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HISTÓRIA GERAL COM RODRIGO BIONE 1
2 HISTÓRIA GERAL COM RODRIGO BIONE
REVOLUÇÃO INDUS-
TRIAL.
ESQUEMA DE AULA.
Introdução.
 ƍ Processo caracterizado pelo aprimoramento dos 
métodos fabris e pela aceleração da produção, 
do consumo, do desenvolvimento científico e 
tecnológico, do crescimento populacional, da 
velocidade, etc.
 қ Durante o Século XVIII, apenas a Inglaterra 
entrou em processo de Revolução Industrial.
 ƍ Fases.
 қ 1ª fase (aprox. 1760 - aprox. 1850).
 ◼ Vapor, Ferro, Carvão, etc.
 қ 2ª fase (aprox. 1850 - aprox. 1950).
 ◼ Eletricidade, Petróleo, Aço, etc.
 ◼ Fase conectada com a fase do Imperialis-
mo e com o Capitalismo Monopolista.
 қ 3ª fase (aprox. 1950 - …).
 ◼ Computação, engenharia química e 
biológica, robótica, tecnologia espacial, 
etc.
 қ 4ª fase (?).
 ◼ Informação.
Razões do pioneirismo inglês:
 ƍ Os cercamentos.
 қ Proprietários de terra cercavam campos 
abertos e áreas antes ocupadas por pequenos 
agricultores e pecuaristas, expulsando 
inúmeras famílias dessas regiões.
 ◼ Muitos desses camponeses viviam há 
gerações nessas terras.
 қ Isso provocou grande êxodo rural e a 
disponibilização de mão de obra barata nas 
cidades. 
 қ O processo de cercamentos aconte-
ceu de forma gradual desde 
o séc. XVI e foi percebido por 
Thomas Morus no livro clássi-
co "A Utopia".
 ◼ A partir do século XVIII, 
houve grande intensifi-
cação dos cercamentos. 
 ƍ A Revolução Gloriosa (1688-1689).
 қ Adoção do sistema parlamentarista.
 қ Estabilidade política.
 ƍ Favorecimento da burguesia e das ideias liberais.
 ƍ Recursos disponíveis para investimentos.
 ƍ Solo favorável.
 қ Disponibilidade de carvão e minério de ferro 
em minas inglesas.
 ƍ Incentivos e prêmios oferecidos a promotores de 
inovações tecnológicas.Fundição de Cobre em Swansea, Gales, Século XIX
HISTÓRIA GERAL COM RODRIGO BIONE 3
A indústria.
 ƍ O ramo têxtil foi o símbolo da primeira Revolução 
Industrial.
 ƍ Nas propriedades cercadas, a criação de ovelhas 
permitia o abastecimento de lã.
 ƍ A Inglaterra importava muito algodão do Sul dos 
EUA (até 1776, das suas Treze Colônias).
 ƍ O maquinário-símbolo do período: A 
máquina a vapor.
 қ O modelo mais conhecido é o de 
James Watt (1769).
Relação trabalhista.
 ƍ Relação conflituosa entre a burguesia 
e o proletariado.
 қ Essa oposição era percebida na segregação 
espacial.
 ◼ Nos bairros operários, circulava esgoto a 
céu aberto, grande fonte de transmissão 
de doenças. 
 ◼ Várias famílias partilhavam a mesma 
habitação.
 ◼ Os operários habitavam no entorno das 
fábricas, muitas vezes com péssimas 
condições de moradia.
 ƍ As cidades industriais cresciam de maneira 
bastante desordenada.
 қ Manchester, por exemplo. 
 ƍ Péssimas condições de trabalho.
 қ Ambientes insalubres, maus-tratos, vigilância 
abusiva, jornadas exaustivas e salários 
baixíssimos.
 қ Mulheres e crianças sofriam ainda mais. 
 ƍ Vigilância do tempo.
 қ “Tempo é dinheiro”.
 қ Valorização da pontualidade.
 қ O trabalhador perde a autonomia sobre o 
próprio tempo.
Movimentos trabalhistas da primeira 
metade do Século XIX.
 ƍ Ludismo:
 қ Movimento dos "quebradores de máquinas".
 ◼ Trabalhadores desempregados após 
o processo de automação se revoltam 
contra o novo estilo de produção.
 қ 1811: explosão do ludismo na cidade inglesa 
de Nottingham.
 ◼ Curiosidade: entre os dias 11 e 23 de março 
de 1811, cerca de 100 teares destruídos.
 қ Liderança difusa.
 қ Frame-Breaking Act (1812).
 ◼ Pena de morte para quebra de máquinas.
 ◼ Essa medida gerou o enfraquecimento do 
movimento.
 қ A repressão foi brutal e ainda na década de 
1810, o movimento chegou ao fim.
 ƍ Cartismo:
 қ A insatisfação dos trabalhadores foi 
redirecionada para criação de associações 
organizadas e realização de greves.
 қ Associação dos Operários (1836).
 қ A Carta do Povo (1838), escrita por William 
Lovett, reivindicava ao Parlamento:
 ◼ Sufrágio universal masculino.
 ◼ Direito de participação no Parlamento.
 ◼ Pagamento de salário aos membros do 
Parlamento. 
 ƍ O salário garantiria a entrada de pessoas sem 
outras fontes de renda.
Coalbrookdale à Noite - Philip James de Loutherbourg (1801)
4 HISTÓRIA GERAL COM RODRIGO BIONE
 ◼ Diminuição da jornada de trabalho.
 ◼ O Parlamento rejeitou todas as 
reivindicações acima. 
 қ Embrião dos futuros sindicatos.
TEXTOS AUXILIARES:
Trecho da “Utopia” de São Thomas Morus 
(1516).
“Os inumeráveis rebanhos de carneiros que cobrem 
hoje toda a Inglaterra. Estes animais tão dóceis e 
tão sóbrios em qualquer outra parte, são, entre vós, 
de tal sorte vorazes e ferozes que devoram mesmo 
os homens e despovoam os campos, as casas e as 
aldeias [...] Transformam em desertos os lugares mais 
povoados e mais cultivados [...].
[...] Os infelizes abandonam, chorando, o teto que os 
viu nascer, o solo que os alimentou, e não encontram 
abrigo onde refugiar-se. Então vendem a baixo preço 
o que puderam carregar de seus trastes, mercadoria 
cujo valor é já bem insignificante. Esgotados esses 
fracos recursos, o que lhes resta? O roubo, e, depois, o 
enforcamento segundo as regras.
[...] No entanto, qual é o seu crime? É o de não achar 
ninguém que queira aceitar os seus serviços, ainda 
que eles os ofereçam com o mais vivo empenho”.
Testemunho de um operário inglês perante 
uma comissão de inquérito, 1832.
“Tinha 7 anos quando comecei a trabalhar na 
manufatura: o trabalho era a fiação de lã; as horas 
de trabalho decorriam entre as 5 da manhã e as 8 
da noite, com um intervalo de 30 minutos ao meio-
dia para repousar e comer; não havia tempo para 
repousar e comer à tarde. Devíamos tomar refeições 
como pudéssemos, em pé ou de outro modo. Eu tinha 
14 horas e meia de trabalho efetivo aos sete anos; 
Nesta manufatura, havia cerca de 50 crianças mais 
ou menos da minha idade; estas crianças muitas 
vezes estavam indispostas e de má saúde. Havia 
sempre uma meia dúzia de crianças doentes devido 
ao excesso de trabalho. (...) Era à força do chicote 
que as crianças se mantinham no trabalho. Esta era 
a principal ocupação de um contramestre: fustigar as 
crianças para as fazer trabalhar excessivamente”. 
Trechos do depoimento do Sr. John Moss 
perante a Casa dos Comuns (24 de Maio 
de 1816).
'Eram aprendizes órfãos? - Todos aprendizes órfãos. 
'E com que idade eram admitidos? - Os que vinham de 
Londres tinham entre 7 e 11 anos. Os que vinham de 
Liverpool, tinham de 8 a 15 anos. 
'Até que idade eram aprendizes? - Até os 21 anos. 
'Qual o horário de trabalho? - De 5 da manhã até as 8 
da noite. 
'Quinze horas diárias era um horário normal? - Sim. 
'Quando as fábricas paravam para reparos ou falta 
de algodão, tinham as crianças, posteriormente, de 
trabalhar mais para recuperar o tempo parado? - Sim. 
'As crianças ficavam de pé ou sentadas para trabalhar? 
- De pé. 
'Durante todo o tempo? - Sim. 
'Havia cadeiras na fábrica? - Não. Encontrei com 
frequência crianças pelo chão, muito depois da hora 
em que deveriam estar dormindo. 
'Havia acidentes nas máquinas com as crianças? - 
Muito frequentemente."
Trecho de Tempo, disciplina de trabalho 
e o capitalismo do historiador inglês E.P. 
Thompson:
"Aqueles que são contratados experienciam uma 
distinção entre o tempo do empregador e o seu 
"próprio" tempo. E o empregador deve usar o tempo 
Primeira Locomotiva à Vapor de Stevenson
HISTÓRIA GERAL COM RODRIGO BIONE 5
de sua mão de obra e cuidar para que não seja 
desperdiçado: o que predomina não é a tarefa, mas o 
valor do tempo quando reduzido a dinheiro. O tempo 
agora é moeda: ninguém passa o tempo, e sim o gasta 
[...] Havia muitos relógios em Londres na década 
de 1790: a ênfase estava mudando do "luxo" para a 
"conveniência"; até os colonos podiam ter relógios 
de madeira. Na verdade (como seria de se esperar), 
ocorria uma difusão geral de relógios portáteis e não 
portáteis no exato momento em que a Revolução 
Industrial requeria maior sincronização do trabalho."
Sobre a divisão do trabalho, Adam Smith, 
em"A Riqueza das Nações":
"Tomemos, pois, um exemplo, tirado de uma 
manufatura muito pequena, mas na qual a divisão do 
trabalho muitas vezes tem sido notada: a fabricação 
de alfinetes. [...] Para fazer uma cabeça de alfinete 
requerem-se 3 ou 4 operações diferentes; montar 
a cabeça já é uma atividade diferente, e alvejar os 
alfinetes é outra; a própria embalagem dos alfinetes 
também constitui uma atividade independente. 
Assim, a importante atividade de fabricar um alfinete 
está dividida em aproximadamente 18 operações 
distintas. [...] 10 pessoas conseguiam produzir entre 
elas mais do que 48 mil alfinetes por dia. [...] Se, 
porém, tivessem trabalhado independentemente 
um do outro, e sem que nenhum deles tivesse sido 
treinado para esse ramo de atividade, certamente 
cada um deles não teria conseguido fabricar 20 
alfinetes por dia, e talvez nem mesmo 1."
Sobre o significado da Revolução 
Industrial, A Era das Revoluções, Eric 
Hobsbawm:
"O que significa a frase "a revolução industrial 
explodiu"? Significa que a certa altura da década de 
1780, e pela primeira vez na história da humanidade, 
foram retirados os grilhões do poder produtivo das 
sociedades humanas, que daí em diante se tornaram 
capazes da multiplicação rápida, constante, e até o 
presente ilimitada, de homens, mercadorias e serviços."

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