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SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 1
2 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
INTERNET 
E REDES SOCIAIS 
A Era da Informação, de maneira geral, constitui o 
novo momento histórico em que a base de todas as 
relações se estabelece através da informação e da 
sua capacidade de processamento e de geração de 
conhecimentos. A este fenômeno Manuel Castells 
denomina “sociedade em rede”, que tem como lastro 
revolucionário a apropriação da Internet com seus 
usos e aspectos incorporados pelo sistema capitalista.
A sociedade em rede também é analisada por Pierre 
Lévy sob o codinome de “cibercultura”, sendo, pois, este 
novo espaço de interações propiciado pela realidade 
virtual (criada a partir de uma cultura informática).
Ciber Cultura
O filósofo Pierre Lévy, francês radicado 
no Canadá, é um dos maiores expoentes 
no campo de estudos da mídia 
cibernética. Em toda sua trajetória 
intelectual, esteve dedicado à 
compreensão dos fenômenos 
de comunicação e produção de 
informação e conhecimento. 
Mas foi no final da década de 
1990 que se consolidou como um 
dos intelectuais mais respeitados 
no estudo da internet como um fenômeno cultural.
 No livro Cibercultura, publicado 1999, Lévy traça suas 
percepções sobre a o crescimento do ciberespaço, 
novo meio de comunicação que surge da interconexão 
de computadores e o consequente surgimento da 
cibercultura. Segundo ele, “a cibercultura expressa 
o surgimento de um novo universal, diferente das 
formas que vieram antes dele no sentido de que ele se 
constrói sobre a indeterminação de um sentido global 
qualquer” (LÉVY, 1999, p. 15). Trata-se de um “novo 
dilúvio”, provocado pelos avanços tecnológicos das 
telecomunicações, em especial, o advento da internet. 
O termo [ciberespaço] especifica não apenas a 
infraestrutura material da comunicação digital, mas 
também o universo oceânico de informação que ela 
abriga, assim como os seres humanos que navegam 
e alimentam esse universo. Quanto ao neologismo 
‘cibercultura’, especifica aqui o conjunto de técnicas 
(materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, de 
modos de pensamento e de valores que se desenvolvem 
juntamente com o crescimento do ciberespaço (LÉVY, 
1999, p. 17).
Neste sentido, estaríamos passando por um processo 
de universalização da cibercultura, na medida em que 
estamos dia-a-dia mais imersos nas novas relações 
de comunicação e produção de conhecimento que ela 
nos oferece.
Outra tendência que acompanha o crescimento do 
ciberespaço é a virtualização. O autor utiliza um 
conceito de “virtual” que se distingue do senso 
comum, e até mesmo do termo técnico ou filosófico. 
Virtual não se opõe ao real, nem ao material. Ainda 
que não esteja fixo em nenhuma coordenada de 
tempo e espaço, o virtual existe, ele é real, mas está 
desterritorializado. Na verdade, ele ocupa apenas um 
espaço físico menor: o computador. Sendo assim, o 
computador se tornou mais que uma ferramenta de 
produção de sons, textos e imagens é um operador 
da virtualização.
O crescimento do ciberespaço é orientado por três 
princípios fundamentais: a interconexão, a criação de 
comunidades virtuais e a inteligência coletiva.
 A interconexão, mundial ou local, é um princípio 
básico do ciberespaço, na medida em que sua 
dinâmica é dialógica. 
As comunidades virtuais “são construídas sobre 
afinidades de interesses, de conhecimentos, sobre 
projetos, em um processo mútuo de cooperação e 
troca” (LÉVY, 1999, p.127).
SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 3
Já a inteligência coletiva pode ser considerada a 
finalidade última do ciberespaço, pois ela descreve 
um tipo de inteligência compartilhada que surge 
da colaboração de muitos indivíduos em suas 
diversidades. 
“É uma inteligência distribuída por toda parte, na qual todo 
o saber está na humanidade, já que, ninguém sabe tudo, 
porém todos sabem alguma coisa” (LÉVY, 2007, p. 212).
Cultura do Cancelamento
 
 
Você certamente já ouviu falar que alguém foi 
"cancelado" na internet. O termo "cultura do 
cancelamento" é um movimento que vem ganhando 
força desde 2012 e pode até decidir o futuro da 
imagem de uma pessoa ou marca. O conceito pode 
ser definido como o ato de boicotar um indivíduo, 
marca ou empresa depois do mesmo agir de forma 
censurável ou politicamente incorreta, especialmente 
em relação a questões como racismo, LGBTfobia, 
machismo e outros.
O contexto que fomenta esse fenômeno é 
caracterizado:
• O mundo conectado em redes
• Relações sociais tensas, produzidas ao longo 
de um processo que reproduz ambientes de 
desigualdades, exploração, preconceitos e 
violência.
• Controle da palavra pública.
• Entretenimento como política e o político como 
entretenimento.
"Cancelar" uma pessoa virou algo tão recorrente e 
praticado pelos usuários que, em 2019, o dicionário 
Macquarie, que todos os anos seleciona as expressões 
que mais caracterizam o comportamento humano, 
elegeu "cultura do cancelamento" como a expressão 
do ano.
 
O cancelamento vai contra tudo que a cultura 
significa, que é o resultado de divergência de ideias. 
Cultura se constrói com encontro e divergência de 
ideias, discussão e debate. Assim, percebe-se que 
cancelamento vai contra tudo o que a cultura significa.
Uma das maiores críticas a esse movimento é 
justamente esse impacto que pode causar na vida 
daquele que foi cancelado e, em alguns casos, até em 
terceiros. Um exemplo disso ocorreu com o cantor 
Nego do Borel, em 2019, ele foi acusado de transfobia 
após um fã transexual compartilhar sua foto com 
a legenda: "Você está cada dia mais gato" e o cantor 
responder que o fã também era um homem bonito. 
4 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
Ele foi "cancelado" e, depois disso, pediu desculpas, 
mas teve shows cancelados e a sua impopularidade 
teve respingos na cantora Anitta, amiga do cantor. Em 
um de seus shows, a cantora chamou o amigo para 
subir ao palco e com isso foi acusada de transfobia 
porque estaria compactuando com a atitude de Nego 
do Borel. Anitta recebeu diversas mensagens de ódio 
em suas redes sociais e até ameaças de morte.
Esse tipo de comportamento não traz a melhora 
daquele que errou ou a compreensão, apenas 
dissemina o ódio não necessário. Os usuários não se 
dão conta do tamanho do impacto que causam nas 
pessoas, independentemente de serem boas ou más. 
E, infelizmente, um único juízo de valor ocasiona 
feridas profundas na vida do 'cancelado', desde a 
perda do emprego, retaliações desnecessárias ou até 
mesmo o desenvolvimento de transtornos mentais, 
como ansiedade ou depressão. Quando cancelamos 
alguém, estamos manifestando superioridade ao 
invés de demonstrar compreensão e igualdade.
O ambiente em que acontece esse linchamento 
virtual — como Twitter, Facebook e Instagram —, 
que leva ao cancelamento, não possui ainda regras 
claras sobre o que é possível fazer por lá ou não. 
No entanto, isso pode ser uma oportunidade de 
constituir novas mobilizações, entendendo limites, 
formas de até melhorar as redes sociais e de criar 
fóruns públicos, além de permitir a atuação de 
educadores, políticos, pessoas do sistema judiciário, 
sendo possível criar um debate geral sobre condutas 
puníveis e educativas e como lidar com punições 
recorrentes, por exemplo.
Apesar de soar recente, o debate aflige pensadores há 
séculos: em meio à discordância, a melhor solução 
é dialogar ou desaparecer? Até que ponto é possível 
convencer o outro? Nas redes sociais, pesquisas 
indicam que posições extremadas triunfam sobre 
discussões moderadas. Antes de cancelar nas redes, 
talvez valha pensar: a crítica é válida? De fato vai 
ajudar a melhorar a sociedade? 
E, por fim: e se fosse você?
REFERÊNCIAS 
CASTELLS, Manuel. A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra, 
1999
; ______. A galáxia da Internet. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2003; 
LEVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996; 
______. A inteligência coletiva. São Paulo: Edições Loyola, 1998;
______. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 1999.

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