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1 
162 
 
AULA 05 
 
 
 
 
 
Profe Ale Lopes 
AULA 06 
História do Brasil Colônia I 
UNICAMP 
Exasiu 
Exasiu 
EXTENSIVO 
estretegiavestibulares.com.br 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
2 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Sumário 
 
Introdução ....................................................................................................... 4 
1. A chegada dos Portugueses da América ..................................................... 4 
2. O sistema de exploração colonial na América Portuguesa ........................ 11 
2.1 - A expedição de Martin Afonso de Souza e o início da colonização ....................... 16 
3. Administração colonial .............................................................................. 20 
3.1 – Sistema de Capitanias Hereditárias ........................................................................ 20 
3.2 – Governo geral ......................................................................................................... 23 
4. Economia, trabalho e sociedade na colônia .............................................. 27 
4.1 – A implantação de uma cultura de exportação: a cana-de-açúcar .......................... 27 
4.2 – A civilização do açúcar: trabalho e sociedade ........................................................ 29 
4.2.1 – Conhecendo um engenho, suas edificações e as atividades de produção do açúcar ........ 30 
4.2.2 – Estrutura social açucareira ................................................................................................. 34 
5. A questão da escravidão ........................................................................... 36 
5.1- A Escravidão Africana............................................................................................... 39 
5.2 – Resistência Quilombola .......................................................................................... 47 
6. Índios, ou melhor, povos originários .......................................................... 53 
7. Açúcar: do esplendor à crise ..................................................................... 61 
7.1 – Explicando a crise do açúcar .................................................................................. 61 
7.1.1 – Mercado internacional do açúcar e de escravos ................................................................ 62 
7.1.2 – União Ibérica e invasão holandesa ..................................................................................... 63 
7.1.3 – Brasil Holandês .................................................................................................................. 64 
7.1.4 – Insurreição Pernambucana (1645-1654) ............................................................................. 66 
7.1.5 – As consequências para a economia colonial ...................................................................... 69 
8. Questões Essenciais – Unicamp ................................................................ 71 
9. Questões para Aprofundamento ............................................................... 76 
10. Questões para Consolidação ................................................................... 86 
11. Gabarito .................................................................................................. 96 
12. Questões Essenciais - Unicamp (comentários) ........................................ 97 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
3 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
13. Questões Aprofundamento - (comentários) ........................................ 108 
14. Questões para Consolidação (comentários) .......................................... 135 
15. Considerações Finais ............................................................................. 162 
 
Queridas e Queridos Alunos, 
Seja bem-vindo e bem-vinda a mais uma aula. É sempre um grande prazer compartilhar 
com vocês nosso trabalho e participar dessa caminhada até sua aprovação. É bom saber que você 
avançou mais uma aula! Isso é muito bom porque você está dominando cada dia mais nossa 
disciplina! 
Nesta aula começamos a estudar a experiência da dominação europeia no Brasil. 
Particularmente, gosto muito desse assunto porque começamos a organizar as peças do que 
chamamos de “nosso país”. Vamos escrever uma biografia brasileira – que vai demandar muito da 
nossa atenção. Os assuntos da aula são: a chegada dos Portugueses na América, a implantação 
do sistema colonial, economia e formas de trabalho, bem como, religião e educação na colônia. 
Esse é um assunto que não cai nas provas, DESPENCA!!! Fique 
muitooooo esperto e esperta, porque este é um assunto “clássico”, mas que 
sofreu muitas revisões históricas nos últimos tempos. 
Os assuntos da aula são: 
 a chegada dos Portugueses na América, 
 a implantação do sistema colonial, 
 administração colonial, 
 economia e formas de trabalho, 
 aspectos culturais. 
Não me canso de afirmar, para você toda questão de história é imperdível! Você precisa 
estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”. 
Vamos seguir juntos! 
Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah, 
não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!! 
 
 
 
 
XVI XVII
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
4 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
INTRODUÇÃO 
Queridas e queridos alunos, agora começamos a estudar a história brasileira. Como dizia 
“o poeta”, o Brasil não é para iniciantes. Ou seja, muito difícil de explicar, tem que ter certa 
desenvoltura e um pouco de conhecimento para entender esse jeito tão peculiar do “ser 
brasileiro”. Em suma é preciso muita articulação. E essa é minha proposta: desenvolver em você 
a capacidade de explicar esse país tão bem que o corretor da segunda fase vai pensar estar de 
frente a um manuscrito de José Murilo de Carvalho, Sérgio Buarque de Holanda ou o próprio 
Gilberto Freire! 
Comecemos pensando na experiência da ocupação portuguesa nesse território e o primeiro 
grande produto de exportação explorado nessas terras: o açúcar. 
Há quem diga que o açúcar não foi um mero produto que enriqueceu portugueses e 
colonos. Foi um verdadeiro produtor de códigos, costumes e hábitos, como diriam as professoras 
Lilia Schwarcz e Heloísa Starling no livro Brasil: uma Biografia. Assim, estamos diante do estudo 
sobre a “civilização do açúcar”. 
Ah sim, lembre-se da chegada dos europeus na América! Você já sabe muita coisa, pois já 
estudou a experiência da colonização espanhola na aula anterior. Use todo esse seu conhecimento 
prévio para compreender semelhanças e diferenças com a experiência portuguesa no Brasil., OK? 
1. A CHEGADA DOS PORTUGUESES DA AMÉRICA 
Você já sabe que o impulso do expansionismo marítimo-comercial de Portugal tem um 
fundamento comercial, militar e religioso. Conquistar novas almas e novas rotas até a fonte das 
especiarias são as explicações para o impulso do pioneirismo português. Se lembrarmos da aula 
passada, vamos concluir que Portugal levou quase 1 século entre conquistar Ceuta (norte da 
África), em 1415, e chegar à Índia (Calicute, na época), em 1498, contornando o Périplo Africano. 
Esse período foi marcado por um longo processo de tentativas e erros. Muito lucro, mas, muito 
prejuízo com os naufrágios. De toda forma, possibilitou o desenvolvimento tecnológico e científico 
da “ciência de navegar”. 
A viagem para a América, mais especificamente a expedição comandada por Dom Pedro 
Álvares Cabral, mesmo com tanta experimentação, foi recheada de imagens místicas com peixes-
monstros, sereias, cachoeiras infinitas no horizonte. Uma mitologia, é verdade, corroborada por 
dados da realidade, como: 
• Entre 1497 e 1612, 620 navios largaram do rio Tejo. 
• Desses 285 ficaram no Oriente, ou seja, NUNCA retornaram. 
• 66 naufragaram. 
• 22 arribaram (viraram a proa para cima). 
• 6incendiaram. 
• 4 foram sequestrados por piratas inimigos. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
5 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Meu deus, Profe, que cenário de purgatório!!!! 
É, Bixo, encontrar uma sereia era lucro, nesse cenário!!!! Aliás, a obra Os Lusíadas, de Luís Vaz 
de Camões, faz referência direta aos desafios dos portugueses no mar. Se tiver um tempinho dá 
uma conferida na parte do Gigante Adamastor. 
Assim, para os portugueses, a América era um “Novo Mundo”. Embora já conhecido – 
afinal, não se acredita mais na tese do descobrimento por acaso –, o território não era 
efetivamente sabido. Segundo as professoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, não visão dos 
brancos europeus, era novo porque 
# ausente dos mapas europeus; 
# novo, porque repleto de animais e plantas desconhecidos; 
# novo, porque povoado por homens estranhos, que praticavam a poligamia, andavam nus e 
tinham por costume fazer a guerra e comer uns aos outros. 
E em 22 de abril, a armada de Cabral avistou um grande monte, o Monte Pascoal (hoje, 
Parque Nacional do Monte Pascoal, a 62 km de Porto Seguro). A reação foi de espanto, encanto 
e “vontade de tomar posse”, segundo o que determinava o Tratado de Tordesilhas. Lembra dele? 
Essa posse precisava ser registrada e, para tal intento, estava presente o experiente 
escrivão Pero Vaz de Caminha – que escreveu a carta que serve, para Portugal, como um “atestado 
de nascimento” do Brasil. Caminha escreveu uma longa, deslumbrada e exultante descrição da 
“terra nova”. 
Assim, a descrição do “Novo Mundo” foi recheada de mitos. Mitos não apenas sobre 
monstros ou seres “de outra humanidade”, mas sobre a própria chegada dos portugueses à 
América e sobre o processo de conquista das terras brasileiras. Com certeza, a Carta de Caminha 
ao Rei Dom Manuel alimentou 2 mitos: 
 
 
MITO 1-
Encontro 
Pacífico 
entre Índios 
e 
Portugueses
MITO 2-
Índio como 
o Bom 
Selvagem
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
6 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
O Mito 1 contribuiu para criar a ideia de que o encontro entre portugueses e indígenas foi 
amigável e, portanto, a conquista foi pacífica – diferentemente da violência perpetrada pelos 
espanhóis na Mesoamérica e nos Andes e, até mesmo, diferentemente da violência que ocorria 
na Europa, contra os mulçumanos, por exemplo. Um encontro, quase como um evento ecumênico 
de união de todos. 
O Mito 2 alimentou a ideia de que o índio brasileiro era selvagem, mas inocente, portanto, 
um bom selvagem. Pacífico e amigável seria o ser a espera da conversão ao cristianismo. Esse 
mito, justificava a necessidade de catequização e legitimava o trabalho dos jesuítas que para cá 
vieram, a partir da década de 1530. Leia alguns trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha, com 
atenção para os grifos. Reflita sobre como o texto alimenta os dois mitos. 
 
1 “Dali avistamos homens que andavam pela 
praia, obra de sete ou oito, segundo disseram 
os navios pequenos, por chegarem primeiro 
(..)Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma 
que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos 
traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o 
bater; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E 
eles os pousaram. [...] 
Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos 
direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o 
rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nós 
puséssemos todos em joelhos e a beijássemos para eles verem o 
acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou 
doze que aí estavam acenaram-lhe que fizessem assim, e foram 
logo todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se 
homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque 
eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma 
crença. [...] 
Domingo, 26 de abril: Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir 
missa e pregação naquele ilhéu. (...) E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo 
padre Frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela voz pelos outros padres e sacerdotes, 
que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e 
devoção. (..) Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos 
lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao 
fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da 
Cruz, sob cuja obediência viemos. O que foi muito a propósito e fez muita devoção. 
 
1 Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854–1916). História do Brasil (v.1), Rio de Janeiro: Bloch, 
1980 
Pero Vaz de Caminha lê para o comandante Pedro 
Álvares Cabral, o Frei Henrique de Coimbra e o Mestre 
João a carta que será enviada ao Rei Dom Manuel I 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
7 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Entre todos estes que hoje vieram, não veio mais que uma mulher moça, a qual esteve sempre à 
missa e a quem deram um pano com que se cobrisse. Puseram-lho a redor de si. Porém, ao 
assentar, não fazia grande memória de o estender bem, para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência 
desta gente é tal que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha. Ora veja Vossa Alteza se 
quem em tal inocência vive se converterá ou não, ensinando-lhes o que pertence à sua salvação. 
[...] 
"Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem 
lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre-
Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são 
muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por 
causa das águas que tem! 
Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve 
ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter 
Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição 
para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa 
fé.” 
 
Mas, Profe, por que Mito? Mito não é uma coisa boa? 
Porque, caríssimo aluno e aluna, se a narrativa construída foi a de um encontro pacífico 
entre índios e portugueses, a realidade mostrou o oposto: conquista e genocídio. Por isso, temos 
um Mito, a história contata pelos vencedores não foi a que de fato ocorreu. A narrativa construída 
pelos conquistadores adquiriu caráter simbólico, independente da realidade, embora baseada 
nela. 
Vejamos uma informação importante sobre a ideia de “índio”2 que confronta a narrativa 
mitológica, conforme o antropólogo e professor do Museu Nacional da UFRJ, Eduardo Viveiros 
de Castro3: 
 Devemos começar então por distinguir as palavras “índio” e “indígena”, que muitos 
talvez pensem ser sinônimos, ou que “índio” seja só uma forma abreviada de “indígena
”. Mas não é. Todos os índios no Brasil são indígenas, mas nem todos os indígenas que 
vivem no Brasil são índios. 
 
2 “A palavra indígena vem do latim indigĕna,ae “natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra 
que lhe e própria”, derivação do latim indu arcaico (como endo) > latim classico in- “movimento para 
dentro, de dentro” + -gena derivação do radical do verbo latino gigno, is, genŭi, genĭtum, gignĕre, 
“gerar”; Significa “relativo a ou população autoctone de um pais ou que neste se estabeleceu 
anteriormente a um processo colonizador” ...; por extensão de sentido (uso informal), [significa] “que 
ou o que e originário do pais, região ou localidade em que se encontra; nativo”. (Dicionário Eletrônico 
Houaiss). 
3 CASTRO, Eduardo Viveiros de. Os Involuntários da Pátria. ARACÊ – Direitos Humanos em Revista. 
Ano 4, Número 5, fevereiro/2017, pp. 187-193. 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
8 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Índiossão os membros de povos e comunidades que tem consciência —seja porque nunca a 
perderam, seja porque a recobraram — de sua relação histórica com os indígenas que viviam 
nesta terra antes da chegada dos europeus. Foram chamados de “índios” por conta do 
famoso equívoco dos invasores que, ao aportarem na América, pensavam ter chegado na 
Índia. “Indígena”, por outro lado, é uma palavra muito antiga, sem nada de “indiana” 
nela; significa “gerado dentro da terra que lhe e própria, originário da terra em que vive”. 
Há povos indígenas no Brasil, na África, na Ásia, na Oceania, e até mesmo na Europa. O 
antônimo de “indígena” e “alienígena”, ao passo que o antônimo de índio, no Brasil, e 
“branco”, ou melhor, as muitas palavras das mais de 250 línguas índias faladas dentro do 
território brasileiro que se costumam traduzir em português por “branco”, mas que se 
referem a todas aquelas pessoas e instituições que não são índias. Essas palavras indígenas 
tem vários significados descritivos, mas um dos mais comuns e “inimigo”, como no caso 
do yanomami nape, do kayapo kuben ou do arawete awin. Ainda que os conceitos índios 
sobre a inimizade, ou condição de inimigo, sejam bastante diferentes dos nossos, nao custa 
registrar que a palavra mais próxima que temos para traduzir diretamente essas palavras 
indígenas seja “inimigo. Durmamos com essa. (...) 
Quando perguntaram ao escritor Daniel Munduruku se ele “enquanto índio etc.”, ele 
cortou no ato: “não sou índio; sou Munduruku”. Mas ser Munduruku significa saber que 
existem Kayabi, Kayapo, Matis, Guarani, Tupinamba, e que esses não são Munduruku, mas 
tampouco são Brancos. Quem inventou os “índios” como categoria genérica foram os 
grandes especialistas na generalidade, os Brancos, ou por outra, o Estado branco, colonial, 
imperial, republicano. 
 
Apesar da chegada a uma terra com muitas riquezas naturais, como afirmou Caminha, 
Portugal não alterou seu plano principal: dominar e monopolizar as rotas das especiarias para o 
Oriente. Tanto que Pedro Álvares Cabral seguiu com sua esquadra em direção à Índia. Até mesmo 
porque, por essas terras dos índios brasileiros, não se encontraram ouro e prata logo no início da 
conquista, como nas colônias espanholas. Assim, a área reservada pelo acordo bilateral de 
Tordesilhas ficou para o futuro! 
Mas qual futuro, Profe? Eles não colonizaram o Brasil logo “de cara”? 
 
 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
9 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
(UFU/2016) 
Eles não tinham deixado a Inglaterra para escapar a toda forma de governo, mas para trocar 
o que acreditavam ser um mau governo por um bom, ou seja, formado livremente por eles 
mesmos. Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia 
se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar 
ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos, ela apenas permitia ao 
indivíduo escolher o Estado que deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria louvar a Deus. 
[...] 
CRÉTÉ, Liliane. As raízes puritanas. Disponível em: 
<http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/as_raizes_puritanas.html.> Acesso em: 
28 de janeiro de 2016 (Adaptado). 
A historiografia sobre a colonização da América costuma realçar as peculiaridades da 
colonização britânica nas colônias do Norte. As diferenças, entretanto, em relação às 
colonizações portuguesa e inglesa não são absolutas, pois 
a) ambos os modelos de colonização eram predominantemente mercantis, ainda que a 
agricultura de subsistência fosse mais presente na colonização portuguesa. 
b) tanto os colonos ingleses quanto os portugueses eram profundamente marcados pelas 
disputas entre as potências europeias, sendo que os portugueses eram aliados 
preferenciais da França. 
c) em ambas as modalidades de colonização, a administração colonial era formalmente 
descentralizada, havendo espaço para uma expressiva margem de autonomia 
dos colonos. 
d) o sentido de missão religiosa estava presente nas duas modalidades de colonização, 
refletindo a ainda forte presença do misticismo no mundo europeu. 
Comentários 
Trouxe essa questão para você ficar atento para tipos de questões comparativas. Nesse caso, 
a questão estabelece comparações entre a colonização inglesa – influenciada pelos puritanos 
- e portuguesa, influenciada pelos católicos. Apesar de algumas diferenças entre elas, 
podemos afirmar ambas estavam vinculadas a uma natureza religiosa. Repara que o texto do 
enunciado da questão faz referência aos puritanos quando afirma: “Tanto no plano político 
como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. 
Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de 
obedecer aos desígnios divinos (...)”. Aqui fica evidente a presença religiosa no espírito 
colonizador. Da mesma forma, como temos visto, desde a saída ultramarina, os católicos 
portugueses faziam uma forte relação entre as investidas colonizadoras e o catolicismo. Basta 
ficarmos atentos para a visão que estabeleceram sobre os índios. 
Gabarito: D 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
10 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
(UNICAMP/2011) 
Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os 
indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar 
de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer 
acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que 
havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e 
novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por 
aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer 
que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de 
dar-lhe!” 
(Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; 
Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) 
Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas 
indígena e europeia foi 
a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações 
comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, 
voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. 
b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por 
meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura 
dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. 
c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na 
exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos 
povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. 
d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas 
indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à 
busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. 
Comentários 
O direcionamento das expedições marítimas dos portugueses às Américas tinha um interesse 
comercial. Os europeus, em geral, e os portugueses em específico vieram até o “Novo 
Mundo” em busca de riquezas. Essa intenção está claramente explícita na carta de Pero Vaz 
quando ele faz referência ao ouro e interpreta a ação dos índios aos olhos do conquistador: 
“como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim 
o desejarmos! “. Nesse sentido, a consequência da finalidade dos portugueses (a riqueza) 
para os índios foi a violência, nas mais diversas formas. A alternativa que sintetiza essa 
compreensão histórica é a B. 
A alternativa A transmite a noção de amistosidade entre as partes, índios e portugueses. A 
C insiste na compreensão romântica de que os índios seriam seresdoces. Além disso, a C 
erra ao afirmar que a base do sistema colonial foi a escravização dos povos nativos. De fato, 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
11 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
os índios foram escravizados, mas a base do sistema colonial, em termos de mão de obra, foi 
a escravidão dos negros africanos. 
Por fim, a D exagera por colocar a industrialização em um momento em que ela ainda não 
existia, por isso, é uma alternativa “anacrônica” (fora do tempo/contexto). 
Gabarito: B 
2. O SISTEMA DE EXPLORAÇÃO COLONIAL NA AMÉRICA 
PORTUGUESA 
A implantação do sistema colonial de exploração por parte de Portugal foi um processo 
bastante diferente em relação ao da Espanha. Houve 2 momentos desse processo marcados por 
interesses distintos de Portugal em relação à terra “descoberta” por Cabral. Além disso, os 
modelos de implantação do sistema de exploração colonial também se diferenciaram. Observe o 
esquema: 
 
Apesar de, em 1500, os interesses da Coroa Lusa estarem voltados para a rota das 
especiarias, nos primeiros anos após a vinda de Cabral o governo português enviou algumas 
expedições de reconhecimento para vasculhar o território e garantir sua posse. O objetivo 
principal era saber se aqui poderia se obter metais preciosos. 
Mas a riqueza do “Novo Mundo” não era dourada e prateada, era vermelha de pau-brasil, 
era verde de florestas, era translucida de uma água que não se via na Europa, era de gente e de 
terra que tinham quase a mesma cor. Nossa riqueza era outra. 
É importante ressaltar que nessas expedições de reconhecimento, também chamadas por 
alguns historiadores de expedições pré-colonizadoras, houve um trabalho de nomear as coisas 
encontradas, as localidades, os acidentes geográficos, os rios e até as pessoas que aqui viviam. 
Foram 3 as expedições: 
colonização 
portuguesa
1o. Momento:
1501-1530
sem sistema de 
colonização -
predomiou atividade 
de reconhecimento e 
extrativismo
Contrato de 
concessão para 
exploração 
extrativista
2o. Momento:
pós- 1530 
Sistema 
descentralizado de 
colonização
Capitanias 
Hereditárias
Sistema centralizado 
de colonização (a 
partir de 1572)
Governo-Geral
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
12 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
 
Dessas expedições, o que se encontrou para explorar imediatamente foi o pau-brasil. Veja 
no mapa a seguir a área de ocorrência da árvore. 
 
4 
Assim, entre 1501 e 1530, o que se verificou foi uma fase 
de economia extrativista. Não houve um planejamento 
centralizado ou algo do tipo. Mesmo assim a exploração era 
monopólio da Coroa Portuguesa, que permitia a exploração 
particular por meio de contrato de concessão. A atividade 
extrativista de pau-brasil foi realizada com mão de obra 
indígena à base de escambo (troca de utensílios europeus, 
como machado, facas, por trabalho). 
Contudo, é importante ressaltar que os contratos de 
concessão emitidos pela Coroa privilegiavam exploradores 
portugueses. Tratava-se de uma forma de protecionismo. O 
principal explorador foi Fernando de Noronha. 
Outra característica fundamental sobre a colonização 
portuguesa era a ideia de exclusivo metropolitano: toda 
negociação, acordo, comércio, troca que envolvesse a 
colônia portuguesa deveria ser decidida exclusivamente pela 
metrópole. Dessa compreensão decorrerão várias formas 
distintas de relação exclusiva entre a metrópole e colônia. 
Pode ser que você já tenha ouvido a expressão “Pacto 
Colonial” para esta explicação. Está certo também! 
Contudo, não foram apenas comerciantes portugueses que se interessaram pelo produto 
“cor de brasa”. Franceses, ingleses, holandeses e até espanhóis, também manifestaram desejo 
pela riqueza. A monarquia mais ousada foi a da França, pois apoiou corsários franceses a fazerem 
 
4 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ 
Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 06. 
1501 - Expedição 
Gaspar de Lemos 
• Expdição de 
nomeação das ilhas, 
cabos, rios e bais do 
litoral brasileiro
1503 - Expedição 
Gonçalo Coelho
• Pareceria entre reis 
e comerciantes para 
a exploração do pau-
brasil. Um desses 
comerciantes era 
Fernão de Noronha.
1516 e 1520 
Expedição Cristóvão 
Facques
• Organizada para 
deter o contrabando 
de pau-brasil por 
franceses. Não foram 
bem sucedidas
A área verde no mapa representa a localização pau-
brasil, no litoral brasileiro, na época da colonização. 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
13 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
alianças com o povo Tupinambás para explorar o pau-brasil. É do Rei francês Francisco I a famosa 
frase: 
 
Francisco I. Jean Clouet. Óleo sobre tela, 1530. Museu do Louvre, França. 
Como nos informa as professoras Lilia e Heloísa, a madeira do pau-brasil era considerada 
uma especiaria no Oriente. A resina dessa árvore era utilizada para tingir tecidos e a madeira para 
fazer móveis finos e embarcações. Nas terras dos índios tupi, o pau-brasil era conhecido como 
“ibirapitanga” – que significa “pau-vermelho”. Os europeus, ao latinizarem a palavra, chamaram-
no de brecilis, bersil, brezil, brasil, brasily, paralavras que significavam: cor de brasa ou vermelho. 
Assim, desde 1512, quando o pau-brasil entrou definitivamente no mercado internacional, 
a colônia portuguesa passou a ser designada por Brasil.Com efeito, meus caros e caras, o Brasil 
nasceu – para o comércio mundial – vermelho!! 
Os indígenas cortavam as árvores e as levavam até os navios portugueses ancorados à 
beira-mar, e em troca obtinham facas, canivetes, espelhos, pedaços de tecidos e outras 
quinquilharias. Em 1511 dá-se a primeira exportação do pau-brasil para Portugal na 
nave Bretoa, que saiu da Bahia com destino à Lisboa. E lá se foram 5 mil toras de 
madeira, macacos, saguis, gatos, muitos papagaios e quarenta indígenas que atiçaram 
a curiosidade europeia5. 
Mas o cenário internacional obrigava Portugal a se posicionar mais seriamente em relação 
ao Brasil, a fim de garantir a posse da parte do mundo que lhe cabia, segundo o Tratado de 
Tordesilhas. Observe os elementos do cenário internacional que pressionavam a Coroa 
Portuguesa a agir: 
 
5 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das 
Letras, 2018, p. 32 
 
“Quero ver a 
cláusula do testamento de 
Adão que dividiu o mundo 
entre Portugal e Espanha e 
me excluiu da partilha!! 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
14 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
 
Para Portugal era 
urgente estabelecer a colônia 
e implementar o sistema de 
exploração comercial. Por isso, 
em 1530 começou uma nova 
fase de relação entre 
Metrópole e Colônia. Dessa 
forma, a partir de agora, 
estudaremos os aspectos 
econômicos, políticos e sociais 
da colonização portuguesa na 
América. Esse é o momento 
mais longo, porque vai até a 
Independência Política, em 
1822. Porém, nesta aula não 
vamos tão longe, nosso bonde 
vai até a estação do ciclo da 
cana de açúcar. 
Muita gente não gosta 
desse longo período. Ocorre que despenca nos vestibulares, cara. E você é Coruja!! Então, vamos 
com coragem e cabeça erguida. Não sai do foco. Nada de whats, porque enquanto você vê uma 
mensagenzinha, alguém acerta uma questãozinha. Bora, Bixo!! Vejamos! Ah sim, antes uma 
questão sobre o que vimos até agora: 
 
(UNICAMP/2013) 
“Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa 
junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores 
e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o 
sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas 
ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” 
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em 
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.)Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, 
Profe Alê Lopes 
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15 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo 
religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. 
b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar 
a circulação do ouro entre as minas e os portos. 
c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos 
portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. 
d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas 
por Pero Vaz de Caminha, em 1500 
Comentários 
De acordo com o documento do cronista Pero de Gandavo, os indígenas fugiam para o 
interior (sertão) como forma de resistência à presença portuguesa. Desde o início do período 
colonial, vários grupos se opuseram aos lusos, ocasionando diversos conflitos entre nativos e 
europeus. Dessa forma, fugir para o “interior” dificultava a ação dos portugueses. Por isso, o 
gabarito é a alternativa C. 
A alternativa A pode pegar os mais desatentos, pois, ao longo da colonização, de fato, as 
missões jesuíticas levaram a sincretismos religiosos. Porém, não dá para afirmar 
categoricamente que os conflitos foram solucionados. Além disso, repare que o texto da 
questão foi escrito por volta de 1570, ou seja, antes da instalação da proliferação dos 
trabalhos das missões. 
A B está errada porque o trecho final desloca o ciclo da mineração para um contexto em que 
ele ainda não existia. 
Já a D, contraria o que Caminha escreveu em sua carta. 
Por fim, interessante perceber que o texto também mostra que, em muitos casos, algumas 
sociedades indígenas também estabeleciam sistemas de alianças com os portugueses. 
Gabarito: C 
Profe Alê Lopes 
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16 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
2.1 - A EXPEDIÇÃO DE MARTIN AFONSO DE SOUZA E O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO 
6 
Em 1530, a Coroa Lusa organizou a 1ª. 
Expedição Colonizadora comandada por Martin 
Afonso de Sá. os historiadores consideram que, 
com essa expedição, iniciou-se o 2º momento da 
colonização, ou a colonização propriamente dita. 
Os objetivos estabelecidos para o explorador 
foram: 
 Iniciar a ocupação da terra portuguesa: 
povoar e explorar; 
 Combater os corsários estrangeiros; 
 Procurar metais preciosos; 
 Sistematizar o reconhecimento do 
litoral para implementar a produção de 
cana-de-açúcar. 
Note que entre os objetivos da expedição 
colonial, 2 são de natureza econômica: procurar 
metais preciosos e encontrar o melhor lugar para 
o cultivo de cana de açúcar. Assim, podemos 
afirmar que o sentido econômico da colonização 
era encontrar uma atividade que compensasse o esforço colonizador, leia-se, o investimento. 
Além disso, gerar muita riqueza e superlucros para a metrópole e suas elites. Afinal, a lógica era 
mercantilista, né gente? 
O economista e historiador Caio Prado Jr., em seu livro Formação do Brasil contemporâneo, 
advoga a tese de que o sentido econômico do projeto colonial esteve voltado para abastecer o 
mercado exterior e, assim, transferir os dividendos desse comércio para os países colonizadores: 
No seu conjunto a colonização dos trópicos toma o aspecto e uma vasta empresa 
colonial destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito 
do comércio europeu, é este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o 
Brasil é uma das resultantes[...]. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura bem como 
as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; 
 
6 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ 
Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 08. 
Ex
pe
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Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
17 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
inverterá seus cabedais e recrutará mão de obra que precisa: indígenas ou negros 
importados7. 
Perceba, portanto, que o objetivo do Rei de Portugal ao estabelecer metas para Martin 
Afonso não foi desenvolver a colônia em si, mas descobrir uma atividade que pudesse pagar os 
investimentos desse empreendimento bem como gerar superlucros. 
É evidente, como veremos, que outras atividades econômicas acabaram criando uma 
economia colonial própria, cujos lucros permaneciam na própria colônia e que, dessa forma, 
possibilitavam o surgimento de grupos e interesses distintos daqueles da metrópole portuguesa. 
Mesmo assim, isso não inverteu o sentido inicial da colonização e tão pouco o objetivo da 
Metrópole colonizadora. Sacou? 
 
Sobre a formação do Brasil 
O pensador Caio Prado Junior tem por objetivo analisar a evolução do Brasil. Para 
tanto, ele encontra o sentido geral desse processo no evento que marca a formação 
do Brasil como país: a colonização. Leia um trechinho do que ele escreve: 
“Se vamos a essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para 
fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamantes; depois, algodão e, 
em seguida, café para o comércio europeu. Nada mais que isso. É com tal objetivo, objetivo 
exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse 
daquele comércio, que se organizavam a sociedade e a economia brasileiras [...]. Este início cujo 
caráter se manterá dominante através dos três séculos (...) se agravará profunda e totalmente nas 
feições e na vida do país. Haverá resultantes secundárias que tendem para algo de mais elevado; 
mas elas ainda mal se fazem notar. O “sentido da evolução” brasileira que é o que estamos aqui 
indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização. Tê-lo em vista é compreender 
o essencial deste quadro que se apresenta em princípios do século passado, e que passo agora a 
analisar.”8 
Nesse sentido, para Caio Prado, a colonização gerou uma marca, uma cicatriz, algo do qual não 
podemos nos livrar – apesar e independente dos caminhos que percorremos como nação. Em 
Ciência Política, chamamos isso de path dependency, trajetória dependente. Segundo esse 
conceito, cada passo dado é necessário para entender o seguinte e, além disso, cada passo dado 
define, em grande medida, qual será e como será o próximo. Mudar o rumo completamente tem 
um custo muito grande. Sacou? 
Assim, essa perspectiva coloca para nós uma pergunta: como nosso processo de colonização pode 
explicar o Brasil de hoje? Guarda a pergunta e vamos para o conteúdo, quem sabe você não se 
anima a responder ao final dos nossos estudos sobre Colônia! 
 
7 PRADO JR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1979, p. 31-32. 
8 PRADO JR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1979, p. 31-32. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Caros, essa discussão sobre o sentido da colonização –– deu margem para a definição de 2 
tipos de colonização: a de exploração e a de povoamento. Vejamos: 
Colônia de Exploração: voltada para produção de mercadorias 
típicas de exportação. MONOCULTURA. Foco: Mercado externo. 
Assim, predomínio da grande propriedade rural: LATIFÚNDIO! 
Colônia de povoamento é o exato oposto da colônia de exploração: 
produção voltada para o mercado interno. PLURICULTURA. Assim, 
predomínio da pequena propriedade familiar. 
Contudo, hoje em dia não usamos mais essas definições, de maneira 
compartimentada. Se porventura aparecer na sua prova, 
contextualize-a! 
Mas por que, Profe Alê? Qual o problema? 
Não usamos porque as pesquisas na área da História e da Economia desenvolveram outras 
interpretações. Por exemplo, sabemos que nas colônias espanhola e portuguesa na América houve 
exploração e povoamento ao mesmo tempo. Como seria possível explorarsem povoar? 
Na América Latina (antes tida como modelo de colônia de exploração), por exemplo, foi 
preciso instalar uma forte e extensa burocracia estatal para garantir a implantação e execução dos 
interesses da coroa e dos setores mercantis europeus. A vinda dos jesuítas para colonizar os povos 
originários também se tratou de povoamento. 
Além disso, a despeito de ter se formado no Brasil uma estrutura agrária monocultora e 
latifundiária voltada para exportação (plantation), houve também agricultura, pecuária e comércio 
locais. Em diferentes áreas do território brasileiro se desenvolveram propriedades familiares. Veja 
o que nos dizem as professoras Lilia e Heloísa sobre o assunto: 
Passados os primeiros tempos das notícias desencontradas e de tantos boatos, foi 
preciso garantir o achado e impedir os ataques estrangeiros. Tinha-se que povoar e 
colonizar a terra, mas também encontrar algum tipo de estímulo econômico. [...] Como 
se pode notar, a ideia era obter lucro com a nova terra, antes que ela se transformasse 
num problema. E era esse o “sentido da colonização”: povoar, mas sempre pensando 
no bem da metrópole.9 (grifos nossos) 
 
Percebe que, nessa interpretação, povoar e explorar são dois lados da mesma moeda? Por esse 
motivo, combinado com as ações sobre os índios (o que ainda veremos), parte da historiografia 
também usa a expressão “conquista”. 
 
9 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das 
Letras, 2018, p. 
Profe Alê Lopes 
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19 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Outro exemplo, nos EUA (tido anteriormente como modelo de colônia de povoamento), 
houve povoamento e exploração. Todo o sul dos EUA estava organizado por meio de grandes 
propriedades territoriais, monocultoras, voltadas para o mercado externo e usando mão de obra 
escrava negra. O povoamento não se deu por meio da implantação da burocracia metropolitana, 
mas por meio de famílias que vieram em um empreendimento mais particular. 
 
 
CONCLUSÃO: não dá para usar de maneira separada o que foi 
povoamento e o que foi exploração. No final, o que diferenciou EUA e 
América Latina estava baseado em outros elementos: 
 
Empreendimento Estatal (América Latina) OU particular (EUA); 
Financiamento Estatal em aliança com os setores mercantis (América Latina) OU 
particular/familiar (EUA); 
Cosmologia religiosa católica – uma cruzada para IMPOR o catolicismo (América 
Latina) OU Cosmologia protestante – liberdade religiosa (EUA). 
Portanto, a exploração do Brasil, ou conquista, foi um projeto da Coroa Portuguesa para 
garantir os superlucros, expandir a fé católica, repelir outros conquistadores (franceses, 
holandeses) e melhor disputar a hegemonia marítima do Atlântico. Povoar a terra era um meio 
necessário para garantir tudo isso. 
Para atingir esses objetivos, a Coroa precisou estabelecer um sistema político de 
administração e organização colonial. Nesse sentido, a partir de 1530, predominaram 2 tipos, 
como vimos no esquema do início da aula: Capitanias Hereditárias e Governo-Geral. 
 
 
Essas estruturas política-organizativas foram completares e criaram um cenário 
favorável ao desenvolvimento de formas específicas de relação de poder e o 
desenvolvimento de estruturas sociais correspondentes. 
 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
3. ADMINISTRAÇÃO COLONIAL 
Se em 1530, o governo português mandou o expedicionário Martin Afonso de Souza iniciar 
a ocupação da terra portuguesa, combater os corsários estrangeiros, procurar metais preciosos e 
sistematizar o reconhecimento do litoral para implementar a produção de cana-de-açúcar, 
tornava-se necessário, também, elaborar uma forma de administrar essas ações. Concorda? 
Contudo, os dados historiográficos afirmam que a Coroa Portuguesa não contava com 
tantos recursos acumulados para investir diretamente na colonização do Brasil. Assim, precisou 
contar com recursos privados. 
Para tanto, a solução encontrada foi doar terras – as sesmarias- em troca da exploração 
dessas terras, de modo que parte das riquezas geradas fossem destinadas ao rei (via impostos). 
Tratava-se de um sistema descentralizado de administração colonial. 
 
 
Sesmaria era um pedaço de terra distribuído a um beneficiário próximo à Coroa 
com o objetivo de cultivar as terras conquistadas. O ato da doação poderia ser 
feito pelo capitão donatário. 
 
A origem dessa prática de sesmaria remonta ao período final da Idade Média e às práticas 
de suserania e vassalagem. A distribuição de sesmaria não garantia a propriedade, mas o usufruto. 
A concessão de sesmarias foi extinta apenas em 1822, sendo a origem dos grandes latifúndios no 
Brasil. 
3.1 – SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS 
Então, em 1534, o rei Dom João III ordenou a divisão do território em 15 partes e as 
distribuísse a pessoas nomeadas por ele, os donatários. Iniciava-se, assim, o sistema de capitanias 
hereditárias. 
 Observe a imagem a seguir. Sei que você já deve ter isso tatuado na mente, mesmo assim, 
observe as relações que construí. Fica safo! 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 
 
# Criação de Vilas e Câmaras Municipais que era onde os “homens-bons exerciam o poder 
local. 
# As despesas necessárias à obra colonizadora corriam por conta e risco do donatário! 
 
Profe, isso era uma pegadinha, não era? O cara tinha que investir em tudo, corria todos os riscos, 
ficava só com 5% da exploração do pau-brasil e inda tinha que garantir o lucro do rei? Gente, o 
Brasil era pior que o Brasil!!! 
Brincadeiras à parte, galera, parecia piada mesmo. Por isso, o sistema de capitanias não foi 
tão bem-sucedido, se analisado do ponto de vista econômico e das pretensões da Coroa 
Portuguesa. Apenas duas capitanias deram certo – e por um tempo: São Vicente e Pernambuco 
(mais à frente vamos voltar a falar dessas duas capitânias, segura aí!). 
Na verdade, nem todos que receberam do rei a carta de doação das capitânias seguiram 
adiante. Alguns nem sequer vieram à Colônia tomar posse. Daqueles que vieram, foram muitos os 
obstáculos que precisaram enfrentar. Listemos alguns: 
Direitos
Distribuir terras: 
sesmarias.
Criar Vilas
Exercer autoridade 
administrativa e 
judicial
Escravizar indígenas 
considerados 
inimigos (guerra 
justa)
Receber 5% do 
comércio do pau-
brasil
Deveres:
Assegurar ao 
Rei de Portugal
10% dos lucros sobre 
TODOS os produtos 
da terra
O monopólio da 
extração do pau-
brasil
Carta de doação: O 
donatário tinha a posse da 
Capitânia, mas apenas 
uma parte (pequena, nos 
limites da sua casa) 
tornava-se sua 
propriedade. 
Carta Foral: 
Era o documento que 
determinava esses direitos 
e deveres do donatário! 
Profe Alê Lopes 
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23 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
 
 Isolamento das capitanias, uma sem relação com as outras. As distâncias eram enormes, 
por isso, a comunicação e a circulação também eram difíceis. Esse isolamento fazia com 
que as soluções para as dificuldades tivessem que ser sempre conseguidas “dentro” da 
capitânia. Mas essa terra não era um vazio, né? 
 
 Revolta e ataques dos povos indígenas. Como as capitanias, na prática, eram uma 
expropriação do território indígena é evidente que muitos povos resistiram a essa ocupação 
(ou invasão) e causaram verdadeiras guerras contra os colonizadores. 
 
 Dificuldades para desenvolver a lavoura, afinal, nem todas as capitânias possuíam terras 
férteis. Na verdade, os europeus ainda não conheciam muito bem qual era o produto mais 
adaptado ao clima tropical e equatorial. Assim, na verdade, o problema não estava no solo, 
mas no desconhecimento dos portugueses sobre o que produzir para exportar e gerar 
dividendos à Coroa. 
 
 Dificuldade de obter mão deobra para a louva e para o extrativismo. 
 
 Tudo isso, custava muito caro. Apesar dos donatários serem pessoas da nobreza 
portuguesa, nem todos possuíam grande monta de recursos para enfrentar todos os 
obstáculos acima arrolados. 
 
Apesar das adversidades, havia um ponto positivo no que se referia ao sistema de 
capitanias, a saber: ele deu a base para a formação dos primeiros núcleos de povoamento, como 
em São Vicente (1532), Porto Seguro (1535), Ilhéus (1537) e Santos (1545). 
3.2 – GOVERNO GERAL 
Assim, tendo o sistema de administração descentralizada das capitanias hereditárias tido 
pouco êxito, a Coroa Portuguesa buscou uma solução diferente e mais centralizadora: a formação 
de um Governo-Geral. Tratava-se da criação de um órgão central de direção e de administração 
comandado por um funcionário da Coroa, nomeado pelo Rei, para ajudar os donatários e interferir 
mais diretamente na implantação do sistema de exploração colonial. 
Profe Alê Lopes 
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24 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Para que você tenha uma noção dos objetivos, funções e estrutura 
burocrática, observe os esqueminhas abaixo: 
 
 
 
 
O
b
je
ti
vo
s 
d
o
 
G
o
ve
rn
a
d
o
r-
G
e
ra
l
Defesa da terra contra ataques estrangeiros
Incentivo à busca de metais preciosos
Luta contra a resistência indígena
Apoio à religião cristã
Funções do Governador
Militar: comando e defesa da colônia
Administrativa: relacionamento com os donatários das capitais e 
assuntos ligados às finanças
Judiciária: nesse caso, o governador podia nomear os 
funcionários da justiça e também poderia mudar penalidades
Eclesiásticas: indicação e sacardotes para as Paróquias. Essa 
prerrogativa era legitimada pela Igreja Católica e recebeu o nome de 
PADROADO.
Governador
Ouvidor-Mor: 
encarregado das funcções 
judiciais
Provedor-mor: 
encarregado dos assuntos 
da fazenda
Capitão-mor: 
encarregado da defesa do 
litoral
CARGOS AUXILIARES
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
25 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Os dois sistemas coexistiram. Isso acabou por gerar, em diversos momentos, um embate 
entre interesses locais e metropolitanos. Em geral, o Governador Geral e seus auxiliares 
enfrentavam a oposição de poderes locais, afinal, os donatários também tinham funções 
administrativas e judiciárias. 
Esses homens proprietários de terra, gado e escravos, chamados de “homens-bons”, se 
organizavam nas “câmaras municipais”. Elas se formaram no mesmo processo de formação das 
vilas (primeiros povoados). Elas organizavam a administração da vila, a arrecadação tributária, o 
comércio local, as expedições de reconhecimento e expansão territorial, além do aprisionamento 
indígena. Ou seja, eram uma verdadeira estrutura de poder local. Assim, os homens-bons exerciam 
o poder político local. 
 
A partir da análise dos esquemas, podemos concluir que a administração 
colonial apresentou duas tendências que se revezaram ao longo do tempo: 
CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO. 
Em geral, a centralização ocorreu quando a metrópole queria controlar mais as 
atividades coloniais e/ou aumentar a arrecadação de impostos; já a 
descentralização era estimulada quando a metrópole desejava ocupar e 
desenvolver regiões. 
 Você consegue perceber como essas duas estruturas de poder (centralizado e descentralizado) 
podem gerar conflitos se não estiverem funcionando em consonância de interesses e objetivos? 
Pois é, além disso, essas diferenças entre governador e homens-bons eram acentuadas devido à 
ausência de um sistema de comunicação adequado. Como diria o grande filósofo Chacrinha: 
“quem não se comunica, se trumbica!” 
Para que você saiba mais, em 1759, o sistema de capitanias deixou de existir permanecendo 
apenas o Governo – Geral, até 1808, quando a família real desembarca no Brasil. Entretanto, até 
que chegue o século XVIII, muitas dessas diferenças ensejaram conflitos e revoltas, chamadas de 
nativistas, as quais iremos estudar nas próximas aulas. Por hora, guarde essa reflexão geral, ok!! 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
26 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
Por fim, para que você tenha uma noção de quem foram os Governadores Ferais, dá um 
bizu nos caras: 
 
 
 
(UDESC/2013) 
Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e 
assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. 
( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III 
implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer 
a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política 
colonial. 
( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do 
Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. 
Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com 
a instalação do Governo-Geral. 
( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele 
soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: 
Rio de Janeiro. 
( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa 
encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava 
dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados 
insatisfatórios de algumas capitanias. 
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: 
T
o
m
é
 d
e
 S
o
u
sa
 -
1
5
4
9
-1
5
5
3 •Fundação da vila de 
Salvador
•Implantação da cultura 
da cana-de-açúcar
•Vinda Cia de Jesus 
(jesuítas), Padre Manoel 
da Nóbrega
D
u
a
rt
e
 d
a
 C
o
st
a
 -
1
5
5
3
-
1
5
5
8 •França invade o RJ e 
funda a França Antártica
•Vinda do Padre 
Ancheita.
•Fundação das missões 
jesuíticas e do Colégio 
São Paulo
•Conflitos entre colonos e 
jesuítas 
M
e
m
 d
e
 S
á
 -
1
5
5
8
-1
5
7
2
 
•Expulsou os franceses 
do RJ
•Formação da 
Confederação indígena 
dos Tamoios
•Início das "guerras 
justas" contra os 
indígenas resistentes à 
colonização e à 
conversão ao 
cristianismo.
• Avanço da atividade 
açucareira
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AULA 06 HB: Colônia I 
a) V – F – F – V 
b) V – F – V – F 
c) V – V – F – F 
d) F – V – F – V 
e) F – V – V – F 
Comentários 
Como vimos, o Sistema de Governo-Geral foi implantado para aprimorar o Sistema de 
Capitanias Hereditárias. A Coroa visava dar resposta aos seguintes conflitos: com indígenas; 
com invasões estrangeiras; fruto de fracassos em algumas Capitanias. Outra razão da nova 
administração foi o objetivo centralizador, isto é, tomar conto sobre todos os assuntos da 
colônia. Diante disso, a primeira afirmação é verdadeira. Já a segunda, não, pois São Vicente 
estava entre as regiões que não retornavam lucro para Metrópole. Além disso, sabemos que 
a primeira capital foi Salvador, ou seja, os centros dos negócios passavam pelo Nordeste, 
pelo menos no início da colonização. Nesse sentido, a terceira afirmação também é falsa, 
pois Rio de Janeiro foi a 2ª capital. 
Por fim, a última afirmação é verdadeira. Gabarito: A 
4. ECONOMIA, TRABALHO E SOCIEDADE NA COLÔNIA 
Agora que estudamos os aspectos políticos e administrativos do início da colonização 
portuguesa na América, podemos partir para os estudos sobre os elementos econômicos dessa 
empreitada. É verdade que, como já vimos, a primeira atividade econômica na colônia foi o 
extrativismo do pau-brasil. A exploração era monopólio da Coroa Portuguesa que permitia a 
exploração particular por meio de contrato de concessão, realizada com mão de obra indígena à 
base de escambo. 
Mas você deve se lembrar, também, que o governo português, especialmente a partir de 
1530, procurava alguma atividade econômica mais rentável que o pau-brasil a fim de financiar o 
empreendimentocolonizador e garantir a posse efetiva e sistemática da terra. Isso porque, a 
concorrência com franceses, ingleses e holandeses começava a diminuir o lucro metropolitano em 
relação aos negócios com as especiarias do Oriente, além de existir o risco contínuo de invasão 
estrangeira no território colonial na América. 
4.1 – A IMPLANTAÇÃO DE UMA CULTURA DE EXPORTAÇÃO: A CANA-DE-AÇÚCAR 
Em 1530, com a expedição de Martin Afonso de Souza, chegaram as primeiras mudas da 
cana-de-açúcar para o desenvolvimento da atividade açucareira. A escolha da cana se deu porque 
Portugal tinha experiência desse cultivo nas ilhas africanas do Atlântico – Açores e Madeira. Além 
disso, o açúcar tornara-se, na Europa, uma especiaria de luxo. Uma mesa farta de doces 
açucarados era o símbolo da riqueza!! 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Dessa forma, os colonos que desembarcaram no Brasil, juntamente com Martin Afonso, 
iniciaram a produção canavieira na recém fundada Vila de São Vicente. Para plantar a cana e 
produzir o açúcar desenvolveram um complexo produtivo chamado “engenho de açúcar” (vamos 
falar mais sobre engenhos na sequência da aula, segura aí!). 
Depois do pontapé inicial na Vila 
de São Vicente (atual Santos), tentou-se 
produzir cana-de-açúcar em toda a 
extensão do litoral brasileiro em 
diferentes Capitânias. No entanto, foi no 
Nordeste que a planta vingou mesmo, 
pois o solo da região e as condições 
climáticas eram melhores. Veja a seguir 
uma lista de motivos que explicam o 
sucesso do cultivo: 
Na segunda metade do século XVI 
a produção de cana de açúcar se 
desenvolveu tanto que chamou a atenção 
do Rei de Portugal, Dom Sebastião. Por 
isso, a partir de 1571, o rei decretou que 
o comércio colonial com o Brasil (de quem 
quer que fosse) deveria ser feito 
exclusivamente por navios portugueses. 
Na prática, era a implantação do exclusivo metropolitano ou pacto colonial (lembra?), porque esse 
monopólio comercial dava condições para Portugal controlar a economia colonial, ou seja, o Brasil 
só poderia comercializar com sua metrópole. 
De fato, o crescimento da produção açucareira foi tanta que Portugal monopolizou o 
próprio comércio internacional dessa iguaria doce. Com isso, Portugal e seus torrões branquinhos 
eram vedete no comércio internacional e nas cortes europeias. 
Podemos observar esse crescimento tomando como base o número de engenhos que 
surgiram em Pernambuco – principal capitânia produtora. Observe o gráfico: 
 
 
 
 
 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Na sequência de Pernambuco a produção se espalhou para as regiões dos atuais Rio 
Grande do Norte, Pará e Bahia. E, assim, o “ouro branco” ganhava tanto “poder” que colônia e 
metrópole constituíam uma relação de dependência desse produto. 
Na seção seguinte vamos analisar o engenho – essa unidade produtiva que se tornou o 
núcleo difusor da estrutura política, social e econômica da Colônia. 
 
4.2 – A CIVILIZAÇÃO DO AÇÚCAR: TRABALHO E SOCIEDADE 
Evidentemente, quando falamos em economia também tratamos de trabalho, uma vez que 
é por meio dele que se produz riqueza, como ensinou o liberal Adam Smith. Além disso, as 
relações econômicas e de trabalho estabelecem a organização dos grupos sociais. 
Entendendo a sociedade dentro dessa perspectiva complexa e combinada, podemos inferir 
que o primeiro grande produto de exportação, a cana-de-açúcar, foi o elemento central do 
desenvolvimento da sociedade colonial. Segundo as professoras Lilia e Heloísa, trata-se da 
constituição da “civilização do açúcar”. Veja o que afirmam: 
 
A partir do século XVI a empresa colonial giraria em torno da cana: a formação de vilas 
e cidades, a defesa de territórios, a divisão de propriedades, as relações com diferentes 
grupos sociais e até a escolha da capital [...] A civilização do açúcar era feita de muitos 
pedaços, todos dependentes entre si. Como se pode notar, é possível falar em 
“civilização do açúcar, já que este invadia esferas sociais, econômicas e culturais.” 
(idem, p. 67 e 72) 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Se essa tese está certa, precisamos analisar a unidade produtiva do açúcar – o engenho – 
para entender as demais relações que se formaram a partir dele, pois, segundo os historiadores, 
o engenho se tornou o núcleo social, administrativo e cultural da vida na colônia. 
4.2.1 – Conhecendo um engenho, suas edificações e as atividades de produção do 
açúcar 
 10 
O engenho era o estabelecimento onde se produzia o açúcar. Algo como o lugar em que 
se encontravam os instrumentos de transformação da cana-de-açúcar em açúcar propriamente 
dito. O engenho era, portanto, um espaço diferente e separado da lavoura onde se plantava a 
cana. 
Contudo, com o passar do tempo, engenho passou a ser a designação do complexo 
açucareiro todo: a fazenda, a lavoura, os instrumentos, as edificações (como a casas, as capelas, 
os espaços de negociação da produção), os locais de mando. O proprietário de tudo isso era 
conhecido como “senhor de engenho”. Dá uma olhada na imagem a seguir: 
Quero destacar as três edificações marcadas na imagem acima, pois, em tese, elas são 
representações arquitetônicas dos principais grupos sociais: aristocracia fundiária, escravos e 
clérigos. 
 
10 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ 
Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 21. 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
1- a casa-grande: casarão que ficava na área mais alta do engenho. Essa moradia, também era 
chamada de solário devido à área externa ao redor da casa – um verdadeiro observatório 
de onde o senhor de engenho podia avistar tudo – afinal, como diz o ditado: os olhos do 
dono engordam o boi! Nela moravam o senhor de engenho, sua família biológica, os 
aparentados e os agregados. Lugar que servia de hospedaria para as visitas, como padres, 
aliados políticos, comerciantes – por isso, geralmente, tinham muitos quartos com janelões. 
Também servia como centro administrativo dos negócios do engenho. “Escravos de casa” 
trabalhavam dentro da casa-grande, cozinhando, passando, limpando, cuidando dos filhos 
e das senhoras, entre outros afazeres. 
2- a capela: era a Igrejinha do engenho. Quase como uma extensão da casa-grande. 
Geralmente modesta, mas suficiente para realizar batizados, casamentos e velórios. Peça 
fundamental desse cenário, pois recebia para a Missa de Domingo todos os grupos sociais 
que orbitavam em torno do engenho e das suas atividades econômicas. Não se esqueçam 
de que o catolicismo era elemento fundamental desse universo colonial. 
3- a senzala: lugar onde viviam as pessoas escravizadas. Eram casinhas ou uma construção 
contígua. As vezes contavam com compartimentos separados destinados a cada família, 
outras vezes eram espaços coletivos e outras, ainda, separavam homens e mulheres. 
Sempre rústicas, feitas de barro e telhado de sapé, bem baixa e, em geral, sem janelas. As 
condições eram péssimas, pois faltavam ar e luz. Algumas não contavam com camas ou 
espaço para higiene pessoal. Era comum a superlotação, pois, novos escravos ocupavam 
sempre o mesmo lugar. À noite a senzala era trancada para evitar fugas e manter o regime 
de descanso e trabalho. Em geral, quem controlava a senzala era o capataz (uma espécie 
de “guarda” do engenho). 
Dito isso sobre as edificações principais, 
vamos agora ver os espaços e as formas de 
produção do açúcar. 
Na colônia, a lavoura da cana 
ocupava uma grande porção de terra – um 
latifúndio. O trabalho era realizado pelas 
pessoas escravizadas – os escravos ou 
cativos. Inicialmente, foram os indígenas, 
depois,os africanos trazidos forçosamente. 
Como afirmamos ao longo da aula, a 
produção era voltada para o mercado 
externo. Essas características formam o 
modo de produção tipicamente colonial: 
PLANTATION. 
 
 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Em geral, o cultivo da cana - o preparo da terra, a semeadura e a colheita - levava um tempo 
entre 12 e 18 meses. Vejamos algumas etapas produtivas do açúcar: 
 Preparação da terra, que não era feita com arado, mas com enxadas. Antes usava-se o velho 
método de coivara: derrubar a mata e atear o fogo. Só depois os escravos vinham com suas 
enxadas e revolviam a terra. 
 Após 12 meses, aproximadamente, colhia-se a cana. O corte da cana era feito com facão. 
 Cortada, a cana seguia em carros de boi ou barcos até o engenho. 
 Com a chegada da cana no engenho começava-se o processo de produção açucareira. A 
técnica empregada para a produção do açúcar, em geral, era muito rudimentar. 
O processo de produção açucareira abrangia as seguintes etapas: 
 
Casa da moenda: 
Finalidade: moer e prensar para obter um caldo de cana, em grandes engrenagens. 
Quem trabalhava: 1 feitor-pequeno, um lavadeiro e 15 escravos. 
 
Casa das fornalhas: 
Finalidade: depois de moer e prensar a cana, o caldo obtido era cozido na casa das fornalhas até 
formar um caldo chamado melaço. 
Quem trabalhava: 1 mestre de açúcar, 1 banqueiro, 3 caldeireiros e 28 escravos 
 
Casa de purgar: 
Finalidade: Transformar o melaço em “blocos”, a conhecida rapadura, por meio de drenagem. O 
melaço ficava por duas semanas em formas de barros com furos de drenagem. Nesse momento 
também se podia produzir a aguardente (cachaça). 
OBS: Depois de 40 dias, três tipos de açúcar eram produzidos, a saber: escuro, mascavo e 
branco. 
Quem trabalhava: 1 purgador e 5 escravos. 
 
Secagem e embalagem 
Finalidade: A última parte da produção do açúcar tinha por objetivo a secagem e embalagem do 
produto. Cortava-se o melaço sólido (açúcar) e separavam-se os diferentes açúcares. Após a 
separação, o açúcar era batido, esfarelado e embalado. 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Quem trabalhava: 1 caixeiro e 19 escravos. 
 
OBS: o número de trabalhadores envolvidos em cada etapa da produção dependia de diversos 
fatores, como o tamanho do engenho, a quantidade da produção, o tempo de entrega, a 
disponibilidade de escravos, entre outros. 
 
Dá um buzuzinho no processo químico da produção do açúcar! Colobaração do professor 
@Prazeres!! 
 
 
Há uma ressalva a ser feita sobre a empresa açucareira. Não havia refinarias 
de açúcar no Brasil. Essa foi uma tarefa que portugueses deixaram para 
holandeses. Aliás, também é importante recordar a participação do capital 
flamengo (eita, não é time, hein, é holandês) nos negócios do açúcar. Em 
troca do financiamento para a instalação de engenhos, o governo português 
concedeu a eles o direito de refinar e vender o açúcar brasileiro na Europa. Portanto, o capital 
holandês foi fundamental para a expansão da produção e do alcance do açúcar brasileiro no 
mercado internacional. Guarda isso, porque daqui a pouco vou falar mais dos holandeses. 
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AULA 06 HB: Colônia I 
4.2.2 – Estrutura social açucareira 
O lugar que cada grupo ocupava no complexo açucareiro definia a classe social a que a 
pessoa/grupo pertencia? Essa divisão, inclusive, determinava as relações políticas e sociais entre 
estes grupos. Vamos articular? 
 Existiam os proprietários da terra, os homens livres que prestavam algum serviço 
relacionado à produção açucareira (mestre do açúcar, caixeiro, purgador, caldeiro, banqueiro, 
feitos) e os escravos. 
Com certeza, a figura mais poderosa dessa pirâmide social é o senhor de engenho – o 
proprietário das terras, da produção e das pessoas. Além disso, como estamos discutindo nesta 
aula, o proprietário da terra era uma pessoa com poderes políticos, administrativos e até judiciais. 
Então, alguns historiadores afirmam que a autoridade desse senhor ultrapassava os limites de suas 
terras e, assim, conseguia atingir a vila e povoados vizinhos. Com isso, ele podia estabelecer 
aliados políticos por meio da distribuição de favores e privilégios. 
Portanto, havia uma relação de dependência dos homens livres (e mais 
pobres), escravos e até mesmo dos clérigos com o senhor de engenho. Pelo que 
afirma Padre Antonil, importante cronista da época, podemos inferir que “senhor 
de engenho” era tido como algo parecido a um título de nobreza – a que muitos 
aspiravam, porque: 
 
traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos. [...] Servem ao senhor de 
engenho, em vários ofícios além de escravos [...] na fazenda e na moenda [...] 
barqueiros, canoeiros, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores, pescadores. Tem mais, 
cada senhor destes, necessariamente, um mestre de açúcar, um purgador, um caixeiro 
no engenho e outro na cidade, feitores, e para o espiritual, um sacerdote11. (grifos 
nossos) 
Veja que não se tratava de uma “nobreza hereditária”, como na Europa, mas “uma 
aristocracia da riqueza e do poder”12. Ainda assim, muitas vezes, se auto cunhavam títulos como 
conde, barão, marquês. 
A marca maior desse grupo aristocrático não era o que eles faziam, mas o que NÃO faziam: 
não se dedicavam ao trabalho braçal, como cuidar de uma horta de uma loja, ou até mesmo, de 
realizar algum artesanato ou manufatura. Por terras tropicais, pairava o velho pensamento 
medieval do trabalho como uma ordem de coisas que “naturalmente” não cabe aos senhores. 
Trabalho era coisa de classes e grupos inferiores. 
Os aristocratas tropicais viviam de rendimentos, aluguéis e de cargos públicos conseguidos 
por meio de relações de amizade e privilégios – era o berço do patrimonialismo. Além disso, 
 
11 ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997, p. 75. 
12 SCHWARCZ e STARLING, idem, p. 67. 
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AULA 06 HB: Colônia I 
contavam com grande número de parentes, aparentados, agregados, criados e escravos que lhes 
serviam, de algum modo, na esperança de obterem alguma oportunidade. 
 
 
 13 
 
Diversos elementos marcam as distinções entre 
esses grupos como, por exemplo, o lugar de moradia 
(como já vimos, a casa grande, a senzala e outras 
casinhas simples que ficavam no engenho), a mobília, as 
vestimentas, os cavalos sangue-puros e o letramento, 
por fim, a capacidade de ser obedecido. 
Quanto mais perto do núcleo do círculo - mais 
perto do pai (do senhor de engenho) - mais inclusão e 
privilégios. Quanto mais distante, mais excluído e 
desprestigiado. Eram “os mais de dentro e os mais de 
fora”! 
 
13 Regresso a cidade de um dono de chácara. Liteira para viajar no interior, c.1834-1839. Litografia sobre 
papel de Jean-Baptiste Debret. Coleção Martha e Erico Stickel / Acervo Instituto Moreira Salles. 
Disponível em: https://ims.com.br/por-dentro-acervos/viagem-pitoresca-e-historica-ao-brasil/. Acesso 
em 05-04-2019. 
 
Cenas do cotidiano demonstram o transporte de senhores de engenho por 
escravos. Litografia de Jean-Baptiste Debret. 1834 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 
Fique atento: 
Historiadores e Cientistas Sociais chamaram essas relações sociais desenvolvidas 
na colônia de mandonismo e clientelismo e os utilizaram para entender as relações 
sociais e políticas no processo de formação do Brasil. Anote aí: 
 
Mandonismo 
Refere-se à existência local de estruturas oligárquicas e personalizadas de poder. 
O mandonismo não é um sistema, é uma característica da política tradicional. 
O mandão, o potentado, o chefe, como indivíduo, é aquele que, em função do controle de 
algum recurso estratégico, em geral a posse da terra, exerce sobre a população um domínio 
pessoal earbitrário que a impede de ter livre acesso ao mercado e à sociedade política. 
Existe desde o início da colonização e sobrevive ainda hoje em regiões isoladas. 
A história do mandonismo confunde-se com a história da formação da cidadania. 
Clientelismo 
Refere-se ao poder que se baseia simplesmente na capacidade de barganhar empregos, 
benefícios públicos, oportunidades em troca de favores (e hoje em dia, até voto e cargos 
públicos de confiança) 
5. A QUESTÃO DA ESCRAVIDÃOVejam, queridos e queridas alunas, é impossível falar de aristocracia descrita acima e da 
atividade econômica do Brasil colônia sem falar da escravidão. Nesse sentido, a aristocracia e a 
escravidão (senhores e escravos) são duas faces da mesma moeda que compõem uma estrutura 
social caracterizada por Gilberto Freyre como “sociedade patriarcal”. 
A expressão utilizada pelo autor em seu livro clássico Casa Grande & Senzala é “equilíbrio 
de antagonismos de economia e cultura”. Uma realidade dual na qual a violência e o paternalismo 
são elementos de uma mesma relação. Afinal, eu nem preciso ficar aqui descrevendo a “qualidade 
da vida de um escravo” para você, né? 
Mas, Profe, me explica por que esse par de opostos – paternalismo e violência? 
Olha, meu querido e querida, a violência nos parece mais fácil de entender – ela é tão 
cotidiana que entendemos bem as formas pelas quais ela se manifesta. Já a questão desse 
paternalismo era o modo como o dono do escravo tratava algumas de “suas peças” (esse era o 
modo como a pessoa escravizada era tratada no mercado). Às vezes lhe dando agrados – como 
uma roupa melhor ou comida, permitindo alguma festa ou lazer, entre outros – outras vezes 
atribuindo trabalhos menos pesados e mais próximos à casa-grande. Imagine um Senhor 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
distribuindo prendas, vantagens, agrados, para as pessoas ao seu redor, ou seja, ele conduz as 
relações sociais a partir do patrimônio como se fosse um pai sem sentimentos punindo ou 
presenteando filhos. 
Contudo, em diferentes situações o senhor castigava seu escravizado. O castigo físico era 
absolutamente recorrente – e até mesmo aceito pela Igreja – uma vez que o suplício físico era 
entendido como a salvação da alma e a correção dos vícios mundanos. De qualquer maneira, a 
decisão sobre a vida e a morte do escravo estava nas mãos do seu dono. 
 Portanto, paternalismo não tem a ver com a relação de pai e filho carinhosa e 
cuidadosa, mas de controle, dominação e submissão. Nessa sociedade patriarcal é o pai - o senhor 
de engenho - que controla a vida dos escravos, mas de certa maneira, de todos aqueles que 
dependem de suas decisões, incluindo sua família. 
 
 
 
 
Dito isso, podemos inferir que a cor da pele é um marcador social fundamental nas relações 
coloniais brasileiras, como afirmam as autoras do livro Brasil: uma biografia: 
“A cor logo se tornou um marcador social fundamental; as categorizações, fluidas, variavam com 
o tempo e com o lugar, além de delimitarem classificações sociais e status.14 
Diferentemente da colonização espanhola, no Brasil, a mestiçagem é uma marca social, já 
que não houve nenhuma norma que proibisse a relação sexual entre diferentes povos. Por isso, as 
professoras Lília e Heloísa usam o termo “cartografia de tons e subtons”. 
Mas nem de longe podemos afirmar que a mestiçagem gerou igualdade - ou menos 
desigualdade de oportunidades. As pessoas “de cor” sofriam toda sorte de discriminação, afinal, 
sua condição jurídica era de “propriedade” – escravos inferiores. Assim, o constrangimento para 
a mestiçagem não era apenas jurídico, também era social. 
Em geral, essas relações eram extraconjugais, jamais expostas na “missa de domingo” – 
quando não, poderiam ser, inclusive, relações de exploração e violência sexual. Lembram da 
personagem Bertoleza no livro O Cortiço, de Aluísio de Azevedo? Ela é a escrava-amante de João 
Romão, que a engana com uma falsa carta de alforria, ao mesmo tempo que a esconde de toda a 
sociedade. 
 Mas, Profe, os mestiços também eram escravizados? 
 
14 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das 
Letras, 2018, p.71. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
A depender da condição da mãe, sim! Se fossem mestiços de homens brancos com 
mulheres negras escravas, elas nasceriam na condição de escravos também, afinal, os filhos de 
escravas eram propriedade dos seus donos. 
Contudo, é verdade que a gradação da cor da pele poderia significar outras trajetórias. Há 
muitos estudos históricos na demografia, na sociologia e na economia que demonstram que 
quanto mais clara é a pele da pessoa maior suas possibilidades de alçar outras ocupações, 
inclusive, na época do complexo açucareiro – um trabalhador de dentro da casa, um capataz, um 
entregador, um condutor de cavalos. Os mestiços podiam, também, receber alguma instrução e 
trabalhar com atividades do comércio. A alforria era mais possível, portanto, para pessoas com 
mais características brancas. 
Vários pensadores, sobretudo na década de 1930, analisando a formação social do Brasil 
chegaram à conclusão de que as relações sociais eram pautadas por uma complexidade de fatores 
que incluíam questões de cunho pessoal, cultural e racial. Ou seja, no Brasil, o modo de relação 
não era só racial, só cultural, só por amizades. Era a síntese de tudo isso e, em muitos sentidos, 
ainda é. 
É inegável os efeitos da escravidão na vida social. Ela é estruturante de todas as outras 
relações que se estabeleciam na civilização do açúcar. 
 
 “Mulatos e crioulos – este último termo se referia aos escravos nascidos na 
propriedade do senhor, isto é, não-africanos – eram aqueles que mais se 
aproximavam do universo da casa-grande, constituindo uma espécie de elite que 
realizava o trabalho doméstico e especializado, apesar de muitas veze serem 
descritos como indolentes; os pardos eram julgados aptos a aprender e dominar 
ofícios da cana, e os africanos, tidos por “estranhos pagãos” – na melhor das 
explicações, recém-convertidos – e, com raras exceções, por perigosos e 
instáveis. Com o tempo a escravidão ficaria mais e mais associada aos africanos e seus 
descendentes, e se enraizaria na América portuguesa de maneira a penetrar toda a 
sociedade colonial, em que cada vez mais a cor atuava como critério de status. Libertos 
com mais bens logo adquiriam cativos, e o mesmo ocorria com agricultores pobres. Ter 
escravos era símbolo de posse e de distinção, quase um cartão a avalizar a prosperidade e 
estabilidade nessa civilização da cana.” (grifos nossos)15 
 
 
 
15 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das 
Letras, 2018 
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AULA 06 HB: Colônia I 
5.1- A ESCRAVIDÃO AFRICANA 
 
Mas, afinal, profe, quem era o escravo utilizado nos trabalhos do complexo açucareiro? 
No início, da atividade açucareira, a mão de obra utilizada era do indígena. Segundo alguns 
dados demográficos de época, entre 1560 e 1570 não havia africanos nas lavouras de cana. A mão 
de obra utilizada era do escravo índio conquistado nas “guerras justas”, afinal, era uma solução 
relativamente barata e disponível. 
“A grande lavoura açucareira na colônia brasileira iniciou-se com o uso extensivo da 
mão de obra indígena (...) Do ponto de vista dos portugueses, no período de escravidão 
indígena, o sistema de relações de trabalho era algo que fora pormenorizadamente 
elaborado. Tal período foi também aquele em que o contato entre os europeus e o 
gentio começou a criar categorias e definições sociais e raciais que caracterizaram 
continuamente a experiência colonial.”16 
No entanto, a situação começou a se alterar a partir da década de 1570. Se liga nos dados 
da tabela abaixo: 
 
 
O que se processou nesse período foi a substituição do trabalho livre, por exemplo, nas 
tarefas mais especializadas da atividade açucareira – tal como vimos na seção anterior sobre etapas 
da produção do açúcar –, para o trabalho escravo. Soma-se a isso, a ampliação dos negócios do 
tráfico negreiro em si, pois ele dava muito lucro. 
 
16 SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo: Cia 
das Letras, 2005, p. 57. 
7%
37%
98%
0% 20% 40% 60% 80% 100% 120%
1574
1591
1638Porcentagem
A
n
o
s
Proporção de trabalhadores 
escravos negros na lavoura do 
açucar 
Profe Alê Lopes 
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40 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
 Assim, a mão de obra escrava africana, e depois os afro-brasileiros, acabou constituindo a 
base das principais atividades econômicas da colônia. Aqui não me refiro apenas à economia 
açucareira, que estamos estudando nesta aula, mas a outras, como a mineração, pecuária, algodão 
e extrativismo vegetal. 
 
Observe, no mapa a seguir, as rotas do comércio transatlântico de escravizados: 
 
0
200000
400000
600000
800000
1000000
1200000
1400000
1600000
1800000
2000000
1531-1600 1601-1700 1701-1800 1801-1855
O Tráfico Negreiro para o Brasil
entrada de escravos por século
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Profe Alê, por que a mão de obra africana? Por que não continuar com os indígenas? 
 
Veja, querido e querida, o primeiro argumento relevante é o do historiador Fernando 
Novais para quem a preferência pela mão de obra africana estava relacionada com as 
possibilidades de lucro advindo dessa atividade do tráfico (do comércio). Ou seja, havia um 
comércio de viventes a ser explorado e que poderia ser muito rendoso. E foi!!! 
Mas Profe quem ganhava com isso, os donos dos escravos? Eram eles que faziam o comércio? 
 
Olha, o tráfico negreiro era um comércio intercontinental e oceânico realizado por grupos 
específicos, muitos deles ingleses, franceses e holandeses e até mesmo as elites africanas no 
Continente Africano. 
 Contudo, o início dessa atividade só foi possível porque portugueses estabeleceram as 
feitorias no litoral da África (lembra-se disso?). Por meio dessas feitorias, estabeleceram alianças 
com soberanos locais que facilitavam a escravidão comercial de povos conquistados. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 
 
Assim, o comércio de viventes, como alguns historiadores mais recentes se referem ao 
comércio ou tráfico negreiro, uniu interesses econômicos de 3 continentes: África, Europa e 
América – formando um comércio triangular, que durou até o século XIX. No caso de Portugal, 
parte desses lucros ia para a metrópole em forma de taxas devido ao exclusivo metropolitano. 
Outro elemento fundamental para explicar os lucros desse comércio é a expectativa de vida 
de um escravo, em geral, baixa – 35 anos. E sua idade produtiva começava aos 8 anos. É isso 
mesmo que você leu!! Aos 8 anos! Alguns documentos de época confirmam que o menino de 8 
anos já era um homem feito e preparado para o trabalho!! Assim, para o senhor de engenho, o 
ideal era comprar um escravo que trabalhasse, para não “investir” em mão de obra pouco 
produtiva. 
Para o senhor a lógica não era exatamente comprar e vender, mas, comprar para acumular, 
afinal, mais escravos mais produção e mais status social. Dessa forma, o mercado com demanda 
sempre crescente estimulava a chegada de mais pessoas escravizadas trazidas da África. Estima-
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
se que o tráfico atlântico implicou o deslocamento compulsório de 12 milhões e meio de homens, 
mulheres e crianças da África para as Américas17. 
Observe o caso de um Engenho em Sergipe do Conde para perceber essa lógica de 
demanda crescente: 
Outro argumento 
mais tradicional para 
explicar a preferência pela 
mão de obra escrava negra 
é o cultural: os indígenas 
do sexo masculino não 
estavam habituados ao 
trabalho agrícola, pois, em 
geral, eram as índias que o 
realizavam. Entretanto, 
esse argumento tradicional 
(comum em vestibulares) já 
é amplamente criticado 
por pesquisas recentes, 
pois a noção de que o 
índio não era compatível com trabalho agrícola, na verdade, expressa um desconhecimento mais 
específico do modo de vida dos povos indígenas (no Capítulo 6, aprofundo as variáveis que 
levaram à substituição da mão de obra). Dentro desse argumento mais tradicional, os africanos 
trazidos à América eram agricultores e, portanto, tinham certo conhecimento técnico na lavoura. 
Principalmente, porque em regiões africanas já havia a plantação do açúcar. 
Por fim, mas não menos importante é o argumento exposto pela Igreja. Naquela época, 
houve uma Carta Régia, de 1570, proibindo a escravidão indígena de povos que se dispusessem 
à conversão ao catolicismo. Apesar de os colonos viverem em conflito com a Igreja e com o 
Governo Geral por conta dessa proteção dos jesuítas, houve um desestímulo moral à escravização 
dos povos indígenas. Veja o box mais abaixo. 
De qualquer maneira gostaria de chamar sua atenção para o seguinte: 
Quando falamos da preferência do negro em relação aos índios para o uso 
sistemático da mão de obra escrava, não podemos nos esquecer das contradições e 
da realidade pobre da maioria do território colonial. Concretamente isso fez com que 
a escravidão indígena continuasse sendo realidade em muitos lugares, a despeito 
das análises que muitos historiadores fizeram. 
 
17 FLORENTINO, Manolo. Aspectos do tráfico negreiro na África Ocidental (c. 1500 -c.1800). In: 
FRAGOSO, João & GOUVÊA, Maria F. (Org.). Coleção- O Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Ed. Civilização 
Brasileira. V.1, 2018, p. 229. 
13 6
80
200
0
50
100
150
200
250
1635 1710
Proporção trabalho livre e escravo no 
engenho do Conde
assalariado escravo
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
A perseguição e subjugação dos índios no sudeste do Brasil foi incentivada por autoridades 
da Coroa portuguesa presentes na colônia e por agentes particulares (portugueses 
endinheirados), que buscavam novos investimentos, para além do comércio da cana de açúcar. 
Como a produção de açúcar das capitanias de Santo Amaro e São Vicente (territórios equivalentes 
à região atual do estado de São Paulo) não conseguiam competir com o Nordeste, os paulistas 
tiveram que pensar em alternativas de investimento, como: comércio de índios escravizados e 
busca por metais preciosos. 
Os paulistas, em particular aqueles conhecidos como “bandeirantes”, organizaram vilas e 
terras agricultáveis a partir da mão de obra escrava indígena. Contudo, tiveram que sair do litoral 
e adentrar o planalto em busca de riquezas, de índios e terras mais agricultáveis. 
Além disso, alguns historiadores afirmam que apesar do grande aporte de africanos 
escravizados nas lavouras de açúcar, bem como em outras atividades, a mão de obra indígena 
continuou sendo utilizada. Assim, o que se processou foi uma diferenciação das tarefas a serem 
cumpridas por negros e por índios. Vale ficar de olho nessas pesquisas mais recentes. 
 
A cultura escravagista legitimada pelo Estado e pela Igreja Católica 
Lembra-se de que uma das tensões na Península Ibérica foi a relação entre católicos e 
mulçumanos? Durante o processo de reconquista da Península Ibérica, a escravização de 
populações mulçumanas passou a ser uma prática comum dos reinados, segundo a noção de 
“guerra justa”. Nesses termos, a Coroa portuguesa nasceu com um pé na cultura escravagista, 
pois passou a legitimar a escravização dos não-cristãos. Dessa forma, tanto as monarquias, quanto 
a Igreja, alimentaram o trabalho forçado do “outro”. Para ambos, a escravidão era necessária e 
justa, pois a infidelidade religiosa era a base da justificação, um argumento conveniente que 
transitou dos mouros para os negros africanos. 
Um argumento bíblico, muito popular, era a ideia da maldição divina. Por meio dela, a escravidão 
era fruto do pecado de Adão e Eva, primeiros pais dos homens segundo a doutrina católica. Outra 
justificativa religiosa era aquela que apontava os africanos como descendentes de Caim. Este 
personagem bíblico, que matou o próprio irmão por ciúmes recebeu de Deus, ao ser amaldiçoado, 
uma marca no corpo para que não morresse e pudesse viver em constante expiação de seu 
pecado.Ligou-se, a posteriori, a negritude dos africanos à marca cutânea imposta por Deus a 
Caim. Essa ideia se combina ade guerra justa, pois os inimigos devem ser escravizados, pois deve-
se preservar-lhe a vida – uma vez que esta tem natureza divina. Só Deus decide sobre vida e morte. 
Assim, escravidão é preservação do dom divino da vida e não condenação eterna. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
A partir da expansão ultramarina no norte da África, a prática da escravidão se ampliou. Em 1452 
uma bula papal legitimou a escravidão dos não-cristãos e, em 1455, o papado reafirmou essa 
posição com a autorização específica sobre africanos e asiáticos. 
Por isso, à medida que os portugueses avançavam nas rotas marítimas ao longo da costa africana 
o número de escravizados aumentava. Isso porque, para estabelecerem as feitorias em territórios 
como, Madeira, Cabo Verde, Moçambique, muitos negros africanos foram forçados a trabalhar 
para os portugueses (construções de fortificações, por exemplo). 
Nesse contexto, os portugueses que conquistaram as terras conhecidas como América 
portuguesa, já desembarcaram com uma mentalidade escravagista. Do primeiro contato com os 
índios em diante, tudo foi uma questão de tática e estratégia militar de dominação. Tanto foi que 
o professor João Pacheco de Oliveira18 estabelece duas situações iniciais de representação dos 
índios pelos portugueses, tal como afirmei no início da aula (a questão do Mito): 
Primeira: os índios muito bem tratados e exibidos nas cortes europeias com simpatia e tolerância. 
A representação positiva dos autóctones ficou marcada pela carta de Caminha. 
Segunda: os índios tratados a partir da perspectiva da “guerra de conquista”. Aqui as relações 
entre índios e portugueses passaram a ser distintas do momento anterior. “Portugal não quer mais 
ter puramente parceiros comerciais ou aliados, mas sim vassalos (...). Para isso há que ter em suas 
mãos o governo dos índios e a soberania exclusiva do território, expulsando os rivais franceses e 
implantando modalidades estáveis de geração de riquezas, as quais propiciem aos moradores uma 
relativa autonomia face ao Tesouro Real. A materialização dessa nova forma econômica é o 
estabelecimento de lavouras de cana e engenhos em terras doadas, enquanto sesmarias, aos 
colonos por El Rey ou pelo seu representante, o governador”19. 
 Antes de finalizarmos esta abordagem crítica sobre a sociedade escravocrata que se formou 
no Brasil, vejamos uma referência bibliográfica e uma questão de prova: 
A Igreja apoiou a escravidão. Através da bula papal Dum diversas, de 1452, o papado concedeu 
aos portugueses o direito de atacar, conquistar e submeter pagãos e sarracenos [mulçumanos], 
tomando seus bens e reduzindo-os à escravidão perpétua. A bula Romanus pontifex, de 1455, 
ampliou o território de atuação dos portugueses, incluindo Marrocos e as Índias. Várias outras bulas 
ratificaram ou ampliaram os poderes concedidos aos portugueses no sentido de converter homens 
à fé católica, escraviza-los e comercializá-los. 
(VAINFAS, Ronaldo (dir.). Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. P. 205) 
 
 
18 OLIVEIRA, João Pacheco. Os indígenas na fundação da colônia: uma abordagem crítica. In: FRAGOSO, 
João. GOUVÊA, Maria de Fátima (Org.). Coleção – O Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Ed. Civilização 
Brasileira. V. 1. 2018, pp 167-228. 
19 Idem, p. 207. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
(UEFS/2018) 
A igualdade de interesses agrários e escravocratas que através dos séculos XVI e XVII 
predominou na colônia, toda ela dedicada com maior ou menor intensidade à cultura do 
açúcar, não a perturbou tão profundamente, como à primeira vista parece, a descoberta das 
minas ou a introdução do cafeeiro. Se o ponto de apoio econômico da aristocracia colonial 
deslocou-se da cana-de-açúcar para o ouro e mais tarde para o café, manteve-se o 
instrumento de exploração: o braço escravo. 
(Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala, 1989.) 
O excerto descreve o complexo funcionamento do Brasil durante a colônia e o Império. Uma 
de suas consequências para a história brasileira foi 
a) a utilização de um mesmo padrão tecnológico nas sucessivas fases da produção de 
mercadorias de baixo custo. 
b) a existência de uma produção de mercadorias inteiramente voltada para o abastecimento 
do mercado interno. 
c) a liberdade de decisão política do grupo dominante local enriquecido com a exploração 
de riquezas naturais. 
d) a ausência de diferenças regionais econômicas e culturais durante o período colonial e 
imperial. 
e) a manutenção de determinadas relações sociais num quadro de modificações do centro 
dinâmico da economia. 
Comentários 
Independentemente do ciclo econômico adotado no Brasil – açúcar, ouro ou café), a relação 
de trabalho escolhida foi a mesma, isto é, o trabalho escravo. Assim, as relações sociais se 
perpetuaram ao longo do tempo. 
A alternativa A não pode ser porque a tipo de tecnologia empregada no processo de 
produção do açúcar foi um e no café, por exemplo, foi outro. 
A B está erra porque, como vimos, as atividades economias, dentro da exclusivo 
metropolitano, estavam voltadas para fora. Ainda dentro da relação com a Metrópole, não é 
possível falar em “liberdade de decisão política do grupo dominante local”, pois a 
administração colonial fazia exercer o poder da Coroa. A C está errada. 
A D também está errada porque entre Nordeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, havia 
muitas diferenças. No caso da sociedade açucareira, como vimos, o processo foi 
predominante no Nordeste. 
Gabarito: E 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
5.2 – RESISTÊNCIA QUILOMBOLA 
Tendo em mente a dimensão da exploração e da violência que acompanharam o processo de 
colonização e formação do Brasil, devemos observar, também, as formas de resistência. Mas não 
apenas como resistiram à violência, porque, como ensinou Gilberto Freyre, por aqui a 
sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita 
negociação. Um equilíbrio de contrastes, evidentemente, deixou marcas da influência de todos 
esses povos que participaram ativamente da formação do país. Vejamos um pouco mais sobre 
essa história. 
Em 1741, o Rei de Portugal expediu um Alvara Real que determinava a punição de negros 
aquilombados, isto é, afrodescendentes que fugiam e se abrigavam em quilombos. O texto régio 
dizia, 
 
 
Eu El Rei faço saber aos que este Alvará em forma 
de Lei virem, que sendo-se presentes os insultos, 
que no Brasil cometerem os escravos fugitivos, a que 
vulgarmente chamam quilombolas (...). Hei por bem, 
que a todos os Negros, que forem achados em 
Quilombos, estando neles voluntariamente, se lhes 
ponha fogo uma marca em uma espádua [ombro] 
com a letra F, que para efeito haverá nas Câmaras; 
e se quando se for executar esta pena, for achado já 
com a mesma marca, se lhe cortará uma orelha, tudo 
por simples mandato do Juiz de Fora, ou Ordinário 
da Terra, ou do Ouvidor da Comarca, sem processo 
algum, e só pela notoriedade do fato, logo que do 
Quilombo for trazido, antes de entrar para a cadeia. 
 
Repare como era perversa e cruel a perseguição sobre os negros africanos e seus 
descendentes. O final do texto ainda enfatiza que nenhum capturado teria direito a um 
“processo”. Bastava um “capitão do mato” capturar um fugitivo para que ele sofresse a pena da 
marcação do “F” no ombro ou a da mutilação da orelha. 
Pois bem, querido e querida aluna, se essa ordem real, datada de meados do século XVIII, 
expressava o tratamento para com os negros, você imagine as barbaridades cometidas pelos 
portugueses, e demais europeus proprietários de terras, logo no começo da colonização no século 
XVI? Primeiro, a opressão e a exploração recaíram sobre os índios, depois, sobre os negrosescravizados oriundos da África. Como vimos anteriormente, a proibição da escravização dos 
índios em 1570 e, principalmente, com as possibilidades de lucro via tráfico negreiro, começou 
Quilombo tem o significado 
de esconderijo, palavra 
derivada de quimbundo 
(esconderijo na língua dos 
ambundos, grupo étnico 
banto de Angola). 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
um processo de substituição da mão de obra indígena pela dos africanos aprisionados em seus 
territórios, deslocados para o Brasil e escravizados. 
Agora, vejamos algumas formas de resistência dos negros frente ao racismo estrutural 
presente no sistema colonial do Brasil. Contudo, lembremos alguns pontos do panorama sobre as 
condições de vida e de trabalho forçado dos africanos transferidos para a América Portuguesa 
entre os séculos XVI e XVII: 
 
 
 Trabalho no plantio, em média 13 horas por dia; 
 Trabalho no corte e moagem da cana de açúcar, em 
média 18 horas por dia; 
 A moradia eram as senzalas: fechadas, escuras, sem 
condições de higiene e saneamento básico; 
 Viviam vigiados sob a ameaça de armas; 
 Castigos como prática de punição, tais como: 
 Chicotadas com couro cru; 
 Aprisionamento em tronco; 
 “vira-mundo” (instrumento que prendia pés e mãos); 
 “gargalheira” (instrumento que imobilizava o pescoço); 
 Mordaça e máscara; 
20 
 
Diante da condição escrava, os africanos trazidos para o Brasil, bem como seus 
descendentes, não ficaram passivos. Reagiram de diferentes maneiras, em grande parte, sempre 
para amenizar as dores físicas e mentais do trabalho escravo. 
A partir dos estudos bibliográficos, é possível listar algumas formas de resistência: 
 Algumas mulheres, para evitar que seus filhos nascessem naquele mundo, provocavam 
abortos. Ao mesmo tempo que essa ação significava uma resistência, também expressava 
uma violência contra o corpo dessas mulheres negras; 
 Outra “auto violência” corporal era o suicídio; 
 
20Disponível em: 
http://www.campanha.mg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1431:tronco--
instrumento-de-castigo&catid=455:semana-de-museus&Itemid=248. Acesso em: 06/04/2019. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
 Sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, instrumentos e, 
principalmente, da moenda; 
 Emboscadas e ataques surpresas à elite branca (senhores de engenho). Nesses ataques, 
promovidos por ex-escravos, as casas-grandes eram saqueadas e os canaviais e depósitos 
postos em chama. 
 Negociações com senhores de engenho para obtenção de melhores condições de vida, 
como alimentos, vestuário e moradia; 
 Fugas dos engenhos, tanto individuais, quanto coletivas. Estas, por sinal, merecem atenção 
especial pois resultaram na formação dos Quilombos. 
Os escravos que conseguiam fugir dos engenhos começaram a organizar comunidades em 
regiões afastadas da zona de controle dos colonos e da Coroa. A esses agrupamentos de negros 
livres se denominou Quilombos ou Mocambos. 
Durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a história dos negros na América 
portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que fugiam da dominação do sistema 
escravista, chegaram reunir índios e até brancos descontentes com as imposições do governo 
português. 
 
A vida nos quilombos era baseada na agricultura e em pequenas trocas 
comerciais com comerciantes e taberneiros das proximidades. A depender da 
localidade, poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. 
 
 Com a formação dos Quilombos, a preocupação dos senhores de engenho e da Coroa era 
com a disseminação de ideias insurrecionais, contrárias, portanto, ao sistema escravista. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
O Quilombo dos Palmares se destacou na resistência negra. Localizado em uma região da 
capitania de Pernambuco, começou a ser 
organizado em 1580 e foi destruído por 
colonos e pela Coroa portuguesa em 1694. 
Ganga Zumba e Zumbi se destacaram entre 
os líderes de Palmares. O primeiro, 
governou de 1656 a 1678 e, Zumbi, 
governou de 1678 até a queda do 
quilombo. 
 Zumbi era sobrinho de Ganga 
Zumba e articulou a derrubada do tio por 
considerar que a política de Ganga Zumba 
de aproximação com os brancos não 
condizia com a ideia de liberdade do negro. 
Zumba chegou a firmar um acordo com o 
governador de Pernambuco que previa a 
libertação dos negros nascidos em 
Palmares, mas em troca, os fugitivos mais 
recentes no Quilombo deveriam ser 
devolvidos. Zumbi não concordou com essa 
proposta e liderou uma rebelião contra o 
então chefe. Era o acordo de Cacau. 
Em novembro de 1678, Ganga-Zumba foi a Recife assinar o acordo. No acordo 
foi cedido região de Cucaú, distante 32 km de Sirinhaém. Ali poderiam 
estabelecer ''comércio e trato'' com os moradores da região e um lugar onde 
pudessem viver ''sujeitos às disposições'' da autoridade da capitania. Mas a 
promessa de entregar os escravos que dali em diante fugissem e fossem para 
Palmares foi interpretada por muitos palmarinos como traição. A população do 
maior quilombo se dividia. Gamba Zumba morreu envenenado e, por fim, o próprio 
governador não respeitou o acordo de paz e invadiu Cacau 3 anos mais tarde. 
 
O bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado para destruir Palmares. Em 1692, em 
uma primeira tentativa, Jorge Velho e seus aliados cercaram Palmares, mas os quilombolas 
venceram o confronto. Dois anos depois, em 1694, Jorge Velho, com mais 6 mil soldados 
conseguiram vencer Palmares. Zumbi escapou, mas foi pego em 1695. Após ser preso, foi morto 
e sua cabeça ficou estiada em praça pública em Recife. 
 
 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
A organização dos quilombos se multiplicou em muitas regiões do país e, até hoje, existem as 
assim denominadas “comunidades quilombolas”. Algumas conseguiram o direito ao 
reconhecimento da terra que seus antepassados escravos conquistaram e outra, não. Por sinal, a 
nossa atual Constituição, a Constituição Federal de 1988, prevê o direito à terra aos descendentes 
de quilombolas. 
 
(UDESC/2014) 
Os anúncios publicados em diferentes jornais que circularam no Brasil, durante o século XIX, 
a respeito dos anúncios de fugas e/ou vendas de negros cativos, constituem documentos 
importantes para a escrita da História, pois permitem verificar o perfil do escravo que fugia, 
o cotidiano da escravidão, dentre outras questões. O levantamento realizado no quadro 
abaixo sobre anúncios de escravos publicados no jornal O Universal (Ouro Preto/MG), entre 
1825 e 1831, permite algumas inferências sobre a história da escravidão. 
 
Analise as proposições, considerando as informações do quadro acima e a história da 
escravidão no Brasil. 
I. O quadro fornece informações importantes sobre sexo e etnia, por exemplo, dos 116 
escravos fugidos mais de 90% eram africanos, e mais de 80% do sexo masculino. 
II. A maioria de homens, entre os fugitivos nos anúncios, não deve ser explicada somente 
pelo fato de que eram predominantes no conjunto da escravaria, outras questões devem ser 
observadas para além dos números como, por exemplo, as relações familiares, 
principalmente a existência de crianças que dependiam das mulheres, dentre outros fatores 
que merecem estudos auxiliares. 
III. A publicação de inúmeros anúncios de fuga permite inúmeras inferências, a mais óbvia 
deve-se à negação do cativeiro, a uma forma de recobrar o domínio de suas vidas, haja vista 
que o sistema lhes negava tal domínio. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
IV. Menos de 7% das mulheres cativas fugiam, segundo os anúncios publicados, o que se 
explica pelo fato de os homens serem a maioria no conjunto dos escravos, e, considerando-
se a questão de gênero, serem mais corajosos e propensos ao risco da fuga. 
a) Somenteas afirmativas I, II e III são verdadeiras. 
b) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. 
c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. 
d) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. 
e) Todas as afirmativas são verdadeiras. 
Comentários 
A questão da escravidão e da resistência dos escravos é algo que estudaremos ao longo do 
Brasil colônia. Dessa forma, você precisa se acostumar com a cobrança geral sobre essa 
temática nos vestibulares. Para tanto, o treino deve começar desde as primeiras abordagens 
sobre a escravidão no Brasil, mesmo que a questão faça referência a períodos mais adiante 
na histórica, como esta questão da UDESC de 2014. Dá para resolver sem termos noção 
profunda dos acontecimentos do século XIX, por exemplo. Veja só: 
O item I é sobre a interpretação da Tabela. Na afirmativa I, afirma-se que dos 116 escravos 
fugidos 90% são africanos, olhando a tabela, no entanto, verifica-se que destes 116 apenas 
57 são africanos, ou seja, em torno de 50%. O item está errado. Com isso, já descartamos as 
alternativas E, D e A. 
O item II está correto, pois ela não fecha uma interpretação generalizante sobre os dados, 
apenas sugere que pode haver inúmeras razões para que os dados sejam tais como 
apresentados. Os dados quantitativos não permitem uma qualificação global das explicações 
mais profundas sobre as fugas, embora tendências possam ser anunciadas, como faz o item 
II. 
Já a alternativa III, apresenta uma razão comum sobre o porquê os escravizados fugiam. Ora, 
como temos visto nesta aula, a tendência histórica indica que a submissão a maus tratos e 
opressão não é tolerada sem resistências. Tal afirmativa, diferentemente da anterior já é mais 
fácil de ser universalizada, pois há um dado histórico sobre isso. Até por esse motivo fiz 
questão de trazer essa cobrança da UDESC para essa aula, pois você deve se preocupar, ao 
longo dos estudos, em analisar as tendências históricas. Sacou? 
O item IV está errado, pois faz uma suposição de gênero sobre a falta de coragem das 
mulheres para fugir. Repare que os dados não permitem afirmar isso. Por exemplo, as 
mulheres podiam evitar fugas porque, em sua maioria, tinham crianças ou bebês, fato que 
coloria em risco a vida de ambas em uma estratégia de fuga pelas matas. 
De toda forma, perceba que a temática da resistência, fugas, condição do escravo, é algo 
muito importante para os estudos para as provas de vestibular. 
Gabarito: C 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
6. ÍNDIOS, OU MELHOR, POVOS ORIGINÁRIOS 
Diante da cultura escravista já presente na sociedade branca europeia, a extração do pau-
brasil - único recurso lucrativo disponível no Brasil conquistado - necessitava de mão de obra. 
Tanto para explorá-lo (cortar, carregar, preparar e embarcar), quanto para organizar um 
povoamento português capaz de conter invasões estrangeiras (como a dos franceses e 
holandeses), a mão de obra indígena foi estratégica. Claro, estratégica do ponto de vista do 
colonizador branco português. 
Em linhas gerais, durante os séculos XVI e XVII, o modo de inserir os cerca de 2,5 milhões de índios 
do litoral brasileiro no processo de colonização consistiu, basicamente, em três métodos: 
• O primeiro consistia na escravização pura e simples, na base da força, empregada 
normalmente pelos colonos. Para tanto, os colonizadores lançavam mão de alianças com 
etnias indígenas inimigas entre si, de modo que – de aliança em aliança- desarticulavam 
qualquer resistência unificada dos índios contra os invasores portugueses. Por sinal, esse 
tipo de estratégia foi a adotada na América Espanhola; 
• O segundo era o estímulo à criação de um campesinato indígena por meio da aculturação 
e destribalização, as quais eram praticadas primeiramente pelos jesuítas, e depois pelas 
demais ordens religiosas; 
• O terceiro consistia na busca da integração gradual do índio como trabalhador assalariado, 
medida adotada tanto por leigos como pelos religiosos. O início desse processo foi 
marcado pelo escambo, a troca de utensílios europeus por trabalho indígena no corte e 
carregamento do pau brasil. 
Com a crescente resistência dos povos indígenas, a política indigenista ficou caracterizada pelo 
seguinte dualismo: 
• Conquista militar e escravização dos índios; 
• Conversão dos índios ao cristianismo e consequente subordinação. 
Os jesuítas foram os europeus que mais pressionaram a Coroa e os colonos a tratarem os 
índios como filhos de Deus, o “bom selvagem” visto no começo da aula. Dessa forma, por um 
lado, atuaram para a liberdade dos índios e contra o aprisionamento. Por outro, os jesuítas foram 
abnegados conversores da subjetividade indígena. Assim como os clérigos atuantes nas colônias 
espanholas, como vimos na Aula 05, os jesuítas no Brasil quiseram ampliar o número de fiéis, pois 
concebiam a cultura ameríndia como inferior e pagã. 
No processo de evangelização, os jesuítas fizeram duas tentativas: 
 Converter índios em suas próprias aldeias. Ações com menor resultado de conversão; 
 Converter índios em aldeamento construídos pelas missões de evangelização, as 
chamadas reduções. Essa ação rendeu mais resultados para os jesuítas. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Dessa forma, à luz dos ensinamentos do antropólogo Antônio Carlos de Souza Lima 
(professor UFRJ)21, você deve ter em mente que, do ponto de vista político, a ação colonizadora 
de “conquista” significou: 
 
1) a conquista como uma modalidade de guerra, em que domínio sobre 
populações reduzidas pela força militar, suas terras, seus recursos naturais 
foram apropriados num processo no qual a aliança com parte das 
populações habitantes dos espaços a serem incorporados, e todo um 
aparato que hoje chamaríamos de “meios de comunicação”, tiveram tanta 
ou mais importância que a violência física; 
2) a conquista não foi somente guerra e destruição (violência aberta, portanto); mas implicou 
em produção de novas relações/identidades sociais, isto é, também se apresentou como 
violência simbólica; 
3) no caso dos povos presentes na porção do continente invadida pelos portugueses, 
devemos falar no plural - em conquistas -, pois, ao contrário do México ou do Peru, onde os 
espanhóis lutaram contra estruturas de poder com um modo de centralização similar a 
algumas existentes no passado mediterrâneo, os dispositivos políticos dos índios brasileiros 
eram muito distintos. 
 
No contexto da pregação cristã em terras indígenas, ao mesmo tempo que índios eram 
catequizados, eles também mantinham suas identidades culturais originárias. Com isso, muitos 
sincretismos religiosos foram formados, à revelia do controle da catequização dos jesuítas. Na 
prática, era uma forma de resistirem tanto à violência física da escravização, quanto à violência 
subjetiva da catequização. Como as reduções acabavam se transformando em locais protegidos, 
muitos índios passavam a viver sob a tutela dos jesuítas. 
 
A mistura entre a cultura cristã e a indígena produziu visões de mundo, formas de pensar própria 
das etnias indígenas, baseadas na resistência contra o europeu opressor e explorador, um 
verdadeiro sincretismo. 
 
Para você ter uma ideia, em 1580, no Recôncavo Baiano, ocorreu uma grande insurreição 
indígena. Até os jesuítas ficaram surpresos. Antônio, um índio educado por jesuítas, reuniu vários 
índios escravizados para anunciar a profecia da Terra sem Mal. Essa terra seria um lugar distante 
 
21 LIMA, Antonio Carlos de Souza. Um olhar sobre a presença das populações nativas na Invenção do 
Brasil. IN: Aracy Lopez da Silva; Luiz Donisetti Benzi Grupioni. (Org.). A QUESTÃO INDÍGENA NA SALA 
DEAULA. NOVOS SUBSÍDIOS PARA PROFESSORES DE 1º E 2º GRAUS. 1 ed. BRASÍLIA: MEC, 1995, p. 
407-419 
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dos engenhos e das brutalidades dos senhores. A revolta foibrutalmente massacrada por tropas 
portugueses da região nordeste. Por sinal, no nordeste do Brasil colônia, o período de 1540 até 
1570 marcou o apogeu da escravidão indígena nos engenhos, especialmente naqueles localizados 
em Pernambuco e na Bahia, como vimos anteriormente. 
A Coroa portuguesa publicou uma ordem de proibição da escravização dos povos nativos, 
em 1570, lembra? Isso ocorreu devido a: 
➢ resistência indígena à escravização 
➢ diminuição exponencial da população indígena (vítimas das doenças e do trabalho 
escravo extenuante) 
➢ resistência dos jesuítas 
➢ necessidade de os negócios da Coroa (lucro) serem ampliados a partir do tráfico 
negreiro 
 É importante ressaltar que essa ordem teve mais eficácia no nordeste do Brasil, nas terras 
dos grandes engenhos de açúcar e pouca no sudeste e sul. 
A perseguição e subjugação dos índios no sudeste do Brasil foi incentivada por autoridades 
da Coroa portuguesa presentes na colônia e por agentes particulares (portugueses 
endinheirados), que buscavam novos investimentos, para além do comércio da cana de açúcar. 
Como a produção de açúcar das capitanias de Santo Amaro e São Vicente (territórios equivalentes 
à região atual do estado de São Paulo) não conseguiam competir com o Nordeste, os paulistas 
tiveram que pensar em alternativas de investimento, como: comércio de índios escravizados e 
busca por metais preciosos. 
Os paulistas, em particular aqueles conhecidos como “bandeirantes”, organizaram vilas e 
terras agricultáveis a partir da mão de obra escrava indígena. Contudo, tiveram que sair do litoral 
e adentrar o planalto em busca de riquezas, de índios e terras mais agricultáveis. Por isso, esses 
colonizadores europeus passaram a ser conhecidos como “sertanistas”, da qual “bandeirante” é 
uma variante. 
O centro desse movimento de interiorização dos conquistadores foi a vila de São Paulo, 
fundada pelos jesuítas em 1554. Nessa região, a escravização indígena foi empregada em setores 
específicos da agricultura, como na plantação do trigo. Esse produto era comercializado com 
outras regiões, como a do Rio de Janeiro. O interessante é que essa situação gerava um conflito 
entre bandeirantes e jesuítas – que combatiam a escravização indígena – e, posteriormente, com 
a Coroa (Metrópole), quando ela passou a proibir a mão de obra escrava indígena, em 1570. 
Muitos aldeamentos (as reduções) eram atacados por bandeirantes. 
 Em linhas gerais, os bandeirantes paulistas: 
 ignoravam a proibição da captura e do tráfico de índios; 
 ignoravam o papel das reduções jesuítas; 
 ignoravam as demarcações do Tratado de Tordesilhas, pois as expedições sertanistas 
acabavam estabelecendo domínios em terras espanholas. 
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Por volta de 1640, os jesuítas das terras do sul, sudeste e centro-oeste, juntamente com os 
indígenas, conseguiram resistir e impuseram derrotas aos bandeirantes. Dessa forma, o 
fornecimento de mão de obra para a economia da capitania de São Vicente foi estagnado, 
dificultando ainda mais a vida econômica de uma região marginal na economia açucareira. 
Diante dessa derrota, os bandeirantes passaram a ser contratados para destruir e 
desarticular os quilombos do Nordeste. Um desses contratados para agir no Nordeste foi o 
bandeirante Domingo Jorge Velho, que recebeu uma fortuna em troca de dizimar o Quilombo 
dos Palmares. Com seis mil homens (a maioria brancos paulistas e mamelucos, isto é, homens com 
ascendência europeia e indígena), após cercarem Palmares, a resistência quilombola foi derrotada 
em janeiro/fevereiro de 
1694. 
Outra região que 
sofreu com a chegada do 
modo de vida colonial 
escravista foi Maranhão e 
Grão-Pará. Como a 
produção canavieira 
também não encontrou 
solo favorável nessas 
terras, as alternativas 
foram os comércios de 
índios escravizados e de 
produtos da terra. Os 
colonizadores 
aproveitaram-se da 
exploração das chamadas 
“drogas do sertão” da 
Floresta Amazônica 
(produtos in natura para remédios, temperos e tinturaria). A mão de obra empregada nesse tipo 
de atividade foi a escrava indígena. 
A título de reforço, lembre-se de que outra violência empregada contra os índios foi a 
disseminação de doenças. Tanto os colonos europeus, quanto os aldeamentos jesuíticos 
contribuíram para a propagação da varíola, da gripe, dentre outras doenças não típicas dos povos 
nativos. Em 1562, em nome da “Guerra Justa”, o Governador Mem de Sá se dirigiu com um 
exército até o litoral norte da Bahia e parte de Pernambuco para conter uma revolta dos caetés. 
Depois de submetidos, esses índios sofreram com a epidemia de varíola. Cerca de 70 mil deles 
morreram nesse momento. 
 
 
Profe Alê Lopes 
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 Em resposta à deterioração das condições de vida, seja nas aldeias (vilas ou reduções), seja 
fruto das perseguições, os índios responderam de muitas formas 
 fugas para regiões mais interioranas; 
 conflitos físicos contra os conquistadores. 
 Cercamento de aldeias e ataques a engenhos; 
 Alianças com europeus rivais, por exemplo, Tupinambás aliaram-se com franceses para 
combater os portugueses 
Entretanto, as resistências indígenas não foram suficientes para conter as baixas. Conforme 
compilação de dados governamentais, o balanço histórico da população indígena é percebido nos 
seguintes números: 
 
Os Tupinambás ganharam destaque na preocupação da Coroa Portuguesa. Além de, em 
certas ocasiões se aliarem aos franceses, eles realmente colocavam em risco os planos da 
Metrópole. Foram diretamente citados nas ordens do Rei de Portugal aos Governadores para que 
todos os Tupinambás fossem “castigados com muito rigor (...) distraindo-lhes suas aldeias e 
povoações e matando e cativando aquela parte deles que vos parecer que basta para seu castigo 
e exemplo”22. 
 
22 OLIVEIRA, João Pacheco. Op. Cit., p. 183. 
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(UNICAMP/2019) 
Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica 
falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os 
franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão 
fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de 
colonos. 
(Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. 
Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) 
Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. 
a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, 
que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do 
Atlântico. 
b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e 
dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período 
pombalino e no século XIX. 
c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle 
da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. 
d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra 
indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua 
portuguesa. 
Comentários 
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Para exercer o controle sobre os povos das Américas colonizados, os europeus lançaram mão 
do aprendizado das línguas nativas para melhor compreender e penetrar no meio indígena. 
Com efeito, esse “aprendizado” das línguas fez parte das estratégias de dominação. Dentre 
os agentes europeus que buscaram estabelecer comunicações a partir das línguas nativas, 
destacaram-se os missionários. Por sinal, foi a partir desse tipo de prática que os índios 
tambémforam alvos do processo de catequização (conversão ao catolicismo). 
A alternativa A está errada, pois o trecho “amplamente usado na correspondência e na 
administração colonial nos dois lados do Atlântico” indica, equivocadamente, a oficialização 
das línguas nativas. Algo que seria, no mínimo, uma heresia do ponto de vista religioso. A 
escrita e a linguagem em geral são fontes fundamentais para projetos de dominação. Por 
isso, o português foi mantido nas correspondências oficiais. 
A alternativa B restringe a estratégia de dominação por meio da língua a um período 
pequeno da história do Brasil, quando, na verdade, a prática foi empenhada desde o século 
XVI. O próprio texto dá um destaque ao século XVII. 
A letra C é o nosso Gabarito. 
A letra D contradiz os argumentos do próprio texto motivador da questão, segundo o qual a 
Coroa portuguesa estimulou (“exortou”) os missionários a se empenharem na língua nativa. 
Gabarito: C 
 
Os conflitos em torno da questão indígena no Brasil continuam até hoje, principalmente 
aqueles relacionados à demarcação de terras.23 
A demarcação é um tipo de política pública que procura preservar áreas originárias 
de diversas etnias. Porém, sabemos que o crescente desmatamento provocado por madeireiras e 
pela indústria de papel, as devastações feitas pelo “agronegócio”, as mineradoras, dentre outras 
empresas despreocupadas com questões ambientais e com os povos originários, tornam o conflito 
pela terra mais intenso. 
Essa discussão atual com olhares para o passado é muito importante e pode cair no seu 
vestibular de diferentes formas, principalmente porque, segundo o Comitê de Direitos Humanos 
da ONU, 
 [...] a cultura se manifesta sob várias formas, inclusive no que diz respeito a um modo 
de vida especificamente relacionado ao uso de recursos associados à terra, em especial 
 
23 Se você tiver interesse de saber mais sobre a questão indígena no Brasil, entre no portal da Fundação 
Nacional do Índio, a FUNAI, uma entidade do Governo Federal. Já para saber como as etnias atuais 
buscam se auto afirmar e construir suas identidades, veja os Raps: 
https://www.youtube.com/watch?v=oLbhGYfDmQg e 
https://www.youtube.com/watch?v=hyyBB_xf3jo. 
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no caso de povos indígenas. Esse direito pode incluir atividades tradicionais, como 
pesca ou caça”. 
 
 
Pensando nessas questões, trouxe para você refletir dois fatos atuais que expressam a resistência 
e a busca pela identidade indígena a partir de novas tecnologias, ou seja, a persistência dos índios. 
HQ indígena 
Lançada em outubro de 2016 pela editora Elefante, e assinada pelo desenhista Vitor 
Flynn Paciornik, a HQ “Xondaro” conta a história de um protesto da aldeia Guarani Krukuto, 
etnia localizada na grande São Paulo. Este HQ também fala sobre a mitologia e história dos 
Guarani. 
 
 Rádio Yandê 
Essa rádio está no ar, via web e diferentes mídias sociais, desde 2013. É uma rádio 
composta por programadores, diretores, radialistas, jornalistas, todos indígenas. Um dos 
objetivos dos programas é combater estereótipos formado em torno da figura do índio. A palavra 
“yandê”, de acordo com uma das fundadoras, Renata Machado, jornalista da etnia tupinambá, 
vem da língua tupi. Dependendo do contexto, yandê pode significar tanto “você” quanto 
“nosso” e “nós”. O slogan adotado é “a rádio de todos nós”. Um dos o “Papo na Rede”, em que 
indígenas de diferentes etnias e até de outros países conversam sobre variedades e seu cotidiano, 
via Google Hangouts, com correspondentes, coordenadores e colaboradores da rádio. 
 
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7. AÇÚCAR: DO ESPLENDOR À CRISE 
Desde que se começou a produzir açúcar na colônia, no início do século XVI, o Brasil tornou-
se o maior produtor e exportador desse produto. 
De fato, o século XVI marco o esplendor da 
economia açucareira. Comerciantes 
portugueses, holandeses, colonos senhores de 
engenho, bem como outros países de maneira 
indireta, beneficiaram-se grandemente do 
comércio internacional dessa mercadoria. A 
proliferação dos engenhos, no Brasil, era uma 
demonstração de um lucrativo negócio. 
O professor Stuart B. 
Schwartz24, afirma que esse rápido 
crescimento da produção 
açucareira parece estar vinculado 
a dois fatores macroeconômicos. 
7.1 – EXPLICANDO A CRISE DO AÇÚCAR 
A partir do século XVII o cenário mudou. Houve uma expressiva queda nas exportações do 
açúcar brasileiro, o que gerou uma crise da economia colonial. Observe na tabela os dados que 
demonstram esse declínio. 
 
 
 
24 SCHWART.Stuart B. O Brasil Colonial, c. 1580-1750: as grandes lavouras e as periferias. In (org) 
BETHELL, Leslie. História da América Latina: América Latina colonial. Volume II. São Paulo: Editora da 
Universidade de São Paulo/USP; Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012. Pp. 339-422. 
Profe Alê Lopes 
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O professor Schwartz explica que, a longo prazo, as questões de perdas e lucros da 
produção voltada para o mercado externo, como o açúcar, são vulneráveis a pelo menos por 3 
elementos: 
 movimento de oferta e demanda do produto 
 cenário da política internacional 
 Questões locais no centro produtor 
Levando em consideração esse esquema lógico, vamos à análise que procura explicar por 
que, no século XVII, a produção açucareira no Brasil passou do esplendor à decadência. Vejamos. 
 
7.1.1 – Mercado internacional do açúcar e de escravos 
No começo do século XVII, com a expansão do século XVI, houve o aumento da oferta do 
produto no mercado. Isso tornava o produto cada vez mais barato. Além disso, o aumento da 
produção do açúcar fez aumentar a demanda por escravos, por isso, veremos que ao longo do 
século XVII ocorreu o aumento expressivo do preço de cada escravo. E o que isso tem a ver, você 
poderia me perguntar. 
A questão é que o escravo representava o maior custo da produção açucareira. Baseado 
nos números de João André Antonil, o professor Schwartz afirma que o preço de cada escravo 
quadruplicou. Portanto, o custo da produção aumentava. Qual a conclusão, meus caros? 
 
 
“Pode-se dizer, de modo geral que, o Brasil defrontou-se com custos crescentes e 
preços declinantes para o seu açúcar.” 
(SCHWATZ, idem, p. 367-368) 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
É verdade que a partir de 1620 os valores do açúcar começaram a subir na Europa. No 
entanto, as questões políticas internacionais com grandes consequências para as questões locais 
na colônia não contribuíam para a retomada dos lucros da empresa açucareira na América 
Portuguesa. 
Vamos aos fatos! 
7.1.2 – União Ibérica e invasão holandesa 
A União ibérica é o nome que se dá para o momento histórico em que houve união das 
coroas portuguesa e espanhola, entre 1580 e 1640. 
 Mas Alê, o que aconteceu para unificar as coroas? Foi um casamento? Uma crise sucessória, 
o que rolou? 
Em 1578, morreu o último rei da Dinastia dos Avis – Dom Sebastião. Na verdade, ele sumiu 
durante a conhecida Batalha de Alcácer-Quibir, contra os mouros no norte da África. Seu corpo 
nunca foi encontrado. Como o jovem rei não deixou herdeiros, seu tio-avô, o Cardeal dom 
Henrique, governou Portugal. Dois anos depois morreu e não deixou herdeiros. 
Então, em 1580, o rei da Espanha, considerando-se herdeiro legítimo do trono de Portugal 
(porque era um neto e um dos reis portugueses), invadiu Portugal e o submeteu. Nesse cenário 
prometeu: 
 autonomia para a Coroa, que seria governada por um regente. 
 não interferência na colônia portuguesa. 
 
Mas o que vimos foi diferente. Os conflitos políticos internacionais nos quais a Espanha 
estava envolvida acabaram surtindo efeito na América Portuguesa. Refiro-me às disputas entre a 
Espanha e a Holanda. Esta estava em plena luta pelaindependência em relação ao domínio 
espanhol sobre seu território. 
 
Já está imaginando os rolos que podem ser gerados? Lembra do papel da Holanda na economia 
açucareira de Portugal no Brasil? Pois, então.... 
Diante dessa disputa entre espanhóis e flamengos, uma das medidas do governo espanhol 
de Felipe II foi excluir a Holanda do negócio açucareiro do Brasil. Assim, isso afetou diretamente 
as relações comerciais entre Portugal e Holanda, sacaram? 
 
Meu deus, Alê, mas quem iria refinar o açúcar brasileiro? 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Pois é, Bixo, se fosse só esse problema estava bom. A questão é que a Holanda não podia 
deixar passar em branco, já que ela dependia da produção do açúcar para manter suas divisas. 
Nesse começo de século XVII, ela não produzia açúcar, apenas transportava e refinava. Como você 
deve saber a essa altura da aula, produzir cana-de-açúcar era um negócio complexo e custoso. 
Assim, o que a Holanda resolveu fazer? 
INVADIR O BRASIL!!!!! 
 Perceberam qual era a intenção da Holanda? Ocupar o lugar de Portugal no mercado 
mundial, ocupando suas feitorias, colônias e controlando o comércio com a Índia. 
Portanto, as pretensões não se restringiam à América Portuguesa, mas às possessões de 
Portugal de modo geral. Por isso, antes de invadir o Brasil, os holandeses pilharam a costa africana 
e criaram a Companhia das Índias Orientais – empresa privada e pública que tinha por objetivo 
controlar e monopolizar as atividades comerciais com o Oriente. Anos depois, em 1621 fundaram 
a Companhia das Índias Ocidentais, com o mesmo formato, porém, para monopolizar o comércio 
com a África e América. 
Para o Brasil tratava-se apenas de ser explorado por outra potência, ou seja, uma substituição 
de quem manda. 
Bem, profe, a pergunta é: deu certo? 
A Holanda delegou a Companhia das Índias Ocidentais a tarefa de invadir o nordeste 
brasileiro – já que em Pernambuco e na Bahia encontravam-se as principais zonas produtoras de 
açúcar. Veja a cronologia dos ataques: 
 
7.1.3 – Brasil Holandês 
O estabelecimento dos holandeses ocorreu em Pernambuco, a capitania mais importante em 
função do açúcar. Em 1630, 56 navios chegaram ao litoral expulsaram o então governador da 
capitania, Matias Albuquerque. Este fugiu para o interior e se estabeleceu no Arraial de Bom Jesus. 
Profe Alê Lopes 
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A partir desse Arraial pode-se dizer que a tática de resistência contra os holandeses foi a de 
guerrilha. Até 1635 a resistência deu trabalho aos holandeses, depois, foram mais dois anos para 
que, a partir de 1637, a Companhia das Índias Ocidentais conquistasse a região e organizasse a 
administração do território conquistado. Então, anote aí: entre 1637 e 1644 os holandeses 
reinaram na região pernambucana. 
Para essa empreitada, chegou ao Brasil o conde João Maurício de Nassau-Siegen, que foi 
nomeado governador-geral do Brasil Holandês. Com o objetivo de pacificar e retomar os negócios 
lucrativos, sua administração ficou marcada pelo seguinte: 
• Reativação econômica: concessão de créditos aos senhores de engenho, inclusive 
portugueses, a partir do dinheiro da Companhia das Índicas Ocidentais. 
• Tolerância religiosa: a religião oficial dos holandeses era o calvinismo. Assim, para ampliar 
as possibilidades de pacificação, essa medida amenizou conflitos com portugueses e 
espanhóis católicos e com outras religiões. 
• Reforma urbanística: Recife foi repaginado, um grande investimento arquitetônico, com 
construção de casas, pontes, ruas, saneamento básico, dentre outras obras de 
infraestrutura. 
• Estímulo à vida cultural: foi uma época em que diversos pintores retrataram a economia 
açucareira e o esplendor de Pernambuco, segundo a visão pintada nos quadros. 
 
Quem foi Nassau? 
Sua origem é alemã, de família nobre, porém, foi nos Países Baixos (Holanda) que Johann Moritz 
von Nassau-Siegen (1604-1679), mais conhecido como João Mauricio de Nassau-Siegen, ganhou 
notoriedade. Nassau recebeu uma educação humanista e baseada na religião protestante. 
A partir dos 16 anos de idade foi morar nos Países Baixos onde iniciou a carreira militar. No 
exército holandês, ele exerceu a função de “alferes de cavalaria”. Se destacou nas operações e 
campanhas na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), contra a Espanha e pela independência das 
regiões dos Países Baixos. Com destaque, em 1636 ele liderou a reconquista do castelo 
Schenkenschans, o qual estava sob domínio dos espanhóis. Seu nome passou a ser motivo de 
orgulho para os holandeses e, com pouco mais de 30 anos de idade, assumiu o comando dos 
negócios da Companhia das Índias Ocidentais no nordeste brasileiro. 
Como recompensa dos serviços prestados, Nassau recebeu do rei do Sacro Império Romano-
Germânico, em 1652, o título de príncipe. Aposentou-se da vida militar, em 1675. 
 
Como tudo o que é bom dura pouco, Nassau se desentendeu com a Companhia das Índias 
Ocidentais. Perdeu o cargo de governador-geral em 1644 e voltou para Europa. 
A saída de Nassau praticamente coincide com a reconquista de Portugal, em 1640, pelos 
portugueses. Ainda sob a administração de Nassau, os portugueses buscaram um acordo de paz 
com os holandeses, um acordo de 10 anos. Mas, três elementos influenciam na quebra do acordo: 
• A saída de Nassau, em 1644, do comando da administração de Pernambuco. 
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• A pressão da Companhia das Índias Ocidentais para que os engenhos produzissem 
mais, pagassem mais impostos e liquidassem as dívidas dos créditos anteriormente 
concedidos. 
• Iniciou da intolerância religiosa, proibindo católicos de praticarem livremente a 
religião. 
Neste cenário conflituoso, os portugueses e os luso-brasileiros a luta pela expulsão dos 
holandeses. 
7.1.4 – Insurreição Pernambucana (1645-1654) 
A Insurreição Pernambucana foi a guerra que garantiu a restauração do território colonial 
para a Coroa portuguesa. Por meio de uma longa guerra que uniu colonos, índios, negros libertos, 
senhores de engenho, foi possível expulsar os Holandeses do Brasil, em 1954. 
Além do que expliquei acima, vamos sistematizar as causas em outras palavras: 
 especulações extorsivas praticadas por comerciantes estrangeiros – em cenário de queda 
internacional do preço do açúcar; 
 insolvência das dívidas de luso-brasileiros que passaram a ser cobrados intensamente; 
 antagonismo religioso entre católicos e calvinistas, exacerbado após a partida de Nassau; 
 negação da prometida participação dos colonos pernambucanos nos governos locais. 
 
Observe a Cronologia da Guerra que expulsou os Holandeses do Brasil 
 
 
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“Nestes montes, brancos, negros e índios, irmanados por um só ideal, o de defender a pátria 
contra o invasor holandês, por duas vezes, derrotaram poderosa força de um exército muito 
superior em efetivo, em armamento e em equipamento.” – Exército Brasileiro 
Começo essa parte com uma citação do Exército para você entender o sentido histórico que 
a Corporação atribui a esse evento: uma unidade de todas as raças (tropas patriotas) para 
defender a pátria. É claro que não tínhamos pátria e nem exército, mas é uma experiência 
“protonacionalista” – defesa militar do território. Guardem isso. As Batalhas de Guararapes foram 
fundamentais para expulsar os holandeses do Brasil. 
 
Veja os principais comandantes, suas origens étnicas que respaldam a interpretação que traz a 
citação do Exército brasileiro. 
 
 
Observe a descrição feita da região onde ocorreram as batalhas: 
Nós estamos no interior do Parque Histórico Nacional dos Guararapes, no município de Jaboatão 
dos Guararapes, mais precisamente no Mirante, no Morro do Oitizeiro, o qual se estende até o 
Oceano Atlântico. Entre amata do Morro do Oitizeiro e o alagadiço próximo ao mar, encontramos 
uma estreita passagem denominada de Boqueirão. Na nossa frente está o Monte de Telégrafo. À 
retaguarda destaca-se o Morro do Outeiro ou atual Morro da Igreja. Entre o Monte do Telégrafo 
e o Morro do Outeiro, identificamos o Córrego da Batalha. Além do Monte do Telégrafo, ligando 
a cidade do Recife aos Montes Guararapes, encontramos a Estrada da Batalha, a qual se dirige 
para o interior do Boqueirão. 
 
Batalha do Monte das Tabocas 
Apesar de Guararapes ser o confronto mais lembrado, vale destacar a Batalha do 
Montes das Tabocas, pois foi o primeiro enfrentamento entre tropas da Companhia 
das Índias e a resistência pernambucana. Ela ocorreu em agosto de 1645 e 
demonstrou a habilidade da força militar luso-brasileira em emboscar o inimigo aproveitando as 
vantagens do terreno. Mas, o grande destaque foi para os civis e para escravos, o povo mesmo. 
No ápice do confronto, após dias de avanços e retrocessos, a batalha virou corpo a corpo. O povo 
Capitão
Antonio Dias Cardoso (branco)
Felipe Camarão (índio) Henrique Dias (negro)
http://www.7rm.eb.mil.br/index.php/parque-historico
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
começou a aparecer, escravos também entrar com flechas, instrumentos de trabalho, e, no final, 
os holandeses foram derrotados, tiveram que fugir. 
A rendição holandesa ocorreu após acordos de paz entre Portugal e Holanda. O último 
acordo, de 1669, estabeleceu que, em troca do Nordeste brasileiro e de algumas possessões na 
África, os holandeses receberiam como pagamento o equivalente a 63 toneladas de ouro. 
 
 
(FUVEST 1995) 
Foram, respectivamente, fatores importantes na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil 
e na sua posterior expulsão: 
a) o envolvimento da Holanda no tráfico de escravos e os desentendimentos entre Maurício 
de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais. 
b) a participação da Holanda na economia do açúcar e o endividamento dos senhores de 
engenho com a Companhia das Índias Ocidentais. 
c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a resistência e não aceitação do domínio 
estrangeiro pela população. 
d) a tentativa da Holanda em monopolizar o comércio colonial e o fim da dominação 
espanhola em Portugal. 
e) a exclusão da Holanda da economia açucareira e a mudança de interesses da Companhia 
das Índias Ocidentais. 
Comentário 
Olha só, eu escolhi essa questão para mostrar para reforçar com você o modo de resolvê-la. 
São 2 perguntas em 1. Fatores para a ocupação do território colonial pela Holanda e, depois, 
os motivos da sua expulsão. Aqui você precisava conhecer um pouco sobre a história da 
relação entre Holanda e Portugal durante o Período da União Ibérica. O que causou a invasão 
da Holanda foi sua participação no comércio do açúcar e, com a União Ibérica, o fim dessa 
parceria. A expulsão se deu porque a Holanda, por meio da companhia de Comércio das 
Índias Ocidentais, pressionou os senhores de engenho endividados com os bancos 
holandeses. 
Gabarito: B 
Profe Alê Lopes 
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69 
 
 
AULA 06 HB: Colônia I 
 
Agora, como esse capítulo da História do Brasil é importante, convém trazer 
para nosso conhecimento uma passagem reflexiva do historiador Boris Fausto 
que, eventualmente, pode virar questão de prova. Olha só o que ele indica: 
 
Uma pergunta que sempre surge quando se estuda a presença holandesa no Brasil é a seguinte: o 
destino do país seria diferente se tivesse ficado nas mãos da Holanda e não de Portugal? 
Não há uma resposta segura para essa questão, pois ela envolve uma conjectura, uma possibilidade 
que não se tornou real. Quando se compara o governo de Nassau com a rudeza lusa e a natureza 
muitas vezes predatória de sua colonização, a resposta parece ser positiva. Mas convém lembrar 
que Nassau representava apenas uma tendência e a Companhia das Índias outra, mais próxima do 
estilo do empreendimento colonial português. Vista a questão sob esse ângulo, e quando se 
constata o que aconteceu nas colônias holandesas da Ásia e das Antilhas, as dúvidas crescem. A 
colonização dependeu menos da nacionalidade do colonizador e mais do tipo de 
colonização implantado. Os ingleses, por exemplo, estabeleceram colônias bem diversas nos 
Estados Unidos e na Jamaica. Nas mãos de portugueses ou holandeses, com matizes certamente 
diversos, o Brasil teria mantido a mesma condição de colônia de exploração integrada no sistema 
colonial. 
(FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995, pp. 89-90) 
 
7.1.5 – As consequências para a economia colonial 
Para a economia açucareira, na América Portuguesa, a União Ibérica e os consequentes 
conflitos com a Holanda foi um desastre. O saldo geral foi a diminuição das exportações de açúcar 
e a perda da liderança no mercado mundial. O Brasil nunca mais foi o mesmo no sistema de 
comercio atlântico. 
Portugal também nunca mais foi o mesmo, veremos que ele passará para uma posição de 
dependência e submissão em relação a outros países que, nesses 60 anos, alçaram voos e 
ocuparam o espaço outrora monopolizado pelos pioneiros portugueses. Veremos esse assunto na 
próxima aula 
Abaixo trago para vocês uma lista das perdas que Portugal e Brasil tiveram nesse período, 
segundo artigo do professor da Universidade de Yale, Stuart B. Schwartz: 
❖ Entre 1624 e 1628: perda de inúmeras safras de cana de açúcar 
❖ Entre 1630 e 1639: perda de 199 navios portugueses 
❖ Entre 1647 e 1648: perda de 220 navios portugueses e destruição de 23 engenhos 
❖ Entre 1645 e 1654: incêndio de canaviais e engenhos. Desativação de 65 de 49 engenhos 
em Pernambuco 
❖ 1650: Redução da capacidade produtiva. Estimava-se que Pernambuco tinha capacidade 
para produzir 25 mil caixas de açúcar. Mas só produziu 6 mil caixas 
Além disso, quero ressaltar que a Holanda passou a produzir cana-de-açúcar nas Ilhas 
Antilhanas. Durante o tempo em que a Companhia das Índias Ocidentais permaneceu ocupando 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
o nordeste brasileiro, ela aprendeu e aprimorou as técnicas necessárias para desenvolver um 
engenho. Assim, detentores do conhecimento sobre todas as fases dos negócios do açúcar 
(produção, refino e comercialização), os Holandeses passaram a vende-lo mais barato que aquele 
produzido no Brasil. A Holanda saiu, levou o conhecimento da produção e, também, os recursos 
econômicos que sempre foram necessários para o funcionamento dos engenhos. 
Realmente, as duas décadas finais do século XVII foram um cenário triste para a colônia 
portuguesa na América. A decadência do açúcar representou a decadência da própria colônia. 
Conforme leciona Schwartz, 
Na verdade, a década de 1680 assinalou uma redução profunda das fortunas oriundas 
da economia açucareira do Brasil. A colônia foi assolada por grave seca que durou de 
1681 a 1684, por surtos de varíola de 1682 a 1684 e por uma epidemia de febre 
amarela[..]. Além desses problemas, houve uma crise no mundo atlântico após 1680. 
Em 1687, João Peixoto da Veiga escreveu seu famoso “memorial”, onde identifica os 
problemas da agricultura brasileira e prevê a ruína da colônia [...].25 
Na próxima aula veremos como o Governo Português tentou recuperar a economia e os 
impactos dessas medidas no Brasil. 
Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre a chegada dos 
portugueses na América, a implantação do sistema de exploração colonial português e o 
desenvolvimento da civilização do açúcar. 
Assim, mergulhamos em experiências ocorridas entre o início do século XVI até o final do 
século XVII. Anota no seu controle de temporalidade. 
É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão, HEIN! Aproveita TODOS os 
comentários, porque foram pensados em cada detalhe para ensinar o conteúdo e, também, nas 
melhores formas de respondê-las! E lembrando: esseassunto despenca no seu vestibular!!! 
Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem! 
Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim! 
Alê 
 
 
 
 
 
 
 
25 SCHWARTZ, S.B. op. Cit, p. 370. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
8. QUESTÕES ESSENCIAIS – UNICAMP 
 (Unicamp 2020) 
Na América Portuguesa do século XVI, a política europeia para os indígenas pressupunha 
também a existência de uma política indígena frente aos europeus, já que os Tamoios e os 
Tupiniquins tinham seus próprios motivos para se aliarem aos franceses ou aos portugueses. 
(Adaptado de Manuela Carneiro da Cunha, Introdução a uma história indígena. São Paulo: 
Companhia das Letras/Fapesp, 1992, p. 18.) 
Com base no excerto e nos seus conhecimentos sobre os primeiros contatos entre europeus 
e indígenas no Brasil, assinale a alternativa correta. 
a) A população ameríndia era heterogênea e os conflitos entre diferentes grupos étnicos 
ajudaram a definir, de acordo com suas próprias lógicas e interesses, a dinâmica dos seus 
contatos com os europeus. 
b) O fato de Tamoios e Tupiniquins serem grupos aliados contribuiu para neutralizar as 
disputas entre franceses e portugueses pelo controle do Brasil, pelo papel mediador que os 
nativos exerciam. 
c) Os indígenas, agentes de sua história, desde cedo souberam explorar as rivalidades entre 
os europeus e mantê-los afastados dos seus conflitos interétnicos, anulando o impacto da 
presença portuguesa. 
d) As etnias indígenas viviam em harmonia umas com as outras e em equilíbrio com a 
natureza. Esse quadro foi alterado com a chegada dos europeus, que passaram a incentivar 
os conflitos interétnicos para estabelecer o domínio colonial. 
 (Unicamp 2019) 
Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica 
falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os 
franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão 
fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de 
colonos. 
(Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. 
Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) 
Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. 
a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, 
que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do 
Atlântico. 
b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e 
dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período 
pombalino e no século XIX. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle 
da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. 
d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra 
indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua 
portuguesa. 
 (Unicamp 2019) 
As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram 
apenas uma entre várias outras. Em muitas situações, a composição química das folhas 
favorecia a escolha de outras plantas e a folhagem da mandioca era cortada apenas quando 
as preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na agricultura comercial, machados e foices 
de ferro permitiam abrir clareiras em uma escala maior, resultando em grande 
homogeneidade da flora. Nas lavouras de mandioca de finais do século XVII e do início do 
século XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas opções das formigas. 
Depois de mais algumas colheitas, a infestação das formigas tornava-se insuportável, por 
vezes causando o completo despovoamento humano da área. 
(Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’: território, ecologia e a 
história ambiental da América Portuguesa – parte 2. HALAC - História Ambiental 
Latinoamericana y Caribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.) 
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre História do Brasil Colônia, assinale 
a alternativa correta. 
 a) A principal diferença entre as lavouras indígenas e a agricultura comercial colonial estava 
no uso de queimadas pelos europeus, o que não era praticado pelas populações autóctones. 
b) Comparadas à mandioca cultivada pelos indígenas, as novas espécies de mandioca 
trazidas da Europa eram menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso mais 
susceptíveis à infestação. 
c) Os colonizadores introduziram no território colonial novas espécies de mandioca e milho, 
que desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rotativo de plantação. 
d) A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora nas lavouras da América 
Portuguesa, combinando tradições europeias de plantio com práticas indígenas. 
 (UNICAMP/2017) 
O documento abaixo foi redigido pelo governador de Pernambuco, Caetano de Melo e 
Castro, em 18 de agosto de 1694, para comunicar ao Rei de Portugal a tomada da Serra da 
Barriga. 
“ (...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade da gloriosa restauração dos Palmares, cuja 
feliz vitória senão avalia por menos que a expulsão dos holandeses, e assim foi festejada por 
todos estes povos com seis dias de luminárias. (...) Os negros se achando de modo poderosos 
que esperavam o nosso exército metidos na serra (....), fiando-se na aspereza do sítio, na 
multidão dos defensores. (...) Temeu-se muito a ruína destas Capitanias quando à vista de 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
tamanho exército e repetidos socorros como haviam ido para aquela campanha deixassem 
de ser vencidos aqueles rebeldes pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos todos 
destes moradores (....)”. 
(Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e comentários em documentos históricos 
do século XVII. Maceió: UFAL, 2004, p. 129.) Sobre o documento acima e seus significados 
atuais, é correto afirmar que 
a) foi escrito por uma autoridade da Coroa na colônia e tem como principal conteúdo a 
comemoração da morte de Zumbi dos Palmares. A data de 20 de novembro, como referência 
ao líder do quilombo, tem uma conotação simbólica para a população negra em contraponto 
à visão oficial do 13 de maio de 1888. 
b) o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos exércitos da Coroa, é entendido como 
menos glorioso quando comparado à expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654. 
Os dois eventos históricos não têm o mesmo apelo para a formação da sociedade brasileira 
na atualidade. 
c) o texto de Caetano de Melo e Castro indica que Palmares não gerou temor às estruturas 
coloniais da Capitania de Pernambuco. A comemoração oficial do Dia da Consciência Negra 
é uma invenção política do período recente. 
d) o Quilombo de Palmares representou uma ameaça aos poderes coloniais, já que muitos 
eram os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao quilombo. A data é celebrada, na 
atualidade, como símbolo da resistência pelos movimentos negros. 
 (Unicamp 2016) 
Os estudos históricos por muito tempo explicaram as relações entre Portugal e Brasil por 
meio da noção de pacto colonial ou exclusivo comercial. Sobre esse conceito, é correto 
afirmar que: 
a) Trata-se de uma característica central do sistema colonial moderno e um elemento 
constitutivo das práticas mercantilistas do Antigo Regime, que considera fundamental a 
dinâmica interna da economia colonial. 
b) Definia-se por um sistema baseado em dois polos: um centro de decisão, a metrópole, e 
outro subordinado, a colônia. Esta submetia-se à primeira através de uma série de 
mecanismos político-institucionais. 
c) Em mais de uma ocasião, os colonos reclamaram e foram insubordinadosdiante do pacto 
colonial, ao exigirem sua presença e atuação nas Cortes dos reis ou ao pedirem a presença 
do Marquês de Pombal na colônia. 
d) A noção de pacto colonial é um projeto embrionário de Estado que acomodava as tensões 
surgidas entre os interesses metropolitanos e coloniais, ao privilegiar as experiências do 
“viver em colônia”. 
 (Unicamp 2015) 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Engenheiros, naturalistas, matemáticos e artistas, sob o mecenato de Nassau, investigaram 
a natureza e transformaram a paisagem nordestina. Recife tornou-se uma das cidades mais 
importantes da América, com modernas pontes e prédios. Além do incentivo à arte, o 
governo [de Nassau] promulgou leis que eram iguais para todos, impedindo injustiças contra 
os antigos habitantes. 
(Ronald Raminelli, Invasões Holandesa”, em Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil 
Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 315.) 
As transformações durante o governo de Maurício de Nassau (1637-1645), em Pernambuco, 
são exemplos de um contexto em que 
a) o mecenato e a aplicação de leis idênticas para holandeses e luso-brasileiros eram uma 
continuidade do modelo renascentista, representando um período de modernização da 
região. 
b) houve dinamização da economia açucareira na região, com a reativação de engenhos e 
perdão de dívidas dos antigos proprietários, impulsionando a remodelação da cidade de 
Recife. c) houve a aplicação de princípios mercantilistas para a obtenção de lucros e a 
perseguição, por parte dos holandeses calvinistas, a judeus, cristãos-novos e católicos. 
d) as expedições dos artistas e cientistas tinham o propósito de retratar a paisagem e 
identificar potencialidades econômicas da região, pois o açúcar estava em declínio no 
comércio internacional. 
 (UNICAMP/2014) 
A história de São Paulo no século XVII se confunde com a história dos povos indígenas. Os 
índios não se limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou vítimas passivas dos 
colonizadores. Foram participantes ativos e conscientes de uma história que foi pouco 
generosa com eles. 
(Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em 
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/ sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.) 
Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, pode-se afirmar que: 
a) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa de sua proibição pela Coroa portuguesa, 
por pressão dos jesuítas. 
b) Sua participação nos aldeamentos fez parte da integração entre os projetos religioso e 
bélico de domínio português, executados por jesuítas e bandeirantes. 
c) A existência de alianças entre indígenas e portugueses não exclui as rivalidades entre 
grupos indígenas e entre os nativos e os europeus. 
d) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta 
com as práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco. 
 (Unicamp 2013) 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
“Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa 
junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores 
e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o 
sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas 
ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” 
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em 
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.) 
Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, 
a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo 
religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. 
b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar 
a circulação do ouro entre as minas e os portos. 
c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos 
portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. 
d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas 
por Pero Vaz de Caminha, em 1500 
 (UNICAMP/2012) 
Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos 
paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do 
século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando 
grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o 
governo do território, tentando impor suas próprias leis. 
(Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização 
Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) 
Sobre o período em questão é correto afirmar que: 
a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que 
lutaram pela posse e exploração das minas. 
b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século 
XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. 
c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português 
nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século 
XVIII. 
d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos 
deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa. 
 (Unicamp 2011) 
Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os 
indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 
 
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AULA 06 HB: Colônia I 
de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer 
acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que 
havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e 
novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por 
aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer 
que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de 
dar-lhe!” 
(Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; 
Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) 
Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas 
indígena e europeia foi 
a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações 
comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, 
voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. 
b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por 
meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura 
dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. 
c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na 
exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos 
povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. 
d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas 
indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à 
busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. 
9. QUESTÕES PARA APROFUNDAMENTO 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
“Objetivando regulamentar a atividade criatória, em 1688, a coroa portuguesa decretou 
alvará proibindo a criação de gado em uma área de dez léguas do Recôncavo Baiano. Essa 
determinação demonstrava a força política dos produtores de cana (...) na medida em que 
garantiram para si terras livrespróximas ao litoral, delas afastando a criação bovina. (...) o 
aumento dos rebanhos era correspondente à ampliação das áreas pastoris, alargando o 
mapa geográfico da ocupação da ocupação do gado. Diante disso, dilatou-se a [distância] 
entre o litoral e o sertão, com o contato comercial entre ambos se estruturando em torno 
das feiras, apontando o caráter efetivamente mercantil que passou a ter a pecuária. Uma das 
consequências imediatas desse processo foi o da formação, por parte dos colonizadores, de 
uma vastíssima rede de propriedades: as fazendas de gado. (...)” 
AQUINO, J. R. et al. Sociedade Brasileira: uma história através de movimentos sociais. Rio 
de Janeiro: Record, 1999. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
O texto trata de um período em que 
a) a economia colonial continuou sendo exclusivamente dedicada à produção e exportação 
de açúcar, que sabotou outras iniciativas. 
b) o açúcar foi totalmente substituído pela pecuária na região nordeste da América 
portuguesa, o que gerou a substituição da escravidão indígena pela africana. 
c) a rivalidade entre pecuaristas e produtores de cana provocou a eclosão de uma guerra civil 
entre recifenses e olindenses pelo status de capital da capitânia. 
d) os nativos foram integrados à economia colonial, pois já eram exímios criadores de gado, 
o que proporcionou a formação de uma elite indígena no Nordeste. 
e) a crise do açúcar abriu oportunidade para a ascensão da pecuária no Nordeste, mas não 
foi o suficiente para eclipsar a importância dos produtores de cana. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“[Os portugueses] que se submeteram à nossa obediência são os principais fatores da cultura 
da terra; alguns permanecem na antiga posse dos engenhos, outros compram muito dos 
engenhos confiscados. Ainda outros são lavradores de canaviais ou servem nos ofícios 
necessários ao movimento dos engenhos, entre os quais os ofícios para cujo desempenho 
não se apresentou até agora nenhum holandês, [...]. Os portugueses são também zelosos no 
cultivo dos seus canaviais e graças a eles a agricultura do país progrediu, se bem que, a não 
ser poucas vezes, se veja algum deles fazer por suas próprias mãos algum trabalho; sabem, 
porém, fazer trabalhar seus negros”. 
DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as capitanias conquistadas no Brasil pelos 
holandeses [1639]. Rio de Janeiro: IAA, 1947, p. 85-86. 
Com base no relatório do conselheiro da Companhia das Índias Ocidentais sobre as 
capitanias conquistadas no Brasil, assinale a alternativa correta: 
a) Como não dominavam o processo de produção de açúcar e falharam em cooptar os 
colonos portugueses, os holandeses se retiraram em pouco tempo do Nordeste. 
b) Os holandeses empreenderam uma política de aliança com colonos portugueses 
remanescentes, fornecendo-lhes de empréstimos e instituindo a tolerância religiosa. 
c) Os portugueses recusavam-se a fazer negócios ou trabalhar para a companhia holandesa 
independente da oferta feita a eles, dificultando a estadia dos invasores. 
d) Os portugueses se mostraram resistente ao domínio holandês, pois a escravidão africana 
foi abolida gerando um grande prejuízo econômico aos proprietários de engenho. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
O pintor, desenhista e gravador holandês Frans Janszoon Post foi um dos primeiros artistas 
europeus a retratar paisagens do Brasil, no período colonial. Assim, como outros documentos, os 
quadros e pinturas são considerados fontes históricas que carregam características próprias do 
Profe Alê Lopes 
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contexto em que foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que 
circulavam nas sociedades de seu tempo. 
 
Carro de bois, 1638, Frans Janzroon Post. 
A representação de Post 
a) é isenta de interesses econômicos, expressando a contemplação ingênua e bucólica da 
paisagem. 
b) compõe uma pintura informativa e serena, mas carregada de elementos pitorescos. 
c) reflete os valores liberais e protestantes dos holandeses, que pretendiam descolonizar o 
Nordeste. 
d) introduz o uso do realismo na construção de uma crítica social por meio da arte. 
e) expressa o ideal romântico de arte e beleza através da utilização de cores frias e 
equilibradas. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“O ciclo da guerra na sociedade tupinambá era dotado de ritmo regular: os ritos 
estabeleciam com precisão o que os indivíduos deviam fazer no curso dos acontecimentos e 
situações sociais, que se desenrolassem entre a determinação do ataque e a consumação do 
sacrifício dos inimigos aprisionados. A rigor, todas as atividades guerreiras faziam parte de u 
conjunto de ritos, organicamente integrados e interdependentes. Nele também se 
integravam os ritos de sacrifício do inimigo, de antropofagia [...].” 
FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. São Paulo: 
Pioneira, 1970, p. 67. 
A guerra era uma das preocupações centrais dos tupinambás e equivalia a um ritual que 
representava o meio de 
a) sobreviver através do canibalismo devido à escassez de outras fontes de proteína. 
b) alcançar um estado divino, no qual se reinaria sobre os demais grupos humanos. 
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c) mergulhar o mundo em um estado de barbaridade e violência sem fim. 
d) destruição dos valores e crenças das culturas dos colonizadores europeus. 
e) vingança, controle dos inimigos e absorção de suas melhores características. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“Em 1763, a capital do Vice-Reinado foi transferida de Salvador para o Rio [de Janeiro]. As 
duas cidades tinham aproximadamente a mesma população (cerca de quarenta mil 
habitantes), mas uma coisa era ser a capital e, outra, apenas a principal cidade do Nordeste.” 
FAUTOS, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2008, p. 99. 
A transferência da capital da América portuguesa para o Rio de Janeiro se deu em função 
do deslocamento do eixo econômico da colônia da 
a) extração de borracha na Amazônia para a criação de gado no Sul. 
b) coleta de drogas do sertão no Norte para a economia cafeeira em São Paulo. 
c) economia açucareira centrada no Nordeste para a mineração no Sudeste. 
d) pecuária estabelecida no Centro-Oeste para a plantação de mate no Sul. 
e) produção de tabaco na Bahia para o cultivo de mandioca em Minas Gerais. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
“Nossa milícia, Senhor, é diferente da regular que se observa em todo o mundo. 
Primeiramente nossas tropas com que vamos à conquista do gentio bravo desse vastíssimo 
sertão não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, 
nem por pagamento de munição.” 
Carta de Domingos Jorge Velho ao rei de Portugal, em 1694. 
A partir da missiva podemos afirmar que o bandeirantismo se caracterizava pelo(a): 
a) convívio pacífico com os indígenas do sertão. 
b) rejeição completa de financiamento estatal. 
c) autonomia das tropas arregimentadas em relação à Coroa. 
d) despreparo técnico dos bandeirantes. 
e) preocupação exclusiva com a busca por ouro. 
 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“[...] ordenei ora de mandar fazer uma fortaleza e povoação grande e forte na Bahia de 
Todos os Santos por ser para isso o mais conveniente lugar que há nas ditas terras do Brasil, 
para dali se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas 
que cumprem a meu serviço e aos negócios de minha fazenda, e a bem das partes e pela 
muita confiança que tenho em Tomé de Souza, fidalgo de minha casa, que nas coisas de que 
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o encarregar me saberá bem servir e o fará com o cuidado e diligência que se dele espera, 
e como o até aqui tem feito nascoisas do meu serviço de que foi encarregado, hei por bem 
e me apraz de lhe fazer mercê dos cargos de capitão da povoação e terras da dita Bahia de 
Todos os Santos e de governador-geral do dito Brasil por tempo de três anos e com 
quatrocentos mil reais de ordenado em cada um ano, pagos à custa de minha fazenda”. 
D. JOÃO III. Carta de nomeação de Tomé de Souza [7 jan. 1549]. In: INÁCIO, Inés da 
Conceição; LUCA, Tania Regina de. Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, 
p. 53. 
A criação do Governo Geral para gerir a América portuguesa esteve ligada 
a) ao sucesso da maioria das capitanias hereditárias na produção e exportação de açúcar. 
b) à diminuição das guerras contra as populações indígenas, cuja maioria se submeteu 
aos portugueses ou se isolou. 
c) à vinda dos primeiros missionários franciscanos, que trabalhariam na conversão dos 
nativos, mantendo uma parceria com a coroa. 
d) à descoberta de vastos depósitos de ouro em Minas Gerais pelos bandeirantes 
paulistas. 
e) ao acirramento da competição mundial, com o consequente crescimento das incursões 
estrangeiras no Brasil. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
A aparição da cultura ceramista entre os grupos humanos que habitavam a região do atual 
Brasil pode ser considerada um marco civilizatório da pré-história brasileira porque 
a) indicava que já havia tido contato entre indígenas e europeus antes da modernidade, 
quando estes últimos trouxeram parte de seu conhecimento avançado para o continente 
americano. 
b) é uma evidência de que os povos pré-históricos passavam por um processo de 
sedentarização e revolução agrícola, o que gerou a necessidade de armazenas alimentos entre 
outras necessidades. 
c) representava uma forma sofisticada de resistência cultural contra a colonização 
portuguesa, que além de transformar os nativos em mão de obra, obrigava-os a adotar a cultura 
lusitana. 
d) é um indício que a civilização andina estendia seu domínio até o litoral brasileiro, 
exercendo tanto influência política e econômica quanto cultura, de modo que a arte ceramista de 
difundiu por todo o continente. 
e) tem datação muito recente, demonstrando que os nativos viviam como caçadores-
coletores por todo o território brasileiro até a chegada dos europeus na modernidade. 
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 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ENGENHOS DE AÇÚCAR EM CADA CAPITANIA 
CAPITANIA 1570 1583 1612 1629 
Pará, Ceará, 
Maranhão 
- - - - 
Rio Grande - - 1 - 
Paraíba - - 12 24 
Itamaracá 1 - 10 18 
Pernambuco 23 66 99 150 
Sergipe - - 1 - 
Bahia 18 33 50 8 
Ilheús 8 3 5 4 
Porto 
Seguro 
5 1 1 - 
Espírito 
Santo 
1 6 8 8 
Rio de 
Janeiro 
- 3 114 60 
São Vicente, 
Santo Amaro 
4 6 - - 
BETHENCOURT, F.; CHAUDUHURI, K. História da Expansão Portuguesa. Lisboa: Círculo 
de Leitores, 1998, p. 316. 
Com base nos dados apresentados, é que correto afirmar que, nos primeiros séculos da 
América portuguesa, o desenvolvimento da economia açucareira 
a) prosperou nas capitanias do Nordeste, onde não apenas o clima era propício para o 
cultivo da cana, como também era mais conveniente para as rotas marítimas. 
b) prevaleceu na região Centro-Oeste, de ocupação mais antiga e onde a oferta de mão de 
obra indígena passível de escravização era alta. 
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c) foi responsável pela ascensão de São Vicente à capitânia mais rentável da colônia, 
integrando-a ao comércio exterior e ao tráfico de africanos. 
d) possibilitou a ocupação do Sul da colônia, onde os nativos já tinham experiência com a 
plantação de cana e tabaco, gêneros lucrativos no mercado internacional. 
e) manteve-se a partir das relações de escambos entre indígenas e portugueses, que dessa 
forma organizavam um uma troca de mercadorias por trabalho. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) 
Entre 1630 e 1654 o Brasil esteve sob a administração holandesa em parte significativa do 
nordeste do território. Atente para o que se diz a seguir sobre esse período: 
I – A invasão holandesa relacionou-se ao processo de segmentação dos Países Baixos, que 
estavam sob domínio espanhol, e à hegemonia da União Ibérica. 
II – apesar de ter sido marcada por anos de conflito, a permanência dos holandeses também 
encontrou períodos de relativa paz nos quais foi possível implementar uma administração 
modernizante para os padrões da época. 
III – o domínio holandês foi viabilizado porque foi criada a Companhia das Índias Ocidentais, 
empresa que pretendia fundar uma colônia holandesa na América para controlar os centros 
produtores de açúcar. 
Está correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) II e III apenas. 
c) I e III apenas. 
d) I e II apenas. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
Não só esses gêneros poderiam neste novo mundo descoberto assegurar o suficiente para 
enriquecer todo o orbe, como muitos outros que, mesmo em menor quantidade, não deixariam 
de ajudar o enriquecimento da Coroa Real. Tais são o algodão, que se colhe abundantemente; o 
urucum, do qual se extrai um excelente corante; o açafrão, muito apreciado pelos estrangeiros; a 
canafístula; a salsaparrilha; os óleos, que competem com os melhores bálsamos para a cura de 
feridas; as gomas e resinas perfumadas; a pita, da qual se obtém uma fibra de excelente qualidade 
e que cresce em grande abundância; e muitos outros produtos que a cada dia a necessidade e a 
cobiça hão de descobrir [...] 
(Cristóbal Acuña. “Novo descobrimento do grande rio das Amazonas”, 1641) 
 O texto de época descreve a 
a) a formação de cooperativas jesuíticas. 
b) a busca por prata nos Andes da América Espanhola. 
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c) o inventário da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão. 
d) a expedição francesa que, após a expulsão dos franceses da França Antártica, fundou a 
França Equinocial. 
e) busca por produtos extrativistas dotados de potencial valor econômico por parte dos 
colonizadores. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) 
As esculturas abaixo fazem parte do conjunto Passos da Paixão, de autoria de Antonio 
Francisco Lisboa, o Aleijadinho, um dos grandes escultores do barroco mineiro. Na cena, 
temos representado Jesus carregando a cruz, rodeado de soldados romanos. 
 
Cristo com cruz às costas, parte do conjunto Passos da Paixão, 1796-1799, de Antonio 
Francisco Lisboa (Aleijadinho). 
Analise as quatro afirmações abaixo, a respeito do barroco mineiro e a atividade mineradora 
no Brasil. 
I. O trabalho de Aleijadinho floresceu no momento de maior lucratividade da mineração no 
Brasil ao mesmo tempo que era marcado pelo fervor religioso da Contrarreforma. 
II. Na cena retratada pelas esculturas acima, podemos notar a preocupação barroca com a 
representação do movimento, sobretudo no tratamento dado ao panejamento do manto e 
da túnica. Todo o interesse de Aleijadinho na teatralidade do momento representado 
explicita essa preocupação. 
III. No final do século XVIII, a mineração estava em declínio, graças ao esgotamento das 
jazidas de ouro. Isso não impediu que grandes Igrejas e obras de arte fossem financiadas. 
IV. Os artistas mineiros se empenharam em copiar completamente o barroco europeu, 
enfatizando o caráter emotivo e intuitivo nas obras. Utilizando-se exclusivamente de 
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mármore como matéria-prima, os escultores imprimiam mais sentimento a expressões 
humanas aproveitando deformações e tons mais carregados. 
Estão corretas apenas as afirmações 
a) I e IV. 
b) II, III e IV. 
c) I e II. 
d) I, II e III. 
e) II e III. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
Salvador e Recôncavo dependiam do sertão. Salvador necessitavada carne que o sertão 
fornecia. Carne, couro e sebo eram usados na cidade e no campo, e os engenhos precisavam 
igualmente de bois para transporte, muitos também como força motriz. Grandes boiadas 
percorriam, às vezes, sessenta quilômetros por dia, com destino às feiras na orla do 
Recôncavo, onde um ativo comércio tinha lugar. A primeira dessas feiras foi Capoame, 
estabelecida por Francisco Dias d’Avila em 1614. 
 (SCHWARTZ, 1995, p. 88) 
A atividade econômica descrita no texto, demonstra, em relação à economia do açúcar, 
a) oposição. 
b) competição. 
c) complementariedade. 
d) substituto perfeito. 
e) alternativa mais rentável. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
 “Embora certas pinturas rupestres talvez tenham sido realizadas já no período anterior, a 
maioria dos grafismos encontrados nos abrigos data provavelmente dos últimos seis milênios 
antes da era cristã. Com certeza não eram obras de ‘arte’ no sentido que damos hoje à 
palavra. É claro que durante todos esses milênios e em tantos lugares, algumas pessoas 
podem ter deixado simples graffiti, e outros desenhos talvez fossem feitos para fins 
decorativos. No entanto o mais provável é que a maioria dos grafismos tenha sido feita como 
afirmação de etnicidade, expressão de uma crença, ato mágico, proclamação política de 
status, trato, posse”. 
PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a Pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2006, pp. 72-73. 
A arte rupestre no Brasil, 
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a) apresenta maior concentração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. 
Grande parte dessas figuras é constituída por figuras animais e geométricas, sobretudo 
pássaros. 
b) são encontradas em apenas dezoito sítios arqueológicos na Amazônia. Em geral, pinturas 
e gravuras são encontradas em abrigos, nas grutas mais afastadas dos rios. 
c) é fácil de se preservar, pois está distribuída em locais de difícil acesso e de pouca exposição 
às intempéries. Exemplo disso é o Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí. 
d) é muito variada e não foi totalmente mapeada ainda. Todavia, as evidências conhecidas 
até agora atestam que foi uma forma de expressão muito rica para as populações pré-
históricas de todo o Brasil. 
e) tem datação muito recente, demonstrando que essa forma de expressão é tardia na 
América do Sul, comparada ao norte do continente, onde há pinturas de 48 mil anos atrás. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
As invasões holandesas em territórios do Império português tiveram como consequência 
a) a valorização do açúcar brasileiro no mercado internacional, pois os holandeses perderam 
sua única colônia açucareira. 
b) a forte concorrência do açúcar das Antilhas, quebra do monopólio português no comércio 
transatlântico de escravos e crescimento da influência inglesa. 
c) diminuíram a importância do Brasil como colônia e fonte de riquezas para o Império 
português. 
d) tornou o Atlântico Norte a principal base da colonização e exploração portuguesa. 
e) obrigou d. João IV, rei português, a romper os laços comerciais e diplomáticos com a 
Inglaterra. 
 (Estratégia Vestibulares/2021/profe. Alê Lopes) 
 
Monumentos amanhecem pichados em São Paulo, Veja, 30 de setembro de 2016. 
Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/monumentos-amanhecem-pichados-em-sao-paulo/ 
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A partir da fotografia e de seus conhecimentos sobre monumentos históricos, assinale a 
alternativa correta. 
a) O monumento, diferente do documento, é algo que a sociedade não escolhe lembrar, mas 
é obrigada pela imposição da maioria. Isso explica a retaliação de uma pequena parcela da 
população a alguns monumentos. 
b) As estátuas e monumento estão alheios a quaisquer disputas ideológicas e políticas. Eles 
marcam a identidade fundamental e imutável de um povo. Portanto, a fotografia registra um 
ato de vandalismo de estrangeiros contra a identidade nacional. 
c) Em geral, os monumentos e estátuas são algo que a sociedade quer esquecer. Assim, a 
intervenção posterior à sua construção, como no caso da fotografia acima, revela como o 
que se quer esquecer é “digerido” pelas próximas gerações. 
d) Os monumentos são algo voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o 
passado que ela escolheu lembrar. Eles permeiam as formas de lembrar o passado e de 
compreender o presente. Seus significados são sempre passíveis de disputas. 
10. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO 
 (UEL/2018) 
 Leia o trecho do poema a seguir. 
— Essa cova em que estás, 
com palmos medida, 
é a cota menor 
que tiraste em vida. 
— É de bom tamanho, 
nem largo nem fundo, 
é a parte que te cabe 
neste latifúndio. 
— Não é cova grande. 
é cova medida, 
é a terra que querias 
ver dividida. 
(MELO NETO, J. C. Morte e Vida Severina. Universidade da Amazônia, NEAD – Núcleo de 
Educação à Distância. p.21-13. Disponível em: <www.nead.unama.br>. Acesso em: 28 ago. 
2017). 
O poema trata da relação entre o homem e a terra no Brasil. Com base nos conhecimentos 
sobre propriedade e usos da terra, assinale a alternativa correta. 
a) No decorrer do segundo Reinado, a Lei de Terras, promulgada em 1850, possibilitou o 
livre acesso das terras devolutas aos primeiros imigrantes europeus, garantindo-lhes a 
sobrevivência. 
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b) Na Colônia, as terras doadas como sesmarias garantiam privilégios aos senhores de 
engenho, mas restringiam a prática de certas atividades econômicas. 
c) No Império, formaram-se os primeiros quilombos cuja propriedade dessas terras foi 
reconhecida legalmente durante a primeira República. 
d) Em 1964, João Goulart realizou desapropriações das pequenas propriedades no entorno 
das metrópoles para o cultivo de sobrevivência por parte dos trabalhadores. 
e) No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retomou-se a política econômica 
de estatização das propriedades agrícolas resultando em elevadas taxas de crescimento 
econômico. 
 (UEL 2012) 
Oceanos abrigaram, uniram e separaram povos no decorrer do tempo. Representações 
artísticas, literárias, cartográficas e narrativas históricas sobre os oceanos contribuíram para 
ampliar a sua compreensão. 
Com base no enunciado e nos conhecimentos históricos, considere as afirmativas a seguir. 
I. Grande parte das terras banhadas pelo Mediterrâneo, denominado Mare Nostrum pelos 
antigos romanos, foi por eles colonizada no decorrer do seu Império. 
II. Os portugueses, nos séculos XV e XVI, dominaram oceanos com caravelas e conhecimentos 
náuticos, anotando, em suas viagens, as rotas marítimas. 
III. As narrativas sobre as criaturas míticas que habitavam os oceanos apavoraram o homem 
no período medieval, retardando as Grandes Navegações. 
IV. No período colonial brasileiro, os holandeses, através de seus empreendimentos de 
navegação, conquistaram a capitania do Rio de Janeiro, por meio século. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
b) Somente as afirmativas II e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
 (UNICENTRO 2014) 
Uma das tentativas de colonização do Brasil recém-descoberto foi o estabelecimento das 
capitanias hereditárias. Das quinze capitanias, apenas duas cumpriram sua missão de 
exploração das novas terras. 
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, essas capitanias. 
a) Itamaracá e Pernambuco. 
b) Itamaracá e São Vicente. 
c) Pernambuco e São Vicente. 
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d) Pernambuco e São Tomé. 
e) São Tomé e São Vicente 
 (UNICENTRO 2012) 
O termo “etnocentrismo”, aplicado ao conhecimentohistórico, significa 
a) direcionamento do estudo para uma única etnia, dominante ou não. 
b) estudo das etnias que compõem a formação cultural de determinado povo. 
c) abordagem dos povos primitivos que se constituíram como base de uma civilização. 
d) interpretação da história sob o ponto de vista de uma etnia considerada dominante e 
superior. 
e) conhecimento da distribuição geográfica e demográfica das etnias que sobrevivem em 
uma população de determinada região. 
 (UNICENTRO 2011) 
A agressividade registrada contra as populações indígenas do litoral das terras do Brasil, por 
parte dos conquistadores portugueses, resultava, dentre outras questões, 
a) da disputa pelas áreas de escambo do pau-brasil entre portugueses e indígenas. 
b) da aliança entre os povos indígenas e as populações quilombolas contra a invasão dos 
portugueses. 
c) da divulgação do protestantismo entre os indígenas, como resultado da ação missionária 
dos protestantes franceses. 
d) do etnocentrismo, sentimento baseado na ideia de superioridade cultural do 
conquistador, frente ao conquistado, considerado inferior. 
e) da antropofagia generalizada praticada pelos povos indígenas contra os conquistadores 
portugueses. 
 (UECE/2019) 
Antes da chegada dos portugueses às terras americanas, 
a) havia dois grupos étnicos habitando a região hoje chamada Brasil: os Tupis e os Tapuias. 
b) uma variedade de comunidades nativas, etnicamente diferentes, espalhava-se pelo 
território da futura América portuguesa. 
c) falavam-se alguns poucos dialetos, variantes de uma mesma língua geral, o Nheengatu, 
apesar de existir um grande número de grupos indígenas. 
d) havia uma só sociedade indígena vivendo em harmonia, igualitarismo e paz; desconhecia-
se a violência da guerra, trazida para cá pelos europeus. 
 (UECE/2018) 
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“(...) trocar manufaturas baratas por negros na costa ocidental da África; permutar os negros 
por matérias-primas nas colônias americanas: por fim, vender as matérias primas na Europa 
a altos preços, ou seja, a dinheiro contado. Comércio de resultados fantásticos em que o 
lucro nunca ficava por menos de 300% e podia em certos casos render até 600%”. 
FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p.24. 
Esse sistema de comércio que foi fundamental para a colonização brasileira por custear a 
Coroa portuguesa através da sua taxação é conhecido como sistema 
 
a) de comércio liberal. 
b) de comércio quadrangular. 
c) internacional de comércio livre. 
d) de comércio triangular. 
 (UECE/2017) 
Leia atentamente os seguintes excertos: 
“[...] uma das principais causas da dizimação dos índios, afora as doenças trazidas pelos 
europeus, foram os massacres e a eliminação deliberada dos nativos pelos portugueses. Isso 
resultou no fato de que apenas aproximadamente 300.000 índios, cerca de 5 por cento dos 
6 milhões que compunham a população indígena em 1500, sobreviveriam para as 
“comemorações” dos quinhentos anos da chegada de Cabral a suas terras”. JANCSÓ, István 
(Coord.) Rebeldes brasileiros – homens e mulheres que desafiam o poder. São Paulo: Casa 
Amarela, [s.d.]. fasc. 9. p. 261 (Caros amigos) 
“Entre os dias 26 de março e 22 de abril [de 2016], os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías e 
Assis Guajajara, todos da Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, foram assassinados. 
Com pouca fiscalização e sem sinal de investigação dos culpados, os indígenas Guajajara que 
vivem na área – já demarcada e habitada também por índios Awá isolados – sofrem com a 
constante pressão de madeireiros e temem por sua segurança”. COMISSÃO PASTORAL DA 
TERRA - CPT. Em um mês, quatro indígenas Guajajara foram assassinados no Maranhão. 
Publicado em 27 de abril de 2016. Acessado em 11 de maio de 2017. Disponível em: 
https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/conflitos-nocampo/3191-
em-um-mes-quatroindigenas-guajajara-foram-assassinados-no-maranhao 
Considerando os excertos acima, é correto afirmar que 
a) os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão 
exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos naturais 
protegidos por lei. 
b) as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira ainda 
perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as populações 
indígenas. 
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c) o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos índios 
e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e ainda diminuem a 
população indígena. 
d) os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se dão 
porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao modelo social, 
justo e inclusivo, do mundo civilizado. 
 (UECE/2017) 
Leia atentamente os excertos a seguir: 
“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é 
possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com 
que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”; 
(André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte. 
Itatiaia, 1982. p. 89.) 
“A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e 
semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou 
privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da 
burguesia contra os aristocratas”. 
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro. José Olímpio editora, 1984. p. 
119.) 
Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente 
que os dois trechos acima tratam 
a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e 
privilégios das classes dominantes. 
b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica 
que tornou iguais todos os brasileiros. 
c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da 
população brasileira em razão dos interesses das elites. 
d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade 
brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil. 
 (UECE/2015) 
A compreensão cristã do encontro dos portugueses com os primeiros habitantes da América 
teve forte conotação maniqueísta: de um lado estava o bem, simbolizado pelos europeus na 
sua suposta busca pelo paraíso; de outro, o mal, representado pelos indígenas e suas práticas 
diabólicas. 
Analise as afirmações abaixo acerca dessa compreensão. 
I. Tal compreensão foi alimentada por considerações imprecisas de alguns viajantes que 
classificavam de “demoníacas” certas práticas culturais dos povos americanos. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
II. A leitura das práticas dos povos americanos pelos europeus aliou a ideia da conquista de 
novas terras com o desejo de levar a palavra de Deus àquelas criaturas “demonizadas”. 
III. O pensamento cristão português dissociava-se das ideias e políticas expansionistas; desse 
modo, a propagação da fé era desvinculada da empresa marítima. 
É correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) II e III apenas. 
c) I e III apenas. 
d) I e II apenas. 
 (UDESC/2017) 
“A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto típico, foram as fugas. 
(...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, concretizados ou 
prometidos, por senhores ou prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da 
chibata, precisam ser computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos 
rompidos pela venda de pais,esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escravidão] 
só ganharia força na segunda metade do século, quando o país independente, fortemente 
penetrado por ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internacional capitalista. (...) 
“Tirar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou durante muito tempo como sinónimo de 
evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como 
tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para dentro, 
isto é, para o interior da própria sociedade escravista, onde encontram, finalmente, a 
dimensão política de luta pela transformação do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse 
momento, desempenha papel decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o 
abolicionista Rui Barbosa”. 
REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São 
Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71. 
De acordo com os autores do texto, João José Reis e Eduardo Silva, assinale a 
alternativa incorreta. 
a) As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX tiveram motivações diversas, entre elas o 
tráfico interprovincial. 
b) Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liberdade não se dava somente pela fuga 
coletiva para a formação de quilombos. 
c) As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços significativos para as lutas pela abolição. 
d) Os escravos foram agentes da história, e não apenas força de trabalho. 
e) A naturalização do sistema escravista se manteve estável durante o período colonial e o 
imperial. 
 (UDESC 2013) 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e assinale (V) 
para verdadeira e (F) para falsa. 
( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III 
implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer 
a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política 
colonial. 
( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do 
Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. 
Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com 
a instalação do Governo-Geral. 
( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele 
soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: 
Rio de Janeiro. 
( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa 
encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava 
dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados 
insatisfatórios de algumas capitanias. 
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: 
a) V – F – F – V 
b) V – F – V – F 
c) V – V – F – F 
d) F – V – F – V 
e) F – V – V – F 
 (UDESC 2013) 
Sobre a população nativa do território brasileiro, no século XVI, assinale a alternativa 
incorreta. 
a) Quando os portugueses chegaram ao litoral atlântico sul-americano ele já era ocupado por 
mais de mil povos seminômades que viviam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura. 
b) Estudos apontam que os grupos indígenas que habitavam o território, que hoje é o Brasil, 
quando da chegada dos portugueses, eram passivos e ingênuos, por isso sua dominação e 
seu controle foi relativamente tranquilo para Portugal. 
c) Estudos apontam que os tupi-guaranis são originários da região amazônica, mas o 
crescimento da população e as mudanças ambientais, dentre outros motivos, forçaram-nos 
a abandonar suas terras e partir em direção ao litoral. 
d) Quando os portugueses chegaram ao território, que hoje é o Brasil, os tupis ocupavam 
quase toda a faixa costeira entre os atuais estados do Ceará e São Paulo, enquanto que os 
guaranis localizavam-se mais ao Sul. 
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AULA 06 HB: Colônia I 
e) Os tupis do litoral foram os primeiros povos nativos a tomar contato com os europeus. 
Formavam o grupo mais numeroso, por isso, muitas vezes, a imagem do tupi é confundida 
como se representasse todos os indígenas do território brasileiro. 
 (UNITAU 2018) 
 O açúcar foi o principal produto brasileiro de exportação durante a época colonial. Mesmo 
durante o auge da exploração do ouro, quando o Brasil encheu os cofres europeus e ajudou 
a impulsionar a Revolução Industrial na Inglaterra, o valor das exportações de açúcar excedeu 
o de qualquer outro produto. 
Assinale a alternativa que apresenta o(s) mecanismo(s) empregado(s), na economia colonial, 
para favorecer esse quadro. 
a) A imigração maciça de portugueses para trabalhar nas terras interiores da colônia. 
b) A utilização predominante da mão de obra indígena nas lavouras açucareiras. 
c) O incentivo dado pela coroa portuguesa à adoção do trabalho assalariado livre. 
d) A adoção da mão de obra escrava africana e o pacto colonial. 
e) O predomínio de pequenas propriedades rurais produzindo açúcar para exportação. 
 (UNITAU 2017) 
O Cristianismo chegou ao Brasil com a conquista colonial, associado à exploração 
metropolitana. A Igreja desempenhou, assim, um importante papel no processo de 
colonização, promovendo a transformação do modo de vida indígena e a sua adaptação às 
formas culturais europeias. Dentre as medidas adotadas pelos religiosos para promover esse 
processo, é INCORRETO destacar: 
a) A criação dos aldeamentos, onde os índios das mais diferentes tribos eram reunidos, 
recebiam a catequese e eram batizados, tornando-se cristãos. 
b) O combate ao nomadismo e a imposição do trabalho agrícola aos índios, com uma nova 
divisão de tarefas entre homens e mulheres. 
c) A obrigação do uso de vestimentas, enquanto, anteriormente, os índios exibiam as marcas 
da sua cultura no próprio corpo. 
d) O estabelecimento de escolas para os nativos, de modo a alfabetizá-los, com o objetivo 
de torná-los funcionários da administração colonial. 
e) A organização do tempo, com a Igreja instalada no centro do aldeamento e o sino 
regrando a vida dos nativos em relação ao trabalho, à catequese e ao lazer. 
 (UNITAU 2016) 
O dia 20 de novembro foi instituído como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A 
data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Sobre 
Zumbi e o Quilombo dos Palmares, pode-se afirmar que 
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AULA 06 HB: Colônia I 
a) no período do Brasil Império, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão, 
mobilizando todos os grupos marginalizados. 
b) Zumbi morreu muito tempo após o fim do Quilombo dos Palmares. Depois de preso, foi 
levado ao Rio de Janeiro, sendo morto e exposto em praça púbica. 
c) o quilombo liderado por Zumbi constituía uma forma de resistência ao sistema escravista, 
e era o principal responsável pela preservação da cultura africana no Brasil. 
d) apesar da curta existência, menos de cinquenta anos, o Quilombo dos Palmares ficou 
bastante conhecido por ter resistido durante décadas contra os ataques da Coroa 
Portuguesa e dos holandeses. 
e) a relação do Quilombo dos Palmares com a presença dos holandeses no Nordeste se 
caracterizou pelo investimento do governo holandês no Quilombo, para fortalecê-lo e fazer 
frente à Coroa Portuguesa. 
 (IFPE – 2020/1) 
Não se pode dizer que os senhores fossem cidadãos. Eram, sem dúvida, livres, votavam e 
eram votados nas eleições municipais. Eram os “homens bons” do período colonial. Faltava-
lhes, no entanto, o próprio sentido da cidadania, a noção de igualdade de todos perante a 
lei. Eram simples potentados que absorviam parte das funções do Estado, sobretudo as 
funções judiciárias. Em suas mãos, a justiça, que, como vimos, éa principal garantia dos 
direitos civis, e que se tornava simples instrumento do poder pessoal. O poder do governo 
terminava na porteira das grandes fazendas. 
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2011 (adaptado). 41. 
A partir da leitura do e analisando o processo histórico da cidadania no Brasil, desde o 
período colonial até o presente, é CORRETA a seguinte afirmação: 
a) a cidadania brasileira foi construída já no período colonial, tendo senhores de engenho, 
homens livres e proprietários, logo, “homens bons”, à frente das Câmaras Municipais, 
assumindo as funções do Estado português, em geral, autoritário e centralizador. 
b) ao longo de mais de 500 anos, a cidadania, no Brasil, foi uma construção histórica que 
buscou conciliar os diversos grupos sociais e étnicos que habitaram o território, pautando-se 
no respeito às diferenças e na mestiçagem de nosso povo, marca de nossa identidade 
nacional. 
c) ao longo de mais de 500 anos de história brasileira, o processo de construção da cidadania 
foi impactado seja pela escravidão, seja pela grande propriedade rural, dificultando o 
exercício de direitos civis básicos e a participação política de grande parte da população. 
d) a condição de proprietário rural e a cor branca, no Brasil, nunca foram características 
consideradas importantes como critérios de distinção para o exercício da cidadania, seja pelo 
Estado português, seja, depois, pelo Estado Nacional brasileiro. 
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AULA 06 HB: Colônia I 
e) os “homens bons” que assumiram papéis de relevo nas Câmaras Municipais da Colônia 
distinguiam-se dos demais por qualidades morais, comumente associadas ao bom 
tratamento para com os escravos e dependentes em geral, e ao sentimento de coletividade. 
 (IFNMG/2019) 
Sobre a exploração do trabalho escravo no Brasil, leia as afirmações seguintes e marque 
aquela que estiver INCORRETA. 
a) Os indígenas, por serem preguiçosos e protegidos pelos jesuítas, não foram escravizados 
no Brasil após o Período Pré-Colonial. 
b) Os quilombos e o uso da capoeira, enquanto arte marcial, representam algumas das 
manifestações de resistência dos negros contra a escravidão. 
c) O tráfico negreiro da África para o Brasil era considerado uma atividade comercial que 
rendia recursos econômicos não apenas ao traficante, mas também à Coroa Portuguesa. 
d) Na região sul do Brasil, marcada pela pecuária, a exploração do trabalho escravo foi 
menor, quando comparada a outras regiões onde predominou a agricultura. 
 (IFBA – 2018) 
Que Deus entendeu de dar 
A primazia 
Pro bem, pro mal 
Primeira mão na Bahia 
Primeira missa 
Primeiro índio abatido também 
Que Deus deu 
Que Deus entendeu de dar 
Toda magia 
Pro bem, pro mal 
Primeiro chão da Bahia 
Primeiro carnaval 
Primeiro pelourinho também 
Gilberto Gil, Toda menina baiana. In.: CD Realce, 
Warner: 1979. Trecho disponível em https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46249. Acesso 
em 24 jul 2017. 
Com base no trecho da música acima, é possível afirmar historicamente que: 
a) A primeira missa na Bahia foi feita pelos portugueses com o intuito de converter os índios 
ao catolicismo e assim evitar que fosse feita uma guerra contra eles. 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06 HB: Colônia I 
b) Para o bem ou para o mal, a Bahia foi o primeiro local no Brasil em que os portugueses 
colocaram suas mãos. 
c) O carnaval sempre foi feito durante as festas profanas que acontecem ao redor das festas 
religiosas católicas. Assim, esse texto seria uma metáfora para entender as contradições do 
Brasil: carnavalesco e religioso. 
d) Deus seria a entidade que moveria a história dos homens. Os homens apenas 
reproduziriam as suas vontades. A vontade de Deus, “pro bem ou pro mal”, espalhou o 
cristianismo pelo mundo, uma das principais instituições colonialistas dos séculos XV até os 
dias atuais. 
e) Ao destacar o abate indígena, o pelourinho e as missas religiosas, o autor chama atenção 
para o caráter violento da colonização brasileira. 
11. GABARITO 
1. A 
2. C 
3. D 
4. D 
5. B 
6. A 
7. C 
8. C 
9. D 
10. B 
11. E 
12. B 
13. B 
14. E 
15. C 
16. C 
17. E 
18. B 
19. A 
20. A 
21. E 
22. E 
23. C 
24. D 
25. B 
26. D 
27. B 
28. D 
29. C 
30. D 
31. D 
32. B 
33. D 
34. B 
35. C 
36. D 
37. E 
38. A 
39. B 
40. D 
41. D 
42. C 
43. C 
44. A 
45. E 
 
 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
12. QUESTÕES ESSENCIAIS - UNICAMP (COMENTÁRIOS) 
 (Unicamp 2020) 
Na América Portuguesa do século XVI, a política europeia para os indígenas pressupunha 
também a existência de uma política indígena frente aos europeus, já que os Tamoios e os 
Tupiniquins tinham seus próprios motivos para se aliarem aos franceses ou aos portugueses. 
(Adaptado de Manuela Carneiro da Cunha, Introdução a uma história indígena. São Paulo: 
Companhia das Letras/Fapesp, 1992, p. 18.) 
Com base no excerto e nos seus conhecimentos sobre os primeiros contatos entre europeus 
e indígenas no Brasil, assinale a alternativa correta. 
a) A população ameríndia era heterogênea e os conflitos entre diferentes grupos étnicos 
ajudaram a definir, de acordo com suas próprias lógicas e interesses, a dinâmica dos seus 
contatos com os europeus. 
b) O fato de Tamoios e Tupiniquins serem grupos aliados contribuiu para neutralizar as 
disputas entre franceses e portugueses pelo controle do Brasil, pelo papel mediador que os 
nativos exerciam. 
c) Os indígenas, agentes de sua história, desde cedo souberam explorar as rivalidades entre 
os europeus e mantê-los afastados dos seus conflitos interétnicos, anulando o impacto da 
presença portuguesa. 
d) As etnias indígenas viviam em harmonia umas com as outras e em equilíbrio com a 
natureza. Esse quadro foi alterado com a chegada dos europeus, que passaram a incentivar 
os conflitos interétnicos para estabelecer o domínio colonial. 
Comentários 
A trajetória das populações indígenas e afro-brasileiras é bastante repertoriada nas provas 
da Unicamp. Vejamos as alternativas: A alternativa A é a resposta. Quando os portugueses 
desembarcaram em solo americano, a porção sul do continente contava com mais de dois 
milhões de indígenas de etnias e culturas diversas. Para facilitar o processo de conquista, 
alianças foram travadas com os nativos levando em conta suas rivalidades. Os tupiniquins, 
povo mencionado pelo enunciado, firmou alianças com os portugueses, ao passo que os 
tamoios, etnia rival, se vinculou aos franceses. A alternativa B está incorreta, afinal tamoios e 
tupiniquins eram povos rivais. Este antagonismo foi utilizado pelos portugueses e franceses 
no processo de conquista, pois os tupiniquins se aliaram com os primeiros, enquanto tamoios 
se aliaram aos segundos. A alternativa C está incorreta. Embora os indígenas fossem agentes 
de sua própria história, eles não exploraram as rivalidades entre europeus, mas tiveram seus 
antagonismos mobilizados por eles. 
A alternativa D está incorreta, pois as rivalidades entre tamoios e tupiniquins antecedem a 
chegada dos europeus, no século XVI. 
Gabarito: A 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
 (Unicamp 2019) 
Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica 
falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os 
franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão 
fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de 
colonos. 
(Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. 
Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) 
Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. 
a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenasentre os séculos XVI e XIX, 
que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do 
Atlântico. 
b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e 
dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período 
pombalino e no século XIX. 
c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle 
da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. 
d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra 
indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua 
portuguesa. 
Comentários 
Para exercer o controle sobre os povos das Américas colonizados, os europeus lançaram mão 
do aprendizado das línguas nativas para melhor compreender e penetrar no meio indígena. 
Com efeito, esse “aprendizado” das línguas fez parte das estratégias de dominação. Dentre 
os agentes europeus que buscaram estabelecer comunicações a partir das línguas nativas, 
destacaram-se os missionários. Por sinal, foi a partir desse tipo de prática que os índios 
também foram alvos do processo de catequização (conversão ao catolicismo). 
A alternativa A está errada, pois o trecho “amplamente usado na correspondência e na 
administração colonial nos dois lados do Atlântico” indica, equivocadamente, a oficialização 
das línguas nativas. Algo que seria, no mínimo, uma heresia do ponto de vista religioso. A 
escrita e a linguagem em geral são fontes fundamentais para projetos de dominação. Por 
isso, o português foi mantido nas correspondências oficiais. 
A alternativa B restringe a estratégia de dominação por meio da língua a um período 
pequeno da história do Brasil, quando, na verdade, a prática foi empenhada desde o século 
XVI. O próprio texto dá um destaque ao século XVII. 
A letra C é o nosso Gabarito. 
A letra D contradiz os argumentos do próprio texto motivador da questão, segundo o qual 
a Coroa portuguesa estimulou (“exortou”) os missionários a se empenharem na língua nativa. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Gabarito: C 
 (Unicamp 2019) 
As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram 
apenas uma entre várias outras. Em muitas situações, a composição química das folhas 
favorecia a escolha de outras plantas e a folhagem da mandioca era cortada apenas quando 
as preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na agricultura comercial, machados e foices 
de ferro permitiam abrir clareiras em uma escala maior, resultando em grande 
homogeneidade da flora. Nas lavouras de mandioca de finais do século XVII e do início do 
século XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas opções das formigas. 
Depois de mais algumas colheitas, a infestação das formigas tornava-se insuportável, por 
vezes causando o completo despovoamento humano da área. 
(Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’: território, ecologia e a 
história ambiental da América Portuguesa – parte 2. HALAC - História Ambiental 
Latinoamericana y Caribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.) 
A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre História do Brasil Colônia, assinale 
a alternativa correta. 
 a) A principal diferença entre as lavouras indígenas e a agricultura comercial colonial estava 
no uso de queimadas pelos europeus, o que não era praticado pelas populações autóctones. 
b) Comparadas à mandioca cultivada pelos indígenas, as novas espécies de mandioca 
trazidas da Europa eram menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso mais 
susceptíveis à infestação. 
c) Os colonizadores introduziram no território colonial novas espécies de mandioca e milho, 
que desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rotativo de plantação. 
d) A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora nas lavouras da América 
Portuguesa, combinando tradições europeias de plantio com práticas indígenas. 
Comentários 
 Durante o Brasil Colônia a produção agrícola colonizadora estava preocupada em produzir 
para gerar lucros. Dessa forma, era preciso grandes extensões de terra e plantações para a 
manutenção da economia agroexportadora dentro da relação comercial colônia e 
Metrópole. Assim, a principal diferença entre a plantação indígena e a europeia não era o 
uso de queimadas, mas o modo de organização da produção em si. Os nativos não 
produziam para a comercialização, logo, mantinham plantações voltadas para a subsistência 
e, muitas vezes, diversificadas. Já os portugueses, por exemplo, priorizavam a monocultura 
em grandes extensões de terra. Dessa forma, a alternativa A está errada. De toda forma, a 
título de curiosidade, saiba que os índios, até hoje, utilizam a técnica do fogo, porém não 
como os brancos faziam nos canaviais. Veja: 
 Um dos estudos mais detalhados sobre o uso do fogo no cerrado e nas capoeiras brasileiras, é o 
do etnobotânico Darrel Posey (1987: 180), realizado com os Kayapó, que demonstra, ao contrário 
da crença generalizada, o cuidado extremo na manipulação indígena do fogo. A roça é preparada 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
a partir da abertura de clareiras, formando corredores, seguindo-se a queimada, controlada, para 
evitar o excesso de calor e o dano às raízes, previamente plantadas. Caso o uso do fogo fosse 
descontrolado, os índios estariam destruindo seu próprio esforço de roçar e plantar, inclusive o 
plantio de longo prazo. O fogo é usado pelos índios no cerrado, e mais de uma vez. No início, 
ateiam fogo controlado para a abertura dos terrenos de plantio e posteriormente a prática é 
repetida em menor escala, como uma técnica integrada ao conjunto de sua orientação no manejo 
dos recursos, com objetivos de fertilização e abertura de espaços reservados aos cultivos 
selecionados. Os Xavante também usavam o fogo como tática de guerra. Orlando Villas-Bôas relata 
como, em sua pioneira expedição Roncador-Xingú, os índios cercaram por várias vezes os 14 
sertanistas, e o alívio que era encontrar abrigo em um curso d'água (OESP, 12 jul. 2000: D5). 
Essa técnica de “fogo controlado”, diferentemente da empregada nas grandes plantações 
comerciais tinha um nome e uma finalidade. Conhecida como agricultura de coivara, ou corte 
e queima, a coivara é caracterizada pela derrubada e queima da matéria vegetal da floresta 
como forma de aproveitar os nutrientes disponibilizados ao solo na forma de cinzas, uma 
adaptação a solos relativamente pobres das áreas florestais. Quanto à alternativa B, o texto 
do enunciado da questão não estabelece uma relação de comparação entre folhas de 
mandioca nativa e “trazidas pelos portugueses”: “as folhas da mandioca tornavam - se uma 
das poucas opções das formigas”. Ou seja, devido à prática da monocultura de grandes 
extensões, não havia muito opção para as formigas. 
Além disso, a mandioca, considerada uma das principais fontes de alimentação desde o início 
da colonização, é um produto tipicamente brasileiro. Quando os europeus desembarcaram 
no continente americano, no século XV, os ameríndios já haviam domesticado a mandioca há 
pelo menos 8.000 anos. Por esse motivo, a C está errada. 
Por fim, a D é o nosso Gabarito. 
Gabarito: D 
 (UNICAMP/2017) 
O documento abaixo foi redigido pelo governador de Pernambuco, Caetano de Melo e 
Castro, em 18 de agosto de 1694, para comunicar ao Rei de Portugal a tomada da Serra da 
Barriga. 
“ (...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade da gloriosa restauração dos Palmares, cuja 
feliz vitória senão avalia por menos que a expulsão dos holandeses, e assim foi festejada por 
todos estes povos com seis dias de luminárias. (...) Os negros se achando de modo poderosos 
que esperavam o nosso exército metidos na serra (....), fiando-sena aspereza do sítio, na 
multidão dos defensores. (...) Temeu-se muito a ruína destas Capitanias quando à vista de 
tamanho exército e repetidos socorros como haviam ido para aquela campanha deixassem 
de ser vencidos aqueles rebeldes pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos todos 
destes moradores (....)”. 
(Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e comentários em documentos históricos 
do século XVII. Maceió: UFAL, 2004, p. 129.) Sobre o documento acima e seus significados 
atuais, é correto afirmar que 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
a) foi escrito por uma autoridade da Coroa na colônia e tem como principal conteúdo a 
comemoração da morte de Zumbi dos Palmares. A data de 20 de novembro, como referência 
ao líder do quilombo, tem uma conotação simbólica para a população negra em contraponto 
à visão oficial do 13 de maio de 1888. 
b) o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos exércitos da Coroa, é entendido como 
menos glorioso quando comparado à expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654. 
Os dois eventos históricos não têm o mesmo apelo para a formação da sociedade brasileira 
na atualidade. 
c) o texto de Caetano de Melo e Castro indica que Palmares não gerou temor às estruturas 
coloniais da Capitania de Pernambuco. A comemoração oficial do Dia da Consciência Negra 
é uma invenção política do período recente. 
d) o Quilombo de Palmares representou uma ameaça aos poderes coloniais, já que muitos 
eram os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao quilombo. A data é celebrada, na 
atualidade, como símbolo da resistência pelos movimentos negros. 
Comentários 
A letra A está errada porque o principal conteúdo da carta escrita por Caetano de Melo e 
Castro é a comemoração da derrubada de Palmares, e não a morte de Zumbi. Este foi 
capturado e morto no dia 20 de novembro de 1685. A destruição do Quilombo de Palmares 
ocorreu em 1694. 
A letra B também está errada. É possível resolver esse item com base em técnica de 
interpretação de texto, pois há uma comparação entre a conquista de Palmares e a expulsão 
dos holandeses do Brasil. Neste caso, a comparação é que os dois eventos foram igualmente 
grandiosos e significativos para os portugueses. 
A C, embora seja possível de ser solucionada com técnica de interpretação, também exige 
algum conhecimento sobre o significado do Quilombo de Palmares no Brasil Colônia. Na 
parte teórica da aula, vimos o quanto Palmares foi importante para a resistência negra e para 
servir como contraponto à dominação colonial. 
Em oposição a letra C, a letra D é o nosso Gabarito. 
Gabarito: D 
 (Unicamp 2016) 
Os estudos históricos por muito tempo explicaram as relações entre Portugal e Brasil por 
meio da noção de pacto colonial ou exclusivo comercial. Sobre esse conceito, é correto 
afirmar que: 
a) Trata-se de uma característica central do sistema colonial moderno e um elemento 
constitutivo das práticas mercantilistas do Antigo Regime, que considera fundamental a 
dinâmica interna da economia colonial. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
b) Definia-se por um sistema baseado em dois polos: um centro de decisão, a metrópole, e 
outro subordinado, a colônia. Esta submetia-se à primeira através de uma série de 
mecanismos político-institucionais. 
c) Em mais de uma ocasião, os colonos reclamaram e foram insubordinados diante do pacto 
colonial, ao exigirem sua presença e atuação nas Cortes dos reis ou ao pedirem a presença 
do Marquês de Pombal na colônia. 
d) A noção de pacto colonial é um projeto embrionário de Estado que acomodava as tensões 
surgidas entre os interesses metropolitanos e coloniais, ao privilegiar as experiências do 
“viver em colônia”. 
Comentários 
O Pacto Colonial é o principal “acordo” entre a colônia e a metrópole. Tal documento se insere 
dentro da lógica das Grandes Navegações e foi um instrumento eficaz dentro do pensamento 
mercantilista, assim tudo que fosse produzido dentro da colônia deveria ter como único destino a 
metrópole, que, além disso, atribuía impostos sejam em transportes ou nos engenhos. Por mais 
que a metrópole vendesse produtos para o consumo local, não existia, porém, uma troca igual 
dentro do campo econômico. O Pacto Colonial, portanto, impedia qualquer troca comercial com 
outra nação, com possibilidade de represálias fortes contra quem rompesses com o pacto. Assim 
em nenhum momento a metrópole incentivava um dinamismo interno dentro da colônia, já que a 
ideia única era a de exploração e de exclusividade comercial, o que construiu uma profunda 
desigualdade de condições, principalmente nos homens livres e escravos, sendo estes últimos 
explorados até o século XIX, o que exclui a opção “a”. Durante o processo colonial, principalmente 
no período final do ciclo do açúcar o descontentamento com a Coroa era comum, o que fez 
surgirem movimentos contrários a Portugal. Assim em nenhum momento os lusos brasileiros ou 
os brasileiros queriam estar inclusos na Coroa Portuguesa, e muito menos queriam a vinda de 
Marques de Pombal, o que faz a “c” errada. Portanto, tal pacto não possuía o interesse 
desenvolvimento local, pelo menos o social e político, já que a única premissa que ele desenvolveu 
foi a criação de um espaço ou zona de exploração da condição humana, principalmente de negros 
e indígenas, bem como, colocou os lusos brasileiros em uma condição que não eram nem 
portugueses, e muito menos donos de uma liberdade separada do crivo jurídico e administrativo 
português, o que nos faz anular a alternativa “d”. Assim a alternativa correta é a “b”, em que o 
que ocorria eram dois polos: o de imposição, domínio e poder, estabelecido pela metrópole, e o 
de subordinação, aceitação e ser explorado representado pela colônia. 
Comentários: B 
 (Unicamp 2015) 
Engenheiros, naturalistas, matemáticos e artistas, sob o mecenato de Nassau, investigaram 
a natureza e transformaram a paisagem nordestina. Recife tornou-se uma das cidades mais 
importantes da América, com modernas pontes e prédios. Além do incentivo à arte, o 
governo [de Nassau] promulgou leis que eram iguais para todos, impedindo injustiças contra 
os antigos habitantes. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
(Ronald Raminelli, Invasões Holandesa”, em Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil 
Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 315.) 
As transformações durante o governo de Maurício de Nassau (1637-1645), em Pernambuco, 
são exemplos de um contexto em que 
a) o mecenato e a aplicação de leis idênticas para holandeses e luso-brasileiros eram uma 
continuidade do modelo renascentista, representando um período de modernização da 
região. 
b) houve dinamização da economia açucareira na região, com a reativação de engenhos e 
perdão de dívidas dos antigos proprietários, impulsionando a remodelação da cidade de 
Recife. c) houve a aplicação de princípios mercantilistas para a obtenção de lucros e a 
perseguição, por parte dos holandeses calvinistas, a judeus, cristãos-novos e católicos. 
d) as expedições dos artistas e cientistas tinham o propósito de retratar a paisagem e 
identificar potencialidades econômicas da região, pois o açúcar estava em declínio no 
comércio internacional. 
Comentários 
O texto observa o período conhecido como Brasil Holandês, quando, tropas de tal país 
invade e instala diversas modificações dentro do contexto da União Ibérica. Quando Felipe 
II assume as duas coroas, indiretamente, também herda todo o território português no Brasil. 
Porém, a Holanda se viu prejudicada, já que possuía com Portugal profundo laço econômico 
e político, já que todo o açúcar produzido no Brasil era refinado pela Holanda, inimiga da 
Espanha. Assim, sob o comando de Mauricio de Nassau, na região de Recife, Pernambuco, 
se inicia uma série de mudanças para a efetivação deuma colônia holandesa em território 
português, como o incentivo à produção de açúcar, já que durante o processo de conquista 
do território, o principal produto que buscavam decaiu, o que fez aumentar o incentivo de 
financiamentos aos senhores de engenho; outra medida foi o estímulo a agricultura de 
subsistência, como a mandioca (produto culturalmente impregnado na cultura nordestina), o 
que visava diminuir os custos de importação de manufaturados, mas acima de tudo isso, 
visava erradicar a possibilidade de falta de alimento entre os mais pobres, que passariam a 
consumir um produto barato e produzido no próprio território; além disso, foi no período de 
Nassau que ocorreu um processo de tolerância religiosa, principalmente entre católicos e 
protestantes, além de ser o lar da primeira sinagoga nas Américas. Mas o grande legado do 
período holandês está na arquitetura empregada em Pernambuco, principalmente na cidade 
de Recife. Tal projeto só foi possível pelo projeto e ousadia de promover tal medida, bem 
como, na possibilidade de possuir investimentos para tal empreitada. Tal período ainda surte 
efeitos na formação cultural recifense, como em certos hábitos e nomes, o próprio nome 
Wanderlei é uma declinação do nome Van Der Ley, comum na Holanda. Agora vamos nos 
direcionar ao que nos está sendo perguntado: o que pode ter incentivado tais 
transformações no governo de Mauricio de Nassau. Por mais que houvesse o perdão de 
dívidas e a reativação dos engenhos, em nenhum momento tal lucro foi utilizado no processo 
de revitalização de Recife, o que anula a “b”. Também não pode ser a “c”, pois, não houve 
 
Profe Alê Lopes 
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perseguições religiosas em seu período de governo, como dissemos acima. E seria errado 
dizer que as pesquisas empregadas dentro do seu período foram com o intuito de buscar 
soluções para o açúcar, já que tal produto era o principal motivo para que os holandeses 
brigassem pela sua posse territorial, sendo uma das bases econômicas dos flamengos. Assim, 
a alternativa correta se torna a “a”, pois, foi um governo pautado na ideia de uma equidade 
de tratos entre holandeses e os locais (luso brasileiro) com incentivos altos da Coroa 
Holandesa para a modernização da cidade de Recife, reformas estas, que até hoje são legado 
para a capital de Pernambuco, sendo Nassau um nome mitificado da história local. 
Gabarito: A 
 (UNICAMP/2014) 
A história de São Paulo no século XVII se confunde com a história dos povos indígenas. Os 
índios não se limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou vítimas passivas dos 
colonizadores. Foram participantes ativos e conscientes de uma história que foi pouco 
generosa com eles. 
(Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em 
http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/ sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.) 
Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, pode-se afirmar que: 
a) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa de sua proibição pela Coroa portuguesa, 
por pressão dos jesuítas. 
b) Sua participação nos aldeamentos fez parte da integração entre os projetos religioso e 
bélico de domínio português, executados por jesuítas e bandeirantes. 
c) A existência de alianças entre indígenas e portugueses não exclui as rivalidades entre 
grupos indígenas e entre os nativos e os europeus. 
d) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta 
com as práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco. 
Comentários 
Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios já possuíam rivalidades entre si. Um 
exemplo são os Tupinambas oriundos da Amazônia que, por volta do ano 1000, conquistaram 
a região da atual São Vicnete/Santos (SP) dos índios Tapuias. Dessa forma, quando os europeus 
chegaram nas Américas, eles souberam se aproveitar das diferenças entre os povos indígenas. 
Isso ocorreu no Brasil e na América Espanhola. Por isso, no decorrer do século XVII, além dos 
vários conflitos envolvendo indígenas e europeus, também houve conflitos entre indígenas e 
europeus de um lado, contra indígenas e europeus do outro lado. 
Um caso clássico que podemos lembrar é o da Confederação dos Tamoios. Incentivados pelos 
franceses, os índios das tribos tamoios conseguiram se unir a outras tribos e criaram a 
Confederação dos Tamoios, com objetivo de guerrear contra os portugueses. No final dessa 
batalha, os portugueses saíram vitoriosos, inclusive com o apoio de outros índios. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Nesse contexto, o Gabarito é a letra C. 
A A está errada porque os índios não aceitaram a escravidão, tal como o item afirma. A 
alternativa B sugere que jesuítas e bandeirantes adotaram a mesma estratégia de subjugação 
dos índios. Da forma como a frase foi escrita ela está errada, pois é necessário diferenciar a 
atuação dos missionários e a dos bandeirantes. Além disso, alternativa ainda coloca os índios 
como sujeito da ação, quando, na verdade, eles foram objeto da dominação. 
A alternativa D está equivocada porque não houve esse trabalho remunerado dos indígenas. 
Ainda mais em São Vicente, ou melhor, no sudeste do país, região que manteve o trabalho 
escravo indígena por mais tempo. 
Gabarito: C 
 (Unicamp 2013) 
“Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa 
junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores 
e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o 
sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas 
ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” 
(Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em 
http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.) 
Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, 
a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo 
religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. 
b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar 
a circulação do ouro entre as minas e os portos. 
c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos 
portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. 
d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas 
por Pero Vaz de Caminha, em 1500 
Comentários 
De acordo com o documento do cronista Pero de Gandavo, os indígenas fugiam para o 
interior (sertão) como forma de resistência à presença portuguesa. Desde o início do período 
colonial, vários grupos se opuseram aos lusos, ocasionando diversos conflitos entre nativos e 
europeus. Dessa forma, fugir para o “interior” dificultava a ação dos portugueses. Por isso, o 
gabarito é a alternativa C. 
A alternativa A pode pegar os mais desatentos, pois, ao longo da colonização, de fato, as 
missões jesuíticas levaram a sincretismos religiosos. Porém, não dá para afirmar 
categoricamente que os conflitos foram solucionados. Além disso, repare que o texto da 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
questão foi escrito por volta de 1570, ou seja, antes da instalação da proliferação dos 
trabalhos das missões. 
A B está errada porque o trecho final desloca o ciclo da mineração para um contexto em que 
ele ainda não existia. 
Já a D, contraria o que Caminha escreveu em sua carta. 
Por fim, interessante perceber que o texto também mostra que, em muitos casos, algumas 
sociedades indígenas também estabeleciam sistemas de alianças com os portugueses. 
Gabarito: C 
 (UNICAMP/2012) 
Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos 
paulistas, primeiros povoadoresda região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do 
século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando 
grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o 
governo do território, tentando impor suas próprias leis. 
(Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização 
Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) 
Sobre o período em questão é correto afirmar que: 
a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que 
lutaram pela posse e exploração das minas. 
b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século 
XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. 
c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português 
nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século 
XVIII. 
d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos 
deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa. 
Comentário 
Os bandeirantes paulistas, os primeiros a chegarem em MG e a descobrirem o ouro mineiro, 
chamavam de “emboabas” todos aqueles que não fossem paulistas. Os assim considerados 
forasteiros eram atraídos pelo enriquecimento proporcionado pela atividade mineradora. Dessa 
forma, iniciava-se um conflito de interesses. Como toda a estrutura e administração da 
exploração aurífera ficava sob controle da Metrópole, a tensão aumentava. Isso porque, o 
critério da Coroa era distribuir terras aos possuidores de escravos, aos mercadores de origem 
portuguesa e àqueles que conseguissem dar retorno mais rápido aos cofres portugueses. 
Decorrer desse conflito entre bandeirantes e os emboabas, a chamada Guerra do Emboadas, 
entre 1707 e 1709. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Repare, então, que todos os envolvidos na guerra estavam sob a jurisdição da Coroa 
portuguesa. Por isso, nosso Gabarito é a alternativa D. 
A A está errada porque, naquele tempo, ainda não era possível falar em “mineiros”. Essa 
denominação foi sendo formada ao longo da atividade de mineração. Além disso, o conflito foi 
entre bandeirantes (paulistas) que chegaram na Minas e “emboabas”, ou forasteiros vindos de 
outros estados (como Bahia) e até mesmo de Portugal. 
 A resistência da inconfidência mineira está mais relacionada ao ideário republicano dos ventos 
iluministas do que propriamente pela disputa do ouro em si vista no início da mineração. É claro 
que há uma ligação desses processos, mas não como causa-consequência como a alternativa 
nos induz. 
Na letra C, o segundo trecho da frase está errado. Os portugueses não se retiraram do 
continente no século XVIII. Lembro de Moçambique, de Angola, Cabo Verde, dentre outras 
regiões que, inclusive, possuem o português como língua oficial atualmente. 
Gabarito: D 
 (Unicamp 2011) 
Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os 
indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar 
de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer 
acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que 
havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e 
novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por 
aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer 
que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de 
dar-lhe!” 
(Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; 
Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) 
Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas 
indígena e europeia foi 
a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações 
comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, 
voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. 
b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por 
meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura 
dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. 
c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na 
exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos 
povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas 
indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à 
busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. 
Comentários 
O direcionamento das expedições marítimas dos portugueses às Américas tinha um interesse 
comercial. Os europeus, em geral, e os portugueses em específico vieram até o “Novo 
Mundo” em busca de riquezas. Essa intenção está claramente explícita na carta de Pero Vaz 
quando ele faz referência ao ouro e interpreta a ação dos índios aos olhos do conquistador: 
“como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim 
o desejarmos! “. Nesse sentido, a consequência da finalidade dos portugueses (a riqueza) 
para os índios foi a violência, nas mais diversas formas. A alternativa que sintetiza essa 
compreensão histórica é a B. 
A alternativa A transmite a noção de amistosidade entre as partes, índios e portugueses. A 
C insiste na compreensão romântica de que os índios seriam seres doces. Além disso, a C 
erra ao afirmar que a base do sistema colonial foi a escravização dos povos nativos. De fato, 
os índios foram escravizados, mas a base do sistema colonial, em termos de mão de obra, foi 
a escravidão dos negros africanos. 
Por fim, a D exagera por colocar a industrialização em um momento em que ela ainda não 
existia, por isso, é uma alternativa “anacrônica” (fora do tempo/contexto). 
Gabarito: B 
13. QUESTÕES APROFUNDAMENTO - (COMENTÁRIOS) 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
“Objetivando regulamentar a atividade criatória, em 1688, a coroa portuguesa decretou 
alvará proibindo a criação de gado em uma área de dez léguas do Recôncavo Baiano. Essa 
determinação demonstrava a força política dos produtores de cana (...) na medida em que 
garantiram para si terras livres próximas ao litoral, delas afastando a criação bovina. (...) o 
aumento dos rebanhos era correspondente à ampliação das áreas pastoris, alargando o 
mapa geográfico da ocupação da ocupação do gado. Diante disso, dilatou-se a [distância] 
entre o litoral e o sertão, com o contato comercial entre ambos se estruturando em torno 
das feiras, apontando o caráter efetivamente mercantil que passou a ter a pecuária. Uma das 
consequências imediatas desse processo foi o da formação, por parte dos colonizadores, de 
uma vastíssima rede de propriedades: as fazendas de gado. (...)” 
AQUINO, J. R. et al. Sociedade Brasileira: uma história através de movimentos sociais. Rio 
de Janeiro: Record, 1999. 
O texto trata de um período em que 
a) a economia colonial continuou sendo exclusivamente dedicada à produção e exportação 
de açúcar, que sabotou outras iniciativas. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
b) o açúcar foi totalmente substituído pela pecuária na região nordeste da América 
portuguesa, o que gerou a substituição da escravidão indígena pela africana. 
c) a rivalidade entre pecuaristas e produtores de cana provocou a eclosão de uma guerra civil 
entre recifensese olindenses pelo status de capital da capitânia. 
d) os nativos foram integrados à economia colonial, pois já eram exímios criadores de gado, 
o que proporcionou a formação de uma elite indígena no Nordeste. 
e) a crise do açúcar abriu oportunidade para a ascensão da pecuária no Nordeste, mas não 
foi o suficiente para eclipsar a importância dos produtores de cana. 
Comentários 
Atenção a data e ao espaço citados: 1688, na Capitânia da Bahia, durante o Brasil Colônia. 
O século XVII na América portuguesa é mercado pela diversificação das atividades 
econômicas e pela expansão da ocupação portuguesa nos sertões brasileiros. Isto gerou uma 
série de conflitos entre os próprios colonos e entre estes e os espanhóis, que, pelo Tratado 
de Tordesilhas (1494), eram os legítimos donos de grande parte do interior e do sul do atual 
território brasileiro. Entretanto, para não fugir do tema, recorde-se que as atividades que 
começavam a disputar os investimentos com a produção açucareira eram: plantação de 
tabaco; pecuária bovina e de muares; mineração; bandeirantismo; e a extração de gêneros 
silvestres (drogas do sertão). Com isso em mente, vejamos o que caracterizava o período 
abordado: 
a) Incorreta. Como acabei de dizer e o próprio texto enfatiza, a economia colonial estava 
passando por um processo de diversificação. É evidente que houve resistência da elite 
açucareira, mas mesmo mantendo sua influência, ela não tinha poder suficiente para impedir 
esse processo e surgimento de novas atividades econômicas. Afinal, também dependia delas 
até certo ponto. O tabaco, por exemplo, servia de moeda de troca na compra de 
escravizados africanos, enquanto o gado e os muares eram essenciais para o transporte de 
mercadorias e pessoas e para a produção de ferramentas, roupas e carne para alimentação. 
b) Incorreta. Em meados do século XVII, a atividade açucareira entrou em declínio devido à 
concorrência do açúcar antilhano, mas a pecuária nordestina se fortaleceu, embora voltada 
para a subsistência. Esta atividade se estendeu da Capitania do Maranhão, penetrando pelo 
sertão, até as margens do rio São Francisco. Contudo, no século XVIII, a pecuária entrou em 
decadência no Nordeste, pois não conseguiu superar a concorrência dos pecuaristas no 
centro e no sul da colônia, que atendiam à demanda na região mineradora. Assim, como 
bem informa o texto, os pecuaristas nordestinos tiveram certa prosperidade, mas não foram 
capazes de superar a importância do açúcar e de seus produtores na economia e política 
coloniais. Ainda, é preciso dizer que a escravidão indígena foi substituída pela africana em 
vista da introdução dos engenhos de açúcar na colônia. Isto porque o tráfico internacional 
de escravizados era um negócio lucrativo por si só e, combinado à produção e exportação 
de açúcar, formava-se um ciclo econômico que se autoalimentava. 
c) Incorreta. Na verdade, Recife e Olinda estavam localizadas na Capitânia de Pernambuco, 
não da Bahia. Além disso, o conflito entre os habitantes das duas localidades era um reflexo 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
da rivalidade entre a elite açucareira olindense e os comerciantes recifenses. Inicialmente, 
estes queriam apenas mais autonomia para si, buscando elevar Recife à categoria de vila, 
desmembrando-se de Olinda. Em 1709, a Coroa portuguesa emitiu ordem criando a vila de 
Santo Antônio do Recife. A reação dos senhores de engenho olindense foi violenta, dando 
início à Guerra dos Mascates, que durou de 1710 a 1711. 
d) Incorreta. Os nativos não conheciam o gado bovino, que foi introduzido em 1534 por 
Martim Afonso de Souza, na capitânia de São Vicente. Anos depois, Tomé de Souza levou-o 
para a Bahia, porque os engenhos de açúcar necessitavam de bois como alimento, de couro 
para a fabricação de roupas e utensílios domésticos, como tração animal para as moendas, 
para os carros de boi que transportavam a cana. No início, os rebanhos pertenciam aos 
senhores de engenho. Com o passar do tempo, o gado foi sendo deslocado cada vez mais 
para longe. A principal razão desse deslocamento estava associada ao uso inadequado e 
intensivo das terras que esgotava rapidamente o solo. Assim, gradativamente, os novos 
campos para as lavouras foram abertos substituíram os pastos e expulsaram o gado para 
mais longe, adentrando o interior do Nordeste. Assim, vemos que a pecuária não teve nada 
a ver com a formação de uma elite indígena. 
e) Correta! Foi o que expliquei na justificativa da letra “b”. 
Gabarito: E 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“[Os portugueses] que se submeteram à nossa obediência são os principais fatores da cultura 
da terra; alguns permanecem na antiga posse dos engenhos, outros compram muito dos 
engenhos confiscados. Ainda outros são lavradores de canaviais ou servem nos ofícios 
necessários ao movimento dos engenhos, entre os quais os ofícios para cujo desempenho 
não se apresentou até agora nenhum holandês, [...]. Os portugueses são também zelosos no 
cultivo dos seus canaviais e graças a eles a agricultura do país progrediu, se bem que, a não 
ser poucas vezes, se veja algum deles fazer por suas próprias mãos algum trabalho; sabem, 
porém, fazer trabalhar seus negros”. 
DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as capitanias conquistadas no Brasil pelos 
holandeses [1639]. Rio de Janeiro: IAA, 1947, p. 85-86. 
Com base no relatório do conselheiro da Companhia das Índias Ocidentais sobre as 
capitanias conquistadas no Brasil, assinale a alternativa correta: 
a) Como não dominavam o processo de produção de açúcar e falharam em cooptar os 
colonos portugueses, os holandeses se retiraram em pouco tempo do Nordeste. 
b) Os holandeses empreenderam uma política de aliança com colonos portugueses 
remanescentes, fornecendo-lhes de empréstimos e instituindo a tolerância religiosa. 
c) Os portugueses recusavam-se a fazer negócios ou trabalhar para a companhia holandesa 
independente da oferta feita a eles, dificultando a estadia dos invasores. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
d) Os portugueses se mostraram resistente ao domínio holandês, pois a escravidão africana 
foi abolida gerando um grande prejuízo econômico aos proprietários de engenho. 
Comentários 
A questão aborda o período em que o Nordeste brasileiro foi ocupado pelos holandeses, o que 
se deu entre 1635 e 1648. A invasão foi motivada pela incorporação de Portugal e suas colônias 
aos domínios espanhóis devido à União Ibérica (1580-1640). Na época, os holandeses já estavam 
em guerra com a Espanha, da qual tentavam se tornar independentes politicamente. Por isso, 
passaram a atacar as colônias e espanholas e, agora, também as portuguesas. Eles tinham dois 
objetivos básicos: prejudicar a Espanha; e conseguir colônias para si, obtendo fornecedores 
privilegiados de matérias-primas valiosas no mercado europeu, como o açúcar. Porém, os 
holandeses desconheciam as técnicas e saberes necessários à produção do açúcar. Por isso, 
tiveram que recorrer aos colonos portugueses remanescentes após a conquista do território. 
Sobre isso, vejamos o que é correto afirmar: 
a) Incorreta. Eles não falharam em cooptar os colonos portugueses, pelo menos não por alguns 
anos. Note que o relatório foi feito em 1639, como consta na referência bibliográfica abaixo do 
texto. Nesse período, o administrador holandês responsável pelo Nordeste brasileiro era Maurício 
Nassau, função que assumira desde 1637. Ele aplicou uma série de reformas urbanas e 
institucionais que modernizaram o sistema colonial. Além disso, foi bem sucedido em angariar a 
cooperação dos grandes proprietários portugueses, fornecendo-lhes empréstimos. No entanto, 
em 1645, ele foi deposto do cargo devido à discordâncias com a diretoria da Companhia das 
Índias Ocidentais (WIC). A partir de então, a companhia passou a pressionar os colonos 
portugueses a pagarem os empréstimosrealizados nos últimos anos. Assim, gerou-se a 
insatisfação que acabaria nos conflitos armados que expulsaram os holandeses em 1648. 
b) Correta! No século XVII, a Holanda era um conjunto de principados, cidades-Estados e 
confederações burguesas. A maioria delas eram de orientação liberal e protestante. Por isso, a 
tolerância religiosa já era instituída nos territórios e passou a valer no Nordeste brasileiro. Não 
promover perseguições religiosa aos católicos, como os portugueses, contribuiu para que não se 
nutrisse um ódio mais consistente aos invasores. Contudo, o mais importante foi realmente os 
empréstimos e a política econômica realizados por Maurício de Nassau. Essas estratégias 
garantiram a cooperação dos portugueses na produção de açúcar por um longo tempo, mas com 
a saída de Nassau isso acabou, como disse antes. 
c) Incorreta. Como disse acima, os portugueses remanescentes acabaram cedendo e cooperando 
com os holandeses graças à política econômica e de tolerância religiosa empreendida por estes 
últimos. 
d) Incorreta. Os holandeses não aboliram a escravidão. Inclusive, eles também invadiram e 
conquistaram domínios portugueses na África, importantes portos pelos quais os escravos eram 
comercializados. Controlando pontos estratégicos do tráfico e um território produtor de um 
gênero lucrativo, os holandeses mantiveram o sistema de produção de grande latifúndio e mão 
de obra escrava. A resistência dos portugueses só se radicalizou quando a WIC passou a pressionar 
para obter o pagamento dos empréstimos. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
112 
 
AULA 06: HB - Colônia I 
Gabarito: B 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
O pintor, desenhista e gravador holandês Frans Janszoon Post foi um dos primeiros artistas 
europeus a retratar paisagens do Brasil, no período colonial. Assim, como outros documentos, os 
quadros e pinturas são considerados fontes históricas que carregam características próprias do 
contexto em que foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que 
circulavam nas sociedades de seu tempo. 
 
Carro de bois, 1638, Frans Janzroon Post. 
A representação de Post 
a) é isenta de interesses econômicos, expressando a contemplação ingênua e bucólica da 
paisagem. 
b) compõe uma pintura informativa e serena, mas carregada de elementos pitorescos. 
c) reflete os valores liberais e protestantes dos holandeses, que pretendiam descolonizar o 
Nordeste. 
d) introduz o uso do realismo na construção de uma crítica social por meio da arte. 
e) expressa o ideal romântico de arte e beleza através da utilização de cores frias e 
equilibradas. 
Comentários 
A questão aborda o período em que o Nordeste brasileiro foi ocupado pelos holandeses, o que 
se deu entre 1635 e 1648. A invasão foi motivada pela incorporação de Portugal e suas colônias 
aos domínios espanhóis devido à União Ibérica (1580-1640). Na época, os holandeses já estavam 
em guerra com a Espanha, da qual tentavam se tornar independentes politicamente. Por isso, 
passaram a atacar as colônias e espanholas e, agora, também as portuguesas. Eles tinham dois 
objetivos básicos: prejudicar a Espanha; e conseguir colônias para si, obtendo fornecedores 
privilegiados de matérias-primas valiosas no mercado europeu, como o açúcar. Após 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
113 
 
AULA 06: HB - Colônia I 
conquistarem parte de territórios do litoral dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba e Rio 
Grande do Norte, os holandeses começaram a instalar sua empresa colonial, apropriando-se das 
estruturas da economia açucareira já instalada, inclusive buscando cooptar colonos portugueses 
remanescentes a manter seus negócios na região. O quadro exposto pelo enunciado data do 
período da administração do conde Maurício de Nassau, que governou o Brasil holandês entre 
1637 e 1644. Nassau trouxe consigo uma missão artística e científica composta por vários 
estudiosos e artistas holandeses para estudar e retratar as novas possessões holandesas. Frans 
Post foi um desses artistas. Ele se concentrou em pintar as paisagens nordestinas. Com isso em 
mente, vejamos o que é correto afirmar sobre a pintura selecionada: 
a) Incorreta. A intenção da missão artística e científica era estudar o território conquistado para 
informar as autoridades metropolitanas na Holanda a respeito das potencialidades econômicas da 
região. 
b) Correta! Como falei acima, a intenção do grupo de Post era informar as autoridades 
metropolitanas sobre as potencialidades econômicas da região. Repare na pintura como o artista 
se preocupou em retratar: os trabalhadores utilizados na produção açucareira e os meios de 
transporte da mercadoria (o carro de bois em primeiro plano); um engenho ao fundo, principal 
unidade de produção da mercadoria mais importante da região, o açúcar; o rio São Francisco, que 
atravessa a pintura e ganha destaque, por ser um importante recurso geográfico para a economia 
local; a vasta paisagem que se perde no horizonte indicando que ainda há muito a ser explorado. 
Entretanto, por mais objetiva que a obra de Post possa parecer, ela não está isenta de carregar 
traços que dizem mais a respeito da visão de mundo do artista do que do mundo que ele retrata. 
As cores mais ou menos homogêneas de tons rebaixados dizem mais respeito às técnicas mais 
difundidas na pintura holandesa do que à paisagem retratada. A grandiosidade da paisagem que 
Post tenta capturar também revela a forma como os europeus viam a América: como um lugar 
onde a natureza se sobrepunha à civilização de forma esmagadora. 
c) Incorreta. Os holandeses não pretendiam descolonizar o Nordeste brasileiro. Pelo contrário, 
pretendiam estabelecer seu próprio domínio colonial da região. A missão artística e científica 
servia exatamente para estudar o local para aproveitar todo seu potencial econômico. 
d) Incorreta. Esse tipo de realismo só foi concebido a partir do final do século XIX. 
e) Incorreta. O romantismo é um movimento artístico surgido no século XIX. Além disso, ele não 
se caracterizava pelo uso de cores frias e equilibradas. Era um movimento que desafia padrões e 
regras formais muito acadêmicas, próprias do neoclassicismo. Nesse sentido, abusava de cores 
vivas e quentes, sem dar tanta atenção a contornos perfeitos, com o fim de transmitir maior 
emoção e sentimentalismo. 
Gabarito: B 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“O ciclo da guerra na sociedade tupinambá era dotado de ritmo regular: os ritos 
estabeleciam com precisão o que os indivíduos deviam fazer no curso dos acontecimentos e 
situações sociais, que se desenrolassem entre a determinação do ataque e a consumação do 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
sacrifício dos inimigos aprisionados. A rigor, todas as atividades guerreiras faziam parte de u 
conjunto de ritos, organicamente integrados e interdependentes. Nele também se 
integravam os ritos de sacrifício do inimigo, de antropofagia [...].” 
FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. São Paulo: 
Pioneira, 1970, p. 67. 
A guerra era uma das preocupações centrais dos tupinambás e equivalia a um ritual que 
representava o meio de 
a) sobreviver através do canibalismo devido à escassez de outras fontes de proteína. 
b) alcançar um estado divino, no qual se reinaria sobre os demais grupos humanos. 
c) mergulhar o mundo em um estado de barbaridade e violência sem fim. 
d) destruição dos valores e crenças das culturas dos colonizadores europeus. 
e) vingança, controle dos inimigos e absorção de suas melhores características. 
Comentários 
 O tema da questão são os povos indígenas que habitavam o território brasileiro no período 
da chegada dos portugueses e sua colonização da região, a partir do século XVI. A população 
nativa equivalia a cerca de três milhões de pessoas e havia uma grande diversidadede etnias, 
línguas e níveis de domínio tecnológico. Alguns grupos eram nômades, vivendo da caça, da 
pesca e da coleta, enquanto outros eram sedentários e viviam da agricultura de batata-doce, 
raízes e algumas frutas. Não há vestígios de sociedades rigidamente estratificadas e 
hierarquizadas, que dispusessem de estruturas complexas e centralizadas de poder. 
Entretanto, não quer dizer que não tenha havido tentativas de unificar vastos territórios sob 
o comando de um grupo. De qualquer forma, a questão aborda especificamente os povos 
tupinambás. Eles são originários do Recôncavo Baiano, mas espelharam por boa parte do 
litoral brasileiro dando origem a outros povos que se fixaram mais ao sul, como os tamoios 
que habitavam a região entre São Sebastião e Cabo Frio, no Sudeste. Curiosamente, mesmo 
compartilhando a mesma língua, origem e costumes, as relações entre as tribos tupinambás 
frequentemente eram conflituosas, o que tornou a guerra um elemento marcante de sua 
cultura. Com base nisso, vejamos o ritual de guerra representava para os tupinambás: 
a) Incorreta. De fato, os vencedores das guerras costumavam canibalizar o inimigo vencido. 
Contudo, essa prática não era realizada por mera questão de sobrevivência ou necessidades 
alimentares, como veremos mais adiante. 
b) Incorreta. Sem dúvidas era um ritual que envolvia crenças religiosas, porém não com o 
objetivo de tornar-se divino. 
c) Incorreta. Isso seria uma visão preconceituosa da cultura tupinambá. Inclusive, foi como os 
europeus interpretaram esses costumes quando chegaram na América. Para os tupinambás, 
no entanto, isso não era uma barbaridade e tinham um significado mais amplo. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
115 
 
AULA 06: HB - Colônia I 
d) Incorreta. A guerra já era praticada entre os tupinambás antes da chegada dos 
colonizadores. Portanto, esse ritual não era desempenhado apenas quando o inimigo era 
europeu, mas também em conflitos entre os próprios tupinambás. 
e) Correta! No fim das contas, a guerra tinha mesmo um sentido de fazer justiça e de punir o 
inimigo, em geral pela morte de parentes e entes queridos. Ainda, resultava na submissão 
desse inimigo ao domínio do vencedor. Por fim, o ritual de antropofagia (canibalismo) dos 
membros mais fortes (o líder e/ou os guerreiros) da comunidade vencida pelos vencedores 
era um meio de absorver suas qualidades, fortalecendo a si mesmo. 
Gabarito: E 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“Em 1763, a capital do Vice-Reinado foi transferida de Salvador para o Rio [de Janeiro]. As 
duas cidades tinham aproximadamente a mesma população (cerca de quarenta mil 
habitantes), mas uma coisa era ser a capital e, outra, apenas a principal cidade do Nordeste.” 
FAUTOS, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2008, p. 99. 
A transferência da capital da América portuguesa para o Rio de Janeiro se deu em função 
do deslocamento do eixo econômico da colônia da 
a) extração de borracha na Amazônia para a criação de gado no Sul. 
b) coleta de drogas do sertão no Norte para a economia cafeeira em São Paulo. 
c) economia açucareira centrada no Nordeste para a mineração no Sudeste. 
d) pecuária estabelecida no Centro-Oeste para a plantação de mate no Sul. 
e) produção de tabaco na Bahia para o cultivo de mandioca em Minas Gerais. 
Comentários 
Em primeiro lugar, repare no ano citado pelo texto para a transferência da capital colonial: 
1763. Então, lembre-se que no século XVIII a colonização já era um projeto consolidado no Brasil, 
que era um dos maiores produtores de açúcar do mundo. Entretanto, a colônia também já 
apresentava certa diversidade regional no que diz respeito a economia. Havia também o cultivo 
de tabaco, mandioca e mate, além da pecuária bovina e equina. Por outro lado, era comum a 
extração de algumas especiarias silvestre encontradas nas matas brasileiras. Ainda, no final do 
século XVII havia sido descoberto minas de ouro que provocaram uma grande migração para a 
colônia e uma série de reformas nas instituições administrativas para controlar essa exploração. 
Sabendo desses fatores, vejamos de e para quais atividade e região o eixo econômico se deslocou 
gerando a transferência da capital colonial no século XVIII: 
a) Incorreta. No século XVIII, a extração de borracha ainda não era praticada, o que só teve 
início no século XIX. Desde o século XVII, a Amazônia foi sendo explorada e colonizada em função 
das drogas do sertão, especiarias silvestres encontradas na flora local, como o cravo, a pimenta, 
o cacau, o anil, o urucum e a castanha-do-pará. O desenvolvimento dessa economia não provocou 
a transferência da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, mas sim a separação 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
116 
 
AULA 06: HB - Colônia I 
administrativa da região Norte do resto da colônia, por meio da criação do Estado do Maranhão 
e Grão-Pará, em 1621. 
b) Incorreta. Como vimos, a economia extrativista no Norte não teve a haver com a 
transferência da capital do Brasil, mas sim com a criação de uma nova zona administrativa na 
colônia. Por outro lado, a economia cafeeira ainda não tinha sido desenvolvida no século XVIII na 
América portuguesa, o que só começou a acontecer no século XIX, principalmente após a 
independência do Brasil. 
c) Correta! Desde o século XVI, o açúcar era o principal produto exportado pela América 
portuguesa, sendo a base de sua economia. A produção estava centrada na região Nordeste, à 
qual a cana-de-açúcar se adaptava bem e onde havia portos bem localizados para o comércio com 
a Europa e a África. Entretanto, ao longo do século XVII, a economia açucareira sofreu vários 
abalos decorrentes das invasões holandesas e da fundação de colônias açucareiras de outras 
nações europeias no Caribe que aumentaram a concorrência internacional. Enquanto isso, no final 
daquele mesmo século, bandeirantes paulistas encontraram ouro na região de Minas Gerais. Isso 
provocou uma grande migração para a região, sua ocupação e exploração de forma acelerada e 
desordenada. Eventualmente, a metrópole conseguiu impor seu controle sobre a mineração, que 
se tornou a atividade mais lucrativa na América portuguesa. Com isso, o eixo econômico se 
deslocou para o Sudeste. Por sua vez, era mais vantajoso que a capital da colônia ficasse em um 
porto mais próximo da região mineradora, para melhor controlar circulação e exportação do ouro. 
d) Incorreta. O Centro-Oeste era a região menos colonizada do Brasil. Sua ocupação foi 
iniciada em função da extração aurifica, conforme foram encontradas mais jazidas de ouro nos 
territórios dos atuais estados de Goiás e Mato Grosso. Contudo, quando as reservas minerais se 
esgotavam era comum os colonos migrarem de volta para sua terra natal ou para uma outra região 
mais promissora. Alguns poucos ficavam para viver da agricultura ou pecuária voltadas para 
subsistência. Quanto ao Sul da colônia, a colonização foi iniciada pela instalação de missões 
jesuítas que aldeavam os indígenas, que, no entanto, foram massacradas por expedições de 
bandeirantes. Algumas povoações restaram desses movimentos, sobrevivendo da pecuária e do 
cultivo de erva-mate. Quando a mineração despontou no Sudeste, o Sul se tornou seu principal 
fornecedor de gados, muares e produtos derivados, como o couro. Mesmo assim, não era a 
principal atividade econômica da América portuguesa a ponto de demandar que a capital ficasse 
mais próxima dela. 
e) Incorreta. O tabaco era uma produção secundária, cujo produto servia de moeda de 
troca no tráfico de escravizados na África. O que mantinha a capital na Bahia era sua importância 
na economia açucareira e sua localização estratégica para a navegação. Por outro lado, a mandioca 
era cultivada em todo o território nacional, mas para consumo interno, não representando um 
produto lucrativo que provocaria a transferência da capital. 
Gabarito: C 
 (Estratégia Vestibulares/2021/ProfessoraAle Lopes) 
“Nossa milícia, Senhor, é diferente da regular que se observa em todo o mundo. 
Primeiramente nossas tropas com que vamos à conquista do gentio bravo desse vastíssimo 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
sertão não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, 
nem por pagamento de munição.” 
Carta de Domingos Jorge Velho ao rei de Portugal, em 1694. 
A partir da missiva podemos afirmar que o bandeirantismo se caracterizava pelo(a): 
a) convívio pacífico com os indígenas do sertão. 
b) rejeição completa de financiamento estatal. 
c) autonomia das tropas arregimentadas em relação à Coroa. 
d) despreparo técnico dos bandeirantes. 
e) preocupação exclusiva com a busca por ouro. 
 
Comentários 
Note que o tema da questão o bandeirantismo, um movimento de expedições organizadas pelos 
habitantes da Capitânia de São Vicente, no Brasil, ao longo dos séculos XVII e XVIII. Essas 
expedições adentravam o interior da colônia em busca de basicamente três coisas: metais 
preciosos; indígenas para escravizar; ou gêneros silvestres comercializáveis. Além disso, também 
eram contratados para atacar quilombos e recuperar escravizados fugidos. O texto destacado é 
um trecho da carta de um líder bandeirante, em 1694. Naquele momento, a bandeira de 
Domingos Jorge Velho estava na Capitânia de Pernambuco, pois havia sido contratada para 
combater o famoso Quilombo dos Palmares, o que realizou com sucesso, inclusive capturando 
uma de suas principais lideranças: Zumbi. Conhecendo esse contexto, vejamos o que podemos 
afirmar sobre os bandeirantes com base nessa carta: 
a) Incorreta. A relação dos bandeirantes com os indígenas era extremamente complexa. Por um 
lado, os habitantes de São Vicente se miscigenavam a gerações com os nativos locais que a eles 
se aliavam, devido a distância da capitânia em relação à metrópole e os custos altos de transporte, 
o que resultava no isolamento daquela região. Inclusive, isso dificultou até mesmo a prosperidade 
econômica da capitânia, que recebeu poucos investimentos e atenção da Coroa na instalação da 
empresa açucareira, diferente de Pernambuco e Bahia. Assim, não restou muitas opções aos 
colonos paulistas a não ser se misturar com os nativos, para conhecer a região e aprender a 
sobreviver nela. Por outro lado, esse isolamento e a desvantagem econômica também dificultaram 
a aquisição de escravizados africanos pelos paulistas, pois eram muito caros. Por isso, esses 
colonos decidiram fazer uso da escravidão indígena, mais acessível, uma vez que era só se fazer 
um acordo com alguma tribo local que tivesse prisioneiros de guerra ou adentrar no sertão para 
apresar nativos. De uma forma ou de outra, os bandeirantes paulistas acabavam tendo um grande 
convívio com os indígenas, incorporando muitos de seus costumes. Vale dizer que eles até falavam 
mais tupi do que português. No entanto, esse convívio frequentemente envolvia violência e isso 
fica evidente no trecho da carta que diz as tropas bandeirantes iam “à conquista do gentio bravo 
desse vastíssimo sertão”. “Gentio” e “bravo” eram adjetivos comumente usados para designar 
povos pagãos, mas principalmente indígenas que ainda não tinham sido escravizados ou 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
assimilados pela sociedade colonial, justamente aqueles com os quais os bandeirantes mais 
entravam em conflito. 
b) Incorreta. Como disse antes, era comum os bandeirantes serem contratados para destruir 
quilombos e capturar escravizados fugidos. Pois bem, não era raro que o contratante fosse a Coroa 
ou as autoridades coloniais. No próprio caso da guerra contra Palmares, foi o Governador Geral 
do Brasil que contratou a bandeira de Domingos Jorge Velho para combater o quilombo. Por seu 
turno, a Coroa também contratou muitos bandeirantes para procurar metais preciosos no interior 
da América portuguesa. Essas eram as chamadas bandeiras de prospecção. 
c) Correta! As bandeiras eram organizadas por particulares, isto é, pelos próprios colonos, 
justamente porque nos primeiros séculos de colonização a Coroa não se importava tanto com o 
sudeste da América portuguesa. Por mais que o Estado eventualmente os contratassem para 
missões específicas, como a busca por ouro ou a destruição de quilombos, quem comandava e 
organizava as tropas eram os próprios bandeirantes. Isso fica evidente quando Domingos Jorge 
Velho fala que suas tropas “não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem 
obrigada por soldo, nem por pagamento de munição”. 
d) Incorreta. O preparo técnico dos bandeirantes variava de expedição para expedição. Alguns 
deles eram mais ricos, outros mais pobres. No caso de Domingos Jorge Velho, ele tinha uma das 
bandeiras mais famosas e bem sucedidas da época, frequentemente procurada por fazendeiros e 
pela própria Coroa para prestar serviços. Por isso, no seu caso, podemos concluir que despreparo 
técnico não fosse um problema. Além disso, é evidente que na carta ele buscou se gabar que não 
necessitava do governo para ter soldo ou munições, pois tinha seus próprios meios de conseguir 
tais coisas de forma autônoma. 
e) Incorreta. Como mencionei no comentário, os bandeirantes podiam ter vários objetivos, entre 
os quais a busca pelo ouro. Ressalto também no trecho aqui exposto não se menciona nada sobre 
o ouro e, sabendo que naquele ano Domingos Jorge Velho estava em Pernambuco para combater 
Palmares, fica evidente que o metal valioso não era sua única preocupação. 
Gabarito: C 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
“[...] ordenei ora de mandar fazer uma fortaleza e povoação grande e forte na Bahia de 
Todos os Santos por ser para isso o mais conveniente lugar que há nas ditas terras do Brasil, 
para dali se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas 
que cumprem a meu serviço e aos negócios de minha fazenda, e a bem das partes e pela 
muita confiança que tenho em Tomé de Souza, fidalgo de minha casa, que nas coisas de que 
o encarregar me saberá bem servir e o fará com o cuidado e diligência que se dele espera, 
e como o até aqui tem feito nas coisas do meu serviço de que foi encarregado, hei por bem 
e me apraz de lhe fazer mercê dos cargos de capitão da povoação e terras da dita Bahia de 
Todos os Santos e de governador-geral do dito Brasil por tempo de três anos e com 
quatrocentos mil reais de ordenado em cada um ano, pagos à custa de minha fazenda”. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
D. JOÃO III. Carta de nomeação de Tomé de Souza [7 jan. 1549]. In: INÁCIO, Inés da 
Conceição; LUCA, Tania Regina de. Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, 
p. 53. 
A criação do Governo Geral para gerir a América portuguesa esteve ligada 
a) ao sucesso da maioria das capitanias hereditárias na produção e exportação de açúcar. 
b) à diminuição das guerras contra as populações indígenas, cuja maioria se submeteu 
aos portugueses ou se isolou. 
c) à vinda dos primeiros missionários franciscanos, que trabalhariam na conversão dos 
nativos, mantendo uma parceria com a coroa. 
d) à descoberta de vastos depósitos de ouro em Minas Gerais pelos bandeirantes 
paulistas. 
e) ao acirramento da competição mundial, com o consequente crescimento das incursões 
estrangeiras no Brasil. 
 
Comentários 
Em primeiro lugar, repare na data em que o documento apresentado foi escrito: 1549, portanto, 
século XVI. O tema específico é a criação do Governo Geral para administrar a colônia portuguesa 
na América: o Estado do Brasil. Fazia quase cinco décadas que os portugueses começaram a 
explorar o território brasileiro. Até a década de 1530, predominou uma colonização menos 
sistemática, com o estabelecimento de algumas feitorias e fortes em pontos estratégicos na costa 
brasileira. A partir delas, osprimeiros colonos tanto defendiam as novas terras de invasões 
estrangeiras, quanto negociavam ou guerreavam com as nações indígenas nativas. A economia 
estabelecida entre os grupos mais abertos à negociação era feita a base do escambo. Entretanto, 
na década de 1530, foram criadas as capitanias hereditárias. A intenção era melhor explorar a 
terra, por meio da produção agrícola em larga escala de um produto muito valioso no mercado 
europeu: o açúcar. Assim, o rei concedia um quinhão de terra (a capitania) a um fidalgo ou burguês 
de sua corte que tivesse recursos para investir nele. Porém, isso não foi o suficiente para despontar 
uma colonização sistemática, com um maior controle da Coroa sobre a colônia. Por isso, em 1548 
foi criado o Governo Geral e um ano depois era nomeado Tomé de Souza para comandá-lo. Agora, 
vejamos ao que isso estava ligado: 
a) Incorreta. Como mencionei antes, a instituição das capitanias hereditárias não foi suficiente para 
explorar o máximo do potencial das novas terras. Somente as capitanias de São Vicente e 
Pernambuco haviam prosperado naquelas duas décadas antes da criação do Governo Geral. A 
maioria dos capitães donatários nem sequer se interessaram em conhecer suas novas terras, pois 
o investimento necessário era muito grande e o retorno muito incerto. Apesar disso e da criação 
da nova instância de poder na colônia, o sistema de capitanias hereditários continuou até o final 
do século XVIII, quando foi extinto. Todavia, os capitães respondiam ao governador geral. 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
b) Incorreta. Pelo contrário, muitas nações indígenas persistiram lutando para impedir o avanço 
português no continente. Justamente por isso, elas representavam uma ameaça tão grande de 
perder as novas terras quanto a possibilidade de outra nação europeia vir e conquistar tudo. 
Assim, o Governo-Geral também representava um esforço em dar mais coesão administrativa e 
militar para combater os nativos insubmissos. 
c) Incorreta. Na verdade, junto com Tomé de Souza veio a primeira missão jesuíta, não franciscana. 
Chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega, os jesuítas tinham a função de converter os nativos ao 
cristianismo, educar os colonos e auxiliar na administração colonial. 
d) Incorreta. O ouro só foi encontrado em Minas Gerais no final do século XVII, muitas décadas 
depois do Governo Geral ter sido criado. Por outro lado, em 1545, os espanhóis encontraram 
vastos depósitos de prata na Bolívia. Isso fez com que a Coroa acreditasse mais na hipótese de 
também no Brasil haver reservas naturais de metais preciosos. Portanto, era necessário assegurar 
o domínio sobre a região e aperfeiçoar sua administração como se deu com a criação do Governo 
Geral. 
e) Correta! Até aqui já vimos que a criação do Governo Geral teve mais de uma motivação: o 
fracasso da maioria das capitanias hereditárias; o aumento das guerras com os indígenas; a 
descoberta de prata pelos espanhóis; e a vinda da primeira missão jesuíta. Aqui temos mais uma, 
que também já havia mencionado na letra “b”: a competição com outras nações europeias. 
Conforme a notícia de novas terras ricas em recursos naturais se espalhava, outros países europeus 
se interessaram em tentar realizar semelhante empreendimento. França, Holanda e Inglaterra 
começaram a tentar se apoderar de terras que supostamente pertenciam à portugueses e 
espanhóis. Estes últimos também disputavam a posse nos territórios fronteiriços entre suas 
colônias na América do Sul. 
Gabarito: E 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
A aparição da cultura ceramista entre os grupos humanos que habitavam a região do atual 
Brasil pode ser considerada um marco civilizatório da pré-história brasileira porque 
a) indicava que já havia tido contato entre indígenas e europeus antes da modernidade, 
quando estes últimos trouxeram parte de seu conhecimento avançado para o continente 
americano. 
b) é uma evidência de que os povos pré-históricos passavam por um processo de 
sedentarização e revolução agrícola, o que gerou a necessidade de armazenas alimentos entre 
outras necessidades. 
c) representava uma forma sofisticada de resistência cultural contra a colonização 
portuguesa, que além de transformar os nativos em mão de obra, obrigava-os a adotar a cultura 
lusitana. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
d) é um indício que a civilização andina estendia seu domínio até o litoral brasileiro, 
exercendo tanto influência política e econômica quanto cultura, de modo que a arte ceramista de 
difundiu por todo o continente. 
e) tem datação muito recente, demonstrando que os nativos viviam como caçadores-
coletores por todo o território brasileiro até a chegada dos europeus na modernidade. 
 
Comentários 
A ocupação humana do território brasileiro é, pelo menos, anterior a 12 mil anos atrás, 
considerando os sítios arqueológicos conhecidos hoje pelos pesquisadores. Objetos e materiais 
feitos com cerâmica encontrados nesses lugares indicam essa técnica surgiu entre esses grupos 
entre 5 e 4 mil anos atrás. Sabendo disso, vejamos por que isso significa um marco na civilização 
pré-histórica brasileira: 
a) Incorreta. Não há contatos comprados entre europeus e indígenas americanos antes do período 
moderno. As civilizações, técnicas e modos de vida desenvolvidos na América antes disso são fruto 
da cultura dos próprios nativos que ocupavam o continente a milhares de anos. 
b) Correta! Por volta de 5 mil anos atrás, diferentes grupos humanos que habitavam o território 
brasileiro começaram a cultivar produtos agrícolas, o que possibilitou sua fixação em determinadas 
áreas. A necessidade de armazenar a produção agrícola a médio e longo prazo provavelmente 
proporcionou o desenvolvimento da cultura cerâmica. Não só a armazenagem de comida seria 
revolucionada, mas também o próprio preparo dos alimentos, com a confecção de panelas e 
outros utensílios que permitiam melhor cozinha-los. Entretanto, a cerâmica ganhou muitos outros 
usos nessas sociedades pré-histórica, como na sua aplicação para confecção de urnas funerárias, 
o que sugere um novo comportamento em relação à morte. Por todas essas razões, o advento da 
cerâmica entre as populações nativas representa um marco civilizatório em sua história. 
c) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”. No período abordado pela questão, os portugueses 
não tinham chegado a América ainda. Nem sequer existia Portugal como um país. Lembre-se, 
estamos falamos da pré-história. 
d) Incorreta. Há muitos debates sobre a influência das civilizações andinas (ancestrais dos incas) 
no desenvolvimento cultural dos demais povos durante a pré-história sul-americana. Entretanto, 
há evidência que os grupos humanos que habitavam a Amazônia elaboraram uma cultura 
ceramistas de forma autônoma aos grupos andinos. 
e) Incorreta. Apesar de muitos grupos ainda viverem como caçadores-coletores quando os 
europeus chegaram ao continente americano, na modernidade, havia muitas civilizações 
organizadas de outras maneiras desde o período pré-histórico. Como disse antes, por volta de 5 
mil anos atrás ocorreu um processo de sedentarização em muitos grupos que passaram a praticar 
agricultura. Isso proporcionou a eles que se fixassem, desenvolvessem novas técnicas e materiais 
com os recursos disponíveis. Com isso, as sociedades cresciam e sua organização se tornava mais 
estratificada. 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Gabarito: B 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) 
EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ENGENHOS DE AÇÚCAR EM CADA CAPITANIA 
CAPITANIA 1570 1583 1612 1629 
Pará, Ceará, 
Maranhão 
- - - - 
Rio Grande - - 1 - 
Paraíba - - 12 24 
Itamaracá 1 - 10 18 
Pernambuco 23 66 99 150 
Sergipe - - 1 - 
Bahia 18 33 50 8 
Ilheús 8 3 5 4 
Porto 
Seguro 
5 1 1 - 
Espírito 
Santo1 6 8 8 
Rio de 
Janeiro 
- 3 114 60 
São Vicente, 
Santo Amaro 
4 6 - - 
BETHENCOURT, F.; CHAUDUHURI, K. História da Expansão Portuguesa. Lisboa: Círculo de 
Leitores, 1998, p. 316. 
Com base nos dados apresentados, é que correto afirmar que, nos primeiros séculos da 
América portuguesa, o desenvolvimento da economia açucareira 
a) prosperou nas capitanias do Nordeste, onde não apenas o clima era propício para o 
cultivo da cana, como também era mais conveniente para as rotas marítimas. 
b) prevaleceu na região Centro-Oeste, de ocupação mais antiga e onde a oferta de mão de 
obra indígena passível de escravização era alta. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
c) foi responsável pela ascensão de São Vicente à capitânia mais rentável da colônia, 
integrando-a ao comércio exterior e ao tráfico de africanos. 
d) possibilitou a ocupação do Sul da colônia, onde os nativos já tinham experiência com a 
plantação de cana e tabaco, gêneros lucrativos no mercado internacional. 
e) manteve-se a partir das relações de escambos entre indígenas e portugueses, que dessa 
forma organizavam um uma troca de mercadorias por trabalho. 
Comentários 
Em primeiro lugar, preste atenção no detalhe que o enunciado já nos comunicou o tema da 
questão: o desenvolvimento da economia açucareira nos primeiros séculos de colonização da 
América portuguesa. Portanto, falamos do período que abarca os séculos XVI e XVII, 
aproximadamente. Mais especificamente, a tabela apresenta dados referentes aos anos 1570, 
1583, 1612 e 1629, período que corresponde ao auge da produção exportação de açúcar no Brasil 
colonial. Assim, temos o número de engenhos de açúcar em cada capitania, em cada um dos anos 
citados. Desde já, é interessante notar que as três capitânias com mais engenhos são Pernambuco, 
Bahia e Rio de Janeiro. Agora, vejamos é correto afirmar sobre esse processo: 
a) Correta! De fato, a tabela comprova a grande maioria dos engenhos esteve localizada nas 
capitanias nordestinas (Pernambuco, Bahia, Ilhéus, Itamaracá e Paraíba). A cana se mostrou bem 
adaptável ao clima nordestino e a região estava posicionada em um local estratégico. Correntezas 
marítimas e de vento proporcionaram que rotas marítimas fossem traçadas de modo que o 
Nordeste era um ponto obrigatório na circulação entre Portugal, África e Brasil. 
b) Incorreta. A ocupação da região Centro-Oeste se deu posteriormente em relação ao Nordeste 
e o Sudeste, conforme se buscava por mais jazidas de ouro no interior da colônia. No final do 
século XVII, as primeiras jazidas foram encontradas em Minas Gerais. Nos anos seguintes e ao 
longo do século XVIII, territórios dos atuais estados de Tocantins, Mato Grosso e Goiás também 
foram ocupados em decorrência da mineração. 
c) Incorreta. São Vicente era uma das capitanias menos prósperas e rentáveis da colônia. 
Realmente, no século XVI houve um esforço em instalar empresas açucareiras na região. Contudo, 
a distância em relação à metrópole contribuiu para reduzir o empenho da Coroa em tornar esse 
projeto efetivo. O Nordeste era muito mais vantajoso, do ponto de vista da monarquia e dos 
investidores, como expliquei na letra “a”. Assim, os habitantes de São Vicente se dedicaram a uma 
produção agrícola de médio e pequeno porte, voltada para gêneros de subsistência (mandioca, 
milho, feijão etc.) que era comercializados com outras regiões da colônia. A precariedade da 
colonização em São Vicente também fez com que muitos de seus habitantes se dedicassem ao 
bandeirantismo; expedições autônomas que entravam nos sertões em busca de ouro, indígenas 
para escravizar ou gêneros silvestres comercializáveis. 
d) Incorreta. Os nativos brasileiros não tinham experiências prévias com o cultivo de cana de 
açúcar. Além disso, o que motivou a ocupação do sul foram um misto de fatores, entre os quais: 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
missões jesuítas de aldeamento de indígenas; expedições bandeirantes que se fixaram pelo 
caminho; colonos dedicados a criação de gado e muares. 
e) Incorreta. As relações de escambo entre indígenas e portugueses prevaleceram somente 
durante a primeira fase de colonização, entre 1500 e 1530, aproximadamente. A década de 1530 
marca justamente o início dos esforços em fazer da América portuguesa um polo produtor de 
açúcar. É nesse momento que são instituídas as Capitanias Hereditárias e os primeiros engenhos 
são construídos. A partir de então, os portugueses passaram a escravizar indígenas em grandes 
quantidades para servirem de mão de obra no cultivo de cana e na produção de açúcar. Na década 
de 1570, os nativos começaram a ser substituídos pelos escravizados africanos nos engenhos mais 
prósperos quando o tráfico internacional de escravizado passou a parecer altamente lucrativo para 
os comerciantes portugueses. 
Gabarito: A 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) 
Entre 1630 e 1654 o Brasil esteve sob a administração holandesa em parte significativa do 
nordeste do território. Atente para o que se diz a seguir sobre esse período: 
I – A invasão holandesa relacionou-se ao processo de segmentação dos Países Baixos, que 
estavam sob domínio espanhol, e à hegemonia da União Ibérica. 
II – apesar de ter sido marcada por anos de conflito, a permanência dos holandeses também 
encontrou períodos de relativa paz nos quais foi possível implementar uma administração 
modernizante para os padrões da época. 
III – o domínio holandês foi viabilizado porque foi criada a Companhia das Índias Ocidentais, 
empresa que pretendia fundar uma colônia holandesa na América para controlar os centros 
produtores de açúcar. 
Está correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) II e III apenas. 
c) I e III apenas. 
d) I e II apenas. 
Comentários 
Todas as afirmações estão corretas. 
I – A União Ibérica foi a unidade político e territorial construída pelo reino da Espanha entre 
1580 e 1640, uma dominação que abarcou o reino português, a Espanha, parte dos Países 
Baixos e outro territórios na própria Europa . Até então, os portugueses mantinham relações 
amistosas e de comércio com os holandeses. Contudo, a partir do momento em que a União 
Ibérica foi formada, a administração colonial portuguesa no Brasil passou a sofrer imposições 
dos espanhóis. Como havia uma disputa entre holandeses e espanhóis pelo domínio da 
região dos Países Baixos, uma das medidas da União Ibérica no Brasil foi cortar laços 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
comercias com holandeses. Em resposta, o Brasil colônia possou a ser alvo de incursões 
militares dos flamengos, claro, com objetivos econômicos em função da expansão do açúcar. 
II – correto, sendo que essa relativa paz ocorreu entre 1637 e 1643, durante a administração 
de Maurício de Nassau. Ele realizou uma série de reformas em Pernambuco e priorizou 
consideravelmente os principais núcleos urbanos — Recife e Olinda. 
III – correto, pois além da disputa territorial e das desavenças com os espanhóis, os 
holandeses também tinham interesses comerciais que precisavam ser melhor organizados, o 
que foi viabilizado pela Companhia. Vale lembrar que a Companhia também atuou no 
mercado de escravos. 
Gabarito: A 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
Não só esses gêneros poderiam neste novo mundo descoberto assegurar o suficiente para 
enriquecer todo o orbe, como muitos outros que, mesmo em menor quantidade, não deixariam 
de ajudar o enriquecimento da Coroa Real. Tais são o algodão, que se colhe abundantemente; o 
urucum, do qual se extrai um excelente corante; o açafrão, muito apreciado pelos estrangeiros; a 
canafístula; a salsaparrilha; os óleos, que competem com os melhores bálsamos para a cura de 
feridas; as gomas e resinas perfumadas; a pita, da qual se obtém uma fibra de excelente qualidadee que cresce em grande abundância; e muitos outros produtos que a cada dia a necessidade e a 
cobiça hão de descobrir [...] 
(Cristóbal Acuña. “Novo descobrimento do grande rio das Amazonas”, 1641) 
 O texto de época descreve a 
a) a formação de cooperativas jesuíticas. 
b) a busca por prata nos Andes da América Espanhola. 
c) o inventário da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão. 
d) a expedição francesa que, após a expulsão dos franceses da França Antártica, fundou a 
França Equinocial. 
e) busca por produtos extrativistas dotados de potencial valor econômico por parte dos 
colonizadores. 
 
Comentários 
a) errado, pois os jesuítas faziam aldeamentos com vistas à catequização. 
b) falso, pois os produtos extrativistas listados pertencem à região amazônica. 
c) atenção, errado, pois esta companhia foi criada em 1755 por articulações do Marques de 
Pombal. Repare que o texto de época é de 1641. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
d) errado, pois, apesar de os franceses, de fato, terem fundado a cidade de São Luís (atual 
capital do Maranhão), em 1612, na região que ficou conhecida como França Equinocial, eles 
também forma expulsos dessa área em 1615. 
e) correto. Esses produtos coletados ficaram conhecidos como drogas do sertão, e se 
tornaram importantes fontes de renda, monopolizada pela metrópole portuguesa no final do 
século XVII. As expressão drogas do sertão era usada para caracterizar produtos florestais no 
interior da região, representaram o primeiro esforço para extrair as especiarias lucrativas da 
floresta no período colonial na Amazônia. 
Gabarito: E 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) 
As esculturas abaixo fazem parte do conjunto Passos da Paixão, de autoria de Antonio 
Francisco Lisboa, o Aleijadinho, um dos grandes escultores do barroco mineiro. Na cena, 
temos representado Jesus carregando a cruz, rodeado de soldados romanos. 
 
Cristo com cruz às costas, parte do conjunto Passos da Paixão, 1796-1799, de Antonio 
Francisco Lisboa (Aleijadinho). 
Analise as quatro afirmações abaixo, a respeito do barroco mineiro e a atividade mineradora 
no Brasil. 
I. O trabalho de Aleijadinho floresceu no momento de maior lucratividade da mineração no 
Brasil ao mesmo tempo que era marcado pelo fervor religioso da Contrarreforma. 
II. Na cena retratada pelas esculturas acima, podemos notar a preocupação barroca com a 
representação do movimento, sobretudo no tratamento dado ao panejamento do manto e 
da túnica. Todo o interesse de Aleijadinho na teatralidade do momento representado 
explicita essa preocupação. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
III. No final do século XVIII, a mineração estava em declínio, graças ao esgotamento das 
jazidas de ouro. Isso não impediu que grandes Igrejas e obras de arte fossem financiadas. 
IV. Os artistas mineiros se empenharam em copiar completamente o barroco europeu, 
enfatizando o caráter emotivo e intuitivo nas obras. Utilizando-se exclusivamente de 
mármore como matéria-prima, os escultores imprimiam mais sentimento a expressões 
humanas aproveitando deformações e tons mais carregados. 
Estão corretas apenas as afirmações 
a) I e IV. 
b) II, III e IV. 
c) I e II. 
d) I, II e III. 
e) II e III. 
Comentários 
O Barroco, surgido na Europa no início do século XVII, foi um estilo de reação contra o 
classicismo do Renascimento, cujas bases conceituais giravam em torno da simetria, da 
proporcionalidade e da contenção, racionalidade e equilíbrio formal. Assim, a estética 
barroca primou pela assimetria, pelo excesso, pela expressividade e pela irregularidade. 
Além de uma tendência puramente estética, esses traços constituíram uma verdadeira forma 
de vida e deram o tom a toda a cultura do período, uma cultura que enfatizava o contraste, 
o conflito, o dinâmico, o dramático, o grandiloquente, a dissolução dos limites, junto com 
um gosto acentuado pela opulência de formas e materiais, tornando-se um veículo perfeito 
para a Igreja Católica da Contrarreforma e as monarquias absolutistas em ascensão 
expressarem visivelmente seus ideais de glória e afirmarem seu poder político. O fervor 
religioso da Contrarreforma cruzou o Atlântico e chegou ao Brasil, trazendo para cá a arte 
emotiva e intuitiva do barroco europeu. O Nordeste e Minas Gerais foram os dois grandes 
centros do barroco brasileiro, que em cada um deles adquiriu características peculiares. 
I. Falsa. Apesar de ser considerado o maior representante do barroco no Brasil colonial, 
movimento marcado pela Contrarreforma, quando Aleijadinho finaliza a obra destacada no 
final do século XVIII, quando as minas já estavam se esgotando, portanto, esse não foi o 
momento de sua maior lucratividade. Na verdade, as poucas jazidas que restavam foram se 
concentrando nas mãos dos proprietários mais ricos, que também começaram a investir na 
aquisição de latifúndios e na instalação de grandes plantações e/ou na criação de gado para 
exportação. Justamente por ser o final do século XVIII um período de declínio da extração 
aurífera e de concentração de riquezas, as elites mineiras investiram pesadamente na 
construção de templos e Igrejas como forma de ostentar seu poder e explicitar sua diferença 
em relação ao resto da população. 
II. Verdadeira! A obra de Aleijadinho mistura diversos estilos barrocos, além de concentrar 
obras de expressividade acentuada. Devemos ressaltar que a estética barroca foi o veículo 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
perfeito para a Igreja Católica da Contrarreforma, arte baseada na assimetria, no excesso, na 
irregularidade e nos contrastes. Para além da estética, esses traços simbolizavam uma cultura 
e uma sociedade marcada pelo conflito, com obras que destacam o dinâmico, o dramático, 
o grandiloquente, a dissolução dos limites, junto com um gosto acentuado pela opulência 
de formas e materiais. Vale mencionar que a representação do movimento era algo que os 
renascentistas não conseguiram aperfeiçoar, apesar de todo desenvolvimento quanto nos 
estudos de perspectiva, simetria e harmonia. Por isso, essa foi uma das principais tarefas que 
os artistas barrocos se dedicaram. 
III. Verdadeira! No século XVIII as construções religiosas ganhavam destaque na região de 
Minas Gerais e, graças ao ouro, elas se tornavam cada vez mais suntuosas. Contudo, no final 
desse século, como já mencionei, as jazidas estavam se esgotando, o que intensificou a 
concentração de riqueza e as desigualdades sociais. Assim, as elites procuraram investir ainda 
mais na arte barroca como forma de ostentação. 
IV. Falsa. O barroco no Brasil adquiriu características locais, logo, não pode ser caracterizado 
como uma cópia perfeita do movimento europeu. Inclusive, a obra de Aleijadinho apresenta 
uma mescla de vários estilos barrocos, gerando uma identidade singular. A razão disso 
também era a grande dificuldade de importar materiais estrangeiros em Minas Gerais, 
distante do litoral. O artista utilizou, sobretudo, pedra-sabão, material brasileiro, para 
produzir suas obras. Outros elementos que os artistas mineiros utilizavam era a madeira e o 
ouro, para revestir igrejas e altares de famílias ricas. Os materiais alternativos usados pelos 
mineiros proporcionaram que as deformações do barroco europeu dessem lugar a figuras 
mais simples, joviais e de tons menos carregados. 
Portanto, a alternativa correta é a letra “e”. 
Gabarito: E 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
Salvador e Recôncavo dependiam do sertão. Salvador necessitava da carne que o sertão 
fornecia. Carne, couro e sebo eram usados na cidade e no campo, e os engenhos precisavam 
igualmente de bois para transporte, muitos também como força motriz. Grandes boiadas 
percorriam, às vezes, sessenta quilômetros por dia, com destino àsfeiras na orla do 
Recôncavo, onde um ativo comércio tinha lugar. A primeira dessas feiras foi Capoame, 
estabelecida por Francisco Dias d’Avila em 1614. 
 (SCHWARTZ, 1995, p. 88) 
A atividade econômica descrita no texto, demonstra, em relação à economia do açúcar, 
a) oposição. 
b) competição. 
c) complementariedade. 
d) substituto perfeito. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
e) alternativa mais rentável. 
Comentários 
Com as restrições da Coroa portuguesa ao desenvolvimento do mercado interno e de 
produtos que desconsiderassem o “exclusivo comercial”, a faixa colonial litorânea passou a ser 
ultrapassada para que, mais para o interior, se desenvolvessem atividades econômicas que 
ajudassem no processo de colonização. Lembre-se: o Rei de Portugal, em Carta Régia de 1701, 
determinou a proibição da criação de gado em uma faixa de dez léguas, a partir do litoral 
brasileiro. Nessa toada, a pecuária passou a ser desenvolvida no sertão. E qual era o objetivo 
econômico dessa atividade? Aproveitar a economia do açúcar e abastecer o complexo de relações 
sociais que se expandiu e produziu riquezas por meio da economia do açúcar. Dessa forma, por 
exemplo, o abastecimento de alimentos bovinos nos engenhos provinha da atividade pecuária 
que, em certo sentido, se desenvolveu às margens da atividade principal açucareira. Então, repare, 
não se tratou de uma competição (alterativa B), tampouco oposição (alternativa A), já que a 
pecuária “buscava” o dinheiro que era gerado pelo processo de exploração da cana de açúcar. 
Assim, podemos relacionar “gado e açúcar” como atividades complementares, sendo que uma (o 
açúcar) “puxou” o desenvolvimento da outra. Além disso, não podemos pensar em “substituo 
perfeito” porque o açúcar era destinado ao mercado externo, já o gado e produtos periféricos 
(couro) eram para abastecer o mercado interno, embora certos produtos fossem para Portugal. 
Gabarito: C 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
 “Embora certas pinturas rupestres talvez tenham sido realizadas já no período anterior, a 
maioria dos grafismos encontrados nos abrigos data provavelmente dos últimos seis milênios 
antes da era cristã. Com certeza não eram obras de ‘arte’ no sentido que damos hoje à 
palavra. É claro que durante todos esses milênios e em tantos lugares, algumas pessoas 
podem ter deixado simples graffiti, e outros desenhos talvez fossem feitos para fins 
decorativos. No entanto o mais provável é que a maioria dos grafismos tenha sido feita como 
afirmação de etnicidade, expressão de uma crença, ato mágico, proclamação política de 
status, trato, posse”. 
PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a Pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge 
Zahar, 2006, pp. 72-73. 
A arte rupestre no Brasil, 
a) apresenta maior concentração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. 
Grande parte dessas figuras é constituída por figuras animais e geométricas, sobretudo 
pássaros. 
b) são encontradas em apenas dezoito sítios arqueológicos na Amazônia. Em geral, pinturas 
e gravuras são encontradas em abrigos, nas grutas mais afastadas dos rios. 
c) é fácil de se preservar, pois está distribuída em locais de difícil acesso e de pouca exposição 
às intempéries. Exemplo disso é o Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí. 
 
Profe Alê Lopes 
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d) é muito variada e não foi totalmente mapeada ainda. Todavia, as evidências conhecidas 
até agora atestam que foi uma forma de expressão muito rica para as populações pré-
históricas de todo o Brasil. 
e) tem datação muito recente, demonstrando que essa forma de expressão é tardia na 
América do Sul, comparada ao norte do continente, onde há pinturas de 48 mil anos atrás. 
Comentários 
Em primeiro lugar, lembre-se que as artes rupestres são uma forma de expressão das sociedades 
Pré-históricas. No caso da América, estamos falando todo o período que antecede as civilizações 
que os europeus encontraram quando chegaram ao continente, no século XV. A arte rupestre é 
bastante diversa, podendo ser encontrada em variados sítios arqueológicos no Brasil e no mundo. 
Pode se manifestar na forma de pinturas ou gravuras em diferentes superfícies encontradas no 
meio natural; em abrigos, em cavernas e grutas, ou ar livre; em locais de fácil ou difícil acesso. O 
que costuma estar representado nelas também varia conforme tempo, região e cultura. Há casos 
em que apenas figuras geométricas são retratadas, enquanto outras misturam elementos 
animalescos e humanoides. Tendo isso em mente, vejamos qual alternativa está correta: 
a) Incorreta. A maior concentração de arte rupestre no Brasil se encontra no Parque Nacional Serra 
da Capivara, no estado do Piauí. A maioria dessas figuras é constituída por grupos de figuras 
humanas em ações diversas, como caças, corridas, lutas e cerimônias. Igualmente, há 
representações mais recentes, formadas por muitas figuras de pássaros, figuras humanas e de 
animais estilizadas, figuras semi-humanas, além de numerosas impressões de mãos. 
b) Incorreta. A Amazônia brasileira também é rica em sítios arqueológicos de arte rupestre. 
Existem mais de trezentos sítios. Entre eles, 111 estão localizados no estado do Pará. As gravuras 
rupestres amazônicas são mais comuns às margens dos rios e em trechos de cachoeiras, enquanto 
as pinturas se encontram em abrigos, grutas e paredões. Os pesquisadores acreditam que a 
proximidade com fontes de água sugere que este elemento era ingrediente importante no 
processo criativo. Nessas pinturas e gravuras predominam figuras humanas e formas geométricas. 
c) Incorreta. Por estar exposta em grutas, paredões e encostas ao ar livre, a arte rupestre está mais 
vulnerável à depredação que a maioria dos sítios arqueológicos. Uma das maiores dificuldades 
para preservar este tipo de patrimônio é que muitas vezes estão em locais de difícil acesso ou 
isolados. No caso do Parque Nacional Serra da Capivara, existe um esforço constante contra a 
depredação, provocada não apenas pelas mãos humanas, mas pelas forças da natureza. 
d) Correta! Repare que o texto destacado pela questão ressalta principalmente essa diversidade, 
que também confirmamos ao justificar o erro das alternativas anteriores. Infelizmente, há pouco 
investimento na pesquisa arqueológica no Brasil e o equipamento necessário para este 
procedimento é bem caro. Por isso, essas investigações andam a passos de tartaruga. Ainda há 
muito para se mapear, mas o que já é evidente é que o atual território brasileiro já era habitado a 
milênios antes de Cristo. Mais que isso, essas populações eram organizadas socialmente e se 
expressavam por meio da arte visual, com múltiplos estilos e significados. 
e) Incorreta. O debate sobre a longevidade da ocupação humana na América e como o gênero 
homo chegou a esse continente são de longa data. Lembra-se que havia as teorias do Estreito de 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Bering e a das navegações pelo Pacífico? Então, representando uma terceira linha de 
argumentação, o pesquisador brasileiro Walter Neves defende que houve diversas ondas 
migratórias para a América, ocorridas em datas diferentes e compostas por grupos oriundos tanto 
da Ásia quando da Oceania. Atualmente, já se reconhece que existem sítios pré-históricos mais 
antigos no nosso continente, com datações de 17 mil (Pensilvânia-EUA) e 25 mil (Santa Elina-MG) 
anos atrás. Ainda, segundo Niède Gudon, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, os 
vestígios encontrados datam de pelo menos 48 mil anos atrás, o que representariam os vestígios 
mais antigos da presença humana na América. 
Gabarito: D 
 (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) 
As invasões holandesas em territórios do Império português tiveram como consequência 
a) a valorizaçãodo açúcar brasileiro no mercado internacional, pois os holandeses perderam 
sua única colônia açucareira. 
b) a forte concorrência do açúcar das Antilhas, quebra do monopólio português no comércio 
transatlântico de escravos e crescimento da influência inglesa. 
c) diminuíram a importância do Brasil como colônia e fonte de riquezas para o Império 
português. 
d) tornou o Atlântico Norte a principal base da colonização e exploração portuguesa. 
e) obrigou d. João IV, rei português, a romper os laços comerciais e diplomáticos com a 
Inglaterra. 
Comentários 
Antes de mais nada, quero destacar que as invasões holandesas aos territórios portugueses 
tiveram início no final do século XVI, quando Portugal foi incorporado pela Espanha, formando a 
União Ibérica. Como holandeses já estavam em guerra contra os espanhóis, decidiram atacar as 
possessões coloniais portuguesas para prejudicar a Espanha. Eles também tinham o objetivo de 
assumir o controle sobre os entrepostos mais importantes, sobretudo aqueles que eram pontos 
de compra e venda de escravizados africanos. Além disso, quando invadiram a Bahia e, depois 
Pernambuco, no século XVII, os holandeses pretendiam entrar no ramo de produção e exportação 
de açúcar para concorrer com o produto brasileiro. Eles conseguiram ocupar a região Nordeste 
do Brasil entre 1637 e 1649. Também conquistaram Luanda e o Forte de São Jorge da Mina, na 
África. Quando os portugueses retomaram sua independência em relação a Espanha, começaram 
a negociar a devolução de seus territórios tomados pela Holanda. No entanto, brasileiros e 
colonos portugueses não esperaram as formalizações e se levantaram contra os holandeses, 
saindo vitoriosos em 1649. No entanto, a economia do Império português não seria mais a mesma 
depois disso. Considerando essas informações, vejamos qual alternativa apresenta corretamente 
uma ou mais consequências das invasões holandesas: 
a) Incorreta. Na verdade, os holandeses também estabeleceram colônias na América Central, 
usando as técnicas que aprenderam em Pernambuco. Além deles, também ingleses, espanhóis e 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
franceses entraram no ramo de produção de açúcar para exportação, praticado em colônias na 
América. Com isso, o açúcar brasileiro passou a ter que competir com outros produtos, o que 
desvalorizou seu preço no mercado internacional. 
b) Correta! Explicamos a concorrência das Antilhas na letra “a”. Quando às demais, os holandeses 
usaram São Jorge da Mina – que os portugueses não conseguiram reconquistar – como porta de 
entrada no tráfico transatlântico de escravos. Por seu turno, diante do crescimento da rivalidade 
anglo-holandesa, d. João IV encontrou na Inglaterra o suporte diplomático que lhe permitiu 
garantir a independência política em relação a Espanha e a restauração de seu império 
ultramarino. Em contrapartida, Portugal passou inteiramente para a alçada do poder inglês, 
dependência que se acentuaria na passagem do século XVII para o XVIII. 
c) Incorreta. Na verdade, o cenário criado pelas guerras imperiais também reservava um novo 
papel para a colônia portuguesa na América. O enfraquecimento de Portugal e do seu comércio 
com o Oriente, em razão das guerras, alçou o Brasil como a principal fonte de riquezas do Império 
português. 
d) Incorreta. Na verdade, foi o Atlântico Sul que acabou tornando-se a base do Império lusitano. 
Os custos da restauração desse império colonial no Brasil e em Angola foram financiados quase 
inteiramente com recursos obtidos da exploração do comércio de escravos. Mesmo com a 
concorrência do açúcar antilhano, o Atlântico Sul tornou-se o novo sustentáculo dos portugueses 
por meio do vínculo entre Brasil, Portugal e Angola. 
e) Incorreta, pois contraria o que disse na justificativa da letra “b”. 
Gabarito: B 
 (Estratégia Vestibulares/2021/profe. Alê Lopes) 
 
Monumentos amanhecem pichados em São Paulo, Veja, 30 de setembro de 2016. 
Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/monumentos-amanhecem-pichados-em-sao-paulo/ 
A partir da fotografia e de seus conhecimentos sobre monumentos históricos, assinale a 
alternativa correta. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
a) O monumento, diferente do documento, é algo que a sociedade não escolhe lembrar, mas 
é obrigada pela imposição da maioria. Isso explica a retaliação de uma pequena parcela da 
população a alguns monumentos. 
b) As estátuas e monumento estão alheios a quaisquer disputas ideológicas e políticas. Eles 
marcam a identidade fundamental e imutável de um povo. Portanto, a fotografia registra um 
ato de vandalismo de estrangeiros contra a identidade nacional. 
c) Em geral, os monumentos e estátuas são algo que a sociedade quer esquecer. Assim, a 
intervenção posterior à sua construção, como no caso da fotografia acima, revela como o 
que se quer esquecer é “digerido” pelas próximas gerações. 
d) Os monumentos são algo voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o 
passado que ela escolheu lembrar. Eles permeiam as formas de lembrar o passado e de 
compreender o presente. Seus significados são sempre passíveis de disputas. 
Comentários 
Na fotografia, vemos o Monumento às Bandeiras, uma obra em homenagem aos bandeirantes 
que exploraram os sertões brasileiros durante os séculos XVII e XVIII. A autoria é de Victor 
Brecheret e foi inaugurada no ano de 1953, fazendo parte das comemorações do IV Centenário 
da cidade de São Paulo. O bandeirantismo era a prática de expedições ao interior da América 
Portuguesa, realizadas pelos paulistas. Estes habitavam territórios das antigas capitânias de São 
Vicente e Santo Amaro, que deram origem mais tarde à capitânia de São Paulo. Essa região da 
colônia era bem menos próspera, comparada ao Nordeste onde a economia açucareira ia de vento 
em polpa. Essa diferença se deu principalmente pela distância em relação à metrópole. O 
Nordeste era bem mais próximo de Portugal e está em uma localização estratégica para as rotas 
marítimas entre o reino, a África (onde se conseguia os cativos) e a América portuguesa. A 
distância do sudeste contribuía para o encarecimento dos custos de deslocamento, naquela época 
feito apenas por navios a vela. Assim, a economia paulista inicialmente se voltou para a 
subsistência. Poucas propriedades rurais chegavam se quer à metade do tamanho dos engenhos 
baianos e pernambucanos. Por essa razão, os paulistas também não tinham recursos para comprar 
escravizados africanos e se voltaram para a escravização de indígenas. É aqui que os bandeirantes 
entram. 
 Após a descoberta de minas de prata na Bolívia pelos espanhóis, os paulistas passaram a 
entrar nas matas e sertões em busca de basicamente três coisas: metais preciosos; gêneros 
silvestres comercializáveis; e indígenas para escravizar e vender. Ironicamente, os bandeirantes 
eram em grande parte mestiços de portugueses e nativos do litoral, miscigenação que resultou 
dos primeiros contatos ao longo do século XVI, no litoral de São Paulo. Os primeiros colonizadores 
europeus dessa região, aliaram-se a chefes indígenas locais para ter acesso a escravizados e outros 
produtos naturais. Consequentemente, muitos elementos da cultura nativa foram incorporados 
pelos paulistas ao longo dos anos, como a língua tupi e certos hábitos alimentares. Essa 
incorporação foi essencial, pois, como os paulistas tinham pouco contato e ajuda da metrópole, 
eles precisaram “se virar com o que tinham” ali mesmo, com os recursos locais e o conhecimento 
nativo sobre como sobreviver na região. Mas cuidado, não pense que essa miscigenação foi 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
pacífica e harmoniosa. Se alguns grupos portugueses se aliaram a certas nações indígenas, tal 
aliança sempre era feita para derrotar um outro, ou vários outros, grupos nativos queseriam 
reduzidos à escravidão. 
 De qualquer forma, os bandeirantes nunca tiveram uma boa relação com a Coroa, com a 
Igreja, com os indígenas ou com os africanos que foram trazidos. Durante o Império, eles 
praticamente foram esquecidos. Todavia, com a instalação da República, uma nova preocupação 
surgiu entre os ideólogos da nação. Em meio a um contexto de instabilidade política e econômica, 
com muitas revoltas ocorrendo por todo o território nacional, era preciso criar uma identidade 
brasileira que desse conta de dar legitimidade ao governo e amenizar as tensões regionais. De 
modo geral, buscou-se elencar episódios e figuras míticas do passado para forjar um senso de 
continuidade da formação nacional do Brasil, ou melhor da República brasileira. A inconfidência 
mineira e Tiradentes se tornaram símbolos nacionais nessa época. Contudo, havia particularidades 
regionais na construção dessa identidade. Em São Paulo, por exemplo, os intelectuais e estadistas 
buscaram no bandeirante a representação de um mito fundador da identidade paulista. Eles 
teriam sido os corajosos exploradores que levaram a civilização e progresso ao interior do Brasil, 
sem os quais nunca atingiria as atuais fronteiras nacionais. Essa narrativa teve força ainda por 
muitos anos após a proclamação da República, o que explica a construção do Monumento às 
Bandeiras, em 1953. O curioso é que na fotografia exposta pelo enunciado o monumento foi alvo 
de uma intervenção artística em 2016, considerados por muitos na época como um ato de 
vandalismo. Considerando que a figura do bandeirante foi algo selecionado para representar a 
identidade paulista num determinado contexto histórico e a fotografia tirada em momento 
posterior, vamos avaliar as alternativas: 
a) Incorreta. Monumento e documento são coisas diferentes, apesar de terem similaridade. O 
primeiro é algo que é voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o passado 
que ela escolheu lembrar. O segundo é entendido pelos historiadores como registro do 
passado como um todo, ou melhor, registro do passado que não necessariamente é aquele 
escolhido como passado ideal pela sociedade. Mesmo assim, o documento em alguma 
medida é um monumento, pois nenhum registro é completamente imparcial, mas foge de 
uma seleção mais controlada por parte da sociedade. 
b) Incorreta. Em primeiro lugar, tatue isso na sua mente: nenhuma identidade é imutável!!! 
Identidade estão em constante construção, pois estão relacionadas com a tradição herdada 
e com a experiência vivida, que está sempre em mudança. Por outro lado, monumentos e 
estátuas não estão alheios a disputas políticas e ideológicas, eles são parte delas. A 
delimitação do que é monumento, do que é ou não patrimônio, é algo seletivo, ou seja, 
escolhe somente os pontos do passado que se quer lembrar e rejeita outros. Isso faz com 
que a ideia de patrimônio cultural não possa ser a mesma para todo o mundo, uma vez que 
dependente de diferentes contextos nacionais. Cada cultura tem sua própria noção de 
patrimônio, que molda a ação estatal que seleciona os monumentos. Aliás, não há 
necessariamente consenso dentro de uma mesma cultura e país sobre o que deve ser 
lembrado, sobre quais monumentos construir, pois isso depende dos interesses dos grupos 
políticos e sociais em disputa. Ou seja, não havia como definir por si só se o resultado da 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
intervenção artística foi um ato de grupos estrangeiros ou nacionais. Inclusive, foi apurado 
depois que os autores eram militantes brasileiros que questionavam a memória dos 
bandeirantes como heróis nacionais. 
c) Incorreta. Como disse antes, o monumento não é algo que se quer esquecer, mas algo que 
se querer lembrar! É uma forma de quem tem poder na sociedade eleger marcos 
importantes para sua versão oficial da história, a qual deve legitimar esse poder. 
d) Correta! De acordo com o que comentei na alternativa “b”, enquanto patrimônios culturais, 
os monumentos são uma das formas das pessoas e da sociedade se relacionar com o 
passado e com o presente. Trata-se de escolher o que e como lembrar para legitimar uma 
versão dos fatos. Portanto, esses objetos são sempre alvos das disputas políticas e 
ideológicas nos diferentes contextos históricos em que existem. O Monumento à Bandeira 
é um ótimo exemplo. Criado em um momento no qual os bandeirantes eram vistos como 
heróis da civilização e progresso de São Paulo e do Brasil, no século XXI passou a ter sua 
legitimidade intensamente questionada. Podemos relacionar com essa mudança de visão 
sobre essas figuras a crescente organização do movimento negro e indígena desde os 
governos militares, que resultaram na promulgação das leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 
2008. Elas definem como obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas, africanas 
e afro-brasileira nas escolas, o que proporcionou a ampla divulgação do papel dos 
bandeirantes no genocídio e exploração desses povos. 
Gabarito: D 
14. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO (COMENTÁRIOS) 
 (UEL/2018) 
 Leia o trecho do poema a seguir. 
— Essa cova em que estás, 
com palmos medida, 
é a cota menor 
que tiraste em vida. 
— É de bom tamanho, 
nem largo nem fundo, 
é a parte que te cabe 
neste latifúndio. 
— Não é cova grande. 
é cova medida, 
é a terra que querias 
ver dividida. 
(MELO NETO, J. C. Morte e Vida Severina. Universidade da Amazônia, NEAD – Núcleo de 
Educação à Distância. p.21-13. Disponível em: <www.nead.unama.br>. Acesso em: 28 ago. 
2017). 
 
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O poema trata da relação entre o homem e a terra no Brasil. Com base nos conhecimentos 
sobre propriedade e usos da terra, assinale a alternativa correta. 
a) No decorrer do segundo Reinado, a Lei de Terras, promulgada em 1850, possibilitou o 
livre acesso das terras devolutas aos primeiros imigrantes europeus, garantindo-lhes a 
sobrevivência. 
b) Na Colônia, as terras doadas como sesmarias garantiam privilégios aos senhores de 
engenho, mas restringiam a prática de certas atividades econômicas. 
c) No Império, formaram-se os primeiros quilombos cuja propriedade dessas terras foi 
reconhecida legalmente durante a primeira República. 
d) Em 1964, João Goulart realizou desapropriações das pequenas propriedades no entorno 
das metrópoles para o cultivo de sobrevivência por parte dos trabalhadores. 
e) No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retomou-se a política econômica 
de estatização das propriedades agrícolas resultando em elevadas taxas de crescimento 
econômico. 
Comentários 
Desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses, no século XVI, um tipo de específico 
de relação com a terra seria estabelecido: a da grande propriedade rural monocultora, voltada 
para exportação. As vilas e povoados eram mais pontos de encontro para a política local entre os 
fazendeiros e seus subordinados do que um lugar de habitação. Assim, tanto a população livre 
quanto os escravizados eram dependentes dos senhores de engenho e grandes proprietários para 
ter a acesso à terra. Era comum os fazendeiros permitirem seus subordinados e cativos a ocupar 
um pequeno lote de sua vasta propriedade para plantar gêneros para sua própria alimentação e 
subsistência. Os únicos que fugiam dessa lógica de divisão de terras eram os indígenas 
independentes e os quilombolas que viviam fora dos domínios portugueses. Apesar de, na história 
recente do Brasil, a propriedade privada da terra e de imóveis ter se democratizado mais, ainda 
vivemos em um país com uma desigualdade muito grande em relação à propriedade da terra com 
grandes números de moradores de rua e sem-teto. Além disso, em algumas regiões rurais a lógica 
do grande latifúndio de repartir uma porção menor para os empregados fazerem uso (não possuir 
de fato) ainda é corrente. 
As alternativas apresentam alguns eventos bem posteriores ao inícioda colonização do Brasil, 
contudo, como você verá, a avaliação de cada uma das afirmações nos ajudará a fixar como foi o 
início dessa relação com a terra. 
a) Incorreta. A Lei de Terras de 1850 dificultou o acesso à terra por imigrantes e libertos 
pobres. 
b) Correta! A afirmação complementa o que explicamos no comentário sobre a repartição das 
terras feita pelo senhor. Veja, essa terra que era repartida muitas vezes não chega nem a 
1/5 da propriedade fundiária do senhor. Era só para os empregados e escravizados 
plantarem e criarem o que precisavam para se alimentar mesmo. Contudo, havia algumas 
condições para a pessoa receber essa permissão de uso. Em geral, os senhores restringiam 
o tipo de coisa que podia ser plantado ali, seja porque algum outro gênero fosse prejudicial 
à cana, seja por preconceitos culturais. Além disso, os senhores usavam essa repartição de 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
terras como moeda de influência. Em outras palavras, eles procuravam dar mais concessões 
aos dependentes e escravizados mais leais com os quais simpatizava. 
c) Incorreta. Os primeiros quilombos são tão antigos quanto a própria escravidão no Brasil. 
Desde que os primeiros escravizados chegaram, eles e seus descendentes desenvolveram 
várias formas de resistência para sobreviver a ou fugir da escravidão. Por aqui a 
sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita 
negociação. Além da fuga e da formação de quilombos (também chamados de mocambos), 
podemos citar: abortos voluntários para evitar que seus filhos nascessem na condição de 
escravizados; suicídio; sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, 
instrumentos e da moenda; emboscadas e ataques surpresa à feitores, senhores e seus 
familiares ou à elite branca em geral; negociações com os senhores para obtenção de 
melhores condições de vida, como alimentos, vestuário e moradia. Você deve estar se 
perguntando: “mas eles não eram escravos? Como conseguiam negociar? Imagine que 
nesses primeiros séculos de colonização, sobretudo nos grandes engenhos, havia muito 
mais escravizados que portugueses. Os africanos eram traficados em grandes quantidades 
e os senhores engenhos tinham interesse em acumular o máximo de cativos que podiam, 
pois isso se refletia no aumento da produção e do prestígio social. Além disso, os engenhos 
eram distantes uns dos outros, alguns a centenas ou milhares de quilômetros distantes dos 
centros administrativos, onde as poucas tropas residiam. Portanto, apesar de ter armas de 
fogo, cavalos e alguns feitores, nem sempre isso era força suficiente para combater uma 
revolta de centenas de cativos. Por isso, alguns senhores se mostravam mais ou menos 
dispostos a negociar com os escravizados fazendo algumas concessões pontuais. Enfim, as 
fugas podiam ser individuais e coletivas. Nem sempre o(s) fugitivo(s) ia para ou fundava um 
quilombo. Por vezes, mudava de cidade, buscava se passar por liberto ou se submeter a 
outro senhor considerado mais “justo”. As possibilidades eram muitas num território tão 
vasto como o Brasil. Por sua vez, durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a 
história dos negros na América portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que 
fugiam da dominação do sistema escravista, chegaram a reunir índios e até brancos 
descontentes com as imposições do governo português. A vida nos quilombos era baseada 
na agricultura e em pequenas trocas comerciais com comerciantes e taberneiros das 
proximidades. A depender da localidade, poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. 
Muitas comunidades quilombolas continuaram existindo após o fim da escravidão, mas só 
começaram a ser devidamente reconhecidas pelo Estado a partir da Constituição de 1988. 
d) Incorreta. Goulart tinha planos de reforma agrária tanto no campo quanto nas cidades, 
contudo seu projeto nunca saiu do papel, pois sofreu um golpe que o tirou da presidência 
e instaurou uma ditadura militar, em 1964. 
e) Incorreta. O governo de FHC é marcado por privatizações de empresas estatais. 
Gabarito: B 
 (UEL 2012) 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
Oceanos abrigaram, uniram e separaram povos no decorrer do tempo. Representações 
artísticas, literárias, cartográficas e narrativas históricas sobre os oceanos contribuíram para 
ampliar a sua compreensão. 
Com base no enunciado e nos conhecimentos históricos, considere as afirmativas a seguir. 
I. Grande parte das terras banhadas pelo Mediterrâneo, denominado Mare Nostrum pelos 
antigos romanos, foi por eles colonizada no decorrer do seu Império. 
II. Os portugueses, nos séculos XV e XVI, dominaram oceanos com caravelas e conhecimentos 
náuticos, anotando, em suas viagens, as rotas marítimas. 
III. As narrativas sobre as criaturas míticas que habitavam os oceanos apavoraram o homem 
no período medieval, retardando as Grandes Navegações. 
IV. No período colonial brasileiro, os holandeses, através de seus empreendimentos de 
navegação, conquistaram a capitania do Rio de Janeiro, por meio século. 
Assinale a alternativa correta. 
a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. 
b) Somente as afirmativas II e III são corretas. 
c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. 
d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. 
e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. 
Comentários 
Esta questão nos dá oportunidade de revisar alguns conteúdos sobre Antiguidade, Idade Média 
e Moderna e, assim, fazer uma reflexão sobre as rotas marítimas e a importância dos oceanos nos 
contatos entre as civilizações humanas. Essas rotas eram um dos elementos mais marcantes dos 
contextos estudados. Lembre-se, na aula 02, aprendemos sobre a expansão romana sobre o mar 
Mediterrâneo, durante do período da República. Esse movimento tinha o objetivo de assegurar o 
monopólio romano sobre o comércio praticado pelas águas mediterrâneas, que ligavam Europa, 
África e Oriente. Na Aula 03 vimos sobre os renascimentos urbano e comercial da Europa, quando 
os limites da sociedade feudal estavam sendo tensionados e novas classes sociais baseadas numa 
economia mercantil estavam se formando. Graças às Cruzadas, cidades europeias, sobretudo as 
italianas, reassumiram controle sobre pontos importantes do comércio no Mar Mediterrâneo 
perdidos para outros povos desde a queda do Império Romano, assim conectando-se aos 
mercados do oriente por meio de rotas marítimas. Na Aula 04, estudamos o renascimento cultural, 
a revolução científica, as reformas protestantes e a consolidação das monarquias absolutistas, 
todos processos que estavam relacionados com a mudança do eixo econômico da Europa de 
feudal para mercantil. Por fim, nas Aulas 05 e 06 acabamos de ver sobre como algumas nações 
europeias sentiram a necessidade de encontrar novas rotas comerciais até os mercados orientais 
e, se possível, buscar novos mercados. Trata-se das grandes navegações e do início do processo 
de colonização, acontecimentos que consolidaram a economia mercantilista baseada nas viagens 
oceânicas. Com isso em mente, vejamos: 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
I. Verdadeira! O Mediterrâneo começou a ser colonizado pelos romanos durante a 
República, o que se consolidou com o Império. 
II. Verdadeira! Os portugueses foram os primeiros a desbravarem as rotas oceânicas no 
século XV, descobrindo novos caminhos até o Oriente e iniciando a colonização do 
Brasil. Tudo isso estava ligado às ambições mercantilistas dos comerciantes e da 
monarquia lusitana. Uma série de motivos deu mais oportunidades aos portugueses de 
serem pioneiros nessa expansão. Entre eles: sua posição geográfica estratégica, voltada 
para o Oceano Atlântico; havia interesse de grupos mercantis em ampliar sua área de 
atuação comercial; Portugal era um reino centralizadoe absolutista desde o século XIV; 
e a pretensão de expansão religiosa, deriva da Guerra de Reconquista, isto é, como 
Portugal foi um reino de unificou em oposição aos muçulmanos e vitória sobre estes, a 
motivação religiosa continuava sendo importante para legitimar a monarquia. Uma 
quarta razão que explica parcialmente o pioneirismo português é o fato de a Península 
Ibérica ter sido ocupada por fenícios, na antiguidade, e pelos muçulmanos, durante a 
Idade Média. Os primeiros foram exímios navegadores e chegaram a monopolizar o 
comércio no Mar Mediterrâneo. Os segundos desenvolveram a matemática, a geometria 
e a astronomia, áreas essenciais para o aperfeiçoamento da navegação. Portanto, 
mesmo que tenha o reino cristão de Portugal tenha prevalecido, muito do conhecimento 
e da cultura dos demais povos que lá viveram anteriormente foi preservado, seja na 
cultura popular, seja nas bibliotecas e acervos públicos e particulares. 
III. Verdadeira! Mitos, lendas e a própria religião cristã povoavam o imaginário dos 
europeus dessa época e isso se refletia na forma como eles lidavam e representavam o 
mundo. As grandes navegações são um bom exemplo disso, pois os europeus 
precisaram vencer o medo causado por fábulas sobre determinadas partes dos mares 
serem habitadas por monstros ou serem palco de fenômenos sobrenaturais. Um bom 
exemplo disso é a história do navegador Gil Eanes que foi o primeiro português a ousar 
navegar além do Cabo Bojador, em 1434. Antes deles, todos evitavam passar dali, pois 
acreditava-se que depois do cabo, localizado no que é hoje o Saara Ocidental, 
começava o Mar Tenebroso, onde a água fumegava sob o sol, imensas serpentes 
comeriam os desgraçados que caíssem no oceano, o ar seria envenenado, os brancos 
virariam pretos, haveria cobras com rostos humanos, gigantes, dragões e canibais com 
a cabeça no ventre. A cartografia europeia também era marcada por esse imaginário, 
mas sofreu grandes transformações a partir do século XV, aproximadamente. Até então, 
os mapas eram marcados por uma mentalidade medieval, fortemente influenciada pela 
religião, pelo mito e pela fantasia. Os territórios eram retratados de forma plana e 
figuras míticas eram colocadas por toda a parte, sobretudo nas menos conhecidas. Com 
o contato maior com outras culturas, como os muçulmanos e os asiáticos graças às 
Cruzadas e aos renascimentos urbano, comercial e cultural, novos saberes e obras da 
antiguidade passaram a circular na Europa. Houve uma revolução científica, na qual 
ciências como a matemática, a geometria, a astronomia, a anatomia e a química foram 
amplamente desenvolvidas. O método experimental, a observação e a análise crítica 
foram eleitos como critérios e procedimentos próprios para a compreensão da natureza 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
e do mundo. Essas mudanças na mentalidade europeia influenciaram profundamente a 
cartografia, que gradativamente vai perdendo seus elementos mais fantásticos. Os 
monstros se tornam mais raros, os mapas passam a considerar a esfericidade da Terra, 
mapas-múndi se tornam mais frequentes, entre outras mudanças. Não pense que essa 
mudança foi imediata e contrastante. Na verdade, era comum uma mesma pessoa 
buscar a comprovação experimental de certos fenômenos e crer em determinados mitos 
e lendas sobre regiões longínquas. O próprio Cristóvão Colombo era uma pessoa 
mesclava as duas formas de pensar daquela época. 
IV. Falsa. Na verdade, os holandeses conquistaram a capitânia de Pernambuco, mantendo 
controle sobre o local entre 1630 e 1654. 
Portanto, a alternativa correta é a letra “d”. 
Gabarito: D 
 (UNICENTRO 2014) 
Uma das tentativas de colonização do Brasil recém-descoberto foi o estabelecimento das 
capitanias hereditárias. Das quinze capitanias, apenas duas cumpriram sua missão de 
exploração das novas terras. 
Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, essas capitanias. 
a) Itamaracá e Pernambuco. 
b) Itamaracá e São Vicente. 
c) Pernambuco e São Vicente. 
d) Pernambuco e São Tomé. 
e) São Tomé e São Vicente 
Comentários 
A década de 1530 marca o início do segundo momento de colonização portuguesa na América. 
A principal mudança foi a implantação do sistema de Capitânias Hereditárias, repartindo a América 
portuguesa em territórios independentes entre si, mas todos submetidos à Coroa. Essa mudança 
na administração colonial teve cinco motivações principais: a concorrência internacional; a 
contestação acerca do Tratado de Tordesilhas; a descoberta do ouro e prata na América do Sul; 
a diminuição dos preços e lucros com as especiarias orientais; as ameaças de invasão estrangeira 
no território colonial. Para Portugal era urgente estabelecer a colônia e implementar o sistema de 
exploração comercial. Por isso, em 1530 começou uma nova fase de relação entre Metrópole e 
Colônia. 
A estratégia principal consistia em incentivar a produção de cana-de-açúcar voltada para a 
exportação. O rei português concedeu cada capitânia a um donatário, que era autoridade máxima 
na política, economia e justiça representando diretamente o monarca. O cargo era hereditário. 
Assim, vemos que a administração da colônia era descentralizada, pois os donatários não tinham 
que responder a nenhuma autoridade intermediária. Contudo, nem todas as capitânias 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
conseguiram ser bem-sucedidas na empresa do açúcar, devido aos custos que isso demandava. 
As que mais deram certo foram a de Pernambuco e, em menor escala, a de São Vicente. Portanto, 
já podemos marcar a alternativa “c” como correta. Mas só para complementar, os problemas que 
levaram à criação desse sistema não haviam sido completamente solucionados. Por isso, em 1548 
foi criado o Governo Geral que passou a ser a autoridade máxima na colônia, à qual os donatários 
deveriam responder. O primeiro governador chegou ao Brasil em 1549, acompanhado de jesuítas, 
tropas, e mais funcionários metropolitanos e instalaram a capital e sede do governo em Salvador. 
Portanto, uma administração centralizada passou a ser adotada. 
Gabarito: C 
 (UNICENTRO 2012) 
O termo “etnocentrismo”, aplicado ao conhecimento histórico, significa 
a) direcionamento do estudo para uma única etnia, dominante ou não. 
b) estudo das etnias que compõem a formação cultural de determinado povo. 
c) abordagem dos povos primitivos que se constituíram como base de uma civilização. 
d) interpretação da história sob o ponto de vista de uma etnia considerada dominante e 
superior. 
e) conhecimento da distribuição geográfica e demográfica das etnias que sobrevivem em 
uma população de determinada região. 
Comentários 
Aqui temos uma questão conceitual. Como você já sabe, no estudo da história costumamos usar 
conceitos para interpretar fenômenos e acontecimentos. O conceito de etnocentrismo é essencial 
para o estudo da colonização do Brasil, apesar de designar uma atitude e forma de pensar mais 
antiga que a chegada dos europeus, inerente a todos os povos. A palavra que lhe dá nome deriva 
da fusão entre “etnia” e “centro”, ou seja, é a tendência que um indivíduo ou povo tem de 
interpretar o mundo e lidar com o outro considerando sua própria cultura como superior ou 
melhor. Segundo, Kalina V. Silva e Maciel H. Silva, 
“Os estudiosos da cultura compreendem que os povos forjam visões de 
mundo peculiares, que marcam a sua identidade de povo. Mas quando um 
determinado grupo, com traços culturais característicos e uma visão de 
mundo própria entra em contato com outro grupo que apresenta práticas 
culturais distintas, o estranhamento e o medo são as reações mais comuns. O 
etnocentrismo nasce exatamente desse contato, quando a diferença é 
compreendida em termos de ameaça à identidade cultural. 
De modo simples, o etnocentrismo pode ser definido como uma visão de 
mundo fundamentada rigidamente nos valores e modelosde uma dada 
cultura; por ele, o indivíduo julga e atribui valor à cultura do outro a partir de 
sua própria cultura. Tal situação dá margem a vários equívocos, preconceitos 
e hierarquias, que levam o indivíduo a considerar sua cultura a melhor ou 
 
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superior. Nesse sentido, a diferença cultural percebida rapidamente se 
transforma em hierarquia. O outro, só compreendido de maneira superficial, 
é então usualmente designado como ‘selvagem’, ‘bárbaro’ ou não humano. 
Em linhas gerais, é difícil para qualquer indivíduo se despojar dos 
preconceitos arraigados em sua cultura e tentar compreender a cultura do 
outro em seus próprios termos. Essa seria uma atitude não etnocêntrica, pois 
faria uso da relativização, que é o oposto do etnocentrismo. No entanto, o 
mais comum é o indivíduo tomar suas representações, sua linguagem, seus 
valores, para falar sobre o que é esse ‘outro’. Não dá a palavra para o outro, 
porque considera sua cultura a detentora da palavra”. 
(SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. – 2.ed., 
2ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2009.) 
Veja, não confunda etnocentrismo com racismo, apesar de ambos estarem relacionamos. O 
racismo é uma ideologia e sistema de dominação imposto pelos europeus a partir da colonização 
dos demais continentes por eles. Com isso, os brancos impuseram uma hierarquia social baseada 
principalmente na raça e na genética, classificando arbitrariamente os demais povos humanos 
como inferiores, legitimando sua dominação. Portanto, o racismo é um tipo de etnocentrismo, 
uma derivação, um caso específico: do da relação dos europeus com os demais povos do mundo 
na Idade Moderna e Contemporânea. Por sua vez, o etnocentrismo, como a citação demonstra, é 
algo mais amplo e universal, muito mais antigo. As civilizações antigas como Roma, Grécia, China, 
Suméria, Israel, eram mais propensas a escravizarem os estrangeiros, os outros, pois consideravam 
outras culturas inferiores a suas. Contudo, podemos dizer que o ápice do etnocentrismo seria 
mesmo entre os séculos XV e XIX, verificado no contato entre europeus e os vários povos da 
América, da Ásia e da África. Portanto, também na história da colonização do Brasil e de sua 
formação como país independente, o etnocentrismo é um elemento fundador. 
Então, podemos concluir que a alternativa correta é a letra “d”. 
Gabarito: D 
 (UNICENTRO 2011) 
A agressividade registrada contra as populações indígenas do litoral das terras do Brasil, por 
parte dos conquistadores portugueses, resultava, dentre outras questões, 
a) da disputa pelas áreas de escambo do pau-brasil entre portugueses e indígenas. 
b) da aliança entre os povos indígenas e as populações quilombolas contra a invasão dos 
portugueses. 
c) da divulgação do protestantismo entre os indígenas, como resultado da ação missionária 
dos protestantes franceses. 
d) do etnocentrismo, sentimento baseado na ideia de superioridade cultural do 
conquistador, frente ao conquistado, considerado inferior. 
 
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e) da antropofagia generalizada praticada pelos povos indígenas contra os conquistadores 
portugueses. 
Comentários 
Como os demais europeus que chegaram à América nos séculos XV e XVI, os portugueses tinham 
uma visão eurocêntrica sobre tudo que encontraram aqui. Em outras palavras, eles viam a si 
mesmo, a sua sociedade e cultura, como mais desenvolvidos que os povos recém-conhecidos, que 
eram considerados primitivos pelos conquistadores. A isso, damos também o nome de 
etnocentrismo. Seu maior interesse no novo território era a implantação do mercantilismo, 
principalmente a produção agrícola, monocultora, em larga escala voltada para a exportação. A 
mão-de-obra mais utilizada foi a de indígenas escravizados. 
Apesar do processo de conquista ter sido longo, a historiografia costuma afirmar que as décadas 
iniciais do processo de colonização são cruciais para o desenrolar da história. Nos primeiros 50 
anos o saldo foi de dizimação. Nesse contexto, podemos destacar 5 formas de violência utilizadas 
pelos europeus para estabelecerem a dominação sobre os povos originários: violência cultural 
(impor religião, língua, costumes, mudança de local de moradia); violência das armas (uso de 
pólvora, armas de aço, cavalos); violência das doenças contagiosas (sarampo, tifo, tétano, 
coqueluche, varíola); estímulo das violências entre os povos indígenas; violência da escravidão e 
do trabalho forçado. Com isso em mente, vejamos: 
a) Incorreta. Não havia uma disputa entre portugueses e indígenas sobre o pau-brasil em si, 
pois quando este produto era o mais extraído pelos portugueses, estes contavam com a 
cooperação de algumas tribos para realizar a extração. Essa cooperação era por meio do 
escambo. A violência entre os dois povos se intensificou a partir do momento que os 
portugueses começaram a tentar ocupar a terra, instalar a estrutura açucareira e escravizar 
indígenas. 
b) Incorreta. A resistência de indígenas e quilombolas só ocorreu porque a violência dos 
portugueses ocorreu em primeiro lugar. 
c) Incorreta. Não houve divulgação de protestantismo entre os indígenas brasileiros nos 
primeiros séculos de colonização. 
d) Correta! 
e) Incorreta. A antropofagia não era praticada apenas contra os portugueses, mas contra os 
adversários em geral. Além disso, a agressividade dos portugueses contra os indígenas, 
como vimos, é consequência do etnocentrismo europeu, que considerada os nativos e sua 
cultura inferiores. A antropofagia era uma entre várias práticas culturais que causavam 
estranhamento, medo ou repulsa dos europeus. 
Gabarito: D 
 (UECE/2019) 
Antes da chegada dos portugueses às terras americanas, 
a) havia dois grupos étnicos habitando a região hoje chamada Brasil: os Tupis e os Tapuias. 
 
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b) uma variedade de comunidades nativas, etnicamente diferentes, espalhava-se pelo 
território da futura América portuguesa. 
c) falavam-se alguns poucos dialetos, variantes de uma mesma língua geral, o Nheengatu, 
apesar de existir um grande número de grupos indígenas. 
d) havia uma só sociedade indígena vivendo em harmonia, igualitarismo e paz; desconhecia-
se a violência da guerra, trazida para cá pelos europeus. 
Comentários 
A letra A está erra porque havia muito mais do que dois grupos étnicos. Os índios brasileiros 
estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco linguístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis 
(região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques ou aruak (Amazônia) 
e caraíbas ou karib (Amazônia). Com isso, também podemos eliminar a letra D. 
A letra C também está errada, pois havia inúmeros dialetos. 
Gabarito: B 
 (UECE/2018) 
“(...) trocar manufaturas baratas por negros na costa ocidental da África; permutar os negros 
por matérias-primas nas colônias americanas: por fim, vender as matérias primas na Europa 
a altos preços, ou seja, a dinheiro contado. Comércio de resultados fantásticos em que o 
lucro nunca ficava por menos de 300% e podia em certos casos render até 600%”. 
FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p.24. 
Esse sistema de comércio que foi fundamental para a colonização brasileira por custear a 
Coroa portuguesa através da sua taxação é conhecido como sistema 
 
a) de comércio liberal. 
b) de comércio quadrangular. 
c) internacional de comércio livre. 
d) de comércio triangular. 
Comentários 
Esse é o tipo de questão conceitual, ou seja, não dá para buscar erros nas demais alternativas. 
Ou você sabe, ou não sabe. Até dá para eliminar a alternativa A e C, por exemplo, se você 
pensar que o liberalismo e o livre comércio foram fenômeno mais característicosdos séculos 
XVIII e XIX, mais distantes, portanto, da ideia de mercantilismo. De toda forma, você precisaria 
entender de conceitos. 
Veja, o comércio de viventes, como alguns historiadores mais recentes se referem ao comércio 
ou tráfico negreiro, uniu interesses econômicos de 3 continentes: África, Europa e América – 
formando um comércio triangular, que durou até o século XIX. No caso de Portugal, parte 
desses lucros ia para a metrópole em forma de taxas devido ao exclusivo metropolitano. 
 
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Gabarito: D 
 (UECE/2017) 
Leia atentamente os seguintes excertos: 
“[...] uma das principais causas da dizimação dos índios, afora as doenças trazidas pelos 
europeus, foram os massacres e a eliminação deliberada dos nativos pelos portugueses. Isso 
resultou no fato de que apenas aproximadamente 300.000 índios, cerca de 5 por cento dos 
6 milhões que compunham a população indígena em 1500, sobreviveriam para as 
“comemorações” dos quinhentos anos da chegada de Cabral a suas terras”. JANCSÓ, István 
(Coord.) Rebeldes brasileiros – homens e mulheres que desafiam o poder. São Paulo: Casa 
Amarela, [s.d.]. fasc. 9. p. 261 (Caros amigos) 
“Entre os dias 26 de março e 22 de abril [de 2016], os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías e 
Assis Guajajara, todos da Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, foram assassinados. 
Com pouca fiscalização e sem sinal de investigação dos culpados, os indígenas Guajajara que 
vivem na área – já demarcada e habitada também por índios Awá isolados – sofrem com a 
constante pressão de madeireiros e temem por sua segurança”. COMISSÃO PASTORAL DA 
TERRA - CPT. Em um mês, quatro indígenas Guajajara foram assassinados no Maranhão. 
Publicado em 27 de abril de 2016. Acessado em 11 de maio de 2017. Disponível em: 
https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/conflitos-nocampo/3191-
em-um-mes-quatroindigenas-guajajara-foram-assassinados-no-maranhao 
Considerando os excertos acima, é correto afirmar que 
a) os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão 
exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos naturais 
protegidos por lei. 
b) as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira ainda 
perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as populações 
indígenas. 
c) o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos índios 
e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e ainda diminuem a 
população indígena. 
d) os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se dão 
porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao modelo social, 
justo e inclusivo, do mundo civilizado. 
Comentários 
Questão bastante atual e pode cair algum tipo de referência aos conflitos indígenas de hoje 
relacionando-os com o início do Brasil colônia. Por isso, se liga!!! 
A alternativa A está errada porque não são os índios que promovem a ação predatório, mas os 
não índios que possuem interesses materiais, como a busca por minérios, nas terras. Dessa 
maneira, também podemos eliminar a alternativa C. A B está correta porque, como os textos 
 
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mostram, os massacres aos índios permanecem. Você poderia ficar em dúvidas sobre a parte 
da proteção do Estado. Saiba que a atual Constituição da República possuiu todo um capítulo 
dedicado à questão indígena e diversos dispositivos que obrigam o Estado a proteger os índios. 
Temos, também, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) como órgão governamental para 
desenvolver políticas específicas de proteção aos índios. 
Gabarito: B 
 (UECE/2017) 
Leia atentamente os excertos a seguir: 
“Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é 
possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com 
que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”; 
(André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte. 
Itatiaia, 1982. p. 89.) 
“A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e 
semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou 
privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da 
burguesia contra os aristocratas”. 
(Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro. José Olímpio editora, 1984. p. 
119.) 
Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente 
que os dois trechos acima tratam 
a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e 
privilégios das classes dominantes. 
b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica 
que tornou iguais todos os brasileiros. 
c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da 
população brasileira em razão dos interesses das elites. 
d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade 
brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil. 
Comentários 
Os dois textos indicam elementos importantes da formação da sociedade brasileira: a 
exploração da elite detentora do poder econômico e político diante da grande maioria de 
pessoas excluídas e marginalizadas. Portanto, são textos críticos ao processo histórico 
brasileiro. Dessa forma, as alternativas que sugerem uma inclusão sem a devida 
problematização histórica estão erradas, como a A, a B e a D. Como notamos hoje, o Brasil 
ainda não rompeu com seu passado colonial. 
Gabarito: C 
 
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 (UECE/2015) 
A compreensão cristã do encontro dos portugueses com os primeiros habitantes da América 
teve forte conotação maniqueísta: de um lado estava o bem, simbolizado pelos europeus na 
sua suposta busca pelo paraíso; de outro, o mal, representado pelos indígenas e suas práticas 
diabólicas. 
Analise as afirmações abaixo acerca dessa compreensão. 
I. Tal compreensão foi alimentada por considerações imprecisas de alguns viajantes que 
classificavam de “demoníacas” certas práticas culturais dos povos americanos. 
II. A leitura das práticas dos povos americanos pelos europeus aliou a ideia da conquista de 
novas terras com o desejo de levar a palavra de Deus àquelas criaturas “demonizadas”. 
III. O pensamento cristão português dissociava-se das ideias e políticas expansionistas; desse 
modo, a propagação da fé era desvinculada da empresa marítima. 
É correto o que se afirma em 
a) I, II e III. 
b) II e III apenas. 
c) I e III apenas. 
d) I e II apenas. 
Comentários 
Boa questão para lembrarmos da Carta de Caminha e dos mitos que já foram descontruídos 
acerca da saga portuguesa até conquistar o Brasil. Como vimos, o desconhecido alimentou 
diversos tipos de histórias sobre as dificuldades de se chegar às terras que viriam a ser 
conhecidas como o Brasil. A presença de elementos religiosos do cristianismo foram 
fundamentais para construir a ideia de que o empreendimento, além de lucro, era feito em 
nome de Deus. A própria ideia de catequização dos índios por serem considerados “puros” fez 
com que a igreja católica possuísse grande interesse em expandir sua fé para as novas terras 
conquistadas. Assim, o item III está errado. 
Gabarito: D 
 (UDESC/2017) 
“A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto típico, foram as fugas. 
(...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, concretizados ou 
prometidos, por senhores ou prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da 
chibata, precisamser computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos 
rompidos pela venda de pais, esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escravidão] 
só ganharia força na segunda metade do século, quando o país independente, fortemente 
penetrado por ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internacional capitalista. (...) 
“Tirar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou durante muito tempo como sinónimo de 
evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como 
 
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tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para dentro, 
isto é, para o interior da própria sociedade escravista, onde encontram, finalmente, a 
dimensão política de luta pela transformação do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse 
momento, desempenha papel decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o 
abolicionista Rui Barbosa”. 
REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São 
Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71. 
De acordo com os autores do texto, João José Reis e Eduardo Silva, assinale a 
alternativa incorreta. 
a) As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX tiveram motivações diversas, entre elas o 
tráfico interprovincial. 
b) Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liberdade não se dava somente pela fuga 
coletiva para a formação de quilombos. 
c) As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços significativos para as lutas pela abolição. 
d) Os escravos foram agentes da história, e não apenas força de trabalho. 
e) A naturalização do sistema escravista se manteve estável durante o período colonial e o 
imperial. 
Comentários 
Veja que a questão nos pede a alternativa incorreta. Esse tipo de questão pega muita gente 
apressada. Com isso, a alternativa E é a única que destoa de uma análise coerente do trecho 
apresentado no enunciado da questão. O sistema escravista não foi algo estável com a 
alternativa E afirma. As fugas, as resistências, os quilombos, foram sinais de que os 
escravizados não aceitavam a condição de forma passiva. 
Chamo sua atenção para a alternativa D. Esta remete a um grande debate que a historiografia 
brasileira já fez e, de certa forma, já superou que é: como contar a história dos negros? 
Antigamente, os livros de ensino traziam os negros só como força de trabalho e depois, como 
libertos após a abolição em 1888. Hoje em dia, tal como pontuamos na aula, ressaltam-se os 
aspectos que demonstram que a população negra teve voz, teve fala, resistiu, ou seja, também 
foi sujeito nessa história e não apenas objeto. 
Gabarito: E 
 (UDESC 2013) 
Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e assinale (V) 
para verdadeira e (F) para falsa. 
( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III 
implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer 
a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política 
colonial. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do 
Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. 
Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com 
a instalação do Governo-Geral. 
( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele 
soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: 
Rio de Janeiro. 
( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa 
encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava 
dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados 
insatisfatórios de algumas capitanias. 
Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: 
a) V – F – F – V 
b) V – F – V – F 
c) V – V – F – F 
d) F – V – F – V 
e) F – V – V – F 
Comentários 
A implantação do sistema colonial de exploração por parte de Portugal foi um processo bastante 
diferente em relação ao da Espanha. Houve 2 momentos desse processo marcados por interesses 
distintos de Portugal em relação à terra “descoberta” por Cabral. Além disso, os modelos de 
implantação do sistema de exploração colonial também se diferenciaram. O primeiro vai de 1501 
a 1530 e o segundo de 1530 a 1822. No primeiro, o que se verificou foi uma fase de economia 
extrativista. Não houve um planejamento centralizado ou algo do tipo. Mesmo assim a exploração 
era monopólio da Coroa Portuguesa, que permitia a exploração particular por meio de contrato 
de concessão. A atividade extrativista de pau-brasil foi realizada com mão de obra indígena à base 
de escambo (troca de utensílios europeus, como machado, facas, por trabalho). Contudo, é 
importante ressaltar que os contratos de concessão emitidos pela Coroa privilegiavam 
exploradores portugueses. Tratava-se de uma forma de protecionismo. O principal explorador foi 
Fernando de Noronha. Outra característica fundamental sobre a colonização portuguesa era a 
ideia de exclusivo metropolitano: toda negociação, acordo, comércio, troca que envolvesse a 
colônia portuguesa deveria ser decidida exclusivamente pela metrópole. Dessa compreensão 
decorrerão várias formas distintas de relação exclusiva entre a metrópole e colônia. Pode ser que 
você já tenha ouvido a expressão “Pacto Colonial” para esta explicação. Está certo também! 
A década de 1530 marca o início do segundo momento de colonização portuguesa na América. 
A principal mudança foi a implantação do sistema de Capitânias Hereditárias, repartindo a América 
portuguesa em territórios independentes entre si, mas todos submetidos à Coroa. Essa mudança 
na administração colonial teve cinco motivações principais: a concorrência internacional; a 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
contestação acerca do Tratado de Tordesilhas; a descoberta do ouro e prata na América do Sul; 
a diminuição dos preços e lucros com as especiarias orientais; as ameaças de invasão estrangeira 
no território colonial. Para Portugal era urgente estabelecer a colônia e implementar o sistema de 
exploração comercial. Por isso, em 1530 começou uma nova fase de relação entre Metrópole e 
Colônia. 
A estratégia principal consistia em incentivar a produção de cana-de-açúcar voltada para a 
exportação. O rei português concedeu cada capitânia a um donatário, que era autoridade máxima 
na política, economia e justiça representando diretamente o monarca. O cargo era hereditário. 
Assim, vemos que a administração da colônia era descentralizada, pois os donatários não tinham 
que responder a nenhuma autoridade intermediária. Contudo, nem todas as capitânias 
conseguiram ser bem-sucedidas na empresa do açúcar, devido aos custos que isso demandava. 
As que mais deram certo foram a de Pernambuco e a de São Vicente. Para completar, os 
problemas que levaram à criação desse sistema não haviam sido completamente solucionados. 
Por isso, em 1548 foi criado o Governo Geral que passou a ser a autoridade máxima na colônia, à 
qual os donatários deveriam responder. O primeiro governador chegou ao Brasil em 1549, 
acompanhado de jesuítas, tropas, e mais funcionários metropolitanos e instalaram a capital e sede 
do governo em Salvador. Portanto, uma administração centralizada passou a ser adotada. Com 
isso, já podemos analisar as alternativas: 
 Verdadeira! Está de acordo com o comentário. 
 Falsa. O local escolhido para ser capital e sede do Governo Geral foi Salvador, na Bahia. 
São Vicente não tinha uma localização estratégica para o comércio português, poisera 
muito distante da Península Ibérica, enquanto o nordeste brasileiro era bem mais próximo. 
 Falsa. A única coisa errada é que afirma que a capital escolhida foi o Rio de Janeiro, quando 
na verdade foi Salvador, como já dissemos acima. Entretanto, em 1763, a capital foi 
transferida para o Rio de Janeiro, pois este era bem mais próximo de Minas Gerais, o novo 
principal polo econômico da América portuguesa devido à mineração de ouro e diamante. 
 Verdadeira! Também está de acordo com o comentário. 
Gabarito: A 
 (UDESC 2013) 
Sobre a população nativa do território brasileiro, no século XVI, assinale a alternativa 
incorreta. 
a) Quando os portugueses chegaram ao litoral atlântico sul-americano ele já era ocupado por 
mais de mil povos seminômades que viviam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura. 
b) Estudos apontam que os grupos indígenas que habitavam o território, que hoje é o Brasil, 
quando da chegada dos portugueses, eram passivos e ingênuos, por isso sua dominação e 
seu controle foi relativamente tranquilo para Portugal. 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
c) Estudos apontam que os tupi-guaranis são originários da região amazônica, mas o 
crescimento da população e as mudanças ambientais, dentre outros motivos, forçaram-nos 
a abandonar suas terras e partir em direção ao litoral. 
d) Quando os portugueses chegaram ao território, que hoje é o Brasil, os tupis ocupavam 
quase toda a faixa costeira entre os atuais estados do Ceará e São Paulo, enquanto que os 
guaranis localizavam-se mais ao Sul. 
e) Os tupis do litoral foram os primeiros povos nativos a tomar contato com os europeus. 
Formavam o grupo mais numeroso, por isso, muitas vezes, a imagem do tupi é confundida 
como se representasse todos os indígenas do território brasileiro. 
Comentários 
Quando os portugueses chegaram ao Brasil no final do século XV, havia mais de mil grupos 
indígenas que, somados, totalizavam algo entre 2 e 4 milhões de indivíduos. Os tupis-guaranis 
habitavam o litoral e tinham uma língua e culturas similares, embora fossem formados por diversos 
grupos, como os tupinambás nos litorais baiano e carioca, os potiguaras e os caetés no Nordeste, 
os guaranis, na porção meridional do território e no atual Rio Grande do Sul. Portanto, por “tupi-
guarani” devemos entender não somente um povo, mas uma grande nação, uma “macro-etnia”, 
ou uma matriz cultural composta por vários povos com costumes, língua (tupi), religião e ancestrais 
em comum. Os falantes de tupi eram a etnia mais numerosa encontrada em praticamente todas 
as regiões do Brasil e em alguns outros países da América do Sul, como o Paraguai e o Uruguai. 
Entretanto, não existiam apenas os tupis-guaranis. Havia uma infinidade de outras etnias falantes 
de tantas outras línguas de diferentes troncos linguísticos e matrizes culturais diversas. Os 
portugueses recém-chegados passaram a chamar genericamente todos os povos que não falavam 
tupi de tapuia. Portanto, este nome é ainda mais inexato do que “tupi-guarani”, pois é uma 
classificação dada pelos europeus a uma variedade de povos que não tinham muitas coisas em 
comum para além de não falar tupi. Esses grupos costumavam habitar o interior do Brasil. Entre 
eles podemos citar: os xavantes e os botocudos no interior da Bahia; os aimorés no Espírito Santo; 
os goitacás no Rio de Janeiro; os guaianás em São Paulo; entre outros. Então, vamos ver as 
alternativas. Mas lembre-se: devemos identificar a alternativa errada! Vejamos: 
a) Correta! 
b) Incorreta. As diferentes etnias e grupos nativos tiveram reações diversas aos portugueses e 
demais europeus. Alguns se aliaram a eles, na esperança de derrotar outros grupos nativos 
rivais. Outros fizeram guerra violenta contra os conquistadores, ainda mais quando estes 
começaram a escravizar os indígenas. A escravidão indígena foi a principal força de trabalho 
utilizada em toda a colônia até a década de 1570, quando os africanos escravizados 
passaram a ser preferidos nos grandes engenhos do Nordeste. Contudo, nas regiões menos 
prósperas da colônia, os indígenas continuaram sendo usados como escravizados. Há 
registros de muitas revoltas dos nativos para se libertar dessa condição. 
c) Correta! Lembra-se das teorias sobre a ocupação humana da América na pré-história, do 
Estreito de Bering e das navegações pelo pacífico? Então, em ambas as teorias, acredita-
se o litoral brasileiro foi um dos últimos espaços a serem ocupados. No caso da hipótese 
 
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Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
da migração pelo Alasca e a gradual descida para a América do Sul, esses primeiros 
migrantes teriam que passar antes pela Amazônia de qualquer forma. No caso da hipótese 
das navegações pelo Pacífico, os migrantes teriam aportado na costa oeste da América do 
Sul, ocupando primeiros os Andes e posteriormente migrando para o Centro Oeste 
brasileiro, para a Amazônia e para o Nordeste. Somente depois desses movimentos, os 
migrantes teriam descido para as regiões mais sul e litorâneas. Portanto, a história tupi se 
enquadra em ambas. 
d) Correta! Mas lembre-se que essas eram etnias “aparentadas”, falavam a mesma língua e 
descendiam dos mesmos ancestrais. 
e) Correta! 
Gabarito: B 
 (UNITAU 2018) 
 O açúcar foi o principal produto brasileiro de exportação durante a época colonial. Mesmo 
durante o auge da exploração do ouro, quando o Brasil encheu os cofres europeus e ajudou 
a impulsionar a Revolução Industrial na Inglaterra, o valor das exportações de açúcar excedeu 
o de qualquer outro produto. 
Assinale a alternativa que apresenta o(s) mecanismo(s) empregado(s), na economia colonial, 
para favorecer esse quadro. 
a) A imigração maciça de portugueses para trabalhar nas terras interiores da colônia. 
b) A utilização predominante da mão de obra indígena nas lavouras açucareiras. 
c) O incentivo dado pela coroa portuguesa à adoção do trabalho assalariado livre. 
d) A adoção da mão de obra escrava africana e o pacto colonial. 
e) O predomínio de pequenas propriedades rurais produzindo açúcar para exportação. 
Comentários 
O desenvolvimento da economia açucareira no Brasil teve início a partir de 1530, com a adoção 
de uma colonização mais sistemática do território com a intenção de defender a posse portuguesa 
e fomentar o desenvolvimento econômico, por meio da criação das capitânias hereditárias e, 
pouco tempo depois, do Governo Geral. Essa economia funcionava com base nos princípios 
mercantilistas, os quais balança comercial favorável, exclusivo metropolitano (pacto colonial), 
protecionismo e intervenção estatal. Tratava-se de produzir açúcar em grandes quantidades para 
ser vendido no mercado internacional, sendo que a colônia só poderia negociar seus produtos 
com intermédio da metrópole. Por fim, vale destacar que o trabalho empregado nesses grandes 
latifúndios de cana era escravizado. Até a década de 1570 predominou a mão de obra indígena, 
mas a partir desse momento os cativos africanos e o tráfico transatlântico de escravizados ganha 
mais espaço, tornando-se predominantes nas regiões mais lucrativas da colônia (Bahia e 
Pernambuco). Sabendo disso, vejamos: 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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AULA 06: HB - Colônia I 
a) Incorreta. Não houve imigração massiva nesse momento. Na verdade, era difícil até mesmo 
incentivar os donatários a se estabelecer na colônia devido aos riscos da viagem e os custos 
para construir uma empresa açucareira. Além disso, haviam os indígenas que podiam se 
revoltar e matar os colonos. A Coroa buscava incentivar a imigração do excedente 
populacional, mas não alcança uma grande quantidade, não nesses primeiros séculos de 
colonização. 
b) Incorreta. Como dissemos acima, a mão de obra indígena só predominou até os anos 1570, 
sendo progressivamente substituída pelos escravizados africanos nas regiões mais 
prósperasda colônia. 
c) Incorreta. Não havia tal incentivo. 
d) Correta! Está de acordo com o comentário. 
e) Incorreta. A Coroa privilegiou incentivar o grande latifúndio, não as pequenas 
propriedades. 
Gabarito: D 
 (UNITAU 2017) 
O Cristianismo chegou ao Brasil com a conquista colonial, associado à exploração 
metropolitana. A Igreja desempenhou, assim, um importante papel no processo de 
colonização, promovendo a transformação do modo de vida indígena e a sua adaptação às 
formas culturais europeias. Dentre as medidas adotadas pelos religiosos para promover esse 
processo, é INCORRETO destacar: 
a) A criação dos aldeamentos, onde os índios das mais diferentes tribos eram reunidos, 
recebiam a catequese e eram batizados, tornando-se cristãos. 
b) O combate ao nomadismo e a imposição do trabalho agrícola aos índios, com uma nova 
divisão de tarefas entre homens e mulheres. 
c) A obrigação do uso de vestimentas, enquanto, anteriormente, os índios exibiam as marcas 
da sua cultura no próprio corpo. 
d) O estabelecimento de escolas para os nativos, de modo a alfabetizá-los, com o objetivo 
de torná-los funcionários da administração colonial. 
e) A organização do tempo, com a Igreja instalada no centro do aldeamento e o sino 
regrando a vida dos nativos em relação ao trabalho, à catequese e ao lazer. 
Comentários 
ATENÇÃO! A questão pede para identificar a alternativa errada. Não se esqueça! Como o 
enunciado já disse, de fato, o cristianismo cumpriu papel importante na colonização da América 
portuguesa. Na verdade, a religião cristã era fundamental para a legitimidade da monarquia 
portuguesa como um todo, pois esta ascendeu ao poder graças a suas vitórias contra os 
muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica. Assim, os reis portugueses continuaram usando a 
religião como uma justificativa para a necessidade de conquistar novos territórios e povos, para 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
convertê-los ao cristianismo. Esses feitos garantiram aos reis portugueses a simpatia do Papa, que 
lhes concedeu plenos poderes religiosos nomear clérigos, alterar e vetar dogmas, assim como 
administrar a Contrarreforma dentro de seus territórios ultramarinos. Essas concessões são 
chamadas de Padroado e beneplácito régio. Religião e Estado estavam tão interligados no estado 
absolutista português que o pagamento do clero era feito pelo tesouro real. 
 Mas voltando para a colonização, a ação dos religiosos se deu por meio das ordens 
regulares, principalmente a Companhia de Jesus, os famosos jesuítas. Esses clérigos condenavam 
a escravidão indígena e vinham para o Brasil para fundar aldeamentos nos quais os indígenas 
seriam agrupados, evangelizados e civilizados. Nem sempre esse aldeamento era pacífico e 
envolvia uso da força, da violência e do trabalho compulsório, contudo era um regime diferente 
da escravidão propriamente dita na qual o indivíduo era reduzido a condição de propriedade. 
Enfim, os religiosos, então, tiveram um papel muito importante pois cumpriam a função de 
converter os nativos e, posteriormente, os escravizados africanos para torna-los mais submissos à 
ordem europeia. Entretanto, no caso dos jesuítas, os missionários costumavam entrar em conflito 
com os colonos leigos por serem contra a escravidão dos nativos, defendendo o modelo de 
aldeamento. Houve momentos que os jesuítas pegaram em armas para defender os indígenas das 
expedições bandeirantes escravizadoras, nos séculos XVII e XVIII, como veremos na Aula 07 com 
mais detalhes. Por ora, o que dissemos até aqui já é o suficiente para avaliar as alternativas. 
Vejamos: 
a) Correta! Está de acordo com o comentário. 
b) Correta! O aldeamento, chamado de missão ou redução, era como uma vila portuguesa, 
de aspecto rural e economia agrária, em geral voltado para subsistência, mas alguns 
missionários administraram verdadeiros latifúndios competindo com os colonos. De 
qualquer forma, a proposta principal do aldeamento era civilizar os indígenas, ensinando-
lhes os modos de vida e trabalho europeus, ou seja, vida sedentária dedicada ao trabalho, 
com hierarquias sociais, raciais e de gênero bem determinadas. 
c) Correta! Os europeus em geral e os clérigos em especial tinham uma noção de pudor bem 
diferente dos nativos, usando bem mais roupas, o que foi imposto aos indígenas, sobretudo 
nos aldeamentos, para “cobrir suas vergonhas”, como se dizia na época. 
d) Incorreta. Não foram criadas escolas e a intenção nunca foi alfabetizar os indígenas, apenas 
catequizá-los e discipliná-los para o trabalho e a submissão à colonização. Além disso, os 
nativos não eram incorporados à administração colonial institucionalizada. Até mesmo 
brancos nascidos no Brasil tinha dificuldade em assumir cargos nas instituições 
administrativas, como precaução dos portugueses. 
e) Correta! A percepção do tempo muda de época para época, mas também de sociedade 
para sociedade mesmo ambas existindo no mesmo contexto histórico. Essa percepção 
depende de fatores culturais e do modo de vida que as pessoas praticam. Logo, não é difícil 
imaginar que os nativos lidavam com o tempo de outra forma, não o vendo de forma linear 
e progressiva como os europeus. Justamente por isso, o tempo também se tornou alvo das 
estratégias de dominação pelos europeus. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
 
Gabarito: D 
 (UNITAU 2016) 
O dia 20 de novembro foi instituído como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A 
data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Sobre 
Zumbi e o Quilombo dos Palmares, pode-se afirmar que 
a) no período do Brasil Império, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão, 
mobilizando todos os grupos marginalizados. 
b) Zumbi morreu muito tempo após o fim do Quilombo dos Palmares. Depois de preso, foi 
levado ao Rio de Janeiro, sendo morto e exposto em praça púbica. 
c) o quilombo liderado por Zumbi constituía uma forma de resistência ao sistema escravista, 
e era o principal responsável pela preservação da cultura africana no Brasil. 
d) apesar da curta existência, menos de cinquenta anos, o Quilombo dos Palmares ficou 
bastante conhecido por ter resistido durante décadas contra os ataques da Coroa 
Portuguesa e dos holandeses. 
e) a relação do Quilombo dos Palmares com a presença dos holandeses no Nordeste se 
caracterizou pelo investimento do governo holandês no Quilombo, para fortalecê-lo e fazer 
frente à Coroa Portuguesa. 
Comentários 
Antes de mais nada, é importante destacar que os escravizados africanos e seus descendentes 
desenvolveram várias formas de resistência para sobreviver a ou fugir da escravidão. Por aqui a 
sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita 
negociação. Além da fuga e da formação de quilombos (também chamados de mocambos), 
podemos citar: abortos voluntários para evitar que seus filhos nascessem na condição de 
escravizados; suicídio; sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, 
instrumentos e da moenda; emboscadas e ataques surpresa à feitores, senhores e seus familiares 
ou à elite branca em geral; negociações com os senhores para obtenção de melhores condições 
de vida, como alimentos, vestuário e moradia. Você deve estar se perguntando: “mas eles não 
eram escravos? Como conseguiam negociar? Imagine que nesses primeiros séculos de 
colonização, sobretudo nos grandes engenhos, havia muito mais escravizados que portugueses. 
Os africanos eram traficados em grandes quantidades e os senhores engenhos tinham interesse 
em acumular o máximo de cativos que podiam, pois isso se refletia no aumento da produção e do 
prestígio social. Além disso, os engenhos eram distantes uns dos outros, alguns a centenas ou 
milhares de quilômetros distantes dos centros administrativos, onde as poucas tropas residiam. 
Portanto, apesar de ter armas de fogo,cavalos e alguns feitores, nem sempre isso era força 
suficiente para combater uma revolta de centenas de cativos. Por isso, alguns senhores se 
mostravam mais ou menos dispostos a negociar com os escravizados fazendo algumas concessões 
pontuais. Bom, mas foquemos na forma de resistência que é tema da questão: as fugas e os 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
quilombos! As fugas podiam ser individuais e coletivas. Nem sempre o(s) fugitivo(s) ia para ou 
fundava um quilombo. Por vezes, mudava de cidade, buscava se passar por liberto ou se submeter 
a outro senhor considerado mais “justo”. As possibilidades eram muitas num território tão vasto 
como o Brasil. 
Por sua vez, durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a história dos negros na 
América portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que fugiam da dominação do 
sistema escravista, chegaram a reunir índios e até brancos descontentes com as imposições do 
governo português. A vida nos quilombos era baseada na agricultura e em pequenas trocas 
comerciais com comerciantes e taberneiros das proximidades. A depender da localidade, 
poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. 
Com a formação dos Quilombos, a preocupação dos senhores de engenho e da Coroa era com a 
disseminação de ideias insurrecionais, contrárias, portanto, ao sistema escravista. O Quilombo dos 
Palmares se destacou na resistência negra. Localizado em uma região da capitania de 
Pernambuco, começou a ser organizado em 1580 e foi destruído por colonos e pela Coroa 
portuguesa no começo do século XVIII. Ganga Zumba e Zumbi se destacaram entre os líderes de 
Palmares. O primeiro, governou de 1656 a 1678 e, Zumbi, governou de 1678 até a sua morte. 
Zumbi era sobrinho de Ganga Zumba e articulou a derrubada do tio por considerar que a política 
de Ganga Zumba de aproximação com os brancos não condizia com a ideia de liberdade do negro. 
Zumba chegou a firmar um acordo com o governador de Pernambuco que previa a libertação dos 
negros nascidos em Palmares, mas em troca, os fugitivos mais recentes no Quilombo deveriam 
ser devolvidos. Zumbi não concordou com essa proposta e liderou uma rebelião contra o então 
chefe. Como já adiantei acima, o bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado para destruir 
Palmares. Em 1692, em uma primeira tentativa, Jorge Velho e seus aliados cercaram Palmares, 
mas os quilombolas venceram o confronto. Dois anos depois, em 1694, Jorge Velho, com mais 6 
mil soldados conseguiram vencer Palmares. Zumbi escapou, mas foi pego em 1695. Após ser 
preso, foi morto e sua cabeça ficou estiada em praça pública em Recife. Apesar disso, os 
sobreviventes conseguiram se deslocar e reorganizar Palmares na Serra da Barriga, mas com 
menos força do que sob as antigas lideranças. Mesmo assim, durou até meados do século XVIII. 
A organização dos quilombos se multiplicou em muitas regiões do país e, até hoje, existem as 
assim denominadas “comunidades quilombolas”. Algumas conseguiram o direito ao 
reconhecimento da terra que seus antepassados escravos conquistaram e outra, não. Por sinal, a 
nossa atual Constituição, a Constituição Federal de 1988, prevê o direito à terra aos descendentes 
de quilombolas. Agora vejamos: 
a) Incorreta. Zumbi e Palmares se tornaram símbolo da luta antirracista no século XX, com a 
fundação do Movimento Negro unificado, nos anos 1970. 
b) Incorreta. Zumbi foi morto em 1695 e teve sua cabeça exposta em Recife. O Quilombo dos 
Palmares continuou existindo mesmo após a sua morte, apenas sendo completamente 
dispersado em meados do século XVIII. 
c) Correta! Devido à grande intensidade do tráfico de africanos para o Brasil nesse período, a 
maioria dos escravizados aqui residentes tinha nascido na África, portanto, ainda 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
recordavam bem de suas culturas e tentavam reproduzi-las aqui na colônia. Vale ressaltar 
que, nos séculos XVI e XVII, a maioria dos cativos trazidos para o Brasil era originário da 
África Central, região dos atuais Angola, Congo e Gabão. Ou seja, a afinidade cultural entre 
os cativos dessa época era grande, muitos falavam as mesmas línguas ou similares, além de 
compartilharem crenças religiosas e concepções de mundo. No caso do Quilombo dos 
Palmares, o mesmo se verifica. Era uma sociedade formada majoritariamente por africanos 
que tentavam reproduzir a organização política de seus povos originais. Por isso, alguns 
historiadores defendem que Palmares era um reino africano no Brasil. 
d) Incorreta. Palmares durou mais de cem anos. Como vimos, as primeiras tentativas de 
formação de um quilombo na Serra da Barriga datam da década de 1580. Por outro lado, 
Palmares conheceu seu fim por volta dos anos 1720/1730, quando os últimos 
remanescentes foram dispersos por bandeirantes paulistas. 
e) Incorreta. A relação com os holandeses também foi intensa e permeada de violência e 
perseguição. 
Gabarito: C 
 (IFPE – 2020/1) 
Não se pode dizer que os senhores fossem cidadãos. Eram, sem dúvida, livres, votavam e 
eram votados nas eleições municipais. Eram os “homens bons” do período colonial. Faltava-
lhes, no entanto, o próprio sentido da cidadania, a noção de igualdade de todos perante a 
lei. Eram simples potentados que absorviam parte das funções do Estado, sobretudo as 
funções judiciárias. Em suas mãos, a justiça, que, como vimos, é a principal garantia dos 
direitos civis, e que se tornava simples instrumento do poder pessoal. O poder do governo 
terminava na porteira das grandes fazendas. 
CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed. Rio de Janeiro: 
Civilização Brasileira, 2011 (adaptado). 41. 
A partir da leitura do e analisando o processo histórico da cidadania no Brasil, desde o 
período colonial até o presente, é CORRETA a seguinte afirmação: 
a) a cidadania brasileira foi construída já no período colonial, tendo senhores de engenho, 
homens livres e proprietários, logo, “homens bons”, à frente das Câmaras Municipais, 
assumindo as funções do Estado português, em geral, autoritário e centralizador. 
b) ao longo de mais de 500 anos, a cidadania, no Brasil, foi uma construção histórica que 
buscou conciliar os diversos grupos sociais e étnicos que habitaram o território, pautando-se 
no respeito às diferenças e na mestiçagem de nosso povo, marca de nossa identidade 
nacional. 
c) ao longo de mais de 500 anos de história brasileira, o processo de construção da cidadania 
foi impactado seja pela escravidão, seja pela grande propriedade rural, dificultando o 
exercício de direitos civis básicos e a participação política de grande parte da população. 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
d) a condição de proprietário rural e a cor branca, no Brasil, nunca foram características 
consideradas importantes como critérios de distinção para o exercício da cidadania, seja pelo 
Estado português, seja, depois, pelo Estado Nacional brasileiro. 
e) os “homens bons” que assumiram papéis de relevo nas Câmaras Municipais da Colônia 
distinguiam-se dos demais por qualidades morais, comumente associadas ao bom 
tratamento para com os escravos e dependentes em geral, e ao sentimento de coletividade. 
Comentários: 
Essa é uma questão complicada já que não se limita apenas a um tempo histórico. O que a banca 
quer saber do aluno é se ele consegue estabelecer uma relação entre os atores políticos da colônia 
brasileira, com o que aconteceu ao longo dos anos, tudo isso em torno da ideia de cidadania. Na 
verdade, o texto tece uma crítica e um paralelismo com a ideia de que os “homens bons” não são 
exclusivos do período colonial. O autor se refere aos presidentes das Câmaras Municipais: homens 
brancos, da elite latifundiária, que possuíam o controle da justiça local, dos rumos econômicos de 
cada região além de, serem os responsáveispor resguardar toda uma estrutura de desigualdade 
sustentada pela escravidão e apagamento do indígena. 
Direcionando-nos para as alternativas, podemos excluir “e” e “a”. Os responsáveis locais pelas 
Câmaras Municipais não possuíam nenhum poder sobre o Estado Colonial, sendo apenas uma 
parte da estrutura administrativa do Império Português, e no caso, apenas na ordem econômica e 
administrativa, e que mesmo assim, era ineficiente. Assim como, não existia uma ideia de 
coletividade e “bondade” com o negro, uma vez que tal sistema precisava ser coercitivo e propor 
uma ideia de ameaça. Sempre é bom lembrar que muitas dessas regiões tinham presença 
majoritária de negros escravizados, o que demonstra a eficácia punitiva e de medo de tal poder. 
Como a alternativa “b” pontua, de fato o processo de cidadania seja do Brasil ou em qualquer 
parte do mundo é pautado na construção histórica dos diversos agentes presentes, porém, em 
nenhum momento houve uma harmonização de direitos e oportunidades iguais entre todos, sejam 
dos indígenas, mortos ou afastados de suas localidades originais, ou do negro, que passou mais 
tempo servindo do que possuindo protagonismo social. O que faz descartar a alternativa “d”, ser 
branco no Brasil é um privilégio e um atestado contra qualquer desconfiança na ordem jurídica, 
política, econômica e de segurança pública, portanto, somos um país que historicamente 
privilegiou um tipo de fenótipo, o que começou e se sedimentou no período colonial. 
Assim a alternativa correta é a “c”. A constituição da cidadania no Brasil é um reflexo das 
constantes arbitrariedades existentes no processo colonial, seja na implementação de um Estado 
sustentado pela escravidão, onde, ainda vive à custa de tal passado, ou na expropriação de terras 
indígenas, que ocasionou uma distribuição de terras desigual, baseada em privilégios, na cor e 
nos compadrios locais. 
Gabarito: C 
 (IFNMG/2019) 
Sobre a exploração do trabalho escravo no Brasil, leia as afirmações seguintes e marque 
aquela que estiver INCORRETA. 
 
Profe Alê Lopes 
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a) Os indígenas, por serem preguiçosos e protegidos pelos jesuítas, não foram escravizados 
no Brasil após o Período Pré-Colonial. 
b) Os quilombos e o uso da capoeira, enquanto arte marcial, representam algumas das 
manifestações de resistência dos negros contra a escravidão. 
c) O tráfico negreiro da África para o Brasil era considerado uma atividade comercial que 
rendia recursos econômicos não apenas ao traficante, mas também à Coroa Portuguesa. 
d) Na região sul do Brasil, marcada pela pecuária, a exploração do trabalho escravo foi 
menor, quando comparada a outras regiões onde predominou a agricultura. 
Comentários: 
Quando temos uma questão de achar a alternativa incorreta temos que sempre nos atentar em 
possíveis pegadinhas que as afirmações apresentam. Assim, vamos observar cada uma das 
alternativas que são colocadas como corretas. 
A alternativa “b” está correta quanto a afirmação, uma vez que tal arte pode ser vista como dança, 
luta e representação de uma identidade de grupo, sendo uma luta típica do Brasil, e que se tornou 
um símbolo de resistência e representatividade. A possível origem da capoeira remonta a diversas 
hibridações que ocorreram, supostamente, no Quilombo dos Palmares, na atual Alagoas. O que 
gera a dúvida é a nomeação da capoeira como uma arte marcial, já que tal nomeação é um termo 
empregado normalmente ao Kung Fu, Judô e Tae-kwon-do e não a capoeira. 
A alternativa “c” está correta no conteúdo. De fato, o processo de escravidão que ocorreu no 
Brasil atingiu entre os séculos XV e XVIII uma lucrativa forma de absorção de lucros, seja de 
maneira direta ou indireta: de maneira direta, já que os traficantes e donos das regiões de 
comercialização faturavam na venda e troca da mercadoria que era o negro. E indiretamente, uma 
vez que tal escravo era uma mão de obra barata seja para o senhor de engenho, ou para a coroa, 
que lucrava com os impostos e com o que era produzido a partir de tal prática de trabalho. 
E a alternativa “d” talvez possa confundir um pouco o aluno na hora da resolução. Construiu-se 
no nosso imaginário que o negro não foi presente na região sul do país, o que é nada mais nada 
menos que uma forma de racismo velado em nossa sociedade, que cristalizou que os estados do 
Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são o berço da cultura europeia no Brasil, lar de uma 
cultura branca. 
Porém, é totalmente errado. Primeiramente tal região foi palco de várias subetnias tupi, e 
principalmente, guarani que interferiram e muito em toda a ação de tropeiragem na região, e 
inclusive, foi localização de uma das principais regiões de catequização no Brasil. Além do 
indígena, temos uma presença grande de negros nessas regiões, principalmente no Rio Grande 
do Sul, em que os primeiros núcleos de escravidão são datados de 1717, na participação não só 
de lavoura e pecuária, como em toda a atividade social. Isso se altera com o processo de imigração 
que não só ocasiona um embranquecimento, como apaga e o exclui da sociedade. Na atualidade, 
no Censo de 2017, 26% da população rio grandense se declara negro, isso sem contar os pardos. 
Assim a alternativa que não possui nada correto é a “a”. Essa construção preconceituosa e racista 
foi posta como algo necessário, na justificativa que em tese o negro era apto ao trabalho por ser 
 
Profe Alê Lopes 
Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 
 
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forte e alienada a organização, bem como, era um ser sem alma, diferente do indígena, visto como 
possível alma a ser “educada” nos preceitos católicos. Se formos analisar, por exemplo, a 
construção do Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro, essa ideia de que o indígena foi a base 
da sociedade está totalmente acompanhada da concepção que isso só foi possível, graças a 
catequização. 
Gabarito: A 
 (IFBA – 2018) 
Que Deus entendeu de dar 
A primazia 
Pro bem, pro mal 
Primeira mão na Bahia 
Primeira missa 
Primeiro índio abatido também 
Que Deus deu 
Que Deus entendeu de dar 
Toda magia 
Pro bem, pro mal 
Primeiro chão da Bahia 
Primeiro carnaval 
Primeiro pelourinho também 
Gilberto Gil, Toda menina baiana. In.: CD Realce, 
Warner: 1979. Trecho disponível em https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46249. Acesso 
em 24 jul 2017. 
Com base no trecho da música acima, é possível afirmar historicamente que: 
a) A primeira missa na Bahia foi feita pelos portugueses com o intuito de converter os índios 
ao catolicismo e assim evitar que fosse feita uma guerra contra eles. 
b) Para o bem ou para o mal, a Bahia foi o primeiro local no Brasil em que os portugueses 
colocaram suas mãos. 
c) O carnaval sempre foi feito durante as festas profanas que acontecem ao redor das festas 
religiosas católicas. Assim, esse texto seria uma metáfora para entender as contradições do 
Brasil: carnavalesco e religioso. 
d) Deus seria a entidade que moveria a história dos homens. Os homens apenas 
reproduziriam as suas vontades. A vontade de Deus, “pro bem ou pro mal”, espalhou o 
 
Profe Alê Lopes 
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AULA 06: HB - Colônia I 
cristianismo pelo mundo, uma das principais instituições colonialistas dos séculos XV até os 
dias atuais. 
e) Ao destacar o abate indígena, o pelourinho e as missas religiosas, o autor chama atenção 
para o caráter violento da colonização brasileira. 
Comentários: 
A música quando utilizada dentro de uma questão pode despertar duas sensações: a primeira é 
se eu não conheço a canção, o que devo fazer? Bem se não for uma prova prática de música, a 
única coisa que a banca quer saber de você é interpretar historicamente a canção proposta. A 
segunda sensação é se identificar com a música, e no caso, se você conhece a canção além da 
letra, a melodia te ajuda a entender as intencionalidades que a letra possui.

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