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A primeira área industrial estadunidense instalou-se no nordeste do país, onde há grandes cidades localizadas pr-
ximas ao mar e à região dos Grandes Lagos, o que facilita o transporte, e onde há presença de minério de ferro e carvão
mineral, recursos naturais essenciais às indústrias típicas da Primeira Revolução Industrial. Esses fatores contribuíram para
a intensa industrialização da região e para a formação de um cinturão de fábricas, o manufacturing belt, formado pelas
cidades de Cleveland, Buffalo, Detroit, Chicago, Pittsburgh, Columbus, Nova York, Boston, Baltimore e Filadélfia. Essa região
era responsável por cerca de 75% da produção industrial nos Estados Unidos no contexto em questão. Porém, desde a
desconcentração industrial – observada mais intensamente a partir da década de 1980 – e o surgimento de novos polos
industriais ao sul e na costa oeste do país, a participação dessa região vem diminuindo, sendo inferior a 50% atualmente.
Entretanto, ainda é uma área muito industrializada, densamente povoada e com o territrio altamente tecnificado.
As grandes siderúrgicas concentram-se no estado da Pensilvânia, atraídas pela disponibilidade de carvão e pelo sistema
de transporte, que tanto a abastece com minério de ferro vindo de Minnesota quanto escoa a produção para os centros
consumidores por meio dos Grandes Lagos. Apesar do fechamento e da transferência de muitas usinas para outros locais,
Pittsburgh ainda é a “capital do aço”. No Estado de Michigan, mais especificamente na região metropolitana de Detroit,
consolidou-se um polo automobilístico, indústria de grande expressão durante a Segunda Revolução Industrial, além de
todo o conjunto de indústrias fornecedoras de peças e acessrios necessários à fabricação de automveis. Entretanto, a
outrora “capital mundial do automvel” entrou em decadência em razão da concorrência com as mais modernas e eficien-
tes montadoras asiáticas. Sendo assim, muitas fábricas fecharam, deixando um exército de desempregados e a cidade
de Detroit empobrecida. A paisagem atual ostenta fábricas e galpões abandonados. A desindustrialização é tão intensa
que a região vem sendo chamada de rust belt (cinturão da ferrugem) em alusão às indústrias que deixaram de operar.
Mundo: produção automotiva
Fonte: elaborado com base em Production d’automobiles en 2010. Le Diplomatique. Disponível em: <www.monde-diplomatique.fr/local/cache-vignettes/L800xH408/prod-autos-dc700-
74a39.png?1512040538 >. Acesso em: 29 out. 2018.
No mapa: A partir do mapa, é possível notar a diminuição da produção de automóveis nos países centrais, com destaque para os Estados Unidos
e o Japão, e o aumento da produção nos países periféricos, com destaque para a China e a Índia.
0° OCEANO GLACIAL ÁRTICO
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
OCEANO
ÍNDICO
OCEANO
PACÍFICO
Círculo Polar Ártico
Círculo Polar Antártico
M
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 G
re
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ic
h
Trópico de Câncer
Equador 0°
Trópico de Capricórnio
OCEANO GLACIAL ANTÁRTICO
CANADÁ
MÉXICO
ESTADOS UNIDOS
ALEMANHA
FRANÇA
ESPANHA
REINO UNIDO
REPÚBLICA TCHECA
POLÔNIA
ESLOVÁQUIA
ROMÊNIA
TURQUIA
CASAQUISTÃO
RÚSSIA
COREIA
DO SUL
JAPÃO
CHINA
TAILÂNDIA
MALÁSIA
AUSTRÁLIA
INDONÉSIA
ÍNDIA
ÁFRICA
DO SUL
TAIWANIRÃ
BRASIL
ITÁLIA
EGITO
Evolução da
produção entre
2000 e 2010 (%)
Produção de
automóveis em
2010
(milhões de veículos)
–83
0
100
200
783
20
10
1
0,1
5
0
ESCALA
2 430 km
Mais ao sul, sobretudo no estado do Texas, a industrialização se desenvolveu no século XX com a descoberta de imensas
bacias petrolíferas justamente em um momento em que esse recurso natural passava a ganhar muita relevância no processo
industrial, tanto como fonte de energia como matéria-prima. A exploração do petrleo possibilitou a acumulação de capital, e a
instalação de infraestruturas variadas e complexas no territrio estimulou a indústria petrolífera e química, atraindo também outros
ramos industriais, como o aeronáutico e o aeroespacial. Esse desenvolvimento se intensificou durante e logo aps a Segunda
Guerra Mundial, condição que fez alavancar o mercado consumidor e revelou a necessidade estratégica desse tipo de indústria
e tecnologia para as pretensões políticas e econômicas dos Estados Unidos. Destacam-se nesse setor a cidade de Houston,
com a presença do Centro Espacial da Nasa, e o Cabo Canaveral, na Flrida, com sua base de lançamentos de foguetes.
Já na Costa Oeste, o processo de industrialização é mais recente e está muito associado às empresas de alta tecnologia,
vinculadas às características que determinam a Terceira Revolução Industrial. Mas, antes disso, os atributos naturais da região
e as políticas governamentais de incentivo à ocupação e à exploração desse territrio, bem como a instalação de infraestru-
tura de transporte e energia, foram essenciais para criar condições para o desenvolvimento industrial local. As Montanhas
Rochosas e a Serra Nevada são ricas em minerais metálicos, e a bacia da Califrnia possui petrleo e gás natural. A mão
GEOGRAFIA Capítulo 3 Indústria224
de obra começou a se formar no período da Marcha para o
Oeste e da Corrida do Ouro, eventos que atraíram milhões de
pessoas. Sua localização geográfica, às margens do Oceano
Pacífico, facilita as trocas com os países asiáticos, bem como
a chegada de imigrantes desses países.
Na posição noroeste, destaca-se a cidade de Seattle,
sede da Boeing, grande indústria aeronáutica, e de mui-
tas empresas de informática – a Microsoft está também no
estado de Washington, na cidade de Redmond, a poucos
quilômetros de Seattle. Entretanto, a Califrnia é o mais rico
estado do país, que concentra a maior parte das indústrias
e dos centros de pesquisa da Costa Oeste e lidera o novo
cinturão industrial estadunidense, o sun belt, “cinturão do
sol’’, nome dado em alusão ao clima mais quente e ensola-
rado dessa região.
O eixo entre San Diego e São Francisco, passando por
Los Angeles, apresenta um parque industrial formado por in-
dústrias petroquímicas, automobilísticas, navais, alimentícias,
aeronáuticas e muitas outras ligadas à alta tecnologia.
Os tecnopolos estadunidenses
O primeiro e mais importante tecnopolo mundial loca-
liza-se no Vale do Silício, área ao norte da Califrnia que
compreende as cidades de Palo Alto, Cupertino, Santa
Clara, entre outras dispersas no eixo entre São Francisco
e San Jose. O nome dessa região é uma alusão à mais
significativa matéria-prima utilizada na produção de micro-
processadores, o silício.
A corrida armamentista no contexto da Guerra Fria di-
recionou o investimento estatal para o desenvolvimento de
tecnologia de ponta e garantiu recursos e outros incentivos,
como a instalação de centros de pesquisa, universidades
e laboratrios na região, assim como gerou um mercado
consumidor para tudo aquilo que era produzido. Vontade
política, capital disponível, presença de mão de obra qualifi-
cada e grande demanda por tecnologia de ponta explicam
a concentração atual das mais significativas empresas rela-
cionadas à informática, à biotecnologia e à internet no Vale
do Silício. Lá estão as sedes de grandes empresas como
Apple, Google, Oracle, HP, Facebook, Adobe, Intel e muitas
outras – mesmo as com sedes em outros locais, como IBM
e Microsoft, possuem filiais ali instaladas.
Outro significativo tecnopolo estadunidense está lo-
calizado na Costa Leste, curiosamente em meio a uma
área de industrialização tradicional, que é a região me-
tropolitana de Boston, no estado de Massachusetts. Ao
contrário das cidades vizinhas, em relativa ou acentuada
decadência, Boston conseguiu se destacar por ter sido
capaz de promover um processo de reconversão indus-
trial graças à concentração de renomados centros de
pesquisa em tecnologia lá localizados, como Cambridge
e MIT − sigla em inglês para Instituto de Tecnologia de
Massachusetts –, além de Harvard, uma das mais impor-
tantes universidades do mundo. Além da mão de obra
altamente qualificada, as empresas de ponta também
puderam contar com um espaçoequipado com moderna
tecnologia para os rápidos fluxos exigidos pelas indús-
trias de tecnologia de ponta. Este tecnopolo também é
conhecido como Route 128.
Industrialização nos países periféricos
ou subdesenvolvidos
América Latina
Apesar da diversidade de realidades sociais, econômicas,
culturais e territoriais entre os países latino-americanos, pode-
mos distingui-los em dois grupos ao considerar o processo de
industrialização e a importância desse setor na economia. No
grupo dos países mais industrializados da região estão a Ar-
gentina, o Brasil e o México. Todos os demais, mesmo com
suas especificidades, como é o caso de Cuba e sua economia
planificada, da Venezuela e sua grande exploração de petrleo
e forte presença do Estado na economia, e do Chile, com uma
política de impostos mais favorável às empresas privadas e uma
tradicional indústria extrativa, podem ser classificados como
países de menor relevância industrial, pois não possuem um
parque industrial diverso, dinâmico e de grande porte compa-
ráveis aos que têm os três países do primeiro grupo.
América Latina: regiões industriais
Fonte: elaborado com base em FERREIRA, Graça Maria Lemos. Atlas Geográco: espaço
mundial. 4. ed. São Paulo: Moderna, 2013. p. 71.
80° O
OCEANO
PACÍFICO
OCEANO
ATLÂNTICO
Tróp
ico
de C
ânc
er
Trópic
o de Ca
pricórnio
Equador 0°
Monterrey
Guadalajara
Déficit
O processo de industrialização dos países dessa região
é recente, já que eles não participaram como protagonis-
tas nas duas primeiras revoluções industriais, sendo, em
sua maioria, resultado daquilo que se passava nos Estados
Unidos e na Europa. Grande parte de seu parque industrial
é consequência da expansão das indústrias dos países de-
senvolvidos, que instalaram filiais na região, atraídas pelas
vantagens locacionais da época e pelo grande mercado
consumidor em potencial, além de amplos investimentos
estatais, sobretudo nas indústrias de base.
Foi apenas a partir da década de 1930 que as indús-
trias da região passaram a ganhar alguma relevância na
economia desses países, resultado de investimentos das
elites, e a obter investimentos do Estado na instalação de
siderúrgicas, metalúrgicas e petrolíferas. O Estado também
investiu na tecnificação do territrio, ou seja, na instalação
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de infraestruturas necessárias à reprodução do capital in-
dustrial, típicas do modelo da Segunda Revolução Industrial,
como sistema de transporte terrestre e marítimo (rodovias,
ferrovias e portos), geração de energia (hidrelétricas e ter-
melétricas) e rede de telecomunicações.
A industrialização por substituição de importações teve
relevância até pouco depois da Segunda Guerra Mundial,
quando as limitações de capital e tecnologia nacionais im-
pediram os avanços necessários no setor, e a concorrência
com o capital e as indústrias estrangeiras, advindas dos paí-
ses que rapidamente se recuperavam da guerra, passou a
ordenar a industrialização em outra lgica: a da instalação
das multinacionais dos ramos automobilístico, eletroeletrô-
nico, farmacêutico, químico, alimentício e têxtil. Foi nesse
período que ocorreu a maior industrialização da Argentina,
do Brasil e do México.
Assim como em muitos outros países de economia
capitalista, as indústrias estão concentradas em algumas
áreas ou regiões dos países latino-americanos: na Argen-
tina, estão entre Buenos Aires – a capital – e Rosário; no
México, estão no eixo Cidade do México-Guadalajara; e,
no Brasil, estão na região Sudeste, sobretudo em São
Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, caso que estuda-
remos com mais detalhes adiante, ainda neste capítulo.
Tigres Asiáticos
Coreia do Sul, Cingapura, Taiwan e Hong Kong ficaram
conhecidos como Tigres Asiáticos em razão de seus rápi-
dos crescimentos industriais e da participação agressiva
na pauta comercial internacional por meio da venda de
produtos por preços altamente competitivos, conquistando,
assim, parte do mercado mundial a partir dos anos 1970.
Países até então de tradição agrícola inspiraram-se no
modelo de desenvolvimento e industrialização japonês,
estabelecendo uma pauta de produção para o mercado
exterior e de investimento maciço na formação educacional
de sua população desde o início da escolarização, além de
contarem com incentivos e capitais dos países capitalistas
desenvolvidos no contexto da Guerra Fria.
Esses países não dispunham da maioria dos fatores loca-
cionais clássicos para atração e desenvolvimento industrial.
Tinham economias pouco expressivas, não possuíam merca-
do consumidor interno e tampouco contavam com recursos
minerais e energéticos.
Apesar das diferenças entre os quatro países, que vão
desde o tamanho de seus territrios e de suas populações
até seus respectivos processos histricos de formação, em
todos eles o Estado adotou medidas de redução de impostos
para incentivar as exportações. Ao mesmo tempo, esses
países sobretaxaram produtos importados, desvalorizando
a moeda para oferecer produtos a preços mais competiti-
vos, investiram em educação, inibiram a ação dos sindicatos,
favoreceram o aumento da poupança interna, restringindo
o consumo, e investiram pesado em toda infraestrutura ne-
cessária ao desenvolvimento industrial. Também contavam
com mão de obra mais barata que os concorrentes, que
era também bastante disciplinada e se submetia a longas
jornadas de trabalho. Assim, foram capazes de assimilar, re-
produzir e aperfeiçoar as novas tecnologias da informação.
Tigres Asiticos: político
Fonte: elaborado com base em IBGE. Atlas geográco escolar. 8. ed. Rio de
Janeiro: IBGE, 2018. p. 32.
135° E
Trópico de Câncer
Equador 0°
OCEANO
PACÍFICO
COREIA
Atualmente, a condição de vida e de trabalho nesses
países está bastante diferente de anos atrás. Os salários
são significativamente mais altos, e boa parte da população
tem acesso a bens de consumo, equipamentos culturais e
assistência médica, além da elevada qualidade da educa-
ção, uma conquista mais antiga.
Dentre os quatro países, destaca-se a Coreia do Sul
– com maiores territrio e população e parque industrial di-
versificado, composta de redes empresariais originalmente
familiares denominadas chaebols, como Samsung, Hyundai
e LG, que atuam em vários segmentos.
Outros quatro países do Sudeste Asiático – Malásia,
Tailândia, Indonésia e Filipinas – tiveram grande crescimen-
to a partir dos anos 1980, seguindo passos semelhantes
aos dos Tigres Asiáticos, e passaram a ser identificados
como Novos Tigres. Assim como os quatro pioneiros, eles
têm suas economias alicerçadas na exportação e, conse-
quentemente, em uma boa infraestrutura portuária, o que
atrai a concentração industrial para as regiões litorâneas.
A partir de 1990, o Vietnã – país que possui uma economia
planificada em transição – também passou a atrair inves-
timentos estrangeiros, sobretudo na instalação de plantas
fabris manufatureiras (calçados, roupas etc.).
Atenção

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