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GEOGRAFIA Capítulo 12 Regionalização do Brasil88 Amazônia: Projeto Sivam Fonte: elaborado com base em Folha de S.Paulo, 12 jun. 1995. OCEANO ATLÂNTICO COLÔMBIA PERU BOLÍVIA GUIANA VENEZUELA Guiana Francesa (FRA)SURINAME Equador 0º 50º O 0 260 km NCentros regionais de controle de informações Radares fixos PI BA MG MS AC GO DF MT AM PA APRR RO MA TO Cruzeiro do Sul Tabatinga Tefá São Gabriel da Cachoeira Santarém Alta Floresta Jacareacanga Carajás Conceição do Araguaia Vilhena Cindacta São Luís Belém Macapá Manaus Boa Vista Rio Branco Porto Velho Cuiabá Goiânia Brasília Palmas Os “quatro Brasis” Segundo os pressupostos teóricos e metodológicos adotados pelo geógrafo Milton Santos, o território brasileiro pode ser regionalizado em “quatro Brasis”. Considerando seu processo histórico de ocupação, sua transformação econômica e sua densidade técnica, o país foi dividido nas regiões Amazônica, Centro-Oeste, Nordeste e Concentrada. Essa regionalização foi estruturada sob critérios ligados ao desenvolvimento do meio técnico-científi- co-informacional de cada uma das regiões. Um ponto relevante para esse desenvolvimento é a disponibili- dade de recursos tecnológicos avançados, como a presença de redes de telecomunicações, a automação fabril, a mecanização do campo, entre outros. A região Concentrada engloba os estados das regiões Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) e Sudeste (São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Espírito Santo), seguindo a regionalização oficial do país elaborada pelo IBGE. Essa região é estruturada sobre a maior concentração do meio técnico-científi- co-informacional do país, ou seja, é nessa parcela do território nacional que encontramos uma maior densi- dade de meios de transporte, comunicação e energia, assim como a presença de uma rede urbana bastante desenvolvida. Além de se destacar na rede de infraes- trutura, concentra os maiores centros industriais e um modelo de agricultura que emprega técnicas de cultivo modernas com uso de insumos e maquinários. Brasil: os "quatro Brasis" Fonte: elaborado com base em SANTOS, Milton; SILVEIRA, Maria Laura. O Brasil: território e sociedade no início do século XXI 9. ed Rio de Janeiro: Record, 2006 p. LXIV OCEANO ATLÂNTICO OCEANO PACÍFICO Equador 0º 50º O Trópico de Capricó rnio RR AP AM AC RO PA MA TO CE RN PB PI BA SE AL PE GO DF MG SP RJ PR ES SC RS MS MT REGIÃO AMAZÔNICA REGIÃO CENTRO- -OESTE REGIÃO CONCENTRADA REGIÃO NORDESTE 0 530 km N F R E N T E 1 89 Brasil: valor corrente e posição relativa do PIB per capita das unidades da federação e razão entre este e o PIB per capita brasileiro – 2002 e 2018 Unidades da federação Ano PIB per capita Razão entre o PIB per capita das unidades da federação e o PIB per capita do BrasilValor corrente (R$) Posição relativa Distrito Federal 2018 85 661,39 1o 2,5 2002 24 721,18 1o 2,9 São Paulo 2018 48 542,24 2o 1,4 2002 13 443,91 2o 1,6 Rio de Janeiro 2018 44 222,66 3o 1,3 2002 12 414,77 3o 1,5 Santa Catarina 2018 42 149,30 4o 1,3 2002 9 745,87 4o 1,2 Rio Grande do Sul 2018 40 362,75 5o 1,2 2002 9 423,79 5o 1,1 Mato Grosso 2018 39 931,13 6o 1,2 2002 7 265,37 11o 0,9 Mato Grosso do Sul 2018 38 925,85 7o 1,2 2002 7 599,05 8o 0,9 Paraná 2018 38 772,74 8o 1,2 2002 8 927,46 6o 1,1 Espírito Santo 2018 34 493,12 9o 1,0 2002 8 348,80 7º 1,0 Brasil 2018 33 593,82 1,0 2002 8 440,27 1,0 Minas Gerais 2018 29 223,22 10o 0,9 2002 6 703,46 13o 0,8 Goiás 2018 28 272,96 11o 0,8 2002 7 307,95 10o 0,9 Rondônia 2018 25 554,31 12o 0,8 2002 5 147,41 16o 0,6 Amazonas 2018 24 532,90 13o 0,7 2002 7 353,15 9o 0,9 Roraima 2018 23 188,92 14o 0,7 2002 6 736,70 12o 0,8 Tocantins 2018 22 933,07 15o 0,7 2002 4 344,12 21o 0,5 Amapá 2018 20 247,53 16o 0,6 2002 5 977,03 14o 0,7 Pernambuco 2018 19 623,65 17o 0,6 2002 4 426,56 19o 0,5 Bahia 2018 19 324,04 18o 0,6 2002 4 388,28 20o 0,5 Rio Grande do Norte 2018 19 249,60 19o 0,6 2002 4 709,83 18o 0,6 Pará 2018 18 952,21 20o 0,6 2002 4 043,64 22o 0,5 Sergipe 2018 18 442,63 21o 0,5 2002 5 529,80 15o 0,7 Acre 2018 17 636,88 22o 0,5 2002 4 876,17 17o 0,6 GEOGRAFIA Capítulo 12 Regionalização do Brasil90 Ceará 2018 17 178,26 23o 0,5 2002 3 712,24 24o 0,4 Alagoas 2018 16 375,56 24o 0,5 2002 3 962,88 23o 0,5 Paraíba 2018 16 107,51 25o 0,5 2002 3 627,98 25o 0,4 Piauí 2018 15 432,05 26o 0,5 2002 2 440,70 27o 0,3 Maranhão 2018 13 955,75 27o 0,4 2002 2 718,05 26o 0,3 IBGE. Sistema de contas regionais: Brasil 2018. Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101765_informativo.pdf. Acesso em: 25 mar. 2021. Tab. 1 A análise dos dados revela a grande concentração do PIB em alguns estados das regiões Sul e Sudeste, o que permite entender o porquê chamamos essa região de Concentrada. Essa concentração de objetos técnicos não é muito recente Desde a expansão cafeeira, redes de transporte (inicial- mente ferrovias), polos regionais urbanos e portos que mantêm importante papel no cenário nacional começaram a ser construídos e fortalecidos Posteriormente, a industrialização se sobrepôs ao meio técnico próprio da economia cafeeira, trazendo à região indústrias, rodovias, novas ferrovias, centros de mineração, redes de energia, de comunicações e gran- des centros urbanos ligados à indústria e ao comércio. Mais recentemente, constatamos dois movimentos. O primeiro se trata de um processo de redistribuição espacial da indústria, que vem deixando centros até então tradicionais, como o ABC Paulista, e migrando para novas áreas industriais, principalmente nos estados de Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, nas quais também se projetam plantas industriais de empresas até então ausentes no território nacional O segundo consiste na definição de novas hierarquias técnicas no território nacional, destacando-se tecnopolos (São José dos Campos, São Carlos e Campinas, por exemplo) e centros de decisão (São Paulo e Rio de Janeiro). A região Centro-Oeste compreende os estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e Tocantins e apresenta uma ocupação moderna, relativamente recente de seu meio técnico principalmente a partir da década de 1970 A expansão da agricultura de grãos, principalmente da soja, em um modelo agrícola diretamente ligado ao intenso uso de mecani- zação, fertilizantes e agrotóxicos industriais, vem promovendo a formação de grandes fazendas modernas dispersas no espaço. Essas fazendas, no entanto, possuem forte ligação com os principais centros econômicos da região Concentrada – diversas vezes, são comandadas por empresas sediadas em São Paulo e Rio de Janeiro e com o mercado internacio- nal, posto que grande parte da produção é voltada à exportação. Vale ressaltar que esse avanço econômico expressivo proporcionou uma melhora na estrutura técnica e social, mas causou imensos danos ambientais ao bioma do Cerrado. A região Nordeste compreende os estados da Bahia, de Sergipe, de Alagoas, de Pernambuco, da Paraíba, do Rio Grande do Norte, do Ceará, do Piauí e do Maranhão, como propõe a regionalização do IBGE A ocupação antiga, própria dessa região – já bem desenvolvida entre os séculos XVI e XVII – sofreu o impacto do processo de industrialização. Mas, ainda assim, a região mantém muitas de suas características, principalmente em relação à estrutura fundiária e à agricultura pouco mecanizada. Apesar disso, podem ser encontradas ali manchas de economia mais ligadas à região Concentrada, como centros industriais voltados à produção para consumo nas grandes capitais do Sul e Sudeste e também direciona- dos ao mercado externo, como é o caso de fábricas de roupas que vêm se instalando nas proximidades das capitais e da agricultura irrigada do Vale do São Francisco, especializada na produção de frutas tropicais para exportação Por fim, a região da Amazônia é formada pelos estados do Amazonas, de Rondônia, de Roraima, do Amapá, do Acre e do Pará Sua principal característica é apresentaro meio técnico-científico menos desenvolvido do país, mas que teve uma evolução rápida nas últimas décadas devido à recente ampliação de aeroportos e hidrovias, que são duas formas de transporte mais adequadas ao território extremamente amplo e recoberto por vastas áreas de floresta tropical úmida. Em contrapartida, essa expansão intensificou os conflitos com os povos tradicionais da região – indígenas, seringueiros e população ribeirinha e trouxe severos danos ambientais ao bioma amazônico Revisando 1 O que diferencia a confederação da federação?