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Reprodução das aves
Diferente dos peixes e anfíbios, nas aves, como também nos répteis, os óvulos amadurecem e se
encontram com os espermatozoides produzidos pelos machos dentro do corpo da fêmea (o que
chamamos de fecundação interna). A reprodução das aves inicia-se com a corte (ou o cortejo)
geralmente composta por dança ou canto do macho para a fêmea, mas lembre-se que em algumas
exceções, quem faz toda essa encenação é a fêmea!
Depois de conquistar a parceira, o macho sobe na fêmea, sobrepõe sua cloaca (abertura genital) com a
dela e transfere seu sêmen no qual estão os espermatozoides, que seguem o caminho pelo oviduto
feminino até encontrar os óvulos e fecundá-los.
Todas as aves são ovíparas (colocam ovos, dentro dos quais o embrião se desenvolve, sem ligação com
o corpo da mãe), e além de praticarem fecundação interna, desempenham cuidado parental (um ou
ambos os pais cuidam dos filhotes, seja chocando os ovos, pois eles precisam estar aquecidos para que
o embrião se desenvolva, ou alimentando-os após o nascimento).
Foto: depositphotos
Algumas aves constroem seus próprios ninhos, outras aproveitam o ninho de outras aves para depositar
seus ovos, como é o caso do pássaro oportunista (ou pássaro parasita), o Chupim (também conhecido
como Carixo, Papa-arroz…). Este pássaro aproveita quando a ave dona do ninho não está presente e
deposita seu ovo em meio aos dela, sem perceber ela acaba “adotando” filhotes do Chupim, os quais
geralmente nascem primeiro e comem toda a comida disponível, geralmente causando a morte dos
outros filhotes.
Algumas espécies de pinguins, por exemplo, são monogâmicas (escolhem um parceiro e formam um
casal “para sempre”), já outras aves tem diversos parceiros ou ainda, trocam de parceiro todo ano. Um
estudo sugere que a “fidelidade” encontrada em algumas espécies de pinguins, pode ser explicada pelo
fato de eles se encontrarem com pouca frequência (uma vez ao ano para a cópula).
Dimorfismo sexual em Aves
O dimorfismo sexual, características físicas (também chamadas de morfológicas) não sexuais presentes
em fêmeas e machos, as quais possibilitam a diferenciação dos sexos, é bastante característico em
aves. Quando ele existe podemos diferenciar facilmente o macho (geralmente mais colorido) da fêmea,
mas vale lembrar que nem todas as espécies de aves possuem dimorfismo sexual e que em algumas
espécies o dimorfismo é inverso, sendo que a fêmea é a mais colorida.
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Foto: depositphotos
Nem sempre a identificação sexual das aves é fácil, os filhotes raramente apresentam características
que podem ajudar a diferenciação sexual, e cerca de metade das aves do mundo não apresentam
dimorfismo sexual quando adultas. A separação sexual então pode ser feita pela identificação
cromossômica. Enquanto que em mamíferos, as fêmeas são o sexo homogamético, apresentando o par
de cromossomos XX e os machos, o par XY, nas aves os machos são homogaméticos (ZZ) e as fêmeas
heterogaméticas (ZW). Sequenciando o DNA da maioria das aves, pode-se identificar um gene
específico que está ligado ao cromossomo W e outro que está presente no cromossomo Z, assim
podemos geneticamente identificar o sexo das aves.
Órgãos reprodutores
Feminino
Quanto aos órgãos reprodutores das aves, as fêmeas possuem dois ovários, dois ovidutos (divididos em
infundíbulo, magno, istmo, útero e vagina), porém tanto o oviduto quanto o ovário direito são atrofiados e
os esquerdos aumentam de tamanho apenas durante a fase reprodutiva. Essas características foram
selecionadas durante a evolução, contribuindo com o voo.
O ovário esquerdo possui tanto função celular (produção de ovócitos), quanto endócrina (produção de
hormônios), seu tamanho varia conforme seu estado funcional e sua cor geralmente é amarelada. Sabe-
se que os hormônios estrogênio, progesterona e androgênios são importantes para o desenvolvimento e
funcionamento do aparelho reprodutor das aves.
Durante a ovogênese (é nessa fase que o que conhecemos como gema do ovo é formada), o ovário
produz e libera os folículos maduros (também conhecidos como ovócitos), os quais são captados pelo
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infundíbulo e nele, caso haja cópula, ocorre a fecundação (é normal entrar mais de um espermatozoide,
porém apenas um fecunda cada óvulo e os demais degeneram-se).
Foto: depositphotos
Após o encontro dos gametas feminino e masculino, o zigoto é formado, inicia-se a embriogênese
(formação do embrião) e durante o percurso do ovo pelo oviduto, ele recebe diferentes componentes
importantes para sua formação. No oviduto, o magno (ou também conhecido como glândula
albuminífera) produz o albúmen (clara do ovo), o istmo é o local onde ocorre a formação das membranas
da casca do ovo, e o útero (também conhecido como glândula da casca ou câmara calcífera) é o local
onde a casca termina de ser formada, é nele que o ovo recebe diferentes componentes como: carbonato
de cálcio, cutícula, pigmentos (caso haja), proteínas.
Depois de passar pelo útero, o ovo é encaminhado para a vagina, onde receberá uma camada de muco
e por fim encaminhado à cloaca (a abertura comum entre canal intestinal, aparelho urinário e aparelho
genital das aves). Cerca de um dia após a ovulação, o ovo já está formado e pronto para a postura.
Masculino
Os machos possuem dois testículos, dois canais deferentes e cloaca. Na maioria das espécies de aves,
os machos não possuem órgão copulador, porém uma pequena parcela de espécies, apresenta um
corpo fálico rudimentar, no qual o tamanho pode variar de 1-3mm (em galos) e 5cm (em patos). Em
formato de feijão, os jovens apresentam os testículos em coloração amarelada enquanto que os adultos
apresentam-no na cor branca, sendo que o testículo esquerdo é maior do que o direito. Como está
localizado dentro do corpo das aves, ele funciona à temperatura corporal, diferente do que ocorre nos
mamíferos, nos quais ocorre termorregulação.
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Os testículos são revestidos pela túnica albugínea e tem dupla função, produção de gametas e de
hormônios, como testosterona, androgênios e estrogênio. A testosterona tem importância no
crescimento e manutenção de órgãos sexuais e no comportamento de corte, já os androgênios
impulsionam o desenvolvimento de cristas, esporão e barbela.
Ligados aos testículos, os canais deferentes terminam na cloaca, o epidídimo é um órgão muito curto o
qual não tem importância para a maturação dos espermatozoides. Como nas aves não existem
glândulas bulbo-uretrais, próstata ou glândulas vesiculares, o volume de sêmen é muito pequeno.
Influência ambiental e Reprodução das Aves
Existe um fator ambiental que influencia diretamente a atividade reprodutiva das aves, o fotoperiodismo.
A ave possui um período reprodutor de acordo com o “período ótimo” para a sobrevivência da sua prole,
conforme a duração do dia, a atividade sexual aumenta ou diminui. Em criações comerciais de aves, é
comum a utilização tanto da presença de luz para iniciar a atividade reprodutora das aves, quanto a
suspensão dela para retardar a atividade das gônadas.
Referências
» UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais. Determinação do Sexo em Aves, 2002. Disponível
em: <http://labs.icb.ufmg.br/lbem/aulas/grad/tge/biodiv/2002/aves/sexo.htm>. Acesso em: 29 de abril de
2017.
»HAYASAKA, Enio Y.; NISHIDA, Silvia M. Reprodução das aves, sem data de publicação. Disponível
em: <http://www.uff.br/fisiovet/Conteudos/reproducao_aves.htm>. Acesso em: 29 de abril de 2017.
»SOUZA, Gilsoney de. Chupim, o pássaro oportunista, 05 de Julho de 2015 (atualizado em 20 de Março
de 2017). Disponível em: <https://sobreospassaros.com.br/chupim-o-passaro-oportunista/>. Acesso em:
22 de maio de 2017.
»MORAES, I. A. Reprodução nas aves domésticas, 2005. Disponível em:
<www.uff.br/fisiovet/Conteudos/reproducao_aves.htm>. Acesso em: 22 de maio de 2017.