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Aula_05_-Parnasianismo,_Simbolismo_e_Pré-Modernismo_-_ESA_EsPCEx_2024_-_SLIDES_-_NOTAS

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PARNASIANISMO, 
SIMBOLISMO E 
PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
militares.estrategia.com
@profa.luana.signorelli
Professora Luana Signorelli
militares.estrategia.com
Luana Signorelli
/luana.signorelli
Professora Luana Signorelli
@luanasignorelli1
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Contextualização Geral
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Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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O fim do século XIX
Para quem viveu a virada do século XX para o XXI sabe que geralmente nessas
ocasiões da humanidade predominam dois sentimentos contraditórios: ou um completo
êxtase, uma alegria, uma emoção por estar presenciando um fato histórico ou um medo
diante do desconhecido. Era mais ou menos assim que também se sentiam as pessoas na
virada do século XIX para o XX.
Nesse período, houve uma determinada forma de expressão no plano artístico. Em
termos de estilo, segue a tradição do le fin de siècle (o fim de século) e da la décadence (a
decadência). Entre os artistas dessa geração, prevaleciam os seguintes aspectos:
Pessimismo diante de tantas teorias científicas do século XIX
que tanto prometiam, mas que só acabaram acentuando problemas,
como a desigualdade, por exemplo;
 O movimento literário do Simbolismo surgiu como uma reação
ao materialismo e à racionalidade do século XIX;
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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O fim do século XIX
 Havia uma parte dos jovens que adotou uma postura revolucionária e rebelde.
Reivindicavam basicamente a queda de regimes monárquicos e proclamavam o
republicanismo;
 Porém, muitos sofriam de desânimo e tédio para com a vida burguesa. Muitos desses
artistas procuravam negar a própria classe e até a vida, com isso procurando saídas como fuga
da realidade; uso (mais ou menos) exagerado de drogas e apelavam até mesmo para o suicídio.
Na transição do século XIX para o XX ocorreram simultaneamente vários
movimentos literários. Já estudamos anteriormente os movimentos
prosaicos (nos quais se escreveu prosa): Realismo e Naturalismo. Na
aula de hoje, vamos estudar os poéticos: Parnasianismo e Simbolismo. E
também um movimento de transição do início do século XX: o Pré-
Modernismo. Por isso, vamos fazer uma revisão sobre os movimentos
do Realismo e ao Naturalismo.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Enquanto isso, na França...
Charles Baudelaire (1821-1867) foi um célebre poeta francês. Morreu
aos 46 anos de idade. Teve uma vida desregrada desde criança. Foi
expulso do colégio, fez uma expedição à Índia, retorna à França onde
vive em completa boemia com o colega Jeanne Duval. Principais obras:
Flores do mal (1857); Paraísos artificiais (1860) e O Spleen de Paris:
pequenos poemas em prosa (1869). O spleen definia o estado de
melancolia. Era reconhecido como um dândi pelo seu requinte.
Stéphane Mallarmé (1842-1898) foi de uma geração em que os poetas
publicavam muito em revistas. Um lance de dados, uma reflexão sobre o
acaso, por exemplo, surgiu primeiramente na revista Cosmopolis em 1897.
Outra obra conhecida dele foi Tarde de um fauno (1876), que foi musicado
por Claude Debussy. Seus temas eram obscuros, existencialistas e filosóficos.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Enquanto isso, na França...
Guillaume Apollinaire (1880-1918) é considerado o pai do movimento
literário do Concretismo. Foi influenciado pela vanguarda do cubismo;
Pablo Picasso foi seu colaborador direto. Sua obra-prima é Caligramas,
publicados em 1918 após a Primeira Guerra Mundial, idealizado para ser
justamente uma mistura de caligrafia e ideograma.
Paul Verlaine (1844-1896) foi um poeta do simbolismo francês.
Envolveu-se com outro poeta de sua geração, Arthur Rimbaud.
Versos dele servem como epígrafe para o Livro de Mágoas de
Florbela Espanca: “Isolados de amor assim que se bebe o
negro/Nossos dois corações exalam sua ternura pacífica/Serão dois
rouxinóis que cantam ao pôr do sol” (livre tradução). Principais
obras: Poemas Saturnianos (1866) e Os poetas malditos (1884).
Alguns deles são encontrados na versão brasileira: A voz dos
botequins e outros poemas (2009).
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Enquanto isso, na França...
Arthur Rimbaud (1854-1891) estudou latim. Começou a
traduzir os clássicos, mas depois tomou uma posição contra
os parnasianos. Viveu em época turbulenta, como a Comuna
de Paris (1871). Suas principais obras são Temporada no
inferno (1873) e Vogais (1883). Em português, há uma obra
chamada Rimbaud livre, que é tradução dos Irmãos Campos:
VOGAIS
A negro, E branco, I rubro, U verde, O azul, vogais,
Ainda desvendarei seus mistérios latentes:
A, velado voar de moscas reluzentes
Que zumbem ao redor dos acres lodaçais (...)
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Parnasianismo
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Parnasianismo
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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✓ O Parnasianismo é um movimento literário contemporâneo ao Realismo e ao
Naturalismo.
✓ Momento de valorização do pensamento científico. No Parnasianismo, porém, não
há interesse em produzir uma crítica social a partir das teses científicas (como no
Naturalismo) ou de utilizar a literatura ficcional como espelhamento da sociedade
(como no Realismo).
✓ A influência do pensamento científico na poesia parnasiana está na rigidez formal e
na formalidade da linguagem.
✓ Esses escritores se filiam à ideia de arte pela arte, ou seja, o objetivo do
fazer artístico é ele mesmo.
✓Um poema deve ser bom e belo, não servir a objetivos didáticos,
morais, sentimentais ou pedagógicos.
✓Os poetas parnasianos comparam a si mesmo com um ourives. O
ourives é o profissional que talha e lapida joias, que trabalha com ouro.
Parnasianismo
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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O Parnasianismo inspira seu nome no Monte Parnaso.
Segundo a mitologia latina, o monte Parnaso era uma das
residências de Apolo e as nove musas. Nesse local, e
produziria poesia e outras artes.
Os parnasianos tinham proximidade com a cultura
greco-latina, além de se inspirarem na ideia de poesia
enquanto arte elevada.
Deus Apolo, da Mitologia Grega. Fonte: Shutterstock.
Os 12 deuses do Olimpo: Zeus, Hera, Poseidon, Atena, Ares,
Deméter, Apolo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes e Dionísio.
Cada um desses nomes tem seu correspondente latino, cuja
nomenclatura inclusive serve para nomear planetas.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Principais características 
do Parnasianismo
• O objetivo da obra de arte é ser boa e bela em si mesma.
• A arte não deve buscar ser didática, sentimental ou pedagógica.
ARTE PELA ARTE
• A obra poética deve ser trabalhada para ser o mais perfeita possível
no campo da forma. Logo, o perfeccionismo era uma obsessão.
BUSCA PELA PERFEIÇÃO
• Os temas da poesia parnasiana são próximos do cotidiano, buscando
descrevê-los de maneira detalhada, analisando sob diversos ângulos,
inspirando-se no método científico.
CIENTIFICISMO E POSITIVISMO
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Principais características 
do Parnasianismo
• Uso de rimas ricas e palavras raras, com um vocabulário rebuscado.
• Preocupação com a métrica e a versificação, sendo que a métrica preferida é o
verso alexandrino (de doze sílabas).
• As rimas são regulares.
• Soneto é a forma preferida.
CULTO À FORMA E ÀS ESTRUTURAS FIXAS
• Os poetas produzem obras fortemente detalhadas, muitas vezes descrevendo 
objetos ou situações com precisão. 
• Há uma busca pela descrição mais objetiva, inspirada na observação científica. 
DESCRIÇÃO DETALHADA
• Cotidiano(tanto objetos quanto paisagens).
• Cultura clássica (mitologia greco-latina).
• Fatos históricos.
TEMAS
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Parnasianismo: autores e obras
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Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Olavo Bilac
✓ Olavo Bilac (1865-1918) é o principal poeta parnasiano
brasileiro. Além da literatura, possuía participação cívica
efetiva. Foi autor do Hino à Bandeira. Era chamado de
“príncipe dos poetas brasileiros”.
✓ Seus dois poemas mais conhecidos são “Ora (direis ouvir
estrelas” e “Língua portuguesa”.
✓ Perceba uma característica forte do Parnasianismo no
poema Língua Portuguesa: a influência da literatura
greco-latina.
✓ O poeta se refere à língua portuguesa como “a última
flor do Lácio”. O Lácio é uma região da Itália onde se
falava uma variante vulgar do latim. Essa variante deve
ter sido a origem do Português.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Olavo Bilac – exemplos práticos
XIII
"Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!" E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: "Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?"
E eu vos direi: "Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas".
Língua portuguesa
Última flor do Lácio, inculta e bela,
És, a um tempo, esplendor e sepultura:
Ouro nativo, que na ganga impura
A bruta mina entre os cascalhos vela...
Amo-te assim, desconhecida e obscura,
Tuba de alto clangor, lira singela
Que tens o trom e o silvo da procela,
E o arrolo da saudade e da ternura!
Amo o teu viço agreste e o teu aroma
De virgens selvas e de oceano largo!
Amo-te, ó rude e doloroso idioma,
Em que da voz materna ouvi: “meu filho!”,
E em que Camões chorou, no exílio amargo,
O gênio sem ventura e o amor sem brilho!
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Alberto de Oliveira
✓ O poeta Alberto de Oliveira (1857-1937) era
farmacêutico, porém acabou se dedicando à poesia.
✓ Suas poesias são focadas principalmente na
descrição de objetos e de ambientes da natureza. O
poema Vaso Grego é uma de suas obras mais
conhecidas e que expõe de modo mais contundente
diversas máximas do Parnasianismo
❖ Temática greco-latina.
❖ Estrutura formal rígida, fazendo uso do
soneto e dos versos de 10 sílabas poéticas.
❖ Vocabulário rebuscado, fazendo uso de
palavras menos comuns, tornando a
linguagem mais trabalhada.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Alberto de Oliveira – exemplo prático
Estranho mimo aquele vaso! Vi-o,
Casualmente, uma vez, de um perfumado
Contador sobre o mármor luzidio,
Entre um leque e o começo de um bordado.
Fino artista chinês, enamorado,
Nele pusera o coração doentio
Em rubras flores de um sutil lavrado,
Na tinta ardente, de um calor sombrio.
Mas, talvez por contraste à desventura,
Quem o sabe?... de um velho mandarim
Também lá estava a singular figura.
Que arte em pintá-la! A gente acaso vendo-a,
Sentia um não sei quê com aquele chim
De olhos cortados à feição de amêndoa.
Nesse poema, há a descrição de um vaso
chinês. Um objeto do cotidiano, portanto, é
tratado como assunto suficientemente
importante para os parnasianos. O poeta trata
da sua admiração ao ver o quadro que é
descrito em detalhes: as cores, os desenhos, o
lugar em que ele se encontrava.
Percebam também que há regularidade
no escrito. Além de usar a forma fixa do
soneto, o poeta também mantém regularidade
na rima e na métrica. Veja um exemplo de
escansão do poema e perceba que todos os
versos possuem 10 sílabas:
Es / tra/ nho / mi/ mo a / que / le / va/ so! / Vi-o, 
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Raimundo Correia
✓ O poeta Raimundo Correia (1859-1911) é outro dos
poetas parnasianos mais populares no Brasil.
✓ Boa parte de seus poemas segue a linha temática dos
outros poetas: as imagens e objetos do cotidiano e a
inspiração na cultura clássica. A diferença de
Raimundo para os outros dois poetas é seu forte traço
pessimista, frequentemente desiludido com a vida.
✓ O poema “As Pombas” esteve no centro de uma
grande polêmica: ele foi acusado de plágio, por ser
uma tradução de um poema de Theóphile Gautier,
poeta parnasiano europeu.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Raimundo Correia – exemplo prático
Vai-se a primeira pomba despertada...
Vai-se outra mais... mais outra... enfim dezenas
Das pombas vão-se dos pombais, apenas
Raia sanguínea e fresca a madrugada...
E à tarde, quando a rígida nortada
Sopra, aos pombais, de novo elas, serenas,
Ruflando as asas, sacudindo as penas,
Voltam todas em bando e em revoada...
Também dos corações onde abotoam
Os sonhos, um a um, céleres voam,
Como voam as pombas dos pombais;
No azul da adolescência as asas soltam,
Fogem... Mas aos pombais as pombas voltam,
E eles aos corações não voltam mais...
Raimundo Correia – As pombas
Esse poema por sua vez reflete a
atmosfera decadente do fim de
século. Já desde a primeira estrofe, há
uma atmosfera pessimista que
descreve a ida das pombas. Atenção: a
imagem da tarde indica ruína. O
próprio Olavo Bilac tem uma obra que
compõe a reunião de poemas a qual
se chama “Tarde”. O poema termina
com um tom de desesperança.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Francisca Júlia
Os três poetas formam a chamada tríade parnasiana,
grupo dos três poetas parnasianos mais conhecidos.
Porém, também consta a produção de Francisca Júlia.
Francisca Júlia (1871-1920). Poetisa brasileira, nascida
no interior de São Paulo. Começou escrevendo o Livro da
Infância (1899), dedicado à educação em escolas
públicas do estado. Suas principais obras são Mármores
(1895) e Esfinges (1921). No poema abaixo, a figura
mitológica da musa é aludida.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Francisca Júlia – exemplo prático
Musa! um gesto sequer de dor ou de sincero
Luto jamais te afeie o cândido semblante!
Diante de um Jó, conserva o mesmo orgulho; e diante
De um morto, o mesmo olhar e sobrecenho austero.
Em teus olhos não quero a lágrima; não quero
Em tua boca o suave e idílico descante.
Celebra ora um fantasma anguiforme de Dante,
Ora o vulto marcial de um guerreiro de Homero.
Dá-me o hemistíquio d'ouro, a imagem atrativa;
A rima, cujo som, de uma harmonia crebra,
Cante aos ouvidos d'alma; a estrofe limpa e viva;
Versos que lembrem, com seus bárbaros ruídos,
Ora o áspero rumor de um calhau que se quebra,
Ora o surdo rumor de mármores partidos.
De musa passiva do poema, mero objeto
de representação, o eu lírico feminino
agora é aquele quem fala da musa, fonte
de inspiração. As Musas também são
criaturas mitológicas, fonte de inspiração
para os poetas. Então, é como se o eu lírico
estivesse invocando inspiração para si. Já
na Ilíada de Homero, as Musas são
aclamadas logo nos primeiros versos (o
Canto I é uma invocação às musas). Porém,
essa musa, em vez de inspirar, é inspirada.
A questão do sofrimento feminino é
retratada. O eu lírico exorta coragem da
musa, clamando que ela nunca padeça.
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Simbolismo
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Simbolismo
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
militares.estrategia.com
 Na mesma época em que o Realismo, o Naturalismo e o
Parnasianismo ocorriam, surge mais um movimento literário: o
Simbolismo.
 Ao longo do tempo, o homemviveu sob a ideia de que o
progresso científico e tecnológico sempre levaria à evolução, ou seja,
seríamos melhores na medida em que tivéssemos uma sociedade mais
tecnológica. De fato, a tecnologia foi capaz de melhorar nossa vida e
facilitar nossas ações cotidianas. A tecnologia, porém, não foi capaz de
solucionar alguns problemas essenciais aos seres humanos: a igualdade
não foi alcançada, não fomos capazes de eliminar a pobreza e ainda
passamos por momentos de guerra e conflito intenso.
 Muitas vezes, a tecnologia parece estar no centro de diversos
desses problemas. É dessa frustração com a racionalidade e o
pensamento científico que surge o Simbolismo.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Principais características 
do Simbolismo
• A religiosidade é um tema frequente para os autores simbolistas.
• Outros temas espirituais e metafísicos, como a morte, por exemplo.
ESPIRITUALIDADE E MISTICISMO
• Uso da figura de linguagem da sinestesia (do grego, συναισθησία: syn- significa
conjunto e aesthesía sensações; mistura de sensações) e da metáfora.
• O tema da sexualidade aparece com frequência.
INTUIÇÃO E APROXIMAÇÃO DO SENSORIAL
• A linguagem trabalha com a sugestão e os símbolos, muito mais do que com a
objetividade.
• Uso de figuras de linguagem como a aliteração (repetição de consoantes) e a
assonância (repetição de vogais).
LINGUAGEM VAGA E MUSICALIDADE
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Principais características 
do Simbolismo
• Numa espécie de resgate dos valores românticos caídos em desuso, os
simbolistas buscam se afastar da abordagem racional da realidade e buscam
observá-la de maneira mais sensível.
• Antimaterialismo.
NÃO RACIONALIDADE
• Os poetas simbolistas não se sentem confortáveis num mundo que valoriza a
racionalidade. Assim, eles têm uma visão soturna do cotidiano.
PESSIMISMO
• Interesse pelas noções de inconsciente; pela psicanálise e pela investigação da
mente humana, tangenciando assuntos como a loucura e o subconsciente.
• O tema do sonho é muito frequente no Simbolismo, normalmente referido pela
palavra onírico.
SUBJETIVIDADE
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Simbolismo: autores e obras
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Cruz e Sousa
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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✓ Cruz e Sousa (1861-1898) foi o poeta simbolista brasileiro mais
conhecido, tendo se tornado popular no mundo todo. É considerado
um dos primeiros escritores negros brasileiros, tendo sido chamado de
Cisne Negro. Ele era filho de escravos forros.
✓ Ao longo da vida, ele combateu o preconceito racial e militou pelo fim
da escravidão. Assim, a condição do negro na época era um de seus
temas de interesse na literatura.
✓ Outra particularidade em sua poesia é a fixação pela cor branca.
Percebam no poema “Braços” como toda a primeira estrofe se foca em
descrever – a partir de diversas sensações – braços brancos, alvos. O
erotismo, característica comum do poeta também aparece aqui.
✓ Ele também produz muitas obras retratando sofrimento e dor, com
uma fixação na ideia de morte. Perceba no poema “Escárnio
perfumado” o modo sentimental com que fala sobre o sofrimento de
não receber a carta da pessoa amada.
✓ Principais obras: Missal (1893) e Broquéis (1893).
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Dilacerações
Ó carnes que eu amei sangrentamente,
ó volúpias letais e dolorosas,
essências de heliotropos e de rosas
de essência morna, tropical, dolente…
Carnes, virgens e tépidas do Oriente
do Sonho e das Estrelas fabulosas,
carnes acerbas e maravilhosas,
tentadoras do sol intensamente…
Passai, dilaceradas pelos zelos,
através dos profundos pesadelos
que me apunhalam de mortais horrores…
Passai, passai, desfeitas em tormentos,
em lágrimas, em prantos, em lamentos
em ais, em luto, em convulsões, em dores…
Broquéis (1893)
Acrobata da dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurdo, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche, salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, tristíssimo palhaço.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Alphonsus Guimaraens
✓ Alphonsus de Guimaraes (1870-1921) é o pseudônimo do escritor Afonso
Henrique da Costa Guimarães. Ele adaptou seu nome para aproximá-lo da
língua latina.
✓ Sua obra é em sua grande maioria poética e muito ligada ao misticismo e à
religiosidade, principalmente católica.
✓ As figuras femininas também são bastante espiritualizadas na obra de
Alphonsus. As mulheres costumam ser representadas de maneira
angelical. No poema Ismália, um de seus mais conhecidos, o poeta ainda
aborda outro assunto importante para o movimento simbolista: a loucura.
O poema conta a história de uma mulher que se joga do alto de uma
torre.
✓ Possivelmente, muito de sua poética envolve a ideia da morte da mulher
amada, pois o poeta teve em sua vida uma tragédia do gênero: sua noiva
faleceu aos 18 anos e ele nunca parece ter superado o ocorrido.
✓ Principais obras: Septanário das dores de Nossa Senhora (1899), Câmara
Ardente (1899) e Dona Mystica (1899).
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Alphonsus Guimaraens – exemplo prático
Ismália – Alphonsus Guimarães
Quando Ismália enlouqueceu,
Pôs-se na torre a sonhar...
Viu uma lua no céu,
Viu outra lua no mar.
No sonho em que se perdeu,
Banhou-se toda em luar...
Queria subir ao céu,
Queria descer ao mar...
E, no desvario seu,
Na torre pôs-se a cantar...
Estava perto do céu,
Estava longe do mar...
E como um anjo pendeu
As asas para voar...
Queria a lua do céu,
Queria a lua do mar...
As asas que Deus lhe deu
Ruflaram de par em par...
Sua alma subiu ao céu,
Seu corpo desceu ao mar...
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Pré-Modernismo
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Pré-Modernismo
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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✓ O período do Pré-Modernismo na literatura brasileira se situa entre o fim
do século XIX e início do século XX. Os marcos inicial e final foram a
Proclamação da República (1889) e a Semana de Arte Moderna (1922).
Uma série de eventos marcaram esse momento histórico no Brasil:
✓ A Primeira República se consolida nos governos de Marechal Deodoro da
Fonseca, Marechal Floriano Peixoto e Prudente de Morais – o primeiro
presidente civil do Brasil. Durante esse momento, havia um esforço para
solidificar a república e seus símbolos, eliminando aquilo que pudesse
ameaçá-la.
✓ Revoltas como a Revolução Federalista – no Rio Grande do Sul – e a
Revolta da Armada – no Rio de Janeiro – questionam o governo e suas
políticas econômicas. Essas revoltas eram principalmente fruto da
insatisfação das elites.
✓ A partir do governo de Prudente de Morais, ocorrem movimentos
organizados pelas camadas populares. O primeiro e mais importante
conflito foi a Guerra de Canudos, conflito que envolveu a comunidade
liderada pelo líder messiânico Antônio Conselheiro e o exército brasileiro.
Floriano Peixoto
Pré-Modernismo
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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✓ A Revolta da Vacina (1904), movimento de resistência à vacinação obrigatória contra a varíola.
Muitas pessoas achavam que era um modo de eliminação em massa da população pobre.
✓ A Revolta da Chibata (1910), movimento liderado pelo marinheiro João Cândido, buscando o
fim dos castigoscorporais na marinha e melhoria das condições de vida e soldo.
✓ O cangaço, movimento de bandos armados compostos por homens pobres passaram a praticar
assaltos em fazendas, saquearem estabelecimentos comerciais e sequestrarem homens ricos
em troca de resgate. O bando mais conhecido é o de Lampião e Maria Bonita.
✓ O coronelismo. A figura do “coronel” não se relaciona necessariamente com um posto militar
ou policial. Na época, devido às grandes dimensões do Brasil e as distâncias das províncias em
relação ao governo central, era comum que grandes proprietários de terras fossem agraciados
com o título de coronel da Guarda Nacional, o que lhes garantia direitos para impor a ordem.
✓ Instaura-se a política do café com leite, nome pelo qual ficou conhecida a alternância de poder
no governo entre as oligarquias paulistas e mineiras.
✓ Há um aumento significativo da industrialização no Brasil. Os principais produtos de
exportação eram o café, oriundo de São Paulo, e a borracha, vinda da região Norte. Esta última
impulsionou o crescimento de Manaus, que se tornou uma cidade modernizada.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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• Obras literárias que analisam o contexto social e político do país.
• Questões como a desigualdade social, pobreza e os conflitos entre o povo e o governo
aparecem nas obras.
ANÁLISE SOCIAL
• A linguagem, ainda que utilize a norma culta, se aproxima mais do falar popular, utilizando
palavras mais comuns e construções mais simples.
• Coloquialidade em alguns autores.
LINGUAGEM INFORMAL
• Por ser um período de transição entre escolas, o pré-modernismo absorve características de
outros movimentos. Os autores se apropriam de alguns valores do Naturalismo ao mesmo
tempo em que produzem obras poéticas próximas ao Simbolismo.
• Antecipam algumas características do Modernismo, como a maior inovação na forma da
escrita. Por isso, constitui um movimento de transição.
MISTURA DE REFERÊNCIAS
• Presença da cultura popular brasileira.
• Personagens como o caipira e o sertanejo ganham destaque.
REGIONALISMO
Principais características do Pré-Modernismo
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Resumo do Pré-Modernismo
Pré-Modernismo
Autores 
conservadores
Euclides da 
Cunha; Monteiro 
Lobato e Augusto 
dos Anjos
Autores 
progressistas
Lima Barreto; Júlia 
Lopes de Almeida 
e Graça Aranha
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Pré-Modernismo: autores conservadores
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Euclides da Cunha
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Profa. Luana Signorelli
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✓ Euclides da Cunha (1866-1909) nasceu no Rio de Janeiro. Formado engenheiro,
atuou como jornalista e escritor. Por ter tido carreira militar e ainda possuir o
título de primeiro-tenente na época em que trabalhava no jornal, Euclides da
Cunha foi enviado como correspondente do Estado de São Paulo para realizar a
cobertura da guerra de Canudos.
✓ Ao chegar em Canudos, Euclides se deparou com uma parte do Brasil
desconhecida pelos habitantes do Rio de Janeiro. Era o choque daquilo que ele se
referiu como o choque de dois Brasis: o do litoral, portador de um projeto
republicano e orientado pela ideia de “civilização”; e o do sertão, onde
predominavam o misticismo, a miséria e a mestiçagem.
✓ Diante da violência empregada para a destruição de Canudos, Euclides questiona
se a população do litoral era tão civilizada quanto acreditava ser. Em seu discurso,
as elites diziam salvar a República e a unidade do território, mas excluíam parcelas
da população de sua ideia de Brasil. Mas os habitantes dos sertões, apesar de
esquecidos pelo “Brasil oficial” e castigados pela seca e miséria, sobreviviam,
resistindo bravamente a todas as expedições enviadas pela capital federal. Em
suas próprias palavras: "o sertanejo é, antes de tudo, um forte.”
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CATEGORIA DEFINIÇÃO
ESTRUTURA 630 páginas divididas em 3 partes, entre os quais, alguns capítulos se
destacam: A Terra; O Homem e A Luta.
TEMPO Guerra de Canudos (1896-1897).
ESPAÇO Interior do Estado da Bahia.
ENREDO Narra os acontecimentos da Guerra de Canudos, liderada por Antônio
Conselheiro (1830-1897). O procedimento mescla ficção (Literatura) com
fatos (História). Há interdisciplinaridade com Antropologia, Sociologia,
Geografia e História. Criticava o ufanismo exacerbado da época,
mostrando uma faceta realista do Brasil. Há determinismo social (o
homem é fruto do meio), a abordagem da mestiçagem e a descrição da
fauna e da flora (uso de adjetivação).
DESFECHO Tragédia da destruição de Canudos.
Os Sertões (1902)
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Os Sertões (1902): esquema
A Terra
Na primeira parte do livro, Euclides descreve o ambiente do sertão atingido pela
seca. A análise é geográfica, abarcando fauna, flora, relevo, clima e outros.
O Homem
Na segunda parte do livro, há uma descrição e análise do sertanejo e seus
costumes. A análise é antropológica e sociológica. Com inspiração Naturalista,
entende o homem como fruto de seu meio, raça e história. Aqui é apresentada a
figura de Antônio Conselheiro e da população de Canudos, com todo o
funcionamento da comunidade.
A Luta
Na terceira e última parte, há a descrição da Guerra de Canudos. A análise é
historiográfica: narra as quatro tentativas de destruição de Canudos pelo
Exército do Brasil e o período após o fim da guerra. O desfecho é a trágica
destruição de Canudos.
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Os Sertões – exemplo prático
A força portentosa da hereditariedade, aqui,
como em toda a parte e em todos os tempos,
arrasta para os meios mais adiantados – enluvados e
encobertos de tênue verniz de cultura – trogloditas
completos. Se o curso normal da civilização em geral
os contém, e os domina, e os manieta, e os inutiliza,
e a pouco e pouco os destrói, recalcando-os na
penumbra de uma existência inútil, de onde os
arranca, às vezes, a curiosidade dos sociólogos
extravagantes ou as pesquisas da psiquiatria, sempre
que um abalo profundo lhes afrouxa em torno a
coesão das leis, eles surgem e invadem
escandalosamente a história. São o reverso fatal dos
acontecimentos, o claro-escuro indispensável aos
fatos de maior vulto.
CUNHA, Euclides da. Os Sertões. São Paulo: Ateliê Editorial, 2018 (p. 501).
Cientificismo Evolucionismo
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Monteiro Lobato
✓ Monteiro Lobato (1882-1948) é um dos escritores brasileiros mais
populares, principalmente entre o público infantil por conta do
universo do Sítio do Pica-pau Amarelo, criado por ele. Todas as
histórias se passam nesse sítio, em que vivem Dona Benta, a dona do
lugar, seus netos Narizinho e Pedrinho, e a empregada Tia Nastácia.
Narizinho tem uma boneca que fala chamada Emília.
✓ Ele também criou a personagem Jeca Tatu, um caipira preguiçoso que
simbolizava o “atraso” do campo e do interior do Brasil. Muito desse
universo tem inspiração em sua própria vida. Ele próprio fora criado
num sítio e tivera contato com muitas pessoas que acabaram
inspirando suas personagens. Além de escritor, Monteiro Lobato
também foi tradutor. Ele também se envolveu com negócios de
petróleo, o que lhe rendeu muitas inimizades, principalmente entre
poderosos que tinham interesse em ocultar a existência de petróleo no
Brasil, para favorecer os interesses do capital estrangeiro. Era inimigo
declarado do Estado Novo, de Getúlio Vargas e produziu uma série de
críticas a esse regime, denunciando arbitrariedades.
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Augusto dos Anjos
✓ Augusto dos Anjos (1884-1914) é o principal representante da poesia
nopré-modernismo. Ele nasceu numa cidade do interior da Paraíba e
começou a esboçar seus primeiros poemas já aos 7 anos de idade. Era
muito culto e atuou como professor além de escritor.
✓ Era muito ligado ao Naturalismo e às tendências de encarar o mundo
de maneira direta e científica. Sua obra produz, inclusive, algumas
ironias à religião, principalmente a Católica.
✓ Como os outros escritores do pré-modernismo, bebe de diversas
fontes. Ao mesmo tempo que se aproxima da forma fixa dos
simbolistas, também se alinha tematicamente com os naturalistas. Sua
poesia na época chocava muito as pessoas – e os poetas do
parnasianismo.
✓ As principais características de sua obra são: desânimo e pessimismo;
figuras de linguagem, como a metáfora e a comparação; morte; rigor
formal e estrutural; ciências exatas e biológicas.
✓ Apesar de ter publicado em alguns periódicos, ele produziu apenas
uma obra: o livro “Eu” (1912).
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Augusto dos Anjos – exemplos práticos
Versos Íntimos
Vês! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de sua última quimera.
Somente a Ingratidão – esta pantera –
Foi tua companheira inseparável!
Acostuma-te à lama que te espera!
O homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.
Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.
Se alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênesis da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundíssimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância…
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme — este operário das ruínas —
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Pré-Modernismo: autores progressistas
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Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Lima Barreto
Afonso Henriques de Lima Barreto (1881-1922) foi escritor e
jornalista. Assim como muitas pessoas da época, a história de Lima
Barreto se mistura com a da escravidão no Brasil. Seus avós haviam
sido escravos e sua mãe era agregada de uma família abonada. Por
isso, a mãe havia sido educada e trabalhava como professora.
Lima Barreto, por intermédio da família à qual sua mãe era
ligada, foi apresentado ao visconde de Ouro Preto, que se tornou
seu padrinho e responsável por sua educação. Duas questões,
portanto, foram fundamentais para a constituição de seu senso
crítico enquanto jornalista e escritor:
• A condição do negro na sociedade, tanto antes da abolição
quanto após.
• A lembrança distante – talvez incentivada pela família e
padrinho – do tempo do Império, e seu contraste com o regime
republicano.
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Profa. Luana Signorelli
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CATEGORIA DEFINIÇÃO
ESTRUTURA Romance em 5 capítulos.
PERSONAGENS Policarpo Quaresma, Ricardo Coração dos Outros, Olga, Ismênia, General
Albernaz, Adelaide.
TEMPO Primeiros anos da República, governo de Floriano Peixoto (1891-1894).
ENREDO Policarpo lia muito e era bastante nacionalista. Aprendia violão com Ricardo
Coração dos Outros. Escreveu um ofício em tupi para o ministro, pelo que
foi internado. Compra um sítio, mas políticos locais querem prejudicá-lo.
Policarpo quer uma mudança de governo.
DESFECHO Floriano convida Policarpo para ingressar na revolta. Policarpo aceita e é
listado como Major. A revolta termina e Policarpo é preso. Mesmo muito
patriota, questiona-se o porquê de ter aquele fim.
Triste fim de Policarpo Quaresma (1911)
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
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Triste fim de Policarpo Quaresma (1911) 
– exemplo prático
Desde dezoito anos que o tal patriotismo lhe absorvia e por ele fizera a tolice de estudar
inutilidades. Que lhe importavam os rios? Eram grandes? Pois que fossem... Em que lhe contribuiria
para a felicidade saber o nome dos heróis do Brasil? Em nada... O importante é que ele tivesse sido
feliz. Foi? Não. Lembrou-se das coisas do tupi, do folk-lore, das suas tentativas agrícolas... Restava
disso tudo em sua alma uma satisfação? Nenhuma! Nenhuma!
O tupi encontrou a incredulidade geral, o riso, a mofa, o escárnio; e levou-o à loucura. Uma
decepção. E a agricultura? Nada. As terras não eram ferazes e ela não era fácil como diziam os
livros. Outra decepção. E, quando o seu patriotismo se fizera combatente, o que achara?
Decepções. Onde estava a doçura de nossa gente? Pois ele não a viu combater como feras? Pois
não a via matar prisioneiros, inúmeros? Outra decepção. A sua vida era uma decepção, uma série,
melhor, um encadeamento de decepções.
A pátria que quisera ter era um mito; um fantasma criado por ele no silêncio de seu gabinete.
BARRETO, L. Triste fim de Policarpo Quaresma. Disponível em: www.dominiopublico.gov.br. Acesso em: 8 nov. 2011.
http://www.dominiopublico.gov.br/
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Júlia Lopes de Almeida
Júlia Lopes de Almeida nasceu em 1862 e faleceu em
1934. Foi uma das principais escritoras de sua geração e
uma das idealizadoras da Academia Brasileira de Letras. Foi
casada com o poeta português Filinto de Almeida. Começou
sua carreira aos 19 anos, na Gazeta de Campinas, em uma
época em que a participação da mulher na vida intelectual
era muito rara. Por mais de trinta anos, colaborou com o
jornal carioca O País. Apoiava o Abolicionismo e a
República. Ao longo de sua carreira, produziu contos, peças,
romances, crônicas e livros infanto-juvenis.
Seus romances de destaque foram: A viúva Simões
(1897); Memórias de Marta (1899); A falência (1901); A
intrusa (1908) e A Silverinha (1915).
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CATEGORIA DEFINIÇÃO
ESTRUTURA XXV (25) capítulos, sendo que o último parece um epílogo.
PERSONAGENS Francisco Theodoro, Camila, Doutor Gervásio, Raquel e Lia, Ruth,
Capitão Rino, Catarina.
TEMPO Final do século XIX e início do século XX.
ESPAÇO Rio de Janeiro (Botafogo, Petrópolis).
CONFLITO Francisco Theodoro veio de Portugal para tentar a vida no Brasil. Ele
vive única e exclusivamente para o trabalho, e chega a ser bem-
sucedido no comércio, possuindo um armazém no ramo de café. Sua
família tem um palacete, ele é workaholic e egocêntrico, ignorando o
que se passa na sua própria casa.
CLÍMAX Um empreendimento errado motivado por Inocêncio leva-o a perder
toda a sua fortuna e isso arruína-o, junto à sua família.
DESFECHO Francisco Theodoro não consegue lidar com a sua falência e se
suicida. A sua família se vê obrigada a se reestruturar.
A falência (1901)
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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CATEGORIA DEFINIÇÃO
ESTRUTURA Romance em XII capítulos.
PERSONAGENS Milkau, Lentz, Maria etc.
ESPAÇO Espírito Santo, Porto do Cachoeiro.
ENREDO Dois amigos alemães vêm imigrados para o Brasil. Milkau
representa a visão de mundo idealista, sendo que o Novo Mundo
é a terra prometida, ao passo que Lentz – radicalmente oposto –
acredita que a Alemanha um dia invadirá aquela terra em guerra.
Embora diferentes, trabalham juntos na terra e prosperam.
CONFLITO Maria é filha de imigrantes pobres. Depois que seu protetor
morre, seu amante a abandona e ela se prostitui, vagando pela
cidade, negada até na igreja. O único a acolhê-la é Milkau.
CLÍMAX O filho de Maria é morto por porcos, mas ela é acusada de
infanticídio.
DESFECHO Milkaué o único que continua a visitá-la na prisão.
Canaã (1902)
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Movimentos de Transição em Portugal
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Profa. Luana Signorelli
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Simbolismo em Portugal
FLORBELA ESPANCA
• Florbela Espanca (1894-
1930), poetisa portuguesa,
produziu uma poesia
caracterizada pelo
sofrimento, feminilidade e
erotismo. Seus livros mais
conhecidos são o Livro de
Mágoas (1919) e o Livro de
Sóror Saudade (1923). Ela
morreu de overdose de
barbitúricos aos 36 anos.
CAMILO PESSANHA
• Camilo Pessanha (1867-
1926), poeta português, é o
escritor simbolista de maior
reconhecimento em
Portugal. Seu livro mais
conhecido, Clepsidra
(1920), apresenta traços
típicos do movimento,
como o pessimismo e o
antimaterialismo. Morreu
em virtude de uma
overdose de ópio.
EUGÊNIO CASTRO
• Eugênio de Castro nasceu
em 1869 e faleceu em
1944. Sua poesia no geral
é marcada por: rimas e
métricas inovadoras, uso
de figuras de linguagens
como aliteração e os temas
são paixão, pessimismo e
necrofilia. Obras principais:
Oaristos (1890); Horas
(1891); Interlúnio (1894);
Salomé e Outros Poemas
(1896); Saudades do Céu
(1899).
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Florbela Espanca – exemplo prático
Eu sou a que no mundo anda perdida,
Eu sou a que na vida não tem norte,
Sou a irmã do Sonho, e desta sorte
Sou a crucificada... a dolorida...
Sombra de névoa tênue e esvaecida,
E que o destino amargo, triste e forte,
Impele brutalmente para a morte!
Alma de luto sempre incompreendida!...
Sou aquela que passa e ninguém vê...
Sou a que chamam triste sem o ser...
Sou a que chora sem saber por quê...
Sou talvez a visão que Alguém sonhou,
Alguém que veio ao mundo pra me ver,
E que nunca na vida me encontrou!
PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Movimentos Artísticos de Transição
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Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Art Nouveau
Fenômeno novo, a principal característica é o gosto pelo estilo. Segundo Argan: “O
Art Nouveau tem certas características constantes: “a temática naturalista (flores e
animais); 2) a utilização de motivos icônicos e estilísticos, e até tipológicos, derivados da
arte japonesa; 3) a morfologia: arabescos lineares e cromáticos;
preferência pelos ritmos baseados
na curva e suas variantes (espiral,
voluta etc.), e, na cor, pelos tons
frios, pálidos, transparentes,
assonantes, formados por zonas
planas ou eivadas, irisadas,
esfumadas; 4) a recusa da
proporção e do equilíbrio
simétrico etc.
MUCHA, Alfons Maria. As séries (1896). Fonte: Fundação Mucha.
Disponível em: https://tinyurl.com/y3qloy2o. Acesso em: 12 out. 2020.
Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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Vanguarda
Ideias e conceitos novos, avançados, 
especialmente nas artes, avant-garde
(dicionário Houaiss).
Introdução às Vanguardas
IMPRESSIONISMO. Rompia com o passado,
representavam a ponte entre o realismo e o
modernismo. Argan elenca as seguintes
características principais: a aversão à arte
acadêmica; 2) a orientação ainda realista; 3) o
total desinteresse pelo objeto e a preferência pela
paisagem e pela natureza-morta; 4) o trabalho ao
ar livre, bem como o estudo das sombras coloridas
e da relação entre cores complementares. MO
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PARNASIANISMO, SIMBOLISMO
E PRÉ-MODERNISMO
Professora Luana Signorelli
Resumo
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Parnasianismo, Simbolismo e Pré-Modernismo –
Profa. Luana Signorelli
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PARNASIANISMO
• Lema: arte pela arte 
(perfeccionismo)
• Vocabulário rebuscado e 
formas fixas
• Mitologia greco-latina, 
• Olavo Bilac, Alberto de 
Oliveira, Raimundo Correia e 
Francisca Júlia
SIMBOLISMO
• Espiritualidade e misticismo
• Aproximação do sensorial e 
subjetivista
• Valorização da música: 
(aliteração e assonância)
• Não racionalidade e 
antimaterialismo
• Pessimismo e decadentismo
• Predominância do sonho
• Brasil: Cruz e Sousa e 
Alphonsus Guimaraens
• Portugal: Florbela Espanca, 
Camilo Pessanha e Eugênio 
de Castro
PRÉ-MODERNISMO
• Análise social: obras que 
analisam o contexto sócio-
político do país (Primeira 
República)
• Linguagem informal e 
aproximação da cultura 
popular
• Mistura de referências e 
estilos
• Nacionalismo e messianismo
• Prosa: Lima Barreto, 
Monteiro Lobato, Júlia de 
Almeida; Graça Aranha e 
Euclides da Cunha
• Poesia: Augusto dos Anjos
Movimentos de transição séc. XIX-XX
FINALIZAÇÃO
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FALE CONOSCO
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Luana Signorelli
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