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Língua portuguesa - Livro 1-0124

Capítulo de Língua Portuguesa sobre Romantismo no Brasil com poemas de Manuel A. Azevedo (Lira dos vinte anos), Castro Alves (Ode ao dous de julho), texto de Joaquim Nabuco e exercícios sobre antíteses, hipérboles, representação da escravidão e gerações românticas.

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LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 5 Romantismo no Brasil: as gerações poéticas370
Leia os poemas a seguir para responder às questões
4 e 5.
O poeta
Era uma noite: — eu dormia...
E nos meus sonhos revia
As ilusões que sonhei!
E no meu lado senti...
Meu Deus! por que não morri?
Por que no sono acordei?
No meu leito adormecida,
Palpitante e abatida,
A amante de meu amor,
Os cabelos recendendo
Nas minhas faces correndo,
Como o luar numa flor!
Senti-lhe o colo cheiroso
Arquejando sequioso
E nos lábios, que entreabria
Lânguida respiração,
Um sonho do coração
Que suspirando morria!
Não era um sonho mentido:
Meu coração iludido
O sentiu e não sonhou...
E sentiu que se perdia
Numa dor que não sabia...
Nem ao menos a beijou!
Soluçou o peito ardente,
Sentiu que a alma demente
Lhe desmaiava a tremer,
Embriagou-se de enleio,
No sono daquele seio
Pensou que ele ia morrer!
[...]
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Lira dos vinte anos.
São Paulo: Nobel, 2009. p. 31.
Um cadáver de poeta
I
De tanta inspiração e tanta vida,
Que os nervos convulsivos inflamava
E ardia sem conforto...
O que resta? — uma sombra esvaecida,
Um triste que sem mãe agonizava...
— Resta um poeta morto!
Morrer! E resvalar na sepultura,
Frias na fronte as ilusões! no peito
Quebrado o coração!
Nem saudades levar da vida impura
Onde arquejou de fome... sem um leito!
Em treva e solidão!
Tu foste como o sol; tu parecias
Ter na aurora da vida a eternidade
Na larga fronte escrita...
Porém não voltarás como surgias!
Apagou-se teu sol da mocidade
Numa treva maldita!
Tua estrela mentiu. E do fadário
De tua vida a página primeira
Na tumba se rasgou...
Pobre gênio de Deus, nem um sudário!
Nem túmulo nem cruz! como a caveira
Que um lobo devorou!...
[...]
AZEVEDO, Manuel Antônio Álvares de. Lira dos vinte anos.
São Paulo: Nobel, 2009. p. 113.
4 Ambos os poemas pertencem à obra Lira dos vinte
anos. Entretanto, um deles é da primeira parte do li-
vro; e o outro, da segunda. Identifique a que metade
do livro cada poema pertence, destacando as diferen-
ças entre eles.
5 Identifique traços comuns a ambos os poemas.
F
R
E
N
T
E
 2
371
Leia os dois textos a seguir para responder às questões
de 6 a 8.
Era no dous de julho. A pugna imensa
Travara-se nos cerros da Bahia...
O anjo da morte pálido cosia
Uma vasta mortalha em Pirajá.
“Neste lençol tão largo, tão extenso,
“Como um pedaço roto do infinito...
O mundo perguntava erguendo um grito:
“Qual dos gigantes morto rolará?!...”
Debruçados do céu... a noite e os astros
Seguiam da peleja o incerto fado...
Era a tocha — o fuzil avermelhado!
Era o Circo de Roma — o vasto chão!
Por palmas — o troar da artilharia!
Por feras — os canhões negros rugiam!
Por atletas — dous povos se batiam!
Enorme anfiteatro — era a amplidão!
Não! Não eram dous povos, que abalavam
Naquele instante o solo ensanguentado...
Era o porvir — em frente do passado,
A Liberdade — em frente à Escravidão.
Era a luta das águias — e do abutre,
A revolta do pulso — contra os ferros,
O pugilato da razão — com os erros,
O duelo da treva — e do clarão!...
[...]
ALVES, Castro. “Ode ao dous de julho”. In: IVO, Lêdo (Sel.).
Melhores poemas de Castro Alves. 7 ed. São Paulo: Global, 2003.
Já existe, felizmente, em nosso país, uma consciência
nacional – em formação, é certo – que vai introduzindo
o elemento da dignidade humana em nossa legislação,
e para a qual a escravidão, apesar de hereditária, é uma
verdadeira mancha de Caim que o Brasil traz na fronte.
Essa consciência, que está temperando a nossa alma, e
há de por fim humanizá-la, resulta da mistura de duas
correntes diversas: o arrependimento dos descendentes
de senhores, e a afinidade de sofrimento dos herdeiros
de escravos.
[...]
NABUCO, Joaquim. O abolicionismo. São Paulo: Publifolha, 2000.
(Grandes nomes do pensamento brasileiro).
6 A poesia de caráter político-social de Castro Alves é
marcada pela grandiloquência e pela oratória infla-
mada. Para traduzir o movimento de forças que se
opõem, o poeta faz uso exagerado das antíteses.
Destaque, da terceira estrofe do poema, alguns exem-
plos dessa figura de linguagem.
7 Além das antíteses, o poema é marcado pela utilização
das hipérboles. Explique o uso da função da linguagem
hiperbólica no primeiro texto em estudo levando em
consideração a forma poética adotada pelo poeta.
8 A partir da leitura dos dois textos apresentados, de
autores distintos, explique de que forma a escravidão
é retratada por eles.
Exercícios propostos
1 UPF 2019 No Brasil, a poesia da primeira geração romântica tinha como objetivo criar uma ,
tomando como protagonista a figura do . A poesia da segunda geração romântica, por
sua vez, foi impregnada de , que se aliou ao subjetivismo extremo e ao escapismo. Já na
terceira geração romântica, destaca-se a poesia de Castro Alves, que tem como uma de suas temáticas principais
.
Assinale a alternativa cujas informações preenchem corretamente as lacunas do enunciado.
A identidade clássica / sertanejo / pessimismo / a denúncia da escravidão.
b identidade nacional / sertanejo / tédio / a repulsa ao erotismo.
 identidade nacional / índio / pessimismo / a denúncia da escravidão.
 identidade nacional / sertanejo / pessimismo / o desejo pela mulher amada.
E identidade clássica / índio / tédio / a denúncia da escravidão.
LÍNGUA PORTUGUESA Capítulo 5 Romantismo no Brasil: as gerações poéticas372
2 Enem PPL 2018 Talvez julguem que isto são voos de ima-
ginação: é possível. Como não dar largas à imaginação,
quando a realidade vai tomando proporções quase fan-
tásticas, quando a civilização faz prodígios, quando no
nosso próprio país a inteligência, o talento, as artes, o
comércio, as grandes ideias, tudo pulula, tudo cresce e
se desenvolve? Na ordem dos melhoramentos materiais,
sobretudo, cada dia fazemos um passo, e em cada pas-
so realizamos uma coisa útil para o engrandecimento
do país.
ALENCAR, J. Ao correr da pena. Disponível em:
www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 12 ago. 2013.
No fragmento da crônica de José de Alencar, publica-
da em 1854, a temática nacionalista constrói-se pelo
elogio ao(à)
A passado glorioso.
b progresso nacional.
 inteligência brasileira.
 imponência civilizatória.
E imaginação exacerbada.
3 UFTM 2013 Em nossos dias, o neoindianismo dos
modernos de 1922 (precedido por meio século de
etnografia sistemática) iria acentuar aspectos au-
tênticos da vida do índio, encarando-o não como
gentil-homem embrionário, mas como primitivo, cujo
interesse residia precisamente no que trouxesse
de diferente, contraditório em relação à nossa cul-
tura europeia. O indianismo dos românticos, porém,
preocupou-se sobremaneira em equipará-lo qualita-
tivamente ao conquistador, realçando ou inventando
aspectos do seu comportamento que pudessem
fazê-lo ombrear com este – no cavalheirismo, na ge-
nerosidade, na poesia.
A altivez, o culto da vindita, a destreza bélica, a gene-
rosidade, encontravam alguma ressonância nos costumes
aborígines, como os descreveram cronistas nem sempre
capazes de observar fora dos padrões europeus e, sobre-
tudo, como os quiseram deliberadamente ver escritores
animados do desejo patriótico de chancelar a indepen-
dência política do país com o brilho de uma grandeza
heroica especificamente brasileira.
CANDIDO, Antonio. Formação da literatura brasileira. 2000. (Adapt.).
De acordo com a argumentação de Antonio Candido
e ainda mobilizando outros conhecimentos sobre a li-
teratura brasileira, é correto armar que o indianismo
romântico funcionou como expressão
A da submissão do conquistador à originalidade da
cultura nativa.
b do combate à invasão dos valores trazidos com a
cultura europeia.
 do papel de transformação e negação da acultura-
ção do brasileiro.
 de exaltação ao passado lendário e histórico do
Brasil.
E do desconhecimento da cultura europeia pelos ro
mânticos brasileiros.
4 UFTM 2013 Considere os poemas a seguir.
Canção do exílio
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem maisestrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar – sozinho, à noite –
Mais prazer encontro eu lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu’inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
DIAS, Gonçalves. Melhores poemas. São Paulo:
Global Editora, 2001. p. 16.
Nem tanto ao caos
cá, neste nosso sítio,
a construção já é ruína
e, fora da nova ordem mundial,
tem a morte e tem o amor,
a poesia e tem a prosa.
na época mais podre
eu nem posso acreditar
a mais triste nação
resiste em ressuscitar...
caetano
incita
resistir
cantando
uma nação
linda e podre,
aquarela
de contrastes,
o poder de acreditar...
PINHEIRO, José Sebastião. De sonhos e de construção – poemas.
Palmas: Provisão Estação Gráfica e Editora Ltda., 2008. p. 96.
A partir de uma leitura comparativa dos poemas, mar-
que a alternativa correta.
A Assim como Gonçalves Dias, Tião Pinheiro, em seu
poema, aborda um cá, que pode ser lido como a

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