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FilosoFia A filosofia na Grécia clássica, na verdade e no amor 5 1. O mito perde o seu lugar para a razão 6 1.1 A imparcialidade e a busca de respostas para os dilemas da vida 10 1.2 A simpatia e o pensamento filosófico 15 1.3 A perspicácia e a razão da própria natureza 20 1.4 O discernimento e o ciclo eterno das transformações 23 1.5 O otimismo e o ser humano como princípio 26 1.6 A amizade na visão dos clássicos da filosofia 29 1.7 A liderança na corrida pela vida 32 1.8 A caridade e a força do amor na filosofia 35 sumário do Volume Volume 1 A FilOsOFiA nA GréciA clássicA, nA verdAde e nO AmOr 1. O mito perde o seu lugar para a razão Volume 2 A FilOsOFiA nA GréciA clássicA e suA relAçãO cOm As Ações cOrretAs 2. O surgimento da filosofia Volume 3 A FilOsOFiA GreGA e O ser humAnO nA cOnstruçãO dA pAz 3. Uma abordagem das leis na Grécia Antiga sumário Completo Filosofia Filosofia 5 A filosofia na Grécia clássica, na verdade e no amor 5 a FilosoFia Na GrÉCia ClássiCa, Na Verdade e No amor ADMIRÁVEL MUNDO NOVO Uma nova era se abre para o mundo com o surgimento da � loso� a na Grécia clássica quando alguns dos seus brilhantes moradores, os � lósofos, decidem buscar uma resposta racional para os fatos e os fenômenos. A principal característica desses � lósofos era a imparcialidade para obter o reconhecimento dos seus esforços de racionalização da verdade. Muitos � lósofos foram, ao longo do tempo, ganhando a simpatia da população grega e as suas ideias foram sendo disseminadas e, assim, ganharam o mundo. É por isso que estamos aqui estudando essa � loso� a. Com todas as mudanças que o ser humano foi promovendo ao longo da sua existência, a própria � loso� a viu o seu papel se tornando cada vez maior. A importância da � loso� a nesse admirável mundo novo está relacionada ao desenvolvimento humano, isto é, ao nosso progresso moral e ético como pessoas que detêm o poder sobre o que nos rodeia. A � loso� a chama a atenção para a necessidade de conhecermos e estudarmos os valores humanos, que tratam das práticas das virtudes por parte de todos nós. Já imaginou o ser humano sem virtudes? Agindo somente baseado em seus vícios e em seus defeitos? Como seria a realidade humana se assim fosse? Esses questionamentos servem para começarmos a re� etir sobre a importância de tudo o que faremos aqui em torno da Filoso� a dos Valores. Escola de Atenas - rafael sanzio. D is po ní ve l e m : < ht tp :// pt .w ik ip ed ia .o rg /w ik i/> . A ce ss o em : 0 8 m ai o 20 13 . Filosofia O mito perde o seu lugar para a razão 6 1. o mito perde o seu luGar para a raZÃo A ce rv o C N E C . MAS COMO SOMOS SERES HUMANOS DOTADOS DA CAPACIDADE DE RACIOCINAR, SABEMOS QUE OS MITOS NÃO SÃO COERENTES COM A REALIDADE O MEU RACIOCÍNIO ME DIZ QUE NÓS SOMOS SERES MORTAIS E QUE ESTAMOS AQUI PARA APRENDER A SERMOS PESSOAS CADA VEZ MELHORES. É ISSO MESMO! DEPOIS, VEIO O AMOR PARA COLOCAR UM POUCO DE ORDEM NAS COISAS... NÃO ACHO UMA BOA IDEIA! ISSO É LEGAL! EU ME LEMBRO DE ZEUS. O DEUS DOS DEUSES. EU BEM PODIA SER ZEUS...O QUE VOCÊS ACHAM? OS MITOS SÃO UMA FORMA FANTASIOSA DE NARRATIVA QUE TENTAVA EXPLICAR OS FATOS E OS FENÔMENOS DA NATUREZA. EI, TURMA VOCÊS SE LEMBRAM DO QUE SÃO MITOS? SIM, CLARO! EU ME LEMBRO! TEM ATÉ UM MITO GREGO DIZENDO QUE, NO INÍCIO, ERA O CAOS... BOM. PARA ISSO É QUE ESTUDAMOS A FILOSOFIA DOS VALORES E DAS VIRTUDES. ASSIM, PODEREMOS COLABORAR PARA QUE ESSE ADMIRÁVEL MUNDONOVO SEJA CADA VEZ MELHOR. AGORA EU ME LEMBREI. NASCERAM OS TITÃS, DEPOIS VIERAM OS DEUSES GREGOS... Filosofia 7 O mito perde o seu lugar para a razão 7 Quando nasceu a fi losofi a? Estudiosos e pesquisadores apontam para o período de 800 a.C. a 500 a.C. como aquele em que se deu o fl orescimento e a consolidação dessa prática refl exiva. A fi losofi a favoreceu o desenvolvimento da atitude científi ca e do pensamento abstrato dedicado à busca do princípio e da essência das coisas. A partir dela, os homens não mais explicariam os fatos e os fenômenos pela sua mera aparência, nem precisariam se guiar pelos mitos, preconceitos e superstições. Há unanimidade em atribuir aos gregos o privilégio da originalidade dessa revolução no campo das ideias. Mas por que coube aos gregos esse feito? É sabido que civilizações orientais, como a egípcia, a chinesa e a indiana, não menos importantes e infl uentes culturalmente, fi zeram incursões no campo da especulação fi losófi ca, capacitando-se, portanto, à criação dessa nova mentalidade. Contudo, a argumentação corrente é a de que teriam desenvolvido noções fi losófi cas a partir de questões como a natureza da divindade, a alma humana e a vida pós-morte, por exemplo, conferindo-lhes um caráter religioso. [...] os historiadores concordam em afi rmar que a civilização grega foi a primeira a elaborar uma forma de pensamento que se desvincula das explicações míticas e religiosas e parte para a investigação científi ca e racional do princípio e da natureza das coisas, constituindo uma disciplina independente da religião. [...] CHALITA, Gabriel, Vivendo a Filosofi a. São Paulo: atual, 2004, p. 10-11. A � loso� a tem como objetivo re� etir sobre a realidade do ser humano. No entanto, isso não é possível sem analisarmos, também, as relações que ele mantém com o mundo ao seu redor. Não é possível a nenhuma área do conhecimento analisar o mundo sem a presença humana, pois o homem é um importante agente transformador da realidade. Se existe um mundo novo a ser admirado, isso se deve também à ação dele. A pergunta é: qual é o instrumento que o ser humano dispõe que faz dele uma espécie tão poderosa? A resposta cabe numa única palavra: razão. Sobre a razão, existem de� nições de todos os tipos, gerais ou especí� cas, elaboradas por � lósofos antigos, modernos, contemporâneos e por aí vai... A razão pode ser de� nida como a capacidade de: calcular, analisar e elaborar; julgar, distinguir o bem do mal e o verdadeiro do falso; raciocinar, isto é, de formar conceitos abstratos e organizá-los logicamente de maneira discursiva. A razão é o conhecimento que o espírito humano pode atingir naturalmente, por suas próprias forças. D is po ní ve l e m : < ht tp :// br ea ki ng fre ef ro m lim its .c om >. A ce ss o em : 1 0 m ai o 20 13 . Filosofia O mito perde o seu lugar para a razão 8 Todas as vezes que procuramos defi nir o ser humano, surge a referência à sua capacidade de raciocinar, que é a utilização da razão. É isso que distingue o ser humano dos outros seres vivos do nosso planeta. Por isso é importante perceber que ‘a razão pode ser entendida também como a capacidade que tem o homem de concatenar, de forma teoricamente correta, ideias abstratas, isto é, de uma forma lógica. O que chamamos também de inteligência seria essa capacidade racional aplicada na busca de soluções dos problemas reais que encontramos em nossa existência. A inteligência nos permite desenvolver uma aprendizagem e, portanto, um conhecimento de nosso meio que nenhum outro animal possui. Leguizamon, 2008, p.46. Se antes a realidade era explicada a partir dos mitos, agora, com a constatação da racionalidade humana, isso não é mais possível. A mitologia abre espaço, então, para a tentativa de se explicarem os fatos e os fenômenos naturais e humanos a partir de uma perspectiva cientí� ca. Nesse contexto, surgiram os primeiros � lósofos, que passaram a nos apresentar um admirável mundo novo baseado na razão que o ser humano carrega em si. Esses primeiros � lósofos � caram conhecidos como pré-socráticos, pois vieram antes de Sócrates, considerado o pai da � loso� a. Eles foram muito importantes por terem se afastado das explicações mitológicas para se aproximarem de explicações mais racionais e direcionadas para explicar a natureza e a realidade. Os pré-socráticos estabeleceram, por exemplo, a de� nição dos quatro elementos da natureza:fogo, água, terra e ar, que nem com todo o avanço das ciências conseguiu mudar. Que instrumentos os primeiros � lósofos utilizaram para construir conhecimento? Não existiam livros para pesquisa e muito menos a Internet. Então, como eles conseguiram? Simples. Utilizando a capacidade de raciocínio (uso da razão) e os próprios sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato.) Se todos nós, seres humanos, somos dotados desses “instrumentos”, o que nos impede de sermos todos � lósofos? Saiba maisSaiba mais D is po ní ve l e m : < w w w .s tu dy bl ue .c om >. A ce ss o em : 1 1 m ai o 20 13 . humana, isso não é mais possível. A mitologia abre espaço, então, para a tentativa de se explicarem os fatos e os fenômenos naturais e humanos a partir de uma perspectiva cientí� ca. Nesse contexto, surgiram os primeiros � lósofos, que passaram a nos apresentar um admirável mundo novo baseado na razão que o ser humano carrega em si. Esses primeiros pré-socráticos, pois vieram antes de Sócrates, considerado o pai da � loso� a. Eles foram muito importantes por terem se afastado das explicações mitológicas para se aproximarem de explicações mais racionais e direcionadas para explicar a natureza e a realidade. Os pré-socráticos estabeleceram, por exemplo, a de� nição dos quatro elementos da natureza: fogo, água, terra e ar, que nem com todo o avanço Que instrumentos os primeiros � lósofos utilizaram para construir conhecimento? Não existiam livros para pesquisa e muito menos a Internet. Então, como eles conseguiram? Simples. Utilizando a capacidade de raciocínio (uso da razão) e os próprios sentidos (visão, audição, olfato, paladar e tato.) Se todos nós, seres humanos, somos dotados desses “instrumentos”, o que nos impede de sermos todos Disponível em: <www.g eoca chin g.c om >. Ac es so e m : 1 1 m ai o 20 13 . Filosofia 9 O mito perde o seu lugar para a razão 9 [...] logos, rátio ou razão signifi ca pensar e falar ordenadamente, com medida e proporção, com clareza e de modo compreensível para outros. Assim, na origem, razão é a capacidade intelectual para pensar e exprimir-se correta e claramente, para pensar e dizer as coisas tais como são. A razão é uma maneira de organizar a realidade (medir, reunir, juntar, separar, contar, calcular) pela qual esta se torna compreensível. É, também, a confi ança de que podemos ordenar e organizar as coisas porque são organizáveis, ordenáveis, compreensíveis nelas mesmas e por elas mesmas, isto é, as próprias coisas são racionais ou estão ordenadas e organizadas, estão articuladas e conectadas, são semelhantes ou diferentes, possuem identidade etc., podendo, por isso, ser reunidas ou separadas, medidas e calculadas. CHAUI, Marilena. Convite à fi losofi a. São Paulo: Ática, 2003, p. 62. Exercícios de salaExercícios de sala 1 Ao observar este admirável mundo novo à nossa volta, podemos afi rmar que em tudo há a partipação do ser humano. Tente explicar como isso acontece. ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 2 Como funcionou, na Grécia antiga, o processo de deixar para trás a explicação mitológica da realidade e passar a utilizar uma explicação mais racional? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 3 De acordo com os conceitos de razão apresentados nos textos anteriores, qual você utilizaria se fosse conceituá-la? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 4 Com o surgimento da fi losofi a, quais foram as conquistas do ser humano? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 5 Como nós, seres humanos, utilizamos, na prática, a razão? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ Filosofia O mito perde o seu lugar para a razão 10 1.1 A imparcialidade e a busca de respostas para os dilemas da vida FELIPINHO E SUA TURMA ESTÃO NO PÁTIO DA ESCOLA, QUANDO PERCEBEM UMA BRIGA POR PERTO... A BRIGA FICA CADA VEZ MAIS SÉRIA... TODOS FICAM OLHANDO, ATÉ QUE UM ADULTO APARECE PARA SEPARAR OS MENINOS. CHEGA UM AMIGO QUE ESTAVA ATRASADO E PERGUNTA... O QUE ESTÁ ACONTECEN- DO? NÓS NÃO SABEMOS, QUANDO VIMOS, A BRIGA JÁ TINHA COMEÇADO... MAS O JORGE ESTÁ ENVOLVIDO. E NÓS TEMOS QUE DEFENDÊ-LO MAS NÓS NEM SABEMOS O MOTIVO QUE DEU INÍCIO À BRIGA. MAIS ISSO NÃO INTERESSA. ELE É NOSSO AMIGO E NÓS VAMOS PROTEGÊ-LO. ELE É NOSSO AMIGO, MAS, SE ELE ESTIVER ERRADO, TERÁ QUE ARCAR COM AS CONSEQUÊNCIAS. E TAMBÉM É UMA FORMA DE EXERCITAR A IMPARCIALIDADE. É ISSO MESMO. É UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA TEMOS QUE SER IMPARCIAIS E FALAR SEMPRE A VERDADE, POIS O OBJETIVO DA IMPARCIALIDADE É PROMOVER A JUSTIÇA. A ce rv o C N E C . Filosofia 1111 O mito perde o seu lugar para a razão importância da imparcialidade O chefe ou gestor deve utilizar as informações e dados que lhe são passados ou sugeridos para tomar a melhor decisão para a equipe ou empresa. BlOG vidA eXecutivA Bernt Entschev Bernt Entschev é presidente da De Bernt Entschev Hurnan Capital. Headhunter trabalha na área de Executive Search há mais de 20 anos. Autor do livro Executivos, Alfaces & Morangos Bernt, também atua como conselheiro de diversas instituições. Você consegue desligar suas emoções antes de decidir algo? Analisar os fatos e dados, a verdade nua e crua, saber qual o melhor caminho antes de dizer “é por aqui que vamos”? Acredito que a imparcialidade está no limite entre a razão e a emoção e, por isso mesmo, é tão difícil tomar decisões sábias, sem se deixar infl uenciar pelo ambiente. Para ilustrar esse tema, posso citar a imprensa. Quando um jornal noticia um debate político, o programa não pode dizer que é a favor de um ou outro. Essa decisão deve ser tomada pelo público, baseado nos fatos e dados que foram coletados para exibição no jornal. No meio empresarial ocorre o mesmo, mas no caminho inverso. O chefe ou gestor deve utilizar as informações e dados que lhe são passados ou sugeridos para tomar a melhor decisão para a equipe ou empresa. Por mais que a melhor ideia tenha vindo daquele subordinado com o qual o gestor teve uma discussão na semana passada, há que se ter juízo e racionalidade para decidir. Afi nal de contas, escolhas erradas podem ruir empresas inteiras e levá-las à falência. Um exemplo ainda mais prático de uma situação dessas é uma promoção. Suponha uma equipe de cinco gerentes e que um só deve virar diretor. Se somente os méritos pessoais fossem levados em consideração na decisão, e fosse escolhido aquele pelo qualo presidente tem a maior empatia, ele pode ter cometido um grande erro. Ao escolher aquele que não é o mais capacitado, mas é somente o mais amigável dentre os outros, pode ter dado início ao declínio de sua empresa, ou então limitado o crescimento dela até tal proporção, sendo que o colega dele, mais linha dura, pudesse fazer os rendimentos duplicarem. É por isso que um gestor deve conhecer profundamente todos os setores e processos de uma empresa. Dessa maneira, ele evita ter que pedir opiniões a todo momento, e pode tomar mais decisões sem infl uências de terceiros. Ou, então, quando uma decisão envolva mais pessoas, como em uma reunião ou assembleia, o melhor a se fazer é que todos falem. Por mais que nenhuma das ideias seja a ideal, a união de características de cada uma delas pode ter a resposta fi nal para um problema. É bom ressaltar também a conduta e o tratamento individual. Empatias grandes ou até mesmo negativas não podem ser determinantes de maneira alguma na inclusão ou exclusão de uma pessoa em um processo, reunião ou em um direito de opinar. Não é porque ela não conhece direito um determinado processo que seja incompetente – ela pode ser especialista em outros assuntos. Embora a reputação não seja a melhor, ser aquele frio e calculista, muitas vezes, é tudo o que uma empresa precisa. Isso se aplica em decisões, contratações, promoções, reuniões e, claro, na vida pessoal. Disponível em: <http://www.amanha.com.br>. Acesso em: 12 mai. 2013. decidir. Afi nal de contas, escolhas erradas podem ruir Um exemplo ainda mais prático de uma situação dessas é uma promoção. Suponha uma equipe de cinco gerentes e que um só deve virar diretor. Se somente os méritos pessoais fossem levados em consideração na decisão, e fosse escolhido aquele pelo qual o presidente tem a maior empatia, ele pode ter cometido um grande erro. Ao escolher aquele que não é o mais capacitado, mas é somente o mais amigável dentre os outros, pode ter dado início ao declínio de sua empresa, ou então limitado o crescimento dela até tal proporção, sendo que o colega dele, mais linha dura, pudesse fazer os rendimentos É por isso que um gestor deve conhecer profundamente todos os setores e processos de uma empresa. Dessa maneira, ele evita ter que pedir opiniões a todo momento, e pode tomar mais decisões sem infl uências de terceiros. Ou, então, quando uma decisão envolva mais pessoas, como em uma reunião ou assembleia, o melhor a se fazer é que todos falem. Por mais que nenhuma das ideias seja a ideal, a união de características de cada uma delas pode ter a resposta fi nal para um problema. É bom ressaltar também a conduta e o tratamento individual. Filosofia O mito perde o seu lugar para a razão 12 Em nossa sociedade, é muito difícil despertar nas pessoas o desejo de buscar a verdade. Pode parecer paradoxal que assim seja, pois parecemos viver numa sociedade que acredita nas ciências, que luta por escolas, que recebe diariamente informações vindas de jornais, rádios, televisões e redes eletrônicas, que possui editoras, livrarias, bibliotecas, museus, salas de cinemas e de teatro, vídeos, fotografi as e computadores. Ora, é justamente essa enorme quantidade de veículos e formas de informação que acaba tornando tão difícil a busca da verdade, pois todo mundo acredita que está recebendo, de modos variados e diferentes, informações científi cas, fi losófi cas, políticas, artísticas e que essas informações são verdadeiras sobretudo porque tal quantidade de informação ultrapassa a experiência vivida pelas pessoas, que, por isso, não têm meios para avaliar o que recebem. CHAUI, Marilena. Convite à fi losofi a. São Paulo: Ática, 2003, p.90. O que isso tudo tem a ver com imparcialidade? Se imparcialidade é o ato de não ser parcial, de não tomar partido, ou, na verdade, tomar partido do lado da verdade e da justiça, então, sem a verdade não nos é possível praticar a imparcialidade. O egoísmo confunde a visão da verdade. As paixões e as emoções desordenadas provocam mudanças de humor que impedem o ser humano de raciocinar e, até mesmo, de enxergar a verdade. Os fatos precisam ser compreendidos como eles são e não como as pessoas os veem. Para ser imparcial, é preciso que o ser humano esteja perto o su� ciente para enxergar a situação tal qual ela se coloca e distante o su� ciente para não se deixar envolver emocionalmente. Ser imparcial é estar acima de gostos, de vontades, de predileções e, também, de aversões, de mágoas, etc. As emoções estão diretamente ligadas ao que acontece com o corpo. Se ocorre um problema de saúde, as emoções serão afetadas nem que seja na forma de mau humor, que altera o comportamento das pessoas. A vivência de emoções não segue padrões de� nidos, ou seja, cada pessoa sente e reage de maneira diferente às emoções provocadas pelas experiências do dia a dia, as quais permitirão o amadurecimento e o conhecimento melhor de si mesmos. Quando as emoções estão equilibradas, o ser humano tende a raciocinar mais claramente, sem interferência dos sentimentos e das emoções, o que possibilita adotar uma postura mais imparcial. A imparcialidade ajuda na solução dos con� itos que ocorrem em casa e na vida social, especialmente na escola. Quanto menos parcial for a nossa percepção da realidade, mais chances temos de nos aproximar do todo e de melhor entender a realidade à nossa volta. MOTA, Evandro. Algumas maneiras de fazer alguém feliz. 2. ed. Curitiba: Luz Ltda, Desde que o � lósofo grego Sócrates, 300 a.C., propôs o famoso “Conhece-te a ti mesmo” como o princípio da sabedoria humana, todos os ensinamentos seculares passaram a indicar o autoconhecimento como o ponto de partida no caminho da libertação do ser humano. Entretanto, acredito que devemos ir além deste ponto. Podemos, e até devemos, completar o ensinamento: Conhece-te a ti mesmo e normalmente atribuída ao fi lósofo grego sócrates (479-399 a.c.), a frase “conhece-te a ti mesmo” é, na verdade, a inscrição que se via na entrada do Oráculo de delfos. neste local, dedicado a Apolo (na mitologia grega, o deus da luz e do sol, da verdade e da profecia), buscava-se o conhecimento do presente e do futuro por intermédio de sacerdotisas. D is po ní ve l e m : < ht tp :// fa uu fp a. w or dp re ss .c om >. A ec ss o em : 08 m ai o 20 13 . ser compreendidos como eles são e não como as pessoas os veem. Para ser imparcial, é preciso que o ser humano esteja perto o su� ciente para enxergar a situação tal qual ela se coloca e distante o su� ciente para não se deixar envolver emocionalmente. Ser imparcial é estar acima de gostos, de vontades, de predileções e, também, de aversões, de mágoas, As emoções estão diretamente ligadas ao que acontece com o corpo. Se ocorre um problema de saúde, as emoções serão afetadas nem que seja na forma de mau humor, que altera o comportamento das pessoas. A vivência Quando as emoções estão equilibradas, o ser humano tende Disponível em: <w3.ifrc.org/what/values/ creative/crc.cartoon.asp>. Acesso em: 08 maio 2013. Filosofia 13 O mito perde o seu lugar para a razão 13 melhora-te. A partir da constatação de que o mundo exterior é o re� exo do nosso mundo interior, passa a ser constante o desejo de crescer, de evoluir e de sermos mais do que somos nesse momento. O curioso é que, ao tomarmos a sábia decisão de crescer, todo o Universo conspira a nosso favor, criando as condições para que possamos conseguir esse objetivo e, assim, contribuir para um mundo melhor. Não podemos nos esquecer de que a imparcialidade também depende do alcance do nosso ponto de vista. Para isso, analise o texto a seguir e tire as conclusões que você acha mais adequadas para a sua realidade, levando sempre em conta “o que” e “quem” você é. Saiba maisSaiba mais pArA Que FilOsOFiA? Ora, muitos fazem uma outra pergunta: afi nal, para que fi losofi a? É uma pergunta interessante. Não vemos nem ouvimos ninguémperguntar, por exemplo, para que matemática ou física? Para que geografi a ou geologia? Para que história ou sociologia? Para que biologia ou psicologia? Para que astronomia ou química? Para que pintura, literatura, música ou dança? Mas todo mundo acha muito natural perguntar: Para que fi losofi a? Em geral, essa pergunta costuma receber uma resposta irônica, conhecida dos estudantes de fi losofi a: “A fi losofi a é uma ciência com a qual e sem a qual o mundo permanece tal e qual”. Ou seja, a fi losofi a não serve para nada. Por isso, se costuma chamar de “fi lósofo” alguém sempre distraído, com a cabeça no mundo da lua, pensando e dizendo coisas que ninguém entende e que são perfeitamente inúteis. Essa pergunta, “Para que fi losofi a?”, tem a sua razão de ser. Em nossa cultura e em nossa sociedade, costumamos considerar que alguma coisa só tem o direito de existir se tiver alguma fi nalidade prática, muito visível e de utilidade imediata. Por isso, ninguém pergunta para que as ciências, pois todo mundo imagina ver a utilidade das ciências nos produtos da técnica, isto é, na aplicação cientifi ca à realidade. Todo mundo também imagina ver a utilidade das artes, tanto por causa da compra e venda das obras de arte, quanto porque nossa cultura vê os artistas como gênios que merecem ser valorizados para o elogio da humanidade. Ninguém, todavia, consegue ver para que serviria a fi losofi a, donde dizer-se: não serve para coisa alguma. Parece, porém, que o senso comum não enxerga algo que os cientistas sabem muito bem. As ciências pretendem ser conhecimentos verdadeiros, obtidos graças a procedimentos rigorosos de pensamento; pretendem agir sobre a realidade, através de instrumentos e objetos técnicos; pretendem fazer progressos nos conhecimentos, corrigindo-os e aumentando-os. Ora, todas essas pretensões das ciências pressupõem que elas acreditam na existência da verdade, de procedimentos corretos para bem usar o pensamento, na tecnologia como aplicação prática de teorias, na racionalidade dos conhecimentos, porque podem ser corrigidos e aperfeiçoados. Verdade, pensamento, procedimentos especiais para conhecer fatos, relação entre teoria e prática, correção e acúmulo de saberes: tudo isso não é ciência, são questões fi losófi cas. O cientista parte delas como questões já respondidas, mas é a fi losofi a quem as formula e busca respostas para elas. Assim, o trabalho das ciências pressupõe, como condição, o trabalho da fi losofi a, mesmo que o cientista não seja fi lósofo. No entanto, como apenas os cientistas e fi lósofos sabem disso, o senso comum continua afi rmando que a fi losofi a não serve para nada. Para dar alguma utilidade à fi losofi a, muitos consideram que, de fato, a fi losofi a não serviria para nada, se “servir” fosse entendido como a possibilidade de fazer usos técnicos dos produtos fi losófi cos ou dar-lhes utilidade econômica, obtendo lucros com eles; consideram também que a fi losofi a nada teria a ver com a ciência e a técnica. Para quem pensa dessa forma, o principal para a fi losofi a não seriam os conhecimentos (que fi cam por conta da ciência), nem as aplicações de teorias (que fi cam por conta da tecnologia), mas o ensinamento moral ou ético. A fi losofi a seria a arte do bem viver. Estudando as paixões e os vícios humanos, a liberdade e a vontade, analisando a capacidade de nossa razão para impor limites aos nossos desejos e paixões, ensinando-nos a viver de modo honesto e justo na companhia dos outros seres humanos, a fi losofi a teria como fi nalidade ensinar-nos a virtude, que é o princípio do bem-viver. Essa defi nição da fi losofi a, porém, não nos ajuda muito. De fato, mesmo para ser uma arte moral ou ética, ou uma arte do bem-viver, a fi losofi a continua fazendo suas perguntas desconcertantes e embaraçosas: O que é o homem? O que é a vontade? O que é a paixão? O que é a razão? O que é o vício? O que é a virtude? O que é a liberdade? Como nos tornamos livres, racionais e virtuosos? Por que a liberdade e a virtude são valores para os seres humanos? O que é um valor? Por que avaliamos os sentimentos e as ações humanas? Assim, mesmo se disséssemos que o objeto da fi losofi a não é o conhecimento da realidade, nem o conhecimento da nossa capacidade para conhecer, mesmo se disséssemos que o objeto da fi losofi a é apenas a vida moral ou ética, ainda assim, o estilo fi losófi co e a atitude fi losófi ca permaneceriam os mesmos, pois as perguntas fi losófi cas – o que, por que e como – permanecem. CHAUI, M. Filosofi a. Série Novo Ensino Médio. São Paulo: Ática, 2004, pp. 10-11. Filosofia O mito perde o seu lugar para a razão 14 verdAde e reAlidAde Dizer que algo é verdadeiro é dizer que é um fato constatado, que teve lugar realmente. Resta saber, porém, se temos de receber a realidade como algo que se encontra exclusivamente na experiência sensível. Platão considerava que a realidade correspondia unicamente ao mundo das ideias que só a mente pode alcançar, e se negava a outorgar algo de realidade às coisas sensíveis, mutantes e condenadas a desaparecer. Temos então dois tipos de verdade: as verdades da razão, que se referem às ideias, e as verdades de fato que se referem à experiência sensível. LEGUIZAMON, Hector. Filosofi a: origens, conceitos, escolas e pensadores. São Paulo: Escala Educacional, 2008, p.52. Exercício propostoExercício proposto 6 Durante um período (de três a dez dias) observe o que está acontecendo à sua volta, dentro da escola. Você deve ir anotando em seu caderno de fi losofi a todos os casos em que as pessoas deveriam agir com imparcialidade, mas não o fi zeram. Ao fi nal desse período, vamos ouvir os relatos de todos. Exercícios de salaExercícios de sala 7 Qual é a diferença entre ser parcial e ser imparcial? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 8 Como se pratica a imparcialidade em nosso dia a dia? Essa é uma tarefa fácil? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 9 Qual é o grande objetivo em sermos imparciais? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 10 Conte-nos uma situação real em que você teve oportunidade de presenciar uma atitude parcial, e explique-nos qual foi o resultado. ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ D is po ní ve l e m : < ht tp :// pe op le .o pp os in gv ie w s. co m >. A ce ss o em : 0 8 m ai o 20 13 . Filosofia 15 O mito perde o seu lugar para a razão 15 11 Se a mesma situação, do exercíco 10, tivesse sido tratada de forma imparcial, qual, provavelmente, teria sido o resultado? ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ ___________________________________________________________________________________ 1.2 A simpatia e o pensamento filosófico TUDO BEM, FELIPINHO, E VOCÊ? ENTÃO, DEPOIS MARCAMOS UM HORÁRIO PARA ESTUDAR. ATÉ MAIS. ESTÁ BEM. ATÉ MAIS! OI, MARINA COMO ANDAM AS COISAS? TUDO ÓTIMO! EU SOUBE QUE VOCÊ TEVE UNS PROBLEMINHAS NA ESCOLA. POSSO AJUDAR EM ALGUMA COISA? OBRIGADA PELA SUA PREOCU- PAÇÃO. NA VERDADE, EU ESTOU PRECISANDODE AJUDA COM A MATEMÁTICA. VOCÊ PODE ME AJUDAR ? CLARO QUE SIM. VOCÊ É SEMPRE TÃO SIMPÁTICA E SOLIDÁRIA COM TODOS NA ESCOLA. SERÁ UMA HONRA PODER AJUDÁ-LA ! A ce rv o C N E C . A simpatia é estabelecida através de um diálogo harmonioso entre os participantes. um Breve elOGiO AO diálOGO Certamente, o diálogo não é apenas o que aprendemos nas lições de Língua Portuguesa: uma conversa entre duas personagens. É mais, muito mais. É o desejo de cada um de conhecer-se a si mesmo. Como vimos anteriormente, Sócrates, um dos fi lósofos da Antiguidade, seguia o lema: “Conhece-te a ti mesmo”. Para ele, essa deveria ser uma das primeiras posturas do homem diante da vida. Conhecendo-se melhor, também se pode conhecer melhor os outros. Dialogar é a conversa de mais de uma pessoa, é falar e ouvir a fala do outro. Nesse sentido, o diálogo terá como resultado novos entendimentos. Ninguém será mais o mesmo após dialogar com os outros, ouvir ideias diferentes, novos pontos de vista, outros argumentos. O diálogo pressupõe o respeito à diversidade e à pluralidade de ideias e visões de mundo. Não há, pois, verdades defi nitivas, e ninguém é, portanto, dono da verdade. Quem pensa e age assim está monologando, falando sozinho, de modo autoritário. O diálogo é a ferramenta de comunicação, de convivência e de entendimento do mundo e está presente na família, na escola, no trabalho, no grupo de amigos, na política. É aprender a falar e a ouvir. loja.cneceduca.com.br Prezado leitor, Agradecemos o interesse em nosso material. Entretanto, essa é somente uma amostra gratuita. Caso haja interesse, todos os materiais do Sistema de Ensino CNEC estão disponíveis para aquisição através de nossa loja virtual.