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EXMO (A). SR (A). JUIZ (A) DE DIREITO DO 6º JUIZADO ESPECIAL CÍVEL DE BRASÍLIA. PROCESSO Nº: 0756666-91.2022.8.07.0016 IRANETE BEZERRA DE SOUSA, e ISMAEL BEZERRA DE SOUZA, ambos já devidamente qualificados nos autos em epígrafe em que demandam em face de ADVOCACIA CHAVES, CNPJ e KAYO JOSE MIRANDA LEITE ARARUNA, ambos devidamente qualificados nos autos em epígrafe, vem a presença de Vossa Excelência apresentar resposta ao último despacho de vossa excelência; Os autores manifestam esclarecendo que requereram a inclusão de sócio da reclamada no polo passivo uma vez que se trata do sucessor da pessoa jurídica já devidamente inclusa no polo passivo mesmo que ainda não citada legalmente em decorrência de extravio da citação como bem pontuada no último despacho do juízo. A necessidade da inclusão do proprietário do escritório de advocacia além de embasado na premissa deste ser o sucessor natural da referida personalidade jurídica, ainda se baseia no artigo 40 da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994. REGULAMENTO GERAL DO ESTATUTO DA ADVOCACIA E DA OAB Dispõe sobre o Regulamento Geral previsto na Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994. O CONSELHO FEDERAL DA ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL, no uso das atribuições conferidas pelos artigos 54, V, e 78 da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994, CAPÍTULO VI DAS SOCIEDADES DE ADVOGADOS Art. 40. Os advogados sócios e os associados respondem subsidiária e ilimitadamente pelos danos causados diretamente ao cliente, nas hipóteses de dolo ou culpa e por ação ou omissão, no exercício dos atos privativos da advocacia, sem prejuízo da responsabilidade disciplinar em que possam incorrer. Desta forma entende-se que o advogado proprietário do escritório Dr. Guilherme Chaves deve compor o polo passivo para responder a presente ação uma vez que o requerido Sr. Cayo Miranda era diretamente subordinado ao único proprietário do escritório, e não se pode ter outra interpretação para a situação até porque o Dr. Guilherme Chaves é o responsável pelo site do seu escritório a qual consta o nome do Sr. Cayo Miranda como um de seus associados, vejamos print do site público do escritório. Ademais excelência o princípio e fundamento da criação do juizado especial é a de prover a sociedade a maior celeridade possível aos processos ditos de pequena monta e não haveria sentido algum na existência desta inovadora forma de agir da justiça se todos os esforços para sua conceituação não fossem empreendidos pelo sistema judicial e magistrados. Em que pese a responsabilidade do proprietário do escritório CHAVES ADVOCACIA ser subsidiária, não há nenhuma vedação legal para que este componha o polo passivo, restando como razão de convencimento ao juízo em eventual sentença favorável aos autores e em homenagem a economia processual e respeito aos fundamentos da criação do JEC sentenciar de forma alternativa, atribuindo desde a sentença as condições para o fiel cumprimento de vossa decisão e a exemplo citamos de eventual razão de decidir; “em sendo descumprido pela parte requerida “X”, subsidiariamente conforme previsão do artigo 40 da Lei nº 8.906, de 04 de julho de 1994, determino que ...” Não se está aqui a exercer qualquer forma de docência jurídica, mas sim e tão somente trazer elementos razoáveis para vossas razões de convencimento, portanto em sendo razoável a inclusão do proprietário do escritório Dr. Guilherme Chaves em homenagem aos fundamentos da criação do JEC, a economia processual, a efetividade do resultado e a paz social para conflitos. Com tudo acima citado, cabe por derradeiro afirmar que as condições da ação “o interesse processual, a legitimidade de partes e a possibilidade jurídica do pedido” estão plenamente demonstradas com relação a todos os participes requeridos “CHAVES ADVOCACIA, SR. Cayo Miranda Leite e Dr. Guilherme Chaves”. DO DIREITO Porém e para maior conforto das razões de decidir, os autores requerem nesta fase a instauração do incidente de desconsideração da personalidade jurídica da CHAVES ADVOCACIA conforme previsão dos artigos 133 e 134 do CPC. Para o caso, temos que por paralelismo o fato de antes da presente ação o nome do requerido Sr. Kayo Miranda Leite constar no rol de associados do escritório CHAVES ADVOCACIA e após o ajuizamento desta demanda não mais, caracteriza um claro abuso da personalidade jurídica e desvio de finalidade pelo ato intencional do sócio (Dr. Guilherme Chaves) e associados (Sr. Kayo Miranda leite) de fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica e assim ludibriar este juízo e os autores, portanto o juiz, a requerimento da parte autora quando lhe couber intervir no processo, pode desconsiderar a personalidade jurídica do escritório CHAVES ADVOCACIA atingindo seu socio para que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares do sócio da pessoa jurídica beneficiada direta ou indiretamente pelo abuso. In casu, em se tratando de relação jurídica de natureza civil societário de pessoa jurídica de direito privado que possui fins lucrativos, incide desta forma a teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica. Por fim, as partes que demanda no JEC são frágeis e em muitos casos hipossuficientes, é por isso que tanto o cartório quanto os magistrados devem auxiliam os demandantes a receber o que é financeiramente devido no caso de sentença procedente e mantidas em graus superiores, para justamente dar o respaldo necessário conforme preceitua a Constituição Federal do Brasil. O problema que envolve a desconsideração no JEC é que, normalmente a sentença quando transita em julgado e o processo arquivado em definitivo por falta de meio legal para o demandante reaver o prejuízo materializado e abalizado em sede judicial se transforma na plena falta de efetividade deste tipo de ação, cabendo desta forma ao juízo buscar todos os meios de garantir a efetividade., inclusive e se necessário a decretação da desconsideração de personalidade jurídica ainda na fase inicial. E isso é uma prestação jurisdicional efetiva, justamente pelo fato de que o próprio magistrado pode, de ofício, ou provocado pela parte, decretar a desconsideração da personalidade jurídica nos casos em que as provas demonstram a plausibilidade como é o caso. DOS PEDIDOS Diante do exposto, requer de Vossa Excelência que: a) A CITAÇÃO dos REQUERIDOS listados abaixo e nos endereços indicados, para que tomem ciência da presente ação e apresentem no prazo legal a defesa que tiver, sob pena de confissão quanto à matéria de fato e de direito, por serem participes da situação relacionada a responsabilidade civil e solidaria decorrente de terem de forma consciente, conivente e omissa permitido a ação dolosa contra os autores com designação imediata de data para audiência a critério do D. Juízo; 1. ADVOCACIA CHAVES, CNPJ: 14.973.763/0001-23, com endereço no SIG Quadra 01, LOTE 385 SALA 210 EDIFICIO PLATINUM OFFICE – BRASÍLIA/DF, CEP 70.610-410. 2. GUILHERME CHAVES com endereço no SIG Quadra 01, LOTE 385 SALA 210 EDIFICIO PLATINUM OFFICE – BRASÍLIA/DF, CEP 70.610-410. b) A designação urgente de data para audiência de conciliação vez que esta ação já caminha a mais de ano. c) O recebimento do incidente com deferimento do pedido de desconsideração da personalidade jurídica da CHAVES ADVOCACIA para incluir no polo passivo o socio/proprietário Dr. Guilherme Chaves. d) O deferimento dos demais pedidos já formulados nas petições anteriores opostas nesta demanda em razão de determinação em despacho deste juizo. e) Provarão os requerentes o alegado, por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela documental e testemunhal a ser apresentado em fase posterior diante de todos os fatos narrados e se necessário. Termos em que Pede deferimento. Brasília (DF), 20 de agosto de 2023. IRANETE BEZERRA DE SOUSA, CPF nº. 462.758.431-87 ISMAEL BEZERRA DE SOUZA. CPF nº. 149.482.571-68 Página 2 de 2