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Biologia 70 TRATAMENTO DE RESÍDUOS LÍQUIDOS Esgoto Telas Trituração Bacia de decantação Despejo do sedimentado Tratamento e despejo do lodo Lodo primário Tratamento primário Tratamento secundário Bombeamento do lodo Retorno do lodo Compressor de ar Clari�cador primário E�uente primário Tanque de aeração Clari�cador secundário Desinfetante Lodo ativado Despejo num corpo d’água ou tratamento terciário Existem alguns tipos de tratamento de esgoto, sendo eles: • Tratamento preliminar: Remove sólidos grandes ou grosseiros, sendo aplicado em quase todo tipo de água residuárias e é composta por grades, peneiras, caixas de areia e caixas de retenção de óleos e graxas • Tratamento primário: Normalmente utilizado para o tratamento de águas residuárias de fontes orgânicas, mas também é utilizado para quase todos os tipos de despe- jo, removendo resíduos finos. É composta por tanques de flotação, decantadores, fossas sépticas e estação de flocu- lação e decantação. • Tratamento secundário: É comumente utilizado para o tratamento de águas residuárias através do processo biológico, com a finalidade de reduzir a quantidade de matéria orgânica. É composta por lodos ativados, filtros biológicos, lagoas aeradas e de estabilização, digestor anaeróbio e fluxo de sistemas de disposição no solo. • Tratamento terciário: Estágio avançado no tratamento de água que tem o objetivo de remover as substâncias que não foram eliminadas anteriormente, como microrga- nismos patogênicos. É composta por lagoas e maturação, cloração, ozonização, filtros com carvão ativo e precipita- ção química. • Tratamento de lodos: Tem o intuito de desidratar e adequar os lodos para o despejo adequado. Composto por leitos de secagem, centrífugas, filtros-prensa, filtros a vácuo, digestão aeróbia ou anaeróbia e incineração. • Tratamento físico-químico: Utilizado principalmente em resíduos de natureza inorgânica, tem o intuito de re- mover todos os sólidos e restaurar as condições físicas e químicas da água. Composto por em coagulação/flocula- ção, precipitação química, oxidação e neutralização. São utilizados inúmeros componentes químicos para esse tipo de tratamento. 5.4. Saneamento básico Corresponde às medidas tomadas principalmente pe- los órgãos públicos que tem por intuito manter a saúde pública. O saneamento básico corresponde ao conjunto de medidas que visam combater doenças, dispo- VOLUME 2 | Ciências da natureza e suas tecnologias 71 nibilizar água potável para a população e visam tratar a água para minimizar os impactos socioam- bientais. Dentro das medidas do saneamento básico, podemos citar o processamento e distribuição adequada de alimen- tos, prevenindo a contaminação durante a manipulação, além do tratamento de água e esgoto. Diversos agentes transmissores e causadores utilizam das águas sujas e contaminadas para completar o seu ciclo de vida, como mosquitos, vermes, vírus e bactérias, sendo assim, uma outra medida importantíssima do saneamento básico é erradicar esses agentes e levar esclarecimento e conhecimento para a população sobre a importância de medidas sanitárias. Uma medida importante que abrange o saneamen- to básico e a educação em saúde e educação ambiental, é a promoção de palestras e outros meios de difusão de conhecimento para a população, afim de explicar sobre as doenças veiculadas por água contaminada, hábitos de higiene etc. 5.5. Eutrofização A eutrofização corresponde ao processo de poluição a partir do despejo de resíduos ricos em matéria orgânica, como o esgoto. São diversos os processos que causam a eutrofização de rios e lagos, como a drenagem de fertilizantes e o lan- çamento de esgotos, ambos responsáveis por aumentar a quantidade de matéria orgânica disponível no ambiente, contendo principalmente nitrogênio e fósforo. Esse processo estimula a absorção de nutrientes de alguns organismos que vivem nesses corpos d’água e, consequentemente, um crescimento acelerado das popu- lações. Com essa proliferação, alguns efeitos vão sendo alcançados, como o aumento na turbidez da água, que impede a fotossíntese e diminui a quantidade de oxigênio disponível na água, o aumento da quantidade de excretas, que pode intoxicar outras populações etc. Os efeitos decorrentes da eutrofização causam um grande desequilíbrio ecológico, por exemplo, com a di- minuição na quantidade de oxigênio, acontece um cres- cimento das bactérias heterotróficas decompositoras, enquanto que os organismos que dependem do oxigênio começam a morrer. Chamamos de DBO (Demanda Bioquímica de Oxigênio) a quantidade de oxigênio que é consumido du- rante os processos de degradação de matéria orgânica no ambiente aquático, sendo assim, ele é utilizado como um indicador de qualidade de águas e pode indicar a quanti- dade de matéria orgânica presente no ambiente. 5ml de DBO, por exemplo, significa que em 1 litro de água, 5 ml de oxigênio é necessário para a degradação da matéria orgânica, ou seja, é uma quantidade boa e indica uma água de boa qualidade. 100ml de DBO, por exemplo, indica que 100ml de oxigênio será necessário para de- gradar a matéria orgânica em 1 litro de água. Note que quanto mais alto o valor da DBO, maior é a quan- tidade de matéria orgânica, sendo assim, mais po- luída está o corpo d’água. Um outro componente que também está diretamente ligado com a eutrofização da água são os coliformes fe- cais, que são semelhantes às bactérias Escherichia coli, e também indica um importante indicador de qualidade da água, uma vez que, caso seja encontrado nas águas, indica uma contaminação por esgotos. Tenha sempre em mente que altos índices de DBO também indicam grandes quantidades de coliformes fe- cais, o que automaticamente caracteriza a água como sen- do imprópria para o consumo. 5.5.1. Maré vermelha A maré vermelha é um fenômeno que acontece como sendo causa da eutrofização. Em certas condições, prin- cipalmente com o excesso de nutrientes, algumas algas pirrófitas unicelulares tem o seu crescimento estimulado, mais especificamente, são as algas dinoflageladas (Filo Dinophyta). Essas algas, quando em grandes quantidades, liberam toxinas e alteram a cor da água, dificultando a passagem de luz, dificultando a fotossíntese e causando a morte de inúmeros organismos, causando um imenso desequilíbrio ecológico. Biologia 72 6. Poluição sonora por mais que o som seja parte importante do nosso desenvolvimento sociocultural, ele pode também trazer inúmeros impactos na fauna, na flora e até mesmo na saúde humana quando não usado corretamente. Diferente das outras poluições discutidas até então, a poluição sonora não produz resíduos, não acumula po- luentes, não altera a coloração e não gera cheiros caracte- rísticos, mesmo afetando diretamente os seres vivos. A poluição sonora acontece quando o som consegue alterar a condição normal de audição dentro de um deter- minado ambiente, podendo afetar a saúde física e mental tanto dos humanos quanto de outros animais. De acordo com a OMS (Organização Mundial da Saú- de), qualquer valor que seja acima de 50 db (decibéis) é considerado como sendo nocivo para a saúde humana, podendo causar estresse, depressão, insônia, perda de atenção, dores de cabeça e até mesmo perda de audição temporária ou permanente. Além disso, os efeitos do som alto também podem afetar a fauna e flora, causando estresse nos organismos e atrapalhando os seus instintos, principalmente aqueles que usam do som para realizar a sua caça ou se locomover, por exemplo, enquanto isso, as plantas podem ter o seu crescimento interrompido ou desorientado por conta de tremores causados pelas ondas sonoras. Carros buzinando, aeroportos, sirenes, construções, máquinas, casas de shows, templos religiosos e aparelhos de som são fontes de poluição sonora, consequentemente, caso esse som seja absurdamente alto, essas fontes po- dem ser consideradas fontes de poluição sonora. 7. A gestão de resíduossólidos A quantidade de lixo produzido depende de uma infi- nidade de fatores e pode ser influenciado principalmente pelo aumento da densidade populacional e os hábitos de consumo. Grandes cidades, como é o caso de São Paulo e Rio de Janeiro, tendem sempre a um crescimento na gera- ção de lixo, principalmente por conta do seu crescimento populacional. Assim como a quantidade, a composição dos resíduos sólidos também é variável, seja industrial ou residencial, dependendo de fatores como condições sociais da região em questão, dos hábitos, costumes etc. O lixo pode contaminar o solo e a água se não for co- letado, tratado e armazenado da maneira correta, gerando odores e atraindo inúmeros vetores de inúmeras doenças que atingem o ser humano. A degradação do ambiente está intimamente ligada com o destino e o manejo incorreto dos resíduos sólidos, contaminando os recursos naturais, sendo assim, o trata- mento e o destino final do lixo precisam sempre de solu- ções imediatas para minimizar esses impactos. Em São Paulo, por ser uma região que gera muito lixo, faltam políticas ambientais e de Saúde Pública que visem minimizar os impactos do despejo inadequado, uma vez que podemos encontrar lixo nas ruas, calçadas, lagos, rios e transbordando das lixeiras. Cada tipo de lixo possui um destino e um responsável por direcionar esse resíduo, como por exemplo o domici- liar, o comercial e o público, que são responsabilidade da prefeitura de enviá-los para a reciclagem, compostagem ou os aterros sanitários. Já os lixos hospitalar, industrial e agrícola, bem como os entulhos, são de responsabilidade total dos geradores, com destinos variáveis, somente o lixo hospitalar é indicado para a incineração. Sendo assim, as principais estratégias para a disposi- ção final do lixo são: Aterro sanitário: consiste na compactação dos resí- duos sólidos em diversas camadas que são, de tempos em tempos, cobertas por terra. Possui o objetivo de armazenar e acomodar no solo a maior quantidade de resíduos num pequeno espaço, sem causar danos ao ambiente ou à saú- de pública. É o método sanitário mais simples e comum, contudo, exige cuidados especiais, além de técnicas para a seleção e preparo da área, evitando que os líquidos prove- nientes do lixo entrem em contato com o solo ou com as águas subterrâneas. Compostagem: corresponde ao conjunto de técni- cas que tem por objetivo estimular o processo biológico de decomposição de matéria orgânica, originando um pro- duto rico em húmus e nutrientes minerais, podendo ser aplicado no solo para potencializar a sua fertilidade. Para a utilização desse método, algumas instalações se fazem ne- cessárias, como as usinas de triagem e de compostagem, essas construções, apesar de caras, diminuem a quantida- de de lixo direcionado para os aterros, minimizando ainda mais os impactos ambientais causados pelo lixo.