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1 162 AULA 05 Profe Ale Lopes AULA 06 História do Brasil Colônia I UNICAMP Exasiu Exasiu EXTENSIVO estretegiavestibulares.com.br Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 2 AULA 06 HB: Colônia I Sumário Introdução ....................................................................................................... 4 1. A chegada dos Portugueses da América ..................................................... 4 2. O sistema de exploração colonial na América Portuguesa ........................ 11 2.1 - A expedição de Martin Afonso de Souza e o início da colonização ....................... 16 3. Administração colonial .............................................................................. 20 3.1 – Sistema de Capitanias Hereditárias ........................................................................ 20 3.2 – Governo geral ......................................................................................................... 23 4. Economia, trabalho e sociedade na colônia .............................................. 27 4.1 – A implantação de uma cultura de exportação: a cana-de-açúcar .......................... 27 4.2 – A civilização do açúcar: trabalho e sociedade ........................................................ 29 4.2.1 – Conhecendo um engenho, suas edificações e as atividades de produção do açúcar ........ 30 4.2.2 – Estrutura social açucareira ................................................................................................. 34 5. A questão da escravidão ........................................................................... 36 5.1- A Escravidão Africana............................................................................................... 39 5.2 – Resistência Quilombola .......................................................................................... 47 6. Índios, ou melhor, povos originários .......................................................... 53 7. Açúcar: do esplendor à crise ..................................................................... 61 7.1 – Explicando a crise do açúcar .................................................................................. 61 7.1.1 – Mercado internacional do açúcar e de escravos ................................................................ 62 7.1.2 – União Ibérica e invasão holandesa ..................................................................................... 63 7.1.3 – Brasil Holandês .................................................................................................................. 64 7.1.4 – Insurreição Pernambucana (1645-1654) ............................................................................. 66 7.1.5 – As consequências para a economia colonial ...................................................................... 69 8. Questões Essenciais – Unicamp ................................................................ 71 9. Questões para Aprofundamento ............................................................... 76 10. Questões para Consolidação ................................................................... 86 11. Gabarito .................................................................................................. 96 12. Questões Essenciais - Unicamp (comentários) ........................................ 97 Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 3 AULA 06 HB: Colônia I 13. Questões Aprofundamento - (comentários) ........................................ 108 14. Questões para Consolidação (comentários) .......................................... 135 15. Considerações Finais ............................................................................. 162 Queridas e Queridos Alunos, Seja bem-vindo e bem-vinda a mais uma aula. É sempre um grande prazer compartilhar com vocês nosso trabalho e participar dessa caminhada até sua aprovação. É bom saber que você avançou mais uma aula! Isso é muito bom porque você está dominando cada dia mais nossa disciplina! Nesta aula começamos a estudar a experiência da dominação europeia no Brasil. Particularmente, gosto muito desse assunto porque começamos a organizar as peças do que chamamos de “nosso país”. Vamos escrever uma biografia brasileira – que vai demandar muito da nossa atenção. Os assuntos da aula são: a chegada dos Portugueses na América, a implantação do sistema colonial, economia e formas de trabalho, bem como, religião e educação na colônia. Esse é um assunto que não cai nas provas, DESPENCA!!! Fique muitooooo esperto e esperta, porque este é um assunto “clássico”, mas que sofreu muitas revisões históricas nos últimos tempos. Os assuntos da aula são: a chegada dos Portugueses na América, a implantação do sistema colonial, administração colonial, economia e formas de trabalho, aspectos culturais. Não me canso de afirmar, para você toda questão de história é imperdível! Você precisa estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a constância no objetivo”. Vamos seguir juntos! Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah, não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!! XVI XVII Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 4 AULA 06 HB: Colônia I INTRODUÇÃO Queridas e queridos alunos, agora começamos a estudar a história brasileira. Como dizia “o poeta”, o Brasil não é para iniciantes. Ou seja, muito difícil de explicar, tem que ter certa desenvoltura e um pouco de conhecimento para entender esse jeito tão peculiar do “ser brasileiro”. Em suma é preciso muita articulação. E essa é minha proposta: desenvolver em você a capacidade de explicar esse país tão bem que o corretor da segunda fase vai pensar estar de frente a um manuscrito de José Murilo de Carvalho, Sérgio Buarque de Holanda ou o próprio Gilberto Freire! Comecemos pensando na experiência da ocupação portuguesa nesse território e o primeiro grande produto de exportação explorado nessas terras: o açúcar. Há quem diga que o açúcar não foi um mero produto que enriqueceu portugueses e colonos. Foi um verdadeiro produtor de códigos, costumes e hábitos, como diriam as professoras Lilia Schwarcz e Heloísa Starling no livro Brasil: uma Biografia. Assim, estamos diante do estudo sobre a “civilização do açúcar”. Ah sim, lembre-se da chegada dos europeus na América! Você já sabe muita coisa, pois já estudou a experiência da colonização espanhola na aula anterior. Use todo esse seu conhecimento prévio para compreender semelhanças e diferenças com a experiência portuguesa no Brasil., OK? 1. A CHEGADA DOS PORTUGUESES DA AMÉRICA Você já sabe que o impulso do expansionismo marítimo-comercial de Portugal tem um fundamento comercial, militar e religioso. Conquistar novas almas e novas rotas até a fonte das especiarias são as explicações para o impulso do pioneirismo português. Se lembrarmos da aula passada, vamos concluir que Portugal levou quase 1 século entre conquistar Ceuta (norte da África), em 1415, e chegar à Índia (Calicute, na época), em 1498, contornando o Périplo Africano. Esse período foi marcado por um longo processo de tentativas e erros. Muito lucro, mas, muito prejuízo com os naufrágios. De toda forma, possibilitou o desenvolvimento tecnológico e científico da “ciência de navegar”. A viagem para a América, mais especificamente a expedição comandada por Dom Pedro Álvares Cabral, mesmo com tanta experimentação, foi recheada de imagens místicas com peixes- monstros, sereias, cachoeiras infinitas no horizonte. Uma mitologia, é verdade, corroborada por dados da realidade, como: • Entre 1497 e 1612, 620 navios largaram do rio Tejo. • Desses 285 ficaram no Oriente, ou seja, NUNCA retornaram. • 66 naufragaram. • 22 arribaram (viraram a proa para cima). • 6incendiaram. • 4 foram sequestrados por piratas inimigos. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 5 AULA 06 HB: Colônia I Meu deus, Profe, que cenário de purgatório!!!! É, Bixo, encontrar uma sereia era lucro, nesse cenário!!!! Aliás, a obra Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões, faz referência direta aos desafios dos portugueses no mar. Se tiver um tempinho dá uma conferida na parte do Gigante Adamastor. Assim, para os portugueses, a América era um “Novo Mundo”. Embora já conhecido – afinal, não se acredita mais na tese do descobrimento por acaso –, o território não era efetivamente sabido. Segundo as professoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, não visão dos brancos europeus, era novo porque # ausente dos mapas europeus; # novo, porque repleto de animais e plantas desconhecidos; # novo, porque povoado por homens estranhos, que praticavam a poligamia, andavam nus e tinham por costume fazer a guerra e comer uns aos outros. E em 22 de abril, a armada de Cabral avistou um grande monte, o Monte Pascoal (hoje, Parque Nacional do Monte Pascoal, a 62 km de Porto Seguro). A reação foi de espanto, encanto e “vontade de tomar posse”, segundo o que determinava o Tratado de Tordesilhas. Lembra dele? Essa posse precisava ser registrada e, para tal intento, estava presente o experiente escrivão Pero Vaz de Caminha – que escreveu a carta que serve, para Portugal, como um “atestado de nascimento” do Brasil. Caminha escreveu uma longa, deslumbrada e exultante descrição da “terra nova”. Assim, a descrição do “Novo Mundo” foi recheada de mitos. Mitos não apenas sobre monstros ou seres “de outra humanidade”, mas sobre a própria chegada dos portugueses à América e sobre o processo de conquista das terras brasileiras. Com certeza, a Carta de Caminha ao Rei Dom Manuel alimentou 2 mitos: MITO 1- Encontro Pacífico entre Índios e Portugueses MITO 2- Índio como o Bom Selvagem Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 6 AULA 06 HB: Colônia I O Mito 1 contribuiu para criar a ideia de que o encontro entre portugueses e indígenas foi amigável e, portanto, a conquista foi pacífica – diferentemente da violência perpetrada pelos espanhóis na Mesoamérica e nos Andes e, até mesmo, diferentemente da violência que ocorria na Europa, contra os mulçumanos, por exemplo. Um encontro, quase como um evento ecumênico de união de todos. O Mito 2 alimentou a ideia de que o índio brasileiro era selvagem, mas inocente, portanto, um bom selvagem. Pacífico e amigável seria o ser a espera da conversão ao cristianismo. Esse mito, justificava a necessidade de catequização e legitimava o trabalho dos jesuítas que para cá vieram, a partir da década de 1530. Leia alguns trechos da Carta de Pero Vaz de Caminha, com atenção para os grifos. Reflita sobre como o texto alimenta os dois mitos. 1 “Dali avistamos homens que andavam pela praia, obra de sete ou oito, segundo disseram os navios pequenos, por chegarem primeiro (..)Eram pardos, todos nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Nas mãos traziam arcos com suas setas. Vinham todos rijamente sobre o bater; e Nicolau Coelho lhes fez sinal que pousassem os arcos. E eles os pousaram. [...] Quando saímos do batel, disse o Capitão que seria bom irmos direitos à Cruz, que estava encostada a uma árvore, junto com o rio, para se erguer amanhã, que é sexta-feira, e que nós puséssemos todos em joelhos e a beijássemos para eles verem o acatamento que lhe tínhamos. E assim fizemos. A esses dez ou doze que aí estavam acenaram-lhe que fizessem assim, e foram logo todos beijá-la. Parece-me gente de tal inocência que, se homem os entendesse e eles a nós, seriam logo cristãos, porque eles, segundo parece, não têm, nem entendem em nenhuma crença. [...] Domingo, 26 de abril: Ao domingo de Pascoela pela manhã, determinou o Capitão de ir ouvir missa e pregação naquele ilhéu. (...) E ali com todos nós outros fez dizer missa, a qual foi dita pelo padre Frei Henrique, em voz entoada, e oficiada com aquela voz pelos outros padres e sacerdotes, que todos eram ali. A qual missa, segundo meu parecer, foi ouvida por todos com muito prazer e devoção. (..) Acabada a missa, desvestiu-se o padre e subiu a uma cadeira alta; e nós todos lançados por essa areia. E pregou uma solene e proveitosa pregação da história do Evangelho, ao fim da qual tratou da nossa vinda e do achamento desta terra, conformando-se com o sinal da Cruz, sob cuja obediência viemos. O que foi muito a propósito e fez muita devoção. 1 Francisco Aurélio de Figueiredo e Melo (1854–1916). História do Brasil (v.1), Rio de Janeiro: Bloch, 1980 Pero Vaz de Caminha lê para o comandante Pedro Álvares Cabral, o Frei Henrique de Coimbra e o Mestre João a carta que será enviada ao Rei Dom Manuel I Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 7 AULA 06 HB: Colônia I Entre todos estes que hoje vieram, não veio mais que uma mulher moça, a qual esteve sempre à missa e a quem deram um pano com que se cobrisse. Puseram-lho a redor de si. Porém, ao assentar, não fazia grande memória de o estender bem, para se cobrir. Assim, Senhor, a inocência desta gente é tal que a de Adão não seria maior, quanto a vergonha. Ora veja Vossa Alteza se quem em tal inocência vive se converterá ou não, ensinando-lhes o que pertence à sua salvação. [...] "Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos. Contudo a terra em si é de muito bons ares frescos e temperados como os de Entre- Douro-e-Minho, porque neste tempo d'agora assim os achávamos como os de lá. Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem! Contudo, o melhor fruto que dela se pode tirar parece-me que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar. E que não houvesse mais do que ter Vossa Alteza aqui esta pousada para essa navegação de Calicute bastava. Quanto mais, disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento da nossa fé.” Mas, Profe, por que Mito? Mito não é uma coisa boa? Porque, caríssimo aluno e aluna, se a narrativa construída foi a de um encontro pacífico entre índios e portugueses, a realidade mostrou o oposto: conquista e genocídio. Por isso, temos um Mito, a história contata pelos vencedores não foi a que de fato ocorreu. A narrativa construída pelos conquistadores adquiriu caráter simbólico, independente da realidade, embora baseada nela. Vejamos uma informação importante sobre a ideia de “índio”2 que confronta a narrativa mitológica, conforme o antropólogo e professor do Museu Nacional da UFRJ, Eduardo Viveiros de Castro3: Devemos começar então por distinguir as palavras “índio” e “indígena”, que muitos talvez pensem ser sinônimos, ou que “índio” seja só uma forma abreviada de “indígena ”. Mas não é. Todos os índios no Brasil são indígenas, mas nem todos os indígenas que vivem no Brasil são índios. 2 “A palavra indígena vem do latim indigĕna,ae “natural do lugar em que vive, gerado dentro da terra que lhe e própria”, derivação do latim indu arcaico (como endo) > latim classico in- “movimento para dentro, de dentro” + -gena derivação do radical do verbo latino gigno, is, genŭi, genĭtum, gignĕre, “gerar”; Significa “relativo a ou população autoctone de um pais ou que neste se estabeleceu anteriormente a um processo colonizador” ...; por extensão de sentido (uso informal), [significa] “que ou o que e originário do pais, região ou localidade em que se encontra; nativo”. (Dicionário Eletrônico Houaiss). 3 CASTRO, Eduardo Viveiros de. Os Involuntários da Pátria. ARACÊ – Direitos Humanos em Revista. Ano 4, Número 5, fevereiro/2017, pp. 187-193. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 8 AULA 06 HB: Colônia I Índiossão os membros de povos e comunidades que tem consciência —seja porque nunca a perderam, seja porque a recobraram — de sua relação histórica com os indígenas que viviam nesta terra antes da chegada dos europeus. Foram chamados de “índios” por conta do famoso equívoco dos invasores que, ao aportarem na América, pensavam ter chegado na Índia. “Indígena”, por outro lado, é uma palavra muito antiga, sem nada de “indiana” nela; significa “gerado dentro da terra que lhe e própria, originário da terra em que vive”. Há povos indígenas no Brasil, na África, na Ásia, na Oceania, e até mesmo na Europa. O antônimo de “indígena” e “alienígena”, ao passo que o antônimo de índio, no Brasil, e “branco”, ou melhor, as muitas palavras das mais de 250 línguas índias faladas dentro do território brasileiro que se costumam traduzir em português por “branco”, mas que se referem a todas aquelas pessoas e instituições que não são índias. Essas palavras indígenas tem vários significados descritivos, mas um dos mais comuns e “inimigo”, como no caso do yanomami nape, do kayapo kuben ou do arawete awin. Ainda que os conceitos índios sobre a inimizade, ou condição de inimigo, sejam bastante diferentes dos nossos, nao custa registrar que a palavra mais próxima que temos para traduzir diretamente essas palavras indígenas seja “inimigo. Durmamos com essa. (...) Quando perguntaram ao escritor Daniel Munduruku se ele “enquanto índio etc.”, ele cortou no ato: “não sou índio; sou Munduruku”. Mas ser Munduruku significa saber que existem Kayabi, Kayapo, Matis, Guarani, Tupinamba, e que esses não são Munduruku, mas tampouco são Brancos. Quem inventou os “índios” como categoria genérica foram os grandes especialistas na generalidade, os Brancos, ou por outra, o Estado branco, colonial, imperial, republicano. Apesar da chegada a uma terra com muitas riquezas naturais, como afirmou Caminha, Portugal não alterou seu plano principal: dominar e monopolizar as rotas das especiarias para o Oriente. Tanto que Pedro Álvares Cabral seguiu com sua esquadra em direção à Índia. Até mesmo porque, por essas terras dos índios brasileiros, não se encontraram ouro e prata logo no início da conquista, como nas colônias espanholas. Assim, a área reservada pelo acordo bilateral de Tordesilhas ficou para o futuro! Mas qual futuro, Profe? Eles não colonizaram o Brasil logo “de cara”? Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 9 AULA 06 HB: Colônia I (UFU/2016) Eles não tinham deixado a Inglaterra para escapar a toda forma de governo, mas para trocar o que acreditavam ser um mau governo por um bom, ou seja, formado livremente por eles mesmos. Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos, ela apenas permitia ao indivíduo escolher o Estado que deveria governá-lo e a Igreja na qual ele iria louvar a Deus. [...] CRÉTÉ, Liliane. As raízes puritanas. Disponível em: <http://www2.uol.com.br/historiaviva/reportagens/as_raizes_puritanas.html.> Acesso em: 28 de janeiro de 2016 (Adaptado). A historiografia sobre a colonização da América costuma realçar as peculiaridades da colonização britânica nas colônias do Norte. As diferenças, entretanto, em relação às colonizações portuguesa e inglesa não são absolutas, pois a) ambos os modelos de colonização eram predominantemente mercantis, ainda que a agricultura de subsistência fosse mais presente na colonização portuguesa. b) tanto os colonos ingleses quanto os portugueses eram profundamente marcados pelas disputas entre as potências europeias, sendo que os portugueses eram aliados preferenciais da França. c) em ambas as modalidades de colonização, a administração colonial era formalmente descentralizada, havendo espaço para uma expressiva margem de autonomia dos colonos. d) o sentido de missão religiosa estava presente nas duas modalidades de colonização, refletindo a ainda forte presença do misticismo no mundo europeu. Comentários Trouxe essa questão para você ficar atento para tipos de questões comparativas. Nesse caso, a questão estabelece comparações entre a colonização inglesa – influenciada pelos puritanos - e portuguesa, influenciada pelos católicos. Apesar de algumas diferenças entre elas, podemos afirmar ambas estavam vinculadas a uma natureza religiosa. Repara que o texto do enunciado da questão faz referência aos puritanos quando afirma: “Tanto no plano político como no religioso, acreditavam que o indivíduo só poderia se desenvolver em liberdade. Entretanto, convencidos de que a liberdade consiste em dar ao homem a oportunidade de obedecer aos desígnios divinos (...)”. Aqui fica evidente a presença religiosa no espírito colonizador. Da mesma forma, como temos visto, desde a saída ultramarina, os católicos portugueses faziam uma forte relação entre as investidas colonizadoras e o catolicismo. Basta ficarmos atentos para a visão que estabeleceram sobre os índios. Gabarito: D Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 10 AULA 06 HB: Colônia I (UNICAMP/2011) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!” (Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas indígena e europeia foi a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. Comentários O direcionamento das expedições marítimas dos portugueses às Américas tinha um interesse comercial. Os europeus, em geral, e os portugueses em específico vieram até o “Novo Mundo” em busca de riquezas. Essa intenção está claramente explícita na carta de Pero Vaz quando ele faz referência ao ouro e interpreta a ação dos índios aos olhos do conquistador: “como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! “. Nesse sentido, a consequência da finalidade dos portugueses (a riqueza) para os índios foi a violência, nas mais diversas formas. A alternativa que sintetiza essa compreensão histórica é a B. A alternativa A transmite a noção de amistosidade entre as partes, índios e portugueses. A C insiste na compreensão romântica de que os índios seriam seresdoces. Além disso, a C erra ao afirmar que a base do sistema colonial foi a escravização dos povos nativos. De fato, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 11 AULA 06 HB: Colônia I os índios foram escravizados, mas a base do sistema colonial, em termos de mão de obra, foi a escravidão dos negros africanos. Por fim, a D exagera por colocar a industrialização em um momento em que ela ainda não existia, por isso, é uma alternativa “anacrônica” (fora do tempo/contexto). Gabarito: B 2. O SISTEMA DE EXPLORAÇÃO COLONIAL NA AMÉRICA PORTUGUESA A implantação do sistema colonial de exploração por parte de Portugal foi um processo bastante diferente em relação ao da Espanha. Houve 2 momentos desse processo marcados por interesses distintos de Portugal em relação à terra “descoberta” por Cabral. Além disso, os modelos de implantação do sistema de exploração colonial também se diferenciaram. Observe o esquema: Apesar de, em 1500, os interesses da Coroa Lusa estarem voltados para a rota das especiarias, nos primeiros anos após a vinda de Cabral o governo português enviou algumas expedições de reconhecimento para vasculhar o território e garantir sua posse. O objetivo principal era saber se aqui poderia se obter metais preciosos. Mas a riqueza do “Novo Mundo” não era dourada e prateada, era vermelha de pau-brasil, era verde de florestas, era translucida de uma água que não se via na Europa, era de gente e de terra que tinham quase a mesma cor. Nossa riqueza era outra. É importante ressaltar que nessas expedições de reconhecimento, também chamadas por alguns historiadores de expedições pré-colonizadoras, houve um trabalho de nomear as coisas encontradas, as localidades, os acidentes geográficos, os rios e até as pessoas que aqui viviam. Foram 3 as expedições: colonização portuguesa 1o. Momento: 1501-1530 sem sistema de colonização - predomiou atividade de reconhecimento e extrativismo Contrato de concessão para exploração extrativista 2o. Momento: pós- 1530 Sistema descentralizado de colonização Capitanias Hereditárias Sistema centralizado de colonização (a partir de 1572) Governo-Geral Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 12 AULA 06 HB: Colônia I Dessas expedições, o que se encontrou para explorar imediatamente foi o pau-brasil. Veja no mapa a seguir a área de ocorrência da árvore. 4 Assim, entre 1501 e 1530, o que se verificou foi uma fase de economia extrativista. Não houve um planejamento centralizado ou algo do tipo. Mesmo assim a exploração era monopólio da Coroa Portuguesa, que permitia a exploração particular por meio de contrato de concessão. A atividade extrativista de pau-brasil foi realizada com mão de obra indígena à base de escambo (troca de utensílios europeus, como machado, facas, por trabalho). Contudo, é importante ressaltar que os contratos de concessão emitidos pela Coroa privilegiavam exploradores portugueses. Tratava-se de uma forma de protecionismo. O principal explorador foi Fernando de Noronha. Outra característica fundamental sobre a colonização portuguesa era a ideia de exclusivo metropolitano: toda negociação, acordo, comércio, troca que envolvesse a colônia portuguesa deveria ser decidida exclusivamente pela metrópole. Dessa compreensão decorrerão várias formas distintas de relação exclusiva entre a metrópole e colônia. Pode ser que você já tenha ouvido a expressão “Pacto Colonial” para esta explicação. Está certo também! Contudo, não foram apenas comerciantes portugueses que se interessaram pelo produto “cor de brasa”. Franceses, ingleses, holandeses e até espanhóis, também manifestaram desejo pela riqueza. A monarquia mais ousada foi a da França, pois apoiou corsários franceses a fazerem 4 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 06. 1501 - Expedição Gaspar de Lemos • Expdição de nomeação das ilhas, cabos, rios e bais do litoral brasileiro 1503 - Expedição Gonçalo Coelho • Pareceria entre reis e comerciantes para a exploração do pau- brasil. Um desses comerciantes era Fernão de Noronha. 1516 e 1520 Expedição Cristóvão Facques • Organizada para deter o contrabando de pau-brasil por franceses. Não foram bem sucedidas A área verde no mapa representa a localização pau- brasil, no litoral brasileiro, na época da colonização. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 13 AULA 06 HB: Colônia I alianças com o povo Tupinambás para explorar o pau-brasil. É do Rei francês Francisco I a famosa frase: Francisco I. Jean Clouet. Óleo sobre tela, 1530. Museu do Louvre, França. Como nos informa as professoras Lilia e Heloísa, a madeira do pau-brasil era considerada uma especiaria no Oriente. A resina dessa árvore era utilizada para tingir tecidos e a madeira para fazer móveis finos e embarcações. Nas terras dos índios tupi, o pau-brasil era conhecido como “ibirapitanga” – que significa “pau-vermelho”. Os europeus, ao latinizarem a palavra, chamaram- no de brecilis, bersil, brezil, brasil, brasily, paralavras que significavam: cor de brasa ou vermelho. Assim, desde 1512, quando o pau-brasil entrou definitivamente no mercado internacional, a colônia portuguesa passou a ser designada por Brasil.Com efeito, meus caros e caras, o Brasil nasceu – para o comércio mundial – vermelho!! Os indígenas cortavam as árvores e as levavam até os navios portugueses ancorados à beira-mar, e em troca obtinham facas, canivetes, espelhos, pedaços de tecidos e outras quinquilharias. Em 1511 dá-se a primeira exportação do pau-brasil para Portugal na nave Bretoa, que saiu da Bahia com destino à Lisboa. E lá se foram 5 mil toras de madeira, macacos, saguis, gatos, muitos papagaios e quarenta indígenas que atiçaram a curiosidade europeia5. Mas o cenário internacional obrigava Portugal a se posicionar mais seriamente em relação ao Brasil, a fim de garantir a posse da parte do mundo que lhe cabia, segundo o Tratado de Tordesilhas. Observe os elementos do cenário internacional que pressionavam a Coroa Portuguesa a agir: 5 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2018, p. 32 “Quero ver a cláusula do testamento de Adão que dividiu o mundo entre Portugal e Espanha e me excluiu da partilha!! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 14 AULA 06 HB: Colônia I Para Portugal era urgente estabelecer a colônia e implementar o sistema de exploração comercial. Por isso, em 1530 começou uma nova fase de relação entre Metrópole e Colônia. Dessa forma, a partir de agora, estudaremos os aspectos econômicos, políticos e sociais da colonização portuguesa na América. Esse é o momento mais longo, porque vai até a Independência Política, em 1822. Porém, nesta aula não vamos tão longe, nosso bonde vai até a estação do ciclo da cana de açúcar. Muita gente não gosta desse longo período. Ocorre que despenca nos vestibulares, cara. E você é Coruja!! Então, vamos com coragem e cabeça erguida. Não sai do foco. Nada de whats, porque enquanto você vê uma mensagenzinha, alguém acerta uma questãozinha. Bora, Bixo!! Vejamos! Ah sim, antes uma questão sobre o que vimos até agora: (UNICAMP/2013) “Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” (Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.)Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 15 AULA 06 HB: Colônia I a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar a circulação do ouro entre as minas e os portos. c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas por Pero Vaz de Caminha, em 1500 Comentários De acordo com o documento do cronista Pero de Gandavo, os indígenas fugiam para o interior (sertão) como forma de resistência à presença portuguesa. Desde o início do período colonial, vários grupos se opuseram aos lusos, ocasionando diversos conflitos entre nativos e europeus. Dessa forma, fugir para o “interior” dificultava a ação dos portugueses. Por isso, o gabarito é a alternativa C. A alternativa A pode pegar os mais desatentos, pois, ao longo da colonização, de fato, as missões jesuíticas levaram a sincretismos religiosos. Porém, não dá para afirmar categoricamente que os conflitos foram solucionados. Além disso, repare que o texto da questão foi escrito por volta de 1570, ou seja, antes da instalação da proliferação dos trabalhos das missões. A B está errada porque o trecho final desloca o ciclo da mineração para um contexto em que ele ainda não existia. Já a D, contraria o que Caminha escreveu em sua carta. Por fim, interessante perceber que o texto também mostra que, em muitos casos, algumas sociedades indígenas também estabeleciam sistemas de alianças com os portugueses. Gabarito: C Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 16 AULA 06 HB: Colônia I 2.1 - A EXPEDIÇÃO DE MARTIN AFONSO DE SOUZA E O INÍCIO DA COLONIZAÇÃO 6 Em 1530, a Coroa Lusa organizou a 1ª. Expedição Colonizadora comandada por Martin Afonso de Sá. os historiadores consideram que, com essa expedição, iniciou-se o 2º momento da colonização, ou a colonização propriamente dita. Os objetivos estabelecidos para o explorador foram: Iniciar a ocupação da terra portuguesa: povoar e explorar; Combater os corsários estrangeiros; Procurar metais preciosos; Sistematizar o reconhecimento do litoral para implementar a produção de cana-de-açúcar. Note que entre os objetivos da expedição colonial, 2 são de natureza econômica: procurar metais preciosos e encontrar o melhor lugar para o cultivo de cana de açúcar. Assim, podemos afirmar que o sentido econômico da colonização era encontrar uma atividade que compensasse o esforço colonizador, leia-se, o investimento. Além disso, gerar muita riqueza e superlucros para a metrópole e suas elites. Afinal, a lógica era mercantilista, né gente? O economista e historiador Caio Prado Jr., em seu livro Formação do Brasil contemporâneo, advoga a tese de que o sentido econômico do projeto colonial esteve voltado para abastecer o mercado exterior e, assim, transferir os dividendos desse comércio para os países colonizadores: No seu conjunto a colonização dos trópicos toma o aspecto e uma vasta empresa colonial destinada a explorar os recursos naturais de um território virgem em proveito do comércio europeu, é este o verdadeiro sentido da colonização tropical, de que o Brasil é uma das resultantes[...]. Tudo se disporá naquele sentido: a estrutura bem como as atividades do país. Virá o branco europeu para especular, realizar um negócio; 6 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 08. Ex pe di çã o de M ar tin A fo ns o de S ou za Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 17 AULA 06 HB: Colônia I inverterá seus cabedais e recrutará mão de obra que precisa: indígenas ou negros importados7. Perceba, portanto, que o objetivo do Rei de Portugal ao estabelecer metas para Martin Afonso não foi desenvolver a colônia em si, mas descobrir uma atividade que pudesse pagar os investimentos desse empreendimento bem como gerar superlucros. É evidente, como veremos, que outras atividades econômicas acabaram criando uma economia colonial própria, cujos lucros permaneciam na própria colônia e que, dessa forma, possibilitavam o surgimento de grupos e interesses distintos daqueles da metrópole portuguesa. Mesmo assim, isso não inverteu o sentido inicial da colonização e tão pouco o objetivo da Metrópole colonizadora. Sacou? Sobre a formação do Brasil O pensador Caio Prado Junior tem por objetivo analisar a evolução do Brasil. Para tanto, ele encontra o sentido geral desse processo no evento que marca a formação do Brasil como país: a colonização. Leia um trechinho do que ele escreve: “Se vamos a essência da nossa formação, veremos que na realidade nos constituímos para fornecer açúcar, tabaco, alguns outros gêneros; mais tarde, ouro e diamantes; depois, algodão e, em seguida, café para o comércio europeu. Nada mais que isso. É com tal objetivo, objetivo exterior, voltado para fora do país e sem atenção a considerações que não fossem o interesse daquele comércio, que se organizavam a sociedade e a economia brasileiras [...]. Este início cujo caráter se manterá dominante através dos três séculos (...) se agravará profunda e totalmente nas feições e na vida do país. Haverá resultantes secundárias que tendem para algo de mais elevado; mas elas ainda mal se fazem notar. O “sentido da evolução” brasileira que é o que estamos aqui indagando, ainda se afirma por aquele caráter inicial da colonização. Tê-lo em vista é compreender o essencial deste quadro que se apresenta em princípios do século passado, e que passo agora a analisar.”8 Nesse sentido, para Caio Prado, a colonização gerou uma marca, uma cicatriz, algo do qual não podemos nos livrar – apesar e independente dos caminhos que percorremos como nação. Em Ciência Política, chamamos isso de path dependency, trajetória dependente. Segundo esse conceito, cada passo dado é necessário para entender o seguinte e, além disso, cada passo dado define, em grande medida, qual será e como será o próximo. Mudar o rumo completamente tem um custo muito grande. Sacou? Assim, essa perspectiva coloca para nós uma pergunta: como nosso processo de colonização pode explicar o Brasil de hoje? Guarda a pergunta e vamos para o conteúdo, quem sabe você não se anima a responder ao final dos nossos estudos sobre Colônia! 7 PRADO JR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1979, p. 31-32. 8 PRADO JR, Caio. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Ed. Brasiliense, 1979, p. 31-32. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 18 AULA 06 HB: Colônia I Caros, essa discussão sobre o sentido da colonização –– deu margem para a definição de 2 tipos de colonização: a de exploração e a de povoamento. Vejamos: Colônia de Exploração: voltada para produção de mercadorias típicas de exportação. MONOCULTURA. Foco: Mercado externo. Assim, predomínio da grande propriedade rural: LATIFÚNDIO! Colônia de povoamento é o exato oposto da colônia de exploração: produção voltada para o mercado interno. PLURICULTURA. Assim, predomínio da pequena propriedade familiar. Contudo, hoje em dia não usamos mais essas definições, de maneira compartimentada. Se porventura aparecer na sua prova, contextualize-a! Mas por que, Profe Alê? Qual o problema? Não usamos porque as pesquisas na área da História e da Economia desenvolveram outras interpretações. Por exemplo, sabemos que nas colônias espanhola e portuguesa na América houve exploração e povoamento ao mesmo tempo. Como seria possível explorarsem povoar? Na América Latina (antes tida como modelo de colônia de exploração), por exemplo, foi preciso instalar uma forte e extensa burocracia estatal para garantir a implantação e execução dos interesses da coroa e dos setores mercantis europeus. A vinda dos jesuítas para colonizar os povos originários também se tratou de povoamento. Além disso, a despeito de ter se formado no Brasil uma estrutura agrária monocultora e latifundiária voltada para exportação (plantation), houve também agricultura, pecuária e comércio locais. Em diferentes áreas do território brasileiro se desenvolveram propriedades familiares. Veja o que nos dizem as professoras Lilia e Heloísa sobre o assunto: Passados os primeiros tempos das notícias desencontradas e de tantos boatos, foi preciso garantir o achado e impedir os ataques estrangeiros. Tinha-se que povoar e colonizar a terra, mas também encontrar algum tipo de estímulo econômico. [...] Como se pode notar, a ideia era obter lucro com a nova terra, antes que ela se transformasse num problema. E era esse o “sentido da colonização”: povoar, mas sempre pensando no bem da metrópole.9 (grifos nossos) Percebe que, nessa interpretação, povoar e explorar são dois lados da mesma moeda? Por esse motivo, combinado com as ações sobre os índios (o que ainda veremos), parte da historiografia também usa a expressão “conquista”. 9 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2018, p. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 19 AULA 06 HB: Colônia I Outro exemplo, nos EUA (tido anteriormente como modelo de colônia de povoamento), houve povoamento e exploração. Todo o sul dos EUA estava organizado por meio de grandes propriedades territoriais, monocultoras, voltadas para o mercado externo e usando mão de obra escrava negra. O povoamento não se deu por meio da implantação da burocracia metropolitana, mas por meio de famílias que vieram em um empreendimento mais particular. CONCLUSÃO: não dá para usar de maneira separada o que foi povoamento e o que foi exploração. No final, o que diferenciou EUA e América Latina estava baseado em outros elementos: Empreendimento Estatal (América Latina) OU particular (EUA); Financiamento Estatal em aliança com os setores mercantis (América Latina) OU particular/familiar (EUA); Cosmologia religiosa católica – uma cruzada para IMPOR o catolicismo (América Latina) OU Cosmologia protestante – liberdade religiosa (EUA). Portanto, a exploração do Brasil, ou conquista, foi um projeto da Coroa Portuguesa para garantir os superlucros, expandir a fé católica, repelir outros conquistadores (franceses, holandeses) e melhor disputar a hegemonia marítima do Atlântico. Povoar a terra era um meio necessário para garantir tudo isso. Para atingir esses objetivos, a Coroa precisou estabelecer um sistema político de administração e organização colonial. Nesse sentido, a partir de 1530, predominaram 2 tipos, como vimos no esquema do início da aula: Capitanias Hereditárias e Governo-Geral. Essas estruturas política-organizativas foram completares e criaram um cenário favorável ao desenvolvimento de formas específicas de relação de poder e o desenvolvimento de estruturas sociais correspondentes. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 20 AULA 06 HB: Colônia I 3. ADMINISTRAÇÃO COLONIAL Se em 1530, o governo português mandou o expedicionário Martin Afonso de Souza iniciar a ocupação da terra portuguesa, combater os corsários estrangeiros, procurar metais preciosos e sistematizar o reconhecimento do litoral para implementar a produção de cana-de-açúcar, tornava-se necessário, também, elaborar uma forma de administrar essas ações. Concorda? Contudo, os dados historiográficos afirmam que a Coroa Portuguesa não contava com tantos recursos acumulados para investir diretamente na colonização do Brasil. Assim, precisou contar com recursos privados. Para tanto, a solução encontrada foi doar terras – as sesmarias- em troca da exploração dessas terras, de modo que parte das riquezas geradas fossem destinadas ao rei (via impostos). Tratava-se de um sistema descentralizado de administração colonial. Sesmaria era um pedaço de terra distribuído a um beneficiário próximo à Coroa com o objetivo de cultivar as terras conquistadas. O ato da doação poderia ser feito pelo capitão donatário. A origem dessa prática de sesmaria remonta ao período final da Idade Média e às práticas de suserania e vassalagem. A distribuição de sesmaria não garantia a propriedade, mas o usufruto. A concessão de sesmarias foi extinta apenas em 1822, sendo a origem dos grandes latifúndios no Brasil. 3.1 – SISTEMA DE CAPITANIAS HEREDITÁRIAS Então, em 1534, o rei Dom João III ordenou a divisão do território em 15 partes e as distribuísse a pessoas nomeadas por ele, os donatários. Iniciava-se, assim, o sistema de capitanias hereditárias. Observe a imagem a seguir. Sei que você já deve ter isso tatuado na mente, mesmo assim, observe as relações que construí. Fica safo! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 21 AULA 06 HB: Colônia I Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 22 AULA 06 HB: Colônia I # Criação de Vilas e Câmaras Municipais que era onde os “homens-bons exerciam o poder local. # As despesas necessárias à obra colonizadora corriam por conta e risco do donatário! Profe, isso era uma pegadinha, não era? O cara tinha que investir em tudo, corria todos os riscos, ficava só com 5% da exploração do pau-brasil e inda tinha que garantir o lucro do rei? Gente, o Brasil era pior que o Brasil!!! Brincadeiras à parte, galera, parecia piada mesmo. Por isso, o sistema de capitanias não foi tão bem-sucedido, se analisado do ponto de vista econômico e das pretensões da Coroa Portuguesa. Apenas duas capitanias deram certo – e por um tempo: São Vicente e Pernambuco (mais à frente vamos voltar a falar dessas duas capitânias, segura aí!). Na verdade, nem todos que receberam do rei a carta de doação das capitânias seguiram adiante. Alguns nem sequer vieram à Colônia tomar posse. Daqueles que vieram, foram muitos os obstáculos que precisaram enfrentar. Listemos alguns: Direitos Distribuir terras: sesmarias. Criar Vilas Exercer autoridade administrativa e judicial Escravizar indígenas considerados inimigos (guerra justa) Receber 5% do comércio do pau- brasil Deveres: Assegurar ao Rei de Portugal 10% dos lucros sobre TODOS os produtos da terra O monopólio da extração do pau- brasil Carta de doação: O donatário tinha a posse da Capitânia, mas apenas uma parte (pequena, nos limites da sua casa) tornava-se sua propriedade. Carta Foral: Era o documento que determinava esses direitos e deveres do donatário! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 23 AULA 06 HB: Colônia I Isolamento das capitanias, uma sem relação com as outras. As distâncias eram enormes, por isso, a comunicação e a circulação também eram difíceis. Esse isolamento fazia com que as soluções para as dificuldades tivessem que ser sempre conseguidas “dentro” da capitânia. Mas essa terra não era um vazio, né? Revolta e ataques dos povos indígenas. Como as capitanias, na prática, eram uma expropriação do território indígena é evidente que muitos povos resistiram a essa ocupação (ou invasão) e causaram verdadeiras guerras contra os colonizadores. Dificuldades para desenvolver a lavoura, afinal, nem todas as capitânias possuíam terras férteis. Na verdade, os europeus ainda não conheciam muito bem qual era o produto mais adaptado ao clima tropical e equatorial. Assim, na verdade, o problema não estava no solo, mas no desconhecimento dos portugueses sobre o que produzir para exportar e gerar dividendos à Coroa. Dificuldade de obter mão deobra para a louva e para o extrativismo. Tudo isso, custava muito caro. Apesar dos donatários serem pessoas da nobreza portuguesa, nem todos possuíam grande monta de recursos para enfrentar todos os obstáculos acima arrolados. Apesar das adversidades, havia um ponto positivo no que se referia ao sistema de capitanias, a saber: ele deu a base para a formação dos primeiros núcleos de povoamento, como em São Vicente (1532), Porto Seguro (1535), Ilhéus (1537) e Santos (1545). 3.2 – GOVERNO GERAL Assim, tendo o sistema de administração descentralizada das capitanias hereditárias tido pouco êxito, a Coroa Portuguesa buscou uma solução diferente e mais centralizadora: a formação de um Governo-Geral. Tratava-se da criação de um órgão central de direção e de administração comandado por um funcionário da Coroa, nomeado pelo Rei, para ajudar os donatários e interferir mais diretamente na implantação do sistema de exploração colonial. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 24 AULA 06 HB: Colônia I Para que você tenha uma noção dos objetivos, funções e estrutura burocrática, observe os esqueminhas abaixo: O b je ti vo s d o G o ve rn a d o r- G e ra l Defesa da terra contra ataques estrangeiros Incentivo à busca de metais preciosos Luta contra a resistência indígena Apoio à religião cristã Funções do Governador Militar: comando e defesa da colônia Administrativa: relacionamento com os donatários das capitais e assuntos ligados às finanças Judiciária: nesse caso, o governador podia nomear os funcionários da justiça e também poderia mudar penalidades Eclesiásticas: indicação e sacardotes para as Paróquias. Essa prerrogativa era legitimada pela Igreja Católica e recebeu o nome de PADROADO. Governador Ouvidor-Mor: encarregado das funcções judiciais Provedor-mor: encarregado dos assuntos da fazenda Capitão-mor: encarregado da defesa do litoral CARGOS AUXILIARES Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 25 AULA 06 HB: Colônia I Os dois sistemas coexistiram. Isso acabou por gerar, em diversos momentos, um embate entre interesses locais e metropolitanos. Em geral, o Governador Geral e seus auxiliares enfrentavam a oposição de poderes locais, afinal, os donatários também tinham funções administrativas e judiciárias. Esses homens proprietários de terra, gado e escravos, chamados de “homens-bons”, se organizavam nas “câmaras municipais”. Elas se formaram no mesmo processo de formação das vilas (primeiros povoados). Elas organizavam a administração da vila, a arrecadação tributária, o comércio local, as expedições de reconhecimento e expansão territorial, além do aprisionamento indígena. Ou seja, eram uma verdadeira estrutura de poder local. Assim, os homens-bons exerciam o poder político local. A partir da análise dos esquemas, podemos concluir que a administração colonial apresentou duas tendências que se revezaram ao longo do tempo: CENTRALIZAÇÃO E DESCENTRALIZAÇÃO. Em geral, a centralização ocorreu quando a metrópole queria controlar mais as atividades coloniais e/ou aumentar a arrecadação de impostos; já a descentralização era estimulada quando a metrópole desejava ocupar e desenvolver regiões. Você consegue perceber como essas duas estruturas de poder (centralizado e descentralizado) podem gerar conflitos se não estiverem funcionando em consonância de interesses e objetivos? Pois é, além disso, essas diferenças entre governador e homens-bons eram acentuadas devido à ausência de um sistema de comunicação adequado. Como diria o grande filósofo Chacrinha: “quem não se comunica, se trumbica!” Para que você saiba mais, em 1759, o sistema de capitanias deixou de existir permanecendo apenas o Governo – Geral, até 1808, quando a família real desembarca no Brasil. Entretanto, até que chegue o século XVIII, muitas dessas diferenças ensejaram conflitos e revoltas, chamadas de nativistas, as quais iremos estudar nas próximas aulas. Por hora, guarde essa reflexão geral, ok!! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 26 AULA 06 HB: Colônia I Por fim, para que você tenha uma noção de quem foram os Governadores Ferais, dá um bizu nos caras: (UDESC/2013) Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. ( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política colonial. ( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com a instalação do Governo-Geral. ( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: Rio de Janeiro. ( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados insatisfatórios de algumas capitanias. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: T o m é d e S o u sa - 1 5 4 9 -1 5 5 3 •Fundação da vila de Salvador •Implantação da cultura da cana-de-açúcar •Vinda Cia de Jesus (jesuítas), Padre Manoel da Nóbrega D u a rt e d a C o st a - 1 5 5 3 - 1 5 5 8 •França invade o RJ e funda a França Antártica •Vinda do Padre Ancheita. •Fundação das missões jesuíticas e do Colégio São Paulo •Conflitos entre colonos e jesuítas M e m d e S á - 1 5 5 8 -1 5 7 2 •Expulsou os franceses do RJ •Formação da Confederação indígena dos Tamoios •Início das "guerras justas" contra os indígenas resistentes à colonização e à conversão ao cristianismo. • Avanço da atividade açucareira Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 27 AULA 06 HB: Colônia I a) V – F – F – V b) V – F – V – F c) V – V – F – F d) F – V – F – V e) F – V – V – F Comentários Como vimos, o Sistema de Governo-Geral foi implantado para aprimorar o Sistema de Capitanias Hereditárias. A Coroa visava dar resposta aos seguintes conflitos: com indígenas; com invasões estrangeiras; fruto de fracassos em algumas Capitanias. Outra razão da nova administração foi o objetivo centralizador, isto é, tomar conto sobre todos os assuntos da colônia. Diante disso, a primeira afirmação é verdadeira. Já a segunda, não, pois São Vicente estava entre as regiões que não retornavam lucro para Metrópole. Além disso, sabemos que a primeira capital foi Salvador, ou seja, os centros dos negócios passavam pelo Nordeste, pelo menos no início da colonização. Nesse sentido, a terceira afirmação também é falsa, pois Rio de Janeiro foi a 2ª capital. Por fim, a última afirmação é verdadeira. Gabarito: A 4. ECONOMIA, TRABALHO E SOCIEDADE NA COLÔNIA Agora que estudamos os aspectos políticos e administrativos do início da colonização portuguesa na América, podemos partir para os estudos sobre os elementos econômicos dessa empreitada. É verdade que, como já vimos, a primeira atividade econômica na colônia foi o extrativismo do pau-brasil. A exploração era monopólio da Coroa Portuguesa que permitia a exploração particular por meio de contrato de concessão, realizada com mão de obra indígena à base de escambo. Mas você deve se lembrar, também, que o governo português, especialmente a partir de 1530, procurava alguma atividade econômica mais rentável que o pau-brasil a fim de financiar o empreendimentocolonizador e garantir a posse efetiva e sistemática da terra. Isso porque, a concorrência com franceses, ingleses e holandeses começava a diminuir o lucro metropolitano em relação aos negócios com as especiarias do Oriente, além de existir o risco contínuo de invasão estrangeira no território colonial na América. 4.1 – A IMPLANTAÇÃO DE UMA CULTURA DE EXPORTAÇÃO: A CANA-DE-AÇÚCAR Em 1530, com a expedição de Martin Afonso de Souza, chegaram as primeiras mudas da cana-de-açúcar para o desenvolvimento da atividade açucareira. A escolha da cana se deu porque Portugal tinha experiência desse cultivo nas ilhas africanas do Atlântico – Açores e Madeira. Além disso, o açúcar tornara-se, na Europa, uma especiaria de luxo. Uma mesa farta de doces açucarados era o símbolo da riqueza!! Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 28 AULA 06 HB: Colônia I Dessa forma, os colonos que desembarcaram no Brasil, juntamente com Martin Afonso, iniciaram a produção canavieira na recém fundada Vila de São Vicente. Para plantar a cana e produzir o açúcar desenvolveram um complexo produtivo chamado “engenho de açúcar” (vamos falar mais sobre engenhos na sequência da aula, segura aí!). Depois do pontapé inicial na Vila de São Vicente (atual Santos), tentou-se produzir cana-de-açúcar em toda a extensão do litoral brasileiro em diferentes Capitânias. No entanto, foi no Nordeste que a planta vingou mesmo, pois o solo da região e as condições climáticas eram melhores. Veja a seguir uma lista de motivos que explicam o sucesso do cultivo: Na segunda metade do século XVI a produção de cana de açúcar se desenvolveu tanto que chamou a atenção do Rei de Portugal, Dom Sebastião. Por isso, a partir de 1571, o rei decretou que o comércio colonial com o Brasil (de quem quer que fosse) deveria ser feito exclusivamente por navios portugueses. Na prática, era a implantação do exclusivo metropolitano ou pacto colonial (lembra?), porque esse monopólio comercial dava condições para Portugal controlar a economia colonial, ou seja, o Brasil só poderia comercializar com sua metrópole. De fato, o crescimento da produção açucareira foi tanta que Portugal monopolizou o próprio comércio internacional dessa iguaria doce. Com isso, Portugal e seus torrões branquinhos eram vedete no comércio internacional e nas cortes europeias. Podemos observar esse crescimento tomando como base o número de engenhos que surgiram em Pernambuco – principal capitânia produtora. Observe o gráfico: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 29 AULA 06 HB: Colônia I Na sequência de Pernambuco a produção se espalhou para as regiões dos atuais Rio Grande do Norte, Pará e Bahia. E, assim, o “ouro branco” ganhava tanto “poder” que colônia e metrópole constituíam uma relação de dependência desse produto. Na seção seguinte vamos analisar o engenho – essa unidade produtiva que se tornou o núcleo difusor da estrutura política, social e econômica da Colônia. 4.2 – A CIVILIZAÇÃO DO AÇÚCAR: TRABALHO E SOCIEDADE Evidentemente, quando falamos em economia também tratamos de trabalho, uma vez que é por meio dele que se produz riqueza, como ensinou o liberal Adam Smith. Além disso, as relações econômicas e de trabalho estabelecem a organização dos grupos sociais. Entendendo a sociedade dentro dessa perspectiva complexa e combinada, podemos inferir que o primeiro grande produto de exportação, a cana-de-açúcar, foi o elemento central do desenvolvimento da sociedade colonial. Segundo as professoras Lilia e Heloísa, trata-se da constituição da “civilização do açúcar”. Veja o que afirmam: A partir do século XVI a empresa colonial giraria em torno da cana: a formação de vilas e cidades, a defesa de territórios, a divisão de propriedades, as relações com diferentes grupos sociais e até a escolha da capital [...] A civilização do açúcar era feita de muitos pedaços, todos dependentes entre si. Como se pode notar, é possível falar em “civilização do açúcar, já que este invadia esferas sociais, econômicas e culturais.” (idem, p. 67 e 72) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 30 AULA 06 HB: Colônia I Se essa tese está certa, precisamos analisar a unidade produtiva do açúcar – o engenho – para entender as demais relações que se formaram a partir dele, pois, segundo os historiadores, o engenho se tornou o núcleo social, administrativo e cultural da vida na colônia. 4.2.1 – Conhecendo um engenho, suas edificações e as atividades de produção do açúcar 10 O engenho era o estabelecimento onde se produzia o açúcar. Algo como o lugar em que se encontravam os instrumentos de transformação da cana-de-açúcar em açúcar propriamente dito. O engenho era, portanto, um espaço diferente e separado da lavoura onde se plantava a cana. Contudo, com o passar do tempo, engenho passou a ser a designação do complexo açucareiro todo: a fazenda, a lavoura, os instrumentos, as edificações (como a casas, as capelas, os espaços de negociação da produção), os locais de mando. O proprietário de tudo isso era conhecido como “senhor de engenho”. Dá uma olhada na imagem a seguir: Quero destacar as três edificações marcadas na imagem acima, pois, em tese, elas são representações arquitetônicas dos principais grupos sociais: aristocracia fundiária, escravos e clérigos. 10 ALBUQUERQUE, Manuel Maurício de. et all. Atlas Histórico Escolar. Ministério da educação e Cultura/ Fundação Nacional do Material Escolar, 7ª. Edição, 1977, p. 21. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 31 AULA 06 HB: Colônia I 1- a casa-grande: casarão que ficava na área mais alta do engenho. Essa moradia, também era chamada de solário devido à área externa ao redor da casa – um verdadeiro observatório de onde o senhor de engenho podia avistar tudo – afinal, como diz o ditado: os olhos do dono engordam o boi! Nela moravam o senhor de engenho, sua família biológica, os aparentados e os agregados. Lugar que servia de hospedaria para as visitas, como padres, aliados políticos, comerciantes – por isso, geralmente, tinham muitos quartos com janelões. Também servia como centro administrativo dos negócios do engenho. “Escravos de casa” trabalhavam dentro da casa-grande, cozinhando, passando, limpando, cuidando dos filhos e das senhoras, entre outros afazeres. 2- a capela: era a Igrejinha do engenho. Quase como uma extensão da casa-grande. Geralmente modesta, mas suficiente para realizar batizados, casamentos e velórios. Peça fundamental desse cenário, pois recebia para a Missa de Domingo todos os grupos sociais que orbitavam em torno do engenho e das suas atividades econômicas. Não se esqueçam de que o catolicismo era elemento fundamental desse universo colonial. 3- a senzala: lugar onde viviam as pessoas escravizadas. Eram casinhas ou uma construção contígua. As vezes contavam com compartimentos separados destinados a cada família, outras vezes eram espaços coletivos e outras, ainda, separavam homens e mulheres. Sempre rústicas, feitas de barro e telhado de sapé, bem baixa e, em geral, sem janelas. As condições eram péssimas, pois faltavam ar e luz. Algumas não contavam com camas ou espaço para higiene pessoal. Era comum a superlotação, pois, novos escravos ocupavam sempre o mesmo lugar. À noite a senzala era trancada para evitar fugas e manter o regime de descanso e trabalho. Em geral, quem controlava a senzala era o capataz (uma espécie de “guarda” do engenho). Dito isso sobre as edificações principais, vamos agora ver os espaços e as formas de produção do açúcar. Na colônia, a lavoura da cana ocupava uma grande porção de terra – um latifúndio. O trabalho era realizado pelas pessoas escravizadas – os escravos ou cativos. Inicialmente, foram os indígenas, depois,os africanos trazidos forçosamente. Como afirmamos ao longo da aula, a produção era voltada para o mercado externo. Essas características formam o modo de produção tipicamente colonial: PLANTATION. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 32 AULA 06 HB: Colônia I Em geral, o cultivo da cana - o preparo da terra, a semeadura e a colheita - levava um tempo entre 12 e 18 meses. Vejamos algumas etapas produtivas do açúcar: Preparação da terra, que não era feita com arado, mas com enxadas. Antes usava-se o velho método de coivara: derrubar a mata e atear o fogo. Só depois os escravos vinham com suas enxadas e revolviam a terra. Após 12 meses, aproximadamente, colhia-se a cana. O corte da cana era feito com facão. Cortada, a cana seguia em carros de boi ou barcos até o engenho. Com a chegada da cana no engenho começava-se o processo de produção açucareira. A técnica empregada para a produção do açúcar, em geral, era muito rudimentar. O processo de produção açucareira abrangia as seguintes etapas: Casa da moenda: Finalidade: moer e prensar para obter um caldo de cana, em grandes engrenagens. Quem trabalhava: 1 feitor-pequeno, um lavadeiro e 15 escravos. Casa das fornalhas: Finalidade: depois de moer e prensar a cana, o caldo obtido era cozido na casa das fornalhas até formar um caldo chamado melaço. Quem trabalhava: 1 mestre de açúcar, 1 banqueiro, 3 caldeireiros e 28 escravos Casa de purgar: Finalidade: Transformar o melaço em “blocos”, a conhecida rapadura, por meio de drenagem. O melaço ficava por duas semanas em formas de barros com furos de drenagem. Nesse momento também se podia produzir a aguardente (cachaça). OBS: Depois de 40 dias, três tipos de açúcar eram produzidos, a saber: escuro, mascavo e branco. Quem trabalhava: 1 purgador e 5 escravos. Secagem e embalagem Finalidade: A última parte da produção do açúcar tinha por objetivo a secagem e embalagem do produto. Cortava-se o melaço sólido (açúcar) e separavam-se os diferentes açúcares. Após a separação, o açúcar era batido, esfarelado e embalado. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 33 AULA 06 HB: Colônia I Quem trabalhava: 1 caixeiro e 19 escravos. OBS: o número de trabalhadores envolvidos em cada etapa da produção dependia de diversos fatores, como o tamanho do engenho, a quantidade da produção, o tempo de entrega, a disponibilidade de escravos, entre outros. Dá um buzuzinho no processo químico da produção do açúcar! Colobaração do professor @Prazeres!! Há uma ressalva a ser feita sobre a empresa açucareira. Não havia refinarias de açúcar no Brasil. Essa foi uma tarefa que portugueses deixaram para holandeses. Aliás, também é importante recordar a participação do capital flamengo (eita, não é time, hein, é holandês) nos negócios do açúcar. Em troca do financiamento para a instalação de engenhos, o governo português concedeu a eles o direito de refinar e vender o açúcar brasileiro na Europa. Portanto, o capital holandês foi fundamental para a expansão da produção e do alcance do açúcar brasileiro no mercado internacional. Guarda isso, porque daqui a pouco vou falar mais dos holandeses. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 34 AULA 06 HB: Colônia I 4.2.2 – Estrutura social açucareira O lugar que cada grupo ocupava no complexo açucareiro definia a classe social a que a pessoa/grupo pertencia? Essa divisão, inclusive, determinava as relações políticas e sociais entre estes grupos. Vamos articular? Existiam os proprietários da terra, os homens livres que prestavam algum serviço relacionado à produção açucareira (mestre do açúcar, caixeiro, purgador, caldeiro, banqueiro, feitos) e os escravos. Com certeza, a figura mais poderosa dessa pirâmide social é o senhor de engenho – o proprietário das terras, da produção e das pessoas. Além disso, como estamos discutindo nesta aula, o proprietário da terra era uma pessoa com poderes políticos, administrativos e até judiciais. Então, alguns historiadores afirmam que a autoridade desse senhor ultrapassava os limites de suas terras e, assim, conseguia atingir a vila e povoados vizinhos. Com isso, ele podia estabelecer aliados políticos por meio da distribuição de favores e privilégios. Portanto, havia uma relação de dependência dos homens livres (e mais pobres), escravos e até mesmo dos clérigos com o senhor de engenho. Pelo que afirma Padre Antonil, importante cronista da época, podemos inferir que “senhor de engenho” era tido como algo parecido a um título de nobreza – a que muitos aspiravam, porque: traz consigo o ser servido, obedecido e respeitado de muitos. [...] Servem ao senhor de engenho, em vários ofícios além de escravos [...] na fazenda e na moenda [...] barqueiros, canoeiros, carreiros, oleiros, vaqueiros, pastores, pescadores. Tem mais, cada senhor destes, necessariamente, um mestre de açúcar, um purgador, um caixeiro no engenho e outro na cidade, feitores, e para o espiritual, um sacerdote11. (grifos nossos) Veja que não se tratava de uma “nobreza hereditária”, como na Europa, mas “uma aristocracia da riqueza e do poder”12. Ainda assim, muitas vezes, se auto cunhavam títulos como conde, barão, marquês. A marca maior desse grupo aristocrático não era o que eles faziam, mas o que NÃO faziam: não se dedicavam ao trabalho braçal, como cuidar de uma horta de uma loja, ou até mesmo, de realizar algum artesanato ou manufatura. Por terras tropicais, pairava o velho pensamento medieval do trabalho como uma ordem de coisas que “naturalmente” não cabe aos senhores. Trabalho era coisa de classes e grupos inferiores. Os aristocratas tropicais viviam de rendimentos, aluguéis e de cargos públicos conseguidos por meio de relações de amizade e privilégios – era o berço do patrimonialismo. Além disso, 11 ANTONIL, André João. Cultura e opulência do Brasil. Belo Horizonte: Itatiaia, 1997, p. 75. 12 SCHWARCZ e STARLING, idem, p. 67. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 35 AULA 06 HB: Colônia I contavam com grande número de parentes, aparentados, agregados, criados e escravos que lhes serviam, de algum modo, na esperança de obterem alguma oportunidade. 13 Diversos elementos marcam as distinções entre esses grupos como, por exemplo, o lugar de moradia (como já vimos, a casa grande, a senzala e outras casinhas simples que ficavam no engenho), a mobília, as vestimentas, os cavalos sangue-puros e o letramento, por fim, a capacidade de ser obedecido. Quanto mais perto do núcleo do círculo - mais perto do pai (do senhor de engenho) - mais inclusão e privilégios. Quanto mais distante, mais excluído e desprestigiado. Eram “os mais de dentro e os mais de fora”! 13 Regresso a cidade de um dono de chácara. Liteira para viajar no interior, c.1834-1839. Litografia sobre papel de Jean-Baptiste Debret. Coleção Martha e Erico Stickel / Acervo Instituto Moreira Salles. Disponível em: https://ims.com.br/por-dentro-acervos/viagem-pitoresca-e-historica-ao-brasil/. Acesso em 05-04-2019. Cenas do cotidiano demonstram o transporte de senhores de engenho por escravos. Litografia de Jean-Baptiste Debret. 1834 Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 36 AULA 06 HB: Colônia I Fique atento: Historiadores e Cientistas Sociais chamaram essas relações sociais desenvolvidas na colônia de mandonismo e clientelismo e os utilizaram para entender as relações sociais e políticas no processo de formação do Brasil. Anote aí: Mandonismo Refere-se à existência local de estruturas oligárquicas e personalizadas de poder. O mandonismo não é um sistema, é uma característica da política tradicional. O mandão, o potentado, o chefe, como indivíduo, é aquele que, em função do controle de algum recurso estratégico, em geral a posse da terra, exerce sobre a população um domínio pessoal earbitrário que a impede de ter livre acesso ao mercado e à sociedade política. Existe desde o início da colonização e sobrevive ainda hoje em regiões isoladas. A história do mandonismo confunde-se com a história da formação da cidadania. Clientelismo Refere-se ao poder que se baseia simplesmente na capacidade de barganhar empregos, benefícios públicos, oportunidades em troca de favores (e hoje em dia, até voto e cargos públicos de confiança) 5. A QUESTÃO DA ESCRAVIDÃOVejam, queridos e queridas alunas, é impossível falar de aristocracia descrita acima e da atividade econômica do Brasil colônia sem falar da escravidão. Nesse sentido, a aristocracia e a escravidão (senhores e escravos) são duas faces da mesma moeda que compõem uma estrutura social caracterizada por Gilberto Freyre como “sociedade patriarcal”. A expressão utilizada pelo autor em seu livro clássico Casa Grande & Senzala é “equilíbrio de antagonismos de economia e cultura”. Uma realidade dual na qual a violência e o paternalismo são elementos de uma mesma relação. Afinal, eu nem preciso ficar aqui descrevendo a “qualidade da vida de um escravo” para você, né? Mas, Profe, me explica por que esse par de opostos – paternalismo e violência? Olha, meu querido e querida, a violência nos parece mais fácil de entender – ela é tão cotidiana que entendemos bem as formas pelas quais ela se manifesta. Já a questão desse paternalismo era o modo como o dono do escravo tratava algumas de “suas peças” (esse era o modo como a pessoa escravizada era tratada no mercado). Às vezes lhe dando agrados – como uma roupa melhor ou comida, permitindo alguma festa ou lazer, entre outros – outras vezes atribuindo trabalhos menos pesados e mais próximos à casa-grande. Imagine um Senhor Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 37 AULA 06 HB: Colônia I distribuindo prendas, vantagens, agrados, para as pessoas ao seu redor, ou seja, ele conduz as relações sociais a partir do patrimônio como se fosse um pai sem sentimentos punindo ou presenteando filhos. Contudo, em diferentes situações o senhor castigava seu escravizado. O castigo físico era absolutamente recorrente – e até mesmo aceito pela Igreja – uma vez que o suplício físico era entendido como a salvação da alma e a correção dos vícios mundanos. De qualquer maneira, a decisão sobre a vida e a morte do escravo estava nas mãos do seu dono. Portanto, paternalismo não tem a ver com a relação de pai e filho carinhosa e cuidadosa, mas de controle, dominação e submissão. Nessa sociedade patriarcal é o pai - o senhor de engenho - que controla a vida dos escravos, mas de certa maneira, de todos aqueles que dependem de suas decisões, incluindo sua família. Dito isso, podemos inferir que a cor da pele é um marcador social fundamental nas relações coloniais brasileiras, como afirmam as autoras do livro Brasil: uma biografia: “A cor logo se tornou um marcador social fundamental; as categorizações, fluidas, variavam com o tempo e com o lugar, além de delimitarem classificações sociais e status.14 Diferentemente da colonização espanhola, no Brasil, a mestiçagem é uma marca social, já que não houve nenhuma norma que proibisse a relação sexual entre diferentes povos. Por isso, as professoras Lília e Heloísa usam o termo “cartografia de tons e subtons”. Mas nem de longe podemos afirmar que a mestiçagem gerou igualdade - ou menos desigualdade de oportunidades. As pessoas “de cor” sofriam toda sorte de discriminação, afinal, sua condição jurídica era de “propriedade” – escravos inferiores. Assim, o constrangimento para a mestiçagem não era apenas jurídico, também era social. Em geral, essas relações eram extraconjugais, jamais expostas na “missa de domingo” – quando não, poderiam ser, inclusive, relações de exploração e violência sexual. Lembram da personagem Bertoleza no livro O Cortiço, de Aluísio de Azevedo? Ela é a escrava-amante de João Romão, que a engana com uma falsa carta de alforria, ao mesmo tempo que a esconde de toda a sociedade. Mas, Profe, os mestiços também eram escravizados? 14 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2018, p.71. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 38 AULA 06 HB: Colônia I A depender da condição da mãe, sim! Se fossem mestiços de homens brancos com mulheres negras escravas, elas nasceriam na condição de escravos também, afinal, os filhos de escravas eram propriedade dos seus donos. Contudo, é verdade que a gradação da cor da pele poderia significar outras trajetórias. Há muitos estudos históricos na demografia, na sociologia e na economia que demonstram que quanto mais clara é a pele da pessoa maior suas possibilidades de alçar outras ocupações, inclusive, na época do complexo açucareiro – um trabalhador de dentro da casa, um capataz, um entregador, um condutor de cavalos. Os mestiços podiam, também, receber alguma instrução e trabalhar com atividades do comércio. A alforria era mais possível, portanto, para pessoas com mais características brancas. Vários pensadores, sobretudo na década de 1930, analisando a formação social do Brasil chegaram à conclusão de que as relações sociais eram pautadas por uma complexidade de fatores que incluíam questões de cunho pessoal, cultural e racial. Ou seja, no Brasil, o modo de relação não era só racial, só cultural, só por amizades. Era a síntese de tudo isso e, em muitos sentidos, ainda é. É inegável os efeitos da escravidão na vida social. Ela é estruturante de todas as outras relações que se estabeleciam na civilização do açúcar. “Mulatos e crioulos – este último termo se referia aos escravos nascidos na propriedade do senhor, isto é, não-africanos – eram aqueles que mais se aproximavam do universo da casa-grande, constituindo uma espécie de elite que realizava o trabalho doméstico e especializado, apesar de muitas veze serem descritos como indolentes; os pardos eram julgados aptos a aprender e dominar ofícios da cana, e os africanos, tidos por “estranhos pagãos” – na melhor das explicações, recém-convertidos – e, com raras exceções, por perigosos e instáveis. Com o tempo a escravidão ficaria mais e mais associada aos africanos e seus descendentes, e se enraizaria na América portuguesa de maneira a penetrar toda a sociedade colonial, em que cada vez mais a cor atuava como critério de status. Libertos com mais bens logo adquiriam cativos, e o mesmo ocorria com agricultores pobres. Ter escravos era símbolo de posse e de distinção, quase um cartão a avalizar a prosperidade e estabilidade nessa civilização da cana.” (grifos nossos)15 15 SCHWARCZ, Lilia Moritz. e STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Ed. Cia das Letras, 2018 Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 39 AULA 06 HB: Colônia I 5.1- A ESCRAVIDÃO AFRICANA Mas, afinal, profe, quem era o escravo utilizado nos trabalhos do complexo açucareiro? No início, da atividade açucareira, a mão de obra utilizada era do indígena. Segundo alguns dados demográficos de época, entre 1560 e 1570 não havia africanos nas lavouras de cana. A mão de obra utilizada era do escravo índio conquistado nas “guerras justas”, afinal, era uma solução relativamente barata e disponível. “A grande lavoura açucareira na colônia brasileira iniciou-se com o uso extensivo da mão de obra indígena (...) Do ponto de vista dos portugueses, no período de escravidão indígena, o sistema de relações de trabalho era algo que fora pormenorizadamente elaborado. Tal período foi também aquele em que o contato entre os europeus e o gentio começou a criar categorias e definições sociais e raciais que caracterizaram continuamente a experiência colonial.”16 No entanto, a situação começou a se alterar a partir da década de 1570. Se liga nos dados da tabela abaixo: O que se processou nesse período foi a substituição do trabalho livre, por exemplo, nas tarefas mais especializadas da atividade açucareira – tal como vimos na seção anterior sobre etapas da produção do açúcar –, para o trabalho escravo. Soma-se a isso, a ampliação dos negócios do tráfico negreiro em si, pois ele dava muito lucro. 16 SCHWARTZ, Stuart B. Segredos Internos: Engenhos e escravos na sociedade colonial. São Paulo: Cia das Letras, 2005, p. 57. 7% 37% 98% 0% 20% 40% 60% 80% 100% 120% 1574 1591 1638Porcentagem A n o s Proporção de trabalhadores escravos negros na lavoura do açucar Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 40 AULA 06 HB: Colônia I Assim, a mão de obra escrava africana, e depois os afro-brasileiros, acabou constituindo a base das principais atividades econômicas da colônia. Aqui não me refiro apenas à economia açucareira, que estamos estudando nesta aula, mas a outras, como a mineração, pecuária, algodão e extrativismo vegetal. Observe, no mapa a seguir, as rotas do comércio transatlântico de escravizados: 0 200000 400000 600000 800000 1000000 1200000 1400000 1600000 1800000 2000000 1531-1600 1601-1700 1701-1800 1801-1855 O Tráfico Negreiro para o Brasil entrada de escravos por século Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 41 AULA 06 HB: Colônia I Profe Alê, por que a mão de obra africana? Por que não continuar com os indígenas? Veja, querido e querida, o primeiro argumento relevante é o do historiador Fernando Novais para quem a preferência pela mão de obra africana estava relacionada com as possibilidades de lucro advindo dessa atividade do tráfico (do comércio). Ou seja, havia um comércio de viventes a ser explorado e que poderia ser muito rendoso. E foi!!! Mas Profe quem ganhava com isso, os donos dos escravos? Eram eles que faziam o comércio? Olha, o tráfico negreiro era um comércio intercontinental e oceânico realizado por grupos específicos, muitos deles ingleses, franceses e holandeses e até mesmo as elites africanas no Continente Africano. Contudo, o início dessa atividade só foi possível porque portugueses estabeleceram as feitorias no litoral da África (lembra-se disso?). Por meio dessas feitorias, estabeleceram alianças com soberanos locais que facilitavam a escravidão comercial de povos conquistados. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 42 AULA 06 HB: Colônia I Assim, o comércio de viventes, como alguns historiadores mais recentes se referem ao comércio ou tráfico negreiro, uniu interesses econômicos de 3 continentes: África, Europa e América – formando um comércio triangular, que durou até o século XIX. No caso de Portugal, parte desses lucros ia para a metrópole em forma de taxas devido ao exclusivo metropolitano. Outro elemento fundamental para explicar os lucros desse comércio é a expectativa de vida de um escravo, em geral, baixa – 35 anos. E sua idade produtiva começava aos 8 anos. É isso mesmo que você leu!! Aos 8 anos! Alguns documentos de época confirmam que o menino de 8 anos já era um homem feito e preparado para o trabalho!! Assim, para o senhor de engenho, o ideal era comprar um escravo que trabalhasse, para não “investir” em mão de obra pouco produtiva. Para o senhor a lógica não era exatamente comprar e vender, mas, comprar para acumular, afinal, mais escravos mais produção e mais status social. Dessa forma, o mercado com demanda sempre crescente estimulava a chegada de mais pessoas escravizadas trazidas da África. Estima- Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 43 AULA 06 HB: Colônia I se que o tráfico atlântico implicou o deslocamento compulsório de 12 milhões e meio de homens, mulheres e crianças da África para as Américas17. Observe o caso de um Engenho em Sergipe do Conde para perceber essa lógica de demanda crescente: Outro argumento mais tradicional para explicar a preferência pela mão de obra escrava negra é o cultural: os indígenas do sexo masculino não estavam habituados ao trabalho agrícola, pois, em geral, eram as índias que o realizavam. Entretanto, esse argumento tradicional (comum em vestibulares) já é amplamente criticado por pesquisas recentes, pois a noção de que o índio não era compatível com trabalho agrícola, na verdade, expressa um desconhecimento mais específico do modo de vida dos povos indígenas (no Capítulo 6, aprofundo as variáveis que levaram à substituição da mão de obra). Dentro desse argumento mais tradicional, os africanos trazidos à América eram agricultores e, portanto, tinham certo conhecimento técnico na lavoura. Principalmente, porque em regiões africanas já havia a plantação do açúcar. Por fim, mas não menos importante é o argumento exposto pela Igreja. Naquela época, houve uma Carta Régia, de 1570, proibindo a escravidão indígena de povos que se dispusessem à conversão ao catolicismo. Apesar de os colonos viverem em conflito com a Igreja e com o Governo Geral por conta dessa proteção dos jesuítas, houve um desestímulo moral à escravização dos povos indígenas. Veja o box mais abaixo. De qualquer maneira gostaria de chamar sua atenção para o seguinte: Quando falamos da preferência do negro em relação aos índios para o uso sistemático da mão de obra escrava, não podemos nos esquecer das contradições e da realidade pobre da maioria do território colonial. Concretamente isso fez com que a escravidão indígena continuasse sendo realidade em muitos lugares, a despeito das análises que muitos historiadores fizeram. 17 FLORENTINO, Manolo. Aspectos do tráfico negreiro na África Ocidental (c. 1500 -c.1800). In: FRAGOSO, João & GOUVÊA, Maria F. (Org.). Coleção- O Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira. V.1, 2018, p. 229. 13 6 80 200 0 50 100 150 200 250 1635 1710 Proporção trabalho livre e escravo no engenho do Conde assalariado escravo Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 44 AULA 06 HB: Colônia I A perseguição e subjugação dos índios no sudeste do Brasil foi incentivada por autoridades da Coroa portuguesa presentes na colônia e por agentes particulares (portugueses endinheirados), que buscavam novos investimentos, para além do comércio da cana de açúcar. Como a produção de açúcar das capitanias de Santo Amaro e São Vicente (territórios equivalentes à região atual do estado de São Paulo) não conseguiam competir com o Nordeste, os paulistas tiveram que pensar em alternativas de investimento, como: comércio de índios escravizados e busca por metais preciosos. Os paulistas, em particular aqueles conhecidos como “bandeirantes”, organizaram vilas e terras agricultáveis a partir da mão de obra escrava indígena. Contudo, tiveram que sair do litoral e adentrar o planalto em busca de riquezas, de índios e terras mais agricultáveis. Além disso, alguns historiadores afirmam que apesar do grande aporte de africanos escravizados nas lavouras de açúcar, bem como em outras atividades, a mão de obra indígena continuou sendo utilizada. Assim, o que se processou foi uma diferenciação das tarefas a serem cumpridas por negros e por índios. Vale ficar de olho nessas pesquisas mais recentes. A cultura escravagista legitimada pelo Estado e pela Igreja Católica Lembra-se de que uma das tensões na Península Ibérica foi a relação entre católicos e mulçumanos? Durante o processo de reconquista da Península Ibérica, a escravização de populações mulçumanas passou a ser uma prática comum dos reinados, segundo a noção de “guerra justa”. Nesses termos, a Coroa portuguesa nasceu com um pé na cultura escravagista, pois passou a legitimar a escravização dos não-cristãos. Dessa forma, tanto as monarquias, quanto a Igreja, alimentaram o trabalho forçado do “outro”. Para ambos, a escravidão era necessária e justa, pois a infidelidade religiosa era a base da justificação, um argumento conveniente que transitou dos mouros para os negros africanos. Um argumento bíblico, muito popular, era a ideia da maldição divina. Por meio dela, a escravidão era fruto do pecado de Adão e Eva, primeiros pais dos homens segundo a doutrina católica. Outra justificativa religiosa era aquela que apontava os africanos como descendentes de Caim. Este personagem bíblico, que matou o próprio irmão por ciúmes recebeu de Deus, ao ser amaldiçoado, uma marca no corpo para que não morresse e pudesse viver em constante expiação de seu pecado.Ligou-se, a posteriori, a negritude dos africanos à marca cutânea imposta por Deus a Caim. Essa ideia se combina ade guerra justa, pois os inimigos devem ser escravizados, pois deve- se preservar-lhe a vida – uma vez que esta tem natureza divina. Só Deus decide sobre vida e morte. Assim, escravidão é preservação do dom divino da vida e não condenação eterna. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 45 AULA 06 HB: Colônia I A partir da expansão ultramarina no norte da África, a prática da escravidão se ampliou. Em 1452 uma bula papal legitimou a escravidão dos não-cristãos e, em 1455, o papado reafirmou essa posição com a autorização específica sobre africanos e asiáticos. Por isso, à medida que os portugueses avançavam nas rotas marítimas ao longo da costa africana o número de escravizados aumentava. Isso porque, para estabelecerem as feitorias em territórios como, Madeira, Cabo Verde, Moçambique, muitos negros africanos foram forçados a trabalhar para os portugueses (construções de fortificações, por exemplo). Nesse contexto, os portugueses que conquistaram as terras conhecidas como América portuguesa, já desembarcaram com uma mentalidade escravagista. Do primeiro contato com os índios em diante, tudo foi uma questão de tática e estratégia militar de dominação. Tanto foi que o professor João Pacheco de Oliveira18 estabelece duas situações iniciais de representação dos índios pelos portugueses, tal como afirmei no início da aula (a questão do Mito): Primeira: os índios muito bem tratados e exibidos nas cortes europeias com simpatia e tolerância. A representação positiva dos autóctones ficou marcada pela carta de Caminha. Segunda: os índios tratados a partir da perspectiva da “guerra de conquista”. Aqui as relações entre índios e portugueses passaram a ser distintas do momento anterior. “Portugal não quer mais ter puramente parceiros comerciais ou aliados, mas sim vassalos (...). Para isso há que ter em suas mãos o governo dos índios e a soberania exclusiva do território, expulsando os rivais franceses e implantando modalidades estáveis de geração de riquezas, as quais propiciem aos moradores uma relativa autonomia face ao Tesouro Real. A materialização dessa nova forma econômica é o estabelecimento de lavouras de cana e engenhos em terras doadas, enquanto sesmarias, aos colonos por El Rey ou pelo seu representante, o governador”19. Antes de finalizarmos esta abordagem crítica sobre a sociedade escravocrata que se formou no Brasil, vejamos uma referência bibliográfica e uma questão de prova: A Igreja apoiou a escravidão. Através da bula papal Dum diversas, de 1452, o papado concedeu aos portugueses o direito de atacar, conquistar e submeter pagãos e sarracenos [mulçumanos], tomando seus bens e reduzindo-os à escravidão perpétua. A bula Romanus pontifex, de 1455, ampliou o território de atuação dos portugueses, incluindo Marrocos e as Índias. Várias outras bulas ratificaram ou ampliaram os poderes concedidos aos portugueses no sentido de converter homens à fé católica, escraviza-los e comercializá-los. (VAINFAS, Ronaldo (dir.). Dicionário do Brasil colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2000. P. 205) 18 OLIVEIRA, João Pacheco. Os indígenas na fundação da colônia: uma abordagem crítica. In: FRAGOSO, João. GOUVÊA, Maria de Fátima (Org.). Coleção – O Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Ed. Civilização Brasileira. V. 1. 2018, pp 167-228. 19 Idem, p. 207. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 46 AULA 06 HB: Colônia I (UEFS/2018) A igualdade de interesses agrários e escravocratas que através dos séculos XVI e XVII predominou na colônia, toda ela dedicada com maior ou menor intensidade à cultura do açúcar, não a perturbou tão profundamente, como à primeira vista parece, a descoberta das minas ou a introdução do cafeeiro. Se o ponto de apoio econômico da aristocracia colonial deslocou-se da cana-de-açúcar para o ouro e mais tarde para o café, manteve-se o instrumento de exploração: o braço escravo. (Gilberto Freyre. Casa-Grande & Senzala, 1989.) O excerto descreve o complexo funcionamento do Brasil durante a colônia e o Império. Uma de suas consequências para a história brasileira foi a) a utilização de um mesmo padrão tecnológico nas sucessivas fases da produção de mercadorias de baixo custo. b) a existência de uma produção de mercadorias inteiramente voltada para o abastecimento do mercado interno. c) a liberdade de decisão política do grupo dominante local enriquecido com a exploração de riquezas naturais. d) a ausência de diferenças regionais econômicas e culturais durante o período colonial e imperial. e) a manutenção de determinadas relações sociais num quadro de modificações do centro dinâmico da economia. Comentários Independentemente do ciclo econômico adotado no Brasil – açúcar, ouro ou café), a relação de trabalho escolhida foi a mesma, isto é, o trabalho escravo. Assim, as relações sociais se perpetuaram ao longo do tempo. A alternativa A não pode ser porque a tipo de tecnologia empregada no processo de produção do açúcar foi um e no café, por exemplo, foi outro. A B está erra porque, como vimos, as atividades economias, dentro da exclusivo metropolitano, estavam voltadas para fora. Ainda dentro da relação com a Metrópole, não é possível falar em “liberdade de decisão política do grupo dominante local”, pois a administração colonial fazia exercer o poder da Coroa. A C está errada. A D também está errada porque entre Nordeste e Sudeste brasileiro, por exemplo, havia muitas diferenças. No caso da sociedade açucareira, como vimos, o processo foi predominante no Nordeste. Gabarito: E Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 47 AULA 06 HB: Colônia I 5.2 – RESISTÊNCIA QUILOMBOLA Tendo em mente a dimensão da exploração e da violência que acompanharam o processo de colonização e formação do Brasil, devemos observar, também, as formas de resistência. Mas não apenas como resistiram à violência, porque, como ensinou Gilberto Freyre, por aqui a sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita negociação. Um equilíbrio de contrastes, evidentemente, deixou marcas da influência de todos esses povos que participaram ativamente da formação do país. Vejamos um pouco mais sobre essa história. Em 1741, o Rei de Portugal expediu um Alvara Real que determinava a punição de negros aquilombados, isto é, afrodescendentes que fugiam e se abrigavam em quilombos. O texto régio dizia, Eu El Rei faço saber aos que este Alvará em forma de Lei virem, que sendo-se presentes os insultos, que no Brasil cometerem os escravos fugitivos, a que vulgarmente chamam quilombolas (...). Hei por bem, que a todos os Negros, que forem achados em Quilombos, estando neles voluntariamente, se lhes ponha fogo uma marca em uma espádua [ombro] com a letra F, que para efeito haverá nas Câmaras; e se quando se for executar esta pena, for achado já com a mesma marca, se lhe cortará uma orelha, tudo por simples mandato do Juiz de Fora, ou Ordinário da Terra, ou do Ouvidor da Comarca, sem processo algum, e só pela notoriedade do fato, logo que do Quilombo for trazido, antes de entrar para a cadeia. Repare como era perversa e cruel a perseguição sobre os negros africanos e seus descendentes. O final do texto ainda enfatiza que nenhum capturado teria direito a um “processo”. Bastava um “capitão do mato” capturar um fugitivo para que ele sofresse a pena da marcação do “F” no ombro ou a da mutilação da orelha. Pois bem, querido e querida aluna, se essa ordem real, datada de meados do século XVIII, expressava o tratamento para com os negros, você imagine as barbaridades cometidas pelos portugueses, e demais europeus proprietários de terras, logo no começo da colonização no século XVI? Primeiro, a opressão e a exploração recaíram sobre os índios, depois, sobre os negrosescravizados oriundos da África. Como vimos anteriormente, a proibição da escravização dos índios em 1570 e, principalmente, com as possibilidades de lucro via tráfico negreiro, começou Quilombo tem o significado de esconderijo, palavra derivada de quimbundo (esconderijo na língua dos ambundos, grupo étnico banto de Angola). Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 48 AULA 06 HB: Colônia I um processo de substituição da mão de obra indígena pela dos africanos aprisionados em seus territórios, deslocados para o Brasil e escravizados. Agora, vejamos algumas formas de resistência dos negros frente ao racismo estrutural presente no sistema colonial do Brasil. Contudo, lembremos alguns pontos do panorama sobre as condições de vida e de trabalho forçado dos africanos transferidos para a América Portuguesa entre os séculos XVI e XVII: Trabalho no plantio, em média 13 horas por dia; Trabalho no corte e moagem da cana de açúcar, em média 18 horas por dia; A moradia eram as senzalas: fechadas, escuras, sem condições de higiene e saneamento básico; Viviam vigiados sob a ameaça de armas; Castigos como prática de punição, tais como: Chicotadas com couro cru; Aprisionamento em tronco; “vira-mundo” (instrumento que prendia pés e mãos); “gargalheira” (instrumento que imobilizava o pescoço); Mordaça e máscara; 20 Diante da condição escrava, os africanos trazidos para o Brasil, bem como seus descendentes, não ficaram passivos. Reagiram de diferentes maneiras, em grande parte, sempre para amenizar as dores físicas e mentais do trabalho escravo. A partir dos estudos bibliográficos, é possível listar algumas formas de resistência: Algumas mulheres, para evitar que seus filhos nascessem naquele mundo, provocavam abortos. Ao mesmo tempo que essa ação significava uma resistência, também expressava uma violência contra o corpo dessas mulheres negras; Outra “auto violência” corporal era o suicídio; 20Disponível em: http://www.campanha.mg.gov.br/index.php?option=com_content&view=article&id=1431:tronco-- instrumento-de-castigo&catid=455:semana-de-museus&Itemid=248. Acesso em: 06/04/2019. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 49 AULA 06 HB: Colônia I Sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, instrumentos e, principalmente, da moenda; Emboscadas e ataques surpresas à elite branca (senhores de engenho). Nesses ataques, promovidos por ex-escravos, as casas-grandes eram saqueadas e os canaviais e depósitos postos em chama. Negociações com senhores de engenho para obtenção de melhores condições de vida, como alimentos, vestuário e moradia; Fugas dos engenhos, tanto individuais, quanto coletivas. Estas, por sinal, merecem atenção especial pois resultaram na formação dos Quilombos. Os escravos que conseguiam fugir dos engenhos começaram a organizar comunidades em regiões afastadas da zona de controle dos colonos e da Coroa. A esses agrupamentos de negros livres se denominou Quilombos ou Mocambos. Durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a história dos negros na América portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que fugiam da dominação do sistema escravista, chegaram reunir índios e até brancos descontentes com as imposições do governo português. A vida nos quilombos era baseada na agricultura e em pequenas trocas comerciais com comerciantes e taberneiros das proximidades. A depender da localidade, poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. Com a formação dos Quilombos, a preocupação dos senhores de engenho e da Coroa era com a disseminação de ideias insurrecionais, contrárias, portanto, ao sistema escravista. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 50 AULA 06 HB: Colônia I O Quilombo dos Palmares se destacou na resistência negra. Localizado em uma região da capitania de Pernambuco, começou a ser organizado em 1580 e foi destruído por colonos e pela Coroa portuguesa em 1694. Ganga Zumba e Zumbi se destacaram entre os líderes de Palmares. O primeiro, governou de 1656 a 1678 e, Zumbi, governou de 1678 até a queda do quilombo. Zumbi era sobrinho de Ganga Zumba e articulou a derrubada do tio por considerar que a política de Ganga Zumba de aproximação com os brancos não condizia com a ideia de liberdade do negro. Zumba chegou a firmar um acordo com o governador de Pernambuco que previa a libertação dos negros nascidos em Palmares, mas em troca, os fugitivos mais recentes no Quilombo deveriam ser devolvidos. Zumbi não concordou com essa proposta e liderou uma rebelião contra o então chefe. Era o acordo de Cacau. Em novembro de 1678, Ganga-Zumba foi a Recife assinar o acordo. No acordo foi cedido região de Cucaú, distante 32 km de Sirinhaém. Ali poderiam estabelecer ''comércio e trato'' com os moradores da região e um lugar onde pudessem viver ''sujeitos às disposições'' da autoridade da capitania. Mas a promessa de entregar os escravos que dali em diante fugissem e fossem para Palmares foi interpretada por muitos palmarinos como traição. A população do maior quilombo se dividia. Gamba Zumba morreu envenenado e, por fim, o próprio governador não respeitou o acordo de paz e invadiu Cacau 3 anos mais tarde. O bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado para destruir Palmares. Em 1692, em uma primeira tentativa, Jorge Velho e seus aliados cercaram Palmares, mas os quilombolas venceram o confronto. Dois anos depois, em 1694, Jorge Velho, com mais 6 mil soldados conseguiram vencer Palmares. Zumbi escapou, mas foi pego em 1695. Após ser preso, foi morto e sua cabeça ficou estiada em praça pública em Recife. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 51 AULA 06 HB: Colônia I A organização dos quilombos se multiplicou em muitas regiões do país e, até hoje, existem as assim denominadas “comunidades quilombolas”. Algumas conseguiram o direito ao reconhecimento da terra que seus antepassados escravos conquistaram e outra, não. Por sinal, a nossa atual Constituição, a Constituição Federal de 1988, prevê o direito à terra aos descendentes de quilombolas. (UDESC/2014) Os anúncios publicados em diferentes jornais que circularam no Brasil, durante o século XIX, a respeito dos anúncios de fugas e/ou vendas de negros cativos, constituem documentos importantes para a escrita da História, pois permitem verificar o perfil do escravo que fugia, o cotidiano da escravidão, dentre outras questões. O levantamento realizado no quadro abaixo sobre anúncios de escravos publicados no jornal O Universal (Ouro Preto/MG), entre 1825 e 1831, permite algumas inferências sobre a história da escravidão. Analise as proposições, considerando as informações do quadro acima e a história da escravidão no Brasil. I. O quadro fornece informações importantes sobre sexo e etnia, por exemplo, dos 116 escravos fugidos mais de 90% eram africanos, e mais de 80% do sexo masculino. II. A maioria de homens, entre os fugitivos nos anúncios, não deve ser explicada somente pelo fato de que eram predominantes no conjunto da escravaria, outras questões devem ser observadas para além dos números como, por exemplo, as relações familiares, principalmente a existência de crianças que dependiam das mulheres, dentre outros fatores que merecem estudos auxiliares. III. A publicação de inúmeros anúncios de fuga permite inúmeras inferências, a mais óbvia deve-se à negação do cativeiro, a uma forma de recobrar o domínio de suas vidas, haja vista que o sistema lhes negava tal domínio. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 52 AULA 06 HB: Colônia I IV. Menos de 7% das mulheres cativas fugiam, segundo os anúncios publicados, o que se explica pelo fato de os homens serem a maioria no conjunto dos escravos, e, considerando- se a questão de gênero, serem mais corajosos e propensos ao risco da fuga. a) Somenteas afirmativas I, II e III são verdadeiras. b) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras. c) Somente as afirmativas II e III são verdadeiras. d) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras. e) Todas as afirmativas são verdadeiras. Comentários A questão da escravidão e da resistência dos escravos é algo que estudaremos ao longo do Brasil colônia. Dessa forma, você precisa se acostumar com a cobrança geral sobre essa temática nos vestibulares. Para tanto, o treino deve começar desde as primeiras abordagens sobre a escravidão no Brasil, mesmo que a questão faça referência a períodos mais adiante na histórica, como esta questão da UDESC de 2014. Dá para resolver sem termos noção profunda dos acontecimentos do século XIX, por exemplo. Veja só: O item I é sobre a interpretação da Tabela. Na afirmativa I, afirma-se que dos 116 escravos fugidos 90% são africanos, olhando a tabela, no entanto, verifica-se que destes 116 apenas 57 são africanos, ou seja, em torno de 50%. O item está errado. Com isso, já descartamos as alternativas E, D e A. O item II está correto, pois ela não fecha uma interpretação generalizante sobre os dados, apenas sugere que pode haver inúmeras razões para que os dados sejam tais como apresentados. Os dados quantitativos não permitem uma qualificação global das explicações mais profundas sobre as fugas, embora tendências possam ser anunciadas, como faz o item II. Já a alternativa III, apresenta uma razão comum sobre o porquê os escravizados fugiam. Ora, como temos visto nesta aula, a tendência histórica indica que a submissão a maus tratos e opressão não é tolerada sem resistências. Tal afirmativa, diferentemente da anterior já é mais fácil de ser universalizada, pois há um dado histórico sobre isso. Até por esse motivo fiz questão de trazer essa cobrança da UDESC para essa aula, pois você deve se preocupar, ao longo dos estudos, em analisar as tendências históricas. Sacou? O item IV está errado, pois faz uma suposição de gênero sobre a falta de coragem das mulheres para fugir. Repare que os dados não permitem afirmar isso. Por exemplo, as mulheres podiam evitar fugas porque, em sua maioria, tinham crianças ou bebês, fato que coloria em risco a vida de ambas em uma estratégia de fuga pelas matas. De toda forma, perceba que a temática da resistência, fugas, condição do escravo, é algo muito importante para os estudos para as provas de vestibular. Gabarito: C Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 53 AULA 06 HB: Colônia I 6. ÍNDIOS, OU MELHOR, POVOS ORIGINÁRIOS Diante da cultura escravista já presente na sociedade branca europeia, a extração do pau- brasil - único recurso lucrativo disponível no Brasil conquistado - necessitava de mão de obra. Tanto para explorá-lo (cortar, carregar, preparar e embarcar), quanto para organizar um povoamento português capaz de conter invasões estrangeiras (como a dos franceses e holandeses), a mão de obra indígena foi estratégica. Claro, estratégica do ponto de vista do colonizador branco português. Em linhas gerais, durante os séculos XVI e XVII, o modo de inserir os cerca de 2,5 milhões de índios do litoral brasileiro no processo de colonização consistiu, basicamente, em três métodos: • O primeiro consistia na escravização pura e simples, na base da força, empregada normalmente pelos colonos. Para tanto, os colonizadores lançavam mão de alianças com etnias indígenas inimigas entre si, de modo que – de aliança em aliança- desarticulavam qualquer resistência unificada dos índios contra os invasores portugueses. Por sinal, esse tipo de estratégia foi a adotada na América Espanhola; • O segundo era o estímulo à criação de um campesinato indígena por meio da aculturação e destribalização, as quais eram praticadas primeiramente pelos jesuítas, e depois pelas demais ordens religiosas; • O terceiro consistia na busca da integração gradual do índio como trabalhador assalariado, medida adotada tanto por leigos como pelos religiosos. O início desse processo foi marcado pelo escambo, a troca de utensílios europeus por trabalho indígena no corte e carregamento do pau brasil. Com a crescente resistência dos povos indígenas, a política indigenista ficou caracterizada pelo seguinte dualismo: • Conquista militar e escravização dos índios; • Conversão dos índios ao cristianismo e consequente subordinação. Os jesuítas foram os europeus que mais pressionaram a Coroa e os colonos a tratarem os índios como filhos de Deus, o “bom selvagem” visto no começo da aula. Dessa forma, por um lado, atuaram para a liberdade dos índios e contra o aprisionamento. Por outro, os jesuítas foram abnegados conversores da subjetividade indígena. Assim como os clérigos atuantes nas colônias espanholas, como vimos na Aula 05, os jesuítas no Brasil quiseram ampliar o número de fiéis, pois concebiam a cultura ameríndia como inferior e pagã. No processo de evangelização, os jesuítas fizeram duas tentativas: Converter índios em suas próprias aldeias. Ações com menor resultado de conversão; Converter índios em aldeamento construídos pelas missões de evangelização, as chamadas reduções. Essa ação rendeu mais resultados para os jesuítas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 54 AULA 06 HB: Colônia I Dessa forma, à luz dos ensinamentos do antropólogo Antônio Carlos de Souza Lima (professor UFRJ)21, você deve ter em mente que, do ponto de vista político, a ação colonizadora de “conquista” significou: 1) a conquista como uma modalidade de guerra, em que domínio sobre populações reduzidas pela força militar, suas terras, seus recursos naturais foram apropriados num processo no qual a aliança com parte das populações habitantes dos espaços a serem incorporados, e todo um aparato que hoje chamaríamos de “meios de comunicação”, tiveram tanta ou mais importância que a violência física; 2) a conquista não foi somente guerra e destruição (violência aberta, portanto); mas implicou em produção de novas relações/identidades sociais, isto é, também se apresentou como violência simbólica; 3) no caso dos povos presentes na porção do continente invadida pelos portugueses, devemos falar no plural - em conquistas -, pois, ao contrário do México ou do Peru, onde os espanhóis lutaram contra estruturas de poder com um modo de centralização similar a algumas existentes no passado mediterrâneo, os dispositivos políticos dos índios brasileiros eram muito distintos. No contexto da pregação cristã em terras indígenas, ao mesmo tempo que índios eram catequizados, eles também mantinham suas identidades culturais originárias. Com isso, muitos sincretismos religiosos foram formados, à revelia do controle da catequização dos jesuítas. Na prática, era uma forma de resistirem tanto à violência física da escravização, quanto à violência subjetiva da catequização. Como as reduções acabavam se transformando em locais protegidos, muitos índios passavam a viver sob a tutela dos jesuítas. A mistura entre a cultura cristã e a indígena produziu visões de mundo, formas de pensar própria das etnias indígenas, baseadas na resistência contra o europeu opressor e explorador, um verdadeiro sincretismo. Para você ter uma ideia, em 1580, no Recôncavo Baiano, ocorreu uma grande insurreição indígena. Até os jesuítas ficaram surpresos. Antônio, um índio educado por jesuítas, reuniu vários índios escravizados para anunciar a profecia da Terra sem Mal. Essa terra seria um lugar distante 21 LIMA, Antonio Carlos de Souza. Um olhar sobre a presença das populações nativas na Invenção do Brasil. IN: Aracy Lopez da Silva; Luiz Donisetti Benzi Grupioni. (Org.). A QUESTÃO INDÍGENA NA SALA DEAULA. NOVOS SUBSÍDIOS PARA PROFESSORES DE 1º E 2º GRAUS. 1 ed. BRASÍLIA: MEC, 1995, p. 407-419 Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 55 AULA 06 HB: Colônia I dos engenhos e das brutalidades dos senhores. A revolta foibrutalmente massacrada por tropas portugueses da região nordeste. Por sinal, no nordeste do Brasil colônia, o período de 1540 até 1570 marcou o apogeu da escravidão indígena nos engenhos, especialmente naqueles localizados em Pernambuco e na Bahia, como vimos anteriormente. A Coroa portuguesa publicou uma ordem de proibição da escravização dos povos nativos, em 1570, lembra? Isso ocorreu devido a: ➢ resistência indígena à escravização ➢ diminuição exponencial da população indígena (vítimas das doenças e do trabalho escravo extenuante) ➢ resistência dos jesuítas ➢ necessidade de os negócios da Coroa (lucro) serem ampliados a partir do tráfico negreiro É importante ressaltar que essa ordem teve mais eficácia no nordeste do Brasil, nas terras dos grandes engenhos de açúcar e pouca no sudeste e sul. A perseguição e subjugação dos índios no sudeste do Brasil foi incentivada por autoridades da Coroa portuguesa presentes na colônia e por agentes particulares (portugueses endinheirados), que buscavam novos investimentos, para além do comércio da cana de açúcar. Como a produção de açúcar das capitanias de Santo Amaro e São Vicente (territórios equivalentes à região atual do estado de São Paulo) não conseguiam competir com o Nordeste, os paulistas tiveram que pensar em alternativas de investimento, como: comércio de índios escravizados e busca por metais preciosos. Os paulistas, em particular aqueles conhecidos como “bandeirantes”, organizaram vilas e terras agricultáveis a partir da mão de obra escrava indígena. Contudo, tiveram que sair do litoral e adentrar o planalto em busca de riquezas, de índios e terras mais agricultáveis. Por isso, esses colonizadores europeus passaram a ser conhecidos como “sertanistas”, da qual “bandeirante” é uma variante. O centro desse movimento de interiorização dos conquistadores foi a vila de São Paulo, fundada pelos jesuítas em 1554. Nessa região, a escravização indígena foi empregada em setores específicos da agricultura, como na plantação do trigo. Esse produto era comercializado com outras regiões, como a do Rio de Janeiro. O interessante é que essa situação gerava um conflito entre bandeirantes e jesuítas – que combatiam a escravização indígena – e, posteriormente, com a Coroa (Metrópole), quando ela passou a proibir a mão de obra escrava indígena, em 1570. Muitos aldeamentos (as reduções) eram atacados por bandeirantes. Em linhas gerais, os bandeirantes paulistas: ignoravam a proibição da captura e do tráfico de índios; ignoravam o papel das reduções jesuítas; ignoravam as demarcações do Tratado de Tordesilhas, pois as expedições sertanistas acabavam estabelecendo domínios em terras espanholas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 56 AULA 06 HB: Colônia I Por volta de 1640, os jesuítas das terras do sul, sudeste e centro-oeste, juntamente com os indígenas, conseguiram resistir e impuseram derrotas aos bandeirantes. Dessa forma, o fornecimento de mão de obra para a economia da capitania de São Vicente foi estagnado, dificultando ainda mais a vida econômica de uma região marginal na economia açucareira. Diante dessa derrota, os bandeirantes passaram a ser contratados para destruir e desarticular os quilombos do Nordeste. Um desses contratados para agir no Nordeste foi o bandeirante Domingo Jorge Velho, que recebeu uma fortuna em troca de dizimar o Quilombo dos Palmares. Com seis mil homens (a maioria brancos paulistas e mamelucos, isto é, homens com ascendência europeia e indígena), após cercarem Palmares, a resistência quilombola foi derrotada em janeiro/fevereiro de 1694. Outra região que sofreu com a chegada do modo de vida colonial escravista foi Maranhão e Grão-Pará. Como a produção canavieira também não encontrou solo favorável nessas terras, as alternativas foram os comércios de índios escravizados e de produtos da terra. Os colonizadores aproveitaram-se da exploração das chamadas “drogas do sertão” da Floresta Amazônica (produtos in natura para remédios, temperos e tinturaria). A mão de obra empregada nesse tipo de atividade foi a escrava indígena. A título de reforço, lembre-se de que outra violência empregada contra os índios foi a disseminação de doenças. Tanto os colonos europeus, quanto os aldeamentos jesuíticos contribuíram para a propagação da varíola, da gripe, dentre outras doenças não típicas dos povos nativos. Em 1562, em nome da “Guerra Justa”, o Governador Mem de Sá se dirigiu com um exército até o litoral norte da Bahia e parte de Pernambuco para conter uma revolta dos caetés. Depois de submetidos, esses índios sofreram com a epidemia de varíola. Cerca de 70 mil deles morreram nesse momento. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 57 AULA 06 HB: Colônia I Em resposta à deterioração das condições de vida, seja nas aldeias (vilas ou reduções), seja fruto das perseguições, os índios responderam de muitas formas fugas para regiões mais interioranas; conflitos físicos contra os conquistadores. Cercamento de aldeias e ataques a engenhos; Alianças com europeus rivais, por exemplo, Tupinambás aliaram-se com franceses para combater os portugueses Entretanto, as resistências indígenas não foram suficientes para conter as baixas. Conforme compilação de dados governamentais, o balanço histórico da população indígena é percebido nos seguintes números: Os Tupinambás ganharam destaque na preocupação da Coroa Portuguesa. Além de, em certas ocasiões se aliarem aos franceses, eles realmente colocavam em risco os planos da Metrópole. Foram diretamente citados nas ordens do Rei de Portugal aos Governadores para que todos os Tupinambás fossem “castigados com muito rigor (...) distraindo-lhes suas aldeias e povoações e matando e cativando aquela parte deles que vos parecer que basta para seu castigo e exemplo”22. 22 OLIVEIRA, João Pacheco. Op. Cit., p. 183. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 58 AULA 06 HB: Colônia I (UNICAMP/2019) Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de colonos. (Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico. b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período pombalino e no século XIX. c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua portuguesa. Comentários Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 59 AULA 06 HB: Colônia I Para exercer o controle sobre os povos das Américas colonizados, os europeus lançaram mão do aprendizado das línguas nativas para melhor compreender e penetrar no meio indígena. Com efeito, esse “aprendizado” das línguas fez parte das estratégias de dominação. Dentre os agentes europeus que buscaram estabelecer comunicações a partir das línguas nativas, destacaram-se os missionários. Por sinal, foi a partir desse tipo de prática que os índios tambémforam alvos do processo de catequização (conversão ao catolicismo). A alternativa A está errada, pois o trecho “amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico” indica, equivocadamente, a oficialização das línguas nativas. Algo que seria, no mínimo, uma heresia do ponto de vista religioso. A escrita e a linguagem em geral são fontes fundamentais para projetos de dominação. Por isso, o português foi mantido nas correspondências oficiais. A alternativa B restringe a estratégia de dominação por meio da língua a um período pequeno da história do Brasil, quando, na verdade, a prática foi empenhada desde o século XVI. O próprio texto dá um destaque ao século XVII. A letra C é o nosso Gabarito. A letra D contradiz os argumentos do próprio texto motivador da questão, segundo o qual a Coroa portuguesa estimulou (“exortou”) os missionários a se empenharem na língua nativa. Gabarito: C Os conflitos em torno da questão indígena no Brasil continuam até hoje, principalmente aqueles relacionados à demarcação de terras.23 A demarcação é um tipo de política pública que procura preservar áreas originárias de diversas etnias. Porém, sabemos que o crescente desmatamento provocado por madeireiras e pela indústria de papel, as devastações feitas pelo “agronegócio”, as mineradoras, dentre outras empresas despreocupadas com questões ambientais e com os povos originários, tornam o conflito pela terra mais intenso. Essa discussão atual com olhares para o passado é muito importante e pode cair no seu vestibular de diferentes formas, principalmente porque, segundo o Comitê de Direitos Humanos da ONU, [...] a cultura se manifesta sob várias formas, inclusive no que diz respeito a um modo de vida especificamente relacionado ao uso de recursos associados à terra, em especial 23 Se você tiver interesse de saber mais sobre a questão indígena no Brasil, entre no portal da Fundação Nacional do Índio, a FUNAI, uma entidade do Governo Federal. Já para saber como as etnias atuais buscam se auto afirmar e construir suas identidades, veja os Raps: https://www.youtube.com/watch?v=oLbhGYfDmQg e https://www.youtube.com/watch?v=hyyBB_xf3jo. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 60 AULA 06 HB: Colônia I no caso de povos indígenas. Esse direito pode incluir atividades tradicionais, como pesca ou caça”. Pensando nessas questões, trouxe para você refletir dois fatos atuais que expressam a resistência e a busca pela identidade indígena a partir de novas tecnologias, ou seja, a persistência dos índios. HQ indígena Lançada em outubro de 2016 pela editora Elefante, e assinada pelo desenhista Vitor Flynn Paciornik, a HQ “Xondaro” conta a história de um protesto da aldeia Guarani Krukuto, etnia localizada na grande São Paulo. Este HQ também fala sobre a mitologia e história dos Guarani. Rádio Yandê Essa rádio está no ar, via web e diferentes mídias sociais, desde 2013. É uma rádio composta por programadores, diretores, radialistas, jornalistas, todos indígenas. Um dos objetivos dos programas é combater estereótipos formado em torno da figura do índio. A palavra “yandê”, de acordo com uma das fundadoras, Renata Machado, jornalista da etnia tupinambá, vem da língua tupi. Dependendo do contexto, yandê pode significar tanto “você” quanto “nosso” e “nós”. O slogan adotado é “a rádio de todos nós”. Um dos o “Papo na Rede”, em que indígenas de diferentes etnias e até de outros países conversam sobre variedades e seu cotidiano, via Google Hangouts, com correspondentes, coordenadores e colaboradores da rádio. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 61 AULA 06 HB: Colônia I 7. AÇÚCAR: DO ESPLENDOR À CRISE Desde que se começou a produzir açúcar na colônia, no início do século XVI, o Brasil tornou- se o maior produtor e exportador desse produto. De fato, o século XVI marco o esplendor da economia açucareira. Comerciantes portugueses, holandeses, colonos senhores de engenho, bem como outros países de maneira indireta, beneficiaram-se grandemente do comércio internacional dessa mercadoria. A proliferação dos engenhos, no Brasil, era uma demonstração de um lucrativo negócio. O professor Stuart B. Schwartz24, afirma que esse rápido crescimento da produção açucareira parece estar vinculado a dois fatores macroeconômicos. 7.1 – EXPLICANDO A CRISE DO AÇÚCAR A partir do século XVII o cenário mudou. Houve uma expressiva queda nas exportações do açúcar brasileiro, o que gerou uma crise da economia colonial. Observe na tabela os dados que demonstram esse declínio. 24 SCHWART.Stuart B. O Brasil Colonial, c. 1580-1750: as grandes lavouras e as periferias. In (org) BETHELL, Leslie. História da América Latina: América Latina colonial. Volume II. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo/USP; Brasília: Fundação Alexandre de Gusmão, 2012. Pp. 339-422. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 62 AULA 06 HB: Colônia I O professor Schwartz explica que, a longo prazo, as questões de perdas e lucros da produção voltada para o mercado externo, como o açúcar, são vulneráveis a pelo menos por 3 elementos: movimento de oferta e demanda do produto cenário da política internacional Questões locais no centro produtor Levando em consideração esse esquema lógico, vamos à análise que procura explicar por que, no século XVII, a produção açucareira no Brasil passou do esplendor à decadência. Vejamos. 7.1.1 – Mercado internacional do açúcar e de escravos No começo do século XVII, com a expansão do século XVI, houve o aumento da oferta do produto no mercado. Isso tornava o produto cada vez mais barato. Além disso, o aumento da produção do açúcar fez aumentar a demanda por escravos, por isso, veremos que ao longo do século XVII ocorreu o aumento expressivo do preço de cada escravo. E o que isso tem a ver, você poderia me perguntar. A questão é que o escravo representava o maior custo da produção açucareira. Baseado nos números de João André Antonil, o professor Schwartz afirma que o preço de cada escravo quadruplicou. Portanto, o custo da produção aumentava. Qual a conclusão, meus caros? “Pode-se dizer, de modo geral que, o Brasil defrontou-se com custos crescentes e preços declinantes para o seu açúcar.” (SCHWATZ, idem, p. 367-368) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 63 AULA 06 HB: Colônia I É verdade que a partir de 1620 os valores do açúcar começaram a subir na Europa. No entanto, as questões políticas internacionais com grandes consequências para as questões locais na colônia não contribuíam para a retomada dos lucros da empresa açucareira na América Portuguesa. Vamos aos fatos! 7.1.2 – União Ibérica e invasão holandesa A União ibérica é o nome que se dá para o momento histórico em que houve união das coroas portuguesa e espanhola, entre 1580 e 1640. Mas Alê, o que aconteceu para unificar as coroas? Foi um casamento? Uma crise sucessória, o que rolou? Em 1578, morreu o último rei da Dinastia dos Avis – Dom Sebastião. Na verdade, ele sumiu durante a conhecida Batalha de Alcácer-Quibir, contra os mouros no norte da África. Seu corpo nunca foi encontrado. Como o jovem rei não deixou herdeiros, seu tio-avô, o Cardeal dom Henrique, governou Portugal. Dois anos depois morreu e não deixou herdeiros. Então, em 1580, o rei da Espanha, considerando-se herdeiro legítimo do trono de Portugal (porque era um neto e um dos reis portugueses), invadiu Portugal e o submeteu. Nesse cenário prometeu: autonomia para a Coroa, que seria governada por um regente. não interferência na colônia portuguesa. Mas o que vimos foi diferente. Os conflitos políticos internacionais nos quais a Espanha estava envolvida acabaram surtindo efeito na América Portuguesa. Refiro-me às disputas entre a Espanha e a Holanda. Esta estava em plena luta pelaindependência em relação ao domínio espanhol sobre seu território. Já está imaginando os rolos que podem ser gerados? Lembra do papel da Holanda na economia açucareira de Portugal no Brasil? Pois, então.... Diante dessa disputa entre espanhóis e flamengos, uma das medidas do governo espanhol de Felipe II foi excluir a Holanda do negócio açucareiro do Brasil. Assim, isso afetou diretamente as relações comerciais entre Portugal e Holanda, sacaram? Meu deus, Alê, mas quem iria refinar o açúcar brasileiro? Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 64 AULA 06 HB: Colônia I Pois é, Bixo, se fosse só esse problema estava bom. A questão é que a Holanda não podia deixar passar em branco, já que ela dependia da produção do açúcar para manter suas divisas. Nesse começo de século XVII, ela não produzia açúcar, apenas transportava e refinava. Como você deve saber a essa altura da aula, produzir cana-de-açúcar era um negócio complexo e custoso. Assim, o que a Holanda resolveu fazer? INVADIR O BRASIL!!!!! Perceberam qual era a intenção da Holanda? Ocupar o lugar de Portugal no mercado mundial, ocupando suas feitorias, colônias e controlando o comércio com a Índia. Portanto, as pretensões não se restringiam à América Portuguesa, mas às possessões de Portugal de modo geral. Por isso, antes de invadir o Brasil, os holandeses pilharam a costa africana e criaram a Companhia das Índias Orientais – empresa privada e pública que tinha por objetivo controlar e monopolizar as atividades comerciais com o Oriente. Anos depois, em 1621 fundaram a Companhia das Índias Ocidentais, com o mesmo formato, porém, para monopolizar o comércio com a África e América. Para o Brasil tratava-se apenas de ser explorado por outra potência, ou seja, uma substituição de quem manda. Bem, profe, a pergunta é: deu certo? A Holanda delegou a Companhia das Índias Ocidentais a tarefa de invadir o nordeste brasileiro – já que em Pernambuco e na Bahia encontravam-se as principais zonas produtoras de açúcar. Veja a cronologia dos ataques: 7.1.3 – Brasil Holandês O estabelecimento dos holandeses ocorreu em Pernambuco, a capitania mais importante em função do açúcar. Em 1630, 56 navios chegaram ao litoral expulsaram o então governador da capitania, Matias Albuquerque. Este fugiu para o interior e se estabeleceu no Arraial de Bom Jesus. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 65 AULA 06 HB: Colônia I A partir desse Arraial pode-se dizer que a tática de resistência contra os holandeses foi a de guerrilha. Até 1635 a resistência deu trabalho aos holandeses, depois, foram mais dois anos para que, a partir de 1637, a Companhia das Índias Ocidentais conquistasse a região e organizasse a administração do território conquistado. Então, anote aí: entre 1637 e 1644 os holandeses reinaram na região pernambucana. Para essa empreitada, chegou ao Brasil o conde João Maurício de Nassau-Siegen, que foi nomeado governador-geral do Brasil Holandês. Com o objetivo de pacificar e retomar os negócios lucrativos, sua administração ficou marcada pelo seguinte: • Reativação econômica: concessão de créditos aos senhores de engenho, inclusive portugueses, a partir do dinheiro da Companhia das Índicas Ocidentais. • Tolerância religiosa: a religião oficial dos holandeses era o calvinismo. Assim, para ampliar as possibilidades de pacificação, essa medida amenizou conflitos com portugueses e espanhóis católicos e com outras religiões. • Reforma urbanística: Recife foi repaginado, um grande investimento arquitetônico, com construção de casas, pontes, ruas, saneamento básico, dentre outras obras de infraestrutura. • Estímulo à vida cultural: foi uma época em que diversos pintores retrataram a economia açucareira e o esplendor de Pernambuco, segundo a visão pintada nos quadros. Quem foi Nassau? Sua origem é alemã, de família nobre, porém, foi nos Países Baixos (Holanda) que Johann Moritz von Nassau-Siegen (1604-1679), mais conhecido como João Mauricio de Nassau-Siegen, ganhou notoriedade. Nassau recebeu uma educação humanista e baseada na religião protestante. A partir dos 16 anos de idade foi morar nos Países Baixos onde iniciou a carreira militar. No exército holandês, ele exerceu a função de “alferes de cavalaria”. Se destacou nas operações e campanhas na Guerra dos Oitenta Anos (1568-1648), contra a Espanha e pela independência das regiões dos Países Baixos. Com destaque, em 1636 ele liderou a reconquista do castelo Schenkenschans, o qual estava sob domínio dos espanhóis. Seu nome passou a ser motivo de orgulho para os holandeses e, com pouco mais de 30 anos de idade, assumiu o comando dos negócios da Companhia das Índias Ocidentais no nordeste brasileiro. Como recompensa dos serviços prestados, Nassau recebeu do rei do Sacro Império Romano- Germânico, em 1652, o título de príncipe. Aposentou-se da vida militar, em 1675. Como tudo o que é bom dura pouco, Nassau se desentendeu com a Companhia das Índias Ocidentais. Perdeu o cargo de governador-geral em 1644 e voltou para Europa. A saída de Nassau praticamente coincide com a reconquista de Portugal, em 1640, pelos portugueses. Ainda sob a administração de Nassau, os portugueses buscaram um acordo de paz com os holandeses, um acordo de 10 anos. Mas, três elementos influenciam na quebra do acordo: • A saída de Nassau, em 1644, do comando da administração de Pernambuco. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 66 AULA 06 HB: Colônia I • A pressão da Companhia das Índias Ocidentais para que os engenhos produzissem mais, pagassem mais impostos e liquidassem as dívidas dos créditos anteriormente concedidos. • Iniciou da intolerância religiosa, proibindo católicos de praticarem livremente a religião. Neste cenário conflituoso, os portugueses e os luso-brasileiros a luta pela expulsão dos holandeses. 7.1.4 – Insurreição Pernambucana (1645-1654) A Insurreição Pernambucana foi a guerra que garantiu a restauração do território colonial para a Coroa portuguesa. Por meio de uma longa guerra que uniu colonos, índios, negros libertos, senhores de engenho, foi possível expulsar os Holandeses do Brasil, em 1954. Além do que expliquei acima, vamos sistematizar as causas em outras palavras: especulações extorsivas praticadas por comerciantes estrangeiros – em cenário de queda internacional do preço do açúcar; insolvência das dívidas de luso-brasileiros que passaram a ser cobrados intensamente; antagonismo religioso entre católicos e calvinistas, exacerbado após a partida de Nassau; negação da prometida participação dos colonos pernambucanos nos governos locais. Observe a Cronologia da Guerra que expulsou os Holandeses do Brasil Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 67 AULA 06 HB: Colônia I “Nestes montes, brancos, negros e índios, irmanados por um só ideal, o de defender a pátria contra o invasor holandês, por duas vezes, derrotaram poderosa força de um exército muito superior em efetivo, em armamento e em equipamento.” – Exército Brasileiro Começo essa parte com uma citação do Exército para você entender o sentido histórico que a Corporação atribui a esse evento: uma unidade de todas as raças (tropas patriotas) para defender a pátria. É claro que não tínhamos pátria e nem exército, mas é uma experiência “protonacionalista” – defesa militar do território. Guardem isso. As Batalhas de Guararapes foram fundamentais para expulsar os holandeses do Brasil. Veja os principais comandantes, suas origens étnicas que respaldam a interpretação que traz a citação do Exército brasileiro. Observe a descrição feita da região onde ocorreram as batalhas: Nós estamos no interior do Parque Histórico Nacional dos Guararapes, no município de Jaboatão dos Guararapes, mais precisamente no Mirante, no Morro do Oitizeiro, o qual se estende até o Oceano Atlântico. Entre amata do Morro do Oitizeiro e o alagadiço próximo ao mar, encontramos uma estreita passagem denominada de Boqueirão. Na nossa frente está o Monte de Telégrafo. À retaguarda destaca-se o Morro do Outeiro ou atual Morro da Igreja. Entre o Monte do Telégrafo e o Morro do Outeiro, identificamos o Córrego da Batalha. Além do Monte do Telégrafo, ligando a cidade do Recife aos Montes Guararapes, encontramos a Estrada da Batalha, a qual se dirige para o interior do Boqueirão. Batalha do Monte das Tabocas Apesar de Guararapes ser o confronto mais lembrado, vale destacar a Batalha do Montes das Tabocas, pois foi o primeiro enfrentamento entre tropas da Companhia das Índias e a resistência pernambucana. Ela ocorreu em agosto de 1645 e demonstrou a habilidade da força militar luso-brasileira em emboscar o inimigo aproveitando as vantagens do terreno. Mas, o grande destaque foi para os civis e para escravos, o povo mesmo. No ápice do confronto, após dias de avanços e retrocessos, a batalha virou corpo a corpo. O povo Capitão Antonio Dias Cardoso (branco) Felipe Camarão (índio) Henrique Dias (negro) http://www.7rm.eb.mil.br/index.php/parque-historico Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 68 AULA 06 HB: Colônia I começou a aparecer, escravos também entrar com flechas, instrumentos de trabalho, e, no final, os holandeses foram derrotados, tiveram que fugir. A rendição holandesa ocorreu após acordos de paz entre Portugal e Holanda. O último acordo, de 1669, estabeleceu que, em troca do Nordeste brasileiro e de algumas possessões na África, os holandeses receberiam como pagamento o equivalente a 63 toneladas de ouro. (FUVEST 1995) Foram, respectivamente, fatores importantes na ocupação holandesa no Nordeste do Brasil e na sua posterior expulsão: a) o envolvimento da Holanda no tráfico de escravos e os desentendimentos entre Maurício de Nassau e a Companhia das Índias Ocidentais. b) a participação da Holanda na economia do açúcar e o endividamento dos senhores de engenho com a Companhia das Índias Ocidentais. c) o interesse da Holanda na economia do ouro e a resistência e não aceitação do domínio estrangeiro pela população. d) a tentativa da Holanda em monopolizar o comércio colonial e o fim da dominação espanhola em Portugal. e) a exclusão da Holanda da economia açucareira e a mudança de interesses da Companhia das Índias Ocidentais. Comentário Olha só, eu escolhi essa questão para mostrar para reforçar com você o modo de resolvê-la. São 2 perguntas em 1. Fatores para a ocupação do território colonial pela Holanda e, depois, os motivos da sua expulsão. Aqui você precisava conhecer um pouco sobre a história da relação entre Holanda e Portugal durante o Período da União Ibérica. O que causou a invasão da Holanda foi sua participação no comércio do açúcar e, com a União Ibérica, o fim dessa parceria. A expulsão se deu porque a Holanda, por meio da companhia de Comércio das Índias Ocidentais, pressionou os senhores de engenho endividados com os bancos holandeses. Gabarito: B Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 69 AULA 06 HB: Colônia I Agora, como esse capítulo da História do Brasil é importante, convém trazer para nosso conhecimento uma passagem reflexiva do historiador Boris Fausto que, eventualmente, pode virar questão de prova. Olha só o que ele indica: Uma pergunta que sempre surge quando se estuda a presença holandesa no Brasil é a seguinte: o destino do país seria diferente se tivesse ficado nas mãos da Holanda e não de Portugal? Não há uma resposta segura para essa questão, pois ela envolve uma conjectura, uma possibilidade que não se tornou real. Quando se compara o governo de Nassau com a rudeza lusa e a natureza muitas vezes predatória de sua colonização, a resposta parece ser positiva. Mas convém lembrar que Nassau representava apenas uma tendência e a Companhia das Índias outra, mais próxima do estilo do empreendimento colonial português. Vista a questão sob esse ângulo, e quando se constata o que aconteceu nas colônias holandesas da Ásia e das Antilhas, as dúvidas crescem. A colonização dependeu menos da nacionalidade do colonizador e mais do tipo de colonização implantado. Os ingleses, por exemplo, estabeleceram colônias bem diversas nos Estados Unidos e na Jamaica. Nas mãos de portugueses ou holandeses, com matizes certamente diversos, o Brasil teria mantido a mesma condição de colônia de exploração integrada no sistema colonial. (FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1995, pp. 89-90) 7.1.5 – As consequências para a economia colonial Para a economia açucareira, na América Portuguesa, a União Ibérica e os consequentes conflitos com a Holanda foi um desastre. O saldo geral foi a diminuição das exportações de açúcar e a perda da liderança no mercado mundial. O Brasil nunca mais foi o mesmo no sistema de comercio atlântico. Portugal também nunca mais foi o mesmo, veremos que ele passará para uma posição de dependência e submissão em relação a outros países que, nesses 60 anos, alçaram voos e ocuparam o espaço outrora monopolizado pelos pioneiros portugueses. Veremos esse assunto na próxima aula Abaixo trago para vocês uma lista das perdas que Portugal e Brasil tiveram nesse período, segundo artigo do professor da Universidade de Yale, Stuart B. Schwartz: ❖ Entre 1624 e 1628: perda de inúmeras safras de cana de açúcar ❖ Entre 1630 e 1639: perda de 199 navios portugueses ❖ Entre 1647 e 1648: perda de 220 navios portugueses e destruição de 23 engenhos ❖ Entre 1645 e 1654: incêndio de canaviais e engenhos. Desativação de 65 de 49 engenhos em Pernambuco ❖ 1650: Redução da capacidade produtiva. Estimava-se que Pernambuco tinha capacidade para produzir 25 mil caixas de açúcar. Mas só produziu 6 mil caixas Além disso, quero ressaltar que a Holanda passou a produzir cana-de-açúcar nas Ilhas Antilhanas. Durante o tempo em que a Companhia das Índias Ocidentais permaneceu ocupando Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 70 AULA 06 HB: Colônia I o nordeste brasileiro, ela aprendeu e aprimorou as técnicas necessárias para desenvolver um engenho. Assim, detentores do conhecimento sobre todas as fases dos negócios do açúcar (produção, refino e comercialização), os Holandeses passaram a vende-lo mais barato que aquele produzido no Brasil. A Holanda saiu, levou o conhecimento da produção e, também, os recursos econômicos que sempre foram necessários para o funcionamento dos engenhos. Realmente, as duas décadas finais do século XVII foram um cenário triste para a colônia portuguesa na América. A decadência do açúcar representou a decadência da própria colônia. Conforme leciona Schwartz, Na verdade, a década de 1680 assinalou uma redução profunda das fortunas oriundas da economia açucareira do Brasil. A colônia foi assolada por grave seca que durou de 1681 a 1684, por surtos de varíola de 1682 a 1684 e por uma epidemia de febre amarela[..]. Além desses problemas, houve uma crise no mundo atlântico após 1680. Em 1687, João Peixoto da Veiga escreveu seu famoso “memorial”, onde identifica os problemas da agricultura brasileira e prevê a ruína da colônia [...].25 Na próxima aula veremos como o Governo Português tentou recuperar a economia e os impactos dessas medidas no Brasil. Bem, queridas e queridos alunos chegamos ao final da nossa aula sobre a chegada dos portugueses na América, a implantação do sistema de exploração colonial português e o desenvolvimento da civilização do açúcar. Assim, mergulhamos em experiências ocorridas entre o início do século XVI até o final do século XVII. Anota no seu controle de temporalidade. É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão, HEIN! Aproveita TODOS os comentários, porque foram pensados em cada detalhe para ensinar o conteúdo e, também, nas melhores formas de respondê-las! E lembrando: esseassunto despenca no seu vestibular!!! Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem! Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim! Alê 25 SCHWARTZ, S.B. op. Cit, p. 370. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 71 AULA 06 HB: Colônia I 8. QUESTÕES ESSENCIAIS – UNICAMP (Unicamp 2020) Na América Portuguesa do século XVI, a política europeia para os indígenas pressupunha também a existência de uma política indígena frente aos europeus, já que os Tamoios e os Tupiniquins tinham seus próprios motivos para se aliarem aos franceses ou aos portugueses. (Adaptado de Manuela Carneiro da Cunha, Introdução a uma história indígena. São Paulo: Companhia das Letras/Fapesp, 1992, p. 18.) Com base no excerto e nos seus conhecimentos sobre os primeiros contatos entre europeus e indígenas no Brasil, assinale a alternativa correta. a) A população ameríndia era heterogênea e os conflitos entre diferentes grupos étnicos ajudaram a definir, de acordo com suas próprias lógicas e interesses, a dinâmica dos seus contatos com os europeus. b) O fato de Tamoios e Tupiniquins serem grupos aliados contribuiu para neutralizar as disputas entre franceses e portugueses pelo controle do Brasil, pelo papel mediador que os nativos exerciam. c) Os indígenas, agentes de sua história, desde cedo souberam explorar as rivalidades entre os europeus e mantê-los afastados dos seus conflitos interétnicos, anulando o impacto da presença portuguesa. d) As etnias indígenas viviam em harmonia umas com as outras e em equilíbrio com a natureza. Esse quadro foi alterado com a chegada dos europeus, que passaram a incentivar os conflitos interétnicos para estabelecer o domínio colonial. (Unicamp 2019) Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de colonos. (Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenas entre os séculos XVI e XIX, que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico. b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período pombalino e no século XIX. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 72 AULA 06 HB: Colônia I c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua portuguesa. (Unicamp 2019) As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram apenas uma entre várias outras. Em muitas situações, a composição química das folhas favorecia a escolha de outras plantas e a folhagem da mandioca era cortada apenas quando as preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na agricultura comercial, machados e foices de ferro permitiam abrir clareiras em uma escala maior, resultando em grande homogeneidade da flora. Nas lavouras de mandioca de finais do século XVII e do início do século XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas opções das formigas. Depois de mais algumas colheitas, a infestação das formigas tornava-se insuportável, por vezes causando o completo despovoamento humano da área. (Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’: território, ecologia e a história ambiental da América Portuguesa – parte 2. HALAC - História Ambiental Latinoamericana y Caribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.) A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre História do Brasil Colônia, assinale a alternativa correta. a) A principal diferença entre as lavouras indígenas e a agricultura comercial colonial estava no uso de queimadas pelos europeus, o que não era praticado pelas populações autóctones. b) Comparadas à mandioca cultivada pelos indígenas, as novas espécies de mandioca trazidas da Europa eram menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso mais susceptíveis à infestação. c) Os colonizadores introduziram no território colonial novas espécies de mandioca e milho, que desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rotativo de plantação. d) A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora nas lavouras da América Portuguesa, combinando tradições europeias de plantio com práticas indígenas. (UNICAMP/2017) O documento abaixo foi redigido pelo governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, em 18 de agosto de 1694, para comunicar ao Rei de Portugal a tomada da Serra da Barriga. “ (...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade da gloriosa restauração dos Palmares, cuja feliz vitória senão avalia por menos que a expulsão dos holandeses, e assim foi festejada por todos estes povos com seis dias de luminárias. (...) Os negros se achando de modo poderosos que esperavam o nosso exército metidos na serra (....), fiando-se na aspereza do sítio, na multidão dos defensores. (...) Temeu-se muito a ruína destas Capitanias quando à vista de Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 73 AULA 06 HB: Colônia I tamanho exército e repetidos socorros como haviam ido para aquela campanha deixassem de ser vencidos aqueles rebeldes pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos todos destes moradores (....)”. (Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII. Maceió: UFAL, 2004, p. 129.) Sobre o documento acima e seus significados atuais, é correto afirmar que a) foi escrito por uma autoridade da Coroa na colônia e tem como principal conteúdo a comemoração da morte de Zumbi dos Palmares. A data de 20 de novembro, como referência ao líder do quilombo, tem uma conotação simbólica para a população negra em contraponto à visão oficial do 13 de maio de 1888. b) o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos exércitos da Coroa, é entendido como menos glorioso quando comparado à expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654. Os dois eventos históricos não têm o mesmo apelo para a formação da sociedade brasileira na atualidade. c) o texto de Caetano de Melo e Castro indica que Palmares não gerou temor às estruturas coloniais da Capitania de Pernambuco. A comemoração oficial do Dia da Consciência Negra é uma invenção política do período recente. d) o Quilombo de Palmares representou uma ameaça aos poderes coloniais, já que muitos eram os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao quilombo. A data é celebrada, na atualidade, como símbolo da resistência pelos movimentos negros. (Unicamp 2016) Os estudos históricos por muito tempo explicaram as relações entre Portugal e Brasil por meio da noção de pacto colonial ou exclusivo comercial. Sobre esse conceito, é correto afirmar que: a) Trata-se de uma característica central do sistema colonial moderno e um elemento constitutivo das práticas mercantilistas do Antigo Regime, que considera fundamental a dinâmica interna da economia colonial. b) Definia-se por um sistema baseado em dois polos: um centro de decisão, a metrópole, e outro subordinado, a colônia. Esta submetia-se à primeira através de uma série de mecanismos político-institucionais. c) Em mais de uma ocasião, os colonos reclamaram e foram insubordinadosdiante do pacto colonial, ao exigirem sua presença e atuação nas Cortes dos reis ou ao pedirem a presença do Marquês de Pombal na colônia. d) A noção de pacto colonial é um projeto embrionário de Estado que acomodava as tensões surgidas entre os interesses metropolitanos e coloniais, ao privilegiar as experiências do “viver em colônia”. (Unicamp 2015) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 74 AULA 06 HB: Colônia I Engenheiros, naturalistas, matemáticos e artistas, sob o mecenato de Nassau, investigaram a natureza e transformaram a paisagem nordestina. Recife tornou-se uma das cidades mais importantes da América, com modernas pontes e prédios. Além do incentivo à arte, o governo [de Nassau] promulgou leis que eram iguais para todos, impedindo injustiças contra os antigos habitantes. (Ronald Raminelli, Invasões Holandesa”, em Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 315.) As transformações durante o governo de Maurício de Nassau (1637-1645), em Pernambuco, são exemplos de um contexto em que a) o mecenato e a aplicação de leis idênticas para holandeses e luso-brasileiros eram uma continuidade do modelo renascentista, representando um período de modernização da região. b) houve dinamização da economia açucareira na região, com a reativação de engenhos e perdão de dívidas dos antigos proprietários, impulsionando a remodelação da cidade de Recife. c) houve a aplicação de princípios mercantilistas para a obtenção de lucros e a perseguição, por parte dos holandeses calvinistas, a judeus, cristãos-novos e católicos. d) as expedições dos artistas e cientistas tinham o propósito de retratar a paisagem e identificar potencialidades econômicas da região, pois o açúcar estava em declínio no comércio internacional. (UNICAMP/2014) A história de São Paulo no século XVII se confunde com a história dos povos indígenas. Os índios não se limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou vítimas passivas dos colonizadores. Foram participantes ativos e conscientes de uma história que foi pouco generosa com eles. (Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/ sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.) Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, pode-se afirmar que: a) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa de sua proibição pela Coroa portuguesa, por pressão dos jesuítas. b) Sua participação nos aldeamentos fez parte da integração entre os projetos religioso e bélico de domínio português, executados por jesuítas e bandeirantes. c) A existência de alianças entre indígenas e portugueses não exclui as rivalidades entre grupos indígenas e entre os nativos e os europeus. d) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta com as práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco. (Unicamp 2013) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 75 AULA 06 HB: Colônia I “Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” (Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.) Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar a circulação do ouro entre as minas e os portos. c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas por Pero Vaz de Caminha, em 1500 (UNICAMP/2012) Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadores da região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis. (Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) Sobre o período em questão é correto afirmar que: a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas. b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII. d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa. (Unicamp 2011) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 76 AULA 06 HB: Colônia I de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!” (Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas indígena e europeia foi a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. 9. QUESTÕES PARA APROFUNDAMENTO (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) “Objetivando regulamentar a atividade criatória, em 1688, a coroa portuguesa decretou alvará proibindo a criação de gado em uma área de dez léguas do Recôncavo Baiano. Essa determinação demonstrava a força política dos produtores de cana (...) na medida em que garantiram para si terras livrespróximas ao litoral, delas afastando a criação bovina. (...) o aumento dos rebanhos era correspondente à ampliação das áreas pastoris, alargando o mapa geográfico da ocupação da ocupação do gado. Diante disso, dilatou-se a [distância] entre o litoral e o sertão, com o contato comercial entre ambos se estruturando em torno das feiras, apontando o caráter efetivamente mercantil que passou a ter a pecuária. Uma das consequências imediatas desse processo foi o da formação, por parte dos colonizadores, de uma vastíssima rede de propriedades: as fazendas de gado. (...)” AQUINO, J. R. et al. Sociedade Brasileira: uma história através de movimentos sociais. Rio de Janeiro: Record, 1999. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 77 AULA 06 HB: Colônia I O texto trata de um período em que a) a economia colonial continuou sendo exclusivamente dedicada à produção e exportação de açúcar, que sabotou outras iniciativas. b) o açúcar foi totalmente substituído pela pecuária na região nordeste da América portuguesa, o que gerou a substituição da escravidão indígena pela africana. c) a rivalidade entre pecuaristas e produtores de cana provocou a eclosão de uma guerra civil entre recifenses e olindenses pelo status de capital da capitânia. d) os nativos foram integrados à economia colonial, pois já eram exímios criadores de gado, o que proporcionou a formação de uma elite indígena no Nordeste. e) a crise do açúcar abriu oportunidade para a ascensão da pecuária no Nordeste, mas não foi o suficiente para eclipsar a importância dos produtores de cana. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “[Os portugueses] que se submeteram à nossa obediência são os principais fatores da cultura da terra; alguns permanecem na antiga posse dos engenhos, outros compram muito dos engenhos confiscados. Ainda outros são lavradores de canaviais ou servem nos ofícios necessários ao movimento dos engenhos, entre os quais os ofícios para cujo desempenho não se apresentou até agora nenhum holandês, [...]. Os portugueses são também zelosos no cultivo dos seus canaviais e graças a eles a agricultura do país progrediu, se bem que, a não ser poucas vezes, se veja algum deles fazer por suas próprias mãos algum trabalho; sabem, porém, fazer trabalhar seus negros”. DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as capitanias conquistadas no Brasil pelos holandeses [1639]. Rio de Janeiro: IAA, 1947, p. 85-86. Com base no relatório do conselheiro da Companhia das Índias Ocidentais sobre as capitanias conquistadas no Brasil, assinale a alternativa correta: a) Como não dominavam o processo de produção de açúcar e falharam em cooptar os colonos portugueses, os holandeses se retiraram em pouco tempo do Nordeste. b) Os holandeses empreenderam uma política de aliança com colonos portugueses remanescentes, fornecendo-lhes de empréstimos e instituindo a tolerância religiosa. c) Os portugueses recusavam-se a fazer negócios ou trabalhar para a companhia holandesa independente da oferta feita a eles, dificultando a estadia dos invasores. d) Os portugueses se mostraram resistente ao domínio holandês, pois a escravidão africana foi abolida gerando um grande prejuízo econômico aos proprietários de engenho. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) O pintor, desenhista e gravador holandês Frans Janszoon Post foi um dos primeiros artistas europeus a retratar paisagens do Brasil, no período colonial. Assim, como outros documentos, os quadros e pinturas são considerados fontes históricas que carregam características próprias do Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 78 AULA 06 HB: Colônia I contexto em que foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que circulavam nas sociedades de seu tempo. Carro de bois, 1638, Frans Janzroon Post. A representação de Post a) é isenta de interesses econômicos, expressando a contemplação ingênua e bucólica da paisagem. b) compõe uma pintura informativa e serena, mas carregada de elementos pitorescos. c) reflete os valores liberais e protestantes dos holandeses, que pretendiam descolonizar o Nordeste. d) introduz o uso do realismo na construção de uma crítica social por meio da arte. e) expressa o ideal romântico de arte e beleza através da utilização de cores frias e equilibradas. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “O ciclo da guerra na sociedade tupinambá era dotado de ritmo regular: os ritos estabeleciam com precisão o que os indivíduos deviam fazer no curso dos acontecimentos e situações sociais, que se desenrolassem entre a determinação do ataque e a consumação do sacrifício dos inimigos aprisionados. A rigor, todas as atividades guerreiras faziam parte de u conjunto de ritos, organicamente integrados e interdependentes. Nele também se integravam os ritos de sacrifício do inimigo, de antropofagia [...].” FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. São Paulo: Pioneira, 1970, p. 67. A guerra era uma das preocupações centrais dos tupinambás e equivalia a um ritual que representava o meio de a) sobreviver através do canibalismo devido à escassez de outras fontes de proteína. b) alcançar um estado divino, no qual se reinaria sobre os demais grupos humanos. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 79 AULA 06 HB: Colônia I c) mergulhar o mundo em um estado de barbaridade e violência sem fim. d) destruição dos valores e crenças das culturas dos colonizadores europeus. e) vingança, controle dos inimigos e absorção de suas melhores características. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “Em 1763, a capital do Vice-Reinado foi transferida de Salvador para o Rio [de Janeiro]. As duas cidades tinham aproximadamente a mesma população (cerca de quarenta mil habitantes), mas uma coisa era ser a capital e, outra, apenas a principal cidade do Nordeste.” FAUTOS, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2008, p. 99. A transferência da capital da América portuguesa para o Rio de Janeiro se deu em função do deslocamento do eixo econômico da colônia da a) extração de borracha na Amazônia para a criação de gado no Sul. b) coleta de drogas do sertão no Norte para a economia cafeeira em São Paulo. c) economia açucareira centrada no Nordeste para a mineração no Sudeste. d) pecuária estabelecida no Centro-Oeste para a plantação de mate no Sul. e) produção de tabaco na Bahia para o cultivo de mandioca em Minas Gerais. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) “Nossa milícia, Senhor, é diferente da regular que se observa em todo o mundo. Primeiramente nossas tropas com que vamos à conquista do gentio bravo desse vastíssimo sertão não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, nem por pagamento de munição.” Carta de Domingos Jorge Velho ao rei de Portugal, em 1694. A partir da missiva podemos afirmar que o bandeirantismo se caracterizava pelo(a): a) convívio pacífico com os indígenas do sertão. b) rejeição completa de financiamento estatal. c) autonomia das tropas arregimentadas em relação à Coroa. d) despreparo técnico dos bandeirantes. e) preocupação exclusiva com a busca por ouro. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “[...] ordenei ora de mandar fazer uma fortaleza e povoação grande e forte na Bahia de Todos os Santos por ser para isso o mais conveniente lugar que há nas ditas terras do Brasil, para dali se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas que cumprem a meu serviço e aos negócios de minha fazenda, e a bem das partes e pela muita confiança que tenho em Tomé de Souza, fidalgo de minha casa, que nas coisas de que Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 80 AULA 06 HB: Colônia I o encarregar me saberá bem servir e o fará com o cuidado e diligência que se dele espera, e como o até aqui tem feito nascoisas do meu serviço de que foi encarregado, hei por bem e me apraz de lhe fazer mercê dos cargos de capitão da povoação e terras da dita Bahia de Todos os Santos e de governador-geral do dito Brasil por tempo de três anos e com quatrocentos mil reais de ordenado em cada um ano, pagos à custa de minha fazenda”. D. JOÃO III. Carta de nomeação de Tomé de Souza [7 jan. 1549]. In: INÁCIO, Inés da Conceição; LUCA, Tania Regina de. Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, p. 53. A criação do Governo Geral para gerir a América portuguesa esteve ligada a) ao sucesso da maioria das capitanias hereditárias na produção e exportação de açúcar. b) à diminuição das guerras contra as populações indígenas, cuja maioria se submeteu aos portugueses ou se isolou. c) à vinda dos primeiros missionários franciscanos, que trabalhariam na conversão dos nativos, mantendo uma parceria com a coroa. d) à descoberta de vastos depósitos de ouro em Minas Gerais pelos bandeirantes paulistas. e) ao acirramento da competição mundial, com o consequente crescimento das incursões estrangeiras no Brasil. (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) A aparição da cultura ceramista entre os grupos humanos que habitavam a região do atual Brasil pode ser considerada um marco civilizatório da pré-história brasileira porque a) indicava que já havia tido contato entre indígenas e europeus antes da modernidade, quando estes últimos trouxeram parte de seu conhecimento avançado para o continente americano. b) é uma evidência de que os povos pré-históricos passavam por um processo de sedentarização e revolução agrícola, o que gerou a necessidade de armazenas alimentos entre outras necessidades. c) representava uma forma sofisticada de resistência cultural contra a colonização portuguesa, que além de transformar os nativos em mão de obra, obrigava-os a adotar a cultura lusitana. d) é um indício que a civilização andina estendia seu domínio até o litoral brasileiro, exercendo tanto influência política e econômica quanto cultura, de modo que a arte ceramista de difundiu por todo o continente. e) tem datação muito recente, demonstrando que os nativos viviam como caçadores- coletores por todo o território brasileiro até a chegada dos europeus na modernidade. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 81 AULA 06 HB: Colônia I (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ENGENHOS DE AÇÚCAR EM CADA CAPITANIA CAPITANIA 1570 1583 1612 1629 Pará, Ceará, Maranhão - - - - Rio Grande - - 1 - Paraíba - - 12 24 Itamaracá 1 - 10 18 Pernambuco 23 66 99 150 Sergipe - - 1 - Bahia 18 33 50 8 Ilheús 8 3 5 4 Porto Seguro 5 1 1 - Espírito Santo 1 6 8 8 Rio de Janeiro - 3 114 60 São Vicente, Santo Amaro 4 6 - - BETHENCOURT, F.; CHAUDUHURI, K. História da Expansão Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, p. 316. Com base nos dados apresentados, é que correto afirmar que, nos primeiros séculos da América portuguesa, o desenvolvimento da economia açucareira a) prosperou nas capitanias do Nordeste, onde não apenas o clima era propício para o cultivo da cana, como também era mais conveniente para as rotas marítimas. b) prevaleceu na região Centro-Oeste, de ocupação mais antiga e onde a oferta de mão de obra indígena passível de escravização era alta. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 82 AULA 06 HB: Colônia I c) foi responsável pela ascensão de São Vicente à capitânia mais rentável da colônia, integrando-a ao comércio exterior e ao tráfico de africanos. d) possibilitou a ocupação do Sul da colônia, onde os nativos já tinham experiência com a plantação de cana e tabaco, gêneros lucrativos no mercado internacional. e) manteve-se a partir das relações de escambos entre indígenas e portugueses, que dessa forma organizavam um uma troca de mercadorias por trabalho. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) Entre 1630 e 1654 o Brasil esteve sob a administração holandesa em parte significativa do nordeste do território. Atente para o que se diz a seguir sobre esse período: I – A invasão holandesa relacionou-se ao processo de segmentação dos Países Baixos, que estavam sob domínio espanhol, e à hegemonia da União Ibérica. II – apesar de ter sido marcada por anos de conflito, a permanência dos holandeses também encontrou períodos de relativa paz nos quais foi possível implementar uma administração modernizante para os padrões da época. III – o domínio holandês foi viabilizado porque foi criada a Companhia das Índias Ocidentais, empresa que pretendia fundar uma colônia holandesa na América para controlar os centros produtores de açúcar. Está correto o que se afirma em a) I, II e III. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) Não só esses gêneros poderiam neste novo mundo descoberto assegurar o suficiente para enriquecer todo o orbe, como muitos outros que, mesmo em menor quantidade, não deixariam de ajudar o enriquecimento da Coroa Real. Tais são o algodão, que se colhe abundantemente; o urucum, do qual se extrai um excelente corante; o açafrão, muito apreciado pelos estrangeiros; a canafístula; a salsaparrilha; os óleos, que competem com os melhores bálsamos para a cura de feridas; as gomas e resinas perfumadas; a pita, da qual se obtém uma fibra de excelente qualidade e que cresce em grande abundância; e muitos outros produtos que a cada dia a necessidade e a cobiça hão de descobrir [...] (Cristóbal Acuña. “Novo descobrimento do grande rio das Amazonas”, 1641) O texto de época descreve a a) a formação de cooperativas jesuíticas. b) a busca por prata nos Andes da América Espanhola. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 83 AULA 06 HB: Colônia I c) o inventário da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão. d) a expedição francesa que, após a expulsão dos franceses da França Antártica, fundou a França Equinocial. e) busca por produtos extrativistas dotados de potencial valor econômico por parte dos colonizadores. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) As esculturas abaixo fazem parte do conjunto Passos da Paixão, de autoria de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, um dos grandes escultores do barroco mineiro. Na cena, temos representado Jesus carregando a cruz, rodeado de soldados romanos. Cristo com cruz às costas, parte do conjunto Passos da Paixão, 1796-1799, de Antonio Francisco Lisboa (Aleijadinho). Analise as quatro afirmações abaixo, a respeito do barroco mineiro e a atividade mineradora no Brasil. I. O trabalho de Aleijadinho floresceu no momento de maior lucratividade da mineração no Brasil ao mesmo tempo que era marcado pelo fervor religioso da Contrarreforma. II. Na cena retratada pelas esculturas acima, podemos notar a preocupação barroca com a representação do movimento, sobretudo no tratamento dado ao panejamento do manto e da túnica. Todo o interesse de Aleijadinho na teatralidade do momento representado explicita essa preocupação. III. No final do século XVIII, a mineração estava em declínio, graças ao esgotamento das jazidas de ouro. Isso não impediu que grandes Igrejas e obras de arte fossem financiadas. IV. Os artistas mineiros se empenharam em copiar completamente o barroco europeu, enfatizando o caráter emotivo e intuitivo nas obras. Utilizando-se exclusivamente de Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 84 AULA 06 HB: Colônia I mármore como matéria-prima, os escultores imprimiam mais sentimento a expressões humanas aproveitando deformações e tons mais carregados. Estão corretas apenas as afirmações a) I e IV. b) II, III e IV. c) I e II. d) I, II e III. e) II e III. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) Salvador e Recôncavo dependiam do sertão. Salvador necessitavada carne que o sertão fornecia. Carne, couro e sebo eram usados na cidade e no campo, e os engenhos precisavam igualmente de bois para transporte, muitos também como força motriz. Grandes boiadas percorriam, às vezes, sessenta quilômetros por dia, com destino às feiras na orla do Recôncavo, onde um ativo comércio tinha lugar. A primeira dessas feiras foi Capoame, estabelecida por Francisco Dias d’Avila em 1614. (SCHWARTZ, 1995, p. 88) A atividade econômica descrita no texto, demonstra, em relação à economia do açúcar, a) oposição. b) competição. c) complementariedade. d) substituto perfeito. e) alternativa mais rentável. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) “Embora certas pinturas rupestres talvez tenham sido realizadas já no período anterior, a maioria dos grafismos encontrados nos abrigos data provavelmente dos últimos seis milênios antes da era cristã. Com certeza não eram obras de ‘arte’ no sentido que damos hoje à palavra. É claro que durante todos esses milênios e em tantos lugares, algumas pessoas podem ter deixado simples graffiti, e outros desenhos talvez fossem feitos para fins decorativos. No entanto o mais provável é que a maioria dos grafismos tenha sido feita como afirmação de etnicidade, expressão de uma crença, ato mágico, proclamação política de status, trato, posse”. PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a Pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, pp. 72-73. A arte rupestre no Brasil, Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 85 AULA 06 HB: Colônia I a) apresenta maior concentração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Grande parte dessas figuras é constituída por figuras animais e geométricas, sobretudo pássaros. b) são encontradas em apenas dezoito sítios arqueológicos na Amazônia. Em geral, pinturas e gravuras são encontradas em abrigos, nas grutas mais afastadas dos rios. c) é fácil de se preservar, pois está distribuída em locais de difícil acesso e de pouca exposição às intempéries. Exemplo disso é o Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí. d) é muito variada e não foi totalmente mapeada ainda. Todavia, as evidências conhecidas até agora atestam que foi uma forma de expressão muito rica para as populações pré- históricas de todo o Brasil. e) tem datação muito recente, demonstrando que essa forma de expressão é tardia na América do Sul, comparada ao norte do continente, onde há pinturas de 48 mil anos atrás. (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) As invasões holandesas em territórios do Império português tiveram como consequência a) a valorização do açúcar brasileiro no mercado internacional, pois os holandeses perderam sua única colônia açucareira. b) a forte concorrência do açúcar das Antilhas, quebra do monopólio português no comércio transatlântico de escravos e crescimento da influência inglesa. c) diminuíram a importância do Brasil como colônia e fonte de riquezas para o Império português. d) tornou o Atlântico Norte a principal base da colonização e exploração portuguesa. e) obrigou d. João IV, rei português, a romper os laços comerciais e diplomáticos com a Inglaterra. (Estratégia Vestibulares/2021/profe. Alê Lopes) Monumentos amanhecem pichados em São Paulo, Veja, 30 de setembro de 2016. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/monumentos-amanhecem-pichados-em-sao-paulo/ Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 86 AULA 06 HB: Colônia I A partir da fotografia e de seus conhecimentos sobre monumentos históricos, assinale a alternativa correta. a) O monumento, diferente do documento, é algo que a sociedade não escolhe lembrar, mas é obrigada pela imposição da maioria. Isso explica a retaliação de uma pequena parcela da população a alguns monumentos. b) As estátuas e monumento estão alheios a quaisquer disputas ideológicas e políticas. Eles marcam a identidade fundamental e imutável de um povo. Portanto, a fotografia registra um ato de vandalismo de estrangeiros contra a identidade nacional. c) Em geral, os monumentos e estátuas são algo que a sociedade quer esquecer. Assim, a intervenção posterior à sua construção, como no caso da fotografia acima, revela como o que se quer esquecer é “digerido” pelas próximas gerações. d) Os monumentos são algo voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o passado que ela escolheu lembrar. Eles permeiam as formas de lembrar o passado e de compreender o presente. Seus significados são sempre passíveis de disputas. 10. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO (UEL/2018) Leia o trecho do poema a seguir. — Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida. — É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. — Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. (MELO NETO, J. C. Morte e Vida Severina. Universidade da Amazônia, NEAD – Núcleo de Educação à Distância. p.21-13. Disponível em: <www.nead.unama.br>. Acesso em: 28 ago. 2017). O poema trata da relação entre o homem e a terra no Brasil. Com base nos conhecimentos sobre propriedade e usos da terra, assinale a alternativa correta. a) No decorrer do segundo Reinado, a Lei de Terras, promulgada em 1850, possibilitou o livre acesso das terras devolutas aos primeiros imigrantes europeus, garantindo-lhes a sobrevivência. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 87 AULA 06 HB: Colônia I b) Na Colônia, as terras doadas como sesmarias garantiam privilégios aos senhores de engenho, mas restringiam a prática de certas atividades econômicas. c) No Império, formaram-se os primeiros quilombos cuja propriedade dessas terras foi reconhecida legalmente durante a primeira República. d) Em 1964, João Goulart realizou desapropriações das pequenas propriedades no entorno das metrópoles para o cultivo de sobrevivência por parte dos trabalhadores. e) No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retomou-se a política econômica de estatização das propriedades agrícolas resultando em elevadas taxas de crescimento econômico. (UEL 2012) Oceanos abrigaram, uniram e separaram povos no decorrer do tempo. Representações artísticas, literárias, cartográficas e narrativas históricas sobre os oceanos contribuíram para ampliar a sua compreensão. Com base no enunciado e nos conhecimentos históricos, considere as afirmativas a seguir. I. Grande parte das terras banhadas pelo Mediterrâneo, denominado Mare Nostrum pelos antigos romanos, foi por eles colonizada no decorrer do seu Império. II. Os portugueses, nos séculos XV e XVI, dominaram oceanos com caravelas e conhecimentos náuticos, anotando, em suas viagens, as rotas marítimas. III. As narrativas sobre as criaturas míticas que habitavam os oceanos apavoraram o homem no período medieval, retardando as Grandes Navegações. IV. No período colonial brasileiro, os holandeses, através de seus empreendimentos de navegação, conquistaram a capitania do Rio de Janeiro, por meio século. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. b) Somente as afirmativas II e III são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. (UNICENTRO 2014) Uma das tentativas de colonização do Brasil recém-descoberto foi o estabelecimento das capitanias hereditárias. Das quinze capitanias, apenas duas cumpriram sua missão de exploração das novas terras. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, essas capitanias. a) Itamaracá e Pernambuco. b) Itamaracá e São Vicente. c) Pernambuco e São Vicente. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 88 AULA 06 HB: Colônia I d) Pernambuco e São Tomé. e) São Tomé e São Vicente (UNICENTRO 2012) O termo “etnocentrismo”, aplicado ao conhecimentohistórico, significa a) direcionamento do estudo para uma única etnia, dominante ou não. b) estudo das etnias que compõem a formação cultural de determinado povo. c) abordagem dos povos primitivos que se constituíram como base de uma civilização. d) interpretação da história sob o ponto de vista de uma etnia considerada dominante e superior. e) conhecimento da distribuição geográfica e demográfica das etnias que sobrevivem em uma população de determinada região. (UNICENTRO 2011) A agressividade registrada contra as populações indígenas do litoral das terras do Brasil, por parte dos conquistadores portugueses, resultava, dentre outras questões, a) da disputa pelas áreas de escambo do pau-brasil entre portugueses e indígenas. b) da aliança entre os povos indígenas e as populações quilombolas contra a invasão dos portugueses. c) da divulgação do protestantismo entre os indígenas, como resultado da ação missionária dos protestantes franceses. d) do etnocentrismo, sentimento baseado na ideia de superioridade cultural do conquistador, frente ao conquistado, considerado inferior. e) da antropofagia generalizada praticada pelos povos indígenas contra os conquistadores portugueses. (UECE/2019) Antes da chegada dos portugueses às terras americanas, a) havia dois grupos étnicos habitando a região hoje chamada Brasil: os Tupis e os Tapuias. b) uma variedade de comunidades nativas, etnicamente diferentes, espalhava-se pelo território da futura América portuguesa. c) falavam-se alguns poucos dialetos, variantes de uma mesma língua geral, o Nheengatu, apesar de existir um grande número de grupos indígenas. d) havia uma só sociedade indígena vivendo em harmonia, igualitarismo e paz; desconhecia- se a violência da guerra, trazida para cá pelos europeus. (UECE/2018) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 89 AULA 06 HB: Colônia I “(...) trocar manufaturas baratas por negros na costa ocidental da África; permutar os negros por matérias-primas nas colônias americanas: por fim, vender as matérias primas na Europa a altos preços, ou seja, a dinheiro contado. Comércio de resultados fantásticos em que o lucro nunca ficava por menos de 300% e podia em certos casos render até 600%”. FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p.24. Esse sistema de comércio que foi fundamental para a colonização brasileira por custear a Coroa portuguesa através da sua taxação é conhecido como sistema a) de comércio liberal. b) de comércio quadrangular. c) internacional de comércio livre. d) de comércio triangular. (UECE/2017) Leia atentamente os seguintes excertos: “[...] uma das principais causas da dizimação dos índios, afora as doenças trazidas pelos europeus, foram os massacres e a eliminação deliberada dos nativos pelos portugueses. Isso resultou no fato de que apenas aproximadamente 300.000 índios, cerca de 5 por cento dos 6 milhões que compunham a população indígena em 1500, sobreviveriam para as “comemorações” dos quinhentos anos da chegada de Cabral a suas terras”. JANCSÓ, István (Coord.) Rebeldes brasileiros – homens e mulheres que desafiam o poder. São Paulo: Casa Amarela, [s.d.]. fasc. 9. p. 261 (Caros amigos) “Entre os dias 26 de março e 22 de abril [de 2016], os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías e Assis Guajajara, todos da Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, foram assassinados. Com pouca fiscalização e sem sinal de investigação dos culpados, os indígenas Guajajara que vivem na área – já demarcada e habitada também por índios Awá isolados – sofrem com a constante pressão de madeireiros e temem por sua segurança”. COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT. Em um mês, quatro indígenas Guajajara foram assassinados no Maranhão. Publicado em 27 de abril de 2016. Acessado em 11 de maio de 2017. Disponível em: https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/conflitos-nocampo/3191- em-um-mes-quatroindigenas-guajajara-foram-assassinados-no-maranhao Considerando os excertos acima, é correto afirmar que a) os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos naturais protegidos por lei. b) as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira ainda perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as populações indígenas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 90 AULA 06 HB: Colônia I c) o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos índios e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e ainda diminuem a população indígena. d) os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se dão porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao modelo social, justo e inclusivo, do mundo civilizado. (UECE/2017) Leia atentamente os excertos a seguir: “Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”; (André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p. 89.) “A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas”. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro. José Olímpio editora, 1984. p. 119.) Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente que os dois trechos acima tratam a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e privilégios das classes dominantes. b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica que tornou iguais todos os brasileiros. c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da população brasileira em razão dos interesses das elites. d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil. (UECE/2015) A compreensão cristã do encontro dos portugueses com os primeiros habitantes da América teve forte conotação maniqueísta: de um lado estava o bem, simbolizado pelos europeus na sua suposta busca pelo paraíso; de outro, o mal, representado pelos indígenas e suas práticas diabólicas. Analise as afirmações abaixo acerca dessa compreensão. I. Tal compreensão foi alimentada por considerações imprecisas de alguns viajantes que classificavam de “demoníacas” certas práticas culturais dos povos americanos. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 91 AULA 06 HB: Colônia I II. A leitura das práticas dos povos americanos pelos europeus aliou a ideia da conquista de novas terras com o desejo de levar a palavra de Deus àquelas criaturas “demonizadas”. III. O pensamento cristão português dissociava-se das ideias e políticas expansionistas; desse modo, a propagação da fé era desvinculada da empresa marítima. É correto o que se afirma em a) I, II e III. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. (UDESC/2017) “A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto típico, foram as fugas. (...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, concretizados ou prometidos, por senhores ou prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da chibata, precisam ser computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos rompidos pela venda de pais,esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escravidão] só ganharia força na segunda metade do século, quando o país independente, fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internacional capitalista. (...) “Tirar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou durante muito tempo como sinónimo de evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para dentro, isto é, para o interior da própria sociedade escravista, onde encontram, finalmente, a dimensão política de luta pela transformação do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse momento, desempenha papel decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o abolicionista Rui Barbosa”. REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71. De acordo com os autores do texto, João José Reis e Eduardo Silva, assinale a alternativa incorreta. a) As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX tiveram motivações diversas, entre elas o tráfico interprovincial. b) Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liberdade não se dava somente pela fuga coletiva para a formação de quilombos. c) As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços significativos para as lutas pela abolição. d) Os escravos foram agentes da história, e não apenas força de trabalho. e) A naturalização do sistema escravista se manteve estável durante o período colonial e o imperial. (UDESC 2013) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 92 AULA 06 HB: Colônia I Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. ( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política colonial. ( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com a instalação do Governo-Geral. ( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: Rio de Janeiro. ( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados insatisfatórios de algumas capitanias. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: a) V – F – F – V b) V – F – V – F c) V – V – F – F d) F – V – F – V e) F – V – V – F (UDESC 2013) Sobre a população nativa do território brasileiro, no século XVI, assinale a alternativa incorreta. a) Quando os portugueses chegaram ao litoral atlântico sul-americano ele já era ocupado por mais de mil povos seminômades que viviam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura. b) Estudos apontam que os grupos indígenas que habitavam o território, que hoje é o Brasil, quando da chegada dos portugueses, eram passivos e ingênuos, por isso sua dominação e seu controle foi relativamente tranquilo para Portugal. c) Estudos apontam que os tupi-guaranis são originários da região amazônica, mas o crescimento da população e as mudanças ambientais, dentre outros motivos, forçaram-nos a abandonar suas terras e partir em direção ao litoral. d) Quando os portugueses chegaram ao território, que hoje é o Brasil, os tupis ocupavam quase toda a faixa costeira entre os atuais estados do Ceará e São Paulo, enquanto que os guaranis localizavam-se mais ao Sul. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 93 AULA 06 HB: Colônia I e) Os tupis do litoral foram os primeiros povos nativos a tomar contato com os europeus. Formavam o grupo mais numeroso, por isso, muitas vezes, a imagem do tupi é confundida como se representasse todos os indígenas do território brasileiro. (UNITAU 2018) O açúcar foi o principal produto brasileiro de exportação durante a época colonial. Mesmo durante o auge da exploração do ouro, quando o Brasil encheu os cofres europeus e ajudou a impulsionar a Revolução Industrial na Inglaterra, o valor das exportações de açúcar excedeu o de qualquer outro produto. Assinale a alternativa que apresenta o(s) mecanismo(s) empregado(s), na economia colonial, para favorecer esse quadro. a) A imigração maciça de portugueses para trabalhar nas terras interiores da colônia. b) A utilização predominante da mão de obra indígena nas lavouras açucareiras. c) O incentivo dado pela coroa portuguesa à adoção do trabalho assalariado livre. d) A adoção da mão de obra escrava africana e o pacto colonial. e) O predomínio de pequenas propriedades rurais produzindo açúcar para exportação. (UNITAU 2017) O Cristianismo chegou ao Brasil com a conquista colonial, associado à exploração metropolitana. A Igreja desempenhou, assim, um importante papel no processo de colonização, promovendo a transformação do modo de vida indígena e a sua adaptação às formas culturais europeias. Dentre as medidas adotadas pelos religiosos para promover esse processo, é INCORRETO destacar: a) A criação dos aldeamentos, onde os índios das mais diferentes tribos eram reunidos, recebiam a catequese e eram batizados, tornando-se cristãos. b) O combate ao nomadismo e a imposição do trabalho agrícola aos índios, com uma nova divisão de tarefas entre homens e mulheres. c) A obrigação do uso de vestimentas, enquanto, anteriormente, os índios exibiam as marcas da sua cultura no próprio corpo. d) O estabelecimento de escolas para os nativos, de modo a alfabetizá-los, com o objetivo de torná-los funcionários da administração colonial. e) A organização do tempo, com a Igreja instalada no centro do aldeamento e o sino regrando a vida dos nativos em relação ao trabalho, à catequese e ao lazer. (UNITAU 2016) O dia 20 de novembro foi instituído como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Sobre Zumbi e o Quilombo dos Palmares, pode-se afirmar que Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 94 AULA 06 HB: Colônia I a) no período do Brasil Império, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão, mobilizando todos os grupos marginalizados. b) Zumbi morreu muito tempo após o fim do Quilombo dos Palmares. Depois de preso, foi levado ao Rio de Janeiro, sendo morto e exposto em praça púbica. c) o quilombo liderado por Zumbi constituía uma forma de resistência ao sistema escravista, e era o principal responsável pela preservação da cultura africana no Brasil. d) apesar da curta existência, menos de cinquenta anos, o Quilombo dos Palmares ficou bastante conhecido por ter resistido durante décadas contra os ataques da Coroa Portuguesa e dos holandeses. e) a relação do Quilombo dos Palmares com a presença dos holandeses no Nordeste se caracterizou pelo investimento do governo holandês no Quilombo, para fortalecê-lo e fazer frente à Coroa Portuguesa. (IFPE – 2020/1) Não se pode dizer que os senhores fossem cidadãos. Eram, sem dúvida, livres, votavam e eram votados nas eleições municipais. Eram os “homens bons” do período colonial. Faltava- lhes, no entanto, o próprio sentido da cidadania, a noção de igualdade de todos perante a lei. Eram simples potentados que absorviam parte das funções do Estado, sobretudo as funções judiciárias. Em suas mãos, a justiça, que, como vimos, éa principal garantia dos direitos civis, e que se tornava simples instrumento do poder pessoal. O poder do governo terminava na porteira das grandes fazendas. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011 (adaptado). 41. A partir da leitura do e analisando o processo histórico da cidadania no Brasil, desde o período colonial até o presente, é CORRETA a seguinte afirmação: a) a cidadania brasileira foi construída já no período colonial, tendo senhores de engenho, homens livres e proprietários, logo, “homens bons”, à frente das Câmaras Municipais, assumindo as funções do Estado português, em geral, autoritário e centralizador. b) ao longo de mais de 500 anos, a cidadania, no Brasil, foi uma construção histórica que buscou conciliar os diversos grupos sociais e étnicos que habitaram o território, pautando-se no respeito às diferenças e na mestiçagem de nosso povo, marca de nossa identidade nacional. c) ao longo de mais de 500 anos de história brasileira, o processo de construção da cidadania foi impactado seja pela escravidão, seja pela grande propriedade rural, dificultando o exercício de direitos civis básicos e a participação política de grande parte da população. d) a condição de proprietário rural e a cor branca, no Brasil, nunca foram características consideradas importantes como critérios de distinção para o exercício da cidadania, seja pelo Estado português, seja, depois, pelo Estado Nacional brasileiro. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 95 AULA 06 HB: Colônia I e) os “homens bons” que assumiram papéis de relevo nas Câmaras Municipais da Colônia distinguiam-se dos demais por qualidades morais, comumente associadas ao bom tratamento para com os escravos e dependentes em geral, e ao sentimento de coletividade. (IFNMG/2019) Sobre a exploração do trabalho escravo no Brasil, leia as afirmações seguintes e marque aquela que estiver INCORRETA. a) Os indígenas, por serem preguiçosos e protegidos pelos jesuítas, não foram escravizados no Brasil após o Período Pré-Colonial. b) Os quilombos e o uso da capoeira, enquanto arte marcial, representam algumas das manifestações de resistência dos negros contra a escravidão. c) O tráfico negreiro da África para o Brasil era considerado uma atividade comercial que rendia recursos econômicos não apenas ao traficante, mas também à Coroa Portuguesa. d) Na região sul do Brasil, marcada pela pecuária, a exploração do trabalho escravo foi menor, quando comparada a outras regiões onde predominou a agricultura. (IFBA – 2018) Que Deus entendeu de dar A primazia Pro bem, pro mal Primeira mão na Bahia Primeira missa Primeiro índio abatido também Que Deus deu Que Deus entendeu de dar Toda magia Pro bem, pro mal Primeiro chão da Bahia Primeiro carnaval Primeiro pelourinho também Gilberto Gil, Toda menina baiana. In.: CD Realce, Warner: 1979. Trecho disponível em https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46249. Acesso em 24 jul 2017. Com base no trecho da música acima, é possível afirmar historicamente que: a) A primeira missa na Bahia foi feita pelos portugueses com o intuito de converter os índios ao catolicismo e assim evitar que fosse feita uma guerra contra eles. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 96 AULA 06 HB: Colônia I b) Para o bem ou para o mal, a Bahia foi o primeiro local no Brasil em que os portugueses colocaram suas mãos. c) O carnaval sempre foi feito durante as festas profanas que acontecem ao redor das festas religiosas católicas. Assim, esse texto seria uma metáfora para entender as contradições do Brasil: carnavalesco e religioso. d) Deus seria a entidade que moveria a história dos homens. Os homens apenas reproduziriam as suas vontades. A vontade de Deus, “pro bem ou pro mal”, espalhou o cristianismo pelo mundo, uma das principais instituições colonialistas dos séculos XV até os dias atuais. e) Ao destacar o abate indígena, o pelourinho e as missas religiosas, o autor chama atenção para o caráter violento da colonização brasileira. 11. GABARITO 1. A 2. C 3. D 4. D 5. B 6. A 7. C 8. C 9. D 10. B 11. E 12. B 13. B 14. E 15. C 16. C 17. E 18. B 19. A 20. A 21. E 22. E 23. C 24. D 25. B 26. D 27. B 28. D 29. C 30. D 31. D 32. B 33. D 34. B 35. C 36. D 37. E 38. A 39. B 40. D 41. D 42. C 43. C 44. A 45. E Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 97 AULA 06: HB - Colônia I 12. QUESTÕES ESSENCIAIS - UNICAMP (COMENTÁRIOS) (Unicamp 2020) Na América Portuguesa do século XVI, a política europeia para os indígenas pressupunha também a existência de uma política indígena frente aos europeus, já que os Tamoios e os Tupiniquins tinham seus próprios motivos para se aliarem aos franceses ou aos portugueses. (Adaptado de Manuela Carneiro da Cunha, Introdução a uma história indígena. São Paulo: Companhia das Letras/Fapesp, 1992, p. 18.) Com base no excerto e nos seus conhecimentos sobre os primeiros contatos entre europeus e indígenas no Brasil, assinale a alternativa correta. a) A população ameríndia era heterogênea e os conflitos entre diferentes grupos étnicos ajudaram a definir, de acordo com suas próprias lógicas e interesses, a dinâmica dos seus contatos com os europeus. b) O fato de Tamoios e Tupiniquins serem grupos aliados contribuiu para neutralizar as disputas entre franceses e portugueses pelo controle do Brasil, pelo papel mediador que os nativos exerciam. c) Os indígenas, agentes de sua história, desde cedo souberam explorar as rivalidades entre os europeus e mantê-los afastados dos seus conflitos interétnicos, anulando o impacto da presença portuguesa. d) As etnias indígenas viviam em harmonia umas com as outras e em equilíbrio com a natureza. Esse quadro foi alterado com a chegada dos europeus, que passaram a incentivar os conflitos interétnicos para estabelecer o domínio colonial. Comentários A trajetória das populações indígenas e afro-brasileiras é bastante repertoriada nas provas da Unicamp. Vejamos as alternativas: A alternativa A é a resposta. Quando os portugueses desembarcaram em solo americano, a porção sul do continente contava com mais de dois milhões de indígenas de etnias e culturas diversas. Para facilitar o processo de conquista, alianças foram travadas com os nativos levando em conta suas rivalidades. Os tupiniquins, povo mencionado pelo enunciado, firmou alianças com os portugueses, ao passo que os tamoios, etnia rival, se vinculou aos franceses. A alternativa B está incorreta, afinal tamoios e tupiniquins eram povos rivais. Este antagonismo foi utilizado pelos portugueses e franceses no processo de conquista, pois os tupiniquins se aliaram com os primeiros, enquanto tamoios se aliaram aos segundos. A alternativa C está incorreta. Embora os indígenas fossem agentes de sua própria história, eles não exploraram as rivalidades entre europeus, mas tiveram seus antagonismos mobilizados por eles. A alternativa D está incorreta, pois as rivalidades entre tamoios e tupiniquins antecedem a chegada dos europeus, no século XVI. Gabarito: A Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 98 AULA 06: HB - Colônia I (Unicamp 2019) Entre os séculos XVII e XVIII, o nheengatu se tornou a língua de comunicação interétnica falada por diversos povos da Amazônia. Em 1722, a Coroa exortou os carmelitas e os franciscanos a capacitarem seus missionários a falarem esta língua geral amazônica tão fluentemente como os jesuítas, já que em 1689 havia determinado seu ensino aos filhos de colonos. (Adaptado de José Bessa Freire, Da “fala boa” ao português na Amazônia brasileira. Ameríndia, Paris, n. 8, 1983, p.25.) Com base na passagem acima, assinale a alternativa correta. a) Os jesuítas criaram um dicionário baseado em línguas indígenasentre os séculos XVI e XIX, que foi amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico. b) O texto permite compreender a necessidade de o colonizador português conhecer e dominar a língua para poder disciplinar os índios em toda a Amazônia durante o período pombalino e no século XIX. c) O aprendizado dessa língua associava-se aos projetos de colonização, visando ao controle da mão de obra indígena pelos agentes coloniais, como missionários, colonos e autoridades. d) A experiência do nheengatu desapareceu no processo de exploração da mão de obra indígena na Amazônia e em função da interferência da Coroa, que defendia o uso da língua portuguesa. Comentários Para exercer o controle sobre os povos das Américas colonizados, os europeus lançaram mão do aprendizado das línguas nativas para melhor compreender e penetrar no meio indígena. Com efeito, esse “aprendizado” das línguas fez parte das estratégias de dominação. Dentre os agentes europeus que buscaram estabelecer comunicações a partir das línguas nativas, destacaram-se os missionários. Por sinal, foi a partir desse tipo de prática que os índios também foram alvos do processo de catequização (conversão ao catolicismo). A alternativa A está errada, pois o trecho “amplamente usado na correspondência e na administração colonial nos dois lados do Atlântico” indica, equivocadamente, a oficialização das línguas nativas. Algo que seria, no mínimo, uma heresia do ponto de vista religioso. A escrita e a linguagem em geral são fontes fundamentais para projetos de dominação. Por isso, o português foi mantido nas correspondências oficiais. A alternativa B restringe a estratégia de dominação por meio da língua a um período pequeno da história do Brasil, quando, na verdade, a prática foi empenhada desde o século XVI. O próprio texto dá um destaque ao século XVII. A letra C é o nosso Gabarito. A letra D contradiz os argumentos do próprio texto motivador da questão, segundo o qual a Coroa portuguesa estimulou (“exortou”) os missionários a se empenharem na língua nativa. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 99 AULA 06: HB - Colônia I Gabarito: C (Unicamp 2019) As plantações de mandioca encontradas pelas saúvas cortadeiras nas roças indígenas eram apenas uma entre várias outras. Em muitas situações, a composição química das folhas favorecia a escolha de outras plantas e a folhagem da mandioca era cortada apenas quando as preferidas das saúvas não eram suficientes. Já na agricultura comercial, machados e foices de ferro permitiam abrir clareiras em uma escala maior, resultando em grande homogeneidade da flora. Nas lavouras de mandioca de finais do século XVII e do início do século XVIII, as folhas da mandioca tornavam-se uma das poucas opções das formigas. Depois de mais algumas colheitas, a infestação das formigas tornava-se insuportável, por vezes causando o completo despovoamento humano da área. (Adaptado de Diogo Cabral, 'O Brasil é um grande formigueiro’: território, ecologia e a história ambiental da América Portuguesa – parte 2. HALAC - História Ambiental Latinoamericana y Caribeña. Belo Horizonte, v. IV, n. 1, p. 87-113, set. 2014-fev. 2015.) A partir da leitura do texto e de seus conhecimentos sobre História do Brasil Colônia, assinale a alternativa correta. a) A principal diferença entre as lavouras indígenas e a agricultura comercial colonial estava no uso de queimadas pelos europeus, o que não era praticado pelas populações autóctones. b) Comparadas à mandioca cultivada pelos indígenas, as novas espécies de mandioca trazidas da Europa eram menos resistentes às formigas cortadeiras, e por isso mais susceptíveis à infestação. c) Os colonizadores introduziram no território colonial novas espécies de mandioca e milho, que desequilibraram o sistema agrícola ameríndio, baseado no sistema rotativo de plantação. d) A agricultura comercial tendia à homogeneização da flora nas lavouras da América Portuguesa, combinando tradições europeias de plantio com práticas indígenas. Comentários Durante o Brasil Colônia a produção agrícola colonizadora estava preocupada em produzir para gerar lucros. Dessa forma, era preciso grandes extensões de terra e plantações para a manutenção da economia agroexportadora dentro da relação comercial colônia e Metrópole. Assim, a principal diferença entre a plantação indígena e a europeia não era o uso de queimadas, mas o modo de organização da produção em si. Os nativos não produziam para a comercialização, logo, mantinham plantações voltadas para a subsistência e, muitas vezes, diversificadas. Já os portugueses, por exemplo, priorizavam a monocultura em grandes extensões de terra. Dessa forma, a alternativa A está errada. De toda forma, a título de curiosidade, saiba que os índios, até hoje, utilizam a técnica do fogo, porém não como os brancos faziam nos canaviais. Veja: Um dos estudos mais detalhados sobre o uso do fogo no cerrado e nas capoeiras brasileiras, é o do etnobotânico Darrel Posey (1987: 180), realizado com os Kayapó, que demonstra, ao contrário da crença generalizada, o cuidado extremo na manipulação indígena do fogo. A roça é preparada Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 100 AULA 06: HB - Colônia I a partir da abertura de clareiras, formando corredores, seguindo-se a queimada, controlada, para evitar o excesso de calor e o dano às raízes, previamente plantadas. Caso o uso do fogo fosse descontrolado, os índios estariam destruindo seu próprio esforço de roçar e plantar, inclusive o plantio de longo prazo. O fogo é usado pelos índios no cerrado, e mais de uma vez. No início, ateiam fogo controlado para a abertura dos terrenos de plantio e posteriormente a prática é repetida em menor escala, como uma técnica integrada ao conjunto de sua orientação no manejo dos recursos, com objetivos de fertilização e abertura de espaços reservados aos cultivos selecionados. Os Xavante também usavam o fogo como tática de guerra. Orlando Villas-Bôas relata como, em sua pioneira expedição Roncador-Xingú, os índios cercaram por várias vezes os 14 sertanistas, e o alívio que era encontrar abrigo em um curso d'água (OESP, 12 jul. 2000: D5). Essa técnica de “fogo controlado”, diferentemente da empregada nas grandes plantações comerciais tinha um nome e uma finalidade. Conhecida como agricultura de coivara, ou corte e queima, a coivara é caracterizada pela derrubada e queima da matéria vegetal da floresta como forma de aproveitar os nutrientes disponibilizados ao solo na forma de cinzas, uma adaptação a solos relativamente pobres das áreas florestais. Quanto à alternativa B, o texto do enunciado da questão não estabelece uma relação de comparação entre folhas de mandioca nativa e “trazidas pelos portugueses”: “as folhas da mandioca tornavam - se uma das poucas opções das formigas”. Ou seja, devido à prática da monocultura de grandes extensões, não havia muito opção para as formigas. Além disso, a mandioca, considerada uma das principais fontes de alimentação desde o início da colonização, é um produto tipicamente brasileiro. Quando os europeus desembarcaram no continente americano, no século XV, os ameríndios já haviam domesticado a mandioca há pelo menos 8.000 anos. Por esse motivo, a C está errada. Por fim, a D é o nosso Gabarito. Gabarito: D (UNICAMP/2017) O documento abaixo foi redigido pelo governador de Pernambuco, Caetano de Melo e Castro, em 18 de agosto de 1694, para comunicar ao Rei de Portugal a tomada da Serra da Barriga. “ (...) Não me parece dilatar a Vossa Majestade da gloriosa restauração dos Palmares, cuja feliz vitória senão avalia por menos que a expulsão dos holandeses, e assim foi festejada por todos estes povos com seis dias de luminárias. (...) Os negros se achando de modo poderosos que esperavam o nosso exército metidos na serra (....), fiando-sena aspereza do sítio, na multidão dos defensores. (...) Temeu-se muito a ruína destas Capitanias quando à vista de tamanho exército e repetidos socorros como haviam ido para aquela campanha deixassem de ser vencidos aqueles rebeldes pois imbativelmente se lhes unir-se os escravos todos destes moradores (....)”. (Décio Freitas, República de Palmares – pesquisa e comentários em documentos históricos do século XVII. Maceió: UFAL, 2004, p. 129.) Sobre o documento acima e seus significados atuais, é correto afirmar que Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 101 AULA 06: HB - Colônia I a) foi escrito por uma autoridade da Coroa na colônia e tem como principal conteúdo a comemoração da morte de Zumbi dos Palmares. A data de 20 de novembro, como referência ao líder do quilombo, tem uma conotação simbólica para a população negra em contraponto à visão oficial do 13 de maio de 1888. b) o feito da tomada de Palmares, em 1694, pelos exércitos da Coroa, é entendido como menos glorioso quando comparado à expulsão dos holandeses de Pernambuco, em 1654. Os dois eventos históricos não têm o mesmo apelo para a formação da sociedade brasileira na atualidade. c) o texto de Caetano de Melo e Castro indica que Palmares não gerou temor às estruturas coloniais da Capitania de Pernambuco. A comemoração oficial do Dia da Consciência Negra é uma invenção política do período recente. d) o Quilombo de Palmares representou uma ameaça aos poderes coloniais, já que muitos eram os rebeldes que se organizavam ou se aliavam ao quilombo. A data é celebrada, na atualidade, como símbolo da resistência pelos movimentos negros. Comentários A letra A está errada porque o principal conteúdo da carta escrita por Caetano de Melo e Castro é a comemoração da derrubada de Palmares, e não a morte de Zumbi. Este foi capturado e morto no dia 20 de novembro de 1685. A destruição do Quilombo de Palmares ocorreu em 1694. A letra B também está errada. É possível resolver esse item com base em técnica de interpretação de texto, pois há uma comparação entre a conquista de Palmares e a expulsão dos holandeses do Brasil. Neste caso, a comparação é que os dois eventos foram igualmente grandiosos e significativos para os portugueses. A C, embora seja possível de ser solucionada com técnica de interpretação, também exige algum conhecimento sobre o significado do Quilombo de Palmares no Brasil Colônia. Na parte teórica da aula, vimos o quanto Palmares foi importante para a resistência negra e para servir como contraponto à dominação colonial. Em oposição a letra C, a letra D é o nosso Gabarito. Gabarito: D (Unicamp 2016) Os estudos históricos por muito tempo explicaram as relações entre Portugal e Brasil por meio da noção de pacto colonial ou exclusivo comercial. Sobre esse conceito, é correto afirmar que: a) Trata-se de uma característica central do sistema colonial moderno e um elemento constitutivo das práticas mercantilistas do Antigo Regime, que considera fundamental a dinâmica interna da economia colonial. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 102 AULA 06: HB - Colônia I b) Definia-se por um sistema baseado em dois polos: um centro de decisão, a metrópole, e outro subordinado, a colônia. Esta submetia-se à primeira através de uma série de mecanismos político-institucionais. c) Em mais de uma ocasião, os colonos reclamaram e foram insubordinados diante do pacto colonial, ao exigirem sua presença e atuação nas Cortes dos reis ou ao pedirem a presença do Marquês de Pombal na colônia. d) A noção de pacto colonial é um projeto embrionário de Estado que acomodava as tensões surgidas entre os interesses metropolitanos e coloniais, ao privilegiar as experiências do “viver em colônia”. Comentários O Pacto Colonial é o principal “acordo” entre a colônia e a metrópole. Tal documento se insere dentro da lógica das Grandes Navegações e foi um instrumento eficaz dentro do pensamento mercantilista, assim tudo que fosse produzido dentro da colônia deveria ter como único destino a metrópole, que, além disso, atribuía impostos sejam em transportes ou nos engenhos. Por mais que a metrópole vendesse produtos para o consumo local, não existia, porém, uma troca igual dentro do campo econômico. O Pacto Colonial, portanto, impedia qualquer troca comercial com outra nação, com possibilidade de represálias fortes contra quem rompesses com o pacto. Assim em nenhum momento a metrópole incentivava um dinamismo interno dentro da colônia, já que a ideia única era a de exploração e de exclusividade comercial, o que construiu uma profunda desigualdade de condições, principalmente nos homens livres e escravos, sendo estes últimos explorados até o século XIX, o que exclui a opção “a”. Durante o processo colonial, principalmente no período final do ciclo do açúcar o descontentamento com a Coroa era comum, o que fez surgirem movimentos contrários a Portugal. Assim em nenhum momento os lusos brasileiros ou os brasileiros queriam estar inclusos na Coroa Portuguesa, e muito menos queriam a vinda de Marques de Pombal, o que faz a “c” errada. Portanto, tal pacto não possuía o interesse desenvolvimento local, pelo menos o social e político, já que a única premissa que ele desenvolveu foi a criação de um espaço ou zona de exploração da condição humana, principalmente de negros e indígenas, bem como, colocou os lusos brasileiros em uma condição que não eram nem portugueses, e muito menos donos de uma liberdade separada do crivo jurídico e administrativo português, o que nos faz anular a alternativa “d”. Assim a alternativa correta é a “b”, em que o que ocorria eram dois polos: o de imposição, domínio e poder, estabelecido pela metrópole, e o de subordinação, aceitação e ser explorado representado pela colônia. Comentários: B (Unicamp 2015) Engenheiros, naturalistas, matemáticos e artistas, sob o mecenato de Nassau, investigaram a natureza e transformaram a paisagem nordestina. Recife tornou-se uma das cidades mais importantes da América, com modernas pontes e prédios. Além do incentivo à arte, o governo [de Nassau] promulgou leis que eram iguais para todos, impedindo injustiças contra os antigos habitantes. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 103 AULA 06: HB - Colônia I (Ronald Raminelli, Invasões Holandesa”, em Ronaldo Vainfas (dir.), Dicionário do Brasil Colonial. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001, p. 315.) As transformações durante o governo de Maurício de Nassau (1637-1645), em Pernambuco, são exemplos de um contexto em que a) o mecenato e a aplicação de leis idênticas para holandeses e luso-brasileiros eram uma continuidade do modelo renascentista, representando um período de modernização da região. b) houve dinamização da economia açucareira na região, com a reativação de engenhos e perdão de dívidas dos antigos proprietários, impulsionando a remodelação da cidade de Recife. c) houve a aplicação de princípios mercantilistas para a obtenção de lucros e a perseguição, por parte dos holandeses calvinistas, a judeus, cristãos-novos e católicos. d) as expedições dos artistas e cientistas tinham o propósito de retratar a paisagem e identificar potencialidades econômicas da região, pois o açúcar estava em declínio no comércio internacional. Comentários O texto observa o período conhecido como Brasil Holandês, quando, tropas de tal país invade e instala diversas modificações dentro do contexto da União Ibérica. Quando Felipe II assume as duas coroas, indiretamente, também herda todo o território português no Brasil. Porém, a Holanda se viu prejudicada, já que possuía com Portugal profundo laço econômico e político, já que todo o açúcar produzido no Brasil era refinado pela Holanda, inimiga da Espanha. Assim, sob o comando de Mauricio de Nassau, na região de Recife, Pernambuco, se inicia uma série de mudanças para a efetivação deuma colônia holandesa em território português, como o incentivo à produção de açúcar, já que durante o processo de conquista do território, o principal produto que buscavam decaiu, o que fez aumentar o incentivo de financiamentos aos senhores de engenho; outra medida foi o estímulo a agricultura de subsistência, como a mandioca (produto culturalmente impregnado na cultura nordestina), o que visava diminuir os custos de importação de manufaturados, mas acima de tudo isso, visava erradicar a possibilidade de falta de alimento entre os mais pobres, que passariam a consumir um produto barato e produzido no próprio território; além disso, foi no período de Nassau que ocorreu um processo de tolerância religiosa, principalmente entre católicos e protestantes, além de ser o lar da primeira sinagoga nas Américas. Mas o grande legado do período holandês está na arquitetura empregada em Pernambuco, principalmente na cidade de Recife. Tal projeto só foi possível pelo projeto e ousadia de promover tal medida, bem como, na possibilidade de possuir investimentos para tal empreitada. Tal período ainda surte efeitos na formação cultural recifense, como em certos hábitos e nomes, o próprio nome Wanderlei é uma declinação do nome Van Der Ley, comum na Holanda. Agora vamos nos direcionar ao que nos está sendo perguntado: o que pode ter incentivado tais transformações no governo de Mauricio de Nassau. Por mais que houvesse o perdão de dívidas e a reativação dos engenhos, em nenhum momento tal lucro foi utilizado no processo de revitalização de Recife, o que anula a “b”. Também não pode ser a “c”, pois, não houve Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 104 AULA 06: HB - Colônia I perseguições religiosas em seu período de governo, como dissemos acima. E seria errado dizer que as pesquisas empregadas dentro do seu período foram com o intuito de buscar soluções para o açúcar, já que tal produto era o principal motivo para que os holandeses brigassem pela sua posse territorial, sendo uma das bases econômicas dos flamengos. Assim, a alternativa correta se torna a “a”, pois, foi um governo pautado na ideia de uma equidade de tratos entre holandeses e os locais (luso brasileiro) com incentivos altos da Coroa Holandesa para a modernização da cidade de Recife, reformas estas, que até hoje são legado para a capital de Pernambuco, sendo Nassau um nome mitificado da história local. Gabarito: A (UNICAMP/2014) A história de São Paulo no século XVII se confunde com a história dos povos indígenas. Os índios não se limitaram ao papel de tábula rasa dos missionários ou vítimas passivas dos colonizadores. Foram participantes ativos e conscientes de uma história que foi pouco generosa com eles. (Adaptado de John M. Monteiro, “Sangue Nativo”, em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/capa/ sangue-nativo. Acessado em 14/07/2013.) Sobre a atuação dos indígenas no período colonial, pode-se afirmar que: a) A escravidão foi por eles aceita, na expectativa de sua proibição pela Coroa portuguesa, por pressão dos jesuítas. b) Sua participação nos aldeamentos fez parte da integração entre os projetos religioso e bélico de domínio português, executados por jesuítas e bandeirantes. c) A existência de alianças entre indígenas e portugueses não exclui as rivalidades entre grupos indígenas e entre os nativos e os europeus. d) A adoção do trabalho remunerado dos indígenas nos engenhos de São Vicente contrasta com as práticas de trabalho escravo na Bahia e Pernambuco. Comentários Quando os portugueses chegaram ao Brasil, os índios já possuíam rivalidades entre si. Um exemplo são os Tupinambas oriundos da Amazônia que, por volta do ano 1000, conquistaram a região da atual São Vicnete/Santos (SP) dos índios Tapuias. Dessa forma, quando os europeus chegaram nas Américas, eles souberam se aproveitar das diferenças entre os povos indígenas. Isso ocorreu no Brasil e na América Espanhola. Por isso, no decorrer do século XVII, além dos vários conflitos envolvendo indígenas e europeus, também houve conflitos entre indígenas e europeus de um lado, contra indígenas e europeus do outro lado. Um caso clássico que podemos lembrar é o da Confederação dos Tamoios. Incentivados pelos franceses, os índios das tribos tamoios conseguiram se unir a outras tribos e criaram a Confederação dos Tamoios, com objetivo de guerrear contra os portugueses. No final dessa batalha, os portugueses saíram vitoriosos, inclusive com o apoio de outros índios. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 105 AULA 06: HB - Colônia I Nesse contexto, o Gabarito é a letra C. A A está errada porque os índios não aceitaram a escravidão, tal como o item afirma. A alternativa B sugere que jesuítas e bandeirantes adotaram a mesma estratégia de subjugação dos índios. Da forma como a frase foi escrita ela está errada, pois é necessário diferenciar a atuação dos missionários e a dos bandeirantes. Além disso, alternativa ainda coloca os índios como sujeito da ação, quando, na verdade, eles foram objeto da dominação. A alternativa D está equivocada porque não houve esse trabalho remunerado dos indígenas. Ainda mais em São Vicente, ou melhor, no sudeste do país, região que manteve o trabalho escravo indígena por mais tempo. Gabarito: C (Unicamp 2013) “Quando os portugueses começaram a povoar a terra havia muitos destes índios pela costa junto das Capitanias. Porque os índios se levantaram contra os portugueses, os governadores e capitães os destruíram pouco a pouco, e mataram muitos deles. Outros fugiram para o sertão, e assim ficou a costa despovoada de gentio ao longo das Capitanias. Junto delas ficaram alguns índios em aldeias que são de paz e amigos dos portugueses.” (Pero de Magalhães Gandavo, Tratado da Terra do Brasil, em http://www.cce.ufsc.br/~nupill/literatura/ganda1.html. Acessado em 20/08/2012.) Conforme o relato de Pero de Gandavo, escrito por volta de 1570, naquela época, a) as aldeias de paz eram aquelas em que a catequese jesuítica permitia o sincretismo religioso como forma de solucionar os conflitos entre indígenas e portugueses. b) a violência contra os indígenas foi exercida com o intuito de desocupar o litoral e facilitar a circulação do ouro entre as minas e os portos. c) a fuga dos indígenas para o interior era uma reação às perseguições feitas pelos portugueses e ocasionou o esvaziamento da costa. d) houve resistência dos indígenas à presença portuguesa de forma semelhante às descritas por Pero Vaz de Caminha, em 1500 Comentários De acordo com o documento do cronista Pero de Gandavo, os indígenas fugiam para o interior (sertão) como forma de resistência à presença portuguesa. Desde o início do período colonial, vários grupos se opuseram aos lusos, ocasionando diversos conflitos entre nativos e europeus. Dessa forma, fugir para o “interior” dificultava a ação dos portugueses. Por isso, o gabarito é a alternativa C. A alternativa A pode pegar os mais desatentos, pois, ao longo da colonização, de fato, as missões jesuíticas levaram a sincretismos religiosos. Porém, não dá para afirmar categoricamente que os conflitos foram solucionados. Além disso, repare que o texto da Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 106 AULA 06: HB - Colônia I questão foi escrito por volta de 1570, ou seja, antes da instalação da proliferação dos trabalhos das missões. A B está errada porque o trecho final desloca o ciclo da mineração para um contexto em que ele ainda não existia. Já a D, contraria o que Caminha escreveu em sua carta. Por fim, interessante perceber que o texto também mostra que, em muitos casos, algumas sociedades indígenas também estabeleciam sistemas de alianças com os portugueses. Gabarito: C (UNICAMP/2012) Emboaba: nome indígena que significa “o estrangeiro”, atribuído aos forasteiros pelos paulistas, primeiros povoadoresda região das minas. Com a descoberta do ouro em fins do século XVII, milhares de pessoas da colônia e da metrópole vieram para as minas, causando grandes tumultos. Formaram-se duas facções, paulistas e emboabas, que disputavam o governo do território, tentando impor suas próprias leis. (Adaptado de Maria Beatriz Nizza da Silva (coord.), Dicionário da História da Colonização Portuguesa no Brasil. Lisboa: Verbo, 1994, p. 285.) Sobre o período em questão é correto afirmar que: a) As disputas pelo território emboaba colocaram em confronto paulistas e mineiros, que lutaram pela posse e exploração das minas. b) A região das minas foi politicamente convulsionada desde sua formação, em fins do século XVII, o que explica a resistência local aos inconfidentes mineiros. c) A luta dos emboabas ilustra o processo de conquista de fronteiras do império português nas Américas, enquanto na África os portugueses se retiravam definitivamente no século XVIII. d) A monarquia portuguesa administrava territórios distintos e vários sujeitos sociais, muitos deles em disputa entre si, como paulistas e emboabas, ambos súditos da Coroa. Comentário Os bandeirantes paulistas, os primeiros a chegarem em MG e a descobrirem o ouro mineiro, chamavam de “emboabas” todos aqueles que não fossem paulistas. Os assim considerados forasteiros eram atraídos pelo enriquecimento proporcionado pela atividade mineradora. Dessa forma, iniciava-se um conflito de interesses. Como toda a estrutura e administração da exploração aurífera ficava sob controle da Metrópole, a tensão aumentava. Isso porque, o critério da Coroa era distribuir terras aos possuidores de escravos, aos mercadores de origem portuguesa e àqueles que conseguissem dar retorno mais rápido aos cofres portugueses. Decorrer desse conflito entre bandeirantes e os emboabas, a chamada Guerra do Emboadas, entre 1707 e 1709. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 107 AULA 06: HB - Colônia I Repare, então, que todos os envolvidos na guerra estavam sob a jurisdição da Coroa portuguesa. Por isso, nosso Gabarito é a alternativa D. A A está errada porque, naquele tempo, ainda não era possível falar em “mineiros”. Essa denominação foi sendo formada ao longo da atividade de mineração. Além disso, o conflito foi entre bandeirantes (paulistas) que chegaram na Minas e “emboabas”, ou forasteiros vindos de outros estados (como Bahia) e até mesmo de Portugal. A resistência da inconfidência mineira está mais relacionada ao ideário republicano dos ventos iluministas do que propriamente pela disputa do ouro em si vista no início da mineração. É claro que há uma ligação desses processos, mas não como causa-consequência como a alternativa nos induz. Na letra C, o segundo trecho da frase está errado. Os portugueses não se retiraram do continente no século XVIII. Lembro de Moçambique, de Angola, Cabo Verde, dentre outras regiões que, inclusive, possuem o português como língua oficial atualmente. Gabarito: D (Unicamp 2011) Em carta ao rei D. Manuel, Pero Vaz de Caminha narrou os primeiros contatos entre os indígenas e os portugueses no Brasil: “Quando eles vieram, o capitão estava com um colar de ouro muito grande ao pescoço. Um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. Outro viu umas contas de rosário, brancas, e acenava para a terra e novamente para as contas e para o colar do Capitão, como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! Mas se ele queria dizer que levaria as contas e o colar, isto nós não queríamos entender, porque não havíamos de dar-lhe!” (Adaptado de Leonardo Arroyo, A carta de Pero Vaz de Caminha. São Paulo: Melhoramentos; Rio de Janeiro: INL, 1971, p. 72-74.) Esse trecho da carta de Caminha nos permite concluir que o contato entre as culturas indígena e europeia foi a) favorecido pelo interesse que ambas as partes demonstravam em realizar transações comerciais: os indígenas se integrariam ao sistema de colonização, abastecendo as feitorias, voltadas ao comércio do pau-brasil, e se miscigenando com os colonizadores. b) guiado pelo interesse dos descobridores em explorar a nova terra, principalmente por meio da extração de riquezas, interesse que se colocava acima da compreensão da cultura dos indígenas, que seria quase dizimada junto com essa população. c) facilitado pela docilidade dos indígenas, que se associaram aos descobridores na exploração da nova terra, viabilizando um sistema colonial cuja base era a escravização dos povos nativos, o que levaria à destruição da sua cultura. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 108 AULA 06: HB - Colônia I d) marcado pela necessidade dos colonizadores de obterem matéria-prima para suas indústrias e ampliarem o mercado consumidor para sua produção industrial, o que levou à busca por colônias e à integração cultural das populações nativas. Comentários O direcionamento das expedições marítimas dos portugueses às Américas tinha um interesse comercial. Os europeus, em geral, e os portugueses em específico vieram até o “Novo Mundo” em busca de riquezas. Essa intenção está claramente explícita na carta de Pero Vaz quando ele faz referência ao ouro e interpreta a ação dos índios aos olhos do conquistador: “como se dissesse que dariam ouro por aquilo. Isto nós tomávamos nesse sentido, por assim o desejarmos! “. Nesse sentido, a consequência da finalidade dos portugueses (a riqueza) para os índios foi a violência, nas mais diversas formas. A alternativa que sintetiza essa compreensão histórica é a B. A alternativa A transmite a noção de amistosidade entre as partes, índios e portugueses. A C insiste na compreensão romântica de que os índios seriam seres doces. Além disso, a C erra ao afirmar que a base do sistema colonial foi a escravização dos povos nativos. De fato, os índios foram escravizados, mas a base do sistema colonial, em termos de mão de obra, foi a escravidão dos negros africanos. Por fim, a D exagera por colocar a industrialização em um momento em que ela ainda não existia, por isso, é uma alternativa “anacrônica” (fora do tempo/contexto). Gabarito: B 13. QUESTÕES APROFUNDAMENTO - (COMENTÁRIOS) (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) “Objetivando regulamentar a atividade criatória, em 1688, a coroa portuguesa decretou alvará proibindo a criação de gado em uma área de dez léguas do Recôncavo Baiano. Essa determinação demonstrava a força política dos produtores de cana (...) na medida em que garantiram para si terras livres próximas ao litoral, delas afastando a criação bovina. (...) o aumento dos rebanhos era correspondente à ampliação das áreas pastoris, alargando o mapa geográfico da ocupação da ocupação do gado. Diante disso, dilatou-se a [distância] entre o litoral e o sertão, com o contato comercial entre ambos se estruturando em torno das feiras, apontando o caráter efetivamente mercantil que passou a ter a pecuária. Uma das consequências imediatas desse processo foi o da formação, por parte dos colonizadores, de uma vastíssima rede de propriedades: as fazendas de gado. (...)” AQUINO, J. R. et al. Sociedade Brasileira: uma história através de movimentos sociais. Rio de Janeiro: Record, 1999. O texto trata de um período em que a) a economia colonial continuou sendo exclusivamente dedicada à produção e exportação de açúcar, que sabotou outras iniciativas. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 109 AULA 06: HB - Colônia I b) o açúcar foi totalmente substituído pela pecuária na região nordeste da América portuguesa, o que gerou a substituição da escravidão indígena pela africana. c) a rivalidade entre pecuaristas e produtores de cana provocou a eclosão de uma guerra civil entre recifensese olindenses pelo status de capital da capitânia. d) os nativos foram integrados à economia colonial, pois já eram exímios criadores de gado, o que proporcionou a formação de uma elite indígena no Nordeste. e) a crise do açúcar abriu oportunidade para a ascensão da pecuária no Nordeste, mas não foi o suficiente para eclipsar a importância dos produtores de cana. Comentários Atenção a data e ao espaço citados: 1688, na Capitânia da Bahia, durante o Brasil Colônia. O século XVII na América portuguesa é mercado pela diversificação das atividades econômicas e pela expansão da ocupação portuguesa nos sertões brasileiros. Isto gerou uma série de conflitos entre os próprios colonos e entre estes e os espanhóis, que, pelo Tratado de Tordesilhas (1494), eram os legítimos donos de grande parte do interior e do sul do atual território brasileiro. Entretanto, para não fugir do tema, recorde-se que as atividades que começavam a disputar os investimentos com a produção açucareira eram: plantação de tabaco; pecuária bovina e de muares; mineração; bandeirantismo; e a extração de gêneros silvestres (drogas do sertão). Com isso em mente, vejamos o que caracterizava o período abordado: a) Incorreta. Como acabei de dizer e o próprio texto enfatiza, a economia colonial estava passando por um processo de diversificação. É evidente que houve resistência da elite açucareira, mas mesmo mantendo sua influência, ela não tinha poder suficiente para impedir esse processo e surgimento de novas atividades econômicas. Afinal, também dependia delas até certo ponto. O tabaco, por exemplo, servia de moeda de troca na compra de escravizados africanos, enquanto o gado e os muares eram essenciais para o transporte de mercadorias e pessoas e para a produção de ferramentas, roupas e carne para alimentação. b) Incorreta. Em meados do século XVII, a atividade açucareira entrou em declínio devido à concorrência do açúcar antilhano, mas a pecuária nordestina se fortaleceu, embora voltada para a subsistência. Esta atividade se estendeu da Capitania do Maranhão, penetrando pelo sertão, até as margens do rio São Francisco. Contudo, no século XVIII, a pecuária entrou em decadência no Nordeste, pois não conseguiu superar a concorrência dos pecuaristas no centro e no sul da colônia, que atendiam à demanda na região mineradora. Assim, como bem informa o texto, os pecuaristas nordestinos tiveram certa prosperidade, mas não foram capazes de superar a importância do açúcar e de seus produtores na economia e política coloniais. Ainda, é preciso dizer que a escravidão indígena foi substituída pela africana em vista da introdução dos engenhos de açúcar na colônia. Isto porque o tráfico internacional de escravizados era um negócio lucrativo por si só e, combinado à produção e exportação de açúcar, formava-se um ciclo econômico que se autoalimentava. c) Incorreta. Na verdade, Recife e Olinda estavam localizadas na Capitânia de Pernambuco, não da Bahia. Além disso, o conflito entre os habitantes das duas localidades era um reflexo Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 110 AULA 06: HB - Colônia I da rivalidade entre a elite açucareira olindense e os comerciantes recifenses. Inicialmente, estes queriam apenas mais autonomia para si, buscando elevar Recife à categoria de vila, desmembrando-se de Olinda. Em 1709, a Coroa portuguesa emitiu ordem criando a vila de Santo Antônio do Recife. A reação dos senhores de engenho olindense foi violenta, dando início à Guerra dos Mascates, que durou de 1710 a 1711. d) Incorreta. Os nativos não conheciam o gado bovino, que foi introduzido em 1534 por Martim Afonso de Souza, na capitânia de São Vicente. Anos depois, Tomé de Souza levou-o para a Bahia, porque os engenhos de açúcar necessitavam de bois como alimento, de couro para a fabricação de roupas e utensílios domésticos, como tração animal para as moendas, para os carros de boi que transportavam a cana. No início, os rebanhos pertenciam aos senhores de engenho. Com o passar do tempo, o gado foi sendo deslocado cada vez mais para longe. A principal razão desse deslocamento estava associada ao uso inadequado e intensivo das terras que esgotava rapidamente o solo. Assim, gradativamente, os novos campos para as lavouras foram abertos substituíram os pastos e expulsaram o gado para mais longe, adentrando o interior do Nordeste. Assim, vemos que a pecuária não teve nada a ver com a formação de uma elite indígena. e) Correta! Foi o que expliquei na justificativa da letra “b”. Gabarito: E (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “[Os portugueses] que se submeteram à nossa obediência são os principais fatores da cultura da terra; alguns permanecem na antiga posse dos engenhos, outros compram muito dos engenhos confiscados. Ainda outros são lavradores de canaviais ou servem nos ofícios necessários ao movimento dos engenhos, entre os quais os ofícios para cujo desempenho não se apresentou até agora nenhum holandês, [...]. Os portugueses são também zelosos no cultivo dos seus canaviais e graças a eles a agricultura do país progrediu, se bem que, a não ser poucas vezes, se veja algum deles fazer por suas próprias mãos algum trabalho; sabem, porém, fazer trabalhar seus negros”. DUSSEN, Adriaen van der. Relatório sobre as capitanias conquistadas no Brasil pelos holandeses [1639]. Rio de Janeiro: IAA, 1947, p. 85-86. Com base no relatório do conselheiro da Companhia das Índias Ocidentais sobre as capitanias conquistadas no Brasil, assinale a alternativa correta: a) Como não dominavam o processo de produção de açúcar e falharam em cooptar os colonos portugueses, os holandeses se retiraram em pouco tempo do Nordeste. b) Os holandeses empreenderam uma política de aliança com colonos portugueses remanescentes, fornecendo-lhes de empréstimos e instituindo a tolerância religiosa. c) Os portugueses recusavam-se a fazer negócios ou trabalhar para a companhia holandesa independente da oferta feita a eles, dificultando a estadia dos invasores. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 111 AULA 06: HB - Colônia I d) Os portugueses se mostraram resistente ao domínio holandês, pois a escravidão africana foi abolida gerando um grande prejuízo econômico aos proprietários de engenho. Comentários A questão aborda o período em que o Nordeste brasileiro foi ocupado pelos holandeses, o que se deu entre 1635 e 1648. A invasão foi motivada pela incorporação de Portugal e suas colônias aos domínios espanhóis devido à União Ibérica (1580-1640). Na época, os holandeses já estavam em guerra com a Espanha, da qual tentavam se tornar independentes politicamente. Por isso, passaram a atacar as colônias e espanholas e, agora, também as portuguesas. Eles tinham dois objetivos básicos: prejudicar a Espanha; e conseguir colônias para si, obtendo fornecedores privilegiados de matérias-primas valiosas no mercado europeu, como o açúcar. Porém, os holandeses desconheciam as técnicas e saberes necessários à produção do açúcar. Por isso, tiveram que recorrer aos colonos portugueses remanescentes após a conquista do território. Sobre isso, vejamos o que é correto afirmar: a) Incorreta. Eles não falharam em cooptar os colonos portugueses, pelo menos não por alguns anos. Note que o relatório foi feito em 1639, como consta na referência bibliográfica abaixo do texto. Nesse período, o administrador holandês responsável pelo Nordeste brasileiro era Maurício Nassau, função que assumira desde 1637. Ele aplicou uma série de reformas urbanas e institucionais que modernizaram o sistema colonial. Além disso, foi bem sucedido em angariar a cooperação dos grandes proprietários portugueses, fornecendo-lhes empréstimos. No entanto, em 1645, ele foi deposto do cargo devido à discordâncias com a diretoria da Companhia das Índias Ocidentais (WIC). A partir de então, a companhia passou a pressionar os colonos portugueses a pagarem os empréstimosrealizados nos últimos anos. Assim, gerou-se a insatisfação que acabaria nos conflitos armados que expulsaram os holandeses em 1648. b) Correta! No século XVII, a Holanda era um conjunto de principados, cidades-Estados e confederações burguesas. A maioria delas eram de orientação liberal e protestante. Por isso, a tolerância religiosa já era instituída nos territórios e passou a valer no Nordeste brasileiro. Não promover perseguições religiosa aos católicos, como os portugueses, contribuiu para que não se nutrisse um ódio mais consistente aos invasores. Contudo, o mais importante foi realmente os empréstimos e a política econômica realizados por Maurício de Nassau. Essas estratégias garantiram a cooperação dos portugueses na produção de açúcar por um longo tempo, mas com a saída de Nassau isso acabou, como disse antes. c) Incorreta. Como disse acima, os portugueses remanescentes acabaram cedendo e cooperando com os holandeses graças à política econômica e de tolerância religiosa empreendida por estes últimos. d) Incorreta. Os holandeses não aboliram a escravidão. Inclusive, eles também invadiram e conquistaram domínios portugueses na África, importantes portos pelos quais os escravos eram comercializados. Controlando pontos estratégicos do tráfico e um território produtor de um gênero lucrativo, os holandeses mantiveram o sistema de produção de grande latifúndio e mão de obra escrava. A resistência dos portugueses só se radicalizou quando a WIC passou a pressionar para obter o pagamento dos empréstimos. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 112 AULA 06: HB - Colônia I Gabarito: B (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) O pintor, desenhista e gravador holandês Frans Janszoon Post foi um dos primeiros artistas europeus a retratar paisagens do Brasil, no período colonial. Assim, como outros documentos, os quadros e pinturas são considerados fontes históricas que carregam características próprias do contexto em que foram produzidos. Analisando-os é possível captar visões de mundo que circulavam nas sociedades de seu tempo. Carro de bois, 1638, Frans Janzroon Post. A representação de Post a) é isenta de interesses econômicos, expressando a contemplação ingênua e bucólica da paisagem. b) compõe uma pintura informativa e serena, mas carregada de elementos pitorescos. c) reflete os valores liberais e protestantes dos holandeses, que pretendiam descolonizar o Nordeste. d) introduz o uso do realismo na construção de uma crítica social por meio da arte. e) expressa o ideal romântico de arte e beleza através da utilização de cores frias e equilibradas. Comentários A questão aborda o período em que o Nordeste brasileiro foi ocupado pelos holandeses, o que se deu entre 1635 e 1648. A invasão foi motivada pela incorporação de Portugal e suas colônias aos domínios espanhóis devido à União Ibérica (1580-1640). Na época, os holandeses já estavam em guerra com a Espanha, da qual tentavam se tornar independentes politicamente. Por isso, passaram a atacar as colônias e espanholas e, agora, também as portuguesas. Eles tinham dois objetivos básicos: prejudicar a Espanha; e conseguir colônias para si, obtendo fornecedores privilegiados de matérias-primas valiosas no mercado europeu, como o açúcar. Após Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 113 AULA 06: HB - Colônia I conquistarem parte de territórios do litoral dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, os holandeses começaram a instalar sua empresa colonial, apropriando-se das estruturas da economia açucareira já instalada, inclusive buscando cooptar colonos portugueses remanescentes a manter seus negócios na região. O quadro exposto pelo enunciado data do período da administração do conde Maurício de Nassau, que governou o Brasil holandês entre 1637 e 1644. Nassau trouxe consigo uma missão artística e científica composta por vários estudiosos e artistas holandeses para estudar e retratar as novas possessões holandesas. Frans Post foi um desses artistas. Ele se concentrou em pintar as paisagens nordestinas. Com isso em mente, vejamos o que é correto afirmar sobre a pintura selecionada: a) Incorreta. A intenção da missão artística e científica era estudar o território conquistado para informar as autoridades metropolitanas na Holanda a respeito das potencialidades econômicas da região. b) Correta! Como falei acima, a intenção do grupo de Post era informar as autoridades metropolitanas sobre as potencialidades econômicas da região. Repare na pintura como o artista se preocupou em retratar: os trabalhadores utilizados na produção açucareira e os meios de transporte da mercadoria (o carro de bois em primeiro plano); um engenho ao fundo, principal unidade de produção da mercadoria mais importante da região, o açúcar; o rio São Francisco, que atravessa a pintura e ganha destaque, por ser um importante recurso geográfico para a economia local; a vasta paisagem que se perde no horizonte indicando que ainda há muito a ser explorado. Entretanto, por mais objetiva que a obra de Post possa parecer, ela não está isenta de carregar traços que dizem mais a respeito da visão de mundo do artista do que do mundo que ele retrata. As cores mais ou menos homogêneas de tons rebaixados dizem mais respeito às técnicas mais difundidas na pintura holandesa do que à paisagem retratada. A grandiosidade da paisagem que Post tenta capturar também revela a forma como os europeus viam a América: como um lugar onde a natureza se sobrepunha à civilização de forma esmagadora. c) Incorreta. Os holandeses não pretendiam descolonizar o Nordeste brasileiro. Pelo contrário, pretendiam estabelecer seu próprio domínio colonial da região. A missão artística e científica servia exatamente para estudar o local para aproveitar todo seu potencial econômico. d) Incorreta. Esse tipo de realismo só foi concebido a partir do final do século XIX. e) Incorreta. O romantismo é um movimento artístico surgido no século XIX. Além disso, ele não se caracterizava pelo uso de cores frias e equilibradas. Era um movimento que desafia padrões e regras formais muito acadêmicas, próprias do neoclassicismo. Nesse sentido, abusava de cores vivas e quentes, sem dar tanta atenção a contornos perfeitos, com o fim de transmitir maior emoção e sentimentalismo. Gabarito: B (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “O ciclo da guerra na sociedade tupinambá era dotado de ritmo regular: os ritos estabeleciam com precisão o que os indivíduos deviam fazer no curso dos acontecimentos e situações sociais, que se desenrolassem entre a determinação do ataque e a consumação do Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 114 AULA 06: HB - Colônia I sacrifício dos inimigos aprisionados. A rigor, todas as atividades guerreiras faziam parte de u conjunto de ritos, organicamente integrados e interdependentes. Nele também se integravam os ritos de sacrifício do inimigo, de antropofagia [...].” FERNANDES, Florestan. A função social da guerra na sociedade tupinambá. São Paulo: Pioneira, 1970, p. 67. A guerra era uma das preocupações centrais dos tupinambás e equivalia a um ritual que representava o meio de a) sobreviver através do canibalismo devido à escassez de outras fontes de proteína. b) alcançar um estado divino, no qual se reinaria sobre os demais grupos humanos. c) mergulhar o mundo em um estado de barbaridade e violência sem fim. d) destruição dos valores e crenças das culturas dos colonizadores europeus. e) vingança, controle dos inimigos e absorção de suas melhores características. Comentários O tema da questão são os povos indígenas que habitavam o território brasileiro no período da chegada dos portugueses e sua colonização da região, a partir do século XVI. A população nativa equivalia a cerca de três milhões de pessoas e havia uma grande diversidadede etnias, línguas e níveis de domínio tecnológico. Alguns grupos eram nômades, vivendo da caça, da pesca e da coleta, enquanto outros eram sedentários e viviam da agricultura de batata-doce, raízes e algumas frutas. Não há vestígios de sociedades rigidamente estratificadas e hierarquizadas, que dispusessem de estruturas complexas e centralizadas de poder. Entretanto, não quer dizer que não tenha havido tentativas de unificar vastos territórios sob o comando de um grupo. De qualquer forma, a questão aborda especificamente os povos tupinambás. Eles são originários do Recôncavo Baiano, mas espelharam por boa parte do litoral brasileiro dando origem a outros povos que se fixaram mais ao sul, como os tamoios que habitavam a região entre São Sebastião e Cabo Frio, no Sudeste. Curiosamente, mesmo compartilhando a mesma língua, origem e costumes, as relações entre as tribos tupinambás frequentemente eram conflituosas, o que tornou a guerra um elemento marcante de sua cultura. Com base nisso, vejamos o ritual de guerra representava para os tupinambás: a) Incorreta. De fato, os vencedores das guerras costumavam canibalizar o inimigo vencido. Contudo, essa prática não era realizada por mera questão de sobrevivência ou necessidades alimentares, como veremos mais adiante. b) Incorreta. Sem dúvidas era um ritual que envolvia crenças religiosas, porém não com o objetivo de tornar-se divino. c) Incorreta. Isso seria uma visão preconceituosa da cultura tupinambá. Inclusive, foi como os europeus interpretaram esses costumes quando chegaram na América. Para os tupinambás, no entanto, isso não era uma barbaridade e tinham um significado mais amplo. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 115 AULA 06: HB - Colônia I d) Incorreta. A guerra já era praticada entre os tupinambás antes da chegada dos colonizadores. Portanto, esse ritual não era desempenhado apenas quando o inimigo era europeu, mas também em conflitos entre os próprios tupinambás. e) Correta! No fim das contas, a guerra tinha mesmo um sentido de fazer justiça e de punir o inimigo, em geral pela morte de parentes e entes queridos. Ainda, resultava na submissão desse inimigo ao domínio do vencedor. Por fim, o ritual de antropofagia (canibalismo) dos membros mais fortes (o líder e/ou os guerreiros) da comunidade vencida pelos vencedores era um meio de absorver suas qualidades, fortalecendo a si mesmo. Gabarito: E (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “Em 1763, a capital do Vice-Reinado foi transferida de Salvador para o Rio [de Janeiro]. As duas cidades tinham aproximadamente a mesma população (cerca de quarenta mil habitantes), mas uma coisa era ser a capital e, outra, apenas a principal cidade do Nordeste.” FAUTOS, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2008, p. 99. A transferência da capital da América portuguesa para o Rio de Janeiro se deu em função do deslocamento do eixo econômico da colônia da a) extração de borracha na Amazônia para a criação de gado no Sul. b) coleta de drogas do sertão no Norte para a economia cafeeira em São Paulo. c) economia açucareira centrada no Nordeste para a mineração no Sudeste. d) pecuária estabelecida no Centro-Oeste para a plantação de mate no Sul. e) produção de tabaco na Bahia para o cultivo de mandioca em Minas Gerais. Comentários Em primeiro lugar, repare no ano citado pelo texto para a transferência da capital colonial: 1763. Então, lembre-se que no século XVIII a colonização já era um projeto consolidado no Brasil, que era um dos maiores produtores de açúcar do mundo. Entretanto, a colônia também já apresentava certa diversidade regional no que diz respeito a economia. Havia também o cultivo de tabaco, mandioca e mate, além da pecuária bovina e equina. Por outro lado, era comum a extração de algumas especiarias silvestre encontradas nas matas brasileiras. Ainda, no final do século XVII havia sido descoberto minas de ouro que provocaram uma grande migração para a colônia e uma série de reformas nas instituições administrativas para controlar essa exploração. Sabendo desses fatores, vejamos de e para quais atividade e região o eixo econômico se deslocou gerando a transferência da capital colonial no século XVIII: a) Incorreta. No século XVIII, a extração de borracha ainda não era praticada, o que só teve início no século XIX. Desde o século XVII, a Amazônia foi sendo explorada e colonizada em função das drogas do sertão, especiarias silvestres encontradas na flora local, como o cravo, a pimenta, o cacau, o anil, o urucum e a castanha-do-pará. O desenvolvimento dessa economia não provocou a transferência da capital do Brasil de Salvador para o Rio de Janeiro, mas sim a separação Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 116 AULA 06: HB - Colônia I administrativa da região Norte do resto da colônia, por meio da criação do Estado do Maranhão e Grão-Pará, em 1621. b) Incorreta. Como vimos, a economia extrativista no Norte não teve a haver com a transferência da capital do Brasil, mas sim com a criação de uma nova zona administrativa na colônia. Por outro lado, a economia cafeeira ainda não tinha sido desenvolvida no século XVIII na América portuguesa, o que só começou a acontecer no século XIX, principalmente após a independência do Brasil. c) Correta! Desde o século XVI, o açúcar era o principal produto exportado pela América portuguesa, sendo a base de sua economia. A produção estava centrada na região Nordeste, à qual a cana-de-açúcar se adaptava bem e onde havia portos bem localizados para o comércio com a Europa e a África. Entretanto, ao longo do século XVII, a economia açucareira sofreu vários abalos decorrentes das invasões holandesas e da fundação de colônias açucareiras de outras nações europeias no Caribe que aumentaram a concorrência internacional. Enquanto isso, no final daquele mesmo século, bandeirantes paulistas encontraram ouro na região de Minas Gerais. Isso provocou uma grande migração para a região, sua ocupação e exploração de forma acelerada e desordenada. Eventualmente, a metrópole conseguiu impor seu controle sobre a mineração, que se tornou a atividade mais lucrativa na América portuguesa. Com isso, o eixo econômico se deslocou para o Sudeste. Por sua vez, era mais vantajoso que a capital da colônia ficasse em um porto mais próximo da região mineradora, para melhor controlar circulação e exportação do ouro. d) Incorreta. O Centro-Oeste era a região menos colonizada do Brasil. Sua ocupação foi iniciada em função da extração aurifica, conforme foram encontradas mais jazidas de ouro nos territórios dos atuais estados de Goiás e Mato Grosso. Contudo, quando as reservas minerais se esgotavam era comum os colonos migrarem de volta para sua terra natal ou para uma outra região mais promissora. Alguns poucos ficavam para viver da agricultura ou pecuária voltadas para subsistência. Quanto ao Sul da colônia, a colonização foi iniciada pela instalação de missões jesuítas que aldeavam os indígenas, que, no entanto, foram massacradas por expedições de bandeirantes. Algumas povoações restaram desses movimentos, sobrevivendo da pecuária e do cultivo de erva-mate. Quando a mineração despontou no Sudeste, o Sul se tornou seu principal fornecedor de gados, muares e produtos derivados, como o couro. Mesmo assim, não era a principal atividade econômica da América portuguesa a ponto de demandar que a capital ficasse mais próxima dela. e) Incorreta. O tabaco era uma produção secundária, cujo produto servia de moeda de troca no tráfico de escravizados na África. O que mantinha a capital na Bahia era sua importância na economia açucareira e sua localização estratégica para a navegação. Por outro lado, a mandioca era cultivada em todo o território nacional, mas para consumo interno, não representando um produto lucrativo que provocaria a transferência da capital. Gabarito: C (Estratégia Vestibulares/2021/ProfessoraAle Lopes) “Nossa milícia, Senhor, é diferente da regular que se observa em todo o mundo. Primeiramente nossas tropas com que vamos à conquista do gentio bravo desse vastíssimo Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 117 AULA 06: HB - Colônia I sertão não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, nem por pagamento de munição.” Carta de Domingos Jorge Velho ao rei de Portugal, em 1694. A partir da missiva podemos afirmar que o bandeirantismo se caracterizava pelo(a): a) convívio pacífico com os indígenas do sertão. b) rejeição completa de financiamento estatal. c) autonomia das tropas arregimentadas em relação à Coroa. d) despreparo técnico dos bandeirantes. e) preocupação exclusiva com a busca por ouro. Comentários Note que o tema da questão o bandeirantismo, um movimento de expedições organizadas pelos habitantes da Capitânia de São Vicente, no Brasil, ao longo dos séculos XVII e XVIII. Essas expedições adentravam o interior da colônia em busca de basicamente três coisas: metais preciosos; indígenas para escravizar; ou gêneros silvestres comercializáveis. Além disso, também eram contratados para atacar quilombos e recuperar escravizados fugidos. O texto destacado é um trecho da carta de um líder bandeirante, em 1694. Naquele momento, a bandeira de Domingos Jorge Velho estava na Capitânia de Pernambuco, pois havia sido contratada para combater o famoso Quilombo dos Palmares, o que realizou com sucesso, inclusive capturando uma de suas principais lideranças: Zumbi. Conhecendo esse contexto, vejamos o que podemos afirmar sobre os bandeirantes com base nessa carta: a) Incorreta. A relação dos bandeirantes com os indígenas era extremamente complexa. Por um lado, os habitantes de São Vicente se miscigenavam a gerações com os nativos locais que a eles se aliavam, devido a distância da capitânia em relação à metrópole e os custos altos de transporte, o que resultava no isolamento daquela região. Inclusive, isso dificultou até mesmo a prosperidade econômica da capitânia, que recebeu poucos investimentos e atenção da Coroa na instalação da empresa açucareira, diferente de Pernambuco e Bahia. Assim, não restou muitas opções aos colonos paulistas a não ser se misturar com os nativos, para conhecer a região e aprender a sobreviver nela. Por outro lado, esse isolamento e a desvantagem econômica também dificultaram a aquisição de escravizados africanos pelos paulistas, pois eram muito caros. Por isso, esses colonos decidiram fazer uso da escravidão indígena, mais acessível, uma vez que era só se fazer um acordo com alguma tribo local que tivesse prisioneiros de guerra ou adentrar no sertão para apresar nativos. De uma forma ou de outra, os bandeirantes paulistas acabavam tendo um grande convívio com os indígenas, incorporando muitos de seus costumes. Vale dizer que eles até falavam mais tupi do que português. No entanto, esse convívio frequentemente envolvia violência e isso fica evidente no trecho da carta que diz as tropas bandeirantes iam “à conquista do gentio bravo desse vastíssimo sertão”. “Gentio” e “bravo” eram adjetivos comumente usados para designar povos pagãos, mas principalmente indígenas que ainda não tinham sido escravizados ou Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 118 AULA 06: HB - Colônia I assimilados pela sociedade colonial, justamente aqueles com os quais os bandeirantes mais entravam em conflito. b) Incorreta. Como disse antes, era comum os bandeirantes serem contratados para destruir quilombos e capturar escravizados fugidos. Pois bem, não era raro que o contratante fosse a Coroa ou as autoridades coloniais. No próprio caso da guerra contra Palmares, foi o Governador Geral do Brasil que contratou a bandeira de Domingos Jorge Velho para combater o quilombo. Por seu turno, a Coroa também contratou muitos bandeirantes para procurar metais preciosos no interior da América portuguesa. Essas eram as chamadas bandeiras de prospecção. c) Correta! As bandeiras eram organizadas por particulares, isto é, pelos próprios colonos, justamente porque nos primeiros séculos de colonização a Coroa não se importava tanto com o sudeste da América portuguesa. Por mais que o Estado eventualmente os contratassem para missões específicas, como a busca por ouro ou a destruição de quilombos, quem comandava e organizava as tropas eram os próprios bandeirantes. Isso fica evidente quando Domingos Jorge Velho fala que suas tropas “não são de gente matriculada no livro de Vossa Majestade, nem obrigada por soldo, nem por pagamento de munição”. d) Incorreta. O preparo técnico dos bandeirantes variava de expedição para expedição. Alguns deles eram mais ricos, outros mais pobres. No caso de Domingos Jorge Velho, ele tinha uma das bandeiras mais famosas e bem sucedidas da época, frequentemente procurada por fazendeiros e pela própria Coroa para prestar serviços. Por isso, no seu caso, podemos concluir que despreparo técnico não fosse um problema. Além disso, é evidente que na carta ele buscou se gabar que não necessitava do governo para ter soldo ou munições, pois tinha seus próprios meios de conseguir tais coisas de forma autônoma. e) Incorreta. Como mencionei no comentário, os bandeirantes podiam ter vários objetivos, entre os quais a busca pelo ouro. Ressalto também no trecho aqui exposto não se menciona nada sobre o ouro e, sabendo que naquele ano Domingos Jorge Velho estava em Pernambuco para combater Palmares, fica evidente que o metal valioso não era sua única preocupação. Gabarito: C (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) “[...] ordenei ora de mandar fazer uma fortaleza e povoação grande e forte na Bahia de Todos os Santos por ser para isso o mais conveniente lugar que há nas ditas terras do Brasil, para dali se dar favor e ajuda às outras povoações e se ministrar justiça e prover nas coisas que cumprem a meu serviço e aos negócios de minha fazenda, e a bem das partes e pela muita confiança que tenho em Tomé de Souza, fidalgo de minha casa, que nas coisas de que o encarregar me saberá bem servir e o fará com o cuidado e diligência que se dele espera, e como o até aqui tem feito nas coisas do meu serviço de que foi encarregado, hei por bem e me apraz de lhe fazer mercê dos cargos de capitão da povoação e terras da dita Bahia de Todos os Santos e de governador-geral do dito Brasil por tempo de três anos e com quatrocentos mil reais de ordenado em cada um ano, pagos à custa de minha fazenda”. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 119 AULA 06: HB - Colônia I D. JOÃO III. Carta de nomeação de Tomé de Souza [7 jan. 1549]. In: INÁCIO, Inés da Conceição; LUCA, Tania Regina de. Documentos do Brasil colonial. São Paulo: Ática, 1993, p. 53. A criação do Governo Geral para gerir a América portuguesa esteve ligada a) ao sucesso da maioria das capitanias hereditárias na produção e exportação de açúcar. b) à diminuição das guerras contra as populações indígenas, cuja maioria se submeteu aos portugueses ou se isolou. c) à vinda dos primeiros missionários franciscanos, que trabalhariam na conversão dos nativos, mantendo uma parceria com a coroa. d) à descoberta de vastos depósitos de ouro em Minas Gerais pelos bandeirantes paulistas. e) ao acirramento da competição mundial, com o consequente crescimento das incursões estrangeiras no Brasil. Comentários Em primeiro lugar, repare na data em que o documento apresentado foi escrito: 1549, portanto, século XVI. O tema específico é a criação do Governo Geral para administrar a colônia portuguesa na América: o Estado do Brasil. Fazia quase cinco décadas que os portugueses começaram a explorar o território brasileiro. Até a década de 1530, predominou uma colonização menos sistemática, com o estabelecimento de algumas feitorias e fortes em pontos estratégicos na costa brasileira. A partir delas, osprimeiros colonos tanto defendiam as novas terras de invasões estrangeiras, quanto negociavam ou guerreavam com as nações indígenas nativas. A economia estabelecida entre os grupos mais abertos à negociação era feita a base do escambo. Entretanto, na década de 1530, foram criadas as capitanias hereditárias. A intenção era melhor explorar a terra, por meio da produção agrícola em larga escala de um produto muito valioso no mercado europeu: o açúcar. Assim, o rei concedia um quinhão de terra (a capitania) a um fidalgo ou burguês de sua corte que tivesse recursos para investir nele. Porém, isso não foi o suficiente para despontar uma colonização sistemática, com um maior controle da Coroa sobre a colônia. Por isso, em 1548 foi criado o Governo Geral e um ano depois era nomeado Tomé de Souza para comandá-lo. Agora, vejamos ao que isso estava ligado: a) Incorreta. Como mencionei antes, a instituição das capitanias hereditárias não foi suficiente para explorar o máximo do potencial das novas terras. Somente as capitanias de São Vicente e Pernambuco haviam prosperado naquelas duas décadas antes da criação do Governo Geral. A maioria dos capitães donatários nem sequer se interessaram em conhecer suas novas terras, pois o investimento necessário era muito grande e o retorno muito incerto. Apesar disso e da criação da nova instância de poder na colônia, o sistema de capitanias hereditários continuou até o final do século XVIII, quando foi extinto. Todavia, os capitães respondiam ao governador geral. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 120 AULA 06: HB - Colônia I b) Incorreta. Pelo contrário, muitas nações indígenas persistiram lutando para impedir o avanço português no continente. Justamente por isso, elas representavam uma ameaça tão grande de perder as novas terras quanto a possibilidade de outra nação europeia vir e conquistar tudo. Assim, o Governo-Geral também representava um esforço em dar mais coesão administrativa e militar para combater os nativos insubmissos. c) Incorreta. Na verdade, junto com Tomé de Souza veio a primeira missão jesuíta, não franciscana. Chefiados pelo padre Manuel da Nóbrega, os jesuítas tinham a função de converter os nativos ao cristianismo, educar os colonos e auxiliar na administração colonial. d) Incorreta. O ouro só foi encontrado em Minas Gerais no final do século XVII, muitas décadas depois do Governo Geral ter sido criado. Por outro lado, em 1545, os espanhóis encontraram vastos depósitos de prata na Bolívia. Isso fez com que a Coroa acreditasse mais na hipótese de também no Brasil haver reservas naturais de metais preciosos. Portanto, era necessário assegurar o domínio sobre a região e aperfeiçoar sua administração como se deu com a criação do Governo Geral. e) Correta! Até aqui já vimos que a criação do Governo Geral teve mais de uma motivação: o fracasso da maioria das capitanias hereditárias; o aumento das guerras com os indígenas; a descoberta de prata pelos espanhóis; e a vinda da primeira missão jesuíta. Aqui temos mais uma, que também já havia mencionado na letra “b”: a competição com outras nações europeias. Conforme a notícia de novas terras ricas em recursos naturais se espalhava, outros países europeus se interessaram em tentar realizar semelhante empreendimento. França, Holanda e Inglaterra começaram a tentar se apoderar de terras que supostamente pertenciam à portugueses e espanhóis. Estes últimos também disputavam a posse nos territórios fronteiriços entre suas colônias na América do Sul. Gabarito: E (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) A aparição da cultura ceramista entre os grupos humanos que habitavam a região do atual Brasil pode ser considerada um marco civilizatório da pré-história brasileira porque a) indicava que já havia tido contato entre indígenas e europeus antes da modernidade, quando estes últimos trouxeram parte de seu conhecimento avançado para o continente americano. b) é uma evidência de que os povos pré-históricos passavam por um processo de sedentarização e revolução agrícola, o que gerou a necessidade de armazenas alimentos entre outras necessidades. c) representava uma forma sofisticada de resistência cultural contra a colonização portuguesa, que além de transformar os nativos em mão de obra, obrigava-os a adotar a cultura lusitana. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 121 AULA 06: HB - Colônia I d) é um indício que a civilização andina estendia seu domínio até o litoral brasileiro, exercendo tanto influência política e econômica quanto cultura, de modo que a arte ceramista de difundiu por todo o continente. e) tem datação muito recente, demonstrando que os nativos viviam como caçadores- coletores por todo o território brasileiro até a chegada dos europeus na modernidade. Comentários A ocupação humana do território brasileiro é, pelo menos, anterior a 12 mil anos atrás, considerando os sítios arqueológicos conhecidos hoje pelos pesquisadores. Objetos e materiais feitos com cerâmica encontrados nesses lugares indicam essa técnica surgiu entre esses grupos entre 5 e 4 mil anos atrás. Sabendo disso, vejamos por que isso significa um marco na civilização pré-histórica brasileira: a) Incorreta. Não há contatos comprados entre europeus e indígenas americanos antes do período moderno. As civilizações, técnicas e modos de vida desenvolvidos na América antes disso são fruto da cultura dos próprios nativos que ocupavam o continente a milhares de anos. b) Correta! Por volta de 5 mil anos atrás, diferentes grupos humanos que habitavam o território brasileiro começaram a cultivar produtos agrícolas, o que possibilitou sua fixação em determinadas áreas. A necessidade de armazenar a produção agrícola a médio e longo prazo provavelmente proporcionou o desenvolvimento da cultura cerâmica. Não só a armazenagem de comida seria revolucionada, mas também o próprio preparo dos alimentos, com a confecção de panelas e outros utensílios que permitiam melhor cozinha-los. Entretanto, a cerâmica ganhou muitos outros usos nessas sociedades pré-histórica, como na sua aplicação para confecção de urnas funerárias, o que sugere um novo comportamento em relação à morte. Por todas essas razões, o advento da cerâmica entre as populações nativas representa um marco civilizatório em sua história. c) Incorreta, pela mesma razão que a letra “a”. No período abordado pela questão, os portugueses não tinham chegado a América ainda. Nem sequer existia Portugal como um país. Lembre-se, estamos falamos da pré-história. d) Incorreta. Há muitos debates sobre a influência das civilizações andinas (ancestrais dos incas) no desenvolvimento cultural dos demais povos durante a pré-história sul-americana. Entretanto, há evidência que os grupos humanos que habitavam a Amazônia elaboraram uma cultura ceramistas de forma autônoma aos grupos andinos. e) Incorreta. Apesar de muitos grupos ainda viverem como caçadores-coletores quando os europeus chegaram ao continente americano, na modernidade, havia muitas civilizações organizadas de outras maneiras desde o período pré-histórico. Como disse antes, por volta de 5 mil anos atrás ocorreu um processo de sedentarização em muitos grupos que passaram a praticar agricultura. Isso proporcionou a eles que se fixassem, desenvolvessem novas técnicas e materiais com os recursos disponíveis. Com isso, as sociedades cresciam e sua organização se tornava mais estratificada. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 122 AULA 06: HB - Colônia I Gabarito: B (Estratégia Vestibulares/2021/Profe. Alê Lopes) EVOLUÇÃO DO NÚMERO DE ENGENHOS DE AÇÚCAR EM CADA CAPITANIA CAPITANIA 1570 1583 1612 1629 Pará, Ceará, Maranhão - - - - Rio Grande - - 1 - Paraíba - - 12 24 Itamaracá 1 - 10 18 Pernambuco 23 66 99 150 Sergipe - - 1 - Bahia 18 33 50 8 Ilheús 8 3 5 4 Porto Seguro 5 1 1 - Espírito Santo1 6 8 8 Rio de Janeiro - 3 114 60 São Vicente, Santo Amaro 4 6 - - BETHENCOURT, F.; CHAUDUHURI, K. História da Expansão Portuguesa. Lisboa: Círculo de Leitores, 1998, p. 316. Com base nos dados apresentados, é que correto afirmar que, nos primeiros séculos da América portuguesa, o desenvolvimento da economia açucareira a) prosperou nas capitanias do Nordeste, onde não apenas o clima era propício para o cultivo da cana, como também era mais conveniente para as rotas marítimas. b) prevaleceu na região Centro-Oeste, de ocupação mais antiga e onde a oferta de mão de obra indígena passível de escravização era alta. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 123 AULA 06: HB - Colônia I c) foi responsável pela ascensão de São Vicente à capitânia mais rentável da colônia, integrando-a ao comércio exterior e ao tráfico de africanos. d) possibilitou a ocupação do Sul da colônia, onde os nativos já tinham experiência com a plantação de cana e tabaco, gêneros lucrativos no mercado internacional. e) manteve-se a partir das relações de escambos entre indígenas e portugueses, que dessa forma organizavam um uma troca de mercadorias por trabalho. Comentários Em primeiro lugar, preste atenção no detalhe que o enunciado já nos comunicou o tema da questão: o desenvolvimento da economia açucareira nos primeiros séculos de colonização da América portuguesa. Portanto, falamos do período que abarca os séculos XVI e XVII, aproximadamente. Mais especificamente, a tabela apresenta dados referentes aos anos 1570, 1583, 1612 e 1629, período que corresponde ao auge da produção exportação de açúcar no Brasil colonial. Assim, temos o número de engenhos de açúcar em cada capitania, em cada um dos anos citados. Desde já, é interessante notar que as três capitânias com mais engenhos são Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro. Agora, vejamos é correto afirmar sobre esse processo: a) Correta! De fato, a tabela comprova a grande maioria dos engenhos esteve localizada nas capitanias nordestinas (Pernambuco, Bahia, Ilhéus, Itamaracá e Paraíba). A cana se mostrou bem adaptável ao clima nordestino e a região estava posicionada em um local estratégico. Correntezas marítimas e de vento proporcionaram que rotas marítimas fossem traçadas de modo que o Nordeste era um ponto obrigatório na circulação entre Portugal, África e Brasil. b) Incorreta. A ocupação da região Centro-Oeste se deu posteriormente em relação ao Nordeste e o Sudeste, conforme se buscava por mais jazidas de ouro no interior da colônia. No final do século XVII, as primeiras jazidas foram encontradas em Minas Gerais. Nos anos seguintes e ao longo do século XVIII, territórios dos atuais estados de Tocantins, Mato Grosso e Goiás também foram ocupados em decorrência da mineração. c) Incorreta. São Vicente era uma das capitanias menos prósperas e rentáveis da colônia. Realmente, no século XVI houve um esforço em instalar empresas açucareiras na região. Contudo, a distância em relação à metrópole contribuiu para reduzir o empenho da Coroa em tornar esse projeto efetivo. O Nordeste era muito mais vantajoso, do ponto de vista da monarquia e dos investidores, como expliquei na letra “a”. Assim, os habitantes de São Vicente se dedicaram a uma produção agrícola de médio e pequeno porte, voltada para gêneros de subsistência (mandioca, milho, feijão etc.) que era comercializados com outras regiões da colônia. A precariedade da colonização em São Vicente também fez com que muitos de seus habitantes se dedicassem ao bandeirantismo; expedições autônomas que entravam nos sertões em busca de ouro, indígenas para escravizar ou gêneros silvestres comercializáveis. d) Incorreta. Os nativos brasileiros não tinham experiências prévias com o cultivo de cana de açúcar. Além disso, o que motivou a ocupação do sul foram um misto de fatores, entre os quais: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 124 AULA 06: HB - Colônia I missões jesuítas de aldeamento de indígenas; expedições bandeirantes que se fixaram pelo caminho; colonos dedicados a criação de gado e muares. e) Incorreta. As relações de escambo entre indígenas e portugueses prevaleceram somente durante a primeira fase de colonização, entre 1500 e 1530, aproximadamente. A década de 1530 marca justamente o início dos esforços em fazer da América portuguesa um polo produtor de açúcar. É nesse momento que são instituídas as Capitanias Hereditárias e os primeiros engenhos são construídos. A partir de então, os portugueses passaram a escravizar indígenas em grandes quantidades para servirem de mão de obra no cultivo de cana e na produção de açúcar. Na década de 1570, os nativos começaram a ser substituídos pelos escravizados africanos nos engenhos mais prósperos quando o tráfico internacional de escravizado passou a parecer altamente lucrativo para os comerciantes portugueses. Gabarito: A (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) Entre 1630 e 1654 o Brasil esteve sob a administração holandesa em parte significativa do nordeste do território. Atente para o que se diz a seguir sobre esse período: I – A invasão holandesa relacionou-se ao processo de segmentação dos Países Baixos, que estavam sob domínio espanhol, e à hegemonia da União Ibérica. II – apesar de ter sido marcada por anos de conflito, a permanência dos holandeses também encontrou períodos de relativa paz nos quais foi possível implementar uma administração modernizante para os padrões da época. III – o domínio holandês foi viabilizado porque foi criada a Companhia das Índias Ocidentais, empresa que pretendia fundar uma colônia holandesa na América para controlar os centros produtores de açúcar. Está correto o que se afirma em a) I, II e III. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. Comentários Todas as afirmações estão corretas. I – A União Ibérica foi a unidade político e territorial construída pelo reino da Espanha entre 1580 e 1640, uma dominação que abarcou o reino português, a Espanha, parte dos Países Baixos e outro territórios na própria Europa . Até então, os portugueses mantinham relações amistosas e de comércio com os holandeses. Contudo, a partir do momento em que a União Ibérica foi formada, a administração colonial portuguesa no Brasil passou a sofrer imposições dos espanhóis. Como havia uma disputa entre holandeses e espanhóis pelo domínio da região dos Países Baixos, uma das medidas da União Ibérica no Brasil foi cortar laços Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 125 AULA 06: HB - Colônia I comercias com holandeses. Em resposta, o Brasil colônia possou a ser alvo de incursões militares dos flamengos, claro, com objetivos econômicos em função da expansão do açúcar. II – correto, sendo que essa relativa paz ocorreu entre 1637 e 1643, durante a administração de Maurício de Nassau. Ele realizou uma série de reformas em Pernambuco e priorizou consideravelmente os principais núcleos urbanos — Recife e Olinda. III – correto, pois além da disputa territorial e das desavenças com os espanhóis, os holandeses também tinham interesses comerciais que precisavam ser melhor organizados, o que foi viabilizado pela Companhia. Vale lembrar que a Companhia também atuou no mercado de escravos. Gabarito: A (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) Não só esses gêneros poderiam neste novo mundo descoberto assegurar o suficiente para enriquecer todo o orbe, como muitos outros que, mesmo em menor quantidade, não deixariam de ajudar o enriquecimento da Coroa Real. Tais são o algodão, que se colhe abundantemente; o urucum, do qual se extrai um excelente corante; o açafrão, muito apreciado pelos estrangeiros; a canafístula; a salsaparrilha; os óleos, que competem com os melhores bálsamos para a cura de feridas; as gomas e resinas perfumadas; a pita, da qual se obtém uma fibra de excelente qualidadee que cresce em grande abundância; e muitos outros produtos que a cada dia a necessidade e a cobiça hão de descobrir [...] (Cristóbal Acuña. “Novo descobrimento do grande rio das Amazonas”, 1641) O texto de época descreve a a) a formação de cooperativas jesuíticas. b) a busca por prata nos Andes da América Espanhola. c) o inventário da Companhia Geral do Comércio do Grão-Pará e do Maranhão. d) a expedição francesa que, após a expulsão dos franceses da França Antártica, fundou a França Equinocial. e) busca por produtos extrativistas dotados de potencial valor econômico por parte dos colonizadores. Comentários a) errado, pois os jesuítas faziam aldeamentos com vistas à catequização. b) falso, pois os produtos extrativistas listados pertencem à região amazônica. c) atenção, errado, pois esta companhia foi criada em 1755 por articulações do Marques de Pombal. Repare que o texto de época é de 1641. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 126 AULA 06: HB - Colônia I d) errado, pois, apesar de os franceses, de fato, terem fundado a cidade de São Luís (atual capital do Maranhão), em 1612, na região que ficou conhecida como França Equinocial, eles também forma expulsos dessa área em 1615. e) correto. Esses produtos coletados ficaram conhecidos como drogas do sertão, e se tornaram importantes fontes de renda, monopolizada pela metrópole portuguesa no final do século XVII. As expressão drogas do sertão era usada para caracterizar produtos florestais no interior da região, representaram o primeiro esforço para extrair as especiarias lucrativas da floresta no período colonial na Amazônia. Gabarito: E (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Alê Lopes) As esculturas abaixo fazem parte do conjunto Passos da Paixão, de autoria de Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, um dos grandes escultores do barroco mineiro. Na cena, temos representado Jesus carregando a cruz, rodeado de soldados romanos. Cristo com cruz às costas, parte do conjunto Passos da Paixão, 1796-1799, de Antonio Francisco Lisboa (Aleijadinho). Analise as quatro afirmações abaixo, a respeito do barroco mineiro e a atividade mineradora no Brasil. I. O trabalho de Aleijadinho floresceu no momento de maior lucratividade da mineração no Brasil ao mesmo tempo que era marcado pelo fervor religioso da Contrarreforma. II. Na cena retratada pelas esculturas acima, podemos notar a preocupação barroca com a representação do movimento, sobretudo no tratamento dado ao panejamento do manto e da túnica. Todo o interesse de Aleijadinho na teatralidade do momento representado explicita essa preocupação. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 127 AULA 06: HB - Colônia I III. No final do século XVIII, a mineração estava em declínio, graças ao esgotamento das jazidas de ouro. Isso não impediu que grandes Igrejas e obras de arte fossem financiadas. IV. Os artistas mineiros se empenharam em copiar completamente o barroco europeu, enfatizando o caráter emotivo e intuitivo nas obras. Utilizando-se exclusivamente de mármore como matéria-prima, os escultores imprimiam mais sentimento a expressões humanas aproveitando deformações e tons mais carregados. Estão corretas apenas as afirmações a) I e IV. b) II, III e IV. c) I e II. d) I, II e III. e) II e III. Comentários O Barroco, surgido na Europa no início do século XVII, foi um estilo de reação contra o classicismo do Renascimento, cujas bases conceituais giravam em torno da simetria, da proporcionalidade e da contenção, racionalidade e equilíbrio formal. Assim, a estética barroca primou pela assimetria, pelo excesso, pela expressividade e pela irregularidade. Além de uma tendência puramente estética, esses traços constituíram uma verdadeira forma de vida e deram o tom a toda a cultura do período, uma cultura que enfatizava o contraste, o conflito, o dinâmico, o dramático, o grandiloquente, a dissolução dos limites, junto com um gosto acentuado pela opulência de formas e materiais, tornando-se um veículo perfeito para a Igreja Católica da Contrarreforma e as monarquias absolutistas em ascensão expressarem visivelmente seus ideais de glória e afirmarem seu poder político. O fervor religioso da Contrarreforma cruzou o Atlântico e chegou ao Brasil, trazendo para cá a arte emotiva e intuitiva do barroco europeu. O Nordeste e Minas Gerais foram os dois grandes centros do barroco brasileiro, que em cada um deles adquiriu características peculiares. I. Falsa. Apesar de ser considerado o maior representante do barroco no Brasil colonial, movimento marcado pela Contrarreforma, quando Aleijadinho finaliza a obra destacada no final do século XVIII, quando as minas já estavam se esgotando, portanto, esse não foi o momento de sua maior lucratividade. Na verdade, as poucas jazidas que restavam foram se concentrando nas mãos dos proprietários mais ricos, que também começaram a investir na aquisição de latifúndios e na instalação de grandes plantações e/ou na criação de gado para exportação. Justamente por ser o final do século XVIII um período de declínio da extração aurífera e de concentração de riquezas, as elites mineiras investiram pesadamente na construção de templos e Igrejas como forma de ostentar seu poder e explicitar sua diferença em relação ao resto da população. II. Verdadeira! A obra de Aleijadinho mistura diversos estilos barrocos, além de concentrar obras de expressividade acentuada. Devemos ressaltar que a estética barroca foi o veículo Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 128 AULA 06: HB - Colônia I perfeito para a Igreja Católica da Contrarreforma, arte baseada na assimetria, no excesso, na irregularidade e nos contrastes. Para além da estética, esses traços simbolizavam uma cultura e uma sociedade marcada pelo conflito, com obras que destacam o dinâmico, o dramático, o grandiloquente, a dissolução dos limites, junto com um gosto acentuado pela opulência de formas e materiais. Vale mencionar que a representação do movimento era algo que os renascentistas não conseguiram aperfeiçoar, apesar de todo desenvolvimento quanto nos estudos de perspectiva, simetria e harmonia. Por isso, essa foi uma das principais tarefas que os artistas barrocos se dedicaram. III. Verdadeira! No século XVIII as construções religiosas ganhavam destaque na região de Minas Gerais e, graças ao ouro, elas se tornavam cada vez mais suntuosas. Contudo, no final desse século, como já mencionei, as jazidas estavam se esgotando, o que intensificou a concentração de riqueza e as desigualdades sociais. Assim, as elites procuraram investir ainda mais na arte barroca como forma de ostentação. IV. Falsa. O barroco no Brasil adquiriu características locais, logo, não pode ser caracterizado como uma cópia perfeita do movimento europeu. Inclusive, a obra de Aleijadinho apresenta uma mescla de vários estilos barrocos, gerando uma identidade singular. A razão disso também era a grande dificuldade de importar materiais estrangeiros em Minas Gerais, distante do litoral. O artista utilizou, sobretudo, pedra-sabão, material brasileiro, para produzir suas obras. Outros elementos que os artistas mineiros utilizavam era a madeira e o ouro, para revestir igrejas e altares de famílias ricas. Os materiais alternativos usados pelos mineiros proporcionaram que as deformações do barroco europeu dessem lugar a figuras mais simples, joviais e de tons menos carregados. Portanto, a alternativa correta é a letra “e”. Gabarito: E (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) Salvador e Recôncavo dependiam do sertão. Salvador necessitava da carne que o sertão fornecia. Carne, couro e sebo eram usados na cidade e no campo, e os engenhos precisavam igualmente de bois para transporte, muitos também como força motriz. Grandes boiadas percorriam, às vezes, sessenta quilômetros por dia, com destino àsfeiras na orla do Recôncavo, onde um ativo comércio tinha lugar. A primeira dessas feiras foi Capoame, estabelecida por Francisco Dias d’Avila em 1614. (SCHWARTZ, 1995, p. 88) A atividade econômica descrita no texto, demonstra, em relação à economia do açúcar, a) oposição. b) competição. c) complementariedade. d) substituto perfeito. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 129 AULA 06: HB - Colônia I e) alternativa mais rentável. Comentários Com as restrições da Coroa portuguesa ao desenvolvimento do mercado interno e de produtos que desconsiderassem o “exclusivo comercial”, a faixa colonial litorânea passou a ser ultrapassada para que, mais para o interior, se desenvolvessem atividades econômicas que ajudassem no processo de colonização. Lembre-se: o Rei de Portugal, em Carta Régia de 1701, determinou a proibição da criação de gado em uma faixa de dez léguas, a partir do litoral brasileiro. Nessa toada, a pecuária passou a ser desenvolvida no sertão. E qual era o objetivo econômico dessa atividade? Aproveitar a economia do açúcar e abastecer o complexo de relações sociais que se expandiu e produziu riquezas por meio da economia do açúcar. Dessa forma, por exemplo, o abastecimento de alimentos bovinos nos engenhos provinha da atividade pecuária que, em certo sentido, se desenvolveu às margens da atividade principal açucareira. Então, repare, não se tratou de uma competição (alterativa B), tampouco oposição (alternativa A), já que a pecuária “buscava” o dinheiro que era gerado pelo processo de exploração da cana de açúcar. Assim, podemos relacionar “gado e açúcar” como atividades complementares, sendo que uma (o açúcar) “puxou” o desenvolvimento da outra. Além disso, não podemos pensar em “substituo perfeito” porque o açúcar era destinado ao mercado externo, já o gado e produtos periféricos (couro) eram para abastecer o mercado interno, embora certos produtos fossem para Portugal. Gabarito: C (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) “Embora certas pinturas rupestres talvez tenham sido realizadas já no período anterior, a maioria dos grafismos encontrados nos abrigos data provavelmente dos últimos seis milênios antes da era cristã. Com certeza não eram obras de ‘arte’ no sentido que damos hoje à palavra. É claro que durante todos esses milênios e em tantos lugares, algumas pessoas podem ter deixado simples graffiti, e outros desenhos talvez fossem feitos para fins decorativos. No entanto o mais provável é que a maioria dos grafismos tenha sido feita como afirmação de etnicidade, expressão de uma crença, ato mágico, proclamação política de status, trato, posse”. PROUS, André. O Brasil antes dos brasileiros: a Pré-história do nosso país. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2006, pp. 72-73. A arte rupestre no Brasil, a) apresenta maior concentração no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, em Goiás. Grande parte dessas figuras é constituída por figuras animais e geométricas, sobretudo pássaros. b) são encontradas em apenas dezoito sítios arqueológicos na Amazônia. Em geral, pinturas e gravuras são encontradas em abrigos, nas grutas mais afastadas dos rios. c) é fácil de se preservar, pois está distribuída em locais de difícil acesso e de pouca exposição às intempéries. Exemplo disso é o Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 130 AULA 06: HB - Colônia I d) é muito variada e não foi totalmente mapeada ainda. Todavia, as evidências conhecidas até agora atestam que foi uma forma de expressão muito rica para as populações pré- históricas de todo o Brasil. e) tem datação muito recente, demonstrando que essa forma de expressão é tardia na América do Sul, comparada ao norte do continente, onde há pinturas de 48 mil anos atrás. Comentários Em primeiro lugar, lembre-se que as artes rupestres são uma forma de expressão das sociedades Pré-históricas. No caso da América, estamos falando todo o período que antecede as civilizações que os europeus encontraram quando chegaram ao continente, no século XV. A arte rupestre é bastante diversa, podendo ser encontrada em variados sítios arqueológicos no Brasil e no mundo. Pode se manifestar na forma de pinturas ou gravuras em diferentes superfícies encontradas no meio natural; em abrigos, em cavernas e grutas, ou ar livre; em locais de fácil ou difícil acesso. O que costuma estar representado nelas também varia conforme tempo, região e cultura. Há casos em que apenas figuras geométricas são retratadas, enquanto outras misturam elementos animalescos e humanoides. Tendo isso em mente, vejamos qual alternativa está correta: a) Incorreta. A maior concentração de arte rupestre no Brasil se encontra no Parque Nacional Serra da Capivara, no estado do Piauí. A maioria dessas figuras é constituída por grupos de figuras humanas em ações diversas, como caças, corridas, lutas e cerimônias. Igualmente, há representações mais recentes, formadas por muitas figuras de pássaros, figuras humanas e de animais estilizadas, figuras semi-humanas, além de numerosas impressões de mãos. b) Incorreta. A Amazônia brasileira também é rica em sítios arqueológicos de arte rupestre. Existem mais de trezentos sítios. Entre eles, 111 estão localizados no estado do Pará. As gravuras rupestres amazônicas são mais comuns às margens dos rios e em trechos de cachoeiras, enquanto as pinturas se encontram em abrigos, grutas e paredões. Os pesquisadores acreditam que a proximidade com fontes de água sugere que este elemento era ingrediente importante no processo criativo. Nessas pinturas e gravuras predominam figuras humanas e formas geométricas. c) Incorreta. Por estar exposta em grutas, paredões e encostas ao ar livre, a arte rupestre está mais vulnerável à depredação que a maioria dos sítios arqueológicos. Uma das maiores dificuldades para preservar este tipo de patrimônio é que muitas vezes estão em locais de difícil acesso ou isolados. No caso do Parque Nacional Serra da Capivara, existe um esforço constante contra a depredação, provocada não apenas pelas mãos humanas, mas pelas forças da natureza. d) Correta! Repare que o texto destacado pela questão ressalta principalmente essa diversidade, que também confirmamos ao justificar o erro das alternativas anteriores. Infelizmente, há pouco investimento na pesquisa arqueológica no Brasil e o equipamento necessário para este procedimento é bem caro. Por isso, essas investigações andam a passos de tartaruga. Ainda há muito para se mapear, mas o que já é evidente é que o atual território brasileiro já era habitado a milênios antes de Cristo. Mais que isso, essas populações eram organizadas socialmente e se expressavam por meio da arte visual, com múltiplos estilos e significados. e) Incorreta. O debate sobre a longevidade da ocupação humana na América e como o gênero homo chegou a esse continente são de longa data. Lembra-se que havia as teorias do Estreito de Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 131 AULA 06: HB - Colônia I Bering e a das navegações pelo Pacífico? Então, representando uma terceira linha de argumentação, o pesquisador brasileiro Walter Neves defende que houve diversas ondas migratórias para a América, ocorridas em datas diferentes e compostas por grupos oriundos tanto da Ásia quando da Oceania. Atualmente, já se reconhece que existem sítios pré-históricos mais antigos no nosso continente, com datações de 17 mil (Pensilvânia-EUA) e 25 mil (Santa Elina-MG) anos atrás. Ainda, segundo Niède Gudon, no Parque Nacional da Serra da Capivara, no Piauí, os vestígios encontrados datam de pelo menos 48 mil anos atrás, o que representariam os vestígios mais antigos da presença humana na América. Gabarito: D (Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes) As invasões holandesas em territórios do Império português tiveram como consequência a) a valorizaçãodo açúcar brasileiro no mercado internacional, pois os holandeses perderam sua única colônia açucareira. b) a forte concorrência do açúcar das Antilhas, quebra do monopólio português no comércio transatlântico de escravos e crescimento da influência inglesa. c) diminuíram a importância do Brasil como colônia e fonte de riquezas para o Império português. d) tornou o Atlântico Norte a principal base da colonização e exploração portuguesa. e) obrigou d. João IV, rei português, a romper os laços comerciais e diplomáticos com a Inglaterra. Comentários Antes de mais nada, quero destacar que as invasões holandesas aos territórios portugueses tiveram início no final do século XVI, quando Portugal foi incorporado pela Espanha, formando a União Ibérica. Como holandeses já estavam em guerra contra os espanhóis, decidiram atacar as possessões coloniais portuguesas para prejudicar a Espanha. Eles também tinham o objetivo de assumir o controle sobre os entrepostos mais importantes, sobretudo aqueles que eram pontos de compra e venda de escravizados africanos. Além disso, quando invadiram a Bahia e, depois Pernambuco, no século XVII, os holandeses pretendiam entrar no ramo de produção e exportação de açúcar para concorrer com o produto brasileiro. Eles conseguiram ocupar a região Nordeste do Brasil entre 1637 e 1649. Também conquistaram Luanda e o Forte de São Jorge da Mina, na África. Quando os portugueses retomaram sua independência em relação a Espanha, começaram a negociar a devolução de seus territórios tomados pela Holanda. No entanto, brasileiros e colonos portugueses não esperaram as formalizações e se levantaram contra os holandeses, saindo vitoriosos em 1649. No entanto, a economia do Império português não seria mais a mesma depois disso. Considerando essas informações, vejamos qual alternativa apresenta corretamente uma ou mais consequências das invasões holandesas: a) Incorreta. Na verdade, os holandeses também estabeleceram colônias na América Central, usando as técnicas que aprenderam em Pernambuco. Além deles, também ingleses, espanhóis e Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 132 AULA 06: HB - Colônia I franceses entraram no ramo de produção de açúcar para exportação, praticado em colônias na América. Com isso, o açúcar brasileiro passou a ter que competir com outros produtos, o que desvalorizou seu preço no mercado internacional. b) Correta! Explicamos a concorrência das Antilhas na letra “a”. Quando às demais, os holandeses usaram São Jorge da Mina – que os portugueses não conseguiram reconquistar – como porta de entrada no tráfico transatlântico de escravos. Por seu turno, diante do crescimento da rivalidade anglo-holandesa, d. João IV encontrou na Inglaterra o suporte diplomático que lhe permitiu garantir a independência política em relação a Espanha e a restauração de seu império ultramarino. Em contrapartida, Portugal passou inteiramente para a alçada do poder inglês, dependência que se acentuaria na passagem do século XVII para o XVIII. c) Incorreta. Na verdade, o cenário criado pelas guerras imperiais também reservava um novo papel para a colônia portuguesa na América. O enfraquecimento de Portugal e do seu comércio com o Oriente, em razão das guerras, alçou o Brasil como a principal fonte de riquezas do Império português. d) Incorreta. Na verdade, foi o Atlântico Sul que acabou tornando-se a base do Império lusitano. Os custos da restauração desse império colonial no Brasil e em Angola foram financiados quase inteiramente com recursos obtidos da exploração do comércio de escravos. Mesmo com a concorrência do açúcar antilhano, o Atlântico Sul tornou-se o novo sustentáculo dos portugueses por meio do vínculo entre Brasil, Portugal e Angola. e) Incorreta, pois contraria o que disse na justificativa da letra “b”. Gabarito: B (Estratégia Vestibulares/2021/profe. Alê Lopes) Monumentos amanhecem pichados em São Paulo, Veja, 30 de setembro de 2016. Disponível em: https://veja.abril.com.br/brasil/monumentos-amanhecem-pichados-em-sao-paulo/ A partir da fotografia e de seus conhecimentos sobre monumentos históricos, assinale a alternativa correta. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 133 AULA 06: HB - Colônia I a) O monumento, diferente do documento, é algo que a sociedade não escolhe lembrar, mas é obrigada pela imposição da maioria. Isso explica a retaliação de uma pequena parcela da população a alguns monumentos. b) As estátuas e monumento estão alheios a quaisquer disputas ideológicas e políticas. Eles marcam a identidade fundamental e imutável de um povo. Portanto, a fotografia registra um ato de vandalismo de estrangeiros contra a identidade nacional. c) Em geral, os monumentos e estátuas são algo que a sociedade quer esquecer. Assim, a intervenção posterior à sua construção, como no caso da fotografia acima, revela como o que se quer esquecer é “digerido” pelas próximas gerações. d) Os monumentos são algo voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o passado que ela escolheu lembrar. Eles permeiam as formas de lembrar o passado e de compreender o presente. Seus significados são sempre passíveis de disputas. Comentários Na fotografia, vemos o Monumento às Bandeiras, uma obra em homenagem aos bandeirantes que exploraram os sertões brasileiros durante os séculos XVII e XVIII. A autoria é de Victor Brecheret e foi inaugurada no ano de 1953, fazendo parte das comemorações do IV Centenário da cidade de São Paulo. O bandeirantismo era a prática de expedições ao interior da América Portuguesa, realizadas pelos paulistas. Estes habitavam territórios das antigas capitânias de São Vicente e Santo Amaro, que deram origem mais tarde à capitânia de São Paulo. Essa região da colônia era bem menos próspera, comparada ao Nordeste onde a economia açucareira ia de vento em polpa. Essa diferença se deu principalmente pela distância em relação à metrópole. O Nordeste era bem mais próximo de Portugal e está em uma localização estratégica para as rotas marítimas entre o reino, a África (onde se conseguia os cativos) e a América portuguesa. A distância do sudeste contribuía para o encarecimento dos custos de deslocamento, naquela época feito apenas por navios a vela. Assim, a economia paulista inicialmente se voltou para a subsistência. Poucas propriedades rurais chegavam se quer à metade do tamanho dos engenhos baianos e pernambucanos. Por essa razão, os paulistas também não tinham recursos para comprar escravizados africanos e se voltaram para a escravização de indígenas. É aqui que os bandeirantes entram. Após a descoberta de minas de prata na Bolívia pelos espanhóis, os paulistas passaram a entrar nas matas e sertões em busca de basicamente três coisas: metais preciosos; gêneros silvestres comercializáveis; e indígenas para escravizar e vender. Ironicamente, os bandeirantes eram em grande parte mestiços de portugueses e nativos do litoral, miscigenação que resultou dos primeiros contatos ao longo do século XVI, no litoral de São Paulo. Os primeiros colonizadores europeus dessa região, aliaram-se a chefes indígenas locais para ter acesso a escravizados e outros produtos naturais. Consequentemente, muitos elementos da cultura nativa foram incorporados pelos paulistas ao longo dos anos, como a língua tupi e certos hábitos alimentares. Essa incorporação foi essencial, pois, como os paulistas tinham pouco contato e ajuda da metrópole, eles precisaram “se virar com o que tinham” ali mesmo, com os recursos locais e o conhecimento nativo sobre como sobreviver na região. Mas cuidado, não pense que essa miscigenação foi Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 134 AULA 06: HB - Colônia I pacífica e harmoniosa. Se alguns grupos portugueses se aliaram a certas nações indígenas, tal aliança sempre era feita para derrotar um outro, ou vários outros, grupos nativos queseriam reduzidos à escravidão. De qualquer forma, os bandeirantes nunca tiveram uma boa relação com a Coroa, com a Igreja, com os indígenas ou com os africanos que foram trazidos. Durante o Império, eles praticamente foram esquecidos. Todavia, com a instalação da República, uma nova preocupação surgiu entre os ideólogos da nação. Em meio a um contexto de instabilidade política e econômica, com muitas revoltas ocorrendo por todo o território nacional, era preciso criar uma identidade brasileira que desse conta de dar legitimidade ao governo e amenizar as tensões regionais. De modo geral, buscou-se elencar episódios e figuras míticas do passado para forjar um senso de continuidade da formação nacional do Brasil, ou melhor da República brasileira. A inconfidência mineira e Tiradentes se tornaram símbolos nacionais nessa época. Contudo, havia particularidades regionais na construção dessa identidade. Em São Paulo, por exemplo, os intelectuais e estadistas buscaram no bandeirante a representação de um mito fundador da identidade paulista. Eles teriam sido os corajosos exploradores que levaram a civilização e progresso ao interior do Brasil, sem os quais nunca atingiria as atuais fronteiras nacionais. Essa narrativa teve força ainda por muitos anos após a proclamação da República, o que explica a construção do Monumento às Bandeiras, em 1953. O curioso é que na fotografia exposta pelo enunciado o monumento foi alvo de uma intervenção artística em 2016, considerados por muitos na época como um ato de vandalismo. Considerando que a figura do bandeirante foi algo selecionado para representar a identidade paulista num determinado contexto histórico e a fotografia tirada em momento posterior, vamos avaliar as alternativas: a) Incorreta. Monumento e documento são coisas diferentes, apesar de terem similaridade. O primeiro é algo que é voluntariamente selecionado pela sociedade para lembrar o passado que ela escolheu lembrar. O segundo é entendido pelos historiadores como registro do passado como um todo, ou melhor, registro do passado que não necessariamente é aquele escolhido como passado ideal pela sociedade. Mesmo assim, o documento em alguma medida é um monumento, pois nenhum registro é completamente imparcial, mas foge de uma seleção mais controlada por parte da sociedade. b) Incorreta. Em primeiro lugar, tatue isso na sua mente: nenhuma identidade é imutável!!! Identidade estão em constante construção, pois estão relacionadas com a tradição herdada e com a experiência vivida, que está sempre em mudança. Por outro lado, monumentos e estátuas não estão alheios a disputas políticas e ideológicas, eles são parte delas. A delimitação do que é monumento, do que é ou não patrimônio, é algo seletivo, ou seja, escolhe somente os pontos do passado que se quer lembrar e rejeita outros. Isso faz com que a ideia de patrimônio cultural não possa ser a mesma para todo o mundo, uma vez que dependente de diferentes contextos nacionais. Cada cultura tem sua própria noção de patrimônio, que molda a ação estatal que seleciona os monumentos. Aliás, não há necessariamente consenso dentro de uma mesma cultura e país sobre o que deve ser lembrado, sobre quais monumentos construir, pois isso depende dos interesses dos grupos políticos e sociais em disputa. Ou seja, não havia como definir por si só se o resultado da Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 135 AULA 06: HB - Colônia I intervenção artística foi um ato de grupos estrangeiros ou nacionais. Inclusive, foi apurado depois que os autores eram militantes brasileiros que questionavam a memória dos bandeirantes como heróis nacionais. c) Incorreta. Como disse antes, o monumento não é algo que se quer esquecer, mas algo que se querer lembrar! É uma forma de quem tem poder na sociedade eleger marcos importantes para sua versão oficial da história, a qual deve legitimar esse poder. d) Correta! De acordo com o que comentei na alternativa “b”, enquanto patrimônios culturais, os monumentos são uma das formas das pessoas e da sociedade se relacionar com o passado e com o presente. Trata-se de escolher o que e como lembrar para legitimar uma versão dos fatos. Portanto, esses objetos são sempre alvos das disputas políticas e ideológicas nos diferentes contextos históricos em que existem. O Monumento à Bandeira é um ótimo exemplo. Criado em um momento no qual os bandeirantes eram vistos como heróis da civilização e progresso de São Paulo e do Brasil, no século XXI passou a ter sua legitimidade intensamente questionada. Podemos relacionar com essa mudança de visão sobre essas figuras a crescente organização do movimento negro e indígena desde os governos militares, que resultaram na promulgação das leis 10.639, de 2003, e 11.645, de 2008. Elas definem como obrigatório o ensino das histórias e culturas indígenas, africanas e afro-brasileira nas escolas, o que proporcionou a ampla divulgação do papel dos bandeirantes no genocídio e exploração desses povos. Gabarito: D 14. QUESTÕES PARA CONSOLIDAÇÃO (COMENTÁRIOS) (UEL/2018) Leia o trecho do poema a seguir. — Essa cova em que estás, com palmos medida, é a cota menor que tiraste em vida. — É de bom tamanho, nem largo nem fundo, é a parte que te cabe neste latifúndio. — Não é cova grande. é cova medida, é a terra que querias ver dividida. (MELO NETO, J. C. Morte e Vida Severina. Universidade da Amazônia, NEAD – Núcleo de Educação à Distância. p.21-13. Disponível em: <www.nead.unama.br>. Acesso em: 28 ago. 2017). Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 136 AULA 06: HB - Colônia I O poema trata da relação entre o homem e a terra no Brasil. Com base nos conhecimentos sobre propriedade e usos da terra, assinale a alternativa correta. a) No decorrer do segundo Reinado, a Lei de Terras, promulgada em 1850, possibilitou o livre acesso das terras devolutas aos primeiros imigrantes europeus, garantindo-lhes a sobrevivência. b) Na Colônia, as terras doadas como sesmarias garantiam privilégios aos senhores de engenho, mas restringiam a prática de certas atividades econômicas. c) No Império, formaram-se os primeiros quilombos cuja propriedade dessas terras foi reconhecida legalmente durante a primeira República. d) Em 1964, João Goulart realizou desapropriações das pequenas propriedades no entorno das metrópoles para o cultivo de sobrevivência por parte dos trabalhadores. e) No governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), retomou-se a política econômica de estatização das propriedades agrícolas resultando em elevadas taxas de crescimento econômico. Comentários Desde o início da colonização do Brasil pelos portugueses, no século XVI, um tipo de específico de relação com a terra seria estabelecido: a da grande propriedade rural monocultora, voltada para exportação. As vilas e povoados eram mais pontos de encontro para a política local entre os fazendeiros e seus subordinados do que um lugar de habitação. Assim, tanto a população livre quanto os escravizados eram dependentes dos senhores de engenho e grandes proprietários para ter a acesso à terra. Era comum os fazendeiros permitirem seus subordinados e cativos a ocupar um pequeno lote de sua vasta propriedade para plantar gêneros para sua própria alimentação e subsistência. Os únicos que fugiam dessa lógica de divisão de terras eram os indígenas independentes e os quilombolas que viviam fora dos domínios portugueses. Apesar de, na história recente do Brasil, a propriedade privada da terra e de imóveis ter se democratizado mais, ainda vivemos em um país com uma desigualdade muito grande em relação à propriedade da terra com grandes números de moradores de rua e sem-teto. Além disso, em algumas regiões rurais a lógica do grande latifúndio de repartir uma porção menor para os empregados fazerem uso (não possuir de fato) ainda é corrente. As alternativas apresentam alguns eventos bem posteriores ao inícioda colonização do Brasil, contudo, como você verá, a avaliação de cada uma das afirmações nos ajudará a fixar como foi o início dessa relação com a terra. a) Incorreta. A Lei de Terras de 1850 dificultou o acesso à terra por imigrantes e libertos pobres. b) Correta! A afirmação complementa o que explicamos no comentário sobre a repartição das terras feita pelo senhor. Veja, essa terra que era repartida muitas vezes não chega nem a 1/5 da propriedade fundiária do senhor. Era só para os empregados e escravizados plantarem e criarem o que precisavam para se alimentar mesmo. Contudo, havia algumas condições para a pessoa receber essa permissão de uso. Em geral, os senhores restringiam o tipo de coisa que podia ser plantado ali, seja porque algum outro gênero fosse prejudicial à cana, seja por preconceitos culturais. Além disso, os senhores usavam essa repartição de Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 137 AULA 06: HB - Colônia I terras como moeda de influência. Em outras palavras, eles procuravam dar mais concessões aos dependentes e escravizados mais leais com os quais simpatizava. c) Incorreta. Os primeiros quilombos são tão antigos quanto a própria escravidão no Brasil. Desde que os primeiros escravizados chegaram, eles e seus descendentes desenvolveram várias formas de resistência para sobreviver a ou fugir da escravidão. Por aqui a sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita negociação. Além da fuga e da formação de quilombos (também chamados de mocambos), podemos citar: abortos voluntários para evitar que seus filhos nascessem na condição de escravizados; suicídio; sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, instrumentos e da moenda; emboscadas e ataques surpresa à feitores, senhores e seus familiares ou à elite branca em geral; negociações com os senhores para obtenção de melhores condições de vida, como alimentos, vestuário e moradia. Você deve estar se perguntando: “mas eles não eram escravos? Como conseguiam negociar? Imagine que nesses primeiros séculos de colonização, sobretudo nos grandes engenhos, havia muito mais escravizados que portugueses. Os africanos eram traficados em grandes quantidades e os senhores engenhos tinham interesse em acumular o máximo de cativos que podiam, pois isso se refletia no aumento da produção e do prestígio social. Além disso, os engenhos eram distantes uns dos outros, alguns a centenas ou milhares de quilômetros distantes dos centros administrativos, onde as poucas tropas residiam. Portanto, apesar de ter armas de fogo, cavalos e alguns feitores, nem sempre isso era força suficiente para combater uma revolta de centenas de cativos. Por isso, alguns senhores se mostravam mais ou menos dispostos a negociar com os escravizados fazendo algumas concessões pontuais. Enfim, as fugas podiam ser individuais e coletivas. Nem sempre o(s) fugitivo(s) ia para ou fundava um quilombo. Por vezes, mudava de cidade, buscava se passar por liberto ou se submeter a outro senhor considerado mais “justo”. As possibilidades eram muitas num território tão vasto como o Brasil. Por sua vez, durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a história dos negros na América portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que fugiam da dominação do sistema escravista, chegaram a reunir índios e até brancos descontentes com as imposições do governo português. A vida nos quilombos era baseada na agricultura e em pequenas trocas comerciais com comerciantes e taberneiros das proximidades. A depender da localidade, poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. Muitas comunidades quilombolas continuaram existindo após o fim da escravidão, mas só começaram a ser devidamente reconhecidas pelo Estado a partir da Constituição de 1988. d) Incorreta. Goulart tinha planos de reforma agrária tanto no campo quanto nas cidades, contudo seu projeto nunca saiu do papel, pois sofreu um golpe que o tirou da presidência e instaurou uma ditadura militar, em 1964. e) Incorreta. O governo de FHC é marcado por privatizações de empresas estatais. Gabarito: B (UEL 2012) Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 138 AULA 06: HB - Colônia I Oceanos abrigaram, uniram e separaram povos no decorrer do tempo. Representações artísticas, literárias, cartográficas e narrativas históricas sobre os oceanos contribuíram para ampliar a sua compreensão. Com base no enunciado e nos conhecimentos históricos, considere as afirmativas a seguir. I. Grande parte das terras banhadas pelo Mediterrâneo, denominado Mare Nostrum pelos antigos romanos, foi por eles colonizada no decorrer do seu Império. II. Os portugueses, nos séculos XV e XVI, dominaram oceanos com caravelas e conhecimentos náuticos, anotando, em suas viagens, as rotas marítimas. III. As narrativas sobre as criaturas míticas que habitavam os oceanos apavoraram o homem no período medieval, retardando as Grandes Navegações. IV. No período colonial brasileiro, os holandeses, através de seus empreendimentos de navegação, conquistaram a capitania do Rio de Janeiro, por meio século. Assinale a alternativa correta. a) Somente as afirmativas I e IV são corretas. b) Somente as afirmativas II e III são corretas. c) Somente as afirmativas III e IV são corretas. d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas. Comentários Esta questão nos dá oportunidade de revisar alguns conteúdos sobre Antiguidade, Idade Média e Moderna e, assim, fazer uma reflexão sobre as rotas marítimas e a importância dos oceanos nos contatos entre as civilizações humanas. Essas rotas eram um dos elementos mais marcantes dos contextos estudados. Lembre-se, na aula 02, aprendemos sobre a expansão romana sobre o mar Mediterrâneo, durante do período da República. Esse movimento tinha o objetivo de assegurar o monopólio romano sobre o comércio praticado pelas águas mediterrâneas, que ligavam Europa, África e Oriente. Na Aula 03 vimos sobre os renascimentos urbano e comercial da Europa, quando os limites da sociedade feudal estavam sendo tensionados e novas classes sociais baseadas numa economia mercantil estavam se formando. Graças às Cruzadas, cidades europeias, sobretudo as italianas, reassumiram controle sobre pontos importantes do comércio no Mar Mediterrâneo perdidos para outros povos desde a queda do Império Romano, assim conectando-se aos mercados do oriente por meio de rotas marítimas. Na Aula 04, estudamos o renascimento cultural, a revolução científica, as reformas protestantes e a consolidação das monarquias absolutistas, todos processos que estavam relacionados com a mudança do eixo econômico da Europa de feudal para mercantil. Por fim, nas Aulas 05 e 06 acabamos de ver sobre como algumas nações europeias sentiram a necessidade de encontrar novas rotas comerciais até os mercados orientais e, se possível, buscar novos mercados. Trata-se das grandes navegações e do início do processo de colonização, acontecimentos que consolidaram a economia mercantilista baseada nas viagens oceânicas. Com isso em mente, vejamos: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 139 AULA 06: HB - Colônia I I. Verdadeira! O Mediterrâneo começou a ser colonizado pelos romanos durante a República, o que se consolidou com o Império. II. Verdadeira! Os portugueses foram os primeiros a desbravarem as rotas oceânicas no século XV, descobrindo novos caminhos até o Oriente e iniciando a colonização do Brasil. Tudo isso estava ligado às ambições mercantilistas dos comerciantes e da monarquia lusitana. Uma série de motivos deu mais oportunidades aos portugueses de serem pioneiros nessa expansão. Entre eles: sua posição geográfica estratégica, voltada para o Oceano Atlântico; havia interesse de grupos mercantis em ampliar sua área de atuação comercial; Portugal era um reino centralizadoe absolutista desde o século XIV; e a pretensão de expansão religiosa, deriva da Guerra de Reconquista, isto é, como Portugal foi um reino de unificou em oposição aos muçulmanos e vitória sobre estes, a motivação religiosa continuava sendo importante para legitimar a monarquia. Uma quarta razão que explica parcialmente o pioneirismo português é o fato de a Península Ibérica ter sido ocupada por fenícios, na antiguidade, e pelos muçulmanos, durante a Idade Média. Os primeiros foram exímios navegadores e chegaram a monopolizar o comércio no Mar Mediterrâneo. Os segundos desenvolveram a matemática, a geometria e a astronomia, áreas essenciais para o aperfeiçoamento da navegação. Portanto, mesmo que tenha o reino cristão de Portugal tenha prevalecido, muito do conhecimento e da cultura dos demais povos que lá viveram anteriormente foi preservado, seja na cultura popular, seja nas bibliotecas e acervos públicos e particulares. III. Verdadeira! Mitos, lendas e a própria religião cristã povoavam o imaginário dos europeus dessa época e isso se refletia na forma como eles lidavam e representavam o mundo. As grandes navegações são um bom exemplo disso, pois os europeus precisaram vencer o medo causado por fábulas sobre determinadas partes dos mares serem habitadas por monstros ou serem palco de fenômenos sobrenaturais. Um bom exemplo disso é a história do navegador Gil Eanes que foi o primeiro português a ousar navegar além do Cabo Bojador, em 1434. Antes deles, todos evitavam passar dali, pois acreditava-se que depois do cabo, localizado no que é hoje o Saara Ocidental, começava o Mar Tenebroso, onde a água fumegava sob o sol, imensas serpentes comeriam os desgraçados que caíssem no oceano, o ar seria envenenado, os brancos virariam pretos, haveria cobras com rostos humanos, gigantes, dragões e canibais com a cabeça no ventre. A cartografia europeia também era marcada por esse imaginário, mas sofreu grandes transformações a partir do século XV, aproximadamente. Até então, os mapas eram marcados por uma mentalidade medieval, fortemente influenciada pela religião, pelo mito e pela fantasia. Os territórios eram retratados de forma plana e figuras míticas eram colocadas por toda a parte, sobretudo nas menos conhecidas. Com o contato maior com outras culturas, como os muçulmanos e os asiáticos graças às Cruzadas e aos renascimentos urbano, comercial e cultural, novos saberes e obras da antiguidade passaram a circular na Europa. Houve uma revolução científica, na qual ciências como a matemática, a geometria, a astronomia, a anatomia e a química foram amplamente desenvolvidas. O método experimental, a observação e a análise crítica foram eleitos como critérios e procedimentos próprios para a compreensão da natureza Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 140 AULA 06: HB - Colônia I e do mundo. Essas mudanças na mentalidade europeia influenciaram profundamente a cartografia, que gradativamente vai perdendo seus elementos mais fantásticos. Os monstros se tornam mais raros, os mapas passam a considerar a esfericidade da Terra, mapas-múndi se tornam mais frequentes, entre outras mudanças. Não pense que essa mudança foi imediata e contrastante. Na verdade, era comum uma mesma pessoa buscar a comprovação experimental de certos fenômenos e crer em determinados mitos e lendas sobre regiões longínquas. O próprio Cristóvão Colombo era uma pessoa mesclava as duas formas de pensar daquela época. IV. Falsa. Na verdade, os holandeses conquistaram a capitânia de Pernambuco, mantendo controle sobre o local entre 1630 e 1654. Portanto, a alternativa correta é a letra “d”. Gabarito: D (UNICENTRO 2014) Uma das tentativas de colonização do Brasil recém-descoberto foi o estabelecimento das capitanias hereditárias. Das quinze capitanias, apenas duas cumpriram sua missão de exploração das novas terras. Assinale a alternativa que apresenta, corretamente, essas capitanias. a) Itamaracá e Pernambuco. b) Itamaracá e São Vicente. c) Pernambuco e São Vicente. d) Pernambuco e São Tomé. e) São Tomé e São Vicente Comentários A década de 1530 marca o início do segundo momento de colonização portuguesa na América. A principal mudança foi a implantação do sistema de Capitânias Hereditárias, repartindo a América portuguesa em territórios independentes entre si, mas todos submetidos à Coroa. Essa mudança na administração colonial teve cinco motivações principais: a concorrência internacional; a contestação acerca do Tratado de Tordesilhas; a descoberta do ouro e prata na América do Sul; a diminuição dos preços e lucros com as especiarias orientais; as ameaças de invasão estrangeira no território colonial. Para Portugal era urgente estabelecer a colônia e implementar o sistema de exploração comercial. Por isso, em 1530 começou uma nova fase de relação entre Metrópole e Colônia. A estratégia principal consistia em incentivar a produção de cana-de-açúcar voltada para a exportação. O rei português concedeu cada capitânia a um donatário, que era autoridade máxima na política, economia e justiça representando diretamente o monarca. O cargo era hereditário. Assim, vemos que a administração da colônia era descentralizada, pois os donatários não tinham que responder a nenhuma autoridade intermediária. Contudo, nem todas as capitânias Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 141 AULA 06: HB - Colônia I conseguiram ser bem-sucedidas na empresa do açúcar, devido aos custos que isso demandava. As que mais deram certo foram a de Pernambuco e, em menor escala, a de São Vicente. Portanto, já podemos marcar a alternativa “c” como correta. Mas só para complementar, os problemas que levaram à criação desse sistema não haviam sido completamente solucionados. Por isso, em 1548 foi criado o Governo Geral que passou a ser a autoridade máxima na colônia, à qual os donatários deveriam responder. O primeiro governador chegou ao Brasil em 1549, acompanhado de jesuítas, tropas, e mais funcionários metropolitanos e instalaram a capital e sede do governo em Salvador. Portanto, uma administração centralizada passou a ser adotada. Gabarito: C (UNICENTRO 2012) O termo “etnocentrismo”, aplicado ao conhecimento histórico, significa a) direcionamento do estudo para uma única etnia, dominante ou não. b) estudo das etnias que compõem a formação cultural de determinado povo. c) abordagem dos povos primitivos que se constituíram como base de uma civilização. d) interpretação da história sob o ponto de vista de uma etnia considerada dominante e superior. e) conhecimento da distribuição geográfica e demográfica das etnias que sobrevivem em uma população de determinada região. Comentários Aqui temos uma questão conceitual. Como você já sabe, no estudo da história costumamos usar conceitos para interpretar fenômenos e acontecimentos. O conceito de etnocentrismo é essencial para o estudo da colonização do Brasil, apesar de designar uma atitude e forma de pensar mais antiga que a chegada dos europeus, inerente a todos os povos. A palavra que lhe dá nome deriva da fusão entre “etnia” e “centro”, ou seja, é a tendência que um indivíduo ou povo tem de interpretar o mundo e lidar com o outro considerando sua própria cultura como superior ou melhor. Segundo, Kalina V. Silva e Maciel H. Silva, “Os estudiosos da cultura compreendem que os povos forjam visões de mundo peculiares, que marcam a sua identidade de povo. Mas quando um determinado grupo, com traços culturais característicos e uma visão de mundo própria entra em contato com outro grupo que apresenta práticas culturais distintas, o estranhamento e o medo são as reações mais comuns. O etnocentrismo nasce exatamente desse contato, quando a diferença é compreendida em termos de ameaça à identidade cultural. De modo simples, o etnocentrismo pode ser definido como uma visão de mundo fundamentada rigidamente nos valores e modelosde uma dada cultura; por ele, o indivíduo julga e atribui valor à cultura do outro a partir de sua própria cultura. Tal situação dá margem a vários equívocos, preconceitos e hierarquias, que levam o indivíduo a considerar sua cultura a melhor ou Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 142 AULA 06: HB - Colônia I superior. Nesse sentido, a diferença cultural percebida rapidamente se transforma em hierarquia. O outro, só compreendido de maneira superficial, é então usualmente designado como ‘selvagem’, ‘bárbaro’ ou não humano. Em linhas gerais, é difícil para qualquer indivíduo se despojar dos preconceitos arraigados em sua cultura e tentar compreender a cultura do outro em seus próprios termos. Essa seria uma atitude não etnocêntrica, pois faria uso da relativização, que é o oposto do etnocentrismo. No entanto, o mais comum é o indivíduo tomar suas representações, sua linguagem, seus valores, para falar sobre o que é esse ‘outro’. Não dá a palavra para o outro, porque considera sua cultura a detentora da palavra”. (SILVA, Kalina Vanderlei; SILVA, Maciel Henrique. Dicionário de conceitos históricos. – 2.ed., 2ª reimpressão. – São Paulo: Contexto, 2009.) Veja, não confunda etnocentrismo com racismo, apesar de ambos estarem relacionamos. O racismo é uma ideologia e sistema de dominação imposto pelos europeus a partir da colonização dos demais continentes por eles. Com isso, os brancos impuseram uma hierarquia social baseada principalmente na raça e na genética, classificando arbitrariamente os demais povos humanos como inferiores, legitimando sua dominação. Portanto, o racismo é um tipo de etnocentrismo, uma derivação, um caso específico: do da relação dos europeus com os demais povos do mundo na Idade Moderna e Contemporânea. Por sua vez, o etnocentrismo, como a citação demonstra, é algo mais amplo e universal, muito mais antigo. As civilizações antigas como Roma, Grécia, China, Suméria, Israel, eram mais propensas a escravizarem os estrangeiros, os outros, pois consideravam outras culturas inferiores a suas. Contudo, podemos dizer que o ápice do etnocentrismo seria mesmo entre os séculos XV e XIX, verificado no contato entre europeus e os vários povos da América, da Ásia e da África. Portanto, também na história da colonização do Brasil e de sua formação como país independente, o etnocentrismo é um elemento fundador. Então, podemos concluir que a alternativa correta é a letra “d”. Gabarito: D (UNICENTRO 2011) A agressividade registrada contra as populações indígenas do litoral das terras do Brasil, por parte dos conquistadores portugueses, resultava, dentre outras questões, a) da disputa pelas áreas de escambo do pau-brasil entre portugueses e indígenas. b) da aliança entre os povos indígenas e as populações quilombolas contra a invasão dos portugueses. c) da divulgação do protestantismo entre os indígenas, como resultado da ação missionária dos protestantes franceses. d) do etnocentrismo, sentimento baseado na ideia de superioridade cultural do conquistador, frente ao conquistado, considerado inferior. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 143 AULA 06: HB - Colônia I e) da antropofagia generalizada praticada pelos povos indígenas contra os conquistadores portugueses. Comentários Como os demais europeus que chegaram à América nos séculos XV e XVI, os portugueses tinham uma visão eurocêntrica sobre tudo que encontraram aqui. Em outras palavras, eles viam a si mesmo, a sua sociedade e cultura, como mais desenvolvidos que os povos recém-conhecidos, que eram considerados primitivos pelos conquistadores. A isso, damos também o nome de etnocentrismo. Seu maior interesse no novo território era a implantação do mercantilismo, principalmente a produção agrícola, monocultora, em larga escala voltada para a exportação. A mão-de-obra mais utilizada foi a de indígenas escravizados. Apesar do processo de conquista ter sido longo, a historiografia costuma afirmar que as décadas iniciais do processo de colonização são cruciais para o desenrolar da história. Nos primeiros 50 anos o saldo foi de dizimação. Nesse contexto, podemos destacar 5 formas de violência utilizadas pelos europeus para estabelecerem a dominação sobre os povos originários: violência cultural (impor religião, língua, costumes, mudança de local de moradia); violência das armas (uso de pólvora, armas de aço, cavalos); violência das doenças contagiosas (sarampo, tifo, tétano, coqueluche, varíola); estímulo das violências entre os povos indígenas; violência da escravidão e do trabalho forçado. Com isso em mente, vejamos: a) Incorreta. Não havia uma disputa entre portugueses e indígenas sobre o pau-brasil em si, pois quando este produto era o mais extraído pelos portugueses, estes contavam com a cooperação de algumas tribos para realizar a extração. Essa cooperação era por meio do escambo. A violência entre os dois povos se intensificou a partir do momento que os portugueses começaram a tentar ocupar a terra, instalar a estrutura açucareira e escravizar indígenas. b) Incorreta. A resistência de indígenas e quilombolas só ocorreu porque a violência dos portugueses ocorreu em primeiro lugar. c) Incorreta. Não houve divulgação de protestantismo entre os indígenas brasileiros nos primeiros séculos de colonização. d) Correta! e) Incorreta. A antropofagia não era praticada apenas contra os portugueses, mas contra os adversários em geral. Além disso, a agressividade dos portugueses contra os indígenas, como vimos, é consequência do etnocentrismo europeu, que considerada os nativos e sua cultura inferiores. A antropofagia era uma entre várias práticas culturais que causavam estranhamento, medo ou repulsa dos europeus. Gabarito: D (UECE/2019) Antes da chegada dos portugueses às terras americanas, a) havia dois grupos étnicos habitando a região hoje chamada Brasil: os Tupis e os Tapuias. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 144 AULA 06: HB - Colônia I b) uma variedade de comunidades nativas, etnicamente diferentes, espalhava-se pelo território da futura América portuguesa. c) falavam-se alguns poucos dialetos, variantes de uma mesma língua geral, o Nheengatu, apesar de existir um grande número de grupos indígenas. d) havia uma só sociedade indígena vivendo em harmonia, igualitarismo e paz; desconhecia- se a violência da guerra, trazida para cá pelos europeus. Comentários A letra A está erra porque havia muito mais do que dois grupos étnicos. Os índios brasileiros estavam divididos em tribos, de acordo com o tronco linguístico ao qual pertenciam: tupi-guaranis (região do litoral), macro-jê ou tapuias (região do Planalto Central), aruaques ou aruak (Amazônia) e caraíbas ou karib (Amazônia). Com isso, também podemos eliminar a letra D. A letra C também está errada, pois havia inúmeros dialetos. Gabarito: B (UECE/2018) “(...) trocar manufaturas baratas por negros na costa ocidental da África; permutar os negros por matérias-primas nas colônias americanas: por fim, vender as matérias primas na Europa a altos preços, ou seja, a dinheiro contado. Comércio de resultados fantásticos em que o lucro nunca ficava por menos de 300% e podia em certos casos render até 600%”. FREITAS, Décio. O escravismo brasileiro. 2.ed. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1982. p.24. Esse sistema de comércio que foi fundamental para a colonização brasileira por custear a Coroa portuguesa através da sua taxação é conhecido como sistema a) de comércio liberal. b) de comércio quadrangular. c) internacional de comércio livre. d) de comércio triangular. Comentários Esse é o tipo de questão conceitual, ou seja, não dá para buscar erros nas demais alternativas. Ou você sabe, ou não sabe. Até dá para eliminar a alternativa A e C, por exemplo, se você pensar que o liberalismo e o livre comércio foram fenômeno mais característicosdos séculos XVIII e XIX, mais distantes, portanto, da ideia de mercantilismo. De toda forma, você precisaria entender de conceitos. Veja, o comércio de viventes, como alguns historiadores mais recentes se referem ao comércio ou tráfico negreiro, uniu interesses econômicos de 3 continentes: África, Europa e América – formando um comércio triangular, que durou até o século XIX. No caso de Portugal, parte desses lucros ia para a metrópole em forma de taxas devido ao exclusivo metropolitano. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 145 AULA 06: HB - Colônia I Gabarito: D (UECE/2017) Leia atentamente os seguintes excertos: “[...] uma das principais causas da dizimação dos índios, afora as doenças trazidas pelos europeus, foram os massacres e a eliminação deliberada dos nativos pelos portugueses. Isso resultou no fato de que apenas aproximadamente 300.000 índios, cerca de 5 por cento dos 6 milhões que compunham a população indígena em 1500, sobreviveriam para as “comemorações” dos quinhentos anos da chegada de Cabral a suas terras”. JANCSÓ, István (Coord.) Rebeldes brasileiros – homens e mulheres que desafiam o poder. São Paulo: Casa Amarela, [s.d.]. fasc. 9. p. 261 (Caros amigos) “Entre os dias 26 de março e 22 de abril [de 2016], os indígenas Aponuyre, Genésio, Isaías e Assis Guajajara, todos da Terra Indígena (TI) Arariboia, no Maranhão, foram assassinados. Com pouca fiscalização e sem sinal de investigação dos culpados, os indígenas Guajajara que vivem na área – já demarcada e habitada também por índios Awá isolados – sofrem com a constante pressão de madeireiros e temem por sua segurança”. COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT. Em um mês, quatro indígenas Guajajara foram assassinados no Maranhão. Publicado em 27 de abril de 2016. Acessado em 11 de maio de 2017. Disponível em: https://www.cptnacional.org.br/index.php/publicacoes/noticias/conflitos-nocampo/3191- em-um-mes-quatroindigenas-guajajara-foram-assassinados-no-maranhao Considerando os excertos acima, é correto afirmar que a) os conflitos que ainda ocorrem entre indígenas e população não indígena se dão exclusivamente pela ação predatória, promovida pelos índios, sobre os recursos naturais protegidos por lei. b) as tensões geradoras dos massacres e a dizimação da população nativa brasileira ainda perduram nos tempos atuais, apesar da atual proteção do Estado sobre as populações indígenas. c) o interesse dos capitalistas em obter maiores lucros com a exploração da terra dos índios e de seus recursos nunca foi motivação para os conflitos que dizimaram e ainda diminuem a população indígena. d) os eventos de violência contra a população indígena, em diversas áreas do país, se dão porque essa população não é aceita pelo Estado quando tenta integrar-se ao modelo social, justo e inclusivo, do mundo civilizado. Comentários Questão bastante atual e pode cair algum tipo de referência aos conflitos indígenas de hoje relacionando-os com o início do Brasil colônia. Por isso, se liga!!! A alternativa A está errada porque não são os índios que promovem a ação predatório, mas os não índios que possuem interesses materiais, como a busca por minérios, nas terras. Dessa maneira, também podemos eliminar a alternativa C. A B está correta porque, como os textos Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 146 AULA 06: HB - Colônia I mostram, os massacres aos índios permanecem. Você poderia ficar em dúvidas sobre a parte da proteção do Estado. Saiba que a atual Constituição da República possuiu todo um capítulo dedicado à questão indígena e diversos dispositivos que obrigam o Estado a proteger os índios. Temos, também, a Fundação Nacional do Índio (FUNAI) como órgão governamental para desenvolver políticas específicas de proteção aos índios. Gabarito: B (UECE/2017) Leia atentamente os excertos a seguir: “Os escravos são as mãos e os pés do senhor de engenho, porque sem eles no Brasil não é possível fazer, conservar e aumentar fazenda, nem ter engenho corrente. E do modo com que se há com eles, depende tê-los bons ou maus para o serviço”; (André João Antonil. Cultura e Opulência do Brasil por suas drogas e minas. Belo Horizonte. Itatiaia, 1982. p. 89.) “A democracia no Brasil foi sempre um lamentável mal-entendido. Uma aristocracia rural e semifeudal importou-a e tratou de acomodá-la, onde fosse possível, aos seus direitos ou privilégios, os mesmos privilégios que tinham sido, no Velho Mundo, o alvo da luta da burguesia contra os aristocratas”. (Sérgio Buarque de Holanda. Raízes do Brasil. Rio de janeiro. José Olímpio editora, 1984. p. 119.) Considerando os vários aspectos da formação social do Brasil, pode-se afirmar corretamente que os dois trechos acima tratam a) da inclusão do negro e do pobre no processo democrático que rompeu com os direitos e privilégios das classes dominantes. b) da integração social ocorrida ainda na colonização com o processo de miscigenação étnica que tornou iguais todos os brasileiros. c) da condição de exploração e exclusão a que estava sujeita uma parcela significativa da população brasileira em razão dos interesses das elites. d) da perfeita inclusão dos negros libertos e da população pobre em geral na sociedade brasileira, com a criação da República e da democracia no Brasil. Comentários Os dois textos indicam elementos importantes da formação da sociedade brasileira: a exploração da elite detentora do poder econômico e político diante da grande maioria de pessoas excluídas e marginalizadas. Portanto, são textos críticos ao processo histórico brasileiro. Dessa forma, as alternativas que sugerem uma inclusão sem a devida problematização histórica estão erradas, como a A, a B e a D. Como notamos hoje, o Brasil ainda não rompeu com seu passado colonial. Gabarito: C Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 147 AULA 06: HB - Colônia I (UECE/2015) A compreensão cristã do encontro dos portugueses com os primeiros habitantes da América teve forte conotação maniqueísta: de um lado estava o bem, simbolizado pelos europeus na sua suposta busca pelo paraíso; de outro, o mal, representado pelos indígenas e suas práticas diabólicas. Analise as afirmações abaixo acerca dessa compreensão. I. Tal compreensão foi alimentada por considerações imprecisas de alguns viajantes que classificavam de “demoníacas” certas práticas culturais dos povos americanos. II. A leitura das práticas dos povos americanos pelos europeus aliou a ideia da conquista de novas terras com o desejo de levar a palavra de Deus àquelas criaturas “demonizadas”. III. O pensamento cristão português dissociava-se das ideias e políticas expansionistas; desse modo, a propagação da fé era desvinculada da empresa marítima. É correto o que se afirma em a) I, II e III. b) II e III apenas. c) I e III apenas. d) I e II apenas. Comentários Boa questão para lembrarmos da Carta de Caminha e dos mitos que já foram descontruídos acerca da saga portuguesa até conquistar o Brasil. Como vimos, o desconhecido alimentou diversos tipos de histórias sobre as dificuldades de se chegar às terras que viriam a ser conhecidas como o Brasil. A presença de elementos religiosos do cristianismo foram fundamentais para construir a ideia de que o empreendimento, além de lucro, era feito em nome de Deus. A própria ideia de catequização dos índios por serem considerados “puros” fez com que a igreja católica possuísse grande interesse em expandir sua fé para as novas terras conquistadas. Assim, o item III está errado. Gabarito: D (UDESC/2017) “A unidade básica de resistência no sistema escravista, seu aspecto típico, foram as fugas. (...) Fugas individuais ocorrem em reação a maus tratos físicos ou morais, concretizados ou prometidos, por senhores ou prepostos mais violentos. Mas outras arbitrariedades, além da chibata, precisamser computadas. Muitas fugas tinham por objetivo refazer laços afetivos rompidos pela venda de pais, esposas e filhos. (...) No Brasil, a condenação [da escravidão] só ganharia força na segunda metade do século, quando o país independente, fortemente penetrado por ideias e práticas liberais, se integra ao mercado internacional capitalista. (...) “Tirar cipó” – isto é, fugir para o mato – continuou durante muito tempo como sinónimo de evadir-se, como aparece no romance A carne, de Júlio Ribeiro. Mas as fugas, como Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 148 AULA 06: HB - Colônia I tendência, não se dirigem mais simplesmente para fora, como antes; se voltam para dentro, isto é, para o interior da própria sociedade escravista, onde encontram, finalmente, a dimensão política de luta pela transformação do sistema. “O não quero dos cativos”, nesse momento, desempenha papel decisivo na liquidação do sistema, conforme analisou o abolicionista Rui Barbosa”. REIS, João José. SILVA, Eduardo. Negociação e conflito: a resistência negra no Brasil escravista. São Paulo: Companhia das Letras, 1989, p. 62-66-71. De acordo com os autores do texto, João José Reis e Eduardo Silva, assinale a alternativa incorreta. a) As fugas de escravos entre os séculos XVI e XIX tiveram motivações diversas, entre elas o tráfico interprovincial. b) Durante o século XIX, a luta dos escravos pela liberdade não se dava somente pela fuga coletiva para a formação de quilombos. c) As cidades, no século XIX, tornaram-se espaços significativos para as lutas pela abolição. d) Os escravos foram agentes da história, e não apenas força de trabalho. e) A naturalização do sistema escravista se manteve estável durante o período colonial e o imperial. Comentários Veja que a questão nos pede a alternativa incorreta. Esse tipo de questão pega muita gente apressada. Com isso, a alternativa E é a única que destoa de uma análise coerente do trecho apresentado no enunciado da questão. O sistema escravista não foi algo estável com a alternativa E afirma. As fugas, as resistências, os quilombos, foram sinais de que os escravizados não aceitavam a condição de forma passiva. Chamo sua atenção para a alternativa D. Esta remete a um grande debate que a historiografia brasileira já fez e, de certa forma, já superou que é: como contar a história dos negros? Antigamente, os livros de ensino traziam os negros só como força de trabalho e depois, como libertos após a abolição em 1888. Hoje em dia, tal como pontuamos na aula, ressaltam-se os aspectos que demonstram que a população negra teve voz, teve fala, resistiu, ou seja, também foi sujeito nessa história e não apenas objeto. Gabarito: E (UDESC 2013) Analise as proposições sobre a administração colonial na América portuguesa, e assinale (V) para verdadeira e (F) para falsa. ( ) Com o objetivo de diminuir as dificuldades na administração das capitanias, D. João III implantou, na América portuguesa, um Governo-Geral que deveria ser capaz de restabelecer a autoridade da Corte portuguesa nos domínios coloniais, centralizar as decisões e a política colonial. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 149 AULA 06: HB - Colônia I ( ) A Capitania de São Vicente foi escolhida pela Coroa Portuguesa para ser a sede do Governo, pois estava localizada em um ponto estratégico do território colonial português. Foi nesta Capitania que se implementaram as novas políticas administrativas da Coroa com a instalação do Governo-Geral. ( ) Tomé de Souza foi o responsável por instalar o primeiro Governo- Geral. Trouxe com ele soldados, colonos, burocratas, jesuítas, e deu início à construção da primeira capital do Brasil: Rio de Janeiro. ( ) A criação e instalação do Governo-Geral na América portuguesa foi uma alternativa encontrada pela Coroa Portuguesa para organizar e ocupar a colônia, que enfrentava dificuldades, dentre elas os constantes conflitos com os indígenas e os resultados insatisfatórios de algumas capitanias. Assinale a alternativa que contém a sequência correta, de cima para baixo: a) V – F – F – V b) V – F – V – F c) V – V – F – F d) F – V – F – V e) F – V – V – F Comentários A implantação do sistema colonial de exploração por parte de Portugal foi um processo bastante diferente em relação ao da Espanha. Houve 2 momentos desse processo marcados por interesses distintos de Portugal em relação à terra “descoberta” por Cabral. Além disso, os modelos de implantação do sistema de exploração colonial também se diferenciaram. O primeiro vai de 1501 a 1530 e o segundo de 1530 a 1822. No primeiro, o que se verificou foi uma fase de economia extrativista. Não houve um planejamento centralizado ou algo do tipo. Mesmo assim a exploração era monopólio da Coroa Portuguesa, que permitia a exploração particular por meio de contrato de concessão. A atividade extrativista de pau-brasil foi realizada com mão de obra indígena à base de escambo (troca de utensílios europeus, como machado, facas, por trabalho). Contudo, é importante ressaltar que os contratos de concessão emitidos pela Coroa privilegiavam exploradores portugueses. Tratava-se de uma forma de protecionismo. O principal explorador foi Fernando de Noronha. Outra característica fundamental sobre a colonização portuguesa era a ideia de exclusivo metropolitano: toda negociação, acordo, comércio, troca que envolvesse a colônia portuguesa deveria ser decidida exclusivamente pela metrópole. Dessa compreensão decorrerão várias formas distintas de relação exclusiva entre a metrópole e colônia. Pode ser que você já tenha ouvido a expressão “Pacto Colonial” para esta explicação. Está certo também! A década de 1530 marca o início do segundo momento de colonização portuguesa na América. A principal mudança foi a implantação do sistema de Capitânias Hereditárias, repartindo a América portuguesa em territórios independentes entre si, mas todos submetidos à Coroa. Essa mudança na administração colonial teve cinco motivações principais: a concorrência internacional; a Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 150 AULA 06: HB - Colônia I contestação acerca do Tratado de Tordesilhas; a descoberta do ouro e prata na América do Sul; a diminuição dos preços e lucros com as especiarias orientais; as ameaças de invasão estrangeira no território colonial. Para Portugal era urgente estabelecer a colônia e implementar o sistema de exploração comercial. Por isso, em 1530 começou uma nova fase de relação entre Metrópole e Colônia. A estratégia principal consistia em incentivar a produção de cana-de-açúcar voltada para a exportação. O rei português concedeu cada capitânia a um donatário, que era autoridade máxima na política, economia e justiça representando diretamente o monarca. O cargo era hereditário. Assim, vemos que a administração da colônia era descentralizada, pois os donatários não tinham que responder a nenhuma autoridade intermediária. Contudo, nem todas as capitânias conseguiram ser bem-sucedidas na empresa do açúcar, devido aos custos que isso demandava. As que mais deram certo foram a de Pernambuco e a de São Vicente. Para completar, os problemas que levaram à criação desse sistema não haviam sido completamente solucionados. Por isso, em 1548 foi criado o Governo Geral que passou a ser a autoridade máxima na colônia, à qual os donatários deveriam responder. O primeiro governador chegou ao Brasil em 1549, acompanhado de jesuítas, tropas, e mais funcionários metropolitanos e instalaram a capital e sede do governo em Salvador. Portanto, uma administração centralizada passou a ser adotada. Com isso, já podemos analisar as alternativas: Verdadeira! Está de acordo com o comentário. Falsa. O local escolhido para ser capital e sede do Governo Geral foi Salvador, na Bahia. São Vicente não tinha uma localização estratégica para o comércio português, poisera muito distante da Península Ibérica, enquanto o nordeste brasileiro era bem mais próximo. Falsa. A única coisa errada é que afirma que a capital escolhida foi o Rio de Janeiro, quando na verdade foi Salvador, como já dissemos acima. Entretanto, em 1763, a capital foi transferida para o Rio de Janeiro, pois este era bem mais próximo de Minas Gerais, o novo principal polo econômico da América portuguesa devido à mineração de ouro e diamante. Verdadeira! Também está de acordo com o comentário. Gabarito: A (UDESC 2013) Sobre a população nativa do território brasileiro, no século XVI, assinale a alternativa incorreta. a) Quando os portugueses chegaram ao litoral atlântico sul-americano ele já era ocupado por mais de mil povos seminômades que viviam da caça, da pesca, da coleta e da agricultura. b) Estudos apontam que os grupos indígenas que habitavam o território, que hoje é o Brasil, quando da chegada dos portugueses, eram passivos e ingênuos, por isso sua dominação e seu controle foi relativamente tranquilo para Portugal. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 151 AULA 06: HB - Colônia I c) Estudos apontam que os tupi-guaranis são originários da região amazônica, mas o crescimento da população e as mudanças ambientais, dentre outros motivos, forçaram-nos a abandonar suas terras e partir em direção ao litoral. d) Quando os portugueses chegaram ao território, que hoje é o Brasil, os tupis ocupavam quase toda a faixa costeira entre os atuais estados do Ceará e São Paulo, enquanto que os guaranis localizavam-se mais ao Sul. e) Os tupis do litoral foram os primeiros povos nativos a tomar contato com os europeus. Formavam o grupo mais numeroso, por isso, muitas vezes, a imagem do tupi é confundida como se representasse todos os indígenas do território brasileiro. Comentários Quando os portugueses chegaram ao Brasil no final do século XV, havia mais de mil grupos indígenas que, somados, totalizavam algo entre 2 e 4 milhões de indivíduos. Os tupis-guaranis habitavam o litoral e tinham uma língua e culturas similares, embora fossem formados por diversos grupos, como os tupinambás nos litorais baiano e carioca, os potiguaras e os caetés no Nordeste, os guaranis, na porção meridional do território e no atual Rio Grande do Sul. Portanto, por “tupi- guarani” devemos entender não somente um povo, mas uma grande nação, uma “macro-etnia”, ou uma matriz cultural composta por vários povos com costumes, língua (tupi), religião e ancestrais em comum. Os falantes de tupi eram a etnia mais numerosa encontrada em praticamente todas as regiões do Brasil e em alguns outros países da América do Sul, como o Paraguai e o Uruguai. Entretanto, não existiam apenas os tupis-guaranis. Havia uma infinidade de outras etnias falantes de tantas outras línguas de diferentes troncos linguísticos e matrizes culturais diversas. Os portugueses recém-chegados passaram a chamar genericamente todos os povos que não falavam tupi de tapuia. Portanto, este nome é ainda mais inexato do que “tupi-guarani”, pois é uma classificação dada pelos europeus a uma variedade de povos que não tinham muitas coisas em comum para além de não falar tupi. Esses grupos costumavam habitar o interior do Brasil. Entre eles podemos citar: os xavantes e os botocudos no interior da Bahia; os aimorés no Espírito Santo; os goitacás no Rio de Janeiro; os guaianás em São Paulo; entre outros. Então, vamos ver as alternativas. Mas lembre-se: devemos identificar a alternativa errada! Vejamos: a) Correta! b) Incorreta. As diferentes etnias e grupos nativos tiveram reações diversas aos portugueses e demais europeus. Alguns se aliaram a eles, na esperança de derrotar outros grupos nativos rivais. Outros fizeram guerra violenta contra os conquistadores, ainda mais quando estes começaram a escravizar os indígenas. A escravidão indígena foi a principal força de trabalho utilizada em toda a colônia até a década de 1570, quando os africanos escravizados passaram a ser preferidos nos grandes engenhos do Nordeste. Contudo, nas regiões menos prósperas da colônia, os indígenas continuaram sendo usados como escravizados. Há registros de muitas revoltas dos nativos para se libertar dessa condição. c) Correta! Lembra-se das teorias sobre a ocupação humana da América na pré-história, do Estreito de Bering e das navegações pelo pacífico? Então, em ambas as teorias, acredita- se o litoral brasileiro foi um dos últimos espaços a serem ocupados. No caso da hipótese Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 152 AULA 06: HB - Colônia I da migração pelo Alasca e a gradual descida para a América do Sul, esses primeiros migrantes teriam que passar antes pela Amazônia de qualquer forma. No caso da hipótese das navegações pelo Pacífico, os migrantes teriam aportado na costa oeste da América do Sul, ocupando primeiros os Andes e posteriormente migrando para o Centro Oeste brasileiro, para a Amazônia e para o Nordeste. Somente depois desses movimentos, os migrantes teriam descido para as regiões mais sul e litorâneas. Portanto, a história tupi se enquadra em ambas. d) Correta! Mas lembre-se que essas eram etnias “aparentadas”, falavam a mesma língua e descendiam dos mesmos ancestrais. e) Correta! Gabarito: B (UNITAU 2018) O açúcar foi o principal produto brasileiro de exportação durante a época colonial. Mesmo durante o auge da exploração do ouro, quando o Brasil encheu os cofres europeus e ajudou a impulsionar a Revolução Industrial na Inglaterra, o valor das exportações de açúcar excedeu o de qualquer outro produto. Assinale a alternativa que apresenta o(s) mecanismo(s) empregado(s), na economia colonial, para favorecer esse quadro. a) A imigração maciça de portugueses para trabalhar nas terras interiores da colônia. b) A utilização predominante da mão de obra indígena nas lavouras açucareiras. c) O incentivo dado pela coroa portuguesa à adoção do trabalho assalariado livre. d) A adoção da mão de obra escrava africana e o pacto colonial. e) O predomínio de pequenas propriedades rurais produzindo açúcar para exportação. Comentários O desenvolvimento da economia açucareira no Brasil teve início a partir de 1530, com a adoção de uma colonização mais sistemática do território com a intenção de defender a posse portuguesa e fomentar o desenvolvimento econômico, por meio da criação das capitânias hereditárias e, pouco tempo depois, do Governo Geral. Essa economia funcionava com base nos princípios mercantilistas, os quais balança comercial favorável, exclusivo metropolitano (pacto colonial), protecionismo e intervenção estatal. Tratava-se de produzir açúcar em grandes quantidades para ser vendido no mercado internacional, sendo que a colônia só poderia negociar seus produtos com intermédio da metrópole. Por fim, vale destacar que o trabalho empregado nesses grandes latifúndios de cana era escravizado. Até a década de 1570 predominou a mão de obra indígena, mas a partir desse momento os cativos africanos e o tráfico transatlântico de escravizados ganha mais espaço, tornando-se predominantes nas regiões mais lucrativas da colônia (Bahia e Pernambuco). Sabendo disso, vejamos: Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 153 AULA 06: HB - Colônia I a) Incorreta. Não houve imigração massiva nesse momento. Na verdade, era difícil até mesmo incentivar os donatários a se estabelecer na colônia devido aos riscos da viagem e os custos para construir uma empresa açucareira. Além disso, haviam os indígenas que podiam se revoltar e matar os colonos. A Coroa buscava incentivar a imigração do excedente populacional, mas não alcança uma grande quantidade, não nesses primeiros séculos de colonização. b) Incorreta. Como dissemos acima, a mão de obra indígena só predominou até os anos 1570, sendo progressivamente substituída pelos escravizados africanos nas regiões mais prósperasda colônia. c) Incorreta. Não havia tal incentivo. d) Correta! Está de acordo com o comentário. e) Incorreta. A Coroa privilegiou incentivar o grande latifúndio, não as pequenas propriedades. Gabarito: D (UNITAU 2017) O Cristianismo chegou ao Brasil com a conquista colonial, associado à exploração metropolitana. A Igreja desempenhou, assim, um importante papel no processo de colonização, promovendo a transformação do modo de vida indígena e a sua adaptação às formas culturais europeias. Dentre as medidas adotadas pelos religiosos para promover esse processo, é INCORRETO destacar: a) A criação dos aldeamentos, onde os índios das mais diferentes tribos eram reunidos, recebiam a catequese e eram batizados, tornando-se cristãos. b) O combate ao nomadismo e a imposição do trabalho agrícola aos índios, com uma nova divisão de tarefas entre homens e mulheres. c) A obrigação do uso de vestimentas, enquanto, anteriormente, os índios exibiam as marcas da sua cultura no próprio corpo. d) O estabelecimento de escolas para os nativos, de modo a alfabetizá-los, com o objetivo de torná-los funcionários da administração colonial. e) A organização do tempo, com a Igreja instalada no centro do aldeamento e o sino regrando a vida dos nativos em relação ao trabalho, à catequese e ao lazer. Comentários ATENÇÃO! A questão pede para identificar a alternativa errada. Não se esqueça! Como o enunciado já disse, de fato, o cristianismo cumpriu papel importante na colonização da América portuguesa. Na verdade, a religião cristã era fundamental para a legitimidade da monarquia portuguesa como um todo, pois esta ascendeu ao poder graças a suas vitórias contra os muçulmanos que ocupavam a Península Ibérica. Assim, os reis portugueses continuaram usando a religião como uma justificativa para a necessidade de conquistar novos territórios e povos, para Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 154 AULA 06: HB - Colônia I convertê-los ao cristianismo. Esses feitos garantiram aos reis portugueses a simpatia do Papa, que lhes concedeu plenos poderes religiosos nomear clérigos, alterar e vetar dogmas, assim como administrar a Contrarreforma dentro de seus territórios ultramarinos. Essas concessões são chamadas de Padroado e beneplácito régio. Religião e Estado estavam tão interligados no estado absolutista português que o pagamento do clero era feito pelo tesouro real. Mas voltando para a colonização, a ação dos religiosos se deu por meio das ordens regulares, principalmente a Companhia de Jesus, os famosos jesuítas. Esses clérigos condenavam a escravidão indígena e vinham para o Brasil para fundar aldeamentos nos quais os indígenas seriam agrupados, evangelizados e civilizados. Nem sempre esse aldeamento era pacífico e envolvia uso da força, da violência e do trabalho compulsório, contudo era um regime diferente da escravidão propriamente dita na qual o indivíduo era reduzido a condição de propriedade. Enfim, os religiosos, então, tiveram um papel muito importante pois cumpriam a função de converter os nativos e, posteriormente, os escravizados africanos para torna-los mais submissos à ordem europeia. Entretanto, no caso dos jesuítas, os missionários costumavam entrar em conflito com os colonos leigos por serem contra a escravidão dos nativos, defendendo o modelo de aldeamento. Houve momentos que os jesuítas pegaram em armas para defender os indígenas das expedições bandeirantes escravizadoras, nos séculos XVII e XVIII, como veremos na Aula 07 com mais detalhes. Por ora, o que dissemos até aqui já é o suficiente para avaliar as alternativas. Vejamos: a) Correta! Está de acordo com o comentário. b) Correta! O aldeamento, chamado de missão ou redução, era como uma vila portuguesa, de aspecto rural e economia agrária, em geral voltado para subsistência, mas alguns missionários administraram verdadeiros latifúndios competindo com os colonos. De qualquer forma, a proposta principal do aldeamento era civilizar os indígenas, ensinando- lhes os modos de vida e trabalho europeus, ou seja, vida sedentária dedicada ao trabalho, com hierarquias sociais, raciais e de gênero bem determinadas. c) Correta! Os europeus em geral e os clérigos em especial tinham uma noção de pudor bem diferente dos nativos, usando bem mais roupas, o que foi imposto aos indígenas, sobretudo nos aldeamentos, para “cobrir suas vergonhas”, como se dizia na época. d) Incorreta. Não foram criadas escolas e a intenção nunca foi alfabetizar os indígenas, apenas catequizá-los e discipliná-los para o trabalho e a submissão à colonização. Além disso, os nativos não eram incorporados à administração colonial institucionalizada. Até mesmo brancos nascidos no Brasil tinha dificuldade em assumir cargos nas instituições administrativas, como precaução dos portugueses. e) Correta! A percepção do tempo muda de época para época, mas também de sociedade para sociedade mesmo ambas existindo no mesmo contexto histórico. Essa percepção depende de fatores culturais e do modo de vida que as pessoas praticam. Logo, não é difícil imaginar que os nativos lidavam com o tempo de outra forma, não o vendo de forma linear e progressiva como os europeus. Justamente por isso, o tempo também se tornou alvo das estratégias de dominação pelos europeus. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 155 AULA 06: HB - Colônia I Gabarito: D (UNITAU 2016) O dia 20 de novembro foi instituído como Dia Nacional de Zumbi e da Consciência Negra. A data foi escolhida por ser o dia da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares. Sobre Zumbi e o Quilombo dos Palmares, pode-se afirmar que a) no período do Brasil Império, Zumbi simbolizou a luta do negro contra a escravidão, mobilizando todos os grupos marginalizados. b) Zumbi morreu muito tempo após o fim do Quilombo dos Palmares. Depois de preso, foi levado ao Rio de Janeiro, sendo morto e exposto em praça púbica. c) o quilombo liderado por Zumbi constituía uma forma de resistência ao sistema escravista, e era o principal responsável pela preservação da cultura africana no Brasil. d) apesar da curta existência, menos de cinquenta anos, o Quilombo dos Palmares ficou bastante conhecido por ter resistido durante décadas contra os ataques da Coroa Portuguesa e dos holandeses. e) a relação do Quilombo dos Palmares com a presença dos holandeses no Nordeste se caracterizou pelo investimento do governo holandês no Quilombo, para fortalecê-lo e fazer frente à Coroa Portuguesa. Comentários Antes de mais nada, é importante destacar que os escravizados africanos e seus descendentes desenvolveram várias formas de resistência para sobreviver a ou fugir da escravidão. Por aqui a sociabilidade é um complexo que envolve relações pessoais, cultura, raça e muita, muita negociação. Além da fuga e da formação de quilombos (também chamados de mocambos), podemos citar: abortos voluntários para evitar que seus filhos nascessem na condição de escravizados; suicídio; sabotagens nos engenhos por meio de destruição de plantações, instrumentos e da moenda; emboscadas e ataques surpresa à feitores, senhores e seus familiares ou à elite branca em geral; negociações com os senhores para obtenção de melhores condições de vida, como alimentos, vestuário e moradia. Você deve estar se perguntando: “mas eles não eram escravos? Como conseguiam negociar? Imagine que nesses primeiros séculos de colonização, sobretudo nos grandes engenhos, havia muito mais escravizados que portugueses. Os africanos eram traficados em grandes quantidades e os senhores engenhos tinham interesse em acumular o máximo de cativos que podiam, pois isso se refletia no aumento da produção e do prestígio social. Além disso, os engenhos eram distantes uns dos outros, alguns a centenas ou milhares de quilômetros distantes dos centros administrativos, onde as poucas tropas residiam. Portanto, apesar de ter armas de fogo,cavalos e alguns feitores, nem sempre isso era força suficiente para combater uma revolta de centenas de cativos. Por isso, alguns senhores se mostravam mais ou menos dispostos a negociar com os escravizados fazendo algumas concessões pontuais. Bom, mas foquemos na forma de resistência que é tema da questão: as fugas e os Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 156 AULA 06: HB - Colônia I quilombos! As fugas podiam ser individuais e coletivas. Nem sempre o(s) fugitivo(s) ia para ou fundava um quilombo. Por vezes, mudava de cidade, buscava se passar por liberto ou se submeter a outro senhor considerado mais “justo”. As possibilidades eram muitas num território tão vasto como o Brasil. Por sua vez, durante muitos anos, a resistência quilombola marcou a história dos negros na América portuguesa. Muitos quilombos, além de receber negros que fugiam da dominação do sistema escravista, chegaram a reunir índios e até brancos descontentes com as imposições do governo português. A vida nos quilombos era baseada na agricultura e em pequenas trocas comerciais com comerciantes e taberneiros das proximidades. A depender da localidade, poderiam ainda fazer mineração e cerâmica. Com a formação dos Quilombos, a preocupação dos senhores de engenho e da Coroa era com a disseminação de ideias insurrecionais, contrárias, portanto, ao sistema escravista. O Quilombo dos Palmares se destacou na resistência negra. Localizado em uma região da capitania de Pernambuco, começou a ser organizado em 1580 e foi destruído por colonos e pela Coroa portuguesa no começo do século XVIII. Ganga Zumba e Zumbi se destacaram entre os líderes de Palmares. O primeiro, governou de 1656 a 1678 e, Zumbi, governou de 1678 até a sua morte. Zumbi era sobrinho de Ganga Zumba e articulou a derrubada do tio por considerar que a política de Ganga Zumba de aproximação com os brancos não condizia com a ideia de liberdade do negro. Zumba chegou a firmar um acordo com o governador de Pernambuco que previa a libertação dos negros nascidos em Palmares, mas em troca, os fugitivos mais recentes no Quilombo deveriam ser devolvidos. Zumbi não concordou com essa proposta e liderou uma rebelião contra o então chefe. Como já adiantei acima, o bandeirante Domingos Jorge Velho foi contratado para destruir Palmares. Em 1692, em uma primeira tentativa, Jorge Velho e seus aliados cercaram Palmares, mas os quilombolas venceram o confronto. Dois anos depois, em 1694, Jorge Velho, com mais 6 mil soldados conseguiram vencer Palmares. Zumbi escapou, mas foi pego em 1695. Após ser preso, foi morto e sua cabeça ficou estiada em praça pública em Recife. Apesar disso, os sobreviventes conseguiram se deslocar e reorganizar Palmares na Serra da Barriga, mas com menos força do que sob as antigas lideranças. Mesmo assim, durou até meados do século XVIII. A organização dos quilombos se multiplicou em muitas regiões do país e, até hoje, existem as assim denominadas “comunidades quilombolas”. Algumas conseguiram o direito ao reconhecimento da terra que seus antepassados escravos conquistaram e outra, não. Por sinal, a nossa atual Constituição, a Constituição Federal de 1988, prevê o direito à terra aos descendentes de quilombolas. Agora vejamos: a) Incorreta. Zumbi e Palmares se tornaram símbolo da luta antirracista no século XX, com a fundação do Movimento Negro unificado, nos anos 1970. b) Incorreta. Zumbi foi morto em 1695 e teve sua cabeça exposta em Recife. O Quilombo dos Palmares continuou existindo mesmo após a sua morte, apenas sendo completamente dispersado em meados do século XVIII. c) Correta! Devido à grande intensidade do tráfico de africanos para o Brasil nesse período, a maioria dos escravizados aqui residentes tinha nascido na África, portanto, ainda Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 157 AULA 06: HB - Colônia I recordavam bem de suas culturas e tentavam reproduzi-las aqui na colônia. Vale ressaltar que, nos séculos XVI e XVII, a maioria dos cativos trazidos para o Brasil era originário da África Central, região dos atuais Angola, Congo e Gabão. Ou seja, a afinidade cultural entre os cativos dessa época era grande, muitos falavam as mesmas línguas ou similares, além de compartilharem crenças religiosas e concepções de mundo. No caso do Quilombo dos Palmares, o mesmo se verifica. Era uma sociedade formada majoritariamente por africanos que tentavam reproduzir a organização política de seus povos originais. Por isso, alguns historiadores defendem que Palmares era um reino africano no Brasil. d) Incorreta. Palmares durou mais de cem anos. Como vimos, as primeiras tentativas de formação de um quilombo na Serra da Barriga datam da década de 1580. Por outro lado, Palmares conheceu seu fim por volta dos anos 1720/1730, quando os últimos remanescentes foram dispersos por bandeirantes paulistas. e) Incorreta. A relação com os holandeses também foi intensa e permeada de violência e perseguição. Gabarito: C (IFPE – 2020/1) Não se pode dizer que os senhores fossem cidadãos. Eram, sem dúvida, livres, votavam e eram votados nas eleições municipais. Eram os “homens bons” do período colonial. Faltava- lhes, no entanto, o próprio sentido da cidadania, a noção de igualdade de todos perante a lei. Eram simples potentados que absorviam parte das funções do Estado, sobretudo as funções judiciárias. Em suas mãos, a justiça, que, como vimos, é a principal garantia dos direitos civis, e que se tornava simples instrumento do poder pessoal. O poder do governo terminava na porteira das grandes fazendas. CARVALHO, José Murilo de. Cidadania no Brasil: o longo caminho. 14ª ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2011 (adaptado). 41. A partir da leitura do e analisando o processo histórico da cidadania no Brasil, desde o período colonial até o presente, é CORRETA a seguinte afirmação: a) a cidadania brasileira foi construída já no período colonial, tendo senhores de engenho, homens livres e proprietários, logo, “homens bons”, à frente das Câmaras Municipais, assumindo as funções do Estado português, em geral, autoritário e centralizador. b) ao longo de mais de 500 anos, a cidadania, no Brasil, foi uma construção histórica que buscou conciliar os diversos grupos sociais e étnicos que habitaram o território, pautando-se no respeito às diferenças e na mestiçagem de nosso povo, marca de nossa identidade nacional. c) ao longo de mais de 500 anos de história brasileira, o processo de construção da cidadania foi impactado seja pela escravidão, seja pela grande propriedade rural, dificultando o exercício de direitos civis básicos e a participação política de grande parte da população. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 158 AULA 06: HB - Colônia I d) a condição de proprietário rural e a cor branca, no Brasil, nunca foram características consideradas importantes como critérios de distinção para o exercício da cidadania, seja pelo Estado português, seja, depois, pelo Estado Nacional brasileiro. e) os “homens bons” que assumiram papéis de relevo nas Câmaras Municipais da Colônia distinguiam-se dos demais por qualidades morais, comumente associadas ao bom tratamento para com os escravos e dependentes em geral, e ao sentimento de coletividade. Comentários: Essa é uma questão complicada já que não se limita apenas a um tempo histórico. O que a banca quer saber do aluno é se ele consegue estabelecer uma relação entre os atores políticos da colônia brasileira, com o que aconteceu ao longo dos anos, tudo isso em torno da ideia de cidadania. Na verdade, o texto tece uma crítica e um paralelismo com a ideia de que os “homens bons” não são exclusivos do período colonial. O autor se refere aos presidentes das Câmaras Municipais: homens brancos, da elite latifundiária, que possuíam o controle da justiça local, dos rumos econômicos de cada região além de, serem os responsáveispor resguardar toda uma estrutura de desigualdade sustentada pela escravidão e apagamento do indígena. Direcionando-nos para as alternativas, podemos excluir “e” e “a”. Os responsáveis locais pelas Câmaras Municipais não possuíam nenhum poder sobre o Estado Colonial, sendo apenas uma parte da estrutura administrativa do Império Português, e no caso, apenas na ordem econômica e administrativa, e que mesmo assim, era ineficiente. Assim como, não existia uma ideia de coletividade e “bondade” com o negro, uma vez que tal sistema precisava ser coercitivo e propor uma ideia de ameaça. Sempre é bom lembrar que muitas dessas regiões tinham presença majoritária de negros escravizados, o que demonstra a eficácia punitiva e de medo de tal poder. Como a alternativa “b” pontua, de fato o processo de cidadania seja do Brasil ou em qualquer parte do mundo é pautado na construção histórica dos diversos agentes presentes, porém, em nenhum momento houve uma harmonização de direitos e oportunidades iguais entre todos, sejam dos indígenas, mortos ou afastados de suas localidades originais, ou do negro, que passou mais tempo servindo do que possuindo protagonismo social. O que faz descartar a alternativa “d”, ser branco no Brasil é um privilégio e um atestado contra qualquer desconfiança na ordem jurídica, política, econômica e de segurança pública, portanto, somos um país que historicamente privilegiou um tipo de fenótipo, o que começou e se sedimentou no período colonial. Assim a alternativa correta é a “c”. A constituição da cidadania no Brasil é um reflexo das constantes arbitrariedades existentes no processo colonial, seja na implementação de um Estado sustentado pela escravidão, onde, ainda vive à custa de tal passado, ou na expropriação de terras indígenas, que ocasionou uma distribuição de terras desigual, baseada em privilégios, na cor e nos compadrios locais. Gabarito: C (IFNMG/2019) Sobre a exploração do trabalho escravo no Brasil, leia as afirmações seguintes e marque aquela que estiver INCORRETA. Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 159 AULA 06: HB - Colônia I a) Os indígenas, por serem preguiçosos e protegidos pelos jesuítas, não foram escravizados no Brasil após o Período Pré-Colonial. b) Os quilombos e o uso da capoeira, enquanto arte marcial, representam algumas das manifestações de resistência dos negros contra a escravidão. c) O tráfico negreiro da África para o Brasil era considerado uma atividade comercial que rendia recursos econômicos não apenas ao traficante, mas também à Coroa Portuguesa. d) Na região sul do Brasil, marcada pela pecuária, a exploração do trabalho escravo foi menor, quando comparada a outras regiões onde predominou a agricultura. Comentários: Quando temos uma questão de achar a alternativa incorreta temos que sempre nos atentar em possíveis pegadinhas que as afirmações apresentam. Assim, vamos observar cada uma das alternativas que são colocadas como corretas. A alternativa “b” está correta quanto a afirmação, uma vez que tal arte pode ser vista como dança, luta e representação de uma identidade de grupo, sendo uma luta típica do Brasil, e que se tornou um símbolo de resistência e representatividade. A possível origem da capoeira remonta a diversas hibridações que ocorreram, supostamente, no Quilombo dos Palmares, na atual Alagoas. O que gera a dúvida é a nomeação da capoeira como uma arte marcial, já que tal nomeação é um termo empregado normalmente ao Kung Fu, Judô e Tae-kwon-do e não a capoeira. A alternativa “c” está correta no conteúdo. De fato, o processo de escravidão que ocorreu no Brasil atingiu entre os séculos XV e XVIII uma lucrativa forma de absorção de lucros, seja de maneira direta ou indireta: de maneira direta, já que os traficantes e donos das regiões de comercialização faturavam na venda e troca da mercadoria que era o negro. E indiretamente, uma vez que tal escravo era uma mão de obra barata seja para o senhor de engenho, ou para a coroa, que lucrava com os impostos e com o que era produzido a partir de tal prática de trabalho. E a alternativa “d” talvez possa confundir um pouco o aluno na hora da resolução. Construiu-se no nosso imaginário que o negro não foi presente na região sul do país, o que é nada mais nada menos que uma forma de racismo velado em nossa sociedade, que cristalizou que os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná são o berço da cultura europeia no Brasil, lar de uma cultura branca. Porém, é totalmente errado. Primeiramente tal região foi palco de várias subetnias tupi, e principalmente, guarani que interferiram e muito em toda a ação de tropeiragem na região, e inclusive, foi localização de uma das principais regiões de catequização no Brasil. Além do indígena, temos uma presença grande de negros nessas regiões, principalmente no Rio Grande do Sul, em que os primeiros núcleos de escravidão são datados de 1717, na participação não só de lavoura e pecuária, como em toda a atividade social. Isso se altera com o processo de imigração que não só ocasiona um embranquecimento, como apaga e o exclui da sociedade. Na atualidade, no Censo de 2017, 26% da população rio grandense se declara negro, isso sem contar os pardos. Assim a alternativa que não possui nada correto é a “a”. Essa construção preconceituosa e racista foi posta como algo necessário, na justificativa que em tese o negro era apto ao trabalho por ser Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 160 AULA 06: HB - Colônia I forte e alienada a organização, bem como, era um ser sem alma, diferente do indígena, visto como possível alma a ser “educada” nos preceitos católicos. Se formos analisar, por exemplo, a construção do Estado de São Paulo e do Rio de Janeiro, essa ideia de que o indígena foi a base da sociedade está totalmente acompanhada da concepção que isso só foi possível, graças a catequização. Gabarito: A (IFBA – 2018) Que Deus entendeu de dar A primazia Pro bem, pro mal Primeira mão na Bahia Primeira missa Primeiro índio abatido também Que Deus deu Que Deus entendeu de dar Toda magia Pro bem, pro mal Primeiro chão da Bahia Primeiro carnaval Primeiro pelourinho também Gilberto Gil, Toda menina baiana. In.: CD Realce, Warner: 1979. Trecho disponível em https://www.letras.mus.br/gilberto-gil/46249. Acesso em 24 jul 2017. Com base no trecho da música acima, é possível afirmar historicamente que: a) A primeira missa na Bahia foi feita pelos portugueses com o intuito de converter os índios ao catolicismo e assim evitar que fosse feita uma guerra contra eles. b) Para o bem ou para o mal, a Bahia foi o primeiro local no Brasil em que os portugueses colocaram suas mãos. c) O carnaval sempre foi feito durante as festas profanas que acontecem ao redor das festas religiosas católicas. Assim, esse texto seria uma metáfora para entender as contradições do Brasil: carnavalesco e religioso. d) Deus seria a entidade que moveria a história dos homens. Os homens apenas reproduziriam as suas vontades. A vontade de Deus, “pro bem ou pro mal”, espalhou o Profe Alê Lopes Estratégia Vestibulares – Aula 06 – Colônia I 161 AULA 06: HB - Colônia I cristianismo pelo mundo, uma das principais instituições colonialistas dos séculos XV até os dias atuais. e) Ao destacar o abate indígena, o pelourinho e as missas religiosas, o autor chama atenção para o caráter violento da colonização brasileira. Comentários: A música quando utilizada dentro de uma questão pode despertar duas sensações: a primeira é se eu não conheço a canção, o que devo fazer? Bem se não for uma prova prática de música, a única coisa que a banca quer saber de você é interpretar historicamente a canção proposta. A segunda sensação é se identificar com a música, e no caso, se você conhece a canção além da letra, a melodia te ajuda a entender as intencionalidades que a letra possui.