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Página 1 de 4 Lista de Exercícios extras Nome: __________________________________________________ RM: _____________ Matéria FILOSOFIA – Medieval 1. (Uem- 2020) A história da Grécia Antiga foi marcada pelo surgimento da filosofia como pensamento racional para explicar o homem e o cosmo. Sobre as ideias defendidas pelos filósofos gregos na Antiguidade, assinale o que for correto. 01) Os pré-socráticos, ao observarem as constantes transformações na natureza, buscaram uma explicação racional para os fenômenos naturais. 02) Os escolásticos buscaram conhecer os segredos divinos, as razões existentes na criação de todas as coisas e a verdade absoluta do universo. 04) Sofistas como Górgias e Protágoras atuaram na educação dos jovens atenienses com a finalidade de formar cidadãos para a atuação em assuntos jurídicos e políticos da cidade por meio da arte da argumentação. 08) Os pitagóricos defenderam que os cultos públicos conduzidos pelos sacerdotes promoviam a educação filosófica dos cidadãos atenienses que deles participavam. 16) Os socráticos caracterizaram-se por defender o caráter indissociável entre a busca pelo conhecimento verdadeiro e a busca por uma vida virtuosa. 2. (Uem 2020) “Se é verdade que a verdade da fé cristã ultrapassa as capacidades da razão humana, nem por isso os princípios inatos naturalmente à razão podem estar em contradição com esta verdade sobrenatural. É um fato que estes princípios naturalmente inatos à razão humana são absolutamente verdadeiros; são tão verdadeiros, que chega a ser impossível pensar que possam ser falsos. Tampouco é possível considerar falso aquilo que cremos pela fé, e que Deus confirmou de maneira tão evidente. Já que só o falso constitui o contrário do verdadeiro, [...] é impossível que a verdade da fé seja contrária aos princípios que a razão humana conhece em virtude de suas forças naturais. [...] Todavia, já que a palavra de Deus ultrapassa o entendimento, alguns acreditam que ela esteja em contradição com ele. Isto não pode ocorrer.” (AQUINO, T. de. Suma contra os gentios. Apud ARANHA, M. L de. Filosofando. São Paulo: Moderna, 2ª ed. p. 103). A partir do texto citado e de conhecimentos do pensamento filosófico de Tomás de Aquino, assinale o que for correto. 01) Fé e razão não se opõem, porque seus princípios são verdadeiros. 02) Tomás de Aquino tomou por tarefa compatibilizar, a partir da relação fé e razão, a filosofia aristotélica com a verdade cristã. 04) O âmbito do racionalmente demonstrável é restrito se comparado com a imensidão dos mistérios divinos. 08) Para Tomás de Aquino, o conteúdo da fé é revelado por Deus aos homens, segundo a sua sabedoria. 16) A existência de Deus para Tomás de Aquino é tão somente afirmada pela fé, jamais reconhecida pela razão. 3. (Enem digital 2020) Sem negar que Deus prevê todos os acontecimentos futuros, entretanto, nós queremos livremente aquilo que queremos. Porque, se o objeto da presciência divina é a nossa vontade, é essa mesma vontade assim prevista que se realizará. Haverá, pois, um ato de vontade livre, já que Deus vê esse ato livre com antecedência. SANTO AGOSTINHO. O livre-arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995 (adaptado). Essa discussão, proposta pelo filósofo Agostinho de Hipona (354-430), indica que a liberdade humana apresenta uma a) natureza condicionada. b) competência absoluta. c) aplicação subsidiária. d) utilização facultativa. e) autonomia irrestrita. 4. (Enem 2019) De fato, não é porque o homem pode usar a vontade livre para pecar que se deve supor que Deus a concedeu para isso. Há, portanto, uma razão pela qual Deus deu ao homem esta característica, pois sem ela não poderia viver e agir corretamente. Pode-se compreender, então, que ela foi concedida ao homem para esse fim, considerando-se que se um homem a usar para pecar, recairão sobre ele as punições divinas. Ora, isso seria injusto se a vontade livre tivesse sido dada ao homem não apenas para agir corretamente, mas também para pecar. Na verdade, por que deveria ser punido aquele que usasse da sua vontade para o fim para o qual ela lhe foi dada? AGOSTINHO. O livre-arbítrio. In: MARCONDES, D. Textos básicos de ética. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008. Nesse texto, o filósofo cristão Agostinho de Hipona sustenta que a punição divina tem como fundamento o(a) a) desvio da postura celibatária. b) insuficiência da autonomia moral. c) afastamento das ações de desapego. d) distanciamento das práticas de sacrifício, e) violação dos preceitos do Velho Testamento. 5. (Enem 2019) Tomás de Aquino, filósofo cristão que viveu no século XIII, afirma: a lei é uma regra ou um preceito Página 2 de 4 relativo às nossas ações. Ora, a norma suprema dos atos humanos é a razão. Desse modo, em última análise, a lei está submetida à razão; é apenas uma formulação das exigências racionais. Porém, é mister que ela emane da comunidade, ou de uma pessoa que legitimamente a representa. GILSON, E.; BOEHNER, P. História da filosofia cristã. Petrópolis: Vozes, 1991 (adaptado). No contexto do século XIII, a visão política do filósofo mencionado retoma o a) pensamento idealista de Platão. b) conformismo estoico de Sêneca. c) ensinamento místico de Pitágoras. d) paradigma de vida feliz de Agostinho. e) conceito de bem comum de Aristóteles. 6. (Uem 2018) Considere os trechos selecionados abaixo. Texto 1: “Todavia, mais do que para qualquer outro animal, é natural para o ser humano ser um animal social e político, ou seja, viver junto a muitos, como o demonstra a necessidade natural. Com efeito, no caso dos demais animais, a natureza preparou-lhes a comida; como vestimento, proveu-os de pelos; [...]. Mas a natureza não dotou o ser humano dessas coisas. Ao invés disso, foi-lhe dada a razão que o habilita a preparar tudo isso com suas mãos. Porém, como um único ser humano não é suficiente para fazer todas essas coisas, então um ser humano sozinho não pode levar, de maneira suficiente, sua vida. Logo, é natural ao ser humano que ele viva em sociedade junto a muitos.” TOMÁS DE AQUINO. A realeza: dedicado ao rei de Chipre. In: MARÇAL, J. Antologia de textos filosóficos. Curitiba: Seed, 2009, p. 667). Texto 2: “[...] durante o tempo em que os homens vivem sem um poder comum capaz de os manter a todos em respeito, eles se encontram naquela condição a que se chama guerra, e uma guerra que é de todos os homens contra todos os homens. Pois a guerra não consiste apenas na batalha, ou no ato de lutar, mas naquele lapso de tempo durante o qual a vontade de travar batalha é suficientemente conhecida.” (HOBBES, T. Leviatã, São Paulo: Abril, 1988, p. 54). A partir dos textos acima e de teses do pensamento político de Tomás de Aquino e de Thomas Hobbes, assinale a(s) alternativa(s) correta(s). 01) A cidade, para Tomás de Aquino, é forma superior de organização natural e visa ao bem viver do homem. 02) Hobbes não considera que haja uma disposição natural à socialização dos homens, sendo necessária a intervenção artificial para congregá-los em sociedade. 04) Para Tomás de Aquino, não é possível pensar a noção de autoridade como meio de alcançar o bem comum para todos aqueles que vivem em sociedade. 08) Para Hobbes, a autoridade coercitiva do Estado é o único meio de assegurar a boa convivência em sociedade. 16) O pensamento político de Tomás de Aquino tem origem comunitária, e o de Hobbes, origem individualista. 7. (Enem 2018) Desde que tenhamos compreendido o significado da palavra “Deus”, sabemos, de imediato, que Deus existe. Com efeito, essa palavra designa uma coisa de tal ordem que não podemos conceber nada que lhe seja maior. Ora, o que existe na realidade e no pensamento é maior do que o que existe apenas no pensamento. Donde se segue que o objeto designado pela palavra “Deus”, que existe no pensamento, desde que se entenda essa palavra, também existe na realidade. Por conseguinte, a existência de Deus é evidente. TOMÁS DE AQUINO. Suma teológica. Rio de Janeiro: Loyola, 2002. O texto apresenta uma elaboração teórica de Tomás de Aquino caracterizada por a) reiterar a ortodoxia religiosa contra os heréticos. b) sustentar racionalmente doutrina alicerçada na fé. c) explicar as virtudes teologais pela demonstração. d) flexibilizar a interpretação oficial dos textos sagrados. e) justificar pragmaticamente crença livre de dogmas. 8. (Enem 2018) Não é verdade que estão ainda cheios de velhice espiritual aqueles que nos dizem: “Que fazia Deus antes de criar o céu e a terra? Se estava ocioso e nada realizava”, dizem eles, “por que não ficou sempre assim no decurso dos séculos, abstendo-se, como antes, de toda ação? Se existiu em Deus um novo movimento, uma vontade nova para dar o ser a criaturas que nunca antes criara, como pode haver verdadeira eternidade, se n’Ele aparece uma vontade que antes não existia?” AGOSTINHO. Confissões. São Paulo: Abril Cultural, 1984. A questão da eternidade, tal como abordada pelo autor, é um exemplo da reflexão filosófica sobre a(s) a) essência da ética cristã. b) natureza universal da tradição. c) certezas inabaláveis da experiência. d) abrangência da compreensão humana. e) interpretações da realidade circundante. 9. (Enem 2016) Enquanto o pensamento de Santo Agostinho representa o desenvolvimento de uma filosofia cristã inspirada em Platão, o pensamento de São Tomás reabilita a filosofia de Aristóteles – até então vista sob suspeita pela Igreja –, mostrando ser possível desenvolver uma leitura de Aristóteles compatível com a doutrina cristã. O aristotelismo de São Tomás abriu caminho para o estudo da obra aristotélica e para a legitimação do interesse pelas ciências naturais, um dos principais motivos do interesse por Aristóteles nesse período. MARCONDES, D. Textos básicos de filosofia. Rio de Janeiro: Zahar, 2005. Página 3 de 4 A Igreja Católica por muito tempo impediu a divulgação da obra de Aristóteles pelo fato de a obra aristotélica a) valorizar a investigação científica, contrariando certos dogmas religiosos. b) declarar a inexistência de Deus, colocando em dúvida toda a moral religiosa. c) criticar a Igreja Católica, instigando a criação de outras instituições religiosas. d) evocar pensamentos de religiões orientais, minando a expansão do cristianismo. e) contribuir para o desenvolvimento de sentimentos antirreligiosos, seguindo sua teoria política. 10. (Unesp 2016) Não posso dizer o que a alma é com expressões materiais, e posso afirmar que não tem qualquer tipo de dimensão, não é longa ou larga, ou dotada de força física, e não tem coisa alguma que entre na composição dos corpos, como medida e tamanho. Se lhe parece que a alma poderia ser um nada, porque não apresenta dimensões do corpo, entenderá que justamente por isso ela deve ser tida em maior consideração, pois é superior às coisas materiais exatamente por isso, porque não é matéria. É certo que uma árvore é menos significativa que a noção de justiça. Diria que a justiça não é coisa real, mas um nada? Por conseguinte, se a justiça não tem dimensões materiais, nem por isso dizemos que é nada. E a alma ainda parece ser nada por não ter extensão material? (Santo Agostinho. Sobre a potencialidade da alma, 2015. Adaptado.) No texto de Santo Agostinho, a prova da existência da alma a) desempenha um papel primordialmente retórico, desprovido de pretensões objetivas. b) antecipa o empirismo moderno ao valorizar a experiência como origem das ideias. c) serviu como argumento antiteológico mobilizado contra o pensamento escolástico. d) é fundamentada no argumento metafísico da primazia da substância imaterial. e) é acompanhada de pressupostos relativistas no campo da ética e da moralidade. Página 4 de 4 Gabarito: Resposta da questão 1: 01 + 04 + 16 = 21. A filosofia escolástica buscou a conciliação entre o pensamento baseado na razão, sobretudo a partir da tradição do platonismo e do aristotelismo, e as formulações da fé cristã, baseadas na verdade revelada. A escolástica exerceu ampla influência na produção das universidades medievais. A busca da verdade absoluta, como apontada pelo item [02], entretanto, não corresponde ao pensamento escolástico, pois essa vertente da filosofia medieval concebia a existência de aspectos divinos que não poderiam ser alcançados pela razão humana. O item [08] também deve ser considerado incorreto, pois os pitagóricos fundaram uma doutrina própria, dando origem à escola pitagórica, que mesclava os conhecimentos filosóficos e matemáticos à uma doutrina religiosa. Tratou-se, portanto, de um círculo restrito, que considerava a educação pública dada aos cidadãos insuficiente. Todos os outros itens apresentam afirmações corretas. Resposta da questão 2: 01 + 02 + 04 + 08 = 15. Para Aquino, cuja teoria filosófica está bastante relacionada à filosofia clássica aristotélica, a fé cristã e a razão humana não podem ser pensadas a partir de uma relação de oposição, sendo, ao contrário, uma relação necessária pois, para ele, “é impossível que a verdade da fé seja contrária aos princípios que a razão humana conhece em virtude de suas forças naturais”. Entretanto, Aquino reconhece que a verdade divina não pode ser totalmente compreendida pela razão humana, o que não contradiz, segundo a sua análise, a relação entre a fé e os princípios inatos à razão. A partir dessas considerações, o aluno deve identificar o item [16] como o único incorreto, haja vista que a afirmação que ele apresenta nega o reconhecimento da fé pela razão, defendido por Aquino. Resposta da questão 3: [A] De acordo com o pensamento de Agostinho, como se evidencia no texto, a vontade humana é um “objeto da presciência divina”, ou seja, existe e é condicionada por Deus, de modo que a liberdade humana tem uma natureza condicionada pela vontade divina. Resposta da questão 4: [B] A ideia de livre-arbítrio é o mais conhecido conceito de Agostinho de Hipona. Segundo ele, o ser humano foi criado de forma livre. No entanto, quando se utiliza dessa liberdade para se distanciar do seu fim, ele peca, ou seja, comete o mal e pode ser punido por isso. Resposta da questão 5: [E] A visão política de Tomás de Aquino faz referência ao conceito de bem comum de Aristóteles, que valoriza o aspecto comunitário da vivência humana. Resposta da questão 6: 01 + 02 + 08 + 16 = 27. Para Tomás de Aquino, a vida junto a seus semelhantes possui um caráter natural entre os homens, sendo a organização em sociedade um estado condicionante para que os indivíduos possam atingir as potencialidades que os distinguem dos outros animais, o que expressa uma noção comunitária dessa organização. Essa concepção se contrapõe à de Thomas Hobbes, para quem a vida em sociedade se dá em prol de um interesse individual, qual seja, o de evitar a insegurança da condição de guerra. Assim, para Hobbes, o estabelecimento da sociedade civil seria resultado de uma necessidade prática, e não da natureza humana, sendo, portanto, necessária a autoridade e a força do Estado para a efetivação da vida coletiva em harmonia. Essas ideias são expressas pelos itens [01], [02], [08] e [16]. Resposta da questão 7: [B] Percebe-se, no texto apresentado pela questão, a construção do argumento para a defesa da existência de Deus a partir do pensamento racional, característica da filosofia escolástica da qual Tomas de Aquino é o mais conhecido expoente. Assim, o pensador busca sustentar racionalmente uma ideia baseada na fé, como apontado pela alternativa [B]. Resposta da questão 8: [D] O trecho da obra destacado aborda, a partir da óptica de Agostinho, o questionamento da ideia do caráter eterno de Deus a partir da reflexão sobre o ato da Criação. Trata-se, portanto, de uma compreensão humana sobre o dogma da eternidade divina. Como se infere a partir do trecho ”estão ainda cheios de velhice espiritual” em que Agostinho se refere àqueles que questionam o dogma cristão, o pensador apresenta uma crítica à interpretação das ações divinas a partir do intelecto humano. O aluno deve perceber, partindo dessas considerações, que a postura de Agostinho e a dos homens que ele critica reflete um conflito acerca da abrangência do intelecto humano para compreender questões divinas, como a eternidade. Resposta da questão 9: [A] O pensamento aristotélico era mais difícil de ser conjugado com o pensamento cristão uma vez que valorizava a investigação científica e não pressupunha a existência de um plano superior. Resposta da questão 10: [D] Segundo o pensamento de Agostinho, a prova da existência da alma consiste na primazia desta em relação ao corpo físico, ou seja, na superioridade das substâncias imateriais em relação à matéria, ideia identificada na alternativa [D].