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Exercícios Parnasianismo e Simbolismo Profº Mari Neto Página 1 de 11 1. (Unesp 2020) Tal movimento distingue-se pela atenuação do sentimentalismo e da melancolia, a ausência quase completa de interesse político no contexto da obra (embora não na conduta) e (como os modelos franceses) pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. O mito da pureza da língua, do casticismo vernacular abonado pela autoridade dos autores clássicos, empolgou toda essa fase da cultura brasileira e foi um critério de excelência. É possível mesmo perguntar se a visão luxuosa dos autores desse movimento não representava para as classes dominantes uma espécie de correlativo da prosperidade material e, para o comum dos leitores, uma miragem compensadora que dava conforto. (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) O texto refere-se ao movimento denominado a) Romantismo. b) Barroco. c) Parnasianismo. d) Arcadismo. e) Realismo. 2. (Unesp 2018) Esse movimento descobriu algo que ainda não havia sido conhecido ou enfatizado antes: a “poesia pura”, a poesia que surge do espírito irracional, não conceitual da linguagem, oposto a toda interpretação lógica. Assim, a poesia nada mais é do que a expressão daquelas relações e correspondências, que a linguagem, abandonada a si mesma, cria entre o concreto e o abstrato, o material e o ideal, e entre as diferentes esferas dos sentidos. Sendo a vida misteriosa e inexplicável, como pensavam os adeptos desse movimento, era natural que fosse representada de maneira imprecisa, vaga, nebulosa, ilógica e ininteligível. (Afrânio Coutinho. Introdução à literatura no Brasil, 1976. Adaptado.) O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-se ao movimento literário denominado a) Parnasianismo. b) Romantismo. c) Realismo. d) Simbolismo. e) Arcadismo. 3. (Ufrgs 2018) No bloco superior abaixo, estão listados os movimentos literários brasileiros; no inferior, características desses movimentos. Associe adequadamente o bloco inferior ao superior. 1. Arcadismo 2. Parnasianismo 3. Simbolismo ( ) Representa um afastamento dos problemas sociais brasileiros, seguindo uma estética rígida. ( ) Surge na periferia intelectual brasileira: Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. ( ) Recupera o padrão estético clássico, fazendo ressurgir a epopeia. ( ) Busca transfigurar a condição humana, dando-lhe horizontes transcendentais. A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é a) 1 – 1 – 3 – 2. b) 1 – 3 – 2 – 2. c) 2 – 3 – 1 – 3. d) 2 – 3 – 3 – 1. e) 3 – 1 – 3 – 2. 4. (Espcex (Aman) 2018) O projeto desse movimento literário baseava-se na crença de que a função essencial da arte era produzir o belo, e o lema escolhido para traduzir essa ideia foi "a arte pela arte". É possível observar, nesse contexto, características como a preocupação com a técnica (metro, ritmo e rima) e o resgate de temas da Antiguidade clássica (referências à mitologia e a personagens históricas). Essa escola literária é conhecida como a) Neoclassicismo. b) Arcadismo. c) Classicismo. d) Expressionismo. e) Parnasianismo. 5. (Upf 2018) O estilo de época que surge no Brasil na última década do século XIX e que se destaca pela produção poética dos autores a ele vinculados, entre os quais Cruz e Sousa, é o a) Arcadismo. b) Romantismo. c) Simbolismo. d) Parnasianismo. e) Pré-Modernismo. 6. (Uefs 2018) Os poetas simbolistas renunciavam à tradução da forma fixa do objeto em favor do ritmo do devir, da fugacidade do momento. Buscavam a expressão de algo que escapa a uma forma definida e não é abordável por um caminho direto. A partir desses poetas, a poesia ocidental vive um momento em que a objetividade e o tom escultural do Parnasianismo [ou seja, o seu culto da forma e do descritivo] cedem lugar à evocação sugestiva e musical. Em lugar da exatidão, o vago. (Lígia Cademartori. Períodos literários, 1987. Adaptado.) Assinale a alternativa em que se verifica um trecho de um poema simbolista. a) Fulge de luz banhado, esplêndido e suntuoso, O palácio imperial de pórfiro luzente E mármor da Lacônia. O teto caprichoso Página 2 de 11 Mostra, em prata incrustado, o nácar do oriente. b) Parado o engenho, extintas as senzalas, Sem mais senhor, existe inda a fazenda, A envidraçada casa de vivenda Entregue ao tempo com as desertas salas. c) É um velho paredão, todo gretado, Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco de musgo em cada fenda. d) Visões, salmos e cânticos serenos, surdinas de órgãos flébeis, soluçantes... Dormências de volúpicos venenos sutis e suaves, mórbidos, radiantes... e) Guiava à casa do morro, em voltas, o caminho, Até lhe ir esbarrar com as orlas do terreiro; Dava-lhe o doce ingá, rachado ao sol, o cheiro, E um rumor de maré o cafezal vizinho. 7. (Acafe 2017) “Diferentemente do Realismo e do Naturalismo, que se voltavam para o exame e para a crítica da realidade, o Parnasianismo representou na poesia um retorno ao clássico, com todos os seus ingredientes: o princípio do belo na arte, a busca do equilíbrio e da perfeição formal. Os parnasianos acreditavam que o sentido maior da arte reside nela mesma, em sua perfeição, e não na sua relação com o mundo exterior.” CEREJA; MAGALHÃES, 1999, p. 334. Sobre o Parnasianismo, assinale a alternativa correta. a) Os maiores expoentes do Parnasianismo, na poesia e na prosa, ocuparam-se da literatura indianista, na qual exaltavam a dignidade do nativo e a beleza superior da paisagem tropical. b) Um exemplo de poesia parnasiana é a obra Suspiros poéticos e saudade, de Gonçalves de Magalhães, na qual o poeta anuncia a revolução literária, libertando-se dos modelos românticos, considerados ultrapassados. c) Os parnasianos consideravam que certos princípios românticos, como a simplicidade da linguagem, valorização da paisagem nacional, emprego de sintaxe e vocabulário mais brasileiros, sentimentalismo, tudo isso ocultava as verdadeiras qualidades da poesia. d) Tomás Antônio Gonzaga e Cláudio Manoel da Costa exemplificam a tendência de uma poesia pura, indiferente às contingências históricas, com sátira à mestiçagem e elogio à nobreza local. 8. (Upf 2019) Sobre o Simbolismo e os poetas surgidos nesse momento no Brasil, apenas é correto afirmar que a) na literatura europeia, o simbolismo não exerceu a função relevante que o distinguiu no Brasil. b) os poetas simbolistas brasileiros não investem na sonoridade como forma de provocar sensações. c) a imagem, recurso empregado com frequência na poesia brasileira de outros períodos, está ausente nos versos dos simbolistas. d) a originalidade de Augusto dos Anjos não dificulta sua inserção no Simbolismo, uma vez que o poeta em nada se aproxima de outras tendências e estilos de época. e) destacam-se, entre os simbolistas brasileiros, Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens. 9. (Upe-ssa 2 2017) Em relação ao Parnasianismo e ao Simbolismo, analise as proposições abaixo e assinale com V as Verdadeiras e com F as Falsas. ( ) O Parnasianismo é uma manifestação vigorosamente antirromantismo, por isso a presença do culto extremo da forma. ( ) A origem do Parnasianismo é na Inglaterra, onde foi lançada, em 1866, uma coletânea chamada Parnasse Contemporain. ( ) Sobre os poetas simbolistas, percebe-se que, na França, em Portugal e no Brasil, suas características são muito parecidas e bem próximas dos poetas parnasianos. ( ) Os simbolistas preservaram a preocupação com a versificação dos parnasianos, mas, desejosos de manter um clima de mistério e fluidez, optaram por ritmos musicais e insinuantes. ( ) Missal e Broquéissão as mais importantes obras de Alphonsus de Guimaraens, poeta que inicia o movimento simbolista no Brasil. A sequência CORRETA, de cima para baixo, é: a) V – V – V – F – V b) V – F – F – V – F c) F – F – V – F – V d) F – F – F – V – V e) V – V – V – V – F TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Leia o poema de Camilo Pessanha para responder à(s) questão(ões) a seguir. INTERROGAÇÃO Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar, Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo; E apesar disso, crês? nunca pensei num lar Onde fosses feliz, e eu feliz contigo. Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito. E nunca te escrevi nenhuns versos românticos. Nem depois de acordar te procurei no leito, Como a esposa sensual do Cântico dos Cânticos. Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo A tua cor sadia, o teu sorriso terno... Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso Que me penetra bem, como este sol de Inverno. Passo contigo a tarde e sempre sem receio Da luz crepuscular, que enerva, que provoca. Eu não demoro o olhar na curva do teu seio Nem me lembrei jamais de te beijar na boca. Eu não sei se é amor. Será talvez começo. Eu não sei que mudança a minha alma pressente... Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço, Página 3 de 11 Que adoecia talvez de te saber doente. (PESSANHA, Camilo. Clepsidra. São Paulo: Núcleo, 1989.) 10. (Fatec 2017) O escritor português Camilo Pessanha faz parte da escola literária denominada Simbolismo. Assinale a alternativa que possui uma característica desse movimento artístico presente no poema. a) Elipse, pois o autor omite todos os pronomes pessoais a fim de criar musicalidade. b) Bucolismo, pois o amor faz grande reverência à natureza ao evocar a sua sonoridade. c) Aliteração, pois o autor explora a repetição harmônica e ritmada de sons consonantais. d) Determinismo, pois o meio em que vive a pessoa amada determina o ritmo de sua vida. e) Ornamentação exagerada, pois há vocabulário ritmado com exclusividade de rimas ricas. 11. (Unifesp 2016) O Simbolismo é, antes de tudo, antipositivista, antinaturalista e anticientificista. Com esse movimento, nota-se o despontar de uma poesia nova, que ressuscitava o culto do vago em substituição ao culto da forma e do descritivo. (Massaud Moisés. A literatura portuguesa, 1994. Adaptado.) Considerando esta breve caracterização, assinale a alternativa em que se verifica o trecho de um poema simbolista. a) “É um velho paredão, todo gretado, Roto e negro, a que o tempo uma oferenda Deixou num cacto em flor ensanguentado E num pouco de musgo em cada fenda.” b) “Erguido em negro mármor luzidio, Portas fechadas, num mistério enorme, Numa terra de reis, mudo e sombrio, Sono de lendas um palácio dorme.” c) “Estranho mimo aquele vaso! Vi-o, Casualmente, uma vez, de um perfumado Contador sobre o mármor luzidio, Entre um leque e o começo de um bordado.” d) “Sobre um trono de mármore sombrio, Num templo escuro e ermo e abandonado, Triste como o silêncio e inda mais frio, Um ídolo de gesso está sentado.” e) “Ó Formas alvas, brancas, Formas claras De luares, de neves, de neblinas!... Ó Formas vagas, fluidas, cristalinas... Incensos dos turíbulos das aras...” 12. (Espm 2016) Das definições abaixo, uma delas nos remete diretamente ao período literário conhecido como Simbolismo. Assinale-a: a) É a arte do conflito, do contraste, da contradição, do dilema e da dúvida, que se expressam pelo acúmulo de antíteses, paradoxos e oximoros. b) A “arte pela arte” é um dos seus princípios centrais. A poesia volta-se para o belo (esteticismo), para o zelo da perfeição formal, descompromissada com os problemas do mundo. c) Aderiu ao cientificismo e ao materialismo, opondo-se à metafísica, à religião e a tudo que escapasse aos limites da matéria. d) Propõe uma volta aos modelos clássicos greco-romanos e renascentistas. Exalta a vida pastoril, campestre, entendendo que a felicidade e a beleza decorrem da vida no campo. e) Adotou a teoria das correspondências que propõe um processo cósmico de aproximação entre as realidades, expresso por meio da sinestesia, a qual consiste no cruzamento de percepção de um sentido para outro. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Poética Estou farto do lirismo comedido Do lirismo bem comportado Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente protocolo e manifestações de [apreço ao sr. diretor. Estou farto do lirismo que para e vai averiguar no dicionário o cunho vernáculo de um vocábulo Abaixo os puristas Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção Todos os ritmos sobretudo os inumeráveis Estou farto do lirismo namorador Político Página 4 de 11 Raquítico Sifilítico De todo lirismo que capitula ao que quer que seja fora de si mesmo De resto não é lirismo Será contabilidade tabela de cossenos secretário do amante exemplar com cem modelos de [cartas e as diferentes maneiras de agradar às mulheres, etc Quero antes o lirismo dos loucos O lirismo dos bêbados O lirismo difícil e pungente dos bêbados O lirismo dos clowns de Shakespeare — Não quero mais saber do lirismo que não é libertação. (Manuel Bandeira, in: Libertinagem) 13. (Espm 2016) Com o verso: “Abaixo os puristas”, Bandeira critica os autores exagerados em matéria de pureza da linguagem escrita e falada. Baseado nisso, poderiam ser listados os seguintes nomes: a) Eça de Queirós, Machado de Assis e Raul Pompeia. b) Rui Barbosa, Olavo Bilac e Coelho Neto. c) Claudio Manuel da Costa e Tomás Antônio Gonzaga. d) Gregório de Matos e Padre Antônio Vieira. e) José de Alencar, Manuel Antônio de Almeida e Joaquim Manuel de Macedo. 14. (Enem 2015) A pátria Ama, com fé e orgulho, a terra em que nasceste! Criança! não verás nenhum país como este! Olha que céu! que mar! que rios! que floresta! A Natureza, aqui, perpetuamente em festa, É um seio de mãe a transbordar carinhos. Vê que vida há no chão! vê que vida há nos ninhos, Que se balançam no ar, entre os ramos inquietos! Vê que luz, que calor, que multidão de insetos! Vê que grande extensão de matas, onde impera, Fecunda e luminosa, a eterna primavera! Boa terra! jamais negou a quem trabalha O pão que mata a fome, o teto que agasalha... Quem com o seu suor a fecunda e umedece, Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece! Criança! não verás país nenhum como este: Imita na grandeza a terra em que nasceste! BILAC, O. Poesias infantis. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1929. Publicado em 1904, o poema A pátria harmoniza-se com um projeto ideológico em construção na Primeira República. O discurso poético de Olavo Bilac ecoa esse projeto, na medida em que a) a paisagem natural ganha contornos surreais, como o projeto brasileiro de grandeza. b) a prosperidade individual, como a exuberância da terra, independe de políticas de governo. c) os valores afetivos atribuídos à família devem ser aplicados também aos ícones nacionais. d) a capacidade produtiva da terra garante ao país a riqueza que se verifica naquele momento. e) a valorização do trabalhador passa a integrar o conceito de bem- estar social experimentado. TEXTO PARA A PRÓXIMA QUESTÃO: Para responder à(s) questão(ões), leia o soneto de Raimundo Correia (1859-1911). Esbraseia o Ocidente na agonia O sol... Aves em bandos destacados, Por céus de ouro e de púrpura raiados, Fogem... Fecha-se a pálpebra do dia... Delineiam-se, além, da serrania Os vértices de chama aureolados, E em tudo, em torno, esbatem derramados Uns tons suaves de melancolia... Um mundo de vapores no ar flutua... Como uma informe nódoa, avulta e cresce A sombra à proporção que a luz recua... A natureza apática esmaece... Poucoa pouco, entre as árvores, a lua Surge trêmula, trêmula... Anoitece. (Poesia completa e prosa, 1961.) 15. (Unesp 2018) a) Que processo o soneto de Raimundo Correia retrata? b) A primeira estrofe do soneto é composta por três períodos simples em ordem indireta (“Esbraseia o Ocidente na agonia / O sol”; “Aves em bandos destacados, / Por céus de ouro e de púrpura raiados, / Fogem”; e “Fecha-se a pálpebra do dia”). Reescreva esses três períodos em ordem direta. 16. (Enem 2013) Mal secreto Se a cólera que espuma, a dor que mora N’alma, e destrói cada ilusão que nasce, Tudo o que punge, tudo o que devora O coração, no rosto se estampasse; Página 5 de 11 Se se pudesse, o espírito que chora, Ver através da máscara da face, Quanta gente, talvez, que inveja agora Nos causa, então piedade nos causasse! Quanta gente que ri, talvez, consigo Guarda um atroz, recôndito inimigo, Como invisível chaga cancerosa! Quanta gente que ri, talvez existe, Cuja ventura única consiste Em parecer aos outros venturosa! CORREIA, R. In: PATRIOTA, M. Para compreender Raimundo Correia. Brasília: Alhambra, 1995. Coerente com a proposta parnasiana de cuidado formal e racionalidade na condução temática, o soneto de Raimundo Correia reflete sobre a forma como as emoções do indivíduo são julgadas em sociedade. Na concepção do eu lírico, esse julgamento revela que a) a necessidade de ser socialmente aceito leva o indivíduo a agir de forma dissimulada. b) o sofrimento íntimo torna-se mais ameno quando compartilhado por um grupo social. c) a capacidade de perdoar e aceitar as diferenças neutraliza o sentimento de inveja. d) o instinto de solidariedade conduz o indivíduo a apiedar-se do próximo. e) a transfiguração da angústia em alegria é um artifício nocivo ao convívio social. 17. (Unesp 2017) Os parnasianos brasileiros se distinguem dos românticos pela atenuação da subjetividade e do sentimentalismo, pela ausência quase completa de interesse político no contexto da obra e pelo cuidado da escrita, aspirando a uma expressão de tipo plástico. (Antonio Candido. Iniciação à literatura brasileira, 2010. Adaptado.) A referida “atenuação da subjetividade e do sentimentalismo” está bem exemplificada na seguinte estrofe do poeta parnasiano Alberto de Oliveira (1859-1937): a) Quando em meu peito rebentar-se a fibra, Que o espírito enlaça à dor vivente, Não derramem por mim nem uma lágrima Em pálpebra demente. b) Erguido em negro mármor luzidio, Portas fechadas, num mistério enorme, Numa terra de reis, mudo e sombrio, Sono de lendas um palácio dorme. c) Eu vi-a e minha alma antes de vê-la Sonhara-a linda como agora a vi; Nos puros olhos e na face bela, Dos meus sonhos a virgem conheci. d) Longe da pátria, sob um céu diverso Onde o sol como aqui tanto não arde, Chorei saudades do meu lar querido – Ave sem ninho que suspira à tarde. – e) Eu morro qual nas mãos da cozinheira O marreco piando na agonia… Como o cisne de outrora… que gemendo Entre os hinos de amor se enternecia. 18. (Unb 2012) Vaso grego Esta, de áureos relevos, trabalhada De divas mãos, brilhante copa, um dia, Já de aos deuses servir como cansada, Vinda do Olimpo, a um novo deus servia. Era o poeta de Teos que a suspendia Então e, ora repleta ora esvazada, A taça amiga aos dedos seus tinia Toda de roxas pétalas colmada. Depois... Mas o lavor da taça admira, Toca-a, e, do ouvido aproximando-a, às bordas Finas hás de lhe ouvir, canora e doce, Ignota voz, qual se da antiga lira Fosse a encantada música das cordas, Qual se essa a voz de Anacreonte fosse. Alberto de Oliveira. Poesias completas. In: Crítica. Marco Aurélio de Mello Reis. Rio de Janeiro: EDUERJ, 197, p.144. Acerca do soneto Vaso grego, de Alberto de Oliveira, e do período histórico-literário a que ele remete, julgue os itens a seguir. a) No período em que o Parnasianismo se destacou, o Brasil, especialmente o Rio de Janeiro, vivia forte influxo de modernização tardia em relação aos centros europeus, o que incentivou o consumo de mercadorias culturais luxuosas, mas desligadas da realidade local. Assim, verifica-se que a recorrência a temas advindos da Antiguidade Clássica era a correspondência estética dessa tendência manifestada na objetividade social brasileira. b) O refinamento da linguagem e as formas labirínticas dos versos do soneto Vaso grego atestam o quanto a poesia parnasiana no Brasil, país de desigualdade social, asseverou a distância entre a língua falada e a escrita. c) A temática abordada no soneto Vaso grego é representativa da tendência atribuída pela crítica literária ao Parnasianismo no Brasil: a descrição apaixonada de objetos antigos, por meio da qual se expressava, de forma evidente, a subjetividade do eu lírico. 19. (Unifesp 2015) Leia o soneto de Cruz e Sousa. Silêncios Largos Silêncios interpretativos, Adoçados por funda nostalgia, Balada de consolo e simpatia Que os sentimentos meus torna cativos; Harmonia de doces lenitivos, Sombra, segredo, lágrima, harmonia Página 6 de 11 Da alma serena, da alma fugidia Nos seus vagos espasmos sugestivos. Ó Silêncios! Ó cândidos desmaios, Vácuos fecundos de celestes raios De sonhos, no mais límpido cortejo... Eu vos sinto os mistérios insondáveis Como de estranhos anjos inefáveis O glorioso esplendor de um grande beijo! (Cruz e Sousa. Broquéis, Faróis, Últimos Sonetos, 2008.) A análise do soneto revela como tema e recursos poéticos, respectivamente: a) a aura de mistério e de transcendentalidade suaviza o sofrimento do eu lírico; rimas alternadas e sinestesias se evidenciam nos versos de redondilha maior. b) o esforço de superação do sofrimento coexiste com o esgotamento das forças do eu lírico; assonâncias e metonímias reforçam os contrastes das rimas alternadas em versos livres. c) a religiosidade como forma de superação do sofrimento humano; metáforas e antíteses reforçam o negativismo da desagregação existencial nos versos livres. d) a apresentação da condição existencial do eu lírico, marcada pelo sofrimento, em uma abordagem transcendente; assonâncias e aliterações reforçam a sonoridade nos versos decassílabos. e) o apelo à subjetividade e à espiritualidade denota a conciliação entre o eu lírico e o mundo; metáforas e sinestesias reforçam o sentido de transcendentalidade nos versos de doze sílabas. 20. (Uem 2015) Assinale o que for correto sobre o poema abaixo e sobre seu autor, Cruz e Souza. “Beleza morta” De leve, louro e enlanguescido helianto Tens a flórea dolência contristada... Há no teu riso amargo certo encanto De antiga formosura destronada. No corpo, de um letárgico quebranto Corpo de essência fina, delicada, Sente-se ainda o harmonioso canto Da carne virginal, clara e rosada. Sente-se o errante, as harmonias Quase apagadas, vagas, fugidias E uns restos de clarão de Estrela acesa... Como que ainda os derradeiros haustos De opulências, de pompas e de faustos, As relíquias saudosas da beleza. (CRUZ E SOUSA, J. Poesias completas. São Paulo: Ediouro, 1997, p. 40) Vocabulário Helianto: girassol Hausto: aspiração, trago, gole. 01) O primeiro verso do poema já apresenta uma característica formal marcante do Simbolismo, escola da qual Cruz e Sousa faz parte: o uso de aliterações, recurso que intensifica o potencial melódico da linguagem. 02) No primeiro terceto, as referências ao vago e ao fugidio relacionam-se com a proposta literária do Simbolismo, que opta pelo sugestivo e pelo intuitivo em detrimento de uma representação objetiva e direta da realidade. 04) Reagindo aos ditames formais do Parnasianismo contemporâneo, a lírica de Cruz e Sousa apresenta, em diversas ocasiões, poemas em versos nos quais a métrica irregular antecipa o Modernismo vindouro. A ode “Beleza morta” é um exemplo de tal procedimento.08) O reconhecimento imediato do valor artístico da obra de Cruz e Sousa, que se mostrou semelhante, no fim do século XIX, àquele experimentado pela de Olavo Bilac, contrasta com a crítica generalizada que essa obra sofreu no início do século seguinte, sobretudo por parte de Manuel Bandeira em seu primeiro livro publicado, Cinza das horas. 16) A utilização de termos preciosos e vocábulos incomuns por parte dos autores simbolistas, tal como se percebe no poema “Beleza morta”, é fruto da recuperação de um dos procedimentos mais marcantes do Barroco: o conceptismo, no qual se verifica uma elaboração rebuscada da linguagem. 21. (Enem 2014) Vida obscura Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro, ó ser humilde entre os humildes seres, embriagado, tonto de prazeres, o mundo para ti foi negro e duro. Atravessaste no silêncio escuro a vida presa a trágicos deveres e chegaste ao saber de altos saberes tornando-te mais simples e mais puro. Ninguém te viu o sentimento inquieto, magoado, oculto e aterrador, secreto, que o coração te apunhalou no mundo, Mas eu que sempre te segui os passos sei que cruz infernal prendeu-te os braços e o teu suspiro como foi profundo! SOUSA, C. Obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1961. Com uma obra densa e expressiva no Simbolismo brasileiro, Cruz e Sousa transpôs para seu lirismo uma sensibilidade em conflito com a realidade vivenciada. No soneto, essa percepção traduz-se em a) sofrimento tácito diante dos limites impostos pela discriminação. b) tendência latente ao vício como resposta ao isolamento social. c) extenuação condicionada a uma rotina de tarefas degradantes. d) frustração amorosa canalizada para as atividades intelectuais. e) vocação religiosa manifesta na aproximação com a fé cristã. Página 7 de 11 22. (Espm 2014) Para as Estrelas de cristais gelados As ânsias e os desejos vão subindo, Galgando azuis e siderais noivados De nuvens brancas a amplidão vestindo... (Cruz e Sousa) Assinale a opção em que expresse incorretamente a análise do poema: a) As “nuvens brancas” mencionadas sugerem as vestes tradicionais de noiva. b) A aliteração do /s/ em “As ânsias e os desejos vão subindo” produz cacofonia. c) Os “cristais gelados” estão de acordo com a frialdade do espaço sideral. d) As “Estrelas”, com maiúscula alegorizante, podem significar uma dimensão humana superior. e) Galgar “azuis e siderais noivados” é imagem que remete ao anseio de atingir um mundo espiritual. 23. (Ita 2013) O poema abaixo traz a seguinte característica da escola literária em que se insere: Violões que Choram... Cruz e Sousa Ah! plangentes violões dormentes, mornos, soluços ao luar, choros ao vento... Tristes perfis, os mais vagos contornos, bocas murmurejantes de lamento. Noites de além, remotas, que eu recordo, noites de solidão, noites remotas que nos azuis da Fantasia bordo, vou constelando de visões ignotas. Sutis palpitações à luz da lua, anseio dos momentos mais saudosos, quando lá choram na deserta rua as cordas vivas dos violões chorosos. [...] a) tendência à morbidez. b) lirismo sentimental e intimista. c) precisão vocabular e economia verbal. d) depuração formal e destaque para a sensualidade feminina. e) registro da realidade através da percepção sensorial do poeta. 24. (Upf 2021) Sobre o Simbolismo no Brasil, apenas é incorreto afirmar que: a) O processo da sublimação e a obsessão pela cor branca são traços recorrentes na obra de Cruz e Sousa. b) No Brasil, a estética simbolista tem como marco a publicação de Missal e Broquéis, de Cruz e Sousa. c) A aliteração, a assonância e a metáfora são figuras de linguagem bastante utilizadas nos textos simbolistas. d) Alphonsus de Guimaraens e Cruz e Sousa foram os autores simbolistas mais representativos do movimento no Brasil. e) São características do Simbolismo a poesia permeada pelo subjetivismo e a temática da transcendência, também presentes no Parnasianismo. Página 8 de 11 Página 9 de 11 Gabarito: Resposta da questão 1: [C] As referências a ausência de sentimentalismo, distanciamento de temáticas sociais e políticas, assim como preocupação com a técnica da escrita e preciosismo vocabular permitem deduzir que o texto se refere ao movimento denominado “Parnasianismo”, como referido em [C]. Resposta da questão 2: [D] O comentário do crítico Afrânio Coutinho refere-se ao Simbolismo, estética literária que privilegiava o vago e o indefinido através do uso de vocabulário raro, erudito ou hermético que resultava em sobreposição de sensações na composição de sinestesias, incorporando intensa musicalidade ao verso através de jogos vocálicos e consonantais, assonâncias e aliterações, ou outras figuras sonoras. Assim, é correta a opção [D]. Resposta da questão 3: [C] Ao Parnasianismo é relacionada a afirmação “Representa um afastamento dos problemas sociais brasileiros, seguindo uma estética rígida”; apesar de contemporâneo ao Realismo e ao Naturalismo, o Parnasianismo se afasta das questões sociais, objetivando a “Arte pela Arte”. Ao Simbolismo é relacionada a afirmação “Surge na periferia intelectual brasileira: Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul”, uma vez que tais estados são berço dos grandes nomes: Alphonsus Guimarães, Cruz e Sousa, e Eduardo Guimarães. Ao Arcadismo é relacionada a afirmação “Recupera o padrão estético clássico, fazendo ressurgir a epopeia”; O Uraguai e Caramuru, obras respectivamente de Basílio da Gama e de Santa Rita Durão, comprovam o ressurgimento das epopeias, obras que obedecem ao padrão estético clássico. Ao Simbolismo, novamente, corresponde a afirmação “Busca transfigurar a condição humana, dando-lhe horizontes transcendentais”; contemporâneo a estilos literários voltados à denúncia social, o Simbolismo busca a mudança do estado em que a humanidade vivia, por intermédio de questões místicas. Resposta da questão 4: [E] O conceito de arte pela arte, ou seja, a valorização estética em detrimento do conteúdo, a preocupação formal e o resgate de temas da cultura greco-romana são características fundamentais do Parnasianismo, movimento literário do fim do século XIX. Resposta da questão 5: [C] Cruz e Sousa foi um grande poeta do século XIX, representante do movimento simbolista. Resposta da questão 6: [D] [A] Incorreto. O autor do trecho é o parnasiano Olavo Bilac. O preciosismo formal e linguístico indica a distância em relação à poesia simbolista. [B] Incorreto. O autor do trecho é o parnasiano Alberto de Oliveira. Ao contrário da poesia simbolista, a estrofe apresentada é nitidamente descritivista. [C] Incorreto. O autor do trecho é o parnasiano Alberto de Oliveira, novamente marcado pela objetividade em seu conteúdo. [D] Correto. O poema é de autoria de Cruz e Sousa. Vale ressaltar que é o único trecho em que estão presentes características simbolistas, como a preferência pelo vago (“sutis e suaves, mórbidos, radiantes...”), a musicalidade (“surdinas de órgãos flébeis, soluçantes...”), a religiosidade (“Visões, salmos e cânticos serenos”). [E] Incorreto. O autor do trecho é o parnasiano Alberto de Oliveira. Vale ressaltar o caráter descritivista do poema. Resposta da questão 7: [C] É correta a opção [C], pois o Parnasianismo surgido no Brasil na década de 80 do século XIX, impôs novos parâmetros e valores artísticos, propondo a restauração da poesia clássica, desprezada pelos românticos. Resposta da questão 8: [E] Ao contrário do que aconteceu na Europa, onde o Simbolismo contou com maior destaque em relação ao Parnasianismo, no Brasil o movimento ficou à sombra da poesia parnasiana, que ganhou a simpatia das camadas mais cultas do país. Respeitando uma das características principais do Simbolismo, os poetassimbolistas brasileiros usam frequentemente um estilo altamente sugestivo e metafórico com abundantes figuras sonoras, maiúsculas alegorizantes com a finalidade de absolutizar a palavra e ampliar a sua significação, produzindo imagens vagas, difusas, até mesmo sem nexo, mas que aos poucos vão sendo decodificadas, como forma de provocar sensações. Entre os simbolistas brasileiros, de que são expoentes máximos Cruz e Souza e Alphonsus de Guimaraens, Augusto dos Anjos apresenta dificuldade de classificação, já que que oscila entre o Simbolismo, Parnasianismo, Romantismo, Cientificismo, com antecipações até do Surrealismo. Assim, apenas é correta a opção [E]. Resposta da questão 9: [B] Verdadeira. O Parnasianismo parte da objetividade, em contraponto à subjetividade romântica. Falsa. O Parnasianismo é um movimento francês. Falsa. O Simbolismo afasta-se do Parnasianismo por, ao contrário deste, retomar a valorização da subjetividade em suas composições. Verdadeira. Apesar de preservar a preocupação estrutural, os simbolistas preocupavam-se com o conteúdo das composições, Página 10 de 11 defendendo a “arte da sugestão”. A Musicalidade é um de seus pilares: na incapacidade de transmitir o que deseja por meio de palavras, os simbolistas recorriam a elementos como rima, aliteração e assonância para tal fim. Falsa. Missal e Broquéis são obras de Cruz e Souza, poeta simbolista brasileiro. Resposta da questão 10: [C] [A] Incorreta. Elipse não é uma figura de linguagem exclusivamente simbolista. [B] Incorreta. Bucolismo é uma característica árcade. [C] Correta. O Simbolismo procura sugerir por meio de elementos além da significação das palavras, daí o uso abundante de Aliteração: a repetição de sons vocálicos ampliam a significação do poema. [D] Incorreta. Determinismo é uma característica realista- naturalista. [E] Incorreta. A ornamentação exagerada é característica barroca; além disso, as rimas empregadas não são exclusivamente ricas. Resposta da questão 11: [E] A linguagem simbolista caracteriza-se pela sugestão, musicalidade, uso de sinestesias, metáforas, preferência por vocabulário litúrgico, valorização de temas ligados aos mistérios da morte e dos sonhos e, no caso de Cruz e Sousa, autor do excerto apresentado em [E], a preferência pela cor branca, simbolizando pureza e espiritualidade. Embora use linguagem hermética, deduz-se que o eu lírico invoca as formas para que fecundem o mistério dos seus versos, ou seja, dirige-se a forças indefinidas, diáfanas e transcendentes para pedir-lhes inspiração para seus versos. Resposta da questão 12: [E] [A] Incorreta. O trecho faz menção ao Barroco. [B] Incorreta. O trecho faz menção ao Parnasianismo. [C] Incorreta. O trecho faz menção ao Realismo. [D] Incorreta. O trecho faz menção ao Arcadismo [E] Correta. O trecho expõe pilares do Simbolismo, conhecido como “Arte da Sugestão”, cujos textos estabelecem a Teoria das Correspondências, visando à transmutação da alma. Resposta da questão 13: [B] [A] Incorreta. Os autores citados fazem parte, ao menos cronologicamente, dos estilos realista e/ou naturalista. [B] Correta. O exagero com a pureza linguística é característica do movimento parnasiano, do qual Olavo Bilac e Coelho Neto são representantes; contemporâneo a eles, Rui Barbosa foi imortalizado como notável orador e estudioso da Língua Portuguesa. [C] Incorreta. Os autores citados são árcades. [D] Incorreta. Os autores citados são barrocos. [E] Incorreta. Os autores citados são românticos. Resposta da questão 14: [B] No poema de Bilac, o eu lírico exalta as belezas naturais do Brasil (“Olha que céu! Que mar! Que rios! Que floresta!”) e a capacidade produtiva da terra (“Boa terra! Jamais negou a quem trabalha/ O pão que mata a fome, o teto que agasalha”). Os versos “Quem com o seu suor a fecunda e umedece,/Vê pago o seu esforço, e é feliz, e enriquece!” expressam a opinião do poeta de que a exuberância da terra permitia por si só a prosperidade individual, independentemente de políticas do governo. Assim, é correta a opção [B]. Resposta da questão 15: a) O poema do parnasiano Raimundo Correia descreve o anoitecer: “Esbraseia o Ocidente na agonia/O sol”, “a lua/Surge trêmula, trêmula... Anoitece”. b) Em ordem direta, a primeira estrofe teria a seguinte configuração: O sol esbraseia o Ocidente na agonia, / Aves fogem em bandos destacados por céus de ouro e púrpura raiados / A pálpebra do dia fecha-se. Resposta da questão 16: [A] No soneto “Mal secreto”, de Raimundo Correia, o eu lírico expressa a sensação de que o comportamento social do indivíduo pode dissimular as agruras de uma vida penosa que não quer revelar a ninguém. Na última estrofe, os versos “Quanta gente que ri, talvez, consigo/guarda um atroz, recôndito inimigo” explicam que o indivíduo age muitas vezes de forma dissimulada para ser socialmente aceito, como se afirma em [A]. Resposta da questão 17: [B] A “atenuação da subjetividade e do sentimentalismo” está presente na alternativa [B], pois a estrofe assume um tom extremamente descritivo na forma como caracteriza o palácio. Enfatiza-se, assim, o caráter plástico e preciosista da poesia em detrimento da expressão de sentimentos e da pessoalidade. Resposta da questão 18: a) Correto. b) Correto. c) Incorreto. É incorreto o que se afirma em [C], pois os autores parnasianos tratavam os temas baseando-se na realidade, rejeitando a subjetividade e a emoção. Resposta da questão 19: [D] [A] Incorreta. O erro nesta alternativa não está na interpretação, mas nos versos em redondilha maior. O soneto foi composto em versos decassílabos. Página 11 de 11 [B] Incorreta. Não se pode afirmar que os versos indicam uma superação a um sofrimento propriamente dito, bem como não se trata de versos livres, mas sim de decassílabos. [C] Incorreta. Não há indicação de forte religiosidade nos versos simbolistas. Os versos do soneto são decassílabos, não livres. [D] Correta. A condição existencial do eu lírico é de intensa subjetividade e vem marcada por um sofrimento que busca evadir- se através de um apelo transcendente. Quanto à forma, trata-se de um soneto composto por versos decassílabos. [E] Incorreta. A interpretação está correta, os versos apresentam apelo à subjetividade e à espiritualidade, porém os versos não são dodecassílabos. Resposta da questão 20: 01 + 02 = 03. [04] O poema de Cruz e Sousa apresenta métrica regular: trata-se de um soneto composto em versos decassílabos. [08] A obra de Cruz e Sousa não obteve reconhecimento imediato; seus versos só foram valorizados pela crítica e pelo público leitor anos depois de sua morte. [16] A utilização de termos preciosos e de um vocabulário rico em palavras complexamente evocativas, tal como se percebe no poema “Beleza morta”, podem ser explicados pela busca dos simbolistas por uma linguagem que pudesse “sugerir” a realidade, em vez de uma linguagem direta e óbvia. Resposta da questão 21: [A] Trata-se de um soneto simbolista, cujas características são compatíveis com a obra de Cruz e Souza como um todo: são a da crítica dos excluídos, da dor de se viver em um mundo de indiferença, de injustiça e de miséria. No poema, o eu lírico lamenta o fim de uma existência que passou despercebida pela vida por conta de sua humilde condição social, a despeito do seu sofrimento e de suas privações. Resposta da questão 22: [B] O ideário Simbolista busca a sugestão inclusive por meio da sonoridade; para tanto, é constante o uso de assonâncias e aliterações, o que não é considerado um demérito do texto. Resposta da questão 23: [E] O poema de Cruz e Sousa pertence ao Simbolismo, movimento literário do fim do século XIX que buscava representar em versos uma visão subjetiva, simbólica e espiritual do mundo, adotando novas formas de expressão, traduzindoas impressões em símbolos sensoriais. No poema, a percepção se dá dos sons evocados pelas palavras, como em “anseio dos momentos mais saudosos”, em que o som sibilante do “s” se destaca. Resposta da questão 24: [E] A alternativa [E] é aquela que apresenta afirmação incorreta, pois, embora seja verdade que o subjetivismo e a temática da transcendência são características da poesia simbolista, é incorreto afirmar que são também características do Parnasianismo, já que este foi caracterizado por objetividade e maior preocupação com a estética e forma do poema.