língua e sobre os sentidos que esses 
usos podem produzir, a exemplo das expressões “voltou de ateu”, 
“desilimina esse” e “eu não sei a ler”. 
Com essa reflexão, o autor destaca 
a) os desvios linguísticos cometidos pelos personagens do texto. 
b) a importância de certos fenômenos gramaticais para o 
conhecimento da língua portuguesa. 
c) a distinção clara entre a norma culta e as outras variedades 
linguísticas. 
d) o relato fiel de episódios vividos por Cabeludinho durante as 
suas férias. 
e) a valorização da dimensão lúdica e poética presente nos usos 
coloquiais da linguagem. 
 
Questão 13 (Upe 2015) 
Retrato do artista quando coisa 
A maior riqueza 
do homem 
é a sua incompletude. 
Nesse ponto 
sou abastado. 
Palavras que me aceitam 
como sou 
— eu não aceito. 
1Não aguento ser apenas 
2um sujeito que abre 
3portas, que puxa 
4válvulas, que olha o 
5relógio, que compra pão 
6às 6 da tarde, que vai 
7lá fora, que aponta lápis, 
8que vê a uva etc. etc. 
Perdoai. Mas eu 
preciso ser Outros. 
Eu penso 
renovar o homem 
usando borboletas. 
 Manoel de Barros 
 
Considerando o poema em análise “Retrato do artista quando 
coisa” e também o assunto referente ao estudo do texto literário, 
assinale a alternativa CORRETA. 
a) O texto de Manoel de Barros, escrito em versos, possui 
características que podem categorizá-lo como um texto literário, 
poisa linguagem está construída de modo referencial e de única 
significação. Uma leitura, ainda que superficial, irá concluir que a 
expressão “usando borboletas” é utilizada para asseverar a 
condição do eu lírico de exímio pesquisador dos estudos animais. 
b) O eu lírico afirma que é “abastado”. No texto, tal afirmativa 
conduz o leitor à seguinte conclusão: os homens que são 
incompletos são abastados, pois possuem certamente riquezas 
econômico-financeiras que os tornam pessoas-modelo para jovens 
aspirantes ao mesmo status quo. Para o eu lírico, a incompletude 
do homem é certeza de qualidade econômica. 
c) Os versos “Eu penso / renovar o homem / usando borboletas” 
foram escritos de modo figurado, ou seja, as palavras podem 
assumir sentidos plurais. Defini-los de forma exclusivamente 
dicionarizada poderá levar o leitor a equívocos interpretativos, visto 
que tais versos foram concebidos num nível discursivo que lhes 
permite transcender as barreiras unissignificativas da palavra 
dicionarizada. 
d) O eu lírico, quando afirma “Eu não aceito”, explicita para o leitor 
sua indignação com o modelo econômico que rege o sistema 
capitalista. Para o eu lírico, a incompletude que o torna abastado 
pode levá-lo a melhorias sociais e existenciais. Esse ponto de vista 
é defendido pelo eu lírico de modo claro e preciso no poema. 
e) Os versos apontados pelas referências 1, 2, 3, 4, 5, 6, 7 e 8 do 
poema em análise poderiam ser substituídos, de modo preciso, 
pela seguinte frase: Sou um homem que evita utilizar, com 
frequência, a capacidade imaginativa, pois acredita que a 
criatividade pode atrapalhar a criticidade e que ambas se opõem 
no momento em que vamos definir tarefas como acordar às 6 da 
tarde e apontar lápis. 
 
 
PALAVRAS 
"Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a 
linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma 
palavra e tira o lugar de debaixo de mim. Tira o lugar em que eu 
estava sentado. Eu não fazia nada para que a palavra me 
desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem de 
ninguém. Ao retirar de debaixo de mim o lugar, eu desaprumei. Ali 
só havia um grilo com a sua flauta de couro. O grilo feridava o 
silêncio. Os moradores do lugar se queixavam do grilo. Veio uma 
palavra e retirou o grilo da flauta. Agora eu pergunto: quem 
desestruturou a linguagem? Fui eu ou foram as palavras? E o lugar 
que retiraram de debaixo de mim? Não era para terem retirado a 
mim do lugar? Foram as palavras pois que desestruturaram a 
linguagem. E não eu." 
(BARROS, Manoel de. Ensaios fotográficos. Rio de Janeiro: Record, 2000.) 
 
Questão 14 (UERJ) 
O prefixo "des" aparece seis vezes no poema: "desestruturo", 
"desestruturo", "desalojasse" "desaprumei", "desestruturou", 
"desestruturaram". Reforça-se, assim, a noção de que a poesia 
mais desestabiliza significados cristalizados e cria novos do que 
comunica alguma mensagem do poeta para o leitor. 
 
A frase de Manoel de Barros que melhor exemplifica essa 
desestabilização é: 
a) "E eu nem atrapalhava a passagem de ninguém!" 
b) "O grilo feridava o silêncio" 
c) "Fui eu ou foram as palavras?" 
d) "Não era para terem retirado a mim do lugar?" 
 
 
 
 
 
 178 VestCursos – Especialista em Preparação para Vestibulares de Alta Concorrência 
CURSO ANUAL DE LITERATURA – (Prof. Steller de Paula) 
Soneto presunçoso 
Que forma luminosa me acompanha 
quando, entre o lusco e o fusco, bebo a voz 
do meu tempo perdido, e um rio banha 
tudo o que caminhei da fonte à foz? 
 
Dos homens desde o berço enfrento a sanha 
que os difere da abelha e do albatroz. 
Meu irmão, meu algoz! No perde-e-ganha 
quem ganhou, quem perdeu, não fomos nós. 
 
O mundo nada pesa. Atlas, sinto 
a leveza dos astros nos meus ombros. 
Minha alma desatenta é mais pesada. 
 
Quer ganhe ou perca, sou verdade e minto. 
Se pergunto, a resposta é dos assombros. 
No sol a pino finjo a madrugada. 
Ledo Ivo. Disponível em: <http://www. casadobruxo.com.br/poesia/l/ledo13.htm>. 
Acesso em 10/10/2015. 
 
Questão 15 (UNIFOR 2016.1 – MEDICINA) 
Sobre o poema de Ledo Ivo, Modernismo de 45, pode-se inferir 
que 
a) a temática é sobre angústia e questões perante a vida e o 
tempo. 
b) a linguagem utilizada na segunda estrofe é metalinguística. 
c) o eu-lírico apresenta aflições amorosas e reflexões existenciais. 
d) o verso livre é predominante para descrever a valorização do 
cotidiano. 
e) a base da poesia é construída em uma revisão crítica cultural e 
social.

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