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PROJETO TÉCNICO PARA CORREDOR ECOLÓGICO – EAD CENTER I. INFORMAÇÕES SOBRE O EAD CENTER Estado: Maranhão Bairro: Cidade Olímpica Cidade: São Luís Coordenada geográfica: 2°32’30”-2°37’30”s e 44°13’35”-44°18’45”w Representante legal Nome: Parque Estadual do Bacanga/ Coordenação regional / Vinculação: Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Naturais do Maranhão II. CARACTERÍSTICAS GERAIS Os corredores ecológicos representam uma das estratégias mais promissoras para o planejamento regional eficaz de conservação e preservação de flora e fauna. A Floresta Atlântica, por exemplo, uma das regiões biologicamente mais ricas e ameaçadas do planeta, necessita com urgência desse tipo de planejamento. No interior do Estado de São Paulo, houve intenso processo de fragmentação florestal e os remanescentes florestais encontram-se isolados. A ligação destes remanescentes isolados por corredores de vegetação natural é uma estratégia para mitigar os efeitos da ação antrópica e garantir a biodiversidade nos mesmos. Para fornecer uma visão multidisciplinar sobre o tema proposto, o trabalho busca integrar os aspectos jurídicos e técnicos que regem a matéria. Primeiramente, serão abordados os aspectos jurídicos dos corredores ecológicos, analisando os princípios constitucionais, bem como, o disposto na Lei nº 4.771/65, que instituiu o Código Florestal e na Lei nº 9.985/2000, que instituiu o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza. Em sede técnica serão identificados alguns impactos ambientais que mais atingem a fauna e apresentados exemplos de implantação, recuperação e manejo de corredores ecológicos. A inclusão de corredores ecológicos em paisagens fragmentadas tem demonstrado numerosos efeitos positivos, pois facilita o movimento e conectividade entre diversas populações, tanto da flora quanto da fauna. O Parque Estadual do Bacanga é de grande importância para ilha de São Luís, pois é um dos únicos fragmentos florestais de mata pré-amazônica de forma conservada, servindo para a manutenção de uma grande área verde e mananciais na ilha, contribuindo assim, com a qualidade ambiental na ilha de São Luís por meio da conservação dos recursos hídricos locais, recreação, educação e lazer ambiental. Entretanto, diversas intervenções sofridas no decorrer dos anos tendem a reduzir toda sua funcionalidade como unidade de conservação. O Parque foi criado pelo Decreto 7.545 de 2 de março de 1980, no município de São Luís, no Maranhão, com uma área de 3.075 hectares, entre a margem direita rio Bacanga e a APA da Região do Maracanã, um dos principais reservatórios de água de São Luís, responsável pelo abastecimento de cerca de 30% da capital maranhense. Além disso, deve promover o desenvolvimento de atividades científicas, educacionais e recreativas.[1] Apresenta também manguezais, em ambientes costeiros influenciados pelas marés, e Mata dos Cocais. Algumas espécies de vegetais encontradas são o angelim, a embaúba, o buriti e o babaçu.[2] Na fauna, encontram-se animais como bicho-preguiça, cotias e várias espécies de aves, como o pica-pau amarelo, maracanã-do-buriti e gavião-da-calda-branca. Em relação ao clima é tropical, quente e úmido. A temperatura mínima na maior parte do ano fica entre 22 e 24 graus e a máxima geralmente entre 30 e 34 graus.[5] Apresenta dois períodos distintos: um chuvoso, de dezembro a julho, e outro seco, de agosto a novembro. A média pluviométrica é de 2200 mm/ano. Geomorfologia O Parque Estadual do Bacanga ocupa o topo da bacia sedimentar de São Luis, sendo constituído de rochas sedimentares representadas por arenitos e argilitos inconsolidados de idade terciária. [3] Nas margens dos igarapés e do Rio Bacanga estão concentrados depósitos argilosos de coloração escura. O solo é essencialmente laterítico, originado da meteorização do material sedimentar existente na área.[3] A unidade é caracterizada por tabuleiros com bordas pouco inclinadas, pequenas colinas e vales. Hidrografia O parque é dividido em quatro sub-bacias: a do Rio das Bicas; a Igarapé do Coelho; a da represa do Batatã e a do Alto Bacanga. A parte norte do Parque está localizado em uma área considerada urbana pelo Plano Diretor de 1992 do município de São Luís, sendo caracterizada neste como Reserva Floresta do Sacavém. De acordo com a Lei 9.985/00, toda área onde está inserida uma Unidade de Conservação e sua área de entorno que compreende um raio de 10km, as atividades devem ser Maranhão Parque Estadual do Bacanga Brasil 1024 limitadas e restritas e devem ser realizadas de forma disciplinar e de maneira que não comprometa a integridade ambiental do Parque, pois a área de entorno é considerada área rural (MMA, 2000), onde se percebe que o Parque apresenta parte da sua área de entorno inexistente. A área de entorno do Parque, em 1991, apresentava uma população de 18.240 habitantes e, em 2001, é de 60.564 habitantes exercendo uma forte pressão antrópica sobre esta unidade de conservação segundo (Castro et al., 2002) e caracterizando-se de fato, esta área como uma área urbana, de forma que elas são consideradas zonas de interesse social (ZIS). Um outro fator que contribui para a descaracterização e inviabiliza uma gestão eficiente do Parque é a existência de pequenos núcleos populacionais no interior do Parque totalizando 747 habitantes em 2001 que utilizam a terra de qualquer modo, realizando queimada, desmate e agricultura de forma primitiva (Castro et al., 2002). A existência de sítios nos limites do Parque é outro problema fundiário que inviabiliza tomada de decisão que fortaleça o planejamento do Parque, pois os habitantes dessas localidades não foram indenizados e, segundo a Lei 9.985/00, todo Parque deve ser composto somente de terra de domínio público, tendo que ser indenizado todas as propriedades nele inseridas. Segundo Ribeiro (2003), os problemas socioambientais do Parque Estadual do Bacanga são reflexos da política desenvolvimentista proporcionada pelos sucessivos governos por meio da construção de obras públicas na área antes da criação do Parque, onde se destacam a Estrada de Ferro São Luís – Teresina, a instalação e manutenção das linhas de transmissão da Eletronorte, atravessando o Parque de norte a sul, provocando grandes impactos ambientais sobre a geologia, morfologia, solo, formações superficiais e cobertura vegetal da área. III. PROPOSTA PARA ELABORAÇÃO DO CORREDOR ECOLÓGICO O Brasil possui grandes projetos de corredores ecológicos, como o projeto Corredores Ecológicos das Florestas Tropicais Brasileiras, que pretende tornar as áreas protegidas menos isoladas, restaurando os intercâmbios genéticos entre ecossistemas da Amazônia e da Mata Atlântica. Os corredores ecológicos vão estender e reforçar o atual sistema de Unidades de Conservação. Outro exemplo é o Corredor Sul da Mata Atlântica ou Corredor da Serra do Mar, que representa a maior extensão de Mata Atlântica contínua e, em termos ecológicos, é o mais viável para a conservação. O Parque possui 2.069,24 hectares, distribuídos em seis glebas na cidade de São Luís – MA. As glebas encontram-se isoladas em uma paisagem fragmentada, sofrendo forte pressão das áreas de entorno, decorrentes de várias atividades incompatíveis com a manutenção e conservação dos recursos naturais, além de problemas relativos à falta de recursos financeiros e de infraestrutura, incluindo problemas fundiários. As zonas de amortecimento do parque não estão sendo respeitadas e animais como cateto muitas vezes alimentam-se de cana-de-açúcar de plantações recém pulverizadas com agrotóxicos. Além deste fato que preocupa o administrador do parque, a autora identificou que no interior do mesmo existe córrego assoreado com respectiva área de preservação permanente sendo usada para pastagem, curso d’água que desapareceu com o represamento de sua nascente, desvio do leito de córrego para implantação de tanques de decantação de usina, aterro de área de preservação permanente do córrego da Água do rio para passar tubulação de vinhaça, entre outros danos aoparque. O Parque necessita de um plano de manejo exequível que possibilite a recuperação e restauração de seus ecossistemas degradados. É necessário ressalta a necessidade de mais estudos e pesquisas sobre a influência e dimensão dos efeitos de borda, estudos sobre a fauna (espécies mais ameaçadas, espécies-chave, formas de deslocamento, entre outras) e a realização de levantamentos mais detalhados para alimentar o plano de manejo e as seguintes propostas são: Primeira etapa: a interligação das glebas do Parque por meio do cumprimento da legislação ambiental, incluindo a Constituição da República e do Estado de Maranhão e, portanto, correspondem aos direitos e deveres ambientais de todos os cidadãos. Só o fato de respeitar as áreas de preservação permanente, já promoveria uma paisagem mais permeável e com uma maior conectividade entre as glebas do Parque; Segunda etapa: Implantação de corredores e pontos de ligação e alteração dos usos das terras, acompanhados de ações de políticas públicas (assistência técnica e financeira pelos órgãos responsáveis, programas de conscientização ambiental, programas públicos de incentivos aos proprietários que realizarem ou implantarem em suas propriedades/empresas projetos de recuperação e/ou conservação ambiental). Para recuperar da floresta, pode ser realizado o plantio de mudas de espécies arbóreas nativas no seu entorno com a finalidade de diminuir o efeito de borda e aumentar a quantidade de alimentos para a fauna local. Além do reflorestamento no entorno do fragmento, operações de limpeza manual de cipós e gramíneas nas áreas mais abertas do interior da mata (clareiras). Para possibilitar o acesso da fauna ao referido fragmento, deverá ser implantado um corredor ecológico com 30 metros de largura e 600 metros de comprimento, interligando-o a uma área de preservação permanente ao redor de uma nascente, beneficiária do Córrego. A implantação do corredor deverá cumprir as exigências da Resolução nº 21 da Secretaria do Meio Ambiente do Estado de Maranhão. Para atender o princípio da prevenção, o entorno de áreas de preservação permanente, reserva legal e corredores ecológicos, deve ser caracterizado como zona de amortecimento, com atividades restritas, evitando-se o uso do fogo, defensivos agrícolas e obras que causem danos à fauna. Entre estas obras, podem ser citadas viadutos e pontes com aterros em áreas de preservação permanente que atuam como diques, alterando o curso e o fluxo de água dos mananciais, além de interromper o corredor ecológico natural, representado na maioria das vezes pela mata ciliar. Há a necessidade de interligação dos remanescentes florestais no parque, através dos corredores ecológicos, para garantir a sobrevivência da fauna e das espécies arbóreas nativas. Sugere-se que, por ocasião da reformulação do Código Florestal, através da implantação e manejo dos corredores ecológicos, as reservas legais e as áreas de preservação permanente não ficaram isoladas, bem como estabelecer uma zona de amortecimento ao redor dessas áreas. REFERÊNCIAS IBAMA. Corredores ecológicos no Brasil: o enfoque ecossistêmico na implementação da Convenção da Biodiversidade. In: Gestão integrada de ecossistemas aplicadas a corredores ecológicos (Org.). Brasília: Edições IBAMA, 2006. p. 34. MONOSOWSKI, E. Políticas ambientais e desenvolvimento no Brasil: planejamento e gerenciamento ambiental. Cadernos FUNDAP, v. 9, n. 16, p. 7-14, jun. 1989. CASTRO, A. C. L.; SANTOS, M. C. F. V.; PINHEIRO JR, J. R.; GOMES, L. N. e ALCÂNTARA, E. H. Projeto de desenvolvimento sustentável do Bacanga. 2002. 48 f. MAZZEI, K. Manejo de unidades de conservação em áreas urbanas: desapropriação e incorporação de novas áreas. In: Anais do III Simpósio Brasileiro de Unidades de Conservação. Vol. I. Ceará: 2002. p. 177-186. RIBEIRO, I. A. Principais impactos ambientais e seus reflexos sobre os recursos hídrico no Parque Estadual do Bacanga. 2003. 45p. Monografia (Especialização). PPG-GRH, UEMA, São Luís. DIAS, G. F. Educação ambiental: princípios e práticas. São Paulo: Gaia, 1992. SEMATUR, Secretaria de Meio Ambiente e Turismo. Plano de Manejo do Parque Estadual do Bacanga. São Luís-MA, 1992. 125p.