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FILOSOFIA Capítulo 3 Sócrates 34 1 Unicentro No século V a.C. Atenas esteve sob o governo de Péricles, um dos grandes estrategos do mundo grego. Naquele período, Atenas vivenciou o grande florescimento das artes, ciência, filosofia e política. Segundo alguns autores, é a partir do governo de Péricles que os gregos traçaram as linhas mestras daquilo que viria a ser a política enquanto atividade (e dever) de todos os cidadãos que vivem na pólis (cidade-estado). A partir desta e outras informações sobre o governo de Péricles, assinale a alternativa correta. A No governo de Péricles, somente as classes mais favorecidas tinham direito a voz nas assembleias. b Somente aos sábios caberia o dever de governar a pólis grega, porque apenas eles teriam condições de “contemplar” a verdadeira ideia de justiça. c Péricles propõe, como melhor regime político, a sofocracia, governo nas mãos do sábio. d Péricles desenvolveu uma concepção política mui- to restrita, na qual o governo da pólis seria mantido somente por um pequeno número de pessoas. e O governo, próprio de Atenas, recebeu, a partir de Péricles, o nome de “democracia”, porque a sua direção (poder - cratós) não está na mão de um pe- queno grupo, mas sim da maioria (o demos). 2 UEM 2011 São designados sofistas os interlocutores de Sócrates e Platão, pertencentes ao século V a.C., que deram enfoque antropológico a questões morais, políticas e metafísicas que debatiam. Sobre a filosofia dos sofistas, assinale o que for correto. 01 A palavra sofista vem de sophos, “sábio”, pois designava os professores da sabedoria. Adquiriu, posteriormente, sentido pejorativo, em virtude da utilização de raciocínios capciosos, chamados “sofismas”. 02 O pensamento dos sofistas foi valorizado por Georg Wilhelm Hegel, no século XIX, que chamava o período em que viveram de “Aufklärung grega”, comparado ao Iluminismo do século XVIII. 04 Os sofistas não representam a nobreza aristo- crática enraizada de Atenas, razão pela qual não praticavam a filosofia por amor à sabedoria, como Sócrates, Platão e Aristóteles, uma vez que, para garantir a subsistência, cobravam por suas aulas. 08 Platão, na obra Teeteto, opõe-se radicalmente a Protágoras, autor da afirmação “o homem é a medida de todas as coisas”. 16 Pelo teor fortemente relativista em suas teses sobre a origem das espécies, Aristóteles também pode ser considerado um sofista. Soma: 3 UPE/SSA 2 2017 Sobre a temática da Filosofia na Histó- ria, analise o texto a seguir: Há, pois, uma inseparável conexão entre filosofia e história da filosofia. A filosofia é histórica, e sua história lhe pertence essencialmente. E, por outra parte, a história da filosofia não é uma mera informação erudita acerca das opiniões dos filósofos. Senão que é a exposição verdadeira do conteúdo real da filosofia. É, pois, com todo rigor, filoso- fia. A filosofia não se esgota em nenhum de seus sistemas, senão que consiste na história efetiva de todos eles. MARIAS, Julián. Historia de la Filosofia. Madrid, 1956, p. 5. Assim, é cORReTO afirmar que, na tradição histórica da filosofia, A o racionalismo e o empirismo têm estritas relações com a solução integral do problema da vida na religião. b os naturalistas pré-socráticos se preocuparam exclu- sivamente com a subjetividade e a matéria religiosa. c o famoso lema “conhece-te a ti mesmo – torna-te consciente de tua ignorância” caracterizou o pen- samento filosófico de Sócrates. d o período da filosofia moderna é conhecido por se preocupar com as verdades reveladas. e o período medieval teve como preocupação central a singularidade em relação ao sujeito do conhecimento. 4 UEA 2014 O sofista é um diálogo de Platão do qual participam Sócrates, um estrangeiro e outros perso- nagens. Logo no início do diálogo, Sócrates pergunta ao estrangeiro, a que método ele gostaria de recorrer para definir o que é um sofista. Sócrates: – Mas dize-nos [se] preferes desenvolver toda a tese que queres demonstrar, numa longa exposição ou empregar o método interrogativo? Estrangeiro: – Com um parceiro assim agradável e dó- cil, Sócrates, o método mais fácil é esse mesmo; com um interlocutor. Do contrário, valeria mais a pena argumentar apenas para si mesmo. (Platão. O sofista, 1970. Adaptado.) É correto afirmar que o interlocutor de Sócrates escolheu, do ponto de vista metodológico, adotar A a maiêutica, que pressupõe a contraposição dos argumentos. b a dialética, que une numa síntese final as teses dos contendores. c o empirismo, que acredita ser possível chegar ao saber por meio dos sentidos. d o apriorismo, que funda a eficácia da razão humana na prova de existência de Deus. e o dualismo, que resulta no ceticismo sobre a possibilidade do saber humano. Exercícios propostos PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL FR EN TE Ú N IC A 35 5 Unimontes 2011 Lembremos a figura de Sócrates. Dizem que era um homem feio, mas, quando falava, exercia estranho fascínio. Podemos atribuir a Sócrates duas maneiras de se chegar ao conhecimento. Essas duas maneiras são denominadas de A doxa e ironia. b ironia e maiêutica. c maiêutica e doxa. d maiêutica e episteme. 6 UEM Sócrates representa um marco importante da história da filosofia; enquanto a filosofia pré-socrática se preocupava com o conhecimento da natureza (physis), Sócrates procura o conhecimento indagando o homem. Assinale o que for correto. 01 Sócrates, para não ser condenado à morte, negou, diante dos seus juízes, os princípios éticos da sua filosofia. 02 Discípulo de Sócrates, Platão utilizou, como pro- tagonista da maior parte de seus diálogos, o seu mestre. 04 O método socrático compõe-se de duas partes: a maiêutica e a ironia. 08 Tal como os sofistas, Sócrates costumava cobrar di- nheiro pelos seus ensinamentos. 16 Sócrates, ao afirmar que só sabia que nada sabia, queria, com isso, sinalizar a necessidade de adotar uma nova atitude diante do conhecimento e apon- tar um novo caminho para a sabedoria. Soma: Trecho do livro Antes e depois de Sócrates, de Francis M. Cornford Não é de surpreender que os cidadãos mais velhos de Atenas, quando souberam (talvez por meio de desagradáveis conversas com seus próprios filhos adolescentes) que Sócrates incentivava os jovens a questionar todo preceito moral, não viram nenhuma diferença entre sua doutrina e a de Antífon, concluindo que ele estava corrompendo os jovens. Se tomarmos nossa palavra ‘corromper’ em seu sentido literal, a acusação era verdadeira. Dizer aos jovens que, para obter a total liberdade da idade adulta, eles devem questionar toda máxima de conduta que receberem e julgar toda questão moral por si mesmos significa corrompê-los no sentido de destruir toda a muralha com que os pais e a sociedade, de maneira tão laboriosa, cercaram-lhes a infância. Na verdade, Sócrates estava minando a moralidade da submissão social – aquela moralidade da obediência à autoridade e da concordância com o costume, que tem mantido coesos os grupos humanos de todos os tama- nhos, da família à nação, ao longo de toda a história da humanidade. Ou melhor, ele estava indo além desta moralidade de submissão e proibição para uma moralidade de tipo diferente, da mesma forma que o Sermão da Montanha vai além da lei oferecida no Sinai. O surgimento desta nova moralidade está dentro da própria alma. Pode ser chamada de moralidade da aspiração à perfeição espiritual. Se a perfeição espiritual for vista como o objeto da vida e o segredo da felicidade, então a ação não pode ser governada por nenhum código de regras imposto do exterior. Se essas regras são válidas em algum caso real, é uma questão que só pode ser decidida pelo veredicto sincero e desinteressado da alma individual. Descobrir um novo princípio de moralidade e proclamá-lo sem medo ou compromisso significa provocar o ressenti- mentoda sociedade que vive segundo uma moralidade cujas limitações devem ser rompidas. Também significa correr o risco de ser mal interpretado pelos ouvintes que já se deram conta dessas limitações, mas que podem não ser capazes de apreender o novo princípio em suas implicações positivas. Com certeza, é perigoso afirmarmos: “Faça o que parecer certo aos seus olhos”, pois alguns de nossos ouvintes sairão achando que o que dissemos foi: “Faça o que bem entender”; e não terão apreendido esta importantíssima condição: “Mas antes, certifique-se de que seus olhos veem com perfeita clareza o que é realmente bom”. Se esta condição for satisfeita, se você enxergar a verdade e agir sobre ela – como é preciso que o faça quando ela é realmente vista –, você encontrará a felicidade na posse de sua própria alma; mas você pode achar que fazer o que sabe ser certo pode não ser agradável, podendo custar-lhe a pobreza e o sofrimento, bem como, se você não conseguir evitar o conflito com a sociedade, a prisão e a morte. Se a condição não for satisfeita, você poderá se transformar em um sensualista egoísta e, se seu egoísmo estiver associado ao poder, em um inimigo da humanidade, um lobo que a sociedade tem todo o direito de destruir. Então, você terá perdido sua alma e não terá encontrado a felicidade, embora possa ter atingido os píncaros do poder que o mundo considera totalmente invejáveis. [...] Para a perfeição do espírito, os gregos usavam a palavra comum para “bondade”, areté, que não deve ser traduzida como “virtude”. “Virtude”, em todas as situações, significa conformidade com os ideais de conduta em vigor. O homem vir- tuoso é aquele que faz o que é aprovado pelo resto da sociedade. A filosofia socrática rejeita esta conformidade, chamando-a de “virtude popular”. Platão coloca a virtude dos “cidadãos respeitáveis” no mesmo nível que a incessante busca do dever característica das abelhas, formigas e outros insetos gregários. Não é isto que Sócrates quer dizer com “bondade”. Tudo o que ele objetivava era a substituição da moralidade infantil da conformidade irrepreensível por um ideal de idade adulta espiritual que se elevasse acima dos limites comumente reconhecidos da capacidade humana. Esse ideal deveria substituir uma moralidade da virtude atingível, que o mundo respeita e recompensa, por uma moralidade aspirando a uma perfeição só atingível por uns poucos homens que o mundo rejeita enquanto vivos, e que só muito mais tarde aprende a ver como he- roicos ou divinos. Sócrates foi um deles. CORNFORD, Francis M. Antes e depois de Sócrates. SIQUEIRA, Valter Lellis (Trad.). São Paulo: Martins Fontes, 2001. p. 43-5 e 47-8. Texto complementar PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL FILOSOFIA Capítulo 3 Sócrates 36 1 Enem PPL 2019 Quando se trata de competência nas construções e nas artes, os atenienses acreditam que poucos sejam capazes de dar conselhos. Quando, ao contrário, se trata de uma deliberação política, toleram que qualquer um fale, de outro modo não existiria a cidade. BOBBIO, N. Teoria geral da política. Rio de Janeiro: Elsevier, 2000 (adaptado). De acordo com o texto, a atuação política dos cidadãos atenienses na Antiguidade Clássica tinha como característica fundamental o(a) A dedicação altruísta em ações coletivas. b participação direta em fóruns decisórios. c ativismo humanista em debates públicos. d discurso formalista em espaços acadêmicos. e representação igualitária em instâncias parlamentares. y Após seu surgimento direcionado para a compreensão do mundo natural, a filosofia grega vive uma grande virada a partir do século V a.C., centralizada em Atenas: ela passa a se ocupar de assuntos autenticamente humanos, ou seja, do que chamamos de ética e política. y Essa transformação, impulsionada por circunstâncias históricas, se deu com a colaboração dos sofistas, pensadores que se dedicavam a refletir sobre as habilidades necessárias para a vida em sociedade e a ensiná-las a seus discípulos. y O filósofo mais importante desse período, no entanto, é Sócrates, que se colocou em oposição direta aos sofistas por rejeitar seu ceticismo e seu relativismo frente a assuntos morais. y Desenvolvendo um método baseado no questionamento e no diálogo, assim como na força do reconhecimento da própria ignorância, Sócrates buscou definições de termos morais e defendeu a importância do conhecimento de si e da autonomia da reflexão. y Por rejeitar as tradições e a submissão moral, além de ser impopular frente a pessoas que se sentiam ameaçadas por eles, Sócrates foi levado a julga- mento e, negando-se a abandonar aquilo que considerava sua missão divina – a prática da filosofia –, foi condenado à morte por seus concidadãos. Resumindo Exercícios complementares Quer saber mais? Filmes y Sócrates. Direção: Roberto Rossellini, 1971. Classificação indicativa: livre. Conta o final da vida de Sócrates, após a chegada dos Trinta Tiranos ao poder, e retrata também seu julgamento e morte. y A felicidade não se compra. Direção: Frank Capra, 1946. Classi- ficação indicativa: livre. O clássico filme de Natal america- no, considerado uma das melhores produções de todos os tempos, traz questionamentos importantes sobre a relação entre moralidade e felicidade e sobre a importância do conhecimento de si e do exame da própria vida. Livros y PLATÃO. Apologia de Sócrates. Porto Alegre: L&PM, 2008. Uma das principais fontes sobre a vida e a morte de Sócrates, a obra escrita por seu discípulo apresenta o discurso que Sócrates teria feito perante o tribunal ateniense para se defender das acusações apresentadas contra ele. y TAYLOR, C. C. W. Sócrates. Porto Alegre: L&PM Pocket, 2010. D iv ul ga çã o D iv ul ga çã o D iv ul ga çã o D iv ul ga çã o PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL PV_2021_FIL_FU_CAP3.INDD / 08-09-2020 (11:22) / LEONEL.MANESKUL / PROVA FINAL