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E-BOOK GERAÇÃO E DISTRIBUIÇÃO DE ENERGIA ELÉTRICA Sistema elétrico de potência (sep) APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo! Os sistemas elétricos de potência compõem um dos pilares do desenvolvimento de qualquer país. O emaranhado de fios, subestações e centrais geradoras que produzem, transmitem e alimentam as cargas consumidoras garantem que você poderá carregar o seu celular no horário que quiser, sem se preocupar se a energia está disponível. Essa facilidade toda resulta de um sistema complexo, que deve ser organizado e coordenado para garantir que a energia elétrica chegue aos consumidores com a qualidade desejada, com a confiabilidade esperada e com um mínimo de continuidade. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender sobre os sistemas elétricos de potência: desde a sua estrutura até os seus componentes, passando por um breve histórico do seu desenvolvimento. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Determinar a estrutura dos sistemas elétricos de potência.• Reconhecer o histórico dos sistemas elétricos de potência.• Analisar os componentes do sistema elétrico de potência.• DESAFIO O sistema de distribuição é o ponto de conexão do sistema elétrico de potência com o consumidor final. Perto do sistema como um todo, o consumidor pode parecer uma parte infinitesimal, mas é ele que possui o direito de ter energia disponível a qualquer momento. Para atender os consumidores, o sistema de distribuição é extremamente ramificado e redundante, possibilitando que suas partes possam ser isoladas em casos de manutenção ou devido a interrupções corriqueiras. Os engenheiros responsáveis pelo sistema de distribuição têm grandes desafios em suas mãos, pois a entrega da energia ao consumidor deve ser garantida, e a falta de fornecimento por mais tempo que o tolerado pela legislação pode resultar em multas à concessionária distribuidora. Que atitude você tomaria para melhorar esse sistema de distribuição? INFOGRÁFICO Do ponto de vista sistêmico, o sistema elétrico de potência pode ser dividido em: geração, transmissão, distribuição. Dentro desses subsistemas, existem divisões e todo um universo de funcionamento particular. Estudar cada um desses pontos é de extrema importância, já que um engenheiro não será contratado para trabalhar em todos os subsistemas ao mesmo tempo. Cada um deles possui grande magnitude – até porque o Brasil é um país continental – e operam com suas características únicas, que os diferenciam completamente dos outros. No Infográfico a seguir, você verá as características marcantes de cada fase desse processo que compõe o sistema elétrico de potência. CONTEÚDO DO LIVRO Assim como o saneamento, os sistemas de abastecimento de água e a iluminação pública, o fornecimento de eletricidade é considerado um serviço básico, graças à dependência da humanidade a este serviço. O caminho é longo, passando por geração, transmissão e distribuição, para que a energia elétrica chegue até o consumidor. No capítulo Sistema Elétrico de Potência (SEP), da obra Sistemas elétricos de potência, você verá uma introdução aos sistemas elétricos de potência, bem como o seu histórico e o seu funcionamento atual. Para entender o sistema elétrico brasileiro, são apresentados os agentes envolvidos na sua estrutura organizacional, responsáveis pela operação, fiscalização e regulação do mercado energético. Boa leitura. Sistemas elétricos de potência Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Determinar a estrutura dos sistemas elétricos de potência. � Reconhecer o histórico do desenvolvimento dos sistemas elétricos de potência. � Analisar os componentes do sistema elétrico de potência. Introdução O fornecimento de eletricidade é considerado um serviço básico, assim como o saneamento, a iluminação pública e os sistemas de abastecimento de água, devido à dependência, da humanidade, desses serviços. Para que a energia elétrica chegue até o consumidor, o caminho é longo e passa por geração, transmissão e distribuição. Esse caminho é o que compõe o chamado sistema elétrico de potência. A função do sistema elétrico de potência é fornecer energia elétrica a grandes e pequenos consumidores, com uma qualidade mínima estabelecida por normas vigentes do setor e no momento em que for solicitada. O crescimento da população mundial e, consequentemente, o crescimento econômico dos países demanda cada vez mais energia, o que faz com que os sistemas elétricos precisem ser cada vez mais robustos e inteligentes para atender todos. Neste capítulo, você vai aprender sobre a estrutura e os componentes de sistemas elétricos de potência, reconhecendo o histórico do desenvol- vimento que esses sistemas sofreram para chegar ao que se conhece hoje. Estrutura dos sistemas elétricos de potência Os sistemas elétricos de potência são sistemas complexos compostos por aspec- tos técnicos e regulatórios. Existem leis e normas que devem ser seguidas para que o consumidor seja atendido com a qualidade mínima exigida. Para isso, há uma estrutura composta por diversas instituições que organizam esse sistema. No Brasil, o poder federal regula e fiscaliza a geração, a transmissão e a dis- tribuição de energia elétrica. Desse modo, as concessões são de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia (MME), enquanto a regulação e a fiscalização são exercidas pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). A Figura 1 apresenta o mapeamento organizacional das instituições do setor elétrico nacional. Figura 1. Mapeamento Organizacional das Instituições do setor elétrico nacional. Fonte: Adaptada de Engie ([201-?]). CNPE Conselho Nacional de Política Energética MME Ministério de Minas e Energia EPE Empresa de Pesquisa Energética ANEEL ANEEL CMSE Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico Órgão de assessoramento do presidente da república para formulação de políticas e diretrizes de energia Estudos e pesquisas para subsidiar o planejamento do setor energético Acompanhar e avaliar a continuidade e segurança do suprimento de energia Gestão do registro, medição, contabilização, monitoramento, liquidação financeira, compensação da energia comercializada Planejamento e programação da operação e o despacho centralizado da geração de energia no país CCEE Câmara de Comercialização de Energia Elétrica ONS Operador Nacional do Sistema Sistemas elétricos de potência2 Assim, o MME é o órgão do Governo Federal responsável pela formulação, organização e implantação das políticas energéticas do Brasil, de forma inte- grada, monitorando a segurança de suprimento e definindo ações de prevenção (COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ, 2014). Para assessorar o MME em questões técnicas, foi criado o Conselho Na- cional de Política e Energia (CNPE). Esse órgão tem por objetivo estabelecer diretrizes das políticas energéticas, visando ao aproveitamento racional dos recursos de energia (COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ, 2014). Sob o comando do MME, existem três instituições: a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), cuja função é realizar os estudos relacionados ao sistema energético nacional e a sua expansão; a ANEEL, que é responsável pela re- gulação e pela fiscalização do setor elétrico; e o Comitê de Monitoramento do Setor de Energia (CMSE), o qual é responsável pelo monitoramento do fornecimento de energia do sistema e pela solução dos problemas que existirem nessa etapa (COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ, 2014). A ANEEL foi criada por meio da Lei nº. 9.427/1996 e do Decreto nº. 2.335/1997 e é um dos órgãos mais conhecidos no âmbito do setor elétrico brasileiro. Entre as suas funções, destacam-se (BRASIL, 2002): � regulação do sistema elétrico de potência; � fiscalização de concessões e permissões dos serviços relacionados à energia elétrica concedidas pelo governo;� implementação de políticas sobre o uso da energia elétrica e exploração dos recursos energéticos; � definição de tarifas; � intermediação de divergências entre agentes comercializadores e consumidores; � supervisão do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e da câmara de Comercialização de Energia; O ONS é uma empresa pública de direito privado, sem fins lucrativos, criada pelas Leis nº. 9.648 e 10.848/2004 e regulamentada pelo Decreto nº. 5.081/2004, sendo responsável pela operação dos sistemas de geração, pela transmissão de energia elétrica no Sistema Interligado Nacional (SIN) e pelo planejamento da operação dos sistemas isolados (BRASIL, 2018). 3Sistemas elétricos de potência É exigido, do profissional, um treinamento específico de segurança em sistema elétrico de potência, o qual deve abordar um currículo mínimo, ter carga horária preestabelecida e cumprir as demais determinações estabelecidas na NBR-10 para trabalhar nesse setor. O SIN é a interconexão dos sistemas elétricos subdivididos regionalmente entre os sub-sistemas Sul, Sudeste/Centro-oeste, Nordeste e a maior parte da região Norte. Por meio de um sistema de transmissão, esses subsistemas podem realizar a transferência de energia entre eles, integrando os recursos de geração para atender à demanda dos consumidores (BRASIL, 2018). O ONS desenvolve estudos visando à operação dos sistemas de geração de maneira ótima, isto é, gerar a maior quantidade de energia com o menor custo, sempre respeitando os níveis de qualidade e segurança definidos pela ANEEL. Além disso, é de responsabilidade do ONS que todos os agentes do setor elétrico tenham igual acesso às redes de transmissão, bem como garantir que a ampliação do SIN seja realizada com o menor custo, atendendo às condições operacionais futuras (BRASIL, 2018). Também fiscalizada pela ANEEL, a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) é uma entidade, sem fins lucrativos, composta pelos agentes que atuam no mercado de compra e venda de energia elétrica. Os principais objetivos da CCEE são a realização de leilões públicos de energia elétrica e a documentação de contratos de comercialização. Devido à grandiosidade do SIN, ele pode ser dividido em níveis de tensão, os quais são separados entre si por subestações elevadoras ou abaixadoras. Segundo a ANEEL, o sistema elétrico brasileiro é divido em nível de distri- buição e nível de transmissão. (BRASIL, 2002). O nível de distribuição é compreendido por um sistema de propriedade da concessionária distribuidora e é dividido entre Sistema de Distribuição de Alta Tensão, Sistema de Distribuição de Baixa Tensão e Sistema de Distribuição de Média Tensão. Para alguns autores, o Nível de Distribuição de Alta Tensão também é conhecido como Nível de Subtransmissão, já que compreende as linhas e as subestações que conectam as barras da rede básica ou de centrais geradoras às subestações de distribuição. A tensão típica dos sistemas de distribuição de alta tensão varia entre 69 kV e 230 kV, nos sistemas de distri- buição de média tensão entre 1 kV e 69 kV e nos sistemas de distribuição de baixa tensão de até 1 kV (BRASIL, 2002). Sistemas elétricos de potência4 O nível de transmissão trabalha com blocos maiores de potência, interli- gando as centrais geradoras aos pontos de maior carga do sistema, os quais são conectados aos sistemas de distribuição. A rede de transmissão brasileira é extremamente extensa devido à configuração do segmento de geração, que é constituído, em sua maior parte, por grandes usinas hidrelétricas instaladas distantes dos grandes centros consumidores (ELGERD, 1976). Uma das grandes diferenças entre os sistemas, além do nível de tensão, é a configuração da rede. A Figura 2 apresenta duas configurações utilizadas, a do tipo radial (Figura 2-a), na qual a energia flui em um único sentido, como, por exemplo, das centrais geradoras para a carga, e a do tipo em anel, em que a redundância do circuito aumenta a confiabilidade do sistema. O sistema de transmissão é, em sua maior parte, um sistema radial, enquanto o sistema de distribuição é um sistema em anel (ELGERD, 1976). Figura 2. a) sistema radial; b) sistema em anel. Fonte: Adaptada de Elgerd (1976, p. 52). (a) (b) Código de barra Símbolo de barra Símbolo de gerador Símbolo de linha Símbolo de carga Símbolo de transformador Linha de interligação com sistema vizinho 1 2 3 4 5 6 ~ ~ ~ ~ 5Sistemas elétricos de potência Buscando a interligação total do sistema elétrico nacional, existe uma grande tendência em expandir o sistema de transmissão. O MME, por meio de estudos técnicos desenvolvidos pela EPE e pelo ONS, cria programas para atingir esse objetivo, cuidando dos aspectos técnicos e da tarifa aplicada. A ANEEL, exercendo sua função de regulação e fiscalização, realiza leilões para a seleção de grupos empreendedores que serão responsáveis por construir e operar novas linhas de transmissão. Ao profissional que trabalha constantemente em contato com o sistema elétrico de potência é de direito um adicional de periculosidade de 30% sobre o salário. Histórico dos sistemas elétricos de potência O sistema elétrico de potência é uma das obras mais complexas desenvolvidas pela humanidade e passou por um longo período até ser o que se conhece hoje. Graças a esse desenvolvimento, o crescimento e o desenvolvimento dos países foi possível e essa grande rede de conversão e transporte de energia se tornou confiável, segura e totalmente necessária para a sociedade. A história do sistema elétrico começou em 1878, quando Thomas A. Edison passou a pesquisar um sistema elétrico formado por uma central elétrica que distribuiria esse tipo de energia para a redondeza (GLOVER; SARMA, 2003). Com o objetivo de atrair a atenção de potenciais investidores, a estação de Pearl Street ficava no distrito financeiro e comercial de Nova Iorque e marcou o começo da indústria da eletricidade. Na inauguração da estação, em 1882, cerca de 60 clientes eram abastecidos em uma milha quadrada. Em um mês, a carga já era aproximadamente três vezes maior e no ano seguinte mais de sete vezes maior (GLOVER; SARMA, 2003). Alguns anos depois, essa estação se incendiou. Embora tenha sido recons- truída, encerrou completamente suas atividades um tempo depois. Apesar disso, esse foi um marco importante na história dos sistemas elétricos de potência. O sistema desenvolvido por Edison era um sistema em corrente contínua (CC), de 220V, e logo alguns problemas relacionados a esse nível de tensão, às distâncias de transmissão e ao crescimento das cargas começaram a apa- Sistemas elétricos de potência6 recer. Com o desenvolvimento de um transformador viável, comercialmente falando, Stanley tornou possível a distribuição de energia em alta tensão, com corrente menor e menores quedas de tensão na linha. Isso fez com que a corrente alternada (CA) se tornasse mais atrativa frente aos equipamentos que operavam em CC. Logo foi instalada a primeira linha monofásica operando em CA. Com 21 km, a linha ligava Oregon a Portland e operava em 4 kV (GLOVER; SARMA, 2003). Nikola Tesla teve sua participação registrada no Instituto Americano de En- genheiros Eletricistas quando apresentou um artigo sobre um motor de indução bifásico. Nessa pesquisa, ele defendeu as vantagens dos sistemas polifásicos, quando comparados aos sistemas monofásicos (GLOVER; SARMA, 2003). Por fim, as primeiras linhas trifásicas começaram a operar em 1891 e 1893, na Alemanha, com tamanho de 179 km em 12 kV, e nos Estados Unidos, com 12 km em 2,3 kV, respectivamente (GLOVER; SARMA, 2003). A Figura 3 apresenta a linha do tempo do início da história do sistema elétrico de potência. Figura 3. Marcos da indústria elétrica. Fonte: Adaptada de Glover e Sarma (2013). Thomas A. Edison abre a estação de Pearl Street na cidade de Nova Iorque Primeiras linhas detransmissão instaladas na Alemanha William Stanley desenvolve um transformador comercialmente viável Primeira linha monofásica de transmissão em CA nos Estados Unidos, em Oregon Primeira linha trifásica de transmissão em CA nos Estados Unidos, na Califórnia Gerador CC impulsionado por uma turbina hidráulica, instalado em Appleton, Wisconsin Frank J. Sprague produz o motor CC para os sistemas de Edison Nikola Tesla apresenta um artigo sobre motores bifásicos em CA, de indução e síncrono Primeira linha trifásica de transmissão em CA, na Alemanha 1882 1884 1888 1889 1891 1893 1885/6 7Sistemas elétricos de potência História do sistema elétrico de potência no Brasil Enquanto isso, no Brasil, em 1879, foi utilizado um dínamo para criar o pri- meiro serviço de iluminação pública, instalado na estação central da ferrovia Dom Pedro II. Anos depois, também no Rio de Janeiro, foi a vez do jardim do Campo da Aclamação, atualmente conhecido como Praça da República, receber uma iluminação pública (GOMES et al., 2002). A primeira central geradora brasileira foi instalada na cidade de Campos, no Rio de Janeiro, tendo a capacidade de 52 kW utilizados para alimentar 39 lâmpadas. Uma caldeira alimentada à lenha gerava o vapor necessário para alimentar a termelétrica (GOMES et al., 2002). A história do Brasil no ramo das hidrelétricas iniciou em 1883, na cidade de Diamantina, em Minas Gerais. Utilizando a força das águas do Ribeirão do Inferno, afluente do rio Jequitinhonha, gerava-se energia para abastecer a extração de diamante que acontecia a 2 km de distância (GOMES et al., 2002). Com o crescimento do setor hidrelétrico justificado pelo grande potencial hídrico do país, em 1903, iniciou-se o processo de regulamentação da utiliza- ção e do aproveitamento da energia hidráulica dos rios brasileiros para fins de serviços públicos. Apesar de não funcionar efetiva e imediatamente, essa lei foi importante para que o processo regulatório dessa atividade começasse (GOMES et al., 2002). Entre 1900 e 1920, a população do Brasil quase dobrou, o que fez com que o potencial hidráulico, localizado entre Rio de Janeiro e São Paulo, crescesse mais de 600%. Somente em 1903 foi construída uma hidrelétrica em Alagoas, utilizando as águas da Cachoeira de Paulo Afonso, para alimentar as máquinas das fábricas de linhas e fios da região (GOMES et al., 2002). A tentativa de regular o setor elétrico nacional era cada vez mais urgente, já que o crescimento do país fazia com que mais investidores empreendessem nele, da forma que melhor lhes cabia. Só em 1934 foi formalizado o Código de Águas, que definiu o papel intervencionista do Estado na gestão do setor hidráulico e energético do país (GOMES et al., 2002). O Código de Águas definia que a União passava a deter a competência de legislar e outorgar concessões de serviços públicos de energia elétrica, antes estabelecidos apenas por contratos. Assim, foram revistos os critérios utilizados para definir os preços dos serviços prestados pelas companhias, o que determinou que o preço do serviço deveria sanar as despesas da operação e da depreciação das instalações e prover uma justa remuneração às empre- sas. A justa remuneração seria definida de acordo com o custo histórico das instalações (GOMES et al., 2002). Sistemas elétricos de potência8 O papel intervencionista do Estado fez com que a Companhia Hidroelétrica do São Francisco (CHESF) fosse criada para aproveitar os recursos hídricos do Rio São Francisco, em 1945. Em 1946, o Governo apresenta o Plano Nacional de Eletrificação, o qual propunha investimentos em usinas elétricas de pequeno e médio porte, sendo o Estado o empreendedor (GOMES et al., 2002). Somente em 1995, a desestatização teve seu início e se baseia, até hoje, na desverticalização da cadeia produtiva de energia elétrica. O objetivo é segregar as atividades de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica. A atividade de geração vem sendo desregulada, com o passar do tempo, com a licitação de novos empreendimentos de geração, a criação da figura do Produtor Independente de Energia (PIE) e o livre acesso aos sistemas de transmissão e distribuição. Além disso, com a comercialização, passou-se a ter a liberdade para grandes consumidores escolherem de quem querem comprar a sua energia (GOMES et al., 2002). A história dos sistemas elétricos brasileiros teve um momento histórico de seca em 2001. Como a geração brasileira se baseia na energia hidrelétrica, uma baixa dos reservatórios das usinas obrigou o Governo a adotar medidas emergenciais, criando a Câmara de Gestão da Crise de Energia Elétrica (CGCE). Essa crise fez com que o país percebesse a necessidade de diversificar a matriz energética nacional (GOMES et al., 2002). Em 2001, devido à falta de água e, consequentemente, à falta de energia, os consumidores foram obrigados a controlar o uso de energia elétrica de tal forma que se instalou uma crise energética no país, a qual só foi superada em 2005. Nesse período, foram tomadas diversas atitudes para reduzir o risco de outra crise energética, entre elas, a construção de novas linhas de transmissão, o que aumentou a interligação do sistema elétrico nacional e possibilitou o intercâmbio de energia entre os sub-sistemas (HUNT; FREITAS; PEREIRA JÚNIOR, 2014). Voltando à diversificação da matriz energética nacional, o Brasil tem ainda sua participação marcada na 21ª Conferência das Partes (COP21) e se comprometeu em reduzir a emissão de gases de efeito estufa envolvidos nos processos de geração de energia, aumentar o consumo de biocombustíveis e utilizar novas energias renováveis na sua matriz (FERRAZ; CODICEIRA, 2017). Com isso, as energias eólica, solar e provenientes de biocombustíveis cres- ceram consideravelmente desde 2010 e, ao que tudo indica, devem continuar crescendo e ganhando espaço no mercado da energia elétrica, não só no Brasil, mas em todo o mundo (FERRAZ; CODICEIRA, 2017). 9Sistemas elétricos de potência De maneira reduzida, pode-se caracterizar o setor elétrico por (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]): � segregação das atividades de geração, transmissão e distribuição; � formado por empresas públicas e privadas; � característica centralizada; � consumidores cativos e livres; � possibilidade de negociação livre entre comercializadores e consumidores livres; � existência de leilões para contratação de energia para as distribuidoras; � cobrança da energia elétrica separada do transporte da energia. Componentes do sistema elétrico de potência O sistema elétrico de potência pode ser dividido em três grandes grupos: geração, transmissão e distribuição. Uma ponta desse sistema é a geração, que, apesar do nome, é um processo de transformação de uma forma de energia em energia elétrica. A outra ponta é a distribuição, ou seja, os consumidores. Para ligar isso tudo, existem os sistemas de transmissão, que, na maioria das vezes, percorrem longas distâncias entre geração e distribuição (STEVENSON JR, 1986). Geração de energia elétrica A geração de energia elétrica no Brasil tem como fonte primária a energia hidráulica, com uma participação de 66%, conforme apresentado no gráfico da Figura 4. O gás natural aparece como a segunda maior fonte primária, com 10% da capacidade instalada e a biomassa em terceiro lugar. O gás natural, os derivados de petróleo, o carvão e a biomassa são fontes primárias utilizadas para aquecer caldeiras de termelétricas, as quais utilizam o calor gerado por estas para mover as pás das turbinas mecânicas acopladas a geradores elétricos. Portanto, pode-se dizer que a matriz energética nacional é, principalmente, atendida pela geração de hidrelétricas, seguida de termelétricas e, finalmente, de energia nuclear. A tabela apresentada na Figura 4 indica a expansão das fontes primárias desde 2012 até 2016. Apesar da pequena participação da energia eólica nocenário nacional em 2016 (apenas 6%), é importante salientar o crescimento Sistemas elétricos de potência10 dessa fonte: de 2015 para 2016, a força dos ventos aumentou a sua participação em mais de 50%. A energia hidráulica, por sua vez, expandiu em pouco mais de 9% a sua participação no mercado energético. Isso pode ser um indicativo do caminho que está sendo aberto pelas fontes limpas e renováveis no cenário nacional. A participação de outras fontes primárias indicadas na Figura 4 é de 2%, entre elas, estão: a energia solar, a energia do biogás, a energia geotérmica e a energia do mar. Essa matriz energética é justificada devido ao grande potencial hidráulico brasileiro, o qual é amplamente utilizado e explorado no início do desenvol- vimento industrial e tecnológico do país. As usinas hidrelétricas podem ser pequenas, como é o caso de pequenas centrais hidrelétricas (PCHs), com capacidade instalada de 5 a 30 MW e menos de 13 m² de reservatório (ASSO- CIAÇÃO BRASILEIRA DE PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS E CENTRAIS GERADORAS HIDRELÉTRICAS, 2016), ou, como a maior parte das usinas hidrelétricas localizadas no Brasil ou em parte dele, de grande porte, como é o caso da Usina Hidrelétrica de Itaipu, localizada entre o Brasil e o Paraguai, com capacidade instalada de 14.000 MW. As usinas termelétricas, apesar de abastecidas em alguns casos por fontes não renováveis e por emitir gases de efeito estufa na atmosfera, são vantajosas pelo menor tempo de instalação, pela garantia da energia, já que não dependem de fatores climáticos ou intermitentes e pela possibilidade de construção perto dos grandes centros consumidores, evitando assim desperdício no sistema de transmissão. A energia nuclear consiste em utilizar o calor liberado no processo de fissão (divisão) do núcleo atômico. Esse processo, quando controlado, emite calor e aquece a água dos reatores que, por sua vez, produz o vapor que movimenta a turbina das usinas termonucleares. Como nos outros casos, o eixo da tur- bina é acoplado a um gerador e, assim, tem-se a energia elétrica ao final do processo. Sua utilização é controversa, pois dois acidentes graves em usinas termonucleares marcam a história mundial: Three Mille Island e Chernobyl. Além disso, os custos para a instalação de centrais termonucleares são altos e ainda existem fatores ambientais bastante impeditivos, como o tratamento dos resíduos do processo nuclear (BRASIL, 2002). As fontes limpas e renováveis, apesar de representarem uma pequena parcela no mercado energético, apresentam as maiores taxas de crescimento e o apoio dos ambientalistas. Embora a tecnologia ainda esteja evoluindo nesse setor, muitos fatores influenciam positivamente tais fontes, como a geração distribuída, que busca a geração próxima ao consumidor, evitando perdas tão onerosas do sistema de transmissão. 11Sistemas elétricos de potência Figura 4. Matriz energética brasileira. Ano base: 2016. Hidráulica 66% Gás natural 10% Biomassa 8% Eólica 6% Nuclear 3% Carvão 3% Derivados de Petróleo 2% Outros 2% Transmissão de energia elétrica O sistema de transmissão é responsável por interligar a geração à subestação distribuidora, além de interligar sub-sistemas. Fisicamente, as linhas de trans- missão são fios condutores metálicos que operam em alta tensão, suspensos em torres, por meio de isoladores. Quando em CA, a transmissão de energia elétrica é realizada em três fases, dessa forma, são utilizados três conjuntos de cabos em cada lado da torre. O sistema de para-raios, utilizado para proteger o sistema de transmissão de descargas atmosféricas, é realizado por um cabo chamado cabo guarda, que passa no ponto mais alto da torre (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). Por meio de licitações, a ANEEL contrata o serviço público responsável pela transmissão de energia elétrica. As linhas de transmissão são separadas de acordo com o seu nível de tensão, sendo divididas em classes: � A1: classe com tensão de fornecimento igual ou maior que 230 kV; � A2: classe com tensão de fornecimento entre 88 kV e 138 kV; � A3: classe com tensão de fornecimento de 69 kV. O SIN opera na classe A1, conforme a REN nº. 67, de 8 de julho de 2004, também chamada de rede básica. As classes A2 e A3 são definidas pela ANEEL como rede básica de fronteira e são administradas pelas empresas Sistemas elétricos de potência12 de distribuição (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). Nos pontos de conexão com geradores, consumidores ou com a rede de dis- tribuição, existem as subestações de transmissão. As subestações são utilizadas para elevar a tensão, quando perto das centrais geradoras, ou rebaixar os níveis de tensão, quando estiver perto dos consumidores, utilizando transformadores. Ao elevar a tensão, mantendo-se a potência constante, a corrente elétrica é reduzida, reduzindo assim as perdas elétricas (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). Além de elevar ou rebaixar a tensão, as subestações também são res- ponsáveis por abrigar equipamentos do sistema de proteção e medição, bem como dispositivos que possibilitam as manobras de isolamento de parte do sistema para a realização das manutenções (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). Outra possibilidade utilizada em menor escala no Brasil e no mundo é a transmissão em extra alta tensão em CC, em inglês high voltage direct current (HVDC). Na CC, o comprimento da linha que transmite em CC não é limitado por parâmetros capacitivos ou indutivos das linhas. Consequentemente, as perdas são muito inferiores àquelas encontradas em sistemas de transmissão em CA. Sendo assim, a transmissão em CC se mostra como uma opção vantajosa para a interligação de sistemas de países extremamente grandes, como o Brasil, principalmente quando uma extremidade do país tem grande potencial gerador, como é o caso do Norte brasileiro, e outra extremidade é um grande consumidor, como as regiões Sul e Sudeste (BASSINI, 2014). Existe, em operação no Brasil, um elo CC de Itaipu de 900 km de extensão, com capacidade de 6300 MW em dois circuitos de ± 600 kV. Além disso, a EPE estuda a possibilidade de utilizar uma linha em CC, operando em ± 800 kV para a transmissão da energia gerada em Belo Monte e São Luís do Tapajós (BASSINI, 2014). O principal impeditivo financeiro de utilizar linhas em CC é o custo das estações conversoras, as quais devem ser instaladas após a geração e antes da entrega da energia à distribuição. Como a energia elétrica é gerada em um sistema trifásico, são necessários sistemas retificadores para que a energia possa ser transmitida em CC. Da mesma forma, no final da linha de trans- missão, um conversor CC/CA deve ser utilizado para a que a energia tenha a frequência utilizada pelos consumidores. Apesar do custo oneroso do processo, a necessidade de retificar e depois converter a energia possibilita a integração 13Sistemas elétricos de potência de sistemas com frequências diferentes, como é o caso do Paraguai, que opera a 50 Hz. Mais de 98% do sistema de transmissão brasileiro está ligado ao SIN, que é dividido em quatro grandes sub-sistemas: � Sul; � Sudeste/Centro-oeste; � Nordeste; � Norte. Distribuição de energia elétrica O sistema de distribuição é uma rede complexa que tem por objetivo levar a energia, desde o ponto de conexão com o sistema de transmissão, até a unidade consumidora. O sistema de distribuição se assemelha ao sistema de transmissão em seus principais componentes, como fios condutores, trans- formadores e equipamentos de medição e proteção. As principais diferenças estão no nível de tensão e na configuração topográfica, sendo os sistemas de distribuição muito mais ramificados e extensos, já que devem alimentar todas as unidades consumidoras. As redes de distribuição podem ter quatro configurações: rede de dis- tribuição aérea convencional,rede de distribuição aérea compacta, rede de distribuição aérea isolada e rede de distribuição subterrânea (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). A rede de distribuição aérea convencional é o tipo mais encontrado no Brasil por ser a mais barata e, ainda assim, atender à maioria dos casos. Nessa configuração, os condutores são dispostos suspensos nos postes, sem nenhum isolamento, dessa forma, são mais susceptíveis a curtos-circuitos causados por galhos de árvores, por exemplo (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). A rede de distribuição compacta é uma rede aérea com condutores isolados e compactados com o uso de espaçador, o qual dispõe os fios em formato losangular, impedindo o contato entre os cabos. Como essa topologia ocupa menos espaço e tem uma isolação, há um menor número de interrupções no Sistemas elétricos de potência14 fornecimento de energia (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUI- DORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). A rede de distribuição aérea isolada tem condutores trançados, tendo, para isso, um isolamento suficiente. Por ser mais cara, essa topologia é utilizada em casos especiais (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA, [2018?]). A rede de distribuição subterrânea é a melhor, do ponto de vista estético, já que todos os cabos ficam embaixo da terra. Isso também garante o maior nível de confiabilidade, haja vista que curtos-circuitos são muito menos fre- quentes. Entretanto, seu custo elevado faz com que a sua instalação só ocorra em locais com restrição para instalações aéreas ou com finalidade estética (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉ- TRICA, [2018?]). 1. A estrutura organizacional do sistema elétrico de potência brasileiro é formada por diversos órgãos e instituições responsáveis pela sua organização, regulação, coordenação, operação e pelo seu planejamento. A ANEEL é responsável por: a) planejar a expansão do sistema elétrico de potência. b) regular e fiscalizar o sistema elétrico de potência. c) operar o sistema elétrico de potência. d) documentar os contratos de comercialização de energia elétrica. e) realizar os estudos relacionados ao sistema elétrico de potência. 2. O SIN interliga mais de 98% do sistema elétrico brasileiro e, logicamente, tem uma grande dimensão. Por isso, a ANEEL categoriza o sistema elétrico de potência em dois níveis, sendo eles: a) nível de geração e nível de distribuição. b) nível de fiscalização e nível de operação. c) nível de planejamento e nível de proteção. d) nível de distribuição e nível de transmissão. e) nível de distribuição e nível de consumo. 3. O setor elétrico brasileiro atual é caracterizado por: a) uma empresa pública operada única e exclusivamente pelo Estado. b) setores de transmissão, distribuição e geração, os quais são coordenados pelo mesmo órgão. c) empresas públicas e privadas operando, coordenadas 15Sistemas elétricos de potência por agências regulatórias, com segregação das atividades de geração, transmissão e distribuição. d) um sistema completamente radial, principalmente em nível de distribuição. e) uma matriz energética com base em combustíveis fósseis. 4. O sistema responsável por interligar os consumidores às centrais geradoras e ainda interligar os sub-sistemas Sul, Sudeste/Centro- oeste, Norte e Nordeste é o: a) sistema de geração. b) sistema de distribuição. c) sistema de transmissão. d) sistema de manutenção. e) sistema de interligação. 5. Os quatro tipos de configuração das redes de distribuição são: a) aérea convencional, compacta, aérea isolada e subterrânea. b) aérea convencional, subterrânea compacta, subterrânea isolada e subterrânea. c) aérea diferenciada, subterrânea compacta, aérea isolada e subterrânea. d) aérea em CC, compacta em CC, aérea isolada em CC e subterrânea em CC. e) aérea convencional em CA, compacta, aérea isolada em CA e subterrânea. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE DISTRIBUIDORES DE ENERGIA ELÉTRICA (ABRADEE). Visão geral do setor. [2018?]. Disponível em:<http://www.abradee.com.br/setor-eletrico/ visao-geral-do-setor>. Acesso em: 27 jul. 2018. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PEQUENAS CENTRAIS HIDRELÉTRICAS E CENTRAIS GE- RADORAS HIDRELÉTRICAS (ABRAPCH). O que são PCHs e CGHs. 2016. Disponível em: <http://www.abrapch.org.br/pchs/o-que-sao-pchs-e-cghs>. Acesso em: 27 jul. 2018. BASSINI, M. T. Sistemas multiterminais de transmissão em corrente contínua: conversores tipo fonte de corrente. 101 fls. 2014. Dissertação (Mestrado em Ciências)- Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014. BRASIL. Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Energia nuclear: fontes não renováveis. In: BRASIL. Agência Nacional de Energia elétrica (ANEEL). Atlas de energia elétrica do Brasil. Brasília, DF: ANEEL, 2002. p. 117-128. Disponível em: <http://www2. aneel.gov.br/arquivos/pdf/atlas_par3_cap8.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2018. BRASIL. Operador Nacional do Sistema (ONS). O que é o ONS?. 2018. Disponível em: <http://ons.org.br/pt/paginas/sobre-o-ons/o-que-e-ons>. Acesso em: 27 jul. 2018. COMPANHIA PAULISTA DE FORÇA E LUZ (CPFL). Características dos sistemas elétricos e do setor elétrico de países e/ou estados selecionados. 2014. Disponível em: <https://www.cpfl. Sistemas elétricos de potência16 com.br/energias-sustentaveis/inovacao/projetos/Documents/PB3002/caracteristicas- de-sistemas-eletricos-de-paises-selecionados.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2018. ELGERD, O. I. Introdução à teoria de sistemas de energia elétrica. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1976. ENGIE. Estrutura institucional do setor elétrico. [201-?]. Disponível em: <http://www. engieenergia.com.br/wps/portal/internet/negocios/conheca-o-mercado-de-energia/ estrutura-institucional-do-setor-eletrico>. Acesso em: 27 jul. 2018. FERRAZ, R. T.; CODICEIRA, A. Diversificação da matriz de energias renováveis no Brasil: o desenvolvimento das novas fontes de 2010 a 2016. Revista de Engenharia e Pesquisa Aplicada, v. 2, n. 4, p. 110-117, 2017. GLOVER, J. D.; SARMA, M. S. Sistemas de potência: análise e desenho. 3. ed. São Paulo: Thomson, 2003. GOMES, A., C. D. et al. O setor elétrico. 2002. (BNDES 50 anos: histórias setoriais). Disponível em: <https://www.bndes.gov.br/SiteBNDES/export/sites/default/bndes_pt/Galerias/ Arquivos/conhecimento/livro_setorial/setorial14.pdf>. Acesso em: 27 jul. 2018. HUNT, J.; FREITAS, M.; PEREIRA JÚNIOR, A. Aumentando a capacidade de armazenamento energético do Brasil. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE PLANEJAMENTO ENERGÉTICO, 9., 2014, Florianópolis. Anais eletrônicos... Disponível em: <www.eletronorte.gov.br/.../ Aumentando_Capacidade_Armazenamento_Energetico_Br...>. Acesso em: 27 jul. 2018. STEVENSON JR, W. D. Elementos de análise de sistemas elétricos de potência. São Paulo: McGraw-Hill do Brasil, 1986. Leitura recomendada ABREU, Y. V. de; OLIVEIRA, M. A. G. de; GUERRA, S. M.-G. Energia, sociedade e meio am- biente. [s.l.]: Ed. dos autores, 2010. 17Sistemas elétricos de potência Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. DICA DO PROFESSOR De um lado, tem-se as usinas, que utilizam diversas fontes primárias, como água, carvão, biomassa, petróleo, vento ou sol. Do outro, estão os consumidores, que utilizam a energia com total liberdade e flexibilidade de horários, com qualidade garantida pelos órgãos regulatórios e pagando tarifas pré-estabelecidas. Nesta Dica do Professor, você vai conhecer mais sobre as novas formas de geração do sistema elétrico brasileiro. É essencial compreender essas tendências, pois o mercado está em constante evolução. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A estrutura organizacional do sistema elétrico de potência brasileiro é formadapor diversos órgãos e instituições responsáveis pela sua organização, regulação, coordenação, operação e planejamento. A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) é responsável pela parte de: A) Planejamento da expansão do sistema elétrico de potência. B) Regulação e fiscalização do sistema elétrico de potência. C) Operação do sistema elétrico de potência. D) Documentação de contratos de comercialização de energia elétrica. E) Realização de estudos relacionados ao Sistema Elétrico de Potência. 2) O Sistema Interligado Nacional (SIN) interliga mais de 98% do sistema elétrico brasileiro e, logicamente, tem uma grande dimensão. Por isso, a ANEEL categoriza o Sistema Elétrico de Potência em dois níveis, sendo eles: A) Nível de geração e nível de distribuição. B) Nível de fiscalização e nível de operação. C) Nível de planejamento e nível de proteção. D) Nível de distribuição e nível de transmissão. E) Nível de distribuição e nível de consumo. 3) O setor elétrico brasileiro atual é caracterizado por: A) Uma empresa pública operada única e exclusivamente pelo Estado. B) Os setores de transmissão, distribuição e geração são coordenados pelo mesmo órgão. C) Empresas públicas e privadas, coordenadas por agências regulatórias, operando com segregação das atividades de geração, transmissão e distribuição. D) Um sistema completamente radial, principalmente em nível de distribuição. E) Uma matriz energética baseada em combustíveis fosseis. 4) O sistema responsável por interligar os consumidores às centrais geradoras, bem como os subsistemas Sul, Sudeste/Centro-Oeste, Norte e Nordeste é o: A) Sistema de geração. B) Sistema de distribuição. C) Sistema de transmissão. D) Sistema de manutenção. E) Sistema de interligação. 5) Os quatro tipos de configuração das redes de distribuição são: A) Aérea convencional, compacta, aérea isolada e subterrânea. B) Aérea convencional, subterrânea compacta, subterrânea isolada e subterrânea. C) Aérea diferenciada, subterrânea compacta, aérea isolada e subterrânea. D) Aérea em CC, compacta em CC, aérea isolada em CC e subterrânea em CC. E) Aérea convencional em CA, compacta, aérea isolada em CA e subterrânea. NA PRÁTICA Na Prática, existem dois mercados de energia no Brasil: o mercado livre e o mercado cativo. Se você for um engenheiro empreendedor e quiser investir na construção de pequenas centrais hidrelétricas para gerar e vender energia, deve estar atento às regras de comercialização desse mercado. Além disso, como a geração distribuída está em ascensão no Brasil, as resoluções normativas estão em constante atualização. O mercado cativo é aquele em que se enquadram as residências, os pequenos comércios e as pequenas indústrias; é onde operam as concessionárias distribuidoras de energia. O consumidor cativo é aquele que não tem autonomia para negociar livremente a sua energia com os geradores. O mercado livre é onde acontece a comercialização de energia elétrica com livre negociação. Ao contrário do mercado cativo, onde o preço da energia é regulado, no mercado livre, o que faz o preço da energia é o mercado e a negociação entre os agentes envolvidos. Todo investimento está sujeito a um risco, mas você pode reduzir o seu estando seguro de quem pode ser o seu cliente, quais são os seus direitos e quais são as suas obrigações perante a lei. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: ONS O site do Operador Nacional do Sistema possui diversas informações sobre o sistema de transmissão monitorado por ele, bem como seu planejamento de expansão. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Instalações elétricas de uma residência APRESENTAÇÃO Na elaboração de um projeto de uma instalação elétrica residencial, é necessário o conhecimento prévio sobre determinados pontos que compõem essa instalação, como equipamentos, aparelhos e dispositivos elétricos, a potência instalada e os dispositivos de proteção para o sistema. Para isso, é preciso ter bem claro os seus conceitos e as suas aplicações, de acordo com as normas técnicas vigentes. Tendo esses conhecimentos, é possível, então, partir para a próxima etapa, que é a elaboração de um projeto de instalações elétricas residenciais. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender a conceituar os componentes de uma instalação elétrica residencial, aplicar os conceitos relacionados às normas para projeto de instalações elétricas de baixa tensão e elaborar um projeto de instalações elétricas residenciais. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Conceituar os componentes de uma instalação elétrica residencial.• Aplicar os conceitos relacionados às normas para projeto de instalações elétricas de baixa tensão. • Elaborar um projeto de instalações elétricas residenciais.• DESAFIO Quando são realizadas atividades na área de instalações elétricas residenciais, é importante o conhecimento sobre os símbolos gráficos utilizados. Esse item se torna necessário, uma vez que a instalação é executada por meio da utilização de esquemas elétricos (também denominados de diagramas elétricos). Os esquemas podem ser do tipo unifilar ou multifilar. O unifilar representa o circuito elétrico de forma simplificada, identificando os tipos e o número de condutores por meio de uma única linha. Já os esquemas multifilares representam os condutores elétricos de um sistema que realiza a conexão dos componentes. Nesse caso, são apresentadas todas as conexões de um projeto elétrico, sendo possível a visualização da distribuição de cargas e as suas conexões. Geralmente, nos diagramas multifilares são representados barramentos, quadros de distribuição, circuitos terminais e aterramento. Para o seu melhor desenvolvimento na atividade, essa instalação será executada em etapas e, por isso, você deverá, primeiramente, elaborar o diagrama da instalação. Baseado nesse contexto, faça as seguintes atividades: Etapa 1: elabore o diagrama elétrico do circuito referente a um interruptor simples e uma lâmpada (L1). Etapa 2: acrescente ao circuito anterior uma tomada. Etapa 3: coloque uma lâmpada (L2) em paralelo com L1. O acionamento da L2 se dará por meio do mesmo interruptor de L1. Etapa 4: adicione uma terceira lâmpada (L3), porém esta deverá ser acionada por meio de um interruptor em paralelo. Etapa 5: finalmente, instale uma lâmpada fluorescente com o acionamento por meio de um interruptor simples. INFOGRÁFICO Quadro de distribuição (QD) é o local onde se concentra a distribuição de todos os circuitos de uma instalação elétrica. Neles estão os dispositivos de controle e proteção dos circuitos, como os disjuntores termomagnéticos (DTM) e os disjuntores diferenciais residuais (DR). O quadro de distribuição recebe os condutores que vêm do medidor e, dele, partem os circuitos terminais que vão alimentar diretamente os circuitos de iluminação, tomadas e aparelhos elétricos da instalação. Esses circuitos são constituídos, normalmente, de quadros fixados à parede, sobrepostos ou embutidos. O QD, também conhecido como quadro de luz (QL), é composto dos seguintes elementos: disjuntor geral, barramentos de interligação das fases, disjuntores dos circuitos terminais, barramento de neutro e barramento de proteção (terra). No Infográfico a seguir, você vai ver a classificação dos disjuntores em relação ao tipo de proteção e ao número de polos. CONTEÚDO DO LIVRO Hoje, a eletricidade é um elemento permanente na vida de todos. Dentro de ambientes residenciais, comerciais e industriais, há a necessidade da energia elétrica. Porém, essa mesma energia que traz tantos benefícios pode ocasionar incêndios ou, então, um choque elétrico, que pode ser fatal. Para que isso não ocorra, é necessário conhecer os componentesde uma instalação elétrica, com as suas especificações e normas pertinentes, para saber utilizá-los de forma adequada e segura. No capítulo Instalações Elétricas de uma residência, da obra Projeto de Instalações Elétricas, você irá conhecer os componentes de uma instalação elétrica residencial, saber quais as normas que são aplicadas e entender como é realizada a elaboração de um projeto elétrico residencial. PROJETO DE INSTALAÇÕES ELÉTRICAS Gerson Paz Teixeira Instalações elétricas de uma residência Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Conceituar os componentes de instalação elétrica residencial. � Aplicar os conceitos de eletricidade relacionados às normas para projeto de instalação elétrica em baixa tensão. � Elaborar um projeto de instalação elétrica residencial. Introdução As instalações elétricas residenciais são compostas por diversos elementos, que vão desde condutores básicos em qualquer instalação até dispositivos de automação, aplicados em instalações mais complexas. O conhecimento desses elementos e de sua forma correta de utilização é necessário aos projetistas para garantir instalações confortáveis e seguras a seus usuários. As normas técnicas apresentam os critérios mínimos de segurança e funcionalidade que uma residência deve apresentar, mas é necessário um prévio conhecimento dos conceitos relacionados à eletricidade, para que a interpretação da norma seja realizada corretamente durante a execução de um projeto elétrico. Neste capítulo, você aprenderá a conceituar os componentes de uma instalação elétrica residencial, aplicar os conceitos de eletricidade relacionados às normas para projeto de instalações elétricas em baixa tensão e elaborar um projeto de instalação elétrica residencial. Componentes de instalação elétrica residencial O sistema elétrico predial permite o abastecimento da energia elétrica no inte- rior das residências e é composto por um conjunto de dispositivos e elementos, que podem ser classificados em: dispositivos de proteção, dispositivos de comando da iluminação, condutores de corrente elétrica, tomadas de corrente e pontos de iluminação. Esses elementos precisam ser dimensionados conforme os requisitos mínimos da norma ABNT NBR 5410:2004, para evitar falhas técnicas ou de segurança. A seguir, são apresentados os componentes de uma instalação elétrica residencial. Interruptores Segundo Gebran e Rizzato (2017), o interruptor é o equipamento responsável por estabelecer e interromper a corrente elétrica em um circuito elétrico. Com relação aos interruptores utilizados em instalações elétricas residenciais para o comando de iluminação, existem os tipos a seguir: � simples de uma seção — um interruptor comanda um único ponto de iluminação; � simples de duas sessões ou interruptor duplo — um interruptor comanda simultaneamente dois pontos de iluminação; � interruptor paralelo, popular three-way — dois interruptores comandam, a partir de dois pontos diferentes, um mesmo ponto de iluminação; � interruptor intermediário, popular four-way — instalado entre dois interruptores paralelos, permite o controle de um mesmo ponto de iluminação por mais de dois pontos. A Figura 1, a seguir, apresenta os diagramas de ligação dos interruptores utilizados em instalações elétricas residenciais, considerando a instalação de uma lâmpada halógena ligada em 127 V entre fase (F) e neutro (N). Instalações elétricas de uma residência2 Figura 1. Diagrama multifilar de ligação de interruptores residenciais para o comando de iluminação. Outros dispositivos de comandos de iluminação podem ser encontrados no Capítulo 8 da obra Instalações Elétricas Prediais (GEBRAN; RIZZATO, 2017), como relé fotoelétrico, sensor de presença, minuteria, dimmer e relé de impulso. 3Instalações elétricas de uma residência Tomadas de corrente Segundo Gebran e Rizzato (2017), as tomadas são componentes utilizados para possibilitar o fornecimento de eletricidade para um equipamento, sendo as mais comuns em uso residencial as que fornecem a alimentação monofásica, 127 V, ou bifásica, 220 V. Na Figura 2, a seguir, está apresentada a forma de ligação de uma tomada de corrente, baseada no novo padrão de tomadas, conforme a ABNT NBR 14136:2012, entre uma fase 01 e o neutro, 127 V, ou entre a fase 01 e a fase 02, 220 V, com o condutor de proteção (PE). Figura 2. Ligação de uma tomada de corrente. Pontos de iluminação Os pontos de iluminação em uma residência são os locais onde são instaladas as lâmpadas. Para instalação das lâmpadas é necessária a utilização de um receptáculo, que é um adaptador para ligação delas. Os receptáculos são po- pularmente conhecidos como “bocais”, sendo o modelo E27 o mais utilizado em instalações elétricas residenciais. Instalações elétricas de uma residência4 Condutores elétricos Os condutores elétricos devem conduzir a corrente elétrica do ponto de alimen- tação até o componente a ser energizado. Podem ser fabricados em diversos materiais condutores, sendo o cobre e o alumínio os mais utilizados — desses dois, o cobre ainda mais, devido à sua alta capacidade de condução de corrente elétrica. Apesar de a norma citar outras formas de isolação dos condutores elétricos, eles devem ser isolados com policloreto de vinila (PVC), já que esse isolante possui building wire flame (BWF), que é a proteção do condutor contra a pro- pagação de chamas — requisito obrigatório segundo a ABNT NBR 5410:2004. As cores dos condutores também são padronizadas pela norma ABNT NBR 5410:2004, sendo: azul-claro para condutor neutro e verde-amarela ou verde para condutor de proteção (PE). A cor dos condutores de fase e de comando não são normalizadas, mas normalmente utilizadas as cores: vermelho, para primeira fase e amarelo, preto ou branco, para segunda fase ou comando de iluminação. Dispositivos de proteção De acordo com Gebran e Rizzato (2017), os dispositivos de proteção são componentes inseridos nos circuitos elétricos com o objetivo de interromper a circulação da corrente em caso de alguma anomalia. Para cada tipo de defeito, existe um dispositivo de proteção adequado. As anomalias mais comuns em instalações elétricas residenciais são: curto circuito, sobrecarga, sobretensão e fugas de corrente — cabendo aos disjuntores termomagnéticos (DTM), dis- positivos de proteção contra surtos de tensão (DPS) e dispositivos de proteção diferencial residual (DR) as respectivas proteções. O DTM é um dispositivo eletromecânico que garante a proteção dos con- dutores elétricos e equipamentos ligados à sua jusante contra correntes de sobrecargas ou correntes de curto-circuito. Garantem, também, a manobra do circuito elétrico para realização de uma eventual manutenção. 5Instalações elétricas de uma residência O DPS garante a proteção dos equipamentos elétricos contra surtos de tensão, como os raios. Esses surtos de tensão podem eventualmente quei- mar os aparelhos elétricos e eletrônicos de uma residência quando o valor deles ultrapassa os limites do equipamento. São instalados geralmente nos quadros de distribuição, sendo necessário um DPS para cada fase e um para o neutro, mas existem modelos que podem ser conectados localmente direto nos equipamentos. O DR assegura a proteção de pessoas e animais em choques elétricos por contato indireto que acontecerem com fluxo de corrente para terra. Por norma, esses dispositivos devem ser instalados no quadro de distribuição e proteger todos os ambientes úmidos da casa, como: cozinhas, banheiros, áreas de serviço, e locais análogos. Esses dispositivos de proteção são de instalação obrigatória, conforma a norma ABNT NBR 5410:2004. A Figura 3 apresenta um quadro de distribuição, em que estão instalados os três dispositivos de proteção. Figura 3. Quadro de distribuição completo com os dispositivos de proteção. Fonte: Adaptada de Clamper (2017, documento on-line).Dispositivo de proteção contra surtos (DPS) Disjuntores termomagnéticos monopolares Dispositivo de proteção contra correntes residuais (DR) Instalações elétricas de uma residência6 A unificação desses componentes e elementos forma uma instalação elé- trica. Essas instalações e a conexão dos componentes podem ser representadas por diagramas multifilares ou unifilares. Os multifilares são mais didáticos que a representação unifilar, porém menos utilizados devido ao seu tamanho, não sendo possível desenhá-los em uma planta baixa de uma residência. Já os unifilares são mais utilizados em plantas baixas, porém um pouco mais complexos, exigindo um maior conhecimento dos profissionais envolvidos no projeto elétrico. A Figura 4, a seguir, está apresentado um diagrama multifilar de alguns componentes instalados em um cômodo de uma residência. Note que as co- nexões estão todas representadas, sendo possível a visualização de todos os detalhes do projeto. Figura 4. Diagrama multifilar de uma instalação elétrica residencial. Já na Figura 5, vemos o diagrama unifilar dessa mesma instalação, com os elementos representados por símbolos e as conexões não mais visíveis, exigindo maior capacidade de interpretação. 7Instalações elétricas de uma residência Figura 5. Diagrama unifilar de uma instalação elétrica residencial. Para realizar um projeto elétrico residencial de baixa tensão, é necessário definir a quantidade de pontos de iluminação, de tomadas de corrente e dispo- sitivos de proteção, distribuir esses elementos pela planta baixa da residência e criar o diagrama unifilar da instalação. Além disso, esses dispositivos pre- cisam ser dimensionados, sendo necessários alguns conceitos importantes de eletricidade, que serão abordados a seguir. Conceitos de eletricidade relacionados às normas para projeto de instalação elétrica em baixa tensão Os dispositivos de proteção instalados em um quadro de distribuição precisam ser dimensionados conforme os condutores elétricos utilizados na instalação, os quais devem ser dimensionados conforme a corrente consumida pelos equipamentos ligados no circuito. Logo, vemos que o dimensionamento de uma instalação elétrica está interligado. Instalações elétricas de uma residência8 Para conhecer a corrente consumida por um equipamento, é necessário saber sua potência elétrica e seu nível de tensão elétrica. Além desses dois fatores, equipamentos ligados em tensões alternadas apresentam fator de potência, e suas correntes elétricas de funcionamento podem ser definidas pela seguinte equação: onde: � P é a potência elétrica do equipamento, em Watts (W); � U é a diferença de potencial (tensão) do equipamento, em Volts (V); � FP é o fator de potência do equipamento elétrico, que não possui unidade; � I B é a corrente elétrica consumida pelo equipamento, em Ampères (A). A corrente elétrica consumida por um equipamento deve ser corrigida para utilização no cálculo de projetos elétricos, por dois fatores que dependem da forma com que foram distribuídos os condutores na planta elétrica, sendo eles: o fator de correção de temperatura (FCT) e o fator de correção de agrupamento (FCA). Sendo assim, a corrente corrigida é determinada pela equação: Os valores de FCT e FCA são definidos pelas tabelas 40 e 42 da norma ABNT NBR 5410:2004, respectivamente. 9Instalações elétricas de uma residência Conhecendo a corrente corrigida, é possível calcular a área de seção trans- versal de um condutor elétrico, conhecida como bitola de um condutor. Ela é definida em função da corrente elétrica corrigida, da queda de tensão que esse condutor apresentará devido ao aquecimento do cabo, está diretamente relacionada com o comprimento do condutor e o material do condutor, e sua área de seção transversal, então, pode ser definida pela seguinte equação: onde: � S C é a área de seção transversal do condutor, em milímetros quadrados (mm²); � I C é a corrente corrigida da instalação, em Ampères (A); � l é o comprimento do condutor elétrico desde a fonte até a carga, em metros (m); � U é a tensão elétrica do circuito, em Volts (V); � ∆V é a máxima queda de tensão permitida, definida pelo item 6.2.7 da ABNT NBR 5410:2004; � 2 é uma constante para circuitos monofásicos e bifásicos — em caso de circuitos trifásicos, essa constante deve ser substituída por √3; � 56 é a constante para resistividade do cobre a 20°C, em (Ω∙mm²/m). A área de seção transversal dos condutores que conduzirão a corrente elétrica do quadro medidor até o quadro de distribuição é calculada com base na potência demandada pela instalação elétrica, que leva em conside- ração a possibilidade de não simultaneidade no funcionamento das cargas. Por exemplo, em um circuito de iluminação, nem todas as lâmpadas estarão acesas ao mesmo tempo. A determinação dos fatores de demanda exige o conhecimento detalhado da instalação considerada, bem como experiência quanto às condições de funcionamento e de utilização dos equipamentos, ou pode-se utilizar as tabelas fornecidas pelas concessionárias de energia elétrica como orientação básica. Instalações elétricas de uma residência10 A Companhia Energética de Minas Gerais S.A. (CEMIG, 2017) apresenta, em sua norma de distribuição ND 5.1, uma forma simplificada de realizar o cálculo de demanda, sendo ele adaptado para residências: D = a + b + c + d kVA onde: � a é demanda referente à iluminação e às tomadas; � b é demanda relativa aos aparelhos eletrodomésticos e de aquecimento; � c é a demanda dos aparelhos condicionadores de ar; � d é demanda de motores elétricos. Todas as informações sobre o fator de demanda e as tabelas para o cálculo de cada demanda individual determinadas pela norma ND 5.1 da CEMIG (2017) podem ser vistas no Capítulo 5 da Norma, disponível no link a seguir. https://qrgo.page.link/gW3Xw A potência demandada é definida em forma de potência aparente, que é a soma vetorial das potências ativas e reativas da instalação. A potência aparente de qualquer equipamento pode ser calculada por meio da utilização da potência ativa do equipamento e de seu fator de potência, sendo descrita pela equação: onde: � S e é a potência aparente do equipamento, em Volt-Ampère (VA); � P e é a potência elétrica do equipamento, em Watts (W); � FP é o fator de potência do equipamento elétrico, que não possui unidade. 11Instalações elétricas de uma residência Unificando os conceitos sobre os componentes de uma instalação e os conceitos elétricos envolvidos em um projeto, é possível realizar o projeto elétrico de uma residência. Projeto de instalação elétrica residencial O projeto elétrico deve basear-se nos conceitos descritos nas normas técnicas, para garantir aos usuários das instalações elétricas condições seguras de utili- zação e conforto e, para máquinas e equipamentos, proteção contra eventuais falhas que possam ocorrer. Segundo Mamede Filho (2017), um projeto elétrico deve conter os seguintes dimensionamentos básicos: � previsão de cargas; � demanda provável; � divisão de circuitos; � dimensionamento de condutores; � dimensionamento de eletrodutos; � dimensionamento de dispositivos de proteção. É necessário desenvolver um memorial de cálculo do projeto e, também, um descritivo, apresentando a descrição dos materiais a serem utilizados, as etapas do projeto a serem seguidas e indicação do uso correto dos equipa- mentos e componentes. O projeto elétrico deve ainda ter uma planta baixa da residência, onde constam as informações de localização correta dos quadros, dos interrupto- res, das tomadas e de todos equipamentos a serem instalados, percursos dos eletrodutos necessários e identificação dos condutores que alimentarão os circuitos terminais da instalação elétrica. A apresentação do conteúdo de como executar um projeto elétrico será diretamente relacionada ao exemplo de residência da Figura 6, a seguir. Já todos os cálculos e as informações serãobaseados nesse projeto. Para o cálculo do ramal de entrada, será utilizada a planta de situação apresentada na Figura 7. Instalações elétricas de uma residência12 Figura 6. Planta baixa da residência utilizada como modelo de projeto. Figura 7. Planta de situação da residência. 13Instalações elétricas de uma residência Previsão de cargas Na norma ABNT NBR 5410:2004, em sua subseção 9.5, há prescrições apli- cáveis especificamente a locais utilizados como habitação, compreendendo, assim, as unidades residenciais como um todo. Conforme o item 9.5.2 dessa subseção, em cada cômodo ou dependência, deve ser previsto pelo menos um ponto de iluminação fixo no teto ou em parede para locais de pequenas dimensões, comandado por interruptor e com potência prevista conforme os critérios apresentados a seguir. � Em cômodos ou dependências com área igual ou inferior a 6 m², deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA. � Em cômodo ou dependências com área superior a 6 m², deve ser prevista uma carga mínima de 100 VA para os primeiros 6 m², acrescida de 60 VA para cada aumento de 4 m² inteiros. Ainda conforme o item 9.5.2 da subseção 9.5 da norma, o número de pon- tos de tomada deve ser determinado em função da destinação do local e dos equipamentos elétricos que podem ser ali utilizados. Os critérios simplificados para o número mínimo de pontos de tomadas de uso geral (TUE), conforme a ABNT NBR 5410:2004, estão listados a seguir. � Em banheiros, deve ser previsto, pelo menos, um ponto de tomada, próximo ao lavatório, a, no mínimo, 60 cm do box; � em cozinhas, copas, área de serviço, lavanderias e locais análogos, deve ser previsto, no mínimo, um ponto de tomada para cada 3,5 m, ou fração, de perímetro; � em varandas, deve ser previsto, pelo menos, um ponto de tomada; � em salas e dormitórios, deve ser previsto, pelo menos, um ponto de tomada para cada 5 m, ou fração, de perímetro, espaçados tão unifor- memente quanto possível; � em cada um dos demais cômodos e das dependências de habitação, devem ser previstos, pelo menos um ponto de tomada, se a área do cômodo for igual ou inferior a 6 m². A potência a ser atribuída a cada ponto de tomada é definida em função dos equipamentos que ele poderá vir a alimentar, e não deve ser inferior aos valores listados a seguir. Instalações elétricas de uma residência14 � Em banheiros, cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos, no mínimo, 600 VA por ponto de tomada, até três pontos, e 100 VA por ponto para os excedentes, considerando-se cada um desses ambientes separadamente; � nos demais cômodos ou nas dependências, no mínimo, 100 VA por ponto de tomada. Para finalizar o levantamento de cargas, é necessário considerar as especiais, que são cargas cuja potência é elevada e demanda instalação de tomadas de corrente de uso específico (TUE). São consideradas cargas especiais: aquece- doras, ar condicionado, fornos, entre outros. Para essas cargas, deve-se verificar o tipo de carga, a potência, a corrente e a tensão à qual a carga será submetida. Considerando os critérios descritos para iluminação, tomadas de uso geral e inserção das cargas especiais no projeto, apresentamos o levantamento final de cargas no Quadro 1, a seguir. A potência instalada total da residência é calculada em Quilowatts. Dessa forma, as cargas apresentadas em Volt-Ampère precisam ser convertidas por meio do fator de potência. A ND 5.1 da CEMIG (2017) indica a utilização de fator de potência médio de 0,92 para cargas de TUG e de iluminação. O valor da potência total instalada é a soma de todas as cargas da residência, sendo: P I = (500 × 0,92) + (4.600 × 0,92) + 8.500 = 13.192,0 W ou 13,19 kW Ainda de acordo com a ND 5.1, consumidores que possuam carga instalada entre 10 kW e 15 kW devem ser atendidos por fornecimento bifásico a três fios, possuindo, assim, em sua residência, dois níveis de tensão 127 V (fase- -neutro) e 220 V (fase-fase). O tipo de fornecimento de energia elétrica é determinado pelas concessionárias de energia de cada região. Verifique as normas de distribuição da concessionária da sua. 15Instalações elétricas de uma residência C ô m o d o Á re a (m ²) P e rí m e tr o (m ) P o tê n ci a d e il u m in a çã o ( V A ) P o tê n ci a d e T U G ( V A ) T ip o d e T U E P o tê n ci a d e T U E ( W ) C o zi n h a 6, 75 10 ,4 10 0 1. 80 0 M ic ro -o n d as 1. 00 0 H a ll 0, 92 0, 92 10 0 10 0 — — B an h o 1, 75 3, 9 10 0 60 0 C h u ve iro 6. 00 0 Q u ar to 6, 48 10 ,2 10 0 30 0 — — Á re a d e se rv iç o 3, 83 9, 4 10 0 1. 80 0 M áq u in a d e la va r r o u p as 1. 50 0 To ta l - - 50 0 4. 60 0 — 8. 50 0 Q u ad ro 1 . L ev an ta m en to fi n al d as c ar g as d a re si d ên ci a, o b je to d e es tu d o Instalações elétricas de uma residência16 Após realizada a previsão de cargas, essas podem ser distribuídas pela planta baixa, seguindo os critérios anteriormente mencionados. Essa tarefa conta com a expertise do projetista e pode ser realizada com base nas preferências do proprietário da residência. Nessa etapa, escolhe-se o local para instalação do quadro de distribuição e deve-se atentar a duas observações: quadros de distribuição devem ser instalados em locais visíveis de fácil acesso, não podendo estar atrás de ar- mários ou escondidos em dispensas; escolha um lugar onde a economia com os condutores de maior seção reta transversal seja possível — os condutores de maior seção em uma instalação residencial ficam nos circuitos de chegada do padrão e no circuito do chuveiro. A altura de instalação das tomadas de corrente deve ser selecionada con- forme o local de instalação. Em locais como banheiros, cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos, deve-se utilizar tomadas médias, 1,4 m do piso, e nos demais cômodos da residência, tomadas baixas, 30 cm do piso. As tomadas altas, 2,2 m do piso, são definidas pela necessidade das cargas, como no caso do chuveiro. Cálculo da potência demandada Para realizar o cálculo da potência demandada, será utilizado o critério esta- belecido pela norma ND 5.1 da CEMIG (2017). Os fatores de demanda, assim como os de potência, foram utilizados conforme recomendado pela norma, ficando assim definido: a = (500 × 0,86) + (4.600 × 0,68) = 3.558,0 VA b 1 = 6.000 × 1 × 1 = 6.000,0 VA b 4 = (1.000⁄0,92) × 1 = 1.086,9 VA b 5 = (1.500⁄0,92) × 1 = 1.630,4 VA D = 3.558 + 6.000 + 1.086,9 + 1.630,4 = 12.275,3 VA ou 12,28 kVA onde: � a é a demanda referente à iluminação e às tomadas; � b 1 são chuveiros, torneiras e cafeteiras elétricas; � b 4 são máquinas de lavar e secar roupas, máquinas de lavar louça e ferro elétrico; � b 5 são os demais aparelhos (TV, micro-ondas, ventilador, geladeira, freezer, etc.). 17Instalações elétricas de uma residência O circuito que interliga o quadro medidor ao quadro de disjuntores da residência em estudo contém uma corrente elétrica determinada conforme demonstrada pela equação: Agora, é preciso definir os circuitos do quadro de distribuição da residência. Para isso, existem diversos critérios de divisão de circuitos, vistos a seguir. Divisão de circuitos A norma ABNT NBR 5410:2004 prevê, no seu item 9.5.3, a divisão da instalação em circuitos elétricos residenciais com o objetivo de não superdimensionar cabos e evitar a elevada queda de tensão. Isso porque, se colocarmos muitos aparelhos em um único circuito e ligarmos o ultimo equipamento, há a pos- sibilidade de não ter tensão suficiente para o alimentar. A norma ABNT NBR 5410:2004 estipula que a instalação deve ser dividida em tantos circuitos quantos necessários, devendo cada um ser concebido de forma a poder ser seccionado sem risco de realimentação inadvertida através de outro circuito, atendendo a critérios de segurança, conservação de energia, funcionalidadeda instalação, de produção e de manutenção. A divisão dos circuitos de uma instalação residencial deve ser realizada conforme os critérios adaptados da ABNT NBR 5410:2004 e apresentados a seguir. � Circuito deve ser independente para todo ponto de utilização em que seja previsto alimentar equipamentos com corrente nominal superior a 10 A. � Os pontos de tomada de cozinhas, copas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos devem ser atendidos por circuitos exclusivamente destinados à alimentação de tomadas desses locais. � Circuitos terminais distintos devem ser previstos para pontos de ilu- minação e pontos de tomada. � Em locais de habitação, admite-se, como exceção à regra anterior, que pontos de tomada — exceto aqueles para equipamentos com mais de 10 A — e pontos de iluminação possam ser alimentados por circuito Instalações elétricas de uma residência18 comum, desde que as seguintes condições sejam simultaneamente atendidas: ■ a corrente de projeto (I B ) do circuito comum (iluminação mais to- madas) não deve ser superior a 16 A; ■ os pontos de iluminação não sejam alimentados, em sua totalidade, por um só circuito, caso esse circuito seja comum (iluminação mais tomadas); ■ os pontos de tomadas não sejam alimentados, em sua totalidade, por um só circuito, caso esse circuito seja comum (iluminação mais tomadas). Sendo assim, a planta modelo apresentará os dados mostrados no Quadro 2, a seguir. Circuito Tipo Cômodo Potência (VA) Tensão (V) Corrente (I B ) 1 Ilumi- nação � Cozinha � Hall � Banho � Quarto � Área de serviço 500 VA 127 V 3,94 A 2 TUG Hall Quarto 400 VA 127 V 3,15 A 3 TUG Cozinha 1.800 VA 127 V 14,17 A 4 TUG Área de serviço 1.800 VA 127 V 14,17 A 5 TUG Banho 600 VA 127 V 4,72 A 6 TUE Cozinha 1.086,95 VA 127 V 8,55 A 7 TUE Área de serviço 1.630,43 VA 127 V 12,84 A 8 TUE Banho 6.000 VA 220 V 27,27 A 9 GERAL - 12.275,3 VA 220 V 55,69 A Quadro 2. Divisão de circuitos conforme critérios da norma na residência objeto de es- tudo 19Instalações elétricas de uma residência Com os circuitos divididos respeitando os critérios da ABNT NBR 5410:2004, é necessário distribuí-los pela planta baixa da residência antes de realizar o cálculo da área de seção transversal dos condutores, já que esse cálculo depende da distribuição dos condutores pela planta baixa. Ao realizar a distribuição dos eletrodutos, deve-se evitar a passagem de eletrodutos por amarrações de paredes, pilares ou vigas. Outra observação importante durante a realização do projeto elétrico é que eletrodutos não devem cruzar-se em paredes ou lajes, executar curvas superiores a 90º e, para cada 15 metros de eletroduto, em trechos não retilíneos, é necessária a instalação de uma caixa de passagem. Em relação à distribuição dos condutores, se possível, sugere-se evitar a passagem de mais de três circuitos por um único eletroduto, fugindo da utilização de eletrodutos com diâmetro muito grande. Dimensionamento de condutores Os condutores elétricos devem conduzir, sem problemas, as correntes elétricas dos equipamentos a eles ligados. Para definição dos condutores elétricos de uma instalação elétrica residencial, conforme a ABNT NBR 5410:2004, o condutor deve atender, no mínimo, aos critérios apresentados a seguir. � A capacidade de condução de corrente dos condutores, conforme a tabela 36 da ABNT NBR 5410:2004, deve ser igual ou superior à corrente de projeto do circuito. � Os limites de queda de tensão devem ser de 4% para circuitos terminais e de 1% para o circuito que interliga o quadro medidor ao quadro de distribuição. � As seções mínimas devem ser de 1,5 mm² para iluminação e 2,5 mm² para tomadas. Primeiramente, é preciso identificar a corrente elétrica de projeto. Para nossa planta-modelo, vamos considerar a temperatura ambiente média de 30°C e o fator de agrupamento dependendo do circuito analisado. Além disso, devemos considerar a pior condição apresentada pelo projeto: se, em um determinado eletroduto, o circuito for agrupado com outros dois, mas a situação não se repetiu, mesmo assim ela deve ser considerada. Então, para nossa planta, teremos conforme apresentado no Quadro 3. Instalações elétricas de uma residência20 Circuito Corrente (I B ) FCT FCA Corrente corrigida (I C ) 1 3,94 A 1 0,7 5,63 A 2 3,15 A 1 0,8 3,93 A 3 14,17 A 1 0,7 20,24 A 4 14,17 A 1 0,7 20,24 A 5 4,72 A 1 0,8 5,90 A 6 8,55 A 1 0,7 12,21 A 7 12,84 A 1 0,7 18,34 A 8 27,27 A 1 1 27,27 A 9 55,69 A 1 1 55,69 A Quadro 3. Corrente corrigida dos circuitos da residência objeto de estudo Com a corrente de projeto, pode-se determinar os condutores pela capa- cidade de condução de corrente. Consultando a tabela 33 da ABNT NBR 5410:2004, definimos a forma de instalação dos cabos. Para projetos resi- denciais, considera-se que os condutores são instalados em eletroduto de seção circular embutido em alvenaria, obtendo-se o método de referência de instalação B1. Verificando na tabela 46 da ABNT NBR 5410:2004, encontramos o nú- mero de condutores carregados; agora, consultando a tabela 36 da ABNT NBR 5410:2004 e de posse da corrente corrigida, do método referência da instalação e do número de condutores carregados, definimos a área de seção transversal do condutor. Para o cálculo do condutor pela máxima queda de tensão, é preciso saber o comprimento do circuito terminal do quadro de distribuição até o ponto mais distante que ele deve alimentar. Para isso, é preciso medir diretamente na planta baixa da residência o comprimento do circuito. Depois disso, pode-se definir a área de seção transversal por meio da equação a seguir, já descrita anteriormente. 21Instalações elétricas de uma residência Unificando os três métodos de dimensionamento dos condutores, a área de seção transversal dos condutores será aquela que apresentar maior área de seção transversal. Sendo assim, para o nosso modelo, teremos conforme o Quadro 4. C ir cu it o C o n d u to re s ca rr e g a d o s C a p a ci d a d e d e c o n d u çã o d e c o rr e n te C o m p ri m e n to d o c ir cu it o [l ] ∆ V Te n sã o [U ] Q u e d a d e te n sã o M ín im a s e çã o p o r n o rm a C o n d u to r fa se e sc o lh id o 1 2 0,5 mm² 9,4 m 4% 127 V 0,37 mm² 1,5 mm² 1,5 mm² 2 2 0,5 mm² 9,9 m 4% 127 V 0,27 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 3 2 2,5 mm² 6,9 m 4% 127 V 0,98 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 4 2 2,5 mm² 8,7 m 4% 127 V 1,24 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 5 2 0,5 mm² 3,6 m 4% 127 V 0,15 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 6 2 1,0 mm² 5,0 m 4% 127 V 0,43 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 7 2 2,5 mm² 6,3 m 4% 127 V 0,81 mm² 2,5 mm² 2,5 mm² 8 2 4,0 mm² 1,6 m 4% 220 V 0,18 mm² 2,5 mm² 4,0 mm² 9 3 16,0 mm² 7,2 m 1% 220 V 6,51 mm² 2,5 mm² 16,0 mm² Quadro 4. Área de seção transversal dos condutores após aplicação dos critérios da nor- ma Instalações elétricas de uma residência22 Definido o condutor da fase, o condutor neutro deve ter a mesma seção. Além disso, a norma determina que o condutor neutro não pode ser comum a mais de um circuito. A área de seção transversal do condutor de proteção deve seguir a seguinte regra, apresentada no Quadro 5. Seção dos condutores de fase (mm²) Seção mínima do condutor de proteção correspondente (mm²) S ≤ 16 S 16 < S ≤ 35 16 S > 35 S/2 Quadro 5. Área de seção transversal mínima dos condutores de proteção conforme nor- ma Para saber mais sobre o dimensionamento de condutores, você pode consultar o Capítulo 5 da obra Instalações elétricas prediais (GEBRAN; RIZZATO, 2017), onde en- contrará as tabelas da norma ABNT NBR 5410:2004 e demais informações sobre os condutores elétricos. Definidas as seções de condutores e a quantidade de condutores agrupados em cada eletroduto, pode-se definir seu diâmetro nominal. 23Instalações elétricas de uma residência Dimensionamento de eletrodutos Conforme a ABNT NBR 5410:2004, os eletrodutos de uma instalação elétricadevem ser dimensionados de tal forma que sua área útil de transversal seja capaz de suportar a passagem de todos os cabos neles agrupados, com uma taxa máxima de ocupação de 53% (no caso de um condutor), 31% (dois condutores) e 40% (três ou mais condutores). O diâmetro interno mínimo necessário dos eletrodutos pode ser definido por meio da equação: onde: � D I é o diâmetro interno mínimo do eletroduto; � d é o diâmetro externo dos condutores elétricos, considerando a camada isolante; � N é o número de condutores de uma mesma bitola, agrupados no eletroduto; � k é a taxa máxima de ocupação, conforme ABNT NBR 5410:2004 (0,31 ou 0,4 ou 0,53). O diâmetro externo dos condutores pode ser obtido pelo catálogo do fabri- cante de cabos. O Quadro 6, a seguir, apresenta uma tabela das características dos cabos de cobre com isolação em PVC para tensões até 750 V, adaptada de um fabricante de cabos. Instalações elétricas de uma residência24 Fonte: Adaptado de Sil (2019). Quadro 6. Características dos cabos elétricos para instalações elétricas residenciais Seção nominal do condutor (mm2) Diâmetro nominal do condutor (mm) Espessura nominal da isolação Diâmetro nominal externo (mm) 0,5 0,9 0,6 2,1 0,75 1,1 0,6 2,3 1 1,2 0,6 2,4 1,5 1,5 0,7 2,9 2,5 2,0 0,8 3,4 4 2,4 0,8 4,0 6 2,9 0,8 4,5 10 3,9 1,0 5,9 16 5,0 1,0 7,0 25 6,5 1,2 8,8 35 7,5 1,2 9,9 O diâmetro comercial dos eletrodutos depende da espessura de cada um, mas, calculado o diâmetro interno, é possível verificar qual o nominal ao consultar o catálogo dos fabricantes. A Figura 8, a seguir, adaptada de um fabricante de eletrodutos, apresenta características de um eletroduto corrugado de PVC antichama. Considerando a equação para o dimensionamento dos eletrodutos e as tabelas apresentadas, nossa residência modelo apresentará os resultados do Quadro 7. 25Instalações elétricas de uma residência Figura 8. Características dos eletrodutos corrugados para instalações elétricas residenciais. Fonte: Adaptada de Tigreflex (2015). Condição de agrupamento Número de cabos x área de seção transversal Fator de agrupamento (k) Diâmetro interno (DI) Diâmetro comercial 1 9 × 2,5 mm² 0,4 16,1 25 2 6 × 2,5 mm² + 4 x 1,5 mm² 0,4 16,0 25 3 3 × 2,5 mm² 0,4 9,3 20 Quadro 7. Área de seção transversal dos condutores após aplicação dos critérios da nor- ma (Continua) Instalações elétricas de uma residência26 Quadro 7. Área de seção transversal dos condutores após aplicação dos critérios da nor- ma Condição de agrupamento Número de cabos x área de seção transversal Fator de agrupamento (k) Diâmetro interno (DI) Diâmetro comercial 4 3 × 1,5 mm² 0,4 7,9 20 5 3 × 2,5 mm² + 2 x 1,5 mm² 0,4 11,3 25 6 3 × 2,5 mm² + 3 x 1,5 mm² 0,4 12,2 25 7 6 × 2,5 mm² 0,4 13,2 25 8 2 × 1,5 mm² 0,31 7,4 20 9 4 × 16,0 mm² 0,4 22,1 32 10 3 × 4,0 mm² 0,4 11,0 20 (Continuação) Definidos os diâmetros dos eletrodutos, essa informação deve ser adicio- nada à planta baixa do projeto, finalizando, assim, a execução dessa parte do projeto. A planta baixa completa da residência adotada como modelo é apresentada na Figura 9, a seguir. 27Instalações elétricas de uma residência Figura 9. Planta baixa do projeto elétrico da residência adotada como modelo. Estando a planta baixa concluída para finalizar o projeto, é necessário dimensionar os dispositivos de proteção e desenhar o digrama unifilar do quadro de distribuição. Instalações elétricas de uma residência28 Dimensionamento de dispositivos de proteção Os dispositivos de proteção são determinados para realizar as proteções exi- gidas pela ABNT NBR 5410:2004: contra sobrecarga e curto-circuito, contra correntes de fuga e contra surtos de tensão. Cada dispositivo exige uma forma diferente de dimensionamento — por exemplo, os DTM são para proteção contra sobrecargas e curtos-circuitos — e são determinadas conforme as características de cada circuito. Sendo assim, deve conter no painel um DTM para cada circuito elétrico. As características a serem observadas conforme a ABNT NBR 5410:2004 são: corrente nominal (I n ), corrente de atuação (I2) e curva de atuação. As equações para determinar as características nominais dos disjuntores são as seguintes: I b ≤ I n ≤ I Z I2 ≤ 1,45 × IZ onde: � I b é a corrente de projeto, em Ampère (A); � I n é a corrente nominal do disjuntor, em Ampère (A); � I Z é a capacidade de condução de corrente dos condutores, em Ampère (A); � I2 é a corrente convencional de atuação dos dispositivos de proteção, em Ampère (A). A determinação da curva de atuação do disjuntor depende do tipo de carga a ser protegida por ele, sendo: � curva de disparo magnético B — utilizada para circuitos resistivos, como chuveiros, lâmpadas incandescentes, etc.; � curva de disparo magnético C — utilizada para circuitos de iluminação fluorescente, tomadas, pequenos motores e aplicações em geral; � curva de disparo magnético D — utilizada para circuitos com elevada corrente de energização, como grandes motores. 29Instalações elétricas de uma residência Os DR garantem o desligamento de um circuito elétrico em caso de fugas de correntes para terra e devem ser instalados em todas as áreas úmidas da residência, como cozinhas, banheiros, áreas de serviço, ou análogos. As características a serem observadas conforme a ABNT NBR 5410:2004 são: corrente nominal (I nDR ), sensibilidade do DR (I∆n) e classificação do DR. As equações para determinar suas características nominais são as seguintes: I nDR ≥ I n I∆n ≤ 30 mA onde: � I nDR é a corrente nominal do DR, em Ampère [A]; � I n é a corrente nominal do disjuntor, em Ampère [A]; � I∆n é a corrente residual de disparo do DR, em Miliampère [mA]. A determinação da classificação do DR depende do tipo de tensão de alimentação do circuito a ser protegida por ele, sendo: � AC — correntes de faltas alternadas, mais utilizado em instalações residenciais; � A — correntes de falta alternada e corrente contínua pulsante; � B — correntes de falta alternada, corrente contínua pulsante e corrente contínua pura. Os DPS garantem o escoamento para terra das correntes geradas pelos surtos na rede e devem ser instalados no quadro de distribuição, sendo um para cada fase e um para o neutro. Em caso de equipamentos mais sensíveis, pode-se optar pela instalação de um DPS local junto ao equipamento. As características a serem observadas conforme a ABNT NBR 5410:2004 são: � tensão de suportabilidade de impulso (Up); � tensão máxima de operação contínua (Uc); � corrente nominal de descarga (In); � classificação do DPS. Instalações elétricas de uma residência30 As equações para determinar as características nominais dos DPS são as seguintes: Up ≥ 1500 V Uc ≥ 1,1 × Uo DPS de fase: In ≥ 5 kA DPS de neutro: In ≥ 10 kA onde: � Up é a suportabilidade a impulso exigível dos componentes da insta- lação, que seve ser maior que a tensão mínima indicada na tabela 31 da ABNT NBR 5410:2004; � Uc é o valor mínimo de tensão exigível do DPS; � Uo é a tensão de fase-neutro da instalação; � In é a corrente nominal para proteção contra descargas atmosféricas indiretas. A determinação da classificação do DPS depende do local onde o equipa- mento será instalado e do tipo de proteção desejada, sendo: � classe I — indicada para locais sujeitos à descarga de alta intensidade, sendo a rede elétrica aérea e exposta diretamente à incidência do raio (instalado na entrada da rede local); � classe II — indicada para locais com rede elétrica interna (instalado diretamente dentro do quadro de distribuição); � classe III — indicada para proteção pontual de equipamentos, como centrais telefônicas ou circuitos de informática (instalado junto ao equipamento). Dimensionando as proteções para nossa residência utilizada como modelo, temos a relação apresentada no Quadro 8, a seguir. 31Instalações elétricas de uma residênciaQuadro 8. Corrente corrigida dos circuitos da residência objeto de estudo Circuito Corrente (I B ) Condutor do circuito Corrente (I Z ) DTM DR 1 3,94 A 1,5 mm² 17,5 A C10 — 2 3,15 A 2,5 mm² 24 A C20 — 3 14,17 A 2,5 mm² 24 A C20 25 A — 30 mA 4 14,17 A 2,5 mm² 24 A C20 25 A — 30 mA 5 4,72 A 2,5 mm² 24 A C20 25 A — 30 mA 6 8,55 A 2,5 mm² 24 A C20 25 A — 30 mA 7 12,84 A 2,5 mm² 24 A C20 25 A — 30 mA 8 27,27 A 4,0 mm² 32 A B32 40 A — 30 mA 9 55,69 A 16,0 mm² 68 A C63 — O diagrama unifilar do quadro de distribuição apresenta os dispositi- vos de proteção, suas ligações e os respectivos circuitos protegidos por eles. O diagrama unifilar do quadro da residência utilizada como modelo está representado na Figura 10, a seguir. Utilizou-se aqui um exemplo simples de projeto, para que ficasse claro o passo a passo. O importante é seguir essa sequência, contar com um bom planejamento e uma boa previsão de carga. Um projeto de projetos elétricos residenciais precisa sempre seguir as normas de distribuição da concessionária local e a ABNT NBR 5410:2004. Seguindo esse detalhamento, o projeto será facilmente interpretado por todos os envolvidos na sua execução. Instalações elétricas de uma residência32 Fi g u ra 1 0 . D ia g ra m a u n ifi la r d o q u ad ro d e d is tr ib u iç ão . 33Instalações elétricas de uma residência ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 5410:2004. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro: ABNT, 2004. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. ABNT NBR 14136:2012. Plugues e tomadas para uso doméstico e análogo até 20 A/250 V em corrente alternada — Pa- dronização. Rio de Janeiro: ABNT, 2012. Versão Corrigida 4:2013. CEMIG. Norma de distribuição: fornecimento de energia elétrica em tensão secundária – rede de distribuição aérea — edificações individuais. Belo Horizonte: CEMIG, 2017. CLAMPER. Clamper VCL Slim. 2017. Disponível em: https://www.clamper.com.br/wp- -content/uploads/2017/08/05-CLAMPER-VCL-Slim-275-20kA-798x796.jpg. Acesso em: 04 nov. 2019. GEBRAN, A. P.; RIZZATO, F. A. P. Instalações elétricas prediais. Porto Alegre: Bookman, 2017. (Série Tekne). MAMEDE FILHO, J. Instalações elétricas industriais: de acordo com a norma brasileira NBR 5419:2015. 9. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. SIL. Cabos elétricos. 2019. Disponível em: https://www.sil.com.br/media/75843/Flexil750V. png. Acesso em: 04 nov. 2019. TIGREFLEX. Ficha técnica. 2015. Disponível em: https://tigrecombr-prod.s3.amazonaws. com/ default/files/produtos/ficha-tecnica/Ficha%20Tecnica%20156_Tigreflex%20 Amarelo.pdf. Acesso em: 04 nov. 2019. Leituras recomendadas ARAUJO, L. M. M.; BARBOSA, F. S. Desenho técnico aplicado à engenharia elétrica. Porto Alegre: SAGAH, 2018. FRIEDRICH, D. N. et al. Equipamentos elétricos. Porto Alegre: SAGAH, 2018. RODRIGUES, R.; GUIMARÃES, R. F. A.; SOUZA, D. B. C. Instalações elétricas. Porto Alegre: SAGAH, 2017. Instalações elétricas de uma residência34 DICA DO PROFESSOR Quando se atua em instalações elétricas residenciais, um item extremamente importante é a segurança. Ela deve ser colocada em prática no momento de selecionar os materiais e componentes para a instalação, de realizar o correto dimensionamento de todos elementos, entre os quais estão os condutores, eletrodutos, disjuntores e outros, e de obedecer aos requisitos prescritos nas normas técnicas. Com isso, é possível diminuir a possibilidade de um acidente. Porém, em relação às instalações elétricas energizadas, é necessário ver o que é tratado na Norma de Instalações e Serviços em Eletricidade, a NR-10. Essa norma trata de várias diretrizes básicas para implantação de medidas de controle e sistemas preventivos de segurança e saúde, de forma a garantir segurança dos trabalhadores que, direta ou indiretamente, interagem em instalações elétricas e serviços com eletricidade. Na Dica do Professor, você vai conhecer mais sobre o item de segurança em instalações elétricas energizadas da NR-10. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) A instalação elétrica é uma das etapas mais importantes no processo de construção ou reforma de uma residência. Para isso, é necessário que o projeto elétrico esteja adequado às normas técnicas vigentes. Na elaboração de um projeto de instalações elétricas residenciais, é preciso cumprir algumas etapas. Dentre as alternativas a seguir, qual delas contempla todas essas etapas? A) Memorial descritivo, plantas e memorial de cálculo. B) Memorial descritivo, plantas e prumadas e memorial de cálculo. C) Memorial descritivo, plantas e prumadas, memorial de cálculo e orçamento. D) Memorial descritivo, plantas e prumadas e memorial de cálculo. E) Memorial descritivo, plantas e prumadas e orçamento. 2) Os condutores podem ser utilizados como fase, neutro, proteção e proteção e neutro. Considerando que fosse solicitado realizar a instalação elétrica de uma lâmpada, cuja tensão de fornecimento é de 127v, quantos condutores seriam necessários e quais seriam as suas funções? A) Dois condutores, fase e fase. B) Três condutores, fase, fase e neutro. C) Um condutor, fase. D) Dois condutores, fase e neutro. E) Quatro condutores, fase, fase, fase e neutro. 3) Sabe-se que a NBR 5410 é aplicada em diversas instalações elétricas. Dentre as muitas aplicações referentes à instalações elétricas de baixa tensão, é possível afirmar que a norma é utilizada em quais instalações? A) Residências, indústrias e iluminação pública. B) Residências, instituições e instalações agropecuárias. C) Iluminação pública e instalações residenciais e comerciais. D) Instalações residenciais, comerciais e industriais e redes de distribuição de energia elétrica. E) Instalações residenciais, comerciais e industriais e cercas eletrificadas. 4) Considerando um determinado projeto elétrico residencial, vários aspectos devem ser levados em consideração para ser possível realizar a sua elaboração. Um dos componentes fundamentais é o quadro de distribuição de energia elétrica. Para realizar o seu dimensionamento, deve-se ter bastante clareza de quais informações técnicas são necessárias. Dentre as alternativas a seguir, assinale aquela que contenha todas as informações necessárias para executar o dimensionamento de um quadro de distribuição residencial. A) Tensão de fornecimento, corrente corrigida do projeto e circuitos de cargas. B) Diâmetro dos condutores, fator de demanda e fator de agrupamento. C) Capacidade dos disjuntores, fator de demanda e corrente de projeto. D) Corrente corrigida de projeto, fator de demanda e fator de agrupamento. E) Tensão de fornecimento, corrente de projeto e circuitos de cargas. 5) A padronização de componentes elétricos é de extrema importância, pois garante maior confiabilidade nos sistemas e nas instalações elétricas. Em 2011, foi implementado o padrão de três pinos para tomadas no Brasil. Dentre as opções a seguir, qual foi a norma que padronizou os tipos de tomadas? A) NBR 13534. B) NBR 13570. C) NBR 5418. D) NBR 5410. E) NBR 14136. NA PRÁTICA Seguir as normas técnicas é fundamental. Porém, por desconhecimento ou descaso, algumas práticas, apesar de estarem completamente erradas, acontecem com certa frequência. Essas situações práticas serão apresentadas mostrando a maneira correta de agir em cada uma delas. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Projetos elétricos residenciais - aula 1 O vídeo aborda a importância de um projeto elétrico em uma residência, quais os elementos necessários para o desenvolvimento do projeto e o cálculo de área e perímetro. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projetos elétricos residenciais - aula 2 Nesta aula, são mostradas a determinação da potência de iluminação, as tomadas de uso geral (TUGs), as tomadasde uso específico (TUEs) e a proteção do medidor de energia elétrica. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projetos elétricos residenciais - aula 3 A terceira aula do projeto trata da quantidade de circuitos e distribuição de carga em um projeto elétrico residencial. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projetos elétricos residenciais - aula 4 A última aula aborda a transposição dos circuitos na planta baixa, o cálculo de corrente baseado no fator de agrupamento e o quadro de distribuição. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Dispositivos de proteção elétrica Este vídeo apresenta o funcionamento de um disjuntor termomagnético e suas classificações, referentes à carga a ser protegida. Portanto, há disjuntores de classe B, C e D. Também é apresentado o disjuntor diferencial residual (DDR) e o interruptor diferencial residencial (IDR). Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Projeto de instalações elétricas Este vídeo aborda algumas características do fornecimento de energia elétrica e apresenta diagramas unifilares de uma instalação elétrica. São apresentados exemplos simples que ajudam na compreensão dos conceitos. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Dispositivos de proteção elétrica Este vídeo apresenta tipos de proteção, no caso, fusível, disjuntor termomagnético e aterramento. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão APRESENTAÇÃO Seja bem-vindo! Você já imaginou como viver num mundo sem energia elétrica? Sem iluminação, por exemplo? Parece uma utopia e, com certeza, deve ser, pois a comodidade e a praticidade que se tem atualmente veio com o advento das instalações elétricas e com a utilização dos equipamentos elétricos, tanto residenciais e industriais como comerciais. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender como funciona o sistema elétrico brasileiro de energia, bem como os conceitos técnicos necessários para a elaboração de projetos elétricos de instalações e acessórios. Vai compreender, também, a finalidade dos equipamentos elétricos de instalações para baixa tensão, os principais conceitos relacionados à carga instalada e à potência de trabalho. Por fim, você vai aprender a calcular a demanda. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer os equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão.• Determinar a potência ou carga instalada dos equipamentos elétricos.• Analisar a demanda de utilização dos equipamentos elétricos.• INFOGRÁFICO Os equipamentos elétricos fazem parte da nossa rotina: no trabalho, em casa e no lazer. É preciso saber, contudo, que eles apresentam uma classificação de acordo com sua funcionalidade. Acompanhe, no Infográfico a seguir, como são classificados os equipamentos elétricos. CONTEÚDO DO LIVRO Conhecer sobre a energia elétrica e sobre as funcionalidades das instalações elétricas de baixa tensão é primordial na atualidade. Portanto, com a leitura do conteúdo indicado, você vai aprender sobre a origem, conceitos e especificações relacionadas ao tema. No capítulo Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão, da obra Equipamentos elétricos, você vai aprender sobre como dimensionar e optar por dispositivos em projetos, analisar os requisitos, e conhecer a carga instalada, a demanda elétrica, a potência, o uso racional de energia elétrica, entre outros assuntos. Boa leitura. EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS Patrícia Sebajos Vaz Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Reconhecer os equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão. � Determinar a potência ou a carga instalada dos equipamentos elétricos. � Analisar a demanda de utilização dos equipamentos elétricos. Introdução Para que você possa utilizar e compreender os equipamentos elétricos, é necessário aprender inicialmente alguns conceitos básicos, como as suas características, especificações técnicas e funcionalidades. Neste capítulo, serão apresentadas ferramentas para que você possa ser capaz de definir, conhecer e ter a capacidade técnica para o dimensionamento e a escolha dos dispositivos utilizados em projetos de instalações elétricas prediais de baixa tensão por meio de um recurso tão importante atualmente para humanidade, que se chama energia elétrica. Abordaremos, ao longo deste texto, de onde a energia elétrica é fornecida, o que é carga instalada e como podemos dimensionar potência elétrica e demanda elétrica. Instalações elétricas Para compreender instalações elétricas de baixa tensão e tudo que envolve esse universo, é indispensável que possamos ir desvendando pouco a pouco os seus princípios e entendendo como é elaborado e projetado e de que forma funciona basicamente o nosso sistema elétrico brasileiro, cuja principal fina- lidade é transportar energia elétrica até nós. Basicamente, são quatro etapas: geração, transmissão, distribuição e utilização. O transporte é realizado por meio de linhas de transmissão ou subtransmissão em alta tensão, porém, para a nossa utilização, é preciso fazer o rebaixamento de baixa tensão ou média tensão. Isso acontece em subestações abaixadoras e essa etapa se chama distribuição primária, realizada atrávés de linhas aéreas, com cabos nus ou cobertos de alumínio ou cobre, suspensos por postes ou linhas subterrâneas com cabos isolados. Em ambos os casos as redes são protegidas contra aci-dentes. A distribuição secundária é quando chega até a entrada de energia do consumidor, em nossa residência ou prédio. Em geral, as linhas de distribuição alimentam diretamente indústrias, prédios comerciais e residenciais de grande porte, pois, para essas instalações, devem ser previstos subestações ou transformadores específicos. Para pequenos consumidores, ou seja, residências, a alimentação pode ser realizada sem a necessidade de uma subestação, como as linhas de distribuição que passam em nossa rua residencial. Como última etapa temos a utilização, ou seja, é quando, depois das etapas de geração, transmissão e distribuição, a energia elétrica pode finalmente ser consumida, por exemplo, quando utilizamos o nosso chuveiro, em que a resistência elétrica esquenta a água e podemos tomar banho. Como definição, a instalação elétrica é o conjunto de componentes elétricos constitu- ídos de características técnicas. São interligados, têm a finalidade de fornecer energia elétrica e estão classificados em: � instalações elétricas de baixa tensão, que são caracterizadas pelas tensões de alimentação não superiores a 1000 V, em corrente alternada (CA), ou a 1500 V, em corrente contínua (CC); � instalações de extrabaixa tensão, as quais são alimentadas com tensões não superiores a 50 V, em CA, ou a 120 V, em CC. Você pode estar se perguntando: de onde provém a energia elétrica? Onde ela é gerada? Como são classificadas as suas fontes? Quais os princípios de funcionamento? São questionamentos importantes para que você entenda a energia elétrica e saiba de onde vêm os processos de transformação ou, por exemplo, como denominamos as usinas de geração ou cogeração destinadas Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão2 à produção, à conversão e à distribuição. As usinas estão divididas em tipos, de acordo com a fonte primária que utiliza, e são as seguintes: � Hidrelétricas, cuja fonte é a energia mecânica de quedas d’água, prin- cipalmente de rios. � Termelétricas, que utilizam a energia térmica da queima de combus- tíveis, tais como carvão, óleo diesel, gasolina, gás, etc. � Nucleares, que utilizam a energia térmica produzida pela fissão nuclear de materiais, como urânio, tório, etc. � Eólicas, aquais utilizam a energia mecânica dos ventos. � Fotovoltaicas ou solares, que utilizam a luz do sol para geração de energia elétrica. De forma geral, as instalações elétricas estão classificadas em residenciais, comerciais e industriais. O nosso objetivo é estudar sobre as instalações elétrica de baixa tensão prediais. O que é um equipamento elétrico? Equipamento elétrico é todo aquele que faz parte de uma instalação elétrica. É constituído de componentes mecânicos distintos ou em conjunto e são aplicados para o funcionamento da instalação elétrica. Para o correto funcio- namento, devem estar aplicados a uma fonte de energia, tais como baterias, transformadores, geradores e rede elétrica da concessionária. O que é uma fonte energia? As fontes de energia são as diferentes formas de recursos que direta ou indire- tamente produzem energia e passam a fornecer intensidade, carga e potência para que algum determinado equipamento elétrico funcione ou opere e seja capaz ao seu propósito. São classificadas como fonte em CC ou fonte em CA. � Fontes de CC: são aquelas em que a circulação de corrente é contínua, ou seja, sempre a mesma polaridade, e não ocorrem oscilações na forma de onda, tendo um polo positivo e outro negativo. Exemplificando, equipamentos os quais são alimentados por uma fonte de CC, tais como as pilhas e baterias. 3Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão � Fontes de CA: são aquelas que têm oscilação em sua forma de onda diversas vezes em cada segundo, ou seja, a polaridade é invertida um certo número de vezes por segundo. A maioria dos equipamentos elétri- cos funciona em CA, como os motores de indução, os eletrodomésticos, as lâmpadas de iluminação, etc. Classificação dos equipamentos elétricos quanto ao tipo � Fixos: instalados em local permanentemente, tais como um disjuntor num quadro elétrico ou um transformador num poste ou numa subes- tação elétrica. � Estacionários: não têm alça para transporte, tais como geladeira, fre- ezer, fogão, forno elétrico, micro-ondas, ar-condicionado, exaustor, televisão, etc. � Portáteis: facialmente movimentados ou transportados, tais como aspirador, enceradeira, ventilador, liquidificador, cafeteira elétrica, batedeira, etc. � Manuais: para o funcionamento, são suportados pelas mãos, tais como furadeiras, ferro de passar, secador de cabelo, etc. Classificação dos equipamentos elétricos quanto à utilização Em geral, os equipamentos existem para atender às seguintes funções: alimen- tação da instalação (geradores, transformadores e baterias), manobra, comando e proteção (chaves em geral, disjuntores, dispositivo, fusíveis, contadores, etc.). Quanto à utilização, são os que transformam energia elétrica em uma outra forma de energia que seja utilizável (equipamentos a motor, equipamentos a resistor, equipamentos de iluminação, etc.). Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão4 A parte final de um sistema elétrico é a subestação abaixadora para a baixa tensão, ou seja, a tensão de utilização. No Brasil, há cidades onde a tensão é de 220 V (Florianópolis, por exemplo) e outras em que é 110 V (Porto Alegre e Curitiba, por exemplo). O motivo de isso acontecer é em razão de as redes elétricas terem equipamentos elétricos nessas tensões. Quando foram projetadas, adotou-se esse nível de tensão. Carga elétrica, tensão e potência Carga elétrica instalada É a soma das potências nominais de todos os aparelhos instalados em um consumidor ligados ou não a uma rede elétrica, isto é, a potência que pode ser absorvida pelo equipamento elétrico. Em relação aos circuitos dos equi- pamentos elétricos, podemos dizer que: funcionamento em carga, quando o circuito ou o equipamento está transferindo potência, ou funcionamento em vazio, quando o circuito ou o equipamento não está transferindo potência, sendo, porém, normais as outras condições de funcionamento. Tensão nominal nas instalações Os sistemas distribuição de energia nas instalações elétricas são caracterizadas por suas tensões nominais, dadas em valores eficazes. A tensão nominal de uma instalação alimentada por uma rede pública de baixa tensão é igual à da rede, isto é, do sistema de distribuição. Se a instalação for alimentada por um transformador próprio, sua tensão nominal é igual à tensão nominal do secundário do transformador. As tensões nominais são indicadas por U 0 /U ou por U, sendo U 0 a tensão fase-neutro e U a tensão fase-fase. Sistemas trifásicos a quatro condutores: observe um sistema trifásico a quatro condutores na Figura 1. 5Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Figura 1. Sistema trifásico a quatro condutores. Fonte: Prysmian Cables & Systems (2010, p. 10). Sistemas monofásicos a três condutores: para entender os sistemas mono- fásicos a três condutores, observe a Figura 2. Figura 2. Sistema monofásico a três condutores. Fonte: Prysmian Cables & Systems (2010, p. 10-11). Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão6 Sistemas trifásicos a três condutores: visualize o sistema trifásico a três condutores nas Figuras 3 e 4. Figura 3. Sistema trifásico a três condutores. Fonte: Prysmian Cables & Systems (2010, p. 10). Figura 4. Sistema trifásico a três condutores. Fonte: Prysmian Cables & Systems (2010, p. 10). Nas Tabelas 1 e 2 são apresentados os principais valores de tensões nomi- nais utilizados no sistema elétrico brasileiro, tanto para equipamentos como na rede de distribuição. 7Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Fonte: Adaptada de Prysmian Cables & Systems (2010). Sistemas trifásicos a 3 ou 4 condutores (V) Sistemas monofásicos a 3 condutores (V) 115/230* 110/220 120/280* 115/230* 220/380* 127/254* 220* 254/440 440 460 *Usadas em redes públicas de baixa tensão. Tabela 1. Tensões nominais de sistema de baixa tensão usadas no Brasil Fonte: Adaptada de Prysmian Cables & Systems (2010). Tipo Tensão nominal (V) Monofásicos 110 115 120 127 220 Trifásicos 220 380 400 Tabela 2. Tensões nominais de equipamentos de utilização no Brasil Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão8 Potência nominal: é aquela especificada na placa de identificação dos equipamentos elétricos. Normalmente contém os dados de fabricação do equipamento, tais como corrente, tensão de operação, frequência e número de série. Potência aparente: é o produto da tensão e da corrente, sua unidade de medida é o volt-ampère (VA). A potência aparente é composta pela soma da potência ativa e da potência reativa. Potência ativa: é a parcela da potência aparente efetivamente transformada em potência mecânica, potência térmica ou potência luminosa, ou seja, é o trabalho efetuado na unidade de tempo. Para exemplificar, podemos utilizar uma lâmpada. Ao ser percorrida pela corrente elétrica, ela acende e aquece. A luz e o calor produzidos nada mais são do que o resultado da potência elétrica que foi transformada em potência luminosa (luz) e potência térmica (calor). As fórmulas que podemos utilizar para o cálculo da potência são as seguintes: P = U × I (Watts) P = R × I² P =U² / R Onde: P: potência elétrica U: tensão elétrica I: corrente elétrica R: resistência elétrica Cálculo de energia elétrica: a energia elétrica (E) é a potência elétrica (P) vezes o tempo de utilização (em horas, por exemplo) que o fenômeno elétrico acontece (uma lâmpada acesa, por exemplo). E = (U x I) × t E = P × t Onde: t: tempo — normalmente, nesse caso, é adotado em horas (h). 9Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão A unidade de E é o Watt-hora e o seu símbolo é Wh. Potência reativa: é aquela em que a parcela da potência aparente é trans- formada em campo magnético, necessário ao circular, por exemplo, em dis- positivos como motores, transformadores e reatores, e cuja unidade de medida é o volt-ampère reativo (VAR). Fator de potência: é um índice (porcentagem)que mostra a forma como a energia elétrica recebida está sendo utilizada, ou seja, ele indica quando a energia solicitada da rede da concessionária (potência aparente) está sendo usada de forma útil (potência ativa). O fator de potência pode se apresentar de duas formas, em circuitos puramente resistivos e indutivos (Tabela 3). Fonte: Adaptada de Prysmian Cables & Systems (2010). Circuitos puramente resistivos FP = cos Ø = 1,0 Chuveiros, aquecedores elétricos e lâmpadas incandescentes Circuitos indutivos FP = cos Ø < 1,0 Motores de indução, reatores e transformadores elétricos Tabela 3. Circuitos puramente resistivos e indutivos Verifique na conta de energia da sua casa quantos kWh são consumidos por mês. Com- pare com alguma conta anterior. Procure identificar os equipamentos que consomem mais energia e elabore alternativas para minimizar essa situação. Se você morar em prédio, analise a conta de luz do condomínio, procure dar sugestões de melhorias para a redução do consumo de energia. Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão10 Fornecimento de energia elétrica O fornecimento de energia elétrica que recebemos é realizado pelas concessio- nárias. Conforme Cavalin e Cervelin (2006, p. 205-206), para o fornecimento de energia elétrica são definidos algumas terminologias e procedimentos que normalmente são adotados na elaboração e no desenvolvimento de projetos de instalações elétricas de baixa tensão, tanto residenciais como prediais. Esses conceitos têm a finalidade de padronizar e definir premissas, por isso, é muito importante que você os conheça. A seguir, apresentamos os principais conceitos definidos pelas concessionárias COPEL, CEMIG e CESP. Consumidor é toda a pessoa física ou jurídica usuária de energia elétrica, isto é, quem, por meio da solicitação à concessionária por esse fornecimento, é responsável por todas as obrigações regulamentares e contratuais. Unidade consumidora é o ponto de entrega de energia elétrica. Pode ser em residenciais ou em edifícios, o que varia são os pontos de medição individual ou coletiva, como em edifícios de uso coletivo, tais como prédios residenciais ou comerciais. Ponto de entrega é o ponto de fixação dos condutores do ramal de ligação da propriedade do consumidor, sendo de responsabilidade da concessionária sua operação, manutenção e instalação. Ramal de ligação é o conjunto de condutores e acessórios instalados pela concessionária entre o ponto de derivação da rede secundária e o ponto de entrega. Ramal de entrada são o conjunto de condutores, acessórios e equipamentos instalados pelo consumidor a partir do ponto de entrega até a medição, inclusive. Ramal alimentador é o conjunto de condutores e acessórios instalados pelo consumidor após a medição para alimentação das instalações internas da unidade consumidora. Limitador de fornecimento é o equipamento de proteção (disjuntor ter- momagnético) destinado a limitar a demanda da unidade consumidora. Centro de medição é o local onde está situada a medição de dois ou mais consumidores. Caixa para medidor é a caixa lacrável destinada à instalação de medidor ou medidores de energia e seus respectivos acessórios, na qual pode ser instalado também o equipamento de proteção. Caixa para disjuntor de proteção é a instalação de disjuntor de proteção geral da entrada de serviço. 11Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Caixa lacrável destinada é a instalação elétrica pertencente a um único consumidor. No caso de edifícios, cada apartamento, ou sala comercial, é uma unidade consumidora individual. Cabina é o compartimento localizado dentro da propriedade do consumidor, destinado a abrigar o transformador de distribuição, os equipamentos e os acessórios necessários à sua ligação. Medição direta é a medição de energia, efetuada por medidores conectados diretamente aos condutores do ramal de entrada. Medição indireta é a medição de energia efetuada com auxílio de equi- pamentos auxiliares (transformadores de corrente [TC], e para média e alta tensão transformador de potencial [TP]). Chave de aferição é um dispositivo que possibilita a retirada do medidor do circuito sem interromper o fornecimento, ao mesmo tempo em que coloca em curto-circuito o secundário dos transformadores de corrente. Alimentador principal ou prumada é a continuação ou o desmembra- mento do ponto de entrega e do ponto de entrada, do qual fazem parte os condutores, os eletrodutos e os acessórios, conectados a partir da proteção geral ou do quadro de distribuição principal (QDP) até as caixas de medição ou de derivação. Limite de fornecimento: utilização e demanda — potência de alimentação O fornecimento de energia elétrica é determinado pelas limitações estabelecidas pelas concessionárias em função da potência (carga) instalada ou da potência de demanda e do tipo ou de fornecimento. Especificar uma entrada de energia para um consumidor significa adequar uma categoria de atendimento (tipo de fornecimento) à respectiva carga desse consumidor, tais como potência ou carga instalada, demanda de utilização (provável demanda), fator de demanda e fator de potência. Dispositivos de conexão para os equipamentos elétricos A norma de instalações em baixa tensão NBR 5410:2004 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004) classifica os componentes e os acessórios que são utilizados para a conexão física com o equipamento Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão12 elétrico, como tomadas, e estabelece o número mínimo que deve ser previsto numa residência em pontos específicos, conforme a utilização e ao que se destina: Tomada da corrente ou ponto de tomada: são componentes elétricos responsáveis por ligar equipamentos à fonte de energia por meio de um plugue. Tomadas de uso específico: destinadas a ligar equipamentos fixos ou estacionários de potência elevada (chuveiro elétrico, ar-condicionado, máquina de lavar, etc.). Tomadas de uso geral: destinadas aos equipamentos portáteis, manuais ou estacionários. Tomadas de uso geral (TUG): destinadas ao uso geral de equipamentos móveis ou portáteis. A norma orienta: quantidade em cômodos ou dependências com área inferior ou igual a 6 m²; no mínimo uma tomada para cômodos ou dependências com área superior a 6 m² e uma tomada para cada 5 m ou fração de perímetro e espaçadas tão uniformemente quanto possível. Em cozinhas, copas, copas- -cozinhas, áreas de serviço, lavanderias e locais análogos: uma tomada para cada 3,5 m ou fração de perímetro ou no mínimo potência de 600 VA por tomada até três tomadas e demais tomadas de 100 VA em diante; uma para bancada com largura igual ou superior a 0,3 m. Subsolos, varandas, garagens, sótãos, halls de escadarias, sala de bombas e locais análogos: no mínimo uma tomada em banheiros; pelo menos uma tomada junto ao lavatório com distância mínima de 60 cm do limite do boxe. Tomadas de uso específico (TUE): destinadas a aparelhos fixos de acordo como a norma verificar a potência nominal do equipamento; deve estar loca- lizada no máximo a 1,5 m do equipamento. Objetivos da especificação da entrada de energia A norma de instalações em baixa tensão NBR 5410:2004 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. 12), no item 4.2.1.1.1, diz que “a determinação da potência de alimentação é essencial para a concepção econômica e segura de uma instalação, dentro de limites adequados de elevação de temperatura e de queda de tensão”. O item 4.2.1.1.2 diz também que devem ser “consideradas as possibilidades de não simultaneidade de funcionamento dos equipamentos, bem como a capacidade de reserva para futuras ampliações” (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004, p. 12). De acordo com Cavalin e Cervelin (2006, p. 209), devemos adotar os seguintes objetivos para especificar a entrada de energia: determinar o tipo de 13Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão fornecimento; dimensionaros equipamentos de medição e proteção; efetuar estimativa de carga e demanda declarada; efetuar estimativa de fator de potência (no caso de residências e apartamentos individuais, considera-se FP = 1,00); e, para se enquadrar na categoria adequada ou no tipo de fornecimento, obedecer ao seguinte roteiro: determinar a carga instalada, conforme NBR 5410:2004 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS, 2004); verificar a demanda do consumidor, em kVA; verificar o número de fases das cargas do consumidor; verificar a potência dos motores, FN, 2F, 3F, em cv; verificar a potência dos aparelhos de solda e raio X, em kVA; e enquadrar o consumidor na categoria adequada, consultando a norma da concessionária local. Demanda de energia Demanda é a potência elétrica realmente absorvida em um determinado instante por um equipamento ou por um sistema. A demanda média de um consumidor ou sistema: é a potência elétrica média absorvida durante um intervalo de tempo determinado (15 minutos ou 30 minutos). A demanda máxima de um consumidor ou sistema é a maior de todas as demandas ocorridas em um período de tempo determinado; representa a maior média de todas as demandas verificadas em um dado período (um dia, uma semana, um mês ou um ano). A potência de alimentação, potência de demanda ou provável demanda é a demanda máxima da instalação. É o valor que será utilizado para o dimen- sionamento dos condutores alimentadores e dos respectivos dispositivos de proteção; será utilizado também para classificar o tipo de consumidor e seu padrão de atendimento pela concessionária local. Fator de demanda: razão entre a demanda máxima e a potência instalada: FD = D máx / P inst . Demanda de utilização É a soma das potências nominais de todos os aparelhos elétricos que funcio- nam simultaneamente, utilizada para o dimensionamento dos condutores dos ramais alimentadores, dispositivos de proteção, categoria de atendimento ou tipo de fornecimento e demais características do consumidor. A demanda varia conforme a utilização dos equipamentos elétricos. O valor em watts (W) da carga instalada não varia, a variação que ocorre é conforme a demanda de utilização dos equipamentos. Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão14 O cálculo da demanda é utilizado para definir a categoria de atendimento da concessionária, conforme a respectiva carga do consumidor. Esse cálculo é estatístico, por meio de estudos realizados por projetistas, pois caso isso não fosse utilizado, ocorreria um superdimensionamento na entrada de energia, em condutores, disjuntores, postes, chaves, e, consequentemente, com custos maiores por parte da concessionária. Portanto, é calculado uma estimativa máxima de demanda prevista. Confira o cálculo de um consumidor residencial: D = (P1 × g 1 ) + (P2 × g 2 ) Onde: D: demanda individual da unidade consumidora, em kVA. P1: soma das potências ativas da iluminação e TUGs em W. P2: soma das potências de TUEs em W. g 1 : fator de demanda dado pela Tabela 4. g 2 : fator de demanda dado pela Tabela 5. Fonte: Adaptada de Cavalin e Cervelin (2006). Linha Potência (W) g 1 01 0 a 1000 0,86 02 1001 a 2000 0,75 03 2001 a 3000 0,66 04 3001 a 4000 0,59 05 4001 a 5000 0,52 06 5001 a 6000 0,45 07 6001 a 7000 0,40 08 8001 a 9000 0,35 09 9001 a 10000 0,31 10 10001 a 11000 0,27 11 Acima de 10000 0,24 Tabela 4. Fatores de demanda para TUGs 15Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão Fonte: Adaptada de Cavalin e Cervelin (2006). Número de circuitos de TUEs g 2 Número de circuitos de TUEs g 2 01 1,00 11 0,49 02 1,00 12 0,48 03 0,84 13 0,46 04 0,76 14 0,45 05 0,70 15 0,44 06 0,65 16 0,43 07 0,60 17 0,41 08 0,57 18-19-20 0,40 09 0,54 21-22-23 0,39 10 0,52 24 e 25 0,38 Tabela 5. Fatores de demanda para TUEs A Figura 5 traz um exemplo de curva da demanda diária em uma residência. Figura 5. Curva da demanda diária em uma residência. Fonte: Adaptada de Cavalin e Cervelin (2006). Pinst. DM 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 t(h) Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão16 Confira a Tabela 6 para entender melhor o cálculo para carga instalada em uma residência. Tipo de carga Potência nominal (W) Quantidade Total parcial (kVA) Lâmpada fluorescente 100 4 0,4 Lâmpada incandescente 60 4 0,24 Tomadas 100 8 0,8 Chuveiro 5400 2 5,4 Geladeira 300 1 0,3 TV 90 1 0,09 Ar-condicionado 1800 2 3,04 Ferro elétrico 1000 1 1 Aquecedor a gás 1000 1 1 Forno elétrico 6000 1 0,6 Total 12,87 Tabela 6. Exemplo de cálculo para carga instalada em uma residência Carga instalada total em “kW”: CI (kW) = 15,85 kVA × 0,92 = 14,58 kW Carga instalada total em “kVA”: CI kVA = 12,87 kVA 17Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 5410: instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2004. CAVALIN, G.; CERVELIN, S. Instalações elétricas prediais: conforme norma NBR 5410:2004. 14. ed. São Paulo: Erica, 2006. PRYSMIAN CABLES & SYSTEMS. Manual Prysmian de instalações elétricas. [S.l.]: Prys- mian, 2010. Leituras recomendadas AMPLA. Energia Elétrica do Grupo Ebel. Cálculo de demanda para medição de cliente em baixa tensão. Rio de Janeiro: Ampla, 2009. (ITA-001, rev. 3). CARVALHO, M. R. L. Instalações elétricas de baixa tensão. Rio de Janeiro, 2000. (Apostila). COTRIN, A. A. M. B. Instalações elétricas. 3. ed. São Paulo: Makron Books, 1992. NISKIER, J.; MACINTYRE, A. J. Instalações elétricas. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1992. SOUZA, D. R. Instalações elétricas prediais. Jataí, GO: CEFET, 2006. 19Equipamentos elétricos de instalações prediais de baixa tensão DICA DO PROFESSOR O Programa Nacional de Conservação de Energia Elétrica (Procel) é coordenado pelo governo federal e tem por objetivo orientar o consumidor no momento da compra. Além de indicar quais produtos apresentam os melhores níveis de eficiência energética dentro de cada categoria, propicia economia na conta de energia elétrica. Assistindo ao vídeo da Dica do Professor, você vai compreender como funciona o Procel. Verá, também, como a etiqueta é padronizada para os fabricantes de eletrodomésticos, como estes são classificados e as principais vantagens do programa. Confira, a seguir. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) Em uma residência, vivem quatro pessoas. Cada uma delas toma dois banhos diários de dez minutos, sendo a potência elétrica do chuveiro de 5400W (5000). Determine o consumo de energia elétrica mensal em kWh referente ao chuveiro. A) 216 kWh. B) 100 kWh. C) 80 kWh. D) 350 kWh. E) 220 kWh. 2) Calcule o custo diário e mensal de apenas uma lâmpada incandescente de 60 W ligada por doze horas diárias. Considere que a concessionária cobra o valor de R$0,50 centavos de real/(kWh) pelo consumo da energia elétrica. A) R$ 0,36 diário e R$ 10,80 mensal. B) R$ 0,25 diário e R$ 9,80 mensal. C) R$ 0,27 diário e R$ 11,80 mensal. D) R$ 0,20 diário e R$ 10,40 mensal. E) R$ 0,30 diário e R$ 12,10 mensal. 3) Conceitualmente, é possível afirmar que a potência ativa se transforma em potência luminosa, térmica e mecânica, produzindo trabalho útil. Marque a alternativa em que equipamentos que atendam a esse conceito são apresentados. A) Tomadas de uso geral, luminárias e interruptores monofásicos. B) Poste da entrada de energia, isoladores e eletrodutos. C) Canaletas, eletrocalhas e parafusos. D) Disjuntores, fusíveis e medidores de energia. E) Lâmpadas de LED, aquecedores elétricos e motores de indução. 4) Sendo o cálculo da demanda um método estatístico, calculado por fórmulas e com a utilização de tabelas disponibilizadas pelas concessionárias de energia elétrica, o projetista de instalações elétricas o utiliza com a finalidade de: A) dimensionar e especificar a entrada de energia, adequando uma categoria de atendimentopor parte da concessionária a uma respectiva carga do consumidor, baseado no princípio de que nem todos os equipamentos elétricos serão utilizados ao mesmo tempo, ou seja, 100% da carga instalada em funcionamento. B) definir os valores de tensão, corrente e potência das residências. Não é utilizado pelas concessionárias de energia. a. C) fazer cálculos estatísticos de projetos elétricos de instalações, sem função prática junto às concessionárias de energia. a. D) estimar valores de impedância, resistência das linhas de distribuição de energia por parte da concessionária, não sendo utilizados nos projetos de instalações elétricas residenciais. a. E) definir os valores dos cabos do sistema de proteção atmosférica das residências e prédios, não sendo utilizado para fins de cálculo de carga ou consumo de energia. 5) O sistema elétrico brasileiro é predominantemente constituído de usinas hidrelétricas, devido à nossa extensa e diversa bacia hidrográfica de rios. Marque a alternativa que apresente características desse sistema. A) Esse sistema tem como principal matéria-prima a movimentação dos ar para a geração de energia elétrica. Por meio do vento, é possível transformar a energia cinética de translação em energia cinética de rotação, utilizando turbinas éolicas. Depende do regime de chuvas na região dos reservatórios das usinas e do ciclo das águas, B) pois, para o correto funcionamento das turbinas, é necessário existir uma vazão mínima de água. C) Esse sistema não depende do regime de chuvas na região dos reservatórios das usinas e do ciclo das água. Se ocorrerem períodos de seca, o sistema funcionará normalmente, sem prejuízo para as turbinas hídricas. D) No sistema de usinas hidrelétricas, é possível estocar a energia produzida para o consumo conforme as turbinas operam, havendo grandes acumuladores da eletricidade. E) Nesse sistema, a principal matéria-prima para geração de energia elétrica é a queima de combustível. A água vaporizada nas caldeiras é transportada à alta pressão até a turbina, sem prejuízo com períodos de secas. NA PRÁTICA João, é um engenheiro eletricista e foi contratado pelo escritório de Engenharia PMSV para calcular a demanda de um apartamento de 100m². Inicialmente, ele fez o levantamento das cargas previstas a serem instaladas, a partir dos desenhos das plantas elétricas elaboradas pelo escritório PMSV. Posteriormente, com as tabelas, elaborou os cálculos. Confira, a seguir, Na Prática. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: As tarifas de uso da rede para baixa tensão e os custos das distribuidoras Leia o artigo indicado, para aprender mais sobre demanda elétrica, tarifas de uso da rede para baixa tensão e os custos da distribuição de energia no Brasil. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Equipamentos elétricos e eletrônicos Para conhecer mais sobre a instalação de equipamentos elétricos e eletrônicos, leia o material técnico desenvolvido pelo Ministério Público da Educação. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Análise de geração de corrente contínua e alternada I APRESENTAÇÃO Nesta Unidade de Aprendizagem, estudaremos a análise de geração de corrente contínua e alternada I. A corrente contínua (CC) é aquela que flui em apenas um sentido em um circuito enquanto que na corrente alternada (CA) é aquele em que o sentido e a amplitude do fluxo de corrente muda em intervalos regulares Bons estudos! Ao final desta unidade você deve apresentar os seguintes aprendizados: Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar formas de onda em corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA) e tipos de geração. • Comparar sistemas CA monofásicos e trifásicos, vantagens e padrões.• Relacionar os valores eficaz, médio, de pico e pico a pico de uma forma de onda senoidal.• DESAFIO Em uma pequena propriedade rural existe um arroio, onde foi construída uma barragem com uma turbina tipo Francis, para uma microcentral de energia elétrica. O desnível é de cerca de três metros, a vazão é baixa, e a potência teórica máxima é de cerca de 1,5 KVA. Está instalado um gerador monofásico CA de 5 KVA, da marca Kolbach. Esse gerador é antigo, com excitação de corrente de campo CC. Existe um reostato para fixação da tensão CA final. A linha de alimentação de energia tem cerca de 200 metros de distância da produção de energia à utilização. Os fios de transmissão de energia são de alumínio. A energia que estará disponível para utilização será de 5 KVA? INFOGRÁFICO Veja na ilustração o esquema do que veremos nesta Unidade referente à análise de geração de corrente contínua e alternada: CONTEÚDO DO LIVRO Existem dois tipos de geradores de energia elétrica: CC e CA. Para transmissões a maiores distâncias, são utilizados os geradores CA. Podem ser monofásicos e polifásicos, sendo o trifásico o mais utilizado, com maior rendimento. Aprofunde seu conhcecimento no capítulo Análise de Geração de Corrente Contínua e Alternada I, da obra Eletrotécnica. Boa leitura. ELETROTÉCNICA Felipe de Oliveira Baldner Análise de geração de corrente contínua e alternada I Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: � Identificar formas de onda em corrente contínua (CC) e corrente al- ternada (CA), bem como os tipos de geração. � Distinguir sistemas CA monofásicos de trifásicos, além de suas van- tagens e padrões. � Relacionar os valores eficaz, médio, de pico e pico a pico de uma forma de onda senoidal. Introdução Neste capítulo, você conseguirá distinguir formas de onda em corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA), identificar as principais formas de geração e os parâmetros controláveis para obtenção de energia nessas formas. Atualmente, com a existência de diversos tipos de formas de geração de energia, tanto as mais tradicionais quanto as sustentáveis, é necessário identificar parâmetros de cada tipo de geração em CA, trifásica ou mono- fásica, para uma instalação residencial, comercial ou até mesmo industrial. Por fim, as formas de onda senoidais serão estudadas de modo a extrair todas as características presentes e entender suas aplicações. Geração de energia Hoje, os equipamentos elétrico-eletrônicos são onipresentes em todos os tipos de ambientes — do celular às máquinas de cartão de crédito em um estabe- lecimento comercial, além dos motores elétricos que permitem a produção industrial, sem contar os sistemas de iluminação que possibilitam a realização de tudo isso. Por mais que todas essas atividades não pareçam se relacionar, há um ponto em comum entre todas: a energia. Todas essas atividades se caracterizam por apresentar uma fonte de energia acoplada, seja esta móvel, como no caso das baterias, seja fixa, como tomadas e pontos de ligação. Assim, torna-se necessário compreender os modos como a energia é for- necida aos diferentes tipos de cargas, bem como a maneira como essa energia é gerada. A corrente alternada (CA) se caracteriza por um sinal elétrico que: � seja periódico, ou seja, que se repita a cada período T (em segundos); � seja simétrico, em que a forma de onda em metade do período é igual à forma de onda da outra metade, mas com sinal negativo; � tenha a mesma amplitude positiva e negativa. A partir dessas características, pode-se visualizar dois tipos de formas de onda alternadas na Figura 1, uma com forma senoidal e a outra, quadrada (PETRUZELLA, 2013). Figura 1. Exemplos de formas de onda em CA. Análise de geração de corrente contínua e alternada I2 Já a energia gerada em corrente contínua (CC) tem uma forma de onda que se caracteriza por ter apenas um sinal, ou positivo ou negativo, constante ou variante no tempo, como pode ser visto nos exemplos da Figura 2 (PE- TRUZELLA,2013). Figura 2. Exemplos de formas de onda em CC. Geração de corrente alternada A geração de CA é um processo eletromecânico que se dá pelo movimento de um campo magnético em um condutor estacionário. O condutor estacionário (estator do gerador) é composto por uma bobina com N espiras, enquanto a parte móvel (rotor do gerador) constitui-se por um ímã ou eletroímã que gerará o campo magnético. O movimento do rotor no interior da bobina faz com que, a cada instante, o ímã esteja em uma posição diferente, para que uma quantidade diferente de fluxo magnético passe pela bobina. Pela lei de Faraday, a tensão (também denominada força eletromotriz) induzida por esse processo é dada pela equação (1), em que o fluxo é descrito matematicamente por uma função senoidal, que gira em uma frequência angular ω (UMANS, 2014). A Figura 3 exibe esquematicamente os principais componentes de um gerador rotativo de CA. (1) 3Análise de geração de corrente contínua e alternada I Figura 3. Principais componentes de um gerador rotativo CA. Geração de corrente contínua A CC pode ser gerada de diversas maneiras, como a partir de reações químicas (baterias), exposição de certos materiais à luz (efeito fotovoltaico), transfor- mação da tensão CA (processo de retificação) ou utilização de geradores CC. As baterias são compostas por dois eletrodos de material metálico imersos em um eletrólito, com uma membrana separando-os, como mostra a Figura 4. Nesse meio, ocorre um processo de oxirredução desses materiais, fazendo com que haja um fluxo de elétrons saindo do material sofrendo oxidação (anodo) em direção ao material sofrendo redução (catodo). A membrana evita que seja fechado um curto-circuito entre o anodo e catodo, além de ajudar no fluxo de íons. Como o sentido da corrente elétrica é dado pelos materiais empregados como eletrodos, não haverá mudança de seu sentido. Análise de geração de corrente contínua e alternada I4 Figura 4. Elementos básicos de um processo eletroquí- mico de geração de CC. O processo de geração fotovoltaica consiste na excitação de cargas pelos fótons presentes na luz solar, fazendo com que essas cargas ganhem energia cinética e produzam corrente elétrica dentro de um material semicondutor. Cada pequeno pedaço de material é chamado de célula fotovoltaica e seu arranjo em série e paralelo forma as placas fotovoltaicas, gerando CC em seus terminais. A Figura 5 apresenta de forma esquemática seus componentes. 5Análise de geração de corrente contínua e alternada I Figura 5. Elementos básicos do processo fotovoltaico de geração CC. O processo de transformação de energia de CA para CC é chamado de retificação. Utilizando uma ponte de diodos, como mostrado na Figura 6, o sinal CA é transformado em um sinal CC pulsado. Adicionalmente, podem ser adicionados capacitores e circuitos reguladores de tensão para uma tensão CC constante (BOYLESTAD; NASHELSKY, 2013). Figura 6. Retificação de tensão CA em tensão CC pulsada. Análise de geração de corrente contínua e alternada I6 Um gerador CC tem estrutura similar a um gerador CA. Contudo, uma de suas diferenças reside na construção, já que o ímã permanente está presente no estator, enquanto a bobina na qual a tensão é induzida fica no rotor. Os terminais de saída estão ligados a escovas que fazem contato com o rotor por meio de um anel segmentado, onde cada parte faz contato com uma extremi- dade da bobina. Como o ímã é fixo, a corrente induzida pelo fluxo magnético terá sempre um mesmo sentido. Assim, cada escova sempre terá contato com a corrente induzida pelo mesmo polo: a escova positiva com o polo norte e a negativa com o polo sul. Esse processo também é conhecido como retificação mecânica. Dessa forma, a tensão gerada nos terminais das escovas terá sempre o mesmo sinal, como pode ser visto no esquema da Figura 7 (UMANS, 2014). Figura 7. Esquema de geração CC. (a) Elementos principais. (b) Forma de onda de saída. (c) Processo de retificação mecânica. 7Análise de geração de corrente contínua e alternada I Sistemas CA monofásicos e trifásicos Um gerador CA tem como saída um único sinal senoidal de tensão para ali- mentar cargas, passando por dois condutores, a fase e o neutro. Outro tipo de sistema CA empregado é o trifásico, que apresenta as seguintes vantagens em relação ao monofásico (KELJIK, 2013; MEIER, 2006; MORRIS, 1996): � um gerador trifásico a quatro fios, três fases e um neutro, fornece três vezes mais energia do que um gerador monofásico a dois fios; � a eficiência de um gerador trifásico é maior, ou seja, produz mais energia, proporcionalmente; � em um gerador trifásico o torque de saída é praticamente constante, enquanto no monofásico é pulsado; � geradores trifásicos são de fácil paralelização e sincronização em com- paração ao monofásico. Construtivamente, um gerador CA é composto por uma parte fixa, o estator, e uma parte rotativa, o rotor. O tipo mais comum de gerador CA, o síncrono, constitui-se por um ímã permanente ou eletroímã no rotor que gera um campo magnético responsável por induzir tensão elétrica nos enrolamentos do estator. O gerador mais simples é composto por um ímã permanente de dois polos no rotor e dois enrolamentos no estator. O rotor, sofrendo ação externa, girará e induzirá uma tensão em cada enrolamento. Conforme o polo do rotor se afasta do enrolamento do estator, a tensão induzida diminui até chegar a zero. A partir desse instante, a tensão continua a diminuir até que o outro polo do rotor (de sentido oposto) esteja próximo ao enrolamento. Nesse momento, a tensão induzida é mínima. O processo então se repete, como se observa no esquema da Figura 8 (UMANS, 2014). Análise de geração de corrente contínua e alternada I8 Figura 8. Processo de geração CA de um gerador monofásico síncrono de dois polos. Observando a curva da tensão induzida da Figura 8, pode-se perceber que, se o tempo que um polo do rotor leva até obter uma revolução completa for menor, a frequência da tensão induzida será maior. Outra maneira de obter esse mesmo resultado é aumentando a quantidade de polos do rotor e enrola- mentos do estator. Assim, a frequência f (em hertz) de um gerador CA de P polos (lembrando que P pode ser apenas números pares) pode ser encontrada pela equação (2), em que n é a velocidade angular mecânica do motor em rotações por minuto. A Figura 9 exemplifica um gerador CA de quatro polos. Nesse caso, os enrolamentos a 1 –a 1 ’ e a 2 –a 2 ’ devem ser ligados em série para a obtenção da tensão induzida (UMANS, 2014). (2) 9Análise de geração de corrente contínua e alternada I Figura 9. Gerador CA monofásico de quatro polos. Ao projetar um gerador CA monofásico para uma frequência de 60 Hz, qual deve ser a velocidade angular mecânica da fonte de energia mecânica para um rotor com (a) dois polos, (b) quatro polos e (c) seis polos? Utilizando a equação (2) e resolvendo para a velocidade angular mecânica n: Para um rotor com dois polos: Para um rotor com quatro polos: Análise de geração de corrente contínua e alternada I10 Para um rotor com seis polos: Os geradores CA trifásicos têm estrutura similar, embora haja uma diferença inicial na quantidade de polos e enrolamentos. Enquanto a quantidade de polos deve ser múltipla de 2, em razão da fonte de campo magnético, os enrolamentos devem ser múltiplos de 3. Para prover energia de forma simétrica, as tensões induzidas de cada fase serão defasadas de 120° em unidades de tempo. Para isso, os enrolamentos de cada fase também deverão estar afastados de 120° mecânicos, como pode ser observado no esquema da Figura 10 (FLARYS, 2013; PETRUZELLA, 2013). Figura 10. Gerador CA trifásico de dois polos e três enrolamentos. 11Análise de geração de corrente contínua e alternada I A energia CA que chega a residências, comércios e indústria é gerada, transmitida e distribuída pelo Sistema Elétrico de Potência (SEP), constituído, por sua vez, de geradoras de energia,linhas de transmissão, subestações transformadoras e linhas de distribuição. Em cada uma dessas etapas, a tensão tem diferentes níveis. A baixa tensão (BT) é aquela presente nas cidades e tem valores inferiores a 1.000 V. Os principais níveis de tensão BT existentes são o 127 V/220 V e o 220 V/380 V, operando em 60 Hz ou 50 Hz de acordo com o país. Nestes, o primeiro valor refere-se à tensão entre fase e neutro, também conhecida como tensão de fase, enquanto o segundo faz menção à tensão entre duas fases, também conhecida como tensão de linha. A média tensão (MT) é aquela cuja tensão tem valores entre 1.000 V e 50 kV e a alta tensão (AT) valores entre 50 kV e 230 kV. Adicionalmente, existem duas faixas, a extra alta tensão (EAT), compreendendo tensões entre 230 kV e 750 kV, e a ultra alta tensão (UAT), com tensões acima de 750 kV (MONTICELLI; GARCIA, 2011). O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) é responsável por coordenar e controlar todas as atividades relacionadas às etapas de geração e transmissão de energia no Brasil, conforme observado no link a seguir. https://qrgo.page.link/3sN9B Já a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) regula todas as atividades associadas ao SEP no Brasil, fiscalizando as concessionárias de energia das cidades: https://qrgo.page.link/Z9JdG Parâmetros de formas de onda CA senoidais Uma forma de onda senoidal varia ao longo do tempo, com valor instantâneo v(t) (na unidade da grandeza senoidal) em um instante t (em segundos) e tem como parâmetros sua amplitude (V máx , na unidade da grandeza senoidal — também conhecida como valor de pico), sua frequência angular (ω, em rad/s) e uma defasagem (θ, em rad). Matematicamente, pode ser descrita com esses parâmetros, pela equação (3). A frequência angular relaciona-se à frequência f Análise de geração de corrente contínua e alternada I12 e ao período T, como mostram as equações (4) e (5), respectivamente. O valor de pico a pico de uma função senoidal é o dobro de sua amplitude. Grafica- mente, a função senoidal da equação (3) é mostrada na Figura 11 (HAYT JR.; KEMMERLY; DURBIN, 2014). v(t) = V máx sen(ωt + θ) (3) ωΩ = 2 πf (4) (5) Figura 11. Função senoidal representada ao longo do tempo. Os sinais de tensão e corrente fornecidos por um gerador a uma carga também terão a mesma forma matemática da equação (3). Assim, em um sistema monofásico, a tensão e a corrente que alimentam uma carga resistiva são dadas pelas equações (6) e (7), respectivamente. A potência instantânea fornecida por este gerador é oferecida pelo produto entre sua tensão e corrente, como mostra a equação (8). 13Análise de geração de corrente contínua e alternada I v(t) = V máx sen(ωt) (6) i(t) = I máx sen(ωt) (7) p(t) = v(t)i(t) = V máx I máx sen2(ωt) (8) Essas três formas de onda podem ser vistas no gráfico da Figura 12. Figura 12. Formas de onda de tensão, corrente e potência. É possível perceber que, como os valores de tensão e corrente variam no tempo, a potência fornecida também se altera. Em comparação a sistemas CC, há apenas um valor constante para tensão, corrente e potência. Chama-se valor eficaz de uma corrente ou tensão senoidal aquele que é numericamente igual a uma tensão e corrente CC por dissiparem a mesma potência em uma carga resistiva. É importante notar que a potência não tem um valor eficaz, pois, matematicamente, é representada pela função senoidal ao quadrado. Matemati- camente, o valor eficaz de qualquer função que varia periodicamente no tempo é encontrado pela equação (9) (HAYT JR.; KEMMERLY; DURBIN, 2014). Análise de geração de corrente contínua e alternada I14 (9) Para um sinal senoidal, o valor eficaz é constante e relaciona-se, respecti- vamente, ao valor de pico e ao valor de pico a pico de uma senoide de acordo com as equações (10) e (11). Graficamente, é representado na Figura 13. (10) (11) Figura 13. Valor eficaz de uma forma de onda senoidal. 15Análise de geração de corrente contínua e alternada I O valor médio de uma função matemática que varia ao longo do tempo é aquele a qual tende em um intervalo definido de tempo, determinado pela equação (12). (12) Aplicando a equação (11) à função de tensão senoidal da equação (6), é possível encontrar como resultado para a tensão média o valor 0. Analisando graficamente a função, ela é simétrica tanto no eixo do tempo quanto no da tensão, o que significa que, dentro de um período, ela passará a mesma quantidade de tempo com valores negativos e positivos, bem como seu valor de pico positivo é igual ao seu valor de pico negativo, justificando o valor encontrado como tensão média. Determine os valores de pico e de pico a pico para tensões eficazes de (a) 127 V, (b) 220 V e (c) 380 V. Utilizando o resultado das equações (10) e (11), é possível determinar que: Para uma tensão eficaz de 127 V: Para uma tensão eficaz de 220 V: Análise de geração de corrente contínua e alternada I16 Para uma tensão eficaz de 380 V: BOYLESTAD, R. L.; NASHELSKY, L. Dispositivos eletrônicos e teoria dos circuitos. 11. ed. São Paulo: Pearson, 2013. FLARYS, F. Eletrotécnica geral: teoria e exercícios resolvidos. 2. ed. Barueri: Manole, 2013. HAYT JR., W. H.; KEMMERLY, J. E.; DURBIN, S. M. Análise de circuitos em engenharia. 8. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. KELJIK, J. Electricity 3: power generation and delivery. 10. ed. Clifton Park: Cengage Learning, 2013. MEIER, A. Electric power systems: a conceptual introduction. New Jersey: John Wiley & Sons, 2006. MONTICELLI, A.; GARCIA, A. Introdução a sistemas de energia elétrica. 2. ed. São Paulo: Unicamp, 2011. MORRIS, N. M. Mastering electronic and electrical calculations. London: Macmillan, 1996. PETRUZELLA, F. D. Eletrotécnica II. Porto Alegre: AMGH, 2013. (Série Tekne). UMANS, S. D. Máquinas elétricas de Fitzgerald e Kingsley. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2014. Leituras recomendadas AGÊNCIA NACIONAL DE ENERGIA ELÉTRICA. [2019]. Disponível em: http://www.aneel. gov.br/. Acesso em: 10 jun. 2019. OPERADOR NACIONAL DO SISTEMA ELÉTRICO. c2019. Disponível em: http://www.ons. org.br/. Acesso em: 10 jun. 2019. PETRUZELLA, F. D. Eletrotécnica I. Porto Alegre: AMGH, 2013. (Série Tekne). 17Análise de geração de corrente contínua e alternada I DICA DO PROFESSOR Um gerador é uma máquina que usa o magnetismo para converter energia mecânica em energia elétrica. Os geradores práticos de eletricidade são classificados em dois grupos gerais: corrente contínua (CC) e corrente alternada (CA). A corrente contínua gerada não altera a sua polaridade, e a corrente alternada, devido à polaridade de seus terminais, altera continuamente, para semi- ciclos positivos e negativos, dentro de uma frequência específica (normalmente, no Brasil, 60 Hz), amplitude com valores eficazes, médios, pico, pico a pico. Os geradores CA podem ser monofásicos e polifásicos. Os geradores trifásicos têm maior rendimento, utilizam melhor a fiação, com maior economia. Vamos acompanhar mais detalhes no vídeo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) 1) Por questões de rendimento e maior economia de fiação, qual o tipo de gerador mais utilizado? A) Corrente contínua. B) Corrente alternada monofásico. C) Corrente alternada trifásico. D) Dínamos. E) Alternadores automotivos. 2) 2) Os geradores de corrente contínua têm, normalmente, como terminal de saída: A) Dois anéis coletores. B) Um único anel segmentado chamado comutador. C) Três anéis coletores. D) Não têm anéis coletores. E) Nenhuma resposta acima. 3) 3) Geradores trifásicos têm uma defasagem entre as três fases de: A) 45 graus. B) 60 graus. C) 90 graus. D) 120 graus. E) 180 graus. 4) 4) A frequência de saída (número de ciclos de tensão por segundo) de um alternador é determinada pelo: A) Número de polos do estator e a velocidade de rotação do rotor. B) Tipo do gerador: CC ou CA. C) Número de polos e tipo de gerador CC ou CA. D) Velocidadede rotação e tipo de gerador CC ou CA. E) Nenhuma resposta acima. 5) 5) O período de um ciclo em corrente alternada é: A) Frequência da onda. B) Amplitude. C) Tempo necessário para percorrer um ciclo completo da onda CA. D) Valor eficaz da forma de onda. E) Valor de pico. NA PRÁTICA Geradores de energia elétrica são muito importantes para assegurar o abastecimento de energia em casos de apagões da concessionária, que podem acontecer por desastres naturais, como temporais e tormentas que derrubam linhas de transmissão. As grandes empresas têm instalado, de prontidão, grupos geradores que automaticamente entram em funcionamento quando a energia da concessionária é desligada. Esses grupos geradores têm de ser bem dimensionados para atender bem as necessidades atuais e futuras da empresa, dentro de uma logística. Os combustíveis para esses geradores podem ser gasolina, álcool etanol, óleo diesel ou gás natural. A escolha deve ocorrer conforme fatores de disponibilidade, aplicações e custos. SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Princípio de funcionamento de Motores CC Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Gerador elétrico de corrente alternada Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Geradores de corrente alternada e corrente contínua Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Análise de geração de corrente contínua e alternada II APRESENTAÇÃO APRESENTAÇÃO Olá! Nesta unidade, estudaremos análise de geração de corrente contínua e alternada, entendendo os sistemas CA monofásicos e trifásicos. Bons estudos! Ao final desta unidade você deve apresentar os seguintes aprendizados: Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Identificar geradores monofásicos e polifásicos.• Comparar sistemas CA em estrela e triângulo, vantagens e padrões.• Relacionar os valores de tensão de fase e linha, corrente de fase e linha para ligações em estrela e triângulo. • INFOGRÁFICO Conheça na ilustração o esquema do que veremos nesta unidade referente à análise de geração de corrente contínua e alternada - parte II. CONTEÚDO DO LIVRO Os sistemas monofásicos e trifásicos são os mais utilizados. Leia o livro Eletrotécnica II, de Frank D. Petruzella, da Série Tekne, que serve de base teórica para a unidade de aprendizagem. Inicie a leitura a partir do título Corrente Contínua (CC) e aprenda um pouco mais! Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! DICA DO PROFESSOR As cargas trifásicas podem ser alimentadas em configurações estrela ou triângulo. O sistema trifásico apresenta maior rendimento e tem menor fiação, em uma comparação com sistemas monofásicos, sendo mais econômicos para alimentação de cargas. As ligações podem ser feitas na configuração estrela ou triângulo. Temos para cada configuração estrela ou triângulo tensões de linha e fase, e correntes de linha ou fase. Vamos acompanhar mais detalhes no vídeo. Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! EXERCÍCIOS 1) , 1) Geradores trifásicos de corrente alternada têm cada fase defasada de: A) 45 graus. B) 60 graus. C) 90 graus. D) 120 graus. E) 180 graus. 2) , 2) Geradores e cargas trifásicas podem ser ligados nas configurações: A) Delta e triângulo. B) Série e triângulo. C) Estrela e triângulo. D) Delta e paralelo. E) Triângulo e série. 3) , 3) Medições de corrente e tensão feitas para um gerador trifásico conectado em estrela indicam uma tensão de fase de 240 Volts e uma corrente de linha de 30 amperes. Qual o valor da Tensão de linha? A) 220 Volts. B) 240 Volts. C) 380 Volts. D) 415 Volts. E) 480 Volts. 4) , 4) Medições de corrente e tensão feitas para um gerador trifásico conectado em estrela indicam uma tensão de fase de 240 Volts e uma corrente de linha de 30 amperes. Qual o valor da corrente de fase? A) 30 amperes. B) 20 amperes. C) 40 amperes. D) 45 amperes. E) 60 amperes. 5) , 5) Medições feitas de corrente e tensão em um gerador trifásico ligado em triângulo (também denominado delta) indicam uma tensão de linha de 480 Volts e uma corrente de linha de 100 amperes. Qual o valor da tensão de linha e da corrente de fase? A) 380 Volts e 100 amperes. B) 480 Volts e 100 amperes. C) 380 Volts e 57,8 amperes. D) 280 Volts e 100 amperes. E) 480 Volts e 57,8 amperes. NA PRÁTICA Motores trifásicos são largamente utilizados, e pelo fato de ter maior rendimento, encontramos no mercado motores trifásicos de baixa potência, como 3 CV ou menos. As ligações do tipo estrela/triângulo são importantes para o acionamento (partida). O conhecimento das tensões de linha e fase, e das correntes de linha e fase, nas configurações estrela e triângulo, são importantes para o dimensionamento de sistemas de acionamento e manobra. Exaustores industriais utilizam motores trifásicos de 1,5 cv SAIBA MAIS Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Montagem de quadro elétrico estrela triângulo: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Partida estrela triangulo: Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino! Eletricidade - Por que devemos usar a chave estrela triângulo? Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!