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1 LISTA DE EXERCÍCIOS: LISTA ÚNICA – TRANSFORMAÇÕES SOCIAIS TEMA ABORDADO AULA 11 – Transformações Sociais: Zygmunt Bauman. 1. (Enem 2018) TEXTO I As fronteiras, ao mesmo tempo que se separam, unem e articulam, por elas passando discursos de legitimação da ordem social tanto quanto do conflito. CUNHA, L. Terras lusitanas e gentes dos brasis: a nação e o seu retrato literário. Revista Ciências Sociais, n. 2, 2009. TEXTO II As últimas barreiras ao livre movimento do dinheiro e das mercadorias e informação que rendem dinheiro andam de mãos dadas com a pressão para cavar novos fossos e erigir novas muralhas que barrem o movimento daqueles que em consequência perdem, física ou espiritualmente, suas raízes. BAUMAN, Z. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. A ressignificação contemporânea da ideia de fronteira compreende e A) liberação da circulação de pessoas. B) preponderância dos limites naturais. C) supressão dos obstáculos aduaneiros. D) desvalorização da noção de nacionalismo. E) seletividade dos mecanismos segregadores. 2. (Uel 2019) Leia o texto a seguir. O prefixo “des” indica anomalia. “Desemprego” é o nome de uma condição claramente temporária e anormal, e, assim, a natureza transitória e curável da doença é patente. A noção de “desemprego” herdou sua carga semântica da auto consciência de uma sociedade que costumava classificar seus integrantes, antes de tudo, como produtores, e que também acreditava no pleno emprego não apenas como condição desejável e atingível, mas também como seu derradeiro destino. Uma sociedade que, portanto, classificava o emprego como uma chave – a chave – para a solução dos problemas ao mesmo tempo da identidade pessoal socialmente aceitável, da posição social segura, da sobrevivência individual e coletiva, da ordem social e da reprodução sistêmica. BAUMAN, Z. Vidas despedaçadas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2005. p. 19. Com base no texto e nos conhecimentos sobre as transformações mais recentes quanto ao tema desemprego no capitalismo, considere as afirmativas a seguir. 2 I. A tendência no capitalismo globalizado é tornar os postos de trabalho mais flexíveis para atender necessidades das grandes corporações, levando a questionamentos do modelo taylorista-fordista. II. A perda de identidade em relação ao emprego no capitalismo contemporâneo confirma o fato de que a categoria trabalho deixou de ser essencial para a produção e reprodução da vida social. III. As políticas antissindicais que acompanham as práticas neoliberais apresentam como resultado a supressão das crises econômicas globais com o restabelecimento do pleno emprego. IV. O desemprego, no capitalismo globalizado, tem a longa duração como seu traço característico, enquanto avança o emprego precário e de alta rotatividade, como nos call centers. Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e II são corretas. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 3. (Uel 2018) Na figura, o “fim da linha” é também uma metáfora para interpretações como aquelas que defendem que a sociedade atual encontra-se no “fim da história”, tese popularizada por Francis Fukuyama, ou diante do “fim das utopias”, formulada por autores como Anthony Giddens e Zigmunt Baumann. Este debate teórico e social coloca no centro da reflexão temas como modernidade, mudanças e movimentos sociais. Sobre o contexto sociopolítico e os fundamentos presentes nesse debate, assinale a alternativa correta. 3 A) Os protestos coletivos urbanos, a partir dos anos 1990, quando ocorrem, demonstram ser uma ferramenta política empregada primordialmente pelos indivíduos mais pobres e menos escolarizadas. B) Os novos movimentos sociais têm apresentado como grandes traços a heterogeneidade dos atores envolvidos, a valorização das adesões individuais e as alianças pontuais independentes do pertencimento de classe. C) O liberalismo econômico é o referencial teórico dos movimentos contra a globalização, revelando a descrença geral com os grandes projetos inspirados nos ideais socialistas e o fim das grandes narrativas. D) Para teóricos do “fim da linha” ou do “fim da história”, a pós-modernidade está marcada pela ausência de perspectivas para superar a cristalização de valores, práticas e projetos sociais defendidos na época da modernidade. E) O “fim da linha” é o reconhecimento de que os valores criados pela modernidade foram cumpridos, restando às novas gerações, garanti-los sem alterações significativas. 4. (Uem 2017) “Ver TV é um dos principais deveres do sociólogo. É ali, no mundo tal como ele é visto na TV, que a maioria das pessoas passa boa parte de suas vidas e adquire grande parcela de seu conhecimento do mundo. O Lebenswelt [mundo em que vivemos], o principal objeto de nosso estudo e o principal alvo de nossas mensagens, estaria dolorosamente incompleto hoje se fosse privado dos ingredientes fornecidos pela TV on- line. Recusar-se a ver TV equivale a dar as costas a uma parte considerável, e ainda em crescimento, da experiência humana contemporânea. Essa é uma consideração que deveria orientar e ditar a seleção daquilo que os sociólogos devem ver, e não, lamentavelmente, sua estética ou outras preferências voltadas para a busca do prazer. Mas quem disse que o trabalho dos sociólogos deve ser – está fadado a ser – invariavelmente prazeroso?”. BAUMAN, Z. P. Para que serve a sociologia? Diálogos com Michael Hviid Jacobsen e Keith Tester. Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 129 e 130. A partir do texto acima e de teorias sociológicas sobre mídias, publicidade e consumo, assinale o que for correto. 01) A televisão, em nossa sociedade, está relacionada ao entretenimento, o que anula o interesse de qualquer pesquisa objetiva sobre a sociedade a partir de sua observação. 02) A análise sociológica de telejornais, telenovelas, programação infantil, pode enfocar, por exemplo, concepções sobre natureza, educação, feminino, velhice e outros temas comunicados a milhares de pessoas. 04) Pesquisar programas televisivos é algo irrelevante para a sociologia contemporânea devido à baixa qualidade da programação. 08) Considerando o caráter subjetivo da pesquisa sociológica, seus praticantes devem se ocupar apenas daquilo que lhes seja agradável. 16) O papel social da TV como meio de expressão, canal midiático e mediador de publicidade e consumo, a torna um fenômeno sociologicamente relevante. 4 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Analise a charge a seguir e responda à(s) questão(ões). 5. (Uel 2017) Leia o texto a seguir. A prudência sugere que, para qualquer pessoa que deseja agarrar uma chave sem perder tempo, nenhuma velocidade é alta demais; qualquer hesitação é desaconselhada, já que a pena é pesada. BAUMAN, Z. Vida para Consumo: a transformação das pessoas em mercadorias. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2008, p. 50. Com base na charge e na sociedade agorista, considere as afirmativas a seguir. I. Na sociedade agorista, o volume de informação disponível é superior ao que seria consumido por uma pessoa culta do século XIII ao longo da vida, o que gera a necessidade de proteção contra as informações indesejadas. II. Os sentimentos de felicidade ou a sua ausência derivam de esperanças e expectativas, assim como de hábitos aprendidos, e tudo isso tende a diferir de um ambiente social para outro. III. A modernização tecnológica, materializada em equipamentos, facilitou o acesso a produtose transformou as ações eventuais em hábitos diários e comuns. IV. O consumo é uma condição estimulada pelo convívio humano e o consumismo, um aspecto permanente e irremovível, sem limites temporais ou históricos, natural e praticado por todos. Assinale a alternativa correta. A) Somente as afirmativas I e II são corretas. B) Somente as afirmativas I e IV são corretas. C) Somente as afirmativas III e IV são corretas. D) Somente as afirmativas I, II e III são corretas. E) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas. 5 6. (Uel 2017) Leia o texto a seguir. O avanço do uso de novas tecnologias de informação e comunicação altera as relações sociais, os hábitos cotidianos e os costumes das pessoas, especialmente nas grandes cidades. Um exemplo é a crescente utilização da Internet, das redes sem fio, dos celulares e smartphones tanto em pesquisas escolares como nos espaços privados e públicos. Nos trens, nos ônibus e nas ruas, o uso dessas tecnologias se multiplica e se transforma quase em uma regra, relegando àqueles que não os usam como comportamentos “fora dos padrões”. Adaptado de: OLIVEIRA, L. F.; COSTA, R. C. R. Sociologia para jovens do século XXI. Rio de Janeiro: Imperial Novo Milênio, 2013, p. 250-254. Com base na charge, no texto e nos conhecimentos sociológicos sobre os efeitos da expansão das novas tecnologias de informação e comunicação nas relações sociais, assinale a alternativa correta. A) Para Zigmunt Bauman, na modernidade líquida, a intensa interatividade e a multiplicação das relações em rede criam vínculos sociais duradouros e quadros de referência e de identificação permanentes. B) Para Umberto Eco, os efeitos principais do avanço dos novos meios de comunicação, nos locais mais isolados, são a padronização dos comportamentos, o desaparecimento das diversidades culturais e das tradições comunitárias. C) O uso de tecnologias móveis e pessoais de comunicação, como os smartphones, ao mesmo tempo em que estimula relações sociais virtuais, seja através de voz, de SMS, de fotos ou vídeos, dificulta a disseminação de conteúdos e de ideias divergentes. D) Na contemporaneidade, o acesso universal e ilimitado às redes digitais rompe com o controle das grandes empresas sobre a produção e a circulação de notícias e com a sua atuação em rede nacional e internacional. E) A utilização cada vez mais frequente de celulares confere maior mobilidade nas comunicações, modifica as formas de controle dentro e fora dos grupos e torna públicas conversas consideradas, no passado, restritas ao mundo privado. 7. (Uem 2016) “Mas a vocação da sociologia é fornecer orientação em um mundo reconhecidamente em mudança. E essa vocação só pode ser realizada delineando-se as mudanças e suas consequências, assim como investigando as estratégias de vida adequadas para lidar com suas exigências. Creio que um mundo que exige uma reorientação contínua é o hábitat natural da pesquisa sociológica e dos serviços que a sociologia pode e deve oferecer”. (BAUMAN, Z. Para que serve a sociologia? Rio de Janeiro: Zahar, 2015, p. 59). Considerando o texto citado e conhecimentos sobre o surgimento e a institucionalização das Ciências Sociais, assinale o que for correto. 6 01) Uma das tarefas da sociologia é mostrar como os problemas pessoais estão interligados a questões de ordem pública e coletiva. 02) A sociologia se constitui num tipo de conhecimento relevante tanto para os cientistas e especialistas quanto para todos aqueles afetados pelos resultados de suas pesquisas, ou seja, o grande público. 04) A sociologia é um conhecimento originário do mundo moderno e, como tal, se mostra superada pelas novas formas de interação e comunicação da pós-modernidade, não tendo mais lugar na sociedade contemporânea. 08) O pensamento sociológico e as metodologias por ele empregadas não utilizam recursos matemáticos ou estatísticos na constituição de análises sobre a história e a estrutura social de grupos ou nações. 16) A sociologia é uma ciência, portanto estabelece problemas, dúvidas e questionamentos sobre a realidade. Por isso, ela é também uma forma de consciência, na medida em que permite desenvolver uma nova perspectiva sobre o próprio mundo em que vivemos. 8. (Enem PPL 2016) Tendo se livrado do entulho do maquinário volumoso e das enormes equipes de fábrica, o capital viaja leve, apenas com a bagagem de mão, pasta, computador portátil e telefone celular. O novo atributo da volatilidade fez de todo compromisso, especialmente do compromisso estável, algo ao mesmo tempo redundante e pouco inteligente: seu estabelecimento paralisaria o movimento e fugiria da desejada competitividade, reduzindo a priori as opções que poderiam levar ao aumento da produtividade. BAUMAN, Z. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Zahar, 2001. No texto, faz-se referência a um processo de transformação do mundo produtivo cuja consequência é o(a) A) regulamentação de leis trabalhistas mais rígidas. B) fragilização das relações hierárquicas de trabalho. C) decréscimo do número de funcionários das empresas. D) incentivo ao investimento de longos planos de carreiras. E) desvalorização dos postos de gerenciamento corporativo. 9. (Unesp 2015) Texto 1 O livro Cultura do narcisismo, escrito por Christopher Lasch em 1979, é um clássico. O texto de Lasch mostra como o que era diagnosticado como patologia narcísica ou limítrofe nos anos 50 torna-se uma espécie de “normalidade compulsória” depois de duas décadas. Para que alguém seja considerado “bem-sucedido”, é trivialmente esperado que manipule sua própria imagem como se fosse um personagem, com a consequente perda do sentimento de autenticidade. DUNKER, Christian. “A cultura da indiferença”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado. Texto 2 Zigmunt Bauman: Afastar-se da percepção de mundo consumista e do tipo de atitude individualista contra o mundo e as pessoas não é uma questão a ponderar, mas uma obrigação determinada pelos limites de sustentabilidade desse modelo da vida que pressupõe a infinidade de crescimento econômico. Segundo esse modelo, a felicidade está obrigatoriamente vinculada ao acesso a lojas e ao consumo exacerbado. “Lojas são alívio a curto prazo, diz o sociólogo Zigmunt Bauman”. www.mentecerebro.com.br. Adaptado. 7 Considerando os textos, é correto afirmar que: A) para Bauman, as diretrizes liberais de crescimento econômico ilimitado prescindem de reflexão ética. B) ambos tratam do irracionalismo subjacente aos critérios de normalidade e de felicidade. C) a “cultura do narcisismo” apresenta um estilo de vida incompatível com a mentalidade consumista. D) a patologia narcísica analisada por Lasch é um fenômeno restrito ao domínio psiquiátrico. E) ambos abordam problemas historicamente superados pelas sociedades ocidentais modernas. 10. (Uem 2015) “Os colegiais de ambos os sexos que expõem suas qualidades com avidez e entusiasmo na esperança de atrair a atenção para eles e, quem sabe, obter o reconhecimento e a aprovação exigidos para permanecer no jogo da sociabilidade; os clientes potenciais com necessidade de ampliar seus registros de gastos e limites de crédito para obter um serviço melhor; os pretensos imigrantes lutando para acumular pontuação, como prova da existência de uma demanda por seus serviços, para que seus requerimentos sejam levados em consideração – todas as três categorias de pessoas, aparentemente tão distintas, são aliciadas, estimuladas ou forçadas a promover uma mercadoria atraente e desejável. Para tanto, fazem o máximo possível e usam os melhores recursos que têm à disposição para aumentar o valor de mercado dos produtos que estão vendendo. E os produtos que [as trêscategorias] são encorajadas a colocar no mercado, promover e vender são elas mesmas.” (BAUMAN, Z. “O segredo mais bem-guardado da sociedade de consumo”, in CASTRO, C. Textos básicos de sociologia. De Karl Marx a Zygmunt Bauman, Zahar: Rio de Janeiro, 2014, p. 115). A partir da leitura do trecho acima e do tratamento que a sociologia tem dado às relações entre mercado e consumo, assinale o que for correto. 01) A transformação de pessoas em mercadoria é uma forma aguda de expressão da transformação das pessoas em coisas assinalada por Karl Marx em sua análise sobre o fetiche da mercadoria. 02) Ser atraente e desejável é um valor que influencia a ação de uma parte significativa dos indivíduos nas sociedades contemporâneas, o que, por sua vez, pode ser considerado um fenômeno sociológico. 04) Há forças de coerção em nossa sociedade que se orientam pela autovalorização exacerbada dos indivíduos e por certos padrões de aparência. 08) As teorias sociológicas não são capazes de explicar fenômenos relacionados aos indivíduos e à individualização porque tratam exclusivamente de fenômenos coletivos. 16) A necessidade de aceitação verificada entre adolescentes, o desejo de imigrar e a busca de ampliação de crédito são fenômenos irrelevantes em termos sociológicos. 8 11. (Uel 2015) A análise do tema modernidade, por pensadores clássicos da Sociologia, está presente também em autores contemporâneos, atentos às condições da sociedade atual. No século XIX, Karl Marx, em seu livro O Manifesto Comunista, de 1848, refere- se à sociedade burguesa de seu tempo como formação social em que tudo o que era sólido desmancha no ar, tudo que era sagrado é profanado, e as pessoas são finalmente forçadas a encarar com serenidade sua posição social e suas relações recíprocas. MARX, K.; ENGELS, F. O Manifesto Comunista. In: COUTINHO, C. N. et al. O Manifesto Comunista: 150 anos depois. Rio de Janeiro: Contraponto, 1998. p.11. Zigmunt Bauman, em Confiança e medo na cidade, afirma que se, entre as condições da modernidade sólida, a desventura mais temida era a incapacidade de se conformar, agora – depois da reviravolta da modernidade “líquida” – o espectro mais assustador é o da inadequação. Temor bem justificado quando consideramos a enorme desproporção entre a quantidade e a qualidade de recursos exigidos por uma produção efetiva de segurança do tipo “faça você mesmo”. Adaptado de: BAUMAN, Z. Confiança e medo na cidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2009. p.21-22. Com base nesses trechos e nos conhecimentos sobre modernidade, apresente A) uma característica particular para Marx e uma para Bauman; B) duas características comuns para ambos os autores. 12. (Uema 2015) “O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Globalização: as consequências humanas, afirma que a ‘globalização‘ tem sido apresentada como o destino irremediável do mundo, mas que, no fenômeno da globalização, há mais coisas do que pode o olho apreender, pois o fenômeno da globalização tanto divide como une.” Fonte: BAUMAN, Zygmunt. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999. (adaptado) Essa crítica do autor é, também, expressa em outras linguagens como na charge abaixo. 9 Com base na charge e nas ideias de Zygmunt Bauman, pode-se afirmar que o fenômeno da globalização A) seleciona povos, países e setores que serão inseridos no processo, determinando a forma da inserção. B) uniformiza todos os países e atinge a todos da mesma maneira, sem distinção de etnia, credo e ideologia. C) distribui igualmente entre povos e países os produtos advindos do desenvolvimento econômico e tecnológico. D) transforma as nações em uma só, criando uma verdadeira “aldeia global”, na qual todos os povos são iguais. E) padroniza o mundo social, cultural, política e economicamente, reduzindo as desigualdades entre as nações. 13. (Unimontes 2014) Zygmunt Bauman e Tim May afirmam que a Sociologia “é uma disciplina dinâmica e progressiva, produzindo permanentemente novos estudos – o que, aliás, não surpreende, considerando que nossa vida muda de várias maneiras e de diferentes momentos” (p. 8). Diante do exposto por esses autores contemporâneos e de seus estudos de Sociologia, assinale a alternativa INCORRETA. A) A Sociologia contribui para o pensar de forma relacional e auxilia a nos situar em redes de relações sociais. B) A Sociologia estuda processos sociais, funções, normas e ações coletivas, bem como analisa as estruturas presentes na sociedade. C) A Sociologia contribui para a produção de uma visão crítica dos fenômenos sociais. D) Por ser uma ciência da pós-modernidade, a Sociologia procura respostas definitivas e irrefutáveis sobre a complexidade social, apontando os melhores caminhos a serem seguidos por todos em sociedade. 10 14. (Uema 2014) Articule o fragmento do artigo I, A bruxa nos relógios, da escritora Lya Luft, ao se referir à questão do estranhamento e da desnaturalização do fenômeno social, com a reflexão de Bauman, em Aprendendo a pensar com a Sociologia, fragmento II. I. “Quando criança, eu achava que no relógio de parede do sobrado de uma de minhas avós, aquele que soava horas, meias horas, quartos de horas que me assustavam nas madrugadas insones em que eu eventualmente dormia lá, morava uma feiticeira que tricotava freneticamente, com agulhas de metal, tique-taque, tique-taque, tecendo em longas mantas o tempo da nossa vida. Nessas reflexões, e observações, mais uma vez constatei o que todo mundo sabe: vivemos a idolatria da juventude – e do poder, do dinheiro, da beleza física e do prazer. Muitos gostariam de ficar para sempre embalsamados em seus 20 ou 30 anos. Ou ter aos 60, “alma jovem”, o que acho muito discutível, pois deve ser bem melhor ter na maturidade ou na velhice uma alma adequada, o que não significa mofada e áspera...” LUFT, Lya. “A bruxa nos relógios”. In: Veja, Abril, Ed. 2344, ano 46, n.43, 23 out. 2013, p.28. II. O pensamento sociológico provoca a desnaturalização e o estranhamento nos estudos dos fenômenos sociais. Há uma tendência recorrente de explicar as relações sociais, visto que o pensar sociológico é uma forma de “[...] compreender o mundo dos homens que também abre a possibilidade de pensá-lo de diferentes maneiras” BAUMAN; MAY. Aprendendo a pensar com a sociologia. Rio de Janeiro: Ed. Zahar, 2010. (adaptado) A partir dos fragmentos apresentados, explicite a contribuição da Sociologia como ciência social da modernidade. 15. (Interbits 2012) Muitas vezes, correntes teóricas diferentes compreendem um mesmo fenômeno de forma diversa. Leia a notícia abaixo e associe, de forma correta, as interpretações feitas com o autor que faria esse tipo de análise. Crack: professora vê eficácia nula em internação compulsória A professora Luciana Boiteux, coordenadora do Grupo de Pesquisas em Política de Drogas e Direitos Humanos da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma que a eficácia das internações compulsórias de dependentes de drogas é praticamente nula sem uma estratégia de prevenção, que é avaliada por ela como a medida mais importante para se diminuir o problema do crack, principalmente nas grandes cidades. De acordo com ela, o maior risco é justamente de se fazer uma política generalista. "Esse tipo de ação acontece muitas vezes para se dar uma satisfação à opinião pública. Tem de se pensar que a pessoa que ficará internada e vai retomar a vida, não vai ficar lá eternamente. E é aí que o Estado deve agir, senão volta tudo ao ponto de partida", diz ela. Ela diz que a abordagem tem de ser complexa, integral, humana, caso contrário pode trazer efeitos ainda mais danosos."É preciso, definitivamente, respeitar os direitos e a dignidade humana". Fonte: Vagner Magalhães. In: Terra Notícias. Adaptado. 11 jan. 2013. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/brasil/...RCRD.html> Acesso em 25 jan. 2013. 11 1. Esse tipo de ação é uma forma de controle das populações. O Estado está procurando reprimir os indivíduos mais indisciplinados para, depois, torná-los úteis à sociedade. 2. Essa pode ser considerada uma política altamente ideológica, que desconsidera as vulnerabilidades intrínsecas ao sistema capitalista. 3. Essas pessoas podem ser vistas como o refugo humano que; por não se inserirem no sistema, são tratadas como dispensáveis para a sociedade. 4. Pessoas que vivem em situação de marginalização podem estar vivendo uma situação de anomia social, por não mais conseguirem internalizar as normas sociais e o tipo de solidariedade correspondente. ( ) Zygmunt Bauman. ( ) Michel Foucault. ( ) Karl Marx. ( ) Émile Durkheim. 16. (Interbits 2012) A internet opera preferencialmente com a escrita, a escrita curta e imediata. A velocidade de escrita e de leitura está relacionada à agitação mais ou menos alucinada da vida cotidiana, estimulada pelas tecnologias comunicacionais. A sociedade mediatizada não é uma sociedade feliz; ao contrário, é uma sociedade da compulsão, da cobrança invisível, dos apelos permanentes de estar conectado, pois, caso contrário, a pessoa estará "morta". Ciro Marcondes Filho. Entrevista. In: IHU On-line. 09 abr. 2011. Adaptado. Disponível em: <http://bit.ly/RGR7Xg>. Acesso em 06 nov. 2012. Alguns sociólogos desenvolveram conceitos que nos ajudam a compreender o contexto apresentado no texto acima. Um desses pensadores, Zygmunt Bauman, define esse tipo de contexto como sendo uma: A) Sociedade do espetáculo, devido à falta de profundidade da vida humana. B) Sociedade infeliz, devido à transformação do homem em coisa. C) Sociedade do consumo, uma vez que as pessoas passam a ser definidas pelo que compram. D) Modernidade líquida, devido às formas fluídas de existência humana. E) Pós-modernidade, devido às transformações geradas pela internet. 17. (Unioeste 2012) Segundo Zygmunt Bauman, a Sociologia é constituída por um conjunto considerável de conhecimentos acumulados ao longo da história. Pode-se dizer que a sua identidade forma-se na distinção com o chamado senso comum. Considerando que a Sociologia estabelece diferenças com o senso comum e estabelece uma fronteira entre o pensamento formal e o senso comum, é correto afirmar que 12 A) a Sociologia se distingue do senso comum por fazer afirmações corroboradas por evidências não verificáveis, baseadas em ideias não previstas e não testadas. B) o pensar sociologicamente caracteriza-se pela descrença na ciência e pouca fidedignidade de seus argumentos. O senso comum, ao contrário, evita explicações imediatas ao conservar o rigor científico dos fenômenos sociais. C) pensar sociologicamente é não ultrapassar o nível de nossas preocupações diárias e expressões cotidianas, enquanto o senso comum preocupa-se com a historicidade dos fenômenos sociais. D) o pensamento sociológico se distingue do senso comum na explicação de alguns eventos e circunstâncias, ou seja, enquanto o senso comum se preocupa em analisar e cruzar diversos conhecimentos, a Sociologia se preocupa apenas com as visões particulares do mundo. E) um dos papéis centrais desempenhados pela Sociologia é a desnaturalização das concepções ou explicações dos fenômenos sociais, conservando o rigor original exigido no campo científico. 18. (Uenp 2011) “Depois de fazer parte das preocupações de importantes sociólogos clássicos, tais como Weber e Simmel, o tema da cidade volta ao centro das discussões na sociedade contemporânea. O espaço urbano é o cenário por excelência da vida pública, do trabalho, da geração de renda e riqueza, da produção e do consumo, mas também das aglomerações, do desconhecido, do caos, dos medos visíveis e invisíveis. Atualmente, muitos estudiosos têm voltado sua atenção para a análise do fenômeno urbano, entre eles, um dos mais producentes da atualidade: Zygmunt Bauman.” ARRUDA, Patrícia Cabral de. Cidades líquidas. Soc. estado. [online]. 2008, vol.23, n.2, pp. 469-476. Assinale a alternativa INCORRETA. A) Nos últimos anos, o medo e a obsessão por segurança ganham espaço, sobretudo na Europa. Paradoxalmente, vivemos em algumas "das sociedades mais seguras que jamais existiram". B) Vive-se, atualmente, em uma sociedade que "se organizou em torno de uma procura infinita de proteção e da insaciável aspiração à segurança". C) Agora, os medos e perigos se proliferam e advêm de todas as partes: da comida industrializada que consumimos, da depressão, do estresse, das doenças cardiovasculares, da vida sedentária, da falta de emprego ou do excesso de trabalho, da exposição ao sol e das relações sexuais sem preservativos. Por isso, tem-se a impressão de que o caos está instaurado e de que não resta alternativa senão instalar câmeras de segurança, blindar os carros e construir muros. D) O espaço urbano, por ser cenário da vida pública, por excelência, induz a um conforto que conduz à apatia, fazendo com que as pessoas não se preocupem com os problemas à sua volta. E) Na medida em que não são mais necessários, os componentes das classes perigosas tornam-se os "desclassificados": pessoas que não pertencem a qualquer grupo social, situadas à margem. Não se trata de um grupo "inferior", mas de pessoas que estão "fora", "que não servem para nada". 13 TEXTO PARA AS PRÓXIMAS 2 QUESTÕES: Texto 01 “A insegurança ambiente concentra-se no medo pela segurança pessoal; que por sua vez aguça ainda mais a figura ambígua e imprevisível do estranho. Estranho na rua, gatuno perto de casa... Alarmes contra assalto, bairros vigiados e patrulhados, condomínios fechados, tudo isso serve ao mesmo propósito: manter os estranhos afastados. A prisão é apenas a mais radical dentre muitas medidas — diferente do resto pelo suposto grau de eficiência, não por sua natureza. As pessoas que cresceram numa cultura de alarmes contra ladrões tendem a ser entusiastas naturais das sentenças de prisão e de condenações cada vez mais longas. Tudo combina muito bem e restaura a lógica ao caos da existência.” (Zygmunt Bauman. Globalização: as consequências humanas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1999) Texto 02 “Depois de vinte anos sem prestar atenção nas consequências sociais e humanas de um capitalismo global incontido, o presidente do Banco Mundial chegou à conclusão de que, para a maior parte da população mundial, a palavra ‘globalização’ sugere ‘medo e insegurança’ em vez de ‘oportunidade e inclusão’.” (Eric Hobsbawn, Globalização, democracia e terrorismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2007) Texto 03 “Entre os jovens, cada vez mais prevalece o ‘cada um por si’. Mais do que a amizade, são redes de cumplicidade que orientam a busca da sobrevivência, a abstenção da balbúrdia política. A sociedade pretensamente sem classes resulta num egoísmo cheio de cautela. Tal como o capitalismo. Isso significa que as ‘derivações’, para falar como Pareto, têm pouca influência e o homem continua a ser o que é (mais hobbesiano e menos rousseauísta), sejam quais forem o sistema político e a ideologia que o legitimam.” (Gerard Vincent, Uma história do segredo? São Paulo: Companhia das Letras, 2009) 19. (Uenp 2011) Leia as afirmativas abaixo. I. A misogenia acaba por impor um modelo de estado baseado na vigilância e no controle, produzindo sociedades cada vez mais inóspitas. II. A globalização é encarada de forma otimistapelas civilizações, e tem propiciado uma integração cada vez maior entre os povos. III. O processo de transformação, que culminou na contemporaneidade, redundou na precarização e na desintegração dos “laços humanos”, a solidão demudou as relações sociais em relações autônomas. O egoísmo atingiu proporções assustadoras, o enigma identitário do ser humano coloca-o em um paradoxo, qual seja o de destruir o outro ou mantê-lo longe de si. Sobre as afirmativas: A) Apenas I e II são corretas. B) Apenas II e III são corretas. C) Apenas I e III são corretas. D) Todas são corretas. E) Todas são falsas. 14 20. (Uenp 2011) A cultura contemporânea é marcada pelo medo do outro, pelo egoísmo e pela intolerância; é possível identificar, ainda, uma ideologia que é caracterizada pela ausência de fraternidade, pela desintegração dos laços humanos e pela solidão. Entre as principais críticas relacionadas a essa problemática (guerra civil, democracia e exclusão) estão as queixas ao sistema representativo, as queixas de direito e justiça, as queixas econômicas. Sobre o tema assinale a alternativa INCORRETA. A) O ceticismo quanto à política – sobretudo a democracia – acompanha esta mesma linha de raciocínio. As relações autônomas minoram a criação de uma identidade e os direitos já reconhecidos, poucas vezes são efetivados. A solidão cresce na mesma proporção da atitude cética. B) Embora haja medo do outro, as culturas de um modo geral estão se abrindo para acolher o diferente, e isso pode ser percebido tanto na Europa, com relação ao mulçumano, quanto no Brasil, com relação aos negros e indígenas, por exemplo. C) As queixas de representatividade se dirigem tanto às distorções de representação internas de cada Estado, quanto externas, voltadas a atacar as distorções de representatividade existentes na Organização das Nações Unidas, por exemplo. D) As queixas de direito e justiça ocorrem porque, a despeito de serem frequentemente reconhecidos nas constituições nacionais, não são efetivados especialmente no tocante aos grupos minoritários, isso tanto no mundo desenvolvido quanto no mundo subdesenvolvido, o que tem colaborado para o aumento do número de movimentos que têm por escopo a reivindicação de direitos, ou da efetivação dos já reconhecidos. E) Quanto às queixas econômicas, diga-se que estão relacionadas ao alcance da pobreza no mundo de hoje. Embora presente no mundo todo, ela é distribuída de forma desigual, de acordo com critérios de raça, etnia e gênero. Por exemplo, encontram-se no sul da Ásia e na África subsaariana aproximadamente 70% da população mundial que vivem com menos de um dólar por dia. 21. (Uema 2009) A Sociologia é considerada uma ciência da modernidade que emerge no momento das profundas crises políticas, sociais, econômicas e culturais culminando na ruptura da ordem social tradicional e suscita um novo olhar sobre a realidade local e global. Nicolau Sevcenko (2001) traça uma analogia entre a modernidade e o loop da montanha-russa afirmando que é preciso ter coragem para enfrentar o desafio “a primeira fase até que é tranquila... A subida continua sem parar, no mesmo ritmo consistente, assegurado, forte; descobrimos que o céu aberto é sem limites [...] e de repente o mundo desaba e leva a gente de cambulhada. É o terror mais total, não se pode nem pensar em como fazer para sair dali porque o cérebro não reage mais [...] Nos transformamos numa massa energética em espasmo crítico [...] É o caos, é o fim, é o nada [...]” SEVCENKO, Nicolau. A corrida para o século XXI: no loop da montanha-russa. São Paulo: Companhia das Letras, 2001. As novas sociologias estudam as descontinuidades abordadas no texto e novas formas de sociabilidade. Indique a opção em que conste apenas sociólogos contemporâneos que analisam essa problemática. A) Pierre Bourdieu, Anthony Giddens, Zygmunt Bauman, Manuel Castells. B) Pierre Bourdieu, Max Weber, Karl Marx, Anthony Giddens. C) Anthony Giddens, August Comte, Karl Marx, Manuel Castells. D) Zygmunt Bauman, Anthony Giddens, Max Weber, August Comte. E) Manuel Castells, Max Weber, Anthony Giddens, Pierre Bourdieu. 15 22. (Uel 2008) As relações amorosas, após os anos de 1960/1980, tenderam a facilitar os contatos feitos e desfeitos imediatamente, gerando uma gama de possibilidades de parceiros e experimentos de prazer. Essa forma de contato amoroso tem sido denominada pelos jovens como “ficar”. Assim, em uma festa pode-se “ficar” com vários parceiros ou durante um tempo “ir ficando” em diferentes situações, sem que isso se configure em compromisso, namoro ou outra modalidade institucional de relação. Os processos sociais que provocaram as mudanças nas relações amorosas, bem como suas consequências para o indivíduo e para a sociedade, têm sido problematizados por vários cientistas sociais. Assinale a alternativa em que o texto explica os sentidos das relações amorosas descritas acima. A) “Hoje as artes de expressão não são as únicas que se propõem às mulheres; muitas delas tentam atividades criadoras. A situação da mulher predispõe-na a procurar uma salvação na literatura e na arte. Vivendo à margem do mundo masculino, não o apreende em sua figura universal e sim através de uma visão singular; ele é para ela, não um conjunto de utensílios e conceitos e sim uma fonte de sensações e emoções; ela interessa-se pelas qualidades das coisas no que têm de gratuito e secreto [...]”. (BEAUVOIR, S. O segundo sexo. 5 ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1980. p. 473.) B) “Hoje, no entanto, existe uma renovação, o que significa dizer que os cientistas, quando chegam através do seu conhecimento a esses problemas fundamentais, tentam por si próprios compreendê-los e fazem um apelo à sua própria reflexão. Nos próximos anos, por exemplo, após as experiências do Aspecto, a discussão sobre o espaço e sobre o tempo – problemas filosóficos – vai ser retomada”. (MORIN, E. A inteligência da complexidade. 2. ed. São Paulo: Peirópolis, 2000. p. 37.) C) “Nova era demográfica de declínio populacional não catastrófico pode estar alvorecendo. Fome, epidemias, enchentes, vulcões e guerras cobraram seu preço no passado, mas que grandes populações não se reproduzam por escolha individual é uma mudança histórica notável. Na Europa Ocidental, esse padrão está se estabelecendo em tempos de paz, sob condições de grande prosperidade, embora, sejam ainda visíveis oscilações conjunturais, significativas na depressão escandinava do início dos anos de 1990.” (THERBORN, G. Sexo e poder. São Paulo: Contexto, 2006. p. 446). D) “É assim numa cultura consumista como a nossa, que favorece o produto para o uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados, receitas testadas, garantias de seguro total e devolução do dinheiro. A promessa de aprender a arte de amar é a oferta (falsa, enganosa, mas que se deseja ardentemente que seja verdadeira) de construir a ’experiência amorosa’ à semelhança de outras mercadorias, que fascinam e seduzem exibindo todas essas características e prometem desejo sem ansiedade, esforço sem suor e resultados sem esforço. (BAUMAN, Z. Amor líquido. Rio de Janeiro: Zahar, 2004. p.21-22). E) “Viver na grande metrópole significa enfrentar a violência que ela produz, expande e exalta, no mesmo pacote em que gera e acalenta as criações mais sublimes da cultura.[...] Nesse sentido, talvez a primeira violência de que somos vítima, já no início do dia, é o jornalismo, sempre muito sequioso de retratar e reportar, nos mínimos detalhes, o que de mais contundente e chocante a humanidade produziu no dia anterior [...]”. (NAFFAH NETO, A. Violência e ressentimento. In: CARDOSO, I. et al (Orgs). Utopia e mal-estar na cultura. São Paulo:Hucitec, 1997. p. 99.) 16 23. (Uel 2008) Leia o texto a seguir. [...] Como observam os pesquisadores do Instituto de Estudos Avançados da Cultura da Universidade de Virgínia, os executivos globais que entrevistaram “vivem e trabalham num mundo feito de viagens entre os principais centros metropolitanos globais – Tóquio, Nova York, Londres e Los Angeles. Passam não menos do que um terço de seu tempo no exterior. Quando no exterior, a maioria dos entrevistados tende a interagir e socializar com outros globalizados... Onde quer que vão, hotéis, restaurantes, academias de ginástica, escritórios e aeroportos são virtualmente idênticos. Num certo sentido habitam uma bolha sociocultural isolada das diferenças mais ásperas entre diferentes culturas nacionais... São certamente cosmopolitas, mas de maneira limitada e isolada.” [...] A mesmice é a característica mais notável, e a identidade cosmopolita é feita precisamente da uniformidade mundial dos passatempos e da semelhança global dos alojamentos cosmopolitas, e isso constrói e sustenta sua secessão coletiva em relação à diversidade dos nativos. Dentro de muitas ilhas do arquipelago cosmopolita, o público é homogêneo, as regras de admissão são estrita e meticulosamente (ainda que de modo informal) impostas, os padrões de conduta precisos e exigentes, demandando conformidade incondicional. Como todas as “comunidades cercadas”, a probabilidade de encontrar um estrangeiro genuíno e de enfrentar um genuíno desafio cultural é reduzida ao mínimo inevitável; os estranhos que não podem ser fisicamente removidos por causa do teor indispensável dos serviços que prestam ao isolamento e autocontenção ilusória das ilhas cosmopolitas são culturalmente eliminados – jogados para o fundo “invisível” e “tido como certo”. (BAUMAN, Z. Comunidade: a busca por segurança no mundo atual. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. p. 53- 55.) De acordo com o texto, é correto afirmar que a globalização estimulou A) a disseminação do cosmopolitismo, que rompe as fronteiras étnicas, quando todos são viajantes. B) um novo tipo de cosmopolitismo, que reforça o etnocentrismo de classe e de origem étnica. C) a interação entre as culturas nativas, as classes e as etnias, alargando o cosmopolitismo dos viajantes de negócio. D) o desenvolvimento da alteridade através de uma cultura cosmopolita dos viajantes de negócios. E) a emergência de um novo tipo de viajantes de negócios, envolvidos com as comunidades e culturas nativas dos países, onde se hospedam. 17 RESOLUÇÕES Resposta da questão 1: [E] A alternativa [E] está correta porque os textos discutem os novos significados do conceito de fronteira no contexto da globalização, haja vista que, a fronteira ganha flexibilidade ao tratar da circulação de capitais e investimentos, e se torna inflexível ao tratar da circulação de pessoas, portanto, a fronteira se torna seletiva nos mecanismos segregadores. As alternativas incorretas são: [A], porque há restrições à circulação de pessoas; [B], porque o conceito de fronteira abordado não diz respeito aos limites naturais; [C], porque embora haja redução ou eliminação dos obstáculos aduaneiros para capitais e investimentos, a fronteira, paradoxalmente, torna-se inflexível para a circulação de pessoas; [D], porque os textos não discutem a questão do nacionalismo. Resposta da questão 2: [B] [I] Correta. A flexibilização das relações de trabalho e das normas trabalhistas tem sido uma das características marcantes do capitalismo globalizado ou mundializado. Com isso, as grandes corporações buscam dar conta de seus problemas de taxa de lucro, recorrendo, em contrapartida, a modificações no antigo modelo produtivo ancorado nas práticas propostas pelo taylorismo-fordismo, que propunham um modo de organização do trabalho essencialmente rígido, seja pelo cronômetro e fragmentação da atividade de trabalho, seja pela linha de montagem com a esteira rolante. [II] Incorreta. Embora estudos apontem para a perda da identidade com o trabalho, como é o caso de André Gorz, em seu clássico livro Adeus ao proletariado, que remete à imagem da “não-classe-dos-não-trabalhadores”, como também em significativa parte da produção recente que fala em “fim da sociedade do trabalho”, toda e qualquer forma de sociedade continuará dependendo da mediação das forças vitais humanas com a natureza, ou seja, as condições objetivas, para realizar seu processo sociometabólico de existência do gênero humano. Portanto, o trabalho independentemente da forma de sociabilidade humana constitui a essência do ser social. [III] Incorreta. As práticas antissindicais desenvolvidas pelas empresas ao redor do mundo não têm garantido a realização do pleno emprego nem o fim das crises econômicas. Pelo contrário, quanto maior a dificuldade de organização sindical, conforme revelam vários estudos na área de sociologia do trabalho, maiores são as tendências de precarização do emprego e demissões de coletivos de trabalhadores. [IV] Correta. A partir dos anos 1970, a explosão mundial do desemprego e a escassez de postos de trabalho estabeleceram um novo perfil junto à força de trabalho. Ao contrário do período denominado “os trinta gloriosos”, quando predominava o “pleno emprego”, o quadro pós 1970, em diversos países, apontou para que o desemprego passou a ser de longa duração e seletivo, atingindo mais intensamente os desqualificados em relação aos qualificados. Os estudos apontam, também, para desvantagens das mulheres em relação aos homens no que se refere à manutenção do emprego e também o crescimento dos chamados empregos modelo Mac Donald’s, que possuem por característica a baixa remuneração, a alta rotatividade e a precarização das relações de emprego. 18 Resposta da questão 3: [B] A presente questão apresenta muitas referências, o que pode confundir um pouco o estudante. Ainda assim, é possível perceber que somente a alternativa [B] está correta. Os novos movimentos sociais organizam-se por novas demandas de reconhecimento e de redistribuição de direitos. Assim, tornam-se mais heterogêneos, relativizando inclusive certas diferenças de classe. Resposta da questão 4: 02 + 16 = 18. O texto deixa claro que a televisão tem uma grande relevância social, e os sociólogos não podem ignorar esse fato. Considerá-la somente como mero mecanismo de alienação ou como um entretenimento de baixa qualidade é não perceber a complexidade do mundo em que estamos inseridos. Resposta da questão 5: [D] Somente a afirmativa [IV] está totalmente incorreta. O consumismo é recente historicamente, e não uma lei da natureza humana. Com relação à afirmativa [III], vale ressaltar que ainda que seja possível considerá-la correta, é difícil identificar a quais ações eventuais ela está fazendo referência. Resposta da questão 6: [E] A alternativa [E] é a mais correta. As novas tecnologias da informação não somente criam novas relações sociais, como também alteram relações de poder e a divisão entre público e privado. O surgimento de redes sociais como o Facebook é o principal exemplo desse tipo de alteração. Resposta da questão 7: 01 + 02 + 16 = 19. As afirmativas [04] e [08] estão incorretas. A sociologia continua a ser importante, mesmo nesse contexto de pós-modernidade. Além disso, vale ressaltar que desde os estudos de Émile Durkheim sobre o suicídio, a estatística e a matemática continuam sendo importantes para as pesquisas sociológicas. Resposta da questão 8: [C] As novas formas de produção e de empresa são caracterizadas, entre outras coisas, pela flexibilidade das relações de trabalho e pela utilização de máquinas robotizadas. Como resultado, as empresas passam a necessitar menos de empregados, exatamente como a afirmativa [C] estabelece.Resposta da questão 9: [B] O primeiro texto trata da questão da normalidade, enquanto que o segundo da felicidade. Em ambos há o argumento de que os critérios para se definir o que é normal ou feliz são dados por fatores superficiais à vida do indivíduo, podendo trazer grandes prejuízos à vida em sociedade. 19 Resposta da questão 10: 01 + 02 + 04 = 07. Somente as afirmativas [08] e [16] estão incorretas. Ao analisar o consumo, a sociologia se interessa por uma série de comportamentos, como os gastos, os desejos e a socialização dos indivíduos, sejam eles estimulados a estarem em grupo ou isolados (numa forma de individualismo). Todas essas são questões claramente sociológicas. Resposta da questão 11: a) Há várias características que podem ser elencadas em relação a cada um dos autores. Para Marx, podemos citar a fugacidades das relações sociais, as novas relações de trabalho assalariado, as transformações incessantes dos meios de produção, a intensificação da exploração de classe, o aumento exponencial da produção, entre outras características. Já para Bauman, podemos citar sobretudo a fluidez das relações sociais e o sentimento de insegurança ou incerteza. b) Ambos têm como objeto de compreensão a modernidade e sua influência sobre as relações sociais. Além disso, os dois percebem que, nesse período histórico, existe uma maior instabilidade nas relações sociais, ainda que definam isso de formas diferentes. Resposta da questão 12: [A] A globalização só existe vinculada a uma estrutura socioeconômica de desigualdade. Tanto os países quanto as pessoas não participam de forma homogênea ou igualitária no mercado mundial, mas segundo as possiblidades econômicas que possuem. Resposta da questão 13: [D] A alternativa [D] contraria todas as outras. A sociologia não mais procura encontrar respostas últimas, cabais, a respeito da realidade social. De fato, o que ela atualmente busca é desenvolver interpretações, que sempre poderão ser criticadas ou modificadas. Resposta da questão 14: A sociologia é uma ciência comprometida em compreender os fenômenos sociais da sociedade moderna. Desta maneira, ela se distingue de outras explicações justamente por se propor a estranhar e desnaturalizar nossas certezas e verdades, tal como afirma Bauman. É exatamente isso que Lya Luft revela ao repensar aquilo que fora sua infância e como as pessoas se relacionam com seu passado. Resposta da questão 15: 3 – 1 – 2 – 4. Interessante questão. As teorias de cada um dos autores selecionados nesta questão são importantes formas de compreender a relação entre Estado, população excluída e política pública. Resposta da questão 16: [D] Bauman define como modernidade líquida a sociedade em um contexto de constante transformação, na qual as relações humanas são mais fluídas e compulsivas. 20 Resposta da questão 17: [E] A Sociologia, como todo conhecimento científico, se distingue do senso comum por criar um tipo de saber sistemático, rigoroso e analítico acerca da realidade. O senso comum, em contrapartida, é pouco reflexivo e tem uma conotação mais pragmática e imediatista. Resposta da questão 18: [D] A alternativa [D] corresponde a uma má interpretação do texto. O espaço urbano da vida pública, por ser aquele onde predomina o caos, se opõe justamente à apatia. Não é por acaso que justamente nesse espaço aparecem de forma mais evidente as expressões de medo da sociedade contemporânea. Resposta da questão 19: [C] Os três textos apontam para uma contemporaneidade marcada pela sensação de insegurança. As únicas afirmativas que estão de acordo com essa perspectiva são a I e a III, ainda que por perspectivas diferentes. Resposta da questão 20: [B] Somente a alternativa [B] está errada. Ainda que a questão do preconceito e do racismo esteja colocada de maneira mais nítida, verifica-se um movimento de manutenção do etnocentrismo e da intolerância. Isso pode ser percebido, sobretudo no caso da França, onde, em abril de 2011, entrou em vigor uma lei que proibia o uso do véu por mulheres muçulmanas em lugares públicos. Resposta da questão 21: [A] A questão não exige grandes habilidades e conhecimentos do aluno. Mesmo que ele não conheça o nome dos sociólogos contemporâneos, com um pouco de conhecimento de sociologia ele pode acertar a questão. Sabendo que Weber e Marx não são sociólogos contemporâneos, todas as alternativas, com exceção da [A], são excluídas. Assim, intui- se que Bourdieu, Giddens, Bauman e Castells sejam sociólogos contemporâneos. Bourdieu com seus conceitos de dominação e habitus, Bauman com o conceito de Modernidade Líquida, Giddens com sua belíssima análise da modernidade e Castells com a análise das novas tecnologias são grandes exemplos de sociólogos que contribuíram para a compreensão do mundo social contemporâneo. Resposta da questão 22: [D] A alternativa [D] é a única correta. O próprio título do livro de Zigmunt Bauman (Amor Líquido) já se mostra como indício da adequação da sua teoria para a interpretação das relações afetivas contemporâneas. É assim que as relações sociais podem ser interpretadas no sentido da sociedade do consumo: fluidas e descartáveis. Na própria terminologia do autor, uma afetividade líquida. Resposta da questão 23: [B] A questão exige do aluno leitura atenta do texto no enunciado. Ali, o autor faz referência explícita à forma de vida de executivos que vivem em uma “bolha sociocultural”, sendo, por isso, cosmopolitas “de maneira limitada e isolada”. Assim, o etnocentrismo tradicional é mantido e realocado e as diferenças étnicas não são superadas. Portanto, somente a alternativa [B] é correta.