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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 5 Romantismo no Brasil: as gerações poéticas370 Leia os poemas a seguir para responder às questões 4 e 5. O poeta Era uma noite: — eu dormia... E nos meus sonhos revia As ilusões que sonhei! E no meu lado senti... Meu Deus! por que não morri? Por que no sono acordei? No meu leito adormecida, Palpitante e abatida, A amante de meu amor, Os cabelos recendendo Nas minhas faces correndo, Como o luar numa flor! Senti-lhe o colo cheiroso Arquejando sequioso E nos lábios, que entreabria Lânguida respiração, Um sonho do coração Que suspirando morria! Não era um sonho mentido: Meu coração iludido O sentiu e não sonhou... E sentiu que se perdia Numa dor que não sabia... Nem ao menos a beijou! Soluçou o peito ardente, Sentiu que a alma demente Lhe desmaiava a tremer, Embriagou-se de enleio, No sono daquele seio Pensou que ele ia morrer! [...] AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: Nobel, 2009. p. 31. Um cadáver de poeta I De tanta inspiração e tanta vida, Que os nervos convulsivos inflamava E ardia sem conforto... O que resta? — uma sombra esvaecida, Um triste que sem mãe agonizava... — Resta um poeta morto! Morrer! E resvalar na sepultura, Frias na fronte as ilusões! no peito Quebrado o coração! Nem saudades levar da vida impura Onde arquejou de fome... sem um leito! Em treva e solidão! Tu foste como o sol; tu parecias Ter na aurora da vida a eternidade Na larga fronte escrita... Porém não voltarás como surgias! Apagou-se teu sol da mocidade Numa treva maldita! Tua estrela mentiu. E do fadário De tua vida a página primeira Na tumba se rasgou... Pobre gênio de Deus, nem um sudário! Nem túmulo nem cruz! como a caveira Que um lobo devorou!... [...] AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Lira dos vinte anos. São Paulo: Nobel, 2009. p. 113. 4 Ambos os poemas pertencem à obra Lira dos vinte anos. Entretanto, um deles é da primeira parte do li- vro; e o outro, da segunda. Identifique a que metade do livro cada poema pertence, destacando as diferen- ças entre eles. 5 Identifique traços comuns a ambos os poemas. F R E N T E 2 371 Leia os dois textos a seguir para responder às questões de 6 a 8. Era no dous de julho. A pugna imensa Travara-se nos cerros da Bahia... O anjo da morte pálido cosia Uma vasta mortalha em Pirajá. “Neste lençol tão largo, tão extenso, “Como um pedaço roto do infinito... O mundo perguntava erguendo um grito: “Qual dos gigantes morto rolará?!...” Debruçados do céu... a noite e os astros Seguiam da peleja o incerto fado... Era a tocha — o fuzil avermelhado! Era o Circo de Roma — o vasto chão! Por palmas — o troar da artilharia! Por feras — os canhões negros rugiam! Por atletas — dous povos se batiam! Enorme anfiteatro — era a amplidão! Não! Não eram dous povos, que abalavam Naquele instante o solo ensanguentado... Era o porvir — em frente do passado, A Liberdade — em frente à Escravidão. Era a luta das águias — e do abutre, A revolta do pulso — contra os ferros, O pugilato da razão — com os erros, O duelo da treva — e do clarão!... [...] ALVES, Castro. “Ode ao dous de julho”. In: IVO, Lêdo (Sel.). Melhores poemas de Castro Alves. 7 ed. São Paulo: Global, 2003. Já existe, felizmente, em nosso país, uma consciência nacional – em formação, é certo – que vai introduzindo o elemento da dignidade humana em nossa legislação, e para a qual a escravidão, apesar de hereditária, é uma verdadeira mancha de Caim que o Brasil traz na fronte. Essa consciência, que está temperando a nossa alma, e há de por fim humanizá-la, resulta da mistura de duas correntes diversas: o arrependimento dos descendentes de senhores, e a afinidade de sofrimento dos herdeiros de escravos. [...] NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. São Paulo: Publifolha, 2000. (Grandes nomes do pensamento brasileiro). 6 A poesia de caráter político-social de Castro Alves é marcada pela grandiloquência e pela oratória infla- mada. Para traduzir o movimento de forças que se opõem, o poeta faz uso exagerado das antíteses. Destaque, da terceira estrofe do poema, alguns exem- plos dessa figura de linguagem. 7 Além das antíteses, o poema é marcado pela utilização das hipérboles. Explique o uso da função da linguagem hiperbólica no primeiro texto em estudo levando em consideração a forma poética adotada pelo poeta. 8 A partir da leitura dos dois textos apresentados, de autores distintos, explique de que forma a escravidão é retratada por eles. Exercícios propostos 1 UPF 2019 No Brasil, a poesia da primeira geração romântica tinha como objetivo criar uma , tomando como protagonista a figura do . A poesia da segunda geração romântica, por sua vez, foi impregnada de , que se aliou ao subjetivismo extremo e ao escapismo. Já na terceira geração romântica, destaca-se a poesia de Castro Alves, que tem como uma de suas temáticas principais . Assinale a alternativa cujas informações preenchem corretamente as lacunas do enunciado. A identidade clássica / sertanejo / pessimismo / a denúncia da escravidão. b identidade nacional / sertanejo / tédio / a repulsa ao erotismo. identidade nacional / índio / pessimismo / a denúncia da escravidão. identidade nacional / sertanejo / pessimismo / o desejo pela mulher amada. E identidade clássica / índio / tédio / a denúncia da escravidão. LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 5 Romantismo no Brasil: as gerações poéticas372 2 Enem PPL 2018 Talvez julguem que isto são voos de ima- ginação: é possível. Como não dar largas à imaginação, quando a realidade vai tomando proporções quase fan- tásticas, quando a civilização faz prodígios, quando no nosso próprio país a inteligência, o talento, as artes, o comércio, as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e se desenvolve? Na ordem dos melhoramentos materiais, sobretudo, cada dia fazemos um passo, e em cada pas- so realizamos uma coisa útil para o engrandecimento do país. ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013. No fragmento da crônica de José de Alencar, publica- da em 1854, a temática nacionalista constrói-se pelo elogio ao(à) A passado glorioso. b progresso nacional. inteligência brasileira. imponência civilizatória. E imaginação exacerbada. 3 UFTM 2013 Em nossos dias, o neoindianismo dos modernos de 1922 (precedido por meio século de etnografia sistemática) iria acentuar aspectos au- tênticos da vida do índio, encarando-o não como gentil-homem embrionário, mas como primitivo, cujo interesse residia precisamente no que trouxesse de diferente, contraditório em relação à nossa cul- tura europeia. O indianismo dos românticos, porém, preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualita- tivamente ao conquistador, realçando ou inventando aspectos do seu comportamento que pudessem fazê-lo ombrear com este – no cavalheirismo, na ge- nerosidade, na poesia. A altivez, o culto da vindita, a destreza bélica, a gene- rosidade, encontravam alguma ressonância nos costumes aborígines, como os descreveram cronistas nem sempre capazes de observar fora dos padrões europeus e, sobre- tudo, como os quiseram deliberadamente ver escritores animados do desejo patriótico de chancelar a indepen- dência política do país com o brilho de uma grandeza heroica especificamente brasileira. CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 2000. (Adapt.). De acordo com a argumentação de Antonio Candido e ainda mobilizando outros conhecimentos sobre a li- teratura brasileira, é correto armar que o indianismo romântico funcionou como expressão A da submissão do conquistador à originalidade da cultura nativa. b do combate à invasão dos valores trazidos com a cultura europeia. do papel de transformação e negação da acultura- ção do brasileiro. de exaltação ao passado lendário e histórico do Brasil. E do desconhecimento da cultura europeia pelos ro mânticos brasileiros. 4 UFTM 2013 Considere os poemas a seguir. Canção do exílio Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá; As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá. Nosso céu tem maisestrelas, Nossas várzeas têm mais flores, Nossos bosques têm mais vida, Nossa vida mais amores. Em cismar, sozinho, à noite, Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Minha terra tem primores, Que tais não encontro eu cá; Em cismar – sozinho, à noite – Mais prazer encontro eu lá; Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá. Não permita Deus que eu morra, Sem que eu volte para lá; Sem que desfrute os primores Que não encontro por cá; Sem qu’inda aviste as palmeiras, Onde canta o Sabiá. DIAS, Gonçalves. Melhores poemas. São Paulo: Global Editora, 2001. p. 16. Nem tanto ao caos cá, neste nosso sítio, a construção já é ruína e, fora da nova ordem mundial, tem a morte e tem o amor, a poesia e tem a prosa. na época mais podre eu nem posso acreditar a mais triste nação resiste em ressuscitar... caetano incita resistir cantando uma nação linda e podre, aquarela de contrastes, o poder de acreditar... PINHEIRO, José Sebastião. De sonhos e de construção – poemas. Palmas: Provisão Estação Gráfica e Editora Ltda., 2008. p. 96. A partir de uma leitura comparativa dos poemas, mar- que a alternativa correta. A Assim como Gonçalves Dias, Tião Pinheiro, em seu poema, aborda um cá, que pode ser lido como a